Economia - 06 - Teorias da Inflação
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Economia - 06 - Teorias da Inflação


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Curso Intensivo Regular 
 
 
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MATERIAL 06 
 
ECONOMIA 
PROF. CARLOS RAMOS 
 
 1 
Economia \u2013 Módulo 06 
 
VI \u2013 Teorias da Inflação 
 
A inflação é um fenômeno econômico de natureza essencialmente monetária. 
Caracteriza-se por um aumento contínuo e generalizado no nível geral de 
preços. A inflação é um dos problemas macroeconômicos que mais preocupam o 
Governo, uma vez que este fenômeno produz efeitos nocivos, que são sentidos pela 
população em geral. 
É importante ressaltar que os movimentos inflacionários representam elevações na 
maior parte dos bens produzidos pela economia; assim, um eventual aumento 
do preço de um determinado bem não representa, por si só, um fato suficientemente 
relevante para caracterizar a inflação. 
Além disso, para caracterizar um fenômeno inflacionário é necessário que se 
verifique uma elevação contínua dos preços durante um período de tempo. Essa 
continuidade é representada por aumentos sucessivos nos preços. 
A conseqüência imediata da inflação é a depreciação do valor real da moeda ao 
longo do tempo. Em outros termos, podemos afirmar que R$ 100,00 valem mais 
hoje do que valerão daqui a um ano, porque a quantidade de bens que podemos 
comprar hoje com R$ 100,00 é maior do que a quantidade que poderemos adquirir 
naquele momento futuro, afinal de contas, os preços estão aumentando 
continuamente. 
Assim, por definição, a inflação é um fenômeno monetário. Um ponto 
importante é que o excesso de moeda em circulação contribui para elevar a inflação, 
através de mecanismos que iremos analisar a seguir. Porém, o combate à inflação 
não passa somente por um controle mais rígido do estoque de moeda, mas exige a 
utilização de determinados instrumentos, os quais também serão objeto de nossa 
análise. 
Outra observação a fazer é o fato de que a inflação representa um conflito 
distributivo existente na economia. A disputa dos diversos agentes econômicos 
pela distribuição da renda representa uma questão fundamental na compreensão do 
fenômeno inflacionário. Como existe uma grande de diversidade de agentes 
econômicos, o processo inflacionário pode ter a sua origem em várias situações de 
desequilíbrio na economia. 
Um exemplo é o desequilíbrio financeiro do setor público. Quando o Governo 
apresenta sucessivos déficits fiscais, e financia parte deste resultado negativo com 
emissão de moeda (da qual detém o monopólio), acaba induzindo uma elevação do 
estoque de moeda em taxas acima do crescimento do produto. Com mais moeda em 
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circulação, a tendência é de aquecimento da demanda agregada num ritmo mais 
veloz que o crescimento da oferta agregada, gerando elevação dos preços. 
Sob a ótica do conflito distributivo, esse tipo de inflação representa um conflito entre 
o setor privado e o setor público pela disputa do produto. Nesta hipótese, caso o 
setor público reduza seus gastos e assim consiga evitar o acréscimo excessivo de 
moeda, pode-se resolver o problema inflacionário. 
Outro exemplo de conflito distributivo acontece na esfera das relações entre 
preços e salários. Nesta situação, o problema reside numa disputa pelo produto 
entre a classe trabalhadora e a classe empresarial. Trabalhadores se comportam no 
sentido de obter reajustes salariais e de apropriar parte dos ganhos de 
produtividade. Empresários, por sua vez, buscam se apropriar dos ganhos de 
produtividade para elevar seus lucros. Desequilíbrios nesta relação podem levar a 
flutuações nos níveis de preços e de salários, com tendência de crescimento. 
Uma outra situação pode ainda explicar o aparecimento do fenômeno inflacionário: 
instabilidade nas relações entre a economia nacional e o resto do mundo. É o caso 
