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rnagine um dia comum em sua vida.Voces acorda pela manh -a- e toma um copo de
suco de laranjas que são cultivadas na FlOrida e uma xicara de cafe produzido no
Brasil. Enquanto toma o cafe da manh, assiste a um noticiario transmitido de Nova
York em sua TV fabricada no Japo.Veste-se com roupas feitas de algod -ao produ-
zido na GeOrgia e costuradas na Taikindia.Vai para a aula num carro feito de pecas
fabricadas em mais de 12 paises espalhados pelo mundo. Ento abre seu livro de
economia escrito por um autor que vive em Massachusetts, publicado por uma
empresa com sede em Ohio e impresso em papel feito com arvores cultivadas em
Oregon.
Todos os dias, dependemos de pessoas do mundo todo, a maioria das quais n'a"o
conhecemos, para nos fornecerem os bens e servicos de que desfrutamos. Essa
interdepende'ncia é possivel porque as pessoas comerciam umas com as outras.
Essas pessoas que nos fornecem esses bens e servicos n'ao fazem isso porque s'a-o
generosas ou porque se preocupam com nosso bem-estar. Nem há um Orgio
govemamental que manda que produzam o que queremos. Em vez disso, elas for-
necem a nOs e a outros consumidores os bens e servicos que produzem porque
recebem algo em troca.
Em capitulos posteriores veremos como nossa economia coordena as atividades
de miKies de pessoas com gostos e habilidades diferentes. Como ponto de parti-
46 PARTE 1 INTR0DUcA0
da desta analise, consideraremos aqui os motivos da interdependencia economica.
Urn dos Dez Principios de EcoTzoinia que destacamos no Capitulo 1 é o de que o
comercio pode ser born para todos. Esse principio explica por que as pessoas
comerciam corn seus vizinhos e por que os 'Daises comerciam corn outros 'Daises.
Neste capitulo, examinaremos esse principio mais detalhadamente. 0 que, exata-
mente, as pessoas tern a ganhar quando comerciam umas corn as outras? Por que
optam por ser interdependentes?
UMA PARABOLA PARA A ECONOMIA MODERNA
Para entender por que as pessoas optam por depender de outros para os hens e ser-
vicos de que precisam e como essa escolha melhora a vida delas, vamos examinar
uma economia simples. Imag,inemos que existam dois bens no mundo: came e
batatas. E que haja duas pessoas no mundo — uma pecuarista e urn plantador de
batatas cada uma das quais gostaria de corner tanto carne quanto batatas.
Os ganhos comerciais ficam mais claros se a pecuarista so pode procluzir came
e se o agricultor so pode produzir batatas. Num cendrio, tanto urn quanto o outro
poderiam optar por nib o ter nada a ver urn corn o outro. Mas, passados varios meses
comendo so carne assada, cozida, grelhada e frita, a pecuarista poderia concluir que
a auto-suficiencia nao é tao boa assim. 0 agr, icultor, que vinha comendo batatas fri-
tas, assadas, cozidas e pure de batatas, provavelmente concordaria. E facil perceber
que o comercio lhes permitiria desfrutar de uma maior variedade. Corn ele, os dois
poderiam corner urn belo bife corn batata assada.
Embora essa cena ilustre corn a maxima simplicidade como todos poclem se
beneficiar do comercio, os ganhos seriam os mesmos se tanto a pecuarista quanto
o agricultor pudessem produzir tambem o outro hem, mas a urn custo major.
Suponhamos, por exemplo, que o agricultor possa ter gado e came, mas que nao
seja muito born nisso, e que a pecuarista possa plantar batatas, mas que suas ter-
ras nao sejam muito adequadas a essa cultura. Neste caso, é facil perceber que cada
urn se beneficiaria caso se especializasse naquilo que faz melhor e depois corner-
ciasse corn o outro.
Mas os ganhos advindos do comercio nao sac-) tao obvios assim quando uma pes-
soa é melhor na producao de todos os hens. Suponhamos, por exemplo, que a
pecuarista seja melhor do que o ag,ricultor tanto no trato do gado panto no cultivo
de batatas. Neste caso, sera que urn dos dois optaria pela auto-suficiencia? Ou ainda
haveria motivo para comercializarem urn corn o outro? Para respondermos a essa
perg,unta, precisamos analisar mais detidamente os fatores que afetam a decisao.
Possibilidades de Producao
Suponhamos que o agricultor e a pecuarista trabalhem oito horas por dia cada urn
e possam dedicar esse tempo ao cultivo de batatas, a criacao de gado ou a uma
combinacao das duas coisas..ATabela 1 mostra a quantidade de tempo que cada um
deles precisa para produzir 1 kg de cada urn dos hens. 0 agricultor pode produzir
1 kg de batatas em 15 minutos e 1 kg de carne em 60 minutos. A pecuarista, que
mais produtiva nas duas atividades, consegue produzir 1 kg de batatas em 10 minu-
tos e 1 kg de came em 20 minutos. As duas colunas mais a direita da Tabela 1 mos-
tram a quantidade de carne ou de batatas que o ag,ricultor e a pecuarista conseguem
produzir se trabalharem 8 horas por dia produzindo urn so tipo de aliment°.
0 painel (a) da Figura 1 ilustra as quantidades de carne e de batatas que o agri-
cultor conseg,ue produzir. Se ele dedica todas as oito horas de seu dia de trabalho
au cultivo de batatas, produz 32 kg de batatas (medidos no eixo horizontal) e no
viA
Na aus&lcia de com&cio, o
escolhe esta
produ o e este consumo.
16 32 Batatas (kg)
Carne (kg)
24
Na ausncia de comrcio,
r st-a e s-c-Olfi -6t—a-
produ o e este consumo.
