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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
AYANNE NATHÁLIA DE SOUZA ARAÚJO
DISSEMINAÇÃO DAS FACÇÕES CRIMINOSAS NO SISTEMA PENITENCIÁRIO: UM ESTUDO DE CASO NO PRESÍDIO DO SERROTÃO
CAMPINA GRANDE – PB
2019
AYANNE NATHÁLIA DE SOUZA ARAÚJO
DISSEMINAÇÃO DAS FACÇÕES CRIMINOSAS NO SISTEMA PENITENCIÁRIO: UM ESTUDO DE CASO NO PRESÍDIO DO SERROTÃO
Projeto de Pesquisa apresentado ao Comitê de Ética em pesquisa envolvendo seres humanos da Universidade Estadual da Paraíba, como requisito para a autorização do estudo.
Orientador: Prof. Dr. Luciano de Almeida Maracajá
CAMPINA GRANDE - PB
2019 
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 	4 
2 TEMA 	6
2.1 PROBLEMA 	6
2.2 HIPÓTESE 	7
2.3 RISCOS 	8
2.4 BENEFÍCIOS 	9
2.5 DESFECHO PRIMÁRIO 	9
3 OBJETIVOS 	9
3.1 GERAL 	9
3.2 ESPECÍFICOS 	9
4 JUSTIFICATIVA 	10
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 	11
5. FACETAS DA CRIMINALIDADE PARAIBANA: FACÇÕES CRIMINOSAS 	11
5.2 A ASCENÇÃO DA OKAIDA: “CERTO PELO CERTO” 	12
5.3 DISSIDÊNCIA DA OKAIDA: OKAIDA RB 	15
5.4 NOVA OKAIDA 	20
6 METODOLOGIA 	23
6.1 MÉTODOS CIENTÍFICOS 	23
6.2 TIPO DE PESQUISA 	23
6.3 TÉCNICAS DE PESQUISA 	24
6.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 	25
7 CRONOGRAMA 	26
 REFERÊNCIAS 	27
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Marca da Okaida na Escola Municipal José Virginio de Lima	14
Figura 2: Código de Conduta da OKD RB	17
Figura 3: Comemoração do Aniversário da Okaida RB	18
Figura 4: Gravação dentro do sistema prisional	19
Figura 5: Demarcação de território da Nova Okaida através de pichações.	22
1 INTRODUÇÃO
O presente projeto de pesquisa intitulado: DISSEMINAÇÃO DAS FACÇÕES CRIMINOSAS NO SISTEMA PENITENCIÁRIO: UM ESTUDO DE CASO NO PRESÍDIO DO SERROTÃO”, tem como objetivo geral analisar a possível relação entre o cárcere do Serrotão e o recrutamento dos soldados do crime componentes das Facções Criminosas.
As facções brasileiras são organizações criminosas que ocupam espaço e ditam regras comportamentais através dos seus estatutos e ideologias disseminadas entre seus membros, nas comunidades e nos cárceres em que atuam, na Paraíba não é diferente e observa-se uma presença muita forte de duas Facções predominantes, quais sejam, Okaida (ODK) e Estados Unidos (EUA). 
O principal foco das facções paraibanas é o domínio das atividades ilícitas dentro e fora dos cárceres, sendo o tráfico de drogas o denominador comum de todos os crimes cometidos, assim como nas demais organizações criminosas existentes no país. Questiona-se então, a possível relação entre o cárcere do Serrotão e o recrutamento de componentes para as Facções Criminosas atuantes no estado da Paraíba e qual o melhor método para combater a disseminação das Facções na esfera do sistema penitenciário?
As Facções Criminosas legitimam-se principalmente nas áreas desdenhadas pelo Estado; inicialmente nos presídios oferecendo uma paz negociada nas áreas prisionais e posteriormente expandindo seus tentáculos extramuros, atingindo as comunidades, disponibilizando justiça e segurança eficiente, conforme entrevista cedida no dia 24 de maio de 2019 por Gabriel Feltran ao site Gazeta do Povo.
A globalização também constitui-se como uma propulsora do Crime Organizado, a aproximação entre as nações possibilitou uma integração extremamente rápida, favorecendo ao mercado lícito e também ao ilícito.
Nessa perspectiva de trabalho e tentando responder, de forma provisória, o questionamento acima, apresenta-se a seguinte hipótese: A Legislação em si não é suficiente para combater os problemas relacionadas a 
violência e a disseminação das Facções Criminosas, somente a participação popular impulsionada pelo senso de justiça social, buscando combater desigualdades e a implementação de políticas que dignifiquem o homem através do emprego, da moradia, da saúde, da educação, do lazer etc., associada ao empenho de todos os entes estatais, bem como aos órgãos internacionais de combate ao crime organizado serão capazes de ceifar as Facções Criminosas Brasileiras. 
A elaboração de uma proposta de pesquisa comumente pressupõe que o pesquisador deva possuir minimamente uma relação de proximidade com o tema por ele escolhido. No presente caso tal vínculo se materializa pelo fato da interessada ter morado por muito anos em uma área onde o tráfico é dominado pela Facção Criminosa intitulada de “Okaida” ou tão somente OKD. Naturalmente, dada à circunstância descrita, surge o interesse pelo debate já apresentado.
Além do interesse pessoal, a investigação do problema no sistema prisional no tocante as facções criminosas reveste-se de fundamental importância, pois poderá demonstrar: os motivos que levaram os encarcerados a ingressarem nestas organizações criminosas; o caminho percorrido pelos apenados até as celas da Cadeia; a possível relação entre o cárcere do Serrotão e a disseminação das facções criminosas, as perspectivas dos apenados após o cumprimento de suas sentenças e por fim, alternativas para o combate das Facções Criminosas. 
A insegurança jurídica proveniente da disseminação desenfreada das Facções Criminosas no território paraibano, tanto fora, quanto dentro dos presídios, precisa ser urgentemente encarada de frente pelos que se dedicam à temática da segurança pública. Trata-se de um assunto por si só extremamente relevante e carece de maior atenção por parte do Estado e da Comunidade Acadêmica, das quais obviamente se espera um maior número de pesquisas, proposições e intervenções que busquem viabilizar soluções concretas. 
2 TEMA 
Disseminação das Facções Criminosas no Sistema Penitenciário: Um estudo de caso no Presídio do Serrotão.
	
