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HISTÓRIA
A Sociedade Feudal ( Século V ao XX) .................................................................................................................................................. ..........01
O Renascimento Comercial e Urbano ............................................................................................................................................................. 03
3) Os Estados Nacionais Europeus da Idade Moderna, O Absolutismo e o Mercantilismo ....................................................... 05
A Expansão Marítma Européia ........................................................................................................................................................................... 09
O Renascimento Cultura. O Humanismo e as Reformas Religiosas ..................................................................................................... 12
A Montagem da Colonização Européia na América: Os Sistemas Coloniais Espanhol, Francês, Inglês e dos Países Baixos ...21
O Sistema Colonial Português Na América: Estrutura Políticoadministrativa; Estrutura Socioeconômica; Invasões Es-
trangeiras; Expansão Territorial; Rebeliões Coloniais. Movimentos Emancipacionistas: Conjuração Mineira E Conjuração 
Baiana’ ..........................................................................................................................................................................................................................30
O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido ......................................................................................................................................................................50
As Revoluções Inglêsa ( Século XXII) e a Revolução Industrial ( Século XVIII a XX) .......................................................................................56
A Independência dos Estados Unidos a América ..........................................................................................................................................................63
A Revolução Francesa e a Restauração (O Congresso de Viena E A Santa Aliança) .....................................................................................92
O Brasil Imperial: O Processo da Independência do Brasil: O Período Joanino; Primeiro Reinado; Período Regencial; Segundo 
Reinado; Crise da Monarquia e Proclamação da República ..................................................................................................................................105
O pensamento e a ideologia no século xix: o idealismo romântico; o Socialismo utópico e o socialismo científico; o cartismo; 
a doutrina social da Igreja; o liberalismo e o anarquismo; o evolucionismo e o positivismo. ..............................................................115
O mundo na época da primeira Guerra mundial: o imperialismo e Os antecedentes da primeira guerra Mundial; a primeira 
guerra mundial; Consequências da primeira guerra Mundial; a república velha no brasil; Conflitos brasileiros durante a Repú-
blica velha .......................................................................................................................................................................................................................................134
O mundo na época da segunda guerra Mundial: o entre-guerras; a segunda Guerra mundial; o brasil na era Vargas; a parti-
cipação do brasil na Segunda guerra mundial.............................................................................................................................................................143
O mundo no auge da guerra fria: a reconstrução da europa e do japão e o Surgimento do mundo bipolar; os principais 
conflitos da guerra fria – a guerra Da coréia (1950 – 1953), a guerra do vietnã (1961 – 1975), os conflitos árabesisraelenses 
Entre 1948 e 1974; a descolonização da áfrica e da ásia; a república Brasileira entre 1945 e 1985 ..................................................150
O mundo no final do século xx e Início do século xxi: declínio e queda Do socialismo nos países europeus (Alemanha, polô-
nia, hungria, extchecoslováquia, Romênia, bulgária, Albânia, ex-iugoslávia) e na ex-união Soviética; os conflitos do final do 
Século xx – a guerra das malvinas, a Guerra irã-iraque (1980 – 1989), a guerra Do afeganistão (1979 – 1989), a guerra Civil 
no afeganistão (1989 – 2001), a Guerra do golfo (1991), a guerra do Chifre da áfrica (1977 – 1988); a guerra Civil na somália 
(1991); o 11 de setembro De 2001 e a nova guerra no afeganistão; A república brasileira de 1985 até os Dias atuais. Árabes
-israelenses entre 1948 e 1974; a Descolonização da áfrica e da ásia; a República brasileira entre 1945 e 1985 ...................... 161
Exercícios - Provas Antriores .................................................................................................................................................................................................176
1
HISTÓRIA
A SOCIEDADE FEUDAL (SÉCULO V AO XV)
O Mundo Feudal
O Feudalismo foi um sistema de organização social que vigorou na Europa entre os séculos V e XV. Convencionalmente, 
essa etapa da história europeia é dividida em dois períodos: a Alta Idade Média (século V ao X), quando as bases do sistema 
feudal estavam sendo moldadas; e a Baixa Idade Média (século XI ao XV), período que corresponde ao ápice e ao declínio 
do mundo feudal. 
Durante o feudalismo, o comércio era praticamente inexistente. O que vigorava nas relações sociais eram os laços de 
servidão. O próprio termo feudo se refere a um “bem que é retribuído”. Fruto da junção de elementos germânicos e roma-
nos como o comitatus e o colonato, essa forma de organização se caracterizará pela doação e administração das terras por 
parte da nobreza, pela servidão dos camponeses e pelas orações dos membros da Igreja Católica. 
 
 
A Sociedade Feudal 
A sociedade feudal pode ser dividida em três camadas populacionais, cada uma delas com função específica a ser de-
sempenhada. Imaginemos uma pirâmide social, cujo topo fosse ocupado pelos membros da Igreja Católica: o clero. A Igreja 
foi a instituição mais poderosa durante a Idade Média, e, além do poder espiritual, a instituição detinha sobre seu controle 
uma grande extensão de terra, e havia grande influência política exercida sobre os senhores feudais e os reis. 
Há também outra forma de classificar a sociedade feudal, dividindo-a entre clérigos e leigos. Os clérigos foram o corpo 
eclesiástico, isto é, os membros da Igreja, já os leigos contemplavam o restante da população. O clero, por sua vez, era di-
vidido em dois grupos: o Alto clero (bispos, arcebispo e o papa), composto por pessoas oriundas de famílias nobres e que 
ocupavam os altos cargos da Igreja; e o Baixo Clero (padres, monges, diáconos etc.), parte inferior da hierarquia clerical em 
que seus membros administravam paróquias que ficavam próximas às vilas. 
Os leigos também eram divididos em dois grupos: nobres (ou senhores) e camponeses. Os senhores de terra formavam 
o segundo grupo na pirâmide social feudal, e, composto pela nobreza, exercia funções administrativas em suas terras, mas 
sua principal atividade era a guerra. Os cavaleiros da Idade Média eram advindos dessa camada social. 
Por fim, na base da pirâmide, havia os camponeses. Estes compunham a principal força de trabalho durante a Idade 
Média. O fruto do trabalho de servos e vilões (trabalhadores livres, que possuíam um pequeno lote de terra ou que não es-
tavam atrelados a nenhum senhor feudal) sustentava também o clero e a nobreza. Houve casos raros de escravidão naquele 
período, e cabia, aos poucos escravos, desempenhar funções domésticas nos castelos dos senhores. 
2
HISTÓRIA
 Suserania e Vassalagem 
Independentemente da condição social do indivíduo, durante o feudalismo todos estavam ligados por alguma relaçãode dependência pessoal. Entre os nobres, havia um tipo de relação específica, a vassalagem. Essa forma de interdepen-
dência se dava após um senhor feudal doar terras para outro nobre. Nesse contexto, o beneficiado fazia um juramento 
(investidura) prometendo prestar serviços militares ao seu donatário. 
 
A Economia Feudal 
A base da economia feudal era a agricultura. A alimentação de uma pessoa na época contemplava cereais, legumes e 
frutas, e a carne era advinda da pecuária. Os feudos eram unidades praticamente autossuficientes, onde os camponeses 
extraíam da terra tudo que fosse necessário para sua sobrevivência. 
O feudo era dividido em três partes: 
Manso senhorial – Terras que pertenciam ao senhor feudal. Nelas, situava-se o castelo do senhor e todos os equipa-
mentos e ferramentas necessários para a sua sobrevivência e de seus camponeses, como fornos, arados, moinhos etc. 
Manso servil – Terras destinadas aos servos para praticarem a agricultura de subsistência. 
Terras comunais – Terras destinadas ao uso tanto do senhor quanto dos servos. Geralmente utilizada para a criação de 
animais, a única atividade restrita era a caça, sendo sua prática restrita aos nobres. 
Havia também o comércio, mas essa atividade era bastante restrita. O uso de dinheiro também era peculiar, visto que 
as trocas comerciais eram geralmente realizadas por meio do escambo, ou seja, a troca direta de um produto por outro. As 
regiões onde mais se desenvolveram zonas de comércio foram a península Itálica e a Escandinávia. 
Saiba Mais! 
 
[...] A vassalagem funcionava como uma prestação de homenagem que um nobre fazia a outro mais poderoso, em que 
este passava aa ser seu suserano. O vassalo devia a seu senhor lealdade e serviços, em geral, militares. Em troca, o suserano 
fornecia proteção e meios materiais para sua manutenção; meios que poderiam ou não ser um feudo. 
 
No caso de servidão, eram duas as principais formas de sujeição: a sujeição do indivíduo e a da terra. Na primeira forma, 
o servo pertencia ao senhor que comumente se apropriava apenas de seu trabalho [...]. Na segunda forma, os senhores 
arrendavam parcelas de sua terra a camponeses livres em troca de porcentagem na produção e pagamentos de serviços, 
as chamadas corveias. 
 
Adaptado de: SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. apud PELLEGRINI, Marcos César. Vontade de saber histó-
ria – 7º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009, p. 46. (Coleção Vontade de Saber) 
3
HISTÓRIA
 
 As Obrigações Servis 
Para viver nas terras do senhor e conseguir um lote para trabalhar e sustentar sua própria família, o servo deveria rea-
lizar uma série de obrigações para o seu senhor. Vejamos algumas: 
Corveia – Além de trabalhar nas próprias terras, o camponês deveria destinar dois ou três dias na semana para trabalhar 
nas terras do senhor feudal. 
Talha – Era a obrigação do servo de entregar cerca de 40% de tudo que era produzido em suas terras para o senhor. 
Capitação - Tratava-se de uma espécie de imposto pago para cada pessoa que vivesse no feudo. 
Banalidade – As ferramentas e instalações necessárias para a sobrevivência dos camponeses também pertenciam ao 
senhor; sendo assim, para um servo utilizar o forno ou moinho do feudo, era necessária a entrega de parte de sua produção. 
Embora essa série de obrigações colocasse sobre os camponeses uma condição de grande servidão, esse sistema de 
práticas se sustentou durante muitos séculos, fato que comprova sua eficiência durante o período. 
Fonte:
http://www.universiaenem.com.br/sistema/faces/pagina/publica/conteudo/texto-html.xhtml?redi-
rect=72772558225775119649596082172
O RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO
Nesta postagem você encontrará um resumo acerca do Renascimento Comercial e Urbano, bem como as principais 
mudanças culturais e socioeconômicas promovidas pela reabertura do mar mediterrâneo reinserindo a Europa Ocidental 
nas rotas comerciais.
O Renascimento Comercial e Urbano é fruto de mudanças sistemáticas nas relações políticas, sociais e econômicas a 
partir da realização das Cruzadas, expedições militares, comerciais e políticas, que visavam a conquista dos territórios sa-
grados para a religião católica, bem como as tentativas de reunião da cristandade, separada a partir do Cisma do Oriente, 
ou seja, o rompimento entre católicos que originou a divisão desta doutrina religiosa em católicos romanos e católicos 
ortodoxos.
Humanistas costumam retratar a idade média como um longo período de trevas, uma vez que do ponto de vista cien-
tífico o domínio da doutrina e filosofia católica, representada pelas escolas patrística e escolástica, exerceu forte influência 
no que era produzido em termos culturais.
O desenvolvimento das Cruzadas, embora não tenham logrado êxito em relação aos objetivos iniciais, representou a 
reabertura do mercado europeu, sobremaneira para o comércio de produtos produzidos na Ásia (especiarias) com grande 
influência, participação e domínio dos navegadores italianos, com destaque para o pioneirismo dos genoveses e venezianos.
Em território europeu, a lógica medieval que por quase mil anos impediu o pleno desenvolvimento da atividade co-
mercial, reduzida a troca direta de mercadorias (escambo) independente do uso de padrões monetários sofreu importantes 
mudanças a partir da revolução agrícola, que por sua vez inseriu novas técnicas que potencializaram a produção, bem como 
do próprio desenvolvimento das cruzadas e a da ascensão burguesa, trazendo a tona novos conflitos e relações sociais.
4
HISTÓRIA
Do ponto de vista da nobreza feudal, a centralização do poder nas mãos dos Reis e o estabelecimento dos chamados 
Estados Nacionais operaram mudanças igualmente marcantes na esfera política e também só foi possível com o desenvol-
vimento da atividade comercial nos chamados burgos. Em suma, o controle e proteção da atividade comercial exercida por 
burgueses garantiram receitas capazes de elevar o poder dos reis com a formação e manutenção de exércitos regulares e 
até mesmo profissionais.
Fonte: http://www.todamateria.com.br/renascimento-urbano/
A imagem acima mostra a cidade francesa de Carcassonne. Repare que o centro da cidade é cercado por muralhas. Os 
Burgos, zonas de comércio, situavam-se dentro das muralhas, o que garantia a proteção da atividade mercantil. Em troca 
da segurança os burgueses pagavam tributos aos senhores feudais/nobres.
Todavia, algumas cidades ganharam ainda mais destaque como centros comerciais a partir do desenvolvimento da bur-
guesia, cada vez mais organizada em ligas, guildas ou corporações de ofício, que visavam o desenvolvimento de atividades 
comerciais específicas.
Exemplo destas associações, a chamada Liga Hanseática era composta por uma série de cidades que monopolizavam 
as principais rotas comerciais marítimas na Europa e foi responsável por estabelecer leis de navegação e comércio na re-
gião. A liga foi originalmente formada no século XII e congregava as principais cidades livres da região do mar báltico e 
mar do norte. Com sede na cidade alemã de Lubeck, participavam dela as cidades de Londres, Bordeaux e Nantes, Bergen, 
Bruges, Cracóvia, Varsóvia, Groningen, Novgorod, Praga, Reval, Riga, Bremen, Hamburgo, Veneza, entre outras.
5
HISTÓRIA
Fonte: http://es.slideshare.net/naisa1879/ciudad-medieval
O mapa acima apresenta em detalhes as principais rotas comerciais sob influência da Liga Hanseática. Fundada no 
século XII, esta associação comercial chegou a reunir uma centena de cidades.
Por sua vez, as guildas reunião artesãos e trabalhadores vinculados a determinadas atividades e estabeleciam padrões 
a serem obedecidos na produção destes produtos, como sapatos, alfaiataria, entre outras atividades manufatureiras. Se-
guiam uma hierarquia bastante rígida baseada na capacidade do artesão que se dividia em mestres, oficiais e mestres.
Desta forma as cidades tornaram-seambientes cada vez mais ocupados, uma vez que atividade agrícola era restrita a 
um pequeno número de pessoas e a cidade oferecia um novo leque de oportunidades aqueles que não mais conseguiam 
retirar seu sustento do campo. Assim, a cidade configurava-se como um ambiente mais livre do domínio da nobreza feudal.
De igual maneira, a burguesia ampliava a passos largos sua influencia nesta nova composição social e o retorno de va-
lores culturais clássicos advindos das regiões independentes da grande influência católica fez renascer na Europa um siste-
ma cultural mais livre, capaz de abalar também as estruturas culturais da Europa que resultariam no renascimento cultural.
3) OS ESTADOS NACIONAIS EUROPEUS DA 
IDADE MODERNA, O ABSOLUTISMO E O 
MERCANTILISMO
Formação dos Estados Nacionais
A Idade Média foi uma época marcada pelos esforços dos europeus para unir seus países sedimentando o poder real 
– que estava dissipado – e centralizando os governos em torno do monarca
6
HISTÓRIA
Durante a chamada Idade das Trevas a Europa, que estava em boa parte sob domínio muçulmano, lutou até a expulsão 
dos árabes de seu território, consolidando a fé católica em seu continente. Em que pese a repressão inquisitorial da Igreja 
– na verdade uma iniciativa radical para reafirmar o catolicismo que estava ameaçado – a Idade Média foi um período de 
significativo fortalecimento artístico nos ramos da literatura, música, teatro, arquitetura e outras vertentes, como a pintura e 
a escultura; até por influência da civilização islâmica que, então estava num grau de desenvolvimento cultural e tecnológico 
muito avançado para a época, superando em conhecimentos os próprios ocidentais.
 Os países, como os conhecemos hoje, nem sempre existiram. Na Antiguidade as cidades muitas vezes eram reinos 
pequenos que possuíam enorme autonomia em relação ao poder central. Principalmente a Europa, durante a Baixa Idade 
Média era uma verdadeira “colcha de retalhos” formada pelas cidades-estados, que eram governadas por administradores 
regionais. Foi entre os séculos 11 e 14 que essa região, cujo Sul estava sob domínio muçulmano, sentiu a necessidade de 
se unir sob governantes centralizadores. Primeiro foi a Igreja que tentou unir o continente sob sua batuta. Fracassada essa 
empreitada, monarcas como Luis XIV de França, o absolutista chamado “Rei Sol”, adquiriram poder político e militar e, sub-
jugando os líderes regionais, fomentaram a união nacional. O Sacro Império Romano-germânico e os Estados Italianos são 
dessa época. Esses, que tinham na verdade uma “pseudo-coletividade”, só vieram a se unir num verdadeiro poder central 
por volta do século 18.
Os Estados Nacionais surgiram a partir da unificação dos feudos em governos exercidos pelos reis que, aliados à 
burguesia, promoveram a centralização do poder político, bem como a unificação de pesos e medidas e a instituição de 
exércitos nacionais unificados. Portugal, durante o século 12, tornou-se o primeiro Estado Nacional, com a expulsão dos 
muçulmanos que ocupavam então seu território. Praticamente toda a Europa viu a centralização do poder em torno dos 
monarcas – absolutistas – naquela época. Apenas o Sacro Império Germânico e a Itália permaneceram fragmentados.
 
Faltava unidade…
Na verdade, a nobreza não se viu alijada do poder centralizado em torno dos monarcas, mas recebeu representação 
política nesse novo status quo, o que não impediu que a burguesia experimentasse desenvolvimento econômico significa-
tivo. Naquela época, o reino da França, por exemplo, estava fracionado em inúmeros ducados e condados que formavam 
grandes feudos e estava sujeito, por isso, ao poder dos senhores feudais, virtuais soberanos que, junto aos bispos – re-
presentantes dos feudos eclesiásticos – exerciam o governo da nação. Eram assim os exatores da justiça, moviam guerras 
e cunhavam moedas que não possuíam um padrão, uma unidade que as agregasse e identificasse. Os nobres de França 
reconheciam, sim, o poder do rei. A autoridade do monarca, todavia, limitava-se ao governo das cidades e das terras de 
sua propriedade.
Por aquela época, entretanto, o feudalismo entrou em crise. Isso foi só no fim da Idade Média, quando o poder real 
começou a se fortalecer. Então a Monarquia Feudal evoluiu para uma Monarquia Nacional, poderosamente centralizada. O 
processo, que se desenvolveu em toda a Europa, teve na França sua mais acentuada representação – naquela época.
7
HISTÓRIA
Apesar de as monarquias nacionais só terem começado a surgir em profusão maior por volta do século 14, as origens 
desse sistema de governo podem ser encontradas já na Baixa Idade Média. Alguns costumam afirmar que a Europa come-
çou a unificar seus reinos por volta do fim da Idade Média, o que não é uma completa verdade; tome-se o exemplo de Por-
tugal e Espanha. Na realidade, desde o século 12 o processo vinha se desenvolvendo – como foi o caso nessas duas nações. 
O fato é que a História sempre teve essa característica acelerada. Os processos históricos evoluíam mais lentamente nos 
tempos antigos. Com o passar das eras as evoluções se deram e vêm se dando de maneira cada vez mais rápida, acelerada. 
Assim, as mudanças que puderam ser observadas entre os séculos 10 e 15 são em muito menos profusão do que aquelas 
que aconteceram no período seguinte, entre os séculos 15 e 20, por exemplo.
Dessa forma, o lento processo que se iniciara com o Condado Portucalense e os reinos de Aragão, Castela e Navarra, só 
viu sua culminância por volta do século 14 e 15, primeiro na França, depois no resto da Europa. Os resultados da centraliza-
ção podem ser percebidos por meio da unificação legal (tribunais jurídicos, códigos escritos), unificação militar, monetária, 
delimitação precisa das fronteiras e unificação cultural. A Igreja, em algumas nações, se viu prejudicada em sua hegemonia, 
surgiram conflitos como a Querela das Investiduras e o Cisma do Oriente. Em outras, os Estados Nacionais promoveram, 
na verdade, uma expansão do poder eclesiástico, como a Inquisição Ibérica, por exemplo, e a posterior colonização da 
América.
 
O matrimônio entre Fernando de Aragão e Isabel de Castela selou a união dos reinos espanhóis. Dessa Formação, ocor-
reu o processo de expulsão dos muçulmanos que ocupavam a Península Ibérica | Foto: Shutterstock
 
Árabes mais avançados
Na verdade estados nacionais, monarquias centralizadoras não são uma novidade na História das nações e as houve 
desde a mais remota Antiguidade. Vejam-se os exemplos do Egito, do Império Assírio, de Roma, de Babilônia e Israel. Na 
realidade esses impérios, quase todos do Oriente, conviviam, frequentemente sob estado de beligerância com cidades-es-
tados que tinham seus soberanos locais. O que ressalta no processo de formação dos estados nacionais europeus é o fato 
de que a Europa estava, naquela época, numa fase evolutiva de seu sistema de governança ainda aquém das nações de 
outros continentes. Haja vista, por exemplo, ao processo de invasão do Sul da Europa – que se iniciou em 710 com o chefe 
8
HISTÓRIA
muçulmano Tárik –, o qual só se tornou exequível por causa da inferioridade técnica dos povos do continente subjugado 
em relação aos povos de origem árabe que perpetraram as diversas levas de ocupação. A superioridade técnica dos ára-
bes pode ser constatada pelo fato de que sua grande evolução científica naquela época trouxe importantes descobertas 
para o Ocidente, como o astrolábio e a bússola, sem os quais as grandes conquistas marítimas de Portugal e Espanha, por 
exemplo, não seriam possíveis. Além de avanços como o desenvolvimento da química, foram os árabes que introduziram 
no mundo ocidental os algarismos arábicos e a álgebra.
Assim, o caráter fragmentário dos reinos europeus deu espaço para que os povos muçulmanos – que estavam num 
patamar mais evoluído do ponto de vista tecnológico (e, portanto, marcial) – levassem a termoseu processo de conquista 
do continente branco e cristão por meio de incursões a partir das costas mediterrâneas do norte e nordeste da África prin-
cipalmente.
 
Morte de Roderic, por Tárik na batalha de Guadalete | Foto: Shutterstock
 
Passaram lá os árabes mais de 780 anos no total, só tendo sido expulsos completamente em 1492, ano do descobri-
mento da América! É interessante salientar que a nacionalização de monarquias como Portugal e Espanha se deu exata-
mente durante a ocupação moura, o que pressupôs muito conflito e foi, na verdade também uma consequência ideológica 
do sentimento de rancor pela humilhante submissão do brioso povo europeu aos árabes muçulmanos. Tal ressentimento 
acabou por criar uma corrente de solidariedade patriótica que, reunindo o povo daquelas nações em torno do ideal de 
coesão, moveu portugueses e espanhóis a almejar e combater pela centralização do poder, naquele momento, única arma 
realmente eficaz contra o inimigo invasor, cujo caráter gregário da religião islâmica os unia fortalecendo sua causa, em que 
pese a origem heterodoxa dos vários povos que, oriundos de diversos países perpetraram as invasões a partir do século 
8º d. C.
 
Conflitos e a reconquista
Ao contrário de reinos como a Inglaterra, por exemplo, que possuía um governo mais centralizado, nações como a Itália 
permaneciam extremamente divididas até por volta do século 13. A Itália estava assim dividida em pequenas repúblicas 
cujas principais eram Milão, Veneza, Gênova, Siena e Verona. Ao norte existiam os Estados Feudais como o Ducado de Sa-
boia e, ao sul, os Estados Pontifícios que se expandiram a partir da ação do papa Inocêncio III.
Ao sul da Península Itálica ficava o Reino da Sicília (capital Palermo), formado pelos Normandos, que lá se instalaram a 
partir do século 9º. Reportando-nos ao século 13, o conflito entre o papa e o Império Germânico afetou profundamente a 
Itália. A intervenção do papa na política italiana foi o que levou alguns a apoiarem o imperador alemão contra o pontífice. 
A Itália viu então um período de grave derramamento de sangue.
9
HISTÓRIA
 
Batalha de Higueruela, 1431, decisiva na expulsão dos muçulmanos | Foto: Creative Commons
 
Na Península Ibérica, por sua vez, os pequenos reinos cristãos que se originaram com os visigodos, no Norte, começa-
ram o processo de reconquista no século 11 e, com o apoio de guerreiros franceses e de outros países, iniciaram o processo 
de expulsão dos muçulmanos, que então recuaram para o litoral. Ocorreram, porém, novas invasões muçulmanas, oriundas 
principalmente do Marrocos (século 12). Entretanto, apesar disso, a maior parte da Península Ibérica havia sido retomada. 
Um dos marcos principais da reconquista foi a Batalha de Las Navas de Tolosa, em 1212. Nela os cristãos, liderados pelo rei 
Pedro II, de Aragão, venceram os árabes num dos capítulos finais da ocupação. Antes haviam se formado, ainda durante 
a ocupação moura os reinos de Aragão, Castela, Navarra e Leão – este último deu origem a Portugal e os três primeiros 
formaram a Espanha
Fonte:
http://leiturasdahistoria.uol.com.br/formacao-dos-estados-nacionais/
A EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA
Foi a expansão marítima europeia que deu início ao processo de Revolução Comercial, fenômeno que marcou o mundo 
entre os séculos XV e XVIII.
Quando o europeu se lançou ao mar, possibilitou a interligação do mundo e ditou os rumos da Revolução Industrial, 
na segunda metade do século XVIII.
As primeiras grandes navegações permitiram a superação das barreiras comerciais típicas da Idade Média, permitiram 
o desenvolvimento da economia mercantil e o fortalecimento da classe burguesa.
Estas Primeiras Grandes Navegações foram realizadas entre os séculos XV e XVI. Os pioneiros na expansão marítima 
foram os portugueses e os espanhóis, seguidos pelos ingleses, franceses e holandeses.
Fatores que levaram os europeus a realizarem as primeiras Grandes Navegações:
A procura de mercados produtores agrícolas na África e na Ásia para suprir as necessidades da crescente população 
europeia.
A procura de novos mercados consumidores de produtos manufaturados na Europa.
Falta de metais preciosos na Europa para a cunhagem de moedas.
O aprimoramento das técnicas de navegação.
A necessidade de se descobrir um novo caminho marítimo para as Índias.
A burguesia mercantil buscava novos caminhos para a Índia, para quebrar o monopólio que as cidades italianas, princi-
10
HISTÓRIA
palmente Veneza e Gênova, exerciam sobre o comércio de 
especiarias vindas daquela região, e para evitar o confronto 
armado com essas cidades no Mediterrâneo (mar interior 
que está localizado no Oceano Atlântico Oriental entre a 
Europa (ao sul), Ásia (a oeste) e África (ao norte)).
A aliança entre rei e burguesia também contribuiu de 
maneira decisiva para a expansão comercial e marítima. 
Juntos, rei e burguesia patrocinaram e financiaram expedi-
ções para a África, Ásia e a América.
Portugal foi o pioneiro na realização de grandes via-
gens. Voltado para o Atlântico desfrutava de posição pri-
vilegiada.
No início do século XV, Portugal tornou-se o centro 
de estudos de navegação, com o estímulo do infante D. 
Henrique, o navegador, que reunia em sua residência, em 
Sagres, Algarve, navegadores, cosmógrafos, cartógrafos, 
mercadores e aventureiros.
As Grandes Navegações Portuguesas
1415 – chega à ilha de Ceuta, no norte da África.
1419 – ocupa o arquipélago dos Açores.
1434 – dobra o cabo do bojador.
1444 – descobre o arquipélago de Cabo Verde.
1488 – Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Espe-
rança.
1498 – Vasco da Gama atinge Calicute, na costa oeste 
da Índia.
1500 – Pedro Álvares Cabral oficializa a posse sobre 
o Brasil e segue depois rumo à Ásia, objetivo principal da 
esquadra.
As Grandes Navegações Espanholas
O segundo país europeu a se aventurar nas Grandes 
Navegações foi a Espanha e mesmo assim, quase oitenta 
anos depois de Portugal.
Em sua primeira viagem Colombo desembarcou nas 
Bahamas, acreditando ter alcançado as Índias, e morreu 
acreditando nisso.
Somente em 1504 desfez-se o engano, quando o na-
vegador Américo Vespúcio confirmou tratar-se de um novo 
continente.
1942 – Cristóvão Colombo descobre a América.
1499 – Alonso Ojeda chega à Venezuela.
1500 – Vicente Pinzón chega ao Brasil, no Amazonas.
1511 – Diogo Velasquez chega Cuba.
1512 – Ponce de León chega à Flórida.
1513 – Vasco Nunez alcança o Oceano Pacífico.
1519 – Fernão de Magalhães e Sebastião del Cano par-
tem para a primeira viagem de circum-navegação.
1519 – Fernão Cortez chega ao México.
1531 – Francisco Pizarro conquista o Peru.
1537 – João Ayolas chega ao Paraguai.
1541 – Francisco Orellana explora o rio Amazonas.
As navegações inglesas, francesas e holandesas na Amé-
rica
Depois de algumas expedições de reconhecimento 
geográfico ao longo do litoral norte-americano, os ingle-
ses só começaram a colonizar a América do Norte no final 
do século XVI.
Os franceses, jamais aceitaram a divisão da América, 
pelo Tratado de Tordesilhas, entre Espanha e Portugal e 
realizou diversas viagens estimulando a pirataria, principal-
mente nas costas brasileiras. As investidas pelo Caribe e 
pelas costas norte-americanas resultaram na posse do Hai-
ti, do Canadá e da Louisiana.
Os holandeses chegaram à América, já no século XVII, 
e fundaram Nova Amsterdã (atual Nova York), invadiram 
por duas vezes o Brasil (Pernambuco e Bahia) conquista-
ram o atual Suriname, a região do Forte Orange (Albany) 
e Curaçao.
A necessidade do europeu lançar-se ao mar resultou 
de uma série de fatores sociais, políticos, econômicos e 
tecnológicos.
A Europa saía da crise que fora herdada do século XIV 
e as monarquias nacionais eram levadas a novos desafios 
que resultariam na expansão para outros territórios.
O Ocidente tornou-se dependente do comércio do 
restantedo mundo e a Europa comprava mais que vendia. 
No continente europeu, a oferta era de madeira, pedras, 
cobre, ferro, estanho, chumbo, lã, linho, frutas, trigo, peixe, 
carne.
Os países do Oriente, por sua vez, dispunham de açú-
car, ouro, cânfora, sândalo, porcelanas, pedras preciosas, 
cravo, canela, pimenta, noz-moscada, gengibre, unguen-
tos, óleos aromáticos, drogas medicinais e perfumes.
Cabia aos árabes o transporte dos produtos até a Euro-
pa em caravanas realizadas por rotas terrestres. O destino 
eram as cidades italianas de Gênova, Veneza e Pisa, que 
serviam como intermediárias para a venda das mercadorias 
ao restante do continente.
Esse intermédio significava, na verdade, um monopólio 
sobre o comércio pelo Mar Mediterrâneo e era necessária a 
existência de uma rota alternativa. As rotas precisavam ser 
mais rápidas, seguras e, principalmente, econômicas.
Paralela à necessidade de novos caminhos, também 
era preciso solucionar a crise dos metais e pedras preciosas 
na Europa, onde as minas já estavam esgotadas.
Uma reorganização social e política também impulsio-
nava à busca de mais rotas. Eram as alianças entre reis e 
burguesia, formando as monarquias nacionais.
O capital burguês financiaria a infraestrutura cara e ne-
cessária para o feito ao mar. Afinal, eram precisos navios, 
armas e mantimentos.
Os burgueses pagavam em troca da participação nos 
lucros e essa foi, também, uma forma de fortalecer os Es-
tados nacionais e impor à sociedade a submissão à mo-
narquia.
No campo da tecnologia, uniram-se a cartografia, a as-
tronomia e a engenharia náutica. Os portugueses deram a 
partida e, por meio da Escola de Sagres. Era dessa escola o 
lema “Navegar é preciso, viver não é preciso”.
As Monarquias Nacionais
A Formação das Monarquias Nacionais ocorreu duran-
te o período da Baixa Idade Média, entre os séculos XII e 
XV, nos países da Europa Ocidental, com destaque para as 
monarquias portuguesa, espanhola, francesa e inglesa.
11
HISTÓRIA
Note que esse processo ocorreu de maneira similar nos 
países europeus, entretanto, em tempos distintos. Em Por-
tugal teve início no século XII, com a Dinastia de Borgonha 
(Dinastia Afonsina), sendo mais tarde consolidada pela Di-
nastia de Avis.
Na Espanha ocorreu a partir da União dos reinos de 
Aragão e Castela, apresentando seu apogeu com a Dinastia 
de Habsburgo. Ambos países (Portugal e Espanha) come-
çaram o processo de formação dos estados nacionais após 
a expulsão dos Mouros (muçulmanos) que habitavam a pe-
nínsula ibérica desde o século VIII.
Na França, considerada exemplo máximo do absolutis-
mo europeu, esse processo foi consolidado com a Dinastia 
Capetíngia e a Dinastia Valois; e, por fim, na Inglaterra, com 
a Dinastia Plantageneta e a Dinastia Tudor. Observe que 
tanto na Espanha, quanto na França e na Inglaterra, a for-
mação dos estados nacionais tiveram início no século XV.
Contexto Histórico: 
Com a crise do sistema feudal na Baixa Idade Média 
(XI e XV), o crescimento demográfico, o surgimento da 
burguesia e o desenvolvimento do comércio, a partir da 
expansão das rotas marítimas, os países europeus foram 
criando seus próprios modelos de centralização política, 
donde o rei tornou-se uma das figuras mais importantes 
ao lado da Igreja e da nova classe que surgia: a burguesia.
Junto a isso, os ideais mercantilistas dos quais estavam 
imbuídos os novos mercadores, comerciantes e profissio-
nais burgueses, aceleraram o nascimento de um novo sis-
tema econômico: o capitalismo. Antes de mais nada, deve-
mos ter em conta que esse sistema que surgiu, tratava-se 
de um capitalismo primitivo (um pouco diferente do con-
ceito que temos hoje dele), pautados nos ideais do lucro, 
monopólio comercial, protecionismo alfandegário (prote-
ção da economia pela entrada de produtos estrangeiros), 
metalismo (acúmulo de metais preciosos), os quais levaram 
à introdução da moeda como valor de troca.
Enfim, o sistema feudal e rural (administrado pelos 
senhores feudais), foi substituído pelo sistema capitalista, 
onde o crescimento das cidades (burgos) e a intensificação 
do comércio e das feiras livres pela classe burguesa mar-
cou o período que ficou conhecido como Renascimento 
Comercial e Urbano.
Diante disso, os senhores feudais que possuíam gran-
de poder na Idade Média, começam a perder sua posição, 
donde o Rei torna-se a figura responsável por administrar 
a política e a economia. Esse grande poder atribuído ao 
Monarca foi efetivado pelo apoio recebido da nobreza e 
sobretudo dos burgueses, a nova classe social que enrique-
cia cada vez mais, com o desenvolvimento do comércio.
Desde o surgimento e organização da classe burguesa, 
eles lutavam pela autonomia das cidades (dominadas ain-
da pelos senhores feudais), movimento que ficou conheci-
do como Movimento Comunal, referente às Comunas, ou 
cidades livres, libertadas das mãos dos senhores feudais.
Foi assim que a crise do sistema feudal e medieval 
teria sido solucionada, ou seja, por meio da centraliza-
ção política nas mãos do Monarca (Rei), donde ele, como 
o poder soberano, decretava as leis, arrecadava impostos 
bem como organizava os exércitos nacionais. Todas essas 
características mediante o poder centrado numa única fi-
gura soberana, o Rei, ficou conhecida como Absolutismo 
Monárquico.
A partir disso, foi criado os Estados Nacionais, os quais 
apresentavam suas fronteiras, limites dos territórios e o 
exército nacional (para segurança da nação). No âmbito 
econômico, as monarquias nacionais visavam a unificação 
dos padrões monetários e também um sistema de cobran-
ça dos impostos.
Em suma, a união dos interesses políticos dos Reis e os 
interesses econômicos da burguesia, foram essenciais para 
formação das Monarquias ou Estados Nacionais, extinguin-
do o domínio dos senhores feudais do período medieval, 
dando início a Era Moderna.
Expansão Marítima Portuguesa
Experientes pescadores, os portugueses aplicaram o 
uso de pequenos barcos, os barinéis, além das caravelas 
e naus.
A precisão náutica foi favorecida pela bússola e o as-
trolábio, vindos da China. A bússola já era utilizada pelo 
muçulmanos no século XII e o astrolábio aponta a direção 
dos corpos celestes.
Com tecnologia e necessidade econômica de ir ao mar, 
os portugueses ainda somaram a meta de evangelizar e 
levar a fé católica para outros povos. As condições políticas 
também eram bastante favoráveis.
Portugal foi a primeira nação a criar um Estado-nacio-
nal associado aos interesses mercantis. Em paz, enquanto 
outras nações guerreavam, houve concentração para as in-
cursões marítimas que supririam a falta de mão-de-obra, 
de produtos agrícolas e metais preciosos.
Portugal contava, também, com vantagem geográfica. 
Era ponto de escala comercial para os navios que saíam da 
Itália em direção ao Mediterrâneo com destino ao Norte 
da Europa. A posição estratégica permite acesso à África 
através do Oceano Atlântico.
O primeiro sucesso português nos mares foi a Conquis-
ta de Ceuta, em 1415. Sob o pretexto de punição religiosa, 
no porto viviam muçulmanos, os portugueses dominaram 
o destino das expedições comerciais árabes.
Assim, Portugal “estabeleceu-se” na África, mas não foi 
possível interceptar as caravanas carregadas de escravos, 
ouro, pimenta, marfim, que paravam em Ceuta. Os árabes 
procuraram outras rotas e os portugueses foram obriga-
dos a procurar novas rotas em direção às mercadorias que 
tanto aspiravam.
Na tentativa de chegar à Índia, os navegadores portu-
gueses conquistaram a África e contornou todo o conti-
nente durante o século XV. Criaram feitorias, fortes e esta-
beleceram pontos para negociação com os nativos.
A essas incursões deu-se o nome de périplo africano, 
tendo por parte dos portugueses o claro objetivo de obter 
lucros. Não havia o interesse em colonizarou organizar a 
produção dos locais explorados.
12
HISTÓRIA
No início do século XV, os navegadores portugueses 
chegavam às ilhas dos Açores, Madeira e a Cabo Verde. O 
Cabo do Bojador foi atingido em 1434, em uma expedição 
comandada por Gil Eanes. O comércio de escravos africa-
nos já era uma realidade em 1460, com retirada de pessoas 
do Senegal até Serra Leoa.
Foi em 1488 que os portugueses chegaram ao Cabo 
da Boa Esperança sob o comando de Bartolomeu Dias. 
Essa está entre as importantes marcas das conquistas 
marítimas de Portugal, que chegou ao Oceano Índico.
As expedições permaneceram e, entre 1497 e 1498, o 
navegador Vasco da Gama conseguiu chegar a Calicute, 
nas Índias. A chegada ao Brasil ocorreu em 1500, pela 
esquadra de Pedro Álvares Cabral.
Expansão Marítima Espanhola
A Espanha unificou o território com a queda de Gra-
nada, em 1492, concluiu o processo de expulsão dos 
árabes e criou a monarquia. O primeiro investimento es-
panhol ao mar resultou na descoberta da América, pelo 
navegador italiano Cristóvão Colombo (1452 - 1516).
Apoiado pelos reis católicos Fernando Aragão e Isa-
bel de Castela, Colombo partiu em agosto de 1492 com 
as caravelas Nina e Pinta e com a nau Santa Maria rumo 
a oeste, chegando na América em outubro do mesmo 
ano.
Dois anos depois, o papa Alexandre VI foi mediador 
do Tratado de Tordesilhas, e dividiu as terras do Novo 
Mundo entre espanhóis e portugueses.
França
E foi uma crítica ao Tratado de Tordesilhas que im-
pulsiono a expansão ultramarina francesa começou em 
1520, tendo a consolidação da monarquia. A França saía 
da Guerra dos Cem Anos (1337 - 1453), das lutas do rei 
Luís XI (1461 - 1483) e senhores feudais.
O rei Francisco I criticava o teor do tratado e pas-
saram a fazer expedições, chegando ao Rio de Janeiro 
e Maranhão, de onde foram expulsos. Na América do 
Norte chegaram à região hoje ocupada pelo Canadá e o 
estado da Louisiana, nos Estados Unidos.
Inglaterra
Os ingleses, que também estavam envolvidos na 
Guerra dos Cem Anos, Guerra das Duas Rosas (1455 - 
1485) e conflitos com senhores feudais, buscavam uma 
nova rota para as Índias passando pela América do Norte.
Os métodos não eram ortodoxos para a realidade 
atual, como o incentivo da rainha Elizabeth I (1558 - 
1603) à pirataria contra a Espanha. Os ingleses domi-
naram o tráfico de escravos para a América Espanhola e 
fundaram estabelecimentos nas Índias.
Holanda
No mar, a Holanda bastante capitalizada, estabe-
leceu-se na Guiana, em ilhas no Caribe, na América do 
Norte e fundou Nova Amsterdã, conhecida hoje como 
Nova Iorque.
Fonte: Disponível em: < https://www.todamateria.
com.br/expansao-maritima-europeia/ > Acessado em: 
31 Jan. 2018.
O RENASCIMENTO CULTURAL, O 
HUMANISMO E AS REFORMAS RELIGIOSAS
Durante o período medieval a Igreja exercia um forte 
controle sobre a sociedade. Podemos dizer que essa pode-
rosa instituição religiosa era quem controlava a arte, os li-
vros e a ciência, e nada disso poderia fugir aos ensinamen-
tos católicos. Dizia-se que a Terra era o centro do Universo 
e que a estava parada, que todos os homens e mulheres 
do mundo eram descendentes de Adão e Eva etc. O Re-
nascimento surge no final do período medieval, período 
de quase 1000 anos de puro obscurantismo e ignorância 
religiosa que levava as pessoas a serem punidas se duvi-
dassem das verdades místicas da Igreja. O Renascimento 
foi um movimento revolucionário para a sua época, pode 
ser definido como um movimento intelectual, artístico, li-
terário, filosófico e científico, que marcou a transição da 
cultura medieval para a cultura moderna, rompendo, com 
o monopólio eclesiástico.
O movimento renascentista expressava a primeira ma-
nifestação de uma cultura laica, racional e científica. Esse 
movimento estendeu-se do final do século XV ao final 
do século XVI, difundindo-se a partir da Itália para outros 
países da Europa. A Itália foi o berço do Renascimento, e 
esse movimento foi mais que artístico, intelectual, literá-
rio e filosófico, foi a busca de novas respostas e uma nova 
compreensão do homem e do Universo. Ademar Marques 
(2000) fala da importância do Renascimento:
“A transição do feudalismo para o capitalismo não deve 
ser analisada sob a perspectiva das transformações econô-
micas e políticas. É importante considerar que a crise do 
século XIV manifestou-se também nos planos intelectuais e 
culturais. Assim, os movimentos renascentistas e reformis-
tas representam importantes respostas a uma tentativa de 
compreender o homem e, em última instância, o próprio 
universo à época da crise do feudalismo europeu.
O Renascimento traduzia as novas concepções que ti-
nham como referência, essencialmente, o humanismo, en-
quanto base intelectual que procurava definir e afirmar o 
novo papel do homem no universo”.
(MARQUES, Adhemar ET ali. “História Moderna Através 
de Textos”. SP: Contexto, 2000. p.92)
O Renascimento refletiu uma nova visão de mundo, re-
lacionado ao crescimento do comércio e da burguesia e, ao 
fortalecimento do sentimento nacional. Representou uma 
mudança de enfoque na forma do homem ver a si mesmo 
e ao mundo. Significou a retomada das ideias clássicas gre-
co-romanas que sofreram uma re-elaboração.
Os renascentistas entraram em choque com as ideias 
medievais, deixando evidente de que não foi um fenôme-
no isolado, mas partiu de um conjunto de transformações 
ocorridas numa fase de transição da Idade Média para a 
Idade Moderna. Com o Renascimento, o pensamento me-
dieval, dominado pela religião cede lugar a uma cultura 
voltada para os valores do indivíduo. Os artistas, inspiran-
do-se no legado clássico grego, buscavam as dimensões 
ideais da figura humana e a representação fiel da realidade.
13
HISTÓRIA
“A Idade Média, que tinha durado mil anos, da que-
da do Império Romano até o século 15, estava ficando de 
lado, porque novas forças políticas, idéias filosóficas e pes-
quisas científicas surgiam...” (Bernardo Kestring)
O movimento renascentista significou a retomada dos 
valores individuais que eram muito presentes na cultura 
grega e na cultura romana. Esses valores foram despre-
zados pela religião católica durante toda a Idade Média. 
Houve uma retomada dos valores artísticos, como a pin-
tura, a escultura, a arquitetura, a literatura, o teatro e a 
música.
“Os renascentistas mais radicais acreditavam que o 
progresso cultural no período medieval foi IMPEDIDO pelo 
DOMÍNIO da Igreja Católica sobre a produção LITERÁRIA e 
CIENTÍFICA. Costumavam inclusive chamar a Idade Média 
de idade das trevas. Portanto, era preciso lutar pelo renas-
cer do desenvolvimento cultural.” (PEREIRA e MORAES- 
História: Frase Didática. V. Único. Ensino Médio, 2001)
A arte renascentista valorizou o homem e o colocou 
como a medida de todas as coisas. Os elementos artísti-
cos da Antiguidade clássica voltaram a servir de referência 
cultural e artística. O humanismo colocou o homem como 
o centro do universo e no lugar do TEOCENTRISMO sur-
giu o ANTROPOCENTRISMO, no lugar do GEOCENTRISMO 
surge o HLIOCENTRISMO, no grego geo = terra e hélios 
= Sol.
As características do movimento renascentista foram:
• CLASSICISMO: voltou-se para a Antiguidade Clás-
sica, mas, não para tentar revive-la, não é uma simples 
“volta” ao passado; na realidade é muito mais que uma 
reinterpretação dos valores grego-latinos.
• INDIVIDUALISMO: contrapondo-se a humilhação 
cristã e ao anonimato, valores tipicamente medievais, os 
renascentistas, ao afirmarem a grandeza do homem e de 
suas infinitas possibilidades, destacaram a capacidade in-
dividual de criação do ser humano.
• HEDONISMO: propunha a busca incessante pelo 
sublime e pela beleza existentes na natureza e no próprio 
homem. Os prazeres sensoriais deveriam, nessa concep-
ção, produzir uma plena realização espirituale a auto-sa-
tisfação. A busca do prazer passou a ser constante, o que 
tornou-se uma oposição ao ascetismo medieval.
• NATURALISMO: buscava a integração do homem 
à natureza e a redescoberta da sua íntima ligação com o 
Universo; procurou-se superar o fantástico, o místico e o 
sobrenatural, uma tendência que também se contrapunha 
às concepções medievais.
• ANTROPOCENTRISMO: o homem é o centro do 
Universo, concebendo-o como a medida de todas as coi-
sas, como aquele que independente da vontade Deus, faz 
a sua própria história. Essa forma de pensar foi uma ma-
neira de opor-se ao TEOCENTRISMO MEDIEVAL, segundo 
o qual o ser humano e suas ações nada mais eram que 
uma extensão da vontade do Criador. De acordo com esse 
simbolismo medieval, a vida do homem nada mais era do 
que uma caminhada em direção a Deus, cabendo à Igreja 
o papel de guia. A visão ANTROPOCÊNTRICA não conce-
bia o homem assim, mas como alguém capaz de se guiar e 
guiar o seu próprio destino.
• ESPÍRITO CRÍTICO: marcados profundamente pelo 
pensamento leigo e secular, cientistas e humanistas não 
aceitaram as explicações místicas e alicerçadas na auto-
ridade dos textos sagrados que predominavam na Idade 
Média. Valorizavam-se, sobretudo,a experimentação como 
meio para se atingir o conhecimento científico da realida-
de. Isso abriu espaço para um grande desenvolvimento da 
Matemática, da Arquitetura, da Astronomia, da Física e da 
Medicina.
• RACIONALIMO: o crescimento científico dessa 
época foi marcado pelo MÉODO EXPERIMENTAL, e isso le-
vou à rejeição das INTERPRETAÇÕES DOGMÁTICAS e a VA-
LORIZAÇÃO DA RAZÃO. Só se podia aceitar como verdade 
em ciência aquilo que o homem compreendia por meio 
de seu intelecto. Abandonaram-se, pois, as superstições e 
lendas típicas do período medieval.
O racionalismo trouxe a subordinação do mundo real 
às leis físicas, o que contribuiu de maneira decisiva para o 
avanço da ciência moderna e para a superação do simbo-
lismo medieval.
Também contribuiu para o rompimento do monopólio 
que os letrados , sobretudo eclesiásticos, mantinham so-
bre a cultura escrita – a invenção da imprensa em meados 
do século XV por Gutemberg (1394-1468). A partir de en-
tão, verificou-se, progressivamente, uma maior divulgação 
do saber nos vários campos do conhecimento.
 
