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Apostila_1_A_Pesquisa_Cientifica

Apostila sobre pesquisa científica que introduz o método científico, o objetivo da pesquisa, a relação entre problema, hipótese e teoria, e descreve tipos de conhecimento (empírico, filosófico, teológico e científico) com definições e exemplos.

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APOSTILA 1 
 
A PESQUISA CIENTÍFICA 
Milton Rosa 
CEAD/UFOP 
milton@cead.ufop.br 
 
Introdução 
A pesquisa científica é a realização de um estudo planejado, no qual o método de 
abordagem do problema caracteriza o aspecto científico da investigação. A finalidade do projeto 
é descobrir respostas para questões ou problemáticas de pesquisa mediante a aplicação do 
método científico. 
Nesse sentido, a pesquisa sempre parte de um problema, de uma interrogação ou uma 
situação para a qual o repertório de conhecimento disponível não gera uma resposta adequada 
para a problemática a ser estudada. Para solucionar esse problema, são levantadas hipóteses que 
podem ser confirmadas ou refutadas pela pesquisa. Portanto, toda pesquisa baseia-se em uma 
teoria que serve como ponto de partida para a investigação a ser realizada. 
No entanto, é necessário enfatizar que essa é uma avenida de mão dupla, pois a pesquisa 
pode, algumas vezes, gerar insumos para o surgimento de novas teorias que, para serem válidas, 
devem apoiar-se em fatos observados e provados. Além disso, até mesmo a investigação surgida 
da necessidade de resolver problemas práticos pode levar à descoberta de princípios básicos 
relacionados às essas investigações. 
Contudo, para que as pesquisas sejam conduzidas adequadamente, existe a necessidade 
de identificarmos os vários tipos de conhecimento, como por exemplo, o empírico e o científico. 
 
Tipos de Conhecimentos 
Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenômeno 
qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências que acumulamos em nossa 
vida cotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e 
artigos diversos. 
Os seres humanos são os únicos capazes de criar e transformar o conhecimento; são os 
únicos capazes de aplicar o que aprendem, por diversos meios, em uma situação de mudança do 
 2 
conhecimento; são os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem para 
registrar as próprias experiências e passá-las para outros seres humanos. Assim, ao criarmos um 
sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana, permitimo-nos também ao pensar 
e, por consequência, a ordenação e a previsão dos fenômenos que nos cerca. 
Dessa maneira, é importante termos consciênica de que existem diferentes tipos de 
conhecimentos: 
 
a) Conhecimento Empírico 
É o conhecimento obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, o conhecimento 
adquirido através de ações não planejadas, muitas vezes por observações. Esse conhecimento é 
transmitido de geração em geração por meio da educação informal e baseado na imitação e na 
experiência pessoal. Por exemplo, A chave está emperrando na fechadura e, de tanto 
experimentarmos abrir a porta, acabamos por descobrir (conhecer) uma maneira de girar a chave 
sem emperrar. 
 
b) Conhecimento Filosófico 
É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo sobre 
fenômenos, gerando conceitos subjetivos, que busca dar sentido aos fenômenos gerais do 
universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Por exemplo, "o homem é a ponte entre o 
animal e o além-homem" (Friedrich Nietzsche, 1844-1900). 
 
c) Conhecimento Teológico 
É o conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, 
ser confirmado ou negado, pois depende da formação moral e das crenças de cada indivíduo. 
Esse tipo de conhecimento apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas, valorativas, 
por terem sido reveladas pelo sobrenatural, inspiracional e, por esse motivo, tais verdades são 
consideradas infalíveis, indiscutíveis e exatas. É um conhecimento sistemático do mundo 
(origem, significado, finalidade e destino) como obra de um criador divino. Está sempre 
implícita uma atitude de fé perante um conhecimento revelado. O conhecimento teológico parte 
do princípio de que as verdades tratadas são infalíveis e indiscutíveis, por consistirem em 
 3 
revelações da divindade ou do sobrenatural. Por exemplo, acreditar em milagres; duendes; 
reencarnação e espíritos. 
 
d) Conhecimento Científico 
É o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. A sua origem 
está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. Podemos então 
afirmar que o conhecimento científico é racional e objetivo, atém-se aos fatos, transcende aos 
fatos, é analítico, requer exatidão e clareza, é comunicável, é verificável, depende de 
investigação metódica, busca e aplica leis, é explicativo, realiza predições, é aberto e útil. Por 
exemplo, descobrir uma vacina que evite uma doença; descobrir como ocorre a respiração dos 
batráquios e descobrir uma nova metodologia de ensino de matemática. 
Nesse direcionamento, o conhecimento científico também pode ser considerado: 
 Real e factual, pois lida com ocorrências, fatos, isto é, toda forma de existência que se 
manifesta de algum modo. 
 Contingente, pois as suas proposições ou hipóteses têm a sua veracidade ou a falsidade 
conhecida por meio da experimentação e não pela razão, como ocorre no conhecimento 
filosófico. 
 Sistemático, pois é um saber ordenado logicamente, compondo um sistema de ideias e 
teorias. 
 Verificável, pois as hipóteses que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito 
da ciência. 
 Falível, pois não é definitivo, absoluto ou final. 
 Aproximadamente exato, pois novas proposições e o desenvolvimento de novas técnicas 
podem reformular o acervo de teorias existentes. 
 
Classificações da Pesquisa Científica 
A pesquisa cientifica objetiva fundamentalmente contribuir para a evolução do 
conhecimento humano em todos os setores, sendo sistematicamente planejada e executada de 
acordo com rigorosos critérios de processamento das informações, sendo objeto de investigação 
planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela ciência. Os 
 4 
trabalhos de graduação, para serem considerados como pesquisas científicas, devem produzir 
ciência, ou ser derivado da ciência ou acompanhar o modelo de tratamento científico. 
A pesquisa científica pode estar baseada no raciocínio lógico, que tem por objetivo 
encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos. Esse 
procedimento é racional e sistemático e visa proporcionar respostas aos problemas propostos. 
Em outras palavras, é uma atividade voltada para a solução de problemas por meio do emprego 
de processos científicos. 
As pesquisas podem ser classificadas de acordo com diversos critérios, como por 
exemplo: 
 
Quanto à natureza 
Essas pesquisas não se fundamentam nos métodos adotados, mas sim nas finalidades da 
pesquisa. Quato à natureza, as pesquisas podem ser: 
 
a) Trabalho científico original 
Esse tipo de pesquisa é realizado pela primeira vez e pode contribuir com novas 
conquistas e descobertas para a evolução do conhecimento científico. 
 
b) Resumo de assunto 
Esse tipo de pesquisa dispensa a originalidade, mas não o rigor científico. 
Fundamenta-se em trabalhos mais avançados, publicados por autoridades no assunto e 
que não se limita à simples cópia de ideias. A análise e interpretação dos fatos e 
ideias, a utilização de metodologia adequada, bem como o enfoque do tema de um 
ponto de vista original são qualidades necessárias. Esse tipo de pesquisa é mais 
comum nos cursos de graduação. 
 
Quanto aos objetivos 
Quanto aos objetivos, as pesquisas podem ser classificadas como exploratória, descritiva 
e explicativa. 
 
 
 5 
a) Pesquisa exploratória 
Constitui o primeiro passo de todo trabalho científico. Esse tipo depesquisa visa, 
sobretudo, quando é bibliográfica, proporcionar maiores informações sobre um 
determinado tema, facilitar a delimitação desse tema, definir objetivos, formular as 
hipóteses da pesquisa ou descobrir um novo tipo de enfoque para o trabalho de 
investigação que se pretende desenvolver. 
 
b) Pesquisa descritiva 
Os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem 
que o(a) pesquisador(a) interfira nesses fatos. Incluem-se nesse tipo de investigação, a 
maioria das pesquisas desenvolvidas nas Ciências Humanas e Sociais, as pesquisas de 
opinião, as mercadológicas, os levantamentos socioeconômicos e psicossociais. 
 
c) Pesquisa explicativa 
Esse tipo de pesquisa é o mais complexo, pois além de registrar, analisar e interpretar 
os fenômenos estudados, procura identificar os seus fatores determinantes, ou seja, as 
suas causas. A maioria dessas pesquisas utiliza o método experimental, o qual é 
caracterizado pela manipulação e controle das variáveis, com o objetivo de identificar 
qual é a variável independente que determina a causa da variável dependente ou do 
fenômeno em estudo. 
 
