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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica TECNOLOGIA DE FIBRAS – MEC3107 FIBRAS TÊXTEIS: INTRODUÇÃO PROF. DR. RASIAH LADCHUMANANANDASIVAM FIBRAS TÊXTEIS: Introdução O uso de fibras têxteis é uma das artes antigas de ser humano. O estudo das fibras têxteis tornou-se interessante e sendo uma ciência desafiante. A história do desenvolvimento das fibras tem sido um padrão de tentativas e erros desde que a fibra começou a ser usada na fabricação de peças de vestuário. Os meios de torcer as fibras para formação de cordas, de plissado e de costura datam da era Paleolítica. Durante este tempo e até 100 anos atrás, todas as fibras empregadas pelo homem eram retiradas de fontes na natureza. No presente, estas fibras são conhecidas como fibras naturais, ex. algodão, linho, juta, lã e seda. O contínuo desenvolvimento das fibras é mais influenciado pelo clima. Inicialmente as fibras vegetais foram usadas em climas quentes. Lã, pelo e peles de animais foram usadas nos países frios. As sedas caras eram usadas pelos nobres, pelos ricos e pelas classes privilegiadas da sociedade. 2 O linho já era cultivado na era neolítica, sendo uma das fibras antigas de que se tem conhecimento. As qualidades extraordinárias do linho, tais como a resiliência, dureza, lustre e suavidade fizeram com que esta fibra fosse preferida na maior parte do mundo. Na maioria das vezes o linho é fiado com cânhamo que é conhecido por suas propriedades narcóticas. O algodão é uma fibra vegetal importante e vem sendo utilizado há mais de 5000 anos. Em 530 A.C. a seda foi mencionada nos textos chineses, e era utilizada também na Palestina e Síria nos século VI A.C. O conceito de produção de fibras artificiais ou fibras feitas pelo homem (Man Made Fibres) surgiu do desejo de substituir a seda. Em 1667 Hooke, e depois em 1734 Reaumer, tiveram a ideia de produzir seda artificial. Em 1770 Dubet iniciou a produção em escala experimental de filamentos da goma sedosa extraída da mariposa morta. O filamento foi produzido pela formação de jato e solidificação. 3 FIBRAS TÊXTEIS: Introdução O conceito de filamento de fibras feitas pelo homem foi desenvolvido em 1855 por G. Audemars. A primeira patente inglesa no assunto foi registrada (BP 283, 1855). O método consistia da extrusão de filamentos de uma solução de nitro- celulose dissolvida numa mistura de álcool e éter e os filamentos eram estirados a partir de um metal pontudo. Em 1869 o acetato de celulose foi descoberto por Schutzenberger e Naudin. Em 1880 Swan extrudou collidine (trimetil piridina) através de jatos finos num banho de coagulação. O sucesso comercial foi obtido por Chardonnet que produziu fibras de nitro-celulose e registrou a patente. No processo de nitro- celulose, a celulose foi nitratada com ácido nítrico com ácido sulfúrico como catalisador e em seguida dissolvida numa mistura de álcool e éter (collodion). Em 1890 Despeissis produziu seda artificial pelos meios de solução de cobre amoniacal para dissolução de algodão e fiação de celulose que foi batizada depois como raion cupramoníaco. 4 FIBRAS TÊXTEIS: Introdução Em 1891 o primeiro raion foi produzido na Alemanha. Em 1892 Cross e Beven, dissolveram celulose em hidróxido de sódio e bissulfeto de carbono – raion viscose. Também em 1894 desenvolveram o triacetato de celulose. Em 1903 o acetato de celulose secundário foi preparado, e em 1914 a fibra de acetato de celulose secundário foi manufaturada. Durante este tempo Henry Dreyfus desenvolveu ésteres de celulose na Suíça. A fase inventiva mais importante na evolução das fibras sintéticas aconteceu nos EUA e Alemanha durante os anos de 1928 – 1939. No período de 1931 a 1932 W. H. Carothers elaborou a teoria básica da estrutura da fibra. Ele e os seus seis colaboradores na Du Pont, prepararam polímeros que formam fibras de poliésteres e poliamidas. 