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www.cers.com.br 1 www.cers.com.br 2 Os primeiros trabalhos sobre vítimas, segundo o professor Marlet (1995), foram de Hans Gross (1901). Somente a partir da década de 1940, com Von Henting e Benjamim Mendelsohn, é que se começou a fazer um estudo sistemático das vítimas. Segundo Molina, a vítima experimentou um secular e deliberado abandono, depois foi drasticamente neutralizada, e chegando ao seu redescobrimento. Sendo assim, pode-se dividir o histórico em três etapas: 1) 2) 3) O Protagonismo ou “idade de ouro”: A neutralização: O redescobrimento: Os estudos vitimológicos permitem o exame do papel desempenhado pelas vítimas no desencadeamento do fato criminal. O iter victimae Através do estudo detalhado das várias classificações das vítimas, poderá haver a obtenção de várias contribui- ções em relação à investigação do crime, à aferição da culpa e a dosimetria da pena. Especialistas do mundo todo contribuíram de forma importante ao formularem as múltiplas classificações de víti- mas. De acordo com Benjamin Mendelsohn as vítimas podem ser classificadas da seguinte maneira: 1. Vítima completamente inocente ou vítima ideal: 2. Vítima de culpabilidade menor ou por ignorância. 3. Vítima voluntária ou tão culpada quanto o infrator. 4. Vítima mais culpada que o infrator. 5. Vítima unicamente culpada. Dentro dessa modalidade, as vítimas são classificadas em: a) Vítima infratora b) Vítima Simuladora c) Vítima imaginária Hans Von Henting conclui a classificação das vítimas da seguinte forma: 1. Vítima isolada: 2. Vítima por proximidade. Este grupo de vítimas subdivide-se em: a) Vítima por proximidade espacial b) Vítima por proximidade familiar c) Vítima por proximidade profissional 3. Vítima com ânimo de lucro. 4. Vítima com ânsia de viver. 5. Vítima agressiva. 6. Vítima sem valor. 7. Vítima pelo estado emocional. 8. Vítima por mudança da fase de existência. 9. Vítima perversa. 10. Vítima alcoólatra. www.cers.com.br 3 Hans Von Henting e a classificação das vítimas (continuação): 11. Vítima Depressiva: 12. Vítima voluntária. 13. Vítima indefesa. 14. Vítima falsa. 15. Vítima imune. 16. Vítima reincidente. 17. Vítima que se converte em autor. 18. Vítima propensa. 19. Vítima resistente. 20. Vítima da natureza. O jurista argentino Walter Raul Sempertegui da uma sugestão de classificação das vítimas: 1. Vítimas incapazes. 2. Vítimas culpáveis. 3. Vítimas delinqüentes. Por fim, de acordo com o professor de Vitimologia Elias Neuman, as vítimas podem ser classificadas em: a) Vítimas individuais: b) Vítimas familiares: c) Vítimas coletivas: d) Vítimas da sociedade e do sistema social: CONCLUSÃO: Se torna incontestável que em inúmeras ocasiões, se não houvesse a efetiva participação da vítima de alguma forma, não ocorreria o delito, pois, através das várias classificações das vítimas, elas contribuem em vários casos para que se verifique a eclosão de um crime. São objetos da Vitimologia: a) estudo da personalidade da vítima, tanto vítima de delinquente, ou vítima de outros fatores, como consequência de suas inclinações subconscientes. São objetos da Vitimologia: b) descobrimento dos elementos psíquicos do "complexo criminógeno" existente na "dupla penal", que determina a aproximação entre a vítima e o criminoso (quer dizer: "o potencial de receptividade vitimal”). objetos da Vitimologia: c) análise da personalidade das vítimas sem intervenção de um terceiro - estudo que tem mais alcance do que o feito pela criminologia, pois abrange assuntos tão diferentes como os suicídios e os acientes de trabalho. d) estudo dos meios de identificação dos indivíduos com tendência a se tornarem vítimas. e) importância busca dos meios de tratamento curativo, a fim de prevenir a recidiva da vítima. www.cers.com.br 4 (PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/SC)Enquanto a criminologia pode ser identificada como a ciência que se dedi- ca ao estudo do crime, do criminoso e dos fatores da criminalidade, a vitimologia tem por objeto o estudo da vítima e de suas peculiaridades, sendo considerada por alguns autores como ciência autônoma. a) Certo b) Errado a) Certo