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1 
 
 
2 
1 SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4 
2 INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO .............. 5 
2.1 Evolução do sistema de esgotamento sanitário ................................... 6 
2.2 Características do esgoto ................................................................... 13 
2.3 Caminho do esgoto ............................................................................ 15 
2.4 Tipos de esgoto .................................................................................. 16 
2.5 Tipos de sistemas de esgotos ............................................................ 16 
2.6 Partes de um sistema de esgoto sanitário .......................................... 17 
2.7 Normas para projetos de sistemas de esgoto sanitário ...................... 21 
3 VASÃO DE CONTRIBUIÇÃO ................................................................... 22 
3.1 Contribuição doméstica ...................................................................... 22 
3.2 Águas de infiltração ............................................................................ 24 
3.3 Contribuições concentradas ............................................................... 25 
3.4 Contribuição total ............................................................................... 26 
4 IMPACTOS DO LANÇAMENTO DE ESGOTOS NOS CURSOS D’ÁGUA
 26 
5 TRATAMENTO DOS ESGOTOS .............................................................. 28 
5.1 Tratamentos preliminares ................................................................... 29 
5.1 Gradeamento ..................................................................................... 29 
5.1.2 Peneiramento ................................................................................. 29 
5.1.3 Caixa de areia ................................................................................ 30 
5.2 Tratamentos primários ........................................................................ 31 
5.2.1 Decantadorprimário ........................................................................ 31 
5.3 Tratamento secundário....................................................................... 32 
5.3.1 Lagoas de estabilização ................................................................. 32 
5.3.2 Reatores anaeróbios ...................................................................... 33 
 
3 
5.3.3 Lodos ativados ................................................................................ 34 
5.3.4 Decantador secundário ................................................................... 34 
5.3.5 Filtros biológicos ............................................................................. 35 
5.3.6 Tanque de Sedimentação ............................................................... 35 
5.4 Tratamentos terciários ........................................................................ 36 
5.4.1 Clorador .......................................................................................... 36 
5.4.2Desinfecção com ozônio .................................................................. 36 
5.4.3 Radiação ultravioleta ...................................................................... 36 
5.5 Tratamentos simplificados .................................................................. 37 
5.5.1 Tanque Séptico(TS) ........................................................................ 37 
5.5.2 Filtro Anaeróbio (FAN) .................................................................... 38 
5.5.3 Filtro Aeróbio .................................................................................. 38 
6 ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO BRASIL .............................................. 39 
7 BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - 
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum 
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as 
perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão 
respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
2 INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO 
O esgoto é uma mistura de água e matéria orgânica (fezes, urina e água do 
serviço doméstico), 99 % do volume do esgoto pode ser água e 1% ou mais, pode 
ser de matéria orgânica e o objetivo principal do tratamento de esgoto é desfazer 
essa mistura. (CESAN, 2013) 
Segundo a NBR 9648 (ABNT, 1986) esgoto sanitário é o despejo líquido 
constituído de esgotos doméstico e industrial, água de infiltração e a contribuição 
pluvial parasitária. 
Quando o imóvel não possui rede coletora de esgoto é comum a população 
utilizar fossa séptica ou ligar direto na rede pluvial (que coleta apenas água de 
chuvas) ou descartar o esgoto diretamente em valões, córregos, rios e praias, porém 
esta ação contribui para agravamento e contaminação do meio ambiente e da 
saúde. 
A destinação adequada dos esgotos se inicia dentro de nossa casa, quando 
esta é construída com as instalações hidro sanitárias, que compreende a rede de 
tubulação interna da casa e as peças sanitárias (bacia, chuveiros e pias) que 
recebem as águas servidas e as levam até a tubulação de saída do ramal predial. 
(CESAN, 2013) 
No Brasil, 43% da população possui esgoto coletado e tratado e 12% utilizam-
se de fossa séptica (solução individual), ou seja, 55% possuem tratamento 
considerado adequado; 18% têm seu esgoto coletado e não tratado, o que pode ser 
considerado como um atendimento precário; e 27% não possuem coleta nem 
tratamento, isto é, sem atendimento por serviço de coleta sanitário. 
Organização Mundial de Saúde (OMS) menciona o saneamento básico 
precário como uma grave ameaça à saúde humana. Apesar de disseminada no 
mundo, a falta de saneamento básico ainda é muito associada à pobreza afetando 
principalmente a população de baixa renda; mais vulnerável devido à subnutrição e 
muitas vezes pela higiene inadequada. Doenças relacionadas a sistemas de água e 
esgoto inadequados e as deficiências com a higiene causam a morte de milhões de 
pessoas todos os anos, com prevalência nos países de baixa renda. 
As principais doenças causadas pela falta de saneamento são: (CESAN, 
2013) 
 
 
6 
- Diarreia infecciosa: pode ser provocada por micróbios, que são adquiridos 
por meio da ingestão de comida ou água contaminada. Os grupos mais afetados 
pelas diarreias são as crianças e os idosos que, se não tratados a tempo, podem vir 
a falecer em virtude da desidratação. 
- Cólera: originária da Ásia é uma doença infecciosa que ataca principalmente 
o intestino dos seres humanos. A bactéria que a provoca recebe o nome de Vibrio 
cholerae e é transmitida principalmente pela água. Seus sintomas são: diarreia 
abundante, cãibras, cólicas abdominais, náuseas e vômitos. 
- Leptospirose: doença bacteriana transmitida pela água e por alimentos 
contaminados pela urina de animais, principalmente o rato. Seus sintomas incluem 
febre alta, calafrio, dor muscular, vômito e dorde cabeça forte. 
- Hepatite: inflamação no fígado causada por vários tipos de vírus. Seus 
sintomas são parecidos com os da gripe, além da icterícia; 
- Esquistossomose: também conhecida como doença do caramujo, é 
provocada pelo verme esquistossomo. Sintomas: diarreia, dores e problemas em 
vários órgãos internos do corpo humano. 
2.1 Evolução do sistema de esgotamento sanitário 
 
FONTE: ITU.SP.GOV.BR 
 
Segundo MOREIRA (2008) os primeiros sistemas de esgotamento 
executados pelo homem tinham como objetivo protegê-lo das vazões pluviais, 
devendo-se isto, principalmente, à inexistência de redes regulares de distribuição de 
água potável encanada e de peças sanitárias com descargas hídricas, fazendo com 
que não houvesse, à primeira vista, vazões de esgotos tipicamente domésticos. 
 
7 
Porém, como as cidades tendiam a se desenvolver às margens de vias fluviais, por 
causa da necessidade da água como substância vital, principalmente para beber, 
com o passar do tempo os rios se tornavam tão poluídos com esgoto e o lixo, que os 
moradores tinham que se mudar para outro lugar. Este padrão universal foi seguido 
pelos humanos por muitos e muitos séculos. 
No Egito, no Médio Império (2100-1700 a.C.), em Kahum, uma cidade 
arquitetonicamente planejada, construíram-se nas partes centrais, galerias em 
pedras de mármore para drenagem urbana de águas superficiais, assim como em 
Tel-el-Amarma, onde até algumas moradias mais modestas dispunham de 
banheiros. Em Tróia regulamentava-se o destino dos dejetos, sendo que a cidade 
contava com um desenvolvido sistema de esgotos. E Knossos, em Creta, a mais de 
1000 a.C., contava com excelentes instalações hidro-sanirtárias, notadamente nos 
palácios e edifícios reais. Na América do Sul os incas e vizinhos de língua quíchua, 
desenvolveram adiantados conhecimentos em engenharia sanitária como atestam 
ruínas de sistemas de esgoto e drenagem de áreas encharcadas, em suas cidades. 
Historicamente é observado que as civilizações primitivas não se destacaram 
por práticas higiênicas individuais por razões absolutamente sanitárias e sim, muito 
frequentemente, por religiosidade, de modo a se apresentarem limpos e puros aos 
olhos dos deuses de modo a não serem castigados com doenças. Os primeiros 
indícios de tratamento científico do assunto, ou seja, de que as doenças não eram 
exclusivamente castigos deteve, começaram a aparecer na Grécia, por volta dos 
anos 500 a. C., particularmente a partir do trabalho de Empédocles de Agrigenco 
(492-432 AC), que construiu obras de drenagem das águas estagnadas de dois rios, 
em Selenute, na Sicília, visando combater uma epidemia de malária. (MOREIRA, 
2008) 
No livro hipocrático Ares, Águas e Lugares, um texto médico por excelência, 
considerava-se insalubres planícies encharcadas e regiões pantanosas, sugerindo a 
construção de casas em áreas elevadas, ensolaradas e com ventilação saudável. 
Saliente-se que nas cidades gregas havia os administradores públicos, os astí-
nomos, responsáveis pelos serviços de abastecimento de água e de esgotamentos 
urbanos como, por exemplo, a manutenção e a limpeza dos condutos. Nas cidades 
romanas do período republicano esta gerência era desempenhada pelos censores e 
no imperial pelos zeladores e atendentes. A prestação destes serviços, no entanto, 
 
