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UNIVERSIDADE PAULISTA 
PÓS-GRADUAÇÃO EM MBA EM PLATAFORMA BIM 
 
 
 
 
 
JOEL SANTOS GOMES 
 
 
 
 
 
GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM 
BUILDING INFORMATION MODELING - BIM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERESINA 
2019
JOEL SANTOS GOMES 
 
 
 
 
 
GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM 
BUILDING INFORMATION MODELING - BIM 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Pós-Graduação em MBA em Plataforma BIM, 
Universidade Paulista, como requisito parcial 
para obtenção do título de Especialista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERESINA 
2019
JOEL SANTOS GOMES 
 
 
 
 
 
GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM 
BUILDING INFORMATION MODELING - BIM 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Pós-Graduação em MBA em Plataforma BIM, 
Universidade Paulista, como requisito parcial 
para obtenção do título de Especialista. 
 
 
 
Aprovado em: ____/____/____ 
Resultado: _______________ 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA: 
 
______________________________________/___/___ 
Prof. 
Universidade Paulista - UNIP 
 
______________________________________/___/___ 
Prof. 
Universidade Paulista - UNIP 
 
______________________________________/___/___ 
Prof. 
Universidade Paulista – UNIP 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
Aos meus familiares por estarem presentes e sempre acreditarem em mim. 
Aos amigos e colegas que de alguma forma participaram na elaboração deste trabalho. 
Aos professores deste curso, pela orientação que nos fez compreender a sua 
importância para a nossa realização profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Primeiramente agradeço a Deus por ter me dado saúde, força e sabedoria para superar 
todas as dificuldades encontradas durante esta caminhada e com isso me permitiu a conclusão 
de mais uma etapa na minha vida. 
A esta instituição que proporcionou um ambiente agradável e inspirador 
proporcionando a oportunidade de concluir este curso e me introduzindo no verdadeiro 
mundo do BIM. 
Aos professores agradeço a orientação, o empenho e a confiança que ajudaram a 
tornar possível este sonho realizado. 
A minha família e amigos que sempre me ofereceram apoio e incentivo fazendo com 
que esse sonho tornasse realidade. 
A todos meus colegas de sala pelos momentos de alegria e apoio, aqui deixo meus 
sinceros agradecimentos. 
A todas as pessoas que participaram do meu percurso e que me apoiaram direta e 
indiretamente deixo meus sinceros agradecimentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Em um mercado extremamente competitivo como o da construção civil a utilização de 
ferramentas tecnológicas é um importante diferencial estratégico. O uso do Building 
Information Modelling (BIM) vem sendo proposto como uma solução tecnológica para 
solucionar os diversos problemas gerados pelo método tradicional. A sua capacidade de 
auxiliar no acompanhamento de um empreendimento ao longo de todo o seu ciclo de vida de 
maneira prática e digital, está fazendo com que aumente a busca pela utilização desse sistema 
como meio para alcançar benefícios relacionados à gestão, à qualidade, à eficiência, ao 
desempenho e ao planejamento do projeto. Na tentativa de despertar nas autoridades e na 
sociedade em geral o interesse pela implantação do BIM, enfatizando os benefícios que essa 
tecnologia pode proporcionar quando associado ao gerenciamento e a coordenação, este 
trabalho buscou pesquisar e analisar sobre o BIM, determinar qual a importância e aplicação 
desse sistema, além de analisar sua aplicação para o gerenciamento e coordenação de projetos. 
Para estruturar este estudo foi realizado uma pesquisa bibliográfica em livros, revistas, 
normas e trabalhos acadêmicos. Pode-se concluir durante o estudo que as ferramentas 
disponibilizadas pela plataforma BIM para o gerenciamento e coordenação têm conquistado 
espaço a fim de minimizar e gerar confiabilidade aos usuários, tornando-se fundamentais para 
um bom planejamento de uma obra e tomada de decisões no projeto. 
 
 
 
Palavras-chave: Construção Civil. Processo de Projeto. Gerenciamento e Coordenação. 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
In an extremely competitive market, such as construction, the use of technological tools is an 
important strategic differential. The use of Building Information Modeling (BIM) has been 
proposed as a technological solution to solve the various problems generated by the 
traditional method. Its ability to assist in the monitoring of an enterprise throughout its life 
cycle in a practical and digital way is increasing the search for using this system as a means to 
achieve management, quality and efficiency benefits, project performance and planning. In an 
attempt to arouse the interest in the implementation of BIM in authorities and society in 
general, emphasizing the benefits that this technology can provide when associated with 
management and coordination, this work sought to research and analyze about BIM, to 
determine its importance and application. of this system, as well as analyzing its application 
for project management and coordination. To structure this study a bibliographic research was 
conducted in books, magazines, norms and academic works. It can be concluded during the 
study that the tools provided by the BIM platform for management and coordination have 
gained space in order to minimize and generate reliability for users, becoming fundamental 
for good project planning and project decision making. 
 
 
 
Keywords: Construction. Poject Process. Management and Coordination. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
 
Figura 1 – BIM no ciclo de vida das edificações. .................................................................... 17 
Figura 2 – Os fundamentos do BIM ......................................................................................... 21 
Figura 3 – Dimensões BIM ...................................................................................................... 24 
Figura 4 – Nível de desenvolvimento do modelo BIM. ........................................................... 26 
Figura 5 – Definição de projeto. ............................................................................................... 30 
Figura 6 – Fases do Projeto ...................................................................................................... 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
 
ABDI Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial 
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas 
AEC Arquitetos, Engenheiros e Construtores 
AECO Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação 
AGESC Associação dos Gestores e Coordenadores de Projeto 
AIA American Institute of Architects 
ASBEA Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura 
AVAC Aquecimento, Ventilação e Ar condicionado 
BIM Building Information Modeling 
CAD Computer Aided Design 
CBIC Câmara Brasileira da Indústria da Construção 
CBIM Câmara Brasileira de BIM 
CE-BIM Comitê Estratégico de Implementação do Building Information 
 Modelling 
CRAS Centro de Referência de Assistência Social 
CRO Comissões Regionais de Obras 
DNIT Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte 
DOM Diretoria de Obras Militares 
FCEE Fundação Catarinense de Educação Especial 
FGV Fundação Getúlio Vargas 
GIS Geographic Information System 
HEMOSC Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina 
ICSC Instituto de Cardiologia de Santa Catarina 
IEE Instituto Estadual de Educação 
IFC Industry Foundation Classes 
INP Instituto Nacional de Propriedade IndustrialISO International Organization for Standardization 
LOD Level of Development 
MDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 
NBR Norma Brasileira 
 
 
ND Nível de Desenvolvimento 
OPUS Sistema Unificado do Processo de Obras 
PIB Produto Interno Bruto 
PMBOK Project Mangement Body of Knowledge 
PMI Project Management Institute 
SIG Sistema de Informações Geográficas 
SOM Sistema de Obras Militares 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 13 
1.1 Objetivos ....................................................................................................................................... 16 
1.1.1 Objetivo Geral ............................................................................................................................. 16 
1.1.2 Objetivo Específico ..................................................................................................................... 16 
1.2 Metodologia .................................................................................................................................. 16 
2 REVISÃO DE LITERATURA ....................................................................................................... 17 
2.1 Building Information Modeling (BIM) ....................................................................................... 17 
2.1.1 Histórico ...................................................................................................................................... 20 
2.1.2 Os Fundamentos do BIM: Tecnologia, Processos, Pessoas ......................................................... 21 
2.1.3 O modelo BIM ............................................................................................................................ 23 
2.1.4 A relação com o Governo ............................................................................................................ 26 
2.2 Projeto ........................................................................................................................................... 30 
2.3 Gerenciamento de Projetos .......................................................................................................... 36 
2.4 Coordenação de Projetos ............................................................................................................. 38 
3 A IMPORTÂNCIA E APLICAÇÃO DO SISTEMA BIM ........................................................... 43 
4 GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BIM .................................. 51 
5 CONCLUSÃO ................................................................................................................................. 59 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 61 
13 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
Mesmo com todos esses anos, no Brasil a construção civil ainda é vista como um 
processo artesanal e de pouca precisão. Tradicionalmente os projetos são exclusivos e de curta 
duração; os canteiros de obra são mutáveis; o trabalho é realizado em ambiente externo 
sujeito às mudanças do clima; alto nível de desperdício; o manuseio de algumas ferramentas é 
difícil; o layout é provisório e o proprietário se envolve mais no processo; pouca repetição e 
poucas mudanças no processo construtivo; além de não possuir muitos registros de métodos 
de trabalho e dados de produtividade; falta de informação que pode gerar incertezas como 
erros na interface projeto/execução; especificações técnicas falhas; orçamento fora do alcance 
da empresa; problemas entre empresa e fornecedores; prejuízos ambientais e econômicos 
resultantes da ineficiência na execução etc. 
A indústria da construção civil no Brasil é um mercado gigante e bastante importante 
para o desenvolvimento do país, é o responsável por uma significativa parcela do Produto 
Interno Bruto (PIB) e por um representativo contingente de empregos. No atual cenário 
brasileiro, com a desaceleração do mercado imobiliário a cadeia produtiva da construção civil 
que já alcançou 10,5% do PIB brasilero, representa agora somente 7,3% e conforme o 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017 a indústria da construção civil 
foi responsável por cerca de 5,2% do valor do PIB que foi de aproximadamente R$ 6,5 
trilhões de reais. 
É evidente que a construçao civil interfere diretamente no desenvolvimento e na 
capacidade de produção do país e com atual cenário o mercado apresenta-se cada vez mais 
competitivo e em contínuo processo de mudanças, exigindo maior dinamismo e reestruturação 
das empresas, principalmente quando se trata da busca por novas estratégias e processos com 
o intuito de aprimorar seu desempenho para obtenção de vantagens para se manter à frente no 
mundo dos negócios. 
A utilização de metodologias defasadas tanto no processo gerencial quanto no 
construtivo resultam em uma série de dificuldades. Um dos grandes problemas enfrentados na 
construção civil é o atraso em obras e os fatores que mais contribuem para sua ocorrência, é o 
retrabalho devido a erros de execução e projeto, a entrega de materiais fora do prazo, o baixo 
compromisso e produtividade da mão de obra. Grande parte das causas de atrasos estão 
associadas a gestão da obra, ou seja, um planejamento de obra merece destaque e seu 
desenvolvimento necessita de mais consistência visando uma análise de longo e médio prazo, 
14 
 
minimizando a ocorrência dos fatores que oferecem risco a evolução satisfatória dos projetos. 
Cultutalmente no Brasil, acredita-se que uma economia durante a fase de projeto trará 
redução nos custos finais de uma obra. Atualmente, os diversos projetos necessários para uma 
obra são concebidos separadamente, o que aumenta a chance de conflitos entre projetos e o 
surgimento de falhas. Grande parte das ocorrências patológicas na construção são atribuídas a 
falhas nesta fase de concepção, o que nos leva a crer que é preciso deixar de ver os projetos 
como gastos e se incentive o investimento nessa fase extremamente importante que define os 
rumos da construção. 
O aumento da competitividade, a redução das margens de lucro e a alta exigência em 
relação ao produto final está fazendo com que o setor da construção civil no Brasil busque 
melhorias no sistema de produção para reduzir os atrasos que interferem na concorrência e 
eficiência do projeto. A busca por novas tecnologias construtivas e processos inovadores, à 
formulação de empreendimentos econômicos e ao uso de ferramentas modernas de gestão da 
produção está fazendo com que o BIM - Building Information Modeling ganhe espaço no 
setor. 
Sinônimo de modernização no que diz respeito a quebra de paradigmas de um sistema 
tradicional, a plataforma BIM traz uma poderosa metodologia de modelagem tridimensional a 
qual carrega uma plataforma com todas as informações pertinentes à gestão do 
empreendimento. Trata-se de um sistema segmentado e passível de erros, que possibilita 
análises prévias mais detalhadas, extração de parâmetros e a simulação de um ciclo de vida de 
edificações ainda na fase de projeto. 
Mais que a modelagem de um produto, a implantação de um sistema BIM reflete na 
alteração do método de trabalho convencional, na mudança de cultura da organização e de 
todos os participantes. O governo vem atuando como o principal agente de implementação do 
BIM em diversos países pelo mundo, cada um utilizando o seu meio, criando grupos de 
trabalho, endossando e guiando o processo, incentivando a interoperatividade etc. Singapura, 
China, Hungria, Dinamarca, Inglaterra, Estados Unidos são exemplos bem claros de paises 
que veem incentivando o desenvolvimento da metodologia BIM. 
O investimento, a educaçãoe o suporte do governo são os aspectos que colaboram e 
conduzem o processo de implementação do BIM. A interferência do governo nesse processo 
já mostrou seu valor no resto do mundo e é um primeiro passo para um país com o potencial 
da indústria da construção como o Brasil. Consequentemente a demanda vai impulsionar 
naturalmente o investimento, motivando uma melhor e mais ampla educação neste aspecto. 
O uso do BIM permite uma melhor compreensão e execução da obra, a sua capacidade 
15 
 
de elaborar um modelo virtual integrado e com todas as informações construtivas de um 
empreendimento favorece o processo de manutenção e gestão; a extração automática de 
quantitativos; redução de erros; otimização dos prazos; maior confiabilidade dos projetos; 
processos mais precisos de planejamento e controle de obras; aumento de produtividade; a 
realização de simulações estruturais, energéticas e outras a fim de validar e experimentar as 
soluções pretendidas no projeto. 
Além de permitir o uso da tecnologia para a modelagem, o sistema BIM torna possível 
a simulação das etapas de construção antes do início da mesma, tornando possível estabelecer 
melhores estratégias de planejamento. Através do modelo BIM 4D é possível introduzir 
atributos de tempo ao modelo, aumentando a previsibilidade e o controle dos prazos, 
atividades, recursos e informações dos empreendimentos, permitindo o melhor 
acompanhamento dos avanços e desvios apresentados durante toda construção. 
A aplicação de ferramentas estratégicas de gestão e coordenação de projetos deve ser 
primordial para as empresas da indústria de construção civil que buscam constantemente 
elevar o status de suas marcas, agregando diferenciais ao seu trabalho como forma de destaca-
los dos demais produtos ofertados. 
Neste trabalho são apresentados os conceitos relacionados à Modelagem da 
Informação da Construção – BIM, Gerenciamento e Coordenação de projetos. Buscou 
entender a importância da implantação e aplicação do BIM e destacar o gerenciamento e 
coordenação de projetos por meio desse sistema. 
Para o desenvolvimento deste trabalho, foram realizadas pesquisas bibliográficas em 
normas, leis, livros, artigos científicos, teses e dissertações, com a finalidade de apresentar um 
resultado técnico que destaque a importância dessa atividade técnica, com o intuito de 
estimular uma evolução no modo de pensar e agir de todos os envolvidos no processo de 
produção da construção civil. 
O trabalho se justifica por abordar um tema considerado de bastante importante para a 
área da construção civil e que apesar de ser fundamental para o aumento da eficiência da 
construção a sua adoção ainda não é plena. Mesmo com toda vantagem que o BIM 
proporciona aos profissionais e às empresas da área, no Brasil, não estão sendo suficientes 
para convencê-los a reduzir o uso do CAD e proceder com a implementação do BIM. 
Apesar de crescente a busca por conhecimento pela plataforma, a modelagem 4D, que 
representa o gerenciamento e a coordenação de projetos, é bem menos abordada em pesquisa, 
existindo uma necessidade de explora e avaliar o uso dessa dimensão e este trabalho tem o 
intuito de identificar e preencher lacunas do conhecimento relacionado ao BIM 4D. 
16 
 
1.1 Objetivos 
 
 
1.1.1 Objetivo Geral 
 
 
Pesquisar e analisar sobre o sistema BIM, identificar sua importância e aplicação, além 
de determinar qual a sua relação com o gerenciamento e coordenação de projetos. 
 