2.1 PROBLEMA 
De acordo com o Relatório “País estagnado: um retrato das desigualdades brasileira – 2018”, elaborado pela organização não governamental Oxfam Brasil, que tem por principal objetivo combater as desigualdades, pobrezas e injustiças no cenário mundial, o Brasil ocupa a 9° posição no quesito de país mais desigual do mundo. A Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 explicita em seu artigo 5° a Igualdade como um Direito Fundamental, ao denegá-lo acaba-se por ver outros direitos básicos prejudicados, tais como, a educação, a saúde, a segurança, o lazer, o transporte, a moradia e como consequência disto, a sociedade no geral é atingida por reflexos negativos.
Dentre as hipóteses elaboradas por Adorno (2002) para o aumento do índice da violência temos a desigualdade social e a segregação humana como propulsoras de tal fato. Neste mesmo sentido, Lopes Junior (2009), aponta a desigualdade social como um dos grandes erros geradores de violência. No entanto, cabe enfatizar que a violência possui diversas facetas, não extinguindo suas razões de ser somente na Desigualdade social; ainda de acordo com ensinamentos do mesmo autor, as causas da violência no dia-a-dia da sociedade contemporânea estão relacionadas a diversos fenômenos culturais e as reações violentas que estas podem fazer um indivíduo tomar em uma situação de divergência.
Entender as razões do fenômeno violência é por demais complexo, vários fatores são capazes de desencadeá-la, contudo, a omissão do Estado no tocante ao desenvolvimento eficaz de políticas públicas promovedoras de direitos fundamentais e sociais tanto no seio das comunidades como no sistema prisional contribuem demasiadamente para o desenvolvimento do crime. 
As causas da violência urbana e da criminalidade estão, entre outras, no desordenamento das metrópoles e a consequente falta de saneamento, de habitação, de escolas e de hospitais, bem como vê-se no desemprego e na desagregação familiar ressaltante contribuição para o aumento da criminalidade e da violência que assolam as cidades brasileiras, pois não é inegável que, devido a miséria e a promiscuidade em que se vive nasfavelas, para o crime, a distância é praticamente inexistente. (Batista, 2015, p.50)
Atualmente o Brasil encontra-se inserido em um contexto de crescente violência e ascensão do crime organizado, sendo as Facções Criminosas uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos profissionais de segurança pública, levando em consideração que a ascensão do crime denigre a atuação estatal e colocam a sociedade em risco. 
O problema a que esta pesquisa pretende colaborar para debate futuro, é investigar a possível relação entre o cárcere do Serrotão e o recrutamento de componentes para as Facções Criminosas atuantes no estado da Paraíba e e entender qual o melhor método para combater a disseminação das Facções na esfera do sistema penitenciário? 
2.2 HIPÓTESE
As Facções Criminosas são organizações que buscam o domínio das atividades ilícitas dentro e fora do sistema penitenciário, dotadas de ideologias e estatutos tiveram como berço o íntimo dos cárceres, legitimando-se principalmente nas áreas desdenhadas pelo Estado; inicialmente nos presídios oferecendo uma paz negociada nas áreas prisionais e posteriormente expandindo seus tentáculos extramuros, atingindo as comunidades, disponibilizando justiça e segurança eficiente, conforme entrevista cedida no dia 24 de maio de 2019 por Gabriel Feltran ao site Gazeta do Povo.[1: GAZETA DO POVO. Como nascem facções como PCC e Comando Vermelho, alvos preferenciais de Moro. 2019. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/republica/como-nascem-faccoes-como-pcc-e-comando-vermelho-alvos-preferenciais-de-moro/>. Acesso em: 12 set. 2019.]
A globalização também constitui-se como uma propulsora do Crime Organizado, a aproximação entre as nações possibilitou uma integração extremamente rápida, favorecendo ao mercado lícito e também ao ilícito.