12
24 48
Batatas (kg)
CAF4TULO 3 INTERDEPENIDNCIA E GANHOS COMERCIAIS 47
TABELA 1
Carne Batatas Carne Batatas Agricultor e da Pecuarista
Agricultor 60 min/kg 15 min/kg 8 kg 32 kg
Pecuarista 20 min/kg 10 min/kg 24 kg 48 kg
FIGURA 1
(a) ,A Fronteira de Possibilidades de Produsaoldo Agricultor
Carne (kg)
(b) A Fronteira de Possibilidades de Produ0- o da ecuarista
(ik Fronteira de Possibilidades de
Produch
/ 0 painel (a) mostra as combinacaes de
45 came e batatos que o agricultor capaz de
produzir 0 painel (b)fmostra as combi-
p_a_caes produzir'ils
duas fronteiras de possibilidades de 61"
producao derivarom da Tabela 1 e da c_erv'`'
hipatese de que o agricultor e a pecuorista ..{0J' e1/4 L‘'
trabalhem oito horas por dia
v (Lt k) te ,-). ti‘
1.5 -
f.P • .
..----
z4)3- •
-5( eun-LiCu d..-i2 "-
(ti Ct,
produz carne. Se dedica todo o seu tempo à produ o de carne, produz 8 kg de
came (medidos no eixo vertical) e não produz batatas. Se divide seu tempo igual-
mente entre as duas atividades, dedicando 4 horas a cada uma, produz 16 kg de
48 PARTE 1 INTR0DUcii0
batatas e 4 kg de carne. A figura mostra os fres resultados possiveis e outras possi-
bilidades intermedi6rias.
Esse gr, afico é a fronteira de possibilidades de producao do agricultor. Como
vimos no Capftulo 2,. as fronteiras de possibilidades de producao representam as
,diversas combinacOes de produto que ,urna eConomia_p_ode—p-ioduzir, Elas ilustram
urn dos Dez Principios de Economia do CapItulo 1: o de que as pessoas enfrentam
tradeoffs. Aqui o agricultor enfrenta urn tradeoff entre produzir came ou produzir
batatas. Voce deve se lembrar de que a fronteira de possibilidades de producao do
CapItulo 2 se curvava para fora; nesse caso, o tradeoff entre os dois bens dependia
das quantidades produzidas. Aqui, contudo, a tecnologia que o agricultor usa para
produzir came e batatas (como mostra resumidamente a Tabela 1) permite que ele
passe de urn bem para o outro mantendo constante a razao. Neste caso, a frontei-
ra de possibilidades de producao é representada por uma reta.
0 painel (b) da Figura 1 mostra a fronteira de possibilidades de producao da
pecuarista. Se ela dedica todas as 8 horas de seu dia a producao de batatas, produz
48 kg de batatas e nao produz came. Se dedica todo o seu tempo a producao de came,
produz 24 kg de came, mas rid() produz batatas. Se divide seu tempo, dedicando 4
horas a cada atividade, ela produz 24 kg de batatas e 12 kg de came. Novamente, a
fronteira de possibilidades de producao mostra todos os resultados possiveis.
Se o agricultor e a pecuarista optam pela auto-suficie.ncia e nao por comerciar
urn corn o outro, cada um consomeexatamente o que produz. Neste caso, a fron-
teira de possibilidades de producdo tambem representa a fronteira de possibilida-
des de consumo. Ou seja, sem o comercio, a Figura 1 mostra as possivers combina-
goes de came e batatas que o ag-ricultor e a pecuarista podem consumir.
Embora essas fronteiras de possibilidades de producdo sejam nteis para
demonstrar os tradeoffs que o agricultor e a pccuarista precisam enfrentar, elas nao
nos dizem o que eles efetivamente faro. Para determinarmos suas escolhas, preci-
samos conhecer os gostos da pecuarista e do agricultor. Suponhamos que escolham
as combinacoes identificadas pelos pontos A e B da Figura 1: o agricultor produz e
consome 16 kg de batatas e 4 kg de carne e a pecuarista produz e consome 24 kg
de batatas e 12 kg de came.
Especializacao e Comercio
Depois de vArios anos comendo a combinacao B, a pecuarista tern uma ideia e vai
conversar corn o ag-ricultor:
PECUARISTA: Agr, icultor, meu amigo, tenho uma atima proposta para fazed Sei
como podemos melhorar nossa vida. Penso que voce deveria parar
de criar gado e dedicar todo o seu tempo ao cultivo de batatas.
Pelos meus calculos, se voce trabalhar 8 horas por c-lia cultivando
batatas, produzira 32 kg delas. Se me der 15 kg desses 32 kg de
batatas eu lhe darei, em troca, 5 kg de carne. No fim das contas,
voce tera para corner 17 kg de batatas e 5 kg de carne por dia, em
vez dos 16 kg de batatas e 4 kg de carne que tern hoje em dia. Se
resolver participar do meu piano, tem 6 mais de ambos os alimentos.
(Para ilustrar seu arg-umento, a pecuarista mostra ao agricultor o
painel (a) da Figura 2.)
24 27 48
Batatas (kg)
13-1:(5 -duca'o da
pecuarista
com com&cio Consumo da
pecuarista
f cpm com&cioi
Produ o e
consumo da
pecuarista
sem com&cio
Carne (kg)
24
12
18
13
12
CAPh11L0 3 INTERDEPENDI NCIA E GANHOS COMERCIA1S 49
FIGURA 2
(a) ProdKao e Consumo do Agricultor
Consumo do
agricultor com Produ o e
com&cio consumo do
agricultor
sem com&cio
Produ o do
agricultor
com com&cio
0
16 L17
(b) Prodtkao e Consumo da Pecuarista
Como o Comercio Expande o Conjunto
de Oportunidades de Consumo
A proposto de comercio entre o ogricultor e o
pecuaristo oferece a cado um dos dois u.ma
combinacao de came e botatas que sena
impossfvel na ausencia do comercio. No painel
(a), o agricultor passa a poder consumir o
equivalente ao ponto A* e nao mais ao ponto A
No poinel (b), a pecuansta passa a poder
consumir o equivalente ao ponto B* e nO-o
mois ao ponto B. 0 comercio permite que os
dois consurnam mais carne e mais batatas.
Carne (kg)
714 ak())) c L ,40k. -12,e2b11;-4.6dCd£,
32 Batatas (kg) *tiLOCti,L )
AGRICULTOR: (num tom cffico) Parece uma boa ideia. Mas não entendo por que
voce a est propondo. Se o negOcio e t -a'o bom assim para mim, n-a'o
pode ser bom tambem para voce.