Os Períodos do Renascimento
O Renascimento Cultural se divide em três períodos:
• Trecento que vai de 1300 a 1399;
• Quatrocento que vai de 1400 a 1499;
• Cinquecento, 1500 a 1550.
TRECENTO, 1300-1399
Literatura
Os principais destaques da literatura desse período fo-
ram:
• Dante Alighieri - antes do século XIII, em sua obra 
“A Divina Comédia”, esse autor já citava vários pensadores 
da Antiguidade como Platão e Aristóteles, por exemplo. 
Por isso Dante Alighieri é considerado o precursor do Re-
nascimento.
• Giovanni Boccaccio - autor da obra Decameron 
(1348-1358). Nessa obra, constituída por uma coleção de 
contos, supostamente relatados por um grupo de dez jo-
vens fugitivos da peste Boccaccio faz referência a praga 
que se espalhou pela Europa causando sofrimento, dor e 
angústia naquela época.
14
HISTÓRIA
“Afirmo, portanto, que tínhamos atingido já o ano bem 
farto da Encarnação do Filho de Deus de 1348, quando, 
na mui excelsa cidade de Florença, cuja beleza supera a 
de qualquer outra da Itália, sobreveio a mortífera pesti-
lência. Por iniciativa dos corpos superiores ou em razão 
de nossas iniqüidades, a peste atirada sobre os homens 
por justa cólera divina e para nossa exemplificação, ti-
vera início nas regiões orientais, há alguns anos. Tal pra-
ga ceifeira, naquelas plagas, uma enorme quantidade de 
pessoas vivas. Incansável, fora de um lugar para outro; e 
estendera-se, de forma miserável, para o Ocidente.
Os homens se evitavam [...], parentes se distanciavam, 
irmão era esquecido por irmão, muitas vezes o marido 
pela mulher; ah, e o que é pior e difícil de acreditar, pais 
e mães houve que abandonaram os filhos à sua sorte, 
sem cuidar deles e visitá-los, como se fossem estranhos”. 
(BOCCACCIO, Giovani – Decameron. São Paulo: Circulo 
do Livro, 1991, p. 9-10)
Na obra Decameron , Boccaccio critica os valores me-
dievais e a Igreja. Ao fazer suas críticas, Boccaccio utiliza 
o erotismo em sua obra, uma coleção de cem histórias, 
em que ele percorre toda a gama de sentimentos huma-
nos, desde a mais irrisória bufonaria até a mais profunda 
emoção. Boccaccio foi o maior responsável, pela defini-
tiva fixação enobrecimento e enriquecimento da língua 
italiana.
O tom cômico, que na obra assume um caráter críti-
co se enquadra numa tradição mental típica da narrativa 
medieval e continuará até Rabelais – tão bem estudado 
por Bakhtin, com a sua teoria da “carnavalização”. A lin-
guagem simples e natural ainda não virá carregada da 
retórica típica da Contra-Reforma e o grande tema da 
obra é a celebração da liberdade, do poeta e do pintor, 
de dizer e representar o que realmente desejam.
A Igreja, que tinha tido uma forte influência na so-
ciedade medieval, após a praga começou a ver seu papel 
modificado. A ideia do poder infinito de Deus e de sua 
capacidade de operar milagres começa a enfraquecer. Na 
medida em que as preces e pedidos não eram atendidos 
e muitos piedosos eram atingidos, começou um questio-
namento sobre esses valores, o que passou a ser conside-
rado, uma contradição na crença religiosa, dando início a 
um período futuro de tumultos políticos e de questiona-
mentos filosóficos. Os efeitos da praga ainda influenciam 
a sociedade nos dias de hoje.
Desde que a Medicina, na época, não conseguiu dar 
conta de controlar a peste bubônica, homens da ciência 
medievais começaram a desenvolver novas idéias sobre a 
medicina. Iniciaram-se as pesquisas de caráter científico, 
por conta da completa falência das velhas práticas e da 
crença e fé em Deus para curas. A limpeza começou a 
fazer parte do cotidiano de todas as classes de pessoas e 
não apenas da nobreza.
Pintura
O principal destaque foi:
• Gioto. Ele tratava de temas religiosos em suas 
pinturas, e ao mesmo tempo, procurava fazer com que os 
santos parecessem pessoas comuns.
QUATROCENTO, 1400-1499
Literatura
O principal destaque na literatura desse período foi:
• Lourenço de Médici –, foi um mecenas, ou seja, 
grande financiador de obras; era banqueiro e político.
Pintura
Podemos citar aqui dois grandes destaques da pin-
tura:
• Boticelli e Leonardo da Vinci – esses artistas ten-
tavam combinar valores cristãos com valores antigos.
Leonardo da Vinci não foi apenas pintor, foi também 
cientista, inventor, escultor, matemático e músico. Sua 
obra mais famosa foi “Mona Lisa”.
CINQUECENTO, 1500-550
Literatura
• Maquiavel: o escritor mais conhecido desse pe-
ríodo foi Nicolau Maquiavel, que escreveu o livro “O Prín-
cipe”. Nessa obra o autor escreve sobre a teoria política 
do Estado.
O Príncipe é um tratado político, em 25 capítulos, com 
uma conclusão que propõe a libertação da Itália das in-
tervenções dos franceses e de espanhóis, considerados 
“bárbaros”. De toda sua obra, a questão mais polêmica, 
sem dúvida, é quando Maquiavel define os MEIOS para 
a OBTENÇÃO do PODER, que rompem com os tratados 
políticos tradicionais.
“Assegurar-se contra os inimigos, ganhar amigos, ven-
cer por força ou por fraude, fazer-se amar e a temer pelo 
povo, ser seguido e respeitado pelos soldados, destruir os 
que podem ou devem causar dano, inovar com propos-
tas novas as instituições antigas, ser severo e agradável, 
magnânimo e liberal, destruir a milícia infiel e criar uma 
nova, manter as amizades de reis e príncipes, de modo 
que lhe devam beneficiar com cortesia ou combater com 
respeito, não encontrará exemplos mais atuais do que as 
ações do duque”.
Sem preconceitos, por considerar que os governantes 
têm responsabilidade sobreos que governa, ele propõe, 
dentro de um princípio de realidade, o que são – e não o 
que deveriam ser. Que meios são esses, que Maquiavel 
acredita ser os ideais para que uma pessoa possa obter 
o poder?
15
HISTÓRIA
1. A Força: é o primeiro dos meios para a aquisição e 
conquista do poder. A força é simbolizada pela imagem do 
LEÃO, indispensável tanto para o estabelecimento de um 
novo poder, quanto para a DEFESA DO estado já existente. 
No entanto, a FORÇA deve sempre ser empregada em con-
junto com...
2. A astúcia: é simbolizada pela RAPOSA, e inclui a 
mentira, a simulação, a dissimulação, a lisonja, a demago-
gia e outros.
“Tendo o príncipe necessidade de saber usar bem a na-
tureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o 
leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não 
sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto, é pre-
ciso ser raposa, para conhecer as armadilhas e leão, para 
aterrorizar os lobos”.
É preciso compreender que a preocupação de Ma-
quiavel não está voltada para a HUMANIDADE, mas para o 
Estado-nação. Quanto aos submissos, aos súditos, a ideia 
de Maquiavel é que, a sua participação seja feita de de-
votamento, obediência, fé nacional, ardor no combate e 
sacrifício, enfim, para esse pensador renascentista italiano 
existem trés maneiras para um indivíduo se realizar: é atra-
vés do serviço político, social ou militar. Num dos trechos 
da obra Maquiavel diz:
“Todos sabem quão louvável é um príncipe ser fiel à 
sua palavra e proceder com integridade e não com astúcia; 
contudo, a experiência mostra que só nos nossos tempos 
fizeram grandes coisas aqueles príncipes que tiveram em 
pouca conta as promessas feitas e que, com astúcia, sou-
beram transformar as cabeças dos homens; e por fim supe-
raram os que se fundaram na sua lealdade.
Deve saber-se que há dois modos de vencer, um com 
as LEISA, outro com a FORÇA: o primeiro é próprio dos 
homens, o segundo dos animais; mas porque muitas vezes 
o primeiro não basta, convém recorrer ao segundo. Portan-
to, é necessário a um príncipe que seja ao mesmo tempo 
homem e animal. (...) Achando-se, portanto, um príncipe na 
necessidade de saber proceder como animal, deve escolher 
a raposa e o leão, porque, o leão não sabe se defender 
dos laços, nem a raposa dos lobos; É preciso, portanto, ser 
raposa para conhecer os laços e leão para espantar os lo-
bos. (...) Mas é necessário saber bem colorir esta natureza 
e ser grande simulador e dissimulador: os homens são tão 
simples e obedecem tanto às necessidades presentes que 
quem engana achará quem se deixe enganar”. (Capítulo 
VIII – De que modo os príncipes devem cumprir sua pa-
lavra)
Pintura
Os principais pintores desse período foram:
• Rafael e Michelângelo. Michelângelo também era 
escultor, e realizou dezenas de obras, muitas, eram enco-
mendadas pela Igreja como decoração como a que se en-
contra na Capela Sistina em Roma.
O Renascimento em outros países europeus
O Renascimento também atingiu outros países e ou-
tros artistas também se destacaram nesse período. Vejam 
os destaques:
• Erasmo de Rotterdan (1467-1536), Holanda. De-
sidério Erasmo de Roterdan foi um pregador do evan-
gelismo filosófico. Nasceu na cidade de Rotterdam, na 
Holanda. Em 1488 ingressou na ordem dos agostinianos 
e virou padre, depois aceitou o cargo de secretário do 
bispo de Combai, na França. Em Paris estuda teologia. 
Escreve Colóquios e Antibárbaros, que é considerada 
uma obra escolástica, crítica da exaltação dos valores da 
Antiguidade clássica. Viaja pela primeira vez para a In-
glaterra em 1499, onde toma contato com o movimento 
humanista e conhece aquele que seria seu grande amigo, 
Thomas More. Traduz o Novo Testamento. Mantém vasta 
correspondência. Denuncia a vida na igreja como distan-
te da fé. Fala que os cristãos devem seguir os ensinamen-
tos simples de Cristo, sendo que a estrutura da igreja e 
da vida monástica haviam se tornado distantes do amor 
de Deus, de Sua benevolência e da prática evangélica que 
Erasmo defende na Filosofia Christi.
A crítica maior de Erasmo é para a Igreja. Ele era cris-
tão, mas foi contra a hierarquia dessa instituição (Igreja), 
que declara guerras, faz cerimônias e rituais em demasia, 
e discutem eternamente o mistério divino, sendo que o 
mandamento de Cristo é apenas a prática da caridade. 
Defende um retorno à simplicidade do início da Igreja. 
Lutero estava juntando adeptos em suas pregações e 
convidou Erasmo, mas este permaneceu na Igreja cató-
lica, apontando defeitos. Mais tarde polemizou contra 
Lutero a favor do livre-arbítrio, que o protestante não 
acreditava. Erasmo é considerado o principal pensador 
do humanismo. Critica os teólogos, pois esses condenam, 
por poucos motivos, muitas pessoas como hereges. Os 
bispos vivem alegremente, entregam-se à diversão mate-
rial e esquecem que o seu nome significa zelo e solicitude 
pela redenção da alma, mas não esquecem as honrarias 
e o dinheiro. Os monges, para Erasmo, não fazem nada, 
mas não dispensam o vinho e a mulheres. O papa não 
tem a salvação que Cristo fala, pois se tivessem abria 
mão de seu patrimônio e dos impostos. Erasmo critica o 
imposto que a igreja cobra para não condenar as almas 
após a morte. E os papas aprovam a guerra, que é cruel e 
desumana. Ele acreditava na bondade do homem. Era um 
liberal e contrário a violência.
Para Erasmo, milagres e superstições como o inferno, 
duendes e fantasmas são coisas de ignorantes. Ele tem 
opiniões também sobre política. No livro A instituição do 
Príncipe cristão fala da teoria da soberania, o poder do 
princípe é legitimado pela dedicação ao bem comum e 
pela aceitação dos cidadãos. É a favor da eleição do che-
fe, contrário ao monarquismo hereditário.
16
HISTÓRIA
O Elogio da Loucura
O ensaio é repleto de alusões clássicas, escritas no esti-
lo típico dos humanistas do Renascimento. Nenhum mem-
bro da hierarquia da Igreja escapa ao tratamento satírico 
da pena de Erasmo, embora seu alvo especial fossem os 
monges. Veja:
“Os monges consideram não saber ler um sinal de san-
tidade. Zurram os salmos nas igrejas como asnos. Não en-
tendem uma só palavra do que dizem, mas imaginam ser o 
som agradável aos ouvidos do santos. Os frades mendican-
tes fingem assemelhar-se aos Apóstolos, mas não passam 
de vagabundos imundos, ignorantes e ousados.”
Erasmo satiriza o esplendor e o mundanismo dos pa-
pas, cardeais e bispos, contratando-os com a simplicidade 
do Pescador da Galiléia. Considera ridículas e absurdas as 
loucuras das superstições e da adoração dos santos. “Mas, 
que direi”, pergunta Erasmo, “das pessoas que, com tanta 
felicidade, se enganam com os perdões forjados de seus 
pecados? Esses tolos se convencem de que podem com-
prar todas as bênçãos e prazeres desta vida, com também 
o céu, depois da morte, e, por puro amor ao lucro imundo, 
os padres encorajam-nos em seus erros”. Ele criticava as 
escolas de seu tempo, em geral administradas por clérigos 
que baseavam sua pedagogia em manuais imutáveis, repe-
tições de conceitos e princípios de disciplina com traços de 
sadismo. O filósofo via nos livros um imenso tesouro cultu-
ral, que deveria constituir a base do ensino. “Para Erasmo, a 
linguagem era o começo de toda boa educação, já que é si-
nal da razão humana”, afirma Cézar de Toledo. Não se trata 
apenas de alfabetização e leitura, mas de interpretar os tex-
tos criticamente, prática que os humanistas e reformadores 
religiosos introduziram na história da pedagogia. Erasmo 
acreditava que um bom aprendizado das artes liberais até 
os 18 anos prepararia o jovem para entender qualquer coi-
sa com facilidade. Como todo humanista, o pensador ho-
landês defendia a possibilidade de chegar à perfeição por 
via do conhecimento. “Erasmo prenuncia novos rumos para 
a pedagogia ao deter um olhar mais acurado na infância”,diz Toledo. Para o filósofo, ao ensinar era necessário levar 
em conta a pouca idade da criança – e por isso cercá-la de 
cuidados específicos – e também a índole de cada uma. O 
programa pedagógico do pensador era generoso, mas de 
modo algum democrático. Segundo ele, apenas a instrução 
religiosa deveria ser para todos, enquanto os estudos das 
artes liberais estariam restritos aos filhos da elite, que futu-
ramente teriam cargos decisórios.
• William Shakespeare, Inglaterra - Autor de peças 
de teatro como Hamlet, Macbet e Romeu e Julieta. Suas 
obras retratam as virtudes e as deformações do humanis-
mo renascentista. Personifica o intenso amor pelas coisas 
humanas e terrenas. Uma de suas frases célebres “Ser ou 
não ser, eis a questão” (To be or not to be, that’s the ques-
tion) foi extraída da peça “Hamlet”, e durante a dramatiza-
ção, o Príncipe Hamlet olha uma caveira e diz: “ser ou não 
ser, eis a questão”, indagando a si próprio quanto à condi-
ção que deveria seguir, a escolha a tomar. Filosoficamente 
isso nos ensina alguma coisa. Se uma pessoa se encontra 
numa situação, mas está insatisfeito com ela, ou pode as-
sumir a postura mental de dizer “eu sou assim mesmo” e 
continuar a “ser” aquilo ou pode assumir outra postura de 
dizer “eu estou assim”, por se tratar de uma condição que 
pode ser mudada. A condição de “ser” seria o que você não 
pode mudar aquilo que é, e fim de papo.
A frase “Ser ou não ser” nos remete a uma reflexão. 
Quando se diz “ser ou não ser”, isso implica em ter quer 
tomar uma posição, mudar de postura ou permanecer imó-
vel frente às barreiras que se tem pela frente, porém, para 
alcançar determinado objetivo é preciso decidir pela mu-
dança. Uma pessoa pode decidir continuar gorda, e mesmo 
sabendo disso assumir a postura de ser magra, ingerindo 
os alimentos na medida certa, fazer exercícios e em alguns 
casos, procurar um especialista em nutrição auxiliar na 
forma correta da alimentação. Veja que entre o “SER” e o 
“NÃO-SER” existem condições que devemos impor à nós 
mesmos, exige auto crítica e auto reflexão, e se decidirmos 
pelo “não-ser”, isso exigirá mudança nos nossos hábitos, e 
essa mudança começa com uma nova atitude mental. Mu-
dar os hábitos não é fácil, mas é uma mudança pra melho-
rar, porém, será necessário que se faça também algumas 
mudanças internas e profundas. Buscar um equilíbrio men-
tal e psicológico da alma, arrancar de nós as frustrações, 
as ansiedades e as coisas negativa, principalmente a frase 
derrotista de que não há o que fazer, sou assim mesmo. 
Não! Você não é e nem nunca foi assim, você é melhor, 
pode ser e fazer melhor que isso que você representa ser 
e faz.
“Os covardes morrem muitas vezes antes de sua ver-
dadeira morte, os valentes provam a morte só uma vez”.
“Não existe nada bom nem mau; é o pensamento hu-
mano o que o faz aparecer assim.” (Shakespeare)
• Miguel de Cervantes, Espanha - autor do romance 
Dom Quixote. Cervantes conta as aventuras de um cavalei-
ro espanhol que ficou desequilibrado por causa da leitura 
constante de romances de cavalaria. Dom Quixote repre-
senta uma crítica ao mundo medieval e a impossibilidade 
de se resolverem problemas de um mundo moderno a par-
tir de concepções medievais.
• Luís Vaz de Camões, Portugal - autor de poesias 
famosas, como Os Lusíadas. “Os Lusíadas” é o tema de um 
poema ÉPICO no qual Camões retrata e enaltece os feitos 
dos navegantes.
• Rabelais, França - suas principais obras: Gargantua 
e Pantagruel - Satirizou as práticas da Igreja; ridicularizou a 
filosofia cristã escolástica e zombou das superstições.
• Montaigne, França – escreveu “Ensaios”. Os ho-
mens devem ser encorajados a desprezar a morte e a viver 
nobre e humanamente esta vida. Parecia-lhe que a religião 
e a moral eram produtos dos costumes e não revelações 
divinas.
17
HISTÓRIA
O RENASCIMENTO CIENTIFICO
Principais representantes:
• Nicolau Copérnico, (1473 – 1543) viveu na Polônia. 
Foi matemático, físico, médico e principalmente astrônomo 
e formado em direito canônico. Politicamente era modera-
do, porém a igreja foi impiedosa em suas perseguições aos 
que desenvolveram a sua teoria como Giordanio Bruno e 
Galileu Galilei. A teoria heliocêntrica de Copérnico era de 
tal forma revolucionária que ele escreveu na sua obra De 
revolutionibus orbium coelestium (do latim: “Das revolu-
ções das esferas celestes”), publicada em 1543, ano de sua 
morte:
“quando dediquei algum tempo à idéia, o meu receio 
de ser desprezado pela sua novidade e o aparente contra-
senso quase me fez largar a obra feita”.
Até Nicolau Copérnico surgir com sua nova teoria, o 
que estava em evidência era a teoria GEOCÊNTRICA, de Pi-
tolomeu, astrônomo século II antes de Cristo. Essa teoria, 
graças ao apoio da Igreja Católica, prevaleceu por séculos 
14 séculos como verdadeira e absoluta até ser desmentida 
por Copérnico e Galileu Galilei. Depois de longos estudos 
baseados em calículos matemáticos, chegou-se a conclu-
são de que os PLANETAS giram em torno do Sol. Heliocen-
trismo é o nome dessa nova teoria.
O professor Bernardo Kestring, de Filosofia, explica que 
na época do Renascimento, a afirmativa de Copérnico, de 
que o Sol, e não a Terra, é o centro do universo, mudou a 
forma de encarar o mundo. Veja o que diz Kleper:
“A Igreja sustentava que a Terra era o centro do uni-
verso e os homens seriam pessoas que a governariam se-
gundo desígnios divinos. Com o sistema heliocêntrico, vem 
junto uma nova interpretação do homem. Se Deus não 
determina, se nós não somos o centro, então nós temos 
um papel que vai além da obediência cega, sem questiona-
mentos, aos dogmas da Igreja”.
• Galileu Galilei (1564 - 1642), Itália, Astrônomo, físi-
co, e matemático. Fundou a ciência experimental na Itália. 
Partidário do heliocentrismo. Fez diversas descobertas no 
campo da astronomia, tais como: os satélites de Júpiter, o 
anel de Saturno, graças à construção de uma luneta astro-
nômica. Ficou famoso pela lei da queda dos corpos. Per-
cebeu que a força que mantém a lua nas vizinhanças da 
terra faz com que os satélites de Júpiter girem ao redor 
deste planeta é na essência, a mesma força que faz com 
que a terra atraia os corpos. Foi julgado pelo Tribunal do 
Santo Ofício em 1611 e forçado pela inquisição a dizer que 
a Terra não se move no espaço, ao contrário, é imóvel e o 
tem o Sol girando em seu redor. Só escapou da foguei-
ra porque se retratou diante do tribunal. Galileu morreu 
em 1642, cego e abandonado. Só foi “absolvido” em 1999, 
após 337 anos de sua morte. O papa João Paulo II ordenou 
o reexame do caso Galileu e, em nome da Igreja Católica 
pediu perdão em público, admitindo que o físico italiano 
sofrera em mãos das instituições eclesiásticas e acrescen-
tando que a pesquisa científica jamais pode contrariar a fé, 
pois ambas as realidades, cientifica e religiosa originam-se 
do mesmo Deus.
• Kleper, Alemanha, corrigiu e aperfeiçoou o siste-
ma de Copérnico, provando que os planetas que os plane-
tas se movem numa órbita elíptica, e não em torno do Sol.
• Vésale, Países Baixos, é considerado o pai da Ana-
tomia. São célebres seus estudos sobre o corpo humano.
• Servet, Espanha – Em Medicina lhe é atribuída à 
descoberta da circulação sanguínea intrapulmonar.
O HUMANISMO E O ANTROPOCENTRISMO
“O homem é a medida de todas as coisas” (Protágoras)
“O humanista é o intelectual da Renascença, raciona-
lista, antropocêntrico, opondo-se ao divino e extraterreno, 
valorizando o humano, natural e material.”
A fonte original de todo humanismo foi a literatura 
clássica. A época era de redescoberta e reinterpretação da 
produção cultural da antigüidade greco-romana. O interes-
se por esse período da história foi acompanhado por uma 
série de mudanças profundas na vida européia: a revitali-
zação das cidades, a formação de redes de comércioentre 
centros distantes, a consolidação de uma classe mercantil 
muito abastada, a criação de bancos e a centralização do 
poder político em torno de cidades ou de reinos. Tudo isso 
ocasionou a abertura de brechas na autoridade da Igreja, 
antes onipresente. Por razões evidentes, esse período his-
tórico de grandes transições ficou conhecido como Renas-
cimento, dando origem a uma produção cultural das mais 
ricas e fecundas de todos os tempos.
O antropocentrismo – o predomínio do humano sobre 
o transcendente – era o eixo dessa nova filosofia, que seria 
posteriormente conhecida sob o nome de humanismo. A 
palavra deriva da expressão latina studia humanitatis, que 
se referia ao aprendizado, nas universidades, de poética, 
retórica, história, ética e filosofia, entre outras disciplinas. 
Elas eram conhecidas como artes liberais, porque se acredi-
tava que dariam ao ser humano instrumentos para exercer 
sua liberdade pessoal.
Na visão medieval o homem ocupava hierarquicamen-
te uma posição insignificante e inalterável, imerso em um 
mundo repleto de tentações e pecado. O Renascimento 
mudará esta visão, com a exaltação da dignidade do ho-
mem, a proclamação de que sua liberdade pode e deve ser 
exercida, tanto em relação á natureza quanto á sociedade. 
Esta liberdade, no sentido do homem ser capaz de criar o 
seu próprio projeto de vida é tema central do humanismo, 
expresso na Oração Sobre a dignidade do Homem de Picco 
della Mirandola (1463-1494):
“Eu não lhe dei , Adão, nem um lugar predeterminado, 
nem um aspecto particular, nem quaisquer prerrogativas, a 
fim de que você possa tomá-los e possuí-los através de sua 
própria decisão e de sua própria escolha”.
18
HISTÓRIA
A REFORMA PROTESTANTE
Martinho Lutero (Alemanha) – considerado precursor 
da Reforma Protestante Lutero, monge católico revoltou-
se contra a venda de indulgências e tornou-se público 
seus pensamentos ao publicar, em 1517, as 95 teses, uma 
relação de duras críticas à Igreja Católica, dando início à 
chamada Reforma Protestante. Em 15 de julho de 1520, 
a Igreja Romana expediu a bula de excomunhão Exsurge 
Domine, se Lutero não se retratasse, seria considerado um 
herege e expulso da igreja.
O imperador Carlos V do Santo Império Romano man-
dou queimar livros de Lutero, também em praça pública. 
Entre 17 e 19 de abril de 1521, Lutero compareceu diante 
da Dieta de Worms. Não se retratou deixando claro a sua 
consciência e modo de pensar relacionado à Bíblia. Aos 25 
de maio de 1521, a Dieta formalizou a excomunhão. No 
mesmo ano Lutero queimou a bula de excomunhão em 
praça pública. O Papa Leão X excomungou Lutero que pas-
sou a ser protegido pelos príncipes do norte da Alemanha.
A Reforma esconde interesses políticos: os príncipes se 
interessavam por Lutero, pois se levassem à frente a criação 
de uma nova religião, estariam LIVRES do poder do Papa. 
E foi isso que aconteceu. Lutero organizou a nova religião, 
chamada de PROTESTANTISMO, e a nobreza alemã tomou 
conta das TERRAS da Igreja Católica.
Características da nova religião fundada por Lutero:
- Padres substituídos por pastores, e estes pode-
riam casar-se.
- O culto não seria mais em latim, mas na língua de 
cada país.
- A Igreja não salva. “O justo será salvo pela fé” e 
pela leitura da Bíblia, afirmava Lutero. Por isso traduziu as 
Escrituras Sagradas para o alemão.
- Dos sete sacramentos católicos, apenas os sacra-
mentos do batismo e da eucaristia seriam mantidos.
Houve inquisição protestante? Não da mesma manei-
ra que a católica, mas houve sim, da maneira e à moda 
protestante. Veja, Lutero foi protegido pelos nobres, porém 
não apoiou as revoltas camponesas que se diziam protes-
tantes, e defendeu os príncipes quando eles massacraram 
os rebeldes.
A crueldade foi especialmente severa na Alemanha 
protestante. As posições de Lutero contra os anabatistas 
causaram a morte de 30.000 camponeses.
João Calvino (Francês) – o calvinismo ganhou força na 
Suiça, para onde teria ido João Calvino. Mas antes de Calvi-
no chegar à Suíça, outros líderes como Zwinglio, tentaram 
realizar uma reforma religiosa, mas fracassaram. Zwinglio 
levantou a primeira bandeira da Reforma quando declarou 
que os dízimos pagos pelos fiéis não eram exigência divina, 
mas uma decisão voluntária. Esse fato abalou as bases fi-
nanceiras do sistema romano. Calvino teve sucesso porque 
recebeu apoio dos burgueses da região.
O que Calvino defendia em suas teses? Veja:
• Quanto a aquisição de riqueza: a nova religião de 
João Calvino diferia do Catolicismo quanto a ideia de ri-
queza. Enquanto a Igreja Católica condenava o enriqueci-
mento, João Calvino dizia que o acúmulo de dinheiro gera-
do pelo trabalho era um sinal de salvação.
• Quanto a ideia de salvação: João Calvino acredita-
va na PREDESTINAÇÃO: nosso destino estaria ESTABELECI-
DO antes do nosso nascimento, inclusive quanto à salvação 
ou condenação eternas.
• Calvino defendia que os ricos são salvos e os po-
bres, condenados.
Essa religião era muito interessante para os burgueses, 
pois eles poderiam continuar enriquecendo sem achar que 
estavam pecando com isso aumentavam sua exploração 
sem nenhum peso de consciência. Calvino chegou a se tor-
nar governador de Genebra e fez a sua própria inquisição, 
punindo com a morte aqueles que não concordavam com 
ele.
Calvino, pai dos presbiterianos mandou queimar o mé-
dico descobridor da circulação sanguínea, julgado e con-
denado a fogueira em Genebra, por decisão de um tribunal 
eclesiástico sob direção do próprio Calvino. A sentença foi 
cumprida por Champel, em 27 de outubro de 1553. Puse-
ram-lhe na cabeça uma coroa de juncos impregnada de 
enxofre e foi queimado vivo em fogo lento com requintes 
de sadismo e crueldade.
Textos de 1900 trazem relatos a respeito de Calvino. 
Veja o que declarou um historiador inglês:
“Ainda hoje na cidade de Noyon (...), os arquivos e mo-
numentos de fatos históricos aqui passados; ainda hoje na-
queles arquivos se lê que João Calvino, sendo convencido 
dos crimes de sodomia, graças à indulgência do Bispo e 
do magistrado foi somente marcado nas costas com ferro 
quente, e retirou-se depois da cidade; pessoas muito hon-
radas da família do mesmo, que vivem ainda, não puderam 
até o presente obter que a memória daquele fato, tão infa-
me a toda a família, fosse tirada do arquivo da cidade. (Sta-
pleton, Prompttuarium catholicum pars, 32, p. 133. Citado 
por Roberta, Host de l’Englise; t.23, p.430)
Protestantes alemães também deixaram esse relato:
“Por causa de vários crimes e vários atos de sodomia, 
nas costas de João Calvino foi impresso um sinal com ferro 
quente pelo magistrado que vivia naquele tempo. (Schus-
semberg, Host. de I’Englise, t. 23, p. 430; Bergier, Dietion de 
Theologie).
Além de matar vários protestantes que professavam a 
mesma fé, Calvino também prendeu em sua própria casa 
Miguel Servet. Diz-se que do fundo do cárcere ouvia-se a 
declaração de Servet:
“Aqui estou, há meses, sem meias, sem camisa, sem 
roupa para mudar, devorado por insetos asquerosos desde 
os pés até a cabeça. Peço me concedam um pouco de con-
19
HISTÓRIA
forto... peço me mandem um advogado”. Calvino mandou 
lançar Servet em uma fogueira, onde foi queimado lenta-
mente. Observando a cena, ao entardecer, Calvino dizia: 
“olha como ele grita à moda dos espanhóis”.
Henrique VIII (Inglaterra) – fundador da Igreja Anglica-
na, Henrique VIII foi no reformador que iniciou o movimen-
to da Reforma Protestante na Inglaterra. A Igreja Católica 
já vinha perdendo o seu poder entre os ingleses por conta 
dos problemas políticos gerados na sucessão do trono in-
glês. Veja:
• Henrique VIII era casado com Catarina de Aragão. 
Essa mulher pertencia a uma das famílias mais poderosas 
da Europa, os Albsburgos.
• O parentesco de Catarina preocupava HenriqueVIII, pois caso ele não tivesse um filho homem, os Albsbur-
gos poderiam tomar o poder e tomar conta da Inglaterra. 
Nessa época só os homens poderiam herdar o torno.
• Por causa de alguns problemas de saúde Catarina 
não podia mais se engravidar. Se quisesse um filho homem, 
o rei teria que casar-se de novo.
• A Igreja Católica proibia um 2º casamento. Henri-
que VIII tentou um acordo com o Papa Clemente VII, mas 
foi recusado, o Papa também era amigo da família Albsbur-
go.
• Henrique VIII tinha uma amante chamada Maria 
Bolena, depois substituída pela irmã Ana Bolena no triân-
gulo amoroso do rei Henrique VIII. A pretensão de Hen-
rique VIII era de casar-se com Ana Bolena, por isso rom-
peu-se com a Igreja Católica separando-se de Catarina da 
Aragão trocada pela amante do rei. A Igreja tentou punir 
Henrique VIII e excomungou-o, mas o rei inglês foi mais 
longe. Em 1534, através do “Ato de Supremacia”, as pro-
priedades da Igreja foram passadas para a nobreza e o rei 
se tornou o novo chefe da Igreja na Inglaterra.
A nova Igreja, chamada de anglicana, não era muito 
diferente do catolicismo. As únicas diferenças eram:
• A Igreja anglicana não seguia a autoridade do 
Papa.
• Reconhecia os processos de separação e divórcio, 
permitindo um novo casamento.
A Contrarreforma
A Igreja Católica começou a se preocupar com as no-
vas religiões que estavam surgindo na Europa, pois estava 
perdendo fiéis e propriedades. A Contrarreforma foi a rea-
ção da Igreja Católica contra o crescimento e a expansão 
do protestantismo que se espalhava pela Europa e poderia 
atingir outros países fora desse continente. Quais foram às 
ações tomadas pela Igreja nessa reação? Entre 1545 e 1553 
foi realizado o Concílio de Trento, reunião que contou com 
a participação dos mais importantes líderes do catolicismo. 
As decisões tomadas foram:
• Criação dos seminários para a formação de pa-
dres.
• Criou-se o índex – lista de livros proibidos aos ca-
tólicos.
• Decidiu que o papa era infalível (não erra).
• Reativou os Tribunais de Inquisição: quem discor-
dasse das ideias da Igreja poderia ser punido com a morte.
• Criou-se a Companhia de Jesus: espaço religioso 
que permitia aos jesuítas atuarem na catequese.
Como muitos católicos estavam mudando de religião 
na Europa, os JESUITAS estavam mudando para a América, 
onde havia milhares de índios que a Igreja esperava trans-
formar em cristãos.
A INQUISIÇÃO: uma máquina de matar pessoas.
Inquisição é o ato de inquirir, indagar, investigar, in-
terrogar judicialmente uma pessoa suspeita ou que esteja 
sendo acusada de alguma prática ilícita. No contexto da-
quilo que estamos estudando, inquirir significa questionar 
judicialmente aqueles que, de uma forma ou de outra, se 
opõem aos preceitos da Igreja Católica. Pode ser emprega-
do o mesmo sentido para as religiões protestantes, porque 
o termo heresia também se aplica a qualquer que fugir a 
uma “verdade” religiosa, logo, poder condenado por he-
resia tanto um membro católico como um membro pro-
testante, desde que discorde de alguma coisa, de alguma 
meta ou visão proposta por determinada religião ou líder 
religioso. A inquisição é um Tribunal Eclesiástico, também 
conhecido como “”Tribunal do Santo Ofício” criado com o 
objetivo de combater as heresias cometidas pelos cristãos 
confessos, muçulmanos e outros povos que adotassem 
outras maneiras de pensar e cultuar diferente do padrão 
estabelecido pela Bíblia e pela Igreja Católica.
“Não permitirás que viva uma feiticeira”.
(Êx. 22:18)
Mesmo antes de ser oficializada por um papa, a inqui-
sição já se fazia presente desde o início da Idade Média. 
A implantação oficial desse mecanismo de punição e de 
tortura foi ganhando força dentro da Igreja. Observando 
como a inquisição foi se fortalecendo até tornar-se meca-
nismo de punição oficial ao longo do período medieval ire-
mos perceber como tudo começou.
A inquisição teve seu início em Verona, com o Papa Lú-
cio III, ano de 1184. Inspirada nos escritos de Santo Agosti-
nho, essa prática fortaleceu-se ainda mais com a adminis-
tração do Papa Inocêncio III, entre 1198 a 1216 e a partir 
do Concilio de Latrão ocorrido em 1215. Mas foi o Papa 
Gregório IX que oficializou e multiplicou pela Europa os Tri-
bunais de Inquisição. Quando uma pessoa era acusada de 
ter cometido algum tipo de heresia, o Papa nomeava um 
INQUISITOR doutor em Teologia, Direito Canónico e Civil 
para investigar e proceder ao julgamento e à condenação. 
O inquisidor deveria que ter no mínimo 40 anos. O suspeito 
de heresia deveria retratar-se diante do Tribunal do “San-
to Ofício”, negar as ideias consideradas heréticas, ou seja, 
“qualquer linha de pensamento que fosse diferente do da 
Igreja”, e reafirmar a crença nos preceitos católicos.
20
HISTÓRIA
Se a pessoa continuasse firme em suas ideias contrá-
rias a Igreja, sem se retratar, estaria sujeita a santas puni-
ções: multas, prisão, “confisco de bens” pelas autoridades 
eclesiásticas, torturas e finalmente a condenação à morte 
na “fogueira santa” que era acesa em um lugar público. A 
pessoa era presa entre correntes e grilhões pés e mãos e 
colocara em um poste de madeira sobre um estrado tam-
bém de madeira envolto com gravetos, palha seca. Era uma 
grande fogueira com uma multidão gritando: “Queime a 
bruxa”..., “queime o herege”. Nessa época, até o riso era 
proibido e colocado como expressão do mau. Por isso é 
comum nos contos e histórias infantis medievais as bru-
xas aparecerem sempre às gargalhadas. Pode-se notar essa 
articulação entre bem e seriedade ao observamos nessas 
histórias os modos como as “bruxas” e as “feiticeiras” são 
representadas e o modo também como as mocinhas são 
apresentadas nessas historinhas. A mocinha que é boa so-
fre sempre e é tristonha, a bruxa ou feiticeira é má e sor-
ridente. Esse era o raciocínio medieval, no final da história 
o SOFRIMENTO é compensado e o riso castigado. As his-
tórias assustadoras de pessoas torturadas na roda, conde-
nadas à morte como bruxas e que tinham seus membros 
esmagados com uma barra de ferro abençoada pelo Papa 
eram aterrorizantes, principalmente para as crianças que 
tinham que conviver e crescer vendo e ouvindo essas his-
tórias. Isso nos leva a concluir que era muito difícil sobre-
viver com ideias diferentes daquilo que era proposto pelo 
padrão religioso da pépoca.
 
O historiador Enry Thomas em suas afirmações diz che-
gou a conclusão de que seria possível escrever um livro 
somente sobre as torturas empregadas pela inquisição, de 
tão vasto que é esse assunto. Veja um dos fragmentos dos 
seus textos:
“O prisioneiro, com as mãos amarradas para trás, era 
levantado por uma corda que passava por uma roldana, 
e guiando até o alto do patíbulo ou do teto da câmara de 
tortura, em seguida, deixava-se cair o indivíduo e travava-
se o aparelho ao chegar o seu corpo a poucas polegadas 
do solo. Repetia-se isso várias vezes. Os cruéis carrascos, 
as vezes amarravam pesos nos pés das vítimas, a fim de 
aumentar o choque da queda.”
No mesmo relato o historiador continua dizendo: “De-
pois havia a tortura pelo fogo. Colocavam-se os pés da ví-
tima sobre o carvão em brasa e espalhava-se por cima uma 
camada de graxa, a fim de que este combustível estalasse 
ao contacto com o fogo”.
Veja esse fragmento de texto:
“A Inquisição Católica promoveu o extermínio de apro-
ximadamente 20 milhões de pessoas ao longo de quase 
1000 anos. Embora a inquisição tenha alcançado seu apo-
geu no século XIII, suas origens remontam o século IV. A 
Inquisição teve princípio na França, no século XIII, mas não 
pode manter-se nesse país.
Na Itália e, principalmente, na Espanha, onde tomou o 
nome de Santo Ofício, criou fortes raízes e tornou-se insti-
tuição poderosíssima. Não avia parte nenhuma no mundo 
onde os protestantes ou hereges estivessemlivres para o 
exercício de sua fé. Partindo da Europa, muitos procuraram 
refúgio nas Américas do Sul e Central, o “Novo Mundo”. 
Mas para cá também vieram os inquisidores. A inquisição 
em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan 
de Quevedo, bispo de Cuba. E nem o Brasil escapou. A In-
quisição Católica se instalou no Brasil em três ocasiões: A 
partir de 1551, na Bahia e em Pernambuco.
Não há dúvidas que esse processo foi decisivo na atual 
distribuição de cristãos não católicos retardando sua con-
seqüente multiplicação. E se um protestante não quisesse 
se converter ao catolicismo, era sumariamente eliminado”. 
(BITHENCURT – Histórias das Inquisições. Editora Compa-
nhia das Letras)
Livros proibidos: o Index
Na época da Inquisição havia o Index Librorum Prohi-
bitorum era uma lista de livros proibidos cuja circulação 
era controlada pela Inquisição. Os livros autorizados eram 
impressos com um “imprimatur” (que seja publicado) ofi-
cial. Imprimatur era uma declaração oficial da Igreja Ca-
tólica que diz que um trabalho literário ou similar não vai 
contra as ideias da Igreja. Em latim “imprimatur” significa 
“deixem-no ser impresso”. O que acontecia se as pessoas 
tentassem aproximar-se dos livros proibidos? O filme “O 
nome da rosa” ilustra bem e responde essa pergunta.
No filme vemos o monge franciscano Willim de Basker-
ville (ator Sean Connery) e seu ajudante Adso (ator Chiris-
tian Slater), representando o intelectual renascentista, que 
com uma postura humanista e racional – ferramentas da 
heresia, segundo a Igreja –, consegue desvendar a verdade 
por trás dos crimes cometidos no mosteiro.
William e Adso chegam a um mosteiro beneditino, es-
tranhas mortes vinham acontecendo dentro do mosteiro 
localizado na Italia durante a Baixa Idade Média. As vítimas 
aparecem sempre com a pota dos dedos e a língua roxos. 
O mosteiro guarda uma imensa biblioteca, onde poucos 
monges têm acesso às publicações sacras e profanas.
A chegada do monge franciscano Willian (Sean Con-
ney), incumbido de investigar os casos, irá mostrar o verda-
deiro motivo dos crimes, resultando na instalação do tribu-
nal da santa inquisição. O frade franciscano irmão William 
de Baskerville além de detetive, é também o filósofo que 
investiga, examina, interroga, duvida, questiona e, por fim, 
com seu método empírico e analítico, desvenda o mistério 
das mortes, ainda que para isso tenha pagado um alto pre-
ço. Santo Agostinho estabeleceu que os cristãos podiam 
tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que fosse im-
portante e útil para o desenvolvimento da fé cristã, desde 
que seja compatível com a fé (teologia e doutrina cristã) 
e a filosofia e a ciência dos antigos. (Tratado de Doutrina 
Cristã, livro II, B. Cap. 41) Por conta disso é que a biblioteca 
tem que ser secreta, porque nela inclui obras que não es-
tão devidamente interpretadas no contexto do cristianismo 
21
HISTÓRIA
medieval. O acesso à biblioteca é restrito, porque ali havia um SABER que é ainda estritamente “pagão” (especialmente os 
textos de Aristóteles), e que pode ameaçar a doutrina cristã. Como diz o velho bibliotecário Jorge de Burgos ao final, acerca 
do texto de Aristóteles – a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor de Deus e, portanto, faz desmoronar 
todo esse mundo.
As obras proibidas continham muito do pensamento aristotélico, trazido pelos árabes (muçulmanos), que traduziram 
muitas de suas obras para o latim. Essas obras continham saberes filosóficos e científicos da Antiguidade que despertariam 
imediatamente interesses pelas inovações científicas decorrentes. O pensamento agora será marcado pelo empirismo e 
materialismo contrariando assim a ideia do espiritual e das explicações pela fé e com base no sobrenatural. A reação da 
Igreja foi fortemente ameaçadora, tudo por que...
Conhecimento é poder
A reação da Igreja foi fortemente ameaçadora. Experimentar, testar, analisar, observar e comparar fazendo uso dos cin-
co sentidos para se chegar a uma conclusão é uma das coisas capaz de fazer despertar no indivíduo, uma nova consciência. 
É por isso que o arrogante inquisidor Bernardo Gui encarnado por F. Murray Abraham, cuja fama já era conhecida por ter 
presidido diversos julgamentos e condenações a mando da Igreja, fora enviado pelo Papa para intimidar e atrapalhar as in-
vestigações de William, que estava a procura da verdade, principalmente sobre as mortes misteriosas que ocorriam dentro 
de um mosteiro, assim, Wilian, adentrou à biblioteca proibida e persistiu na sua busca, mesmo sabendo que o inquisidor 
Bernardo Gui estava prestes a ascender a fogueira da inquisição para exterminá-lo.
Ao sair da biblioteca, William e Adso descobrem uma verdade extraordinária: os livros foram envenenados e quem 
estava matando as pessoas não era o demônio e nem o castigo divino, as mortes misteriosas eram promovidas pelos 
membros do clero para evitar que as pessoas descobrissem outras verdades que colocariam em xeque a fé religiosa e os 
dogmas da Igreja.
William e Adso escapam do fogo, e saem a salvo da biblioteca em chamas, com vários livros salvos do fogo nas mãos, 
entre eles, uma das obras mais preocupantes para a Igreja e o clero: “A Divina Comédia”, obra de Dante Alighieri.
Dante Aliguieri é considerado o precursor do Renascimento. A obra do poeta (1307) é dividida em três partes:
• O Inferno.
• O Purgatório.
• O Paraíso.
A primeira parte é composta de 34 contos, e as duas outras partes de 33, totalizando 100 contos ao todo, escritos em 
tercetos de versos decassílabos com rima encadeada. Como se trata de um gênero literário que utiliza a sátira, a obra foi 
proibida pela Igreja. O riso era tido como algo demoníaco e quem sorrisse em público poderia sofrer a pena de morte na 
fogueira. Jorge de Burgos define bem o modo de pensar da Igreja quando fala do perigo do uso da comédia nas obras 
literárias: a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor de Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo.
Fonte:
Disponível em: <https://www.recantodasletras.com.br/artigos/1474654>
A MONTAGEM DA COLONIZAÇÃO EUROPEIA NA AMÉRICA: OS SISTEMAS 
COLONIAIS ESPANHOL, FRANCÊS, INGLÊS E DOS PAÍSES BAIXOS
A expansão marítimo-comercial compreende o período das grandes viagens empreendidas pelos países europeus nos 
séculos XV e XVI. A principal motivação das grandes navegações foi a busca por uma rota que evitasse o Mediterrâneo, 
com o objetivo de quebrar o monopólio do comércio de especiarias exercido por Gênova e Veneza, que controlavam a 
entrada dos produtos vindos do Oriente. Além disso, a Europa vivia um momento de esgotamento das minas de metais 
preciosos, o que provocava uma verdadeira sede de ouro. Portugal e Espanha foram os primeiros países que reuniram as 
características para lançar-se ao mar: um Estado centralizado, geografia favorável e tecnologias apropriadas como navios, 
mapas e instrumentos de navegação.
22
HISTÓRIA
Expansão portuguesa
Em 1385, João I venceu a disputa com o reino de Castela e assumiu o trono de Portugal na Revolução de Avis, concre-
tizando a centralização monárquica. A conquista de Ceuta (Marrocos) marcou o início da expansão portuguesa, em 1415. 
Em 1488, Bartolomeu Dias contornou o cabo da Boa Esperança. Dez anos depois, Vasco da Gama chegou à Índia. Em 1500, 
a expedição de Pedro Álvares Cabral aportou no Brasil. Os portugueses estabeleceram diversos pontos de comércio nos 
locais em que paravam, criando, assim, seu império marítimo-comercial, que, a princípio, só tinha objetivos de exploração, 
não de povoamento.
Expansão espanhola
Ocupados com a unificação dos reinos locais de Aragão e Castela, que ocorreu em 1469, e com a expulsão dos árabes, 
na Guerra da Reconquista, que só se concluiria em 1492, os espanhóis começaram sua expansão marítima mais tarde.
Em 1492, a Espanha aprovou o plano de Cristóvão Colombo de chegarao Oriente indo rumo ao Ocidente. No meio do 
caminho, no entanto, o navegador deparou com a ilha de Guanahani, atualmente parte das Bahamas. Mais tarde, o episó-
dio ficaria conhecido como o descobrimento da América. Porém, até então, pensava-se que as terras faziam parte da Ásia. 
Sendo assim, Portugal reivindicou direitos sobre as áreas descobertas, e, em 1494, as duas potências assinaram o Tratado de 
Tordesilhas, dividindo entre si as terras já conhecidas e as que ainda seriam descobertas por meio de uma linha imaginária 
(veja no mapa acima).
Apenas nos primeiros anos do século XVI a existência do novo continente seria confirmada pelo navegador florentino, 
a serviço da Espanha, Américo Vespúcio.
Formas de colonização
Após a chegada de Colombo, as potências ultramarinas começaram a se instalar na América e exploraram intensamen-
te os nativos e quase a totalidade das terras durante cerca de três séculos, o que resultou em um vigoroso fluxo de riquezas 
para a Europa.
As colônias europeias dividiam-se, de maneira geral, em dois tipos:
23
HISTÓRIA
Exploração: voltadas para o abastecimento do mercado europeu, caracterizavam- se pela grande propriedade, pela 
monocultura e pelo trabalho escravo. Além de agricultura, praticava-se intensa extração de metais. Nessas regiões, valia 
o pacto colonial, segundo o qual a colônia só podia vender sua produção à metrópole – a preços reduzidos – e dela impor-
tar aquilo de que precisasse – com altos valores. Esse era o tipo de colonização empregado pela Inglaterra (na porção sul 
de sua colônia) e por Espanha e Portugal
Povoamento: foi implementado na parte norte da colônia inglesa, onde o clima não permitia o cultivo de itens diferen-
tes dos plantados na Europa. A produção era voltada para o consumo interno, com o predomínio de pequenas proprieda-
des, policultura e mão de obra familiar.
 
