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FACULDADE FUTURA
LINGUÍSTICA E COMUNICAÇÃO
VOTUPORANGA – SP
SUMÁRIO
LÍNGUA ................................................................................................... 5
Linguagem .............................................................................................. 6
Linguagem e sociedade ........................................................................ 11
3.1 Hymes ............................................................................................ 15
3.2 Labov .............................................................................................. 16
3.3 A noção de comunidade de fala ..................................................... 17
Os condicionamentos sociais e estilísticos' .......................................... 20
Variedade linguísticas ........................................................................... 24
Tipos de variedades linguísticas ........................................................... 29
O ensino das vaRiações linguísticas nos anos iniciais ......................... 31
Gêneros textuais ................................................................................... 41
Exemplos de gêneros textuais ................................................................ 42
Tipos e gêneros textuais ....................................................................... 44
Exemplos de tipos textuais: ..................................................................... 44
Gêneros textuais pertencentes aos textos narrativos:............................. 45
Gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos: ........................... 45
Gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos:........................... 45
Gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos: .................... 45
Gêneros textuais pertencentes aos textos injuntivos: ............................. 46
Gêneros textuais pertencentes aos textos prescritivos: .......................... 46
Gêneros textuais e gêneros literários ...................................................... 46
Exemplos de gêneros literários: .............................................................. 46
Texto Narrativo ........................................................................................ 48
Texto Descritivo ...................................................................................... 48
Texto Dissertativo-Argumentativo ........................................................... 49
Texto Expositivo ...................................................................................... 49
Texto Injuntivo ......................................................................................... 50
Redação oficial características e especificidades .............................. 51
10.1 O que é uma redação oficial? ..................................................... 52
Formalidade ............................................................................................ 52
Padronização .......................................................................................... 53
10.2 Concisão ..................................................................................... 53
10.3 Clareza ........................................................................................ 53
10.4 Impessoalidade ........................................................................... 53
SINTAXE e SEMÂNTICA .................................................................. 55
11.1 Funções e Relações sintáticas .................................................... 55
11.2 Funções sintáticas ...................................................................... 56
11.3 Relações sintáticas ..................................................................... 56
Semântica .......................................................................................... 56
Individualidade e Diversidade ............................................................ 60
produção de textos ............................................................................ 67
14.1 Como produzir um texto? ............................................................ 70
14.2 Tipos de Textos ........................................................................... 72
14.3 Como Produzir um Bom Texto? .................................................. 73
14.4 Crie a Estrutura do Texto – Tema e Título .................................. 73
14.5 Apresentação .............................................................................. 74
14.6 Desenvolvimento ......................................................................... 74
14.7 Conclusão ................................................................................... 75
Dicas para Produzir um Bom Texto ................................................... 75
Produção de texto em diferentes formatos ........................................ 76
LÍNGUA
A língua é uma forma de linguagem, é um dos instrumentos de interação
sociocomunicativa e, assim como as religiões, a culinária, as vestimentas, integra-
se na cultura dos povos. Os idiomas são mecanismos de expressão das
manifestações culturais e estão a serviço da comunicação social. As aquisições
culturais são ensinadas e transmitidas, em grande porte, pela língua.
Existem no mundo pelo menos, 3 mil línguas. Além dessas línguas faladas
hoje, existem entre 7 a 8 mil dialetos que são variantes de um idioma. Cada língua
desenvolveu seus próprios padrões de nomeação de experiência perceptivas.
Não há duas línguas iguais quanto à maneira de dividir a realidade conceitual.
Os esquimós têm uma serie de palavras para designar diferentes tios de neve,
enquanto outros povos têm apenas um termo para ‘’neve’’. Existem povos que só
tem uma palavra para designar o azul e o verde, enquanto nós temos essas duas
palavras para essas cores.
Nem todas as línguas em escrita. Todos os países têm sua língua oficial, que
é aquela em que o governo conduz seus trabalhos e foi adotada com essa finalidade
por decisão governamental; é a conhecida como língua do país. É a língua de um
Estado, a qual e obrigatória. Nem sempre ela é a língua materna, ou seja, a língua
cujos falantes praticam por ser a primeira aprendida, geralmente, em ambiente
familiar.
No Brasil, a língua oficial é a língua portuguesa, embora nosso país seja
multilíngue. Em nosso país, são faladas línguas indígenas, além das origens
africanas, ainda praticadas nos quilombos, e das línguas dos imigrantes que vieram
principalmente da Europa e da Ásia. Entre elas, é possível citar o alemão, o árabe,
o chinês, o coreano, o espanhol, o holandês, o inglês, o italiano e o japonês. Além
dessas línguas, existem em nosso país, as línguas de fronteiras que são os idiomas
praticados pelas diferentes etnias índios, espanhóis, árabes, portugueses alemães,
entre outros – em contato.
Em todos os países, existe uma variedade da língua de prestigio social,
denominada língua padrão; é aquela eleita como a mais apropriada nos contextos
formais e educacionais. A íngua padrão é a variedade da língua que tem um status
especial na sociedade e é adquirida pelo ensino formal. A maior parte das
publicações acadêmicas, dos noticiários nacionais é feita em língua padrão. Ela é a
recomendada para a escrita formal, tem prestigio social e é protegida por lei.
Podemos conceber língua como um fenômeno natural, um organismo
dinâmico, que evolui com o passar do tempo;como um sistema formal em
funcionamento numa comunidade. Pelos usos diferentes no tempo e nos diversos
agrupamentos sociais, as línguas passam a existir como um conjunto de falares
diferentes, todos muito semelhantes entre si, mas cada qual apresentando suas
peculiaridades com relação a alguns aspectos linguísticos.
A língua de um povo surge e se constrói junto com seu modo de ver o mundo,
sua história e sua cultura, e, nessa construção, ela se transforma e deixa que o
tempo lhe traga novas nuances.
A língua não é um sistema homogêneo, ela varia no espaço e na hierarquia
social. Não é um sistema fixo e imutável. Além de evolui no tempo, a língua ainda
está em evolução, em constante mudança, pela ação dos falantes. Sua história
ainda não acabou; está sempre se fazendo pela ação dos falantes.
Como o homem dispõe e inúmeras possibilidades para se comunicar, cada
língua corresponde à expressão de uma escolha entre essas possibilidades,
apresentando variações relevantes em função de valores sociais, regionais, de faixa
etária, de situação, etc., concretizando, dessa forma, a relação entre linguagem,
língua e cultura.1
LINGUAGEM
Uma língua, seja ela qual for, tem a função de permitir a comunicação entre
os indivíduos. Essa é sua função primordial. Há uma relação direta e indissolúvel
1 Texto adaptado: www.pt.slideshare.net
entre sociedade e língua ou língua e sociedade, que não permite que se pense em
indivíduos vivendo conjuntamente sem o estabelecimento de comunicação entre si
e, da mesma forma, não é possível a comunicação sem que haja uma convenção
social a respeito dessa comunicação, o que chamamos de língua.
Língua nada mais é que um conjunto de convenções sociais historicamente
constituídas, que permite que os seres humanos se comuniquem entre si. Somente
os seres humanos têm essa capacidade, uma capacidade relacionada talvez com
algum dispositivo biológico, que permite que se formule e se entenda um conjunto
de sons e a eles se associe um sentido.
É possível que outros seres vivos se comuniquem como é o caso, por
exemplo, das abelhas, que, com um conjunto de movimentos (danças) são capazes
de transmitir informações a respeito da localização de alimento ou mesmo do risco
iminente à colmeia, porém não se pode confundir esse tipo de comunicação, de
propósito restrito, com linguagem ou mesmo língua.
Fonte: www.ericasitta.wordpress.com
Da mesma forma, observam-se alguns pássaros que são capazes de
produzir um conjunto de sons muito parecidos com os sons produzidos pelos seres
humanos, o que não permite às aves, porém, dialogar com seres humanos ou entre
si, estabelecendo um raciocínio a respeito dos sons produzidos e produzindo, como
os seres humanos, outros conjuntos de sons, como resposta.
Os macacos, animais que guardam grande semelhança com o homem,
também não possuem um mecanismo capaz de estabelecer comunicação por meio
da língua, ainda que seu raciocínio beire o raciocínio humano.
As baleias também têm sua ‘’linguagem’’, produzem, ao menos, dois tipos de
sons: os que intervêm e seu sistema de eco localização, funcionando como uma
espécie de sonar biológico, e as vocalizações, conhecidas canções das baleias, que
parecem ser um meio de comunicação entre os membros da mesma espécie.
Inúmeros estudos com animais em cativeiro e selvagens tem mostrado que esses
mamíferos marinhos são capazes de comunicação com qualquer ouro usando uma
‘’linguagem’’. Embora essa forma de linguagem não possa ser comparada com a
linguagem humana, e um sistema articulado de comunicação, no qual cada som e
modulado em tons e frequências que são repetidos constantemente durante atos
específicos e situações particulares.
Animais domésticos se comunicam com seus donos. Podemos dizer que os
cachorros emitem sons que nos permitem identificar sentimentos como medo, raiva
e dor. Um cão abana o rabo, demonstrando satisfação; rosna, expressando
ameaça.
Os animais em modos de se expressar; entretanto, a natureza dessa
comunicação não se compara à utilizada pelo homem. A ‘’linguagem’’ animal possui
características bem distintas da linguagem humana. Em linhas gerais, trata-se de
uma forma de adaptação à situação concreta, relacionada a uma forma fixa de
resposta e determinado estímulo.
A linguagem está no limiar do universo humano porque caracteriza o homem
e o distingue do animal. O homem tem a capacidade de ultrapassar os limites da
vida animal ao entrar no mundo do símbolo. A natureza da comunicação animal não
se compara à revolução que a linguagem humana provoca na relação do homem
como o mundo.
A diferença entre a linguagem humana e a ‘’linguagem’’ do animal está no
fato de que este não conhece o símbolo, mas somente o índice. O índice está
relacionado com a forma fixa e a única com a coisa a que se refere. Por exemplo,
as frases com que adestramos o cachorro devem ser sempre as mesmas, pois são
índices, isto é, indicam alguma coisa muito específica.
A linguagem humana é uma manifestação cultural; relaciona-se com padrões
de comportamentos, crenças, conhecimentos, realizações, costumes que podem
ser transmitidos de gerações. O homem imprime sentido às linguagens que cria. Ele
cria palavras, gestos, símbolos, enfim, formas de expressar suas ideias.
A linguagem é atividade. É forma de ação, ação entre indivíduos, orientada
para uma finalidade, e lugar de interação que possibilita aos membros de
uma sociedade a prática dos mais diversos tipos de atos, que vão exigir
dos semelhantes reações e/ou comportamentos, levando ao
estabelecimento de vínculos e compromissos anteriores inexistentes.
(KOCK, 1997,p.9)
A linguagem humana envolve a representação simbólica de conceitos e
diversos tipos de relações entre eles. Ela está em toda parte; sem ela, as
sociedades não seriam o que são. Por meio da apresentação simbólica e abstrata,
o homem dá sentido ao mundo, distancia-se da experiencia vivida é capaz de
compreender o mundo e nele agir.
Desde que nascemos, estamos mergulhados no mundo da linguagem.
Crescemos imersos em um universo de sons, de gestos e sinais, através dos quais
passamos a interagir com tudo o que nos cerca. Nosso pensamento, a forma de
entendermos as coisas, começa, então a ter por primordiais as palavras, a
linguagem, o nome das coisas existentes no mundo.
A linguagem impregna nossos pensamentos, é intermediária em nossas
relações com os outros, e se insinua até em nossos sonhos. O volume
esmagador de conhecimentos humano é guardado e transmitido pela
linguagem. A linguagem é, de tal modo, onipresente que a aceitamos e
sabemos que sem ela a sociedade, tal como a conhecemos, seria
impossível. (LANGACKER,1972, p.11)
A linguagem e o pensamento se misturam à medida que a capacidade da
comunicação simbólica se desenvolve. Uma criança, com cerca de dois anos de
idade, começa a usar o idioma para se comunicar. Seu conhecimento sobre o
mundo, antes baseado em experiências sensoriais e motoras, torna-se lentamente
mais e mais simbólico. A partir de então, a criança não precisa mais aprender tudo
através de suas próprias experiências – ela pode aprender através da linguagem.
O mundo que resulta do pensar e o agir humanos não pode ser chamado de
natural, pois se encontra transformado e ampliado por nós. Portanto, as diferenças
entre pessoa e animal não são apenas de grau, porque, enquanto o animal
permanece mergulhado na natureza, nós somos capazes de transforma-la, ornando
possível a cultura.
Fonte: www.vitaclinica.com.br
A linguagem e a comunicação por meio de uma língua são, portanto,
atividades estritamentehumanas.
A facilidade com que uma criança adquire sua língua materna é algo quase
inexplicável, levando em consideração a complexidade de uma língua. Em
aproximadamente três anos, adquire-se um conjunto razoavelmente grande de
palavras, aliado às regras de uso da língua, as chamadas regras da gramática dos
usuários de uma língua, algo que permite que se estruturem frases coesas e
coerentes, ou seja, que permite que se diga “O bebê está com fome” em vez de
“Fome bebê com está”, uma operação que parece simples, mas que possui uma
grande complexidade, mesmo para adultos que tentam adquirir uma segunda
língua.
Além dessa facilidade na apreensão das estruturas e do léxico (palavras),
some-se a isso a estruturação, por parte da criança, de frases nunca ouvidas,
demonstrando sua capacidade criativa e não somente reprodutiva, provando que o
ser humano possui uma estrutura em seu cérebro capaz de criar e modificar a
língua.
É essa capacidade única que coloca o homem como espécie central do
planeta terra, essa capacidade de se organizar em sociedade e se comunicar que
faz do ser humano um animal capaz de exercer dominação sobre outras espécies
e permite-lhe, dentre outras coisas, o desenvolvimento e a manipulação de objetos,
o que o torna tão diferente das demais espécies.
