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UNIVERSIDADE PAULISTA PÓS-GRADUAÇÃO EM MBA EM PLATAFORMA BIM JOEL SANTOS GOMES GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BUILDING INFORMATION MODELING - BIM TERESINA 2019 JOEL SANTOS GOMES GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BUILDING INFORMATION MODELING - BIM Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Pós-Graduação em MBA em Plataforma BIM, Universidade Paulista, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista. TERESINA 2019 JOEL SANTOS GOMES GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BUILDING INFORMATION MODELING - BIM Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Pós-Graduação em MBA em Plataforma BIM, Universidade Paulista, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista. Aprovado em: ____/____/____ Resultado: _______________ BANCA EXAMINADORA: ______________________________________/___/___ Prof. Universidade Paulista - UNIP ______________________________________/___/___ Prof. Universidade Paulista - UNIP ______________________________________/___/___ Prof. Universidade Paulista – UNIP DEDICATÓRIA Aos meus familiares por estarem presentes e sempre acreditarem em mim. Aos amigos e colegas que de alguma forma participaram na elaboração deste trabalho. Aos professores deste curso, pela orientação que nos fez compreender a sua importância para a nossa realização profissional. AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus por ter me dado saúde, força e sabedoria para superar todas as dificuldades encontradas durante esta caminhada e com isso me permitiu a conclusão de mais uma etapa na minha vida. A esta instituição que proporcionou um ambiente agradável e inspirador proporcionando a oportunidade de concluir este curso e me introduzindo no verdadeiro mundo do BIM. Aos professores agradeço a orientação, o empenho e a confiança que ajudaram a tornar possível este sonho realizado. A minha família e amigos que sempre me ofereceram apoio e incentivo fazendo com que esse sonho tornasse realidade. A todos meus colegas de sala pelos momentos de alegria e apoio, aqui deixo meus sinceros agradecimentos. A todas as pessoas que participaram do meu percurso e que me apoiaram direta e indiretamente deixo meus sinceros agradecimentos. RESUMO Em um mercado extremamente competitivo como o da construção civil a utilização de ferramentas tecnológicas é um importante diferencial estratégico. O uso do Building Information Modelling (BIM) vem sendo proposto como uma solução tecnológica para solucionar os diversos problemas gerados pelo método tradicional. A sua capacidade de auxiliar no acompanhamento de um empreendimento ao longo de todo o seu ciclo de vida de maneira prática e digital, está fazendo com que aumente a busca pela utilização desse sistema como meio para alcançar benefícios relacionados à gestão, à qualidade, à eficiência, ao desempenho e ao planejamento do projeto. Na tentativa de despertar nas autoridades e na sociedade em geral o interesse pela implantação do BIM, enfatizando os benefícios que essa tecnologia pode proporcionar quando associado ao gerenciamento e a coordenação, este trabalho buscou pesquisar e analisar sobre o BIM, determinar qual a importância e aplicação desse sistema, além de analisar sua aplicação para o gerenciamento e coordenação de projetos. Para estruturar este estudo foi realizado uma pesquisa bibliográfica em livros, revistas, normas e trabalhos acadêmicos. Pode-se concluir durante o estudo que as ferramentas disponibilizadas pela plataforma BIM para o gerenciamento e coordenação têm conquistado espaço a fim de minimizar e gerar confiabilidade aos usuários, tornando-se fundamentais para um bom planejamento de uma obra e tomada de decisões no projeto. Palavras-chave: Construção Civil. Processo de Projeto. Gerenciamento e Coordenação. ABSTRACT In an extremely competitive market, such as construction, the use of technological tools is an important strategic differential. The use of Building Information Modeling (BIM) has been proposed as a technological solution to solve the various problems generated by the traditional method. Its ability to assist in the monitoring of an enterprise throughout its life cycle in a practical and digital way is increasing the search for using this system as a means to achieve management, quality and efficiency benefits, project performance and planning. In an attempt to arouse the interest in the implementation of BIM in authorities and society in general, emphasizing the benefits that this technology can provide when associated with management and coordination, this work sought to research and analyze about BIM, to determine its importance and application. of this system, as well as analyzing its application for project management and coordination. To structure this study a bibliographic research was conducted in books, magazines, norms and academic works. It can be concluded during the study that the tools provided by the BIM platform for management and coordination have gained space in order to minimize and generate reliability for users, becoming fundamental for good project planning and project decision making. Keywords: Construction. Poject Process. Management and Coordination. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – BIM no ciclo de vida das edificações. .................................................................... 17 Figura 2 – Os fundamentos do BIM ......................................................................................... 21 Figura 3 – Dimensões BIM ...................................................................................................... 24 Figura 4 – Nível de desenvolvimento do modelo BIM. ........................................................... 26 Figura 5 – Definição de projeto. ............................................................................................... 30 Figura 6 – Fases do Projeto ...................................................................................................... 35 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABDI Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas AEC Arquitetos, Engenheiros e Construtores AECO Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação AGESC Associação dos Gestores e Coordenadores de Projeto AIA American Institute of Architects ASBEA Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura AVAC Aquecimento, Ventilação e Ar condicionado BIM Building Information Modeling CAD Computer Aided Design CBIC Câmara Brasileira da Indústria da Construção CBIM Câmara Brasileira de BIM CE-BIM Comitê Estratégico de Implementação do Building Information Modelling CRAS Centro de Referência de Assistência Social CRO Comissões Regionais de Obras DNIT Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte DOM Diretoria de Obras Militares FCEE Fundação Catarinense de Educação Especial FGV Fundação Getúlio Vargas GIS Geographic Information System HEMOSC Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina ICSC Instituto de Cardiologia de Santa Catarina IEE Instituto Estadual de Educação IFC Industry Foundation Classes INP Instituto Nacional de Propriedade IndustrialISO International Organization for Standardization LOD Level of Development MDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior NBR Norma Brasileira ND Nível de Desenvolvimento OPUS Sistema Unificado do Processo de Obras PIB Produto Interno Bruto PMBOK Project Mangement Body of Knowledge PMI Project Management Institute SIG Sistema de Informações Geográficas SOM Sistema de Obras Militares SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 13 1.1 Objetivos ....................................................................................................................................... 16 1.1.1 Objetivo Geral ............................................................................................................................. 16 1.1.2 Objetivo Específico ..................................................................................................................... 16 1.2 Metodologia .................................................................................................................................. 16 2 REVISÃO DE LITERATURA ....................................................................................................... 17 2.1 Building Information Modeling (BIM) ....................................................................................... 17 2.1.1 Histórico ...................................................................................................................................... 20 2.1.2 Os Fundamentos do BIM: Tecnologia, Processos, Pessoas ......................................................... 21 2.1.3 O modelo BIM ............................................................................................................................ 23 2.1.4 A relação com o Governo ............................................................................................................ 26 2.2 Projeto ........................................................................................................................................... 30 2.3 Gerenciamento de Projetos .......................................................................................................... 36 2.4 Coordenação de Projetos ............................................................................................................. 38 3 A IMPORTÂNCIA E APLICAÇÃO DO SISTEMA BIM ........................................................... 43 4 GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BIM .................................. 51 5 CONCLUSÃO ................................................................................................................................. 59 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................. 61 13 1 INTRODUÇÃO Mesmo com todos esses anos, no Brasil a construção civil ainda é vista como um processo artesanal e de pouca precisão. Tradicionalmente os projetos são exclusivos e de curta duração; os canteiros de obra são mutáveis; o trabalho é realizado em ambiente externo sujeito às mudanças do clima; alto nível de desperdício; o manuseio de algumas ferramentas é difícil; o layout é provisório e o proprietário se envolve mais no processo; pouca repetição e poucas mudanças no processo construtivo; além de não possuir muitos registros de métodos de trabalho e dados de produtividade; falta de informação que pode gerar incertezas como erros na interface projeto/execução; especificações técnicas falhas; orçamento fora do alcance da empresa; problemas entre empresa e fornecedores; prejuízos ambientais e econômicos resultantes da ineficiência na execução etc. A indústria da construção civil no Brasil é um mercado gigante e bastante importante para o desenvolvimento do país, é o responsável por uma significativa parcela do Produto Interno Bruto (PIB) e por um representativo contingente de empregos. No atual cenário brasileiro, com a desaceleração do mercado imobiliário a cadeia produtiva da construção civil que já alcançou 10,5% do PIB brasilero, representa agora somente 7,3% e conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017 a indústria da construção civil foi responsável por cerca de 5,2% do valor do PIB que foi de aproximadamente R$ 6,5 trilhões de reais. É evidente que a construçao civil interfere diretamente no desenvolvimento e na capacidade de produção do país e com atual cenário o mercado apresenta-se cada vez mais competitivo e em contínuo processo de mudanças, exigindo maior dinamismo e reestruturação das empresas, principalmente quando se trata da busca por novas estratégias e processos com o intuito de aprimorar seu desempenho para obtenção de vantagens para se manter à frente no mundo dos negócios. A utilização de metodologias defasadas tanto no processo gerencial quanto no construtivo resultam em uma série de dificuldades. Um dos grandes problemas enfrentados na construção civil é o atraso em obras e os fatores que mais contribuem para sua ocorrência, é o retrabalho devido a erros de execução e projeto, a entrega de materiais fora do prazo, o baixo compromisso e produtividade da mão de obra. Grande parte das causas de atrasos estão associadas a gestão da obra, ou seja, um planejamento de obra merece destaque e seu desenvolvimento necessita de mais consistência visando uma análise de longo e médio prazo, 14 minimizando a ocorrência dos fatores que oferecem risco a evolução satisfatória dos projetos. Cultutalmente no Brasil, acredita-se que uma economia durante a fase de projeto trará redução nos custos finais de uma obra. Atualmente, os diversos projetos necessários para uma obra são concebidos separadamente, o que aumenta a chance de conflitos entre projetos e o surgimento de falhas. Grande parte das ocorrências patológicas na construção são atribuídas a falhas nesta fase de concepção, o que nos leva a crer que é preciso deixar de ver os projetos como gastos e se incentive o investimento nessa fase extremamente importante que define os rumos da construção. O aumento da competitividade, a redução das margens de lucro e a alta exigência em relação ao produto final está fazendo com que o setor da construção civil no Brasil busque melhorias no sistema de produção para reduzir os atrasos que interferem na concorrência e eficiência do projeto. A busca por novas tecnologias construtivas e processos inovadores, à formulação de empreendimentos econômicos e ao uso de ferramentas modernas de gestão da produção está fazendo com que o BIM - Building Information Modeling ganhe espaço no setor. Sinônimo de modernização no que diz respeito a quebra de paradigmas de um sistema tradicional, a plataforma BIM traz uma poderosa metodologia de modelagem tridimensional a qual carrega uma plataforma com todas as informações pertinentes à gestão do empreendimento. Trata-se de um sistema segmentado e passível de erros, que possibilita análises prévias mais detalhadas, extração de parâmetros e a simulação de um ciclo de vida de edificações ainda na fase de projeto. Mais que a modelagem de um produto, a implantação de um sistema BIM reflete na alteração do método de trabalho convencional, na mudança de cultura da organização e de todos os participantes. O governo vem atuando como o principal agente de implementação do BIM em diversos países pelo mundo, cada um utilizando o seu meio, criando grupos de trabalho, endossando e guiando o processo, incentivando a interoperatividade etc. Singapura, China, Hungria, Dinamarca, Inglaterra, Estados Unidos são exemplos bem claros de paises que veem incentivando o desenvolvimento da metodologia BIM. O investimento, a educaçãoe o suporte do governo são os aspectos que colaboram e conduzem o processo de implementação do BIM. A interferência do governo nesse processo já mostrou seu valor no resto do mundo e é um primeiro passo para um país com o potencial da indústria da construção como o Brasil. Consequentemente a demanda vai impulsionar naturalmente o investimento, motivando uma melhor e mais ampla educação neste aspecto. O uso do BIM permite uma melhor compreensão e execução da obra, a sua capacidade 15 de elaborar um modelo virtual integrado