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JÁ DESVENDOU SOBRE A 
ONÇA-PINTADA 
NO PANTANAL
O QUE A CIÊNCIA 
Fernando Tortato
Juliana Bonanomi
Rafael Hoogesteijn
CUIABÁ
2015
1 Edição
Capa e editoração
Edição
Impressão
Revisão Ortográfica
Cleverson Durigão
Espaço Criativo Flor de Lis
Site: www.espacoflordelis.com.br
GRÁFICA UFMT
Fernando Tortato 
Almira Hoogesteijn
Coordenadora - Cinvestav, México
Laís Duarte Motta
Coordenadora - Jornalista e apresentadora da TV Cultura, São Paulo, Brasil
Howard Quigley
Diretor - Panthera - Programa Onça-pintada e Onça-parda
É PERMITIDO A REPRODUÇÃO OU TRANSMISSÃO DESTA OBRA POR QUALQUER 
MEIO, DESDE QUE CITA OS AUTORES DESTA OBRA.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
T699q Tortato, Fernando. 
O que a ciência já desvendou sobre a onça-pintada no Pantanal / 
Fernando Tortato, Juliana Bonanomi, Rafael Hoogesteijn. – Cuiabá : 
Espaço Criativo Flor de Lis, 2015. 
44 p. : il. color. ; 15,5cm x 22cm 
 
Bibliografia: p. 38-40. 
ISBN 978-85-369696-001 
 
1. Onça – Zoologia. 2. Onça-pintada – Pantanal. 3. Onças-pintadas 
– Pantanal mato-grossense. 4. Pantanal mato-grossense. I. Bonanomi, 
Juliana. II. Hoogesteijn, Rafael. III. Título. 
 
CDU – 599.742.72(817.2) 
Prefácio
 A Onça-pintada é considerada um símbolo do Pantanal e os primei-
ros estudos científicos sobre esta espécie iniciaram no final da década de 
70, justamente neste bioma. Este livreto surgiu de uma proposta da ONG 
Panthera, com o objetivo de divulgar o conhecimento científico sobre a 
onça-pintada no Pantanal, contribuindo para o melhor conhecimento da 
espécie e sua conservação. 
 A transformação de artigos científicos em um texto leve e informativo 
contou com a colaboração de muitos autores, que cada qual, da sua maneira, 
contribuiu para que este livreto fosse realizado.
 Esperamos que a divulgação deste livreto ocorra a todos os Pantanei-
ros. Que seja lido por vaqueiros em distantes retiros de fazendas, comunida-
des ribeirinhas, escolas rurais e por todas as pessoas que vivem e trabalham 
neste bioma tão importante para conservação da onça-pintada.
Fernando R. Tortato
Sumário
Prefácio ...............................................................................................................................5
Introdução .........................................................................................................................7
CAÇANDO RESPOSTAS .....................................................................................................8
SEGUINDO OS PASSOS DA ONÇA....................................................................................8
AMIGOS NA LUTA PELA PRESERVAÇÃO .......................................................................9
DA ONÇA-PINTADA .............................................................................................................9
SILÊNCIO NO CAMPO. VOZ PARA CIÊNCIA. .................................................................10
OS OLHOS DO MUNDO SE VOLTAM PARA O BRASIL ..................................................10
BANQUETE A CÉU ABERTO ............................................................................................11
FOME DE CONHECIMENTO .............................................................................................12
O ADEUS AOS FILHOTES ................................................................................................13
ONÇA X GADO. HOMEM X ONÇA ....................................................................................14
TECNOLOGIA NO CAMPO................................................................................................14
ONDE A ONÇA BEBE ÁGUA.............................................................................................15
MEDO DA ONÇA ................................................................................................................29
REVELANDO BELEZAS ....................................................................................................29
ALÉM DO QUE SE PODE VER .........................................................................................30
CONHECER PARA PRESERVAR ......................................................................................30
PRESENTE E FUTURO .....................................................................................................32
PESQUISAS ATUAIS ..............................................................................................33
CENAP/ESEC TAIAMÃ ......................................................................................................33
ONÇAFARI ........................................................................................................................33
A ATUAÇÃO DA ONG PANTHERA NO PANTANAL .........................................................36
OBSERVAÇÃO ...................................................................................................................37
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA ..............................................................................................38
Introdução
 O raiar do sol tinge de laranja os céus pantaneiros. Inaugura o dia. Tira 
da escuridão a maior planície alagável do mundo. Uma terra encharcada, 
berço da vida. Abrigam-se nas riquezas do Pantanal a agilidade da capivara, 
a leveza da arara-azul, jacarés à espreita, a elegância dos cervos-do-panta-
nal. E bois, muitos bois, trazidos para cá quando os brasileiros descobriram 
essa parte alagada do Brasil a mais de 200 anos. Milhares de peixes, mi-
lhares de aves, tuiuiús, queixadas, insetos têm suas sobrevivências ligadas 
às entranhas do Pantanal. Um lugar único onde um felino de mais de 100 
quilos, mais de 2 metros de comprimento, pode parecer invisível.
 Esse é um dos mais importantes refúgios da onça-pintada, o maior fe-
lino das Américas. Tão forte, tão ágil, tão ameaçado. A majestade das matas 
sobrevive hoje em apenas 40% de sua distribuição total original, desde o sul 
dos Estados Unidos até o sopé do continente, ao norte da Argentina. Está 
extinta no Uruguai e em El Salvador. No Brasil segue ameaçada de desa-
parecer. Insistem em permanecer no Pantanal e Amazônia, biomas onde as 
populações de onças pintadas estão mais estáveis. Privilégio que não atinge 
as populações de onças da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
 Um animal único, dono de manchas pretas pintadas com capricho pela 
natureza sobre a pelagem amarelada. As causas que podem levar a extinção 
desse predador estão relacionadas à perda e fragmentação de habitats, ou 
seja, ao desmatamento; à caça que ainda existe mesmo que proibida; à 
extinção de animais silvestres que servem de alimento às onças. Em muitas 
regiões, as onças-pintadas só ocorrem em áreas protegidas, como parques 
nacionais, mas os parques não garantem a continuação da espécie. Sem 
contato entre diferentes populações, os animais ficam isolados e não geram 
descendentes. Perdem o vigor genético, desaparecem, minguam. 
 Amenizar os riscos que afetam negativamente as onças é tarefa árdua 
que a ciência há mais de 30 anos assumiu no Pantanal. São 3 décadas de 
estudos para decifrar os hábitos do predador topo de cadeia. Descobrir como 
amenizar os conflitos entre o homem e o bicho, antes que o bicho seja extinto.
7PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
CAÇANDO RESPOSTAS
 No passado não era raro ver caçadores encherem a boca para nar-
rar a saga de perseguir e fuzilar o animal mais belo dessas terras. Tanto 
que até 1977 as únicas informações publicadas em livros acerca das on-
ças-pintadas eram originadas de relatos de caçadores. Gente simples ou 
famosa, como o presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, que 
andoupelo Pantanal no início do século XX e descreveu com riqueza de 
detalhes a caça e o troféu. 
 Em 1976 o brasileiro Antônio Almeida publicou um livro relatando suas 
caçadas e, detalhista como ele só, acabou descrevendo algumas informações 
sobre a biologia da onça-pintada no Mato Grosso. Dados científicos sobre a 
Panthera onca mesmo, estudos no rigor da palavra, só no fim dos anos 1970. 
Tudo começou na Fazenda Acurizal, na borda oeste do Pantanal, onde nuvens 
projetavam sombras ligeiras sobre água e terra. E foi preciso que um norte-a-
mericano viesse para o Brasil ver para crer. Através de uma parceria do extinto 
IBDF (atual IBAMA) com a ONG New York Zoological Society (agora Wildlife 
Conservation Society ou WCS), o biólogo George Schaller (FIG.1), experiente 
pesquisador, acostumado a cortar o mundo para estudar de perto o viver dos 
animais, iniciou ali seu trabalho. Não foi só. 
 No primeiro trabalho publicado, no ano de 1978, Schaller e o brasileiro 
José Vasconcelos pesquisaram o impacto da predação de onças-pintadas em 
populações de capivaras. Às margens do Rio Paraguai, concluíram que as on-
ças não escolhem suas presas pela idade. E que matando a fome, num equi-
líbrio natural, elas junto com certas doenças realizam o controle populacional 
desse roedor. Com suor e poder de observação, os pesquisadores levantaram 
informações inéditas sobre biologia das principais presas de onça-pintada, a 
biomassa de pressas naturais e domésticas em relação a abundância dos fe-
linos em uma fazenda de pecuária. Um trabalho tão minucioso que sobrevive 
ao tempo e é referência até hoje.
SEGUINDO OS PASSOS DA ONÇA
 Ainda em 1978, Peter Crawshaw se juntou a Schaller e deu continuida-
de à descoberta do desconhecido. E a dupla teve uma ajuda da tecnologia. Foi 
a primeira vez que cientistas fizeram monitoramento via rádio-colar. Colocado 
no pescoço das onças como um colar, com sinal de rádio conseguiram mensu-
rar que as onças ocupam um espaço de 100km². Descobriram que fêmeas e 
machos usam o mesmo território, ou seja, as onças-pintadas não são tão so-
litárias quanto se imaginava. Elas possuem um sistema social similar a outros 
felinos de grande porte, como os tigres, pumas e leopardos.
8 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
 AMIGOS NA LUTA PELA PRESERVAÇÃO 
DA ONÇA-PINTADA
 Da persistência desses pesquisadores na terra xucra resultaram impor-
tantes publicações, informações a respeito de uma espécie brasileira que os pró-
prios brasileiros desconheciam. Nasceu ali a semente para que várias gerações 
de cientistas se debruçassem sobre a causa da preservação das onças. Na dé-
cada de 1980, o norte-americano Howard Quigley e o brasileiro Peter Crawshaw 
estenderam seus braços sobre outras áreas. Tinham em comum sede de conhe-
cimento no intuito de preservação dos animais da Miranda Estancia na região do 
município de Miranda, no Mato Grosso do Sul.
 Debaixo de chuvas torrenciais ou de temperaturas escaldantes, acom-
panharam as onças. Realizaram capturas, desvendaram segredos sobre a 
ecologia e os hábitos dessa enigmática e admirada espécie. Durante mais de 
8 anos, numa área onde a natureza governa o serviço, monitoraram seis onças
-pintadas. Descobriram que onças são andarilhos determinados. Andam em 
média 2,4km por dia, sendo que os machos percorrem uma área muito maior 
do que as fêmeas. E ao contrário do que muita gente pensava, é com o sol à 
postos que elas se deslocam mais. A área de vida de um macho adulto pode 
chegar a 168km², mas muda de acordo com a estação do ano. Nas cheias, 
quando as águas alagam as matas, campos e pastos as onças usaram um 
território muito menor que no período de seca. 
 Peter e Howard demonstraram ao mundo que as onças-pintadas prefe-
rem estar em matas ciliares e manchas florestadas, protegidas sob as copas 
das árvores, mesmo com a comida farta que se encontra em ambientes abertos 
do Pantanal, e deram importantes informações sobre os hábitos alimentares 
tanto das presas naturais como do gado. Tantas respostas geraram ainda mais 
perguntas e os pesquisadores não se davam por satisfeitos. Prosseguindo os 
estudos avaliaram as principais ameaças ao felino que por contradição é visto 
como ameaçador. Apontaram alternativas para minimizar o conflito ancestral 
entre pessoas e onças. Estabeleceram um plano de ação para conservação da 
espécie no Pantanal. E propuseram que para manter as populações de onças
-pintadas, a criação de grandes reservas era imprescindível: uma na porção 
norte, próxima ao Parque Nacional do Pantanal e outra na porção sul, na re-
gião de Miranda. Comprovaram ainda que preservar somente uma população 
sozinha de onças não garante a viabilidade da espécie. Era preciso mais. O 
trabalho de Quigley, Crawshaw e Schaller contribuiu para entender a impor-
tância de se proteger as florestas que ficam ás margens dos grandes rios do 
Pantanal, verdadeiros corredores essenciais para a sobrevivência da fauna. 
Ligações capazes de conectar essas populações e viabilizar a perpetuação da 
espécie por maior tempo.
9PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
SILÊNCIO NO CAMPO. VOZ PARA CIÊNCIA.
 Só tendo paciência e tempo para se observar as transformações da 
natureza. Lentamente água e vento mudam as formas do Pantanal. Embre-
nhados nas matas, cientistas assistem e desvendam o vai-e-vem dos rios a 
chacoalhar o entorno. Imersos na solidão, permaneceram estudando para, 
depois, dar voz às descobertas.