O que permite a esse ser alterar seu meio e traçar o seu destino, mas, por
outro lado, o que lhe permite galgar a própria destruição.2
A linguagem é um sistema organizado de símbolos a serviço das sociedades
humanas. Esse sistema é amplo, complexo, extenso e possui propriedades
particulares que possibilitam a codificação, a estruturação das informações
sensoriais, a capitação a transmissão de sentidos, que favorecem a interação entre
os homens.
LINGUAGEM E SOCIEDADE
Os estudos sistemáticos que tratam da relação entre linguagem e sociedade
começam a se solidificar ao longo de 1960, quando a sociolinguística emerge como
2 Texto extraído: https://www.portaleducacao.com.br
um campo de saber interdisciplinar, com suas bases fortemente ancoradas na
linguística, na antropologia e na sociologia. Como se trata de uma relação, duas
questões antagônicas naturalmente se põem: a linguagem determina a realidade
social? a sociedade determina a linguagem? Dada a natureza da temática proposta
neste ensaio, abordo três diferentes perspectivas: de Sapir e Whorf, de Hymes e de
Labov', examinando a hipótese determinística no que concerne à maneira pela qual
linguagem e sociedade podem se implicar. Consideramos, então, uma terceira
questão: em que medida é possível falar em determinismo sob a ótica dos referidos
autores? Na discussão aqui proposta releva aos seguintes aspectos: a realidade
social como produto linguístico, segundo Sapir e Whorf o papel do contexto e da
competência comunicativa no que diz respeito à relação entre linguagem e mundo,
na visão de Dell Hymes; e a importância do conceito de comunidade de fala e da
correlação entre fatos linguísticos, estratificação social e estilo, para Labov. Concluo
que as relações entre linguagem e sociedade são permeadas por um certo
determinismo (de diferentes tipos e em diferentes graus) nas três perspectivas
abordadas.
Inicialmente, chamamos atenção para o fato de que Sapir e Whorf tratam
explicitamente das relações linguagem/cultura e linguagem/ pensamento.
Entretanto, considerando-se que "cultura pode ser descrita como conhecimento
adquirido socialmente, isto é, como o conhecimento que uma pessoa tem em virtude
de ser membro de determinada sociedade' (Hudson 1980: 74 apudLyons 1987: 274
grifo meu), pode-se dizer que há uma estreita ligação entre cultura e sociedade.
Ademais, segundo Sapir, "não há duas línguas que sejam bastante semelhantes
para que se possa dizer que representam a mesma realidade social' (1969:20 grifo
meu). Assim, para efeito da discussão proposta nesta seção, tomo o termo
'sociedade' como equivalente a 'realidade social' e, grosso modo, a 'cultura'.
De acordo com Sapir, a realidade é produzida pela linguagem, o que significa
dizer que não há mundos iguais, visto que não há línguas iguais. Para o autor, a
linguagem possui, sobretudo, o papel de produzir e organizar o mundo mediante o
processo de simbolização. O caminho para compreensão do(s) mundo(s) se dá pela
decifração dos símbolos, que referem (produzem) a realidade e remetem a
conceitos (pensamento). Por exemplo: entender um poema exige a "compreensão
plena de toda a vida da comunidade, tal como ela se espelha nas palavras ou as
palavras a sugerem em surdina" (op. cit).
O processo de simbolização da linguagem exige um sistema fonético que
articule imagens acústicas "gerando" o símbolo, o qual proporcionará condições
para a produção de conceitos/pensamentos. Sem os símbolos na matemática, por
exemplo, um raciocínio matemático não seria possível, o que vale dizer que a
matemática não existiria e muito menos se expandiria em níveis de complexidade.
Os símbolos, por sua vez, geram um efeito sobre a linguagem que é o de sua
ampliação (abstração), mediante um processo de classificação, categorização e
seriação - característicos do pensamento. É dessa forma que o mundo ao nosso
redor é possível/ construído, segundo Sapir.
Uma ilustração clássica da construção da realidade a partir da linguagem é
apresentada por Whorf em relação à língua hopi, na qual não é possível pensar o
tempo de forma linear como em outras línguas, pois não há palavras, expressões
ou formas gramaticais que permitam isso. Ao invés das noções de tempo e espaço
(passado, presente e futuro), essa língua permite organizar o contraste entre
partícula e onda 2, obrigando, "ao ser obrigatório pela forma de seus verbos, o povo
hopi a perceber e observar os fenômenos vibratórios, animando-os além disso a
encontrar nomes e a classificar esta classe de fenômenos" (1971:72).
Fonte: www.atosociologico.blogspot.com
Para o autor, é possível descrever qualquer fenômeno observável no
universo sem levar em consideração os contrastes entre espaço e tempo, ou seja,
sem considerar o espaço como algo homogêneo e independente do tempo, mas
sim levando em conta as inter-relações existentes entre os fenômenos. Segundo
Whorf, "o ponto de vista da relatividade, pertencente à física moderna, é um desses
pontos concebidos em termos matemáticos, e a concepção universal do hopi é outra
muito diferente e que não é matemática, mas sim linguística" (p. 74).
As ideias desses dois estudiosos costumam ser referidas como a "hipótese
de Sapir-Whorf", podendo ser assim sintetizadas: a linguagem determina a forma
de ver o mundo, e consequentemente, de se relacionar com esse mundo (hipótese
do determinismo linguístico); isso significa que para diferentes línguas há diferentes
perspectivas e diferentes comportamentos (hipótese do relativismo linguístico).
É interessante destacar que, para Sapir, tanto a língua como a cultura
(realidade social) é passível de modificações: é da natureza da linguagem a
mudança, visto que "não há nada perfeitamente estático" e a "deriva geral de uma
língua tem fundo variável" (1969: 137). Entretanto, existe um paradoxo: embora
ambas estejam sujeitas a mudanças, essas se dão em velocidades diferentes - a
língua se modifica mais lentamente, pois "um sistema gramatical, no que depende
dele próprio, tende a persistir indefinidamente. Em outras palavras, a tendência
conservadora se faz sentir muito mais profundamente nos lineamentos essenciais
da língua do que da cultura" (p. 61). As consequências disso são que as culturas
não poderão WORKING PAPERS EM LINGÜÍSTICA, UFSÇ N.8, 2004 130 - CristineGorski Severo ser sempre simbolizadas pela linguagem, conforme a passagem do
tempo; e que será muito mais fácil simbolizar a cultura no passado do que no
momento atual.
Posto isso, remeto-me às questões colocadas na introdução: para Sapir e
Whorf, a linguagem determina a realidade social. Todavia, a versão forte da
hipótese do determinismo linguístico parece se enfraquecer diante do descompasso
verificado entre as mudanças na língua e na cultura, conforme exposto no parágrafo
acima.
3.1 Hymes
Hymes pauta sua teoria no pressuposto da linguística constituída
socialmente, o que implica uma relação entre ideologia/cultura e linguagem no que
diz respeito à utilização da forma linguística motivada pelo uso social. Esse
pressuposto estipula que usos linguísticos se diferenciam mediante instituições,
valores, crenças e diferenças individuais, no sentido de que são as diferenças do
mundo/ da realidade/ do contexto que causam diferenças linguísticas: "valores
culturais e crenças são em parte constitutivos da realidade linguística" (Hymes apud
Figueroa 1994:42). O autor não está preocupado com o sistema gramatical formal,
mas compreende a linguagem dentro de uma perspectiva comunicativa'', o que
invoca outras áreas para o seu estudo, uma vez que a linguagem pode ser
considerada como uma "parte integrada de uma organização sociocultural geral do
comportamento" (Figueroa 1994:33). Para ele, a definição de língua é complexa e
deve levar em conta diferentes aspectos, como o histórico, o social, o cultural e as
particularidades individuais. Com a inserção do contexto histórico e etnográfico há
a consequente supremacia do aspecto funcional em detrimento do formal. Segundo
o autor, "não é a forma linguística que cria o padrão social, mas o padrão social
informa a forma linguística. Nesse caso, a inferência é dos dados etnográficos para
as funções da língua" (p. 42). Vemos assim que Hymes atribui ao contexto social
uma propriedade causal - prioritária - em relação ao uso linguístico. Mesmo a
estrutura formal está subordinada ao contexto que, para ele, é sempre
comunicativo.
Dessa forma, o autor subordina a competência gramatical à competência
comunicativa, que implica "a habilidade de escolher, dentre uma variedade de falas
possíveis, aquela que é mais apropriada para a situação (...) a competência consiste
numa variedade de habilidades, incluindo conhecimento gramatical, mas sem se
reduzir a esse" (op. cit p.53). Ainda na visão do linguista, diferentes línguas refletem
diferentes mundos e isso implica um certo relativismo linguístico, que, em seu grau
máximo, nos remete à hipótese de Sapir-Whorf (discutida na seção anterior). Como
características desse relativismo, destacam-se: que ele se baseia em um princípio
de diversidade e heterogeneidade ao invés de homogeneidade ou invariância; que
os aspectos a priori e universais da língua não são suficientes e que não há
igualdade linguística entre os falantes (devido, por exemplo, à natureza política da
interação) (cf. Figueroa 1994: 42). Novamente aqui percebemos em evidência o
caráter heterogêneo da língua permeando a relação linguagem e sociedade. Em
síntese: ao atribuir relevância ao contexto social/cultural como constitutivo da
realidade linguística, Hymes não deixa de operar com um certo determinismo. Só
que, diferentemente de Sapir e Whorf o autor não prevê que a linguagem cria o
contexto, mas que diferentes contextos motivam diferentes linguagens. Seria um
tipo de determinismo sócia
3.2 Labov
Em relação à teoria laboviana, dois aspectos principais merecerão nossa
atenção: o contexto social (sociedade) traduzido pela noção de comunidade de fala
e (os condicionamentos sociais e estilísticos.
Fonte: www.opiniaoenoticia.com.br
3.3 A noção de comunidade de fala
Labov propõe "o estudo da estrutura e da evolução da língua dentro do
contexto social da comunidade de fala "(1972: 184 grifos meu). Interessa a ele,
sobretudo, um certo tipo de macro linguística, que "coloca os lócus da linguagem
em algum tipo de ordem social (a comunidade de fala) ao invés do indivíduo"
(Figueroa 1994: 70).
A preocupação de Labov com a fala da comunidade fica patente em sua
definição de linguagem como "o instrumento de comunicação utilizado por uma
comunidade de fala, um sistema comumente aceito de associações entre formas
arbitrárias e seus significados" (Labov 1994: 09).
Daí a questão: quais os limites que fazem com que um falante pertença a
uma determinada comunidade de fala e não a outra? Para o socio linguista, os
limites não estão presentes no fato de um falante se considerar pertencente a uma
dada comunidade, mas sim nas características essenciais - as regras gramaticais -
do sistema linguístico abstrato daquele falante, em relação à comunidade a que
pertence.
A aquisição desse sistema linguístico não se dá conscientemente, ou seja,
não diz respeito à vontade do falante de falar de determinada forma; a aquisição da
gramática ocorre de forma inconsciente, como também são também inconscientes,
em grande parte, as reações subjetivas s dos falantes em relação à língua.
Além disso, para o autor, a característica principal da comunidade de fala
está no fato de que seus integrantes devem compartilhar as mesmas atitudes e os
mesmos valores em relação à língua: "atitudes sócias em relação à língua são
extremamente uniformes numa comunidade de fala" (Labov 1972: 248). Guy (2001),
com base em Labov, aponta três características essenciais na definição de uma
comunidade de fala 6: os falantes devem compartilhar traços linguísticos que sejam
diferentes de outros grupos; devem ter uma frequência de comunicação alta entre
si; e devem ter as mesmas normas e atitudes em relação ao uso da linguagem.
Entretanto, a identificação de uma comunidade de fala, ou o estabelecimento
de seus limites, não é uma tarefa fácil, o que pode ser ilustrado pelo seguinte
exemplo fornecido pelo autor: há diferenças entre o falar dos nativos de Fortaleza e
de Florianópolis em relação aos três aspectos colocados acima, o que permite
distinguir duas comunidades de fala; contudo, ao se considerar Brasil e Portugal,
provavelmente os nativos de Fortaleza e de Florianópolis integrariam uma mesma
comunidade de fala. Guy levanta então algumas questões: quais seriam os limites
internos de uma comunidade? Até que ponto uma comunidade de fala seria
caracterizada pelo uso linguístico?
Guy considera aspectos quantitativos e qualitativos para limitar uma
comunidade de fala.
Quanto aos primeiros, tem-se como exemplo a frequência com que uma certa
comunidade apaga o -r final no português brasileiro. Isso teria uma implicação (e
motivação) social e dialetal, mas, também, poderia ser motivado pelo efeito de
contexto', havendo uma grande frequência de apagamento do -r final em verbos no
infinitivo para quase todos os brasileiros, diferentemente do apagamento do -r final
em outras palavras.
Avançando em suas reflexões, o linguista aponta duas possibilidades: pode
haver diferenças de frequência em diferentes comunidades de fala, sendo que o
efeito de contexto permanece semelhante; ou pode haver diferenças em termos do
efeito de contexto (peso relativo) entre as comunidades, o que determinaria
diferenças estruturais ao invés de diferenças simplesmente quantitativas. Assim, a
sua hipótese é: falantes que variam apenas na frequência possuem a mesma
gramática e falantes que variam em termos de efeito de contexto possuem
gramáticas diferentes.
Daí os limites postos por Guy: as diferenças em uma mesma comunidade de
fala implicam diferenças em uma mesma gramática (não-gramaticais) enquantoque
diferentes comunidades de fala fazem uso de diferentes gramáticas. Essa hipótese
lançada por Guy não só encontra respaldo nos pressupostos labovianos - pois,
conforme visto acima, Labov considera que os limites de uma comunidade de fala
devem ser buscados no sistema linguístico abstrato dos falantes, além do
compartilhamento de atitudes sociais -, como também operacionaliza uma forma de
medir o partilhamento de traços linguísticos pelos falantes. Diante do exposto
parece possível falar em um certo determinismo linguístico, uma vez que usos
linguísticos de uma mesma gramática funcionariam como identificadores de uma
mesma comunidade de fala, ao passo que usos de gramáticas diferentes
apontariam para diferentes comunidades de fala. Em outras palavras, a estrutura
gramatical estaria delineando a comunidade de fala. As bases para a identificação
de uma comunidade de fala seriam, nesse sentido, de natureza linguística'.