PECUARISTA: Mas e, sim! Suponhamos que eu passe seis horas por dia cuidando
do gado e duas horas por dia cultivando batatas. Ent -c-io posso pro-
duzir 18 kg de carne e 12 kg de batatas. Depois de lhe dar 5 kg da
minha came em troca de 27 kg de suas batatas, ficarei com 13 kg de
carne e 27 kg de batatas. Assim, consumirei mais came e mais bata-
ta do que consumo hoje. (Ela aponta para o painel (b) da Figura 2.)
50 PARTE 1 INTR0DUcA0
TABELA 2
Ganhos do Comercio:
Resumo
Agricultor Pecuarista
Came Batatas Came Batatas
Sem Comercio:
Producao e Consumo 4 kg 16 kg 12 kg 24 kg
Corn Comercio:
Producao 0 kg 32 kg 18 kg 12 kg
Comercio Recebe 5 kg Dá 15 kg Dá 5 kg Recebe 15 kg
Consumo 5 kg 17 kg 13 kg 27 kg
Ganhos do Comercio:
Aumento do Consumo + 1 kg + 1 kg + 1 kg + 3 kg
AGRICULTOR: Nao sei... parece born demais para ser verdade.
PECUARISTA: Nao é tao complicado quanto pode parecer a primeira vista. Veja —
eu resumi minha proposta numa tabela bem simples. (Entrega ao
agricultor uma cOpia da Tabela 2.)
AGRICULTOR: (depois de uma pausa para estudar a tabela) Os c6.1cu1os parecem
estar certos, mas estou confuso. Como esse negocio pode ser born
para nOs dois?
PECUARISTA: NOs dois nos beneficiamos porque o comercio permite que nos
especializemos naquilo que fazemos melhor.Voce vai passar mais
tempo cultivando batatas e menos tempo cuidando do gado. Eu
you passar mais tempo cuidando do gado e menos tempo culti-
\Janda batatas. 0 resultado dessa especializacao e do comercio é
que cada urn de nos podera consumir mais came e mais batatas
sem precisar trabalhar urn major ntimero de horas.
Teste Rapid° Represente graficamente a fronteira de possibilidades de producao de Robinson Crusoe,
um naufrago que passava seu tempo colhendo cocos e pescando. Essa fronteira limitara o consumo de cocos
e peixes se ele continuar vivendo per si so? Ele estara sujeito aos mesmos limites se puder comerciar corn os
nativos da ilha?
0 PRINCIPIO DA VANTAGEM COMPARATIVA
A explicac5o que a pecuarista ofereceu dos ganhos do comercio, embora correta,
contem urn enigma. Se ela é melhor tanto na producao de came quanto na produ-
cao de batatas, como o agricultor pode se especializar naquilo que faz melhor? Ele
nao parece estar fazendo alguma coisa melhor. Para resolvermos esse enigma, pre-
cisamos estudar o principio da vantagem comparativa.
--- 11<r r
--- I ecyirrLt
eewnp..-
bolcii ft (5—
custo de oportunidade
aquilo de que devemos abrir
mão para obter algum item
CAPiTULO 3 INTERDEPENDI NCIA E GANHOS COMERCIAIS 51
0 primeiro passo para desenvolver este principio é pensar na seguinte perg,un-
ta: em nosso exemplo, quen-i pode produzir batatas ao menor custo? 0 agricultor
ou a pecuarista? Há duas respostas possiveis e nelas esta a soluao do nosso pro-
blerna e a chave para entender os ganhos do comftcio.
Vantagem Absoluta EA) 1-\\
Uma maneira de responder à questao sobre o custo da produao de batatas é com-
parar os insumos necessarios para os dois produtores. Os economistas usam o
termo vantagem absoluta quando comparan-i a produtividade de uma pessoa,
empresa ou na. ao com a de outra. Diz-se que o produtor que precisa de uma quan-
tidade menor de insumos para produzir um bem tem uma vantagem absoluta na
produo desse bem.
Em nosso exemplo, a pecuarista tem vantagem absoluta na produao tanto de
carne quanto de batatas porque precisa de menos_ternpo do que o agricultor_para
produzir uma unidade de qualque rs. alimentos. Ela precisa de apenas_ _ _
20 minutos para produzir 1 kg de carne, enquanto o agTicultor necessita de 60
minutos. Da mesma forma, a pecuarista precisa de apenas 10 minutos para produ-
zir 1 kg de batatas enquanto o agricultor precisa de 15 minutos. Com base nessas
informa es, podemos concluir que a pecuarista tem o menor custo de produ-ao
de batatas se medirmos o custo em termos da quantidade de insumos.
vantagem absoluta
a comparack entre
produtores de um
determinado bem levando
em considerack sua
rodutividade
io,
Custo de Oportunidade e iVantagem Comparativa
Há outra maneira de olhar o custo da produao de batatas. Em vez de comparar os
insumos necesskios, podemos comparar os custos de oportunidade. Lembre-se de
que, como vimos no Capitulo 1, o custo de oportunidade de uma coisa é aquilo
de que abrin-los mao para Em nosso exemplo, adotamos a premissa de que
o agTicultor e a pecuarista passem 8 horas por dia trabalhando. Assim, o tempo
gasto com o cultivo de batatas reduz o tempo disponivel para produzir carne.
medida que o agiicultor e a pecuarista realocam seu tempo entre a produao dos
dois bens, movem-se ao longo de suas fronteiras de possibilidades de produao;
abrem m .ao de unidades de um bem para produzir unidades do outro. 0 custo de
oportunidade mede o tradeoff entre os dois bens que cada produtor enfrenta.
Vamos considerar, primeiro, o custo de oportunidade da pecuarista. De acordo
com a Tabela 1, produzir 1 kg de batatas lhe toma 10 minutos de trabalho. Quando
a pecuarista gasta10 minutos produzindo batatas, tem 10 minutos a menos para
produzir came. Como ela precisa de 20 minutos para produzir 1 kg de carne, 10
minutos de trabalho renderiam 1/2 kg de carne. arapcuarista, o custo de opor-
tunidade da produao de 1 kg de batatas é de 1/2 kg de carne_
Vamos considerar, agora, o custo de oportunidade do agricultor. Produzir 1 kg
de batatas lhe toma 15 minutos. Como precisa de 60 minutos para produzir 1 kg de
carne, 15 minutos de trabalho lhe renderiam 1/4 kg de carne. Dessa forma, o custo
de oportunidade de 1 kg de batatas para o agricultor de /4kg.di arne.
