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ENTENDENDO E INTERPRETANDO INDICADORES ECONÔMICOS E FINANCEIROS W BA 05 87 _v 1. 0 © 2018 POR EDITORA E DISTRIBUIDORA EDUCACIONAL S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Danielle Leite de Lemos Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Mariana Ricken Barbosa Priscila Pereira Silva Coordenador Tayra Carolina Nascimento Aleixo Revisor Renan Antônio da Silva Editorial Alessandra Cristina Fahl Daniella Fernandes Haruze Manta Flávia Mello Magrini Hâmila Samai Franco dos Santos Leonardo Ramos de Oliveira Campanini Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Gofredo, Tânia Regina G612e Entendendo e interpretando indicadores econômicos e financeiros/ Tânia Regina Gofredo – Londrina: Editora Distribuidora Educacional S.A. 2018. 131 p. ISBN 978-85-522-1051-1 1. Indicadores econômicos. 2. Administração financeira. I. Gofredo, Tânia Regina. Título. CDD 300 Responsável pela ficha catalográfica: Thamiris Mantovani CRB-8/9491 2018 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 3 SUMÁRIO Apresentação da disciplina 04 Tema 01 – Produto interno bruto (PIB) – O valor de uma economia 06 Tema 02 – Balança comercial – O saldo internacional 25 Tema 03 – Taxa de câmbio – O valor entre moedas 48 Tema 04 – Risco-país – O perigo intrínseco 68 Tema 05 – Inflação – O valor da moeda no tempo 86 Tema 06 – Política monetária e os juros 109 Tema 07 – Taxa Selic e taxa Di Cetip: Os juros no Brasil 131 Tema 08 – Ibovespa – A valorização do mercado de capitais 151 ENTENDENDO E INTERPRETANDO INDICADORES ECONÔMICOS E FINANCEIROS 4 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Apresentação da disciplina Nesta disciplina, você verá que entender e interpretar indicadores econô- micos e financeiros é uma prática imprescindível num cotidiano que en- volve decisões. Mas afinal, o que são indicadores? Indicadores são com- ponentes que nos mostram algo. Podem se apresentar de forma concre- ta, como, por exemplo, o que uma placa de trânsito sinaliza, ou de forma abstrata, que tem o papel de refletir, compor e traduzir informações so- bre um determinado evento ou situação. Portanto, em sua forma abstrata, os indicadores devem ser avaliados cui- dadosamente, pois visam fazer o entendimento do presente e suportar decisões com impactos para o futuro. Esses indicadores podem ser de desempenho, econômicos, financeiros, sociais, e demais outros que se queiram criar para uma finalidade específica. Na maior parte do tempo, cumprem um papel de referenciadores e são utilizados como parâmetros de metas a serem perseguidas, como, por exemplo: uma empresa tem como principal referência no segmento em que atua um determinado ní- vel de produtividade. Essa produtividade pode ser reproduzida por meio de um indicador e, portanto, ele pode ser transformado numa referência que vai parametrizar o nível de produtividade ideal para que as empresas desse segmento se mantenham produtivas. Indicadores de cunho social são também muito utilizados. Um determinado instituto quer identificar o nível de mortalidade na fase infantil de uma determinada região e, por- tanto, a partir de pesquisas estatísticas, chega-se a um indicador que re- ferenciará essa informação, que passará a ser acompanhada no presen- te e norteará ações que devem ser tomadas no futuro a fim de reduzir esse índice nessa região pesquisada. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) é um dos principais órgãos pesquisadores de indicadores econômicos e sociais do país. Com relação aos indicadores econômicos e financeiros, principal assunto desta disciplina, estes têm o mesmo objetivo, que é o apontamento de Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 5 determinada situação econômica, a partir de sua avaliação e interpreta- ção. Serão considerados indicadores do âmbito macroeconômico e seus impactos. Portanto, a disciplina objetiva acompanhar indicadores como: Produto Interno Bruto (PIB), que é o valor de todos os bens finais produ- zidos por um país num determinado período e que determina a renda nacional gerada numa nação; a balança comercial e seus impactos para a taxa cambial; o risco país no âmbito do seu cálculo; a inflação por meio de seus principais índices; o conceito de juros, seus principais índices e seus reflexos para os depósitos interfinanceiros e, por fim, o que o índice Ibovespa e sua composição representa para o mercado de capitais. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 6 TEMA 01 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) – O VALOR DE UMA ECONOMIA Objetivos • Compreender o que é um sistema econômico. • Mostrar a composição do sistema econômico e seus fluxos. • Conceituar e compreender o cálculo do PIB e, portan- to, a determinação da quantidade produzida de bens e serviços, bem como a renda e a despesa nacional de uma nação. • Conhecer os componentes do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e a diferença entre PIB nominal e PIB real. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 7 Introdução Você verá que, como ponto de partida para o entendimento dos indicado- res econômicos que serão estudados neste e demais Temas, é importante destacar que se trata de indicadores macroeconômicos e, portanto, estão vinculados a uma terminologia que carece de uma elucidação conceitual. Entende-se como termo macroeconômico o comportamento do sistema econômico de um país como um todo. O seu conceito é aplicado no estu- do das relações entre os grandes agregados econômicos/estatísticos que podem ser entendidos como: a renda nacional, o nível de emprego e dos preços (inflação), o consumo, a poupança, o investimento de uma nação e demais indicadores. A macroeconomia não estuda o que leva as pessoas a consumirem, mas o que acontecerá na economia caso todas as famílias passem a consumir uma parcela maior da sua renda, ou o contrário, caso ela passe a poupar grande parte da sua renda. Esse direcionamento macroeconômico fun- damenta-se na ideia de que é possível explicar a operação da economia sem necessariamente entender o comportamento de cada indivíduo ou empresa que dela participam, tendo, nesse caso, uma forte atuação do governo, objetivando tomar ações que mantenham o equilíbrio econômi- co de um país. Exemplo: qual a taxa de crescimento real do PIB ou o re- sultado da inflação de um determinado país num determinado período? Em contrapartida, tem-se o conceito de microeconomia, cujas análises se aprofundam nas decisões individuais das famílias e empresas que partici- pam de um mercado específico. Exemplo: por que aumentou ou diminuiu o faturamento de um determinado segmento da economia num determi- nado período? O que levou uma pessoa a consumir um produto específico? De volta ao tema proposto, este visa, portanto, elucidar o correto enten- dimento sobre a função e importância do cálculo do Produto Interno8 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Bruto (PIB) como um dos principais indicadores econômicos da econo- mia de um país, de uma vez que é por meio de seu cálculo que se deter- mina o produto, a renda e despesa total da economia. Sendo assim, para que se entenda como avaliar e interpretar o resultado de seu cálculo, se- rão abordados também pelo Tema conceitos como o sistema econômico, sua composição e seus fluxos e, por fim a definição, a mensuração e os componentes do Produto Interno Bruto (PIB). 1. Sistema econômico Para que você entenda o conceito de sistema econômico, é importante trazer à luz da discussão que o principal problema tratado em economia é a escassez. Em termos econômicos, a escassez surge do pressuposto de que as necessidades humanas são infinitas, e os bens ou os meios de satisfazê-las são sempre finitos. Vale ressaltar que a escassez não é a falta completa de recursos, mas sim a necessidade que os agentes econômicos (famílias e empresas) têm de se tomar decisões. No caso de empresas, as decisões são baseadas em: o que produzir, quanto produzir, como produ- zir e para quem produzir, visando atender ao dilema das necessidades in- finitas versus recursos finitos. Exemplo: uma empresa vende e, portanto, produz a mesma quantidade anual de seus produtos A, B e C utilizando-se de apenas uma única máquina. Num determinado ano, o preço do produ- to A aumentou e, portanto, trará mais retorno em termos de lucratividade para a empresa. Nesse caso, a empresa terá que tomar uma decisão se aumenta a produção desse produto para garantir sua lucratividade em detrimento dos demais ou se mantém a mesma quantidade para os três e não opta pelo aumento da lucratividade. Veja que ela possui o recurso (no caso a máquina), mas não tem como manter a produção no mesmo nível para os três produtos caso opte pelo aumento de sua lucratividade por meio do produto A e, portanto, terá que tomar uma decisão considerando qual trará resultados mais efetivos para a empresa. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 9 Segundo Silva e Luiz (2010, p. 31), “um sistema econômico pode ser defi- nido como a reunião dos diversos elementos participantes da produção e do consumo de bens e serviços que satisfazem às necessidades da so- ciedade”. Nesse sistema, não participam apenas os agentes econômicos, mas também os chamados fatores de produção, que são: o trabalho, o ca- pital e os recursos naturais, de maneira que quando organizados e com- binados, produzam algum bem ou serviço para atender às necessidades dessa sociedade. Portanto, essa organização ocorre nas chamadas “uni- dades produtoras”, também conhecidas como: empresa, banco, fazenda ou todo local que organize esses fatores econômicos mencionados, com a finalidade de se produzir bens e serviços. Enfim, é dentro do sistema econômico que são atendidas todas as ne- cessidades dos indivíduos e/ou sociedade, que trabalham na produção de um determinado bem ou serviço. Para essa análise ficar de fácil en- tendimento, é importante conhecer a composição e o fluxo do sistema econômico. 1.1. Composição do sistema econômico Sendo as unidades produtoras essenciais para o funcionamento de um sistema econômico a partir da organização dos fatores de produção por elas empregados para a obtenção de bens e serviços, é importan- te entender como são classificados esses bens e serviços, bem como o agrupamento dessas unidades produtoras em setores. A produção econômica é classificada dentro do sistema econômico, de acordo com as suas características de produção. Nem tudo que é produzido por es- sas unidades é consumido diretamente pelos indivíduos. Exemplo: uma fábrica de produtos químicos fornece matéria-prima para a produção de um determinado remédio que será consumido por uma pessoa. Vide Tabela 1. 10 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Tabela 1 – Classificação das unidades produtoras em: Produção econômica Setores Bens e serviços de consumo São aqueles que são consumidos diretamente pelos indivíduos. Exemplo: alimentos, roupas, consulta odontoló- gica Primário Utiliza-se dos re- cursos naturais e não traba- lha com a transfor- mação de produtos. Agricultura, pecuária, extrativa mineral, animal ou vegetal. Fator de produ- ção mais utiliza- do é a terra e o capital (máqui- nas e equipa- mentos) Bens inter- mediários Os que não aten- dem diretamente ao consumidor final, mas são utilizados como matérias-primas para a produção dos bens finais. Exemplo: aço, ferro, manuten- ção de um aparelho odontoló- gico Secundário Setor ca- racterizado pela trans- formação dos produ- tos. Indústria. Fator de produ- ção mais utiliza- do é o capital, também conhe- cido como má- quinas e equi- pamentos. Bens de capital Os que não aten- dem diretamente ao consumidor final, mas são utilizados para viabilizar de for- ma mais eficiente o uso da mão de obra no processo produtivo. Exemplo: máquinas e equipa- mentos, portos, estradas Terciário Oferece à economia um bem não tan- gível. Está voltado para a ofer- ta de pres- tação de serviços. Comércio e serviços. Fator de produção mais utilizado é o trabalho (mão-de-obra). Fonte: preparada pela autora com base em Silva e Luiz (2010, p. 32-33) Outros dois conceitos importantes e que fazem parte da composição do sistema econômico são os agentes econômicos e os fatores de produção. Os agentes econômicos são classificados em: a) famílias: consumidores que buscam alcançar seu nível de satisfação e tomam decisões econômi- cas sobre: poupar, consumir, trabalhar; b) empresas: buscam maximizar os lucros e tomam decisões econômicas, como: o que produzir, o quan- to produzir, como produzir e para quem produzir; c) governo: busca a Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 11 otimização do bem-estar social por meio da oferta de infraestrutura à sociedade, bem como o uso de tributação visando uma justa distribuição da renda; d) resto do mundo: busca atender e negociar produtos e servi- ços com famílias, empresas e governo fora do território nacional. Quanto aos fatores de produção (o que as famílias oferecem às empresas para a transformação em bens e serviços), estes são remunerados pelas uni- dades produtoras às famílias de forma que estas obtenham os bens e serviços necessários, de forma que essa interação é o que determina o produto, a renda e a despesa nacional de uma nação. Vide Tabela 2. Tabela 2 – Fatores de produção versus remuneração dentro do processo produtivo Fatores de produção Remuneração Trabalho: mão de obra ofertada pelas famílias às empre- sas para a produção de bens e serviços. Em forma de salários. Capital: máquinas e equipamentos ofertados pelas famílias a empresas para o uso na produção de bens e serviços. Em forma de aluguéis, juros. Recursos naturais: terra e outros recursos naturais ofer- tados pelas famílias às empresas para o uso na produção de bens e serviços. Em forma de aluguéis, juros, lucros. Fonte: preparada pela autora com base em Silva e Luiz (2010, p. 36) Apresentada toda a composição do sistema econômico, o próximo tópico apresentará, por meio do fluxo circular do sistema econômico, como es- ses elementos interagem dentro da determinação do produto, da renda e da despesa nacional. 1.2. Fluxo do sistema econômico Considerando, portanto, os conceitos já apresentados no tópico da com- posição do sistema econômico, é importante entender como a sua forma de interação é classificada dentro da economia. a) Fluxo de produto: formado pelos bens e serviços produzidos pelas empresas nesse sistema, também conhecido comoFluxo Real. 12 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros b) Fluxo de renda: formado pelo pagamento dos fatores de produção empregados pelas famílias e transformados em remuneração durante o processo produtivo, também conhecido como fluxo monetário. A interação desses dois fluxos pode ser observada na Figura 1 abaixo: Figura 1 – Fluxo circular – Baseado numa economia fechada e sem governo Fonte: fluxo preparado pela autora com base em Mankiw, (2014, p. 467) Esses dois fluxos (renda e produto) se traduzem em conceitos muito im- portantes para a teoria econômica. O fluxo de produto, que é formado pelos bens e serviços produzidos, constitui-se na oferta da economia, de maneira que é tudo o que foi produzido pelas empresas e está à dis- posição dos consumidores (aqui representados pelas famílias). Do lado do fluxo de renda, este é formado por toda a remuneração recebida pelas famílias em função dos fatores de produção disponibilizados por elas para as empresas, para a produção dos bens e serviços. O fluxo de renda, portanto, é considerado como o montante que as pessoas Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 13 dispõem (gastam) para satisfazer as suas necessidades e/ou desejos e constitui-se na demanda. Nesse caso, a demanda pode ser também a despesa das famílias, de uma vez que é tudo aquilo que é gasto e con- sumido por elas dentro da economia. Portanto, diante disso, tem-se a seguinte igualdade: produto = renda = despesa Segundo Mankiw (2014, p. 466), “a Renda de uma economia é igual à Despesa porque cada transação envolve duas partes: um comprador e um vendedor”. No caso do Brasil, cada real (R$) de despesa de algum comprador corresponde a 1 real (R$) de renda para um vendedor. Sobre o produto, este se refere à soma dos valores monetários de todos os bens e serviços produzidos para o consumo final, ou seja, é o bem que está envolvido numa transação de receita e despesa. Portanto, para cada produto gerado, há uma renda recebida e uma despesa gasta em função da transação do mesmo. O fluxo circular (Figura 1) mostra exatamente isso, ou seja, ele descreve todas as transações que envolvem as famílias e as empresas, num contex- to de uma economia simples (sem a presença do governo e do resto do mundo), que serão abordados dentro da equação do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) no tópico 2. Esse fluxo é apenas para mostrar, de for- ma simples, como enxergar a economia em sua essência, pois o fluxo su- põe que todos os bens e serviços são comprados pelas famílias e que elas gastam toda a sua renda para isso. Segundo Mankiw (2014, p. 466): [...] nessa economia, as famílias compram bens e serviços das empresas; es- sas despesas fluem através dos mercados de bens e serviços. As empresas, por sua vez, usam o dinheiro que recebem pelas vendas para pagar salários aos trabalhadores, aluguéis aos proprietários da terra e lucros aos proprie- tários das empresas e essa renda flui através dos mercados de fatores de produção. Nessa economia, o dinheiro flui continuamente das famílias para as empresas e destas para as famílias. 14 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Exposto o funcionamento do sistema econômico, é importante saber que tudo isso precisa ser devidamente mensurado e que o PIB é o indicador que faz essa função. No tópico 2 será apresentada a definição, a mensu- ração e a composição do PIB e sua importância. 2. Produto interno bruto (PIB) Após a explanação sobre o sistema econômico, sua composição e o seu fluxo, a busca pela equação que visa o atendimento das necessidades e/ ou desejos de uma nação deve ser perseguida e, dessa forma, para obtê- -la, é necessário que se tenham os registros das atividades que compõem o sistema, a fim de mensurar tudo o que está sendo ofertado e deman- dado pelos agentes econômicos envolvidos. Essa necessidade se reforçou com o advento de duas Guerras Mundiais e a Grande Depressão, também conhecida como Crise de 1929, que trouxe consigo uma forte redução das atividades econômicas com consequente aumento do desemprego. Diante disso, a participação do Estado na economia se acentuou e apon- tou-se a necessidade de se ter mais controle sobre tudo o que estava sen- do gerado em bens e serviços. Nesse contexto, a contabilidade nacional, que é um sistema de agregados estatísticos que registra a atividade eco- nômica global de um país num período determinado, inseriu-se dentro do conceito de análises macroeconômicas e criou-se, portanto, o Produto Interno Bruto (PIB) como indicador estatístico para medir o produto, a renda e despesa total de um país. É importante frisar que o funcionamento de uma economia não é tão simples assim, e não se resume apenas ao que o fluxo circular nos mos- tra, pois as famílias não necessariamente gastam toda a sua renda, sendo que entregam parte dela ao governo em forma de impostos, bem como também poupam. O objetivo do fluxo é para que se entenda o funciona- mento da economia numa ótica de interação entre famílias (demandantes de produtos e ofertantes de fatores de produção) e empresas (ofertantes Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 15 de produtos e demandantes de fatores de produção) que se constitui na base de uma economia, cujo principal objetivo é atender às necessidades de uma nação. Na mensuração e nos componentes do cálculo do PIB, serão observados também a interação que se dá entre o governo e o resto do mundo dentro do fluxo, ora também participantes do cálculo do indicador. 2.1. Definição e mensuração do PIB Segundo Silva e Luiz (2010, p. 46-47), num sistema econômico, os bens e serviços são consumidos continuamente e, portanto, devem também ser produzidos de forma contínua. Com base nessa afirmação, qual a defini- ção e a forma de mensuração do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) visando manter o registro do que se trata dentro desse processo contí- nuo? Veja a seguir. “PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) É O VALOR DE MERCADO DE TODOS OS BENS E SERVIÇOS FINAIS PRODUZIDOS EM UM PAÍS EM DADO PERÍODO.” Segundo Mankiw (2014, p. 468), essa definição parece simples, mas ela traz muitas questões sutis quando se calcula o PIB de uma economia. Por essa razão, está reproduzida na tabela abaixo uma explanação de- talhada de cada termo utilizado na definição do cálculo como forma de mensuração. Tabela 3 – Detalhamento da definição e forma de mensuração do PIB Parte da definição Significado “PIB é o valor de mercado...” Num ditado popular, não se pode somar “maçãs com laranjas”. Por isso, o PIB é calculado com base em valores monetários, pois para medir os bens e serviços produzidos, tem-se várias medidas, como, por exemplo: toneladas, litros, valor da hora-trabalho. Nesse sen- tido, o PIB soma vários tipos diferentes de produtos em uma úni- ca medida de valor da atividade econômica. Para se ter uma única medida, multiplica-se a quantidade produzida pelo preço de mer- cado de cada bem ou serviço, que é o preço que as pessoas estão dispostas a pagar por diferentes bens e serviços, de forma que se padroniza a forma de cálculo e de divulgação do indicador. 16 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros “...de todos...” O PIB é abrangente, inclui todos os itens produzidos na economia e vendidos legalmente nos mercados. “...bens e serviços...” O PIB inclui tanto os bens tangíveis (alimentos, vestuários) quanto os serviços intangíveis (corte de cabelo, consultas médicas). “... finais...” O PIB se baseia somente no valor dos bens finais, pois considera que o valor dos bens intermediários já está refletido no preço do bem ou serviço final. Se não fizesse dessa forma incorreria no erro de fazer o cálculo em duplicidade. “...produzi- dos...” OPIB considera os bens e serviços produzidos no presente que está sendo calculado. Não inclui transações que envolvam itens produ- zidos no passado. Quando a Ford produz e vende um carro novo, o valor do carro é incluído no PIB, no entanto, quando o proprietário vende esse carro a outra pessoa como usado, esse valor não é mais considerado no cálculo. “...em um país...” O PIB mede o valor da produção dentro dos limites geográficos de um país ou de uma região. “...em um dado período...” O PIB mede o valor da produção em um intervalo de tempo especí- fico. Normalmente é anual ou trimestral. Fonte: preparada pela autora a partir das informações retiradas de Mankiw (2014, p. 468 e 469). Uma vez estabelecidos os critérios apresentados na composição da defini- ção sobre o que é o PIB e como é feito o seu cálculo, é importante detalhar a ótica sob a qual será medida a produção econômica do país. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando faz a divulgação do re- sultado do PIB, procura divulgar sob três óticas: ótica do produto, ótica da renda e ótica da despesa. A tabela abaixo detalha o conceito dessas óticas e o que elas representam dentro do cálculo do PIB. Tabela 4 – Detalhamento das óticas observadas e medidas no cálculo do PIB Ótica O que mede Ótica do produto Considera-se o preço e a quantidade produzida dos bens e dos serviços daqueles voltados para o consumo final num determinado período. Ótica da renda É a soma da remuneração paga aos fatores de produção durante o pro- cesso produtivo, como os salários, os aluguéis, os juros e os lucros. Ótica da despesa É a análise do uso que os agentes fazem de sua renda para adquirirem os bens e serviços desejados, constituindo-se, portanto, em uma despesa. O resultado final do PIB pode ser visto sob essas três óticas e, portanto, segue a equação: PRODUTO (P) = RENDA (R) = DESPESA (D) Fonte: preparada pela autora com informações retiradas de Silva e Luiz (2010, p. 47) Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 17 2.2. Componentes do PIB A sociedade usa seus recursos de diversas formas: uma família resolve almoçar num restaurante, uma empresa pode construir uma nova fábrica de um determinado produto, o governo pode construir uma estrada ou uma universidade nova, e o mercado pode adquirir bens e serviços de outros países e exportar os seus a outros países também. Enfim, todas essas iniciativas e todos esses eventos são computados no cálculo do PIB nas diversas óticas mencionadas acima, considerando tudo o que é pro- duzido no mercado doméstico. Portanto, o Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador responsável por medir como estão sendo utilizados todos os recursos escassos da econo- mia de um país e, por meio da medição de tudo que está sendo produzido a um determinado preço, determina-se a renda nacional. Como mencio- nado anteriormente, no cálculo do PIB total são contempladas as ativida- des que atendem também ao governo e ao resto do mndo. Para tanto, para efeito de seu cálculo, o IBGE utiliza-se da equação abaixo: Y(PIB) = C + I + G + EL Em que: Y(PIB) = cálculo total do Produto Interno Bruto (PIB); C = consumo das famílias; I = investimento (empresas); G = compras ou gastos do governo; EL = exportações líquidas (que são as exportações menos as importações). Dessa maneira, essa fórmula representa o cálculo do PIB total, na qual cada unidade monetária (real – R$) dispendido pelos agentes econômicos é colocada em um desses quatro componentes, de forma que a soma desses quatro componentes deve ser igual ao PIB total. A Tabela 5 mostra o que significa, de forma mais detalhada, cada um dos componentes. 18 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Tabela 5 – Os componentes do PIB e o que representam dentro do cálculo Componente O que representa dentro do cálculo C = consumo É a despesa das famílias em bens e serviços, com exceção de compra de novas moradias. Exemplo: compra de alimentos, vestuário, carro, consultas. I = investimento É a compra de bens de capital que serão usados para produzir bens de consumo e serviços. Por exemplo, compra de máqui- nas e equipamentos, estoques e produtos de infraestrutura. Observação: uma moradia nova é a única forma de categoria de despesa das famílias classificada como investimento e não consumo. G = gastos ou compras do governo Incluem os gastos em bens e serviços do governo em todas as esferas (federal, estadual e municipal). Exemplo: salários dos funcionários, despesas em obras públicas e outros. EL = exportação líquida (exportações menos importações) São todas as exportações menos as importações feitas por um país. Exemplo: quando o Brasil exporta soja e importa produto químico. O valor da exportação líquida (EL) subirá na medida em que se obter mais valor de exportação do que importação. Fonte: preparada pela autora com informações retiradas de Mankiw (2014, p. 470-472) É importante reforçar a interferência do Estado na economia e, por isso, a entidade G (gastos ou compras do governo) corresponde a tudo que é mantido pelo governo para suportar as necessidades da sociedade, os chamados serviços públicos. Nesse sentido, como o Estado não produz nada por si só, para desempenhar esse papel de prover a sociedade, o governo necessita de dinheiro, que é obtido mediante a tributação – os impostos –, que, por sua vez, incide sobre determinadas atividades eco- nômicas. Portanto, são duas as formas que o IBGE calcula e divulga o PIB, conforme tabela abaixo: Tabela 6 – Duas formas de cálculo do PIB feitas pelo IBGE O que se considera no cálculo PIB – Produto Interno Bruto a preços de mercado (p.m.) É a soma dos valores monetários dos bens e serviços pro- duzidos, computando-se os impostos indiretos e subtrain- do-se os subsídios. É o cálculo utilizado pelo mercado para suas análises. PIB – Produto Interno Bruto a custo de fatores (c.f.) É a soma dos valores monetários dos bens e serviços pro- duzidos, subtraindo-se os impostos indiretos e computan- do-se os subsídios. Fonte: preparada pela autora com informações retiradas de Silva e Luiz (2010, p. 51-52) Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 19 LINK O cálculo completo do PIB e a sua taxa real de crescimento é divulgado de forma trimestral e anual. Essa divulgação ocorre sempre três meses após o fechamento de um determinado trimestre e de um determinado ano. Essa divulgação é feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e segue os padrões dos cálculos apresentados na fórmula de seu cálculo e sob as óticas do produto, da renda e da des- pesa. Para ter acesso aos seus resultados, acesse o link do Instituto. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/estatisti cas-novoportal/economicas/contas-nacionais/9052-sistema- de-contas-nacionais-brasil.html?=&t=o-que-e>. Acesso em: 17 abr. 2018. PARA SABER MAIS O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a prin- cipal instituição no Brasil a medir os indicadores econômicos e sociais, incluindo o Produto Interno Bruto (PIB). Importante destacar que, dentro do conceito do cálculo do PIB, o IBGE divulga também outros cálculos, considerando formas dife- renciadas de se observar o resultado do que é produzido e gerado como receita no país, como, por exemplo: Produto Interno Líquido (PIL); Produto Nacional Bruto (PNB); Produto Nacional Líquido (PNL); Renda Pessoal (RP) e Renda Pessoal Disponível (RPD), que suas formas de cálculo podem ser en- contradas em Silva e Luiz (2010, cap. 5, p. 52- 55). 20 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 2.3. PIB real e PIB nominal De acordo com o que foi estudado até aqui, o Produto Interno Bruto (PIB) mede o produto,a receita e a despesa total em bens e serviços produzi- dos em todos os mercados de uma determinada economia. No entanto, deve-se atentar para a variação que o resultado do PIB apresenta de um período para outro em função de sua medição ser em valores monetários. EXEMPLIFICANDO O PIB de um determinado país no ano X01 registrou um valor de $ 1 trilhão, e no ano X02, esse valor subiu para $ 1,5 tri- lhão. Esse resultado sugere duas afirmações: (1) a economia desse país está produzindo uma quantidade maior de bens e serviços ou (2) os bens e serviços estão sendo vendidos a preços mais elevados e a quantidade de bens e serviços não necessariamente se elevou. Para que não se cometam erros de avaliação, entender a variação de preços de um período para outro é para os economistas a variável mais importante ao se analisar o seu resultado. Para isolar o tipo de erro explicitado no “Exemplificando”, os economistas adotam um cálculo específico chamado PIB real. É importante conhecer três conceitos de cálculo e divulgação do resultado do PIB. Tabela 7 – Conceitos de PIB nominal versus PIB real versus deflator do PIB O que se considera no cálculo PIB nominal É o montante de bens e serviços produzidos pela economia a preços correntes. É o cálculo que considera a quantidade de bens e serviços produzidos multiplicada pelos preços que estão ocorrendo num deter- minado ano e, portanto, reflete o valor total daquele momento. Esse cál- culo não é comparativo com demais anos, pois como o principal objetivo do cálculo do PIB é analisar a quantidade produzida de bens e serviços na economia, os preços correntes carregam a contaminação da varia- ção de preço de um ano para outro, não mostrando, portanto, a real quantidade produzida de bens e serviços. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 21 PIB real É o montante de bens e serviços produzidos pela economia a preços constantes. É o cálculo que considera a quantidade de bens e serviços produzidos multiplicada pelos preços em um determinado ano constan- te como base de cálculo, a fim de ficar comparável com os demais anos sem o risco da contaminação da variação de preço de um período para outro e, com isso, chegar à variação efetiva da quantidade produzida de bens e serviços. Nesse caso, utiliza-se um instrumento chamado defla- tor do PIB. O IBGE normalmente divulga a taxa de crescimento do PIB real, que é o cálculo utilizado pelo mercado para as suas análises. Deflator do PIB É um instrumento/índice utilizado pelos economistas para retirar do cál- culo do PIB nominal os efeitos das variações de preços ocorridas ao longo do tempo, de maneira a se chegar ao resultado do PIB real. No Brasil, o IBGE divulga o deflator do Produto Interno Bruto conjuntamen- te ao cálculo do PIB para que o mercado tome conhecimento do que foi considerado como variação de preço de um período para outro. Fonte: preparada pela autora com informações retiradas de Mankiw (2014, p. 473-476) PARA SABER MAIS O cálculo do PIB nominal e PIB real utilizando-se o deflator implícito, que mantém os preços constantes nos níveis do ano-base que se queira utilizar para avaliar a taxa de cresci- mento real, pode ser observado de forma mais detalhada em Mankiw (2014, p. 473-475). Assimile: o Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador calculado e divul- gado em valores monetários a preços de mercado apenas para que se tenha uma padronização de unidade de medida (Vide item 1 da Tabela 3), mas o principal objetivo do cálculo é mensurar as quantidades produzi- das de bens e serviços em uma economia. questão para reflexão ASSIMILE o Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador calculado e di- vulgado em valores monetários a preços de mercado apenas para que se tenha uma padronização de unidade de medida (Vide item 1 da Tabela 3), mas o principal objetivo do cálculo é mensurar as quantidades produzidas de bens e servi- ços em uma economia. 22 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Pesquise os resultados da taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentados nos últimos cinco anos e identifique: a) os setores que mais contribuíram positivamente e ne- gativamente para os seus resultados; b) se o consumo das famílias, bem como os investimentos (formação bruta de capital fixo) apre- sentaram elevação ou queda. QUESTÃO PARA REFLEXÃO 3. Considerações Finais • O sistema econômico, formado pelos elementos participantes da produção e do consumo de bens e serviços, visa reduzir a escassez na economia e assim satisfazer as necessidades e/ou desejos ilimi- tados das pessoas. • O fluxo circular tem por principal objetivo mostrar o funcionamento da economia. Para isso, apresenta a interação entre o mercado e os fatores de produção que, juntos, transformam os recursos em bens e serviços. • O PIB, calculado em valores monetários, é o principal indicador que mostra a quantidade de bens e serviços produzidos por uma nação. • O PIB real, que é a métrica do PIB nominal excluindo os efeitos da variação de preço de um período para outro, é o principal indicador utilizado como referência para análise do comportamento do pro- duto, da renda e da despesa nacional de uma nação, pois permite, por meio do cálculo da taxa real de crescimento, comparar períodos diferentes da evolução da economia de um país. Glossário • Fluxo circular: é um diagrama que apresenta a interação entre o mercado de bens e serviços e o mercado de fatores de produção dentro de uma economia, envolvendo empresas e famílias. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 23 • Produto Interno Bruto (PIB): é o indicador que mede em valores monetários a quantidade de bens e serviços produzidos em uma economia e, por consequência, a determinação da renda e da des- pesa nacional. • PIB real: é o indicador que mede o que foi efetivamente produzi- do de bens e serviços em uma economia sem a contaminação da variação de preço de um período para outro, assim, permitindo a comparação entre períodos diferentes. VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 1 1. Dentro do sistema econômico, o que são as unidades pro- dutoras? Uma “unidade produtora” é: a) O mercado consumidor. b) Local onde se produzem e se ofertam bens e serviços às famílias. c) Um indicador de medição de produção. d) Um indicador de bem-estar social. e) Fator de produção ofertado pelas famílias 2. Dentre os fatores de produção, o trabalho tem sua remu- neração em forma de: a) Juros. b) Lucros. c) Salários. d) Aluguéis. e) Juros e lucros. 