Quanto ao objeto 
Quanto ao objeto, as pesquisas referem-se, principalmente, ao ambiente onde as 
investigações são realizadas. 
 
a) Bibliográfica 
Esse tipo de pesquisa pode ser considerado como um trabalho independente ou a 
etapa inicial de uma pesquisa. 
 
 
 
 6 
b) De laboratório 
O(a) pesquisador(a) tem condições de provocar, produzir e reproduzir fenômenos, 
em condições de controle. Esse tipo de pesquisa não é sinônimo de pesquisa 
experimental. As Ciências Humanas e Sociais também utilizam este tipo de 
pesquisa. 
 
c) De campo 
Esse tipo de pesquisa não tem como objetivo produzir ou reproduzir os 
fenômenos estudados. A coleta de dados é efetuada em campo, onde ocorrem 
espontaneamente os fenômenos. É desenvolvida principalmente nas Ciências 
Sociais, como por exemplo na Sociologia, Psicologia, Política, Economia, 
Antropologia e, também, na Educação. 
 
Quanto aos procedimentos técnicos 
Com relação aos procedimentos técnicos, as pesquisas podem ser: 
 
a) Pesquisa bibliográfica 
É o tipo de pesquisa que utiliza material escrito ou gravado. São consideradas fontes 
bibliográficas os livros de leitura corrente ou de referência, tais como dicionários, as 
enciclopédias e os anuários; as publicações periódicas como os jornais, as revistas, os 
panfletos, as fitas gravadas de áudio e vídeo, as páginas de web sites, os relatórios e os 
anais de simpósios, seminários, congressos, conferências e encontros. 
 
b) Pesquisa documental 
Esse tipo de pesquisa utiliza fontes de informação que ainda não receberam organização, 
tratamento analítico e publicação, como tabelas estatísticas, relatórios de empresas, 
documentos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, 
sindicatos, fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência 
pessoal ou comercial. 
 
 
 7 
c) Pesquisa experimental 
Quando um fato ou fenômeno da realidade é reproduzido de maneira controlada, com 
o objetivo de descobrir os fatores que o produzem ou que são produzidos por esses 
fatos ou fenômenos. São geralmente realizados por amostragem, onde se considera 
que os resultados válidos para uma amostra ou conjunto de amostras serão, por 
indução, válidos também para toda população ou universo. 
 
 Pesquisa ex post facto 
Esse tipo de pesquisa significa literalmente a partir de depois do fato, 
pois se trata de uma pesquisa experimental na qual, após o fato ou 
fenômeno ter ocorrido, tenta-se explicá-lo ou entendê-lo. 
 
d) Pesquisa de levantamento 
É o tipo de pesquisa que busca informação diretamente com um grupo de interesse a 
respeito dos dados que se deseja obter, utilizando questionários, formulários ou 
entrevistas. Os dados são tabulados e analisados estatisticamente. Por exemplo, esses 
tipos de pesquisas pode ser de opinião, motivação e comportamento. 
 
e) Estudo de caso 
Quando se deseja estudar com profundidade os diversos aspectos característicos de 
um determinado objeto de pesquisa restrito. 
 
f) Pesquisa-ação 
Quando os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de pesquisa de 
modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de um resultado esperado. 
 
g) Pesquisa participante 
Ocorre por meio do contato direto do(a) pesquisador(a) com o fenômeno observado 
para se obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios 
contextos. 
 
 8 
Abordagens da Pesquisa Científica 
Quanto à abordagem, a pesquisa científica pode ser qualitativa, quantitativa ou mista. 
Dessa maneira, uma vez definido o tema da pesquisa, deve-se escolher entre realizar uma 
pesquisa qualitativa, quantitativa ou mista. 
 
Pesquisa Qualitativa 
As pesquisas qualitativas surgiram da necessidade da utilização de novos métodos 
investigativos, de abordagens diferentes das tradicionais e que permitissem entender melhor os 
problemas apresentados na área das ciências humanas. Esse tipo de pesquisa foi influenciado por 
uma nova atitude de investigação que coloca o(a) pesquisador(a) no centro da cena investigada, 
participando ativametne desse cenário. Essas pesquisas visam à busca do significado que é 
atribuído aos fenômenos estudados, o que nem sempre pode ser encontrado por meio da 
condução de pesquisas quantitativas. 
Na abordagem qualitativa, a pesquisa tem o ambiente como fonte direta de coleta dos 
dados. O(a) pesquisador(a) mantém contato direto com o ambiente e o objeto de estudo, 
necessitando um trabalho mais intensivo de campo. Nesse caso, as questões são estudadas no 
ambiente em que se apresentam sem qualquer manipulação intencional do(a) pesquisador(a). Os 
dados coletados nessas pesquisas são descritivos, retratando o maior número possível de 
elementos existentes na realidade estudada. Esse tipo de pesquisa preocupa-se muito mais com o 
processo do que com o produto. Na análise dos dados coletados não há preocupação em 
comprovar hipóteses previamente estabelecidas, porém, não eliminam a existência de um quadro 
teórico que direcione a coleta, a análise e interpretação dos dados. 
Alguns exemplos de pesquisa qualitativa são: 
 Pesquisa participante. 
 Pesquisa-ação. 
 Pesquisa etnográfica. 
 Estudo de caso. 
A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, pois se preocupa com um 
nível de realidade que não pode ser quantificado, operando com um universo de significados, 
motivos, ocupações, crenças, valores, atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo 
 9 
das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização 
de variáveis. 
As características básicas da pesquisa qualitativa são: 
1. O ambiente natural é a fonte direta de coleta de dados e o(a) pesquisador(a) é o seu 
principal instrumento. 
2. Os dados coletados são predominantemente descritivos. 
3. A preocupação sobre o processo é maior do que com o produto. 
4. O significado que as pessoas fornecem às coisas e à sua vida são focos de atenção 
especial pelo(a) pesquisador(a). 
5. A perspectiva dos participantes deve ser capturada pela pesquisa de acordo com a 
maneira como os informantes encaram as questões em foco. 
6. A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo. 
Por exemplo, se quisermos estudar o problema da evasão e da repetência no ensino da 
matemática no 1º grau a nível estadual, a melhor maneira de conseguirmos uma visão geral do 
problema é por meio do levantamento de informações junto aos estabelecimentos da rede escolar 
para a obtenção dosdados quantitativos. Porém, se quisermos saber quais são as difculdades 
decorrentes da prática pedagógica em sala de aula e, também, quais são os elementos que 
contribuem para aumentar a evasão escolar e a repetência, o levantamento qualitativo nos 
permite compreender a trama intrincada do que ocorre nessa situação microssocial. Dessa 
maneira, torna-se necessária a obtenção de dados qualitativos para que tenhamos, holisticamente, 
uma melhor compreensão da evasão e da repetência escolar. 
 
