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1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA I - Inquérito Policial 1. Definição. É o procedimento administrativo, presidido pela autoridade policial que visa colher indícios de autoria e prova da materialidade da infração penal, para que possa ser proposta ação penal. 2. Formas de instauração de inquérito (art. 5.º do CPP). 3. Características do inquérito policial. a) escrito (art. 9.º do CPP); b) inquisitório; c) sigiloso (art. 20 do CPP) e Súmula Vinculante 14 - STF; d) dispensável (art. 12 do CPP); e) procedimento sem rito: 4. Diligências (arts. 6.º e 7.º, do CPP). A lei prevê rol ilustrativo, sendo que a Autoridade Policial deverá realizar as diligências de acordo com a sua discricionariedade. 5. Indiciamento (art. 6.º, V, VIII e IX, do CPP). É o ato que formaliza a suspeita sobre uma determinada pessoa. É composto pela qualificação, pelo interrogatório e pela averiguação da vida pregressa do suspeito. 6. Trancamento. É o encerramento anômalo do inquérito policial, quando houver falta de justa causa ou extinção de punibilidade. 7. Encerramento do inquérito policial. O encerramento do inquérito policial ocorre com a elaboração do relatório. Os autos são encaminhados ao Ministério Público, que poderá: a) promover o arquivamento; b) oferecer denúncia; c) requerer a realização de novas diligências. 8. Prazos (art. 10, caput, do CPP). a) Regra (art. 10, caput, do CPP): 10 dias (preso) e 30 dias (solto) b) Justiça Federal: 15 dias (art. 66 da Lei 5.010/1966); c) Nova Lei de Drogas: 30 dias, no caso de indiciado preso, e 90 dias, se estiver solto. Ambos os prazos podem ser duplicado pelo juiz, ouvido previamente o Ministério Público, a pedido da autoridade policial (art. 56, § 2.º, da Lei nº 11.343/2006). 2 II- Ação Penal 1. Definição. É o direito de invocar a prestação jurisdicional, levando ao conhecimento do Poder Judiciário, a ocorrência de um fato aparentemente criminoso, cujo objetivo é a aplicação da lei penal. 2. Natureza jurídica. Híbrida. 3. Condições da ação. a) genéricas; b) específicas. 4. Espécies de ações penais. a) pública incondicionada; b) pública condicionada; c) de iniciativa privada; 5. Princípios da ação penal. a) oficialidade; b) obrigatoriedade; c) indisponibilidade; d) indivisibilidade; e) intranscendência. 6. Identificação da ação penal (art. 100, do CP). Em regra, a ação penal é pública incondicionada. As exceções são expressamente previstas em lei (exemplo: somente se procede mediante queixa = ação penal de iniciativa privada). 7. Representação da vítima e Requisição do Ministro da Justiça (arts. 24, caput, 25 e 39, caput, do CPP). São manifestações de vontade no sentido de que haja persecução criminal, nos crimes de ação penal pública condicionada. A representação deve ser oferecida até 6 (seis) meses após a data na qual se deu o conhecimento da autoria criminosa, sob pena de decadência. 8. Denúncia (art. 41, do CPP). É a petição inicial da ação penal pública. Deve respeitar os seguintes requisitos: a) nome e qualificação das partes; b) descrição do fato criminoso e todas as suas circunstâncias; c) classificação jurídica do fato; e d) apresentação do rol de testemunhas. 9. Queixa-Crime (arts. 24, caput, 31 e 44, do CPP). É a petição inicial da ação penal de iniciativa privada. Possui os mesmos requisitos da denúncia. Exige, ainda, que seja juntada procuração com poderes especiais (art. 44, do CPP). 3 III- Prisão em flagrante 1. Conceito. É a prisão que decorre de uma situação de fato, referente ao momento no qual o crime ocorre ou acabou de acontecer. Independe da expedição do mandado de prisão, sendo que o controle judicial ocorre posteriormente. 2. Iniciativa. Pode ser realizada por qualquer do povo, e deve ser realizada pela autoridade policial e seus agentes. 3. Modalidades de prisão em flagrante. a) próprio; b) impróprio; c) presumido. 4. Formalidades da prisão em flagrante. a) lavratura do auto de prisão em flagrante e remessa ao juiz, no prazo de 24 horas; b) entrega da nota de culpa ao preso, em 24 horas; c) comunicação imediata da prisão à família do preso ou pessoa por ele indicada; d) comunicação imediata da prisão ao juiz e ao membro do Ministério Público; e) se o preso não declinar o nome do seu advogado, deverão ser remetidas cópias à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas. - outras espécies. 5. Remessa do auto de prisão em flagrante ao juiz. O juiz, ao receber o auto de prisão em flagrante, deverá de modo fundamentado, relaxar a prisão ilegal, conceder liberdade provisória ou ainda converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos previstos no art. 312, do CPP e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão (art. 319, do CPP). 6. Relaxamento de prisão em flagrante. Deixaram de ser observadas as formalidades exigidas em lei. 7. Liberdade provisória. A prisão em flagrante é formalmente legal, porém desnecessária. 4 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PEÇA PRÁTICA PROCESSO PENAL Situação problema João foi preso em flagrante delito, pela suposta prática do crime de furto qualificado (artigo 155, § 4º, III, do CP). Você foi procurado por familiares do preso, os quais lhe informaram que João encontra-se detido há mais de 24 (vinte e quatro) horas, sem que a nota de culpa tivesse sido a ele apresentada. Você verificou também que o auto de prisão em flagrante ainda não foi encaminhado ao juízo competente. Não existe, portanto, qualquer decisão que converta a prisão em flagrante em preventiva. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado de João, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, questionando, em juízo, eventuais ilegalidades praticadas, alegando para tanto toda a matéria de direito pertinente ao caso. 5 PEDIDO DE RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Departamento de Inquéritos Policiais da Capital - D.I.P.O. Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Criminal da Capital. Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara do Júri da Capital. (crimes da competência do júri). (10 linhas) “A”, nacionalidade, estado civil, profissão, residente na rua........, nº,... nesta Capital, por seu advogado que esta subscreve (doc. 01), vem, à presença de Vossa Excelência com fulcro no artigo 5º LXV da Constituição Federal, expor e requerer o que segue: (narrar o problema) Referida prisão constitui coação ilegal contra o Requerente....... Conforme entendimento predominante na Jurisprudência: "..........................." Diante de todo o exposto, vem requerer o Relaxamento da Prisão em Flagrante, a expedição do alvará de soltura em seu favor em favor do Requerente, para que assim se faça unicamente JUSTIÇA. Nestes Termos, Pede Deferimento. São Paulo,...de ..........de _____________________________ OAB/SP - nº. 