A Vitimologia em si é uma ciência que estuda o papel da vítima no crime, trazendo uma posição de equilíbrio, colocando a vítima no local central do crime e não o réu, obviamente respeitando todos os seus direitos e garanti- as. Relevante mencionar os aspectos que circundam a vítima, denominados de vitimização primária, secundária e terciária. A primeira decorre do delito, a segunda do strepitus judicii (processo), e a terceira e última fase, da estigmatização e abandono que certos delitos trazem as suas vítimas. a) Vitimização primária: trata-se daquela que é causada pela prática do delito, pela conduta do agente que viola os direitos da vítima, causando-lhe danos de diversos tipos, como físicos, psicológicos e materiais, ocasionando in- clusive, modificações nos hábitos e mudanças de conduta da vítima b) Vitimização secundária: este processo de vitimização também é denominado de sobrevitimização. Decorre do tratamento que é dado à vítima pelos órgãos de controle social formal da criminalidade, tais como polícia ou Poder Judiciário c) Vitimização terciária: trata-se do isolamento da vítima e também do abandono que esta sofre por sua própria comunidade. "A vitimização terciária vem da falta de amparo dos órgãos públicos ( além das instâncias de controle) e da au- sência de receptividade social em relação á vítima. Especialmente diante de certos delitos considerados estigma- tizadores, que deixam sequelas graves, a vítima experimenta o abandono não só por parte do Estado, mas, mui- tas vezes, também por parte do seu próprio grupo social. Esta terceira etapa da vitimização, que se distingue da vitimização secundária, merece um estudo específico, pois só a partir de seu dimensionamento e compreensão poderão surgir alternativas". OLIVEIRA, Ana Sofia Schmidt de. A vítima e o Direito Penal. São Paulo: RT 1999. Pág. 114.. Vitimização primária: Vitimização secundária: Vitimização terciária: Sobre o estudo da vitimologia, assinale a alternativa correta. a) Por razões históricas, a vítima é estudada em primeiro plano antes mesmo do criminoso b) Até 1949, existia uma grande quantidade de trabalhos sobre criminologia que tratavam da vítima. c) A influência da Escola Clássica leva a sociedade a se preocupar mais com a vítima do que com o criminoso. d) A Criminologia Clássica estuda as principais do aumento da criminalidade pela vitimologia. e) Os estudos vitimológicos permitem o exame do papel desempenhado pelas vítimas no desencadeamento do fato criminal. e) Os estudos vitimológicos permitem o exame do papel desempenhado pelas vítimas no desencadeamento do fato criminal. Os objetos de estudo da moderna criminologia estão divididos em a) três vertentes: justiça criminal, delinquente e vítima. b) três vertentes: política criminal, delito e delinquente. c) três vertentes: política criminal, delinquente e pena. d) quatro vertentes: delito, delinquente, justiça criminal e pena. e) quatro vertentes: delito, delinquente, vítima e controle social. e) quatro vertentes: delito, delinquente, vítima e controle social. www.cers.com.br 5 Atenção! a) “vitimização indireta”: que se trata do sofrimento das pessoas que estão relacionadas int imamente à vítima de um delito b) Heterovitimização: é autorecriminação da vítima – pelo crime busca razões que poderiam responsabilizar pelaprática delituosa CIFRAS A prática de uma infração penal e, da mesma forma, o seu estabelecimento no diapasão do conhecimento social é diretamente relacionada com a valoração e reação social que o ato criminoso desencadeia no âmbito coletivo. O sociólogo Edwin Sutherland, a partir da Teoria da Associação Diferencial, enfatiza a definição de cifra negra e os seus subtipos. “(…), também a vítima é julgada”, independente do resultado processual ela será estigmatizada ou responsabili- zada em parte pelo fato criminoso em um desencadeamento social. Cifras criminais da Criminologia: Conceitos importantes: A estatística criminal é uma grande ilusão, pois foi demonstrada a existência de dois dados que devem ser com- preendidos, que são as noções de Cifra Negra e a Cifra Dourada da Criminalidade. A criminalidade legal: A criminalidade oculta: A