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ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL HENRIQUE LAGE
SMS
SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE
ORGANIZADOR:
JOSÉ ALBERTO PORTO DE SOUZA
RIO DE JANEIRO
2019
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SUMÁRIO
Pg.
1. INTRODUÇÃO 4
1.1 . Histórico e objetivo da segurança do trabalho 4
1.2 . Gestão integrada em segurança, meio ambiente e saúde (SMS) 6
2. ACIDENTE DE TRABALHO 6
2.1. Conceitos de desvio, incidente e acidente 6
2.2. Legislação de acidente de trabalho 7
2.2.1. Conceito legal 7
2.2.2. Ocorrências equiparadas 7
2.2.3. Acidente típico 9
2.2.4. Acidente de trajeto 9
2.2.5. Comunicação do acidente de trabalho 9
2.3. Causas dos acidentes de trabalho 9
2.3.1. Causas diretas 10
2.4. Conseqüências dos acidentes de trabalho 10
3. RISCOS NOS AMBIENTES DE TRABALHO 11
3.1. Riscos ambientais 11
3.1.1. Riscos físicos 11
3.1.2. Riscos químicos 14
3.1.3. Riscos biológicos 15
3.1.4. Riscos ergonômicos 15
3.1.5. Riscos de acidentes 17
3.2. Mapa de riscos 17
4. PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO 19
4.1. Medidas de proteção 19
4.1.1. Proteção coletiva (na fonte e na trajetória) 19
4.1.2. Proteção individual (no trabalhador) 20
4.1.3. Segurança nos processos de soldagem e corte 20
4.1.4. Permissão para trabalho 22
4.1.5. Inspeções de segurança e auditorias 22
4.1.6. Campanhas de segurança 22
4.1.7. Diálogo de SMS (DSMS) 23
4.1.8. Dicas gerais de segurança 23
5. NORMAS REGULAMENTADORAS 23
5.1. Noções sobre a NR4 – SESMT 24
5.2. Noções sobre a NR5 – CIPA 25
5.3. Noções sobre a NR6 – EPI 27
5.4. Noções sobre a NR7 – PCMSO 30
3
5.5. Noções sobre a NR9 – PPRA 31
5.6. Norma Regulamentadora NR 33 – Espaços confinados 33
5.7. Norma Regulamentadora NR 35 – Trabalho em Altura 42
6. PREVENÇÃO E CONTROLE DE INCÊNDIOS 51
6.1. Teoria do fogo 51
6.2. Métodos de extinção 52
6.3. Classes de incêndio 53
6.4. Agentes extintores 53
6.5. Sistemas de prevenção e combate 54
6.6. Procedimentos em caso de incêndio 58
7. SALVATAGEM 58
7.1. Noções de salvatagem 58
7.2. Procedimentos de emergência 59
7.3. Grupos de ação 59
7.4. Equipamentos de salvatagem 59
7.5. Meios de alerta e sinalização 61
8. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE 62
8.1. Efeitos da poluição no ambiente marinho 62
8.2. Legislação sobre prevenção da poluição 62
8.3. Planos de contingência 63
8.4. Destinação de resíduos de bordo 63
9. NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS 64
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 67
“Um sonho é apenas um desejo, até o momento em que você começa
atuar sobre ele, e propõe-se a transformá-lo em uma meta”
Mary Kay Ash
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1. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico e objetivo da segurança do trabalho
Acidentes do trabalho sempre foram problemas para a humanidade. Os acidentes do
trabalho surgiram como conseqüência da necessidade do homem lutar pela subsistência,
o que aconteceu há milhares de anos. O homem pré-histórico ao controlar o fogo e
produzir armas conseguiu maior proteção contra os animais ferozes, porém criou novos
riscos à sua integridade física.
Por muitos séculos os acidentes do trabalho foram vistos como ocorrências inerentes ao
exercício do trabalho e não despertavam maior interesse social do que a recuperação dos
acidentados, quando possível. Os acidentes eram aceitos como algo inerente ao meio de
trabalho e os acidentados como subproduto desse meio.
Foi entre 1760 e 1830, na Inglaterra, que ocorreu um movimento que mudou
profundamentea história da humanidade: a Revolução Industrial, com o aparecimento da
primeira máquina de fiar. Como as máquinas eram caras, os tecelões não podiam possuir
as mesmas. Então, os capitalistas decidiram adquiri-las e empregar pessoas para
trabalhar, surgindo as primeiras fábricas e em conseqüência a relação capital e trabalho.
O crescimento desenfreado das fábricas, bem como o baixo nível de vida, garantiu um
suprimento fácil de mão-de-obra. Trabalhavam não só homens, mas também mulheres e
crianças, sem qualquer preocupação com o estado de saúde, físico, etc. Chegou-se ao
cúmulo de se vender crianças para suprir a mão-de-obra.
Como era de se esperar, os acidentes do trabalho eram numerosos, provocados por
máquinas sem qualquer tipo de proteção contra acidentes de trabalho, sendo freqüentes
as mortes, principalmente de crianças. O quadro era dantesco. Não havia limites de
horário, ventilação precaríssima, o ruído atingia limites altíssimos, gerando por
conseqüência as doenças profissionais.
Tal situação alertou a opinião pública e o Parlamento Britânico, através de uma comissão
de inquérito, aprovou a 1a lei de proteção dos trabalhadores: “A Lei de saúde e Moral dos
Aprendizes (1802)” que estabeleceu:
a) limite de 12 horas de trabalho por dia;
b) proibia o trabalho noturno;
c) obrigava os empregadores a lavarem as paredes das fábricas pelo menos 2
vezes por ano;
d) obrigava a ventilação.
Em 1830, um empresário, preocupado com as péssimas condições de trabalho de seus
pequenos trabalhadores, procurou o médico Robert Baker. Este que conhecia o trabalho
de Ramazzini (o pai da Medicina do Trabalho), além de visitar muitas áreas de trabalho,
recomendou a contratação de um médico para acompanhar as atividades dos locais de
trabalho, afastando o trabalhador de suas atividades tão logo estivessem prejudicando a
sua saúde. Surgia assim o 1o Serviço Médico Industrial em todo mundo. Em 1833, foi
baixada a “FACTORY ACT” considerada a 1a legislação realmente eficiente da proteção
do trabalhador, que:
a) proibia o trabalho noturno para menores de 18 anos;
b) restringia as horas de trabalho destes, a 12 horas por dia e 69 por semana;
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c) as fábricas precisavam ter escolas, que deveriam ser freqüentadas por todos
os trabalhadores menores de 13 anos;
d) a idade mínima era de nove anos;
e) um médico devia atestar que a criança estava tendo um desenvolvimento que
correspondia a sua idade.
Realmente na Grã-Bretanha, encontramos os maiores registros de medidas em prol da
saúde do trabalhador. Criaram o 1o órgão fiscalizador, no Ministério do Trabalho, para
apurar as doenças profissionais, verificar os exames médicos pré-admissionais e os
exames médicos periódicos.