A Tabela 3 mostra os custos de oportunidade -da carne e da batata para os dois
produtores. Observe que o custo de oportunidade da carne é o inverso do custo de
oportunidade das batatas. Como 1 kg de batatas custa à pecuarista 1/2 kg de carne,
1 kg de carne lhe custa 2 kg de batatas. Da mesma forma, como 1 kg de batatas
custa ao agricultor 1/4 kg de carne, 1 kg de came lhe custa 4 kg de batatas.
((
g.) nu,31 _
Gurr-vri
52 PARTE 1 INTRODUcA0
Custo de Oportunidade da Custo de Oportunidade de:
Carne e das Batatas 1 kg de came 1 kg de batatas
Agricultor 4 kg de batatas 1/4 kg de came
Pecuarista 2 kg de batatas 1/2 kg de came
Os economistas usam o termo vantagem comparativa para descrever o custo
de oportunidade de dois produtores. 0 produtor que abrc rnao de mcnor quanti-
dade de outros bens para produzir o bem X tern menor custo de oportunidade de
producao desse bem e diz-se, portanto, que desfruta de uma vantagem comparati-
va na sua producao. Em nosso exemplo, o agricultor tem.nlen9r_custo_de oportu-
nidade produ(do de_batata,s_do_vle pecuarista: 1 kg de batatas custa ao_
cultor apenas 1/4 kg de came, enquanto o custo para a pecuarista 6 de 1/2 kg de
came. Inversamente, a pecuarista tern menor custo de oportunidade na producao
de came do que o agricultor: 1 kg de came para a pecuarista custa 2 kg de batatas,
ao pass° que os mcsmos 2 kg de came custam ao agricultor 4 kg de batatas. Assim,
o agricultor tern uma vantisi em comptarativa na produca-o de hatatas_e_apea_imis--
ta tem uma vantagem com_parativa-na_proch_ o de carne.
Embora seja possivel uma pessoa ter vantagem absoluta nos dois hens (como
O caso da pecuarista em nosso exemplo), é impossivel que uma pessoa tenha van-
tagem comparativa nos dois hens. Como o custo de oportunidade de urn bem é o
inverso do custo de oportunidade do outro, se o custo de oportunidade de uma
pessoa para urn hem 6 relativamente elevado, seu custo de oportunidade para o
outro bem tern que ser relativamente baixo. A vantagem comparativa reflete o custo
de oportunidade relativo. A menos que duas pessoas tenham exatamente o mesmo
custo de oportunidadc, uma delas tera vantagem comparativa em urn bem e a outra
tore vantagem comparativa no outro bem.
Vantagem Comparativa e Comercio
As diferencas de custo de oportunidade e vantagens comparativas criam os ganhos
de comercio. Quando cada pessoa se especializa na producao do bem no qual tern
vantagem comparativa, a producdo total da economia aumenta e esse aumento do
bolo econOmico pode ser usado para melhorar a situacao de todos. Em outras pala-
vras, uma vez_Tle duas pessoas estejam sujeitas_a custos de oportunidade diferen-
tes, cada uma delas po—dera - --6--b--6-heficiar do comerab-obtendb-u-m—bem a urn preco_ -
interior ao.custo_de oportunidade desse bem.
-6nsideremos a transacao proposta do ponto de vista do agricultor. Ele recebe
5 kg de came em troca de 15 kg de batatas. Ou seja, compra 1 kg dc came polo
preco de 3 kg de batatas. Esse preco da carne 6 inferior ao seu custo de oportuni-
dade para 1 kg de carne, que é de 4 kg de batatas. Corn isso, o ag,ricultor se bene-
ficia da transacao porque obtem came a urn born preco.
Agora vamos considerar o negacio do ponto de vista da pecuarista. Ela compra
15 kg de batatas ao preco de 5 kg de came. Ou seja, o preco das batatas 6 de 1/3 kg
vantagem comparativa
a comparacao entre os
produtores de urn bem
levando em consideracao
seus custos de oportunidade
'
CAPIITULO 3 INTERDEPEND CIA E GANHOS COMERCIAIS 53
SAIBA MAIS SOBRE...
0 LEGADO DE ADAM SMITH E
DAVID RICARDO
tempos os economistas entendiam o principio
da vantagem comparativa. Eis o argumento do
grande economista Adam Smith:
A maxima que todo chefe de familia prudente
deve seguir é nunca tentar fazer em casa o que Ihe
custarcj mais caro fazer do que comprar. 0 alfaiate
nao tenta fabricar seus sapatos, mas os compra,do
sapateiro. 0 sapateiro nao tento confeccionor suas
pr6prias roupos, mos as compra do alfaiate. 0
fazendeiro n -do tenta fazer nem um nem outro, mas se vale des-
ses artesaos. Todos constatam que é mais interessante usar suas
capacidades naquilo em que têm vantagem sobre seus vizinhos e
comprar, com parte do resultodo de suas atividades, ou, o que
vem a dar no mesmo, com o preca de parte delas aquilo de que
venham a precisor.
Essa citaceo é do livro de Adam Smith A Riqueza das NaOes,
publicado em 1776 e considerado um marco na anelise do comer-
cio e da interdependencia econ6mica.
0 livro de Smith inspirou David Ricardo, um corretor de valores
milionerio, a tornar-se economista. Em seu livro de 1817, Principios
de Economia Polftica e de Tributocao, Ricardo desenvolveu o princi-
pio da vantagem comparativa tal como hoje o conhecemos. Sua
defesa do livre comercio neo foi um mero exercicio
academico. Ele utilizou suas teorias na qualidade de
membro do Parlamento Britenico, em que fez opo-
siceo es Leis dos Cereais, que restringiam a impor-
taceo destes.