 
1.1.2 Objetivo Específico 
 
 
• Analisar o sistema BIM, definindo, classificando e estudando seu processo 
evolutivo frente à construção civil; 
• Observar a importância e aplicação do BIM na atualidade; 
• Apresentar e analisar a relação do gerenciamento e da coordenação de projetos 
com BIM. 
 
 
1.2 Metodologia 
 
 
Este trabalho tem seu desenvolvimento baseado em uma revisão bibliográfica geral 
sobre o sistema BIM, seu processo evolutivo, suas características, definições, e diretrizes 
técnicas, além de observar sua importância e aplicação na atualidade e analisar a relação do 
gerenciamento e da coordenação de projetos com BIM. 
Todo levantamento de dados e informações se deu por meio de pesquisas realizadas 
em livros, sites, normas, leis, bem como em dissertações, publicações de revistas e boletins 
técnicos. 
 
 
 
 
17 
 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
2.1 Building Information Modeling (BIM) 
 
 
Building Information Modeling (BIM) ou em português Modelagem da Informação da 
Construção, segundo o Ministério da Economia, Indústria e Comércio, é o termo utilizado 
para descrever o conjunto de tecnologias e processos que integrados permitem a criação, 
utilização e atualização de modelos digitais de uma construção, servindo, de modo 
colaborativo, a todos os participantes do empreendimento durante todo o ciclo de vida da 
construção (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). 
 
Figura 1 – BIM no ciclo de vida das edificações. 
 
Fonte: MARTINI, 2018 
 
Existem diversas definições para o que é BIM na literatura , mas Castro (2019) define 
o BIM como uma tecnologia para desenvolvimento e gestão de projetos da construção civil, 
que permeia todas as fases do empreendimento, indo da concepção, passando pela execução, 
18 
 
até as fases de operação e manutenção, passando assim, por todo o seu ciclo de vida. 
Menezes (2011) acredita que a plataforma BIM é uma filosofia de trabalho que integra 
arquitetos, engenheiros e construtores (AEC) na elaboração de um modelo virtual preciso, que 
gera uma base de dados que contém tanto informações topológicas como os subsídios 
necessários para realizar orçamento, cálculo energético e previsão das fases da construção, 
entre outras atividades. 
Fontes apontam que o termo BIM teria sido utilizado primordialmente pelo professor 
Chuck Eastman, que o definiu como sendo um processo virtual de construção desenvolvido 
de forma integrada pelos projetistas através de uma plataforma 3D, gerando um modelo 
acompanhado por um conjunto de informações. Seus benefícios estão na detecção/prevenção 
de conflitos, melhor tomada de decisão através da visualização, melhor comunicação através 
da interoperabilidade e prevenção à erros. Ainda conforme Eastman, um modelo BIM 
caracteriza-se por: 
• Representar digitalmente os componentes que compõem a edificação por representações 
inteligentes (objetos) que “sabem” o que são e possibilitam a associação com gráficos 
computacionais, dados, atributos e regras paramétricas; 
• Utilizar componentes que permitem a inclusão de dados descritivos de seu 
comportamento, conforme são necessários para análises e processos de projetos, como 
o levantamento de quantitativos, especificações e análise energética; 
• Dados consistentes e sem redundância de modo que qualquer alteração nos 
componentes seja representada em todas as vistas do componente; 
• Dados coordenados de modo que todas as vistas do modelo sejam representadas de 
modo coordenado (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). 
O sistema BIM não limita-se apenas à concepção de projetos, já que permite ser 
utilizado para o acompanhamento de todas as etapas, com a integração das equipes 
multidisciplinares das empreiteiras, originando não só dados sobre métodos construtivos, mais 
também para pagamento de pessoal, equipes de compras e gerencia, e integração entre vários 
canteiros de obra da mesma construtora (OLIVEIRA, 2015). 
Segundo Prates (2010) o sistema BIM é mais que uma tecnologia em três dimensões, 
que se destaca pela sua interoperabilidade, ou seja, pela capacidade de alinhar um conjunto de 
dados gerados por vários profissionais de áreas distintas em um único modelo, utilizando as 
mais diversas ferramentas para produzi-los. A característica mais famosa do sistema continua 
sendo a modelagem 3D, mas sua utilização vai muito além de um efeito estético, é um 
19 
 
conjunto de informações que ficam pra sempre gerando um fluxo de responsabilidadesque 
pode auxiliar em setores como o de seguros, pendências jurídicas entre outros. 
De acordo com a Autodesk (2015) o BIM é um meio de conceber, projetar, planejar, 
construir e operar edificações envolvendo a criação e o uso inteligente de modelos 3D, que 
comparados aos tradicionais 2D que não trazem informações, estes modelos possibilitam um 
melhor entendimento do processo para os envolvidos, guiando a todos para resultados 
melhores e mais previsíveis da edificação. 
A integração de todos os dados do empreendimento em uma mesma plataforma facilita 
a gestão da informação, possibilitando detectar colisões entre projetos, além de alterar todos 
os dados do planejamento físico e financeiro conforme alterações que vão sendo realizadas no 
projeto. A enorme probabilidade de insucesso dos empreendimentos, em função da ocorrência 
de inúmeros acontecimentos incertos que não depende exclusivamente da vontade dos 
interessados, eleva os cuidados e a preocupação com os riscos que o envolvem. Ao utilizar o 
sistema BIM, é possível garantir de forma preventiva e eficiente a identificação dos possíveis 
obstáculos à execução, sua probabilidade e qual o impacto de sua ocorrência nos objetivos 
programáticos, delimitando as medidas a serem adotadas em uma dimensão realista, diante 
dos riscos que de deseja incidir, seja financeiro e/ou social (CASTRO, 2019). 
Conforme Estman et al. (2014) o processo atual de implementação de uma edificação 
é fragmentado, o que facilita a ocorrência de erros e omissões que frequentemente resultam 
em custos imprevistos, atrasos e eventuais litígios judiciais entre vários participantes de um 
empreendimento. Esses problemas causam atritos, gastos financeiros e atrasos. O BIM 
possibilita a redução de erros de compatibilidade, otimização dos prazos, confiabilidade dos 
projetos, processos mais precisos de planejamento e controle de obras, aumento de 
produtividade, diminuição de custos e riscos e economia dos recursos utilizados nas obras 
(ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). 
Em resumo, podemos definir que o BIM é uma plataforma ou sistema aplicável a todo 
o ciclo de vida de um empreendimento, da concepção e a conceituação de uma ideia, para a 
construção de um edificação ou instalação (ou da constatação da necessidade de construir 
algo), passando pelo desenvolvimento do projeto e incluindo a construção, e também após a 
obra pronta, entregue e ocupada, no início da sua fase de utilização (CBIC, 2016). 
 
 
 
20 
 
2.1.1 Histórico 
 
Conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC (2016) o BIM não 
deve ser considerado uma tecnologia tão nova, já que soluções similares a ele têm sido 
utilizadas em diversas indústrias a muito tempo. O que é novo é o acesso da indústria da 
construção civil a essa ferramenta, oriundo da facilidade de aquisição de computadores com 
grande capacidade de processamento (hardwares) e softwares. 
As primeiras noções sobre o conceito que conhecemos hoje como BIM surgiram em 
1975 num protótipo de trabalho, o “Building Description System”, escrito por Chales M. 
Chuck Eastman. Ao longo dos anos 1970 e início de 1980 na Europa, especialmente no Reino 
Unido, pesquisas continuaram a ser realizadas em paralalelo aos primeiros esforços de 
comércio dessa tecnologia. No início da década de 1980, este método ou abordagem foi mais 
comumente descrito nos Estados Unidos como “Building Product Models” (Modelos de 
Produtos da Construção) e na Europa, especialmente na Filândia, como “Product Information 
Models” (Modelos de Informações do Produto). O termo BIM só passou a ser utilizado por 
volta do ano de 2002, por Jerry Laiserin (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). 
A terminologia Building Modeling tem circulado desde 1986, só em 1992 que F. 
Tolman utilizou em seu artigo o termo Building Information Modeling. Desde os anos 80 já 
existiam softwares capazes de produzir modelos 3D com informações agregadas, mas só no 
início do século que se tornaram mais populares. A difusão da tecnologia se estabeleceu por 
volta de 2005 quando foi criada a ISO-PAS 16739-2005, Industry Foundation Classes, 
Release 2x, Platform Specification (IFC2x Platform), logo seguida por uma outra versão 
IFC2x em 2007, que pode ser considerada como a referência básica do BIM tal como está 
estruturado hoje (ABDI, 2017). 
O IFC - Industry Foundation Classes é um formato de arquivo que fornece uma 
solução de interoperabilidade entre diferentes aplicativos de software. A primeira aplicação 
concebida com esse conceito foi encontrada no software ArchiCAD e a mais recente é o Revit 
(MAKEBIM, 2017). Estman et al. (2014) explica que o IFC foi desenvolvido com a 
finalidade de criar um grande conjunto de dados consistentes para representar um modelo de 
dados de um edifício, com o objetivo de permitir a troca de informações entre diferentes 
fabricantes de software na AEC. 
O BIM foi ganhando espaço na indústria da construção durante o início do século 21, 
quando cresceu a concorrência para engenheiros, arquitetos, construtores e fabricantes, 
cresceu a exigência dos consumidores/investidores por prazos menores e custos mais baixos, 
21 
 
o que promoveu a mudança da utilização do método 2D para uma abordagem digital em três 
dimensões, com a modelagem de informação da construção (BIM), para a criação, 
desenvolvimento e tomada de decisões em projetos. A implementação desta tecnologia, reduz 
os trabalhos de documentação, acelerando os processos de elaboração de projetos, 
melhorando o planejamento das frentes de serviços e otimizando os resultados para a redução 
dos custos das obras (AUTODESK, 2015). 
 
2.1.2 Os Fundamentos do BIM: Tecnologia, Processos, Pessoas 
 
O BIM corresponde a uma tecnologia emergente que se propõe a revolucionar o modo 
de projetar e desenvolver os empreendimentos (ANTUNES, 2013). Por ser bem mais que a 
modelagem de um produto, já que engloba todos os aspectos relativos à edificação: produto, 
processos, documentos etc., a implantação de um sistema BIM reflete na alteração do método 
de trabalho convencional, que consiste na elaboração de projetos em duas e três dimensões 
(2D e 3D), trabalhando de forma isolada com projetos de arquitetura e projetos 
complementares de engenharia, separados de todo o processo de planejamento e execução do 
empreendimento (FERREIRA, 2007). 
O BIM é abrangente demais e embora existam exemplos concretos de iniciativas BIM 
realizadas com sucesso, sua implementação deve ser feita através do estabelecimento de um 
projeto formal, minimamente estruturado e documentado (CBIC, 2016). A implantação do 
BIM é bem mais que software e computadores, trata-se de uma mudança de cultura e isto 
inclui pessoas, processos e maneira da organização resolver os problemas e desenvolver seus 
produtos. Pode-se então afirmar que a efetiva implantação da metodologia BIM se baseia em 
três dimensões fundamentais: tecnologia, pessoas e processo, relacionadas entre si por 
Procedimentos, Normas e Boas práticas (ABDI, 2017). 
 
Figura 2 – Os fundamentos do BIM 
 
Fonte: ABDI, 2017 
22 
 
A tecnologia representa toda a infraestrutura necessária para a operação, ou seja, os 
programas e equipamentos ou computadores, a conexão com a internet e a rede interna, a 
segurança e o armazenamento de arquivos, o treinamento e aculturamento adequado de seus 
usuários. As pessoas que estão envolvidas no processo devem ser capacitadas para identificar 
erros ou melhorias possíveis nos projetos e saber comunicá-los no momento correto à pessoa 
correta, saber trabalhar bem com equipes, ser flexível e manter-se atualizado na tecnologia 
que tem avanços contínuos. Os processos vão muito além dos novos processos internos a 
serem adotados, é preciso compreender e abranger também os processos interempresariais, 
compreendendo todo o plano de trabalho, como o fluxo de trabalho, o cronograma, a 
especificação dos entregadores, o método de comunicação, a definiçãode funções, o sistema 
de concentração de dados, arquivos e informações, o nível de detalhe em cada fase e a 
especificação do uso do modelo em todos os ciclos de vida da edificação. Estas três 
dimensões fundamentais estão relacionadas por intermédio de procedimentos, normas e boas 
práticas que são documentos que regula e consolida os processos e as políticas de pessoal, 
práticas comerciais e uso e operação da infraestrutura tecnológica (ABDI, 2017). 
Para alcançar grandes resultados com a implementação do BIM é necessário promover 
uma reestruturação estratégica da empresa e não apenas a contratação de novos profissionais 
sem que que seja alterada a maneira de trabalhar. Envolve a implementação de novos 
processos, otimizando etapas em cada entidade envolvida e incluindo, além dos projetistas, a 
incorporadora, a construtora, a gerenciadora do projeto e da obra e a administradora da 
manutenção do edifício (ABDI, 2017). 
Em outras palavras, podemos dizer que para ocorrer a implementação BIM em um 
empreendimento de forma adequada, faz-se necessário um modelo virtual parametrizado 
(inserção de informações e regras que definem os elementos em um modelo virtual), que 
permita a comunicação entre diversas ferramentas computacionais (interoperabilidade); um 
estudo detalhado dos fluxos de informações e documentos durante todas as etapas do ciclo de 
vida, satisfazendo os requisitos de gestão e planejamento; e, por fim, a colaboração e 
integração entre equipes, para que cada indivíduo tenha um pensamento multidisciplinar, 
orientado ao projeto e não á sua disciplina apenas (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). 
 