Fonte: www.zellacoracao.wordpress.com
OS CONDICIONAMENTOS SOCIAIS E ESTILÍSTICOS'
Weinreich, Labov e Herzog (1968), ao postularem a noção de comunidade
de fala, a justificam em termos de que "as estruturas variáveis contidas na língua
são determinadas por funções sociais" (p.188 grifo meu), destacando que "fatores
linguísticos e sociais estão fortemente inter-relacionados no desenvolvimento de
uma mudança linguística"(op. dt). Nessa mesma direção, Labov (1972) aponta
como uma das propriedades de uma variável sociolinguística que a "distribuição do
traço deve ser altamente estratificado"(p. 08). Observa-se, assim, uma correlação
sistemática entre a estratificação social e o uso variável da língua.
Segundo Figueroa, Labov "mantém a posição realista de que o contexto
social é formado por fatos sociais que atuam sobre o indivíduo, mas que não são
criados pelo indivíduo", entendendo como fato social "uma forma de
comportamento, que é geral na sociedade e exerce condicionamento sobre os
indivíduos; mas esse condicionamento é peculiar em termos de geralmente ser
inconsciente e, portanto, não poder agir diretamente" (p. 72).
Nos moldes labovianos, através da linguagem é possível tirar "um retrato" da
realidade social. Em outras palavras, o indivíduo se identifica ao falar ("função de
identificação", cf. Labov 1978). Desse modo, o determinismo soda/preconizado por
Weinreich, Labov e Herzog (1968) estaria mantido. Mas isso deve ser visto com
reservas diante de indagações como: até que ponto se pode dizer que o uso de
certa estrutura linguística define o grupo ao qual a pessoa "genuinamente"
pertenceria? O uso "consciente" do [r] em posição pós-vocálica pelos empregados
da loja de padrão alto, por exemplo, não identifica necessariamente as
características sociais "naturais" do falante, podendo esse ser "enquadrado" em um
grupo social diferente daquele ao qual realmente pertence.
Assim, através do uso "consciente" de certas formas, o falante" pode mostrar
características sociais tais que lhe permitam ser "identificado" como pertencendo a
um grupo X (embora de fato pertença ao grupo Y), e isso romperia com a
perspectiva determinística de que o contexto social determina a linguagem. Essa
questão, entretanto, deve ser examinada sob a ótica da variação estilística, o que
será discutido adiante.
Por outro lado, Weiner & Labov (1983) mostram, em seu estudo da passiva
sem agente, que a variação entre o uso da construção passiva e da ativa em inglês
não é sensível a fatores sociais, sendo condicionado apenas por fatores de natureza
linguística. Nesse caso, uma das exigências originariamente formuladas para se
caracterizar uma variável linguística - a de que a mesma fosse estratificada -, deixou
de ser atendida. Como fica, então, a questão do condicionamento social, nesse
caso? Para Labov (1972), os indivíduos variam seu modo de falar conforme a
situação em que se encontram", considerando a relação entre diferentes estilos
(informal, cuidado, de leitura, etc.) e diferentes usos linguísticos, no que diz respeito
especialmente à atenção e ao monitoramento
Retomando o exemplo anterior, o uso do [r] pelos Working Papear em
linguística, UFSÇ N.8,2004 136 - Cristine Gorski Severo diferentes grupos sociais
mostram também a relação entre fatores estilísticos (fala cuidada ou não) e a
pronúncia ou não da vibrante. Nesse caso, teríamos o que Labov (1978) chama de
"função de acomodação"" da linguagem, em que o falante se adequa à situação
comunicativa. Posteriormente, Labov (2003) amplia sua noção de variação
estilística, postulando que as variações linguísticas no indivíduo de acordo com o
contexto, são determinadas por três aspectos: as relações entre os interlocutores,
particularmente as relações de poder e solidariedade entre eles; o contexto social
mais amplo - escola, trabalho, vizinhança; e o tópico" (p234). Desse modo, a par de
condicionamentos sociais (normalmente inconscientes), que podem ser observados
na comunidade de fala, existem também condicionamentos estilísticos, que operam
no plano individual, no âmbito das escolhas linguísticas conscientes.
Apesar de a noção de sociedade e suas implicações ser explorada de forma
diferenciada pelos autores aqui discutidos, com enfoque ora em aspectos
concernentes à realidade social; ora no contexto histórico social e no conceito de
competência comunicativa; ora na noção de comunidade de fala, estratificação
social e estilo, parece possível abstrair as especificidades de enfoque e tecer
considerações de caráter comparativo mais geral entre os autores e suas
respectivas visões de linguagem e sociedade, na tentativa de evidenciar qual o tipo
de relação que permeia o binômio em questão, a partir de uma hipótese
determinística.
Na formulação de Sapir-Whorf, a maneira pela qual a linguagem determina
formas de percepção do mundo e o próprio mundo é identificada na literatura como
determinismo linguístico. Todavia, o desencontro entre linguagem e cultura em
termos de evolução (mudança), conforme apontado por Sapir, é um indício de que
tal determinismo deve ser amenizado.
Na proposta de Hymes, o papel atribuído à influência do contexto
social/cultural sobre os usos linguísticos parece apontar para a direção do que se
poderia chamar de um certo determinismo social- originado pelo contexto. O falante
seria dotado de competência comunicativa para se adequar linguisticamente a
diferentes situações comunicativas. Pode-se dizer que esse mesmo tipo de relação
entre contexto e linguagem sustenta o que Labov chama de condicionamento
estilístico. Contudo, diferentemente de Hymes, que prioriza o contexto, Labov
considera a função de "acomodação" como secundária, o que parece colocar em
segundo plano a importância das interações sociais no uso linguístico.
Esse aparente paradoxo deve-se ao fato de que o papel de adequação ao
contexto cabe ao indivíduo. Na teoria sociolinguística de Labov, percebem-se
implicações determinísticas de diferentes tipos e em diferentes graus. Ao
caracterizar a comunidade de fila-os lócus do objeto de estudo variacionista -, o
autor atribui um importante papel à língua (uma mesma gramática recobrindo usos
variáveis implica uma mesma comunidade de fala, segundo Guy), de tal modo que
uma comunidade de fala poderia ser delimitada por certos usos linguísticos, entre
outras propriedades (um certo determinismo linguístico).
Fonte: www.opera10.com.br
Por sua vez, os falantes de uma comunidade operam com regras linguísticas
variáveis, e a seleção das variantes pode ser socialmente condicionada por fatores
que dizem respeito à estratificação social (um certo determinismo social). A escolha
das variantes pode sertambém estilisticamente condicionada por fatores de
natureza contextuai (um certo determinismo linguístico). Concluindo, tento
responder, em termos amplos, as questões colocadas na introdução do trabalho: a
sociedade determina a linguagem" - do ponto de vista do contexto e da estratificação
social e estilo, segundo Hymes e Labov, respectivamente; a linguagem determina a
sociedade - na produção e representação da realidade social e na delimitação de
uma comunidade de fala, de acordo com Sapir-Whorf e Labov (Guy),
respectivamente; as relações entre linguagem e sociedade são permeadas por um
certo determinismo nas três perspectivas WORICING PAPERs EM LINGÜÍSTICA,
UFSÇ N.8, 2004 138 - Cristine Gorski Severo aqui analisadas, sendo que há uma
aproximação maior entre as postulações de Hymes e Labov. Esse determinismo
parece atuar unilateralmente em Sapir e Whorf (linguagem à realidade social) e em
Hymes (contexto social à linguagem), mas parece ser bilateral em Labov (fatores
sociais e estilísticos à linguagem; e linguagem à comunidade de fala). Daí a
indagação que fica em suspenso: não haveria em Labov uma certa dialética?3
VARIEDADE LINGUÍSTICAS
A língua não é, como muitos acreditam, uma entidade imutável, homogênea,
que paira por sobre os falantes. Pelo contrário, todas as línguas vivas mudam no
decorrer do tempo e o processo em si nunca para. Ou seja, a mudança linguística
é universal, contínua, gradual e dinâmica, embora apresente considerável
regularidade.
A crença em uma língua estática e imutável está ligada principalmente à
normatividade da gramática tradicional, que remota à Grécia Antiga, numa época
em que os estudiosos estavam interessados principalmente em explicar a
linguagem usada nos textos dos autores clássicos e em preservar a língua grega
da "corrupção" e do "mau uso". A língua escrita - especialmente a dos clássicos -
era tão valorizada que era considerada mais pura, mais bonita e mais correta do
que qualquer outro tipo de linguagem.
A linguística moderna, no entanto, prioriza a língua falada em relação à língua
escrita por vários motivos, dentre eles pelo fato de que todas as sociedades
3 Texto adaptado: www.periodicos.ufsc.br
humanas conhecidas possuem a capacidade da fala, mas nem todas possuem a
escrita.
Analisando a nossa própria sociedade, podemos concluir que a escrita
pertence a poucos, uma vez que grande parte da população brasileira é constituída
por analfabetos ou semianalfabetos e que mesmo os que tiveram acesso à escola
não a usam muito.
Além da língua falada ser mais utilizada do que a escrita e atingir muito mais
situações, o ser humano a adquire naturalmente, sem precisar de treinamento
especial. Apenas em contato com o modelo, ou seja, apenas exposta a uma
determinada língua, qualquer criança normal é capaz de falar essa língua e
compreendê-la perfeitamente nas mais variadas situações e em um período de
tempo muito curto. Aos três anos, mais ou menos, uma criança já adquiriu quase
todas as regras de sua língua, podendo ser considerada um falante competente da
comunidade linguística da qual faz parte. Mesmo quando parece que ela não
conhece a sua língua nativa, o dizer, por exemplo, "eu di" ou "eu fazi" no lugar de
"eu dei" e "eu fiz", a criança está mostrando que sabe muito sobre ela, pois já
compreendeu que o passado, no português, termina regularmente com "i" e está
aplicando uma regra geral da língua em vez de aplicar uma particular.
O processo de aquisição da escrita difere do da fala no sentido de não ser
natural. Crianças que têm mais contato com a escrita sem dúvida a aprendem mais
fácil e rapidamente, mas ainda assim necessitam de algum tipo de instrução.
Quanto à homogeneidade, as pessoas de uma mesma comunidade
linguística podem até pensar que falam exatamente a mesma língua, mas isso não
é verdade. As diferenças linguísticas podem ser percebidas em todas as línguas do
mundo, mesmo em pequenas comunidades de fala, nos níveis fonéticos, fonológico,
morfológico, sintático ou semântico. Por exemplo, a palavra "porta" pode ser
pronunciada de várias maneiras, tais como poxta, pota ou pôrta; a palavra "mulher"
pode ser pronunciada "muié"; as frases "Maria assistiu ao filme" e "faz dois anos
que parei de fumar" também podem ser ditas "Maria assistiu o filme" e "fazem dois
anos que parei de fumar", respectivamente.
Na verdade, toda língua é um conjunto heterogêneo e diversificado porque
as sociedades humanas têm experiências históricas, sociais, culturais e políticas
diferentes e essas experiências se refletirão no comportamento linguístico de seus
membros. A variação linguística, portanto, é inerente a toda e qualquer língua viva
do mundo. Isso significa que as línguas variam no tempo, nos espaços geográfico
e social e também de acordo com a situação em que o falante se encontra.
Podemos exemplificar a variação temporal com a forma "você", que passou
por uma grande transformação ao longo do tempo. No século XII, as pessoas diziam
"vossa mercê" e hoje, na linguagem falada, e mesmo na escrita informal,
encontramos "cê", que não é a melhor nem a pior que "você" ou "vossa mercê",
embora entre os não-linguistas a tendência seja a de considerá-la ruim, feira ou
deteriorada. Isso acontece porque a sociedade normalmente é conservadora e
demora para aceitar as mudanças, inclusive as linguísticas.
O espaço linguístico também produz variação em um momento sincrônico de
uma língua, o que pode ser explicado tanto pela existência de limites físicos como
montanhas, mares ou rios que separam uma comunidade linguística de outra, como
pela ideia de "rede de comunicação". Considerando-se uma população espalhada
em um determinado espaço geográfico, uma pessoa se comunicará mais com
aqueles que estão mais próximos a ela do que com as que se encontram mais
distantes. Haverá, assim, um padrão de maior densidade de comunicação entre os
indivíduos que estão mais próximos e de menor densidade de comunicação entre
os que se encontram mais distantes. A maior densidade provocará maior interação
entre as pessoas e, consequentemente, as formas linguísticas de uns se estenderão
aos membros do grupo mais denso (que estão mais próximos) do que aos membros
dos agrupamentos mais distantes. Aparecerão, dessa maneira, em cada região,
diferentes variedades. No Brasil, por exemplo, a fala da região nordestina se
caracteriza pela abertura das vogais pretônicas "e" e "o", como em "mérgulho" e
"cólete", normalmente fechadas em outras regiões. Há lugares onde se
diz ‘’tomati’’, pimênta e kaska.
As variações também podem ser notadas nas estruturas sintáticas ou no
nível lexical. Assim, conforme a região, encontramos "nós fomos ir embora" em vez
de "nós fomos embora" e a banana pode ser "anã", "nanica" ou "d'água".
Fonte: www.descomplica.com.br
A densidade de comunicação também pode explicar as variedades
linguísticas que existem entre os diferentes grupos sociais, uma vez que cada um
formará a sua própria rede de comunicação. Assim, sociedades rurais e urbanas
são importantes fatores sociais, bem como sexo, idade, escolaridade, classe
socioeconômica, dentre outros. Sabemos, por exemplo, que pessoas que vivem nas
áreas urbanas falam variedades diferentes dos falantes do meio rural, onde são
comuns formas como "nóis vai" ou "eles prantô" em oposição às formas padrão "nós
vamos" e "eles plantaram", mais características das regiões urbanas.
