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ENTENDENDO E 
INTERPRETANDO INDICADORES 
ECONÔMICOS E FINANCEIROS
W
BA
05
87
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1.
0
© 2018 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida 
de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou 
qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Presidente
Rodrigo Galindo
Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada
Paulo de Tarso Pires de Moraes
Conselho Acadêmico
Carlos Roberto Pagani Junior
Camila Braga de Oliveira Higa
Carolina Yaly
Danielle Leite de Lemos Oliveira
Juliana Caramigo Gennarini
Mariana Ricken Barbosa
Priscila Pereira Silva
Coordenador
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Revisor
Renan Antônio da Silva
Editorial
Alessandra Cristina Fahl
Daniella Fernandes Haruze Manta
Flávia Mello Magrini
Hâmila Samai Franco dos Santos
Leonardo Ramos de Oliveira Campanini
Mariana de Campos Barroso
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Gofredo, Tânia Regina
G612e Entendendo e interpretando indicadores econômicos e 
	financeiros/	Tânia	Regina	Gofredo	–	Londrina:	Editora		
 Distribuidora Educacional S.A. 2018.
 131 p.
 ISBN 978-85-522-1051-1
			 1.	Indicadores	econômicos.	2.	Administração	financeira. 
I. Gofredo, Tânia Regina. Título. 
 CDD 300
Responsável	pela	ficha	catalográfica:	Thamiris	Mantovani	CRB-8/9491
2018
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida	Paris,	675	–	Parque	Residencial	João	Piza
CEP:	86041-100	—	Londrina	—	PR
e-mail:	editora.educacional@kroton.com.br
Homepage:	http://www.kroton.com.br/
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 3
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina	 04
Tema 01 – Produto	interno	bruto	(PIB)	–	O	valor	de	uma	economia 06
Tema 02 – Balança	comercial	–	O	saldo	internacional 25
Tema 03 – Taxa	de	câmbio	–	O	valor	entre	moedas 48
Tema	04 – Risco-país	–	O	perigo	intrínseco 68
Tema 05 – Inflação	–	O	valor	da	moeda	no	tempo 86
Tema 06 – Política monetária e os juros 109
Tema 07 – Taxa	Selic	e	taxa	Di	Cetip:	Os	juros	no	Brasil 131
Tema 08 – Ibovespa	–	A	valorização	do	mercado	de	capitais 151
ENTENDENDO E INTERPRETANDO INDICADORES 
ECONÔMICOS E FINANCEIROS
4 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Apresentação da disciplina
Nesta disciplina, você verá que entender e interpretar indicadores econô-
micos	e	financeiros	é	uma	prática	imprescindível	num	cotidiano	que	en-
volve	decisões.	Mas	afinal,	o	que	são	indicadores?	Indicadores	são	com-
ponentes que nos mostram algo. Podem se apresentar de forma concre-
ta, como, por exemplo, o que uma placa de trânsito sinaliza, ou de forma 
abstrata,	que	tem	o	papel	de	refletir,	compor	e	traduzir	informações	so-
bre um determinado evento ou situação. 
Portanto, em sua forma abstrata, os indicadores devem ser avaliados cui-
dadosamente, pois visam fazer o entendimento do presente e suportar 
decisões com impactos para o futuro. Esses indicadores podem ser de 
desempenho,	 econômicos,	 financeiros,	 sociais,	 e	demais	outros	que	 se	
queiram	criar	para	uma	finalidade	específica.	Na	maior	parte	do	tempo,	
cumprem um papel de referenciadores e são utilizados como parâmetros 
de	metas	a	serem	perseguidas,	como,	por	exemplo:	uma	empresa	tem	
como principal referência no segmento em que atua um determinado ní-
vel de produtividade. Essa produtividade pode ser reproduzida por meio 
de um indicador e, portanto, ele pode ser transformado numa referência 
que vai parametrizar o nível de produtividade ideal para que as empresas 
desse segmento se mantenham produtivas. Indicadores de cunho social 
são	também	muito	utilizados.	Um	determinado	instituto	quer	identificar	
o nível de mortalidade na fase infantil de uma determinada região e, por-
tanto, a partir de pesquisas estatísticas, chega-se a um indicador que re-
ferenciará essa informação, que passará a ser acompanhada no presen-
te	e	norteará	ações	que	devem	ser	tomadas	no	futuro	a	fim	de	reduzir	
esse índice nessa região pesquisada. No Brasil, o Instituto Brasileiro de 
Geografia	e	Estatísticas	(IBGE)	é	um	dos	principais	órgãos	pesquisadores	
de indicadores econômicos e sociais do país. 
Com	relação	aos	indicadores	econômicos	e	financeiros,	principal	assunto	
desta disciplina, estes têm o mesmo objetivo, que é o apontamento de 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 5
determinada situação econômica, a partir de sua avaliação e interpreta-
ção. Serão considerados indicadores do âmbito macroeconômico e seus 
impactos.	Portanto,	a	disciplina	objetiva	acompanhar	indicadores	como:	
Produto	Interno	Bruto	(PIB),	que	é	o	valor	de	todos	os	bens	finais	produ-
zidos por um país num determinado período e que determina a renda 
nacional gerada numa nação; a balança comercial e seus impactos para 
a	taxa	cambial;	o	risco	país	no	âmbito	do	seu	cálculo;	a	inflação	por	meio	
de seus principais índices; o conceito de juros, seus principais índices e 
seus	reflexos	para	os	depósitos	interfinanceiros	e,	por	fim,	o	que	o	índice	
Ibovespa e sua composição representa para o mercado de capitais.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 6
TEMA 01
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – 
O VALOR DE UMA ECONOMIA
Objetivos
• Compreender o que é um sistema econômico.
• Mostrar a composição do sistema econômico e seus 
fluxos.
• Conceituar e compreender o cálculo do PIB e, portan-
to, a determinação da quantidade produzida de bens 
e serviços, bem como a renda e a despesa nacional de 
uma nação.
• Conhecer os componentes do cálculo do Produto 
Interno Bruto (PIB) e a diferença entre PIB nominal e 
PIB real.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 7
Introdução
Você verá que, como ponto de partida para o entendimento dos indicado-
res econômicos que serão estudados neste e demais Temas, é importante 
destacar que se trata de indicadores macroeconômicos e, portanto, estão 
vinculados a uma terminologia que carece de uma elucidação conceitual. 
Entende-se como termo macroeconômico o comportamento do sistema 
econômico de um país como um todo. O seu conceito é aplicado no estu-
do	das	relações	entre	os	grandes	agregados	econômicos/estatísticos	que	
podem	ser	entendidos	como:	a	renda	nacional,	o	nível	de	emprego	e	dos	
preços	(inflação),	o	consumo,	a	poupança,	o	investimento	de	uma	nação	
e demais indicadores. 
A macroeconomia não estuda o que leva as pessoas a consumirem, mas 
o que acontecerá na economia caso todas as famílias passem a consumir 
uma parcela maior da sua renda, ou o contrário, caso ela passe a poupar 
grande parte da sua renda. Esse direcionamento macroeconômico fun-
damenta-se na ideia de que é possível explicar a operação da economia 
sem necessariamente entender o comportamento de cada indivíduo ou 
empresa que dela participam, tendo, nesse caso, uma forte atuação do 
governo, objetivando tomar ações que mantenham o equilíbrio econômi-
co de um país. Exemplo: qual a taxa de crescimento real do PIB ou o re-
sultado	da	inflação	de	um	determinado	país	num	determinado	período?
Em contrapartida, tem-se o conceito de microeconomia, cujas análises se 
aprofundam nas decisões individuais das famílias e empresas que partici-
pam	de	um	mercado	específico.	Exemplo: por que aumentou ou diminuiu 
o faturamento de um determinado segmento da economia num determi-
nado	período?	O	que	levou	uma	pessoa	a	consumir	um	produto	específico?
De volta ao tema proposto, este visa, portanto, elucidar o correto enten-
dimento sobre a função e importância do cálculo do Produto Interno8 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Bruto (PIB) como um dos principais indicadores econômicos da econo-
mia de um país, de uma vez que é por meio de seu cálculo que se deter-
mina o produto, a renda e despesa total da economia. Sendo assim, para 
que se entenda como avaliar e interpretar o resultado de seu cálculo, se-
rão abordados também pelo Tema conceitos como o sistema econômico, 
sua	composição	e	seus	fluxos	e,	por	fim	a	definição,	a	mensuração	e	os	
componentes do Produto Interno Bruto (PIB).
1. Sistema econômico
Para que você entenda o conceito de sistema econômico, é importante 
trazer à luz da discussão que o principal problema tratado em economia 
é a escassez. Em termos econômicos, a escassez surge do pressuposto 
de	que	as	necessidades	humanas	são	infinitas,	e	os	bens	ou	os	meios	de	
satisfazê-las	são	sempre	finitos.	Vale	ressaltar	que	a	escassez	não	é	a	falta	
completa de recursos, mas sim a necessidade que os agentes econômicos 
(famílias e empresas) têm de se tomar decisões. No caso de empresas, as 
decisões	são	baseadas	em:	o	que	produzir,	quanto	produzir,	como	produ-
zir e para quem produzir, visando atender ao dilema das necessidades in-
finitas	versus	recursos	finitos.	Exemplo: uma empresa vende e, portanto, 
produz a mesma quantidade anual de seus produtos A, B e C utilizando-se 
de apenas uma única máquina. Num determinado ano, o preço do produ-
to A aumentou e, portanto, trará mais retorno em termos de lucratividade 
para a empresa. Nesse caso, a empresa terá que tomar uma decisão se 
aumenta a produção desse produto para garantir sua lucratividade em 
detrimento dos demais ou se mantém a mesma quantidade para os três e 
não opta pelo aumento da lucratividade. Veja que ela possui o recurso (no 
caso a máquina), mas não tem como manter a produção no mesmo nível 
para os três produtos caso opte pelo aumento de sua lucratividade por 
meio do produto A e, portanto, terá que tomar uma decisão considerando 
qual trará resultados mais efetivos para a empresa.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 9
Segundo	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	31),	“um	sistema	econômico	pode	ser	defi-
nido como a reunião dos diversos elementos participantes da produção 
e do consumo de bens e serviços que satisfazem às necessidades da so-
ciedade”. Nesse sistema, não participam apenas os agentes econômicos, 
mas	também	os	chamados	fatores	de	produção,	que	são:	o	trabalho,	o	ca-
pital e os recursos naturais, de maneira que quando organizados e com-
binados, produzam algum bem ou serviço para atender às necessidades 
dessa sociedade. Portanto, essa organização ocorre nas chamadas “uni-
dades produtoras”,	também	conhecidas	como:	empresa,	banco,	fazenda	
ou todo local que organize esses fatores econômicos mencionados, com 
a	finalidade	de	se	produzir	bens	e	serviços.
Enfim,	é	dentro	do	sistema	econômico	que	são	atendidas	 todas	as	ne-
cessidades	dos	 indivíduos	e/ou	sociedade,	que	 trabalham	na	produção	
de	um	determinado	bem	ou	serviço.	Para	essa	análise	ficar	de	fácil	en-
tendimento,	é	 importante	conhecer	a	composição	e	o	fluxo	do	sistema	
econômico.
1.1. Composição do sistema econômico
Sendo as unidades produtoras essenciais para o funcionamento de um 
sistema econômico a partir da organização dos fatores de produção 
por elas empregados para a obtenção de bens e serviços, é importan-
te	entender	como	são	classificados	esses	bens	e	serviços,	bem	como	
o agrupamento dessas unidades produtoras em setores. A produção 
econômica	é	classificada	dentro	do	sistema	econômico,	de	acordo	com	
as suas características de produção. Nem tudo que é produzido por es-
sas	unidades	é	consumido	diretamente	pelos	indivíduos.	Exemplo:	uma	
fábrica de produtos químicos fornece matéria-prima para a produção 
de um determinado remédio que será consumido por uma pessoa. Vide 
Tabela 1.
10 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Tabela	1	–	Classificação	das	unidades	produtoras	em:
Produção econômica Setores
Bens e 
serviços 
de 
consumo
São aqueles que 
são consumidos 
diretamente 
pelos indivíduos.
Exemplo: 
alimentos, 
roupas, 
consulta 
odontoló-
gica
Primário
Utiliza-se 
dos re-
cursos 
naturais e 
não traba-
lha com a 
transfor-
mação de 
produtos. 
Agricultura, 
pecuária, 
extrativa 
mineral, 
animal ou 
vegetal.
Fator de produ-
ção mais utiliza-
do é a terra e o 
capital (máqui-
nas e equipa-
mentos)
Bens inter-
mediários
Os que não aten-
dem diretamente 
ao consumidor 
final,	mas	são	
utilizados como 
matérias-primas 
para a produção 
dos	bens	finais.
Exemplo:
aço, ferro, 
manuten-
ção de um 
aparelho 
odontoló-
gico
Secundário
Setor ca-
racterizado 
pela trans-
formação 
dos produ-
tos.
Indústria.
Fator de produ-
ção mais utiliza-
do é o capital, 
também conhe-
cido como má-
quinas e equi-
pamentos.
Bens de 
capital
Os que não aten-
dem diretamente 
ao consumidor 
final,	mas	são	
utilizados para 
viabilizar de for-
ma	mais	eficiente	
o uso da mão de 
obra no processo 
produtivo.
Exemplo: 
máquinas 
e equipa-
mentos, 
portos, 
estradas
Terciário
Oferece à 
economia 
um bem 
não tan-
gível. Está 
voltado 
para a ofer-
ta de pres-
tação de 
serviços.
Comércio e 
serviços.
Fator de 
produção 
mais utilizado 
é o trabalho 
(mão-de-obra).
Fonte:	preparada	pela	autora	com	base	em	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	32-33)
Outros dois conceitos importantes e que fazem parte da composição do 
sistema econômico são os agentes econômicos e os fatores de produção. 
Os	agentes	econômicos	são	classificados	em:		a) famílias: consumidores 
que buscam alcançar seu nível de satisfação e tomam decisões econômi-
cas	sobre:	poupar,	consumir,	trabalhar;	b) empresas: buscam maximizar 
os	lucros	e	tomam	decisões	econômicas,	como:	o	que	produzir,	o	quan-
to produzir, como produzir e para quem produzir; c) governo: busca a 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 11
otimização do bem-estar social por meio da oferta de infraestrutura à 
sociedade, bem como o uso de tributação visando uma justa distribuição 
da renda; d) resto do mundo: busca atender e negociar produtos e servi-
ços com famílias, empresas e governo fora do território nacional. Quanto 
aos fatores de produção (o que as famílias oferecem às empresas para 
a transformação em bens e serviços), estes são remunerados pelas uni-
dades produtoras às famílias de forma que estas obtenham os bens e 
serviços necessários, de forma que essa interação é o que determina o 
produto, a renda e a despesa nacional de uma nação. Vide Tabela 2.
	Tabela	2	–	Fatores	de	produção	versus	remuneração 
dentro do processo produtivo
Fatores de produção Remuneração
Trabalho: mão de obra ofertada pelas famílias às empre-
sas para a produção de bens e serviços. Em forma de salários.
Capital: máquinas e equipamentos ofertados pelas famílias 
a empresas para o uso na produção de bens e serviços.
Em forma de aluguéis, 
juros.
Recursos naturais: terra e outros recursos naturais ofer-
tados pelas famílias às empresas para o uso na produção 
de bens e serviços.
Em forma de aluguéis, 
juros, lucros.
Fonte:	preparada	pela	autora	com	base	em	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	36)
Apresentada toda a composição do sistema econômico, o próximo tópico 
apresentará,	por	meio	do	fluxo	circular	do	sistema	econômico,	como	es-
ses elementos interagem dentro da determinação do produto, da renda e 
da despesa nacional.
1.2. Fluxo do sistema econômico
Considerando, portanto, os conceitos já apresentados no tópico da com-
posição do sistema econômico, é importante entender como a sua forma 
de	interação	é	classificada	dentro	da	economia.
a) Fluxo de produto: formado pelos bens e serviços produzidos pelas 
empresas nesse sistema, também conhecido comoFluxo Real.
12 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
b) Fluxo de renda: formado pelo pagamento dos fatores de produção 
empregados pelas famílias e transformados em remuneração durante 
o processo produtivo, também conhecido como fluxo monetário. 
A	interação	desses	dois	fluxos	pode	ser	observada	na	Figura	1	abaixo:	
Figura	1	–	Fluxo	circular	–	Baseado	numa	economia 
fechada e sem governo
Fonte:	fluxo	preparado	pela	autora	com	base	em	Mankiw,	(2014,	p.	467)
Esses	dois	fluxos	(renda	e	produto)	se	traduzem	em	conceitos	muito	im-
portantes para a teoria econômica. O fluxo	de	produto, que é formado 
pelos bens e serviços produzidos, constitui-se na oferta da economia, 
de maneira que é tudo o que foi produzido pelas empresas e está à dis-
posição dos consumidores (aqui representados pelas famílias). Do lado 
do fluxo	de	 renda, este é formado por toda a remuneração recebida 
pelas famílias em função dos fatores de produção disponibilizados por 
elas	para	as	 empresas,	 para	 a	produção	dos	bens	e	 serviços.	O	fluxo	
de renda, portanto, é considerado como o montante que as pessoas 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 13
dispõem	(gastam)	para	satisfazer	as	suas	necessidades	e/ou	desejos	e	
constitui-se na demanda. Nesse caso, a demanda pode ser também a 
despesa das famílias, de uma vez que é tudo aquilo que é gasto e con-
sumido por elas dentro da economia. Portanto, diante disso, tem-se a 
seguinte	igualdade:
produto = renda = despesa
Segundo	Mankiw	 (2014,	 p.	 466),	 “a	Renda de uma economia é igual à 
Despesa	porque	cada	transação	envolve	duas	partes:	um	comprador	e	
um vendedor”. No caso do Brasil, cada real (R$) de despesa de algum 
comprador corresponde a 1 real (R$) de renda para um vendedor. Sobre 
o produto, este se refere à soma dos valores monetários de todos os 
bens	e	serviços	produzidos	para	o	consumo	final,	ou	seja,	é	o	bem	que	
está envolvido numa transação de receita e despesa. Portanto, para cada 
produto gerado, há uma renda recebida e uma despesa gasta em função 
da transação do mesmo.
O	fluxo	circular	(Figura	1)	mostra	exatamente	isso,	ou	seja,	ele	descreve	
todas as transações que envolvem as famílias e as empresas, num contex-
to de uma economia simples (sem a presença do governo e do resto do 
mundo), que serão abordados dentro da equação do cálculo do Produto 
Interno	Bruto	(PIB)	no	tópico	2.	Esse	fluxo	é	apenas	para	mostrar,	de	for-
ma	simples,	como	enxergar	a	economia	em	sua	essência,	pois	o	fluxo	su-
põe que todos os bens e serviços são comprados pelas famílias e que elas 
gastam	toda	a	sua	renda	para	isso.	Segundo	Mankiw	(2014,	p.	466):
[...] nessa economia, as famílias compram bens e serviços das empresas; es-
sas	despesas	fluem	através	dos	mercados	de	bens	e	serviços.	As	empresas,	
por sua vez, usam o dinheiro que recebem pelas vendas para pagar salários 
aos trabalhadores, aluguéis aos proprietários da terra e lucros aos proprie-
tários	das	empresas	e	essa	renda	flui	através	dos	mercados	de	fatores	de	
produção.	Nessa	economia,	o	dinheiro	flui	continuamente	das	famílias	para	
as empresas e destas para as famílias.
14 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Exposto o funcionamento do sistema econômico, é importante saber que 
tudo isso precisa ser devidamente mensurado e que o PIB é o indicador 
que	faz	essa	função.	No	tópico	2	será	apresentada	a	definição,	a	mensu-
ração e a composição do PIB e sua importância.
2. Produto interno bruto (PIB)
Após a explanação sobre o sistema econômico, sua composição e o seu 
fluxo,	a	busca	pela	equação	que	visa	o	atendimento	das	necessidades	e/
ou desejos de uma nação deve ser perseguida e, dessa forma, para obtê-
-la, é necessário que se tenham os registros das atividades que compõem 
o	sistema,	a	fim	de	mensurar	tudo	o	que	está	sendo	ofertado	e	deman-
dado pelos agentes econômicos envolvidos. Essa necessidade se reforçou 
com o advento de duas Guerras Mundiais e a Grande Depressão, também 
conhecida como Crise de 1929, que trouxe consigo uma forte redução 
das atividades econômicas com consequente aumento do desemprego. 
Diante disso, a participação do Estado na economia se acentuou e apon-
tou-se a necessidade de se ter mais controle sobre tudo o que estava sen-
do gerado em bens e serviços. Nesse contexto, a contabilidade nacional, 
que é um sistema de agregados estatísticos que registra a atividade eco-
nômica global de um país num período determinado, inseriu-se dentro 
do conceito de análises macroeconômicas e criou-se, portanto, o Produto 
Interno Bruto (PIB) como indicador estatístico para medir o produto, a 
renda e despesa total de um país.
É importante frisar que o funcionamento de uma economia não é tão 
simples	assim,	e	não	se	resume	apenas	ao	que	o	fluxo	circular	nos	mos-
tra, pois as famílias não necessariamente gastam toda a sua renda, sendo 
que entregam parte dela ao governo em forma de impostos, bem como 
também	poupam.	O	objetivo	do	fluxo	é	para	que	se	entenda	o	funciona-
mento da economia numa ótica de interação entre famílias (demandantes 
de produtos e ofertantes de fatores de produção) e empresas (ofertantes 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 15
de produtos e demandantes de fatores de produção) que se constitui na 
base de uma economia, cujo principal objetivo é atender às necessidades 
de uma nação. Na mensuração e nos componentes do cálculo do PIB, serão 
observados também a interação que se dá entre o governo e o resto do 
mundo	dentro	do	fluxo,	ora	também	participantes	do	cálculo	do	indicador.
2.1. Definição e mensuração do PIB
Segundo	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	46-47),	num	sistema	econômico,	os	bens	e	
serviços são consumidos continuamente e, portanto, devem também ser 
produzidos	de	forma	contínua.	Com	base	nessa	afirmação,	qual	a	defini-
ção e a forma de mensuração do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) 
visando manter o registro do que se trata dentro desse processo contí-
nuo?	Veja	a	seguir.
“PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) É O VALOR DE MERCADO 
DE TODOS OS BENS E SERVIÇOS FINAIS PRODUZIDOS 
EM UM PAÍS EM DADO PERÍODO.”
Segundo	Mankiw	(2014,	p.	468),	essa	definição	parece	simples,	mas	ela	
traz muitas questões sutis quando se calcula o PIB de uma economia. 
Por essa razão, está reproduzida na tabela abaixo uma explanação de-
talhada	de	cada	termo	utilizado	na	definição	do	cálculo	como	forma	de	
mensuração.
Tabela	3	–	Detalhamento	da	definição	e	forma	de	mensuração	do	PIB
Parte da 
definição Significado
“PIB é o valor 
de mercado...”
Num ditado popular, não se pode somar “maçãs com laranjas”. Por 
isso, o PIB é calculado com base em valores monetários, pois para 
medir os bens e serviços produzidos, tem-se várias medidas, como, 
por	exemplo:	toneladas,	 litros,	valor	da	hora-trabalho.	Nesse	sen-
tido, o PIB soma vários tipos diferentes de produtos em uma úni-
ca medida de valor da atividade econômica. Para se ter uma única 
medida, multiplica-se a quantidade produzida pelo preço de mer-
cado de cada bem ou serviço, que é o preço que as pessoas estão 
dispostas a pagar por diferentes bens e serviços, de forma que se 
padroniza a forma de cálculo e de divulgação do indicador.
16 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
“...de todos...” O PIB é abrangente, inclui todos os itens produzidos na economia e vendidos legalmente nos mercados.
“...bens e 
serviços...”
O PIB inclui tanto os bens tangíveis (alimentos, vestuários) quanto 
os serviços intangíveis (corte de cabelo, consultas médicas).
“...	finais...”
O PIB	se	baseia	somente	no	valor	dos	bens	finais,	pois	considera	
que	o	valor	dos	bens	intermediários	já	está	refletido	no	preço	do	
bem	ou	serviço	final.	Se	não	fizesse	dessa	forma	incorreria	no	erro	
de fazer o cálculo em duplicidade.
“...produzi-
dos...”
OPIB considera os bens e serviços produzidos no presente que está 
sendo calculado. Não inclui transações que envolvam itens produ-
zidos no passado. Quando a Ford produz e vende um carro novo, o 
valor do carro é incluído no PIB, no entanto, quando o proprietário 
vende esse carro a outra pessoa como usado, esse valor não é mais 
considerado no cálculo.
“...em um 
país...”
O	PIB	mede	o	valor	da	produção	dentro	dos	limites	geográficos	de	
um país ou de uma região.
“...em um dado 
período...”
O PIB mede o valor da produção em um intervalo de tempo especí-
fico.	Normalmente	é	anual	ou	trimestral.
Fonte:	preparada	pela	autora	a	partir	das	informações	retiradas	de	Mankiw	(2014,	p.	468	e	469).
Uma	vez	estabelecidos	os	critérios	apresentados	na	composição	da	defini-
ção sobre o que é o PIB e como é feito o seu cálculo, é importante detalhar 
a ótica sob a qual será medida a produção econômica do país. O Instituto 
Brasileiro	de	Geografia	e	Estatística	(IBGE),	quando	faz	a	divulgação	do	re-
sultado do PIB,	procura	divulgar	sob	três	óticas:	ótica	do	produto,	ótica	da	
renda e ótica da despesa. A tabela abaixo detalha o conceito dessas óticas 
e o que elas representam dentro do cálculo do PIB.
Tabela	4	–	Detalhamento	das	óticas	observadas	e	medidas	no	cálculo	do	PIB
Ótica O que mede
Ótica do 
produto
Considera-se o preço e a quantidade produzida dos bens e dos serviços 
daqueles	voltados	para	o	consumo	final	num	determinado	período.
Ótica da 
renda
É a soma da remuneração paga aos fatores de produção durante o pro-
cesso produtivo, como os salários, os aluguéis, os juros e os lucros.
Ótica da 
despesa
É a análise do uso que os agentes fazem de sua renda para adquirirem os 
bens e serviços desejados, constituindo-se, portanto, em uma despesa.
O	resultado	final	do	PIB pode ser visto sob essas três óticas e, 
portanto,	segue	a	equação:
PRODUTO (P) = RENDA (R) = DESPESA (D)
Fonte:	preparada	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	47)
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 17
2.2. Componentes do PIB
A	sociedade	usa	seus	recursos	de	diversas	formas:	uma	família	resolve	
almoçar num restaurante, uma empresa pode construir uma nova fábrica 
de um determinado produto, o governo pode construir uma estrada ou 
uma universidade nova, e o mercado pode adquirir bens e serviços de 
outros	países	e	exportar	os	seus	a	outros	países	também.	Enfim,	todas	
essas iniciativas e todos esses eventos são computados no cálculo do PIB 
nas diversas óticas mencionadas acima, considerando tudo o que é pro-
duzido no mercado doméstico.
Portanto, o Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador responsável por 
medir como estão sendo utilizados todos os recursos escassos da econo-
mia de um país e, por meio da medição de tudo que está sendo produzido 
a um determinado preço, determina-se a renda nacional. Como mencio-
nado anteriormente, no cálculo do PIB total são contempladas as ativida-
des que atendem também ao governo e ao resto do mndo. Para tanto, 
para	efeito	de	seu	cálculo,	o	IBGE	utiliza-se	da	equação	abaixo:
Y(PIB) = C + I + G + EL
Em	que:
Y(PIB) = cálculo total do Produto Interno Bruto (PIB);
C = consumo das famílias;
I = investimento (empresas);
G = compras ou gastos do governo;
EL = exportações líquidas (que são as exportações menos as importações).
Dessa maneira, essa fórmula representa o cálculo do PIB total, na qual 
cada	unidade	monetária	(real	–	R$)	dispendido	pelos	agentes	econômicos	
é colocada em um desses quatro componentes, de forma que a soma 
desses quatro componentes deve ser igual ao PIB total. A Tabela 5 mostra 
o	que	significa,	de	forma	mais	detalhada,	cada	um	dos	componentes.
18 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Tabela	5	–	Os	componentes	do	PIB	e	o	que	representam	dentro	do	cálculo
Componente O que representa dentro do cálculo
C = consumo
É a despesa das famílias em bens e serviços, com exceção de 
compra	 de	 novas	moradias.	 Exemplo:	 compra	 de	 alimentos,	
vestuário, carro, consultas.
I = investimento
É a compra de bens de capital que serão usados para produzir 
bens de consumo e serviços. Por exemplo, compra de máqui-
nas e equipamentos, estoques e produtos de infraestrutura. 
Observação:	uma	moradia	nova	é	a	única	forma	de	categoria	
de	despesa	das	famílias	classificada	como	investimento	e	não	
consumo. 
G = gastos ou 
compras do governo
Incluem os gastos em bens e serviços do governo em todas as 
esferas	 (federal,	estadual	e	municipal).	Exemplo:	salários	dos	
funcionários, despesas em obras públicas e outros.
EL = exportação 
líquida (exportações 
menos importações)
São todas as exportações menos as importações feitas por um 
país.	Exemplo:	quando	o	Brasil	exporta	soja	e	importa	produto	
químico. O valor da exportação líquida (EL) subirá na medida 
em que se obter mais valor de exportação do que importação.
Fonte:	preparada	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Mankiw	(2014,	p.	470-472)
É importante reforçar a interferência do Estado na economia e, por isso, 
a entidade G (gastos ou compras do governo) corresponde a tudo que 
é mantido pelo governo para suportar as necessidades da sociedade, os 
chamados serviços públicos. Nesse sentido, como o Estado não produz 
nada por si só, para desempenhar esse papel de prover a sociedade, o 
governo	necessita	de	dinheiro,	que	é	obtido	mediante	a	tributação	–	os	
impostos	–,	que,	por	sua	vez,	incide	sobre	determinadas	atividades	eco-
nômicas. Portanto, são duas as formas que o IBGE calcula e divulga o PIB, 
conforme	tabela	abaixo:
Tabela	6	–	Duas	formas	de	cálculo	do	PIB	feitas	pelo	IBGE
O que se considera no cálculo
PIB – Produto Interno 
Bruto a preços de 
mercado (p.m.)
É a soma dos valores monetários dos bens e serviços pro-
duzidos, computando-se os impostos indiretos e subtrain-
do-se os subsídios. É o cálculo utilizado pelo mercado para 
suas análises.
PIB – Produto Interno 
Bruto a custo de 
fatores (c.f.)
É a soma dos valores monetários dos bens e serviços pro-
duzidos, subtraindo-se os impostos indiretos e computan-
do-se os subsídios.
Fonte:	preparada	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	51-52)
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 19
LINK
O cálculo completo do PIB e a sua taxa real de crescimento é 
divulgado de forma trimestral e anual. Essa divulgação ocorre 
sempre três meses após o fechamento de um determinado 
trimestre e de um determinado ano. Essa divulgação é feita 
pelo	 Instituto	Brasileiro	de	Geografia	e	Estatísticas	 (IBGE)	e	
segue os padrões dos cálculos apresentados na fórmula de 
seu cálculo e sob as óticas do produto, da renda e da des-
pesa. Para ter acesso aos seus resultados, acesse o link do 
Instituto.	 Disponível	 em:	 <https://www.ibge.gov.br/estatisti 
cas-novoportal/economicas/contas-nacionais/9052-sistema- 
de-contas-nacionais-brasil.html?=&t=o-que-e>.
Acesso	em:	17	abr.	2018.
PARA SABER MAIS
O	Instituto	Brasileiro	de	Geografia	e	Estatística	(IBGE)	é	a	prin-
cipal instituição no Brasil a medir os indicadores econômicos 
e sociais, incluindo o Produto Interno Bruto (PIB). Importante 
destacar que, dentro do conceito do cálculo do PIB, o IBGE 
divulga também outros cálculos, considerando formas dife-
renciadas de se observar o resultado do que é produzido e 
gerado	como	 receita	no	país,	 como,	por	exemplo:	Produto	
Interno Líquido (PIL); Produto Nacional Bruto (PNB); Produto 
Nacional Líquido (PNL); Renda Pessoal (RP) e Renda Pessoal 
Disponível (RPD), que suas formas de cálculo podem ser en-
contradas em Silva e Luiz (2010, cap. 5, p. 52- 55).
20 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
2.3. PIB real e PIB nominal
De acordo com o que foi estudado até aqui, o Produto Interno Bruto (PIB) 
mede o produto,a receita e a despesa total em bens e serviços produzi-
dos em todos os mercados de uma determinada economia. No entanto, 
deve-se atentar para a variação que o resultado do PIB apresenta de um 
período para outro em função de sua medição ser em valores monetários.
EXEMPLIFICANDO
O PIB de um determinado país no ano X01 registrou um valor 
de $ 1 trilhão, e no ano X02, esse valor subiu para $ 1,5 tri-
lhão.	Esse	resultado	sugere	duas	afirmações:	(1) a economia 
desse país está produzindo uma quantidade maior de bens 
e serviços ou (2) os bens e serviços estão sendo vendidos a 
preços mais elevados e a quantidade de bens e serviços não 
necessariamente se elevou. Para que não se cometam erros 
de avaliação, entender a variação de preços de um período 
para outro é para os economistas a variável mais importante 
ao se analisar o seu resultado. 
Para	isolar	o	tipo	de	erro	explicitado	no	“Exemplificando”,	os	economistas	
adotam	um	cálculo	específico	chamado	PIB real. É importante conhecer 
três conceitos de cálculo e divulgação do resultado do PIB.
Tabela	7	–	Conceitos	de	PIB	nominal	versus	PIB	real	versus	deflator	do	PIB
O que se considera no cálculo
PIB 
nominal
É o montante de bens e serviços produzidos pela economia a preços 
correntes. É o cálculo que considera a quantidade de bens e serviços 
produzidos multiplicada pelos preços que estão ocorrendo num deter-
minado	ano	e,	portanto,	reflete	o	valor	total	daquele	momento.	Esse	cál-
culo não é comparativo com demais anos, pois como o principal objetivo 
do cálculo do PIB é analisar a quantidade produzida de bens e serviços 
na economia, os preços correntes carregam a contaminação da varia-
ção de preço de um ano para outro, não mostrando, portanto, a real 
quantidade produzida de bens e serviços.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 21
PIB real
É o montante de bens e serviços produzidos pela economia a preços 
constantes. É o cálculo que considera a quantidade de bens e serviços 
produzidos multiplicada pelos preços em um determinado ano constan-
te	como	base	de	cálculo,	a	fim	de	ficar	comparável	com	os	demais	anos	
sem o risco da contaminação da variação de preço de um período para 
outro e, com isso, chegar à variação efetiva da quantidade produzida de 
bens e serviços. Nesse caso, utiliza-se um instrumento chamado defla-
tor do PIB. O IBGE normalmente divulga a taxa de crescimento do PIB 
real, que é o cálculo utilizado pelo mercado para as suas análises.
Deflator	
do PIB
É	um	instrumento/índice	utilizado	pelos	economistas	para	retirar	do	cál-
culo do PIB nominal os efeitos das variações de preços ocorridas ao 
longo do tempo, de maneira a se chegar ao resultado do PIB real. No 
Brasil,	o	IBGE	divulga	o	deflator	do	Produto	Interno	Bruto	conjuntamen-
te ao cálculo do PIB para que o mercado tome conhecimento do que foi 
considerado como variação de preço de um período para outro.
Fonte:	preparada	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Mankiw	(2014,	p.	473-476)
PARA SABER MAIS
O	cálculo	do	PIB	nominal	e	PIB	real	utilizando-se	o	deflator	
implícito, que mantém os preços constantes nos níveis do 
ano-base que se queira utilizar para avaliar a taxa de cresci-
mento real, pode ser observado de forma mais detalhada em 
Mankiw	(2014,	p.	473-475).
Assimile:	o	Produto	Interno	Bruto	(PIB)	é	um	indicador	calculado	e	divul-
gado em valores monetários a preços de mercado apenas para que se 
tenha uma padronização de unidade de medida (Vide item 1 da Tabela 3), 
mas o principal objetivo do cálculo é mensurar as quantidades produzi-
das de bens e serviços em uma economia.
questão	para	reflexão
ASSIMILE
o Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador calculado e di-
vulgado em valores monetários a preços de mercado apenas 
para que se tenha uma padronização de unidade de medida 
(Vide item 1 da Tabela 3), mas o principal objetivo do cálculo 
é mensurar as quantidades produzidas de bens e servi-
ços em uma economia.
22 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Pesquise os resultados da taxa de crescimento real do Produto 
Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentados nos últimos cinco anos e 
identifique:	a) os setores que mais contribuíram positivamente e ne-
gativamente para os seus resultados; b) se o consumo das famílias, 
bem	como	os	 investimentos	 (formação	bruta	de	capital	fixo)	apre-
sentaram elevação ou queda.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
3. Considerações Finais
• O sistema econômico, formado pelos elementos participantes da 
produção e do consumo de bens e serviços, visa reduzir a escassez 
na	economia	e	assim	satisfazer	as	necessidades	e/ou	desejos	ilimi-
tados das pessoas.
• O	fluxo	circular	tem	por	principal	objetivo	mostrar	o	funcionamento	
da economia. Para isso, apresenta a interação entre o mercado e os 
fatores de produção que, juntos, transformam os recursos em bens 
e serviços.
• O PIB, calculado em valores monetários, é o principal indicador que 
mostra a quantidade de bens e serviços produzidos por uma nação.
• O PIB real, que é a métrica do PIB nominal excluindo os efeitos da 
variação de preço de um período para outro, é o principal indicador 
utilizado como referência para análise do comportamento do pro-
duto, da renda e da despesa nacional de uma nação, pois permite, 
por meio do cálculo da taxa real de crescimento, comparar períodos 
diferentes da evolução da economia de um país.
Glossário
• Fluxo circular: é um diagrama que apresenta a interação entre o 
mercado de bens e serviços e o mercado de fatores de produção 
dentro de uma economia, envolvendo empresas e famílias.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 23
• Produto Interno Bruto (PIB): é o indicador que mede em valores 
monetários a quantidade de bens e serviços produzidos em uma 
economia e, por consequência, a determinação da renda e da des-
pesa nacional. 
• PIB real: é o indicador que mede o que foi efetivamente produzi-
do de bens e serviços em uma economia sem a contaminação da 
variação de preço de um período para outro, assim, permitindo a 
comparação entre períodos diferentes.
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 1
1. Dentro do sistema econômico, o que são as unidades pro-
dutoras?	Uma	“unidade produtora”	é:
a) O mercado consumidor.
b) Local onde se produzem e se ofertam bens e serviços 
às famílias.
c) Um indicador de medição de produção.
d) Um indicador de bem-estar social.
e) Fator de produção ofertado pelas famílias
2. Dentre os fatores de produção, o trabalho tem sua remu-
neração	em	forma	de:	
a) Juros.
b) Lucros.
c) Salários.
d) Aluguéis.
e) Juros e lucros.