Pesquisa Quantitativa 
Esse tipo de abordagem está relacionado ao emprego de recursos e técnicas estatísticas 
que visam quantificar os dados coletados. No desenvolvimento da pesquisa de natureza 
quantitativa devem-se formular hipóteses e classificar a relação entre as variáveis para garantir a 
precisão dos resultados, evitando contradições no processo de análise e interpretação. 
Nessa perspectiva, as pesquisas quantitativas são mais adequadas para apurar opiniões e 
atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utilizam instrumentos padronizados, 
como, por exemplo, os questionários estruturados com perguntas claras e objetivas que permitam 
a uniformidade de entendimento dos participantes. Os questionários são utilizados quando se 
 10 
sabe exatamente o que deve ser perguntado para atingir os objetivos da pesquisa, permitindo que 
se realizem projeções para a população representada. Nesse tipo de pesquisa, é necessário que as 
hipóteses sejam levantadas, de maneira precisa, para que forneçam índices que possam ser 
comparados com outros indicadores. 
No entanto, a pesquisa quantitativa exige um número maior de participantes para garantir 
maior precisão nos resultados, que são projetados para a população representada. O relatório da 
pesquisa quantitativa, além das interpretações e conclusões, deve mostrar tabelas de percentuais 
e gráficos, que podem ser preparados de maneira cruzada e de acordo com os diferentes perfis da 
população estudada. 
As etapas necessárias para a realização de uma pesquisa quantitativa são: 
1. Definição do objetivo da pesquisa. 
2. Definição da população e da amostra. 
3. Elaboração dos questionários. 
4. Coleta de dados (campo). 
5. Processamento dos dados (tabulação). 
6. Análise dos resultados. 
7. Apresentação e divulgação dos resultados. 
A pesquisa quantitativa tem como objetivo identificar a presença e medir a frequência e 
intensidade de comportamentos, atitudes e motivações de um determinado público-alvo. Esse 
tipo de pesquisa gera medidas precisas, confiáveis e que podem ser replicadas para o universo 
estudado, pois se baseia em uma amostra estatística previamente determinada. 
 
Pesquisa Mista 
A utilização da abordagem qualitativa difere da quantitativa pelo fato de não utilizar 
dados estatísticos como o centro do processo de análise de um problema, não tendo, portanto, a 
prioridade de numerar ou medir unidades. Não existe um continuum entre o qualitativo e o 
quantitativo, pois o qualitativo trabalha com a intuição, a exploração e o subjetivismo e o 
quantitativo representa o espaço científico que é traduzido objetivamente para a linguagem 
matemática. 
A diferença entre o qualitativo e o quantitativo está relacionada com a natureza de cada 
tipo de pesquisa, pois enquanto os cientistas sociais que trabalham com estatística (quantitativo) 
 11 
apreendem dos fenômenos apenas a região visível, ecológica, morfológica e concreta, a 
abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, 
um lado não perceptível e não captável pelas equações, médias e estatísticas. No entanto, o 
conjunto de dados quantitativos e qualitativos não se opõe e se complementam, pois a realidade 
abrangida por essas abordagens interage dinamicamente, excluindo, dessa maneira, qualquer 
dicotomina. 
 
Tipos de Pesquisa Científica 
A pesquisa científica pode ser de análise teórica, de análise teórico-empírica e de estudo 
de caso sobre um assunto pesquisado bibliograficamente. Embora esses três tipos de pesquisa 
englobeem a maioria dos trabalhos de pesquisa científica, Takeshi e Mendes (1998) afirmam que 
existem trabalhos desenvolvidos fora desse contexto como, por exemplo, a resenha bibliográfica 
e o inventário bibliográfico. 
 
Pesquisa Científica de Análise Teórica 
Esse tipo de pesquisa analisa teoricamente um assunto pesquisado bibliograficamente. 
Pode ser caracterizada como: 
 Uma simples organização coerente de idéias originadas de bibliografia de alto nível, 
em torno de um tema específico. 
 Uma análise crítica ou comparativa de uma obra, teoria ou modelo existente, a partir 
de um esquema conceitual bem definido. 
 O desenvolvimento de uma pesquisa científica inovadora, a partir de fontes 
exclusivamente bibliográficas. 
A pesquisa científica de análise teórica evidencia uma simples organização coerente de 
idéias, originadas de bibliografia de autores consagrados que escreveram sobre o tema escolhido. 
Esse tipo de pesquisa pode ser desenvolvido como uma análise crítica ou comparativa de uma 
teoria, a partir de um esquema conceitual bem definido. Sugere-se que os pesquisadores evitem 
temas muito amplos ou ambiciosos e que se preocupem em desenvolver um trabalho acadêmico 
simples. 
A pesquisa científica pode, ainda, ser o resultado de uma revisão de literatura 
criticamente articulada. Assim, a revisão de literatura não tem, portanto, um caráter aditivo e 
 12 
sim, de integração de estudos sobre o tema abordado. Em síntese, a pesquisa científica pode ter 
como proposta a formulação de quadros de referência e estudos de teorias. 
 
Pesquisa Científica de Análise Teórico-Empírica 
A pesquisa científica de análise teórico-empírica é um tipo de pesquisa desenvolvida em 
trabalhos de campo. Essa pesquisa pode ser caracterizada como: 
 Uma simples análise interpretativa de dados primários, em torno de um tema, com 
apoio bibliográfico. 
 Um teste de hipóteses, modelos ou teorias, a partir de dados primários e secundários. 
 Um trabalho inovador a partir de dados primários ou secundários. Os dados primários 
são as informações obtidas diretamente no campo ou na origem dos eventos 
pesquisados. Os dados secundários, por sua vez, são aqueles obtidos a partir de obras 
bibliográficas ou de relatórios de pesquisas, que foram elaborados anteriormente 
sobre o tema. 
 O trabalho científico pode ser considerado como a descrição dos resultados de teste 
de modelos ou teorias a partir de dados primários e secundários. 
Nesse tipo de pesquisa, o trabalho científico pode analisar a correspondência entre um 
caso real, os modelos e as teorias. Nesse caso, são utilizadas técnicas de coleta, tratamento e 
análise de dados essencialmente quantitativas, que se caracterizam pela rigorosa aplicação 
metodológica na busca da relação causal entre diferentes variáveis. 
 
Pesquisa Científica de Estudo de Caso 
Esse tipo de pesquisa sugere uma análise específica da relação entre um caso real, as 
hipóteses, os modelos e as teorias. No estudo de caso, podem ser encontradas situações 
devidamente caracterizadas em que se proponham alterações ou modificações que visam 
melhorá-las. No estudo de caso se realiza a pesquisa com relação a um determinado indivíduo, 
família, grupo ou comunidade, que tem como objetivo realizar uma indagação em profundidade 
para que se possa examinar um determinado ciclo de vida ou algum aspecto particular desse 
ciclo. 
É importante ressaltar que, nesse tipo de pesquisa, a fundamentação teórica e a 
caracterização da organização devem ser trabalhadas, direcionando, posteriormente, à análise e a 
 13 
interpretação das informações, para identificar deficiências visandoelaborar programas de 
capacitação, distribuir tarefas e determinar normas. 
 
Metodologias para o Desenvolvimento da Pesquisa Científica 
A pesquisa científica visa conhecer cientificamente um ou mais aspectos de um 
determinado assunto, devendo ser sistemática, metódica e crítica, pois o produto da pesquisa 
científica deve contribuir para o avanço do conhecimento humano. 
Na vida acadêmica, a pesquisa é um exercício que permite despertar o espírito de 
investigação diante dos trabalhos e problemas sugeridos ou propostos pelos professores e 
orientadores. Os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam de acordo com o 
enfoque dado, os interesses, campos, metodologias, situações e objetos de estudo. 
Assim, a partir dos procedimentos técnicos e metodológicos utilizados, podemos 
determinar os seguintes tipos de pesquisa científica: 
 
Pesquisa Bibliográfica 
Essa pesquisa tem como objetivo explicitar e construir hipóteses sobre o problema 
evidenciado, aprimorando as ideias e fundamentando o assunto em relação à questão abordada na 
pesquisa. Esse tipo de pesquisa envolve o levantamento bibliográfico, que é realizado em 
diversas fontes visando consultar obras respeitáveis e atualizadas sobre a temática a ser 
pesquisada. 
A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material elaborado, constituída 
principalmente por livros, publicações em periódicos e artigos científicos, que são denominadas 
fontes bibliográficas. Nesse tipo de pesquisa é importante que o(a) pesquisador(a) verifique a 
veracidade dos dados obtidos, observando as possíveis incoerências ou contradições que as obras 
possam apresentar. Em outras palavras, a pesquisa bibliográfica é baseada nas fontes de 
referência, que tem por objetivo conhecer e analisar as principais contribuições teóricas sobre um 
determinado tema ou problema. As pesquisas bibliográficas também servem de base para outras 
pesquisas científicas. 
Os demais tipos de pesquisa também envolvem o estudo bibliográfico, pois todas 
necessitam de um referencial teórico. No entanto, para a realização da pesquisa bibliográfica, é 
 14 
importante utilizar as fichas de leitura denominadas fichamentos, que facilitam a organização das 
informações obtidas durante a revisão de literatura. 
 
