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Linha do tempo literária
TROVADORISMO - 1189
Com uma mistura de poesia e música, o Trovadorismo foi uma importante expressão artística. Marcada como a primeira escola literária da época medieval, esse foi também o primeiro movimento da literatura portuguesa.
Idade Média.
Cantigas (poesias acompanhadas de música e cantadas pelos trovadores)
Cantigas líricas (de amor ou de amigo) e cantigas satíricas (de escárnio ou de maldizer).
eram homens da nobreza escreviam as poesias e as cantavam em forma de cantiga. Quando um homem não era nobre e escrevia as trovas, ele era chamado de jogral.
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Uma característica muito interessante do Trovadorismo, independentemente do seu gênero, é a representação metafórica da relação social. Ou seja, o trovador se coloca como servo e demonstra respeito e, ao mesmo tempo, sofrimento, por amar uma mulher que faz parte da nobreza.
Para reafirmar as características históricas da época, como o Teocentrismo e a relação de vassalagem, esse amor é apenas idealizado. O próprio trovador expressa como ele sabe que é algo que nunca se realizará devido à desigualdade dos dois na hierarquia social.
De maneira geral, as características do trovadorismo são:
escrita por nobres, variando o eu-poético como masculino (no caso das Cantigas de Amor) tanto como feminino (no caso das Cantigas de Amigo);
normalmente narradas em primeira pessoa;
respeitam e enaltecem o teocentrismo e os valores dos cavaleiros (como nobreza e honra);
no caso das poesias satíricas, tendem a apresentar uma crítica (direta ou indireta) à estrutura social.
aquele que é súdito de um soberano.
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Humanismo - 1418
Da cantiga para a poesia palaciana
Depois de um tempo, as cantigas deixaram de existir e foram substituídas por poesias mais elaboradas, que deixaram de ser cantadas e passaram a ser escritas. Essas poesias se restringiam aos palácios e às pessoas mais nobres e cultas. Por isso, esse tipo de poesia era chamado de poesia palaciana. Ou seja: no Trovadorismo, as poesias eram cantadas (cantigas) pelos trovadores. No Humanismo, a poesia deixou de ser acompanhada de música e ficou mais elaborada e mais culta (poesia palaciana).
Poesia Palaciana (mais elaborada do que as cantigas).
Gil Vicente (teatro moralizante).
Fernão Lopes (crônicas que retratavam a sociedade da época).
representou o período de transição (escola literária) entre o Trovadorismo e o Classicismo, bem como da Idade Média para a Idade Moderna.
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Período de Transição
O Humanismo também é o período da história da Literatura Portuguesa situado entre a Idade Média e a Idade Moderna (Renascimento). O que vemos aqui é um momento onde o ser humano procura se valorizar mais, ou seja: o Teocentrismo (Deus no centro de tudo) e o domínio da Igreja Católica são substituídos pelo Antropocentrismo (o homem no centro de tudo). É uma época de grandes avanços científicos (destaque para Galileu, que provou a teoria heliocêntrica, dizendo que o sol é o centro do sistema planetário) e, assim, o homem passa a ser mais racional (Racionalismo).
Deus como o centro de tudo.
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CLASSICISMO - 1527
Renascimento. Antropocentrismo (valorização do homem), Racionalismo (valorização da razão), valorização das artes clássicas (volta à antiga cultura grega e romana), paganismo (elementos mitológicos da cultura antiga, como os deuses gregos).
Os Lusíadas (Camões): poema épico, valorização do homem (que é capaz de desbravar o mar e ir além), universalismo (conquista do mundo), paganismo (deuses e figuras mitológicas influenciam na aventura). Os portugueses são vistos como heróis (por causa da Expansão Marítima).
período de renovação, momento de grandes transformações culturais, políticas e econômicas.
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O Trovadorismo foi o período literário da Idade Média e o Classicismo foi o período literário da época do Renascimento (Idade Moderna). Entre esses dois períodos há um momento de transição chamado de Humanismo.