3. Dentre as formas de se avaliar o PIB, tem-se o PIB nominal. 
Portanto,	o	PIB	nominal	refere-se:	
24 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
a) Ao montante de bens e serviços produzidos pela eco-
nomia em moeda corrente.
b) Ao montante de bens e serviços produzidos pela eco-
nomia em moeda constante
c) À medição dos fatores de produção envolvidos na 
economia.
d) À medição do volume de bens e serviços em quantida-
des e horas.
e) Ao montante de bens e serviços produzidos e calcula-
dos	pelo	deflator.
Referências Bibliográficas
MANKIW. Introdução à economia. 6.	ed.	São	Paulo:	Cengage,	2014.
SILVA,	C.	R.	L.	da;	LUIZ,	S. Economia e mercados:	introdução	à	economia.	São	Paulo:	
Saraiva Editora, 2001.
Gabarito – Tema 01
Questão 1	–	Resposta:	B
As “unidades produtoras” correspondem ao local onde os fatores de 
produção são convertidos em bens e serviços ofertados às famílias 
(consumidores).
Questão 2	–	Resposta:	C
O trabalho é um fator de produção relacionado à mão de obra, cuja 
remuneração é feita em forma de salário.
Questão 3	–	Resposta:	A
O PIB nominal refere-se ao montante de bens e serviços produzidos 
pela economia em moeda corrente, ou seja, aos preços de umperío-
do	específico	na	qual	o	cálculo	está	sendo	feito.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 25
TEMA 02
BALANÇA COMERCIAL – O SALDO 
INTERNACIONAL
Objetivos
• Compreender o que é balança comercial e seus 
resultados.
• Apresentar o conceito sobre a Teoria da Vantagem 
Comparativa.
• Saber interpretar o resultado das principais contas do 
balanço de pagamentos e a importância do saldo da 
balança comercial nesse contexto.
26 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Introdução
Você verá, nesta parte de nossa disciplina, que o resultado da balança 
comercial dos países é o indicador que mostra o volume de negociações 
(exportações e importações) feitas por eles com o resto do mundo. É im-
portante	contextualizar	esse	resultado	sob	duas	óticas:	a) a ótica do co-
mércio internacional e; b) a ótica de sua importância para o resultado do 
balanço de pagamentos (BP). No contexto do resultado do balanço de 
pagamentos,	a	balança	comercial	tem	impacto	significativo	para	o	seu	re-
sultado, sendo o BP o principal instrumento utilizado pelas nações para 
contabilizar todos os pagamentos e recebimentos transacionados pelos 
países	com	os	seus	parceiros	comerciais	e	financeiros.	É	por	meio	do	re-
sultado do BP que o mercado toma conhecimento da capacidade de uma 
nação em honrar com os seus compromissos a partir da geração de mo-
eda estrangeira (divisas), sendo, portanto, a participação desses países 
no comércio mundial um dos principais recursos para a geração dessas 
moedas. Nesse contexto, este Tema propõe que você estude e analise 
conceitos importantes que impactarão o resultado da balança comercial. 
Dessa forma, este tópico discutirá o que é o comércio internacional e sua 
importância, por que os países comercializam entre si, de que forma são 
escolhidos	os	bens	e	serviços	que	serão	considerados	no	fluxo	de	mer-
cadorias a serem comercializadas, sendo que, para que essas perguntas 
sejam respondidas, busca-se na teoria das vantagens comparativas e sua 
relação	com	os	fatores	e	produção	esse	entendimento.	E	por	fim,	em	que	
conta, mais precisamente, o resultado da balança comercial impacta para 
o resultado do balanço de pagamentos e a sua importância no contexto 
do comércio mundial.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 27
1. Balança comercial
Do ponto de vista conceitual, balança comercial é a relação entre as ex-
portações (vendas) e as importações (compras) para além das fronteiras 
de um país, de maneira que, quando as exportações registram volumes 
maiores	que	os	volumes	das	importações,	significa	que	o	país	contabilizou	
um saldo positivo, conhecido como superávit comercial, e quando ocorre 
o contrário, ou seja, as exportações apresentam volumes menores que 
os	volumes	das	importações,	significa	que	o	país	contabilizou	um	saldo	
negativo, conhecido como déficit comercial. Uma maneira de se interpre-
tarem	esses	resultados	é:	quando	o	país	apresenta	superávit comercial, 
significa	que	ele	está	com	crédito	junto	ao	mercado	estrangeiro,	e	quando	
apresenta déficit comercial, mostra que o país está em dívida com esse 
mercado. Essa relação comercial contabilizada na balança comercial re-
fere-se tanto a bens de consumo, como, por exemplo, roupas, alimentos, 
medicamentos, máquinas e equipamentos, etc., como a serviços, como, 
por exemplo, cursos, serviços de tecnologia, infraestrutura, etc.
Há	entre	os	economistas	reflexões	sobre	o	resultado	da	balança	comer-
cial ser superavitário ou deficitário, pois esse resultado deve considerar 
a posição do país dentro do contexto da economia mundial. Essa análise 
avalia as vantagens e desvantagens de se exportarem e se importarem 
produtos,	considerando:	a) a incapacidade de um país em produzir seus 
próprios produtos e serviços, alavancando assim a importação ou; b) o 
país	produz	determinados	produtos,	porém	não	é	suficientemente	com-
petitivo para fazer frente ao mercado internacional, inibindo assim suas 
exportações para o mercado internacional. Os economistas consideram 
anormal um país desenvolvido apresentar déficit em sua balança comer-
cial, no entanto, já entendem que um país subdesenvolvido tende a ser 
sensível ao déficit em função da necessidade desse país em importar bens 
de capital para alavancar a sua produção interna, bem como produtos 
finais	de	maior	valor	agregado	ou	de	bens	intermediários	em	função	de	
possível escassez desses produtos no seu mercado interno.
28 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Vale destacar que o resultado da balança comercial se constitui num im-
portante indicador para o mercado, pois é nele que se traduz de que for-
ma e em que dimensão um país está se comportando frente ao comércio 
mundial, que por sua vez mostrará a contribuição que esse resultado está 
dando para o balanço de pagamentos desse país, pois é no balanço de 
pagamentos	que	se	identifica	a	capacidade	de	um	país	em	honrar	com	os	
seus compromissos em moeda estrangeira (divisas) junto aos seus par-
ceiros	comerciais	e	financeiros.	Nesse	contexto,	este	tópico	detalhará	o	
comércio internacional como fonte geradora de transações comerciais 
entre	os	países,	 com	 reflexo	direto	no	 resultado	da	balança	 comercial,	
bem como seus efeitos positivos e negativos para o resultado das transa-
ções correntes do balanço de pagamentos e demais impactos.
PARA SABER MAIS
Divisas são as moedas conversíveis que têm livre aceitação 
e negociação no mercado de câmbio no mundo todo (exem-
plo:	dólar	norte-americano,	euro,	 iene).	Essa	conversibilida-
de está relacionada com a credibilidade do país emitente no 
que	diz	respeito	às	suas	políticas	monetária,	fiscal,	econômi-
ca	e	cambial	junto	à	comunidade	financeira	internacional,	ou	
seja, são aceitas como meio de troca, reserva de valor e uni-
dade de conta.
1.1. Comércio internacional
Segundo	Cavusgil,	Knight	e	Riesenberger	 (2010,	p.	4),	o	crescimento	da	
atividade de negócios internacionais está diretamente relacionado a um 
fenômeno mais amplo conhecido como globalização de mercados. A glo-
balização de mercados refere-se à integração econômica e à crescente 
interdependência de países em escala mundial. Ainda segundo os auto-
res	(2010,	p.	24-25),	a	globalização	de	mercado	de	bens	e	serviços	não	é	
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 29
um fenômeno novo. Eles atribuem à tecnologia da informação a respon-
sabilidade pela aceleração do ritmo da globalização nesse mercado, mas 
seguem	afirmando	que	as	antigas	civilizações	do	Mediterrâneo,	Oriente	
Médio, Ásia, África e Europa contribuíram muito para o crescimento do 
comércio	entre	fronteiras.	Fazem	uma	classificação	de	quatro	fases	para	
o crescimento desse mercado que, segundo eles, vai da primeira fase, 
que ocorreu no período de 1830 a 1880 e que teve como fator desenca-
deador para a sua expansão a introdução das ferrovias e o transporte 
marítimo, até a quarta fase, que ocorreu da década de 1980 até o pre-
sente momento, impulsionada pelo expressivo avanço da tecnologia da 
informação, comunicações, manufatura, privatização entre outros, como 
principais fatores de impacto para o aumento na velocidade dos negócios 
para os dias atuais.
Portanto, o conceito de negócios internacionais contempla, simultanea-
mente, o comércio internacional e os investimentos. Comércio interna-
cional se refere à troca de bens e serviços através de fronteiras por meio 
da exportação, da importação e do global sourcing, e investimento inter-
nacional	se	refere	à	transferência	de	ativos	entre	países,	que	podem	ser:	
capital, tecnologia, infraestrutura manufatureira e capital intelectual, que, 
do ponto de vista de impacto para os resultados de um país, é considera-
do na conta de “investimentos diretos estrangeiros (IDE)” no balanço de 
pagamentos.
PARA SABERMAIS
Os bens são as mercadorias (tangíveis) comercializadas e, os 
serviços são bens intangíveis e que envolvem capital intelec-
tual. Essas trocas se dão por meio da exportação e impor-
tação entre países. Para um maior aprofundamento, leia as 
páginas	4	e	5	de	CAVUSGIL,	S.T.;	KNIGHT,	G.;	RIESENBERGER,	
J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e novas re-
alidades.	t	1.	ed.	São	Paulo:	Pearson	Prentice	Hall,	2010.
30 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Para efeito de estudo deste Tema, as análises estão concentradas no en-
tendimento da relação comercial entre países via comércio internacional 
e, portanto, aborda de forma mais objetiva os conceitos de exportação 
e importação de bens e serviços. Nesse contexto, é importante avaliar a 
Teoria da Vantagem Comparativa, que dá respostas para questionamen-
tos relacionados ao comércio mundial e sua forma de interpretar as rela-
ções de trocas entre os países.
1.1.1. Teoria da Vantagem Comparativa
Quando se pensa em comércio internacional, vem à cabeça duas pergun-
tas	importantes:	1) por que os países comercializam bens e serviços entre 
si?;	2)	como	são	escolhidos	os	bens	e	serviços	que	farão	parte	do	fluxo	de	
mercadorias	do	comércio	internacional?
A primeira pergunta é mais fácil de ser parcialmente respondida, ou seja, 
uma das razões pela qual os países comercializam bens e serviços entre 
si	é	porque	não	são	autossuficientes	em	tudo	de	que	precisam,	ou	seja,	
exportam produtos dos quais eles têm mais vantagem competitiva, e que 
muitas vezes estão sobrando em seu mercado doméstico, e importam 
bens e serviços que faltam para atender às suas necessidades de produ-
ção e consumo. Essa dependência recíproca entre os países é advinda do 
fato	de	que	os	países	têm	necessidades	parecidas,	como,	por	exemplo:	
alimentação, transporte, segurança, vestuário, mas que eles são diferen-
tes	no	 tocante	aos	 seus	 fatores	de	produção,	 como:	 recursos	naturais,	
humanos com impacto sobre as suas capacidades, tanto produtiva como 
tecnológica.
Para complementar a resposta à primeira pergunta e responder à segun-
da com embasamento, é necessário conhecer o conceito da Teoria da 
Vantagem Comparativa, que explica boa parte de tudo o que está sendo 
estudado. Essa teoria foi inicialmente criada por Adam Smith (1723-1790) 
e posteriormente aperfeiçoada por David Ricardo (1772-1823) entre os sé-
culos XVIII e XIX, respectivamente. Ela foi elaborada partindo do princípio 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 31
de que, para que os países aumentassem o seu grau de bem-estar social, 
era necessário aumentar a quantidade de mercadorias à disposição das 
pessoas e, portanto, segundo eles, o comércio entre países se constituía 
uma alternativa. Para detalhar a teoria, abaixo, um exemplo tirado por 
completo	de	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	132-134).
Exemplo: imagine dois países, Brasil e Suíça, e que cada um deles produ-
za apenas dois bens, café e relógios, e que não há transação comercial 
entre ambos. Veja a tabela abaixo.
Tabela	1	–	Decisão	dos	países	(Brasil	e	Suíça)	em	produzir	apenas	um	
dos produtos para o seu próprio consumo (café ou relógios) 
–	Produção	mensal
País
Produção
CAFÉ RELÓGIOS
Brasil 36 mil sacas ou 72 mil unidades
Suíça 24	mil	sacas ou 96 mil unidades
Fonte:	exemplo	retirado	de	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	132)
1ª hipótese: a tabela mostra uma situação hipotética de um país que se 
propõe a consumir apenas um dos produtos e não conta com a comercia-
lização de outro produto com outro país, portanto, o que cada país seria 
capaz de produzir, considerando todos os fatores produtivos emprega-
dos na produção de apenas um deles. Caso o Brasil optasse por produzir 
apenas café, conseguiria produzir 36 mil sacas e, caso decidisse produzir 
apenas relógios, conseguiria produzir 72 mil unidades. Do lado da Suíça, 
também considerando os mesmos motivos, caso optasse por produzir 
apenas	café,	conseguiria	produzir	24	mil	sacas	e,	caso	decidisse	produzir	
apenas relógios, conseguiria produzir 96 mil unidades.
Este quadro mostra que o Brasil tem vantagem sobre a Suíça na produção 
de	café,	pois	produz	36	mil	sacas	versus	24	mil	sacas,	respectivamente.	
No entanto, a Suíça tem vantagem sobre o Brasil na produção de relógios, 
pois produz 96 mil unidades versus 72 mil unidades, respectivamente.
32 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
2ª hipótese: no entanto, caso esses países mudassem de ideia e quises-
sem consumir os dois bens (café e relógio), ainda sem a comercialização 
entre si,	e	optassem	por	produzir	os	dois	produtos,	a	situação	ficaria	de	
acordo	com	a	tabela	abaixo:
Tabela	2	–	Decisão	dos	países	(Brasil	e	Suíça)	em	produzir	os	dois	produtos	
para	o	seu	próprio	consumo	(café	e	relógios)	–	Produção	mensal
País
Produção
CAFÉ RELÓGIOS
Brasil 18 mil sacas ou 36 mil unidades
Suíça 12 mil sacas ou	48	mil	unidades
TOTAL 30 mil sacas 84 mil unidades
Fonte:	exemplo	retirado	de	Silva	e	Luiz	(2010,	p.	132)
O total apresentado no quadro indica que os dois países, sem comercia-
lizarem	entre	si,	produziriam	juntos	30	mil	sacas	de	café	e	84	mil	relógios	
por mês. A Tabela 2 comparativamente à Tabela 1 mostra, portanto, que 
se os países quisessem produzir os dois bens para o seu consumo di-
minuiria sua capacidade de produção em relação a produzir apenas um 
deles, ou seja, Brasil diminuiria sua produção de 36 mil para 18 mil sacas 
de	café	e	a	Suíça	diminuiria	sua	produção	de	96	mil	para	48	mil	unidades	
de relógios, pois tiveram que dividir a alocação de seus fatores produtivos 
para a produção dos dois bens simultaneamente.
Análise comparativa: ao se comparar as duas situações (Tabela 1 e 2), 
fica	nítido	que	é	melhor	que	o	Brasil	se	especialize	na	produção	de	café,	
pois sozinho produz 36 mil sacas, e a Suíça se especialize na produção de 
relógios, pois sozinho produz 96 mil unidades e, nesse contexto, o bem-es-
tar das pessoas pertencentes a esses países aumentaria somente quando 
ambos passassem a comercializar entre si esses dois produtos, ou seja, o 
Brasil trocasse seu café pelos relógios da Suíça, de forma que importasse 
relógios da Suíça e a Suíça trocasse seus relógios pelo café do Brasil, de 
forma que importasse café do Brasil.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 33
Vale destacar que, nessa análise, não são considerados custos logísticos ou 
demais variáveis, e que ela representa o que de fato a Teoria da Vantagem 
Comparativa prega, pois quando elaborada por Adam Smith e David Ricardo, 
tinha por principal objetivo valorizar a ideia de que as nações devem se 
fortalecer na produção de bens que tenham mais vantagem competitiva, 
ou seja, em que há o melhor emprego de seus fatores de produção, e que, 
para aumentar seu bem-estar, deveria buscar demais produtos em outros 
países, de forma que empregasse seus fatores produtivos em algo que de 
fato tivesse um diferencial e os produtos que faltassem para o seu consu-
mo fossem adquiridos para além de suas fronteiras.
Para que se reforce o conceito da Teoria da Vantagem Comparativa, é 
importante lembrar o que foi apresentado no Tema 1 (PIB). Com o Tema, 
buscou-se avaliar o indicador PIB, sua composição e seu cálculo. Nessa 
avaliação, foi apresentado primeiramente o fluxo circular como ferra-
menta conceitual para se entender a interação entre as famílias e as em-
presas dentro de um sistema econômico, porém considerando uma eco-
nomia fechada em que tudo interage num mesmo território. No entanto, 
foi avaliado também no Tema que, para efeito do cálculo do PIB, contem-
pla-se, além desses agentes, também as exportações líquidas (que são 
as exportações menos as importações) e que, ao se entrar nesse univer-
so, têm-se outras variáveis a serem consideradas, pois as transações co-
merciais não são realizadasapenas entre os agentes econômicos de um 
mesmo país, mas sim com agentes de outros países e, portanto, lidam-se 
com	outras	dificuldades,	como,	por	exemplo:	moedas	diferentes,	forma	
de	comercializar	e	principalmente	com	uma	eficiência	diferenciada	entre	
os fatores de produção. Essa memória foi trazida para que se fale da es-
sência da Teoria da Vantagem Comparativa e, segundo Silva e Luiz (2010, 
p.	133),	“esta	Teoria	está	relacionada	com:	a) a produtividade dos fatores 
de produção que cada país possui; b) as suas condições de clima; c) a dis-
ponibilidade de recursos naturais e etc”. Os autores seguem dizendo que, 
“do ponto de vista econômico, a produtividade é o mais importante, pois 
maior produtividade resulta em custos de produção menores e, por essa 
razão, a Teoria das Vantagens Comparativas também é conhecida como 
Teoria dos Custos Comparativos”.
34 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Exemplo: o Brasil exporta muitos produtos básicos da agricultura (soja, 
milho, laranja), pois tem vantagem competitiva em termos de custos e 
produção elevada, e importa muitos produtos de alto valor agregado (quí-
micos,	eletroeletrônicos,	peças,	medicamentos,	etc.),	por	diversas	razões:	
falta de tecnologia, a produção interna não atende à demanda doméstica, 
compras mais baratas no exterior, dentre outras.
Apesar da importância da Teoria da Vantagem Comparativa, que é uma 
referência para todos os países que participam do comércio internacio-
nal, há de se dizer que o exemplo dado pelos autores não condiz em sua 
plenitude com a realidade vivenciada pelos países que lidam com diver-
sos bens e serviços e, dessa forma, um país não se especializa totalmente 
na produção de um só bem e nem tampouco produz e consome apenas 
dois	produtos,	mas	sim	uma	infinidade.
PARA SABER MAIS
Há várias discussões em torno da viabilidade de aplicação da 
Teoria	da	Vantagem	Comparativa	como	instrumento	eficaz	de	
política econômica, que pode ser lida com mais profundidade 
em SILVA, C. R. L. da; LUIZ, S. Economia e mercados: introdu-
ção	à	economia.	19.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	2010,	p.	134.
1.2. Exportações e importações
1.2.1. Exportações
Segundo Cavusgil, Knight, Riesenberg (2010, p. 332), dentro de uma es-
cala	de	classificação	em	termos	de	controle	em	relação	à	estratégia	para	
entrada	no	mercado	estrangeiro,	em	que	controle	significa	a	capacidade	
que	as	estratégias	têm	de	influenciar	decisões,	operações	e	recursos	es-
tratégicos dos empreendimentos estrangeiros, a exportação se constitui 
uma das estratégias mais comuns de entrada em mercados estrangeiros 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 35
e de internacionalização, e é também a preferida das pequenas e mé-
dias empresas porque, diferentemente dos investimentos estrangeiros 
diretos,	é	flexível	e	o	exportador	pode	ingressar	e	se	retirar	do	mercado	
com relativa facilidade, bem como com um risco e custo baixo. Segundo 
Cavusgil,	Knight	e	Riesenberger	(2010,	p.	286),	“exportar	gera	significativas	
receitas cambiais para as nações”.
O surgimento de empresas exportadoras de pequeno e médio porte é 
uma realidade presente e, segundo os autores (2010, p. 290), as PMEs de 
1992	 a	 2004	 representaram	quase	 100%	do	 crescimento	 no	 segmento	
exportador dos Estados Unidos. Os gestores responsáveis pela estratégia 
de exportação procuram atender a algumas etapas importantes, confor-
me	a	Figura	que	segue:
Figura	1	–	Foco	sistemático	nas	exportações
Etapa 1:
avaliar as 
oportunidades 
do mercado 
global
Etapa 2:
organizar-se 
para 
exportar
Etapa 3:
adquirir as 
habilidades e 
competências 
necessárias
Etapa 4:
implementar 
uma 
estratégia de 
exportações
Os gestores ava-
liam o preparo da 
empresa para a in-
ternacionalização e 
selecionam os mer-
cados e parceiros 
mais apropriados.
Os gestores tomam 
decisões sobre o 
grau de envolvi-
mento da empresa, 
os recursos a serem 
comprometidos e o 
tipo de intermediá-
rio interno e exter-
no a contratar.
A empresa adquire 
habilidades e com-
petências para lidar 
com as operações 
de exportações, 
treina a equipe e 
envolve os facili-
tadores mais ade-
quados (agentes de 
carga, bancos e ad-
vogados especiali-
zados em comércio 
internacional).
Os gestores tomam 
decisões sobre 
adaptação de pro-
duto, adequação 
das comunicações 
de marketing, pre-
cificação	 e	 suporte	
a intermediários 
ou subsidiárias no 
exterior.
Fonte:	elaborado	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Cavusgil,	Knight	e	Riesenberg	(2010,	p.	291)
Portanto, quando uma empresa avalia caminhos na forma de atuação 
visando a manutenção e elevação de sua lucratividade dentro de uma 
realidade de mercado globalizado, não pode descartar a importância de 
sua entrada em mercados estrangeiros, e a exportação é uma das opções 
mais simples para se atingir esse objetivo.
36 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
1.2.2. Importações
Ao se falar sobre exportações, é importante falar sobre importações tam-
bém, pois são transações de compra e venda, nas quais as exportações 
são as remessas ou vendas de bens e serviços de um país para outros pa-
íses, e as importações são as compras de bens e serviços vindos de outros 
países para atender às demandas do mercado interno de uma determina-
da	economia/sociedade.
Do lado das compras, que representam os custos das empresas, ao se 
falar de mercado globalizado, elas podem ser chamadas também de im-
portações. Nesse sentido, o desenvolvimento de fornecedores é essencial 
para	negociações	eficazes	que	se	revertam	em	diminuição	de	gastos.
Por que a importação pode beneficiar um país?
São	diversas	as	razões,	mas	dentre	elas	tem-se:	a) a busca por produtos 
fabricados com alta tecnologia, comparativamente ao que é produzido 
pelo mercado interno de um país; b) maior tecnologia sugere menor cus-
to e melhor qualidade; c) produtos customizados que atendam a uma 
necessidade	específica;	d) acesso a mercados com possível vantagem via 
redução de impostos.
As grandes empresas estão focando suas estratégias também em suas 
compras como recurso alternativo, de uma vez que, numa realidade glo-
balizada, a competitividade elevou-se sobremaneira e as empresas mui-
tas vezes não têm gestão sobre os preços que praticam com impacto di-
reto	sobre	as	suas	receitas,	ficando,	portanto,	a	cargo	da	gestão	de	seus	
custos a saída para manter ou aumentar a sua lucratividade.
2. Balanço de Pagamentos
Todas	as	transações	comerciais	e	financeiras,	como,	por	exemplo,	paga-
mentos, recebimentos, investimentos de curto e longo prazo e outras que 
são feitas por um país com o resto do mundo, envolvem moedas (divisas). 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 37
Dessa forma, todas essas transações precisam ser devidamente conta-
bilizadas, de maneira que o país tenha controle de tudo que está sendo 
gerado	ou	demandado	por	meio	dessas	moedas,	a	fim	de	que	tanto	o	país	
como	os	seus	parceiros	tenham	a	clara	ideia	da	saúde	financeira	envolvi-
da por meio dessas transações. É para atender a essa necessidade que se 
tem o balanço de pagamentos.
Portanto, o balanço de pagamentos é uma ferramenta de registro contá-
bil que tem como principal objetivo medir as transações internacionais 
de uma nação com o resto do mundo, considerando tanto as transações 
comerciais (exportação e importação de bens e serviços) como as transa-
ções	financeiras	(rendas,	conta	capital,	que	inclui	os	investimentos	diretos	
estrangeiros,	e	 conta	financeira)	de	 residentes	e	não	 residentes	de	um	
país num determinado tempo (seus cálculos são feitos e divulgados com 
periodicidade mensal e anual). São consideradas residentes as pessoas 
com	 residência	 fixa	 no	 país,	 incluindo	 estrangeiros	 que	 porventura	 te-
nham	atividades	nestepaís,	filiais	de	empresas	estrangeiras	e	outros.	Vale	
destacar que esse monitoramento existe desde que se tem registro de 
transações feitas entre países. No entanto, é a partir da década de 1970, 
com	a	flexibilização	dos	regimes	cambiais	na	maioria	dos	continentes	e	
o	aumento	significativo	das	transações	comerciais	e	do	fluxo	de	capitais	
entre as nações, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu pa-
dronizar as contas do balanço de pagamentos de forma a transformá-lo 
num instrumento de tomada de decisão, no qual os governantes o utili-
zam	para	ações	necessárias,	visando	reduzir	os	riscos	financeiros	advin-
dos das transações entre os países-membros.
Considerando	que	o	balanço	de	pagamento	 reproduz	os	 efeitos	 finan-
ceiros	das	transações	comerciais	e	financeiras	praticadas	pelo	país	com	
demais parceiros, é importante entender como se avaliam os seus resul-
tados e o impacto que o saldo da balança comercial tem sobre esse balan-
ço, uma vez que se constitui em uma das principais fontes de geração ou 
demanda de moedas estrangeiras (divisas).
38 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
2.1. Balanço de pagamentos: a importância da balança comercial
Segundo Maia (2013, p. 79), “os países apresentam seus Balanços de 
Pagamentos dentro de uma estrutura recomendada pelo FMI e o Banco 
Central dos países cumprem essa recomendação, de forma que os 
Balanços obedecem a um padrão mundial”.
Para que se entenda a contribuição que o resultado da balança comercial 
tem dentro do Balanço de Pagamentos e se analise a sua importância 
dentro dessa estrutura, veja o quadro abaixo e, em seguida, algumas aná-
lises da forma como esses resultados devem ser interpretados.
Quadro	1	–	Balanço	de	Pagamentos	–	2011	–	Em	US$	milhões 
(Estrutura padrão do FMI e utilizada pelo Banco Central do Brasil)
Discriminação 2011 A que se refere cada conta
Balança comercial (FOB) (A) 29.807 É o resultado das exportações menos as impor-
tações. Tudo que é transacionado com outros 
Países no comércio mundial.
Exportações
Importações
256.040
226.233
Serviços (B)
Receitas
Despesas
-37.952
38.209
76.161
Contabiliza todas as receitas e despesas relati-
vas	a:	transportes,	viagens	internacionais,	se-
guros, despesas bancárias, royalties e licenças, 
aluguel de equipamentos, etc.
Rendas (C) -47.319 São as rendas geradas a partir de lucros rece-
bidos ou enviados ao exterior pelas empresas 
multinacionais,	como:	rendimentos	com	inves-
timentos diretos, em carteira, bem como com 
despesas com salários e ordenados. 
Receitas
Despesas
10.753
58.072
Transferências unilaterais 
correntes (D) 2.984
São donativos, remessa para manutenção de 
migrantes, reparações de guerra e auxílio a ins-
tituições	beneficentes	ou	religiosas.
Transações correntes 
(A+B+C+D) (1) -52.480
Também conhecida como conta corrente. 
É a soma dos saldos contabilizados na balança 
comercial, nos serviços, nas rendas e nas 
transferências unilaterais.
Conta capital e financeira 
(E+F+I+J) (2) 112.389
É	a	soma	da	conta	capital,	conta	financeira,	de-
rivativos e outros investimentos.
Conta capital (E) 1.573
São transferências de patrimônio de 
imigrantes e aquisição e alienação de bens 
financeiros	não	produzidos,	como, 
por	exemplo:	marcas,	patentes.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 39
Conta financeira (F) 110.816 É a soma dos investimentos diretos, em carteira, derivativos e outros investimentos.
Investimento direto líquido (G) 67.689
São capitais estrangeiros aplicados pelos brasi-
leiros no exterior ou de estrangeiros no Brasil 
para	fins	de	atividade	econômica.	Considerados	
importantes para o país (médio e longo prazo).
Investimento em carteira (H) 35.311
São aplicações brasileiras em títulos estrangei-
ros e aplicações estrangeiras em títulos brasilei-
ros,	como:	comercial papers, ações, ADR’s. Con-
siderados como investimentos de curto prazo.
Derivativos (I) 3
Entradas e saídas de capitais decorrentes 
de swaps, opções e futuros. Considerados 
de curto prazo.
Outros investimentos (J) 7.813
Empréstimos concedidos por organismos inter-
nacionais	ou	obtidos	por	beneficiários	brasilei-
ros no exterior (curto e longo prazo).
Erros e omissões (3) -1.272 Ajustes feitos pelo Banco Central.
Resultado do balanço 
(1 + 2 + 3) 58.637
A soma das transações correntes mais a conta 
capital e financeira mais os erros e omissões. 
São consideradas como reservas.
Transações correntes / PIB (%) -2,12% É a análise que se faz do resultado das transa-ções correntes em relação ao PIB.
Fonte:	elaborado	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Maia	(2013,	p.	81-98)
Análises importantes sobre o balanço de pagamentos
Ao se analisar o balanço de pagamentos, num primeiro momento, obser-
vam-se as três contas que, somadas (transações correntes mais a conta 
capital	e	financeira	mais	os	erros	e	omissões),	resultam	no	resultado	do	
balanço, conhecido como reservas cambiais. Essas reservas são uma es-
pécie de “poupança” que o país tem para garantir a adimplência junto aos 
seus compromissos de pagamentos e, portanto, é o indicador que mostra 
a	capacidade	de	uma	nação	em	honrar	com	seus	compromissos	financei-
ros, especialmente em momentos de instabilidade econômica.
De que forma podem ser compreendidos ou avaliados os resultados 
das duas principais contas (transações correntes e conta capital e 
financeira)?
40 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Transações correntes ou conta corrente: segundo Maia (2013, p. 83-
84),	quando	o	saldo	dessa	conta	for	positivo,	significa	que	as	receitas	de	
divisas são maiores que as despesas de divisas e isso impede o desdobra-
mento de uma crise cambial, pois mostra que o país pode pagar suas obri-
gações	em	moedas	estrangeiras	e,	portanto,	inspira	confiança.	Quando	o	
saldo dessa conta for negativo, deixa o país em condições vulneráveis 
a crises cambiais. Isso porque, de forma inversa ao que se falou sobre o 
saldo	positivo,	o	saldo	negativo	 inspira	desconfiança	dos	 investidores	e	
banqueiros e leva os organismos de crédito internacional a darem notas 
negativas	ao	país”,	desdobrando-se	em	forma	de	elevação	de	custos	fi-
nanceiros quando da captação de recursos a serem tomados pelo país e 
pelas empresas brasileiras.
No caso do exemplo dado no quadro acima, observa-se que em 2011 o 
país registrou saldo negativo de aproximadamente US$ 52 bilhões, puxa-
do especialmente pelo déficit apresentado na conta “serviços” e “rendas”. 
Nesse contexto, é importante mostrar a contribuição da balança comer-
cial nessa conta, pois apesar de a mesma ter apresentado superávit co-
mercial	de	aproximadamente	US$	30	bilhões,	não	 foi	o	suficiente	para	
cobrir o déficit	de	aproximadamente	US$ 85	bilhões	nas	contas	de	“servi-
ços” e “rendas”.
Conta capital e financeira:	essa	conta	reflete	todos	os	investimentos	que	
são feitos pelo Brasil no exterior ou de investidores estrangeiros no Brasil, 
sejam eles de curto, médio ou longo prazo. De acordo com o exemplo 
apresentado no quadro 1, observa-se que tanto os investimentos diretos 
estrangeiros, considerados de médio e longo prazo, como os investimen-
tos em carteira, considerados como capital especulativo e de curto prazo, 
apresentaram saldos positivos, fazendo com que o resultado da conta 
capital	e	financeira	fechasse	o	ano	com	saldo	positivo,	ou	seja,	em	aproxi-
madamente US$ 111 bilhões, contribuindo para que o país contabilizasse 
uma reserva cambial de aproximadamente US$ 59 bilhões. No entanto, 
sobre	esse	resultado,	uma	importante	análise	que	deve	ser	feita	é:	
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 41
Como interpretar essas duas contas conjuntamente?
Ao	final	de	2011,	o	resultado	do	balanço	foi	positivo,	ou	seja,	o	país	conta-
bilizouuma reserva cambial de aproximadamente US$ 59 bilhões. No en-
tanto, o que precisa atentar é para o fato de que, apesar de ser avaliado 
como positivo para o país, esse resultado está suportado pelo saldo positivo 
apresentado	pela	conta	capital	e	financeira	e	não	pela	conta	de	transações	
correntes, que é a conta que de fato mostra a geração efetiva de divisas de 
um	país.	A	conta	capital	e	financeira	é	proveniente	de	capital	de	investidores	
e, portanto, numa situação de vulnerabilidade do país, como, por exemplo, 
risco	econômico,	financeiro,	político,	em	que	o	investidor	se	sinta	ameaçado	
de alguma forma, ele pode retirar seus investimentos e transferi-los para 
mercados de menor risco. Dessa forma, o ideal é que essas reservas cam-
biais sejam sustentadas por divisas geradas pelo próprio país, ou seja, pelas 
contas pertencentes a transações correntes que têm como principal parti-
cipante a balança comercial, e não apenas em função de investimentos ad-
vindos de terceiros. É por isso que as transações comerciais de uma nação, 
representadas pelas exportações e importações, fazem a diferença para um 
país, pois por meio delas se geram divisas que suportam os compromissos 
em moeda estrangeira deste país em relação aos seus parceiros, conside-
rando que em uma realidade de globalização, esses recursos têm papel sig-
nificativo	na	dinâmica	do	desenvolvimento	das	nações.
EXEMPLIFICANDO
O resultado do balanço de pagamentos, ou conhecido como 
o volume de reservas cambiais geradas por um país, é fruto 
da soma da conta de transações correntes, da conta capital 
e	financeira	e	de	pequenos	ajustes	feitos	pelo	Banco	Central	
(erros e omissões). Por que é importante avaliar o resultado 
separando as principais contas (transações correntes e conta 
capital	financeira)?	Porque	esse	resultado	pode	ser	o	resultado
42 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
do balanço de pagamentos, ou conhecido como o volume de 
reservas cambiais geradas por um país, é fruto da soma da 
conta	de	transações	correntes,	da	conta	capital	e	financeira	e	
de pequenos ajustes feitos pelo Banco Central (erros e omis-
sões). Por que é importante avaliar o resultado separando as 
principais	contas	(transações	correntes	e	conta	capital	finan-
ceira)?	Porque	esse	resultado	pode	ser	comparado	às	contas	
de uma pessoa. Imagine uma pessoa que tem seu emprego 
e, portanto, mensalmente recebe um salário de $ 100 (receita 
fruto de seu trabalho), mas envia ou paga mensalmente uma 
dívida	de	$ 120,	ficando	sistematicamente	com	um	saldo	ne-
gativo de $ 20 (TC). No entanto, há um familiar que acredita no 
esforço e no potencial futuro dessa pessoa, e por um tempo 
resolve investir nela e garante um depósito mensal de $ 200 
(CCF), de forma que mensalmente ela contabiliza um saldo 
positivo de $ 180,00 (reservas cambiais). Aparentemente, essa 
pessoa está mantendo uma “poupança” de $ 180,00, no en-
tanto, esse recurso só existe porque alguém acredita em seu 
potencial, mas quando esse recurso for interrompido, a pes-
soa voltará a contabilizar saldos negativos, pois sua geração 
de renda não é capaz de, por si só, cobrir suas dívidas. Com 
esse raciocínio, entende-se que essa pessoa deve buscar for-
mas de aumentar essa receita (saldos comerciais) e se tornar 
independente	de	seus	investidores	(conta	capital	e	financeira).
E por último, outro indicador importante que os investidores observam é 
o percentual das transações correntes em relação ao PIB, que no exemplo 
dado	ficou	negativo	em	-2,12%.	Esse	percentual	é	feito	a	partir	do	que	se	
gerou em Transações Correntes sobre o PIB do mesmo ano, para que se 
tenha um parâmetro da geração de divisas em relação à renda nacional 
gerada a partir dos bens e serviços produzidos.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 43
Portanto, toda essa análise foi feita para ressaltar a importância que as 
relações comerciais de um país têm sobre os seus resultados. Vale desta-
car o que foi mencionado sobre a opinião dos economistas em relação a 
saldos superavitários ou deficitários comerciais em economia de países 
menos ou mais desenvolvidos, e também o que diz a Teoria da Vantagem 
Comparativa, cujos fatores de produção podem se constituir um impor-
tante diferencial para uma nação, de maneira que esta aumente seu grau 
de exportações comparativamente a importações e, assim, possa ajudar 
o país a fortalecer suas contas externas.
LINK
Os resultados apurados dos saldos da balança comercial e 
do balanço de pagamentos e divulgados pelo Banco Central 
do	 Brasil,	 está	 disponível	 em:	 <http://www.bcb.gov.br/pec/
Indeco/Port/indeco.asp>.	Acesso	em:	25	abr.	2018.
ASSIMILE
A Teoria da Vantagem Comparativa busca indicar quais os 
bens que um país deve focar considerando os fatores de pro-
dução	mais	eficientes	e	que	devolverão	à	nação	melhoria	em	
termos de receitas e de bem-estar social, por meio do au-
mento da participação no comércio mundial.
44 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
O Brasil constitui-se como um dos países mais importantes dentro 
do bloco econômico do Mercosul. No entanto, em termos de acor-
dos, tem sido um dos países que menos teve êxito nos últimos anos. 
Pesquise quais volumes foram comercializados pela balança comer-
cial brasileira em termos de exportação, importação e saldo comer-
cial	de	bens	nos	últimos	dez	anos	e	identifique	de	que	forma	a	ba-
lança comercial contribuiu para o resultado da conta de transações 
correntes do balanço de pagamentos. A pesquisa pode ser feita nos 
sites	do:	Ministério	da	 Indústria,	Comércio	Exterior	e	Serviços,	dis-
ponível	 em:	 <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/
estatisticas-de-comercio-exterior>, e no Banco Central do Brasil, 
disponível	 em:	 http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp>. 