As mulheres, por outro lado, são linguisticamente mais conservadoras e
geralmente mais sensíveis à norma culta do que os homens, além de usarem
expressões e até entonações mais associadasà feminilidade, enquanto os homens,
de modo geral, distanciam-se da norma padrão e usam formas que acentuam sua
masculinidade. Segundo Possenti, "muitos meninos não podem usar a chamada
linguagem correta na escola, sob pena de serem marcados pelos colegas, porque
em nossa sociedade a correção é considerada uma marca feminina".
Os grupos etários também diferem linguisticamente: os mais jovens, por
exemplo, tendem a ser menos conservadores que os mais velhos e isso se refletirá
na sua maneira de falar.
A escolaridade também é um fator muito relevante na questão da variação
linguísticas e, em nosso país, está diretamente relacionada à classe
socioeconômica, porque os que têm acesso à escola pertencem, de modo geral, ao
grupo socioeconômico mais privilegiado. Dessa maneira, as pessoas pertencentes
aos estratos sociais mais altos tendem a usar mais as formas padrão do português
do que aquelas dos grupos menos privilegiados e menos escolarizados.
A língua varia, ainda, de acordo com a situação em que o falante se encontra.
Situações formais exigem uma variedade de língua mais cuidada, uma vez que a
sociedade impõe certas regras sociais - e, consequentemente, linguísticas - que
espera ver cumpridas, e que qualquer desrespeito a essas regras pode provocar
não só o constrangimento ao falante como também a sua não-aceitação pelo grupo.
Linguisticamente, porém, todas as formas associadas a grupos sociais e a
diferentes situações são igualmente perfeitas. Nenhuma é melhor, ou mais correta
ou mais bonita que outra, embora umas tenham prestígio social e outras não
tenham, e embora algumas possam ser mais adequadas a certas situações sociais
que outras.
A aceitação ou não de certas formas linguísticas por parte da comunidade
falante está relacionada com o significado social que lhe é imposto pelo grupo que
as usam, ou seja, estão relacionadas com o conjunto de valores que simbolizam e
que se uso comunica. Algumas variedades são estigmatizadas ou ridicularizadas
não porque são feias, incorretas ou ruins em si, mas porque a sociedade,
preconceituosamente, associa seu uso a situações e/ou grupos sociais com valores
negativos. Cientificamente, porém, todas as variedades de uma língua qualquer são
igualmente consideradas, porque possuem uma gramática, ou seja, todas possuem
regras, todas têm organização e todas são funcionais.
A escola, de modo geral e tradicionalmente, tem desconsiderado a questão
da variação linguística e dos usos das variedades pela comunidade falante, o que
é bastante grave, já que muito do que é classificado como problema de fala e escrita,
principalmente na alfabetização, está diretamente relacionado ao fenômeno.
O professor alfabetizador, geralmente imbuído dos conceitos da gramática
tradicional, atribui valores de certo e errado aos textos de seus alunos,
desconsiderando que as crianças, nesta fase, além de não possuir o domínio do
sistema gráfico e das complexidades que lhe são características, tende a escrever
conforme o seu dialeto regional e/ou social.
Mattoso Câmara Jr., em um artigo denominado "Erros de escolares como
sintomas de tendências linguísticas no português do Rio de Janeiro", apresenta
resultados parciais de análises de textos em que mostra que a oralidade e a
percepção fonética estão presentes na produção escrita dos alunos.
Luiz Carlos Cagliari, em Alfabetização e linguística, afirma que as crianças
relacionam a fala e a escrita ortográfica a todo momento e que seus erros não são
frutos de distração, irreflexão ou descuido. Para ele, os alunos aprendem a escrever
produzindo textos espontâneos, aplicam nessa tarefa um trabalho de reflexão muito
grande e se apegam a regras que revelam usos possíveis do sistema de escrita do
português. Essas regras são tiradas dos usos ortográficos que o próprio sistema de
escrita tem ou de realidades fonéticas, num esforço da criança para aplicar uma
relação entre letra e som que nem sempre é previsível, mas que também não é
aleatória.4
TIPOS DE VARIEDADES LINGUÍSTICAS
Variedades geográficas
4 Texto adaptado: www.scielo.br
Varia conforme o lugar, a região ou pais em que é desenvolvida. As
mudanças de tipo geográfico se chamam dialetos. Diz-se que uma língua é um
conjunto de dialetos cujos falantes podem se entender.
Exemplos: “menino” é dito no Sudeste.” Guri” para os gaúchos e “piá” para
os paranaenses.
Variedades históricas
Ela varia com o tempo, com o desenvolvimento da história. Como por
exemplo, a palavra “Você”, que antes era “vosmecê” e que agora, diante da
linguagem reduzida no meio eletrônico, é apenas “VC”.
Variedades sociais
Os fatores podem variar dependendo da classe social, educação
(alfabetizado e analfabeto), profissão (médico e economista), idade (criança e
idoso), procedência étnica, etc. É aquela pertencente a um grupo específico de
pessoas.
Gírias usadas por grupos como jogadores de “games”, surfistas etc. Temos
a linguagem coloquial, usada no dia a dia das pessoas; Jargões usados por
profissionais como médicos, técnicos de informática, advogados e a linguagem
formal, usada pelas pessoas que tem uma maior classe social.
Variedades situacionais
Incluem as modificações na linguagem decorrentes do grau de formalidade
da situação ou das circunstâncias em que se encontra o falante. Ocorre de acordo
com o contexto o qual está inserido, por exemplo, as situações formais e informais.
Exemplo: Conversa em uma rede social será informal. Em uma entrevista de
emprego será formal
E você, qual o concurso você vai fazer? Deixe um comentário para mim, pois
posso fazer postagens direcionadas para ele e te ajudar mais. Aproveita também
para inscrever seu e-mail para receber conteúdos todos os dias.5
Fonte: www.mscamp.wordpress.com
O ENSINO DAS VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS NOS ANOS INICIAIS
As aulas de Língua Portuguesa costumam centrar-se no ensino da
gramática, ensinando centenas de regras, que muitas vezes se distanciam da
realidade dos falantes brasileiros. Com isso, causam certa antipatia por parte dos
estudantes, pois eles se sentem como aprendizes de um idioma estrangeiro que,
por mais que se esforcem, dificilmente chegarão à fluência. Para Antunes (2003, p.
40):
O conhecimento teórico disponível a muitos professores, em geral, se
limita a noções e regras gramaticais apenas, como se tudo o que é uma
língua em funcionamento coubesse dentro do que é uma gramática.
Teorias linguísticas do uso da prosódia, de morfossintaxe, da semântica,
da pragmática, teorias do texto, concepções de leitura, de escrita,
5 Texto extraído: www.centraldefavoritos.com.br
concepções, enfim, acerca do uso interativo e funcional das línguas, é o
que pode embasar um trabalho verdadeiramente eficaz do professor de
português.
Para Terra (2008), “a gramática normativa apresenta características
semelhantes aos códigos de natureza ética ou moral, que nos impõem o que
devemos ou não fazer, o que é permitido e o que é proibido” (Terra, 2008, p 53).
Sendo assim, parece tornar o ensino autoritário e descontextualizado com a prática
linguística de muitos estudantes, que têm que decorar as regras para realização de
uma prova, mas que, na sua vida, muitas delas não serão utilizadas. De que adianta
ter centenas de regras gramaticais, as quais não representam o modo como a
grande massa dos falantes brasileiros usa a língua? Muitas dessas regras, no
entanto, para os dias atuais, são obsoletas. É o que pensa Terra (2008, p. 59)
quando nos diz que:
Dado o caráter estático da norma e o caráter dinâmicoda fala, a distância
entre ambas é, em cada momento maior. A fala, por ser a realização
concreta da língua, representando sua diversidade, evolui a cada instante,
acompanhando as transformações da sociedade.
Ensina-se a língua portuguesa como se fosse só gramática, tudo que uma
língua tem de riqueza e dinamismo é posto em segundo plano. Alguns professores
questionam: por que os estudantes não gostam da Língua Portuguesa? “O que a
escola ensina não é a língua, mas a nomenclatura. As aulas de Língua Portuguesa
costumam se caracterizar por ensinar o nome das coisas” (Terra, 2008, p 79).
Pressupõe-se que o mais importante da língua não é ensinado. O seu uso social e
a funcionalidade entre os homens que a utilizam parecem não ser lembrados
durante as aulas.
Estas mesmas aulas de português, quando dispõem de tempo para o ensino
das variações linguísticas, o fazem de maneira intolerante, como aponta Bagno
(2008, p. 16):
É preciso evitar a prática distorcida de apresentar a variação como se ela
existisse apenas nos meios rurais ou menos escolarizados, como se
também não houvesse variação (e mudança) linguística entre os falantes
urbanos, socialmente prestigiados e altamente escolarizados, inclusive
nos gêneros escritos mais monitorados.
Considerando as variações como algo que compromete a existência da
Língua Portuguesa, os próprios livros didáticos contribuem para agravar esta
situação, favorecendo umas variações e criticando outras. Bagno (2008, p. 16)
defende que:
Todos os aprendizes devem ter acesso às variedades linguísticas urbanas
de prestígio, não porque sejam as únicas formas “certas” de falar e de
escrever, mas porque constituem, junto com outros bens sociais, um direito
do cidadão, de modo que ele possa se inserir plenamente na vida urbana
contemporânea, ter acesso aos bens culturais mais valorizados e dispor
dos mesmos recursos de expressão verbal (oral e escrita) dos membros
das elites socioculturais e socioeconômicas.
O ensino da Língua Portuguesa necessita com urgência de uma
reorganização, não só no ensino das variações linguísticas, como em todas as
áreas, como defendem os Parâmetros Curriculares Nacionais da Língua
Portuguesa (PCNs):
Essas evidências de fracasso escolar apontam à necessidade de
reestruturação do ensino de Língua Portuguesa, com o objetivo de
encontrar formas de garantir, de fato, a aprendizagem da leitura e da
escrita (Secretaria de Educação Fundamental,1997, p. 19).
A escola não pode discriminar o estudante pelo seu jeito de se comunicar.
Pois, essa maneira de falar representa muito mais que um processo comunicativo,
é a identidade do falante. Nela, é possível perceber de onde vem este falante, a que
classe social pertence, que cultura possui, etc. É de grande relevância para o falante
do português saber identificar e diferenciar sua variação linguística das demais, não
para desprestigiar, e sim para respeitar e encantar-se com a riqueza que a língua
materna possui. É uma das propostas dos PCNs da Língua Portuguesa dos anos
iniciais:
(...) conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural
brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações,
posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças
culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras
características individuais e sociais (Secretaria de Educação Fundamental,
1997, p. 15).
O conhecimento das diversas variações linguísticas também possui sua
finalidade para a compreensão da linguagem do cinema, teatro e telenovelas, para
a caracterização do modo de falar dos personagens, que muitas vezes o fazem de
forma exagerada e totalmente diferente da realidade, por falta de informação ou
intencionalmente. Um bom exemplo disso são os sotaques dos personagens
nordestinos exibidos nas novelas, que muitas vezes são exagerados e tornam-se
cômicos, representando quase sempre pessoas de classes populares e
notadamente com pouco nível de instrução. Segundo Bagno (2008) esse sotaque
deve ser de um nordestino de marte.
Fonte: www.trabalhosparaescola.com.br
Por conta desta ação e do ensino discriminatório, é que o preconceito
linguístico vem se expandindo. Com a mesma importância que o ensino da norma
padrão representa para qualquer cidadão no seu uso social, as variações não
padrão também estão presentes. Durante o dia e, dependendo de com quem se
fala, é necessário mudar o jeito de falar para ser compreendido. É o que acontece
com os inúmeros gêneros textuais, cada um com sua função para auxiliar a escrita.
O direito que é dado para todos aprenderem a norma padrão deve ser o
mesmo para o ensino das variações. O estudante não pode em momento algum
sentir-se linguisticamente inferior, nem superior às outras variações, pois “diferença
não é deficiência nem inferioridade” (Bagno, 2008, p. 29). O autor ainda defende
que:
Seria mais justo e democrático explicar ao aluno que ele pode dizer
“bulacha” ou “bolacha”, mas que só pode escrever bolacha, porque é
necessária uma ortografia única para toda a língua, para que todos possam
ler e compreender o que está escrito (Bagno, 2008, p. 69).
O que se espera da escola e dos docentes é uma mudança nesta concepção
do que é ensinar uma língua para o próprio falante do idioma. Que deixe de olhar
para a gramática como se fosse um livro sagrado e olhe mais para os estudantes
de língua Portuguesa, não como assassinos da língua, mas sim continuadores. A
falta de conhecimento dos docentes e das escolas de ciências como a Linguística
e a Sociolinguística deixa o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa intolerante.
A definição de Linguística, segundo Cagliari (2007. P. 42) é:
(...) a linguística é o estudo científico da linguagem. Está voltada para a
explicação de como a linguagem humana funciona e de como são as
línguas em particular, quer fazendo o trabalho descritivo usando os
conhecimentos adquiridos para beneficiar outras ciências e artes que usam
de algum modo, a linguagem falada ou escrita
É imprescindível que os estudantes aprendam seu idioma de forma lúdica
quando for possível ou de maneira prazerosa. Que não se considerem incapazes
de falar sua própria língua e que vejam que a comunicação humana é um
instrumento tão poderoso, que pode até resolver conflitos ideológicos, políticos e
sociais quando se faz necessário um diálogo.
É nítido que não só o ensino das variações linguísticas, como o de toda
Língua Portuguesa está acontecendo de forma descontextualizada, para não dizer
errada.
É o que Cagliari (2007) mostra:
Neste país, o aluno passa 8 anos na escola de 1° grau, 3 anos na de 2°
grau e pode passar mais 4 anos na faculdade, sem contar o ano de
cursinho preparatório e as reprovações [...] e, se um especialista em
problemas relacionados à Língua Portuguesa fizer uma pesquisa séria
para ver o que esse aluno aprendeu em mais de uma década de estudos,
sem dúvidas ficará decepcionado. Então o que o aluno faz nesses anos
todos de escola? Será que o ser humano precisa de tanto tempo para
aprender tão pouco? O que está errado nesta história? (Cagliari, 2007, p.
23).