5 FIBRAS TÊXTEIS: Introdução Em 1934 a primeira fibra sintética foi desenvolvida na Alemanha de co-polimeros de haleto vinílico e éster vinílico. A fibra foi chama da de “vinyon” e “Pe Ce”. Em 1935 descobriram o Nailon6.6, isto é poly(hexametileno adipamida) e o fenômeno de estiragem a frio. Por outro lado P. Schlack da IG Ferbenindustrie da Alemanha começou trabalhar nos polímeros de condensação. Ele descobriu o Nailon6 isto é poli(caprolactum) no período de 1937 a 1938. O poli(etileno tereftalato) foi feito na Inglaterra por J. R. Whinfield e J. T. Dickson da Calico Printers Association em 1941. A fibra de poli(acrilonitrilo) foi desenvolvida pela Du Pont em 1945. Em 1954 Ziegler e Natta patentearam o processo de manufatura de polipropileno. O poli(álcool vinílico) foi preparado em 1957, seguida pelo poliuretano que é a fibra elastomêrica, em 1958. 6 FIBRAS TÊXTEIS: Introdução Diferentes tipos de fibras estão disponíveis hoje- em-dia. Essas fibras são principalmente divididas em duas categorias: naturais ou manufaturadas pelo homem. Eles também são classificados por gerações, como eles foram produzidos em diferentes anos/épocas e conhecidos como primeira geração segunda geração, terceira geração, quarta geração de fibras. Isso é dado na tabela abaixo: 7FIBRAS TÊXTEIS: Introdução Fase 1 1935 -1950 Desenvolvimento de Náilon e outros polímeros para fabricação de fibras Fase 2 1950 – 1960 Desenvolvimento e comercialização das principais fibras depois de náilon. Fase 3 1960 – 1970 Desenvolvimento de fibras de segunda geração. Fase 4 1970 – 1990 Desenvolvimento de fibras especiais – terceira geração Fase 5 1990 - Desenvolvimento de fibras de engenharia – quarta geração O desenvolvimento das fibras sintéticas pode ser dividido em 5 fases: 8 FIBRAS TÊXTEIS: Introdução 1a Geração de Fibras – 4000 aC até 1940 Fibras naturais: Algodão, Lã, Seda, etc. 2a Geração de Fibras – 1940 - 1980 Fibras manufaturadas (fibras sintéticas) Náilon, Poliéster, Acrílico, etc. 3a Geração de Fibras – 1985 – 1990 continua Aramida, Polietileno, Fibras aromáticas. 4a Geração de Fibras – 1990 em diante Fibras inorgânicas, Carbono, Cerâmica, Vidro, etc. 9 FIBRAS TÊXTEIS: Introdução FIBRAS TÊXTEIS: Classificação Todas as fibras têxteis são classificadas baseadas na fonte da matéria prima e as suas características químicas. Propriedades essenciais das fibras têxteis: Comprimento da fibra (staple length) para expressar a dimensão, ou seja, somente o comprimento. Resistência Elasticidade Uniformidade Fiabilidade 10 11 1910 - Raion 1941 - Saran 1959 - Spandex 1924 - Acetato 1946 - Metálica 1983 - Aramida 1930 - Borracha 1949 - Modacrílico 1984 – PBI (Polybenzimidazole) 1936 - Vidro 1949 - Olefinas 1983 – PPS (Polyphenylene sulfide) 1939 - Nailon 1950 - Acrílico 1992 - Liocel 1939 - Vinyon 1953 - Poliéster Nos anos em que a produção comercial das fibres iniciaram. FIBRAS TÊXTEIS: Classificação FIBRAS TÊXTEIS: Fontes das fibras celulósicas Fibras de sementes (algodão, kapok, algodão bombax) Fibras de caule (linho, cânhamo, juta, ramie, kenaf, sunn, etc) Fibras de folha (sisal, cânhamo, cânhamo de Manila) Fibras de casca ou fruta (coco, palmeira, betelnut) A celulose também é encontrada em muitos materiais na forma não-fibrosa. Madeira (madeira dura e madeira mole) Capim (capim Sabai, capim espato, palhas de cereais, palha de arroz, palha de trigo, etc.) Restos da agricultura (bagaço de cana, bucha de milho, cascas de arroz, grãos e cascas de sementes, troncos de soja, caule de girassol, caule do pé de mamona, etc.) Celulose à base de fontes não vegetais. A celulose também é encontradano reino animal e mineral. Ela ocorre nos fosseis de madeira, turfa, linhita (lignite), celulose mineral (sapperite) e celulose animal como tunicin. 