O exemplo inglês provocou a expansão da revolução industrial, no resto da Europa.
Vários países introduziram normas para proteção do trabalhador.
Em 1946, na França, foi instituído o serviço médico obrigatório em empresas industriais.
Em 1956, o mesmo ocorreu na Espanha. Nos Estados Unidos, muito embora tenha
desenvolvido bastante a indústria, demoraram a se preocupar com os problemas de
saúde de seus trabalhadores.
Com a criação da indenização em casos de acidentes de trabalho, os industriais
resolveram implantar os serviços médicos, visando reduzir o custo das indenizações. Em
1954, tais serviços foram regulamentados, com a criação dos princípios básicos para
implantação dos mesmos.
A revolução dos serviços médicos não poderia deixar de sensibilizar as duas maiores
organizações de âmbito internacional, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a
OMS (Organização Mundial de Saúde). Várias reuniões e conferências se realizaram, até
que em junho de 1959, na 43a Conferência Internacional do Trabalho, foi emitida a
recomendação de n° 112 com o nome de “Recomendação para serviços de Saúde
Ocupacional”.
No Brasil, oficialmente a prevenção de acidentes teve inicio com a publicação da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1º de maio de 1943 através do Decreto Lei
no 5.452, onde a função dos agentes de segurança foi criada e que posteriormente foi
transformada em Engenheiros de Segurança do Trabalho.
O governo não se preocupava com a adesão da recomendação n° 112 da OIT.
Entretanto, o número cada vez maior de acidentes e doenças profissionais proporcionou
em 1972 que o governo baixasse a portaria n° 3.237, que tornava obrigatória a existência
dos serviços médicos, bem como dos serviços de Higiene e Segurança do Trabalho em
todas as empresas com 100 ou mais trabalhadores. Iniciou-se, então, nova era na
Segurança e Medicina do Trabalho no Brasil. Em 08 de junho de 1978, todas as normas
relativas à Segurança e Medicina do Trabalho foram consolidadas pela portaria 3.214,
atendendo à regulamentação prevista na CLT.
Em décadas mais recentes ocorreram as seguintes iniciativas:
- Na década de 80 grandes organizações implementaram as técnicas de análise de
riscos, motivadas pelos acidentes catastróficos de Flixborough (explosão de ciclohexano
em fábrica na Inglaterra, causando 28 mortes), Seveso (vazamento de dioxina, na Itália,
com 3.000 animais mortos e 70.000 sacrificados), Bhopal (vazamento de 40 toneladas de
gases letais, matando mais de 8.000 pessoas, na Índia), etc;
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- Na década de 90 foi criada a norma inglesa BS 8800, que é um guia para o
gerenciamento de segurança e saúde ocupacional;
- Em 2007 foi revisada a norma OHSAS 18001, criada a partir dos requisitos da BS 8800,
para a gestão de saúde e segurança do trabalho.
Atualmente, apesar de existir toda uma legislação na área de saúde e segurança do
trabalhador, especialmente no Brasil, ainda há muito o que se fazer, pois milhares de
pessoas continuam morrendo, adoecendo ou ficando incapacitadas em conseqüência de
acidentes do trabalho.
Para dar conta dos acidentes e problemas de saúde gerados pelas condições de trabalho
surgiram duas ciências denominadas Segurança do Trabalho e Medicina do Trabalho.
A Segurança do Trabalho é uma ciência que, através de metodologia e técnicas
apropriadas, estuda as possíveis causas de acidentes do trabalho, objetivando a
prevenção de suas ocorrências. Essa metodologia pode ser considerada como o conjunto
de atividades de reconhecimento, avaliação e controle dos riscos de acidentes.
A Medicina do Trabalho é a ciência que, através de metodologia e técnicas apropriadas,
estuda as possíveis causas de doenças ocupacionais, objetivando a prevenção de suas
ocorrências. Essa metodologia pode ser considerada como o conjunto de atividades de
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos causadores de doenças ocupacionais.
O trabalho não deve ser a causa de agravos à saúde dos trabalhadores. Assim, os
trabalhadores necessitam estar treinados sobre os procedimentos adotados nas diversas
atividades. Cada pessoa é o principal responsável por sua própria saúde. O trabalhador
deve receber informações sobre como proteger sua saúde no trabalho e aplicar este
conhecimento também na sua residência e na sua comunidade.
1.2. Gestão Integrada em segurança, meio ambiente e saúde (SMS)
Em virtude das novas tecnologias e da complexidade dos modernos processos de
trabalho, e por outro lado a imposição da sociedade pelo uso racional dos recursos
naturais e a minimização dos efeitos adversos ao meio ambiente decorrentes das
atividades produtivas do homem, se faz necessária uma gestão integrada das ações de
controle da segurança, do meio ambiente e da saúde dos trabalhadores. Foi cunhado o
termo SMS, que significa Segurança, Meio Ambiente e Saúde. Agora não se fala nem
se trata isoladamente de cada uma dessas três áreas. A gestão deve ser integrada. As
empresas modernas estão buscando atender aos requisitos de normas internacionais,
sobretudo por questões de mercado, para conseguirem certificações e terem vantagens
comerciais na colocação de seus produtos e serviços e, por isso, estão investindo cadavez mais em SMS, como também em responsabilidade social.
2. ACIDENTES DE TRABALHO
2.1. Conceitos de desvio, incidente e acidente
Desvio: Qualquer ação ou condição, que tem potencial para conduzir, direta ou
indiretamente, a danos a pessoas, ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente, que se
encontra desconforme com as normas de trabalho, procedimentos, requisitos legais ou
normativos, requisitos do sistema de gestão ou boas práticas.
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Exemplo 1: O empregado não encontra a chave de fenda na caixa de ferramentas e,
para não perder tempo, resolve utilizar uma faca.
Exemplo 2: Cabos de eletricidade com o isolamento desgastado por falta de manutenção.
Incidente: Evento imprevisto e indesejável que poderia ter resultado em dano à pessoa,
ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente.
Exemplo 1: Ao caminhar na oficina, o empregado pisa em um parafuso, escorrega e
quase leva um tombo.
Exemplo 2: Um cabo de aço se rompe e a carga cai sem se danificar. Por sorte, não
atingiu ninguém.
Acidente: Evento imprevisto e indesejável, que resultou em dano à pessoa, ao patrimônio
ou impacto ao meio ambiente.
Exemplo 1: Um empregado está com pressa e tenta impedir o fechamento da porta do
elevador com a mão. Ela se fecha e esmaga seus dedos.
Exemplo 2: Para se exibir perante colegas de trabalho, o trabalhador dirige a empilhadeira
em alta velocidade. Ao fazer uma curva, perde o controle e bate em um automóvel
quebrando a perna.
2.2. Legislação de acidente de trabalho
2.2.1. Conceito Legal
De acordo com o Plano de Benefícios da Previdência Social, Lei nº 8.213/91, Art. 19, “
Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou
pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou
temporária, da capacidade para o trabalho.
