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Prótese Total
Resumo por Fellipe Carvalho (1.1).
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
O sistema estomatognático é uma entidade fisiológica funcional, perfeitamente definida e integrada a um conjunto de órgãos cuja biologia e fisiopatologia são interdependentes.
Trata-se de um sistema complexo e equilibrado, controlado por um complexo mecanismo neurológico e intimamente relacionado com o restante do organismo.
FUNÇÕES
Desempenha funções vitais como:
Mastigação
Deglutição
Fonação
Respiração
Mimica
Expressão de emoções
Sucção 
Estética
PRÓTESE TOTAL
A prótese total pertence ao grupo das próteses removíveis e pode ser definida como um aparelho removível que repõe todos os dentes e estruturas associadas da maxila e da mandíbula, alteradas pela edentação total.
Figura 1.1 (Prótese Total)
TIPOS
Mucosossuportada; 
Dentomucosossuportada; 
Dentorretida e Mucosossuportada; 
Implantorretida e Mucosossuportada; 
Implantorretida e Implantossuportada.
As próteses totais 2, 3 e 4, citadas anteriormente, também são classificadas como sobredentaduras (overdentures).
FINALIDADES
Recuperar a mastigação e a deglutição
Favorecer a fonética
Recuperar a estética
Melhorar a posição dos côndilos nas ATMs
Recuperar a dimensão vertical
Evitar a anteriorização da mandíbula
Minimizar a reabsorção óssea
Promover o conforto físico e psicológico do paciente
Melhorar a atividade da musculatura mastigatória e da mimica 
Contribuir para a qualidade de vida 
Integração social
LIMITAÇÕES
As próteses totais não substituem integralmente os dentes naturais – que são insubstituíveis –, apenas intentam a melhor substituição possível dentro das condições observadas na cavidade bucal. Inúmeros fatores impõem limitações às próteses totais, entre os quais é possível citar a mastigação, a estética e a idade.
Mastigação: 	nas próteses em que existe apoio na mucosa, a mastigação pode ser prejudicada pela presença de dor no rebordo, aliada ao fato de que, nas próteses mucosossuportadas, a força de mordida é 5 a 6 vezes menor do que nas pessoas dentadas.
Estética: nem sempre a restauração estética pretendida pelo paciente é possível, em razão da perda de massa muscular, com hipotonia muscular e flacidez dos tecidos bucofaciais, e de alterações severas nas relações intermaxilares em sentido vestibulolingual e mesiodistal dos rebordos classes II e III.
Idade: nos pacientes idosos, a presença de doenças debilitantes, problemas neurológicos, transtornos psiquiátricos, deficiência nutricional, uso de medicamentos, xerostomia e problemas hormonais podem dificultar a adaptação à prótese, reduzindo sua efetividade. Atualmente, o uso de sobredentaduras com dentes naturais ou implantes tem constituído um recurso valioso para minimizar e/ou sobrepujar certas limitações.
A redução da área de suporte afeta sensivelmente a retenção e a estabilidade da prótese.
O PACIENTE EDENTULO TOTAL
A perda total dos dentes constitui um evento dramático na vida das pessoas, com profundos reflexos sobre a parte física, social e emocional do individuo, além de constituir uma severa mutilação bucal. As sequelas resultantes são de ordem funcional, estética, biomecânica e psicológica.
As consequências mais evidentes da edentação total compreendem reabsorção do rebordo alveolar, mastigação e deglutição alteradas, problemas fonéticos, perda da dimensão vertical, colapso estético, aparência de velhice prematura, má́ postura mandibular, desequilíbrio da musculatura mastigatória e mimica. Incluem, ainda, sentimentos de privação, perda de intimidade e abalo na autoestima, muitas vezes acompanhados de angustia e ansiedade e sensação de perda do vigor físico e da feminilidade/masculinidade e incapacidade socioeconômica.
Figura 1.2 (Edêntulo Total)
A reabsorção óssea é uma enfermidade oral progressiva, cumulativa, multifatorial que afeta milhões de pessoas no mundo. A reabsorção do rebordo alveolar é quatro vezes maior na mandíbula, e a região anterior dos rebordos é a área mais afetada.