e com todas as informações construtivas de um empreendimento favorece o processo de manutenção e gestão; a extração automática de quantitativos; redução de erros; otimização dos prazos; maior confiabilidade dos projetos; processos mais precisos de planejamento e controle de obras; aumento de produtividade; a realização de simulações estruturais, energéticas e outras a fim de validar e experimentar as soluções pretendidas no projeto. Além de permitir o uso da tecnologia para a modelagem, o sistema BIM torna possível a simulação das etapas de construção antes do início da mesma, tornando possível estabelecer melhores estratégias de planejamento. Através do modelo BIM 4D é possível introduzir atributos de tempo ao modelo, aumentando a previsibilidade e o controle dos prazos, atividades, recursos e informações dos empreendimentos, permitindo o melhor acompanhamento dos avanços e desvios apresentados durante toda construção. A aplicação de ferramentas estratégicas de gestão e coordenação de projetos deve ser primordial para as empresas da indústria de construção civil que buscam constantemente elevar o status de suas marcas, agregando diferenciais ao seu trabalho como forma de destaca- los dos demais produtos ofertados. Neste trabalho são apresentados os conceitos relacionados à Modelagem da Informação da Construção – BIM, Gerenciamento e Coordenação de projetos. Buscou entender a importância da implantação e aplicação do BIM e destacar o gerenciamento e coordenação de projetos por meio desse sistema. Para o desenvolvimento deste trabalho, foram realizadas pesquisas bibliográficas em normas, leis, livros, artigos científicos, teses e dissertações, com a finalidade de apresentar um resultado técnico que destaque a importância dessa atividade técnica, com o intuito de estimular uma evolução no modo de pensar e agir de todos os envolvidos no processo de produção da construção civil. O trabalho se justifica por abordar um tema considerado de bastante importante para a área da construção civil e que apesar de ser fundamental para o aumento da eficiência da construção a sua adoção ainda não é plena. Mesmo com toda vantagem que o BIM proporciona aos profissionais e às empresas da área, no Brasil, não estão sendo suficientes para convencê-los a reduzir o uso do CAD e proceder com a implementação do BIM. Apesar de crescente a busca por conhecimento pela plataforma, a modelagem 4D, que representa o gerenciamento e a coordenação de projetos, é bem menos abordada em pesquisa, existindo uma necessidade de explora e avaliar o uso dessa dimensão e este trabalho tem o intuito de identificar e preencher lacunas do conhecimento relacionado ao BIM 4D. 16 1.1 Objetivos 1.1.1 Objetivo Geral Pesquisar e analisar sobre o sistema BIM, identificar sua importância e aplicação, além de determinar qual a sua relação com o gerenciamento e coordenação de projetos. 1.1.2 Objetivo Específico • Analisar o sistema BIM, definindo, classificando e estudando seu processo evolutivo frente à construção civil; • Observar a importância e aplicação do BIM na atualidade; • Apresentar e analisar a relação do gerenciamento e da coordenação de projetos com BIM. 1.2 Metodologia Este trabalho tem seu desenvolvimento baseado em uma revisão bibliográfica geral sobre o sistema BIM, seu processo evolutivo, suas características, definições, e diretrizes técnicas, além de observar sua importância e aplicação na atualidade e analisar a relação do gerenciamento e da coordenação de projetos com BIM. Todo levantamento de dados e informações se deu por meio de pesquisas realizadas em livros, sites, normas, leis, bem como em dissertações, publicações de revistas e boletins técnicos. 17 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Building Information Modeling (BIM) Building Information Modeling (BIM) ou em português Modelagem da Informação da Construção, segundo o Ministério da Economia, Indústria e Comércio, é o termo utilizado para descrever o conjunto de tecnologias e processos que integrados permitem a criação, utilização e atualização de modelos digitais de uma construção, servindo, de modo colaborativo, a todos os participantes do empreendimento durante todo o ciclo de vida da construção (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). Figura 1 – BIM no ciclo de vida das edificações. Fonte: MARTINI, 2018 Existem diversas definições para o que é BIM na literatura , mas Castro (2019) define o BIM como uma tecnologia para desenvolvimento e gestão de projetos da construção civil, que permeia todas as fases do empreendimento, indo da concepção, passando pela execução, 18 até as fases de operação e manutenção, passando assim, por todo o seu ciclo de vida. Menezes (2011) acredita que a plataforma BIM é uma filosofia de trabalho que integra arquitetos, engenheiros e construtores (AEC) na elaboração de um modelo virtual preciso, que gera uma base de dados que contém tanto informações topológicas como os subsídios necessários para realizar orçamento, cálculo energético e previsão das fases da construção, entre outras atividades. Fontes apontam que o termo BIM teria sido utilizado primordialmente pelo professor Chuck Eastman, que o definiu como sendo um processo virtual de construção desenvolvido de forma integrada pelos projetistas através de uma plataforma 3D, gerando um modelo acompanhado por um conjunto de informações. Seus benefícios estão na detecção/prevenção de conflitos, melhor tomada de decisão através da visualização, melhor comunicação através da interoperabilidade e prevenção à erros. Ainda conforme Eastman, um modelo BIM caracteriza-se por: • Representar digitalmente os componentes que compõem a edificação por representações inteligentes (objetos) que “sabem” o que são e possibilitam a associação com gráficos computacionais, dados, atributos e regras paramétricas; • Utilizar componentes que permitem a inclusão de dados descritivos de seu comportamento, conforme são necessários para análises e processos de projetos, como o levantamento de quantitativos, especificações e análise energética; • Dados consistentes e sem redundância de modo que qualquer alteração nos componentes seja representada em todas as vistas do componente; • Dados coordenados de modo que todas as vistas do modelo sejam representadas de modo coordenado (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). O sistema BIM não limita-se apenas à concepção de projetos, já que permite ser utilizado para o acompanhamento de todas as etapas, com a integração das equipes multidisciplinares das empreiteiras, originando não só dados sobre métodos construtivos, mais também para pagamento de pessoal, equipes de compras e gerencia, e integração entre vários canteiros de obra da mesma construtora (OLIVEIRA, 2015). Segundo Prates (2010) o sistema BIM é mais que uma tecnologia em três dimensões, que se destaca pela sua interoperabilidade, ou seja, pela capacidade de alinhar um conjunto de dados gerados por vários profissionais de áreas distintas em um único modelo, utilizando as mais diversas ferramentas para produzi-los. A característica mais famosa do sistema continua sendo a modelagem 3D, mas sua utilização vai muito além de um efeito estético, é um 19 conjunto de informações que ficam pra sempre gerando um fluxo de responsabilidadesque pode auxiliar em setores como o de seguros, pendências jurídicas entre outros. De acordo com a Autodesk (2015) o BIM é um meio de conceber, projetar, planejar, construir e operar edificações envolvendo a criação e o uso inteligente de modelos 3D, que comparados aos tradicionais 2D que não trazem informações, estes modelos possibilitam um melhor entendimento do processo para os envolvidos, guiando a todos para resultados melhores e mais previsíveis da edificação. A integração de todos os dados do empreendimento em uma mesma plataforma facilita a gestão da informação, possibilitando detectar colisões entre projetos, além de alterar todos os dados do planejamento físico e financeiro conforme alterações que vão sendo realizadas no projeto. A enorme probabilidade de insucesso dos empreendimentos, em função da ocorrência de inúmeros acontecimentos incertos que não depende exclusivamente da vontade dos interessados, eleva os cuidados e a preocupação com os riscos que o envolvem. Ao utilizar o sistema BIM, é possível garantir de forma preventiva e eficiente a identificação dos possíveis obstáculos à execução, sua probabilidade e qual o impacto de sua ocorrência nos objetivos programáticos, delimitando as medidas a serem adotadas em uma dimensão realista, diante dos riscos que de deseja incidir, seja financeiro e/ou social (CASTRO, 2019). Conforme Estman et al. (2014) o processo atual de implementação de uma edificação é fragmentado, o que facilita a ocorrência de erros e omissões que frequentemente resultam em custos imprevistos, atrasos e eventuais litígios judiciais entre vários participantes de um empreendimento. Esses problemas causam atritos, gastos financeiros e atrasos. O BIM possibilita a redução de erros de compatibilidade, otimização dos prazos, confiabilidade dos projetos, processos mais precisos de planejamento e controle de obras, aumento de produtividade, diminuição de custos e riscos e economia dos recursos utilizados nas obras (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). Em resumo, podemos definir que o BIM é uma plataforma ou sistema aplicável a todo o ciclo de vida de um empreendimento, da concepção e a conceituação de uma ideia, para a construção de um edificação ou instalação (ou da constatação da necessidade de construir algo), passando pelo desenvolvimento do projeto e incluindo a construção, e também após a obra pronta, entregue e ocupada, no início da sua fase de utilização (CBIC, 2016). 20 2.1.1 Histórico Conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC (2016) o BIM não deve ser considerado uma tecnologia tão nova, já que soluções similares a ele têm sido utilizadas em diversas indústrias a muito tempo. O que é novo é o acesso da indústria da construção civil a essa ferramenta, oriundo da facilidade de aquisição de computadores com grande capacidade de processamento (hardwares) e softwares. As primeiras noções sobre o conceito que conhecemos hoje como BIM surgiram em 1975 num protótipo de trabalho, o “Building Description System”, escrito por Chales M. Chuck Eastman. Ao longo dos anos 1970 e início de 1980 na Europa, especialmente no Reino Unido, pesquisas continuaram a ser realizadas em paralalelo aos primeiros esforços de comércio dessa tecnologia. No início da década de 1980, este método ou abordagem foi mais comumente descrito nos Estados Unidos como “Building Product Models” (Modelos de Produtos da Construção) e na Europa, especialmente na Filândia, como “Product Information Models” (Modelos de Informações do Produto). O termo BIM só passou a ser utilizado por volta do ano de 2002, por Jerry Laiserin (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). A terminologia Building Modeling tem circulado desde 1986, só em 1992 que F. Tolman utilizou em seu artigo o termo Building Information Modeling. Desde os anos 80 já existiam softwares capazes de produzir modelos 3D com informações agregadas, mas só no início do século que se tornaram mais populares. A difusão da tecnologia se estabeleceu por volta de 2005 quando foi criada a ISO-PAS 16739-2005, Industry Foundation Classes, Release 2x, Platform Specification (IFC2x Platform), logo seguida por uma outra versão IFC2x em 2007, que pode ser considerada como a referência básica do BIM tal como está estruturado hoje (ABDI, 2017). O IFC - Industry Foundation Classes é um formato de arquivo que fornece uma solução de interoperabilidade entre diferentes aplicativos de software. A primeira aplicação concebida com esse conceito foi encontrada no software ArchiCAD e a mais recente é o Revit (MAKEBIM, 2017). Estman et al. (2014) explica que o IFC foi desenvolvido com a finalidade de criar um grande conjunto de dados consistentes para representar um modelo de dados de um edifício, com o objetivo de permitir a troca de informações entre diferentes fabricantes de software na AEC. O BIM foi ganhando espaço na indústria da construção durante o início do século 21, quando cresceu a concorrência para engenheiros, arquitetos, construtores e fabricantes, cresceu a exigência dos consumidores/investidores por prazos menores e custos mais baixos, 21 o que promoveu a mudança da utilização do método 2D para uma abordagem digital em três dimensões, com a modelagem de informação da construção (BIM), para a criação, desenvolvimento e tomada de decisões em projetos. A implementação desta tecnologia, reduz os trabalhos de documentação, acelerando os processos de elaboração de projetos, melhorando o planejamento das frentes de serviços e otimizando os resultados para a redução dos custos das obras (AUTODESK, 2015). 2.1.2 Os Fundamentos do BIM: Tecnologia, Processos, Pessoas O BIM corresponde a uma tecnologia emergente que se propõe a revolucionar o modo de projetar e desenvolver os empreendimentos (ANTUNES, 2013). Por ser bem mais que a modelagem de um produto, já que engloba todos os aspectos relativos à edificação: produto, processos, documentos etc., a implantação de um sistema BIM reflete na alteração do método de trabalho convencional, que consiste na elaboração de projetos em duas e três dimensões (2D e 3D), trabalhando de forma isolada com projetos de arquitetura e projetos complementares de engenharia, separados de todo o processo de planejamento e execução do empreendimento (FERREIRA, 2007). O BIM é abrangente demais e embora existam exemplos concretos de iniciativas BIM realizadas com sucesso, sua implementação deve ser feita através do estabelecimento de um projeto formal, minimamente estruturado e documentado (CBIC, 2016). A implantação do BIM é bem mais que software e computadores, trata-se de uma mudança de cultura e isto inclui pessoas, processos e maneira da organização resolver os problemas e desenvolver seus produtos. Pode-se então afirmar que a efetiva implantação da metodologia BIM se baseia em três dimensões fundamentais: tecnologia, pessoas e processo, relacionadas entre si por Procedimentos, Normas e Boas práticas (ABDI, 2017). Figura 2 – Os fundamentos do BIM Fonte: ABDI, 2017 22 A tecnologia representa toda a infraestrutura necessária para a operação, ou seja, os programas e equipamentos ou computadores, a conexão com a internet e a rede interna, a segurança e o armazenamento de arquivos, o treinamento e aculturamento adequado de seus usuários. As pessoas que estão envolvidas no processo devem ser capacitadas para identificar erros ou melhorias possíveis nos projetos e saber comunicá-los no momento correto à pessoa correta, saber trabalhar bem com equipes, ser flexível e manter-se atualizado na tecnologia que tem avanços contínuos. Os processos vão muito além dos novos processos internos a serem adotados, é preciso compreender e abranger também os processos interempresariais, compreendendo todo o plano de trabalho, como o fluxo de trabalho, o cronograma, a especificação dos entregadores, o método de comunicação, a definiçãode funções, o sistema de concentração de dados, arquivos e informações, o nível de detalhe em cada fase e a especificação do uso do modelo em todos os ciclos de vida da edificação. Estas três dimensões fundamentais estão relacionadas por intermédio de procedimentos, normas e boas práticas que são documentos que regula e consolida os processos e as políticas de pessoal, práticas comerciais e uso e operação da infraestrutura tecnológica (ABDI, 2017). Para alcançar grandes resultados com a implementação do BIM é necessário promover uma reestruturação estratégica da empresa e não apenas a contratação de novos profissionais sem que que seja alterada a maneira de trabalhar. Envolve a implementação de novos processos, otimizando etapas em cada entidade envolvida e incluindo, além dos projetistas, a incorporadora, a construtora, a gerenciadora do projeto e da obra e a administradora da manutenção do edifício (ABDI, 2017). Em outras palavras, podemos dizer que para ocorrer a implementação BIM em um empreendimento de forma adequada, faz-se necessário um modelo virtual parametrizado (inserção de informações e regras que definem os elementos em um modelo virtual), que permita a comunicação entre diversas ferramentas computacionais (interoperabilidade); um estudo detalhado dos fluxos de informações e documentos durante todas as etapas do ciclo de vida, satisfazendo os requisitos de gestão e planejamento; e, por fim, a colaboração e integração entre equipes, para que cada indivíduo tenha um pensamento multidisciplinar, orientado ao projeto e não á sua disciplina apenas (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). 