§ 1º - A empresa é responsável pela adoção e uso de medidas coletivas e
individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador.
§ 2º - Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de
cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho.
§ 3º - É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos
da operação a executar e do produto a manipular.
§ 4º - O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os
sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do
disposto nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento”.
OBS: Conforme definido no Art. 11, segurados especiais são trabalhadores rurais, isto é
que prestam serviço em âmbito rural, individualmente ou em regime de economia familiar,
mas não tem vinculo empregatício. São exemplos o produtor, parceiro, meeiro, garimpeiro
e pescador artesanal.
2.2.2. Ocorrências equiparadas
São outras situações legalmente consideradas como acidentes do trabalho.
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� De conformidade com o Art. 20 da Lei 8.213/91, consideram-se acidentes do trabalho
as seguintes entidades mórbidas:
a) Doença profissional
b) Doença do trabalho
OBS: As doenças profissionais e do trabalho, também chamadas de doenças
ocupacionais resultam da exposição prolongada por meses, anos ou décadas, a materiais
ou energias em moderadas ou baixas intensidades.
Exemplos:
• Surdez, causada pela exposição prolongada ao ruído;
• Silicose, causada pela exposição prolongada à poeira de sílica liberada no
jateamento de areia;
• Doenças do sangue, causadas pela exposição prolongada ao benzeno.
� De conformidade com o Art. 21 da Lei 8.213/91, equiparam-se também ao acidente do
trabalho:
a) O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja
contribuído diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda de sua
capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a
sua recuperação;
b) O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário de trabalho, em
conseqüência de:
b.1) Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou
companheiro de trabalho;
b.2) Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada com o trabalho;
b.3) Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de
companheiro de trabalho;
b.4) Ato de pessoa privada do uso da razão;
b.5) Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de
força maior;
c) A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de
sua atividade;
d) O acidente sofrido pelo trabalhador, ainda que fora do local e horário de trabalho:
d.1) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da
empresa;
d.2) Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar
prejuízo ou proporcionar proveito;
d.3) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiada
por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra,
independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de
propriedade do segurado;
d.4) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do
segurado (acidente de trajeto ou percurso);
e) Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de
outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o
empregado é considerado no exercício do trabalho.
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2.2.3. Acidente típico
Acidente típico é o que ocorre no local de trabalho durante o expediente, ou fora da
empresa quando autorizado por ela, geralmente no decorrer da execução de uma tarefa.
Nos mapas estatísticos aparece essa denominação para diferenciá-lo do acidente de
trajeto.
2.2.4. Acidente de trajeto
Conforme definido no Art. 21 da Lei 8.213/91, letra d.4, acima, o acidente de trajeto é
aquele que ocorre no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para
aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do
segurado.
Deve ser observado que não há um tempo máximo definido para a caracterização do
acidente de trajeto, sendo indispensáveis para a sua configuração o itinerário habitual e o
tempo normalmente gasto pelo trabalhador para fazê-lo.
2.2.5. Comunicação do Acidente de Trabalho
A comunicação, isto é, o ato de comunicar pode ser inicialmente verbal, mas é importante
que haja um documento interno informando ao órgão de Segurança do Trabalho da
ocorrência do acidente. A força de trabalho também deve ser informada através de avisos
em murais, para que fique atenta às causas e providências que foram tomadas a fim de
evitar outras ocorrências de mesma natureza. A comunicação ao INSS é feita mediante o
preenchimento de formulário apropriado.
Estabelece o Art. 22 da Lei 8.213/91 que a empresa deverá comunicar o acidente do
trabalho à Previdência Social (INSS) até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e,
em caso de morte, de imediato à autoridade competente, sob pena de multa. Essa
comunicação deverá ser feita através do preenchimento de formulário específico,
denominado CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho).
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado,
seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer
autoridade pública.
OBS: É importante que a empresa crie um mecanismo para que seus empregados
relatem também os desvios e incidentes, já que estes podem dar origem a acidentes se
não forem tratados, ou seja, analisados em busca de suas causas e aplicadas as medidas
corretivas adequadas.
2.3. Causas dos Acidentes do Trabalho
A fórmula mais simples para identificar as causas de acidentes do trabalho é seguir o
raciocínio do conceito universal de causa – causa de qualquer coisa é aquilo que faz com
que tal coisa venha a existirou acontecer. Portanto, causa de acidentes do trabalho são
os antecedentes, próximos ou remotos, que fazem o acidente acontecer. Para melhor
entendimento, é bom perceber que as causas só são caracterizadas no ato da ocorrência;
antes são apenas riscos ou perigos de acidentes.
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2.3.1. Causa Diretas
Para fins meramente didáticos, as causas diretas de acidentes do trabalho são resumidas
em duas categorias: atos inseguros e condições inseguras.
Atos Inseguros: atos inseguros são atitudes, atos, ações ou comportamentos do
trabalhador contrários às normas de segurança e que colocam em risco a sua saúde e/ou
integridade física, ou de outros colegas de trabalho. Os atos inseguros são geralmente
definidos como causas de acidentes que residem, predominantemente, no fator humano.
Os atos inseguros podem ser exemplificados através dos seguintes comportamentos
inadequados do trabalhador (Desvios):
� Ficar junto ou sob cargas suspensas;
� Colocar parte do corpo em lugar perigoso;
� Usar máquina sem habilitação ou autorização;
� Imprimir excesso de velocidade ou sobrecarga;
� Lubrificar, ajustar e limpar máquina em movimento;
� Improvisação ou mau emprego de ferramentas manuais;
� Não usar os equipamentos de proteção individual;
� Fumar ou usar chamas em lugares indevidos;
� Brincadeiras e exibicionismo; etc.
Condições Inseguras: Condições inseguras são deficiências, defeitos ou irregularidades
técnicas nas instalações físicas, máquinas ou equipamentos, que podem ocasionar
acidentes do trabalho. Convém destacar que é da responsabilidade do empregador a
eliminação das condições inseguras existentes nos locais de trabalho. As condições
inseguras podem ser exemplificadas através das seguintes ocorrências nos locais de
trabalho (Desvios):
� Falta de proteção em partes móveis de máquinas e equipamentos;
� Iluminação inadequada;
� Piso escorregadio;
� Instalações elétricas precárias ou improvisadas;
� Local desorganizado ou sujo;
� Ruído e trepidações excessivas;
� Desconforto térmico;
� Escassez de espaço;
� Falta de equipamentos de proteção coletiva e individual.
2.4. Conseqüências dos Acidentes do Trabalho
Muitas vezes, pior que o acidente em si, são as suas conseqüências. Todos sofrem de
alguma forma:
� a vítima, que fica incapacitada de forma parcial ou total, temporária ou permanente,
para o trabalho;
� a família, que em muitos casos tem uma queda repentina em seu padrão de vida
devido a redução dos vencimentos, ou pela dor causada pela perda do ente querido;
� as empresas, em função da perda de mão-de-obra, de material, de equipamentos,
tempo, queda da produção, despesas médicas, etc, e consequentemente, elevação
dos custos operacionais; e
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� a sociedade, com o número crescente de inválidos e dependentes da Previdência
Social, que arca com as aposentadorias por invalidez, auxílio doença, auxílio acidente,
despesas de reabilitação profissional, e pensão por morte do trabalhador acidentado.