As conclus6es de Adam Smith e David Ricardo
sobre os ganhos do comercio se sustentaram ao
longo do tempo. Embora os economistas muitas
vezes divirjam em quest6es de politica econ6mica,
esteo unidos no apoio ao livre comercio. Ademais, o
argumento central em favor do livre comercio neo
mudou muito nos dois últimos seculos. Embora o
campo da economia tenha ampliado seu alcance e as
teorias tenham sido refinadas desde os tempos de Smith e Ricardo,
a oposiceo dos economistas es restric6es ao comercio ainda seo
baseadas, em grande parte, no principio da vantagem comparativa.
de came. Esse preo pelas batatas é inferior ao seu custo de oportunidade de 1 kg
de batatas, o qual é 1/2 kg de carne. A pecuarista se beneficia porque compra bata-
tas por um bom preo.
Esses beneficios surgem porque .cada pessoa se concentra na atividade para a
menor custo de oportunidade: o agricultor passa mais_tempo_cultivando
batata perista Mais tempo-p-roduzindo carne:Com isso, a produ o
total de carne e a produ o total de batatas aumentam. No nosso exemplo, a pro-
du -ao de batatas aumenta de 40 kg para 44 kg e a produ o de came aun-ienta de
16 kg para 18 kg. 0 ag-ricultor e a pecuarista compartilham os beneficios desse
aumento da produo.A moral da hist6ria do agricultor e da pecuarista_a_gora deve
estar clara: o cr-Hc r )ode beneficiara-Thdos da-so-ciedade porque permite. . sque as pessoas se especializem em atividades nas quais t'c'm uma vantagem comparativa..
•
Teste hpido Robinson Crusoe pode colher 10 cocos ou pescar 1 peixe por hora. Seu amigo Sexta-Feira
pode colher 30 cocos ou pescar 2 peixes por hora. Qual o custo de oportunidade de pescar 1 peixe para
Robinson Crusoe? E para Sexta-Feira? Quem tem vantagem absoluta na pesca? E quem tern vantagem com-
pa rativa?
54 PARTE 1 INTR0DUcA0
APLICACOES DA VANTAGEM COMPARATIVA
0 principio da vantagem comparativa explica a interdependencia e os ganhos do
cornercio. Como a interdependencia prevalece no mundo de hoje, o principio da
vantagem comparativa tern muitas aplicacoes.Apresentaremos aqui dois exemplos,
urn imaginario e outro de grande importancia pratica.
Tiger Woods deve Cortar sua PrOpria Grama?
Tiger Woods passa g,rande parte do seu tempo andando em gramados. Urn dos gol-
fistas mais talentosos de todos os tempos, ele é capaz de dar drives e colocarputts'
clue a maioria dos jogadores de fim de semana nem sonha em conseguir. E é muito
provavel que ele tambem tenha outros talentos.
Vamos imag,inar, por exemplo, que Tiger Woods consiga aparar seu gramado
mais rapid() do que qualquer outra pessoa. Mas sera que o simples fato de ele ser
capaz disso sig,nifica que dem faze-lo?
NOTICIAS
QUEM TEM VANTAGEM COMPARATIVA NA PRODUcA0 DE OVELHAS?
Uma forma comum de barreira comerciol entre poises sdo as tonics, urn tipo de imposto sobre o importacao de bens de outros poises. No editorial a
seguir, o economisto Douglas Irwin discute urn exemplo recente de seu uso.
As Tarifas sobre Ovelhas
Tosquiam os Consumidores
Norte-Americanos
Por Douglas A. Irwin
o presidente Clinton desferiu urn seri° golpe
contra o livre comercio na ltirna quarta-feira,
quando anunciou que os Estados Unidos
imporiam tarifas elevadas sobre a importacao
de ovelhas da Australia e da Nova Zelandia.
Sua decisao mina a lideranca norte-ameri-
cana e torna uma piada as alegacOes da
administracao de ser favoravel ao comercio
livre e justo.
Ha tempos as ovinocultores norte-ame-
ricanos dependem do governo. Por mais de
meio seculo, ate que o Congresso aprovou a
reforma da politica agropecuaria, em 1995,
eles receberam subsidios pela a produzida.
Tendo perdido esse beneficio, prejudicados
par custos elevados e ineficiencia e enfren-
tando a concorrencia interna representada
pela came de frango, de boi e de porco, as
produtores de ovelhas procuraram impedir a
concorrencia externa pedindo protecao con-
tra as importacbes.
A quase totalidade das importacoes de
ovelhas dos Estados Unidos vem da Australia
e da Nova Zelandia, grandes produtores agro-
pecuarios corn uma enorme vantagem corn-
parativa. A Nova Zelandia tern menos de qua-
tro milhoes de habitantes, mas cerca de 60
milhoes de ovelhas (contra as cerca de
sete milhOes de ovelhas dos Estados Unidos).
Os fazendeiros da Nova Zelandia investiram
pesadamente em novas tecnologias e em
marketing, tornando-se as produtores mais
eficientes do mundo. A Nova Zelandia tam-
bem eliminou seus subsidios agropecuarios
internos durante as reformas de livre merca-
do da decada de 1950 e é urn pais de livre
comercio, a caminho da eliminacao de todas
as tarifas de importacao ate 2006.
Em vez de seguir esse exempt°, a
Associacao Norte-Americana dos Produtores
de Ovelhas, entre outros grupos, protocolou
uma peticao corn "clausula de ressalva" nos
termos da Lei de Comercio de 1974, que
permite oferecer protecao temporaria "para
ocupar urn espaco" aos setores que concor-
rem corn importacoes. Nos termos da pro-
visa() da clausula de ressalva, o setor que
move o pedido precisa apresentar urn plano
de ajuste a fim de assegurar que tomara
medidas para tornar-se ciimpetitivo no
futuro. A protecao tarifaria costuma ser limi-
tada e ter prazo determinado de vigencia.
