Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
 
VISITE A BASTTER.COM E APRENDA MUITO MAIS SOBRE OPÇÕES 
ÁREA DE OPÇÕES DA BASTTER.COM 
2 
 
SUMARIO 
CAPÍTULO I 
PARA QUE SERVEM AS OPÇÕES 3 
CAPÍTULO II 
O QUE SÃO E COMO FUNCIONAM AS OPÇÕES 9 
CAPÍTULO III 
ENTENDENDO O TEMPO E A DISTÂNCIA 27 
CAPÍTULO IV 
O VALOR DE EXPECTATIVA DAS OPÇÕES (VE) 45 
CAPÍTULO V 
É FÁCIL COMPREENDER A VOLATILIDADE 59 
CAPÍTULO VI 
OPÇÕES NO BRASIL 67 
CAPÍTULO VII 
COMECE PELA VENDA COBERTA 74 
CAPÍTULO VIII 
AS RARAS OPORTUNIDADES DE COMPRA 110 
CAPÍTULO IX 
OPERANDO COM O TEMPO A FAVOR 120 
CAPÍTULO X 
PLANEJAMENTO 140 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
CAPÍTULO I 
PARA QUE SERVEM AS OPÇÕES 
 
 
 
 
O que Fazer na Bolsa de Valores? 
Antes de entrar nas opções propriamente ditas, vamos dissertar 
sobre o pequeno investidor na bolsa de valores. E porque isso? 
Porque há uma relação das opções com as ações, já que operamos na 
bolsa de valores notadamente opções de ações que são as que serão 
tratadas neste livro. 
A bolsa de valores tem uma grande utilidade para o pequeno 
investidor, que é possibilitar a poupança e acúmulo de capital 
através da compra de ações de boas empresas como sócio. Não 
vamos abordar aqui a compra de ações e como montar uma carteira 
de ações, que é tema outros livros meus, mas apenas falar de ações 
quando da sua relação com as opções. 
Não importa o instrumento utilizado, o que é fundamental é 
perceber que a riqueza vem do acumulo de capital proveniente do 
trabalho e de se beneficiar dos juros sobre este dinheiro e não do 
giro. Tratamos de algumas formas de operações mais avançadas 
com opções, mas mesmo quem for por este caminho deve saber que 
o objetivo é ter lucro nestas operações, para com o lucro comprar 
investimentos como ações de empresas boas, FIIs, tesouro direto, 
imóveis, etc., para ir construindo seu capital. 
No caso das ações, ter uma carteira de boas empresas, realizar 
compras mensais e reaplicar dividendos são iniciativas que podem 
fazer com que se acumule um capital expressivo ao longo dos anos. 
A bolsa de valores serve então ao pequeno investidor como um local 
para se tornar sócio de boas empresas e receber parte dos lucros 
destas empresas (dividendos), reaplicar este lucro e ir aumentando 
seu capital, capital este que produzirá renda para que ele possa se 
aposentar e/ou viver em paz sem pressão financeira. 
4 
 
 
Eu sou Obrigado a Operar Opções? 
Não, ninguém precisa operar opções para vencer na bolsa. O 
pequeno investidor pessoa física pode acumular ações de boas 
empresas, reaplicar dividendos, fazer compras mensais e no longo 
prazo acumular um belo capital sem nunca operar opções. 
Muitos passaram pelo mercado e tiveram bons resultados sem 
nunca saber o que são opções. Entretanto, as opções podem ser um 
fator adicional interessante para o crescimento da sua carteira de 
ações. 
Vantagens de Operar Opções 
O caminho do pequeno investidor na bolsa é acumular ações de boas 
empresas. Mas este caminho não é tão simples quanto parece. 
Primeiro é necessário perseverar, o início muitas vezes não é fácil. 
Os juros compostos demoram alguns anos para agir 
substancialmente e a bolsa cai. Sim, a bolsa cai e as vezes cai muito e 
por períodos longos e o pequeno investidor inexperiente, vendo seu 
capital diminuir, fica inseguro e guiado por movimentos de pânico, 
acaba por vender suas ações na baixa, no fundo, após queda do 
mercado, o maior erro que um sócio de boas empresas pode 
cometer. 
Um investidor que remunera sua carteira com opções, pode 
conseguir, se operar pequeno, com risco controlado, comprar mais 
ações durante a queda com o ganho nas vendas de opções e com isso 
suportar melhor a pressão psicológica dos períodos de queda. Mas 
tome muito cuidado aqui, não é para defender queda com opções e a 
ambição de ganhar grandes somas pode levar a enormes prejuízos 
nos fortes repiques que ocorrem nestes períodos. Muito cuidado se 
a volatilidade do mercado estiver explosiva. 
Não deixa de ser uma vantagem a possibilidade de comprar mais 
ações com as vendas de opções sobre a carteira de ação, mas isso, 
diferentemente do que muitos pensam, não é garantido, como nada 
é na bolsa. De qualquer forma, quando bem feito, sem grandes 
ambições, e com o intuito de alimentar sua carteira de ações, é uma 
5 
 
vantagem enorme e pode potencializar substancialmente os juros 
compostos da sua carteira de ações. 
Além disso, as opções são bem fáceis de operar. Quem estuda e 
trabalha direito, sem ilusões de riqueza fácil, quem se preocupa em 
se desenvolver como operador tem nas opções um forte aliado para 
se tornar um operador melhor. Não é complicado montar planos 
completos para operações com opções que incluem inclusive o 
máximo que se pode perder na operação se tudo der errado (risco 
máximo) e isso permite que se treine e se desenvolva como um bom 
operador de bolsa, o que é necessário para vencer mesmo que seja 
apenas comprando ações e reaplicando dividendos. 
Uma boa forma de aprendizado é ir ao nosso Grupo de Opções e 
simular operações. O pessoal comenta e você vai aprendendo. 
Quando falamos em venda de opções estamos quase sempre falando 
em Venda de VE ou Valor Extrínseco (vai ser explicado mais a frente 
em detalhes). Opções não são ativos direcionais e não servem para 
trades direcionais. Veremos isso mais a frente também. 
 
O que Fazer com as Opções? 
Há diversos tipos de estratégias, métodos e operações a serem feitas 
com opções e alguns serão explicados e exemplificados em detalhes 
nos capítulos seguintes. Basicamente podemos classificar em três 
grupos: 
 
1) Compra e Venda ‘a Seco’ de Opções 
Consiste da compra ou venda de opções “a seco” isto é, uma opção 
isolada para tentar ter lucro com a alta ou a queda de valor da 
opção. A compra de opção a seco pode ser usada em raras 
circunstâncias que vamos detalhar mais a frente no livro. A venda “a 
seco” de opções tem risco ilimitado e não deve ser utilizada a não 
ser com um seguro (trava) que determina o risco máximo da 
operação. O trade direcional com opções, tentando obter lucro 
seguindo a variação da ação não faz o menor sentido, pois opções 
não são ativos puramente direcionais, como ações e futuros. 
Veremos isso em detalhes mais a frente. 
6 
 
Esta é a modalidade mais comum e por onde a maioria dos 
iniciantes normalmente começa, infelizmente. É também a mais 
destruidora. É bem difícil que especialmente amadores tenham 
sucesso nestas modalidades no longo prazo. E na venda descoberta 
de opções além de não obter sucesso há o risco de quebrar pois lida 
com risco ilimitado. 
 
2) Venda Coberta 
São operações em que se vende opções de compra sobre a carteira 
de ações. O objetivo é remunerar a carteira de ações com esta venda 
e com o possível lucro da venda comprar mais ações. É uma 
operação bem simples com risco limitado que veremos em detalhes 
nos capítulos seguintes. Há duas variações que veremos também 
que é a Venda Coberta com seguro (VSEG), que diminui o risco da 
operação obviamente incluindo um custo e a Venda Coberta sem a 
ação (VCSA) que é semelhante a VSEG mas sem possuir a ação. 
Vamos ver tudo em detalhes mais a frente 
Há outra modalidade de venda coberta que é a chamada operação 
de taxa. Nesta modalidade, a intenção não é remunerar uma carteira 
de ações e comprar mais ações, mas apenas remunerar capital, 
obtendo uma renda sobre o investimento feito, utilizando a ação e 
as opções para tanto. Esta modalidade deve ser usada apenas pelos 
que tem mais capital eexperiência. 
 
3) Travas 
São operações combinadas com opções em que normalmente se 
compra uma opção e se vende outra (Travas simples) ou se monta 
operações mais complexas utilizando mais de duas opções 
diferentes (Travas complexas como Operações Alvo ou Operações 
de Volatilidade). 
Nesta modalidade, diferente das operações a seco, mais de uma 
opção é envolvida, mas o risco é limitado desde que a soma de 
opções compradas menos vendidas seja zero ou positiva. São 
operações mais avançadas que requerem um conhecimento e 
7 
 
experiência maior com opções e devem ser utilizadas somente 
quando se tiver mais experiência com opções. 
O que vemos, na prática, infelizmente é que muitos iniciantes 
desiludidos com a compra e venda a seco encontram nas travas a 
solução para suas esperanças irreais de enriquecimento fácil usando 
as opções. Será apenas mais uma desilusão. Apesar de serem 
operações muitas vezes interessantes e poderem produzir bons 
resultados, não são nenhuma mágica. Acima de tudo não são 
operações direcionais, para tentar ganhar a alta ou a queda da ação, 
são novamente, Vendas de VE. 
 
 
Mas Afinal, Para que Servem as Opções? 
Para o pequeno investidor, a grande utilidade das opções é comprar 
mais ações ou outros investimentos. O objetivo do pequeno 
investidor na bolsa deve ser montar uma carteira de ações de 
empresas boas. Como se pode alimentar esta carteira? Basicamente 
com compras periódicas com parte da poupança do dinheiro 
proveniente do seu trabalho, e com a reaplicação dos proventos 
(dividendos, etc.). As opções poderiam ser utilizadas para acelerar 
este processo, potencializando os juros compostos de sua carteira 
de ações. No longo prazo, se bem feito, isso iria fazer com que uma 
carteira de ações bem maior fosse produzida e a tranqüilidade 
financeira fosse alcançada em menos tempo. Na teoria é fácil, mas 
na prática a maioria se enrola, tem grandes prejuízos pelo caminho 
e termina diminuindo a carteira ao invés de aumentar. Não foi a toa 
que escrevi Opere Pequeno 138 vezes no meu primeiro livro de 
opções. 
É importante que o pequeno investidor que for operar opções não 
perca o foco que é montar uma carteira de ações de boas empresas 
com parte de sua poupança de longo prazo, para ir aumentando seu 
capital e um dia poder ter uma tranqüilidade financeira que lhe 
permita ter uma vida melhor. É muito comum as opções tomarem 
todo o tempo do pequeno investidor e passarem a ser o seu grande 
objetivo no mercado e, pior, às vezes até na vida. 
8 
 
As opções têm uma capacidade incrível de tomar conta da vida do 
operador e ele ficar totalmente viciado e se preocupando somente 
com elas. Isso acontece quando se esquece do objetivo principal que 
é acumular patrimônio e se é envolvido pela fantasia do lucro fácil e 
rápido. Mantendo o foco no interesse principal, que é a carteira de 
ações, não importa o tipo de operação que se esteja fazendo, as 
opções podem ser utilizadas com risco controlado, sem tirar a 
harmonia da vida do operador, e com um grande potencial de ser 
um coadjuvante do seu investimento em ações e do seu acumulo de 
capital de longo prazo. 
Veremos durante o livro como fazer isso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
CAPÍTULO II 
O QUE SÃO E COMO FUNCIONAM AS OPÇÕES 
 
O que são Opções? 
 
Opções são direitos que são negociados no mercado. Vamos a um 
exemplo simples: 
Paulo gosta muito do carro de João e quer comprá-lo. Estamos em 
Janeiro e Paulo só irá receber dinheiro suficiente para comprar o 
carro de João em março, dois meses depois. Mas João fala para 
Paulo: “se aparecer um comprador, eu vou ter de vender”. 
Paulo quer muito o carro. Por outro lado, ele não tem dinheiro para 
comprar agora. Pensando no assunto, surge uma ideia: 
Paulo faz a seguinte proposta para João: 
 - Você quer vender seu carro por 20 mil reais. Proponho o 
seguinte: Pago 500 reais pelo direito de comprar seu carro por 20 
mil reais até o dia 31 de março deste ano. Se até esta data eu não 
comprar seu carro, você pode vender para quem quiser, está livre 
da obrigação. Mas até o dia 31 de março você esta preso ao contrato 
que te obriga a me vender o carro por 20 mil reais, para tanto vou 
te pagar os 500 reais. 
 
João aceita a proposta e agora vamos destrinchar isso: 
1. O Ativo a ser negociado é o Carro do João 
2. Preço do carro no mercado neste momento é de 20 mil reais 
3. Preço do “direito” (também chamado de prêmio, pois é o 
prêmio que João irá receber para se colocar na obrigação de 
vender o carro) que Paulo está comprando de João, é de 500 
reais 
4. Data em que o direito expira = 31 de março 
Mas o que quer dizer esta salada? 
10 
 
Paulo comprou por 500 reais uma opção de compra do carro de 
João, de preço de exercício de 20 mil reais, com data de exercício 
(vencimento) em 31 de março. 
Paulo pagou 500 reais pelo DIREITO de comprar o carro de João a 
20 mil reais até o dia 31 de março. João vendeu o direito, se 
colocando na obrigação de vender o carro para Paulo por 20 mil 
reais até o dia 31 de março. Para se colocar nesta obrigação, ele 
recebeu 500 reais. Não importa o que aconteça, estes 500 reais são 
dele, porque os 500 reais ele recebeu pela venda do direito e não 
pela venda do carro. 
Mas qual é a razão por trás disso tudo? 
Paulo deseja o carro e acha que o preço do carro em 20 mil reais é 
um bom negócio então para ele pode ser vantajoso gastar 500 reais 
para garantir a compra a este preço até a data em que ele vai ter o 
dinheiro para comprar o carro. 
João vai vender o carro de qualquer forma, mas se ele não tiver 
pressa de vender, recebendo 500 reais, ele garantiu mais 2,5% na 
venda do carro, sendo que se Paulo desistir da compra, após o dia 
31 de março ele não tem mais obrigação de vender o carro para 
Paulo e os 500 reais ficam para ele. 
Agora vamos transformar isso em opcionês ou a linguagem das 
opções: 
As opções têm as seguintes características 
1. Ativo subjacente – ativo do qual deriva a opção 
2. Preço de exercício – preço pelo qual o ativo adjacente será 
negociado se a opção for exercida 
3. Data de vencimento – data a partir da qual a opção deixa de 
valer e existir se não for exercida 
Então vamos lá: 
O ativo subjacente é o Carro do João. A opção de compra que Paulo 
comprou de João por 500 reais significa o direito de comprar o 
carro de João a 20 mil reais até o dia 31 de março. 
11 
 
O preço de exercício é de 20 mil reais, ou seja, se Paulo exercer o seu 
direito, ele irá comprar o carro de João por 20 mil reais . Exercer 
uma opção significa exercer o direito inerente na opção, que é o 
direito de comprar o ativo subjacente ao preço de exercício antes da 
data de vencimento.* 
*Nota: Isso no caso de opções de compra que são as que trataremos 
neste livro. Uma opção de compra é sempre o direito de comprar um 
ativo a um preço pré-determinado. A opção de venda seria o direito de 
vender o ativo. Quando um investidor compra uma opção de venda ele 
passa a ter o direito de vender o ativo subjacente ao preço pré-
determinado e o vendedor da opção de venda se coloca na obrigação 
de comprar o ativo ao preço pré-determinado se o comprador exercer 
seu direito. A opção de compra é o direito de comprar e a opção de 
venda é o direito de vender. Não confundam vender uma opção de 
compra com uma opção de venda. Como considero que o iniciante em 
opções deve firmar bem os conceitos de opções de compra e adquirir 
experiência com elas antes de se aventurar nas opções de venda, 
sempre que estivermos nos referindo a opções, a não ser que seja dito 
o contrário, estaremos falando de opções de compra. 
A data de vencimento é 31 de março. Após esta data a opção deixa 
de existir e junto com elao direito . Se o comprador ou 
proprietário da opção (do direito) não exercê-lo até esta data, o 
direito (opção) deixará de existir e o vendedor não está mais 
obrigado a vender o ativo subjacente para o comprador ao preço 
pré-determinado. Junto com a opção (ou direito), sua obrigação 
morre. 
 
O que pode acontecer? 
A negociação foi feita. Paulo pagou a João 500 reais pelo direito 
(opção de compra) de comprar o carro de João por 20 mil reais até 
no máximo o dia 31 de março. 
E agora o que pode acontecer? 
 Hipótese 1: Paulo exerce seu direito, paga 20 mil reais a João 
pelo carro, antes do dia 31 de março. João entrega o carro a 
12 
 
Paulo, recebe 20 mil reais e os 500 reais da venda do direito 
que ele já tinha recebido antes são seus também. 
 Hipótese 2: O carro cai de preço no mercado e Paulo vê carros 
semelhantes ao de João sendo vendidos a 15 mil reais. Ele 
resolve então abrir mão de seu direito de comprar o carro de 
João por 20 mil reais e compra outro igual no mercado por 15 
mil reais. A despeito de ter perdido os 500 reais da compra do 
direito, ele perdeu menos do que se tivesse comprado o carro 
a 20 mil reais. João, após o prazo do fim do direito, pode 
vender o carro, só que por menos do que antes, ou vender o 
direito novamente a outra pessoa. Só que agora o direito de 
comprar o carro a 20 mil reais não vale mais 500 reais, pois, 
tendo o carro perdido valor, é menos interessante possuir o 
direito de comprá-lo a 20 mil reais. João pode vender o mesmo 
direito por um prêmio menor ou vender o direito de comprar 
o carro a 15 mil reais por aproximadamente os mesmos 500 
reais. 
 Hipótese 3:O carro sobe de preço no mercado, passa a valer 
muito mais que 20 mil reais e por consequência o direito de 
comprá-lo a 20 mil reais passa a valer mais. Vendo isso, Paulo 
ao invés de exercer seu direito de comprar o carro a 20 mil 
reais, vende o direito (opção de compra) para outra pessoa 
por 1000 reais, embolsando um lucro de 500 reais. A partir do 
momento que ele vende a opção de compra ele não tem mais o 
direito, mas João continua tendo a obrigação, ainda que agora 
para outra pessoa. 
 Hipótese 4:João, vendo o carro subir de preço no mercado e 
sabendo que vai ter de vendê-lo por apenas 20 mil reais se 
Paulo exercer seu direito, vai ao mercado e compra de Manuel 
o direito de comprar um carro semelhante ao seu no mesmo 
preço de exercício (20 mil reais) para o mesmo vencimento 
(31 de março). Tendo o carro (ativo subjacente) subido de 
preço, o direito (opção de compra) sobe também de preço e 
seu prêmio fica mais caro. Assim para comprar outro direito 
semelhante ao que vendeu, João terá prejuízo, mas ele pode 
achar melhor assumir prejuízo na negociação da opção, do que 
vender o carro a um preço bem menor do que do mercado. Se 
ele estava vendido no direito (opção de compra) e compra um 
13 
 
direito semelhante, passa a estar zerado, livre de obrigações e 
sem direitos. Obviamente, Paulo ainda terá o seu direito de 
comprar um carro igual ao de João por 20 mil reais, mas a 
obrigação de vender o carro agora será de Manuel. Como João 
tem a obrigação de vender um carro e o direito de comprar um 
carro, uma anula a outra e ele passa a não ter mais nem 
obrigação nem direito, o que no mercado se chama estar 
zerado. Na vida real, na Bolsa de Valores estes direitos e 
obrigações vão sendo casados pela bolsa, segundo regras e 
sorteios, conforme são exercidos.·. 
Estas são algumas possibilidades. No mercado de opções de ações, 
que é o que nos interessa mais, há muito mais possibilidades, mas 
compreender estas hipóteses exemplificadas é o primeiro passo. 
Todas as situações acima ocorrem com as ações e suas opções. 
 
As Opções de Ações 
Usamos o exemplo do carro para chegar ao que interessa: As opções 
de ações. Estas são as opções que o pequeno investidor pessoa física 
deve operar ao menos no início no Brasil. 
Uma opção de compra de ação é o direito de comprar a ação. 
Quando você compra uma opção de ação, estará comprando o 
direito de comprar a ação a determinado preço até determinada 
data como no exemplo do carro acima. E o número de opções 
compradas corresponde ao número de ações que estão incluídas no 
direito. 
Na maior parte das vezes você não vai exercer este direito e nem 
será exercido na sua obrigação (quando vender a opção). O objetivo 
normalmente é auferir lucro (para comprar mais ações ou outros 
investimentos) com a negociação dos direitos apenas, pois o 
exercício dos direitos que leva a negociação das ações aumenta 
expressivamente os custos das transações bem como os impostos. 
Além do mais, para o pequeno investidor que tem como objetivo 
acumular ações para longo prazo como uma poupança em renda 
variável, não é interessante vender suas ações especialmente devido 
aos custos com imposto de renda. 
14 
 
Nota: Neste livro estaremos usando exemplos de opções de Petrobrás 
PN (PETR4) e Vale PNA (VALE5) sobre as quais até este momento se 
negociam a maioria das opções no Brasil. Há opções de outras ações 
também, mas o grosso dos negócios se encontra nestas duas ações, ao 
menos até o momento da publicação deste livro. Apesar de 
utilizarmos estas duas ações, os conceitos ensinados neste livro 
servem para opções de qualquer ação. 
 
Conceitos Básicos das Opções 
- Preço de Exercício e Data de Exercício 
 
O preço pré-determinado em que será feita a negociação se uma opção 
for exercida, é conhecido como o preço de exercício, ou PE, ou ainda 
strike da opção. Quando uma opção de compra é exercida, o 
proprietário (comprador) paga pela ação o preço de exercício e o 
lançador vende a ação ao preço de exercício. 
 
A data limite para o exercício das opções, após a qual a opção deixa de 
existir é a data de exercício ou dia de vencimento das opções, pois 
nestes dias os contratos que não forem exercidos, morrem sem valor, 
deixam de existir. No Brasil é usualmente a terceira segunda-feira do 
mês. 
 
Exemplo: A opçao de compra de PETR JUL 20 (PETRG20)* representa o 
direito de comprar PETR a 20 reais até a data de exercício que 
ocorrerá em Julho. 
*Nota: A nomenclatura das opções utiliza o símbolo da ação na bolsa (no 
caso PETR), o mês do vencimento (A para janeiro, B para fevereiro, C 
para março, até L = Dezembro), e um número que normalmente mas não 
obrigatoriamente corresponde ao preço de exercício da opção. PETRG20 
então é a opção de preço de exercício de 20 reais da Petrobrás PN com 
vencimento em Julho. VALEI24 seria a opção de preço de exercício de 24 
reais da Vale PN com vencimento em Setembro. Algumas vezes o número 
não corresponde exatamente ao preço de exercício ou porque a 
distribuição de dividendos alterou o preço de exercício ou porque quando 
a opção foi lançada o número correspondente ao preço de exercício dela 
já estava sendo usado por outra opção com vencimento na mesma data. 
Veremos em as regras para as opções no Brasil no Capítulo 6. 
15 
 
- Posição da Opção em relação ao preço da ação 
 
As opções são também classificadas de acordo com a posição de seu 
preço de exercício em relação ao preço da ação. Se o preço de exercício 
é inferior ao preço da ação, a opção é dita “dentro do dinheiro” ou In-
The-Money (ITM). 
Se o preço de exercício é bem próximo ou igual ao preço da ação, a 
opção é dita “no dinheiro” ou At-The-Money (ATM). 
Se o preço de exercício é superior ao preço da ação, a opção é dita “fora 
do dinheiro” ou Out-of-The-Money (OTM). 
O conceito é estático, mas a ação não e, portanto, conforme a ação varia 
de preços, as opções podem ir variando nesta característica. Opções 
ITM podem se tornar OTM após uma forte queda e vice-versa. De 
qualquer forma, o importante é saber a posição da opção no momento 
em que ela está sendo analisada. 
Exemplificando com a ação Vale PN (VALE5)a R$42,50 a 30 dias do 
vencimento das opções: 
Preço de 
Exercício da 
Opção 
Prêmio (Preço) 
da Opção 
ITM / ATM / 
OTM 
30 12,60 ITM 
32 10,61 ITM 
34 8,70 ITM 
36 7,00 ITM 
38 5,20 ITM 
40 3,80 ITM 
42 2,35 ATM 
44 1,47 OTM 
46 0,80 OTM 
48 0,38 OTM 
50 0,19 OTM 
52 0,10 OTM 
54 0,04 OTM 
O conceito de ATM não é plenamente definido, sendo de qualquer 
forma as opções com preço de exercício mais próximo do preço da 
ação. No exemplo acima a opção de PE de 42 certamente é ATM, mas 
16 
 
alguns poderiam considerar ATM também as opções em volta dela, de 
PEs de 40 e 44. 
Estes conceitos não são importantes apenas como denominação das 
opções, mas também, para compreender como elas se comportam e 
quais opções utilizar para suas operações. As opções reagem de forma 
diferente aos fatores que influenciam seus preços de acordo com sua 
posição em relação ao preço da ação. Apenas como exemplo, uma 
alteração no preço da ação irá influenciar de forma muito mais intensa, 
em termos de variação em centavos, uma opção ITM do que uma OTM. 
Já alterações na volatilidade influenciarão mais as ATM, depois as OTM 
e por último as ITM. Veremos isso em maiores detalhes mais a frente 
no livro, mas por hora é importante guardar o conceito e a 
denominação das opções de acordo com seu posicionamento em 
relação ao preço da ação. 
- Componentes do preço da opção: 
 
O preço de uma opção é chamado de prêmio e é constituído de valor 
intrínseco ou verdadeiro e valor extrínseco ou de expectativa, também 
chamado de VE. Uma opção pode ter apenas um destes ou uma 
combinação dos dois. 
O Valor intrínseco é a parte do prêmio da opção que está dentro do 
dinheiro, ou seja, que fica entre o preço da ação e o preço de exercício 
da opção. 
Ex: A opção de compra de PETRH20 (opção de compra de Petrobrás 
PN para agosto, com preço de exercício de 20 reais) possui 2 reais de 
valor intrínseco se a PETR4 estiver cotada a R$22,00. 
Somente as opções ITM ou dentro do dinheiro possuem valor 
intrínseco, pois sendo ele a diferença entre o preço da ação e o preço 
de exercício da opção, esta conta daria negativa para as opções OTM ou 
fora do dinheiro. 
Ex: Considerando a PETR4 (Petrobrás PN) a 20 reais, a opção de preço 
de exercício de 18 reais teria 2 reais de valor intrínseco (20 – 18 = 2), 
enquanto que a opção de preço de exercício de 22 reais não teria valor 
intrínseco (20 – 22 = -2). Não existe valor intrínseco negativo se a 
opção é fora do dinheiro, ou seja, se tem preço de exercício acima do 
preço da ação, ela não possui valor intrínseco. 
17 
 
Fica fácil compreender o valor intrínseco sabendo os conceitos básicos 
das opções. Se a opção de preço de exercício de 18 reais do exemplo 
acima é, na verdade, o direito de comprar PETR4 a 18 reais, estando a 
ação PETR4 a 20 reais, ninguém venderia este direito por menos do 
que 2 reais, senão estaria dando dinheiro de graça. Se eu tenho o 
direito de comprar PETR4 a 18 reais e ela está 20 reais no mercado, se 
me vendem este direito por menos do que 2 reais, basta eu exercer o 
direito, o que significa comprar PETR4 a 18 reais, e vender a ação no 
mercado a 20 reais. Como 20 menos 18 é igual a 2 reais, se me 
venderem este direito por menos do que 2 reais, estão me dando 
dinheiro de graça. Logo, no mercado, esta opção vai valer sempre no 
mínimo 2 reais, pois no mercado real não há lanche de graça. Se não for 
na hora exata ou muito próximo da hora do vencimento, a opção 
provavelmente vai ter algum valor além deste valor verdadeiro que é o 
valor extrínseco ou de expectativa. Este nome decorre da expectativa 
de que a ação possa subir de preço até a hora do vencimento. 
O valor extrínseco ou de expectativa é a porção do preço de uma opção 
(prêmio) que está além do valor intrínseco e também, além do preço 
da ação. Por hora, estamos lidando com os conceitos básicos, mas o 
valor extrínseco é a parte da opção que normalmente vamos negociar e 
o que realmente interessa nas opções, pois o valor intrínseco é 
exclusivamente ligado a variação da ação. Se a ação sobe, o valor 
intrínseco aumenta, se a ação cai, ele diminui.·. 
Preço PETR4 a 
10 dias do 
vencimento 
Preço Opção de 
PE de 20 
Valor 
Intrínseco 
24 4,20 4,00 
22 2,50 2,00 
20 0,80 0,00 
18 0,15 0,00 
 
Veja no quadro acima que a ação varia 2 reais de 22 a 24 e o valor 
intrínseco da opção varia os mesmos 2 reais. O valor intrínseco está 
totalmente ligado a variação da ação e é influenciado apenas por este. 
Já o valor extrínseco é influenciado por quatro fatores além do preço 
da ação: Tempo, Preço de Exercício da Opção, a Volatilidade da ação e a 
taxa de juros praticada na economia. 
18 
 
No quadro abaixo vemos uma opção (PE de 18) com valor intrínseco e 
extrínseco, pois ela é ligeiramente ITM, dentro do dinheiro, Preço de 
exercício (PE) abaixo do preço da ação. Vemos também uma que só 
possui valor extrínseco (PE de 22), pois ela é OTM ou fora do dinheiro. 
E uma que só possui valor intrínseco pois é muito dentro do dinheiro 
(ITM). Estas opções muito ITM algumas vezes mantém um VE residual 
e outras vezes devido a baixa liquidez, são negociadas até a preços um 
pouco abaixo do valor intrínseco. 
Preço da 
Ação 
PE Opção Prêmio Valor Intrínseco Valor Extrínseco 
R$20,00 18 3,00 2,00 1,00 
R$20,00 22 0,50 0,00 0,50 
R$20,00 12 8,00 8,00 0,00 
Seguem então as fórmulas: 
 
[Valor Intrínseco = Preço da Ação – Preço de Exercício da Opção] 
 
obs.: Essa fórmula é válida se o resultado for positivo, pois, se o 
resultado for negativo, a opção é OTM e não tem valor intrínseco. 
 
[Valor Extrínseco (VE) = Prêmio Opção – Valor Intrínseco] 
 
O que Influencia o Preço das Opções? 
São cinco os fatores que influenciam o preço das opções. São eles, o 
preço da ação, o preço de exercício da opção, o tempo, a volatilidade e a 
taxa de juros. 
Destes podemos dividir: 
- Fatores que interferem positivamente no preço (Fatores Positivos): 
Preço da Ação, Volatilidade, Taxa de Juros 
- Fatores que interferem negativamente no preço: 
Tempo, Preço de Exercício das Opções 
19 
 
Os fatores positivos influenciam de forma direta a opção, ou seja, se 
aumentam, o preço da opção tende a aumentar e se diminuem o preço 
da opção tende a diminuir. Os fatores negativos influenciam de forma 
inversa, mas aqui cabem parênteses. O tempo maior leva a preços 
maiores, então seria um fator positivo, mas o tempo não anda para 
trás, só para frente, então a passagem do tempo influencia 
negativamente as opções. Já o preço de exercício não se altera, mas 
comparando os diversos preços de exercício, quanto maior o preço de 
exercício, menos custam as opções. 
Vamos analisar cada fator isoladamente: 
Preço da Ação: Este é o fator mais importante, mas, por ser o mais 
importante e o mais intuitivo, leva muitos a compreenderem 
erradamente as opções como um ativo semelhante às ações. Apesar de 
as opções serem muito influenciadas pelo peço da ação subjacente, esta 
influencia vai variar de acordo com a volatilidade da ação, o tempo 
para o exercício da opção e a posição da opção em relação ao preço da 
ação (preço de exercício), ou seja, de acordo com os outros fatores, a 
influência do preço da ação em determinada opção, poderá ser maior 
ou menor. 
Apesar de a opção ter a tendência de seguir a ação, isso não ocorre 
diretamente e há outras influências que podem fazer com que este 
padrão ocorra erroneamente. As opções não devem ser utilizadas 
como e não são um substituto da ação. Não são ações de 1 real. As 
estratégias que pretendem operar as opções tão e somente a partir do 
gráfico das ações são fadadas ao fracasso, pois compreendem apenas 
um dos cinco fatores que influenciam as opções e demonstram que o 
operador desconhece a análise gráfica(que é uma ferramenta para 
ações e futuros) e as opções, que não são influenciadas apenas pelo 
preço da ação. 
Na teoria, se ação sobe, a opção sobe, se a ação cai, a opção cai. Só que 
no mundo real muita coisa pode acontecer que modifica isso. Então, 
analisando os outros fatores juntos, podemos dizer que: 
 Quanto mais distante para fora do dinheiro (OTM) for uma 
opção, menor será a influência do preço da ação. Quanto mais 
para dentro (ITM) for a opção, maior será a influência do preço 
da ação.* 
 
20 
 
Ex: Se a PETR está 20 reais e sobe para 21 reais, a PETRC12 deve 
ganhar 1 real ou quase isso em seu preço, enquanto que a 
PETRC28, se ganhar alguma coisa, serão apenas alguns centavos. 
 
 Quanto mais volátil (mercado volátil tem variações expressivas 
de preço, mercado pouco volátil é aquele que anda de lado, com 
pequenas variações de preço) o mercado, menos o preço da ação 
vai influenciar, quanto menos volátil, mais o preço da ação vai 
influenciar. Como o prêmio ou preço da opção é determinado 
considerando cinco fatores, se um fator aumenta 
expressivamente, ele passa a ter mais importância. Então, em 
situações de grande volatilidade, é como se a volatilidade 
assumisse maior relevância, e os outros fatores passam a ter 
menos importância. Como volatilidade alta significa risco alto, os 
preços das opções sobem de forma a compensar este risco, pois o 
lançamento (venda) de opções se torna mais perigoso, logo os 
lançadores exigem prêmios maiores. E isso acontece 
independente da alta ou queda da ação. Claro que, no final das 
contas, os fatores se relacionam e cada um tem seu papel, mas 
para explicar os conceitos isoladamente temos que recorrer a 
simplificações teóricas.·.·. 
 