Há que se destacar o lado humano da vítima. O sofrimento é inevitável. Os ferimentos
pequenos, médios ou grandes são sempre indesejáveis e o tratamento é em geral
doloroso. Além disso, quando a vítima é mutilada ou se incapacita parcial ou totalmente
sente-se inferiorizada, necessitando de um acompanhamento psicológico.
Para a empresa, os acidentes podem interferir negativamente na qualidade e quantidade
do produto, nos prazos firmados com clientes, na sua imagem comercial e no moral dos
empregados quando os acidentes ocasionam vítimas fatais.
3. RISCOS NOS AMBIENTES DE TRABALHO
3.1. Riscos ambientais
Todos os ambientes de trabalho possuem substâncias, energias, máquinas,
equipamentos, instalações e situações criadas pela própria atividade desenvolvida pelo
trabalhador, que de alguma forma têm a capacidade de, em determinadas condições,
causar algum tipo de dano à saúde ou à integridade física do trabalhador. Essas ameaças
são chamadas de riscos ou agentes ambientais, cuja exposição do trabalhador pode
gerar as seguintes conseqüências:
• Enfermidades
• Acidentes de trabalho
• Fadiga (cansaço)
• Desconforto
• Envelhecimento e desgaste prematuro
Agentes ambientais são os riscos físicos, químicos e biológicos existentes nos
ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e
tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. Além dos
riscos físicos, químicos e biológicos existem os riscos ergonômicos e de acidentes.
3.1.1. Riscos físicos
São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais
como ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações, etc.
EX: Barulho de britadeira, calor de forno siderúrgico, raio X, pressão no fundo do mar.
a) Ruído
Os efeitos nocivos do ruído no organismo dependem da sua intensidade (medida em
decibéis-dB), de sua freqüência (medida em hertz-Hz), do tempo de exposição e da
sensibilidade de cada trabalhador.
A exposição breve a ruído muito intenso pode provocar surdez temporária, chamada de
fadiga auditiva, que desaparece em cerca de 24 horas. A exposição prolongada a ruídos
com intensidade superior ao limite previsto na legislação (85 decibéis/8h de exposição)
pode causar surdez permanente. Os danos à audição geralmente afetam os dois ouvidos.
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O ruído dificulta a concentração, provoca cansaço, alterações do sono, irritação, dor de
cabeça, aumento da pressão arterial, problemas no aparelho digestivo e taquicardia.
Além disso, o ruído pode interferir na comunicação e impedir a audição de alarmes
sonoros, colocando em risco a segurança do trabalhador.
Exemplos de alguns sons considerados como ruídos simples do nosso dia-a-dia e seu
nível sonoro em decibéis (dB).
• o ruído de uma sala de estar chega a 40dB;
• um grupo de amigos conversando em tom normal chega a 55dB;
• o ruído de um escritório chega a quase 64dB;
• um caminhão pesado em circulação chega a 74dB;
• em creches foram encontrados níveis de ruído superiores a 75dB;
• o tráfego de uma avenida de grande movimento pode chegar aos 85dB;
• trios elétricos no carnaval têm em média de 110dB;
• uma avenida com grande movimento, em obras com britadeiras até 120dB;
• em discotecas a intensidade sonora chega até 130dB;
• bombas recreativas (São João) podem proporcionar até 140dB;
• decolagem de avião a jato cerca de 150 dB;
• decolagem de um foguete cerca de 180 dB.
Os sons a partir do nível de pressão sonora de 85 dB são potencialmente danosos aos
ouvidos, se o contacto com eles durar mais de 8 horas por dia.
A faixa da audição responsável pela conversação é preservada nas fases iniciais da
surdez causada por ruído. Quando a pessoa sente dificuldade em ouvir uma conversa, ela
já perdeu grande parte de sua capacidade auditiva.
Em áreas ruidosas é fundamental usar o equipamento de proteção auditiva.
Outras medidas de prevenção compreendem o uso de equipamentos menos ruidosos, a
manutenção adequada das instalações e equipamentos, o uso de material isolante de
ruído e a sinalização dos locais excessivamente ruidosos com limitação de acesso.
São necessárias, também, medidas complementares de proteção do trabalhador como a
divulgação de informações, a redução do tempo de exposição e o isolamento acústico dos
postos de trabalho.
b) Radiações
Podemos classificar as radiações como ionizantes e não ionizantes.
As radiações ionizantes de maior interesse correspondem aos raios gama e X, usados
em gamagrafia e em radiografia industrial, em virtude de seu poder penetrante nas
estruturas metálicas.
Altas doses de radiação ionizantes podem provocar sérios danos agudos no organismo.
Em longo prazo, a exposição às radiações ionizantes pode produzir diversos tipos de
câncer, alterações celulares, fadiga, problemas visuais, entre outros. Assim, o mais
importante é evitar ou reduzir ao mínimo asexposições dos trabalhadores às radiações
ionizantes, como base em 3 fatores:
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• Aumento da distância entre a fonte e a pessoa exposta – a intensidade da
radiação diminui com o aumento da distância;
• Diminuição do tempo de exposição – quanto menor o tempo gasto na operação,
menor será a dose recebida;
• Blindagem – consiste na utilização de material absorvente de radiação, como o
chumbo, colocado entre a fonte e a pessoa a ser protegida.
As radiações ionizantes são invisíveis e frias. Não alertam a pessoa
mesmo durante exposições perigosas.
As radiações não-ionizantes de maior interesse são:
Radiação ultravioleta (uv) - presente na radiação solar e em fontes artificiais como solda
elétrica, terminais e monitores de computador. Pode causar queimadura de pele e ocular
cujos sintomas surgem de 2 a 24 horas após a exposição. A exposição crônica
(prolongada) pode provocar envelhecimento precoce de pele, câncer da pele e catarata.
Nas atividades que acarretam exposição prolongada ao sol, os trabalhadores devem usar
vestimentas de algodão para proteger a pele da radiação ultravioleta existente na
radiação solar. Esse cuidado é mais para pessoas de pele clara.
Radiação Infravermelha (iv) - presente na radiação solar, corpos incandescentes,
superfícies quentes e chamas. Em contato com os tecidos do organismo, transforma-se
em calor. Seus efeitos agudos correspondem a desconforto térmico e até mesmo
queimaduras da pele. A exposição prolongada pode causar catarata, pigmentação e
dilatação dos capilares na pele.