a) As Fases da Pesquisa Bibliográfica 
 Determinar os objetivos. 
 Elaborar o plano de trabalho. 
 Identificar as fontes. 
 Localizar as fontes e obter o material. 
 Ler o material (leitura exploratória, seletiva e analítica). 
 Elaborar apontamentos. 
 Confeccionar as fichas de documentação (fichamentos). 
 Redigir o trabalho. 
 
b) Um Exemplo de Projeto de Pesquisa Bibliográfica 
Um projeto de pesquisa que tenha por objetivo verificar como se desenvolveu o 
ensino de Matemática no Brasil, poderia ser mostrado pelo seguinte projeto: 
1. Introdução 
2. O ensino da Matemática na Escolas Normais e CEFANS 
3. O ensino de Matemática nos cursos de formação universitária 
4. O ensino de Matemática em cursos específicos 
 4.1. A regulamentação dos cursos de Matemática 
 4.2. O desenvolvimento dos cursos de Matemática 
 4.3. Situação dos cursos de Matemática 
o 4.3.1. Na graduação presencial 
o 4.3.2. Na graduação a distância 
o 4.3.2. Na pós-graduação 
5. Considerações Finais 
 
Pesquisa Teórica 
De acordo com Demo (2000), a pesquisa teórica é "dedicada a reconstruir teoria, 
conceitos, ideias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar 
 15 
fundamentos teóricos" (p. 20). Esse tipo de pesquisa é direcionada no sentido de reconstruir 
teorias, quadros de referência, condições explicativas da realidade, polêmicas e discussões 
pertinentes por meio da discussão crítica do embasamento e da fundamentação teórica de um 
determinado tema. 
No entanto, a pesquisa teórica não implica na intervenção imediata da realidade, pois o 
seu papel é decisivo na criação de condições teóricas para essa intervenção. Nesse sentido, o 
conhecimento teórico adequado acarreta rigor conceitual, análise acurada, desempenho lógico, 
argumentação diversificada, capacidade explicativa (GIL, 1994). Em outras palavras, a pesquisa 
teórica é aquela que analisa uma determinada teoria, como po exemplo, analisa a teoria da 
Etnomatemática de Ubiratan D’Ambrosio ou a Teoria das Sete Inteligências de Howard Gardner. 
Podemos afirmar que o objetivo da pesquisa teórica é buscar o conhecimento ou o 
aprofundamento da discussões em relação a uma determinada teoria, como a da Etnomatemática. 
Tachizawa e Mendes (2006) afirmam que na pesquisa teórica não existe a necessidade da 
coleta de dados e da pesquisa de campo, pois esse tipo de pesquisa busca a compreensão de uma 
determinada teoria por meio de discussões e debates sobre a sua fundamentação e embasamento 
teórico-filosófico. O estudo bibliográfico é um método báscio desse tipo de pesquisa. 
 
Pesquisa de Campo 
A pesquisa de campo é uma maneira de coleta que permite a obtenção de dados sobre um 
fenômeno de interesse visando verificar como esse fenômeno ocorre na realidade estudada. 
Consiste, portanto, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes, 
diretamente da realidade, para análises ulteriores. 
A pesquisa de campo também abrange: 
a) A pesquisa bibliográfica. 
b) A determinação das técnicas de coleta de dados. 
c) A determinação da amostra. 
d) O registro dos dados e das análises. 
 
Podemos citar os seguintes tipos de pesquisa de campo: 
 16 
 Quantitativo-descritivo: pesquisa empírica1 cuja principal finalidade é o delineamento 
ou a análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas ou o 
isolamento de variáveis principais. 
 
 Exploratório: pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um 
problema, com tripla finalidade, isto é, desenvolver hipóteses, aumentar a 
familiaridade do(a) pesquisador(a) com um ambiente, fato ou fenômeno, para 
realização de uma pesquisa precisa; ou modificar, elucidar e clarificar conceitos. 
 
 Experimental: pesquisa empírica cujo objetivo principal é o teste de hipóteses 
relacionadas à causa e efeito. 
 
A grande vantagem da pesquisa de campo é a obtenção de dados retirados diretamente da 
realidade. Na pesquisa de campo, as teorias propostas podem ser validadas ou refutadas. Assim, 
com a utilização de técnicas de amostragem estatística, a pesquisa de campo permite o acúmulo 
de conhecimento sobre determinado aspecto da realidade, conhecimento esse que pode ser 
comprovado e utilizado por outros pesquisadores. 
A principal desvantagem da pesquisa de campo é o pequeno grau de controle sobre a 
coleta de dados e a possibilidade de que fatores, desconhecidos para o(a) investigador(a), possam 
interferir nos resultados. No caso de pesquisas baseadas em questionários, formulários e 
entrevistas, outro limitador é que o procedimento adotado pode apresentar um menor grau de 
confiabilidade pela possibilidade de os indivíduos falsearem as respostas. Há, entretanto, vários 
recursos que podem ser utilizados para aumentar as vantagens e diminuir as desvantagens desse 
método, como por exemplo, utilizar os pré-testes e uma completa instrumentação de coleta de 
dados. 
 
Pesquisa Experimental 
A pesquisa experimental informa a maneira ou a causa pela qual um determinado 
fenômeno é produzido. Esse tipo de pesquisa verifica a relação de causalidade que se estabelece 
 
1A pesquisa empírica está relacionada com a busca de dados obtidos por meio da experiência e da vivência do(a) 
pesquisador(a) e dos pesquisados. Esse tipo de pesquisa colhe os dados a partir de fontes diretas, os sujeitos,que 
vivenciam, experienciam e têm conhecimento sobre o estudo a ser realizado. 
 17 
entre variáveis, isto é, em saber se a variável X (independente) determina a variável Y 
(dependente), e, para isto, cria-se uma situação de controle rigoroso, procurando evitar que haja a 
presença de influências alheias à verificação que se deseja realizar. Depois, se interfere 
diretamente na realidade, dentro de condições que foram preestabelecidas, manipulando a 
variável independente para observar o que acontece com a dependente. Nestas circunstâncias, X 
(variável independente) será causa de Y (variável dependente) se: 
a) Y não apareceu antes de X. 
b) Y varia quando há também variação em X. 
c) outras influências não fizeram X aparecer ou variar. 
Assim, como exemplo imagine que desejamos verificar se em um determinado grupo de 
alunos, uma estratégia pedagógica para o ensino da matemática (variável independente) produz 
resultados satisfatórios no desempenho dos alunos nas avaliações externas (variável dependente). 
Para que a nossa resposta seja positiva, a estratégia pedagógica adotada causa bons resultados 
nas avaliações externas. Nesse sentido, a pesquisa experimental estuda, portanto, a relação entre 
fenômenos distintos, procurando saber se um é a causa do outro. 
Este tipo de pesquisa é mais utilizado nas ciências naturais, por utilizarem o método 
experimental, requerendo a utilização de equipamentos, laboratórios, técnicas e instrumentos que 
possam indicar um resultado concreto. Porém, essas pesquisas são utilizadas em estudos de 
grupos selecionados, pois possibilita o levantamento de situações econômicas de uma 
determinada faixa do mercado consumidor. Cervo e Bervian (2004) afirmam que: 
A pesquisa experimental se caracteriza por manipular diretamente as 
variáveis relacionadas com o objeto de estudo. Neste tipo de pesquisa, a 
manipulação das variáveis proporciona o estudo da relação entre as 
causas e efeitos de um determinado fenômeno. Através da criação de 
situações de controle, procura-se evitar a interferência de variáveis 
intervenientes. Interfere-se diretamente na realidade, manipulando-se a 
variável independente a fim de observar o que acontece com a 
dependente (p. 68). 
 