Espanhóis
A colonização espanhola teve início com a ocupação das ilhas do Caribe. Em 1531, o México foi dominado, e a po-
pulação asteca, devastada. No Peru, a conquista do Império Inca começou em 1532. No fim do século XVI, a Espanha já 
havia tomado posse da maior parte de sua colônia americana. Os nativos foram exterminados por doenças e guerras ou 
obrigados a servir como mão de obra.
Para organizar a exploração, a Espanha criou a Casa de Contratação, que controlava o comércio entre Espanha e Amé-
rica e punia quem tentasse burlar o monopólio. A terra foi dividida em quatro vice-reinos – Nova Espanha, Nova Granada, 
Peru e Rio da Prata – e em capitanias – as principais eram as de Cuba, Flórida, Guatemala, Venezuela e Chile.
Nos Vice-Reinos a principal atividade econômica remetia a exploração ou escoamento dos metais precisos, enquanto 
as Capitanias Gerais dedicavam-se a produção agrícola, muitas vezes destinada para o abastecimento dos Vice-Reinos. 
Todavia, na produção agrícola e pecuária voltadas para a exportação havia a predominância de produtos tropicais como 
açúcar, cacau, tabaco, entre outros.
24
HISTÓRIA
A principal atividade econômica era a extração de me-
tais preciosos, principalmente no Peru e no México. A mão 
de obra indígena era explorada por meio da mita – regime 
de trabalho forçado que durava quatro meses ao ano. A 
prática também era aplicada à agricultura, que recebia o 
nome de encomienda.
Diferente de Portugal, a Espanha optou pela explora-
ção do trabalho compulsório indígena, ao invés da utiliza-
ção da mão-de-obra cativa africana, o que não quer dizer 
que não existiam escravos africanos na América Espanhola. 
Existiam, porém, em menor número. A exploração do tra-
balho forçado indígena se deu de duas diferentes manei-
ras: mita e Encomienda.
A mita era aplicada pela própria coroa nas áreas de 
exploração de metais preciosos, ou seja, nos Vice-Reinos. 
Ela tinha por base um costume incaico de exploração do 
trabalho do indígena por quatro meses por ano em condi-
ções mais do que precárias.
Por sua vez, a encomienda consistia na exploração do 
indígena na produção agrícola. O encomendiero (Colono 
Espanhol) recebia autorização da coroa para a exploração 
indígena, mas em troca deveria responsabilizar-se pela 
catequização dos explorados. Ou seja, além de ter sua li-
berdade cerceada, sua fé também era negada e forçado a 
adotar a religião dos invasores.
Sociedade Colonial Espanhola
A sociedade Colonial Espanhola desenvolveu um mo-
delo próprio, com diferentes castas sociais. No topo da 
pirâmide encontravam-se os Chapetones, espanhóis de 
nascimento que migraram para a América e ocupavam os 
maiores postos dentro da hierarquia colonial.
Um pouco abaixo estavam os Criollos, filhos de es-
panhóis nascidos na América, formavam a elite, eram co-
merciantes e fazendeiros que formaram a elite política do 
território colonial espanhol. Por fim, mestiços, indígenas e 
negros formavam as camadas mais baixas da sociedade, 
com poucos ou nenhum direito, eram explorados por Cha-
petones e Criollos.
O clero católico que foi para a América condenava a 
exploração dos índios. Para amenizar o sofrimento indí-
gena, os eclesiásticos criaram as reduções – espaços nos 
quais os nativos eram catequizados, alfabetizados e se de-
dicavam à agricultura. Quanto ao escravo negro, a Igreja 
pouco se manifestou.
Os espanhóis encontraram uma grande quantidade de 
ouro e prata nas suas possessões americanas, o que lhes 
garantiu muita opulência e riqueza no século XVI e oca-
sionou um processo inflacionário chamado de Revolução 
dos Preços. 
 Hernan Cortez foi o líder militar espanhol que con-
quistou o Império Asteca; Francisco Pizzarro conquistou o 
Império Inca. Os Maias já estavam desagrupados politica-
mente quando da chegada dos espanhóis. 
 Ao dominarem os impérios Inca e Asteca, os espanhóis 
optaram por utilizar a mão-de-obra dos nativos, que já 
eram explorados por estes impérios. Por isso o número de 
escravos negros foi mais baixo na América espanhola que 
no Brasil ou no sul das 13 colônias inglesas. 
 Os missionários jesuítas vêm para a América Espanho-
la catequizar os indígenas. Muitos deles denunciavam os 
maus-tratos dos colonizadores sobre os gentios. 
 Os jesuítas espanhóis fundaram os 30 povos das mis-
sões (7 aqui no território do atual RS) para catequização 
dos indígenas e formaram praticamente um governo a 
parte que desobedeceu muitas vezes ao governo espanhol 
(um “Estado dentro do Estado”). 
 Foi a elite criolla, sem acesso aos altos cargos de go-
verno que se inspirou no iluminismo do século XVIII e lutou 
pela independência contra a Espanha e os chapetones, vi-
sando assim ter acesso ao poder.
Ingleses, franceses e holandeses
No século XVII, os ingleses decidiram ocupar o vazio 
deixado na América do Norte pelos espanhóis – a quem a 
terra pertencia, segundo o Tratado de Tordesilhas. Para ini-
ciar sua colonização na América, a Inglaterra criou a Com-
panhia de Plymouth, para cuidar do norte, e a Companhia 
de Londres, responsável pelo sul. Ao todo, foram fundadas 
13 colônias ao longo da costa.
O norte foi habitado por refugiados políticos e reli-
giosos – protestantes calvinistas. Alguma atividade ma-
nufatureira era tolerada pela metrópole na região, que 
cresceu economicamente e passou a escoar o excedente 
para os mercados do sul. Mais tarde, criou-se o comércio 
triangular: mercadores da colônia fabricavam rum, que era 
trocado por escravos na África; estes, por sua vez, eram 
vendidos no Caribe e nas colônias do sul. Nestas últimas, 
foi implantado um esquema de monocultura algodoeira, 
destinada à exportação, com uso de mão de obra escrava 
trazida da África.
França e Holanda também marcaram presença na 
América, colonizando parte das Guianas e das ilhas do Ca-
ribe. Ambas também ocuparam durante determinado tem-
po terras brasileiras. A França ainda fundou, na América do 
Norte, Québec e Montreal – atualmente no Canadá.25
HISTÓRIA
América Inglesa:
O processo de ocupação da América do Norte por Ingleses teve início no século XVII e foi dividido entre duas compa-
nhias de comércio distintas, que aplicaram modelos de exploração igualmente distintos.
O território ao sul, formado pelas colônias da Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia e Maryland, ad-
ministrado pela Companhia de Londres, foi moldado segundo o padrão de exploração português e espanhol (colônia de 
exploração) baseado no sistema de Plantation, ou seja, ao sul investiu-se na produção de gêneros tropicais com a utiliza-
ção de mão-de-obra escrava africana, e voltada para o mercado externo. Como resultado temos uma sociedade de base 
aristocrática.
As colônias do Norte, Delaware, Pensilvânia, Nova York, Nova Inglaterra, Massachussetts, Connecticut, New Hempshire, 
Rhode Island e Nova Jersey, foram administradas pela Companhia de Plymouth, obedeceram a um estilo diferente de co-
lonização, onde o foco não foi propriamente o acumulo de capital e as práticas mercantilistas.
Todavia, o motivo para este diferente sistema tem relação com as constantes perseguições religiosas que ocorriam em 
território inglês desde a instituição das religiões protestantes.
Desta forma, entre as centenas de colonos que migraram para as colônias do norte estavam os chamados puritanos 
(Calvinistas Ingleses), que viram na migração para a América maios segurança para a prática de sua Fé. Assim, a região foi 
marcada desde cedo pelo desejo de desenvolvimento, investindo-se na produção familiar dos mais diversos gêneros e 
atividades, com vistas para a formação e fortalecimento de um mercado interno.
As diferenças entre os modelos de colonização aplicados ainda marcariam de maneira emblemática a história dos Es-
tados Unidos da América no século XIX durante a guerra da secessão. Onde sulistas escravocratas enfrentariam nortistas 
adeptos da abolição da escravidão.
A Dinastia Tudor foi responsável pela adoção do absolutismo na Inglaterra, sendo também promovedora da política 
mercantilista. Durante o reinado de Elizabeth I foi dado um grande impulso à construção naval e à atividade marítimo co-
mercial. Foi nesse contexto que, em 1585, sir Walter Raleigh chegou a América do Norte, fundando a colônia de Virgínia, a 
1° das 13 colônias. 
26
HISTÓRIA
Apesar da descoberta de novas colônias, o sistema colonial inglês só foi iniciar na Dinastia Stuart (Jaime I, 1603-1625),quan-
do o poderio das frotas navais inglesas permitiu que houvesse uma boa passagem pelo atlântico.
Além do mais, deve-se salientar o acúmulo de capitais da burguesia inglesa, que procurava novas 
áreas para investimento.
Quem veio para a América do Norte? 
Com o início da colonização, vários grupos sociais vieram para as colônias inglesas, destacando-se os perseguidos 
religiosos ou políticos, geralmente pessoas de uma boa condição financeira e dispostos a começar uma vida nova, longe 
dos conflitos. Também existiu o grupo dos sem-terra, pessoas que haviam sido expulsas do campo devido aos cercamentos 
(enclosures) realizados pelos nobres. Os sem-terra normalmente vinham sob a condição de servos temporários. 
Norte e Sul 
Diferentemente das demais colônias americanas, as colônias inglesas apresentaram uma distinção entre sul e norte (em 
alguns casos fala-se em colônias do norte e do centro), onde o sul era formado por colônias de exploração (como todo o 
mundo colonial) e o norte (e centro) era de colônias de povoamento. Esta diferença se dava basicamente devido ao fator 
geoclimático, uma vez que o norte tinha uma produção econômica parecida com a da Inglaterra (não oferecia, então, pro-
dutos de complemento) e o sul produzia os gêneros tropicais inexistentes na Europa e por lá tão solicitados. 
27
HISTÓRIA
 
 
O Comércio Triangular 
As 13 colônias não apresentaram riquezas que justificassem a montagem de um sistema colonial complexo por parte 
dos ingleses. Não havia quantidade significativa de ouro ou prata e as condições de solo e clima em boa parte delas eram 
semelhantes as da Inglaterra, tornando inviável a criação de uma economia de subsistência. Apenas na porção sul havia 
condição para produção de tabaco (e mais tarde algodão) que pudesse servir de complemento para a economia metro-
politana. 
O governo inglês então optou por permitir que muitas pessoas que gostariam de construir um novo mundo migrassem 
para a América, formando as colônias de povoamento que tinham relativa liberdade comercial e pacto colonial brando. 
Alguns historiadores usam a expressão “negligência salutar” para designar a política de abandono da Inglaterra em 
relação às 13 colônias. Note-se que, além da falta de atrativos econômicos das colônias, a Inglaterra também vivia a Revo-
lução Inglesa (1642-89), que gerava dificuldades internas demais para que se pudesse dar atenção aos domínios além mar. 
Desta maneira, as 13 colônias desenvolveram o Comércio Triangular, um comércio fugindo dos padrões tradicionais 
do mercantilismo e que possibilitou que a América do Norte tivesse um desenvolvimento diferente das demais áreas do 
continente. 
 
EXTRA: Além dos ingleses 
28
HISTÓRIA
“(...) Para os imigrantes pobres, o mais comum era a troca de despesas de transporte e manutenção por serviços, obri-
gando-se o imigrante a trabalhar por um certo número de anos para a companhia que o financiara. Uma vez encerrado esse 
prazo, ele estava livre e recebia um lote de terra. 
A partir de 1680, geralmente em virtude das guerras ou da pobreza, imigrantes de outros países começaram a chegar. 
Vinham da Alemanha, Irlanda, Escócia, Suíça e França, aumentando a população norte-americana que, nessa década e na 
seguinte, chegava a 250 mil pessoas. Esse número dobrou a cada 25 anos. Assim, em 1775, a população das colônias chegava 
a 2,5 milhões de pessoas.”
Em resumo, A incursão dos ingleses no processo de colonização do continente americano conta com determinadas par-
ticularidades que o difere sensivelmente da experiência colonial promovida por portugueses e espanhóis. Entre outras razões, 
podemos apontar o processo tardio de colonização, a natureza espontânea da ocupação dos territórios e as características do 
litoral norte-americano como pontos fundamentais na compreensão da colonização inglesa.
No governo da rainha Elizabeth I (1558 – 1603), a Inglaterra ingressou na economia mercantilista ao investir na construção 
de novas embarcações e no comércio marítimo. Nesse contexto, a pirataria se tornou uma importante fonte de lucros susten-
tada no assalto de navios espanhóis que saíam do Caribe com destino à Europa. Nesse mesmo período tentaram empreender 
a colonização de região norte-americana com a organização de três expedições comandadas por Walter Raleigh.
O insucesso dessas primeiras expedições só foi revertido com a criação da colônia de Virgínia, em 1607. Depois disso, o 
processo de colonização britânico ganhou força com a política de cerceamentos, que expulsou os pequenos agricultores de 
suas propriedades, forçando-os a buscar outras possibilidades no Novo Mundo. Concomitantemente, os conflitos religiosos que 
tomaram conta da Inglaterra após a reforma anglicana também motivaram a imigração dos puritanos ingleses para a América.
No ano de 1620, o navio Mayflower saiu da Inglaterra com um grupo de artesãos, pequenos burgueses, comerciantes, 
camponeses e pequenos proprietários interessados em habitar uma terra onde poderiam prosperar e praticar o protestan-
tismo livremente. Chegando à América do Norte naquele mesmo ano, os colonos fundaram a colônia de Plymouth – atual 
estado de Massachusetts – que logo se transformou em ponto original da chamada Nova Inglaterra.
Com o passar do tempo, esse processo de colonização estabelecida por meio da ação autônoma de determinados indiví-
duos passou a ganhar características mais diversas. Na região norte, a colonizaçãode povoamento teve que suplantar grandes 
dificuldades que com a posterior consolidação de pequenas propriedades e o uso de mão de obra livre permitiram a formação 
de um comércio diversificado sustentado pela introdução da manufatura e o surgimento de um mercado consumidor.
Na região sul, as especificidades geográficas e climáticas propiciaram um modelo de colonização distinto. O clima subtro-
pical, o solo fértil e as planícies cortadas por rios navegáveis consolidaram um modelo de colonização semelhante aos padrões 
ibéricos. Dessa forma, o sistema de plantations estabeleceu o surgimento de grandes fazendas monocultoras produtoras de 
tabaco, arroz, índigo e algodão. Com isso, a grande demanda por força de trabalho favoreceu a adoção da mão de obra es-
crava vinda da África.
Compondo um processo de ocupação tardio, a região central ficou marcada por uma economia que mesclava a produção 
agropecuarista com o desenvolvimento de centros comerciais manufatureiros. As primeiras colônias centrais apareceram por 
volta de 1681, com a fundação das colônias do Delaware e da Pensilvânia. Durante a independência das colônias, esta região 
teve grande importância na organização das ações que deram fim à dominação britânica.
Colonização Francesa:
O chefe indígena Saturiwa mostrando monumento ao explorador francês Laudonnier
29
HISTÓRIA
A colonização francesa nas Américas, assim como a in-
glesa, foi retardatária se comparada às expedições espanho-
las e portuguesas. Apesar do atraso, os franceses empreen-
deram tentativas de colonização nas três Américas.
Como os franceses ficaram fora da divisão do Tratado de 
Tordesilhas, o rei francês Francisco I havia ironizado o trata-
do, ao dizer que queria ver o testamento de Adão para saber 
se ele havia destinado as terras do mundo apenas a Portugal 
e Espanha. Porém, o tratado não impediu os franceses de 
tentar colonizar áreas do território americano e nem de ten-
tar lucrar com o comércio marítimo na região.
As práticas de pirataria foram estimuladas pela coroa 
francesa. Inúmeros navios corsários passaram a navegar em 
águas americanas, com o objetivo de saquear navios e loca-
lidades comerciais litorâneas. Com as ações de pirataria, os 
franceses conseguiram ganhos econômicos consideráveis.
Havia também interesse na criação de colônias nos terri-
tórios americanos. Uma tentativa se deu em meados do sé-
culo XVI, na região da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. 
Em estreita ligação com os indígenas da região, os franceses 
fundaram em 1555 a França Antártica, cujo objetivo era criar 
um espaço de colonização no litoral brasileiro, buscando 
desenvolver atividades econômicas, principalmente no ex-
trativismo. A iniciativa teria fim alguns anos depois, quan-
do os portugueses e seus aliados indígenas derrotaram os 
Franceses.
Ainda no que conhecemos como litoral brasileiro, os 
franceses tentaram uma nova empresa colonizadora, dessa 
vez na atual região do Maranhão. Nesse local, entre 1612 e 
1615, os franceses criaram a França Equinocial, cujo principal 
legado é a cidade de São Luís do Maranhão. Mais uma vez 
os franceses não foram capazes de manter a colônia, sendo 
novamente expulsos pelos portugueses.
Na América do Sul, os franceses teriam mais sorte na 
região das Guianas, onde até os dias atuais há um territó-
rio francês: a Guiana Francesa. Nela houve a produção de 
produtos tropicais destinados à venda no mercado europeu.
Na América do Norte, os franceses ocuparam inicial-
mente territórios onde hoje se localiza o Canadá. O ponto 
de partida foi a formação de Quebec no início do século 
XVII. A partir daí os franceses passaram a ocupar a região 
dos Grandes Lagos, onde conheceram a foz do rio Mississipi. 
O rio auxiliou ainda os franceses a ocuparem a região central 
do continente norte-americano, em uma faixa territorial que 
ia desde os Grandes Lagos até o Golfo do México, ao sul. 
A região ficou conhecida como Louisiana, nome dado em 
homenagem ao rei Luís XIV.
Na região do Golfo do México, os franceses construí-
ram a cidade de Nova Orleans, um importante entreposto 
comercial, onde eram escoadas principalmente madeiras e 
peles, já que não houve um incentivo à produção agrícola 
nos territórios franceses. Tal situação ocorreu principalmente 
por não ter havido grande incentivo da coroa francesa na 
colonização, cabendo a empresas privadas a exploração.
Na região das Antilhas, os franceses conquistaram algu-
mas ilhas, destacando-se parte da Ilha de Santo Domingo, 
atual Haiti. Inicialmente a exploração agrícola dessa região 
era de produtos como tabaco, café e cana-de-açúcar, traba-
lhados pelos chamados “engagés” (engajados), criminosos 
e marginalizados na metrópole que iam para a colônia em 
troca de trabalho e acesso a terra após três anos de servi-
ços. Mas com o aumento da produção, essa mão de obra 
foi substituída pelo trabalho de africanos escravizados. No 
século XVII, o ministro das Finanças de Luís XIV mudou a 
política colonial e criou a Companhia das Índias Ocidentais, 
1635, com objetivo de administrar as colônias.
O Haiti tornou-se a principal colônia francesa, onde era 
produzida a maior parte do açúcar fabricado no mundo. 
Entretanto, com a eclosão da Revolução Francesa, os ideais 
revolucionários influenciaram a luta dos escravos, que abo-
liram a escravidão em 1794 e conseguiram a independência 
em 1804.
Os territórios da América do Norte seriam perdidos após 
uma série de derrotas em guerras travadas contra algumas 
potências europeias, principalmente a Inglaterra. A Guerra 
dos Sete Anos (1756-1763) e os acordos do Tratado de Paris 
custaram aos franceses a região de Quebec e todas as suas 
possessões no Canadá, além da Louisiana e de algumas ilhas 
das Antilhas.
Nos dias atuais, ainda se mantêm como departamentos 
franceses as Ilhas de Guadalupe, São Martinho, São Bartolo-
meu e Martinica, nas Antilhas; e a Guiana Francesa, na Amé-
rica do Sul.
Em resumo, os Franceses inicialmente dedicaram-se ao 
contrabando e pirataria, bem como a invasão de territórios 
portugueses e espanhóis, visto que estes dois últimos pos-
suíam mais territórios e buscavam ocupá-los para protegê
-los. No entanto, o contingente colonial não era suficiente 
para garantir a posse das terras.
Nesse contexto a França invadiu o Brasil Colônia por 
duas vezes instalando a França Antártica (Rio de Janeiro) 
e França Equinocial (Maranhão), mas tais ocupação foram 
duramente expulsas pelas forças portuguesas. Ao norte do 
continente americano os franceses instalaram duas colônias, 
Quebec (Canadá) e Louisiana (Centro dos Estados Unidos), 
além do Haiti, Tobago, Martinica, Guadalupe nas Antilhas 
(América Central). Juntamente com os Holandeses ocupa-
ram as Guianas ao norte da América do Sul.
As embarcações e as companhias de comércio foram o 
grande sustentáculo da colonização holandesa
30
HISTÓRIA
Os holandeses, por meio da Companhia das Índias 
Ocidentais estabeleceram na América do Norte a Colônia 
de Nova Amsterdã. No entanto, o território foi tomado 
pelos ingleses e rebatizado de Nova Yorq. Nas Antilhas, 
conforme dito anteriormente estabeleceram a Guiana Ho-
landesa e tentaram fixar-se no Brasil durante o período da 
União Ibérica (1580 -1640).
Nesse período ocuparam vasto território da região 
nordeste do Brasil colonial por cerca de 20 anos, sendo 
posteriormente expulsos pelos portugueses. A animosi-
dade entre Espanha e Holanda esta ligada aos episódios 
da Guerra dos 30 Anos, quando os países baixos busca-
ram eliminar o domínio espanhol em seus territórios.
No século XVI, a região de Flandres era constituída 
por um grupo de cidades que acumulavam recursos fi-
nanceiros graças ao desenvolvimento do comércio da re-
gião.
Contudo, não havia a presença de um Estado centra-
lizado. Sendo assim, parte integrante dos vários princi-
pados e territóriosque integravam o Sacro-Império Ger-
mânico, o qual acabou sendo desmembrado em diversos 
países logo que os filhos de Carlos V herdaram seu trono.
Nesta divisão os territórios holandeses acabaram fi-
cando politicamente subjugados ao controle da monar-
quia espanhola. Tal situação acabou se mostrando in-
sustentável ao longo do tempo, já que os comerciantes 
holandeses se convertiam massivamente à religião pro-
testante, enquanto o reino espanhol se mostrava fiel ao 
cristianismo católico. De tal modo, a partir de 1550, ob-
servamos que os conflitos entre holandeses e espanhóis 
se tornavam cada vez mais frequentes.
Na década de 1570, a união das várias regiões que 
formavam os Países Baixos intensificou significativamente 
seus esforços destinados ao rompimento definitivo junto 
aos espanhóis. No ano de 1579, as províncias do Norte se 
mobilizaram promovendo a realização União de Utrecht, 
que mais tarde veio a se consolidar com a proclamação da 
República das Províncias dos Países Baixos – formada pela 
Holanda, Utrecht, Zelândia, Gueldre, Frísia, Groningue e 
Overissel.
Tomadas por um governo republicano e com forte 
tradição nas atividades comerciais, os holandeses assumi-
ram posição de ponta na realização de transportes marí-
timos, responsáveis pela distribuição de mercadorias em 
toda Europa. Fundaram duas companhias de comércio: 
a Companhia Holandesa das Índias Orientais (1602) e a 
Companhia das Índias Ocidentais (1621), que organiza-
vam a reexportação de mercadorias diversas e promo-
viam o tráfico de escravos para a América Hispânica.
Realizando a fundação de entrepostos comerciais, os 
holandeses cravaram sua expansão colonialista em vários 
continentes. Fixaram-se no Nordeste brasileiro ao longo 
de um tempo, realizaram a fundação de Nova Amsterdã 
(atual cidade de Nova York), tomaram posições em pon-
tos do litoral africano (Guiné e Cabo). No mundo oriental, 
conquistaram Malaca, Java, Ceilão e alguns outros entre-
postos da China e do Japão.
Consequências
Além de resultar na descoberta de novas terras e rotas 
comerciais e na formação de enormes impérios coloniais, 
as grandes navegações alteraram profundamente a socie-
dade europeia. O Velho Mundo se tornou o centro de um 
comércio que interligava quatro continentes. A diversifi-
cação dos produtos e o aumento dos valores negociados 
proporcionaram um enriquecimento maciço das burgue-
sias – essas mudanças ficaram conhecidas como Revolução 
Comercial.
Fonte:
https://mundoedu.com.br/uploads/pdf/539cd44b-
c65a0.pdf
https://blogdoenem.com.br/america-colonial-espa-
nhola-francesa-inglesa-holandesa/
http://brasilescola.uol.com.br/historiag/colonizacao
-inglesa.htm
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historia-ameri-
ca/colonizacao-francesa-nas-americas.htm
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiadobra-
sil/colonizacao-holandesa-1.htm
O SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS 
NA AMÉRICA: ESTRUTURA POLÍTICO-
ADMINISTRATIVA; ESTRUTURA 
SOCIOECONÔMICA; INVASÕES 
ESTRANGEIRAS; EXPANSÃO TERRITORIAL; 
REBELIÕES COLONIAIS. MOVIMENTOS 
EMANCIPACIONISTAS: CONJURAÇÃO 
MINEIRA E CONJURAÇÃO BAIANA
Em 22 de abril de 1500 os portugueses chegaram à 
América – no litoral do nosso Brasil – na costa do atual 
estado da Bahia. Será que foi mesmo ‘por acaso’? Cabral 
estava perdido, ou sabia certinho o que estava procuran-
do? Veja para o Enem e os vestibulares.
O Novo Mundo, a ‘América’ não era exatamente uma 
novidade para os europeus. Afinal, Cristóvão Colombo já 
havia realizado esta descoberta em 12 de outubro de 1492 
ao chegar à região do Caribe, tendo zarpado no dia 6 de 
setembro do mesmo ano, do porto de Palos, na Espanha. 
A data e a conquista de Colombo ficaram registradas como 
a descoberta do Novo Mundo. Colombo era genovez (hoje 
uma região da Itália, mas a expedição era financiada pelos 
espanhóis. Os europeus da Península Ibérica estavam no 
auge das Grandes Navegações.
Oito anos depois da viagem de Cristóvão Colombo, 
22 de abril de 1500, a esquadra de Pedro Alvares Cabral 
aporta no Brasil e consagra a chegada dos portugueses na 
América. Você acredita, mesmo, que foi por acaso, e que a 
esquadra de Cabral tinha se perdido no mar? 
Dá para imaginar mil histórias que não foram escritas. 
Afinal, em 1494 Portugal e Espanha firmaram o Tratado de 
Tordesilhas, em que ‘separavam’ as terras que viessem a 
ser descobertas no Continente Americano. A linha imagi-
nária cortaria o território brasileiro de alto a abaixo. veja 
na ilustração: 
31
HISTÓRIA
Os Portugueses na América:
Mas, você sabia que inicialmente a Coroa portuguesa mostrou-se pouco interessada nas terras brasileiras? Não? Então, 
veja aqui o porquê desta história: Os portugueses não encontraram de imediato os metais preciosos que os espanhóis ha-
viam achado em suas colônias na América, e e preferiram garantir seus domínios no Oriente, principalmente das lucrativas 
rotas de comércio nas Índias. Afinal, os lucros que obtinham com a venda de especiarias eram enormes! Os portugueses 
tinham amplo domínio da navegação naquele período, conhecido como o das Grandes Navegações. 
O Brasil em segundo plano – Por esse motivo (do maior interesse comercial com a Rota das Índias) a Coroa portuguesa 
decidiu apenas mandar expedições para extrair o pau-brasil e fazer o reconhecimento do litoral. Começava assim a história 
de exploração, de reconhecimento, e de expansão do território brasileiro sob domínio de Portugal.
Veja na imagem o ‘Mapa Terra Brasilis’, do Atlas Miller de Lopo Homem 1515-1519. Além da fauna e da flora podemos 
ver a extração do pau-brasil feita pelos indígenas.
O Ciclo do Pau-Brasil
O Pau-Brasil: de seu tronco os portugueses extraíam pigmentos vermelhos que eram muito valorizados na Europa para 
fabricar corantes para tecidos. Este processo exploratório contou com a mão de obra indígena. Os índios extraíam e trans-
portavam a madeira em troca de roupas, facas, espelhos e outros produtos trazidos pelos portugueses.
O valor comercial do pau-brasil fez com que a Coroa portuguesa decretasse o monopólio real sobre o produto e con-
cedesse a comerciantes portugueses o direito de explorá-lo. Em troca esses comerciantes se comprometiam a explorar a 
costa brasileira e construir feitorias para proteger o litoral contra possíveis invasões. Este processo não estimulou a ocupa-
ção efetiva do país.
32
HISTÓRIA
Como você pôde observar a extração do pau-brasil foi a principal atividade econômica realizada pelos portugueses 
nos primeiros anos após a chegada à América (Brasil). Os nativos trabalhavam na extração e no transporte de madeira e em 
troca recebiam objetos, roupas, ferramentas. Praticava-se assim o escambo (troca de mercadoria por mercadoria). 
Mas, você deve estar se perguntando: – Isso ocorreu de maneira pacífica? – No princípio sim, apesar do espanto e da 
incompreensão de ambos, portugueses e nativos, que pertenciam a culturas diferentes. Mais tarde, os indígenas começa-
ram a ser escravizados o que gerou violentos conflito
s, que causaram a morte de milhares de índios. Além disso, a eles foi imposto um logo processo de aculturação.
Vocabulário:
Grandes Navegações: conjunto de viagens de longa distância feitas pelos europeus durante os séculos XV e XVI.
Mercantilismo: conjunto de ideias e práticas econômicas adotadas pela maioria das monarquias absolutistas entre os 
séculos XV e XVIII.
Aculturação: Processo de adaptação social de um indivíduo ou de um grupo a outra cultura.
Durante o período pré-colonial (1500 a 1530) a presença constante de outros europeus no litoral brasileiro, também 
interessados em explorar o comércio do pau-brasil, começou a preocupar a Coroa portuguesa. No Oriente, o lucrativo co-
mércio de especiarias começou a diminuir. Diante disso, o rei português, D. João III, decidiu colonizar as terras brasileiras.
Para dar início à colonizaçãodas terras brasileiras, o rei português enviou para cá a expedição de Martim Afonso de 
Souza (imagem abaixo). Em 1531, o grupo chegou ao Brasil e permaneceu por três anos.
Martim Afonso e seus homens tinham o objetivo de combater os franceses que exploravam o pau-brasil na costa e criar 
núcleos de povoamento.
33
HISTÓRIA
Em 1532 Portugal fundou a primeira vila portuguesa em terras brasileiras: São Vicente (imagem ao lado). Ali desen-
volveu o cultivo da cana-de-açúcar. O sucesso inicial fez com que a Coroa ampliasse a ocupação da colônia Brasil. Veja na 
imagem F’undação de São Vicente’. Obra realizada em 1900, do pintor Benedito Calixto, e inspirada nos relatos da época.
A Vila de São Vicente deu origem à cidade de mesmo nome, no litoral do Estado de São Paulo.
 
Na prática, mesmo antes de Cabral chegar ao Brasil, Portugal e Espanha tinha ‘dividido’ o novo continente com o Tra-
tado de Tordesilhas, firmado em 1492, dois anos após Cristóvão Colombo chegar à América do Norte.
 
Ao Leste de uma linha imaginária distante 370 léguas de Cabo Verde as novas terras derivam de Portugal. A Oeste, da 
Espanha. O Brasil, por este tratado, acabaria na linha que liga o município de Laguna, em Santa Catarina.
As Capitanias Hereditárias
A forma de ocupação inicial deterinada pelos portugueses foi dividir a fração que cabia à Coroa de Portugal em linhas 
horizontais, perpendiculares à linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Assim, o Brasil daquela época foi ‘fatiado’ em 
Capitanias Hereditárias. Veja na imagem: 
34
HISTÓRIA
As capitanias se estendiam, portanto, do litoral até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas. Os donatários, esco-
lhidos pelo rei podiam passar a seus herdeiros o controle sobre as terras que 
Veja a lista das 13 Capitanias, ordenadas do Norte para o Sul:
Capitania do Maranhão
Capitania do Ceará
Capitania do Rio Grande
Capitania de Itamaracá
Capitania de Pernambuco
Capitania da Baía de Todos os Santos
Capitania de Ilhéus
Capitania de Porto Seguro
Capitania do Espírito Santo
Capitania de São Tomé
Capitania de São Vicente
Capitania de Santo Amaro
Capitania de Santana
O Fracasso das Capitanias Hereditárias
Apesar dos esforços para colonizar o Brasil, a maioria das capitanias hereditárias fracassou. Então, em 1548, a Coroa 
portuguesa decidiu criar o governo-geral: um centro político que tinha como objetivo administrar toda a América potugue-
sa. Veja na imagem Tomé de Sousa.
35
HISTÓRIA
Tomé de Souza (imagem) foi o primeiro governador-
geral do Brasil. Chegou aqui em 1549. Com ele vieram pa-
dres jesuítas, funcionários reais, soldados, artesãos e mate-
riais de construção. A expedição instalou-se na capitania da 
Bahia e ali fundou a cidade de Salvador, a primeira capital 
da América portuguesa.
Durante a colonização, o governo português criou 
também as Câmaras Municipais, órgãos encarregados de 
administrar as vilas e as cidades do Brasil.
Somente os homens bons (proprietários de terras e 
escravos, que eram portugueses ou seus descendentes) 
poderiam ser eleitos vereadores das Câmaras Municipais.
As Câmaras tinham as seguintes atribuições:
Regulamentar as edificações das cidades e a limpeza das 
ruas;
Fixar penas para os que faltassem às procissões;
Controlar pesos e medidas dos produtos feitos pelos ar-
tesãos;
Determinar a prisão dos acusados de perturbar a ordem.
Organização política e administrativa.
Como sabemos, o período colonial brasileiro se es-
tende desde seu “descobrimento” pelos portugueses até 
a proclamação da república, em 7 de setembro de 1822. 
Nesse meio tempo, o Brasil passou por uma série de mu-
danças em sua estrutura política e administrativa.
Nos primeiros 30 anos, chamado de período pré-colo-
nial, o território serviu somente para oferecer matéria-pri-
ma (pau-brasil) para Portugal, com mão-de-obra indígena. 
Então, o rei português decidiu colonizar a terra, evitando 
que outras nações tomassem posse e também na inten-
ção de procurar por metais preciosos, após a descoberta 
de ouro na América Central. Assim, a primeira expedição 
exploradora, comandada por Martin Afonso de Souza, foi 
enviada para explorar o litoral do território colonial. Quan-
do chegou até o atual sudeste brasileiro, fundando a vila 
de São Vicente.
Enquanto isso, o rei D. João III, ordenou a criação das 
capitanias hereditárias. O Brasil foi dividido em 15 partes, 
as capitanias, que foram oferecidas para nobres portugue-
ses, a fim de ocupar o território. Os proprietários também 
tinham o compromisso de desenvolver sua capitania, ten-
do que pagar 10% de sua produção para a Coroa, além de 
uma taxa de 5% sobre o pau-brasil e pesca.
Não demorou muito para que o sistema de capitanias 
entrasse em crise. Os principais fatores foram: a falta de 
investimento pelos donos das terras e a dificuldade de co-
municação com a metrópole. Vale ressaltar também que o 
Brasil era um lugar totalmente diferente do que o portu-
guês era acostumado. O clima quente e úmido, a falta de 
alimentos, nenhum luxo (lembrando que eram nobres) e 
vários ataques das tribos indígenas acabaram com a ilu-
são de que o Brasil era um lugar paradisíaco. Somente 
as capitanias São Vicente e Pernambuco obtiveram algum 
sucesso na administração das terras.
Em outra tentativa, a Coroa portuguesa criou o Go-
verno Geral, em 1548. Basicamente, todo o território seria 
comandado por um Governador, na sede em Salvador, e 
nas vilas haveria as Câmaras Municipais. O primeiro go-
vernador foi Tomé de Souza, o qual já tinha experiência 
através da Companhia das Índias Orientais.
Durante o Governo Geral, ocorreu o desenvolvimento 
da produção açucareira, concentrada principalmente no 
Nordeste. A cana-de-açúcar era vendida para os holande-
ses, que monopolizavam o resto do processo produtivo, 
como refinação e distribuição na Europa. Esse fator levou 
a uma invasão holandesa vitoriosa em 1630, em Pernam-
buco.
Entre a segunda metade do século XVII até o início 
do século XVIII, o Brasil passou por uma série de rebe-
liões nas regiões do Nordeste e Sudeste. Essas rebeliões 
tinham caráter popular, vindo de pessoas que nasceram 
em terras brasileiras e não tinham nenhum vínculo com 
Portugal. Eles acreditavam, através das ideias iluministas e 
espelhadas no sucesso da independência das Treze Colô-
nias (EUA), que o Brasil também poderia se separar. Entre 
as principais revoltas estão: a Guerra dos Mascates, a In-
confidência Mineira e a Guerra dos Emboabas.
A organização da colônia sofreu uma mudança drásti-
ca em 1808, com a fuga da Coroa portuguesa de Portugal. 
A corte real ficou durante um tempo em Salvador, e se 
instalou no Rio de Janeiro logo depois. Assim, todas as 
atividades políticas e financeiras se concentraram na cida-
de. O Brasil passou por um processo de desenvolvimento, 
já que sendo uma colônia, não estava nos padrões euro-
peus. Durante esse período, foram construídos centros de 
cultura, bibliotecas, jardins botânicos e outras instituições. 
Além disso, os comerciantes tiveram a oportunidade de 
melhor comércio, devido à abertura dos portos brasileiros 
para as nações amigas de Portugal (Inglaterra obteve pri-
vilégios por financiar a fuga da corte).
36
HISTÓRIA
Obviamente, essa fuga do rei português para a colônia causou impactos na sociedade portuguesa. Passando por uma 
crise, iniciaram uma revolta no país. Com medo de perder o trono, D. João voltou para Portugal e deixou seu filho D. Pedro I 
como regente em seu lugar. Apesar de ser o regente, D. Pedro não cuidava bem da política da colônia, deixando a adminis-
tração nas mãos de conselheiros. Aproveitando, esses conselheiros, além de liberais e comerciantes, desejavam a separação 
do Brasil de Portugal. D. Pedro também ganharia com a independência, já que se tornaria imperador no Brasil.
Após controlar as revoltas em Portugal, D.João ordenou que D. Pedro voltasse para Portugal. Este, influenciado pela 
ideia de independência, ignorou a ordem e em 15 de novembro de 1822, foi proclamada a independência do Brasil.
É importante ressaltar que embora o Brasil tenha se separado de sua metrópole, não ocorreram mudanças na socie-
dade (já que o povo não participou dos eventos em 7 de setembro) e a dependência econômica passou a ser em relação à 
Inglaterra.
Rebeliões coloniais
As Revoltas do Período Colonial Brasileiro se dividiram entre interesses nativistas e interesses separatistas.
O Brasil foi colonizado por Portugal a partir de 1500, mas a efetiva exploração do território não começou no mesmo ano. 
Inicialmente, os portugueses apenas extraíam das terras brasileiras o pau-brasil que era trocado com os indígenas. Na falta 
de metais preciosos, que demoraram ser encontrados, esse tipo de relação de troca, chamada escambo, permaneceu por 
algumas décadas. A postura dos portugueses em relação ao Brasil só se alterou quando a ameaça de perder a nova terra e 
seus benefícios para outras nacionalidades aumentou.
Com o desenvolvimento da exploração do Brasil em sentido colonial, ou seja, tudo que era produzido em território 
brasileiro iria para Portugal, a metrópole e detentora dos lucros finais. Esse tipo de relação estava inserido na lógica do Mer-
cantilismo que marcava as ligações de produção e lucro entre colônias e suas respectivas metrópoles. O modelo que possui 
essas características é chamado de Pacto Colonial, mas as recentes pesquisas de historiadores estão demonstrando novas 
abrangências sobre a rigidez desse tipo de relação comercial. Ao que parece, o Pacto Colonial não era tão rígido como se 
disse por muitos anos, a colônia tinha certa autonomia para negociar seus produtos e apresentar seus interesses.
De toda forma, é certo que o tipo de relação entre metrópole e colônia envolveu a prática da exploração. O objetivo das 
metrópoles era auferir o máximo de lucros possíveis com a produção das colônias. No Brasil, antes do ouro ser encontrado 
e causar grande alvoroço, a cana-de-açúcar era o principal produto produzido, na região Nordeste.
A exploração excessiva que era feita pela metrópole portuguesa teve seus reflexos de descontentamento a partir do 
final do século XVII. Neste, ocorreu apenas um movimento de revolta, mas foi ao longo do século XVIII que os casos se mul-
tiplicaram. Entre todos esses movimentos, podem-se distinguir duas orientações nas revoltas: a de tipo nativista e a de tipo 
separatista (emancipacionista). As revoltas que se encaixam no primeiro modelo são caracterizadas por conflitos ocorridos 
entre os colonos ou defesa de interesses de membros da elite colonial. Somente as revoltas de tipo emancipacionistas ou 
separatista que pregavam uma independência em relação a Portugal.
Entre as revoltas nativistas mais importantes estão: Revolta de Beckman, Guerra dos Emboabas, Guerra dos Mascates e 
a Revolta de Filipe dos Santos.
37
HISTÓRIA
São revoltas separatistas: Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana.
A Revolta dos Beckman ocorreu no ano de 1684 sob liderança dos irmãos Manuel e Tomas Beckman. O evento que se 
passou no Maranhão reivindicava melhorias na administração colonial, o que foi visto com maus olhos pelos portugueses 
que reprimiram os revoltosos violentamente. Foi a única revolta do século XVII.
A Guerra dos Emboabas foi um conflito que ocorreu entre 1708 e 1709. O confronto em Minas Gerais aconteceu porque 
os bandeirantes paulistas queriam ter exclusividade na exploração do ouro recém descoberto no Brasil, mas levas e mais 
levas de portugueses chegavam à colônia para investir na exploração. A tensão culminou em conflito entre as partes.
A Guerra dos Mascates aconteceu logo em seguida, entre 1710 e 1711. O confronto em Pernambuco envolveu senhores de 
engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife. A elevação de Recife à categoria de vila desagradou a aristocracia ru-
ral de Olinda, gerando um conflito. O embate chegou ao fim com a intervenção de Portugal e equiparação entre Recife e Olinda.
A Revolta de Filipe dos Santos aconteceu em 1720. O líder Filipe dos Santos Freire representou a insatisfação dos do-
nos de minas de ouro em Vila Rica com a cobrança do quinto e a instalação das Casas de Fundição. A Coroa Portuguesa 
condenou Filipe dos Santos à morte e encerrou o movimento violentamente.
A Inconfidência Mineira, já com caráter de revolta separatista, aconteceu em 1789. A revolta dos mineiros contra a 
exploração dos portugueses pretendia tornar Minas Gerais independente de Portugal, mas o movimento foi descoberto 
antes de ser deflagrado e acabou sendo punido com rigidez pela metrópole. Tiradentes foi morto e esquartejado em praça 
pública para servir de exemplo aos demais do que aconteceria aos descontentes com Portugal.
A Conjuração Baiana, também separatista, ocorreu em 1798. O movimento ocorrido na Bahia pretendia separar o Brasil 
de Portugal e acabar com o trabalho escravo. Foi severamente punida pela Coroa Portuguesa.
MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS
As revoltas emancipacionistas foram movimentos sociais ocorridos no Brasil Colonial, caracterizados pelo forte anseio 
de conquistar a independência do Brasil com relação a Portugal. Estes movimentos possuíam certa organização política e 
militar, além de contar com forte sentimento contrário à dominação colonial.
Causas principais
- Cobrança elevada de impostos de Portugal sobre o Brasil.
- Pacto Colonial - Brasil só podia manter relações comerciais com Portugal, além de ser impedido de desenvolver in-
dústrias.
- Privilégios que os portugueses tinham na colônia em relação aos brasileiros.
- Leis injustas, criadas pela coroa portuguesa, que tinham que ser seguidas pelos brasileiros.
- Falta de autonomia política e jurídica, pois todas as ordens e leis vinham de Portugal.
- Punições violentas contra os colonos brasileiros que não seguiam as determinações de Portugal.
- Influência dos ideais do Iluminismo e dos movimentos separatistas ocorridos em outros países (Independência dos 
Estados Unidos em 1776 e Revolução Francesa em 1789).
PRINCIPAIS REVOLTAS EMANCIPACIONISTAS
Conjuração Mineira ou Inconfidência Mineira – 1789 – Vila Rica
Leitura da sentença dos inconfidentes, por Leopoldino Faria.
38
HISTÓRIA
A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi 
uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789, 
em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, 
no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derra-
ma e o domínio português.
Foi um dos mais importantes movimentos sociais da 
História do Brasil. Significou a luta do povo brasileiro pela 
liberdade, contra a opressão do governo português no pe-
ríodo colonial.
No final do século XVIII, o Brasil ainda era colônia de 
Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobran-
ça de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia 
decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvi-
mento industrial e comercial do Brasil. No ano de 1785, por 
exemplo, Portugal decretou uma lei que proibia o funciona-
mento de indústrias fabris em território brasileiro.
 
Causas
Neste período, era grande a extração de ouro, principal-
mente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encon-
travam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, vinte por cento 
de todo ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. 
Aqueles que eram pegos com ouro “ilegal” (sem ter pagado 
o imposto”) sofria duras penas, podendo até ser degredado 
(enviado a força para o território africano).
Com a grande exploração, o ouro começou a dimi-
nuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas 
não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou 
a Derrama. Esta funcionava da seguinte forma: cada região 
de exploração de ouro deveria pagar 100 arrobas de ouro 
(1500 quilos) por ano para a metrópole.Quando a região 
não conseguia cumprir estas exigências, soldados da coroa 
entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences 
até completar o valor devido.
Todas estas atitudes foram provocando uma insatisfação 
muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros 
rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos 
e ter mais participação na vida política do país. Alguns mem-
bros da elite brasileira (intelectuais, fazendeiros, militares e 
donos de minas), influenciados pelas ideias de liberdade que 
vinham do iluminismo europeu, começaram a se reunir para 
buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista 
da independência do Brasil.
Os Inconfidentes 
 
Tiradentes: líder da Inconfidência Mineira
O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva 
Xavier, conhecido por Tiradentes (saiba mais sobre ele) era 
formado pelos poetas Tomas Antonio Gonzaga e Cláudio 
Manuel da Costa, o dono de mina Inácio de Alvarenga, o 
padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira. 
A ideia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e im-
plantar o sistema de governo republicano em nosso país. 
Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma 
posição definida. Estes inconfidentes chegaram a definir 
até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria com-
posta por um triangulo vermelho num fundo branco, com 
a inscrição em latim : Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade 
ainda que Tardia).
 
Consequências
A Inconfidência Mineira transformou-se em símbo-
lo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da 
Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução 
Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira 
idealizada pelos inconfidentes foi adotada pelo estado de 
Minas Gerais.
 
 
Curiosidades
Na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi 
exposta em Vila Rica, foi furtada, sendo o seu paradeiro 
desconhecido até aos nossos dias.
Tratando-se de uma condenação por inconfidência 
(traição à Coroa), os sinos das igrejas não poderiam tocar 
quando da execução. Afirma a lenda que, mesmo assim, 
no momento do enforcamento, o sino da igreja local soou 
cinco badaladas.
A casa de Tiradentes foi arrasada, o seu local foi salga-
do para que mais nada ali nascesse, e as autoridades decla-
raram infames todos os seus descendentes.
Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Como 
alferes, o máximo permitido pelo Exército Português se-
ria um discreto bigode. Durante o tempo que passou na 
prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha pe-
riodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a 
proliferação de piolhos, e, durante a execução estava ca-
reca com a barba feita, pois o cabelo e a barba poderiam 
interferir na ação da corda.
39
HISTÓRIA
Conjuração Baiana – 1798 – Bahia
 
Praça da Piedade, local da execução dos conjurados
 
A Conjuração Baiana, também denominada como Re-
volta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este 
ofício), foi um movimento de caráter emancipacionista, 
ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da 
Bahia, no Estado do Brasil. Diferentemente da Inconfidên-
cia Mineira (1789), se reveste de caráter popular.
Reunião dos Cavaleiros da Luz discutindo o fim da 
opressão colonial.
Para compreender a deflagração do movimento, de-
vemos nos reportar à transferência da capital para o Rio 
de Janeiro, em 1763. Com tal mudança, Salvador (antiga 
capital) sofreu com a perda dos privilégios e a redução dos 
recursos destinados à cidade. Somado a tal fator, o aumen-
to dos impostos e exigências colônias vieram a piorar sen-
sivelmente as condições de vida da população local.
A população pobre sofria com o aumento do custo 
de vida, com a escassez de alimentos e com o preconcei-
to racial. As agitações eram constantes. Entre 1797 e 1798 
ocorreram vários saques aos armazéns do comércio de Sal-
vador, e até os escravos que levavam a carne para o ge-
neral-comandante foram assaltados. A população faminta 
roubava carne e farinha. Em inícios de 1798, a forca, símbo-
lo do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento 
crescia também nos quartéis, onde incidentes envolvendo 
soldados e oficiais tornavam-se freqüentes. Havia, portan-
to, nesse clima tenso, condições favoráveis para a circula-
ção das ideias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade.
As Ideias
Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a 
instauração de um governo igualitário, onde as pessoas 
fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento 
individuais, além da instalação de uma República na Bahia 
e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos 
soldados. Tais idéias eram divulgadas, sobretudo pelos es-
critos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e panfletos de 
Cipriano Barata, médico e filósofo.
 