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas Curso de Estágio Profissional de Advocacia – CEPA Sumário: Queixa-crime AÇÃO PENAL PRIVADA 1) Introdução 1.1) Sujeito ativo e passivo 1.2)Peça inicial (queixa-crime) 1.3) Espécies a) Ação privada propriamente dita b) Ação privada personalíssima (CP, art. 236, parágrafo unico) c) Ação privada subsidiária da pública 2) Princípios específicos da ação privada 2.1) Princípio da oportunidade ou conveniência 2.2) Princípio da disponibilidade da ação 2.3) Princípio da indivisibilidade 3) Prazo 3.1) 06 meses (CPP, art. 38) 3.2) Descobrimento da autoria 4) Atuação do Ministério Público 4.1) Custos legis 4.2) Possibilidade de aditamento (CPP, art. 45) 4.3) Denúncia substitutiva da queixa 4.4) Faculdade recursal 5) Decadência 5.1) Conceito 5.2) Momento processual 5.3) Prazo (CP, art. 103 e CPP, art. 38) 6) Perempção 6.1) Conceito 6.2) Hipóteses (CPP, art. 60) a) Inércia do querelante b) Inércia dos legitimados c) Desídia do querelante d) Pessoa jurídica 2 7) Renúncia 7.1) Conceito 7.2) Limite temporal 7.3) Pluralidade de vítimas 7.4) Extensão (CPP, art. 49) 7.5) Espécies a) Expressa b) Tácita 7.6) Possibilidade em ação penal pública condicionada (Lei nº 9.099/95, art. 74) 8) Perdão do ofendido 8.1) Conceito 8.2) Limite temporal 8.3) Pluralidade de querelantes 8.4) Extensão (CPP, art. 51) 8.5) Espécies a) Processual b) Extraprocessual 9) Ação penal privada subsidiária da pública 9.1) Inércia do Ministério Público (CP, art. 100, § 3º) 9.2) Prazo 9.3) Impossível a decadência (CPP, art. 29) 10) Procedimento 10.1) Requisitos da queixa-crime (CPP, art. 41) 10.2) Possibilidade de queixa oral (Lei nº 9.099/95, art. 77, § 3º) 10.3) Procuração com poderes especiais (CPP, art. 44) 10.4) Rejeição e recebimento (CPP, arts. 395 e 396) 10.5) Crimes contra a honra (CPP, art. 520) 10.6) Custas processuais (Lei Estadual nº 11.608/03, art. 4º, § 9º, b) 3 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas Curso de Estágio Profissional de Advocacia – CEPA PEÇA PRÁTICA PROCESSO PENAL Espécie de Peça: QUEIXA-CRIME Texto do Enunciado: Ricardo Mendes, ao tomar conhecimento do relacionamento amoroso que sua esposa mantinha com Matheus Costa, diretor de uma grande empresa multinacional, decide tomar atitude para mostrar aos dois que não poderiam brincar com ele. Dirige-se até a residência de Matheus e, munido de uma marreta, destrói o seu veículo Ferrari. Entrementes, o fato foi presenciado pelos vizinhos de Matheus, Ana Florinda e Adalberto Galero. Desse modo, cientificado do ocorrido pelos vizinhos, Matheus foi à Delegacia de Polícia e requereu a instauração de inquérito policial. Ao final das investigações, restou comprovada a materialidade do crime, do qual resultou um considerável prejuízo de cerca de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) para Matheus, bem como a autoria de Ricardo. Como advogado de Matheus Costa, atue em prol do constituinte. Fundamentação Jurídica da Peça Processual: artigos 100, § 2º, e 167, do Código Penal; artigo 30, do Código de Processo Penal Fundamentação Jurídica do Pedido: artigo 163, inciso IV, do Código Penal 4 QUEIXA-CRIME Inicial Acusatória: peça apresentada pelo Querelante nas ações penais privadas. Regra geral - artigo 103 do Código Penal – 6 meses contados do conhecimento da autoria do crime. ___________________________________________________________________________ Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Criminal da Capital. (10 linhas) “A”, nacionalidade, estado civil, profissão, residente na rua ............, n.º .., nesta Capital, por seu advogado e procurador que esta subscreve (doc. 01), vem, com fulcro nos artigos 41 e 44 do Código de Processo Penal, oferecer QUEIXA-CRIME, contra “B”, nacionalidade, estado civil, profissão, residente na rua.............. n.º..., nesta Capital, pelas razões a seguir aduzidas: (2 linhas) I – O Querelante (narrar o problema). II- Com efeito, o Querelado praticou.... Diante de todo exposto, vem requerer seja recebida a presente Queixa-Crime, para que ao final o Querelado seja condenado pelo crime previsto no artigo ____ do Código Penal, requerendo, ainda, a citação do mesmo, e a notificação das testemunhas abaixo arroladas, por ser medida de Justiça. Rol de Testemunhas: 1) ........................ 2) ........................ 3) ........................ Nestes Termos, Pede Deferimento. São Paulo,...de ...........de _____________________________ OAB/SP. nº 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PARTE I – PARTE TEÓRICA 1. Procedimento. Conceito e espécies. É o conjunto de atos encadeados que visa um resultado final no curso do processo (sentença). São dois os tipos de procedimentos: a) comuns: ordinário, sumário e sumaríssimo; b) especiais: outros procedimentos (exemplos: júri, crimes contra honra, crimes da responsabilidade de funcionários públicos, Lei de Drogas, etc). 2. Fixação do procedimento no caso concreto. Caso haja previsão de procedimento especial, deve este ser adotado, tal como ocorre no caso do tráfico de drogas (artigo 54 e seguintes, da Lei nº 11.343/06). Inexistindo procedimento específico, deve ser observado o artigo 394, do CPP, que cuida da fixação dos procedimentos comuns. Deve ser levada em conta sempre a pena máxima prevista no tipo penal (em abstrato). Vejamos: a) pena máxima maior ou igual a 4 anos: procedimento ordinário; b) pena máxima menor que 4 e maior que 2: procedimento sumário; c) infrações penais de menor potencial ofensivo (contravenções penais e crimes cuja pena máxima é menor ou igual a 2): procedimento sumaríssimo. As agravantes e atenuantes que porventura incidam no caso concreto não são consideradas para a fixação do procedimento ao caso concreto. Já as causa de aumento e de diminuição serão contabilizadas: as causas de aumento devem ser utilizadas no limite máximo, enquanto que as causas de diminuição devem incidir no mínimo. Desta forma, obteremos sempre a pena máxima em abstrato. 3. Procedimento ordinário. a) oferecimento da denúncia; b) recebimento da denúncia; c) citação; d) resposta à acusação; e) conclusão: apreciação do pedido de absolvição sumária; f) audiência de instrução, debates e julgamento (caso não tenha sido deferido o pedido de absolvição sumária). 4. Procedimento sumário Comparação com o procedimento ordinário. 2 5. Procedimento sumaríssimo Contravenções penais e crimes de menor potencial ofensivo. Lei 9.099/95 – artigo 60 e seguintes da Lei. 6. Procedimento do júri a) procedimento bifásico; b) primeira fase: juízo de admissibilidade; c) segunda fase: juízo de mérito. Obs. Os alunos terão uma aula sobre Júri e outra aula sobre o procedimento sumaríssimo. 3 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PARTE II – QUESTÃO PRÁTICA João foi denunciado como incurso no artigo 155, caput, do Código Penal, perante a 1ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo. Consta dos autos que teria subtraído três pães e um pote de manteiga, de uma famosa rede de supermercados, em data de 15/07/2016. Esta versão foi apresentada por João, durante seu interrogatório realizado na fase policial. Afirmou que estava com muita fome e quenão se alimentava desde 12/07/2016, em razão de dificuldades financeiras. Os policiais militares disseram que ele teria confessado informalmente a eles a autoria do delito, apresentando a justificativa de que estava faminto e que os bens subtraídos serviriam de alimento a ele. João foi preso em flagrante delito. Após a audiência de custodia foi posto em liberdade. O MP ofereceu a denuncia e o juiz recebeu e ordenou a citação de João nos termos do artigo 396 CPP. Questão: Como advogado de João, tome a medida judicial cabível, uma vez que prazo está fluindo. Roteiro para elaboração da peça processual: Crime; Ação penal; Procedimento; Peça processual Fundamento legal da peça; Competência; Endereçamento; Teses e fundamento legal; Pedido; Particularidades. 4 Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ....Vara Criminal da Capital. Processo nº....... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado que esta subscreve (doc.01), vem, com fulcro no artigo 396A do Código de Processo Penal, oferecer sua RESPOSTA À ACUSAÇÃO, pelas razões de fato e direito a seguir aduzidas: O Réu (narrar o problema) Com efeito, (redigir com suas palavras) Conforme entendimento predominante na doutrina: "................................" Diante de todo o exposto, postula-se a absolvição do Réu, com fulcro no artigo 397, ...... do Código de Processo Penal, para que assim se faça unicamente JUSTIÇA. São Paulo,...de ..........de _____________________________ OAB/SP. nº Rol de testemunhas: 1) Nome, qualificação completa 2) Nome, qualificação completa 3) Nome, qualificação completa 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS 1) PREVISÃO a) CF, art. 98, I b) Lei nº 9.099/95 2) INFRAÇÕES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO (art. 61) 3) PRINCÍPIOS 3.1) EXPLÍCITOS 3.1.1) Oralidade 3.1.2) Simplicidade 3.1.3) Informalidade 3.1.4) Economia processual 3.1.5) Celeridade 3.2) IMPLÍCITOS 3.2.1) Reparação dos danos (art. 74) 3.2.2) Aplicação de pena não privativa de liberdade (art. 76) 4) COMPETÊNCIA (art. 63) 4.1) Distinção entre crimes comuns (art. 70, caput, do CPP) 4.2) Conexão e continência 5) PROCEDIMENTO 5.1) FASE PRELIMINAR 5.1.1) Termo circunstanciado (art. 69) 5.1.2) Composição civil 5.1.3) Transação Penal 6) RITO SUMARÍSSIMO a) Denúncia ou queixa oral (art. 77, caput, e § 3º) b) Citação (art. 78, caput, e § 1º) c) Nova oportunidade para conciliação (art. 79) d) Defesa preliminar e) Recebimento da denúncia ou queixa f) Instrução e julgamento 7) RECURSOS a) Homologação de composição civil (irrecorrível – art. 74, caput) b) Decisão homologatória de transação penal (art. 76, § 5º) 2 c) Rejeição da denúncia ou queixa (art. 82) d) Sentença (art. 82) 8) SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO 8.1) Natureza 8.2) Distinção entre o sursis 8.3) Requisitos (crimes ou contravenções) 8.3.1) Pena mínima igual ou inferior a 1 ano 8.3.2) Não estar sendo processado por outro crime 8.3.3) Não ter sido condenado por outro crime 8.3.4) Demais requisitos que autorizam o sursis (art. 77) 8.4) Iniciativa 8.5) Aceitação 8.6) Condições e efeitos 8.7) Revogação 8.7.1) Obrigatória (art. 89, § 3º) 8.7.2) Facultativa (art. 89, § 4º) 8.8) Extinção da punibilidade 3 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA Situação Problema: Leonardo praticou crime de lesão corporal leve no dia 25.09.2014. Diante desta circunstância, foi elaborado termo circunstanciado, o qual foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal da respectiva Comarca. A audiência de composição civil foi realizada em 25.03.2015 e restou infrutífera, face à negativa de acordo entre as partes, as quais se achavam devidamente acompanhadas de seus advogados. A vítima não havia oferecido representação e também não se pronunciou acerca do disposto no art. 75, da Lei nº 9.099/95. Na mesma audiência, foi efetuada proposta de transação penal a Leonardo, consistente no pagamento de multa no valor de 10 (dez) salários mínimos. Quando da propositura da transação penal, o Promotor de Justiça e o Juiz de Direito foram taxativos ao afirmar para o autor dos fatos que a melhor opção naquele momento seria a aceitação da proposta. Por conta destas afirmações, Leonardo sentiu-se intimidado e, mesmo sem a intenção de fazê-lo, acabou aceitando os termos, por medo de eventuais represálias. A decisão homologatória da transação penal foi publicada na própria audiência, saindo as partes devidamente intimadas. O(A) advogado(a) de Leonardo, atento(a) tão somente às informações descritas no texto, deve apresentar o recurso cabível à impugnação da decisão, respeitando as formalidades legais e desenvolvendo, de maneira fundamentada, as teses defensivas pertinentes. O recurso deve ser datado com o último dia cabível para a interposição. 4 APELAÇÃO Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ....Vara do Juizado Especial Criminal da Capital. Processo nº...... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado que esta subscreve, vem, com fulcro no artigo 82 da Lei 9.9099/95, não se conformando com a respeitável sentença, tempestivamente interpor recurso de APELAÇÃO, com suas inclusas razões. Termos em que, Pede Deferimento. São Paulo,...de ...........de ______________________________ OAB/SP- nº. 5 RAZÕES DE APELAÇÃO RAZÕES DE APELAÇÃO APELANTE: “A” APELADO: JUSTIÇA PÚBLICA PROCESSO Nº....... É imperativa a reforma da respeitável sentença condenatória proferida contra o apelante, pelas razões a seguir aduzidas: (2 linhas) (copiar o problema substituindo “A” por Apelante). (2 linhas) Com efeito,.........(redigir com suas palavras) Conforme entendimento predominante na jurisprudência: "..................” Diante de todo o exposto, postula-se seja dado provimento ao recurso, decretando-se a absolvição do Apelante, por ser medida de JUSTIÇA. São Paulo,...de .............de ______________________________ OAB/SP. nº CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS FMU CURSO DE DIREITO CEPA – 2018 DIREITO PENAL PRÁTICA JURÍDICA – PENAL Professor: EDSON NALON SILVA Introdução 1. Regras de Redação Clareza, utilizando da linguagem técnico-jurídica, ex. utilizar frases curtas, tipo de letra, coerência/harmonia entre o apresentado e o pedido, concisão; 2. Composição 1º Passo: identificar a peça, lançar as ideias, fatos, datas tudo que você tiver, neste momento não se preocupe com os erros. 2º Passo - Correção, nessa segunda fase você irá se preocupar com a escrita, os erros (utilize um bom dicionário), organize as ideias, use seu conhecimento.3. A lei utilizada deve ser citada, pelo nº e data, ex: Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. 4. Uso do Vocativo: Vocativo é uma forma de interpelação da autoridade. Para se referir à autoridade na petição, deve-se adequadar o tratamento. Ex. Promotor, Juiz de Direito e Desembargador são tratados como “Excelência”, por isso, em uma petição, dizemos: “Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da __ Vara __ da Capital. 5. Emprego de Expressões Latinas: É uma pratica comum o uso de expressões latinas no Direito, em acórdãos, pareceres e petições, contudo, seu uso deve ser comedido, sempre em itálico. 6. Folhas: Seja no inquérito policial, seja no processo, não se fala em “página”, deverá sempre utilizar-se da expressão “folha” ou “folhas”, podendo ser abreviado “fl” ou “fls”. Ex. “a fls.35”. Procedimento: Conceito e Espécies “Procedimento é o conjunto de atos que visa um resultado final no curso do processo” É importante identificar qual o procedimento será adotado para saber a sequência e as peças que deverão ser confeccionadas em um Processo Crime. O Procedimento pode ser “Comum” ou “Especial”: Para saber se o Procedimento é comum ou especial devemos adotar o sistema de “eliminação”, ou seja, primeiro verificamos se o Procedimento não é “Especial”. O Procedimento será especial quando se tratar de crime de competência do: 1. Tribunal do Júri – todos os crimes contra a vida quando praticados dolosamente; (CF, art. 5º, inc. XXXVIII). 2. JECrim – de acordo com a Lei 9.099/05, art. 61, crimes cuja pena máxima não exceda 2 anos e todas as Contravenções Penais; 3. Crimes de Drogas – Lei 11.343/06; 4. Rito Especial do Funcionário Público, art. 513 do CPP; 5. Crimes Contra a Honra – Calúnia e Injúria, art. 519 e seguintes do CPP. Não sendo especial o Rito, o Procedimento será comum (Ordinário, Sumário ou sumaríssimo) – art. 394 do CPP. Ordinário: crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 anos; Sumário: crimes cuja pena máxima seja superior a 2 anos e menor que 4 anos (art. 531 do CPP). Sumaríssimo: Crimes de menor potencial ofensivo (todas as Contravenções Penais e os crimes cuja pena máxima não ultrapasse 2 anos). Procedimento Comum Fluxograma Art. 41 do CPP - Denúncia Art. 395 do CPP - Rejeição Art. 82 da Lei 9.099/95 – Apelação JECrim Art. 105 II a da CF – Rec. Ordinário Constitucional ROC Art. 396 e 396A do CPP – Resposta à Acusação Art. 397 do CPP – Absolvição Sumária Art. 386 - Absolvição PARTE II – QUESTÃO PRÁTICA João foi denunciado como incurso no artigo 155, caput, do Código Penal, perante a 1ª Vara Criminal da Comarca de São Paulo. Consta dos autos que teria subtraído três pães e um pote de manteiga, de uma famosa rede de supermercados, em data de 15/07/2016. Esta versão foi apresentada por João, durante seu interrogatório realizado na fase policial. Afirmou, que estava com muita fome e que não se alimentava desde 12/07/2016, em razão de dificuldades financeiras. Os policiais militares disseram que ele teria confessado informalmente a eles a autoria do delito, apresentando a justificativa de que estava faminto e que os bens subtraídos serviriam de alimento a ele. João foi preso em flagrante delito. Após a audiência de custodia foi posto em liberdade. O MP ofereceu a denuncia e o juiz recebeu e ordenou a citação de João nos termos do artigo 396 CPP. Art. 396 – Resposta à Acusação Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 1o A exceção será processada em apartado, nos termos dos arts. 95 a 112 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo- lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). Questão: Como advogado de João, tome a medida judicial cabível, uma vez que prazo está fluindo. Roteiro para elaboração da peça processual: Crime; Ação penal; Procedimento; Peça processual Fundamento legal da peça; Competência; Endereçamento; Teses e fundamento legal; Pedido; Particularidades. Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ....Vara Criminal da Capital. Processo nº....... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado que esta subscreve (doc.01), vem, com fulcro no artigo 396A do Código de Processo Penal, oferecer sua RESPOSTA À ACUSAÇÃO, pelas razões de fato e direito a seguir aduzidas: O Réu (narrar o problema) Com efeito, (redigir com suas palavras) Conforme entendimento predominante na doutrina: "................................" Diante de todo o exposto, postula-se a absolvição do Réu, com fulcro no artigo 397, ...... do Código de Processo Penal, para que assim se faça unicamente JUSTIÇA. São Paulo,...de ..........de _____________________________ OAB/SP. nº Rol de testemunhas: 1) Nome, qualificação completa 2) Nome, qualificação completa 3) Nome, qualificação completa Art. 397 – Absolvição Sumária Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: I - estar provada a inexistência do fato; II - não haver prova da existência do fato; III - não constituir o fato infração penal; IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) VII – não existir prova suficiente para a condenação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Na sentença absolutória, o juiz: I - mandará, se for o caso, pôr o réu em liberdade; II – ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamenteaplicadas; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) III - aplicará medida de segurança, se cabível. 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA Sumário: Memoriais DAS PROVAS EM ESPÉCIE 1) INTERROGATÓRIO 1.1) Conceito 1.2) Natureza jurídica 1.3) Características 1.4) Videoconferência 1.5) Fases 1.6) Confissão 2) OFENDIDO 2.1) Sujeito passivo 2.2) Obrigatoriedade da oitiva 2.3) Preservação da intimidade 2.4) Valor probatório da palavra da vítima 2.5) Condução coercitiva e desobediência 2.6) Comunicações ao ofendido 3) TESTEMUNHAS 3.1) Classificação a) Diretas b) Indiretas c) Próprias d) Impróprias e) Numerárias f) Informantes g) Referidas 3.2) Testemunhas numerárias a) Rito Ordinário; b) Rito Sumário; c) Plenário do Júri; d) Rito Sumaríssimo (Lei nº 9.099/95); e) Vítima, testemunhas referidas, vários réus, várias infrações penais, pessoas que nada sabem sobre o caso (art. 209, § 2º). 3.3) Características a) Obrigação de depor b) Proibição de depor c) Deputados e Senadores d) Judicialidade e) Objetividade f) Oralidade Individualidade 3.4) Colheita do depoimento a) Oral (exceção, art. 221, § 1º) 2 b) Sistema cross examination (art. 212) c) Estenotipia ou gravação magnética d) Redução à termo (fidelidade – art. 215) e) Indeferimento de perguntas f) Precatória e rogatória (STJ, Súmula 273) g) Pessoas impossibilitadas de comparecer em Juízo (art. 220) h) Agendamento prévio de local, dia e hora para depor (art. 221 e LONMP); i) Inquirição por videoconferência; j) Retirada do réu da sala de audiências; k) Condução coercitiva e desobediência (arts. 218 e 219); l) Requisição do militar (art. 221, § 2º); m) Nomeação de intérprete (art. 223) 4) RECONHECIMENTO (PESSOAS E COISAS) 4.1) Reconhecimento de pessoas (art. 226): a) Descrever a pessoa a ser reconhecida; b) Pessoas semelhantes ao lado do suspeito; c) O reconhecedor não deve ser visto pelo suspeito, em caso de eventual intimidação; d) Lavratura do auto de reconhecimento. 4.2) Reconhecimento de objeto (art. 227) 4.3) Reconhecimento fotográfico 4.4) Várias pessoas chamadas a efetuar reconhecimento 5) ACAREAÇÃO 5.1) Conceito 5.2) Pressupostos 5.3) Sujeitos a) Entre acusados; b) Entre acusado e testemunha; c) Entre testemunhas; d) Entre acusado ou testemunha e ofendido; e) Entre ofendidos. 6) PROVA DOCUMENTAL 6.1) Conceito a) Documento em sentido amplo b) Documento em sentido estrito 6.2) Espécies a) Instrumento b) Documento público c) Documento particular 6.3) Eficácia probante a) Autêntico b) Veraz 6.4) Produção da prova documental a) Espontânea b) Provocada (art. 234) 3 c) Momento processual 6.5) Generalidades a) Documento redigido em idioma estrangeiro (art. 236); b) Documento obtido por meio ilícito; c) Restituição do documento (art. 238); d) Cópias do original (art. 232, parágrafo único).; e) Psicografia como meio de prova. 7) INDÍCIOS 7.1) Conceito (art. 239) 7.2) Indução 7.3) Valor 8) BUSCA E APREENSÃO 8.1) Conceito 8.2) Oportunidade 8.3) Busca domiciliar (art. 240, § 1º) 8.4) Regras para a busca e apreensão a) Flagrante delito, socorro à vítima, consentimento do morador; b) Durante o dia, por determinação judicial; c) Formalidades do mandado de busca e apreensão (art. 243); d) Recalcitrância do morador (art. 245, § 3º); e) Ausência do morador (art. 245, § 4º). 8.5) Busca pessoal (art. 240, § 2º) 4 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PEÇA PRÁTICA PROCESSO PENAL Espécie de Peça: MEMORIAIS Daniel é filho de Rita, empregada doméstica que trabalha na residência da família Souza. Ao tomar conhecimento, por meio de sua mãe, que os donos da residência estariam viajando para comemorar a virada de ano, vai até o local e subtrai o veículo automotor dos patrões de sua genitora, pois queria fazer um passeio com sua namorada. Desde o início, contudo, pretende apenas utilizar o carro para fazer um passeio pelo quarteirão e, depois, após encher o tanque de gasolina novamente, devolvê-lo no mesmo local de onde o subtraiu, evitando ser descoberto pelos proprietários. Ocorre que, quando foi concluir seu plano, já na entrada da garagem para devolver o automóvel no mesmo lugar em que o havia subtraído, foi surpreendido por policiais militares, que, sem ingressar na residência, perguntaram sobre a propriedade do bem. Ao analisarem as câmeras de segurança da residência, fornecidas pelo próprio Daniel, perceberam os agentes da lei que ele havia retirado o carro sem autorização do verdadeiro proprietário. Foi, então, Daniel denunciado pela prática do crime de furto simples, destacando o Ministério Público que deixava de oferecer proposta de suspensão condicional do processo por não estarem preenchidos os requisitos do artigo 89, da Lei nº 9.099/95, tendo em vista que Daniel responde a outra ação penal pela prática do crime de porte de arma de fogo. A denúncia foi recebida pelo juízo competente, qual seja da 1ª Vara Criminal da Comarca de Florianópolis. Os fatos acima descritos são integralmente confirmados durante a instrução, sendo certo que Daniel respondeu ao processo em liberdade. Foram ouvidos os policiais militares como testemunhas de acusação, e o acusado foi interrogado, confessando que, de fato, utilizou o veículo sem autorização, mas que sua intenção era devolvê-lo, tanto que foi preso quando ingressava na garagem dos proprietários do automóvel. Após, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais de Daniel, que ostentava apenas aquele processo pelo porte de arma de fogo, que não tivera proferida sentença até o momento, o laudo de avaliação indireta do automóvel e o vídeo da câmera de segurança da residência. O Ministério Público, em sua manifestação derradeira, requereu a condenação nos termos da denúncia. A defesa de Daniel é intimada em 17 de agosto de 2017, sexta feira. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. Fundamentação Jurídica da Peça Processual: artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal. Fundamentação Jurídica do Pedido: artigo 386, III, do Código de Processo Penal; artigo 65, inciso III, alínea “d”, do Código Penal; Súmula 444, do Superior Tribunal de Justiça. 5 MEMORIAIS Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da......Vara Criminal da Capital. Processo nº....... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado que esta subscreve, vem, com fulcro no artigo 403 § 3º, do Código de Processo Penal, oferecer seus MEMORIAIS, pelas razões de fato e direito a seguir aduzidas: O Réu (narrar o problema) Com efeito, (redigir com suas palavras) Conforme entendimento predominante na doutrina.............................. Diante de todo o exposto, postula-se a absolvição do Réu, com fulcro no artigo 386..... do Código de Processo Penal, para que assim se faça unicamente JUSTIÇA.São Paulo,...de ..........de _____________________________ OAB/SP. nº 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas Curso de Estágio Profissional de Advocacia – CEPA TRIBUNAL DO JÚRI - Artigo 406 a 497 do CPP. Serão levados ao Tribunal do Júri os crimes dolosos contra a vida na sua forma tentada ou consumada: - HISA - homicídio, infanticídio, induzimento, instigação ou auxilio ao suicídio e aborto - Artigo 121 a 128 Código Penal. Art. 5º da Constituição Federal “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (....) XXXVIII - e reconhecida à instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;” O tribunal do Júri será dividido em duas partes distintas, primeira fase instrução preliminar semelhante ao rito ordinário, segunda fase plenário rito especial. 1. Procedimento bifásico: O procedimento do júri apresenta atualmente duas etapas: o juízo de formação da culpa e o juízo de mérito. 2. Juízo de formação da culpa: É iniciado com o recebimento da denúncia, desde que o juiz não a tenha rejeitado liminarmente nos termos do art. 395 CPP. Recebida a denúncia, o juiz ordenará a citação do acusado para a apresentação de resposta preliminar ou defesa preliminar que antecederá a instrução. Não apresentada a resposta no prazo, ou se o acusado citado não nomear defensor, o juiz nomeará um advogado dativo para representa-lo, dando-lhe vista dos autos por 10 dias (arts. 396 A e 408, CPP). Apresentada a resposta preliminar o juiz ouvirá o Ministério Público sobre preliminares e documentos no prazo de 05 dias, (art. 409, CPP). Após, o juiz designará a audiência de instrução para realizar-se no prazo máximo de 10 dias. Na audiência, primeiro serão ouvidas as declarações da vítima, depois serão inquiridas as testemunhas, primeiro as de acusação, depois as de defesa. Em seguida passa-se aos esclarecimentos dos peritos (atendido o disposto no art. 411, § 1º, CPP), às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas e, por último, ao interrogatório do acusado. Finda a instrução terão início os debates, (art. 411, CPP). Após, passa-se aos debates nos termos do art. 411, § 4º, CPP. Os debates serão orais pelo tempo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10, falando primeiro o acusador. Havendo mais de um acusado o tempo da acusação e da defesa será individual em relação a cada acusado, nos termos do art. 411, § 5º, CPP. 2 Encerrados os debates, o juiz proferirá sentença, ou o fará dentro de 10 dias, ordenando para tanto que os autos lhe sejam conclusos, (art. 411, § 9º, CPP). O juiz deverá optar por uma das seguintes possibilidades: a) pronúncia (413 CPP); b) impronúncia (414 CPP); c) absolvição sumária (415 CPP) e d) desclassificação (419 CPP). INSTRUÇÃO PRELIMINAR 1 2 3 4 5 6 7 Denuncia do MP Recebimento da Denuncia pelo Juiz Citação do réu Resposta Acusação Diligencias Provas Audiência Instrução e Julgamento 90 dias - Vítima - Testemunhas - Provas - Interrogatório - Debates orais Art. 406 CPP Art. 411 SENTENÇA: Art. 411 § 9º do CPP - Pronuncia – Artigo 413 do CPP – caberá recurso RESE - Impronuncia – Artigo 414 do CPP- caberá recurso APELAÇÃO - Absolvição Sumária – Artigo 415 do CPP- caberá recurso APELAÇÃO - Desclassificação – Artigo 419 do CPP - caberá recurso RESE Pronúncia remete o réu a Plenário. 3. Procedimento do Júri: Juízo de Mérito. O Tribunal do Júri passou a ser composto por um Juiz Togado que o presidirá, e por 25 jurados, dos quais serão sorteados 07 que irão compor o Conselho de Sentença. Quorum mínimo para sorteio: 15 jurados. Os jurados passam a ter em mãos cópia do relatório elaborado pelo juiz presidente, contendo um resumo do processo, além da cópia da decisão de pronúncia. A instrução em plenário inicia-se com inquirição da vítima com a colheita de suas declarações, que se torna obrigatória; Inquirição das testemunhas de acusação e depois das de defesa; As partes poderão fazer reperguntas diretamente à vítima e às testemunhas; Os jurados poderão reperguntar através do juiz presidente; Torna-se restrita a leitura de peças no processo, somente poderão ser lidas as provas colhidas em carta precatória, e as provas cautelares, antecipadas ou não repetíveis. O interrogatório do réu em plenário será feito após a colheita de provas. As partes poderão fazer reperguntas diretamente ao acusado; os jurados também podem, porém através do juiz presidente. (arts 473 e 474, CPP). Como regra o réu não deve permanecer algemado em plenário, (art. 474, § 3º, CPP). 3 Para ser utilizada em plenário a prova escrita, gravações, laudos e outros deverão ser juntados aos autos com a antecedência mínima de três dias úteis da data do julgamento. Encerrada a instrução, terão lugar os debates, sendo uma hora e meia para cada parte. Em caso de réplica e tréplica cada parte terá mais uma hora, (art. 477, CPP). Havendo mais de um acusado cada parte terá mais uma hora para os debates, e mais uma hora para réplica e tréplica, (art. 477, § 2º, CPP). Encerrados os debates o juiz presidente indagará dos jurados se estão prontos a julgar ou se necessitam de outros esclarecimentos, art. 480, § 1º, CPP. Os quesitos para a votação dos jurados devem seguir a ordem estabelecida no art. 483, CPP. Segundo o art. 483, § 2º, CPP se os jurados reconhecerem a autoria e a materialidade do delito serão indagados sobre o quesito de absolvição, ou seja, serão indagados se absolvem o réu. Havendo desclassificação do crime pelo Conselho de Sentença, a competência para julgar passa para o juiz presidente, art. 492, § 1º, CPP. Será registrada no termo a votação de cada quesito, e o resultado do julgamento, sendo assinado pelo presidente, pelos jurados e pelas partes, arts. 488 “caput” e 491 CPP. Em seguida o juiz proferirá sentença nos termos doa art. 492, CPP. Foi revogado o protesto por novo júri pelo art. 4º da Lei 11. 