Nessa perspectiva de trabalho e tentando responder, de forma provisória, o questionamento acima, apresenta-se a seguinte hipótese: A Legislação em si não é suficiente para combater os problemas relacionados a violência e a disseminação das Facções Criminosas, somente a participação popular impulsionada pelo senso de justiça social, buscando combater desigualdades e a implementação de políticas que dignifiquem o homem através do emprego, da moradia, da saúde, da educação, do lazer etc., associada ao empenho de todos os entes estatais, bem como aos órgãos internacionais de combate ao crime organizado serão capazes de ceifar as Facções Criminosas Brasileiras. 
2.3 RISCOS
Toda pesquisa que envolve seres humanos apresenta riscos em maior ou menor proporção a depender do caso concreto.
A técnica de pesquisa a ser utilizada no estudo em questão será a entrevista semi-estruturada, utilizando-se de um roteiro previamente elaborado. Citando Manzini (1990) esse tipo de entrevista pode fazer emergir informações de forma mais livre e as respostas não estão condicionadas a uma padronização de alternativas. 
Alguns riscos e danos são inerentes a este tipo de abordagem, tais quais: A quebra de sigilo; o cansaço ou aborrecimento ao responder os questionamentos; a discriminação e estigmatização a partir do conteúdo revelado; a resposta a questões sensíveis, tais como os motivos que levaram o sujeito a ingressar nas facções criminosas e as perspectivas do apenado ao cumprirem suas penas. 
2.4 BENEFÍCIOS
Estima-se que as Facções Criminosas ocupam lacunas deixadas pelo estado, legitimando-se incialmente nos cárceres e posteriormente nas comunidades, assim um estudo que busque a verificação entre a arregimentação de faccionados no ambiente do sistema penitenciário produz benefícios potenciais tanto para os presos quanto para a sociedade, possibilitando a demonstração de métodos eficazes para o combate das organizações criminosas, através da dignificação do apenado. 
2.5 DESFECHO PRIMÁRIO
Estima-se que esta pesquisa contribuirá para agregar conhecimentos a respeito da facção criminosa que mais cresce na Paraíba, Okaida, e sua possível disseminação no Complexo Penitenciário do Serrotão. Possibilitar a reflexão da importância de falarmos sobre os organizações criminosas como o intuito de compreender esses organizamos e posteriormente dizimá-las. 
3 OBJETIVOS 
3.1 GERAL 
Analisar a possível relação entre o cárcere do Serrotão e o recrutamento dos soldados do crime componentes das Facções Criminosas.
3.2 ESPECÍFICOS
Investigar possíveis divisões de facções criminosas por alas dentro do presídio;
Explicar as razões que motivaram a adesão dos soldados do crime ao universo das Facções Criminosas;
Identificar os critérios utilizados para “seleção” de determinados encarcerados que são cooptados para integrar as Facções Criminosas; 
Verificar as perspectivas dos apenados após o cumprimento de suas sentenças.
Apontar alternativas que possibilitem o combate das Facções Criminosas.
4 JUSTIFICATIVA
A elaboração de uma proposta de pesquisa comumente pressupõe que o pesquisador deva possuir minimamente uma relação de proximidade com o tema por ele escolhido. No presente caso tal vínculo se materializa pelo fato da interessada ter morado por muito anos em uma área onde o tráfico é dominado pela Facção Criminosa intitulada de “Okaida” ou tão somente OKD. Naturalmente, dada à circunstância descrita, surge o interesse pelo debate já apresentado.
Além do interesse pessoal, a investigação do problema no sistema prisional no tocante as facções criminosas reveste-se de fundamental importância, pois poderá demonstrar: os motivos que levaram os encarcerados a ingressarem nestas organizações criminosas; o caminho percorrido pelos apenados até as celas da Cadeia; a possível relação entre o cárcere do Serrotão e a disseminação das facções criminosas, as perspectivas dos apenados após o cumprimento de suas sentenças e por fim, alternativas para o combate das Facções Criminosas. 
A insegurança jurídica proveniente da disseminação desenfreada das Facções Criminosas no território paraibano, tanto fora, quanto dentro dos presídios, precisa ser urgentemente encarada de frente pelos que se dedicam à temática da segurança pública. Trata-se de um assunto por si só extremamente relevante e carece de maior atenção por parte do Estado e da Comunidade Acadêmica, das quais obviamente se espera um maior número de pesquisas, proposições e intervenções que busquem viabilizar soluções concretas. 
 