3. Dentre as formas de se avaliar o PIB, tem-se o PIB nominal. Portanto, o PIB nominal refere-se: 24 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros a) Ao montante de bens e serviços produzidos pela eco- nomia em moeda corrente. b) Ao montante de bens e serviços produzidos pela eco- nomia em moeda constante c) À medição dos fatores de produção envolvidos na economia. d) À medição do volume de bens e serviços em quantida- des e horas. e) Ao montante de bens e serviços produzidos e calcula- dos pelo deflator. Referências Bibliográficas MANKIW. Introdução à economia. 6. ed. São Paulo: Cengage, 2014. SILVA, C. R. L. da; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à economia. São Paulo: Saraiva Editora, 2001. Gabarito – Tema 01 Questão 1 – Resposta: B As “unidades produtoras” correspondem ao local onde os fatores de produção são convertidos em bens e serviços ofertados às famílias (consumidores). Questão 2 – Resposta: C O trabalho é um fator de produção relacionado à mão de obra, cuja remuneração é feita em forma de salário. Questão 3 – Resposta: A O PIB nominal refere-se ao montante de bens e serviços produzidos pela economia em moeda corrente, ou seja, aos preços de umperío- do específico na qual o cálculo está sendo feito. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 25 TEMA 02 BALANÇA COMERCIAL – O SALDO INTERNACIONAL Objetivos • Compreender o que é balança comercial e seus resultados. • Apresentar o conceito sobre a Teoria da Vantagem Comparativa. • Saber interpretar o resultado das principais contas do balanço de pagamentos e a importância do saldo da balança comercial nesse contexto. 26 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Introdução Você verá, nesta parte de nossa disciplina, que o resultado da balança comercial dos países é o indicador que mostra o volume de negociações (exportações e importações) feitas por eles com o resto do mundo. É im- portante contextualizar esse resultado sob duas óticas: a) a ótica do co- mércio internacional e; b) a ótica de sua importância para o resultado do balanço de pagamentos (BP). No contexto do resultado do balanço de pagamentos, a balança comercial tem impacto significativo para o seu re- sultado, sendo o BP o principal instrumento utilizado pelas nações para contabilizar todos os pagamentos e recebimentos transacionados pelos países com os seus parceiros comerciais e financeiros. É por meio do re- sultado do BP que o mercado toma conhecimento da capacidade de uma nação em honrar com os seus compromissos a partir da geração de mo- eda estrangeira (divisas), sendo, portanto, a participação desses países no comércio mundial um dos principais recursos para a geração dessas moedas. Nesse contexto, este Tema propõe que você estude e analise conceitos importantes que impactarão o resultado da balança comercial. Dessa forma, este tópico discutirá o que é o comércio internacional e sua importância, por que os países comercializam entre si, de que forma são escolhidos os bens e serviços que serão considerados no fluxo de mer- cadorias a serem comercializadas, sendo que, para que essas perguntas sejam respondidas, busca-se na teoria das vantagens comparativas e sua relação com os fatores e produção esse entendimento. E por fim, em que conta, mais precisamente, o resultado da balança comercial impacta para o resultado do balanço de pagamentos e a sua importância no contexto do comércio mundial. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 27 1. Balança comercial Do ponto de vista conceitual, balança comercial é a relação entre as ex- portações (vendas) e as importações (compras) para além das fronteiras de um país, de maneira que, quando as exportações registram volumes maiores que os volumes das importações, significa que o país contabilizou um saldo positivo, conhecido como superávit comercial, e quando ocorre o contrário, ou seja, as exportações apresentam volumes menores que os volumes das importações, significa que o país contabilizou um saldo negativo, conhecido como déficit comercial. Uma maneira de se interpre- tarem esses resultados é: quando o país apresenta superávit comercial, significa que ele está com crédito junto ao mercado estrangeiro, e quando apresenta déficit comercial, mostra que o país está em dívida com esse mercado. Essa relação comercial contabilizada na balança comercial re- fere-se tanto a bens de consumo, como, por exemplo, roupas, alimentos, medicamentos, máquinas e equipamentos, etc., como a serviços, como, por exemplo, cursos, serviços de tecnologia, infraestrutura, etc. Há entre os economistas reflexões sobre o resultado da balança comer- cial ser superavitário ou deficitário, pois esse resultado deve considerar a posição do país dentro do contexto da economia mundial. Essa análise avalia as vantagens e desvantagens de se exportarem e se importarem produtos, considerando: a) a incapacidade de um país em produzir seus próprios produtos e serviços, alavancando assim a importação ou; b) o país produz determinados produtos, porém não é suficientemente com- petitivo para fazer frente ao mercado internacional, inibindo assim suas exportações para o mercado internacional. Os economistas consideram anormal um país desenvolvido apresentar déficit em sua balança comer- cial, no entanto, já entendem que um país subdesenvolvido tende a ser sensível ao déficit em função da necessidade desse país em importar bens de capital para alavancar a sua produção interna, bem como produtos finais de maior valor agregado ou de bens intermediários em função de possível escassez desses produtos no seu mercado interno. 28 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Vale destacar que o resultado da balança comercial se constitui num im- portante indicador para o mercado, pois é nele que se traduz de que for- ma e em que dimensão um país está se comportando frente ao comércio mundial, que por sua vez mostrará a contribuição que esse resultado está dando para o balanço de pagamentos desse país, pois é no balanço de pagamentos que se identifica a capacidade de um país em honrar com os seus compromissos em moeda estrangeira (divisas) junto aos seus par- ceiros comerciais e financeiros. Nesse contexto, este tópico detalhará o comércio internacional como fonte geradora de transações comerciais entre os países, com reflexo direto no resultado da balança comercial, bem como seus efeitos positivos e negativos para o resultado das transa- ções correntes do balanço de pagamentos e demais impactos. PARA SABER MAIS Divisas são as moedas conversíveis que têm livre aceitação e negociação no mercado de câmbio no mundo todo (exem- plo: dólar norte-americano, euro, iene). Essa conversibilida- de está relacionada com a credibilidade do país emitente no que diz respeito às suas políticas monetária, fiscal, econômi- ca e cambial junto à comunidade financeira internacional, ou seja, são aceitas como meio de troca, reserva de valor e uni- dade de conta. 1.1. Comércio internacional Segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010, p. 4), o crescimento da atividade de negócios internacionais está diretamente relacionado a um fenômeno mais amplo conhecido como globalização de mercados. A glo- balização de mercados refere-se à integração econômica e à crescente interdependência de países em escala mundial. Ainda segundo os auto- res (2010, p. 24-25), a globalização de mercado de bens e serviços não é Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 29 um fenômeno novo. Eles atribuem à tecnologia da informação a respon- sabilidade pela aceleração do ritmo da globalização nesse mercado, mas seguem afirmando que as antigas civilizações do Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia, África e Europa contribuíram muito para o crescimento do comércio entre fronteiras. Fazem uma classificação de quatro fases para o crescimento desse mercado que, segundo eles, vai da primeira fase, que ocorreu no período de 1830 a 1880 e que teve como fator desenca- deador para a sua expansão a introdução das ferrovias e o transporte marítimo, até a quarta fase, que ocorreu da década de 1980 até o pre- sente momento, impulsionada pelo expressivo avanço da tecnologia da informação, comunicações, manufatura, privatização entre outros, como principais fatores de impacto para o aumento na velocidade dos negócios para os dias atuais. Portanto, o conceito de negócios internacionais contempla, simultanea- mente, o comércio internacional e os investimentos. Comércio interna- cional se refere à troca de bens e serviços através de fronteiras por meio da exportação, da importação e do global sourcing, e investimento inter- nacional se refere à transferência de ativos entre países, que podem ser: capital, tecnologia, infraestrutura manufatureira e capital intelectual, que, do ponto de vista de impacto para os resultados de um país, é considera- do na conta de “investimentos diretos estrangeiros (IDE)” no balanço de pagamentos. PARA SABERMAIS Os bens são as mercadorias (tangíveis) comercializadas e, os serviços são bens intangíveis e que envolvem capital intelec- tual. Essas trocas se dão por meio da exportação e impor- tação entre países. Para um maior aprofundamento, leia as páginas 4 e 5 de CAVUSGIL, S.T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estratégia, gestão e novas re- alidades. t 1. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. 30 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Para efeito de estudo deste Tema, as análises estão concentradas no en- tendimento da relação comercial entre países via comércio internacional e, portanto, aborda de forma mais objetiva os conceitos de exportação e importação de bens e serviços. Nesse contexto, é importante avaliar a Teoria da Vantagem Comparativa, que dá respostas para questionamen- tos relacionados ao comércio mundial e sua forma de interpretar as rela- ções de trocas entre os países. 1.1.1. Teoria da Vantagem Comparativa Quando se pensa em comércio internacional, vem à cabeça duas pergun- tas importantes: 1) por que os países comercializam bens e serviços entre si?; 2) como são escolhidos os bens e serviços que farão parte do fluxo de mercadorias do comércio internacional? A primeira pergunta é mais fácil de ser parcialmente respondida, ou seja, uma das razões pela qual os países comercializam bens e serviços entre si é porque não são autossuficientes em tudo de que precisam, ou seja, exportam produtos dos quais eles têm mais vantagem competitiva, e que muitas vezes estão sobrando em seu mercado doméstico, e importam bens e serviços que faltam para atender às suas necessidades de produ- ção e consumo. Essa dependência recíproca entre os países é advinda do fato de que os países têm necessidades parecidas, como, por exemplo: alimentação, transporte, segurança, vestuário, mas que eles são diferen- tes no tocante aos seus fatores de produção, como: recursos naturais, humanos com impacto sobre as suas capacidades, tanto produtiva como tecnológica. Para complementar a resposta à primeira pergunta e responder à segun- da com embasamento, é necessário conhecer o conceito da Teoria da Vantagem Comparativa, que explica boa parte de tudo o que está sendo estudado. Essa teoria foi inicialmente criada por Adam Smith (1723-1790) e posteriormente aperfeiçoada por David Ricardo (1772-1823) entre os sé- culos XVIII e XIX, respectivamente. Ela foi elaborada partindo do princípio Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 31 de que, para que os países aumentassem o seu grau de bem-estar social, era necessário aumentar a quantidade de mercadorias à disposição das pessoas e, portanto, segundo eles, o comércio entre países se constituía uma alternativa. Para detalhar a teoria, abaixo, um exemplo tirado por completo de Silva e Luiz (2010, p. 132-134). Exemplo: imagine dois países, Brasil e Suíça, e que cada um deles produ- za apenas dois bens, café e relógios, e que não há transação comercial entre ambos. Veja a tabela abaixo. Tabela 1 – Decisão dos países (Brasil e Suíça) em produzir apenas um dos produtos para o seu próprio consumo (café ou relógios) – Produção mensal País Produção CAFÉ RELÓGIOS Brasil 36 mil sacas ou 72 mil unidades Suíça 24 mil sacas ou 96 mil unidades Fonte: exemplo retirado de Silva e Luiz (2010, p. 132) 1ª hipótese: a tabela mostra uma situação hipotética de um país que se propõe a consumir apenas um dos produtos e não conta com a comercia- lização de outro produto com outro país, portanto, o que cada país seria capaz de produzir, considerando todos os fatores produtivos emprega- dos na produção de apenas um deles. Caso o Brasil optasse por produzir apenas café, conseguiria produzir 36 mil sacas e, caso decidisse produzir apenas relógios, conseguiria produzir 72 mil unidades. Do lado da Suíça, também considerando os mesmos motivos, caso optasse por produzir apenas café, conseguiria produzir 24 mil sacas e, caso decidisse produzir apenas relógios, conseguiria produzir 96 mil unidades. Este quadro mostra que o Brasil tem vantagem sobre a Suíça na produção de café, pois produz 36 mil sacas versus 24 mil sacas, respectivamente. No entanto, a Suíça tem vantagem sobre o Brasil na produção de relógios, pois produz 96 mil unidades versus 72 mil unidades, respectivamente. 32 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 2ª hipótese: no entanto, caso esses países mudassem de ideia e quises- sem consumir os dois bens (café e relógio), ainda sem a comercialização entre si, e optassem por produzir os dois produtos, a situação ficaria de acordo com a tabela abaixo: Tabela 2 – Decisão dos países (Brasil e Suíça) em produzir os dois produtos para o seu próprio consumo (café e relógios) – Produção mensal País Produção CAFÉ RELÓGIOS Brasil 18 mil sacas ou 36 mil unidades Suíça 12 mil sacas ou 48 mil unidades TOTAL 30 mil sacas 84 mil unidades Fonte: exemplo retirado de Silva e Luiz (2010, p. 132) O total apresentado no quadro indica que os dois países, sem comercia- lizarem entre si, produziriam juntos 30 mil sacas de café e 84 mil relógios por mês. A Tabela 2 comparativamente à Tabela 1 mostra, portanto, que se os países quisessem produzir os dois bens para o seu consumo di- minuiria sua capacidade de produção em relação a produzir apenas um deles, ou seja, Brasil diminuiria sua produção de 36 mil para 18 mil sacas de café e a Suíça diminuiria sua produção de 96 mil para 48 mil unidades de relógios, pois tiveram que dividir a alocação de seus fatores produtivos para a produção dos dois bens simultaneamente. Análise comparativa: ao se comparar as duas situações (Tabela 1 e 2), fica nítido que é melhor que o Brasil se especialize na produção de café, pois sozinho produz 36 mil sacas, e a Suíça se especialize na produção de relógios, pois sozinho produz 96 mil unidades e, nesse contexto, o bem-es- tar das pessoas pertencentes a esses países aumentaria somente quando ambos passassem a comercializar entre si esses dois produtos, ou seja, o Brasil trocasse seu café pelos relógios da Suíça, de forma que importasse relógios da Suíça e a Suíça trocasse seus relógios pelo café do Brasil, de forma que importasse café do Brasil. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 33 Vale destacar que, nessa análise, não são considerados custos logísticos ou demais variáveis, e que ela representa o que de fato a Teoria da Vantagem Comparativa prega, pois quando elaborada por Adam Smith e David Ricardo, tinha por principal objetivo valorizar a ideia de que as nações devem se fortalecer na produção de bens que tenham mais vantagem competitiva, ou seja, em que há o melhor emprego de seus fatores de produção, e que, para aumentar seu bem-estar, deveria buscar demais produtos em outros países, de forma que empregasse seus fatores produtivos em algo que de fato tivesse um diferencial e os produtos que faltassem para o seu consu- mo fossem adquiridos para além de suas fronteiras. Para que se reforce o conceito da Teoria da Vantagem Comparativa, é importante lembrar o que foi apresentado no Tema 1 (PIB). Com o Tema, buscou-se avaliar o indicador PIB, sua composição e seu cálculo. Nessa avaliação, foi apresentado primeiramente o fluxo circular como ferra- menta conceitual para se entender a interação entre as famílias e as em- presas dentro de um sistema econômico, porém considerando uma eco- nomia fechada em que tudo interage num mesmo território. No entanto, foi avaliado também no Tema que, para efeito do cálculo do PIB, contem- pla-se, além desses agentes, também as exportações líquidas (que são as exportações menos as importações) e que, ao se entrar nesse univer- so, têm-se outras variáveis a serem consideradas, pois as transações co- merciais não são realizadasapenas entre os agentes econômicos de um mesmo país, mas sim com agentes de outros países e, portanto, lidam-se com outras dificuldades, como, por exemplo: moedas diferentes, forma de comercializar e principalmente com uma eficiência diferenciada entre os fatores de produção. Essa memória foi trazida para que se fale da es- sência da Teoria da Vantagem Comparativa e, segundo Silva e Luiz (2010, p. 133), “esta Teoria está relacionada com: a) a produtividade dos fatores de produção que cada país possui; b) as suas condições de clima; c) a dis- ponibilidade de recursos naturais e etc”. Os autores seguem dizendo que, “do ponto de vista econômico, a produtividade é o mais importante, pois maior produtividade resulta em custos de produção menores e, por essa razão, a Teoria das Vantagens Comparativas também é conhecida como Teoria dos Custos Comparativos”. 34 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Exemplo: o Brasil exporta muitos produtos básicos da agricultura (soja, milho, laranja), pois tem vantagem competitiva em termos de custos e produção elevada, e importa muitos produtos de alto valor agregado (quí- micos, eletroeletrônicos, peças, medicamentos, etc.), por diversas razões: falta de tecnologia, a produção interna não atende à demanda doméstica, compras mais baratas no exterior, dentre outras. Apesar da importância da Teoria da Vantagem Comparativa, que é uma referência para todos os países que participam do comércio internacio- nal, há de se dizer que o exemplo dado pelos autores não condiz em sua plenitude com a realidade vivenciada pelos países que lidam com diver- sos bens e serviços e, dessa forma, um país não se especializa totalmente na produção de um só bem e nem tampouco produz e consome apenas dois produtos, mas sim uma infinidade. PARA SABER MAIS Há várias discussões em torno da viabilidade de aplicação da Teoria da Vantagem Comparativa como instrumento eficaz de política econômica, que pode ser lida com mais profundidade em SILVA, C. R. L. da; LUIZ, S. Economia e mercados: introdu- ção à economia. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 134. 1.2. Exportações e importações 1.2.1. Exportações Segundo Cavusgil, Knight, Riesenberg (2010, p. 332), dentro de uma es- cala de classificação em termos de controle em relação à estratégia para entrada no mercado estrangeiro, em que controle significa a capacidade que as estratégias têm de influenciar decisões, operações e recursos es- tratégicos dos empreendimentos estrangeiros, a exportação se constitui uma das estratégias mais comuns de entrada em mercados estrangeiros Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 35 e de internacionalização, e é também a preferida das pequenas e mé- dias empresas porque, diferentemente dos investimentos estrangeiros diretos, é flexível e o exportador pode ingressar e se retirar do mercado com relativa facilidade, bem como com um risco e custo baixo. Segundo Cavusgil, Knight e Riesenberger (2010, p. 286), “exportar gera significativas receitas cambiais para as nações”. O surgimento de empresas exportadoras de pequeno e médio porte é uma realidade presente e, segundo os autores (2010, p. 290), as PMEs de 1992 a 2004 representaram quase 100% do crescimento no segmento exportador dos Estados Unidos. Os gestores responsáveis pela estratégia de exportação procuram atender a algumas etapas importantes, confor- me a Figura que segue: Figura 1 – Foco sistemático nas exportações Etapa 1: avaliar as oportunidades do mercado global Etapa 2: organizar-se para exportar Etapa 3: adquirir as habilidades e competências necessárias Etapa 4: implementar uma estratégia de exportações Os gestores ava- liam o preparo da empresa para a in- ternacionalização e selecionam os mer- cados e parceiros mais apropriados. Os gestores tomam decisões sobre o grau de envolvi- mento da empresa, os recursos a serem comprometidos e o tipo de intermediá- rio interno e exter- no a contratar. A empresa adquire habilidades e com- petências para lidar com as operações de exportações, treina a equipe e envolve os facili- tadores mais ade- quados (agentes de carga, bancos e ad- vogados especiali- zados em comércio internacional). Os gestores tomam decisões sobre adaptação de pro- duto, adequação das comunicações de marketing, pre- cificação e suporte a intermediários ou subsidiárias no exterior. Fonte: elaborado pela autora com informações retiradas de Cavusgil, Knight e Riesenberg (2010, p. 291) Portanto, quando uma empresa avalia caminhos na forma de atuação visando a manutenção e elevação de sua lucratividade dentro de uma realidade de mercado globalizado, não pode descartar a importância de sua entrada em mercados estrangeiros, e a exportação é uma das opções mais simples para se atingir esse objetivo. 36 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 1.2.2. Importações Ao se falar sobre exportações, é importante falar sobre importações tam- bém, pois são transações de compra e venda, nas quais as exportações são as remessas ou vendas de bens e serviços de um país para outros pa- íses, e as importações são as compras de bens e serviços vindos de outros países para atender às demandas do mercado interno de uma determina- da economia/sociedade. Do lado das compras, que representam os custos das empresas, ao se falar de mercado globalizado, elas podem ser chamadas também de im- portações. Nesse sentido, o desenvolvimento de fornecedores é essencial para negociações eficazes que se revertam em diminuição de gastos. Por que a importação pode beneficiar um país? São diversas as razões, mas dentre elas tem-se: a) a busca por produtos fabricados com alta tecnologia, comparativamente ao que é produzido pelo mercado interno de um país; b) maior tecnologia sugere menor cus- to e melhor qualidade; c) produtos customizados que atendam a uma necessidade específica; d) acesso a mercados com possível vantagem via redução de impostos. As grandes empresas estão focando suas estratégias também em suas compras como recurso alternativo, de uma vez que, numa realidade glo- balizada, a competitividade elevou-se sobremaneira e as empresas mui- tas vezes não têm gestão sobre os preços que praticam com impacto di- reto sobre as suas receitas, ficando, portanto, a cargo da gestão de seus custos a saída para manter ou aumentar a sua lucratividade. 2. Balanço de Pagamentos Todas as transações comerciais e financeiras, como, por exemplo, paga- mentos, recebimentos, investimentos de curto e longo prazo e outras que são feitas por um país com o resto do mundo, envolvem moedas (divisas). Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 37 Dessa forma, todas essas transações precisam ser devidamente conta- bilizadas, de maneira que o país tenha controle de tudo que está sendo gerado ou demandado por meio dessas moedas, a fim de que tanto o país como os seus parceiros tenham a clara ideia da saúde financeira envolvi- da por meio dessas transações. É para atender a essa necessidade que se tem o balanço de pagamentos. Portanto, o balanço de pagamentos é uma ferramenta de registro contá- bil que tem como principal objetivo medir as transações internacionais de uma nação com o resto do mundo, considerando tanto as transações comerciais (exportação e importação de bens e serviços) como as transa- ções financeiras (rendas, conta capital, que inclui os investimentos diretos estrangeiros, e conta financeira) de residentes e não residentes de um país num determinado tempo (seus cálculos são feitos e divulgados com periodicidade mensal e anual). São consideradas residentes as pessoas com residência fixa no país, incluindo estrangeiros que porventura te- nham atividades nestepaís, filiais de empresas estrangeiras e outros. Vale destacar que esse monitoramento existe desde que se tem registro de transações feitas entre países. No entanto, é a partir da década de 1970, com a flexibilização dos regimes cambiais na maioria dos continentes e o aumento significativo das transações comerciais e do fluxo de capitais entre as nações, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu pa- dronizar as contas do balanço de pagamentos de forma a transformá-lo num instrumento de tomada de decisão, no qual os governantes o utili- zam para ações necessárias, visando reduzir os riscos financeiros advin- dos das transações entre os países-membros. Considerando que o balanço de pagamento reproduz os efeitos finan- ceiros das transações comerciais e financeiras praticadas pelo país com demais parceiros, é importante entender como se avaliam os seus resul- tados e o impacto que o saldo da balança comercial tem sobre esse balan- ço, uma vez que se constitui em uma das principais fontes de geração ou demanda de moedas estrangeiras (divisas). 38 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 2.1. Balanço de pagamentos: a importância da balança comercial Segundo Maia (2013, p. 79), “os países apresentam seus Balanços de Pagamentos dentro de uma estrutura recomendada pelo FMI e o Banco Central dos países cumprem essa recomendação, de forma que os Balanços obedecem a um padrão mundial”. Para que se entenda a contribuição que o resultado da balança comercial tem dentro do Balanço de Pagamentos e se analise a sua importância dentro dessa estrutura, veja o quadro abaixo e, em seguida, algumas aná- lises da forma como esses resultados devem ser interpretados. Quadro 1 – Balanço de Pagamentos – 2011 – Em US$ milhões (Estrutura padrão do FMI e utilizada pelo Banco Central do Brasil) Discriminação 2011 A que se refere cada conta Balança comercial (FOB) (A) 29.807 É o resultado das exportações menos as impor- tações. Tudo que é transacionado com outros Países no comércio mundial. Exportações Importações 256.040 226.233 Serviços (B) Receitas Despesas -37.952 38.209 76.161 Contabiliza todas as receitas e despesas relati- vas a: transportes, viagens internacionais, se- guros, despesas bancárias, royalties e licenças, aluguel de equipamentos, etc. Rendas (C) -47.319 São as rendas geradas a partir de lucros rece- bidos ou enviados ao exterior pelas empresas multinacionais, como: rendimentos com inves- timentos diretos, em carteira, bem como com despesas com salários e ordenados. Receitas Despesas 10.753 58.072 Transferências unilaterais correntes (D) 2.984 São donativos, remessa para manutenção de migrantes, reparações de guerra e auxílio a ins- tituições beneficentes ou religiosas. Transações correntes (A+B+C+D) (1) -52.480 Também conhecida como conta corrente. É a soma dos saldos contabilizados na balança comercial, nos serviços, nas rendas e nas transferências unilaterais. Conta capital e financeira (E+F+I+J) (2) 112.389 É a soma da conta capital, conta financeira, de- rivativos e outros investimentos. Conta capital (E) 1.573 São transferências de patrimônio de imigrantes e aquisição e alienação de bens financeiros não produzidos, como, por exemplo: marcas, patentes. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 39 Conta financeira (F) 110.816 É a soma dos investimentos diretos, em carteira, derivativos e outros investimentos. Investimento direto líquido (G) 67.689 São capitais estrangeiros aplicados pelos brasi- leiros no exterior ou de estrangeiros no Brasil para fins de atividade econômica. Considerados importantes para o país (médio e longo prazo). Investimento em carteira (H) 35.311 São aplicações brasileiras em títulos estrangei- ros e aplicações estrangeiras em títulos brasilei- ros, como: comercial papers, ações, ADR’s. Con- siderados como investimentos de curto prazo. Derivativos (I) 3 Entradas e saídas de capitais decorrentes de swaps, opções e futuros. Considerados de curto prazo. Outros investimentos (J) 7.813 Empréstimos concedidos por organismos inter- nacionais ou obtidos por beneficiários brasilei- ros no exterior (curto e longo prazo). Erros e omissões (3) -1.272 Ajustes feitos pelo Banco Central. Resultado do balanço (1 + 2 + 3) 58.637 A soma das transações correntes mais a conta capital e financeira mais os erros e omissões. São consideradas como reservas. Transações correntes / PIB (%) -2,12% É a análise que se faz do resultado das transa-ções correntes em relação ao PIB. Fonte: elaborado pela autora com informações retiradas de Maia (2013, p. 81-98) Análises importantes sobre o balanço de pagamentos Ao se analisar o balanço de pagamentos, num primeiro momento, obser- vam-se as três contas que, somadas (transações correntes mais a conta capital e financeira mais os erros e omissões), resultam no resultado do balanço, conhecido como reservas cambiais. Essas reservas são uma es- pécie de “poupança” que o país tem para garantir a adimplência junto aos seus compromissos de pagamentos e, portanto, é o indicador que mostra a capacidade de uma nação em honrar com seus compromissos financei- ros, especialmente em momentos de instabilidade econômica. De que forma podem ser compreendidos ou avaliados os resultados das duas principais contas (transações correntes e conta capital e financeira)? 40 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Transações correntes ou conta corrente: segundo Maia (2013, p. 83- 84), quando o saldo dessa conta for positivo, significa que as receitas de divisas são maiores que as despesas de divisas e isso impede o desdobra- mento de uma crise cambial, pois mostra que o país pode pagar suas obri- gações em moedas estrangeiras e, portanto, inspira confiança. Quando o saldo dessa conta for negativo, deixa o país em condições vulneráveis a crises cambiais. Isso porque, de forma inversa ao que se falou sobre o saldo positivo, o saldo negativo inspira desconfiança dos investidores e banqueiros e leva os organismos de crédito internacional a darem notas negativas ao país”, desdobrando-se em forma de elevação de custos fi- nanceiros quando da captação de recursos a serem tomados pelo país e pelas empresas brasileiras. No caso do exemplo dado no quadro acima, observa-se que em 2011 o país registrou saldo negativo de aproximadamente US$ 52 bilhões, puxa- do especialmente pelo déficit apresentado na conta “serviços” e “rendas”. Nesse contexto, é importante mostrar a contribuição da balança comer- cial nessa conta, pois apesar de a mesma ter apresentado superávit co- mercial de aproximadamente US$ 30 bilhões, não foi o suficiente para cobrir o déficit de aproximadamente US$ 85 bilhões nas contas de “servi- ços” e “rendas”. Conta capital e financeira: essa conta reflete todos os investimentos que são feitos pelo Brasil no exterior ou de investidores estrangeiros no Brasil, sejam eles de curto, médio ou longo prazo. De acordo com o exemplo apresentado no quadro 1, observa-se que tanto os investimentos diretos estrangeiros, considerados de médio e longo prazo, como os investimen- tos em carteira, considerados como capital especulativo e de curto prazo, apresentaram saldos positivos, fazendo com que o resultado da conta capital e financeira fechasse o ano com saldo positivo, ou seja, em aproxi- madamente US$ 111 bilhões, contribuindo para que o país contabilizasse uma reserva cambial de aproximadamente US$ 59 bilhões. No entanto, sobre esse resultado, uma importante análise que deve ser feita é: Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 41 Como interpretar essas duas contas conjuntamente? Ao final de 2011, o resultado do balanço foi positivo, ou seja, o país conta- bilizouuma reserva cambial de aproximadamente US$ 59 bilhões. No en- tanto, o que precisa atentar é para o fato de que, apesar de ser avaliado como positivo para o país, esse resultado está suportado pelo saldo positivo apresentado pela conta capital e financeira e não pela conta de transações correntes, que é a conta que de fato mostra a geração efetiva de divisas de um país. A conta capital e financeira é proveniente de capital de investidores e, portanto, numa situação de vulnerabilidade do país, como, por exemplo, risco econômico, financeiro, político, em que o investidor se sinta ameaçado de alguma forma, ele pode retirar seus investimentos e transferi-los para mercados de menor risco. Dessa forma, o ideal é que essas reservas cam- biais sejam sustentadas por divisas geradas pelo próprio país, ou seja, pelas contas pertencentes a transações correntes que têm como principal parti- cipante a balança comercial, e não apenas em função de investimentos ad- vindos de terceiros. É por isso que as transações comerciais de uma nação, representadas pelas exportações e importações, fazem a diferença para um país, pois por meio delas se geram divisas que suportam os compromissos em moeda estrangeira deste país em relação aos seus parceiros, conside- rando que em uma realidade de globalização, esses recursos têm papel sig- nificativo na dinâmica do desenvolvimento das nações. EXEMPLIFICANDO O resultado do balanço de pagamentos, ou conhecido como o volume de reservas cambiais geradas por um país, é fruto da soma da conta de transações correntes, da conta capital e financeira e de pequenos ajustes feitos pelo Banco Central (erros e omissões). Por que é importante avaliar o resultado separando as principais contas (transações correntes e conta capital financeira)? Porque esse resultado pode ser o resultado 42 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros do balanço de pagamentos, ou conhecido como o volume de reservas cambiais geradas por um país, é fruto da soma da conta de transações correntes, da conta capital e financeira e de pequenos ajustes feitos pelo Banco Central (erros e omis- sões). Por que é importante avaliar o resultado separando as principais contas (transações correntes e conta capital finan- ceira)? Porque esse resultado pode ser comparado às contas de uma pessoa. Imagine uma pessoa que tem seu emprego e, portanto, mensalmente recebe um salário de $ 100 (receita fruto de seu trabalho), mas envia ou paga mensalmente uma dívida de $ 120, ficando sistematicamente com um saldo ne- gativo de $ 20 (TC). No entanto, há um familiar que acredita no esforço e no potencial futuro dessa pessoa, e por um tempo resolve investir nela e garante um depósito mensal de $ 200 (CCF), de forma que mensalmente ela contabiliza um saldo positivo de $ 180,00 (reservas cambiais). Aparentemente, essa pessoa está mantendo uma “poupança” de $ 180,00, no en- tanto, esse recurso só existe porque alguém acredita em seu potencial, mas quando esse recurso for interrompido, a pes- soa voltará a contabilizar saldos negativos, pois sua geração de renda não é capaz de, por si só, cobrir suas dívidas. Com esse raciocínio, entende-se que essa pessoa deve buscar for- mas de aumentar essa receita (saldos comerciais) e se tornar independente de seus investidores (conta capital e financeira). E por último, outro indicador importante que os investidores observam é o percentual das transações correntes em relação ao PIB, que no exemplo dado ficou negativo em -2,12%. Esse percentual é feito a partir do que se gerou em Transações Correntes sobre o PIB do mesmo ano, para que se tenha um parâmetro da geração de divisas em relação à renda nacional gerada a partir dos bens e serviços produzidos. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 43 Portanto, toda essa análise foi feita para ressaltar a importância que as relações comerciais de um país têm sobre os seus resultados. Vale desta- car o que foi mencionado sobre a opinião dos economistas em relação a saldos superavitários ou deficitários comerciais em economia de países menos ou mais desenvolvidos, e também o que diz a Teoria da Vantagem Comparativa, cujos fatores de produção podem se constituir um impor- tante diferencial para uma nação, de maneira que esta aumente seu grau de exportações comparativamente a importações e, assim, possa ajudar o país a fortalecer suas contas externas. LINK Os resultados apurados dos saldos da balança comercial e do balanço de pagamentos e divulgados pelo Banco Central do Brasil, está disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pec/ Indeco/Port/indeco.asp>. Acesso em: 25 abr. 2018. ASSIMILE A Teoria da Vantagem Comparativa busca indicar quais os bens que um país deve focar considerando os fatores de pro- dução mais eficientes e que devolverão à nação melhoria em termos de receitas e de bem-estar social, por meio do au- mento da participação no comércio mundial. 44 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros O Brasil constitui-se como um dos países mais importantes dentro do bloco econômico do Mercosul. No entanto, em termos de acor- dos, tem sido um dos países que menos teve êxito nos últimos anos. Pesquise quais volumes foram comercializados pela balança comer- cial brasileira em termos de exportação, importação e saldo comer- cial de bens nos últimos dez anos e identifique de que forma a ba- lança comercial contribuiu para o resultado da conta de transações correntes do balanço de pagamentos. A pesquisa pode ser feita nos sites do: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, dis- ponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/ estatisticas-de-comercio-exterior>, e no Banco Central do Brasil, disponível em: http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp>. Acesso em: 25 abr. 2017. QUESTÃO PARA REFLEXÃO 3. Considerações Finais • O balanço de pagamentos constitui-se numa importante medida contábil para medir o volume de transações comerciais e financeiras, visando reduzir impactos econômicos. Essa necessidade tornou-se mais premente com o aumento do fluxo de capitais entre as nações, elevando-se, portanto, o grau de incertezas quanto à capacidade dos países em honrar seus compromissos. • A balança comercial é um importante instrumento econômico que uma nação deve utilizar para suportar seus compromissos finan- ceiros junto à comunidade internacional, especialmente dentro de uma realidade de economia globalizada. • A Teoria da Vantagem Comparativa busca indicar os bens e servi- ços mais competitivos e vantajosos que um país pode utilizar para aumentar o seu grau de participação no comércio mundial e, assim, Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 45 elevar também o nível de bem-estar social das pessoas. A teoria deve ser utilizada com cautela, especialmente para tomada de deci- são de política econômica e externa. • Dentro de um contexto de globalização, as exportações têm sido utilizadas como estratégia de entrada em mercados estrangeiros, principalmente por pequenas e médias empresas. Do lado das importações, há também uma busca por produtos que venham atender às necessidades de um país a um custo mais baixo, visando ajudar as empresas a manterem a sua lucratividade. Glossário • TC e CCF: transações correntes e conta capital e financeira. • FMI: Fundo Monetário Internacional. Principal instituição que faz parte do sistema financeiro internacional, cuja principal fina- lidade é evitar o desequilíbrio econômico-financeiro entre seus países-membros. • Superávit e déficit comercial: resultados atrelados ao saldo da ba- lança comercial. Superávit e déficit comercial representam o crédito e débito, respectivamente, em moeda estrangeira das transações comerciais entre países.VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 2 1. Segundo tudo o que você leu até agora, o saldo das tran- sações correntes é: a) A soma do saldo da balança comercial, da balança de serviços, das rendas e das transferências unilaterais de um país. 46 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros b) As exportações menos as importações. c) As reservas cambiais menos a conta capital financeira. d) A soma do saldo da balança comercial mais a conta financeira. e) As reservas cambiais mais a conta capital financeira. 2. A Teoria da Vantagem Comparativa está relacionada a: a) Exportação menos importação. b) Reservas cambiais. c) Moeda estrangeira. d) Teoria que auxilia na identificação dos bens e serviços mais vantajosos a serem comercializados por um país. e) Taxa de câmbio. 3. O resultado do balanço reflete: a) Somente as exportações. b) As reservas cambiais. c) Somente as importações. d) Somente o volume dos investimentos diretos estrangeiros. e) Somente o volume dos investimentos em carteira. Referências Bibliográficas SILVA, C. R. L. da; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à economia. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. CAVUSGIL, S.T.; KNIGHT, G.; RIESENBERGER, J. R. Negócios internacionais: estraté- gia, gestão e novas realidades. t. 1. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. MARIZ MAIA, J. Economia internacional e comércio exterior. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2013. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 47 Gabarito – Tema 02 Questão 1 – Resposta: A O saldo das transações correntes representa a soma do saldo da balança comercial mais a balança de serviços, mais a renda, mais as transferências unilaterais. Questão 2 – Resposta: D A Teoria da Vantagem Comparativa ajuda a determinar qual o produto mais competitivo e vantajoso para ser comercializado por um país. Questão 3 – Resposta: B O resultado do balanço reflete o volume de reservas cambiais, que é a soma da conta de transações correntes, da conta capital e financei- ra e dos erros e omissões. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 48 TEMA 03 TAXA DE CÂMBIO – O VALOR ENTRE MOEDAS Objetivos • Apresentar e fundamentar de forma detalhada câm- bio e taxa de câmbio. • Aprender a analisar o funcionamento do equilíbrio do mercado de moedas. • Mostrar a importância do impacto da taxa cambial sobre o resultado das transações correntes do balan- ço de pagamentos de um país. • Entender a forma como ocorre a intervenção do gover- no e seu poder de influência no nível da taxa cambial. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 49 Introdução Você verá que o fluxo comercial internacional pode ser afetado por diver- sos fatores, como: inflação, renda nacional, restrições governamentais e taxa de câmbio. Este tópico se aprofundará em um desses fatores que é a taxa de câmbio. Em primeiro lugar: A moeda de cada país é avaliada em termos de outras moedas pelo uso das taxas de câmbio de modo que o câmbio (troca) das moedas possa ser feito para facilitar as transações internacionais. Os valores da maioria das mo- edas podem flutuar no decorrer do tempo devido ao mercado e às forças governamentais. Se a moeda de um país começar a aumentar em valor em comparação com outras, o saldo de sua conta de transações correntes deverá crescer, o mesmo ocorrendo em outras áreas. Se a moeda se forta- lecer, as mercadorias exportadas por esse país se tornarão mais caras para os países importadores. Como consequência, haverá um decréscimo na de- manda desses produtos. (MADURA, 2008, p. 44) É importante destacar que a taxa cambial, principal estudo deste tópico, é um importante instrumento de ajuste do saldo das contas de transações correntes mencionado por Madura (2008, p. 44). Esse saldo diz respeito ao que efetivamente é gerado de moedas estrangeiras pelos países. Dentro da estrutura de balanço de pagamentos padronizada pelo FMI, esse saldo reflete a soma do saldo da balança comercial mais o saldo da balança de serviços, mais a soma das rendas que é composta por juros, lucros, divi- dendos gerados por empresas multinacionais e mais a soma das transfe- rências unilaterais (donativos e envio a residentes fora do país), que to- dos, conjuntamente, compõem uma parte chamada transações correntes do balanço de pagamentos, já discorrido no Tema anterior. Segundo Maia (2013, p. 83-84), quando esse saldo se apresenta positivo, significa que as receitas de divisas (moedas estrangeiras) são maiores que as despesas de divisas e isso impede o surgimento das crises cambiais, pois mostra que o país pode pagar seus compromissos externos em moedas estrangei- ras. Da mesma forma que, quando esse saldo for negativo, significa que o país está em condições vulneráveis a crises cambiais e com dificulda- de em honrar seus compromissos, gerando, portanto, desconfiança nos 50 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros investidores e nos banqueiros quanto à capacidade do país em honrar seus compromissos externos. É, portanto, nesse contexto do impacto que as taxas de câmbio têm so- bre as transações comerciais e financeiras de um país que o tema será abordado, visando preparar os profissionais envolvidos a identificar as vantagens, desvantagens e os impactos do uso de regimes diferenciados da taxa, bem como da atuação do governo nesse mercado. 1. Câmbio e Taxa de Câmbio: Conceitos Câmbio é a simples operação de troca da moeda de um país pela moeda de outro país e pode ser de compra ou de venda. Adicionalmente, é im- portante entender também o conceito de conversibilidade das moedas. São conversíveis as moedas que têm livre aceitação e negociação no mer- cado de câmbio no mundo todo (exemplo: dólar norte-americano, euro, iene). Essa conversibilidade está relacionada com a credibilidade do país emitente da moeda no que diz respeito às suas políticas monetária, fis- cal, econômica e cambial junto à comunidade financeira internacional, ou seja, são aceitas como meio de troca, reserva de valor, unidade de conta e são chamadas de divisas. Por outro lado, as moedas inconversíveis são aquelas moedas que não possuem características de livre aceitação e ne- gociação pelos agentes econômicos e financeiros de todo o mundo. Quanto ao conceito de taxa de câmbio, este diz respeito ao preço que se paga pela moeda estrangeira negociada. Imagine um exemplo hipotético de uma taxa cambial do dólar norte-americano no Brasil sendo R$ 3,00. O que significa essa taxa? Significa que são necessários R$ 3,00 para se comprar US$ 1. Quanto ao valor do seu preço de compra e de venda, no Brasil, esse pre- ço tem sempre como referência os intermediadores (bancos) autoriza- dos pelo Banco Central para negociarem a moeda no mercado brasileiro. Portanto, quando se diz que a taxa é de compra, é o preço que o banco pagará pela compra da moeda de quem está vendendo, e quando diz que a taxa é de venda, é o preço que o banco venderá a moeda para quem está Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 51 comprando. Dessa forma, a taxa de compra é sempre menor que a taxa de venda, pois o banco é a principal referência de negociação, logo, ele compra mais barato e vende mais caro para seu ganho de intermediação. Quanto aos regimes de taxas de câmbio, eles podem ser categorizados em: taxa de câmbio fixa, taxa de câmbio flutuante livre, taxa de câmbio flutuante gerenciada e taxa de câmbio referenciada. Independentemente do regime cambial adotado por um país, a administração e o monitora- mento da taxa de câmbio é feito pelo governo por meio do Banco Central. Vale lembrar que este, além de se preocupar com as ações de política cambial, exerce também um papel importante na condução de política monetária, de forma a tercontrole também sobre a circulação da moeda nacional de um país que está condicionado ao regime cambial adotado. Quanto à atuação governamental, os países adotam regimes que julgam mais factíveis dentro de sua realidade. A decisão do país em que regime adotar tem como embasamento: suas expectativas de crescimento de seu mercado doméstico, a sua importância e dependência no tocante aos seus parceiros comerciais, sua representatividade no comércio mundial e outros fundamentos econômicos específicos de cada país (inflação, atra- tividade de seu mercado doméstico para investimentos, participação de empresas multinacionais, estrutura de seu mercado financeiro e outros). Portanto, os próximos tópicos abordarão as características, as vantagens, as desvantagens dos regimes cambiais adotados e o impacto da interven- ção governamental dentro desse mercado de câmbio. 1.1. Taxa de câmbio: regimes Após a ruptura do sistema Bretton Woods, o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a negociar arranjos cambiais para buscar um norte para as transações correntes dos seus países-membros. Portanto, cada país pas- sou a adotar regimes que mais se ajustassem à sua realidade, consideran- do vários fundamentos específicos de sua economia, conforme citado no tópico anterior. É nessa direção que, segundo Madura (2008, p. 178), as taxas de câmbio podem ser classificadas de acordo com o grau em que 52 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros são controladas pelo governo, portanto, categorizadas em: taxa de câm- bio fixa; taxa de câmbio flutuante livre; taxa de câmbio flutuante gerencia- da e taxa de câmbio referenciada. Taxa de câmbio fixa: nesse regime, o governo de um país, por meio das autoridades monetárias nacionais, intervém e decide manter o valor de uma moeda estipulado em relação ao de outra (ou a um valor de uma cesta de moedas) como uma espécie de taxa prefixada. Por exemplo, um país resolve manter sua moeda atrelada ao dólar americano dentro de li- mites preestabelecidos e bem estreitos e, no caso de apresentar oscilação forte, o governo intervém para mantê-la dentro dos limites desejados. De certa forma, esse era um regime usado pelo sistema Bretton Woods, em que cada moeda era avaliada em termos de dólar-ouro, ou seja, uma vez que todas tinham uma só referência, seus valores entre si eram fixos. PARA SABER MAIS Foi num contexto turbulento, logo após a 2ª Guerra Mundial, em que a necessidade de se estabelecer um padrão-base para uma moeda internacional era imprescindível, que sur- giu o sistema Bretton Woods, cujo papel foi definir o dólar- -ouro como padrão de conversão de moedas, substituindo o padrão-ouro vigente até então. Esse episódio ficou conhe- cido como sistema Bretton Woods pelo fato de ter ocorrido em julho de 1944, em Bretton Woods (New Hampshire, EUA), na Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas, com representantes de 44 países, para planejar a estabiliza- ção da economia internacional e das moedas nacionais pre- judicadas pela 2ª Guerra Mundial. Essa conferência decidiu pela criação de instituições e normas, cujo objetivo era gerir a economia mundial por meio da redução de tensões e estí- mulo ao comércio e ao desenvolvimento. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 53 LINK Veja as legislações e normas do Banco Central quanto ao câm- bio em: <https://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/CAMBIOLEG>. Acesso em: 27 abr. 2018. Taxa de câmbio flutuante livre: nesse regime não há a intervenção sis- temática do governo e, ao contrário da taxa de câmbio fixa, a flutuante permite completa flexibilidade e os valores se ajustam baseados numa resposta contínua às condições de oferta e demanda dessa moeda no mercado. Esse sistema dá mais flexibilidade ao governo para corrigir, de forma mais natural, possível déficit em sua balança comercial e, conse- quentemente, em seu balanço de pagamentos. O Brasil, a partir de 1999, passou a adotar o regime de câmbio flutuante livre, no entanto, entre o período de 1994 a 1999, utilizou o regime de taxa de câmbio indexada a bandas horizontais. Taxa de câmbio flutuante gerenciada: esse regime fica entre o regime fixo e o regime flutuante livre. Pode ser chamado também de livre flutua- ção, pois diariamente se movimenta sem limites oficiais, no entanto, em algum momento, pode parecer o regime de taxa fixo, pois o governo pode praticar a intervenção a qualquer momento para evitar que suas moedas oscilem demais numa determinada direção, ou seja, subindo ou caindo em relação à moeda de sua paridade. Taxa de câmbio referenciada ou currency board: trata-se de algo seme- lhante à dolarização. O país que adota esse regime assume um compro- misso formal de converter sua moeda nacional em outro ativo que seja aceito no âmbito internacional, ou seja, perde a liberdade de praticar sua própria política monetária, pois lastreia sua base monetária de moeda nacional na moeda forte definida e, de certa, forma, acaba por tomar em- prestada a confiança da moeda estrangeira adotada em detrimento à sua moeda nacional. 54 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Tabela 1 – Regimes cambiais versus vantagens, desvantagens e impactos BP* Regime Vantagem Desvantagem Impacto no BP* e risco Taxa de câmbio fixa • Maior estabilidade e previsibilidade da oscilação da taxa. • Maior controle da Inflação. • Possibilidade de valoriza- ção da moeda nacional e assim provocar uma diminuição das exporta- ções e elevação das im- portações. • Risco de o balanço de pagamentos ficar deficitário e o país sem condições de honrar com os seus compromissos. Taxa de câmbio flutuante livre • Flexibilidade para mudar a política monetária confor- me as circunstân- cias do país. • Permite correção natural e rápida nos déficits comerciais e financeiros • Aumentam as incertezas de contaminação de des- valorização da moeda na- cional com impacto sobre os preços internos, prin- cipalmente se for uma economia dependente de importação. Ameaça inflação • Maior flexibilida- de de correção de possíveis déficits co- merciais e ou finan- ceiros no BP*. Taxa de câmbio flutuante gerencia- da • Possibilidade de o governo interferir na taxa de câmbio, sem fixá-la, com o objetivo de direcio- ná-la para um pa- tamar conveniente para os exportado- res e importadores. • Possibilidade de manipu- lação desse regime cau- sa incerteza nos países parceiros no comércio mundial, pois críticos en- tendem que essa mani- pulação pode beneficiar alguns em detrimento de prejuízos de outros. • Maior flexibilida- de de correção de possíveis déficits co- merciais e ou finan- ceiros no BP*, por meio da intervenção das autoridades monetárias. Taxa de câmbio referen- ciada ou currency- -board • Pode ajudar países em momentos de crise, uma vez que referencia a sua mo- eda nacional a uma moeda forte inter- nacional. • Não tem liberdade para definir sua própria polí- tica monetária, uma vez que seu volume de moe- das está atrelado a uma moeda mais forte. • Reduz, ainda que momentaneamente, o risco do país que adota esse regime de não honrar com os seus compromis- sos em moeda es- trangeira. Fonte: preparada pela autora com base em Madura (2008, p. 178-183). (*) Balanço de Pagamentos Portanto, o uso e a escolha do regime cambial dependem das circunstân- cias, dos objetivos e da força e representatividade econômica que um de- terminado país tem dentro do contexto das transações internacionais, não tendo um regime ideal que funcione eficazmente para todas as nações. É necessário que se avalie e entenda o contexto para que se decida pelo me- lhor regime que atenda às necessidades específicas de cada economia.Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 55 1.2. Taxa de câmbio: intervenção governamental De acordo com o que você viu no tópico anterior, os regimes cambiais são categorizados e cada país utiliza o regime que mais se ajusta às suas necessidades do ponto de vista dos fundamentos econômicos de seu mercado doméstico e de suas transações econômico-financeiras junto ao mercado internacional. Essa definição é dada pelos seus governantes por meio de um banco central que atua dentro nos países e, portanto, essa instituição poderá intervir no mercado de câmbio a fim de controlar o va- lor de sua moeda, ainda que, em alguns casos, seja regime flutuante livre, que é o caso do Brasil. Dessa forma, as razões e a maneira pelas quais ocorrem essas interven- ções dependem do grau pelo qual essa moeda é controlada ou “geren- ciada”. Portanto, segundo Madura (2008, p. 192), são três as razões pelas quais os bancos centrais gerenciam essas moedas: a) estabilizar as osci- lações das taxas; b) dar limites às taxas e; c) dar resposta ao mercado de volatilidade temporária. Vale destacar que as intervenções governamentais têm como caracterís- tica amenizar possíveis distorções ou choques cambiais, mas que não ne- cessariamente solucione permanentemente as oscilações/volatilidade da taxa cambial. Há duas maneiras de o governo intervir junto ao mercado cambial, de forma direta e forma indireta. Forma direta: o Banco Central atua diretamente no mercado de câmbio por meio de suas reservas cambiais. Imagine uma situação hipotética em que o dólar norte-americano atinja patamares altos, ou seja, uma des- valorização do real frente a moedas estrangeiras de forma que coloque em risco os fundamentos econômicos, especialmente a inflação. Nesse caso, o Banco Central utiliza-se de alguns instrumentos para abastecer o mercado de dólar, pois parte-se do princípio que quanto mais ofertar a moeda no mercado de câmbio, mais influenciará a taxa cambial a recuar. Esses instrumentos são leilões da moeda no mercado à vista e leilões de 56 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros títulos do governo e/ou outros mecanismos com resultados mais lentos, como taxa de depósito compulsório ou elevação ou redução de tributa- ção sobre movimentação financeira, visando aumentar ou reduzir volume de moeda estrangeira com impacto na oferta e demanda e, portanto, na taxa cambial. LINK Entenda como funciona um dos principais mecanismos de in- tervenção cambial do Bacen, o swap cambial, em: MARTELLO, A. Entenda: swap cambial, leilão de linha e venda direta de dólares. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/eco- nomia/noticia/2015/09/entenda-o-que-e-swap-cambial-lei- lao-de-linha-e-venda-direta-de-dolares.html>. Acesso em: 29 abr. 2018. No caso dessa atuação direta, prevalece o conceito de oferta e demanda, em que: Tabela 2 – Comportamento da taxa de câmbio versus oferta e demanda O = Oferta D = Demanda Taxa estável Taxa ascendente Taxa descendente O igual a D X O cresce e D cresce igualmente X O diminui e D diminui igualmente X D maior que O X D estável e O diminui X O cresce e D cresce mais que O X O diminui e D diminui menos que O X O cresce e D fica estável X O cresce e D diminui X D cresce e O cresce mais que D X D diminui e O fica estável X O diminui e D diminui mais que O X Fonte: preparada pela autora e extraída de Maia (2013, p. 186) Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 57 Forma indireta: independente da qualidade e capacidade de um país em produzir bens e serviços competitivos no mercado internacional, a taxa de câmbio é um dos instrumentos utilizados pelo governo para estimular e manter a competitividade desses bens e serviços e, assim, ter condições de gerar divisas para o país. Nesse sentido, o governo tem todo o interes- se em tomar ações de política cambial com esse objetivo. Dessa maneira, após conhecermos a forma direta que as autoridades monetárias têm de interferir no patamar da taxa cambial, o Banco Central pode praticar uma intervenção indireta manipulando alguns fundamentos econômicos. Esses fundamentos visam compor a variação percentual da taxa cambial à vista que é aquela praticada no presente das negociações, e não aquela que carrega em si expectativas, que são chamadas de taxas futuras. Sendo assim, segundo Madura (2008, p. 195), o Banco Central poderá in- fluenciar variáveis que terão impacto sobre a taxa cambial adequada às necessidades de se atender a demandas do comércio internacional. Essas variáveis são: a inflação interna do país comparativamente à inflação ex- terna (de outros países), a taxa de juros interna versus a taxa de juros internacional (Estados Unidos são sempre referência), nível de renda do- méstica versus de outras economias, poder de controle do governo e va- riação das expectativas de taxas de câmbio futuras. De todas as variáveis de impacto citadas, o monitoramento da taxa de juros interna é uma das mais utilizadas pelo governo visando cumprir esse objetivo. 2. Determinação da taxa de câmbio Para se entender o que determina a taxa de câmbio, é importante re- forçar que a taxa de câmbio mede o valor de uma moeda em unidades da outra moeda, ou seja, representa o quanto de moeda nacional um país precisa dispor para obter uma moeda estrangeira. Dessa forma, as condições econômicas dos países que estabelecem parcerias influenciam significativamente a formação dessa taxa, pois ela representará o grau 58 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros de competitividade e atratividade que um determinado país oferece em suas transações comerciais e financeiras. Vale destacar que, para fins de estudos e análises deste tópico, será utilizado como referência o dólar norte-americano. Um dos principais impactos das condições macroeconômicas para a taxa cambial é a valorização ou desvalorização da moeda. Entende-se como valorização quando a moeda nacional está mais forte do que a moeda estrangeira, e entende-se como desvalorização quando a moeda nacional está mais fraca do que a moeda estrangeira. Dessa forma: Tabela 3 – Análise da valorização e desvalorização do R$ versus US$ e seus impactos Data R$ / US$ * Variação % ** Interpretação do resultado positivo ou negativo Impacto para balança comercial Mês 1 3,1000 - - - Mês 2 3,1500 +1,61% Resultado positivo: signifi- ca que o dólar (US$) se va- lorizou em relação ao real (R$), ou seja, o real se des- valorizou em relação ao dó- lar, pois são necessárias, no mês 2, mais moedas em re- ais, comparativamente ao mês 1, para adquirir US$ 1. Exportações: com a desvalo- rização do real, os produtos brasileiros ficam mais bara- tos para os norte-america- nos e parceiros comerciais, e estimula exportações. Importações: os produtos importados ficam mais caros para o mercado brasileiro. Desestímulo às importações. Mês 3 3,0500 - 3,17% Resultado negativo: sig- nifica que o dólar (US$) se desvalorizou em relação ao real (R$), ou seja, o real se valorizou em relação ao dó- lar, pois são necessárias, no mês 3, menos moedas em reais, comparativamente ao mês 2, para adquirir US$ 1. Exportações: com a valori- zação do real, os produtos brasileiros ficam mais caros para os norte-americanos e parceiros comerciais e de- sestimula exportações. Importações: os produtos importados ficam mais bara- tos para o mercado brasilei- ro. Estímulo às importações. Fonte: preparada pela autora. (*) Significa quanto de moeda em reais (R$) é necessário para adquirir US$ 1. (**) Fórmula: ((mês 2 menos mês 1) dividido pelo mês 1) multiplicado por 100. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 59 ASSIMILE O Brasil adota o regime de taxa de câmbio deflutuação livre. Nesse regime, a valorização e desvalorização da moeda fica refém das forças de mercado, ou seja, da oferta e demanda da moeda estrangeira. O real (R$) é considerado uma moeda não conversível e não líquida, portanto, tende a sofrer maior volatilidade em suas taxas de câmbio que afetam significati- vamente as condições econômicas do mercado doméstico. Valorização cambial: quando a moeda nacional se torna mais forte frente à moeda estrangeira na qual se mantêm transações comerciais ou financeiras. Desvalorização cam- bial: quando a moeda nacional se torna mais fraca frente à moeda estrangeira na qual se mantêm transações comer- ciais ou financeiras. Equilíbrio da taxa cambial: usando como referência o Brasil, o país de- senvolve relações comerciais e financeiras com outras nações. Sendo as- sim, constitui-se num ofertante e demandante de moeda estrangeira, pois precisa dela para manter suas operações com os seus parceiros comer- ciais (exportadores, importadores) ou financeiros (investimentos diretos estrangeiros, empréstimos, mercado de capitais, etc.). Dessa maneira, essa moeda se transforma numa espécie de “produto” que tem um “pre- ço” e que será utilizado nessas transações. A esse preço dá-se o nome de taxa cambial. Usando como referência o conceito de oferta e demanda, que é utilizado para o mercado de produtos em geral, com a moeda não é diferente, ou seja, o que se geram de moedas estrangeiras via exporta- ções ou demais atividades versus o que se necessita delas para importa- ções ou outras necessidades definirá o preço dela. 60 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Gráficos 1 e 2 – Exemplo hipotético de preço (taxa cambial) versus oferta e demanda de moedas (divisas) Fonte: preparado pela autora Os gráficos mostram o deslocamento do preço em função da quantidade de divisas/moedas estrangeiras que são demandadas ou ofertadas. É um exemplo hipotético em que a taxa cambial de equilíbrio (R$/ US$ 3,20) está equacionada com uma oferta e demanda de US$ 50 bi. O Gráfico 1 mostra a oferta de divisas sem deslocamento, sendo o deslocamento feito pela demanda (D1 para mais demanda e D2 para menos demanda na quantidade de divisas). Os preços se alteram onde D1 a taxa se eleva para R$/ US$ 3,30 e D2 a taxa cai para R$/ US$ 3,10. O Gráfico 2 mostra a demanda sem deslocamento, sendo o deslocamento feito pela oferta (O1 para mais oferta e O2 para menos oferta na quantidade de divisas). Os preços se alteram onde O1 a taxa cai para R$/ US$ 3,10 e O2 a taxa se eleva para R$ 3,30. São nessas condições que há um forte monitoramento por parte das autoridades monetárias para identificar o que é uma taxa cambial adequada que atenda principalmente às necessidades comerciais do país de forma a ter impacto positivo para a economia doméstica. Há de se avaliar também o quanto o país é dependente de capitais estrangeiros que, ao somar com os resultados das transações correntes, deve garantir um volume adequado de reservas cambiais que garantam o pagamento dos compromissos financeiros do país. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 61 Fatores que influenciam as taxas de câmbio: como já mencionado, a taxa de câmbio sofre a interferência governamental de forma direta e indireta com o objetivo de ajustar os níveis da taxa de câmbio para pata- mares adequados à realidade econômica do país. Portanto, abaixo são apresentadas as variáveis que o governo procura gerenciar para cumprir com esse objetivo. e = f (ΔINF, ΔINT, ΔINC, ΔGC, ΔEXP) em que: e = porcentagem de variação na taxa à vista. ΔINF = variação na diferença entre a inflação brasileira e a inflação de ou- tro país (normalmente se utiliza a inflação mundial, dos Estados Unidos ou da Europa como referências). ΔINT = variação na diferença entre a taxa de juros brasileira e a taxa de juros do outro país (normalmente se utiliza a taxa dos Estados Unidos e da Europa como referências). ΔINC = variação na diferença entre o nível de renda do Brasil e o nível de renda de outro país. ΔGC = variação nos controles do governo. ΔEXP = variação nas expectativas de taxas de câmbio futuras. Tabela 4 – Fatores influenciadores na taxa de câmbio e impactos Fator O que afeta Exemplo prático Diferença entre inflação brasileira e de outro país (inflação relativa) As atividades de comércio internacional. As mais importantes: exportações e importações. Suponha que a inflação brasileira suba mais do que a dos países parceiros. Pelo lado das importações, pode ocorrer um aumento de volumes, pois o consumidor buscará no mer- cado externo produtos com preços mais atra- tivos do que do mercado interno. Com isso, a demanda por moedas estrangeiras tende a se elevar e, no caso de a oferta da moeda perma- necer a mesma, a taxa cambial tende a subir. 62 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Diferença entre taxa de juro brasileira e a taxa de juros de outro país (juros relativos) O investimento em títulos estrangeiros. Suponha que a taxa de juro do Brasil permane- ça constante ou suba menos que a do mercado internacional. Investidores buscarão mercados mais atrativos para comprar títulos. Reduzirá o volume de oferta de moeda estrangeira no Brasil. Se a demanda por moeda no Brasil per- manecer a mesma, a taxa cambial sobe. Diferença do nível de renda do Brasil e renda de outro país Montante de demanda por importações. Suponha que o nível de renda no Brasil suba mais do que nos países parceiros. O real (R$) poderá se valorizar e com isso o empresário nacional ficará mais estimulado a ofertar seu produto no mercado interno, reduzindo assim as exportações. Pelo lado do consumidor, com o aumento de renda, poderá buscar produtos fora do mercado interno, dessa forma, elevan- do a demanda por importações. Portanto, a oferta por moeda estrangeira tende a dimi- nuir com a redução de exportação, ao passo que a demanda por moeda estrangeira tende a se elevar com o aumento das importações. Taxa cambial sobe. Controles do governo Balança comercial (volumes de exportação e importação). Barreiras/ incentivos à aquisição de produtos estrangeiros podem influenciar a oferta e de- manda de moedas. Suponha que o governo imponha alíquotas de importação para prote- ger o mercado doméstico. Nesse caso, reduzi- ria a procura por importações e, portanto, re- duziria a demanda por moedas estrangeiras. Se o volume de exportação (oferta de moedas estrangeiras) permanecer o mesmo, terá mais oferta do que demanda, logo, a taxa cambial pode cair. Expectativas de taxa de câmbio futura A taxa de câmbio à vista no presente. Suponha que haja notícias de que o Brasil não honrará com os seus compromissos futuros. Impacto. Taxa futura cambial pode subir, ou seja, o real (R$) se desvaloriza em relação à mo- eda estrangeira e isso pode afetar o mercado à vista (presente) na medida em que as pesso- as buscarão se proteger comprando a moeda estrangeira no presente. Mais demanda pela moeda estrangeira, sem perspectiva de oferta. Taxa cambial sobe. Fonte: preparado pela autora com base nas informações retiradas do livro de Madura (2008, p. 105-110). Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 63 PARA SABER MAIS As reservas cambiais internacionais do Brasil apresentaram volumes muito favoráveis nos últimos 15 anos. Saiu de US$ 37,7 bilhões, ao fim de 2002, para um montante de US$ 381,2 bilhões em setembro de 2017. Esse volume de reservas foi criado especialmente na década passada com resultados fa- voráveis de exportações. Essas reservas estão compostas de ouro, moeda estrangeira (dólar e outras moedas) e títulos públicos. Constitui-se uma poupança importantíssimaque protege a economia de fortes crises e dá a garantia ao país de honrar seus compromissos com credores nacionais e internacionais. EXEMPLIFICANDO A taxa de câmbio se apresenta de duas maneiras: como taxa de câmbio nominal e taxa de câmbio real. A taxa de câm- bio nominal reflete a paridade entre moedas, ou seja, quanto vale US$ 1 na moeda nacional. Exemplo no Brasil: quantos reais (R$) necessito para comprar um dólar (US$). Já a taxa de câmbio real reflete a paridade entre produtos (bens e ser- viços), ou seja, é a taxa nominal acrescida da diferença de preços entre países. O cálculo da taxa de câmbio real é feito pela fórmula: er = en * ((índice de preços externos) / (índice de inflação doméstica)), em que: er (taxa de câmbio real) e en (taxa de câmbio nominal). 