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No Brasil, os manguezais distribuem-se desde o extremo norte do Amapá até o município de Laguna, Santa Catarina, ocupando uma área estimada em 25.000 km2. Os manguezais são compostos por 6 espécies arbóreas típicas, pertencentes a 3 gêneros: Rhizophora mangle, Rhizophora harrisonii, Rhizophora racemosa, Avicennia schaueriana, Avicennia germinans e Laguncularia racemosa. No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior: muitos portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras foram desenvolvidos em áreas de manguezal. Ao contrário de outras florestas, os manguezais não são muito ricos em espécies, porém, destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem. Por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil. O clima dos Manguezais Em climas temperados os manguezais são normalmente substituídos pelas marismas. Quanto a temperatura e precipitação pluvial, as condições ideais para o desenvolvimento dos manguezais estão próximas ás seguintes: temperaturas médias acima de 20º C. média das temperaturas mínimas não inferior a 15º C. amplitude térmica anual menor que 5º C. precipitação pluvial acima de 1.500 mm/ano, sem prolongados períodos de seca. É muito utilizada pelos ribeirinhos como cicatrizante, mas pouco se conhece ainda sobre as propriedades químicas, terapêuticas e as atividades biológicas desta planta. Além de seu uso como cicatrizante de cortes profundos, a seiva da aninga também é usada contra picadas de cobra e ferrada de arraia, entre outras aplicações etnomedicinais. Mesmo assim, os próprios ribeirinhos também a classificam como uma planta venenosa, já que a sua seiva é urticante e causa queimaduras na pele e, em contato com os olhos, pode causar a cegueira. Também é comum a utilização das folhas amarelas na forma de chá para o tratamento de doenças do fígado, além dos relatos de ribeirinhos de que as folhas e o fruto dessa planta fazem parte da dieta de peixes, tartarugas, peixes-boi, capivaras, bois e búfalos. Rhizophora mangle; R. racemosa; R. harrisonii (mangue vermelho). O mangue vermelho ou mangue verdadeiro, gênero Rhizophora, é uma árvore de casca lisa e clara, que ao ser raspada mostra cor vermelha. O sistema radicular é formado por rizóforos que partem do tronco e dos ramos, formando arcos com aspecto muito característicos e, ao atingirem o solo ramificam-se profusamente permitindo melhor sustentação da planta num sedimento pouco consolidado . As estruturas reprodutivas ao amadurecerem caem como lanças, apontadas para baixo, vindo a enterrar-se na lama por ocasião da baixamar. Propágulo de Rhizophora mangle Os propágulos possuem a função de propagar a espécie, ou seja, são estruturas adaptadas para garantir o sucesso na dispersão de algumas plantas de mangue. A sua morfologia garante o seu posicionamento na vertical, quando cai da árvore, com o botão vegetativo para cima. Isto se deve ao fato de que sua parte inferior, onde irão se desenvolver as raízes, ser mais pesada, fazendo com que simplesmente a força da gravidade atue no seu posicionamento. Avicennia germinans A. schaueriana (siriba, siriúba) A siriúba, gênero Avicennia, é uma árvore com casca lisa castanho-claro, que quando raspada mostra cor amarelada. Tem folhas esbranquiçadas por baixo devido à presença de minúsculas escamas. O sistema radicular dessa espécie é muito interessante, desenvolve-se horizontalmente, a poucos centímetros abaixo da superfície do sedimento. Dessas raízes axiais saem ramificações que crescem erectas, expondo-se ao ar como autênticos paliteiros, são os chamados pneumatóforos. Estes apresentam consistência esponjosa, e têm função destacada no processo das trocas gasosas entre a planta e o meio. Laguncularia racemosa O mangue branco, mangue manso ou tinteira, gênero Laguncularia, é comumente uma árvore pequena, cujas folhas têm pecíolo vermelho com duas glândulas (Nectários) em sua parte superior, junto à lâmina da folha. Possui sistema radicular semelhante ao da siriúba, porém menos desenvolvido, tanto em número quanto em altura dos pneumatóforos. Laguncularia racemosa. - Praia Dura, Ubatuba. Reparar a presença do pecíolo vermelho e das glândulas na base da folha (ponta da seta). Produz grande quantidade de propágulos, formando verdadeiros cachos (rácemos) que pendem das partes terminais dos galhos. Conocarpus erectus O mangue de botão, gênero Conocarpus, é uma árvore cujas folhas apresentam pecíolos ligeiramente alados, além das duas glândulas, semelhantes as da Laguncularia. A inflorescência (conjunto de flores), têm forma arredondada, originando uma infrutescência (muitos furtos juntos) com aspecto de uma esfera cheia de escamas. Essa planta não apresenta grande tolerância à salinidade típica dos manguezais.