A revolta
Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se 
quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos 
na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, 
alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, deten-
do-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, aca-
baram delatando os demais envolvidos.
Um desses panfletos declarava:
“Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tem-
po feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos sere-
mos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais.” (in: 
RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)
Os líderes
Entre as lideranças do movimento, destacaram-se os 
alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino 
dos Santos Lira (este com apenas 18 anos de idade), além 
dos soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens. As 
ruas de Salvador foram tomadas pelos revolucionários Luiz 
Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas que iniciaram a pan-
fletagem como forma de obter mais apoio popular e incitar 
à rebelião. Os panfletos difundiam pequenos textos e pa-
lavras de ordem, com base naquilo que as autoridades co-
loniais chamavam de “abomináveis princípios franceses”. A 
Revolta dos Alfaiates foi fortemente influenciada pela fase 
popular da Revolução Francesa.
A repressão
A violenta repressão metropolitana conseguiu estag-
nar o movimento, que apenas iniciava-se, detendo e tor-
turando os primeiros suspeitos. Governava a Bahia nessa 
época (1788-1801) D. Fernando José de Portugal e Castro, 
que encarregou o coronel Alexandre Teotônio de Souza de 
surpreender os revoltosos. Com as delações, os principais 
líderes foram presos e o movimento, que não chegou a se 
concretizar, foi totalmente desarticulado.
Durante a fase de repressão, centenas de pessoas fo-
ram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos 
e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e 
nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a 
sua participação, buscando demonstrar inocência.
Após o processo de julgamento, os mais pobres como 
Manuel Faustino e João de Deus do Nascimento, Luiz Gon-
zaga e Lucas Dantas foram condenados à morte por en-
forcamento, sendo executados no Largo da Piedade a 8 
de novembro de 1799. Outros, como Cipriano Barata, o 
tenente Hernógenes d’Aguilar e o professor Francisco Mo-
niz foram absolvidos. Os pobres Inácio da Silva Pimentel, 
Romão Pinheiro, José Félix, Inácio Pires, Manuel José e Luiz 
40
HISTÓRIA
de França Pires foram acusados de envolvimento “grave”, 
recebendo pena de prisão perpétua ou degredo na África. 
Já os elementos pertencentes à loja maçônica “Cavaleiros 
da Luz” foram absolvidos deixando clara que a pena pela 
condenação, correspondia à condição socioeconômica e à 
origem racial dos condenados. A extrema dureza na con-
denação aos mais pobres, que eram negros e mulatos, é 
atribuída ao temor de que se repetissem no Brasil as rebe-
liões de negros e mulatos que, na mesma época, atingiam 
as Antilhas.
Conclusão
A Conjuração Baiana não conseguiu atingir seus objeti-vos, mas podemos mostrar, através dela, que naquela épo-
ca a população já buscava tornar-se uma sociedade justa e 
ter seus direitos de cidadãos.
O movimento envolveu indivíduos de setores urbanos 
e marginalizados na produção da riqueza colonial, que se 
revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas 
de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se 
contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa 
portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que 
tornava as suas reivindicações particularmente perturba-
doras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos 
mais radicais do período colonial, propondo idealmente 
uma nova sociedade igualitária e democrática. Foi barba-
ramente punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, 
entretanto, deixou profundas marcas na sociedade sotero-
politana, a ponto tal que o movimento emancipacionista 
eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela 
Independência da Bahia, concretizada em 2 de julho de 
1823, formando parte da nação que se emancipara a 7 de 
setembro do ano anterior, sob império de D. Pedro I.
TEXTO COMPLEMENTAR
Mercantilismo
Durante a Alta Idade Média (séculos V a X) a medida 
da riqueza era a terra. Com o renascimento do comércio e 
a ascensão da burguesia a partir do século XI, o indicador 
de riqueza de uma pessoa ou de um país passou a ser o 
dinheiro.
As Monarquias Absolutistas que surgiram então pas-
saram a adotar, entre os séculos XVI e XVIII, um conjunto 
de ideias e práticas econômicas para conseguir riqueza e 
poder: o mercantilismo.
Mercantilismo e Absolutismo: As atividades comerciais 
(mercantis) tinham grande importância neste sistema eco-
nômico, daí o nome de mercantilismo.
É importante lembrar que absolutismo e mercantilis-
mo caminharam sempre juntos. As práticas mercantilistas 
tinham como objetivo fortalecer o poder do rei através do 
enriquecimento da nação.
Mercantilismo e Absolutismo
O mercantilismo variou de um país para outro, mas 
apresentou alguns princípios básicos. Vamos ver quais fo-
ram eles?
Metalismo ou Bulionismo: quanto mais ouro e prata 
uma nação possuísse, mais rica ela seria. Por isso, muitos 
governos evitavam a saída de metais preciosos dos cofres 
do Estado.
Balança comercial favorável: princípio decorrente do 
metalismo. Na época o dinheiro era feito de outro e prata 
e para reter esses metais em um país era necessário ex-
portar o máximo e importar o mínimo, obtendo um saldo 
positivo na balança comercial.
Protecionismo: incentivo ao comércio, à indústria e à 
marinha mercante nacionais, protegendo-os da concorrên-
cia externa. Recomendava-se o aumento dos impostos so-
bre os produtos estrangeiros a fim de torná-los mais caros 
do que os nacionais.
Estímulo às manufaturas locais: ao aumentar a produ-
ção de bens manufaturados (tecidos e ferramentas, por 
exemplo) os governos abasteciam o mercado interno, ex-
portavam mais e diminuíam as importações, o que rendia 
mais moedas para a Coroa.
Conquista de colônias: as colônias deveriam comercia-
lizar apenas com as metrópoles.
Como você viu, o mercantilismo variou no tempo e no 
espaço. Na Espanha (século XVI) predominou o metalismo. 
Na França (século XVIII) predominou o protecionismo. Na 
Inglaterra, a rainha Elizabeth I se empenhou em incentivar 
o comércio exterior e a marinha mercante.
No mercantilismo o intervencionismo estatal na eco-
nomia se fez presente. Os governos absolutistas tomavam 
decisões sobre exportações, importações, impostos cobra-
dos sobre produtos importados, produção de manufaturas 
e exploração colonial.
Absolutismo: veja como os reis tornaram-se tão pode-
rosos.
A partir do século XIII os reis europeus foram aos pou-
cos conquistando mais e mais poder. Apresentavam-se até 
mesmo como representantes divinos na terra. No século 
XVII, os reis detinham poder absoluto nos principais Esta-
dos Nacionais no continente europeu.
Você sabe como isso ocorreu? No lugar de feudos se-
nhoriais surgiram reinos centralizados: os Estados Nacio-
nais. E no lugar do poder descentralizado dos senhores 
feudais, o poder centralizado do rei.
41
HISTÓRIA
Você já ouvir falar do rei francês Luís XIV? Ele era chamado de Rei Sol, e foi o maior símbolo do absolutismo. Ele disse 
a famosa frase “L’État c’est moi” (O Estado sou eu). Luís XIV foi um expoente do absolutismo (no quadro).
Nesta forma de governo, somente o rei legislava, governava, administrava a justiça e comandava o exército. Esse siste-
ma político forte, pessoal e sem leis restritivas ao poder real chamou-se Absolutismo.
Você sabe como o rei absolutista conseguiu impor respeito a sua autoridade? Não? Então preste atenção!
Para governar absoluto o rei se impunha por meio da força militar, da cobrança de impostos e por meio de teorias que 
justificavam o seu poder. Vamos ver o que pensavam alguns desses teóricos?
Thomas Hobbes – Para Thomas Hobbes (foto à esquerda) o indivíduo deveria dar plenos poderes ao Estado, renuncian-
do a sua liberdade, a fim de proteger a própria vida. Em sua obra o Leviatã (foto à direita) ele defendia o poder absoluto do 
Estado (que poderia ser representado por um monarca ou uma assembleia).
De acordo com este pensador foram os próprios seres humanos que entregaram poderes totais ao rei, já que, ao viver 
em estado natural, os homens obedeciam apenas aos seus interesses particulares. A vida era uma guerra permanente de 
“todos contra todos”.
Jacques Bossuet – Este bispo e teólogo francês (foto abaixo) desenvolveu a doutrina do direito divino dos reis, uma 
teoria apoiada na Bíblia. Em sua obra A política inspirada na sagrada escritura, Jacques Bossuet afirma que o rei é o repre-
sentante de Deus na Terra. De acordo com sua teoria o poder do soberano era de origem divina, opor-se ao rei significava, 
portanto, opor-se a Deus.
Nicolau Maquiavel – Autor de O príncipe, manual sobre como um governante deve agir para conquistar e manter o 
poder, Maquiavel (foto abaixo) concebia as ações do príncipe a partir do princípio de que o poder deve ser preservado ou 
ampliado. Ao príncipe era preferível ser temido a ser amado pelos súditos. Por considerar a política independente da moral 
e da religião é considerado o fundador da ciência política.
42
HISTÓRIA
Todas essas pessoas refletiram sobre a política de sua época e contribuíram para justificar o absolutismo monárquico, 
seja pela razão ou pela fé.
O Absolutismo foi mais intenso na França, na Espanha e em Portugal. Mas não ocorreu em toda a Europa. Como você já 
viu no começo deste post, o rei que melhor representou o regime absolutista na Europa ocidental foi o rei francês Luís XIV.
O Rei-Sol permaneceu no poder durante 54 anos. Para impor sua autoridade, além de usar o exército e uma burocracia 
estatal, atendeu aos interesses de setores da nobreza e da alta burguesia.
Com a nobreza adotou a política de “distribuição de favores”: distribuía pensões, presentes e empregos bem-remune-
rados. No seu Palácio de Versalhes (fotos abaixo) abrigava e sustentava milhares de nobres.
Já para ter apoio da alta burguesia favorecia-a com garantias, exclusividades e proteção aos seus negócios, vendia-lhe 
títulos de nobreza e arrendava-lhe impostos.
Agora que você conheceu o rei absolutista da França, Luís XIV, que tal conhecer outros reis absolutistas do período? 
Então, observe as imagens abaixo de Filipe II da Espanha (foto à esquerda), do rei Henrique VIII da Inglaterra (foto do meio) 
e da rainha Elizabeth I (foto à direita) também da Inglaterra.
Formação do Estado Moderno
Antes de estudar a Formação do Estado Moderno e a importância da Burguesia, vamos rever a situação política da 
Europa ocidental durante a Idade Média (séculos V ao XV)?
Durante este período o modelo de poder era o Feudalismo. A Europa ocidental estava dividida em diversas unidades 
políticas, os chamadosfeudos. Neles o poder estava concentrado na mão dos senhores feudais (nobreza). O poder político 
era, portanto, descentralizado.
A situação começou a mudar a partir do século XI quando as relações feudais foram se alterando, abrindo caminho para 
a população que morava nos burgos – nome das cidades de então. Vem daí o nome Burguesia.
Com o crescimento dos burgos e do comércio um novo grupo social, a burguesia, aos poucos foi ocupando espaço nas 
relações de poder e rivalizando com a nobreza feudal. É dentro deste contexto que ocorreu a crise do Feudalismo e surgiu 
uma nova estrutura política: o Estado Moderno.
Os Estados Modernos surgiram da união de interesses entre a burguesia, o rei e alguns membros da nobreza:
Para poder ter poder de fato sobre o seu reino, o rei precisava de apoio político e dos recursos econômicos da bur-
guesia;
Os nobres precisavam do rei para retomar alguns privilégios perdidos com o fracasso das Cruzadas e garantir a manu-
tenção de suas terras;
43
HISTÓRIA
A burguesia tinha interesse em unificar o território, pois conseguiria vários benefícios: moeda única, padronização de 
pesos e medidas, leis unificadas, melhorias em estradas, segurança pública, tributo único devido ao rei.
Os Estados Modernos surgiram em momentos históricos diferentes e em situações distintas. Vamos ver como isso 
ocorreu?
Portugal – A centralização política iniciou no século XI com a chamada Reconquista (luta contra os árabes ou mouros). 
No século XII, Portugal já possuía um poder relativamente centralizado e forte.
Em 1385 (século XIV), com a Revolução da Dinastia de Avis (batalha contra os castelhanos pelo trono real), o rei João I 
(imagem no selo comemorativo), da Ordem de Avis, foi auxiliado pela burguesia e conseguiu se separar do reino de Castela 
(Espanha), e fortaleceu Portugal. A centralização política de Portugal no século XIV permitiu o seu pioneirismo nas Grandes 
Navegações.
Espanha – O processo de centralização política da Espanha foi bem mais longo que de Portugal. A quantidade de reinos 
independentes (Castela, Aragão, Leão, Navarra, condados catalães…) e a maior resistência dos mulçumanos dificultaram a 
centralização.
Apenas em 1469 com o casamento de Isabel de Castela com Fernando de Aragão (na imagem), os mouros foram 
derrotados (1492) e Granada reconquistada. Anos depois Navarra também. Completava-se assim, a formação do reino da 
Espanha. O novo reino pôde, enfim, investir nas navegações marítimas.
44
HISTÓRIA
Fonte: BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História Sociedade & Cidadania 6º. ano. 2ª. ed. São Paulo: FTD, 2012. p. 131.
Os reinos de Portugal e Espanha formaram-se a partir dos territórios reconquistados que foram perdidos para os ára-
bes.
França – Filipe Augusto, Luís IX e Filipe, o Belo, deram início à centralização política da França nos séculos XIII e XIV. 
Com a Guerra dos Cem Anos o nacionalismo francês foi reforçado na figura de Joana d’Arc, a primeira heroína da França 
como nação.
As guerras religiosas do século XVI prejudicaram a economia e a política francesa. Em 1598, com o Edito de Nan-
tes (imagem), que dera liberdade de culto aos protestantes, é que o rei Henrique IV (na imagem, com a família) tornou-se 
forte perante a nobreza.
45
HISTÓRIA
Fonte: BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História Sociedade & Cidadania 6º. ano. 2ª. ed. São Paulo: FTD, 2012. p. 128.
No mapa da acima você vê o território francês antes do reinado de Filipe Augusto. O do centro, a França depois dele. 
Perceba como sob o seu reinado o território francês tornou-se três vezes maior.
Inglaterra – A centralização política teve início no século XII com Henrique II e terminou em 1485 (século XV) com 
a Guerra das Duas Rosas, quando Henrique VII subiu ao trono (imagem).
No caso inglês, com algumas exceções, a monarquia teve uma tendência mais moderada, pois, desde o princípio a 
burguesia adquiriu maior importância e ascendeu socialmente. A Magna Carta (1215), imposta ao rei João Sem Terra, serviu 
para controlar os excessos reais ao dividir o poder do monarca com o parlamento. 
O Feudo: a unidade de produção da Idade Média
O feudo é uma palavra de origem germânica e latina que significa “bem dado em troca”. O uso da palavra está ligado 
à prática germânica de doar terras e poder aos líderes guerreiros. Dentro desta área o sistema social vigente era o Feuda-
lismo.
46
HISTÓRIA
O nome feudo era dado, geralmente, a uma proprieda-
de territorial, concedida pelo rei a um nobre ou a um cléri-
go, da qual ele poderia tirar seu sustento, obrigando-se a 
uma série de deveres para com seu senhor.
Contudo, podia ser também, qualquer outro bem que 
garantisse a seu possuidor uma renda regular: o direito de 
cobrar uma taxa pela passagem de uma ponte, pelo uso de 
um moinho ou ainda um título ou cargo que desse algum 
privilégio.
Você lembra da imagem de um feudo? Então observe 
o desenho abaixo e veja duas questões importantes para 
você mandar bem no Enem e nos vestibulares. Veja na ilus-
tração e no texto a seguir como o feudo foi dividido em 
três partes e o tipo de economia praticada nas terras se-
nhorias:
VICENTINO, Cláudio. Projeto Radix: História 7º. ano. 2 
ed. São Paulo: Scipione, 2012. p. 29
O feudo possuía três partes básicas: o feudo senho-
rial (compreendia o castelo e as terras de uso exclusivo do 
senhor), o feudo servil (composto de vários lotes de terra, 
chamados de tenências, que eram concedidos aos servos 
em troca de pagamento de tributos) e o feudo comu-
nal (composto de pastos e bosques).
A economia do mundo feudal, baseada em atividades 
agrícolas, era autossuficiente, ou seja, a produção de suas 
plantações era voltada para o abastecimento interno e não 
para vender e obter lucro. Prevalecia a troca de produto 
por produto.
No feudo senhorial os produtos pertenciam exclusiva-
mente ao senhor. Os servos produziam tudo de que o se-
nhor necessitava para manter a sua família e outros depen-
dentes; no feudo servil, os servos produziam o que era ne-
cessário para a sua sobrevivência; no feudo comunal, onde 
se criavam animais, se colhiam frutos, raízes e extraíam-se 
a madeira e o mel, os produtos retirados da terra eram de 
uso tanto dos servos quanto do senhor. Geralmente, havia 
também no feudo celeiros para armazenar a colheita, moi-
nho para moer os grãos e fornos para assar os pães.
No feudo também encontramos a presença de uma 
poderosa instituição: a Igreja católica, que marcou profun-
damente as relações sociais durante a Idade Média. 
Toda a organização do feudo baseou-se em duas tra-
dições: uma de origem germânica, o comitatus, e outra de 
origem romana, o colonato. Pelo comitatus, os senhores de 
terra, unidos pelos laços de vassalagem, comprometiam-se 
a ser fiéis e a honrar uns aos outros. No colonato, o pro-
prietário de terras dava proteção e trabalho aos colonos, 
que, em troca, entregavam ao senhor parte de sua produ-
ção.
O comitatus
Fonte: RODRIGUEZ, Joelza Ester Domingues. História 
em documento: imagem e texto, 7º. ano. Ed. renovada. São 
Paulo: FTD, 2009. p. 27.
Desta tradição originaram-se as relações de susera-
nia e vassalagem do mundo medieval.
47
HISTÓRIA
Fonte: EDITORA MODERNA. Projeto Araribá: História 
7º. ano. 2 ed. São Paulo: Moderna, 2007. p. 14.
Desta tradição originaram-se as relações servis de pro-
dução do mundo medieval.
REVOLTA DE BECKMAN
A Revolta de Beckman (1864) é um importante episódio 
das rebeliões coloniais do Brasil, assunto que cai bastante 
no Enem. Muitos colonos queriam capturar e escravizar os 
indígenas para utilizá-los como mão-de-obra, contrarian-
do os jesuítas, que defendiam a proposta de aculturá-los e 
controlá-los dentro das missões. 
A partir de 1650, a capitania do Maranhão começou 
a passar por grave crise econômica, provocada pela redu-
ção dos preços do açúcar no mercado internacional.Sem 
condições de pagar os altos preços cobrados pelo escravo 
africano, os senhores de engenho da região organizaram 
tropas para invadir as missões e capturar indígenas para o 
trabalho escravo em suas propriedades. Essa atitude pro-
vocou o protesto dos jesuítas, junto ao governo português, 
que interveio e acabou reeditando a proibição de escravi-
zar indígenas aldeados.
Para suprir a mão-de-obra da capitania, o governo por-
tuguês criou a companhia Geral de Comércio do Maranhão 
(1682), com a responsabilidade de introduzir na região 500 
escravos negros por ano, durante 20 anos. Essa companhia 
não conseguiu, no entanto, cumprir seus compromissos, 
agravando a crise de mão-de-obra e aumentando o des-
contentamento dos colonos.
Um grupo de senhores de engenho, liderados por Ma-
nuel Beckman, organizou um movimento para acabar com 
a Companhia e com a influência dos jesuítas. Os rebeldes 
formaram um governo provisório. Ao saber dos aconteci-
mentos, o rei enviou um novo governador, Gomes Freire 
de Andrade que, ao chegar, ordenou o enforcamento de 
Beckman e outros dois líderes do movimento.
GUERRA DOS EMBOABAS
O rápido e caótico afluxo de milhares de pessoas às 
regiões das minas logo trouxe seus problemas. Os paulis-
tas, descobridores do ouro de Minas Gerais, sentiam-se no 
direito de explorá-lo com exclusividade. Entretanto, muitos 
portugueses vindos da metrópole ou de outras partes da 
própria colônia também queriam apoderar-se das jazidas 
descobertas. A tensão cresceu quando os portugueses pas-
saram a controlar o sistema de abastecimento de mercado-
rias na região das minas, em 1707.
O conflito teve fim em 1709, no chamado Capão da 
Traição, quando muitos paulistas foram mortos por tropas 
emboabas de cerca de mil homens. Posteriormente, os 
paulistas organizaram uma vingança contra os emboabas.
Entre as consequências da Guerra dos Emboabas po-
demos destacar: o controle mais rígido por parte da Me-
trópole; a elevação de São Paulo à categoria de cidade; a 
criação da capitania de São Paulo e Minas Gerais do Ouro e 
a descoberta de ouro em Mato Grosso a Goiás.
GUERRA DOS MASCATES
Devido à queda do preço do açúcar no mercado eu-
ropeu, causada pela concorrência do açúcar antilhano, os 
ricos senhores de engenho de Olinda, principal cidade de 
Pernambuco em 1710, viram-se arruinados. Começaram, 
então, a pedir empréstimos aos comerciantes do povoado 
do Recife (Mascates), que cobravam juros bastante eleva-
dos por eles.
Convencidos de sua relevância, os comerciantes de Re-
cife pediram ao rei de Portugal, d. João V, que seu povoa-
do fosse elevado à categoria de vila. D. João V atendeu ao 
pedido e, com isso, os senhores de engenho organizaram 
uma rebelião e invadiram Recife. Sem condições de resistir, 
os comerciantes mais ricos fugiram para não ser captura-
dos.
Em 1711, o governo português interveio na região, 
reprimindo duramente os revoltosos. Os principais líderes 
foram presos ou condenados ao exílio. Os Mascates reas-
sumiram suas posições, e Recife tornou-se a capital de Per-
nambuco.
REVOLTA DE VILA RICA
O anúncio da Criação das Casas de Fundição causou 
insatisfação entre os mineradores, pois consideravam que 
a medida dificultava a circulação e o comércio do ouro 
dentro da capitania facilitando apenas a cobrança de im-
postos. Tal descontentamento acabou provocando a cha-
mada Revolta de Felipe dos Santos ou Revolta de Vila Rica, 
em 1720.
Cerca de 2 mil revoltosos, comandados pelo tropeiro 
português Felipe dos Santos, conquistaram a cidade de Vila 
Rica. Esse grupo exigiu do governador da capitania de Mi-
nas Gerais a extinção das Casas de Fundição.
Apanhados de surpresa, o governador fingiu aceitar as 
exigências, ganhando tempo para organizar suas tropas e 
reagir energicamente. Pouco depois, os líderes do movi-
mento foram presos, e Felipe dos Santos foi condenado, 
enforcado e esquartejado em praça pública.
Em Resumo:
A colonização da America Portuguesa enquadra-se na 
perspectiva da política mercantilista e na etapa do Capita-
lismo Comercial. O mercantilismo é a política econômica, 
na qual o Estado faz a sua intervenção na economia.
1.Características do mercantilismo:
a) metalismo. Acreditava-se que a riqueza de um país 
era marcada pelo acumulo de metais preciosos.
b) Balança Comercial Favorável: Para o país ter uma 
economia desenvolvida era preciso exportar mais e impor-
tar menos.
c) Sistema Colonial: Através da colonização do Novo 
Mundo (América), os países europeus vão enriquecer, acu-
mular capital. A exploração das colônias se deu através do 
48
HISTÓRIA
pacto colonial. O pacto colonial subordinava a colônia a 
sua metrópole, e desta maneira, cabia a metrópole to-
mar as decisões econômicas e políticas com relação a 
colônia. 
Período Pré-Colonial: (1500-1530).
Nos trinta primeiros anos da chegada dos portugue-
ses ao Brasil, o governo português não tomou medidas 
que visavam a colonização do Brasil. Nesse período, o 
interesse econômico da metrópole portuguesa estava 
voltada para o comercio de especiarias nas Índias, e para 
a exploração da costa africana ( ilhas de Açores, Cabo 
Verde e Madeira). No entanto, Portugal enviava ao Bra-
sil, expedições de Reconhecimento, que tinham como 
principal objetivo buscar riquezas no território brasilei-
ro. Umas das riquezas encontradas no litoral, na Mata 
Atlântica, foi o pau-brasil, que era utilizado principal-
mente para pintar tecidos, pois dele era extraída a cor 
vermelha. Vejamos a seguir, as principais características 
do extrativismo do pau-brasil.
Características:
1.Estanco (o produto era um monopólio real)
2.A extração era feita com a mão-de-obra do índio, 
que recebia em troca do seu trabalho presentes, bugi-
gangas ( Essa troca de trabalho por presente é chamada 
de escambo)
3.A madeira era armazenada em feitorias construídas 
no litoral.
4.O extrativismo do pau-brasil foi uma atividade pre-
datória.
No entanto, Portugal se deparou com as invasões 
dos franceses que vinham ao Brasil roubar o pau-brasil. 
Na tentativa de solucionar o problema, o governo por-
tuguês enviou as expedições Guarda-Costas que tinham 
a função de vigiar o literal e evitar o contrabando do 
pau-brasil. 
Em 1530, o governo português interessado em com-
bater as invasões estrangeiras, e já que o comércio com 
o oriente não era mais tão lucrativo, Portugal enviou a 
primeira expedição de colonização, sob a chefia de Mar-
tim Afonso de Sousa, para iniciar a colonização do Brasil.
Período Colonial: (1530-1822)
Administração
1.Capitanias Hereditárias
Para colonizar o Brasil, o governo metropolitano im-
plantou o primeiro sistema administrativo na colônia; as 
Capitanias Hereditárias ou Donatárias.
O Brasil foi dividido em 14 capitanias, e estas foram 
doadas a elementos da nobreza portuguesa. Neste siste-
ma administrativo, o poder era descentralizado e funcio-
nava baseado em dois documentos: a Carta de Doação e 
o Foral (documento no qual constava os direitos e deve-
res dos donatários).
Somente São Vicente e o Pernambuco prosperaram. 
O sucesso do Pernambuco estava relacionado a produ-
ção e exportação do açúcar.
2. Governo Geral
Com o fracasso das Capitanias hereditárias, o governo 
português resolveu implantar na colônia o Governo Geral, 
que tinha como objetivo fazer a centralização e continuar 
a colonização.
1º. Tomé de Sousa. Primeiro governador geral do Bra-
sil. Para promover a centralização construiu a primeira ca-
pital do Brasil; a cidade de Salvador. Além disso, o seu go-
verno foi marcado pela instalação do primeiro Bispado na 
Colônia. Dessa maneira, nascia uma aliança entre a Igreja e 
o Estado no processo da colonização do Brasil.
2º. Duarte da Costa. Foi no seu governo, que os fran-
ceses instalaram no Rio de Janeiro a sua colônia, França 
Antártica. Os franceses invadiramo Brasil, pois fugiam das 
guerras religiosas (católicos contra protestantes) ocorridas 
em seu país.
3º. Mem de Sá. No seu governo ocorreu a Confedera-
ção dos Tamoios, guerra ocorrida entre os índios e portu-
guês. Os índios contaram com o apoio dos franceses. Após 
combater os índios, os portugueses expulsaram os france-
ses do Brasil.
Para administrar as vilas, foram criadas as Câmaras Mu-
nicipais, formada pelos homens-bons, que eram os mem-
bros da aristocracia brasileira, isto é, proprietários de terras 
e escravos. 
Economia colonial
A cana-de-açúcar foi a atividade econômica que pro-
moveu a colonização do Brasil. O principal centro de pro-
dução de açúcar foi a Capitania do Pernambuco. Dentre 
os motivos que explicam o seu sucesso podemos mencio-
nar a riqueza do solo (massapé), o clima, a proximidade da 
Europa e a presença do capital holandês. Os holandeses 
financiaram a produção do açúcar e em troca receberam o 
monopólio do refino e da distribuição do açúcar na Europa. 
O açúcar foi a principal atividade econômica do Brasil, nos 
século XVI e XVII.
Características a economia açucareira:
Como colônia de exploração, a economia brasileira 
apresentava as seguintes características: latifúndio, mo-
nocultura, mercado externo e escravidão ( predomínio da 
escravidão negra). Essas características eram típicas das co-
lônias de exploração e é denominada de plantation.
O açúcar era produzido nos engenhos. O engenho era 
composto pela Casa-Grande, senzala, capela e Casa de Fa-
bricar o açúcar.
No século XVII, com a expulsão dos holandeses do nor-
deste e a produção do açúcar nas Antilhas, a produção do 
açúcar no Brasil, entrou em decadência.
Sociedade Colonial (Século XVI, XVII)
A sociedade do açúcar era formada por grupos sociais 
básicos; os senhores de engenhos e os escravos. Era uma 
sociedade patriarcal (valorização do homem, marginaliza-
ção da mulher), rural, estamental (rígida, sem mobilidade 
social, marcada pelo nascimento) e escravista. A base do 
trabalho era o negro na escravidão.
49
HISTÓRIA
Os negros eram vistos como mercadorias, e representa-
vam uma fonte de acumulação de capital. Contudo, os negros 
não foram passivos á escravidão, pelo contrário, desenvolve-
ram estratégias de resistência a escravidão. Por exemplo, fu-
giam, cometiam suicídio, assassinavam os senhores, mais com 
certeza, a maior expressão de sua resistência foi a formação 
dos quilombos.
Os quilombos eram comunidades formadas por negros 
que fugiram dos seus proprietários, e para os negros eram 
sinônimos de liberdade. O maior quilombo do período colo-
nial foi Palmares, localizado no atual Estado de Alagoas. Esse 
quilombo era chefiado por Zumbi e foi destruído no século 
XVII, pelo bandeirante Domingos Jorge Velho.
União Ibérica (1580-1640)
Em 1580, Felipe II (dinastia de Habsburgo), rei da Espanha 
tornou-se também rei de Portugal iniciando dessa maneira o 
período da União Ibérica.
Felipe II tinha como inimigo político a Holanda, e por isso, 
decretou embargo comercial aos holandeses. Desta forma, os 
holandeses estavam proibidos de comercializar com os terri-
tórios pertencentes a Felipe II.
Lembremos que os holandeses tinham capitais investidos 
na produção do açúcar no nordeste, como também o mono-
pólio do refino e distribuição. 
A Holanda em represália ao embargo comercial estabe-
lecido por Felipe II resolveu invadir o Brasil. Os holandeses 
invadiram primeiramente a Bahia, no entanto, não consegui-
ram conquistá-la, e a seguir invadiram o Pernambuco, sendo 
vitoriosos. Depois da conquista da Capitania do Pernambuco 
acabaram estendendo o seu domínio no nordeste, porém a 
Bahia continuou sob o domínio de Felipe II. 
Para administrar os territórios conquistados no nordeste, 
os holandeses enviaram ao Brasil, Maurício de Nassau. O nor-
deste seria governado atendendo aos interesses da empresa 
holandesa Companhia das Indias Ocidentais (WIC), isto é, o 
açúcar.
Ao chegar ao nordeste, Nassau tomou importantes me-
didas, como:
Emprestou capital aos senhores de engenho.
Remodelou o Recife.
Concedeu liberdade religiosa.
Incentivou cientistas holandeses para pesquisar a fauna e 
a flora brasileira, como também trouxe pintores para retratar 
a exuberância da natureza brasileira.
Expansão Territorial.
Como vimos anteriormente, o Tratado de Tordesilhas es-
tabeleceu que os portugueses teriam a posse do litoral brasi-
leiro, enquanto que a região oeste ( Amazônia, Mato Grosso, 
Rio Grande do Sul ) pertencia aos espanhóis.
Entretanto, os portugueses acabaram entrando no ter-
ritório dos espanhóis e conquistando a região oeste. A pe-
netração no interior da colônia foi motivada pela coleta das 
drogas do sertão, da pecuária e das bandeiras.
Drogas do Sertão: eram produtos do extrativismo vegetal 
encontrados na floresta amazônica, como o guaraná, o cacau, 
e as ervas medicinais. A extração dessas especiarias era feita 
pelos índios, que viviam com os padres jesuítas nas Missões.
As missões religiosas eram dirigidas pelos jesuítas, que 
vieram ao Brasil com o objetivo de catequizar o índio. Os ín-
dios das missões falavam português, rezavam, cantavam hi-
nos, isto é, foram aculturados pelos jesuítas.
Pecuária.
Outro fator importante na ocupação do território foi a 
pecuária. O gado foi introduzido na colônia primeiramente no 
litoral, e como uma atividade complementar da cana-de-açú-
car. No entanto, a medida que o gado procriou, o rebanho 
foi conduzido a outras regiões do Brasil, como por exemplo, 
ao sertão nordestino, aos pampas gaúchos e a Minas Gerais, 
Mato Grosso e Goiás, com a finalidade de abastecer a região 
produtora de ouro.
.
Bandeiras
As bandeiras eram expedições particulares que partiam 
de São Vicente em direção ao interior do Brasil conquistando 
para Portugal o território dos espanhóis.
As bandeiras eram compostas por homens livres pobres, 
e índios. O saber dos índios foi fundamental para a expan-
são bandeirante, uma vez, que eram os índios que construíam 
as canoas, descobriram os caminhos por terra e pelos rios, 
e conheciam as ervas medicinais para curar os homens que 
adoeciam durante a viagem.
Principais tipos de bandeiras:
Caça ao índio ou Apresamento: eram as bandeiras que 
penetravam no interior da colônia com a intenção de capturar 
os índios para levá-los a escravidão.
Mineração ou Prospecção: eram as bandeiras que par-
tiam de São Paulo com o objetivo de encontrar riquezas mi-
nerais no interior do Brasil.
Sertanismo de Contrato: eram bandeiras alugadas pelos 
proprietários de escravos para capturar os negros foragidos e 
destruir os quilombos.
Monções: eram expedições de comércio e de abaste-
cimento que partiam de São Paulo através do rio Tietê em 
direção as minas de Cuiabá. Traziam as minas de Cuiabá, au-
toridades governamentais, padres, escravos, aventureiros, ali-
mentos, ferramentas de trabalho e voltavam levando o ouro 
extraído nas Minas. 
Durante muito tempo, os historiadores apresentavam os 
bandeirantes como verdadeiros heróis, no entanto, atualmen-
te essa visão heroica é combatida, pois os bandeirantes es-
cravizaram índios, atacavam as missões, e foram responsáveis 
pelo extermínio de muitos índios. No entanto, não podemos 
deixar de considerar que eles foram responsáveis pela expan-
são do território brasileiro. 
Fonte:
https://blogdoenem.com.br/colonizacao-da-america
-portuguesa/
https://blogdoenem.com.br/chegada-portugueses-a-
merica/
https://blogdoenem.com.br/historia-formacao-esta-
do-moderno/
https://blogdoenem.com.br/absolutismo-reis-histo-
ria-enem/
https://blogdoenem.com.br/feudo-idade-media-his-
toria/
http://www.educacional.com.br/upload/blogSi-
te/3814/3814159/2562/Resumo%20periodo%20colonial.
doc
https://www.historiadobrasil.net/brasil_colonial/revol-
tas_emancipacionistas.htm
http://www.sohistoria.com.br50
HISTÓRIA
O ILUMINISMO E O DESPOTISMO 
ESCLARECIDO
O Iluminismo foi um movimento cultural e intelectual 
do século XVIII que procurou mobilizar o poder da razão, 
a fim de reformar a sociedade e o conhecimento herdado 
da tradição medieval: “seu programa é a difusão do uso da 
razão para dirigir o progresso da vida em todos os aspec-
tos” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 605). Essa 
revolução intelectual que se efetivou na Europa, em países 
como a França, Alemanha, Inglaterra, também ficou conhe-
cida como Século das Luzes e como Ilustração. Contudo, é 
preciso considerar, como o fazem Pazzinato e Senise que “o 
Iluminismo representou o ápice das transformações cultu-
rais iniciadas no século XIV pelo movimento renascentista” 
(1992, p. 98).
 O Iluminismo não foi um movimento homogêneo, 
quer dizer, não se trata de um conjunto de ideias siste-
máticas ou de uma escola. Trata-se de uma postura e uma 
mentalidade em comum que envolve filósofos, matemáti-
cos, físicos, de intelectuais de uma determinada época que 
procuravam, acima de tudo, se deixar guiar pelas “luzes da 
razão” para dar sua contribuição ao progresso intelectual, 
social e moral.
 “Este modo de pensar e de sentir é difundido, no sé-
culo XVIII, em muitos países da Europa. Suas primeiras ma-
nifestações se encontram na Inglaterra e na Holanda” (BOB-
BIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 606), mas a França é 
considerada por muitos o país que liderou intelectualmente 
o iluminismo europeu. “Existe porém, com diferenças por 
vezes importantes, um Iluminismo alemão, italiano, es-
panhol, austríaco, e um Iluminismo dos países da Europa 
oriental” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 606). 
Durante o século XVIII, os intelectuais franceses foram 
pioneiros em promover os valores iluministas, conhecidos 
como Philosophes (filósofos) e culminou com a publica-
ção da grande Encyclopédie ou dictionnaire raisonné des 
sciences, des arts et des métiers (1751-1772) editada por 
Denis Diderot e Jean Le Rond d’Alembert e contou com a 
contribuição de mais de 130 pensadores tais como Voltaire, 
Montesquieu, Rousseau, Condillac. Entre os textos escritos 
por seus colaboradores podemos destacar: Montesquieu e 
Voltaire (literatura), Condillac e Condorcet (filosofia), Rous-
seau (música), Buffon (ciências naturais), Quesnay e Turgot 
(economia), Holbach (química), Diderot (história da filoso-
fia), D’Alembert (matemática).
Entre os textos escritos por seus colaboradores pode-
mos destacar: Montesquieu e Voltaire (literatura), Condillac 
e Condorcet (filosofia), Rousseau (música), Buffon (ciências 
naturais), Quesnay e Turgot (economia), Holbach (química), 
Diderot (história da filosofia), D’Alembert (matemática).
A Enciclopédia é de inspiração racionalista e materia-
lista, propõe a imediata separação da Igreja do Estado e 
combate as superstições e as diversas manifestações do 
pensamento “mágico”, entre elas as instituições religiosas. 
Por isso sua publicação sofreu violenta campanha contrária 
da Igreja e de grupos políticos afinados com o clero. Sofreu 
intervenção da censura e condenação papal, mas acabou 
por exercer grande influência no mundo intelectual, inspi-
rando os líderes da Revolução Francesa. Sobre a Enciclopé-
dia assim se expressa Salinas Fortes:
O que podemos dizer é que aí encontramos, sem dú-
vida, como exposta em uma vitrina, as ideias principais da 
burguesia do século XVIII. Se o catolicismo teve sua Suma 
Teológica com São Tomás de Aquino, a burguesia também 
teve na Enciclopédia a sua Suma Filosófica (1985, p. 50).
 Pouco a pouco a Enciclopédia ajudou a difundir nos 
salões parisienses os ideais iluministas e a razão humana 
passou então a ser a luz (daí o nome do movimento) capaz 
de esclarecer qualquer fenômeno.
 Ainda no contexto do iluminismo cabe ressaltar duas 
perguntas: a primeira do filósofo alemão Immanuel Kant e 
a segunda de Salinas Fortes em decorrência da primeira. 
Vamos começar pela segunda: “Se agora perguntam-nos: 
‘Vivemos atualmente em um século esclarecido’ (aufkla-
rer)?, eis a resposta: “Não, mas sim a um século em marcha 
para as Luzes.” (FORTES, 1985, p. 83). Eis a pergunta de Kant 
e o que ele escreveu à respeito: “O que é o iluminismo?”
O iluminismo representa a saída dos seres humanos 
de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. 
Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fa-
zer uso da própria razão independentemente da direção 
de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta 
51
HISTÓRIA
resulta não de uma deficiência do entendimento, mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento 
independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - Esse é o lema 
do iluminismo
Partindo desta ideia, podemos pensar no iluminismo/esclarecimento como forma de emancipação do ser humano, e 
como elemento para libertação da condição de menoridade (através do uso em conjunto da razão e da liberdade e desta 
como instrumento do homem para a busca do esclarecimento).
Para Kant (1985, p.100) a menoridade é a “incapacidade de servir do entendimento sem a orientação de outrem”, é a 
ausência do entender sem o auxílio de outro. No pensamento de Kant o único responsável pela menoridade do indivíduo é 
ele próprio, e somente ele, com liberdade, pode livrar-se dessa condição e para a emancipação da menoridade é importan-
te que o indivíduo exerça plenamente sua liberdade – de falar, escrever, pensar. Para sair da menoridade é preciso buscar o 
esclarecimento, pensar por si próprio, sair da caverna da própria ignorância e ver o mundo com outros olhos.
A razão desempenha um papel importante, pois esta conduz ao conhecimento, ao esclarecimento. E a liberdade tam-
bém é importante, pois é ela quem vai permitir que o cidadão consiga usufruir do uso público da razão, sendo este o cami-
nho para que o homem saia de sua menoridade. Vemos assim o esclarecimento como um processo de racionalidade e uso 
pleno da liberdade. O esclarecimento, como uma forma de sair da menoridade, é, portanto, um processo de transformação 
do homem de sua menoridade em homem esclarecido.
Kant (1985) ainda assevera que o homem não pode renunciar ao esclarecimento, pois é um direito sagrado da huma-
nidade, não podendo nem mesmo um governante decidir sobre o esclarecimento de seu povo. Ressaltando ainda que o 
governante deve ser fonte para a busca do esclarecimento.
 
Características do Iluminismo
Apesar de haver divergência de pensamentos entre os diversos autores iluministas, é possível anotar algumas tendên-
cias gerais comuns: “O que caracteriza as luzes, além da valorização do homem [...] é uma profunda crença na Razão huma-
na e nos seus poderes” (FORTES, 1985, p. 9). Além disso, “Tem-se, a partir da ascensão do pensamento filosófico e científico, 
em meados do século XVI, uma mudança acerca da funcionalidade da ciência e do lugar do indivíduo no mundo” (MELLO; 
DONATO, 2011, p. 248). Vemos assim o racionalismo como “propulsor do saber” e a defesa do conhecimento científico e 
racional como meio para a superação de preconceitos e Ideologias tradicionais e busca do Esclarecimento.
Além disso, os filósofos do iluminismo tinham um ideal de luta pela liberdade, como dizia Diderot “o espírito do nosso 
século parece ser da liberdade” (apud FORTES, 1985). Em que o homem não deveria se guiar pelos pensamentos de outrem, 
mas pensar por si só, sendo dono do seu “próprio nariz”, se tornando um homem racional, deixando de lado as Ideolo-
gias retrógadas que cerceiam a liberdade e se voltando para a razão. Há, portanto, uma defesa intransigente da liberdade 
entre os pensadores iluministas (liberdade política, religiosa, de expressão, de imprensa).
A liberdade individual se torna o centro da discussão sobre política, à medida que a filosofia política iluminista promo-
via a centralidadedos direitos individuais, diferenciando os compromissos dos antigos e medievais da ordem e hierarquia. 
Nesse sentido, podemos afirmar que o iluminismo teve sua primeira expressão teórica, mais concentrada, em fins do século 
XVII, com o inglês John Locke – considerado o pai do liberalismo –, preocupado em “modificar” a concepção de súditos da 
coroa britânica para cidadãos. Defenderia a liberdade e a tolerância religiosa (MELLO; DONATO, 2011, p. 253).
Outra característica é a crítica aos valores da Igreja Católica e o anti-clericalismo. Os filósofos combatiam com todas 
as forças a imposição da verdade pela Igreja: “para ser efetivamente livre a Razão não pode se submeter a nenhuma au-
toridade que a transcenda ou a nenhuma regra que lhe seja extrínseca: ela é, para si mesma, sua própria regra” (FORTES, 
1985, p.18).
Há ainda uma confiança no desenvolvimento do “espírito científico” (com ênfase na visão de mundo mecanicista e no 
naturalismo) e nas ideias de progresso. A popularização do conhecimento científico deu uma certa confiança ao “espírito 
das luzes” de que alcançaríamos um maior grau de desenvolvimento. “É a ciência que dá ao século XVIII a segurança e a 
confiança na razão. O sucesso das ciências experimentais alimentou a idéia de que o mesmo método leva a um progresso 
concreto em todas as áreas da cultura e da vida” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 606).
52
HISTÓRIA
As descobertas astrofísicas, desde Galileu Galilei, Johannes Kepler até Isaac Newton contribuíram para essa confiança. A 
Terra não era mais o centro do universo e o novo método empírico-matemático fundamentava essa confiança no “espírito 
científico”.
O avanço da astronomia [e da física] – com a perda do privilégio cósmico da Terra – e a necessidade de admitir que 
podemos não estar sós no universo tiveram uma profunda influência no pensamento humano. O destino universal do ho-
mem, defendido pela Igreja, sofreu forte abalo (DUPAS, 2006, p. 40).
Noutros tempos, a teologia cristã determinava a verdade absoluta que deveria fundamentar o conhecimento e a nos-
sa visão de mundo e qualquer pessoa que se afastasse da filosofia escolástica era acusado de heresia diante do tribunal 
da Santa Inquisição, como aconteceu com Giordano Bruno e Galileu Galilei, por contrariar as bases filosófico-teológicas 
da época. Com a revolução científica e uma confiança sem limites no poder da razão o Iluminismo, “procedendo com o 
método racional analítico próprio das ciências, [aspira] a atingir verdades indiscutíveis ou, quando isto for impossível, ge-
neralizações legítimas, que tenham uma fundada validade metodológica” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 606). 
Este “espírito das luzes”, quer submeter todo o conhecimento aos princípios da razão, atingindo todos os aspectos do saber 
humano ao contrário do “espírito das trevas” medieval, pois como sabemos na Idade Média o poder hierárquico detinha-se 
exclusivamente à igreja e a nobreza. A tradição religiosa era imposta a todos; o homem não podia exercer livremente a sua 
razão. A razão era mera servidora da fé.
Os pensadores iluministas tinham como ideal a extensão dos princípios do conhecimento crítico a todos os campos do 
mundo humano. Supunham poder contribuir para o progresso da humanidade e para a superação dos resíduos de tirania 
e superstição que creditavam ao legado da Idade Média. A maior parte dos iluministas associava ainda o ideal de conheci-
mento crítico à tarefa do melhoramento do Estado e da sociedade.
Com base nesta mesma confiança no poder da razão, fala-se ainda de uma moral natural, uma religião natural e um 
direito natural.
o Iluminismo se prende à escola do direito natural e acredita poder construir um corpo de normas jurídicas universais 
e imutáveis [...] Para explicar os princípios do direito natural, recorre-se, como no século XVII, à natureza humana em si, isto 
é, abstraída das modificações resultantes da ação da civilização sobre o homem, supondo, como hipótese, um status natu-
rae anterior à sociedade civil e definindo os direitos que o homem já deve ter tido neste estado primitivo, isto é, os direitos 
que pertencem à sua dignidade de homem pelo simples fato de ser homem (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 
607).
53
HISTÓRIA
No que diz respeito à moral e à religião natural elas são 
independentes, mas devem, ambas, ser consideradas em 
função do “homem mundano”: uma antropologia iluminis-
ta baseada em princípios utilitaristas, sem rituais, cultos ou 
dogmas.
A religião se torna um modo de sentir, um íntimo sen-
timento de comunhão com Deus, que decorre da adesão 
sentimental à harmonia da natureza. [...] especialmente os 
mais jovens iluministas identificam, frequentemente, a na-
tureza com Deus, quando não proclamam um ateísmo ma-
terialista (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 607).
 A natureza humana é o fundamento da moral e da 
religião iluminista. E a principal característica da natureza 
humana, em que todos os iluministas concordam, é a sua 
racionalidade. Por meio da razão, e sempre dela, é possível 
conhecer as leis da natureza. É a natureza que “fornece as 
leis da lógica, como também da vida social, e unifica toda a 
ordem das relações e finalidades humanas. É baseando-se 
na natureza que o homem dirige seus interesses” (BOBBIO; 
MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 607).
 