1. NRT: No golfe, significa tacacla ou movirnento de bola.
2. NRT: No golfe, significa uma tacada leve (para colocar a bola no buraco).
CAPITULO 3 INTERDEPENDUVCIA E GANHOS COMERCIAIS
Para respondermos a essa pergunta, podemos usar os conceitos de custo de
oportunidade e de vantagem comparativa. Digamos que ele consiga cortar a grama
em duas horas. Nesse mesmo tempo, ele poderia participar de um comercial de TV
para a Nike e ganhar US$ 10 mil. Por outro lado, o garoto da casa vizinha, Forrest
Gump, consegue cortar o mesmo gramado em quatro horas. Ele poderia passar as
mesmas quatro horas trabalhando no McDonald's e ganhar com isso US$ 20....—
.. Neste exemplo, o custo de oportunidade de Tiger Woods para cortar a grama e de
US$ 10 mil e o custo de oportunidade de Forrest e de US$ 20. Tiger desfruta de van-
tagem absoluta nessa atividade porque consegue fazer o servio em menos tempo.
Mas Forrest tem a vantagem comparativa porque seu custo de oportunidade e menor.
Neste caso, os ganhos do comercio s -a- o enormes. Em vez de aparar seu prOprio
gi, -amado,Tiger deveria participar do comercial e contratar Forrest para cortar a gr, ama.
Desde que Tiger pague a Forrest mais de US$ 20 e menos de US$ 10 mil, os dois
sairio ganhando.
55
• A International Trade Commission — ITC
Comissao de Comercio Internacional dos
Estados Unidos determina se as impor-
taces causam "grave dano" ao setor do-
mestico e, em caso positivo, prope uma so-
luck que o presidente tem plenos poderes
para aprovar, alterar ou rejeitar. Em fevereiro,
a ITC concluiu que o setor domestico nao
havia sofrido "grave dano" adotando uma
posicao mais tranqila segundo a qual as
import4es seriam "uma causa substancial
de ameaca de grave dano". A ITC nao props
reduzir as import4es, limitando-se a impor
uma tarifa de 20% (decrescente ao longo
de quatro anos) sobre as importac6- es que
superassem o nivel do ano anterior.
De inicio, a administrack parecia estar
considerando adota medidas menos restriti-
vas. A Australia e a Nova Zelandia ate ofe-
receram assistencia financeira aos produ-
tores norte-americanos e a administracao
adiou todos os seus comunicados, parecen-
do chegar a um acordo. Mas essas expecta-
tivas foram completamente eliminadas pela
estarrecedora decisao final em que a admi-
nistrack atendia as demandas do setor de
ovinocultura e de seus defensores no
Congresso.
A campanha do Congresso foi liderada
pelo senador Max Baucus (democrata de
Montana), um membro do Comite de
Agricultura cuja irma, uma produtora de ove-
lhas, comparecera perante a ITC para pedir
tarifas mais elevadas. 0 governo optou...
(pelo seguinte): alem das tarifas ja existen-
tes, o presidente imps uma tarifa de 90/0
sobre todas as importac6- es no primeiro ano
(caindo para 6 0/0 e depois 3% no segundo e
no terceiro anos), mais uma enorme tarifa de
40% sobre as importac -cies que superassem
o nivel do ano anterior (caindo para 32 0/0 e
24% nos anos seguintes)...
0 presidente da Associack Americana
de Produtores de Ovelhas anunciou que a
decisao "trara alguma estabilidade para o
mercado". Sempre que os produtores falam
de estabilidade no mercado, pode-se ter
certeza de que os consumidores estao
sendo espoliados.
A decisk sobre as ovelhas, embora
tenha passado quase despercebida por aqui,
foi seguida de perto no exterior. A decisk
solapa a ret6rica de livre comercio da admi-
nistracao e afeta seus esforcos para fazer
com que outras economias abram seus mer-
cados. Era de esperar algum tipo de proteck
contra as importac .des, mas nada tao prote-
cionista quanto o que finalmente se materia-
lizou. Essa decisk extremada irritou os
fazendeiros da Australia e da Nova Zelandia
e as autoridades desses governos se com-
prometeram a acusar os Estados Unidos
perante o painel de disputas comerciais da
OMC (Organizack Mundial do Comercio).
A ocasiao escolhida pela administrack
nao poderia ter sido pior. A decisk veio logo
depois de uma reunik de cpula da
Cooperack Econ6mica da Asia e do Pacifico
haver reafirmado seu compromisso com a
reducao de barreiras ao comercio e poucos
meses antes da reuniao da Organizack
Mundial do Comercio, programada para
novembro, em Seattle, na qual a OMC pre-
tendia lancar uma nova rodada de negocia-
ces comerciais multilaterais. Um dos princi-
pais objetivos dos Estados Unidos durante a
reunik era a reducao do protecionismo agri-
cola na Europa e em outras regi6es.
Em 1947, pouco antes das eleiOes que
se realizariam no ano seguinte, o presidente
Truman resistiu bravamente as presses dos
grupos de interesses e vetou um projeto de
lei que imporia cotas de importacao sobre a
la, o qual teria prejudicado as primeiras
negocia0es comerciais multilaterais do p6s-
guerra, previstas para o final daquele ano. 0
sr. Clinton, pelo contrario, embora nao fosse
concorrer à reeleicao, cedeu à pressao politi-
ca. Se os Estados Unidos, cuja economia em
forte expansk é motivo de inveja em todo
o mundo, nao consegue resistir ao prote-
cionismo, comopode esperar que outros
paises o facam?
Fonte: The Wall Street Joumal, 12 jul.
1999, p. A28. C) 1999 Dow Jones & Co.
Inc. Reproduzido com permiss&c) de DOW
JONES & CO. INC. no formato liyro-texto
por meio do Copyright Clearance Center.
56 PARTE 1 INTRODKAO
Os Estados Unidos Devem Comerciar corn Outros Raises?
Assim como as pessoas podem se beneficiar da especializacao e do comercio entre
si, como no caso do agricultor e da pecuarista, as populacoes de diferentes 'Daises
tambem podem. Muitos dos hens de que os norte-americanos desfrutam sao pro-
duzidos no exterior e muitos dos bens produzidos nos Estados Unidos sao vendi-
dos a paises estrangeiros. Os bens produzidos no exterior e vendidos internamen-
te sao chamados de importac5es. Os hens procluzidos internamente e vendidos no
exterior sao chamados de exportac5es.
Para vermos como os paises podem se beneficiar do comercio, suponhamos que
haja dois paises — os Estados Unidos e o Japao — e dois hens — alimentos e carros.