23 2.1.3 O modelo BIM O termo modelo vem a muito tempo sendo utilizado na construção civil para designar objeto de ensaio, sendo relacionado a um elemento físico que utiliza materiais e componentes com propriedades semelhantes ao utilizado durante a obra. Sua utilização possibilita simular o desempenho e entender o comportamento do projeto que se pretende executar, além de permitir realizar testes e validar raciocínios complexos de estrutura, instalações e outros (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). Dentro desse entendimento Catelani (CBIC, 2016) mostra que o termo “modelo BIM” pode ser entendido como uma representação digital multidimensional das características físicas e funcionais de uma edificação ou instalação, ou seja, trata-se de um projeto digital integrado, alimentado por diversos profissionais, com a intenção de simular, analisar, representar, consolidar e gerenciar uma construção pretendida e existente. Desenvolvidos com os mesmos objetivos dos físicos, possuem como uma grande vantagem a sua capacidade de ser relativamente fácil a sua reconstrução ou remodelagem, oferecendo a seus usuários mais condições de simulação e, consequentemente mais informações. O modelo BIM, através de um trabalho colaborativo, explicita miúncias que se queira entender de um projeto em forma de dados, tabelas, quantitativos e desenhos em diversas escalas. O que possibilita a indústria da AECO – Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação solucionar as interferências dos projetos e extrair o máximo de informações para uma boa prática e execução da obra (BRANDÃO, 2019). a) Dimensões BIM Os modelos BIM são a chave para que o BIM seja realizado com sucesso, e para sua melhor compreensão, é dividido em dimensões que se referem a como ele está programado e, consequentemente, aos tipos de informações que serão dele retiradas (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). Em uma mesma interface o BIM apresenta todas as informações trazendo o conceito de dimensões de desenho, sendo que cada dimensão do modelo BIM carrega informações próprias, as quais geram, no final, um modelo com dados integrados. O desenvolvimento do modelo BIM inicia com três dimensões de desenho (3D), contendo os dados necessários para a caracterização e posicionamento espacial do projeto da obra. A quarta dimensão (4D) vem complementar os elementos gráficos do projeto com informações sobre o cronograma da obra, 24 contendo a ordem e os precedentes de execução de cada fase do empreendimento. Já a quinta dimensão (5D) passa a vincular cada elemento do projeto a dados de custo, contendo o orçamento e os respectivos insumos de produção. A sexta dimensão (6D) constitui o gerenciamento do ciclo de vida do bem em questão, incluindo o controle da garantia dos equipamentos, planos de manutenção, dados de fabricantes e fornecedores, custos de operação e fotos (MATTOS, 2014). Figura 3 – Dimensões BIM Fonte: SDSEDUCA, 2019 Com o passar o tempo o BIM foi se moldando e passou a ser não só uma tecnologia que dá suporte à prática integrada (colaborativa) mas que se preocupa com as questões de sustentabilidade, criando parâmetros para o desenvolvimento e construção de edificações sustentáveis. Por essa razão, o modelo BIM ganha mais uma dimensão e passa a dividir-se do 3D até o 7D, ou seja, da elaboração do protótipo virtual parametrizado do edifício, onde se podem analisar as possibilidades e testar os possíveis cenários (BIM 3D); inserimos a dimensão tempo ao modelo 3D, que através do planejamento físico da obra possibilita a geração de uma animação em vídeo de todo o andamento da execução da obra (BIM 4D); vinculamos o orçamento ao modelo 3D (BIM 5D); realizamos as análises de eficiência energética, do consumo de energia, pegada de carbono, contribuindo para a sustentabilidade e consequentemente para as diversas certificações existentes (BIM 6D); e por sua vez, o BIM 7D que incorpora todos os aspectos do projeto de gestão de informações de ciclo de vida (MÜNCH, 2016). 25 Alguns autores consideram a existência de outra dimensão, depedendo do contexto, a oitava dimensão (BIM 8D) no modelo BIM diz respeito da segurança e prevenção de acidentes. Conforme Kamardeen (2010) um modelo BIM pode oferecer informações suficientes para que seja possível prever prováveis riscos no processo construtivo e operacional, e adicionar componentes de segurança e indicativos de perigo. Em BIM, a Segurança e Prevenção de Acidentes consiste em três tarefas: determinar os riscos no modelo, promover sugestões de segurança para perfis de risco alto e propor controle de riscos e de segurança do trabalho na obra para os perfis de riscos incontroláveis através do modelo. Quanto mais dimensões tiver o modelo, maiores serão os tipos de informações possíveis de serem modeladas a partir deles, tornando as tomadas de decisão mais complexas e acertadas (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). b) Nível de desenvolvimento do modelo (LOD – Level of Development) O desenvolvimento do modelo BIM é progressivo e de acordo com sua evolução são fornecidos modelos com maior volume de informações. Com o intúito de regular este volume o AIA – American Institute of Architects desenvolveu o conceito de LOD – Level of Development, ou em português Nível de Desenvolvimento – ND, que corresponde a um certo grau de definição dos elementos, componentes e materiais do projeto (ABDI, 2017). O nível de desenvolvimento vem representar uma estrutura conceitual de orientação para o processo de projeto e o progresso de seu detalhamento de informações. As etapas de projeto são definidas sinteticamente, permitindo que diferentes membros da equipe entendam o nível de desenvolvimento que precisam trabalhar (MANZIONE e MELHADO, 2013). Critério para definir a maturidade e usabilidade de um BIM em diferentes fases de um projeto, o LOD geralmente é expresso como uma série progressiva de números que correspondem a níveis de especificação distintos e gradualmente crescentes, relacionados com diferentes etapas da concepção e utilização de um edifício. Assim os primeiros três níveis são aplicados à fase de projeto, o quarto à construção e o quinto à operação e manutenção do edifício (SILVA, 2013). Em umaescala que varia em cinco níveis, LOD 100 – fase conceitual, LOD 200 – geometria aproximada, LOD 300 – geometria precisa, LOD 400 – execução ou fabricação e LOD 500 – obra concluída, pode-se entender o LOD como uma referência, informação e geometrização mínima da modelagem em cada etapa do projeto, ou seja, o intuito do LOD é caracterizar o modelo dentro do processo (BRANDÃO, 2019). 26 Figura 4 – Nível de desenvolvimento do modelo BIM. Fonte: FEITOSA, 2013 A especificação de Nível de Desenvolvimento (LOD) possui como idéia principal a padronização das entregas, que consiste em uma referência para os profissionais da indústria de AEC especificar, comunicar e confiar no modelo, deixando explícito em contrato e no processo, o devido uso e limitações do produto BIM gerado ao longo do desenvolvimento do projeto, da construção e da operação (BIMFORUM, 2019). 2.1.4 A relação com o Governo Anualmente, o Governo Federal gasta bilhões de reais em obras de infraestrutura que são essenciais para sobrevivência da população, mesmo com todo o investimento tornou-se comum a ocorrência de irregularidades que incluem problemas quanto a concepção, avaliação de viabilidade técnica, econômica e ambiental (CASTRO, 2019). Pesquisa realizada por Miranda e Matos (2015) comprova que 50% das irregularidades encontradas em obras públicas são referentes à sobrepreço/superfaturamento, projeto básico/executivo deficiente ou desatualizado, fiscalização deficiente ou omissa e existência de atrasos injustificáveis nas obras e serviços. O sistema BIM chega como base para criação de um sistema integrado de concepção, produção e uso da edificação, introduzindo novos produtos, para resolver novos problemas e até mesmo criar novas demandas, mas de uma maneira mais econômica (AMORIM, 2018). As diversas ferramentas BIM possibilitam, entre tantas coisas, evitar e/ou minimizar reformulações ou ajustes acentuados durante a fase de execução das obras devido a oportunidade de realizar compatibilizações interdisciplinares ainda na fase de projetos com o intúito de avaliar rapidamente a viabilidade de cada alteração pensada (ESTMAN, TEICHOLZ, et al., 2014). O que conforme FIOCRUZ (2016) obtém-se como resultado, a qualidade e a economia requeridas pela Administração Pública. 27 A redução de erros, otimização dos prazos, a maior confiabilidade dos projetos, os processos mais precisos de planejamento e controle de obras, o aumento de produtividade, a diminuição de custos e a economia dos recursos utilizados nas obras são benefícios proporcionados pelo BIM com sua implantação (CASTRO, 2019). Diante do conhecimento dessa nova tecnologia a indústria da construção vem passando por uma mudança de paradigma para introdução desses conceitos, o que incentivou o Governo, os clientes de alto potencial e agências regionais ao redor do mundo a desenvolver e implementar iniciativas nacionais para o desenvolvimento do BIM (KASSEM e AMORIM, 2015). Em escala mundial a implementação do BIM no setor público tem como agentes percursores os estados membros da União Europeia, que já exigem a um certo tempo a aplicação da metodologia BIM em obras realizadas com recursos do governo, sendo assim, transformaram-se em modelos de referência para a implementação do BIM no setor público dos demais países (OLIVEIRA, 2019). Assim como em todo processo de inovação, durante o processo de implementação do BIM em todos os estados pertencentes à União Europeia foram enfrentados muitos desafios como a escassez de profissionais qualificados, heterogeneidade de redes, softwares e hardwares, ausência de normas, regulamentos e leis que formalizem a contratação de projetos em BIM, entre outros (KASSEM e AMORIM, 2015). A implementação da tecnologia BIM na União Europeia tornou-se uma referência mundial na utilização do BIM no setor público e privado, mas tudo só foi possível a partir de iniciativas do setor público por meio da criação de grupos líderes com o objetivo em comum de proporcionar um ambiente adequado para a adoção do BIM através de estratégias nacionais de disseminação (OLIVEIRA, 2019). A indústria da construção no Brasil, segundo Kassem e Amorim (2015), está entre as maiores do mundo, sendo responsável por 2% da indústria global e sua adoção pelos conceitos e ferramentas BIM pode levar a um impacto significativo na melhoria a eficiência e sustentabilidade de projetos e da construção civil em geral, melhoria a previsibilidade de resultados de projetos e o retornor de investimentos, e aumentar as exportações e estimular o crescimento econômico. Razão pela qual os agentes que elaboram e executam políticas no Brasil estarem procurando desenvolver iniciativas para aumentar a difusão do BIM no setor da construção. Conforme Castro (2019), pesquisas e estudos da Fundação Getúlio Vargas – FGV deste ano, apontam que 9,2% das empresas do setor da construção já implantaram o BIM na sua rotina de trabalho, sendo que estas empresas correspondem, hoje, a 5% do PIB da construção civil. 28 Um grande passo em direção ao BIM no Brasil foi a criação do Comitê Estratégico de Implementação do Building Information Modelling – CE-BIM em 5 de junho de 2017 com a finalidade de elaborar uma estratégia que pudesse promover um ambiente adequado para uso do BIM no Brasil, alinhando as ações e iniciativas do setor público com o setor privado e impulsionando a adoção do BIM pelo país (OLIVEIRA, 2019). Com a finalidade de apoiar o CE-BIM nessa tarefa, em agosto de 2017, foi fundada a Câmara Brasileira de BIM – CBIM com o objetivo de discutir políticas públicas de implementação e disseminação do BIM no Brasil. A CBIM é dividida em regionais para cada estado que são formadas por quinze comitês: Tecnologia, Parcerias, Qualidade, Contratos, Profissionais, Produção de conteúdo, Processos, NBR’s, Licitações, Acadêmico, Eventos, Evento BIM Nacional, Certificação BIM, Aprovação de projeto e Articulações (BORGES, 2019). O maior avanço brasileiro em direção ao BIM ocorreu em maio de 2018, quando o Governo Federal Brasileiro através do Decreto n° 9.377 de 17 de maio, instituiu a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM com a finalidade de promover um ambiente adequado ao investimento em BIM e sua difusão no país (CASTRO, 2019). Basicamente a Estratégia BIM BR tem nove objetivos a atingir: • Difundir o BIM e seus benefícios; • Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM; • Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado, em BIM; • Estimular a capacitação em BIM; • Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e contratações públicas com o uso do BIM; • Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para a adoção do BIM; • Desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM; • Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM; • Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade BIM (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). Baseado nos objetivos de ampliar a utilização do BIM e aumentar a produtividade do setor da construção, o Governo Federal, através da Estratégia BIM BR almeja: 29 • Aumentar a produtividade das empresas em 10% (produção por trabalhador das empresas que adotarem o BIM); • Reduzir custos em 9,7% (custos de produção das empresas que adotarem o BIM); • Aumentar em 10 vezes a adoção do BIM (hoje 5% do PIB da Construção Civil adota o BIM, a meta é que 50% do PIB da Construção Civil adote o BIM); • Elevar em 28,9% o PIB da Construção Civil (com a adoção do BIM, o PIB do setor, ao invés de 2,0% ao ano, espera-se que cresça 2,6% entre 2018 e 2028, ou seja, terá aumentado 28,9% no período, atingindo um patamar de produção