 Quanto mais tempo para o vencimento, mais o movimento da 
ação ainda pode influenciar o preço da opção. Quanto menor o 
tempo, menor esta capacidade de influenciar em termos de VE. 
Claro que a parte do preço da opção que é valor intrínseco ou 
verdadeiro sempre segue o preço da ação, mas em termos de 
valor extrínseco (VE) esta influência tende a diminuir com a 
passagem do tempo, com exceção das opções muito próximas ao 
preço da ação, onde a influência pode permanecer grande e até 
aumentar com a proximidade do vencimento. Isto porque estas 
opções passam a valer bem pouco próximo do vencimento, mas 
terão que reagir expressivamente a uma forte alta da ação, pois 
vão de OTM para ITM facilmente por estarem próximas ao preço 
da ação e se tornando ITM e ganhando valor intrínseco as 
variações percentuais delas podem ser expressivas. 
É importante ter ciência, que quando ocorrem altas ou quedas 
expressivas da ação, a influência do preço da ação passa a ser bem mais 
importante e os outros fatores influenciam bem menos nesta situação. 
Se uma ação que vale 20 reais sobe, por exemplo, 5 reais em um dia, é 
21 
 
claro que a variação nas opções será expressiva independente da 
volatilidade (que estará alta devido a variação extraordinária da ação) 
e do tempo (apesar que a influência vai variar de acordo com o tempo 
que falta para o vencimento). No caso da distância (preço de exercício) 
as variações nos prêmios serão diferentes, mas um movimento muito 
forte da ação poderá influenciar opções distantes que não seriam 
quase influenciadas por uma alta normal. 
 
Volatilidade: A volatilidade influencia positivamente o valor extrínseco 
(VE) das opções Quanto maior a volatilidade da ação, maior tenderá a 
ser o VE ou a expectativa nas opções. Muito cuidado com os períodos 
de volatilidade expressivamente alta, especialmente nas quedas fortes. 
São os períodos de maior risco para as operações com opções. Longos 
períodos de baixa volatilidade, mercado de lado, levam ao achatamento 
das opções que vão perdendo VE. Ganha-se muitas vendas mas de 
pouco valor. Cuidado com a soberba do vendido após ganhar muitas 
vendas. Mantenha o controle de risco. 
Taxa de Juros: Falamos pouco neste fator por duas razões: Em primeiro 
lugar, em situações de taxas de juros normais, a influência deste fator é 
muito pequena. Em segundo lugar, teoricamente o aumento da taxa de 
juros leva a um pequeno aumento nos prêmios das opções, mas, na 
prática, o aumento da taxa de juros pode influenciar negativamente o 
mercado de ações e até levar a uma redução nos prêmios das opções. 
De qualquer forma, este fator não é muito importante enquanto as 
taxas de juros no país se mantiverem em níveis baixos e, mais 
importante que isso, as variações nas taxas de juros não forem 
expressivas.* 
*Nota: O Brasil ainda possui taxas de juros elevadas se comparado com 
outros países, mas não são suficientemente altas para produzir grande 
efeito nas opções. Em situações de taxas de juros e custo do dinheiro 
(inflação) muito elevadas, os prêmios são carregados com estas taxas e 
se tornam maiores. 
Tempo: A influência do tempo nas opções é tão importante que o 
próximo capítulo do livro será só sobre isso. Mas, resumindo de forma 
bem simples, todas as opções perdem algum valor (da parte do prêmio 
acima do preço da ação, ou valor extrínseco) pela passagem de um dia. 
A influência do tempo será tanto maior quanto mais tempo tiver 
passado, ou seja, quanto menos tempo de vida uma opção tiver, mais a 
22 
 
passagem de um dia irá influenciá-la negativamente. Isso é fácil de 
visualizar considerando que uma parte do prêmio da opção 
corresponde ao tempo e que esta parte irá morrer até o dia do 
vencimento. Se ela perde uma porção a cada dia que passa, quanto 
menos dias faltarem, maior será a porção perdida. Apenas 
exemplificando teoricamente, e pegando uma licença matemática, 
porque na prática não é simples assim, seria como dizer que faltando 
dez dias ela perderia 10% de VE pela passagem de um dia e faltando 5 
dias perderia 20%. 
Uma volatilidade muito alta pode compensar o efeito do tempo e as 
opções se manterem com VEs altos apesar da proximidade do 
vencimento. Ainda assim, alguma perda pela passagem do tempo 
sempre ocorrerá. Um aspecto que muitos não percebem é que mesmo 
na alta da ação, mesmo a opção se valorizando, há perda de valor pela 
passagem do tempo. Vamos dizer que de hoje para amanhã uma opção 
sobe de 1,00 para 1,25. Pode ser que se não tivesse passado um dia ela 
tivesse subido para 1,28 ou 1,30 dependendo da situação. Mesmo 
quando uma opção sobe de valor decorrente de uma valorização do 
ativo subjacente, ela perde valor pela passagem do tempo. 
A distância para o preço da ação (preço de exercício) também vai 
influenciar a perda de valor pela passagem do tempo. Teoricamente, 
as opções que mais perdem valor em termos absolutos (centavos) pela 
passagem do tempo são as ATM ou próximas do preço da ação (opções 
que tem o preço de exercício próximo do preço da ação naquele 
momento), pois são as que têm mais VE (valor extrínseco) e a perda de 
valor pela passagem do tempo só ocorre no VE. O valor intrínseco da 
opção segue a ação. Sendo assim, as que têm mais VE são as que 
perdem mais centavos. As opções dentro do dinheiro tem menos VE 
quanto mais dentro do dinheiro forem (apesar de terem prêmios 
maiores devido ao valor intrínseco). Sendo assim, as opções ITM 
perdem pouco valor pela passagem do tempo tanto em termos de 
centavos, absoluto, quanto em termos proporcionais ao seu prêmio 
total. E vão perder menos quanto mais ITM forem. Já as opções OTM, 
ou fora do dinheiro, que tem o preço de exercício longe do preço da 
ação tem pouco VE (que é todo seu valor, já que não possuem valor 
intrínseco por estarem acima do preço da ação) e por isso perdem 
menos centavos pela passagem do tempo do que as ATM ou próximas 
do preço. Mas como elas valem pouco, são as que proporcionalmente 
(percentualmente) perdem mais valor pela passagem do tempo.* 
23 
 
*Nota: Esta questão da posição da opção, ou do preço de exercício da 
opçãoem relação ao preço da ação é sempre uma fotografia de um 
momento. Claro que conforme a ação varia de preço, isso vai mudando e 
opções dentro do dinheiro podem virar fora do dinheiro e vice-versa. 
- Preço de Exercício: A influência aqui é bem direta e objetiva. Quanto 
mais dentro do dinheiro (ITM) for o preço de exercício da opção, mais 
ela vai custar. Quanto mais fora do dinheiro (OTM) menos ela vai 
custar, independente do que consiste o prêmio da opção, se valor 
intrínseco ou extrínseco. Repetindo abaixo a tabela do início deste 
capítulo veja como o prêmio (preço) das opções vai se tornando maior 
quanto mais ITM e menor quanto mais OTM. Sendo a opção um direito 
de comprar a ação ao preço de exercício da opção, quanto mais baixo 
este preço de exercício, mais barato se irá comprar a ação no caso de 
exercer o direito, então mais vale a opção. Se uma ação está 40 reais, 
por exemplo, vale muito mais o direito de comprá-la a 32 reais do que 
o direito de comprá-la a 48 reais. 
 
 
Preço de 
Exercício da 
Opção 
Prêmio (Preço) 
da Opção 
ITM / ATM / 
OTM 
30 12,60 ITM 
32 10,61 ITM 
34 8,70 ITM 
36 7,00 ITM 
38 5,20 ITM 
40 3,80 ITM 
42 2,35 ATM 
44 1,47 OTM 
46 0,80 OTM 
48 0,38 OTM 
50 0,19 OTM 
52 0,10 OTM 
54 0,04 OTM 
 
24 
 
Uma coisa importante a observar é que o preço de exercício é fixo (a 
não ser quando eventualmente se modifica devido a distribuição de 
dividendos), mas a distância do preço de exercício da opção para o 
preço da ação não. Conforme a ação se movimenta, o preço de exercício 
da opção pode ficar mais próximo ou mais distante do preço da ação. A 
variação do preço da ação aumenta ou diminui a Distância do strike da 
opção para o preço da ação. 
 
Juntando Tudo 
As opções são influenciadas primordialmente por: 
 Distância da ação para o preço de exercício da opção 
 Tempo para o dia do exercício 
 Volatilidade da ação 
A Distância é inversamente proporcional preços das opções, ou seja, 
quanto maior à distância (para fora do preço, OTM), menor o preço 
das opções. 
O Tempo é diretamente proporcional, ou seja, quanto mais tempo 
para o vencimento, mais valem as opções. Mas a passagem do tempo 
que é sempre para frente, faz as opções valerem menos. 
A Volatilidade é diretamente proporcional, ou seja, quanto mais 
volátil o mercado, ou quanto mais expressivas as variações da ação, 
não importa a direção, maior o risco percebido pelos lançadores de 
opções que exigem prêmios maiores para se colocar no risco da 
venda e, portanto maiores os preços das opções. 
Para que o preço de uma opção aumente, é necessário que os efeitos 
positivos da variação do preço da ação e da volatilidade (se 
positivos) sobre a opção sejam maiores do que a perda de valor pela 
passagem do tempo (o tempo, ou a passagem dele, só influencia 
negativamente, já que o tempo só anda em uma direção). 
Avaliando as influências, podemos dar nomes como segue: 
 Preço da Ação - O QUE 
 Preço de Exercício da Opção - AONDE 
25 
 
 Tempo para o vencimento - QUANDO 
 Volatilidade da ação - COMO 
Vê-se logo que opções não são ativos direcionais, pois ativos 
direcionais são como o preço da ação, te dizem O QUE. Mas em 
opções importa também AONDE. Uma ação a 20 reais é diferente 
para uma opção de preço de exercício de 16 reais, para uma de 
preço de exercício de 20 reais e para uma de preço de exercício de 
26 reais. A influência do preço da ação será diferente nestas opções, 
logo de nada adianta eu saber o preço da ação (O QUE) sem saber 
AONDE (preço de exercício ou o strike da opção). Eu preciso saber 
também QUANDO, que é o tempo. De nada adianta eu dizer O QUE 
(preço da ação) e AONDE (strike) sem dizer QUANDO. Se a ação está 
20 reais e minha opção é de preço de exercício de 22 reais, faz muita 
diferença se faltam 60 dias, 30 dias ou apenas um dia para o 
vencimento. Mas tudo isso não estará completo se eu não souber 
COMO, ou seja, COMO a ação subiu ou caiu. Se eu disser que a ação 
subiu 2 reais não quer dizer nada se eu não disser como foi esta alta. 
Se foi uma alta extremamente volátil em apenas uma hora, a 
influência nas opções será enorme. Foi uma alta lenta e progressiva 
que se deu em dois meses, pouco influencia as opções. 
Aos poucos, o operador vai aprendendo a lidar e a compreender 
estes fatores e perceber como eles influenciam as opções, para 
começar a entender o que está acontecendo com as opções e suas 
operações. No parágrafo acima se vê por que as opções não são 
ativos direcionais, não são ações de 1 real e não podem ser tratadas 
como tal. Apesar do preço da ação ser um fator de extrema 
importância, ele com certeza não é o único e assim as opções não 
são puramente direcionais, ou seja, não são unidimensionais, como 
ações e futuros. 
Avaliando o que acontece com as opções durante o vencimento e 
juntando todos os fatores, temos: 
 Opções Dentro do Dinheiro (ITM) - Vão perdendo VE com o 
passar do tempo, apenas seguindo a ação e perdendo a 
capacidade de ter variações expressivas em relação a seu 
preço, apesar de poder ter variações absolutas em centavos 
grandes. (Vai virando ação com a passagem do tempo) 
26 
 
 Opções No Dinheiro (ATM) - Se mantêm próximas do preço da 
ação, mas vão perdendo valor. Por estarem perto do preço da 
ação e valendo bem pouco, mesmo que o vencimento esteja 
muito próximo, podem ter variações expressivas. (Vai virando 
opção explosiva com a passagem do tempo) 
 Opções Fora do Dinheiro (OTM) – Conforme o tempo passa e 
elas se mantêm longe do preço, a chance de variarem 
expressivamente vai diminuindo ao mesmo tempo em que vão 
perdendo valor. Importante ter ciência que não perdem só 
valor, mas também chance de serem exercidas ou de ganhar 
valor. A cada dia que passa, as variações necessárias da ação 
para produzir efeitos nelas terão de ser mais expressivas. (Vai 
virando pó com a passagem do tempo) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
CAPÍTULO III 
ENTENDENDO O TEMPO E A DISTÂNCIA 
 
O que tem o Tempo a ver com as Opções? 
Tudo. Opções são dependentes do tempo e quanto mais o tempo 
passa, mais dependentes elas ficam. 
Quando demos o exemplo simples do carro, o tempo não parecia tão 
importante, mas se considerarmos opções de ações, fica fácil de 
entender. 
Vamos considerar, por exemplo, uma série de opções da Petrobrás, 
estando a ação PETR4 (Petrobrás PN) a 38,50 reais. 
 
Preço de 
Exercício 
Prêmio 
34 5,10 
36 3,49 
38 2,10 
40 1,21 
42 0,71 
44 0,37 
46 0,19 
48 0,09 
 
Agora vamos considerar a mesma série com Petrobrás PN no mesmo 
preço. 38,50: 
 
 
 
28 
 
Preço de 
Exercício 
Prêmio 
34 4,79 
36 3,00 
38 1,34 
40 0,58 
42 0,24 
44 0,09 
46 0,02 
48 0,01 
 
Ué, o que aconteceu? 
TEMPO! 
A primeira série vence em 35 dias úteis e a segunda série em apenas 
15 dias úteis. Mas isso tudo é só por causa do tempo? Quase que 
tudo sim, porque os outros fatores influenciam as duas séries quase 
da mesma forma sendo que somente a volatilidade tem uma 
influência mais intensa na série que tem menos tempo pela frente. 
E porque o tempo influencia tanto as opções? 
Simples, O que é a opção 42 que nós vemos valendo 0,71 no 
primeiro quadro e apenas 0,24 no segundo quadro? 
É o direito de comprar ações da Petrobrás PN a 42 reais. Quanto 
está a ação PETR4? 38,50. Alguém ia querer comprar a ação a 42 
reais se ela está 38,50 no mercado? Provavelmente, ou quase com 
certeza não. Mas então porque a opção existe e porque ela vale 
alguma coisa? 
Perspectivas, Probabilidades, Possibilidades, RISCO! 
42 é mais caro que 38,50 e ninguém vai comprar uma ação a 42 se 
pode comprar a 38,50. 
29 
 
Mas existe a possibilidade(risco) da ação ir a 42? Claro que existe. 
Pode não ir, é mais provável que não vá, mas pode ir. E pode até 
passar e ir a 43 ou 44. Assim como pode ficar na mesma ou cair. 
Pode fazer qualquer coisa, mas existe uma possibilidade, uma 
probabilidade, um risco de ela ir a 42. 
 Se você fosse obrigado a correr 150KM, você iria preferir que o 
prazo para você conseguir superar os 150KM fosse de 15 dias ou de 
35 dias? Claro que 35 dias. Você pode conseguir correr 150KM em 
15 dias a uma média de 10KM por dia, mas em 35 dias você só 
precisa cumprir uma média de pouco mais de 4KM por dia e agora 
qualquer um que consegue andar poderia perfazer a distância. 
Então a primeira opção de preço de exercício de 42 reais tem 35 
dias úteis para que a Petrobrás chegue nela, enquanto a segunda só 
tem 15 dias úteis. A Petrobrás pode ir a 42 em um dia ou até em 
uma hora. Mas a chance dela ir a 42 em 35 dias é maior do que em 
15 dias. Disso não resta dúvida. 
Então voltando ao exemplo do carro. Se eu vou te pagar um prêmio 
de 500 reais para adquirir o direito de comprar o seu carro a um 
preço determinado, quanto maior o prazo que você me der, mais eu 
estarei disposto a pagar os 500 reais. Agora se você me der um 
prazo somente até amanhã, eu não vou querer pagar os 500 reais. 
Posso pagar 100 reais talvez ou 50 reais, mas nunca os 500 reais. 
Especialmente se o carro estiver valendo menos do que o preço 
combinado no direito. 
Quem compra uma opção de compra de uma ação, está adquirindo o 
direito de comprar a mesma quantidade de ações, ao preço de 
exercício da opção até uma data pré-determinada. E quem vende a 
opção de compra está se colocando na obrigação de vender a mesma 
quantidade de ações ao preço de exercício da opção até determinada 
data. O vendedor se coloca em uma obrigação que pode ser 
entendida como um risco, porque se a ação ultrapassar o preço de 
exercício da opção (No caso da opção de preço de exercício de 42, se 
a ação for a 43, ou 46 ou ainda 50) o vendedor da opção de compra 
terá que entregar suas ações ou comprar ações no mercado para 
entregar ao preço de exercício da opção, tendo assim o prejuízo 
equivalente a distância que a ação ultrapassou o preço de exercício 
da opção (menos o prêmio recebido pela venda da opção). 
30 
 
Claro que ele pode recomprar a opção vendida no mercado e fechar 
sua posição se livrando de qualquer obrigação, mas ainda assim, no 
caso de alta da ação, isso será provavelmente feito com prejuízo. 
Logo pela perspectiva do vendedor, pode-se falar em risco. Pela 
perspectiva do comprador pode-se falar em probabilidade ou 
possibilidade ou ainda perspectiva (apesar de que ele tem um risco 
também que é o valor pago pelo prêmio da opção). O preço da 
opção, ou prêmio, será resultado da combinação de interesses 
destes dois lados. Quanto mais os vendedores, ou lançadores 
perceberem risco, maiores prêmios eles irão exigir, e a percepção de 
risco deles, do outro lado, para os compradores, será percebido 
como maiores perspectivas e estes estarão então dispostos a pagar 
os prêmios mais altos que os lançadores (vendedores) estão 
exigindo. Assim os prêmios ficam mais altos e a opção sobe de 
preço. 
Se, no entanto, os compradores estão percebendo um mercado 
fraco, pouco volátil, com poucas perspectivas, ao mesmo tempo em 
que os lançadores captam menos risco, estes últimos aceitam os 
prêmios menores que os compradores estão dispostos a pagar nesta 
situação e os prêmios das opções caem. 
Quanto maior a chance de uma opção ser exercida, maior a 
percepção de risco pelos vendedores, e maiores as perspectivas dos 
compradores, maiores os prêmios (preços) das opções. Quanto 
menor a chance de uma opção ser exercida, menor a percepção de 
risco pelos vendedores, e menores as perspectivas dos 
compradores, menores os prêmios (preços) das opções. 
Voltando a nossa maratona de 150KM, quanto maior o tempo 
disponível, menor o risco de você não conseguir ir até o final. 
 Os compradores e vendedores de opções vêm o tempo como chance 
ou risco. Para o comprador (de opção de compra), quanto mais 
tempo, mais chance para a sua opção, pois maior a chance da ação 
chegar ao preço de exercício da opção. Para o vendedor, tempo é 
risco, pois quanto mais tempo, maior o risco da ação chegar ao 
preço de exercício da opção vendida. Se a ação está 38,50 e você vai 
comprar uma opção de preço de exercício de 42 reais, você prefere 
que ainda faltem 35 dias úteis ou apenas 15 dias úteis para o 
vencimento? Claro que 35 se o prêmio fosse o mesmo, sem nenhuma 
31 
 
dúvida. A de 35 dias tem mais chance de ser exercida, do mercado 
chegar nela e ela se valorizar. Por outro lado, do lado do vendedor, 
tendo as duas o mesmo prêmio, não resta dúvida que ele iria para a 
de menor prazo. E é isso mesmo que acontece no mercado. Na vida 
real, a opção de maior prazo sempre terá um prêmio maior, pois o 
mercado irá equilibrar as probabilidades e o risco, mas apenas a 
título de exemplo, tendo o mesmo prêmio e o mesmo preço de 
exercício, quanto menos tempo para o vencimento melhor para o 
vendedor e pior para o comprador. Não é a toa, portanto, que as 
opções perdem valor com a passagem do tempo. 
Os compradores preferem mais prazo e os vendedores menos prazo. 
A princípio em um exemplo teórico, as duas opções de preço de 
exercício de 42 nos quadros acima custariam o mesmo. Mas estando 
elas custando o mesmo, a de 35 dias atrairia mais compradores e a 
de 15 dias atrairia mais vendedores. E o q iria acontecer? Com mais 
compradores e menos vendedores na de 35 dias e os compradores 
dispostos a pagar o que os vendedores estavam exigindo, a de 35 
dias iria subir de preço. Com mais vendedores e menos 
compradores na de 15 dias e os vendedores dispostos a vender pelo 
baixo preço oferecido pelos compradores, a de 15 dias iria cair de 
preço. E é exatamente este balanço que ocorre no mercado real que 
vai determinando os preços das opções. 
Então voltamos aos quadros acima que são situações reais: 
Parte esquerda do quadro: 35 dias úteis para o vencimento das 
opções: Opção de preço de exercício de 42 = 0,71 
Parte direita do Quadro: 15 dias úteis para o vencimento das 
opções: Opção de preço de exercício de 42 = 0,24 
Agora vamos considerar a mesma série com Petrobrás PN no mesmo 
preço. 38,50: 
 
 
 
 
 
32 
 
 
35 dias Prêmio 15 dias Prêmio 
34 5,10 34 4,79 
36 3,49 36 3,00 
38 2,10 38 1,34 
40 1,21 40 0,58 
42 0,71 42 0,24 
44 0,37 44 0,09 
46 0,19 46 0,02 
48 0,09 48 0,01 
 
Bingo! Aconteceu na prática exatamente o que previmos na teoria e 
é de se esperar que aconteça. Claro que há distorções no mercado, 
distorção entre o que os ativos valem e o que eles estão custando, 
até mesmo porque o mercado é movido por seres humanos e suas 
emoções e muitas vezes as emoções das massas perdem o controle 
ou se tornam exageradas. Mas para explicar o efeito do tempo sobre 
as opções, vamos ficar com o básico e considerando o básico, 
podemos ver claramente porque as opções com mais tempo para o 
exercício custam mais, se o preço de exercício for o mesmo. 
 
Influência do Tempo 
O tempo então influencia negativamente as opções, ou seja, quanto 
menos tempo, menos tendem a valer as opções. Há uma parte do 
prêmio da opção que é preenchido pelo tempo e esta parte será 
menor, quanto menor for o tempo para o vencimento. 
Claro que o tempo não se altera como o preço da ação e a 
volatilidade que podem subir e cair diversas vezes durante o 
vencimento da opção. Também não se altera como a taxa e juros, 
que apesar de se alterar menos que os dois anteriores também pode 
33 
 
subir ou cair, assim como ficar na mesma. E também não pode haver 
diversos tempos ao mesmo tempo como os diversos preços de 
exercício de uma série de opções. 
Diferentedos outros quatro fatores que alteram os prêmios das 
opções, o tempo é sempre constante e negativamente constante, ou 
seja, a cada dia que passa, a opção tem menos tempo de vida. E a 
cada dia que passa, a parte do prêmio da opção que é preenchida 
pelo tempo irá diminuir. Logo o preço da opção tenderá a diminuir 
com a passagem do tempo, a não ser que os outros fatores que 
influenciam o preço, notadamente o preço e a volatilidade da ação, 
compensem esta perda de valor pela passagem do tempo. Ainda 
assim, mesmo que o preço total da opção aumente, a parte dele 
preenchida pelo tempo, irá diminuir. 
Vamos ver quatro situações diferentes para entender a dinâmica do 
tempo. Cada quadro total representa o prêmio da opção e cada 
célula a parte de cada um dos três fatores neste prêmio (São 
representações teóricas esquematizadas que não refletem 
necessariamente a proporção correta destes fatores nas opções): 
 
Tempo Preço da Ação Volatilidade 
 
Tempo Preço da Ação Volatilidade 
 
Tempo Preço da Ação Volatilidade 
 
Tempo Preço da Ação Volatilidade 
 
A primeira opção seria a base. 
Na segunda opção, a menor participação do tempo no prêmio da 
opção, levou a um prêmio menor. 
34 
 
Na terceira opção, mesmo tendo havido perda da participação do 
tempo, o aumento do preço da ação e da volatilidade compensaram 
fazendo com que o prêmio total subisse um pouco. 
Na quarta opção, ocorreu perda da participação do tempo 
concomitante com menor participação do preço da ação (queda do 
preço da ação). Mesmo tendo havido aumento da volatilidade, isso 
não foi suficiente para compensar e a opção perdeu parte do 
prêmio. 
Apesar de haver mais dois fatores que influenciam o preço das 
opções, taxa de juros e preço de exercício das opções, o primeiro 
influencia pouco a não ser em épocas de grandes variações nas taxas 
de juros que hoje em dia são raras e o segundo a princípio não se 
altera durante o vencimento (exceção para a distribuição de 
proventos, mas mesmo neste caso há o ajuste na ação e a influência 
sobre o prêmio das opções é pequena). Estes três acima são os 
fatores dinâmicos que mais influenciam o prêmio das opções e que 
devem ser sempre acompanhados. Quanto ao preço de exercício da 
opção, o que consideramos é que a variação do preço da ação junto 
com o preço de exercício das opções produzem a influência que 
chamamos de distância, ou seja a distância do preço de exercício da 
opção para o preço da ação e esta distância sim é influenciada pelas 
variações no preço da ação. 
Pois bem, sabemos agora porque a opção com 35 dias de vida 
custava 0,71 e a com 15 dias de vida apenas 0,24. E comparando 
duas opções de mesmo preço de exercício e da mesma ação, mas 
com datas de vencimento diferentes, a possibilidade dos outros 
fatores compensarem a perda de valor pela passagem do tempo é 
quase inexistente, pois a despeito da influência do preço da ação e 
da volatilidade terem intensidades diferentes em opções com data 
de vencimento diferentes, não será suficiente para suplantar a 
perda de valor pela passagem do tempo em opções da mesma ação e 
do mesmo preço de exercício, de datas de vencimento diferentes. 
Tendo duas opções o mesmo preço de exercício, a com mais tempo 
para o vencimento sempre irá custar mais e vemos isso na prática 
na tabela acima. 
Além de o tempo influenciar as opções, ele influencia de forma 
diferente de acordo com a passagem do tempo, ou seja, quanto 
35 
 
menos tempo para o vencimento, maior a influência proporcional do 
tempo. Consideremos primeiro que todo o valor da opção relativo 
ao tempo, ou seja, todo o valor que não é intrínseco tem que por 
definição acabar antes do vencimento da opção. 
Exemplificando: 
Tempo para o Vencimento = 20 dias úteis 
PETR4 = 40 reais 
PETRL38 (opção de PETR4 de preço de exercício de 38 reais com 
vencimento em dezembro) = 3 reais 
Valor intrínseco = 40 (preço da ação) – 38 (preço de exercício da 
opção) = 2 reais 
Valor extrínseco = 3 (preço da opção) – 2 (valor intrínseco da 
opção) = 1 real 
 
Na hora do Vencimento 
PETR4 = 40 Reais 
PETRL38 = 2 Reais 
 
Logo, este 1 real extra no preço da opção que existia quando 
faltavam 20 dias para o vencimento, é a expectativa de que a ação 
possa subir inserida no prêmio da opção e grande parte dele é 
devido ao tempo que falta para o vencimento. 
Na hora do vencimento a opção em teoria só tem valor real ou 
intrínseco que é o preço da ação menos o preço de exercício da 
opção. Na prática, no mundo real, pode haver algum valor residual 
além do valor real, mas apenas por questões de custos transacionais 
e outras questões que não são importantes para entendermos a 
influência do tempo nas opções. 
Pois bem se esta opção tinha 1 real de expectativa há 20 dias do 
vencimento e na hora do vencimento só tem valor real, sem nenhum 
valor de expectativa, ela perdeu este valor conforme o tempo passou 
36 
 
e como ela só perde valor de expectativa (Valor Extrínseco – VE) 
pela passagem do tempo temos de considerar a perda de valor pelo 
tempo em relação a este valor e não em relação ao valor total da 
opção que inclui também o valor verdadeiro ou intrínseco da opção. 
Como a cada dia que passa, faltam menos dias para o vencimento 
das opções, mais rápida terá de ser a perda, proporcionalmente ao 
que resta de valor extrínseco, para que todo o valor desapareça até 
o dia do vencimento. 
Logo, a perda de valor pela passagem do tempo é maior 
proporcionalmente quanto menos tempo falta para o vencimento, 
ou seja, quanto menos tempo falta para o vencimento, mais 
importante é a perda de valor da opção pela passagem de tempo. 
Quanto mais próximo for o vencimento, mais ela vai perder 
proporcionalmente ao seu valor de expectativa, pela passagem de 
um dia. 
Considerando uma opção que tem 30 centavos de valor de 
expectativa, se faltam 30 dias para o vencimento, ela irá perder uma 
pequena porção destes 30 centavos pela passagem de um dia, 
porque tem 30 dias para perder tudo. Se faltam 10 dias, ela tem de 
perder uma porção maior destes 30 centavos pela passagem de um 
dia, porque faltam só 10 dias para ela perder todos estes 30 
centavos. Se faltam apenas 2 dias para o vencimento das opções, a 
perda terá de ser enorme em relação aos 30 centavos, porque ela 
tem apenas 2 dias para perder completamente os 30 centavos. 
Claro que em um exemplo real, conforme a opção perde valor de 
expectativa, pela passagem do tempo, menos valor de expectativa 
ela tem com exceção de situações de um aumento enorme na 
volatilidade em opções próximas ao preço da ação, mas ainda assim, 
se considerarmos a perda proporcional de valor, ela será sempre 
maior, apesar de que a perda absoluta em centavos poderá diminuir 
com a passagem do tempo. Importante lembrar que os movimentos 
da ação, não influenciam diretamente o valor de expectativa das 
opções, aumentando ou diminuindo apenas o valor verdadeiro ou 
intrínseco. Claro que um mercado muito forte ou um mercado muito 
fraco, podem alterar indiretamente as expectativas das opções, mas 
de forma direta, matemática, as variações de preço da ação, 
influenciam apenas o valor intrínseco da opção. 
37 
 
Numa licença matemática apenas para compreensão, pois a 
realidade matemática não é exatamente assim, poderíamos 
exemplificar da seguinte forma: 
 
Dias para o 
Vencimento 
Perda 
Percentual de 
VE pela 
Passagem de 1 
dia 
50 2% 
20 5% 
10 10% 
5 20% 
2 50% 
1 100% 
 
 
Vejam, que independente, do valor absoluto em centavos que a 
opção perde pela passagem de um dia, a perda proporcional ao 
valor de expectativa da opção é cada vez maior, quanto menos 
tempo faltar para o vencimento. 
Concluímos então que as opções perdem valor pela passagem de um 
dia, todos os dias e que estaperda de valor é proporcionalmente 
maior quanto menos tempo faltar para o vencimento. A perda de 
valor pela passagem do tempo, pode ser contrabalanceada pelo 
ganho em relação a alta da ação e/ou da volatilidade da ação, mas 
ainda que o prêmio da opção não caia ou até aumente, a opção terá 
perdido algum valor pela passagem de um dia. 
 
Influência da Distância 
38 
 
Outro fator importante na definição do preço das opções e na forma 
como os diversos fatores influenciam o preço das opções, é a 
distância do preço de exercício da opção para o preço da ação. 
Vejam o quadro abaixo com a Vale PN (VALE5) custando 42,80 a 33 
dias úteis do vencimento das opções: 
 
Preço de 
Exercício 
Prêmio 
36 7,40 
38 5,60 
40 3,95 
42 2,68 
44 1,65 
46 1,00 
48 0,54 
50 0,27 
52 0,13 
 
Quanto mais longe do preço da ação for o direito, menos ele vale. Se 
a VALE5 está 42,80, o direito de comprá-la por 48 não pode valer 
muito, mesmo com o tempo que falta para o vencimento, e o direito 
de comprá-la a 50 vale bem menos, porque é mais distante ainda. 
Quanto mais longe o preço de exercício da opção, menor o risco para 
o lançador de esta opção ser exercida, então ele aceita se colocar no 
risco da venda da opção por prêmios menores (porque ele tem um 
lastro de distância maior que compensa o prêmio menor, lastro de 
distância significando um espaço maior para a ação subir sem 
chegar ao preço de exercício da opção). Ao mesmo tempo, o 
interesse do comprador diminui ao passo que a opção vai ficando 
mais longe do preço. Este equilíbrio faz as opções custarem menos, 
quanto mais longe forem do preço da ação. Conforme o preço de 
exercício da opção se aproxima do preço da ação, o lançador vai 
39 
 
exigir prêmios mais altos, porque o risco dele ser exercido é maior e 
o comprador estará disposto a pagar mais por uma expectativa 
maior da opção ser exercida. 
O preço de exercício é estático, mas conforme a ação varia, a opção 
se torna mais próxima ou mais distante do preço da ação. O preço de 
exercício não varia, mas a distância dele para o preço da ação varia 
devido as variações da ação. Além disso, esta distância não é 
absoluta, ele depende do tempo e da volatilidade. A mesma distância 
é maior quanto menos tempo falta para o vencimento das opções e 
menor quanto mais volátil for o mercado. 
Se falta menos tempo para o vencimento, há menos tempo hábil 
para a ação conseguir subir e chegar até o preço de exercício da 
opção, logo a distância é “maior” proporcionalmente. Já a 
volatilidade mais alta traz variações mais expressivas da ação, 
fazendo a mesma distância ficar proporcionalmente “menor” , pois 
uma ação mais volátil tem maior possibilidade de preencher 
distâncias maiores. 
Todas as opções perdem valor todos os dias pela passagem do 
tempo. E esta perda é mais expressiva proporcionalmente ao preço 
da opção, quanto mais longe do dinheiro (OTM) a opção for. Todo o 
valor de uma opção OTM, ou seja, que tem o preço de exercício mais 
alto do que o preço da ação é valor extrínseco ou de expectativa. 
Devido à expectativa e ao risco da ação subir e atingir o preço de 
exercício da opção antes do vencimento da opção, estas opções tem 
um valor de expectativa ou extrínseco que de certa forma equivale a 
este risco, mas de qualquer forma, quanto maior a distância do 
preço de exercício da opção para o preço da ação (comparando 
opções com a mesma data de exercício), menor o prêmio da opção. 
E esta distância é maior proporcionalmente conforme o tempo 
diminui, ou seja, há menos tempo para a ação preencher esta 
distância então a opção vale menos. Esta distância também é 
proporcionalmente menor se a volatilidade da ação for maior. Ações 
mais voláteis variam mais e conseguem suplantar distâncias 
maiores. Logo a distância não é também algo fixo. A mesma 
distância é “maior” se falta menos tempo e “menor” se a volatilidade 
é maior. 
 