 
 
 
23 
 
2.1.3 O modelo BIM 
 
O termo modelo vem a muito tempo sendo utilizado na construção civil para designar 
objeto de ensaio, sendo relacionado a um elemento físico que utiliza materiais e componentes 
com propriedades semelhantes ao utilizado durante a obra. Sua utilização possibilita simular o 
desempenho e entender o comportamento do projeto que se pretende executar, além de 
permitir realizar testes e validar raciocínios complexos de estrutura, instalações e outros 
(CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 
Dentro desse entendimento Catelani (CBIC, 2016) mostra que o termo “modelo BIM” 
pode ser entendido como uma representação digital multidimensional das características 
físicas e funcionais de uma edificação ou instalação, ou seja, trata-se de um projeto digital 
integrado, alimentado por diversos profissionais, com a intenção de simular, analisar, 
representar, consolidar e gerenciar uma construção pretendida e existente. Desenvolvidos com 
os mesmos objetivos dos físicos, possuem como uma grande vantagem a sua capacidade de 
ser relativamente fácil a sua reconstrução ou remodelagem, oferecendo a seus usuários mais 
condições de simulação e, consequentemente mais informações. 
O modelo BIM, através de um trabalho colaborativo, explicita miúncias que se queira 
entender de um projeto em forma de dados, tabelas, quantitativos e desenhos em diversas 
escalas. O que possibilita a indústria da AECO – Arquitetura, Engenharia, Construção e 
Operação solucionar as interferências dos projetos e extrair o máximo de informações para 
uma boa prática e execução da obra (BRANDÃO, 2019). 
 
a) Dimensões BIM 
 
Os modelos BIM são a chave para que o BIM seja realizado com sucesso, e para sua 
melhor compreensão, é dividido em dimensões que se referem a como ele está programado e, 
consequentemente, aos tipos de informações que serão dele retiradas (CAMPESTRINI, 
GARRIDO, et al., 2015). 
Em uma mesma interface o BIM apresenta todas as informações trazendo o conceito 
de dimensões de desenho, sendo que cada dimensão do modelo BIM carrega informações 
próprias, as quais geram, no final, um modelo com dados integrados. O desenvolvimento do 
modelo BIM inicia com três dimensões de desenho (3D), contendo os dados necessários para 
a caracterização e posicionamento espacial do projeto da obra. A quarta dimensão (4D) vem 
complementar os elementos gráficos do projeto com informações sobre o cronograma da obra, 
24 
 
contendo a ordem e os precedentes de execução de cada fase do empreendimento. Já a quinta 
dimensão (5D) passa a vincular cada elemento do projeto a dados de custo, contendo o 
orçamento e os respectivos insumos de produção. A sexta dimensão (6D) constitui o 
gerenciamento do ciclo de vida do bem em questão, incluindo o controle da garantia dos 
equipamentos, planos de manutenção, dados de fabricantes e fornecedores, custos de operação 
e fotos (MATTOS, 2014). 
 
Figura 3 – Dimensões BIM 
 
Fonte: SDSEDUCA, 2019 
 
Com o passar o tempo o BIM foi se moldando e passou a ser não só uma tecnologia 
que dá suporte à prática integrada (colaborativa) mas que se preocupa com as questões de 
sustentabilidade, criando parâmetros para o desenvolvimento e construção de edificações 
sustentáveis. Por essa razão, o modelo BIM ganha mais uma dimensão e passa a dividir-se do 
3D até o 7D, ou seja, da elaboração do protótipo virtual parametrizado do edifício, onde se 
podem analisar as possibilidades e testar os possíveis cenários (BIM 3D); inserimos a 
dimensão tempo ao modelo 3D, que através do planejamento físico da obra possibilita a 
geração de uma animação em vídeo de todo o andamento da execução da obra (BIM 4D); 
vinculamos o orçamento ao modelo 3D (BIM 5D); realizamos as análises de eficiência 
energética, do consumo de energia, pegada de carbono, contribuindo para a sustentabilidade e 
consequentemente para as diversas certificações existentes (BIM 6D); e por sua vez, o BIM 
7D que incorpora todos os aspectos do projeto de gestão de informações de ciclo de vida 
(MÜNCH, 2016). 
 
25 
 
Alguns autores consideram a existência de outra dimensão, depedendo do contexto, a 
oitava dimensão (BIM 8D) no modelo BIM diz respeito da segurança e prevenção de 
acidentes. Conforme Kamardeen (2010) um modelo BIM pode oferecer informações 
suficientes para que seja possível prever prováveis riscos no processo construtivo e 
operacional, e adicionar componentes de segurança e indicativos de perigo. Em BIM, a 
Segurança e Prevenção de Acidentes consiste em três tarefas: determinar os riscos no modelo, 
promover sugestões de segurança para perfis de risco alto e propor controle de riscos e de 
segurança do trabalho na obra para os perfis de riscos incontroláveis através do modelo. 
Quanto mais dimensões tiver o modelo, maiores serão os tipos de informações 
possíveis de serem modeladas a partir deles, tornando as tomadas de decisão mais complexas 
e acertadas (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 
 
b) Nível de desenvolvimento do modelo (LOD – Level of Development) 
 
O desenvolvimento do modelo BIM é progressivo e de acordo com sua evolução são 
fornecidos modelos com maior volume de informações. Com o intúito de regular este volume 
o AIA – American Institute of Architects desenvolveu o conceito de LOD – Level of 
Development, ou em português Nível de Desenvolvimento – ND, que corresponde a um certo 
grau de definição dos elementos, componentes e materiais do projeto (ABDI, 2017). 
O nível de desenvolvimento vem representar uma estrutura conceitual de orientação 
para o processo de projeto e o progresso de seu detalhamento de informações. As etapas de 
projeto são definidas sinteticamente, permitindo que diferentes membros da equipe entendam 
o nível de desenvolvimento que precisam trabalhar (MANZIONE e MELHADO, 2013). 
Critério para definir a maturidade e usabilidade de um BIM em diferentes fases de um 
projeto, o LOD geralmente é expresso como uma série progressiva de números que 
correspondem a níveis de especificação distintos e gradualmente crescentes, relacionados com 
diferentes etapas da concepção e utilização de um edifício. Assim os primeiros três níveis são 
aplicados à fase de projeto, o quarto à construção e o quinto à operação e manutenção do 
edifício (SILVA, 2013). 
Em umaescala que varia em cinco níveis, LOD 100 – fase conceitual, LOD 200 – 
geometria aproximada, LOD 300 – geometria precisa, LOD 400 – execução ou fabricação e 
LOD 500 – obra concluída, pode-se entender o LOD como uma referência, informação e 
geometrização mínima da modelagem em cada etapa do projeto, ou seja, o intuito do LOD é 
caracterizar o modelo dentro do processo (BRANDÃO, 2019). 
26 
 
Figura 4 – Nível de desenvolvimento do modelo BIM. 
 
Fonte: FEITOSA, 2013 
 
A especificação de Nível de Desenvolvimento (LOD) possui como idéia principal a 
padronização das entregas, que consiste em uma referência para os profissionais da indústria 
de AEC especificar, comunicar e confiar no modelo, deixando explícito em contrato e no 
processo, o devido uso e limitações do produto BIM gerado ao longo do desenvolvimento do 
projeto, da construção e da operação (BIMFORUM, 2019). 
 
2.1.4 A relação com o Governo 
 
Anualmente, o Governo Federal gasta bilhões de reais em obras de infraestrutura que 
são essenciais para sobrevivência da população, mesmo com todo o investimento tornou-se 
comum a ocorrência de irregularidades que incluem problemas quanto a concepção, avaliação 
de viabilidade técnica, econômica e ambiental (CASTRO, 2019). Pesquisa realizada por 
Miranda e Matos (2015) comprova que 50% das irregularidades encontradas em obras 
públicas são referentes à sobrepreço/superfaturamento, projeto básico/executivo deficiente ou 
desatualizado, fiscalização deficiente ou omissa e existência de atrasos injustificáveis nas 
obras e serviços. 
O sistema BIM chega como base para criação de um sistema integrado de concepção, 
produção e uso da edificação, introduzindo novos produtos, para resolver novos problemas e 
até mesmo criar novas demandas, mas de uma maneira mais econômica (AMORIM, 2018). 
As diversas ferramentas BIM possibilitam, entre tantas coisas, evitar e/ou minimizar 
reformulações ou ajustes acentuados durante a fase de execução das obras devido a 
oportunidade de realizar compatibilizações interdisciplinares ainda na fase de projetos com o 
intúito de avaliar rapidamente a viabilidade de cada alteração pensada (ESTMAN, 
TEICHOLZ, et al., 2014). O que conforme FIOCRUZ (2016) obtém-se como resultado, a 
qualidade e a economia requeridas pela Administração Pública. 
 
27 
 
A redução de erros, otimização dos prazos, a maior confiabilidade dos projetos, os 
processos mais precisos de planejamento e controle de obras, o aumento de produtividade, a 
diminuição de custos e a economia dos recursos utilizados nas obras são benefícios 
proporcionados pelo BIM com sua implantação (CASTRO, 2019). Diante do conhecimento 
dessa nova tecnologia a indústria da construção vem passando por uma mudança de 
paradigma para introdução desses conceitos, o que incentivou o Governo, os clientes de alto 
potencial e agências regionais ao redor do mundo a desenvolver e implementar iniciativas 
nacionais para o desenvolvimento do BIM (KASSEM e AMORIM, 2015). 
Em escala mundial a implementação do BIM no setor público tem como agentes 
percursores os estados membros da União Europeia, que já exigem a um certo tempo a 
aplicação da metodologia BIM em obras realizadas com recursos do governo, sendo assim, 
transformaram-se em modelos de referência para a implementação do BIM no setor público 
dos demais países (OLIVEIRA, 2019). Assim como em todo processo de inovação, durante o 
processo de implementação do BIM em todos os estados pertencentes à União Europeia foram 
enfrentados muitos desafios como a escassez de profissionais qualificados, heterogeneidade 
de redes, softwares e hardwares, ausência de normas, regulamentos e leis que formalizem a 
contratação de projetos em BIM, entre outros (KASSEM e AMORIM, 2015). 
A implementação da tecnologia BIM na União Europeia tornou-se uma referência 
mundial na utilização do BIM no setor público e privado, mas tudo só foi possível a partir de 
iniciativas do setor público por meio da criação de grupos líderes com o objetivo em comum 
de proporcionar um ambiente adequado para a adoção do BIM através de estratégias nacionais 
de disseminação (OLIVEIRA, 2019). 
A indústria da construção no Brasil, segundo Kassem e Amorim (2015), está entre as 
maiores do mundo, sendo responsável por 2% da indústria global e sua adoção pelos 
conceitos e ferramentas BIM pode levar a um impacto significativo na melhoria a eficiência e 
sustentabilidade de projetos e da construção civil em geral, melhoria a previsibilidade de 
resultados de projetos e o retornor de investimentos, e aumentar as exportações e estimular o 
crescimento econômico. Razão pela qual os agentes que elaboram e executam políticas no 
Brasil estarem procurando desenvolver iniciativas para aumentar a difusão do BIM no setor 
da construção. Conforme Castro (2019), pesquisas e estudos da Fundação Getúlio Vargas – 
FGV deste ano, apontam que 9,2% das empresas do setor da construção já implantaram o 
BIM na sua rotina de trabalho, sendo que estas empresas correspondem, hoje, a 5% do PIB da 
construção civil. 
 
28 
 
Um grande passo em direção ao BIM no Brasil foi a criação do Comitê Estratégico de 
Implementação do Building Information Modelling – CE-BIM em 5 de junho de 2017 com a 
finalidade de elaborar uma estratégia que pudesse promover um ambiente adequado para uso 
do BIM no Brasil, alinhando as ações e iniciativas do setor público com o setor privado e 
impulsionando a adoção do BIM pelo país (OLIVEIRA, 2019). Com a finalidade de apoiar o 
CE-BIM nessa tarefa, em agosto de 2017, foi fundada a Câmara Brasileira de BIM – CBIM 
com o objetivo de discutir políticas públicas de implementação e disseminação do BIM no 
Brasil. A CBIM é dividida em regionais para cada estado que são formadas por quinze 
comitês: Tecnologia, Parcerias, Qualidade, Contratos, Profissionais, Produção de conteúdo, 
Processos, NBR’s, Licitações, Acadêmico, Eventos, Evento BIM Nacional, Certificação BIM, 
Aprovação de projeto e Articulações (BORGES, 2019). 
O maior avanço brasileiro em direção ao BIM ocorreu em maio de 2018, quando o 
Governo Federal Brasileiro através do Decreto n° 9.377 de 17 de maio, instituiu a Estratégia 
Nacional de Disseminação do BIM com a finalidade de promover um ambiente adequado ao 
investimento em BIM e sua difusão no país (CASTRO, 2019). Basicamente a Estratégia BIM 
BR tem nove objetivos a atingir: 
• Difundir o BIM e seus benefícios; 
• Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM; 
• Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado, em BIM; 
• Estimular a capacitação em BIM; 
• Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e 
contratações públicas com o uso do BIM; 
• Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para a adoção do 
BIM; 
• Desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM; 
• Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao 
BIM; 
• Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de 
interoperabilidade BIM (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). 
Baseado nos objetivos de ampliar a utilização do BIM e aumentar a produtividade do 
setor da construção, o Governo Federal, através da Estratégia BIM BR almeja: 
 
 
29 
 
• Aumentar a produtividade das empresas em 10% (produção por trabalhador das 
empresas que adotarem o BIM); 
• Reduzir custos em 9,7% (custos de produção das empresas que adotarem o 
BIM); 
• Aumentar em 10 vezes a adoção do BIM (hoje 5% do PIB da Construção Civil 
adota o BIM, a meta é que 50% do PIB da Construção Civil adote o BIM); 
• Elevar em 28,9% o PIB da Construção Civil (com a adoção do BIM, o PIB do 
setor, ao invés de 2,0% ao ano, espera-se que cresça 2,6% entre 2018 e 2028, 
ou seja, terá aumentado 28,9% no período, atingindo um patamar de produção 
inédito) (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). 
Com o intuito da disseminação do BIM e seguir o seu objetivo de propor atosnormativos que estabeleçam parâmetros para compras e as contratações públicas com o uso 
do BIM, o Governo Federal pretende utilizar como um dos instrumentos o poder de compra, 
possibilitando que o cliente possa exigir que determinado empreendimento seja entregue com 
o uso do BIM, estimulando os fornecedores a começar utilizá-lo. O Poder Público, como um 
grande demandante de obras, pode assumir esse papel e estimular o mercado brasileiro como 
um todo (CASTRO, 2019). 
Para conferir tempo necessário para o mercado adequar-se às condições e para que o 
próprio setor público possa se estruturar apropriadamente, a utilização e a exigência do BIM 
devem ser realizadas com cautela e de modo escalonado, divididos em três fases: 
• A partir de janeiro de 2021 – Primeira Fase: a exigência do BIM será 
proposta para a elaboração dos modelos de arquitetura e de engenharia, em 
construções novas, ampliações ou reabilitações, nas disciplinas de estrutura, 
hidráulica, AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e elétrica na 
detecção de interferências, na extração de quantitativos e na geração de 
documentação gráfica a partir desses modelos; 
• A partir de janeiro de 2024: os modelos deverão contemplar algumas etapas 
que envolvem a obra, como o planejamento da execução da obra, na 
orçamentação e na atualização dos modelos e de suas informações como 
construído (“as built”), além das exigências da primeira fase; 
• A partir de janeiro de 2028: passará a abranger todo o ciclo de vida da obra 
ao considerar atividades do pós-obra. Será aplicado, no mínimo, nas 
construções novas, reformas, ampliações ou reabilitações, quando consideradas 
30 
 
de média ou grande relevância, nos usos previstos na primeira e na segunda 
fases e, além disso, nos serviços de gerenciamento e de manutenção do 
empreendimento após sua conclusão (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). 
A Estratégia BIM BR terá inicialmente como participantes os órgãos do Ministério da 
Defesa (Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil) e o Ministério dos Transportes (Portos e 
Aviação) como programas pilotos de atividades coordenadas e executadas pela Secretaria 
Nacional de Aviação Civil e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, 
mas nada impede que outros órgãos ou entidades se vinculem posteriormente ao programa ou 
desenvolvam iniciativas de indução, utilização ou exigência do BIM (ESTRATÉGIA BIM 
BR, 2018). 
 