A doutrina da Igreja Católica dominou a vida do povo durante a Idade Média. Agora, na Idade Moderna, a Igreja vive a crise da Reforma Protestante e entra em choque com a evolução científica, que passa a considerar o homem como o centro do universo (antropocentrismo) ao invés de Deus (teocentrismo), além de exaltar o pensamento baseado na razão (racionalismo). Portanto, o homem passa a ser valorizado e, além disso, há uma volta à antiga cultura clássica da Grécia e da Roma antiga (daí vem o nome "Renascimento"), trazendo a mitologia e seus deuses de volta (paganismo). É por isso que nas pinturas renascentistas é bem comum vermos as pessoas sem roupa (valorização do corpo humano), além das figuras mitológicas (como a deusa Vênus, que aparece na pintura abaixo).
O período literário dessa época é chamado de "Classicismo" justamente por todas essas características do Renascimento: antropocentrismo (o homem no centro de tudo), racionalismo (valorização da razão) e paganismo (mitologia grega e romana). Era a época também das Grandes Navegações (universalismo: o homem rompe fronteiras e conquista o resto do mundo) e o grande destaque literário do período foi Luís de Camões, que escreveu Os Lusíadas, um poema épico que gira em torno da expansão de Portugal nas Grandes Navegações.
QUINHENTISMO - 1527
Grandes Navegações. Descobrimento do Brasil.
Literatura de Informação (A Carta de Caminha) e Literatura de Catequese (padre José de Anchieta).
Até agora, vimos os períodos literários da história da Literatura Portuguesa: Trovadorismo (Idade Média), Humanismo (transição da Idade Média para Renascimento) e Classicismo (Renascimento).
E então, ocorreram as Grandes Navegações e o Brasil foi descoberto em 1500. Portanto, o estudo da Literatura Brasileira começa com a descoberta do Brasil em 1500 e esse primeiro período de nossa história literária é chamada de Quinhentismo (por causa do "1500").
O que é?
O Quinhentismo foi o período das manifestações literárias do século XVI (ou seja, a partir de 1500). O Brasil era recém descoberto e tudo o que tínhamos eram textos sobre o Brasil no ponto de vista dos europeus.
Portanto, nessa época, tudo o que tínhamos em termos de produção literária se resumia a dois tipos de escrita:
Literatura de Informação: narram e descrevem as viagens e os primeiros contatos com a terra brasileira. A linguagem era simples e cheia de descrições e de informações a respeito das viagens e das terras descobertas. Grande destaque: A Carta de Caminha, escrita por Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal (D. Manoel), documento considerado o marco inicial da Literatura Brasileira (afinal, foi o primeiro texto escrito sobre o Brasil).
Literatura de Catequese: Jesuítas foram enviados para catequizarem os índios no Brasil e o grande destaque desse período foi o padre José de Anchieta. Seus textos eram escritos para serem representados (teatro e encenações) já que o público era muito diversificado (índios, marujos, colonos, comerciantes, soldados...). Porém, seu alvo maior era o índio. Para isso, o padre Anchieta escreveu em mais de uma língua (ele inclusive aprendeu Tupie escreveu uma gramática sobre a língua dos índios).
BARROCO - 1601
Oposições , conflitos, dualidades (fé x razão, corpo x alma, pecado x virtude, vida x morte).
Cultismo (linguagem complexa, jogo de palavras, inversões, excesso de metáforas e de figuras de linguagem e vocabulário complicado) e Conceptismo (jogo de ideias, raciocínio lógico).
Autores: Gregório de Matos (Boca do Inferno) e padre Antônio Vieira.
O Barroco foi o período da Literatura Brasileira que se iniciou nos anos 1600, vindo depois do Quinhentismo(por isso pode ser chamado também de Seiscentismo).
Dualidades e Antíteses
Conflito entre o corpo e a alma, a vida terrena e a vida eterna, a vida virtuosa e a vida do pecado, a vida e a morte, a razão e a fé. É o conflito entre os princípios cristãos da Igreja Católica e os princípios do Renascimento e do Classicismo (paganismo, racionalismo, antropocentrismo). O Barroco é uma época de conflitos de princípios opostos, é a época das antíteses, é a épocaem que se tenta conciliar o inconciliável. A Igreja Católica reage à Reforma Protestante com a Contrarreforma e com a Inquisição, procurando reprimir as manifestações culturais que vão contra as suas doutrinas. Portanto, esse é um período de contradições e de dualidades, onde o homem se vê perdido entre a doutrina cristã e as ideias do Renascimento (Classicismo).