40 
 
Combinando as Influências 
A princípio quanto mais distante a opção do preço da ação, menor o 
prêmio dela. Analisando somente a distância, isso é claro e obvio 
como podemos ver no quadro abaixo. Mas vamos comparar o 
primeiro vencimento abaixo com outro em que só faltam 15 dias 
com a Vale a 42,80. 
 
Preço de 
Exercício 
Prêmio a 
33 dias 
Prêmio a 
15 dias 
36 7,40 7,20 
38 5,60 5,27 
40 3,95 3,40 
42 2,68 1,81 
44 1,65 0,66 
46 1,00 0,25 
48 0,54 0,09 
50 0,27 0,03 
52 0,13 0,01 
 
Apesar da mesma distância, as opções com menos tempo de vida 
custam menos. E, mais importante que isso, mesmo opções mais 
distante chegam a custar mais que opções com menos tempo 
faltando até o vencimento, quando incluímos a influência do tempo. 
Vejam que a opção de preço de exercício de 44 com 15 dias de vida 
custa 0,66 e a de preço de exercício de 46, mais distante, mas com 
mais que o dobro de vida útil, custa mais, 1,00. 
O mercado vai ajustando todos estes fatores. A distância deve ser 
estudada a princípio isoladamente para se entender a influência 
dela e assim temos de fazer com os principais fatores: Preço da 
Ação, Tempo, Volatilidade e Preço de Exercício (A distância é a 
41 
 
combinação de Preço da Ação com Preço de Exercício), mas temos 
que saber também, que na prática, estes fatores se entrelaçam na 
definição dos prêmios das opções. 
Considerando a distância em relação ao tempo e a volatilidade é 
fácil traçar um paralelo voltando às corridas. 
Você precisa correr 10KM. E nós vamos apostar na chance de você 
conseguir completar os 10KM. Se eu te dou 2 horas para completar 
os 10KM, todos vão apostar em você, a chance de você conseguir 
completar o percurso é enorme, pois até andando da para percorrer 
10KM em duas horas, mas obviamente a aposta não vai pagar muito 
pois as chances de êxito são enormes. Os que estiverem apostando 
contra, irão exigir relações muito favoráveis a eles para aceitarem 
esta aposta. 
Se eu mudo e exijo os 10KM em uma hora, menos gente vai querer 
apostar em você e os que apostam contra você já começam a aceitar 
condições um pouco piores pois agora há uma chance maior de você 
não conseguir completar a corrida. Se eu determino 30 minutos, 
bem pouco tempo, quase ninguém vai apostar em você, pois apenas 
profissionais de ponta conseguem completar 10KM abaixo de 30 
minutos. Por outro lado, quem ainda assim apostar em você irá 
receber um belo pagamento se você conseguir vencer os 10KM em 
30 minutos. Conforme o tempo foi diminuindo, você foi 
proporcionalmente valendo menos, o que fez com quem apostasse 
em você passasse a arriscar cada vez menos para ganhar cada vez 
mais, já que a chance de ganho ia diminuindo conforme se diminuía 
o tempo. Do outro lado de quem apostava contra você, as chances de 
ganhar a aposta foram aumentando conforme o tempo diminuía 
logo estes iam aceitando progressivamente pagar mais pelas 
apostas (ou receber menos). 
As opções mais distantes se tornam relativamente “mais próximas” 
se é dado a elas mais tempo de vida. Vejam na tabela acima que a 
opção de preço de exercício de 46, mas com 33 dias de vida, vale 
mais que a de preço de exercício de 44, ou seja, mais próxima, mas 
com menos tempo de vida. 
O outro aspecto a considerar é a volatilidade, que nada mais é o 
quanto e com que intensidade a ação varia. Ações com grande 
variações de preço são muito voláteis e as que andam de lado, sem 
42 
 
grandes variações de preço, são pouco voláteis. A princípio ações 
mais voláteis colocam os lançadores em maior risco, pois se a ação 
se movimenta mais, o risco do exercício é maior, e este em 
consequência exige prêmios mais altos, o que faz com que vejamos 
opções com maiores valores de expectativa (VE) em épocas de 
volatilidade alta da ação e opções mais “magras” quando a 
volatilidade é menor. 
Voltandoa nossa corrida, a volatilidade poderia ser de certa forma 
comparada a velocidade do corredor. Não é uma comparação 
perfeita, pois volatilidade é igual a variação para qualquer lado, não 
importa se para cima ou para baixo mas o exemplo e a comparação 
servem aos nossos propósitos, então vamos usá-la. Se eu te coloco 
para correr os 10KM, e coloco um profissional Queniano, entre os 
melhores do mundo, para correr 15KM, provavelmente ele vai 
chegar antes de você, a não ser que você seja um exímio corredor. 
Como opção ele vai “valer” mais que você apesar de ter uma 
distância maior a percorrer. 
Obviamente que no mercado, comparando opções da mesma ação, 
todas serão influenciadas pela volatilidade da mesma ação, que será 
a mesma para todas, mas esta influência será diferente de acordo 
com o tempo para o exercício e a posição em relação ao preço da 
ação de cada opção. A influência de qualquer coisa positiva na 
opção, positiva no sentido de fazer com que ela ter maior 
expectativa (e maior VE - valor extrínseco), será tanto maior, quanto 
maior for a chance dela ser exercida. Uma opção próxima do 
dinheiro irá responder mais a um aumento de volatilidade do que 
uma muito distante, pois a mais próxima já tem uma grande 
expectativa (e risco) de ser exercida e este risco irá aumentar 
consideravelmente se a volatilidade aumentar ou se o preço da ação 
aumentar, diminuindo a distância. Uma opção muito distante irá 
responder pouco as duas influências, pois a despeito da chance (ou 
risco) de ser exercida ter aumentado, esta chance ainda é muito 
pequena estando ela ainda muito distante do preço da ação. 
Novamente nas corridas, Se você é um corredor que chega próximo 
de correr 10KM em uma hora, pequenas variações no tempo como 
passar de 1 hora para 1hora e 10 minutos, ou diminuir um pouco a 
distância (preço da ação) ou até mesmo aumentar uma pouco de 
43 
 
alguma forma a sua velocidade de corrida (volatilidade) podem 
fazer com que você consiga cumprir a prova. 
Agora se eu te desafio a correr 40KM, não faz muita diferença se eu 
te dou uma ou duas horas para cumprir os 40KM as suas chances 
continuam praticamente nulas ( a não ser que você esteja entre os 
melhores corredores do mundo), e o seu “valor” permanece muito 
baixo. Mesmo que eu diminua um pouco a distância para uns 35KM, 
suas chances ainda são pequenas e até aumentar um pouco a sua 
velocidade não vai resolver. Mesmo para um profissional de corrida 
não é garantido que ele irá conseguir cumprir os 40KM em 2 horas. 
Estas mudanças irão fazer com que seu “valor” ou o valor de apostar 
em você seja muito influenciado positivamente no primeiro exemplo 
dos 10KM mas terão pouco valor nas apostas em você nos 40KM. 
Quando as chances são muito pequenas, somente grandes mudanças 
irão provocar resultados expressivos. 
Resumo das influências: 
 O Preço da Ação influencia positivamente o prêmio da opção 
Quando o preço da ação sobe, o preço das opções tendem a 
subir. 
 A passagem do Tempo influencia negativamente o prêmio das 
opções. Conforme o tempo passa, menos valem as opções. 
Quanto maior o Tempo, mais valem as opções, se as outras 
condições forem as mesmas, mas a passagem do Tempo faz as 
opções valerem menos. 
 A Distância influencia negativamente o prêmio das opções. 
Quanto maior a distância do preço de exercício da opção para 
o preço da ação, menor o preço da opção. 
 A Volatilidade influencia positivamente o prêmio das opções. 
Quanto maior a volatilidade da ação, maiores tendem a ser os 
prêmios das opções. 
 A taxa de juros influencia pouco a não ser em ambientes de 
grandes variações nas taxas de juros. 
Para concluir as influências podemos dizer que: 
44 
 
O PRÊMIO DE UMA OPÇÃO SÓ SOBE SE O EFEITO NELE DA ALTA DO 
PREÇO DA AÇÃO E/OU DA VOLATILIDADE FOR MAIOR DO QUE A 
PERDA DE VALOR PELA PASSAGEM DO TEMPO, E A DISTÂNCIA 
AINDA PERMITIR QUE ESTAS INFLUÊNCIAS POSITIVAS SURTAM 
EFEITOS REPRESENTATIVIVOS NA OPÇÃO. 
Em outras palavras, para uma opção variar positivamente (subir de 
preço), e ter chance de ser exercida, é necessário que a influência 
positiva da alteração no preço da ação e/ou aumento da volatilidade 
sejam maiores que as influências negativas do tempo e da distância. 
E para terminar, novamente, em opções você tem sempre que saber 
O QUE (preço da ação), QUANDO (tempo), AONDE (preço de 
exercício, distância) e COMO (Volatilidade). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
 
CAPÍTULO IV 
O VALOR DE EXPECTATIVA DAS OPÇÕES (VE) 
 
O que é VE? 
As opções têm um valor, um preço, que é chamado de prêmio. Assim 
como qualquer ativo financeiro, as opções têm um custo a qualquer 
momento. O valor da opção, ou prêmio é dividido em duas partes: 
Valor Intrínseco e Valor Extrínseco (VE). Vamos dissecar uma opção 
para compreender estes dois valores: 
Com a Vale PNA (VALE5) a 37 reais, a duas semanas do vencimento: 
 
Opção Preço de 
Exercício 
Preço da 
Opção 
Valor 
Intrínseco 
Valor 
Extrínseco 
(VE) 
VALEI34 34,00 3,50 3,00 0,50 
VALEI36 36,00 1,92 1,00 0,92 
VALEI38 38,00 0,95 0 0,95 
VALEI40 39,60* 0,44 0 0,44 
VALEI42 42,00 0,11 0 0,11 
VALEI44 44,00 0,03 0 0,03 
 
*Nota: Eventualmente surgem opções com os Preços de Exercício 
tortos, e o nome da opção com o preço correto permanece. Isso 
acontece devido a distribuição de dividendos e outros proventos. Na 
hora que uma ação vira EX-Dividendos, e o valor dos proventos são 
retirados dela, todas as opções lançadas até aquele momento, 
independente da série e data de lançamento tem o valor líquido 
retirado dos seus preços de exercício. Como as vezes umas são 
lançadas antes de outras na mesma série, opções tortas ocorrem as 
vezes como no exemplo da tabela. 
O Valor intrínseco é o valor verdadeiro da opção. Olhando na 
Tabela a opção VALEI34 com preço de exercício de 34 reais é o 
46 
 
direito de comprar Vale PNA a 34 reais. Estando a ação a 37 reais, 
seria dar dinheiro de graça vender esta opção por menos do que 3 
reais que é a diferença entre o preço da ação e o preço de exercício 
da opção. 
Vamos exemplificar. Se alguém me vendesse esta opção (VALEI34) 
por 2 reais por exemplo, eu poderia exercê-la, o que significa 
comprar VALE5 a 34 reais e vender a ação no mercado a 37 reais, 
auferindo um lucro de 1 real (37-34 -2). Como eu só paguei 2 reais 
na opção, o vendedor teria me dado 1 real por cada opção 
negociada. Logo o valor verdadeiro ou intrínseco é o valor mínimo 
que a opção pode ser vendida, ou seja, o preço da ação menos o 
preço de exercício da opção:·. 
[Valor Intrínseco = Preço da Ação – Preço de Exercício da Opção] 
 
obs.: Essa fórmula é válida se o resultado for positivo, pois, se o 
resultado for negativo, a opção é OTM e não tem valor intrínseco. 
Apesar de ser importante conhecer o conceito de Valor Intrínseco, ele 
não é tão importante para operar opções. O que se opera é o valor 
extrínseco ou VE. O Valor Intrínseco varia de acordo com os 
movimentos da ação, pois como vemos na fórmula acima ele é 
dependente do preço da ação. 
Se o valor intrínseco é o valor da opção preenchido pela ação, o valor 
extrínseco é o que sobra, o que vai além do preço da ação, logo as 
opções fora do dinheiro, ou OTM só tem valor extrínseco (VE).·. 
[Valor Extrínseco (VE) = Prêmio Opção – Valor Intrínseco] 
 
Vamos pegar, por exemplo, a opção na tabela acima de preço de 
exercício de 36 reais. A ação está 37 reais, logo a ação preenche a 
opção em 1 real, de 36 a 37 reais. O que sobra além disso é VE. A opção 
está valendo 1,92 logo ela tem a seguinte configuração: 
 
 
Valor Intrínseco Valor Extrínseco (VE) 
1 Real 0,92 Centavos 
47 
 
 
Ou seja, o VE é o prêmio da opção menos o valor intrínseco, em outras 
palavras, tirandoo valor intrínseco da opção, sobra o VE. E podemos 
dizer que a opção em essência é apenas isso, o VE. Porque a parte de 
valor intrínseco da opção é como se fosse uma “açãozinha.” Se a ação 
sobe 1 real, a opção ganha 1 real de valor intrínseco. Se a ação cai 1 
real, ela perde 1 real de valor intrínseco. Claro que isso só vale para as 
opções ITM ou dentro do dinheiro, pois as OTM ou fora do dinheiro, 
como não têm valor verdadeiro, ou intrínseco e são constituídas 
apenas de VE, não ganham valor intrínseco a não ser se com a alta da 
ação, passem a ficar ITM. 
Como Funciona o VE 
Vamos ver uma série de opções e os respectivos VEs com Petrobrás PN 
(PETR4) a 39 reais a 30 dias do vencimento das opções: 
Preço de 
Exercício 
Prêmio VE Posição 
24 15,00 0,00 ITM 
26 13,05 0,05 ITM 
28 11,15 0,15 ITM 
30 9,30 0,30 ITM 
32 7,33 0,33 ITM 
34 5,53 0,53 ITM 
36 3,90 0,90 ITM 
38 2,29 1,29 ATM 
40 1,35 1,35 ATM 
42 0,75 0,75 OTM 
44 0,35 0,35 OTM 
46 0,15 0,15 OTM 
48 0,07 0,07 OTM 
50 0,04 0,04 OTM 
Observem o comportamento do VE. Ele é pequeno bem ITM, vai 
progressivamente aumentando até chegar nos maiores VEs que são 
nas opções ATM. Daí ele volta a diminuir progressivamente quanto 
mais OTM fica. 
O que acontece? As opções são direitos de comprar a ação a 
determinado preço até determinada data. Como a ação sempre pode 
subir, ainda que possa acontecer de não subir também, há uma 
48 
 
expectativa de que ela suba, e esta expectativa é inserida no preço da 
opção como o VE. 
Porque isso? Vamos dizer que eu compre o direito de comprar PETR4 a 
42, direito este que com PETR4 a 39 teoricamente não vale nada já que 
no mercado eu posso comprar a ação por 39 reais, só que para isso eu 
gasto 39 reais por ação e comprando a opção de preço de exercício 
(PE) de 42 eu gasto apenas 75 centavos por opção e cada opção me dá 
o direito a comprar uma ação a 42 reais se assim eu quiser. Como ainda 
faltam 30 dias úteis para o vencimento da opção, pode ser que neste 
período a PETR4 suba além do meu direito (somado ao que eu paguei 
por ele) e eu possa fechar a operação com lucro. O vendedor, ou 
lançador da opção assume este risco e por isso ele exige um prêmio 
para se colocar no risco. 
Pois bem, e onde é maior esta expectativa e maior é o risco do 
lançador? Nas opções ATM. As opções muito ITM praticamente não 
tem mais VE porque agora elas apenas seguem a ação e não há porque 
inserir expectativa nelas, já que elas têm uma chance enorme de serem 
exercidas, que significa chegar ao dia do vencimento abaixo do preço 
da ação. Não há expectativa em um fato quase que certo. Há 
expectativa no que se tenta realizar. Se a PETR4 está 39 qual a chance 
de uma opção de preço de exercício de 26, por exemplo, chegar ao dia 
do vencimento dentro do dinheiro, ou com o preço de exercício abaixo 
do preço da ação? Enorme. Para isso não acontecer a Petrobrás PN 
teria que cair mais de 13 reais ou mais de 33% em apenas 30 dias, o 
que não é impossível mas é pouco provável. O mercado de opções se 
protege do possível, mas precifica o provável. Então favas contadas, 
não há apostas interessantes a fazer nesta opção e por isso ela tem 
pouco VE. 
Os lançadores de opções, ou vendedores, são basicamente dois grupos: 
Os que estão realmente vendendo opções seja coberto, travado ou até 
mesmo descoberto.* Estes estão se colocando no risco da alta da ação, 
especialmente a alta forte pois estando eles vendidos nas opções, eles 
perdem se a ação subir de preço e por consequência isto fizer a opção 
se valorizar. E os operadores de taxa, também chamados de 
financiadores, que vendem opções sobre sua carteira de ações com o 
objetivo de serem exercidos e ganharem a taxa da venda da opção. 
Estes assumem o risco da queda da ação, pois com uma queda forte o 
valor da opção vendida não será suficiente para proteger a carteira de 
ações da queda e a operação será fechada no prejuízo. Logo o risco dos 
49 
 
dois é o movimento forte, ou seja, a alta volatilidade. Este movimento 
forte se ocorrer será mais intensamente sentido nas opções ATM ou no 
dinheiro já que são as que têm um prêmio menor em relação ao 
potencial de variação. 
*Nota: No mercado de opções o investidor pode operar comprado, ou 
seja, comprando uma opção para ganhar se esta subir de preço ou 
vendido, que significa vender uma opção que não possui para ter lucro se 
esta cair de preço. Há também operações combinadas com compra e 
venda de opções diferentes. O ato de vender o que se comprou se chama 
zerar uma compra e o ato de comprar o que se vendeu se chama zerar ou 
cobrir uma venda. Quando se diz vender no mercado de opções, está se 
referindo a vender o que não se tem, montar uma operação vendida, com 
o intuito de lucrar no caso de queda da opção (normalmente por 
derretimento do VE pela passagem do tempo). A venda deve ser sempre 
travada ou coberta. A venda descoberta é uma operação ineficiente de 
risco ilimitado que nunca deve ser feita. 
Isso é fácil de entender. Voltamos ao quadro acima e vamos avaliar a 
opção de preço de exercício de 26. Ela vale 13 reais e praticamente só 
tem valor verdadeiro ou intrínseco. Uma queda ou alta de 2 reais da 
ação vai fazer com que ela provavelmente varie os 2 reais pois ela terá 
de ganhar ou perder 2 reais em valor verdadeiro (intrínseco) e como 
ela praticamente não tem VE e nem vai ganhar ou perder muito já que 
uma variação de 2 reais vai mantê-la muito ITM, a variação percentual 
será de aproximadamente 15% (2/13) e quase que toda em valor 
intrínseco, ou seja, sem grande risco, já que a ação irá variar os 
mesmos 2 reais na outra direção, compensando um possível prejuízo. 
Claro que para quem estiver vendendo esta opção “a seco”, ou seja, sem 
a proteção de uma carteira de ações ou de uma trava, o risco da queda 
é enorme, mas vamos nos ater as operações cobertas ou travadas que 
são as que devem ser feitas. A venda de opções ITM ou dentro do 
dinheiro será normalmente coberta por ações na modalidade operação 
de taxa. Neste sentido, o risco nestas opções é baixo, pois sendo a 
variação dela praticamente toda composta de valor intrínseco, isso 
será total ou quase que totalmente compensado pela outra perna da 
operação, que é sempre feita na direção contrária. 
Agora peguem a opção ATM de PE de 40 que está valendo 1,35 sendo 
tudo VE já que a PETR4 está 39 reais, ou abaixo do PE da opção. Se a 
PETR4 variar 2 reais para baixo ela teoricamente deve ir para as 
redondezas dos 0,75 (valor da opção de PE de 42 reais) e se a PETR4 
50 
 
variar 2 reais para cima ela deve ir para as redondezas dos 2,29 (valor 
da opção de PE de 38 reais).* 
*Nota: Esta é uma aproximação teórica mas que serve aos propósitos 
do estudo. 
A variação da opção ATM apesar de menor em termos absolutos, em 
centavos, é bem maior em termos proporcionais, em percentuais, 
variando 44% para baixo na queda de 2 reais e 69% para cima na alta 
de 2 reais da ação, em contraste com os 15% de variação da opção ITM 
de preço de exercício de 24 reais. Esta desproporção de variação da 
opção em relação ao seu preço faz com que o risco dos lançadores nas 
ATMs seja maior e eles exijam prêmios maiores (mais VE) para se 
colocar neste risco ao mesmo tempo em que mais compradores se 
apresentam devido a possibilidade de lucros maiores. Este balanço 
com compradores dispostos a pagar mais e vendedores exigindo mais, 
faz com que os VEs destas opções sejam maiores, pois a expectativa 
nelas é grande já que estão bem próximas do preço da ação. Repito que 
a possibilidade uma opção ITM ser exercida é maior, assim como seu 
prêmio total as custas de valor intrínseco, mas como já mostramos o 
risco nela é menor além do que para os financiadores a proteção contra 
quedas é enorme. Pende também nesta balança o desinteresse dos 
compradores de negociar opções de alto valor(pois aí se torna mais 
eficiente operar a própria ação), o que faz com que o VE destas seja 
pequeno. 
As opções OTM podem até ter variações proporcionais grandes, mas 
tem variações pequenas em centavos e além do mais precisam de 
movimentos extraordinários para que a ação chegue ao preço delas.** 
O risco que estamos considerando aqui tem a ver com o tamanho da 
variação da ação e sua resposta na opção, além do risco da opção ser 
exercida, ou seja, a ação chegar no dia do vencimento acima do preço 
de exercício da opção. As opções OTM, podem até ter variações 
expressivas percentuais pois valem muito pouco e qualquer variação 
pode se tornar significativa percentualmente, mas estão muito longe 
do preço, e em relação a variação da ação, só irão produzir variações 
expressivas nas altas verdadeiramente amplas da ação. Sendo assim, o 
risco delas serem exercidas é bem baixo, a pressão compradora é 
menor, e os lançadores não exigem tanto o que faz com que o VE seja 
pequeno. 
51 
 
** Nota: Apesar disso há um risco enorme na venda de opções de 
centavos. Analisando puramente de forma matemática, o risco parece 
menor nas OTM porque a ação tem que subir muito para chegar nelas, e 
matematicamente isso até é verdade considerando a mesma quantidade 
de opções vendidas. O problema é que as muito OTM valem pouco e 
normalmente não são exercidas, então o pequeno investidor começa a 
vendê-las e ganhando muitas vezes a venda, vai aumentando a aposta 
até que um dia, em uma alta forte da ação, ele quebra. Portanto não 
venda opções de pouco centavos, nem ache que o risco da venda delas é 
menor. 
Assim, fica explicado porque o risco (e VE) maior nas ATM, nas opções 
que tem o preço de exercício próximo do preço da ação; são opções que 
a despeito de seu baixo preço, variam com bastante intensidade em 
relação a variações da ação que nem precisam ser tão grandes. As 
vezes variações de poucos reais nas ações já produzem efeitos 
extraordinários nestas opções, especialmente próximo ao vencimento 
das opções. Reitero entretanto que o risco da venda de opções muito 
OTM, valendo poucos centavos, apesar de matematicamente parecer 
menor, é enorme e termina sempre em prejuízos enormes. Só se deve 
vender o que vale a pena ser vendido. As opções OTM são usualmente 
as escolhidas para a maior parte das estratégias de Venda de VE mas 
tem de ser as que tenham valor que valha a pena ser vendia e não as de 
poucos centavos apenas. 
Lembrando os dois agentes vendedores de opções que são afetados 
pela variação intensa do preço das ações, o risco é maior nestas opções 
próximas do dinheiro e, portanto é nestas que eles vão precisar de um 
“colchão” maior (mais VE) para se colocar no risco da venda. Este 
lastro maior é um maior VE que permite que variações maiores 
ocorram sem que o vendedor entre na área de prejuízo. Como as muito 
ITM não apresentam o risco das variações percentuais enormes na alta 
e tem grande proteção na queda, os lançadores não precisam de um 
colchão de segurança tão grande para vendê-las e os compradores não 
estão dispostos a fornecer este colchão porque estas opções não são 
eficientes para comprar. Já nas OTMs, a despeito de até poderem ter 
grandes variações percentuais em certas circunstâncias, a chance de 
serem exercidas é muito pequena e necessitam de altas 
verdadeiramente intensas das ações para tanto, logo o colchão 
necessário em VE não precisa ser tão grande, porque já há o lastro da 
distancia do preço da ação para o strike (PE) da opção. 
52 
 
 
EQUILIBRIO E ANALISE DO VE 
Três critérios devem ser analisados sempre que for Vender VE: 
Tamanho do VE 
Lastro (Distância) do VE 
Tempo do VE 
Junto a estes três se observa também a volatilidade do mercado ou 
do ativo subjacente (ação). 
 
- Quanto maior o Tamanho do VE a ser vendido, melhor, mas 
Tamanho maior implica em Lastro menor e/ou Tempo maior. 
- Quanto maior o Lastro do VE a ser vendido, melhor, mas Lastro 
maior implica em Tamanho menor e/ou Tempo maior. 
- Quanto menor o Tempo do VE a ser vendido, melhor, mas Tempo 
menor implica em Tamanho menor e/ou Lastro menor. 
 
No equilíbrio destes três fatores que se definem as opções a servem 
vendidas dentro dos critérios de cada um. 
Lastros maiores aumentam a taxa de acertos. 
Tamanhos maiores ou Tempo menores aumentam os retornos 
potenciais, mas se vierem acompanhados de Lastros menores, como 
geralmente virão, trarão junto um risco maior. 
 
Vamos a exemplos no Quadro de Opções da Bastter.com: 
 
53 
 
 
Obs: Os Strikes quebrados são devido a distribuição de dividendos. 
 
Neste momento a PETR4 estava a 19,54 e faltavam 27 pregões para 
o vencimento das opções da Série G. Separei as opções ITM das OTM 
que são as que nos interessam. Observem que nas opções OTM 
conforme vamos indo mais para longe da ação (Lastro maior) o 
Tamanho (ou VE) da opção vai diminuindo. Isso sempre vai ser 
assim e tem uma explicação simples: Tudo em opções está 
relacionado a risco e probabilidades. A probabilidade de PETR4 ir 
até a data do vencimento da Série G, a 20,34 (Strike da G21) é maior 
do que ir a 21,34 (Strike da G22), logo a G21 vale 0,48 enquanto que 
a G22 vale somente 0,21. A expectativa na G21 tem sempre que ser 
maior do que na G22 já que a probabilidade da G21 ser exercida (O 
papel andar 3,78% no período) é bem maior do que da G22 ser 
exercida (O papel tem de andar 8,88% no período). Observem na 
Coluna Lastro (Distância) que ele é maior, quanto mais longe o 
Strike da opção é do preço atual da ação. 
Pode-se observar também no quadro que todo o valor (Coluna 
Preço) das opções OTM é composto de VE (Coluna VE). O mesmo 
não é verdade nas opções ITM (Strike abaixo do preço da ação) que 
54 
 
possuem Valor Verdadeiro (intrínseco) e VE (Preços diferentes de 
VE). 
Sendo assim este quadro nos demonstra a primeira relação, que diz 
que para o mesmo Tempo, quanto maior a Lastro, menor o 
Tamanho. Vamos observar agora variações no Tempo: 
55 
 
 
56 
 
 
A Série F acima tem 8 pregões para o vencimento e a Série G abaixo, 
27 pregões. O Tempo é maior na Série G do que na F. Considerando 
primeiro a relação Tamanho e Tempo vemos claramente que quanto 
menor o Tempo, menor o Tamanho. F21 vale bem menos do que 
G21. F22 vale bem menos do que G22 e assim por diante. 
Novamente as probabilidades explicam isso facilmente. 
Considerando as opções de Strike 21,34 (F22 e G22) e Lastro 
(Distância) de 8,88%, a probabilidade da PETR4 subir 8,88% é 
muito maior em 27 pregões do que em 8 pregões, por isso o 
mercado capta um risco maior na G22 do que na F22 e por isso a 
G22 vale bem mais do que a F22. 
 
Vamos a outro exemplo: 
 
 
 
Observem que a F21 com Strike de 20,34 e Lastro de 3,78% tem o 
mesmo valor que a H23 de Strike de 23,00 e Lastro de 17,35%. O 
que explica isso? Tempo. Como a F21 vence em 8 pregões e a H23 
em 49 pregões, o mercado considera que as duas tem 
57 
 
probabilidades semelhantes, ou seja, é mais ou menos a mesma 
chance da PETR4 subir 3,78% em 8 pregões do que subir 17,35% 
em 49 pregões. 
O que se vê é que o Tempo maior será compensado por mais 
Tamanho e/ou Lastro. O Tempo menor terá de aceitar menos 
Tamanho e/ou Lastro. 
 
As perguntas que o investidor que vai lançar opções tem de 
aprender a fazer é: 
Para este Tamanho, o Tempo e a Lastro estão adequados? 
Para este Lastro, o Tamanho e o Tempo estão adequados? 
Para este Tempo, o Tamanho e a Lastro estão adequados? 
Este Tamanho menor tá sendo compensado por Lastro maior e/ou 
Tempo menor? 
Este Tamanho maior não traz risco excessivo em Lastro menor e/ou 
Tempo maior? 
Este Lastro menor tá sendo compensado por um Tamanho maior 
e/ou Tempo menor? 
Este Lastro maior não traz risco excessivo emTamanho menor e/ou 
Tempo maior? 
Este Tempo maior tá sendo compensado por Tamanho e/ou Lastro 
maiores? 
Este Tempo menor não traz risco excessivo em Tamanho e/ou 
Lastro menores? 
 
Vejo muitas vezes operadores falando de apenas um dos três fatores 
o que não faz muito sentido com perguntas do tipo: 
- Este Tempo não tá muito grande? 
- Com este Lastro qualquer venda é boa. 
58 
 
Não existe a análise de nenhum destes fatores isoladamente. Tempo 
grande, por exemplo, não existe. O que importa é se ele tá sendo 
compensado adequadamente por mais Tamanho e/ou Lastro. Lastro 
grande por si só não garante nada se o Tamanho e o Tempo não 
forem adequados aquele Lastro. 
Claro que esta experiência só vem com o tempo e treinamento, 
sendo uma das razões que se deve começar operando bem pequeno 
 
. Mas quanto antes começar a analisar o equilíbrio entre estes três 
fatores no quadro de opções, melhor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
 
CAPÍTULO V 
É FÁCIL COMPREENDER A VOLATILIDADE 
 
O que é Volatilidade? 
O termo volatilidade assusta quem está aprendendo opções. Seria 
bom podermos ignorá-lo, mas sem entender a volatilidade e a 
influência dela nas opções, a compreensão das opções ficará 
incompleta. 
Acontece que volatilidade, apesar do nome, é um conceito bem 
simples. E a influência da volatilidade sobre as opções também. 
Claro que as fórmulas de volatilidade são complexas, mas não há 
necessidade de conhecer as fórmulas a fundo para entender o 
conceito. Claro que quem quiser basta ir à Internet e olhar as 
fórmulas, será bom para seu aprendizado, mas não é essencial. 
O essencial é aprender como a volatilidade influencia as opções e ter 
uma ideia de que nível está a volatilidade da ação*. E para saber e se 
beneficiar disso não é necessário aprender nenhuma fórmula 
complexa. 
*Nota: Diversos programas e plataformas de acompanhamento da 
bolsa oferecem a volatilidade das ações. Isso pode ser acompanhado 
também no Quadro de Opções da Bastter.com. 
 
A volatilidade que estamos nos referindo aqui é a da ação. Existe 
outra volatilidade que é a da opção, chamada de volatilidade 
implícita que é mais uma influência da volatilidade da ação na 
opção. 
Mas afinal, o que é volatilidade? Nada mais do que movimento, 
variação. Se uma ação varia muito, ela é dita muito volátil. Se outra 
varia pouco, ele é pouco volátil. A volatilidade da primeira ação é 
alta e da segunda é baixa. 
Se a Ação A varia no período estudado de 20 a 60 e a Ação B de 38 a 
42 é fácil ver que a Ação A é muito mais volátil que a Ação B. Claro 
que em cima disso há muito estudo e muita matemática e muita 
60 
 
teoria, mas para compreender a influência sobre as opções, basta 
entender este conceito simples. 
 
Influência da Volatilidade nas Opções 
Quanto maior a volatilidade da ação, maiores serão os prêmios das 
opções, pois o VE (valor extrínseco das opções) será maior. Uma 
maior volatilidade significa mais risco e mais risco leva a VEs 
maiores. Os lançadores (vendedores) passam a exigir prêmios 
maiores para assumir o risco maior em épocas de maior 
volatilidade, e isso acaba por aumentar o VE das opções e por 
consequência o prêmio total. O risco dos lançadores é maior porque 
para os vendedores de opções, pode ocorrer forte alta da ação 
ocasionando grandes prejuízos. Já para os financiadores (compram 
a ação e lançam opções dentro do dinheiro ou ITM) são necessários 
prêmios maiores das opções o que lhes dá uma maior proteção 
contra quedas fortes. Assim o equilíbrio tende a prêmios maiores 
em ambientes de alta volatilidade. 
Se a volatilidade da ação é alta, o risco de opções fora do dinheiro 
serem exercidas é maior. Claro que a volatilidade pode aumentar 
para qualquer direção, com a ação subindo ou caindo, mas se ela se 
move com intensidade ela pode não só exercer opções bem fora do 
dinheiro como passar direto e levar opções de alguns centavos a 
alguns reais. Por outro lado o mercado pode desabar e todas as 
opções morrerem sem valor. Tudo pode, mas o fato concreto é que 
com mais volatilidade, isto é, se a ação tem variações mais 
expressivas, o risco para o lançador é maior e por isso ele exige 
prêmios maiores o que infla o preço das opções. 
Em um ambiente de baixa volatilidade, por outro lado, o risco do 
exercício diminui, e o lançador começa a aceitar prêmios menores 
ao mesmo tempo que a pressão compradora diminui e isso vai 
fazendo com que os prêmios das opções fiquem menores as custas 
de VE menores. 
 