Parece que a parte pedagógica do ensino não se importa com a bagagem
que o estudante tem linguisticamente desde que entra na escola. É como se ele
tivesse que esquecer tudo que já aprendeu socialmente sobre Língua Portuguesa
e tenha que aprender outra língua que nada tem a ver com a forma que ele se
expressa. É fundamental que o docente assuma o papel de estudioso, investigador,
cientista, buscando construir o próprio conhecimento da língua, assumindo uma
postura crítica que consequentementeo auxiliará a ressignificar sua prática, pois
segundo Bagno (2008, p. 115), como docentes devemos:
(...) acionar nosso sendo crítico toda vez que nos depararmos com um
comando gramatical e saber filtrar as informações realmente úteis,
deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações
preconceituosas, autoritárias e intolerantes. Da parte do professor em
geral, (...) essa mudança de atitude deve refletir-se na não-aceitação de
dogmas, na adoção de uma nova postura (crítica) em relação a seu próprio
objeto de trabalho: a norma culta.
A escola e os docentes, principalmente dos anos iniciais, estão tão incutidas
da norma padrão, que parecem acreditar que sua principal função é ensinar a
criança a falar segundo essa norma. É um terrível engano que podemos cometer
se aderirmos essa ideia, quando sabemos que isso não corresponde ao que nos diz
os PCNs:
Não é papel da escola ensinar o aluno a falar: isso é algo que a criança
aprende muito antes da idade escolar. Talvez por isso, a escola não tenha
tomado para si a tarefa de ensinar quaisquer usos e formas da língua oral.
Quando o faz, foi de maneira inadequada: tentou corrigir a fala “errada”
dos alunos – por não ser coincidente com a variação linguística de prestigio
social, com a esperança de evitar que escrevesse errado. Reforçou assim
o preconceito contra aqueles que falam diferente da variedade prestigiada.
(Secretaria de Educação Fundamental, 1997, p. 48)
Se fosse assim, o estudante chegaria ao ambiente escolar mudo e, com o
avançar das séries, começaria a falar como o que acontece com quem está
aprendendo um novo idioma, como aponta Cagliari (2007, p. 83):
Um aluno na escola não pode chegar à conclusão que seus pais são
“burros” porque falam errado, não pode achar que as pessoas de sua
comunidade são incapazes porque falam errado, não têm valor porque
falam errado, ao passo que a cultura só está com quem fala o dialeto
padrão, que a lógica do raciocínio só pode ser expressa nessa variedade
linguística, que o bom, belo e perfeito só pode ser expresso através das
“palavras bonitas” do dialeto-padrão.
Não se trata de uma apologia ao falar diferente da norma padrão, mas tão só
de respeitar as variações que não seguem a normatização. Tendo em vista que toda
sociedade se constitui da individualidade de cada um “não se trata de ensinar a falar
ou a fala “correta”, mas sim as falas adequadas ao contexto de uso” (Secretaria de
Educação Fundamental, 1997 p. 22).
Fonte: www.provafacilnaweb.com.br
Uma união entre um homem e uma mulher ganha mais credibilidade quando
existe uma certidão de casamento. A escravidão só terminou com a assinatura da
Lei Áurea. Como se percebe a sociedade dá um status de seriedade para a escrita.
Por ter um papel muito relevante no mundo letrado, como nos diz Cagliari (2007, p.
96): “O ensino do português tem sido fortemente dirigido para a escrita, chegando
mesmo a se preocupar mais com a aparência da escrita do que com o que ela
realmente faz representar”. Porém, não se pode esquecer que, da mesma forma
que a escrita tem uma funcionalidade, a fala também tem. É o que afirmam os PCNs:
O domínio da língua, oral e escrita, é fundamental para a participação
social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso
à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói
visões de mundo, produz conhecimento. Por isso, ao ensiná-la, a escola
tem a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos
saberes linguísticos, necessários para o exercício da cidadania, direito
inalienável de todos (Secretaria de Educação Fundamental, 1997, p. 19).
Por isso o ensino da Língua Portuguesa concentra-se na escrita (produção
textual, resolução de questões, leitura silenciosa). Já a fala raramente é trabalhada
em sala de aula e quando acontece é de forma errônea, criticando a maneira como
certo grupo social fala. Da mesma forma que não existe variação superior a outra,
o mesmo ocorre entre a escrita e a fala durante o ensino; as duas têm que ser
coniventes no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que “pode-se perceber
agora que o ensino da Língua Portuguesa não só é problemático pelo que se ensina,
mas também é falho porque se deixa de ensinar muita coisa” (Cagliari, 2007, 48).
As aulas de Língua Portuguesa podem dar o direito para o estudante falar,
discutir seu idioma, brincar com a fonologia das palavras, como acontece com a
escrita. Diante dos pressupostos, entende-se que as variações linguísticas não são
muito apreciadas pela escola, por apresentarem características que “promovem” o
desvio da norma padrão, pois “a escola, como espelho da sociedade, não admite o
diferente e prefere adotar só as noções de certo e errado, numa falsa visão da
realidade” (Cagliari, 2007, p. 65). Com essa premissa, como o professor dos anos
iniciais pode ensinar a Língua Portuguesa, sem desvalorizar as variações
linguísticas?
Aprender português (...) não é só aprender como a língua (e suas
variedades) funcionam, mas também estudar ao máximo os usos
linguísticos; e isso não significa só aprender a ler e escrever, mas inclui
ainda a formação para aprender e usar as variedades linguísticas
diferentes, sobretudo o dialeto-padrão. A escola dessa forma não só
ensinaria português, como desempenharia ainda o papel imprescindível de
promover socialmente os menos favorecidos pela sociedade (Cagliari,
2007, p. 83).
Geralmente, as variações linguísticas são alvo de discriminação,
principalmente, por serem relacionadas à fala de pessoas das camadas sociais
menos privilegiadas. A escola e o professor precisam demonstrar o respeito pela
liberdade de expressão dessas pessoas e a língua precisa ser ensinada de forma a
combater esse preconceito. Os PCNs discutem que a língua deve ser também
objeto de reflexão, apoiando-se em dois fatores: “a capacidade humana de refletir,
analisar, pensar sobre os fatos e os fenômenos da linguagem, e a propriedade que
a linguagem tem de poder referir-se a si mesma, de falar sobre a própria linguagem”
(Secretaria de Educação Fundamental, 1997, p. 53).
É possível fazer com que o estudante aprenda sobre a linguagem verbal e
sobre os contextos sociais nos quais ela se aplica. Um dos principais objetivos do
ensino da Língua Portuguesa nos primeiros ciclos é trabalhar com o estudante a
capacidade de “participar de diferentes situações de comunicação oral, acolhendo
e considerando as opiniões alheias e respeitando os diferentes modos de falar”
(Secretaria de Educação Fundamental, 1997, p. 68).
A formação do sujeito está além da sala de aula, mas é nela que podemos
intervir nesse processo, pois a partir do momento em que o estudante reflete sobre
suas atitudes, ele também pode ter uma compreensão ampla dos fatores que
implicam em determinadas situações que envolvam as variações linguísticas, se
reconhecendo como agente transformador que pode e deve combater o preconceito
linguístico. A escola pode e deve formar bons usuários da língua padrão, mas
fazendo com que possam reconhecer e utilizar as variedades linguísticas,
respeitando-as como característica de um determinado grupo social, tal como
aponta Cagliari (2007, p. 84).
Se os alunos aprenderem a verdade linguística das variantes, geração
após geração, a sociedade mudará seu modo de encarar esse fenômeno
e passará a ter um comportamento social mais adequado com relação às
diferenças linguísticas.
Com isso, teremos falantes conscientes da diversidade linguística da Língua
Portuguesa, abolindo a intolerância e o desrespeito com as variações linguísticas.
Geraldi (1997) diz que miséria social e miséria delíngua confundem-se. Essa frase
nos faz refletir sobre o que acontece com vários brasileiros que se sentem
miseráveis, por não ter o básico para sobreviver, e mais ainda, por não falar a língua
padrão exigida pela gramática, que considera a sua forma de falar errada e que não
pertence à língua portuguesa. Milhares de pessoas são excluídas socialmente por
não seguirem a normatização de uma determinada gramática, escolhida há séculos
numa sociedade totalmente diferente da de hoje.
Fonte: www.novosalunos.com.br
Como nos afirma Bagno (2008, p. 29) “assim, tal como existem milhões de
brasileiros sem escola, sem teto, sem trabalho, sem saúde, também existem
milhões de brasileiros que poderíamos chamar de sem línguas”. Isso nos faz refletir
sobre o nosso papel de docente e nossa prática em sala de aula e, também, sobre
a nossa relação com os milhares de estudantes que deverão passar por nós, que
refletirão nossos pontos de vista e nossas esperanças, pois que é através deles que
poderemos combater o preconceito linguístico.6
GÊNEROS TEXTUAIS
São textos que exercem uma função social específica, ou seja, ocorrem em
situações cotidianas de comunicação e apresentam uma intenção comunicativa
bem definida.
Os diferentes gêneros textuais se adequam ao uso que se faz deles.
Adequam-se, principalmente, ao objetivo do texto, ao emissor e ao receptor da
mensagem e ao contexto em que se realiza.
Você já se deu conta da infinidade de situações comunicacionais às quais
somos expostos ao longo de nossa vida? Nem precisa tanto, pois durante um único
dia podemos estar envolvidos em diferentes contextos e ambientes que exigem de
nós um comportamento linguístico específico. A linguagem é um dos mais eficientes
meios de comunicação, pois ela nos permite interagir com pessoas, assim como
alterar nosso discurso de acordo com as necessidades do momento.
Dessa constante necessidade que o ser humano tem de interagir e
comunicar-se com o outro, surgiram os gêneros textuais. Os gêneros textuais não
podem ser numerados, visto que variam muito e adaptam-se às necessidades dos
falantes. Mesmo que não possamos contá-los, é possível observar que eles
possuem peculiaridades que nos permitem identificá-los e reconhecê-los entre
tantos outros gêneros. Entre as características dos gêneros textuais estão a
apresentação de tipos estáveis de enunciados, além de estruturas e conteúdos
temáticos que facilitam sua definição.
Diferentemente dos tipos textuais, que apresentam uma estrutura bem
definida, além de um número limitado de possibilidades (podem variar entre cinco e
nove tipos), os gêneros textuais são diversos e cumprem uma função social
6 Texto extraído: www.ipv.pt
específica. Além disso, os gêneros podem sofrer modificações ao longo do tempo,
embora muitas vezes preservem características preponderantes. Como exemplo
dessa “evolução”, temos a carta, que depois do advento da tecnologia foi
transformada no e-mail, meio de comunicação que substituiu o papel, a caneta e a
necessidade de postagem pelos correios, visto que pode ser recebido
instantaneamente pelo destinatário. Contudo, alguns elementos linguísticos foram
preservados, como as saudações, o remetente e, claro, o destinatário.
Os gêneros são utilizados todas as vezes que os falantes estão inseridos em
alguma situação comunicativa. Ainda que inconscientemente, selecionamos um
gênero que melhor se adapta àquilo que desejamos transmitir aos nossos
interlocutores, sempre com a intenção de sobre ele obter algum efeito. Seja no
bilhetinho deixado na porta da geladeira, seja nas postagens feitas nas redes sociais
ou até mesmo nas piadas que contamos para os nossos amigos, os gêneros estão
lá, trabalhando a serviço da comunicação e da linguagem.7
Exemplos de gêneros textuais
Romance;
Conto;
Fábula;
Lenda;
Novela;
Crônica;
Notícia;
Ensaio;
Editorial;
Resenha;
Monografia;
Reportagem;
7 Texto adaptado: www.portugues.uol.com.br
Relatório científico;
Relato histórico;
Relato de viagem;
Carta;
E-mail;
Abaixo-assinado;
Artigo de opinião;
Diário;
Biografia;
Entrevista;
Curriculum vitae;
Verbete de dicionário;
Receita;
Regulamento;
Manual de instruções;
Bula de medicamento;
Regras de um jogo;
Lista de compras;
Cardápio de restaurante;
Embora os diferentes gêneros textuais apresentem estruturas específicas,
com características próprias, é importante que os concebamos como flexíveis e
adaptáveis, ou seja, que não definamos a sua estrutura como fixa.
Os gêneros textuais possuem transmutabilidade, ou seja, é possível que se
criem novos gêneros a partir dos gêneros já existentes para responder a novas
necessidades de comunicação. São adaptáveis e estão em constante evolução.
TIPOS E GÊNEROS TEXTUAIS
Fonte: www.revistaestante.fnac.pt
Tipos e gêneros textuais são duas categorias diferentes de classificação
textual.
Os tipos textuais são modelos abrangentes e fixos que definem e distinguem
a estrutura e os aspectos linguísticos de uma narração, descrição, dissertação e
explicação.
Exemplos de tipos textuais:
Texto narrativo;
Texto descritivo;
Texto dissertativo expositivo;
Texto dissertativo argumentativo;
Texto explicativo injuntivo;
Texto explicativo prescritivo.
Os aspectos gerais dos tipos de texto concretizam-se em situações
cotidianas de comunicação nos gêneros textuais, textos flexíveis e adaptáveis que
apresentam uma intenção comunicativa bem definida e uma função social
específica, adequando-se ao uso que se faz deles.
Gêneros textuais pertencentes aos textos narrativos:
romances;
contos;
fábulas;
novelas;
crônicas;
Gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos:
diários;
relatos de viagens;
folhetos turísticos;
cardápios de restaurantes;
classificados;
Gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos:
jornais;
enciclopédias;
resumos escolares;
verbetes de dicionário;
Gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos:
artigos de opinião;
abaixo-assinados;
manifestos;
sermões;
Gêneros textuais pertencentes aos textos injuntivos:
receitas culinárias;
manuais de instruções;
bula de remédio;
Gêneros textuais pertencentes aos textos prescritivos:
leis;
cláusulas contratuais;
edital de concursos públicos;
Gêneros textuais e gêneros literários
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se referem a qualquer
tipo de texto, enquanto os gêneros literários se referem apenas aos textos literários.
Os gêneros literários são divisões feitas segundo características formais
comuns em obras literárias, agrupando-as conforme critérios estruturais,
contextuais e semânticos, entre outros.