Acesso	em:	25	abr.	2017.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
3. Considerações Finais
• O balanço de pagamentos constitui-se numa importante medida 
contábil	para	medir	o	volume	de	transações	comerciais	e	financeiras,	
visando reduzir impactos econômicos. Essa necessidade tornou-se 
mais	premente	com	o	aumento	do	fluxo	de	capitais	entre	as	nações,	
elevando-se, portanto, o grau de incertezas quanto à capacidade 
dos países em honrar seus compromissos.
• A balança comercial é um importante instrumento econômico que 
uma	nação	deve	utilizar	para	 suportar	 seus	 compromissos	finan-
ceiros junto à comunidade internacional, especialmente dentro de 
uma realidade de economia globalizada.
• A Teoria da Vantagem Comparativa busca indicar os bens e servi-
ços mais competitivos e vantajosos que um país pode utilizar para 
aumentar o seu grau de participação no comércio mundial e, assim, 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 45
elevar também o nível de bem-estar social das pessoas. A teoria 
deve ser utilizada com cautela, especialmente para tomada de deci-
são de política econômica e externa.
• Dentro de um contexto de globalização, as exportações têm sido 
utilizadas como estratégia de entrada em mercados estrangeiros, 
principalmente por pequenas e médias empresas. Do lado das 
importações, há também uma busca por produtos que venham 
atender às necessidades de um país a um custo mais baixo, visando 
ajudar as empresas a manterem a sua lucratividade.
Glossário
• TC e CCF:	transações	correntes	e	conta	capital	e	financeira.
• FMI: Fundo Monetário Internacional. Principal instituição que 
faz	parte	do	sistema	financeiro	 internacional,	 cuja	principal	fina-
lidade	 é	 evitar	 o	 desequilíbrio	 econômico-financeiro	 entre	 seus	
países-membros. 
• Superávit e déficit comercial: resultados atrelados ao saldo da ba-
lança comercial. Superávit e déficit comercial representam o crédito 
e débito, respectivamente, em moeda estrangeira das transações 
comerciais entre países.VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 2
1. Segundo tudo o que você leu até agora, o saldo das tran-
sações	correntes	é:
a) A soma do saldo da balança comercial, da balança de 
serviços, das rendas e das transferências unilaterais de 
um país.
46 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
b) As exportações menos as importações.
c) As	reservas	cambiais	menos	a	conta	capital	financeira.
d) A soma do saldo da balança comercial mais a conta 
financeira.
e) As	reservas	cambiais	mais	a	conta	capital	financeira.
2. A	Teoria	da	Vantagem	Comparativa	está	relacionada	a:	
a) Exportação menos importação.
b) Reservas cambiais.
c) Moeda estrangeira.
d) Teoria	que	auxilia	na	identificação	dos	bens	e	serviços	
mais vantajosos a serem comercializados por um país.
e) Taxa de câmbio.
3. O	resultado	do	balanço	reflete:
a) Somente as exportações.
b) As reservas cambiais.
c) Somente as importações.
d) Somente o volume dos investimentos diretos 
estrangeiros.
e) Somente o volume dos investimentos em carteira.
Referências Bibliográficas
SILVA,	C.	R.	L.	da;	LUIZ,	S. Economia e mercados:	introdução	à	economia. 19.	ed.	São	
Paulo:	Saraiva,	2010.
CAVUSGIL, S.T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estraté-
gia,	gestão	e	novas	realidades.	t.	1.	ed.	São	Paulo:	Pearson	Prentice	Hall,	2010.
MARIZ	MAIA,	 J. Economia internacional e comércio exterior.  15.	 ed.	 São	Paulo:	
Atlas, 2013.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 47
Gabarito – Tema 02
Questão 1	–	Resposta:	A
O saldo das transações correntes representa a soma do saldo da 
balança comercial mais a balança de serviços, mais a renda, mais as 
transferências unilaterais.
Questão 2	–	Resposta:	D
A Teoria da Vantagem Comparativa ajuda a determinar qual o produto 
mais competitivo e vantajoso para ser comercializado por um país.
Questão 3	–	Resposta:	B
O	resultado	do	balanço	reflete	o	volume	de	reservas	cambiais,	que	é	
a	soma	da	conta	de	transações	correntes,	da	conta	capital	e	financei-
ra e dos erros e omissões.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 48
TEMA 03
TAXA DE CÂMBIO – O VALOR ENTRE 
MOEDAS
Objetivos
• Apresentar e fundamentar de forma detalhada câm-
bio e taxa de câmbio.
• Aprender a analisar o funcionamento do equilíbrio do 
mercado de moedas.
• Mostrar a importância do impacto da taxa cambial 
sobre o resultado das transações correntes do balan-
ço de pagamentos de um país.
• Entender a forma como ocorre a intervenção do gover-
no	e	seu	poder	de	influência	no	nível	da	taxa	cambial.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 49
Introdução
Você	verá	que	o	fluxo	comercial	internacional	pode	ser	afetado	por	diver-
sos	fatores,	como:	inflação,	renda	nacional,	restrições	governamentais	e	
taxa de câmbio. Este tópico se aprofundará em um desses fatores que é a 
taxa	de	câmbio.	Em	primeiro	lugar:
A moeda de cada país é avaliada em termos de outras moedas pelo uso das 
taxas de câmbio de modo que o câmbio (troca) das moedas possa ser feito 
para facilitar as transações internacionais. Os valores da maioria das mo-
edas	podem	flutuar	no	decorrer	do	tempo	devido	ao	mercado	e	às	forças	
governamentais. Se a moeda de um país começar a aumentar em valor em 
comparação com outras, o saldo de sua conta de transações correntes 
deverá crescer, o mesmo ocorrendo em outras áreas. Se a moeda se forta-
lecer, as mercadorias exportadas por esse país se tornarão mais caras para 
os países importadores. Como consequência, haverá um decréscimo na de-
manda	desses	produtos.	(MADURA,	2008,	p.	44)
É importante destacar que a taxa cambial, principal estudo deste tópico, é 
um importante instrumento de ajuste do saldo das contas de transações 
correntes	mencionado	por	Madura	(2008,	p.	44).	Esse	saldo	diz	respeito	ao	
que efetivamente é gerado de moedas estrangeiras pelos países. Dentro 
da estrutura de balanço de pagamentos padronizada pelo FMI, esse saldo 
reflete	a	soma	do	saldo	da	balança	comercial	mais	o	saldo	da	balança	de	
serviços, mais a soma das rendas que é composta por juros, lucros, divi-
dendos gerados por empresas multinacionais e mais a soma das transfe-
rências unilaterais (donativos e envio a residentes fora do país), que to-
dos, conjuntamente, compõem uma parte chamada transações correntes 
do balanço de pagamentos, já discorrido no Tema anterior. Segundo Maia 
(2013,	p.	83-84),	quando	esse	saldo	se	apresenta	positivo,	significa	que	as	
receitas de divisas (moedas estrangeiras) são maiores que as despesas de 
divisas e isso impede o surgimento das crises cambiais, pois mostra que 
o país pode pagar seus compromissos externos em moedas estrangei-
ras.	Da	mesma	forma	que,	quando	esse	saldo	for	negativo,	significa	que	
o	país	está	em	condições	vulneráveis	a	crises	cambiais	e	com	dificulda-
de	em	honrar	seus	compromissos,	gerando,	portanto,	desconfiança	nos	
50 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
investidores e nos banqueiros quanto à capacidade do país em honrar 
seus compromissos externos.
É, portanto, nesse contexto do impacto que as taxas de câmbio têm so-
bre	as	transações	comerciais	e	financeiras	de	um	país	que	o	tema	será	
abordado,	 visando	preparar	os	profissionais	 envolvidos	a	 identificar	 as	
vantagens, desvantagens e os impactos do uso de regimes diferenciados 
da taxa, bem como da atuação do governo nesse mercado.
1. Câmbio e Taxa de Câmbio: Conceitos
Câmbio é a simples operação de troca da moeda de um país pela moeda 
de outro país e pode ser de compra ou de venda. Adicionalmente, é im-
portante entender também o conceito de conversibilidade das moedas. 
São conversíveis as moedas que têm livre aceitação e negociação no mer-
cado	de	câmbio	no	mundo	todo	(exemplo:	dólar	norte-americano,	euro,	
iene). Essa conversibilidade está relacionada com a credibilidade do país 
emitente	da	moeda	no	que	diz	respeito	às	suas	políticas	monetária,	fis-
cal,	econômica	e	cambial	junto	à	comunidade	financeira	internacional,	ou	
seja, são aceitas como meio de troca, reserva de valor, unidade de conta 
e são chamadas de divisas. Por outro lado, as moedas inconversíveis são 
aquelas moedas que não possuem características de livre aceitação e ne-
gociação	pelos	agentes	econômicos	e	financeiros	de	todo	o	mundo.
Quanto ao conceito de taxa de câmbio, este diz respeito ao preço que se 
paga pela moeda estrangeira negociada. Imagine um exemplo hipotético 
de uma taxa cambial do dólar norte-americano no Brasil sendo R$ 3,00. 
O	que	significa	essa	taxa?	Significa	que	são	necessários	R$	3,00	para	se	
comprar	US$ 1.
Quanto ao valor do seu preço de compra e de venda, no Brasil, esse pre-
ço tem sempre como referência os intermediadores (bancos) autoriza-
dos pelo Banco Central para negociarem a moeda no mercado brasileiro. 
Portanto, quando se diz que a taxa é de compra, é o preço que o banco 
pagará pela compra da moeda de quem está vendendo, e quando diz que 
a taxa é de venda, é o preço que o banco venderá a moeda para quem está 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 51
comprando. Dessa forma, a taxa de compra é sempre menor que a taxa 
de venda, pois o banco é a principal referência de negociação, logo, ele 
compra mais barato e vende mais caro para seu ganho de intermediação.
Quanto aos regimes de taxas de câmbio, eles podem ser categorizados 
em:	taxa	de	câmbio	fixa,	taxa	de	câmbio	flutuante	livre,	taxa	de	câmbio	
flutuante	gerenciada	e	taxa	de	câmbio	referenciada.	Independentemente	
do regime cambial adotado por um país, a administração e o monitora-
mento da taxa de câmbio é feito pelo governo por meio do Banco Central. 
Vale lembrar que este, além de se preocupar com as ações de política 
cambial, exerce também um papel importante na condução de política 
monetária, de forma a tercontrole também sobre a circulação da moeda 
nacional de um país que está condicionado ao regime cambial adotado.
Quanto à atuação governamental, os países adotam regimes que julgam 
mais factíveis dentro de sua realidade. A decisão do país em que regime 
adotar	 tem	 como	 embasamento:	 suas	 expectativas	 de	 crescimento	 de	
seu mercado doméstico, a sua importância e dependência no tocante aos 
seus parceiros comerciais, sua representatividade no comércio mundial e 
outros	fundamentos	econômicos	específicos	de	cada	país	(inflação,	atra-
tividade de seu mercado doméstico para investimentos, participação de 
empresas	multinacionais,	estrutura	de	seu	mercado	financeiro	e	outros).	
Portanto, os próximos tópicos abordarão as características, as vantagens, 
as desvantagens dos regimes cambiais adotados e o impacto da interven-
ção governamental dentro desse mercado de câmbio.
1.1. Taxa de câmbio: regimes
Após a ruptura do sistema Bretton Woods, o Fundo Monetário Internacional 
(FMI) passou a negociar arranjos cambiais para buscar um norte para as 
transações correntes dos seus países-membros. Portanto, cada país pas-
sou a adotar regimes que mais se ajustassem à sua realidade, consideran-
do	vários	fundamentos	específicos	de	sua	economia,	conforme	citado	no	
tópico anterior. É nessa direção que, segundo Madura (2008, p. 178), as 
taxas	de	câmbio	podem	ser	classificadas	de	acordo	com	o	grau	em	que	
52 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
são	controladas	pelo	governo,	portanto,	categorizadas	em:	taxa	de	câm-
bio	fixa;	taxa	de	câmbio	flutuante	livre;	taxa	de	câmbio	flutuante	gerencia-
da e taxa de câmbio referenciada.
Taxa de câmbio fixa: nesse regime, o governo de um país, por meio das 
autoridades monetárias nacionais, intervém e decide manter o valor de 
uma moeda estipulado em relação ao de outra (ou a um valor de uma 
cesta	de	moedas)	como	uma	espécie	de	taxa	prefixada.	Por	exemplo,	um	
país resolve manter sua moeda atrelada ao dólar americano dentro de li-
mites preestabelecidos e bem estreitos e, no caso de apresentar oscilação 
forte, o governo intervém para mantê-la dentro dos limites desejados. De 
certa forma, esse era um regime usado pelo sistema Bretton Woods, em 
que cada moeda era avaliada em termos de dólar-ouro, ou seja, uma vez 
que	todas	tinham	uma	só	referência,	seus	valores	entre	si	eram	fixos.
PARA SABER MAIS
Foi num contexto turbulento, logo após a 2ª Guerra Mundial, 
em que a necessidade de se estabelecer um padrão-base 
para uma moeda internacional era imprescindível, que sur-
giu	o	sistema	Bretton	Woods,	cujo	papel	foi	definir	o	dólar-
-ouro como padrão de conversão de moedas, substituindo 
o	padrão-ouro	vigente	até	então.	Esse	episódio	ficou	conhe-
cido como sistema Bretton Woods pelo fato de ter ocorrido 
em	julho	de	1944,	em	Bretton	Woods	(New	Hampshire,	EUA),	
na Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas, 
com	representantes	de	44	países,	para	planejar	a	estabiliza-
ção da economia internacional e das moedas nacionais pre-
judicadas pela 2ª Guerra Mundial. Essa conferência decidiu 
pela criação de instituições e normas, cujo objetivo era gerir 
a economia mundial por meio da redução de tensões e estí-
mulo ao comércio e ao desenvolvimento.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 53
LINK
Veja as legislações e normas do Banco Central quanto ao câm-
bio	 em:	 <https://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/CAMBIOLEG>. 
Acesso	em:	27	abr.	2018.
Taxa de câmbio flutuante livre: nesse regime não há a intervenção sis-
temática	do	governo	e,	ao	contrário	da	taxa	de	câmbio	fixa,	a	flutuante	
permite	completa	flexibilidade	e	os	valores	se	ajustam	baseados	numa	
resposta contínua às condições de oferta e demanda dessa moeda no 
mercado.	Esse	sistema	dá	mais	flexibilidade	ao	governo	para	corrigir,	de	
forma	mais	natural,	possível	déficit	em	sua	balança	comercial	e,	conse-
quentemente, em seu balanço de pagamentos. O Brasil, a partir de 1999, 
passou	a	adotar	o	regime	de	câmbio	flutuante	livre,	no	entanto,	entre	o	
período	de	1994	a	1999,	utilizou	o	regime	de	taxa	de	câmbio	indexada	a	
bandas horizontais.
Taxa de câmbio flutuante gerenciada:	esse	regime	fica	entre	o	regime	
fixo	e	o	regime	flutuante	livre.	Pode	ser	chamado	também	de	livre	flutua-
ção,	pois	diariamente	se	movimenta	sem	limites	oficiais,	no	entanto,	em	
algum	momento,	pode	parecer	o	regime	de	taxa	fixo,	pois	o	governo	pode	
praticar a intervenção a qualquer momento para evitar que suas moedas 
oscilem demais numa determinada direção, ou seja, subindo ou caindo 
em relação à moeda de sua paridade.
Taxa de câmbio referenciada ou currency board: trata-se de algo seme-
lhante à dolarização. O país que adota esse regime assume um compro-
misso formal de converter sua moeda nacional em outro ativo que seja 
aceito no âmbito internacional, ou seja, perde a liberdade de praticar sua 
própria política monetária, pois lastreia sua base monetária de moeda 
nacional	na	moeda	forte	definida	e,	de	certa,	forma,	acaba	por	tomar	em-
prestada	a	confiança	da	moeda	estrangeira	adotada	em	detrimento	à	sua	
moeda nacional.
54 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Tabela	1	–	Regimes	cambiais	versus	vantagens,	desvantagens	e	impactos	BP*
Regime Vantagem Desvantagem Impacto no BP* e risco
Taxa de 
câmbio 
fixa
• Maior estabilidade 
e previsibilidade da 
oscilação da taxa.
• Maior controle da 
Inflação.
• Possibilidade de valoriza-
ção da moeda nacional 
e assim provocar uma 
diminuição das exporta-
ções e elevação das im-
portações.
• Risco de o balanço 
de	pagamentos	ficar	
deficitário	e	o	país	
sem condições de 
honrar com os seus 
compromissos.
Taxa de 
câmbio 
flutuante	
livre
• Flexibilidade para 
mudar a política 
monetária confor-
me as circunstân-
cias do país. 
• Permite correção 
natural e rápida nos 
déficits	comerciais	e	
financeiros
• Aumentam as incertezas 
de contaminação de des-
valorização da moeda na-
cional com impacto sobre 
os preços internos, prin-
cipalmente se for uma 
economia dependente 
de importação. Ameaça 
inflação
• Maior	flexibilida-
de de correção de 
possíveis	déficits	co-
merciais	e	ou	finan-
ceiros	no	BP*.
Taxa de 
câmbio 
flutuante	
gerencia-
da
• Possibilidade de o 
governo interferir 
na taxa de câmbio, 
sem	fixá-la,	com	o	
objetivo de direcio-
ná-la para um pa-
tamar conveniente 
para os exportado-
res e importadores.
• Possibilidade de manipu-
lação desse regime cau-
sa incerteza nos países 
parceiros no comércio 
mundial, pois críticos en-
tendem que essa mani-
pulação	pode	beneficiar	
alguns em detrimento de 
prejuízos de outros.
• Maior	flexibilida-
de de correção de 
possíveis	déficits	co-
merciais	e	ou	finan-
ceiros	no	BP*,	por	
meio da intervenção 
das autoridades 
monetárias.
Taxa de 
câmbio 
referen-
ciada ou 
currency-
-board
• Pode ajudar países 
em momentos de 
crise, uma vez que 
referencia a sua mo-
eda nacional a uma 
moeda forte inter-
nacional.
• Não tem liberdade para 
definir	sua	própria	polí-
tica monetária, uma vez 
que seu volume de moe-
das está atrelado a uma 
moeda mais forte.
• Reduz, ainda que 
momentaneamente, 
o risco do país que 
adota esse regime 
de não honrar com 
os seus compromis-
sos em moeda es-
trangeira.
Fonte:	preparada	pela	autora	com	base	em	Madura	(2008,	p.	178-183).	(*)	Balanço	de	Pagamentos
Portanto, o uso e a escolha do regime cambial dependem das circunstân-
cias, dos objetivos e da força e representatividade econômica que um de-
terminado país tem dentro do contexto das transações internacionais, não 
tendo	um	regime	ideal	que	funcione	eficazmente	para	todas	as	nações.	É	
necessário que se avalie e entenda o contexto para que se decida pelo me-
lhor	regime	que	atenda	às	necessidades	específicas	de	cada	economia.Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 55
1.2. Taxa de câmbio: intervenção governamental
De acordo com o que você viu no tópico anterior, os regimes cambiais 
são categorizados e cada país utiliza o regime que mais se ajusta às suas 
necessidades do ponto de vista dos fundamentos econômicos de seu 
mercado	doméstico	e	de	suas	transações	econômico-financeiras	junto	ao	
mercado	internacional.	Essa	definição	é	dada	pelos	seus	governantes	por	
meio de um banco central que atua dentro nos países e, portanto, essa 
instituição	poderá	intervir	no	mercado	de	câmbio	a	fim	de	controlar	o	va-
lor	de	sua	moeda,	ainda	que,	em	alguns	casos,	seja	regime	flutuante	livre,	
que é o caso do Brasil.
Dessa forma, as razões e a maneira pelas quais ocorrem essas interven-
ções dependem do grau pelo qual essa moeda é controlada ou “geren-
ciada”. Portanto, segundo Madura (2008, p. 192), são três as razões pelas 
quais	os	bancos	centrais	gerenciam	essas	moedas:	a)	estabilizar	as	osci-
lações das taxas; b) dar limites às taxas e; c) dar resposta ao mercado de 
volatilidade temporária. 
Vale destacar que as intervenções governamentais têm como caracterís-
tica amenizar possíveis distorções ou choques cambiais, mas que não ne-
cessariamente	solucione	permanentemente	as	oscilações/volatilidade	da	
taxa cambial. Há duas maneiras de o governo intervir junto ao mercado 
cambial, de forma direta e forma indireta.
Forma direta: o Banco Central atua diretamente no mercado de câmbio 
por meio de suas reservas cambiais. Imagine uma situação hipotética em 
que o dólar norte-americano atinja patamares altos, ou seja, uma des-
valorização do real frente a moedas estrangeiras de forma que coloque 
em	risco	os	 fundamentos	econômicos,	especialmente	a	 inflação.	Nesse	
caso, o Banco Central utiliza-se de alguns instrumentos para abastecer o 
mercado de dólar, pois parte-se do princípio que quanto mais ofertar a 
moeda	no	mercado	de	câmbio,	mais	influenciará	a	taxa	cambial	a	recuar.	
Esses instrumentos são leilões da moeda no mercado à vista e leilões de 
56 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
títulos	do	governo	e/ou	outros	mecanismos	com	resultados	mais	lentos,	
como taxa de depósito compulsório ou elevação ou redução de tributa-
ção	sobre	movimentação	financeira,	visando	aumentar	ou	reduzir	volume	
de moeda estrangeira com impacto na oferta e demanda e, portanto, na 
taxa cambial.
LINK
Entenda como funciona um dos principais mecanismos de in-
tervenção cambial do Bacen, o swap	cambial,	em:	MARTELLO,	
A. Entenda: swap cambial, leilão de linha e venda direta 
de dólares. 2015.	Disponível	em:	<http://g1.globo.com/eco-
nomia/noticia/2015/09/entenda-o-que-e-swap-cambial-lei-
lao-de-linha-e-venda-direta-de-dolares.html>.
Acesso	em:	29	abr.	2018.
No caso dessa atuação direta, prevalece o conceito de oferta e demanda, 
em	que:
Tabela	2	–	Comportamento	da	taxa	de	câmbio	versus	oferta	e	demanda
O = Oferta
D = Demanda Taxa estável
Taxa 
ascendente
Taxa 
descendente
O igual a D X
O cresce e D cresce igualmente X
O diminui e D diminui igualmente X
D maior que O X
D estável e O diminui X
O cresce e D cresce mais que O X
O diminui e D diminui menos que O X
O cresce e D	fica	estável X
O cresce e D diminui X
D cresce e O cresce mais que D X
D diminui e O	fica	estável X
O diminui e D diminui mais que O X
Fonte:	preparada	pela	autora	e	extraída	de	Maia	(2013,	p.	186)
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 57
Forma indireta: independente da qualidade e capacidade de um país em 
produzir bens e serviços competitivos no mercado internacional, a taxa 
de câmbio é um dos instrumentos utilizados pelo governo para estimular 
e manter a competitividade desses bens e serviços e, assim, ter condições 
de gerar divisas para o país. Nesse sentido, o governo tem todo o interes-
se em tomar ações de política cambial com esse objetivo. Dessa maneira, 
após conhecermos a forma direta que as autoridades monetárias têm 
de interferir no patamar da taxa cambial, o Banco Central pode praticar 
uma intervenção indireta manipulando alguns fundamentos econômicos. 
Esses fundamentos visam compor a variação percentual da taxa cambial 
à vista que é aquela praticada no presente das negociações, e não aquela 
que carrega em si expectativas, que são chamadas de taxas futuras.
Sendo assim, segundo Madura (2008, p. 195), o Banco Central poderá in-
fluenciar	variáveis	que	terão	impacto	sobre	a	taxa	cambial	adequada	às	
necessidades de se atender a demandas do comércio internacional. Essas 
variáveis	são:	a	inflação	interna	do	país	comparativamente	à	inflação	ex-
terna (de outros países), a taxa de juros interna versus a taxa de juros 
internacional (Estados Unidos são sempre referência), nível de renda do-
méstica versus de outras economias, poder de controle do governo e va-
riação das expectativas de taxas de câmbio futuras. De todas as variáveis 
de impacto citadas, o monitoramento da taxa de juros interna é uma das 
mais utilizadas pelo governo visando cumprir esse objetivo.
2. Determinação da taxa de câmbio
Para se entender o que determina a taxa de câmbio, é importante re-
forçar que a taxa de câmbio mede o valor de uma moeda em unidades 
da outra moeda, ou seja, representa o quanto de moeda nacional um 
país precisa dispor para obter uma moeda estrangeira. Dessa forma, as 
condições	econômicas	dos	países	que	estabelecem	parcerias	influenciam	
significativamente	a	 formação	dessa	 taxa,	pois	ela	 representará	o	grau	
58 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
de competitividade e atratividade que um determinado país oferece em 
suas	transações	comerciais	e	financeiras.	Vale	destacar	que,	para	fins	de	
estudos e análises deste tópico, será utilizado como referência o dólar 
norte-americano.
Um dos principais impactos das condições macroeconômicas para a taxa 
cambial é a valorização ou desvalorização da moeda. Entende-se como 
valorização quando a moeda nacional está mais forte do que a moeda 
estrangeira, e entende-se como desvalorização quando a moeda nacional 
está	mais	fraca	do	que	a	moeda	estrangeira.	Dessa	forma:
Tabela	3	–	Análise	da	valorização	e	desvalorização 
do R$ versus US$ e seus impactos
Data
R$ / 
US$ *
Variação 
% **
Interpretação do 
resultado positivo 
ou negativo
Impacto para balança 
comercial
Mês 1 3,1000 - - -
Mês 2 3,1500 +1,61%
Resultado positivo:	 signifi-
ca que o dólar (US$) se va-
lorizou em relação ao real 
(R$), ou seja, o real se des-
valorizou em relação ao dó-
lar, pois são necessárias, no 
mês 2, mais moedas em re-
ais, comparativamente ao 
mês 1, para adquirir US$ 1.
Exportações: com a desvalo-
rização do real, os produtos 
brasileiros	ficam	mais	bara-
tos para os norte-america-
nos e parceiros comerciais, 
e estimula exportações.
Importações: os produtos 
importados	ficam	mais	caros	
para o mercado brasileiro. 
Desestímulo às importações.
Mês 3 3,0500 -	3,17%
Resultado negativo: sig-
nifica	 que	 o	 dólar	 (US$)	 se	
desvalorizou em relação ao 
real (R$), ou seja, o real se 
valorizou em relação ao dó-
lar, pois são necessárias, no 
mês 3, menos moedas em 
reais, comparativamente ao 
mês 2, para adquirir US$ 1.
Exportações: com a valori-
zação do real, os produtos 
brasileiros	ficam	mais	caros	
para os norte-americanos e 
parceiros comerciais e de-
sestimula exportações.
Importações: os produtos 
importados	ficam	mais	bara-
tos para o mercado brasilei-
ro. Estímulo às importações.
Fonte:	preparada	pela	autora.
(*)	Significa	quanto	de	moeda	em	reais	(R$)	é	necessário	para	adquirir	US$	1.
(**)	Fórmula:	((mês	2	menos	mês	1)	dividido	pelo	mês	1)	multiplicado	por	100.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 59
ASSIMILE
O	Brasil	adota	o	regime	de	taxa	de	câmbio	deflutuação	livre.	
Nesse	regime,	a	valorização	e	desvalorização	da	moeda	fica	
refém das forças de mercado, ou seja, da oferta e demanda 
da moeda estrangeira. O real (R$) é considerado uma moeda 
não conversível e não líquida, portanto, tende a sofrer maior 
volatilidade	em	suas	taxas	de	câmbio	que	afetam	significati-
vamente as condições econômicas do mercado doméstico. 
Valorização cambial: quando a moeda nacional se torna 
mais forte frente à moeda estrangeira na qual se mantêm 
transações	comerciais	ou	financeiras.	Desvalorização cam-
bial: quando a moeda nacional se torna mais fraca frente 
à moeda estrangeira na qual se mantêm transações comer-
ciais	ou	financeiras.
Equilíbrio da taxa cambial: usando como referência o Brasil, o país de-
senvolve	relações	comerciais	e	financeiras	com	outras	nações.	Sendo	as-
sim, constitui-se num ofertante e demandante de moeda estrangeira, pois 
precisa dela para manter suas operações com os seus parceiros comer-
ciais	(exportadores,	importadores)	ou	financeiros	(investimentos	diretos	
estrangeiros, empréstimos, mercado de capitais, etc.). Dessa maneira, 
essa moeda se transforma numa espécie de “produto” que tem um “pre-
ço” e que será utilizado nessas transações. A esse preço dá-se o nome de 
taxa cambial. Usando como referência o conceito de oferta e demanda, 
que é utilizado para o mercado de produtos em geral, com a moeda não 
é diferente, ou seja, o que se geram de moedas estrangeiras via exporta-
ções ou demais atividades versus o que se necessita delas para importa-
ções	ou	outras	necessidades	definirá	o	preço	dela.
60 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Gráficos	1	e	2	–	Exemplo	hipotético	de	preço	(taxa	cambial)	versus	oferta	
e demanda de moedas (divisas)
Fonte:	preparado	pela	autora
Os	gráficos	mostram	o	deslocamento	do	preço	em	função	da	quantidade	
de	divisas/moedas	estrangeiras	que	são	demandadas	ou	ofertadas.	É	um	
exemplo	hipotético	em	que	a	 taxa	cambial	de	equilíbrio	 (R$/	US$	3,20)	
está	equacionada	com	uma	oferta	e	demanda	de	US$	50	bi.	O	Gráfico	
1 mostra a oferta de divisas sem deslocamento, sendo o deslocamento 
feito pela demanda (D1 para mais demanda e D2 para menos demanda 
na quantidade de divisas). Os preços se alteram onde D1 a taxa se eleva 
para	R$/	US$	3,30	e	D2	a	taxa	cai	para	R$/	US$	3,10.	O	Gráfico	2	mostra	
a demanda sem deslocamento, sendo o deslocamento feito pela oferta 
(O1 para mais oferta e O2 para menos oferta na quantidade de divisas). 
Os	preços	se	alteram	onde	O1	a	taxa	cai	para	R$/	US$	3,10	e	O2	a	taxa	se	
eleva para R$ 3,30. São nessas condições que há um forte monitoramento 
por	parte	das	autoridades	monetárias	para	identificar	o	que	é	uma	taxa	
cambial adequada que atenda principalmente às necessidades comerciais 
do país de forma a ter impacto positivo para a economia doméstica. Há de 
se avaliar também o quanto o país é dependente de capitais estrangeiros 
que, ao somar com os resultados das transações correntes, deve garantir 
um volume adequado de reservas cambiais que garantam o pagamento 
dos	compromissos	financeiros	do	país.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 61
Fatores que influenciam as taxas de câmbio: como já mencionado, a 
taxa de câmbio sofre a interferência governamental de forma direta e 
indireta com o objetivo de ajustar os níveis da taxa de câmbio para pata-
mares adequados à realidade econômica do país. Portanto, abaixo são 
apresentadas as variáveis que o governo procura gerenciar para cumprir 
com esse objetivo.
e	=	f	(ΔINF,	ΔINT,	ΔINC,	ΔGC,	ΔEXP)
em	que:
e = porcentagem de variação na taxa à vista.
ΔINF	=	variação	na	diferença	entre	a	inflação	brasileira	e	a	inflação	de	ou-
tro	país	(normalmente	se	utiliza	a	inflação	mundial,	dos	Estados	Unidos	
ou da Europa como referências).
ΔINT	=	variação	na	diferença	entre	a	taxa	de	juros	brasileira	e	a	taxa	de	
juros do outro país (normalmente se utiliza a taxa dos Estados Unidos e 
da Europa como referências).
ΔINC	=	variação	na	diferença	entre	o	nível	de	renda	do	Brasil	e	o	nível	de	
renda de outro país.
ΔGC	=	variação	nos	controles	do	governo.
ΔEXP	=	variação	nas	expectativas	de	taxas	de	câmbio	futuras.
Tabela	4	–	Fatores	influenciadores	na	taxa	de	câmbio	e	impactos
Fator O que afeta Exemplo prático
Diferença 
entre	inflação	
brasileira e de 
outro país 
(inflação 
relativa)
As atividades de 
comércio 
internacional. As 
mais	importantes:	
exportações e 
importações.
Suponha	 que	 a	 inflação	 brasileira	 suba	mais	
do que a dos países parceiros. Pelo lado das 
importações, pode ocorrer um aumento de 
volumes, pois o consumidor buscará no mer-
cado externo produtos com preços mais atra-
tivos do que do mercado interno. Com isso, a 
demanda por moedas estrangeiras tende a se 
elevar e, no caso de a oferta da moeda perma-
necer a mesma, a taxa cambial tende a subir.
62 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Diferença 
entre taxa de 
juro brasileira 
e a taxa de 
juros de outro 
país (juros 
relativos)
O investimento 
em títulos 
estrangeiros.
Suponha que a taxa de juro do Brasil permane-
ça constante ou suba menos que a do mercado 
internacional. Investidores buscarão mercados 
mais atrativos para comprar títulos. Reduzirá 
o volume de oferta de moeda estrangeira no 
Brasil. Se a demanda por moeda no Brasil per-
manecer a mesma, a taxa cambial sobe. 
Diferença do 
nível de 
renda do 
Brasil e renda 
de outro país
Montante de 
demanda por 
importações.
Suponha que o nível de renda no Brasil suba 
mais do que nos países parceiros. O real (R$) 
poderá se valorizar e com isso o empresário 
nacional	ficará	mais	estimulado	a	ofertar	seu	
produto no mercado interno, reduzindo assim 
as exportações. Pelo lado do consumidor, com 
o aumento de renda, poderá buscar produtos 
fora do mercado interno, dessa forma, elevan-
do a demanda por importações. Portanto, a 
oferta por moeda estrangeira tende a dimi-
nuir com a redução de exportação, ao passo 
que a demanda por moeda estrangeira tende 
a se elevar com o aumento das importações. 
Taxa cambial sobe.
Controles do 
governo
Balança comercial 
(volumes de 
exportação e 
importação).
Barreiras/	 incentivos	à	aquisição	de	produtos	
estrangeiros	podem	influenciar	a	oferta	e	de-
manda de moedas. Suponha que o governo 
imponha alíquotas de importação para prote-
ger o mercado doméstico. Nesse caso, reduzi-
ria a procura por importações e, portanto, re-
duziria a demanda por moedas estrangeiras. 
Se o volume de exportação (oferta de moedas 
estrangeiras) permanecer o mesmo, terá mais 
oferta do que demanda, logo, a taxa cambial 
pode cair.
Expectativas 
de taxa de 
câmbio futura
A taxa de câmbio 
à vista no 
presente.
Suponha que haja notícias de que o Brasil não 
honrará com os seus compromissos futuros. 
Impacto. Taxa futura cambial pode subir, ou 
seja, o real (R$) se desvaloriza em relação à mo-
eda estrangeira e isso pode afetar o mercado 
à vista (presente) na medida em que as pesso-
as buscarão se proteger comprando a moeda 
estrangeira no presente. Mais demanda pela 
moeda estrangeira, sem perspectiva de oferta. 
Taxa cambial sobe.
Fonte:	preparado	pela	autora	com	base	nas	informações	retiradas	do	livro	de	Madura	(2008,	p.	105-110).
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 63
PARA SABER MAIS
As reservas cambiais internacionais do Brasil apresentaram 
volumes muito favoráveis nos últimos 15 anos. Saiu de US$ 
37,7	bilhões,	ao	fim	de	2002,	para	um	montante	de	US$	381,2	
bilhões em setembro de 2017. Esse volume de reservas foi 
criado especialmente na década passada com resultados fa-
voráveis de exportações. Essas reservas estão compostas de 
ouro, moeda estrangeira (dólar e outras moedas) e títulos 
públicos. Constitui-se uma poupança importantíssimaque 
protege a economia de fortes crises e dá a garantia ao país 
de honrar seus compromissos com credores nacionais e 
internacionais.
EXEMPLIFICANDO
A	taxa	de	câmbio	se	apresenta	de	duas	maneiras:	como	taxa 
de câmbio nominal e taxa de câmbio real. A taxa de câm-
bio	nominal	reflete	a	paridade	entre	moedas,	ou	seja,	quanto	
vale	US$	1	na	moeda	nacional.	Exemplo	no	Brasil:	quantos	
reais (R$) necessito para comprar um dólar (US$). Já a taxa 
de	câmbio	real	reflete	a	paridade	entre	produtos	(bens	e	ser-
viços), ou seja, é a taxa nominal acrescida da diferença de 
preços entre países. O cálculo da taxa de câmbio real é feito 
pela	fórmula:	er = en	*	((índice	de	preços	externos)	/	 (índice	
de	inflação	doméstica)),	em	que:	er (taxa de câmbio real) e en 
(taxa de câmbio nominal).
64 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Pesquise, compare e analise os volumes comercializados de exporta-
ção, importação, saldo comercial, bem como da conta de transações 
correntes dos últimos dez anos do Brasil, comparativamente à de um 
outro país com regime cambial diferente. A pesquisa pode ser feita 
nos sites do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, dis-
ponível	 em:	 <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/
estatisticas-de-comercio-exterior>, no Banco Central do Brasil, dis-
ponível	em:	<http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp>, e 
no	Fundo	Monetário	Internacional	(FMI),	disponível	em	<http://www.
imf.org/external/datamapper/datasets>.	Acesso	em:	25	abr.	2017.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
3. Considerações Finais
• O Tema buscou mostrar a diferença do conceito entre câmbio e taxa 
de câmbio e, assim, apresentar todas as possibilidades de entendi-
mento e monitoramento da taxa cambial e o quanto a determinação 
de	seu	regime	tem	impacto	significativo	nos	resultados	dos	balan-
ços de pagamentos de um país.
• Apresentou os instrumentos possíveis que podem ser utilizados 
para adequar a taxa às necessidades do mercado doméstico de uma 
nação, visando se manter vivo em suas relações comerciais além de 
suas fronteiras.
• A taxa de câmbio é um importante instrumento monetário que visa 
manter a competitividade comercial de um país, assim como seus 
investimentos.
• A política cambial com impacto sobre o nível da taxa cambial se 
constitui um importante instrumento de competitividade que um 
país lança mão. Vale destacar que não existe um regime cambial 
perfeito, mas sim um regime que se compatibilize à situação macro-
econômica	específica	de	cada	país.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 65
Glossário
• Bandas horizontais: é um regime cambial gerenciado que utili-
za uma taxa de câmbio com valor mínimo (piso) e valor máximo 
(teto). Seu uso tem por objetivo manter baixa volatilidade da taxa 
a	fim	de	manter	sob	controle	a	inflação.
• Taxa de câmbio nominal:	a	taxa	de	câmbio	nominal	reflete	a	pari-
dade entre moedas, ou seja, quanto vale US$ 1 na moeda nacional. 
Exemplo	no	Brasil:	quantos	reais	(R$)	necessito	para	comprar	um	
dólar (US$).
• Taxa de câmbio real:	já	a	taxa	de	câmbio	real	reflete	a	paridade	
entre produtos (bens e serviços), ou seja, é a taxa nominal acresci-
da da diferença de preços entre países.