 Em 2001 o pesquisador Eduardo Eizirik e sua equipe coletaram 
amostras genéticas de onça-pintada ao longo de toda a sua área de dis-
tribuição. Trabalho de formiguinha, feito com esforço de tantos, para ver 
no laboratório o que os olhos no campo não enxergavam. Os resultados 
demonstraram que nas onças-pintadas mantêm fluxo genético entre suas 
populações, havendo poucas barreiras geográficas. Nas dimensões conti-
nentais brasileiras, apenas o rio Amazonas representa um limite de disper-
são para as onças-pintadas. Outros rios, outras serras, florestas, matas, 
pastos não impõe restrições de deslocamento a elas. Assim as populações 
de onças-pintadas desde o Pantanal, até as margens do Amazonas, não 
demostram diferenciação em sub-espécies.
 Os autores concluíram que estratégias para a conservação da onça
-pintada devem levar em consideração a conexão das populações de onças 
dentro e fora do Brasil. Reafirmaram a necessidade de corredores ecológicos 
no Pantanal, dito outrora por Quigley e Crawshaw. Caminhos que permitiriam 
a manutenção do fluxo de indivíduos, de genes, e assim, o vigor genético e a 
permanência da espécie.
OS OLHOS DO MUNDO SE VOLTAM PARA O BRASIL
 Houve um tempo em que a onça valia mais morta do que viva. Valia 
a emoção da caçada, quando o caçador esportista pagava para ver o bicho 
acuado sobre os galhos de uma árvore. Valia a pele estampada transformada 
em tapete, casaco ou troféu. Se o animal chegou às portas da extinção no país 
foi também por causa do comércio internacional de peles. O Brasil carrega o 
título e a culpa. Foi um dos maiores exportadores de peles de onça-pintada 
do planeta, exportando entre 1968 e 1970 o impressionante número de 19.461 
peles, quase 2/3 de um total de 31.104 peles provenientes da América Latina 
vendidas aos Estados Unidos. 
 E podem ter sido muitas mais. Incontáveis peles exportadas nesse pe-
ríodo a partir do Paraguai e Bolívia eram, na verdade, produto de contrabando 
do Pantanal Brasileiro. Com a chegada dos anos de 1980, com a regularização 
e organização do comércio de peles via Convenção sobre o Comércio Inter-
nacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extin-
ção - CITES, houve uma diminuição do comércio ilegal de peles. Na década 
10 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
seguinte o mundo já começava a querer ver a pelagemda onça em movimento 
nas matas e não imóvel como prova da matança. Ativistas, ambientalistas e 
pesquisadores se reuniam para estudar formas de preservar os animais. 
 Em 1999 foi realizado no México um encontro com especialistas de diver-
sos países. Da soma do conhecimento de tantos nasceu o livro “El Jaguar em 
El Nuevo Milenio”. Uma obra escrita a 128 mãos dedicada a unir informações e 
forças para proteger as onças. Nas palavras enfileiradas juntou todos os dados 
científicos sobre as onças em todos os países da sua distribuição geográfica. 
Quatro capítulos referem-se às onças do Pantanal. Foram pontos de partida para 
inúmeros outros estudos e teses de doutorado, inspiração para outros cientistas 
que decidiram estudar a vida das onças.
BANQUETE A CÉU ABERTO
 Um dos cientistas foi Julio Dalponte que resolveu decifrar os hábitos 
alimentares dos grandes felinos brasileiros. Estudou a dieta das onças-pin-
tadas nas fazendas Santa Inês e Baia Dom Bosco, às margens mansas do 
Rio Paraguaizinho, na porção norte do Pantanal. Ele também coletou algumas 
amostras na região conhecida como Jofre e no Parque Nacional do Pantanal. 
Transformou 35 amostras de fezes e 44 carcaças de animais predados em 
informações conclusivas sobre as preferências no cardápio das onças. Os re-
sultados demonstram que a capivara, prato farto, é a principal presa silvestre. 
O gado também foi considerado um importante item da dieta das onças na 
região. Outras presas, como quatis, cervos-do-pantanal, jacarés e veados-ma-
teiros também foram consumidos, porém em menor proporção. 
 Na região do Paraguaizinho, Julio constatou que as onças não eram as 
principais responsáveis pela morte dos bovinos. Apenas 0,84% das perdas 
anuais do rebanho bovino eram provocadas por ataques de onças-pintadas. 
O levantamento também ressaltou que as onças predam sobre o gado mais 
jovem, com peso entre 26 e 360 kg. E apresentando o problema, a ciência 
também aponta soluções. Como alternativa para atenuar a perda provocada 
pelos felinos predadores, propôs o desenvolvimento de atividades de turismo 
ecológico, onde a onça e demais animais do Pantanal deixam de serem ame-
aças para serem observadas.
11PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
FOME DE CONHECIMENTO
 Na Miranda Estancia, localizada no encontro dos rios Aquidauana e Mi-
randa, entre os anos de 1980 a 1984, Crawshaw e Quigley registraram 102 
carcaças de animais abatidos. As análises atribuíram 59 delas a ataques de 
onças-pintadas, 31 a ataques de onça-parda e as 12 restantes a grandes fe-
linos (sem especificar espécie). Mais do que números, o estudo demonstrou 
que as onças-pintadas e pardas diferem na forma de abater suas presas, no 
local onde atacam e mordem, na disposição da carcaça, na forma de consu-
mo. Das carcaças encontradas abatidas por onças-pintadas e onças-pardas, 
respectivamente 47% e 42% eram gado. Porém, biologia não é uma ciência 
exata. As provas nem sempre estão ao alcance dos olhos. Os autores relatam 
que esses valores poderiam apenas passar perto da realidade, pois uma car-
caça de gado é mais fácil de encontrar que a carcaça de um animal silvestre. 
O rebanho geralmente é mantido em ambiente aberto, sob os olhos vigilantes 
e cuidadosos dos vaqueiros.
 Para tornar a pesquisa mais certeira, os biólogos consideraram em ou-
tra análise somente as carcaças abatidas por seis onças monitoradas via rádio-
colar. Com a ajuda da tecnologia encontraram somente 29% de gado abatido 
pelas onças. Fartura de comida mesmo as onças-pintadas encontram na vida 
selvagem. Porcos-do-mato, foram o prato mais consumido, 41% das carcaças 
encontradas. E não apenas a qualidade das presas foi levada em consideração. 
Esse estudo demonstrou que onças-pintadas podem abater presas maiores que 
seu próprio tamanho, algo que não acontece com a onça-parda, que ataca geral-
mente presas de tamanho igual ou menor. 
 Nenhum outro animal parece ser páreo para elas. Apenas o homem é 
ameaça. De acordo com Crawshaw e Quigley, o principal risco para todas as 
espécies no Pantanal é a mortalidade causada pelo conflito com a atividade 
de pecuária. É ser vítima de retaliação depois de predar o gado. Em algumas 
regiões as onças-pintadas desapareceram, muito provavelmente pela retalia-
ção causada por problemas de depredação ao gado. Manter a floresta em pé, 
contornando o traçado sinuoso dos rios, pode manter as populações de onças. 