12 FIBRAS TÊXTEIS: Fontes de fibras proteicas Proteínas são compostos que ocorrem naturalmente nas células das plantas e animais. As fibras proteicas (de proteína) normalmente ocorrem como crescimento epitelial, como pelo ou secreção animal. Dentre elas a lã é a fibra mais importante. 13 Fibra Origem / Fonte Lã Carneiro Mohair Cabra Angorá Cashmere Cabra-caxemira Pelo de Camelo Camelo Pele de coelho Coelho Pelo de cavalo Cavalo Alpaca, Llama Llama Seda Mariposa (bicho-da-seda) domesticada (Bombyx mori) Selvagem (tussah, endi, eri, muga e fogara) FIBRAS TÊXTEIS: Algumas das fibras proteicas mais importantes 14 FIBRAS TÊXTEIS: Fontes de fibras sintéticas As principais fontes na formação de fibras sintéticas são: Petróleo Gás natural Carvão No presente, as fibras sintéticas são mais importantes do que as fibras naturais. As vantagens principais são: Alta resistência aos produtos químicos Alta resistência aos micro-organismos Baixa flamabilidade Alta elasticidade e alta resistência para distorção e emaranhamento Alta resistência a atrito (abrasão). 15 16 Fibras especiais: Polibenzoxazole Polibenzimidazole Classificação das Fibras Têxteis Natural Manufaturados animal vegetal mineral (amianto) semente algodão kapok coco folhacaule l inho hemp juta kenaf ramie etc. abaca ou manila henequen phormium tenax sisal etc. seda lã (carneiro) polímero sintético pelo alpaca, camelo, vaca, bode (mohaircashmere), cavalo, coelho (ângora), vicuña, etc. borracha(FTC) (elastodieno) outros (carbobno, vidro, metal, cerâmica) polímero natural animal (caseína) vegetal (arachin, zein) alginato éster de celulose celulose regenerada (ráion(FTC)) proteína regnerada (azlon(FTC)) cupro (cupra(FTC) acetato deacetilado viscose modal ureia de polimetileno (policarbamida) poliolefina (olefina(FTC) derivados de polivinilo poliuretano poliamida ounáilon aramid poliéster poliisopreno sintético polietileno polipropileno poliuretano não segmentado poliuretano segmentado (elastano, spandex (FTC), lycra) lastrile(FTC) vinilal poli (alcool vinilo), vinal acríl iconovoloid(FTC) trivinilofluorofibraanidex(FTC) modacríl ico nytril clorofibra poliestireno poli(cloreto de vinilideno) (saran(FTC)) poli(cloreto de vinilo) (vinyon (FTC)) Manufaturadas Tencel, Lyocell, Bambu, Alginato, etc. Polinosicasn FIBRAS TÊXTEIS: Características dos polímeros que formam as fibras. As fibras naturais e manufaturadas são principalmente formadas de compostos que pertencem aos altos polímeros ou macromoléculas. A estrutura macromolecular é necessária para a produção de materiais de alta resistência mecânica e altos pontos de fusão. As fibras naturais consistem de moléculas de cadeias de tipo macromolecular linear. As moléculas de cadeias são orientadas em feixes paralelos no processo de crescimento. Baseado nestas investigações presume-se que o polímero deve satisfazer os requesitos mínimos, se ele vai servir como uma fibra. 17 FIBRAS TÊXTEIS: Os requisitos: Fibras Naturais: Flexibilidade, finura e razão do comprimento/diâmetro Flexibilidade – o polímero deve ser flexível, macromolecular com o grau de simetria. O diâmetro efetivo da secção transversal deve ser menos de 15Å. O polímero não deve conter grupos laterais ou cadeias volumosas (grandes); Massa molecular – O polímero deve ter comparativamente alta massa molecular. O comprimento médio da cadeia molecular deve ser na ordem de 1000 Å ou mais; Configuração – A molécula deve ter a capacidade para adotar uma configuração extensa e um estado de alinhamento mútuo; Cristalinidade – O polímero deve ter no mínimo um alto grau de poder coesivo intermolecular. Isto indica que as cadeias moleculares devem ter um número suficiente de pontos de atração; Orientação – Um alto grau de orientação das moléculas no polímero é um pré- requisito para produzir alta resistência tensil. (obs.: O ångström ou angstrom (símbolo Å) (pronunciado /ˈæŋstrəm/; Sueco: [ˈɔŋstrøm]) é uma unidade de comprimento internacionalmente reconhecido igual à 0.1 nanometro ou 1 × 10−10 metros) 18 19 Fibras- Polímero sintético Polímero Natural (regenerada) Fibras Naturais Poliéstera 30650 Celulósicasa 2545 Algodão 24442 Poliamidaa 3511 Lioceld 150 Lã 1209 Acrílicoa 1913 Seda 148 Polipropilenoa 5939 Juta 3250 Spandexa 612 Linhob 772 Aramidc 69 Ramieb 250 Fibra de carbonoc 38 Canhamob 68 Cocob 954 Total 42732 2695 31093 Tabela -2 A demanda mundial de algumas fibras têxteis (1000 toneladas) Fonte: aFibre Organon, 2009, 80(6), 95-112./ bA.G. Saure, A World Survey on Textile and Nonwoven Industry, 2006, 6, (data for 2005) / cTextile Month Int., 2009, 4, 2, 5. / dEstimado. FIBRAS TÊXTEIS: DEMANDA MUNDIAL 20 Pais Porcentagem da participação na produção global China 54,8 EUA 7,2 Oeste Europeia 6,7 Índia 5,7 Taiwan 5,0 Korea do Sul 3,5 Indonésia 3,0 Japão 2,3 Turquia 2,2 Tailandia 1,7 Tabela -3 Os maiores produtores mundiais dos polímeros sintéticos FIBRAS TÊXTEIS: Produção mundial - Fibras sintéticas 21 Mecânica Tensão Compressão Falha de fadiga Térmica Temperatura de fusão Decomposição térmica Temperatura de transição vítrea Flamabilidade Elétrica Carregamento eletrostática Condutividade elétrica Ótica Refração Reflexão Superfície Molhagem Adesão Atrito Biológica Resistência ao microrganismos Toxicológica Biocompatibilidade Degradação controlada in vitro Tabela – 4 Importantes Propriedades das fibras FIBRAS TÊXTEIS: IMPORTANTES PROPRIEDADES 22 Figura 4 Curva de Tensão x Deformação para fibra Modal Figura 5 Curva de Tensão x Deformação para (a) fibras naturais (b) fibras sintéticas. FIBRAS TÊXTEIS: PROPRIEDADES MECÂNICAS 23 Fibra Regain % Algodão 7-8 Lã 14 – 18 Seda 10 – 11 Viscose 12 – 14 Poliéster 0,4 Nailon 6.6 4,1 Acrílico 1 – 2 Polipropileno 0 Tabela 5 Valores de Regain porcentagem à 20oC e 65% Umidade relativa (porcentagem de umidade recuperada) FIBRAS TÊXTEIS: IMPORTANTES PROPRIEDADES 24 Até 1980 Fibras específicas 1980 – 84 Alto desempenho / fibra de alta funcionalidade Desde 1984 Fibra de alta tecnologia Desde 1985 Super. fibra até o presente Tenacidade > 20g/D (ou 2,5 GPa) Módulos > 50g/D (ou 55 GPa) Tabela 7 História das super. fibras FIBRAS TÊXTEIS: Formação das fibras 25 Área da ciência Ciência da fibra, química dos polímeros, química dos alimentos Biologia, bioquímica, farmacologia Polissacarídeos Estrutura Funções Polissacarídeos Materiais estruturais como Celulose, amido, pullulan (naturalmente fermentado da mandioca) e quitina. Heteropolissacarídeos Mucopolissacarídeos com atividades farmacológicas fisiológicas, tais como heparina e sulfato de condroitina. Proteínas Aparência Funções Proteinas estruturais fibrosas tais como fibroina da seda, colágeno e queratina da madeira. Esféricas Proteínas funcionais tais como enzimas Propriedad es Grandes quantidades, mas falta funções fisiológicas Pequenas quantidades, funcionalidade alta. Referência Fibra natural FIBRAS TÊXTEIS: Formação das fibras Tabela 6 Polissacarídeos e biopolímeros proteicasFIBRAS TÊXTEIS: Formação das fibras A conversão das fibras a partir dos polímeros envolve os seguintes princípios: Redução do material polimérico a um estado líquido através de fusão ou pela dissolução num solvente ou em alguns agentes solubilizantes; Extrusão do liquido com pressão através de orifícios numa fieira; Solidificação rápida e continua do liquido extrudado; Os métodos principais usados na formação das fibras, isto é, os processos de fiação são determinados pelas propriedades físicas e químicas do polímero. Devido a este fato, o processo de fiação pode ser de dois tipos, isto é, fiação por fusão e fiação por solução. Todavia, devido às diferenças no processo de solidificação a fiação por solução pode ser dividida ainda mais em dois tipos de fiação – fiação a seco e fiação úmido. Em geral, os processos de fiação podem ser de três tipos: Fiação a fusão Fiação a seco e Fiação úmida. 