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
5.1 FACETAS DA CRIMINALIDADE NA PARAÍBA: FACÇÔES CRIMINOSAS
As facções brasileiras são organizações criminosas que ocupam espaço e ditam regras comportamentais através dos seus estatutos e ideologias disseminadas entre seus membros, nas comunidades e nos cárceres em que atuam, na Paraíba não é diferente e observa-se uma presença muita forte de duas Facções predominantes, quais sejam, Okaida (ODK) e Estados Unidos (EUA). 
Estima-se que a Okaida foi criada a mais de uma década e em paralelo a ela cresceu o seu rival, os Estados Unidos, com o principal objetivo de fazer frente e ser também um concorrente no mercado do crime. Machado (2019) explica que Okaida é uma forma abrasileirada do nome da rede terrorista que foi comandada por Osama bin Laden, a Al-Qaeda, mas a versão brasileira não tem nenhum aspecto religioso por trás. 
Já o nome Estados Unidos, faz alusão a rivalidade existente entre o país norte-americano e o grupo terrorista em razão do Atentado as Torres gêmeas ocorrido em 11 de Setembro de 2001.
Entrevista cedida pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos a  British Broadcasting Corporation (BBC NEWS) no dia 10 de fevereiro de 2017, deu de conta que as Facções Criminosas Okaida e Estados Unidos disputam o comando no Narcotráfico na Paraíba e tencionam o sistema penitenciário, os dois grupos reproduzem o modelo de outras facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), dando proteção aos integrantes presos, que também é estendida aos familiares mais desamparados do lado de fora, sustentada pelo pagamento de um dízimo. 
Em suma, o principal foco das facções criminosas paraibanas é o domíniodas atividades ilícitas dentro e fora dos cárceres, sendo o tráfico de drogas o denominador comum de todos os crimes cometidos, assim como nas demais organizações criminosas existentes no país. 
Para Machado (2019) o crescimento da Okaida praticamente suplantou sua rival em número e força, mesmo os Estados Unidos ocupando alguns poucos bairros e pavilhões de cadeias. 
5.2 A ASCENÇÃO DA OKAIDA: “CERTO PELO CERTO”
Sob o Lema “Certo pelo Certo”, não é possível definir com precisão a data da fundação da Okaida, contudo, tem-se conhecimento de que a facção criminosa que mais cresce na Paraíba teve como berço a capital João Pessoa, mais precisamente no íntimo dos seus cárceres, conforme apontado pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos em reportagem : 
“Não existe uma data concreta e específica do surgimento das facções. Temos informes que entre 2007 e 2009 iniciaram-se os rumores de que alguns presos estavam se organizando em forma de Facções. Isso é uma certeza que se tem. Até porque pessoas apontadas como líderes estavam presas. Por isso acreditamos que a Okaida tenha começado primeiro, por volta de 2008, conclui o comandante Carlos Eduardo.” (GIOVANNI, 2017, p.1)
Diferente do processo de formação das primeiras Facções Criminosas Brasileiras, que alimentaram-se das lacunas deixadas pelo Estados, principalmente no âmbito do Sistema Penitenciário, a Okaida não nasceu como forma de resistir a um Estado segregador e nem a uma sociedade arbitrária que acredita e propaga a ideia de que “bandido bom, é bandido morto”, desde o primeiro momento o principal intuito deste grupo, foi organizar e monopolizar o crime na Paraíba, contudo, é de grande valia ressaltar que o ambiente hostil e superlotado das cadeias facilita consideravelmente a propalação da facção e o recrutamento de novos membros. 
No dia 19 de outubro de 2012 a revista eletrônica “Isto É independente” publicou uma matéria nomeada de “PCC rompe fronteiras”, demonstrando que a atuação desta facção já havia ultrapassado os limites Paulista e ganhava força em todo o território nacional, Costa (2012) descreveu que a principal forma de aproximação entre integrantes da facção paulista e criminosos de outros Estados é a convivência no sistema penitenciário. 
Por ocasião desta mesma matéria, expôs ainda que integrantes do Primeiro Comando da Capital adotaram a prática de assaltos a bancos da região Nordeste e começaram a distribuir armas e drogas para criminosos locais. Observa-se assim a amistosidade do PCC em relação ao recrutamento de “parceiros do crime”.
Com essa aproximação, nos últimos anos surgiram espécies de franquias do crime, a exemplo da Comissão da Paz, na Bahia, ou Al-Qaeda, na Paraíba. Não significa que o PCC domina o submundo desses locais, e sim que exerce influência por meio de parcerias criminosas. (COSTA, 2012, p.1)
O STB BRASIL publicou em novembro de 2013 uma reportagem sobre a aliança do PCC com uma quadrilha paraibana, a saber, Estados Unidos, nesta mesma oportunidade o Setor de Inteligência dos presídios apontou Rossevelt Antônio da Silva, vulgo “Miramar” como Chefe da Okaida, o qual explicou a guerra com o PCC: “Eles já dominaram vários estados, falta a Paraíba que eles não conseguiram ainda dominar aqui o estado”, indagado se: “Pra você estava claro que o PCC pretendia dominar o estado?”, Miramar respondeu: “É, como nós criamos a Okaida não aceitamos virar PCC, mas agora são aliados aos Estados Unidos, no começo quando criamos a Facção houveram desavenças, mataram um parceiro nosso nas ruas e houveram cobranças.”
Corroborando este fato, Leandro Lima da Silva, vulgo Léo Branco, indicado como líder da Facção Estados Unidos afirma que: “Dizem que o pessoal da Okaida matou alguns integrantes do PCC e por conta disso há uma guerra declarada entre eles.”
A partir daí, a Okaida cresceu em número e força. Em entrevista a Andrade (2017) tenente-coronel Carlos Eduardo Santos informou que a Facção Okaida na Paraíba possuía aproximadamente 15 mil membros, sendo 9,1 mil pertencentes à população carcerária. Três anos depois, em 2017, a Secretaria de Administração Penitenciária apurou que a população carcerária saltou de 12,2 mil membros e o número de filiados a Facção fora do presídio cresceu de 6 mil para sete mil membros.
Algumas características são inerentes a Organização Criminosa Paraibana, seus membros costumam tatuar a imagem de um palhaço (bobo da corte) ou de Chucky (brinquedo assassino), outro ponto bem próprio da Facção são as pichações em muros como forma de demarcação de territórios.
	