Cultismo e Conceptismo
O homem barroco valoriza o cultismo, ou seja: a linguagem difícil e rebuscada, cheia de inversões e de jogo de palavras, empregando demais as figuras de linguagem. Ele também valoriza o conceptismo, que está associado ao pensamento complexo, ao raciocínio lógico, ao jogo de ideias. Ou seja: as palavras são rebuscadas e difíceis (cultismo) e as ideias e o raciocínio são complexos (conceptismo).
O Tempo (Carpe Diem)
O tempo passa rápido, a vida é efêmera (é rápida), o tempo é veloz e destrói tudo. Tudo é instável e passageiro. O homem barroco vive esse conflito de modo angustiado.
Barroco em Portugal: Pe. Antônio Vieira.
No Barroco Português, quem se destaca é o padre Antônio Vieira. Seus sermões estavam a serviço das causas políticas que abraçava e defendia. Defendia os índios contra a escravidão (mas não tinha a mesma postura com a escravização dos negros, limitando a apontar-lhes uma perspectiva de vida após a morte que compensasse os sofrimentos da vida). Seus sermões eram dotados de raciocínios complexos e lógicos, com metáforas, comparações e alegorias (um discurso que faz entender outro; exemplo: "semeadura" ou "semente do trigo" são alegorias que representam uma coisa só: a disseminação da doutrina cristã).
Barroco no Brasil: Gregório de Matos
No Barroco brasileiro, o grande destaque foi Gregório de Matos. Por ser irreverente e satírico ele recebeu o apelido de "Boca do Inferno". Sua poesia pode ser classificada como lírica, religiosa, filosófica ou satírica.
Poesia Lírica: dualismo amoroso (carne X espírito), que leva a um sentimento de culpa cristão. A mulher é a personificação do pecado e da perdição espiritual (morte). O apelo sensorial do corpo se contrapõe ao ideal religioso. O poeta fica dividido entre o pecado (representado na mulher) e o espírito (cristianismo).
Poesia Religiosa: obedece aos fundamentos do Barroco europeu. Temas: amor a Deus, culpa, arrependimento, pecado, perdão. Linguagem culta, com inversões e muitas figuras de linguagem.
Poesia Filosófica: desconcerto do mundo, consciência da transitoriedade da vida e do tempo (carpe diem).
Poesia Satírica: Criticou todas as classes da sociedade baiana de seu tempo. Linguagem diversificada, com termos indígenas, africanos, palavrões, gírias e expressões locais.
ARCADISMO - 1768
Equilíbrio e simplicidade. Predomínio da razão sobre a emoção
"Fugere urbem" (a cidade é um ambiente ruim), preferência pela natureza (ambiente bucólico e pastoril), "carpe diem" (aproveitar o tempo).
O Arcadismo é o período que vem depois do Barroco, podendo ser chamado também de "Setecentismo", já que ele ocorreu nos anos 1700 (século XVIII).
Era a época do Iluminismo na Europa, da Revolução Francesa, da Independência das Treze Colônias na América do Norte e essas ideias de "liberdade", "igualdade" e "fraternidade" que nasceram na Filosofia Francesa chegaram ao Brasil, inspirando a Inconfidência Mineira. O Brasil era colônia de Portugal e o desejo de liberdade e de independência ficava cada vez mais intenso por aqui. Porém, escrever sobre isso era perigoso e, por conta disso, os escritores do período costumavam usar pseudônimos.
É importante observar que o Arcadismo brasileiro passa a ter características mais próprias, diferenciando-se da Literatura europeia. Sendo assim, a Literatura Brasileira passa a ter mais identidade, passa a "andar mais com as próprias pernas", a ter mais autonomia.
Características que você precisa saber:
Crítica da vida nas cidades ("fugere urbem" ou "fuga da cidade"), valorização da vida no campo (vida bucólica), vida mais simples e natural, uso de apelidos, linguagem mais simples, pastoralismo (vida pastoril no campo), sentimentos mais espontâneos, pureza dos nativos (mito do "bom selvagem", de Rousseau).
ROMANTISMO - 1836
Indianismo: independência do Brasil, identidade nacional, patriotismo, nacionalismo. O índio e a natureza são símbolos nacionais.
Ultrarromantismo: pessimismo profundo, depressão, saudosismo, individualismo, frustrações. Geração "Mal do Século".