cifra negra: A cifra negra representa os casos que não chegam ao conhecimento das autoridades públicas, demonstrando que os níveis de criminalidade são maiores do que aqueles oficialmente registrados. www.cers.com.br 6 Essa ocultação, por vezes anteposta pela próprio sujeito passivo, denota um caráter de vitimização atrelado a um contexto cultural socialmente aceito. Assim, as cifras do Direito Penal próprias dos coletivos de tipificações estão diretamente relacionadas à conotação da vítima como próprio indivíduo portador de um ricochete social. Vitimização secundária e a cifra negra Cumpre questionar a inércia da vítima quanto ao ajuizamento em delatar os fatos para, por consequência, ser iniciada a persecução penal. A vitimização secundária como estudo da criminologia responde essa indagação, ao estabelecer que a vítima se entrega à incredulidade, desacreditando nos órgãos componentes do sistema penal. As cifras douradas da criminalidade: A Cifra Dourada é a idéia de que nós vamos ter um universo de crimes praticados por pessoas de alta condição financeira que é ignorado Cifras Cinzas Cifras Amarelas CIFRA AMARELA Quando o crime é praticado pelo Estado contra a sociedade Cifras Verdes A cifra verde, examinada como os crimes ambientais, é um exemplo nítido de atos praticados que desenvolvem ínfima reação social. Cifra Rosa Entende-se por sobrevitimização a) a vitimização secundária, a qual consiste em sofrimento causado à vítima pelas instâncias formais da justiça criminal. b) a vitimização secundária, a qual consiste em efeitos decorrentes do crime, como, por exemplo, o dano patrimo- nial, físico e moral sofridos pela vítima, como consequência do crime c) a vitimização primária, a qual consiste em discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito. d) a vitimização primária, a qual consiste em efeitos decorrentes do crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos pela vítima, como consequência do crime. e) a vitimização terciária, a qual consiste em discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito. a) a vitimização secundária, a qual consiste em sofrimento causado à vítima pelas instâncias formais da justiça criminal. O CONTROLE SOCIAL Agora vamos trabalhar as vertentes sociológicas da criminologia A “paternidade” científica da expressão Controle Social pertence ao sociólogo americano EDWARD ROSS, quem a utilizou pela primeira vez como categoria enfocada nos problemas de ordem e a organização social, na busca de uma estabilidade social integrada resultante de uma acepção de valores únicos e uniformes e um conglomerado. O professor Sérgio Salomão Shecaira define controle social como “o conjunto de mecanismos e sanções sociais que pretendem submeter o indivíduo aos modelos e normas comunitários”. www.cers.com.br 7 Chamamos de controle social o conjunto de mecanismos e sanções sociais que pretendem submeter o indivíduo aos modelos e normas comunitários. Controle social formal: mecanismos de controle oficiais, atuação do aparelho político do Estado (polícia, a Justiça, a Administração Peni- tenciária, o Ministério Público, o Exército entre outros). Controle social informal: mecanismos de controle casuais. Tem como agentes a família, escola, profissão, a religião, opinião pública, entre outros. O controle social formal é muito inferior ao controle exercido pela sociedade civil. Isso é muito bem visto em uma comparação da criminalidade entre os grandes e pequenos centros urbanos. Consta-se que nestes, onde o controle social informal é mais efetivo e presente, o número da criminalidade é bem menor do que nos grandes centros. Dentre os controles sociais formais, o Direito Penal só atua quando todos os outros meios não atuarem, pois, só deve se preocupar com os bens jurídicos mais importantes. Dentro desta moldura sociológica, dois subgrupos aparecem: as teorias do consenso e as teorias do conflito. As Teorias macrossociológicas da criminalidade Para as teorias do consenso, a finalidade da sociedade é atingida quando suas instituições obtêm perfeito funcio- namento, os cidadãos aceitam as regras vigentes e compartilham as regras sociais dominantes. Já para a