 
2.2 Projeto 
 
 
Projeto é uma palavra derivada do latim projetum, que significa antes de uma ação, 
assim, podemos definir como uma ação prévia de um empreendimento, pesquisa ou desenho 
de modo sistemático e planejado para alcançar um objetivo (BALEM, 2015). Segundo a 
Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura - ASBEA (1992) projeto é um conjunto de 
ações caracterizadas e quantificadas, necessárias à concretização de um objetivo. 
Projeto pode ser entendido como um esforço temporário empreendido para criar um 
produto, serviço ou resultado exclusivo, e que engloba todas as etapas de desenvolvimento de 
um determinado produto ou serviço. Empreendidos em todos os níveis organizacionais, 
envolvendo um único indivíduo ou um grupo, uma única organização ou múltiplas unidades 
organizacionais de múltiplas organizações (PMI, 2017). 
 
Figura 5 – Definição de projeto. 
 
Fonte: MISZURA, 2013 
 
O projeto é um dos principais elementos no momento da construção ou reforma de 
31 
 
uma edificação, é uma atividade complexa que tem como objetivo alçar soluções econômicas, 
funcionais, belas e criativas, além de atender as exigências de seu cliente e estar de acordo 
com as leis ambientais. Portanto, projetar não é simplesmente apresentar um belo desenho, é 
necessário ter conhecimento de elementos, técnicas e estilos, de tal maneira que consiga 
combinar a forma e a função para alçar os resultados desejados (NASCIMENTO, 2015). 
O projeto não se trata de estilismo superficial ou mera questão estética, essa é uma 
atividade especializada, que aumenta a usabilidade, funcionalidade e qualidade do ambiente 
construído, portanto, o projeto adiciona valor à vida diária da população. O projeto é 
percebido como um esforço coletivo baseado em níveis de empenho e compromisso, 
combinando as habilidades e conhecimentos de uma ampla gama de indivíduos para fornecer 
soluções criativas para problemas mal definidos (JUNIOR, 2012). 
Na construção civil brasileira o termo projeto é muito utilizado e entendido de 
diferentes maneiras, a depender do momento e contexto a ser empregado. No cotidiano, 
projeto pode ser entendido como: 
• Projeto como empreendimento: resultado de uma análise de negócios, podendo 
ter como produto uma nova edificação, um novo mercado, um processo de 
implantação de novas tecnologias etc. Utilizado em uma visão ampla. 
• Concepção dos projetos: fase que antecede a execução das obras que 
normalmente tem seu início após a definição do estudo de viabilidade técnica-
econômica. 
• Projeto como desenhos: desenhos técnicos cujo objetivo é orientar a execução 
das construções dentro do canteiro de obras (CAMPESTRINI, GARRIDO, et 
al., 2015). 
De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT a norma NBR 
5674 (1999) aborda o projeto como sendo a descrição gráfica e escrita das características de 
um serviço ou obra de engenharia ou de arquitetura, definindo seus atributos técnicos, 
econômicos, financeiros e legais. Já para a NBR 13.531 (1995) a elaboração de um projeto é 
definida como a antecipação da fabricação do objeto a ser projetado, que no caso se trata de 
edificações, sendo respeitados todos os princípios técnicos existentes em arquitetura e 
engenharia. 
Conforme Estman, Teicholz et al. (2014) é durante a elaboração do projeto que são 
definidas a maior parte da informação de um empreendimento. Nas fases iniciais de projetos, 
especificamente nas de anteprojeto (PD), projeto básico (SD) e projeto executivo (DD) está 
concentrada a maior habilidade de causar impacto nos custos e nas características funcionais 
32 
 
do empreendimento. Porém, no processo tradicional de elaboração de projeto os esforços de 
tempo e análise crítica comumente estão concentrados em maior peso na fase de projeto para 
produção (CD), onde já não é mais possível cusar tanto impacto nos custos e funcionalidade 
do projeto. Ainda segundo os autores os serviços tradicionais dos projetos podem ser 
definidos de acordo com as seguintes etapas: 
Estudo preliminar – especificação textual do empreendimento e quantitativos 
não espaciais, lidando principalemnte com fluxos de caixa, função ou geração 
de renda; associa áreas e equipamentos necessários; inclui estimativa inicial de 
custos; pode sobrepor ou interagir com a fase de anteprojeto; pode sobrepor e 
interagir com a fase de produção ou planejamento financeiro. 
Anteprojeto – fixa requisitos de espaço e funcionanlidade, fases e possíveis 
necessidades de expansão; questões relativas ao terreno e contexto; restrições 
do código de obras e zoneamento; também pode incluir atualização da 
estimativa de custos baseada nas informações adicionadas. 
Projeto Básico (SD – Schematic Design) – projeto preliminar do 
empreendimento com plantas da edificação, mostrando como o programa do 
anteprojeto é materializado; modelo de massas da forma do edifício e 
renderizações iniciais do conceito; determina alternativas de materiais e 
acabamentos; identifica todos os subsisitemas do edifício por tipo de sistema. 
Projeto Executivo (DD – Design Development) – plantas baixas detalhadas 
incluindo todos os principais sistemas de construção (paredes, fachadas, 
pavimentos e todos os sistemas: estrutural, fundação, iluminação, mecânico, 
elétrico, comunicação, segurança, acústica, etc.) com detalhes gerais; materiais 
e seus acabamentos; drenagem do terreno, sistemas relativos ao terreno e 
paisagismo. 
Projeto para Produção (CD – Construction Detailing) – planos detalhadospara demolição, preparação de canteiro de obras, terraplenagem, especificação 
de sistemas e materiais; dimensionamento de membros e componentes e 
especificações para conexões de vários sistemas; testes e critérios de aceite 
para os sistemas principais; todos os componentes e conexões requeridos para 
integração entre sistemas. 
Revisão da construção – coordenação de detalhes, revisão de leiautes, seleção 
e revisão de materiais; alterações requeidas quando as condições na construção 
não são como esperadas ou devido a erros de execução (ESTMAN, 
33 
 
TEICHOLZ, et al., 2014). 
Segundo Sacks (2010) o projeto é o resultado da ação e do esforço de definir o produto 
a ser entregue e do processo produtivo da execução de obras. Ou seja, na construção civil 
entende-se como projeto o conjunto de pranchas contendo desenhos de arquitetura, estrutura, 
fundação, instalações e detalhes executivos somados aos memoriais descritivos, especificação 
de materiais, atas de reuniões, entre outros, que formam as informações necessárias para o 
iniciar a execução de uma obra, mas têm-se também, o projeto de processo produtivo, ou seja, 
a forma como aquele produto será executado (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 
A associação entre o projeto do processo e o projeto do produto antecipa problemas e 
exige soluções com a maior quantidade de envolvidos na cadeia produtiva como um todo, ao 
mesmo tempo, que deixa as tomadas de decisões mais complexas, permitindo mais 
flexibilidade nas soluções. De maneira simples, podemos dizer que trará mais benefícios as 
obras se as decisões de cada detalhe do produto a ser entregue forem feitas simultaneamente 
com as decisões de como esse será fabricado no canteiro de obras (CAMPESTRINI, 
GARRIDO, et al., 2015). 
 
• Projeto do Produto 
a. Reúne as decisões sobre o produto; 
b. Formada por profissionais que definem o produto a ser entregue, o 
dimensionamento de materiais, os encaminhamentos, os espaços, a estética, o 
atendimento de normas, as legislações, entre outros; 
c. Participam: o coordenador de projetos, o arquiteto, o engenheiro de estruturas, 
o engenheiro de fundações, o engenheiro de instalações e quando o projeto 
exige, outros profissionais especializados (ambiental, impermeabilização, 
automação, vedação, conforto térmico e acústico etc.); 
d. À medida que as decisões vão sendo determinadas são documentadas em 
desenhos e textos, que ao longo do projeto, são trocadas entre os profissionais. 
As trocas de informações e tomadas de decisões se dão até que todas as 
soluções necessárias para completar o projeto sejam feitas, e então encerra-se o 
projeto; 
e. Tem-se ao final, o Projeto Executivo composto por desenhos, memoriais 
descritivos, de cálculos e justificativos, além de cadernos de especificações e 
de encargos, por exemplo (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 
 
34 
 
 
• Projeto do Processo 
a. Reúne as decisões sobre o processo; 
b. Para cada produto a ser entregue os profissionais tomam decisões em relação a 
quais são os recursos necessários para realiza-lo no canteiro de obras (mão de 
obra, materias, equipamentos, ferramentas etc.), como devem ser esses 
canteiros, quais os custos dos recursos, quais as produtividades para realizar os 
serviços, como deve ser realizado aquele serviço, qual a sequência construtiva 
das atividades etc. 
c. Participam: os engenheiros de execução das obras, de planejamento, de 
orçamento e o coordenador de projetos. 
d. As informações utilizadas vêm, sobretudo, das experiências dos profissionais e 
de cotações realizadas com fornecedores. 
e. Como produto final, temos o plano de qualidade da obra, os cronogramas de 
execução, as planilhas orçamentárias, entre outros (CAMPESTRINI, 
GARRIDO, et al., 2015). 
 
Para Fabricio (2002) tanto na construção civil como em outras áreas o projeto é 
essencial e indispensável para a sustentabilidade e para a qualidade do produto, assim como 
para o rendimento dos processos. Apesar de ser crucial para o êxito do empreendimento, o 
fluxo do projeto constantemente apresenta falhas e nos últimos anos, vem sendo apontado 
como o principal responsável pela origem de patologias nas construções (BERTEZINE, 2006 
e GARBINI e BRANDÃO, 2014). 
Muitos problemas de insuficiência na entrega de construções estão relacionados à falta 
de qualidade do fluxo de etapas de elaboração do projeto de arquitetura, ou seja, o projeto é 
elaborado sem planejamento, separado entre as especialidades e sem visão sistemática e 
abrangente da interação entre projeto e execução, o que demonstra o déficit de comunicação 
entre os interlocutores do projeto (ROMANO, 2003). 
De acordo com o Project Management Institute – PMI (2017) as etapas de elaboração 
de um projeto geralmente são divididas nas seguintes fases: 
1. Iniciação: fase inicial do projeto, quando uma determinada necessidade pe 
identificada e transformada em um problema a ser resolvido, ou seja, é nesta 
fase que a missão e o objetivo do projeto são definidos; 
2. Planejamento: fase responsável por analisar e verificar as melhores estratégias 
35 
 
para a elaboração do projeto, tudo o que deverá ser realizado para a execução 
deve ser detalhado, como os cronogramas, alocação de recursos envolvidos, 
custos, etc. Nessa fase os planos auxiliares de comunicação, qualidade, riscos, 
suprimentos e recursos humanos também são desenvolvidos; 
3. Execução: é a fase caracterizada pela efetiva execução do projeto e serviços. 
Nesta fase a maior parte do orçamento e do esforço é utilizada e qualquer erro 
cometido nas fases anteriores fica evidente durante essa fase; 
4. Monitoramento e Controle: é a fase que ocorre paralelamente ao 
planejamento e à execução do projeto. Tem como objetivo acompanhar e 
controlar aquilo que está sendo realizado pelo projeto, de modo a propor ações 
corretivas e preventivas no menor espaço de tempo possível; 
5. Finalização: é a fase quando ocorre a avaliação dos trabalhos executados 
através de uma auditoria interna ou externa (terceiros), os livros e documentos 
do projeto são encerrados e todas as falhas ocorridas durante ~soa discutidas e 
analisadas para que erros similares não ocorram em novos projetos 
(aprendizados). 
 
Figura 6 – Fases do Projeto 
 
Fonte: MISZURA, 2013 
 
Durante as etapas de elaboração de um projeto podemos destacar que as fases de 
inicialização e finalização do projeto são relativamente menores do que as fases de 
planejamento e execução, pois são atividades em que temos menos envolvidos, e, na maioria 
das vezes, uma complexidade menor do que nas demais fases. Idealmente a fase de 
monitoramento e controle deve está presente e constante em todo o processo e a fase de 
36 
 
planejamento deve se aproximar da proporção da fase de execução, pois um planejamento 
bem feito consiste em analisar e estudar todas as variáveis possíveis que venham a impactar 
no custo, prazo e qualidade da obra (MISZURA, 2013). 
Com as transformações sofridas ao longo do tempo no setor de incorporações e das 
empresas construtoras o termo projeto vem se atualizando de forma a acompanhar a 
modernização e os avanços tecnológicos (NASCIMENTO, 2015). Conforme Adesse (2002) 
as empresas constataram que se tornou fundamental a utilização de critérios que assegurem a 
racionalização da obra e a construtibilidade, o que requer projetos adequados e harmônicos 
entre si. 
De acordo com Junior, Maia e Correia (2014), o setor da construção civil enfrenta 
muitas dificuldades relacionadas à ausência de qualidade nas edificaçãoes, o projeto informal 
é a sua principal causa, o que os leva a procurar procedimentos de gestão da atividade de 
projeto, com principal objetivo de modificar, melhorar e aperfeiçoar o modelo convencional. 
Nos dias atuais, faz-se necessária a elaboração de uma gestão coordenada da construção, para 
que ao longo de todas as fases, traga resultados satisfatórios na redução de custos,tempo e 
materiais, destacando-se a importância do plano em qualquer projeto para efetivamente 
colocar em prática a racionalização (NASCIMENTO, 2015). 
A gestão de projetos permite a análise das probabilidades de pré-execução, 
melhoramento de metodologias de execução, interposições de projetos e detecção de 
prováveis patologias, reduzindo assim o índice de desperdícios e retrabalhos, aumentando 
ganhos financeiros durante sua construção, garantindo a qualidade de seus produtos e 
processos (BORGES, 2019). 
Apesar de não garantir a perfeita execução de uma obra, a elaboração de um projeto 
estudado e planejado, traz resultados diretos na qualidade e na eficiência das edificações, 
tanto na construção quanto ao longo de seu ciclo de vida (CAMPOS, 2011). 
 