inédito) (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). Com o intuito da disseminação do BIM e seguir o seu objetivo de propor atosnormativos que estabeleçam parâmetros para compras e as contratações públicas com o uso do BIM, o Governo Federal pretende utilizar como um dos instrumentos o poder de compra, possibilitando que o cliente possa exigir que determinado empreendimento seja entregue com o uso do BIM, estimulando os fornecedores a começar utilizá-lo. O Poder Público, como um grande demandante de obras, pode assumir esse papel e estimular o mercado brasileiro como um todo (CASTRO, 2019). Para conferir tempo necessário para o mercado adequar-se às condições e para que o próprio setor público possa se estruturar apropriadamente, a utilização e a exigência do BIM devem ser realizadas com cautela e de modo escalonado, divididos em três fases: • A partir de janeiro de 2021 – Primeira Fase: a exigência do BIM será proposta para a elaboração dos modelos de arquitetura e de engenharia, em construções novas, ampliações ou reabilitações, nas disciplinas de estrutura, hidráulica, AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) e elétrica na detecção de interferências, na extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica a partir desses modelos; • A partir de janeiro de 2024: os modelos deverão contemplar algumas etapas que envolvem a obra, como o planejamento da execução da obra, na orçamentação e na atualização dos modelos e de suas informações como construído (“as built”), além das exigências da primeira fase; • A partir de janeiro de 2028: passará a abranger todo o ciclo de vida da obra ao considerar atividades do pós-obra. Será aplicado, no mínimo, nas construções novas, reformas, ampliações ou reabilitações, quando consideradas 30 de média ou grande relevância, nos usos previstos na primeira e na segunda fases e, além disso, nos serviços de gerenciamento e de manutenção do empreendimento após sua conclusão (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). A Estratégia BIM BR terá inicialmente como participantes os órgãos do Ministério da Defesa (Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil) e o Ministério dos Transportes (Portos e Aviação) como programas pilotos de atividades coordenadas e executadas pela Secretaria Nacional de Aviação Civil e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, mas nada impede que outros órgãos ou entidades se vinculem posteriormente ao programa ou desenvolvam iniciativas de indução, utilização ou exigência do BIM (ESTRATÉGIA BIM BR, 2018). 2.2 Projeto Projeto é uma palavra derivada do latim projetum, que significa antes de uma ação, assim, podemos definir como uma ação prévia de um empreendimento, pesquisa ou desenho de modo sistemático e planejado para alcançar um objetivo (BALEM, 2015). Segundo a Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura - ASBEA (1992) projeto é um conjunto de ações caracterizadas e quantificadas, necessárias à concretização de um objetivo. Projeto pode ser entendido como um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo, e que engloba todas as etapas de desenvolvimento de um determinado produto ou serviço. Empreendidos em todos os níveis organizacionais, envolvendo um único indivíduo ou um grupo, uma única organização ou múltiplas unidades organizacionais de múltiplas organizações (PMI, 2017). Figura 5 – Definição de projeto. Fonte: MISZURA, 2013 O projeto é um dos principais elementos no momento da construção ou reforma de 31 uma edificação, é uma atividade complexa que tem como objetivo alçar soluções econômicas, funcionais, belas e criativas, além de atender as exigências de seu cliente e estar de acordo com as leis ambientais. Portanto, projetar não é simplesmente apresentar um belo desenho, é necessário ter conhecimento de elementos, técnicas e estilos, de tal maneira que consiga combinar a forma e a função para alçar os resultados desejados (NASCIMENTO, 2015). O projeto não se trata de estilismo superficial ou mera questão estética, essa é uma atividade especializada, que aumenta a usabilidade, funcionalidade e qualidade do ambiente construído, portanto, o projeto adiciona valor à vida diária da população. O projeto é percebido como um esforço coletivo baseado em níveis de empenho e compromisso, combinando as habilidades e conhecimentos de uma ampla gama de indivíduos para fornecer soluções criativas para problemas mal definidos (JUNIOR, 2012). Na construção civil brasileira o termo projeto é muito utilizado e entendido de diferentes maneiras, a depender do momento e contexto a ser empregado. No cotidiano, projeto pode ser entendido como: • Projeto como empreendimento: resultado de uma análise de negócios, podendo ter como produto uma nova edificação, um novo mercado, um processo de implantação de novas tecnologias etc. Utilizado em uma visão ampla. • Concepção dos projetos: fase que antecede a execução das obras que normalmente tem seu início após a definição do estudo de viabilidade técnica- econômica. • Projeto como desenhos: desenhos técnicos cujo objetivo é orientar a execução das construções dentro do canteiro de obras (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT a norma NBR 5674 (1999) aborda o projeto como sendo a descrição gráfica e escrita das características de um serviço ou obra de engenharia ou de arquitetura, definindo seus atributos técnicos, econômicos, financeiros e legais. Já para a NBR 13.531 (1995) a elaboração de um projeto é definida como a antecipação da fabricação do objeto a ser projetado, que no caso se trata de edificações, sendo respeitados todos os princípios técnicos existentes em arquitetura e engenharia. Conforme Estman, Teicholz et al. (2014) é durante a elaboração do projeto que são definidas a maior parte da informação de um empreendimento. Nas fases iniciais de projetos, especificamente nas de anteprojeto (PD), projeto básico (SD) e projeto executivo (DD) está concentrada a maior habilidade de causar impacto nos custos e nas características funcionais 32 do empreendimento. Porém, no processo tradicional de elaboração de projeto os esforços de tempo e análise crítica comumente estão concentrados em maior peso na fase de projeto para produção (CD), onde já não é mais possível cusar tanto impacto nos custos e funcionalidade do projeto. Ainda segundo os autores os serviços tradicionais dos projetos podem ser definidos de acordo com as seguintes etapas: Estudo preliminar – especificação textual do empreendimento e quantitativos não espaciais, lidando principalemnte com fluxos de caixa, função ou geração de renda; associa áreas e equipamentos necessários; inclui estimativa inicial de custos; pode sobrepor ou interagir com a fase de anteprojeto; pode sobrepor e interagir com a fase de produção ou planejamento financeiro. Anteprojeto – fixa requisitos de espaço e funcionanlidade, fases e possíveis necessidades de expansão; questões relativas ao terreno e contexto; restrições do código de obras e zoneamento; também pode incluir atualização da estimativa de custos baseada nas informações adicionadas. Projeto Básico (SD – Schematic Design) – projeto preliminar do empreendimento com plantas da edificação, mostrando como o programa do anteprojeto é materializado; modelo de massas da forma do edifício e renderizações iniciais do conceito; determina alternativas de materiais e acabamentos; identifica todos os subsisitemas do edifício por tipo de sistema. Projeto Executivo (DD – Design Development) – plantas baixas detalhadas incluindo todos os principais sistemas de construção (paredes, fachadas, pavimentos e todos os sistemas: estrutural, fundação, iluminação, mecânico, elétrico, comunicação, segurança, acústica, etc.) com detalhes gerais; materiais e seus acabamentos; drenagem do terreno, sistemas relativos ao terreno e paisagismo. Projeto para Produção (CD – Construction Detailing) – planos detalhadospara demolição, preparação de canteiro de obras, terraplenagem, especificação de sistemas e materiais; dimensionamento de membros e componentes e especificações para conexões de vários sistemas; testes e critérios de aceite para os sistemas principais; todos os componentes e conexões requeridos para integração entre sistemas. Revisão da construção – coordenação de detalhes, revisão de leiautes, seleção e revisão de materiais; alterações requeidas quando as condições na construção não são como esperadas ou devido a erros de execução (ESTMAN, 33 TEICHOLZ, et al., 2014). Segundo Sacks (2010) o projeto é o resultado da ação e do esforço de definir o produto a ser entregue e do processo produtivo da execução de obras. Ou seja, na construção civil entende-se como projeto o conjunto de pranchas contendo desenhos de arquitetura, estrutura, fundação, instalações e detalhes executivos somados aos memoriais descritivos, especificação de materiais, atas de reuniões, entre outros, que formam as informações necessárias para o iniciar a execução de uma obra, mas têm-se também, o projeto de processo produtivo, ou seja, a forma como aquele produto será executado (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). A associação entre o projeto do processo e o projeto do produto antecipa problemas e exige soluções com a maior quantidade de envolvidos na cadeia produtiva como um todo, ao mesmo tempo, que deixa as tomadas de decisões mais complexas, permitindo mais flexibilidade nas soluções. De maneira simples, podemos dizer que trará mais benefícios as obras se as decisões de cada detalhe do produto a ser entregue forem feitas simultaneamente com as decisões de como esse será fabricado no canteiro de obras (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). • Projeto do Produto a. Reúne as decisões sobre o produto; b. Formada por profissionais que definem o produto a ser entregue, o dimensionamento de materiais, os encaminhamentos, os espaços, a estética, o atendimento de normas, as legislações, entre outros; c. Participam: o coordenador de projetos, o arquiteto, o engenheiro de estruturas, o engenheiro de fundações, o engenheiro de instalações e quando o projeto exige, outros profissionais especializados (ambiental, impermeabilização, automação, vedação, conforto térmico e acústico etc.); d. À medida que as decisões vão sendo determinadas são documentadas em desenhos e textos, que ao longo do projeto, são trocadas entre os profissionais. As trocas de informações e tomadas de decisões se dão até que todas as soluções necessárias para completar o projeto sejam feitas, e então encerra-se o projeto; e. Tem-se ao final, o Projeto Executivo composto por desenhos, memoriais descritivos, de cálculos e justificativos, além de cadernos de especificações e de encargos, por exemplo (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). 34 • Projeto do Processo a. Reúne as decisões sobre o processo; b. Para cada produto a ser entregue os profissionais tomam decisões em relação a quais são os recursos necessários para realiza-lo no canteiro de obras (mão de obra, materias, equipamentos, ferramentas etc.), como devem ser esses canteiros, quais os custos dos recursos, quais as produtividades para realizar os serviços, como deve ser realizado aquele serviço, qual a sequência construtiva das atividades etc. c. Participam: os engenheiros de execução das obras, de planejamento, de orçamento e o coordenador de projetos. d. As informações utilizadas vêm, sobretudo, das experiências dos profissionais e de cotações realizadas com fornecedores. e. Como produto final, temos o plano de qualidade da obra, os cronogramas de execução, as planilhas orçamentárias, entre outros (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). Para Fabricio (2002) tanto na construção civil como em outras áreas o projeto é essencial e indispensável para a sustentabilidade e para a qualidade do produto, assim como para o rendimento dos processos. Apesar de ser crucial para o êxito do empreendimento, o fluxo do projeto constantemente apresenta falhas e nos últimos anos, vem sendo apontado como o principal responsável pela origem de patologias nas construções (BERTEZINE, 2006 e GARBINI e BRANDÃO, 2014). Muitos problemas de insuficiência na entrega de construções estão relacionados à falta de qualidade do fluxo de etapas de elaboração do projeto de arquitetura, ou seja, o projeto é elaborado sem planejamento, separado entre as especialidades e sem visão sistemática e abrangente da interação entre projeto e execução, o que demonstra o déficit de comunicação entre os interlocutores do projeto (ROMANO, 2003). De acordo com o Project Management Institute – PMI (2017) as etapas de elaboração de um projeto geralmente são divididas nas seguintes fases: 1. Iniciação: fase inicial do projeto, quando uma determinada necessidade pe identificada e transformada em um problema a ser resolvido, ou seja, é nesta fase que a missão e o objetivo do projeto são definidos; 2. Planejamento: fase responsável por analisar e verificar as melhores estratégias 35 para a elaboração do projeto, tudo o que deverá ser realizado para a execução deve ser detalhado, como os cronogramas, alocação de recursos envolvidos, custos, etc. Nessa fase os planos auxiliares de comunicação, qualidade, riscos, suprimentos e recursos humanos também são desenvolvidos; 3. Execução: é a fase caracterizada pela efetiva execução do projeto e serviços. Nesta fase a maior parte do orçamento e do esforço é utilizada e qualquer erro cometido nas fases anteriores fica evidente durante essa fase; 4. Monitoramento e Controle: é a fase que ocorre paralelamente ao planejamento e à execução do projeto. Tem como objetivo acompanhar e controlar aquilo que está sendo realizado pelo projeto, de modo a propor ações corretivas e preventivas no menor espaço de tempo possível; 5. Finalização: é a fase quando ocorre a avaliação dos trabalhos executados através de uma auditoria interna ou externa (terceiros), os livros e documentos do projeto são encerrados e todas as falhas ocorridas durante ~soa discutidas e analisadas para que erros similares não ocorram em novos projetos (aprendizados). Figura 6 – Fases do Projeto Fonte: MISZURA, 2013 Durante as etapas de elaboração de um projeto podemos destacar que as fases de inicialização e finalização do projeto são relativamente menores do que as fases de planejamento e execução, pois são atividades em que temos menos envolvidos, e, na maioria das vezes, uma complexidade menor do que nas demais fases. Idealmente a fase de monitoramento e controle deve está presente e constante em todo o processo e a fase de 36 planejamento deve se aproximar da proporção da fase de execução, pois um planejamento bem feito consiste em analisar e estudar todas as variáveis possíveis que venham a impactar no custo, prazo e qualidade da obra (MISZURA, 2013). Com as transformações sofridas ao longo do tempo no setor de incorporações e das empresas construtoras o termo projeto vem se atualizando de forma a acompanhar a modernização e os avanços tecnológicos (NASCIMENTO, 2015). Conforme Adesse (2002) as empresas constataram que se tornou fundamental a utilização de critérios que assegurem a racionalização da obra e a construtibilidade, o que requer projetos adequados e harmônicos entre si. De acordo com Junior, Maia e Correia (2014), o setor da construção civil enfrenta muitas dificuldades relacionadas à ausência de qualidade nas edificaçãoes, o projeto informal é a sua principal causa, o que os leva a procurar procedimentos de gestão da atividade de projeto, com principal objetivo de modificar, melhorar e aperfeiçoar o modelo convencional. Nos dias atuais, faz-se necessária a elaboração de uma gestão coordenada da construção, para que ao longo de todas as fases, traga resultados satisfatórios na redução de custos,tempo e materiais, destacando-se a importância do plano em qualquer projeto para efetivamente colocar em prática a racionalização (NASCIMENTO, 2015). A gestão de projetos permite a análise das probabilidades de pré-execução, melhoramento de metodologias de execução, interposições de projetos e detecção de prováveis patologias, reduzindo assim o índice de desperdícios e retrabalhos, aumentando ganhos financeiros durante sua construção, garantindo a qualidade de seus produtos e processos (BORGES, 2019). Apesar de não garantir a perfeita execução de uma obra, a elaboração de um projeto estudado e planejado, traz resultados diretos na qualidade e na eficiência das edificações, tanto na construção quanto ao longo de seu ciclo de vida (CAMPOS, 2011). 