O manejo adequado do rebanho, a proibição do uso de cães e armas de fogo 
na lida dos vaqueiros no campo e a diminuição da caça das presas que ser-
vem de alimentos para as onças; contribuem para conservação dessa grande 
espécie de felino, sustenta a trégua entre o homem e a natureza.
12 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
O ADEUS AOS FILHOTES
 Um mar de terras, um oceano de águas separa as onças de outros 
grandes felinos, como leões e leopardos na África, tigres, na Ásia. Mas a rela-
ção instintiva, ancestral de mães com seus filhotes, essas, permanece a mes-
ma. Durante anos debruçados sobre o comportamento das onças-pintadas, 
Crawshaw e Quigley puderam revelar como é a reprodução da espécie, o cres-
cimento das crias, a conquista da independência de cada filhote.
 Com dados de quatro das sete onças-pintadas que capturaram entre 1980 
e 1983 na Fazenda Miranda e informações adicionais baseadas em rastros obti-
dos de animais não monitorados via rádio-colar, traçaram um padrão. Concluíram 
que as pintadas possuem um comportamento reprodutivo similar a outras espécies 
do gênero Panthera. Verificaram que o intervalo entre o nascimento do filhote e 
sua dispersão ocorre em aproximadamente dois anos. As fêmeas, a olhos vistos, 
crescem menos do que os machos. E são os machos que dispersam primeiro e se-
guem seu curso, atrás do próprio destino. Os machos vão, em geral, se distanciam 
para áreas três vezes mais distantes da mãe do que filhotes fêmeas.
 Em outro estudo, Peter Crawshaw comparou duas áreas onde executou 
projetos com onças-pintadas: no Pantanal e Parque Nacional do Iguaçu. E 
como parte do fazer científico, para compreender a vida, estudou sobre a mor-
talidade das onças. Ele descreveu a mortalidade de onças-pintadas com entre-
vistas em fazendas do Pantanal e relatou a morte de duas fêmeas na Fazenda 
Acurizal, no mesmo período em que ele e George Schaller realizavam lá suas 
pesquisas. Os números eram assustadores. Em uma fazenda no Pantanal, só 
um caçador profissional matou 68 onças-pintadas e 275 onças-pardas entre os 
anos de 1959 e 1966. Crawshaw descreve que em muitas áreas do Pantanal 
as onças-pintadas foram quase extintas entre 1975 e 1985, pelo comercio dos 
couros e pela retaliação da pecuária.
 Contudo, recentemente as populações de onças-pintadas têm aumentado. 
A hipótese apresentada pela ciência é que um conjunto de ações do homem vem 
conseguindo amenizar os danos causados pela própria ação do homem. A legislação 
mais severa em relação à caça, a retração da atividade de pecuária, o abandono de 
muitas fazendas em anos com grandes enchentes, e o turismo, estariam ajudando 
na recuperação das populações da espécie. Pegadas de onças, marcas deixadas na 
terra encharcada, são cada vez mais encontradas. Também não é tão raro encontrar 
alguém que teve a sorte de admirar uma fêmea caçando, um macho descansando à 
sombra de uma árvore. Crawshaw defende que as visualizações eram mais nume-
rosas com a chegada dos anos 2000 do que em 1980. Boa notícia para o Pantanal. 
Nem tanto para aquelas onças que margeavam as imensas Cataratas do Iguaçu. No 
Parque Nacional do Iguaçu, de acordo com o pesquisador, encontrar vestígios da 
onça é raro. Consequência da retaliação a ataques no rebanho bovino e do desapa-
recimento de presas, como o queixada, também vítimas da caça ilegal.
13PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃOEM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
ONÇA X GADO. HOMEM X ONÇA
 O tempo corre. As estações vêm e vão. As cidades crescem engolindo 
as florestas. Muito mais se sabe hoje do comportamento, da ecologia, da repro-
dução do maior felino das Américas. Só um comportamento parece manter-se 
o mesmo: a forma como o homem tenta resolver os conflitos com os animais 
selvagens. Nos municípios de Cáceres e Poconé, a pesquisadora Alexandra 
Zimmermann mensurou as atitudes dos fazendeiros em relação ao conflito 
provocado por eventuais ataques de onças-pintadas em seus rebanhos. Mui-
tas propriedades são habitats de onças. O encontro do local onde elas viviam 
e o local onde era desenvolvida a atividade de pecuária tornou o rebanho uma 
presa fácil e atrativa para esses felinos silvestres. 
 De fazenda em fazenda, de conversa em conversa, a cientista concluiu 
que está nas atitudes dos pecuaristas a solução para esse conflito histórico. 
Todos os fazendeiros entrevistados enxergavam nas belezas do Pantanal um 
tesouro, um patrimônio natural do Brasil. Porém, 82% consideravam as on-
ças-pintadas uma ameaça para o rebanho bovino. Em 64% das fazendas não 
se tolerava nenhum ataque de onças-pintadas ao rebanho bovino. E mais: 
90% queriam uma solução para os ataques de onças; 94% dos entrevistados 
gostariam de receber alguma ajuda para resolver o problema. E enquanto o 
problema persiste, a ciência trabalha para obter várias soluções.
TECNOLOGIA NO CAMPO
 Nos anos de 2003 e 2004 as pesquisadoras Sandra Cavalcanti e Ma-
rianne Soisalo embrenharam-se nas matas mais a oeste do país. Monito-
raram a população de onças-pintadas da Fazenda Sete (hoje em dia parte 
da antiga Miranda Estancia), no Pantanal de Miranda. Duas mulheres numa 
terra dominada por homens, na luta difícil contra o descaso do homem com 
o meio ambiente.
 É fruto do trabalho delas a primeira estimativa de população de onças rea-
lizada através de dois métodos associados: monitoramento com armadilhas foto-
gráficas e monitoramento através de colares com GPS. A área era uma imensidão: 
abrangia de 274km² a 568km². Através da análise de Máxima Distância Percorrida 
(MDP) obteve-se a densidade máxima de 11,7 onças-pintadas/100km² no ano de 
2004, uma diferença dos dados obtidos por telemetria: 6,7 onças-pintadas/100km². 
Era a prova de que Método MDP superestimou a densidade de onças. Mas os 
riscos para os animais silvestres continuavam vivos e fortes. Na mesma época, 
Fernando Azevedo e Dennis Murray realizaram estudos na Fazenda San Francis-
co, no Pantanal de Miranda. De captura em captura, conseguiram aparelhar com 
colares de GPS 11 onças-pintadas.