8 
era prioridade das áreas nobres das cidades gregas e principalmente das romanas, 
onde os moradores tinham de pagar pelo uso do serviço. (Apud MOREIRA, 2008) 
É importante citar que uma obra como a cloaca máxima, destinada ao 
esgotamento subterrâneo de águas estagnadas dos pés da colina do Capitólio até o 
Tibre, ainda hoje em operação, foi concluída no governo de Tarquínio Prisco. Já 
Estrabão surpreendeu-se negativamente com a construção de galerias a céu aberto 
em Nova Esmirna. 
Sistemas de drenagens construídos em concreto com aglomerantes naturais 
também existiram nas cidades antigas como Babilônia, Jerusalém e Bizâncio, porém 
por sua insuficiência quantitativa, estas cidades tornaram-se notáveis por seus 
peculiares e ofensivos odores. 
A partir de 476 da era cristã, com a queda do Império Romano, iniciou-se o 
período medieval, que duraria cerca de um milênio, e desgraçadamente para o 
Ocidente, caracterizou-se por uma fusão de culturas clássicas, bárbaras e 
ensinamentos cristãos, centralizado em Constantinopla. Grande parte dos 
conhecimentos científicos foram deslocados pelos cientistas em fuga, para o mundo 
árabe, notadamente a Pérsia, dando início na Europa, a uma substituição deste 
conhecimento por uma cultura a base de superstições, gerando a hoje denominada 
Idade das Trevas (500-1000 d. C.). Como a ênfase de que as doenças eram 
castigos divinos às impurezas espirituais humanas e seus tratamentos eram 
resolvidos com procedimentos místicos ou orações e penitências, as práticas 
sanitárias urbanas sofreram, se não um retrocesso, pelo menos uma estagnação. 
(MOREIRA, 2008) 
Neste período, no Ocidente, como o conhecimento científico restringiu-se ao 
interior dos mosteiros, as instalações sanitárias como encanamentos de água e 
esgotamentos canalizados, ficaram por conta da iniciativa eclesiástica. Como 
exemplo desta afirmativa, pode-se citar que enquanto no século IX, a cidade do 
Cairo, no Egito, já dispunha de um serviço público de adução de água encanada, só 
em 1310 os franciscanos concordaram em que habitantes da cidade de 
Southampton utilizassem a água excedente de um convento que tinha um sistema 
próprio de abastecimento de água desde 1290. 
Na Idade Média, nas cidades as pessoas construíram casas permanentes e 
esgoto, lixo e refugos em geral eram depositados nas ruas. Quando as pilhas 
ficaram altas, e o mau odor tornava-se insuportável, a sujeira era retirada com a 
 
9 
utilização de pás e veículos de tração animal. Esta condição prevaleceu até o final 
do século XVIII, principalmente nas cidades menores. (MOREIRRA, 2008) 
A iniciativa de pavimentação das ruas nas cidades europeias, com a 
finalidade de mantê-las limpas e alinhadas, a partir do final do século XII, exemplos 
de Paris (1185), Praga (1331), Nuremberg (1368) e Basiléia (1387), tornou-se o 
marco inicial da retomada da construção de sistemas de drenagem pública das 
águas de escoamento superficial e o encanamento subterrâneo de águas servidas, 
estas inicialmente para fossas domésticas e, posteriormente, para os canais pluviais. 
As primeiras leis públicas notáveis de instalação, controle e uso destes serviços têm 
origem a partir do século XIV. 
Em termos de saneamento o período histórico dos séculos XVI e XVIII é 
considerado de transição. A partir do século XVI, já no Renascimento, com a 
crescente poluição dos mananciais de água o maior problema era o destino dos 
esgotos e do lixo urbanos. No século seguinte, o abastecimento de água urbano 
teve radical desenvolvimento, pois se passou a empregar bombeamentos com 
máquinas movidas a vapor e tubos de ferro fundido para recalques de água, 
notadamente a partir da Alemanha, procedimentos que viriam a se generalizar no 
século seguinte, juntamente com a formação de empresas fornecedoras de água. 
Os estudos de John Snow (1813-1858), o movimento iluminista, a revolução 
industrial e as mudanças agrárias provocaram alterações revolucionárias no final do 
século XVIII, com profundas alterações na vida das cidades e, consequentemente, 
nas instalações sanitárias. Ruas estreitas e sinuosas foram alargadas e alinhadas, 
pavimentadas, iluminadas e drenadas, tanto na Inglaterra como no continente. 
(Apud, MOREIRA, 2008) 
O aparecimento da água encanada e das peças sanitárias com descarga 
hídrica, fez com que a água passasse a servir com uma nova finalidade: afastar 
propositadamente dejetos e outras impurezas indesejáveis ao ambiente de vivência. 
A sistemática de carregamento de refugos e dejetos domésticos com o uso da água, 
embora fosse conhecido desde o século XVI, quandoJohn Harrington (1561-1612) 
instalou a primeira latrina no palácio da Rainha Isabel, sua disseminação só veio a 
partir de 1778, quando Joseph Bramah (1748-1814) inventou a bacia sanitária com 
descarga hídrica, inicialmente empregada em hospitais e moradias nobres. A 
generalização dos sistemas de distribuição de água e as descargas hídricas para 
evacuar o esgoto, provocaram a saturação do solo, contaminando as ruas e o lençol 
 
10 
freático. A extravasão para os leitos das ruas criou, também, constrangimentos do 
ponto de vista estéticos, levando a necessidade de criação de esquemas para 
limpeza das vias públicas das cidades grandes. 
Muitas cidades como Paris, Londres e Baltimore tentaram o emprego de 
fossas individuais com resultados desastrosos, pois as mesmas, com manutenção 
inadequada, se tornaram fontes de geração de doenças. Raramente eram limpas e 
seu conteúdo se infiltrava pelo solo, saturando grandes áreas do terreno e poluindo 
fontes e poços usados para o suprimento de água. As fossas, portanto, tornaram-se 
um problema de saúde pública. 
Além disso, era ilusoriamente fácil eliminar a água de esgoto, permitindo-a 
alcançar os canais de esgotamento existentes sob muitas cidades. Como esses 
canais de esgotamento se destinavam a carrear água de chuva, a generalização 
dessa prática levou os rios de cidades maiores transformarem-se em esgotos a céu 
aberto, um dos maiores desafios enfrentados pelos reformadores sanitários do 
século XIX. (MOREIRA, 2008) 
Paralelamente começava a se concretizar a ideia de serem organismos 
microscópicos como possível causa das doenças transmissíveis. No início do século 
XIX havia na Grã-Bretanha várias cidades consideradas de grande porte, mas elas 
pareciam tão incapazes como suas predecessoras de evitar as contrastantes ondas 
de mortes por doenças e epidemias, que ainda eram o preço inevitável da vida 
urbana. Apesar das consideráveis melhorias executadas nos esgotos londrinos no 
século anterior, as galerias continuavam despejando seus bacilos no rio Tâmisa, 
contaminando a principal fonte de água potável da capital. 
Ao mesmo tempo, a melhoria das condições de transporte, provocou um 
efeito colateral assustador: as epidemias se espalhavam com muito maior rapidez e 
produzindo um alcance de vítimas muito mais devastador, como a de cólera (1831-
1832). O governo britânico assustou-se com a intensidade de mortes e as 
autoridades perceberam uma clara conexão entre a sujeira e a doença nas cidades. 
As décadas de 1830 e 1840 podem ser destacadas como as mais importantes 
na história científica da Engenharia Sanitária. A epidemia de cólera de 1831/32 
despertou concretamente para os ingleses a preocupação com o saneamento das 
cidades, pois evidenciou que a doença era mais intensa em áreas urbanas carentes 
de saneamento efetivo, ou seja, em áreas mais poluídas por excrementos e lixo, 
além de mostrar que as doenças não se limitavam às classes mais baixas. Em seu 
 
