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Práticas Inclusivas etapa II

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PRÁTICAS INCLUSIVAS 
PARA FORMAÇÃO DE 
PROFESSORES
ETAPA 2
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br
Curso sobre Práticas Inclusivas para Formação de Professores
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Coordenação
Ana Clarisse Alencar Barbosa
Autora
Carolina dos Santos Maiola
Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitoria de Ensino de Graduação a Distância
Prof.ª Francieli Stano Torres
Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância
Prof. Hermínio Kloch
Diagramação e Capa
Letícia Vitorino Jorge
Revisão
Fabiana Lange Brandes
Suellen Cardoso de Lima
APRESENTAÇÃO
Por um longo período histórico, a pessoa com deficiência esteve às margens 
da escolarização e percebemos nesta caminhada movimentos para a criação de leis 
na tentativa de reconfigurar a inserção da pessoa com deficiência no ensino comum. 
A educação inclusiva é um movimento ainda em construção e que necessita de um 
constante repensar sobre as políticas públicas e as práticas pedagógicas nas escolas
Neste capítulo você estudará sobre as principais leis e documentos norteadores da 
Educação Especial, notas técnicas e os programas e ações de apoio ao desenvolvimento 
inclusivo dos sistemas de ensino. 
2 PRÁTICAS INCLUSIVAS PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
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1 DA CONFERÊNCIA DE JOMTIEN À POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO 
ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – CAMINHOS 
TRILHADOS...
A partir do século XX, movimentos sociais de luta contra todas as formas de 
discriminação se tornaram mais intensas e a importância do exercício de cidadania das 
pessoas com deficiência surge, em nível mundial, através da defesa de uma sociedade 
mais inclusiva.
Ainda marcado por práticas de categorização e segregação, fortalece-se a crítica a 
essas ações, questionando-se os modelos de ensino e aprendizagem homogeneizadores.
A Constituição Federal de 1988, traz como seus objetivos fundamentais “promover 
o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação” (art.3º, inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como um 
direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania 
e a qualificação para o trabalho. No seu artigo, 206, inciso I, estabelece “igualdade de 
condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino 
e garante como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, 
preferencialmente na rede regular de ensino (art.208). Mesmo diante desta exposição 
clara relatada pela Constituição, não foi suficiente para garantir a igualdade de direitos 
e de oportunidades as pessoas com deficiência no contexto da educação comum.
Na tentativa de enfrentar esses desafios e de se pensar em ações capazes de 
superar esses processos históricos de exclusão, conferências importantes aconteceram, 
e delas, novos documentos norteadores de políticas públicas foram criados. Veja alguns 
especificados a seguir.
1.1 CONFERÊNCIA MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS: JOMTIEN
 
A Conferência Mundial de Educação para Todos aconteceu na cidade de 
Jomtien, na Tailândia, em 1990. Neste encontro, evidenciou-se os altos índices de 
crianças, adolescentes e jovens sem escolarização, objetivando assim, a promoção de 
transformações nos sistemas de ensino e o acesso e permanência de todos na escola.
Deste encontro, surge um plano de ação (Declaração de Jomtien), do qual 
participaram representantes de governos e organizações não-governamentais (ONGs), 
com o intuito de garantir as necessidades básicas da aprendizagem de todas as crianças, 
jovens e adultos. Essas necessidades básicas compreendem tanto os instrumentos 
essenciais para a aprendizagem como a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, 
a solução de problemas; quanto a aquisição de conhecimentos, habilidades, valores e 
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atitudes necessários para que os seres humanos possam sobreviver e se desenvolver 
plenamente. Ao mencionar as pessoas com deficiência, ele assim refere em seu Artigo 
3º - Universalizar o acesso à educação e promover a equidade:
1. A educação básica deve ser proporcionada a todas as crianças, jovens e 
adultos. Para tanto, é necessário universalizá-la e melhorar sua qualidade, bem 
como tomar medidas efetivas para reduzir as desigualdades.
2. Para que a educação básica se torne equitativa, é mister oferecer a todas as 
crianças, jovens e adultos, a oportunidade de alcançar e manter um padrão 
mínimo de qualidade da aprendizagem.
[...]
5. As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de defi-
ciências requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam 
a igualdade de acesso à educação aos portadores de todo e qualquer tipo de 
deficiência, como parte integrante do sistema educativo.
Os países que participaram desta Conferência foram incentivados a elaborar 
Planos Decenais, em que as diretrizes e metas do Plano de Ação da Conferência fossem 
contempladas. No Brasil, o Ministério da Educação divulgou o Plano Decenal de 
Educação Para Todos para o período de 1993 a 2003, elaborado em cumprimento às 
resoluções da Conferência. Este plano, marca a aceitação formal, do Governo Federal, 
das propostas formuladas nos foros internacionais para a melhoria da educação básica.
Diante disso, podemos considerar que a Conferência de Jomtien foi um marco 
político e conceitual na educação ao reafirmar a necessidade de que todos dominem os 
conhecimentos indispensáveis à compreensão do mundo em que vivem, recomendando 
a todos os países participantes que se empenhem nesse movimento. 
1.2 CONFERÊNCIA MUNDIAL DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS: 
ACESSO E QUALIDADE. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA
A Conferência Mundial de Necessidade Educativas Especiais: Acesso e Qualidade 
foi realizada pela UNESCO em 1994, na cidade de Salamanca, na Espanha, com a 
participação de 92 governos e 25 organizações internacionais, cujo objetivo consistiu 
na discussão sobre a escola não acessível a todos os estudantes.
A partir dessas discussões sobre as práticas educacionais e a desigualdade social, 
surge o documento denominado Declaração de Salamanca e Linhas de Ação sobre 
Necessidades Educativas Especiais, onde se evidencia a necessidade de se combater as 
atitudes discriminatórias, conforme vemos em Brasil (1997):
O princípio fundamental desta Linha de Ação é de que as escolas devem acolher 
todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, 
sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem acolher crianças com defi-
ciência e crianças bem-dotadas; crianças que vivem nas ruas e que trabalham; 
crianças de populações distantes ou nômades; crianças de minorias linguísticas, 
étnicos ou culturais e crianças de outros grupos e zonas desfavorecidas ou 
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marginalizados (p.17 e 18)
 
Para conhecimento, selecionamos alguns dos itens discutidos nesse documento, 
que nos mostram as ações indicadas para uma perspectiva de educação para todos. Ele 
perpassa pelo âmbito tanto dos conceitos da educação especial, quanto sobre a estrutura 
escolar, profissionais envolvidos, capacitação, recursos financeiros, participação da 
família, mercado de trabalho e outros. Seguem alguns recortes do documento pertinentes 
para nosso estudo e compreensão:
Assim, proclama-se que:
2
• toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade 
de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem;
• toda criança possui características, interesses,