Exemplo Prático 
61 
 
Vejamos um exemplo teórico para deixar bem sólido o conceito da 
influência da volatilidade no prêmio das opções: 
Consideramos três ações e a variação delas: 
Ação 1 – Varia de 49 a 51 reais 
Ação 2 – Varia de 48 a 52 reais 
Ação 3 – Varia de 46 a 54 reais 
Só variam cada uma entre os dois preços acima. Isso é apenas um 
exemplo teórico para ilustrar o conceito. Já sabemos que a ação 1 é a 
menos volátil e a 3 a mais volátil, pois as variações da ação 3 são as 
maiores e as da ação 1 as menores. Além disso, a 3 é a que atinge 
limites de preços maiores e a 1, os menores. A 2 fica numa posição 
intermediária entre as duas. 
Vamos ver agora o que acontece com a opção de preço de exercício 
de 50 reais das três ações em uma situação hipotética faltando 20 
dias para o vencimento das opções (exercício): 
 
Ação Preço da 
Ação 
Prêmio da Opção no 
Exercício 
Prêmio da Opção 
Ação 1 49 ou 51 0,00 ou 1,00 0,50 
Ação 2 48 ou 52 0,00 ou 2,00 1,00 
Ação 3 46 ou 54 0,00 ou 4,00 2,00 
 
Explicando a tabela o que vemos é que a Ação 1 que só varia entre 
49 e 51 só pode custar no momento do exercício das opções 49 ou 
51 reais. Analisando a opção de preço de exercício (strike) de 50 
reais desta ação, no momento do exercício ou ela vai custar zero 
(ação a 49) ou 1,00 (ação a 51). Como o mercado não tem como 
saber se a ação vai custar 49 ou 51 no vencimento das opções só lhe 
cabe precificar a opção a 0,50. 
Na ação 2, como a variação é maior e as possibilidades no exercício 
para a opção são entre 0,00 e 2,00 o mercado precifica em 1,00 (a 
62 
 
média entre as duas possibilidades). Na ação 3 a precificação chega 
a 2,00 devido a variações maiores. 
Óbvio que esta não é uma situação real, mas demonstra bem o que 
acontece no mercado. A percepção de risco por parte dos lançadores 
de opções advém de variações maiores na ação (maior volatilidade). 
É fácil ver isso no quadro acima. Se uma opção só pode variar entre 
0,00 e 1,00 eu posso aceitar vendê-la por 0,50, pois meu risco é de 
apenas 0,50 (1,00 – 0,50), mas se eu vou negociar a opção de strike 
de 50 reais da ação 3, eu vou querer 2,00 para me colocar no risco 
da venda porque esta pode ir a 4,00. Claro que ela pode ficar em 
0,00 e eu ganhar a venda, mas meu risco é maior (4,00) então eu só 
vendo se me pagarem prêmios maiores e como ela pode subir mais, 
os compradores estão dispostos a pagar mais já que podem ter 
lucros maiores (podem perder tudo também, mas o mercado lida 
com expectativas). 
No mundo real não é simples assim. Não é uma conta exata como 
neste exemplo, mas de certa forma acontece o mesmo. Quando a 
volatilidade da ação sobe, os prêmios das opções ficam maiores à 
custa de VEs maiores, pois volatilidade maior é igual a risco maior 
para os lançadores que exigem prêmios maiores. E a situação se 
equilibra com compradores dispostos a pagar mais devido a 
perspectiva de lucros maiores nas compras de opções. Quando a 
volatilidade cai, os compradores vão rareando e os lançadores 
aceitam prêmios menores, pois a baixa volatilidade faz com que as 
vendas sejam mais “seguras”. 
Vamos ver um caso real para verificar a influência da Volatilidade 
nas opções: 
D ULT OFCOFV VAR NEG PT 
38.00 9.72 8.71 9.99 1.13 30 9.75 
40.00 8.10 7.65 8.00 1.30 288 7.78 
42.00 5.91 5.91 6.20 0.86 762 5.88 
44.00 4.36 4.36 4.42 0.96 2,593 4.11 
46.00 2.84 2.74 2.84 0.75 4,188 2.62 
48.00 1.62 1.62 1.64 0.55 5,372 1.49 
50.00 0.83 0.83 0.84 0.35 3,693 0.75 
52.00 0.40 0.36 0.40 0.18 1,177 0.34 
54.00 0.19 0.18 0.19 0.09 582 0.13 
63 
 
56.00 0.08 0.07 0.09 0.03 73 0.05 
 
Obs: D = Série D de opções (Abril); ULT = última cotação da opção; 
OFC = melhor oferta de compra; OFV = melhor oferta de venda; VAR = 
variação em centavos da opção; NEG = número de negócios da opção; 
PT = preço teórico da opção 
Nesta planilha temos as opções da Vale PN (VALE5) em um 
momento que a Volatilidade da ação está em 24%. Observem que os 
preços teóricos (PT)* das opções estão apenas um pouco abaixo do 
preço real das opções (ULT). 
 
*Nota: O preço teórico das opções é um produto da equação de Black 
& Scholes de precificação das opções que não trataremos aqui. Neste 
momento, para compreender a simulação, basta aceitar que as opções 
têm um preço teórico que é apenas isso, teórico e serve apenas para 
efeito de comparação com o preço real para saber se o preço real está 
sobre ou subavaliado em estudos teóricos. Neste exemplo os preços 
reais estão um pouco acima dos preços teóricos, ou seja, ligeiramente 
sobre avaliados pelo mercado. O Preço Teórico não tem qualquer 
aplicação prática e não serve para operar opções. Serve apenas para 
estudo e aprendizado por isso ele está sendo utilizado aqui. 
Vamos agora mexer na volatilidade da ação e ver o que acontece. 
Primeiro vamos simular uma volatilidade de 35%: 
D ULT OFC OFV VAR NEG PT 
38.00 9.72 8.71 9.99 1.13 30 9.80 
40.00 8.10 7.65 8.00 1.30 288 7.92 
42.00 5.91 5.91 6.20 0.86 762 6.17 
44.00 4.36 4.36 4.42 0.96 2,593 4.60 
46.00 2.84 2.74 2.84 0.75 4,188 3.27 
48.00 1.62 1.62 1.64 0.55 5,372 2.21 
50.00 0.83 0.83 0.84 0.35 3,693 1.42 
52.00 0.40 0.36 0.40 0.18 1,177 0.87 
54.00 0.19 0.18 0.19 0.09 582 0.50 
56.00 0.08 0.07 0.09 0.03 73 0.28 
 
Observem a grande variação para cima nos preços teóricos (PT). 
Obviamente que se fosse esta uma situação real, os preços reais 
64 
 
também iriam variar com este aumento de volatilidade. Como eles 
estavam ligeiramente sobre avaliados, provavelmente se manteriam 
assim e estariam um pouco acima dos preços teóricos que a planilha 
mostra. 
Vamos agora diminuir a volatilidade: 
 
D ULT OFC OFV VAR NEG PT 
38.00 9.72 8.71 9.99 1.13 30 9.74 
40.00 8.10 7.65 8.00 1.30 288 7.76 
42.00 5.91 5.91 6.20 0.86 762 5.79 
44.00 4.36 4.36 4.42 0.96 2,593 3.81 
46.00 2.84 2.74 2.84 0.75 4,188 1.93 
48.00 1.62 1.62 1.64 0.55 5,372 0.58 
50.00 0.83 0.83 0.84 0.35 3,693 0.08 
52.00 0.40 0.36 0.40 0.18 1,177 0.00 
54.00 0.19 0.18 0.19 0.09 582 0.00 
56.00 0.08 0.07 0.09 0.03 73 0.00 
 
Vejam como os preços teóricos (PT) caíram expressivamente e o 
mesmo ocorreria com os preços reais (ULT) fosse esta uma situação 
real e não apenas uma simulação. 
Estes exemplos demonstram claramente a influência da volatilidade 
da ação sobre as opções. Apesar de o nome trazer muitas dúvidas e 
até certo temor, o assunto é bastante simples e a influência da 
volatilidade nas opções bastante direta e objetiva. No mundo real, 
entretanto, quando estamos operando, nem tudo é simples assim, 
mas é necessário ter ciência da volatilidade e ver como ela interfere 
com as opções. A experiência vai fazer isso ficar de certa forma 
intuitivo depois de alguns anos operando opções. A influência da 
volatilidade é positiva, ou seja, quanto maior a volatilidade, maior os 
prêmios das opções, à custa de VEs maiores. 
 
O Mercado e a Volatilidade 
A percepção de volatilidade pelos operadores de opção é bem 
simples e até mesmo intuitiva. É muito fácil perceber quando 
estamos em um mercado volátil. Mercados voláteis chamam 
65 
 
atenção, causam grandes variações nas ações e nos índices, há mais 
notícias sobre o mercado, fala-se mais, e o volume de negócios 
aumenta significativamente. Apesar da volatilidade não ser 
direcional, encontramos as maiores volatilidades durante as fortes 
quedas. 
Mercados de baixa volatilidade são mercados vazios, sem graça, sem 
muita falação, normalmente de volume baixo em que nada 
importante parece estar acontecendo. É importante notar que 
apesar dos períodos de alta volatilidade chamarem mais atenção, o 
mercado passa mais tempo em baixa volatilidade, andando de lado. 
É como se os períodos de alta volatilidade consumissem muita 
energia e não se pudesse mantê-los por muito tempo. E apesar dos 
períodos de alta volatilidade serem mais interessantes, os de baixa 
volatilidade permitem operar opções com mais tranquilidade. 
O Quadro de Opções da Bastter.com coloca a volatilidade diária das 
ações e gráficos com o acompanhamento das volatilidades o que te 
permite saber sempre em que situação está o mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
 
CAPÍTULO VI 
OPÇÕES NO BRASIL 
 
Características especiais do Mercado de Opções no Brasil 
O mercado de opções brasileiro é robusto, funciona há várias 
décadas e pode ser considerado um dos maiores do mundo, mas tem 
características peculiares: 
- Só há grande número de negócios (liquidez) em opções de poucas 
empresas. Neste momento, Petrobrás e Vale. Até a uns anos atrás 
era em Telemar. Algumas outras empresas têm alguma liquidez 
como Bradesco, BVMF, ITAU, CIELO, AMBEV, etc., mas liquidez que 
dê para negociar sem problemas e montar operações somente nas 
duas acima. Não recomendo especialmente aos iniciantes, operar 
opções com baixa liquidez, com poucos negócios por dia. 
Acompanhem sempre as mais negociadas e fiquem nelas. 
- Há pouca liquidez nas Puts (opções de venda), apesar de que isso 
vem melhorando. Por alguma razão as Puts nunca “colaram” por 
aqui. Havia a hipótese da inflação alta para a baixa liquidez das Puts. 
As opções de venda são direito de vender ações por determinado 
preço. Com inflação alta, as ações tendem a subir para compensar a 
inflação e assim as Puts tendem sempre a morrer sem valor.* Pode 
ser que a liquidez venha aumentando pelo relativo equilíbrio 
econômico que estamos vivenciando nas últimas décadas. Pode-se 
até operar Puts, mas o ideal é que já se tenha uma boa experiência 
com Calls (opção de compra). 
*Nota: Nas opções de compra, você compra o direito de comprar uma 
ação a determinado preço até determinada data. Como você fixa o 
preço de compra da ação, quanto mais a ação sobe, mais vale sua 
opção. Mas opções de venda (Puts), você compra o direito de vender a 
ação a determinado preço. A alta da ação faz a sua opção perder 
valor pois se o preço no mercado da ação é mais alto do que o preço a 
que você tem direito de vender, seu direito não vale nada pois é 
melhor vender no mercado do que exercer sua opção e vender a um 
preço menor. 
 
- As opções são mensais, ou seja, há um vencimento de opções todo 
mês. Até a alguns anos atrás o vencimento de opções era de dois em 
67 
 
dois meses como usualmente é nos mercados dos outros países, mas 
atualmente são doze séries por ano, cada uma vencendo em um mês 
e não há perspectiva até este momento de que isso vá mudar e 
voltar a ser como era antes. Apesar de mensais, só temos liquidez 
em duas ou no máximo três séries de opções. 
 
 
Nomenclatura das Opções 
Quando se olha o código de uma opção podemos saber diversas 
informações sobre ela, por exemplo: 
VALEG22 
VALE é o código da empresa Vale na bolsa, logo esta é uma opção da 
ação da Vale SA. 
G é o mês do vencimento da opção, no caso Julho, o sétimo mês. A é 
janeiro, B, fevereiro, C é março e assim por diante até L, dezembro. 
O vencimento das opções se dá normalmente na terceira segunda-
feira do mês. 
22 normalmente é o preçode exercício da opção, mas isso tem de 
ser verificado, pois algumas vezes não corresponde exatamente ao 
preço de exercício e outras vezes é um número bem diferente do 
preço de exercício, mas na maior parte das vezes este número 
corresponde ao preço de exercício.* 
*Nota: Os preços de exercício das opções podem ser verificados no site 
da BOVESPA ou no Quadro de Opções do site Bastter.Com. 
Usualmente as ações com mais negócio em opções variavam entre 
20 e 40 reais e desdobravam quando atingiam preços bem mais 
altos que estes. E os strikes eram de 2 em 2 reais. A queda recente 
de Petrobras e Vale distorceu isso e os strikes passaram a ser de 1 
em 1 real e até de 50 em 50 centavos (Petrobras). É pouco provável 
que estas empresas façam agrupamento então teremos de observar 
o que vai acontecer. Se o mercado vai partir para bancos ou outras 
empresas ou aguardar as ações destas empresas voltarem a área de 
20 reais ou mais. 
Opções Americanas e Europeias 
68 
 
As opções americanas podem ser exercidas em qualquer dia após o 
lançamento. As Europeias só podem ser exercidas no dia do 
vencimento. As opções de compra no Brasil normalmente são 
Americanas e as Europeias levam a letra “e” no símbolo. As Puts 
(Opções de venda) são muitas vezes Europeias. 
Lotes Negociados de Opções 
No mercado fracionário de ações é possível comprar a quantidade 
que desejar de ações, até mesmo 1 ação. De qualquer forma, os lotes 
de ações, no mercado a vista são normalmente de 100 ações. Já as 
opções de compra só podem ser negociadas normalmente em lotes 
mínimos de 100 opções. Esta é a quantidade mínima que pode ser 
negociada e qualquer quantidade negociada deve ser 
obrigatoriamente um múltiplo de 100. As Opções Europeias podem 
ser negociadas no fracionário. As Puts normalmente são assim. 
 
Regras do Exercício de Opções (Data de Vencimento) 
A recomendação, especialmente aos iniciantes, é zerar todas as 
operações com opções na semana anterior ao vencimento e não 
levar operação alguma para o dia do vencimento. Qualquer erro 
neste dia pode ser fatal, pois não há mais como corrigir podendo 
levar a grandes prejuízos. Melhor ainda é considerar como prazo 
final a quinta-feira da semana anterior ao vencimento, pois se 
houver algum problema ainda tem a sexta-feira para resolver. 
Lutar por mais alguns centavos nestes dois últimos dias não faz o 
menor sentido visto que quando chega próximo ao vencimento de 
uma série de opções, a série seguinte (às vezes as duas seguintes) já 
estão disponíveis e com boa liquidez para operar. Se quiser manter 
em determinada operação ou situação no mercado desmonte a 
operação na série atual e monte operação semelhante na série 
seguinte. O melhor é que cada operação tenha princípio e fim e que 
este fim seja no máximo na quinta-feira da semana anterior ao 
vencimento e que uma operação neste vencimento não tenha 
qualquer relação com operações no vencimento seguinte. Mas se o 
vencimento estiver muito próximo e quiser de qualquer jeito 
continuar posicionado no mercado de opções, desmonte a operação 
nesta série e monte uma operação semelhante na série seguinte. Ao 
menos se livra do risco de erros no dia do vencimento das opções e 
69 
 
do enorme risco das variações expressivas das opções na 
proximidade do vencimento. A única operação que pode ser levada 
para o dia do vencimento é a operação e taxa com venda ITM 
quando o objetivo é ser exercido, pois você não vai fazer nada no dia 
do vencimento, apenas esperar ser exercido e depois verificar o 
resultado na corretora. 
Dia do vencimento: 
No dia do exercício (vencimento) não é permitido negociar opções 
da serie que está vencendo. Só é permitido exercer as posições 
titulares (compradas) no período de 10hs as 13hs*. 
 
*Nota: Durante o período de horário de verão no Brasil a bolsa 
costuma abrir as 11hs e fechar as 18hs. Durante o resto do ano ela 
abre as 10hs e fecha as 17hs. Verifique sempre no site da Bovespa o 
horário de funcionamento da bolsa de valores. Verifique também 
sempre se houve modificações nas Regras do Exercício de Opções. 
Quem operar opções da serie atual no dia do vencimento poderá ser 
multado pela Bolsa. Provavelmente a corretora não vai permitir esta 
operação, mas o ideal é que você saiba a regra e zere todas suas 
operações no máximo na quinta antes do vencimento. 
O vencimento das opções se dá usualmente na terceira segunda-
feira do mês correspondente a letra da opção. Quando a segunda-
feira é feriado se transfere o vencimento para terça-feira da mesma 
semana. No carnaval, algumas vezes o vencimento se dá na segunda-
feira anterior a terceira, dependendo de quando cair o carnaval para 
que ele não ocorra no meio do carnaval. 
 
Operacional 
A parte operacional é bem simples. Basta ir no homebroker da sua 
corretora, verificar a opção que pretende operar e comprar ou 
vender a quantidade desejada de acordo com sua operação. Nas 
operações conjuntas, que envolvem mais de uma opção comece e 
termine a operação sempre comprando primeiro e vendendo 
depois. Veja as ordens de compra e de venda e a cotação da opção e 
coloque sua ordem de compra ou de venda em preços próximos se 
70 
 
deseja que a ordem seja executada imediatamente ou ao preço que 
deseja que ela seja executada. 
Quando for operar uma opção isolada (venda coberta de 
remuneração, por exemplo) pode-se colocar ordens na pedra não ao 
preço que está sendo negociado mas ao preço que deseja vender 
pois se a ordem não for executada não ocasiona riscos adicionais. 
Quando estiver fazendo uma operação combinada, com mais de uma 
opção, coloque as ordens a mercado ou no preço da melhor oferta 
de compra ou de venda para que sejam executadas imediatamente, 
pois se fechar uma parte da operação e não fechar outra e o 
mercado andar na direção oposta a parte fechada, a operação pode 
ser montada com um financeiro bem pior do que o esperado. Muita 
atenção à baixa liquidez (poucos negócios) que pode causar 
variações importantes no custo da operação devido ao grande 
spread (diferença) entre a melhor ordem de compra e de venda. 
Algumas corretoras fazem operações casadas pelo spread, o seja, a 
diferença entre as duas que você vai comprar e vender. Desta forma 
é mais tranquilo, pois as duas são negociadas simultaneamente. 
 
Margem 
A margem é uma garantia exigida pela bolsa para todas as 
operações com opções que incluem risco, ou seja, cujo financeiro 
possa ficar negativo e piorar de acordo com as variações do preço e 
da volatilidade da ação. Normalmente a bolsa exige uma margem na 
hora que uma operação que abre risco é montada e esta margem 
aumenta ou diminui conforme o andamento do mercado e da 
operação. A alta da ação ou especialmente um aumento de 
volatilidade normalmente irão fazer com que as exigências de 
margem aumentem. Além da margem exigida pela bolsa de valores 
que obrigatoriamente tem de ser depositada pelo investidor se ele 
deseja manter a operação, a corretora tem o direito de pedir 
margem adicional, pois o prejuízo se não for pago pelo operador, 
terá de ser pago por ela junto a bolsa e em prazo curto. 
A margem é um mecanismo de segurança criado pelas bolsas que 
permite que operações com risco possam ser feitas e mantidas sem 
que ocorra insolvência. O total de margem requerido leva em conta 
a margem de prêmio (quanto à operação deve ou qual o financeiro 
71 
 
negativo da operação) e a margem de risco que são diversas 
simulações feitas com o mercado nas duas direções e tirando a 
média do financeiro da operação nestas simulações. 
Pode se colocar de margem ações, títulos, CDBs, dinheiro, etc. 
Verifique junto a sua corretora o que ela aceita de margem. 
Normalmente a melhor margem são ações e se puder ser a ação 
correspondente as opções que estão sendo operadas melhor ainda, 
porqueno caso de alta da ação que possa colocar sua operação com 
opções em risco, sua ação e sua margem estão ganhando valor o que 
contrabalanceia o aumento de risco nas opções. 
As operações que exigem margem são as operações vendidas como a 
Venda Coberta*, as travas de baixa e qualquer operação vendida em 
opções cujo financeiro piore com a alta da ação ou da volatilidade. 
*Nota: Mesmo na Venda Coberta, a bolsa a princípio pede margem 
pela venda da opção. Obviamente a ação correspondente pode ser 
utilizada de margem, mas alguns investidores preferem colocar 
outros ativos como margem apesar de manterem a ação como 
cobertura da venda de opções. 
As operações em que se paga para montar e cujo risco máximo é o 
valor pago como a compra a seco, a trava de alta e as travas de alvo 
(borboleta) não requerem margem, pois o risco já foi pago na hora 
que a operação foi montada. 
Tenha sempre depositado em margem o risco máximo de sua 
operação. Assim você pode operar tranquilamente sem pressão de 
margem. Lembre-se que você só deve montar operações que 
suporte sem problemas o risco máximo dela no caso de tudo dar 
errado. Se você está sendo pressionado por margem está operando 
acima das suas possibilidades o que sempre dá errado e termina em 
prejuízos grandes. 
Imposto de Renda 
- Operações realizadas no Mercado de Opções, e que NÃO tenham 
sido realizadas na modalidade Daytrade. 
Fato Gerador: Auferir ganho líquido na negociação/liquidação. 
72 
 
Base de Cálculo: Diferença positiva apurada na negociação desses 
ativos ou no exercício da opção. 
Alíquota: 15% 
Regime Tributação: definitiva. 
Retenção e Recolhimento: Apurado em períodos mensais e pago, 
pelo investidor, até o último dia útil do mês subseqüente. (código DARF 
6015) 
Responsabilidade pelo Recolhimento: Do contribuinte. 
Compensação: Para fins de apuração e pagamento do imposto 
mensal sobre os ganhos líquidos, as perdas incorridas poderão ser 
compensadas com os ganhos líquidos auferidos, no próprio mês ou nos 
meses subseqüentes, em outras operações realizadas nos demais 
mercados de bolsa, exceto no caso de perdas em operações de 
daytrade, que somente serão compensadas com ganhos auferidos em 
operações da mesma espécie. 
Isenção: Não há. 
- Operações da modalidade Daytrade (operações abertas e 
fechadas no mesmo dia) realizadas no Mercado de Opções. 
Fato Gerador: Auferir ganho líquido na alienação de ações. 
Base de Cálculo: Resultado positivo apurado no encerramento das 
operações de day trade. 
Alíquota: 
 Na Fonte: 1% 
 Mensal: 20% (lembre-se que você já tem declarado 1% na 
fonte) 
Regime: O valor do imposto retido poderá ser: 
 I - Deduzido do imposto incidente sobre ganhos líquidos 
apurados no mês; 
 II - Compensado com o imposto incidente sobre ganhos 
líquidos apurados nos meses subseqüentes, se, após a dedução 
citada anteriormente, houver saldo de imposto retido. 
73 
 
Sem prejuízo do disposto nos parágrafos acima, o imposto retido 
na fonte será definitivo. 
Retenção e Recolhimento: 
 Recolhido: 3º dia útil da semana subseqüente. (DARF 8468) 
 Mensal: apurado em períodos mensais e pago até o último dia 
útil do mês subseqüente. (código DARF 6015) 
Responsabilidade pelo Recolhimento: 
 Retido na Fonte: 
o Operações iniciadas e encerradas através da mesma 
instituição: a instituição intermediadora da operação 
que receber, diretamente, a ordem do cliente. 
o Operações iniciadas através de uma instituição e 
encerradas por outra: Empresas de Liquidação e 
Custódia. 
 Mensal: do contribuinte. 
Isenção: Não há. 
Observações: Na apuração do resultado da operação de day trade 
serão considerados, pela ordem, o primeiro negócio de compra com 
o primeiro de venda ou o primeiro negócio de venda com o primeiro 
de compra, sucessivamente. 
Verifique continuamente as Regras do IR, pois elas podem mudar 
de tempo em tempo. 
 
Dividendos e Proventos 
As opções do mercado brasileiro são “protegidas” isto é, sempre 
que há distribuição de proventos, notadamente dividendos, os 
preços de exercício das opções são descontados no valor líquido dos 
dividendos distribuídos, no momento que a ação fica EX (perde o 
valor dos dividendos). Todas as opções daquela ação lançadas até 
aquele momento, independente da série e data de vencimento, terão 
este valor descontado de seus preços de exercício. 
 
74 
 
CAPÍTULO VII 
COMECE PELA VENDA COBERTA 
 
O que é Venda Coberta? 
A venda coberta, como é conhecida no Brasil, é o chamado covered 
call writing ou lançamento coberto de opções de compra. Por aqui 
ficou conhecida como venda coberta. Consiste da venda de opções 
sobre a sua carteira de ações. Vamos dizer, a título de exemplo que 
você possua 1000 ações da Petrobrás PN (PETR4). Você poderia 
vender coberto até um máximo de 1000 opções da Petrobrás PN. 
Ex: 
PETR4 +1000 (compra) ações a 20 reais 
PETRB22 -1000 (venda) opções a 1,00 real* 
Nesta operação você tem 1000 ações da Petrobrás PN a 20 reais, um 
capital de 20 mil reais e vende 1000 opções de preço de exercício de 
22 reais a 1,00 real recebendo 1000 reais. 
O objetivo neste caso é que a Petrobrás fique abaixo do preço de 
exercício da opção e com isso ela vá perdendo valor para que você 
possa recomprar a opção a um preço menor do que 1 real, obtendo 
lucro. 
Ex: 
PETR4 +1000 (compra) ações a 20 reais 
PETRB22 -1000 (venda) opções a 1,00 real (1000 reais) 
Algum tempo depois: 
PETRB22 +1000 (compra) opções a 0,50 centavos (500 reais) 
Lucro de 1000 – 500 = 500 reais na venda da opção, 
desconsiderando taxas, corretagem, impostos, etc. 
 
*Nota: Você estará vendendo opções sobre sua carteira de ações. No 
mercado vender significa começar uma operação pela venda, 
vendendo o que você não tem. É intuitivo e todos entendem quando se 
começa uma operação pela compra na tentativa de vender mais caro 
e auferir lucro. O raciocínio é o mesmo no caso de uma operação que 
75 
 
comece pela venda. O objetivo é comprar mais barato para auferir 
lucro. Há três modalidades de venda de opções: Venda coberta quando 
esta venda é coberta por ações, venda travada quando a venda é 
travada pela compra de outra opção (travando o prejuízo em 
determinado ponto no caso de alta forte da ação) e venda descoberta 
– não recomendada – que por não ter cobertura nem trava pode ter 
prejuízo ilimitado. 
 
Conceitos Básicos da Venda Coberta 
A Venda Coberta é basicamente a venda de uma opção com o intuito 
de compra-la a um preço mais barato. Importante entender que 
exceto na Operação de Taxa com venda ITM, a ação não entra na 
conta. Ela é apenas cobertura, todo o lucro ou prejuízo é 
proveniente tão e somente das opções. Como quem é sócio não 
pretende vender a ação a não ser que empresa fique ruim, não faz o 
menor sentido se enganar quando tem prejuízo nas opções vendidas 
dizendo que a ação subiu. Se você não vai vender a ação e nem 
pretende vender, isso não faz a menor diferença. Na parte prática 
funciona como um trade com opções, mas não é propriamente um 
trade. O objetivo é auferir lucro na venda da opção e a carteira de 
ação serve apenas como cobertura, ela não entra na operação. Sendo 
assim veremos antes as diferentes modalidades de venda coberta: 
 
Modalidades 
- Venda Coberta de Remuneração – Venda de opções OTM, fora do 
dinheiro, para remunerar a carteira de ações e investir o lucro das 
vendas. Nesta modalidade a proteção é dada pela ação somente o 
que mantem o custo baixo, mas pode ter prejuízos grandes. 
- Venda Coberta com Seguro (VSEG) – Semelhante a anterior, mas 
com a compra de uma opção em series anteriores para evitar 
prejuízos grandes no caso de alta forte da ação. A opção comprada 
bloqueia o prejuízo a partir de certo ponto subindo junto com a 
opção vendida.Como se compra uma opção de serie anterior, esta 
vence um mês antes então a opção vendida teria menos tempo de 
vida para perder VE. Isso somando ao custo da opção comprada faz 
com que os retornos sejam menores no longo prazo. Como sempre 
76 
 
os riscos correspondem aos retornos. Para diminuir o risco há de se 
abrir mão de alguma coisa. Pode-se conseguir as vezes comprar o 
seguro duas series atrás e quando esta serie estiver para vencer, se 
o VE da opção vendida não tiver derretido, transferir o seguro para 
a serie imediatamente anterior e ganhar mais um mês. Em mercados 
de alta volatilidade é bem interessante fazer a VSEG, pois a maior 
volatilidade leva a VEs maiores, mas risco alto também. 
- Venda Coberta sem a Ação (VCSA) – Igual a VSEG, a operação é a 
mesma, mas não possui a ação para dar cobertura levando a risco 
maior. Não pode ficar nunca sem o seguro, pois senão vira venda 
descoberta. Na maior parte dos Homebrokers (plataformas de 
corretoras para operar ações e opções), é necessário além do seguro 
comprar uma opção de pequeno valor (centavos) na serie atual para 
que a corretora permita montar a operação. Os custos são ainda 
maiores, mas levando em consideração que nem possui a ação os 
retornos são bem grandes. É uma modalidade interessante quando o 
mercado só coloca liquidez em opções de poucas ações (o nosso 
caso atual) e o operador não pretende ser sócio destas ações. 
- Operação de Taxa – Venda de opção ITM sobre ações compradas 
somente para a operação (não é sócio) com o objetivo de ser 
exercido e fazer uma taxa sobre o capital. Não trataremos desta 
operação neste livro por considerar adequado somente a 
operadores com mais experiência e capital. 
 
Objetivos 
Considerando a venda coberta para o remunerador de carteira, o 
objetivo primordial é comprar mais investimentos com o lucro das 
vendas de opções. É muito importante compreender que o objetivo 
é aumentar sua carteira de ações e outros investimentos e não 
vender opções e nem defender queda da ação com opções. A venda 
de opções para o remunerador de carteira, que compra ações de 
boas empresas para longo prazo, é apenas um adicional as compras 
mensais e reaplicação de dividendos no sentido de aumentar sua 
carteira de ações e potencializar os juros compostos dela. 
É muito importante ter ciência que a venda coberta não é garantida, 
pode trazer prejuízos, pode diminuir seu patrimônio no longo prazo. 
77 
 
Sabendo disso, vamos começar a vender bem pouco, e só ir 
aumentando as vendas conforme tivermos mais experiência e lucros 
nas vendas acumulados. Muitos vendem a ilusão da venda coberta 
como uma operação garantida que ganha na alta e na queda, 
misturando opções com as ações o que não poderia estar mais longe 
da realidade. A venda coberta é uma troca: Em busca de um maior 
patrimônio vendendo opções eu aceito o risco de perdas que terei 
de assumir quando o mercado subir forte e eu estiver vendido. 
Aceitando que é uma troca, quando sobe forte, o operador assume o 
prejuízo enquanto pequeno e não se mete em rolos com vendas que 
nunca acabam. Compreendendo que o objetivo é comprar mais 
ações e investimentos e não vender opções, evita o exageros nas 
vendas, especialmente durante os períodos de quedas fortes, que 
produzem os maiores repiques levando a grandes prejuízos que no 
longo prazo fazem a carteira de ações diminuir ao invés de 
aumentar com a venda coberta. Evitam também operar demais o 
que aumenta consideravelmente o custo da operação. A venda 
coberta é uma operação bastante simples e assim que deve ser. 
 