11 
famoso Relatório (1842), Chadwick (1800-1890) já afirmava que as medidas 
preventivas como drenagem e limpeza das casas, através de um suprimento de 
água e de esgotamento efetivos, paralelo a uma limpeza de todos os refugos 
nocivos das cidades, eram operações que deveriam ser resolvidas com os recursos 
da Engenharia Civil e não no serviço médico. (MOREIRA, 2008) 
A evolução dos conhecimentos científicos, principalmente na área de saúde 
pública, tornou imprescindível a necessidade de canalizar as vazões de esgoto de 
origem doméstica. Os reformadores e os engenheiros hidráulicos (1842) 
propuseram, então, a reforma radical do sistema sanitário, separando rigorosamente 
a água potável da água servida: os esgotos abertos seriam substituídos por 
encanamentos subterrâneos, feitos de cerâmica durável. 
Funcionários da prefeitura de Paris já haviam começado a projetar esgotos no 
começo do século XIX para proteger seus cidadãos de cólera. A solução indicada foi 
canalizar obrigatoriamente os efluentes domésticos e industriais para as galerias de 
águas pluviais existentes, originando, assim, o denominado Sistema Unitário de 
Esgotos, onde todas os esgotos eram reunidos em uma só canalização e lançados 
nos rios e lagos receptores. (MOREIRA, 2008) 
 No início do século XIX, a construção dos sistemas unitários propagou-se 
pelas principais cidades do mundo na época, entre elas, Londres, Paris, Amsterdam, 
Hamburgo, Viena, Chicago, Buenos Aires, etc. Na realidade métodos de disposição 
de esgoto não melhoraram até os anos 1840 quando o primeiro esgoto moderno foi 
construído em Hamburgo, Alemanha. Era moderno no sentido de que foram 
conectadas ligações individuais das casas a um sistema coletor público de esgotos. 
O sistema caracterizou-se também porque os trechos coletores iniciais de esgotos 
sanitários eram separados das galerias de esgotos pluviais. 
Epidemias de cólera que assolaram a Inglaterra e outros países europeus até 
os anos 1850. Efetivamente Londres só teve um sistema de esgotos considerado 
eficiente a partir de 1859. No entanto, a evolução tecnológica nas nações mais 
adiantadas, como a Inglaterra, por exemplo, e a necessidade do intercâmbio 
comercial, forçava a instalação de medidas sanitárias eficientes, pois a proliferação 
de pestes e doenças contagiosas em cidades desprovidas dessas iniciativas 
propiciava, logicamente, aos seus visitantes os mesmos riscos de contaminação, 
gerando insegurança e implicando, portanto, que os navios comerciais da época 
evitassem a ancoragem em seus portos, temendo contaminação da tripulação e, 
 
12 
consequentemente, causando prejuízos constantes às nações mais pobres e 
dependentes do comércio internacional. No Brasil relacionavam-se nesta situação, 
notadamente os portos do Rio de Janeiro e Santos. (MOREIRA, 2008) 
Porém nas cidades situadas em regiões tropicais e equatoriais, com índice 
pluviométrico muito superior (cinco a seis vezes maiores que a média européia, por 
exemplo) a adoção de sistemas unitários tornou-se inviável devido ao elevado custo 
das obras, pois a construção das avantajadas galerias transportadoras das vazões 
máximas contrapunham-se às desfavoráveis condições econômicas características 
dos países situados nestas faixas do globo terrestre. 
Foram então, contratados os ingleses pelo imperador D. Pedro II (1825-1891), 
para elaborarem e implantarem sistemas de esgotamento para o Rio de Janeiro e 
São Paulo, na época, as principais cidades brasileiras. Ao estudarem a situação os 
projetistas depararam-se com situações peculiares e diferentes das encontradas na 
Europa, principalmente as condições climáticas (clima tropical) e a urbanização 
(lotes grandes e ruas largas). (MOREIRA, 2008) 
Após criteriosos estudos e justificativas foi adotado na ocasião, um inédito 
sistema no qual eram coletadas e conduzidas às galerias, além das águas 
residuárias domésticas, apenas as vazões pluviais provenientes das áreas 
pavimentadas interiores aos lotes (telhados, pátios, etc.). Criava-se, então, o 
Sistema Separador Parcial, cujo objetivo básico era reduzir os custos de 
implantação e, consequentemente, as tarifas a serem pagas pelos usuários. 
Nos Estados Unidos inicialmente muitos sistemas de esgotos foram 
construída em cidades pequenas e financiados por fundos criados pela própria 
população local. Detalhes destes projetos pioneiros de sistema de esgoto são 
geralmente desconhecidos por causa da falta de registros precisos. A concepção 
inicial de sistemas de esgoto criados na América é creditada a Julius W. Adams que 
projetou os esgotos em Brooklyn, Nova Iorque (1857). 
A preocupação com os problemas de saúde pública na América do Norte 
cresceu com o surgimento da epidemia de febre amarela em Memphis, Tennessee 
(1873). Neste ano foram mais de 2.000 mortes causadas pela doença e, cinco anos 
depois, já se contabilizavam cerca de 5150. Estas epidemias foram responsáveis 
pela formação do Departamentode Saúde Nacional, o precursor do Serviço de 
Saúde Pública Norte-Americano. (MOREIRA, 2008) 
 
13 
Finalmente o engenheiro George Waring (15) foi contratado para projetar um 
sistema de esgotos para a cidade de Memphis, região onde predominava uma 
economia rural e relativamente pobre, praticamente incapaz de custear a 
implantação de um sistema convencional à época. Waring, diante da situação e 
contra a opinião dos sanitaristas de então, projetou em sistema exclusivamente para 
coleta e remoção das águas residuárias domésticas, excluindo, portanto, as vazões 
pluviais no cálculo dos condutos. Depois do controle da epidemia e construção de 
um sistema de esgoto sanitário em Memphis (1889), as maiores cidades americanas 
estavam com linhas de esgoto em funcionamento. 
Com a implantação do projeto de esgoto sanitário de Memphis estava criado 
então o Sistema Separador Absoluto (1879), cuja característica principal é ser 
constituído de uma rede coletora de esgotos sanitários e uma outra exclusiva para 
águas pluviais. Rapidamente o sistema separador absoluto foi difundindo-se pelo 
resto do mundo a partir das idéias de Waring e de suas publicações e também de 
um outro famoso defensor do novo sistema, seu contemporâneo, Engenheiro Cady 
Staley. (MOREIRA, 2008) 
No Brasil destacou-se na divulgação do novo sistema, Saturnino Brito (1864-
1929), cujos estudos, trabalhos e sistemas reformados pelo mesmo, fizeram com 
que, a partir de 1912, o separador absoluto passasse a ser adotado 
obrigatoriamente no país. 
2.2 Características do esgoto 
Podemos dividir o esgoto em características físicas, químicas e biológicas. 
De acordo com a FUNASA (2004) as principais características físicas dos 
esgotos sanitários são: 
- Temperatura: em geral, é pouco superior à das águas de abastecimento. A 
velocidade de decomposição do esgoto é proporcional ao aumento da temperatura; 
- Odores: são causados pelos gases formados no processo de decomposição, 
assim o odor de mofo, típico de esgoto fresco é razoavelmente suportável e o odor 
de ovo podre, insuportável, é típico do esgoto velho ou séptico, em virtude da 
presença de gás sulfídrico; 
 
14 
- Cor e turbidez: indicam de imediato o estado de decomposição do esgoto. A 
tonalidade acinzentada acompanhada alguma turbidez é típica do esgoto fresco e a 
cor preta é típica do esgoto velho; 
 - Variação de vazão: depende dos costumes dos habitantes. A vazão 
doméstica do esgoto é calculada em função do consumo médio diário de água de 
um indivíduo. Estima-se que para cada 100 litros de água consumida, são lançados 
aproximadamente 80 litros de esgoto na rede coletora, ou seja, 80%. 
- Presença de sólidos: São caracterizadas como sólidos dos esgotos todas as 
partículas nele presentes em suspensão ou em solução, sedimentáveis ou não, 
orgânicas ou minerais. A determinação da quantidade total de sólidos presentes em 
uma amostra de esgotos sanitários é chamada de sólidos totais. 
A separação dos tipos de sólidos presentes na mistura é feita em laboratório e 
classificada da seguinte maneira: 
a) Sólidos Totais - massa sólida obtida com a evaporação da parte líquida da 
amostra a 100º a 105º C, em mg/L; 
b) Sólidos Minerais ou Fixos - resíduos sólidos retidos após calcinação dos 
sólidos totais a 500o C, em mg/L; 
c) Sólidos Orgânicos ou Voláteis - parcela dos sólidos totais volatilizada no 
processo de calcinação, em mg/L; 
d) Sólidos em Suspensão - quantidade de sólidos determinada com a 
secagem do material retirado por filtração da amostra, através de micromalha, de 
0,45 mícron, em mg/L; 
e) Sólidos Dissolvidos - fração dos sólidos medida após evaporação da parte 
líquida da amostra filtrada, 
em mg/L; 
f) Sólidos Sedimentáveis - porção das partículas em suspensão sedimentadas 
por ação da gravidade quando a amostra é submetida a um período de repouso de 
uma hora em um cone padronizado denominado cone de Imhoff, medida em ml/L (K. 
Imhoff, 1876-1965). 
 
