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AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 1 
 
 
Avaliação de Impactos 
Ambientais 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 2 
1. Conceitos e Definições Básicas sobre Impacto Ambiental 
 
1.1 Introdução 
 
Neste capítulo serão abordadas algumas definições relativas a poluição, 
degradação e qualidade ambiental no intuito de entender a mudança de visão 
e paradigma no trato dos problemas ambientais. Tal mudança de visão resultou 
na modificação da compreensão do que é o meio ambiente, partindo de uma 
visão inicial em que o meio ambiente é visto apenas como meio físico 
circundante para uma visão atual mais abrangente que considera elementos 
econômicos e sociais também. Isso modificou a forma como os problemas 
ambientais são encarados atualmente, abarcando uma série de aspectos muito 
mais amplos que aqueles estritamente relacionados com a poluição e a 
qualidade do meio físico. Essa mudança tem implicações diretas nas definições 
acima citadas e na abrangência da avaliação de impactos ambientais (AIA) 
atual. As definições pertinentes e uma breve discussão sobre essas 
modificações e suas implicações no processo de AIA é o que será abordado 
neste capítulo. 
 
1.2 Poluição × Degradação Ambiental 
 
A compreensão do que é o meio ambiente modificou-se no tempo, partindo de 
uma visão mais restrita que compreende somente aspectos do meio físico 
circundante para uma visão mais ampla que também compreende os aspectos 
sociais e econômicos. 
 
A expressão meio ambiente (milieu ambiance) aparece pela primeira vez na 
obra do naturalista francês Geoffrey de Saint-Hilaire Études progressives d’un 
naturaliste, de 1835, na qual milieu significa o lugar onde está ou se movimenta 
um ser vivo e ambiance designa o que rodeia esse ser. Mais tarde, em sua obra 
Introduction à l’étude de la médecine expérimentale, de 1865, o médico e 
fisiologista francês diferencia o meio interno, aquele constituído por todas as 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 3 
estruturas e os processos que ocorrem dentro dos organismos daquele que 
seria o meio externo, ou meio ambiente, meio que cerca os indivíduos que 
podem funcionar como estímulos para as resposta do meio interno (Bernard, 
1865). 
 
A definição de meio ambiente da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei no 
6938/81) afirma que é “conjunto de condições, leis, influências e interações de 
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas 
as suas formas”. Tal definição abarca a gama de fatores que compõem o meio 
físico circundante e está relacionada com o hábitat e o nicho ecológico das 
espécies (Begon, 2006). Definições mais abrangentes tratam de incorporar, 
explicitamente, as ações antrópicas, como, por exemplo, a do Conselho 
Internacional da Língua Francesa, que destaca, além dos fatores químicos, 
físicos e biológicos, também “os fatores sociais suscetíveis de produzir um 
efeito direto ou indireto, imediato ou a longo termo sobre os seres vivos e as 
atividades humanas”. 
 
A inclusão das atividades humanas e seus efeitos na definição de meio 
ambiente foi sendo modificada muito por conta das constatações dos efeitos 
das alterações antrópicas sobre este e da constatação da importância de alguns 
“serviços” prestados pelo ambiente. Teve grande importância para isso o 
surgimento do movimento ambientalista, que surge na segunda metade da 
década de 1940. Mais precisamente em 1949, acontece a Conferência Científica 
das Nações Unidas sobre Conservação e Utilização de Recursos, na qual foram 
discutidos o exercício da atividade antrópica sobre os recursos naturais, a 
importância da educação e o desenvolvimento integrado de bacias 
hidrográficas (Marzall, 1999). Na década de 1960, o movimento ambiental 
tomou força e começou a apontar e cobrar das autoridades responsáveis 
medidas relativas à mitigação de alguns impactos ambientais como, por 
exemplo, os efeitos do DDT nos ambientes naturais (Carson, 2002). A partir 
daí diversos países começaram a criar mecanismos de mitigação de impactos 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 4 
das atividades humanas; histórico que será abordado mais detalhadamente no 
próximo capítulo. 
 
Discussões mais recentes sugerem que o conceito de meio ambiente deve ser 
mais abrangente, não apenas contemplando o meio ambiente natural, ou físico, 
constituído pelo solo, pela água, pelo ar atmosférico e por seres vivos e suas 
interações, mas também abarcando o meio urbano e o meio ambiente cultural, 
integrado pelos patrimônios histórico, artístico, arqueológico, paisagístico e 
turístico (Silva, 2004). Uma definição que abrange todos esses aspectos pode 
ser encontrada em Jollivet e Pavé (1992): “Meio ambiente constitui o conjunto 
de meios naturais (milieux natureles) ou artificializados da ecosfera onde o 
homem se instalou e que ele explora e administra, bem como o conjunto dos 
meios não submetidos a ação antrópica e que são considerados necessários a 
sua sobrevivência”. Esta estabelece claramente os diferentes aspectos que 
compreendem a visão moderna de meio ambiente e uma de suas contribuições 
é abordar a noção de ecosfera, noção esta que engloba não apenas os 
componentes do meio, mas também processos e mecanismos que os ligam e 
os fazem interagir (Figura 1.1). Desta forma, são consideradas não somente as 
inter-relações entre meios abiótico e biótico, mas também como os fatores 
antropogênicos e a sociedade. Essa separação é, em certo sentido, arbitrária, 
pois o homem faz parte da natureza. No entanto, dada a magnitude de suas 
ações e a intensidade de seus impactos no meio, é interessante separá-los, 
pois os aspectos culturais e econômicos devem ser considerados sob a ótica 
antrópica e podem ter tanto efeitos negativos quanto positivos. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 5 
 
 
Figura 1.1 Conjunto de fatores e processos componentes do meio ambiente. A 
ecosfera é formada pelo conjunto das atividades humanas e os fatores bióticos 
e abióticos e suas interrelações. As setas mostram as interpelações e os 
mecanismos de retroalimentação que podem ser tanto positivos quanto 
negativos. (Fonte: autor) 
 
A ampliação da noção de meio ambiente como composto por aspectos sociais 
e econômicos levou também a modificações na legislação e nas formas de se 
fazer a avaliação de impactos ambientais que atualmente levam em conta os 
efeitos nas comunidades humanas nesses aspectos. De fato, o reflexo dessa 
modificação pode ser notado na evolução das legislações mundial e brasileira. 
No começo da percepção e das discussões sobre as ações humanas no 
ambiente e a necessidade de regulá-las, a noção de impacto ambiental estava 
relacionada única e exclusivamente com a poluição. Nas décadas de 1940 e 
1950 os EUA e a Inglaterra já possuíam leis para controle da poluição hídrica e 
do ar. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 6 
A palavra poluição deriva do latim polluere, que significa “sujar, contaminar, 
tornar impuro”, e pode ser definida como uma alteração indesejável causada 
pelo ser humano, nas propriedades físicas, químicas e biológicas da atmosfera, 
hidrosfera ou litosfera que cause ou possa causar prejuízo à saúde, à 
sobrevivência ou às atividades dos próprios seres humanos ou outras espécies 
ou ainda deteriorar materiais (Braga, 2005, p. 6). Os impactos antrópicos no 
ambiente eram vistos de modo unicamente prejudicial e estritamente 
relacionados com a liberação, em grandes quantidades, de substâncias tóxicas 
ou nocivas à biota e de grande alteração do meio físico. Essa visão inicial fez 
as primeiras legislações relativas ao controle dos impactos ambientais estarem 
relacionadascom fontes de poluição pontuais ligadas ao setor produtivo, 
principalmente o industrial (Sanchez, 2006). 
 
A ideia de que outras atividades tais como o desmatamento, a ocupação de 
encostas, o assoreamento de rios, a extinção de hábitat para espécies e outros 
aspectos que não estão relacionados com a liberação de substâncias tóxicas e 
nocivas no ambiente também impactam o ambiente levam ao desenvolvimento 
da noção de degradação ambiental. Desta forma, alterações antrópicas que 
acarretem mudanças no ambiente e que tenham como resultado a perda de 
sua qualidade do mesmo são degradação ambiental. A Política Nacional de Meio 
Ambiente em seu artigo 3o, inciso III, define degradação ambiental como 
“alteração adversa das características do meio ambiente”. Desta forma, 
conceitos como áreas degradadas são comumente usados para fazer referência 
aos efeitos negativos das atividades humanas em uma determinada área; 
menos comumente pode também ser usado para fazer referência a áreas que 
sofreram degradação por eventos naturais (Finotti et al. submetido), como, por 
exemplo, os grandes movimentos de massa que ocorreram em encostas da 
região serrana do Rio de Janeiro em janeiro de 2011 por conta do forte volume 
de chuvas em um curto espaço de tempo (Figura 1.2). A presença de áreas 
com solos muito superficiais e a incidência de fortes chuvas foram os principais 
fatores responsáveis pelo fenômeno, portanto fenômenos naturais (Medeiros e 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 7 
Barros, 2011, Agenda 21 Nova Friburgo). No entanto, estão comumente 
associados e são favorecidos pelas alterações humanas. Encostas sem 
cobertura vegetal e com ocupações irregulares estão mais suscetíveis a tais 
eventos. 
 
Assim, podemos afirmar que o grau de degradação ambiental depende de uma 
conjunção de fatores que podem contribuir para o aumento da magnitude e da 
sua frequência. Os efeitos das modificações antrópicas no ambiente podem ter 
origem, intensidade e frequência diferentes e, portanto, o grau de degradação 
é sempre relativo a esses fatores e ao estado inicial do ambiente. O 
conhecimento inicial sobre o estado de conservação “ideal” e/ou o que poderia 
se considerar um estado desejável para o funcionamento dos ecossistemas têm 
que ser fundamentados em determinados critérios ou parâmetros, o que 
poderia definir a sua qualidade ambiental. A noção de qualidade ambiental está 
intrinsecamente ligada à de degradação, pois somente será possível inferir o 
grau de degradação de um ambiente se for possível ter a ideia de até que ponto 
os serviços que este propicia e os processos que nele ocorrem estão 
minimamente preservados. Ela pode ser usada para estabelecer limites que 
dizem respeito ao grau de resistência e resiliência¹ de determinado sistema e 
da necessidade de ações de restauração, recuperação e mitigação da 
intensidade e frequência dos impactos. A definição de qualidade ambiental 
apresenta um certo grau de subjetividade, pois está relacionada com critérios 
objetivos que levam em conta estimativas e/ou medições dos impactos 
percebidos pela sociedade e também com critérios subjetivos e juízos e valores 
daquela sociedade a respeito dos aspectos ambientais a que está submetida 
(La Rovere, 2001). 
 
Desta forma, tanto a poluição quanto a degradação ambiental ocasionam uma 
mudança negativa no ambiente, provocando uma diminuição na qualidade 
ambiental. No entanto, isso depende da intensidade e frequência com que tais 
impactos ocorrem e também dos benefícios sociais e econômicos que tais 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 8 
mudanças ocasionarão. A consideração de todos os aspectos relacionados com 
as modificações que as atividades antrópicas provocam no ambiente são 
necessárias para entender e estimar os impactos ambientais. 
 
1Resistência e resiliência são dois conceitos ecológicos que dizem respeito à 
capacidade do ambiente de resistir aos impactos, não apresentando alterações 
muito significativas ao original em termos de funcionamento e estrutura e à 
capacidade do ambiente em, tendo sofrido alteração significativa, voltar ao seu 
estado original, respectivamente (Begon, 2006). 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 9 
 
 
Figura 1.2 Áreas degradas em Nova Friburgo–RJ por efeito das fortes chuvas 
ocorridas em janeiro de 2011. Muitas dessas áreas não apresentavam nenhuma 
evidência de ocupação, corte de árvores ou qualquer outra forma de impacto 
antrópico. (Fonte: autor) 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 10 
1.3 Impactos Ambientais 
 
Poluição e degradação ambiental levam a noções extremamente pejorativas no 
que tange aos impactos antrópicos no meio. No entanto, as atividades 
antrópicas não causam apenas consequências negativas no meio, 
especialmente quando considerados aspectos sociais como a geração de 
emprego e renda. Segundo a Resolução Conama no 001/86, impacto ambiental 
pode ser definido como “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas 
e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou 
energia, resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, 
afetam: 
 
I. A saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
II. As atividades sociais e econômicas; 
III. A biota; 
IV. As condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
V. A qualidade dos recursos ambientais”. 
 
Outra definição de impacto ambiental é dada pela NBR ISO 14001,² que o 
define como “qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, 
que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais³ (elemento das 
atividades ou produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com 
o meio ambiente) da organização (empresa, corporação, firma, 
empreendimento, autoridade ou instituição, ou parte ou uma combinação 
desses, incorporada ou não, pública ou privada, que tenha funções e 
administração próprias.)”. A família de normas ISO 14000 trata da gestão 
ambiental que engloba vários aspectos sobre sistemas de gestão de empresas. 
A NBR ISO 14001 trata especificamente dos “requisitos para que um sistema 
da gestão ambiental capacite uma organização a desenvolver e implementar 
política e objetivos que levem em consideração requisitos legais e informações 
sobre aspectos ambientais significativos”. Ela introduz o termo aspecto 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 11 
ambiental que tem relação importante com o conceito de impacto ambiental. 
Como descrito anteriormente, qualquer elemento resultante de uma cadeia 
produtiva (resíduo gerado) é um aspecto ambiental daquela atividade 
produtiva. Esse aspecto ambiental pode ou não ser um impacto ambiental, haja 
vista que, para ser considerado impacto ambiental, ele deve necessariamente 
modificar o meio ambiente. 
 
Para entender melhor, consideremos um aspecto ambiental qualquer, como, 
por exemplo, a emissão de “gases estufa” no meio aéreo tais como gás 
carbônico (CO2) ou o gás metano (CH4). A emissão desses gases é o resultado 
de vários processos produtivos industriais onde haja combustão ou 
fermentação. A simples emissão destes gases no meio não necessariamente 
poderia ser um problema, pois, se a concentração ou volume for baixa, estes 
serão dissipados no meio e absorvidos ou transformados no meio ambiente. No 
entanto, se forem lançados em volumes acima daqueles em que o ambiente é 
capaz de transformá-los, estes passam a se acumular no meio e podem causar 
alterações significativas tais como aumento da capacidade da atmosfera de 
absorver calor, irritação e intoxicação de vias respiratórias de seres vivos etc. 
Assim, um aspecto ambiental pode gerar impacto ambiental sefor significativo, 
ou seja, se o seu efeito ambiental4 for significativo. 
 
2A ISO tem como objetivo principal aprovar normas internacionais em todos os 
campos técnicos, como normas técnicas, classificações de países, normas de 
procedimentos e processos etc. No Brasil, a ISO é representada pela Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A série de ISO 14000 é constituída por 
normas que determinam diretrizes para garantir que determinada empresa 
(pública ou privada) pratique a gestão ambiental. Essas normas são conhecidas 
pelo Sistema de Gestão Ambiental (SGA). 
3Os parênteses foram utilizados para descrever as definições dos conceitos em 
negrito dadas pela própria norma. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 12 
4Efeito ambiental pode ser definido como “alteração de um processo natural ou 
social decorrente de uma ação humana”. Ela apresenta vários pontos em 
comum com a noção de aspecto ambiental, já que ambas representam 
interfaces ou mecanismos da relação entre causas e consequências das ações 
humanas no ambiente (Sanchez, 2011). 
 
Geralmente, uma atividade envolve uma série de aspectos, tanto negativos 
quanto positivos, se considerados também seus aspectos sociais e econômicos. 
Qualquer atividade de produção gera emprego, renda e benefícios sociais. 
Esses vários aspectos devem ser levados em conta na AIA de uma atividade e 
sua relação custo-benefício ambiental, social, econômico e cultural são de 
extrema importância. O termo impacto ambiental possui, intuitivamente, 
conotação negativa. No entanto, seu verdadeiro significado se refere às 
mudanças no meio ambiente, benéficas ou prejudiciais, que se observam ao 
comparar os efeitos das ações de um projeto (Okmazabal, 1988). Definir todos 
os aspectos ambientais e seus impactos no meio é uma atividade laboriosa por 
vários motivos. 
 
Uma delas está relacionada com suas temporalidade e espacialidade, de difícil 
previsão. A maioria dos conceitos abrange apenas os efeitos da ação humana 
sobre o meio ambiente, ou seja, desconsidera os fenômenos naturais e a 
significância temporal e espacial de tais efeitos, o que é “o grau de alteração 
de um determinado fator ambiental em função de uma ação humana” (Silva, 
1994). Bolea (1984) tenta levar em consideração os aspectos ambientais 
temporais que serão afetados ao definir impacto ambiental de um projeto como 
“a diferença entre a situação do meio ambiente (natural e social) futuro, 
modificado pela realização de um projeto, e a situação do meio ambiente futuro 
tal como teria evoluído sem o projeto”. Há uma série de outras definições do 
termo impacto ambiental que levam em consideração a relação de ação-reação 
entre o estado atual de um ecossistema e sua situação futura após a 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 13 
implantação da intervenção ou incidência do impacto (Moreira. 1992; 
Westman, 1985). 
 
No entanto, todas elas esbarram na dificuldade de espelhar a complexidade da 
dinâmica ambiental que tem como resultado, geralmente, definições que 
adquirem um certo caráter reducionista e estático. A principal dificuldade 
encontrada na definição de impacto ambiental, e consequentemente na sua 
identificação, consiste na própria delimitação do impacto, já que ele se 
propaga, espacial e temporalmente, por uma complexa rede de interpelações 
difíceis de predizer, em grande parte porque existem fenômenos que ainda não 
são bem entendidos uma vez que há deficiências instrumentais e metodológicas 
para predizer respostas dos ecossistemas às atividades humanas. Essa questão 
torna-se ainda mais crítica quando se trata da dimensão social. 
 
Com o intuito de tentar explicitar a dinâmica espaço-temporal, as definições de 
impacto ambiental têm sido esmiuçadas em vários aspectos, a saber: 
 
 Impactos diretos (ou primários) e indiretos (ou secundários): 
impactos diretos são os desgastes impostos aos recursos utilizados, os efeitos 
sobre os empregos gerados etc. Como impacto indireto decorrente dos 
anteriores, pode-se citar, por exemplo, o crescimento demográfico resultante 
do assentamento da população atraída pelo projeto, o que gera impactos com 
relação ao consumo de recursos e à poluição do meio ambiente (produção de 
resíduos). 
 
 Impactos de curto e longo prazos: impactos ambientais de curto 
prazo ocorrem normalmente logo após a realização da ação, podendo até 
desaparecer em seguida. O impacto ambiental de longo prazo é verificado 
depois de certo tempo da realização da ação, como, por exemplo, a modificação 
do regime de rios e a incidência de doenças respiratórias causadas pela inalação 
de poluentes por períodos prolongados. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 14 
 
 Impactos reversíveis e irreversíveis. 
 
 Impactos cumulativos e sinérgicos: consideram a acumulação no 
tempo e no espaço de efeitos sobre o meio ambiente e seus efeitos de 
retroalimentação. 
 
Essas classificações propiciam o entendimento e a definição da magnitude dos 
impactos ambientais, ajudando a estabelecer se estes podem ser considerados 
“significativos”, ou seja, impactos que necessitam de planos de avaliação e 
monitoramento e que não podem ser regulados por normas nem 
procedimentos regulatórios mais simples. Mais detalhes serão abordados no 
Capítulo 3. 
 
A consideração dos vários aspectos relativos à AIA leva também a diferentes 
terminologias. Na literatura de língua inglesa, adotam-se expressões como 
“environmental impact assessment” (avalição de impacto ambiental) para 
designar estudos que englobam aspectos sociais e ecológicos conjuntamente, 
que podem ser chamados de “ecological impact assessment” (avaliação de 
impacto ecológico) e “social impact assessment” (avaliação de impacto social) 
para os que tratam de aspectos ecológicos e sociais separadamente, 
respectivamente. Uma outra expressão posteriormente criada, “integrated 
impact assessment“ (avaliação de impacto integrada), refere-se ao estudo do 
conjunto de consequências sociais e ecológicas segundo um enfoque holístico 
que evidencie os efeitos cumulativos resultantes de suas interações, 
requerendo para sua elaboração um conjunto de disciplinas distintas, embora 
integradas. 
 
A discussão dos vários aspectos relacionados com a AIA reflete a sua 
complexidade. No Brasil, a AIA é realizada sempre de modo global, enfocando 
seus diversos aspectos. Portanto, é uma abordagem integrada que não diz 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 15 
respeito apenas ao ambiente físico, mas aos diversos aspectos que o compõem. 
Nesta apostila adotaremos a definição estabelecida por Sanchez (2008), que, 
por sua simplicidade e abrangência, parece a mais adequada: “processo de 
exame das consequências futuras de uma ação presente ou proposta”. 
 
Nos próximos capítulos vamos conhecer como esse processo evoluiu e quais 
são os conceitos e as metodologias utilizados nos processos de AIA. 
Seguiremos adiante com um breve histórico sobre a evolução da AIA e seus 
aspectos técnicos e metodológicos serão abordados nos outros capítulos. 
 