Verdades e Mentiras da Venda Coberta 
Quem está lendo e aprendendo sobre venda coberta pela primeira 
vez neste livro, ótimo. Quem já conhece a venda coberta, tenho de 
dizer que ela vem sendo apresentada, divulgada com uma série de 
distorções e mentiras. 
A principal confusão em torno da venda coberta é a relação da 
venda da opção com a ação. Na venda coberta como operação de 
taxa, em que se vende opções dentro do dinheiro (ITM) as duas 
(ação e opção) estão relacionadas e o objetivo é ser exercido e taxar 
capital. Na venda coberta de remuneração, que é o que estamos 
discutindo aqui, em que o investidor está montando uma carteira de 
ações de longo prazo, a ação serve de cobertura, serve de garantia. 
Mas na contabilidade da operação é só a opção. Vendeu, não subiu, 
ganhou a venda. Vendeu, subiu forte, perdeu a venda. Simples assim. 
Quando vende e sobe forte, tem um ponto de stop. Bateu lá, assume 
o prejuízo, paga e pronto. A ideia é ganhar mais vezes do que 
perder, fluxo de caixa. Algumas vezes entra dinheiro e você compra 
mais ações ou outros investimentos. Outras vezes você perde 
78 
 
dinheiro e paga o prejuízo. Importante é que no longo prazo entre 
mais dinheiro que saia e não ganhar todas as vendas. O objetivo é 
tirar dinheiro do mercado tendo sua carteira de ações como 
garantia (ou nem isso no caso da VCSA) para comprar mais ações e 
outros investimentos e não ganhar todas as vendas. A necessidade 
de ganhar todas as vendas, e a incapacidade de assumir prejuízos 
enquanto pequenos acaba levando a rolos que fazem com que os 
prejuízos sejam enormes e termine diminuindo a carteira ao invés 
de aumentar no longo prazo. 
Quando se opera direito, sem grandes ambições, constrói-se uma 
carteira de ações com compras mensais aumentando 
progressivamente o número de ações. As ações distribuem 
dividendos o que permite utilizá-los para comprar mais ações, 
aumentando mais ainda a carteira. E por fim se potencializa isso 
com venda coberta para comprar mais ações ainda. Tudo isso vai 
aumentando sua carteira o que permite vender cada vez mais 
opções, pois sua carteira vai ficando cada vez maior. A renda que ela 
proporciona é cada vez maior. E a venda coberta é apenas um 
estágio adicional deste processo que tem como objetivo acumular 
capital em ações de boas empresas. Para isso vai se fazer venda de 
opções que são garantidas pelas ações, mas como o operador não 
pretende vender as ações, o lucro ou prejuízo nelas não é monetário 
e não entra na conta. Nem faz a menor diferença se está vendendo 
opções acima ou abaixo do preço médio da carteira de ações. Na 
verdade, tirante o preço médio de compra para Imposto de Renda, 
de nada adianta ficar anotando o preço médio das ações da carteira. 
Se você possui as ações, ela serve de cobertura para uma venda de 
opções que você pode fazer ou não. Esta venda de opções pode 
terminar em lucro no longo prazo se você ganhar mais quando 
ganha do que perde quando perde, ou pode terminar no prejuízo se 
acontecer o contrário, como, aliás, em qualquer venda. 
Portanto para compreender a venda coberta de remuneração basta 
aceitar que é uma venda de opção “isolada” e pronto. Não é isolada 
nem descoberta porque tem a ação por trás dando cobertura (ou 
outra opção no caso da VCSA), mas a operação em si é uma venda de 
opção e nada além disso. Logo, quando o operador começa a 
inventar confusão, misturar com a ação e vê uma opção que ele 
vendeu ir de 1 real a 6 reais fingindo que não está no prejuízo, ele 
79 
 
esta queimando meses e meses de venda coberta em uma operação 
só, porque aqueles 5 reais de prejuízo serão pagos. Não inventaram 
ainda uma mágica que você vende algo por 1, vai a 5 e você não está 
tendo prejuízo, e nunca vão inventar, senão a bolsa fecha. Se quem 
vendeu a 1 não está tendo prejuízo com o ativo estando 5, quem 
comprou a 1, não está tendo lucro e aí como é que fica? Portanto 
quem quer vencer fazendo venda coberta tem de aceitar que é uma 
venda “isolada” da opção e conseguir ir se desenvolvendo como 
operador para conseguir ganhar mais do que perde no longo prazo e 
comprar mais ações e outros investimentos. Aumentar seu 
patrimônio com a venda coberta. 
Outro conceito totalmente equivocado é a necessidadede 
rentabilidade acima do CDI (Certificados de Deposito Interbancário, 
a taxa que os bancos remuneram capital.) na venda coberta. A 
rentabilidade da sua carteira de ações é dada pelo ganho de capital 
das ações somado aos dividendos. Isso no longo prazo teria que dar 
mais que o CDI para valer a pena, pois teoricamente os 
investimentos em renda variável tem mais risco. Daí se você 
adiciona a isso a venda coberta, qualquer rentabilidade conseguida 
com a venda coberta será positiva, pois é um adicional que vai 
potencializar a rentabilidade da carteira de ações que no longo 
prazo já tende a ser maior do que o CDI. Lembrem-se que na renda 
fixa, o principal não tem ganho de capital, você depende só dos 
juros. Na bolsa, o principal, as ações (se forem de boas empresas), 
tendem a ter ganho de capital e cobrir mais do que a inflação no 
longo prazo, assim como os imóveis, pois a mesma comparação 
absurda é feita com alugueis em que o principal também pode ter 
ganho de capital. Não comparem rentabilidade de venda coberta 
com CDI ou rentabilidade de renda fixa. Não faz o menor sentido. A 
venda coberta é apenas para comprar mais ações e como um 
adicional ao rendimento da sua carteira de ações + dividendos, pode 
ser um ganho excepcional. Se teu objetivo é fazer taxa acima do CDI, 
busque as operações de taxa e não a venda coberta de remuneração. 
 
A Remuneração da Carteira de Ações com Opções 
Remunerar uma carteira de ações consiste de todas as formas de 
produzir renda a partir da carteira. Usando uma comparação 
simples apenas a título de entendimento, pois são coisas diferentes, 
80 
 
é como ter um imóvel e alugar. O aluguel que você recebe do 
inquilino seria a remuneração. 
Diferente do que a grande maioria faz e pensa (e é importante abrir 
um parêntese para deixar bem claro que a grande maioria perde na 
bolsa então quem deseja vencer deve buscar caminhos próprios e 
não ficar seguindo a maioria) não se compra ações – ao menos o 
investidor amador, não institucional que não está fazendo trades – 
para vender mais caro. Este é apenas um mito, uma forma errada de 
lidar com ações. Deve-se comprar ações, da mesma forma que 
imóveis, para acumular capital. Quando alguém compra um imóvel 
para investir, normalmente ele não está pensando em vender assim 
que subir de preço (até mesmo porque o custo de transacionar 
imóveis é muito alto), mas sim em deixar quieto, alugar e esperar 
valorizar através do tempo. Claro que um dia ele pode vender por 
razões pessoais ou por problemas no imóvel ou qualquer outra 
razão. Não é proibido vender, mas ele não compra pensando em 
vender normalmente. Com ações o pensamento deveria ser o 
mesmo, pois uma ação nada mais é do que uma pequena parte de 
uma empresa, você se torna sócio da empresa. Um sócio minoritário 
que não tem as mesmas vantagens que um sócio majoritário, mas 
ainda assim um sócio que tem direito ao principal, que são os lucros 
da empresa. Com a vantagem que não tem responsabilidade sobre 
ônus e dívidas da empresa. Pode-se vender porque a empresa ficou 
ruim, mas nunca determinado por preços da ação. 
Pois bem, compreendendo isso, já se deu um grande passo. Não quer 
dizer que o sujeito está proibido de fazer trades de curto prazo com 
ações. A despeito de ser pequena a chance de um amador prosperar 
nesta atividade, ele pode tentar, mas não muda o fato de que deve 
acumular capital que é o que vai lhe dar tranquilidade na vida e uma 
parte deste capital em ações de primeira linha. O lucro dos trades, 
se ele estiver tendo lucro, vai para poupança em renda fixa ou renda 
variável (ações). Os trades com ações são apenas mais uma 
atividade visando renda extra para acumulo de capital e não o 
objetivo em si. De qualquer forma, falando de bolsa de valores e 
ações, o objetivo é acumular ações de empresas boas. E com a 
remuneração destas ações, pode-se comprar mais ações em um 
processo de auto alimentação que vai aumentar ainda mais sua 
81 
 
carteira de ações, seu patrimônio, os juros compostos dele e a renda 
que ele produz. 
A primeira linha de remuneração são os proventos: Dividendos, 
juros sobre o capital próprio, etc. Eles devem ser reaplicados na 
carteira de ações ou em outros investimentos o que potencializa 
enormemente através dos anos o crescimento do seu patrimônio. 
Carteiras grandes podem conseguir uma remuneração adicional que 
é o aluguel das ações que rende uma baixa taxa anual, mas é uma 
operação quase livre de riscos. Mas a remuneração que nos 
interessa que vamos tratar aqui é através da venda de opções sobre 
a carteira de ações. O objetivo é criar uma renda extra, adicional, na 
carteira de ações, com o objetivo de comprar mais patrimônio. O 
objetivo não é vender opções, viver da venda de opções, etc. Estes 
objetivos aleatórios levam muitas vezes a diminuir a carteira de 
ações com a venda de opções ao invés de aumentar. 
Pois bem, tratando da venda de opções sobre a carteira de ações, 
qual é o pulo do gato? É conseguir através do tempo que o prejuízo 
na queda das ações não seja monetário, ou seja, você não realiza 
este prejuízo, e o lucro na venda das opções, seja monetário, ou seja, 
um lucro que você realiza. Se na maior parte das vezes você não 
realiza prejuízo e realiza lucros, o capital tende a aumentar no longo 
prazo. A ideia seria ficar sempre que possível vendido em VE 
eficiente (OTM e com bom equilíbrio lastro, tamanho e tempo) e 
ganhar a passagem do tempo. No longo prazo, se sempre que você 
está vendido em opções sobre a sua carteira (pois não é obrigado e 
nem deve ficar vendido o tempo todo), é em VE eficiente e em 
quantidades que suporte os prejuízos com tranquilidade, tendo a 
passagem do tempo a seu favor, provavelmente vai vencer e 
aumentar sua carteira de ações no longo prazo ainda que uma vez 
ou outra tenha de assumir prejuízo na venda de opções. 
Mas, se o objetivo passa a ser a venda de opções e começa a vender 
demais, operar grande demais na venda, ficar muito ambicioso na 
venda, querendo tirar muito dinheiro do mercado através da venda 
de opções, o processo pode inverter. Como se vende demais, sem um 
controle de risco adequado, as perdas da venda de opções começam 
a ser grandes e pode-se chegar a ter de vender ações para cobrir, e 
esta venda de ações pode ser a preços menores do que a compra 
fazendo com que o prejuízo na ação passe a ser monetário. Nas 
82 
 
opções, seja lucro ou prejuízo, será sempre monetário, pois as 
operações com opções têm de obrigatoriamente serem encerradas 
no máximo até o dia do vencimento. Sendo assim, a situação passa a 
ser prejuízo monetário nas opções maior do que o lucro e prejuízo 
monetário nas ações e a carteira de ações diminui no longo prazo ao 
invés de aumentar. 
Portanto, é importante ter em mente o objetivo da Venda Coberta: 
Aumentar a carteira de ações e seu patrimônio em geral. A carteira 
de ações de longo prazo é alimentada com compras mensais e a 
reaplicação dos dividendos. A venda Coberta entra como uma 
remuneração adicional para comprar mais ações ou outros 
investimentos. E como tal só o que importa é se depois de dez ou 
mais anos de venda coberta o operador tem mais patrimônio do que 
se não fizesse venda coberta. Se o objetivo passa a ser vender 
opções, tirar um fixo mensal com venda de opções, atingir a 
rentabilidade X ou outros objetivos aleatórios que nada tem a ver 
com a venda coberta, o que acontece via de regra e a carteira de 
ações diminuir ao invés de aumentar com a venda coberta 
 
. E não adianta se enganar trazendo dinheiro de fora para pagar os 
prejuízos na venda coberta achando que assim a carteira não está 
diminuindo. Como este dinheiro poderia ser usado para comprar 
mais ações, dá na mesma. 
 
Exercício de Opções e Imposto de Renda 
Se o operador de venda coberta não faz nada numa situação de alta 
forteda ação e deixa a opção ser exercida, a ação irá cobrir a opção 
e ele não terá propriamente prejuízo contábil, apenas terá de 
vender suas ações. Mas o prejuízo é enorme em termos de 
patrimônio. 
Ex: 
PETR4 a 20 reais 
Vendido em 1000 Opções de Preço de Exercício de 14 reais que está 
custando 6 reais e que foi vendida a 1 real quando PETR4 estava 13 
reais. 
83 
 
Teoricamente o operador teria que despender 6000 reais (6 X 1000) 
para fechar esta venda de opções (zerar a venda, recomprando a 
opção vendida). Como a venda foi coberta, se ele deixar exercer, terá 
de vender suas 1000 ações da Petrobrás PN (PETR4) a 14 reais 
(preço de exercício da opção) e irá contabilizar o lucro da alta da 
ação do preço no momento da venda até o preço de exercício da 
opção (14 - 13 X 1000 = 1000) além do prêmio recebido pela venda 
da opção (como a opção deixa de existir no caso de exercício ele fica 
com o prêmio recebido na hora da venda). 
Pois bem, um prejuízo de 5000 reais (venda da opção a 1 real e 
recompra a 6 reais multiplicado por 1000 opções) se transformou 
em um “lucro” de 2000 reais (1000 reais da alta da ação + 1000 
reais da venda da opção). E onde está a pegadinha? Está nos 6 reais 
de alta da ação que ele deixou de ganhar (20 – 14). Mas este não é o 
maior problema e sim os custos e impostos como vamos ver a 
seguir. 
Esta conta faz com que muitos embarquem na venda coberta como 
uma mágica do ganha-ganha que é aliás o que a maioria busca na 
bolsa e uma das razões porque a maioria perde na bolsa. Não existe 
operação ganha-ganha. Todas as operações têm um lugar onde o 
operador vai perder e ele tem de aprender a aceitar e realizar esta 
perda enquanto pequena, pois os rolos e fantasias para não assumir 
prejuízos menores sempre terminam em prejuízos maiores. 
Então temos dois lados: O operador de taxa, que não estamos 
tratando aqui, vende opção ITM ou dentro do dinheiro, com preço 
de exercício abaixo do preço da ação, que são opções com prêmios 
bem altos (a maior parte consistindo de valor intrínseco ou 
verdadeiro), pois isso cria para ele uma boa proteção no caso de 
queda. O objetivo dele é ser exercido e taxar capital, logo se subir 
ele deixa exercer e se cair ele tem alguma proteção dada pelo valor 
vendido da opção e determina um stop no caso da ação ter queda 
forte, ponto no qual irá desmontar a operação e assumir o prejuízo. 
O remunerador de carteira não tem stop na queda, ele ganha a 
venda da opção na queda, recompra a opção a um preço mais baixo 
e realiza lucro usado para comprar mais ações ou outros 
investimentos. Já na alta ele não tem a mesma situação do operador 
de taxa porque ele não deseja ser exercido e quer manter sua 
84 
 
carteira de ações, então ele necessita de um stop na alta, um ponto a 
partir do qual, ele vai recomprar a opção vendida e assumir o 
prejuízo (obs: dependendo do tempo passado e do marcador para 
stop, as vezes o stop, apesar de ter de ser executado não será no 
prejuízo). 
Porque ele não deve deixar exercer? Partimos do princípio que por 
ser remunerador de carteira e por estar montando uma carteira de 
ações para longo prazo, ele vai recomprar suas ações depois de ser 
exercido. Se ele vai recomprar as ações, para que deixar exercer? 
Para ter custos ainda maiores? 
Vamos exemplificar uma venda de opções da Vale PN (VALE5). Com 
a ação a 20 reais, vende-se a opção de preço de exercício de 22 reais 
a 1 real (1000 opções). No dia do vencimento a ação está 26 reais e 
a opção 4 reais fazendo com que se tenha um prejuízo de 3000 reais 
((4-1) X 1000) na venda da opção. 
O ponto aqui é que estes 3000 reais serão pagos, não há como fugir 
deles, sendo exercido ou recomprando a opção vendida. 
1. Exercício: 
Venda de 1000 Vale5 a 22 reais (preço de exercício da opção 
vendida) = 22.000 
Recompra de 1000 Vale5 a 26 reais = 26.000 
26.000 – 22.000 = 4000 – 1000 (venda original da opção) = 3000 
reais 
2. Recompra da opção = 4000 reais – 1000 (venda original da 
opção) = 3000 reais 
Vejam que não há como fugir disso, o prejuízo na venda da opção 
será pago de uma forma ou de outra e assim que deve ser porque na 
Bolsa os débitos batem com os créditos e não se inventa nem se 
some com dinheiro em mercados derivativos que são mercados de 
soma zero. Se você perdeu 3000 reais na venda de uma opção não 
há mágica possível que vá fazer desaparecer estes 3000 reais. 
Agora vamos analisar os custos: 
1. Exercício: 
85 
 
Corretagem: Mais alta pois estará movimentando R$48.000,00 
(venda de 1000 VALE5 a 22 reais e compra de 1000 VALE5 a 26 
reais).* 
*Nota: Há corretoras que cobram a mesma taxa fixa no exercício e 
neste caso não haveria aumento de custo aqui mas muitas cobram 
tabela de corretagem variável de mesa no exercício o que onera 
consideravelmente os custos. 
Spread na recompra da ação: A ação será recomprada no mercado e 
normalmente se paga alguns centavos de diferença entre a melhor 
ordem de compra e de venda. Estes centavos quando multiplicado 
pelo número de ações chegam a algumas dezenas senão centenas de 
reais. 
Imposto de Renda: Este o maior custo e a razão principal para não 
ser exercido. 
- Na ação – A ação no exemplo está sendo vendida a 22 reais – Terá 
de pagar IR de 15% da diferença entre o preço de venda e o preço 
médio de compra de todas suas ações da VALE PN e não somente 
sobre as quais se vendeu opções. 
- Na opção – Como a opção foi vendida a 1000 reais e deixou de 
existir (foi exercida) paga-se IR de 15% sobre estes 1000 reais. 
 
2. Recompra da Opção 
Corretagem: Bem menor porque é apenas sobre a movimentação da 
opção de R$4.000,00. 
Imposto de Renda: Como não há venda da ação e como se 
contabiliza um prejuízo na recompra da opção de 3000 reais, não 
paga IR e além do mais estes 3000 reais podem ser descontados de 
lucros futuros em operações com ações ou opções desde que não 
seja daytrade. 
Os 3000 reais são pagos de uma forma ou de outra, mas deixando 
exercer os custos são muito maiores e pior, se transforma um 
prejuízo em um suposto lucro para a receita e tem de pagar IR 
enquanto que recomprando a opção se contabiliza um prejuízo, não 
paga imposto além de poder descontar este prejuízo de lucros 
futuros para IR. Além disso os custos e taxas recomprando a opção 
86 
 
são significativamente menores. Se enganar na Bolsa tem sempre 
um custo enorme. Você não está na Bolsa para acumular vitorias, 
está lá para acumular patrimônio e para que isso aconteça precisa 
aprender a perder e assumir prejuízos porque eles vão acontecer 
para todos. 
Observem então que para dar uma volta em si mesmo e fingir que 
não teve prejuízo o operador acaba pagando caro. Além do que, se 
você pretende recomprar as ações e vai pagar o prejuízo na opção 
de uma forma ou outra para que se dar ao trabalho? 
Compreenda, e aceitem que se você vendeu e o que você vendeu 
subiu de preço, você perdeu. Recompre onde está vendido em algum 
ponto (Stop) e aceitem o prejuízo. Esta é a única forma de vencer 
nas vendas: aprendendo a recomprar onde está vendido quando 
sobe forte. 
 
Como Começar 
Antes de começar simule. Vá no Grupo de Opções e Venda Coberta 
da Bastter.com e simule postando no grupo. Acompanhe a operação 
lá e aprenda com a simulação e os comentários dos usuários e dos 
consultores da Bastter.com. Depois de simular algumas vezes, 
comece vendendo bem pouco. Não importa se a corretagem ficar 
cara. O objetivo é o aprendizado. E venda bem longe. Venda a opção 
mais OTM (fora do dinheiro) que for viável (não valha somente 
centavos). Ou a opção mais OTM, com maior lastro que ainda tenha 
VDX (marcador de eficiência de venda de opções que pode ser 
acompanhado no Quadro de Opções da Bastter.com). Venda 100 
opções, 200 opções no máximo sobre uma carteira de no mínimo 
600 ações, 1000ações. Bem pouco e bem longe. Isso aumenta a 
chance de acerto, pois a venda bem longe tem um lastro grande 
(distância). Se subir forte, o operador pode stopar a venda com 
tranquilidade e assumir o prejuízo, pois ele será pequeno em 
relação a sua carteira de ações. 
Depois de repetir estas vendas pequenas e longe por alguns meses e 
especialmente se tiver sido pressionado com alta da ação e tiver 
certeza que se subir forte vai zerar a venda e assumir o prejuízo 
pode ir vendendo uma quantidade um pouco maior e se desejar 
vender um pouco mais perto. Mas sempre mesmo que tenha 
87 
 
experiência e lucros acumulados, mantenha-se longe, com lastro. 
Venda de VE é para ganhar a passagem do tempo e não acertar a 
direção. 
Vá aumentando a quantidade se quiser, porque não é obrigatório, 
lenta e progressivamente conforme ganha experiência. O resultado 
destas pequenas vendas pode ser pequeno em termos financeiros, 
mas é enorme em termos de aprendizado e experiência e 
desenvolvimento do operador que é o mais importante. No início 
tendemos a errar e ter prejuízos. Estabeleça um preço baixo para o 
seu aprendizado vendendo pouco no início. Conforme for 
adquirindo experiência e segurança pode ir vendendo mais e mais 
perto se desejar, mas não seja tomado pela soberba do vendido. Não 
há nenhum glamour especial na venda. Tente se manter sempre 
pequeno em relação a sua carteira, pensando apenas numa 
remuneração adicional para comprar mais ações e que qualquer 
rendimento a partir da venda coberta é positivo e potencializa de 
forma expressiva os juros compostos da sua carteira de ações já 
alimentados pelas compras mensais e reaplicação dos dividendos. 
 
Qual Opção Vender e Quanto 
Esta é sempre uma dúvida dos iniciantes em venda coberta. A venda 
coberta de remuneração de carteira de ações é uma venda de VE em 
que se busca ganhar a passagem do tempo através de um lastro de 
distância e tamanho na venda. Vende-se opção fora do dinheiro para 
que haja um espaço (lastro) de alta da ação em que se possa ganhar 
a venda, além da queda e do mercado de lado que seria natural 
ganhar na venda. 
Vamos observar uma série de opções da Vale PN (VALE5) em um 
momento que a ação estava a 47,60 a 29 dias do vencimento das 
opções: 
 
D ULT OFC OFV VAR NEG 
32.00 15.80 15.40 16.00 0.12 14 
34.00 13.80 13.83 0.00 0.00 6 
36.00 11.95 11.96 12.21 0.10 51 
38.00 10.06 10.04 10.16 0.36 39 
88 
 
40.00 8.25 8.18 8.25 0.35 129 
42.00 6.35 6.27 6.31 0.40 503 
44.00 4.50 4.48 4.50 0.29 985 
46.00 2.98 2.94 2.95 0.23 969 
48.00 1.68 1.68 1.69 0.16 1,295 
50.00 0.83 0.82 0.83 0.04 1,420 
52.00 0.38 0.38 0.40 -0.02 611 
54.00 0.18 0.18 0.19 -0.01 230 
56.00 0.08 0.08 0.09 0.01 41 
58.00 0.04 0.04 0.05 0.01 7 
 
Rapidamente podemos excluir algumas opções: De 32 a 46 são todas 
dentro do dinheiro ou ITM então estas não servem. Sobram as 
seguintes: 
D ULT OFC OFV VAR NEG 
48.00 1.68 1.68 1.69 0.16 1,295 
50.00 0.83 0.82 0.83 0.04 1,420 
52.00 0.38 0.38 0.40 -0.02 611 
54.00 0.18 0.18 0.19 -0.01 230 
56.00 0.08 0.08 0.09 0.01 41 
58.00 0.04 0.04 0.05 0.01 7 
 
De 54 a 58 valem apenas alguns centavos então não servem, pois 
não há quase nada a ganhar, só a perder nestas opções. Esta análise 
é sempre feita em relação ao preço da ação. 18 centavos pode ser 
um valor até muito bom se a ação está 20 reais, mas tende a não 
compensar se a ação está 47 reais. Tendemos a considerar centavos 
quando está abaixo de 0,4% do valor da ação, mas isso pode variar e 
cada um vai determinar seus parâmetros. Para quem está 
começando e aprendendo, poderíamos manter a opção de 54 que 
vale somente 18 centavos pois ela está quase valendo 0,4%. 
 
D ULT OFC OFV VAR NEG 
48.00 1.68 1.68 1.69 0.16 1,295 
50.00 0.83 0.82 0.83 0.04 1,420 
52.00 0.38 0.38 0.40 -0.02 611 
 
89 
 
Rapidamente sobraram apenas três opções. Mas observe que a ação 
está 47,60 e para vendas precisamos de algum lastro de distância, a 
opção de preço de exercício (strike) de 48 tem um lastro de apenas 
40 centavos então podemos eliminá-la. 
 
D ULT OFC OFV VAR NEG 
50.00 0.83 0.82 0.83 0.04 1,420 
52.00 0.38 0.38 0.40 -0.02 611 
 
Pronto, em um processo extremamente simples sobraram apenas 
duas. E vai ser normalmente assim. Duas ou três para escolher. A 54 
de 0,18 poderia ser eventualmente considerada. 
Sem entrar ainda no mérito se estas vendas são eficientes ou não 
para venda coberta a decisão entre estas opções se daria por um 
processo simples: 
- Se já tem mais experiência e lucros acumulados pode vender mais 
perto, mas não é obrigado. 
Mas aceite neste caso abrir mão de mais lucro no caso de alta. 
 Se não tem muita experiência e lucros acumulados na venda 
coberta, venda sempre a mais longe que ainda é eficiente. 
Sendo que além da decisão de qual vender, há a decisão de quanto 
vender. Você pode vender desde 100 opções até toda sua carteira. 
Quanto mais opções vender em relação a sua carteira, mais vai 
receber pela venda, mais vai remunerar a sua carteira se der certo, 
mas maior será o prejuízo em caso de alta. Em resumo: 
Quanto mais e mais perto você vende, mais dinheiro recebe pela 
venda, mas se subir forte terá prejuízos maiores. 
Quanto menos e mais longe você vende, menos dinheiro recebe pela 
venda, mas se subir os prejuízos serão menores ou até nem 
ocorrerão. 
Não dá para ter tudo. 
90 
 
Os grandes prejuízos na venda coberta começam pela ilusão de que 
se vai vender muito e perto, ganhar muito no caso de queda e no 
caso de alta forte fingir que não está perdendo inventando algum 
tipo de mágica esconde prejuízo. Não existe isso. Vendeu, subiu forte, 
perdeu. Dê o nome que você quiser, se você vendeu uma opção por 1 
real e ela está 4 reais, você perdeu 3 reais. Não interessa o que está 
acontecendo com a ação porque você não pretende vendê-la. 
Se você vende longe e pouco, provavelmente irá ter mais ações no 
longo prazo do que se não fizesse venda coberta, mas este aumento 
no número de ações será pequeno apesar de expressivo. 
Conforme você vende mais e mais perto o aumento do número de 
ações vai se tornando mais expressivo, mas junto com isso, aumenta 
o risco de no longo prazo ter menos ações do que se não fizesse 
venda coberta devido a possibilidade cada vez maior de ter de 
realizar prejuízos nas vendas de opções. 
Temos então que desenvolver mecanismos para manter as perdas 
pequenas e nos desenvolver como operadores. 
 
Marcadores para Venda Coberta 
Para facilitar as operações de venda coberta desenvolvemos alguns 
marcadores que vão tornar o planejamento bem simples, são eles: 
VDX – Marcador para ajudar a selecionar as vendas 
BBOSI – Marcador para STOP 
NV – Marcador para realização de lucros 
- VDX: O VDX é um marcador que ajuda a definir qual opção vender, 
mas como vimos no exemplo acima esta decisão não é tão difícil pois 
com critérios simples chegamos a duas ou três opções apenas. De 
qualquer forma ele auxilia neste processo. Mas mais do que isso, a 
grande importância dele é auxiliar na decisão de quando vender ou 
na decisão de vender ou não. O VDX considera os três fatores mais 
importantes para a venda de uma opção e pondera-os em um 
número: Tamanho do VE (Só há VDX para opções OTM que 
consistem apenas de VE), distância da opção para o preço da ação e 
tempo que falta para o vencimento das opções. 
91 
 
Fórmula do VDX: 
VDX = LASTRO EM PERCENTUAL * (NV/COTAÇÃO DA OPÇÃO) *100 
/ 2*((1,30 – (num de pregoes/100)) 
Além disso há alguns ajustes: 
Opção ITM não tem VDX 
Opção que fica NV não tem VDX (veremos o NV mais a frente) 
Opção que vale menos do que 0,85% do preço da ação não tem VDX 
Compreendendo a fórmula: 
NV/COTAÇÃO DA OPÇÃO - É uma forma de analisar o TAMANHO do 
VE pois quanto maior o VE, maior o NV daopçao. Quanto maior esta 
parte da fórmula, maior tenderá a ser o VDX. 
LASTRO EM PERCENTUAL do strike para o BBOSI - Significa a 
distância do VE (preço de exercício) para o STOP – no caso o BBOSI. 
Quanto maior for esta distância, maior será o VDX. Ainda que o 
usuário utilize outro marcador para o STOP, esta parte da fórmula 
estará analisando a DISTÂNCIA do VE de qualquer forma. 
Dividir por 2*((1,30 – (num de pregoes/100)) - inclui o tempo na 
fórmula. 
 
VDX = TAMANHO*DISTÂNCIA/(TEMPO) 
E assim estamos considerando os três fatores que nos interessam na 
venda de uma opção para lançamento coberto: O tamanho, o tempo 
e a distância do VE. Com o tempo e a experiência aprendemos a 
visualizar facilmente estas características, mas o VDX faz isso para 
você e traz um número que é o resultado final da fórmula para cada 
opção. 
Este número, o resultado final da fórmula, tem duas utilidades: 
1. Verificar o maior VDX. 
2. Estabelecer parâmetros do tipo, só vendo acima de 
determinado VDX. 
92 
 
É difícil ter padrões absolutos do VDX, pois ele muda de acordo com 
a volatilidade (mercados mais voláteis produzem VDXs maiores) e 
com o preço das ações. De qualquer forma acompanhe o VDX no 
Quadro de Opções da Bastter.com. Neste mesmo quadro fornecemos 
um VDX mínimo a ser respeitado para cada ação, mas o importante 
é você compreender o conceito para poder se beneficiar dele. E 
como foi demonstrado acima, você pode escolher as opções para 
vender mesmo desconhecendo o VDX. Vamos ver o VDX com Vale 
PN (VALE5) a 47,10 faltando 30 dias para o vencimento das opções: 
D ULT OFC OFV VAR NEG VE VDX 
36.00 11.40 11.41 11.49 -0.60 28 0.30 
 
- 
38.00 9.49 9.43 9.50 -0.51 80 0.39 - 
40.00 7.53 7.54 7.69 -0.66 80 0.43 - 
42.00 5.75 5.73 5.79 -0.64 411 0.65 - 
44.00 4.03 4.03 4.06 -0.50 2,051 0.93 - 
46.00 2.57 2.57 2.59 -0.33 3,951 1.47 - 
48.00 1.43 1.42 1.44 -0.23 4,207 1.43 2.19 
50.00 0.69 0.68 0.69 -0.14 3,001 0.69 3.40 
52.00 0.30 0.30 0.31 -0.06 1,468 0.30 2.50 
54.00 0.15 0.14 0.15 -0.02 419 0.15 - 
56.00 0.07 0.07 0.08 -0.01 117 0.07 - 
58.00 0.03 0.03 0.04 -0.02 18 0.03 - 
 
Observem que como uma primeira utilidade, o VDX faz todo aquele 
trabalho que tivemos de selecionar quais opções são passíveis de 
serem vendidas. As opções ITM, ou dentro do dinheiro, e as opções 
que valem centavos não possuem VDX, logo ele seleciona para nós 
as que podem ser vendidas e vemos que nesta série só sobraram 
três, as de preço de exercício de 48, 50 e 52. 
O marcador lida com distancia, tamanho e tempo. O tempo é igual 
para as três opções, mas faria os VDX serem mais altos se os outros 
dados se mantivessem constantes e diminuíssemos o tempo para o 
vencimento. Pois bem, considerando distância e tamanho, vemos 
que o VDX da 48 é de apenas 2,19 porque a VALE5 está 47,12 então 
a distância dela é muito pequena. O VDX da 52 é mais baixo (2,50) 
que da 50 porque ela só vale 0,30 centavos. A 50 tem o maior VDX e 
parece ser a mais eficiente somando os três fatores, mas para o 
93 
 
iniciante é sempre melhor vender a de maior lastro, no caso a 52. 
Comece sempre vendendo a mais longe que ainda tem VDX. 
A segunda utilidade do VDX é graduar as vendas. A partir de um VDX 
mínimo para a época, considerando a volatilidade do momento, 
pode-se ter uma ideia pelo VDX da eficiência da venda daquela 
opção para vendas de VE. Se está muito abaixo do VDX mínimo 
provavelmente não é eficiente. Lembre-se mais uma vez que vender 
a mais eficiente nem sempre é o melhor, especialmente para quem 
está começando. A opção pode ser a mais eficiente mas também 
mais difícil de operar que outra com VDX menor mas mais lastro. 
Outra utilidade do VDX é ajudar na definição de qual vencimento 
vender. Temos usualmente três vencimentos simultâneos sendo 
negociados. Por exemplo, se estamos no início de outubro, estão 
sendo negociadas as opções que vencem em outubro (J) e as que 
vencem em novembro (K) e pode até já ter alguns negócios nas que 
vencem em dezembro (L). Portanto é possível comparar o VDX de 
uma série com outra para ajudar a decidir que série vender. Muita 
atenção que por terem período de tempo para o vencimento 
diferente esta comparação não é totalmente fidedigna tendendo 
sempre o vencimento mais longo a ter VDXs maiores. Muito cuidado 
também com o baixo número de negócios da última série quando ela 
está no início, pois isso pode levar a distorções de preço que alterem 
os resultados do VDX. Observe o numero de negócios, se for muito 
baixo não confie nos marcadores e saiba que o risco é alto. Nas 
series seguintes, pode-se conseguir ainda mais lastro, mas isso as 
custas de mais tempo, então verifique o VDX para ver se esta lastro 
maior realmente compensa. 
O VDX é, portanto um grande auxiliar para o operador de venda 
coberta, pois ele considera os três fatores fundamentais na definição 
de qual opção vender, além de definir as opções eficientes para o 
lançamento e graduar a venda coberta fazendo com que o operador, 
mesmo os que não têm muita experiência, saibam onde estão 
pisando o tempo todo. Após algum tempo de VC torna-se intuitivo e 
o VDX vai se tornando menos necessário, mas no início ajuda 
bastante. 
-BBOSI: Primeiros temos de entender o BOSI. Ele é um índice de 
força das opções. Não de força no sentido de que o mercado vai 
94 
 
subir, mas de onde, em qual opção está a força do mercado de 
opções. Considera das opções dois fatores: O VE (valor extrínseco) e 
o percentual do número de negócios da série que está naquela 
opção. 
Fórmula do BOSI: 
BOSI = VE*PERC NUM NEG 
 - VE é o VE da opção, a porção do prêmio da opção que consiste de 
valor extrínseco, além do preço da ação. 
- PERC NUM NEG é o percentual do número total de negócios da 
série de opções que está naquela opção. Por exemplo, se o total da 
série (somadas todas as opções é de 10.000 negócios e aquela opção 
tem 1000 negócios, o percentual é de 10% (1000/10.000). 
Considerando o risco nas vendas de opções, o VE é o risco objetivo, 
pois quanto maior o VE, pior para o vendido, o que ele deseja é que 
o VE diminua para ele ganhar a venda.* A venda coberta é uma 
venda de VE que pretende ganhar este VE com a passagem do tempo 
sem que a ação suba acima da venda (preço de exercício da opção 
vendida + tamanho do VE). Se o VE sobe, o lançador está perdendo a 
venda. O percentual de número de negócios mostra onde o mercado 
está, pois ele está na opção que tem o maior número de negócios. 
*Nota: Claro que na hora de vender, de iniciar a venda, quanto maior 
o VE, melhor, mas o BOSI é um marcador usado como Stop, para zerar 
a venda, então depois de feita a venda, quanto maior o VE pior, pois 
para ganhar a venda é necessário que o VE derreta, diminua. 
 