• Volatilidade:	 oscilação	 de	 ativos	 financeiros,	 como	 exemplo,	 a	
taxa cambial. Essa oscilação está relacionada também ao risco e 
à sensibilidade do ativo em relação a questões macroeconômicas.
• Política cambial: é um conjunto de ações tomadas pelo governo 
por meio do Banco Central, visando manter saudável o nível da 
taxa cambial e, assim, preservar o balanço de pagamentos de um 
país e sua política macroeconômica.
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 3
1. O	conceito	de	câmbio	diz	respeito	a:
a) Troca de uma cesta de moedas de um país pela moeda 
de outro país.
b) Troca de uma moeda de um país pela moeda de ou-
tro país.
66 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
c) A paridade cambial.
d) O saldo das transações correntes.
e) O saldo da balança comercial.
2. O	conceito	de	taxa	de	câmbio	diz	respeito	a:
a) Troca de uma moeda de um país pela moeda de ou-
tro país.
b) É o preço que se negocia pelos bens e serviços 
exportados.
c) É o preço que se paga por uma moeda estrangeira 
negociada.
d) É o preço que se paga pelos bens e serviços importados.
e) É a taxa cobrada pelo FMI referente a negociação de 
moedas.
3. O	regime	de	taxa	de	câmbio	fixa	diz	respeito	a:
a) Taxa determinada pelas forças de mercado quanto à 
oferta e demanda de moedas estrangeiras.
b) Taxa	que	acompanha	a	flutuação	de	moedas	diferen-
tes da do país em questão.
c) Taxa que utiliza o ouro como referência.
d) Taxa	definida	pelas	autoridades	monetárias	de	um	país	
e	que	não	sofrem	flutuação.
e) Taxa	definida	pelo	governo	e	que	acompanha	uma	ban-
da predeterminada.
Referências Bibliográficas
MADURA,	 J.  Finanças corporativas internacionais.  Tradução	 Luciana	 Penteado	
Miquelino.	8.	ed.	São	Paulo:	Cengage	Learning,	2008.
MARIZ	MAIA,	 J. Economia internacional e comércio exterior.  15.	 ed.	 São	Paulo:	
Atlas, 2013.
SILVA,	C.	R.	L.	da;	LUIZ,	S. Economia e mercados: introdução à economia. 19.	ed.	
São	Paulo:	Saraiva,	2010.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 67
Gabarito – Tema 03
Questão 1	–	Resposta:	B
O conceito de câmbio está relacionado à troca de uma moeda de um 
país pela moeda de outro país.
Questão 2	–	Resposta:	C
Trata-se do preço que se paga por uma moeda estrangeira negocia-
da. Esse conceito não pode ser confundido com o conceito de câmbio.
Questão 3	–	Resposta:	D
O	 regime	de	 taxa	 cambial	fixa	diz	 respeito	à	determinação	de	um	
patamar	fixo	em	relação	a	uma	moeda	estrangeira	e	que	é	definida	
pelas autoridades monetárias de um referido país.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 68
TEMA 04
RISCO-PAÍS – O PERIGO INTRÍNSECO
Objetivos
• Mostrar a importância de por que entender o conceito 
do risco-país.
• Conceituar o risco-país. O que é e quais são os riscos 
associados.
• Entender o cálculo do EMBI+ (Emerging Markets Bond 
Index).
• Apresentar os impactos do risco-país para as empresas.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 69
Introdução
Conforme já falado na introdução da disciplina, entender e interpretar in-
dicadores	econômicos	e	financeiros	são	práticas	imprescindíveis	em	um	
cotidiano que envolve decisões. Nesse contexto, vale reforçar que, quan-
do se trata de indicadores abstratos, o cuidado e a atenção em analisá-los 
é redobrado, pois carregam em si muitas informações qualitativas com 
forte impacto sobre as decisões de presente e de futuro. Dessa forma, o 
risco-país pode ser caracterizado como um desses indicadores passíveis 
de	muitas	reflexões	e	análises,	pois	se	constitui	uma	referência	quando	se	
avalia a atratividade de investimentos em um país, tanto do ponto de vista 
de	investimentos	em	ativos	financeiros	no	curto,	médio	e	longo	prazos,	
típicos do mercado de capitais, como, por exemplo títulos do governo, 
como em atratividade de investimentos na economia real de uma nação.
O conceito de risco como termo individual pode ser entendido como uma 
condição própria de um investidor diante das possibilidades de perder 
ou ganhar dinheiro por um determinado investimento escolhido, cuja re-
compensa são os juros ou o lucro recebido pelo investidor por assumir 
determinado risco de incerteza econômica. Ao se acrescentar a esse con-
ceito o termo país (risco-país), entende-se que esse risco passa a incor-
porar, além do risco que já é intrínseco a todo e qualquer investimento 
econômico-financeiro	que	se	faça,	a	possibilidade	de	que	possíveis	mu-
danças no ambiente de negócios de um determinado país se converta em 
perdas no valor dos ativosinvestidos pelos indivíduos ou pelas empresas 
estrangeiras	naquele	país,	com	impacto	nos	lucros,	dividendos	e/ou	ou-
tras formas de rentabilidade que se espera a partir do investimento feito 
por eles (indivíduos ou empresas).
Portanto,	o	tema	proposto	abordará:	o	conceito	do	indicador	risco-país,	
como ele é medido, quais são os tipos de riscos associados a ele, os tipos 
de avaliação, o que é o EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) e os impac-
tos do comportamento do risco-país para as empresas.
70 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
1. Risco-país: conceito e medição
Após	a	Segunda	Guerra	Mundial	(1939	a	1945),	grande	parte	dos	países	
buscava	financiamento	para	se	reconstruír	e	se	desenvolver	e,	portanto,	
foram organizados empréstimos com diversos bancos estrangeiros que 
compartilhavam entre si o risco dessas operações. Um desses países foi 
o Brasil, que. se por um lado, entre 1960 e 1970. teve acesso a volumes 
significativos	captados	no	mercado	internacional	para	investimentos	em	
infraestrutura,	por	outro,	 viu	a	 sua	dívida	externa	aumentar	 significati-
vamente. A partir daí o Banco Central brasileiro passou a gerenciar cui-
dadosamente essa dívida de forma que não houvesse concentração de 
vencimentos no curto prazo. No entanto, no início dos anos 1980, o país, 
além	de	se	deparar	com	uma	forte	redução	no	fluxo	dos	recursos	exter-
nos, deparou-se também com uma expressiva crise no México, recaindo 
sobre	os	países	da	América	Latina	uma	forte	desconfiança	sobre	a	sua	ca-
pacidade de honrar com os seus compromissos. O Brasil sofreu esse im-
pacto	financeiro	e	deixou	de	receber	recursos	na	ordem	de	US$	1,5	bilhão	
por mês, e por não ter na ocasião reservas cambiais, recorreu ao Fundo 
Monetário Internacional (FMI) para suprir suas necessidades de caixa. O 
governo passou a tomar medidas internas para reduzir a sua necessidade 
dos recursos externos e, apesar de ter conseguido esse empréstimo junto 
ao FMI, mobilizou-se também para renegociar a sua dívida externa. O go-
verno dos Estados Unidos passou a coordenar esforços visando o reesca-
lonamento da dívida dos países latino-americanos, incluindo o Brasil. Foi 
quando, em 1989, o secretário do Tesouro Nacional americano, Nicholas 
Brady, ofereceu um plano para a ampliação dos prazos de pagamento, 
descontos, garantias e a substituição de títulos norte-americanos das dí-
vidas já existentes por títulos novos. Em meio a essas iniciativas de re-
estruturação da dívida, ocorreram vários eventos políticos e econômicos 
no cenário interno brasileiro, de forma que a negociação se concretizou 
apenas	em	1994	e	foi	chamado	de	Plano	Brady.	O	plano	contemplava	a	
substituição da dívida velha por títulos nomeados de bradies pelo merca-
do, com prazo de até 30 anos para seu pagamento.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 71
Essa breve introdução é para que você, aluno(a) entenda o ponto de parti-
da sobre a medição do risco-país e a importância que a política macroeco-
nômica adotada pelo governo tem sobre o indicador, que por sua vez re-
cairá também sobre os negócios praticados pelos indivíduos e empresas 
que compõem o sistema econômico de uma nação. Vale destacar que nos 
dias atuais o risco-país é medido pelo índice EMBI+ (Emerging Markets 
Bond	Index)	e	que	será	detalhado	em	um	tópico	específico	neste	Tema.
Sempre	que	há	um	investimento,	seja	em	papéis	financeiros	(títulos,	ações	
e/ou	outros)	ou	em	alguma	atividade	econômica	(empresas),	o	investidor	
tem uma expectativa de retorno sobre o capital investido. Dessa maneira, 
todo investimento tem um risco intrínseco e natural daquilo em que se 
opta por investir, como, por exemplo, investir na compra de um título de 
dívida de uma empresa, na compra de ações dessa empresa para compor 
o seu capital próprio, aplicação do caixa da empresa em títulos do go-
verno, etc. No entanto, todo investimento carrega em si riscos inerentes 
também ao ambiente em que o investimento escolhido está associado, 
ou seja, deve ser considerado também, além do risco inerente a esse ne-
gócio, o risco do país em que a empresa está sediada ou, até mesmo, com 
quem ela estabelece suas relações comerciais. Nesse sentido, é importan-
te se aprofundar como se constitui esse risco-país e quais variáveis estão 
envolvidas no estabelecimento desse risco.
O	risco-país	é	um	 indicador	econômico-financeiro	que	mede	o	grau	de	
confiança	dos	investidores	em	relação	à	capacidade	dos	países	conside-
rados emergentes de honrar com os seus compromissos, sendo que essa 
capacidade	está	diretamente	relacionada	a	fatores	políticos,	geográficos,	
mercadológicos e, principalmente, à adoção e vigência da política macroe-
conômica. Em outras palavras, o governo federal emite títulos públicos de 
curto,	médio	e	longo	prazos	em	troca	de	recursos	financeiros	para	finan-
ciar suas dívidas, sendo, portanto, os compradores desses títulos os seus 
investidores (credores). Dessa forma, pode-se entender o risco-país como 
sendo	um	indicador	que	refletirá,	em	pontos	e	depois	transformados	em	
72 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
percentuais, os juros exigidos pelos investidores (credores) para manter 
os títulos da dívida pública federal dos países emergentes em suas cartei-
ras, sempre baseados na evolução da política macroeconômica do país, 
com impacto no ambiente de negócios no qual essas decisões de investi-
mentos estão inseridas. Vale destacar que a decisão de manter esses tí-
tulos em carteira está condicionada não apenas aos juros, mas também à 
liquidez e atratividade desses títulos no mercado, de forma a serem con-
vertidos em dinheiro rapidamente, e à certeza de que serão devidamente 
honrados em sua data efetiva de vencimento.
Os parâmetros associados a essas decisões e como o indicador é medido 
poderão ser vistos nos tópicos a seguir.
1.1. Risco-país: tipos de avaliação e riscos associados
Os tipos de avaliação que são contemplados no indicador risco-país po-
dem ter um enfoque de macroavaliação e de microavaliação. Segundo 
Madura	(2008,	p.	565):
[...] embora não haja consenso de como é a melhor forma de se avaliar 
o risco-país, algumas diretrizes foram desenvolvidas. O primeiro passo é 
reconhecer a diferença entre (1) uma avaliação geral do risco de um país 
sem a consideração do negócio de uma empresa multinacional e (2) a ava-
liação do risco de um país relacionada ao tipo de negócio de uma empresa 
multinacional. O primeiro tipo poderá ser chamado de macroavaliação do 
risco-país e o último, de microavaliação.
Neste caso, vale ressaltar que o risco-país que está sendo avaliado pela 
disciplina tem como foco principal a macroavaliação e, dessa forma, bus-
ca	identificar	os	fatores	de	risco,	a	forma	de	medição	e	de	acompanha-
mento do indicador risco-país e não procura relacionar isso a casos espe-
cíficos	das	empresas,	que,	neste	caso,	entram	outras	variáveis	além	da-
quelas que serão abordadas pela disciplina. O tópico 2 fará uma menção 
de como o risco-país afeta as decisões de investimentos de uma empresa, 
mas não contemplará fatores de microavaliação. 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 73
Portanto, dentro da macroavaliação, são considerados riscos que estão 
associados	aos	fatores	políticos	e	aos	fatores	econômico-financeiros,	que,	
juntos, fortalecem ou fragilizam a política macroeconômica adotada pelo 
país.	Esses	fatores	podem	ser	vistos	na	Tabela	1,	abaixo:
Tabela	1	–	Fatores	políticos	e	econômico-financeiros 
com impacto risco-país
Fatores Riscos associados
Políticos
• Controle absoluto do governo nas decisões do mercado, 
com impacto sobre as decisões das empresas.
• Definição	de	impostos	ou	políticas	de	controles	de	entradas	de	
bens e serviços.
• Aprovações de leis pelo Congresso.
• Ambiente de incertezas políticas, especialmenteem ano eleitoral.
• Interferência	do	governo	no	fluxo	de	capital	estrangeiro.
• Situações de guerras internas ou com outros países.
• Terrorismo.
• Corrupção.
Econômico-
Financeiros
• Controle	inflacionário.
• Geração de riqueza (evolução do Produto Interno Bruto).
• Déficit	fiscal.
• Regime cambial.
• Política monetária (juros).
• Credibilidade	do	sistema	financeiro	nacional
• Nível de investimentos futuros para o país.
Fonte:	a	autora
Existem	as	agências	de	classificação	de	risco	que	analisam	também	esses	
fatores e, a partir daí, atribuem notas aos países de acordo com a sua 
capacidade	de	honrar	seus	compromissos	financeiros,	cuja	base	situa-se	
também	na	situação	política	e	econômico-financeira	do	país.	Essas	análi-
ses são utilizadas como parâmetros aos investidores de como o risco está 
se	comportando.	Essas	notas	também	se	refletem	nas	negociações	feitas	
no mercado de títulos da dívida pública, com impacto na liquidez, nos 
juros desses títulos e na percepção de que não haverá calote por parte 
do emissor da dívida no vencimento do título. Nesse caso, o mercado se 
baliza também por um índice conhecido como EMBI+ (Emerging Markets 
74 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Bond Index), que é calculado e divulgado pelo JP Morgan e utilizado como 
referência	na	definição	dos	juros	dos	títulos	públicos	federais	que	estão	
sendo negociados pelos investidores.
O próximo tópico mostrará como o risco-país é mensurado e como é feita 
a interpretação de seu resultado.
1.2. Risco-país: como é medido
Adicionalmente ao que já foi falado sobre o risco das dívidas contraídas 
pelos países latino-americanos ao longo da década de 1980 e as iniciati-
vas do governo norte-americano em reestruturá-las, como foi o caso do 
Brasil	em	1994	por	meio	da	emissão	de	títulos	nomeados	como	bradies, 
um	pouco	antes,	em	1992,	em	meio	a	um	aumento	significativo	de	títulos	
advindos da reestruturação das dívidas dos países emergentes (incluindo 
os países da América Latina), transformando esse mercado em algo atra-
tivo para investimentos, o banco JP Morgan criou um índice de referência 
a	fim	de	acompanhar	o	desempenho	diário	dos	títulos	dessas	dívidas.	A	
esse índice foi dado o nome de EMBI+ sigla para Emerging Markets Bond 
Index (Índice de Títulos da Dívida de Mercados Emergentes). Segundo o 
Instituto	de	Pesquisas	Econômicas	Aplicadas	(IPEA):
[...] o EMBI surgiu para auxiliar os investidores em suas decisões e mostra 
a diferença do retorno médio diário dos preços desses papéis em compara-
ção ao retorno de títulos semelhantes do Tesouro dos Estados Unidos (re-
ferência para o mercado de papéis de baixíssimo risco). Quanto maior essa 
diferença, mais aguda é a percepção de risco dos investidores em relação 
a determinado tipo de papel. A fórmula criada pelo JP Morgan limita-se a 
calcular a diferença e sua variação de um dia para o outro.
LINK
A série histórica diária do índice EMBI+ (Emerging Markets 
Bond Index) pode ser pesquisada por meio do site do 
Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), dispo-
nível	em:	<http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?seri-
d=40940&module=M>.	Acesso	em:	30	jun.	2018.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 75
Em outras palavras, a diferença entre o retorno dos papéis que estão no ín-
dice EMBI e o retorno dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (T-Bonds) 
é justamente o risco-país. Como os títulos norte-americanos são conside-
rados como risco próximo de zero e têm um patamar de juros “X”, os in-
vestidores exigem um percentual acima do que obteriam sobre os títulos 
da dívida norte-americana para ter em suas carteiras de investimentos um 
título da dívida dos países emergentes, uma vez que estes são vistos como 
títulos de maior risco. Esses títulos são negociados diariamente pelo mer-
cado de capitais e, portanto, o índice EMBI calcula essa diferença diária e 
informa em pontos, que podem ser transformados em percentual, de ma-
neira que esses pontos (percentual) se constituem no risco-país, ou seja, 
os juros que estão acima daqueles que obteriam caso tivessem os títulos 
norte-americanos	em	suas	carteiras.	Exemplo:	supondo	que	um	investidor	
adquira um título da dívida pública dos Estados Unidos, com vencimento 
em	30	anos,	com	juros	de	3%	ao	ano.	Para	ele	adquirir	um	título	da	dívida	
pública	do	Brasil,	ele	exige	que	esse	título	tenha	juros	maior	que	3%,	para	
que faça sentido ele ter um título de risco alto em detrimento de um título 
de risco próximo de zero que é o caso do título da dívida norte-americana. 
É dessa forma que esse mercado funciona. Portanto, supondo que ele pes-
quise os juros de um título da dívida pública do Brasil e veja que está na 
ordem	de	7%	ao	ano.	A	diferença	de	4%	entre	os	dois	(7%	título	brasileiro	
menos	3%	título	norte-americano)	é	o	risco-país.
PARA SABER MAIS
Os Treasury Bonds (T-Bonds) são títulos da dívida pública 
norte-americana emitidos pelo governo federal dos Estados 
Unidos	com	juros	fixos	e	com	prazo	superior	a	dez	anos	de	
vencimento. Os pagamentos de seus juros são feitos semes-
tralmente e conhecidos pelo mercado como basicamente li-
vres de riscos, pois oferecem pouco risco de inadimplência. 
Assim como todos, a principal característica dos T-Bonds é 
financiar	as	despesas	do	governo.
76 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Como é divulgado o risco-país pelo JP Morgan?
É divulgado em pontos-base. De acordo com o IPEA, “os pontos-base mos-
tram a diferença entre a taxa de retorno dos títulos de países emergentes 
e a oferecida por títulos emitidos pelo Tesouro americano. Essa diferença 
é o spread soberano, de uma vez que os devedores são governos federais”. 
Voltando ao cálculo de transformação de pontos-base para percentual, a 
diferença	de	4%	do	exemplo	acima	se	transformará	em	400	pontos,	que	é	
(4	x	100)	=	400	pontos,	pois	é	em	pontos-base	que	o	JP	Morgan	divulga	o	
risco-país diariamente.
ASSIMILE
O risco-país é os juros pagos para os títulos da dívida pú-
blica dos países emergentes acima dos juros pagos pelos 
títulos da dívida pública norte-americana, transformados 
em pontos-base por meio do cálculo do JP Morgan, que 
é o responsável pelo cálculo e pela divulgação do índice. 
Ao informar em pontos-base, está sinalizando para o mer-
cado o quanto o investidor está exigindo de retorno para 
manter esses títulos em suas carteiras de investimentos. 
Exemplo:	quando	os	pontos-base	do	risco-país	de	um	de-
terminado país a uma determinada data é de 385 pontos-
-base, para transformá-lo em percentual, faça da seguinte 
forma:	 (385/100)	=	3,85	e	considere	esse	resultado	como	
sendo	3,85%	de	 juros	 a	mais	 exigidos	pelos	 investidores	
para manter os títulos da dívida pública desse determina-
do país emergente em sua carteira de investimentos, po-
dendo ser o Brasil um deles.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 77
A Figura 1, mostra o risco-país divulgado pelo JP Morgan em pontos-base 
a partir do cálculo do EMBI (Emerging Markets Bond Index) e reproduzido 
pelo Ipeadata.
Figura	1	–	EMBI	(Emerging	Markets	Bond	Index)	–	Risco-Brasil
Fonte:	Instituto	de	Pesquisas	Econômicas	e	Aplicadas	(IPEA).	Disponível	em: 
<http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=40940&module=M>
Quais países estão dentro do cálculo do índice EMBI+?
1992 (início do índice): Argentina, Brasil, Bulgária, Equador, México, 
Nigéria, Panamá, Peru, Polônia, Rússia e Venezuela. No entanto, essa 
composição	foi	descontinuada	em	1994.
Nos dias atuais: África do Sul, Argentina, Brasil, Bulgária, Colômbia, Egito, 
Equador, Filipinas, Malásia, Marrocos, Nigéria, Panamá, Peru, Polônia, 
Rússia, Venezuela, Turquia e Ucrânia.
Vale ressaltar que o índice é também calculado separadamente por país, 
ou seja, é possível acompanhar a oscilação diáriado preço dos títulos por 
país. Portanto, o Brasil tem um índice exclusivo chamado EMBI+ Brasil.
78 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Como pode ser interpretado o risco-país?
Quanto maior for o patamar do ponto-base, maior é o risco-país, ou seja, 
significa	que	o	mercado	de	títulos	está	pedindo	cada	vez	mais	juros	para	
os investidores manterem os títulos em sua carteira de investimentos.
As agências de classificação de risco. Como funcionam?
Outra fonte importante de acompanhamento do risco-país são as agên-
cias	de	classificação	de	risco.	Essas	agências	também	avaliam	a	capacida-
de de um país de honrar seus compromissos e atribuem a ele uma deter-
minada nota, também conhecida como rating. Essas notas são dadas de 
acordo com a metodologia de cada agência e são consideradas como pa-
râmetro para decisões de investimentos por parte dos investidores. Essas 
agências	 trabalham	com	a	 classificação	de	 riscos	não	apenas	para	paí-
ses, mas estendem suas análises também para empresas, títulos emitidos 
no mercado de capitais, cujo objetivo é sempre de fornecer ao mercado 
maior credibilidade na decisão de investimento. Exemplos das agências 
de	classificação	de	risco	mais	conhecidas:	Standard	&	Poor’s,	Fitch	Rating,	
Moody’s Corporation e outras.
PARA SABER MAIS
Segundo	o	Tesouro	Nacional	Brasileiro,	“a	classificação	de	ris-
co (rating) soberano é a nota dada por instituições especiali-
zadas	em	análise	de	crédito,	chamadas	agências	classificado-
ras de risco, a um país emissor de dívida. Tais agências ava-
liam a capacidade e a disposição de um país em honrar, pon-
tual e integralmente, os pagamentos de sua dívida. O rating 
é um instrumento relevante para os investidores, uma vez 
que fornece uma opinião independente a respeito do risco 
de	crédito	da	dívida	do	país	analisado.	Oficialmente,	o	Brasil	
possui	 contrato	 para	 classificação	 de	 seu	 risco	 de	 crédito
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 79
da	dívida	do	país	analisado.	Oficialmente,	o	Brasil	possui	con-
trato	para	classificação	de	seu	risco	de	crédito	com	as	seguin-
tes	agências:	Standard	&	Poor’s	(S&P),	Fitch	Ratings	(Fitch)	e	
Moody’s Investor Service. Adicionalmente, outras agências 
internacionais monitoram regularmente o risco de crédito 
do país, como a canadense Dominion Bond Rating Service 
(DBRS), as japonesas Japan Credit Rating Agency (JCR) e Rating 
and	Investment	Information	(R&I),	a	coreana	NICE	Investors	
Service e a chinesa Dagong Global Credit Rating”. 
As notas (rating) atribuídas ao Brasil estão no site do Tesouro 
Nacional	 Brasileiro,	 disponível	 no	 site:	 http://www.tesouro.
fazenda.gov.br/-/classificacao-de-risco.
Para saber com maior detalhes as notas atribuídas ao Brasil 
por	essas	agências,	consulte	o	site:	<http://www.stn.fazenda.
gov.br/classificacao-de-risco>.	Acesso	em:	30	jun.	2018.
Qual a diferença do risco-país calculado e divulgado pelo EMBI+ e pe-
las agências de classificação de risco? 
Trata-se de ferramentas diferentes, pois as notas atribuídas pelas agên-
cias	de	classificação	de	risco	são	baseadas	na	opinião	dos	analistas	sob	
vários	aspectos	políticos	e	macroeconômicos,	e	o	índice	EMBI+	reflete	com	
100%	de	objetividade	a	percepção	dos	investidores	por	meio	da	oscilação	
dos preços dos títulos praticados de um dia para o outro, ou seja, aquilo 
que	efetivamente	o	mercado	está	percebendo	em	termos	de	confiança	e	
de perspectivas em relação a um determinado país.
2. Impactos do risco-país para as empresas
A forte aceleração dos negócios dentro de uma realidade globalizada co-
locou o risco-país no centro das atenções dos investidores e das empre-
sas,	pois	esse	indicador	impacta	de	forma	significativa	as	decisões	de	in-
vestimentos desses agentes econômicos. Do lado do investidor, ele busca 
80 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
sempre destinar o seu capital visando ampliar o seu patrimônio e, do lado 
das empresas, além de desejarem opções para melhor rentabilizar seus 
recursos	financeiros,	elas	também	buscam	avaliar	em	que	condições	se	
encontram os mercados que já atuam e prospectar oportunidades em 
novos mercados.
Para	ambas	as	análises,	o	foco	deve	sempre	estar	em:	quanto	maior	for	
o risco de um país, maior é a sobretaxa paga para o Tesouro norte-ame-
ricano, ou seja, o resultado elevado desse índice se converte em alta taxa 
de juros do título público e, portanto, de que forma o risco-país impacta 
as	decisões	de	financiamento	e	 investimento,	ainda	que	os	ganhos	não	
sejam	meramente	financeiros,	mas	sim	de	perspectiva	que	as	empresas	
têm	em	ampliar	seus	negócios	para	outros	mercados?
Investidor:	quando	possui	em	sua	carteira	ativos	financeiros,	principal-
mente quando se trata de títulos de dívidas tanto do governo como de 
empresas, não monitora apenas o retorno desses investimentos, mas sim 
a capacidade que o emissor do título tem em honrar com a sua dívida no 
ato do seu vencimento, pois não se pode esquecer que, quando ocorre a 
elevação da sobretaxa dos títulos da dívida dos países emergentes, signi-
fica	dizer	que	está	ocorrendo	também	uma	elevação	do	risco-país,	confor-
me mencionado no tópico anterior. 
Empresas:	 sofrem	 forte	 influência	 do	 comportamento	 do	 risco-país,	
pois o impacto da elevação do indicador constitui uma menor atração 
de	 investimentos	estrangeiros	para	o	mercado	financeiro	nacional,	que	
por sua vez reduz a perspectiva de crescimento econômico interno. Essa 
perspectiva contribui para aumentar as incertezas em relação à política 
macroeconômica de um país, que por sua vez afeta as contas públicas do 
governo, colocando-se sob forte suspeita de inadimplência e os projetos 
futuros das empresas em termos de ganhos e novas perspectivas.
Como esse cenário macroeconômico afeta as empresas?
Quando	um	país	tem	uma	nota	rebaixada	pelas	agências	de	classificação	
de risco, o risco-país se eleva, tendo impacto simultâneo nos juros exigi-
dos pelos investidores. Esse evento tem um efeito multiplicador sobre o 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 81
custo	de	financiamentos	disponíveis	para	as	empresas	que	se	encontram	
vinculadas	a	esse	país.	Esse	movimento	reflete	também	nas	decisões	de	
investimentos,	pois	quanto	mais	alto	o	custo	do	financiamento,	menor	é	
a disposição em se investir.
Dentre os riscos associados, já mencionados no tópico anterior, além dos 
riscos	financeiros,	um	aumento	do	risco-país,	do	ponto	de	vista	geográfi-
co e mercadológico, afasta também o interesse em ampliar os negócios 
além	das	fronteiras	de	uma	empresa,	pois	um	conflito	entre	países	pode	
interromper a abertura de uma subsidiária em outro país.
Portanto, o comportamento do risco-país é indicador-chave para uma macro 
ou microavaliação por parte de investidores e empresas que buscam refe-
rências para suas decisões de investimentos no curto, médio e longo prazos.
EXEMPLIFICANDO
Exemplo	retirado	de	Madura	(2009,	p.	566):	“Uma	vez	que	a	
Nike realiza um grande volume de negócios internacionais, 
ela deverá monitorar o risco-país de muitos países. A Nike po-
derá ser afetada pelo risco-país de várias maneiras. Primeiro, 
um	conflito	 entre	os	 EUA	e	um	país	 estrangeiro	 específico	
poderá fazer com que o governo do país estrangeiro ou seu 
povo manifestem seu rancor contra uma subsidiária da Nike 
nesse país. Portanto, a Nike poderá ser um alvo simplesmen-
te por ser vista como empresa dos EUA, mesmo que todos os 
empregados da subsidiária sejam locais. Segundo, uma mu-
dança do governo estrangeiro poderá resultar em novas leis 
fiscais	e	em	outras	restrições	impostas	sobre	as	subsidiárias	
de empresas dos EUA ou de qualquer outro país que tenham 
suas bases ali”.
82 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Suponha	 que	 vocêtenha	 um	 recurso	 financeiro	 poupado	 por	 uma	
vida inteira e que nos dias atuais você está procurando novas alterna-
tivas para a aplicação desse recurso. Um determinado banco sugere 
o investimento em títulos da dívida pública do governo federal. Avalie 
quais serão suas ações para investir seu capital e correr o menor risco 
possível de perdas futuras. Sugiro que você, além da consultoria que 
o	banco	fornecerá,	busque	por	meio	das	agências	de	classificação	de	
risco e do índice do EMBI+ inteirar-se sobre o assunto e tomar sua de-
cisão. Pesquise os links do Tesouro Nacional Brasileiro e do IPEADATA 
fornecidos pelo material nos tópicos acima, faça uma avaliação e pen-
se em quais países você investiria nos títulos de sua dívida pública.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
3. Considerações Finais
• O	risco-país	é	um	importante	indicador	que	mede	o	grau	de	confiança	
de investimento em títulos da dívida pública dos países emergentes, 
utilizando-se dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos como 
referência de baixíssimo risco.
• As	 agências	 classificadoras	 de	 risco	 têm	 papel	 relevante	 na	 defi-
nição do (rating)	 nota,	 que	 contribui	 significativamente,	 por	meio	
de suas avaliações, com os investidores quanto à sua escolha de 
investimentos.
• O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) é um importante índice 
de referência de mercado, calculado e divulgado pelo JP Morgan, que 
mede o risco-país, não por meio de nota, como é o caso das agên-
cias	classificadoras	de	risco,	mas	sim	pelo	retorno	diário	dos	títulos	
da dívida pública dos mercados emergentes comparativamente ao 
retorno dos títulos norte-americanos. Por se tratar de um mercado 
de dívida pública federal, esse índice se constitui no risco soberano 
dos países e é divulgado em pontos-base.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 83
Glossário
• EMBI+: sigla para Emerging Markets Bond Index.
• Rating:	é	a	nota	dada	pelas	agências	classificadoras	de	risco	para	
medir o risco-país dos países, considerando fatores políticos e eco-
nômico-financeiros	em	suas	avaliações.
• JP Morgan:	JP	Morgan	Chase	&	Corporation	é	uma	instituição	líder	
em	serviços	financeiros,	com	presença	em	cem	países	e	percebida	
como	uma	instituição	de	credibilidade	forte	junto	ao	mercado	fi-
nanceiro mundial.
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 4
1. O	risco-país	mede:
a) O nível de juros internos de um país.
b) O	nível	da	inflação	de	um	país.
c) O grau de incerteza quanto à capacidade de um país de 
honrar	com	seus	compromissos	financeiros.
d) O nível de riqueza de um país.
e) O nível de risco de uma empresa.
2. As	agências	classificadoras	de	risco	divulgam	o	risco-país	
por	meio	de:
a) Notas (rating) atribuídas aos países.
b) Cálculo de juros.
c) Cálculo de política monetária.
d) Notas atribuídas aos investidores.
e) Cálculo das notas e de juros.
84 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
3. O	EMBI+	(Emerging	Markets	Bond	Index)	mede:
a) A taxa de juros interna de uma economia.
b) O	índice	de	inflação	de	um	país.
c) O nível de endividamento das empresas.
d) O retorno dos títulos da dívida pública dos países emer-
gentes comparativamente aos títulos da dívida norte-a-
mericana, cuja diferença é o risco-país.
e) O nível de endividamento dos investidores.
Referências Bibliográficas
ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Curso de administração financeira.	3.	ed.	São	Paulo:	
Atlas,	2014.
MADURA,	 J.  Finanças corporativas internacionais.  Tradução	 Luciana	 Penteado	
Miquelino.	8.	ed.	São	Paulo:	Cengage	Learning,	2008.	
INSTITUTO	BRASILEIRO	DE	PESQUISAS	APLICADAS	(IPEA).	Disponível	em:	<www.ipea.
gov.br>.	Acesso	em:	20	ago.	2018.
Gabarito – Tema 04
Questão 1	–	Resposta:	C
O grau de incerteza quanto à capacidade de um país de honrar 
com	 seus	 compromissos	 financeiros.	 Essa	 incerteza	 está	 relacio-
nada à percepção dos investidores quanto a fatores políticos e 
econômico-financeiros.
Questão 2	–	Resposta:	A
As	agências	classificadoras	de	risco	medem	e	divulgam	o	risco-país	
por meio de notas, não sendo considerado pelo mercado como um 
cálculo objetivo, pois parte da opinião dos analistas dessas agências, 
que	utilizam	fatores	políticos	e	econômico-financeiros	para	a	atribui-
ção	das	notas	finais.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 85
Questão 3	–	Resposta:	D
O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) é um índice calculado pelo 
JP Morgan para medir o risco-país das economias emergentes. Esse 
cálculo	e	índice	se	difere	das	notas	atribuídas	pelas	agências	classifi-
cadoras de risco no tocante à sua objetividade, pois é o resultado do 
retorno do investimento em títulos da dívida do governo federal dos 
países emergentes comparativamente aos juros dos títulos da dívida 
do governo federal norte-americano, considerados com baixíssimo 
risco, cujo resultado é divulgado ao mercado em pontos-base. 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 86
TEMA 05
INFLAÇÃO – O VALOR DA MOEDA 
NO TEMPO
Objetivos
•	Conceituar	inflação	suas	causas	e	seus	impactos.
•	Entender	como	é	o	cálculo	da	inflação.
• Compreender como se cria um número-índice, seu 
uso e sua interpretação.
•	Conhecer	os	índices	de	inflação	calculados	no	país.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 87
Introdução
Nesta	parte,	você	verá	que	o	nível	inflacionário	de	um	país	diz	muito	sobre	
sua	condição	macroeconômica.	Uma	nação	que	possui	índice	de	inflação	
elevado não é percebida como tendo um ambiente atrativo para investi-
mentos,	pois	o	estabelecimento	de	um	processo	inflacionário	descontrola-
do representa uma desvalorização de sua moeda corrente, com consequen-
te redução no consumo das famílias por meio da queda do poder aquisitivo 
da população, bem como dos ganhos contabilizados pelas empresas.
Um	processo	inflacionário	pode	ser	causado	pela	inflação	de	custos,	co-
nhecida	como	inflação	de	oferta,	e	pela	 inflação	de	demanda,	que	está	
associada ao comportamento da demanda agregada versus a produção 
agregada	de	bens	e	serviços	ofertados.	No	caso	da	inflação	de	demanda,	
por ser mais sensível a ações de política econômica, o governo tem mais 
poder de intervenção e, caso necessário, utiliza-se de instrumentos de 
política	monetária	e	fiscal	para	mantê-la	sob	controle.
Dessa	forma,	o	índice	de	inflação	é	um	indicador	utilizado	para	medir	o	
custo de vida geral de uma nação e serve para diversas análises de ga-
nhos ou perdas comparativamente a períodos anteriores ao fato presen-
te.	Portanto,	a	disciplina	se	propõe	a	elucidar:	o	que	é	inflação,	quais	são	
suas causas e seus impactos, de que forma se calculas e se interpretam os 
seus índices e quais são os índices calculados no Brasil.
1. Inflação: conceito, causas e impactos
Ainda falando sobre tal temática, Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr (2013, p. 
385)	dizem	que:
[...]	a	inflação	pode	ser	conceituada	como	um	aumento contínuo e genera-
lizado	no	nível	de	preços,	ou	seja,	os	movimentos	inflacionários	represen-
tam elevações em todos os bens produzidos pela economia e não mera-
mente o aumento de um determinado preço. Outro aspecto fundamental 
88 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
refere-se	ao	fato	de	que	o	fenômeno	inflacionário	exige	a	elevação contí-
nua dos preços durante um período de tempo, e não meramente uma 
elevação esporádica dos preços.
O	que	isso	significa?
Significa	que	 só	é	 identificado	um	processo	 inflacionário	quando	o	au-
mento de preço de um determinado produto tem um efeito multiplica-
dor para os demais produtos que participam da mesma cadeia produtiva, 
com	impacto	na	economia	como	um	todo.	Exemplo:	ocorre	aumento	no	
preço do grão de soja, no entanto, isso não se reverte em aumento no 
preço	do	óleo	de	 soja.	Nesse	 caso,	 não	 seconstitui	 inflação,	 pois	 esse	
aumento pode ter ocorrido de forma pontual e não teve impacto para os 
demais produtos que fazem parte de sua cadeia produtiva.
A	inflação	é	avaliada	como	um	processo	monetário,	uma	vez	que	é	de-
sencadeada pelo aumento desses preços monetários, fazendo com que 
o valor real da moeda seja depreciado por esse processo. Esse aumento 
dos preços monetários está vinculado a uma má administração da econo-
mia, e, segundo Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr. (2013, p. 385), “a disputa 
dos diversos agentes econômicos pela distribuição da renda representa 
a	questão	básica	no	fenômeno	inflacionário”.	Nessa	análise	sobre	a	dis-
tribuição	da	renda,	há	de	se	destacar	que	há	também	um	conflito	na	re-
partição	do	produto.	A	inflação	pode	ser	causada	pela	má	administração	
de determinados fundamentos econômicos. A Tabela 1 aponta quais são 
esses fundamentos econômicos.
Tabela	1	–	Fundamentos	econômicos	associados	ao	processo	inflacionário
Fundamentos Situação
Setor público
• Diz	respeito	ao	desequilíbrio	financeiro	das	contas	do	governo,	que	
precisa	 emitir	moeda	 para	 cobrir	 seus	 déficits,	 fazendo	 com	 que	
haja uma elevação do estoque dessas moedas. Esse movimento 
de emissão de moedas devolve ao governo seu papel de “principal 
comprador”, que o faz por meio de consumo e investimentos. Dessa 
forma, coloca na economia mais dinheiro, estimulando o consumo 
dos indivíduos sem que haja um aumento de oferta de produto na 
mesma	magnitude,	induzindo	a	um	processo	inflacionário.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 89
Salários e 
preços
Considerado	outro	tipo	de	conflito	do	processo	distributivo	da	renda.	