2. Histórico e Etapas de um Estudo de Impacto Ambiental 
 
2.1 Introdução 
 
Neste capítulo há um breve histórico sobre a evolução dos estudos de AIA no 
mundo e no Brasil e serão estudados alguns aspectos relativos às etapas para 
a elaboração desses estudos e sua legislação pertinente. Também serão 
abordados quais podem ser seus indicadores, discutindo as aplicações e as 
limitações de cada um. Desta forma, pretende-se fornecer um quadro geral 
que relacione todos esses aspectos e sua aplicabilidade atual. 
 
2.2 Breve Histórico no Mundo 
 
O início do processo de AIA estáintimamente relacionado com o surgimento e 
desenvolvimento do movimento ambiental. Até a década de 1960 pouca ou 
nenhuma atenção era dada aos efeitos da poluição sobre o meio ambiente. A 
partir de 1970 o movimento ambiental toma força e os efeitos da poluição 
começam a ser evidenciados. Um marco importante é a publicação do livro de 
Rachel Carson intitulado Primavera Silenciosa, que aponta os efeitos do uso de 
pesticidas em áreas naturais (Carson, 2013). 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 16 
O marco jurídico inicial das AIA aconteceu nos EUA com a criação da sua lei de 
política ambiental, a National Environmental Policy Act (Nepa), aprovada em 
dezembro de 1969 e em vigor desde janeiro de 1970. Essa lei requer que todas 
as agências do governo federal passem a observar vários aspectos na tomada 
de decisões que possam causar consequências ambientais negativas. De 
maneira geral, a lei obriga a que todas as agências federais utilizem de forma 
interdisciplinar e sistemática os conhecimentos científicos e culturais da área 
ambiental na tomada de decisões de ações que possam ter impactos 
ambientais negativos, estabelecendo métodos e procedimentos adequados 
para sua avaliação e a inclusão dessa avaliação em proposta de ação ou 
legislação que afetem significativamente o ambiente humano (Nepa, 1970). 
 
Marcos importantes originados pela criação da Nepa foram a criação do 
Conselho de Qualidade Ambiental (Council of Environmental Quality [CEQ]), 
ente administrativo subordinado diretamente à Presidência da República e que 
tinha que assegurar que as agências federais implementassem os requisitos da 
Nepa, e do Environmental Impact Statement¹ (EIS), que estabelecia alguns 
critérios para o planejamento ambiental. O primeiro era importante, pois 
conferia relevância à questão ambiental mediante representação política na 
tomada de decisões no âmbito federal. O segundo conferia operacionalidade à 
legislação, estabelecendo diretrizes claras para a implementação dos princípios 
enunciados pela Nepa (Caldwell, 1977; Sanchez, 2008). Essas diretrizes 
estabelecem os fundamentos do que viriam a ser os estudos de impacto 
ambiental (EIA) nos EUA e em outros países do Norte que implementaram suas 
políticas ambientais nas décadas de 1970 e 1980 (Bellinger et al., 2000; 
Sanchez, 2008). 
 
O EIS foi considerado um instrumento interessante, principalmente no que se 
refere à participação da sociedade civil nas tomadas de decisão pelos órgãos 
ambientais, via audiências públicas (Absy, 1995). No entanto, por conta da 
complexidade da aplicação das diretrizes do CEQ, que geravam mudanças nas 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 17 
decisões administrativas e novos processos decisórios para todas as agências 
do governo federal, e a sua aplicação insatisfatória em vários pontos, é que 
houve a necessidade da substituição da aplicação das diretrizes para a 
elaboração e a apresentação do EIS. Essa modificação atribuiu às diferentes 
agências a elaboração de suas diretrizes e procedimentos, deixando a CEQ com 
função de estabelecimento de diretrizes gerais e regulação da aplicação da lei, 
podendo atuar como árbitro em determinadas questões conflitantes entre 
agências. Desta forma, ocorreu a descentralização dos processos de gestão de 
AIA, o que possibilitou que cada órgão pudesse agir de modo independente, 
evidentemente seguindo as diretrizes gerais estabelecidas pelo órgão supremo. 
 
A aplicação da AIA em outros países seguiu-se à dos EUA e ocorreu em primeiro 
lugar em alguns países do Norte de colonização britânica por conta das suas 
similaridades no sistema jurídico e com relação aos impactos ambientais. Em 
países da Europa o modelo americano não foi bem visto inicialmente, mas, 
posteriormente (em 1975), a Comissão Europeia iniciou a elaboração de uma 
diretiva que obrigava a elaboração de estudos de impactos ambientais para 
atividades de significativo impacto ambiental. Tal diretiva ficou pronta 10 anos 
mais tarde (Sanchez, 2008). 
 
Muitos países da comunidade europeia já adotavam alguma modalidade de 
AIA, geralmente associada ao planejamento territorial, mas apenas a França 
possuía um sistema formalizado por lei (Wathern, 1988). Dentre os países da 
comunidade europeia, vale destacar a legislação francesa  primeiro país a 
adotar de forma legal a AIA. A França, por conta de diferenças em seu regime 
jurídico, apresentou peculiaridades importantes com relação ao sistema 
americano. Uma delas, e talvez uma das mais importantes para nós, é a 
exigência de realização do estudo por parte do próprio interessado na atividade 
e/ou no empreendimento, seja ele público ou privado, diferentemente da 
legislação americana, na qual a aplicação se limita a propostas públicas federais 
ou decisões do governo federal sobre iniciativas privadas (Sanchez, 2008). 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 18 
 
Outros marcos importantes que colaboraram para a discussão da disseminação 
e implementação dos processos de AIA no mundo foram aqueles 
proporcionados pelos acordos internacionais e a pressão feita pelos bancos de 
financiamento e desenvolvimento multilaterais. 
 
O primeiro dos acordos internacionais na história da construção das AIA foi a 
realização da Conferência de Estocolmo em 1972. Em sua declaração, a 
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano faz sete 
proclamações sobre a responsabilidade e a necessidade dos vários atores 
(países, cidadãos e empresas) em se responsabilizar e tomar medidas de 
preservação do meio ambiente com base na necessidade da própria existência 
da vida humana no planeta e da melhoria e manutenção de sua qualidade. Essa 
carta contém 26 princípios básicos sobre diretrizes que devem ser adotadas ou 
observadas em âmbito internacional. Podem ser considerados os mais 
diretamente relacionadas com ações de AIA os seguintes princípios: 
 
“Princípio 5 
Os recursos não renováveis da terra devem empregar-se de forma que se evite 
o perigo de seu futuro esgotamento e se assegure que toda a humanidade 
compartilhe dos benefícios de sua utilização. 
 
Princípio 6 
Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outros materiais que 
liberam calor, em quantidades ou concentrações tais que o meio ambiente não 
possa neutralizá-los, para que não se causem danos graves e irreparáveis aos 
ecossistemas. Deve-se apoiar a justa luta dos povos de todos os países contra 
a poluição. 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 19 
Princípio 7 
Os Estados deverão tomar todas as medidas possíveis para impedir a poluição 
dos mares por substâncias que possam por em perigo a saúde do homem, os 
recursos vivos e a vida marinha, menosprezar as possibilidades de 
derramamento ou impedir outras utilizações legítimas do mar”. 
 
Tais princípios referem-se direta e explicitamente aos perigos da poluição e à 
necessidade de ações de preservação de recursos naturais não renováveis. A 
preocupação com outras formas de degradação vem mais explicitamente 
definida nos Princípios 13 e 14, que fazem uma correlação direta entre a 
proteção do meio ambiente e o desenvolvimento: 
 
“Princípio 13 
Com o fim de se conseguir um ordenamento mais racional dos recursos e 
melhorar assim as condições ambientais, os Estados deveriam adotar um 
enfoque integrado e coordenado de planejamento de seu desenvolvimento, de 
modo a que fique assegurada a compatibilidade entre o desenvolvimento e a 
necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano em benefício de 
sua população. 
 
Princípio 14 
O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar 
às diferençasque possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a 
necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente”. 
 
Esse documento reforçou as necessidades de se promoverem ações de 
preservação do meio ambiente em âmbito mundial, e muitos princípios desse 
documento são adotados como diretrizes para a elaboração de sistemas que 
tentem conciliar desenvolvimento e preservação ambiental. A preocupação com 
a ampliação e normatização destes sistemas aparece também em outros 
documentos internacionais como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 20 
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) (a Rio-92), que em três de seus 
documentos, a Declaração do Rio, a Agenda 21 e a Convenção sobre 
Diversidade Biológica (CDB), inclui em seus princípios e capítulos menções a 
AIA. A elaboração desses documentos suscitou uma série de discussões, e, 
embora alguns deles, como, por exemplo, a Agenda 21 tenham pouco efeito 
normativo (Soares 2003), eles acarretaram uma série de ações em outros 
países, como a criação de novas leis sobre o assunto e até mesmo tratados 
internacionais multilaterais como a Convenção sobre Avaliação de Impacto 
Ambiental em um Contexto Transfronteiriço (Convenção de Spoo), promovida 
pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Sanchez, 2008). 
 
Os bancos (Banco Mundial [BID] e Banco Interamericano de Desenvolvimento 
[BIRD]) e as agências de desenvolvimento multilaterais (USAID e OCDE), 
pressionados pelas organizações não governamentais (ONG) ambientalistas e 
pela sociedade civil nos EUA e na Europa foram também pressionadas a 
elaborar estudos de AIA para suas atividades e acordos de cooperação, o que 
levou outras agências do mundo (ACDI/CIDA, no Canadá, e Danida, na 
Dinamarca) a também estabelecerem seus procedimentos de avaliação de 
projetos no que concerne a AIA (Sanchez, 2008). 
 
Considerando-se o histórico, pode-se perceber que a implementação das ações 
de AIA no mundo foi, em grande parte, resultado de significativa pressão da 
sociedade civil e do movimento ambiental organizado, os quais tiveram papel 
relevante em pressionar as autoridades para a implementação das ações que 
visem ao cuidado de empreendimentos que afetem a qualidade de vida 
humana. Foi e ainda é por intermédio dessas pressões que muitos dos 
processos de licenciamento de grandes obras e empreendimentos têm seu 
avanço diminuído ou mesmo impedido por conta do aspecto duvidoso de seus 
impactos ambientais, sociais e culturais, por mecanismos que possibilitam a 
participação direta de segmentos sociais no processo de licenciamento 
ambiental. Veremos agora um pouco do histórico da AIA no Brasil. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 21 
 
1Segundo o Oxford Dictionary, statement pode ser definido como algo que 
alguém diz ou escreve oficialmente ou uma ação feita para expressar uma 
opinião. 
 
2.3 Histórico Brasileiro e Legislação 
 
Historicamente, desde a época do Brasil colônia já existiam algumas 
preocupações com relação ao uso dos recursos naturais. No século XVIII, a 
Coroa Portuguesa editou medidas e alvarás para racionalizar o uso de madeiras 
de lei para a construção naval e para a derrubada dos mangues utilizados em 
curtumes (Dean, 2002). Desde essa época, impactos relativos à mineração e à 
expansão das fronteiras agrícolas também já eram percebidos como grandes 
entraves ao desenvolvimento nacional (Pádua, 1987, 2002). 
 
Na legislação brasileira, houve uma grande quantidade de leis promulgadas na 
década de 1930 as quais visavam racionalizar o uso dos recursos naturais, dada 
a intensa fase de industrialização promovida por Getúlio Vargas (Sanchez, 
2008). Datam dessa época o Código de Águas (1934), o Código Florestal 
(1934), o Código de Minas (1934), o Decreto-Lei de Proteção ao Patrimônio 
Histórico, Artístico e Arqueológico (1937) e o Código de Pesca (1938). Essas 
leis visavam regulamentar o uso de recursos específicos atendendo às 
demandas da época e, portanto, não se constituíam em uma política ambiental 
brasileira. No entanto, já apresentavam avanços no que diz respeito à proteção 
de áreas naturais tais como o estabelecimento de florestas protetoras pelo 
código florestal, reconhecendo as funções desses ambientes em vários 
aspectos tais como regulação do volume de águas e conservação das espécies 
(Sanchez, 2008). 
 
No governo militar houve a revisão de vários códigos promulgados na década 
de 1930. Cabe ressaltar as modificações ao código florestal brasileiro, o que 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 22 
resultou no Código Florestal de 1964. Dentre essas modificações, por exemplo, 
há a criação das áreas de preservação permanentes (APP), áreas florestadas 
ao redor de corpos hídricos e em regiões de instabilidade ou fragilidade 
geomorfológica. 
 
Uma conjunção de fatores internos e externos propiciaram a evolução das 
políticas ambientais no Brasil levando a implementação da AIA (Pádua, 1991). 
Como fatores externos, assim como aconteceu em outros países em 
desenvolvimento, a implementação de ações de AIA era exigência de 
organismos multilaterais de financiamento como o BIRD e o BID. Alguns 
projetos do final da década de 1970 e início da de 1980, como a usina 
hidrelétrica de Sobradinho e o ponto de exportação de minério da Companhia 
Vale do Rio Doce, financiados pelos órgãos anteriormente citados, tiveram que 
realizar seus estudos de impacto ambiental (Sanchez, 2008). Tais estudos 
foram conduzidos com base em normas internacionais, já que o Brasil ainda 
não havia desenvolvido normas próprias (Absy et al., 1995). Como fatores 
internos, podemos citar o surgimento de atividades desenvolvidas no meio 
acadêmico, os movimentos sociais e os setores dos movimentos ambientalistas 
que apontavam, nos projetos de desenvolvimento, a exclusão social, os 
impactos ambientais relacionados aos mesmos (Tundisi, 1978; Lutzemberger, 
1980) e o problemas ambientais, principalmente a poluição e a escassez de 
água, relacionados com as atividades da indústria e com o uso e ocupação do 
solo. 
 
Para a consolidação das ações de AIA no Brasil, não somente as inciativas e as 
leis no âmbito federal foram importantes, também as leis e as ações realizadas 
nos âmbitos estaduais, pois a institucionalização da avaliação de impactos 
ambientais foi primeiramente realizada nesses níveis. Particularmente, a 
experiência do Rio de Janeiro serviu de base para a regulamentação da AIA no 
país. Foi a implementação de um sistema estadual de licenciamento de fontes 
de poluição que possibilitou que se estabelecessem as bases para a análise dos 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 23 
licenciamentos ambientais e, mais tarde, a exigência de um relatório de 
impacto ambiental, o que permitiu uma abrangência maior na análise dos 
problemas ambientais envolvidos, não os restringindo apenas às questões de 
poluição (como já discutido no capítulo). O comprometimento dos profissionais 
dos órgãos públicos envolvidos na implementação da AIA e o desenvolvimento 
técnico desses profissionais teve grande importância no processo de 
regulamentação da AIA no país (Sanchez, 2008). 
 
A AIA surge como instrumento legal pela primeira vez na Política Nacional do 
Meio Ambiente (Lei no 6.938/81), que institui no plano federal a avaliação de 
impacto ambiental e o licenciamento ambiental, antes somente existentes em 
alguns estados. Antes dela, legislações específicas sobre a aplicação de AIA 
para subsidiar “áreas críticas de poluição” (Lei no 6803/80) e um projeto de lei 
sobre zoneamento industrial, que previa a delimitação de zonas de uso 
exclusivamente industrial, jápreviam avaliações de impacto ambiental para a 
execução dessas atividades no âmbito federal (Machado, 2003). Em seus 
artigos 10 (este com redação determinada pela Lei no 7804/1989) e 11, inserem 
a obrigatoriedade da realização do licenciamento ambiental, estipulando como 
deve ser dada publicidade ao processo e delimitam as responsabilidades do 
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
(Ibama) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) na elaboração, 
acompanhamento e fiscalização das atividades de licenciamento ambiental 
(PNMA, 1981). No seu artigo 12, determina que as entidades e órgãos de 
financiamento e incentivos governamentais também tenham a concessão de 
seus benefícios a aprovação do licenciamento e condicionadas a realização de 
obras e aquisição de equipamentos destinados ao controle da degradação 
ambiental e à melhoria na qualidade de vida. Muitos artigos dessa lei tiveram 
a redação de seu caput alterada pela Lei no 7804/1989 ou regulamentada pela 
Lei no 99274/1990, dentre os principais motivos é que com a Lei 7735/1989 o 
IBAMA é criado e outras entidades autárquicas são extintas tais como a 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 24 
Secretaria Especial ao Meio Ambiente (Sema) e a Superintendência do 
Desenvolvimento da Pesca (Sudepe). 
 
Em 1986, é aprovada a Resolução Conama no 001. Esta surge como 
necessidade de implementação pelo Conama do exercício das 
responsabilidades que lhe são atribuídas pelo artigo 18 do Decreto no 
88.351/83, que estabelece os princípios gerais para o licenciamento ambiental, 
inclusive os itens relativos à elaboração do relatório de impacto ambiental 
(Rima) e do estudo de impacto ambiental (EIA) (EIA/Rima). Este artigo passa 
a ser o de número 17 nas modificações implementadas pelo Decreto Federal 
no 99.274, de 6 de junho de 1990. 
 
A Resolução Conama no 001/86 também define o escopo de aspectos a serem 
contemplados nesses estudos e discrimina os tipos de atividades que deverão 
passar pelo processo de licenciamento ambiental, definindo o papel dos órgãos 
competentes no processo e as responsabilidades de condução do processo por 
parte dos atores envolvidos. Cabe ressaltar a similaridade com a legislação 
francesa no que diz respeito a atribuições de responsabilidades de condução 
dos estudos e relatórios por parte dos requerentes do empreendimento, 
diferentemente da legislação americana em que o responsável é o órgão 
público. No mesmo ano, a Resolução Conama no 006 trata dos modelos de 
publicação de pedidos de licenciamento, em quaisquer de suas modalidades, 
sua renovação e a respectiva concessão de licença, constando instruções para 
a publicação em jornal oficial do Estado e periódicos de grande circulação, e a 
Resolução Conama no 011 altera e acrescenta atividades no artigo 2o. 
 
Um marco legislativo importante no que diz respeito à participação social nos 
processos de licenciamento foi a promulgação da Resolução Conama no 009/87, 
que dispõe sobre a questão das audiências públicas e regulamenta os processos 
de chamada e execução de tais audiências, colocando como documento dos 
estudos de AIA as atas e os anexos provenientes de tais audiências. Mais à 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 25 
frente veremos que, atualmente, existe uma série de outros mecanismos de 
participação social nos processos de licenciamento. Nesse mesmo ano, a 
Resolução Conama no 006 estabelece regras gerais para o licenciamento 
ambiental de obras de grande porte de interesse relevante da União, como a 
geração de energia elétrica, e a Resolução Conama no 010 estabelece como 
pré-requisito para licenciamento de obras de grande porte a implantação de 
uma estação ecológica pela instituição ou empresa responsável pelo 
empreendimento com a finalidade de reparar danos ambientais causados pela 
destruição de florestas e outros ecossistemas. 
 
Em 1988, a Constituição Federal deixa explícito em seu artigo 225 a 
responsabilidade de todos em relação à manutenção da qualidade do meio 
ambiente para esta e outras gerações futuras e, no seu inciso IV, estabelece o 
vínculo entre os estudos de impacto ambiental e o licenciamento e a 
obrigatoriedade de sua publicidade. Essa modificação na constituição selou o 
arcabouço legislativo básico sobre o qual após se sucederam algumas 
modificações de regulamentação e aprimoramento para a realização das 
atividades de AIA no Brasil que formam o arcabouço legal atual. As principais 
delas são descritas a seguir. 
 
Ainda em 1988, a Resolução Conama no 005 dispõe sobre licenciamento das 
obras de saneamento para as quais seja possível identificar modificações 
ambientais significativas e a Resolução Conama no 008 dispõe sobre 
licenciamento de atividade mineral, o uso do mercúrio metálico e do cianeto 
em áreas de extração de ouro. 
 
O Decreto no 99274, promulgado em 1990, no Capítulo 4, trata do 
licenciamento ambiental de atividades utilizadoras de recursos ambientais, 
consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como dos 
empreendimentos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação 
ambiental e, no Capítulo 5, seus artigos apresentam modificações importantes 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 26 
como, por exemplo, a não obrigatoriedade do Rima em casos de sigilo 
industrial. Também estabelece em seu Capítulo 18 a regulamentação da 
capacidade de determinação de redução das atividades poluidoras por parte do 
Ibama, e no seu Capítulo 19 regulamenta os tipos de licença que este pode 
conceder, discriminando o que é licença prévia (LP), licença de instalação (LI) 
e licença de operação (LP). 
 
Ainda em 1990, duas resoluções Conama tratam especificamente do 
licenciamento de atividades de extração mineral. A Resolução Conama no 009 
estabelece normas específicas para o licenciamento ambiental de extração 
mineral de diversas classes e a Resolução Conama no 010 estabelece critérios 
específicos para o licenciamento ambiental de extração mineral da classe II. 
Tais classes foram estabelecidas pelo Decreto-Lei no 227, de 28 de fevereiro de 
1967. 
 