As principais características químicas dos esgotos são (FUNASA, 2004): 
• Matéria orgânica: cerca de 70% dos sólidos no esgoto são de origem 
orgânica, geralmente esses compostos orgânicos são uma combinação de carbono, 
hidrogênio e oxigênio, e algumas vezes com nitrogênio; 
 
15 
• Matéria inorgânica: é formada principalmente pela presença de areia e de 
substancias minerais dissolvidas. 
 
Já as principais características biológicas do esgoto são: 
- Microorganismos: os principais são as bactérias, os fungos, os protozoários, 
os vírus e as algas; 
- Indicadores de poluição: são vários organismos cuja presença num corpo 
d´água indica uma forma qualquer de poluição. Para indicar a poluição de origem 
humana adotam-se os organismos do grupo coliformes como indicadores. As 
bactérias coliformes são típicas do intestino humano e de outros animais de sangue 
quente. Estão presentes nas fezes humanas (100 a 400 bilhões de 
coliformes/hab.dia) e são de simples determinação. 
 
2.3 Caminho do esgoto 
Todo esgoto produzido em nossa casa passa por ralos e vai através de tubos 
até chegar numa caixa de concreto chamada caixa de inspeção (CI). Lembrando 
que o esgoto da pia da cozinha cai na caixa de gordura (CG) antes de chegar na 
caixa de inspeção (CI), onde na caixa de gordura é feita a separação de gorduras da 
água. 
Da caixa de inspeção (CI), o esgoto passa por tubos de rede pública 
chamados de Ramal Condominial. Depois de coletado o esgoto de todas as casas 
do conjunto é interligado a uma rede de diâmetro maior chamada Rede Pública. 
A rede pública coleta os esgotos de outros Ramais Condominiais, e vai 
aumentando de diâmetro à medida que aumenta o número de ligações, até se 
transformar numa rede bem maior que é chamada de Interceptor. 
 Todos estes tubos juntos são chamados de Rede Coletora de Esgotos por 
onde o esgoto viaja da nossa casa até a Estação de Tratamento de Esgoto, que irá 
tratar limpando a água suja e devolvendo ao rio como água tratada. 
 
 
16 
2.4 Tipos de esgoto 
De acordo com o NBR 9648 (ABNT, 1987) o esgoto se classifica em: 
 
- Esgotos Domésticos: é o despejo líquido resultante do uso da água para 
higiene e necessidades fisiológicas humanas. 
- Esgotos Industriais: é o despejo líquido resultante dos processos industriais, 
respeitados os padrões de lançamento estabelecidos. Compreendem os resíduos 
orgânicos, de indústria de alimentos, matadouros, etc; as águas residuárias 
agressivas, procedentes de indústrias de metais etc; as águas residuárias 
procedentes de indústrias de cerâmica, água de refrigeração, etc; 
- Águas Pluviais: são as águas procedentes das chuvas; 
- Água de Infiltração: é toda água proveniente do subsolo, indesejável ao 
sistema separador e que penetra nas canalizações 
2.5 Tipos de sistemas de esgotos 
Os sistemas de esgotos urbanos podem ser de três tipos: (TSUTIYA e 
SOBRINHO, 1999) 
 
a) Sistema de esgotamento unitário, ou sistema combinado, em que as águas 
residuárias (domésticas e industriais), águas de infiltração (água de subsolo que 
penetra no sistema através de tubulações e órgãos acessórios) e águas pluviais 
veiculam por um único sistema. 
b) Sistema de esgotamento separador parcial, em que uma parcela das águas 
de chuva, provenientes de telhados e pátios das economias são encaminhadas 
juntamente com as águas residuárias e águas de infiltração do subsolo para um 
único sistema de coleta e transporte dos esgotos. 
c) Sistema separador absoluto, em que as águas residuárias (domésticas e 
industriais) e as águas de infiltração (água do subsolo que penetra através das 
tubulações e órgãos acessórios), que constituem o esgoto sanitário, veiculam em um 
sistema independente, denominado sistema de esgoto sanitário. As águas pluviais 
são coletadas e transportadas em um sistema de drenagem pluvial totalmente 
independente. 
 
17 
2.6 Partes de um sistema de esgoto sanitário 
 
FONTE: ECIVILNET.COMA concepção do sistema deverá estender-se às suas diversas partes, 
relacionadas e definidas a seguir: (TSUTIYA e SOBRINHO, 1999) 
 
- Rede coletora: conjunto de canalizações destinadas a receber e conduzir os 
esgotos dos edifícios; o sistema de esgotos predial se liga diretamente à rede 
coletora por uma tubulação chamada coletor predial, A rede coletora é composta de 
coletores secundários, que recebem diretamente as ligações prediais, e, coletores 
tronco. O coletor tronco é o coletor principal de uma bacia de drenagem, que recebe 
a contribuição dos coletores secundários, conduzindo seus efluentes a um 
interceptor ou emissário. 
- Interceptor: canalização que recebe coletores ao longo de seu comprimento, 
não recebendo ligações prediais diretas; 
- Emissário: canalização destinada a conduzir os esgotos a um destino 
conveniente (estação de tratamento e/ou lançamento) sem receber contribuição ao 
longo do percurso; 
- Poços de Visita (PV): são câmaras cuja finalidade é permitir a inspeção e 
limpeza da rede. Os locais mais indicados para sua instalação são: início da rede, 
nas mudanças de direção, declividade, diâmetro ou material, nas junções e em 
https://www.ecivilnet.com/
 
18 
trechos longos. Nos trechos longos a distância entre PVs deve ser limitada pelo 
alcance dos equipamentos de desobstrução. 
 
 
FONTE: AECWEB.COM.BR 
 
- Sifão invertido: obra destinada à transposição de obstáculo pela tubulação 
de esgoto, funcionando sob pressão; 
 
 
FONTE: PROGESTAO.ANA.GOV.BR 
 
 
- Estação elevatória: conjunto de instalações destinadas a transferir os 
esgotos de uma cota mais baixa para outra mais alta. 
A estação elevatória é dotada de mecanismos, hidráulicos e mecânicos, que 
permitem o transporte do efluente para um ponto mais elevado, para o escoamento 
final. 
https://www.aecweb.com.br/
http://progestao.ana.gov.br/
 
19 
Na grande maioria das estações de tratamento de esgoto o interceptor chega 
na área da ETE numa cota inferior à dos reatores, portanto é necessário o 
bombeamento dos esgotos para cotas mais altas. 
 
 
FONTE: SESAMM.COM.BR 
 
- Estação de tratamento de esgoto (ETE): conjunto de instalações destinadas 
à depuração dos esgotos, antes de seu lançamento. Um sistema de esgotamento 
sanitário só pode ser considerado completo se incluir a etapa de tratamento. A 
estação de tratamento de esgoto (ETE), pode dispor de alguns dos seguintes itens, 
ou todos eles: 
- Grade; 
- Desarenador; 
- Sedimentação primária; 
- Estabilização aeróbica; 
- Filtro biológico ou de percolação 
- Lodos ativados; 
- Sedimentação secundária; 
- Digestor de lodo; 
- Secagem de lodo; 
- Desinfecção do efluente. 
 
http://www.sesamm.com.br/
 
20 
 
FONTE: DEDAMBIENTAL.COM.BR 
 
 
- Disposição Final: após o tratamento, os esgotos podem ser lançados ao 
corpo d’água receptor ou aplicados no solo. Em ambos os casos, há que se levar 
em conta os poluentes eventualmente ainda presentes nos esgotos tratados, 
especialmente organismos patogênicos e metais pesados. 
 