dos chamados choques externos como, por exemplo, uma elevação repentina dos 
preços de insumos e matérias-primas importadas, com repercussão nos custos de 
produção internos; trata-se de um outro tipo de conflito distributivo, que também 
pode dar origem a um processo inflacionário. 
Finalmente, as peculiaridades de cada economia levam a diferentes manifestações do 
fenômeno inflacionário em cada país. Economias onde predominam estruturas de 
mercado oligopolizadas (com alta concentração do produto por parte de poucas 
empresas) apresentam um comportamento de preços distinto daquele verificado em 
países onde predominam estruturas mais concorrenciais (com um número maior de 
empresas produzindo os bens e concorrendo entre si). 
Em mercados mais concentrados (oligopólios, monopólios, etc) existe uma tendência 
de que os preços apresentem certa \u201crigidez\u201d para a queda, uma vez que as 
empresas, neste tipo de mercados, têm um poder maior para determinar seu mark-
up (margem de ganho sobre os custos), imprimindo altas aos preços de seus 
produtos. 
Diversos outros fatores ainda podem influir no fenômeno inflacionário: o poder de 
barganha das organizações sindicais, por exemplo, pode levar a uma tendência de 
maiores ou menores conflitos no âmbito das relações entre preços e salários; o grau 
de abertura da economia ao comércio exterior, a partir de uma certa estrutura de 
tarifas sobre importação, pode aumentar ou reduzir a concorrência com o setor 
externo, tornando os preços internos mais ou menos flexíveis, etc. 
Efeitos nocivos da Inflação sobre a economia 
A maior parte dos países convive com taxas anuais de inflação mais ou menos 
estáveis, sendo monitoras pelas autoridades monetárias \u2013 normalmente, o Banco 
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Central ou instituição equivalente. É comum, portanto, haver um certo movimento de 
alta dos preços, por conta da influência dos fatores vistos anteriormente. 
Porém, quando as taxas de inflação aumentam, e iniciam uma trajetória ascendente, 
ocorrem várias conseqüências nocivas para a economia, gerando sérias distorções, 
as quais iremos analisar a seguir: 
a) Efeitos sobre a distribuição de renda 
Um dos piores efeitos da inflação se refere à redução relativa do poder aquisitivo das 
classes que dependem de rendimentos fixos, ou seja, que possuem datas de reajuste 
definidas legalmente. 
Nessa categoria estão enquadrados os trabalhadores assalariados. Com o passar do 
tempo, seus orçamentos vão se tornando cada vez mais reduzidos. O valor real de 
sua remuneração vai sendo corroído, ao longo do ano, pela alta sucessiva dos 
preços, até a chegada da data-base, quando ocorrerá um novo reajuste. Nesse 
momento, se tentará fazer a reposição de parte das perdas acumuladas no período. 
Com outros segmentos da população esse problema não ocorre. Por exemplo, no 
caso dos proprietários de imóveis, que auferem rendas provenientes de aluguéis; 
eles sofrem também uma perda do valor real dos aluguéis recebidos ao longo do 
contrato, mas podem antecipadamente estabelecer reajustes periódicos e 
automáticos, fixados no próprio contrato de locação. Além disso, no longo prazo 
podem obter ganhos decorrentes da própria valorização imobiliária. 
A classe empresarial também possui maior margem de defesa contra os efeitos 
nocivos da inflação sobre seus rendimentos reais. Os empresários procuram repassar 
os aumentos de custos provocados pela inflação para o preço final das mercadorias 
vendidas, tentando assim preservar a manutenção de seus lucros. 
b) Efeitos sobre as transações no mercado financeiro 
Num processo inflacionário muito intenso, o valor real da moeda tende a se reduzir 
rapidamente. Isto provoca um desestímulo à aplicação de recursos no mercado 
financeiro, por parte dos agentes superavitários, porque a inflação tende a corroer o 
rendimento real das aplicações. 
Assim, por exemplo, não vale a