A Resolução Conama no 237/1997 revê os procedimentos e os critérios 
utilizados no licenciamento ambiental dando nova regulamentação à vários 
aspectos da legislação anterior. Dentre elas, podem-se destacar a 
discriminação, de forma mais detalhada, de empreendimentos e atividades que 
estão sujeitos ao licenciamento ambiental e a regulamentação das etapas do 
procedimento de licenciamento. É importante ressaltar que no seu artigo 12 a 
resolução prevê que o órgão ambiental pode definir procedimentos específicos 
dadas as características e peculiaridades de atividades ou empreendimento, 
podendo haver simplificação do processo para empreendimentos de pequeno 
impacto ambiental, para grupos de empreendimentos e atividades similares 
pequenos e vizinhos e para a simplificação também de empreendimentos que 
implementem planos e programas voluntários de gestão ambiental. Em 2001, 
com a Resolução Conama no 279 os procedimentos de licenciamento ambiental 
foram simplificados para empreendimentos elétricos de pequeno potencial de 
impacto ambiental. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 27 
Posteriormente, outras resoluções Conama foram sendo promulgadas em 
aspectos mais específicos da legislação, tais como os requisitos mínimos e 
termos de referência para a realização de auditorias ambientais (Conama 
306/2002), os casos de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto 
ambiental que possibilitam a supressão de vegetação em áreas de preservação 
permanente (APP) (Conama 369/2006), o licenciamento ambiental simplificado 
de sistemasde esgotamento sanitário (Conama 377/2006) e o licenciamento 
ambiental de novos empreendimentos destinados à construção de habitações 
de interesse social (Conama 412/2009). Todas essas resoluções visavam à 
facilitação da implementação de projetos de forte interesse na agenda política 
do governo vigente na época. 
 
Atualmente, a legislação ambiental brasileira prevê uma série de tipos de 
estudos que não EIA e Rima, como, por exemplo, o plano de recuperação de 
áreas degradadas (Prad), o relatório de controle ambiental (RCA), o estudo de 
impacto de vizinhança (EIV), entre outros que foram surgindo dada a 
necessidade de contemplar aspectos peculiares de determinados impactos e 
suprir outras demandas. Esses tipos de estudo serão abordados 
posteriormente. De maneira complementar, muitos manuais de órgãos 
estaduais têm sido elaborados, e uma vasta legislação, nos âmbitos estadual e 
municipal, tem sido criada. 
 
Estudaremos agora as etapas do licenciamento ambiental e alguns aspectos 
que devem ser contemplados em sua elaboração. 
 
2.4 Definição, Tipos e Etapas do Licenciamento Ambiental 
 
Segundo a Resolução Conama no 237/97, o licenciamento ambiental é um 
procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia 
localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades 
utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 28 
poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação 
ambiental. Pode-se dizer que, atualmente, o licenciamento ambiental tem 
funções de caráter preventivo e corretivo. Como função preventiva, a ideia é 
fazer ajustes e modificações necessárias nos projetos de obras e 
empreendimentos que possam reduzir possíveis danos ao meio ambiente 
decorrentes de suas atividades. Tais reduções devem contemplar os diferentes 
aspectos ambientais, sociais e culturais das atividades propostas. Como função 
corretiva, o licenciamento pode ser condicionado à realização de ações de 
compensação necessárias para a mitigação de tais atividades. 
 
Essas funções foram definidas quando da promulgação do Decreto no 
99274/1990, em que foram determinados três tipos de licença, definidas de 
acordo com as etapas da obra ou empreendimento: 
 
 Licença prévia: é solicitada na fase de planejamento do 
empreendimento ou atividade ou no caso de alteração e ampliação deste. Este 
precede as fases de instalação e operação e seu objetivo principal é avaliar 
quais possíveis danos ao meio ambiente podem ser causados por tais atividades 
e que condições são necessárias para o prosseguimento de elaboração do 
projeto. Nessa fase devem ser observados os planos municipais, estaduais ou 
federais de uso de solo. 
 
 Licença instalação: autoriza a instalação do empreendimento ou 
atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas 
e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais 
condicionantes. 
 
 
 Licença de operação: autoriza o início da operação da atividade ou 
empreendimento, após a verificação dos requisitos e do cumprimento das 
exigências constantes nas LP e LI. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 29 
Os prazos de validade das licenças mencionadas anteriormente são 
estabelecidos pelos órgãos ambiental competente, tendo LP e LI prazo máximo 
de, respectivamente, 5 e 6 anos e a LO prazo mínimo de 4 e máximo de 10 
anos. O órgão ambiental pode alterar os prazos de validade previamente 
concedidos a uma determinada licença, porém estes não podem ultrapassar os 
limites máximos discriminados anteriormente. 
 
A exigência desses três tipos de licença segue a lógica do cumprimento de 
etapas em que é possível ter maior controle e previsibilidade nas alterações 
que os empreendimentos podem causar no meio ambiente, estabelecendo de 
antemão seu grau e, quando for o caso, reduzindo-o a níveis aceitáveis. O rol 
de empreendimentos e atividades sujeitas ao licenciamento ambiental estão 
relacionados no Anexo 1 da Resolução Conama no 237/1997 e são 
discriminados nos seguintes tipos de atividades: extração e tratamento de 
minerais, indústria de produtos minerais não metálicos, indústria metalúrgica, 
indústria mecânica, indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações, 
indústria de material de transporte, indústria de madeira, indústria de papel e 
celulose, indústria de borracha, indústria de couros e peles, indústria química, 
indústria de produtos de matéria plástica, indústria de produtos alimentares e 
bebidas, indústria de fumo, indústrias diversas (produção de concreto, asfalto 
e galvanoplastia), obras civis, serviços de utilidade, transporte, terminais e 
depósitos, turismo, atividades diversas, atividades agropecuárias e uso de 
recursos naturais. Para cada um desses itens (tipos de atividade) há uma série 
de subitens que detalham que atividades estão compreendidas em cada um 
deles. Por exemplo, no item atividades diversas compreende o parcelamento 
do solo e a instalação de distrito e polo industrial. Pode-se perceber nessa 
resolução a preocupação em determinar um escopo meticuloso das atividades 
que devem ser submetidas ao licenciamento, não dando margem a 
interpretações dúbias no que diz respeito ao que é ou não uma atividade que 
possa causar impacto ambiental. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 30 
Além disso, esse detalhamento é importante, pois, para cada tipo de licença, é 
necessário um conjunto diferente de documentos determinada pelo órgão 
licenciador responsável (municipal, estadual ou federal). 
 
Segundo o artigo 10 da Resolução Conama no 237/1997, as etapas do 
procedimento de licenciamento ambiental são as seguintes: 
 
I- definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do 
empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, necessários 
ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser 
requerida; 
 
II- requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado 
dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida 
publicidade; 
 
III- análise pelo órgão ambiental competente, integrante do Sistema 
Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), dos documentos, projetos e estudos 
ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando 
necessárias; 
 
IV- solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental 
competente, integrante do Sisnama, uma única vez, em decorrência da análise 
dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, 
podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e 
complementações não tenham sido satisfatórios; 
 
V- audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação 
pertinente; 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 31 
VI- solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental 
competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo 
haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e as 
complementações não tenham sido satisfatórios; 
 
VII- emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer 
jurídico; 
 
VIII- deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida 
publicidade. 
 
Existem ainda mais dois tipos de licença para empreendimentos que foram 
construídos antes de as regras de licenciamento serem elaboradas: a licença 
de instalação corretiva (LIC), que é direcionada para empreendimentos 
instalados ou em instalação e que ainda não procederam ao licenciamento 
ambiental, e a licença de operaçãocorretiva (LOC), que é direcionada para 
empreendimentos em operação e que ainda não procederam ao licenciamento 
ambiental (Fiemig, sem ano). Veremos um estudo de caso de LOC no estudo 
de caso do Capítulo 8. 
 
3 . Avaliação de Impacto Ambiental, suas Fases e Indicadores 
 
3.1 Introdução 
 
A AIA é um instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei no 6.938/81) 
formado por um conjunto de procedimentos capaz de assegurar, desde o início 
do processo, que se faça um exame sistemático dos impactos ambientais de 
uma ação proposta (projeto, programa, plano ou política) e de suas 
alternativas, que os resultados sejam apresentados de forma adequada ao 
público e aos responsáveis pela tomada de decisão, e por eles devidamente 
considerados. Ela é realizada em três etapas: triagem, identificação, previsão 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 32 
e interpretação da importância dos impactos ambientais relevantes (Silva, 
1994a). Neste capítulo estudaremos as fases da AIA, bem como os indicadores 
ambientais utilizados para a sua elaboração. 
 
3.2 Fases da Avaliação de Impacto Ambiental 
 
A AIA pode funcionar como instrumento para duas finalidades diferentes. A 
primeira é ser um instrumento auxiliar do processo de decisão, representando 
um método de análise sistemática, por meio de parâmetros técnico-científicos, 
dos impactos ambientais associados a um determinado projeto. A segunda é 
ser instrumento de auxílio ao processo de negociação  esta vertente, político-
institucional, atribui para a AIA um papel de interlocutor entre os projetos 
públicos e/ou privados com a sociedade na qual esses projetos estão inseridos. 
 
A AIA é necessária para empreendimentos que gerem impactos ambientais 
“significativos”. A definição de impactos ambientais significativos depende da 
relação entre a capacidade de resistência ou resiliência dos ecossistemas e da 
magnitude do impacto gerado. Empreendimentos que gerem impactos 
ambientais de pequena magnitude podem ser controlados por normas e regras 
de controle da geração e disposição final de resíduos, não sendo assim 
necessária a realização de estudos completos de AIA, apenas o cumprimento 
das normas já estabelecidas pela legislação (Sanchez, 2006). Um exemplo é o 
licenciamento de postos de gasolina. No Brasil, a legislação pertinente à 
atividade de armazenamento e distribuição de combustível é a no 237/97, que 
cita a atividade como sendo sujeita ao licenciamento ambiental. No entanto, o 
Conama publicou a Resolução no 273/2000, com a principal finalidade de 
padronizar os procedimentos e o licenciamento das atividades que possuem 
armazenagem de combustíveis, como os postos de gasolina e transportadores-
revendedores-retalhistas (Lorenzett, 2010). Essa resolução é bem clara no que 
diz respeito à responsabilidade dos postos de combustíveis, pois dispõe que, 
em caso de acidentes ou vazamentos que apresentem situações de perigo ao 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 33 
meio ambiente ou às pessoas, bem como na ocorrência de passivos ambientais, 
proprietários, arrendatários ou responsáveis pelo estabelecimento, 
equipamentos, sistemas e os fornecedores de combustíveis que abastecem ou 
abasteceram a unidade responderão solidariamente pela adoção de medidas 
para controle da situação emergencial e para o saneamento das áreas 
impactantes. 
 
Essa mesma resolução também diz que os equipamentos e sistemas destinados 
ao armazenamento e à distribuição de combustíveis automotivos, assim como 
sua montagem e instalação, deverão ser avaliados quanto à sua conformidade 
no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação. Previamente à entrada em 
operação e com periodicidade não superior a 5 anos, os equipamentos e 
sistemas deverão ser testados e ensaiados para a comprovação da inexistência 
de falhas ou vazamentos, segundo procedimentos padrões, de maneira que 
possibilite a avaliação de sua conformidade no âmbito do Sistema Brasileiro de 
Certificação (Figura 3.1). Assim, a correta observação das normas na instalação 
e operação desse tipo de empreendimento exime-o de um processo de AIA 
completo. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 34 
 
Figura 3.1 A) Canaletas utilizadas para recolhimento de água contaminada por 
resíduos de óleo. B) Caixa de separação de óleo e resíduos. 
 
Em ambientes que possuem funções ecológicas ou culturais importantes tais 
como zonas de recarga de aquíferos, cenários de grande beleza cênica, regiões 
de solos cársticos (solos calcários frágeis, geralmente associados a existência 
de ambientes espeleológicos), regiões de alta biodiversidade ou de ocorrência 
de espécies endêmicas, entre outros, sobretudo onde os impactos têm caráter 
irreversível, cumulativos ou sinérgicos, a realização completa da AIA é 
obrigatória. 
 
A primeira etapa da AIA é a triagem que consiste em classificar os tipos de 
empreendimentos de acordo com o seu potencial poluidor. Tais listas 
classificam os empreendimentos pelo seu potencial poluidor em 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 35 
empreendimentos que necessitam de estudo de impacto prévio, chamados de 
listas positivas, e aqueles empreendimentos que, a princípio, não necessitam 
de tais estudos, chamados de listas negativas. Tais listas são classificações 
prévias genéricas do potencial poluidor dos empreendimentos e facilitam 
bastante o processo de AIA. No entanto, características locais das áreas onde 
serão instalados os empreendimentos devem ser observadas. Áreas de 
relevante interesse ecológico, por exemplo, necessitam de estudos de AIA 
independentemente do tipo de empreendimento. Por exemplo, o Decreto 
Federal no 99556/1990 estabelece a necessidade de preparação de EIA para 
obras ou empreendimentos potencialmente lesivos ao patrimônio espeleológico 
nacional. Esse e outros tipos de ambientes são considerados especiais por 
conta de sua beleza cênica, vulnerabilidade e razões de ordem histórica e social 
e exigem a realização de EIA independentemente do tipo de empreendimento 
(Ibama/MMA 2001). A aplicação direta de tais critérios é problemática, pois 
existe uma diferença grande entre tipos de empreendimentos e a delimitação 
clara se eles podem ou não causar impactos ambientais significativos; cada 
caso deve ser considerado com cuidado. Em casos nos quais a aplicação dos 
critérios mencionados suscita dúvidas sobre a necessidade de se elaborar um 
EIA completo pode-se recorrer à elaboração de estudos preliminares. Em São 
Paulo, por exemplo, por intermédio da Resolução SMA no 42/94, criou-se uma 
avaliação inicial chama de relatório ambiental preliminar (RAP) para os casos 
de projetos cujos potenciais de impacto não são evidentes. 
 
Para que os critérios de triagem sejam aplicados é necessário que o 
empreendedor apresente um memorial descritivo do projeto, com informações 
essenciais tais como: local do projeto, suas características ambientais e do 
entorno e descrição do projeto e suas alternativas. Esses documentos são 
fundamentais para que o órgão competente possa analisar o projeto com base 
nos critérios acima expostos. É importante também dar-se publicidade ao 
projeto nessa etapa e nas etapas seguintes para que a opinião pública se 
manifeste caso haja algum problema, evitando assim transtornos futuros. As 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 36 
etapas que compõem um processo de AIA estão esquematicamente resumidas 
na Figura 3.2. 
 
 
 
Figura 3.2 Etapas do processo de AIA. (Fonte: Prof. Eduardo Lucena Cavalcanti 
de Amorim, disponível em 
http://www.ctec.ufal.br/professor/elca/Aula%20Conceitos%20AIA2.pdf, 
acesso em 20/02/2016) 
 
A identificaçãodos impactos ambientais apresenta dificuldades inerentes à sua 
delimitação espaço-temporal, exigindo ampla análise de toda uma possível 
gama de interações, o que a torna de difícil execução. Outro problema reside 
na natureza diferenciada desses efeitos, o que dificulta o estabelecimento de 
um padrão de mensuração comum. A fase de predição dos impactos ambientais 
também envolve limitações instrumentais relativas à previsão do 
comportamento de ecossistemas complexos. Essa fase é normalmente 
chamada na literatura interacional de scoping, que, em português, pode ser 
definido como escopo do projeto. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 37 
Normalmente ela é feita pela elaboração de um termo de referência (TR). Nesse 
documento o órgão ambiental apresenta os aspectos relevantes que devem ser 
abordados e indicações de como o problema deve ser abordado, que tipo de 
estudo, duração e periodicidade deste. Alguns podem chegar a um nível de 
detalhamento bastante alto, como, por exemplo, indicar espécies da flora e 
fauna que devem ser monitoradas. Em algumas jurisdições, como, por 
exemplo, Rio de Janeiro e São Paulo, o TR é elaborado a partir de um plano de 
trabalho que deve ser elaborado e entregue pelo empreendedor. O plano de 
trabalho deve explicitar os aspectos a serem analisados, bem como as 
metodologias necessárias para o estudo, e com base nesse documento o órgão 
ambiental faz o TR. No Brasil, as jurisdições que adotam uma sistemática 
estruturada para a realização de TR dão nomes distintos a esse documento. No 
Rio de Janeiro, por exemplo, o TR é denominado Instruções Técnicas (Art. 2o, 
Lei no 1356/1988). 
 
A consulta à legislação vigente fornece uma boa referência das restrições e 
aspectos que podem influenciar a elaboração tanto do plano de trabalho quanto 
do TR. A consulta a convenções internacionais e outros documentos de 
entidades governamentais, não governamentais que tratem de diversidade 
biológica e preservação de áreas de relevância para o patrimônio ambiental, 
histórico e cultural fornecem uma boa referência para a identificação de 
elementos relevantes do ambiente (Beanlands & Duinker, 1983). Uma fonte de 
consulta interessante é a página da International Association for Impact 
Assesment (IAIA) (http://www.iaia.org). Nessa página pode ser encontrada 
uma bibliografia vasta sobre a identificação de elementos relevantes para EIA. 
Essa identificação, quando colocada sob a ótica tanto dos profissionais que vão 
analisar o processo quanto do público interessado, pode ajudar a identificar 
tais elementos. Muitas vezes espécies da fauna e flora podem não estar em 
listas de espécies ameaçadas de extinção, mas possuir valor cultural ou 
medicinal valorizado localmente pelas populações. A concepção moderna de 
AIA incorpora o público em diferentes fases do processo. Embora seja de difícil 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 38 
operacionalização, isso reduz o nível de subjetividade presente na avaliação e 
também evita que este seja um entrave grande para o andamento do processo 
de AIA no futuro, evitando conflitos antes não previstos. 
 
Por esse motivo, é preciso levar em consideração na formulação do TR diversas 
alternativas ao projeto original, confrontando com a alternativa de não realizá-
lo, segundo estipula a Resolução Conama no 1/86 no seu art. 5o: “contemplar 
todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando-se 
com a hipótese de não realização do projeto”. A realização de um elenco de 
alternativas possíveis ajuda a evitar problemas futuros, auxiliando inclusive que 
os EIA não tenham que ser refeitos várias vezes. 
 
Identificando-se a necessidade de elaboração do EIA, seguem-se as fases de 
identificação dos impactos, predição e avaliação. Atualmente, também são 
utilizadas as etapas de definição de objetivos e de monitoramento, 
denominadas de fases de pré e pós-impacto, respectivamente (Westman, 
1985). Enquanto a primeira induz à ampliação e ao aprimoramento da 
discussão dos objetivos do estudo sob as diferentes óticas dos atores 
envolvidos antes do início do processo, a segunda propicia uma realimentação 
fundamental para a avaliação que opera, frequentemente, com um elevado 
grau de incerteza. Também é possível, em casos previstos na Resolução no 
279/2001, que o empreendedor apresente um relatório de avaliação 
simplificado (RAS), que, como o próprio nome diz, é uma simplificação do 
documento de EIA dado o baixo potencial de impacto de certas atividades 
(abordaremos esse instrumento com mais detalhes no capítulo seguinte). Os 
métodos para predição e avaliação dos impactos ambientais serão vistos no 
Capítulo 7. 
 
Convém ressaltar que, embora o EIA/Rima seja o principal documento em um 
processo de avaliação de impactos ambientais, outros relatórios possíveis 
podem ser elaborados dependendo do caso, alguns deles podem até mesmo 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 39 
substituir o EIA/Rima. Os principais são o plano de controle ambiental (PCA), o 
RCA, o Prad e o RAS (este já discutido). Apesar de não haver diretrizes 
específicas regulamentadas pelo Conama para a elaboração de PCA, RCA, Prad 
e outros, estes são considerados estudos ambientais, em virtude do referencial 
teórico implícito na legislação pertinente (análise dos efeitos ambientais da 
ação antrópica) e da sequência dos procedimentos requeridos por estes serem 
basicamente os mesmos da Resolução Conama no 001/86 para elaboração de 
EIA/Rima (Absy et al., 1995). 
 
O PCA é exigido pela Resolução Conama no 009/90 para concessão de LI de 
atividade de extração mineral de todas as classes previstas no Decreto-Lei no 
227/67. O RCA é exigido pela Resolução Conama no 010/90, na hipótese de 
dispensa do EIA/Rima, para a obtenção de LP de atividade de extração mineral 
da classe II, prevista no Decreto-Lei no 227/67 (classe II  jazidas de 
substâncias minerais de emprego imediato na construção civil). Por último, o 
Prad tem sido utilizado para a recomposição de áreas degradadas pela 
atividade de mineração. É elaborado de acordo com as diretrizes fixadas pela 
NBR 13030, da ABNT, e outras normas pertinentes. Não há diretrizes para 
outros tipos de atividade. 
 