 
FONTE: AGUAVIVA.BIO.BR 
 
 
 
 
 
 
https://dedambiental.com.br/
http://www.aguaviva.bio.br/
 
21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.7 Normas para projetos de sistemas de esgoto sanitário 
Os parâmetros e faixas de recomendações para o dimensionamento de 
unidades componentes de um projeto de sistema de esgotamento sanitário estão 
disponíveis nas Normas Brasileiras editadas pela Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT). As normas da ABNT estão relacionadas a seguir: 
 
• NBR 9.648 – Estudo de Concepção de sistemas de Esgoto Sanitário, que 
estabelece terminologia e condições gerais para este tipo de estudo, promulgada em 
1986; 
• NBR 9.649 – Projeto de Redes Coletoras de esgoto Sanitário, que 
estabelece terminologia e critérios de dimensionamento para elaboração de projeto 
hidráulico-sanitário de redes coletoras de esgoto sanitário, promulgada em 1986; 
• NB 568 – Projeto de Interceptores de Esgoto Sanitário, que estabelece 
condições de elaboração de projeto e dimensionamento de interceptores de grande 
porte, promulgada em 1989; 
• NB 569 – Projeto de Estações Elevatórias de Esgoto Sanitário, que 
estabelece condições para a elaboração de projeto hidráulico sanitário de estações 
elevatórias de esgoto sanitário com emprego de bombas centrífugas, promulgada 
em 1989; 
• NB 570 – Projeto de Estações de Tratamento de Esgoto Sanitário, que 
estabelece condições para a elaboração de projeto hidráulico-sanitário de estações 
de tratamento de esgotos, promulgada em 1990. 
 
IMPORTANTE 
- As canalizações dos coletores e interceptores devem ser projetadas para 
funcionarem sempre como condutos livres. 
- Os sifões e linhas de recalque das estações elevatórias funcionam como 
condutos forçados. 
- Os emissários podem funcionar como condutos livres ou forçados, não 
recebendo contribuições em marcha. 
 
 
22 
3 VASÃO DE CONTRIBUIÇÃO 
De acordo com MOREIRA (2008) as vazões de esgotos sanitários formam-se 
de três parcelas bem distintas, a saber, contribuições domésticas, normalmente a 
maior e a mais importante do ponto de vista sanitário, vazões concentradas, em 
geral de origem industrial e a inconveniente, mas sempre presente, parcela de 
águas de infiltrações. 
3.1 Contribuição doméstica 
O consumo constante de água potável na prática diária das atividades 
domésticas produz águas residuárias ditas “servidas” quando oriundas de atividades 
de limpeza e as “negras” quando contém matéria fecal. Como geralmente esses 
despejos têm origem na utilização da água do sistema público de abastecimento, 
espera-se que a maior ou menor demanda de água acarretará, proporcionalmente, 
na maior ou menor contribuição doméstica de vazões de esgotamento. 
Embora haja uma nítida correlação entre o consumo do sistema público de 
água e a contribuição de esgotos, alguns fatores poderão tornar esta correlação 
maior ou menor conforme a circunstância. (MOREIRA,2008) 
A relação entre o volume de esgotos recolhido e o de água consumido pode 
oscilar entre 0,60 a 1,30, segundo a literatura conhecida. Esta fração é conhecida 
como relação esgoto/água ou coeficiente de retorno e é representada pela letra 
“c”. De um modo geral estima-se que 70 a 90% da água consumida nas edificações 
residenciais retorna a rede coletora pública na forma de despejos domésticos. No 
Brasil é usual a adoção de valores na faixa de 0,75 a 0,85. 
Um dos parâmetros mais importante nos projetos de abastecimento de água é 
a quantidade de água consumida diariamente por cada usuário do sistema, 
denominado de consumo per capita médio e representado pela letra “q”. Esse 
parâmetro, na maioria das vezes, é um valor estimado pelos projetistas em função 
dos aspectos geoeconômicos regionais, desenvolvimento social e dos hábitos da 
população a ser beneficiada. 
A partir dessas definições pode-se determinar o per capita médio de 
contribuição de esgotos que será resultado de “c x q”. 
 
 
23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os sistemas de esgotamento devam ser projetados para funcionarem com 
eficiência ao longo de um predeterminado número de anos após sua implantação e, 
por isto, é necessário que o projetista seja bastante criterioso na previsão da 
população de projeto. 
A população de projeto é a população total a que o sistema deverá atender. 
Essa população produz um volume diário médio doméstico, produto entre o número 
de habitantes beneficiados pelo sistema e o per capita médio de contribuição 
produzido pela comunidade. 
Com relação à determinação desta população, dois são os problemas que se 
apresentam como de maior importância: população futura e densidade populacional. 
A determinação da população futura é essencial, pois não se deve projetar um 
sistema de coleta de esgotos para beneficiar apenas a população atual de uma 
cidade com tendência de crescimento contínuo. Esse procedimento,muito 
provavelmente, inviabilizaria o sistema logo após sua implantação por problemas de 
subdimensionamento. 
A expressão geral que define o crescimento de uma população ao longo dos 
anos é: 
P = Po+ ( N - M ) + ( I - E ) 
 
Onde: 
P = população após “t” anos; 
Po= população inicial 
Curiosidade! 
No Brasil adotam-se per capitas médios diários de consumo de água da ordem de 
150 a 200l/hab.dia para cidades de até 10000hab e per capitas maiores para 
cidades com populações superiores. As normas brasileiras permitem o 
dimensionamento com um mínimo de 100 l/hab.dia, devidamente justificado, e o 
mesmo valor para indicar o consumo médio para populações flutuantes. Em áreas 
onde a população tem renda média muito pequena e os recursos hídricos são 
limitados, este per capita pode atingir valores inferiores a 100 l/hab.dia. Em 
situações contrárias e onde o sistema de abastecimento de água garante 
quantidade e qualidade de água potável continuamente, este coeficiente pode 
ultrapassar os 500 l/hab.dia. 
 
24 
N = nascimento no período “t”; 
M = mortes, no período “t”; 
I = imigrantes no mesmo período; 
E = emigrantes no período. 
 
Já a densidade demográfica é geralmente expressa em habitantes por 
hectare (hab/ha) com tendência a valores crescentes das áreas periféricas para as 
centrais nas cidades maiores. 
Apresenta-se a seguir um quadro com valores médios frequentemente 
encontrados no estudo de distribuição urbana das populações Área x Densidade: 
 
 
FONTE: MOREIRA, 2008. 
 
Tendo a população de projeto “P” e o per capita médio diário de contribuição 
“c.q”, define-se então o volume médio diário de esgotos domésticos produzidos, este 
será em litros/dia com “q” em l/hab.dia. 
Sendo a equação representada da seguinte forma: 
 
Qdom = c. q. P 
 
3.2 Águas de infiltração 
A vazão que é transportada pelas canalizações de esgoto não tem sua origem 
somente nos pontos onde houver consumo de água. Parcela dessa vazão é 
resultante de infiltrações inevitáveis ao longo dos condutos, através de juntas mal 
executadas, fissuras ou rupturas nas tubulações, nas paredes das edificações 
 
25 
acessórias, etc. Este volume torna-se mais acentuado no período chuvoso, pois 
parte das estruturas poderá permanecer situada temporariamente submersa no 
lençol freático, além das contribuições originadas nas ligações clandestinas de 
águas pluviais. Também influi no volume infiltrado o tipo de terreno em que os 
condutos estão instalados e a pavimentação ou não dos arruamentos. É lógico que, 
por exemplo, em terrenos arenosos há maior facilidade de a água subterrânea 
atingir as canalizações que em terrenos argilosos. 
Pesquisas para determinação de coeficientes de infiltração são raras em 
nossa literatura e os resultados mais conhecidos estão mostrados no quadro a 
seguir, citados no trabalho Infiltração de Água nos Coletores de Esgotos Sanitários 
apresentado pelos engenheiros D. P. Bruno e M. T. Tsutiya no 12º Congresso 
Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, em 1983, e publicado na Revista 
DAE n.o 133. Na impossibilidade de dados ou argumentos mais precisos pode-se 
trabalhar com a sugestão da NBR 9649/86 - ABNT que recomenda a adoção de uma 
taxa de contribuição de infiltração - TI, de 0,5 a 1,0 l/s.km, sob justificativas. (Apud, 
MOREIRA, 2008) 
É fundamental considerar que para coletores novos situados acima do lençol 
freático, a infiltração deve ser mínima ou mesmo nula, e que a qualidade dos 
materiais empregados na confecção das tubulações são fatores de redução deste 
tipo de vazão. 
3.3 Contribuições concentradas 
Além das contribuições domésticas coletadas ao longo da rede e das vazões 
de infiltração, algumas edificações podem produzir contribuições de águas 
residuárias que não podem ser consideradas como ligações normais ao longo da 
rede, visto que, devido ao seu volume, alteram sensivelmente as condições de 
escoamento para jusante. Sendo estas chamadas de contribuições concentradas, 
que podem ser originadas em estações rodoviárias, grandes edificações residenciais 
e/ou comerciais, lavanderias públicas, centros comerciais, grandes hospitais, clubes 
com piscinas e, principalmente, de estabelecimentos industriais que usam água no 
processo de produção como, por exemplo, uma indústria de bebidas. 
 