teoria do conflito, a ordem na sociedade é fundada na força e na coerção, ou seja, na dominação por alguns e obediência de outros. Considerando as principais teorias macrossociológicas podemos as dividir nos seguintes grupos: 1) Teorias do Consenso: 2) Teorias do Conflito Social: Escola de Chicago A Escola de Chicago foi o berço da sociologia americana nos anos 30, tendo como objeto de estudo a cidade co- mo ente vivo capaz de influenciar as condutas criminosas. Veio em franca oposição ao Positivismo, tentando trazer um novo marco, novas problemáticas e novos olhares em relação à criminalidade. A atenção da Escola não é com o criminoso em si, nem com a sua motivação para o crime. www.cers.com.br 8 Também não há preocupação com estudos anatômicos sob o argumento de que existem aspectos mais relevan- tes a serem estudados. Como, por exemplo, o crescimento urbano das grandes cidades, na qual a vida das pessoas é diferente, e preci- sam de um conjunto de valores e práticas distintas das zonas rurais, pois os delitos são diferentes, motivo pelo qual a forma de prevenção dos mesmos também deve ser diferente. Escola de Chicago Teoria pertencente ao grupo das teorias do consenso, surgiu no início do século XX por meio de membros do Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago. RESUMO: Histórico A Universidade de Chicago foi fundada em 1890, a partir principalmente de investimentos de John Rockefeller. Foi a primeira universidade norte-americana a ter um departamento de sociologia e foi chamada de Escola de Chicago por Luther Bernard, em 1930. Na época da fundação da universidade, Chicago era a terceira maior cidade dos Estados Unidos e experimentava a continuidade de tal crescimento, com a expansão da indústria, redução da taxa de mortalidade, mudanças nas relações de produção e significativa chegada de imigrantes europeus e de outras regiões norte-americanas, o que ocasionava um grande déficit na oferta de vagas de empresa e também na área habitacional. Este contexto acabava por proporcionar ambiente propício para o aumento dos conflitos sociais, consequente- mente, do crime e sua repressão. Com a formação da Escola de Chicago inaugura-se um novo campo de pesquisa sociológica, centrado exclusiva- mente nos fenômenos urbanos, que levará à constituição da chamada Sociologia Urbana como ramo de estudos especializados.ESCOLA DE CHICAGO Apresentava 3 postulados: A) B) C) A ESCOLA DE CHICAGO apresenta como objeto de estudo: a) b) c) As Cidades apresentam as seguintes características: A) B) C) Todos esses problemas sociais se converteram nos principais objetos de pesquisa para os sociólogos da Escola de Chicago. O mais importante a destacar é que os estudos dos problemas sociais estimularam a elaboração de novas teorias e conceitos sociológicos, além de novos procedimentos metodológicos www.cers.com.br 9 Dentro da perspectiva da Escola de Chicago, a compreensão do crime sistematiza-se a partir da observação de que a gênese delitiva relacionava-se diretamente com o conglomerado urbano O conceito de ecologia humana serviu de base para o estudo do comportamento humano, tendo como referência a posição dos indivíduos no meio social urbano. CONCEITO Ecologia humana Robert Ezra Park, considerado o grande ícone e precursor dos estudos urbanos, Ernest Watson Burgess e Rode- rick Duncan McKenzie elaboraram o conceito de "ecologia humana", a fim de sustentar teoricamente os estudos de sociologia urbana. ECOLOGIA HUMANA: A cidade, vista como um amplo e complexo "laboratório social", as pesquisas sociológicas foram marcadas pelo uso sistemático dos métodos empíricos. A Escola de Chicago parte de uma análise sobre a expansão das cidades e suas modificações sob o efeito da industrialização, representando um contexto dentro do qual são visíveis novos fenômenos sociais, que abarcam desde mudanças nas ordens econômica, demográfica e espacial, até alterações dos costumes, e também das formas de interação e de controle social. É desse turbilhão que emerge um novo ambiente que, marcado por grandes desigualdades, apresenta-se propício ao surgimento de desvios de conduta, muitos deles caracterizados como “crimes”.