3.3 Indicadores Físico, Químicos, Biológicos e Socioeconômico-
Culturais De Impactos Ambientais 
 
Indicadores ambientais podem ser definidos como “ferramentas de 
acompanhamento de alteração de padrões ambientais e de estratégias de ação 
sobre o meio ambiente através da análise sistemática e da expressão sintética 
das evoluções temporais e/ou espaciais, em relação a uma situação de 
referência, com o objetivo de estabelecer metas e verificar eficiência e eficácia 
das ações” (Sema, 1991). Eles têm caráter diagnóstico diante de uma situação 
que se quer avaliar e são compostos por variáveis e/ou parâmetros que servem 
como medidas da magnitude do impacto ou das condições ambientais que se 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 40 
quer analisar (Munn, 1975; Moreira, 1992). Eles são construídos a partir de 
uma série de dados analisados e podem ser utilizados em conjunto para a 
elaboração de índices que expresse um conjunto de características ambientais. 
Algumas características devem ser observadas para a realização de coletas que 
possam se constituir em boas séries históricas e que possam permitir a seleção 
de indicadores, em vários níveis hierárquicos (ecossistêmas, comunidades 
etc.), que permitam a detecção dos padrões e processos ecológicos de 
funcionamento dos ecossistemas e as alterações advindas dos impactos 
antrópicos nestas características (Simberloff, 1998). Uma das dificuldades na 
utilização dessa abordagemé a definição clara de que indicadores devem ser 
utilizados e com que frequência (Lindenmayer et al., 1999). 
 
Em se tratando de impactos provocados pela poluição, atualmente existem uma 
série de indicadores ambientais que já estão estabelecidos, estando seus limites 
e variações já estabelecidos em resoluções e normas técnicas, que podem ser 
utilizados para a avaliação e o monitoramento dos diversos “compartimentos” 
que formam o ambiente (água, ar, solo e seres vivos). No entanto, fora o caso 
dos poluentes, para uma grande quantidade de indicadores de impacto, não 
existem. 
 
Como cada um desses compartimentos tem características e propriedades 
distintas o comportamento e parâmetros de poluição são diferentes. No 
entanto, pode haver similaridades no que tange à avaliação de métodos e 
parâmetros para dois ou mais tipos de “compartimentos”, como, por exemplo, 
será visto em relação aos compartimentos aquáticos e terrestres. 
Vejamos agora alguns dos parâmetros utilizados como indicadores da qualidade 
para cada tipo de compartimento ambiental. 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 41 
3.3.1 Meio Aquático 
 
Existem vários aspectos relacionados com o monitoramento do meio aquático 
que devem ser levados em consideração. Em geral, empreendimentos e obras 
podem afetar a vazão, seja por conta do consumo seja pela dinâmica dos 
corpos hídricos, o que afeta a biota local, ou afetar a recarga de aquíferos. 
Essas alterações podem ser verificadas por cálculos de vazão e modelos que 
ajudem a entender os efeitos futuros dessas alterações. Em outros 
empreendimentos, as alterações têm efeitos na qualidade da água, são 
promovidas pelo aumento da carga de sedimentos nos corpos d’água e pelo 
assoreamento de corpos hídricos, o que altera seus parâmetros físicos e 
químicos. Os indicadores de qualidade da água podem ser divididos em 
parâmetros físicos e químicos. Parâmetros físicos estão relacionados com a 
presença de sólidos e gases na água e dentre os principais destacam-se: 
 
 Sólidos: são definidos como todas as impurezas presentes na água, 
com exceção dos gases dissolvidos. De acordo com o tamanho das partículas, 
os sólidos podem ser classificados em suspensos e dissolvidos. Os sólidos 
suspensos são constituídos principalmente de matéria orgânica e sedimentos 
de erosão e compõem a fração das partículas que fica retida após a passagem 
de uma amostra de volume conhecido por uma membrana filtrante com poro 
igual a 1,2 m. Os sólidos dissolvidos representam a fração da amostra que 
passa pela membrana de 1,2 m. 
 
 Temperatura: é uma medida da intensidade de calor. Temperaturas 
elevadas têm como consequência o aumento das taxas das reações físicas, 
químicas e biológicas, além da diminuição de solubilidade dos gases como o 
oxigênio dissolvido. 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 42 
 Condutividade: é definida como a capacidade da água de transmitir 
corrente elétrica. Os sólidos dissolvidos são os constituintes responsáveis pela 
condutividade que pode ser utilizada como medida indireta da presença de sais. 
 
 Cor: os sólidos dissolvidos são os principais responsáveis por conferir 
coloração à água. A cor pode ser classificada em aparente e verdadeira. No 
valor da cor aparente pode estar presente a parcela causada pela turbidez, e, 
quando esta é removida, tem-se a cor verdadeira. 
 
 Turbidez: representa o grau de alteração à passagem da luz através da 
água. Os sólidos suspensos são os principais responsáveis pela turbidez 
causando difusão e a absorção da luz. Valores elevados podem reduzir a ação 
do cloro em processos de desinfecção e servir de abrigo para microrganismos. 
 
Os parâmetros químicos são aqueles que indicam a presença de alguns 
elementos ou compostos químicos. Entre os principais estão: 
 
 pH: representa a concentração de íons hidrogênio H+ (em escala 
antilogarítmica). Os sólidos dissolvidos e gases dissolvidos são os principais 
constituintes que alteram o pH. Sua faixa de variação é de 0 a 14. O valor do 
pH indica a condição de acidez ou alcalinidade da água. Valores baixos de pH 
(inferiores a 7) no pH indicam potencial corrosividade e agressividade da água, 
o que pode levar à deterioração das tubulações e peças por onde essa água 
passa. Valores elevados de pH podem levar ao surgimento de incrustações em 
tubulações. 
 
 Alcalinidade: é a medida da capacidade de neutralizar os ácidos 
através da quantidade de íons na água que reagirão para neutralizar os íons 
de hidrogênio. Os principais constituintes são os sólidos dissolvidos na forma 
de bicarbonatos (HCO3-), carbonatos (CO32-) e hidróxidos (OH-). 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 43 
 
 Dureza: representa a concentração de cátions multimetálicos em 
solução (Ca2+ e o Mg2+). A dureza pode ser classificada em dureza carbonato 
(temporária, correspondente à alcalinidade, associada a HCO3- e CO32-) e 
dureza não carbonato (permanente, associada a ânions como Cl- e SO42-). Os 
constituintes responsáveis são os sólidos dissolvidos originários da dissolução 
de minerais contendo cálcio e magnésio. A principal consequência das águas 
duras é a redução na formação de espumas e o surgimento de incrustações 
nas tubulações de água quente. 
 
 Cloretos: são componentes resultantes da dissolução de sais. Os 
constituintes responsáveis estão na forma de sólidos dissolvidos. Em 
determinadas concentrações pode conferir sabor salgado à água. 
 
 Ferro e manganês: têm origem natural na dissolução de componentes 
do solo. Quando estão em suas formas insolúveis (Fe3+ e Mn4+) podem causar 
cor na água e acarretar manchas durante a lavagem de roupas e em utensílios 
sanitários. Os constituintes responsáveis são os sólidos dissolvidos. 
 
 Fósforo: presente na água sob a forma de sólidos em suspensão e 
sólidos dissolvidos. É encontrado sob as formas de ortofosfato (forma mais 
simples, diretamente disponível), polifosfato (forma mais complexa) e fósforo 
orgânico. Pode ser originário de compostos biológicos, células e excrementos 
de animais. 
 
 Nitrogênio: está presente na forma de sólidos em suspensão e sólidos 
dissolvidos. Na água pode estar sob as seguintes formas: nitrogênio molecular 
(N2), nitrogênio orgânico (dissolvido ou em suspensão), amônia (livre NH3 e 
ionizada NH4+), nitrito (NO2-) e nitrato (NO3-). Pode ter origem em proteínas, 
compostos biológicos, células e excrementos de animais. A forma 
predominante do nitrogênio pode informar o estágio da poluição. Assim, 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 44 
quando predomina o nitrogênio orgânico ou amônia, a poluição é recente e, 
quando predomina o nitrato, a poluição é remota. 
 
 Sulfatos: os constituintes responsáveis por este parâmetro estão na 
forma de sólidos dissolvidos. O íon sulfato pode ser um indicador de poluição 
de uma das fases da decomposição da matéria orgânica e dependendo da 
concentração pode produzir efeitos laxativos. 
 
 Matéria orgânica: a matéria orgânica pode ter origem natural ou 
antropogênica e é mensurada pelo consumo de oxigênio dissolvido na água. A 
matéria carbonácea (com base no carbono orgânico) divide-se em fração não 
biodegradável (em suspensão e dissolvida) e fração biodegradável (em 
suspensão e dissolvida). Graças à variedade de compostos presentes na 
matéria orgânica são utilizados medidas indiretas para sua quantificação, 
como: a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e a demanda química de 
oxigênio (DQO). A DBO representa uma indicação aproximada da matéria 
orgânica biodegradável. Na DQO a oxidação da matéria orgânica é realizada 
com o uso deum oxidante (dicromato de potássio) em meio ácido. De acordo 
com Von Sperling (2005), a relação entre DQO e DBO pode indicar a 
composição da matéria orgânica. Uma relação DQO/DBO5 baixa ( 2,5) indica 
que a fração biodegradável é elevada e uma relação DQO/DBO5 alta (valores 
superiores a 3,5 ou 4) significa que a fração inerte (não biodegradável) é 
elevada. 
 
Os parâmetros biológicos indicam a presença de seres vivos na água e os mais 
comumente analisados são: 
 
 Coliformes totais: as bactérias do grupo coliforme são utilizadas como 
organismos indicadores de contaminação. Geralmente não são patogênicas, 
mas indicam a possibilidade da presença de organismos patogênicos. Os 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 45 
coliformes totais indicam as condições higiênicas e podem estar presentes 
inclusive em águas e solos não contaminados. 
 
 Coliformes termotolerantes: é o grupo de bactérias originário 
predominantemente do intestino humano e de outros animais. A principal 
bactéria do grupo é Escherichia coli, abundante nas fezes homens e de animais 
de sangue quente. Sua presença na água constitui indicação de contaminação 
por fezes, e algumas espécies de Escherichia coli são patogênicas. 
 
Algumas normas e portarias estabelecem os limites para cada um desses 
parâmetros e padrões para a qualidade da água. Documentos importantes 
nesse sentido são a Portaria MS no 518/04 do Ministério da Saúde, a Resolução 
Conama no 274/00, a Resolução no 357/05 e a NBR 13969/97. 
 
3.3.2. Meio Terrestre 
 
Alterações no meio terrestre podem proporcionar o aumento da carga de 
erosão, geração de resíduos sólidos que terão que ser destinados e 
acondicionados em determinado local, perda de cobertura vegetal e diminuição 
de áreas nativas. Para as modificações que alteram as características físicas 
superficiais do solo (topografia), existem várias técnicas de sensoriamento 
remoto que podem ajudar a estimar e prever as modificações decorrentes de 
tais alterações. Com essas técnicas é possível estabelecer a proporção de 
ocupação do solo, a proporção de perda de área verde e outros aspectos que 
mostrem o uso e ocupação do solo. No caso de alterações nos parâmetros 
físico-químicos do solo, estas podem ter efeitos superficiais, sendo necessária 
apenas a amostragem do mesmo com a utilização de trados e pás. Outras 
alterações têm efeitos diretos no lençol freático e, portanto, os parâmetros 
utilizados são os mesmos daqueles utilizados para o monitoramento do meio 
aquático. Nesses casos é muito útil a instalação de poços de monitoramento 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 46 
que permitem não apenas uma amostragem pontual, mas também seu 
monitoramento ao longo do tempo. 
 
No caso de contaminação química, a seleção dos parâmetros a serem 
analisados tem relação com o tipo de indústria ou atividade que será instalada. 
Por exemplo, na indústria química os prováveis contaminantes são ácidos, 
bases metais, solventes (tolueno, benzeno etc.), fenóis e compostos orgânicos 
específicos; no caso de indústria petroquímica os compostos a serem 
monitorados são hidrocarbonetos, ácidos, bases e abestos. Assim, existe uma 
série de compostos que devem servir de indicadores de acordo com o tipo de 
impacto gerado. Esses compostos podem ser avaliados por métodos químicos 
como cromatografia a gás, cromatografia/espectofotometria de massa e de 
fluorescência e métodos de imunoessay. É possível também a utilização de 
métodos geofísicos, que utilizam as propriedades físicas dos solos tais como 
permissividade elétrica, condutividade e resistividade elétrica e suscetibilidade 
magnética. Essas medições são feitas com aparelhos específicos como 
resistivímetros, sondas (radares) e condutivímetros. 
 
Normas que classificam o tipo de resíduo em classes de acordo com a sua 
periculosidade com a NBR 10004 e que estabelecem procedimentos para a 
análise de lixiviação, solubilização e amostragem (NBR 10005, 10006 e 10007) 
desses resíduos podem ser utilizadas para análise do potencial poluidor de 
determinado empreendimento ou obra. 
 
3.3.3 Meio Aéreo 
 
Com relação ao meio atmosférico, as principais modificações são aquelas 
pertinentes à geração de ruídos, de material particulado e de gases de 
combustão. Com relação à geração de materiais particulados e gases de 
combustão, a Resolução no 3/90 do Conama estabelece os padrões de 
qualidade do ar com base nas concentrações de partículas totais em suspensão, 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 47 
dióxido de enxofre, ozônio, fumaça, partículas inaláveis, dióxido de nitrogênio 
e dióxido de carbono. Tais parâmetros são medidos levando-se em conta o 
período de amostragem e classificam as emissões em quatro padrões 
chamados de primário, atenção, alerta e emergência. Tais classificações 
ajudam a determinar qual é a magnitude de alteração das atividades 
poluidoras, bem como quais a amplitude e a magnitude das possíveis ações 
mitigatórias de tais obras e empreendimentos utilizando-se modelos 
matemáticos preditivos. Tais modelos permitem entender qual a provável 
dinâmica dos poluentes dado o grau de liberação de resíduos de uma 
determinada atividade. Por exemplo, no caso de uma rodovia, seria possível 
fazer uma estimativa com base no número de veículos esperados, na 
quilometragem média anual percorrida pelos veículos, a taxa de emissão de 
tais veículos e a seleção de dados metereológicos para o cálculo das taxas de 
dispersão para uso em modelos de dispersão. 
 
A geração de ruídos pode ser estimada pelos níveis de pressão sonora emitidos 
pelo conjunto de atividades que compõem o empreendimento, aplicado em 
relações matemáticas simples ou complexas que podem até mesmo estimar a 
propagação de ruídos dada a distância, a existência de barreira física e a 
rugosidade do terreno. Para isso, é possível fazer um monitoramento pré-
operacional, simulando a emissão desses ruídos e fazendo as medições em 
diversos pontos na paisagem. A partir daí esses resultados podem ser colocados 
em um software de interpolação de dados para que sejam estimados os níveis 
de ruído por faixas na paisagem, denominadas isolinhas (Sanchez, 2008). 
 
 3.3.4 Meio Biótico 
 
Os organismos ou suas características morfológicas e fisiológicas quando 
utilizados como indicadores são denominadas bioindicadores. Existem 
bioindicadores moleculares, celulares e no nível do organismo, populações e 
comunidades. As duas características mais importantes dos bioindicadores são: 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 48 
permitir identificar as interações que ocorrem entre os contaminantes e os 
organismos vivos e possibilitar a mensuração de efeitos subletais. Além disso, 
algumas características são importantes para que um organismo ou grupo 
possa ser considerado um bom bioindicador, a saber (Johnson et al., 1993): 
ser taxonomicamente bem definido e facilmente reconhecível por não 
especialistas, apresentar distribuição geográfica ampla, ser abundante ou de 
fácil coleta, ter baixa variabilidade genética e ecológica, preferencialmente 
possuir tamanho grande, apresentar baixa mobilidade e longo ciclo de vida e 
dispor de características ecológicas bem conhecidas e ter possibilidade de uso 
em estudos em laboratório. 
 
As concentrações de contaminantes podem ser medidas diretamente nos 
tecidos de plantas e animais, especialmente naqueles considerados organismos 
de topo de cadeia alimentar que, por conta da bioacumulação (acumulação de 
substâncias persistentes nos tecidos), apresentam maior quantidade de 
contaminantes quando estes estão presentes no meio (Kehrig et al., 2011). A 
avaliaçãoda sensibilidade a concentrações de substâncias tóxicas (ensaios 
ecotoxicológicos) é frequentemente utilizada (Barbour et al., 1999). 
 
Alguns grupos de organismos são muito utilizados na avaliação dos impactos, 
pois sua presença e abundância no meio são indicativos diretos da qualidade 
ambiental de uma área. As comunidades biológicas refletem a integridade 
ecológica total dos ecossistemas (p. ex., integridade física, química e biológica), 
fornecendo uma medida agregada dos impactos (Barbour et al., 1999). As 
comunidades biológicas de ecossistemas aquáticos são formadas por 
organismos que apresentam adaptações evolutivas a determinadas condições 
ambientais e apresentam limites de tolerância a suas diferentes alterações 
(Alba-Tercedor, 1996). Desta forma, o monitoramento biológico constitui-se 
como uma ferramenta na avaliação das respostas destas comunidades 
biológicas a modificações nas condições ambientais originais (Goulart e Callisto, 
2003). Os principais métodos envolvidos abrangem levantamento e avaliação 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 49 
de modificações na riqueza de espécies e índices de diversidade; abundância 
de organismos resistentes; perda de espécies sensíveis; medidas de 
produtividade primária e secundária (Barbour et al., 1999). 
 
O grupo de macroinvertebrados bentônicos é um exemplo de bom de grupo 
taxonômico indicador de qualidade da água. Para isso, são utilizadas listas de 
espécies que se constituem em agrupamentos de espécies encontrados em 
ambientes com diferentes níveis de impacto. Tais listas são utilizadas para a 
elaboração de modelos preditivos e sistemas de classificação de impacto 
baseados nesses taxa (Buss et al., 2003). 
 
Para avaliação e monitoramento da biodiversidade, o Instituto Chico Mendes, 
por meio de uma técnica de seleção de indicadores que envolveu a elaboração 
de listas de espécies com bases na consulta a especialistas, revisão da literatura 
e em iniciativas piloto, selecionou alguns grupos que compõem o que 
chamaram de módulo básico de monitoramento (Figura 3.3) (Pereira et al., 
2013). 
 
 
Figura 3.3 Módulo básico de monitoramento dos grupos considerados bons 
indicadores para monitoramento e avaliação da biodiversidade. (Fonte: Pereira 
et al., 2013) 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 50 
 
Dentro de tais grupos é possível selecionar que espécies são importantes 
localmente e fazer uma avaliação baseada na ocorrência destas espécies e na 
diversidade encontrada no sistema. Convém ressaltar que outros podem 
também ser selecionados como indicadores, como é o caso de anfíbios e 
répteis. Isso depende da avaliação feita em cada uma das localidades com base 
nas características de sua fauna e flora (Pereira et al., 2013). O interessante 
dessa classificação é a possibilidade de se estabelecer um conjunto de grupos 
taxonômicos que devem compor um sistema de avaliação e monitoramento 
básico da biodiversidade, padronizando, assim, os procedimentos de avaliação 
da biodiversidade. 
 
3.3.5 Indicadores Socioeconômico-Culturais. 
 
Aumento da demanda de bens de serviços, geração de impostos e contribuição, 
criação de postos de trabalho, incremento nas atividades comerciais, aumento 
da arrecadação tributária e impacto visual no empreendimento são alguns dos 
exemplos de indicadores socioeconômico-culturais que podem ser utilizados em 
estudos de impacto. Todos esses indicadores podem ser estimados 
quantitativamente e, geralmente, podem fornecer uma ideia do incremento 
monetário para a região e da sua capacidade de desenvolvimento econômico 
local. Estes devem ser sempre ponderados em relação às atividades que já se 
realizam no local e sua medida deve levar em conta os impactos de obras ou 
empreendimentos nas atividades locais, principalmente quando essas 
atividades são consideradas tradicionais e têm relação com culturas peculiares 
de uma comunidade. 
 
3.5 Conclusão 
 
Neste capítulo pudemos ver, de forma geral, quais são as fases da AIA e alguns 
indicadores utilizados para se fazer a previsão nos EIA. Outros documentos 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 51 
foram também citados  Rima e Prad  e serão estudados e discutidos com 
mais detalhes nos próximos capítulos. 
 
4. Estudo de Impacto Ambiental 
 
4.1 Introdução 
 
O primeiro EIA realizado no Brasil foi o da barragem e usina hidrelétrica de 
Sobradinho (Bahia), no rio São Francisco, em 1972, de acordo com Moreira 
(1989 apud Tommasi, 1994). Segundo Rosenberg et al. (1981), o EIA é uma 
área da ecologia aplicada, mas com frequência tem misturado questões morais 
e políticas com questões científicas. A elaboração do EIA/Rima é exigência para 
o licenciamento de diversas atividades consideradas efetivas ou potencialmente 
causadoras de significativa degradação do meio ambiente (Resolução Conama 
no 001/86). Segundo essa mesma Resolução, no seu artigo 6o, o EIA tem que 
contemplar no mínimo as seguintes etapas: 
 
“I- Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição 
e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo 
a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, 
considerando: 
 
a) o meio físico  o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos 
minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d'água, o regime 
hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas; 
 
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais  a fauna e a flora, destacando 
as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e 
econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação 
permanente; 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 52 
c) o meio socioeconômico  o uso e ocupação do solo, os usos da água e a 
sócio-¬economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos 
e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, 
os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. 
 
II- Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através 
de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos 
prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos positivos e 
negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e 
longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas 
propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios 
sociais. 
 
III- Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os 
equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a 
eficiência de cada uma delas. 
 
lV- Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento (os 
impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem 
considerados”. 
 
Essa mesma resolução estabelece as obrigações dos órgãos ambientais das 
diversas esferas da Federação: 
 
“Parágrafo Único  Ao determinar a execução do estudo de impacto Ambiental 
o órgão estadual 
competente; ou o IBAMA ou quando couber, o Município fornecerá as 
instruções adicionais que se fizerem necessárias, pelas peculiaridades do 
projeto e características ambientais da área”. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 53 
A Resolução Conama no 279/2001 estabelece que, para o caso de atividades 
com potencial poluidor consideradas de pequeno impacto, pode ser elaborado 
um RAS: 
 
“I - Usinas hidrelétricas e sistemas associados; 
II - Usinas termelétricas e sistemas associados; 
III - Sistemas de transmissão de energia elétrica (linhas de transmissãoe 
subestações); 
IV - Usinas eólicas e outras fontes alternativas de energia. 
Parágrafo único. Para fins de aplicação desta Resolução, os sistemas associados 
serão analisados conjuntamente aos empreendimentos principais. Art. 2º Para 
os fins desta Resolução, são adotadas as seguintes definições: I - Relatório 
Ambiental Simplificado RAS: os estudos relativos aos aspectos ambientais 
relacionados”. 
A proposta de conteúdo mínimo para a elaboração do RAS consiste em um 
subconjunto de informações necessárias no EIA, sendo constituído das 
seguintes etapas. 
 
A - Descrição do Projeto 
- Objetivos e justificativas, em relação e em compatibilidade com políticas 
setoriais, planos e programas governamentais; e 
- Descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, 
considerando-se a hipótese de não realização, especificando a área de 
influência. 
 
B - Diagnóstico e Prognóstico Ambiental 
- Descrição dos prováveis impactos ambientais e socioeconômicos da 
implantação e operação da atividade, considerando-se o projeto, suas 
alternativas, os horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando 
métodos, técnicas e critérios para sua identificação, quantificação e 
interpretação; e 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 54 
- Caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, 
considerando-se a interação dos diferentes fatores ambientais. 
 
C - Medidas Mitigadoras e Compensatórias 
- Medidas mitigadoras e compensatórias, identificando os impactos que não 
possam ser evitados; 
- Recomendação quanto à alternativa mais favorável; 
- Programa de acompanhamento, monitoramento e controle. 
 
As partes iniciais de informações gerais sobre o empreendimento, a 
caracterização do empreendimento e a área de influência são comuns a todos 
os documentos (EIA, Rima e RAS), o que diferenciará o EIA dos demais é o 
maior aprofundamento e detalhamento de cada uma das partes seguintes. 
Podemos, assim esquematizar, as etapas de elaboração de um EIA como ilustra 
a Figura 4.1. 
 
 
Figura 4.1 - (Fonte: Prof. Eduardo Lucena Cavalcanti de Amorim, disponível em 
http://www.ctec.ufal.br/professor/elca/Aula%20Conceitos%20AIA2.pdf, 
acesso em 20/02/2016) 
 
Agora vamos estudar agora cada uma das etapas do EIA com mais detalhes. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 55 
4.2 Caracterização do Projeto, da Área de Influência e Diagnóstico 
Ambiental da Área sob Influência do Projeto 
 
Todo o projeto de EIA deve começar contendo informações básicas gerais do 
empreendimento e sua caracterização. As informações gerais são aquelas que 
descrevem de forma pormenorizada toda a identificação de um projeto; nela 
devem constar nome, razão social, endereço e histórico do empreendimento, 
nacionalidade de origem e das tecnologias, porte e tipos de atividades 
desenvolvidas, os objetivos e justificativas (no contexto econômico-social do 
país, da região, do estado e do município), localização geográfica, vias de 
acesso, etapas de implantação e se existem empreendimentos associados e/ou 
similares. 
 
Após essas informações é necessária uma caracterização para cada uma das 
fases que o envolvem (planejamento, implantação, operação e desativação), 
em que são colocados seus objetivos e justificativas do projeto em relação a 
compatibilidade com as políticas setoriais, planos e programas governamentais. 
 
A descrição do projeto deve contemplar as suas alternativas tecnológicas e 
locacionais, especificando a área de influência, matéria-prima, mão de obra, 
fontes de energia, processos e técnica operacionais, prováveis efluentes, 
emissões, resíduos de energia e geração de empregos. 
 
Deve se também determinar a área de influência (AI) do projeto. Esta somente 
pode ser determinada após a previsão de impactos e apenas poderá ser 
determinada de fato após as ações de monitoramento ambiental. Inicialmente, 
a realização de um diagnóstico prévio deve tentar estabelecer a limitação 
geográfica das áreas diretamente afetada e das indiretamente afetadas. É 
aconselhável sempre se considerar como unidade básica a bacia hidrográfica 
na qual se localiza o empreendimento, justificando a escolha com base nos 
modelos e predições anteriormente utilizados ou em dados de estudos prévios 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 56 
realizados na área. No entanto, o estabelecimento da amplitude e magnitude 
dos impactos (de maneira geral estas duas estão correlacionadas) são as ações 
de monitoramento. É possível que existam impactos diferentes em áreas 
diferentes do mesmo projeto, assim esse projeto terá várias áreas de influência, 
a área de influência total é soma de todas as áreas (Sanchez, 2008). 
 
Para a realização do diagnóstico ambiental prévio, deve-se fazer uma 
caracterização atual do ambiente natural, ou seja, antes da implantação do 
projeto, considerando-se as variáveis suscetíveis de sofrer direta ou 
indiretamente efeitos em todas as fases do projeto. Deve-se também tentar 
estabelecer os fatores ambientais físicos, biológicos e antrópicos de acordo com 
o tipo e porte do empreendimento utilizando-se não apenas dados secundários, 
mas também informações cartográficas com a AI em escalas compatíveis com 
o nível de detalhamento dos fatores ambientais considerados. Os atributos e 
características do meio físico (subsolo, solo, água, clima), do meio biótico e do 
meio socioeconômico-cultural e seus indicadores já foram discutidos 
anteriormente. Um instrumento importante para a avaliação do local para 
instalação da obra e da avaliação de seus impactos é a utilização do 
zoneamento ecológico-econômico (ZEE), que consiste em um conjunto de 
regras para o uso dos recursos ambientais, estabelecido por zonas que 
possuem padrões de paisagem semelhantes. É um instrumento de 
planejamento que estabelece diretrizes ambientais, permitindo identificar as 
restrições e as potencialidades de uso dos recursos naturais (SEA-RJ, 2000) 
(Figura 4.2). 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 57 
 
Figura 4.2 Zoneamento das macrocategorias considerando-se todo o Estado do 
Rio de Janeiro. Essa avaliação pode ser feita em várias escalas geográficas. 
(Fonte: disponível em http://www.zee-rj.com.br/Produto) 
 
4.3 Medidas Mitigatórias e Monitoramento dos Impactos 
Ambientais 
 
A implantação do empreendimento, após análise e aprovação da proposta, 
deve ser acompanhada da implementação de todas as medidas mitigadoras. O 
monitoramento visa acompanhar essa implementação, verificando se as 
medidas estão sendo eficientes ou não, se o empreendimento atende aos 
requisitos aplicáveis e alertando para a necessidade de ajustes e correções. 
Os resultados encontrados com os procedimentos de AIA descritos acima 
servem como base para a construção do plano de gestão ambiental (PGA) de 
uma obra ou empreendimento. Atualmente, tais planos constituem-se em 
ferramentas para se planejar as atividades da empresa não só com relação a 
prevenção ou mitigação de danos ao ambiente, mas também sua contribuição 
para a melhoria da qualidade ambiental e o desenvolvimento social e 
econômico de um local ou de determinada região. A AIA tem permitido tal 
análise e a implantação efetiva de iniciativas potenciais que contribuem para 
um desenvolvimento mais sustentável. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 58 
Para isso, dois itens de uma AIA são utilizados. “Medidas mitigatórias” e planos 
de monitoramento são itens de uma AIA que definem que providências deverão 
ser tomadas futuramente caso o projeto seja aprovado. Constituem-se em itens 
e propostas que viram compromisso do empreendedor ou obrigaçãoimposta 
pelo órgão ambiental (Sanchez, 2006). 
Tanto as medidas mitigatórias quanto o monitoramento dos impactos 
ambientais fazem parte do PGA de uma empresa que pode envolver ainda mais 
dois conjuntos de medidas: medidas compensatórias e medidas de valorização 
de impactos benéficos. São exemplos de tais medidas aquelas relacionadas a 
educação ambiental, recuperação de áreas degradadas, desenvolvimento de 
potencial turístico ou recreativo, entre outros. Tais medidas podem estar 
contidas no PGA dos EIA, mas também podem estar em documentos 
posteriores tais como o projeto básico ambiental (PBA) (Resolução Conama no 
6/87), no caso do setor elétrico, ou o PCA, no caso de atividades de mineração 
(Sanchez, 2006). 
 
“Medidas mitigatórias” é uma expressão genérica para se designar um conjunto 
de ações que visam diminuir os impactos negativos no ambiente, como medidas 
para a emissão de poluentes atmosféricos, tratamento de efluentes líquidos, 
construção de estruturas para a circulação de fauna (p. ex., escadas para 
peixes e passagens para animais terrestres em rodovias). Tais medidas são 
consideradas mitigatórias se não fizerem parte das exigências previstas em lei 
para a sua instalação e devem ser ajustadas à necessidade de cada caso 
específico. Existem diversas experiências passadas que servem como base da 
avaliação de erros e acertos em projetos de medidas para a mitigação dos 
impactos (para o caso de viadutos para a fauna e “ecodutos”, ver 
Rijkswaterstaart, 1995, e Setra, 1993) e uma série de manuais de boas práticas 
de gestão ambiental (p. ex., IPT/Cempre 2000 e Coopermiti 2014 para a gestão 
de resíduos sólidos). No entanto, estas devem ser tomadas como guias gerais 
e fonte de consulta e ideias sobre as mediadas possíveis e determinada prática 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 59 
produtiva ou obra, mas as aplicações de tais ideias e técnicas devem ser 
analisadas caso a caso. 
 
Monitoramento ambiental pode ser definido com observação e estudo do 
ambiente ao longo do tempo. Está fortemente calcado no método científico e 
sua intenção é produzir dados suficientes para que possa informações válidas 
sobre uma determinada situação/problema. Essas informações são 
fundamentais para que se possa tomar decisões fundamentadas (Artiola et al., 
2004). É uma abordagem multidisciplinar que envolve a ação de especialistas 
de várias disciplinas, biologia, química e outros. No caso do monitoramento dos 
impactos ambientais, especialistas de áreas como antropologia, sociologia, 
economia também são necessários. 
 
Monitoramento dos impactos ambientais é o acompanhamento das variáveis 
selecionadas pelo EIA visando à verificação das suas variações e modificações 
no ambiente. Monitorar significa adquirir informação sobre um sistema em 
diferentes pontos do tempo para avaliar seu estado e fazer inferências sobre 
suas mudanças (Yoccoz et al., 2001). O monitoramento pode ser também o 
registro regular de variáveis (indicadores) estudadas em um projeto ou 
programa de pesquisa em determinada(s) localidade(s). Nesse sentido, o 
monitoramento é um instrumento de gestão para observar se existem 
mudanças durante uma série temporal. 
 
O plano de monitoramento tem como uma de suas funções a de verificar a 
ocorrência ou não dos impactos previstos no EIA. Dependendo da etapa em 
que é implantado, ele pode ser chamado de pré-operacional, operacional e pós-
operacional. No EIA , ele aborda essencialmente a etapa operacional e pós-
operacional. Ele deve ser realizado de forma sistemática e periódica de uma 
forma que permita perceber as variações advindas do fenômeno estudado. Para 
isso, os métodos utilizados para o monitoramento devem ser suficientemente 
acurados (proximidade do valor medido da variável ao seu valor real) e precisos 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 60 
(proximidade dos valores medidos obtidos pela repetição do processo de 
mensuração) e delimitados quanto às escalas temporais e espaciais em que o 
fenômeno/impacto ocorre. A definição da amplitude (área de ocorrência, 
frequência e intensidade de ocorrência) é estabelecida pelo diagnóstico do EIA 
e, com base nisso, é que se determinam aspectos como intensidade amostral 
necessária para monitoramento, frequência de coleta de dados e distribuição 
dos pontos de amostragem. 
 
É importante ressaltar que o monitoramento não deve estar restrito aos fatores 
do meio biótico e abiótico, mas também a fatores do sociais e econômicos. Para 
tal, devem ser utilizados indicadores que levem em conta um processo social 
de coleta de dados, levando em conta os problemas apontados pela população 
envolvida de forma qualitativa (Armour, 1990). 
 
Os resultados do plano de monitoramento devem ser usados para analisar e 
rever as atividades realizadas e os impactos de uma obra ou empreendimento, 
podendo ser alterado de acordo com as necessidades apontadas. 
 
4.4 Análise de Custo e Benefícios 
 
A análise custo-benefício (ACB) consiste em um método para avaliar o impacto 
económico líquido de um projeto público, podendo também ser aplicada a uma 
diversidade de intervenções, como, por exemplo, subsídios para projetos 
privados, reformas regulamentares, novas taxas de tributação etc. O objetivo 
da ACB consiste em determinar se um projeto é viável do ponto de vista do 
bem-estar social, por meio da soma algébrica dos seus custos e benefícios, 
descontados ao longo do tempo. A técnica em questão consiste em prever os 
efeitos económicos de um projeto, quantificar esses efeitos, transformá-los em 
unidades monetárias (sempre que possível) e calcular a sua rentabilidade 
económica, por via de um indicador preciso, que permita formular uma opinião 
concreta em relação ao desempenho esperado do projeto. A principal vantagem 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 61 
da ACB em comparação com outras técnicas contabilísticas de avaliação 
tradicionais consiste no fato de os efeitos externos e de as distorções 
observadas nos preços serem igualmente considerados. Desta forma, as 
imperfeições do mercado são explicitamente tidas em conta, o que não 
acontece na contabilidade empresarial nem, por norma, nos sistemas 
contabilísticos nacionais (Cline, 1997). 
 
A ACB é constituída de uma análise técnica que identifica o contexto e as 
características do projeto, uma análise financeira e uma análise econômica que, 
partindo da análise financeira, identifica os itens de receita e despesa e os 
preços de mercado e produz estimativas sobre vários aspectos desde fluxos de 
entrada e saída até a quantificação dos efeitos externos do projeto. Para o 
cálculo desses valores, são utilizados modelos e equações que estimam o valor 
e a rentabilidade dos empreendimentos. 
 
Atualmente, na elaboração e análise de programas ou projetos de 
desenvolvimento, é necessária a avaliação de efeitos chamados de intangíveis, 
aqueles afetam o desenvolvimento regional e as qualidades ambiental e de vida 
(Carvalho, 2001). Tradicionalmente, apenas eram medidos os efeitos que têm 
estimativas diretas de preço de mercado e constituem-se efeitos econômicos 
primários e os impactos (custos-benefícios) diretos resultantes da implantação 
do plano. A metodologia de avaliação convencional é a análise de custo-
benefício que basicamente visa medir os benefícios-custos de uma determinada 
ação em termos de uma unidade monetária comum (Pearce, 1989). 
 
Isto acontece porque os efeitos diretos ou primários de um projeto, 
normalmente, são fáceis de identificar e mensurar por meio de estudos técnicos 
e econômico-financeiros e os impactos secundários ou indiretos, geralmente 
apresentam dificuldades deidentificação e de mensuração. A necessidade de 
promover estudos de avaliação e valoração de impactos ambientais e sociais 
se originou da inadequação dos métodos tradicionais de avaliação de projetos 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 62 
ambientais, os quais não consideram a proteção do meio ambiente nem o uso 
racional. A lógica por trás da criação de tais métodos é que, sendo praticamente 
impossível frear os impactos derivados de projetos de desenvolvimento, uma 
vez que a própria sociedade necessita deles, é necessário decidir que níveis de 
degradação poderiam ser socialmente aceitáveis pelas comunidades envolvidas 
e ecologicamente menos danosos que pudessem garantir o desenvolvimento 
sustentável para as gerações futuras (Carvalho, 2001). 
 
Os efeitos intangíveis podem ser medidos podem ser realizadas por estimativas 
de custos-benefícios secundários (desenvolvimento regional), de efeitos 
intangíveis (qualidade ambiental) e de impactos distributivos (qualidade de 
vida). Essas medidas são feitas por elaboração de cartograma, gráficos, 
quadros e tabelas para delimitação espacial e temporal da área estudada e a 
consideração das dinâmicas demográficas e socioeconômicas como fatores 
condicionantes de organização do espaço regional, criando estruturas 
produtivas e condições de vida. 
 
A valoração tradicional dessas variáveis é feita pela estimativa dessas variáveis 
e uma razão direta entre o valor atual dos benefícios e o valor atual dos custos. 
A viabilidade econômica dos projetos é admitida quando esta razão é maior 
que 1. Existem atualmente técnicas mais avançadas de estimativas como o 
enfoque multiobjetivo (Irvin, 1978; Meister, 1986), considerado um método 
alternativo à análise custo-benefício, para a seleção de projetos e programas 
de políticas públicas ambientais. Nesse enfoque, é necessário considerar 
explicitamente diversos objetivos e alternativas e, consequentemente, as 
respectivas trocas (trade-offs), uma vez que objetivos diferentes são 
usualmente conflitantes. Ele dá ênfase à avaliação de efeitos intangíveis, isto 
é, não medidos por preços de mercados, tais como impactos ambientais na 
estimação de custos e benefícios secundários, na área do desenvolvimento 
regional, e identificação de impactos distribucionais, particularmente na área 
social (Carvalho, 2001). 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 63 
4.5 Conclusão 
 
Como pudemos estudar neste capítulo, a elaboração de um EIA envolve uma 
série de questões metodológicas que visam à apreensão das várias dimensões 
(ambientais, econômicas, sociais e culturais) implicadas na execução de um 
empreendimento ou obra. A correta avaliação dessas dimensões envolve uma 
equipe multidisciplinar de especialistas e deve ser conduzida de forma a 
maximizar tempo e esforço e, em última análise, recursos financeiros. Desta 
forma, a estrita observância destas etapas e condição sine qua non para a 
correta realização de EIA. 
 
As etapas posteriores à realização do EIA/Rima são a análise técnica do projeto, 
a consulta pública e a decisão. A análise técnica é realizada pelo órgão 
governamental encarregado de autorizar o empreendimento na qual é 
verificada a conformidade com os termos de referência e a regulamentação ou 
procedimentos aplicáveis. Essa análise também como objetivo verificar se o 
estudo descreve adequadamente o projeto proposto, se analisa devidamente 
seus impactos e se propõe medidas mitigadoras capazes de atenuar 
suficientemente os impactos negativos. A consulta pública consiste em 
mecanismos formais de consulta aos interessados, incluindo os diretamente 
afetados pela decisão, mas não se limitando a estes. Há diferentes 
procedimentos de consulta: em audiência pública, durante a preparação do 
termo de referência, durante a etapa de análise sobre a necessidade de EIA ou 
durante a realização deste (Kapusta e Rodriguez, 2009). Esse aspecto e seus 
mecanismos serão abordados mais adiante. 
 
Todas essas etapas embasam o processo decisório. A decisão pode caber a 
diferentes entidades governamentais, dependendo da tradição jurisdicional de 
cada caso. Pode ser tomada pela autoridade ambiental, pela autoridade da área 
da tutela à qual se subordina o empreendimento (p. ex., um projeto florestal 
cabe ao ministério responsável por esse setor), pelo governo (por meio de um 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 64 
Conselho de ministros ou do chefe de governo), pelo modelo de decisão 
colegiada (por meio de um Conselho com participação da sociedade civil em 
que esses colegiados são subordinados à autoridade ambiental) (Kapusta e 
Rodriguez, 2009). 
 
O acompanhamento da implantação da execução do EIA/Rima e suas 
respectivas medidas mitigatórias e de monitoramento são realizadas por 
fiscalização ou supervisão dos órgãos ambientais competentes e/ou auditorias 
ambientais. A auditoria ambiental permite verificar aspectos de uma atividade, 
que resultará em impactos sobre a saúde humana, a segurança e o meio 
ambiente. Ocorre de modo sistemático, organizado e documentado, realizada 
por equipe técnica designada, nos termos da lei, pelo órgão de meio ambiente. 
O documento emitido resulta na análise e nas recomendações (Kapusta e 
Rodriguez, 2009). 
 
Um roteiro básico para a elaboração de EIA pode ser encontrado no Manual de 
Orientação  Estudos de Impacto Ambiental  EIA; no Relatório de Impacto 
Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, 
Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental — DAIA — João Roberto 
Rodrigues (Cetesb, 2014). Veremos agora alguns dos aspectos relacionados 
com os Rima. 
 
5. Relatório de Impacto Ambiental 
 
5.1 Introdução 
 
O Rima refletirá as conclusões do EIA, apresentando uma síntese dele. As 
informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, ilustradas por 
mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de 
modo que seja possível entender as vantagens e as desvantagens do projeto, 
bem como todas as consequências ambientais de sua implementação. A 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 65 
diferença entre esses dois documentos é que apenas o Rima é de acesso 
público, pois o EIA contém maior número de informações sigilosas a respeito 
da atividade. 
 