A relação entre salários e preços foca em uma disputa pelo produto 
entre trabalhadores e empresários.
Economia 
nacional 
versus 
internacional
Toda a economia sofre contágio de possíveis crises externas e tem 
uma forte dependência do nível das taxas de câmbio, pois os preços 
internacionais	interferem	significativamente	no	mercado	doméstico	
dos países. As economias menos desenvolvidas sofrem mais com 
esse problema, pois muitas vezes são muito dependentes de impor-
tações, que, por sua vez, são impactadas fortemente pelas oscilações 
da taxa cambial.
Fonte:	preparado	pela	autora	com	base	em	Vasconcellos,	Pinho	e	Toneto	Jr.	(2013,	p.	385)
Portanto, os fundamentos econômicos mencionados permeiam as cau-
sas	da	 inflação	que	podem	ser	classificadas	em	inflação	de	demanda	e	
inflação	de	oferta,	ou	 também	conhecida	como	 inflação	de	custo.	Essa	
classificação	será	discutida	no	próximo	tópico.
PARA SABER MAIS
Agentes econômicos são as famílias, as empresas e o go-
verno,	que,	 juntos,	constituem	o	fluxo	circular	da	renda	da	
economia	de	um	país.	O	papel	desses	agentes	é:	as	famílias	
são as ofertantes dos fatores de produção (terra, capital e 
mão de obra), as empresas são as demandantes desses fa-
tores de produção e têm o papel de juntar esses fatores e 
transformá-los em bens e serviços que são devolvidos para 
as famílias consumirem e que pagarão por esses bens e ser-
viços com a remuneração recebida a partir da oferta de seus 
fatores de produção já mencionados. O governo tem o papel 
de gerenciar os impostos cobrados das famílias e das empre-
sas e transformá-los em bem-estar social para a sociedade 
como um todo. O conceito de agentes econômicos já foi visto 
e bem explorado no Tema 1 desta disciplina.
90 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
1.1. Causas da inflação
1.1.1. Inflação de demanda
Também	conhecida	como	a	inflação	dos	compradores.	É	o	processo	in-
flacionário	gerado	pela	expansão	dos	rendimentos,	ou	seja,	ganho	de	po-
der aquisitivo de uma economia. Ocorre quando os meios de pagamento 
crescem além da capacidade de expansão da economia, ou seja, antes 
que os meios de produção estejam em plena capacidade para produzir os 
bens e serviços que serão demandados em maior quantidade, em função 
do aumento dos rendimentos ocorridos na economia.
Segundo	Vasconcellos,	Pinho	e	Toneto	Jr	(2013,	p.	388):
[...]	a	inflação	de	demanda,	considerada	o	tipo	mais	“clássico”	de	inflação,	
diz respeito ao excesso de demanda agregada, em relação à produção dis-
ponível de bens e serviços. Intuitivamente, ela pode ser entendida como di-
nheiro	demais	em	busca	de	poucos	bens.	A	probabilidade	de	uma	inflação	
de demanda ocorrer aumenta quanto mais a economia estiver próxima de 
um ponto de pleno emprego de recursos.
O que significa esse pleno emprego de recursos?
Os recursos são os fatores de produção envolvidos em uma produção, 
são	eles:	a	terra,	o	capital	(máquinas	e	equipamentos),	a	mão	de	obra	e	
os insumos, ou seja, tudo o que é necessário para a produção de bens 
ou prestação de serviços. Voltando ao “pleno emprego de recursos”, sig-
nifica	que	a	economia	já	está	produzindo	em	seu	limite	de	emprego	de	
seus recursos. Dessa forma, caso haja aumento de demanda agregada 
em função do aumento de rendimento, a probabilidade de ocorrência de 
aumento do preço dos produtos e serviços é grande, pois a economia em 
pleno emprego estará limitada a produzir mais bens e serviços necessá-
rios	para	atender	a	essa	suposta	demanda,	deflagrando-se,	portanto,	um	
processo	inflacionário.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 91
PARA SABER MAIS
Meios de pagamento são o volume da oferta de moeda em 
circulação na economia (o que está no bolso e na carteira das 
pessoas) somado ao volume de moeda escritural (que são 
os depósitos em dinheiro feitos pelos agentes econômicos 
junto aos bancos comerciais), ou seja, é todo o dinheiro que 
está circulando e disponível na economia para o seu imedia-
to uso. Outro conceito importante para o entendimento de 
inflação	de	demanda	é	o	de	demanda agregada. Demanda 
agregada corresponde à quantidade de bens ou serviços 
que a totalidade dos consumidores deseja e está disposta a 
adquirir em determinado período de tempo e por determi-
nado preço. Obtém-se, portanto, a demanda agregada de 
um produto somando-se todas as demandas individuais des-
se produto.
Em	um	breve	resumo,	as	principais	causas	da	inflação	de	demanda	são:	a) 
aumento da renda disponível; b) expansão dos gastos públicos; c) expan-
são do crédito e d) expectativas dos agentes econômicos.
O	comportamento	da	inflação	de	demanda	é	passível	de	forte	interferên-
cia do governo por meio de ações de política econômica, especialmente 
as	relacionadas	à	política	monetária	e	fiscal.	No	âmbito	da	política	mone-
tária,	os	monetaristas	justificam	a	movimentação	da	economia	por	meio	
da quantidade de moeda que o governo emite para cobrir os seus gastos 
e, por isso, eles são contrários à uma forte intervenção do Estado na eco-
nomia.	Quanto	à	política	fiscal,	segundo	Vasconcellos,	Pinho	e	Toneto	Jr.	
(2013,	p.	389)	“os	fiscalistas	preconizam	que	o	combate	mais	eficiente	à	
inflação	se	dá	por	meio	de	instrumentos	de	política	fiscal,	como	a	diminui-
ção de gastos do governo ou elevação da carga tributária sobre consumo 
e investimento privados”.
92 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
É importante ressaltar que o Brasil tem como principal premissa macro-
econômica	a	manutenção	da	inflação	em	níveis	baixos	e	controláveis,	es-
pecialmente pela herança histórica negativa que o país tem em relação ao 
forte	descontrole	inflacionário	ocorrido	em	meados	dos	anos	1980	e	início	
dos	anos	1990.	Para	tanto,	trabalha	com	sistema	de	metas	inflacionárias	
(target inflation), cujo principal instrumento utilizado para esse controle é a 
definição	da	taxa	de	juros	básica	por	meio	de	política	monetária.	O	Tema	6	
detalhará	esse	processo	que	acontece	com	a	definição	da	taxa	Selic.	
1.1.2. Inflação de custos
É	o	processo	inflacionário	gerado	pela	elevação	geral	dos	custos	de	pro-
dução atribuída principalmenteaos aumentos salariais. Nesse tipo de in-
flação,	o	nível	de	demanda	e	de	oferta	podem	permanecer	o	mesmo,	mas	
os custos de produção aumentam.
Segundo	Vasconcellos,	 Pinho	 e	 Toneto	 Jr.	 (2013,	 p.	 390),	 “a	 inflação	de	
custos	pode	ser	associada	a	uma	inflação	tipicamente	de	oferta.	O	nível	
de demanda permanece praticamente o mesmo, mas os custos de certos 
insumos importantes aumentam e são repassados aos preços dos pro-
dutos”. Dentre os insumos mais importantes estão os salários. Esse insu-
mo	exerce	forte	influência	sobre	os	custos	de	produção,	no	entanto,	esse	
efeito pode ser diminuído com o aumento da produtividade, que quando 
ocorre na mesma proporção do aumento dos salários, mantém inaltera-
do o custo unitário do produto.
Outro	fator	que	tem	forte	impacto	sobre	a	inflação	de	custos	é	o	aumen-
to	significativo	das	transações	comerciais	internacionais.	Esse	movimento	
elevou	o	risco	de	inflação	doméstica	dos	países,	pois	inclui-se	a	variável	
taxa de câmbio nessas transações. Imagine um exemplo hipotético, em 
que se avalia apenas uma desvalorização do real (R$) frente ao dólar (US$ 
dólar norte-americano), mantendo-se intactas outras variáveis. Qual o im-
pacto	para	a	inflação	doméstica	do	Brasil	avaliando	tanto	do	lado	das	ex-
portações	como	das	importações?
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 93
Exportações: real (R$) desvalorizado frente ao dólar norte-americano 
(US$), ou seja, o real (R$) saindo de R$ 3,00 por dólar para R$ 3,20 por dó-
lar. Esse movimento estimula as exportações, pois o exportador aumen-
tará a sua receita em reais (R$). Nesse caso, o produtor interno, em busca 
de maior ganho, pode desabastecer o mercado doméstico para atender 
ao externo. No caso de a demanda permanecer a mesma e ser um produ-
to de difícil importação, em uma situação de redução de oferta no merca-
do doméstico, os preços tendem a subir e, consequentemente, ocorrerá 
uma	elevação	dos	índices	de	inflação.
Importações: real (R$) desvalorizado frente ao dólar norte-americano 
(US$), ou seja, o real (R$) saindo de R$ 3,00 por dólar para R$ 3,20 por dó-
lar. O Brasil é altamente dependente de importação de bens de alto valor 
agregado para atender à demanda doméstica. Nesse caso, ao se importar 
o produto, o custo em reais (R$) aumentará, com impacto sobre o preço 
dos produtos no mercado doméstico, seja pela importação do produto 
final	ou	na	importação	de	matérias-primas	necessárias	para	a	produção	
de	bens	finais	pela	indústria	brasileira.	Nesse	caso,	ocorrerá	também	uma	
elevação	dos	índices	de	inflação.
Além	do	que	já	foi	mencionado	sobre	as	causas	da	inflação	de	custos	que	
são os salários e a taxa cambial, tem-se também aumento nos custos das 
matérias-primas utilizadas na produção de bens e prestação de serviços, 
o aumento de impostos e, tão importante quanto tudo isso é a avaliação 
sobre as estruturas de mercado, pois algumas empresas com elevado po-
der de oligopólio e monopólio, distantes do risco de concorrência, podem 
definir	preços	convenientes	de	forma	a	elevar	seus	lucros	bem	acima	dos	
seus custos de produção.
No	próximo	tópico	serão	abordados	os	impactos	da	inflação	sobre	a	eco-
nomia como um todo.
1.2. Impactos da inflação
O	controle	e	a	previsibilidade	da	inflação	são	vistos	como	imprescindíveis	
na	definição	de	política	econômica,	cujo	interesse	do	governo	é	manter	o	
94 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
máximo	controle	sobre	esse	indicador,	a	fim	de	que	os	seus	efeitos	não	
sejam nocivos nas decisões de consumo e de investimentos. Dessa forma, 
os	principais	impactos	da	inflação	são:
• perda de poder aquisitivo: redução do consumo;
• impacto sobre a distribuição da renda: os indivíduos menos 
remunerados tendem a ter maiores perdas, muitas vezes, pela falta 
de acesso a instrumentos que o protejam da perda do valor do seu 
dinheiro.	Exemplo:	sem	acesso	a	rendimentos	que	garantam	a	cor-
reção monetária de seu dinheiro;
• queda nas exportações: apesar de o exportador se sentir estimu-
lado a exportar em função de uma taxa de câmbio mais atrativa, o 
aumento nos custos dos produtos reduz a competitividade deles, 
pois	tendem	a	ficar	mais	caros	no	exterior;
• inibição dos investimentos:	inflação	elevada	atinge	negativamen-
te	 a	 confiança	 do	 investidor	 com	 reflexos	 negativos	 para	 novos	
investimentos.
Impacto da inflação sobre o poder aquisitivo:	quando	há	inflação	esta-
belecida em uma economia, as pessoas perdem seu poder de compra, e 
nesse caso, elas precisam decidir o que querem priorizar, ou seja, manter 
o consumo da mesma cesta de bens e serviços consumidos e, para isso, 
demandará mais moedas para manter seus gastos, ou reduzir os itens da 
cesta de produtos que consome, visando manter seu nível de poupança.
A Tabela 2 traz um exemplo hipotético de uma família que tem uma ren-
da mensal de R$ 1.200,00, com gastos mensais para a sua sobrevivência 
na ordem de R$ 700,00 e poupança mensal de R$ 500,00. No entanto, do 
mês	X0	para	o	mês	X1,	o	país	apresentou	uma	inflação	de	3%.	Nesse	caso,	
como	fica	a	situação	dessa	família	frente	a	esse	índice	inflacionário?
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 95
Tabela	2	–	Simulação	de	perda	do	poder	aquisitivo
Renda mensal
em reais (R$)
(a)
Gastos mensais
em reais (R$)
(b)
Poupança
(em reais (R$)
(c) = (a - b)
Mês XX 1.200,00 700,00 500,00
Mês X1 1.200,00 700,00 X 1,03 = 721,00 479,00
Variação em (R$) do 
Mês X0 para o
Mês X1
0 + 21,00 - 21,00
Fonte:	preparado	pela	autora
Nesta	situação	hipotética	de	inflação	de	3%	do	mês	X0	para	o	mês	X1,	e	
considerando que a renda permaneceu em R$ 1.200,00, essa família sofreu 
uma perda de poder aquisitivo, pois seu gasto saiu de R$ 700,00 e foi para 
R$	721,00,	tendo	a	poupança	se	reduzido	de	R$	500,00	para	R$	479,00.
A	inflação	de	3%	é	o	cálculo	do	aumento	médio	dos	preços	do	país	do	mês	
x0	para	o	mês	X1	com	impacto	na	poupança	dessa	família.	O	tópico	2	–	
Índices	de	inflação,	abordará	detalhadamente	como	é	feito	e	interpretado	
o	cálculo	de	um	índice	de	inflação.
2. Índices de inflação
Após	o	tópico	1	conceituar	o	que	é	 inflação,	suas	causas	e	seus	 impac-
tos, é importante saber mensurá-la por meio dos índices de preços, pois 
conviver	com	a	 inflação	é	fato	comum	nas	economias	mundiais,	no	en-
tanto,	o	nível	desejável	e	aceitável	se	situa	na	ordem	de	2%	ao	ano.	No	
Brasil,	assim	como	em	economias	de	mercado,	não	há	um	índice	oficial	
de	inflação	do	país.	No	entanto,	para	fins	de	parâmetro	para	tomada	de	
decisão	de	política	monetária,	especificamente	sobre	a	 taxa	de	 juros,	o	
governo utiliza o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para refe-
renciar	o	comportamento	da	inflação	da	economia	brasileira	e	assim	to-
mar suas decisões de política econômica, especialmente visando manter 
96 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
sob	controle	a	inflação	de	demanda.	Vale	destacar	que	a	meta	definida	e	
perseguida	pelo	Banco	Central	é	uma	variação	anual	de	4,5%,	podendo	
chegar a 2 pontos percentuais acima e 2 pontos percentuais abaixo.
Normalmente,	a	inflação	é	medida	tanto	para	os	preços	ao	consumidor	
como para os preços absorvidos pela indústria. No Brasil, o cálculo do 
índice	de	inflação	dos	preços	ao	consumidor	tem	como	principal	respon-
sável	o	Instituto	Brasileiro	de	Geografia	e	Estatística	(IBGE)	e	o	cálculo	do	
índice	de	inflação	dos	preços	absorvidos	pela	indústria	tem	como	princi-
pal responsável a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A seguir, serão apresen-
tadas as etapas que devem ser seguidas para a estruturação do cálculo 
dos	índices	de	inflação.
LINK
No Brasil, são muitos os indicadores de preços ao consumi-
dor e à indústria calculados e que são referência para corre-
ções e uso do mercado como um todo. Os indicadores cal-
culadospelo	IBGE	estão	disponíveis	em:	<www.ibge.gov.br> 
e	os	 indicadores	calculados	pela	FGV	estão	disponíveis	em:	
<www.fgv.br>,	ambos	com	acesso	em:	10	jul.	2018.
2.1.1. Como é feito o cálculo da inflação 
Para	efeito	de	cálculo	da	inflação,	vale	elucidar	que	são	considerados	os	
índices de preços ao consumidor (IPC) e os índices gerais de preços da 
indústria	(IGP).	O	IPC	se	refere	ao	preço	pago	pelo	consumidor	final	no	
varejo, ou seja, esta é a última etapa na cadeia produtiva de um produto, 
sendo, portanto, o dinheiro desembolsado pelo consumidor para a com-
pra de bens e serviços. O IGP se refere ao preço pago pela indústria na 
compra de matérias-primas para a produção de seus bens ou serviços, de 
maneira que é o custo absorvido pelas empresas em sua etapa produtiva.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 97
Do ponto de vista do cálculo, as etapas que devem ser seguidas para o 
cálculo do índice não se diferem entre preços ao consumidor e preços 
para	a	indústria.	No	entanto,	se	diferenciam	os	critérios	que	definirão	a	
estrutura do índice, os produtos a serem pesquisados e pesos que se-
rão atribuídos a esses produtos dentro da base de cálculo do índice, pois 
entender	o	comportamento	de	preços	absorvidos	pelo	consumidor	final	
é diferente de entender o comportamento de preços absorvidos pela in-
dústria	que	trabalha	com	matérias-primas	e/ou	serviços	em	uma	etapa	da	
cadeia	produtiva	anterior	a	dos	preços	absorvidos	pelo	consumidor	final.	
É importante destacar que os indicadores gerais de preços da indústria 
(IGP) servem para antecipar uma tendência dos preços que estão sendo 
absorvidos pela economia e que, em algum momento, esses preços im-
pactarão	o	consumidor	final.
Portanto, as etapas que deverão ser seguidas para o cálculo de um índice 
de	inflação	são:	a) determinar a cesta de produtos; b)	definir	os	pesos	dos	
produtos,	respeitando	a	estrutura	do	cálculo.	Exemplo:	Índice	de	Preços	
ao	Consumidor	 considera	 itens	 como:	 alimentação,	 despesas	pessoais,	
gastos com habitação e outros, e Índice de Preços da Indústria considera 
itens	como:	índice	de	preços	por	atacado,	índice	de	preços	da	construção	
civil e outros; c) pesquisar os preços; d) calcular o custo da cesta; e) esco-
lher um ano-base e calcular o índice. O ano base será o ponto de partida 
no	qual	a	inflação	será	considerada.	Exemplo:	o	governo	do	país	Alfa	quer	
passar	a	acompanhar	a	 inflação	do	país	a	partir	do	ano	X0,	portanto,	o	
ano	X0	será	o	ano-base	do	cálculo	do	índice;	e,	por	fim,	f) calcular a taxa 
de	inflação.	Dessa	forma,	de	acordo	com	o	período	definido,	ou	seja,	de	
quanto em quanto tempo quero passar a acompanhar a evolução dos 
preços	dos	produtos	 compostos	na	 cesta	definida,	 tem-se	o	 cálculo	da	
inflação	para	aquele	período.
Há muitos questionamentos da sociedade quanto à forma como é fei-
to	o	cálculo	de	inflação,	pois	há	uma	percepção	de	que	esses	resultados	
não representam a realidade do comportamento dos preços. Nesse caso, 
vale	 ressaltar	 que	o	 cálculo	 da	 inflação	 reflete	 uma	média	 de	 variação	
98 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
dos preços praticados e absorvidos pela população no país inteiro e não 
o quanto cada variação de preço impacta individualmente cada pessoa, 
pois a base da estruturação da cesta de produtos, bem como os pesos 
dados a esses produtos dentro dessa cesta, é feita a partir de uma pesqui-
sa orçamentária de renda versus gastos feitos pela população como um 
todo.	Exemplo:	imagine	que	a	inflação	de	um	país	seja	composta	apenas	
pelo produto X, que no mês X0 custava R$ 10,00 e no mês X1 custava R$ 
15,00,	portanto,	a	inflação	desse	país	no	mês	X1	foi	de	50%.	No	entanto,	
a cesta de produtos que representa um país inteiro não é composta de 
apenas um produto, mas sim de diversos produtos e com pesos diferen-
tes, de acordo com a renda e os gastos da população. Utilizando-se ainda 
do exemplo mencionado, acrescente-se a essa cesta o produto Y, que no 
mesmo período teve o seu preço reduzido do mês X0 de R$ 20,00 para 
R$	13,00	no	mês	X1,	tendo,	portanto,	uma	queda	de	-35%.	Dessa	forma,	
ao	se	acrescentar	mais	um	produto,	o	país	teve	uma	taxa	de	inflação	que	
deve	se	situar	entre	50%	de	elevação	do	produto	X	e	os	-35%	de	queda	do	
produto	Y,	cujo	resultado	final	dependerá	do	peso	que	cada	produto	tem	
dentro da cesta como um todo, mas que com certeza não será mais de 
50%,	como	visto	no	primeiro	exemplo	do	produto	X.
Nesse	 contexto,	 é	 importante	 ressaltar	 que	o	 índice	de	 inflação,	 assim	
como os demais indicadores já estudados em Temas anteriores (PIB, ris-
co-país) servirá como parâmetro para entender uma determinada situa-
ção, devendo ser respeitadas as limitações que um cálculo de indicado-
res apresenta. Apesar dessas limitações, os índices de preços são impor-
tantes para mostrar a evolução dos preços de um determinado período 
de tempo e assim indicar planos de ações visando melhorias no âmbito 
macroeconômico.
O tópico a seguir tratará como a composição desses índices contribui para 
o acompanhamento da evolução dos preços e seus impactos para o dia a 
dia de uma sociedade. 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 99
2.1.2. O que é um número-índice, como ele é calculado e como é 
interpretado
Segundo	Mankiw	(2014,	p.	486):
[...] o índice de preços ao consumidor é usado para monitorar mudanças 
no custo de vida ao longo do tempo. Quando esse índice aumenta, a família 
precisa gastar mais dinheiro para manter o mesmo padrão de vida. Os eco-
nomistas	empregam	o	termo	inflação	para	descrever	uma	situação	em	que	
o nível geral de preços da economia está em ascensão. A taxa de inflação é 
a variação percentual do nível de preços em relação a um período anterior.
Falando, portanto, sobre o índice de preços ao consumidor (IPC), trata-se 
de uma medida que comporta o custo geral de todos os bens e serviços 
comprados por um consumidor típico. No tópico anterior, foram apresen-
tadas	as	etapas	do	cálculo	da	 inflação,	para	tanto,	abaixo,	um	exemplo	
hipotético	retirado	de	Mankiw	(2014,	p.	487)	que	aborda	detalhadamente	
de que forma é feito esse cálculo, respeitando essas etapas.
Exemplo 1: imagine um exemplo hipotético em que a cesta de produtos 
de um determinado país seja composta de apenas dois produtos (cachor-
ro-quente e hambúrguer), ou seja, esses são os produtos consumidor e, 
portanto,	comprados	pelo	consumidor	final.	Qual	será	a	taxa	de	inflação	
do	período	X0	para	o	período	X2?
Etapa 1:	pesquisar	os	consumidores	para	determinar	uma	cesta	fixa	de	bens.
Cesta	=	4	cachorros-quentes	(CQ)	e	2	hambúrgueres	(H).
Etapa 2: coletar o preço de cada bem em cada ano.
Ano Preço dos cachorros-quentes Preço dos hambúrgueres
X0 $ 1,00 $ 2,00
X1 $ 2,00 $ 3,00
X2 $ 3,00 $	4,00
Etapa 3: calcular o custo da cesta de bens a cada ano, em que CQ são ca-
chorros-quentes e H são hambúrgueres.
100 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Ano	X0	($	1,00CQ	X	4CQ)	+	($	2,00H	X	2H)	=	$	8,00	por	cesta
Ano	X1	($	2,00CQ	X	4CQ)	+	($	3,00H	X	2H)	=	$	14,00	por	cesta
Ano	X2	($	3,00CQ	X	4CQ)	+	($	4,00H	X	2H)	+	$	20,00	por	cesta
Etapa 4: escolher um ano como ano-base (X0) e calcular o índice de pre-
ços ao consumidor em cada ano.
Ano	X0	=	($			8,00	/	$	8,00)	x	100	=	100
Ano	X1	=	($	14,00	/	$	8,00)	x	100	=	175
Ano	X2	=	($	20,00	/	$	8,00)	x	100	=	250
Etapa 5: usar o índice de preços ao consumidor para calcular a taxa de 
inflação do ano anterior.
Ano X0 = ano-base do índice
Ano	X1	=	(175-100)	/	100	x	100	=	75%
Ano	X2	=	(250-175)	/	175	x	100	=	43%
Ainda	com	base	em	Mankiw	(2014,	p.	487):
[...] observe que, nesse cálculo, somente os preços mudam. Mantendo cons-
tante	a	 cesta	de	bens	 (4	 cachorros-quentes	e	2	hambúrgueres),	 estamos	
isolando os efeitos das variações depreço do efeito de qualquer variação 
de quantidade que possa estar ocorrendo ao mesmo tempo.
Veja que após escolher o ano-base (X0), calculou-se o número-índice e a 
taxa	de	inflação,	cujas	fórmulas	são:
Número-índice de preços ao consumidor =
(preço	da	cesta	de	bens	e	serviços	no	ano	corrente	/	preço	da	cesta	no	
ano-base) x 100
Taxa de inflação do ano X1 =
((IPC	no	ano	X1	–	IPC	no	ano	X0)	/	(IPC	no	ano	X0))	x	100
Importante	destacar	que,	caso	se	queira	calcular	a	taxa	de	inflação	do	ano	
X2	em	relação	ao	ano	X1,	utiliza-se	o	ano	X1	como	base,	conforme	abaixo:
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 101
Taxa de inflação do ano X2 =
((IPC	no	ano	X2	–	IPC	no	ano	X1)	/	(IPC	no	ano	X1))	x	100
E assim sucessivamente para os anos subsequentes, ou de quando se 
queira calcular.
Exemplo 2: imagine que o cálculo do custo da cesta de produtos do país 
Beta	já	foi	definido	e	feito	de	forma	que	se	chegou	aos	números-índices	
que estão na Tabela 3 abaixo. Qual foi a taxa de inflação anual (de um 
ano	para	outro)?
Tabela	3	–	Cálculo	da	taxa	de	inflação	anual
Ano Número-índice Como é feito o cálculo utilizando a fórmula de cálculo
Taxa de inflação 
anual (%)
X0 100 - -
X1 108 ((108	–	100)	/	(100)) x 100 8,00%
X2 110 ((110	–	108))	/	(108)) x 100 1,85%
X3 109 ((109	–	110)	/	(110)) x 100 -0,91%
X4 111 ((111	–	109)	/	(109)) x 100 1,83%
Fonte:	preparado	pela	autora
Exemplo 2.1: ainda se utilizando dos dados da Tabela 3, qual foi a taxa 
de inflação	acumulada	ao	longo	dos	quatro	anos?	O	resultado	pode	ser	
observado	na	Tabela	4,	abaixo:
Tabela	4	–	Cálculo	da	taxa	de	inflação	acumulada
Ano Número-índice Como é feito o cálculo utilizando a fórmula de cálculo
Taxa de inflação 
acumulada (%)
X0 100 - -
X1 108 ((108	–	100)	/	(100)) x 100 8,00%
X2 110 ((110	–	100))	/	(100)) x 100 10,00%
X3 109 ((109	–	100)	/	(100)) x 100 9,00%
X4 111 ((111	–	100)	/	(100)) x 100 11,00%
Fonte:	preparado	pela	autora
102 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Observe que, para obter a taxa acumulada de um determinado período, 
a base será sempre o ano X0, ou seja, quando se quer obter o acumula-
do de um determinado período, utiliza-se como ponto de partida para o 
cálculo o ano do qual se quer partir para fazer o acumulado, ou seja, a 
taxa	de	inflação	acumulada	para	os	quatro	anos	é	de	11%.	No	entanto,	
fazendo	da	forma	como	está	apresentado	na	Tabela	4,	tem-se	o	acumu-
lado para os períodos anteriores também, como, por exemplo, a taxa de 
inflação	acumulada	em	três	anos	foi	de	9,00%.
Correção de variáveis econômicas dos efeitos da inflação
Uma	importante	utilidade	para	o	uso	do	índice	de	inflação	é	a	correção	de	
dívidas, salários e demais investimentos em diferentes épocas, pois um 
dos principais objetivos de se medir o nível geral de preços na economia 
é ter condições de comparar valores monetários em diferentes momen-
tos do tempo. Para tanto, são utilizados os números-índices mencionados 
acima e serão eles a referência para esses cálculos, uma vez que esse ín-
dice	determina	o	tamanho	da	correção	da	inflação.
Exemplo 3: imagine uma pessoa que tinha um salário de R$ 2.000,00 no 
ano	X1	e	essa	mesma	pessoa	chega	no	ano	X4	ganhando	R$	3.000,00,	e	ela	
quer avaliar se seu salário atual está compatível, menor ou maior ao que 
ela recebia no ano X1. Para essa análise, o ponto de referência é a taxa de 
inflação	desse	período	e,	dessa	forma,	essa	pessoa	 inicia	considerando	
essa	taxa	de	inflação,	para,	em	um	segundo	momento,	fazer	a	compara-
ção desejada. Para esse cálculo, serão utilizados os números-índices da 
Tabela 3. Portanto, inicia-se o cálculo considerando os números-índices 
dos	anos	X1	e	X4	que	serão	aplicados	de	acordo	com	a	fórmula	abaixo:
Salário em R$ do ano X1 = salário em R$ do ano X4 
(Nível	de	preços	no	ano	X4	-	nº	índice		/		Nível	de	preços	no	ano	X1	-	nº	índice)
R$	2.000,00	x	(111	/	108)	=	
R$ 2.000,00 x 1,0277 = R$ 2.055,56
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 103
O salário de R$ 2.000,00 recebido no ano X1 é equivalente a um salário 
atual de R$ 2.055,56, ou seja, ao comparar com o seu salário atual de R$ 
3.000,00,	entende-se	que	essa	pessoa	teve	um	ganho	real	de	R$	944,44,	fi-
cando	acima	da	inflação,	pois,	considerando	apenas	a	inflação,	ela	atingi-
ria	um	salário	nos	dias	atuais	(ano	X4)	no	valor	de	R$	2.055,56.	Esse	ganho	
real	pode	ser	atribuído	a	vários	fatores:	a)	mudança	de	cargo;	b)	mudança	
de emprego para outra empresa e outros fatores conhecidos apenas por 
quem está fazendo a respectiva análise.
O	próximo	tópico	apresentará	os	principais	índices	de	inflação	calculados	
no Brasil, bem como suas principais características.
ASSIMILE
A	apuração	da	variação	da	taxa	de	 inflação	de	um	período	
para outro deve ser feita sempre utilizando dois períodos que 
compõem o tempo que está se avaliando o comportamento 
da	inflação.	Por	exemplo:	neste	momento,	estou	no	mês	X8	
e quero comparar o preço do produto Beta de hoje (mês X8) 
com relação ao preço dele no mês X1. Veja que tenho dois 
períodos.	Portanto,	utiliza-se	a	seguinte	fórmula:	((mês	X8	/	
mês	X1)	-	1)	x	100,	para	obter	a	variação	da	inflação	absorvida	
por esse produto nesse período, cujo resultado será inter-
pretado	da	seguinte	forma:	o	preço	que	pago	hoje	(mês	X8)	
pelo produto Beta variou que proporção em relação ao mês 
X1?	O	resultado	da	equação	dá	essa	variação	e,	nesse	caso,	
posso comparar com a variação de outros produtos ou da 
taxa	de	inflação	que	é	calculada	pelo	governo	e	ver	se	esse	
produto está muito acima, igual ou muito abaixo em relação 
à	inflação	média	do	país.	Veja	um	exemplo	a	seguir.
104 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
EXEMPLIFICANDO
O produto Beta no mês atual (X8) custa R$ 10,00, sendo que 
no mês X1 ele custava R$ 6,00. Qual foi a variação da taxa de 
inflação	do	produto	Beta	nesse	período?	Utilizo-me	da	 fór-
mula mencionada em “Assimile” e chego ao seguinte resulta-
do:	(R$	10,00	/	R$	6,00)	-	1)	x	100	=	67%.	Portanto,	o	produto	
teve	nesse	período	um	aumento	de	67%.	No	entanto,	a	 in-
flação	do	país	ficou	em	10%	nesse	período,	mostrando	que	
esse produto que utilizo, de forma isolada, teve um aumento 
muito	maior	que	a	inflação	média	do	país.
2.1.3. Quais são os índices de inflação calculados no Brasil
O Brasil, por meio do IBGE, FGV, acompanha os índices de preços ao con-
sumidor e para a indústria. Como já mencionado no tópico 1.1.1, o país 
trabalha	com	sistema	de	metas	de	inflação.	Para	isso,	definiu	não	como	
índice	oficial	de	inflação,	mas	como	índice	utilizado	como	referência	para	
as	decisões	de	política	monetária,	visando	manter	sob	controle	a	inflação,	
o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Esse índice é 
calculado pelo IBGE e acompanhado sistematicamente pelas autoridades 
monetárias do Banco Central. Além desse índice, a Tabela 5 traz demais 
índices que são calculados e utilizados pelos indivíduos e empresas para 
eventuais correções monetárias e decisões de investimentos.
Tabela	5	–	Principais	índices	de	preços	no	Brasil
Instituto 
que calcula Índice
Índices 
componentes
Faixa de renda 
da pesquisa
Área de 
abrangência
IBGE
(Instituto 
Brasileiro de 
Geografia	e	
Estatística)
IPCA-15
Não há
1	a	40	salários	
mínimos
11 maiores 
regiões 
metropolitanas 
do Brasil
IPCA
(meta de inflação 
para política 
monetária)
INPC 1 a 8 salários mínimos
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 105
FGV
(Fundação 
Getúlio 
Vargas)
IGP-10
IPA	(60%)*
1 a 33 salários 
mínimos.
Estes índices 
sofrem forte 
influência	da	
taxa cambial
12 maiores 
regiões 
metropolitanas 
do Brasil
IPC	(30%)*
INCC	(10%)*
IGP-M (se difere do 
IGP-10 apenas peladata de coleta e de 
divulgação
IPA	(60%)*
IPC	(30%)*
INCC	(10%)*
IGP-DI (se difere 
do IGP-10 e IGP-M 
apenas pela data 
de coleta e de di-
vulgação)
IPA	(60%)*
IPC	(30%)*
INCC	(10%)*
Fonte:	preparada	pela	autora
É importante destacar que, além dos índices apresentados na Tabela 5, 
existem outras instituições que calculam e divulgam outros índices de in-
flação,	mas	que	são	esses	os	considerados	de	maior	credibilidade	pelo	
mercado.
Um	bom	exercício	para	entender	os	efeitos	da	inflação	é	realizar	um	
exercício sobre nosso cotidiano. Elabore uma planilha para compu-
tar	os	seus	gastos	pessoais,	buscando	identificar	os	seus	custos	e	o	
respectivo	comportamento	sobre	a	 sua	vida	financeira.	 Identifique	
dentro dos levantamentos quais gastos são essenciais para sua so-
brevivência,	ou	seja,	aqueles	que	mensalmente	você	tem	(exemplo:	
alimentação básica, luz, água, aluguel, transporte, etc.). Componha 
sua	cesta	de	produtos	e	identifique	qual	o	seu	custo	mensal	e	compa-
re com a evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), 
que	é	o	 indicador	utilizado	pelo	governo	como	 inflação	do	país.	O	
acompanhamento	do	índice	pode	ser	feito	pelo	link:	<www.ibge.gov.
br>. Compare seus custos com o seu rendimento e veja se ele está 
acompanhando	ou	você	está	perdendo	para	a	inflação.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
106 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
3. Considerações Finais
• É	considerada	inflação	o	aumento	persistente	e	generalizados	dos	
preços, com impacto sobre a economia como um todo.
• A	inflação	em	níveis	altos	compromete	o	poder	aquisitivo	das	pes-
soas e os ganhos das empresas, com consequente impacto sobre o 
consumo das famílias. Por essa razão, o governo brasileiro exerce 
forte	controle	sobre	ela	utilizando-se	de	metas	de	inflação	(IPCA)	e	
de instrumentos de política monetária, como, por exemplo, a taxa 
de juros básica (taxa Selic).
• Os	índices	de	inflação	são	parâmetros	importantes	de	correção	do	
dinheiro ao longo do tempo e são calculados tanto considerando os 
preços absorvidos pela indústria (IGP) como os preços pagos pelo 
consumidor (IPC).
Glossário
• Monopólio: uma única empresa que domina o mercado, não ten-
do produto substituto próximo além do que é fornecido pela em-
presa.	Não	tem	concorrência.	Exemplo:	Petrobrás.
• Oligopólio: pequeno número de empresas que domina um deter-
minado	setor.	Exemplo:	telecomunicações	no	Brasil.	O	mercado	é	
grande, no entanto, dominado por poucas empresas.
• Taxa de câmbio: o preço que se paga pela troca de uma moeda 
nacional por uma moeda estrangeira.
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 5
1. A	inflação	de	demanda	é:
a) O aumento dos custos de produção.
b) O aumento dos preços por meio das taxas de juros.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 107
c) O aumento dos preços em função do aumento da de-
manda por bens e serviços versus a baixa capacidade 
de oferta agregada para atender a essa demanda.
d) O aumento dos preços em função do aumento da ofer-
ta agregada juntamente com a demanda agregada.
e) O aumento dos preços em função do aumento apenas 
da oferta agregada.
2. A	inflação	pode	ser	conceituada	como	sendo:
a) O aumento persistente e generalizado de preços em 
um determinado período, com impacto sobre outros 
produtos da cadeia produtiva.
b) O aumento de preços de um determinado produto 
apenas.
c) O aumento de preços advindos do mercado interna- 
cional.
d) O aumento de preços causados pelo controle do 
governo.
e) O aumento de preços que atinge apenas a indústria.
3. A	inflação	de	custos	é:
a) O aumento de preços causado pelo aumento da de-
manda versus aumento da oferta agregada. 
b) O aumento de preços causado pelo aumento da oferta 
agregada apenas.
c) O aumento de preços causado pelo aumento da de-
manda agregada apenas.
d) O aumento de preços causado pelo aumento dos cus-
tos de produção, especialmente em função de aumen-
tos salariais.
e) O aumento de preços causado pelo aumento da oferta 
de moeda.
108 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Referências Bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B. (Orgs.) Manual da economia.	6. ed.	São	Paulo:	
Saraiva, 2013.
MANKIW. Introdução à economia.	6.	ed.	São	Paulo:	Cengage,	2014.
ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Curso de administração financeira.	3.	ed.	São	Paulo:	
Atlas,	2014.
Gabarito – Tema 05
Questão 1	–	Resposta:	C
O aumento dos preços em função do aumento da demanda por bens 
e serviços versus a baixa capacidade de oferta agregada para aten-
der a essa demanda. Não tem a ver com o aumento dos juros e nem 
tampouco com o aumento dos custos de produção.
Questão 2	–	Resposta:	A
O aumento persistente e generalizado de preços em um determina-
do período, com impacto sobre outros produtos da cadeia produti-
va. Quando há aumento de preço de um produto sem que ocorra um 
efeito multiplicador para demais produtos da cadeia produtiva, não 
se	constitui	inflação.