Simplificando então pode-se resumir o BOSI em: 
BOSI = RISCO IMEDIATO*RISCO DE MERCADO 
Para se chegar ao BBOSI (Bastter BOSI) que é o que nos interessa, 
fazemos a seguinte multiplicação: 
Bastter BOSI = Em cada série multiplicar o strike BOSI de todas as 
opções. Somar o resultado destas multiplicações e dividir pela soma 
dos BOSIs. Fazer depois a média das duas primeiras séries. Há 10 
dias do vencimento para de usar a serie atual. Com isso chegamos 
95 
 
ao valor que usamos para stopar de forma simples. Se o BBOSI 
chegar ao strike da opção vendida, está dado o STOP. 
Porque se deve stopar vendas de VE e lançamentos cobertos? Já foi 
demonstrado porque não deixar exercer quando o mercado sobe 
forte devido aos custos e impostos. Foi visto também que diferente 
do conceito padrão, a venda coberta é um trade isolado da opção em 
que a ação é apenas a cobertura, a garantia. Sendo assim, como em 
qualquer trade em que o risco não é definido na entrada, deve-se 
usar o stop. E não importa se depois do stop a opção continua 
subindo ou volta acair (o chamado violino), o que importa é não ter 
prejuízos grandes que prejudiquem todo um planejamento de longo 
prazo de venda coberta. As ações não variam expressivamente na 
maior parte dos meses. Se o investidor está sendo stopado muitas 
vezes na venda coberta, deve reavaliar o plano e passar a vender 
menos e mais longe. De nada adianta não dar o stop e aceitar 
prejuízos maiores. Se o indivíduo ganha em média 0,50 centavos por 
lançamento, e em um deles não stopa e aceita um prejuízo de 6 
reais, perdeu um ano de venda coberta em um único lançamento. 
Portanto é importante ter um stop pré-determinado no lançamento 
coberto e se o mercado chegou lá stopar sem pensar, cumprir o 
plano. O objetivo não é ganhar todas as vendas, isso é um delírio que 
leva a muitos prejuízos, o objetivo é que após alguns anos se tenha 
mais ações fazendo venda coberta do que se teria se não fizesse 
venda coberta. 
Stopar usando o BBOSI é extremamente simples mas demanda 
acompanhamento. Quem quiser mais segurança, estabeleça e envie 
uma ordem stop na corretora a 4% da cotação da ação na hora da 
venda da opção. Exemplo: A ação está 20 reais, o stop seria em 0,80. 
Lembre-se de retirar esta ordem se stopar pelo BBOSI. 
 
- NV (Não Vende): Este é o mais simples dos três: 
NV = 0,4% do preço da ação. Se a ação está 20 reais, o NV seria em 
0,08 ou 8 centavos. Não se deve vender opção NV e não se deve ficar 
vendido em opção NV. O Quadro de Opções da Bastter.com, que 
basta se cadastrar para utilizar, apresenta o NV das opções além do 
VDX e do BBOSI. Se no exemplo acima, uma opção está a 14 
centavos, ela teria 6 centavos para ficar NV. Deve-se avaliar se ainda 
96 
 
vale a pena vender dentro destas condições, mas veja na formula do 
VDX que o fator tamanho seria de 0,06/0,14 ou somente 0,42. Seria 
necessário muita distancia para compensar isso e ter um VDX 
razoável. 
 
Na imagem acima vemos os VDXs de opções do Banco do Brasil AS 
(BBAS), o BBOSI e os NVs. Os VDXs estão altos devido a grande 
volatilidade que pode ser observada no quadro. Há duas opções com 
VDX acima do VDX Minimo, a F67 e F68. Observem como o quadro 
traz para vocês todas os marcadores tratados aqui facilitando 
bastante a venda coberta de opções. 
 
Como Utilizar os Marcadores para Venda Coberta 
O uso dos marcadores é bastante simples e bastam eles para criar 
um planejamento completo de venda coberta. 
1. Determinar critérios para venda (Estratégia Geral): 
a. Vender no maior VDX ou na primeira opção OTM além 
do maior VDX 
b. Vender VDX > X onde X deve ser o VDX minimo 
c. Pode-se determinar também se quiser, distância mínima 
e tamanho mínimo para vendas apesar de que o VDX já 
considera isso. 
2. Determinar as Táticas pós venda: 
a. Alvo de lucro – NV ou se o VDX desaparecer ou um valor 
absoluto (coloque sempre ordem de compra no NV com 
prazo longo) 
97 
 
b. STOP – Se o BBOSI atingir o strike da opção vendida. 
Pode-se utilizar stop de segurança de 4% do valor da 
ação. 
c. Prazo – No máximo na quinta-feira da semana anterior 
ao vencimento. 
3. Determinar a Monitoração 
a. Pode variar de duas vezes por dia a uma vez a cada dois 
dias. Ideal, diária em um horário determinado. 
 
98 
 
 
99 
 
 
Depois de tudo planejado é só colocar em prática. Só venda opções 
que atingirem seus critérios. Opção vendida, apenas execute o 
plano. Não analise o mercado, não ache nada nem tente prever nada, 
se um dos critérios foi atingido zere a operação seja no lucro ou no 
prejuízo. Se nenhum deles foi atingido, verifique novamente no dia 
seguinte. 
Pronto, com estes três marcadores (na verdade apenas dois) pode-
se criar e executar um planejamento completo de venda coberta de 
forma bastante simples e eficiente. 
Dê uma olhada também na nossa ferramenta de Venda Coberta, o VC 
Blue. 
 
Rolagem 
O que é rolagem? 
Zerar a opção em que se está vendido, ou uma operação, e fazer uma 
nova venda em outra opção, ou uma nova operação em outro local 
com o objetivo de tirar dinheiro do mercado para pagar o custo ou 
parte do custo para zerar a venda ou a operação atual. Criou-se uma 
fantasia em torno da rolagem que levou ao mito da rolagem eterna. 
Alguns operadores se iludem que poderão rolar suas vendas para 
sempre quando subir e nunca vão ter de assumir um prejuízo. Isso 
termina de duas formas em uma: 
1. Termina assumindo um prejuízo muito maior que leva o lucro 
de um ou dois anos de venda coberta 
2. Meses rolando opções de grande valor, ITM, com o objetivo de 
salvar uma operação ruim, e passa todo este tempo sem 
remunerar a carteira de ações. 
O objetivo na venda coberta não é ganhar todas as operações, mas 
ficar vendido em VE com lastro de distância e o tempo a favor e 
ganhar este VE para comprar mais ações ou outros investimentos. 
Quando se aceita ficar vendido ITM sem VE ou com pouco VE e com 
o tempo contra, estará indo contra os princípios da operação e 
deixando de ganhar o VE que é o único objetivo da venda coberta. 
100 
 
Não que seja proibido rolar. Mas a rolagem deve ser utilizada com 
critérios e mantendo o foco que é a carteira de ações e a venda de 
VE para comprar mais ações e não com o foco em salvar operações e 
nunca assumir prejuízos. 
Vamos exemplificar uma rolagem: 
Vendido coberto em PETRD20, a Petrobras PN começa a subir forte 
e a opção (strike) atinge o BBOSI, que era o STOP determinado. A 
opção está custando R$1,50. O operador olha o vencimento 
seguinte, Série E, e vê a PETRE22 a 1,60. Ele recompra a D20 
pagando 1500 reais (estava vendido em 1000 opções) e vende a E22 
recebendo 1600 reais o que dá para pagar a recompra e os custos. 
PETRD20 a 1,50 +1000 = paga 1500 
PETRE22 a 1,60 -1000 = recebe 1600 
Olhando assim parece ótimo e realmente não há um grande 
problema em fazer isso desde que esteja dentro do planejamento. O 
operador passou a estar vendido 2 reais mais longe mas por outro 
lado tem um vencimento inteiro para a ação chegar na sua venda. O 
mercado não dá nada de graça. Agora vamos destrinchar isso. 
Na verdade não aconteceu rolagem alguma. Esta é a apenas uma 
forma psicológica de fingir que não perdeu. Se a PETR20 foi vendida 
por 1,00 por exemplo, o operador perdeu 0,50 na venda dela e não 
há mágica que faça desaparecer prejuízos. O que o operador está 
fazendo é realizar o prejuízo na D20 recomprando a opção 0,50 
acima do que vendeu e abrindo uma nova venda na série E que pode 
terminar com lucro ou prejuízo dependendo do que o mercado faça 
e da forma que ele opere. 
Em algum momento, mesmo que sejam alguns segundos, ele estava 
zerado na D20 e não tinha aberto uma nova venda na E22, portanto 
a realidade é que ele zerou a venda na D20 e assumiu o prejuízo 
daquela venda. Se depois ele vai vender outra opção, é uma nova 
operação que começa do zero. Daí o problema da rolagem. Deve-se 
fazer uma nova venda porque é uma venda eficiente que atinge os 
critérios pré-estabelecidos para venda de opções e não vender só 
por vender, só para tirar dinheiro do mercado para pagar o prejuízo 
anterior e fingir que não teve prejuízo. 
101 
 
Em um conceito de fluxo de caixa, que diferença faz se o dinheiro da 
nova venda, da venda na série seguinte, entrar um segundo depois, 
alguns minutos depois, um dia depois, uma semana ou um mês 
depois? Financeiramente não faz a menor diferença, mas faz 
diferença sim, se a nova venda é uma venda boa, eficiente, dentro 
dos critérios do operador ou uma venda ruim, feita só para cobrir a 
venda anterior. Portanto muito mais importante para o seu método 
no longo prazo é se a nova venda é uma boa venda, uma venda 
eficiente, do que quando ela é feita. O dinheiro que vai entrar desta 
nova venda, se entrar logo após zerar a venda anterior ou um mês 
depois, tem o mesmoefeito no seu caixa, não faz a menor diferença. 
Agora fazer uma nova venda boa ou uma nova venda ruim, isso sim 
faz diferença. E quem se acostumar a sempre cobrir os prejuízos das 
vendas com rolagem, vai diversas vezes fazer vendas ruins, sem 
nenhum critério, apenas para tirar o dinheiro que “precisa” tirar 
naquele momento. Esta forma de rolagem obviamente vai piorar o 
rendimento de longo prazo da venda coberta. 
O ideal então é esquecer a rolagem. Cada venda deve ser operada 
isoladamente, ter toda sua planificação. Se por acaso o stop foi 
atingido, recompre onde está vendido, zerando a venda. Aí estando 
zerado verifique as opções disponíveis para venda coberta e veja se 
alguma atinge seus critérios. Se existem vendas eficientes que 
preenchem seus critérios venda, senão não venda. Volte a verificar 
no dia seguinte e só abra nova venda se alguma opção atingir seus 
critérios. Não faz a menor diferença em termos financeiros quando 
for feita a nova venda, mas faz diferença se ela é uma boa venda, se 
atinge seus critérios ou não. Se você vendeu uma opção por 0,30 
real e recomprou a 1 real, perdeu 0,70 real naquela venda. Não 
existe mágica nem rolagem que vá mudar este fato. Melhor aprender 
a assumir prejuízos enquanto pequenos e não ficar inventando 
“rolo” para fingir que não perdeu. Role na mesma hora somente se 
tiver uma nova venda que preencha seus critérios pré-determinados 
para vendas cobertas. Senão aguarde. Assim não vai se meter em 
“rolos.” ·. 
Conceito de Fluxo de Caixa 
Para remunerar adequadamente uma carteira de ações devemos ter 
em mente o conceito de Fluxo de Caixa. 
102 
 
Em alguns momentos vamos retirar dinheiro do mercado na venda 
de opções. Normalmente no mercado que não sobe com força onde o 
principal (ação) não está se valorizando. Nesses momentos é 
fundamental comprar mais ações ou outros investimentos com o 
lucro das vendas. Algumas vezes as ações após lucros das vendas 
cobertas estarão sendo vendidas a preços mais baratos propiciando 
um aumento maior da quantidade de ações na carteira. Utilize o 
Bastter System, nossa ferramenta de administração de patrimônio 
para te indicar o que comprar naquele momento. 
Em alguns momentos vamos ter que colocar dinheiro. Normalmente 
no mercado em alta forte, para recomprar opções a um preço mais 
alto do que vendemos. Faz parte do negócio e os vencedores são os 
que conseguem assumir prejuízos e lidar com perdas 
tranquilamente. 
Num conceito de Fluxo de Caixa sabemos que as vezes o dinheiro 
entra e as vezes o dinheiro sai, o fundamental e estar positivo 
depois de alguns anos. Em qualquer atividade, empresa, comércio, 
etc., há fluxo de caixa, há custos, despesas, etc. O importante é que 
no final de um período os lucros superem os gastos. É um delírio 
que leva a ruina, achar que vai administrar um negócio sem 
despesas, apenas com receitas. Despesas devem ser controladas, 
gerenciadas e deve-se fazer um esforço para diminuí-las sempre que 
possível, mas não há como fazer com que não existam. As despesas 
não podem também ser maiores do que as receitas, senão o negócio 
dá prejuízo, mas elas nunca vão deixar de existir. 
A fantasia do pequeno investidor em cima da venda coberta é nunca 
ter prejuízos, ganhar todas as operações, ganhar se subir, se cair e 
se ficar de lado... Isso é apenas um delírio. O vencedor na venda 
coberta, o que realmente aumenta sua carteira de ações com a 
venda coberta é aquele que aprende a assumir prejuízos pequenos, 
que entendeu o conceito de fluxo de caixa. Vai entrar dinheiro 
durante muitos meses, mas em alguns vai sair também. Quem não 
aceita isso acaba tendo prejuízos enormes quando perde deixando 
uma opção de 1 real as vezes ir a 5, 6 reais ou até mais sem 
recomprar e no fim em um vencimento perde o lucro de 10 
vencimentos ou até mesmo de anos, arrasando com o projeto de 
longo prazo da venda coberta. 
103 
 
Portanto, compreenda o conceito de fluxo de caixa da venda coberta 
e aceite os prejuízos. Toda venda tem de ter um stop. Bateu lá 
perdeu. Assuma a perda e compreenda que não há mágica que 
transforme prejuízo em lucro, apenas fantasias que transformam 
prejuízos pequenos, normais dentro de um método de longo prazo, 
em prejuízos enormes que destroem o método. 
 
Subiu Forte, Compre 
A venda coberta para dar certo precisa que o operador esteja 
treinado em comprar onde está vendido se subir forte. Se o 
operador se mantém vendido em VE fora do dinheiro ele tende a 
ganhar muitos vencimentos no longo prazo, exceto em períodos de 
alta volatilidade do mercado. Quase todos que operam venda 
coberta vendendo OTM, ganham mais vencimentos do que perdem 
porque são poucos os vencimentos em que a ação sobe 
expressivamente. Como a venda coberta tem um lastro, que é um 
espaço que a ação pode subir sem que se perca a venda, só será 
perdedora nos vencimentos que a ação subir com muita força e na 
maioria deles ela não faz isso. Na verdade a maior parte do tempo o 
mercado anda de lado. 
Agora, se no vencimento que sobe forte, o operador não compra 
onde está vendido, ele perde o lucro de 10, 12, 15 ou até mais 
vencimentos. Vamos dizer que um operador ganha em média 30 
centavos por vencimento. Aí chega um vencimento que sobe forte e 
ele fica inventando história para não recomprar e termina perdendo 
6 reais naquele vencimento. Lá se foram 20 meses de venda coberta 
pelo ralo em um único vencimento. Mesmo este investidor que 
opera errado, ganha a maior parte dos vencimentos, o problema é o 
quanto ele perde, quando perde. Se ele tivesse recomprado quando 
subiu forte perdendo 0,60 real no vencimento, seria só o lucro de 
dois vencimentos, o que se recupera rapidamente, além do que ele 
já tendo lucro acumulado de vendas anteriores, ainda estaria 
ganhando na venda coberta no longo prazo. Mas como ele não 
recompra quando sobe forte, perde em um vencimento errado o 
rendimento de mais de um ano de venda coberta. 
A venda coberta é uma corrida que você dá um passo por mês em 
direção a carteira de ações que te dê tranquilidade financeira, ou 
104 
 
ajude a dar junto com seus outros investimentos em renda fixa, 
imóveis e etc. Todo mês você dá um passo quando ganha a venda. 
No mês que perde você dá um passo atrás e está tudo bem, pode 
voltar a andar para frente no mês seguinte, agora se no mês que 
perde andar 10 ou 20 passos para trás, não vai sair do lugar e sua 
carteira de ações vai diminuir ao invés de aumentar no longo prazo 
com a venda coberta. 
Portanto, comece a fazer venda coberta bem pequena, 100 ou 200 
opções apenas a título de aprendizado. Faça o planejamento com 
alvo de lucro, stop e prazo e veja se vez após vez você cumpre o 
plano especialmente quando o stop for atingido. Só aumente a 
quantidade de opções se tiver certeza que quando você estiver 
vendido e subir forte, você vai comprar primeiro e pensar depois. (By 
Predador) 
Banco de VE 
Um conceito que auxilia muito o operador de venda coberta é o 
Banco de VE. Numa planilha em casa ou no VC Blue do Bastter 
System, vá anotando o quanto ganha ou perde nas vendas cobertas. 
Isso é o Banco de VE. Não é um dinheiro acumulado real, é apenas 
virtual, porque você deve ir investindo o lucro das vendas. 
Abrimos um parêntese aqui para explicar que para quem se torna 
vencedor no longo prazo na Venda Coberta, o ganho é maior do que 
parece. Investindo os lucros das vendas vai se ganhar não apenas o 
lucro de cada venda, mas os juros compostos capitalizados sobre o 
que for investido. Pequenos ganhos na venda coberta podem no 
longo prazo potencializar significativamente o crescimento do seu 
patrimônio. 
Voltando ao Banco de VE, vá anotando nele os ganhos e perdas 
líquidos da Venda Coberta. Conforme for dando certo, haverá um 
saldo acumulado. Este saldo tem duas utilidades: 
1 – O Banco de VE facilitao STOP. É mais fácil psicologicamente 
assumir prejuízos se souber que está vindo de lucros anteriores. 
2 – O Banco de VE serve como um parâmetro para aumentar as 
vendas. Só aumente a quantidade de opções vendidas se houver 
banco de VE para suportar os prejuízos. 
105 
 
Venda bem pouco e bem longe no inicio para ir formando seu Banco 
de VE. 
 
VSEG e VCSA 
Agora que você já aprendeu os conceitos da Venda Coberta vamos 
falar um pouco mais destas variações. A Venda Coberta com Seguro 
(VSEG) é exatamente a mesma coisa que a Venda Coberta (VC) só 
que se compra um seguro que nos protegerá da alta forte da ação e 
do prejuízo além do que suportamos. Claro que isso pode ser feito 
de forma mais fácil vendendo quantidades menores, mas a VSEG irá 
permitir aumentar a quantidade vendida e o retorno potencial com 
menor risco (e obviamente com um custo que diminui o retorno 
pois não existe lanche de graça). A Venda Coberta sem a Ação 
(VCSA) é exatamente a mesma coisa que a VSEG só que o operador 
não possui a ação. Muitas vezes fazendo a VCSA em Homebrokers 
será necessário além do seguro, comprar uma opção de centavos na 
mesma série para que a operação seja autorizada. O operacional das 
duas é igual então só precisamos demonstrar a VSEG e faremos 
considerações sobre a VCSA. Lembre-se a única diferença da VCSA é 
não possuir a ação. 
Vamos exemplificar: 
Pretendo vender a PETRE20 de PE de 20 reais que está custando 
0,80 com a ação em 17 reais. Faltam 55 pregões para o vencimento. 
Vou nas series anteriores e procuro um seguro. A ideia por trás do 
seguro é bloquear prejuízos a partir de um certo ponto. Obvio que 
algum prejuízo sempre vai haver, mas ele impede os prejuízos 
enorme pois se a ação começar a subir sem parar chega um ponto 
que o seguro começa a subir também. O seguro, dentro dos 
possíveis é escolhido de acordo com o quanto você deseja proteger 
mas com bom senso sempre. Quanto maior a proteção, maior o 
custo. A proteção será maior quanto mais próximo o strike do 
seguro for do strike da opção vendida. 
Se na série anterior temos a D26 a 0,10, a D24 a 0,17, a D22 a 0,28 
são possibilidades de seguro. O seguro na D26 é mais barato mas só 
protege 6 reais acima da venda, o da D24 custa mais mas já protege 
4 reais acima, e o da D22 é o mais caro mas protege bastante, pois 
106 
 
está apenas 2 reais acima. O operador vai ter de decidir mas no 
inicio é sempre melhor vender o mais longe possível e proteger o 
mais perto possível. Se houver a possibilidade ainda de proteção na 
Serie C, se ela ainda tiver tempo de vida razoável, será um seguro 
mais barato que poderá ser mais perto, as vezes no mesmo nível da 
venda, mas irá durar menos e se o VE da venda não derreter rápido 
teremos o custo de comprar outro seguro na D quando o da C 
vencer. Tudo isso tem de ser pesado e a experiência para lidar com 
todas estas possibilidades vem aos poucos conforme se simula e 
depois se opera de verdade com quantidades pequenas. Mas o 
caminho para começar já foi dito acima: 
1 – Venda o mais longe possível, a opção de maior lastro que ainda 
tenha VDX 
2 – Faça o seguro o mais próximo possível da venda que tenha um 
custo que ainda sobre alguma coisa para ganhar na venda. 
3 – Venda apenas 100 ou 200 opções no início. 
Assim você pode ir aprendendo com risco baixo e evoluindo como 
operador e entendendo todas as possibilidades desta operação. É 
muito importante colocar a operação no Grupo de Venda Coberta e 
Opções da Bastter.com e atualizar diariamente para que a discussão 
que acontecerá em volta dela sirva também de aprendizado. 
Na VSEG você pode ficar sem seguro se ele vencer já que possui a 
ação, mas na VCSA se o seguro estiver para morrer e não encontrar 
outro para substitui-lo, é necessário zerar a venda para nã ficar 
descoberto. 
Controle de Risco na VCSA e VSEG 
Controle aproximado com alguma folga. Não há como fazer uma 
determinação de risco máximo exata. De qualquer forma usando 
este sistema pode-se operar com segurança quantidades razoáveis 
de opções. Não se deve montar posições grandes em VCSA mesmo 
depois de ter experiência e lucro acumulado. 
Risco para 1000 opções vendidas 
1. A VCSA vale1000 reais de risco, ou seja, já se começa 
considerando 1000 reais de risco para 1000 opções. Se vender 
107 
 
menos que é o recomendável, 1 real para cada opção vendida 
2. Para cada real de diferença entre o strike da Venda e do seguro 
deve-se somar 1000 reais 
3. Para cada série pulada deve-se somar 1000 reais 
Exemplos: 
I48 – H50 = 3000 (1000 + 2000) 
I48 – G48 = 2000 (1000 + 1000) 
I48 – G50 = 4000 (1000 + 1000 + 2000) 
Do risco máximo deve-se deduzir o valor recebido pela venda. 
Critérios para Compra de Seguro na VCSA e VSEG 
Estes critérios não são absolutos mas servem para dar uma direção 
para quem está começando. Depois que já se tiver experiência com a 
operação pode-se criar seus próprios critérios. O importante é 
compreender o quanto o seguro está protegendo e o custo para isso. 
A – Valor no MAX 0,25% do preço da ação 
B – Valor no MAX 25% do valor da opção vendida 
C – Distancia MAX de 5% do strike da opção vendida 
D – Mais de 10 dias (6 pregões) do vencimento 
E – Tem de ser de series anteriores a serie que se vai vender 
 
Não Precisa Vender Sempre 
Este é outro conceito importante em venda coberta. Você não 
precisa vender sempre, não precisa estar permanentemente 
vendido. Sua carteira não estará desprotegida se você não vender 
opções porque opções não servem para defender queda, devem ser 
usadas apenas para remunerar a carteira e a carteira nem entra na 
conta, ela é apenas a cobertura. 
O objetivo da venda coberta é comprar mais ações e outros 
investimentos e não defender queda. E para terminar com mais 
ações no longo prazo com a venda coberta é necessário fazer vendas 
eficientes, em que a probabilidade de ganhar o VE seja maior do que 
de abrir mão de lucro na alta forte. Esta probabilidade vem da 
analise do VE em termos de lastro, tamanho e tempo e não de 
108 
 
perspectivas de alta ou queda da ação. A vantagem na Venda de VE é 
se o VE tem tamanho, lastro e tempo que sejam vantajosos e não a 
ilusão de acertar se o mercado vai subir ou cair. Para isso há ativos 
mais eficientes como ações ou futuros. Se o operador fica vendido o 
tempo todo, ele vai ter de fazer vendas pouco eficientes porque o 
mercado não oferece vendas boas o tempo todo. O mercado não 
oferece VE a um bom tamanho e uma boa distância o tempo todo. 
Crie seu planejamento de venda coberta, estabeleça critérios para 
vender opções cobertas e só venda se alguma opção atingir aqueles 
critérios. Se não há nenhuma opção para vender, não venda. Você 
não é obrigado a vender o tempo todo. Tome muito cuidado 
especialmente com os períodos de alta volatilidade, notadamente 
nas quedas fortes, em que o risco da venda coberta se torna muito 
alto. Não se iluda com os altos VEs e VDXs nestas épocas. Se for 
vender, utilize muito lastro e venda pouco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
109 
 
CAPÍTULO VIII 
AS RARAS OPORTUNIDADES DE COMPRA 
 
Na revisão deste livro para a edição de 2016 pensei em retirar este 
capítulo porque realmente não enxergo muitas perspectivas em 
compras de opções. Pensando melhor resolvi deixar, pois a ausência 
dele não deixaria um ensinamento sobre esta tipo de operação. 
Considerando ainda as poucas perspectivas desta modalidade que 
terminará perdedora no longo prazo para a grande maioria, vamos 
tentar definir critérios para tornar mais viável e desmistificar todas 
as fantasias em volta da compra de opções.·. 
 
Compra de Opções 
A compra a seco de opções de compra (calls) é um dos grandes 
cantos de sereia da bolsa. Infelizmente a maioriados iniciantes 
quando conhecem as opções vão por este caminho, até por ser mais 
intuitivo, ao invés de fazer seu aprendizado de opções na venda 
coberta o que é mais recomendável. 
Como as opções muitas vezes tem variações positivas 
extraordinárias em um dia de mais de 100%, às vezes até chegando 
a 400% ou até mais, se tornam irresistíveis para a grande maioria. 
São raros os que compreendem que o enriquecimento vem de um 
processo de longo prazo de pequenos ganhos com expectativa 
ligeiramente positiva. A grande maioria busca o enriquecimento em 
apostas com chances ínfimas e ganho enorme (tipo loteria). A 
compra a seco de opções funciona como uma loteria para os que 
estão atrás da “grande cacetada” e que não conseguem pensar no 
acumulo de capital no longo prazo. 
E pior que isso, a grande maioria opera opções na chamada compra 
“a seco” sem ter ideia do que são opções e tratando-as como se 
fossem ações de 1 real. Opções não são ativos puramente direcionais 
e não dependem somente do movimento da ação subjacente, mas de 
mais quatro fatores adicionais sendo os mais importantes além das 
variações da ação subjacente, a volatilidade e o tempo. Diversas 
vezes vamos ver a ação subindo e algumas opções subindo muito 
pouco, estáveis ou até mesmo caindo. 
110 
 
Mais importante ainda que isso, o fator tempo faz com que a 
estratégia de compra a seco de opções de compra, seja, em essência, 
perdedora no longo prazo se as compras não forem muito bem 
selecionadas. Ficar permanentemente comprado em opções fora do 
dinheiro não tem como ser um método vencedor porque não há 
ação que suba de forma intensa o tempo todo a ponto de superar a 
perda de valor das opções pela passagem do tempo. 
Dito isso, vamos analisar em que situações a compra pode ser até 
considerada. 
 
O que é uma Boa Compra? 
Na crendice popular e no mal equipado cérebro humano uma boa 
compra é aquela que termina com lucro. Desta forma simplista de 
analisar as operações em bolsa, e com o pensamento de curto prazo 
é que a grande maioria vai se enforcando em prejuízos cada vez 
maiores atrás de lucros enormes e irreais. O que define uma boa 
compra não é resultado dela, mas a expectativa inserida nela. Se 
você monta sempre operações com expectativa positiva, seu 
resultado de longo prazo será provavelmente positivo, pois no longo 
prazo, o dinheiro ganho e a expectativa das operações tendem a se 
aproximar, apesar das possíveis distorções entre os dois no curto 
prazo. 
Considerando então opções, o que seria uma boa compra? Aquela 
que SE a ação subir irá aumentar de valor expressivamente e não 
terá uma grande perda se a ação não subir. 
Quando você compra uma opção está comprando e operando VE 
(Valor Extrínseco), a parte do prêmio da opção além do preço da 
ação. O valor verdadeiro ou intrínseco varia junto com a ação. As 
opções OTM, ou fora do dinheiro, são compostas somente de VE. 
Para começar então a boa compra ficaria ligeiramente OTM pois as 
opções ITM ou dentro do dinheiro, tem valor muito alto, fazendo 
com que o risco seja alto também. Vamos ver as outras 
características: 
 VE – quanto menor melhor 
 Distância para o Preço da Ação – quanto menor melhor 
111 
 
 Tempo – quanto maior melhor – mas só vai encontrar as 
caraterísticas anteriores faltando pouco tempo para o 
vencimento quando se criam as opções explosivas. 
O VE é fácil de entender. Como as opções fora do dinheiro ou OTM 
são constituídas somente de VE, se você vai fazer uma compra, o 
risco desta compra é o quanto você paga por ela. Quanto menor o 
valor da opção, menor o risco. Claro que o risco na realidade é a 
quantidade financeira. Se você compra 2000 opções a 0,25 (500 
reais) seu risco é maior do que 1000 opções a 0,30 (300 reais) , mas 
considerando a mesma quantidade de opções, quanto menor o valor 
da opção, menor o risco. 
Mas não basta VE baixo, senão iríamos sempre comprar as opções 
que ficam lá longe e custam 0,01. Mas estas opções são 
normalmente apenas sonho e raramente sobem.*. 
*Nota – Tenho até com medo de escrever isso que escrevi no 
parágrafo acima, pois sempre alguém vai ter a “brilhante” ideia de 
vendê-las. Não se vende opções de centavos, pois não há praticamente 
nada a ganhar e há muito a perder e na vez que elas subirem, o 
investidor quebra. Só vendam opções que vale a pena vender e sempre 
coberto ou travado. 
A distância também é fácil de entender. Quanto mais próxima do 
preço da ação for o preço de exercício da opção, menos dependente 
de alta forte será a compra da opção. Ainda dependerá de alta da 
ação, como qualquer compra de opção de compra, mas não 
dependerá de uma alta expressiva como acontece com as muito 
longe do preço da ação. 
Na teoria, quanto mais tempo melhor, preenchidas as duas 
características anteriores. Mas só vai ser possível encontrar opções 
próximas do preço da ação de baixo valor, perto do vencimento das 
opções, faltando poucos dias, ainda assim, quanto mais tempo 
melhor. 
Concluindo então, uma boa compra, diferente da “sabedoria 
popular” não é aquela que dá lucro, aquela que você acha que vai 
subir sei lá porque, mas aquela que tem boa expectativa e tende a 
ganhar muito quando o mercado vem a favor e perder pouco 
quando o mercado vem contra. Quem opera desta forma, com 
112 
 
expectativa positiva, colocando as probabilidades a seu favor, tende 
a ser vencedor no longo prazo, não importa o tipo de operação. A 
boa expectativa nas compras é refletida por uma combinação de 
baixo VE próximo do preço da ação. Opções de preço baixo que 
tenham o preço de exercício bem próximo do preço da ação. Nestas 
opções perde-se pouco na compra devido ao baixo preço, quando o 
mercado vai contra e ganha-se muito quando o mercado vai a favor, 
pois valendo pouco e estando bem próximas do preço, elas tem uma 
enorme expectativa de se expandir consideravelmente se a ação 
subir de preço. O grande problema aqui é que o operador tem de ser 
altamente seletivo. Vimos antes a venda coberta em que se ganha a 
maioria das operações e deve-se evitar perder muito nas que perde 
para que a soma seja positiva no longo prazo. Aqui as oportunidades 
serão extremamente raras e ainda assim vamos perder a maioria 
das operações. O objetivo é o inverso, perder pouco diversas vezes e 
ganhar muito poucas vezes para superar as perdas no longo prazo. 
Como aparecem poucas oportunidades e perdemos a maioria, esta 
operação é extremamente frustrante e realmente não recomendo. O 
capítulo foi escrito muito mais para afastar a ilusão da compra a 
seco do que para indica-la como operação viável. 
De qualquer forma, vamos exemplificar. Vamos considerar a 
seguinte opção: 
PETRC22 (Opção de Petrobrás PN com preço de exercício de 22 
reais) valendo 8 centavos com PETR4 a 21,50 há 6 dias úteis do 
vencimento. 
Observem que só investimos 8 centavos nesta opção então as perdas 
caso o mercado não suba, são pequenas. Por outro lado caso o 
mercado corresponda e suba, a variação na opção obrigatoriamente 
será expressiva. 
Vamos dizer que PETR4 vá a 22,50 o que não é nada demais, já que é 
uma alta de apenas 1 real ou 4,6% da ação. A opção vai ter de 
obrigatoriamente custar 0,50 que passará a ser o valor intrínseco ou 
verdadeiro dela (Preço da ação: 22,50 – Preço de exercício da opção: 
22,00) e a não ser que seja na hora do vencimento, manterá algum 
VE, pois antes da alta tinha 8 centavos de VE. Vamos dizer que ela 
perca 0,02 deste VE e passe a custar 0,56. A alta de 4,6% da ação ou 
apenas 1 real, fez com que a opção multiplicasse o preço por 7 vezes 
113 
 
e a partir de agora, esta opção vai ter de seguir a ação porque ela 
está ITM e se a ação continuar subindo as variações positivas da 
opção serão bastante expressivas. 
Boa compra é isso. Abandonem o conceito popular que boa compra 
é aquela quetermina em lucro porque isso nada mais é uma grande 
besteira. Você não vence na bolsa porque ganha uma operação ou 
duas, mas porque elabora e põem em prática um método vencedor 
no longo prazo. E em qualquer método haverá vitórias e derrotas, 
lucros e prejuízos. O que importa é que no longo prazo o dinheiro 
acumulado nas vitórias seja maior do que o pago nas derrotas. 
Métodos ganha-ganha, a busca incessante de vencer todas as 
operações, de nunca contabilizar uma derrota, nunca ter um 
prejuízo, é apenas um delírio e não um método e termina sempre 
com prejuízos enormes e ruína. 
Este tipo de análise, com tamanho do VE, distância da opção (preço 
de exercício) para o preço da ação e tempo para o vencimento da 
opção é o que deve ser feito em todos os tipos de operações e 
análises de opções. Repetindo, opções não tem só O QUE (preço da 
ação), mas tem também AONDE (preço de exercício), o QUANDO 
(tempo) e o COMO (volatilidade) sendo que para compras sempre 
queremos VE pequeno e perto e para vendas preferimos VE grande 
e longe. 
Nas vendas os critérios são mais variáveis, mas nas compras, não há 
tolerância. Uma boa oportunidade de compra tem de estar 
sempre próxima do preço da ação (bem pouco OTM ou ATM) e 
tem sempre de ter um VE pequeno, ou seja, um preço pequeno 
que manterá o risco pequeno. 
 