Condoreirismo: questão social. Castro Alves ("Poeta dos Escravos")
Gerado sob o impacto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa, de fins do século 18, o romantismosurgiu no início do século 19, na Alemanha, França e Inglaterra, num momentohistórico em que as classes sociais, como as conhecemos hoje, se definiam.
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O Romantismo (seculo XIX) é o período literário que veio depois do Arcadismo (século XVIII) e é dividido em três fases: Primeira Geração (Indianismo), Segunda Geração (Ultrarromantismo) e Terceira Geração (Condoreirismo).
De modo geral, o Romantismo é caracterizado pela subjetividade, pela emoção, pelo sentimentalismo e pelo lirismo (à grosso modo, tudo isso é a mesma coisa). Ou seja: os escritores românticos escreviam de modo mais emotivo e sentimental, explorando as emoções e o drama humano.
A primeira fase dá destaque ao nacionalismo e ao índio (símbolo brasileiro), a segunda fase explora o drama humano, investigando o próprio "eu" (é uma fase mais dramática e depressiva) e a terceira fase explora a temática social.
Primeira Geração (Indianismo)
No século XIX, o Brasil finalmente deixou de ser colônia de Portugal e conquistou a sua independência. Sendo assim, surgiu o desejo de fazer com que a nossa produção literária ficasse, de fato, mais "brasileira", afastando-se da literatura europeia e ganhando características mais próprias, ou seja: ficando mais nacional. Afinal, o Brasil agora é independente e precisa de uma literatura própria, precisa construir a sua cultura.
Surgiu, então, a primeira fase do Romantismo, que era o Indianismo (Primeira Geração), que tinha como característica valorizar e exaltar tudo o que o Brasil tinha de bom: exaltação do índio (daí vem o nome "indianismo"), da natureza, da liberdade, além da presença do forte espírito patriótico (nacionalismo ufanista). Destacam-se nesse período: Gonçalves Dias (que escreveu Canção do Exílio, I-Juca-Pirama e Os Timbiras) e Gonçalves de Magalhães (que escreveu Suspiros Poéticos e Saudades, obra que iniciou o Romantismo no Brasil).
Segunda Geração (Ultrarromantismo)
O Ultrarromantismo é a segunda fase do Romantismo e é caracterizado pela influência do poeta britânico George Byron, que aborda temas depressivos e pessimistas, como a morte, a dor, o amor não correspondido, o tédio, a tristeza profunda, o individualismo, o saudosismo, o excesso de sentimentalismo, entre outros. Por isso, essa geração de poetas é conhecida como "Mal do Século". No Brasil, os principais autores foram: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varella.
Os poetas eram ultrarromânticos, ou seja: eles eram "ultrasentimentais", "ultraemotivos", "ultrasubjetivos". Isso significa que eles eram bem emotivos e sentimentais.
Terceira Geração (Condoreirismo)
O Condoreirismo foi a terceira fase do Romantismo e tinha como característica a questão social: abolicionismo da escravidão, liberdade, republicanismo. O abolicionismo foi um tema de destaque nesse período, sendo bem explorado por Castro Alves (conhecido como o "poeta dos escravos"), que escreveu Navio Negreiro e Espumas Flutuantes.
"Condoreirismo" vem de "condor", uma ave que tem uma visão ampla. Portanto, os escritores do período também agiam como condores, pois tinham uma visão ampla e conseguiam enxergar a realidade social e seus problemas.
Outra característica é que o amor é realizado: o homem não fica mais idealizando sua musa inatingível (como ocorria antes), não ocorre mais o "amor platônico". Dessa vez, a mulher é algo muito mais real e a poesia é muito mais erótica.
Essa fase já começa a apresentaralguns elementos de transição para os próximos períodos da Literatura Brasileira: o Realismo e o Naturalismo.
REALISMO - 1881
Mundo visto de maneira realista, tal como ele realmente é.
Crítica ao comportamento social da época (burguesia, clero, adultério)
Análise psicológica dos personagens
Machado de Assis (destaque).
Vimos que o Romantismo foi um período da história da Literatura Brasileira caracterizado pela emoção e pelo sentimentalismo. Depois do Romantismo vieram dois movimentos: o Realismo e o Naturalismo.
O Realismo e o Naturalismo foram dois movimentos literários que ocorreram ao mesmo tempo, aparecendo depois do Romantismo. Neste artigo, nós vamos falar a respeito do Realismo.