A pesquisa experimental consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as 
variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as maneiras de controle e de observação 
dos efeitos que a variável produz no objeto. Os objetos de estudo podem ser os grupos sociais, 
como por exemplo; os alunos, os professores, os diretores e os supervisores bem como as 
investigações relacionadas com o comportamento, à aprendizagem e a produtividade. As três 
variáveis mais utilizadas na pesquisa experimental são: 
 18 
a) Experimento apenas-depois, com dois grupos: o de controle e o de experimento 
Compara-se o grupo experimental, que sofreu o experimento, com o grupo de controle, 
que não sofreu o experimento. 
 
b) Experimento antes-depois com um único grupo 
O grupo único é comparado antes e depois do experimento (estímulo). 
 
c) Experimento antes-depois com dois grupos 
O grupo experimental e de controle são medidos no início e no fim do período 
experimental. O estímulo é introduzido no grupo experimental. As medidas são obtidas 
por diferença entre os grupos. 
 
O Experimento 
O experimento se diferencia da experiência e da observação. Se, por exemplo, um 
professor tem a atenção voltada naturalmente para um determinado aluno que está tendo um 
procedimento peculiar em sala de aula, está tendo uma experiência espontânea. Porém, se, de 
agora em diante, durante algum tempo, o professor tem o propósito de acompanhar esse aluno, 
prestando atenção no que ele faz, então, ao cumprir o propósito, tem uma experiência 
intencional. Mas, se esta for planejada, ou pelo menos houver o objetivo de se registrar, para 
estudo, as informações obtidas; então o procedimento é de observação científica. No entanto, se 
quisesse realizar um experimento, o professor deveria, planejadamente, interferir na realidade 
(variável dependente) para observar a conduta do aluno (variável dependente) ou interferir nesta 
(variável independente) para observar um determinado resultado (variável dependente). 
O experimento é uma situação, criada em laboratório, com a finalidade de observar, de 
acordo com o controle, a relação que existe entre fenômenos. O termo controle serve para indicar 
os esforços para se eliminar ou, pelo menos, reduzir ao mínimo possível os erros que possam 
surgir numa experiência. Por exemplo, vamos considerar uma pesquisa na qual a hipótese é que 
os professores que utilizam técnicas de trabalhos em grupo nas aulas de matemática tendem a ser 
avaliados de maneira mais positiva por seus alunos. De acordo com essa hipótese, para que o 
experimento possa ser realizado, torna-se necessário manipular a variável independente: 
 19 
utilização de técnicas de trabalho em grupo. A figura 1 mostra o resultado da utilização das 
técnicas de trabalho em grupo. 
 
Utilização de Técnicas de Trabalho em Grupo 
A1 
Utilizam intensamente. 
 
A2 
Utilizam moderadamente. 
A3 
Não utilizam. 
Resultado na variável dependente (avaliação dos professores pelos alunos) 
Figura 1: Resultado da utilização das técnicas de trabalho em grupo 
 
De um modo geral, o experimento representa o melhor exemplo de uma pesquisa 
científica, com destaque para o tipo antes-depois com dois grupos que, é considerado 
rigidamente experimental. Por outro lado, por exigir relações entre as variáveis a serem 
estudadas, bem como o seu controle, torna-se praticamente inviável quando se trata de objetos 
sociais. 
 
 As Fases de uma Pesquisa Experimental 
a) Formulação do problema. 
b) Construção da hipótese. 
c) Operacionalização das variáveis. 
d) Definição do plano experimental. 
e) Determinação dos sujeitos, 
f) Determinação do ambiente. 
g) Coleta de dados. 
h) Análise e interpretação dos dados. 
i) Apresentação das conclusões. 
 
Pesquisa Descritiva 
Esse tipo de pesquisa descreve, constata e avalia relações entre variáveis à medida que 
essas variáveis se manifestam espontaneamente em fatos, situações e condições existentes. 
 20 
Assim, na pesquisa descritiva, pode existir o estudo da relação entre fenômenos, procurando-se 
conhecer se um é causa do outro. 
Descrever é narrar o que acontece. Nesse sentido, a pesquisa descritiva está interessada 
em descobrir e observar fenômenos procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los. 
Estudando o fenômeno, a pesquisa descritiva deseja conhecer a sua natureza, sua composição, 
processos que o constituem ou que nele se realizam. Para alcançar resultados válidos, a pesquisa 
necessita ser elaborada corretamente, submetendo-se às exigências do método científico. 
Nesse sentido, o problema será enunciado em termos de indagar se um fenômeno 
acontece ou não, que variáveis o constituem, como classificá-lo, que semelhanças ou diferenças 
existem entre determinados fenômenos, etc. Os dados obtidos devem ser analisados e 
interpretados e podem ser qualitativos, utilizando-se palavras para descrever o fenômeno como, 
por exemplo, em um estudo de caso. Esses dados também podem ser expressos mediante 
símbolos numéricos, como por exemplo, o total de alunos em uma determinada posição da 
escala, em uma pesquisa de opinião referente à metodologia utilizada no ensino da matemática. 
A pesquisa descritiva pode aparecer sob diversas formas, como por exemplo, pesquisa de 
opinião, onde se procura saber que atitudes, pontos de vista e preferências que as pessoas têm a 
respeito de um determinado assunto, com intuito, de geralmente, se tomar decisões sobreesse 
assunto. A pesquisa de opinião ou a pesquisa de atitude abrange uma faixa muito extensa de 
investigação, realizada com o objetivo de identificar falhas ou erros, descrever procedimentos, 
descobrir tendências, reconhecer interesses e valores enquanto que a pesquisa de motivação é 
conduzida para determinar as razões inconscientes e ocultas que levam, por exemplo, os alunos a 
um determinado produto educacional. 
 
Pesquisa Documental 
Na pesquisa documental, os documentos são investigados para que possamos descrever e 
comparar usos e costumes, tendências, diferenças, etc. Esse tipo de pesquisa é uma maneira de 
coleta de dados realizada a partir de documentos, escritos ou não, que visa caracterizar 
determinados eventos tal como aparecem nesses registros. Esses registros são denominados 
fontes documentais. 
As fontes documentais podem ser: 
 
 21 
a) Fontes Primárias ou de 1º Mão 
Essas fontes são compostas por documentos localizados em arquivos de instituições 
públicas e privadas, que ainda não foram trabalhados, investigados e pesquisados. Esses 
documentos incluem cartas pessoais, certidões, diários, fotos, gravações, memorandos, ofícios, 
regulamentos, boletins, etc. 
 
b) Fontes Secundárias ou de 2º Mão 
Essas fontes são compostas por documentos que, de alguma maneira, foram analisados, 
investigados e pesquisados, como por exemplo, os relatórios de pesquisa, os relatórios de 
empresas, os balanços, as tabelas, as estatísticas, os exercícios ou trabalhos corrigidos, etc. Os 
livros, as revistas, os jornais, as publicações avulsas, as monografias, os trabalhos de conclusão 
de curso, as dissertações e as teses também são consideradas como fontes secundárias. 
Nesse contexto, os documentos são fontes de dados, fixados materialmente e suscetíveis 
de serem utilizados para consulta, estudo ou prova. 
Os documentos podem ser classificados como: 
a) Manuscritos 
b) Impressos sem periodicidade, como por exemplo, os livros, os folhetos, os catálogos, 
os processos e os pareceres, etc. 
c) Periódicos, como por exemplo, as revistas, os boletins, os jornais, os anuários e 
demais documentos de divulgação periódica. 
d) Microfilmes e vídeos que reproduzem outros documentos. 
e) Mapas, plantas, documentos fotográficos, documentos magnéticos e informatizados. 
 