26 
3.4 Contribuição total 
Segundo MOREIRA (2008) vimos cada uma das parcelas formadoras das 
vazões de esgotos sanitários, sendo assim, representa-se a vazão média coletada 
da seguinte forma: 
 
QT = QD + QC + QI 
Onde : 
QT = vazão média total diária. 
QD = contribuição média diária doméstica. 
QC = contribuições concentradas. 
QI = águas de infiltrações. 
 
Lembrando que para o cálculo destas vazões são consideradas população de 
projeto, contribuição média per capita doméstica, infiltrações ao longo da rede e 
vazões concentradas. 
 
4 IMPACTOS DO LANÇAMENTO DE ESGOTOS NOS CURSOS D’ÁGUA 
De acordo com Tucci (2001), a falta de tratamento de esgotos contribui de 
maneira significativa com os impactos ambientais da maioria das cidades, por não 
possuírem um tratamento de esgoto adequado e acabam lançando os esgotos na 
rede de esgotamento pluvial de forma clandestina, e estes que acabam escoando 
para os rios. Essas condições ambientais inadequadas, acabam reduzindo as 
condições da saúde pública e a qualidade de vida da população, na mesma 
proporção que aumentam os riscos de impactos ambientais. (APUD ALMEIDA 
JUNIOR et al., 2017) 
O impacto ambiental é definido como qualquer alteração adversa ou benéfica, 
no meio ambiente resultante das atividades antrópicas, que causem efeitos ao 
ecossistema ou a mudança da qualidade ambiental, num determinado período e 
numa determinada área. Percebe-se desta forma, que o termo impacto ambiental 
pode ser benéfico ou adverso. 
 
27 
O impacto ambiental pode ser definido ainda, como qualquer alteração das 
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer 
forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou 
indiretamente, prejudiquem: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as 
atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio 
ambiente; a qualidade dos recursos ambientais. Percebe-se que este termo destaca 
o aspecto das relações humanas e sociais com o meio ambiente, e os possíveis 
impactos ambientais que esse processo possa causar. (ALMEIDA JUNIOR et al., 
2017) 
Podemos citar alguns dos principais impactos ambientais: 
 
- Poluição por matéria orgânica 
 
O principal processo de poluição das águas é a redução do teor de oxigênio 
dissolvido (OD) após introdução de matéria orgânica devido, principalmente, ao 
lançamento de esgotos. Esse consumo de OD se deve aos processos de 
degradação da matéria orgânica realizados por microrganismos aeróbios, os quais 
utilizam o oxigênio disponível no meio líquido para a sua respiração. 
 
- Contaminação por microrganismos patogênicos 
 
Nós sabemos que os esgotos domésticos contêm uma grande quantidade de 
microrganismos, e que, entre eles, os agentes patogênicos podem estar presentes. 
A contaminação por organismos patogênicos, decorrentes do lançamento de 
esgotos nos cursos d’água, causa restrições aos usos da água como abastecimento 
de água potável e irrigação. 
 
- Eutrofização 
 
A eutrofização dos corpos aquáticos consiste no crescimento excessivo de 
algas e plantas no ambiente aquático, acarretando significativo consumo de oxigênio 
dissolvido. A eutrofização é causada principalmente pela presença excessiva de 
nitrogênio e fosforo. (ALMEIDA JUNIOR et al., 2017) 
 
28 
A eutrofização pode levar à alteração no sabor, no odor, na turbidez e na cor 
da água, à redução do oxigênio dissolvido, provocando crescimento excessivo de 
plantas aquáticas, mortandade de peixes e outras espécies aquáticas, além do 
comprometimento das condiçõesmínimas para o lazer na água. 
As principais consequências da eutrofização são: 
- Frequentes florações das águas. 
- Crescimento excessivo da vegetação. 
- Distúrbios com mosquitos e insetos. 
- Eventuais maus odores. 
- Eventuais mortandades de peixes. 
- Condições anaeróbias. 
- Eventuais problemas de toxicidade. 
- Maior dificuldade e elevação nos custos de tratamento da água. 
- Redução na navegação e capacidade de transporte. 
- Desaparecimento gradual do lago como um todo. 
 
- Assoreamento 
 
 A liberação de sólidos, principalmente os inorgânicos, através do efluente 
pode levar ao assoreamento do corpo hídrico. 
O assoreamento reduz o volume de água, torna-a turva e impossibilita a 
entrada de luz, dificultando a fotossíntese e impedindo a renovação do oxigênio para 
algas e peixes. Além de intensificar as enchentes dos rios, dificultar ou impedir a 
navegação e também limitar o fornecimento de água para atividades de agricultura e 
pecuária. 
 
5 TRATAMENTO DOS ESGOTOS 
Atualmente, existem inúmeros processos para o tratamento de esgoto, 
individuais ou combinados. A decisão pelo processo a ser empregado, deve levar 
em consideração, principalmente, as condições do curso d´água receptor (estudo de 
autodepuração e os limites definidos pela legislação ambiental) e da característica 
 
29 
do esgoto bruto gerado. É necessário certificar-se da eficiência de cada processo 
unitário e de seu custo, além da disponibilidade de área (IMHOFF e IMHOFF, 1996, 
Apud Debiasi, 2002) 
O tratamento do esgoto constitui-se nas seguintes fases: tratamentos 
preliminares, primários, secundários e terciários. 
5.1 Tratamentos preliminares 
O Tratamento preliminar do esgoto é sujeito aos processos de separação dos 
sólidos mais grosseiros como sejam a gradagem que pode ser composto por grades 
grosseiras, grades finas e/ou peneiras rotativas, o desarenamento nas caixas de 
areia e o desengorduramento nas chamadas caixas de gordura ou em pré-
decantadores. (MELLO, 2007) 
 
5.1.1 Gradeamento 
 
A remoção dos sólidos grosseiros é feita por meio de grades, que podem ser 
grossas, médias e finas, dependendo do espaçamento entre as barras. 
Quando grosseiras são utilizadas, quando o esgoto apresenta grande 
quantidade de sujeira, nessas são retidas pedras, pedaços de madeira, brinquedos, 
animais mortos e outros objetos de tamanho elevado. As grades média e fina são 
empregadas para a retirada de partículas, que ultrapassam o gradeamento 
grosseiro. 
 
 
FONTE: BDM.UNB.BR 
 
5.1.2 Peneiramento 
 
http://bdm.unb.br/
 
30 
O peneiramento tem como objetivo principal, a remoção de sólidos grosseiros 
com granulometria maior que 0,25 mm. As peneiras podem ser classificadas em 
estáticas e rotativas. Estas devem ser usadas principalmente, em sistemas de 
tratamento de águas residuárias industriais, sendo que, em muitos casos, os sólidos 
separados podem ser reaproveitados. 
 
 
FONTE: TRATAMENTODEAGUA.COM.BR 
 
5.1.3 Caixa de areia 
 
A remoção da areia contida nos esgotos é realizada pelas caixas de areias ou 
desarenadores. O mecanismo de remoção da areia é simplesmente a sedimentação: 
os grãos de areia, devido a suas maiores dimensões e densidade vão para o fundo 
do tanque. 
 
 
FONTE: TRATAMENTODEAGUA.COM.BR 
https://www.tratamentodeagua.com.br/
 
31 
5.2 Tratamentos primários 
Apesar do esgoto apresentar um aspecto ligeiramente mais razoável após a 
fase de pré tratamento, possui ainda praticamente inalteradas as suas 
características poluidoras. Por isto a necessidade de novo tratamento. Nesta fase 
onde se separa a água dos matériais poluentes a partir da sedimentação nos 
equipamentos, através ação física pode, em alguns casos, ser ajudado pela adição 
de agentes químicos que através de coagulantes e floculantes possibilitando a 
obtenção de flocos de matéria poluente de maiores dimensões e assim mais 
facilmente decantáveis. Após o tratamento primário, a matéria poluente que 
permanece na água é de reduzidas dimensões, normalmente constituída por 
coloides, devido a digestão do lodo, não sendo por isso passível de ser removida por 
processos exclusivamente físico-químicos (SILVA, 2004, Apud MELLO, 2007). 
 