Exemplos de gêneros literários:
Gênero lírico;
Gênero épico ou narrativo;
Gênero dramático.
Os gêneros textuais são classificados conforme as características comuns
que os textos apresentam em relação à linguagem e ao conteúdo.
Existem muitos gêneros textuais, os quais promovem uma interação entre os
interlocutores (emissor e receptor) de determinado discurso.
São exemplos resenha crítica jornalística, publicidade, receita de bolo, menu
do restaurante, bilhete ou lista de supermercado.
É importante considerar seu contexto, função e finalidade, pois o gênero
textual pode conter mais de um tipo textual.Isso, por exemplo, quer dizer que uma
receita de bolo apresenta a lista de ingredientes necessários (texto descritivo) e o
modo de preparo (texto injuntivo).
Cada texto possuiu uma linguagem e estrutura. Note que existem inúmeros
gêneros textuais dentro das categorias tipológicas de texto. Em outras palavras,
gêneros textuais são estruturas textuais peculiares que surgem dos tipos de textos:
narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e injuntivo.
Fonte: www.conceptodefinicion.de
Texto Narrativo
Os textos narrativos apresentam ações de personagens no tempo e no
espaço. A estrutura da narração é dividida em: apresentação, desenvolvimento,
clímax e desfecho.
Alguns exemplos de gêneros textuais narrativos:
Romance
Novela
Crônica
Contos de Fada
Fábula
Lendas
Texto Descritivo
Os textos descritivos se ocupam de relatar e expor determinada pessoa,
objeto, lugar, acontecimento. Dessa forma, são textos repletos de adjetivos, os
quais descrevem ou apresentam imagens a partir das percepções sensoriais do
locutor (emissor).
São exemplos de gêneros textuais descritivos:
Diário
Relatos (viagens, históricos, etc.)
Biografia e autobiografia
Notícia
Currículo
Lista de compras
Cardápio
Anúncios de classificados
Texto Dissertativo-Argumentativo
Os textos dissertativos são aqueles encarregados de expor um tema ou
assunto por meio de argumentações. São marcados pela defesa de um ponto de
vista, ao mesmo tempo que tentam persuadir o leitor. Sua estrutura textual é dividida
em três partes: tese (apresentação), antítese (desenvolvimento), nova tese
(conclusão).
Exemplos de gêneros textuais dissertativos:
Editorial Jornalístico
Carta de opinião
Resenha
Artigo
Ensaio
Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado
Texto Expositivo
Os textos expositivos possuem a função de expor determinada ideia, por
meio de recursos como: definição, conceituação, informação, descrição e
comparação.
Alguns exemplos de gêneros textuais expositivos:
Seminários
Palestras
Conferências
Entrevistas
Trabalhos acadêmicos
Enciclopédia
Verbetes de dicionários
Texto Injuntivo
O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional, é aquele que indica
uma ordem, de modo que o locutor (emissor) objetiva orientar e persuadir o
interlocutor (receptor). Por isso, apresentam, na maioria dos casos, verbos no
imperativo.
Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos:
Propaganda
Receita culinária
Bula de remédio
Manual de instruções
Regulamento
Textos prescritivos
Fonte: www.feitonuvem.com
REDAÇÃO OFICIAL CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICIDADES
É fundamental se citar algumas diferenças entre a Redação Oficial de um
padrão oficial, de uma forma específica de linguagem isto irá pertencer aos meios
administrativos. E pelo contrário, por ter algumas finalidades básicas toda a
comunicação de cunho mais claro e mais objetivo possível acaba se impondo a
redação oficial.
Com isto muitos parâmetros de utilização da língua que diferem dos utilizados
pela literatura, pelo texto jornalístico, e ainda por formas consideradas muito mais
subjetivas de comunicação específica.
Vale dizer ainda que a redação oficial não deve ser algo necessariamente
árido, ou ainda ofensivo para a evolução da língua. E a sua finalidade básica acaba
impondo diversos parâmetros a utilização que se faz da língua de forma diversas
daquele da literatura, de textos jornalísticos, e ainda de toda a correspondência
particular.
A impessoalidade é algo fundamental, e a finalidade da língua é
exclusivamente se comunicar, quer seja pela fala, quer seja pela escrita. E para que
exista uma boa comunicação é importante que alguém nos comunique, que tenha
algo a ser comunicado e ainda alguém receba esta comunicação.
Tudo isto deverá ser sempre as atribuições de um órgão que acaba
comunicando o destinatário, ou é o público o conjunto de todos os cidadãos ou ainda
outros órgãos de ordem pública e poderes da união.8
A redação oficial tem sido a causa de muita preocupação para muitos
concurseiros, pois sua cobrança em provas de concurso é muito grande.
É possível compreender toda essa preocupação uma vez que escrever uma
redação oficial exige o conhecimento de normas e técnicas estabelecidas para essa
escrita.
8 Texto extraído: ww.blog.qconcursos.com
Se você faz parte desse grupo de concurseiros então continue lendo esse
artigo. Você encontrará aqui os seis principais pilares para a produção da redação
oficial que irão diminuir, ou até mesmo, acabar com a sua angústia.
10.1 O que é uma redação oficial?
Redação oficial é uma forma específica de escrever que deve seguir algumas
normas e técnicas estabelecidas.
É comumente utilizada em momentos formais que necessitam ser
documentados ou quando envolvem os três poderes constituído pelo Estado: o
Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Neste caso, a redação oficial, é a maneira
pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações.
Assim como qualquer correspondência, essa forma de escrita deve
apresentar algumas características básicas:
Formalidade;
Padronização;
Concisão;
Clareza;
Impessoalidade;
Uso do padrão culto da língua;
Formalidade
A redação oficial deve ser sempre formal e é importante se preocupar em
obedecer certas regras de forma. Além de usar a norma culta da língua portuguesa
e ser impessoal, é obrigatório certa formalidade de tratamento. Por esse motivo é
essencial que você estude também o uso correto dos pronomes de tratamento.
Padronização
Ligada a formalidade de tratamento está a necessidade de padronização, ou
seja, a uniformidade das comunicações. Ao redigir uma comunicação oficial deve-
se seguir um mesmo padrão atento para todas as características da redação oficial
e sempre tomando cuidado com a apresentação dos textos.
10.2 Concisão
O texto conciso é aquele que consegue transmitir um máximo de informações
com um mínimo de palavras. Para isso, é importante que se tenha conhecimento
sobre o assunto, assim como também, tempo para revisar o texto depois de pronto.
Mas atenção! Redigir um texto conciso não quer dizer que você deve eliminar
partes importantes do texto com o objetivo de reduzi-lo. O que se deve fazer é
cortar partes inúteis, redundâncias, ambiguidades, passagens que nada
acrescentam ao texto.
10.3 Clareza
Um texto claro é aquele que transmite seu conteúdo de forma que seu leitor
possa compreender a mensagem facilmente. Sendo assim, a clareza deve ser uma
qualidade básica de todo texto oficial.
Para que haja a clareza é necessário que o texto apresente as outras
características aqui citadas.
10.4 Impessoalidade
Ao produzir um texto oficial, torna-se necessário deixa-lo impessoal, ou seja,
deve-se eliminar qualquer impressão pessoal. A redação oficial deve ser isenta da
interferência da individualidade.
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que nos valemos
para elaborar o texto contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
impessoalidade.
Para deixar um texto impessoal, podem ser usados três recursos:
Na voz ativa com sujeito indeterminado na terceira pessoa do plural, sem
núcleo que mostre o(s) agente(s) ou com verbo na terceira pessoa do
singular, com a partícula de indeterminação do sujeito(SE);
Na voz passiva analítica, com o verboser seguido de particípio;
Na voz passiva sintética, com verbo no singular ou no plural, concordando
com o sujeito paciente, agregado a uma partícula apassivadora (SE)9
Fonte: www.oenem.com.br/
9 Texto extraído: www.refinandoaescrita.com
SINTAXE E SEMÂNTICA
A sintaxe visa a determinar quais combinações de palavras são bem
formadas em determinada língua. É uma das partes da Gramática na qual são
estudadas as disposições das palavras nas orações, nos períodos, bem como
a relação lógica estabelecida entre elas.
Podemos considerar a Gramática como sendo o conjunto das regras que
determinam as diferentes possibilidades de associação das palavras de
uma língua para a formação de enunciados concretos. A Sintaxe própria de cada
língua impede que sejam realizadas combinações aleatórias entre as palavras.
Embora sejam bem distintas entre si, todas as línguas, além de possuírem
um léxico composto por milhares de palavras, possuem também um conjunto
de regras as quais determinam a forma como as palavras podem se relacionar para
formar enunciados concretos.
Sendo assim, a Sintaxe organiza a estrutura das unidades linguísticas,
os sintagmas, que se combinam em sentenças. Para que o falante de uma língua
possa interagir verbalmente com outros, ele organiza as sentenças linguísticas
para que possa transmitir um significado completo e, assim, ser compreendido.
11.1 Funções e Relações sintáticas
O enunciado se encaixa em uma organização/estruturação específica
prevista na língua. Essa organização é sempre regulada pela Sintaxe, a qual define
as sequências possíveis no interior dessas estruturas.
Vejamos agora quais são os tipos de relações e de funções sintáticas da
nossa língua:
11.2 Funções sintáticas
Consiste na função específica de cada elemento na sentença ao se
relacionar com outros elementos que também compõem o enunciado.
João vendeu um baú antigo ano passado.
- João: sujeito do verbo 'vender'.
- Um: adjunto adnominal.
- Um baú antigo: objeto direto de 'vendeu'.
11.3 Relações sintáticas
Consiste nas relações estabelecidas entre as palavras que definem
as estruturas possíveis na Sintaxe das línguas.
João vendeu um baú antigo ano passado.
- João: agente da ação expressa pelo verbo 'vender';
- Ano passado: quando a ação foi realizada.
SEMÂNTICA
Já a Semântica investiga as propriedades do significado bem como o estudo
do significado das expressões das línguas naturais. Entretanto, essa ciência tem
causado debates e controvérsias tanto terminológicos quanto substanciais, sobre a
natureza do significado. Para Gomes (2003, p. 14), estudar Semântica passou a
ser, antes de tudo uma opção metodológica sobre a dimensão natural, formal, ou
social da linguagem. Há diferentes linhas de pesquisa da Semântica, desde a época
dos filósofos até as tendências mais contemporâneas, mas nenhuma dessas linhas
conseguiu elucidar ou apresentar uma resposta satisfatória ao termo significado.
Perini (2005, p. 244) afirma que a descrição da semântica de uma língua
apresenta dois aspectos principais: a semântica dos itens lexicais e a semântica
das formas gramaticais. A primeira se ocupa do significado individual dos itens
lexicais e a segunda trata das contribuições da estrutura morfossintática à
interpretação semântica. Percebe-se que os itens lexicais têm um significado
próprio, porém de acordo com sua posição sintática, podem adquirir novos
significados. Ilari e Geraldi (1995) no livro Semântica, mais especificamente no
capítulo II, cujo título é “A significação das construções gramaticais”, discutem a
relação entre sintaxe e semântica. A partir desta análise feita pelos autores, pode-
se depreender algumas considerações importantes.
Um dos pontos tratados por Ilari e Geraldi (1995, p. 8) é a crítica imediata em
relação a alguns conceitos adotados pela Gramática Tradicional no que diz respeito
à definição de oração. De acordo com a maioria das Gramáticas Normativas, a
oração é descrita como a junção de um sujeito e de um predicado, inclusive é
prescrito que sujeito e predicado são termos essenciais da oração.
Contudo, observa-se que esse conceito é inconsistente, uma vez que há
oração sem sujeito como nos exemplos:
Choveu muito.
Há muitos homens na fila.
Perini (1999) também chama a atenção para a concepção gramatical de
sujeito. Para a gramática de Cunha (1975), por exemplo, o sujeito é o termo sobre
o qual se faz uma declaração. Observe a oração:
Carlinhos machucou Camilo.
Nessa oração, embora Carlinhos seja o sujeito, há, sem dúvida, uma
declaração sobre Camilo que não é o sujeito da oração.
Dessa forma, muitos conceitos prescritos pela Gramática Normativa se
tornam frágeis, no entanto, as relações semânticas possibilitam estabelecer uma
versão com maior fundamentação em relação às prescrições gramaticais e aos
próprios fatos da língua.
Outro item fundamental tratado por Ilari e Geraldi (1995) está relacionado ao
verbo de ligação. Para a Gramática Tradicional esse tipo de verbo é um mero
componente de ligação, de certa forma, até desprovido de significado. Essa
concepção pode ser revista com o auxílio da Gramática de Port-Royal de Arnauld e
Lancelot.
Para tanto, Ilari e Geraldi (1995, p. 11) afirmam que a Lógica Clássica
entendeu a relação sujeito-predicado como expressão de juízos. Por exemplo:
Pedro é leitor.
Nessa oração, há um juízo expresso, um sentido pleno, pois se subentende
que Pedro lê, i.e., o verbo de ligação expressa que a segunda ideia (é leitor-
predicado) convém à primeira (Pedro sujeito). Assim, pode-se rever a tamanha
importância que o verbo de ligação estabelece. Ele possui um sentido bastante
significativo na sentença.
Ilari e Geraldi (1995, p. 15) recorrem a Frege para explicar esse fenômeno
na língua, para ele, as frases têm uma estrutura semântica e não sintática. Nas
frases a seguir percebe-se que elas possuem uma estrutura sintática semelhante
(sujeito=>predicado), entretanto com valor semântico distinto.
Pedro perde a mala.
Qualquer passageiro da Varig perde a mala.
Lopes (2003, p. 233) reforça a ideia de que o significado de uma sentença é
o produto tanto do significado lexical quanto do gramatical. Desse modo, a análise
semântica não pode considerar apenas o item lexical isolado. Esse aspecto é
perceptível no uso dos diminutivos no cotidiano da Língua Portuguesa. Por exemplo,
o vocábulo vaquinha, isolado, significa “vaca pequena”, porém essa palavra em uma
sentença como:
Não tinha dinheiro, então, fez-se uma vaquinha entre os amigos para
comprar a carne do churrasco.