Questão 3	–	Resposta:	D
O aumento de preços causado pelo aumento dos custos de produ-
ção, especialmente em função de aumentos salariais. Esse tipo de 
inflação	está	totalmente	relacionado	ao	aumento	nos	custos	de	pro-
dução e não está vinculado ao aumento da demanda com baixa ofer-
ta agregada.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 109
TEMA 06
POLÍTICA MONETÁRIA E OS JUROS
Objetivos
• Conceituar política monetária e as funções da moeda.
• Conhecer as funções do Banco Central e os instrumen-
tos de controle monetário.
• Entender o papel da taxa de juros, o conceito de juros 
nominais e reais e as taxas disponíveis no mercado 
brasileiro.
110 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Introdução
No	Tema	5,	foi	abordado	o	conceito	de	inflação	e	as	suas	causas.	Foi	men-
cionado	também	que	dentre	as	principais	causas	que	geram	a	inflação	de	
demanda	estão:	a)	o	aumento	da	renda	disponível	ou;	b)	o	aumento	do	
estoque de moedas em circulação em função de emissão feita pelo gover-
no visando cobrir os seus gastos. Dessa forma, o governo pode atuar de 
duas	maneiras:	a)	ações	de	política	monetária	para	ter	controle	sobre	o	
estoque de moeda disponível para o consumo em função do aumento da 
renda disponível e; b) controle dos seus gastos de forma que não emita 
mais moeda para cobrir suas dívidas.
Nesse contexto, foi mencionado também que o Brasil tem como principal 
premissa	macroeconômica	 a	manutenção	da	 inflação	 em	níveis	 baixos	
e controláveis, especialmente pela herança histórica negativa que o país 
tem	em	relação	ao	forte	descontrole	 inflacionário	ocorrido	em	meados	
dos anos 1980 e início dos anos 1990 e que, na busca por esse controle 
inflacionário,	passou,	a	partir	dos	anos	1990,	a	trabalhar	com	sistema	de	
metas	inflacionárias	(target inflation), cujo principal instrumento utilizado 
para	esse	controle	é	a	definição	da	taxa	de	juros	básica	por	meio	de	polí-
tica monetária.
Portanto, com este Tema, busca-se elucidar o funcionamento da política 
monetária vigente no país como instrumento de gestão para o controle 
da	inflação	e	os	impactos	de	suas	ações	para	os	juros	brasileiros,	tendo	
a taxa básica de juros como um desses instrumentos, o conceito de juros 
nominais	e	reais	e	a	apresentação	dos	 índices	financeiros	como	 instru-
mentos	de	correção	dos	recursos	destinados	a	investimentos	e	financia-
mentos, de forma que a moeda não perca seu valor ao longo do tempo.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 111
1. Política monetária: Moeda e Banco Central
Política monetária é um dos pilares da política macroeconômica que tem 
por	principal	objetivo	definir	as	condições	de	liquidez	da	economia.	Por	
meio do Banco Central, o governo gerencia a quantidade ofertadade mo-
eda,	o	nível	da	taxa	de	juros	e	outros.	Diferentemente	da	política	fiscal,	
que afeta diretamente a demanda agregada de produtos por meio da ar-
recadação de impostos e do gasto público, a política monetária afeta essa 
demanda	de	forma	indireta,	por	meio	de	intervenções	no	mercado	finan-
ceiro com impacto sobre os juros.
O conceito de liquidez é importante para o entendimento da razão pela 
qual o governo utiliza política monetária para o seu controle, pois o mes-
mo parte do princípio de que quanto mais dinheiro disponível em circula-
ção na economia, maior é a probabilidade de consumo, e se entendermos 
que	o	seu	principal	objetivo	é	manter	a	 inflação	sob	controle,	em	uma	
situação de desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos de uma 
PARA SABER MAIS
Segundo Dana (2015, p. 28), “liquidez é uma medida da facili-
dade do uso do dinheiro. Quanto maior a liquidez, mais fácil 
é usar o valor que se tem em prol do desejo de se obter algo 
de forma imediata”. Suponha que você tenha um carro cujo 
valor é de R$ 50.000,00. Inesperadamente surgiu uma dívida 
que você precisa saldar no valor de R$ 30.000,00. Veja que 
você tem um bem com um valor que cobre essa dívida, no 
entanto, você não consegue converter esse bem em dinheiro 
rapidamente, ou seja, o carro não é um bem líquido. O ativo 
financeiro	mais	líquido	que	existe	é	o	próprio	dinheiro,	no	en-
tanto, ele por si só não tem rendimento e se não for devida-
mente aplicado, tende a perder seu valor ao longo do tempo.
112 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
determinada cadeia, com a liquidez alta, os consumidores se sentirão mo-
tivados a consumir mais, colocando em risco os preços, podendo vir a se 
converter	em	um	processo	inflacionário.
Para entendermos melhor todo esse raciocínio, a seguir, serão apresenta-
dos os conceitos sobre a moeda, as funções do Banco Central e os instru-
mentos de controle da liquidez.
1.1. Moeda: funções, oferta e demanda
Segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 217), “a importân-
cia	da	moeda	para	a	vida	das	pessoas	e	sua	influência	na	economia	faz	
com que este seja um dos principais assuntos de estudos econômicos. 
Entender como esta afeta o sistema econômico é um tema bastante con-
troverso na economia”. Portanto, o primeiro passo é saber o que é moeda.
Moeda	é	definida	como	um	ativo	utilizado,	em	geral,	nas	transações	de	
compra e venda de bens e serviços em uma sociedade. Vale destacar que, 
além da moeda, poderia ser outro ativo a ser utilizado para a efetivação 
das transações, desde que esse ativo fosse aceito em forma de pagamen-
to.	A	definição	desse	ativo	variou	ao	longo	do	tempo	entre	diferentes	civi-
lizações, chegando aos dias de hoje como forma de moeda. Portanto, ain-
da segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 217), “a moeda 
é o instrumento básico para que se possa operar o mercado”.
A	partir	desses	conceitos,	definiu-se,	portanto,	suas	funções	e	tipos,	que	
podem ser vistos logo abaixo.
1.1.1. Funções e tipos
A instituição da moeda como um intermediário de trocas, ou seja, como 
ativo utilizado para o estabelecimento das transações de compra e ven-
da de bens e serviços na sociedade, desvinculou a necessidade da dupla 
coincidência de interesses que se tinha em um passado longínquo, quan-
do o sistema de escambo era um dos sistemas utilizados para atender às 
necessidades das pessoas. 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 113
PARA SABER MAIS
Escambo é um sistema de transação de compra e venda de 
bens e serviços utilizado em um passado longínquo, quando 
não se tinha a moeda como instrumento principal para essa 
troca.	O	escambo	é,	por	definição,	um	instrumento	de	troca	
que se concretiza quando coincide os interesses dos agentes 
envolvidos na transação em comercializar algo, ou seja, não 
é simplesmente trocar bens e serviços, por exemplo, farinha 
por açúcar, o escambo se concretiza na medida em que al-
guém que está disposto a vender farinha em troca de com-
prar açúcar encontre alguém que esteja disposto a comprar 
farinha em troca de vender açúcar.
Dessa forma, a moeda tira o entrave da coincidência das transações e 
permite uma separação de tempo entre o que se compra e o que se ven-
de, conforme mencionado no conceito de escambo.
Funções da moeda:	a	moeda	tem	3	funções:
• meio de troca: aquilo que os compradores dão aos vendedores 
quando desejam adquirir bens e serviços;
• unidade de conta: instrumento que as pessoas usam para anun-
ciar preços e registrar débitos, ou seja, pelo qual as mercadorias 
são cotadas;
• reserva de valor: representa o poder de compra que é mantido ao 
longo do tempo, ou seja, por meio dela é possível medir a riqueza 
de um indivíduo ou de um país.
É importante ressaltar que a moeda passou por diversos estágios, visan-
do atender às necessidades das pessoas de acordo com os estágios das 
civilizações. 
114 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Tipos de moedas: segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, 
p.	220):
[...] a moeda evoluiu da chamada moeda-mercadoria (boi, sal, etc.), pas-
sando pela moeda metálica (moedas de ouro, prata e outros metais pre-
ciosos), moeda-papel (que correspondia a notas que possuíam lastro em 
ouro),	 para	 finalmente	 chegar	 ao	 papel-moeda, para o qual não existe 
qualquer tipo de lastro e sua aceitação se dá por imposição legal e pela 
credibilidade conferida pelo governo a esta nota.
É	nesse	último	estágio	que	o	sistema	financeiro	se	encontra.	O	conceito	
do papel-moeda denota que a moeda não tem qualquer valor intrínseco, 
de maneira que seu valor é dado pelo seu poder de compra e não por 
qualquer coisa que a lastreie. Lastro é um ativo ou uma mercadoria que 
sustenta o valor de uma moeda, ou seja, em que a moeda-papel pode ser 
convertida	(exemplo:	quando	eram	usadas,	o	ouro	era	o	principal	lastro,	
ou seja, uma nota representava uma determinada quantidade de ouro).
A partir do entendimento das funções da moeda, é possível analisar quem 
demanda	e	quem	oferta	as	moedas,	que	se	configura	em	um	movimento	
importante para avaliar liquidez, instrumentos e a interferência do gover-
no com impacto no mercado da taxa de juros.
1.1.2. Demanda e oferta da moeda
DEMANDA: por que as pessoas demandam moedas?
É importante entender a relação dos três motivos que levam as pesso-
as	a	demandarem	moedas	do	sistema	financeiro.	Essa	avaliação	inicia-se	
pela primeira função da moeda, que é entendida como meio de troca. Os 
indivíduos, quando realizam suas trocas, necessitam de moedas e, por-
tanto, esse é o primeiro motivo para sua demanda, também chamada 
de motivo transacional. Como os indivíduos não demandam moedas 
sem um objetivo, se fosse a troca o único objetivo, os preços dos bens 
seriam determinados pela quantidade de moeda. A Teoria Quantitativa 
da Moeda diz que o total de moeda disponível na economia multiplicado 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 115
pela velocidade de circulação da mesma deve se igualar ao que está sen-
do ofertado em termos de preços e de quantidade de bens, pois, do con-
trário, o efeito é de desequilíbrio dos preços. Em um cenário em que se 
tem a velocidade de circulação da moeda constante e o produto ofertado 
também constante no curto prazo, se houver elevação na quantidade de 
moeda, haverá o risco de elevação de preços na economia. A velocidade 
de circulação da moeda diz respeito ao número de transações que são 
liquidadas com a mesma unidade monetária em um determinado pe-
ríodo de tempo.
O segundo motivo para a demanda de moedas está relacionado ao fato 
de	os	indivíduos	vincularem	a	moeda	a	uma	reserva	de	valor	a	fim	de	ga-
rantirem hoje as incertezas do futuro e, portanto, guardam suas moedas 
para se protegerem de situações inesperadas. Nesse caso, essemotivo 
é conhecido como motivo de precaução. Aqui vale ressaltar que o indi-
víduo, nesse caso, não está preocupado em ter ganhos extraordinários 
por suas aplicações, mas sim em tê-la para uma necessidade a qualquer 
momento. Dessa maneira, não se aplica essa moeda em títulos ou outros 
ativos que não sejam líquidos, pois como já mencionado, o ativo mais 
líquido é o próprio dinheiro, que estará disponível a qualquer momento 
que seja necessário.
O terceiro motivo para a demanda da moeda é o motivo da especulação, 
ou seja, o indivíduo guarda moeda visando esperar o melhor momento 
para comprar títulos, de forma que tenha uma boa rentabilidade. A ren-
tabilidade de um título é vista como os juros pagos pela aplicação de seu 
capital	e	segue	a	seguinte	fórmula:
P	=	R	/	r
Em	que:	P = preço do título;
 R = rendimento;
 r = taxa real de juros.
Exemplo: um título de 12 meses foi comprado com um valor de face de 
R$ 1.000,00,	cujo	rendimento	é	de	R$	100,00,	que	representa	uma	taxa	de	
116 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
juros	de	10%	para	ser	resgatado	nesse	prazo,	ou	seja,	daqui	a	12	meses.	
Supondo que antes de seu vencimento (12 meses) a taxa de juros que está 
sendo	paga	pelo	governo	caia	para	20%,	qual	será	o	novo	valor	do	título?
Situação inicial:	P	=	R	/	r
	 P	=	100	/	(10	/	100)
	 P	=	100	/	0,10	=	1.000,00
1ª hipótese:	Taxa	de	juros	caiu	para	20%,	qual	será	o	novo	valor	do	título?
	 P	=	100	/	(20	/	100)
	 P	=	100	/	0,20	=	500,00
A fórmula nos mostra que o preço do título é a capitalização do rendimen-
to, em que, se a taxa de juros sobe, o preço do título cai, e o inverso tam-
bém é verdadeiro, ou seja, se a taxa de juros cai, o preço do título sobe. 
Essa lógica é válida também para outros tipos de títulos. Os três motivos 
pelos quais os indivíduos demandam moeda devidamente vinculados às 
suas funções dão embasamento para ações de política monetária feitas 
pelo	Banco	Central,	cujo	principal	objetivo	é	manter	sob	controle	a	infla-
ção.	Gremaud,	Vasconcellos	e	Toneto	Jr.	(2002,	p.	224)	fazem	uma	análise	
sobre	isso:	segundo	os	autores:
Suponha que na economia só existam dois ativos, moeda e títulos, e que 
o	estoque	de	riqueza	seja	fixo.	Um	aumento	na	taxa	de	juros	significa	uma	
queda no preço dos títulos, logo, aumentará a demanda pelos títulos. Como 
o	estoque	de	riqueza	é	fixo,	diminuirá	a	demanda	por	moeda.	No	entan-
to, uma queda na taxa de juros desembocará em movimento contrário. 
Percebe-se, portanto, que neste caso a demanda de moeda é inversa-
mente relacionada à taxa de juros. Dessa forma, quanto maior a taxa 
de juros menor será a demanda por moeda.
Na prática, isso quer dizer que, se a demanda por moeda for menor, a 
chance	de	consumo	diminuirá	também,	não	colocando	em	risco	a	infla-
ção.	Em	suma,	em	uma	situação	de	 inflação	alta,	a	primeira	 função	da	
moeda que é afetada é de reserva de valor, pois a moeda enfraquece e 
perde seu valor ao longo do tempo.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 117
Assim como tem a demanda por moedas, é importante que se fale tam-
bém sobre a oferta de moedas, conforme segue.
OFERTA: quem é o responsável pela oferta de moeda?
Igualmente a todos os mercados, no mercado monetário de moedas, se 
há demanda por moedas, tem que haver também oferta de moedas. No 
Brasil, o governo controla a quantidade de moeda que é ofertada na eco-
nomia, lembrando que esse é um sistema sem lastro, de forma que, como 
já mencionado, sua aceitação se dá por imposição legal e pela credibili-
dade conferida pelo governo a ela, e o responsável pelo controle dessa 
oferta no Brasil é o Banco Central, sendo também o seu emissor, cuja 
principal responsabilidade é zelar pela sua qualidade. Dessa maneira, o 
Banco	Central	atua	sobre:	a) a quantidade da moeda na economia; b) a 
capacidade de concessão de empréstimos por meio dos bancos comer-
ciais; e c) a regulação da liquidez do mercado monetário, garantindo que 
o estoque de moedas esteja compatível com a produção de bens e servi-
ços	de	maneira	a	manter	sob	controle	a	inflação.
No tópico sobre tipos de moedas, foi mencionada a evolução de como 
as moedas foram sendo construídas ao longo do tempo pelas diferentes 
civilizações e, portanto, chegando ao estágio atual que é o de papel-mo-
eda.	Dessa	forma,	existe	sobre	o	papel-moeda	outra	classificação	que	é	
considerada	na	prática	atual:	a) as moedas metálicas, que nada têm a 
ver com a moeda metálica citada no passado, mas sim sendo ela emitida 
pelo Banco Central e que tem valor fracionado (é a moeda que as pessoas 
carregam no bolso); b) papel-moeda, que também é emitida pelo Banco 
Central (é a moeda em forma de papel que as pessoas também carregam 
em seu bolso); e c) moeda escritural, que são os depósitos à vista feitos 
pelos indivíduos junto aos bancos comerciais.
A soma desses três tipos de moedas (metálica, papel-moeda e moeda 
escritural) formam os meios de pagamento. Portanto, os meios de paga-
mento dizem respeito a tudo que está em forma de dinheiro (liquidez) e 
disponível no mercado, pois refere-se ao que está nas mãos das pessoas 
118 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
e a tudo que está em forma de depósito em banco, porém não vinculado 
a nenhum tipo de aplicação. Portanto, os meios de pagamento têm duas 
características	importantes:	a) têm liquidez imediata, ou seja, podem ser 
usados imediatamente para efetuar transações; e b) não rendem juros.
LINK
Os volumes dos meios de pagamento podem ser obtidos di-
retamente	do	Banco	Central	do	Brasil,	no	Capítulo	II	–	Moeda	
e Crédito, da página de Indicadores Econômicos no site do 
Banco.	 Disponível	 em:	 <http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/
Port/indeco.asp>.	Acesso	em:	20	jul.	2018.
Há dois agentes na economia em condições de OFERTAR MOEDA:
• Banco Central: detentor do papel-moeda e capaz de emitir novas 
moedas.
• Bancos comerciais: atuam na multiplicação dos depósitos à vista 
em forma de crédito para a economia, pois há uma tendência global 
em manter saldos monetários ociosos.
Portanto, os bancos comerciais são agentes multiplicadores dos depósi-
tos	à	vista.	E	como	isso	é	feito?
• Os bancos comerciais partem de um depósito inicial.
• Entende-se que os recursos depositados pelas pessoas não são 
sacados simultaneamente e todos de uma só vez.
• Dessa forma, os bancos precisam deixar uma reserva desse dinhei-
ro (para ele e para o Banco Central) e podem emprestar o restante 
ao	sistema	financeiro,	sendo	essa	uma	prática	de	oferta	de	moeda	
para a economia. 
• A partir desse processo, o cliente que tomou o empréstimo advindo 
dessa multiplicação de moeda irá fazer um novo depósito, podendo 
ser no mesmo banco ou em outro, e dessa forma o processo vai se 
repetindo.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 119
Exemplo dessa multiplicação de depósitos à vista.
1ª etapa: o Banco A recebe um total de depósito de R$ 1.000,00.
Retém	uma	reserva	de	30%	(R$	300,00)	para	fazer	frente	às	necessidades	
de	saques,	sendo	10%	de	necessidades	de	saques	(voluntário)	e	20%	de	
(taxa/depósito	compulsório	do	Banco	Central)	e	empresta	o	restante:	R$	
1.000,00	–	R$	300,00	=	R$	700,00.
2ª etapa: o cliente que tomou emprestado R$ 700,00 deposita esse valor 
no Banco B.
O	Banco	 B	 retém	 os	mesmos	 30%	 (R$	 210,00)	 e	 empresta	 o	 restante:	
R$ 700,00	–	R$	210,00	=	R$	490,00.
Como o depósito está se reduzindo a cada etapa, o processo continuará 
até “zerar”.
O	efeito	final	 será	dado	por	um	multiplicador. Como, no exemplo, as 
reservas	bancárias	representam	30%	(0,30),	o	multiplicador	final	será	de	
1/30	=	3,33,	 isso	é,	o	valor	 inicial	de	R$	1.000,00	 transforma-se	em	um	
acréscimo de meios de pagamento de R$ 3.333,00 para a economia.
Portanto,	 essa	 é	 a	 forma	que	o	Banco	Central	 tem	de	 influenciaresse	
poder de multiplicar, por meio de um dos instrumentos de política mo-
netária chamado de depósitos compulsórios. Os depósitos compulsó-
rios são um dos instrumentos de controle sobre a quantidade de moeda 
ofertada ao mercado, pois quanto mais ele eleva a taxa desse depósito, 
menos dinheiro se converte para a economia e o contrário também é 
verdadeiro.
Portanto, os meios de pagamento correspondem ao total de moedas que 
visam liquidar as transações, conhecido no mercado como M1, ou seja, o 
papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista, tendo, por-
tanto, liquidez absoluta.
No	entanto,	segundo	Gremaud,	Vasconcellos	e	Toneto	Jr.	(2002,	p.	229):
120 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
[...]	o	avanço	do	sistema	financeiro	e	o	processo	de	inovações	financeiras	
fazem com que vários outros ativos apresentem elevado grau de liquidez, 
por	exemplo,	os	fundos	de	aplicação	financeira,	os	certificados	de	depósi-
tos	bancários	e	etc.	Isso	dificulta	a	conceituação	de	meios	de	pagamento.	
Para lidar com esse problema, desenvolveram-se novas medidas de meios 
de pagamento que buscam incorporar outros ativos que possuem elevada 
liquidez. Esses novos ativos também são chamados de quase-moedas. A 
incorporação	destes	gera	outros	agregados	monetários	(M2,	M3	e	M4)	que	
correspondem à agregação de novos ativos, de acordo com seu grau de 
liquidez, ao conceito de moeda.
A Tabela 1 mostra a composição desses ativos, também conhecidos como 
agregados monetários.
Tabela	1	–	Meios	de	pagamento	–	Agregados	monetários
MEIO DE 
PAGAMENTO
COMPOSIÇÃO
M1
Papel-moeda em poder do público + os depósitos à vista nos bancos 
comerciais	públicos	e	privados	–	LIQUIDEZ	TOTAL,	LIVRE	ACEITAÇÃO	
E	NÃO	RENDEM	JUROS.
M2
É o M1 + os depósitos especiais remunerados, mais os depósitos de 
poupança, mais os títulos emitidos no mercado primário pelas insti-
tuições	financeiras.	RENDEM	JUROS.
M3
É	o	M2	+	as	cotas	de	fundos	de	renda	fixa	e	mais	as	operações	com-
promissadas com títulos federais que funcionam como moeda. REN-
DEM JUROS.
M4
É o M3 + os títulos emitidos pelo sistema emissor público, como as 
Letras do Tesouro Nacional (LTN), emitidas pelo Governo Federal. 
RENDEM JUROS.
Fonte:	adaptado	de	Dana	(2015,	p.	33)
Sobre a oferta da moeda na economia, os principais pontos foram abor-
dados neste tópico, sendo que as funções do Banco Central e os instru-
mentos utilizados por ele para o controle da liquidez serão vistos no tópi-
co seguinte.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 121
1.2. Funções do Banco Central e instrumentos de controle 
monetário
No tópico sobre oferta de moeda, já foram mencionadas algumas das 
funções do Banco Central e alguns instrumentos de controle monetário, 
no entanto, vale reforçar que o Banco Central é considerado pelo mer-
cado como o Banco dos Bancos e em muitos países é o responsável pela 
regulamentação	e	fiscalização	dos	sistemas	financeiros.	No	Brasil,	ele	tem	
outras funções além dessas, que é também administrar as reservas inter-
nacionais do país e atuar junto à política cambial.
No contexto da política monetária, esta tem como função tomar ações 
por	meio	de	instrumentos	monetários	(exemplo:	taxa	de	juros),	visando	
manter a liquidez da moeda com impacto sobre a economia como um 
todo,	especialmente	sobre	o	mercado	de	crédito	e	a	 inflação.	Portanto,	
esse controle pode vir pela adoção de uma política monetária restritiva ou 
expansionista, cujos impactos podem ser observados na Tabela 2, abaixo.
Tabela	2	–	Impacto	da	política	monetária	sobre	liquidez, 
crédito	e	inflação
Política 
monetária
Ação do 
governo
Efeito sobre a QUANTIDA-
DE DA MOEDA (LIQUIDEZ)
Efeito sobre o 
CRÉDITO
Efeito sobre a 
INFLAÇÃO
Restritiva
ELEVAÇÃO	
DA TAXA 
DE JUROS
Queda na quantidade de 
moeda em circulação 
(reduz liquidez)
Elevação dos 
custos dos 
empréstimos
Evita o au-
mento dos 
preços
Expansio-
nista
REDUÇÃO	
DA TAXA 
DE JUROS
Elevação na quantidade 
de moeda em circulação 
(aumenta liquidez)
Redução dos 
custos dos 
empréstimos
Ameaça de 
elevação dos 
preços
Fonte:	adaptado	de	Dana	(2015,	p.	57-58)
Portanto:	entende-se	como	política	monetária,	segundo	Dana	(2015,	p.33)		
“o conjunto de medidas adotadas pelo governo visando adequar os meios 
de pagamentos disponíveis às necessidades da economia do país, com 
controle sobre a oferta de moeda e de crédito”. Dessa forma, vale fazer 
uma análise da postura do governo em adotar uma política monetária 
122 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
restritiva ou expansionista, dependendo da situação macroeconômica vi-
gente, cuja distinção entre essas políticas está na forma como o Banco 
Central conduz a taxa de juros básica (taxa Selic), um de seus principais 
instrumentos,	visando	sempre	preservar	o	controle	da	inflação.	Sendo	as-
sim, utilizando-se da taxa de juros como um desses instrumentos de con-
trole	da	liquidez	e,	de	acordo	com	o	que	a	Tabela	2	nos	mostra,	em	uma:	
• política monetária restritiva, cuja ação é elevar a taxa de juros, a 
quantidade de moeda em circulação diminui, pois a sociedade se 
sente mais motivada em manter os seus recursos em aplicações 
mais rentáveis em função da elevação da taxa de juros e, portanto, 
menos motivadas a consumir, colocando menos pressão sobre os 
preços	e,	consequentemente,	sobre	a	inflação;
• política monetária expansionista, cuja ação é reduzir a taxa de 
juros, a quantidade de moeda em circulação aumenta, pois a socie-
dade se sente menos motivada em manter os seus recursos em 
aplicações menos rentáveis em função da queda da taxa de juros 
e, portanto, mais motivadas a consumir, colocando mais pressão 
sobre	os	preços	e,	consequentemente,	sobre	a	inflação.
Outro instrumento que o Banco Central utiliza para controlar a liquidez 
do mercado de moedas e que afeta os volumes disponíveis de crédito 
com impacto nas taxas de juros é o depósito compulsório. Os bancos co-
merciais, ao receberem os depósitos à vista, por ordem do Banco Central, 
enviam diariamente uma parcela desses depósitos que se transformam 
em reservas bancárias (compulsórias). O objetivo é proteger o sistema 
financeiro	de	possíveis	riscos	de	default. Essa parcela é conhecida como 
depósito compulsório e seu volume é estabelecido em termos percentu-
ais pelo governo, de tal sorte que, quanto maior esse percentual, maior 
serão as reservas enviadas ao Banco Central e, consequentemente, me-
nos moedas circularão na economia. O Banco Central se utiliza muito des-
se mecanismo, também quando quer estimular o consumo e ativar a eco-
nomia e, nesse caso, reduz os depósitos compulsórios, fazendo com que 
aumente o volume de moedas em circulação.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 123
Além desse instrumento, outros podem ser observados na Tabela 3, abaixo. 
Tabela	3	–	Instrumentos	da	política	monetária	do	Banco	Central	do	Brasil
DEPÓSITO OU 
RECOLHIMENTO 
COMPULSÓRIO
REDESCONTO OU 
EMPRÉSTIMO 
DE LIQUIDEZ
MERCADO 
ABERTO OU OPEN 
MARKET
CONTROLE E SE-
LEÇÃO DE CRÉ-
DITO
Obriga os ban-
cos comerciais e 
instituições	finan-
ceiras a depositar 
no Banco Central 
parte de seus de-
pósitos à vista.
Quando os bancos co-
merciais têm necessida-
des de caixa e não conse-
guem buscar em outros 
bancos, a operação de 
redesconto é feita com o 
Banco Central com o ob-
jetivo de socorrê-los.
É por meio des-
sa operação que 
o Banco Central 
compra e vende 
títulos diretamen-
te das instituições 
financeiras.
Estabelece 
controle direto 
sobre preço e 
volume do cré-
dito.
Fonte:	preparado	pela	autora	com	informações	retiradas	de	Dana	(2015,	p.	30)
É importante ressaltar que o Banco Central toma decisões de políticamo-
netária	com	embasamento	técnico,	ou	seja,	não	tem	influência	política	em	
suas decisões. Operacionalmente falando, segue um cronograma de reu-
niões de política monetária conhecida no mercado como COPOM, em que 
faz análise técnica e discussões em torno do patamar ideal da taxa de juros 
com base na situação econômica vigente, cujo foco principal é sempre o 
controle	sobre	a	inflação.	São	nessas	reuniões	que	a	decisão	sobre	a	taxa	
básica de juros é tomada, cuja periodicidade entre uma reunião e outra é 
de	aproximadamente	40	dias,	sendo,	em	seguida,	informadas	ao	mercado.
O próximo tópico abordará o conceito de taxa de juros, a diferença en-
tre os juros nominais e reais, bem como as taxas utilizadas no mercado 
brasileiro.
2. Taxa de juros: Conceito e tipos
Para que se conceitue taxa de juros, é importante antes conceituar juro. 
Juro é a remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao 
dono do capital, ou seja, é o preço ou o valor do dinheiro. Matematicamente, 
124 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
a taxa de juros é a relação entre o valor dos juros pagos (ou recebidos) 
no	final	de	um	determinado	período	de	tempo	e	o	valor	do	capital	inicial-
mente emprestado (ou aplicado). Dessa maneira, representando a taxa 
de juro pela letra i, o valor dos juros pela letra J e o valor do capital inicial 
(também conhecido por principal, valor presente ou valor atual) pela letra 
P,	tem-se	que:	i = (J / P) x 100.	A	taxa	pode	também	ser	definida	como:	a)	
determinado valor que se pode atribuir ao tempo; b) cobertura de riscos 
assumidos pelo emprestador; c) valor que compensa a perda de oportu-
nidades de utilização do dinheiro; e d) retorno obtido pelo investimento 
produtivo do capital.
Entendido o conceito de juro e de taxa de juros, é relevante entender a di-
ferença entre o juro nominal e o juro real, que estão nos tópicos seguintes.
2.1.1.Taxa de juros nominal e real
O	que	diferencia	o	conceito	de	taxa	de	juros	nominal	e	real	é	a	inflação.
Taxa de juros nominal: é aquela que é meramente indicativa sobre o 
ganho	monetário	sobre	uma	determinada	aplicação	financeira,	não	con-
siderando	o	comportamento	da	inflação.	Exemplo: uma pessoa faz uma 
aplicação na data de hoje de R$ 200,00 e daqui a um mês ela resgata R$ 
220,00.	Nesse	caso,	qual	será	a	taxa	nominal	dessa	aplicação?
i =	(J	/	P)	x	100,	de	acordo	com	a	fórmula	mencionada	acima.
i =	(20,00	/	200,00)	x	100	=	0,1	x	100	=	10%
Em	que:	R$	20,00	é	o	valor	do	juro,	ou	seja,	R$	220,00	–	R$	200,00.
Taxa de juros real:	é	a	taxa	obtida	após	descontado	o	efeito	da	inflação,	
ou seja, refere-se ao ganho que se obtém em termos de poder de com-
pra por determinada aplicação. Seu cálculo é feito considerando a taxa 
de	juros	nominal	e	a	inflação	do	período	que	se	queira	calcular,	que	vai	
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 125
apontar o ganho real de determinada aplicação, pois além do juro nomi-
nal,	desconta-se	a	inflação	do	período	que,	economicamente	falando,	é	a	
perda de valor da moeda.
Seu	cálculo	é	feito	da	seguinte	forma:
ir =	(((1+(iNominal/100))/(1+(iInflação/100)))-1)	x	100
Exemplo: utilizando o exemplo acima, em que a taxa de juro nominal da 
aplicação	foi	de	10%,	qual	foi	o	 juro	real	dessa	aplicação,	considerando	
para	esse	mesmo	período	uma	inflação	de	3%?
ir =	(((1+(10/100))/(1+(3/100)))-1)	x	100
ir =	((1+0,10)	/	(1+0,03))-1)	x	100
ir =	((1,10)	/	(1,03))-1)	x	100
ir = ((1,06796)-1) x 100
ir =	0,06796	x	100	=	6,796%	arredondamento	para	6,80%
Portanto, a taxa de rentabilidade real é de 6,80%, pois nesse período foi 
tirado	o	efeito	da	inflação.
2.1.2. Taxas de juros utilizadas no Brasil
Taxa Selic: essa taxa é apurada no Selic (Sistema Especial de Liquidação 
e Custódia), por isso é chamada de taxa Selic e não pode ser confundi-
da	com	a	taxa	básica	de	juros,	também	chamada	de	Selic,	definida	pelo	
Banco Central para os juros básicos da economia. Ela é obtida ao se cal-
cular	a	taxa	média	ponderada	e	ajustada	das	operações	de	financiamento	
por um dia e essa taxa remunera títulos públicos federais.
Taxa CDI:	o	termo	CDI	significa	Certificado	de	Depósitos	Interbancários.	
Essa taxa é utilizada para operações de curtíssimo prazo entre bancos, 
ou seja, é a taxa cobrada entre bancos quando estes buscam recurso 
126 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
financeiro	entre	si	para	fechar	seu	caixa	diariamente.	Portanto,	é	a	remu-
neração utilizada para empréstimo de apenas um dia.
TR (taxa referencial de juros): segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto 
Jr.	 (2002,	p.	240),	 a	TR	é	 calculada	pela	média	das	 taxas	de	 juros	CDBs	
(Certificados	de	Depósitos	Bancários)	 dos	 30	maiores	bancos.	 As	 taxas	
são coletadas diariamente e a TR de um dia corresponde à média do dia, 
do dia anterior e do dia seguinte. Sobre essa média, é aplicado um redu-
tor	para	excluir	expectativas	inflacionárias.	É	utilizada	como	indexador	de	
contratos e para o reajuste da caderneta de poupança.
TJLP (taxa de juros de longo prazo): segundo Gremaud, Vasconcellos 
e	Toneto	Jr.	(2002,	p.	240),	é	a	taxa	“utilizada	principalmente	pelo	Banco	
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Seu objetivo é 
possibilitar	o	alongamento	de	prazos	no	mercado	financeiro”.	Seu	cálculo	
é	baseado	em:	a)	meta	da	inflação	com	12	meses	seguintes	ao	primeiro	
mês de vigência da taxa de juros e, para tanto, utiliza o IPCA como refe-
rência	 (vide	 inflação);	 e	b)	prêmio	de	 risco,	que	está	 correlacionado	ao	
risco-país. O risco-país está relacionado à ameaça de uma crise política e 
econômica	e	esse	risco	é	calculado	pelas	agências	de	classificação	de	risco	
que dão uma nota (rating) ao país.
ASSIMILE
A oferta da moeda no Brasil tem como principais agentes o 
Banco Central do Brasil e os bancos comerciais. Os depósi-
tos à vista feitos nos bancos comerciais sofrem um proces-
so	de	multiplicação	de	moedas	que	essencialmente	ficariam	
ociosas na conta do banco. Esse recurso é disponibilizado em 
forma de crédito e sofre restrições de reservas por parte do 
Banco	Central,	a	fim	de	garantir	e	preservar	o	sistema	finan-
ceiro, bem como o controle sobre o volume de moeda dispo-
nível na economia.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 127
EXEMPLIFICANDO
A taxa de juro nominal se difere da taxa de juro real pela 
inflação	contida	no	rendimento	 indicativo	de	uma	determi-
nada aplicação. Dessa forma, é necessário que se exclua a 
taxa	de	inflação	do	período	que	está	sendo	analisado,	para	
que se tenha uma avaliação correta do ganho real de deter-
minado	ativo	financeiro,	do	contrário,	poderá	se	cometer	um	
engano	sobre	a	atratividade	da	referida	aplicação,	ficando	in-
comparável, muitas vezes, com aplicações feitas fora do país 
de	origem.	Exemplo:	o	Brasil	pode	oferecer	um	rendimento	
nominal	anual	por	determinado	ativo	no	patamar	de	10%	e	
hipoteticamente, nos Estados Unidos, esse mesmo ativo é 
remunerado	em	5%	ao	ano.	No	entanto,	a	inflação	no	Brasil	
nesse	mesmo	período	foi	de	8%	e	nos	Estados	Unidos	foi	de	
2%.	Ao	aplicar	a	fórmula	da	taxa	de	 juro	real,	 teremos	que	
essa	aplicação	no	Brasil	chegou	em	1,85%	de	ganho	real,	en-
quanto nos Estados Unidos, que aparentemente tinha uma 
taxa	nominal	de	juro	menor	(5%),	atingiu	um	ganho	real	de	
2,94%,	pois	sua	inflação,	proporcionalmente	ao	juro	nominal,	
foi	menor	que	a	inflação	brasileira.
Pesquise	e	escolha	 três	 tipos	de	aplicações	financeiras	comuns	no	
mercado	brasileiro	(exemplo:	poupança,	títulos	do	governo),	calcule	
os	seus	rendimentos	nominais	e	compare	com	a	inflação	do	mesmo	
período da pesquisa. Avalie se essas aplicações tiveram rendimentos 
acima,	 iguais	ou	abaixo	da	inflação.	Utilize	rendimentos	divulgados	
por	bancos	comerciais	para	essa	comparação.	Para	a	inflação	do	perí-
odo,	pode	serutilizado	o	índice	IPCA	disponível	no	Cap.	I	–	Conjuntura	
Econômica,	 do	 site	 do	 Banco	 Central,	 disponível	 em:	 <http://www.
bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp>.	Acesso	em:	21	jul.	2018.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
128 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
3. Considerações Finais
• Controlar o mercado de moedas por meio de instrumentos de política 
monetária é uma das principais funções do Banco Central do Brasil.
• Os meios de pagamento (M1), que representa o dinheiro efetivo que 
está	nas	mãos	das	pessoas,	 juntamente	com	o	M2,	M3	e	M4	(que	
são quase moedas) compõem os agregados monetários da base 
monetária	do	país	e	estão	classificados	de	acordo	com	o	seu	grau	
de	liquidez,	vindo	do	ativo	mais	líquido	(que	é	o	dinheiro	–	M1)	para	
o menos líquido (ativo que leva mais tempo para ser transformado 
em	dinheiro	–	M4).
• O juro representa a remuneração que o tomador de um emprésti-
mo deve pagar ao dono do capital, ou seja, é o preço ou o valor do 
dinheiro. Ao passo que a taxa de juros é a relação entre o valor dos 
juros	pagos	(ou	recebidos)	no	final	de	um	determinado	período	de	
tempo e o valor do capital inicialmente emprestado (ou aplicado).
• O	que	diferencia	a	taxa	de	juro	nominal	da	taxa	de	juro	real	é	a	infla-
ção do período de aplicação de determinado ativo.
Glossário
• Target inflation: uma sigla em inglês que se refere à meta de in-
flação,	conceito	esse	definido	pelo	Banco	Central	que	serve	como	
parâmetro	para	a	inflação	do	Brasil,	ou	seja,	o	nível	máximo,	em	
termos	de	percentual,	que	a	inflação	deve	atingir	no	ano.
• Default:	uma	sigla	em	inglês	que	significa	o	descumprimento	de	
uma	 regra	 contratual.	 No	 caso	 usado	 no	 texto,	 significa	 o	 risco	
de	o	país	não	 cumprir	 com	seu	 compromisso	financeiro	 junto	à	
sociedade.