5.2.1 Decantador primário 
 
Nos decantadores primários, os esgotos fluem vagarosamente, permitindo 
que os sólidos em suspensão, por possuírem uma densidade maior que a do líquido, 
sedimentem-se gradualmente no fundo, formando o chamado lodo primário que é 
retirado. Os óleos, espumas e graxas, por possuírem uma densidade menor que do 
líquido, sobem para a superfície dos decantadores, onde também são coletados e 
removidos. 
Quando ao formato, os decantadores primários podem ser: circulares 
quadrados ou retangulares. A remoção de lodo e de flutuantes pode ser mecanizada 
ou não. De acordo com a NBR 12209 (ABNT, 1990) para vazões máximas Qmax > 
250L/s, a remoção de lodo deve ser mecanizada e obrigatoriamente deve prever 
mais de uma unidade. 
Alguns autores recomendam que para decantadores primários devem ser 
utilizados preferivelmente os de secção retangular que são melhores para a 
assimilação das variações de vazão de esgotos e, como decantadores secundários 
podem ser utilizados os de secção circular, pois nesta situação a variação de vazão 
de alimentação são menores. Pode-se também empregar decantadores circulares 
como primários, atribuindo-lhe menor eficiência na remoção de DBO. Deverá ser 
 
32 
feita análise econômica para subsidiar a escolha do tipo de decantador a ser 
empregado em uma ETE. 
5.3 Tratamento secundário 
O tratamento secundário, geralmente consistindo num processo biológico, do 
tipo lodo ativado ou do tipo filtro biológico, onde a matéria orgânica coloidal é 
consumida por micro-organismos nos chamados reatores biológicos. Estes reatores 
são normalmente constituídos por tanques com grande quantidade de 
microrganismos aeróbios, havendo por isso a necessidade de promover o seu 
arejamento. O esgoto saído do reator biológico contém uma grande quantidade de 
micro-organismos, sendo reduzida a matéria orgânica remanescente. Os 
microrganismos sofrem posteriormente um processo de sedimentação nos 
designados sedimentadores (decantadores) secundários. Terminado o tratamento 
secundário, as águas residuais tratadas apresentam um reduzido nível de poluição 
por matéria orgânica, podendo na maioria dos casos, serem admitidas no meio 
ambiente receptor (NEVES, 1974, Apud MELLO, 2007). 
 
5.3.1 Lagoas de estabilização 
 
As lagoas de estabilização são grandes bacias rasas com diques de terra nas 
quais o esgoto bruto é tratado por processos completamente naturais que envolvem 
algas e bactérias. Existem três tipos principais de lagoas de estabilização: 
anaeróbias, facultativas e lagoas de maturação. As lagoas anaeróbias e as 
facultativas são designadas para remoção de DBO, e as lagoas de maturação são 
designadas para remoção de bactérias. (NUCASE, 2013) 
 
 
33 
 
FONTE: SANEAMENTO.POLI.UFRJ.BR 
 
 
 
5.3.2 Reatores anaeróbios 
 
O princípio dos reatores é dividir o esgoto bruto em três fases (separador 
trifásico): fase líquida, gasosa e sólida. 
Os reatores anaeróbios de manta de lodo são também frequentemente 
denominados de Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente. O custo de 
implantação varia entre US$ 20 a US$ 40 por habitante e gera uma quantidade de 
lodo a ser tratado anualmente entre 0,07 a 0,1 m3 /habitante 
 
 
FONTE: SANEAMENTO.POLI.UFRJ.BR 
 
http://www.saneamento.poli.ufrj.br/
http://www.saneamento.poli.ufrj.br/
 
34 
5.3.3 Lodos ativados 
 
É um processo biológico onde o esgoto afluente, na presença de 
oxigênio dissolvido, agitação mecânica e pelo crescimento e atuação de 
micro-organismos específicos, forma flocos denominados lodo ativado ou 
lodo biológico. Essa fase do tratamento objetiva a remoção de matéria 
orgânica biodegradável presente nos esgotos. Após essa etapa, a fasesólida é separada da fase líquida em outra unidade operacional 
denominada decantador. 
 
 
FONTE: GRATT.COM.BR 
 
5.3.4 Decantador secundário 
 
O decantador secundário possui uma sedimentação de sólidos, de 
fundamental importância ao sistema. Existem basicamente quatro tipos de 
sedimentação descritos; a direta nos quais as partículas sedimentam em separado, 
sem aglutinação, dessa forma são mantidos suas características físicas como forma, 
tamanho e velocidade de sedimentação; a floculenta, ocorre aglutinação das 
partículas, alterando as suas características, em decorrência há aumento de 
densidade e velocidade do floco; a zonal, que em líquidos com alta concentração de 
sólidos, forma um manto único, com separação do sólido e do líquido; e zonal 
http://www.gratt.com.br/
 
35 
elevada, com maior concentração de sólidos, ocorrendo até compressão das 
partículas devido ao seu peso, expulsando a água da matriz do floco. 
 
 
5.3.5 Filtros biológicos 
 
Um filtro biológico compreende basicamente, um leito de material grosseiro, 
tal com pedras, ripas ou material plástico, sobre o qual os esgotos são aplicados sob 
a forma de gotas ou jatos. Após a aplicação, os esgotos percolam em direção aos 
drenos do fundo. Essa percolação permite o crescimento bacteriano na superfície da 
pedra ou do material de enchimento, na forma de uma película fixa. O esgoto passa 
sobre a população microbiana aderida, promovendo o contato entre os micro-
organismos e o material orgânico. (MELLO, 2007) 
 
 
FONTE: SANEAMENTOBASICO.COM.BR 
 
5.3.6 Tanque de Sedimentação 
 
A sua função é promover a sedimentação de partículas sólidas, através da 
diferença de densidade e utilizando-se de um tempo de detenção hidráulico, 
evitando com que estas estejam presentes no efluente final. Grande parte destas 
partículas sólidas é proveniente do desprendimento de biofilme do Filtro Aerado, já 
que o processo com oxigênio produz grande quantidade de bactérias. (MELLO, 
2007) 
 
https://www.saneamentobasico.com.br/
 
36 
5.4 Tratamentos terciários 
Para o lançamento final do esgoto no corpo receptor, às vezes, é necessário 
proceder à desinfecção das águas residuais tratadas para a remoção dos 
organismos patogênicos ou, em casos especiais, à remoção de determinados 
nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, que podem potenciar, isoladamente ou em 
conjunto, a eutrofização das águas receptoras (NEVES, 1974, Apud MELLO, 2007) 
 
5.4.1 Clorador 
 
O Clorador, ou Tanque de Desinfecção é um sistema de tratamento químico e 
terciário, com função de desinfecção do efluente das outras unidades. Este tanque 
de desinfecção (Figura 14) tem como finalidade exterminar total ou parcialmente as 
bactérias e os demais organismos patogênicos presentes no esgoto tratado. Uma 
substância desinfetante – no caso, o Cloro – atua diretamente nestes patogênicos, 
penetrando em suas células e reagindo com suas enzimas, resultando na morte dos 
organismos (SILVA, 2004, Apud MELLO, 2007). 
 
5.4.2 Desinfecção com ozônio 
 
O ozônio possui alto poder germicida contra uma grande variedade de micro-
organismos patogênicos, incluindo-se as bactérias, protozoários e os vírus. A 
desinfecção com esse produto não é afetada pelo valor do pH. Devido à 
decomposição muito rápida do radical livre hidroxila, uma maior concentração de 
ozônio deve ser usada em valores de pH mais alto, para se manter a eficiência 
(NUVOLARI, 2003, Apud MELLO, 2007). 
 
5.4.3 Radiação ultravioleta 
 
Diferentemente da maioria dos desinfetantes, a radiação ultravioleta não 
provoca a inativação de microorganismos por interação química. Esta, inativa 
organismos por absorção de luz, que causa uma reação fotoquímica, alterando 
componentes moleculares essenciais para as funções das células. Como os seus 
raios penetram na parede das células do microorganismo, a energia interfere nos 
 
37 
ácidos nucléicos e outros componentes vitais, resultando em danos ou morte. 
(MELLO, 2007) 
5.5 Tratamentos simplificados 
Os tratamentos simplificados são recomendados para soluções individuais ou 
de pequenas comunidades. O tanque séptico é a solução mais utilizada e representa 
8% do tipo de tratamento de esgoto utilizado no Brasil (PNS, 2000). No entanto, na 
maioria das vezes, o tanque séptico é seguido de um tratamento complementar. 
Apresenta-se a seguir, detalhes sobre o tanque séptico, o filtro anaeróbio e o filtro 
aeróbio. (Apud MELLO, 2007) 
 
5.5.1 Tanque Séptico (TS) 
 
 
FONTE: SUMETALBR.COM.BR 
 
A denominação de tanque séptico derivou da palavra em latim sepsis, que 
significa decomposição, putrefação, fenômeno em que intervém a atividade 
microbiológica. (MELLO, 2007) 
De acordo com a NBR 7229 os tanques sépticos são indicados para áreas 
desprovidas de rede pública coletora de esgotos; Como alternativa de tratamento de 
esgotos em áreas providas de rede coletora local; e quando da utilização de redes 
coletoras com diâmetro e/ou declividades reduzido 
O tanque séptico tem como função: 
 
38 
- Separação gravitacional da escuma e dos sólidos, em relação ao líquido 
afluente, vindo os sólidos a se constituir em lodo; 
- Digestão anaeróbia e liquefação parcial do lodo; 
- Armazenamento do lodo. 
 