 
14 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
 Queriam também saber por onde andavam, onde dormiam, o que comiam 
os animais. Os resultados demonstram que a área de vida é um fator importante 
para elas. O tamanho da área de vida foi similar entre os sexos. Perseguindo 
cada passo dos animais monitorados, trilha por trilha, viram que capivaras e jaca-
rés são as presas mais abundantes para as onças-pintadas. Demonstraram por 
A mais B o que todos os fazendeiros queriam ver: as presas silvestres são sufi-
cientes para manter a população de onças-pintadas. Em terras onde o boi está, 
foram registradas taxas de predação no rebanho bovino. Mas os pesquisadores 
ressaltaram que a organização espacial das onças-pintadas é mais determinada 
por seus territórios do que de uma limitação de suas presas.
 Azevedo e Murray analisaram 169 casos de mortalidade de bovinos. 
Constataram que 19% do total das mortes de todos os bovinos foram por ata-
ques de onças-pardas e pintadas. Essa perda representou aproximadamente 
só 0,3% do rebanho total da propriedade. Entre os ataques, as onças-pintadas 
foram responsáveis pela maioria (69%). Uma das explicações para os ataques 
estava justamente composição do ambiente. Quanto mais próximo o rebanho 
se encontrava de áreas de floresta, maior o risco de serem atacados. A partir 
daí propuseram aos fazendeiros da região manter o rebanho afastado das 
matas e áreas muito florestadas.
 Mais recentemente, Fernando Tortato, Viviane Layme, Thiago Izzo e Peter 
Crawshaw avaliaram os fatores que influenciam o número de ataques em uma 
fazenda na borda oeste do Pantanal, já na divisa com a Bolívia. Nesta proprie-
dade, durante 57 meses foi verificado as causas da mortalidade do rebanho 
bovino. Os ataques de onças representaram uma perda anual de até 2,83% do 
tamanho total do rebanho. Uma baixa proporção de bovinos adultos no rebanho 
e períodos de cheia do Rio Paraguai foram fatores relacionados a um aumento 
na probabilidade de ataques mensais. Pantanal cheio nesta propriedade repre-
senta o rebanho mais próximo da floresta e por consequência mais vulnerável. 
Com estas informações, o pecuarista já pode se prevenir e atenuar o número de 
perdas provocadas pelas onças.
ONDE A ONÇA BEBE ÁGUA
 O silêncio vai embora com o sol. Quando os pássaros se calam, as 
vozes da noite são sapos a coaxar em coro, grilos, corujas. A onça quieta, a 
passos calculados, sai em busca de comida. Na Fazenda Sete, no Pantanal 
de Miranda, a pesquisadora Sandra Cavalcanti e a sua equipe saíam também. 
Entravam madrugada adentro para entender por onde anda, com quem anda, 
aonde vai a onça-pintada. De 2001 a 2004 monitoraram via GPS um total 
de 10 animais, 6 machos e 4 fêmeas. Colecionaram o expressivo número de 
11.787 localizações. 
15PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
 Juntando mapas, estimaram a área de vida dos animais, variando de 
34,1km² a 262,9km². Não importa se no meio do terreno passa um rio. Se tiver 
pasto, mata ou porteira. Quando a terra seca, os rios encolhem, as onças andam 
mais. E muitas vezes bem próximas umas das outras. Os machos não possuem 
áreas exclusivas. A sobreposição de territórios de machos e fêmeas ocorre em 
ambas às estações do ano, e as fêmeas não ficaram restritas a circular pelas áreas 
de um único macho. Não raro as onças-pintadas eram localizadas a uma distância 
pequena umas das outras, indicando um grau de sociabilidade. 
 Sociáveis sim. Férteis, nem tanto. O perfil reprodutivo das fêmeas indi-
cava que elas possuíam uma taxa baixa de concepção. E quando finalmente a 
mãe conseguia gerar e parir um filhote, ele muitas vezes não sobrevivia. Para 
as onças na natureza, crescer também é difícil demais. Além disso, Sandra 
e Eric Gese tentaram decifrar padrões de predação, num lugar onde animais 
domésticos e silvestres dividem a mesma área. As localizações diárias forne-
cidas com o monitoramento de 10 onças que usavam colares de GPS permiti-
ram que os pesquisadores encontrassem as carcaças predadas pelos felinos. 
Foram encontradas nada menos que 438 carcaças de presas. Delas 31,7% 
eram de gado; 24,4%, jacarés e queixadas 21%.
 Os pesquisadores perceberam que alguns indivíduos consumiam maiores 
proporções de gado que outros. Não importava se eram machos ou fêmeas. Mas 
ficou claro no estudo que machos de onças-pintadas comiam mais queixadas se 
comparado com as fêmeas. Já as fêmeas tinham preferência por jacarés. E não pre-
cisavam ir à caça todos os dias. O intervalo entre o abate de uma presa e outra foi de 
aproximadamente 4 dias, dependendo do tamanho da presa. 
 Quando começa a chover na maior planície alagável do mundo, a água 
influencia tudo. Até na alimentação das onças. Com lagos enormes para transpor, 
elas acabavam se alimentando mais de jacarés, fartamente disponíveis nas mar-
gens encharcadas. Já na seca, com a terra e os pastos expostos, os répteis são 
presas mais raras. O rebanho bovino se tornava mais disponível para as onças
-pintadas, por ocupar uma área maior na seca do que nas cheias.
 O olho no olho da onça com suas presas, especialmente o jacaré, tam-
bém atraiu os olhares de Fernando Azevedo e Luciano Martins Verdade.Na 
Fazenda San Francisco, onde os pesquisadores atuavam, foram encontradas 
114 carcaças de jacarés. 71 desses jacarés mortos foram predados, ou seja, 
62,3%. Outras 43 carcaças foram relacionadas a outras causas de morte. Esse 
estudo demonstrou que as onças comem jacarés de todos os tamanhos e que 
esses ataques dependem da distância da floresta. Durante o período de seca, 
70% das mortes de jacarés foram causadas por predação, mas os autores não 
encontraram uma relação entre o número de jacarés mortos e o regime de 
inundação do Pantanal. O que se sabe é que o regime de cheias pode ser um 
fator importante na seleção de presas por onças-pintadas.
16 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
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Figura 4. Imagem área do Pantanal, na porção fi nal da rodovia Transpantaneira, período 
de cheia, Poconé, Mato Grosso.