 
2.3 Gerenciamento de Projetos 
 
 
Segundo o dicionário Aurélio (2019) gerenciar é o “ato de fazer a gestão de”, podemos 
então dizer, que o gerenciamento é o ato de administrar, dirigir uma organização ou uma 
empresa. O gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, 
ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de cumprir os seus requisitos. O 
37 
 
gerenciamento de projetos permite que as organizações executem projetos de forma eficaz e 
eficiente (PMI, 2017). 
De acordo com Campos (2012) gestão de projetos é um conjunto de princípios, 
práticas e técnicas aplicadas para liderar grupos de projetos e controlar programação, custo, 
riscos e desempenho para se alcançar as necessidade de um cliente final. 
Dentro de um contexto de gestão, as diferentes interfaces de um projeto exigem que 
haja uma integração entre elas, contemplando-se diversos fatores de um determinado projeto, 
como: desenvolver o termo de abertura do projeto, desenvolver o plano de gerenciamento do 
projeto, orientar e gerenciar o trabalho do projeto, monitorar e controlar o trabalho e encerrar 
o projeto ou fase (ARAÚJO, 2018). 
Considerando o projeto como uma sequência de tomadas de decisão, o profissional 
responsável pela sua gerência precisa organizar o andamento do projeto e fomentar soluções 
até que estas se enquadrem às metas, além de atender a equipe com as informações 
necessárias para que os profissionais desenvolvam suas soluções com eficiência e eficácia 
(CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 
O gerenciamento tem impacto direto na rentabilidade de uma empresa, no setor da 
construção civil ele pode acarretar desde o lucro inferior ao desejado, entregas após o prazo 
estabelecido ou em um empreendimento de má qualidade ou até mesmo na conclusão do 
empreendimento, gerando prejuízos para o cliente e para o construtor (STROHAECKER, 
2017). A falta de utilização dos conhecimentos de planejamento, programação e controle de 
produção traz impacto negativo na qualidade do gerenciamento, mas em compensação, 
quando executado de forma correta traz vantagens e aumento do potencial de competitividade 
para as empresas (ASSUMPÇÃO e JUNIOR, 1996). 
O gerenciamento de projetos eficaz ajuda indivíduos, grupos e organizações públicas e 
privadas a: cumprirem os objetivos do negócio; satisfazer as expectativas das partes 
interessadas; serem mais previsíveis; aumentarem suas chances de sucesso; entregar os 
produtos certos no momento certo; resolver problemas e questões; rotimizarem o uso dos 
recursos organizacionais; identificarem, recuperarem ou eliminarem projetos com problemas; 
equilibarem a influência de restrições do projeto e gerenciarem melhor as mudanças (PMI, 
2017). 
A ideia de gerenciamento de projetos surgiu na década de 60, mas não teve uma boa 
aceitação na época, só a partir da década de 90 com a globalização e o aumento da 
competitividade nas empresas essa preocupação em gerenciar os projetos passou a ser 
estabelecida e divulgada (PACHECO, OLIVEIRA, et al., 2016). Ao longo dos anos, as 
38 
 
técnicas de gerenciamento de projetos evoluíram e transformaram-se em poderosas 
ferramentas capazes de monitorar e controlar elementos fundamentais de sucesso do negócio 
(PINTO, 2012). 
O desenvolvimento vem provocando nas empresas do ramo da constução civil a 
necessidade de otimizar as tomadas de decisões através da implementação ou melhoria do 
planejamento (VALLE, 2016). O ambiente de negócios atual é dinâmico, com um ritmo 
acelerado de mudança e os líderes organizacionais precisam ser capazes de gerenciar 
orçamentos cada vez mais apertados, prazos mais curtos e recursos mais escassos. Para se 
manterem competitivas na economia mundial, as empresas estão adotando o gerenciamento 
de projetos para entregar valor de negócio de forma consistente (PMI, 2017). 
O guia Project Mangement Body of Knowledge – PMBoK afirma, que o uso de 
técnicas, ferramentas e processos de gerenciamento de projetos possibilita a criação de uma 
base sólida para as organizações atingirem suas metas e objetivos (PMI, 2017). 
Podemos então resumir, que um planejamento inadequado é capaz de resultar em erros 
que afetam a qualidade da obra, os custos e o prazo do empreendimento, ou seja, um 
gerenciamento eficaz se faz necessário com o intuito de certificar que o conjunto das 
atividades desenvolvidas, resulte na qualidade do projeto, compatilidade com prazos e custos 
incialmente previstos (RIBEIRO e FILHO, 2009). 
 
 
2.4 Coordenação de Projetos 
 
 
Coordenação é “a ação de coordenar”, que significa uma disposição ordenada, 
coerente e metódica das ideias numa frase, num texto, em um projeto e etc. A coordenação de 
projetos operaciona a gestão de projetos, ou seja, enquanto a gerência é responsável pela 
tomada de decisões, a coordenação faz os cronogramas, descreve o escopo e as 
responsabilidades de cada membro da equipe de projeto, levanta custos, preenche checklists 
para controle da qualidade, documenta a troca de informações e assim por diante (SILVEIRA, 
2019). 
A norma ISO 10.006 (ABNT, 2003) entende que a coordenação de projetos trata-se de 
um processo contínuo e inclui o planejamento, organização, supervisão e controle de todos os 
aspectos do projeto a fim de alcançar seus objetivos. 
Para Araújo (2015) a coordenação é o planejamento do processo de projeto, que 
39 
 
envolve a interação entre os diversos projetistas desde as primeiras etapas do processo de 
projeto com o intuito de discutir e viabilizar soluções a fim de evitar discrepâncias ou 
incorências entre as informações produzidas por diferentes membros da equipe de projeto. Já 
Melhado (2005) define como uma atividade de suporte ao desenvolvimento do processo de 
projeto voltada à integração dos requisitos e das decisões de projeto, exercida durante todo o 
processo de projeto e tem como objetivo estimular a interatividade na equipe de projeto e 
melhorar a qualidade dos projetos assim desenvolvidos. 
Coordenar projetos de construção civil é uma tarefa difícil e o exercício adequado 
desta função exige persistência, perspicácia e manutenção do foco nos resultados, que são 
características típicas de um líder (JUNIOR, 2012). 
Ferreira (2001) define o coordenador de projetos como o responsável por efetuar a 
operação das decisões tomadas pela gerência, cabe a ele realizar as atividades que evolvem os 
processos de montar os cronogramas, desingnar o escopo e as responsabilidades individuais 
dos membros da equipe de projeto, estimar custos, e fiscalizar o controle da qualidade, etc. O 
gerente de projetos é totalmente capaz de cumprir com estes deveres, mas em casos de maior 
complexibilidade é interessante dividir esta responsabilidade com outro membro da equipe (a 
figura do coordenador). 
Na prática, os responsáveis pela coordenação de projetos atuam nas questões legais 
para a execução das obras, na gestão dos documentos a serem enviados à obra, na produção 
do projeto do processo construtivo (questões prévias de canteiro de obras, análises e 
documentos, de prazo e custo), contratação de equipes de operários para a execução das obras, 
contato com principaisfornecedores, questões de colaboração da equipe, de gestão das 
informações, entre outros (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 
O PMI (2017) destaca que gerenciar projetos implica em administrar de modo especial 
as restrições de escopo, prazo e custo, cujo balanceamento afeta a qualidade do projeto. A 
atividade de coordenação de projeto, segundo PMI pode ser dividida em nove áreas de 
conhecimento: integração, escopo, prazos, custos, recursos humanos, aquisições 
(procurement), qualidade, riscos e comunicação do empreendimento. 
O processo de projeto envolve durante todas as suas fases (concepção, 
desenvolvimento e execução da obra) a participação de pelo menos quatro integrantes: 
empreendedores, construtores, projetistas e clientes finais (usuários), cada um com seu 
interesse e expectativa particular. Para conciliar os diversos interesses e expectativas desses 
agentes envolvidos, aproximar concepção e produção do projeto e ainda produzir edifícios 
cada vez com mais qualidade é necessário que se tenha uma coordenação eficiente durante o 
40 
 
processo de projeto, de forma que o objetivo traçado inicialmente seja alcançado (SILVA e 
NOVAES, 2008). 
Para a Associação dos Gestores e Coordenadores de Projeto – AGESC (2013) em seu 
Manual de escopo de coordenação de projetos, a coordenação está presente nas seguintes 
fases: 
• Concepção do Produto: envolve as atividades relativas ao levantamento e 
definição do produto imobiliário e as restrições que o regem, definindo as 
características necessárias para a contratação dos profissionais de projeto; 
• Definição do Produto: coordenar as atividades para a consolidação do partido 
do produto imobiliário e dos demais elementos do empreendimento, definir 
todas as informações para a verificação da viabilidade técnica, física e 
econômico-financeira, assim como à elaboração dos projetos legais. 
• Identificação e Solução de interfaces de projeto: coordenar a conceituação e 
caracterização de todos os elementos do projeto, com as definições de projeto 
necessárias a todos envolvidos, resultando em um projeto com soluções para 
as interferências entre sistemas e todas as suas interfaces resolvidas, de modo 
a subsidiar a análise de métodos construtivos e a estimativa de custos e prazos 
de execução. 
• Detalhamento de Projetos: coordenar o desenvolvimento do detalhamento de 
todos os elementos de projeto do empreendimento, de modo a gerar um 
conjunto de documentos suficientes para perfeita caracterização das obras e 
serviços a serem executados, possibilitando a avaliação dos custos, métodos 
construtivos e prazos de execução. 
• Pós-entrega de Projetos: garantir a plena compreensão e utilização das 
informações de projeto e a sua correta aplicação e avalias o desempenho do 
projeto em execução. 
• Pós-entrega da Obra: coordenar o processo de avaliação e retroalimentação 
do processo de projeto, envolvendo os diversos agentes do empreendimento e 
gerando ações para melhoria em todos os níveis e atividades envolvidos. 
Em meados da década de 60 houve uma grande demanda imobiliária que proporcionou 
o surgimento dos primeiros escritórios técnicos especializados em arquitetura, estrutura e 
instalações, etc. Os profissionais que antes trabalhavam em empresas, projetavam e 
construíam de modo que havia uma centralização da coordenação e do desenvolvimento dos 
41 
 
projetos, passaram a trabalhar sozinhos, levando ao estreitamento do contato entre as áreas de 
projeto e produção, no caso, a execução das obras. Num primeiro momento, esta forma de 
trabalhar tornou-se eficaz e satisfatória para as construtoras e incorporadoras, mas com a 
crescente demanda de projetos imobiliários e o aumento da complexibilidade de cada 
edificação, a equipe de projetos passou a se distanciar cada vez mais da prática da construção 
e elevou o número de escritórios especializados na projeção de algum segmento específico 
(MISZURA, 2013). 
Para Miszura (2013) todo este distanciamento entre as equipes de projeto e construção 
gerou grandes despesas para as construtoras e clientes, uma vez que durante a obra passaram a 
ser feitos ajustes, a custo de alterações feitas em cima de algo já executado. A diversidade dos 
projetos de edificações e as inúmeras exigências do mercado, numa conjuntura competitiva, 
demandam que empresas de construção e incorporação, escritórios de projetos e de 
engenharia consultiva adotem, cada vez mais, a prática da coordenação e compatibilização de 
projetos (SILVA e NOVAES, 2008). 
O gerenciamento de projetos realizado de maneira adequada pode ser responsável pela 
conquista de resultados expressivos para a sobrevivência e progresso das organizações 
(SANTOS, BRANCO e FILHO, 2013). 
Segundo Sperandio, Batista et al. (2018) a coordenação de projeto vem ganhando 
destaque no setor da construção de edifícios, seu objetivo principal é alcançar a eficiência do 
processo construtivo, tendo como finalidade diminuir ou até eliminar os problemas existentes 
entre a concepção dos projetos e execução das obras, compatibilizar os projetos de diferentes 
especialidades e soluções tecnológicas, e aproximar as equipes de projetos, através de troca de 
informações correteas e eficientes. 
O termo compatibilização de projetos, para Rodriguez (2005), é definido como a 
análise, identificação e correção das interferências físicas entre as diferentes disciplinas de 
projetos de uma edificação. Deste modo, pode-se dizer, que a compatibilização é uma parte do 
trabalho de coordenação de projetos, pois apenas sobrepondo os projetos o compatibilizador 
irá identificar as falhas e conflitos entre os diferentes tipos de projetos. Listas de verificação, 
reuniões de coordenação e softwares de computadores são elementos que servem de apoio na 
atividade de compatibilização dos projetos. 
Um empreendimento é composto por diversas disciplinas que estão inter-relacionadas 
em todas as etapas da obra, seus projetos são feitos em sua maioria separadamente, o que 
normalmente eleva as chances de problemas construtivos caso a interferência for identificada 
somente no decorrer da obra, resultando em alterações de última hora. A compatibilização 
42 
 
consiste justamente em sobrepor da melhor forma possível todos os projetos antes do início da 
construção, evitando a reformulação de estruturas já realizadas (HOROSTECKI, 2014). 
Para Rodriguez (2005) a falta de compatibilização pode contribuir para elevar os 
custos relativos ao desperdício com: superdimensionamento ou subdimensionamento dos 
sistemas; atrasos e retrabalhos devido a interferência entre os projetos, ou por falta ou 
incorreção de informações; baixa produtividade devido ao emprego de componentes não 
padronizados; desperdício de recursos materiais e de mão de obra devido à falta de 
construtibilidade; e o desperdício de recursos materiais e de mão de obra para a operação e a 
manutenção. 
Conclui-se então, que a coordenação de projetos deve trabalhar com as diversas 
frentes de projeto paralelamente, buscando meios de comunicação efetivos entre estes, 
garantindo que as soluções técnicas desenvolvidas pelos projetistas de diferentes 
especialidades sejam adequadas e compatíveis entre si, visando obter como resultado final um 
produto mais racionalizado e completo, com menor ou nenhuma necessidade de correções e 
modificações durante a execução (MELHADO, 2001). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
3 A IMPORTÂNCIA E APLICAÇÃO DO SISTEMA BIM 
 