• Liquidez: é a medida de facilidade de transformar algo em dinhei-
ro	rapidamente.	Exemplo:	o	próprio	dinheiro.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 129
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 6
1. A	taxa	de	juro	real	diz	respeito	ao:
a) Rendimento	indicativo	de	um	ativo	financeiro.
b) Volume de dinheiro disponível para uso no mercado 
financeiro.
c) Rendimento	de	um	ativo	financeiro	excluindo	a	inflação.
d) Instrumento de política cambial.
e) Uso para correção de empréstimos feitos entre bancos. 
2. Os	meios	de	pagamento	referem-se	a:
a) Total da dívida do um país.
b) Volume de dinheiro disponível na economia. 
c) Nível de rendimento dos títulos públicos federais.
d) Nível	de	rendimento	considerando	a	inflação.
e) A remuneração que deve ser paga ao dono do capital.
3. O	conceito	de	juro	refere-se:
a) À taxa paga pelos empréstimos de longo prazo.
b) À taxa de juro nominal.
c) À taxa de juro real.
d) À remuneração que o tomador de um empréstimo deve 
pagar ao dono do capital.
e) Ao volume de moedas disponível na economia.
Referências Bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B. (Orgs.) Manual da economia.	6. ed.	São	Paulo:	
Saraiva, 2013.
DANA, S. Introdução a finanças empresariais.	1.	ed.	São	Paulo:	Érica,	2015.
GREMAUD, A.P.; VASCONCELLOS, M.A.S.; TONETO JR., R. Economia brasileira con-
temporânea.	4.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	2002.
130 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Gabarito – Tema 06
Questão 1	–	Resposta:	C
A taxa de juro real refere-se ao rendimento de um determinado ativo 
já	excluindo	a	inflação	do	período	de	referência	da	aplicação.
Questão 2	–	Resposta:	B
O volume de dinheiro disponível na economia. É a soma das moedas 
metálicas, mais o papel-moeda mais a moeda escritural (que são os 
depósitos à vista).
Questão 3	–	Resposta:	D
A remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao 
dono do capital, ou seja, é o preço ou o valor do dinheiro.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 131
TEMA 07
TAXA SELIC E TAXA DI CETIP: 
OS JUROS NO BRASIL
Objetivos
• Conceituar o sistema econômico versus o sistema 
financeiro	(mercado	financeiro	e	a	estrutura	do	siste-
ma	financeiro	nacional).
•	Diferenciar	renda	fixa	de	renda	variável.
• Entender o que é taxa Selic, taxa DI Cetip e o DI (depó-
sito	interfinanceiro)	dentro	desse	contexto.
• Conceituar a taxa Selic e o índice e a taxa DI Cetip como 
indicador de referência.
132 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Introdução
No Tema 6, foram abordados conceitos como moedas, juro, taxa de juro 
e	as	taxas	mais	utilizadas	no	mercado	financeiro	brasileiro.	Lembre-se	de	
que foi explorado também a atuação do Banco Central, por meio da po-
lítica monetária, como agente importante para o controle da liquidez da 
economia,	visando	manter	sob	controle	a	inflação	e	garantindo	que	as	ne-
gociações	praticadas	no	mercado	financeiro	transcorram	com	confiança	e	
atratividade para os investimentos.
Dessa forma, o conceito de taxa de juro funciona como uma espécie de 
indicador no controle dessa liquidez, pois é um parâmetro e instrumento 
utilizados pelos agentes econômicos quanto à sua decisão em consumir 
ou poupar, dependendo do ambiente econômico que se apresenta em 
seu momento de análise. É importante reforçar, como já mencionado no 
Tema anterior, que o Banco Central é o banco dos bancos e toma deci-
sões de política monetária com embasamento meramente técnico, sem 
influência	política	e	baseado	em	 fatos	ocorridos	e	prospecções	 futuras	
para	a	economia,	de	tal	sorte	a	definir	o	patamar	da	taxa	de	 juros	 ide-
al	para	controle	da	inflação	e,	consequentemente,	visando	proporcionar	
equilíbrio macroeconômico para o país.
O tema proposto neste tópico trata da taxa Selic e da taxa DI Cetip como 
juros do mercado brasileiro, em que as taxas que rentabilizam os títu-
los	 públicos	 federais	 e	 as	 taxas	 cobradas	 pelas	 instituições	 financeiras	
quando	estas	transferem	recursos	entre	si	são	definidoras	da	taxa	Selic	
e da taxa DI Cetip, respectivamente. A esses recursos transferidos entre 
instituições	financeiras	dá-se	o	nome	de	depósitos	 interfinanceiros	(DI),	
constituindo-se,	portanto,	um	título	privado	de	renda	fixa	que	ajuda	no	fe-
chamento de caixa dos bancos, sendo tanto um instrumento de captação 
de recursos, justamente para o fechamento diário de caixa dos bancos, 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 133
como	também	um	instrumento	de	aplicação	de	recursos	financeiros	ex-
cedentes,	 ou	 seja,	 um	produto	 financeiro	 utilizado	para	 investimentos.	
Portanto, com este Tema, busca-se aprofundar o conceito da formação 
da taxa Selic, da taxa DI Cetip e do índice DI Cetip como juros referenciais 
no	mercado	brasileiro,	cuja	proposta	de	aprendizado	é:	a) conceituar o 
sistema	econômico	versus	sistema	financeiro	conjuntamente	ao	merca-
do	financeiro	e	a	estrutura	do	sistema	financeiro	nacional;	b) diferenciar 
renda	fixa	de	renda	variável;	e	c) entender a que se referem a taxa Selic e 
a	taxa	DI	Cetip	e	os	depósitos	interfinanceiros	(DI)	dentro	desse	contexto.
1. Sistema Econômico versus sistema financeiro
Para	 entender	 o	 conceito	 de	 sistema	 econômico	 versus	 sistema	 finan-
ceiro, é importante primeiramente trazer à luz da discussão o principal 
problema tratado em economia que é a escassez e, após isso, entender 
como	o	sistema	financeiro	contribui	para	a	solução	desse	problema.	Em	
termos econômicos, de acordo com o que já foi mencionado no Tema 1 
desta disciplina, a escassez surge do pressuposto de que as necessidades 
humanas	são	infinitas	e	os	bens	ou	os	meios	de	satisfazê-las	são	sempre	
finitos.	Vale	ressaltar	que	a	escassez	não	é	a	falta	completa	de	recursos,	
mas sim a necessidade que os agentes econômicos (famílias e empresas) 
têm de se tomar decisões de forma a terem suas necessidades atendidas. 
Esses	recursos	podem	ser	entendidos	como:	terra,	energia,água,	alimen-
tos, mão de obra, tecnologia e capital.
No contexto dessas decisões econômicas, tem-se a decisão do consumo, 
da poupança e do investimento e, portanto, como a ciência econômica 
estuda comportamentos, os agentes econômicos lidam diferentemente 
com esses recursos. Alguns consomem e poupam menos ou mais, outros 
apenas consomem e buscam recursos em situações inesperadas, outros 
134 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
(empresas),	muitas	 vezes,	 buscam	 recursos	 financeiros	 visando	o	 cres-
cimento de seu negócio e até mesmo o governo, na maioria das vezes, 
não sabendo administrar seus recursos públicos, excede seus gastos or-
çamentários	e	necessita	buscar	mais	recursos	junto	ao	mercado.	Enfim,	
toda	essa	exposição	é	para	contextualizar	a	importância	do	sistema	finan-
ceiro na economia como instrumento facilitador do encontro entre os que 
poupam e os que consomem e não poupam. Aos que poupam, o mercado 
dá o nome de “superavitários”, ou seja, o agente que tem dinheiro dis-
ponível para ofertar ao mercado. Aos que consomem e não poupam, ou 
poupam	menos	do	que	deveriam,	o	mercado	dá	o	nome	de	“deficitários”,	
ou seja, o agente que demanda dinheiro do mercado para suprir suas ne-
cessidades. Portanto, a dinâmica do mercado funciona de tal forma que 
os recursos devem ser viabilizados para que ocorra essa troca entre agen-
tes	superavitários	(poupadores)	e	agentes	deficitários	(tomadores).	
Ao	tomar	conhecimento	da	figura	do	poupador	e	do	tomador,	é	relevante	
considerar também o fato de que esses agentes têm objetivos diferentes 
no tocante a valores e prazos para as suas transações, e dentro dessa ló-
gica nasce o papel do intermediador para viabilizarem essas transações. 
Exemplo:	um	estudante	tem	a	intenção	de	aplicar	R$	50.000,00	por	seis	
meses, enquanto outro estudante necessita de um empréstimo de R$ 
20.000,00 e por um prazo de quatro meses apenas. Imagine se cada pou-
pador ou tomador tivesse que buscar sozinho no mercado pessoas com 
as mesmas condições de valores e prazos, como, por exemplo, o estudan-
te que tem a intenção de aplicar R$ 50.000,00 por seis meses versus ou-
tro	que	quer	apenas	R$ 20.000,00	e	ainda	assim	por	quatro	meses.	Essas	
operações, sem um intermediador, se inviabilizariam e os negócios não se 
efetivariam.	Nesse	contexto,	faz-se	imprescindível	a	figura	de	instituições	
que	intermedeiem	essas	operações.	Essas	instituições/intermediadores,	
portanto,	têm	o	papel	de	concentrar	esses	recursos	financeiros	que	não	
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 135
foram utilizados (poupança) e distribuí-los entre poupadores e tomado-
res, de forma simultânea, buscando atender às necessidades de volume 
financeiro	e	prazo	de	cada	um.
Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de seu livro 
Mercado de valores mobiliários brasileiro	(2014,	p.	30):
Foi para suprir essa demanda do mercado que surgiram e desenvolveram-
se instituições especializadas em intermediar essas operações. Inicialmente, 
sua função básica era pegar emprestado daqueles que poupam, pagando 
uma remuneração representada pelos juros, e emprestar para os demais, 
naturalmente a uma taxa mais alta, ganhando com a diferença. Essas insti-
tuições concentram a poupança e a distribuem aos tomadores de recursos, 
atendendo,	ao	mesmo	tempo,	as	necessidades	de	volume	financeiro	e	pra-
zo de cada um. Com o passar do tempo, essas instituições foram se especia-
lizando e oferecendo outros serviços. Da mesma forma desenvolveram-se 
novos instrumentos, sistemas e produtos para organizar, controlar e desen-
volver esse mercado. Chamamos este sistema, como um todo, de Sistema 
Financeiro.	Dessa	forma,	entende-se	o	Sistema	Financeiro	como	sendo	o:	
conjunto de instituições e instrumentos que viabilizam o fluxo finan-
ceiro entre os poupadores e os tomadores de recursos na economia.
Portanto, entendeu-se até aqui a função principal e como são alocados 
os	recursos	na	economia.	Para	que	esse	sistema	funcione	de	forma	eficaz	
e	reproduza	confiança	aos	agentes	(poupadores	e	tomadores),	ele	segue	
uma estrutura, na qual as instituições que o compõem respondem em 
forma	de:	órgãos	normativos,	entidades	supervisoras	e	operadores,	que	
pode ser visto no tópico seguinte.
1.1. Sistema financeiro nacional: estrutura
É	com	a	estrutura	mostrada	na	Tabela	1	que	o	sistema	financeiro	nacional	
busca	atender	a	todas	as	demandas	e/ou	necessidades	do	mercado,	ten-
do esse sistema um papel normativo, supervisor e operador dos recursos 
financeiros.
136 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Tabela	1	–	Estrutura	do	sistema	financeiro	nacional
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
ÓRGÃOS 
NORMATIVOS
ENTIDADES 
SUPERVISORAS OPERADORES
Conselho 
Monetário Nacional 
–	CMN
Banco Central do 
Brasil	–	BACEN
Instituições 
fi-nanceiras	
captadoras de 
depósito 
à vista
Bolsa de 
mercadorias 
e futuros
Conselho 
Nacional de 
Previdência 
Complementar	–	
CNPC
Superintendência 
de Seguros 
Privados	–	SUSEP
Resseguradores
Demais 
instituições 
financeiras
Conselho Nacional 
de Seguros Priva-
dos	–	CNSP
Superintendência 
Nacional de Seguro 
Complementar	–	
PREVIC
Bancos de 
câmbio
Bolsas de 
valores
Comissão de 
Valores Mobiliários 
–	CVM
Sociedades de 
capitalização
Sociedades 
seguradoras
Intermediários 
e administrado-
res de recursos 
de terceiros
Entidades 
abertas de 
previdência 
complementar
Fundos de 
pensão
Fonte:	adaptado	de	Dana	(2015,	p.	35)
O entendimento da estrutura é fundamental. Vale destacar que o merca-
do	financeiro,	que	é	parte	integrante	desse	sistema	financeiro	nacional,	é	
classificado	em	mercado	de	crédito,	mercado	cambial,	mercado	de	capi-
tais e mercado monetário, cujo órgão normativo é o Conselho Monetário 
Nacional (CMN), e tem como órgãos supervisores o Banco Central do 
Brasil, que coordena as práticas dentro dos mercados de crédito, cambial 
e monetário e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é responsável 
por coordenar as práticas dentro do mercado de capitais. Esta disciplina 
abordará a taxa Selic e a taxa DI-Cetip, sendo que a taxa Selic representa 
as taxas praticadas pelo mercado de títulos públicos federais e a taxa DI 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 137
Over é formada dentro do mercado monetário e é utilizada como referên-
cia	para	a	grande	parte	dos	títulos	de	renda	fixa	oferecidos	ao	investidor,	
é considerada como o principal benchmark do mercado.
Na	sequência,	será	abordada	a	classificação	do	mercado	financeiro	e	sua	
abrangência, com foco especialmente no mercado monetário.
1.2. Mercado financeiro
Como	já	mencionado	na	etapa	anterior,	o	sistema	financeiro	é	imprescin-
dível para o adequado funcionamento e crescimento econômico de um 
país.	O	adequado	desempenho	das	instituições	financeiras	reduz	proble-
mas e riscos que envolvem todos os agentes econômicos (famílias, em-
presas	e	governo).	O	modelo	tradicional	de	intermediação	financeira	não	
foi capaz de suprir todas as necessidades existentes no mercado, por essa 
razão, ao longo do desenvolvimento das economias, foram surgindo no-
vos	ativos	financeiros	específicos,	visando	atender	às	necessidades	des-
ses	agentes	e,	para	tanto,	o	mercado	financeiro	teve	que	se	modernizar	
também, foi preciso segmentá-lo de forma a entender e atender a neces-
sidades	específicas.	Dessa	forma,	nos	dias	de	hoje,	está	segmentado	em	
quatro	tipos	de	mercados:	crédito,	câmbio,	capitais	e	monetário.
• Mercado de crédito:	é	nesse	mercado	que	as	instituições	financei-
ras captam recursos dos agentes superavitários e os emprestam 
aos	agentes	deficitários.	A	remuneração	é	feita	pela	diferença	entre	
seu custo de captação e o que cobram dos tomadores, cujo nomeé spread. Geralmente são operações de curto prazo e nem sempre 
esse	mercado	 possui	 recursos	 suficientes	 para	 suprir	 as	 necessi-
dades	de	financiamentos	a	um	custo	financeiro	competitivo	e	que	
envolva	operações	de	maiores	volumes	de	 recursos	financeiros	e	
riscos.	 Normalmente	 trabalham	 com	 produtos	 financeiros,	 como	
capital de giro para as empresas, ou outras operações formalizadas 
por meio de contrato, como cartão de crédito, cheque especial, con-
ta	garantida	e	CDC.	Por	definição,	nessas	operações,	são	os	bancos	
138 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
comerciais,	 sociedades	de	 crédito	ou	financeiras	que	assumem	o	
risco do crédito, ou seja, ele é um agente não apenas intermedia-
dor, mas sim o garantidor do funcionamento das operações.
PARA SABER MAIS
Spread:	de	forma	bastante	simples,	o	spread representa a di-
ferença entre a taxa de juros que é cobrada dos tomadores 
de	crédito	do	banco	(os	deficitários	da	economia)	e	a	taxa	de	
juros que o banco paga para os que ofertam dinheiro para o 
banco (os superavitários do banco), que são portadores dos 
certificados	emitidos	pelo	banco,	ou	seja,	o	CDB	(Certificado	
de	Depósitos	Bancários).	O	CDB	é	um	título	de	renda	fixa	que	
o banco dá ao investidor em troca do dinheiro que ele depo-
sita no banco em forma de investimento. Portanto, o banco 
ganha ou perde de acordo com a forma que paga de juros aos 
investidores por terem disponibilizado dinheiro ao banco e a 
forma como cobra esses juros dos tomadores de emprésti-
mos que usarão esse recurso. Isso representa bem a função 
do banco, que é o de intermediar as operações aproximando 
o	sistema	econômico	do	sistema	financeiro	de	uma	economia.
• Mercado de câmbio: é nesse mercado que são negociadas trocas 
de	moedas	estrangeiras	por	moeda	nacional	e/ou	outras	operações	
que envolvam transações que são realizadas no comércio exterior, 
como,	por	exemplo:	envio	ou	recebimento	de	moedas.	É	o	Banco	
Central que também participa e conduz a política cambial.
• Mercado de capitais: é nesse mercado que os agentes superavitá-
rios (ofertantes de recursos) emprestam seus recursos diretamente 
aos	 agentes	deficitários	 (demandantes	de	 recursos).	 Essa	 é	 outra	
característica importante que diferencia o mercado de crédito do 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 139
mercado	 de	 capitais.	 A	 instituição	 financeira,	 neste	 caso,	 tem o 
papel de uma prestadora de serviços, ou seja, não assume os 
riscos da operação,	ficando	os	riscos	a	cargo	de	serem	gerenciados	
diretamente pelos envolvidos que são os ofertantes e os deman-
dantes dos recursos.
• Mercado monetário: será abordado juntamente com o conceito de 
DI	–	depósito	interfinanceiro,	pois	se	trata	do	principal	assunto	des-
te Tema.
Para	fins	de	investimentos	e	a	real	compreensão	sobre	o	depósito	inter-
financeiro	e	a	taxa	DI-Cetip,	é	relevante	entender	a	diferença	entre	renda	
fixa	e	renda	variável	e	onde	a	taxa	é	usada.	Portanto:
• renda fixa:	 nos	 investimentos	em	 renda	fixa,	 a	 remuneração,	ou	
sua	forma	de	cálculo,	é	previamente	definida	no	momento	da	apli-
cação.	Um	papel	 (investimento)	 de	 renda	 fixa	 tem	definidas:	 a)	 a	
data	de	emissão;	b)	a	data	de	resgate	(ou	a	definição	de	recompra);	
c) o prazo de duração; e d) a taxa de rentabilidade (ou também um 
índice de correção). Ao investir seus recursos em um título de renda 
fixa,	 seja	 ele	 emitido	pelo	 governo	ou	por	uma	empresa	privada,	
o investidor está emprestando a quantia investida ao emissor do 
título para, em troca, depois de um certo período, receber o valor 
aplicado (denominado “principal”), acrescido de juros pagos como 
forma	de	 remuneração	de	 seu	empréstimo.	Na	 renda	fixa,	 assim	
como em qualquer investimento, sempre existe a possibilidade de 
perda do capital investido, no todo ou em parte;
• renda variável: nos investimentos em títulos de renda variável, o 
investidor não tem como saber, previamente, qual será a rentabili-
dade da aplicação. Porém, se a escolha for feita com critério, diante 
de	opções	bem	avaliadas	e	com	diversificação	dos	investimentos,	a	
aplicação em renda variável poderá proporcionar ao investidor um 
retorno	maior	do	que	o	obtido	em	aplicações	de	renda	fixa.	As	dife-
renças	entre	os	 títulos	de	renda	fixa	e	os	de	renda	variável	estão	
140 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
diretamente ligadas ao processo de formação de preços em seus 
respectivos mercados. O melhor exemplo de renda variável é o 
investimento em ações de empresas.
PARA SABER MAIS
Renda variável é a rentabilidade que não é previsível, pois 
não	é	definida	quando	um	 investidor	adquire	um	título	de	
mercado, por exemplo, quando compra uma ação de uma 
empresa. Essa rentabilidade dependerá da valorização da 
ação no mercado, que por sua vez dependerá de fatores in-
ternos da empresa (resultados, gestão) e de fatores externos 
à empresa (fundamentos macroeconômicos), de maneira 
que o investidor não tem como prever o ganho ou a perda 
sobre aquele determinado investimento.
Outro conceito importante a ser absorvido sobre a atuação no mercado 
financeiro	é	sobre	os	sistemas	e	câmaras	de	liquidação	e	custódia.	Trata-
se, portanto, do ambiente onde são liquidadas as operações transaciona-
das	pelos	diversos	agentes	(operadores	do	sistema	financeiro	nacional),	
ou seja, a forma pela qual se processam o pagamento e o recebimento 
dos	recursos	financeiros	e	a	custódia	dos	títulos	e	valores	mobiliários	que	
são transacionados. Essas câmaras funcionam como um lugar onde são 
registradas todas as transações de compra e venda de títulos, garantindo 
a efetivação das negociações. Esses registros e custódia são feitos em sis-
temas	diferentes,	de	acordo	com	a	origem	do	produto	financeiro,	confor-
me	pode	ser	visto	a	seguir:
Selic – Sistema Especial de Liquidação e Custódia: criado pelo Banco 
Central e pela Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado 
Aberto), o Selic é um sistema eletrônico em que são lançadas pelos par-
ticipantes/instituições	 financeiras	 as	 compras,	 vendas	 e	 a	 liquidação	
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 141
financeira	 das	 operações	 realizadas	 diariamente	 com	 títulos públicos 
federais, garantindo segurança, agilidade e transparência nos negócios. 
A taxa média diária dessas operações é conhecida como taxa Selic Over. 
Não	confundir	com	a	taxa	Selic	Meta,	que	é	aquela	definida	pelo	Banco	
Central nas reuniões de Política Monetária (COPOM).
Cetip – Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados: 
a Cetip é uma empresa de capital privado e funciona como um sistema 
eletrônico que processa as compras e vendas diárias de títulos privados, 
tais	como:	CDI,	debêntures,	letras	hipotecárias,	letras	de	câmbio,	commer-
cial papers. Além disso, presta serviços integrados de custódia, negociação 
on-line,	registro	de	negócios	e	liquidação	financeira,	garantindo	seguran-
ça,	confiabilidade,	agilidade	e	transparência	nos	negócios.	A	taxa	média	
diária dessas operações é conhecida como taxa DI Cetip.
Com a explanação sobre o que recai sobre cada mercado pertencente ao 
sistema	financeiro,	a	diferença	entre	renda	fixa	e	renda	variável	e	onde	
são registradas e custodiadas todas as transações, é possível, portanto, 
compreender	sobre	o	depósito	 interfinanceiro	 (DI)	e	 taxa	DI	Cetip,	que	
poderá ser visto no tópico seguinte.
2. Taxa Selic e Índice DI Cetip: conceitos
Taxa Selic: o mais importante sobre essa taxa é saber distinguir dois con-
ceitos:	a) existe a Taxa Selic que é divulgada a cada reunião do Conselho 
de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM), considerada 
como a taxa básica de juros do país, decidida a partir das análises do am-
biente	macroeconômico,	tendo	em	vista	sempre	o	controle	inflacionário	e	
queserve como base para as demais taxas praticadas no mercado; e b) a 
taxa Selic que está sendo proposta neste Tema, cujo conceito foi retirado 
do	próprio	site	do	Banco	Central	do	Brasil:
142 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Define-se	Taxa	Selic	como	a	taxa	média	ajustada	dos	financiamentos	diários	
apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títu-
los federais.	Para	fins	de	cálculo	da	taxa,	são	considerados	os	financiamen-
tos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio Selic e 
em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compen-
sação	e	de	liquidação	(art.	1°	da	Circular	n°	2.900,	de	24	de	junho	de	1999).
A partir desta circular, tem novas alterações introduzidas por meio de ou-
tras circulares.
Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de seu livro 
Mercado de valores mobiliários brasileiro	(2014,	p.	31):
[...] as transferências de recursos a curtíssimo prazo, em geral com prazo de 
um	dia,	como	aquelas	realizadas	entre	as	próprias	instituições	financeiras	
ou entre elas e o Banco Central, são realizadas no chamado mercado mo-
netário. Trata-se de um mercado utilizado basicamente para controle da 
liquidez da economia, no qual o Banco Central intervém para condução da 
Política Monetária. Resumidamente, se o volume de dinheiro estiver maior 
do que o desejado pela política governamental, o Banco Central intervém 
vendendo títulos e retirando moeda do mercado, reduzindo, assim, liquidez 
da economia. Ao contrário, caso observe que a quantidade de recursos está 
inferior à desejada, o Banco Central intervém comprando títulos e injetando 
moeda no mercado, restaurando a liquidez desejada.
Índice	DI	Cetip:	para	se	falar	do	índice	DI	Cetip,	é	importante	falar	antes	
sobre	o	que	é	depósito	interfinanceiro	(DI).	Conceito	retirado	do	próprio	
site da Cetip, principal empresa que administra as operações com títulos 
de	renda	fixa,	o	depósito	interfinanceiro	(DI)	é:
[...]	instrumento	financeiro	destinado	à	transferência	de	recursos	entre	ins-
tituições	financeiras.	Negociado	exclusivamente	entre	essas	instituições,	o	
Depósito	Interfinanceiro	(DI)	é	um	título	privado	de	Renda	Fixa	que	auxilia	
no fechamento de caixa dos bancos, como instrumento de captação de re-
cursos	ou	de	aplicação	de	recursos	excedentes.	O	Depósito	Interfinanceiro	
(DI) não pode ser vendido a outros investidores e não há incidência de im-
postos sobre a rentabilidade. Os títulos têm elevada liquidez e embutem 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 143
um baixíssimo risco, normalmente associado à solidez dos bancos que par-
ticipam do mercado. As negociações entre os bancos geram a Taxa DI-
Cetip, referência para a maior parte dos títulos de renda fixa ofertados 
ao investidor. É hoje o principal benchmark do mercado. A Taxa DI-Cetip 
é	obtida	ao	se	calcular	a	média	ponderada	das	taxas	das	transações	prefi-
xadas, extragrupo e com prazo de um dia efetuadas na CETIP entre insti-
tuições	financeiras.	Como	a	taxa	para	o	prazo	de	um	dia	é	muito	pequena,	
convencionou-se divulgá-la de forma anualizada. Essas transações são fe-
chadas por meio eletrônico e registradas na CETIP.
LINK
Para um maior aprofundamento do conceito e do cálculo da 
Taxa DI-Cetip, acessar o site da própria instituição que está 
disponível	em:	<https://www.cetip.com.br/captacao-bancaria 
/di#!>.	Acesso	em:	30	jul.	2018.
Portanto, reforçando o que já foi mencionado acima, a taxa DI Cetip que 
vai	originar	o	índice	DI	Cetip	é	baseada	nas	transações	dos	Certificados	
de Depósito Interbancário (CDI), que são emitidos entre bancos quando 
estes necessitam de dinheiro para fechamento diário de caixa; por serem 
considerados	de	baixíssimo	 risco,	 servirão	de	base	para	a	definição	de	
outras	taxas	de	rentabilidade	para	o	mercado	financeiro	como	um	todo.
2.1.1. Cálculo da taxa Selic
O cálculo da taxa Selic, que corrige os rendimentos dos títulos públicos 
federais, tem a taxa expressa sob forma anual e a fórmula pode ser co-
nhecida	por	meio	do	Artigo	2º	da	Circular	nº	3.671,	de	18	de	outubro	de	
2013, divulgada pela Diretoria de Política Monetária do Banco Central do 
Brasil. O site do banco disponibiliza os fatores diários, bem como a taxa 
mensal e acumulada no ano por meio de ferramentas que viabilizam o 
seu	cálculo.	Essa	informação	pode	ser	obtida	em:	<https://www.bcb.gov.
br/pt-br/#!/n/selictaxa>.	Acesso	em:	2	ago.	2018.
144 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
2.1.2. Cálculo do índice DI Cetip
Para o cálculo do índice DI Cetip, considerado como benchmark para a 
rentabilidade	de	demais	títulos	de	renda	fixa,	como,	por	exemplo:	debên-
tures, CDI, letras de câmbio ou outros, abaixo, a fórmula de cálculo, reti-
rada do próprio site da Cetip, considerada a empresa responsável pela 
manutenção do sistema de registro e liquidação de títulos negociados no 
mercado	de	renda	fixa	e,	portanto,	habilitados	a	fornecer	diariamente	as	
variações	dessas	operações	a	fim	de	referenciar	esses	mercados.
Características do índice informadas pela Cetip:
Data de início:	2/1/2008
Valor inicial ou base do índice (quant. de pontos): 10.000,00
Precisão: duas casas decimais, com arredondamento
Forma de valorização: o índice é valorizado diariamente pelo fator de 
100%	do	DI	Cetip	do	dia	útil	imediatamente	anterior.
Fórmula de cálculo da valorização do índice DI Cetip:
Índice DI CETIPdn = Índice DI CETIPdn–1 × (Fator DIdn–1)
Em que:
Índice DI Cetipdn:	 número	 índice	 do	 dia	 “n”,	 valorizado	 pelo	 fator	 diá-
rio do DI Cetip do dia “n-1”, apurado com 2 (duas) casas decimais com 
arredondamento;
Fator DIdn:	fator	da	taxa	DI	Over	do	dia	“n-1”	expressa	ao	dia,	calculado	
com	 8  (oito)	 casas	 decimais,	 com	 arredondamento,	 apurado	 conforme	
fórmula:
Fator DIdn–1 =
DIdn–1
100
+ 1
1/252
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 145
DIdn-1: taxa DI Over do dia “n-1”, apurada e divulgada pela Cetip com base 
nos	depósitos	 interfinanceiros	 prefixados,	 pactuados	por	 um	dia	 entre	
instituições de grupos econômicos distintos (extragrupo), expressa ao 
ano de 252 dias úteis, utilizada com 2 (duas) casas decimais.
Observação:	os	dias	“n”	e	“n-1”	mencionados	são	dias	úteis	–	dias	em	que	
há apuração do DI Cetip.
Veja que para obter o índice é necessário que se obtenha a taxa DI Over diá-
ria que, a partir dela, obtém-se o fator que, multiplicado pelo índice do dia an-
terior, terá o índice do dia que está sendo pesquisado. A taxa Over que será 
utilizada para a obtenção do fator está disponível no site da própria institui-
ção	Cetip,	disponível	 em:	<http://estatisticas.cetip.com.br/astec/series_v05/
paginas/web_v05_template_informacoes_di.asp?str_Modulo=completo&int_
Idioma=1&int_Titulo=6&int_NivelBD=2>.	Acesso	em:	31	jul.	2018.	Na	prática,	
ao acessar esse link, já virá o fator calculado.
ASSIMILE
A taxa Selic é utilizada pelo mercado para valorizar e renta-
bilizar os títulos públicos federais (LTN, NTN e outros), en-
quanto a taxa DI Cetip, por meio do índice DI Cetip, é utiliza-
da	para	valorizar	e	rentabilizar	os	títulos	privados	(exemplo:	
CDI, CDB, debêntures, LCA e outros).
EXEMPLIFICANDO
Sobre	títulos	públicos	federais:	quando	o	governo	não	con-
segue fechar seu orçamento compatível com a sua geração 
de receitas recebidas de impostos, ele precisa captar dinhei-
ro no mercado para suprir sua necessidade de dinheiro em 
caixa. Nesse caso, ele emite títulos e oferece ao mercado em
troca de dinheiro, comprometendo-se a pagar uma remune
146 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
ração (juro) em troca desse recurso. Os títulos mais conheci-
dos	atualmente	são:	Letra	do	Tesouro	Nacional	(LTN);	Nota	
do Tesouro Nacional (NTN) e outros. Sobre os títulospriva-
dos, segue a mesma lógica de sua origem, ou seja, são títulos 
emitidos por bancos ou empresas visando captar recursos 
financeiros	no	mercado.	No	caso	das	empresas,	normalmen-
te é quando buscam expansão de mercado ou efetivação de 
algum grande projeto que porventura demande um volume 
muito	alto	de	recurso	financeiro	e	que	muitas	vezes	não	está	
disponível no mercado de crédito tradicional. Nesse caso, 
a empresa emite títulos, também conhecidos como valores 
mobiliários, que podem ser ações ou debêntures para captar 
esse	recurso.	No	caso	de	bancos,	emitem	CDB	(Certificação	
de Depósito Bancário) com a intenção de disponibilizar esse 
recurso para suas carteiras de crédito.
Com esses exemplos, é possível vincular os conceitos de taxa 
Selic (títulos federais) e taxa DI Cetip (títulos privados).
A taxa DI Cetip, ainda que seja o resultado das taxas cobradas pelos 
bancos quando intermedeiam recursos entre si, a base da taxa a ser 
cobrada será sempre a taxa básica de juros (taxa Selic), aquela taxa 
definida	pelo	Banco	Central	nas	reuniões	do	COPOM.	Dessa	forma,	
a	taxa	DI	Cetip	deverá	estar	sempre	acima	da	inflação,	de	forma	que	
ofereça uma rentabilidade nominal que ofereça um retorno de taxa 
real	para	o	investidor.	Dessa	forma,	escolha	um	produto	financeiro	
que	seja	de	renda	fixa	(por	exemplo:	aplicação	em	CDI,	CBD,	debên-
tures), pois são produtos que têm como base a taxa DI Cetip em sua 
rentabilidade, faça o levantamento de sua rentabilidade nos últimos 
cinco anos, líquida de impostos e compare com o índice DI Cetip e o 
índice	de	inflação	desse	mesmo	período	e	veja	se	a	aplicação	escolhi-
da	registrou	rendimento	acima	da	inflação.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 147
2. Considerações Finais
• O	sistema	financeiro	é	um	suporte	para	o	desenvolvimento	do	sistema	
econômico de uma nação, pois em uma economia em que os recur-
sos	são	escassos	e	as	necessidades	são	infinitas,	há	os	poupadores	
de	recurso	financeiro	(superavitários),	caracterizados	como	agentes	
que não consomem tudo que recebem em valores monetários, e os 
tomadores	de	recurso	financeiro	(deficitários),	caracterizados	como	
agentes que consomem tudo que recebem em valores monetários e, 
portanto, necessitados de recursos para atender às suas necessida-
des, sejam elas de mais consumo ou de investimentos.
• O	sistema	financeiro	nacional	foi	desenvolvido	para	facilitar	a	inter-
mediação	entre	os	agentes	superavitários	e	os	deficitários,	visando	
atender às demandas entre as partes, garantindo dinamismo e um 
ambiente	confiável	de	negociações.
• A taxa Selic é a taxa que corrige os investimentos feitos em títulos 
públicos federais.
• A taxa DI Cetip é, portanto, fruto das intermediações de curtíssimo 
prazo entre bancos, servindo como uma taxa de referência de mer-
cado para as demais operações formalizadas dentro do mercado de 
renda	fixa,	especialmente	os	títulos	privados	(exemplo:	debêntures,	
CDI, CDB).
Glossário
• Benchmark:	significa	referência,	é	um	índice	ou	uma	medida	que	
serve como padrão para avaliar o desempenho de algum movi-
mento no mercado, principalmente das taxas de juros e do ganho 
dos fundos de investimentos.
• Selic:	sigla	que	significa	Sistema	Especial	de	Liquidação	e	Custódia.	
Trata-se de um sistema eletrônico que suporta as operações de 
compra e venda de títulos públicos federais.
148 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
• Cetip:	sigla	que	significa	Central	de	Custódia	e	Liquidação	Financeira	
de Títulos Privados. Trata-se de um sistema eletrônico que suporta 
as operações de compra e venda de títulos privados.
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 7
1. Dentro	da	estrutura	do	mercado	financeiro,	é	no	mercado	
de	capitais	que:
a) Os	agentes	superavitários	oferecem	recursos	financei-
ros	 aos	 agentes	 deficitários	 usando	 o	 banco	 apenas	
como intermediador, mas não como garantidor do ris-
co da operação.
b) Os	agentes	deficitários	oferecem	recursos	financeiros	
aos agentes superavitários usando o banco como agen-
te garantidor do risco da operação.
c) Os	agentes	deficitários	oferecem	recursos	financeiros	
aos agentes superavitários usando o banco apenas 
como intermediador do negócio.
d) Os	agentes	superavitários	oferecem	recursos	financei-
ros	aos	agentes	deficitários	usando	o	banco	como	ga-
rantidor do risco da operação.
e) Os	agentes	superavitários	oferecem	recursos	financei-
ros	aos	agentes	deficitários	usando	o	banco	tanto	como	
intermediador como garantidor do risco da operação.
2. Os	 produtos	 financeiros	 transacionados	 que	 utilizam	 a	
taxa DI Cetip como referência de rentabilidade estão alo-
cados	no	mercado:
a) De renda variável apenas.
b) De	renda	fixa	apenas.
c) Tanto	de	renda	variável	como	de	renda	fixa.
d) Cambial.
e) De títulos públicos.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 149
3. Os	 produtos	 financeiros	 transacionados	 que	 utilizam	 a	
taxa	Selic	como	referência	são:
a) Títulos privados.
b) Ações.
c) Certificado	de	Depósito	Bancário.
d) Títulos públicos.
e) Letras de câmbio.
Referências Bibliográficas
VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B. (Orgs.) Manual da economia.	6.	ed.	São	Paulo:	
Saraiva, 2013.
DANA, S. Introdução a finanças empresariais.	1.	ed.	São	Paulo:	Érica,	2015.
GREMAUD, A.P.; VASCONCELLOS, M.A.S.; TONETO JR., R. Economia brasileira con-
temporânea.	4.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	2002.
COMISSÃO	DE	VALORES	MOBILIÁRIOS.	Mercado de valores mobiliários brasileiro. 
3.	ed.	Rio	de	Janeiro:	Comissão	de	Valores	Mobiliários,	2014.
CENTRAL	DE	CUSTÓDIA	E	LIQUIDAÇÃO	FINANCEIRA	DE	TÍTULOS	PRIVADOS	–	CETIP.	
Disponível	 em:	 <https://www.cetip.com.br/captacao-bancaria/di>.	 Acesso	 em:	 01	
ago. 2018.
Gabarito – Tema 07
Questão 1	–	Resposta:	A
No	mercado	de	capitais,	as	transações	de	recursos	financeiros	ocor-
rem	de	forma	que	os	agentes	superavitários	oferecem	recursos	fi-
nanceiros	aos	agentes	deficitários	utilizando	o	banco	apenas	como	
intermediador da operação e não sendo este banco o garantidor do 
risco da operação. O banco apenas garante o risco da operação no 
mercado de crédito.
150 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Questão 2	–	Resposta:	B
Os	produtos	financeiros	que	utilizam	a	taxa	DI	Cetip	como	referên-
cia	para	seus	rendimentos	estão	alocados	no	mercado	de	renda	fixa	
apenas. O mercado de renda variável não utiliza a taxa DI Cetip como 
referência, nem tampouco mercado cambial e, apesar de os títulos 
públicos	serem	considerados	de	renda	fixa,	eles	utilizam	a	taxa	Selic	
para rentabilizar seus títulos.