Foto: Rafael Hoogesteijn
18 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
Figura 5. Imagem aérea da sede da Fazenda Jofre Velho, com o Rio Cuiabá ao fundo.
Foto: Fernando Tortato
19PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
Figura 6. O pesquisador George Schaller colocando um rádio-colar em uma fêmea de onça-
pintada em 24 de junho de 1978, na Fazenda Acurizal, Corumbá, Mato Grosso do Sul.
Foto: Peter Crawshaw Jr.
20 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
Figura 7. Pesquisador Howard Quigley em atividade de campo na década de 80, na 
Miranda Estância, retiro Carrapatinho.
Foto: Peter Crawshaw Jr.
21PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
Figura 8. Turista fotografando uma onça-pintada na região do Porto Jofre, Pantanal, Brasil.
Foto: Fernando Tortato
22 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
Figura 9. Turistas observando um grupo de capivaras, uma das principais presas da onça-
pintada, na região do Porto Jofre, Pantanal, Brasil 
Foto: Rafael Hoogesteijn
23PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
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Figura 14. Registro de onça-pintada abatendo um jacaré na região do Porto Jofre, 
Pantanal, Brasil.
Foto: Rafael Hoogesteijn
28 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
MEDO DA ONÇA
 Vez por outra a onça sai arranhada quando tenta predar outro bicho 
silvestre. Mas derrubar a presa não é o que mais machuca os predadores. Há 
o desmatamento, há a morte das presas. Há a disputa desleal com o ser hu-
mano. A morte de onças-pintadas pelo homem é a principal ameaça à espécie 
na Amazônia e no Pantanal. 
 Nos rincões da Amazônia e Pantanal, Silvio Marchini e David MacDo-
nald avaliaram através de entrevistas com fazendeiros atitudes e intenções 
de se matar onças-pintadas. No Pantanal, conversaram com pecuaristas de 
Cáceres e Poconé. E não foram poucos: 268 entrevistados. Os resultados 
indicaram que não é só o prejuízo econômico que leva o homem a matar 
as onças. Outro motivo para matar a onça é o medo, matar é um ato an-
cestral, passado de pai para fi lho. Silvio e David propuseram uma mudança 
de hábito que deve ser adquirido através da informação. Os pesquisadores 
concluíram que para proteger as onças é preciso conscientizar a população. 
Mostrar que matar o maior felino das Américas não é apenas ilegal, mas 
além de injusto, estamos acabando com a própria fonte de vida e equilíbrio 
ambiental, este desequilíbrio pode prejudicar o homem. É necessário passar 
adiante a herança da conservação.
REVELANDO BELEZAS
 A oportunidade de admirar um animal tão imponente pode substituir o medo 
e o desejo de dizimar um animal tão belo. Basta dar uma olhada nas imagens pro-
duzidas pelo trabalho de Daniel Kantek e Selma Onuma em Cáceres, ao norte do 
Pantanal ás margens do Rio Paraguai, na Estação Ecológica do Taiamã. Através 
de fotos da face das onças, puderam identifi car cada indivíduo, pois sua face é 
única. São retratos coletados do ano de 2006 até 2012. 
 Com essas imagens foi possível identificar 27 indivíduos e puderam 
mensurar por onde esses indivíduos andam. E relataram que falta espaço. 
Baseados em informações científicas, os autores relatam que as onças 
estão com um território menor, cada vez mais espremida entre estradas e 
cidades, em pequenas e parcas manchas verdes de vegetação. Até mes-
mo o tamanho dessa unidade de conservação era insuficiente para pro-
teger a população das onças-pintadas. Preservar a espécies depende da 
preservação do seu habitat natural. 
29PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
ALÉM DO QUE SE PODE VER
 O Pantanal já não conserva com o passar dos séculos a pureza da terra 
inabitada de antes. Mas a beleza sim. O contraste entre água e mata. Um mar 
de águas claras, mesmo estando muito longe do mar. Não é raro que panta-
neiros se deparem em suas trilhas com rastros de onça, fezes de onça. O que 
passa despercebida aos nossos olhos é material farto para a ciência. 
 No sul do Pantanal, Séverine Roques e sua equipe puderam coletar 
material genético da onça-pintada por meio das fezes encontradas do animal. 
Os pesquisadores coletaram 37 amostras de fezes de onça-pintada. Através 
de marcadores moleculares tipo microssatélite identificaram 20 machos e 7 fê-
meas e 10 amostras não foi possível diferenciar o sexo. As análises genéticaspermitiram identificar 14 indivíduos, 10 machos e quatro fêmeas. Esses resul-
tados demonstram que a amostragem genética não-invasiva pode ser uma 
ferramenta confiável para estudar parâmetros populacionais e para monitorar 
o status genético de populações de onças-pintadas, sem coleta de sangue, sê-
men ou urina. Esse método pode ser útil no futuro para pesquisas que tratam 
da ecologia, comportamento e conservação da espécie.
CONHECER PARA PRESERVAR
 Imagine o deslumbramento dos primeiros homens a desbravar o Panta-
nal. Deram de cara com florestas, campos, lagoas e rios. Água e terra compac-
tuando de uma mesma paisagem. Quando os pesquisadores chegaram viram 
muito além da paisagem. Passaram a estudar as relações entre a natureza e 
o homem. Forneceram informações valiosas para estabelecer estratégias de 
conservação das onças, dos animais menores, da vida. 
 Seguindo fielmente cada passo das onças-pintadas conseguiram com-
preendera biologia e ecologia dessa espécie e de suas principais presas. 
Plantaram uma semente importante: a da preservação, a ideia de que onças, 
gado e homens podem conviver no mesmo espaço. George Schaller, Peter 
Crawshaw, Howard Quigley começaram sem nenhuma informação a priori. 
Eles desvendaram os conhecimentos iniciais sobre a ecologia e comporta-
mento da espécie onça-pintada no Pantanal. 
 Foram eles os primeiros a perceber que um tesouro tão precioso quanto 
o Pantanal não poderia ficar escondido dos olhos da ciência e do mundo. Era 
riqueza de um país inteiro. Da humanidade. O Plano de Conservação proposto 
por Quigley e Crashaw é a prova de como a informação científica pode em-
basar tecnicamente a criação de unidades de conservação. No ano de 1992 
havia somente o Parque Nacional do Pantanal (PNP) e Estação Ecológica do 
Taiamã protegendo legalmente as populações de onças-pintadas. A partir de 
1997 foram estabelecidas mais 10 unidades de conservação na região norte 
30 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
e oeste do Pantanal, totalizando aproximadamente 600.000 hectares de áreas 
protegidas. A maioria dessas unidades de conservação é formada por Reservas 
Particulares do Patrimônio Natural (Tabela 1). 