64 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Pesquise, compare e analise os volumes comercializados de exporta- ção, importação, saldo comercial, bem como da conta de transações correntes dos últimos dez anos do Brasil, comparativamente à de um outro país com regime cambial diferente. A pesquisa pode ser feita nos sites do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, dis- ponível em: <http://www.mdic.gov.br/index.php/comercio-exterior/ estatisticas-de-comercio-exterior>, no Banco Central do Brasil, dis- ponível em: <http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp>, e no Fundo Monetário Internacional (FMI), disponível em <http://www. imf.org/external/datamapper/datasets>. Acesso em: 25 abr. 2017. QUESTÃO PARA REFLEXÃO 3. Considerações Finais • O Tema buscou mostrar a diferença do conceito entre câmbio e taxa de câmbio e, assim, apresentar todas as possibilidades de entendi- mento e monitoramento da taxa cambial e o quanto a determinação de seu regime tem impacto significativo nos resultados dos balan- ços de pagamentos de um país. • Apresentou os instrumentos possíveis que podem ser utilizados para adequar a taxa às necessidades do mercado doméstico de uma nação, visando se manter vivo em suas relações comerciais além de suas fronteiras. • A taxa de câmbio é um importante instrumento monetário que visa manter a competitividade comercial de um país, assim como seus investimentos. • A política cambial com impacto sobre o nível da taxa cambial se constitui um importante instrumento de competitividade que um país lança mão. Vale destacar que não existe um regime cambial perfeito, mas sim um regime que se compatibilize à situação macro- econômica específica de cada país. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 65 Glossário • Bandas horizontais: é um regime cambial gerenciado que utili- za uma taxa de câmbio com valor mínimo (piso) e valor máximo (teto). Seu uso tem por objetivo manter baixa volatilidade da taxa a fim de manter sob controle a inflação. • Taxa de câmbio nominal: a taxa de câmbio nominal reflete a pari- dade entre moedas, ou seja, quanto vale US$ 1 na moeda nacional. Exemplo no Brasil: quantos reais (R$) necessito para comprar um dólar (US$). • Taxa de câmbio real: já a taxa de câmbio real reflete a paridade entre produtos (bens e serviços), ou seja, é a taxa nominal acresci- da da diferença de preços entre países. • Volatilidade: oscilação de ativos financeiros, como exemplo, a taxa cambial. Essa oscilação está relacionada também ao risco e à sensibilidade do ativo em relação a questões macroeconômicas. • Política cambial: é um conjunto de ações tomadas pelo governo por meio do Banco Central, visando manter saudável o nível da taxa cambial e, assim, preservar o balanço de pagamentos de um país e sua política macroeconômica. VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 3 1. O conceito de câmbio diz respeito a: a) Troca de uma cesta de moedas de um país pela moeda de outro país. b) Troca de uma moeda de um país pela moeda de ou- tro país. 66 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros c) A paridade cambial. d) O saldo das transações correntes. e) O saldo da balança comercial. 2. O conceito de taxa de câmbio diz respeito a: a) Troca de uma moeda de um país pela moeda de ou- tro país. b) É o preço que se negocia pelos bens e serviços exportados. c) É o preço que se paga por uma moeda estrangeira negociada. d) É o preço que se paga pelos bens e serviços importados. e) É a taxa cobrada pelo FMI referente a negociação de moedas. 3. O regime de taxa de câmbio fixa diz respeito a: a) Taxa determinada pelas forças de mercado quanto à oferta e demanda de moedas estrangeiras. b) Taxa que acompanha a flutuação de moedas diferen- tes da do país em questão. c) Taxa que utiliza o ouro como referência. d) Taxa definida pelas autoridades monetárias de um país e que não sofrem flutuação. e) Taxa definida pelo governo e que acompanha uma ban- da predeterminada. Referências Bibliográficas MADURA, J. Finanças corporativas internacionais. Tradução Luciana Penteado Miquelino. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. MARIZ MAIA, J. Economia internacional e comércio exterior. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2013. SILVA, C. R. L. da; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à economia. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 67 Gabarito – Tema 03 Questão 1 – Resposta: B O conceito de câmbio está relacionado à troca de uma moeda de um país pela moeda de outro país. Questão 2 – Resposta: C Trata-se do preço que se paga por uma moeda estrangeira negocia- da. Esse conceito não pode ser confundido com o conceito de câmbio. Questão 3 – Resposta: D O regime de taxa cambial fixa diz respeito à determinação de um patamar fixo em relação a uma moeda estrangeira e que é definida pelas autoridades monetárias de um referido país. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 68 TEMA 04 RISCO-PAÍS – O PERIGO INTRÍNSECO Objetivos • Mostrar a importância de por que entender o conceito do risco-país. • Conceituar o risco-país. O que é e quais são os riscos associados. • Entender o cálculo do EMBI+ (Emerging Markets Bond Index). • Apresentar os impactos do risco-país para as empresas. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 69 Introdução Conforme já falado na introdução da disciplina, entender e interpretar in- dicadores econômicos e financeiros são práticas imprescindíveis em um cotidiano que envolve decisões. Nesse contexto, vale reforçar que, quan- do se trata de indicadores abstratos, o cuidado e a atenção em analisá-los é redobrado, pois carregam em si muitas informações qualitativas com forte impacto sobre as decisões de presente e de futuro. Dessa forma, o risco-país pode ser caracterizado como um desses indicadores passíveis de muitas reflexões e análises, pois se constitui uma referência quando se avalia a atratividade de investimentos em um país, tanto do ponto de vista de investimentos em ativos financeiros no curto, médio e longo prazos, típicos do mercado de capitais, como, por exemplo títulos do governo, como em atratividade de investimentos na economia real de uma nação. O conceito de risco como termo individual pode ser entendido como uma condição própria de um investidor diante das possibilidades de perder ou ganhar dinheiro por um determinado investimento escolhido, cuja re- compensa são os juros ou o lucro recebido pelo investidor por assumir determinado risco de incerteza econômica. Ao se acrescentar a esse con- ceito o termo país (risco-país), entende-se que esse risco passa a incor- porar, além do risco que já é intrínseco a todo e qualquer investimento econômico-financeiro que se faça, a possibilidade de que possíveis mu- danças no ambiente de negócios de um determinado país se converta em perdas no valor dos ativosinvestidos pelos indivíduos ou pelas empresas estrangeiras naquele país, com impacto nos lucros, dividendos e/ou ou- tras formas de rentabilidade que se espera a partir do investimento feito por eles (indivíduos ou empresas). Portanto, o tema proposto abordará: o conceito do indicador risco-país, como ele é medido, quais são os tipos de riscos associados a ele, os tipos de avaliação, o que é o EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) e os impac- tos do comportamento do risco-país para as empresas. 70 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 1. Risco-país: conceito e medição Após a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), grande parte dos países buscava financiamento para se reconstruír e se desenvolver e, portanto, foram organizados empréstimos com diversos bancos estrangeiros que compartilhavam entre si o risco dessas operações. Um desses países foi o Brasil, que. se por um lado, entre 1960 e 1970. teve acesso a volumes significativos captados no mercado internacional para investimentos em infraestrutura, por outro, viu a sua dívida externa aumentar significati- vamente. A partir daí o Banco Central brasileiro passou a gerenciar cui- dadosamente essa dívida de forma que não houvesse concentração de vencimentos no curto prazo. No entanto, no início dos anos 1980, o país, além de se deparar com uma forte redução no fluxo dos recursos exter- nos, deparou-se também com uma expressiva crise no México, recaindo sobre os países da América Latina uma forte desconfiança sobre a sua ca- pacidade de honrar com os seus compromissos. O Brasil sofreu esse im- pacto financeiro e deixou de receber recursos na ordem de US$ 1,5 bilhão por mês, e por não ter na ocasião reservas cambiais, recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para suprir suas necessidades de caixa. O governo passou a tomar medidas internas para reduzir a sua necessidade dos recursos externos e, apesar de ter conseguido esse empréstimo junto ao FMI, mobilizou-se também para renegociar a sua dívida externa. O go- verno dos Estados Unidos passou a coordenar esforços visando o reesca- lonamento da dívida dos países latino-americanos, incluindo o Brasil. Foi quando, em 1989, o secretário do Tesouro Nacional americano, Nicholas Brady, ofereceu um plano para a ampliação dos prazos de pagamento, descontos, garantias e a substituição de títulos norte-americanos das dí- vidas já existentes por títulos novos. Em meio a essas iniciativas de re- estruturação da dívida, ocorreram vários eventos políticos e econômicos no cenário interno brasileiro, de forma que a negociação se concretizou apenas em 1994 e foi chamado de Plano Brady. O plano contemplava a substituição da dívida velha por títulos nomeados de bradies pelo merca- do, com prazo de até 30 anos para seu pagamento. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 71 Essa breve introdução é para que você, aluno(a) entenda o ponto de parti- da sobre a medição do risco-país e a importância que a política macroeco- nômica adotada pelo governo tem sobre o indicador, que por sua vez re- cairá também sobre os negócios praticados pelos indivíduos e empresas que compõem o sistema econômico de uma nação. Vale destacar que nos dias atuais o risco-país é medido pelo índice EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) e que será detalhado em um tópico específico neste Tema. Sempre que há um investimento, seja em papéis financeiros (títulos, ações e/ou outros) ou em alguma atividade econômica (empresas), o investidor tem uma expectativa de retorno sobre o capital investido. Dessa maneira, todo investimento tem um risco intrínseco e natural daquilo em que se opta por investir, como, por exemplo, investir na compra de um título de dívida de uma empresa, na compra de ações dessa empresa para compor o seu capital próprio, aplicação do caixa da empresa em títulos do go- verno, etc. No entanto, todo investimento carrega em si riscos inerentes também ao ambiente em que o investimento escolhido está associado, ou seja, deve ser considerado também, além do risco inerente a esse ne- gócio, o risco do país em que a empresa está sediada ou, até mesmo, com quem ela estabelece suas relações comerciais. Nesse sentido, é importan- te se aprofundar como se constitui esse risco-país e quais variáveis estão envolvidas no estabelecimento desse risco. O risco-país é um indicador econômico-financeiro que mede o grau de confiança dos investidores em relação à capacidade dos países conside- rados emergentes de honrar com os seus compromissos, sendo que essa capacidade está diretamente relacionada a fatores políticos, geográficos, mercadológicos e, principalmente, à adoção e vigência da política macroe- conômica. Em outras palavras, o governo federal emite títulos públicos de curto, médio e longo prazos em troca de recursos financeiros para finan- ciar suas dívidas, sendo, portanto, os compradores desses títulos os seus investidores (credores). Dessa forma, pode-se entender o risco-país como sendo um indicador que refletirá, em pontos e depois transformados em 72 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros percentuais, os juros exigidos pelos investidores (credores) para manter os títulos da dívida pública federal dos países emergentes em suas cartei- ras, sempre baseados na evolução da política macroeconômica do país, com impacto no ambiente de negócios no qual essas decisões de investi- mentos estão inseridas. Vale destacar que a decisão de manter esses tí- tulos em carteira está condicionada não apenas aos juros, mas também à liquidez e atratividade desses títulos no mercado, de forma a serem con- vertidos em dinheiro rapidamente, e à certeza de que serão devidamente honrados em sua data efetiva de vencimento. Os parâmetros associados a essas decisões e como o indicador é medido poderão ser vistos nos tópicos a seguir. 1.1. Risco-país: tipos de avaliação e riscos associados Os tipos de avaliação que são contemplados no indicador risco-país po- dem ter um enfoque de macroavaliação e de microavaliação. Segundo Madura (2008, p. 565): [...] embora não haja consenso de como é a melhor forma de se avaliar o risco-país, algumas diretrizes foram desenvolvidas. O primeiro passo é reconhecer a diferença entre (1) uma avaliação geral do risco de um país sem a consideração do negócio de uma empresa multinacional e (2) a ava- liação do risco de um país relacionada ao tipo de negócio de uma empresa multinacional. O primeiro tipo poderá ser chamado de macroavaliação do risco-país e o último, de microavaliação. Neste caso, vale ressaltar que o risco-país que está sendo avaliado pela disciplina tem como foco principal a macroavaliação e, dessa forma, bus- ca identificar os fatores de risco, a forma de medição e de acompanha- mento do indicador risco-país e não procura relacionar isso a casos espe- cíficos das empresas, que, neste caso, entram outras variáveis além da- quelas que serão abordadas pela disciplina. O tópico 2 fará uma menção de como o risco-país afeta as decisões de investimentos de uma empresa, mas não contemplará fatores de microavaliação. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 73 Portanto, dentro da macroavaliação, são considerados riscos que estão associados aos fatores políticos e aos fatores econômico-financeiros, que, juntos, fortalecem ou fragilizam a política macroeconômica adotada pelo país. Esses fatores podem ser vistos na Tabela 1, abaixo: Tabela 1 – Fatores políticos e econômico-financeiros com impacto risco-país Fatores Riscos associados Políticos • Controle absoluto do governo nas decisões do mercado, com impacto sobre as decisões das empresas. • Definição de impostos ou políticas de controles de entradas de bens e serviços. • Aprovações de leis pelo Congresso. • Ambiente de incertezas políticas, especialmenteem ano eleitoral. • Interferência do governo no fluxo de capital estrangeiro. • Situações de guerras internas ou com outros países. • Terrorismo. • Corrupção. Econômico- Financeiros • Controle inflacionário. • Geração de riqueza (evolução do Produto Interno Bruto). • Déficit fiscal. • Regime cambial. • Política monetária (juros). • Credibilidade do sistema financeiro nacional • Nível de investimentos futuros para o país. Fonte: a autora Existem as agências de classificação de risco que analisam também esses fatores e, a partir daí, atribuem notas aos países de acordo com a sua capacidade de honrar seus compromissos financeiros, cuja base situa-se também na situação política e econômico-financeira do país. Essas análi- ses são utilizadas como parâmetros aos investidores de como o risco está se comportando. Essas notas também se refletem nas negociações feitas no mercado de títulos da dívida pública, com impacto na liquidez, nos juros desses títulos e na percepção de que não haverá calote por parte do emissor da dívida no vencimento do título. Nesse caso, o mercado se baliza também por um índice conhecido como EMBI+ (Emerging Markets 74 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Bond Index), que é calculado e divulgado pelo JP Morgan e utilizado como referência na definição dos juros dos títulos públicos federais que estão sendo negociados pelos investidores. O próximo tópico mostrará como o risco-país é mensurado e como é feita a interpretação de seu resultado. 1.2. Risco-país: como é medido Adicionalmente ao que já foi falado sobre o risco das dívidas contraídas pelos países latino-americanos ao longo da década de 1980 e as iniciati- vas do governo norte-americano em reestruturá-las, como foi o caso do Brasil em 1994 por meio da emissão de títulos nomeados como bradies, um pouco antes, em 1992, em meio a um aumento significativo de títulos advindos da reestruturação das dívidas dos países emergentes (incluindo os países da América Latina), transformando esse mercado em algo atra- tivo para investimentos, o banco JP Morgan criou um índice de referência a fim de acompanhar o desempenho diário dos títulos dessas dívidas. A esse índice foi dado o nome de EMBI+ sigla para Emerging Markets Bond Index (Índice de Títulos da Dívida de Mercados Emergentes). Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA): [...] o EMBI surgiu para auxiliar os investidores em suas decisões e mostra a diferença do retorno médio diário dos preços desses papéis em compara- ção ao retorno de títulos semelhantes do Tesouro dos Estados Unidos (re- ferência para o mercado de papéis de baixíssimo risco). Quanto maior essa diferença, mais aguda é a percepção de risco dos investidores em relação a determinado tipo de papel. A fórmula criada pelo JP Morgan limita-se a calcular a diferença e sua variação de um dia para o outro. LINK A série histórica diária do índice EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) pode ser pesquisada por meio do site do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), dispo- nível em: <http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?seri- d=40940&module=M>. Acesso em: 30 jun. 2018. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 75 Em outras palavras, a diferença entre o retorno dos papéis que estão no ín- dice EMBI e o retorno dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (T-Bonds) é justamente o risco-país. Como os títulos norte-americanos são conside- rados como risco próximo de zero e têm um patamar de juros “X”, os in- vestidores exigem um percentual acima do que obteriam sobre os títulos da dívida norte-americana para ter em suas carteiras de investimentos um título da dívida dos países emergentes, uma vez que estes são vistos como títulos de maior risco. Esses títulos são negociados diariamente pelo mer- cado de capitais e, portanto, o índice EMBI calcula essa diferença diária e informa em pontos, que podem ser transformados em percentual, de ma- neira que esses pontos (percentual) se constituem no risco-país, ou seja, os juros que estão acima daqueles que obteriam caso tivessem os títulos norte-americanos em suas carteiras. Exemplo: supondo que um investidor adquira um título da dívida pública dos Estados Unidos, com vencimento em 30 anos, com juros de 3% ao ano. Para ele adquirir um título da dívida pública do Brasil, ele exige que esse título tenha juros maior que 3%, para que faça sentido ele ter um título de risco alto em detrimento de um título de risco próximo de zero que é o caso do título da dívida norte-americana. É dessa forma que esse mercado funciona. Portanto, supondo que ele pes- quise os juros de um título da dívida pública do Brasil e veja que está na ordem de 7% ao ano. A diferença de 4% entre os dois (7% título brasileiro menos 3% título norte-americano) é o risco-país. PARA SABER MAIS Os Treasury Bonds (T-Bonds) são títulos da dívida pública norte-americana emitidos pelo governo federal dos Estados Unidos com juros fixos e com prazo superior a dez anos de vencimento. Os pagamentos de seus juros são feitos semes- tralmente e conhecidos pelo mercado como basicamente li- vres de riscos, pois oferecem pouco risco de inadimplência. Assim como todos, a principal característica dos T-Bonds é financiar as despesas do governo. 76 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Como é divulgado o risco-país pelo JP Morgan? É divulgado em pontos-base. De acordo com o IPEA, “os pontos-base mos- tram a diferença entre a taxa de retorno dos títulos de países emergentes e a oferecida por títulos emitidos pelo Tesouro americano. Essa diferença é o spread soberano, de uma vez que os devedores são governos federais”. Voltando ao cálculo de transformação de pontos-base para percentual, a diferença de 4% do exemplo acima se transformará em 400 pontos, que é (4 x 100) = 400 pontos, pois é em pontos-base que o JP Morgan divulga o risco-país diariamente. ASSIMILE O risco-país é os juros pagos para os títulos da dívida pú- blica dos países emergentes acima dos juros pagos pelos títulos da dívida pública norte-americana, transformados em pontos-base por meio do cálculo do JP Morgan, que é o responsável pelo cálculo e pela divulgação do índice. Ao informar em pontos-base, está sinalizando para o mer- cado o quanto o investidor está exigindo de retorno para manter esses títulos em suas carteiras de investimentos. Exemplo: quando os pontos-base do risco-país de um de- terminado país a uma determinada data é de 385 pontos- -base, para transformá-lo em percentual, faça da seguinte forma: (385/100) = 3,85 e considere esse resultado como sendo 3,85% de juros a mais exigidos pelos investidores para manter os títulos da dívida pública desse determina- do país emergente em sua carteira de investimentos, po- dendo ser o Brasil um deles. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 77 A Figura 1, mostra o risco-país divulgado pelo JP Morgan em pontos-base a partir do cálculo do EMBI (Emerging Markets Bond Index) e reproduzido pelo Ipeadata. Figura 1 – EMBI (Emerging Markets Bond Index) – Risco-Brasil Fonte: Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA). Disponível em: <http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=40940&module=M> Quais países estão dentro do cálculo do índice EMBI+? 1992 (início do índice): Argentina, Brasil, Bulgária, Equador, México, Nigéria, Panamá, Peru, Polônia, Rússia e Venezuela. No entanto, essa composição foi descontinuada em 1994. Nos dias atuais: África do Sul, Argentina, Brasil, Bulgária, Colômbia, Egito, Equador, Filipinas, Malásia, Marrocos, Nigéria, Panamá, Peru, Polônia, Rússia, Venezuela, Turquia e Ucrânia. Vale ressaltar que o índice é também calculado separadamente por país, ou seja, é possível acompanhar a oscilação diáriado preço dos títulos por país. Portanto, o Brasil tem um índice exclusivo chamado EMBI+ Brasil. 78 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Como pode ser interpretado o risco-país? Quanto maior for o patamar do ponto-base, maior é o risco-país, ou seja, significa que o mercado de títulos está pedindo cada vez mais juros para os investidores manterem os títulos em sua carteira de investimentos. As agências de classificação de risco. Como funcionam? Outra fonte importante de acompanhamento do risco-país são as agên- cias de classificação de risco. Essas agências também avaliam a capacida- de de um país de honrar seus compromissos e atribuem a ele uma deter- minada nota, também conhecida como rating. Essas notas são dadas de acordo com a metodologia de cada agência e são consideradas como pa- râmetro para decisões de investimentos por parte dos investidores. Essas agências trabalham com a classificação de riscos não apenas para paí- ses, mas estendem suas análises também para empresas, títulos emitidos no mercado de capitais, cujo objetivo é sempre de fornecer ao mercado maior credibilidade na decisão de investimento. Exemplos das agências de classificação de risco mais conhecidas: Standard & Poor’s, Fitch Rating, Moody’s Corporation e outras. PARA SABER MAIS Segundo o Tesouro Nacional Brasileiro, “a classificação de ris- co (rating) soberano é a nota dada por instituições especiali- zadas em análise de crédito, chamadas agências classificado- ras de risco, a um país emissor de dívida. Tais agências ava- liam a capacidade e a disposição de um país em honrar, pon- tual e integralmente, os pagamentos de sua dívida. O rating é um instrumento relevante para os investidores, uma vez que fornece uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida do país analisado. Oficialmente, o Brasil possui contrato para classificação de seu risco de crédito Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 79 da dívida do país analisado. Oficialmente, o Brasil possui con- trato para classificação de seu risco de crédito com as seguin- tes agências: Standard & Poor’s (S&P), Fitch Ratings (Fitch) e Moody’s Investor Service. Adicionalmente, outras agências internacionais monitoram regularmente o risco de crédito do país, como a canadense Dominion Bond Rating Service (DBRS), as japonesas Japan Credit Rating Agency (JCR) e Rating and Investment Information (R&I), a coreana NICE Investors Service e a chinesa Dagong Global Credit Rating”. As notas (rating) atribuídas ao Brasil estão no site do Tesouro Nacional Brasileiro, disponível no site: http://www.tesouro. fazenda.gov.br/-/classificacao-de-risco. Para saber com maior detalhes as notas atribuídas ao Brasil por essas agências, consulte o site: <http://www.stn.fazenda. gov.br/classificacao-de-risco>. Acesso em: 30 jun. 2018. Qual a diferença do risco-país calculado e divulgado pelo EMBI+ e pe- las agências de classificação de risco? Trata-se de ferramentas diferentes, pois as notas atribuídas pelas agên- cias de classificação de risco são baseadas na opinião dos analistas sob vários aspectos políticos e macroeconômicos, e o índice EMBI+ reflete com 100% de objetividade a percepção dos investidores por meio da oscilação dos preços dos títulos praticados de um dia para o outro, ou seja, aquilo que efetivamente o mercado está percebendo em termos de confiança e de perspectivas em relação a um determinado país. 2. Impactos do risco-país para as empresas A forte aceleração dos negócios dentro de uma realidade globalizada co- locou o risco-país no centro das atenções dos investidores e das empre- sas, pois esse indicador impacta de forma significativa as decisões de in- vestimentos desses agentes econômicos. Do lado do investidor, ele busca 80 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros sempre destinar o seu capital visando ampliar o seu patrimônio e, do lado das empresas, além de desejarem opções para melhor rentabilizar seus recursos financeiros, elas também buscam avaliar em que condições se encontram os mercados que já atuam e prospectar oportunidades em novos mercados. Para ambas as análises, o foco deve sempre estar em: quanto maior for o risco de um país, maior é a sobretaxa paga para o Tesouro norte-ame- ricano, ou seja, o resultado elevado desse índice se converte em alta taxa de juros do título público e, portanto, de que forma o risco-país impacta as decisões de financiamento e investimento, ainda que os ganhos não sejam meramente financeiros, mas sim de perspectiva que as empresas têm em ampliar seus negócios para outros mercados? Investidor: quando possui em sua carteira ativos financeiros, principal- mente quando se trata de títulos de dívidas tanto do governo como de empresas, não monitora apenas o retorno desses investimentos, mas sim a capacidade que o emissor do título tem em honrar com a sua dívida no ato do seu vencimento, pois não se pode esquecer que, quando ocorre a elevação da sobretaxa dos títulos da dívida dos países emergentes, signi- fica dizer que está ocorrendo também uma elevação do risco-país, confor- me mencionado no tópico anterior. Empresas: sofrem forte influência do comportamento do risco-país, pois o impacto da elevação do indicador constitui uma menor atração de investimentos estrangeiros para o mercado financeiro nacional, que por sua vez reduz a perspectiva de crescimento econômico interno. Essa perspectiva contribui para aumentar as incertezas em relação à política macroeconômica de um país, que por sua vez afeta as contas públicas do governo, colocando-se sob forte suspeita de inadimplência e os projetos futuros das empresas em termos de ganhos e novas perspectivas. Como esse cenário macroeconômico afeta as empresas? Quando um país tem uma nota rebaixada pelas agências de classificação de risco, o risco-país se eleva, tendo impacto simultâneo nos juros exigi- dos pelos investidores. Esse evento tem um efeito multiplicador sobre o Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 81 custo de financiamentos disponíveis para as empresas que se encontram vinculadas a esse país. Esse movimento reflete também nas decisões de investimentos, pois quanto mais alto o custo do financiamento, menor é a disposição em se investir. Dentre os riscos associados, já mencionados no tópico anterior, além dos riscos financeiros, um aumento do risco-país, do ponto de vista geográfi- co e mercadológico, afasta também o interesse em ampliar os negócios além das fronteiras de uma empresa, pois um conflito entre países pode interromper a abertura de uma subsidiária em outro país. Portanto, o comportamento do risco-país é indicador-chave para uma macro ou microavaliação por parte de investidores e empresas que buscam refe- rências para suas decisões de investimentos no curto, médio e longo prazos. EXEMPLIFICANDO Exemplo retirado de Madura (2009, p. 566): “Uma vez que a Nike realiza um grande volume de negócios internacionais, ela deverá monitorar o risco-país de muitos países. A Nike po- derá ser afetada pelo risco-país de várias maneiras. Primeiro, um conflito entre os EUA e um país estrangeiro específico poderá fazer com que o governo do país estrangeiro ou seu povo manifestem seu rancor contra uma subsidiária da Nike nesse país. Portanto, a Nike poderá ser um alvo simplesmen- te por ser vista como empresa dos EUA, mesmo que todos os empregados da subsidiária sejam locais. Segundo, uma mu- dança do governo estrangeiro poderá resultar em novas leis fiscais e em outras restrições impostas sobre as subsidiárias de empresas dos EUA ou de qualquer outro país que tenham suas bases ali”. 82 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Suponha que vocêtenha um recurso financeiro poupado por uma vida inteira e que nos dias atuais você está procurando novas alterna- tivas para a aplicação desse recurso. Um determinado banco sugere o investimento em títulos da dívida pública do governo federal. Avalie quais serão suas ações para investir seu capital e correr o menor risco possível de perdas futuras. Sugiro que você, além da consultoria que o banco fornecerá, busque por meio das agências de classificação de risco e do índice do EMBI+ inteirar-se sobre o assunto e tomar sua de- cisão. Pesquise os links do Tesouro Nacional Brasileiro e do IPEADATA fornecidos pelo material nos tópicos acima, faça uma avaliação e pen- se em quais países você investiria nos títulos de sua dívida pública. QUESTÃO PARA REFLEXÃO 3. Considerações Finais • O risco-país é um importante indicador que mede o grau de confiança de investimento em títulos da dívida pública dos países emergentes, utilizando-se dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos como referência de baixíssimo risco. • As agências classificadoras de risco têm papel relevante na defi- nição do (rating) nota, que contribui significativamente, por meio de suas avaliações, com os investidores quanto à sua escolha de investimentos. • O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) é um importante índice de referência de mercado, calculado e divulgado pelo JP Morgan, que mede o risco-país, não por meio de nota, como é o caso das agên- cias classificadoras de risco, mas sim pelo retorno diário dos títulos da dívida pública dos mercados emergentes comparativamente ao retorno dos títulos norte-americanos. Por se tratar de um mercado de dívida pública federal, esse índice se constitui no risco soberano dos países e é divulgado em pontos-base. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 83 Glossário • EMBI+: sigla para Emerging Markets Bond Index. • Rating: é a nota dada pelas agências classificadoras de risco para medir o risco-país dos países, considerando fatores políticos e eco- nômico-financeiros em suas avaliações. • JP Morgan: JP Morgan Chase & Corporation é uma instituição líder em serviços financeiros, com presença em cem países e percebida como uma instituição de credibilidade forte junto ao mercado fi- nanceiro mundial. VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 4 1. O risco-país mede: a) O nível de juros internos de um país. b) O nível da inflação de um país. c) O grau de incerteza quanto à capacidade de um país de honrar com seus compromissos financeiros. d) O nível de riqueza de um país. e) O nível de risco de uma empresa. 2. As agências classificadoras de risco divulgam o risco-país por meio de: a) Notas (rating) atribuídas aos países. b) Cálculo de juros. c) Cálculo de política monetária. d) Notas atribuídas aos investidores. e) Cálculo das notas e de juros. 84 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 3. O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) mede: a) A taxa de juros interna de uma economia. b) O índice de inflação de um país. c) O nível de endividamento das empresas. d) O retorno dos títulos da dívida pública dos países emer- gentes comparativamente aos títulos da dívida norte-a- mericana, cuja diferença é o risco-país. e) O nível de endividamento dos investidores. Referências Bibliográficas ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Curso de administração financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. MADURA, J. Finanças corporativas internacionais. Tradução Luciana Penteado Miquelino. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. INSTITUTO BRASILEIRO DE PESQUISAS APLICADAS (IPEA). Disponível em: <www.ipea. gov.br>. Acesso em: 20 ago. 2018. Gabarito – Tema 04 Questão 1 – Resposta: C O grau de incerteza quanto à capacidade de um país de honrar com seus compromissos financeiros. Essa incerteza está relacio- nada à percepção dos investidores quanto a fatores políticos e econômico-financeiros. Questão 2 – Resposta: A As agências classificadoras de risco medem e divulgam o risco-país por meio de notas, não sendo considerado pelo mercado como um cálculo objetivo, pois parte da opinião dos analistas dessas agências, que utilizam fatores políticos e econômico-financeiros para a atribui- ção das notas finais. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 85 Questão 3 – Resposta: D O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index) é um índice calculado pelo JP Morgan para medir o risco-país das economias emergentes. Esse cálculo e índice se difere das notas atribuídas pelas agências classifi- cadoras de risco no tocante à sua objetividade, pois é o resultado do retorno do investimento em títulos da dívida do governo federal dos países emergentes comparativamente aos juros dos títulos da dívida do governo federal norte-americano, considerados com baixíssimo risco, cujo resultado é divulgado ao mercado em pontos-base. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 86 TEMA 05 INFLAÇÃO – O VALOR DA MOEDA NO TEMPO Objetivos • Conceituar inflação suas causas e seus impactos. • Entender como é o cálculo da inflação. • Compreender como se cria um número-índice, seu uso e sua interpretação. • Conhecer os índices de inflação calculados no país. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 87 Introdução Nesta parte, você verá que o nível inflacionário de um país diz muito sobre sua condição macroeconômica. Uma nação que possui índice de inflação elevado não é percebida como tendo um ambiente atrativo para investi- mentos, pois o estabelecimento de um processo inflacionário descontrola- do representa uma desvalorização de sua moeda corrente, com consequen- te redução no consumo das famílias por meio da queda do poder aquisitivo da população, bem como dos ganhos contabilizados pelas empresas. Um processo inflacionário pode ser causado pela inflação de custos, co- nhecida como inflação de oferta, e pela inflação de demanda, que está associada ao comportamento da demanda agregada versus a produção agregada de bens e serviços ofertados. No caso da inflação de demanda, por ser mais sensível a ações de política econômica, o governo tem mais poder de intervenção e, caso necessário, utiliza-se de instrumentos de política monetária e fiscal para mantê-la sob controle. Dessa forma, o índice de inflação é um indicador utilizado para medir o custo de vida geral de uma nação e serve para diversas análises de ga- nhos ou perdas comparativamente a períodos anteriores ao fato presen- te. Portanto, a disciplina se propõe a elucidar: o que é inflação, quais são suas causas e seus impactos, de que forma se calculas e se interpretam os seus índices e quais são os índices calculados no Brasil. 