689/08. Das sentenças condenatórias ou absolutórias do Tribunal do Júri cabe apelação nos termos do art. 593, III, CPP. SITUAÇÃO PROBLEMA Texto do enunciado: Tício foi denunciado e pronunciado como incurso nas penas do artigo 121, caput, do Código Penal, pelo seguinte fato: Acordado de madrugada em sua casa, com ruídos estranhos, foi até o quintal provido de uma lanterna e um revólver. Repentinamente, surge um vulto humano: Tício então disparou em direção ao vulto. Após, verificou-se que se tratava de um vizinho de Tício, que pretendia assustá-lo a título de brincadeira e que por fim, veio a falecer em consequência do disparo. Julgado pelo Tribunal do Júri, Tício foi condenado ao cumprimento da pena de 06 (seis) anos de reclusão, em regime inicial fechado, sob o fundamento de que o crime de homicídio é grave. A r. sentença foi publicada em sessão plenária a defesa intimada acerca do seu conteúdo no dia 14 de outubro de 2015 (quarta-feira). O advogado(a) de Tício, atento(a) tão somente às informações descritas no texto, deve apresentar o recurso cabível à impugnaçãoda decisão, respeitando as formalidades legais e desenvolvendo, de maneira fundamentada, a tese defensiva pertinente. O recurso deve ser datado com o último dia cabível para a interposição. Fundamentação Jurídica da Peça Processual: art. 593, III, “c” e “d”, do CPP Fundamentação Jurídica do Pedido: art. 20, § 1º, do CP; art. 593, § 3º, do CPP; Súmulas 718 e 719, do STF; Súmula 440, do STJ 4 INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Presidente do Tribunal do Júri da Capital. Processo nº...... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública (ou “B” se for caso de ação privada), por seu advogado que esta subscreve, vem, com fulcro no artigo 593, III,....do Código de Processo Penal, não se conformando com a respeitável sentença condenatória, tempestivamente interpor recurso de APELAÇÃO. Recebido o presente recurso, requer-se o encaminhamento das razões ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Termos em que, Pede Deferimento. São Paulo,...de ...........de ______________________________ OAB/SP- nº. 5 RAZÕES DE APELAÇÃO RAZÕES DE APELAÇÃO APELANTE: “A” APELADO: JUSTIÇA PÚBLICA PROCESSO Nº....... Egrégio Tribunal de Justiça. Colenda Câmara; Douta Procuradoria de Justiça: Não deve prevalecer a respeitável decisão condenatória do Egrégio Tribunal do Júri, pelas razões a seguir aduzidas: (2 linhas) O Apelante (narrar o problema). Com efeito,........... Conforme entendimento predominante na jurisprudência: "......................" Diante de todo o exposto, postula-se seja dado provimento ao presente recurso, determinando seja o Apelante submetido a novo julgamento, para que assim se faça JUSTIÇA. São Paulo,...de ..............de ______________________________ OAB/SP. nº Observação: Verificar todos os possíveis pedidos elencados no artigo 593, III com as alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do CPP. 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA Prática de Processo Penal Sumário: Recurso em Sentido Estrito TEORIA GERAL DOS RECURSOS 1) Conceito: “Providência legal imposta ao juiz ou concedida à parte interessada, objetivando nova apreciação da decisão ou situação processual, com o objetivo de corrigi-la, modificá-la ou confirmá-la” (Magalhães Noronha) 2) Finalidade: Duplo grau de jurisdição (CF, art. 5º, LV). Assegura a efetiva prestação jurisdicional 3) Princípios a) Taxatividade: os recursos devem ser previstos em lei b) Unirrecorribilidade: para cada decisão há um recurso previsto. c) Fungibilidade: possibilidade de se receber um recurso no lugar de outro d) Disponibilidade: a parte pode dispor do recurso que interpôs, exceto o Ministério Público. e) Personalidade: o recurso só favorece a parte que o interpôs. 4) Classificação - Quanto à fonte a) Constitucionais: hipóteses de cabimento contempladas na CF (Ex.: RE, REsp, ROC) b) Legais: previstos no Código de Processo Penal e na legislação processual especial (Ex.: Apelação, RESE, Embargos infringentes, etc.) c) Regimentais: previstos no Regimento Interno dos Tribunais (Ex.: agravo regimental, art. 253, do RITJSP) - Quanto à iniciativa a) Voluntários: a interposição condiciona-se à vontade da parte b) Necessários: situações em que a própria lei obriga à revisão judicial como condição para o trânsito em julgado (recurso ex officio). - Quanto aos motivos a) Ordinários: impugnações que aceitam qualquer espécie de argumentação (Ex.: apelação de sentença condenatória) 2 b) Extraordinários: há limitações quanto à argumentação a ser utilizada pelo recorrente (Ex.: recursos especial ou extraordinário) 5) Pressupostos - Objetivos: a) Cabimento: a decisão impugnada deve estar sujeito a um determinado recurso b) Tempestividade c) Formalidade d) Motivação - Subjetivos a) Legitimidade b) Interesse (CPP, art. 577, parágrafo único) 6) Efeitos dos recursos - Devolutivo: devolve ao Juízo a quem a possibilidade de reexaminar a questão a) Reformatio in pejus (CPP, art. 617) b) Reformatio in mellius: possível à diminuição da pena, desclassificação ou absolvição em recurso exclusivo da acusação (STJ, REsp. 753.396/RS) c) Reformatio in pejus indireta (sentença anulada por recurso exclusivo da defesa – nova sentença – situação mais grave ao réu – possibilidade?) - Suspensivo a) Sentença absolutória (CPP, art. 596) b) Sentença condenatória (CPP, art. 597) c) RESE (CPP, art. 584) - Regressivo (CPP, art. 589) - Extensivo: possibilidade de estender o recurso interposto por um dos réus a outros acusados que não tenham recorrido (CPP, art. 580) 9) Reexame necessário a) Decisão concessiva HC b) Reabilitação 3 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PEÇA PRÁTICA PROCESSO PENAL RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Joana, parteira, foi processada pelo delito capitulado no artigo 126, do Código Penal. Consta que Joana teria praticado aborto em uma mulher que a procurou, confessando a prática abortiva, tanto na fase policial como na judicial. Porém, a vítima não foi submetida a exame de corpo de delito. Finda a instrução preliminar, o magistrado, com fundamento nas confissões, pronunciou Joana, submetendo-a a julgamento perante o Tribunal do Júri. O advogado de Joana é intimado da referida decisão em 07 de agosto de 2017 (sexta-feira). Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore o recurso cabível. Fundamentação Jurídica da Peça Processual: Código de Processo Penal, artigos 581, inciso IV, e 589. Fundamentação Jurídica do Pedido: Código de Processo Penal, artigos 158 e 414 RECURSO EM SENTIDO ESTRITO (Art. 581 do C.P.P.) Recurso cabível de um despacho, decisão, ou sentença de 1º grau. É um recurso taxativo, pois só é cabível nos casos elencados no artigo 581 do CPP. - Prazo: 5 dias para interposição e 2 dias para razões e 2 dias para contrarrazões A Interposição será endereçada ao próprio Juiz que prolatou a decisão, despacho ou sentença e este irá analisar os pressupostos de admissibilidade. Recebido o RESE, o recorrente terá 2 dias para arrazoá-lo. Em seguida, os autos irão com vista ao recorrido, para que este apresente contrarrazões. Após, os autos vão conclusos ao Juiz, que em 2 dias, REFORMARÁ ou SUSTENTARÁ a sua decisão. Se MANTIVER a decisão, o recurso subirá ao Tribunal competente para reexame da matéria - juízo "ad quem". 4 Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da .....Vara Criminal da Capital. OU Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da..... Vara do Júri da Capital. Processo nº ...... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado que esta subscreve, vem, com fulcro no artigo 581,....do Código de Processo Penal, não se conformando, com a r.decisão ............................., dela RECORRER EM SENTIDO ESTRITO. Assim sendo, caso Vossa Excelência entenda que devamanter a decisão, requer seja remetido o presente Recurso ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Termos em que, requerendo seja recebido e processado o recurso, com as inclusas razões. Pede Deferimento. São Paulo,...de .........de ______________________________ OAB/SP. nº. 5 RAZÕES RECURSO EM SENTIDO ESTRITO RECORRENTE: “A” RECORRIDO: JUSTIÇA PÚBLICA PROCESSO Nº......... Meritíssimo Juiz; Egrégio Tribunal; Colenda Câmara; Douta Procuradoria de Justiça: Não se conformando com a respeitável decisão dela vem recorrer, aguardando sua reforma, pelas razões a seguir aduzidas: (narrar o problema). Com efeito,.........