EXAME CLÍNICO
O exame clínico compreende uma fase investigativa pré-operatória que permite a avaliação das condições existentes e das reais necessidades do paciente como um todo. Requer do cirurgião- dentista:
Habilidade
Paciência
Experiência
Poder de observação
Autocontrole 
Conhecimentos básicos de outras áreas Cooperação do paciente
A saúde bucal e a saúde geral são inseparáveis. Portanto, o exame clínico não deve restringir-se apenas à cavidade oral.
FICHA CLÍNICA
A ficha clínica é fundamental para uma boa documentação e avaliação do paciente. Ela funciona como um guia para a formulação do diagnóstico e do prognóstico, a definição do tratamento e de sua duração, o acompanhamento das etapas clínicas e o controle de honorários.
Identificação do paciente: 
Nome: identifica e personaliza o paciente. 
Contato: meios de localizar o paciente (endereço, telefone, e-mail). 
Profissão: influi sobre o tipo de trabalho 
Exigências estéticas ou funcionais: como a mastigação. 
Raça: conceito que o paciente faz da estética da prótese total e hábitos alimentares. 
Idade: pacientes idosos e com problemas de saúde têm mais dificuldade de se adaptar à prótese. 
História Médica:
A história médica consiste em informações sobre as condições de saúde gerais do paciente, considerando-se a inter-relação existente entre a saúde bucal e a saúde geral. Deve também ser considerada a influência que certos fatores sistêmicos exercem sobre o prognóstico, o tipo e a duração do tratamento e a adaptação e tolerância do paciente à prótese total.
Problemas cardiovasculares: Infartos, angina, dores no peito, hipertensão, palpitação, cansaço.
Problemas pulmonares crônicos: Tosse persistente, enfisema, respiração difícil.
Problemas renais e geniturinários: Insuficiência renal, edema dos membros inferiores.
Problemas gástricos: Úlcera, gastrite.
Distúrbios neuromusculares: Paralisia de Bell, doença de Parkinson, acidente vascular encefálico (AVE), doença de Alzheimer.
Afecções dermatológicas: Lúpus eritematoso, líquen plano, pênfigo.
Alterações por radiação orofacial: Xerostomia, osteomielite, trismo, alterações dolorosas na mucosa bucal.
Menopausa: Osteoporose, instabilidade emocional.
Transtornos psiquiátricos: Depressão, psiconeuroses, demência.
Doenças de glândulas salivares: Xerostomia, síndrome de Sjögren.
Doenças hepáticas: Icterícia, cirrose.
Distúrbios endócrinos: Diabetes, hipo ou hipertireoidismo.
Alterações ósseas: Osteoporose
Artrites: Artrite reumatoide, algias nas ATMs.
Discrasias sanguíneas: Leucemia, anemia perniciosa.
Deficiências da nutrição: Avitaminoses A, B, C, D e E, dieta pobre em proteínas e rica em carboidratos.
Terapia com medicamentos: Tranquilizantes, antidepressivos, ansiolíticos, anti-inflamatórios, diuréticos.
Enfermidades diversas: AIDS, hepatites, tuberculose, sífilis, câncer.
Condições dos músculos mastigatórios da mímica e do pescoço: hipotomia, hipertomia, hipertrofia, pontos dolorosos.
EXAME EXTRAORAL
Face: Tamanho e forma dos dentes, cor dos olhos, dos cabelos e dos dentes.
Pele: Cor, aspecto, rugas, sulcos, flacidez.
Lábios: Forma, volume, comprimento, espessura, cor, tipo do sorriso e suporte labial.
Perfil facial: Classe I (normal), classe II (retrognata), classe III (prognata).
Linha mediana: Normal ou desviada.
Músculos do pescoço: Integridade, presença de patologias, nódulos, áreas dolorosas.
Músculos mastigadores e da mímica: Integridade, tono muscular.
Coordenação muscular: Satisfatória ou alterada. Influi sobre a habilidade de controlar a prótese na cavidade bucal.
Fonética: Normal ou alterada por próteses ou dislalias.
ATMs: Integridade, presença de crepitação, estalos, áreas dolorosas à palpação ou ao movimento. Observar a extensão e a direção dos movimentos mandibulares.
Abertura bucal: Reduzida, normal. Esse fator pode indicar problemas nos músculos mastigadores ou nas ATMs.