 
O uso de softwares de plataforma BIM está ganhando espaço e tornando-se uma 
excelente alternativa para sanar a falta de qualidade dos projetos, a ineficiência dos processos 
de desenvolvimento e os problemas de gestão detectados nos setores. Os softwares que 
compõem o sistema BIM permitem a leitura de um edifício, sua performance, seu 
planejamento, sua construção e seu funcionamento, ou seja, a inclusão de informações 
permite queo projeto aconteça não apenas na etapa 3D, mas possibilita as etapas de 
planejamento - 4D, orçamento – 5D, análises de sustentabilidade – 6D e manutenção – 7D. 
O processo que anteriormente era hierárquico se torna colaborativo com a introdução 
da tecnologia BIM que passa a unir todas as informações junto ao modelo, criando um 
processo com participação de todos no desenvolvimento. Oferecendo as melhores condições 
de avaliação, o sistema BIM, permite a melhor análise crítica dos projetos. 
Em comparação com os métodos convencionais a metodologia BIM através de suas 
ferramentas pode auxiliar em análises de compatibilização e de orçamentação gerando 
resultados mais rápidos, economizando tempo e recursos substanciais. Segundo Marques, 
Flores e Souto (2017) desde a década de 1980 a plataforma de representação e 
desenvolvimento de projeto civis mais utilizada é a Computer Aided Design – CAD ou 
Desenho Assistido por Computador. O CAD é um sistema vetorial usado para representações 
bidimensionais (2D) ou tridimensionais (3D) que possui funções integradas, como cálculos de 
volume e área, que agilizam certas atividades para o usuário. 
O grande diferencial entre os sistemas é que no caso do CAD a modelagem é apartir 
de vetores e no BIM os objetos são parametrizados, o que significa dizer, que no sistema BIM 
são inseridos parâmetros que levam informações que fazem com que os objetos sejam 
determinados de forma a interagir com os objetos vizinhos e automatizar futuras alterações. A 
modelagem em BIM pode ser analisada como um desenvolvimento CAD, já que o BIM chega 
como uma ferramenta nova de projeto, oferecendo alternativas inovadoras para as empresas 
do setor da construção civil. 
Em diversas partes do mundo, o setor público vem tomando iniciativas para incentivar 
e alavancar a utilização da tecnologia BIM. Conforme Zeiss (2013) a adoção do BIM em 
diversas regiões do mundo se deu: nos Estados Unidos em 2003 foi criado o primeiro 
programa nacional e até 2012 a utilização do BIM saltou de 40% em 2009 para 71%; 
Singapura implementou em 2008 o sistema de aprovação de projetos mais rápidos do mundo, 
44 
 
o prazo atual era de 26 dias e a meta até 2015 era de obter 80% dos projetos em BIM e reduzir 
o prazo de aprovação para 10 dias. 
O Reino Unido tinha como objetivo primordial a redução dos custos dos projetos de 
construção do governo em 20%, reduzir a intensidade da emissão de carbono e ao longo de 
um período de 5 anos o BIM deveria estar em projetos do governo; desde 2007 na Finlândia e 
de 2014 em Hong Kong os projetos são exigidos em BIM; a partir de 2016 a Coréia do Sul 
obrigará o uso do BIM para todos os edifícios públicos e para projetos superiores a 50 
milhões de dólares no setor privado; desde 2012 a Holanda obriga o uso do BIM na 
manutenção de grandes projetos; em 2012 na Austrália, o governo lançou o caderno 
“Iniciativa Nacional BIM”, dividido em dois volumes – Estratégia e Implementação, com 
uma série de recomendações, especificações e metas a serem adotadas pela indústria da 
construção (ZEISS, 2013). 
A difusão do uso da modelagem da informação é importante para o setor público, mas 
até o momento algumas iniciativas nacionais foram adotadas para a implantação do BIM no 
mercado brasileiro. De forma isolada os órgãos passaram a solicitar a utilização do BIM, 
órgãos como o Exército Brasileiro, a Petrobrás, o Departamento Nacional de Infraestrutura de 
Transportes (DNIT), o Governo de Santa Catarina e o Instituto Nacional de Propriedades 
Industrial (INPI). 
A mais de 20 anos a Petrobras, com o intuito de automatizar seus processos de 
engenharia, utiliza ferramentas de automação de projetos e modelagem 3D para elaborar as 
plantas industriais de suas unidades on-shore e off-shore. Desde 2009 o Exército Brasileiro, 
através da DOM estimula o uso do BIM para a elaboração de seus projetos, principalmente de 
construções novas. A Diretoria de Obras Militares (DOM) é a grande responsável pela gestão 
de mais de 650 organizações militares presentes no território brasileiro, sendo constituída 
apenas por 12 unidades de engenharia (CRO- Comissões Regionais de Obras), localizadas nas 
principais capitais do Brasil que desempenham atividade como a elaboração de projetos, 
contratação, fiscalização, medição e pagamento pela execução dos serviços contratados. 
(OLIVEIRA, 2019). 
Diante da necessidade de encontrar uma forma de gerir as obras do Exército Brasileiro 
de forma eficaz, eficiente e transparente, foi criado o OPUS – Sistema Unificado do Processo 
de Obras, um sistema informatizado de apoio à decisão que visa suportar as funcionalidade de 
planejamento, programação, acompanhamento, fiscalização, controle, gerência e execução de 
obras e serviços de engenharia de todas as atividades do Sistema de Obras Militares (SOM). 
Criação autônoma do Exército Brasileiro, o OPUS é composto pela associação das 
45 
 
tecnologias BIM e Geographic Information System (GIS) ou Sistema de Informações 
Geográficas (SIG), e é utilizado para realização do planejamento estratégico, gestão de obras 
e ativos e gestão de projetos da DOM (OLIVEIRA, 2019). 
A primeira ação estatal com resultados públicos ocorreu em 2010 por demanda do 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC e da Agência 
Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI com a contratação de empresa para o 
desenvolvimento de uma versão incial de Biblioteca BIM para edificações de tipologia do 
Programa “Minha Casa Minha Vida” que até hoje são largamente distribuídos, servindo como 
referência para projetos do gênero e como elemento de estudo na formação BIM. Apenas em 
2014 que surgiram licitações que exigiram processos BIM, como é o caso da licitação aberta 
pela Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC para a elaboração de cerca de 270 projetos 
de aeroportos regionais e a abertura de licitação pelo Governo de Santa Catarina para projetos 
de dois hospitais (KASSEM e AMORIM, 2015). 
Santa Catarina foi o primeiro, e até então, único estado Brasileiro a exigir o uso do 
BIM para todas as obras públicas e licitações a partir de 2018, por meio do desenvolvimento 
do Caderno de Apresentação de Projetos em BIM ou Caderno BIM, onde são definidas a 
padronização e a formatação que devem orientar o desenvolvimento dos projetos em BIM nas 
contratações com o estado. Conforme Oliveira (2019), durante todo esse período o sistema já 
foi aplicado nas obras do Instituto de Cardiologia de Santa Catarina - ICSC, da Fundação 
Catarinense de Educação Especial - FCEE, do Centro de Referência de Assistência Social - 
CRAS, do Instituto Estadual de Educação - IEE e do Centro de Hematologia e Hemoterapia 
de Santa Catarina - HEMOSC. 
Em 2018, o Governo Federal do Rio de Janeiro e do Paraná instituíram os seus 
próprios programas de disseminação do BIM, a Estratégia BIM-RJ e o Plano de fomento 
BIM, respectivamente, com o propósito de proporcionar um ambiente adequado ao 
investimento em BIM, impulsionar a sua difusão no estado e com a criação de um Caderno de 
Especificações Técnicas para a Contratação de Projetos em BIM. Por fim, ambos os cadernos 
tem finalidade semelhante ao Caderno de Santa Catarina, que busca definir as diretrizes para a 
elaboração de projetos de edificações públicas em BIM. 
O processo de implementação baseado em educação, investimento e apoio de póliticas 
públicas se mostrou funcional em todos os países que hoje gozam de bons resultados como o 
BIM. Para Masotti (2014) o setor público, a educação e o investimento privado são três focos 
de trabalho fundamentais quando se trata de visualizar o futuro da indústria no Brasil e o 
estabelecimento de um mercado pronto para demandar e oferecer a execução de projetos 
46 
 
utilizando as ferramentas e a metodologia BIM. O papel do setor público está em determinar 
um programa de implementação, estabelecendo padrões, normas, guias, regulação do trabalhoe meios de troca de informação, com metas e prazos claros e realistas; a educação chega com 
papel de ser a responsável por estabelecer o BIM como disciplina na graduação e oferecer pós 
graduação com o intuito de formar gestores capacitados a implementar e gerenciar este 
processo em todos os ramos da indústria da construção. O investimento privado é o 
responsável por incentivar o investimento em processos, envolvendo não só a capacitação da 
equipe mas estrutura tecnológica e mudança de culutra entre os parceiros (fornecedores, 
prestadores de serviço, etc.), desencadeando uma reação em cadeia na indústria. 
O BIM é uma ferramenta bastante abrangente e completa, seu uso principalmente 
envolve atividades de planejamanto, controle e modelagem que estão presentes ao longo de 
todo o ciclo de vida de uma edificação. A integração de todos os dados do empreendimento 
em uma mesma plataforma facilita a gestão da informação, possibilita alterar todos os dados 
de planejamento físico e financeiro conforme alterações no projeto, facilitando assim, a 
revisão e aumentando a produtividade. 
O uso dessa tecnologia apresenta como vantagem a possibilidade de visualização 
antecipada e mais precisa de um projeto; ajustes automáticos em todas as pranchas e vistas 
quando mudanças são feitas em uma delas; geração de desenhos 2D precisos e consistentes 
em qualquer etapa do projeto; colaboração antecipada entre as diversas disciplinas; geração de 
quantitativos e materiais automaticamente; extração de estimativas de custo; análises 
luminotécnicas (tanto do sol, em qualquer época do ano ou lugar do planeta quanto da 
iluminação interna); análises de eficiência energética e sustentabilidade; sicronização de 
projeto e planejamento da construção; descoberta de erros de projeto e omissões antes da 
construção (detecção de interferências); uso do modelo de projeto como base para 
componentes fabricados; melhor implementação e técnicas da construção enxuta; sicronização 
da aquisição de materiais com o projeto e a construção; melhor gerenciamento e operação das 
edificações; integração com sistemas de operação e gerenciamento de facilidades. 
A tecnologia BIM ainda trás como vantagem a funcionalidade do trabalho em equipe, 
permitindo que profissionais em diferentes partes do mundo trabalhem em um mesmo modelo 
ao mesmo tempo, através da internet em conexão direta, utilizando os worksets (conjunto de 
divisões em que o modelo é separado e cada profissional tem acesso de edição restrito, mas 
visualização completa, resultando em um modelo central) definidos pelo BIM Manager. 
Os benefícios do BIM não são exclusivos de quem o utiliza, são obtidos também pelos 
compradores, incluindo nesse grupo o poder Público. O BIM confere maior qualidade às 
47 
 
obras, garante uma maior transparência no processo de compra, reduz a incidência de erros e 
imprevistos e aumenta a confiabilidade nas estimativas de custos e no cumprimento dos 
prazos. Além de proporcionar ao proprietário eficiência na gestão e manutenção de ativos 
com a disponibilidade de todas as informações agregadas ao modelo virtual. 
Atualmente as finalidades do BIM que mais se destacam é a modelagem 3D da 
arquitetura, a compatibilização de projetos e o levantamento de quantitativo. De acordo com 
Estman et al. (2014) os principais usos e benefícios da utilização do BIM podem ser 
categorizados nas diversas fases do ciclo de vida do edifício: 
1. Concepção do projeto: fase de estudos preliminares de conceitos e viabilidade, 
o primeiro modelo de análise BIM já pode ser gerado; 
2. Projeto: essa é a etapa fundamental do processo de construção virtual, 
possibilita uma visualização mais precisa em estágios mais adiantados, 
correções e geração automática de desenhos 2D, colaboração em equipe, fácil 
acesso para verificação de dados do projeto com os requisitos do programa, 
extração de quantitativos, melhorias no processo de análise energética e de 
sustentabilidade, entre outras; 
3. Execução: essa fase compreende o uso dos modelos preparados para a obra, 
como o acompanhamento do cronograma, medição de serviços, fabricação de 
componentes, interação das fases de aquisição, projeto e construção, ajuste do 
planejamento da obra com os objetos do modelo, identificação de falhas, 
interferências físicas, agilidade e rapidez nas alterações do projeto, favorecer a 
construção enxuta na entrega do produto, maximização do valor e redução do 
desperdício, otimização dos recursos. 
4. Operação: os benefícios estão relacionados ao gerenciamento adequado da 
modelagem de registro, com todos os dados da construção para futuras 
reformas, cronograma de manutenção durante a vida do edifício, análise de 
sistemas de instalações, ativos do edifício, como a construção física, sistemas, 
meio ambiente e equipamentos, distribuição e rastreamento de espaços ao 
longo do tempo da edificação, e planejamento de desastres, com uma logística 
de emrgência em casos de acidentes. 
Dentro das possibilidades ainda desconhecidas, estudos e pesquisas estão sendo 
realizados assumindo outras óticas de trabalho, aspectos e papel da tecnologia BIM, não a 
limitando apenas ao processo de projeto, expandindo para além da obra, vislumbrando a 
manutenção do edifício, catalogação e documentação de patrimônios. 
48 
 