2.3 Gerenciamento de Projetos Segundo o dicionário Aurélio (2019) gerenciar é o “ato de fazer a gestão de”, podemos então dizer, que o gerenciamento é o ato de administrar, dirigir uma organização ou uma empresa. O gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de cumprir os seus requisitos. O 37 gerenciamento de projetos permite que as organizações executem projetos de forma eficaz e eficiente (PMI, 2017). De acordo com Campos (2012) gestão de projetos é um conjunto de princípios, práticas e técnicas aplicadas para liderar grupos de projetos e controlar programação, custo, riscos e desempenho para se alcançar as necessidade de um cliente final. Dentro de um contexto de gestão, as diferentes interfaces de um projeto exigem que haja uma integração entre elas, contemplando-se diversos fatores de um determinado projeto, como: desenvolver o termo de abertura do projeto, desenvolver o plano de gerenciamento do projeto, orientar e gerenciar o trabalho do projeto, monitorar e controlar o trabalho e encerrar o projeto ou fase (ARAÚJO, 2018). Considerando o projeto como uma sequência de tomadas de decisão, o profissional responsável pela sua gerência precisa organizar o andamento do projeto e fomentar soluções até que estas se enquadrem às metas, além de atender a equipe com as informações necessárias para que os profissionais desenvolvam suas soluções com eficiência e eficácia (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). O gerenciamento tem impacto direto na rentabilidade de uma empresa, no setor da construção civil ele pode acarretar desde o lucro inferior ao desejado, entregas após o prazo estabelecido ou em um empreendimento de má qualidade ou até mesmo na conclusão do empreendimento, gerando prejuízos para o cliente e para o construtor (STROHAECKER, 2017). A falta de utilização dos conhecimentos de planejamento, programação e controle de produção traz impacto negativo na qualidade do gerenciamento, mas em compensação, quando executado de forma correta traz vantagens e aumento do potencial de competitividade para as empresas (ASSUMPÇÃO e JUNIOR, 1996). O gerenciamento de projetos eficaz ajuda indivíduos, grupos e organizações públicas e privadas a: cumprirem os objetivos do negócio; satisfazer as expectativas das partes interessadas; serem mais previsíveis; aumentarem suas chances de sucesso; entregar os produtos certos no momento certo; resolver problemas e questões; rotimizarem o uso dos recursos organizacionais; identificarem, recuperarem ou eliminarem projetos com problemas; equilibarem a influência de restrições do projeto e gerenciarem melhor as mudanças (PMI, 2017). A ideia de gerenciamento de projetos surgiu na década de 60, mas não teve uma boa aceitação na época, só a partir da década de 90 com a globalização e o aumento da competitividade nas empresas essa preocupação em gerenciar os projetos passou a ser estabelecida e divulgada (PACHECO, OLIVEIRA, et al., 2016). Ao longo dos anos, as 38 técnicas de gerenciamento de projetos evoluíram e transformaram-se em poderosas ferramentas capazes de monitorar e controlar elementos fundamentais de sucesso do negócio (PINTO, 2012). O desenvolvimento vem provocando nas empresas do ramo da constução civil a necessidade de otimizar as tomadas de decisões através da implementação ou melhoria do planejamento (VALLE, 2016). O ambiente de negócios atual é dinâmico, com um ritmo acelerado de mudança e os líderes organizacionais precisam ser capazes de gerenciar orçamentos cada vez mais apertados, prazos mais curtos e recursos mais escassos. Para se manterem competitivas na economia mundial, as empresas estão adotando o gerenciamento de projetos para entregar valor de negócio de forma consistente (PMI, 2017). O guia Project Mangement Body of Knowledge – PMBoK afirma, que o uso de técnicas, ferramentas e processos de gerenciamento de projetos possibilita a criação de uma base sólida para as organizações atingirem suas metas e objetivos (PMI, 2017). Podemos então resumir, que um planejamento inadequado é capaz de resultar em erros que afetam a qualidade da obra, os custos e o prazo do empreendimento, ou seja, um gerenciamento eficaz se faz necessário com o intuito de certificar que o conjunto das atividades desenvolvidas, resulte na qualidade do projeto, compatilidade com prazos e custos incialmente previstos (RIBEIRO e FILHO, 2009). 2.4 Coordenação de Projetos Coordenação é “a ação de coordenar”, que significa uma disposição ordenada, coerente e metódica das ideias numa frase, num texto, em um projeto e etc. A coordenação de projetos operaciona a gestão de projetos, ou seja, enquanto a gerência é responsável pela tomada de decisões, a coordenação faz os cronogramas, descreve o escopo e as responsabilidades de cada membro da equipe de projeto, levanta custos, preenche checklists para controle da qualidade, documenta a troca de informações e assim por diante (SILVEIRA, 2019). A norma ISO 10.006 (ABNT, 2003) entende que a coordenação de projetos trata-se de um processo contínuo e inclui o planejamento, organização, supervisão e controle de todos os aspectos do projeto a fim de alcançar seus objetivos. Para Araújo (2015) a coordenação é o planejamento do processo de projeto, que 39 envolve a interação entre os diversos projetistas desde as primeiras etapas do processo de projeto com o intuito de discutir e viabilizar soluções a fim de evitar discrepâncias ou incorências entre as informações produzidas por diferentes membros da equipe de projeto. Já Melhado (2005) define como uma atividade de suporte ao desenvolvimento do processo de projeto voltada à integração dos requisitos e das decisões de projeto, exercida durante todo o processo de projeto e tem como objetivo estimular a interatividade na equipe de projeto e melhorar a qualidade dos projetos assim desenvolvidos. Coordenar projetos de construção civil é uma tarefa difícil e o exercício adequado desta função exige persistência, perspicácia e manutenção do foco nos resultados, que são características típicas de um líder (JUNIOR, 2012). Ferreira (2001) define o coordenador de projetos como o responsável por efetuar a operação das decisões tomadas pela gerência, cabe a ele realizar as atividades que evolvem os processos de montar os cronogramas, desingnar o escopo e as responsabilidades individuais dos membros da equipe de projeto, estimar custos, e fiscalizar o controle da qualidade, etc. O gerente de projetos é totalmente capaz de cumprir com estes deveres, mas em casos de maior complexibilidade é interessante dividir esta responsabilidade com outro membro da equipe (a figura do coordenador). Na prática, os responsáveis pela coordenação de projetos atuam nas questões legais para a execução das obras, na gestão dos documentos a serem enviados à obra, na produção do projeto do processo construtivo (questões prévias de canteiro de obras, análises e documentos, de prazo e custo), contratação de equipes de operários para a execução das obras, contato com principaisfornecedores, questões de colaboração da equipe, de gestão das informações, entre outros (CAMPESTRINI, GARRIDO, et al., 2015). O PMI (2017) destaca que gerenciar projetos implica em administrar de modo especial as restrições de escopo, prazo e custo, cujo balanceamento afeta a qualidade do projeto. A atividade de coordenação de projeto, segundo PMI pode ser dividida em nove áreas de conhecimento: integração, escopo, prazos, custos, recursos humanos, aquisições (procurement), qualidade, riscos e comunicação do empreendimento. O processo de projeto envolve durante todas as suas fases (concepção, desenvolvimento e execução da obra) a participação de pelo menos quatro integrantes: empreendedores, construtores, projetistas e clientes finais (usuários), cada um com seu interesse e expectativa particular. Para conciliar os diversos interesses e expectativas desses agentes envolvidos, aproximar concepção e produção do projeto e ainda produzir edifícios cada vez com mais qualidade é necessário que se tenha uma coordenação eficiente durante o 40 processo de projeto, de forma que o objetivo traçado inicialmente seja alcançado (SILVA e NOVAES, 2008). Para a Associação dos Gestores e Coordenadores de Projeto – AGESC (2013) em seu Manual de escopo de coordenação de projetos, a coordenação está presente nas seguintes fases: • Concepção do Produto: envolve as atividades relativas ao levantamento e definição do produto imobiliário e as restrições que o regem, definindo as características necessárias para a contratação dos profissionais de projeto; • Definição do Produto: coordenar as atividades para a consolidação do partido do produto imobiliário e dos demais elementos do empreendimento, definir todas as informações para a verificação da viabilidade técnica, física e econômico-financeira, assim como à elaboração dos projetos legais. • Identificação e Solução de interfaces de projeto: coordenar a conceituação e caracterização de todos os elementos do projeto, com as definições de projeto necessárias a todos envolvidos, resultando em um projeto com soluções para as interferências entre sistemas e todas as suas interfaces resolvidas, de modo a subsidiar a análise de métodos construtivos e a estimativa de custos e prazos de execução. • Detalhamento de Projetos: coordenar o desenvolvimento do detalhamento de todos os elementos de projeto do empreendimento, de modo a gerar um conjunto de documentos suficientes para perfeita caracterização das obras e serviços a serem executados, possibilitando a avaliação dos custos, métodos construtivos e prazos de execução. • Pós-entrega de Projetos: garantir a plena compreensão e utilização das informações de projeto e a sua correta aplicação e avalias o desempenho do projeto em execução. • Pós-entrega da Obra: coordenar o processo de avaliação e retroalimentação do processo de projeto, envolvendo os diversos agentes do empreendimento e gerando ações para melhoria em todos os níveis e atividades envolvidos. Em meados da década de 60 houve uma grande demanda imobiliária que proporcionou o surgimento dos primeiros escritórios técnicos especializados em arquitetura, estrutura e instalações, etc. Os profissionais que antes trabalhavam em empresas, projetavam e construíam de modo que havia uma centralização da coordenação e do desenvolvimento dos 41 projetos, passaram a trabalhar sozinhos, levando ao estreitamento do contato entre as áreas de projeto e produção, no caso, a execução das obras. Num primeiro momento, esta forma de trabalhar tornou-se eficaz e satisfatória para as construtoras e incorporadoras, mas com a crescente demanda de projetos imobiliários e o aumento da complexibilidade de cada edificação, a equipe de projetos passou a se distanciar cada vez mais da prática da construção e elevou o número de escritórios especializados na projeção de algum segmento específico (MISZURA, 2013). Para Miszura (2013) todo este distanciamento entre as equipes de projeto e construção gerou grandes despesas para as construtoras e clientes, uma vez que durante a obra passaram a ser feitos ajustes, a custo de alterações feitas em cima de algo já executado. A diversidade dos projetos de edificações e as inúmeras exigências do mercado, numa conjuntura competitiva, demandam que empresas de construção e incorporação, escritórios de projetos e de engenharia consultiva adotem, cada vez mais, a prática da coordenação e compatibilização de projetos (SILVA e NOVAES, 2008). O gerenciamento de projetos realizado de maneira adequada pode ser responsável pela conquista de resultados expressivos para a sobrevivência e progresso das organizações (SANTOS, BRANCO e FILHO, 2013). Segundo Sperandio, Batista et al. (2018) a coordenação de projeto vem ganhando destaque no setor da construção de edifícios, seu objetivo principal é alcançar a eficiência do processo construtivo, tendo como finalidade diminuir ou até eliminar os problemas existentes entre a concepção dos projetos e execução das obras, compatibilizar os projetos de diferentes especialidades e soluções tecnológicas, e aproximar as equipes de projetos, através de troca de informações correteas e eficientes. O termo compatibilização de projetos, para Rodriguez (2005), é definido como a análise, identificação e correção das interferências físicas entre as diferentes disciplinas de projetos de uma edificação. Deste modo, pode-se dizer, que a compatibilização é uma parte do trabalho de coordenação de projetos, pois apenas sobrepondo os projetos o compatibilizador irá identificar as falhas e conflitos entre os diferentes tipos de projetos. Listas de verificação, reuniões de coordenação e softwares de computadores são elementos que servem de apoio na atividade de compatibilização dos projetos. Um empreendimento é composto por diversas disciplinas que estão inter-relacionadas em todas as etapas da obra, seus projetos são feitos em sua maioria separadamente, o que normalmente eleva as chances de problemas construtivos caso a interferência for identificada somente no decorrer da obra, resultando em alterações de última hora. A compatibilização 42 consiste justamente em sobrepor da melhor forma possível todos os projetos antes do início da construção, evitando a reformulação de estruturas já realizadas (HOROSTECKI, 2014). Para Rodriguez (2005) a falta de compatibilização pode contribuir para elevar os custos relativos ao desperdício com: superdimensionamento ou subdimensionamento dos sistemas; atrasos e retrabalhos devido a interferência entre os projetos, ou por falta ou incorreção de informações; baixa produtividade devido ao emprego de componentes não padronizados; desperdício de recursos materiais e de mão de obra devido à falta de construtibilidade; e o desperdício de recursos materiais e de mão de obra para a operação e a manutenção. Conclui-se então, que a coordenação de projetos deve trabalhar com as diversas frentes de projeto paralelamente, buscando meios de comunicação efetivos entre estes, garantindo que as soluções técnicas desenvolvidas pelos projetistas de diferentes especialidades sejam adequadas e compatíveis entre si, visando obter como resultado final um produto mais racionalizado e completo, com menor ou nenhuma necessidade de correções e modificações durante a execução (MELHADO, 2001). 