Figura 1: Marca da Okaida na Escola Municipal José Virginio de Lima
Fonte: Arquivo pessoal da autora (2019)
Entrevista cedida pelo promotor Manoel Cacimiro Neto, a BBC NEWS em 2019, deu de conta que a Okaida não possui uma estrutura hierarquizada rígida, a exemplo do PCC, apesar de existirem chefes com maior influência, a facção “pulverizou” o poder em vários territórios. 
Desentendimentos entre membros da organização criminosa resultaram na dissidência da Okaida, nasce assim, a Okaida RB, considerada muito mais forte pelos agentes de segurança pública, em entrevista fornecida pelo Delegado Braz Marroni a rádio Arapuan Verdade em 6 de dezembro de 2018 ele passou a explanar que foi possível contemplar no decorrer das investigações que esse novo grupo, liderado por Ró Psicopata e Betinho é ainda mais forte e violento que o original, tendo em vista que muitos criminosos mudaram de Facção.
5.3 DISSIDÊNCIA DA OKAIDA: OKAIDA RB
Há controvérsias no tocante ao real motivo da divisão da Okaida, em 18 de abril de 2019, o site BBC NEWS publicou informações prestadas pelo Delegado Braz Marroni, apontando que alguns integrantes do grupo ficaram descontentes com o então chefe da organização, o detento André Quirino da Silva, conhecido como Fão, em decorrência dos abusos cometidos pelo referido, ordenando a matança de membros importantes da própria Facção por motivos banais.
No entanto Barbosa (2019) afirma que a Okaida da Paraíba sempre foi aliada ao Sindicato do Crime, Facção Potiguar, e juntos atuam tanto no tráfico de drogas, quanto em operações do Novo Cangaço (Modalidade de assalto a bancos), formando o conjunto Anti-PCC. 
Ocorre que a Okaida declarou guerra ao Comando Vermelho (CV), sendo que a Aliança entre o Sindicato do Crime o CV estava bastante consolidada. 
Inicialmente o Sindicato do Crime optou por ficar neutro nessa guerra, a facção potiguar abastecia com drogas grande parte dos integrantes da Okaida e o André Quirino da Silva, “Fão”, da Okaida cobrava pedágio para esse fornecimento. Porém os principais fornecedores do Sindicato do Crime são do CV e passaram a cobrar uma posição do Sindicato do Crime. (BARBOSA, 2019, n.p)
Neste contexto, buscando pôr fim ao conflito, o Sindicato do Crime incitou a dissidência da Okaida. 
De concreto temos que a nova facção da Paraíba foi criada dia 17 de Agosto de 2017 e adotou a denominação de OKAIDA RB (ODK RB), em alusão as abreviaturas dos nomes dos seus instituidores, Robson Machado de Lima, “Ró” e José Roberto Batista dos Santos, “Betinho”. A interessante constatação deste novo cenário é que ambos os fundadores da nova facção são presidiários e cumprem pena por tráfico de drogas e homicídios, no presídio federal de Mossoró e no Presídio PB1, respectivamente. O primeiro artigo do Estatudo desta organização criminosa expõe que: 
A nova OKDRB da Paraíba tem como intuito da sua fundação lutar contra a opressão dentro e fora do sistema penitenciário paraibano, tal como: respeito, igualdade, justiça, união e liberdade, são as bases dessa facção que semeia pela paz, porém não exitará em utilizar da guerra se seu fundamento impor nossas vontades e atingir nosso objetivos, mesmo que para isso tenhamos ... é dever de todos os integrantes da nova OKDRB preservar pela integridade moral de sua postura e de seus atos, preservando acima de tudo pela honra e pelo bom desempenho desta facção. (BARBOSA, 2019, n.p)
As Facções se legitimam nas áreas desdenhadaspelo estado, inicialmente nos cárceres, posteriormente nas comunidades carentes. Kadannus (2019) ao interpelar o sociólogo Gabriel Feltran sobre as condições desumanas nos presídios observou que uma facção se legitimar dentro das cadeias pelos presos e funcionários do Estado, ao levar uma paz negociada às unidades prisionais, a oferta de justiça e segurança eficiente à comunidade é um dos fatores da legitimação fora dos cárceres.
A OKD RB mostra força, dita comportamentos e oferece uma falsa sensação de segurança a população dos bairros em que domina, essa demonstração foi explicitada através de uma pichação contendo regras de convívio dentro de uma comunidade em João Pessoa, no bairro de Mangabeira. As determinações são as seguintes: “Não usar drogas na frente de crianças”; “Motoqueiros devem dirigir devagar pelas ruas”; “Não escutar som alto tarde da noite”; “o sossego da população é primordial”; “Não roubar na comunidade em respeito ao cidadão de bem”; “Respeitar todos os moradores”; “Não aceitamos talaricagem” (ato de trair companheiro, na linguaguem do crime); “União e respeito um com os outros”.