Fontes Documentais 
Os arquivos públicos abrangem os documentos oficiais, tais como leis, ofícios, relatórios, 
publicações parlamentares, como, por exemplo, as atas, os debates, os projetos de leis e os 
documentos jurídicos, oriundos de cartórios, como, por exemplo, os registros de nascimentos e 
mortes, desquites e divórcios, escrituras de compra e venda falências e concordatas e outros. 
Os arquivos particulares correspondem aos domicílios particulares nos quais se 
encontram as memórias, as autobiografias e os diários e, também as instituições de ordem 
 22 
privadas, tais como bancos, empresas, partidos políticos, igrejas, associações, nas quais se 
encontram as atas, os registros, as memórias e os comunicados. 
Existem ainda outras fontes, como por exemplo, as instituições públicas como as 
delegacias e postos voltados ao trabalho, as escolas e os hospitais, que possuem registros ou 
alistamentos. 
 
Fontes Estatísticas 
As fontes estatísticas são realizadas por órgãos específicos e especializados como o 
IBGE, o Instituto Gallup e o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). 
Devemos considerar também os órgãos específicos que mantêm um banco de dados 
especializados, como por exemplo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as Juntas 
Comerciais e outras, como os Conselhos federal e regionais de atividades profissionais 
regulamentadas e as Universidades. 
 
Fontes Bibliográficas 
As fontes bibliográficas fornecem aos pesquisadores diversos dados, exigindo uma 
manipulação e análises diferenciadas. Caracterizam-se como fontes desse tipo: 
 
 Imprensa Escrita 
Essa fonte é constituída por jornais e revistas, deve ser independente, ter conteúdo e 
orientação sem tendência, bem como difusão e influência, a análise deve ser realizada de maneira 
independente e, por fim, deve-se verificar se há grupos de interesse envolvidos no processo de 
pesquisa. 
 
 Meios Audiovisuais 
Esse tipo de mídia deve ser analisada com base nos mesmos itens especificados para a 
imprensa escrita. 
 
 Material Cartográfico 
Esses meios bibliográficos são específicos, de acordo com a linha de pesquisa e 
atualização no projeto, não havendo grandes restrições quanto ao seu emprego. 
 23 
 Publicações 
Os livros, as teses, as dissertações, as monografias, os trabalhos de conclusão de curso, as 
publicações avulsas, as pesquisas, entre outros, formam o conjunto de publicações básicas para 
as pesquisas científicas. 
 
As Fases da Pesquisa Documental 
 Determinar os objetivos. 
 Elaborar o plano de trabalho. 
 Identificar as fontes. 
 Localizar as fontes e obter o material. 
 Tratar os dados. 
 Confeccionar as fichas (fichamentos). 
 Redigir o trabalho. 
 
Distinções entre Pesquisa Documental e Pesquisa Bibliográfica 
A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. No entanto, a 
diferença essencial está na natureza das fontes, pois, enquanto a pesquisa bibliográfica utiliza as 
contribuições de diversos autores sobre determinados assuntos; a pesquisa documental apóia-se 
em materiais que não receberam ainda um tratamento analítico ou que ainda podem ser 
reelaborados de acordo com o objeto da pesquisa, como por exemplo, os exercícios, as 
avaliações e os trabalhos realizados para uma ou mais disciplinas de um determinado curso. 
 
Pesquisa Ex-post-facto 
Na pesquisa ex-post-facto tem-se um experimento que se realiza depois que os fatos 
ocorrem. Assim, esse tipo de pesquisa analisa situações que se desenvolvem naturalmente após 
algum acontecimento. Nesse experimento, o(a) pesquisador(a) não tem controle sobre as 
variáveis. Por exemplo, se em uma determinada cidade existem duas escolas com 
aproximadamente o mesmo tamanho, o mesmo tempo de fundação e características sócio-
culturais semelhantes e numa delas se utiliza uma estratégia pedagógica diferenciada para o 
ensino da matemática, as modificações curriculares que aí se produzirem podem ser atribuídas a 
esse fato. 
 24 
Esse tipo de pesquisa é muito utilizado nas ciências sociais, pois permite a investigação 
de determinantes econômicos e sociais do comportamento da sociedade em geral. Estuda-se um 
fenômeno ocorrido para explicá-lo e entendê-lo. 
 
As Fases da Pesquisa Ex-post-facto 
 Formulação do problema. 
 Construção das hipóteses. 
 Operacionalização das variáveis. 
 Localizar os grupos para a investigação. 
 Coletar os dados. 
 Analisar e interpretar os dados. 
 Apresentação das conclusões. 
 
Estudo de Caso 
O estudo de caso refere-se ao estudo minucioso e profundo de um ou mais objetos. O 
estudo de caso pode permitir novas descobertas de aspectos que não foram previstos 
inicialmente. Em outras palravas, o estudo de caso é caracterizado pela investigação profunda e 
exaustiva de um ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado 
conhecimento. Por tratar de fatos ou fenômenos normalmente isolados, o estudo de caso exige do 
pesquisador um grande equilíbrio intelectual e uma capacidade de observação maximizada, ou 
seja, um olho clínico, além de parcimônia e moderação quanto à generalização dos resultados. 
A delimitação da unidade-caso não é um tarefa simples, devendo ser observadas algumas 
regras, que permitem obter resultados significativos: 
 Buscar casos típicos, a melhor expressão do tipo idealda categoria. 
 Selecionar casos extremos, ideias dos limites dentro dos quais as variáveis podem 
oscilar. 
 Tomar casos marginais, pois permitem conhecer os casos normais e as possíveis 
causas do desvio. 
 O caso em estudo pode ser uma pessoa, uma família, uma comunidade, um conjunto 
de relações ou processos, como o conflito no trabalho, a segregação racial em uma 
comunidade ou até mesmo uma cultura. 
 25 
São características fundamentais do estudo de caso. 
 Visar a descoberta. 
 Enfatizar a interpretação em contexto. 
 Retratar a realidade completa e profunda. 
 Utilizar uma variedade de fontes de informação. 
 Revelar uma experiência vicária e permitir generalizações naturalísticas. 
 Representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa 
situação social. 
 Utilizar uma linguagem e uma maneira mais acessível do que os outros relatórios de 
pesquisa. 
Por exemplo, ao retratar o cotidiano escolar, em toda a sua riqueza, esse tipo de pesquisa 
oferece elementos preciosos para uma melhor compreensão do papel da escola e de suas relações 
com outras instituições da sociedade. 
 
As Fases do Estudo de Caso 
 Fase exploratória. 
 Delimitação da unidade-caso. 
 A coleta de dados. 
 A análise sistemática dos dados. 
 Interpretação dos dados. 
 A redação do relatório. 
 A prática do estudo de caso. 
 
Pesquisa-ação 
Esse é um tipo de pesquisa, com base empírica, que é concebida e realizada com uma 
estreita associação com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os 
participantes representativos da situação-problema estão envolvidos de modo cooperativo ou 
participativo. A pesquisa–ação acontece quando há interesse coletivo na resolução de um 
problema ou no suprimento de uma determinada necessidade. 
Pesquisadores e pesquisados podem se engajar em pesquisas bibliográficas, 
experimentos, etc., interagindo em função de um resultado esperado. Nesse tipo de pesquisa, os 
 26 
pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de maneira cooperativa. Convém 
salientar que a pesquisa-ação não se refere a um simples levantamento de dados ou de relatórios 
a serem arquivados. Com a pesquisa-ação os pesquisadores pretendem desempenhar um papel 
ativo na própria realidade dos fatos observados. 
A pesquisa-ação tende a ser desprovida de subjetividade que deve caracterizar os 
procedimentos científicos. Esse tipo de pesquisa vem sendo recomendada, sobretudo pelos 
pesquisadores identificados por ideologias reformistas e participativas. Na pesquisa-ação, o 
grupo do qual o(a) pesquisador(a) participa auxilia a definir os objetivos e o andamento da 
pesquisa. 
 