Contexto Histórico e Influência Política
No contexto histórico da Europa Ocidental desde a 
Baixa Idade Média, do século XI ao XV, predominou o ab-
solutismo monárquico. Com a justificativa de que o poder 
real era de origem divina, muitas arbitrariedades foram 
cometidas. A nobreza e o clero sempre estiveram unidos 
na mesma simbiose em todo o período medieval, senho-
res feudais e a igreja eram aliados em interesses comuns 
de dominação, detendo o poder de persuasão sobre os 
servos. Contudo com a queda do sistema feudal e a im-
plantação do Capitalismo, o senhor dos feudos diminuía 
cada vez mais o seu poder, sendo assim os servos passam 
a depender menos do senhor feudal e migram para as 
cidades. “Na medida exata em que o senhor feudal vai 
sendo suplantado, a Igreja vai perdendo o poder absoluto 
de que gozava sobre os espíritos e passa por uma crise 
profunda” (FORTES, 1985, p.15).
Então a igreja que outrora dominava com mãos de 
ferro, implantando seus dogmas, sendo um grande pilar 
de sustentação e preservação do sistema, tendo como 
função a manutenção de Ideologias sobre os servos, ago-
ra se vê bombardeada por ideias filosóficas em defesa da 
liberdade onde o homem deve agir livremente pela pró-
pria razão.
Com o declínio do regime feudal e o enfraquecimento 
dos regimes absolutistas uma nova classe começa a surgir 
no cenário europeu: a burguesia. O enfraquecimento de 
um repercute diretamente no outro, pois na monarquia 
absolutista a velha nobreza feudal encontrava-se prote-
gida por um Estado forte, capaz de garantir suas terras e 
privilégios, seu poder político e a contenção das revoltas 
camponesas. O século XVII e XVIII representa, na Europa, 
uma contradição. Por um lado, monarquias poderosas, 
nas quais o poder do rei confunde-se com o próprio Es-
tado. De outro, uma burguesia rica, ascendente, que não 
aceita mais o absolutismo e a intervenção do Estado na 
economia, nem os privilégios cada vez mais onerosos da 
nobreza, pagos com o dinheiro gerado pela ação econô-
mica burguesa. A burguesia já não aceita mais as carac-
terísticas que marcam a vida europeia, às quais o próprio 
Iluminismo deu o nome de Antigo Regime. A própria de-
signação já é em si pejorativa. A palavra “antigo” não tem 
aqui qualquer sentido cronológico. O conceito refere-se 
a ultrapassado, superado, retrógrado, denotando toda a 
extensão da crítica que essa nova visão de mundo signi-
ficava.
O Iluminismo surge no período que marca o fim da 
transição entre feudalismo e Capitalismo, representando 
no campo sociale político a ascensão dos ideais da classe 
burguesa, exercendo vasta influência sobre a vida políti-
ca e intelectual da maior parte dos países ocidentais. No 
início do séc. XVIII, a burguesia europeia já havia se trans-
formado numa forte e rica classe social, porém, ainda sem 
acesso ao poder político que continuava nas mãos dos 
reis. As ideias iluministas surgiram neste contexto como 
resposta aos problemas concretos enfrentados pela bur-
guesia, tais como a intervenção do Estado na economia 
e os limites de sua atuação política. A época do iluminis-
mo foi marcada por transformações políticas tais como 
a criação e consolidação de estados-nação, a expansão 
de direitos civis e as revoluções burguesas. O ideal revo-
lucionário não é um ideal iluminista, mas não há dúvida 
de que as ideias políticas do iluminismo influenciaram a 
elaboração da Declaração de Independência dos Estados 
Unidos e a Declaração Francesa dos Direitos do Homem 
e do Cidadão (e até mesmo aqui no Brasil podemos di-
zer que os ideais iluministas cruzaram o Oceano Atlântico 
influenciando a Inconfidência Mineira e a Revolução Far-
roupilha.) redigida pela Assembleia Constituinte em 1789.
54
HISTÓRIA
Este documento, de importância ímpar, trazia em seu 
escopo significativos avanços sociais, garantia de direitos 
iguais aos cidadãos e maior participação política para o 
povo. Além destes avanços, ele teria grande repercussão 
pela sua intenção de se tomar como um preceito universal 
(MELLO; DONATO, 2011, p. 259).
Foi com o borbulhar das ideias de liberdade, igualdade 
e fraternidade que o iluminismo inflamou a sociedade para 
uma revolução: a Revolução Francesa (que sepultou de ma-
neira quase total o feudalismo e o absolutismo). Onde o 
povo começou a questionar a hierarquia imposta, passan-
do a enxergar que a dominação sobre eles não era natural, 
alcançando o poder da razão para seguir seus ideais. Nesse 
contexto podemos observar várias ideias iluministas sendo 
defendidas no novo cenário político: as ideias de soberania 
popular, a doutrina econômica tipicamente iluminista da fi-
siocracia[1], a separação dos poderes, igualdade perante 
a lei entre outras: “a razão inspira projetos de reformas 
sociais e econômicas, novas legislações e um sistema de 
educação coletiva, pela qual se espera uma efetiva renova-
ção da vida e um crescimento geral de bem-estar” (BOB-
BIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 608). Neste aspecto 
é preciso considerar também a influência do racionalismo 
e a defesa do poder da razão como guia para pensar uma 
melhor forma de organização social. O Estado, que antes se 
aliara à Igreja, começa a buscar um novo fundamento no 
racionalismo moderno, desprendendo-se da religião, do 
poder da autoridade e do absolutismo teológico
Foi Montesquieu quem deu ênfase a teoria da separa-
ção dos poderes: o Executivo, Legislativo e o Judiciário. E 
essa teoria tem como objetivo evitar que o poder se con-
centre nas mãos de uma única pessoa, para que não haja 
abuso, como ocorrido no Estado Absolutista, por exemplo, 
em que todo o poder concentrava-se nas mãos do rei. A 
passagem do estado Absolutista para o Estado liberal ca-
racterizou-se justamente pela separação dos poderes. Esta 
teoria de Montesquieu se transformou em um verdadeiro 
dogma pela “Declaração dos Direitos do Homem” de 1789.
Já no campo da Democracia o iluminismo encontrou 
em Jean-Jacques Rousseau o grande porta voz da sobe-
rania popular. O que coloca Rousseau em destaque entre 
os que inovaram no pensamento político é precisamen-
te a defesa da concepção do exercício da soberania pelo 
povo. Além disso Rousseau também era um Contratualista, 
quer dizer, procurava entender e explicar a Sociedade Civil 
através de um contrato social que, para ser legítimo, deve 
ser elaborado de acordo com a vontade geral soberana. 
“Como fazer para eliminar os males da vida social e políti-
ca dos homens dando-lhes uma nova base? A resposta é: 
‘contrato social’” (FORTES, 1985, p. 68).
Por fim é preciso considerar que vários foram os prínci-
pes reinantes que muitas vezes apoiaram e fomentaram fi-
guras do iluminismo e até mesmo tentaram aplicar as suas 
ideias ao governo.
Quanto à forma de Governo, o ideal predominante, 
aliás, é o do despotismo iluminado, isto é, o do soberano 
filósofo, que seja um philosophe autêntico e que, ilumina-
do pela razão, por sua vez potenciada pelos conhecimen-
tos, promova reformas aptas a instaurar o bem-estar e a 
felicidade dos súditos (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 
1998, p. 608).
 As ideias racionalistas e iluministas influenciaram os 
governantes absolutistas, que pretenderam governar se-
gundo a razão e o interesse do povo, sem abandonar, po-
rém, o poder absoluto, ficando conhecidos como déspotas 
esclarecidos. Os mais célebres são: Frederico II, da Prús-
sia (1740-1786) – permitiu a liberdade de culto e de expres-
são aos prussianos e tornou obrigatório o ensino básico. 
Mas apesar dessas mudanças, a Prússia manteve o regime 
feudal; Catarina II, da Rússia (1762-1796) – manteve conta-
to com muitos filósofos do Iluminismo mas mudou muito 
pouco a estrutura social e econômica da Rússia; o marquês 
de Pombal, ministro português (1750-1777) – expulsou os 
jesuítas de Portugal e das colônias por se oporem às suas 
reformas educacionais, além de abrir Portugal para a in-
fluência do Iluminismo, modernizando o ensino, bibliote-
cas e criando a Imprensa Régia; e Carlos III, da Espanha. De 
modo geral, todos eles realizaram reformas que ampliaram 
a educação, garantiram a liberdade de culto, fortaleceram 
a igualdade civil, embora mantendo uma certa autocracia e 
aguçando as contradições sociais e políticas.
‘Despotismo’ significa, em sentido específico, a forma 
de Governo em que quem detém o poder mantém, em 
relação aos seus súditos, o mesmo tipo de relação que o 
senhor (em grego “despotes”) tem para com os escravos 
que lhe pertencem [...] [modernamente] Despotismo é po-
lemicamente usado para indicar qualquer forma de Gover-
no absoluto, sendo muitas vezes sinônimo de tirania, dita-
dura, autocracia, absolutismo e outras formas semelhantes 
(BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 339).
 A grande diferença entre tiranos e déspotas é que 
a tirania é uma forma degenerada de governo, segundo 
a terminologia aristotélica e que perdura até os tempos 
modernos, pois o tirano despreza as leis estabelecidas e 
governa segundo seu próprio capricho, enquanto que o 
despotismo é considerado uma forma legítima de gover-
no, uma vez que se baseia no próprio consentimento de 
um povo (que se submete voluntariamente a esse poder), 
ainda que o poder do governante seja absoluto, muitas 
vezes arbitrário e dependente de sua própria vontade. “A 
diferença verdadeiramente essencial está no fato de que a 
tirania constitui uma forma ilegal ou ilegítima [...] ao passo 
que a monarquia despótica, como monarquia, pertence às 
formas não deturpadas” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 
1998, p. 340). Convém salientar que esta é a definição clás-
sica, aristotélica, do despotismo, que assumiu conotações 
diferentes ao longo dos séculos. Uma variação deste en-
tendimento surge, por exemplo, em Montesquieu, que en-
tende a monarquia como uma forma de governo diferente 
do despotismo. Em sua obra O Espírito das Leis, o filósofo 
francês distingue três formas de governo: monarquia, re-
pública e despotismo.
Segundo a natureza, o Governo despótico é o Governo 
em que “um só, sem leis nem freios, arrasta tudo e todos 
atrás dos seus desejos e caprichos” (Livro II, c. I). Segundo 
o princípio, o Governo despótico se rege pelo medo, en-
quanto que o monárquico se guia pela honra e o republi-
cano pela virtude [...] Montesquieu [porém] mantém inal-
terado o da relação servil entre governantes e governados 
(BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 343).
55
HISTÓRIA
Os povos submetidosa um regime despótico se en-
contram em um estado de servidão e escravidão política.
Em todas estas visões o despotismo é sempre vis-
to como um modelo de mau Governo. Como toda regra 
tem sua exceção, a ideia de despotismo é um elemento 
importante da teoria e da ideologia política da fisiocracia 
iluminista, ao defender a ideia de um soberano único, que 
fosse capaz de reconhecer as leis naturais existentes, ins-
truído por sábios conselheiros sobre a existência de tais leis 
e usando seus poderes na aplicação das respectivas leis. 
“Em sua obra L’ordre naturel et essentiel des sociétés poli-
tiques (1767), o fisiocrata Le Mercier de la Rivière distingue 
duas formas de Despotismo, um que ele chama ‘legal’ e o 
outro ‘arbitrário’” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, 
p. 345), e apenas o primeiro pode ser guiado pela evidência 
e pela luz natural da razão possibilitando a compreensão 
das leis naturais. A necessidade de um governo despóti-
co se deve ao fato de que tais leis não podem senão ser 
impostas de forma impositiva e até mesmo coercitiva e, 
naturalmente, é desta ideia que nasce o princípio de um 
“despotismo esclarecido”.
Com efeito, uma vez averiguado que a ordem natural 
é evidente, ou seja, que pode ser compreendida em sua 
totalidade pela mente humana iluminada pela razão, ela 
torna-se pelo mesmo fato coagente e, por conseguinte, 
não pode ser imposta senão despoticamente. Existe por-
ventura alguém que se lamente de ser obrigado a aceitar 
sem discussão os teoremas da geometria euclidiana? Eu-
clides não é menos déspota que o monarca iluminado que 
governa obedecendo à evidência das leis naturais. Mas tra-
ta-se, sem dúvida, de um Despotismo natural e necessário, 
conforme com a razão (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 
1998, p. 345).
[1] Derivado do grego, physis (natureza) e kratos (po-
der, governo), a fisiocracia corresponderia a uma teoria 
econômica do século XVIII, principalmente por teóricos 
franceses dos quais François Quesnay seria um dos mais 
conhecidos, “Que se fundamenta na idéia de uma ordem 
natural regida por leis eternas, às quais é racional confor-
mar-se, porque elas, se não obstadas, produzem a máxima 
prosperidade e harmonia” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUI-
NO, 1998, p. 610). Para os fisiocratas o trabalho oriundo 
da produção agrícola seria a principal fonte de riqueza das 
nações (do valor, produtos e desenvolvimento das terras 
agrícolas), o que é naturalmente compreensível, já que nes-
sa época a economia era praticamente totalmente agrária.
Despotismo esclarecido
O chamado “despotismo esclarecido” é o termo mais 
comum utilizado para designar a prática dos monarcas que, 
apesar de reinarem de forma absoluta, ainda implementa-
ram reformas político-econômicas baseadas nas ideias ilu-
ministas vigentes no período. Costumam ser citados como 
adeptos do chamado absolutismo ilustrado os seguintes 
soberanos: Pedro I (1672-1725) e Catarina II da Rússia 
(1729-1796), da Casa Romanov, Maria Teresa (1724-1780) 
e José II do Sacro Império Romano (1741-1790), da Casa 
Habsburgo-Lorena, Frederico II da Prússia (1740-1786), da 
Casa de Hohenzollern, Carlos III de Espanha (1716-1788), 
da Casa de Bourbon, e José I de Portugal (1714-1777), da 
Casa de Bragança.
Tendo suas origens ainda no século XVII, o movimen-
to cultural-filosófico melhor conhecido como Iluminismo 
apenas se tornaria mais influente no século seguinte, quan-
do alguns monarcas passaram a adotar o pensamento ilus-
trado referente ao uso estrito da razão, em contraponto ao 
da simples autoridade e estratificação social, para melhor 
poder implementar suas reformas político-econômicas. 
Neste sentido, é defendido que teria sido Pedro I o primei-
ro soberano a utilizar tal doutrina para efetuar melhorias 
no sistema religioso, econômico, administrativo, social e 
cultural. Contudo, este monarca – juntamente com seus su-
cessores – não teve a preocupação de também reestruturar 
a sociedade em paralelo com as reformas, o que geraria 
em breve situações contraditórias: por exemplo, Catarina II, 
que era prolífica em patrocinar as artes e estimular a publi-
cação de livros de vários gêneros, ainda procuraria tornar 
a lei de servidão mais dura a fim de aumentar a produção 
camponesa.
Pedro I de Rússia, pintura de Jean-Marc Nattier.
 