Figura 1.3 (Investigação extraoral)
EXAME INTRAORAL
O exame intraoralpermite a observação de inúmeros detalhes e características morfológicas do paciente. Assim, uma sequência lógica e objetiva dos aspectos a serem observados deverá ser adotada.
Forma do arco alveolar: Triangular, quadrado, ovoide.
Forma do rebordo alveolar: Vertentes paralelas, afilado, retentivo.
Altura do rebordo alveolar: Alto, médio, baixo e reabsorvido.
Superfície do rebordo: Lisa, ondulada, irregular.
Palato duro: Forma: quadrado, ovoide e triangular Altura: profundo, médio e raso.
Palato mole: Classe I (horizontal), classe II (inclinado) e classe III (vertical)
Tórus: Maxilar e mandibular
Espaço inter-rebordo: Normal, reduzido ou grande.
Relação inter-rebordo: Classe I (vertical), classe II (retrognata), classe III (prognata).
Tuberosidades: Normais, volumosas.
Forma lateral da garganta: Favorável, desfavorável.
Freios e inserções musculares: Inserções altas, médias ou baixas.
Mucosa bucal: Fibromucosa (rebordos e palato duro) e mucosa de revestimento (cor, espessura, grau de mobilidade e resiliência e integridade)
Saliva: Quantidade: normal, excessiva e reduzida (xerostomia) Qualidade: normal (serosa) ou viscosa (mucilaginosa)
Língua: Tamanho, posição, superfície, movimentos.
Dentes naturais remanescentes: Número, posição, distribuição, grau de desgastes, cáries, restaurações, problemas periodontais e endodônticos, tipo de oclusão.
Próteses totais: Cor dos dentes e da base, material de confecção, extensão, retenção e estabilidade, oclusão, relação central e dimensão vertical, estética, conforto e fonética.
É importante que uma investigação minuciosa seja para realização do diagnostico e prognostico.
EXAME RADIOLÓGICO
O exame radiológico tem por objetivo verificar o tipo e a qualidade do osso alveolar e a existência de áreas patológicas, cistos, raízes residuais, dentes inclusos e extranumerários, espiculas ósseas, osteoporose e outros corpos estranhos.
Figura 1.4 (Radiografia Panorâmica)
DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO
O diagnóstico é dinâmico e deve sempre acompanhar o tratamento, além de revelar a situação e os fatores encontrados. O prognóstico avalia o peso ou a influência desses fatores sobre o tratamento, sua duração e a longevidade da prótese.
Antes do tratamento, o paciente deverá ser esclarecido sobre suas condições bucais e gerais, o prognóstico, o que poderá́ ser feito e o plano de tratamento. Também devem ser fornecidas informações sobre a prótese total, seu uso, suas limitações, cuidados sobre higienização, dificuldades no período de adaptação, necessidade de reajustes e de retornos.
CONTRAINDICAÇÕES
As próteses totais são contraindicadas formalmente nos casos de rejeição psicológica da prótese, reabsorções alveolares extremas, senilidade avançada, doença de Parkinson grave, demência, áreas bucais irradiadas, câncer em evolução, exigências irreais do paciente, falta de confiança no cirurgião-dentista, intolerância à prótese e epilepsia.
PREPARO PRÉVIO DO PACIENTE
O preparo prévio do paciente consiste em três etapas:
Tratamento médico de doenças sistêmicas;
Tratamento de alterações e/ou patologias bucais; 
Cirurgias pré-protéticas.
PATOLOGIAS ASSOCIADAS A PT
O uso de PTs pode levar a alterações nos tecidos de suporte e nos demais tecidos que as circundam.
Como tais patologias são comuns e podem trazer dificuldades para a execução de novas próteses, o CD precisa compreender seus mecanismos de formação para devolver a situação de normalidade aos tecidos atingidos, quando possível, e traçar um planejamento que supere tais dificuldades, prevenindo a evolução dos processos.
As principais patologias associadas ao uso de PTs são: 
Reabsorção do rebordo residual; 
Candidíase eritematosa ou atrófica crônica; 
Hiperplasia fibrosa inflamatória ou epúlide fissurada.
Reabsorção do rebordo residual: 
Rebordo residual é uma terminologia usa- da para descrever o formato que assumem os alvéolos após as extrações dentarias. Essa remodelação é responsável pelos três maiores desafios na reabilitação protética dos endentados: 
Diminuição dos rebordos, que dificulta a obtenção de próteses convencionais funcionais;
Eventual falta de tecido ósseo necessário para o posicionamento adequado de implantes;
Necessidade estética de recompor o suporte dos tecidos moles do terço inferior da face.