A utilização do BIM em projetos de restauração pode agregar valor tanto na rapidez 
das intervenções, como no mapeamento das instalações existentes e apresentando as diversas 
intervenções sofridas ao longo dos anos. A possibilidade do uso do BIM para fins de 
catalogação, assim como o de restauração, é outro exemplo de aplicação do sistema além da 
construção o que demonstra o enorme potencial dessa tecnologia. 
Muitos na indústria da AECO ainda não exploram a tecnologia em sua totalidade, 
veem o BIM apenas como um modelo que agiliza na representação gráfica, esquecendo que o 
3D assume um papel além dos triviais, alçando novos usos, onde o BIM permite o vínculo a 
outras tecnologias resultanto em funções pouco exploradas na atual conjuntura. 
O laser scanning já é uma realidade no mundo do BIM e será cada vez mais comum e 
frequente a sua utilização ao logo de todas as etapas da edificação. Por se tratar de uma forma 
de realizar levantamento e registro da edificação existente, essa tecnologia captura a realidade 
da edificação gerando nuvens de pontos que normalmente são lidas e trabalhadas em 
softwares BIM. Ele pode ser aplicado em vários segmentos da engenharia como o 
levantamento de estrutura na parte civil, metálicas, parques industriais, arquitetura e 
conservação do patrimônio histórico e topografia. 
Assim como o laser scanning outros aparelho e tecnologias podem ser utilizados 
durante a obra para facilitar todo o processo de construção, como o GPS que pode ser 
utilizado na locação da obra na fase inicial, auxiliando no posicionamento das fundações, essa 
técnica representa a evolução da materialização dos pontos no terreno sem a necessidade de se 
gastar com madeiramento, espera-se com sua utilização reduzir erros de locação e aumentar a 
precisão na hora de implantar os pontos importantes para começar a obra; a maquele 
eletrônica é uma maneira de melhorar a apresentação do projeto a fim de se gerar bons 
resultados e conquistar os clientes, ela é capaz de agregar muito valor ao imóvel, auxilia nas 
campanhas publicitárias e na compatibilização dos melhores materiais de revestimentos e 
fachadas, além da utilização dos espaços. 
Os aparelhos de coleta e armazenamento de dados, como palm top e PDA podem ser 
utilizados para coleta e leitura de dados e sistemas que geram databook digitais a fim que se 
facilite o histórico da obra, essas ferramentas garante maior agilidade no controle e envio de 
informações inspecionadas, substituindo relatórios manuais feitos de papel, gerando economia 
e sustentabilidade, os dados coletados por esses aparelhos têm ligação direta comsoftware de 
controle e gerenciamento de obras, fazendo com que a gerência e a coordenação da obra 
mantenha o planejamento em constante alimentação de informações, mantendo-o atualizado; 
os drones estão auxiliando o acompanhamento da execução de projetos e captura de imagens, 
49 
 
são silenciosos e capazes de trafegar em grandes canteiros com segurança, capturando 
imagens de posições que até hoje não seríam capazes de visualizar, são dotados de tecnologia 
GPS e podem até elaborar imagens em 3D, essas imagens podem gerar relatórios estratégicos 
que serão úteis para melhorar o andamento da obras, fazer algum tipo de compatibilização 
necessária e colaborar na redução do índice de acidentes de trabalho. 
Pode-se observar que o sistema BIM reflete suas vantagens muito além da modelagem 
de um produto, procurando englobar todos os aspectos relativos ao empreendimento, desde 
produtos e processos, até a documentação. As desvantagens desse sistema caracterizam-se 
exatamente pelos fatores que dificultam a sua implantação, podemos assim destacar, o 
investimento alto em novos equipamentos, alteração no fluxo de trabalho, necessidade de 
treinamento dos profissionais, suporte técnico, falta de tempo, resistência à mudança, longo 
processo de aprendizagem e deficiência na disponibilidade de softwares mais acessíveis. 
A principal desvantagem do uso dessa tecnologia está no tempo de implantação do 
processo, devido à complexidade dos softwares e uma maior exigência de qualidade 
profissional. Todo investimento na implantação do sistema é determinado conforme o porte 
da empresa, o tipo e a cadeia de projetos na área de atuação, o número de colaboradores e as 
equipes necessárias para o seu desenvolvimento e execução, a avaliação do tipo de software 
ou tecnologia a ser utilizada, o suporte e o treinamento contínuo da equipe. 
A utilização do BIM trará benefícios a longo prazo que poderão ser observados pela 
redução dos erros, maior qualidade na entrega do projeto, uso eficiente dos recursos, maior 
precisão nos cronogramas e aumento da competência da equipe. Tudo em decorrência da 
habilidade que este sistema tem de eliminar inconsistências entre plantas, cortes e elevações; 
tornar as estimativas de custo mais precisas, reduzindo o trabalho braçal e a margem de erro; 
possibilitando uma visualização mais ampla da obra; permitindo um planejamento de obras 
mais detalhado e de fácil acesso às equipes; à medida em que torna a obra mais organizada, 
com maior produtividade além de menor tempo de execução e redução de custos. 
Apesar de compreender os benefícios que o sistema BIM pode proporcionar, os 
empresários da construção civil ainda estão inseguros com relação aos resultados que 
realmente podem ser proporcionados ao empreendimento, quanto ao custo, complexidade de 
gestão, tempo e retorno do investimento. 
As organizações devem considerar a implementação do BIM como uma decisão de 
negócios e de forma estratégica em função de seu alto custo e do longo prazo. As ferramentas 
e os processos geram resultados possitivos tanto para a empresa quanto para os parceiros e 
fornecedores, quanto as informações serem mais precisas e confiáveis para a tomada de 
50 
 
decisão, uma melhor qualidade dos serviços e produtos oferecidos pela empresa, a ocorre de 
redução do ciclo de produção e, consequentemente, dos custos nas diferentes etapas do ciclo 
de vida dos empreendimentos. 
Podemos então resumir, que as evoluções da tecnologia juntamente com o BIM, 
podem atribuir uma melhor qualidade ao projeto e ao produto, em razão das exigências e 
mudanças cada vez mais significativas para alcançar a eficiência. Por meio dessa nova 
tecnologia é possível adquirir uma maior percepção e gerenciamento das partes e do todo. 
Diante das enormes vantagens apresentadas pelo sistema, principalmente quanto a 
confiabilidade do dados disponbilizados, a sua não utilização significa ficar a mercer da sorte, 
incorrendo em falências na execução, desperdícios e adoção de medidas corretivas por vezes 
onerosoas e pouco eficazes. 
É notório que a implementação do BIM em organizações requer um elevado 
investimento inicial tanto em recursos financeiros quanto humanos e tecnológicos, mas após 
algum período o tempo gasto em projetos é reduzido e há ganho geral em produtividade, uma 
vez que as interferências e incoerências são detectadas e solucionadas de maneira cada vez 
mais rápidas. 
A indústria da AECO necessita adaptar sua cultura de projeto às novas tecnologias 
computacionais, a fim de melhorar a integração das fases e dos agentes envolvidos ao longo 
do desenvolvimento do edifício. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
4 GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BIM 
 
 
Simultaneamente a toda inovação tecnológica trazida com o BIM, ocorre outro 
fenômeno no mercado da AECO, que é a necessidade de melhorias no gerenciamento dos 
projetos civis. Os métodos organizacionais estão cada vez mais relacionados a qualidade dos 
projetos e o aumento do potencial das empresas. Esta metodologia de processos está 
auxiliando a gestão de projetos e maximizando a qualidade da construção, através de 
estimativas de custos mais precisas, tomadas de decisões mais estratégicas e 
planejamento/gerenciamento antecipados. 
Atualmente, o sucesso das empresas está associado a agilidade nos processos de 
confecção dos projetos e em produtos finais de maior qualidade. O sistema BIM chega 
trazendo modelos computacionais de tamanha competência, que possibilita cada vez mais 
realizar projetos de alta eficiência e compatibilização simulada, garantindo a qualidade do 
produto final, além de facilitar todos os processos administrativos que acompanham a criação. 
Os processos de planejamento e controle de obras são processos complementares que 
controlam custo, prazo e qualidade da obra. Elementos estes que influenciam diretamente a 
produtividade obtida no canteiro de obras e que são responsáveis pelos fatores de causa-efeito 
associados à baixa produtividade, desperdícios de materiais e mão de obra e baixa qualidade 
do produto final. 
Apesar de existir ferramentas que auxiliam no método tradicional de gerenciar e 
produzir cronogramas de obras, essa atividade ainda depende de muitos processos manuais 
necessitando de uma quantidade significativa de tempo para a retroalimentação de 
informações conforme ocorrem as revisões de projeto, resultando em informações de baixa 
qualidade e consequentemente de planejamentos inconsistentes, aumentos excessivos de 
custos e prazos. 
Outros pontos negativos do método tradicional estão na dificuldade de visualização e 
interpretação do cronograma, por se tratar de um documento unidimensional, é abstrato para 
os trabalhadores; a fragmentação dos processos e fluxos de informações que contribui para 
projetos incompatíveis e tomada de decisão equivocada por falta de integração na 
comunicação; e usualmente o controle de obra é realizado de forma manual, sendo uma tarefa 
longa, tendendo a prover informações inconsistentes, resultando em atrasos e aumento de 
custos. 
 
52 
 
O planejamento de obra através da utilização das ferramentas do sistema BIM traz 
resultados mais confiáveis, já que possibilita aos profissionais responsáveis a visualização da 
obra como um todo, sua utilização para compatibilização e orçamentação, a geração de 
tabelas com análises automatizadas das interferências entre os projetos, quantitativos exatos 
para orçamentação, além de facilitar a interpretação de memoriais descritivos. 
A melhora nas práticas de projeto e a participação de todos os envolvidos em cada 
etapa dos processos são dois pontos de vista bastante relacionados ao gerenciamento de 
projeto, o que atualmente leva o gerenciamento a deixar de ser somente um acompanhamento 
de projetos isolados com necessidade de supervisão e passar a ser aplicado nas empresas de 
forma estratégica para ciar um aumentode perspectivas de mercado, criando organismos 
dinâmicos dentro das empresas com os projetos acontecendo de forma simultânea e o quadro 
de trabalhos em constante mudança. 
Dentro do mercado da construção civil a atividade de gerenciamento garanti um maior 
controle de todos os processos, refletindo em um considerável ganho de qualidade, aumento 
de produtividade, otimização de prazos e, principalmente, redução de custos. Diante desse 
cenário a coordenação de projetos surge como um importante aliado da atividade de 
gerenciamento e é a responsável por integrar os diversos sistemas, tendo como sua principal 
ferramenta de trabalho a compatibilização de projetos, que possibilita a antecipação de 
problemas diminuindo o retrabalho em obra, permitindo o cumprimento de prazos e a redução 
de custos da construção. 
A coordenação de projeto tem um papel importante dentro do processo de projeto e 
modelagem BIM, uma vez que garanti que os projetos desenvolvidos de forma independente 
sejam revisados e analisados para evitar a duplicidade de dados, facilita o manuseio e 
compartilhamento de informações que podem dar suporte as diferentes áreas de conhecimento 
da construção e agrega benefícios às fases de projeto, construção e operação. 
A constante evolução das ferramentas que compõem os programas que utilizam tal 
plataforma consegue trazer, além da visão mais completa do processo para o projetista, 
condições de conectar os projetos de diferentes disciplinas, potencializando a eficiência do 
processo de compatibilização. A sobreposição de projetos é uma das práticas mais antigas e 
mais usual quando se trata da identificação das interferências entre os diversos sistemas de um 
empreendimento. A modernização do processo de concepção de projeto fez com que as 
antigas pranchetas de desenho fossem substituídas por arquivos com extensão .dwg. 
O processo tradicional de compatibilização trata da sobreposição de camadas (layers) 
dos projetos em um único arquivo de CAD, sendo que a detecção de interferências é feita 
53 
 
visualmente pelo coordenador de projetos, o que caracteriza a grande limitação desse 
processo, pois as dificuldades de visualização tridimensional podem resultar em conferências 
falhas, levando a erros como de construtibilidade, especificação e compatibilização. 
No sistema BIM, a compatibilização de projetos ocorre diante da fusão da modelagem 
independente de cada disciplina em um modelo integrado dentro de softwares específicos que 
testa automaticamente as interferências entre cada uma das disciplinas e indica onde há 
colisões entre componentes. Extremamente vantajoso, o processo de compatibilização dentro 
deste sistema permite a visualização de forma antecipada dos problemas e retrabalhos que 
poderiam ocorrer durante a execução da obra resultantes da interferência entre os projetos, ou 
seja, é possível analisar ainda na fase de projeto as soluções propostas para cada problema e 
garantir que não ocorram conflitos que se não diagnosticados influenciariam diretamente os 
custos e prazos definidos no orçamento, em função do retrabalho e do consumo imprevisto de 
materiais, por exemplo. 
Comparado com outros softwares como o CAD, a grande vantagem do BIM é que 
modela e gerencia não somente gráficos, mas também informações, que permitem gerar 
automaticamente desenhos, relatórios, análises de projeto, simulação de cronogramas, 
facilidade de gerenciamento etc., permitindo que a equipe de trabalho tome decisões com base 
em informações mais precisas e confiáveis. 
Os instrumentos computacionais têm adquirido relevância no avanço da comunicação 
e nas trocas de dados entre os participantes, além de facilitar a compatibilização e 
coordenação das disciplinas, da obra e da manutenção. A visualização e a possibilidade de 
simulação de cenários futuros, detecção de interferências e organização das informações em 
um só banco de dados, auxiliam as tomadas de decisão pelas equipes de gestão, além de 
proporcionar uma maior confiabilidade nos resultados, redução de tempos de ciclo e redução 
em retrabalhos. 
As ferramentas disponibilizadas pela plataforma BIM para o gerenciamento e 
coordenação têm conquistado espaço a fim de minimizar e gerar confiabilidade aos usuários, 
tornando-se fundamentais para um bom planejamento de uma obra e tomada de decisões 
críticas no projeto. Modelos 4D conectam aspectos espaciais e temporais do projeto, 
melhorando a confiabilidade dos cronogramas e minimizando problemas de comunicação. 
Na prática, o planejamento não é uma tarefa definitiva, requer conferências e 
atualizações no decorrer da obra. Quanto melhor quantificado e projetado, logisticamente 
organizado será o projeto, mais aprimorado é o diagrama de planejamento e mais realistas são 
os prazos. A simulação 4D traz grandes facilidades e vantagens para a coordenação das etapas 
54 
 