56
HISTÓRIA
Catarina II de Rússia. Pintura de Alexander Roslin.
Em tendência oposta, às reformas da imperatriz Maria 
Teresa e seu sucessor, José II, não faltou piedade religiosa 
mesclada com um paternalismo pensado de modo a for-
talecer a própria dinastia. Em seus reinados, foram feitas 
renovações nos sistemas administrativos, econômicos, so-
ciais, jurídicos e religiosos; além disso, a servidão foi aboli-
da e foi estabelecida a liberdade de imprensa. Também se-
ria realizada uma reforma agrária e declarada a tolerância 
religiosa no império.
Semelhante pensamento tinha Frederico II, embora te-
nha sido ferrenho rival de Maria Teresa durante a maior 
parte de sua vida. Amigo de Voltaire, o monarca realizaria 
importantes reformas educacionais, além de tornar a esco-
larização obrigatória. Ele também modificaria o sistema ju-
diciário, abolindo a tortura, e incentivou a industrialização, 
favorecendo assim o comércio.
Entretanto, deve ser observado – tanto no caso da 
Prússia quanto do da Áustria – é que as reformas pouco 
fizeram para modificar a desigualdade da sociedade, ou 
subverter as tradicionais ideias religiosas consolidadas a 
respeito de sua estrutura. Isso também pode, aliás, ser dito 
a respeito de Carlos III e José I. Enquanto o monarca espa-
nhol controlou, mas não extinguiu, a Inquisição enquanto 
reformava o exército e as universidades, José I deixou a 
cargo de seu ministro de Estado – o Marquês de Pombal – a 
realização de uma série de medidas modernizadoras, das 
quais a mais célebre é a expulsão dos jesuítas de Portugal 
e suas colônias, incluindo o Brasil, em 1759. Embora a po-
lêmica medida possa ser vista retrospectivamente como 
uma tentativa para diminuir a grande influência da Igreja 
Católica no reino, a saída dos jesuítas fragilizaria a estru-
tura educacional, especialmente nas colônias.
Fonte: 
https://www.portalconscienciapolitica.com.br/filoso-
fia-politica/filosofia-moderna/iluminismo/
https://www.infoescola.com/historia/despotismo-es-
clarecido/
AS REVOLUÇÕES INGLESAS (SÉCULO XVII) E A 
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (SÉCULO XVIII A XX)
O Antigo Regime europeu correspondeu ao modo de 
vida da população europeia ao longo da Época Moderna. 
Teve como pilares de sustentação o Absolutismo Monár-
quico e o Mercantilismo.
A partir de meados do século XVII, porém, essa estru-
tura começou a dar sinais de declínio, devido às transfor-
mações socioeconômicas por quais passava o continente 
europeu nesse momento histórico. Tais transformações 
– observadas inicialmente e com maior intensidade na In-
glaterra – refletiram-se sobre a organização política e cul-
tural dos países europeus, levando à derrocada do Antigo 
Regime como um todo.
Certamente, o processo foi lento e gradual – mais 
intenso em determinadas regiões, mais prolongado em 
outras. De qualquer modo, as bases do Antigo Regime 
começaram a ser abaladas na segunda metade do sécu-
lo XVII. Alguns fenômenos históricos foram responsáveis 
por esses abalos: as Revoluções Inglesas de 1640 e 1688, 
a Revolução Industrial, o Iluminismo e a Independência 
dos Estados Unidos. 
Cada um desses fenômenos contribuiu para o ques-
tionamento da ordem vigente na Europa: os privilégios da 
nobreza feudal, o intervencionismo estatal na economia e 
os poderes absolutos do rei.
A INGLATERRA NO INÍCIO DO SÉCULO XVII
O apogeu do Absolutismo inglês ocorreu durante a 
dinastia Tudor. Durante o reinado de Henrique VIII e Eliza-
beth I, a autoridade do rei se impôs à da nobreza feudal e 
à do Parlamento. A prosperidade econômica,conquistada 
graças a uma eficiente política naval e comercial, asso-
ciada à estabilidade política obtida em função do duplo 
apoio social ao rei (burguesia e nobreza), fizeram da In-
glaterra uma poderosa nação no cenário europeu.
57
HISTÓRIA
A sociedade inglesa da época era dividida da seguinte 
forma:
Nobreza: ao lado da antiga nobreza feudal – latifundiá-
ria, exploradora da mão de obra servil, detentora de privi-
légios –, havia uma nova nobreza, chamada de gentry, que 
havia surgido após a Reforma Anglicana. O rei Henrique VIII 
confiscou os bens e as terras da Igreja Católica e os vendeu 
a burgueses enriquecidos pelo comércio. Assim, o monarca 
obteve recursos consideráveis para sustentar o aparelho de 
Estado. Contudo, o processo de cercamento das terras co-
munais (enclosures) havia resultado na expulsão do campo 
de milhares de camponeses. Suas terras acabaram nãos 
mãos dessa nova nobreza. Esses novos nobres passaram 
a se dedicar à agricultura comercial, visando ao abasteci-
mento dos núcleos urbanos que se desenvolviam. Inves-
tiam capitais oriundos de outras atividades econômicas, 
sobretudo do comércio, na agricultura, originando assim 
uma nobreza empreendedora.
 Burguesia: também esse grupo não era homogêneo. 
Havia uma burguesia mercantil e monopolista que, além de 
grande riqueza acumulada, usufruía de enormes privilégios 
junto ao rei (frequentava a Corte, recebia concessões mo-
nopolísticas da Coroa) e, por isso, apoiava incondicional-
mente o Absolutismo. Esse grupo, em troca das vantagens 
econômicas que recebia do rei, garantia os recursos neces-
sários à plena manutenção do Estado Absolutista, anteci-
pando lucros e impostos. Havia, entretanto, outro segmen-
to burguês no interior da sociedade inglesa: a burguesia 
manufatureira. Tratava-se de um grupo ligado à produção 
de manufaturas - sobretudo têxteis -, que não usufruía de 
qualquer vantagem econômica, social ou política e que, 
acima de tudo, desejava a ampliação do mercado consumi-
dor para seus produtos. Para isso, era necessário abolir os 
laços servis e converter camponeses e trabalhadores urba-
nos em consumidores. Além disso, exigia o fim das restri-
ções mercantilistas e a liberdade de produção e comércio.
 Povo: o restante da população inglesa – formada por 
camponeses sujeitos às obrigações servis em relação à 
nobreza proprietária de terras, e por camponeses expro-
priados pelos cercamentos, que abandonaram o campo e 
se dirigiram para as cidades, constituindo o proletariado 
urbano. Esse grupo desejava retornar às atividades rurais e, 
por isso, condenava o absolutismo promotor de sua expul-
são. Ainda compunham o povo, os pequenos comerciantes 
e os artesãos que moravam nas cidades.
Devido ao absolutismo em vigor na Inglaterra do início 
do século XVII, não existiam canais de expressão social e 
política que representassem ideologias ou classes sociais. 
O único veículo de expressão aceito era a religião e, nesse 
sentido, a população se dividia da seguinte forma, confor-
me seu apoio ou crítica ao absolutismo monárquico:
 - anglicanos: o grupo ligado ao poder, formado, basi-
camente, pela nobreza emergente e pela burguesia mono-
polista. Os anglicanos defendiam a manutenção do absolu-
tismo devido às vantagens conseguidas junto ao rei.
 - católicos: a nobreza feudal, que perdera muito de 
seu poder e prestígio com o fortalecimento da autoridade 
real, mas que ainda usufruía de largos privilégios, como, 
por exemplo, o recebimento das obrigações servis. Os ca-
tólicos temiam, sobretudo, perder o que ainda lhes restava 
de prestígio e, por esse motivo, não se colocavam contra 
o rei.
 - calvinistas: protestantes divididos em puritanos (mais 
radicais, defensores da República) e presbiterianos (mais 
moderados, advogavam uma Monarquia Parlamentar). Os 
calvinistas representavam a burguesia desprivilegiada e os 
setores mais humildes da sociedade inglesa, principalmen-
te o proletariado urbano de origem camponesa, descon-
tente com o processo de cercamentos e que sonhava voltar 
à terra que lhe fora confiscada. Tais grupos assumiram uma 
posição política nitidamente anti-absolutista.
A DINASTIA STUART
A família Stuart, que assumiu o poder político na In-
glaterra após a morte do último monarca Tudor, Elizabeth 
I, em 1603, procurou dar continuidade ao absolutismo. As 
alterações socioeconômicas que ocorreram na Inglaterra 
ao longo do século XVI, porém, impediram a concretização 
plena de tal objetivo.
Jaime I (1603-1625) foi o primeiro monarca da dinastia 
Stuart. Seu reinado se caracterizou pela ausência de ha-
bilidade política, excesso de vaidade pessoal, teimosia e 
grande erudição, o que lhe valeu o “título” de “imbecil mais 
sábio da cristandade”. Durante seu reinado, perseguiu ca-
tólicos e calvinistas visando ao fortalecimento do anglica-
nismo no reino e, consequentemente, do absolutismo. Ao 
mesmo tempo, devido ao aumento dos gastos para a ma-
nutenção do Estado e à queda da arrecadação do tesouro, 
o rei foi obrigado a adotar uma política fiscal e tributária 
de péssimas repercussões. Procurou criar novos impostos 
e aumentar os já existentes, mas, para isso, necessitava da 
aprovação do Parlamento (conforme estabelecido pela 
Magna Carta, em 1215). O Parlamento se negou a cola-
borar com o rei e, por isso, foi dissolvido em 1614, assim 
permanecendo até 1621.
O filho de Jaime I, Carlos I (1625-1649), substituiu-o 
e, apesar de mais hábil nas questões políticas, também 
procurou manter a concentração absoluta de poderes her-
dados dos Tudor. As dificuldades financeiras avolumaram-
se durante seu reinado e o Parlamento, reconvocado em 
58
HISTÓRIA
1621, negou-se a ajudar o rei a resolver os problemas 
orçamentários. Carlos I procurou negociar com o Parla-
mento a aprovação de novos impostos. Em 1628, o rei 
conseguiu com que o Parlamento aprovasse, mediante o 
juramento da Petição de Direitos – que previa o fim das 
prisões arbitrárias e da imposição de tributos ilegais –, 
novos tributos que aliviassem a difícil situação financeira 
da Monarquia.
Após os novos tributos terem sido aprovados, o rei 
dissolveu novamente o Parlamento, que permaneceu em 
“recesso” até 1637. Nesse ano, ocorreu a invasão da In-
glaterra pelos escoceses. O motivo da invasão foi a ten-
tativa do monarca em anglicizar a Igreja Presbiteriana da 
Escócia. Para se retirarem do território inglês, os escoce-
ses exigiam o pagamento de uma pesada indenização, 
que estava além dos recursos possuídos pelo rei. Este foi, 
portanto, obrigado a reconvocar o Parlamento, que, mais 
uma vez, negou-se a colaborar com o monarca e, mais 
uma vez, foi fechado em 1640. Dessa vez, porém, o fe-
chamento do Parlamento gerou uma violenta reação por 
parte dos setores anti-absolutistas da sociedade inglesa, 
que passaram a enfrentar o rei, primeiro o criticando, mas 
depois, pegando em armas e originando uma guerra civil.
O conflito armado entre adeptos do absolutismo 
monárquico (chamados de “cavaleiros”) e seus oposito-
res (conhecidos como os “cabeças redondas”, e liderados 
por Oliver Cromwell) iniciou-se em 1642. Depois de vio-
lentos conflitos, os “cabeças redondas”, melhor organi-
zados e mais disciplinados que os “cavaleiros” (Cromwell 
havia criado o “Exército de Novo Tipo”, que garantiu uma 
melhor estruturação militar aos “cabeças redondas”), 
venceram, aprisionaram e executaram o rei e instauraram 
o regime republicano na Inglaterra, em 1649.
A vitória dos “cabeças redondas” significou a vitória 
das forças radicais anti-absolutistas, que desejavam a im-
plantação da República. Esse radicalismo, porém, serviu 
para isolar os puritanos e levá-los à derrota anos mais 
tarde.
A REPÚBLICA PURITANA (1649-1658)
A República, proclamada em 1649 e que se estendeu 
até 1658, teve um caráter essencialmente pequeno-bur-
guês. Liderada porOliver Cromwell, aclamado Lorde Pro-
tetor da República, a República Puritana pretendia esta-
belecer na Inglaterra um regime afinado com os anseios 
da burguesia manufatureira e, até mesmo, em alguns 
momentos, com o proletariado urbano.
Oliver Cromwell
Logo que assumiu o poder, Cromwell teve de en-
frentar uma rebelião de católicos na Irlanda, desconten-
tes com o triunfo do calvinismo. Cromwell reprimiu com 
violência a revolta, confiscou as terras pertencentes aos 
irlandeses católicos e as entregou a protestantes ingle-
ses. Isso agravou o descontentamento da Irlanda em re-
lação ao governo inglês.
Em 1651, Cromwell instituiu os Atos de Navegação, 
determinando que todas as mercadorias que entrassem 
ou saíssem dos portos ingleses deveriam ser transporta-
das por navios ingleses. Assim, o governante procurava 
fortalecer a construção naval no país e o comércio ex-
terno da Inglaterra, para que o país adquirisse a supre-
macia naval. Tal ato, porém, desagradou enormemente 
os holandeses, que detinham a hegemonia marítima até 
então. A guerra entre Holanda e Inglaterra foi inevitável 
e terminou com uma importante vitória inglesa, que se 
tornou a primeira potência naval europeia e mundial.
Apesar de contar com o apoio do Parlamento nos 
primeiros tempos de seu governo, o caráter radical da 
República Puritana resultou na alienação de indivíduos 
mais moderados, que passaram a criticar certas medidas 
do novo governo. Devido às críticas do Parlamento, que 
se tornavam cada vez mais frequentes e intensas, Crom-
well dissolveu-o, em 1653, instituindo uma ditadura 
pessoal baseada no poder do exército por ele formado. 
O Parlamento, mesmo não concordando com a neutra-
lização de seus poderes políticos, aceitou a ditadura de 
Cromwell, pois em seu governo, a estabilidade política 
e a prosperidade econômica foram características mar-
cantes.
A República Puritana, porém, não sobreviveu à mor-
te de seu fundador, em 1658. Oliver Cromwell foi subs-
tituído por seu filho, Ricardo, que era menos eficiente e 
competente que o pai. Forças ligadas à monarquia for-
taleceram-se e acabaram por restaurá-la em 1660.
59
HISTÓRIA
A RESTAURAÇÃO STUART E A REVOLUÇÃO GLORIOSA
Em 1660, diante da instabilidade do governo de Ricar-
do Cromwell, o Parlamento foi reconvocado e reinstituiu a 
Monarquia na Inglaterra, coroando Carlos II (1660-1685). 
Esse monarca, educado na França durante o período re-
publicano, era simpatizante do catolicismo e do absolutis-
mo. Promoveu uma política de aproximação com a França 
e com Roma. A burguesia e a nobreza anglicana, temendo 
perder seus privilégios, uniram-se para enfraquecer a auto-
ridade real e, em 1679, o Parlamento aprovou o Ato de Ex-
clusão, segundo o qual os católicos devieram ser afastados 
dos postos do governo e dos cargos públicos. No mesmo 
ano, o Parlamento aprovou a lei do Habeas Corpus, que 
protegia os cidadãos de detenções arbitrárias e garantia 
liberdades pessoais. Novamente, em 1683, o Parlamento 
foi fechado.
A morte de Carlos II fez subir ao trono inglês o já ido-
so Jaime II (1685-1688). Católico convicto e declarado, o 
novo monarca ameaçou restabelecer o catolicismo como 
religião oficial na Inglaterra, almejando, assim, restaurar o 
Absolutismo e reduzir a influência política da nobreza an-
glicana e da burguesia monopolista.
Diante da ameaça católica e absolutista, o Parlamento 
inglês ofereceu, em 1688, a Coroa britânica ao marido da 
herdeira de Jaime II (Mary Stuart), Guilherme de Orange. 
Este era também herdeiro do trono holandês e, para assu-
mir o trono inglês, abdicou da sucessão holandesa. Além 
disso, teve que jurar o Bill of Rights (Declaração de Direi-
tos), que estabelecia as bases da monarquia parlamentar 
na Inglaterra: o Parlamento era responsável pela aprovação 
ou não de impostos, garantia-se aos cidadãos a liberdade 
individual e o poder seria dividido pelos poderes Executivo, 
Legislativo e Judiciário. Na prática, a autoridade do rei, a 
partir de então, ficava subordinada à autoridade do Parla-
mento.
A substituição de Jaime II por Guilherme III foi pacífica 
e se tornou conhecida como a Revolução Gloriosa. Graças a 
ela, que instituiu a monarquia parlamentar inglesa, conso-
lidaram-se as bases político-institucionais que permitiriam, 
a longo prazo, a consolidação do capitalismo na Inglaterra 
por meio da Revolução Industrial.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 
A Revolução Industrial designa um processo de pro-
fundas transformações econômico-sociais que se iniciou 
principalmente na Inglaterra. Em meados do século XVIII. 
Caracteriza-se pela passagem da manufatura à indústria 
mecânica. A introdução de máquinas fabris multiplica o 
rendimento do trabalho e aumenta a produção global. A 
Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em re-
lação ao continente europeu e sai na frente na expansão 
colonial. Entre as principais características da sociedade 
industrial, podemos citar: a organização das mais diversas 
atividades humanas pelo capital; a predominância da in-
dústria na atividade econômica e o crescimento da urba-
nização. Vários historiadores têm dividido o processo de 
criação das sociedades industriais em duas fases, a primeira 
com duração de 1760 a 1860 e a segunda iniciada por volta 
de 1860. Com essa revolução surgiram também novas for-
mas de energia, como a eletricidade e os combustíveis de-
rivados do petróleo. A velha Europa agrária foi se tornando 
uma região com cidades populosas e industrializadas. Com 
tempo, a Revolução Industrial influenciou profundamente a 
vida de milhões de pessoas em todas as regiões do planeta.
Fatores da Primeira Revolução Industrial
Revolução Comercial
A primeira etapa da industrialização foi gerada pela 
Revolução Comercial, realizada entre os séculos XV e XVIII, 
principalmente em alguns países da Europa centro-ociden-
tal. Para esses países, a expansão do comércio internacional 
trouxe um extraordinário aumento da riqueza, permitindo 
a acumulação de capitais capazes de financiar o progresso 
técnico e alto custo da instalação de industrias.
A burguesia européia, fortalecida com o desenvolvi-
mento dos seus negócios, passou a se interessar pelo aper-
feiçoamento das técnicas de produção e a investir no tra-
balho de inventores na criação de máquinas e experiências 
industriais.
Além disso, a Revolução Comercial resultou num au-
mento incessante de mercados, isto é, do lugar geográfico 
das trocas.
A ampliação das trocas, que a partir do século XVI os 
europeus passaram a realizar em escala planetária, levou a 
radical alteração nas formas de produzir de alguns países 
da Europa ocidental.
O aumento da divisão do trabalho
Com a expansão do comércio, o trabalho artesanal, 
realizado com ferramentas, típico das corporações de ofí-
cio, foi sendo substituído por um trabalho mais dividido, 
que exigiu a utilização de máquinas numa escala crescente. 
A produtividade foi incomparavelmente maior. Na Fran-
ça, por exemplo, os sapatos eram produzidos de forma 
artesanal: um mesmo artesão cortava, costurava, ou seja, 
realizava sozinho diversas tarefas que resultavam na fabri-
cação de um sapato. Depois da extinção das corporações 
e do crescimento do mercado, cada operário no interior 
das fábricas nascentes foi especializado numa determinada 
tarefa.
A utilização de máquinas
Muito cedo verificou-se que maior produtividade e 
maiores lucros para os empresários poderiam ser obtidos 
acrescentando-se ao trabalho dividido o emprego de má-
quinas em larga escala.
A sociedade industrial caracterizou-se fundamental-
mente pela utilização sistemática de maquinário na produ-
ção e no transporte de mercadorias.
Para compreender a importância das máquinas, basta 
lembrar que elas, ao contrário das ferramentas, realizam 
trabalho utilizando basicamente forças da natureza, como 
o vento, a água, ofogo, o vapor, e um mínimo de força 
humana.
Alguns pensadores afirmam que a humanidade reali-
zou seus maiores progressos criando máquinas para uti-
lizar as energias da natureza. O progresso se realizou nos 
momentos em que a humanidade conseguiu fazer as forças 
da natureza trabalharem por ela por meio das máquinas.
60
HISTÓRIA
A exigência de produzir mais, com o aumento das tro-
cas, praticamente “forçou” o progresso técnico, que passou 
a constituir um dos traços mais significativos do moderno 
e contemporâneo.
Revolução Industrial na Inglaterra
A primeira fase da revolução industrial (1760-1860) 
acontece na Inglaterra. O pioneirismo se deve a vários fa-
tores, como o acúmulo de capitais e grandes reservas de 
carvão. Com seu poderio naval, abre mercados na África, 
Índia e nas américas para exportar produtos industriali-
zados e importar matérias-primas. Ao longo dos séculos 
XVI, XVII E XVIII, houve o acúmulo de capitais em mãos 
de um pequeno grupo investidor. Esses capitais provinham 
do comércio colonial, do contrabando, do tráfico de escra-
vos, de transações com outros países. Esses capitais eram 
igualmente acumulados através de operações no setor da 
produção agrícola. Esses capitais não eram atingidos por 
tributos elevados e desde o século XVII dispunham de uma 
empresa bancária sólida ¾ o Banco da Inglaterra ¾, onde 
inclusive poderiam ser depositados com amplas garantias, 
sem se esquecer a possibilidade de obtenção de créditos.
Os setores empresariais dispunham de mão-de-obra 
numerosa e dependente, pois desvinculada dos meios e 
instrumentos de produção. Essa mão-de-obra crescia em 
função do aumento demográfico causado pela diminuição 
do índice de mortalidade e manutenção de alto índice de 
natalidade, pelo êxodo rural provocado pelos “enclosures” 
que criavam numerosos indivíduos sem emprego, e pela 
falência das corporações de ofício, o que, posteriormente, 
foi ampliado com o declínio das manufaturas.
Com a mecanização, aumentando a produção e os lu-
cros, as indústrias se expandiram, embora determinados 
setores da produção industrial conhecessem progressos 
mais rápidos do que os verificados em outros setores.
No setor dos transportes, duas invenções foram impor-
tantíssimas: o navio a vapor, construído por Robert Fulton 
(1807), e a locomotiva a vapor, idealizada por George Ste-
phenson (1814).
Fatores da Revolução inglesa
Acúmulo de capital – Depois da Revolução Gloriosa a 
burguesia inglesa se fortalece e permite que o país tenha a 
mais importante zona livre de comércio da Europa. O siste-
ma financeiro é dos mais avançados. Esses fatores favore-
cem o acúmulo de capitais e a expansão do comércio em 
escala mundial.
Controle do campo – Cada vez mais fortalecida, a bur-
guesia passa a investir também no campo e cria os cer-
camentos (grandes propriedades rurais). Novos métodos 
agrícolas permitem o aumento da produtividade e racio-
nalização do trabalho. Assim, muitos camponeses deixam 
de ter trabalho no campo ou são expulsos de suas terras. 
Vão buscar trabalho nas cidades e são incorporados pela 
indústria nascente.
Crescimento populacional – Os avanços da medicina 
preventiva e sanitária e o controle das epidemias favore-
cem o crescimento demográfico. Aumenta assim a oferta 
de trabalhadores para a indústria.
Reservas de carvão – Além de possuir grandes reservas 
de carvão, as jazidas inglesas estão situadas perto de por-
tos importantes, o que facilita o transporte e a instalação 
de indústrias baseadas em carvão. Nessa época a maioria 
dos países europeus usa madeira e carvão vegetal como 
combustíveis. As comunicações e comércio internos são 
facilitados pela instalação de redes de estradas e de ca-
nais navegáveis. Em 1848 a Inglaterra possui 8 mil km de 
ferrovias.
Situação geográfica – A localização da Inglaterra, na 
parte ocidental da Europa, facilita o acesso às mais impor-
tantes rotas de comércio internacional e permite conquis-
tar mercados ultramarinos. O país possui muitos portos e 
intenso comércio costeiro.
Expansão Industrial
A segunda fase da revolução (de 1860 a 1900) é carac-
terizada pela difusão dos princípios de industrialização na 
França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos 
e Japão. Cresce a concorrência e a indústria de bens de 
produção.
Nessa fase as principais mudanças no processo produ-
tivo são a utilização de novas formas de energia (elétrica e 
derivada de petróleo o aparecimento de novos produtos 
químicos e a substituição do ferro pelo aço.
Nesta fase formaram-se empresas gigantescas, algu-
mas das quais deram origem às multinacionais do século 
XX. Surgiram eletricidade e os combustíveis derivados do 
petróleo.
Consequências da Revolução Industrial
Empresários e proletários
O novo sistema industrial transforma as relações so-
ciais e cria duas novas classes sociais, fundamentais para a 
operação do sistema. Os empresários (capitalistas) são os 
proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-pri-
mas e bens produzidos pelo trabalho. Os operários, prole-
tários ou trabalhadores assalariados, possuem apenas sua 
força de trabalho e a vendem aos empresários para produ-
zir mercadorias em troca de salários.
Exploração do trabalho
No início da revolução os empresários impõem du-
ras condições de trabalho aos operários sem aumentar os 
salários para assim aumentar a produção e garantir uma 
margem de lucro crescente. A disciplina é rigorosa mas as 
condições de trabalho nem sempre oferecem segurança. 
Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os des-
cansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças 
não têm tratamento diferenciado.
Movimentos operários
Surgem dos conflitos entre operários, revoltados com 
as péssimas condições de trabalho, e empresários. As pri-
meiras manifestações são de depredação de máquinas e 
instalações fabris. Com o tempo surgem organizações de 
trabalhadores da mesma área.
61
HISTÓRIA
Sindicalismo – Resultado de um longo processo em que os trabalhadores conquistam gradativamente o direito de as-
sociação. Em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional. Em 1833 os 
trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações locais ou por ofício, para obter melhores 
condições de trabalho e de vida.
Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na 
Alemanha.
Aumento da produção e da urbanização
Em virtude da Revolução agrícola que diminuiu a necessidade de muita mão-de-obra nos meios rurais
Industrialização e Mundo Colonial
O aumento da produção industrial no início do século XIX fez com que a burguesia inglesa se preocupasse cada vez 
mais com a abertura constante de novos mercados. Para a Inglaterra tornou-se interessante a derrubada das barreiras mer-
cantilista que criavam obstáculos ao comércio internacional.
Nas primeiras décadas do século XIX, os ingleses contribuíram decisivamente para a derrubada do Pacto Colonial na 
América ibérica, apoiando os grupos locais que lutavam pela independência. Com o fim da dominação colonial de Portugal 
e Espanha, iniciou-se nessa parte da América uma fase de dominação do imperialismo inglês.
Revolução nos Transportes
No início do século XIX, a máquina a vapor começou a ser utilizada nos meios de transporte. Data de 1807 o primeiro 
barco a vapor. Em 1825, na Inglaterra, o engenheiro George Estephenson conseguiu construir a primeira estrada de ferro.
Com o barco a vapor e as estradas de ferro, o tempo das viagens diminuiu, o custo dos transportes baixou e aumentou 
ainda mais o volume das trocas, isto é, o mercado. Com o aumento das trocas e a consequente necessidade de produzir 
mais, tornaram-se cada vez maiores os avanços da industrialização.
DESDOBRAMENTOS MUNDIAIS DAREVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FRANÇA
Em 1789 a Grã-Bretanha já se encontrava nitidamente à frente do seu mais próximo concorrente: a França, que tentou 
acompanhar o ritmo inglês, recorrendo ao protecionismo real e a técnicos britânicos, podendo assim contar com equi-
pamentos como a Jenny, máquina que fiava com grande rapidez; a Water Frame, máquina movida a energia hidráulica; a 
fundição à base de coque; e a primeira bomba a vapor, construída em Chaillot, em 1779, segundo o modelo de James Watt.
No entanto, fatores diversos retardaram a Revolução Industrial na França: a vantagem inglesa já era sensível em 1786, 
quando do tratado comercial entre os dois países, duramente criticado pelos industriais franceses, pelos prejuízos que lhes 
trazia a concorrência inglesa.
Diversos fatores contribuíram para manter a França na retaguarda:
O retardamento da produção agrícola em virtude das limitações impostas pela pequena propriedade, incapaz de liberar 
grandes excedentes de mão-de-obra;
a perda dos principais mercados coloniais; o maior interesse dos capitalistas franceses pelos altos cargos públicos, 
terras e títulos de nobreza; a estreiteza e falta de organização do mercado de capitais; 
e a mentalidade limitada e conservadora dos empresários.
A revolução francesa de 1789 e as guerras napoleônicas impulsionaram a produção em massa e a conquista de novos 
mercados, como a América Latina pelos industriais ingleses, enquanto a França teve de limitar-se à Europa, aumentando 
ainda mais sua defasagem tecnológica nos setores da metalurgia e dos têxteis em relação à Grã-Bretanha, apesar do esfor-
ço de Napoleão para fomentar a industrialização.
O processo incipiente de industrialização não resistiu ao retorno da paz em 1815, e os empresários que conseguiram 
sobreviver ampararam-se numa legislação protecionista exagerada, estimuladora de inépcia e baixa produtividade. Com 
o comércio em crise e os transportes desorganizados e precários, somente após 1830 foi possível implantar uma política 
eficiente de industrialização e construção ferroviária.
ALEMANHA E ITÁLIA
A ALEMANHA começou a sofrer algumas transformações com a União Aduaneira (Zollverein), de 1834, que criou uma 
área de livre comércio na maior parte do território germânico, sob a liderança da Prússia, mas a grande indústria só se 
multiplicou e cresceu após 1850.
A Revolução Industrial Alemã ocorreu de fato após a reunificação política de 1870 e concluiu-se por volta de 1890 – 
muito mais rápida que a inglesa, aproveitou a experiência desta e deu origem a uma indústria bem mais moderna.
A ITÁLIA foi prejudicada pela carência de matérias-primas e fontes energéticas: sua industrialização só se intensificou 
por volta de 1890-1900, em virtude da eletricidade.
62
HISTÓRIA
O mesmo pode ser dito quanto aos países escandinavos. Portanto, na própria Europa o processo de industrialização 
não se realizou como um todo, e verificou-se o mesmo quadro: formação de países (ou áreas) desenvolvidos e outros 
subdesenvolvidos.
RESTO DO MUNDO
Na América Latina, África e Ásia a Revolução Industrial se mostrou por meio de suas consequências:
Destruição da indústria artesanal doméstica, não raro bastante adiantada, como na Índia e na China; 
Instalação de empresas estrangeiras, exploração dos recursos naturais segundo os interesses do imperialismo e construção de 
obras públicas e de vias de transporte segundo esses mesmos interesses, quer para facilitar a exportação de matérias-primas e 
produtos tropicais, quer para permitir maior consumo de artigos manufaturados importados da Europa e dos Estados Unidos. 
Com as duas guerras mundiais e o despertar do nacionalismo, começou a haver uma tomada de consciência do fenômeno 
chamado imperialismo e de seu componente, o subdesenvolvimento. Passou então a ser meta prioritária do desenvolvi-
mento econômico e da emancipação do imperialismo, a industrialização, isto é, a realização de revoluções industriais locais.
Essa nova orientação já encontrou em países como Índia, China e Brasil algumas empresas industriais em funcionamen-
to, sobretudo no setor têxtil. Mas a infraestrutura, isto é, a indústria de base, estava ainda por ser instalada, pois não era um 
setor que interessasse aos capitais imperialistas desenvolver.
O exemplo mais significativo de Revolução Industrial, em tempo e profundidade, foi o da Rússia, após 1917.
Mas, como ocorreu na China Popular e nos países da Europa oriental, realizou-se segundo um tipo de economia total-
mente socializada, que fugiu aos velhos padrões da economia capitalista.
Fonte: 
https://www.educabras.com/enem/materia/historia/historia_geral/aulas/a_revolucao_inglesa_do_seculo_xvii
https://descomplica.com.br/blog/sem-categoria/resumo-revolucao-inglesa-i/
http://www.trabalhosescolares.net/resumo-revolucao-industrial/
http://monografias.brasilescola.uol.com.br/historia/revolucao-industrial.htm
63
HISTÓRIA
A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA 
AMÉRICA
A presença européia na américa é bem anterior ao sécu-
lo XV. Temos provas concretas da presença de vikings no Ca-
nadá quase cinco séculos antes de Colombo. Porém, apenas 
a partir de 1492 uma imensa massa de terras, com mais de 
44 milhões de quilômetros quadrados torna-se um horizon-
te para a presença colonizadora dos europeus.
A princípio donos do oceano atlântico, portugueses e 
espanhóis dividiram o Novo Mundo entre si. Os ingleses 
contestam a validade de tordesilhas e praticam a pirataria 
oficial como corsários. Por muitos anos, o saque de riquezas 
dos galeões espanhóis foi mais tentador do que o esforço 
sistemático da colonização.
A Inglaterra, entretanto, não ficou apenas concentrada 
no roubo dos navios ibéricos e nos saques da costa. Ainda 
no final do século XV, encarregara John Cabot de explorar a 
américa do Norte. A marca do desconhecido é evidente na 
carta que Henrique vii entrega ao italiano. O rei concede o 
que ninguém sabe o que é, a américa, entregando a Cabot 
quaisquer ilhas, quaisquer nativos, quaisquer castelos que o 
navegante encontrasse... A américa é um mundo de incerte-
zas, terra do desconhecido, mas capaz de atrair expedições 
em busca de riquezas. De concreto, Cabot encontraria baca-
lhau no atual Canadá.
Das terras espanholas começavam a chegar notícias 
crescentes de muita riqueza, como o ouro e a prata retirados 
do México e do Peru. A américa cada vez mais passa a ser 
vista como um lugar de muitos recursos e de possibilidades 
econômicas. Comerciantes e aventureiros, a Coroa inglesa 
e pessoas comuns nas ilhas britânicas agitam-se com essas 
notícias. A ideia da exploração vai se tornando uma neces-
sidade aos súditos dos tudor. Cada ataque que o corsário 
inglês Francis drake fazia aos ricos galeões espanhóis no 
atlântico estimulava essa ideia. Pérolas das Filipinas ornam 
as jóias da rainha Elizabeth. Ouro saqueado de Lima ou do 
rio de Janeiro por piratas ingleses incendeiam a imaginação 
britânica.
O DIFÍCIL NASCIMENTO DA COLONIZAÇÃO
Como vimos, os ingleses não foram pioneiros na amé-
rica. Também não o foram no território dos atuais Estados 
Unidos. Navegadores como Verrazano, a serviço da França, 
Ponce de Leon, a serviço da Espanha, e muitos outros já ti-
nham pisado no território que viria a ser chamado de Esta-
dos Unidos. Hernando de soto, por exemplo, batizou como 
rio do Espírito santo um imenso curso d’água que viria a ser 
conhecido como Mississipi.
Essas primeiras aproximações européias do território 
dos Estados Unidos já causaram um efeito duplo sobre as 
imensas populações indígenas da região. Primeiro, foram 
trazidas doenças novas como o sarampo e a gripe, que cau-
saram milhares de vítimas entre os povos nativos, absoluta-
mente despreparados para esse contato biológico. Também 
restaram cavalos nas terras da américa do Norte, trazidos 
e depois abandonados pelos conquistadores, tomando-se 
selvagens.Esses cavalos passaram a ser, depois de doma-
dos, utilizados pelos índios, que assim modificavam suas tá-
ticas de guerra e seus meios de transporte.
Ignorando as pretensões de outros soberanos, a rainha 
Elizabeth i concedeu permissão a sir Walter raleight para que 
iniciasse a colonização da américa. Sir Walter estabeleceu – 
em 1584, 1585 e 1587 – expedições à terra que batizou de 
Virgínia, em homenagem a Elizabeth, a rainha virgem. Em 
agosto de 1587, nascia também Virgínia, a primeira criança 
inglesa na américa do Norte, filha de ananias e Ellinor dare.
A cédula de doação a sir Walter assumia um tom que 
iniciava um verdadeiro processo de colonização:
Walter raleight poderá apropriar-se de todo o solo des-
sas terras, territórios e regiões por descobrir e possuir, como 
antes se disse, assim como todas as cidades, castelos, vilas 
e vilarejos e demais lugares dos mesmos, com os direitos, 
regalias, franquias e jurisdições, tanto marítimas como ou-
tras, nas ditas terras ou regiões ou mares adjuntos, para uti-
lizálos com plenos poderes, para dispor deles, em todo ou 
em parte, livremente ou de outro modo, de acordo com os 
ordenamentos das leis da Inglaterra [...] reservando sempre 
para nós, nossos herdeiros e sucessores, para atender qual-
quer serviço, tarefa ou necessidade, a quinta parte de todo o 
mineral, ouro ou prata que venha a se obter lá. (25 de março 
de 1585)
Imagens feitas por John White na Virgínia do século 
XVI. Índios e animais aparecem como parte do Novo Mun-
do.
64
HISTÓRIA
O projeto que estava sendo montado no final do século XVI em muito se assemelhava ao ibérico. O soberano absoluto 
concede a um nobre um pedaço de terra assegurando seus direitos. Pouca coisa diferenciava sir Walter de um donatário 
brasileiro do período das capitanias hereditárias.
Além dessa semelhança, notamos a mesma preocupação metalista no documento: a fome de ouro e prata que marca 
a era do Estado Moderno. A Coroa, impossibilitada de promover ela própria a colonização, delega a outros esse direito, 
reservando para si uma parte de eventuais descobertas de ouro e prata.
A aventura de sir Walter, no entanto, fracassou. O sistema colonial que parecia esboçar-se com sua cédula morreu 
com ele. Os ataques indígenas aos colonizadores, a fome e as doenças minaram a experiência inicial da Inglaterra. A ilha 
de roanoke (na atual Carolina do Norte), sede dessas primeiras tentativas, estava deserta quando, em 1590, chegou uma 
expedição de reforço para os colonos. O líder da expedição que tinha vindo salvar a colônia desaparecida encontrou apenas 
a palavra “Croatoan” escrita numa árvore. Talvez a palavra indicasse uma tribo ou um líder indígena próximos. Ninguém foi 
achado. O Novo Mundo tragou seus debutantes ingleses.
Na Inglaterra, apesar da derrota da Espanha e da invencível armada, o perigo da invasão espanhola permanecia. Até o 
final do século XVI não houve outras tentativas de colonização sistemática da américa do Norte.
NOVA CHANCE PARA A VIRGÍNIA
No início do século XVII, já sob a dinastia stuart, a Inglaterra reviveu o impulso colonizador. Passou o perigo espanhol 
imediato, o país estava tranqüilo e a necessidade de comércio avançava. A estabilidade alcançada na era tudor continuava 
a dar frutos. Mais uma vez, porém, a Coroa entrega a particulares essa atividade. Não mais nobres individuais, mas as com-
panhias como a de Londres e a de Plymouth.
As companhias foram organizadas por comerciantes e apresentavam todas as características de empresas capitalistas. 
aqui, ao contrário da américa ibérica, definese uma colonização de empresa, não de Estado.
A Companhia de Plymouth receberia as terras e o monopólio do comércio entre a região da Flórida e o rio Potomac, 
restando à Companhia de Londres as terras entre os atuais cabo Fear e Nova York. Separando as duas concessões havia 
uma região neutra, para evitar conflitos de jurisdição. Nessa área, os holandeses aproveitaram para fundar colônias, das 
quais a mais famosa daria origem à cidade de Nova York. Curiosamente, ao chegarem à região, os holandeses compraram 
a ilha de Manhattan pelo equivalente
Batizado da primeira criança inglesa nascida na Virgínia.
Tanto a terra como a menina receberam o nome em homenagem à última soberana Tudor.
A 24 dólares em contas e bugigangas. Os vendedores, os índios canarsees, acabavam de vender ao líder holandês Peter 
Minuit um dos pedaços mais valorizados do mundo atual: o centro da cidade de Nova York, chamada, no século XVII, de 
Nova amsterdã.
A cédula de concessão à Companhia de Londres falava dos objetivos de catequese dos índios da américa do Norte: “[...] 
conduzirá, a seu devido tempo, aos infiéis e selvagens habitantes desta terra até a civilização humana e um governo esta-
belecido e tranqüilo [...]”. No entanto, mesmo que esse fosse o desejo do rei James i, nenhum projeto efetivo de catequese 
aconteceu na américa. As companhias não estabeleceram práticas para a conversão dos índios ao cristianismo (conversão 
é atitude própria de epopéia, aventura, não de empresa capitalista).
65
HISTÓRIA
A atitude diante dos índios nessa fase inicial foi praticamente a mesma ao longo de toda a colonização inglesa na amé-
rica do Norte: um permanente repúdio à integração do índio. O universo inglês, mesmo quando eventualmente favorável 
à figura do índio, jamais promoveu um projeto de integração. O índio permaneceu um estranho – aliado ou inimigo –, mas 
sempre estranho.
As duas companhias não durariam muito. Em 1624, a Companhia de Londres teria sua licença caçada. Igual destino teve 
a Companhia de Plymouth em 1635, ambas com grandes dívidas.
Apesar dos fracassos, a colonização tinha ganhado um impulso que não cessaria.
As dificuldades foram imensas. Só para se ter uma ideia de quantos obstáculos havia, 144 colonos tinham partido para 
a fundação de Jamestown. Apenas 105 colonos desembarcaram e, passados alguns meses, a fome mataria outra parcela 
importante dessa comunidade. A fome inicial era tanta que cães, gatos e cobras foram utilizados como alimentos e um co-
lono foi acusado de fatiar o corpo da sua esposa falecida e utilizá-lo como refeição. Não bastassem todos esses problemas, 
havia ainda traições e ataques de índios. George Kendall, por exemplo, foi o primeiro inglês executado por espionagem na 
Virgínia acusado de trabalhar secretamente para o rei da Espanha. Um começo muito difícil.
As 13 colônias originais
QUEM VEIO PARA A AMÉRICA DO NORTE?
O processo de êxodo rural na Inglaterra acentuava-se no decorrer do século XVII e inundava as cidades inglesas de 
homens sem recursos. A ideia de uma terra fértil e abundante, um mundo imenso e a possibilidade de enriquecer a todos 
era um poderoso ímã sobre essas massas.
Naturalmente, as autoridades inglesas também viam com simpatia a ida desses elementos para lugares distantes. A 
colônia serviria, assim, como receptáculo de tudo o que a metrópole não desejasse. (a ideia de que para a américa do Norte 
dirigiu-se um grupo seleto de colonos altamente instruídos e com capitais abundantes é, como se vê, uma generalização 
incorreta.)
A própria Companhia de Londres declarara, em 1624, que seu objetivo era: “a remoção da sobrecarga de pessoas 
necessitadas, material ou combustível para perigosas insurreições e assim deixar ficar maior fartura para sustentar os que 
ficam no país”. Ao contrário de Portugal, nação de pequena população, a Inglaterra já vivia problemas com seu crescimento 
demográfico no momento do início da colonização dos Estados Unidos. Portugal sofreu imensamente com o envio dos 
contingentes de homens para o além-mar. A Inglaterra faria da colonização um meio de descarregar no Novo Mundo tudo 
o que não fosse mais desejável no Velho. Mas a ideia de “colônias de povoamento” parece sobreviver a tudo...
Em 1620, a Companhia de Londres trazia cem órfãos para a Virgínia. Da mesma maneira,mulheres eram transportadas 
para serem leiloadas no Novo Mundo. E natural concluir que essas mulheres, dispostas a atravessar o oceano e serem ven-
didas na américa como esposas, não eram integrantes da aristocracia intelectual ou financeira da Inglaterra.
Poucos podiam pagar o alto preço de uma passagem para a américa. Esse fator, combinado à necessidade de mão-de
-obra, fez surgir uma nova forma de servidão nas colônias: a servidão temporária ( indenturent servant). O sistema consistia 
em prestar alguns anos de trabalho gratuito à pessoa que se dispusesse a pagar a passagem do imigrante. O transporte 
desses servos era feito sob condições tão difíceis que houve quem o comparasse ao tráfico de escravos africanos. Em vários 
momentos e lugares, o servo temporário foi a principal força de trabalho branca das colônias.
66
HISTÓRIA
Nem todos os servos eram voluntários para essa situação. Uma dívida não saldada poderia também reduzir o devedor 
a esse trabalho forçado no período de, geralmente, sete anos. Raptos de crianças na Inglaterra para vendê-las como em-
pregadas na américa, prática muito comum no século XVII, eram outra fonte de servidão.
As imagens da chegada dos peregrinos puritanos à América do Norte sempre reforçam as ideias de sacrifício, virtude 
e coragem. No Novo Mundo eles deveriam prover a própria subsistência.
Mesmo entre os servos que aceitavam o contrato de servidão para o pagamento da passagem, a situação não era tran-
qüila. Ao longo do século XVII, ocorrem várias rebeliões de servos na américa do Norte, reivindicando melhores condições 
de vida.
OS PEREGRINOS E A NOVA INGLATERRA
Nem só de órfãos, mulheres sem outro futuro e pobres constituiu-se o fluxo de imigrantes para as colônias. Há, mino-
ritariamente, um grupo que a História consagraria como “peregrinos”.
A perseguição religiosa era uma constante na Inglaterra dos séculos XVI e XVII. A américa seria um refúgio também 
para esses grupos religiosos perseguidos. Um dos grupos que chegou a Massachusetts em 1620 tinha como líderes John 
robinson, William Brewster e William Bradfort, indivíduos religiosos e com formação escolar desenvolvida.
Ainda a bordo do navio que os trazia, o Mayflower, esses peregrinos firmaram um pacto estabelecendo que seguiriam 
leis justas e iguais. Esse documento é chamado “Mayflower Compact” e sempre é lembrado pela historiografia norte-a-
mericana como um marco fundador da ideia de liberdade, ainda que o documento dedique longos trechos à gloria do rei 
James da Inglaterra.
A chegada ao território que hoje é Massachusetts não foi fácil. O navio aportou mais ao norte do que se imaginava. 
O clima era frio e o mar congelava. O inverno na região era mais rigoroso do que o inglês. O primeiro ano dos colonos na 
terra prometida custou a vida de quase a metade dos peregrinos.
Pouco antes de a nova estação fria chegar, em 1621, os sobreviventes decidiram fazer uma festa de ação de Graças ( 
Thanksgiving). Os colonos utilizaram sua primeira colheita de milho, já que a plantação de trigo europeu tinha falhado, e 
convidaram para a festa o chefe Massasoit, da tribo wampanoag, que os havia auxiliado desde a sua chegada. O cardápio 
foi reforçado com uma ave nativa, o peru, e tortas de abóbora. Desde então, os norte-americanos repetem, no mês de no-
vembro, a festa de ação de Graças, reiterando a ideia de que eles querem ter os “pais peregrinos” de Massachusetts como 
modelo de fundação.
Os “pais peregrinos” ( pilgrim fathers) são tomados como fundadores dos Estados Unidos. Não são os pais de toda a 
nação, são os pais da parte “wasp” (em inglês, white anglo-saxon protestant, ou seja, branco, anglo-saxão e protestante) 
dos EUA. Em geral, a historiografia costuma consagrá-los como os modelos de colonos. Construiu-se uma memória que 
identificava os peregrinos, o Mayflower e o dia de ação de Graças como as bases sobre as quais a nação tinha sido edifica-
da. Como toda memória ela precisa obscurecer alguns pontos e destacar outros.
Os “puritanos” (protestantes calvinistas) tinham em altíssima conta a ideia de que constituíam uma “nova Canaã”, um 
novo “povo de israel”: um grupo escolhido por deus para criar uma sociedade de “eleitos”. Em toda a Bíblia procuravam as 
afirmativas de deus sobre a maneira como Ele escolhia os seus e as repetiam com frequencia. Tal como os hebreus no Egito, 
também eles foram perseguidos na Inglaterra. Tal como os hebreus, eles atravessaram o longo e tenebroso oceano, muito 
semelhante à travessia do deserto do sinai. Tal como os hebreus, os puritanos receberam as indicações divinas de uma nova 
terra e, como veremos adiante, são freqüentes as referências ao “pacto” entre deus e os colonos puritanos. A ideia de povo 
eleito e especial diante do mundo é uma das marcas mais fortes na constituição da cultura dos Estados Unidos. Diante 
de uma desgraça, como a seca de 1662 na Nova Inglaterra, os puritanos ainda encontravam novos paralelos com a Bíblia: 
deus também castigara os judeus quando estes foram infiéis ao pacto. Deus salva a poucos, como os pregadores puritanos 
costumavam afirmar. Fiéis à tradição dos reformistas Lutero e Calvino, a predestinação era uma ideia forte entre eles. Para 
manter sua identidade e a coesão do grupo, os puritanos exerceram um controle muito grande sobre todas as atividades 
dos indivíduos. A ideia de uma moral coletiva onde o erro de um indivíduo pode comprometer o grupo é também um 
diálogo com a concepção da moral hebraica no deserto. O pacto deus-povo é com todos os eleitos.
67
HISTÓRIA
A população das colônias crescia rápido, passando de 2.500 pessoas em 1620
(sem contar índios) para três milhões um século depois. Nesse grande contingente, embrião do que seriam os Estados 
Unidos, misturam-se inúmeros tipos de colonos: aventureiros, órfãos, membros de seitas religiosas, mulheres sem posses, 
crianças raptadas, negros e africanos, degredados, comerciantes e nobres. Tomar, assim, os peregrinos protestantes como 
padrão é reforçar uma parte do processo e ignorar outras.
EDUCAÇÃO E RELIGIÃO
A educação formal escolar adquiriu um caráter todo especial nas colônias. A existência de muitos protestantes colabo-
rou para isso. Uma das origens da reforma religiosa na Europa tinha sido a defesa da livre interpretação da Bíblia. Tal como 
Lutero traduzira a Bíblia para o alemão e os calvinistas para o francês em Genebra, os ingleses tinham várias versões do 
texto na sua língua, especialmente a famosa versão do rei James desde 1611.
Essa preocupação levou a medidas bastante originais no contexto das colonizações da américa. É certo que em toda a amé-
rica espanhola houve um grande esforço em prol da educação formal. A universidade do México havia sido fundada em 1553 e 
havia similares em Lima e em quase todos os grandes centros coloniais hispânicos. No entanto, um sistema tão organizado de es-
colas primárias e a preocupação de que todos aprendessem a ler e escrever é algo mais forte nas colônias protestantes do Norte.
Em 1647, Massachusetts publica uma lei falando da obrigação de cada povoado com mais de cinquenta famílias em 
manter um professor. O texto dessa lei torna-se interessante por suas justificativas:
Sendo um projeto principal do Velho satanás manter os homens distantes do conhecimento das Escrituras, como em 
tempos antigos quando as tinham numa língua desconhecida [...] se decreta para tanto que toda municipalidade nesta 
jurisdição, depois que o senhor tenha aumentado sua cifra para cinquenta famílias, dali em diante designará a um dentre 
seu povo para que ensine a todas as crianças que recorram a ele para ler e escrever, cujo salário será pago pelos pais, seja 
pelos amos dos meninos seja pelos habitantes em geral.
É importante notar que os documentos sobre educação nas colônias inglesas apresentam um caráter religioso, mas não 
clerical. As propostas são, na verdade, leigas. A educação será feita e paga pormembros da comunidade.
Um grupo que se pretendia eleito por deus deveria voltar-se também para a educação superior. As instituições de ca-
ráter superior faziam parte dessa preocupação com a religião, já que se destinavam notadamente à formação de elementos 
para a direção religiosa das colônias.
Os estatutos da Universidade de Yale, datados de 1745, estabelecem alguns elementos interessantes para a compreen-
são dos projetos educacionais dos colonos. Para ser admitido na universidade era necessário ter capacidade de ler e inter-
pretar Virgílio e trechos em grego da Bíblia, escrever em latim, saber aritmética e levar uma vida “inofensiva”. O candidato a 
pupilo deveria ser piedoso e seguir “as regras do Verbo de deus, lendo assiduamente as sagradas Escrituras, a fonte da luz e 
da verdade, e atendendo constantemente a todos os deveres da religião tanto em público como em segredo”. O presidente 
deveria rezar no auditório da universidade toda manhã e toda tarde, lendo trechos da sagrada Escritura. Os alunos que faltas-
sem ou chegassem atrasados às aulas pagariam multas e receberiam advertências. Quem praticasse os crimes de fornicação, 
furto e falsificação, seria imediatamente expulso. Blasfêmias, opiniões errôneas sobre a Bíblia, difamação, arrombamento da 
porta de um colega, jogar baralho ou dados na universidade, praticar danos ao prédio, falar alto durante o estudo, portar 
revólver ou vestir-se inadequadamente poderiam resultar em advertência, multa ou expulsão, conforme a gravidade do ato.
68
HISTÓRIA
Um grupo que se pretendia eleito por Deus preocupa-
va-se também com a educação superior. Universidade de 
Harvard, Cambridge, Massachusetts, 1682.
Em todos os documentos sobre educação há a mesma 
preocupação: o conhecimento das coisas relativas à reli-
gião. Do ensino primário ao superior, o conhecimento da 
Bíblia parece ter orientado todo o projeto educacional das 
colônias inglesas. Quando samuel davies escreve sobre as 
Razões para fundar universidades, insiste na necessidade 
de formar líderes religiosos para uma população que cres-
cia sem parar. Nesse texto, de 1752, o autor argumenta que 
“a religião deve ser a meta de toda a instrução e dar a esta 
o último grau de perfeição”.
Com essa preocupação, não é difícil imaginar o sur-
gimento de várias instituições de ensino superior nas 13 
colônias. Até 1764, estabeleceram-se nas colônias sete ins-
tituições de ensino superior.
Harvard (1636) – Massachusetts
William and Mary (1693) – Virgínia
Yale (1701) – Connecticut
Princeton (1746) – Nova Jersey
Universidade da Pensilvânia (1754) – Pensilvânia
Columbia (1754) – Nova York
Brown University (1764) – R Rhode Island
Nos séculos XVII e XVIII, essas instituições foram in-
fluenciadas pelo pensamento ilustrado. Não sem oposi-
ções, as teses de Newton e Locke constavam nas bibliote-
cas das colônias. Muitos alunos das famílias abastadas iam 
estudar na Europa. Da França e da Inglaterra partiam livros 
e ideias para a américa.
O grande interesse pela educação tornou as 13 colô-
nias uma das regiões do mundo onde o índice de analfabe-
tismo era dos mais baixos. Apesar das variações regionais 
(o sistema educacional da Nova Inglaterra era melhor do 
que em outras áreas) e raciais (poucos negros eram alfabe-
tizados), as 13 colônias tinham um nível de educação for-
mal bastante superior à realidade dos séculos XVII e XVIII, 
seja na Europa ou no restante da américa. Ainda assim, é 
inegável que havia mais alfabetizados brancos homens e 
ricos do que mulheres, negros, indígenas e pobres.
A situação religiosa da Inglaterra era marcada pela 
diversidade quando da colonização da américa do Norte. 
Essa diversidade colaborou para o que chamamos de um 
pensamento mais “moderno” na Inglaterra e, posterior-
mente, nas 13 colônias. Imagine-se uma cidade no México 
colonial. Lá todos são católicos e só encontramos igrejas 
católicas. Em toda a colônia a missa é rezada com o mesmo 
ritual romano, na mesma língua e por um grupo que, em 
traços gerais, teve uma formação semelhante: os padres. 
Todo o ensino está nas mãos da igreja e a noção de deus é 
imposta como igual por toda a colônia. As diversidades são 
consideradas crime e a heresia, punida com a inquisição. 
Judeus e protestantes são queimados.
O oposto ocorre nas aldeias e cidades das colônias 
inglesas. aqui puritanos, lá batistas, mais adiante quakers, 
por vezes também católicos, além de uma infinidade de 
pequenas seitas protestantes também de outras partes da 
Europa. Unidade? Genericamente, todos acreditam em Je-
sus. Daí por diante o caleidoscópio muda de forma com 
grande variação.
É natural também imaginar a dificuldade de absolutizar 
as posições religiosas desse universo. O confronto perma-
nente com outras formas de crença obriga o crente ou a 
radicalizar suas posições (e, por vezes, isso aconteceu) ou a 
assumir de forma mais crítica sua fé.
As posições protestantes têm outro efeito: a leitura 
individual da Bíblia. Em permanente processo de recicla-
gem pessoal das narrativas bíblicas, o protestante cria uma 
relação diferente com o sagrado. O institucional (a igreja 
estabelecida) diminui sua importância diante do pessoal. 
A importância de ler a Bíblia determina até, como vimos, 
um impulso educacional forte nas colônias. A igreja formal 
protestante é um apoio à salvação e não o canal insubsti-
tuível como no mundo católico.
OS PURITANOS DE MASSACHUSETTS
A colônia de Massachusetts recebera puritanos des-
contentes com a igreja inglesa. Sua disposição era contrária 
à tolerância religiosa que caracterizava outros grupos pro-
testantes. Na colônia, esses puritanos de influência calvinis-
ta acreditavam numa igreja forte que tivesse poderes civis.
Para a construção dessa igreja-Estado tomaram-se vá-
rias providências. Primeiro estabeleceu-se que somente os 
membros da igreja Puritana poderiam votar e ter cargos 
públicos. depois, tornou-se obrigatória a presença na igre-
ja para as cerimônias, fato que não acontecia no resto das 
igrejas protestantes. Todos os novos credos deveriam ser 
aprovados pela igreja e pelo Estado. Por fim, estabeleceu-
se que igreja e Estado atuariam juntos para punir as deso-
bediências a essas e outras normas. Essa colônia aproxima-
va-se, dessa forma, dos ideais católicos da teocracia.
O DEMÔNIO ATACA: O SURTO DE SALEM
Um dos fatos mais significativos derivado do ideal de 
igreja-Estado foi a perseguição às bruxas. O autoritarismo 
de uma religião que se pretendia única desencadearia, na-
turalmente, na perseguição de todas as formas de contes-
tação – fossem reais ou imaginárias.
As acusações de bruxaria, uma constante em todo o 
mundo cristão da época, existiam desde o início da coloni-
zação. No entanto, um surto de feitiçaria como o de salem, 
em 1692, assumia proporções inéditas. Nesse ano, um gru-
po de adolescentes acusou várias pessoas de enfeitiçá-las. 
O processo acabou envolvendo muitos membros da comu-
nidade, entre homens e mulheres.
A cidade de salem viveu uma histeria coletiva. Havia 
surtos freqüentes: moças rolavam gritando, caíam doentes 
sem causa aparente, não conseguiam acordar pela manhã, 
animais morriam, árvores cheias de frutos secavam. As ra-
zões, no entender dos habitantes de salem, só poderiam 
ter ligação com uma ação demoníaca.
Alguém era acusado de feitiçaria e comparecia diante 
do juiz. O juiz fazia o acusado e as vítimas (as moças aflitas, 
como eram usualmente chamadas) ficarem frente a frente. 
Era comum as moças terem novo ataque histérico diante 
do suposto feiticeiro. Os acusados eram enviados à prisão. 
A acusação caía sobre gente de todas as categorias sociais 
e sobre pessoas que gozavam da confiança da comunida-
de há anos. O acusado era examinado. Havia uma crença 
69
HISTÓRIA
generalizada de que a associação com o demônio produzia marcas no corpo: um tumor, uma mancha,regiões que não 
sangravam, polegar deformado. Submetidos a “tratamentos especiais”, muitos réus acabavam confessando que, de fato, 
estavam associados ao demônio e realizavam feitiços contra a comunidade.
Imagem fantasiosa dos julgamentos de Salem. Enquanto a moça depõe, raios caem do céu.
A histeria das feiticeiras não seria possível sem as ardentes pregações de pastores como Cotton Mather (1663-1728). 
Esse pastor, nascido em Boston, escreveu o livro As maravilhas do mundo invisível, em que o leitor é levado a conhecer as 
grandes forças maléficas que agem sobre o mundo. Como no mundo católico, a crença num mal real e com ação efetiva 
era um dado social que unia desde o rei James i (autor de livro sobre feitiçaria) até o mais humilde camponês.
Os Processos de salem já receberam várias explicações. Algumas, de caráter mais psicológico, lembram as tensões entre 
mães e filhas, estas fazendo coisas que não poderiam normalmente fazer e alegando estarem enfeitiçadas. Em outras pala-
vras, alegando o poder do demônio, uma jovem poderia gritar com sua mãe ou mesmo ficar nua! afinal, era tudo obra do 
demônio... A moral puritana de oração e trabalho era tão forte que os jovens não podiam, por exemplo, praticar esportes 
de inverno como patinar, pois isso era considerado imoral. Assim, diante dessa vida dura, a possessão passou a ser uma 
boa saída.
Outras explicações remetem às tensões internas das colônias – entre as principais famílias – em que acusar o membro 
de uma família rival de bruxo ou bruxa tinha um grande peso político.
Conflitos entre indígenas e puritanos, como a chamada Guerra do rei Filipe (nome que os colonos deram a um líder 
indígena em 1675-76), tinham deixado a Nova Inglaterra em tensão permanente. Muitos colonos haviam sido mortos ou 
capturados. As tensões entre vizinhos vinham se acumulando. Tudo isso colabora para explicar o ambiente que gerou o 
surto de salem.
Por fim, sem esgotar as explicações, há de se levar em conta todas as frustrações dos protestantes no Novo Mundo, 
onde o sonho de uma comunidade perfeitamente construída de acordo com as leis de deus e da Bíblia não havia se rea-
lizado. Os pastores puritanos viram no aparente surto de feitiçaria uma maneira de recuperar o controle e o entusiasmo 
do grupo. Os habitantes de Massachusetts haviam se dado conta de que não apenas a Bíblia e as boas intenções haviam 
atravessado o oceano, mas todas as suas mesquinharias, maledicências e tensões. Melhor seria, assim, atribuir esses pro-
blemas ao demônio e a seus seguidores.
Ao final da crise, quase 200 pessoas tinham sido presas e 14 mulheres e 6 homens executados. A teocracia puritana 
tinha deixado um saldo trágico na memória dos colonos. Quase 100 anos depois, a primeira emenda à Constituição dos 
EUA estabelecia que o Congresso não faria leis sobre o livre exercício da religião.
OS QUAKERS DA PENSILVÂNIA E OUTROS GRUPOS
Além dos puritanos, as colônias receberam outros grupos religiosos como os quakers (ou sociedades de amigos), o 
grupo mais liberal que surgiu com a reforma. Tratar-se por “tu”, sem nenhum título, sendo cada homem sacerdote de si 
mesmo, eis um dos princípios dos quakers que valeu até a admiração do pensador Voltaire no Dicionário filosófico.
70
HISTÓRIA
Ao iniciar sua pregação no Novo Mundo, os quakers encontraram grande oposição dos líderes puritanos. Alguns fo-
ram até mortos como subversivos, ao mesmo tempo em que suas ideias encontravam eco entre os desencantados com a 
rígida disciplina puritana.
A experiência quaker no Novo Mundo foi solidificada quando William Penn estabeleceu uma grande colônia para 
abrigá-los: a Pensilvânia. a Pensilvânia não era apenas um local para refúgio dos quakers, mas também de todas as reli-
giões que desejassem viver em liberdade e paz. O próprio Penn referia-se a esse fato como “a santa experiência”.
Nascido em Londres, em 1644, Penn era filho de um almirante conquistador da Jamaica. Em Oxford, converteu-se 
aos quakers após ouvir um animado sermão de thomas Loe. Há nas ideias de Penn e dos quakers princípios anarquistas. 
Penn gostava de dizer: “No cross, no crown” (nem cruz, nem coroa). Perseguido por suas ideias na Inglaterra, ele desejou 
estabelecer uma comunidade-modelo na américa, obtendo então uma vasta extensão de terra a oeste do rio delaware.
Oferecendo terras gratuitas e a garantia de liberdade religiosa, Penn atraiu grande quantidade de colonos da Europa 
e das outras colônias inglesas. Gente de todas as partes da Europa viu nas propostas do líder uma nova oportunidade. 
Dentre eles, por exemplo, alemães e holandeses do grupo menonita rumaram para a américa. (sua marca até hoje é uma 
vida no campo, sem eletricidade ou outros símbolos do mundo industrial.)