Após as extrações dentárias, uma cascata de respostas inflamatórias é imediatamente ativada, e os alvéolos são temporariamente preenchidos pelo coágulo sanguíneo. Os tecidos epiteliais iniciam sua proliferação e migração na primeira semana, restaurando rapidamente sua integridade. Evidências histológicas de formação ativa de osso podem ser encontradas na parte mais profunda do alvéolo, duas semanas após as extrações. O alvéolo vai ser então, progressivamente preenchido por novo tecido ósseo em cerca de seis meses. Com esse padrão de deposição óssea, o tamanho do rebordo residual é reduzido mais rapidamente nos primeiros seis meses, mas a remodelação óssea continua por toda a vida, o que pode resultar em grandes perdas de estrutura no rebordo remanescente. 
Figura 1.5 (Reabsorção progressiva)
Tal padrão também determina a arquitetura resultante do rebordo residual em função de a reabsorção maxilar acontecer de fora para dentro e a reabsorção mandibular, de cima para baixo. 
Um osso que recebe estímulos mecânicos constantes tende a manter uma atividade celular equilibrada entre osteoclastos e osteoblastos. Adicionalmente, quando o tecido ósseo para de receber estímulos, não consegue manter tal equilíbrio, o que pode resultar também em perda de massa calcificada, chamada de atrofia por desuso.
Figura 1.6 (Maxila severamente reabsorvida)
Candidíase Eritematosa:
Muitos usuários de PTs desenvolvem uma resposta inflamatória na mucosa relativa à área de suporte das próteses, especialmente no palato. As lesões podem ser localizadas ou difusas e apresentarem-se com a superfície lisa e/ou papilomatosa.
Os fatores que predispõem essas lesões são: 
A presença da própria prótese, que diminui a ação antimicrobiana da saliva na mucosa sob a base da mesma; 
A má́ higienização, que permite que se estabeleçam as condições para a proliferação de microrganismos, principalmente Cândida albicans; 
O uso continua da pró- tese, especialmente à noite quando a produção de saliva diminui.
Figura 1.7 (Superfície palatina eritematosa)
O tratamento consiste basicamente em:
Adaptar, regularizar e polir a superfície interna da prótese que entra em contato com a mucosa; 
Orientar o paciente para que se consiga uma melhoria da higienização da prótese e das estruturas bucais; 
Aumentar o tempo em que o paciente não utiliza a prótese, especialmente à noite, para diminuir as tensões sobre a mucosa.
O uso tópico de substâncias antimicrobianas (como a nistatina ou a clorexidina a 0,12% em forma de gel ou bochecho) acelera o processo de recuperação, mas não deve ser feito isoladamente, pois, caso não sejam corrigidas as irregularidades da base da prótese e a higiene não melhore, a infecção por Cândida albicans frequentemente se torna recorrente.
A candidíase pode se manifestar em forma de lesões inflamatórias nas comissuras labiais, as quais recebem a denominação queilite angular. Em pacientes edentados, essa condição é indicativa de próteses com a dimensão vertical diminuída, o que facilitaria o acúmulo de saliva no canto dos lábios, criando um meio propício.
Figura 1.8 (Queilite Angular)
Hiperplasia Fibrosa Inflamatória:
É comum surgirem úlceras traumáticas nos primeiros dias após a instalação da PT. São causadas por sobreextensões da base da prótese, por pontos de pressão exagerada sob a base da prótese ou por alguma interferência oclusal grosseira que faça a prótese se movimentar horizontalmente durante a mastigação, ferindo a mucosa subjacente. A resposta da irritação crônica é o desenvolvimento hiperplasia fibrosa inflamatória.
Figura 1.9 (Hiperplasia Inflamatória)
O tratamento consiste na redução da porção sobreestendida da base da prótese e/ou correçãodas discrepâncias oclusais. Além disso, em alguns casos pode ser necessária a remoção cirúrgica da lesão, uma vez que a presença da mesma pode dificultar e até inviabilizar a execução de nova prótese.