Imaginemos que os dois paises produzam carros igualmente bem: cada trabalha-
dor, seja norte-americano ou japones, consegue prod-uzir urn carro por mes. Por
outro lacio, como os Estados Unidos tern mais terra e de melhor qualidacie, sao
melhores na producao de alimentos: urn trabalhador norte-americano conseg,ue
produzir duas toneladas de alimentos por mes, enquanto urn trabalhador japones
pode produzir apenas uma.
0 principio da vantagem comparativa afirma que cada bem deve ser produzido
pelo pais que tern o menor custo de oportunidade para procluzi-lo. Como o custo
de oportunidade de urn carro é de 2 toneladas de alimentos nos Estados Unidos e
de apenas 1 tonelada de alimentos no Japao, o Japao desfruta de uma vantagem
comparativa na producao de carros. Assim, deveria produzir mais carros do que
precisa para consumo interno e exportar parte da pl--oducao para os Estados
Unidos. Da mesma forma, como o custo de oportunidade de uma tonelada de ali-
mentos é de urn carro no Japao, mas de apenas 1/2 carro nos Estados Unidos, este
pais tern uma vantagem comparativa na producao de alimentos. Os Estados
Unidos deveriam, assim, produzir mais alimentos do que necessitam para consu-
mo e exportar parte da producao para o Japao. Por meio da especializacao e do
comercio, os dois paises podem ter mais comida e mais carros.
E claro que, no mundo real, as questoes envolvidas no comercio entre as nacoes
sao mais complexas do que sugere esse exemplo, como veremos no Capitulo 9.
Uma das questaes mais importantes é o fato de que cada pais tern muitos cidadaos
corn interesses diferentes. 0 comercio internacional pode piorar a situacao para
alg-umas dessas pessoas, embora seja benefico para o pais como um todo. Quando
os Estados Unidos exportam alimentos e importam carros, o impact() sobre os
fazendeiros norte-americanos é diferente do impact° sobre os trabalhadores da
industria automobilistica. Mas, ao contrario clas opinioes proferidas por politicos e
comentaristas politicos, o comercio internacional nao é uma guerra em que alguns
paises ganham e outros perdem. 0 comercio permite que todos os paises atinjam
major prosperidade.
Teste Rapid° Suponhamos que o digitador mais rapid° do mundo seja, por acaso, urn neurocirurgi80.
Ele deve datilografar seus proprios trabalhos ou contratar uma secretaria? Explique.
CONCLUS-A0
0 principio da vantagem comparativa mostra que o comercio pode beneficiar a
todos.Voce deveria agora entender os beneficios de viver em uma economia inter-
dependente. Mas, tendo visto por que a interciependencia é desejavel, voce talvez
esteja se perguntando como isso é possivel. Como as socieciades livres coordenam
importacOes
bens produzidos no exterior e
vendidos internamente
exportacoes
bens produzidos internamente
e vendidos no exterior
CAPiTULO 3 INTERDEPENDI NCIA E GANHOS COMERCIAIS 57
as diversas atividades de todas as pessoas envolvidas em suas economias? 0 que
garante que os bens e servi os vão dos que os produzem para os que os deveriam
consumir?
Nun-i mundo com apenas duas pessoas, como o agricultor e a pecuarista, a res-
posta e simples: elas podem barganhar diretamente e alocar recursos entre si. No
mundo real, com bilhes de pessoas, a resposta não é ra- o (5bvia. Abordaremos essa
quest -a'o no prOximo capftulo, no qual veremos que as sociedades livres alocam
recursos por meio das foNas de mercado da oferta e da demanda.
RESUMO
• Cada pessoa consome bens e servi os produzidos
por muitas outras pessoas tanto no mesmo pais
quanto no mundo todo. A interdependencia e o
_comercio s e o desej veis porque permitem que cada
um possa desfrutar de uma maior quantidaae e
variedade de bens e servios.
• Há duas maneiras de comparar a capacidade que
duas pessoas tem de produzir um mesmo bem. Diz-
se que a pessoa que produz o bem com menor
quantidade de insumos tem vantagem absoluta na
produo desse bem. Diz-se que a pessoa que tem o
menor custo de oportunidade na produo de um
dos bens tem uma vantagem comparativa. Os ganhos
do comercio se baseiam na vantagem comparativa,
nk) na vantagem absoluta.
• 0 comercio beneficia a todos porque pern-iite que as
pessoas se especializem nas atividades em que
tenham vantagem comparativa.
• 0 principio da vantagem comparativa se aplica tanto
aos paises quanto às pessoas. Os economistas usam
o principio da vantagem comparativa para advogar o
livre comercio entre paises.
CONCEITOS-CHAVE
vantagem absoluta, p. 51 vantagem comparativa, p. 52 exportg'cies, p. 56
custo de oportunidade, p. 51 importg'(5es, p. 56
QUESTES PARA REVISA0
1. Explique a diferena entre vantagem absoluta e plique seu raciocinio usando o exemplo de sua
vantagem comparativa. resposta à Questo 2.
2. De um exemplo em que uma pessoa tenha vanta- 4. As na -c5es tendem a importar ou exportar os bens
gem absoluta em alguma atividade, enquanto ou- em rela o aos quais tem vantagem comparativa?
tra pessoa tenha vantagem comparativa. Explique.
3. 0 que é mais importante para o comercio: a van- 5. Por que os economistas se opem a politicas que
tagem absoluta ou a vantagem comparativa? Ex- restrinjam o comercio entre as ng.(5es?
PROBLEMAS E APLICAOES
1. Considere o agricultor e a pecuarista do exemplo
que usamos neste capitulo. Explique por que, para
o agricultor, o custo de oportunidade de produ o
de 1 kg de carne é de 4 kg de batatas. Explique por
que, para a pecuarista, o custo de oportunidade da
produo de 1 kg de carne é de 2 kg de batatas.
2. Maria consegue ler 20 p4inas sobre economia em
1 hora e 50 p4rinas sobre sociologia em 1 hora. Ela
passa 5 horas por dia estudando.
a. Represente e fronteira de possibilidades de
de Maria para leitura de economia e lei-
tura de sociologia.
58 PARTE 1 INTRODUcA0
b. Qual o custo de oportunidade, para Maria, da
leitura de cern pag,inas de sociologia?