Nessa situação, vaquinha não é mais vaca pequena (diminutivo), mas
adquire outro significado: ajuda mútua. Constata-se, portanto, que a palavra em
determina sentença consegue esclarecer seu sentido mais próximo do exato.
Das classes gramaticais pode adquirir uma nova versão, diferente da
adotada pela Gramática Tradicional e dicionários. A palavra ‘’velho’’, por exemplo,
é um adjetivo, mas em determinadas situações, ou melhor, construções sintáticas,
pode ser classificada como um substantivo.
O homem velho acidentou-se. (velho=adjetivo)
O velho acidentou-se. (velho=substantivo)
Gomes (2003) faz uma constatação bastante pertinente em relação à
significação determinada pelo contexto:
...o fato de que em todas as línguas ocorrem formas significantes passíveis
de realizações conceituais distinta desperta na Semântica Tradicional a
preocupação com o contexto. Ou seja,a determinação do significado
estaria na dependência de suas possíveis realizações contextuais. No
entanto, por mais flutuante que seja a significação de uma palavra ela não
se define exclusivamente pela sua situação no contexto; ele somente pode
torná-la mais precisa. (GOMES, 2003, p.31)
Posto isso, é importante considerar várias nuances na língua a fim de que se
possa capturar o significado preciso e não “cair” em superficialidades. Quanto mais
o pesquisador ou até mesmo o professor considerar o significado existente na
palavra, por exemplo, vinculado a seu contexto, mais eficaz serão seus resultados
no entendimento acerca da língua. Assim, um elemento não pode prejudicar o outro,
mas sim devem se complementar.10
Fonte: www.bibliotecamadre.blogspot.com
INDIVIDUALIDADE E DIVERSIDADE
Se olharmos para uma multidão veremos que não existe uma única pessoa
com o rosto igual outro. Somos todos diferentes. Temos tons de voz diferentes,
10 Texto extraído: file:///C:/Users/Colaborador/Downloads/3807-16914-1-PB%20(2).pdf
andamos diferente um dos outros, gesticulamos diferentemente, enfim, cada um é
único. Por que então a escola quer tanto massificar os alunos? Por que não se
respeita a individualidade de cada um?
Como pode a escola, lidando com seres tão diferentes querer avaliar de 0 a
10 o que o aluno “aprendeu” se a maneira como lhe foi explicada foi igual para todos.
Fala-se de maneira igual para entendimentos diferentes.
Como pode o entendimento do aluno ser avaliado se ele não teve
oportunidade de vivenciar nada do que foi dito! E quanto ao aluno que tem
potencialidades diferentes das abordadas em sala de aula? Como a escola poderá
saber se nunca olhou para este aluno de forma diferenciada. Nunca proporcionou
possibilidades que permitisse esse afloramento.
Acredito que é aí que mora o segredo. Permitir que o aluno se manifeste em
relação ao que lhe é importante. Sobre suas habilidades, preferências. Sobre qual
é o seu ritmo, seu tempo de desenvolvimento.
É o respeito à individualidade. É saber que cada um é cada um. No momento
em que as diferenças forem somadas numa sala de aula, aí sim haverá o
desenvolvimento das competências.
Ao se respeitar a individualidade se está respeitando o direito à criação, e a
criatividade é a ferramenta principal numa época em que o conhecimento é o
diferencial.
Atrelado a tudo isso deverá a escola propiciar, além de uma formação sólida,
conhecimentos extras que serão condições de oportunidades para o aluno atuar em
diferentes áreas passando a dominar as diferentes informações culturais e
tecnológicas, bem como desenvolver sua capacidade de inovação tornando-se
predisposto a mudanças mantendo-se, dessa forma, atualizado e desenvolvendo
postura crítica que lhe propiciará a interpretação antecipada das necessidades
futuras da sociedade.
Fonte: www.annaramalho.com.br
A educação estará, dessa forma, investindo nas principais características
para se formar um profissional de sucesso.
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a
sua própria produção ou a sua construção” – Paulo Freire.
A frase acima do renomado educador do século XX, Paulo Freire, se encaixa
em uma das maiores tendências da educação no país: o olhar individualizado para
cada aluno.
Quando a escola assume o papel de oferecer ensino de excelência, unido a
atitudes humanistas, ela se propõe, também, a destinar uma atenção
individualizada para cada estudante.
Este acompanhamento próximo e contínuo, respeitando as particularidades
de cada um, permite que o professor tenha uma visão mais detalhada de onde o
aluno está, aonde ele pode chegar e quais estratégias poderão ajudar esse
processo a ser mais efetivo e que faça com que o próprio aluno participe ativamente
da construção do seu conhecimento.
Para alcançar esse objetivo é necessário que toda a equipe pedagógica se
dedique a conhecer seus alunos e a elaborar planos de ensino que estimulem o
estudante a alcançar o seu maior potencial.
O olhar individualizado não anula a genuína missão das escolas, que é
integrar a todos, sem distinções, possibilitando que todos os alunos tenham as
mesmas oportunidades. O diferencial, neste caso, é que as oportunidades podem
ser aplicadas de forma única, percebendo e respeitando as limitações de cada
aluno.11
Conhecer, aproximar-se e acolher. Esses são os princípios básicos para que
um aluno ingresse e permaneça na escola, sentindo-se seguro e apto para iniciar a
aprendizagem e o convívio social com os colegas.
Esse momento acontece, principalmente, na Educação Infantil, quando as
crianças têm o primeiro contato com o ambiente escolar. Por isso, é muito
importante que a instituição de ensino elabore uma programação com horários e
atividades especiais que, com o acompanhamento contínuo da família, possam
garantir que o processo de adaptação seja tranquilo e progressivo, respeitando as
particularidades de cada aluno.
Valorizar a identidade da criança nas pequenas ações do dia a dia também
faz a diferença na fase de adaptação. Por exemplo, ao escolher com criança aonde
ela deseja sentar ou quais podem ser as cores de seus materiais, o professor dá a
ela a liberdade de se expressar, além de permitir uma maior interação com o
ambiente.
Nas séries subsequentes, como no Ensino Fundamental, o processo de
adaptação deve respeitar as especificidades da faixa etária. O acolhimento também
é de extrema importância nessa fase, já que o medo de ficar longe dos pais,
presente na Educação Infantil, foi substituído pela ansiedade em ser aceito em um
novo grupo.
Uma forma de integração interessante neste período são as brincadeiras e
as dinâmicas em grupo, oportunidades nas quais o aluno fala sobre sua
11 Texto adaptado: www.marupiara.com.br
personalidade e experiências, além de ser uma maneira efetiva de estreitar a
relação com os novos colegas.
Ensinar a importância do respeito que se deve ter com as diferenças dos
colegas no ambiente escolar é de fundamental importância, esse ensino deve ser
aplicado desde os primeiros anos de escolaridade.
Em primeiro lugar, convém explicar a complexibilidade do termo preconceito,
considerado como um ato pensado, elaborado e praticado não só pelos adultos,
mas também no meio infantil, visto que nem mesmo as crianças estão excluídas
das inúmeras formas de discriminação.
Sendo assim, é de extrema importância que seja eliminado o preconceito
desde os primeiros anos da Educação Infantil.
É fundamental que, desde o início, a hipocrisia seja deixada de lado na
afirmação de que todos somos iguais, mesmo porque se todos realmente fossem
iguais não haveria preconceito. É a partir das diferenças que surgem os
preconceitos.
É notório que muitas escolas são reprodutoras da própria discriminação e
que não desenvolvem, nem se quer tem interesse em buscar, propostas
pedagógicas para se contrapor em relação às questões apresentadas.
O ideal é que o educador, antes de trabalhar o assunto em questão na sua
sala de aula, deixe bem claro para o seu alunado três conceitos fundamentais, são
eles:
• Preconceito: julgamento ou ideia preconcebida, a respeito de uma
pessoa ou de um povo.
• Discriminação: quando os preconceitos são exteriorizados em atitudes
ou ações que invadem os direitos das pessoas, utilizando como referência
critérios injustos (idade, religião, sexo, raça, etc.)
• Racismo: superioridade de certa raça humana em relação às demais,
características intelectuais ou moraispor se considerar superior a alguém.
Fonte: www.envolverde.cartacapital.com.br
O ideal é que todo educador tenha em mente a importância de propiciar ao
seu aluno um ambiente que priorize e estimule o respeito à diversidade, ajudando
a formar cidadãos mais educados e respeitosos que se preocupam com os outros,
possuindo o espírito de coletividade.12
Tom de pele, tipo de cabelo, sotaque, limitação física. Quando as características
pessoais fogem ao padrão estético predominante de determinado grupo, a pessoa
costuma chamar a atenção e, muitas vezes, acaba sendo alvo de preconceito. Em meio
à diversidade cultural, fechar os olhos para o valor do diferente é um erro crucial.
Na infância, os comportamentos em relação à diferença não seguem um padrão,
as condutas nesta fase irão depender da influência dos pais ou do meio em que vivem.13
As diferenças de classe social, idade, gênero, capacidade intelectual, raça,
interesses entre os alunos como chave do aprimoramento do ensino e do sucesso
na aprendizagem acadêmica são ainda parcialmente aceitas e constituem um forte
impacto no conservadorismo dos sistemas educacionais, que insistem na
eliminação dessas diferenças para melhorar a qualidade do ensino em suas
12 Texto extraído: www.mundoeducacao.bol.uol.com.br
13 Texto adaptado: www.gauchazh.clicrbs.com.br
escolas. Questionam-se os limites da diversidade, além dos quais os alunos são
inelegíveis para os programas escolares. A tendência é encorajar os alunos a
ignorar suas próprias diferenças e as dos outros.
Não lidar com as diferenças é não perceber a diversidade que nos cerca,
nem os muitos aspectos em que somos diferentes uns dos outros e transmitir,
implícita ou explicitamente, que as diferenças devem ser ocultadas, tratadas à parte.
Essa maneira de agir remete, entre outras formas de discriminação, à necessidade
de separar alunos com dificuldades em escolas e classes especiais, à busca da
"pseudo-homogeneidade" nas salas de aula para o ensino ser bem sucedido,
remete, enfim, à dificuldade que temos de conviver com pessoas que se desviam
um pouco mais da média das diferenças, conduzindo-as ao isolamento, à exclusão,
dentro e fora das escolas.
As escolas abertas à diversidade são aquelas em que todos os alunos se
sentem respeitados e reconhecidos nas suas diferenças, ou melhor, são escolas
que não são indiferentes às diferenças. Ao nos referirmos a essas escolas, estamos
tratando de ambientes educacionais que se caracterizam por um ensino de
qualidade, que não excluem, não categorizam os alunos em grupos arbitrariamente
definidos por perfis de aproveitamento escolar e por avaliações padronizadas e que
não admitem a dicotomia entre educação regular e especial. As escolas para todos
são escolas inclusivas, em que todos os alunos estudam juntos, em salas de aulas
do ensino regular. Esses ambientes educativos desafiam as possibilidades de
aprendizagem de todos os alunos, e as estratégias de trabalho pedagógico são
adequadas às habilidades e às necessidades de todos.
Os alunos, em sua totalidade, experimentam em momentos de sua trajetória
escolar um ou outro problema, obstáculo, dificuldade nas aprendizagens
acadêmicas. As razões pelas quais os alunos fracassam em algumas situações
escolares são complexas e não devem recair única e inteiramente no que é inerente
ao aprendiz. Grande parte dessas dificuldades e incapacidades é devida à própria
escola. Nesse sentido, podemos afirmar que o número de pessoas com problemas
de aprendizagem em uma escola está relacionado com a qualidade da educação
nela oferecida.
Da mesma forma, todos os alunos devem se beneficiar do apoio escolar e de
suportes individualizados quando estão passando por situações que os impedem
de conseguir sucesso nas atividades escolares.14
PRODUÇÃO DE TEXTOS
Houve um tempo em que a escrita era algo incomum nas comunidades
agrafas e quando ela começou a ser utilizada era uma atividade apenas de uma
parte da população, devido à falta de acesso dos menos abastados, e ainda que
parte da população detivesse dinheiro, apenas alguns tiveram o privilégio de obter
este acesso. Com o tempo, a escrita foi fazendo parte da população, de tal forma
que hoje em dia ela faz parte do cotidiano, uma vez que em todo momento é preciso
fazer uso dela, seja por meio de um bilhete, um e-mail, ou ainda, porque entramos
em contato com toas as formas de escrita, como placas, anúncios, rótulos de
embalagens ou textos mais formais.
A prática da escrita e sua atividade, no entanto, envolvem alguns aspectos,
constituindo-se como um produto sócio-histórico-cultural, de modo que a leitura e a
maneia como vai ocorrer a aquisição de uma língua por pare de um aprendiz serão
determinantes na maneira como a escrita será concebida. Esse modo de entender
a escrita é que vai traduzir como compreendemos a linguagem e consequentemente
vai direcionar a prática e o uso que fazemos dela.
Assim, Ingedore Vilaça Koch (2010) apresenta algumas concepções de
sujeitos/escritor, uma é em que o:
[...] sujeito como (pré)determinado pelo sistema, o texto é visto como
simples produto de uma codificação realizada pelo escritor a ser
decodificado pelo leitor, bastando a ambos, para tanto o conhecimento do
código utilizado. (KOCH,2010, p. 33, grito do autor).
14 Texto adaptado: www.lite.fe.unicamp.br
A autora completa, ainda, que nesse tipo de concepção não há espaço para
ilicitudes, pois o que está escrito está dito, assim essa visão está centrada no que
Koch define como ‘’linearidade’’.
A outra definição, diz respeito ao:
[...] sujeito psicológico, individual, dono e controlador de sua vontade e de
suas ações. Trata-se de um sujeito visto com um ego que constrói uma
representação mental, ‘’transpõe’’ essa representação para o papel e
deseja que esta esteja ‘’captada’’ pelo leitor de maneira como foi
mentalizada. (KOCH, 2010. p 33, grifo autor).