1. Inflação: conceito, causas e impactos Ainda falando sobre tal temática, Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr (2013, p. 385) dizem que: [...] a inflação pode ser conceituada como um aumento contínuo e genera- lizado no nível de preços, ou seja, os movimentos inflacionários represen- tam elevações em todos os bens produzidos pela economia e não mera- mente o aumento de um determinado preço. Outro aspecto fundamental 88 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros refere-se ao fato de que o fenômeno inflacionário exige a elevação contí- nua dos preços durante um período de tempo, e não meramente uma elevação esporádica dos preços. O que isso significa? Significa que só é identificado um processo inflacionário quando o au- mento de preço de um determinado produto tem um efeito multiplica- dor para os demais produtos que participam da mesma cadeia produtiva, com impacto na economia como um todo. Exemplo: ocorre aumento no preço do grão de soja, no entanto, isso não se reverte em aumento no preço do óleo de soja. Nesse caso, não seconstitui inflação, pois esse aumento pode ter ocorrido de forma pontual e não teve impacto para os demais produtos que fazem parte de sua cadeia produtiva. A inflação é avaliada como um processo monetário, uma vez que é de- sencadeada pelo aumento desses preços monetários, fazendo com que o valor real da moeda seja depreciado por esse processo. Esse aumento dos preços monetários está vinculado a uma má administração da econo- mia, e, segundo Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr. (2013, p. 385), “a disputa dos diversos agentes econômicos pela distribuição da renda representa a questão básica no fenômeno inflacionário”. Nessa análise sobre a dis- tribuição da renda, há de se destacar que há também um conflito na re- partição do produto. A inflação pode ser causada pela má administração de determinados fundamentos econômicos. A Tabela 1 aponta quais são esses fundamentos econômicos. Tabela 1 – Fundamentos econômicos associados ao processo inflacionário Fundamentos Situação Setor público • Diz respeito ao desequilíbrio financeiro das contas do governo, que precisa emitir moeda para cobrir seus déficits, fazendo com que haja uma elevação do estoque dessas moedas. Esse movimento de emissão de moedas devolve ao governo seu papel de “principal comprador”, que o faz por meio de consumo e investimentos. Dessa forma, coloca na economia mais dinheiro, estimulando o consumo dos indivíduos sem que haja um aumento de oferta de produto na mesma magnitude, induzindo a um processo inflacionário. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 89 Salários e preços Considerado outro tipo de conflito do processo distributivo da renda. A relação entre salários e preços foca em uma disputa pelo produto entre trabalhadores e empresários. Economia nacional versus internacional Toda a economia sofre contágio de possíveis crises externas e tem uma forte dependência do nível das taxas de câmbio, pois os preços internacionais interferem significativamente no mercado doméstico dos países. As economias menos desenvolvidas sofrem mais com esse problema, pois muitas vezes são muito dependentes de impor- tações, que, por sua vez, são impactadas fortemente pelas oscilações da taxa cambial. Fonte: preparado pela autora com base em Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr. (2013, p. 385) Portanto, os fundamentos econômicos mencionados permeiam as cau- sas da inflação que podem ser classificadas em inflação de demanda e inflação de oferta, ou também conhecida como inflação de custo. Essa classificação será discutida no próximo tópico. PARA SABER MAIS Agentes econômicos são as famílias, as empresas e o go- verno, que, juntos, constituem o fluxo circular da renda da economia de um país. O papel desses agentes é: as famílias são as ofertantes dos fatores de produção (terra, capital e mão de obra), as empresas são as demandantes desses fa- tores de produção e têm o papel de juntar esses fatores e transformá-los em bens e serviços que são devolvidos para as famílias consumirem e que pagarão por esses bens e ser- viços com a remuneração recebida a partir da oferta de seus fatores de produção já mencionados. O governo tem o papel de gerenciar os impostos cobrados das famílias e das empre- sas e transformá-los em bem-estar social para a sociedade como um todo. O conceito de agentes econômicos já foi visto e bem explorado no Tema 1 desta disciplina. 90 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 1.1. Causas da inflação 1.1.1. Inflação de demanda Também conhecida como a inflação dos compradores. É o processo in- flacionário gerado pela expansão dos rendimentos, ou seja, ganho de po- der aquisitivo de uma economia. Ocorre quando os meios de pagamento crescem além da capacidade de expansão da economia, ou seja, antes que os meios de produção estejam em plena capacidade para produzir os bens e serviços que serão demandados em maior quantidade, em função do aumento dos rendimentos ocorridos na economia. Segundo Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr (2013, p. 388): [...] a inflação de demanda, considerada o tipo mais “clássico” de inflação, diz respeito ao excesso de demanda agregada, em relação à produção dis- ponível de bens e serviços. Intuitivamente, ela pode ser entendida como di- nheiro demais em busca de poucos bens. A probabilidade de uma inflação de demanda ocorrer aumenta quanto mais a economia estiver próxima de um ponto de pleno emprego de recursos. O que significa esse pleno emprego de recursos? Os recursos são os fatores de produção envolvidos em uma produção, são eles: a terra, o capital (máquinas e equipamentos), a mão de obra e os insumos, ou seja, tudo o que é necessário para a produção de bens ou prestação de serviços. Voltando ao “pleno emprego de recursos”, sig- nifica que a economia já está produzindo em seu limite de emprego de seus recursos. Dessa forma, caso haja aumento de demanda agregada em função do aumento de rendimento, a probabilidade de ocorrência de aumento do preço dos produtos e serviços é grande, pois a economia em pleno emprego estará limitada a produzir mais bens e serviços necessá- rios para atender a essa suposta demanda, deflagrando-se, portanto, um processo inflacionário. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 91 PARA SABER MAIS Meios de pagamento são o volume da oferta de moeda em circulação na economia (o que está no bolso e na carteira das pessoas) somado ao volume de moeda escritural (que são os depósitos em dinheiro feitos pelos agentes econômicos junto aos bancos comerciais), ou seja, é todo o dinheiro que está circulando e disponível na economia para o seu imedia- to uso. Outro conceito importante para o entendimento de inflação de demanda é o de demanda agregada. Demanda agregada corresponde à quantidade de bens ou serviços que a totalidade dos consumidores deseja e está disposta a adquirir em determinado período de tempo e por determi- nado preço. Obtém-se, portanto, a demanda agregada de um produto somando-se todas as demandas individuais des- se produto. Em um breve resumo, as principais causas da inflação de demanda são: a) aumento da renda disponível; b) expansão dos gastos públicos; c) expan- são do crédito e d) expectativas dos agentes econômicos. O comportamento da inflação de demanda é passível de forte interferên- cia do governo por meio de ações de política econômica, especialmente as relacionadas à política monetária e fiscal. No âmbito da política mone- tária, os monetaristas justificam a movimentação da economia por meio da quantidade de moeda que o governo emite para cobrir os seus gastos e, por isso, eles são contrários à uma forte intervenção do Estado na eco- nomia. Quanto à política fiscal, segundo Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr. (2013, p. 389) “os fiscalistas preconizam que o combate mais eficiente à inflação se dá por meio de instrumentos de política fiscal, como a diminui- ção de gastos do governo ou elevação da carga tributária sobre consumo e investimento privados”. 92 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros É importante ressaltar que o Brasil tem como principal premissa macro- econômica a manutenção da inflação em níveis baixos e controláveis, es- pecialmente pela herança histórica negativa que o país tem em relação ao forte descontrole inflacionário ocorrido em meados dos anos 1980 e início dos anos 1990. Para tanto, trabalha com sistema de metas inflacionárias (target inflation), cujo principal instrumento utilizado para esse controle é a definição da taxa de juros básica por meio de política monetária. O Tema 6 detalhará esse processo que acontece com a definição da taxa Selic. 1.1.2. Inflação de custos É o processo inflacionário gerado pela elevação geral dos custos de pro- dução atribuída principalmenteaos aumentos salariais. Nesse tipo de in- flação, o nível de demanda e de oferta podem permanecer o mesmo, mas os custos de produção aumentam. Segundo Vasconcellos, Pinho e Toneto Jr. (2013, p. 390), “a inflação de custos pode ser associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível de demanda permanece praticamente o mesmo, mas os custos de certos insumos importantes aumentam e são repassados aos preços dos pro- dutos”. Dentre os insumos mais importantes estão os salários. Esse insu- mo exerce forte influência sobre os custos de produção, no entanto, esse efeito pode ser diminuído com o aumento da produtividade, que quando ocorre na mesma proporção do aumento dos salários, mantém inaltera- do o custo unitário do produto. Outro fator que tem forte impacto sobre a inflação de custos é o aumen- to significativo das transações comerciais internacionais. Esse movimento elevou o risco de inflação doméstica dos países, pois inclui-se a variável taxa de câmbio nessas transações. Imagine um exemplo hipotético, em que se avalia apenas uma desvalorização do real (R$) frente ao dólar (US$ dólar norte-americano), mantendo-se intactas outras variáveis. Qual o im- pacto para a inflação doméstica do Brasil avaliando tanto do lado das ex- portações como das importações? Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 93 Exportações: real (R$) desvalorizado frente ao dólar norte-americano (US$), ou seja, o real (R$) saindo de R$ 3,00 por dólar para R$ 3,20 por dó- lar. Esse movimento estimula as exportações, pois o exportador aumen- tará a sua receita em reais (R$). Nesse caso, o produtor interno, em busca de maior ganho, pode desabastecer o mercado doméstico para atender ao externo. No caso de a demanda permanecer a mesma e ser um produ- to de difícil importação, em uma situação de redução de oferta no merca- do doméstico, os preços tendem a subir e, consequentemente, ocorrerá uma elevação dos índices de inflação. Importações: real (R$) desvalorizado frente ao dólar norte-americano (US$), ou seja, o real (R$) saindo de R$ 3,00 por dólar para R$ 3,20 por dó- lar. O Brasil é altamente dependente de importação de bens de alto valor agregado para atender à demanda doméstica. Nesse caso, ao se importar o produto, o custo em reais (R$) aumentará, com impacto sobre o preço dos produtos no mercado doméstico, seja pela importação do produto final ou na importação de matérias-primas necessárias para a produção de bens finais pela indústria brasileira. Nesse caso, ocorrerá também uma elevação dos índices de inflação. Além do que já foi mencionado sobre as causas da inflação de custos que são os salários e a taxa cambial, tem-se também aumento nos custos das matérias-primas utilizadas na produção de bens e prestação de serviços, o aumento de impostos e, tão importante quanto tudo isso é a avaliação sobre as estruturas de mercado, pois algumas empresas com elevado po- der de oligopólio e monopólio, distantes do risco de concorrência, podem definir preços convenientes de forma a elevar seus lucros bem acima dos seus custos de produção. No próximo tópico serão abordados os impactos da inflação sobre a eco- nomia como um todo. 1.2. Impactos da inflação O controle e a previsibilidade da inflação são vistos como imprescindíveis na definição de política econômica, cujo interesse do governo é manter o 94 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros máximo controle sobre esse indicador, a fim de que os seus efeitos não sejam nocivos nas decisões de consumo e de investimentos. Dessa forma, os principais impactos da inflação são: • perda de poder aquisitivo: redução do consumo; • impacto sobre a distribuição da renda: os indivíduos menos remunerados tendem a ter maiores perdas, muitas vezes, pela falta de acesso a instrumentos que o protejam da perda do valor do seu dinheiro. Exemplo: sem acesso a rendimentos que garantam a cor- reção monetária de seu dinheiro; • queda nas exportações: apesar de o exportador se sentir estimu- lado a exportar em função de uma taxa de câmbio mais atrativa, o aumento nos custos dos produtos reduz a competitividade deles, pois tendem a ficar mais caros no exterior; • inibição dos investimentos: inflação elevada atinge negativamen- te a confiança do investidor com reflexos negativos para novos investimentos. Impacto da inflação sobre o poder aquisitivo: quando há inflação esta- belecida em uma economia, as pessoas perdem seu poder de compra, e nesse caso, elas precisam decidir o que querem priorizar, ou seja, manter o consumo da mesma cesta de bens e serviços consumidos e, para isso, demandará mais moedas para manter seus gastos, ou reduzir os itens da cesta de produtos que consome, visando manter seu nível de poupança. A Tabela 2 traz um exemplo hipotético de uma família que tem uma ren- da mensal de R$ 1.200,00, com gastos mensais para a sua sobrevivência na ordem de R$ 700,00 e poupança mensal de R$ 500,00. No entanto, do mês X0 para o mês X1, o país apresentou uma inflação de 3%. Nesse caso, como fica a situação dessa família frente a esse índice inflacionário? Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 95 Tabela 2 – Simulação de perda do poder aquisitivo Renda mensal em reais (R$) (a) Gastos mensais em reais (R$) (b) Poupança (em reais (R$) (c) = (a - b) Mês XX 1.200,00 700,00 500,00 Mês X1 1.200,00 700,00 X 1,03 = 721,00 479,00 Variação em (R$) do Mês X0 para o Mês X1 0 + 21,00 - 21,00 Fonte: preparado pela autora Nesta situação hipotética de inflação de 3% do mês X0 para o mês X1, e considerando que a renda permaneceu em R$ 1.200,00, essa família sofreu uma perda de poder aquisitivo, pois seu gasto saiu de R$ 700,00 e foi para R$ 721,00, tendo a poupança se reduzido de R$ 500,00 para R$ 479,00. A inflação de 3% é o cálculo do aumento médio dos preços do país do mês x0 para o mês X1 com impacto na poupança dessa família. O tópico 2 – Índices de inflação, abordará detalhadamente como é feito e interpretado o cálculo de um índice de inflação. 2. Índices de inflação Após o tópico 1 conceituar o que é inflação, suas causas e seus impac- tos, é importante saber mensurá-la por meio dos índices de preços, pois conviver com a inflação é fato comum nas economias mundiais, no en- tanto, o nível desejável e aceitável se situa na ordem de 2% ao ano. No Brasil, assim como em economias de mercado, não há um índice oficial de inflação do país. No entanto, para fins de parâmetro para tomada de decisão de política monetária, especificamente sobre a taxa de juros, o governo utiliza o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para refe- renciar o comportamento da inflação da economia brasileira e assim to- mar suas decisões de política econômica, especialmente visando manter 96 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros sob controle a inflação de demanda. Vale destacar que a meta definida e perseguida pelo Banco Central é uma variação anual de 4,5%, podendo chegar a 2 pontos percentuais acima e 2 pontos percentuais abaixo. Normalmente, a inflação é medida tanto para os preços ao consumidor como para os preços absorvidos pela indústria. No Brasil, o cálculo do índice de inflação dos preços ao consumidor tem como principal respon- sável o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o cálculo do índice de inflação dos preços absorvidos pela indústria tem como princi- pal responsável a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A seguir, serão apresen- tadas as etapas que devem ser seguidas para a estruturação do cálculo dos índices de inflação. LINK No Brasil, são muitos os indicadores de preços ao consumi- dor e à indústria calculados e que são referência para corre- ções e uso do mercado como um todo. Os indicadores cal- culadospelo IBGE estão disponíveis em: <www.ibge.gov.br> e os indicadores calculados pela FGV estão disponíveis em: <www.fgv.br>, ambos com acesso em: 10 jul. 2018. 2.1.1. Como é feito o cálculo da inflação Para efeito de cálculo da inflação, vale elucidar que são considerados os índices de preços ao consumidor (IPC) e os índices gerais de preços da indústria (IGP). O IPC se refere ao preço pago pelo consumidor final no varejo, ou seja, esta é a última etapa na cadeia produtiva de um produto, sendo, portanto, o dinheiro desembolsado pelo consumidor para a com- pra de bens e serviços. O IGP se refere ao preço pago pela indústria na compra de matérias-primas para a produção de seus bens ou serviços, de maneira que é o custo absorvido pelas empresas em sua etapa produtiva. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 97 Do ponto de vista do cálculo, as etapas que devem ser seguidas para o cálculo do índice não se diferem entre preços ao consumidor e preços para a indústria. No entanto, se diferenciam os critérios que definirão a estrutura do índice, os produtos a serem pesquisados e pesos que se- rão atribuídos a esses produtos dentro da base de cálculo do índice, pois entender o comportamento de preços absorvidos pelo consumidor final é diferente de entender o comportamento de preços absorvidos pela in- dústria que trabalha com matérias-primas e/ou serviços em uma etapa da cadeia produtiva anterior a dos preços absorvidos pelo consumidor final. É importante destacar que os indicadores gerais de preços da indústria (IGP) servem para antecipar uma tendência dos preços que estão sendo absorvidos pela economia e que, em algum momento, esses preços im- pactarão o consumidor final. Portanto, as etapas que deverão ser seguidas para o cálculo de um índice de inflação são: a) determinar a cesta de produtos; b) definir os pesos dos produtos, respeitando a estrutura do cálculo. Exemplo: Índice de Preços ao Consumidor considera itens como: alimentação, despesas pessoais, gastos com habitação e outros, e Índice de Preços da Indústria considera itens como: índice de preços por atacado, índice de preços da construção civil e outros; c) pesquisar os preços; d) calcular o custo da cesta; e) esco- lher um ano-base e calcular o índice. O ano base será o ponto de partida no qual a inflação será considerada. Exemplo: o governo do país Alfa quer passar a acompanhar a inflação do país a partir do ano X0, portanto, o ano X0 será o ano-base do cálculo do índice; e, por fim, f) calcular a taxa de inflação. Dessa forma, de acordo com o período definido, ou seja, de quanto em quanto tempo quero passar a acompanhar a evolução dos preços dos produtos compostos na cesta definida, tem-se o cálculo da inflação para aquele período. Há muitos questionamentos da sociedade quanto à forma como é fei- to o cálculo de inflação, pois há uma percepção de que esses resultados não representam a realidade do comportamento dos preços. Nesse caso, vale ressaltar que o cálculo da inflação reflete uma média de variação 98 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros dos preços praticados e absorvidos pela população no país inteiro e não o quanto cada variação de preço impacta individualmente cada pessoa, pois a base da estruturação da cesta de produtos, bem como os pesos dados a esses produtos dentro dessa cesta, é feita a partir de uma pesqui- sa orçamentária de renda versus gastos feitos pela população como um todo. Exemplo: imagine que a inflação de um país seja composta apenas pelo produto X, que no mês X0 custava R$ 10,00 e no mês X1 custava R$ 15,00, portanto, a inflação desse país no mês X1 foi de 50%. No entanto, a cesta de produtos que representa um país inteiro não é composta de apenas um produto, mas sim de diversos produtos e com pesos diferen- tes, de acordo com a renda e os gastos da população. Utilizando-se ainda do exemplo mencionado, acrescente-se a essa cesta o produto Y, que no mesmo período teve o seu preço reduzido do mês X0 de R$ 20,00 para R$ 13,00 no mês X1, tendo, portanto, uma queda de -35%. Dessa forma, ao se acrescentar mais um produto, o país teve uma taxa de inflação que deve se situar entre 50% de elevação do produto X e os -35% de queda do produto Y, cujo resultado final dependerá do peso que cada produto tem dentro da cesta como um todo, mas que com certeza não será mais de 50%, como visto no primeiro exemplo do produto X. Nesse contexto, é importante ressaltar que o índice de inflação, assim como os demais indicadores já estudados em Temas anteriores (PIB, ris- co-país) servirá como parâmetro para entender uma determinada situa- ção, devendo ser respeitadas as limitações que um cálculo de indicado- res apresenta. Apesar dessas limitações, os índices de preços são impor- tantes para mostrar a evolução dos preços de um determinado período de tempo e assim indicar planos de ações visando melhorias no âmbito macroeconômico. O tópico a seguir tratará como a composição desses índices contribui para o acompanhamento da evolução dos preços e seus impactos para o dia a dia de uma sociedade. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 99 2.1.2. O que é um número-índice, como ele é calculado e como é interpretado Segundo Mankiw (2014, p. 486): [...] o índice de preços ao consumidor é usado para monitorar mudanças no custo de vida ao longo do tempo. Quando esse índice aumenta, a família precisa gastar mais dinheiro para manter o mesmo padrão de vida. Os eco- nomistas empregam o termo inflação para descrever uma situação em que o nível geral de preços da economia está em ascensão. A taxa de inflação é a variação percentual do nível de preços em relação a um período anterior. Falando, portanto, sobre o índice de preços ao consumidor (IPC), trata-se de uma medida que comporta o custo geral de todos os bens e serviços comprados por um consumidor típico. No tópico anterior, foram apresen- tadas as etapas do cálculo da inflação, para tanto, abaixo, um exemplo hipotético retirado de Mankiw (2014, p. 487) que aborda detalhadamente de que forma é feito esse cálculo, respeitando essas etapas. Exemplo 1: imagine um exemplo hipotético em que a cesta de produtos de um determinado país seja composta de apenas dois produtos (cachor- ro-quente e hambúrguer), ou seja, esses são os produtos consumidor e, portanto, comprados pelo consumidor final. Qual será a taxa de inflação do período X0 para o período X2? Etapa 1: pesquisar os consumidores para determinar uma cesta fixa de bens. Cesta = 4 cachorros-quentes (CQ) e 2 hambúrgueres (H). Etapa 2: coletar o preço de cada bem em cada ano. Ano Preço dos cachorros-quentes Preço dos hambúrgueres X0 $ 1,00 $ 2,00 X1 $ 2,00 $ 3,00 X2 $ 3,00 $ 4,00 Etapa 3: calcular o custo da cesta de bens a cada ano, em que CQ são ca- chorros-quentes e H são hambúrgueres. 100 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Ano X0 ($ 1,00CQ X 4CQ) + ($ 2,00H X 2H) = $ 8,00 por cesta Ano X1 ($ 2,00CQ X 4CQ) + ($ 3,00H X 2H) = $ 14,00 por cesta Ano X2 ($ 3,00CQ X 4CQ) + ($ 4,00H X 2H) + $ 20,00 por cesta Etapa 4: escolher um ano como ano-base (X0) e calcular o índice de pre- ços ao consumidor em cada ano. Ano X0 = ($ 8,00 / $ 8,00) x 100 = 100 Ano X1 = ($ 14,00 / $ 8,00) x 100 = 175 Ano X2 = ($ 20,00 / $ 8,00) x 100 = 250 Etapa 5: usar o índice de preços ao consumidor para calcular a taxa de inflação do ano anterior. Ano X0 = ano-base do índice Ano X1 = (175-100) / 100 x 100 = 75% Ano X2 = (250-175) / 175 x 100 = 43% Ainda com base em Mankiw (2014, p. 487): [...] observe que, nesse cálculo, somente os preços mudam. Mantendo cons- tante a cesta de bens (4 cachorros-quentes e 2 hambúrgueres), estamos isolando os efeitos das variações depreço do efeito de qualquer variação de quantidade que possa estar ocorrendo ao mesmo tempo. Veja que após escolher o ano-base (X0), calculou-se o número-índice e a taxa de inflação, cujas fórmulas são: Número-índice de preços ao consumidor = (preço da cesta de bens e serviços no ano corrente / preço da cesta no ano-base) x 100 Taxa de inflação do ano X1 = ((IPC no ano X1 – IPC no ano X0) / (IPC no ano X0)) x 100 Importante destacar que, caso se queira calcular a taxa de inflação do ano X2 em relação ao ano X1, utiliza-se o ano X1 como base, conforme abaixo: Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 101 Taxa de inflação do ano X2 = ((IPC no ano X2 – IPC no ano X1) / (IPC no ano X1)) x 100 E assim sucessivamente para os anos subsequentes, ou de quando se queira calcular. Exemplo 2: imagine que o cálculo do custo da cesta de produtos do país Beta já foi definido e feito de forma que se chegou aos números-índices que estão na Tabela 3 abaixo. Qual foi a taxa de inflação anual (de um ano para outro)? Tabela 3 – Cálculo da taxa de inflação anual Ano Número-índice Como é feito o cálculo utilizando a fórmula de cálculo Taxa de inflação anual (%) X0 100 - - X1 108 ((108 – 100) / (100)) x 100 8,00% X2 110 ((110 – 108)) / (108)) x 100 1,85% X3 109 ((109 – 110) / (110)) x 100 -0,91% X4 111 ((111 – 109) / (109)) x 100 1,83% Fonte: preparado pela autora Exemplo 2.1: ainda se utilizando dos dados da Tabela 3, qual foi a taxa de inflação acumulada ao longo dos quatro anos? O resultado pode ser observado na Tabela 4, abaixo: Tabela 4 – Cálculo da taxa de inflação acumulada Ano Número-índice Como é feito o cálculo utilizando a fórmula de cálculo Taxa de inflação acumulada (%) X0 100 - - X1 108 ((108 – 100) / (100)) x 100 8,00% X2 110 ((110 – 100)) / (100)) x 100 10,00% X3 109 ((109 – 100) / (100)) x 100 9,00% X4 111 ((111 – 100) / (100)) x 100 11,00% Fonte: preparado pela autora 102 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Observe que, para obter a taxa acumulada de um determinado período, a base será sempre o ano X0, ou seja, quando se quer obter o acumula- do de um determinado período, utiliza-se como ponto de partida para o cálculo o ano do qual se quer partir para fazer o acumulado, ou seja, a taxa de inflação acumulada para os quatro anos é de 11%. No entanto, fazendo da forma como está apresentado na Tabela 4, tem-se o acumu- lado para os períodos anteriores também, como, por exemplo, a taxa de inflação acumulada em três anos foi de 9,00%. Correção de variáveis econômicas dos efeitos da inflação Uma importante utilidade para o uso do índice de inflação é a correção de dívidas, salários e demais investimentos em diferentes épocas, pois um dos principais objetivos de se medir o nível geral de preços na economia é ter condições de comparar valores monetários em diferentes momen- tos do tempo. Para tanto, são utilizados os números-índices mencionados acima e serão eles a referência para esses cálculos, uma vez que esse ín- dice determina o tamanho da correção da inflação. Exemplo 3: imagine uma pessoa que tinha um salário de R$ 2.000,00 no ano X1 e essa mesma pessoa chega no ano X4 ganhando R$ 3.000,00, e ela quer avaliar se seu salário atual está compatível, menor ou maior ao que ela recebia no ano X1. Para essa análise, o ponto de referência é a taxa de inflação desse período e, dessa forma, essa pessoa inicia considerando essa taxa de inflação, para, em um segundo momento, fazer a compara- ção desejada. Para esse cálculo, serão utilizados os números-índices da Tabela 3. Portanto, inicia-se o cálculo considerando os números-índices dos anos X1 e X4 que serão aplicados de acordo com a fórmula abaixo: Salário em R$ do ano X1 = salário em R$ do ano X4 (Nível de preços no ano X4 - nº índice / Nível de preços no ano X1 - nº índice) R$ 2.000,00 x (111 / 108) = R$ 2.000,00 x 1,0277 = R$ 2.055,56 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 103 O salário de R$ 2.000,00 recebido no ano X1 é equivalente a um salário atual de R$ 2.055,56, ou seja, ao comparar com o seu salário atual de R$ 3.000,00, entende-se que essa pessoa teve um ganho real de R$ 944,44, fi- cando acima da inflação, pois, considerando apenas a inflação, ela atingi- ria um salário nos dias atuais (ano X4) no valor de R$ 2.055,56. Esse ganho real pode ser atribuído a vários fatores: a) mudança de cargo; b) mudança de emprego para outra empresa e outros fatores conhecidos apenas por quem está fazendo a respectiva análise. O próximo tópico apresentará os principais índices de inflação calculados no Brasil, bem como suas principais características. ASSIMILE A apuração da variação da taxa de inflação de um período para outro deve ser feita sempre utilizando dois períodos que compõem o tempo que está se avaliando o comportamento da inflação. Por exemplo: neste momento, estou no mês X8 e quero comparar o preço do produto Beta de hoje (mês X8) com relação ao preço dele no mês X1. Veja que tenho dois períodos. Portanto, utiliza-se a seguinte fórmula: ((mês X8 / mês X1) - 1) x 100, para obter a variação da inflação absorvida por esse produto nesse período, cujo resultado será inter- pretado da seguinte forma: o preço que pago hoje (mês X8) pelo produto Beta variou que proporção em relação ao mês X1? O resultado da equação dá essa variação e, nesse caso, posso comparar com a variação de outros produtos ou da taxa de inflação que é calculada pelo governo e ver se esse produto está muito acima, igual ou muito abaixo em relação à inflação média do país. Veja um exemplo a seguir. 104 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros EXEMPLIFICANDO O produto Beta no mês atual (X8) custa R$ 10,00, sendo que no mês X1 ele custava R$ 6,00. Qual foi a variação da taxa de inflação do produto Beta nesse período? Utilizo-me da fór- mula mencionada em “Assimile” e chego ao seguinte resulta- do: (R$ 10,00 / R$ 6,00) - 1) x 100 = 67%. Portanto, o produto teve nesse período um aumento de 67%. No entanto, a in- flação do país ficou em 10% nesse período, mostrando que esse produto que utilizo, de forma isolada, teve um aumento muito maior que a inflação média do país. 2.1.3. Quais são os índices de inflação calculados no Brasil O Brasil, por meio do IBGE, FGV, acompanha os índices de preços ao con- sumidor e para a indústria. Como já mencionado no tópico 1.1.1, o país trabalha com sistema de metas de inflação. Para isso, definiu não como índice oficial de inflação, mas como índice utilizado como referência para as decisões de política monetária, visando manter sob controle a inflação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Esse índice é calculado pelo IBGE e acompanhado sistematicamente pelas autoridades monetárias do Banco Central. Além desse índice, a Tabela 5 traz demais índices que são calculados e utilizados pelos indivíduos e empresas para eventuais correções monetárias e decisões de investimentos. Tabela 5 – Principais índices de preços no Brasil Instituto que calcula Índice Índices componentes Faixa de renda da pesquisa Área de abrangência IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) IPCA-15 Não há 1 a 40 salários mínimos 11 maiores regiões metropolitanas do Brasil IPCA (meta de inflação para política monetária) INPC 1 a 8 salários mínimos Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 105 FGV (Fundação Getúlio Vargas) IGP-10 IPA (60%)* 1 a 33 salários mínimos. Estes índices sofrem forte influência da taxa cambial 12 maiores regiões metropolitanas do Brasil IPC (30%)* INCC (10%)* IGP-M (se difere do IGP-10 apenas peladata de coleta e de divulgação IPA (60%)* IPC (30%)* INCC (10%)* IGP-DI (se difere do IGP-10 e IGP-M apenas pela data de coleta e de di- vulgação) IPA (60%)* IPC (30%)* INCC (10%)* Fonte: preparada pela autora É importante destacar que, além dos índices apresentados na Tabela 5, existem outras instituições que calculam e divulgam outros índices de in- flação, mas que são esses os considerados de maior credibilidade pelo mercado. Um bom exercício para entender os efeitos da inflação é realizar um exercício sobre nosso cotidiano. Elabore uma planilha para compu- tar os seus gastos pessoais, buscando identificar os seus custos e o respectivo comportamento sobre a sua vida financeira. Identifique dentro dos levantamentos quais gastos são essenciais para sua so- brevivência, ou seja, aqueles que mensalmente você tem (exemplo: alimentação básica, luz, água, aluguel, transporte, etc.). Componha sua cesta de produtos e identifique qual o seu custo mensal e compa- re com a evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador utilizado pelo governo como inflação do país. O acompanhamento do índice pode ser feito pelo link: <www.ibge.gov. br>. Compare seus custos com o seu rendimento e veja se ele está acompanhando ou você está perdendo para a inflação. QUESTÃO PARA REFLEXÃO 106 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 3. Considerações Finais • É considerada inflação o aumento persistente e generalizados dos preços, com impacto sobre a economia como um todo. • A inflação em níveis altos compromete o poder aquisitivo das pes- soas e os ganhos das empresas, com consequente impacto sobre o consumo das famílias. Por essa razão, o governo brasileiro exerce forte controle sobre ela utilizando-se de metas de inflação (IPCA) e de instrumentos de política monetária, como, por exemplo, a taxa de juros básica (taxa Selic). • Os índices de inflação são parâmetros importantes de correção do dinheiro ao longo do tempo e são calculados tanto considerando os preços absorvidos pela indústria (IGP) como os preços pagos pelo consumidor (IPC). Glossário • Monopólio: uma única empresa que domina o mercado, não ten- do produto substituto próximo além do que é fornecido pela em- presa. Não tem concorrência. Exemplo: Petrobrás. • Oligopólio: pequeno número de empresas que domina um deter- minado setor. Exemplo: telecomunicações no Brasil. O mercado é grande, no entanto, dominado por poucas empresas. • Taxa de câmbio: o preço que se paga pela troca de uma moeda nacional por uma moeda estrangeira. VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 5 1. A inflação de demanda é: a) O aumento dos custos de produção. b) O aumento dos preços por meio das taxas de juros. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 107 c) O aumento dos preços em função do aumento da de- manda por bens e serviços versus a baixa capacidade de oferta agregada para atender a essa demanda. d) O aumento dos preços em função do aumento da ofer- ta agregada juntamente com a demanda agregada. e) O aumento dos preços em função do aumento apenas da oferta agregada. 2. A inflação pode ser conceituada como sendo: a) O aumento persistente e generalizado de preços em um determinado período, com impacto sobre outros produtos da cadeia produtiva. b) O aumento de preços de um determinado produto apenas. c) O aumento de preços advindos do mercado interna- cional. d) O aumento de preços causados pelo controle do governo. e) O aumento de preços que atinge apenas a indústria. 3. A inflação de custos é: a) O aumento de preços causado pelo aumento da de- manda versus aumento da oferta agregada. b) O aumento de preços causado pelo aumento da oferta agregada apenas. c) O aumento de preços causado pelo aumento da de- manda agregada apenas. d) O aumento de preços causado pelo aumento dos cus- tos de produção, especialmente em função de aumen- tos salariais. e) O aumento de preços causado pelo aumento da oferta de moeda. 108 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Referências Bibliográficas VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B. (Orgs.) Manual da economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. MANKIW. Introdução à economia. 