Figura 2: Código de Conduta da OKD RB
FONTE: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2019/04/18/okaida-paraiba- faccao-criminosa.htm>
No Portal Correio, a jornalista Renata Fabrício, no dia 17 de maio de 2018, aborda em sua matéria jornalística o autoritarismo descabido praticado pela OKAIDA RB em uma comunidade do município de Campina Grande.
No Jeremias, a quebra de um “código de conduta” fez uma rádio comunitária ser fechada e uma família que vivia há mais de 50 anos no bairro ser expulsa. “A gente tinha uma rádio comunitária, a Rádio Shallon. O Reginaldo foi expulso da comunidade pelos bandidos. São pessoas de facções. Disseram que ele tinha chamado a polícia para o bairro, e eles fecharam a rádio. Ele foi realmente intimidado a sair da comunidade. Deram dois dias para ele sair com a família. Ele morava na mesma casa, na Rua Francisco Borges da Costa, há 50 anos”, conta de forma anônima um morador do bairro.
“Eu tenho seis filhos pra criar. Se eu aparecer nessa matéria, eles me expulsam também”, justifica a fonte, pedindo o sigilo do nome. Ela explica que foi por “falar demais” que o filho de Reginaldo acabou colocando toda a família na mira de traficantes da Okaida. (FABRICIA, 2018, P. 1) 
Em mais uma demonstração de grandeza a OKAIDA RB desafia os órgãos de segurança pública do Estado da Paraíba e promove uma comemoração decorrente do seu primeiro ano de existência, de acordo com uma matéria publicada no Portal TV CARIRI, no dia 12 de agosto de 2018 uma queima de fogos ocorreu em diversos bairros de João Pessoa, além dos municípios de Campina Grande, Bayeux, Santa Rita, Sapé e Guarabira.
Figura 3: Comemoração do Aniversário da Okaida RB
 Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=zqqyZd8giJI&t=56s>
Conforme Machado (2019), a Facção é composta de jovens e adolescente e atualmente, domina vários municípios, expandiu seus braços para Pernambuco e conta com 6 mil membros "batizados" na Paraíba, segundo investigação do Ministério Público Estadual paraibano. A autopromoção da Facção OKAIDA RB através das Redes Sociais é um dos fatores preponderantes para adesão de novos membros, visto que as oportunidades oferecidas pelo mundo do crime são das mais diversas.
Publicação no YouTube em Maio de 2017 demonstra a audácia da Facção Paraibana, utilizando-se de um aparelho celular produzem uma gravação, no vídeo 7 jovens com os rostos cobertos, armados com facas, dentro do sistema prisional e entoam uma canção: “Pensamento eloquente me leva a mais um aviso, poder do crime fica cada vez mais infinito ... PAVILHÃO 6, lado A estamos na prisão, representando na voz sou o mago do facão ... Nossa união é forte, é o certo pelo certo, porque com nois é assim, correu errado tá pego... Nossa união é forte em várias quebradas em várias quebradas, fechamento forte, facção OKAIDA.”
Figura 4: Gravação dentro do sistema prisional
Fonte: <https://www.youtube.com/watch?v=0f4wsq7j5jg>
Várias Operações Policiais já foram deflagradas com o intuito de dizimar as Facções Criminosas Paraibanas.
No dia 27 de julho de 2017 a Polícia Federal deu início a Operação Gerônimo, para desarticular facção criminosa que atua nos presídios da Paraíba e é responsável por grande parte do tráfico de drogas no estado, envolveu 120 policiais e 86 mandados de prisão que foram cumpridas em seis estados, de acordo com reportagem do Jornal da Paraíba.
Em 04 de dezembro de 2018 o G1.GLOBO noticiou a Operação Hidra, uma megaoperação contra integrantes de facções criminosas em 15 unidades da federação, a qual contou com o apoio da Polícia Civil, pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado, 33 mandados de prisão. 
Em nível local, o site jornalístico Paraíba Debate publicou matéria intitulada de: “Polícia Civil prende 12 pessoas e líder da Okaida.”, no dia 31 de Agosto de 2018. 
E, 17 de novembro de 2018 o jornal CLICK PB noticiou a prisão do chefe do tráfico líder da Okaida que estava foragido do PB1.
Como já é sabido, as Facções Criminosas tem como principal nascedouro os Cárceres, ocupam espaço no sistema prisional e expandem seus tentáculos extramuros. A reação do Estado para o efetivo combate dessas organizações somente é expressiva quando as Facções já estão bastante consolidadas.