Segundo esta última concepção, texto é visto como um produto do
pensamento do autor/escritor, de forma que a escrita ‘’[...] é entendida como uma
atividade por meio da qual aquele que escreve expressa seu pensamento’’ (KOCH,
2010, p.33) porem neste processo não se considera s conhecimentos do leitor nem
a interação envolvida.
Fonte: www.arabalmanya.com
Por último, diferentemente das definições anteriores, Koch apresenta a
concepção de escrita em que escritor ativa seus conhecimentos e lança mão de
estratégias para realizar a sua produção textual. Dessa forma, esse tio de produção
textual não e concebida de maneira linear, já que o autor ‘’pesa’’ e que e como ira
redigir, revê seu texto, modifica o que acha necessário, etc.
Essas atitudes desse escritor são pautas por meio principio interaciona. De
acordo com Koc (2010, p. 34),
Nessa concepção interacional (dialógica) da língua, tanto aquele que
escreve como aquele para que se escreve são vistos como
atores/construtores sociais, sujeitos ativos que dialogicamente – se
constroem e são construídos no texto .... (KOCH,2010, P 34, grifo d autor).
Diante disso, a autora propõe que a escrita é uma atividade que demanda
usos estratégias, tais como uso de conhecimentos que possam contribuir na
construção comunicativa, seleção e organização das ideias que serão expostas no
texto, o balanceamento ente as informações ‘’novas’’ e ‘’dadas’’ e pôr fim a revisão
da escrita ao longo de odo o processo. Assim, esse tipo de escrita e definida como
um ‘’constructo’’, de modo que e produzida por meio da interação e dessa maneira
o sentido do texto vai sendo desenvolvido.Para que o escritor possa redigir de maneira correta um texto, e preciso que
ele tenha a seus dispor um leque de conhecimentos de sua língua, como a
ortografia, léxico e a gramatica. Assim, e de fundamental importância que o sujeito
como produtor de um texto detenha o conhecimento linguístico na produção textual,
sabendo grafar corretamente as palavras, bem com acentua-las. Além disso, saber
pontuar um texto também é importante, pois ‘’marca os ritmos da escrita’’, conforme
aponta Koch. Esse comportamento por arte do escritor demonstra conhecimento e
também contribui no processo comunicativo.
Outros recursos também utilizados pelo escritor de texto é o seu
conhecimento sobre o mundo que está armazenado em sua memória, esses
conhecimentos se referem a leituras ou aquilo que é adquirido nas diversas
experiências vividas. Koch chama este tipo de conhecimento especifico de
conhecimento enciclopédico.
Ademais, a autora revela a importância de destacar que o conhecimento
textual está também relacionado à presença de um texto ou mais dentro de outro
que isso e o que ela denomina de ‘’intertexto’’. Então, falar em um texto requer que
se fale em ‘’intertextualidade’’, um principio que entra na constituição de um texto,
já que é produzido em resposta a outro texto e assim por diante. Portanto, a escrita
ou o ato de escrever em si é uma atividade que requer a retomada de outros textos,
implicitamente ou não, conforme o intuito da comunicação.
Por último, Ingedore vai dizer que o ‘’conhecimento interacional’’ que o
produtor de textos possui, vai determinar a atividade de escrita, a partir de práticas
interacionais por ele vividas, tais como seu conhecimento histórico e culturalmente
adquiridos, bem como as intenções configuradas em sua escrita, a seleção da
quantidade de informação necessária numa situação comunicativa real, a
adequação de gênero textual a um contexto comunicativo, além de recurso a
estratégias, como o uso de expressões linguísticas, ente outros. Todos esses traços
Definem o conhecimento que o escritor carrega e são compartilhados como o leitor
no momento em que ele escreve e faz uso desses conhecimentos. Dessa forma,
toda escrita sempre vai pressupor um leitor e, por meio dessa interação, os sujeitos
irão negociar uns com s outros a ‘’intersubjetividade’’ que será construída
‘’sociocognitivamente’’.15
14.1 Como produzir um texto?
Devemos começar este raciocínio com a pergunta óbvia e básica, isto é, o
que é produção?
Segundo os vários dicionários que circulam pelo meio estudantil: ato ou efeito
de produzir, construir, fazer, criar pela imaginação.
Outras duas perguntas também óbvias e fáceis:
O que é textual?
15 Texto adaptado: www.bdm.unb.br
O que é texto?
Texto é tecido (o escritor como um tecelão, tecendo palavras, parágrafos, períodos
e pôr fim a obra completa).
Já, textual é tudo o que é relativo ao texto, ou seja, tudo o que vem transcrito
em um texto.
Respondendo à pergunta principal:
Produção Textual é a disciplina (matéria de ensino) que estuda a construção
(produção) de textos, que nada mais é do que a reunião de palavras que compõem
a Língua Portuguesa, com o auxílio da imaginação (CRIATIVIDADE) para formar
um conjunto de parágrafos (frases que formam um período e depois um texto
completo) e que tem por objetivo um todo (textual) composto de coesão
(concordância) e coerência (razão, harmonia) e beleza.
Fonte: ww.noticias.universia.com.br
A produção de textos é o ato de expor por meio de palavras as ideias, sendo
uma ação deveras importante.
Saber produzir um texto pode ser um pré-requisito para conseguir um
emprego, uma vaga na faculdade, dentre outros.
Pessoas que escrevem bons textos conseguem se expressar melhor. A
leitura, intimamente ligada à escrita, é um ato essencial para se produzir um bom
texto.
Enquanto lemos estamos ampliamos nosso vocabulário e,
consequentemente, nosso universo interpretativo. Ou seja, com o ato da leitura
estamos aumentando nossa capacidade de entender melhor tudo que nos rodeia.
Assim, é muito importante saber escrever bons textos, e sobretudo, ter o
hábito da leitura.
14.2 Tipos de Textos
Antes de mais nada, para produzir um bom texto é muito importante conhecer
os diversos tipos de textos existentes, para que seja coerente com a proposta.
Assim, os principais tipos de textos são:
Dissertação: texto argumentativo e opinativo, por exemplo, artigos,
resenhas, ensaios, monografias, etc.
Narração: narra fatos, acontecimentos ou ações de personagens num
determinado tempo e espaço, por exemplo, crônicas, novelas,
romances, lendas, etc.
Descrição: descreve objetos, pessoas, animais, lugares ou
acontecimentos, por exemplo, diários, relatos, biografias, currículos,
etc.
Para ampliar seus conhecimentos, leia também:
Tipos de Textos
Tipos de Redação
Gêneros Textuais
14.3 Como Produzir um Bom Texto?
Observe que não existe uma “fórmula mágica” para produzir um bom texto,
no entanto, há estratégias interessantes para melhorar sua produção.
Cada indivíduo tem um estilo de escrita, no entanto, o que importa não é
necessariamente o estilo e sim, a coesão e a coerência apresentadas no texto.
De tal modo, a coerência é uma característica textual que está relacionada
com o contexto. Ou seja, ela significa a relação lógica entre as ideias expressas, de
forma que não haja contradição no texto.
A coesão, por sua vez, está relacionada com a regras gramaticais e os usos
corretos dos conectivos (conjunções, preposições, advérbios e pronomes).
Em suma, para que um texto seja considerado bom, o importante é conhecer
o tipo e o gênero do texto. Além disso, não fugir do tema pedido e sobretudo, cumprir
as regras gramaticais essenciais para sua compreensão.
Para tanto, pesquisar sobre o tema antes de escrever o texto é muito
importante para dar consistência e mais propriedade à argumentação
textual agregando maior valor ao texto.
Vale lembrar das novas regras gramaticais da língua portuguesa,
apresentadas pelo “Novo Acordo Ortográfico”.
14.4 Crie a Estrutura do Texto – Tema e Título
Observe que o tema da redação é diferente do título. Assim, o tema
representa o assunto a ser abordado, enquanto o título é o nome dado ao texto.
Na maioria dos casos, o título é muito importante, sendo que algumas
pessoas preferem começar por ele. Outras, escrevem o texto primeiro e a palavra
ou expressão que o define é escolhida posteriormente.
14.5 Apresentação
A apresentação do texto (também chamada de tese) é de suma importância
pois são nos primeiros parágrafos que o leitor vai ficar interessado em ler o restante
do texto.
Portanto, é o momento em que você irá instigar o leitor, sendo essencial
pontuar as principais informações que serão desenvolvidas no decorrer do texto.
Claro que nem toda a informação deve estar presente na apresentação, que
deverá ser breve. Porém, os principais dados e elementos que serão abordados
devem surgir nesse momento do texto.
14.6 Desenvolvimento
Após definir a apresentação, o segundo momento da produção do texto é o
desenvolvimento (também chamado de anti-tese).
Como o próprio nome indica, nessa etapa é fundamental o desenvolvimento
das ideias. Aqui o escritor irá argumentar e oferecer os dados e/ou as informações
obtidas na pesquisa e fazer uma reflexão sobre o tema abordado.
Assim, fica claro que quanto melhor a sua argumentação, melhor será o texto.
Fonte: www.medium.com
14.7 Conclusão
Muitas pessoas não se preocupamcom essa parte fundamental do texto, ou
seja, o momento da conclusão (também chamado de nova tese). Finalizar o texto é
tão importante quanto começá-lo.
Assim, não adianta fazer uma boa introdução e desenvolvimento, e deixar o
texto sem conclusão. Após a argumentação faz se necessário que o escritor chegue
numa conclusão e opine (no caso dos textos dissertativos), apresentando assim um
novo caminho.
Note que, quanto mais criativa for a conclusão, mais interessante ficará o
texto.
DICAS PARA PRODUZIR UM BOM TEXTO
Segue abaixo, algumas dicas para melhorar sua produção de textos:
Mantenha o hábito da leitura e da escrita;
Tenha o conhecimento das novas regras gramaticais;
Preste atenção à grafia, pontuação, parágrafos e concordâncias;
Seja criativo e espontâneo;
Não utilize palavras de baixo calão, palavrões;
Se distancie da linguagem coloquial, informal;
Tenha opinião e faça críticas próprias;
Atenção à relação lógica das ideias (coerência);
Não se afaste do tema e do tipo de texto proposto;
Faça um rascunho para evitar rasuras;
Se necessário, leia o texto em voz alta;
Cuidado com as repetições de palavras e ideias;
Não utilize palavras ou expressões que não conheça;
Se necessário, recorra ao dicionário;
Seja claro e conciso.16
PRODUÇÃO DE TEXTO EM DIFERENTES FORMATOS
Para produzir bons textos, além do hábito de leitura é importante conhecer
os diversos formatos existentes, para que você siga corretamente a proposta. É
bom lembrar que não existe fórmula mágica para criar um bom texto, mas quanto
mais conhecimento você tiver sobre o tema abordado, melhor se sairá.
Argumentativo – são conteúdos mais acadêmicos ou de convencimento,
pois demandam mais argumentação dentro do corpo de texto. Dessa forma, você
precisa ter o mínimo de conhecimento sobre o assunto para conseguir escrevê-lo;
16 Texto extraído: www.todamateria.com.br
Narrativo – é muito comum em romances que lemos no dia a dia. Nesse
formato de texto é comum uma narrativa de acontecimentos dentro de um universo
(fantasioso ou não);
Descritivo – é o formato de texto que percorre os dois primeiros. Tem como
característica principal a descrição, seja de objetos, pessoas, lugares, entre
outros.17
REFERENCIA
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Disponível em:
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/a-
linguagem-e-a-sociedade/23376>.
CARLOS, Eder Sabino. Variedades linguísticas. 2018.
Disponível em:
<http://centraldefavoritos.com.br/2017/10/23/variedades-linguisticas/>.
17 Texto extraído: www.eadbox.com/producao-de-texto
CAVALCANTE, Marina Pereira. Os desafios da produção textual e a
importância do revisor na análise de textos. 2011.
Disponível em:
<http://bdm.unb.br/bitstream/10483/1941/1/2011_MarinaPereiraCavalcante.
pdf>.
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variação linguística. 2010.
Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
40601996000100005>.
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Disponível em:
<https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/educacao/diversidade.htm>
DIANA, Daniela. Produção de Textos - Como Começar? 2017.
Disponível em:
<https://www.todamateria.com.br/producao-de-textos-como-comecar/>
FERNOCHIO, Fernando. A Linguagem e a Sociedade. 2010.
Disponível em:
<https://pt.slideshare.net/FernandoFernochio/linguagem-e-sociedade>.
LEITURA Dinâmica: O que é Leitura Dinâmica? 2017.
Disponível em:
<https://mentealpha.com/leitura-dinamica/>
LTDA, Colégio Marupiara. Acolhimento e respeito as individualidades:
diferenciais no processo de ensino-aprendizagem. 2017.
Disponível em:
<http://www.marupiara.com.br/acolhimento-e-respeito-as-individualidades-
diferenciais-no-processo-de-ensino-aprendizagem/>
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Por uma escola para todos. 2015.
Disponível em:
<http://www.lite.fe.unicamp.br/cursos/nt/ta1.13.htm>
PEREZ, Luana Castro Alves. Gêneros textuais. 2017.
Disponível em:
<https://portugues.uol.com.br/redacao/generos-textuais.html>
PONTES, Elivelton. Produção de texto, dicas para começar os seus.
2017.
Disponível em:
<https://eadbox.com/producao-de-texto/>
SANTANA, Jessé Ovídio de; NEVES, Maria do Bom Parto Ferreira DAS. AS
VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA DOCENTE.
2015.
Disponível em:
<http://www.ipv.pt/millenium/Millenium48/6.pdf>
SCHNEIDER, Luizane. SINTAXE E SEMÂNTICA NA REFORMULAÇÃO DE
ALGUMAS PRESCRIÇÕES GRAMATICAIS. 2. 2017.
Disponível em:
<http://file:///C:/Users/Colaborador/Downloads/3807-16914-1-
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UCCO, Félix. Entenda a importância de estimular a individualidade das
crianças e valorizar as diferenças: Apostar na qualificação, na conversa e no uso de
recursos pedagógicos, como canções e histórias infantis, pode auxiliar no diálogo.
2012.
Disponível em:
<https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2012/11/entenda-a-
importancia-de-estimular-a-individualidade-das-criancas-e-valorizar-as-diferencas-
3941065.html>.