Questão 3	–	Resposta:	D
Os	produtos	financeiros	que	utilizam	a	taxa	Selic	como	rentabilidade	
são os títulos públicos federais.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 151
TEMA 08
IBOVESPA – A VALORIZAÇÃO DO 
MERCADO DE CAPITAIS
Objetivos
• Conhecer um pouco da história do mercado de capi-
tais e a responsabilidade da CVM nesse mercado.
• Entender o que são e quais são os valores mobiliários.
• Conceituar o Índice Bovespa (Ibovespa).
152 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Introdução
Caro aluno, esta disciplina tem em seu principal objetivo conceituar os 
indicadores	econômicos	e	financeiros	mais	 importantes	e,	para	 isso,	os	
Temas anteriores têm apresentado indicadores de referência para análi-
ses	específicas.	O	Tema	7	mostrou	a	importância	do	sistema	financeiro,	
como ele suporta os agentes econômicos em suas decisões entre consu-
mir e poupar e o respaldo que dá para o sistema econômico como um 
todo.	 Com	 isso,	 foi	 apresentada	 a	 classificação	do	mercado	financeiro,	
que	é	parte	integrante	do	sistema	financeiro	nacional	e	seus	agentes	su-
pervisores, sendo o Banco Central o principal supervisor dos mercadosde crédito, cambial e monetário, tendo sob sua responsabilidade a gestão 
sobre a taxa Selic, que é referência para os títulos públicos, e a supervisão, 
por meio do mercado monetário, da taxa DI-Cetip, considerada como um 
benchmark para as operações negociadas no mercado de títulos privados 
de	renda	fixa.
Outra	instituição	importante	desse	mercado	financeiro	é	a	Comissão	de	
Valores Mobiliários (CVM), que tem como principal responsabilidade su-
pervisionar o mercado de capitais. Esse monitoramento é feito nas ne-
gociações dos valores mobiliários, que são títulos ou contratos de inves-
timentos emitidos por coletivo que dê algum direito de participação e 
que	têm	por	objetivo	captar	recursos	financeiros	no	mercado	de	capitais.	
Dentre esses títulos, incluem-se ações emitidas por empresas e negocia-
das em bolsas de valores. É nesse ponto que este Tema se concentrará, 
em que apresentará o Ibovespa (Índice Bovespa), indicador utilizado como 
referência no mercado de ações e que indica os níveis de negociações em 
termos de volumes e preços das ações emitidas e negociadas no mercado 
de renda variável.
Portanto, com este Tema, busca-se mostrar um pouco da história do mer-
cado de capitais, da responsabilidade da CVM, quais são os valores mo-
biliários negociados nesse mercado e entender o que compõe o Índice 
Bovespa e o que precisa para fazer parte do índice.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 153
1. Mercado de capitais: um pouco de sua história
Uma boa parte da história do mercado de capitais apresentada neste tópi-
co está baseada na versão contada pela Comissão de Valores Mobiliários 
(CVM), por meio de seu livro Mercado de valores mobiliários brasileiro (2014,	
p.	30),	em	que	a	instituição,	baseada	em	seus	pesquisadores/agenciado-
res,	afirma	que	a	sociedade	brasileira	passou	a	se	utilizar	do	mercado	de	
capitais	para	seus	investimentos	após	1964,	quando	o	governo	promoveu	
uma série de reformas expressivas na economia interna, incluindo a re-
estruturação	do	mercado	financeiro.	Até	então,	as	pessoas	investiam	nos	
chamados ativos reais (imóveis), não se arriscando em aplicações de títu-
los	públicos	ou	privados,	por	razões	como	inflação	alta	e	limitação	de	taxa	
de	juros	de	no	máximo	12%	ao	ano.	A	reestruturação	do	mercado	finan-
ceiro incluiu a criação do Conselho Monetário Nacional (CMN), do Banco 
Central	do	Brasil	e	da	Lei	nº	4.728,	de	14/4/1965,	considerada	a	primeira	
Lei de Mercado de Capitais, que disciplinou esse mercado e estabeleceu 
medidas para seu desenvolvimento. Essa lei contemplava a reedição da 
legislação	sobre	bolsa	de	valores,	a	profissionalização	das	sociedades	cor-
retoras e a criação dos bancos de investimento, a quem foi atribuída a 
tarefa de desenvolver os fundos de investimento.
A	partir	daí,	incentivos	fiscais	criados	pelo	Governo	Federal	contribuíram	
para o crescimento da procura por ações pelos investidores, quando, 
após atingir o seu ponto máximo em 1971, conhecido como o “boom de 
1971”, iniciou-se um processo de realização de lucros pelos investidores 
que começaram a vender as suas posições versus um movimento de mais 
oferta de ações simultaneamente, fazendo com que essa forte realização 
de lucros se desdobrasse em consequências negativas por vários anos 
para o mercado de capitais, especialmente em função de um certo des-
compromisso de algumas empresas com os seus acionistas quando da 
emissão de seus papéis junto ao mercado acionário. Esse processo ge-
rou prejuízos e manchou por um longo período a reputação do mercado 
acionário. Foi a partir de 1975, com aportes de novos recursos, bem como 
154 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
novos	incentivos	dados	pelo	governo	(como,	por	exemplo,	a	isenção	fis-
cal dos ganhos obtidos em bolsa de valores e outros) e a introdução de 
duas	novas	normas	legais,	em	vigor	até	hoje	(a	Lei	nº	6.404/76,	nova	Lei	
das Sociedades por Ações, que visava modernizar as regras que regiam 
as sociedades por ações, até então reguladas por um antigo Decreto-Lei 
de	1940,	e	a	Lei	nº	6.385/76,	segunda	Lei	do	Mercado	de	Capitais	que,	en-
tre outras inovações, criou-se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 
uma instituição governamental destinada exclusivamente a regulamentar 
e	desenvolver	o	mercado	de	capitais,	fiscalizar	as	bolsas	de	valores	e	as	
companhias abertas), que o mercado voltou a se recuperar, no entanto, 
não em ritmo que se esperava. Foi a partir da década de 1990, com a aber-
tura da economia brasileira, que o volume de investimentos no mercado 
de capitais aumentou, tendo como protagonista desse mercado o investi-
dor estrangeiro. Nessa carona, empresas brasileiras passaram a acessar 
o mercado externo por meio do lançamento de suas ações em bolsas de 
valores	estrangeiras,	especialmente	a	New	York	Stock	Exchange	(NYSE),	
sob	a	forma	de	emissão	de	ADR	(American	Depositary	Receipts),	a	fim	de	
buscar capitalização no mercado externo. Essa iniciativa de subscrever 
ações no mercado internacional, ou seja, em bolsas americanas, obrigou 
as empresas brasileiras a se organizarem e seguir regras impostas pelo 
órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, conhecido 
como SEC (Securities and Exchange Comission), que relaciona uma série 
de exigências do ponto de vista contábil, transparência na divulgação de 
informações das empresas de forma a atender rigorosamente aos prin-
cípios de governança corporativa. Dessa maneira, as empresas brasilei-
ras, visando atender a esses exigentes investidores estrangeiros e mais 
acostumados a práticas rígidas de governança, passam a cuidar melhor 
dessas	regras,	elevando	o	nível	de	confiança	dos	investidores	no	merca-
do brasileiro, porém, ao mesmo tempo que passou a perder espaço para 
outros mercados em função de falta de proteção ao acionista minoritário 
e	a	incertezas	relacionadas	às	aplicações	financeiras.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 155
Apesar	da	melhora	da	confiança,	essa	falta	de	proteção	ao	acionista	mino-
ritário se converteu em elevação na percepção de risco por parte desses 
investidores, com impacto na elevação do custo de capital das empresas. 
Esse cenário levou as empresas brasileiras a melhorarem suas práticas 
de	governança	corporativa	e,	para	tanto,	foi	aprovada	a	Lei	nº	10.303/01	
e houve a criação do Novo Mercado e dos Níveis 1 e 2 de governança cor-
porativa	pela	BM&FBovespa.
PARA SABER MAIS
A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia vinculada 
ao Ministério da Fazenda, que age sob orientação do Conselho 
Monetário Nacional (CMN). Administrada por um presiden-
te e quatro diretores, todos nomeados pelo Presidente da 
República, tem como sua principal atribuição a normalização 
e o controle do Mercado de Valores Mobiliários, represen-
tado	por	ações,	debêntures,	letras	financeiras	e	outros	títu-
los emitidos pelas sociedades anônimas e autorizados pelo 
CMN. Como função, visa incentivar a poupança no mercado 
acionário, estimular o funcionamento das bolsas de valores 
e instituições operadoras do mercado acionário, promover a 
expansão dos negócios do mercado acionário, assegurar a li-
sura	nas	operações	de	compra/venda	de	valores	mobiliários	
e proteger os investidores do mercado acionário. Seu foco 
de	atuação	é	com	as	instituições	financeiras	que	negociam	tí-
tulos mobiliários, empresas de capital aberto e investidores.
LINK
Para detalhamento das funções da Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM) e manter-se atualizado sobre todas as re-
gulações do mercado de capitais, acesse o site da instituição 
em:	<www.cvm.gov.br>.	Acesso	em:	6	ago.	2018.
156 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
1.1. Mercado de capitais: conceito e função
No	Tema	anterior,	você	viu	que	foi	apresentada	a	classificação	do	merca-
do	financeiro	em	mercado	de	crédito,	cambial,	monetárioe	de	capitais.	
Essa	classificação	se	estabelece	de	forma	mais	simples	quando	se	trata	
de separar o papel do mercado monetário e do mercado cambial, em que 
o mercado monetário atende às necessidades relacionadas ao volume de 
moedas nacionais circulantes na economia e o mercado cambial está re-
lacionado	às	necessidades	de	controle	de	moedas	estrangeiras.	A	dificul-
dade maior está em separar a função do mercado de crédito do mercado 
de capitais, pois ambos têm como principal responsabilidade garantir a 
oferta	de	recursos	financeiros	aos	agentes	econômicos	(pessoas,	empre-
sas e governo), seja em forma de empréstimo ou por meio da emissão de 
títulos públicos ou privados. Nesse caso, a função de ambos é atender às 
necessidades	financeiras	do	mercado,	mas	a	 forma	como	se	apresenta	
como intermediário nessas operações é que diferencia esses mercados. 
Por	exemplo:	se	determinada	empresa	contrata	um	empréstimo	em	uma	
instituição	financeira,	 para	pagamento	 em	médio	ou	 longo	prazo,	 com	
o objetivo de ampliar sua linha de produção pela compra de uma nova 
máquina,	pergunta-se:	a	operação	é	feita	no	mercado	de	crédito	ou	de	
capitais?	Nesse	caso,	essa	operação	foi	feita	no	mercado	de	crédito,	pois	
a pergunta diz de forma objetiva que a empresa contratou o recurso em 
uma	instituição	financeira.	Portanto,	nesse	caso,	o	mais	 importante	é	a	
característica	da	intermediação	financeira	e	a	maneira	usada	para	a	cap-
tação	de	recursos	que	define	se	é	mercado	monetário	ou	de	capitais.	
A primeira e mais importante característica que diferencia uma operação 
feita no mercado de crédito do mercado de capitais é a forma como se 
assume o risco da operação. No mercado de crédito, quando se buscam 
recursos, obtêm-se diretamente do intermediador (normalmente bancos 
comerciais) e, nesse caso, o banco assume o risco dessa operação, por isso, 
nessa operação está envolvido o spread como forma de remuneração para 
o banco (Figura 1). Quando uma captação é feita por meio do mercado de 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 157
capitais, o banco participa, mas como um prestador de serviços, ou seja, é 
contratado para ajudar a empresa na emissão de um título, também co-
nhecido como valor mobiliário, que servirá de instrumento para a captação 
de	recurso	financeiro	junto	ao	mercado	(Figura	2).	Nesse	caso,	o	banco	é	
pago apenas pelo serviço prestado e não assume o risco da operação. Para 
ficar	mais	fácil	a	compreensão,	veja	as	Figuras	1	e	2	que	foram	retiradas	do	
livro Mercado de valores mobiliários brasileiro,	(2014,	p.	35).
					Figura	1	–	Operação	feita	no	mercado	de	crédito
Figura	2	–	Operação	feita	no	mercado	de	capitais
Fonte:	Mercado	de	valores	mobiliários	brasileiro	(2014,	p.	35)
Portanto, uma empresa que necessita de recursos para novos investimen-
tos	pode	buscar	isso	de	três	maneiras:	a)	recursos	próprios,	aqueles	que	
advêm	de	seus	 lucros	acumulados;	b)	pela	contratação	de	um	financia-
mento bancário por meio de linhas de crédito (situação da Figura 1); e c) 
por meio da emissão de títulos (valores mobiliários) que ocorrem no mer-
cado de capitais (situação da Figura 2). Essa explanação é para mostrar 
que o mercado de capitais vem como uma fonte alternativa de captação 
158 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
de recursos que vai além daquelas mais tradicionais, além de ser uma 
fonte de oportunidade de as empresas investirem também seus recursos 
para	ganhos	financeiros,	apesar	desse	mercado	oferecer	riscos	mais	ele-
vados do que os investimentos mais tradicionais.
Dessa	forma,	segundo	a	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(2014,	p.	36):
[...] conceitua-se o mercado de capitais, portanto, como o segmento do 
mercado	financeiro	em	que	são	criadas	as	condições	para	que	as	empresas	
captem recursos diretamente dos investidores, através da emissão de ins-
trumentos	financeiros,	com	o	objetivo	principal	de	financiar	suas	atividades	
ou viabilizar projetos de investimentos.
Portanto,	o	próximo	tópico	abordará	o	que	são	esses	recursos	financei-
ros oferecidos no âmbito do mercado de capitais, também chamados de 
valores mobiliários.
1.2. Mercado de capitais e os valores mobiliários: conceito
Segundo	a	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(2014,	p.	70):
[...]	conhecer	de	antemão	as	principais	características	dos	ativos	financei-
ros disponíveis em um mercado facilita ao investidor planejar a alocação 
de seus investimentos naqueles que melhor se ajustem aos seus objetivos, 
prazo	e	perfil	de	risco.	No	mercado	de	capitais,	esses	ativos	são	chamados	
de valores mobiliários.
Portanto,	ainda	segundo	a	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(2014,	p.	70):
[...] são valores mobiliários, quando ofertados publicamente, quaisquer tí-
tulos ou contratos de investimento coletivo que gerem direito de parti-
cipação, de parceria ou remuneração, inclusive resultante da prestação 
de serviços, cujos rendimentos advêm do esforço do empreendedor ou de 
terceiros.
Importante destacar que as transações de mercado de capitais são de 
médio e longo prazos, bem como de prazo indeterminado, na qual en-
volve	títulos	representativos	do	capital	das	empresas	e/ou	de	operações	
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 159
de crédito cuja principal característica é que isso é feito sem intermedia-
ção financeira, como já visto no tópico anterior. Dessa forma, a Tabela 1 
apresenta os principais títulos e valores mobiliários e suas características, 
comercializados pelo mercado de capitais e supervisionados pela CVM.
Tabela	1	–	Valores	mobiliários	negociados	no	mercado	de	capitais
Valor 
mobiliário Principais características
Mercado 
negociado
Ações
• Ação representa a menor “fração” do capital social de 
uma empresa, ou seja, a unidade do capital nas socie-
dades anônimas. Quem adquire essas “frações” é cha-
mado de acionista, que vai ter certa participação na em-
presa, correspondente a quantas dessas “frações” ele 
detiver.	Os	tipos	de	ações	são:
• ação ordinária: é a ação que dá direito de voto nas as-
sembleias, onde são tomadas as decisões estratégicas 
da empresa. Cada ação ordinária representa um voto. Os 
detentores de ações ordinárias somente receberão seus 
dividendos (distribuição dos lucros) depois de satisfeitos 
os direitos dos acionistas detentores de ações preferen-
ciais. Não são negociadas em bolsas de valores;
• ação preferencial: é a ação que tem preferência na 
distribuição dos lucros e no reembolso do capital, no 
caso de liquidação da sociedade. Os acionistas detento-
res desse tipo de ação normalmente recebem um per-
centual superior de remuneração em relação às ações 
ordinárias, mas não têm direito a voto, exceto quando 
a empresa não distribuir dividendos durante três anos 
consecutivos. Negociadas em bolsas de valores.
Renda 
variável
Debêntures
• São valores mobiliários emitidos por sociedades anô-
nimas	não	financeiras.	Esses	valores	mobiliários	repre-
sentam crédito de médio e longo prazos que assegu-
ram aos investidores direito de crédito contra a empre-
sa emissora.
• Podem	ser	emitidas	por	empresas	de	capital	aberto	e/
ou fechado. No entanto, apenas as empresas de capital 
aberto podem fazer colocação pública de debêntures.
• Remuneração:	a	empresa	emissora	determina	o	fluxo	
de amortizações e as formas de remuneração e essas 
informações deverão constar da escritura de emissão 
da	 debênture.	 Podem	 ter	 remuneração	 pré-fixada	 ou	
pós-fixada:	TR,	TBF,	TJLP,	índice	de	preços	e	DI	Cetip.
Renda 
fixa
160 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Notas 
promissórias
• Título de crédito emitido pelas empresas do setor pri-
vado, cuja colocação pode ser pública ou privada, ofe-
recendo ao investidor o direito de crédito contra a em-
presa emitente.
Características gerais:
Prazo: mínimo 30 dias,máximo de 180 dias para em-
presa	de	capital	fechado	e	de	360 dias	para	empresa	de	
capital aberto.
Remuneração:	 pré-fixado,	 vendida	 com	desconto,	 ou	
pós-fixada,	corrigida	pela	taxa	DI-Cetip	ou	taxa	Selic.
Forma de emissão: nominativa, sendo sua circulação 
por endosso, de mera transferência de titularidade, 
constando do endosso a cláusula “sem garantia”.
Renda 
fixa
Letra 
financeira
• Título	de	crédito	de	emissão	exclusiva	de	instituições	fi-
nanceiras que consiste em “promessa de pagamento em 
dinheiro, nominativo, transferível e de livre negociação”. 
• Instrumento de captação de médio e longo prazo.
• Autorizados	a	emitir	a	LF:	bancos	múltiplos,	bancos	co-
merciais, bancos de desenvolvimento, bancos de inves-
timento,	sociedades	de	crédito,	financiamento	e	inves-
timento, Caixas Econômicas, as companhias hipotecá-
rias, sociedades de crédito imobiliário e o BNDES.
• Não pode ser emitida com valor unitário inferior a R$ 
300.000,00 (se contiver cláusula de subordinação) ou 
R$ 150.000,00	 (se	não	contiver	cláusula	de	subordina-
ção),	e	deve	ter	prazo	mínimo	de	24	meses	para	o	venci-
mento, vedado o resgate, total ou parcial, antes do ven-
cimento pactuado. 
Renda 
fixa
Fonte:	adaptado	de	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(2014,	p.	70-79)
2. Bolsa de valores (B3) e o Índice Bovespa
Segundo	a	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(2014,	p.	230):
O desenvolvimento do mercado primário de valores mobiliários depende 
da solidez do mercado secundário existente, ou seja, da possibilidade de 
os investidores subscritores das emissões conseguirem negociar posterior-
mente os valores mobiliários entre si. Isso é relevante porque, por diversas 
razões, os investidores podem precisar se desfazer de seus investimentos 
antes do prazo de vencimento. Além disso, no caso das ações, os títulos 
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 161
sequer têm vencimento, já que as companhias não têm obrigação de res-
gatá-las. Poucos investidores se interessariam em adquirir ações em uma 
oferta pública, se não existisse um mercado organizado em que pudessem 
se desfazer de seus investimentos a qualquer tempo. Evidentemente, cada 
investidor poderia negociar diretamente com outro, mas esse sistema seria 
ineficiente	no	que	diz	 respeito	ao	encontro	de	propostas,	 à	definição	de	
preços, transparência e divulgação das informações, segurança na liquida-
ção, entre outros. Os mercados de bolsa e balcão buscam justamente elimi-
nar	essa	ineficiência.
Portanto, uma das principais funções dos mercados de bolsa e de balcão 
é organizar e garantir que se tenha um ambiente saudável para que as 
negociações ocorram com segurança na compra, venda e liquidação dos 
negócios. São considerados mercados de bolsa os que funcionam regular-
mente como sistemas que canalizam todos os negócios para um mesmo 
fim.	No	Brasil,	a	BM&Bovespa,	atual	B3,	é	uma	entidade	de	capital	privado	
e aberto considerada a principal na administração de mercado de bolsa 
para negociações de ações. É única no país, embora não haja nenhum 
impedimento de que se tenham outras no mercado.
PARA SABER MAIS
Há uma cronologia do papel da bolsa de valores no Brasil, 
bem como de sua composição. A antiga Bovespa teve sua 
fusão	decretada	em	2008	com	a	BM&F	(Bolsa	Mercantil	e	de	
Futuros),	 passando	 a	 ser	 conhecida	 como	 BM&Bovespa.	 A	
partir de março de 2017, incorporou também a Cetip, estru-
tura atual e conhecida, portanto, como a B3, e se colocan-
do como uma “das principais empresas de infraestrutura de 
mercado	financeiro	do	mundo”.	Para	saber	mais,	leia	o	livro	
Mercado de valores mobiliários brasileiro	(2014,	p.	234-237)	e	
acesse	o	Relatório	Anual	2017	da	B3,	disponível	em:	<http://
ri.bmfbovespa.com.br/ptb/3756/RA2017-PT.pdf>.
Acesso	em:	6	ago.	2018.
162 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Quanto ao conceito de índice, de forma geral, os índices têm três funções 
importantes:	a)	são	indicadores	de	variação	de	preços	do	mercado;	b)	uti-
lizados como parâmetros para avaliação do desempenho de um deter-
minado portfólio; e c) instrumentos para negociação no mercado futuro. 
É importante destacar que em cada mercado de ações existem índices 
diferentes	e	específicos	de	acordo	com	objetivos	que	se	queiram	analisar.	
Algumas	dessas	 análises	 podem	 contemplar:	média	 geral	 do	mercado,	
entender e avaliar determinado setor da economia ou até mesmo ter um 
índice para medir o desempenho das empresas menores que estão na 
bolsa,	sendo	essas	formatações	definidas	em	regulamentos	específicos.	
Para	tanto,	a	criação	desses	índices	obedece	a	critérios	também	definidos	
em	regulamentos,	como,	por	exemplo:	quais	ações	devem	entrar	para	o	
índice; qual tipo de média ou ponderação de cada ação para o cálculo, 
bem como a periodicidade de atualização da carteira do índice.
Os índices disponíveis e que podem ser encontrados no ambiente da bol-
sa	(B3)	estão	na	Tabela	2,	abaixo:
Tabela	2	–	Alguns	índices	disponíveis	na	B3
Categoria Índices
Índices amplos
• Índice	Bovespa	–	Ibovespa
• Índice	Brasil	100	–	IbrX	100
• Índice	Brasil	50	–	IbrX	50
Índices setoriais
• Energia	Elétrica	–	IEE
• Imobiliário	–	IMOB
• Financeiro	–	IFNC
• Utilidade	Pública	–	UTIL
Índices de 
sustentabilidade
• Sustentabilidade	Empresarial	–	ISE
• Carbono	Eficiente	–	ICO2
Índices de segmento
• MidLarge	Cap	–	MLCX
• Small	Cap	–	SMLL
• Valor	BM&FBovespa	2ª	Linha	–	IVBX	2
• Dividendos	–	IDIV
Índices de 
governança
• Governança	Corporativa	Diferenciada	–	IGC
• Tag	Along	Diferenciado	–	ITAG
Outros índices • BDRs	Não	Patrocinados	–	BDRX• Fundos	de	Investimento	Imobiliários	–	IFIX
Fonte:	adaptado	do	site	B3,	disponível	em:	<http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/>. 
Acesso	em:	5	ago.	2018
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 163
A	B3	disponibiliza,	portanto,	vários	índices	baseados	em	ações	específicas,	
visando contribuir com o mercado em termos de informações e subsídios 
para as decisões dos investidores. Esses índices podem ser avaliados e 
acompanhados diretamente com a B3, que disponibiliza metodologia, cri-
térios e desempenho de cada um deles. No entanto, o mais importante e 
conhecido deles é o Índice Ibovespa, que tem por incumbência mostrar 
o desempenho de um determinado grupo de papéis ao longo do tempo, 
cujas negociações são feitas no ambiente de uma bolsa de valores. Esse 
índice	reflete	uma	média	do	desempenho	das	ações	que	participam	desse	
grupo,	devidamente	ponderadas	de	acordo	com	alguns	fatores	definidos	
no regulamento da bolsa na qual estão sendo negociadas. Seu conceito 
será apresentado no tópico seguinte.
2.1.1. Índice Bovespa (Ibovespa)
De	acordo	com	a	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(2014,	p.	257-259)	e	o	
próprio	site	da	B3:
[...] o índice Bovespa, ou Ibovespa, é considerado o principal índice do mer-
cado	de	ações	brasileiro.	Mantido	pela	BM&FBovespa,	atualmente	B3,	tem	
como objetivo ser um indicador do desempenho médio das cotações dos 
ativos (ações) de maior negociabilidade e representatividade do mercado 
de ações brasileiro. Ele é um índice de retorno total. Portanto, procura re-
fletir	não	apenas	as	variações	no	tempo	nos	preços	dos	ativos	integrantes	
do índice, mas também o impacto que a distribuição de proventos por parte 
das companhias emissoras desses ativos teria no retorno do índice.
O documento Metodologia do Índice Bovespa,	 de	 abril/2015,	 preparado	
pela própria instituição, traz critérios importantes relacionados ao cálculo 
do Índice. A Tabela 3 informa quais são esses critérios.
				Tabela	3	–	Critérios	do	cálculo	do	Índice	Bovespa	(Ibovespa)
Critérios
Objetivo
• É ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos 
(ações) de maior negociabilidade e representatividade do mercado 
de ações brasileiro.
164 Entendendoe Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
Tipo de 
índice
• É um índice de retorno total.
Ativos 
elegíveis
• É composto das ações e units exclusivamente de ações de compa-
nhias	 listadas	 na	BM&FBovespa	 (B3)	 que	 atendem	aos	 critérios	 de	
inclusão, ou seja, não estão incluídos nesse universo BDRs e ativos de 
companhias em recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial 
de administração temporária, intervenção ou que sejam negociados 
em qualquer outra situação especial de listagem.
Critérios de 
inclusão do 
índice
• Estar entre os ativos elegíveis que, no período de vigência das 3 Car-
teiras anteriores, em ordem decrescente de Índice de Negociabilida-
de	(IN),	representem	em	conjunto	85%	(oitenta	e	cinco	por	cento)	do	
somatório total desses indicadores.
• Ter	presença	em	pregão	de	95%	(noventa	e	cinco	por	cento)	no	perí-
odo de vigência das 3 (três) carteiras anteriores.
• Ter	participação	em	 termos	de	 volume	financeiro	maior	ou	 igual	 a	
0,1%	no	mercado	à	vista	(lote-padrão),	no	período	de	vigência	das	3	
(três) carteiras anteriores.
• Não	ser	classificado	como	“Penny	Stock”.
Critérios de 
exclusão do 
índice
• Deixarem de atender a dois dos critérios de inclusão do índice.
• Estiverem entre os ativos que, em ordem decrescente de IN, estejam 
classificados	acima	dos	90%	(noventa	por	cento)	do	total	no	período	
de vigência das 3 (três) carteiras anteriores.
• Sejam	classificados	como	“Penny	Stock”.
• Durante a vigência da carteira, passem a ser listados em situação es-
pecial.
• Serão	excluídos	ao	final	de	seu	primeiro	dia	de	negociação	nesse	en-
quadramento.
Critérios de 
ponderação
• Os ativos são ponderados pelo valor de mercado do “free float”, (são 
os ativos que se encontram em circulação) da espécie pertencente à 
carteira, com limite de participação baseado na liquidez.
Fonte:	adaptado	de	Metodologia do Índice Bovespa.	Publicado	em:	abr.	2015.	Disponível	em:	<http://www.
b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-amplos/ibovespa.htm>.	Acesso	em:	5	ago.	2018
PARA SABER MAIS
As conhecidas “Penny-Stock” são ações cotadas na casa dos cen-
tavos, ou seja, sua cotação é menor que R$ 1,00. Normalmente 
são	de	empresas	com	dificuldades	financeiras	ou	de	gestão	
ou que estão em processo de recuperação judicial.
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 165
Importante destacar que é feita a cada quatro meses uma reavaliação do 
índice, cujo foco é a alteração da composição e do peso da carteira, de 
forma que sua representatividade seja mantida ao longo do tempo. Outro 
fator a ser reforçado é que empresas que estejam em situação especial, 
como, por exemplo, recuperação judicial ou extrajudicial, passando por 
administração temporária ou qualquer outro tipo de intervenção, não se-
rão elegíveis para compor a carteira do Ibovespa.
Do ponto de vista prático, o índice é utilizado como referência de mer-
cado	sob	vários	aspectos,	como,	por	exemplo:	a)	uma	empresa	que	faça	
parte do índice se interessa pelo comportamento de sua ação comparati-
vamente ao comportamento do índice como um todo, pois é importante 
saber se o preço de sua ação está mais ou menos valorizado em relação 
ao índice e fazer parte do índice as credencia como empresa séria e muito 
competitiva em termos de investimentos e, portanto, por meio do preço 
de sua ação, conhece seu valor de mercado; b) para o investidor que busca 
informações para escolher futuros investimentos. Entender como a ação 
de uma determinada empresa se comportou ao longo do tempo, compa-
rativamente ao índice, é muitas vezes determinante em sua escolha de in-
vestimento; c) o índice entra na carteira de fundos de investimentos e sua 
rentabilidade pode se converter em ganho ou perda para os investidores.
ASSIMILE
O Índice Bovespa (Ibovespa) tem como objetivo ser um indi-
cador do desempenho médio das cotações dos ativos (ações) 
de maior negociabilidade e representatividade do mercado de 
ações brasileiro. Quando se refere a ele como um índice de re-
torno	total,	significa	que	sua	valorização	não	está	condicionada	
apenas às variações no tempo nos preços das ações que se com-
portam por força do mercado (oferta e demanda pelos papéis), 
mas também pelo volume de recursos distribuídos por essas 
empresas a seus acionistas. Importante destacar que, para as 
empresas, fazer parte desse índice é importante, pois as cre-
dencia como empresas sérias, de muita qualidade em sua go-
vernança e bastante competitivas em termos de investimentos.
166 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
EXEMPLIFICANDO
Uma empresa, quando se dispõe a lançar ação no mercado 
visando	buscar	recurso	financeiro	junto	aos	investidores,	obri-
gatoriamente se dispõe a criar instrumentos e mecanismos de 
governança corporativa que a credencia a estar nesse merca-
do,	como,	por	exemplo:	a	criação	de	uma	área	de	relações	com	
investidores que será a ponte entre a empresa e o mercado, 
ou seja, será dada a essa área toda a responsabilidade de dis-
ponibilizar	informações	contábeis,	financeiras,	de	estratégia	e	
demais que sejam de interesse do investidor sobre a situação 
atual e perspectivas dessa empresa. É importante observar que 
toda empresa que tem capital aberto (ações em bolsas) possui 
essa	área	de	relações	com	investidores.	Exemplo:	Companhia	
Vale	do	Rio	Doce,	disponível	em:	<http://www.vale.com/brasil/
PT/Paginas/default.aspx>.	Acesso	em:	20	ago.	2018.
O Índice Bovespa (Ibovespa) se refere a um índice que mede o desem-
penho médio dos ativos (ações) de maior negociabilidade e repre-
sentatividade transacionados na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). 
Para	fins	comparativos,	imagine	que	você	tenha	um	valor	de	reserva	
para investimento para os próximos três anos e não esteja seguro 
de onde fazer a aplicação desse investimento, se em algum título da 
dívida	pública	 (exemplo:	NTN,	LTN)	ou	algum	título	privado	 (exem-
plo:	CDB,	debênture)	ou	em	ações	(Ibovespa).	Comece	por	fazer	um	
comparativo dos últimos três anos de qual foi o comportamento das 
taxas Selic, do índice DI-Cetip e do Índice Bovespa (Ibovespa) para 
que esses índices sirvam de referência para a sua análise e, assim, 
você possa ter subsídio para uma decisão mais assertiva. O compor-
tamento	desses	indicadores	pode	ser	pesquisado	nos	sites:	<www.
bcb.gov.br>;	 <https://www.cetip.com.br/captacao-bancaria/di#> e 
<http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-
-amplos/>.	Acesso	em:	6	ago.	2018.
QUESTÃO PARA REFLEXÃO
Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 167
3. Considerações Finais
• O	mercado	de	capitais	passou	a	ter	um	significado	para	o	Brasil	a	
partir	de	1964,	quando	o	governo	iniciou	uma	série	de	reformas	na	
economia	do	país,	inclusive	no	mercado	financeiro.	No	entanto,	tor-
nou-se mais fortalecido a partir da década de 1990, com a abertura 
comercial e as empresas buscando mais recursos não apenas no 
mercado brasileiro, mas também no mercado internacional, obri-
gando essas empresas a fortalecerem sua governança corporativa 
e, assim, proporcionar mais segurança aos investidores interessa-
dos por ações (papéis) de suas empresas. 
• A	busca	por	recurso	financeiro	no	mercado	de	crédito	se	diferencia	do	
mercado de capitais pelo papel do intermediador nesse processo, ou 
seja,	no	mercado	de	crédito,	o	intermediador	financeiro	(banco)	assume	
o risco da operação quando disponibiliza recursos para o investidor, ao 
passo	que,	no	mercado	de	capitais,	o	intermediador	financeiro	(banco)	
tem o papel de apenas prestar um serviço dentro da operação (exem-
plo:	lançamento	de	uma	ação),	pois	a	negociação	é	feita	diretamente	
entre	o	poupador	e	o	tomador	do	recurso	financeiro.	
• O Índice Bovespa é um indicador do desempenho médio das 
cotações dos ativos (ações) de maiornegociabilidade e representa-
tividade do mercado de ações brasileiro. Ele é um índice de retorno 
total,	ou	seja,	não	reflete	apenas	as	variações	dos	preços	dos	ativos	
que fazem parte do índice (ações) ocorridas por força do mercado, 
mas também a valorização que essas ações absorvem a partir da 
distribuição de recursos que as empresas fazem a seus acionistas.
Glossário
• CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Instituição que supervisio-
na as operações do mercado de capitais.
• Penny-Stock:	expressão	em	inglês	que	significa	ações	cotadas	na	
casa dos centavos, ou seja, sua cotação é menor que R$ 1,00.
• BM&Bovespa e B3: ambiente no qual as transações do mercado 
de capitais ocorrem.
168 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros
VERIFICAÇÃO DE LEITURA
TEMA 8
1. Em	que	mercado(s)	o	recurso	financeiro	é	disponibilizado	e	o	
risco	da	operação	é	assumido	pelo	intermediador	financeiro?
a) Mercado de crédito.
b) Mercado monetário.
c) Mercado de capitais.
d) Mercado de crédito e mercado de capitais.
e) Mercado cambial.
2. Em	que	mercado(s)	o	recurso	financeiro	é	disponibilizado	
e o risco da operação não é assumido pelo intermediador 
financeiro,	pois	a	operação	é	feita	entre	poupador	e	toma-
dor	diretamente?
a) Mercado de crédito.
b) Mercado monetário.
c) Mercado de capitais.
d) Mercado de crédito e mercado de capitais.
e) Mercado cambial.
3. A instituição responsável por supervisionar o mercado de 
capitais	no	Brasil	é:
a) Banco Central do Brasil.
b) Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
c) Bovespa.
d) BM&Bovespa.
e) B3.
Referências Bibliográficas
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GREMAUD, A.P.; VASCONCELLOS, M.A.S.; TONETO JR., R. Economia brasileira con-
temporânea.	4.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	2002.
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3.	ed.	Rio	de	Janeiro:	Comissão	de	Valores	Mobiliários,	2014.
B3.	Disponível	em:	<http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indi-
ces-amplos/>.	Acesso	em:	6	ago.	2018.
Gabarito – Tema 08
Questão 1	–	Resposta:	A
É	no	mercado	de	crédito	que	o	recurso	financeiro	é	disponibilizado	e	
o	intermediador	financeiro	assume	o	risco	da	operação.
Questão 2	–	Resposta:	C
É	no	mercado	de	capitais	que	o	recurso	financeiro	é	disponibilizado	
e	o	intermediador	financeiro	não	assume	o	risco	da	operação,	pois	
essa operação é feita diretamente entre poupador e tomador e o in-
termediador	financeiro	tem	o	papel	apenas	de	prestador	de	serviço.
Questão 3	–	Resposta:	D
No Brasil, a instituição que tem a responsabilidade de supervisio-
nar as operações de mercado de capitais é a Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM).
	Apresentação da disciplina 
	Tema 01 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) - O VALOR DE UMA ECONOMIA
	Objetivos
	Introdução
	1. Sistema econômico 
	2. Produto interno bruto (PIB) 
	3. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 1
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 01 
	Tema 02 BALANÇA COMERCIAL - O SALDO INTERNACIONAL
	Objetivos
	Introdução
	1. Balança comercial 
	2. Balanço de Pagamentos 
	3. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 2
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 02 
	Tema 03 TAXA DE CÂMBIO - O VALOR ENTRE MOEDAS
	Objetivos
	Introdução
	1. Câmbio e Taxa de Câmbio: Conceitos 
	2. Determinação da taxa de câmbio 
	3. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 3
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 03 
	Tema 04 RISCO-PAÍS - O PERIGO INTRÍNSECO
	Objetivos
	Introdução
	1. Risco-país: conceito e medição 
	2. Impactos do risco-país para as empresas 
	3. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 4
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 04 
	Tema 05 INFLAÇÃO - O VALOR DA MOEDA NO TEMPO
	Objetivos
	Introdução
	1. Inflação: conceito, causas e impactos 
	2. Índices de inflação 
	3. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 5
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 05 
	Tema 06 POLÍTICA MONETÁRIA E OS JUROS
	Objetivos
	Introdução
	1. Política monetária: Moeda e Banco Central 
	2. Taxa de juros: Conceito e tipos 
	3. Considerações Finais 
	Glossário 
	Verificação de leitura TEMA 6
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 06 
	Tema 07 TAXA SELIC E TAXA DI CETIP: OS JUROS NO BRASIL
	Objetivos
	Introdução
	1. Sistema Econômico versus sistema financeiro 
	2. Taxa Selic e Índice DI Cetip: conceitos 
	2. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 7
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 07 
	Tema 08 IBOVESPA - A VALORIZAÇÃO DO MERCADO DE CAPITAIS
	Objetivos
	Introdução
	1. Mercado de capitais: um pouco de sua história 
	2. Bolsa de valores (B3) e o Índice Bovespa 
	3. Considerações Finais 
	Glossário
	Verificação de leitura TEMA 8
	Referências Bibliográficas 
	Gabarito - Tema 08

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