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Estratégia PDF-RESUMO-DE-DIREITO-AMBIENTAL-OAB-2018

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a sanções penais e administrativas, 
independentemente da obrigação de reparar os danos causados." Art. 225, §3º 
da CF/88. 
 
 "As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e 
penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida 
por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no 
interesse ou benefício da sua entidade." Art. 3º, da Lei 9.605/98. 
 
 Para que haja a responsabilização penal da pessoa jurídica, o crime deverá ser 
cometido no interesse ou benefício da entidade E por decisão de seu 
representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado. ATENÇÃO! Precisa 
dessas duas condicionantes para que a pessoa jurídica seja responsabilizada. 
 A denúncia genérica tem sido rejeita pelos Tribunais Superiores nos crimes 
societários. Assim, para incluir os administradores das pessoas jurídicas na denúncia é 
necessário descrever a sua conduta, sob risco de inépcia e trancamento da ação. 
 O STJ e o STF admitem a responsabilização penal da pessoa jurídica em 
crimes ambientais. 
ATENÇÃO! 
Em 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a possibilidade 
de se processar penalmente uma pessoa jurídica, mesmo não havendo ação 
penal em curso contra pessoa física com relação ao crime. De acordo com o STF, 
é admissível a condenação de pessoa jurídica pela prática de crime ambiental, 
ainda que absolvidas as pessoas físicas ocupantes de cargo de presidência ou 
de direção do órgão responsável pela prática criminosa. 
Em 2015, a Quinta e a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça 
reiteraram o entendimento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal no 
sentido de que a Constituição (art. 225, § 3.º) não exige a necessidade de dupla 
imputação das pessoas natural e jurídica nos crimes ambientais. 
Dessa forma, é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por 
delitos ambientais independentemente da responsabilização concomitante da 
pessoa física que agia em seu nome. Ou seja, NÃO se exige mais a aplicação da 
teoria da dupla imputação! 
EXAME DA OAB 
Direito Ambiental 
Prof. Rosenval 
 
 
 
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Assim, atualmente, tem-se que há uma uniformidade na jurisprudência quanto à 
desnecessidade de aplicação da teoria da dupla imputação para fins de responsabilização 
penal da pessoa jurídica por crimes ambientais. 
Lembrem-se ainda de que a pessoa jurídica somente poderá ser responsabilizada 
se presentes dois pressupostos cumulativos: 
1. Que o crime tenha sido cometido por decisão de seu representante legal ou 
contratual, ou de seu órgão colegiado; 
2. Que o crime ambiental tenha se consumado no interesse ou benefício da entidade. 
 A pessoa jurídica poderá ser desconsiderada sempre que sua personalidade 
for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do ambiente, Art. 4º 
da Lei 9.605/98. (Teoria Menor). Para isso, basta a impossibilidade da Pessoa Jurídica 
de arcar com a reparação ambiental. Atenção, pois esse dispositivo é muito cobrado em 
prova! 
 A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim 
de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá decretada 
sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime 
e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional (Art. 24 da Lei 
9.605/98). 
 De acordo com o art. 26, a ação penal é pública incondicionada nas infrações 
penais previstas Lei 9.605/98. Assim, na ação penal pública incondicionada, a ação 
é exercida pelo Ministério Público, que representa o Estado, como autor da ação. 
 
Princípio da Insignificância (bagatela) 
 
O princípio da insignificância, de acordo com o glossário jurídico do STF, tem o 
sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, ou seja, não considera o ato 
praticado como um crime, por isso, sua aplicação resulta na absolvição do réu e não 
apenas na diminuição e substituição da pena ou não sua não aplicação. 
Para ser utilizado, faz-se necessária a presença de certos requisitos, tais como: 
(a) a mínima ofensividade da conduta do agente, 
(b) a ausência de periculosidade social da ação, 
(c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e 
(d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
Mnemônico para a prova: MARI 
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Sua aplicação decorre no sentido de que o direito penal não se deve ocupar de 
condutas que produzam resultado cujo desvalor - por não importar em lesão significativa 
a bens jurídicos relevantes - não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja 
ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. 
 Há controvérsia na sua aplicação no caso de danos ambientais. No entanto, no 
segundo semestre de 2012, o Supremo Tribunal Federal aplicou o princípio da 
insignificância ou bagatela em um caso de pesca. 
Em 2016, a Quinta Turma do STJ aplicou o princípio da insignificância em crime 
ambiental. Em decisão unânime, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) 
determinou o trancamento de ação penal contra um homem denunciado pela prática de 
pesca ilegal em período de defeso. 
 
STF julga inconstitucional lei cearense que regulamenta vaquejada 
 
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou procedente a Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (ADI) 4983, ajuizada pelo procurador-geral da República contra a 
Lei 15.299/2013, do Estado do Ceará, que regulamenta a vaquejada como prática 
desportiva e cultural no estado. 
A maioria dos ministros acompanhou o voto do relator, ministro Marco Aurélio, 
que considerou haver “crueldade intrínseca” aplicada aos animais na vaquejada. 
O julgamento da matéria teve início em agosto de 2015, quando o relator, ao 
votar pela procedência da ação, afirmou que o dever de proteção ao meio ambiente 
(artigo 225 da Constituição Federal) sobrepõe-se aos valores culturais da atividade 
desportiva. 
Em seu voto, o ministro Marco Aurélio afirmou que laudos técnicos contidos no 
processo demonstram consequências nocivas à saúde dos animais: fraturas nas patas e 
rabo, ruptura de ligamentos e vasos sanguíneos, eventual arrancamento do rabo e 
comprometimento da medula óssea. Também os cavalos, de acordo com os laudos, 
sofrem lesões. 
Para o relator, o sentido da expressão “crueldade” constante no inciso VII do 
parágrafo 1º do artigo 225 da Constituição Federal alcança a tortura e os maus-tratos 
infringidos aos bois durante a prática da vaquejada. Assim, para ele, revela-se 
“intolerável a conduta humana autorizada pela norma estadual atacada”. 
Após esta decisão do STF na ADI 4983/CE, o Congresso Nacional editou a Lei nº 
13.364/2016, que prevê o seguinte: "Art. 1º Esta Lei eleva o Rodeio, a Vaquejada, bem 
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como as respectivas expressões artístico-culturais, à condição de manifestações da 
cultura nacional e de patrimônio cultural imaterial." 
A Lei nº 13.364/2016 sozinha não teria força jurídica para superar a decisão do 
STF, pois na visão do Supremo, a prática da vaquejada não era proibida por ausência de 
lei. Na verdade, o STF entendeu que, mesmo havendo lei regulamentando a atividade, 
a vaquejada era inconstitucional por violar o art. 225, § 1º, VII, da CF/88.
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