Contexto Histórico
Para entendermos o Realismo, nós precisamos entender o que estava acontecendo no Brasil naquela época. De modo geral, o nosso país estava sendo "sacudido" por uma série de mudanças sociais, econômicas e políticas. Afinal, nesse período, ocorreu a Abolição da Escravatura (1888),a decadência da economia açucareira, o crescimento da cafeicultura, a influência do pensamento positivista (vindo da França) e a Proclamação da República (1889). Ou seja: era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Surgiu, então, o Realismo, uma tendência literária que era oposta ao Romantismo. Ao invés de os escritores se afundarem nos sentimentos e nas emoções interiores (como os românticos faziam), os escritores realistas, influenciados pela filosofia positivista, ficaram mais interessados em observar o mundo de um modo mais real e coerente (daí vem o nome "Realismo").
Características
Os escritores realistas, ao contrário dos românticos, não se envolviam emocionalmente. Ou seja: não existia mais aquele sentimentalismo do Romantismo. No Realismo, os escritores estavam mais preocupados em representar a realidade da forma mais concreta e fiel possível. Por isso, suas narrativas eram bem detalhadas e seus personagens eram trabalhados psicologicamente (análise psicológica).
Portanto, o objetivo do Realismo era observar a sociedade do modo mais real, concreto e objetivo possível(sem a interferência das emoções), analisando os valores da sociedade e criticando suas instituições e os comportamentos da época. O casamento, por exemplo, era visto como uma instituição decadente por causa do adultério. A burguesia (classe social dos comerciantes urbanos) também era criticada.
Machado de Assis
O grande destaque do período foi Machado de Assis, um dos maiores escritores de toda a história da Literatura Brasileira. Sua escrita era caracterizada pela intertextualidade, pela metalinguagem pela análise realista do espírito humano e de seus valores. Algumas de suas obras mais famosas foram: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, além dos contos O Espelho, A Cartomante, Sereníssima República, dentre outros.
Outros autores de destaque do Realismo foram: Raul Pompeia (autor de "O Ateneu") e Aluísio de Azevedo (autor de "O Cortiço"), além de Inglês de Souza, Domingos Olímpio e Adolfo Caminha.
NATURALISMO - 1881
O homem é um objeto de estudo.
Observação, experiência e descrição dos fatos.
Linguagem científica.
Raul Pompeia (autor de O Ateneu) e Aluísio de Azevedo (autor de O Cortiço e de O Mulato).
Na postagem anterior nós falamos a respeito do Realismo, período literário onde se buscava escrever a respeito da realidade brasileira, criticando-se a sociedade e o comportamento das pessoas de modo fiel à realidade (sem emotividade ou sentimentalismo, coisa que acontecia lá no Romantismo).
O Naturalismo é uma ramificação do Realismo e ambos os movimentos se manifestaram na mesma época. Os naturalistas também faziam o que os realistas faziam (retratar a realidade humana), porém eles eram um pouco mais radicais, já que eles tratavam a realidade de um modo mais científico, ou seja: tratavam o ser humano como um objeto de estudo que deveria ser estudado por meio da observação fiel da realidade e também da experiência.
Portanto, a característica principal do Naturalismo é o excesso da linguagem científica (cientificismo exagerado), que tratava o homem como um objeto de estudo científico. Por isso, a escrita naturalista é simples e objetiva, porém repleta de descrições e de detalhes. Os naturalistas observavam os problemas sociais e lidavam com temas polêmicos da época (crimes, adultério, sexo, homossexualidade, violência, agressividade, etc...). Eles escreviam a respeito dos instintos e da personalidade humana.
PARNASIANISMO - 1881
Vocabulário rebuscado, busca pela perfeição poética.
"Arte pela arte".
Linguagem objetiva e descritiva.
Olavo Bilac.
O Parnasianismo nada mais é do que o Realismo/Naturalismo na poesia. De modo geral, o Naturalismo e o Parnasianismo fazem parte do Realismo, sendo que o Naturalismo é um Realismo mais científico e o Parnasianismo é o Realismo na poesia. Os três movimentos aconteceram na mesma época.
Ao contrário dos românticos do Romantismo (que eram movidos pelo excesso de sentimentos e de emoções), os poetas do Parnasianismo gostavam da linguagem rebuscada e racionalista, ou seja: eles gostavam da poesia mais elaborada.