(redigir com suas palavras) Conforme entendimento predominante na jurisprudência: "......................" Diante de todo o exposto, postula-se seja dado provimento ao recurso, concedendo em favor do Recorrente..................................., para que assim se faça JUSTIÇA. São Paulo,...de ................de ______________________________ OAB/SP. nº. 1 FMU – CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA Recurso de Apelação Conceito “recurso interposto da sentença definitiva ou com força de definitiva, para a segunda instância, com o fim de que se proceda ao reexame da matéria, com a consequente modificação parcial ou total da decisão” (Fernando Capez, Curso de Processo Penal, Editora Saraiva, 14ª edição, 2007, p. 459) Apelação Art. 593, I, II e III do CPP estabelece as hipóteses de cabimento de Apelação no âmbito criminal. Sentenças do Juiz Singular - Art. 593, I, do CPP - Sentenças definitivas de condenação ou absolvição. Prevê que cabe apelação das decisões definitivas são aquelas que extinguem o processo com julgamento do mérito, condenando ou absolvendo o réu, colocando fim ao processo. - Art. 593, II, do CPP - Decisões definitivas, ou com força de definitivas. Prevê que cabe apelação das decisões definitivas, são aquelas que extinguem o processo sem julgamento do mérito, como é o caso da sentença de impronúncia na primeira fase do procedimento do júri. Também cabe recurso de apelação por este inciso das decisões com força de definitivas como, por exemplo, aquela em que o juiz extingue o processo de ofício, reconhecendo a ilegitimidade de parte ativa do Ministério Público por ele haver oferecido denúncia sem estar instruída com a representação, em caso que a lei a exige. Neste caso, não havendo mais prazo para o exercício desta representação, o processo está extinto definitivamente. - Art. 593, III, do CPP - Decisões do Júri. Prevê hipóteses de apelação de decisões de mérito proferidas pelo Tribunal do Júri: a) quando houver nulidade posterior à pronúncia. Neste caso a nulidade ocorre após o trânsito em julgado da sentença de pronúncia. Qualquer daquelas do art. 564, CPP, como por exemplo, a 2 falta de nomeação de defensor ao réu presente que não o tiver por falta de recursos, o que fere o s princípios do contraditório e da ampla defesa, gerando nulidade absoluta do processo. b) quando a sentença do juiz presidente for contrária à lei expressa; ou à decisão dos jurados. Neste caso o juiz deve proferir a sentença de acordo com a decisão dos jurados, porque ele não tem competência para julgar o mérito. Assim, ele deve ser absolutamente fiel à decisão dos jurados, não podendo, por exemplo, reconhecer uma causa de aumento de pena não acatada pelos jurados. Do mesmo modo o juiz não pode absolver o réu, quando os jurados o tenham condenado. c) quando houver erro ou injustiça na aplicação da pena ou da medida de segurança, como por exemplo, o juiz impor uma pena excessivamente severa, tendo em vista o reconhecimento de atenuantes pelos jurados; ou aplicado uma medida de segurança detentiva, não sendo o réu perigoso, no caso de ter sido reconhecida o seu inimputabilidade por doença mental. d) quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos como, por exemplo, os jurados condenarem o réu por homicídio doloso, sem a prova principal, que é o exame de corpo de delito, não havendo testemunha que pudesse substituir tal prova, (arts. 158 c/c art. 167, todos do C.P). Efeitos Devolutivo Suspensivo Extensivo Princípios Reformatio in pejus Reformatio in mellius Prazos Interposição: 05 dias Razões: 08 dias Renúncia e desistência Defensor dativo não pode desistir do recurso interposto, mas não está obrigado a apelar (princípio da voluntariedade). Réu desiste do recurso e o Defensor apela (STF, Súmula 705). Não esquecer: Juizado Especial Criminal – lei 9.099/95 – artigo 82 Cabimento: rejeição da denúncia ou queixa e sentença Prazo: 10 dias, junto com as razões. Julgamento: Colégio Recursal 3 FMU – CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PEÇA PRÁTICA PROCESSO PENAL João foi denunciado e está sendo processado como incurso no artigo 157, § 2º, incisos I e II, do Código Penal. Consta dos autos que João teria na data dos fatos abordado a vítima, empunhando arma de brinquedo, juntamente com um comparsa que não foi identificado. Logo após se apoderar do relógio da vítima, foi surpreendido por policiais militares que por ali se encontravam, que o prenderam imediatamente. Esta versão foi reforçada por testemunhas que estavam próximas ao local dos fatos. No entanto, quando ouvida em Juízo, a vítima não ratificou o reconhecimento efetuado na fase inquisitorial. Após a manifestação das partes, o juiz prolatou sentença condenatória, acolhendo integralmente a pretensão acusatória, fixando a pena em 06 (seis) anos de reclusão, diante da presença de duas causas de aumento, quais sejam, emprego de arma e concurso de agentes. Como modalidade inicial de cumprimento de pena, elegeu o regime fechado, em face da gravidade do crime, que assola a ordeira sociedade. Também não reconheceu a forma tentada, fundamentando no fato de que o crime de roubo se consuma no instante em que o agente se apodera da coisa. A r. sentença foi publicada e a defesa intimada acerca do seu conteúdo. O advogado(a) de João, atento(a) tão somente às informações descritas no texto, deve apresentar o recurso cabível à impugnação da decisão, respeitando as formalidades legais e desenvolvendo, de maneira fundamentada, as teses defensivas pertinentes. Fundamentação Jurídica da Peça Processual: art. 593, I, do CPP Fundamentação Jurídica do Pedido: arts. 155 e 386, VII, do CPP; Súmulas 440 e 443, do STJ; Súmulas 718 e 719, do STF 4 Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da........ Vara Criminal da Capital. Processo nº...... “A”, já qualificado nos autos do processo crime, que lhe move a Justiça Pública (ou “B” se for caso de ação privada), por seu advogado que esta subscreve, vem, com fulcro no artigo 593, I do Código de Processo Penal, não se conformando com a respeitável sentença condenatória, tempestivamente interpor recurso de APELAÇÃO. Recebido o presente recurso, requer-se o encaminhamento das razões ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de SãoPaulo. Termos em que, Pede Deferimento. São Paulo,...de ...........de ______________________________ OAB/SP- nº. 5 RAZÕES DE APELAÇÃO RAZÕES DE APELAÇÃO APELANTE: “A” APELADO: JUSTIÇA PÚBLICA PROCESSO Nº....... Egrégio Tribunal de....... Colenda Câmara; Douta Procuradoria de Justiça. É imperativa a reforma da respeitável sentença condenatória proferida contra o apelante, pelas razões a seguir aduzidas: (2 linhas) (copiar o problema substituindo “A” por Apelante). (2 linhas) Com efeito,.........(redigir com suas palavras) Conforme entendimento predominante na ............. Diante de todo o exposto, postula-se seja dado provimento ao recurso, decretando-se a absolvição do Apelante, por ser medida de JUSTIÇA. São Paulo,...de .............de ______________________________ OAB/SP. nº 1 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA HABEAS CORPUS 1) Previsão legal: artigo 5º, LXVIII, da Constituição Federal, e artigos 647 e seguintes do CPP. 2) Cabimento: Sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer coação ou violência à liberdade de locomoção, em virtude de ilegalidade ou abuso de poder. No art. 648 do CPP, há hipóteses de coação ilegal: (a) quando não houver justa causa; (b) quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; (c) quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; (d) quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; (e) quando não se admitir fiança, nos casos em que a lei prevê; (f) quando o processo for manifestamente nulo; (g) quando extinta a punibilidade. 