43 3 A IMPORTÂNCIA E APLICAÇÃO DO SISTEMA BIM O uso de softwares de plataforma BIM está ganhando espaço e tornando-se uma excelente alternativa para sanar a falta de qualidade dos projetos, a ineficiência dos processos de desenvolvimento e os problemas de gestão detectados nos setores. Os softwares que compõem o sistema BIM permitem a leitura de um edifício, sua performance, seu planejamento, sua construção e seu funcionamento, ou seja, a inclusão de informações permite queo projeto aconteça não apenas na etapa 3D, mas possibilita as etapas de planejamento - 4D, orçamento – 5D, análises de sustentabilidade – 6D e manutenção – 7D. O processo que anteriormente era hierárquico se torna colaborativo com a introdução da tecnologia BIM que passa a unir todas as informações junto ao modelo, criando um processo com participação de todos no desenvolvimento. Oferecendo as melhores condições de avaliação, o sistema BIM, permite a melhor análise crítica dos projetos. Em comparação com os métodos convencionais a metodologia BIM através de suas ferramentas pode auxiliar em análises de compatibilização e de orçamentação gerando resultados mais rápidos, economizando tempo e recursos substanciais. Segundo Marques, Flores e Souto (2017) desde a década de 1980 a plataforma de representação e desenvolvimento de projeto civis mais utilizada é a Computer Aided Design – CAD ou Desenho Assistido por Computador. O CAD é um sistema vetorial usado para representações bidimensionais (2D) ou tridimensionais (3D) que possui funções integradas, como cálculos de volume e área, que agilizam certas atividades para o usuário. O grande diferencial entre os sistemas é que no caso do CAD a modelagem é apartir de vetores e no BIM os objetos são parametrizados, o que significa dizer, que no sistema BIM são inseridos parâmetros que levam informações que fazem com que os objetos sejam determinados de forma a interagir com os objetos vizinhos e automatizar futuras alterações. A modelagem em BIM pode ser analisada como um desenvolvimento CAD, já que o BIM chega como uma ferramenta nova de projeto, oferecendo alternativas inovadoras para as empresas do setor da construção civil. Em diversas partes do mundo, o setor público vem tomando iniciativas para incentivar e alavancar a utilização da tecnologia BIM. Conforme Zeiss (2013) a adoção do BIM em diversas regiões do mundo se deu: nos Estados Unidos em 2003 foi criado o primeiro programa nacional e até 2012 a utilização do BIM saltou de 40% em 2009 para 71%; Singapura implementou em 2008 o sistema de aprovação de projetos mais rápidos do mundo, 44 o prazo atual era de 26 dias e a meta até 2015 era de obter 80% dos projetos em BIM e reduzir o prazo de aprovação para 10 dias. O Reino Unido tinha como objetivo primordial a redução dos custos dos projetos de construção do governo em 20%, reduzir a intensidade da emissão de carbono e ao longo de um período de 5 anos o BIM deveria estar em projetos do governo; desde 2007 na Finlândia e de 2014 em Hong Kong os projetos são exigidos em BIM; a partir de 2016 a Coréia do Sul obrigará o uso do BIM para todos os edifícios públicos e para projetos superiores a 50 milhões de dólares no setor privado; desde 2012 a Holanda obriga o uso do BIM na manutenção de grandes projetos; em 2012 na Austrália, o governo lançou o caderno “Iniciativa Nacional BIM”, dividido em dois volumes – Estratégia e Implementação, com uma série de recomendações, especificações e metas a serem adotadas pela indústria da construção (ZEISS, 2013). A difusão do uso da modelagem da informação é importante para o setor público, mas até o momento algumas iniciativas nacionais foram adotadas para a implantação do BIM no mercado brasileiro. De forma isolada os órgãos passaram a solicitar a utilização do BIM, órgãos como o Exército Brasileiro, a Petrobrás, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o Governo de Santa Catarina e o Instituto Nacional de Propriedades Industrial (INPI). A mais de 20 anos a Petrobras, com o intuito de automatizar seus processos de engenharia, utiliza ferramentas de automação de projetos e modelagem 3D para elaborar as plantas industriais de suas unidades on-shore e off-shore. Desde 2009 o Exército Brasileiro, através da DOM estimula o uso do BIM para a elaboração de seus projetos, principalmente de construções novas. A Diretoria de Obras Militares (DOM) é a grande responsável pela gestão de mais de 650 organizações militares presentes no território brasileiro, sendo constituída apenas por 12 unidades de engenharia (CRO- Comissões Regionais de Obras), localizadas nas principais capitais do Brasil que desempenham atividade como a elaboração de projetos, contratação, fiscalização, medição e pagamento pela execução dos serviços contratados. (OLIVEIRA, 2019). Diante da necessidade de encontrar uma forma de gerir as obras do Exército Brasileiro de forma eficaz, eficiente e transparente, foi criado o OPUS – Sistema Unificado do Processo de Obras, um sistema informatizado de apoio à decisão que visa suportar as funcionalidade de planejamento, programação, acompanhamento, fiscalização, controle, gerência e execução de obras e serviços de engenharia de todas as atividades do Sistema de Obras Militares (SOM). Criação autônoma do Exército Brasileiro, o OPUS é composto pela associação das 45 tecnologias BIM e Geographic Information System (GIS) ou Sistema de Informações Geográficas (SIG), e é utilizado para realização do planejamento estratégico, gestão de obras e ativos e gestão de projetos da DOM (OLIVEIRA, 2019). A primeira ação estatal com resultados públicos ocorreu em 2010 por demanda do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI com a contratação de empresa para o desenvolvimento de uma versão incial de Biblioteca BIM para edificações de tipologia do Programa “Minha Casa Minha Vida” que até hoje são largamente distribuídos, servindo como referência para projetos do gênero e como elemento de estudo na formação BIM. Apenas em 2014 que surgiram licitações que exigiram processos BIM, como é o caso da licitação aberta pela Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC para a elaboração de cerca de 270 projetos de aeroportos regionais e a abertura de licitação pelo Governo de Santa Catarina para projetos de dois hospitais (KASSEM e AMORIM, 2015). Santa Catarina foi o primeiro, e até então, único estado Brasileiro a exigir o uso do BIM para todas as obras públicas e licitações a partir de 2018, por meio do desenvolvimento do Caderno de Apresentação de Projetos em BIM ou Caderno BIM, onde são definidas a padronização e a formatação que devem orientar o desenvolvimento dos projetos em BIM nas contratações com o estado. Conforme Oliveira (2019), durante todo esse período o sistema já foi aplicado nas obras do Instituto de Cardiologia de Santa Catarina - ICSC, da Fundação Catarinense de Educação Especial - FCEE, do Centro de Referência de Assistência Social - CRAS, do Instituto Estadual de Educação - IEE e do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina - HEMOSC. Em 2018, o Governo Federal do Rio de Janeiro e do Paraná instituíram os seus próprios programas de disseminação do BIM, a Estratégia BIM-RJ e o Plano de fomento BIM, respectivamente, com o propósito de proporcionar um ambiente adequado ao investimento em BIM, impulsionar a sua difusão no estado e com a criação de um Caderno de Especificações Técnicas para a Contratação de Projetos em BIM. Por fim, ambos os cadernos tem finalidade semelhante ao Caderno de Santa Catarina, que busca definir as diretrizes para a elaboração de projetos de edificações públicas em BIM. O processo de implementação baseado em educação, investimento e apoio de póliticas públicas se mostrou funcional em todos os países que hoje gozam de bons resultados como o BIM. Para Masotti (2014) o setor público, a educação e o investimento privado são três focos de trabalho fundamentais quando se trata de visualizar o futuro da indústria no Brasil e o estabelecimento de um mercado pronto para demandar e oferecer a execução de projetos 46 utilizando as ferramentas e a metodologia BIM. O papel do setor público está em determinar um programa de implementação, estabelecendo padrões, normas, guias, regulação do trabalhoe meios de troca de informação, com metas e prazos claros e realistas; a educação chega com papel de ser a responsável por estabelecer o BIM como disciplina na graduação e oferecer pós graduação com o intuito de formar gestores capacitados a implementar e gerenciar este processo em todos os ramos da indústria da construção. O investimento privado é o responsável por incentivar o investimento em processos, envolvendo não só a capacitação da equipe mas estrutura tecnológica e mudança de culutra entre os parceiros (fornecedores, prestadores de serviço, etc.), desencadeando uma reação em cadeia na indústria. O BIM é uma ferramenta bastante abrangente e completa, seu uso principalmente envolve atividades de planejamanto, controle e modelagem que estão presentes ao longo de todo o ciclo de vida de uma edificação. A integração de todos os dados do empreendimento em uma mesma plataforma facilita a gestão da informação, possibilita alterar todos os dados de planejamento físico e financeiro conforme alterações no projeto, facilitando assim, a revisão e aumentando a produtividade. O uso dessa tecnologia apresenta como vantagem a possibilidade de visualização antecipada e mais precisa de um projeto; ajustes automáticos em todas as pranchas e vistas quando mudanças são feitas em uma delas; geração de desenhos 2D precisos e consistentes em qualquer etapa do projeto; colaboração antecipada entre as diversas disciplinas; geração de quantitativos e materiais automaticamente; extração de estimativas de custo; análises luminotécnicas (tanto do sol, em qualquer época do ano ou lugar do planeta quanto da iluminação interna); análises de eficiência energética e sustentabilidade; sicronização de projeto e planejamento da construção; descoberta de erros de projeto e omissões antes da construção (detecção de interferências); uso do modelo de projeto como base para componentes fabricados; melhor implementação e técnicas da construção enxuta; sicronização da aquisição de materiais com o projeto e a construção; melhor gerenciamento e operação das edificações; integração com sistemas de operação e gerenciamento de facilidades. A tecnologia BIM ainda trás como vantagem a funcionalidade do trabalho em equipe, permitindo que profissionais em diferentes partes do mundo trabalhem em um mesmo modelo ao mesmo tempo, através da internet em conexão direta, utilizando os worksets (conjunto de divisões em que o modelo é separado e cada profissional tem acesso de edição restrito, mas visualização completa, resultando em um modelo central) definidos pelo BIM Manager. Os benefícios do BIM não são exclusivos de quem o utiliza, são obtidos também pelos compradores, incluindo nesse grupo o poder Público. O BIM confere maior qualidade às 47 obras, garante uma maior transparência no processo de compra, reduz a incidência de erros e imprevistos e aumenta a confiabilidade nas estimativas de custos e no cumprimento dos prazos. Além de proporcionar ao proprietário eficiência na gestão e manutenção de ativos com a disponibilidade de todas as informações agregadas ao modelo virtual. Atualmente as finalidades do BIM que mais se destacam é a modelagem 3D da arquitetura, a compatibilização de projetos e o levantamento de quantitativo. De acordo com Estman et al. (2014) os principais usos e benefícios da utilização do BIM podem ser categorizados nas diversas fases do ciclo de vida do edifício: 1. Concepção do projeto: fase de estudos preliminares de conceitos e viabilidade, o primeiro modelo de análise BIM já pode ser gerado; 2. Projeto: essa é a etapa fundamental do processo de construção virtual, possibilita uma visualização mais precisa em estágios mais adiantados, correções e geração automática de desenhos 2D, colaboração em equipe, fácil acesso para verificação de dados do projeto com os requisitos do programa, extração de quantitativos, melhorias no processo de análise energética e de sustentabilidade, entre outras; 3. Execução: essa fase compreende o uso dos modelos preparados para a obra, como o acompanhamento do cronograma, medição de serviços, fabricação de componentes, interação das fases de aquisição, projeto e construção, ajuste do planejamento da obra com os objetos do modelo, identificação de falhas, interferências físicas, agilidade e rapidez nas alterações do projeto, favorecer a construção enxuta na entrega do produto, maximização do valor e redução do desperdício, otimização dos recursos. 4. Operação: os benefícios estão relacionados ao gerenciamento adequado da modelagem de registro, com todos os dados da construção para futuras reformas, cronograma de manutenção durante a vida do edifício, análise de sistemas de instalações, ativos do edifício, como a construção física, sistemas, meio ambiente e equipamentos, distribuição e rastreamento de espaços ao longo do tempo da edificação, e planejamento de desastres, com uma logística de emrgência em casos de acidentes. Dentro das possibilidades ainda desconhecidas, estudos e pesquisas estão sendo realizados assumindo outras óticas de trabalho, aspectos e papel da tecnologia BIM, não a limitando apenas ao processo de projeto, expandindo para além da obra, vislumbrando a manutenção do edifício, catalogação e documentação de patrimônios. 