São características da poesia parnasiana: preocupação com a forma, vocabulário culto e formal, objetivismo, apego à poesia clássica (com referências à mitologia grega e romana), a "arte pela arte" (compara a poesia como escultura, pintura ou qualquer outra arte), o gosto pela descrição (poesias que descrevem os fatos, as cenas, os objetos).
Principais Poetas do Parnasianismo: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.
Outras informações: a poesia parnasianista foi o principal tipo de poesia do século XIX. Isso significa que a poesia só era considerada poesia de verdade se ela tivesse as características parnasianas (busca pela perfeição estética, formalidade, vocabulário culto, etc).
Simbolismo - 1893
O Simbolismo foi um movimento de oposição ao Realismo, ao Naturalismo e ao Parnasianismo. Os simbolistas eram contrários ao caráter científico e objetivista desses movimentos. Sendo assim, o Simbolismo tinha as seguintes características: subjetivismo, mergulho no "eu" (valorização dos sentimentos individuais e da subconsciência), proximidade pelas questões filosóficas e existenciais, explicação da realidade por meio de símbolos (metáforas, imagens), misticismo (cosmos e questões espirituais).
Já vimos que o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo foram movimentos literários que ocorreram na mesma época, que eles reagiam contra o sentimentalismo do Romantismo e que retratavam o mundo de modo real, observando-o e o descrevendo exatamente como ele é, sem emoção e sem sentimento.
O Simbolismo foi um movimento literário que reagiu contra essa forma científica de ver o mundo, resgatando um pouco a segunda fase do Romantismo (o Ultrarromantismo, o "mal do século"). Porém, os simbolistas foram mais profundos no aspecto metafísico: eles eram muito mais filosóficos.
Características do Simbolismo: mergulho no "eu" (introspecção), emoção, universo metafísico e filosófico, misticismo, desejo de transcender o mundo e alcançar o "cosmos", pessimismo (interesse pela morte, pelo oculto, pelo mistério e pela noite), subjetivismo e decadência humana (retoma as características do Ultrarromantismo). Desse modo, eles viam a realidade do mundo de uma maneira mais metafísica, usando uma linguagem cheia de metáforas, de imagens, de símbolos (daí vem o nome "Simbolismo"), de elementos sinestésicos (mistura de sensações; exemplo: visão com olfato).
Principais Autores: Cruz e Souza e Eugênio de Castro.
PRÉ-MODERNISMO
O Pré-Modernismo foi um período de transição entre o estilo literário conservador (século XIX) e o estilo literário moderno (século XX). Portanto, nesse período há uma mistura e uma oscilação entre esses dois estilos. Podemos destacar os seguintes autores: Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Lima Barreto (autor de O Triste Fim de Policarpo Quaresma) e Monteiro Lobato (autor de O Sítio do Pica-Pau Amarelo).
Ao longodo século XIX a Literatura Brasileira foi caracterizada pelo Realismo, pelo Naturalismo, pelo Parnasianismo e pelo Simbolismo. Depois de todos esses movimentos literários veio o Pré-Modernismo, um momento de transição para o Modernismo.
O Pré-Modernismo não é considerado uma escola literária (ou seja: um período literário com características próprias), mas sim uma fase de transição entre os movimentos literários do século XIX e XX, já que ele mistura, de modo diversificado, as características do Modernismo, do Parnasianismo, do Simbolismo e do Realismo.
De modo geral, são características do Pré-Modernismo: transição entre os movimentos literários conservadores do século XIX (Realismo, Naturalismo e Parnasianismo) e modernos do século XX (Modernismo), oscilação entre a linguagem culta e coloquial, exposição da realidade social brasileira, regionalismo, nacionalismo, temáticas históricas, econômicas, políticas e sociais.
Autores importantes:
Euclides da Cunha: escreveu Os Sertões.
Lima Barreto: escreveu Triste Fim de Policarpo Quaresma.
Monteiro Lobato: autor do Sítio do Pica Pau Amarelo e do personagem Jeca Tatu.
MODERNISMO - 1922
O Modernismo foi um movimento literário iniciado em 1922 com a Semana de Arte Moderna. Esse movimento é dividido em três períodos (conhecidos por "gerações" ou "fases").
1ª Geração (1922 - 1930): a primeira fase do Modernismo é caracterizada pela linguagem coloquial e livre (poesia sem rimas nem métrica, totalmente livre e despreocupada com a gramática), com temas inspirados no cotidiano das pessoas. Os principais autores desse período foram: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira.