Compra a Seco e o Tempo 
Todas as opções perdem valor todos os dias pela passagem do 
tempo. E esta perda é mais expressiva em termos proporcionais ao 
preço da ação, quanto mais longe do dinheiro (OTM) a opção for. 
Sendo assim métodos que consistem de ficar permanentemente ou 
por longos períodos comprado a seco* em opções de compra são 
fadados ao fracasso porque não há como vencer o tempo. Todos os 
dias as opções perderão valor e esta perda de valor só será 
contrabalanceada se ocorrerem fortes variações positivas em um ou 
114 
 
os dois outros fatores principais que regem os preços das opções 
(preço da ação e/ou volatilidade da ação). Como não é possível que 
todos os dias ou quase todos os dias sejam de forte alta da ação e/ou 
expressiva volatilidade da ação (na verdade a maior parte do tempo 
o mercado fica de lado, variando pouco) estas estratégias de compra 
a seco de opções OTM em que se mantém comprado por períodos 
longos são fadadas ao fracasso. 
*Nota: Comprado ou vendido a seco significa que não é travado por 
outra opção e nem coberto por ação (no caso das vendas). A operação 
consiste de uma compra ou venda isolada de apenas uma opção. 
A comprar de opções a seco é uma modalidade de operação, 
especialmente com nossas opções mensais, com pouco tempo de 
vida, que consiste de captar raras oportunidades, operar poucas 
vezes e por pouco tempo. Só assim se consegue diminuir a 
intensidade da influência do tempo 
 
Método de Compra de Opções 
Como qualquer outra operação com opções, deve-se criar uma 
metodologia de longo prazo e não operar cada operação 
isoladamente. A compra a seco de opções mesmo captando 
oportunidades, escolhendo bem a hora de entrar e operando por 
períodos curtos, é uma operação que perde muitas vezes então para 
ser vencedor no longo prazo é necessário perder bem pouco quando 
perde e ganhar muito quando ganha. É bem difícil ser vencedor 
neste método por isso não é um dos que eu indico para os amadores, 
mas enfim, para os que desejam tentar é bom determinar 
parâmetros rígidos. 
Considerando que perde mais vezes do que ganha, é necessário que 
se coloque o alvo de lucro nas raras vezes que ganha maior do que 
as perdas. Vamos dizer que um investidor tem um método de 
compra de opções que em média compra opções a 10 centavos. Ele 
deveria colocar o alvo de lucro em torno de 50 centavos para 
conseguir na vez que ganha pagar diversas derrotas e ainda sobrar 
alguma coisa. Cada operador vai ter de ir anotando seus resultados 
e ajustando o método de acordo. Ser extremamente seletivo é 
fundamental para o sucesso aqui ou ao menos para perder pouco se 
desistir. Colocando alvo de lucro em 50 centavos e o custo a 10 
115 
 
centavos (desconsiderando taxas, corretagens e impostos, mas que 
devem ser considerados quando se planejar um método real) temos 
um lucro de 50 centavos quando acertamos a operação e só 
precisaríamos acertar 1 em 6 tentativas para empatar ou seja, em 
torno de 16,6% de taxa de acerto o que é bastante razoável. 
1 X 0,50 = 0,50 
5 X -0,10 = -0,50 
1:5 ou 1/6 = 16,6% 
Expectativa = 0,50 + (-0,50) = 0 
Para ter expectativa positiva no método e ainda pagar os custos 
transacionais teríamos que ou comprar opções mais baratas ou ter 
um alvo de lucro maior sem perder muito em taxa de acerto. Se 
passarmos a comprar opções de 7 centavos e colocarmos nosso alvo 
de lucro em 60 centavos (lucro de 47 centavos quando acerta), se 
mantivermos a mesma taxa de acerto que é bastante plausível de 
16,6% ou 1 em 6 tentativas teríamos: 
1 X 0,60 = 0,60 
5 X 0,07 = 0,35 
Expectativa = (0,60 + (-0,35)) / 6 = 0,042 centavos por tentativa ou 
operando 1000 opções 42 reais por tentativa. Considerando uns 20 
reais de custo poderíamos ter uma expectativa positiva no método 
de 22 reais por compra. 
Cada um terá de desenvolver o seu método, mas o importante é ter a 
noção que a compra a seco, como qualquer outro método, não pode 
consistir de compras isoladas quando tiver vontade e achar que é 
“uma boa.” Cada operação deve ser uma unidade de uma estratégia 
completa e deve ter seus pré-requisitos determinados pelo 
operador, ou seja, cada um estabelece, dentro das premissas 
colocadas aqui, quais serão os parâmetros que engatilharão uma 
compra de opção. Cada um tem de determinar a que preço e em que 
condições de distância e tempo comprará opções. Isso feito 
determinará somente o alvo de lucro, porque este tipo de operação 
não usa stop. Ao fim de cada operação, fará anotações, irá rever a 
operação e ajustar o método se necessário, mas sempre estando 
zerado no mercado, nunca durante uma operação. 
 
116 
 
Características Compra Eficiente 
Em primeiro lugar as oportunidades de compra só surgem próximo 
ao vencimento das opções, normalmente na última semana ou quase 
nela. Mas isso não quer dizer que surgem oportunidades todos os 
fim de vencimento. Elas são raras. Não force a barra. Além disso, é 
necessário para que se produza uma opção com as características de 
uma compra eficiente, que perto do vencimento das opções a ação 
esteja com preço próximo ao preço de exercício de uma opção. 
Vamos exemplificar: 
PETR4 a 21 
A opção de preço de exercício de 20 reais terá no mínimo 1 real de 
valor intrínseco então custa muito caro. A opção de preço de 
exercício de 22 reais é uma candidata, mas está um pouco distante 
do preço da ação, o ideal é que a ação estivesse mais próxima dela, 
tipo a ação valendo 21,50, 21,80 algo assim, pois na situação atual 
(ação a 21) a ação tem de subir 1 real só para chegar nela e se 
faltarem poucos dias para o vencimento o mercado pode não 
acrescentar valor a opção mesmo que a ação suba um pouco. 
Por último necessitamos de algum tempo para que valha a pena uma 
compra. As vezes veremos opções com as características de uma boa 
compra mas a apenas um dia do vencimento das opções. Aí não vale 
a pena porque a ação tem bem pouco tempo para produzir uma 
variação que afete a opção e além do mais quando está muito 
próximo do vencimento das opções, o mercado não coloca mais VE 
nas opções então a chance dela subir, mesmo que a ação suba é 
menor. Claro que ela vai ganhar todo o valor intrínseco que por 
ventura tiver direito, mas terá bem pouco VE o que diminui sua 
chance de lucro na operação. Além disso, não é permitido operar 
opções no dia do vencimento, só exercer, então para esta operação o 
último dia é sexta e não segunda. 
 
Compra de Opções na Prática 
1. Determinar os parâmetros para compra de opções:Preço, 
distância e tempo. Nos três parâmetros pode haver alguma 
maleabilidade, tipo o preço variar de 0,08 a 0,12 e até é bom 
117 
 
que se seja um pouco maleável, mas não muito. Atente que 
estes parâmetros têm de ir se modificando conforme o preço 
da ação se modifica sendo maiores com preços maiores da 
ação e menores com preços menores da ação. 
2. Se uma opção preenche os critérios, comprar a quantidade 
determinada no método que equivale ao risco máximo 
suportável, pois não se usa stop. Os iniciantes não devem 
comprar mais do que 1000 opções até terem mais experiência. 
Tudo que comprar é sua perda máxima. Não há STOP de 
prejuízo nesta operação. O que você pagar pela compra é o 
que você pode perder, portanto só gaste na compra o que 
pode perder. 
3. Determinar alvo de lucro para cada operação. Normalmente 
isso já estará determinado no método. Cada um vai decidir se 
quer usar STOP de lucro ou não. A partir de certo lucro, se vai 
defender este lucro com STOP ou não. Eu pessoalmente acho 
que esta operação deve ser simples e que isso não funciona 
muito bem para ela, mas determine tudo antes e não depois. 
4. Colocar ordem de venda no alvo de lucro. Usar ordens com 
prazo longo. Colocar esta ordem de venda é fundamental, pois 
estas opções são extremamente voláteis e sobem rápido e 
voltam a cair. Mantendo uma ordem na pedra 
permanentemente, se o mercado for até o preço de venda a 
ordem é executada mesmo que o operador não esteja em 
frente ao monitor. Veja com a sua corretora como colocar este 
tipo de ordem, pois sem esta possibilidade a operação não vai 
funcionar. 
5. Depois de montada a operação não é necessária nenhum tipo 
de monitoração, pois não se usa stop e a ordem de venda já 
está na pedra. Se a opção morrer sem valor, se assume a perda 
do valor de compra da opção. Se a opção chegar no alvo de 
lucro a ordem de venda já foi colocada e será executada a 
qualquer momento. Apenas por segurança, pode-se verificar 
diariamente se a ordem continua na pedra e se foi . Para os 
que usam STOP de lucro a coisa fica mais complexa, mas 
mesmo assim há corretoras em que isso pode ser programado. 
Estas opções próximas do preço da ação a poucos dias do 
118 
 
vencimento são extremamente voláteis, ficar operando e 
tomando decisões na hora certamente vai levar a muitos 
erros. 
 
Observem que com uma metodologia simples, transformamos uma 
operação que leva a muito stress e necessita monitoração constante 
em uma operação extremamente simples e tranquila. Assim deve ser 
tudo na bolsa e nas operações com opções. Os métodos devem ser 
desenvolvidos para que a atividade de operador de opções seja livre 
de emoções e stress e possa se dedicar ao seu trabalho e ao estudo e 
ao lazer não dedicar seu tempo a ficar em frente ao monitor 
tomando conta de operações, se estressando, destruindo sua saúde 
enquanto seu dinheiro some. Ainda que a compra a seco não seja no 
meu entender uma operação muito viável, a padronização 
conseguida na sua aplicação é interessante para se desenvolver 
como operador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
119 
 
CAPÍTULO IX 
OPERANDO COM O TEMPO A FAVOR 
 
 
Tempo e Opções 
Todos os dias, todas as opções perdem algum valor pela passagem 
do tempo. Isso varia de acordo com a posição da opção em relação 
ao preço da ação, com o tempo que falta para o vencimento, e a 
quantidade de VE da opção, mas todas irão perder algum valor 
todos os dias. 
Se as opções perdem valor pela passagem do tempo, você pode 
tentar capitalizar isso a seu favor. Qualquer operação em que haja a 
venda de uma opção e que a soma dos VEs das opções seja negativa, 
poderá se beneficiar da passagem do tempo. Mas tem o outro lado: 
Quanto maior for esta venda de VE, maior tenderá a ser o risco no 
caso de alta forte da ação. Vender VE ou montar uma operação 
vendida em VE não significa necessariamente “estar vendido” ou 
ganhar com a queda da ação e perder com a alta da ação. Há 
operações compradas, que ganham com a alta, que são vendidas em 
VE e ganham valor com a passagem do tempo (ex: Trava de Alta 
ITM). 
Pois bem se as opções perdem valor todos os dias com a passagem 
do tempo, e esta perda de valor é sobre a porção do preço das 
opções que está além do preço da ação, VE ou Valor Extrínseco, se 
sua operação é vendida em VE, ou tem VE negativo, você pode se 
beneficiar da passagem do tempo. 
Exemplificando: 
PETR4 a 20 reais 
PETRC18 +1000 a 3,00 (1 real de VE; 40 – 38 = 2; 3 – 2 = 1) 
PETRC20 -1000 a 1,40 (1,40 de VE) 
Somando, na PETRC18 estamos comprando 1000 reais de VE (1 real 
de VE X1000 opções compradas = 1000) 
120 
 
Na PETRC20 estamos vendendo 1400 reais de VE (1,40 de VE X -
1000 opções vendidas) 
1000 + (-1400) = -400 
Isso significa dizer que nesta operação estamos vendidos em 400 
reais de VE ou temos VE de -400 na operação. A soma dos VEs da 
operação é negativa. É muito fácil para qualquer um calcular o VE de 
sua operação e isso por si só já define muita coisa quando operamos 
opções. (Verifique o VE de cada opção no Quadro de Opções da 
Bastter.com) 
Portanto em essência para nos beneficiarmos do tempo, temos de 
estar vendidos em VE. Se todos os dias as opções perdem valor pela 
passagem do tempo e esta perda de valor é na porção de valor 
extrínseco (VE) da opção, pois a porção de valor intrínseco ou 
verdadeiro, apenas segue a ação, a operação só será beneficiada pela 
passagem do tempo se a soma dos VEs for negativa, ou seja, se ela 
estiver vendida em VE. 
Uma operação comprada em VE será prejudica pela passagem do 
tempo e por isso não devem ser carregadas por muito tempo. Já as 
operações vendidas em VE podem e normalmente precisam ser 
carregadas por períodos maiores para dar chance as opções de 
perder VE e o operador se beneficiar da passagem do tempo. 
 
Venda de VE 
Uma venda de VE se inicia pela busca de uma opção com VE grande 
e longe proporcionalmente ao tempo de vida que ainda tem. Venda 
de VE não é necessariamente uma operação de venda de tendência 
que ganha na queda do mercado – a Trava de alta ITM é o exemplo 
clássico de uma operação de venda de VE, que tem o tempo a favor, 
mas que ganha na alta da ação, apesar de não necessitar de alta para 
ganhar, bastando que não ocorra queda forte. As operações alvo 
como Borboletas e Mesas feitas próximo ao preço da ação são 
vendas de VE e ganham se o mercado ficar parado, sem grandes 
variações. 
No capítulo anterior, de compras, definimos como o VE eficiente 
para compras aquele pequeno e que está próximo do preço da ação. 
121 
 
Para vendas é exatamente o contrário, grande e longe do preço da 
ação. O VE perto e pequeno é eficiente para compras porque ele 
reage expressivamente a alta da ação. O VE longe e grande é 
eficiente para vendas porque ele resiste alta da ação. 
A venda de um VE de uma opção que tenha preço de exercício bem 
acima do preço atual da ação cria um lastro de distância entre o 
preço da ação e o preço de exercício da opção, espaço este que a 
ação pode subir sem criar valor verdadeiro ou intrínseco na opção. 
Além disso, o tamanho do VE faz com que se tenha ainda um lastro 
adicional até que a venda esteja dando prejuízo. 
Ex: Petrobrás PN (PETR4) a 20 reais 
Venda de 1000 opções PETRB26 a 0,50 real (opção da Petrobrás PN 
com preço de exercício de 26 reais e vencimento em fevereiro) 
Esta venda tem 6 reais de lastro de distância e mais 0,50 real de 
lastro de tamanho. Ela resiste 6 reais de alta da ação apenas pela 
distância da venda, sem que a opção adquira qualquer valor 
intrínseco e mais 0,50 real de tamanho do VE que garante lucro na 
venda até que ele seja ultrapassado, ou seja, no vencimento* esta 
venda resistiria até o preço de 26,50 reais na ação (26 +0,50). 
*Nota:Esta analise considera a situação na hora do exercício das 
opções. Na prática real de venda de VE, o preço da opção pode 
aumentar expressivamente mesmo que a ação não chegue ao preço de 
exercício da opção, se a ação e/ou a volatilidade subirem 
expressivamente, mas de qualquer forma o lastro de distância e 
tamanho irá oferecer alguma proteção. 
 
O que é um VE Eficiente para Vendas? 
Quando fomos comprar VE no capítulo que mostrava as raras 
oportunidades de compra, estávamos atrás de um VE bem perto e 
bem pequeno. Se vamos vender, queremos um VE bem grande e bem 
longe (em distância em relação ao preço da ação). Só que VE, quanto 
mais longe, menor. Então estes dois critérios, somado ao terceiro 
(tempo) terão de ser sempre analisados para determinar um VE 
eficiente para vendas. 
122 
 
Para uma venda de VE eficiente teremos de pesar o tamanho do VE, 
a distância do VE para o preço da ação (lastro) e o tempo de vida 
que falta para o VE. 
 
Critério Característica Equilíbrio 
Distância (Lastro) Quanto maior, melhor. Quanto maior, 
menor o prêmio. 
Tamanho Quanto maior, melhor. Quanto maior, 
menor a distância 
Tempo Quanto menor, 
melhor**. 
Quanto menor, 
menor o prêmio. 
 
*Nota: Apesar de que teoricamente quanto menor o tempo que falta 
para o vencimento da opção melhor para a venda da opção, pois 
menor o tempo disponível para a ação subir e chegar ao preço de 
exercício da opção, as opções quando muito próximas ao vencimento 
(apenas alguns dias) se tornam muito explosivas, podendo reagir 
expressivamente a uma alta da ação e por isso, apesar do tempo 
desejado ser pequeno, não se deve vender VE e nem se manter vendido 
em VE quando muito próximo do vencimento. Nesta situação também 
é raro encontrar opções com lastro suficiente para vender que ainda 
tenham tamanhos de VE que sirvam para vendas. Apesar de pouco 
tempo ser teoricamente bom para vendas, na prática não vamos 
encontrar usualmente boas oportunidades de venda próximas ao 
vencimento. 
A tabela acima demonstra o equilíbrio entre os critérios e o prêmio 
da opção. O vendedor de VE quer uma distância maior, mas quanto 
maior a distância do preço de exercício da opção para o preço da 
ação, menor o prêmio (VE). Ele quer um tamanho maior do VE, mas 
quanto maior o tamanho do VE, menor a distância do preço de 
exercício da opção para o preço da ação. Deseja-se pouco tempo de 
vida para a opção, mas quanto menor o tempo de vida, menor o 
prêmio da opção (VE). Logo, o operador vai ter de sempre pesar 
estes três fatores e aprender a, considerando os três, descobrir o 
123 
 
bom VE para as vendas que ocorre quando o mercado distorce e 
produz VE grande mesmo que longe.*. 
*Nota: O VE grande e longe ocorre muitas vezes em situações de 
grande volatilidade do mercado e grande risco fazendo com que os 
lançadores exijam prêmios maiores. O VE grande e longe te dá uma 
vantagem enorme em termos de lastro de venda, mas se o mercado 
estiver muito volátil as distâncias podem estar proporcionalmente 
menores assim como um carro mais veloz poderá perfazer uma 
distância maior em menos tempo do que um carro mais vagaroso. 
 
Determinando que VE Vender 
Quando se observa uma série de opções, em uma situação real, há 
diversas informações sobre as opções: 
D ULT OFC OFV VAR NEG VE 
40.00 6.80 6.72 6.80 0.50 559 0.84 
42.00 5.05 4.82 5.05 0.54 621 1.09 
44.00 3.40 3.30 3.40 0.48 2,764 1.44 
46.00 2.09 2.09 2.11 0.40 4,695 2.09 
48.00 1.09 1.04 1.04 0.28 3,021 1.09 
50.00 0.49 0.48 0.48 0.10 701 0.49 
52.00 0.22 0.21 0.23 0.04 334 0.22 
54.00 0.10 0.10 0.11 0.01 204 0.10 
56.00 0.05 0.05 0.07 0.00 28 0.05 
 
Na tabela acima, em um momento que a Vale PN (VALE5) estava 
quase 46 reais (45,96), a 31 dias do vencimento das opções temos as 
seguintes informações da esquerda para a direita: Preço de 
Exercício; Ultima Cotação (ULT), Melhor Oferta de Compra (OFC); 
Melhor Oferta de Venda (OFV); Variação em centavos no dia (VAR); 
Número de negócio no dia (NEG); Valor Extrínseco (VE). 
Vemos que, como normalmente acontecem, as opções com mais VE 
são as mais próximas do preço da ação, as opções de preço de 
exercício de 44 e 46, seguidas pelas de 42 e 48. Rapidamente da 
para analisar os VEs que podem ser vendidos. Como a ação está 
quase 46 reais, as opções de preço de exercício de 40, 42 e 44 
124 
 
dispensamos, pois são ITM ou dentro do dinheiro o que faz com que 
não tenham nenhum lastro de distância.* A opção de strike de 46 
está quase que exatamente no preço o que praticamente não dá 
nenhum lastro de distância o que faz com que a desconsideremos 
também, Considerando as OTM ou fora do dinheiro (Preço de 
Exercício, ou strike, acima de 46), temos a 48, 50, 52, 54 e 56. As de 
strike de, 54, 56 valem apenas alguns centavos e não é interessante 
vender centavos porque você tem pouco a ganhar e muito a perder, 
já que a opção só pode cair alguns centavos mas não há limite para o 
que ele pode subir. Sobram as opções de preço de exercício de 48, 
50 e 52. 
*Nota: Há estratégias mais avançadas de venda de opções ITM como a 
Operação de Taxa, que não serão tratadas neste livro. A exceção de 
vendas ITM com o tempo a favor é a Trava de Alta ITM que 
mostraremos mais a frente. 
 
VALED48: 1,09 de VE + 2,04 de distância = 3,13 de lastro 
VALED50: 0,49 de VE + 4,04 de distância = 4,53 de lastro 
VALED52: 0,22 de VE + 6,04 de distância = 6,26 de lastro 
Obviamente a 52 tem mais lastro porque o preço de exercício dela é 
mais longe. A análise não é simples assim senão a melhor era a mais 
longe sempre: 
VALED56: 0,05 de VE + 10,04 de distância = 10,09 de lastro 
O lastro é enorme, mas como você só recebe 0,05 pela venda, é uma 
péssima venda, pois assume-se um risco alto em troca de um ganho 
potencial desprezível em relação ao preço da ação: 
1000 VALE5 a 45,96 = R$45.960,00 
Venda de 1000 VALED56 a 0,05 = R$50,00 
Taxa = 50/45.960 = 0,11% 
Para que alguém vai para a renda variável onde há risco, operar 
uma taxa de 0,11%? Melhor ficar na caderneta de poupança que 
remunera bem melhor do que isso. O alerta é importante porque 
diversos iniciantes descobrem a “mágica” da venda de centavos na 
125 
 
ilusão de que como eles “não são nunca exercidos” é dinheiro de 
graça que o mercado está te oferecendo. Ora, se fosse impossível 
que a opção fosse exercida, ela custaria zero e não 0,05. Não há 
dinheiro de graça ou livre de riscos no mercado e a venda de opções 
de centavos é uma dos maiores riscos que se pode assumir onde 
você não tem quase nada a ganhar (no caso apenas 5 centavos) e 
muito a perder. Claro que se você vender opções com um lastro 
destes vai ganhar a maior parte das vezes, fazendo com que se 
aumente a aposta e basta uma vez que o mercado suba com força 
para levar todo o lucro das vendas anteriores e terminar com um 
prejuízo enorme. 
 
Voltando aos VEs que nos interessam: 
VALED48: 1,09 de VE + 2,04 de distância = 3,13 de lastro 
VALED50: 0,49 de VE + 4,04 de distância = 4,53 de lastro 
VALED52: 0,22 de VE + 6,04 de distância = 6,26 de lastro 
 
Na D52 p lastro é grande mas recebe somente 0,22 pela venda ou 
apenas 0,47% do valor da ação, quase abaixo do limite de 0,4%. Na 
D50 você tem um lastro médio e recebe razoáveis 0,49 centavos 
pela venda que ultrapassa 1% que é um padrão interessante a ser 
observado, as opções que valem 1% do valor da ação. Aceitando o 
lastro menor da D48 você recebe um pouco mais que o dobro pela 
venda, que é 1,09. 
Se fizéssemos uma conta simples teríamos: 
1,09 * 3,13 = 3,41 
0,49 * 4,53 = 2,21 
0,22 * 6,04 = 1,32 
A coisa se inverte. Mas esta conta também não define a situação. 
Apenas estava tentando mostrar que não basta analisar o lastro 
total. Em opções não existe a palavra melhor. Não há como dizer 
qual das trêsvendas é melhor antes do vencimento. No dia do 
vencimento podemos dizer com exatidão: 
126 
 
Comparando somente a D48 e a D50, se o vencimento for até 48,60 
terá sido melhor vender a D48. Se for acima disso, terá sido melhor 
vender a D50.* 
*Nota: Muitas coisas podem acontecer durante o vencimento e na 
quase totalidade das vendas de VE não se deve levar a venda para o 
dia do vencimento, mas para compreensão dos conceitos, é 
importante mostrar as contas no dia do exercício, até mesmo porque 
só podemos fazer contas exatas no momento do exercício, quando as 
opções perderam todo seu VE. 
VALE5 no momento do exercício das opções a 48,60, a D48 estará 
custando 0,60, pois no momento do exercício as opções só têm valor 
verdadeiro e com a VALE5 a 48,60 a opção de preço de exercício de 
48 valerá 0,60 (48,60 – 48,00). 
Resultado da venda: 1,09 – 0,60 = 0,49 
Já a D50 que será OTM no momento do exercício não terá mais 
nenhum valor e se diz que irá “micar” ou morrer sem valor. 
Resultado da venda: 0,49 – 0 = 0,49 
Então nos 48,60 temos o breakeven (ponto de empate) quando 
comparamos as duas vendas. Qualquer ponto acima deste no 
vencimento fará com que a venda da D50 seja melhor pois o ganho 
na D48 será menor do que 0,49 e abaixo deste, a venda na D48 será 
melhor pois o ganho será cima de 0,49.* 
**Nota: Se a alta superar os 50,49 o rendimento da D50 cai a zero e 
poderia se dizer que as vendas se equivaleriam, mas provavelmente 
não pois, não importa onde seja a trava, ou se é coberto por ações, no 
caso de alta forte estar vendido a 50 reais é menos ruim do que estar 
vendido a 48 reais, ou seja, no caso de prejuízo nas duas vendas 
devido a uma alta expressiva da ação, o prejuízo na D50 tenderá a ser 
menor (para a mesma quantidade de opções vendidas) 
Fica entendido então que só há como saber onde é a melhor venda 
após o vencimento, mas com critérios bem simples, nós pegamos 
uma série de 9 opções na tabela acima e ficamos só com três 
possibilidades de venda. Utilizando o VDX do Quadro de Opções da 
Bastter.com fica mais fácil ainda. Sabendo então que quando você 
recebe mais tem um lastro menor e que a que recebe menos tem um 
127 
 
lastro maior cada um decide segundo suas características, suas 
estratégias, e sua tolerância ao risco, qual das duas vendas e onde 
pretende travar ou cobrir, etc. Mas o iniciante deve sempre escolher 
a de lastro maior e vender pouco. 
 
Travas 
Em primeiro lugar você decide que VE vai vender, ou seja, qual 
opção OTM vai vender (se for vender, porque pode não ter nenhum 
VE que preencha seus critérios). Depois decide como vai travar ou 
cobrir esta venda. No caso mais simples e mais recomendado para 
os que estão começando, a Venda Coberta, o VE vendido estará 
coberto pela ação. Além de cobrir com a ação pode-se comprar um 
seguro de pouco valor na série anterior (VSEG) ou pode-se fazer o 
mesmo, mas sem a ação (VCSA). Estas três são formas diferentes de 
fazer venda coberta, pois o operacional é semelhante. As formas 
travadas de venda de VE devem ser experimentadas após algum 
tempo e experiência nas operações com opções através da venda 
coberta. 
Nas travas, a venda pode ser travada em diversos locais. Pode-se 
travar a venda embaixo, em cima, na série seguinte ou anterior e até 
em mais de um lugar. Falando assim parece confuso mas é bem 
simples. Desde que, como demonstrado no início deste capítulo, a 
operação seja vendida em VE, ou seja, a soma do VE de todas as 
opções seja negativa, estaremos operando com o tempo a favor, não 
importa como se trave. Mas claro que a forma e o local que se travar 
irá mudar as características da operação e o alvo de lucro. Então 
partindo da venda de um VE* há diversas formas de se travar esta 
venda: 
*Nota: Para explicar o processo estamos falando primeiro da venda, 
mas na hora de montar suas operações, comece sempre pela parte 
comprada e só depois venda pois se ocorrer algum problema durante 
a montagem da operação, você não terminará vendido descoberto. Na 
hora de desmontar a operação, siga o mesmo processo começando 
sempre pela compra. 
 
- Trava de Baixa: 
128 
 
PETRD20 -1000 a 1,50 
PETRD22 +1000 a 0,70 
Travando em cima, na mesma série, monta-se uma trava de baixa ou 
reversão. Como se está vendido em uma opção de preço de exercício 
(strike) de 20 reais e comprado em uma de strike de 22 reais, vai se 
estar arriscando 2000 reais para cada 1000 opções. Estar vendido 
em uma opção de strike de 20 significa vender o direito de comprar 
a ação a 20 reais, ou seja, se o comprador assim exigir você terá de 
vender 1000 ações da Petrobras PN a 20 reais, não importa o preço 
que esteja a ação. Estando também comprado na opção de preço de 
exercício de 22 reais, tem o direito de comprar 1000 ações da 
Petrobrás PN a 22 reais. Logo vai se assumir um risco de 2000 reais: 
 
(22 – 20) * 1000 = 2000 
Como a opção de strike de 20 sempre valerá mais do que a de 22, na 
hora de montar esta operação será sempre no crédito, recebendo 
algum dinheiro para montar, que poderá ser deduzido dos 2000 
reais no cálculo do risco máximo. 
PETRD20 -1000 a 1,50 = -1500 
PETRD22 +1000 a 0,70 = +700 
Total: -1500 + 700 = -800 
O operador recebe 800 reais para montar esta operação então 
assume um risco de 1200 reais (2000-800). 
Estando a ação a 18 reais, por exemplo, as duas opções consistem 
apenas de VE e como a 20 sempre vai custar mais que a 22, a 
operação será VE negativa ou vendida em VE e será beneficiada pela 
passagem do tempo. E está vendida em VE em 800 reais. No 
vencimento das opções, estando a ação a 20,80, teremos a D20 
valendo 0,80 e a D22 morrerá sem valor. Como a venda é na D20, ela 
valendo 0,80 a operação estará devedora em 800 reais (0,80 * 1000) 
e aí está o breakeven (BE). 
O mercado está em 18 na hora que a operação foi montada então 
temos um lastro de 2,80 para que o tempo passe e se possa vencer a 
operação (20,80 – 18,00). Porque o lastro é de 2,80 e não de 3,50 
como seria no caso de venda coberta? Porque na venda coberta 
129 
 
faríamos somente a venda de 1000 PETRD20 que estaria coberta 
pela ação levando o lastro até 21,50 (20,00 + 1,50) – 18,00 = 3,50. 
Na trava estamos travando a venda com a compra de 1000 242 a 
0,70 o que diminui o nosso lastro em 0,70 gastos nesta compra que 
é o seguro que exatamente trava o prejuízo em 2000 reais (22-20) 
menos os 800 reais recebidos. No caso de alta forte da ação 
poderemos ser exercidos em 20 (vender 1000 PETR4 a 20 reais) 
mas estaremos exercendo a 22 (comprar 1000 PETR4 a 22 reais) 
logo o prejuízo estará limitado a 2 reais na ação não importa o 
quanto o preço da mesma suba. No caso das travas não é necessário 
possuir a ação, pois o que teremos de pagar é apenas a diferença 
entre a venda e a compra multiplicado pelo número de opções 
operadas ((22 – 20)*1000). Para analisar a operação temos de falar 
do vencimento mas desmonte sempre suas operações antes do 
vencimento e tenha um STOP em algum lugar para ela não ficar ITM. 
Assim raramente você terá de lidar com exercícios e vencimento. 
Apesar de ser uma operação diferente da venda coberta, o raciocínio 
é o mesmo. Temos um limite (breakeven) em 20,80 a partir do qual 
teremos prejuízo e um ganho máximo abaixo do preço de exercício 
da opção vendida (20,00) e um prejuízo máximo a partir do preço 
de exercício da opção comprada, ou a trava (22,00). Como a ação 
está 18 no momento que a operação foi montada, o tempo está a 
nosso favor, pois basta que não suba forte para vencermos a 
operação. Nossa operação ganha na queda, na acumulação e até na 
alta desde que menor do que 2,80 que é o nosso lastro. 
Todas operações de venda de VE tem as mesmas características que 
é tentar ganhar a passagem do tempo sem que a ação ultrapasse 
certos limites. Isso levará ao derretimentodo VE da opção vendida, 
o que ocasionará lucro na operação. Neste caso, se o mercado ficar 
abaixo de 20, as duas opções, comprada e vendida, morrerão sem 
valor e o operador ficará com os 800 reais. E a operação aguenta até 
20,80, ou seja terá lucros menores de 20,00 a 20,80 onde se dá o 
empate (breakeven), a partir de onde começa o prejuízo que é 
máximo em 22. Basta entender que as opções são direitos de 
comprar a ação e onde está o breakeven e se pode compreender 
todas as operações de venda de VE. 
A análise aqui foi no vencimento das opções, o que temos de fazer 
para compreender as operações, mas numa situação real, o que 
130 
 
teremos será uma operação que piora quando sobe e melhora 
quando não sobe. Especialmente para os iniciantes, o ideal é montar 
este tipo de trava com a perda máxima que suporta só tendo que 
determinar um alvo de lucro e um prazo. Considerando o exemplo 
acima que tem um risco máximo de 1200 reais, vamos dizer que o 
operador só suporta uma perda máxima de 600 reais. Ele monta 
então 500 opções ao invés de 1000. 
PETRD20 -500 a 1,50 = -750 
PETRD22 +500 a 0,70 = +350 
Recebendo 400 reais para montar, mas o risco da operação agora é 
de 1000 ((22-20)*500) e não os 2000 da operação com 1000 
opções. 
Risco Máximo: (1000 – 400 = 600). 
No mercado atual com preços mais baixos, pode-se fazer Travas com 
distância de apenas 1 real que tem risco máximo de 1000 reais para 
1000 opções, mas receberá menos também para montá-la. 
Controlando o risco pela perda total, na hora que monta a operação 
já se determina um risco máximo suportável dispensando o stop e 
podendo operar mais tranquilo. Tendo 400 reais como lucro 
máximo pode determinar um alvo de lucro em torno de 350 reais, 
por exemplo, onde desmontaria a operação ou ficar apenas com o 
prazo que deve ser no máximo na quinta anterior ao vencimento das 
opções. No caso de queda e das duas opções estarem valendo 0,01, 
basta ir lá e comprar a vendida por 0,01 eliminando qualquer risco 
com apenas 5 reais (0,01 X 500). O operador que não deseja gastar 5 
reais em uma operação que está ganhando 400 para se livrar 
totalmente de qualquer risco não deveria operar opções pois não vai 
ser vencedor. Não carregue centavos vendidos, pois não há quase 
nada a ganhar, só a perder e muito nas raras vezes que os centavos 
viram reais, que são raras, mas acontecem e basta acontecer uma 
para levar o lucro de diversas operações senão mais ainda, pois é 
nessas horas que o operador começa a inventar rolo. 
Se o lucro máximo da trava é de 0,80 e da venda coberta é de 1,50 e 
o lastro da venda coberta também maior, porque fazer travas e não 
apenas venda coberta. Apesar da minha recomendação 
especialmente aos iniciantes ser sim, fazer venda coberta, são 
131 
 
operações diferentes e deixamos a palavra “melhor” do lado de fora. 
Considerando que na venda coberta deve-se ter a ação que no caso a 
18 e 1000 ações é um capital de 18 mil reais, vendendo uma opção 
de 1,50 estará taxando o capital em 3,9% o que é bastante razoável 
mas se considerarmos que na trava não é necessário ter a ação mas 
apenas o capital em margem do risco máximo da trava a taxa é 
excepcional: 800 (lucro máximo) dividido por 2000 (risco da 
operação e margem máxima requerida) = 40%. Claro que na trava 
pode haver rentabilidade negativa, pois pode perder 1200 que seria 
60% do capital alocado para risco. Outro aspecto é que no caso de 
alta forte a Trava tem um limite de perdas e a Venda Coberta 
considerando só a ação, não. Isso pode ser resolvido com a VSEG 
que compra um seguro na serie anterior para a Venda Coberta mas 
este seguro aumenta o custo, diminuindo o ganho e não trava o 
prejuízo com tanta eficiência como na Trava de Baixa. Então os 
retornos correspondem aos riscos, cada um decide o que é mais 
adequado as suas estratégias e não existe melhor. A venda coberta é 
uma operação mais fácil e de certa forma de menor risco, por isso é 
recomendada aos iniciantes, mas não é mágica e não é melhor em 
essência. Não existe a palavra melhor em opções. 
 