As Fases da Pesquisa-ação 
 Fase exploratória: contato preliminar com o campo em que será desenvolvida. 
 Formulação do problema. 
 Construção de hipóteses ou questões de pesquisa. 
 Realização de seminários: para recolher as propostas dos participantes e de 
especialistas convidados. 
 Seleção da amostra. 
 Coleta de dados. 
 Análise e interpretação dos dados: pode ser de maneira clássica ou por meio de novo 
seminário. 
 Elaboração do plano de ação. 
 Divulgação dos resultados. 
 
Plano de Ação 
A pesquisa-ação concretiza-se com o planejamento de uma ação destinada a enfrentar o 
problema que será investigado. Esse plano deve conter: 
 Os objetivos que se pretende atingir. 
 A população a ser beneficiada. 
 A natureza da relação da população com as instituições que serão afetadas. 
 A identificação das medidas que podem contribuir para melhorar a situação. 
 27 
 Os procedimentos a serem adotados para assegurar a participação da população e 
incorporar suas sugestões. 
 A determinação Dos modos de controle do processo e de avaliação de seus 
consultores. 
 
Pesquisas de Desenvolvimento 
Esse tipo de pesquisa estuda as mudanças ocorridas nas pessoas nas áreas cognitiva, 
afetiva ou psicomotora. As pesquisas de desenvolvimento podem ser: 
 
 Transversais: estuda um aspecto do desenvolvimento do ensino-aprendizagem com a 
utilização de grupos de alunos que estejam em diferentes estágios de 
desenvolvimento, como por exemplo, inteligência, cognição, leitura e linguagem. 
 
 Longitudinais: acompanha um grupo de alunos durante um determinado período de 
tempo, propondo-se a estudar seus diferentes estágios de desenvolvimento. 
 
 Transculturais: estuda fenômenos em diferentes grupos culturais a fim de verificar as 
peculiaridades de cada um desses grupos e as e as possíveis generalizações. 
 
Pesquisa de Levantamento 
Esse tipo de pesquisa caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo 
comportamento que se deseja conhecer. São coletadas informações de um grupo de pessoas 
acerca do problema estudado, que são analisadas quantitativamente dados para posterior 
publicação das conclusões. Quando todo o universo pesquisado fornece as informações tem-se o 
censo. Por exemplo, em uma pesquisa, existe a necessidade de realizar um levantamento para 
conhecer o perfil sócio-econômico-cultural dos alunos da rede municipal de ensino, ou de sua 
escola, ou da classe na qual você trabalha. Esse levantamento é importante para o planejamento 
do ensino e para elaboração de políticas públicas educacionais. 
 
As Fases da Pesquisa de Levantamento 
 Especificar os objetivos. 
 28 
 Operacionalizar os conceitos e as variáveis. 
 Elaborar os instrumentos de coleta de dados. 
 Pré-testar os instrumentos. 
 Selecionar a amostra. 
 Coletar e verificar os dados. 
 Analisar e interpretar os dados. 
 Apresentar os resultados. 
 
Pesquisa Participante 
A pesquisa participante assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre 
pesquisa e os membros das situações investigadas. A pesquisa-ação e a pesquisa participante não 
são sinônimos, embora, às vezes, sejam tratadas como se o fossem. A pesquisa-ação supõe uma 
um modo planejado, de caráter social, educacional e técnico enquanto que e a pesquisa 
participante envolve a distinção entre a ciência popular e a ciência dominante, atividade que 
privilegia a manutenção do sistema vigente, comprometido com a minimização da relação entre 
dirigentes e dirigidos. Por essa razão tem-se voltado, sobretudo, para a investigação junto a 
grupos desfavorecidos, tais como os constituídos por operários, camponeses, indígenas, negros e 
alunos portadores de necessidades especiais. Na pesquisa participante, o(a) pesquisador(a) 
participa do grupo que está pesquisando. 
 
As Etapas da Pesquisa Participante 
A pesquisa participante é desenvolvida em quatro etapas: 
 
1) A Montagem Institucional e Metodológica 
 Determinação das bases teóricas. 
 Determinação das técnicas de coletas de dados. 
 Delimitação da região a ser estudada. 
 Organização do processo com a identificação dos colaboradores, a distribuindo das 
tarefas e a partilha de decisões. 
 Preparação dos pesquisadores. 
 Elaboração do cronograma de atividades. 
 29 
2) Estudo Preliminar e Provisório da Região e da População Pesquisadas 
 Identificar a estrutura social da população. 
 Descobrir o universo vivido pela população. 
 Recensear os dados sócio-econômicos. 
 
3) Análise Crítica dos Problemas 
 Formação de grupo de estudo. 
 Reformulação mais objetiva do problema: descrição, identificação das causas e 
formulação das hipóteses de ação. 
 
4) Elaboração e Aplicação do Plano de Ação 
 A análise mais adequada do problema estudado. 
 A melhoria imediata da situação em nível local. 
 A melhoria, a médio e longo prazo, em nível local ou mais amplo. 
 
Características da Pesquisa ParticipanteÉ característica da pesquisa participante que os pesquisadores adotem preferencialmente 
técnicas qualitativas de coleta de dados e também uma atitude positiva de escuta e de empatia. 
Essa abordagem implica em conviver com a comunidade, partilhar o seu cotidiano e ouvir. 
Nesse sentido, devemos: 
 Ver em vez de tomar notas ou fazer registros. 
 Observar em vez de filmar. 
 Sentir, tocar em vez de estudar. 
 Viver junto em vez de visitar. 
Contudo, devemos tomar cuidado com a subjetividade, pois precisamos lembrar sempre 
de que lado estamos e buscarmos técnicas estruturadas para adotar quadros teóricos de análise do 
assunto ou tema que está sendo pesquisado. 
 
Pesquisa da História Oral 
No Brasil, há uma quantidade significativa de trabalhos que utilizam a História Oral 
como instrumento de pesquisa e como fonte documental nas ciências humanas. Entretanto, 
 30 
existem ainda dificuldades no sentido de circunscrever, mais precisamente, as particularidades 
dessa metodologia de trabalho. O debate sobre a História Oral possibilita reflexões sobre o 
registro dos fatos na voz dos próprios protagonistas. Utiliza-se de metodologia própria para a 
produção do conhecimento. Sua abrangência, além da pedagógica e interdisciplinar, está 
relacionada ao seu importante papel na interpretação do imaginário e na análise das 
representações sociais. 
A História Oral é um método de pesquisa que utiliza a técnica da entrevista e outros 
procedimentos articulados entre si, no registro de narrativas da experiência humana. A história 
oral é uma técnica e uma fonte, por meio das quais se produz conhecimento. Camargo (1994) 
afirma que a História Oral é uma fonte, um documento, uma entrevista gravada que pode ser 
utilizada da mesma maneira que uma notícia do jornal ou uma referência em um arquivo ou em 
uma carta. 
De abrangência multidisciplinar, a História Oral tem sido sistematicamente utilizada por 
diversas áreas das ciências sociais, como por exemplo, a História, a Sociologia, a Antropologia, a 
Lingüística e a Psicologia, entre outras. 
 