2ª Geração (1930 - 1945): o destaque dessa geração foi a prosa regionalista, que acaba retomando as características do Realismo (descrever o mundo tal como ele é, de modo objetivo e coerente). A linguagem usada nos livros possui as características de suas regiões, sendo retratada do modo como ela é falada.
Principais autores na prosa: Graciliano Ramos (autor de Vidas Secas), Jorge Amado (autor de Capitães de Areia), Rachel de Queiroz (autora de O Quinze) e José Lins do Rego (autor de Fogo Morto).
Principais autores na poesia: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinícius de Moraes.
3º Geração (1945 - 1960): os nomes que se destacaram nesse período foram: Clarice Lispector (autora de Laços de Família), Guimarães Rosa (autor de Grande Sertão Veredas), João Cabral de Melo Neto (autor de Morte e Vida Severina), Nelson Rodrigues (no teatro). Essa fase também é conhecida como "pós-modernismo" ou "Geração de 45". Os romances são urbanos, regionalistas e intimistas.
Já estudamos que a Literatura Brasileira do século XIX foi caracterizada pelo Realismo, pelo Naturalismo, pelo Parnasianismo e pelo Simbolismo.
No século XX, surgiu um movimento que queria renovar o estilo da Literatura, rompendo com a Literatura tradicional do século XIX (Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo), buscando, assim, inovações modernas para o novo século: é o Modernismo (antes houve um momento de transição chamado de Pré-Modernismo). Os modernistas queriam uma Literatura livre, sem "fórmulas" e sem regras, sem palavras cultas e formais demais, sem o rebuscamento do vocabulário, sem a cultura tradicional e acadêmica.
O Modernismo no Brasil começou com a Semana de Arte Moderna de 1922, que foi a reunião de vários artistas (pintura, literatura, música, arquitetura, escultura, etc) de várias tendências artísticas que buscavam renovar as artes, difundindo suas ideias e rompendo, assim, com a cultura tradicional e conservadora do século XIX.
O Modernismo teve três fases (gerações):
1ª Geração Modernista (1922 - 1930)
Os principais nomes dessa geração foram: Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Mário de Andrade,
As principais características dessa geração foram: linguagem livre (poesia sem regras de rima e de métrica), linguagem coloquial (livre de formalismos e de palavras cultas), gírias e até erros gramaticais (porque os erros de gramática e a linguagem coloquial é a linguagem usada pelos brasileiros). Temas tratados com irreverência e ironia (bom-humor, piada, paródia), temas inspirados no cotidiano das pessoas e poemas "relâmpagos" (curtíssimos e breves).
Claro que tudo isso irritava os mais conservadores e tradicionais.
2ª Geração Modernista (1930 - 1945)
Essa geração também é conhecida como Geração de 30. É nessa fase que o Modernismo ganha mais força no Brasil. Os principais autores dessa geração foram: na poesia, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles; na prosa, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e José Lins do Rego.
Na parte da prosa, os modernistas se interessaram por temas nacionais e usaram uma linguagem mais brasileira (uma linguagem mais regionalista). Destaque para o regionalismo nordestino, que retratou os problemas da região (seca e migração). Também podemos destacar o romance urbano (histórias das cidades grandes), que retratou a vida das famílias urbanas.
Na poesia, continuamos com o verso livre, mas também encontramos uma poesia mais amadurecida e sensível à realidade, que questiona a existência humana e a inquietação social.
3ª Geração Modernista (1945 - 1960)
Essa geração também é conhecida como Geração de 45. Os principais autores do período foram: Clarice Lispector, João Guimarães Rosa e Nelson Rodrigues, além de Ariano Suassuna e Lygia Fagundes Telles.
A poesia volta a ficar um pouco mais formal (efeito "poesia é a arte da palavra") e há uma preocupação maior com o estilo e com a estética da poesia. Na prosa, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles trabalharam o aprofundamento psicológico dos personagens e inovaram as técnicas narrativas, quebrando o tradicional "início, meio e fim". Guimarães Rosa se dedicou ao regionalismo (ele é o autor de Grande Sertão: Veredas) e inovou a narrativa ao empregar o discurso indireto livre. O teatro ganhou força com Nelson Rodrigues.