3. Os trabalhadores norte-americanos e japoneses
podem produzir quatro carros por ano cada urn.
Urn trabalhador norte-americano conseg-ue pro-
duzir dez toneladas de graos por ano, enquanto
urn trabalhador japones conseg-ue produzir cinco
toneladas. Para simplificar, adote a premissa de
que cada pais tenha cern mill-16es de habitantes.
a. Para essa situacao, construa uma tabela andloga
a Tabela 1.
b. Represente as fronteiras de possibilidades de
producao das economias norte-americana e
japonesa.
c. Qual é, para os Estados Unidos, o custo de opor-
tunidade de um carro? E dos -5os? Qual é, para
o Japao, o custo de oportunidade de urn carro? E
dos graos? Coloque essas informacoes numa
tabela analoga a Tabela 3.
d. Qual dos dois paises tern vantagem absoluta na
producao de carros? E na producao de gr, aos?
e. Qual dos dois paises tern vantagem comparati-
va na producao de carros? E na producao de
°Taos?-
f. Na ausencia do comercio, metade dos trabalha-
dores de cada economia produz carros e a outra
metade cultiva gr, aos. Que quantidadesde carros
e de graos cada economia produz?
g. Partindo de uma posicao en-i que nao haja
connercio, de urn exemplo em que o comercio
seja benefico para os dois paises.
4. Pat e Kris sao colegas de quarto. Elas passam a
maior parte do seu tempo estudando (claro), mas
sempre deixam algum tempo para suas atividades
prediletas: fazer pizza e fabricar cerveja. Pat gasta
quatro horas para fazer urn litro de cerveja e duas
horas para fazer uma pizza. Kris gasta seis horas
para fazer urn litro de cerveja e quatro horas para
fazer uma pizza.
a. Qual o custo de oportunidade da pizza para
cacia uma delas? Quem tem vantagem absoluta
na fabricacao de pizza? Quem tern vantagem
comparativa na fabricacao de pizza?
b. Se Pat e Kris comerciassem uma corn a outra,
quem daria pizza em troca de cerveja?
c. 0 preco da pizza pode ser representado em ten-
mos de litros de cerveja. Qual o preco mais ele-
vado a que a pizza pode ser negociada e ainda
assim beneficiar as duas colegas? E qual o
menor preco? Explique.
5. Suponhamos que haja 10 milhoes de trabalhado-
res no Canada e que cada urn deles possa produ-
zir 2 carros ou 30 toneladas de trigo por ano.
a. Qual o custo de oportunidade da producao de
urn carro no Canada? E qual o custo de oportu-
nidade da producao de uma tonelada de trigo?
Explique a relacao entre o custo de oportunida-
de ciesses dois bens.
b. Represente a fronteira de possibilidades de pro-
ducao do Canada. Se o pais escolher consumir
dez mill-16es de carros, quantas toneladas de
trigo podera consumir sem comerciar? Indique
esse pont° na fronteira de possibilidades de
producao.
c. Suponha, agora, que os Estados Unidos se pro-
ponham a comprar 10 milhoes de carros do
Canada em troca de 20 toneladas de trigo por
carro. Se o Canada continuar a consumir 10
milhoes de carros, quanto trigo o pais podera
consumir a partir da negociacao? Indique esse
ponto no seu diagrama. 0 Canada deve fechar o
negOcio?
6. Imagine urn professor que esteja escrevendo urn
livro. Ele pode tanto escrever quanto colher dados
mais rapid() do que qualquer outra pessoa na uni-
versidade. Mesmo assim, contrata urn est-udante
para fazer a coleta de dados na biblioteca. Isso faz
sentido? Explique.
7. A Inglaterra e a EscOcia produzem bolinhos e
malhas de 15. Suponhamos clue urn trabalhador
ingles consiga produzir 50 bolinhos por hora ou 1
malha por hora e que um trabalhador escoces con-
siga produzir 40 bolinhos por hora ou 2 malhas
por hora.
a. Qual dos dois paises tern vantagem absoluta na
producao de cada hem? E qual dos dois paises
tern vantagem comparativa?
b. Se a Inglaterra e a Escocia decidissem comerciar,
que mercadoria a EscOcia venderia para a Ingla-
terra? Explique.
c. Se urn trabalhador escoces so conseguisse pro-
duzir 1 malha por hora, a Escocia ainda teria a
ganhar corn o comercio? E a Inglaterra? Explique.
8. A tabela a seguir descreve as possibilidades de
producao de duas cidades na Beisebolandia:
Pares de Meias Vermelhas Pares de Meias Brancas par
por Trabalhador par Hora Trabalhador par Hora
Boston 3 3
Chicago 2 1
CAPITULO 3 INTERDEPEND4CIA E GANHOS COMERCIAIS 59
a. Na ausencia de comercio, qual seria o preo das
meias brancas (em termos de meias verrnelhas)
em Boston? E em Chicago?
b. Oual das duas cidades tem vantagem absoluta
na produ"ao de cada tipo de cor de meias? Qual
delas tem a vantagem comparativa na produ'ao
de cada tipo de cor de meias?
c. Se as cidades comerciassem entre si, que cor de
meias cada cidade exportaria?
d. Qual a faixa de preos em que cada negcio
ocorrera?
9. Suponhamos que a Alemanha possa produzir
quaisquer bens com menos horas de trabalho do
que a FraNa.
a. Em que sentido o custo de todos os bens
menor na Alemanha do que na FraNa?
b. Em que sentido o custo de alguns bens e menor
na Franc;a?
c. Se a Alemanha e a Frana negociassem uma
com a outra, os dois paises se beneficiariam
disso? Explique no contexto de suas respostas
aos itens (a) e (b).
10. As afirn-ig -6es a seguir s'ao verdadeiras ou falsas?
Explique suas respostas em cada caso.
a. "Dois paises podem obter ganhos de comercio
mesmo que um deles tenha vantagem absoluta
na produ0o de todos os bens."
b. "Certas pessoas muito talentosas t'em vantagem
comparativa em tudo o que fazem."
c. "Se uma determinada transg -a- o comercial e
boa para uma pessoa, n'ao pode ser boa para a
outra."