SÍNDROME DA COMBINAÇÃO
A reabilitação de pacientes edentados na maxila e parcialmente dentados na mandíbula, portadores de extremidade livre posterior, que fazem uso ou não de uma Prótese Parcial Removível (PPR), é uma ocorrência comum. Estima-se que esses pacientes representam cerca de 26% dos pacientes reabilitados com PT maxilar. Desse percentual, 24% apresentam alterações específicas8, as quais Kelly denominou síndrome da combinação.
Algumas dessas alterações merecem uma abordagem especial, pois os esforços para prevenir sua ocorrência vão nortear o planejamento reabilitador para esses casos. São elas: 
Perda de suporte ósseo sob a base da PPR; 
Reposicionamento espacial da mandíbula anterior; 
Reabsorção óssea na porção anterior da maxila; 
Hiperplasia inflamatória na região de palato duro e fundo de vestíbulo; 
Crescimento das tuberosidades maxilares; 
Alterações periodontais.
Essas alterações nem sempre ocorrerão de forma simultânea, pois as mesmas também são reguladas por fatores predisponentes.
Perda de suporte ósseo sob a base da PPR:
Essa é a primeira alteração que ocorre. O paciente raramente percebe essa alteração devido à lentidão do processo.
Figura 1.10 (Perda de suporte basal)
Causas metabólicas, hormonais e nutricionais contribuem para essa diferença. Além disso, pacientes com doenças sistêmicas, como diabetes e osteoporose, aumentam o grau de reabsorção. Para minimizar esse problema, deve-se estender o máximo possível a base da PPR na área da extremidade livre posterior, buscando limites semelhantes aos de uma PT nessa região.
Reposicionamento espacial da mandíbula anterior;
A perda do suporte posterior pode acarretar uma transferência gradual das cargas oclusais posteriores para a região anterior. 
Figura 1.11 (Reposicionamento mandibular)
O resultado das forças mastigatórias aplica- das na parte anterior do rebordo remanescente é a conversão da PT superior em uma alavanca Classe I (interfixa) com o fulcro sobre o rebordo aproximadamente na região de pré-molares.
Reabsorção óssea na porção anterior da maxila;
A região anterior da maxila é a parte da arca- da superior que menos resistência apresenta às tensões. Quando os dentes anteriores inferiores ocluem sobre a prótese nessa região, a sobrecarga funcional é inevitável. Com a perda óssea, a porção anterior do rebordo passa a ser formada por um tecido frouxo hiperplásico.
Figura 1.12 (Tecido Frouxo)
Hiperplasia inflamatória na região de palato duro e fundo de vestíbulo;
Com o estabelecimento da alavanca Classe I, pelo deslocamento da PT, esta se movimenta para a frente e para cima, resultando numa tendência ao desenvolvimento de hiperplasia fibrosa inflamatória nas áreas que sofrem ação das forças compressivas geradas por essa alavanca: a zona de fulcro e a extremidade do braço de potência, respectivamente, a região de palato duro no nível das rugosidades palatinas e região anterior de fundo de vestíbulo.
Figura 1.13 (hiperplasia no fundo de vestíbulo)
A correção do problema dependerá da quantificação da atuação dos fatores concorrentes para o quadro. As seguintes condutas podem ser tomadas, associadas ou não, para a correção do problema: 
Alivio do flange vestibular da PT; 
Cirurgia para a retirada do tecido hiperplásico;
Condicionamento tecidual pelo reembasamento ou regularização da superfície da base da prótese; 
Uso tópico de substâncias antimicrobianas; 
Orientação de higienização para o paciente.
Crescimento das tuberosidades maxilares;
Devido ao vedamento posterior da PT, uma pressão negativa é produzida posterior à linha de fulcro do reposicionamento da prótese. O estímulo gerado por essa pressão negativa leva ao aumento das tuberosidades maxilares.
O objetivo básico do tratamento deve ser o estabelecimento de um esquema oclusal, objetivando reduzir a pressão excessiva na região anterior do rebordo maxilar, tanto em um posicionamento cêntrico como nos posicionamentos excêntricos. Isso pode ser conseguido mantendo-se os dentes anteriores sem contatos cêntrico e com contatos mínimos em movi- mentos excêntricos, distribuindo os contatos para os caninos e região posterior da arcada.