O tamanho dos tanques varia de acordo com a quantidade de indivíduos que 
utilizem o esgoto sanitário. O esgoto originário de pias e ralos não deve entrar em 
contato direto com os resíduos direcionados com a fossa séptica, pois os materiais 
químicos, como os materiais de limpeza por exemplo, interferem no processo de 
decomposição, matando as bactérias. 
 
 
5.5.2 Filtro Anaeróbio (FAN) 
 
O filtro anaeróbio é constituído por um meio suporte com microrganismos. 
Pode-se dizer que o filtro anaeróbio representa um sistema de tratamento 
secundário físico-biológico. É de grande utilidade em projetos que requerem um 
melhor grau de tratamento que o simples uso de tanque séptico seguido de 
infiltração no solo (FUNASA, 2004, Apud MELLO, 2007). 
É caracterizado por um tanque preenchido por um material filtrante, 
geralmente pedra britada. Os micro-organismos aderidos às paredes deste material 
filtrante formam o biofilme que, ao receberem os despejos contendo matéria 
orgânica, iniciam o processo de digestão anaeróbia. 
O filtro anaeróbio pode ser circular ou retangular, de acordo com a NBR 
13.969 (ABNT, 1997, Apud MELLO, 2007). 
 
5.5.3 Filtro Aeróbio 
 
O dimensionamento do filtro aeróbio é normalizado pela NBR 13969 (ABNT, 
1997). Os parâmetros utilizados para cálculo do volume do filtro e da vazão de ar 
necessária são os números de pessoas a serem atendidas e a contribuição de 
esgoto por pessoa em um dia. (Apud, MELLO, 2007) 
Assim como no Filtro Anaeróbio, o Filtro Aerado possui material filtrante e há 
formação de biofilme. A matéria orgânica presente no tanque é degradada pelas 
http://www.infoescola.com/reino-monera/bacterias/
 
39 
bactérias presentes no biofilme. Entretanto, difere do filtro anaeróbio no que se 
refere à presença de oxigênio no interior do tanque. 
 
O efluente, após passar pelo processo de estabilização da matéria orgânica e 
remoção de microrganismos patogênicos, os quais ocorrem na Estação de 
Tratamento de Esgoto (E.T.E.), é lançado em um corpo hídrico receptor. A emissão 
de efluente proveniente da E.T.E. não deve extrapolar os limites máximos permitidos 
estabelecidos na Resolução CONAMA nº 430/2011, a qual dispõe sobre as 
condições e padrões de lançamento de efluentes. Da mesma forma, deve haver o 
monitoramento do corpo hídrico receptor, de forma que sejam atendidas as 
especificações da Resolução CONAMA nº 357/2005, a qual dispõe sobre a 
classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, 
bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes. (Debiasi, 
2012) 
6 ESGOTAMENTO SANITÁRIO NO BRASIL 
Segundo IBGE (2010) o saneamento básico no Brasil apresentaum imenso 
déficit, principalmente em relação à coleta e ao tratamento dos efluentes. Apesar 
que o abastecimento de água está presente em cerca de 99% dos municípios 
brasileiros, os baixos índices caracterizam a coleta de esgoto sanitário que estão 
presentes em cerca de 55% dos municípios brasileiros, e o tratamento de esgotos 
sanitários está presente em apenas 28% dos municípios brasileiros. (APUD 
ALMEIDA JUNIOR et al., 2017) 
Esses números revelam que muitas obras de coleta e transporte de esgotos 
deverão ser implantadas no Brasil, promovendo a melhoria da qualidade de vida da 
população, tendo em vista que houve uma melhoria significativa do saneamento 
básico no país, porém faz-se necessário um forte empenho e grande investimento 
para a universalização do saneamento básico no Brasil. 
A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), evidenciou que a coleta 
do esgoto é um serviço pouco disseminado na maior parte do território brasileiro, o 
que provoca impactos ao meio ambiente e à saúde pública. Dos 5.564 municípios 
 
40 
brasileiros, apenas 3.069 possuíam rede coletora de esgoto, enquanto o tratamento 
dos esgotos era realizado em apenas 1.587 municípios brasileiros. 
Ainda de acordo com o IBGE (2010), a população sem a rede coletora de 
esgotos em 2008 era de aproximadamente 34,8 milhões de pessoas, isto é, cerca de 
18% da população brasileira convive sem o acesso a rede coletora de esgotos, 
sendo a região Nordeste considerada a mais grave, onde a falta de rede coletora de 
esgotamento sanitário atinge algo próximo a 15,3 milhões de habitantes. (APUD 
ALMEIDA JUNIOR et al., 2017) 
Desta forma, a oferta do serviço de esgotamento sanitário é de fundamental 
importância em termos de qualidade de vida e ambiental, pois a ausência do serviço 
de esgotamento sanitário acarreta a poluição e a degradação dos recursos hídricos, 
o que provoca danos à saúde da população, tendo em vista que para se obter uma 
condição sanitária adequada, não basta que os esgotos sejam coletados, mas faz-se 
necessário que os esgotos passem por processos de tratamento adequado (IBGE, 
2008, APUD ALMEIDA JUNIOR et al., 2017)) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
7 BIBLIOGRAFIA 
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9.648: Estudo 
de concepção de sistemas de esgoto sanitário. Rio de Janeiro: ABNT, 1986. 
 
ALMEIDA JUNIOR, Marcio Antônio Bezerra de et al. DIAGNÓSTICO DOS IMPACTOS 
AMBIENTAIS PROVOCADOS PELO LANÇAMENTO DE ESGOTOS NO RIO PIANCÓ 
EM POMBAL-PB: Revista GeoSertões (Unageo/CFP-UFCG). vol. 2. jan./jun. 2017 
ISSN 2525-5703. 
 
Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Saneamento. 3. Ed. rev. – Brasilia: 
Fundação Nacional de Saúde, 2004. 408p. ISBN: 85-7346-045-8. 
 
CESAN. Apostila Tratamento de Esgoto. 1ª ed. Vitória-ES: Companhia Espírito-
santense de Saneamento, Julho/2013. 
 
DEBIASI, Letícia Rech. Aspectos promotores de impactos ambientais decorrentes 
da implantação de rede coletora de esgoto sanitário no município de Dionísio 
Cerqueira – SC. Orientador: Pablo Heleno Sezerino. 2012. Trabalho de Conclusão de 
Curso (Graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental) - Universidade Federal de 
Santa Catarina, Florianópolis, 2013. 
 
Fundação Nacional de Saúde. Manual de Orientações Técnicas para Elaboração 
e Apresentação de Propostas e Projetos para Sistemas de Esgotamento 
Sanitário. 1ª ed. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, FUNASA. 2017. 
 
 
42 
MELLO, EDSON JOSÉ REZENDE DE. TRATAMENTO DE ESGOTO SANITÁRIO - 
Avaliação da estação de tratamento de esgoto do Bairro Novo Horizonte na 
cidade de Araguari – MG. 2007. 86p. UNIMINAS, Uberlândia, 2007. 
 
NUCASE. Processos de tratamento de esgotos: guia do profissional em 
treinamento: nível 1 / Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Saneamento 
Ambiental (org.). – Brasília: Ministério das Cidades, 2008. 72 p. 
 
TSUTIYA, Milton e ALEM SOBRINHO, Pedro. Coleta e Transporte de Esgoto 
Sanitário. São Paulo. Escola Politécnica da USP. 2ª Edição. 1999 
 
LEONETI, Alexandre Bevilacqua et al. Saneamento básico no Brasil: considerações 
sobre investimentos e sustentabilidade para o século XXI: *. Revista de 
Administração Pública: RAP, Rio de Janeiro, v. 45, n. 2, 27 mar. /abr. 2011. p. 331-
348.

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