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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO CURSO DE DOUTORADO EM EDUCAÇÃO FORMAÇÃO DOCENTE PROFESSOR JOSÉ AUGUSTO KELSEN ARCÂNGELO FERREIRA E SILVA GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Trad. Daniel Bueno. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. Henry Giroux nasceu em Providence, Estados Unidos, 18 de setembro de 1943. Ministrou no ensino secundário em Barrington, Rhode Island em 1968 por oito anos. Concluiu o doutorado na Universidade Carnegie Mellon (1977) e em 1983 tornou-se professor da educação e renomado estudioso em residência na Universidade de Miami em Oxford, Ohio, onde também atuou como diretor do Centro de Educação e Estudos Culturais. Giroux foi um teórico e crítico da cultura e educação, sendo um dos fundadores da pedagogia crítica nos Estados Unidos, desenvolvendo em paralelo estudo sobre cultura, jovens, ensino superior e público, meios de comunicação e teoria crítica. Enquanto crítico propôs reflexões sobre as teorias educacionais, escola, sobre os docentes e seu papel no processo ensino-aprendizagem, bem como a influência dos mesmos no contexto do relacionamento com os alunos. A obra está estruturada em 16 capítulos assim divididos: 1. Repensando a ligagem da escola; 2. Rumo a uma nova sociologia do currículo; 3. Educação social em sala de aula: a dinâmica do currículo oculto; 4. Superando objetivos behavioristas e humanísticos; 5. Escrita e pensamento crítico nos estudos sociais; 6. A cultura de massa e o surgimento do novo analfabestismo: implicações para a leitura; 7. Pedagogia crítica, política cultural e o discruso da experiência; 8. Cultura, poder e transformação na obra de Paulo Freire: rumo a uma política de educação; 9. Professores com intelectuais transformadores; 10. Estudo curricular e política cultural; 11. A necessidade de estudos culturais; 12. A educação de professores e a política de reforma democrática; 13. Crise e possibilidades na educação; 14. Reproduzindo a reprodução: a política de seleção; 15. Antônio Gramsci: escolarização para uma política radical; 16. Solidariedade, ética e possibilidade na educação crítica. O livro leva docentes, alunos e leitores a um pensar ativo contra a realidade, despertando uma visão crítica do ambiente escola, certo da necessidade de uma união docente em prol de um objetivo macro, uma transformação na educação social. Contrária a um pensamento tendencioso político-conservador imposto à educação, em detrimento aos interesses capitalistas e industriais, a obra faz uma crítica a esse contexto, ao tempo em que defende a independência docente e de alunos numa luta pelo respeito e qualidade nas instituições de ensino. Percebe-se em certos momentos da obra a explicitação do contexto de trabalho docente, o que acaba por remeter à conotação do professor proletarizado apresentado por Contreras em seu livro A Autonomia de Professores. O professor é desvalorizado e controlado em sua atuação profissional, o compromete seu crescimento e comprometimento intelectual, consequência de um sistema dominador que não disponibiliza oportunidades de melhores condições de trabalho. Para Giroux a experiência é relevante no cotidiano da vida do aluno enquanto transformadora da realidade deste. E, nesse ambiente escolar, o professor ver-se como responsável questionador da complexidade de relações culturais e de poder que se entrelaçam no meio social resultado das experiências vividas. Como o próprio autor ressaltar ao tratar da dinâmica do currículo oculto. Enfatiza assim, que o professor enquanto “intelectual” precisa exercer em sua profissão um olhar para educação ativo e crítico, estabelecendo relações com o mundo exterior, de tal forma que o aluno seja induzido a viver socialmente de forma livre, responsável, ativa e crítica. Para tal, o professor precisa romper e transpor barreiras, culturas, pensamentos, assumindo uma posição ativa e reflexiva frente à a sociedade dominante. Portanto, passa a ser papel de professores e alunos encarar a escola longe de uma posição de neutralidade, mas sim com ambiente em constante transformação e construção intelectual e social. Isso reflete que a instituição escola não pode ser vista somente como um ambiente de assuntos, normas, nomes, datas, e fatos históricos, mas também como lugar de discussões acerca dos aspectos econômico, cultural e social com os quais se relaciona numa troca mútua de valores e conhecimentos. O professor, então, na posição de intelectual transformador, conforme ressalta Giroux, tem “o desafio e a necessidade de tornar o pedagógico mais politico e o politico mais pedagógico”. Assim, cabe ao professor a tarefa de inserir e relacionar a escola na esfera politica, apresentando o sistema aos alunos, estimulando-os a um pensamento reflexivo e posicionamento crítico frente à sociedade dominante. Já quando o autor refere-se a tonar o político mais pedagógico, ele ressalta o papel do professor com seu diálogo crítico e reflexivo na luta contra a sociedade dominante, em favor de um mundo mais justo e humano. Cabe ao professor intelectual desperta em seus alunos o pensamento de ser possível uma transformação da realidade educacional, tendo essa como o instrumento capaz de proporcionar tal feito, incentivando seus alunos a se desenvolverem como cidadãos reflexivos e ativos capazes de transformar a realidade. Destarte, Giroux crer na possibilidade de uma mudança social onde a maioria dominada possa desperta e lutar por uma sociedade mais justa e igual. E nesse contexto, insere o professor enquanto indivíduo e profissional capaz de possibilitar aos alunos a liberdade de pensamentos e posicionamento frente ao sistema dominante. É um livro que todo aluno de cursos de mestrado e doutorado necessitam ler, assim como profissionais que cotidianamente interagem e agem nesse ambiente, pela oportunidade que a obra dá de se entender por um olhar mais reflexivo e crítico o papel docente no contexto político e social dominante, como responsáveis diretos pela possibilidade de uma transformação social conduzida por sua atuação no ambiente sala de aula/escola ligado ao papel e ao dever de sensibilizar e incentivar os alunos e outros profissionais para uma luta coletiva contra a opressão e marginalização social dada por uma sistematização alienante do processo educacional.