48 A utilização do BIM em projetos de restauração pode agregar valor tanto na rapidez das intervenções, como no mapeamento das instalações existentes e apresentando as diversas intervenções sofridas ao longo dos anos. A possibilidade do uso do BIM para fins de catalogação, assim como o de restauração, é outro exemplo de aplicação do sistema além da construção o que demonstra o enorme potencial dessa tecnologia. Muitos na indústria da AECO ainda não exploram a tecnologia em sua totalidade, veem o BIM apenas como um modelo que agiliza na representação gráfica, esquecendo que o 3D assume um papel além dos triviais, alçando novos usos, onde o BIM permite o vínculo a outras tecnologias resultanto em funções pouco exploradas na atual conjuntura. O laser scanning já é uma realidade no mundo do BIM e será cada vez mais comum e frequente a sua utilização ao logo de todas as etapas da edificação. Por se tratar de uma forma de realizar levantamento e registro da edificação existente, essa tecnologia captura a realidade da edificação gerando nuvens de pontos que normalmente são lidas e trabalhadas em softwares BIM. Ele pode ser aplicado em vários segmentos da engenharia como o levantamento de estrutura na parte civil, metálicas, parques industriais, arquitetura e conservação do patrimônio histórico e topografia. Assim como o laser scanning outros aparelho e tecnologias podem ser utilizados durante a obra para facilitar todo o processo de construção, como o GPS que pode ser utilizado na locação da obra na fase inicial, auxiliando no posicionamento das fundações, essa técnica representa a evolução da materialização dos pontos no terreno sem a necessidade de se gastar com madeiramento, espera-se com sua utilização reduzir erros de locação e aumentar a precisão na hora de implantar os pontos importantes para começar a obra; a maquele eletrônica é uma maneira de melhorar a apresentação do projeto a fim de se gerar bons resultados e conquistar os clientes, ela é capaz de agregar muito valor ao imóvel, auxilia nas campanhas publicitárias e na compatibilização dos melhores materiais de revestimentos e fachadas, além da utilização dos espaços. Os aparelhos de coleta e armazenamento de dados, como palm top e PDA podem ser utilizados para coleta e leitura de dados e sistemas que geram databook digitais a fim que se facilite o histórico da obra, essas ferramentas garante maior agilidade no controle e envio de informações inspecionadas, substituindo relatórios manuais feitos de papel, gerando economia e sustentabilidade, os dados coletados por esses aparelhos têm ligação direta comsoftware de controle e gerenciamento de obras, fazendo com que a gerência e a coordenação da obra mantenha o planejamento em constante alimentação de informações, mantendo-o atualizado; os drones estão auxiliando o acompanhamento da execução de projetos e captura de imagens, 49 são silenciosos e capazes de trafegar em grandes canteiros com segurança, capturando imagens de posições que até hoje não seríam capazes de visualizar, são dotados de tecnologia GPS e podem até elaborar imagens em 3D, essas imagens podem gerar relatórios estratégicos que serão úteis para melhorar o andamento da obras, fazer algum tipo de compatibilização necessária e colaborar na redução do índice de acidentes de trabalho. Pode-se observar que o sistema BIM reflete suas vantagens muito além da modelagem de um produto, procurando englobar todos os aspectos relativos ao empreendimento, desde produtos e processos, até a documentação. As desvantagens desse sistema caracterizam-se exatamente pelos fatores que dificultam a sua implantação, podemos assim destacar, o investimento alto em novos equipamentos, alteração no fluxo de trabalho, necessidade de treinamento dos profissionais, suporte técnico, falta de tempo, resistência à mudança, longo processo de aprendizagem e deficiência na disponibilidade de softwares mais acessíveis. A principal desvantagem do uso dessa tecnologia está no tempo de implantação do processo, devido à complexidade dos softwares e uma maior exigência de qualidade profissional. Todo investimento na implantação do sistema é determinado conforme o porte da empresa, o tipo e a cadeia de projetos na área de atuação, o número de colaboradores e as equipes necessárias para o seu desenvolvimento e execução, a avaliação do tipo de software ou tecnologia a ser utilizada, o suporte e o treinamento contínuo da equipe. A utilização do BIM trará benefícios a longo prazo que poderão ser observados pela redução dos erros, maior qualidade na entrega do projeto, uso eficiente dos recursos, maior precisão nos cronogramas e aumento da competência da equipe. Tudo em decorrência da habilidade que este sistema tem de eliminar inconsistências entre plantas, cortes e elevações; tornar as estimativas de custo mais precisas, reduzindo o trabalho braçal e a margem de erro; possibilitando uma visualização mais ampla da obra; permitindo um planejamento de obras mais detalhado e de fácil acesso às equipes; à medida em que torna a obra mais organizada, com maior produtividade além de menor tempo de execução e redução de custos. Apesar de compreender os benefícios que o sistema BIM pode proporcionar, os empresários da construção civil ainda estão inseguros com relação aos resultados que realmente podem ser proporcionados ao empreendimento, quanto ao custo, complexidade de gestão, tempo e retorno do investimento. As organizações devem considerar a implementação do BIM como uma decisão de negócios e de forma estratégica em função de seu alto custo e do longo prazo. As ferramentas e os processos geram resultados possitivos tanto para a empresa quanto para os parceiros e fornecedores, quanto as informações serem mais precisas e confiáveis para a tomada de 50 decisão, uma melhor qualidade dos serviços e produtos oferecidos pela empresa, a ocorre de redução do ciclo de produção e, consequentemente, dos custos nas diferentes etapas do ciclo de vida dos empreendimentos. Podemos então resumir, que as evoluções da tecnologia juntamente com o BIM, podem atribuir uma melhor qualidade ao projeto e ao produto, em razão das exigências e mudanças cada vez mais significativas para alcançar a eficiência. Por meio dessa nova tecnologia é possível adquirir uma maior percepção e gerenciamento das partes e do todo. Diante das enormes vantagens apresentadas pelo sistema, principalmente quanto a confiabilidade do dados disponbilizados, a sua não utilização significa ficar a mercer da sorte, incorrendo em falências na execução, desperdícios e adoção de medidas corretivas por vezes onerosoas e pouco eficazes. É notório que a implementação do BIM em organizações requer um elevado investimento inicial tanto em recursos financeiros quanto humanos e tecnológicos, mas após algum período o tempo gasto em projetos é reduzido e há ganho geral em produtividade, uma vez que as interferências e incoerências são detectadas e solucionadas de maneira cada vez mais rápidas. A indústria da AECO necessita adaptar sua cultura de projeto às novas tecnologias computacionais, a fim de melhorar a integração das fases e dos agentes envolvidos ao longo do desenvolvimento do edifício. 51 4 GERENCIAMENTO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS COM BIM Simultaneamente a toda inovação tecnológica trazida com o BIM, ocorre outro fenômeno no mercado da AECO, que é a necessidade de melhorias no gerenciamento dos projetos civis. Os métodos organizacionais estão cada vez mais relacionados a qualidade dos projetos e o aumento do potencial das empresas. Esta metodologia de processos está auxiliando a gestão de projetos e maximizando a qualidade da construção, através de estimativas de custos mais precisas, tomadas de decisões mais estratégicas e planejamento/gerenciamento antecipados. Atualmente, o sucesso das empresas está associado a agilidade nos processos de confecção dos projetos e em produtos finais de maior qualidade. O sistema BIM chega trazendo modelos computacionais de tamanha competência, que possibilita cada vez mais realizar projetos de alta eficiência e compatibilização simulada, garantindo a qualidade do produto final, além de facilitar todos os processos administrativos que acompanham a criação. Os processos de planejamento e controle de obras são processos complementares que controlam custo, prazo e qualidade da obra. Elementos estes que influenciam diretamente a produtividade obtida no canteiro de obras e que são responsáveis pelos fatores de causa-efeito associados à baixa produtividade, desperdícios de materiais e mão de obra e baixa qualidade do produto final. Apesar de existir ferramentas que auxiliam no método tradicional de gerenciar e produzir cronogramas de obras, essa atividade ainda depende de muitos processos manuais necessitando de uma quantidade significativa de tempo para a retroalimentação de informações conforme ocorrem as revisões de projeto, resultando em informações de baixa qualidade e consequentemente de planejamentos inconsistentes, aumentos excessivos de custos e prazos. Outros pontos negativos do método tradicional estão na dificuldade de visualização e interpretação do cronograma, por se tratar de um documento unidimensional, é abstrato para os trabalhadores; a fragmentação dos processos e fluxos de informações que contribui para projetos incompatíveis e tomada de decisão equivocada por falta de integração na comunicação; e usualmente o controle de obra é realizado de forma manual, sendo uma tarefa longa, tendendo a prover informações inconsistentes, resultando em atrasos e aumento de custos. 52 O planejamento de obra através da utilização das ferramentas do sistema BIM traz resultados mais confiáveis, já que possibilita aos profissionais responsáveis a visualização da obra como um todo, sua utilização para compatibilização e orçamentação, a geração de tabelas com análises automatizadas das interferências entre os projetos, quantitativos exatos para orçamentação, além de facilitar a interpretação de memoriais descritivos. A melhora nas práticas de projeto e a participação de todos os envolvidos em cada etapa dos processos são dois pontos de vista bastante relacionados ao gerenciamento de projeto, o que atualmente leva o gerenciamento a deixar de ser somente um acompanhamento de projetos isolados com necessidade de supervisão e passar a ser aplicado nas empresas de forma estratégica para ciar um aumentode perspectivas de mercado, criando organismos dinâmicos dentro das empresas com os projetos acontecendo de forma simultânea e o quadro de trabalhos em constante mudança. Dentro do mercado da construção civil a atividade de gerenciamento garanti um maior controle de todos os processos, refletindo em um considerável ganho de qualidade, aumento de produtividade, otimização de prazos e, principalmente, redução de custos. Diante desse cenário a coordenação de projetos surge como um importante aliado da atividade de gerenciamento e é a responsável por integrar os diversos sistemas, tendo como sua principal ferramenta de trabalho a compatibilização de projetos, que possibilita a antecipação de problemas diminuindo o retrabalho em obra, permitindo o cumprimento de prazos e a redução de custos da construção. A coordenação de projeto tem um papel importante dentro do processo de projeto e modelagem BIM, uma vez que garanti que os projetos desenvolvidos de forma independente sejam revisados e analisados para evitar a duplicidade de dados, facilita o manuseio e compartilhamento de informações que podem dar suporte as diferentes áreas de conhecimento da construção e agrega benefícios às fases de projeto, construção e operação. A constante evolução das ferramentas que compõem os programas que utilizam tal plataforma consegue trazer, além da visão mais completa do processo para o projetista, condições de conectar os projetos de diferentes disciplinas, potencializando a eficiência do processo de compatibilização. A sobreposição de projetos é uma das práticas mais antigas e mais usual quando se trata da identificação das interferências entre os diversos sistemas de um empreendimento. A modernização do processo de concepção de projeto fez com que as antigas pranchetas de desenho fossem substituídas por arquivos com extensão .dwg. O processo tradicional de compatibilização trata da sobreposição de camadas (layers) dos projetos em um único arquivo de CAD, sendo que a detecção de interferências é feita 53 visualmente pelo coordenador de projetos, o que caracteriza a grande limitação desse processo, pois as dificuldades de visualização tridimensional podem resultar em conferências falhas, levando a erros como de construtibilidade, especificação e compatibilização. No sistema BIM, a compatibilização de projetos ocorre diante da fusão da modelagem independente de cada disciplina em um modelo integrado dentro de softwares específicos que testa automaticamente as interferências entre cada uma das disciplinas e indica onde há colisões entre componentes. Extremamente vantajoso, o processo de compatibilização dentro deste sistema permite a visualização de forma antecipada dos problemas e retrabalhos que poderiam ocorrer durante a execução da obra resultantes da interferência entre os projetos, ou seja, é possível analisar ainda na fase de projeto as soluções propostas para cada problema e garantir que não ocorram conflitos que se não diagnosticados influenciariam diretamente os custos e prazos definidos no orçamento, em função do retrabalho e do consumo imprevisto de materiais, por exemplo. Comparado com outros softwares como o CAD, a grande vantagem do BIM é que modela e gerencia não somente gráficos, mas também informações, que permitem gerar automaticamente desenhos, relatórios, análises de projeto, simulação de cronogramas, facilidade de gerenciamento etc., permitindo que a equipe de trabalho tome decisões com base em informações mais precisas e confiáveis. Os instrumentos computacionais têm adquirido relevância no avanço da comunicação e nas trocas de dados entre os participantes, além de facilitar a compatibilização e coordenação das disciplinas, da obra e da manutenção. A visualização e a possibilidade de simulação de cenários futuros, detecção de interferências e organização das informações em um só banco de dados, auxiliam as tomadas de decisão pelas equipes de gestão, além de proporcionar uma maior confiabilidade nos resultados, redução de tempos de ciclo e redução em retrabalhos. As ferramentas disponibilizadas pela plataforma BIM para o gerenciamento e coordenação têm conquistado espaço a fim de minimizar e gerar confiabilidade aos usuários, tornando-se fundamentais para um bom planejamento de uma obra e tomada de decisões críticas no projeto. Modelos 4D conectam aspectos espaciais e temporais do projeto, melhorando a confiabilidade dos cronogramas e minimizando problemas de comunicação. Na prática, o planejamento não é uma tarefa definitiva, requer conferências e atualizações no decorrer da obra. Quanto melhor quantificado e projetado, logisticamente organizado será o projeto, mais aprimorado é o diagrama de planejamento e mais realistas são os prazos. A simulação 4D traz grandes facilidades e vantagens para a coordenação das etapas 54 construtivas, possibilitando avaliações de construtibilidade quando potencializa a visualização dos processos construtivos. A funcionalidade da modelagem BIM 4D pode ser aplicada para auxiliar a equipe de projeto na geração de um planejamento de trabalho preciso e abrangente, já que permite a visualização da sequência das atividades e os possíveis choques entre elas. Com o surgimento de modelos 4D passou a ser uma realidade a visualização espacial da construção ao longo de sua execução. O modelo digital da geometria do empreendimento passou a ser ligado às informações do planejamento de sua construção através de softwares que utilizam essa tecnologia. Os softwares e ferramentas especializados que geram modelos 4D estabelecem vínculos direto com a ferramenta de planejamento e o modelo da edificação, permitem que as atividades sejam atribuídas às tarefas, que pode ser de construção, demolição ou temporária, e ainda é possível configurar a representação visual destas. Os modelos 4D não são inteligentes e nem automatizados e por isso não podem modificar ou otimizar a programação automaticamente, estes modelos exigem integração com a equipe do projeto para realizar plenamente suas funções. Os softwares não identificam os erros e por isso é necessário que o modelador analise cuidadosamente cada momento das simulações para que os erros não passem despercebidos. Os modelos 4D podem ser criados com diversos propósitos, desde a representação da montagem de objetos e equipamentos, à simulação da construção de edificações. Saber como e onde as atividades irão funcionar ao longo do tempo e compreender os processos de tráfego e fluxo do canteiro de obras é um processo bastante complexo, mas traz resultados expressivos no aumento de produtividade e qualidade da obra. A adoção do BIM 4D ao planejamento e