O estado passa apenas a tomar medidas concretas, a partir do momento, que a estrutura da facção ficou complexa. Quando isso acontece, não basta cortar a “cabeça” para desestruturá-la, pois novas “cabeças” estão prontas para substituírem as que caírem. (BARBOSA, 2019, n.p.)
Um pleno controle do sistema prisional com medidas eficientes de ressocialização e de repressão a qualquer atividade criminosa desempenhada no âmbito dos cárceres seriam um ponto de partida na tentativa de desarticular as Facções e combater o crime organizado, colaborando com esta intenção, temos o fato da a Okaida e a Okaida RB apesar de ser grande em número é extremamente desorganizada, sendo sempre minada por desentendimentos entre seus integrantes. 
5.4 NOVA OKAIDA
No dia 20 de julho de 2019 em informações cedidas pelo agente penitenciário Robson Lima a autora, verificou-se uma outra dissidência da OKAIDA RB, nasceu assim a NOVA OKAIDA, nas escutas encaminhadas, um dos membros do grupo falou: “É o seguinte, muitos já devem ter escutado o zum-zum-zum, mas ainda não pegou a visão do que vem acontecendo dentro da nossa facção, houve uma mudança diante das palavras finais, o que aconteceu? Devido a atitudes isoladas de Ró, a final da palavra na Facção, devidos a atitudes erradas dele dentro das próprias áreas dele lá, os irmãos pegaram o entendimento e foi avaliado pela final que essa situação tava errada, ele também reconhecendo o fato das atitudes erradas, ele mesmo se exclui, diante dos fatos e os irmãos pegaram essa visão e foi mudada a facção, agora a nossa facção se chama NOVA OKAIDA, é o certo pelo certo, nós estamos caminhando ai, pra estar sempre certo nas nossas atitudes, dentro do nosso Estatuto e é isso ai rapaziada. Ró que fechada com nós, foi afastado da Nova Facção. A Nova Okaida agora é só Betinho e quem fecha com Ró pode sair na moral que não vai acontecer e bola pra frente meu parceiro.”[2: Escutas cedidas pelo Agente penitenciário Robson de Lima.]
Outro membro da FACÇÃO NOVA OKAIDA também se manifestou e as palavras foram as seguintes: “Para deixar a geral ciente ai, nós é NOVA OKAIDA agora, não é RB mais não, Ró estava de judaria (traição) com nós.”[3: Escutas cedidas pelo Agente penitenciário Robson de Lima]
A NOVA OKAIDA está sob a liderança de José Roberto Batista dos Santos, “Betinho”, considerado pelos profissionais de segurança pública uma figura de grande influência por traços marcantes de personalidade, em reportagem concedida a Geminiano (2018) o então delegadoda Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes informou Braz Marroni, informou que Betinho é um gerente muito organizado, falante, bem articulado, estratégico na gestão do tráfico, no sentido de aumentar a venda de drogas e lucratividade. 
Mais uma Facção Criminosa tencionando o Sistema Penitenciário, a segurança da população e desafiando o Estado, a guerra pelo controle das atividades ilícitas parece estar apenas começando. 
Figura 5: Demarcação de território da Nova Okaida através de pichações.
Fonte: Imagem cedido pelo agente penitenciário Robson de Lima.
6 METODOLOGIA 
Este capítulo é dedicado à forma de desenvolvimento da pesquisa. Visa permitir, através da exposição detalhada dos passos seguidos quando da formulação e desenvolvimento do estudo em questão, dar ao leitor subsídios para a compreensão e entendimento do mesmo. 
Segundo Bruyne (1991), a metodologia é a lógica dos procedimentos científicos em sua gênese e em seu desenvolvimento, não se reduz, portanto, a uma “metrologia” ou tecnologia da medida dos fatos científicos.
6.1 METÓDOS CIENTÍFICOS 
Para realização da pesquisa o método de abordagem utilizado será o indutivo, partindo-se de uma análise particular para uma análise geral. 
Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam. (LAKATOS; MARCONI, 2003, p.86).
Quanto ao método de procedimento, a pesquisa se utilizará do método monográfico ou de estudo de caso, pois este baseia-se no estudo de instituições, indivíduos, grupos, comunidades, a fim de obter generalizações. 
O estudo monográfico pode, também, em vez de se concentrar em um aspecto, abranger o conjunto de atividades de um grupo social particular. A vantagem do método consiste em respeitar a “totalidade solidária” dos grupos, ao estudar, em primeiro lugar, a vida do grupo na sua unidade concreta, evitando, portanto, a prematura dissociação de seus elementos. (LAKATOS, 2001, p.108)