construtivas, possibilitando avaliações de construtibilidade quando potencializa a visualização 
dos processos construtivos. A funcionalidade da modelagem BIM 4D pode ser aplicada para 
auxiliar a equipe de projeto na geração de um planejamento de trabalho preciso e abrangente, 
já que permite a visualização da sequência das atividades e os possíveis choques entre elas. 
Com o surgimento de modelos 4D passou a ser uma realidade a visualização espacial 
da construção ao longo de sua execução. O modelo digital da geometria do empreendimento 
passou a ser ligado às informações do planejamento de sua construção através de softwares 
que utilizam essa tecnologia. Os softwares e ferramentas especializados que geram modelos 
4D estabelecem vínculos direto com a ferramenta de planejamento e o modelo da edificação, 
permitem que as atividades sejam atribuídas às tarefas, que pode ser de construção, demolição 
ou temporária, e ainda é possível configurar a representação visual destas. 
Os modelos 4D não são inteligentes e nem automatizados e por isso não podem 
modificar ou otimizar a programação automaticamente, estes modelos exigem integração com 
a equipe do projeto para realizar plenamente suas funções. Os softwares não identificam os 
erros e por isso é necessário que o modelador analise cuidadosamente cada momento das 
simulações para que os erros não passem despercebidos. 
Os modelos 4D podem ser criados com diversos propósitos, desde a representação da 
montagem de objetos e equipamentos, à simulação da construção de edificações. Saber como 
e onde as atividades irão funcionar ao longo do tempo e compreender os processos de tráfego 
e fluxo do canteiro de obras é um processo bastante complexo, mas traz resultados 
expressivos no aumento de produtividade e qualidade da obra. A adoção do BIM 4D ao 
planejamento e controle de obras surge como um enorme potencial estratégico para superar as 
dificuldades do gerenciamento, mas a sua difusão está encontrando barreiras como o nível 
tecnológico atual, cultura local, treinamento dos envolvidos, custo das ferramentas e falta de 
profissionais qualificados no mercado. 
Conforme Brito e Ferreira (2015) a modelagem BIM 4D possui como potencialidades 
em grau de importância, a sua capacidade de identificação de conflitos e interferência espaço-
temporais, e a sua possibilidade de integração e comunicação entre todos os envolvidos no 
projeto, já em relação ao grau de aplicabilidade, destaca-se a sua redução do esforço na 
visualização e a interpretação mental do planejamento. 
Em diferentes fases do ciclo de vida de uma edificação o BIM 4D pode ser adotado, 
sua aplicação pode ser usufruída desde o início do projeto até a fase de construção. Quando 
utilizado desde os processos preliminares o modelo pode ser uma ótima ferramenta para 
organizar o planejamento do projeto ao longo da fase de viabilidade, diante das diversas 
55 
 
opções de técnicas, materiais e procedimentos construtivos existentes a oportunidade de 
realizar uma avaliação detalhada para definir as melhores soluçõesa um custo razoavelmente 
baixo para a equipe e o proprietário logo na fase inicial é um dos pontos positivos desse 
modelo. Na fase de construção há diversas maneiras em que os modelos 4D são aplicados, 
como a avaliação de construtibilidade e a inserção de elementos temporários, simulando todo 
o planejamento da obra virtualmente, desde a logística de materiais e equipamentos a pessoas 
no canteiro de obras. 
A aplicação do BIM 4D no gerenciamento de canteiro de obras é capaz de prevenir 
possíveis problemas de espaço de trabalho e seus efeitos negativos no desenvolvimento do 
projeto, elaborando um plano de espaço de trabalho adequado ainda durante a fase de pré-
construção. Os conflitos na construção são geralmente afetados por várias causas, como 
sobreposição de atividades do cronograma, planejamento de recursos insatisfatório, erros de 
projetos, entre outros. A geração de um modelo BIM 4D é capaz de simular mudanças em um 
projeto usando ligações entre objetos em 3D BIM e atividades correspondentes no pano de 
cronograma do projeto, o que possibilita visualizar tridimensionalmente o espaço de trabalho 
e o status do conflito permitindo a análise e resolução das interferências identificadas. 
A utilização de modelo 4D na fase de construção de obras facilita o entendimento do 
planejamento para toda a equipe e pode contribuir para o aumento da produtividade através da 
construção virtual da edificação e a resolução prévia de conflitos de diversas naturezas. 
Portanto, podemos resumir que os principais ganhos da utilização do modelo 4D para o 
gerenciamento de canteiros de obras é a otimização na visualização dos processos por meio da 
simulação 4D, devido à disponibilidade de informações geométricas e de localização dos 
componentes, e melhorias na estabilidade do fluxo de trabalho, garantindo a redução de erros 
e do tempo de execução das atividades. Enfim, a logística do canteiro é aprimorada, pois 
pode-se gerenciar áreas de trabalho, armazenamento, fluxos de atividades, materiais e pessoas 
utilizando essa modelagem. 
O sistema BIM 4D também pode ser utilizado para acompanhar e analisar o 
desempenho real de uma obra e compara-lo ao modelo planejado afim de detectar de forma 
precoce desvios do projeto, por meio de um modelo 4D em conjunto com dados 3D obtidos 
por tecnologia de sensoriamento remoto é possível acompanhar o progresso da construção. 
Esse serviço abrange os sistemas de otimização e simulação de estruturas baseados em BIM 
para auxiliar no planejamento da construção, aproveitando-se do grau de precisão desses 
sistemas pra o acompanhamento do progresso de forma automatizada. 
 
56 
 
Na tentativa de melhorar o monitoramento do progresso da construção utilizam-se 
modelos, nos quais o desempenho esperado é modelado com o BIM 4D e o desempenho real 
é detectado através do método de reconstrução baseado em imagens 3D ou scaneamento a 
laser. Por outro lado, esse método torna-se deficiente quando se quer detectar ou capturar 
detalhes em nível de operação, como por exemplo, saber o estágio atual de concretagem de 
fôrmas, armaduras ou concreto, não é possível detectar tais detalhes, pois o sistema 
simplesmente indica se o elemento já existe ou não no canteiro. 
É preciso levar em consideração durante o planejamento de obra os riscos relativos à 
segurança e saúde dos profissionais, e o BIM 4D possibilita fazer essa gestão de riscos 
criando uma prática de planejamento prévio de segurança. Os riscos característicos à atividade 
de construção podem ser facilmente visualizados durante o estágio de projeto e monitorados 
ou inspecionados usando tecnologias avançadas de realidade aumentada ou de varredura à 
laser durante a fase de construção. O modelo 4D pode ser usado em conjunto com as regras, 
diretrizes e práticas recomendadas de segurança para formular um sistema automatizado de 
verificação de regras de segurança, a intenção é identificar automaticamente essas condições 
dinâmicas, à medida que o prédio é construído, informar a localização dos riscos no modelo 
3D e fornecer, de forma interativa ou automática, soluções e visualização de sistemas de 
proteção para reduzir riscos identificados. 
A utilização do BIM para a automação do planejamento de segurança traz como 
alguns benefícios a prevenção dos potenciais riscos de queda, a indicação da necessidade de 
remoção e instalação de equipamentos de segurança em determinados locais, o auxílio na 
conscientização de segurança dos trabalhadores ao possibilitar a visualização direta dos 
perigos envolvidos em seu trabalho e ainda otimiza as atividades de modelagem que 
demandam tempo considerável do modelador. 
Por fim, a forma de visualização do planejamento gerado pelo BIM 4D proporciona 
uma compreensão mais intuitiva sobre o quê e quando será construído algo. A utilização desse 
modelo comparada com a maneira que tradicionalmente é visualizado o planejamento 
(diagrama de Gantt e Linhas de Fluxo), mostra-se mais útil, mais compreensível e eficiente, 
principalmente para os estágios iniciais do projeto por permitir a visualização do edifício 
sendo construído virtualmente 
Para Borges (2019) os recursos de planejamento 4D têm a capacidade de verificar a 
viabilidade do edifício desenvolvendo sequências de construção que interligam a geometria 
do modelo a horas e datas do software de gerenciamento de projetos, permitindo configurar 
tempos planejados e reais para visualizar com antecedência os desvios do cronograma. A 
57 
 
simulação ajuda a entender o fluxo de trabalho de construção visualmente, e é exatamente por 
isso que pode ser considerada uma aplicação extremamente poderosa e suficiente para a 
equipe de gerenciamento planejar e monitorar uma edificação com precisão de dados e 
eficiência. 
Uma das principais verificações que devem ocorrer para o controle de qualidade dos 
modelos BIM é a checagem de interferências que se caracteriza pela atividade de 
compatibilização de projetos, de responsabilidade do coordenador de projetos. O sistema BIM 
fornece softwares específicos para coordenação de projetos, como por exemplo, o Autodesk 
Navisworks, o Solibri Model Checker e o Tecla BIMsight, que permitem a integração de 
modelos em três dimensões (3D), possibilitando a detecção de interferências físicas de forma 
mais direta, o que agilizar o processo de compatibilização e evita falhas. 
Na maneira tradicional de se construir, o processo de planejamento é sequencial e 
fragmentado, onde a elaboração dos projetos de arquitetura e engenharia são subordinados às 
regras operacionais e entre si, proporcionando o surgimento de grande quantidade de 
retrabalho, desperdícios, alto custo da produção e baixa qualidade dos produtos finais. O 
processo de gestão e planejamento da construção está sempre vinculado a um sistema de 
produção 2D, que demanda uma compilação e análise de dados volumosos que muitas vezes 
não conseguem alcançar um controle eficaz no acompanhamento da obra. É um processo que 
envolve diversos riscos nas dificuldades de monitoramento, bastante custoso, repetitivo e 
susceptível a erros, especialmente na gestão de projetos, que abrange desde a falha na 
compatibilização de projetos e até a má interpretação da forma arquitetônica desejada. 
Para auxiliar o planejamento de obras softwares como o Primavera e o Microsoft 
Project podem ser utilizados para desenvolver o cronograma de construção e posteriormente 
ser vinculado aos modelos 3D através dos softwares de coordenação de projetos, como o 
Navisworks, representando assim, a integração da dimensão tempo no processo, ou seja, o 
modelo 4D. Além dos softwares de coordenação e planejamento podemos destacar como 
softwares mais utilizados dentro da plataforma o Revit para modelagem em 3D e o BIM 360 
ou o Iconstuct para realizar o controle de obra, possibilitando que as informações coletadas no 
canteiro sejam disseminadas a todos os envolvidos e atualizadas nomodelo 4D quase 
inteiramente de forma automatizada. 
O BIM é o caminho para as empresas da construção civil que querem se tornar mais 
competitivas, o investimento tecnológico em ferramentas 4D para o planejamento e 5D para o 
orçamento transformam o que são tarefas extensas, caras e suscetíveis a erros durante o seu 
processo de elaboração, em processos com resultados mais produtivos e com menor esforço 
58 
 
mental da equipe. Não é comum encontrar sistemas de controle de projeto que tenham 
integrado as funções de controle de custo e planejamento, mas o sistema possibilita a 
transmissão de dados entre os diferentes softwares 4D e 5D, integrando-os em uma mesma 
plataforma, o que facilita consideravelmente a gestão da informação. 
Quando integrado ao planejamento a plataforma BIM gera controles mais assertivos 
sobre prazos de execução, facilita a gestão de recursos, dos cronogramas, das simulações para 
análise dos riscos e o planejamento de qualidade. Além de proporcionar aos profissionais um 
conhecimento profundo do projeto; maior flexibilidade nas mudanças; maior capacidade de 
decisão; comunicação clara, eficiente e rápida; reduz riscos; economiza custos; e integra e 
facilita a comunicação das equipes envolvidas. 
A tecnologia BIM 4D pode resolver a maioria dos problemas provenientes do método 
de planejamento e controle de obra tradicional. Apesar de ainda apresentar algumas 
dificuldades, o uso do BIM 4D para o gerenciamento e coordenação, se evidencia viável. Essa 
modelagem auxilia no provimento de diretrizes de otimização do processo tradicional, 
trazendo soluções para grande parte dos problemas inerentes ao método comum. Além de 
contribuir significativamente para a redução dos trabalhos manuais por meio da 
interoperabilidade e integração de sistemas de comunicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
 
5 CONCLUSÃO 
 
 
Depois de um profundo estudo sobre o BIM e de todas suas implicâncias, tanto em 
relação ao processo quanto a sua adoção, viabilidade e resultados, analisando suas diretrizes 
técnicas, aplicações e observando a sua relação com o gerenciamento e coordenação de 
projetos pode-se entender que as informações reunidas constituem uma importante fonte para 
orientar as atividades a serem realizadas futuramente. 
Verificou-se durante o estudo que no Brasil, os principais problemas encontrados 
quanto à implantação do sistema BIM são as carências de tempo para implantação da 
tecnologia e a resistência de modificação de software pelos profissionais da área. 
Com a oficialização do decreto 9.377, espera-se que parte das empresas já estejam 
buscando ou pelo menos tenham a intenção de se adaptar às novas exigências. Mesmo com o 
lançamento nacional do programa Estratégia BIM BR, para que a implementação do BIM dê 
certo é importante compreender que cada região terá as suas dificuldades e particularidades, 
por justamente entender que os obstáculos variam de um local para outro que o estado do Rio 
de Janeiro tomou a iniciativa de desenvolver o seu próprio plano e instituiu a Estratégia BIM 
RJ e poderia ser um exemplo a ser seguido pelos demais estado. 
Em um mercado extremamente competitivo como o da construção civil a utilização de 
ferramentas tecnológicas é um importante diferencial estratégico. As novas tecnologias 
quando utilizadas de forma adequada podem melhorar o aproveitamento de tempo dos 
profissionais, o que lhes dá espaço para se dedicar a propor soluções técnicas mais eficazes, o 
que beneficia a qualidade ao decorrer do processo de projeto. Assim como em qualquer 
tecnologia é importante destacar que, apesar de sua precisão em comparação com outros 
modelos, a análise desses ou de quaisquer outros softwares não é infalível e deve ser 
cuidadosamente explorada pelo profissional responsável pelo processo. 
No momento atual, no qual as organizações buscam o desenvolvimento constante para 
conquistar novos mercados, o gerenciamento e a coordenação têm o objetivo de inovar e 
torna-las mais competitivas. Na implementação do conceito de modelagem da construção, o 
gerenciamento é estratégico e objetiva tornar a relação entre pessoas, processos e tecnologia 
mais colaborativa e produtiva, através de seus conhecimentos, habilidades e competências, 
que são pilares na operacionalização e execução dos projetos em todas as suas fases. 
A modelagem BIM 4D é um poderoso artifício para o gerenciamento e coordenação 
de projetos que pode assegurar um elevado nível de compreensão e alinhamento sobre as 
60 
 
etapas de uma construção para uma equipe de projeto. Seu sistema facilita o entendimento de 
todos os envolvidos, de engenheiros e operários até proprietário, investidores e outros 
profissionais. 
Enfim, a utilização do sistema BIM 4D apresenta inúmeros benefícios quando ao 
gerenciamento e coordenação de projetos, permitindo minimizar os conflitos e problemas que 
só serão notados na fase de construção e garantindo maior assertividade no cumprimento de 
prazos. Sua aplicação possibilita que o projeto e a gestão dos sistemas de produção cumpram 
seu papel de proteger a produção contra os efeitos da variabilidade e incerteza inerentes aos 
sistemas de produção, além de contribuírem na melhoria do desempenho do planejamento e 
controle da produção, otimizando o andamento das frentes de serviços. 
A busca pelo conhecimento e incentivo a utilização do sistema BIM vem ganhando 
destaque e a prova disso, é que o número de estudos publicados sobre o tema vem crescendo 
substancialmente ao longo dos anos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 
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