Um dos grandes problemas do Rima é que, em muitos casos, ele é feito como 
uma sequência de corte e colagem do EIA, apresentando pouca diferença em 
termos de linguagem e redação e estrutura em relação a este. Desta forma, os 
objetivos de tornar o conteúdo do EIA mais acessível e compreensível para o 
público em geral não são alcançados. Para que isso não aconteça, algumas 
recomendações são importantes e devem ser observados na redação da Rima, 
é isso que veremos neste capítulo. 
 
Há diversos Rima disponíveis para consulta pública na internet, exemplos são 
o Rima do projeto de integração do Rio São Francisco com as bacias 
hidrográficas do Nordeste Setentrional (popularmente conhecida como 
transposição do Rio Francisco) (Ecology Brasil, 2004), o Rima do Terminal 
Fluvial de Granéis Sólidos da Cargill Agrícola S.A. (CPEA, 2012) e o Rima da 
Belo Sun Mineração LTDA., Projeto Volta Grande no Pará (Brandt, 2010). Nos 
dois itens posteriores, nos quais discutiremos o formato básico do Rima, sua 
redação e apresentação, usaremos o Rima do Terminal Fluvial de Granéis 
Sólidos da Cargill Agrícola S.A. (CPEA, 2010) para exemplificar as 
recomendações por considerar que este é um Rima bem elaborado, 
extremamente bem ilustrado e com linguagem adequada. 
 
5.2 Formato Básico do Rima 
 
Segundo a Resolução Conama no 01/86 em seu artigo 9o, o Rima deverá conter, 
no mínimo:“I. Os objetivos e justificativas do projeto; 
II. A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais; 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 66 
III. A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da área de 
influência do projeto; 
IV. A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e operação 
da atividade; 
V. A caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência; 
VI. A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em 
relação aos impactos negativos; 
VII. O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos; 
VIII. As recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões e 
comentários de ordem geral).” 
 
A fim de que o material integrante do Rima se torne mais atrativo e 
compreensível à população, algumas recomendações com relação a estrutura 
e conteúdo podem ser seguidas (Jesus, 2009; Cetesb, 2014). Com relação à 
estrutura, o Rima deve ser apresentado com uma estrutura lógica e coerente, 
descrevendo as ações do projeto que causam impactos, os impactos, as 
medidas mitigadoras, os impactos significativos e o monitoramento de forma 
integrada e equilibrada. 
 
A apresentação geral deve conter todas as etapas do estudo, sendo que essas 
etapas não devem ser, necessariamente, os nomes técnicos dados a ela. 
Podem ser, por exemplo, apresentadas em forma de perguntas retóricas, como 
no caso “Porque construir um terminal fluvial em Santarém?” ou “Como será o 
terminal após a sua ampliação?” (Figura 5.1). Essas etapas certamente estão 
escritas no EIA como as de Objetivos e Aspectos Técnicos do projeto, mas 
nessa linguagem fica claro para o público geral o conteúdo. Convém notar 
também que no início há uma parte introdutória explicando o que são o EIA e 
o Rima e explicando a sua origem. Isto é suma importância para que a 
população entenda o porquê de o documento estar sendo apresentado. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 67 
 
 
Figura 5.1 Sumário do Rima do Terminal Fluvial de Granéis Sólidos da Cargill 
Agrícola S.A. (Fonte: CPEA, 2010) 
 
Assim como na apresentação do EIA, o Rima deverá apresentar a equipe 
responsável pela elaboração dos estudos ambientais, indicando a sua área 
profissional e o registro no respectivo Conselho de Classe, assim como os 
cadastros da equipe técnica responsável junto ao “Cadastro Técnico Federal de 
Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental”, conforme determina a 
Resolução Conama no 01/88. Podem ser também colocados apenas os dados 
da empresa responsável pela elaboração do EIA/Rima em caso de empresa de 
consultoria. Poderá ser incluída no Rima a bibliografia consultada para a 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 68 
realização dos estudos e as leis consultadas, bem como um glossário contendo 
a listagem dos termos técnicos utilizados. 
 
Para o Rima resulta em um documento feito por um agrupamento de trechos 
copiados e colados do EIA, é interessante que seja escrito separadamente. Em 
muitos trechos do documento analisado, os subtítulos de alguns tópicos 
fornecem uma mensagem preliminar das conclusões desses subtópicos (Figura 
5.2). Deve-se fazer do Rima um documento único e evitar a colocação de 
anexos e adendos, exceto por mapas e figuras ilustrativos e adaptados para o 
entendimento do público geral. O tamanho do documento deve ser 
proporcional ao tipo, à complexidade e ao tamanho do projeto; o ideal é que 
ele possua uma forma sintética em que a linguagem seja também adaptada a 
divulgação para o público. 
 
 
 
 
Figura 5.2 Exemplos de subtítulo utilizados na exposição de objetivos e 
justificativas do empreendimento do Rima do Terminal Fluvial de Granéis 
Sólidos da Cargill Agrícola S.A. (Fonte: CPEA, 2010, p. 6) 
 
O conteúdo do Rima deve fazer referência clara e explícita ao EIA e apresentar 
um diagnóstico sucinto da área. Os seus objetivos devem ser definidos 
claramente, e na descrição do projeto devem estar contidos elementos do 
projeto, localização, cronograma, fases do projeto, cargas ambientais 
relevantes (emissão, consumo de energia etc.) e alternativas de projeto 
consideradas. Utilizar recursos visuais para facilitar o entendimento das etapas 
de execução de obra e projeto final, como mapas, croquis, infográficos e 
perspectivas ilustradas (Figuras 5.3 e 5.4). 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 69 
O Rima deve descrever, de forma integrada, os elementos ambientais 
significativamente afetados, a projeção da condição desses elementos sem o 
projeto, as ações do projeto que podem gerar impactos significativos, os 
principais impactos previstos e as medidas adotadas para preveni-los, reduzi-
los ou compensá-los e medidas para aumentar os impactos positivos. Deve 
incluir também a avaliação da efetividade das medidas adotadas para prevenir, 
reduzir ou compensar os impactos negativos ou para potencializar os impactos 
positivos. A exposição dessas medidas em quadros-síntese é uma maneira de 
tornar prática e acessível todos os impactos levantados, bem como as suas 
respectivas medidas mitigatórias (Figura 5.5). 
 
5.3 Apresentação dos Relatórios e Redação do Eia/Rima 
 
Na apresentação tanto do EIA quanto do Rima é importante seguir algumas 
recomendações gerais. As recomendações aqui sugeridas são uma síntese de 
Jesus (2009) e Cetesb (2014). É importante escrever o EIA/Rima em língua 
nativa. O EIA deve conter todos os termos técnicos necessários para o 
entendimento dos problemas, já o Rima deve ser escrito de forma simples, 
clara, concisa e sem termos técnicos, explicando todas as siglas e abreviações 
na primeira vez que aparecem no texto. 
 
O texto deve ser apresentado em folhas tamanho A4 ou A3 dobrado em A4 
com páginas numeradas e com o texto formatado de tal maneira que propicie 
leitura fácil, contendo quadros de fácil leitura e mapas que apresentem a 
síntese dos impactos. Os mapas devem apresentar referências, escala gráfica, 
orientação e legenda (Figura 5.4). 
 
A apresentação das alternativas locacionais deve ser feita cartograficamente 
ou em outra forma gráfica sempre que possível e, quando possível, apresentar 
fotos, fotos aéreas e simulações visuais. Citar todas as imagens no texto e 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 70 
colocá-las, sempre que possível, perto do respectivo texto. Uma versão 
eletrônica do Rima deve ser preparada em formato .pdf. 
 
Figura 5.3 Infográfico demonstrando a infraestrutura do Terminal Fluvial de 
Granéis Sólidos da Cargill Agrícola S.A. (Fonte: CPEA, 2010, p. 9a) 
 
 
 
Figura 5.4 Mapas e fotos dos municípios envolvidos, das atividades presentes 
na área e de paisagens ambientalmente significativas Rima do Terminal Fluvial 
de Granéis Sólidos da Cargill Agrícola S.A. (Fonte: CPEA, 2010, p. 21) 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 71 
Uma maneira interessante de se apresentar no final do relatório um resumo 
com as principais conclusões do estudo é fazê-lo em tópicos e colocá-los de 
forma sistematizada e resumida (Figura 5.6). 
 
 
 
Figura 5.5 Parte do quadro-síntese dos impactos Rima do Terminal Fluvial de 
Granéis Sólidos da Cargill Agrícola S.A. (Fonte: CPEA, 2010, p. 30) 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 72 
 
Figura 5.6 Apresentação em tópicos das principais conclusões do estudo e 
viabilidade ambiental do Terminal Fluvial de Granéis Sólidos da Cargill Agrícola 
S.A. (Fonte: CPEA, 2010, p. 42) 
 
5.4 Conclusão 
 
A elaboração de um Rima é uma tarefa delicada e talvez seja uma das etapas 
mais minuciosa da elaboração de um EIA/Rima, pois sua correta elaboração esua clareza evitam muitos dos transtornos advindos de consultas públicas 
posteriores. A clareza na elaboração de um Rima torna todo o processo 
evidente para que todos os envolvidos possam facilmente identificar alterações, 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 73 
ações mitigatórias e ações positivas, além de favorecer a elaboração de 
questionamentos, a visualização de outras possibilidades e a implementação 
do empreendimento ou obra. 
 
6 - Plano de Recuperação de Área Degradada 
 
6.1 Introdução 
 
As atividades modificadoras do meio ambiente e que exigem que se 
apresentem o Prad para a solicitação do licenciamento encontram-se listadas 
nas Resoluções Conama nos 001/86, 011/86, 005/87, 006/87, 006/88, 009/90, 
010/90. Deve conter todas as informações relativas às medidas a serem 
adotadas com objetivo de reabilitar a área degradada pela atividade. A sua 
elaboração deverá ocorrer de forma ordenada e clara, procurando dar maior 
enfoque às extensões da área impactada pela atividade e da área a ser 
recuperada; à descrição das etapas do plano de recuperação, detalhando a 
terraplanagem, volume de material a ser movimentado, declividade e 
estabilidade dos taludes e drenagem; à descrição da preparação de solo, 
implantação de vegetação nativa da região com informações qualitativa e 
quantitativa das espécies vegetais a serem introduzidas, bem como seu 
manejo, monitoramento, localização e época de plantio e a adequação 
paisagística da área e proposição para uso futuro, quando da conclusão da 
recuperação de área (Kapusta e Rodriguez, 2009). 
 
6.2 Estrutura Básica de um Prad 
 
A recuperação de áreas degradadas deve atender às normas pertinentes à 
recuperação de áreas degradas: Instrução Normativa no 14, de 15 de maio de 
2009, Instrução Normativa no 04, de 13 de abril de 2011, Decreto no 6.514 de 
22 de julho de 2008, Lei no 9.605, de 12 de fevereiro 1998. As informações 
necessárias para a identificação do responsável do empreendimento ou obra 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 74 
são: identificação do requerente (nome ou razão social, endereço completo, 
telefone e fax, e-mail, CPF/CNPJ, RG/órgão emissor, representante legal 
(procuração). O responsável técnico deve ser um profissional da área ambiental 
(biólogo, engenheiro ambiental, florestal ou agrônomo) com registro no 
Cadastro Técnico Federal e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Uma 
das obrigações do responsável técnico pela elaboração e execução do Prad é 
comunicar, por intermédio dos relatórios de monitoramento e avaliação, todas 
e quaisquer irregularidades e problemas verificados na área em processo de 
recuperação, sob pena da responsabilidade prevista no Decreto no 6514, de 22 
de julho de 2008. 
 
Uma etapa inicial requerida para a realização do Prad é a identificação do(s) 
processo(s) causador(es) de degradação e a caracterização da área degradada. 
A primeira envolve a identificação do tipo de degradação (p. ex., poluição, 
desmatamento, fogo, construção ou reforma, queimada) e sua classificação, 
quando pertinente, e, em relação aos padrões estabelecidos em resoluções e 
normas oficiais tais como as do Conama e da ABNT. Essa classificação leva em 
conta a duração (tempo) do processo causador de degradação e os efeitos 
negativos (danos) causados por esses processos ao ambiente (p. ex., processos 
erosivos, perdas de solo, assoreamento, alteração da dinâmica dos corpos 
hídricos, lesão ou morte de indivíduos da flora ou fauna, perda de 
biodiversidade, perda de espécies ameaçadas ou endêmicas). A caracterização 
da área degradada envolve a caracterização do meio físico (caso existam 
particularidades não detalhadas no item “caracterização da gleba”), a 
caracterização de solo, (tipo de solo, conforme Sistema Brasileiro de 
Classificação dos Solos/Embrapa), granulometria (percentual de areia, argila e 
silte), análise química (macro e micronutrientes, pH, alumínio e substâncias 
poluidoras), indicando se os dados obtidos estão dentro ou fora dos padrões 
aceitáveis indicados por normas e resoluções oficiais e estudos científicos, 
prováveis características do solo original (podendo basear-se também na 
análise em áreas controle identificadas no restante da gleba e entorno), 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 75 
erodibilidade do solo, uso e ocupação do solo, comparação do solo atual em 
relação ao hipotético solo original, avaliando capacidade de comportar 
regeneração natural. Envolve também a caracterização do meio biótico com a 
descrição da(s) fitofisionomia(s) e estudos qualitativo e quantitativo da flora 
nativa e exótica em desenvolvimento. Essa descrição deve ser capaz de 
demonstrar se a área encontra-se ou não em processo de regeneração natural 
satisfatório, tipo(s) e estado(s) da provável vegetação original da área 
degradada e indicação dos remanescentes de vegetação nativa mais próximos 
avaliados como potenciais fontes de sementes/propágulos. É também 
recomendável que se faça um mapa da área degradada, caso existam 
particularidades não detalhadas no mapa de “caracterização da gleba” (Pereira 
et al., 2013). 
 
Dependendo da área de influência do impacto, outras análises podem ser 
requeridas como a análise da bacia hidrográfica, das águas superficiais e sua 
qualidade. Esse pode ser o caso, por exemplo, de atividades de mineração 
(Ibramil, 2008). 
 
A identificação da área onde será executado o projeto deve conter as seguintes 
informações: proprietário do imóvel, denominação do imóvel, localização 
(coordenadas geográficas e croqui de acesso), município, área total do imóvel 
rural (ha) com informações georreferenciadas dos vértices e par de 
coordenadas da sede, área de reserva legal, área de preservação permanente, 
área total do dano (APP, RL, outras) em hectares, georreferenciada 
(informações georreferenciadas de todos os vértices das áreas do imóvel, de 
preservação permanente, de reserva legal, a recuperar – a fim de delimitar as 
poligonais, com a indicação do respectivo Datum), tipo de solo, relevo, tipologia 
vegetal, hidrografia e situação de uso atual. 
É importante também que o plano tenha um cronograma de execução da 
implantação dos plantios. Nesse campo é necessário estabelecer o cronograma 
das diversas etapas que envolvem a recuperação desde a preparação do solo 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 76 
(medidas corretivas, técnicas de remediação e preparação para o plantio), 
cercamento da área e execução dos plantios até as medidas de monitoramento 
e manutenção tais como o combate a formigas e replantio, se necessário, e os 
custos envolvidos em cada etapa (Figura 6.1). Convém ressaltar que a 
utilização de fogo e de agrotóxicos são formas de manejo proibidas nas ações 
de recuperação. 
 
 
 
Figura 6.1 Cronograma de execução das etapas das ações do Prad. 
 
A apresentação detalhada dos custos e acompanhamento das atividades 
também necessárias é necessária, detalhando-se as unidades de medida 
utilizadas para cada item e seu valor unitário (Figura 6.2). 
 
 
Figura 6.2 Planilha de estimativa dos custos de implantação e 
acompanhamento detalhada (Unidades de medida: H/h – hora/homem; L – 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 77 
litros; ton – toneladas; kg – quilos; H/t – hora/trator; VB – valor básico; Amo 
– amostra; UN – unidade; Custo – R$). 
 
Os documentos que deverão acompanhar o plano são: certidão de inteiro teor 
do imóvel, expedida pelo Cartório de Registro de Imóvel competente, com 
averbação da área de reserva legal, justa posse ou declaração de posse; 
imposto territorial rural (ITR), ART de elaboração e execução, ato declaratórioambiental (ADA), inscrição do responsável pela elaboração e pela assistência 
técnica do projeto no Cadastro Técnico Federal (apresentar Certificado de 
Regularidade), mapa da propriedade com delimitação das áreas de reserva 
legal, de preservação permanente, da área a ser recuperada e da locação dos 
recursos hídricos, estradas etc., croqui de acesso à propriedade e fotos 
identificadas com as respectivas coordenadas geográficas da área degradada 
que será recuperada. 
 
Um outro item fundamental é a apresentação da lista de espécies que serão 
utilizadas no plantio com nome popular, científico e família. Essa lista deve 
conter obrigatoriamente espécies nativas da região. O plantio de exóticas e/ou 
frutíferas em reserva legal somente poderá ser realizado quando o interessado 
for agricultor familiar, empreendedor familiar rural ou povos e comunidades 
tradicionais (definido pela Lei no 11.326, de 24 de julho de 2006), conforme 
Instrução Normativa no 05, de 08 de setembro de 2009 em seu artigo 8º 
(IBAMA 2014). 
 
O ICMBio, em casos nos quais a recuperação da área for de menor 
complexidade, pode permitir a execução de um Prad simplificado sem itens 
considerados desnecessários. Nesse caso, para a opção pelo Prad simplificado, 
deverá ser incluída justificativa para cada item não desenvolvido. A 
simplificação do Prad é, portanto, indicada apenas para casos de pequena 
degradação ambiental (Pereira et al., 2013). Vale ressaltar que essa 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 78 
possibilidade existe, principalmente, para áreas em unidades de conservação 
federal. 
 
6.3 Áreas Degradadas e Medidas Mitigatórias 
 
As medidas mitigatórias aplicáveis em áreas degradadas estão relacionadas 
com a restauração florestal. Áreas degradadas podem ser definidas como 
aquelas que, após sofrer um forte impacto, perderam a capacidade de retornar 
naturalmente ao estado original ou ao equilíbrio dinâmico, ou seja, perdeu sua 
resiliência (Martins, 2014). Como já visto, essa definição é mais 
frequentemente utilizada para se referir a áreas antropicamente impactadas, 
no entanto eventos naturais podem também resultar em alterações 
significativas dos ecossistemas, afetando assim sua resiliência (Capítulo 1). 
Algumas intervenções antrópicas têm tal magnitude no ambiente que essas 
áreas são conhecidas como áreas de empréstimo e decorrem da construção de 
usinas hidrelétricas, de rodovias, de mineração e outros projetos 
desenvolvimentistas. Assumem tal magnitude que a sua recuperação é hoje 
uma obrigação legal (artigo 224 da Constituição Brasileira). Nesse caso, a 
recuperação com reflorestamento é muito mais difícil, lenta e dispendiosa, uma 
vez que a preparação do terreno para a recomposição vegetal das áreas lesadas 
exige terraplanagem, obras para a condução da drenagem e, quando 
necessário, a devolução dos horizontes superficiais do solo, removidos e 
armazenados previamente (Noffs et al., 2000). Em alguns casos, a análise 
prévia das condições do solo exige remodelamento topográfico e recomposição 
do solo antes da realização dos plantios (Ibama, 1990). Tais medidas envolvem 
técnicas muito específicas de geotecnia, remediação do solo e recuperação das 
suas propriedades físico-químicas. 
 
A realização das atividades de plantio deve observar vários aspectos 
importantes. Um deles é procurar áreas que possam estar próximas a 
remanescentes vegetais ou fazendo os plantios observando que tenham mais 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 79 
proximidade com tais remanescentes. Desta forma, procura-se manter e 
recompor o fluxo gênico nas populações envolvidas, reduzindo a endogamia, e 
favorecer os fenômenos de dispersão de espécies da flora e fauna, 
possibilitando o aporte de nutrientes às cadeias alimentares dos ecossistemas 
aquáticos eventualmente adjacentes, além de ampliar a oferta de nichos e 
alimentos às comunidades. Assim, a recomposição vegetal é planejada com o 
propósito de assegurar a sucessão até alcançar o estágio final com a presença 
dominante das espécies definitivas. As espécies florestais empregadas no 
programa são escolhidas dentre aquelas identificadas em reservas 
remanescentes na região. A integração de tais fatores é fundamental para a 
facilitação dos processos de sucessão ecológica dos ecossistemas, constituindo-
se no princípio que rege todo o trabalho de recomposição de matas (Noffs et 
al., 2000). 
 