Figura 1.14 (crescimento da tuberosidade)
Alterações periodontais:
As alterações patológicas notadas nos ligamentos periodontais podem ser direta ou indiretamente associadas às demais alterações da síndrome da combinação. Há aumento das tensões impostas aos dentes, o que pode resultar em espessamento do espaço dos ligamentos periodontais e/ou mobilidade.
Figura 1.12 (Espaçamento do ligamento)
ESPAÇO PROTÉTICO
Ainda na fase inicial do tratamento, é necessário que seja feita uma análise do espaço existente para a confecção da(s) prótese(s).
O principal parâmetro clínico a ser considerado na avaliação do espaço protético é a Dimensão Vertical de Oclusão (DVO).
Na dentição natural, o toque de dentes antagonistas posteriores determina o máximo que a mandíbula aproxima-se da maxila no plano vertical, tornando-se numa referência para o limite do fechamento mandibular. Com a perda dessa referência, devido à perda dos dentes, a relação vertical da mandíbula com a maxila desaparece do ponto de vista estático, ou seja, deixa de existir um ponto de parada para o fecha- mento da mandíbula, antes determinado pela oclusão dos dentes posteriores. Nessa situação, o fechamento sem limite da mandíbula poderá́ dar uma falsa impressão de que não existe espaço para a confecção de próteses.
Entretanto, a situação mais comum é a que o paciente apresenta diminuição do espaço protético em razão das mudanças que ocorrem nos ossos maxilares após a extração dos dentes, em especial aquelas que resultam da síndrome da combinação, como o aumento das tuberosidades maxilares. A avaliação clínica é especialmente importante nos casos reabilitados com PTs removíveis, uma vez que, na região posterior dos rebordos, a proximidade entre a tuberosidade da maxila e a papila piriforme pode impedir o posicionamento, entre estas estruturas anatômicas, das bases das próteses superior e inferior.
Figura 1.15 (Proximidade da papila piriforme e tuberosidade da maxila)
É importante detectar essa situação no inicio do tratamento para que seja indicada a redução cirúrgica da tuberosidade da maxila. Caso contrario, o problema só será percebido no momento da obtenção da DVO, quando será́ necessário reduzir a extensão da base da prótese inferior, o que pode comprometer a estabilidade da mesma.
Devem-se avaliar as características do rebordo e a possível necessidade de correção cirúrgica para se conseguir o resultado que o paciente espera e que foi determinado na anamnese.
RESTABELECIMENTO DA DVO
Os anos de uso resultam em reabsorções significativas no osso que justificam a recuperação da DVO.
Essa necessidade geralmente é notada: 
Pela presença de comprometimento estético; 
Pela presença de queilite angular; 
Pela necessidade de restabelecer o espaço protético entre os rebordos.
Essa é uma condição difícil de o paciente se adaptar. A melhor estratégia é aumentar a DVO na prótese que o paciente já utiliza para que, na instalação da prótese nova, o paciente já esteja acostumado com a nova postura mandibular.
É importante ressaltar que, apesar de os quadros de disfunções temporomandibulares e dores orofaciais serem bastante complexos e demandarem o uso de diferentes recursos terapêuticos, o restabelecimento da DVO tem se mostrado um importante fator de controle dessas desordens nos edentados. Pode-se especular que tal procedimento funcionaria de modo semelhante às placas comumente utilizadas no tratamento dos pacientes dentados.
EXAMES DE IMAGEM
A seleção do método adequado de imagens deve ser individualizada e de acordo com as necessidades particulares de cada paciente.
A radiografia periapical é o exame deeleição para complementação dos aspectos clínicos relevantes à avaliação do estado dos elementos dentários.
Radiografias oclusais algumas vezes são usadas previamente aos exames de tomografias para a mandíbula. Os dados destas imagens são usados para mapear as áreas que serão examinadas e para medir o tamanho da arcada.
Figura 1.16 (Radiografia oclusal)
A radiografia panorâmica pode ser utiliza- da para uma avaliação inicial da anatomia e das dimensões ósseas, notadamente no sentido vertical, bem como na condição geral de dentes presentes e no diagnóstico de possíveis alterações patológicas.
REFERÊNCIAS
TELLES, Daniel Moraes. Próteses Totais Convencionais. Cap; II e III. Pg; 7-64. 2009
RUSSI, Sérgio; ROCHA. Eduardo P. Prótese Total e Parcial Removível. Cap; I. Pg; 11-21. 2015

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