- Travas de Alvo (Borboletas) 
Neste caso a partir da venda de um VE próximo do preço da ação se 
trava metade embaixo e metade em cima. O objetivo é ganhar a 
passagem de tempo sem que a ação faça grandes movimentos. 
Vamos ver um exemplo com PETR4 a 20 reais: 
PETRD20 -2000 a 1,50 
PETRD22 +1000 a 0,70 
PETRD18 +1000 a 2,80* 
*Nota: Neste caso, a base tem de ser 2000 opções para que possamos 
mostrar os cálculos do breakeven adequadamente, mas cada 
operador vai montar a borboleta com o custo que suportar pois o 
custo da montagem da borboleta (quanto se paga para montá-la) é o 
risco máximo. 
Com esta forma de travar ele monta uma operação chamada 
borboleta que diferente da trava de baixa, é uma operação que se 
132 
 
paga para montar mas tem a vantagem de estabelecer o risco na 
hora da montagem: 
PETRD20 -2000 a 1,50 = -3000 
PETRD22 +1000 a 0,70 = +700 
PETRD18 +1000 a 2,80 = +2800 
Total = 500 reais 
O investidor pagou 500 reais pela operação, ou seja, para travar a 
venda de VE, mas esta trava pode se valorizar até 2000 reais, 
fazendo com que possa ter um lucro máximo de 1500 reais. 
Se no vencimento o mercado permanece em 20 reais teremos: 
PETRD18 a 2,00 * 1000 = +2000 
PETRD20 a 0,00 *(-2000) = 0 
PETRD22 a 0,00 * 1000 = 0 
A operação vai estar valendo 2000 reais. Diminuindo os 500 reais 
teríamos um lucro de 1500 reais. Todo o raciocínio é semelhante ao 
da outra forma de travar, apenas modificou os locais e a forma de 
travar. Mas sempre é fácil de analisar se pensarmos em termos de 
ganhar a venda do VE pela passagem do tempo. Claro que 
analisamos acima a situação ideal com vencimento da ação exato 
nos 20 reais. 
O que nós temos nesta operação é um alvo de lucro em torno dos 20 
reais, que diminui conforme se afasta dos 20 e uma perda se a ação 
se afasta muitos dos 20 reais, mas esta perda já esta definida 
quando montamos a operação: No caso 500 reais. 
Se o mercado desaba, todas as opções morrem sem valor e, portanto 
perdemos os 500 reais. 
Se o mercado explodir para cima, a operação se zera e perdemos os 
mesmos 500 reais. Vamos exemplificar com o mercado a 30 reais no 
vencimento: 
PETRD18 a 12,00 * 1000 = +12.000 
PETRD20 a 10,00 *(-2000) = -20.000 
PETRD22 a 8,00 * 1000 = 8.000 
Total = 0 
133 
 
E perdemos os 500 reais investidos da mesma forma e não importa 
o quanto suba, saindo do alvo, o resultado é zero. Por isso mais uma 
vez o nome de trava, pois o prejuízo já está travado na hora da 
montagem em 500 reais. 
Como pagamos 500 reais pela operação, podemos saber nosso alvo 
a partir deste valor que nos dará o lastro que neste caso é para cima 
e para baixo. 
O preço poderá se afastar até 1,50 reais do alvo central em ambas 
direções, que é exatamente o nosso risco. 
PETR4 a 18,50 no vencimento: 
PETRD18 a 0,50 * 1000 = +500 
PETRD20 a 0,00 *(-2000) = -0 
PETRD22 a 0,00 * 1000 = 0 
Com PETR4 a 18,50 a operação vale 500 reais que é exatamente o 
nosso custo então este é o breakeven para baixo. Já sabemos que o 
breakeven para cima é de 20 (preço de exercício da opção vendida) 
+ 1,50 que é igual a 21,50. 
 
PETR4 a 21,50 no vencimento: 
PETRD18 a 3,50 * 1000 = +3.500 
PETRD20 a 1,50 *(-2000) = -3.000 
PETRD22 a 0,00 * 1000 = 0 
Valendo os mesmos 500 reais que pagamos pela operação. 
Então o alvo fica entre 18,50 e 21,50. Nos 18,50 temos o BE e vamos 
ganhando cada vez mais até chegar no ganho máximo (2000 – 500 = 
1500) em 20 (Preço de exercício da opção vendida, do VE vendido). 
Daí o lucro vai diminuindo até chegar ao BE superior em 21,50. 
Abaixo de 18,50 começamos a perder até a perda máxima de 500 
reais abaixo de 18 e o mesmo acontece para cima, quando 
começamos a perder a partir dos 21,50 e temos perda máximade 
500 reais a partir de 22. 
Da mesma forma que na trava de baixa, temos um lastro de preço, 
apenas o lastro aqui vai nas duas direções e diferente da trava de 
134 
 
baixa, pagamos para montar a operação, isto é, compramos um alvo. 
Se o mercado fica no alvo ganhamos, se sair do alvo perdemos. 
Durante o vencimento a operação pode variar de forma diferente 
que os alvos exatos da hora do exercício das opções, mas quanto 
mais a data do vencimento se aproxima mais o financeiro da 
operação vai se aproximar do resultado no momento do exercício, 
por isso estas travas precisam e devem ser carregadas normalmente 
até próximo do exercício. 
Para operar este tipo de trava deve-se pagar apenas o que se pode 
perder, não tendo de usar stop, e se determina um prazo máximo na 
semana anterior ao vencimento, sendo quinta-feira o limite, e um 
alvo de lucro. 
Vamos dizer que na operação anterior, o operador determine que a 
perda máxima que ele suporta bem é de 250 reais. Ele monta apenas 
metade da operação: 
PETRD20 -1000 a 1,50 = -15000 
PETRD22 +500 a 0,70 = +350 
PETRD18 +500 a 2,80 = +1400 
Total = 250 reais 
Neste caso, ele assume um custo de apenas 250 reais e fazendo 
metade da operação, pode chegar a 1000 reais (metade dos 2000 
reais da operação completa) trazendo um lucro máximo possível de 
750 reais (1000 – 250). Os alvos não se modificam, por isso que 
analisamos todas as operações no padrão. 
Este tipo de venda de VE se faz sempre no VE mais próximo do 
preço da ação. Determina-se o máximo que se pode perder e daí a 
quantidade de opções a serem operadas. Depois o alvo de lucro, 
ponto em que se a operação atingir ela será desmontada e o prazo 
máximo que não deve passar de quinta-feira da semana anterior ao 
vencimento. Depois basta monitorar uma vez por dia. 
Um alvo de lucro razoável seria o que foi pago pela operação, ou 
seja, se pagou 500 reais, desmontar a operação quando estiver 
valendo 1000 reais (1000 – 500 = 500). Pode-se operar também 
apenas com prazo, olhando a operação apenas no dia de desmontar. 
135 
 
Analisando o tempo, o custo será maior quanto mais próximo for o 
vencimento o que é óbvio, pois quanto mais próximo o vencimento 
menos VE terá a opção vendida aumentando o custo, mas mais fácil 
será acertar o alvo. Se o vencimento estiver muito próximo, a 
despeito de ser mais fácil acertar o alvo e ganhar a operação, não 
vale mais a pena montar, pois o custo já estará muito próximo do 
lucro máximo. 
A vantagem da borboleta é definir o risco na montagem e ser fácil de 
operar mas em mercados muitos voláteis fica difícil ganhar a 
operação. Há formas de aumentar o alvo, como a Mesa por exemplo 
que é a soma de uma trava de alta com uma trava de baixo e mesmo 
a Borboleta pode ser feita com alvos maiores. Partindo do princípio 
de vender VE e de travar, fica fácil compreender qualquer operação. 
O estudo das Operações Alvo, entretanto começa pela Borboleta. 
Depois de aprender e treinar as operações escritas neste livro se 
quiser aprender outras, apareça na Area de Opções da Bastter.com.·. 
 
- Trava de Alta (Financiamento): 
Neste tipo de trava a venda de VE é ITM, ou dentro do dinheiro e a 
trava é abaixo da venda. Um exemplo com Petrobrás PN a 22 reais: 
PETRD20 -1000 
PETRD18 +1000 
É ao contrário da trava de baixa mas o princípio é o mesmo: ganhar 
a venda do VE. Vendendo ITM e travando embaixo você paga para 
montar a operação mas como a opção vendida é mais próxima do 
preço ela tem mais VE então a despeito de pagar para montar a 
operação, ela será vendida em VE e ganhará com a passagem do 
tempo. Vamos ver no exemplo com PETR4 a 22 reais: 
PETRD20 -1000 a 2,80 = -2.800 
PETRD18 +1000 a 4,20 = +4200 
Total pago pela operação = 1400 
Se o mercado se mantiver acima de 20 teremos o ganho máximo da 
operação de 2000 reais que é dado pela diferença entre os dois 
strikes multiplicado pelo número de opções. 
136 
 
(20 – 18) * 1000 = 2000 
Como pagamos 1400 pela operação podemos ganhar 600 reais 
(2000 – 1400). 
E por que estamos vendidos em VE? 
 
Vamos analisar o VE das opções: 
PETRD20 a 2,80 
PETRD18 a 4,20 
Com PETR a 22 temos 
Opção Preço Valor 
Intrínseco 
VE 
PETRD18 4,20 22 – 18 = 4 4,20 – 4,00 = 
0,20 
PETRD20 2,80 22 – 20 = 2 2,80 – 2,00 = 
0,80 
 
Calculando o VE da operação: 
PETRD20 -1000 * 0,80 = -800 
PETRD18 +1000 * 0,20 = +200 
VE de -600 ou vendido em 600 reais de VE que é justamente o que 
pretendemos ganhar na operação. 
E o alvo? 
Funciona da mesma forma que as outras. Como pagamos 1400 reais, 
temos 19,40 como breakeven (preço de exercício da opção 
comprada + custo da operação). Abaixo disso começamos a perder 
até a perda máxima no preço de exercício da operação comprada: 18 
(onde ela vai perder todo o valor) e lucro acima deste preço até o 
lucro máximo no preço de exercício da opção comprada: 20, a partir 
de onde o lucro não aumenta, não importa o quanto suba a ação mas 
estará sempre no nosso alvo de lucro pois a operação estaria 
valendo 2000 reais. 
137 
 
Porque o breakeven (BE) fica em 19,40? Lembrando que pagamos 
1400 reais (1,40*1000 opções) para montar a operação, com a 
PETR4 (Petrobrás PN) a 19,40 a opção de preço de exercício de 18, 
que foi a que compramos estará valendo 1,40 que multiplicado por 
1000 opções equivale a 1400 reais. A opção vendida não terá valor 
então a operação estará valendo exatamente os 1400 reais 
investidos nela. Acima disso, a opção PETRD18 estará valendo cada 
vez mais até a ação a 20 reais quando ela vai estar valendo 2,00 
(2000 reais) que será o ganho máximo da operação (na verdade 
2000 menos os 1400 investidos ou 600 reais). A partir dos 20, não 
importa o quanto subir, a operação vai estar valendo 2,00 pois o que 
se ganha na PETRD18 se perde na PETRD20 e a diferença vai se 
manter em 2,00. Considerando um preço de PETR4 a 40 reais temos 
a PETRD18 a 22 e a PETRD20 a 20, ou seja uma diferença de 2 reais. 
Abaixo de 19,40 a operação vai entrando no prejuízo porque a 
PETRD18 vai valer cada vez menos ainda que a PETRD20 vendida 
não valha nada. O prejuízo máximo ocorre abaixo dos 18 onde a 
operação perde todo seu valor e se mantem no valor pago pela 
operação, não importa o quanto a ação caia. 
Portanto o lastro aqui é na queda. Ganhamos na alta, ganhamos na 
acumulação e até na queda desde que não ultrapasse o preço de 
exercício da opção comprada. No caso temos um lastro na queda do 
preço atual de 22 até 19,40 o que é bastante razoável considerando 
que acima deste preço a operação é vencedora e que ganhamos na 
alta, na acumulação e até na queda desde que não ultrapasse o BE. 
Estamos da mesma forma comprando o direito de exercer uma 
opção e vendendo o direito de exercer outra. Se o mercado desaba 
as opções perdem valor e perdemos nosso investimento. Se o 
mercado explode, a operação vai valer a diferença entre as duas 
opções multiplicado pelo número de opções ((20 – 18 )*1000 = 
2000). 
Deve-se definir o máximo que se pode perder podendo determinar 
isso na montagem ou usando um stop. Determina-se também o alvo 
de lucro e o prazo que não deve passar da quinta-feira anterior ao 
vencimento. Como toda operação de venda de VE deve-se esperar o 
tempo passar para o VE derreter se a ação permanecer no alvo. 
138 
 
Quanto mais ITM for a trava de alta, maior será o lastro na queda, 
mas maior será o custo até chegar a um ponto que o custo será tão 
alto que não é interessante montar a operação pois o custo já se 
aproxima de 2000 e não há quase nada a ganhar. Quanto mais 
próximo o exercício das opções, maior a chance de ganhar a 
operação, mas como parte do VE já se perdeu, o custo aumenta e se 
for muito próximo do vencimento fica difícil montar uma trava de 
alta com custo que valha a pena.Resumo: Venda de VE 
Venda de 
VE 
Onde 
Travar 
Venda de 
VE 
Alvo 
Venda 
Coberta 
Coberto pela 
Ação ou com 
seguro 
OTM Ganha na queda, na 
acumulação e na alta até 
o BE 
Trava de 
Baixa 
Em cima OTM Ganha na queda, na 
acumulação e na alta até 
o BE 
Travas de 
Alvo 
Em cima e 
embaixo 
ATM Ganha em torno do PE da 
opção vendida 
Trava de 
Alta 
Embaixo ITM Ganha na alta, na 
acumulação e na queda 
até o BE 
 
 
 
 
 
 
139 
 
CAPÍTULO X 
PLANEJAMENTO 
 
Planejamento Geral 
A bolsa de valores e especialmente quando se opera opções, não é 
um lugar para se ficar brincando ou operando sem qualquer 
planejamento, uma operação após a outra, perdendo seu suado 
dinheiro e sustentando o sistema sem saber bem o que se está 
fazendo. É necessário estudo, saber o que se está fazendo e ter tudo 
planejado. 
O primeiro planejamento é sua estratégia geral financeira com seu 
capital. Quanto você ganha? Quanto você poupa por mês? Do seu 
capital quanto você pretende manter em renda fixa, em renda 
variável, em moedas. Qual o seu planejamento quanto a imóveis? 
Para isso se quiser use o Bastter System onde pode colocar seus 
objetivos financeiros e mensalmente ver onde ele indica investir. 
Tendo seu planejamento financeiro geral, qual sua estratégia de 
bolsa de valores. O que você está fazendo na bolsa? O que pretende? 
Quais os seus objetivos? Você pretende acumular uma carteira de 
ações de boas empresas para longo prazo ou quer uma abordagem 
mais agressiva? Mesmo que sua abordagem seja mais agressiva, que 
você pretenda algum método de bater o mercado qual o percentual 
das suas aplicações em bolsa de valores vão ser deslocadas para os 
trades de curto prazo? Tudo tem de estar planejado. 
O que eu vejo é que a maioria circula de método em método em 
busca do pote de ouro atrás do arco-íris sem se especializar em 
nenhuma área, sem se desenvolver, sem saber bem o que está 
fazendo e sem ter a menor chance de vencer na bolsa. Bolsa requer 
planejamento, tudo ser pré-determinado e na hora de operar apenas 
cumprir planos. As estratégias gerais do método e as táticas 
específicas de cada operação devem ser todas determinadas 
previamente e reestudadas, analisadas, revistas após cada operação. 
Dá um certo trabalho, mas nada demais, basta organizar um 
planejamento geral, analisar as operações uma vez por mês e todo o 
método anualmente. Mas esta pode ser a diferença entre vencer e 
perder. Planejamento não garante vitória, pois nada na bolsa é 
140 
 
garantido, mas falta de planejamento garante normalmente a 
derrota. 
 
Vencer na Bolsa 
Vencer na bolsa não tem nada a ver, como a maioria acha, com 
acertar o mercado. Alguns acertam menos e vencem, outros acertam 
mais e perdem. O que importa é a soma dos acertos e erros no longo 
prazo. Se um operador acerta apenas 2 a cada 10 tentativas mas 
ganha 100 em cada uma das duas e perde 20 a cada erro, ele ganha 
no longo prazo: 
2*100 = +200 
8*(-20) = -160 
Expectativa por tentativa = (200 +(-160)) / 10 = 4 
Este operador tem uma expectativa (EV) positiva de 4 reais por 
operação 
 
Já outro operador que acerta muito mais, digamos 7 em cada 10 
tentativas mas perde 200 a cada vez que erra ganhando uma média 
de 70 a cada vez que acerta, perde no longo prazo apesar da taxa de 
acerto muito maior. 
7*70 = 490 
3*(-200) = -600 
Expectativa por tentativa = (490 +(-600)) / 10 = -11 
Este operador tem uma expectativa (EV) negativa de 11 reais por 
operação 
 
A taxa de acertos é apenas um dos fatores que vai determinar se um 
operador vai vencer na bolsa e nem é o mais importante. O pequeno 
investidor normalmente tem uma obsessão por acertos e lucros e só 
pensa nisso e vive a fantasia de ganhar todas as operações e analisa 
as operações pelo que pode ganhar somente. Isso acaba sempre em 
141 
 
prejuízos grandes, pois as perdas não são analisadas e normalmente 
não há um planejamento para quando a operação der errado. Na 
bolsa sempre haverá erros e prejuízos e o vencedor é aquele que se 
prepara e aprende a lidar com eles. 
Os três pilares do vencedor na bolsa são: 
1. Controle de risco 
2. Um método com expectativa positiva de acumulo de capital no 
longo prazo 
3. Um bom operador 
O item 1, controle de risco, é o mais importante pois é o que impede 
a ruína, ou seja mesmo que você não se torne um vencedor, com 
bom controle de risco, não vai quebrar na bolsa e pode seguir sua 
vida, seu trabalho, acumular capital e vencer mesmo que sem a 
bolsa. Sem um controle de risco adequado nem o melhor operador 
do mundo com o melhor método do mundo sobrevive. O exemplo 
clássico é da quebra do LTCM, o maior fundo de hedge dos EUA 
comandado por verdadeiros gênios que acumularam bilhões de 
dólares fazendo operações espetaculares, mas por considerar que 
havia um limite para a irracionalidade do mercado quebraram. Sem 
controle de risco adequado até gênios falham. 
O item 2, método com expectativa positiva, é fundamental e um 
método eficiente é criado através dos tempos com a especialização 
em uma forma de operação e não mudando de método todo mês 
atrás do pote de ouro. Um exemplo de um método que tem uma boa 
expectativa de acumular capital no longo prazo seria o Buy & Hold 
de ações de boas empresas somado a venda coberta feita com muita 
cautela. Mas de nada adianta este método sem um bom operador e 
sem um controle de risco adequado. 
O item 3, bom operador, é o mais difícil. Sem ele, nada feito. Um bom 
operador é uma coisa bem simples. É alguém que apenas executa o 
planejamento sem pensar. Em grupos grandes que alguns trabalham 
somente de operador isso é mais fácil. Mas os pequenos 
investidores terão de planejar e executar então fica mais 
complicado. Para se desenvolver e se tornar um bom operador, 
apenas execute os planos. Bateu no stop, vai lá e stopa. Bateu no 
142 
 
alvo de lucro, vai lá e zera a operação. Chegou no prazo final, zera a 
operação em qualquer situação. Siga o plano, não pense nem ache 
nada sobre o mercado. Tudo que você quiser achar sobre o mercado 
é na fase de planejamento de operações. Operação montada, o 
operador apenas executa o plano e não acha mais nada.·. 
Para vencer é necessário então: 
1. Planejamento Teórico Estratégico 
2. Colocar o Item 1 em prática adequadamente 
A grande maioria não planeja nada, apenas fica na bolsa atrás das 
modas achando que vai ganhar dinheiro fácil de alguma forma 
adivinhando o futuro. Uma minoria faz algum tipo de planejamento, 
mas tem grande dificuldade em colocar o planejamento em prática 
adequadamente, pois o ser humano é péssimo operador de bolsa. Os 
vencedores são os poucos que além de planejar, conseguem colocar 
o plano em prática, pois são bons operadores. Mas bons operadores 
não nascem feitos, eles são desenvolvidos seguindo o planejamento 
sem pestanejar vez após vez. Muito mais importante para seu 
resultado de longo prazo do que ganhar uma operação é seguir o 
planejamento e se desenvolver como operador, porque esta é a 
parte mais difícil de todas no que diz respeito a vencer na bolsa. Mas 
para seguir um plano e poder se desenvolver como operador é 
necessário que haja um plano. 
 
Planejamento para Vencer na Bolsa 
Comece separando parte de sua poupança mensal para investir em 
bolsa de valores. No primeiro ano apenas construa uma carteira de 
ações de empresas boas comprando um pouco todo mês sem se 
preocupar com preços. Estude as empresas na Area de Ações da 
Bastter.com Tente esquecer e se afastar de todas 
as tentações que são as correrias doidas em cima de ações de 
empresas ruins que sobem ou caem 20% em um dia. São ações 
dificílimas de operar que devem ser operadas apenas pelos mais 
experientes. Quanto a opções, esqueça os tradesde compra a seco 
de opções OTM. A despeito das rentabilidades magníficas que se 
143 
 
consegue algumas vezes, no longo prazo a grande maioria que tenta 
esta operação é perdedora. 
Lembre-se o objetivo é colocar parte de sua poupança em ações de 
empresas boas independente dos preços. Seu objetivo de longo 
prazo é ter cada vez mais ações de boas empresas e não acertar a 
hora de comprar, o que é normalmente inútil e termina na maior 
parte das vezes em compras no topo e vendas no fundo. Reaplique 
sempre os dividendos e qualquer outro tipo de proventos na 
carteira de ações ou em outros investimentos segundo a sua 
planilha ou o Bastter System. 
Após um ano e já tendo um número razoável de ações, pode-se 
adicionar ao método a venda coberta. Comece simulando no Grupo 
de Venda Coberta da Bastter.com. Depois venda 100 ou 200 opções 
apenas a título de aprendizado. A VSEG te dará mais segurança pois 
diminuirá o risco. Não perca o foco que é construir uma carteira de 
ações de boas empresas para o longo prazo. Conforme for 
adquirindo experiência pode vender um pouco mais. Para fazer 
venda coberta, ao menos até este momento, é necessário que sua 
carteira de ações inclua ações que têm liquidez nas opções. 
Verifique no Quadro de Opções da Bastter.com. As ações com 
liquidez nas opções podem mudar então acompanhe o mercado. Se 
não deseja ser sócio destas empresas, estude como comprar um 
seguro na serie anterior (VCSA) ou parta para a Trava de Baixa com 
muito cuidado. Se o material deste livro não for suficiente para 
estudar VCSA, temos material adicional na Bastter.com: VCSA 
Determine então seu método de venda coberta: 
1. Quais os critérios para vender opções. Aqui pode usar o VDX 
nunca vendendo VDX abaixo do VDX mínimo ao menos no 
inicio (Verifique o VDX mínimo no nosso Quadro de Opções). 
Não venda a carteira toda. Chegue no máximo a 50% da 
carteira deixando alguma sobra para o caso de alta forte. Se 
quiser adicione ao VDX critérios de distância e tamanho do VE 
ou dispense o VDX e use apenas estes critérios, mas é 
fundamental ter algum critério pré-estabelecido porque senão 
ao invés de operar opções, termina-se por operar emoções. 
2. Sempre que vender uma opção, estabeleça antes da venda: 
144 
 
a. Stop - Use se desejar o BBOSI, stopando se o BBOSI 
chegar no strike da opção vendida. Se quiser mais 
segurança coloque um STOP adicional em torno de 4% 
do preço da ação. Lembre-se de tirar esta ordem se 
stopar no BBOSI. 
b. Alvo de Lucro – Estabeleça um preço alvo e coloque logo 
ordem de compra naquele preço utilizando ordens com 
prazo longo. O mais simples é utilizar o NV. 
c. Prazo – O prazo máximo que se pode utilizar é a quinta 
feira antes do vencimento das opções, pois se houver 
algum erro ainda dá tempo de corrigir. Se não for a 
quinta-feira escolha outro dia anterior na semana 
anterior ao vencimento. Não há porque usar prazos 
menores do que a semana anterior ao vencimento. 
d. Intervalo de Monitoração – Monitore a operação e 
execute o plano se necessário, uma vez ao dia em um 
horário determinado, de preferência o mesmo horário 
todos os dias. Uma vez por dia basta. Este intervalo pode 
variar, a critério do operador para duas vezes por dia ou 
uma vez a cada dois dias, mas uma vez por dia funciona 
muito bem. Não importa se você acompanha a bolsa o 
dia inteiro, só opere e verifique suas operações no 
horário determinado.·. 
Zere a operação comprando onde está vendido assim que um dos 
três critérios for atingido. Lembre-se que só se tornará um bom 
operador seguindo o plano e ser um bom operador ou se treinar 
como um bom operador é muito mais importante do que ganhar 
uma operação isolada. Não importa se depois do stop a opção 
recuou e você teria ganhado a operação se não tivesse stopado. 
Depois que você sai da operação ela não existe mais e o que importa 
é seguir o plano. Se zerou no lucro, pegue o lucro da venda de 
opções e compre mais ações ou outros investimentos. 
Somando o ganho de capital das ações de empresas boas, o aumento 
da carteira de ações através de compras mensais de dinheiro 
proveniente de seu trabalho e a reaplicação dos dividendos, a 
carteira de ações vai crescendo no longo prazo. Adicionando a isso a 
venda coberta se bem feita, pode-se através dos anos acumular um 
145 
 
belo capital em ações que vai, somado a seus investimentos em 
renda fixa, FIIs, e imóveis, e lhe permitir a tranquilidade financeira 
que todos almejam. 
 
Planejamento para Vencer Operando Opções 
Para a grande maioria, ao menos no início, eu recomendo, se for 
operar opções, ficar somente na venda coberta e com seguro. Ainda 
que o seguro aumente o custo, ele evita grandes perdas o que é 
fundamental especialmente antes de ter mais experiência e lucros 
acumulados. A venda de opções coberto pelas ações, e mesmo a 
VCSA sem as ações, é uma operação bastante simples e se tiver 
seguro, e for feita pequena e com bastante lastro tem pouca chance 
de grandes prejuízos. Claro que a maioria dos operadores pega a 
venda coberta e fazem tanto rolo, operam sem saber bem o que 
estão fazendo, vão atrás da ilusão do ganha-ganha, que acabam 
conseguindo ter prejuízos enormes e complicar uma operação 
simples. O melhor é começar pela venda coberta e para a maioria, 
permanecer na venda coberta se for operar opções. Mas vamos ver 
as outras possibilidades: 
Mostramos no livro duas outras possibilidades de operar opções: 
Compra de opções e operações de venda de VE. Em primeiro lugar 
para montar outras operações com opções, deve-se manter o plano 
de acumular ações de boas empresas, reaplicar dividendos e fazer 
venda coberta. Separe apenas um pequeno percentual do seu capital 
inicialmente para outras operações com opções e acima de tudo 
saiba o risco máximo de cada operação, ou seja, o máximo que vai 
perder se tudo der errado. Esta perda não pode abalar o operador 
nem financeiramente e nem emocionalmente. 
Como qualquer outro tipo de operação, faça um planejamento de 
longo prazo, não trate cada operação isoladamente mas sim como 
uma unidade do seu plano de longo prazo. Tenha anotações de tudo 
e reveja de tempo em tempo, compare suas operações com opções 
com a venda coberta e veja se realmente vale a pena manter estas 
outras operações. 
Tente se especializar, ao menos por um tempo em um tipo de 
operação. Usando bem pouco dinheiro, para que o custo do 
146 
 
aprendizado seja baixo, passe um tempo fazendo apenas um tipo de 
operação, experimentando, aprendendo e veja se serve para você. 
Passe para outra, vá aprendendo, até poder desenvolver o seu 
método. Tendo definido que operação vai usar, estabeleça critérios 
de entrada que terão de ser atingidos para montar a operação. 
Exemplificando, numa trava de baixa, estabeleça o valor mínimo 
recebido para montar e a distância mínima, por exemplo, só monto 
travas de baixa recebendo 0,80 centavos no mínimo e com o preço 
de exercício da opção vendida da trava de baixa a no mínimo 1,50 
do preço da ação (esta não é uma recomendação nem indicação, 
apenas uma exemplificação de critérios para operações). Estes 
critérios terão de variar de acordo com as condições do mercado, 
conforme o preço e a volatilidade das ações variem. 
Tendo os critérios estabelecidos e o tipo de operação, basta verificar 
em uma planilha (ou na nossa ferramenta VC BLUE), se o mercado 
está oferecendo alguma operação que preencha os critérios. Se está, 
monte a operação com um risco máximo que suporta. Se não tem 
nada, não monte nada. Você não é obrigado e nem deve operar o 
tempo todo, somente quando o mercado te oferece o que busca. 
Perceba que a oportunidade que te leva a montar uma operação com 
opções vem do mercado preencher critérios que você determinou e 
não de achar que vai subir, cair ou acontecer sei lá o que.O que você 
acha que o mercado vai fazer deixe para papos de bar. O seu 
dinheiro é coisa muito séria para ser arriscado baseado em intuição. 
 
Conclusão 
O mercado de opções apesar de simples é transformado em algo 
extremamente complexo pelos seres humanos que o operam, aliás, 
como tudo na bolsa de valores. Tentei neste livro mostrar as opções 
da forma mais simples possível para que qualquer um possa 
compreender e se beneficiar delas. Meu objetivo não é transformar 
pessoas comuns em profissionais e “feras” de bolsa. Esta é apenas 
mais uma ilusão e se este fosse o objetivo, este livro já seria um 
fracasso, pois uma minoria ínfima vai conseguir isso. 
O meu objetivo com este livro pode ser alcançado por qualquer um. 
Quero que após ler este livro e praticar, pessoas comuns, que tem 
suas atividades e profissões fora da bolsa, possam compreender e se 
147 
 
beneficiar das opções para que sua poupança de longo prazo em 
busca da aposentadoria, seja alavancada e aumente mais 
velozmente. Não pretendo formar profissionais ou “feras” de bolsa 
até mesmo porque não sou um e é uma ilusão achar que alguém vai 
se transformar lendo um livro apenas. Pretendo apenas que o 
investidor comum possa se beneficiar das opções e isso acredito 
fortemente ser possível abrir o caminho lendo este livro e 
frequentando nossa Area de Opções. 
Boa hora para voltar nas partes que ficou com alguma dúvida, reler 
e qualquer coisa estou a disposição na Bastter.com. 
 
 
VISITE A BASTTER.COM E APRENDA MUITO MAIS SOBRE OPÇÕES 
ÁREA DE OPÇÕES DA BASTTER.COM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
148 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
.

Mais conteúdos dessa disciplina