Entre as medidas preventivas relativas às radiações não-ionizantes estão: o revestimento
de paredes para evitar a reflexão; o uso de anteparos; a redução do tempo de exposição;
a limitação do acesso a pessoas autorizadas; o treinamento dos trabalhadores; o uso de
vestimentas especiais, protetores oculares e cremes protetores.
c) Temperaturas extremas
A sensação de conforto térmico depende da temperatura ambiente, da umidade e da
velocidade do ar, do calor radiante e da atividade desenvolvida pelo trabalhador.
Assim quanto mais alta a temperatura do ambiente, indicada por um termômetro, maior a
sensação de calor e vice-versa.
A umidade elevada significa um alto teor de vapor de água no ar, o que dificulta a
evaporação do suor e aumenta a sensação de calor. O ar em movimento facilita a
remoção de calor do corpo para o ambiente enquanto que o ar parado a dificulta. Assim,
um ventilador melhora a sensação de conforto em um ambiente quente porque aumenta a
velocidade do ar e facilita a remoção de calor do corpo para o ambiente.
O tipo de atividade exercida pelo trabalhador interfere também na sensação de conforto
térmico. Assim, os trabalhos pesados exigem muito esforço físico, que resulta na
produção de grande quantidade de calor pelo organismo do trabalhador, aumentando sua
carga térmica e, conseqüentemente, sua sensação de calor.
Temperaturas altas – em locais quentes, a temperatura corporal tende a aumentar
porque o calor recebido do ambiente e produzido pelo corpo é maior que o calor cedido
ao ambiente. Para evitar o aumento de temperatura (hipertermia), o corpo começa a suar
14
e dilatar os vasos sangüíneos da pele. A hipertermia pode provocar desidratação,
cãibra, cansaço acentuado, taquicardia, hipertensão e delírio febril.
As medidas preventivas contra altas temperaturas consistem em proteção contra o sol,
ventilação, distanciamento do trabalhador da fonte de calor, aclimatação ao calor
(exposição gradativa de temperatura altas para facilitar a adaptação do trabalhador) e
higiene alimentar. Trabalhadores com deficiências circulatórias e respiratórias não devem
ser submetidos a temperaturas muito elevadas.
Temperaturas baixas – Em locais frios, o organismo tende a esfriar-se porque o calor
cedido ao ambiente é maior do que o calor recebido e o produzido por seu corpo. Para
evitar a diminuição da temperatura (hipotermia), a pessoa apresenta calafrios e encolhe o
corpo. A hipotermia pode causar mal estar, tremores violentos, dormência dos membros,
congelamento das extremidades (dedos, ponta do nariz) e até a morte. As medidas
preventivas consistem em usar roupas de trabalho adequadas, ingestão de alimentos com
alto teor calórico, aumento da atividade física e aclimatação ao frio (exposição gradativa a
temperaturas baixas para facilitar a adaptação do trabalhador).
3.1.2. Riscos químicos
São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via
respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou
que pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo
organismo através da pele ou por ingestão.
EX: Poeira de amianto, fumos de solda, gasolina.
OBS: Os fumos são produzidos pela condensação seguida de oxidação de vapores
metálicos, que formam partículas sólidas de diâmetros menores que 1 mícron, sendo
facilmente respiráveis. Os principais são os óxidos de ferro, manganês, cromo e níquel.
Estes dois últimos têm efeitos cancerígenos.
As principais vias de absorção de agentes químicos são a respiratória, a cutânea (pele)
e a digestiva.
Os agentes químicos tendem a se expandir no ar e atingir as vias respiratórias dos
trabalhadores. Estes agentes químicos, após serem inalados, podem ser absorvidos,
atingir a circulação sanguínea e provocar diversos tipos de danos à saúde (intoxicações,
envenenamento, câncer, etc.).
A absorção digestiva (oral) pode resultar de ingestão de resíduos de produtos químicos
presentes nas mãos e unhas sujas, da alimentação no local de trabalho e de ingestão
acidental (Ex.: beber produtos químicos guardados em garrafa de refrigerantes).
Já na via cutânea, a pele é a porta de entrada de agentes químicos no estado líquido ou
sólido pelo contato direto com as mãos ou outras partes do corpo, e também pelo uso de
roupas impregnadas por resíduos químicos.
Duas características dos agentes químicos favorecem sua penetração e distribuição no
organismo: solubilidade em gordura (facilidade em dissolver gordura) e volatilidade
(facilidade de evaporação). Os solventes, muito usados na indústria, possuem essas duas
características.
15
Não se deve fazer a limpeza das mãos e de partes do corpo sujas de graxa com
solventes. Tal limpeza deve ser feita com água e sabão neutro, que não irritam a pele e
nem provocam intoxicação.
3.1.3. Riscos biológicos
São as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, etc.
EX: HIV, bacilo de Koch, fungo de pé-de-atleta.
Os microorganismos e outros parasitas como os vermes, bem como as substâncias de
origem animal e vegetal, presentes nos postos de trabalho podem prejudicar a saúde dos
trabalhadores. Os microorganismos podem se multiplicar após penetrar no organismo
humano.
Os agentes biológicos podem atingir o organismo do trabalhador por intermédio da água
causando diarreia, disenteria, cólera, hepatite A, amebíase e parasitoses intestinais; do ar
causando doenças infecciosas e alérgicas provocadas por fungos e bactérias; e do solo
causando tétano, micose e parasitoses intestinais e cutâneas.
Os agentes biológicos também são responsáveis pelas DST (Doenças sexualmente
transmissíveis), como AIDS, hepatite B e sífilis.
A preparação de alimento na empresa pode representar risco para o pessoal da cozinha,
que manipula produtos de origem animal e vegetal, bem como para os trabalhadores em
geral pela possibilidade de contaminação dos alimentos durante seu preparo.
A limpeza predial de banheiros e a coleta de lixo podem também gerar exposições a
agentes biológicos.
Para preservar ou melhorar a sua resistência, o trabalhador deve adotar a prática regular
de atividade física, descansar adequadamente antes da jornada de trabalho, fazer
refeições ricas em legumes, verduras e frutas, tomar vacinas, e não ingerir bebidas
alcoólicas em excesso, e nunca antesou durante o trabalho.
As medidas de prevenção de doenças causadas por agentes biológicos a serem adotadas
pelas empresas consistem em: rigorosa limpeza dos locais de trabalho; controle da
qualidade da água; controle dos sistemas de ar condicionado; higiene no preparo e
distribuição dos alimentos para os trabalhadores; higiene pessoal rigorosa; fornecimento
de EPIs para evitar contato direto com os microrganismos; controle dos resíduos; exame
médico periódico e vacinação.
As empresas devem estabelecer programas preventivos para os trabalhadores que
compõem as brigadas de incêndio, equipes de resgate, socorristas e profissionais de
saúde que, eventualmente, possam ter contato com secreções e sangue humanos.
3.1.4. Riscos ergonômicos
A Ergonomia é uma disciplina que trata da adaptação das condições de trabalho às
características fisiológicas e psicológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar
conforto, segurança e desempenho eficiente. Assim, a ergonomia tem como objetivo o
controle dos riscos ergonômicos.