controle de obras surge como um enorme potencial estratégico para superar as dificuldades do gerenciamento, mas a sua difusão está encontrando barreiras como o nível tecnológico atual, cultura local, treinamento dos envolvidos, custo das ferramentas e falta de profissionais qualificados no mercado. Conforme Brito e Ferreira (2015) a modelagem BIM 4D possui como potencialidades em grau de importância, a sua capacidade de identificação de conflitos e interferência espaço- temporais, e a sua possibilidade de integração e comunicação entre todos os envolvidos no projeto, já em relação ao grau de aplicabilidade, destaca-se a sua redução do esforço na visualização e a interpretação mental do planejamento. Em diferentes fases do ciclo de vida de uma edificação o BIM 4D pode ser adotado, sua aplicação pode ser usufruída desde o início do projeto até a fase de construção. Quando utilizado desde os processos preliminares o modelo pode ser uma ótima ferramenta para organizar o planejamento do projeto ao longo da fase de viabilidade, diante das diversas 55 opções de técnicas, materiais e procedimentos construtivos existentes a oportunidade de realizar uma avaliação detalhada para definir as melhores soluçõesa um custo razoavelmente baixo para a equipe e o proprietário logo na fase inicial é um dos pontos positivos desse modelo. Na fase de construção há diversas maneiras em que os modelos 4D são aplicados, como a avaliação de construtibilidade e a inserção de elementos temporários, simulando todo o planejamento da obra virtualmente, desde a logística de materiais e equipamentos a pessoas no canteiro de obras. A aplicação do BIM 4D no gerenciamento de canteiro de obras é capaz de prevenir possíveis problemas de espaço de trabalho e seus efeitos negativos no desenvolvimento do projeto, elaborando um plano de espaço de trabalho adequado ainda durante a fase de pré- construção. Os conflitos na construção são geralmente afetados por várias causas, como sobreposição de atividades do cronograma, planejamento de recursos insatisfatório, erros de projetos, entre outros. A geração de um modelo BIM 4D é capaz de simular mudanças em um projeto usando ligações entre objetos em 3D BIM e atividades correspondentes no pano de cronograma do projeto, o que possibilita visualizar tridimensionalmente o espaço de trabalho e o status do conflito permitindo a análise e resolução das interferências identificadas. A utilização de modelo 4D na fase de construção de obras facilita o entendimento do planejamento para toda a equipe e pode contribuir para o aumento da produtividade através da construção virtual da edificação e a resolução prévia de conflitos de diversas naturezas. Portanto, podemos resumir que os principais ganhos da utilização do modelo 4D para o gerenciamento de canteiros de obras é a otimização na visualização dos processos por meio da simulação 4D, devido à disponibilidade de informações geométricas e de localização dos componentes, e melhorias na estabilidade do fluxo de trabalho, garantindo a redução de erros e do tempo de execução das atividades. Enfim, a logística do canteiro é aprimorada, pois pode-se gerenciar áreas de trabalho, armazenamento, fluxos de atividades, materiais e pessoas utilizando essa modelagem. O sistema BIM 4D também pode ser utilizado para acompanhar e analisar o desempenho real de uma obra e compara-lo ao modelo planejado afim de detectar de forma precoce desvios do projeto, por meio de um modelo 4D em conjunto com dados 3D obtidos por tecnologia de sensoriamento remoto é possível acompanhar o progresso da construção. Esse serviço abrange os sistemas de otimização e simulação de estruturas baseados em BIM para auxiliar no planejamento da construção, aproveitando-se do grau de precisão desses sistemas pra o acompanhamento do progresso de forma automatizada. 56 Na tentativa de melhorar o monitoramento do progresso da construção utilizam-se modelos, nos quais o desempenho esperado é modelado com o BIM 4D e o desempenho real é detectado através do método de reconstrução baseado em imagens 3D ou scaneamento a laser. Por outro lado, esse método torna-se deficiente quando se quer detectar ou capturar detalhes em nível de operação, como por exemplo, saber o estágio atual de concretagem de fôrmas, armaduras ou concreto, não é possível detectar tais detalhes, pois o sistema simplesmente indica se o elemento já existe ou não no canteiro. É preciso levar em consideração durante o planejamento de obra os riscos relativos à segurança e saúde dos profissionais, e o BIM 4D possibilita fazer essa gestão de riscos criando uma prática de planejamento prévio de segurança. Os riscos característicos à atividade de construção podem ser facilmente visualizados durante o estágio de projeto e monitorados ou inspecionados usando tecnologias avançadas de realidade aumentada ou de varredura à laser durante a fase de construção. O modelo 4D pode ser usado em conjunto com as regras, diretrizes e práticas recomendadas de segurança para formular um sistema automatizado de verificação de regras de segurança, a intenção é identificar automaticamente essas condições dinâmicas, à medida que o prédio é construído, informar a localização dos riscos no modelo 3D e fornecer, de forma interativa ou automática, soluções e visualização de sistemas de proteção para reduzir riscos identificados. A utilização do BIM para a automação do planejamento de segurança traz como alguns benefícios a prevenção dos potenciais riscos de queda, a indicação da necessidade de remoção e instalação de equipamentos de segurança em determinados locais, o auxílio na conscientização de segurança dos trabalhadores ao possibilitar a visualização direta dos perigos envolvidos em seu trabalho e ainda otimiza as atividades de modelagem que demandam tempo considerável do modelador. Por fim, a forma de visualização do planejamento gerado pelo BIM 4D proporciona uma compreensão mais intuitiva sobre o quê e quando será construído algo. A utilização desse modelo comparada com a maneira que tradicionalmente é visualizado o planejamento (diagrama de Gantt e Linhas de Fluxo), mostra-se mais útil, mais compreensível e eficiente, principalmente para os estágios iniciais do projeto por permitir a visualização do edifício sendo construído virtualmente Para Borges (2019) os recursos de planejamento 4D têm a capacidade de verificar a viabilidade do edifício desenvolvendo sequências de construção que interligam a geometria do modelo a horas e datas do software de gerenciamento de projetos, permitindo configurar tempos planejados e reais para visualizar com antecedência os desvios do cronograma. A 57 simulação ajuda a entender o fluxo de trabalho de construção visualmente, e é exatamente por isso que pode ser considerada uma aplicação extremamente poderosa e suficiente para a equipe de gerenciamento planejar e monitorar uma edificação com precisão de dados e eficiência. Uma das principais verificações que devem ocorrer para o controle de qualidade dos modelos BIM é a checagem de interferências que se caracteriza pela atividade de compatibilização de projetos, de responsabilidade do coordenador de projetos. O sistema BIM fornece softwares específicos para coordenação de projetos, como por exemplo, o Autodesk Navisworks, o Solibri Model Checker e o Tecla BIMsight, que permitem a integração de modelos em três dimensões (3D), possibilitando a detecção de interferências físicas de forma mais direta, o que agilizar o processo de compatibilização e evita falhas. Na maneira tradicional de se construir, o processo de planejamento é sequencial e fragmentado, onde a elaboração dos projetos de arquitetura e engenharia são subordinados às regras operacionais e entre si, proporcionando o surgimento de grande quantidade de retrabalho, desperdícios, alto custo da produção e baixa qualidade dos produtos finais. O processo de gestão e planejamento da construção está sempre vinculado a um sistema de produção 2D, que demanda uma compilação e análise de dados volumosos que muitas vezes não conseguem alcançar um controle eficaz no acompanhamento da obra. É um processo que envolve diversos riscos nas dificuldades de monitoramento, bastante custoso, repetitivo e susceptível a erros, especialmente na gestão de projetos, que abrange desde a falha na compatibilização de projetos e até a má interpretação da forma arquitetônica desejada. Para auxiliar o planejamento de obras softwares como o Primavera e o Microsoft Project podem ser utilizados para desenvolver o cronograma de construção e posteriormente ser vinculado aos modelos 3D através dos softwares de coordenação de projetos, como o Navisworks, representando assim, a integração da dimensão tempo no processo, ou seja, o modelo 4D. Além dos softwares de coordenação e planejamento podemos destacar como softwares mais utilizados dentro da plataforma o Revit para modelagem em 3D e o BIM 360 ou o Iconstuct para realizar o controle de obra, possibilitando que as informações coletadas no canteiro sejam disseminadas a todos os envolvidos e atualizadas nomodelo 4D quase inteiramente de forma automatizada. O BIM é o caminho para as empresas da construção civil que querem se tornar mais competitivas, o investimento tecnológico em ferramentas 4D para o planejamento e 5D para o orçamento transformam o que são tarefas extensas, caras e suscetíveis a erros durante o seu processo de elaboração, em processos com resultados mais produtivos e com menor esforço 58 mental da equipe. Não é comum encontrar sistemas de controle de projeto que tenham integrado as funções de controle de custo e planejamento, mas o sistema possibilita a transmissão de dados entre os diferentes softwares 4D e 5D, integrando-os em uma mesma plataforma, o que facilita consideravelmente a gestão da informação. Quando integrado ao planejamento a plataforma BIM gera controles mais assertivos sobre prazos de execução, facilita a gestão de recursos, dos cronogramas, das simulações para análise dos riscos e o planejamento de qualidade. Além de proporcionar aos profissionais um conhecimento profundo do projeto; maior flexibilidade nas mudanças; maior capacidade de decisão; comunicação clara, eficiente e rápida; reduz riscos; economiza custos; e integra e facilita a comunicação das equipes envolvidas. A tecnologia BIM 4D pode resolver a maioria dos problemas provenientes do método de planejamento e controle de obra tradicional. Apesar de ainda apresentar algumas dificuldades, o uso do BIM 4D para o gerenciamento e coordenação, se evidencia viável. Essa modelagem auxilia no provimento de diretrizes de otimização do processo tradicional, trazendo soluções para grande parte dos problemas inerentes ao método comum. Além de contribuir significativamente para a redução dos trabalhos manuais por meio da interoperabilidade e integração de sistemas de comunicação. 59 5 CONCLUSÃO Depois de um profundo estudo sobre o BIM e de todas suas implicâncias, tanto em relação ao processo quanto a sua adoção, viabilidade e resultados, analisando suas diretrizes técnicas, aplicações e observando a sua relação com o gerenciamento e coordenação de projetos pode-se entender que as informações reunidas constituem uma importante fonte para orientar as atividades a serem realizadas futuramente. Verificou-se durante o estudo que no Brasil, os principais problemas encontrados quanto à implantação do sistema BIM são as carências de tempo para implantação da tecnologia e a resistência de modificação de software pelos profissionais da área. Com a oficialização do decreto 9.377, espera-se que parte das empresas já estejam buscando ou pelo menos tenham a intenção de se adaptar às novas exigências. Mesmo com o lançamento nacional do programa Estratégia BIM BR, para que a implementação do BIM dê certo é importante compreender que cada região terá as suas dificuldades e particularidades, por justamente entender que os obstáculos variam de um local para outro que o estado do Rio de Janeiro tomou a iniciativa de desenvolver o seu próprio plano e instituiu a Estratégia BIM RJ e poderia ser um exemplo a ser seguido pelos demais estado. Em um mercado extremamente competitivo como o da construção civil a utilização de ferramentas tecnológicas é um importante diferencial estratégico. As novas tecnologias quando utilizadas de forma adequada podem melhorar o aproveitamento de tempo dos profissionais, o que lhes dá espaço para se dedicar a propor soluções técnicas mais eficazes, o que beneficia a qualidade ao decorrer do processo de projeto. Assim como em qualquer tecnologia é importante destacar que, apesar de sua precisão em comparação com outros modelos, a análise desses ou de quaisquer outros softwares não é infalível e deve ser cuidadosamente explorada pelo profissional responsável pelo processo. No momento atual, no qual as organizações buscam o desenvolvimento constante para conquistar novos mercados, o gerenciamento e a coordenação têm o objetivo de inovar e torna-las mais competitivas. Na implementação do conceito de modelagem da construção, o gerenciamento é estratégico e objetiva tornar a relação entre pessoas, processos e tecnologia mais colaborativa e produtiva, através de seus conhecimentos, habilidades e competências, que são pilares na operacionalização e execução dos projetos em todas as suas fases. A modelagem BIM 4D é um poderoso artifício para o gerenciamento e coordenação de projetos que pode assegurar um elevado nível de compreensão e alinhamento sobre as 60 etapas de uma construção para uma equipe de projeto. Seu sistema facilita o entendimento de todos os envolvidos, de engenheiros e operários até proprietário, investidores e outros profissionais. Enfim, a utilização do sistema BIM 4D apresenta inúmeros benefícios quando ao gerenciamento e coordenação de projetos, permitindo minimizar os conflitos e problemas que só serão notados na fase de construção e garantindo maior assertividade no cumprimento de prazos. Sua aplicação possibilita que o projeto e a gestão dos sistemas de produção cumpram seu papel de proteger a produção contra os efeitos da variabilidade e incerteza inerentes aos sistemas de produção, além de contribuírem na melhoria do desempenho do planejamento e controle da produção, otimizando o andamento das frentes de serviços. A busca pelo conhecimento e incentivo a utilização do sistema BIM vem ganhando destaque e a prova disso, é que o número de estudos publicados sobre o tema vem crescendo substancialmente ao longo dos anos. 61 REFERÊNCIAS ABDI. AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTIAL. Processo de Projeto BIM: Coletânea Guias BIM ABDI-MDIC. Brasília: Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, v. I, 2017. 82 p. ISBN ISBN 978-85-61323-48-6. ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13531: Elaboração de Projetos de edificações - Atividades Técnicas. ABNT. Rio de Janeiro. 1995. ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5674: Manutenção de edificações - Procedimentos. Rio de Janeiro: [s.n.], 1999. ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10006: Gestão da qualidade - Diretrizes para a qualidade no gerenciamento de projetos. ABNT. Rio de Janeiro. 2003. ADESSE, E. A coordenação de projetos externa em empresas construtoras de pequeno e médio porte. 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