No caso de atividades ligadas à mineração existem também os planos de 
fechamento de minas. Tais documentos são muito similares aos Prad, 
apresentando pequenas diferenças quanto aos objetivos, ao envolvimento dos 
interessados, a avaliação de riscos, critérios e custos de fechamento e quanto 
a seus planos. Por exemplo, quanto à avaliação de riscos, um critério 
importante é a existência de passivos ambientais, o que impacta também os 
custos do procedimento (Lima et al., 2006). Passivo ambiental é definido pelo 
Ministério do Meio Ambiente (MMA) como “aquele que é gerado quando no 
encerramento das atividades mineradoras não foi executada nenhuma ação ou 
projeto no sentido de recuperação do meio ambiente, possibilitando o seu 
retorno às condições originais ou o restabelecimento das condições de 
equilíbrio” (Ibama, 1990). 
 
6.4 Conclusões 
 
A elaboração de Prad envolve muitos dos aspectos contemplados em um 
EIA/Rima, sua execução faz parte desses estudos e é parte fundamental para 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 80 
as ações de mitigação dos diversos impactos relacionados a empreendimentos 
e obras. O Prad deve levar em consideração a previsão e a importância dos 
impactos e os estudos de importância ambiental. Veremos no próximo capítulo 
como são feitas essas avaliações. 
 
7. Estudos de Base e Diagnóstico Ambiental 
 
7.1 Introdução 
 
Como o próprio nome diz, os estudos de base fornecem todo o embasamento 
técnico-científico para a realização de um diagnóstico ambiental. O diagnóstico 
ambiental é o ponto de partida para todo EIA, pois é realizado a partir da 
definição dos indicadores ambientais, sociais, econômicos e culturais. 
 
7.2 Previsão da avaliação da importância de impactos 
 
Com relação à previsão de impactos ambientais existem alguns métodos já 
estruturados que possibilitam identificar, coletar e organizar as informações 
coletadas de modo que sua visualização fique clara para as partes interessadas 
(Andreazzi & Milward-de-Andrade, 1990). Esses métodos variam com as 
características do projeto e as condições ambientais (Magrini, 1989; Silva, 
1994) e podem ser utilizados como avaliação da importância relativa dos 
impactos em escalas espaciais e temporais. 
 
Como discutido anteriormente, a aplicação de métodos para AIA mostra-se 
limitada pela própria dificuldade de prever a evolução de sistemas tão 
complexos quanto os ecossistemas e pela dificuldade na avaliação da dinâmica 
social desencadeada por uma ação ou projeto, que estão sujeitas a aspectos 
de caráter econômico, cultural e psicológico de apreensão bastante complexa. 
Existem na literatura diversas classificações para estas técnicas, que variam 
conforme a ótica adotada. Neste trabalho vamos adotar a classificação a divisão 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 81 
dos métodos em dois grandes grupos: os métodos tradicionais de avaliação de 
projetos, como a análise custo-benefício, e os métodos calcados na utilização 
de pesos escalonados. O primeiro grupo de técnicas busca uma mensuração 
desses aspectos em termos monetários, enquanto o segundo procura aplicar 
escalas de valores aos diferentes impactos medidos originalmente em suas 
respectivas unidades físicas, estes sãochamados também de métodos 
quantitativos. Os métodos quantitativos são classificados em duas categorias 
(Absy, 2001): 
 
 Centrada preponderantemente na identificação e sintetização dos 
impactos. 
 Incorpora de forma mais efetiva o conceito de avaliação, podendo 
explicitar as bases de cálculo ou a ótica de diferentes grupos sociais. 
 
Na primeira categoria encontram-se os métodos do tipo listagem de controle 
(checklists), as matrizes de interação, os diagramas de sistemas, os métodos 
cartográficos, as redes de interação e os métodos ad hoc; e na segunda estão 
métodos como o de Battelle e análise multicritério, que explicitam as bases de 
cálculo, e a folha de balanço e a matriz de realização de objetivos, que 
desagregam a avaliação segundo a ótica de diferentes grupos (Magrini, 1990). 
 
Existem também os chamados métodos ad hoc, como sua própria denominação 
indica, são elaborados para um projeto específico, identificando normalmente 
os impactos mediante longa reflexão, caracterizando-os e sintetizando-os em 
seguida por meio de tabelas ou matrizes. A seguir veja uma breve descrição 
dos métodos: 
 
- Métodos cartográficos: o mais conhecido é o método McHarg, 
desenvolvido em 1969 para determinar aptidões territoriais por meio de 
superposição de mapas de capacidade, confeccionados em diferentes tons de 
cinza para quatro usos distintos de solo (agricultura, recreação, silvicultura e 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 82 
meio urbano), em que se estabelecem as possibilidades de usos combinados. 
Esses métodos são aplicados na avaliação de impactos ambientais visando à 
localização e à identificação da extensão dos efeitos sobre o meio pelo uso de 
fotogramas aéreos; ultimamente são utilizadas imagens de satélites 
(Bachfischer, 1978). As principais vantagens desses métodos consistem na 
grande capacidade e objetividade para representar a distribuição espacial dos 
impactos, sendo limitados, contudo, quanto à capacidade de identificação dos 
impactos indiretos e de considerar os impactos socioeconômicos. Podem ser 
úteis na elaboração de zoneamentos ambientais. Mais recentemente, o método 
de “Análise do Risco Ecológico”, partindo deste enfoque, evoluiu para 
incorporar condicionantes socioeconômicos e problemas de desenvolvimento 
regional, permitindo superar algumas dessas limitações (FARIA, 1983). 
 
- Métodos checklist: consistem em relações padronizadas de fatores 
ambientais a partir das quais se identificam os impactos provocados por um 
projeto específico. Existem hoje diversas listas padronizadas por tipo de 
projetos (projetos hídricos, autoestradas etc.) além de listas computadorizadas 
como o Programa Meres, do Departamento de Energia dos EUA, que computa 
a emissão de poluentes a partir de especificações sobre a natureza e o tamanho 
do projeto. Embora sejam basicamente técnicas de identificação, as checklists 
podem incorporar escalas de valoração e ponderação dos fatores. Apesar de 
constituírem uma forma concisa e organizada de relacionar os impactos, são 
um método por demais simples e estático, que não evidencia as inter-relações 
entre os fatores ambientais (Tabela 7.1). 
 
- Matrizes de interação: são técnicas bidimensionais que relacionam ações 
com fatores ambientais. Embora possam incorporar parâmetros de avaliação, 
são métodos basicamente de identificação. Entre os mais conhecidos encontra-
se a matriz de Leopold que é constituída de 100 colunas, nas quais estão 
representadas as ações do projeto, e de 88 linhas relativas aos fatores 
ambientais, perfazendo um total de 8.800 possíveis interações. Pela dificuldade 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 83 
de operar com esse número de interações, trabalha-se geralmente com 
matrizes reduzidas para 100 ou 150, das quais, em geral, no máximo 50 são 
significativas. O princípio básico da matriz de Leopold consiste em, 
primeiramente, assinalar todas as possíveis interações entre as ações e os 
fatores, para em seguida estabelecer, em uma escala que varia de 1 a 10, a 
magnitude e a importância de cada impacto, identificando se o mesmo é 
positivo ou negativo. O principal problema dessa matriz é a pontuação da 
importância dos impactos que é feita de forma subjetiva ou normativa, uma 
vez que envolve atribuição de peso relativo ao fator afetado no âmbito do 
projeto (série debate em meio em ambiente); este é um problema pertinente 
também aos demais métodos quantitativos. Outros aspectos criticáveis são a 
não identificação das inter-relações entre os impactos, o que pode levar à dupla 
contagem ou à subestimativa desses impactos, bem como a pouca ênfase 
atribuída aos fatores sociais e culturais (Absy, 2001). 
 
- Redes de interação: estabelecem relações do tipo causa-condição-efeito 
que permitem a melhor identificação dos impactos e de suas inter-relações. Um 
dos métodos mais conhecidos é o de Sorensen (1971), que analisa diversos 
tipos de uso do solo em regiões costeiras. Trata-se de uma técnica 
preponderantemente de identificação de efeitos, que parte da caracterização 
de diferentes usos de solo, os quais se desdobram em diversos fatores causais 
que, por sua vez, acarretam impactos ambientais classificados em condições 
iniciais, consequências e efeitos. O método indica igualmente ações corretivas 
e mecanismos de controle. Rau (1980) acrescentou ao método Sorensen 
parâmetros valorativos de magnitude, importância e probabilidade, visando ao 
cálculo de um índice global de impacto. Embora ele apresente um avanço em 
relação aos métodos anteriores, persistem nesse enfoque problemas 
conceituais relativos à determinação da importância, além de ser relativamente 
difícil garantir o uso de escalas intervalares para todos os impactos. Esse 
método utiliza parâmetros probabilísticos, o que é um avanço em relação aos 
outros métodos, no entanto a carência de informações históricas que permitam 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 84 
seu cálculo é uma dificuldade a mais desse método. Métodos similares como o 
CNYRPAB (Departamento de Desenvolvimento e Planejamento Regional do 
Estado de Nova York) e o Bereano são utilizados para identificar os impactos 
do oleoduto do Alasca (Absy, 2001). 
 
Tabela 7.1 Exemplo de planilha de checklist realizado na Central de Tratamento 
de Resíduos (CTR) de Igarassu, PE (Fonte: França et al., 2012) 
 
Mapeamento de Processos Avaliação de Aspectos e Impactos Ambientais
 CTR-PE Revisão 1 
Área: CTR-PE 
Data: outubro de 2012 
Meio Aspecto Impacto Efeito Natureza Temporalidade
 Duração Reversibilidade Magnitude Abrangência 
 Frequência Significância Medidas Mitigadoras Legislação Ambiental 
Aplicável 
 
Atividades do Laboratório Físico Descarte das substâncias químicas
 Risco de acidentes operacionais. N D T C R 2
 1 1 2 Programa de Gerenciamento e descarte de 
substâncias químicas Lei no 6.367, de 19 de outubro de 1976 - Dispõe 
sobre o seguro de acidentes do trabalho a cargo do INPS e dá outras 
providências. 
Área dos Reatores Físico Manutenção dos reatores A falha pode ocasionar 
danos ao solo e lençol freático N D T L I 2 1
 3 6 Reciclagem dos funcionários. NR 9/Ministério do 
Trabalho  Programa de Prevenção de Riscos Ambientais 
Área das Balanças Biótico Veículos de grande porte Contaminação do solo 
através do derramamento de óleos e graxas N D P L I
 3 1 1 3 Programa de Manutenção Preventiva  
Programa de Monitoramento Resolução Conama no 362 de 23 de junho de 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 85 
2005 – Determina que todo óleo lubrificante usado ou contaminado receberá 
destinação adequada. 
Classe I Biótico Sistema de Drenagem Superficial Carregamento dePartículas para os corpos d'água N D P M I 1 2
 1 2 Programa de Manutenção Preventiva - Programa de 
Monitoramento NR 9/Ministério do Trabalho  Programa de Prevenção de 
Riscos Ambientais 
Classe II Físico Operação de veículos e máquinas Emissão de gases N
 I P M I 2 1 3 6 Monitoramento 
na manutenção dos veículos Decreto Estadual no 24.017, de 07 de 
fevereiro de 2002. Aprova o zoneamento ecológico econômico costeiro (ZEEC) 
do litoral norte do Estado de Pernambuco e dá outras providências. 
Áreas de preservação Biótico/Físico Recuperação de áreas degradadas
 Plantio Compensatório P D P L I 3 1
 3 9 Palestras sobre Educação Ambiental Decreto Estadual 
no 24.017, de 07 de fevereiro de 2002. Aprova o zoneamento ecológico 
econômico costeiro (ZEEC) do litoral norte do Estado de Pernambuco e dá 
outras providências. 
 
- Diagramas de sistemas (Odum, 1971): são outra categoria de técnicas de 
identificação; utilizam simbologia relativa a circuitos eletrônicos, os impactos 
são medidos em termos de fixação e fluxo de energia entre os componentes 
dos ecossistemas (Gilliland e Risser, 1977). A grande vantagem dessa técnica, 
além de identificar os impactos indiretos, está na utilização de uma unidade 
comum para mensuração de todos os impactos. No entanto, diagramas não 
são muito difundidos por causa do relativo grau de complexidade no 
estabelecimento dos fluxos de energia para todos os 17 impactos. Aspectos 
como ruídos, fatores estéticos, sociais, culturais e outros são de difícil 
mensuração em unidades energéticas. Uma outra dificuldade está no 
estabelecimento dos limites do sistema, e de assegurar que todas as trajetórias 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 86 
e interações estejam sendo consideradas, além da impossibilidade de se 
quantificar todos os impactos em unidades energéticas. 
 
- Método Battelle ou sistema de avaliação ambiental (EES): explicita, 
claramente, as bases de cálculo dos índices utilizados e conduz à obtenção de 
valorização e avaliação integradas da importância dos impactos, resultando na 
representação de um índice correspondente à avaliação total dos impactos 
ambientais. É constituído de quatro categorias ambientais que se desdobram 
em 18 componentes; estes, por sua vez, subdividem-se em 78 parâmetros. A 
determinação do grau de impacto líquido para cada parâmetro ambiental é 
dada pela expressão: 
 
UIA = UIP × QA 
onde: 
UIA = unidade de impacto ambiental 
UIP = unidade de importância 
QA = índice de qualidade ambiental. 
 
A contabilização final é feita pelo cálculo de um índice global de impacto, dado 
pela diferença entre a unidade de impacto ambiental total com a realização do 
projeto e a unidade de impacto ambiental sem a realização do projeto, ou seja: 
UIA com projeto  UIA sem projeto = UIA por projeto. 
 
O índice de qualidade ambiental é determinado a partir da medição dos 
parâmetros em suas respectivas unidades e posterior conversão, por meio de 
funções características de cada parâmetro (escalares), em uma escala 
intervalar que varia de 0 a 1. Esses escalares podem variar conforme a natureza 
do parâmetro e do ecossistema considerado. Embora esse método apresente 
vantagens em relação aos anteriores no que tange à explicitação das bases de 
cálculo, ele apresenta falhas quanto à identificação das interações entre 
impactos, podendo levar à dupla contagem e ao estabelecimento dos escalares. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 87 
Enquanto o comportamento de alguns parâmetros, como os de caráter físico, 
é em princípio de mais fácil determinação, o de outros, como os de natureza 
social e cultural, torna questionável a aplicação de funções. 
 
- Análise multicritério (AMC): decorre da incorporação dos problemas que 
envolvem a análise de múltiplos objetivos, além de grandes incertezas relativas 
aos possíveis impactos e aos conflitos entre diferentes óticas individuais ou de 
grupos sociais. Os métodos de análise multicritério agregam etapas do 
processo de avaliação de impacto ambiental, como a definição das ações 
potenciais a serem analisadas, a formulação de critérios de análise e a avaliação 
das ações sob a ótica de cada critério. A evolução desses métodos está 
associada à viabilidade de permitir uma análise sistematizada, não estática e 
gradual, além de operar uma avaliação baseada em critérios tanto qualitativos 
como quantitativos. Um outro aspecto importante está na utilização de 
instrumentos probabilísticos e de análise de sensibilidade, além de agregar 
aspectos teóricos e técnicos aos processos de negociação. Como restrição à 
aplicação desses métodos está a complexidade de que se revestem, com uma 
abordagem necessariamente tecnocrática, dificultando a participação do 
público na análise dos resultados. Além disso, a fragmentação e a 
compartimentalização do ambiente acarretam uma ênfase exclusiva nos 
componentes ambientais, sem levar em conta as interrelações do sistema 
ambiental. Métodos análogos são o de Helliwell, que formulou um sistema de 
classificação ecológica para florestas e áreas florestáveis, e o de Sondheim, que 
utiliza especialistas para a determinação da magnitude e representantes do 
público para a pontuação da importância, entre outros (Absy, 2001). 
 
Um dos aspectos mais frágeis dos métodos anteriores consiste na determinação 
da importância dos impactos. O elevado grau de subjetividade presente nesta 
atividade levou ao desenvolvimento de técnicas que, em vez de estabelecerem 
peso único de importância, procuram evidenciar as diferentes óticas dos grupos 
envolvidos. Chega-se, assim, aos métodos que explicitam os valores do público. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 88 
Entre essas técnicas, estão a folha de balanço de planejamento, a matriz de 
realização de objetivos, a matriz de trade-off simples e a matriz de trade-off de 
prioridades. 
 
- Folha de balanço de planejamento: classifica os atores envolvidos em 
produtores (empresas, indivíduo, atividade ou local) e consumidores (grupos 
afetados). Em seguida, contabiliza em termos monetários os custos e benefícios 
de alternativas para as partes afetadas, sem qualquer preocupação, a priori, 
com o cálculo de um índice global, já que os eventuais impactos não 
quantificáveis são objeto apenas de uma análise qualitativa. 
 
- Matriz de realização de objetivos: considera os grupos afetados sem 
classificá-los em produtores e consumidores, pois esta classificação é por vezes 
difícil, comportando elevado grau de subjetividade. Os impactos das 
alternativas são avaliados em termos de custos e benefícios a partir das 
ponderações dos diferentes objetivos da comunidade e dos grupos afetados. É 
evidente que mesmo esse tipo de técnica embute subjetividades e dificuldades 
de contabilização. Assim, é sempre aconselhável, quando se trabalha com 
sistema de pesos, efetuar análises de sensibilidade. De qualquer forma, o 
enfoque apresenta a vantagem de contrapor, de modo transparente, as 
diferentes óticas envolvidas. (ABSY, 2001). 
 
Pode-se perceber que os diferentes métodos apresentados anteriormente 
apresentam sempre alguma limitação no que diz respeito a valoração dos 
impactos que, notadamente com relação aos impactos socioculturais, 
apresentam várias dificuldades de valoração. Portanto, seus resultados devem 
ser considerados com cuidado e seus efeitos devem ser sempre ponderados, 
analisando-se suas partes constituintes separadamente. Cada fase do processo 
de AIA corresponde a um capítulo, em que se caracterizam os agentes sociais 
envolvidos, os procedimentos e as ferramentas, atuais e alternativos, bem 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 89 
comoas sugestões de mudança na legislação existente para viabilização das 
alternativas propostas. 
 
As etapas de avaliação envolvem um conjunto de métodos que devem ser 
utilizados de acordo com a sua operacionalidade, sua relação custo-benefício e 
sua eficácia. Métodos que envolvam esforços financeiro e de tempo muito 
elevados que não resultem em ganhos reais de acurácia e precisão ou que são 
desnecessários diante do problema analisado devem ser evitados. São 
normalmente utilizados cinco métodos para efetuar a predição (Westman, 
1985): 
 
• Estudos de casos que permitam extrapolar os efeitos de uma ação similar 
sobre o mesmo ecossistema ou outro ecossistema semelhante. 
 
• Modelos conceituais ou quantitativos que efetuem previsões das interações 
do ecossistema. 
 
• Bioensaios de estudos de microcosmo que simulem os efeitos das 
perturbações sobre os componentes dos ecossistemas sob condições 
controladas. 
 
• Estudos de perturbações no campo que evidenciem respostas de parcela da 
área proposta para o projeto às perturbações experimentais. 
 
• Considerações teóricas de especialistas que propiciem a predição dos efeitos 
a partir da teoria vigente e dos dados disponíveis. É possível também a reunião 
de vários especialistas para opinar sobre o problema. 
 
Para cada um dos métodos explicitados anteriormente, indicadores ambientais 
correspondentes a cada um dos compartimentos ambientais são necessários 
para uma correta avaliação. Tais indicadores foram abordados no Capítulo 3. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 90 
7.3 Análise de Risco de Impactos Ambientais 
 
Para a delimitação das medidas mitigatórias, utilização é necessário utilizar os 
métodos de avaliação da importância de impactos ambientais (discutida no 
capítulo anterior) e também é de suma importância a realização de análises de 
risco. Se, por um lado, a avaliação da importância dos impactos envolve a 
multiplicidade de atributos e fatores tanto benéficos quanto maléficos do 
ambiente, a análise de risco envolve apenas a consideração dos efeitos 
negativos de aspectos do empreendimento ou obra que possam causar 
acidentes. Muitas vezes os impactos derivados do seu mau funcionamento são 
mais nocivos do que aqueles relacionados ao seu funcionamento normal 
(Sanchez, 2006). 
 
A análise de risco deve levar em consideração a duração e intensidade de tais 
riscos, se estes são agudos, ou seja, eventos de forte intensidade mas de curta 
duração como, por exemplo, explosão em indústrias ou rupturas de barragens, 
ou se estes são crônicos, eventos de duração longa mas de baixa intensidade 
que podem causar efeitos cumulativos, como, por exemplo, a liberação no 
ambiente de substâncias tóxicas que podem gradativamente afetar a saúde de 
uma população. Para cada um desses tipos há uma família de análises 
possíveis. Tais riscos são chamados por esse mesmo autor de riscos 
tecnológicos diferente dos chamados riscos naturais, que são oriundos de 
fenômenos naturais (atmosféricos, hidrológicos, geológicos etc.). Normalmente 
as avaliações de risco estão mais relacionadas com os denominados 
tecnológicos, no entanto avaliações de risco podem tratar de modificações nos 
processos naturais tais como as alterações geológicas ocasionadas pela 
construção de uma estrada ou o aumento na probabilidade de inundação de 
um rio dada a sua retificação (Sanchez, 2006). 
 