Descrevendo os quakers, em 1696, o próprio Penn afirmava que deus ilumina cada homem sobre sua missão. Por isso, 
os quakers insistem em expressões do tipo: “luz de Cristo dentro de cada homem” e “luz interior”. Com esses princípios, 
Penn defendia a grande liberdade religiosa, tendo em conta que deus pode falar de maneiras variadas a cada homem.
No início do século XVIII, Filadélfia, capital da Pensilvânia, era uma das maiores cidades das colônias inglesas e tam-
bém uma das mais alfabetizadas. Um viajante a descreve em 1748:
Todas as ruas, exceto as que estão mais próximas do rio, correm em linha reta e formam ângulos retos nos cruzamen-
tos. A maior parte das ruas está pavimentada... As casas têm boa aparência, frequentemente são de vários pisos... A cada 
ano se montam duas grandes feiras, uma em 16 de maio, outra em 16 de novembro. Além destas feiras, a cada semana 
há dois dias de mercado, às quartas e sábados. Nesses dias, gente do campo da Pensilvânia e Nova Jersey traz à cidade 
grande quantidade de alimentos e outros produtos do campo...
A experiência de Penn funcionou de fato enquanto seu fundador esteve à frente dela. Os problemas da Pensilvânia 
longe do governo pessoal do fundador revelaram-se grandes. Choques entre os grupos religiosos, tentativa de diminuir 
a liberdade religiosa e outras tantas desavenças ocorreram, perturbando o ideal primitivo. No entanto, mesmo que, ao 
longo do século XVIII, a Pensilvânia em pouco se diferenciasse das outras colônias, permaneceu sendo um dos locais de 
maior tolerância religiosa do mundo.
No século XVIII, um fenômeno chamado “Grande despertar” ( Great Awakening) marcou a vida religiosa das colônias. 
Uma das características do movimento foi o surgimento de pregadores itinerantes. Os ministros religiosos iam de povoa-
do em povoado pregando uma religião mais emotiva e carismática. Sermões exaltados, conversões milagrosas, entusias-
mo e cantos: as pregações desses pastores atraíam os grupos cansados do formalismo da religião oficial.
O “Grande despertar” foi descrito, em 1743, pelo pesquisador norteamericano J. Edwards:
Ultimamente, em alguns aspectos, as pessoas em geral têm mudado e melhorado muito em suas noções de religião; 
parecem mais sensíveis ao perigo de apoiar-se em antigas experiências [...] e estão mais plenamente convencidas da 
necessidade de esquecer o que está atrás e avançar, mantendo avidamente o trabalho, a vigilância e a oração enquanto 
vivam.
Ao valorizar a experiência pessoal da religião, o “Grande despertar” estimulou o surgimento de inúmeras seitas pro-
testantes. Mais importante ainda, esse movimento procurou negar a tradição religiosa. Como vimos no documento trans-
crito, as pessoas devem evitar o apoio de antigas experiências e esquecer o passado. Isso colabora ainda mais para o 
particularismo religioso das colônias.
Também existia uma importante comunidade católica em Maryland. Apesar de quase 1/3 dos cidadãos norte-ame-
ricanos serem católicos hoje e terem fornecido um presidente ao país no século xx (Kennedy), no período colonial havia 
grande desconfiança contra os chamados “papistas”. Os católicos romanos foram vistos como avessosà democracia no 
período das Guerras de independência e fiéis seguidores de uma autoridade estrangeira (o papa), sendo, por isso, consi-
derados potencialmente perigosos à nova nação.
COLÔNIAS DO NORTE
As colônias do Norte da costa atlântica apresentam o clima temperado, semelhante ao europeu. dificilmente essa área 
poderia oferecer algum produto de que a Inglaterra necessitasse.
Essa questão climática favoreceu o surgimento, único no universo colonial das américas, de um núcleo colonial volta-
do à policultura, ao mercado interno e não totalmente condicionado aos interesses metropolitanos.
A agricultura das colônias setentrionais destacava o consumo interno, com produtos como o milho. O trabalho fami-
liar, em pequenas propriedades, foi dominante.
Nas colônias da Nova Inglaterra (parte norte das 13 colônias) surge uma próspera produção de navios. Desses esta-
leiros, favorecidos pela abundância de madeira do Novo Mundo, saem grandes quantidades de navios que seriam usados 
no chamado comércio triangular.
71
HISTÓRIA
Interior de casa do período colonial. Massachusetts, final do século XVII.
O comércio triangular pode ser descrito, simplificadamente, como a compra de cana e melado das antilhas, que seriam 
transformados em rum. A bebida obtinha fáceis mercados na áfrica, para onde era levada por navios da Nova Inglaterra 
e trocada, usualmente, por escravos. Esses escravos eram levados para serem vendidos nas fazendas das antilhas ou nas 
colônias do sul. Após a venda, os navios voltavam para a Nova Inglaterra com mais melado e cana para a produção de 
rum. Era uma atividade altamente lucrativa, entre outros motivos por garantir que o navio sempre estivesse carregado de 
produtos para vender em outro lugar.
O comércio triangular também poderia envolver a Europa, para onde os navios levavam açúcar das antilhas, voltando 
com os porões repletos de produtos manufaturados. Estabeleciam-se assim sólidas relações comerciais embasadas na 
próspera indústria naval das colônias da Nova Inglaterra. O comércio triangular é muito diferente da maioria dos procedi-
mentos comerciais do resto da américa. Apesar de as leis estabelecerem limites, os comerciantes das colônias agiam com 
grande liberdade e seguiam mais a lei da oferta e da procura do que as leis do Parlamento de Londres. Na prática, estabele-
ceram um sistema de liberdade muito grande, desconhecido para mexicanos e brasileiros e intocado pela repressão inglesa 
até, pelo menos, 1764. Outra atividade desenvolvida foi a pesca. Próxima a um dos maiores bancos pesqueiros do mundo 
(terra Nova), as colônias da Nova Inglaterra exploraram largamente a atividade pesqueira. A venda de peles também foi 
importante na economia dessas colônias. Do norte das colônias e do Canadá fluíam, para a Europa, milhares de peles de 
animais que iriam adornar roupas elegantes contra o frio do Velho Mundo.
72
HISTÓRIA
As colônias do Norte estavam voltadas à policultura e ao mercado interno e não se condicionavam totalmente aos 
interesses da metrópole. Na ilustração: fiação e tecelagem caseiras na Nova Inglaterra.
COLÔNIAS DO SUL
As colônias do sul, por sua vez, abrigaram uma economia diferente. Seu solo e clima eram mais propícios para uma 
colonização voltada aos interesses europeus.
O produto que a economia sulina destacou desde cedo foi o tabaco. A planta implicou permanente expansão agrícola 
por ser exigente, esgotando rapidamente o solo e obrigando a novas áreas de cultivo. O fumo tomou-se um produto fun-
damental no sul.
A falta de braços para o tabaco em pouco tempo impôs o uso do escravo. Esse trabalho escravo cresceu lentamente, 
posto que, como vimos, a mãode-obra branca servil era muito forte no século XVII.
A sociedade sulina que acompanha essa economia é marcada, como não poderia deixar de ser, por uma grande desi-
gualdade. Como ressaltou um contemporâneo, isaac Weld, logo após a independência:
Os principais donos de plantações na Virgínia têm quase tudo que querem em sua própria propriedade. As proprie-
dades grandes são administradas por mordomos e capatazes, todo o trabalho é feito por escravos... Suas habitações estão 
geralmente a cem ou duzentas jardas [90 a 180m] da casa principal, o que dá aparência de aldeia às residências dos donos 
de plantações na Virgínia.
Com essa economia mais voltada ao mercado externo, as colônias do sul resistirão mais à ideia de independência. Os 
plantadores meridionais das 13 colônias temiam que uma ruptura com a Inglaterra pudesse significar uma ruptura com sua 
estrutura econômica.
Ilustrando essa ideia, uma testemunha registrava, em 1760, como as colônias do sul dependiam da Inglaterra, afirman-
do que quase todas as roupas vinham de lá, apesar de o sul produzir excelente linho e algodão. Constatava ainda, horrori-
zada, que apesar de as colônias estarem cheias de madeira, importam bancos, cadeiras e cômodas.
As colônias centrais teriam sua vida econômica mais ligada à agricultura, principalmente a de cereais. Últimas colônias 
conquistadas pela Inglaterra, predominaram nelas as pequenas propriedades e, a exemplo do Norte, desenvolveram ativi-
dades manufatureiras.
Assim, podemos identificar com clareza duas áreas bastante distintas nas 13 colônias. As colônias do Norte, com pre-
dominância da pequena propriedade, do trabalho livre, de atividades manufatureiras e com um mercado interno relativa-
mente desenvolvido, realizando o comércio triangular. As colônias do sul com o predomínio do latifúndio, voltado quase 
que inteiramente à exportação, ao trabalho servil e escravo e pouco desenvolvidas quanto às manufaturas. Essas diferenças 
serão fundamentais tanto no momento da independência quanto no da Guerra Civil americana.
73
HISTÓRIA
INDÍGENAS
Centenas de tribos indígenas habitavam a américa do 
Norte até a chegada dos europeus. Há uma variedade enor-
me nessas tribos: só em línguas diferentes encontraram-se 
mais de trezentas.
Grupos indígenas como os cherokees, iroqueses, algon-
quinos, comanches e
apaches povoavam todo o território, do atlântico até o 
Pacífico. Alguns outros grupos deram nomes à geografia dos 
EUA: dakota, delaware, Massachusetts, iowa, illinois, Missouri. 
Por toda a américa, a história dessas tribos seria profunda-
mente modificada pela chegada dos europeus.
As opiniões dos colonos sobre os indígenas variaram, 
mas foram, quase sempre, negativas. Um dos mais antigos 
relatos sobre eles, de 1628, de autoria de Jonas Michaëlius, 
mostra bem isso:
Quanto aos nativos deste país, encontro-os totalmente 
selvagens e primitivos, alheios a toda decência; mais ainda, 
incivilizados e estúpidos, como estacas de jardim, espertos 
em todas as perversidades e ímpios, homens endemoniados 
que não servem a ninguém senão o diabo [...]. É difícil dizer 
como se pode guiar a esta gente o verdadeiro conhecimento 
de deus e de seu mediador Jesus Cristo.
Jonas Michaëlius parte de um ponto de vista europeu. 
Como os índios não têm uma cultura semelhante à européia, 
ele os considera incivilizados. Jonas não pode ver outro tipo 
de civilização: vê apenas dois grupos, os que são civilizados 
e os que não são. Os que não são, no caso os nativos, são 
como “estacas de jardim”.
O preconceito, como mostrado no documento, não foi 
o único dano que os ingleses causaram aos índios. Mesmo 
se não fossem agressivos, os europeus já seriam perigosos. 
A imigração européia havia introduzido na américa do Norte 
doenças para as quais os nativos não tinham defesa. As epi-
demias nas colônias inglesas atingiram os indígenas da mes-
ma forma que nas áreas ibéricas. O sarampo matou milhares 
de indígenas em toda a américa.
A ocupação das terras indígenas por parte dos colonos 
baseava-se em argumentos de ordem teológica. Os pere-
grinos haviam se identificado com o povo eleito que deus 
conduzia a uma terra prometida. Tal como deus dera força 
a Josué(na Bíblia) para expulsar os habitantes da terra pro-
metida, eles acreditavam no seu direito de expulsar os que 
habitavam a sua Canaã. John Cotton, pastor puritano, fez 
vários sermões nos quais destacou a semelhança entre a na-
ção inglesa e a luta pela terra prometida descrita no antigo 
testamento.
Embora o fato seja bem pouco conhecido da História 
norte-americana, os índios também foram escravizados. Os 
colonos das Carolinas, em particular, desenvolveram o hábito 
de vender índios como escravos. Em 1708, a Carolina do sul 
contava com 1.400 escravos índios. Essa prática permanece-
ria até a independência.
É natural imaginar uma reação indígena. A expansão 
agrícola por sobre áreas indígenas originou violentos ata-
ques às terras dos colonos. No começo da colonização, mais 
de uma aldeia inglesa foi arrasada por ataques de índios, 
como, por exemplo, a de Wolstenholme, na Virgínia.
Dos diversos tratados de paz entre colonos e índios, de-
marcando terras de uns e de outros, surgiu a prática das re-
servas indígenas, áreas que pertenceriam exclusivamente aos 
índios. A permanência de conflitos mesmo com os índios das 
“reservas” revela que estes acordos não foram cumpridos em 
sua totalidade.
Mais de uma vez historiadores empregaram a expressão 
“genocídio” para caracterizar o massacre de populações in-
dígenas na américa do Norte. Isto não é incorreto nem di-
ferente do que ocorria em todo o resto da américa. A ideia 
européia de colonização significou uma mortandade imensa 
em todo o continente americano.
Um grande debate ocorreu em função dos casamentos 
mistos ou não. Encontramos no mundo inglês da américa 
documentos que apoiam a mestiçagem como instrumento 
de evangelização e até de domínio dos índios. Em 1728, Byrd 
havia dito isto literalmente, afirmando que: todas as nações 
formadas por homens têm a mesma dignidade cultural, e to-
dos sabemos que talentos muito brilhantes podem estar al-
bergados em peles muito morenas [...] as mulheres indígenas 
poderiam ser esposas muito honestas dos primeiros colonos.
Da mesma forma, Peter Fontaine havia defendido a mestiça-
gem com as mulheres índias em vez de com as negras, em 1757.
Já nos primórdios da colonização temos um caso signi-
ficativo. Em 1607 chegara a Jamestown o capitão inglês John 
smith. Pouco tempo após sua chegada, foi capturado por índios. 
Quando a cabeça do capitão estava para ser esmagada, a jovem
Pocahontas (que então contava dez ou doze anos) rei-
vindica a vida do prisioneiro para si. No futuro, muitas vezes 
a jovem Pocahontas levaria comida até a vila faminta dos in-
gleses, avisaria o capitão dos ataques indígenas e tudo faria 
para agradá-lo. No entanto, ao contrário do que se poderia 
esperar, o capitão J. Smith não se casa com a jovem indígena. 
Ele acaba voltando para a Inglaterra. Em 1614, Pocahontas 
aceita a fé cristã, passa a se chamar rebeca, e casa-se com um 
plantador de tabaco: John rolfe.
Em 1616, ela viaja para a Inglaterra e é recebida pelo
Pocahontas aos 21 anos, já cristã e com trajes euro-
peus. próprio rei, envolvida pela mística de uma “princesa 
indígena” na corte stuart. O clima inglês parece ter sido 
danoso a sua saúde, pois morreu lá tentando voltar para 
a américa.
74
HISTÓRIA
Existem, é bem verdade, experiências puritanas de con-
versão do índio além de Pocahontas. Havia mesmo um co-
légio índio em Harvard, onde os puritanos pretendiam for-
mar elites índias cristianizadas para atuarem próximos aos 
índios. Os índios deveriam estudar Lógica, retórica, Grego e 
Hebraico. É fácil imaginar que o colégio não foi um sucesso 
enorme entre as populações indígenas. Em 1665, um índio 
com o complexo nome de Caleb Cheesahahteaumuck con-
cluiu seu bacharelado no colégio. Foi o único. Nenhum ou-
tro índio conseguiu esta proeza. O colégio tornara-se um 
fracasso, e, em 1698, foi demolido. Houve outras experiên-
cias de conversão e catequese. Nunca houve um processo 
sistemático e permanente como no mundo da américa ibé-
rica. Os esforços do reverendo Eliot, que chegou a traduzir 
o Novo testamento para os índios algonquinos, são exce-
ção, não a regra.
Existem vários relatos em inglês sobre a visão do índio 
em relação ao homem branco. Com todas as limitações de 
se descrever uma invasão na língua dos invasores, esses 
relatos ainda assim apontam dados interessantes. Um índio 
descreve a chegada dos brancos:
[...] buscaram por todos os lados bons terrenos, e quan-
do encontravam um, imediatamente e sem cerimônia se 
apossavam dele; nós estávamos atônitos, mas, ainda assim, 
nós permitimos que continuassem, achando que não valia 
a pena guerrear por um pouco de terra. Mas quando che-
garam a nossos terrenos favoritos – aqueles que estavam 
mais próximos das zonas de pesca – então aconteceram 
guerras sangrentas. Estaríamos contentes em compartilhar 
as terras uns com os outros, mas esses homens brancos 
nos invadiram tão rapidamente que perderíamos tudo se 
não os enfrentássemos... por fim, apossaram-se de todo o 
país que o Grande Espírito nos havia dado...
A ideia de predestinação, o ideal de empresa, tudo co-
laborou para enfraquecer a mestiçagem e a catequese dos 
índios. O mundo inglês conviveria com o índio, mas sem 
amálgama.
De várias formas os índios resistiram à violência da co-
lonização. Uma maneira comum era fugir para o interior, 
estratégia que seria utilizada até o século XIX. Outra era 
reagir com violência à invasão. Em 1622, por exemplo, os 
índios atacaram Jamestown e mataram 350 colonos da Vir-
gínia. O chefe Metacom (chamado rei Filipe pelos brancos) 
atacou, em 1676, os colonos da Nova Inglaterra, causando 
muitas mortes. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, os índios 
fizeram várias alianças com franceses contra os ingleses.
É importante dizer, por fim, que nem todos os colonos 
tinham o mesmo grau de agressividade contra os índios. 
Grupos quakers e menonitas recusavam a violência contra 
índios e também a violência da compra de escravos negros. 
Porém, quakers, menonitas, católicos e puritanos ocupa-
vam de igual modo as terras que foram, originalmente, dos 
índios. a longa “trilha de lágrimas” indígena continuaria 
durante todo o período colonial e seria até intensificada 
com a expansão para o Oeste no século XIX. apenas recen-
temente a população indígena dos Estados Unidos voltou 
a crescer.
NEGROS
O primeiro navio holandês com escravos negros che-
gou à Virgínia em 1619. Em 1624, em Jamestown, o pri-
meiro menino negro nascia em solo americano. Era William 
tucker, filho de africanos e, oficialmente, o primeiro afroa-
mericanos.
Em duas décadas, a escravidão já estava presente em 
todas as colônias e havia uma legislação específica para ela. 
a escravidão negra concorria com a servidão branca, mas 
o contato dos mercadores das colônias com as antilhas foi 
servindo como propaganda para o uso da mão-de-obra 
africana. Aos plantadores, a escravidão negra foi parecen-
do cada vez mais vantajosa e seu número crescia bastante.
Gustavus Vassa, um nigeriano trazido para os Estados 
Unidos como escravo e batizado com nome cristão, em 
1794, descreve a terrível travessia do oceano que os ne-
gros enfrentavam. Em navios superlotados, a mortalidade 
era alta. Alimentação escassa e chicote abundante eram 
responsáveis pelo aumento dessa mortalidade. Os que 
sobreviviam à travessia eram vendidos nos mercados da 
américa. A impressão dessa venda é descrita por Vassa, ele 
próprio tendo sido leiloado na chegada:
Conduziram-nos imediatamente ao pátio... Como ove-
lhas em um redil, sem olharem para idade ou sexo. Como 
tudo me era novo, tudo o que vinha causava-me assombro. 
Não sabia o que diziam, e pensei que esta gente estava 
verdadeiramente cheia de mágicas... A um sinal de tambor, 
os compradores corriam ao pátio onde estavam presos os 
escravos e escolhiam o lote que mais lhes agradava. Oruí-
do e o clamor com que se fazia isso e a ansiedade visível 
nos rostos dos compradores serviam para aumentar mui-
to o terror dos africanos... Dessa maneira, sem escrúpulos, 
eram separados parentes e amigos, a maioria para nunca 
mais voltarem a se ver.
Muitos autores costumam considerar a escravidão nor-
te-americana como a mais cruel que a américa registrou. É 
extremamente difícil fazer uma comparação de ordem mo-
ral (melhor/pior) entre as formas que a escravidão africana 
conheceu na américa. O historiador norte-americano Frank 
tannenbaum diz que a escravidão em áreas anglosaxônicas 
fez parte de um mundo moderno, com relações sociais in-
dividualistas e um sistema jurídico baseado nas leis anglo-
saxônicas. Isso faria do escravo mais um objeto do que um 
ser humano. O escravo negro em zona ibérica faria parte 
de uma sociedade paternalista e fundamentada no direito 
romano, o que o tornaria um elemento da base da socie-
dade, mas ainda assim um ser humano. O quanto essas 
diferenças de fato foram sentidas pelos escravos e qual o 
melhor chicote ou o trabalho menos árduo são questões 
que ainda merecem maiores pesquisas.
75
HISTÓRIA
Para uma parte importante da população, o sonho do Novo Mundo foi este: o pesadelo dos instrumentos para punir 
escravos.
Houve historiadores, especialmente o sulista Ulrich Phillips, que fizeram defesa apaixonada de uma escravidão benéfi-
ca. A visão foi duramente atacada por historiadores mais críticos como Herbert aptheker ou Kenneth stamp. Na verdade, as 
posições sobre a escravidão colonial dialogam sempre com a situação do negro na sociedade norte-americana.
O que fazia de alguém escravo? Leis votadas na Virgínia, em 1662, determinavam que a condição de escravo fosse dada 
pela mãe. Dessa forma, o filho de pai inglês e mãe africana seria escravo. Pouco tempo depois, outra questão importante é 
tratada pela assembleia da Virgínia, que decide que os escravos batizados permanecem escravos. O interessante é colocar 
a hipótese de amos piedosos batizarem seus escravos. A conversão dos escravos não era, então, obrigatória como nas 
áreas ibéricas. Integrar ou não o escravo negro ao universo cristão, impor-lhe ou não o batismo era um ato de piedade que 
dependia do proprietário.
Em outubro de 1669, uma nova lei sobre escravos determina que, se um escravo vier a morrer em consequência dos 
castigos corporais impostos pelo capataz ou por seu amo, não será considerado isso “delito maior, mas se absolverá o 
amo”. A lei continua com lógica implacável: matar o escravo não é ato intencional, posto que ninguém, intencionalmente, 
procura destroçar “seus próprios bens”. Essa lei revela a “reificação” (tornar coisa) do escravo na legislação colonial.
No século XVIII, a legislação sobre os escravos se desenvolve bastante, acompanhando o próprio aumento da escravi-
dão no sul das 13 colônias. Um código escravista da Carolina do sul faz nessa época (1712) um amplo conjunto de leis se 
referindo à vida dos escravos, verdadeiro retrato da escravidão nas áreas coloniais inglesas.
Nesse código havia uma proibição de os negros saírem aos domingos para a cidade a fim de evitar ajuntamentos de 
negros nas Carolinas. Nenhum escravo poderia portar armas de qualquer espécie. Recomendava-se rigor aos juízes que 
tratassem de crimes cometidos por escravos, especialmente se o crime fosse de rebelião coletiva contra a autoridade insti-
tuída. A escravidão havia, assim, crescido a ponto de a revolta dos escravos tornar-se um pesadelo para o mundo branco.
Naturalmente, diante da violência da escravidão, os negros resistiram de várias maneiras. O historiador norte-ameri-
cano aptheker retrata algumas formas de resistência: lentidão no trabalho, doenças fingidas, maus-tratos aos animais da 
fazenda, fugas, incêndios, assassinatos (especialmente pelo veneno), automutilações, insurreições etc. Em 1740, os escravos 
tentaram, em Nova York, envenenar todo o abastecimento de água da cidade.
76
HISTÓRIA
Em regiões como a Carolina do Sul – com cerca de 60% da população composta por negros – eram comuns revoltas 
de escravos. Gordas recompensas eram oferecidas pela captura dos que fugiam de seus amos.
Apesar de os escravos no conjunto da população das colônias não ultrapassarem os 20%, em áreas como a Carolina do 
sul eram a maioria da população. E justamente nessas áreas que o medo de uma rebelião generalizada aparecia.
Entre 1619 e 1860, cerca de 400 mil negros foram levados da áfrica para os Estados Unidos. Ao fim da época colonial, 
havia cerca de meio milhão de escravos nas colônias inglesas da américa do Norte. A escravidão não sofreria abalos com 
o movimento de independência, levado adiante, em parte, por ricos escravocratas. Os ventos de liberdade de 1776 tinham 
cor branca...
No século XIX, um romance abolicionista ( A cabana do Pai Tomás – Uncle Tom’s Cabin) de Harriet stowe coloca-se 
radicalmente contra a escravidão, concluindo que ela era um mal em si. Porém, para poder elogiar um negro como Pai 
thomas, a autora atribui a ele virtudes “brancas” como ordem, limpeza e trabalho cristão. O mesmo apareceria no século xx 
em filmes como ... E o vento levou ( Gone With the Wind – 1939), que, com seu racismo declarado, mostrava as delícias da 
vida de um escravo nos algodoais do sul.
POPULAÇÃO
No século XVIII, há um grande crescimento da população. Em 1700, 250 mil pessoas habitavam as 13 colônias. Na épo-
ca da independência, esse número havia subido para dois milhões e meio. As fontes desse crescimento são a imigração e 
o desenvolvimento natural da população.
A devastadora Guerra da sucessão Espanhola havia empurrado grandes massas da Europa para a américa. Um desses 
grupos estava constituído pelos alemães da região do Palatinado, chegando em tão grande número que preocuparam os 
colonos de origem inglesa. Em 1751, escrevia B. Franklin:
Por que permitimos aos alemães do Palatinado encher nossas comunidades e estabelecer sua língua e costumes até 
expulsar as nossas? Por que vamos converter a Pensilvânia, que foi fundada por ingleses, numa colônia de estrangeiros que 
são tão numerosos que nos germanizarão em lugar de eles se anglicizarem?
Além dos alemães, chegaram também muitos escoceses e irlandeses. Os franceses protestantes também constituíram 
um significativo grupo de imigrantes no século XVIII. Perseguidos na França, foram para a américa e tornaram-se respon-
sáveis pelo crescimento da indústria da seda nas colônias.
Um dos efeitos dessa grande leva de imigrantes não ingleses foi colaborar para o afastamento das colônias americanas 
de sua metrópole. Constituía-se, assim, um novo mundo, com valores diversos dos ingleses.
Em 1754, Virgínia era a mais povoada das colônias inglesas na américa, com 284 mil habitantes, seguida por Massachu-
setts e Pensilvânia, respectivamente com 210 mil e 206 mil habitantes.
Às vésperas da independência, as maiores cidades das colônias eram: Filadélfia: 40 mil habitantes
Nova York: 25 mil habitantes Boston: 16 mil habitantes
Charleston: 12 mil habitantes.
(Obs.: no mesmo período, a Cidade do México tinha 70 mil habitantes.) Nas cidades, a elite comerciante era o grupo 
mais importante. Comparativamente à
77
HISTÓRIA
Inglaterra do mesmo período, havia menos pobres nas cidades da américa. No entanto, a maioria da população das 
13 colônias era rural. No Norte, predominavam as pequenas propriedades familiares; no sul, as grandes plantações eram 
mais freqüentes.
VIDA COTIDIANA
A família das colônias em muito se assemelhava às famílias europeias. Havia uma média de sete filhos por casa, com 
uma alta taxa de mortalidade infantil. A autoridade residia no pai, mas todos os membros da família deveriam trabalhar.
As mulheres tinham trabalhos dentro e fora de casa. Por suas mãos a família se vestia, comia e obtinha iluminação, 
tendo em vista que tecidos, alimentos e velas eram geralmenteprodução caseira. No século XVIII, as mulheres das colônias 
dificilmente ficavam solteiras, casando-se por volta dos 24 anos – bem mais tarde que as mulheres europeias do período. 
Já no século XIX, o autor francês alexis de tocqueville notaria que as mulheres da américa eram muito mais liberadas do 
que as europeias.
A História tradicional preocupou-se pouco com a vida das pessoas anônimas, guardando para si os atos dos reis e figu-
ras notáveis. Mesmo assim, por meio de poucos documentos, podemos reconstituir uma parte da vida cotidiana. O viajante 
francês durant de dauphiné descreveu, por exemplo, um casamento na Virgínia de 1765:
Havia cerca de cem pessoas convidadas, várias delas de boa classe, e algumas damas, bem vestidas e agradáveis à vista. 
Mesmo sendo o mês de novembro, o banquete realizou-se debaixo das árvores. Era um dia esplêndido. Éramos oitenta 
na primeira mesa e nos serviam carnes de todo o tipo e em tanta abundância, que, estou seguro, havia suficiente para um 
regimento de quinhentos homens [...].
Prossegue o cronista relatando a falta de vinho, substituído por cerveja, cidra e ponche. Temos até a receita desse pon-
che: três partes de cerveja, três de brandy, um quilo e meio de açúcar e um pouco de noz-moscada e canela.
O banquete começava por volta das duas da tarde e durava até noite alta. As mulheres dormiam dentro da casa e os 
homens pela rua e no celeiro. Quase todos pernoitavam no anfitrião e retornavam para suas casas no dia seguinte.
As mulheres brancas gozavam de boa fama entre os viajantes que visitavam a américa. Lord adam, um inglês visitando 
os EUA em 1765, descreve-as como diligentes, excelentes esposas e boas para criar família.
Apesar dos elogios, as mulheres não tinham identidade legal. Sua vida transcorria à sombra do pai e do marido. O 
divórcio foi escasso nas colônias. A maior parte das mulheres casava-se uma única vez.
O universo puritano dividia a existência humana entre infância e idade adulta, sem intermediários. Assim, depois dos 
sete anos de idade, as crianças eram vestidas como adultos pequenos. Aprender a ler e escrever e o ofício dos pais era, 
basicamente, a educação que os pequenos recebiam. As crianças tinham várias tarefas na casa colonial, concebida como 
uma microcomunidade de trabalho.
Mesmo com o desenvolvimento do comércio e das atividades manufatureiras, grande parte da população ligava-se ao 
campo; a maioria dos homens, portanto, dedicava-se à agricultura.
Cozinha de colonos na Nova Inglaterra, local de encontro e intensa atividade familiar.
78
HISTÓRIA
Em uma cultura prática, os objetos também são, aci-
ma de tudo, práticos. Casas geralmente pequenas, camas 
compartilhadas por várias crianças. Banheiro exterior à ha-
bitação. Poucos móveis.
As roupas eram, como já vimos, confeccionadas em 
casa. A sociedade puritana, em particular, vestia-se sobria-
mente, com tons escuros. As jóias eram quase inexistentes. 
Quase todos os homens andavam armados.
A vida cotidiana nas colônias inglesas da américa do 
Norte revela uma cultura voltada à função e não à forma. 
Nas igrejas coloniais ibéricas, quadros ornamentados, al-
tares cheios de detalhes, pinturas – tudo destacava uma 
forma opulenta que devia levar a deus. As igrejas da amé-
rica anglo-saxônica eram despojadas, com bancos para os 
fiéis, um local elevado para a pregação do pastor (púlpito) 
e um órgão. As igrejas puritanas, notadamente, tinham o 
destaque para o púlpito, ao contrário das católicas, que 
destacavam o altar. Em um mundo que se dedicava pou-
co às diversões, o anglosaxão costumava ligar trabalho e 
lazer. As reuniões festivas dos colonos tinham, quase sem-
pre, um objetivo prático: construir um celeiro, preparar 
conservas etc. A festa misturava-se ao trabalho.
Em 1759, o clérigo britânico Burnaby descreveu Wil-
liamsburg (na Virgínia) como uma cidade de duzentas 
casas, ruas paralelas, praça ao centro e construções de 
madeira. O autor destaca a simplicidade dos edifícios pú-
blicos, à exceção do palácio governamental. A cidade só 
ficava mais “animada” em época de assembleias, quando a 
população rural se destinava a ela.
Nos relatos da vida cotidiana nas colônias há um 
princípio prático que volta com insistência. Tanto na vida 
cultural como na econômica, as populações das colônias 
dedicaram-se pouco a atividades de especulação filosófica 
ou artística. Poucos documentos ilustrariam tão bem essa 
característica como uma carta de John adams, em 1780. 
Residindo em Paris, escrevia ele:
Eu poderia encher volumes com descrições de tem-
plos e palácios, pinturas, esculturas, tapeçarias e porcela-
nas – se me sobrasse tempo. Mas não poderia fazer isso 
sem negligenciar os meus deveres... Devo estudar política 
e guerra para que meus filhos possam ter a liberdade de 
estudar matemática e filosofia, geografia, história natural, 
arquitetura naval, navegação, comércio e agricultura, a fim 
de que deem a seus filhos o direito de estudarem pintura, 
poesia, música, arquitetura, estatuária, tapeçaria e porce-
lana.
Logo, na mentalidade de adams, que não constitui 
uma exceção nas colônias, a guerra era o primeiro item, 
depois viriam as atividades econômicas e, por fim, quando 
tudo isso estivesse feito, sobraria o espaço para a arte for-
mal propriamente dita.
O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA
GUERRAS E MAIS GUERRAS
O final do século XVII e todo o século XVIII foram 
acompanhados de muitas guerras na Europa e na américa. 
De muitas formas, essas guerras significaram o início do 
processo de independência das 13 colônias com relação 
à Inglaterra.
A primeira dessas guerras ocorreu no final do século 
XVII, anunciando o clima de conflitos permanentes que 
acompanhariam as 13 colônias durante quase todo o sécu-
lo XVIII. Trata-se da Guerra da Liga de augsburgo, que, nas 
colônias inglesas, foi chamada de Guerra do rei Guilherme 
(William).
Essa guerra foi uma reação da Inglaterra à política ex-
pansionista do rei Luís XIV da França. Inicialmente indife-
rente a essa política, a Inglaterra muda de atitude quando 
da expulsão dos protestantes franceses promovida por Luís 
XIV. O rei Guilherme da Inglaterra, ao subir ao trono, decla-
ra guerra à França.
Essa guerra (1688-1697) já apresenta as características 
dos conflitos seguintes:
iniciam-se na Europa e contam, na américa, com a par-
ticipação dos índios. Estes, aliados dos franceses, quase to-
maram Nova York, mas navios da colônia de Massachusetts 
impediram a investida, atacando Porto royal, nas posses-
sões francesas.
Ao final da guerra, o tratado entre França e Inglaterra 
(tratado de ryswick) estabeleceu a devolução de Porto royal 
para os franceses, que, a essa altura, já tinha sido rebatiza-
do como Nova Escócia. Esse tratado mostra como os inte-
resses dos colonos pouco importavam para a Inglaterra. 
Aos negociantes ingleses do tratado interessaram apenas 
as necessidades da Inglaterra, traçando decisões sobre o 
mapa das colônias sem levar em conta os interesses dos 
habitantes locais. Esses tratados ajudam a explicar por que, 
logo após as guerras coloniais, começa a se acelerar o pro-
cesso de independência das 13 colônias.
A guerra seguinte é a da rainha ana ou da sucessão 
Espanhola (17031713). Carlos ii, rei da decadente Espa-
nha, havia morrido sem deixar herdeiros. A política de ca-
samentos entre a realeza européia tornava inúmeros reis 
sucessores em potencial. A Inglaterra apoiava a áustria, em 
oposição à
França, que tentava colocar no trono espanhol Filipe, 
neto de Luís XIV.
Durante o conflito, as colônias inglesas enfrentaram 
duas frentes de batalha. Ao norte, os colonos franceses e 
os índios aliados. Nessa, como em todas as outras guer-
ras, os franceses haviam seduzido, mediante promessas de 
territórios, algumas tribos indígenas. O mesmo aconteceu 
com os colonos ingleses, que também tinham aliado índios 
(essaspromessas eram, com frequencia, esquecidas após a 
vitória). Ao sul, a Carolina do sul enfrentava os espanhóis 
da Flórida.
Os interesses europeus na américa misturavam-se e 
até opunham-se aos interesses dos colonos. Os colonos do 
sul queriam o domínio do Mississipi; os do Norte, o domí-
nio do comércio de peles e a posse dos bancos pesqueiros 
da terra Nova.
Ao enviar uma tropa de dez mil soldados para a amé-
rica a fim de auxiliar os colonos, a Inglaterra acabou atra-
palhando a luta das 13 colônias contra os franceses e es-
panhóis. O exército inglês foi acusado pelos colonos de 
ineficiente, corrupto e, acima de tudo, extremamente caro 
para a economia das colônias. Mais uma vez, as guerras 
coloniais contribuíam para contrapor os interesses dos co-
lonos aos interesses da Inglaterra.
79
HISTÓRIA
Apesar desses atritos entre os colonos e as tropas inglesas, o tratado de Utrecht, que pôs fim à guerra, foi extremamen-
te benéfico para as 13 colônias, particularmente para as do Norte. Os colonos adquiriram o controle da baía de Hudson e o 
consequente domínio sobre o comércio de peles na região. A acádia francesa tornou-se possessão da Inglaterra e as ilhas 
da terra Nova abriram-se ao domínio da pesca dos colonos ingleses, que se apossaram do lucrativo comércio de bacalhau.
A Guerra da “Orelha de Jenkins”, entre 1739 e 1742, agitou a vida na américa após o conflito da sucessão Espanhola. 
Aproveitando-se do ataque espanhol ao navio do capitão Jenkins (durante o qual ele perdeu uma orelha), os colonos ata-
caram possessões espanholas. O ataque dirigiu-se à Flórida e, logo em seguida, à Cartagena, na atual Colômbia.
Três mil e quinhentos colonos foram comandados por oficiais ingleses nesses ataques. a febre amarela atacou-os com 
violência no Caribe. O fracasso da expedição, naturalmente, foi atribuído ao comando inglês. Apenas seiscentos colonos 
sobreviveram, aumentando o ressentimento contra o exército britânico.
Outro problema de sucessão, desta feita na Áustria, provocaria um atrito entre as nações da Europa. Trata-se da Guerra 
da sucessão austríaca, entre 1740 e 1768. A Inglaterra apoiava Maria Teresa; os franceses, alegando a impossibilidade de 
uma mulher assumir o trono, opuseram-se a ela. Na américa, essa guerra foi conhecida como Guerra do rei Jorge.
Durante a guerra, nas colônias, o forte francês de Louisbourg foi tomado por uma expedição saída de Boston. Quando 
foi assinado o tratado de paz (tratado de aix-LaChapelle), a Inglaterra comprometeu-se a devolver o forte para a França. 
Mais uma vez, os interesses ingleses eram sobrepostos aos interesses dos colonos. Os colonos, que haviam financiado a 
tomada do forte, enviaram ao Parlamento as despesas de sua captura.
A Guerra do rei Jorge colaborou também para despertar o interesse da França e da Inglaterra pelo vale de Ohio, inte-
resse que apareceria de forma bastante intensa no conflito seguinte.
Dois anos antes de começar na Europa a Guerra dos sete anos (17561763), começavam na américa os conflitos nomea-
dos de Guerra FrancoÍndia. O início do choque ligava-se exatamente às pretensões dos colonos de se expandirem sobre as 
áreas indígenas do Ohio.
“Faça a união das colônias ou desapareça!”,
a primeira caricatura norte-americana a favor da união das 13 colônias.
Em junho de 1754, foi organizada uma conferência das colônias inglesas em albany (Nova York). Pela primeira vez, de 
fato, surge um plano de união entre as colônias, elaborado pelo bostoniano Benjamin Franklin, como forma de dar mais 
força aos colonos em sua luta contra os inimigos. A ideia de uma união desagradou o governo inglês, que temia os efeitos 
posteriores dela. As próprias colônias desconfiaram também dessa união, temendo a perda da autonomia.
A Guerra Franco-índia e a dos sete anos acabaram por eliminar o império Francês na américa do Norte. Derrotada na 
Europa e na américa, a França entrega para a Inglaterra uma parte de suas possessões no Caribe e no Canadá.
De muitas formas, a Guerra dos sete anos é a mais importante de todas as guerras do século XVIII. Deixou evidente o 
que já aparecera em outras guerras: os interesses ingleses nem sempre eram idênticos aos dos colonos da américa.
80
HISTÓRIA
A derrota da França afastou o perigo permanente 
que as invasões francesas representavam na américa, 
deixando os colonos menos dependentes do poderio mi-
litar inglês para sua defesa. Além disso, os habitantes das 
13 colônias tinham experimentado a prática do exército 
e o exercício da força para conseguir seus objetivos e ha-
viam tido, ainda que fracamente, sentimentos de unidade 
contra inimigos comuns. Somando-se a esse novo con-
texto, a política fiscal inglesa para com as colônias, após a 
Guerra dos sete anos, alterou-se bastante, como veremos 
adiante. Levando em conta os argumentos apresentados, 
é absolutamente correto relacionar as guerras coloniais 
com as origens da independência das 13 colônias.
OS COLONOS VENCEM A GUERRA E PERDEM A PAZ...
Como já foi visto, a colonização inglesa da américa 
do Norte, particularmente das colônias setentrionais, não 
foi feita mediante um plano sistemático. Em parte pelas 
características das colônias, em parte pela própria situa-
ção da Inglaterra no século XVII com suas crises internas, 
as colônias gozavam de certa autonomia. A metrópole, 
ausente e distante, raramente interferia na vida interna 
das colônias.
Essa situação tende a mudar no século XVIII. O sis-
tema político inglês definira-se como uma monarquia 
parlamentar, o que proporcionará à Inglaterra grande es-
tabilidade política. Participando do poder, a burguesia in-
glesa promove grande desenvolvimento econômico. Os 
séculos XVIII e XIX na Inglaterra, ao contrário da França, 
serão de relativa paz interna, favorecendo a expansão e o 
controle do império colonial.
A burguesia no poder inglês, contando com matéria
-prima (como ferro e carvão), com vasta mão-de-obra e 
a invenção de máquinas na área têxtil, passa a concentrar 
trabalhadores em espaços chamados fábricas. A revo-
lução industrial é, antes de mais nada, a introdução de 
uma nova disciplina de trabalho, explorando ao máximo 
a mãode-obra e provocando um aumento extraordinário 
de produção. Essa produção, é claro, provoca uma nova 
busca de mercados consumidores e de maiores neces-
sidades de matérias-primas como o algodão. Assim, na 
segunda metade do século XVIII, as colônias da américa 
são vistas como importantes fontes para alimentar o pro-
cesso industrial inglês.
Outro elemento que colaborou para a mudança da 
atitude inglesa com relação às colônias foram as guer-
ras do século XVIII. Essas guerras obrigaram a uma maior 
presença de tropas britânicas na américa, causando inú-
meros atritos. Os acordos ao final desses conflitos nem 
sempre foram favoráveis aos colonos. Por fim, guerras 
como a dos sete anos, mesmo terminando com a vitória 
da Inglaterra, implicaram altos gastos. Eram inúmeras as 
vozes no Parlamento da Inglaterra que desejavam ver as 
colônias da américa colaborando para o pagamento des-
ses gastos.
A Guerra dos sete anos estabelecera uma maior pre-
sença militar nas colônias. A Coroa decidiu manter um 
exército regular na américa, a um custo de 400 mil libras 
por ano. Para o sustento desse exército, os colonos pas-
sariam a ver aumentada sua carga de impostos. Situação 
desagradável para os colonos: pagar por um exército que, 
a rigor, estava ali para policiá-los. O final da Guerra dos 
sete anos também trouxe novos problemas entre colonos 
e índios. Vencido o inimigo francês, os colonos queriam 
uma expansão mais firme entre os montes apalaches e o 
rio Mississipi, áreas tradicionais de grandes tribos indíge-
nas. O resultado disso foi uma nova fase de guerra entre 
os índios e os colonos. Várias tribos unidas numa confe-
deração devastaram inúmeros fortes ingleses com táticas 
de guerrilha.Contra essa rebelião liderada por Pontiac, os 
ingleses usaram de todos os recursos, inclusive espalhar 
varíola entre os índios.
Apesar da derrota dos índios, o governo inglês deci-
diu apaziguar os ânimos e, em setembro de 1763, o rei 
Jorge III proibiu o acesso dos colonos a várias áreas entre 
os apalaches e o Mississipi. O decreto de Jorge III reco-
nhecia a soberania indígena sobre essas áreas, afirmando 
também que:
Considerando que é justo e razoável e essencial ao 
nosso interesse e à segurança de nossas colônias que as 
diversas nações ou tribos de índios como as que estamos 
em contato, e que vivem sob nossa proteção, não sejam 
molestadas ou incomodadas na posse das ditas partes de 
nossos domínios [...].
Geralmente pouco considerada, a declaração de 1763 
é uma origem importantíssima para a revolta colonial 
contra a Inglaterra. Importante, em primeiro lugar, por-
que fere os interesses de expansão dos colonos. Tanto os 
que exploravam as peles como os que plantavam fumo 
viam nessas ricas terras, que o decreto agora reconhe-
cia como indígena, uma ótima oportunidade de ganho. 
Importante também porque representava uma mudan-
ça grande da Coroa inglesa em relação às colônias da 
américa: o início de uma política de interferência nos 
assuntos internos dos colonos. O ano de 1763 marcou 
uma mudança na história das relações entre a Inglaterra 
e suas colônias.
AS LEIS DA RUPTURA
A Inglaterra tornou-se, após a Guerra dos sete anos, 
a grande potência mundial e passou a desenvolver uma 
política crescente de domínio político e econômico sobre 
colônias.
A Lei do açúcar (american revenue act ou sugar act), 
em 1764, representou outro ato dessa nova política. Essa 
lei reduzia de seis para três pence o imposto sobre o me-
laço estrangeiro, mas estabelecia impostos adicionais so-
bre o açúcar, artigos de luxo, vinhos, café, seda, roupas 
brancas. Desde 1733 havia lei semelhante, no entanto os 
impostos sobre os produtos perdiam-se na ineficiência 
das alfândegas inglesas nas colônias.
O que irritava os colonos não era tanto a Lei do açú-
car, mas a disposição da Inglaterra em fazê-la cumprir. 
Criou-se uma corte na Nova Escócia com jurisdição sobre 
todas as colônias da américa para punir os que não cum-
81
HISTÓRIA
prissem essa e outras leis. Além disso, a Lei do açúcar procurava destruir uma tradição dos colonos da américa: comprar 
o melaço para o comércio triangular onde ele fosse oferecido em melhores condições. Isso significava que a escolha 
nem sempre recaía sobre as ilhas inglesas do Caribe, mas também sobre as possessões francesas.
Ao indicar em sua introdução que seu objetivo era “melhorar a receita deste reino”, a Lei do açúcar torna claro o 
mecanismo mercantilista que a Inglaterra pretendia. No segundo século da colonização, a Coroa britânica queria fazer 
as colônias cumprirem a sua função de colônias: engrandecimento da metrópole. Ficava clara uma mudança na política 
inglesa.
Os colonos reagiram imediatamente. Um deles, James Otis, publicou uma obra denunciando as medidas e reafir-
mando um velho princípio inglês que os colonos invocavam para si: “taxação sem representação é ilegal”. O que signi-
fica isso? desde a idade Média até o século XVIII a Inglaterra sofreu muitos movimentos que afirmavam este princípio: 
para alguém pagar um imposto (taxação), essa pessoa deve ter votado num representante que julgou e aprovou este 
imposto (representação). Assim foi com os burgueses que impuseram limites a Carlos i. Era esse princípio tradicional da 
Inglaterra que Otis, no fundo, queria fazer valer para as colônias.
Além dos protestos como o de James Otis, os colonos organizaram boicotes às importações de produtos ingleses, 
como, por exemplo, às rendas para a confecção de vestidos.
No mesmo ano de 1764, o governo inglês baixa a Lei da Moeda, proibindo a emissão de papéis de crédito na colô-
nia, que, até então, eram usados como moeda. O comandante do exército britânico na américa, general Thomas Gage, 
sugeria e fazia aprovar no mesmo ano a Lei de Hospedagem. Essa lei determinava as formas como os colonos deveriam 
abrigar os soldados da Inglaterra na américa e fornecer-lhes alimento.
Mais uma vez, a Lei de Hospedagem e a da Moeda revelam mudanças na política inglesa. O objetivo claro da Lei da 
Moeda era restringir a autonomia das colônias. A Lei da Hospedagem desejava, em última análise, tornar as colônias 
mais baratas para o tesouro inglês.
Porém, é somente com a Lei do selo, de 1765, que notamos uma resistência organizada dos colonos a esta onda 
de leis mercantilistas. a Inglaterra estabelecia, em 22 de março de 1765, que todos os contratos, jornais, cartazes e do-
cumentos públicos fossem taxados.
A lei caiu como uma bomba nas colônias! Foram realizados protestos em Boston e em outras grandes cidades. Em 
Nova York, um agente do governo inglês foi dependurado pelas calças num denominado “poste da liberdade”. Um gru-
po chamado Filhos da Liberdade chegou a invadir e saquear a casa de thomas Hutchinson, representante do governo 
inglês em Massachusetts. Além de todos esses atos, foi convocado o Congresso da Lei do selo. Em Nova York, os repre-
sentantes das colônias elaboraram a declaração dos direitos e reivindicações. Esse documento é bastante interessante 
para avaliarmos o sentimento dos colonos, em particular da elite comerciante, às medidas inglesas.
O documento afirma sua lealdade em relação ao rei Jorge III. No entanto, invoca para as colônias os mesmos di-
reitos que os ingleses tinham na metrópole. O documento afirma, lembrando uma tradição que remonta às ideias do 
filósofo inglês
Locke, que nenhuma lei pode ser válida sem uma representação dos colonos na Câmara dos Comuns. Por fim, pede 
a declaração que essa e outras leis que restringem o comércio sejam abolidas.
Com a Lei do selo, a Coroa havia incomodado a elite das colônias. A reação foi grande, assustando os agentes do 
tesouro da Inglaterra. Houve um movimento de boicote ao comércio inglês; no verão de 1765, decaiu o comércio com a 
Inglaterra em 600 mil libras. Em quase todas as colônias, os agentes do tesouro inglês eram impossibilitados de colocar 
os selos nos documentos. A reação era generalizada. Em 1766, o Parlamento inglês viu-se obrigado a abolir a odiada 
lei. Os colonos haviam demonstrado sua força. A Inglaterra retrocedia para avançar mais, logo em seguida.
82
HISTÓRIA
O Massacre de Boston, gravura de Paul Revere. O episódio do “Massacre de Boston” foi usado largamente como pro-
paganda por parte dos adeptos da separação.
Um novo ministério formado na Inglaterra traria ao poder homens mais dispostos a submeter a colônia do que ceder às 
pressões dos colonos. O ministro da Fazenda, Charles townshend, decretou, em 1767, medidas que foram conhecidas como 
atos townshend. Esses atos lançavam impostos sobre o vidro, corantes e chá. A assembleia de Nova York foi dissolvida por 
não cumprir a Lei de Hospedagem. Foram nomeados novos funcionários para reprimir o contrabando, bastante praticado 
nas colônias.
O resultado dessas novas leis foi novos protestos, novos boicotes e declarações dos colonos contra as medidas. As leis 
acabariam sendo revogadas.
No entanto, em Boston, quase ao mesmo tempo em que se deu a anulação dos atos townshend, um choque entre ame-
ricanos e soldados ingleses tornaria as relações entre as duas partes muito difíceis. Protestando contra os soldados, um gru-
po de colonos havia atirado bolas de neve contra o quartel. O comandante, assustado, mandara os soldados defenderem 
o prédio. Estes acabaram disparando contra os manifestantes. Cinco colonos morreram. Seis outros colonos foram feridos, 
mas conseguiram sobreviver. Era 5 de março de 1770. O Massacre de Boston, como ficou conhecido, foi usado largamente 
como propaganda dos que eram adeptos da separação. Um desenho com a cena do massacre percorreu a colônia. O cheirode guerra começava a ficar mais forte.
83
HISTÓRIA
CHÁ AMARGO...
Mais uma vez entra em cena o chá. Mais uma vez surge o mercantilismo que a Inglaterra parece disposta a implantar 
nas colônias. Mais uma vez, a reação dos colonos.
Para favorecer a Companhia das Índias Orientais, que estava à beira da falência, o governo britânico lhe concede o 
monopólio da venda do chá para as colônias americanas.
Os colonos tinham o mesmo hábito britânico do chá. Tal como na Inglaterra, o preço da bebida vinha baixando, tor-
nando-a cada vez mais popular. Com o monopólio do fornecimento de chá nas mãos de uma companhia, os preços natu-
ralmente subiriam.
A reação dos colonos à lei foi, pelo menos, original. Primeiro a população procurou substituir o chá por café e chocolate 
para escapar ao monopólio. Além disso, na noite de 16 de dezembro de 1773, 150 colonos disfarçados de índios atacaram 
3 navios no porto de Boston e atiraram o chá ao mar. Era a Boston tea Party (Festa do Chá de Boston). Cerca de 340 caixas 
de chá foram arremessadas ao mar. Um patriota entusiasmado disse: “O porto de Boston virou um bule de chá esta noite...”.
A reação do Parlamento inglês foi forte. Foram decretadas várias leis que os americanos passaram a chamar de “leis 
intoleráveis”. A mais conhecida delas interditava o porto de Boston até que fosse pago o prejuízo causado pelos colonos. 
A colônia de Massachusetts foi transformada em colônia real, o que emprestava grandes
poderes a seu governador. O direito de reuniões foi restringido. A Inglaterra demonstrava que não toleraria oposições 
às suas leis.
Nessa ilustração de Paul Revere, oficiais ingleses obrigam a América a tomar chá amargo, uma alusão à arbitrária lei 
britânica que concedia à Companhia das Índias Orientais o monopólio da venda do chá para as colônias.
No lugar da esperada submissão das colônias, a Inglaterra conseguiu com estas medidas apenas incentivar o processo 
de independência.
A RUPTURA E O NOVO PAÍS
A independência das 13 colônias foi influenciada por muitos autores do iluminismo, movimento filosófico de crítica 
ao poder dos reis e à exploração das colônias por meio de monopólios. Dos filósofos do mundo iluminista, um dos mais 
importantes para os colonos foi John Locke.
O inglês John Locke, filho de uma família protestante, nasceu em 1632. Viveu o agitado século XVII na Inglaterra e, 
quando Guilherme e Maria de Orange foram entronados, olhou com aprovação para o novo governo que se instalava.
As ideias de Locke estavam profundamente relacionadas com a revolução Gloriosa inglesa, que estabeleceu o governo 
de Guilherme e Maria e consagrou a supremacia do Parlamento na Inglaterra. Na sua maior obra política, Ensaio sobre o 
governo civil, Locke justifica os acontecimentos da Inglaterra.
O filósofo desenvolveu a ideia de um Estado de base contratual. Esse contrato imaginário entre o Estado e os seus 
cidadãos teria por objetivo garantir os “direitos naturais do homem”, que Locke identifica como a liberdade, a felicidade e 
a prosperidade. Para o filósofo, a maioria tem o direito de fazer valer seu ponto de vista e, quando o Estado não cumpre 
seus objetivos e não assegura aos cidadãos a possibilidade de defender seus direitos naturais, os cidadãos podem e devem 
fazer uma revolução para depô-lo. Ou seja, Locke é também favorável ao direito à rebelião. (Esse princípio de resistência à 
tirania justificava a revolta dos ingleses diante das medidas autoritárias dos stuart no trono da Inglaterra.)
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HISTÓRIA
Tais princípios, expostos na obra de Locke, tornaram-se 
com o tempo parte da tradição política da Inglaterra. Mui-
tos ingleses que emigraram para as colônias conheciam as 
ideias do filósofo. Os estudantes das colônias, que iam para 
a Europa em busca das universidades, voltavam influencia-
dos por ele e por outros pensadores. Dessas e de muitas 
outras formas, as ideias liberais atravessavam o oceano e 
frutificavam nas colônias, onde encontravam terreno fér-
til, passando a fazer parte da tradição política também do 
Novo Mundo.
O filósofo inglês defendia a participação política para 
determinar a validade de uma lei. As leis inglesas eram vo-
tadas sem que os colonos participassem da votação. Por 
várias vezes os colonos recusaram-se a aceitar leis votadas 
por um parlamento no qual eles não tinham assento, ale-
gando o direito de participar em decisões que os afetariam.
Na visão dos colonos, o governo inglês não procura-
va preservar a vida, a liberdade e a propriedade. Pelo con-
trário, atentava com sua legislação mercantilista contra a 
propriedade dos colonos e, por vezes, como no Massacre 
de Boston, contra a própria vida dos colonos. As palavras 
de Locke (Segundo tratado sobre o governo) assumiam na 
colônia o papel de ideário de uma revolução:
Quem quer que use força sem direito, como o faz todo 
aquele que deixa de lado a lei, coloca-se em estado de
guerra com aqueles contra os quais assim a emprega; e 
nesse estado cancelam-se todos os vínculos, cessam todos 
os outros direitos, e qualquer um tem o direito de defen-
der-se e de resistir ao agressor.
É interessante identificarmos na declaração de inde-
pendência das colônias longos trechos extraídos das ideias 
de Locke. O filósofo inglês, ao pretender justificar um mo-
vimento em sua terra, acabou servindo de base, quase um 
século depois, para um movimento contra o domínio da 
Inglaterra, a mesma Inglaterra que Locke tanto amava.
“DÊEM-ME A LIBERDADE OU DÊEM-ME A MORTE!”
Essa frase foi dita por um patriota americano: Patrick 
Henry (“Give me liberty, or give me death!”). Ela representa 
muito do crescente estado de espírito que as leis inglesas 
iam provocando nas colônias.
Quando a Inglaterra começou sua política mercantilis-
ta, os colonos americanos passaram, de forma crescente, a 
protestar contra esses fatos.
É importante lembrar que não havia na américa do 
Norte, de forma alguma, uma nação unificada contra a In-
glaterra.
Na verdade, as 13 colônias não se uniram por um sen-
timento nacional, mas por um sentimento antibritânico. 
Era o crescente ódio à Inglaterra, não o amor aos Estados 
Unidos (que nem existiam ainda) que tornava forte o movi-
mento pela independência. Mesmo assim, esse sentimento 
a favor da independência não foi unânime desde o princí-
pio. Já vimos anteriormente que o Sul era mais resistente à 
ideia da separação. E tanto entre as elites do Norte como 
as do Sul, outro medo era forte: o de que um movimento 
pela independência acabasse virando um conflito interno 
incontrolável, em que os negros ou pobres interpretassem 
os ideais de liberdade como aplicáveis também a eles. Na 
verdade, as elites latifundiárias ou comerciantes das colô-
nias resistiram bastante à separação, aceitando-a somente 
quando ficou claro que a metrópole desejava prejudicar 
seus interesses econômicos.
As sociedades secretas foram uma das primeiras rea-
ções dos colonos contra as medidas inglesas. A mais famo-
sa delas foi Os Filhos da Liberdade, que estabeleceu uma 
grande rede de comunicações, em muito facilitando a arti-
culação entre os colonos. Os Filhos da Liberdade também 
eram uma escola de política, pois seus membros liam as 
principais obras políticas (como a de Locke, entre outras) 
para darem base intelectual ao movimento.
Houve também um grupo feminino intitulado Filhas da 
Liberdade, com o mesmo propósito. As mulheres também 
organizaram Ligas do Chá com o objetivo de boicotar a 
importação de chá inglês. Nas grandes cidades como Nova 
York e Boston, mulheres encabeçavam campanhas contra 
produtos elegantes importados da Inglaterra e incentiva-
vam produtos feitos em casa, mais simples, porém mais 
“patrióticos”. Na Carolina do Norte, um grupo de mulheres 
chegou a elaborar um documento chamado Proclamação 
Edenton, dizendo que o sexo feminino tinha todo o direito 
de participar da vida política.Mais tarde, quando a guerra 
entre as colônias e a Coroa Britânica começou, as colonas 
demonstraram mais uma habilidade: foram administrado-
ras das fazendas e negócios enquanto os maridos lutavam.
A continuidade das medidas inglesas para as 13 colô-
nias levou os colonos a organizarem o Congresso Conti-
nental da Filadélfia, mais tarde conhecido como Primeiro 
Congresso Continental. Representantes de quase todas as 
colônias (com exceção da Geórgia) acabaram elaborando 
uma petição ao rei Jorge, protestando contra as medidas. 
O texto redigido em 1774 era moderado, o que mostra 
que a separação não era ainda um consenso. Depois de 
protestar contra as medidas inglesas, os colonos encerra-
ram o documento dizendo que prestavam lealdade a sua 
Majestade. O conservadorismo da elite colonial reunida no 
Congresso não foi suficiente para uma generosa influência 
de Locke no texto enviado ao rei.
A reação inglesa foi ambígua. Ao mesmo tempo em 
que houve tentativas de conceder maiores regalias aos co-
lonos, foi aumentado o número de soldados ingleses na 
américa. Esse incremento da força militar acabou estimu-
lando um inevitável choque entre as forças dos colonos e 
as inglesas. Em Lexington e Concord ocorreram os primei-
ros choques armados.
Em meio ao início de hostilidades deu-se o segundo 
Congresso da Filadélfia. Esse Congresso acabaria reunin-
do todas as colônias, inclusive a resistente Geórgia. Inicial-
mente, apenas renovou seus protestos junto ao rei, que 
acabou se decidindo a declarar as colônias “em rebeldia”.
A opinião dos congressistas estava dividida enquanto 
panfletos como o de thomas Paine, Senso comum ( Com-
mon Sense), pregavam enfaticamente a separação e atri-
buíam ao rei os males das colônias.
Pode parecer contraditório, mas Paine nasceu na In-
glaterra. Entretanto, aos 37 anos, já era um “cidadão do 
mundo” quando chegou à américa, em
85
HISTÓRIA
Mulheres patriotas organizam boicotes a produtos ingleses e incentivam a produção caseira. Na ilustração: as damas da 
Sociedade de Senhoras Patriotas de Edenton, Carolina do Norte, jurando não tomar mais chá até a libertação e defendendo 
a participação feminina na vida política americana.
1774. Filho do dono de uma fábrica de espartilhos, o ativista teve uma vida atribulada e marcada por movimentos po-
líticos. Falido e divorciado, passou nove semanas dentro de um navio até chegar à Pensilvânia. Nos jornais da Pensilvânia, 
adquire fama de escritor “radical”, contrário à escravidão e adepto da independência das colônias.
A 10 de janeiro de 1776, o folheto Senso comum chega às livrarias da Filadélfia. Em meio às agitações políticas do 
inverno de 1776, as cinquenta páginas desse folheto divulgado como anônimo teriam uma importância muito grande, fun-
damental como elemento de propaganda. Suas afirmações foram espalhadas pelas colônias com grande velocidade. Como 
o próprio nome diz, Paine sistematizou um sentimento que era crescente entre os colonos, um senso comum e “bom”; deu 
forma escrita à revolta e corpo às ideias esparsas e aos protestos contra a Inglaterra. Diz o autor:
A Inglaterra é, apesar de tudo, a pátria-mãe, dizem alguns. Sendo assim, mais vergonhosa resulta sua conduta, porque 
nem sequer os animais devoram suas crias nem fazem os selvagens guerra a suas famílias; de modo que esse fato volta-
se ainda mais para a condenação da Inglaterra. [...] Europa é a nossa pátria-mãe, não a Inglaterra. Com efeito, este novo 
continente foi asilo dos amantes perseguidos da liberdade civil e religiosa de qualquer parte da Europa [...] a mesma tirania 
que obrigou aos primeiros imigrantes a deixar o país segue perseguindo seus descendentes.
Firmemente republicano, Paine ataca não só o abuso da monarquia sobre as colônias, mas também a própria mo-
narquia como instituição. A necessidade de uma constituição é ressaltada no folheto. Na visão de Paine, um corpo de leis 
elaborado nas colônias seria o mais lógico e conveniente para a vida dos colonos. Era a hora da separação:
A Europa está separada em muitos reinos para que possa viver muito tempo em paz, e onde quer que estoure uma 
guerra entre a Inglaterra e qualquer potência estrangeira, o comércio da colônia sofre ruínas, por causa de sua conexão com 
a Grã-Bretanha... Tudo o que é justo ou razoável advoga em favor da separação. O sangue dos que caíram e a voz chorosa 
da natureza exclamam: Já é hora de separar-nos! inclusive a distância que o todo-Poderoso colocou entre a Inglaterra e as 
colônias constitui uma prova firme e natural de que a autoridade daquela sobre estas nunca entrou nos desígnios do Céu...
O próprio autor manifestou-se surpreso com o sucesso do seu folheto. Mais tarde, porém, mais vaidoso, afirmava numa 
carta que a importância daquele panfleto foi tanta que, se não tivesse sido publicado, e no momento exato em que o foi, 
o Congresso não teria se reunido ali onde se reuniu. A obra deu à política da américa um rumo que lhe permitiu enfrentar 
a questão.
86
HISTÓRIA
 