 Já na região sul do Pantanal há menos unidades de conservação. Em 
2001 foi criado o Parque Estadual do Rio Negro, localizado nos municípios de 
Aquidauana e Corumbá, com 78.300 hectares. No entorno do parque há mais 
três RPPNs: Fazendinha, Santa Sofia e Rio Negro, agregando à manuten-
ção da vida mais 24.600 hectares. Mesmo com todas estas áreas protegidas 
(Figura 2), 95% do Pantanal estão em propriedades privadas com desenvol-
vimento da pecuária. Portanto, há bastante terra para o desenvolvimento eco-
nômico, não só com a produção de carne, mas para a exploração do turismo 
de observação de animais silvestres. Os cientistas analisaram o conflito entre 
o predador e o gado. Entenderam que a subsistência das fazendas depende 
do rebanho. Traçaram estratégias para que a conservação e a produção rural 
possam andar de mãos dadas. Mostraram que, com a preservação das presas 
silvestres, é possível diminuir os ataques de onças ao rebanho. Detalharam a 
necessidade de se manter as florestas intactas. Provaram que, com o cresci-
mento do ecoturismo, as onças valem mais vivas do que mortas.
 A ciência está a serviço do bem-estar do homem através da natu-
reza, traduzida em guias e folhetos de estratégias anti-predação, infor-
mações voltadas para os pecuaristas, como o publicado por Rafael Hoo-
gesteijn e Almira Hoogesteijn em 2011. Novos estudos vão surgir, novos 
degraus no longo caminho percorrido pela ciência para a sobrevivência do 
maior felino do Brasil. Porque proteger a onça-pintada não é apenas salvar 
uma espécie. A partir dessa espécie é possível cuidar de todo o Pantanal, 
para a nossa e novas gerações.
31PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
PRESENTE E FUTURO
 O conhecimento sobre a onça-pintada cresce. O número de onças-pintadas 
desbravando o Brasil ainda diminui. A espécie segue ameaçada de extinção. Para 
tentar reverter esse triste fato e salvar os animais que restam, os pesquisadores 
do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade juntaram forças com 
outros cientistas, proprietários rurais, empresários, órgãos fiscalizadores, profissio-
nais de turismo. Em 2010, nasceu dessa união o Plano de Ação Nacional para as 
Onças-pintadas. Entre os objetivos levantados pelos especialistas estão a redução 
da vulnerabilidade das onças, proteger seus habitats e diminuir a necessidade de 
remoção dos animais de suas áreas de vida, por caça, motivos culturais, ou retalia-
ção por perdas econômicas.
 No documento foram traçadas estratégias para acabar com os riscos 
para os bichos nos biomas onde eles insistem em sobreviver: Cerrado, Caatin-
ga, Mata Atlântica, Amazônia e Pantanal. O Plano de Ação indica que na Mata 
Atlântica e na Caatinga a espécie está em maio risco, ‘criticamente ameaça-
da’, seguidos pelo Cerrado, onde recebe o status de ‘ameaçada’. A Amazônia 
e o Pantanal representam “apólices de seguro” para as onças no país. Estão 
nesses biomas as maiores populações, mas nem por isso mais protegidas. Se 
os problemas para as onças continuarem como estão, em um futuro próximo, 
não haverá mais segurança.
 Nas coloridas terras pantaneiras a maior ameaça para as pintadas é a 
caça. O segredo para manter vivo o maior felino das Américas sobre a maior 
planície alagável do planeta é tornar compatível a produção agropecuária e a 
conservação. Assim, os pesquisadores propõem ações e políticas regionais 
adequadas, como melhorar o manejo do gado de acordo com a presença da 
onça, aumentar a capacidade de fiscalização, valorizar os produtos extraídos 
de forma sustentável, incentivar a prática do ecoturismo.
 Entender ainda melhor a espécie é ferramenta fundamental para pro-
tegê-la. Os pesquisadores precisam compreender melhor os deslocamentos 
das onças, sua ecologia, comportamento, saber como e quando elas atacam o 
gado para tentar reduzir o número de predações e os prejuízos das fazendas.
32 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
PESQUISAS ATUAIS
CENAP/ESEC TAIAMÃ
 Ainda no norte do Pantanal, nas proximidades de Cáceres, um paraíso 
segue preservado. A Estação Ecológica Taiamã é um convite aos olhos. Todos 
os anos, milhares de pescadores vindos de todos os cantos do Brasil e exterior 
passam pela reserva atraídos pelos peixes e pelas onças. Lá, o projeto de 
pesquisa nasceu para aumentar o conhecimento e a tolerância da população 
depois que, em 2008, o primeiro e único ataque fatal da espécie a um ser hu-
mano foi registrado, às margens do Rio Paraguai.
Cientistas da ESEC Taiamã e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação 
de Mamíferos Carnívoros (CENAP) realizam um mapeamento dos animais 
para investigar o comportamento deles na reserva, a habituação das onças às 
cevas e ao homem. Além disso, o estudo visa subsidiar a expansão da área da 
unidade para proteger os ambientes naturais pantaneiros e as populações de 
animais que vivem ali. 
ONÇAFARI 
 No sul, nos confins do Pantanal de Miranda, sob um brilhante céu azul, 
pesquisadores desenvolvem o projeto Onçafari, com apoio técnico-científico 
do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros 
(CENAP). No Refúgio Ecológico Caiman eles prepararam armadilhas fotográ-
ficas, câmeras equipadas com sensores de movimento que disparam quando 
surge um animal. O segundo passo foi capturar algumas onças. Parte delas 
recebeu de presente um colar equipado com GPS que permite aos pesquisa-
dores acompanhar seu ritmo e sua localização por satélite. Já se sabe que 
algumas estão se habituando à presença das câmeras, dos carros e dos turis-
tas, permitindo serem observadas.
 O estudo aponta os limites de convivência entre asonças e os turistas, sem-
pre nos carros, através de avaliação do comportamento dos animais pelos pesqui-
sadores. A ideia nunca foi domesticar o bicho, mas sim respeitar o animal em seus 
hábitos, habitats, particularidades. Quando a onça se mostra intolerante, é indicada 
como inapta à observação, dentro do projeto e da fazenda.
33PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO PANTANAL 
NORTE 
TAMANHO ANO DE 
CRIAÇÃO 
Parque Nacional do Pantanal Matogrossense 135.000 ha 1981 
Estação Ecológica do Taiamã 11.554 ha 1981 
RPPN Acurizal 13.200 ha 1997 
RPPN Penha 13.100 ha 1997 
RPPN Doroche 26.518 ha 1997 
RPPN SESC Pantanal 106.307 ha 1998 
RPPN Poleiro Grande 16.530 ha 1998 
RPPN Reserva Jubran 31.000 ha 2001 
Parque Estadual do Guirá 114.000 ha 2002 
Parque Estadual Encontro das Águas 108.900 ha 2004 
RPPN Rumo Oeste 900 ha 2005 
RPPN Engenheiro Eliezer Batista 20.260 ha 2008 
Tabela 1. Descrição das unidades de conservação existentes na porção norte 
do Pantanal do Brasil.
34 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
Figura 1. Bioma do Pantanal no território do Brasil e unidades de conservação já 
estabelecidas. Em cinza unidades de conservação e a seta indicando a localização 
da Fazenda Jofre Velho, Poconé, Mato Grosso.
35PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
A ATUAÇÃO DA ONG PANTHERA NO PANTANAL
 Desde que os primeiros biólogos montaram seus laboratórios ao ar li-
vre, sob a sombra das árvores pantaneiras, a ciência avançou muito. Mas 
enquanto a existência das onças estiver ameaçada haverá trabalho. É esse 
o motivo da ONG Panthera ter um projeto no Brasil. No norte do Pantanal, na 
foz do Rio Piquiri, a ONG Panthera planta a semente da pesquisa para semear 
conservação. Os primeiros frutos já são colhidos: está ali o berço do turismo 
de observação de onças no Brasil. Na região do Parque Estadual Encontro 
das Águas, biólogos e veterinários trabalham para melhorar a relação entre 
os proprietários rurais e os ambientalistas, entre a onça e os bois. O projeto 
também atua junto aos peões pantaneiros para adequar o manejo do gado à 
presença do felino e ampliar os benefícios sociais e econômicos da conserva-
ção da onça hoje.
 A Panthera possui diferentes projetos no Pantanal. Os quatro princi-
pais são: 
• Avaliar o conflito homem e onça e trabalhar com estratégias anti
-predação;
• Coletar parâmetros populacionais da onça-pintada em pesquisas 
de longo prazo;
• Implementar a criação de um corredor ecológico ao longo do Rio 
Cuiabá, integrando as unidades de conservação existentes com as 
propriedades privadas;
• Monitorar o turismo de observação de onças desenvolvido na re-
gião do Porto Jofre.
 Sabemos que é preciso unir forças para proteger o maior felino das 
Américas. Por isso, guias de turismo, donos de hotéis, pousadas e pecuaristas 
da região são atuantes na preservação e considerados parceiros da Panthera. 
São eles que vivem ali, dia a dia no Pantanal. 
 Um dos principais métodos utilizados pela Panthera para se estudar a 
ecologia das onças-pintadas é o monitoramento via colares. Estes colares são 
instalados após a realização de capturas seguindo todas as normas técnicas 
exigidas e buscando a menor perturbação possível ao animal. Os colares po-
dem parecer incômodos aos animais nos primeiros dias, mas não interferem 
em seu comportamento. Prova disso é o registro de animais caçando jacarés 
poucas horas após a captura e casais capturados mantendo suas atividades 
de cópula. Os colares utilizados atualmente pela Panthera enviam as locali-
zações dos animais via satélite, possibilitando o acompanhamento diário de 
cada animal monitorado. Estes colares são programados eletronicamente para 
se soltarem automaticamente do animal após aproximadamente dois anos de 
36 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
monitoramento. Este é o tempo necessário para que muita informação científi-
ca importante seja coletada.
 Recentemente a Panthera adquiriu 10.000 hectares na denominada Fa-
zenda Jofre Velho. Ali, no entorno do Parque Estadual Encontro das Águas, 
pretende-se criar uma RPPN e um centro de pesquisa para o norte do Pan-
tanal, onde serão recebidos pesquisadores de outras instituições e também 
turistas. Os esforços se estendem também às margens do Rio Piquiri, onde 
serão acrescentados 735 hectares de mata ciliar em propriedade da Panthera, 
no lado oeste do Parque Estadual Encontro das Águas. Estas duas proprie-
dades contribuem para conservação da onça-pintada e auxiliam na criação do 
Corredor do Rio Cuiabá.
 A ONG Panthera quer tirar da lista de animais ameaçados de extinção 
não apenas as onças, mas também outros gatos selvagens mundo afora: le-
ões, tigres, leopardo-das-neves. Queremos garantir a eles o que eles sozinhos 
conseguiram durante milênios: o direito de sobreviver.
OBSERVAÇÃO
 Este manuscrito não teve objetivo de revisar toda informação disponível 
sobre onças-pintadas no Pantanal, mas sim considerar as diferentes áreas de 
estudo em que a onça-pintada é estudada.
37PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
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Figura 2. Foto aérea do Pantanal de Poconé, Mato Grosso, Brasil.
Foto: Rafael Hoogesteijn
40 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL
41PANTHERA BRASIL - PPG ECB PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
http://www.panthera.org/
Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade
O Curso de Mestrado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, da Universidade Fe-
deral de Mato Grosso, iniciou as suas atividades em 1993 e objetiva (i) Formar cientistas 
com amplo poder de inovação e conhecimento teórico e prático em ecologia, (ii) Fortalecer 
a pesquisa na região Centro-Oeste, principalmente no Pantanal, Cerrado e Amazônia, alem 
de gerar novos conhecimentos e soluções para o uso sustentável dos recursos naturais e 
para o desenvolvimento das atividades humanas e (iii) Preparar profi ssionais para atuação 
em atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias em universidades, ins-
titutos de pesquisa, empresas, órgãos de governo e entidades privadas. No ano de 2008 
criamos a linha História Natural, Ecologia e Sistemática de Organismos, organizada em torno 
de entender os padrões de biodiversidade. Contamos ainda com a linha de pesquisas em 
Ecologia de Áreas Úmidas, presente desde a criação do curso. Em 2011 implantamos o 
Curso de Doutorado.
e-mail: ppgecologia.ufmt@gmail.com; ecologia@ufmt.br
A missão da Panthera é garantir o futuro dos felinos selvagens através de liderança científi ca 
e ações globais de conservação. 
Iniciamos as pesquisas no Brasil em 2008. Em 2014 foi criada a ONG Panthera Brasil, com 
sede em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
42 O QUE A CIÊNCIA JÁ DESVENDOU SOBRE A ONÇA-PINTADA NO PANTANAL

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