26 Fiação a seco O processo de solidificação é uma combinação complexa de transferência de calor para dentro do filamento (aquecimento H); e o processo de transferência da massa (S) para fora do filamento como mostrado na Figura 1.1. 27 S H Figura 1.1 - Processo de solidificação no processo de fiação a seco. FIBRAS TÊXTEIS - Formação das fibras A transferência da massa do solvente para fora do filamento é efetuada em duas fases. Difusão do solvente do centro do filamento para a superfície (d), e Evaporação do vapor do solvente da superfície do filamento a atmosfera (e). Em geral, a evaporação do vapor do solvente da superfície para a câmara de solidificação é mais rápida do que a transferência do solvente do centro do filamento para a superfície. Em outras palavras, a velocidade da evaporação é maior do que a velocidade de difusão. Então a superfície do filamento é relativamente seca. Isto resulta na secagem rápida da superfície do filamento (pele), e o centro (centro – núcleo) do filamento permanece relativamente viscoso. Por causa disso, a secção transversal entra em colapso e uma secção transversal não circular da fibra resulta de uma secção transversal circular de uma fieira. 28 FIBRAS TÊXTEIS - Formação das fibras A velocidade de evaporação do solvente é uma função de: poder de retenção do solvente pelo polímero; pressão do vapor do solvente no gás; grau de saturação do gás com vapor do solvente; superfície da evaporação, isto é, diâmetro do filamento; velocidade da extrusão e velocidade da circulação do gás. Desta forma, o sistema de solução do polímero deve ser selecionado de modo que a solução sofra uma separação da fase de maneira controlada num polímero puro ou na sua alta concentração de gel e a base do solvente puro. 29 FIBRAS TÊXTEIS - Formação das fibras 30O processo de solidificação da solução do polímero consiste da extração do solvente pelos produtos químicos presentes no banho de coagulação. Este processo é um processo de transferência da massa para dentro e para fora do polímero, durante a passagem no banho. A transferência da massa de dentro para fora e de fora para dentro é um fenômeno mais complexo na fiação úmida como observamos na Figura 1.2. Si + Sii Sii FIBRAS TÊXTEIS - Formação das fibras Por causa disso, a transição da fase ocorre de uma fina corrente da solução do polímero para uma fibra sólida. A velocidade de transição depende da velocidade da transferência da massa para dentro (Sii), e a velocidade de transferência da massa (Si) para fora do sistema. A transição, e então a solidificação tornam-se possíveis quando Si > Sii ou Si / Sii >1. Altos valores de Si / Sii resultarão de uma fibra uniforme com melhores propriedades mecânicas. Devido a todas estas complicações, e o arrasto hidrodinâmico, as velocidades máximas de saída são limitadas na faixa de 50 a 150 m/min. A fibra extrudada pode ser estirada no banho de coagulação devido a sua forma estrutural de gel. O grau de estiramento pode ser até 30 vezes, e para ter o grau de estiramento, a fibra normalmente passa por vários banhos de coagulação. Devido à alta concentração de líquido nas fibras de fiação úmida, é difícil enrolá-las em bobinas. Também a secagem das fibras antes de estiragem oferece dificuldades no processamento. Por isso, o enrolamento das fibras é feito por método de centrífuga que no enrolamento das fibras é geralmente usada para coletar os filamentos após a solidificação. 31 FIBRAS TÊXTEIS - Formação das fibras 32 Método de fiação Polímero Natureza química Fiação a fusão Náilon Poliamida Poliéster Poli(etileno tereftalato) Polietileno Etileno – homo e copolímero Polipropileno Propileno – homo e copolímero Fiação a seco Acetato de celulose Celulose acetilado Vinyon Copolímero de cloreto de vinila e acetato de vinila Orlon Poli(acrilonitrila) Fiação a úmida Viscose Celulose Caseína Proteína Acrilan Poli(acrilonitrila) Vinylon Álcool polivinilico PVC Cloreto de polivinila