A América wasp declara a Independência.
O sucesso dos escritos de Paine está ligado ao que, no início do livro, chamamos de “espírito de Macbeth”. Essa mo-
dernidade política é exatamente a capacidade de separar as partes constitutivas da política como um todo, avaliá-las de 
forma quase abstrata, manipular os conceitos e jogar com eles a favor de um determinado interesse. Paine afirma que “a 
sociedade é produzida por nossas necessidades, o governo por nossa iniquidade”. A Inglaterra é negada em sua condição 
de mãe-pátria por seus erros, pregando o autor a separação.
A 2 de julho de 1776, o Congresso da Filadélfia acaba decidindo-se pela separação e encarrega uma comissão de redi-
gir a declaração da independência. A declaração fica pronta dois dias depois, em 4 de julho.
O teor da declaração de independência é típico desse “pensamento ilustrado”, presente nas colônias no século XVIII. Em 
muitos aspectos, lembra o panfleto de Paine, misturando elementos de pensamento racional com argumentos religiosos.
Thomas Jefferson não é o único, mas é o mais importante autor desse documento.
A consciência de que as colônias inglesas da américa do Norte pretendiam algo inédito – separar-se da metrópole – 
deu aos autores do texto um sentido de importância e majestade, como se as colônias estivessem diante do tribunal do 
mundo:
87
HISTÓRIA
Em 4 de julho de 1776, o Congresso se reuniu na Filadélfia e proclamou, com o apoio da população, o surgimento de 
uma nova nação: os Estados Unidos da América. Na ilustração: O espírito de 1776, de Archibald M. Willard, simboliza a 
Independência.
Quando, no curso dos acontecimentos humanos, torna-se necessário para um povo dissolver o vínculo político que 
o mantinha ligado a outro, e assumir entre as potências da terra a situação separada e igual a que as leis da natureza e o 
deus da natureza lhe dão direito, um decoroso respeito às opiniões da humanidade exige que ele declare as causas que o 
impelem à separação.
Os representantes das colônias, reunidos na Filadélfia, resolveram então explicar ao mundo o que o mundo não tinha 
perguntado: as causas da separação. Para isso, enumeram 27 atitudes da Inglaterra que prejudicaram as colônias. A expli-
cação e a justificativa não se destinavam à “humanidade”, como dizia o texto, mas aos próprios colonos que só pouco antes 
haviam decidido pela separação.
Os problemas que a declaração de independência enumera já são nossos conhecidos: as leis mercantilistas, as guerras 
que prejudicavam os interesses dos colonos, a existência de tropas inglesas que os colonos deviam sustentar etc. A pa-
ciência dos colonos, sua calma e ponderação são destacadas em oposição à posição intransigente e autoritária do rei da 
Inglaterra, no caso, Jorge III.
Interessante que, dentro do sistema parlamentarista inglês, o rei tem menos importância do que o Ministério. As açõescontra os colonos não partiram diretamente de Jorge III, mas dos ministros que pelo Parlamento as impunham à aprova-
ção real. A declaração, no entanto, resolve concentrar seus ataques na figura do rei, tentando, talvez, “criar” um inimigo 
conhecido e fixo.
No último parágrafo, por fim, o rompimento definitivo é anunciado. As colônias declaram-se estados livres e indepen-
dentes, sem qualquer ligação com a Grã-
Bretanha. Invocando a proteção divina, selam a primeira independência das américas.
A declaração foi recebida com entusiasmo por quase todos os colonos. Em Nova York, a estátua do rei Jorge III foi 
derrubada pela população entusiasmada. Em quase todas as colônias houve festas.
Declarar independência era, porém, mais fácil do que lutar por ela. As colônias tiveram que enfrentar uma guerra para 
garantir essa independência diante da Inglaterra. George Washington, fazendeiro da Virgínia, foi nomeado comandante 
das forças rebeldes.
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HISTÓRIA
As hostilidades haviam começado em Lexington e Concord, como dissemos. Foi organizado o Exército Continental, uma 
força regular a cargo de Washington. Porém, a Guerra de independência é também fruto da luta das milícias, grupos mais ou 
menos autônomos de colonos que faziam atos de sabotagem contra o Exército inglês. Nessa época, desenvolve-se uma noção 
muito importante para os Estados Unidos: os minutemen, homens que deveriam estar prontos para defender-se a qualquer 
minuto dos ataques da Inglaterra, sendo os verdadeiros “cidadãos em armas”.
Em decorrência dessa mentalidade, na futura Constituição dos EUA seria garantido o direito ao cidadão de portar armas, 
princípio mantido até hoje. (se na época da guerra contra a Inglaterra essa ideia tinha uma certa validade,
hoje ela é um obstáculo ao desarmamento da população.)
A guerra não foi fácil. Os ingleses enviaram vários generais conceituados como
William Howe, John Burgoyne e Lord Corwallis e tropas apoiadas pela maior marinha
do mundo. Apesar do entusiasmo dos colonos, a experiência e a marinha britânicas pareciam ser obstáculos quase intrans-
poníveis. Os ingleses pagaram ainda uma grande quantidade de mercenários alemães, famosos pela energia de ataque, para 
lutar na américa.
Para piorar a situação dos rebeldes, muitos colonos passaram para o lado dos ingleses, contrários à independência ou 
simplesmente em busca de recompensas imediatas. Houve traições ainda mais graves, como a do general Benedict arnold, que 
levou aos ingleses muitas informações sobre as forças rebeldes. Havia uma parte dos colonos entusiasmada com a causa da 
ruptura. Havia uma parte leal à Coroa Britânica e havia um grande número de colonos absolutamente indiferente aos dois lados.
Um dos fatores que mais uniu os colonos em tomo da causa da independência foi a violência inglesa. Banastre tarleton, 
por exemplo, foi apelidado de açougueiro pelos norte-americanos, pela ferocidade com que matava mulheres e crianças e in-
cendiava aldeias inteiras. Um dos objetivos de tarleton era capturar um gerrilheiro próindependência Francis Murion, apelidado 
de raposa do Pântano. Tarleton morreu com título de Sir na Inglaterra, em 1833. Francis Murion morreu como um respeitado 
patriota na Carolina do Sul, em 1795. Cada um foi herói para o seu país.
A guerra foi uma sucessão de batalhas que ora favoreciam os britânicos, ora os colonos. Vitórias dos colonos – como em sa-
ratoga – permitiram que o embaixador das colônias, Benjamin Franklin, conquistasse em definitivo o apoio espanhol e francês. 
A França enviou exército e marinha, sob o comando do marquês de Lafayette e do general rochambeau. A Holanda também 
aproveitou a guerra para atacar possessões inglesas, ainda que a princípio não reconhecesse a independência das colônias. As 
rivalidades europeias, dessa vez, eram canalizadas a favor dos colonos.
A entrada da França e da Espanha mudou os rumos da guerra. O conflito havia se deslocado para o sul. Em 19 de outu-
bro de 1781, as tropas de colonos e seus aliados obtêm a vitória decisiva em Yorktown na Virgínia. Dois anos após a vitória 
de Washington, em 1783, pelo tratado de Paris, a França recebia o senegal na áfrica e algumas ilhas das antilhas; a Espanha 
recebia a ilha de Minorca no Mediterrâneo e territórios da Flórida. Pela primeira vez na história, um país da Europa reconhecia 
a independência de uma colônia.
OS PAÍS DA PÁTRIA
A tradição política e historiográfica norte-americana elegeu alguns homens como “pais da pátria” ou “pais fundadores”. 
Eles figuram, com rostos felizes, nas também felizes notas de dólar. George Washington e Benjamin Franklin são dois dos 
mais destacados.
89
HISTÓRIA
O povo de Nova York derruba a estátua do rei Jorge III: 
as colônias rompem com antigos símbolos. Logo surgirão 
outros, como os “pais da pátria”.
George Washington era um fazendeiro da Virgínia. 
Lutou nas guerras coloniais e adquiriu fama de bom mi-
litar. Quando a independência aconteceu, tornou-se chefe 
maior das tropas americanas contra as inglesas.
Nascido em 1732, Washington pertencia à elite colo-
nial. A participação dele no Primeiro e segundo Congres-
sos da Filadélfia não é algo estranho. A independência e 
a construção do novo regime republicano foi um projeto 
levado adiante pelas elites das colônias. Escravos, mulheres 
e pobres não são os líderes desse movimento, a indepen-
dência norte-americana é um fenômeno branco, predo-
minantemente masculino e latifundiário ou comerciante. 
Washington é o pai dessa pátria, uma parte da nação que, 
em 1776, identificou-se com a noção de toda a pátria.
Benjamin Franklin foi um dos mais famosos intelectuais 
do século XVIII. Sua imagem é associada com frequência 
ao pára-raio, bibliotecas públicas, corpo de bombeiros e 
outras instituições que, se não foram inteiramente criação 
sua, muito lhe devem.
Nascido em Boston, em 1706, Franklin representa o 
elemento urbano que participou do processo de indepen-
dência.
Franklin foi alimentando ao longo de sua vida ideias 
sobre a liberdade e a democracia. Crítico da escravidão, 
foge do pensamento-padrão dos outros líderes, tendo em 
vista que a escravidão foi um dos elementos em que não 
chegaram as ideias de liberdade pregadas pelos colonos. 
Franklin defendera desde muito cedo a unidade das colô-
nias. Vimos que é de sua autoria o Plano de União de Al-
bany, em 1745. Honesto, trabalhador, Franklin reúne todas 
as condições para tomar-se um “pai da pátria”.
Em 1748, ainda longe do destaque que o movimento 
de independência lhe traria, Franklin dava instruções a um 
jovem aprendiz:
Recorda que tempo é dinheiro... recorda que crédito 
é dinheiro... O dinheiro pode gerar dinheiro e tua prole 
pode gerar mais... O caminho da riqueza depende princi-
palmente de duas palavras: diligência e frugalidade; isto é, 
não desperdices tempo nem dinheiro, mas os emprega da 
melhor maneira possível... Quem ganha tudo o que pode 
honradamente e guarda tudo o que ganha (excetuando os 
gastos necessários), sem dúvida alguma chegará a ser rico, 
se este ser que governa o mundo a quem todos devemos 
pedir a bênção para nossas empresas honestas não deter-
mina o contrário na sua sábia providência.
O bom trabalhador protestante, que envolve deus em 
seus negócios: esse é o retrato que o próprio Franklin tra-
çou de si. Trabalhar de sol a sol, não desperdiçar, poupar e 
acumular, regras franklinianas para um viver feliz. Franklin 
é o pai de outra parte da pátria: os protestantes, dedicados 
a guardar o dinheiro que deus lhes envia em retribuição a 
seus esforços.
E PLURIBUS UNUM
Essa frase em latim significa: “de muitos, um”. Ela foi 
escolhida como lema do novo país e consta em muitos 
símbolos oficiais dos Estados Unidos. Representa o surgi-
mento de um país unificado, nascido de muitas colônias.
Essa unidade, porém, não era tão fácil de ser susten-
tada. A unidade contra os inglesesnão significou em tem-
po algum um sentimento nacional de fato. A ideia de ser 
membro de um país deveria ser construída, e essa constru-
ção não terminaria com a independência.
A bandeira já havia sido escolhida. Tinha 13 listras al-
ternando o vermelho e o branco, cada listra representando 
uma colônia. No canto superior esquerdo, 13 estrelas so-
bre um fundo azul. a primeira foi confeccionada por Betsy 
ross. Cada novo estado que, ao longo da história, foi sendo 
incorporado ao país (hoje são cinquenta) acrescentou uma 
nova estrela nesta área. Como símbolo dos Estados Unidos 
também foi escolhida uma ave: a águia careca, animal típi-
co da américa do Norte. Houve protestos contra a escolha. 
Por incrível que pareça, alguns chegaram a sugerir o peru 
como ave nacional, porque, além de ser também típico da 
américa, era mais sociável e menos agressivo. Prevaleceu 
a águia.
O trabalho de construção de identidade, entretanto, 
seria longo, bem mais complicado do que escolher uma 
ave ou bandeira. Na expressão do historiador norteame-
ricano Joyce appleby ( Inheriting the Revolution), houve 
ainda uma geração inteira que teve que se conscientizar 
de que era americana e absorver os novos valores republi-
canos e de independência. Por meio da análise de muitas 
cartas e biografias da época, Appleby fala de uma geração 
que se viu diante da tarefa de inventar um país na américa.
Pela primeira vez uma colônia ficara independente. 
Devia-se a partir de então criar um país livre com novos 
princípios. A primeira dificuldade era exatamente a exis-
tência não de uma colônia, mas sim de 13. A luta contra 
os ingleses havia unido as 13 colônias. Desaparecido o ini-
migo em comum, restavam os problemas da organização 
política interna.
Para enfrentá-los, Benjamin Franklin havia proposto os 
Artigos de uma Confederação e União Perpétua ainda an-
tes da independência de fato. Com base nesse texto, uma 
comissão passou a elaborar uma Constituição.
A lenta discussão preparatória da Constituição pertur-
bava o andamento de outras medidas. Unidade em torno 
de um governo central forte ou liberdade para as colônias 
agirem de forma mais autônoma? Esse problema fora le-
vantado ainda antes da independência e permaneceu mal 
resolvido até o século XIX, acabando por gerar a Guerra 
Civil americana.
Durante vários meses, a Convenção da Filadélfia dis-
cutiu o texto da nova Constituição. James Madison foi um 
dos mais destacados redatores desse texto. Desde que foi 
submetido ao Congresso, em setembro de 1787, até maio 
de 1790, quando ratificado pelo mesmo Congresso, trans-
correram quase três anos, demonstrando a dificuldade de 
consenso em torno de algumas questões.
De muitas formas, o texto constitucional é inovador. 
Começa invocando o povo e falando dos direitos, inspira-
dos em Locke. A nação americana procurava assentar sua 
base jurídica na ideia de representatividade popular, ainda 
que o conceito de povo fosse, nesse momento, extrema-
mente limitado.
90
HISTÓRIA
Já no início da Constituição encontramos a expressão: “Nós, o povo dos Estados Unidos...”. Quem eram “nós”? Certa-
mente não todos os habitantes das colônias. A maior parte dos “americanos” estava excluída da participação política. O 
processo de independência fora liderado por comerciantes, latifundiários e intelectuais urbanos. Com a Constituição, cada 
estado, por exemplo, tinha a liberdade de organizar suas próprias eleições.
O momento histórico da assinatura da Constituição, na interpretação do artista Howard C. Christy.
O federalismo (autonomia para cada estado) é um conceito que atravessa toda a Constituição. A Constituição criou 
uma república federalista presidencial. O governo de cada colônia (agora estado) procura se equilibrar com o governo 
federal. Além disto, os poderes estão, dentro da tradição ensinada pelo filósofo Montesquieu, divididos em Executivo, 
Legislativo e Judiciário.
Por seu caráter bastante amplo, a carta magna dos Estados Unidos assegurou a sua durabilidade. Ao contrário da pri-
meira Constituição brasileira, de 1824, a norteamericana estabelece princípios gerais e suficientemente vagos para garan-
tirem sua estabilidade e permanência. À suprema Corte dos Estados Unidos iria caber, no futuro, o papel de interpretar a 
Constituição e decidir sobre a constitucionalidade ou não das leis estaduais e das decisões presidenciais.
A eleição de Washington como o primeiro presidente era um fato mais ou menos óbvio. Era o único a contar com apoio 
em quase todos os estados. Um colégio eleitoral, constituído de eleitores por estados, deu maioria de votos a Washington 
e a vice-presidência a John Adams.
AS REPERCUSSÕES DA INDEPÊNDENCIA
O primeiro país atingido pela independência dos Estados Unidos foi a Inglaterra. O rei Jorge III, que vinha tentando uma 
maior concentração de poderes, ficou extremamente desacreditado com a separação das 13 colônias. A derrota inglesa e 
o tratado de Paris abalaram momentaneamente a expansão inglesa.
A França absolutista de Luís XVI também foi atingida. Os soldados franceses que haviam lutado na independência vol-
taram para a Europa com ideias de liberdade e república. Haviam lutado contra uma tirania na américa e, de volta à pátria, 
reencontravam um soberano absoluto. No entanto, só 13 anos depois da independência norte-americana esse germe de 
liberdade frutificará na França.
As despesas do Estado francês com a guerra no além-mar foram elevadas, fazendo o já debilitado tesouro francês 
sofrer bastante. As vantagens obtidas pelo tratado de Paris só supriram parte do déficit. Dessa forma também, a revolução 
americana colaborou para enfraquecer o poder real e desencadear a revolução Francesa.
Para o resto da américa, os Estados Unidos serviriam como exemplo. Uma independência concreta e possível passou 
a ser o grande modelo para as colônias ibéricas que desejavam separar-se das metrópoles. Os princípios iluministas, que 
também influenciavam a américa ibérica, demonstraram
Ser aplicáveis em termos concretos. Soberania popular, resistência à tirania, fim do pacto colonial; tudo isso os Estados 
Unidos mostravam às outras colônias com seu feito.
91
HISTÓRIA
Para os índios, a independência foi negativa, pois, a 
partir dela, aumentou a pressão expansionista dos brancos 
sobre os territórios ocupados pelas tribos indígenas.
Para os negros escravos, foi um ato que em si nada 
representou. Temos notícia de um grande aumento do nú-
mero de fugas durante o período da Guerra de indepen-
dência. Thomas Jefferson declarou que, em 1778, a Virgínia 
perdeu trinta mil escravos pela fuga. No entanto, nem à In-
glaterra (que dependia do trabalho escravo em áreas como 
a Jamaica) nem aos colonos – os sulinos em particular – 
interessavam que a Guerra de independência se transfor-
masse numa guerra social entre escravos e latifundiários, o 
que de fato não ocorreu.
Com todas as suas limitações, o movimento de inde-
pendência significava um fato histórico novo e fundamen-
tal: a promulgação da soberania “popular” como elemento 
suficientemente forte para mudar e derrubar formas esta-
belecidas de governo, e da capacidade, tão inspirada em 
Locke, de romper o elo entre governantes e governados 
quando os primeiros não garantissem
As negociações de paz foram retratadas pelo artista 
Benjamin West, mas os delegados ingleses se recusaram a 
posar para o quadro, que ficou incompleto.
Aos cidadãos seus direitos fundamentais. Existia uma 
firme defesa da liberdade, a princípio limitada, mas que se 
foi estendendo em diversas áreas.
Já nas dez primeiras emendas à Constituição, em 1791, 
os direitos e liberdades individuais são esclarecidos e apro-
fundados. Essas emendas, chamadas Bill of rights, são mui-
tas vezes consideradas mais importantes do que todo o 
texto da Constituição. A Primeira Emenda proíbe que se 
estabeleça uma religiãooficial ou se limite o exercício de 
qualquer religião. A liberdade de expressão e a de impren-
sa são declaradas fundamentais e o povo tem o direito de 
reunir-se pacificamente e fazer petições contra um ato go-
vernamental que não lhe agrade. A segunda Emenda ga-
rante o direito de cada cidadão ao porte de armas. A ter-
ceira trata da proibição de se alojar soldados nas casas sem 
consentimento do proprietário. Outras emendas falam do 
direito ao júri, do direito a um julgamento público e rápido, 
proíbem multas excessivas e penas cruéis, e – no máximo 
do cuidado democrático – a Nona Emenda afirma que to-
dos os direitos garantidos nas emendas não significam que 
outros, não escritos, não sejam válidos também.
Surgia um novo país que, apesar de graves limitações 
aos olhos atuais (permanência da escravidão, falta de voto 
de pobres e de mulheres), causava admiração por ser uma 
das mais avançadas democracias do planeta naquela oca-
sião. Essas realidades encantariam um pensador francês 
em visita aos Estados Unidos no século XIX, alexis de toc-
queville, que, entusiasmado, afirmou:
Há países onde um poder, de certo modo exterior ao 
corpo social, age sobre ele e o força a marchar em certa 
direção. Outros há em que a força é dividida, estando ao 
mesmo tempo situada na sociedade e fora dela. Nada de 
semelhante se vê nos Estados Unidos; ali, a sociedade age 
sozinha e sobre ela própria [...]. O povo reina sobre o mun-
do político americano como deus sobre o universo. É ele a 
causa e o fim de todas as coisas, tudo sai de seu seio e tudo 
se absorve nele.
Entretanto, o mesmo tocqueville, vindo de uma socie-
dade aristocrática, não deixa de tecer críticas à maneira de 
ser da jovem nação. Em passagem venenosa, o autor de-
clara:
Frequentemente observei nos Estados Unidos que não 
é fácil fazer uma pessoa compreender que sua presença 
pode ser dispensada, e as insinuações nem sempre bastam 
para afastá-la. Se contradigo um americano a cada palavra 
que diz, para lhe mostrar que sua conversação me abor-
rece, ele logo se esforça com redobrado ímpeto para me 
convencer; se mantenho um silêncio mortal, ele julga que 
estou meditando profundamente nas verdades que profe-
re; se por fim fujo da sua companhia, ele supõe que algum 
assunto urgente me chama para outro lugar. Esse homem 
nunca compreenderá que me cansa mortalmente, a não ser 
que eu diga, e, assim, a única maneira de me ver livre dele é 
transformá-lo em meu inimigo pela vida inteira.
92
HISTÓRIA
Ilustração da primeira sede do governo americano, o 
Federal Hall, em Nova York. Sobre a fachada em estilo co-
lonial, a águia, símbolo do novo país. No balcão, George 
Washington presta juramento como presidente.
Como vemos, a admiração pela política do novo país 
não era ampliada para a admiração pela conversa dos no-
vos cidadãos. Estava mais uma vez registrada a ambiguida-
de permanente do mundo com relação aos EUA.
Fonte:
KARNAL, Leandro et al. História dos Estados Unidos: 
das origens ao século XXI. Editora Contexto, 2017
A REVOLUÇÃO FRANCESA E A RESTAURAÇÃO 
(O CONGRESSO DE VIENA E A SANTA 
ALIANÇA)
(Do livro: A era das Revoluções: 1789 – 1848, Ed. Paz e 
Terra, pág. 83 a 113, Ano 2003)
Se a economia do mundo do século XIX foi formada 
principalmente sob a influência da revolução industrial 
britânica, sua política e ideologia foram formadas funda-
mentalmente pela Revolução Francesa. A Grã-Bretanha 
forneceu o modelo para as ferrovias e fábricas, o explosivo 
econômico que rompeu com as estruturas socioeconômi-
cas tradicionais do mundo não europeu; mas foi a França 
que fez suas revoluções e a elas deu suas ideias, a ponto de 
bandeiras tricolores de urn tipo ou de outro terem-se tor-
nado o emblema de praticamente todas as nações emer-
gentes, e a política européia (ou mesmo mundial) entre 
1789 e 1917 foi em grande parte a luta a favor e contra os 
princípios de 1789, ou os ainda mais incendiários de 1793. 
A França forneceu o vocabulário e os temas da política li-
beral e radical democrática para a maior parte do mundo. 
A França deu o primeiro grande exemplo, o conceito e o 
vocabulário do nacionalismo. A França forneceu os códi-
gos legais, o modelo de organização técnica e científica e 
o sistema métrico de medidas para a maioria dos países. 
A ideologia do mundo moderno atingiu as antigas civili-
zações que tinham até então resistido as ideias europeias 
inicialmente através da influência francesa. Esta foi a obra 
da Revolução Francesa. (A)
(A) Esta diferença entre as influências britânica e fran-
cesa não deve ser levada muito longe. Nenhum dos dois 
centros da revolução dupla confinou sua influência a qual-
quer campo da atividade humana, e os dois eram antes 
complementares que competitivos. Entretanto, até mesmo 
quando ambos convergiam mais claramente - como no so-
cialismo, que foi quase simultaneamente inventado e bati-
zado nos dois países -, convergiam a partir de direções um 
tanto diferentes.
O final do século XVIII, como vimos, foi uma época de 
crise para os velhos regimes da Europa e seus sistemas 
econômicos, e suas últimas décadas foram cheias de agi-
tações políticas, às vezes chegam do a ponto da revolta, e 
de movimentos coloniais em busca de autonomia, às vezes 
atingindo o ponto da secessão: não só nos EUA (1776-83) 
mas também na Irlanda (1782-4), na Bélgica e em Liège 
(1787-90), na Holanda (1783-7), em Genebra e até mesmo 
- conforme já se discutiu - na Inglaterra (1779). A quanti-
dade de agitações políticas é tão grande que alguns histo-
riadores mais recentes falaram de uma “era da revolução 
democrática”, em que a Revolução Francesa foi apenas um 
exemplo, embora o mais dramático e de maior alcance e 
repercussão. 
Na medida em que a crise do velho regime não foi pu-
ramente um fenômeno francês, há algum peso nestas ob-
servações. Igualmente, pode-se argumentar que a Revolu-
ção Russa de 1917 (que ocupa uma posição de importância 
análoga em nosso século) foi meramente o mais dramático 
de toda uma série de movimentos semelhantes, tais como 
os que - alguns anos antes de 1917 - finalmente puseram 
fim aos antigos impérios turco e chinês. Ainda assim, há 
aí um equívoco. A Revolução Francesa pode não ter sido 
um fenômeno isolado, mas foi muito mais fundamental do 
que os outros fenômenos contemporâneos e suas conse-
quências foram portanto mais profundas. Em primeiro lu-
gar, ela se deu no mais populoso e poderoso Estado da 
Europa (não considerando a Rússia). Em 1789, cerca de um 
em cada cinco europeus era francês. Em segundo lugar, 
ela foi, diferentemente de todas as revoluções que a pre-
cederam e a seguiram, uma revolução social de massa, e 
incomensuravelmente mais radical do que qualquer levan-
te comparável. Não é um fato meramente acidental que os 
revolucionários americanos e os jacobinos britânicos que 
emigraram para a França devido a suas simpatias políticas 
tenham sido vistos como moderados na França. Tom Paine 
era um extremista na Grã-Bretanha e na América; mas em 
Paris ele estava entre os mais moderados dos girondinos. 
Resultaram das revoluções americanas, grosseiramente fa-
lando, países que continuaram a ser o que eram, somente 
sem o controle político dos britânicos, espanhóis e portu-
gueses. O resultado da Revolução Francesa foi que a era de 
Balzac substituiu a era de Mme. Dubarry.
Em terceiro lugar, entre todas as revoluções contem-
porâneas, a Revolução Francesa foi a única ecumênica. 
Seus exércitos partiram para revolucionar o mundo; suas 
ideias de fato o revolucionaram. A revolução americana 
foi um acontecimento crucial na história americana, mas 
(exceto nos países diretamente envolvidos nela ou por 
ela) deixou poucos traços relevantes em outras partes. A 
Revolução Francesa é um marco em todos os países. Suas 
repercussões, ao contrário daquelas da revolução ameri-
cana, ocasionaramos levantes que levaram à libertação 
da América Latina depois de 1808. Sua influência direta se 
espalhou até Bengala, onde Ram Mohan Roy foi inspirado 
por ela a fundar o primeiro movimento de reforma hindu, 
predecessor do moderno nacionalismo indiano. (Quando 
visitou a Inglaterra em 1830, ele insistiu em viajar num na-
vio francês para demonstrar o entusiasmo que tinha pelos 
princípios da Revolução.) A Revolução Francesa foi, como 
se disse bem, “o primeiro grande movimento de ideias da 
cristandade ocidental que teve qualquer efeito real sobre o 
mundo islâmico”’ e isto quase que de imediato. Por volta 
da metade do século XIX, a palavra turca vatan, que até en-
tão simplesmente descrevia o local de nascimento ou a re-
sidência de um homem, tinha começado a se transformar, 
93
HISTÓRIA
sob sua influência, em algo parecido com patrie, o termo 
“liberdade”, antes de 1800 sobretudo uma expressão le-
gal que denotava o oposto de “escravidão”, tinha come-
çado a adquirir um novo conteúdo político. Sua influência 
direta é universal, pois ela forneceu o padrão para todos 
os movimentos revolucionários subseqüentes, suas lições 
(interpretadas segundo o gosto de cada um) tendo sido 
incorporadas ao socialismo e ao comunismo modernos. (B)
(B) Com isto não queremos subestimar a influência da 
revolução americana. Sem dúvida ela ajudou a estimular a 
Revolução Francesa, e, num sentido mais estreito, forne-
ceu modelos constitucionais - competindo e às vezes se al 
ternando com a Revolução Francesa - para vários Estados 
latino-americanos e a inspiração para movimentos demo-
crático-radicais de tempos em tempos.
A Revolução Francesa é assim a revolução do seu tem-
po, e não apenas uma, embora a mais proeminente, do 
seu tipo. E suas origens devem, portanto, ser procuradas 
não meramente em condições gerais da Europa, mas sim 
na situação específica da França. Sua peculiaridade é tal-
vez melhor ilustrada em termos internacionais. Durante 
todo o século XVIII a França foi o maior rival econômico 
da Grã-Bretanha. Seu comércio externo, que se multipli-
cou quatro vezes entre 1720 e 1780, causava ansiedade; 
seu sistema colonial foi em certas áreas (como nas índias 
Ocidentais) mais dinâmico que o britânico. Mesmo assim 
a França não era uma potência como a Grã-Bretanha, cuja 
política externa já era substancialmente determinada pelos 
interesses da expansão capitalista. Ela era a mais poderosa, 
e sob vários aspectos a mais típica, das velhas e aristocráti-
cas monarquias absolutas da Europa. Em outras palavras, o 
conflito entre a estrutura oficial e os interesses estabeleci-
dos do velho regime e as novas forças sociais ascendentes 
era mais agudo na França do que em outras partes.
As novas forças sabiam muito precisamente o que que-
riam. Turgot, o economista fisiocrata, lutou por uma explo-
ração eficiente da terra, por um comércio e uma empresa 
livres, por uma adminis tração eficiente e padronizada de 
um único território nacional homogêneo, pela abolição de 
todas as restrições e desigualdades sociais que impediam 
o desenvolvimento dos recursos nacionais e por uma ad-
ministração e taxação racionais e imparciais. Ainda assim, 
sua tentativa de aplicação desse programa como primeiro-
ministro no período 1774-6 fracassou lamentavelmente, e 
o fracasso é característico. Reformas desse tipo, em doses 
modestas, não eram incompatíveis
com as monarquias absolutas nem tampouco mal re-
cebidas. Pelo contrário, uma vez que as fortaleciam, tive-
ram, como já vimos, uma ampla difusão nessa época en-
tre os chamados “déspotas esclarecidos”. Mas na maioria 
dos países de “despotismo esclarecido” essas reformas ou 
eram inaplicáveis, e portanto meros floreios teóricos, ou 
então improváveis de mudar o caráter geral de suas es-
truturas político-sociais; ou ainda fracassaram em face da 
resistência das aristocracias locais e de outros interesses 
estabelecidos, deixando o país recair em uma versão um 
pouco mais limpa do seu antigo Estado. Na França elas fra-
cassaram mais rapidamente do que em outras partes, pois 
a resistência dos interesses estabelecidos era mais efetiva. 
Mas os resultados deste fracasso foram mais catastróficos 
para a monarquia; e as forças da mudança burguesa eram 
fortes demais para cair na inatividade. Elas simplesmente 
transferiram suas esperanças de uma monarquia esclareci-
da para o povo ou a “nação”.
Não obstante, uma generalização desta ordem não nos 
leva muito longe na compreensão de por que a Revolu-
ção eclodiu quando eclodiu, e por que tomou aquele cur-
so notável. Para isso, é mais útil considerarmos a chamada 
“reação feudal” que realmente forneceu a centelha que fez 
explodir o barril de pólvora da França.
As 400 mil pessoas aproximadamente que, entre os 23 
milhões de franceses, formavam a nobreza, a inquestio-
nável “primeira linha” da nação, embora não tão absolu-
tamente a salvo da intromissão das linhas menores como 
na Prússia e outros lugares, estavam bastante seguras. Elas 
gozavam de consideráveis privilégios, inclusive de isenção 
de vários impostos (mas não de tantos quanto o clero, mais 
bem organizado), e do direito de receber tributos feudais. 
Politicamente sua situação era menos brilhante. A monar-
quia absoluta, conquanto inteiramente aristocrática e até 
mesmo feudal no seu ethos, tinha destituído os nobres de 
sua independência política e responsabilidade e reduzido 
ao mínimo suas velhas instituições representativas “esta-
dos” e parlements. (C)
(C) “estates” no original. Em inglês britânico, a palavra 
estate designa, quer os bens excepcionais que definem um 
“status”, que uma “ordem” ou “classe” social do Antigo Re-
gime (cf. “Terceiro Estado”), quer uma Corte ou Assembleia 
(nesse caso, ao plural, cf. “Os Estados Gerais”) - trata-se 
portanto aqui das Assembleias ou Cortes da Nobreza.
O fato continuou a se agravar entre a mais alta aristo-
cracia e entre a noblesse de robe mais recente, criada pelos 
reis para vários fins, principalmente financeiros e adminis-
trativos; uma classe média governamental enobrecida que 
expressava tanto quanto podia o duplo descontentamento 
dos aristocratas e dos burgueses através das assembleias 
e cortes de justiça remanescentes. Economicamente as 
preocupações dos nobres não eram absolutamente des-
prezíveis. Guerreiros e não profissionais ou empresários 
por nascimento e tradição - nobres eram até mesmo for-
malmente impedidos de exercer um ofício ou profissão 
-, eles dependiam da renda de suas propriedades, ou, se 
pertencessem à minoria privilegiada de grandes nobres ou 
cortesãos, de casamentos milionários, pensões, presentes 
ou sinecuras da corte. Mas os gastos que exigia o status 
de nobre eram grandes e cada vez maiores, e suas rendas 
caíam - já que eram raramente administradores inteligen-
tes de suas fortunas, se é que de alguma forma as conse-
guiam administrar. A inflação tendia a reduzir o valor de 
rendas fixas, como aluguéis.
Era, portanto, natural que os nobres usassem seu bem 
principal, os privilégios reconhecidos. Durante todo o sé-
culo XVIII, na França corno em tantos outros países, eles 
invadiram decididamente os postos oficiais que a monar-
94
HISTÓRIA
quia absoluta preferira preencher com homens da classe 
média, ` politicamente inofensivos e tecnicamente com-
petentes. Por volta da década de 1780, eram necessários 
quatro graus de nobreza até para comprar uma patente no 
exército, todos os bispos eram nobres e até mesmo as in-
tendências, a pedra angular da administração real, tinham 
sido retomadas por eles. Consequentemente, a nobreza 
não só exasperava os sentimentos da classe média por sua 
bem-sucedida competição por postos oficiais, mas tam-
bém corroía o próprio Estado através da crescente tendên-
cia de assumir a administração central e provinciana. De 
maneira semelhante, eles - e especialmente oscavalheiros 
provincianos mais pobres que tinham poucos outros recur-
sos - tentaram neutralizar o declínio de suas rendas usando 
ao máximo seus consideráveis direitos feudais para extor-
quir dinheiro (ou mais raramente, serviço) do campesinato. 
Toda uma profissão, a dos feudistas, E nasceu para reviver 
os direitos obsoletos desse tipo ou então para aumentar ao 
máximo o lucro dos existentes. Seu mais celebrado mem-
bro, Gracchus Babeuf, viria a se tornar o líder da primeira 
revolta comunista da história moderna, em 1796. Conse-
quentemente, a nobreza não só exasperava a classe média 
mas também o campesinato.
A situação desta classe enorme, compreendendo tal-
vez 80% de todos os franceses, estava longe de ser bri-
lhante. De fato, os camponeses eram em geral livres e 
não raros proprietários de terras. Em quantidade efetiva, 
as propriedades nobres cobriam somente 1/5 da terra, as 
propriedades do clero talvez cobrissem outros 6%, com va-
riações regionais? Assim é que na diocese de Montpellier 
os camponeses já possuíam de 38% a 40% da terra, a bur-
guesia de 18% a 19%, os nobres de 15% a 16% e o clero de 
3% a 4%, enquanto 1/5 era de terras comuns. Na verdade, 
entretanto, a grande maioria não tinha terras ou tinha uma 
quantidade insuficiente, deficiência esta aumentada pelo 
atraso técnico dominante; e a fome geral de terra foi inten-
sificada pelo aumento da população. Os tributos feudais, 
os dízimos e as taxas tiravam uma grande e cada vez maior 
proporção da renda do camponês, e a inflação reduzia o 
valor do resto. Pois só a minoria dos camponeses que tinha 
um constante excedente para vendas se beneficiava dos 
preços crescentes; o resto, de uma maneira ou de outra, 
sofria, especialmente em tempos de má colheita, quando 
dominavam os preços de fome. Há pouca dúvida de que 
nos 20 anos que precederam a Revolução a situação dos 
camponeses tenha piorado por essas razões.
Os problemas financeiros da monarquia agravaram o 
quadro. A estrutura fiscal e administrativa do reino era tre-
mendamente obsoleta, e, como vimos, a tentativa de reme-
diar a situação através das reformas de 1774-6 fracassou, 
derrotada pela resistência dos interesses estabelecidos en-
cabeçados pelos parlements. Então a França envolveu-se 
na guerra da independência americana. A vitória contra a 
Inglaterra foi obtida ao custo da bancarrota final, e assim 
a revolução americana pôde proclamar-se a causa direta 
da Revolução Francesa. Vários expedientes foram tentados 
com sucesso cada vez menor, mas sempre longe de uma 
reforma fundamental que, mobilizando a considerável ca-
pacidade tributável do país, pudesse enfrentar uma situa-
ção em que os gastos excediam a renda em pelo menos 
20% e não havia quaisquer possibilidades de economias 
efetivas. Pois embora a extravagância de Versailles tenha 
sido constantemente culpada pela crise, os gastos da corte 
só significavam 6% dos gastos totais em 1788. A guerra, a 
marinha e a diplomacia constituíam 1/4, e metade era con-
sumida pelo serviço da dívida existente. A guerra e a dívida 
- a guerra americana e sua dívida - partiram a espinha da 
monarquia.
A crise do governo deu à aristocracia e aos parlements 
a sua chance. Eles se recusavam a pagar pela crise se seus 
privilégios não fossem estendidos. A primeira brecha no 
fronte do absolutismo foi uma “assembleia de notáveis” 
escolhidos a dedo, mas assim mesmo rebeldes, convocada 
em 1787 para satisfazer as exigências governamentais. A 
segunda e decisiva brecha foi a desesperada decisão de 
convocar os Estados Gerais, a velha assembleia feudal do 
reino, enterrada desde 1614. Assim, a Revolução começou 
como uma tentativa aristocrática de recapturar o Estado. 
Esta tentativa foi mal calculada por duas razões: ela subes-
timou as intenções independentes do “Terceiro Estado” - a 
entidade fictícia destinada a representar todos os que não 
eram nobres nem membros do clero, mas de fato domi-
nada pela classe média - e desprezou a profunda crise 
socioeconômica no meio da qual lançava suas exigências 
políticas.
A Revolução Francesa não foi feita ou liderada por 
um partido ou movimento organizado, no sentido mo-
derno, nem por homens que estivessem tentando levar a 
cabo um programa estruturado. Nem mesmo chegou a 
ter “líderes” do tipo que as revoluções do século XX nos 
têm apresentado, até o surgimento da figura pós-revolu-
cionária de Napoleão. Não obstante, um surpreendente 
consenso de ideias gerais entre um grupo social bastante 
coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade 
efetiva. O grupo era a “burguesia’; suas ideias eram as do 
liberalismo clássico, conforme formuladas pelos “filósofos” 
e “economistas” e difundidas pela maçonaria e associações 
informais. Até este ponto os “filósofos” podem ser, com 
justiça, considerados responsáveis pela Revolução. Ela teria 
ocorrido sem eles; mas eles provavelmente constituíram a 
diferença entre um simples colapso de um velho regime e 
a sua substituição rápida e efetiva por um novo.
Em sua forma mais geral, a ideologia de 1789 era a ma-
çônica, expressa com tão sublime inocência na Flauta Má-
gica de Mozart (1791), uma das primeiras grandes obras de 
arte propagandísticas de uma época em que as mais altas 
realizações artísticas pertenceram tantas vezes à propagan-
da. Mais especificamente, as exigências do burguês foram 
delineadas na famosa Declaração dos Direitos do Homem 
e do Cidadão, de 1789. Este documento é um manifesto 
contra a sociedade hierárquica de privilégios nobres, mas 
não um manifesto a favor de uma sociedade democrática 
e igualitária. “Os homens nascem e vivem livres e iguais 
perante as leis”, dizia seu primeiro artigo; mas ela também 
prevê a existência de distinções sociais, ainda que “somen-
te no terreno da utilidade comum”. A propriedade privada 
era um direito natural, sagrado, inalienável e inviolável. Os 
homens eram iguais perante a lei e as profissões estavam 
95
HISTÓRIA
igualmente abertas ao talento; mas, se a corrida começas-
se sem bandicaps, era igualmente entendido como fato 
consumado que os corredores não terminariam juntos. A 
declaração afirmava (como contrário à hierarquia nobre 
ou absolutismo) que “todos os cidadãos têm o direito de 
colaborar na elaboração das leis”; mas “pessoalmente ou 
através de seus representantes”. E a assembleia represen-
tativa que ela vislumbrava como o órgão fundamental de 
governo não era necessariamente uma assembleia demo-
craticamente eleita, nem o regime nela implícito pretendia 
eliminar os reis. Uma monarquia constitucional baseada 
em uma oligarquia possuidora de terras era mais adequada 
à maioria dos liberais burgueses do que a república demo-
crática que poderia ter parecido uma expressão mais lógica 
de suas aspirações teóricas, embora alguns também advo-
gassem esta causa. Mas, no geral, o burguês liberal clássico 
de 1789 (e o liberal de 1789-1848) não era um democrata 
mas sim um devoto do constitucionalismo, um Estado se-
cular com liberdades civis e garantias para a empresa priva-
da e um governo de contribuintes e proprietários.
Entretanto, oficialmente esse regime expressaria não 
apenas seus interesses de classe, mas também a vontade 
geral do “povo”, que era por sua vez (uma significativa 
identificação) “a nação francesa”. O rei não era mais Luís, 
pela Graça de Deus, Rei de França e Navarra, mas Luís, pela 
Graça de Deus e do direito constitucional do Estado, Rei 
dos franceses. “A fonte de toda a soberania”, dizia a Decla-
ração, “reside essencialmente na nação”. E a nação, confor-
me disse o Abade Sieyès, não reconhecia na terra qualquer 
direito acima do seu próprio e não aceitava qualquer lei ou 
autoridade que não a sua - nem a da humanidade como 
um todo, nem a de outras nações. Sem dúvida, a nação 
francesa, como suas subsequentes imitadoras, não conce-
beu inicialmente que seus interesses pudessemse chocar 
com os de outros povos, mas, pelo contrário, via a si mesma 
como mau~ guradora ou participante de um movimento 
de libertação geral dos povos contra a tirania. Mas de fato 
a rivalidade nacional (por exemplo, a dos homens de negó-
cios franceses com os ingleses) e a subordinação nacional 
(por exemplo, a das nações conquistadas ou libertadas em 
face dos interesses da grande nation) estavam implícitas no 
nacionalismo ao qual a burguesia de 1789 deu sua primeira 
expressão oficial. “O povo” identificado com “a nação” era 
um conceito revolucionário; mais revolucionário do que o 
programa liberal-burguês que pretendia expressá-lo. Mas 
era também uma faca de dois gumes.
Visto que os camponeses e os trabalhadores pobres 
eram analfabetos, politicamente simples ou imaturos, e o 
processo de eleição, indireto, 610 homens, a maioria desse 
tipo, foram eleitos para representar o Terceiro Estado. A 
maioria da assembleia era de advogados que desempenha-
vam um papel econômico importante na França provincia-
na; cerca de 100 representantes eram capitalistas e homens 
de negócios. O Terceiro Estado tinha lutado acirradamente, 
e com sucesso, para obter uma representação tão gran-
de quanto a da nobreza e a do clero juntas, uma ambição 
moderada para um grupo que oficialmente representava 
95% do povo. E agora lutava com igual determinação pelo 
direito de explorar sua maioria potencial de votos, trans-
formando os Estados Gerais numa assembleia de deputa-
dos que votariam individualmente, ao contrário do corpo 
feudal tradicional que deliberava e votava por “ordens” ou 
“estados”, uma situação em que a nobreza e o clero po-
diam sempre derrotar o Terceiro Estado. Foi aí que se deu a 
primeira vitória revolucionária. Cerca de seis semanas após 
a abertura dos Estados Gerais, as Comuns, ansiosos por 
evitar a ação do rei, dos nobres e do clero, constituíram-se 
eles mesmos, e todos os que estavam preparados para se 
juntarem a eles nos termos que ditassem, em Assembleia 
Nacional com o direito de reformar a constituição. Foi fei-
ta uma tentativa contrarrevolucionária que os levou a for-
mular suas exigências praticamente nos termos da Câmara 
dos Comuns inglesa. O absolutismo atingia seus estertores, 
conforme Mirabeau, um brilhante e desacreditado ex-no-
bre, disse ao rei: “Majestade, vós sois um estranho nesta 
assembleia e não tendes o direito de se pronunciar aqui”.
O Terceiro Estado obteve sucesso, contra a resistência 
unificada do rei e das ordens privilegiadas, porque repre-
sentava não apenas as opiniões de uma minoria militante 
e instruída, mas também as de forças bem mais poderosas: 
os trabalhadores pobres das cidades, e especialmente de 
Paris, e em suma, também, o campesinato revolucionário. 
O que transformou uma limitada agitação reformista em 
uma revolução foi o fato de que a conclamação dos Es-
tados Gerais coincidiu com uma profunda crise socioeco-
nômica. Os últimos anos da década de 1780 tinham sido, 
por uma complexidade de razões, um período de grandes 
dificuldades praticamente para todos os ramos da econo-
mia francesa. Uma má safra em 1788 (e 1789) e um inverno 
muito difícil tornaram aguda a crise. As más safras faziam 
sofrer o campesinato, pois significavam que enquanto os 
grandes produtores podiam vender cereais a preços de 
fome, a maioria dos homens em suas insuficientes proprie-
dades tinha provavelmente que se alimentar do trigo reser-
vado para o plantio ou comprar alimentos àqueles preços, 
especialmente nos meses imediatamente anteriores à nova 
safra (maio-julho). Obviamente as más safras faziam sofrer 
também os pobres das cidades, cujo custo de vida - o pão 
era o principal alimento - podia duplicar. Fazia-os sofrer 
ainda mais, porque o empobrecimento do campo reduzia 
o mercado de manufaturas e portanto também produzia 
uma depressão industrial. Os pobres do interior ficavam as-
sim desesperados e envolvidos em distúrbios e banditismo; 
os pobres das cidades ficavam duplamente desesperados, 
já que o trabalho cessava no exato momento em que o 
custo de vida subia vertiginosamente. Em circunstâncias 
normais, teria ocorrido provavelmente pouco mais que agi-
tações cegas. Mas em 1788 e 1789 uma convulsão de gran-
des proporções no reino e uma campanha de propaganda 
e eleição deram ao desespero do povo uma perspectiva 
política. E lhe apresentaram a tremenda e abaladora ideia 
de se libertar da pequena nobreza e da opressão. Um povo 
turbulento se colocava por trás dos deputados do Terceiro 
Estado.
A contrarrevolução transformou um levante de massa 
em potencial em um levante efetivo. Sem dúvida era natu-
ral que o velho regime oferecesse resistência, se necessá-
rio com força armada, embora o exército não fosse mais 
96
HISTÓRIA
totalmente de confiança. (Só sonhadores irrealistas supo-
riam que Luís XVI pudesse ter aceito a derrota e imedia-
tamente se transformado em um monarca constitucional, 
mesmo que ele tivesse sido um homem menos desprezível 
e estúpido do que era, casado com uma mulher menos ir-
responsável e com menos miolos de galinha, e preparado 
para escutar conselheiros menos desastrosos.) De fato a 
contrarrevolução mobilizou contra si as massas de Paris, já 
famintas, desconfiadas e militantes. O resultado mais sen-
sacional de sua mobilização foi a queda da Bastilha, uma 
prisão estatal que simbolizava a autoridade real e onde os 
revolucionários esperavam encontrar armas. Em tempos de 
revolução nada é mais poderoso do que a queda de sím-
bolos. A queda da Bastilha, que fez do 14 de julho a festa 
nacional francesa, ratificou a queda do despotismo e foi 
saudada em todo o mundo como o princípio de libertação. 
Até mesmo o austero filósofo Emanuel Kant, de Koenigs-
berg, de quem se diz que os hábitos eram tão regrados 
que os cidadãos daquela cidade acertavam por ele os seus 
relógios, postergou a hora de seu passeio vespertino ao 
receber a notícia, de modo que convenceu a cidade de 
Koenigsberg de que um fato que sacudiu o mundo tinha 
deveras ocorrido. O que é mais certo é que a queda da 
Bastilha levou a revolução para as cidades provincianas e 
para o campo.
As revoluções camponesas são movimentos vastos, 
disformes, anônimos, mas irresistíveis. O que transformou 
uma epidemia de inquietação camponesa em uma convul-
são irreversível foi a combinação dos levantes das cidades 
provincianas com uma onda de pânico de massa, que se 
espalhou de forma obscura mas rapidamente por grandes 
regiões do país: o chamado Grande Medo (Grande Peur), 
de fins de julho e princípio de agosto de 1789. Três sema-
nas após o 14 de julho, a estrutura social do feudalismo 
rural francês e a máquina estatal da França Real ruíam em 
pedaços. Tudo o que restou do poderio estatal foi uma dis-
persão de regimentos pouco confiáveis, uma Assembleia 
Nacional sem força coercitiva e uma multiplicidade de ad-
ministrações municipais ou provincianas da classe média’ 
que logo montaram “Guardas Nacionais” burguesas se-
guido o modelo de Paris. A classe média e a aristocracia 
imediatamente aceitaram o inevitável: todos os privilégios 
feudais foram oficialmente abolidos embora, quando a si-
tuação política se acalmou, fosse fixado um preço rígido 
para sua remissão. O feudalismo só foi finalmente abolido 
em 1793. No final de agosto, a revolução tinha também 
adquirido seu manifesto formal, a Declaração dos Direitos 
do Homem e do Cidadão. Em contrapartida, o rei resistiu 
com sua costumeira estupidez, e setores revolucionários da 
classe média, amedrontados com as implicações sociais do 
levante de massa, começaram a pensar que era chegada a 
hora do conservadorismo.
Em resumo, a principal forma da política revolucioná-
ria burguesa francesa e de todas as subsequentes estava 
agora bem clara. Esta dramática dança dialética dominaria 
as gerações futuras. Repetidas vezes veremos moderados 
reformadoresda classe média mobilizando as massas con-
tra a resistência obstinada ou a contrarrevolução. Veremos 
as massas indo além dos objetivos dos moderados rumo a 
suas próprias revoluções sociais, e os moderados, por sua 
vez, dividindo-se em um grupo conservador, daí em diante 
fazendo causa comum com os reacionários, e um grupo de 
esquerda, determinado a perseguir o resto dos objetivos 
moderados, ainda não alcançados, com o auxílio das mas-
sas, mesmo com o risco de perder o controle sobre elas. E 
assim por diante, com repetições e variações do modelo 
de resistência - mobilização de massa - inclinação para a 
esquerda - rompimento entre os moderados - inclinação 
para a direita - até que o grosso da classe média passe daí 
em diante para o campo conservador ou seja derrotado 
pela revolução social. Na maioria das revoluções burguesas 
subsequentes, os liberais moderados viriam a retroceder, 
ou transferir-se para a ala conservadora, num estágio bas-
tante inicial. De fato, no século XIX vemos de modo cres-
cente (mais notadamente na Alemanha) que eles se torna-
ram absolutamente relutantes em começar uma revolução, 
por medo de suas incalculáveis consequências, preferindo 
um compromisso com o rei e a aristocracia. A peculiaridade 
da Revolução Francesa é que uma facção da classe mé-
dia liberal estava pronta a continuar revolucionária até o, e 
mesmo além do, limiar da revolução antiburguesa eram os 
jacobinos, cujo nome veio a significar “revolução radical” 
em toda parte.
Por quê? Em parte, é claro, porque a burguesia france-
sa não tinha ainda para temer, como os liberais posteriores, 
a terrível memória da Revolução Francesa. Depois de 1794, 
ficaria claro para os moderados que o regime jacobino ti-
nha levado a revolução longe demais para os objetivos e 
comodidades burgueses, exatamente como ficaria claro 
para os revolucionários que “o sol de 1793”, se fosse nas-
cer de novo, teria que brilhar sobre uma sociedade não 
burguesa. Por outro lado, os jacobinos podiam sustentar 
o radicalismo porque em sua época não existia uma classe 
que pudesse fornecer uma solução social coerente como 
alternativa à deles. Esta classe só surgiu no curso da re-
volução industrial, com o “proletariado” ou, mais precisa-
mente, com as ideologias e movimentos baseados nele. 
Na Revolução Francesa, a classe operária - e mesmo esta 
é uma designação imprópria para a massa de assalariados 
contratados, mas fundamentalmente não industriais - ain-
da não desempenhava qualquer papel independente. Eles 
tinham fome, faziam agitações e talvez sonhassem, mas 
por motivos práticos seguiam os líderes não proletários. O 
campesinato nunca fornece uma alternativa política para 
ninguém; apenas, de acordo com a ocasião, uma força qua-
se irresistível ou um obstáculo quase irremovível. A única 
alternativa para o radicalismo burguês (se excetuarmos 
pequenos grupos de ideólogos ou militantes impotentes 
quando destituídos do apoio das massas) eram os “sans-
culottes”, um movimento disforme, sobretudo urbano, de 
trabalhadores pobres, pequenos artesãos, lojistas, artífices, 
pequenos empresários etc. Os sansculottes eram organiza-
dos, principalmente nas “seções” de Paris e nos clubes po-
líticos locais, e forneciam a principal força de choque da re-
volução - eram eles os verdadeiros manifestantes, agitado-
res, construtores de barricadas. Através de jornalistas como 
Marat e Hébert, através de porta-vozes locais, eles também 
formularam uma política, por trás da qual estava um ideal 
97
HISTÓRIA
social contraditório e vagamente definido, que combinava 
o respeito pela (pequena) propriedade privada com a hos-
tilidade aos ricos, trabalho garantido pelo governo, salários 
e segurança social para o homem pobre, uma democracia 
extremada, de igualdade e de liberdade, localizada e di-
reta. Na verdade, os sansculottes eram um ramo daquela 
importante e universal tendência política que procurava 
expressar os interesses da grande massa de “pequenos ho-
mens” que existia entre os pólos do “burguês” e do “pro-
letário”, frequentemente talvez mais próximos deste do 
que daquele porque eram, afinal, na maioria pobres. Esta 
tendência pode ser observada nos Estados Unidos (sob a 
forma de uma democracia jeffersoniana e jacksoniana, ou 
populismo), na Grã-Bretanha (radicalismo), na França (com 
os antecessores dos futuros “republicanos” e radicais-so-
cialistas), na Itália (com os mazzinianos e os garibaldinos) 
e em toda parte. Na maioria das vezes, ela costumou se 
colocar, nas épocas pós-revolucionárias, como uma ala 
esquerdista do liberalismo da classe média, mas relutante 
em abandonar o antigo princípio de que não há inimigos 
na esquerda, e pronta, em tempos de crise, a se rebelar 
contra “a muralha de dinheiro”, “os monarquistas econô-
micos” ou “a cruz de ouro que crucifica a humanidade”. 
Mas o movimento dos sansculottes também não forneceu 
nenhuma alternativa real. O seu ideal, um passado dourado 
de aldeões e pequenos artesãos ou um futuro dourado de 
pequenos fazendeiros e artífices não perturbados por ban-
queiros e milionários, era irrealizável. A história se movia 
silenciosamente contra eles. O máximo que podiam fazer 
- e isto eles conseguiram em 1793-4 - era erguer obstá-
culos à sua passagem, os quais dificultaram o crescimento 
econômico francês daquela época até quase a atual. De 
fato, o sansculotismo foi um fenômeno tão desamparado 
que seu próprio nome está praticamente esquecido, ou só 
é lembrado como sinônimo do jacobinismo que lhe deu 
liderança no Ano II.
II
Entre 1789 e 1791, a vitoriosa burguesia moderada, 
atuando através do que tinha a esta altura se transforma-
do na Assembleia Constituinte, tomou providências para a 
gigantesca racionalização e reforma da França, que era seu 
objetivo. A maioria dos empreendimentos institucionais 
duradouros da revolução data deste período, assim como 
os seus mais extraordinários resultados internacionais, o 
sistema métrico e a emancipação pioneira dos judeus. Eco-
nomicamente as perspectivas da Assembleia Constituin-
te eram inteiramente liberais: sua política em relação aos 
camponeses era o cerco das terras comuns e o incentivo 
aos empresários rurais; para a classe trabalhadora, a inter-
dição dos sindicatos; para os pequenos artesãos, a abolição 
dos grêmios e corporações. Dava pouca satisfação concre-
ta ao povo comum, exceto, a partir de 1790, com a secula-
rização e venda dos terrenos da Igreja (bem como dos ter-
renos da nobreza emigrante) que tinha a tripla vantagem 
de enfraquecer o clericalismo, fortalecer o empresário rural 
e provinciano e dar a muitos camponeses uma retribuição 
mensurável por suas atividades revolucionárias. A Consti-
tuição de 1791 rechaçou a democracia excessiva através 
de um sistema de monarquia constitucional baseada num 
direito de voto censitário dos “cidadãos ativos” reconhe-
cidamente bastante amplo. Esperava-se que os passivos 
honrassem sua denominação.
Na verdade, isto não aconteceu. Por um lado, a mo-
narquia, embora a esta altura fortemente apoiada por uma 
poderosa facção burguesa ex-revolucionária, não podia se 
conformar com o novo regime. A corte sonhava e conspira-
va por uma cruzada de primos reais que banisse a canalha 
governante de plebeus e restituísse o ungido de Deus, o 
mui católico rei da França, a seu lugar de direito. A Consti-
tuição Civil do Clero (1790), uma má concebida tentativa de 
destruir não a Igreja, mas a lealdade romana absolutista da 
Igreja, levou a maioria do clero e de seus fiéis à oposição, e 
ajudou a levar o rei à desesperada e afinal suicida tentativa 
de fugir do país. Ele foi recapturado em Varennes (junho 
de 1791) e daí em diante o republicanismo tornou-se uma 
força de massa; pois os reis tradicionais que abandonam 
seus povos perdem o direito à lealdade. Por outro lado, a 
incontrolada economia de livre empresa

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