6. ed. São Paulo: Cengage, 2014. ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Curso de administração financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. Gabarito – Tema 05 Questão 1 – Resposta: C O aumento dos preços em função do aumento da demanda por bens e serviços versus a baixa capacidade de oferta agregada para aten- der a essa demanda. Não tem a ver com o aumento dos juros e nem tampouco com o aumento dos custos de produção. Questão 2 – Resposta: A O aumento persistente e generalizado de preços em um determina- do período, com impacto sobre outros produtos da cadeia produti- va. Quando há aumento de preço de um produto sem que ocorra um efeito multiplicador para demais produtos da cadeia produtiva, não se constitui inflação. Questão 3 – Resposta: D O aumento de preços causado pelo aumento dos custos de produ- ção, especialmente em função de aumentos salariais. Esse tipo de inflação está totalmente relacionado ao aumento nos custos de pro- dução e não está vinculado ao aumento da demanda com baixa ofer- ta agregada. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 109 TEMA 06 POLÍTICA MONETÁRIA E OS JUROS Objetivos • Conceituar política monetária e as funções da moeda. • Conhecer as funções do Banco Central e os instrumen- tos de controle monetário. • Entender o papel da taxa de juros, o conceito de juros nominais e reais e as taxas disponíveis no mercado brasileiro. 110 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Introdução No Tema 5, foi abordado o conceito de inflação e as suas causas. Foi men- cionado também que dentre as principais causas que geram a inflação de demanda estão: a) o aumento da renda disponível ou; b) o aumento do estoque de moedas em circulação em função de emissão feita pelo gover- no visando cobrir os seus gastos. Dessa forma, o governo pode atuar de duas maneiras: a) ações de política monetária para ter controle sobre o estoque de moeda disponível para o consumo em função do aumento da renda disponível e; b) controle dos seus gastos de forma que não emita mais moeda para cobrir suas dívidas. Nesse contexto, foi mencionado também que o Brasil tem como principal premissa macroeconômica a manutenção da inflação em níveis baixos e controláveis, especialmente pela herança histórica negativa que o país tem em relação ao forte descontrole inflacionário ocorrido em meados dos anos 1980 e início dos anos 1990 e que, na busca por esse controle inflacionário, passou, a partir dos anos 1990, a trabalhar com sistema de metas inflacionárias (target inflation), cujo principal instrumento utilizado para esse controle é a definição da taxa de juros básica por meio de polí- tica monetária. Portanto, com este Tema, busca-se elucidar o funcionamento da política monetária vigente no país como instrumento de gestão para o controle da inflação e os impactos de suas ações para os juros brasileiros, tendo a taxa básica de juros como um desses instrumentos, o conceito de juros nominais e reais e a apresentação dos índices financeiros como instru- mentos de correção dos recursos destinados a investimentos e financia- mentos, de forma que a moeda não perca seu valor ao longo do tempo. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 111 1. Política monetária: Moeda e Banco Central Política monetária é um dos pilares da política macroeconômica que tem por principal objetivo definir as condições de liquidez da economia. Por meio do Banco Central, o governo gerencia a quantidade ofertadade mo- eda, o nível da taxa de juros e outros. Diferentemente da política fiscal, que afeta diretamente a demanda agregada de produtos por meio da ar- recadação de impostos e do gasto público, a política monetária afeta essa demanda de forma indireta, por meio de intervenções no mercado finan- ceiro com impacto sobre os juros. O conceito de liquidez é importante para o entendimento da razão pela qual o governo utiliza política monetária para o seu controle, pois o mes- mo parte do princípio de que quanto mais dinheiro disponível em circula- ção na economia, maior é a probabilidade de consumo, e se entendermos que o seu principal objetivo é manter a inflação sob controle, em uma situação de desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos de uma PARA SABER MAIS Segundo Dana (2015, p. 28), “liquidez é uma medida da facili- dade do uso do dinheiro. Quanto maior a liquidez, mais fácil é usar o valor que se tem em prol do desejo de se obter algo de forma imediata”. Suponha que você tenha um carro cujo valor é de R$ 50.000,00. Inesperadamente surgiu uma dívida que você precisa saldar no valor de R$ 30.000,00. Veja que você tem um bem com um valor que cobre essa dívida, no entanto, você não consegue converter esse bem em dinheiro rapidamente, ou seja, o carro não é um bem líquido. O ativo financeiro mais líquido que existe é o próprio dinheiro, no en- tanto, ele por si só não tem rendimento e se não for devida- mente aplicado, tende a perder seu valor ao longo do tempo. 112 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros determinada cadeia, com a liquidez alta, os consumidores se sentirão mo- tivados a consumir mais, colocando em risco os preços, podendo vir a se converter em um processo inflacionário. Para entendermos melhor todo esse raciocínio, a seguir, serão apresenta- dos os conceitos sobre a moeda, as funções do Banco Central e os instru- mentos de controle da liquidez. 1.1. Moeda: funções, oferta e demanda Segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 217), “a importân- cia da moeda para a vida das pessoas e sua influência na economia faz com que este seja um dos principais assuntos de estudos econômicos. Entender como esta afeta o sistema econômico é um tema bastante con- troverso na economia”. Portanto, o primeiro passo é saber o que é moeda. Moeda é definida como um ativo utilizado, em geral, nas transações de compra e venda de bens e serviços em uma sociedade. Vale destacar que, além da moeda, poderia ser outro ativo a ser utilizado para a efetivação das transações, desde que esse ativo fosse aceito em forma de pagamen- to. A definição desse ativo variou ao longo do tempo entre diferentes civi- lizações, chegando aos dias de hoje como forma de moeda. Portanto, ain- da segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 217), “a moeda é o instrumento básico para que se possa operar o mercado”. A partir desses conceitos, definiu-se, portanto, suas funções e tipos, que podem ser vistos logo abaixo. 1.1.1. Funções e tipos A instituição da moeda como um intermediário de trocas, ou seja, como ativo utilizado para o estabelecimento das transações de compra e ven- da de bens e serviços na sociedade, desvinculou a necessidade da dupla coincidência de interesses que se tinha em um passado longínquo, quan- do o sistema de escambo era um dos sistemas utilizados para atender às necessidades das pessoas. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 113 PARA SABER MAIS Escambo é um sistema de transação de compra e venda de bens e serviços utilizado em um passado longínquo, quando não se tinha a moeda como instrumento principal para essa troca. O escambo é, por definição, um instrumento de troca que se concretiza quando coincide os interesses dos agentes envolvidos na transação em comercializar algo, ou seja, não é simplesmente trocar bens e serviços, por exemplo, farinha por açúcar, o escambo se concretiza na medida em que al- guém que está disposto a vender farinha em troca de com- prar açúcar encontre alguém que esteja disposto a comprar farinha em troca de vender açúcar. Dessa forma, a moeda tira o entrave da coincidência das transações e permite uma separação de tempo entre o que se compra e o que se ven- de, conforme mencionado no conceito de escambo. Funções da moeda: a moeda tem 3 funções: • meio de troca: aquilo que os compradores dão aos vendedores quando desejam adquirir bens e serviços; • unidade de conta: instrumento que as pessoas usam para anun- ciar preços e registrar débitos, ou seja, pelo qual as mercadorias são cotadas; • reserva de valor: representa o poder de compra que é mantido ao longo do tempo, ou seja, por meio dela é possível medir a riqueza de um indivíduo ou de um país. É importante ressaltar que a moeda passou por diversos estágios, visan- do atender às necessidades das pessoas de acordo com os estágios das civilizações. 114 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Tipos de moedas: segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 220): [...] a moeda evoluiu da chamada moeda-mercadoria (boi, sal, etc.), pas- sando pela moeda metálica (moedas de ouro, prata e outros metais pre- ciosos), moeda-papel (que correspondia a notas que possuíam lastro em ouro), para finalmente chegar ao papel-moeda, para o qual não existe qualquer tipo de lastro e sua aceitação se dá por imposição legal e pela credibilidade conferida pelo governo a esta nota. É nesse último estágio que o sistema financeiro se encontra. O conceito do papel-moeda denota que a moeda não tem qualquer valor intrínseco, de maneira que seu valor é dado pelo seu poder de compra e não por qualquer coisa que a lastreie. Lastro é um ativo ou uma mercadoria que sustenta o valor de uma moeda, ou seja, em que a moeda-papel pode ser convertida (exemplo: quando eram usadas, o ouro era o principal lastro, ou seja, uma nota representava uma determinada quantidade de ouro). A partir do entendimento das funções da moeda, é possível analisar quem demanda e quem oferta as moedas, que se configura em um movimento importante para avaliar liquidez, instrumentos e a interferência do gover- no com impacto no mercado da taxa de juros. 1.1.2. Demanda e oferta da moeda DEMANDA: por que as pessoas demandam moedas? É importante entender a relação dos três motivos que levam as pesso- as a demandarem moedas do sistema financeiro. Essa avaliação inicia-se pela primeira função da moeda, que é entendida como meio de troca. Os indivíduos, quando realizam suas trocas, necessitam de moedas e, por- tanto, esse é o primeiro motivo para sua demanda, também chamada de motivo transacional. Como os indivíduos não demandam moedas sem um objetivo, se fosse a troca o único objetivo, os preços dos bens seriam determinados pela quantidade de moeda. A Teoria Quantitativa da Moeda diz que o total de moeda disponível na economia multiplicado Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 115 pela velocidade de circulação da mesma deve se igualar ao que está sen- do ofertado em termos de preços e de quantidade de bens, pois, do con- trário, o efeito é de desequilíbrio dos preços. Em um cenário em que se tem a velocidade de circulação da moeda constante e o produto ofertado também constante no curto prazo, se houver elevação na quantidade de moeda, haverá o risco de elevação de preços na economia. A velocidade de circulação da moeda diz respeito ao número de transações que são liquidadas com a mesma unidade monetária em um determinado pe- ríodo de tempo. O segundo motivo para a demanda de moedas está relacionado ao fato de os indivíduos vincularem a moeda a uma reserva de valor a fim de ga- rantirem hoje as incertezas do futuro e, portanto, guardam suas moedas para se protegerem de situações inesperadas. Nesse caso, essemotivo é conhecido como motivo de precaução. Aqui vale ressaltar que o indi- víduo, nesse caso, não está preocupado em ter ganhos extraordinários por suas aplicações, mas sim em tê-la para uma necessidade a qualquer momento. Dessa maneira, não se aplica essa moeda em títulos ou outros ativos que não sejam líquidos, pois como já mencionado, o ativo mais líquido é o próprio dinheiro, que estará disponível a qualquer momento que seja necessário. O terceiro motivo para a demanda da moeda é o motivo da especulação, ou seja, o indivíduo guarda moeda visando esperar o melhor momento para comprar títulos, de forma que tenha uma boa rentabilidade. A ren- tabilidade de um título é vista como os juros pagos pela aplicação de seu capital e segue a seguinte fórmula: P = R / r Em que: P = preço do título; R = rendimento; r = taxa real de juros. Exemplo: um título de 12 meses foi comprado com um valor de face de R$ 1.000,00, cujo rendimento é de R$ 100,00, que representa uma taxa de 116 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros juros de 10% para ser resgatado nesse prazo, ou seja, daqui a 12 meses. Supondo que antes de seu vencimento (12 meses) a taxa de juros que está sendo paga pelo governo caia para 20%, qual será o novo valor do título? Situação inicial: P = R / r P = 100 / (10 / 100) P = 100 / 0,10 = 1.000,00 1ª hipótese: Taxa de juros caiu para 20%, qual será o novo valor do título? P = 100 / (20 / 100) P = 100 / 0,20 = 500,00 A fórmula nos mostra que o preço do título é a capitalização do rendimen- to, em que, se a taxa de juros sobe, o preço do título cai, e o inverso tam- bém é verdadeiro, ou seja, se a taxa de juros cai, o preço do título sobe. Essa lógica é válida também para outros tipos de títulos. Os três motivos pelos quais os indivíduos demandam moeda devidamente vinculados às suas funções dão embasamento para ações de política monetária feitas pelo Banco Central, cujo principal objetivo é manter sob controle a infla- ção. Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 224) fazem uma análise sobre isso: segundo os autores: Suponha que na economia só existam dois ativos, moeda e títulos, e que o estoque de riqueza seja fixo. Um aumento na taxa de juros significa uma queda no preço dos títulos, logo, aumentará a demanda pelos títulos. Como o estoque de riqueza é fixo, diminuirá a demanda por moeda. No entan- to, uma queda na taxa de juros desembocará em movimento contrário. Percebe-se, portanto, que neste caso a demanda de moeda é inversa- mente relacionada à taxa de juros. Dessa forma, quanto maior a taxa de juros menor será a demanda por moeda. Na prática, isso quer dizer que, se a demanda por moeda for menor, a chance de consumo diminuirá também, não colocando em risco a infla- ção. Em suma, em uma situação de inflação alta, a primeira função da moeda que é afetada é de reserva de valor, pois a moeda enfraquece e perde seu valor ao longo do tempo. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 117 Assim como tem a demanda por moedas, é importante que se fale tam- bém sobre a oferta de moedas, conforme segue. OFERTA: quem é o responsável pela oferta de moeda? Igualmente a todos os mercados, no mercado monetário de moedas, se há demanda por moedas, tem que haver também oferta de moedas. No Brasil, o governo controla a quantidade de moeda que é ofertada na eco- nomia, lembrando que esse é um sistema sem lastro, de forma que, como já mencionado, sua aceitação se dá por imposição legal e pela credibili- dade conferida pelo governo a ela, e o responsável pelo controle dessa oferta no Brasil é o Banco Central, sendo também o seu emissor, cuja principal responsabilidade é zelar pela sua qualidade. Dessa maneira, o Banco Central atua sobre: a) a quantidade da moeda na economia; b) a capacidade de concessão de empréstimos por meio dos bancos comer- ciais; e c) a regulação da liquidez do mercado monetário, garantindo que o estoque de moedas esteja compatível com a produção de bens e servi- ços de maneira a manter sob controle a inflação. No tópico sobre tipos de moedas, foi mencionada a evolução de como as moedas foram sendo construídas ao longo do tempo pelas diferentes civilizações e, portanto, chegando ao estágio atual que é o de papel-mo- eda. Dessa forma, existe sobre o papel-moeda outra classificação que é considerada na prática atual: a) as moedas metálicas, que nada têm a ver com a moeda metálica citada no passado, mas sim sendo ela emitida pelo Banco Central e que tem valor fracionado (é a moeda que as pessoas carregam no bolso); b) papel-moeda, que também é emitida pelo Banco Central (é a moeda em forma de papel que as pessoas também carregam em seu bolso); e c) moeda escritural, que são os depósitos à vista feitos pelos indivíduos junto aos bancos comerciais. A soma desses três tipos de moedas (metálica, papel-moeda e moeda escritural) formam os meios de pagamento. Portanto, os meios de paga- mento dizem respeito a tudo que está em forma de dinheiro (liquidez) e disponível no mercado, pois refere-se ao que está nas mãos das pessoas 118 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros e a tudo que está em forma de depósito em banco, porém não vinculado a nenhum tipo de aplicação. Portanto, os meios de pagamento têm duas características importantes: a) têm liquidez imediata, ou seja, podem ser usados imediatamente para efetuar transações; e b) não rendem juros. LINK Os volumes dos meios de pagamento podem ser obtidos di- retamente do Banco Central do Brasil, no Capítulo II – Moeda e Crédito, da página de Indicadores Econômicos no site do Banco. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/ Port/indeco.asp>. Acesso em: 20 jul. 2018. Há dois agentes na economia em condições de OFERTAR MOEDA: • Banco Central: detentor do papel-moeda e capaz de emitir novas moedas. • Bancos comerciais: atuam na multiplicação dos depósitos à vista em forma de crédito para a economia, pois há uma tendência global em manter saldos monetários ociosos. Portanto, os bancos comerciais são agentes multiplicadores dos depósi- tos à vista. E como isso é feito? • Os bancos comerciais partem de um depósito inicial. • Entende-se que os recursos depositados pelas pessoas não são sacados simultaneamente e todos de uma só vez. • Dessa forma, os bancos precisam deixar uma reserva desse dinhei- ro (para ele e para o Banco Central) e podem emprestar o restante ao sistema financeiro, sendo essa uma prática de oferta de moeda para a economia. • A partir desse processo, o cliente que tomou o empréstimo advindo dessa multiplicação de moeda irá fazer um novo depósito, podendo ser no mesmo banco ou em outro, e dessa forma o processo vai se repetindo. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 119 Exemplo dessa multiplicação de depósitos à vista. 1ª etapa: o Banco A recebe um total de depósito de R$ 1.000,00. Retém uma reserva de 30% (R$ 300,00) para fazer frente às necessidades de saques, sendo 10% de necessidades de saques (voluntário) e 20% de (taxa/depósito compulsório do Banco Central) e empresta o restante: R$ 1.000,00 – R$ 300,00 = R$ 700,00. 2ª etapa: o cliente que tomou emprestado R$ 700,00 deposita esse valor no Banco B. O Banco B retém os mesmos 30% (R$ 210,00) e empresta o restante: R$ 700,00 – R$ 210,00 = R$ 490,00. Como o depósito está se reduzindo a cada etapa, o processo continuará até “zerar”. O efeito final será dado por um multiplicador. Como, no exemplo, as reservas bancárias representam 30% (0,30), o multiplicador final será de 1/30 = 3,33, isso é, o valor inicial de R$ 1.000,00 transforma-se em um acréscimo de meios de pagamento de R$ 3.333,00 para a economia. Portanto, essa é a forma que o Banco Central tem de influenciaresse poder de multiplicar, por meio de um dos instrumentos de política mo- netária chamado de depósitos compulsórios. Os depósitos compulsó- rios são um dos instrumentos de controle sobre a quantidade de moeda ofertada ao mercado, pois quanto mais ele eleva a taxa desse depósito, menos dinheiro se converte para a economia e o contrário também é verdadeiro. Portanto, os meios de pagamento correspondem ao total de moedas que visam liquidar as transações, conhecido no mercado como M1, ou seja, o papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista, tendo, por- tanto, liquidez absoluta. No entanto, segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 229): 120 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros [...] o avanço do sistema financeiro e o processo de inovações financeiras fazem com que vários outros ativos apresentem elevado grau de liquidez, por exemplo, os fundos de aplicação financeira, os certificados de depósi- tos bancários e etc. Isso dificulta a conceituação de meios de pagamento. Para lidar com esse problema, desenvolveram-se novas medidas de meios de pagamento que buscam incorporar outros ativos que possuem elevada liquidez. Esses novos ativos também são chamados de quase-moedas. A incorporação destes gera outros agregados monetários (M2, M3 e M4) que correspondem à agregação de novos ativos, de acordo com seu grau de liquidez, ao conceito de moeda. A Tabela 1 mostra a composição desses ativos, também conhecidos como agregados monetários. Tabela 1 – Meios de pagamento – Agregados monetários MEIO DE PAGAMENTO COMPOSIÇÃO M1 Papel-moeda em poder do público + os depósitos à vista nos bancos comerciais públicos e privados – LIQUIDEZ TOTAL, LIVRE ACEITAÇÃO E NÃO RENDEM JUROS. M2 É o M1 + os depósitos especiais remunerados, mais os depósitos de poupança, mais os títulos emitidos no mercado primário pelas insti- tuições financeiras. RENDEM JUROS. M3 É o M2 + as cotas de fundos de renda fixa e mais as operações com- promissadas com títulos federais que funcionam como moeda. REN- DEM JUROS. M4 É o M3 + os títulos emitidos pelo sistema emissor público, como as Letras do Tesouro Nacional (LTN), emitidas pelo Governo Federal. RENDEM JUROS. Fonte: adaptado de Dana (2015, p. 33) Sobre a oferta da moeda na economia, os principais pontos foram abor- dados neste tópico, sendo que as funções do Banco Central e os instru- mentos utilizados por ele para o controle da liquidez serão vistos no tópi- co seguinte. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 121 1.2. Funções do Banco Central e instrumentos de controle monetário No tópico sobre oferta de moeda, já foram mencionadas algumas das funções do Banco Central e alguns instrumentos de controle monetário, no entanto, vale reforçar que o Banco Central é considerado pelo mer- cado como o Banco dos Bancos e em muitos países é o responsável pela regulamentação e fiscalização dos sistemas financeiros. No Brasil, ele tem outras funções além dessas, que é também administrar as reservas inter- nacionais do país e atuar junto à política cambial. No contexto da política monetária, esta tem como função tomar ações por meio de instrumentos monetários (exemplo: taxa de juros), visando manter a liquidez da moeda com impacto sobre a economia como um todo, especialmente sobre o mercado de crédito e a inflação. Portanto, esse controle pode vir pela adoção de uma política monetária restritiva ou expansionista, cujos impactos podem ser observados na Tabela 2, abaixo. Tabela 2 – Impacto da política monetária sobre liquidez, crédito e inflação Política monetária Ação do governo Efeito sobre a QUANTIDA- DE DA MOEDA (LIQUIDEZ) Efeito sobre o CRÉDITO Efeito sobre a INFLAÇÃO Restritiva ELEVAÇÃO DA TAXA DE JUROS Queda na quantidade de moeda em circulação (reduz liquidez) Elevação dos custos dos empréstimos Evita o au- mento dos preços Expansio- nista REDUÇÃO DA TAXA DE JUROS Elevação na quantidade de moeda em circulação (aumenta liquidez) Redução dos custos dos empréstimos Ameaça de elevação dos preços Fonte: adaptado de Dana (2015, p. 57-58) Portanto: entende-se como política monetária, segundo Dana (2015, p.33) “o conjunto de medidas adotadas pelo governo visando adequar os meios de pagamentos disponíveis às necessidades da economia do país, com controle sobre a oferta de moeda e de crédito”. Dessa forma, vale fazer uma análise da postura do governo em adotar uma política monetária 122 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros restritiva ou expansionista, dependendo da situação macroeconômica vi- gente, cuja distinção entre essas políticas está na forma como o Banco Central conduz a taxa de juros básica (taxa Selic), um de seus principais instrumentos, visando sempre preservar o controle da inflação. Sendo as- sim, utilizando-se da taxa de juros como um desses instrumentos de con- trole da liquidez e, de acordo com o que a Tabela 2 nos mostra, em uma: • política monetária restritiva, cuja ação é elevar a taxa de juros, a quantidade de moeda em circulação diminui, pois a sociedade se sente mais motivada em manter os seus recursos em aplicações mais rentáveis em função da elevação da taxa de juros e, portanto, menos motivadas a consumir, colocando menos pressão sobre os preços e, consequentemente, sobre a inflação; • política monetária expansionista, cuja ação é reduzir a taxa de juros, a quantidade de moeda em circulação aumenta, pois a socie- dade se sente menos motivada em manter os seus recursos em aplicações menos rentáveis em função da queda da taxa de juros e, portanto, mais motivadas a consumir, colocando mais pressão sobre os preços e, consequentemente, sobre a inflação. Outro instrumento que o Banco Central utiliza para controlar a liquidez do mercado de moedas e que afeta os volumes disponíveis de crédito com impacto nas taxas de juros é o depósito compulsório. Os bancos co- merciais, ao receberem os depósitos à vista, por ordem do Banco Central, enviam diariamente uma parcela desses depósitos que se transformam em reservas bancárias (compulsórias). O objetivo é proteger o sistema financeiro de possíveis riscos de default. Essa parcela é conhecida como depósito compulsório e seu volume é estabelecido em termos percentu- ais pelo governo, de tal sorte que, quanto maior esse percentual, maior serão as reservas enviadas ao Banco Central e, consequentemente, me- nos moedas circularão na economia. O Banco Central se utiliza muito des- se mecanismo, também quando quer estimular o consumo e ativar a eco- nomia e, nesse caso, reduz os depósitos compulsórios, fazendo com que aumente o volume de moedas em circulação. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 123 Além desse instrumento, outros podem ser observados na Tabela 3, abaixo. Tabela 3 – Instrumentos da política monetária do Banco Central do Brasil DEPÓSITO OU RECOLHIMENTO COMPULSÓRIO REDESCONTO OU EMPRÉSTIMO DE LIQUIDEZ MERCADO ABERTO OU OPEN MARKET CONTROLE E SE- LEÇÃO DE CRÉ- DITO Obriga os ban- cos comerciais e instituições finan- ceiras a depositar no Banco Central parte de seus de- pósitos à vista. Quando os bancos co- merciais têm necessida- des de caixa e não conse- guem buscar em outros bancos, a operação de redesconto é feita com o Banco Central com o ob- jetivo de socorrê-los. É por meio des- sa operação que o Banco Central compra e vende títulos diretamen- te das instituições financeiras. Estabelece controle direto sobre preço e volume do cré- dito. Fonte: preparado pela autora com informações retiradas de Dana (2015, p. 30) É importante ressaltar que o Banco Central toma decisões de políticamo- netária com embasamento técnico, ou seja, não tem influência política em suas decisões. Operacionalmente falando, segue um cronograma de reu- niões de política monetária conhecida no mercado como COPOM, em que faz análise técnica e discussões em torno do patamar ideal da taxa de juros com base na situação econômica vigente, cujo foco principal é sempre o controle sobre a inflação. São nessas reuniões que a decisão sobre a taxa básica de juros é tomada, cuja periodicidade entre uma reunião e outra é de aproximadamente 40 dias, sendo, em seguida, informadas ao mercado. O próximo tópico abordará o conceito de taxa de juros, a diferença en- tre os juros nominais e reais, bem como as taxas utilizadas no mercado brasileiro. 2. Taxa de juros: Conceito e tipos Para que se conceitue taxa de juros, é importante antes conceituar juro. Juro é a remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao dono do capital, ou seja, é o preço ou o valor do dinheiro. Matematicamente, 124 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros a taxa de juros é a relação entre o valor dos juros pagos (ou recebidos) no final de um determinado período de tempo e o valor do capital inicial- mente emprestado (ou aplicado). Dessa maneira, representando a taxa de juro pela letra i, o valor dos juros pela letra J e o valor do capital inicial (também conhecido por principal, valor presente ou valor atual) pela letra P, tem-se que: i = (J / P) x 100. A taxa pode também ser definida como: a) determinado valor que se pode atribuir ao tempo; b) cobertura de riscos assumidos pelo emprestador; c) valor que compensa a perda de oportu- nidades de utilização do dinheiro; e d) retorno obtido pelo investimento produtivo do capital. Entendido o conceito de juro e de taxa de juros, é relevante entender a di- ferença entre o juro nominal e o juro real, que estão nos tópicos seguintes. 2.1.1.Taxa de juros nominal e real O que diferencia o conceito de taxa de juros nominal e real é a inflação. Taxa de juros nominal: é aquela que é meramente indicativa sobre o ganho monetário sobre uma determinada aplicação financeira, não con- siderando o comportamento da inflação. Exemplo: uma pessoa faz uma aplicação na data de hoje de R$ 200,00 e daqui a um mês ela resgata R$ 220,00. Nesse caso, qual será a taxa nominal dessa aplicação? i = (J / P) x 100, de acordo com a fórmula mencionada acima. i = (20,00 / 200,00) x 100 = 0,1 x 100 = 10% Em que: R$ 20,00 é o valor do juro, ou seja, R$ 220,00 – R$ 200,00. Taxa de juros real: é a taxa obtida após descontado o efeito da inflação, ou seja, refere-se ao ganho que se obtém em termos de poder de com- pra por determinada aplicação. Seu cálculo é feito considerando a taxa de juros nominal e a inflação do período que se queira calcular, que vai Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 125 apontar o ganho real de determinada aplicação, pois além do juro nomi- nal, desconta-se a inflação do período que, economicamente falando, é a perda de valor da moeda. Seu cálculo é feito da seguinte forma: ir = (((1+(iNominal/100))/(1+(iInflação/100)))-1) x 100 Exemplo: utilizando o exemplo acima, em que a taxa de juro nominal da aplicação foi de 10%, qual foi o juro real dessa aplicação, considerando para esse mesmo período uma inflação de 3%? ir = (((1+(10/100))/(1+(3/100)))-1) x 100 ir = ((1+0,10) / (1+0,03))-1) x 100 ir = ((1,10) / (1,03))-1) x 100 ir = ((1,06796)-1) x 100 ir = 0,06796 x 100 = 6,796% arredondamento para 6,80% Portanto, a taxa de rentabilidade real é de 6,80%, pois nesse período foi tirado o efeito da inflação. 2.1.2. Taxas de juros utilizadas no Brasil Taxa Selic: essa taxa é apurada no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), por isso é chamada de taxa Selic e não pode ser confundi- da com a taxa básica de juros, também chamada de Selic, definida pelo Banco Central para os juros básicos da economia. Ela é obtida ao se cal- cular a taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia e essa taxa remunera títulos públicos federais. Taxa CDI: o termo CDI significa Certificado de Depósitos Interbancários. Essa taxa é utilizada para operações de curtíssimo prazo entre bancos, ou seja, é a taxa cobrada entre bancos quando estes buscam recurso 126 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros financeiro entre si para fechar seu caixa diariamente. Portanto, é a remu- neração utilizada para empréstimo de apenas um dia. TR (taxa referencial de juros): segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 240), a TR é calculada pela média das taxas de juros CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) dos 30 maiores bancos. As taxas são coletadas diariamente e a TR de um dia corresponde à média do dia, do dia anterior e do dia seguinte. Sobre essa média, é aplicado um redu- tor para excluir expectativas inflacionárias. É utilizada como indexador de contratos e para o reajuste da caderneta de poupança. TJLP (taxa de juros de longo prazo): segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2002, p. 240), é a taxa “utilizada principalmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Seu objetivo é possibilitar o alongamento de prazos no mercado financeiro”. Seu cálculo é baseado em: a) meta da inflação com 12 meses seguintes ao primeiro mês de vigência da taxa de juros e, para tanto, utiliza o IPCA como refe- rência (vide inflação); e b) prêmio de risco, que está correlacionado ao risco-país. O risco-país está relacionado à ameaça de uma crise política e econômica e esse risco é calculado pelas agências de classificação de risco que dão uma nota (rating) ao país. ASSIMILE A oferta da moeda no Brasil tem como principais agentes o Banco Central do Brasil e os bancos comerciais. Os depósi- tos à vista feitos nos bancos comerciais sofrem um proces- so de multiplicação de moedas que essencialmente ficariam ociosas na conta do banco. Esse recurso é disponibilizado em forma de crédito e sofre restrições de reservas por parte do Banco Central, a fim de garantir e preservar o sistema finan- ceiro, bem como o controle sobre o volume de moeda dispo- nível na economia. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 127 EXEMPLIFICANDO A taxa de juro nominal se difere da taxa de juro real pela inflação contida no rendimento indicativo de uma determi- nada aplicação. Dessa forma, é necessário que se exclua a taxa de inflação do período que está sendo analisado, para que se tenha uma avaliação correta do ganho real de deter- minado ativo financeiro, do contrário, poderá se cometer um engano sobre a atratividade da referida aplicação, ficando in- comparável, muitas vezes, com aplicações feitas fora do país de origem. Exemplo: o Brasil pode oferecer um rendimento nominal anual por determinado ativo no patamar de 10% e hipoteticamente, nos Estados Unidos, esse mesmo ativo é remunerado em 5% ao ano. No entanto, a inflação no Brasil nesse mesmo período foi de 8% e nos Estados Unidos foi de 2%. Ao aplicar a fórmula da taxa de juro real, teremos que essa aplicação no Brasil chegou em 1,85% de ganho real, en- quanto nos Estados Unidos, que aparentemente tinha uma taxa nominal de juro menor (5%), atingiu um ganho real de 2,94%, pois sua inflação, proporcionalmente ao juro nominal, foi menor que a inflação brasileira. Pesquise e escolha três tipos de aplicações financeiras comuns no mercado brasileiro (exemplo: poupança, títulos do governo), calcule os seus rendimentos nominais e compare com a inflação do mesmo período da pesquisa. Avalie se essas aplicações tiveram rendimentos acima, iguais ou abaixo da inflação. Utilize rendimentos divulgados por bancos comerciais para essa comparação. Para a inflação do perí- odo, pode serutilizado o índice IPCA disponível no Cap. I – Conjuntura Econômica, do site do Banco Central, disponível em: <http://www. bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp>. Acesso em: 21 jul. 2018. QUESTÃO PARA REFLEXÃO 128 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 3. Considerações Finais • Controlar o mercado de moedas por meio de instrumentos de política monetária é uma das principais funções do Banco Central do Brasil. • Os meios de pagamento (M1), que representa o dinheiro efetivo que está nas mãos das pessoas, juntamente com o M2, M3 e M4 (que são quase moedas) compõem os agregados monetários da base monetária do país e estão classificados de acordo com o seu grau de liquidez, vindo do ativo mais líquido (que é o dinheiro – M1) para o menos líquido (ativo que leva mais tempo para ser transformado em dinheiro – M4). • O juro representa a remuneração que o tomador de um emprésti- mo deve pagar ao dono do capital, ou seja, é o preço ou o valor do dinheiro. Ao passo que a taxa de juros é a relação entre o valor dos juros pagos (ou recebidos) no final de um determinado período de tempo e o valor do capital inicialmente emprestado (ou aplicado). • O que diferencia a taxa de juro nominal da taxa de juro real é a infla- ção do período de aplicação de determinado ativo. Glossário • Target inflation: uma sigla em inglês que se refere à meta de in- flação, conceito esse definido pelo Banco Central que serve como parâmetro para a inflação do Brasil, ou seja, o nível máximo, em termos de percentual, que a inflação deve atingir no ano. • Default: uma sigla em inglês que significa o descumprimento de uma regra contratual. No caso usado no texto, significa o risco de o país não cumprir com seu compromisso financeiro junto à sociedade. • Liquidez: é a medida de facilidade de transformar algo em dinhei- ro rapidamente. Exemplo: o próprio dinheiro. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 129 VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 6 1. A taxa de juro real diz respeito ao: a) Rendimento indicativo de um ativo financeiro. b) Volume de dinheiro disponível para uso no mercado financeiro. c) Rendimento de um ativo financeiro excluindo a inflação. d) Instrumento de política cambial. e) Uso para correção de empréstimos feitos entre bancos. 2. Os meios de pagamento referem-se a: a) Total da dívida do um país. b) Volume de dinheiro disponível na economia. c) Nível de rendimento dos títulos públicos federais. d) Nível de rendimento considerando a inflação. e) A remuneração que deve ser paga ao dono do capital. 3. O conceito de juro refere-se: a) À taxa paga pelos empréstimos de longo prazo. b) À taxa de juro nominal. c) À taxa de juro real. d) À remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao dono do capital. e) Ao volume de moedas disponível na economia. Referências Bibliográficas VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B. (Orgs.) Manual da economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. DANA, S. Introdução a finanças empresariais. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. GREMAUD, A.P.; VASCONCELLOS, M.A.S.; TONETO JR., R. Economia brasileira con- temporânea. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 130 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Gabarito – Tema 06 Questão 1 – Resposta: C A taxa de juro real refere-se ao rendimento de um determinado ativo já excluindo a inflação do período de referência da aplicação. Questão 2 – Resposta: B O volume de dinheiro disponível na economia. É a soma das moedas metálicas, mais o papel-moeda mais a moeda escritural (que são os depósitos à vista). Questão 3 – Resposta: D A remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao dono do capital, ou seja, é o preço ou o valor do dinheiro. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 131 TEMA 07 TAXA SELIC E TAXA DI CETIP: OS JUROS NO BRASIL Objetivos • Conceituar o sistema econômico versus o sistema financeiro (mercado financeiro e a estrutura do siste- ma financeiro nacional). • Diferenciar renda fixa de renda variável. • Entender o que é taxa Selic, taxa DI Cetip e o DI (depó- sito interfinanceiro) dentro desse contexto. • Conceituar a taxa Selic e o índice e a taxa DI Cetip como indicador de referência. 132 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Introdução No Tema 6, foram abordados conceitos como moedas, juro, taxa de juro e as taxas mais utilizadas no mercado financeiro brasileiro. Lembre-se de que foi explorado também a atuação do Banco Central, por meio da po- lítica monetária, como agente importante para o controle da liquidez da economia, visando manter sob controle a inflação e garantindo que as ne- gociações praticadas no mercado financeiro transcorram com confiança e atratividade para os investimentos. Dessa forma, o conceito de taxa de juro funciona como uma espécie de indicador no controle dessa liquidez, pois é um parâmetro e instrumento utilizados pelos agentes econômicos quanto à sua decisão em consumir ou poupar, dependendo do ambiente econômico que se apresenta em seu momento de análise. É importante reforçar, como já mencionado no Tema anterior, que o Banco Central é o banco dos bancos e toma deci- sões de política monetária com embasamento meramente técnico, sem influência política e baseado em fatos ocorridos e prospecções futuras para a economia, de tal sorte a definir o patamar da taxa de juros ide- al para controle da inflação e, consequentemente, visando proporcionar equilíbrio macroeconômico para o país. O tema proposto neste tópico trata da taxa Selic e da taxa DI Cetip como juros do mercado brasileiro, em que as taxas que rentabilizam os títu- los públicos federais e as taxas cobradas pelas instituições financeiras quando estas transferem recursos entre si são definidoras da taxa Selic e da taxa DI Cetip, respectivamente. A esses recursos transferidos entre instituições financeiras dá-se o nome de depósitos interfinanceiros (DI), constituindo-se, portanto, um título privado de renda fixa que ajuda no fe- chamento de caixa dos bancos, sendo tanto um instrumento de captação de recursos, justamente para o fechamento diário de caixa dos bancos, Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 133 como também um instrumento de aplicação de recursos financeiros ex- cedentes, ou seja, um produto financeiro utilizado para investimentos. Portanto, com este Tema, busca-se aprofundar o conceito da formação da taxa Selic, da taxa DI Cetip e do índice DI Cetip como juros referenciais no mercado brasileiro, cuja proposta de aprendizado é: a) conceituar o sistema econômico versus sistema financeiro conjuntamente ao merca- do financeiro e a estrutura do sistema financeiro nacional; b) diferenciar renda fixa de renda variável; e c) entender a que se referem a taxa Selic e a taxa DI Cetip e os depósitos interfinanceiros (DI) dentro desse contexto. 1. Sistema Econômico versus sistema financeiro Para entender o conceito de sistema econômico versus sistema finan- ceiro, é importante primeiramente trazer à luz da discussão o principal problema tratado em economia que é a escassez e, após isso, entender como o sistema financeiro contribui para a solução desse problema. Em termos econômicos, de acordo com o que já foi mencionado no Tema 1 desta disciplina, a escassez surge do pressuposto de que as necessidades humanas são infinitas e os bens ou os meios de satisfazê-las são sempre finitos. Vale ressaltar que a escassez não é a falta completa de recursos, mas sim a necessidade que os agentes econômicos (famílias e empresas) têm de se tomar decisões de forma a terem suas necessidades atendidas. Esses recursos podem ser entendidos como: terra, energia,água, alimen- tos, mão de obra, tecnologia e capital. No contexto dessas decisões econômicas, tem-se a decisão do consumo, da poupança e do investimento e, portanto, como a ciência econômica estuda comportamentos, os agentes econômicos lidam diferentemente com esses recursos. Alguns consomem e poupam menos ou mais, outros apenas consomem e buscam recursos em situações inesperadas, outros 134 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros (empresas), muitas vezes, buscam recursos financeiros visando o cres- cimento de seu negócio e até mesmo o governo, na maioria das vezes, não sabendo administrar seus recursos públicos, excede seus gastos or- çamentários e necessita buscar mais recursos junto ao mercado. Enfim, toda essa exposição é para contextualizar a importância do sistema finan- ceiro na economia como instrumento facilitador do encontro entre os que poupam e os que consomem e não poupam. Aos que poupam, o mercado dá o nome de “superavitários”, ou seja, o agente que tem dinheiro dis- ponível para ofertar ao mercado. Aos que consomem e não poupam, ou poupam menos do que deveriam, o mercado dá o nome de “deficitários”, ou seja, o agente que demanda dinheiro do mercado para suprir suas ne- cessidades. Portanto, a dinâmica do mercado funciona de tal forma que os recursos devem ser viabilizados para que ocorra essa troca entre agen- tes superavitários (poupadores) e agentes deficitários (tomadores). Ao tomar conhecimento da figura do poupador e do tomador, é relevante considerar também o fato de que esses agentes têm objetivos diferentes no tocante a valores e prazos para as suas transações, e dentro dessa ló- gica nasce o papel do intermediador para viabilizarem essas transações. Exemplo: um estudante tem a intenção de aplicar R$ 50.000,00 por seis meses, enquanto outro estudante necessita de um empréstimo de R$ 20.000,00 e por um prazo de quatro meses apenas. Imagine se cada pou- pador ou tomador tivesse que buscar sozinho no mercado pessoas com as mesmas condições de valores e prazos, como, por exemplo, o estudan- te que tem a intenção de aplicar R$ 50.000,00 por seis meses versus ou- tro que quer apenas R$ 20.000,00 e ainda assim por quatro meses. Essas operações, sem um intermediador, se inviabilizariam e os negócios não se efetivariam. Nesse contexto, faz-se imprescindível a figura de instituições que intermedeiem essas operações. Essas instituições/intermediadores, portanto, têm o papel de concentrar esses recursos financeiros que não Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 135 foram utilizados (poupança) e distribuí-los entre poupadores e tomado- res, de forma simultânea, buscando atender às necessidades de volume financeiro e prazo de cada um. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de seu livro Mercado de valores mobiliários brasileiro (2014, p. 30): Foi para suprir essa demanda do mercado que surgiram e desenvolveram- se instituições especializadas em intermediar essas operações. Inicialmente, sua função básica era pegar emprestado daqueles que poupam, pagando uma remuneração representada pelos juros, e emprestar para os demais, naturalmente a uma taxa mais alta, ganhando com a diferença. Essas insti- tuições concentram a poupança e a distribuem aos tomadores de recursos, atendendo, ao mesmo tempo, as necessidades de volume financeiro e pra- zo de cada um. Com o passar do tempo, essas instituições foram se especia- lizando e oferecendo outros serviços. Da mesma forma desenvolveram-se novos instrumentos, sistemas e produtos para organizar, controlar e desen- volver esse mercado. Chamamos este sistema, como um todo, de Sistema Financeiro. Dessa forma, entende-se o Sistema Financeiro como sendo o: conjunto de instituições e instrumentos que viabilizam o fluxo finan- ceiro entre os poupadores e os tomadores de recursos na economia. Portanto, entendeu-se até aqui a função principal e como são alocados os recursos na economia. Para que esse sistema funcione de forma eficaz e reproduza confiança aos agentes (poupadores e tomadores), ele segue uma estrutura, na qual as instituições que o compõem respondem em forma de: órgãos normativos, entidades supervisoras e operadores, que pode ser visto no tópico seguinte. 1.1. Sistema financeiro nacional: estrutura É com a estrutura mostrada na Tabela 1 que o sistema financeiro nacional busca atender a todas as demandas e/ou necessidades do mercado, ten- do esse sistema um papel normativo, supervisor e operador dos recursos financeiros. 136 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Tabela 1 – Estrutura do sistema financeiro nacional SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ÓRGÃOS NORMATIVOS ENTIDADES SUPERVISORAS OPERADORES Conselho Monetário Nacional – CMN Banco Central do Brasil – BACEN Instituições fi-nanceiras captadoras de depósito à vista Bolsa de mercadorias e futuros Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC Superintendência de Seguros Privados – SUSEP Resseguradores Demais instituições financeiras Conselho Nacional de Seguros Priva- dos – CNSP Superintendência Nacional de Seguro Complementar – PREVIC Bancos de câmbio Bolsas de valores Comissão de Valores Mobiliários – CVM Sociedades de capitalização Sociedades seguradoras Intermediários e administrado- res de recursos de terceiros Entidades abertas de previdência complementar Fundos de pensão Fonte: adaptado de Dana (2015, p. 35) O entendimento da estrutura é fundamental. Vale destacar que o merca- do financeiro, que é parte integrante desse sistema financeiro nacional, é classificado em mercado de crédito, mercado cambial, mercado de capi- tais e mercado monetário, cujo órgão normativo é o Conselho Monetário Nacional (CMN), e tem como órgãos supervisores o Banco Central do Brasil, que coordena as práticas dentro dos mercados de crédito, cambial e monetário e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é responsável por coordenar as práticas dentro do mercado de capitais. Esta disciplina abordará a taxa Selic e a taxa DI-Cetip, sendo que a taxa Selic representa as taxas praticadas pelo mercado de títulos públicos federais e a taxa DI Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 137 Over é formada dentro do mercado monetário e é utilizada como referên- cia para a grande parte dos títulos de renda fixa oferecidos ao investidor, é considerada como o principal benchmark do mercado. Na sequência, será abordada a classificação do mercado financeiro e sua abrangência, com foco especialmente no mercado monetário. 1.2. Mercado financeiro Como já mencionado na etapa anterior, o sistema financeiro é imprescin- dível para o adequado funcionamento e crescimento econômico de um país. O adequado desempenho das instituições financeiras reduz proble- mas e riscos que envolvem todos os agentes econômicos (famílias, em- presas e governo). O modelo tradicional de intermediação financeira não foi capaz de suprir todas as necessidades existentes no mercado, por essa razão, ao longo do desenvolvimento das economias, foram surgindo no- vos ativos financeiros específicos, visando atender às necessidades des- ses agentes e, para tanto, o mercado financeiro teve que se modernizar também, foi preciso segmentá-lo de forma a entender e atender a neces- sidades específicas. Dessa forma, nos dias de hoje, está segmentado em quatro tipos de mercados: crédito, câmbio, capitais e monetário. • Mercado de crédito: é nesse mercado que as instituições financei- ras captam recursos dos agentes superavitários e os emprestam aos agentes deficitários. A remuneração é feita pela diferença entre seu custo de captação e o que cobram dos tomadores, cujo nomeé spread. Geralmente são operações de curto prazo e nem sempre esse mercado possui recursos suficientes para suprir as necessi- dades de financiamentos a um custo financeiro competitivo e que envolva operações de maiores volumes de recursos financeiros e riscos. Normalmente trabalham com produtos financeiros, como capital de giro para as empresas, ou outras operações formalizadas por meio de contrato, como cartão de crédito, cheque especial, con- ta garantida e CDC. Por definição, nessas operações, são os bancos 138 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros comerciais, sociedades de crédito ou financeiras que assumem o risco do crédito, ou seja, ele é um agente não apenas intermedia- dor, mas sim o garantidor do funcionamento das operações. PARA SABER MAIS Spread: de forma bastante simples, o spread representa a di- ferença entre a taxa de juros que é cobrada dos tomadores de crédito do banco (os deficitários da economia) e a taxa de juros que o banco paga para os que ofertam dinheiro para o banco (os superavitários do banco), que são portadores dos certificados emitidos pelo banco, ou seja, o CDB (Certificado de Depósitos Bancários). O CDB é um título de renda fixa que o banco dá ao investidor em troca do dinheiro que ele depo- sita no banco em forma de investimento. Portanto, o banco ganha ou perde de acordo com a forma que paga de juros aos investidores por terem disponibilizado dinheiro ao banco e a forma como cobra esses juros dos tomadores de emprésti- mos que usarão esse recurso. Isso representa bem a função do banco, que é o de intermediar as operações aproximando o sistema econômico do sistema financeiro de uma economia. • Mercado de câmbio: é nesse mercado que são negociadas trocas de moedas estrangeiras por moeda nacional e/ou outras operações que envolvam transações que são realizadas no comércio exterior, como, por exemplo: envio ou recebimento de moedas. É o Banco Central que também participa e conduz a política cambial. • Mercado de capitais: é nesse mercado que os agentes superavitá- rios (ofertantes de recursos) emprestam seus recursos diretamente aos agentes deficitários (demandantes de recursos). Essa é outra característica importante que diferencia o mercado de crédito do Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 139 mercado de capitais. A instituição financeira, neste caso, tem o papel de uma prestadora de serviços, ou seja, não assume os riscos da operação, ficando os riscos a cargo de serem gerenciados diretamente pelos envolvidos que são os ofertantes e os deman- dantes dos recursos. • Mercado monetário: será abordado juntamente com o conceito de DI – depósito interfinanceiro, pois se trata do principal assunto des- te Tema. Para fins de investimentos e a real compreensão sobre o depósito inter- financeiro e a taxa DI-Cetip, é relevante entender a diferença entre renda fixa e renda variável e onde a taxa é usada. Portanto: • renda fixa: nos investimentos em renda fixa, a remuneração, ou sua forma de cálculo, é previamente definida no momento da apli- cação. Um papel (investimento) de renda fixa tem definidas: a) a data de emissão; b) a data de resgate (ou a definição de recompra); c) o prazo de duração; e d) a taxa de rentabilidade (ou também um índice de correção). Ao investir seus recursos em um título de renda fixa, seja ele emitido pelo governo ou por uma empresa privada, o investidor está emprestando a quantia investida ao emissor do título para, em troca, depois de um certo período, receber o valor aplicado (denominado “principal”), acrescido de juros pagos como forma de remuneração de seu empréstimo. Na renda fixa, assim como em qualquer investimento, sempre existe a possibilidade de perda do capital investido, no todo ou em parte; • renda variável: nos investimentos em títulos de renda variável, o investidor não tem como saber, previamente, qual será a rentabili- dade da aplicação. Porém, se a escolha for feita com critério, diante de opções bem avaliadas e com diversificação dos investimentos, a aplicação em renda variável poderá proporcionar ao investidor um retorno maior do que o obtido em aplicações de renda fixa. As dife- renças entre os títulos de renda fixa e os de renda variável estão 140 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros diretamente ligadas ao processo de formação de preços em seus respectivos mercados. O melhor exemplo de renda variável é o investimento em ações de empresas. PARA SABER MAIS Renda variável é a rentabilidade que não é previsível, pois não é definida quando um investidor adquire um título de mercado, por exemplo, quando compra uma ação de uma empresa. Essa rentabilidade dependerá da valorização da ação no mercado, que por sua vez dependerá de fatores in- ternos da empresa (resultados, gestão) e de fatores externos à empresa (fundamentos macroeconômicos), de maneira que o investidor não tem como prever o ganho ou a perda sobre aquele determinado investimento. Outro conceito importante a ser absorvido sobre a atuação no mercado financeiro é sobre os sistemas e câmaras de liquidação e custódia. Trata- se, portanto, do ambiente onde são liquidadas as operações transaciona- das pelos diversos agentes (operadores do sistema financeiro nacional), ou seja, a forma pela qual se processam o pagamento e o recebimento dos recursos financeiros e a custódia dos títulos e valores mobiliários que são transacionados. Essas câmaras funcionam como um lugar onde são registradas todas as transações de compra e venda de títulos, garantindo a efetivação das negociações. Esses registros e custódia são feitos em sis- temas diferentes, de acordo com a origem do produto financeiro, confor- me pode ser visto a seguir: Selic – Sistema Especial de Liquidação e Custódia: criado pelo Banco Central e pela Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto), o Selic é um sistema eletrônico em que são lançadas pelos par- ticipantes/instituições financeiras as compras, vendas e a liquidação Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 141 financeira das operações realizadas diariamente com títulos públicos federais, garantindo segurança, agilidade e transparência nos negócios. A taxa média diária dessas operações é conhecida como taxa Selic Over. Não confundir com a taxa Selic Meta, que é aquela definida pelo Banco Central nas reuniões de Política Monetária (COPOM). Cetip – Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados: a Cetip é uma empresa de capital privado e funciona como um sistema eletrônico que processa as compras e vendas diárias de títulos privados, tais como: CDI, debêntures, letras hipotecárias, letras de câmbio, commer- cial papers. Além disso, presta serviços integrados de custódia, negociação on-line, registro de negócios e liquidação financeira, garantindo seguran- ça, confiabilidade, agilidade e transparência nos negócios. A taxa média diária dessas operações é conhecida como taxa DI Cetip. Com a explanação sobre o que recai sobre cada mercado pertencente ao sistema financeiro, a diferença entre renda fixa e renda variável e onde são registradas e custodiadas todas as transações, é possível, portanto, compreender sobre o depósito interfinanceiro (DI) e taxa DI Cetip, que poderá ser visto no tópico seguinte. 2. Taxa Selic e Índice DI Cetip: conceitos Taxa Selic: o mais importante sobre essa taxa é saber distinguir dois con- ceitos: a) existe a Taxa Selic que é divulgada a cada reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM), considerada como a taxa básica de juros do país, decidida a partir das análises do am- biente macroeconômico, tendo em vista sempre o controle inflacionário e queserve como base para as demais taxas praticadas no mercado; e b) a taxa Selic que está sendo proposta neste Tema, cujo conceito foi retirado do próprio site do Banco Central do Brasil: 142 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Define-se Taxa Selic como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títu- los federais. Para fins de cálculo da taxa, são considerados os financiamen- tos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compen- sação e de liquidação (art. 1° da Circular n° 2.900, de 24 de junho de 1999). A partir desta circular, tem novas alterações introduzidas por meio de ou- tras circulares. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de seu livro Mercado de valores mobiliários brasileiro (2014, p. 31): [...] as transferências de recursos a curtíssimo prazo, em geral com prazo de um dia, como aquelas realizadas entre as próprias instituições financeiras ou entre elas e o Banco Central, são realizadas no chamado mercado mo- netário. Trata-se de um mercado utilizado basicamente para controle da liquidez da economia, no qual o Banco Central intervém para condução da Política Monetária. Resumidamente, se o volume de dinheiro estiver maior do que o desejado pela política governamental, o Banco Central intervém vendendo títulos e retirando moeda do mercado, reduzindo, assim, liquidez da economia. Ao contrário, caso observe que a quantidade de recursos está inferior à desejada, o Banco Central intervém comprando títulos e injetando moeda no mercado, restaurando a liquidez desejada. Índice DI Cetip: para se falar do índice DI Cetip, é importante falar antes sobre o que é depósito interfinanceiro (DI). Conceito retirado do próprio site da Cetip, principal empresa que administra as operações com títulos de renda fixa, o depósito interfinanceiro (DI) é: [...] instrumento financeiro destinado à transferência de recursos entre ins- tituições financeiras. Negociado exclusivamente entre essas instituições, o Depósito Interfinanceiro (DI) é um título privado de Renda Fixa que auxilia no fechamento de caixa dos bancos, como instrumento de captação de re- cursos ou de aplicação de recursos excedentes. O Depósito Interfinanceiro (DI) não pode ser vendido a outros investidores e não há incidência de im- postos sobre a rentabilidade. Os títulos têm elevada liquidez e embutem Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 143 um baixíssimo risco, normalmente associado à solidez dos bancos que par- ticipam do mercado. As negociações entre os bancos geram a Taxa DI- Cetip, referência para a maior parte dos títulos de renda fixa ofertados ao investidor. É hoje o principal benchmark do mercado. A Taxa DI-Cetip é obtida ao se calcular a média ponderada das taxas das transações prefi- xadas, extragrupo e com prazo de um dia efetuadas na CETIP entre insti- tuições financeiras. Como a taxa para o prazo de um dia é muito pequena, convencionou-se divulgá-la de forma anualizada. Essas transações são fe- chadas por meio eletrônico e registradas na CETIP. LINK Para um maior aprofundamento do conceito e do cálculo da Taxa DI-Cetip, acessar o site da própria instituição que está disponível em: <https://www.cetip.com.br/captacao-bancaria /di#!>. Acesso em: 30 jul. 2018. Portanto, reforçando o que já foi mencionado acima, a taxa DI Cetip que vai originar o índice DI Cetip é baseada nas transações dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), que são emitidos entre bancos quando estes necessitam de dinheiro para fechamento diário de caixa; por serem considerados de baixíssimo risco, servirão de base para a definição de outras taxas de rentabilidade para o mercado financeiro como um todo. 2.1.1. Cálculo da taxa Selic O cálculo da taxa Selic, que corrige os rendimentos dos títulos públicos federais, tem a taxa expressa sob forma anual e a fórmula pode ser co- nhecida por meio do Artigo 2º da Circular nº 3.671, de 18 de outubro de 2013, divulgada pela Diretoria de Política Monetária do Banco Central do Brasil. O site do banco disponibiliza os fatores diários, bem como a taxa mensal e acumulada no ano por meio de ferramentas que viabilizam o seu cálculo. Essa informação pode ser obtida em: <https://www.bcb.gov. br/pt-br/#!/n/selictaxa>. Acesso em: 2 ago. 2018. 144 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 2.1.2. Cálculo do índice DI Cetip Para o cálculo do índice DI Cetip, considerado como benchmark para a rentabilidade de demais títulos de renda fixa, como, por exemplo: debên- tures, CDI, letras de câmbio ou outros, abaixo, a fórmula de cálculo, reti- rada do próprio site da Cetip, considerada a empresa responsável pela manutenção do sistema de registro e liquidação de títulos negociados no mercado de renda fixa e, portanto, habilitados a fornecer diariamente as variações dessas operações a fim de referenciar esses mercados. Características do índice informadas pela Cetip: Data de início: 2/1/2008 Valor inicial ou base do índice (quant. de pontos): 10.000,00 Precisão: duas casas decimais, com arredondamento Forma de valorização: o índice é valorizado diariamente pelo fator de 100% do DI Cetip do dia útil imediatamente anterior. Fórmula de cálculo da valorização do índice DI Cetip: Índice DI CETIPdn = Índice DI CETIPdn–1 × (Fator DIdn–1) Em que: Índice DI Cetipdn: número índice do dia “n”, valorizado pelo fator diá- rio do DI Cetip do dia “n-1”, apurado com 2 (duas) casas decimais com arredondamento; Fator DIdn: fator da taxa DI Over do dia “n-1” expressa ao dia, calculado com 8 (oito) casas decimais, com arredondamento, apurado conforme fórmula: Fator DIdn–1 = DIdn–1 100 + 1 1/252 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 145 DIdn-1: taxa DI Over do dia “n-1”, apurada e divulgada pela Cetip com base nos depósitos interfinanceiros prefixados, pactuados por um dia entre instituições de grupos econômicos distintos (extragrupo), expressa ao ano de 252 dias úteis, utilizada com 2 (duas) casas decimais. Observação: os dias “n” e “n-1” mencionados são dias úteis – dias em que há apuração do DI Cetip. Veja que para obter o índice é necessário que se obtenha a taxa DI Over diá- ria que, a partir dela, obtém-se o fator que, multiplicado pelo índice do dia an- terior, terá o índice do dia que está sendo pesquisado. A taxa Over que será utilizada para a obtenção do fator está disponível no site da própria institui- ção Cetip, disponível em: <http://estatisticas.cetip.com.br/astec/series_v05/ paginas/web_v05_template_informacoes_di.asp?str_Modulo=completo&int_ Idioma=1&int_Titulo=6&int_NivelBD=2>. Acesso em: 31 jul. 2018. Na prática, ao acessar esse link, já virá o fator calculado. ASSIMILE A taxa Selic é utilizada pelo mercado para valorizar e renta- bilizar os títulos públicos federais (LTN, NTN e outros), en- quanto a taxa DI Cetip, por meio do índice DI Cetip, é utiliza- da para valorizar e rentabilizar os títulos privados (exemplo: CDI, CDB, debêntures, LCA e outros). EXEMPLIFICANDO Sobre títulos públicos federais: quando o governo não con- segue fechar seu orçamento compatível com a sua geração de receitas recebidas de impostos, ele precisa captar dinhei- ro no mercado para suprir sua necessidade de dinheiro em caixa. Nesse caso, ele emite títulos e oferece ao mercado em troca de dinheiro, comprometendo-se a pagar uma remune 146 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros ração (juro) em troca desse recurso. Os títulos mais conheci- dos atualmente são: Letra do Tesouro Nacional (LTN); Nota do Tesouro Nacional (NTN) e outros. Sobre os títulospriva- dos, segue a mesma lógica de sua origem, ou seja, são títulos emitidos por bancos ou empresas visando captar recursos financeiros no mercado. No caso das empresas, normalmen- te é quando buscam expansão de mercado ou efetivação de algum grande projeto que porventura demande um volume muito alto de recurso financeiro e que muitas vezes não está disponível no mercado de crédito tradicional. Nesse caso, a empresa emite títulos, também conhecidos como valores mobiliários, que podem ser ações ou debêntures para captar esse recurso. No caso de bancos, emitem CDB (Certificação de Depósito Bancário) com a intenção de disponibilizar esse recurso para suas carteiras de crédito. Com esses exemplos, é possível vincular os conceitos de taxa Selic (títulos federais) e taxa DI Cetip (títulos privados). A taxa DI Cetip, ainda que seja o resultado das taxas cobradas pelos bancos quando intermedeiam recursos entre si, a base da taxa a ser cobrada será sempre a taxa básica de juros (taxa Selic), aquela taxa definida pelo Banco Central nas reuniões do COPOM. Dessa forma, a taxa DI Cetip deverá estar sempre acima da inflação, de forma que ofereça uma rentabilidade nominal que ofereça um retorno de taxa real para o investidor. Dessa forma, escolha um produto financeiro que seja de renda fixa (por exemplo: aplicação em CDI, CBD, debên- tures), pois são produtos que têm como base a taxa DI Cetip em sua rentabilidade, faça o levantamento de sua rentabilidade nos últimos cinco anos, líquida de impostos e compare com o índice DI Cetip e o índice de inflação desse mesmo período e veja se a aplicação escolhi- da registrou rendimento acima da inflação. QUESTÃO PARA REFLEXÃO Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 147 2. Considerações Finais • O sistema financeiro é um suporte para o desenvolvimento do sistema econômico de uma nação, pois em uma economia em que os recur- sos são escassos e as necessidades são infinitas, há os poupadores de recurso financeiro (superavitários), caracterizados como agentes que não consomem tudo que recebem em valores monetários, e os tomadores de recurso financeiro (deficitários), caracterizados como agentes que consomem tudo que recebem em valores monetários e, portanto, necessitados de recursos para atender às suas necessida- des, sejam elas de mais consumo ou de investimentos. • O sistema financeiro nacional foi desenvolvido para facilitar a inter- mediação entre os agentes superavitários e os deficitários, visando atender às demandas entre as partes, garantindo dinamismo e um ambiente confiável de negociações. • A taxa Selic é a taxa que corrige os investimentos feitos em títulos públicos federais. • A taxa DI Cetip é, portanto, fruto das intermediações de curtíssimo prazo entre bancos, servindo como uma taxa de referência de mer- cado para as demais operações formalizadas dentro do mercado de renda fixa, especialmente os títulos privados (exemplo: debêntures, CDI, CDB). Glossário • Benchmark: significa referência, é um índice ou uma medida que serve como padrão para avaliar o desempenho de algum movi- mento no mercado, principalmente das taxas de juros e do ganho dos fundos de investimentos. • Selic: sigla que significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Trata-se de um sistema eletrônico que suporta as operações de compra e venda de títulos públicos federais. 148 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros • Cetip: sigla que significa Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados. Trata-se de um sistema eletrônico que suporta as operações de compra e venda de títulos privados. VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 7 1. Dentro da estrutura do mercado financeiro, é no mercado de capitais que: a) Os agentes superavitários oferecem recursos financei- ros aos agentes deficitários usando o banco apenas como intermediador, mas não como garantidor do ris- co da operação. b) Os agentes deficitários oferecem recursos financeiros aos agentes superavitários usando o banco como agen- te garantidor do risco da operação. c) Os agentes deficitários oferecem recursos financeiros aos agentes superavitários usando o banco apenas como intermediador do negócio. d) Os agentes superavitários oferecem recursos financei- ros aos agentes deficitários usando o banco como ga- rantidor do risco da operação. e) Os agentes superavitários oferecem recursos financei- ros aos agentes deficitários usando o banco tanto como intermediador como garantidor do risco da operação. 2. Os produtos financeiros transacionados que utilizam a taxa DI Cetip como referência de rentabilidade estão alo- cados no mercado: a) De renda variável apenas. b) De renda fixa apenas. c) Tanto de renda variável como de renda fixa. d) Cambial. e) De títulos públicos. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 149 3. Os produtos financeiros transacionados que utilizam a taxa Selic como referência são: a) Títulos privados. b) Ações. c) Certificado de Depósito Bancário. d) Títulos públicos. e) Letras de câmbio. Referências Bibliográficas VASCONCELLOS, M. A. S.; PINHO, D. B. (Orgs.) Manual da economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. DANA, S. Introdução a finanças empresariais. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. GREMAUD, A.P.; VASCONCELLOS, M.A.S.; TONETO JR., R. Economia brasileira con- temporânea. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Mercado de valores mobiliários brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Comissão de Valores Mobiliários, 2014. CENTRAL DE CUSTÓDIA E LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA DE TÍTULOS PRIVADOS – CETIP. Disponível em: <https://www.cetip.com.br/captacao-bancaria/di>. Acesso em: 01 ago. 2018. Gabarito – Tema 07 Questão 1 – Resposta: A No mercado de capitais, as transações de recursos financeiros ocor- rem de forma que os agentes superavitários oferecem recursos fi- nanceiros aos agentes deficitários utilizando o banco apenas como intermediador da operação e não sendo este banco o garantidor do risco da operação. O banco apenas garante o risco da operação no mercado de crédito. 150 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Questão 2 – Resposta: B Os produtos financeiros que utilizam a taxa DI Cetip como referên- cia para seus rendimentos estão alocados no mercado de renda fixa apenas. O mercado de renda variável não utiliza a taxa DI Cetip como referência, nem tampouco mercado cambial e, apesar de os títulos públicos serem considerados de renda fixa, eles utilizam a taxa Selic para rentabilizar seus títulos. Questão 3 – Resposta: D Os produtos financeiros que utilizam a taxa Selic como rentabilidade são os títulos públicos federais. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 151 TEMA 08 IBOVESPA – A VALORIZAÇÃO DO MERCADO DE CAPITAIS Objetivos • Conhecer um pouco da história do mercado de capi- tais e a responsabilidade da CVM nesse mercado. • Entender o que são e quais são os valores mobiliários. • Conceituar o Índice Bovespa (Ibovespa). 