16
Esforço físico intenso, exigência de postura inadequada, imposição de ritmos
excessivos, monotonia e repetitividade, levantamento e transporte manual de peso,
são riscos ergonômicos.
Na prática, podemos citar os seguintes exemplos.
EX: Uso contínuo de britadeira, trabalho de digitação em computador, carga e descarga
de caminhão.
Esses riscos podem causar cansaço, desconforto, ansiedade, doenças no aparelho
digestivo (gastrite, úlcera), dores musculares, tendinite, problemas de coluna, entre
outros.
Para assegurar a postura correta no computador, o trabalhador deve manter:
• topo da tela do monitor no máximo na altura dos olhos e distante de um comprimento
de braço;
• a cabeça e o pescoço em posição reta e os ombros relaxados;
• a região lombar apoiada no encosto da cadeira ou em um suporte para as costas;
• os antebraços, punhos e mãos em linha reta em relação ao teclado;
• cotovelo junto ao corpo;
• um espaço entre a dobra do joelho e a extremidade do assento;
• um ângulo igual ou maior que 90º para as dobras do joelho e do quadril;
• os pés apoiados no chão e, se recomendado, usar apoio para os pés;
• documento que está sendo lido próximo ao monitor e no mesmo plano visual.
Para levantar e carregar objetos corretamente, o trabalho deve proceder da seguinte
maneira:
• aproximar-se do objeto que vai ser levantado;
• manter os pés separados na largura dos ombros para melhor sustentação;
• dobrar os joelhos, mantendo a coluna reta e a musculatura do abdome contraída;
• levantar o objeto e mantê-lo junto ao tronco, apoiando-se nos músculos das pernas
com os joelhos levemente dobrados;
• evitar torcer o corpo durante o deslocamento do objeto.
Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial,
apropriada à natureza de atividade. Além de ser uniformemente distribuída e difusa, a
iluminação deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos
incômodos, sombras e contrastes excessivos. Há níveis mínimos de iluminamento
estabelecidos para os locais de trabalho.
As lesões por esforço repetitivo (LER) são doenças provocadas por esforços e
posturas inadequadas motivados pelo ritmo da atividade, falta de pausas e deficiências do
local onde se realiza a atividade. São exemplos a tendinite, tenosinovite e bursite. Quando
relacionadas ao trabalho são também chamadas Distúrbios Osteomusculares
Relacionadas ao Trabalho (DORT) e atingem principalmente as mãos, punho, braços,
antebraços, ombro e coluna cervical.
Entre as medidas preventivas das LER podem ser citadas: pausas durante a jornada de
trabalho; adequações do mobiliário e dos instrumentos de trabalho; adoção de postura
adequada; prática de alongamentos; e diversificação das tarefas.
17
3.1.5. Riscos de acidentes
São riscos que se originam principalmente nas atividades que envolvem máquinas e
equipamentos. Os riscos de acidentes mais comuns são os decorrentes de arranjo físico
inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas defeituosas,
iluminação incorreta, probabilidade de incêndio e explosão, etc.
Exemplos: Máquinas muito próximas umas das outras, compressor sem proteção da
correia, tanque de combustível com vazamento.
As medidas preventivas para o controle dos riscos de acidentes estão descritas no
Capítulo 4 desta apostila, página 18.
3.2. Mapa de riscos
A NR-5 prevê a elaboração do mapa de riscos em seu item 5.16: “A CIPA terá por
atribuição: a) Identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos
com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT”.
1. OBJETIVOS
� Reunir informações para o diagnóstico da situação de segurança e saúde do
trabalho na empresa.
� Possibilitar a troca de informações entre os trabalhadores, estimulando a
participação nas atividades de prevenção.
2. ETAPAS DA ELABORAÇÃO
a) Conhecer o processo de trabalho;
b) Identificar os riscos existentes no local, conforme tabela abaixo;
c) Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia.
d) Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o Lay out (mapa) da empresa, indicando
através de círculo:
� O grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada na tabela;
� O número de trabalhadores expostos, que deve ser anotado dentro do círculo;
� A especificação do agente (por exemplo: químico – vapores, gases; físico – ruído,
calor; ergonômico – postura incorreta, levantamento manual de peso);
� A intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve
ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos, sendo:
Risco pequeno – círculo pequeno
Risco médio – círculo médio
Risco grande – círculo grande
18
19
CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS, DE ACORDO COM
A SUA NATUREZA E A PADRONIZAÇÃO DAS CORES CORRESPONDENTES
4. PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO
4.1. Medidas de proteção
4.1.1. Proteção coletiva (na fonte e na trajetória)
As medidas preventivas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho podem ser
aplicadas em três níveis: 1- Na fonte de emissão do agente (Ex: ruído, gás ou poeira),
quando a ação atinge diretamente as fontes de risco existentes; 2- Na trajetória do
agente, quando a medida é aplicada entre a fonte e o trabalhador através de barreiras
que eliminam o contato entre o agente e o indivíduo; 3- No trabalhador, quando a ação
atua diretamente no indivíduo sujeito a um risco não totalmente controlado pelos outros
dois níveis de proteção.
GRUPO 1:
VERDE
GRUPO 2:
VERMELHO
GRUPO 3:
MARROM
GRUPO 4:
AMARELO
GRUPO 5:
AZUL
RISCOS
FÍSICOS
RISCOS
QUÍMICOS
RISCOS
BIOLÓGICOS
RISCOS
ERGONÔMICOS
RISCOS DE
ACIDENTES
Ruídos
Vibrações
Radiações
ionizantes
Radiações
não
ionizantes
Frio
Calor
Pressões
anormais
Umidade
Poeiras
Fumos
Névoas
Neblinas
Gases
Vapores
Substâncias,
compostos ou
produtos
químicos em
geral
Vírus
Bactérias
Protozoários
Fungos
Parasitas
Bacilos
Esforço físico intenso
Levantamento e
transporte manual de
peso
Exigência de postura
inadequada
Controle rígido de
produtividade
Imposição de ritmos
excessivos
Trabalho em turno e
noturno
Jornadas de trabalho
prolongadas
Monotonia e
repetitividade
Outras situações
causadoras de stress
físico e/ou psíquico
Arranjo físico
inadequado
Máquinas e
equipamentos sem
proteção
Ferramentas
inadequadas ou
defeituosas
Iluminação
inadequada
Eletricidade
Probabilidade de
incêndio ou
explosão
Armazenamentoinadequado
Animais
peçonhentos
Outras situações
de risco que
poderão contribuir
para a ocorrência
de acidentes
20
Exemplos de medidas de proteção na fonte, na trajetória e no trabalhador
Níveis Medidas preventivas
Fonte - substituição de equipamento ruidoso (barulhento) por um
silencioso
- contenção de um vazamento de gases e vapores
- ventilação local exaustora
Trajetória - rede de proteção em fachada de edifício em construção
- anteparos usados nas oficinas de soldagem
- aumento da distância entre o agente e o trabalhador
Trabalhador - uso de equipamentos de proteção individual (EPI)
- disciplina rigorosa no trabalho
- higiene pessoal
Quando as medidas de proteção beneficiam a todos os trabalhadores do local, de uma
forma geral, dizemos que se trata de uma medida de proteção coletiva. Os equipamentos
que atuam com essa finalidade são chamados de Equipamentos de Proteção Coletiva
(EPC). Eles podem ser simples como um corrimão de escadas até sistemas sofisticados
de detecção de gases dentro de uma fábrica de produtos químicos. As medidas aplicadas
na fonte e na trajetória dos agentes ambientais em geral são de proteção coletiva.