3) Não cabe HC: (a) contra prisão civil; (b) durante o estado de sítio (art. 138, CF); (c) contra prisão disciplinar militar (art. 142, § 2º, CF); (d) contra omissão de relator de extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito (Súmula 692 do STF); (e) contra decisão condenatória à pena de multa ou relacionada a processo em trâmite por infração penal cuja pena pecuniária seja a única cominada (Súmula 693 do STF); (f) contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública (Súmula 694 do STF); (g) quando extinta a pena privativa de liberdade (Súmula 695 do STF). 4) Prazo: Não há. 5) Endereçamento: À autoridade imediatamente superior à autoridade coatora. Se a autoridade coatora for delegado de polícia, o HC deve ser encaminhado ao juiz de 1ª instância. Se a autoridade coatora for membro do Ministério Público que atua na primeira instância, o HC é dirigido ao Tribunal (Estadual ou Federal, conforme o caso). 2 Se a autoridade coatora for juiz de 1ª instância, a competência para julgar o HC é do Tribunal (Estadual ou Federal, conforme o caso). Se a autoridade coatora for o Tribunal Estadual ou o Tribunal Regional Federal, o HC será encaminhado ao STJ. Se o paciente for Governador de Estado ou Distrito Federal ou membro do Tribunal de Justiça Estadual ou membro do Tribunal Regional Federal ou membro do Tribunal Regional Eleitoral ou, ainda, membro do Ministério Público da União, o HC deve ser impetrado no STJ. Se a autoridade coatora for o STJ (ou quando o paciente for membro do STJ), a competência será do STF. Se a autoridade coatora for particular, o HC será julgado pelo juiz de 1ª instância. Se a autoridade coatora for a Turma Recursal, o HC será encaminhado ao TJ ou TRF, por entendimento do STF (HC nº 86.834/SP), embora não esteja revogada expressamente a Súmula 690 do STF. 6) Legitimados: qualquer pessoa pode impetrar HC (mesmo sem advogado). 7) Pedidos: de um modo geral, o pedido do HC deve ser a solicitação pelo juízo das informações à autoridade coatora e a posterior concessão da ordem. Entretanto, outros pedidos específicos irão variar conforme a situação: a) Se o HC for impetrado por falta de justa causa, seja pela inexistência do crime ou de culpabilidade, seja pela existência de escusa absolutória, deve-se pedir o trancamento da ação ou do inquérito policial, conforme o caso. Juntamente com esse pedido, pode-se requerer a revogação da prisão com a expedição do alvará de soltura ou de contramandado de prisão. b) Caso o paciente esteja preso por mais tempo do que a lei determina, o pedido deve ser a liberdade do paciente com a expedição do alvará de soltura. c) Na hipótese do art. 548, VIII, do CPP (coação ordenada por autoridade incompetente), pede-se a liberdade (ou a sua manutenção, se estiver solto) com a expedição de alvará de soltura ou de contramandado de prisão. 3 d) Se já não houver o motivo que ensejou a coação, pede-se a liberdade do paciente com a expedição do alvará de soltura ou do contramandado de prisão, conforme o caso. e) Se for negada a fiança, quando cabível, pede-se o seu arbitramento com a expedição de alvará de soltura ou contramandado de prisão, se pertinente for. f) Quando o processo for manifestamente nulo, pede-se a anulação da ação, de acordo com o momento processual da nulidade (a partir do ato viciado ou ab initio – “desde o início”). Se a nulidade for somente da sentença, esse deve ser o pedido. Juntamente com esse pedido, pode-se requerer a revogação da prisão com a expedição do alvará de soltura ou de contramandado de prisão. g) Se houver extinção da punibilidade, pede-se a decretação da mesma. h) Se houver necessidade, conforme o caso, cumulativamente com esse pedido, pode-se requerer a revogação da prisão com a expedição do alvará de soltura ou de contramandado de prisão. i) No caso de HC preventivo, pede-se, além do pedido genérico, a expedição de um salvo-conduto. Obs. Em qualquer caso de HC, há possibilidade de pedido liminar sempre que houver a presença do fumus boni iuris e o periculum in mora. 8) Efeitos a) Concessão: imediata soltura do paciente (art. 660, § 1º) ou salvo-conduto (art. 660, § 4º) b) Anulação do processo: renovação dos atos processuais (art. 652) c) Prejudicado: cessação da violência ou coação (art. 659) 9) Recursos 9.1) 1ª Instância a) Concessão ou denegação: RESE (art. 581, X) b) Recurso de ofício na hipótese de concessão (art. 574, I) 9.2) 2ª Instância a) Denegação: ROC (arts. 102, II, a, e 105, II, a, da CF) b) Incabível HC substitutivo de ROC (STF, HC nº 109.956/PR) 4 REVISÃO CRIMINAL 1) Natureza jurídica a) Ação penal de conhecimento de caráter desconstitutivo b) Desencadeia nova relação jurídica processual 2) Legitimidade a) Instrumento exclusivo da defesa b) Inexiste revisão pro societate c) Hipóteses do art. 623 3) Prazo a) Após o trânsito em julgado b) A qualquer tempo, mesmo após o cumprimento da pena 4) Cabimento (art. 621, do CPP) a) Sentença condenatória contrária ao texto da lei b) Sentença condenatória contrária à evidência dos autos c) Sentença condenatória fundada em depoimentos, exames ou documentos falsos d) Novas provas e) Circunstância que autorize a diminuição da pena 5) Procedimento a) Endereçamento ao Presidente do Tribunal b) Distribuição a um Relator que não tenha proferido decisão no processo (CPP, art. 625, e RITJSP, art. 112, § 3º) c) Indeferimento liminar (art. 625, § 3º) d) Parecer da PGJ e) Voto de Relator, Revisor e julgamento (Grupo de Câmaras Criminais) 6) Efeitos (art.626, do CPP) a) Absolvição b) Classificação da infração c) Modificação da pena d) Anulação do processo e) Indenização (art. 630) 5 FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas CURSO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL DE ADVOCACIA – CEPA PEÇA PRÁTICA PROCESSO PENAL O Delegado de Polícia do 3º Distrito Policial da Capital deu ordem para que seus agentes prendessem todas as meretrizes que circulam na área. A notícia chegou ao conhecimento de A, B, e C que estão temerosas especialmente porque várias colegas já foram presas, encarceradas por vários dias e depois dispensadas sem instauração de qualquer procedimento. QUESTÃO: Como Advogado de A, B e C adote medida judicial cabível. Fundamentação Jurídica da Peça Processual: art. 5º, LXVIII, da CF; art. 647, 648 do CPP 6 MODELO DE HC Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Criminal da Capital. (autoridade coatora - Delegado de Polícia) (10 linhas) X.X.X., advogado inscrito na OAB/SP nº....., com escritório na rua............nº, nesta Capital, vem, com fundamento no artigo 5º, LXVIII da Constituição Federal, impetrar “habeas corpus” em favor de “A”, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da cédula de identidade RG. nº.........., residente na rua ............nº..., nesta Capital, que vem sofrendo constrangimento ilegal por parte do Meritíssimo Juiz da ..... Vara Criminal (ou Ilustríssimo Delegado do ... Distrito Policial), pelas razões a seguir aduzidas: I - O Paciente..(narrar o problema). II - Referida (ação ou condenação) constitui uma coação ilegal contra o Paciente, por falta de justa causa. Com efeito,.................... II - Conforme entendimento predominante na jurisprudência: “...............................”. Diante de todo o exposto, postula-se após as informações prestadas junto à autoridade coatora, a concessão da ordem impetrada, com fulcro nos artigos 647 e 648,... do Código Processo Penal, decretando- se .......................................................por ser medida de justiça. Nestes Termos, Pede Deferimento. São Paulo,...de ............de __________________________ OAB/S.P - nº.