Economia - 02 - O Modelo Keynesiano de determinação da Renda
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Economia - 02 - O Modelo Keynesiano de determinação da Renda


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ECONOMIA 
PROF. CARLOS RAMOS 
 
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Economia \u2013 Módulo 02 
 
II - O Modelo Keynesiano de determinação da Renda 
 
O Modelo Keynesiano Simplificado é uma forma de se compreender como é o 
processo de determinação da Renda, a partir da idéia básica do equilíbrio 
macroeconômico. Esse modelo foi formulado por John Maynard Keynes, um dos 
economistas mais conhecidos, e descreve as principais forças envolvidas na 
determinação do equilíbrio e da Renda. 
Para entender o modelo keynesiano precisamos ter em mente um importante 
conceito: a renda nacional de equilíbrio. Como vimos anteriormente, existe uma 
distinção básica entre renda e despesa. Enquanto que o conceito de \u201crenda\u201d mede 
o fluxo de pagamentos relativos ao uso dos fatores de produção, ou seja, salários, 
juros, lucros e aluguéis, durante certo período de tempo, a \u201cdespesa\u201d mede o fluxo 
dos gastos realizados pelos agentes econômicos com a compra de bens e serviços de 
consumo e de investimento, também durante certo período de tempo. 
Vimos através do fluxo circular da renda que as despesas acabam se transformando 
em pagamentos que remuneram os fatores de produção, os quais por sua vez 
contribuem para a produção dos diversos bens e serviços. Isto significa que renda e 
despesa são duas medidas diferentes do mesmo fluxo contínuo. Mas, se por algum 
motivo as despesas forem maiores ou menores que a correspondente remuneração 
dos fatores de produção, o resultado é que a renda gerada nessa economia não é a 
renda nacional de equilíbrio. 
A renda nacional de equilíbrio é aquela em que a remuneração dos fatores 
coincide com os gastos desejados em bens e serviços de consumo e 
investimento. 
Vamos considerar a partir desse momento, que a produção total de bens e serviços 
gerados pelo sistema econômico, durante certo período de tempo, corresponde à 
Oferta Agregada de bens e serviços. Por outro lado, a despesa nacional 
corresponde à Demanda Agregada por bens e serviços (lembrando ainda que 
produção e despesa são equivalentes à renda). Como essas variáveis se relacionam? 
Tudo começa a partir da demanda agregada. O que acontece se a demanda 
agregada por bens e serviços aumenta, num determinado instante? As firmas 
(empresas, unidades produtivas) respondem aos aumentos de demanda através 
dessas opções: 
1) Aumentando sua produção física, ou seja, a quantidade física de bens e 
serviços será maior, para atender ao crescimento da demanda agregada; 
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2) Elevando os preços dos produtos, aproveitando o aquecimento do mercado, 
ou seja, uma maior demanda por bens e serviços; 
3) Finalmente, as firmas podem fazer uma combinação das opções anteriores 
(aumentar quantidades físicas e preços dos produtos, em maior ou menor grau). 
Para facilitar o entendimento, vamos abstrair a terceira hipótese e nos concentrar 
nos casos extremos. 
A hipótese nº 1 corresponde a uma situação em que existe desemprego de 
fatores de produção. Isso quer dizer que existe Trabalho, Terra e Capital que não 
estão sendo utilizados pelas unidades produtivas, e que podem ser acionados 
(empregados) a qualquer momento para aumentar a produção física de bens e 
serviços, em resposta aos aumentos da demanda sem, contudo, variar o nível de 
preços da economia. 
A hipótese nº 2 equivale a uma situação de pleno emprego dos fatores de 
produção, isto é, não existe capacidade ociosa na economia. Como está acontecendo 
um emprego eficiente de todos os recursos disponíveis, o produto não pode mais 
crescer em resposta aos estímulos da demanda. Nesse caso, apenas o nível geral de 
preços da economia tenderá a subir. Essa tendência geral e prolongada de elevação 
da maior parte dos preços de bens e serviços da economia é denominada inflação. 
O gráfico a seguir ilustra as situações comentadas. O eixo vertical contém o nível 
geral de preços da economia. O eixo horizontal contém a renda nacional (vamos usar 
a partir de agora a letra \u201cY\u201d para nos referirmos à renda). A Curva Oa representa a 
Oferta Agregada, ou seja, o nível de produção. O ponto \u201cYp\u201d representa a renda de 
pleno emprego, isto é, a renda (produção) máxima que a economia pode gerar a 
partir do estoque de fatores de produção existente, considerando que todos estão 
sendo eficientemente empregados. 
 