4.1.2. Proteção individual (no trabalhador)
No caso de a medida preventiva ser aplicada diretamente no trabalhador, como por
exemplo o uso de um capacete, dizemos que se trata de uma medida de proteção
individual e o equipamento utilizado é chamado de Equipamento de Proteção
Individual (EPI).
As medidas preventivas mais eficazes são aquelas aplicadas na fonte e na trajetória.
Quando elas são inviáveis ou insuficientes, torna-se necessário o uso de EPI.
4.1.3. Segurança em processos de solda e corte
Soldagem e corte são processos muito empregados na área naval com a finalidade de
unir e separar chapas, tubulações, peças e perfis metálicos. Nesses processos são
empregados equipamentos que produzem elevadas temperaturas (que podem chegar a
21
3.500 0C), capazes de provocar a fusão do material possibilitando a sua união com
outras partes metálicas (solda) ou a sua separação (corte). O equipamento mais
conhecido é o conjunto de solda oxiacetilênica, que utiliza uma mistura gasosa (oxigênio
+ acetileno) proveniente de dois cilindros, que se inflama na ponta de um maçarico. A
soldagem a arco elétrico (solda elétrica) é também bastante empregada. O equipamento é
constituído de um eletrodo (condutor elétrico) ligado a uma fonte de energia. Além
desses, existem diversos outros tipos de equipamentos para processos de soldagem mais
sofisticados, tais como TIG, MIG e MAG.
Ventilação local exaustora Ventilação geral com exaustores eólicos
Qualquer que seja o processo utilizado, alguns riscos estão sempre presentes nos
trabalhos de soldagem e corte e merecem atenção especial, a saber:
• Queimaduras devido às altas temperaturas atingidas pelos materiais e equipamentos;
• Incêndios e explosões em função do calor, fagulhas e partículas incandescentes que
possam entrar em contato com materiais combustíveis e inflamáveis;
• Efeitos nocivos dos fumos e gases, que podem causar dores de cabeça, febre,
fadiga, bronquite crônica, crise de asma, edema pulmonar, efisema, gastrite, anemia,
possibilidade de câncer, etc;
• Danos à visão causados por radiação ultravioleta como cataratas, devido a
exposições contínuas prolongadas;
• Choques elétricos pelo contato com partes energizadas no caso dos processos de
soldagem elétrica.
Recomendações gerais de segurança em processos de solda e corte
• Sempre que possível, remover a peça a ser soldada ou cortada para local livre de
materiais inflamáveis;
• Utilizar anteparos para isolar a área de trabalho evitando a projeção de fagulhas e
partículas incandescentes;
• Utilizar materiais incombustíveis para cobrir pisos de madeira, caixas elétricas, caixas
de passagem de águas oleosas e outros locais que possam ter presença de
inflamáveis;
• Empregar sistemas de ventilação (geral ou local exaustora) para remoção de fumos e
gases;
• Utilizar equipamentos de proteção individual: máscaras respiratórias, óculos de lentes
escuras, protetores faciais, aventais, luvas, mangas, perneiras e botas de segurança;
• Manter extintores de incêndio próximos ao local onde for executado o serviço;
22
• Verificar se há atmosferas explosivas na área de trabalho;
• Ter cuidado com o equipamento de solda/corte e fazer sua manutenção periódica.
4.1.4. Permissão para trabalho
Permissão de Trabalho (PT) é uma autorização dada por escrito, em documento próprio,
para a execução de trabalhos de manutenção, montagem, desmontagem, construção,
reparos ou inspeções que envolvam riscos à integridade do pessoal, das instalações, do
meio ambiente, da comunidade ou da continuidade operacional. Para trabalhos em
ambientes confinados a PT é denominada Permissão de Entrada e Trabalho (PET),
conforme estabelece a Norma Regulamentadora nº 33 – Segurança e saúde nos
trabalhos em espaços confinados. A PT deve ser assinada pelo emitente, requisitante e
responsável da área. E quando a atividade envolver riscos elevados o técnico de
segurança deve fazer recomendações adicionais e assinar a PT também.
4.1.5. Inspeções de segurança e auditorias
Inspeção de segurança: é uma verificação física no ambiente de trabalho, visando
identificar e relacionar todas as possíveis causas de acidentes e/ou doenças do trabalho
porventura existentes, a fim de se adotar as medidas técnicas corretivas. Existem várias
modalidades de inspeções de segurança. As mais comuns são:
• Inspeção de segurança de rotina: é a modalidade que se caracteriza pela
constância de sua realização. Ex: Antes de iniciar o seu trabalho diário, o motorista de
ônibus deve, rotineiramente, examinar os freios, o estado dos pneus, equipamentos
de sinalização, etc.
• Inspeção de segurança periódica: é a espécie de inspeção realizada de tempos em
tempos previamente estabelecidos. Ex: Os extintores de incêndio devem ser
inspecionados visualmente a cada mês, examinando-se seu aspecto externo, o lacre,
o manômetro, etc.
• Inspeção de segurança eventual: é a modalidade de inspeção realizada de forma
aleatória, sem dia ou período preestabelecido.
• Inspeção de segurança oficial: é a inspeção realizada pelos órgãos
governamentais, em especial pelos agentes da inspeção do trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego.
Auditoria é um processo sistemático realizado nas empresas para verificar, através
documentos, fatos e entrevistas, se as atividades desenvolvidas estão de acordo com a
legislação, normas, regulamentos e procedimentos estabelecidos.
4.1.6. Campanhas de segurança
As campanhas de segurança são realizadas para atingir objetivos específicos, visando
alertar a força de trabalho para aspectos que possam interferir nas condições de trabalho,
comprometendo a segurança e saúde dos trabalhadores ou causando impacto ao meio
ambiente. Nessas ocasiões os temas de interesse podem ser apresentados e discutidos
através de palestras, filmes, cartazes e exposições. A campanha mais conhecida é a
SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes), obrigatória por lei (NR5). Diversos
temas podem ser abordados nessas campanhas como segurança no trânsito, incentivo
ao uso de EPI, segurança em trabalhos em altura, prevenção de doenças
sexualmente transmissíveis, perigos do uso de álcool e drogas, proteção do meio
ambiente, entre outros.