6.2 TIPO DE PESQUISA
Para a classificação da pesquisa, tem-se como base a taxionomia apresentada por Vergara, que a classifica em relação a dois critérios básicos: quanto aos fins e quanto aos meios. 
Quanto aos fins, a pesquisa será explicativa e descritiva. Explicativa pois se caracteriza pelo desenvolvimento e esclarecimento de ideias, com objetivo de oferecer uma visão panorâmica de uma área pouco explorada. Descritiva pois expõe as características da população carcerária e das Facções Criminosas, além de elementos importantes sobre aspectos do tipo penal incriminador da conduta em assunto. A autora coloca também que a pesquisa não tem o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação.
Quanto aos meios, a pesquisa é bibliográfica e de campo. A pesquisa é bibliográfica pela utilização de teses, dissertações, artigos, livros, jornais e sites na internet para desenvolver e suportar os objetivos propostos nesse estudo. A pesquisa é de campo, porque coletará dados primários no Complexo Penitenciário do Serrotão, Campina Grande - PB. 
6.3 TÉCNICAS DE PESQUISA
Para realização da pesquisa será utilizada a técnica da observação direta intensiva, através de entrevistas e da observação. 
A entrevista tem por objetivo coletar dados, opiniões e conceitos sobre o assunto em questão, através de uma conversação, onde a pesquisadora fará perguntas e o sujeito responderá oralmente, as respostas serão materializadas em anotações as quais serão apresentadas ao entrevistado para que confirme ou faça alterações que julgarem necessárias. 
Os objetivos principais de uma entrevista são: verificação de fatos, determinação das opiniões sobre a situação ou fatos, determinação das percepções, descoberta de planos de ação, conduta atual ou do passado e motivos conscientes para opiniões, sentimentos e condutas (VALDETE; BONI, 2005; MARCONI; LAKATOS, 1991). 
Já a Observação se pautará na coleta de dados através dos sentidos, do ouvir, do ver etc. e será do tipo Assistemática, empregada sem nenhuma técnica prévia, informal e espontânea, posteriormente fatos e fenômenos serão analisados corroborando assim com o estudo. De acordo com os ensinamentos de Lakato (1988) a observação assistemática também chamada de observação espontânea, informal, simples ou ocasional, é a observação sem emprego de qualquer técnica, sem planejamento, sem controle e sem quesitos observacionais previamente elaborados.
6.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa será centrada na realidade do Complexo Penitenciário do Serrotão, localizado na Rua Alça Sudoeste, S/n, no município de Campina Grande. 
De acordo com relatório gerado através do site do Conselho Nacional de Justica (CNJ) no dia 13 de setembro de 2019, no tocante a aspectos administrativos, o estabelecimento prisional conta com acesso à internet e um total de 4 computadores, no que concerne ao pessoal, 81 agentes penitenciário mantém a ordem, a disciplina, segurança e etc. do local.
Com relação a quantitativos, a Penitenciária Regional Raimundo Asfora foi projetada para comportar um total de 280 presos, no entanto 1190 estão presos em cumprimento de pena do regime fechado; 76 desses trabalham internamente e outros 45 estudam também internamente. 
Na presente investigação, define-se como população o universo dos presidiários e dos agentes de segurança pública do Serrotão e serão entrevistados tantos quanto forem possíveis, tendo como base mínima 10 entrevistados. A amostragem será do tipo probabilística aleatória simples, pois todos os sujeitos tem a mesma probabilidade de serem sorteados para amostra. 
Para efeitos desta pesquisa, excluíram-se as mulheres, crianças e menores, optando-se por entrevistar detentos apenas do sexo masculino, que tiveram ou não contato com o mundo das facções criminosas. 
O estudo seguirá os aspectos éticos constantes nas diretrizes da Resolução 466/12 CND/MS.
7 CRONOGRAMA
A pesquisa desenvolver-se-á em cinco etapas básicas totalizando em seis meses de trabalho, previstas para iniciarem no mês de julho de 2019 e termino em dezembro do mesmo ano, conforme descritos abaixo:
	Etapas / Atividades
	Jul.
	Ago.
	Set.
	Out.
	Nov.
	Dez.
	Pesquisa bibliográfica
	X
	X
	X
	X
	X
	X
	Coleta de dados
	
	
	
	X
	X
	
	Análise de dados
	
	
	
	X
	X
	
	Procedimento descritivo
	
	
	
	X
	X
	
	Revisão final / Defesa
	
	
	
	
	
	X
REFERENCIAS
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