Qualquer renda nacional à esquerda 
da renda de pleno emprego equivale 
a uma situação de desemprego na 
economia. Nessa área, aumentos da 
demanda levam a aumentos no nível 
de produção, repercutindo muito 
pouco sobre os preços. 
Quanto mais próximo da renda de 
pleno emprego, menor a 
possibilidade de aumento da 
produção, havendo maiores 
pressões sobre os preços do que 
sobre a renda real. 
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É importante destacar que estamos fazendo uma análise macroeconômica de curto 
prazo, utilizando, portanto as seguintes hipóteses: 
a) Nenhuma mudança tecnológica deverá ocorrer no período, assim não é possível 
aumentar a produtividade dos fatores de produção no curto prazo; 
b) O estoque físico produtivo do fator capital também é tido como constante, sendo 
que apenas o fator trabalho está disponível para se empregar até a posição de pleno 
emprego, durante o período de tempo considerado. 
Assim, no modelo macroeconômico de curto prazo, a oferta agregada ajusta-se 
às expansões ou retrações dos componentes da demanda agregada. 
Dessa forma, todas as flutuações no nível de consumo, investimento, despesas 
governamentais e exportações vão gerar reflexos no nível de produção e emprego da 
economia nacional. 
Daqui por diante vamos supor que os preços dos bens e serviços se manterão 
constantes. 
Vejamos agora como determinar a renda de equilíbrio. 
A demanda agregada é fruto da despesa nacional, portanto se compõe dos 
elementos já vistos anteriormente: 
\u2022 O Consumo (C), isto é, as despesas da população com a compra de bens e 
serviços de consumo; 
\u2022 O Investimento Privado (I), ou seja, as despesas das empresas ao comprar 
máquinas, equipamentos, instalações, etc. Representa, portanto, gastos com 
a compra de bens de capital gerados internamente; 
\u2022 Os Gastos do Governo (G) que representam as despesas governamentais 
tanto com bens de consumo como bens de investimento; 
\u2022 As Exportações Líquidas (X - M), quer dizer, exportações (compras feitas 
pelo Setor Externo, que adquire bens e serviços produzidos no país) menos 
importações (compras que os agentes econômicos deixam de fazer no país e 
passam a fazer junto ao Setor Externo). 
Assim, podemos escrever a demanda agregada (DA) da seguinte forma: 
DA = C+ I +G + X - M 
No equilíbrio macroeconômico, temos que verificar a seguinte situação: o nível de 
produto (renda) deve ser igual ao nível das despesas dos agentes econômicos, ou 
seja: 
Y = DA 
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A renda nacional de equilíbrio será determinada por meio da introdução gradativa de 
cada um dos componentes da demanda agregada. 
 
 
A Função Consumo (C) 
Vamos imaginar uma economia muito simples, na qual tudo o que for produzido 
acaba sendo consumido. Nesse caso, não há formação de estoques, o capital 
produtivo não se deprecia, não existem Governo nem Comércio Exterior. Trata-se da 
hipótese da economia fechada, sem governo, e sem formação de capital. 
A decisão de consumir é tomada por agentes econômicos diferentes dos que 
decidem sobre o volume da produção. A renda de equilíbrio será obtida apenas se as 
despesas de consumo