A avaliação de riscos ambientais envolve a avaliação de uma série de condições 
sobre sua magnitude e probabilidade de ocorrência. Risco pode ser definido 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 91 
como estimativa do potencial de danos a pessoas, instalações, meio ambiente 
ou imagem baseada em combinação de frequência esperada de ocorrência e 
magnitude dos danos (Fepam, 2015). Pode ser estimado pela fórmula a seguir: 
 
R = f(M, P) => Perigos 
Onde: R é o risco, M é a magnitude do evento e P é a probabilidade. 
 
O risco está associado à possibilidade de ocorrência do evento, é uma 
propriedade intrínseca da situação, ser ou coisa e não pode ser controlado ou 
reduzido. O que pode ser gerenciado é o perigo associado ao risco, atuando-
se sobre sua frequência e/ou magnitude. O Ibama faz distinção entre dois tipos 
de análise, uma para risco e outra para perigo, no caso da avaliação laboratorial 
do uso de agrotóxicos. Na avaliação de perigo consideram-se os resultados dos 
testes como base para estabelecer restrições ao uso de um produto, visando 
evitar acidentes. Pode-se dizer que o foco de uma avaliação de perigo não é o 
uso regular de um produto, mas sim a consequência de um acidente. De modo 
diverso, na avaliação de risco, visa-se averiguar se é seguro o uso regular de 
um dado produto, nos termos de uso propostos pelo registrante (dose, método, 
intervalo e período de aplicação), considerando-se além do comportamento e 
toxicidade expressos nos resultados dos testes, as estimativas de concentração 
ambiental (Santos, 2012). 
 
A avaliação de risco é realizada, geralmente, em três etapas: identificação dos 
perigos, análise das consequências e estimativas do risco e avaliação dos riscos 
e gerenciamento dos riscos (Carpenter, 1995). Estudos de Análise de Riscos 
(EAR) podem ser integrados aos EIA ou podem ser realizados separadamente. 
Em atividades ligadas a extração, refino e transporte de petróleo esses estudos 
são quase sempre exigidos. Nas indústrias, normalmente, estabelece-se um 
programa composto de formulação, implementação, acompanhamento e 
auditoria de medidas e procedimentos técnicos e administrativos destinados a 
eliminar, prevenir, minimizar e controlar os riscos identificados nas instalações, 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 92 
chamado de planos de gerenciamento de risco (PGR) (Fepam, 2015). Tais 
medidas devem agir nos dois fatores que configuram a avaliação de risco de 
forma conjugada, ou seja, conjugando as probabilidades de frequência e de 
magnitude do evento. 
 
Os PGR são bem mais simples que os EAR; este último possui uma série de 
itens, a saber: caracterização do empreendimento e da região, identificação 
dos perigos e consolidação de cenários de acidentes, estimativa de efeitos 
físicos e análise de vulnerabilidade, estimativa de frequências e de avaliação de 
riscos e gerenciamento de riscos. Este último item é o PGR que é composto por 
planos e medidas relacionados aos aspectos críticos mais importantes 
identificados e possui um plano de atendimento de emergência (PAE) em caso 
de ocorrência de acidentes. O PGR pode ser facilmente incorporado a um EIA 
e contém informações sobre segurança dos processos, manutenção, 
treinamento de pessoal, procedimentos operacionais similares aos encontrados 
internamente nas empresas (Sanchez, 2006). 
 
Há diversas técnicas, ferramentas e procedimentos para a execução das 
análises de risco que não cabem ser discutidas aqui; informações mais 
detalhadas podem ser encontradas em Carpenter (1995) e Sanchez (2006); 
para barragens, em específico Colle (2008) pode ser consultado. 
 
7.4 Técnicas de Consulta e Participação Pública 
 
A participação pública é uma ação que deve ser realizada em várias etapas do 
processo de AIA. A audiência pública é um instrumento formal de participação 
pública no processo de AIA (Conama nos 001/86 e 009/87) que ocorre após a 
execução do EIA e a apresentação do Rima. Pode ser solicitada pelo Ministério 
Público ou por um conjunto de 50 cidadãos. A legislação não prevê audiências 
para outros tipos de estudos ambientais (PCA, RCA, Prad; documentos 
previstos na categoria extração mineral). As finalidades da audiência pública 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOSAMBIENTAIS 93 
são: expor o projeto proposto e seus impactos ambientais e discutir o Rima, 
sanar dúvidas, recolher as críticas e sugestões a respeito, levantar subsídios 
para a análise e parecer final do órgão licenciador sobre o empreendimento 
proposto. O órgão de meio ambiente, a partir da data de entrega do EIA/Rima, 
fixa em edital, anunciado pela imprensa, o local e a abertura do prazo para que 
os interessados solicitem a realização de audiência pública com um prazo de 
no mínimo 45 dias. Durante esse prazo são disponibilizadas cópias do Rima, 
respeitando o sigilo industrial. Após o prazo, o Órgão/Conselho Estadual do 
Meio Ambiente (Oema) convoca os solicitantes e divulga na imprensa a data, o 
local e o horário da audiência. A audiência é dirigida pelo representante do 
Oema, que, após a exposição do projeto e do Rima, abre a discussão para os 
presentes. Na parte final é lavrada a ata e são anexados os documentos escritos 
e assinados (Absy, 1995). 
 
Atualmente há orientação para a utilização de várias práticas e mecanismos de 
participação pública no sentido de promover a negociação em várias fases do 
processo. Tais fases podem envolver diferentes atores sociais com interesses 
distintos. 
 
A audiência pública é o único mecanismo de participação social previsto na 
legislação ambiental brasileira para o processo de AIA (ver Resolução Conama 
no 001/86) e tem caráter não obrigatório. Ela pode também ser realizada se for 
julgada pertinente ou quando requerida por entidade civil, pelo Ministério 
Público ou por 50 ou mais cidadãos. Outros mecanismos são propostos com o 
objetivo do incremento da participação social no processo de AIA, são eles 
(Absy, 1995): 
 
 Grupo de trabalho: formalizado e coordenado pelo órgão ambiental 
licenciador, com a função de compartilhar responsabilidades em diferentes 
fases do processo de AIA. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 94 
 Comitê de assessoramento técnico-científico: apoia o órgão de 
meio ambiente. 
 
 Grupo de assessoramento popular: organizado preferencialmente 
com o apoio do setor de educação ambiental do órgão ambiental licenciador. 
 
 Audiências públicas intermediárias: têm como objetivo um 
escalonamento do processo de AIA, com possibilidade de concessão de licença 
prévia a empreendimentos, antes de concluído o EIA/Rima ou outro documento 
técnico semelhante exigido pelo órgão de meio ambiente. Esse mecanismo 
possibilita correções no processo, antes da audiência pública final, podendo 
agilizar a tomada de decisão e reduzir custos, tanto para o empreendedor 
quanto para o órgão ambiental. 
 
É pertinente a implementação de um ou mais mecanismos desses no processo 
de AIA. Sua inclusão evita problemas futuros, possibilitando a identificação e 
solução de problemas oriundos de conflitos entre as partes interessadas no 
decorrer do processo, não deixando para o final, o que evita, assim, que o 
EIA/Rima tenha que ser refeito. 
 
7.5 Conclusão 
 
Com o fim deste capítulo cobrimos todos os aspectos relativos à AIA. Vamos 
agora analisar estudos de caso de EIA, discutindo suas etapas. 
 
8. Estudos de Caso 
 
8.1 Introdução 
 
A avaliação dos EIA/Rima envolve a análise minuciosa de suas etapas quanto 
à correta avaliação de tipos e magnitude dos impactos identificados e a análise 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 95 
da adequação dos métodos propostos para a sua mitigação. Neste capítulo 
serão discutidos alguns aspectos da avaliação dos estudos de impacto 
ambiental mediante análise de um estudo de caso. 
 
8.2 Análise de Relatório de Impacto Ambiental 
 
A análise dos EIA/Rima são feitas item por item orientados por perguntas que 
visam analisar se os objetivos e metas delimitados foram alcançados. Quanto 
aos métodos e às técnicas, deve-se verificar se estão adequados ao objeto de 
estudo, a região onde se insere a obra ou empreendimento e se o estudo 
poderá ser feito no período proposto, isto é, se a quantidade de dados e o 
tempo de coleta são adequados. Também tem que levar em consideração a 
capacidade de tal método em avaliar a situação existente e fazer os 
prognósticos futuros dos impactos gerados, indicando suas alternativas 
metodológicas e medidas de controle e monitoramento dos impactos gerados. 
 
Outro critério importante é fazer a avaliação da área de influência do 
empreendimento: a definição clara dos aspectos ecológicos e socioeconômicos 
e delimitação da influência para cada fator ambiental e seus componentes 
culturais, econômicos e sociopolíticos da intervenção proposta. A elaboração 
de uma base cartográfica geograficamente referenciada e a delimitação da 
escala adequada à interpretação dos dados e ao registro das conclusões 
recomendadas. 
 
A etapa de previsão dos impactos é também avaliada analisando-se a clareza 
de métodos, técnicas e critérios adotados tais como: saúde, segurança e o 
bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as 
condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; qualidade dos recursos 
ambientais. Um dos aspectos mais importante dessa etapa da avaliação do 
EIA/Rima é a sua adequação quanto à capacidade de avaliar a qualidade 
ambiental futura. Nessa etapa deve-se verificar se a avaliação feita no 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 96 
EIA/Rima fornece bons modelos para previsão de impactos futuros e se os 
indicadores propostos são adequados para avaliar os diversos efeitos 
ambientais potenciais tais como: efeitos positivos e negativos (benéficos e 
adversos), diretos e indiretos (cadeia de efeitos), imediatos e a médio e longo 
prazos e temporários e permanentes. 
 
Se esses modelos e indicadores são adequados, então pode-se ter certa 
confiança na definição das medidas de monitoramento e nas propostas de 
mitigação dos impactos identificados contidas no plano de monitoramento. Elas 
também fornecerão embasamento para saber se outros aspectos como o grau 
de reversibilidade, as propriedades cumulativas e sinergéticas dos impacto e a 
distribuição dos custos e dos benefícios sociais do empreendimento foram 
adequadamente analisados. Por último, deve-se analisar se as alternativas 
técnicas e econômicas elaboradas comtemplam a mitigação dos impactos 
negativos e a potencialização dos impactos positivos (Absy, 1995). 
 
8.3 Estudo De Caso 
 
Faremos agora a análise de alguns aspectos do Estudo de Impacto Ambiental 
da PCH Nova Maurício, localizada nos municípios de Leopoldina, São João 
Nepomuceno, Descoberto e Itamarati de Minas, distando 320 km de Belo 
Horizonte, de propriedade da Valesul Alumínio S.A. (Visão Ambiental, 2011). O 
estudo completo está disponível em 
http://www.siam.mg.gov.br/siam/lc/2011/2694020100012011/9223362011.p
df, e seria interessante que o aluno obtivesse esse documento para a análise a 
seguir. 
 
Esse empreendimento foi construído em 1955 e entrou em operação no ano de 
1956 com um gerador. Nos anos de 1958, 1967 e 1970 outros três geradores 
foram instalados, aumentando assim sua geração de energia. O reservatório 
formado pelo barramento no rio Novo atingiu uma área de 3,12 km2 de 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 97 
extensão (área inundada). Na época da instalação da usina não existiam 
exigências ambientais. A empresa já estava instalada há mais de 50 anos e o 
documento em análise é o requerimento de uma LOC. 
 
O EIA da empresa apresenta todos os itens necessários à avaliação do impacto 
ambiental, estando no sumário todas as etapas necessárias contempladas 
(Figuras 8.1 e 8.2). Na caracterização do empreendimento as etapas de análise 
de custo-benefício e de contabilidadefinanceira não precisaram ser elaboradas, 
pois a instalação já estava feita. Logo após, segue-se um item de levantamento 
da legislação ambiental pertinente que trata basicamente dos aspectos 
relacionados com a qualidade de água e unidades de conservação, principais 
impactos gerados pelo empreendimento, já que ele pressupõe modificações na 
qualidade da água e os impactos relacionados com a inundação das áreas 
adjacentes. Nesse item, é feito um levantamento descritivo da legislação 
bastante extenso, principalmente no que tange às áreas de preservação 
ambiental, que depois não é utilizada para justificar a área de influência direta 
ou indireta de forma direta. A etapa seguinte faz a delimitação das unidades 
de conservação e utiliza pobremente a legislação levantada, ou seja, todo o 
levantamento da legislação ambiental, no que tange a unidades de 
preservação, é desnecessária. É fornecida uma extensa lista de leis federais, 
estaduais e municipais que não serão utilizadas para justificar os impactos do 
empreendimento. Isto poderia ser feito com uma breve descrição da legislação 
pertinente ao caso específico direcionado ao problema em questão. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 98 
 
 
Figura 8.1 Sumário do estudo de EIA/Rima da PCH Nova Maurício, Minas Gerais. 
(Fonte: Visão Ambiental, 2010, p. 1) 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 99 
 
Figura 8.2 Continuação do sumário do estudo de EIA/Rima da PCH Nova 
Maurício, Minas Gerais. (Fonte: Visão Ambiental, 2010, p. 1) 
 
Um elemento importante apresentado pelo EIA é a declaração de anuência 
fornecida pelas prefeituras, atestando a regularidade do empreendimento 
quanto a legislação de uso e ocupação do solo. Esses documentos oferecem 
embasamento técnico ao empreendimento e são importantes como suporte aos 
outros elementos apresentados no EIA/Rima, pois demonstram que o estudo 
está sendo observado pelos diferentes entes da federação. 
A descrição do empreendimento a seguir mostra todos os detalhes técnicos 
sobre as instalações e as medidas necessárias sobre as características do 
funcionamento da mesma, tais como os níveis de vazão a montante e a jusante, 
vazões mensais e medidas de tomada de água, além dos métodos utilizados 
para essas medidas. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 100 
Na etapa seguinte estão as descrições da área de influência direta (AID) e área 
de influência indireta (AII). Importante nesse trecho é que, como o processo 
de licenciamento está ocorrendo após a instalação da usina, a caracterização 
anterior dos meios físicos, bióticos e socioeconômicos não foi feita e, portanto, 
não é possível estimar de forma mais acurada quais foram os impactos 
causados pelo empreendimento e, consequentemente, definir claramente o 
que foi AID e AII. Os autores do EIA, em questão, ressaltam que “para estes 
três meios, este estudo considerou coincidentes a AID (Área de Influência 
Direta) e AII (Área de Influência Indireta), tendo em vista a consolidação do 
empreendimento, em operação há mais de 50 anos, o que dificulta a 
determinação da magnitude e espacialidade dos impactos ambientais advindos 
da sua operação. Desta forma, e como proposta metodológica, admite-se nesse 
estudo que os aspectos e impactos ambientais inerentes à operação da PCH 
Maurício encontram-se dentro das áreas informadas abaixo” (Visão Ambiental, 
2010, p. 33). 
 
Isso também acontece com o diagnóstico ambiental, que leva em consideração 
somente a fase de operação. Nesse item, os vários aspectos são tratados de 
maneira ampla e avaliam-se os diferentes aspectos físicos do solo tais como 
geologia, geomorfologia e tipo de solo. Um aspecto importante a ser notado 
aqui é também o levantamento da tipologia minerária da região com suas 
atividades mineradoras ativas e suas localizações por município abrangido pelo 
empreendimento (Figura 8.3). A análise de tal atividade é importante por conta 
da influência que pode exercer na qualidade da água. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 101 
 
Figura 8.3 Tabela descritiva da tipologia minerária e das áreas ativas com suas 
respectivas atividades do município de Leopoldina. (Fonte: Visão Ambiental, 
2010, p. 50) 
 
 A empresa ainda apresenta, para o município de Leopoldina, um mapa 
das solicitações de extração e exploração em andamento (Figura 8.4). Esse 
aspecto é importante para prever os impactos potenciais futuros na atividade 
da hidrelétrica. 
 
 
Figura 8.4 Mapa de localização de solicitação de pesquisa e exploração mineral 
nas AID e AII do empreendimento ora denominado PCH Nova Maurício. (Fonte: 
Visão Ambiental, 2010, p. 51) 
 
A seguir são feitas as análises da qualidade da água cujos e métodos e 
procedimentos de análise são detalhados com nível de detalhamento 
adequado, descrevendo-se a metodologia de amostragem, os pontos amostrais 
e as normas pertinentes à realização da coleta e das análises químicas. Nessas 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 102 
análises é possível perceber a preocupação na caracterização tanto espacial 
quanto temporal, estabelecendo um acompanhamento da sua variação 
sazonal. É claro que para a correta caracterização da variação sazonal seriam 
necessárias séries históricas maiores, pois podem existir variações interanuais. 
No entanto, na maioria dos EIA estas não podem ser feitas, pois o tempo 
disponível para a realização de tal análise não é suficiente. A análise de casos 
anteriores é importante para saber se existem levantamentos prévios para a 
região com relação a esse aspecto. Nesse caso, a existência de dados pretéritos 
sobre essas variáveis permitiria uma análise mais acurada da variação sazonal 
das variáveis hidrológicas analisadas. Chama atenção a caracterização 
minuciosa que é feita da biota aquática que, pelo seu detalhamento, permite 
uma visão bastante ampla da riqueza e diversidade de tal biota. É importante 
ressaltar a comparação dos resultados encontrados com os parâmetros de 
qualidade de água e de índices bióticos existentes, eles fornecem uma base 
comparativa importante na avaliação diagnóstica das áreas estudadas. 
 
O diagnóstico do meio biótico terrestre envolveu tanto a parte de flora quanto 
de alguns filos animais considerados importantes como peixes, anfíbios, répteis 
e mamíferos. Na parte de foi feita a descrição das fitofisionomias do entorno, 
da análise qualitativa dos seus respectivos estágios sucessionais, sua 
composição específica, caracterização das AAP e de ocupação e uso do solo. A 
parte de análise de fauna apresenta de forma detalhada a metodologia e os 
resultados das coletas realizadas. No entanto, para a parte da flora não é 
possível saber quais foram as metodologias de levantamento de dados e 
tampouco se citam as referências que já foram utilizadas para tal, se for esse 
o caso. Para isso, pode-se consultar a literatura, o IBGE e vários trabalhos 
científicos com listas de espécies características para as várias regiões 
fitogeográficas do Brasil. Se foi esse caso, essas referências deveriam ter sido 
citadas, se não a metodologia deveria estar descrita. 
 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 103 
Um ponto importante nesse tópico é a descrição de atividade de plantio de 
mudas e replantio de espécies nativas no entorno da represa. Esse é um 
exemplo de boa prática realizada e que entra no hall de medidas mitigatórias 
realizadas pela mesma. Como já visto em capítulos anteriores, essa é uma ação 
que conta a favor da aprovação de uma licença. É discutível se esta deveria 
estar junto a seção de diagnóstico, talvez seria melhor colocar como item à 
parte junto com outras medidas mitigatórias.A etapa de análise de impactos ambientais foi feita pela caracterização dos 
impactos a partir do que se encontra instalado e em funcionamento, ou seja, 
fase de operação do empreendimento. Os principais impactos gerados após a 
operação de usinas hidrelétricas estão relacionados principalmente com a 
qualidade de água e a comunidade de peixes, mas também envolvem ações de 
reflorestamento das áreas do entorno que visam à melhoria da qualidade 
ambiental dessas áreas e à diminuição dos processos de assoreamento por 
transporte de solo para dentro do corpo hídrico do reservatório. 
 
Para a análise de impactos ambientais, foram usados dois métodos já 
discutidos: o método ad hoc, que consiste na realização de reuniões entre 
profissionais experimentados de diversas áreas do conhecimento e escolhidos 
de acordo com a natureza dos impactos a serem analisados, e o método da 
listagem de controle (checklist), que consiste na listagem dos possíveis 
impactos ambientais em ordem de importância (magnitude). A utilização de 
tais métodos é complementar. O principal problema é que são métodos 
tradicionais que não levam em conta os diferentes pesos que as variáveis 
ambientais podem ter e não possibilitam a inter-relação entre eles. Como se 
pode perceber, é feita uma listagem dos fatores identificados como causadores 
dos impactos ambientais, mas nenhuma relação é estabelecida entre eles. Por 
exemplo, o surgimento de pontos erosivos, o assoreamento e a qualidade da 
água são aspectos relacionados que devem ser levados em consideração 
conjuntamente. 
 
 
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 104 
 
Por fim, ressalta-se no EIA que o plano de monitoramento será apresentado 
em um PCA que será elaborado posteriormente à aprovação do 
empreendimento. Para o empreendimento isso apresenta a vantagem de poder 
não gastar recursos incialmente desnecessários na sua elaboração se o projeto 
não for aprovado. 
 
8.4 Conclusão 
 
A análise conduzida neste capítulo não teve como objetivo esgotar o assunto 
em torno do tema, existem muitos aspectos que podem ser abordados 
dependendo do tipo e da dimensão do empreendimento e das várias 
características do local de sua implantação. O que se pretendeu aqui foi fazer 
uma análise crítica da estrutura geral de um EIA com base em um exemplo 
real, a fim de chamar a atenção para alguns aspectos importantes na 
elaboração desse documento (o Rima já foi abordado em capítulo anterior). A 
análise de outros documentos possibilitará a percepção dos diversos aspectos 
que envolvem essa tarefa. 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
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