152 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Introdução Caro aluno, esta disciplina tem em seu principal objetivo conceituar os indicadores econômicos e financeiros mais importantes e, para isso, os Temas anteriores têm apresentado indicadores de referência para análi- ses específicas. O Tema 7 mostrou a importância do sistema financeiro, como ele suporta os agentes econômicos em suas decisões entre consu- mir e poupar e o respaldo que dá para o sistema econômico como um todo. Com isso, foi apresentada a classificação do mercado financeiro, que é parte integrante do sistema financeiro nacional e seus agentes su- pervisores, sendo o Banco Central o principal supervisor dos mercadosde crédito, cambial e monetário, tendo sob sua responsabilidade a gestão sobre a taxa Selic, que é referência para os títulos públicos, e a supervisão, por meio do mercado monetário, da taxa DI-Cetip, considerada como um benchmark para as operações negociadas no mercado de títulos privados de renda fixa. Outra instituição importante desse mercado financeiro é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que tem como principal responsabilidade su- pervisionar o mercado de capitais. Esse monitoramento é feito nas ne- gociações dos valores mobiliários, que são títulos ou contratos de inves- timentos emitidos por coletivo que dê algum direito de participação e que têm por objetivo captar recursos financeiros no mercado de capitais. Dentre esses títulos, incluem-se ações emitidas por empresas e negocia- das em bolsas de valores. É nesse ponto que este Tema se concentrará, em que apresentará o Ibovespa (Índice Bovespa), indicador utilizado como referência no mercado de ações e que indica os níveis de negociações em termos de volumes e preços das ações emitidas e negociadas no mercado de renda variável. Portanto, com este Tema, busca-se mostrar um pouco da história do mer- cado de capitais, da responsabilidade da CVM, quais são os valores mo- biliários negociados nesse mercado e entender o que compõe o Índice Bovespa e o que precisa para fazer parte do índice. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 153 1. Mercado de capitais: um pouco de sua história Uma boa parte da história do mercado de capitais apresentada neste tópi- co está baseada na versão contada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de seu livro Mercado de valores mobiliários brasileiro (2014, p. 30), em que a instituição, baseada em seus pesquisadores/agenciado- res, afirma que a sociedade brasileira passou a se utilizar do mercado de capitais para seus investimentos após 1964, quando o governo promoveu uma série de reformas expressivas na economia interna, incluindo a re- estruturação do mercado financeiro. Até então, as pessoas investiam nos chamados ativos reais (imóveis), não se arriscando em aplicações de títu- los públicos ou privados, por razões como inflação alta e limitação de taxa de juros de no máximo 12% ao ano. A reestruturação do mercado finan- ceiro incluiu a criação do Conselho Monetário Nacional (CMN), do Banco Central do Brasil e da Lei nº 4.728, de 14/4/1965, considerada a primeira Lei de Mercado de Capitais, que disciplinou esse mercado e estabeleceu medidas para seu desenvolvimento. Essa lei contemplava a reedição da legislação sobre bolsa de valores, a profissionalização das sociedades cor- retoras e a criação dos bancos de investimento, a quem foi atribuída a tarefa de desenvolver os fundos de investimento. A partir daí, incentivos fiscais criados pelo Governo Federal contribuíram para o crescimento da procura por ações pelos investidores, quando, após atingir o seu ponto máximo em 1971, conhecido como o “boom de 1971”, iniciou-se um processo de realização de lucros pelos investidores que começaram a vender as suas posições versus um movimento de mais oferta de ações simultaneamente, fazendo com que essa forte realização de lucros se desdobrasse em consequências negativas por vários anos para o mercado de capitais, especialmente em função de um certo des- compromisso de algumas empresas com os seus acionistas quando da emissão de seus papéis junto ao mercado acionário. Esse processo ge- rou prejuízos e manchou por um longo período a reputação do mercado acionário. Foi a partir de 1975, com aportes de novos recursos, bem como 154 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros novos incentivos dados pelo governo (como, por exemplo, a isenção fis- cal dos ganhos obtidos em bolsa de valores e outros) e a introdução de duas novas normas legais, em vigor até hoje (a Lei nº 6.404/76, nova Lei das Sociedades por Ações, que visava modernizar as regras que regiam as sociedades por ações, até então reguladas por um antigo Decreto-Lei de 1940, e a Lei nº 6.385/76, segunda Lei do Mercado de Capitais que, en- tre outras inovações, criou-se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), uma instituição governamental destinada exclusivamente a regulamentar e desenvolver o mercado de capitais, fiscalizar as bolsas de valores e as companhias abertas), que o mercado voltou a se recuperar, no entanto, não em ritmo que se esperava. Foi a partir da década de 1990, com a aber- tura da economia brasileira, que o volume de investimentos no mercado de capitais aumentou, tendo como protagonista desse mercado o investi- dor estrangeiro. Nessa carona, empresas brasileiras passaram a acessar o mercado externo por meio do lançamento de suas ações em bolsas de valores estrangeiras, especialmente a New York Stock Exchange (NYSE), sob a forma de emissão de ADR (American Depositary Receipts), a fim de buscar capitalização no mercado externo. Essa iniciativa de subscrever ações no mercado internacional, ou seja, em bolsas americanas, obrigou as empresas brasileiras a se organizarem e seguir regras impostas pelo órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, conhecido como SEC (Securities and Exchange Comission), que relaciona uma série de exigências do ponto de vista contábil, transparência na divulgação de informações das empresas de forma a atender rigorosamente aos prin- cípios de governança corporativa. Dessa maneira, as empresas brasilei- ras, visando atender a esses exigentes investidores estrangeiros e mais acostumados a práticas rígidas de governança, passam a cuidar melhor dessas regras, elevando o nível de confiança dos investidores no merca- do brasileiro, porém, ao mesmo tempo que passou a perder espaço para outros mercados em função de falta de proteção ao acionista minoritário e a incertezas relacionadas às aplicações financeiras. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 155 Apesar da melhora da confiança, essa falta de proteção ao acionista mino- ritário se converteu em elevação na percepção de risco por parte desses investidores, com impacto na elevação do custo de capital das empresas. Esse cenário levou as empresas brasileiras a melhorarem suas práticas de governança corporativa e, para tanto, foi aprovada a Lei nº 10.303/01 e houve a criação do Novo Mercado e dos Níveis 1 e 2 de governança cor- porativa pela BM&FBovespa. PARA SABER MAIS A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que age sob orientação do Conselho Monetário Nacional (CMN). Administrada por um presiden- te e quatro diretores, todos nomeados pelo Presidente da República, tem como sua principal atribuição a normalização e o controle do Mercado de Valores Mobiliários, represen- tado por ações, debêntures, letras financeiras e outros títu- los emitidos pelas sociedades anônimas e autorizados pelo CMN. Como função, visa incentivar a poupança no mercado acionário, estimular o funcionamento das bolsas de valores e instituições operadoras do mercado acionário, promover a expansão dos negócios do mercado acionário, assegurar a li- sura nas operações de compra/venda de valores mobiliários e proteger os investidores do mercado acionário. Seu foco de atuação é com as instituições financeiras que negociam tí- tulos mobiliários, empresas de capital aberto e investidores. LINK Para detalhamento das funções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e manter-se atualizado sobre todas as re- gulações do mercado de capitais, acesse o site da instituição em: <www.cvm.gov.br>. Acesso em: 6 ago. 2018. 156 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 1.1. Mercado de capitais: conceito e função No Tema anterior, você viu que foi apresentada a classificação do merca- do financeiro em mercado de crédito, cambial, monetárioe de capitais. Essa classificação se estabelece de forma mais simples quando se trata de separar o papel do mercado monetário e do mercado cambial, em que o mercado monetário atende às necessidades relacionadas ao volume de moedas nacionais circulantes na economia e o mercado cambial está re- lacionado às necessidades de controle de moedas estrangeiras. A dificul- dade maior está em separar a função do mercado de crédito do mercado de capitais, pois ambos têm como principal responsabilidade garantir a oferta de recursos financeiros aos agentes econômicos (pessoas, empre- sas e governo), seja em forma de empréstimo ou por meio da emissão de títulos públicos ou privados. Nesse caso, a função de ambos é atender às necessidades financeiras do mercado, mas a forma como se apresenta como intermediário nessas operações é que diferencia esses mercados. Por exemplo: se determinada empresa contrata um empréstimo em uma instituição financeira, para pagamento em médio ou longo prazo, com o objetivo de ampliar sua linha de produção pela compra de uma nova máquina, pergunta-se: a operação é feita no mercado de crédito ou de capitais? Nesse caso, essa operação foi feita no mercado de crédito, pois a pergunta diz de forma objetiva que a empresa contratou o recurso em uma instituição financeira. Portanto, nesse caso, o mais importante é a característica da intermediação financeira e a maneira usada para a cap- tação de recursos que define se é mercado monetário ou de capitais. A primeira e mais importante característica que diferencia uma operação feita no mercado de crédito do mercado de capitais é a forma como se assume o risco da operação. No mercado de crédito, quando se buscam recursos, obtêm-se diretamente do intermediador (normalmente bancos comerciais) e, nesse caso, o banco assume o risco dessa operação, por isso, nessa operação está envolvido o spread como forma de remuneração para o banco (Figura 1). Quando uma captação é feita por meio do mercado de Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 157 capitais, o banco participa, mas como um prestador de serviços, ou seja, é contratado para ajudar a empresa na emissão de um título, também co- nhecido como valor mobiliário, que servirá de instrumento para a captação de recurso financeiro junto ao mercado (Figura 2). Nesse caso, o banco é pago apenas pelo serviço prestado e não assume o risco da operação. Para ficar mais fácil a compreensão, veja as Figuras 1 e 2 que foram retiradas do livro Mercado de valores mobiliários brasileiro, (2014, p. 35). Figura 1 – Operação feita no mercado de crédito Figura 2 – Operação feita no mercado de capitais Fonte: Mercado de valores mobiliários brasileiro (2014, p. 35) Portanto, uma empresa que necessita de recursos para novos investimen- tos pode buscar isso de três maneiras: a) recursos próprios, aqueles que advêm de seus lucros acumulados; b) pela contratação de um financia- mento bancário por meio de linhas de crédito (situação da Figura 1); e c) por meio da emissão de títulos (valores mobiliários) que ocorrem no mer- cado de capitais (situação da Figura 2). Essa explanação é para mostrar que o mercado de capitais vem como uma fonte alternativa de captação 158 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros de recursos que vai além daquelas mais tradicionais, além de ser uma fonte de oportunidade de as empresas investirem também seus recursos para ganhos financeiros, apesar desse mercado oferecer riscos mais ele- vados do que os investimentos mais tradicionais. Dessa forma, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (2014, p. 36): [...] conceitua-se o mercado de capitais, portanto, como o segmento do mercado financeiro em que são criadas as condições para que as empresas captem recursos diretamente dos investidores, através da emissão de ins- trumentos financeiros, com o objetivo principal de financiar suas atividades ou viabilizar projetos de investimentos. Portanto, o próximo tópico abordará o que são esses recursos financei- ros oferecidos no âmbito do mercado de capitais, também chamados de valores mobiliários. 1.2. Mercado de capitais e os valores mobiliários: conceito Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (2014, p. 70): [...] conhecer de antemão as principais características dos ativos financei- ros disponíveis em um mercado facilita ao investidor planejar a alocação de seus investimentos naqueles que melhor se ajustem aos seus objetivos, prazo e perfil de risco. No mercado de capitais, esses ativos são chamados de valores mobiliários. Portanto, ainda segundo a Comissão de Valores Mobiliários (2014, p. 70): [...] são valores mobiliários, quando ofertados publicamente, quaisquer tí- tulos ou contratos de investimento coletivo que gerem direito de parti- cipação, de parceria ou remuneração, inclusive resultante da prestação de serviços, cujos rendimentos advêm do esforço do empreendedor ou de terceiros. Importante destacar que as transações de mercado de capitais são de médio e longo prazos, bem como de prazo indeterminado, na qual en- volve títulos representativos do capital das empresas e/ou de operações Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 159 de crédito cuja principal característica é que isso é feito sem intermedia- ção financeira, como já visto no tópico anterior. Dessa forma, a Tabela 1 apresenta os principais títulos e valores mobiliários e suas características, comercializados pelo mercado de capitais e supervisionados pela CVM. Tabela 1 – Valores mobiliários negociados no mercado de capitais Valor mobiliário Principais características Mercado negociado Ações • Ação representa a menor “fração” do capital social de uma empresa, ou seja, a unidade do capital nas socie- dades anônimas. Quem adquire essas “frações” é cha- mado de acionista, que vai ter certa participação na em- presa, correspondente a quantas dessas “frações” ele detiver. Os tipos de ações são: • ação ordinária: é a ação que dá direito de voto nas as- sembleias, onde são tomadas as decisões estratégicas da empresa. Cada ação ordinária representa um voto. Os detentores de ações ordinárias somente receberão seus dividendos (distribuição dos lucros) depois de satisfeitos os direitos dos acionistas detentores de ações preferen- ciais. Não são negociadas em bolsas de valores; • ação preferencial: é a ação que tem preferência na distribuição dos lucros e no reembolso do capital, no caso de liquidação da sociedade. Os acionistas detento- res desse tipo de ação normalmente recebem um per- centual superior de remuneração em relação às ações ordinárias, mas não têm direito a voto, exceto quando a empresa não distribuir dividendos durante três anos consecutivos. Negociadas em bolsas de valores. Renda variável Debêntures • São valores mobiliários emitidos por sociedades anô- nimas não financeiras. Esses valores mobiliários repre- sentam crédito de médio e longo prazos que assegu- ram aos investidores direito de crédito contra a empre- sa emissora. • Podem ser emitidas por empresas de capital aberto e/ ou fechado. No entanto, apenas as empresas de capital aberto podem fazer colocação pública de debêntures. • Remuneração: a empresa emissora determina o fluxo de amortizações e as formas de remuneração e essas informações deverão constar da escritura de emissão da debênture. Podem ter remuneração pré-fixada ou pós-fixada: TR, TBF, TJLP, índice de preços e DI Cetip. Renda fixa 160 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Notas promissórias • Título de crédito emitido pelas empresas do setor pri- vado, cuja colocação pode ser pública ou privada, ofe- recendo ao investidor o direito de crédito contra a em- presa emitente. Características gerais: Prazo: mínimo 30 dias,máximo de 180 dias para em- presa de capital fechado e de 360 dias para empresa de capital aberto. Remuneração: pré-fixado, vendida com desconto, ou pós-fixada, corrigida pela taxa DI-Cetip ou taxa Selic. Forma de emissão: nominativa, sendo sua circulação por endosso, de mera transferência de titularidade, constando do endosso a cláusula “sem garantia”. Renda fixa Letra financeira • Título de crédito de emissão exclusiva de instituições fi- nanceiras que consiste em “promessa de pagamento em dinheiro, nominativo, transferível e de livre negociação”. • Instrumento de captação de médio e longo prazo. • Autorizados a emitir a LF: bancos múltiplos, bancos co- merciais, bancos de desenvolvimento, bancos de inves- timento, sociedades de crédito, financiamento e inves- timento, Caixas Econômicas, as companhias hipotecá- rias, sociedades de crédito imobiliário e o BNDES. • Não pode ser emitida com valor unitário inferior a R$ 300.000,00 (se contiver cláusula de subordinação) ou R$ 150.000,00 (se não contiver cláusula de subordina- ção), e deve ter prazo mínimo de 24 meses para o venci- mento, vedado o resgate, total ou parcial, antes do ven- cimento pactuado. Renda fixa Fonte: adaptado de Comissão de Valores Mobiliários (2014, p. 70-79) 2. Bolsa de valores (B3) e o Índice Bovespa Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (2014, p. 230): O desenvolvimento do mercado primário de valores mobiliários depende da solidez do mercado secundário existente, ou seja, da possibilidade de os investidores subscritores das emissões conseguirem negociar posterior- mente os valores mobiliários entre si. Isso é relevante porque, por diversas razões, os investidores podem precisar se desfazer de seus investimentos antes do prazo de vencimento. Além disso, no caso das ações, os títulos Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 161 sequer têm vencimento, já que as companhias não têm obrigação de res- gatá-las. Poucos investidores se interessariam em adquirir ações em uma oferta pública, se não existisse um mercado organizado em que pudessem se desfazer de seus investimentos a qualquer tempo. Evidentemente, cada investidor poderia negociar diretamente com outro, mas esse sistema seria ineficiente no que diz respeito ao encontro de propostas, à definição de preços, transparência e divulgação das informações, segurança na liquida- ção, entre outros. Os mercados de bolsa e balcão buscam justamente elimi- nar essa ineficiência. Portanto, uma das principais funções dos mercados de bolsa e de balcão é organizar e garantir que se tenha um ambiente saudável para que as negociações ocorram com segurança na compra, venda e liquidação dos negócios. São considerados mercados de bolsa os que funcionam regular- mente como sistemas que canalizam todos os negócios para um mesmo fim. No Brasil, a BM&Bovespa, atual B3, é uma entidade de capital privado e aberto considerada a principal na administração de mercado de bolsa para negociações de ações. É única no país, embora não haja nenhum impedimento de que se tenham outras no mercado. PARA SABER MAIS Há uma cronologia do papel da bolsa de valores no Brasil, bem como de sua composição. A antiga Bovespa teve sua fusão decretada em 2008 com a BM&F (Bolsa Mercantil e de Futuros), passando a ser conhecida como BM&Bovespa. A partir de março de 2017, incorporou também a Cetip, estru- tura atual e conhecida, portanto, como a B3, e se colocan- do como uma “das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro do mundo”. Para saber mais, leia o livro Mercado de valores mobiliários brasileiro (2014, p. 234-237) e acesse o Relatório Anual 2017 da B3, disponível em: <http:// ri.bmfbovespa.com.br/ptb/3756/RA2017-PT.pdf>. Acesso em: 6 ago. 2018. 162 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Quanto ao conceito de índice, de forma geral, os índices têm três funções importantes: a) são indicadores de variação de preços do mercado; b) uti- lizados como parâmetros para avaliação do desempenho de um deter- minado portfólio; e c) instrumentos para negociação no mercado futuro. É importante destacar que em cada mercado de ações existem índices diferentes e específicos de acordo com objetivos que se queiram analisar. Algumas dessas análises podem contemplar: média geral do mercado, entender e avaliar determinado setor da economia ou até mesmo ter um índice para medir o desempenho das empresas menores que estão na bolsa, sendo essas formatações definidas em regulamentos específicos. Para tanto, a criação desses índices obedece a critérios também definidos em regulamentos, como, por exemplo: quais ações devem entrar para o índice; qual tipo de média ou ponderação de cada ação para o cálculo, bem como a periodicidade de atualização da carteira do índice. Os índices disponíveis e que podem ser encontrados no ambiente da bol- sa (B3) estão na Tabela 2, abaixo: Tabela 2 – Alguns índices disponíveis na B3 Categoria Índices Índices amplos • Índice Bovespa – Ibovespa • Índice Brasil 100 – IbrX 100 • Índice Brasil 50 – IbrX 50 Índices setoriais • Energia Elétrica – IEE • Imobiliário – IMOB • Financeiro – IFNC • Utilidade Pública – UTIL Índices de sustentabilidade • Sustentabilidade Empresarial – ISE • Carbono Eficiente – ICO2 Índices de segmento • MidLarge Cap – MLCX • Small Cap – SMLL • Valor BM&FBovespa 2ª Linha – IVBX 2 • Dividendos – IDIV Índices de governança • Governança Corporativa Diferenciada – IGC • Tag Along Diferenciado – ITAG Outros índices • BDRs Não Patrocinados – BDRX• Fundos de Investimento Imobiliários – IFIX Fonte: adaptado do site B3, disponível em: <http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/>. Acesso em: 5 ago. 2018 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 163 A B3 disponibiliza, portanto, vários índices baseados em ações específicas, visando contribuir com o mercado em termos de informações e subsídios para as decisões dos investidores. Esses índices podem ser avaliados e acompanhados diretamente com a B3, que disponibiliza metodologia, cri- térios e desempenho de cada um deles. No entanto, o mais importante e conhecido deles é o Índice Ibovespa, que tem por incumbência mostrar o desempenho de um determinado grupo de papéis ao longo do tempo, cujas negociações são feitas no ambiente de uma bolsa de valores. Esse índice reflete uma média do desempenho das ações que participam desse grupo, devidamente ponderadas de acordo com alguns fatores definidos no regulamento da bolsa na qual estão sendo negociadas. Seu conceito será apresentado no tópico seguinte. 2.1.1. Índice Bovespa (Ibovespa) De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (2014, p. 257-259) e o próprio site da B3: [...] o índice Bovespa, ou Ibovespa, é considerado o principal índice do mer- cado de ações brasileiro. Mantido pela BM&FBovespa, atualmente B3, tem como objetivo ser um indicador do desempenho médio das cotações dos ativos (ações) de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. Ele é um índice de retorno total. Portanto, procura re- fletir não apenas as variações no tempo nos preços dos ativos integrantes do índice, mas também o impacto que a distribuição de proventos por parte das companhias emissoras desses ativos teria no retorno do índice. O documento Metodologia do Índice Bovespa, de abril/2015, preparado pela própria instituição, traz critérios importantes relacionados ao cálculo do Índice. A Tabela 3 informa quais são esses critérios. Tabela 3 – Critérios do cálculo do Índice Bovespa (Ibovespa) Critérios Objetivo • É ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos (ações) de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. 164 Entendendoe Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros Tipo de índice • É um índice de retorno total. Ativos elegíveis • É composto das ações e units exclusivamente de ações de compa- nhias listadas na BM&FBovespa (B3) que atendem aos critérios de inclusão, ou seja, não estão incluídos nesse universo BDRs e ativos de companhias em recuperação judicial ou extrajudicial, regime especial de administração temporária, intervenção ou que sejam negociados em qualquer outra situação especial de listagem. Critérios de inclusão do índice • Estar entre os ativos elegíveis que, no período de vigência das 3 Car- teiras anteriores, em ordem decrescente de Índice de Negociabilida- de (IN), representem em conjunto 85% (oitenta e cinco por cento) do somatório total desses indicadores. • Ter presença em pregão de 95% (noventa e cinco por cento) no perí- odo de vigência das 3 (três) carteiras anteriores. • Ter participação em termos de volume financeiro maior ou igual a 0,1% no mercado à vista (lote-padrão), no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores. • Não ser classificado como “Penny Stock”. Critérios de exclusão do índice • Deixarem de atender a dois dos critérios de inclusão do índice. • Estiverem entre os ativos que, em ordem decrescente de IN, estejam classificados acima dos 90% (noventa por cento) do total no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores. • Sejam classificados como “Penny Stock”. • Durante a vigência da carteira, passem a ser listados em situação es- pecial. • Serão excluídos ao final de seu primeiro dia de negociação nesse en- quadramento. Critérios de ponderação • Os ativos são ponderados pelo valor de mercado do “free float”, (são os ativos que se encontram em circulação) da espécie pertencente à carteira, com limite de participação baseado na liquidez. Fonte: adaptado de Metodologia do Índice Bovespa. Publicado em: abr. 2015. Disponível em: <http://www. b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices-amplos/ibovespa.htm>. Acesso em: 5 ago. 2018 PARA SABER MAIS As conhecidas “Penny-Stock” são ações cotadas na casa dos cen- tavos, ou seja, sua cotação é menor que R$ 1,00. Normalmente são de empresas com dificuldades financeiras ou de gestão ou que estão em processo de recuperação judicial. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 165 Importante destacar que é feita a cada quatro meses uma reavaliação do índice, cujo foco é a alteração da composição e do peso da carteira, de forma que sua representatividade seja mantida ao longo do tempo. Outro fator a ser reforçado é que empresas que estejam em situação especial, como, por exemplo, recuperação judicial ou extrajudicial, passando por administração temporária ou qualquer outro tipo de intervenção, não se- rão elegíveis para compor a carteira do Ibovespa. Do ponto de vista prático, o índice é utilizado como referência de mer- cado sob vários aspectos, como, por exemplo: a) uma empresa que faça parte do índice se interessa pelo comportamento de sua ação comparati- vamente ao comportamento do índice como um todo, pois é importante saber se o preço de sua ação está mais ou menos valorizado em relação ao índice e fazer parte do índice as credencia como empresa séria e muito competitiva em termos de investimentos e, portanto, por meio do preço de sua ação, conhece seu valor de mercado; b) para o investidor que busca informações para escolher futuros investimentos. Entender como a ação de uma determinada empresa se comportou ao longo do tempo, compa- rativamente ao índice, é muitas vezes determinante em sua escolha de in- vestimento; c) o índice entra na carteira de fundos de investimentos e sua rentabilidade pode se converter em ganho ou perda para os investidores. ASSIMILE O Índice Bovespa (Ibovespa) tem como objetivo ser um indi- cador do desempenho médio das cotações dos ativos (ações) de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. Quando se refere a ele como um índice de re- torno total, significa que sua valorização não está condicionada apenas às variações no tempo nos preços das ações que se com- portam por força do mercado (oferta e demanda pelos papéis), mas também pelo volume de recursos distribuídos por essas empresas a seus acionistas. Importante destacar que, para as empresas, fazer parte desse índice é importante, pois as cre- dencia como empresas sérias, de muita qualidade em sua go- vernança e bastante competitivas em termos de investimentos. 166 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros EXEMPLIFICANDO Uma empresa, quando se dispõe a lançar ação no mercado visando buscar recurso financeiro junto aos investidores, obri- gatoriamente se dispõe a criar instrumentos e mecanismos de governança corporativa que a credencia a estar nesse merca- do, como, por exemplo: a criação de uma área de relações com investidores que será a ponte entre a empresa e o mercado, ou seja, será dada a essa área toda a responsabilidade de dis- ponibilizar informações contábeis, financeiras, de estratégia e demais que sejam de interesse do investidor sobre a situação atual e perspectivas dessa empresa. É importante observar que toda empresa que tem capital aberto (ações em bolsas) possui essa área de relações com investidores. Exemplo: Companhia Vale do Rio Doce, disponível em: <http://www.vale.com/brasil/ PT/Paginas/default.aspx>. Acesso em: 20 ago. 2018. O Índice Bovespa (Ibovespa) se refere a um índice que mede o desem- penho médio dos ativos (ações) de maior negociabilidade e repre- sentatividade transacionados na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Para fins comparativos, imagine que você tenha um valor de reserva para investimento para os próximos três anos e não esteja seguro de onde fazer a aplicação desse investimento, se em algum título da dívida pública (exemplo: NTN, LTN) ou algum título privado (exem- plo: CDB, debênture) ou em ações (Ibovespa). Comece por fazer um comparativo dos últimos três anos de qual foi o comportamento das taxas Selic, do índice DI-Cetip e do Índice Bovespa (Ibovespa) para que esses índices sirvam de referência para a sua análise e, assim, você possa ter subsídio para uma decisão mais assertiva. O compor- tamento desses indicadores pode ser pesquisado nos sites: <www. bcb.gov.br>; <https://www.cetip.com.br/captacao-bancaria/di#> e <http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indices- -amplos/>. Acesso em: 6 ago. 2018. QUESTÃO PARA REFLEXÃO Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 167 3. Considerações Finais • O mercado de capitais passou a ter um significado para o Brasil a partir de 1964, quando o governo iniciou uma série de reformas na economia do país, inclusive no mercado financeiro. No entanto, tor- nou-se mais fortalecido a partir da década de 1990, com a abertura comercial e as empresas buscando mais recursos não apenas no mercado brasileiro, mas também no mercado internacional, obri- gando essas empresas a fortalecerem sua governança corporativa e, assim, proporcionar mais segurança aos investidores interessa- dos por ações (papéis) de suas empresas. • A busca por recurso financeiro no mercado de crédito se diferencia do mercado de capitais pelo papel do intermediador nesse processo, ou seja, no mercado de crédito, o intermediador financeiro (banco) assume o risco da operação quando disponibiliza recursos para o investidor, ao passo que, no mercado de capitais, o intermediador financeiro (banco) tem o papel de apenas prestar um serviço dentro da operação (exem- plo: lançamento de uma ação), pois a negociação é feita diretamente entre o poupador e o tomador do recurso financeiro. • O Índice Bovespa é um indicador do desempenho médio das cotações dos ativos (ações) de maiornegociabilidade e representa- tividade do mercado de ações brasileiro. Ele é um índice de retorno total, ou seja, não reflete apenas as variações dos preços dos ativos que fazem parte do índice (ações) ocorridas por força do mercado, mas também a valorização que essas ações absorvem a partir da distribuição de recursos que as empresas fazem a seus acionistas. Glossário • CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Instituição que supervisio- na as operações do mercado de capitais. • Penny-Stock: expressão em inglês que significa ações cotadas na casa dos centavos, ou seja, sua cotação é menor que R$ 1,00. • BM&Bovespa e B3: ambiente no qual as transações do mercado de capitais ocorrem. 168 Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros VERIFICAÇÃO DE LEITURA TEMA 8 1. Em que mercado(s) o recurso financeiro é disponibilizado e o risco da operação é assumido pelo intermediador financeiro? a) Mercado de crédito. b) Mercado monetário. c) Mercado de capitais. d) Mercado de crédito e mercado de capitais. e) Mercado cambial. 2. Em que mercado(s) o recurso financeiro é disponibilizado e o risco da operação não é assumido pelo intermediador financeiro, pois a operação é feita entre poupador e toma- dor diretamente? a) Mercado de crédito. b) Mercado monetário. c) Mercado de capitais. d) Mercado de crédito e mercado de capitais. e) Mercado cambial. 3. A instituição responsável por supervisionar o mercado de capitais no Brasil é: a) Banco Central do Brasil. b) Comissão de Valores Mobiliários (CVM). c) Bovespa. d) BM&Bovespa. e) B3. Referências Bibliográficas ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2015. GREMAUD, A.P.; VASCONCELLOS, M.A.S.; TONETO JR., R. Economia brasileira con- temporânea. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. Entendendo e Interpretando Indicadores Econômicos e Financeiros 169 COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Mercado de valores mobiliários brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Comissão de Valores Mobiliários, 2014. B3. Disponível em: <http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/indices/indi- ces-amplos/>. Acesso em: 6 ago. 2018. Gabarito – Tema 08 Questão 1 – Resposta: A É no mercado de crédito que o recurso financeiro é disponibilizado e o intermediador financeiro assume o risco da operação. Questão 2 – Resposta: C É no mercado de capitais que o recurso financeiro é disponibilizado e o intermediador financeiro não assume o risco da operação, pois essa operação é feita diretamente entre poupador e tomador e o in- termediador financeiro tem o papel apenas de prestador de serviço. Questão 3 – Resposta: D No Brasil, a instituição que tem a responsabilidade de supervisio- nar as operações de mercado de capitais é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Apresentação da disciplina Tema 01 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) - O VALOR DE UMA ECONOMIA Objetivos Introdução 1. Sistema econômico 2. Produto interno bruto (PIB) 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 1 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 01 Tema 02 BALANÇA COMERCIAL - O SALDO INTERNACIONAL Objetivos Introdução 1. Balança comercial 2. Balanço de Pagamentos 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 2 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 02 Tema 03 TAXA DE CÂMBIO - O VALOR ENTRE MOEDAS Objetivos Introdução 1. Câmbio e Taxa de Câmbio: Conceitos 2. Determinação da taxa de câmbio 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 3 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 03 Tema 04 RISCO-PAÍS - O PERIGO INTRÍNSECO Objetivos Introdução 1. Risco-país: conceito e medição 2. Impactos do risco-país para as empresas 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 4 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 04 Tema 05 INFLAÇÃO - O VALOR DA MOEDA NO TEMPO Objetivos Introdução 1. Inflação: conceito, causas e impactos 2. Índices de inflação 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 5 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 05 Tema 06 POLÍTICA MONETÁRIA E OS JUROS Objetivos Introdução 1. Política monetária: Moeda e Banco Central 2. Taxa de juros: Conceito e tipos 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 6 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 06 Tema 07 TAXA SELIC E TAXA DI CETIP: OS JUROS NO BRASIL Objetivos Introdução 1. Sistema Econômico versus sistema financeiro 2. Taxa Selic e Índice DI Cetip: conceitos 2. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 7 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 07 Tema 08 IBOVESPA - A VALORIZAÇÃO DO MERCADO DE CAPITAIS Objetivos Introdução 1. Mercado de capitais: um pouco de sua história 2. Bolsa de valores (B3) e o Índice Bovespa 3. Considerações Finais Glossário Verificação de leitura TEMA 8 Referências Bibliográficas Gabarito - Tema 08