Pesquisa Etnográfica 
A etnografia é a descrição de um sistema de significados culturais de um determinado 
grupo. O trabalho etnográfico é aquele, que, quando lido pelas pessoas, elas conseguem 
interpretar aquilo que ocorre no grupo estudado tão apropriadamente como se pertencessem ao 
próprio grupo. Por exemplo, uma abordagem etnográfica do cotidiano de uma escola pública de 
ensino fundamental nos permite entender o fracasso escolar em matemática dos alunos dessa 
escola. 
A abordagem etnográfica na pesquisa educacional pode ser definida como a descrição de 
um sistema de significados culturais de um determinado grupo cultural. Assim, a utilização da 
etnografia em educação deve desenvolver uma preocupação em pensar o ensino e a 
aprendizagem dentro de um contexto cultural amplificado. 
 
a) Os critérios para a utilização da pesquisa etnográfica são: 
 O problema é redescoberto no campo. 
 O(a) pesquisador (a) deve realizar a maior parte do trabalho de campo pessoalmente. 
 31 
 O trabalho de campo deve durar pelo menos um ano escolar. 
 O pesquisador deve ter toda uma experiência com os povos de outras culturas. 
 
b) A abordagem etnográfica combina vários métodos de coleta: 
 A observação direta das atividades. 
 As entrevistas com os informantes. 
 
c) O relatório etnográfico apresenta uma grande quantidade de dados primários, além de 
descrições acuradas que inclui histórias, canções e desenhos. 
O(a) pesquisador(a) desenvolve a sua investigação passando por três etapas: 
 Exploração: o(a) pesquisador(a) seleciona e define o problema, escolhe o local, 
mantém contatos e realiza as primeiras observações. 
 Decisão: o(a) pesquisador(a) busca uma coleta de dados mais sistemática e seleciona 
aquelas que sejam mais importantes para o estudos. 
 Descoberta: o(a) pesquisador(a) tenta explicar a realidade, desenvolve teorias, analisa 
um contexto mais amplo, propondo soluções e alternativas. 
Nesse tipo de pesquisa, o(a) pesquisador(a) deve ser: 
 Capaz de tolerar ambigüidades. 
 Capaz de trabalhar sob sua própria responsabilidade. 
 Capaz de inspirar confiança. 
 Pessoalmente comprometido e autodisciplinado. 
 Sensível a si mesmo e aos outros. 
 Maduro e consistente. 
 Capaz de guardar informações confidenciais 
 Solicitar que os sujeitos assinem o termo de consentimento de participação da 
pesquisa. 
 
 
 
 
 32 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO 
 
Eu, ____________________________________________________________________, abaixo 
assinado, ciente dos objetivos da pesquisa intitulada ___________________________________ 
__________________________________________, conduzida por ______________________ 
_____________________________________________________________________________, 
aluno(a) do Curso de Licenciatura em Matemática, do Centro de Educação Aberta e a Distância 
(CEAD) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e orientado(a) do(a) Prof.(a) 
_____________________________________________________________________, concordo 
em participar da referida pesquisa e permito a realização de filmagens e demais registros em 
situações previamente combinadas com a pesquisadora. 
Concordo, também com a divulgação dos resultados provenientes da pesquisa, com fins 
científicos, sendo resguardado o direito de sigilo à minha identidade pessoal e das demais 
pessoas participantes da pesquisa. 
 
Cidade, Estado, Data 
___________________________________ 
Assinatura 
 
 
Estágio-pesquisa 
Uma das exigências de alguns cursos é o estágio a ser desenvolvido como parte das 
atividades dos alunos, que é geralmente denominado de estágio supervisionado. De acordo com a 
legislação básica que o regulamenta, o estágio supervisionado foi criado com o objetivo de 
aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem, fornecendo aos alunos a oportunidade de 
desenvolverem atividades relacionadas ao ensino, à pesquisa e a extensão por meio da execução 
de trabalhos práticos com a aplicação dos conhecimentos adquiridos no curso. 
 
 
 
 33 
Planejamento de Estágio 
É o planejamento preparatório para direcionar as atividades dos alunos, permitindo o 
monitoramento de suas tarefas e possibilitando os ajustes que se fizerem necessários para atingir 
os objetivos acadêmicos e as necessidades da organização que serve de campo de estágio. O 
plano de estágio deve ser formulado com flexibilidade para melhor se adequar às contingências 
das situações encontradas nas organizações. 
A elaboração do plano de estágio é o exercício prático do processo de planejamento, 
levando os alunos a realizarem uma reflexão dos seus propósitos no estágio e uma revisão das 
teorias pertinentes à área na qual pretende aprofundar os seus estudos. Portanto, o próprio 
desenvolvimento do plano de estágio contribui para o aperfeiçoamento da aprendizagem e resulta 
em uma oportunidade de utilização correta das normas do trabalho científico. 
O estágio supervisionado pode ser desenvolvido na maneira de estágio-pesquisa na 
instituição escolhida, isto é, elaborado a partir de um tema de interesse das partes, devidamente 
problematizado e desenvolvido dentro dos parâmetros da pesquisa científica. É uma ideia-
proposta que pode ser apresentada pelos interessados e discutida com o(a) docente responsável 
pelo estágio supervisionado. 
No estágio-pesquisa, o relatório de trabalho normalmente é instituído com o intuito de: 
 Possibilitar aos alunos o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa sobre um tema 
relevante em sua área. 
 Familiarizar os alunos com as exigências metodológicas da elaboração de um trabalho 
de iniciaçãocientífica. 
 Proporcionar aos alunos a utilização do referencial teórico das disciplinas no estudo 
de problemas relevantes da sua área. 
Metodologicamente, para o desenvolvimento desse relatório, voltado para o cumprimento 
de obrigação acadêmica, pode-se adotar um tipo de relatório equivalente àquele exigido no 
estágio supervisionado. 
 
Considerações Finais 
A pesquisa científica constitui-se em um conjunto de procedimentos que visam produzir 
um novo conhecimento e não reproduzir, simplesmente, o que se sabe sobre um dado objeto em 
um determinado campo do conhecimento humano. De acordo com esse enfoque, Demo (1987) 
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afirma que a "pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade" (p. 23). 
Contudo, devemos observar que a realidade social é o alvo de investigação das ciências humanas 
e sociais que estão relacionadas com o setor educacional. 
Quanto às operações intelectuais envolvidas no processo de investigação, Salomon 
(2001) define a pesquisa como um "trabalho empreendido metodologicamente, quando surge um 
problema, para o qual se procura a solução adequada de natureza científica" (p. 152). Diante 
dessa perspectiva, podemos afirmar que a pesquisa é, portanto, a investigação de um problema 
(teórico ou empírico) realizada a partir de uma metodologia (que envolve tanto modos de 
abordagem do problema quanto os procedimentos de coleta de dados), cujos resultados devem 
ser válidos, embora a provisoriedade seja uma característica do conhecimento científico. Então, 
uma vez definida a pesquisa, precisamos indagar sobre quais são as razões para a sua realização. 
De acordo com Richardson (1989, p. 16-17), os cientistas e pesquisadores sociais 
pesquisam para: 
a) Resolver problemas sociais. 
b) Formular novas teorias. 
c) Criar novos conhecimentos. 
d) Testar teorias existentes em um determinado campo científico. 
 
As razões apontadas acima são válidas para quase todas as ciências humanas e sociais. 
No entanto, devemos elencar as razões para se pesquisar em Educação: 
a) Gerar conhecimento sobre o processo de planejamento, organização, 
acompanhamento e controle que ocorrem nas escolas. 
b) Aumentar a eficiência e eficácia do projeto político pedagógico dessas instituições. 
c) Estudar intervenções pedagógicas que possam melhorar o nível de aprendizado dos 
alunos em todas as disciplinas, principalmente aquelas relacionadas com a Educação 
Matemática. 
 
Contudo, o(a) pesquisador(a) não pode perder o seu foco dos aspectos que motivam toda 
pesquisa científica, ou seja, a melhoria das condições de aprendizado de todos os envolvidos no 
processo educacional bem como o desenvolvimento social desses indivíduos. 
 
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Referências 
ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo, SP: Atlas, 
2006. 
CAMARGO. A. História oral e política. In FERREIRA. M. de M. (Org.). História oral e 
multidisciplinaridade. Rio de Janeiro, RJ: CPDOC/Diadorim/FINEP, 1994. p. 78. 
CERVO, A.; BERVIAN, P. Metodologia científica. São Paulo, SP: Prentice Hall, 2004. 
DEMO, P. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de 
Habermas. Rio de Janeiro, RJ: Tempo Brasileiro, 1994. 
DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. São Paulo, SP: Cortez, 1996. 
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. São Paulo, SP: Atlas, 1994. 
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2007. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo, SP: 
Atlas, 2007. 
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. São Paulo, SP: Atlas, 2007. 
RICHARDSON, J. R. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo, SP: Atlas, 1989. 
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo, SP: Cortez, 2006. 
SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1996. 
TACHIZAWA, T. e MENDES, G. Como fazer monografia na prática. 12 ed. Rio de 
Janeiro: Editora FGV, 2006.

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