23
4.1.7. Diálogo de SMS (DSMS)
O DSMS, também conhecido por DDS (Diálogo Diário de Segurança), é uma estratégia
que visa desenvolver e manter atitudes voltadas à prevenção de acidentes e doenças do
trabalho, através da conscientização de todos os empregados. Deve ser praticado em
áreas operacionais e administrativas, antes da execução de atividades críticas e
rotineiras.É boa prática aplicá-lo, também, no início de reuniões de trabalho. Durante 10 a
20 minutos, um tema escolhido previamente é apresentado e discutido com o grupo. É um
espaço aberto para mensagens ligadas a prevenção, alerta para acidentes e incidentes
ocorridos e fatos relevantes de SMS.
Quando houver recursos de informática disponíveis, o DSMS pode ser feito com uso de
uma apresentação em Power Point.
4.1.8. Dicas gerais de segurança
• Verifique as condições locais – acessos, buracos, obstáculos e outras interferências
que possam causar problemas na execução da atividade.
• Escolha a técnica a ser utilizada para executar a atividade – cada atividade tem
uma maneira de ser executada; é preciso que seja definida esta maneira de execução
antes de começar. Avalie a seqüência operacional.
• Levante os recursos materiais e humanos – tudo que será preciso para executar a
tarefa (ferramentas, máquinas, EPI, sinalização, demarcação da área, ponto de
alimentação de energia).
• Analise e divulgue os Riscos – utilize uma técnica de avaliação de riscos como APR
(Análise Preliminar de Risco); providencie a PT (Permissão de Trabalho); faça um
DSMS (Diálogo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde) com a equipe antes de iniciar
a atividade.
• Avalie as interferências de outros trabalhos – podem estar ocorrendo outros
serviços nas proximidades que podem ser incompatíveis com o trabalho a ser feito.
Por exemplo, pintura perto de solda.
• Execute o isolamento, a sinalização e a restrição do pessoal na área de trabalho
– as áreas devem estar delimitadas, sinalizadas e somente as pessoas envolvidas na
atividade devem permanecer no local.
• Inspecione as partes mecânicas e elétricas – máquinas, equipamentos e
ferramentas devem ser inspecionados antes da colocação em uso, pois estes, com
problemas ou defeitos favorecem a ocorrência de acidentes.
• Verifique o estado geral de organização e limpeza da área – para a realização dos
serviços, é preciso que a área esteja organizada para evitar tropeços. Ao término das
atividades, não se esquecer de guardar todos os materiais, limpar a área e depositar
os resíduos em local apropriado.
5. NORMAS REGULAMENTADORAS
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) estabelece normas relativas à segurança e
medicina do trabalho em seu Capítulo V, do Título II. A Lei 6.514, de 22 de dezembro de
1977, alterou este capítulo trazendo melhorias para as condições de trabalho e em 8 de
junho de 1978, foi aprovada a Portaria 3.214, que criou as Normas Regulamentadoras.
Estas normas conhecidas como NR’s fizeram o detalhamento dos artigos constantes da
Lei 6.514, para que os mesmos fossem mais bem compreendidos e pudessem ser
24
efetivamente aplicados. Atualmente existem 35 NR’s em vigor. Veremos a seguir
noções sobre algumas NR’s de maior interesse para o nosso curso.
5.1. Noções sobre a Norma Regulamentadora NR4
SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM MEDICINA NO
TRABALHO – SESMT (NR-4)
a) Objetivo
A NR-4 estabelece a obrigatoriedade de manutenção dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a
saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho.
Esse objetivo só será alcançado se houver uma interferência ideal nos processos e
sistemas, inclusive com a definição de métodos de trabalho e procedimentos.
b) Constituição
Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho –
SESMT são de constituição obrigatória para todas as empresas que possuam
empregados regidos pela CLT, de acordo com seu grau de risco e número de
empregados (ver Quadro II).
c) Organização
Os profissionais que compõem o SESMT são os Engenheiros de Segurança do Trabalho,
Técnicos de Segurança do Trabalho, Médicos do Trabalho, Enfermeiros do Trabalho e
Auxiliares de Enfermagem do Trabalho devidamente registrados.
d) Atribuições
Compete aos profissionais que compõem o SESMT:
• Aplicar os conhecimentos de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho ao
ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e
equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do
trabalhador;
• Determinar, quando esgotados todos os recursos para a eliminação dos riscos, a
utilização de EPI (equipamento de proteção individual).
• Colaborar nos projetos e na implantação de novas instalações físicas e tecnológicas
da empresa;
• Promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos
trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais;
• Analisar e registrar todos os acidentes ocorridos na empresa, com ou sem vítimas, e
todos os casos de doença ocupacional;
• Esclarecer e conscientizar os empregados sobre acidentes do trabalho e doenças
ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção;
• Manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de suas
observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la em suas solicitações.
25
QUADRO II
DIMENSIONAMENTO DOS SESMT
5.2. Noções sobre a Norma Regulamentadora NR5
COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES – CIPA (NR-5)
a) Objetivo
A CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho,
de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a
promoção da saúde do trabalhador.
b) Constituição
Devem constituir CIPA por estabelecimento as empresas privadas, públicas, sociedades
de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes,
associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam
trabalhadores como empregados.
c) Organização
Será composta por representantes do empregador (empresa) e dos empregados. Os
representantes da empresa serão designados pelos empregadores, e os representantes
dos empregados serão eleitos em voto secreto (ver Quadro I).
O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de 1 (um) ano, permitida uma
reeleição. Caberá ao empregador designar, anualmente, dentre os seus representantes, o
Presidente da CIPA e o Vice-presidente será eleito dentre os representantes titulares dos
empregados.
250
26
Outro aspecto que deve ser considerado com relação à CIPA é que todos os seus
membros, titulares e suplentes, inclusive o secretário e seu substituto, deverão participar
de curso de prevenção de acidentes, que deverá ser promovido pela empresa, cuja carga
horária é de 20 horas.
QUADRO I
DIMENSIONAMENTO DE CIPA
Nota: O quadro acima é parte do quadro I da NR-5.
O membro da CIPA representante dos empregados tem direito a estabilidade, desde o
registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato, sendo vedada a sua
dispensa arbitrária ou sem justa causa. Todos os inscritos para a eleição da CIPA têm
garantia de emprego até a eleição.
d) Atribuições
A CIPA terá por atribuição, entre outras:
• Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o Mapa de Riscos;
• Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando
a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e a saúde
dos trabalhadores;
• Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho;
• Requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou
setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos
trabalhadores;
*GRU-
POS
N° de
Empregados
0
a
19
20
a
29
30
a
50
51
a
80
81
a
100
... 2501
a
5000
5001
a
10.000
Acima de
10.000
para cadagrupo
de 2.500
acrescentar
N° de
Membros
da CIPA
C-1 Efetivos
1 1 3 3 12 15 2
Suplentes
1 1 3 3 9 12 2
C-1a Efetivos
1 1 3 3 12 15 2
Suplentes
1 1 3 3 9 12 2
C-2 Efetivos
1 1 2 2 10 11 2
Suplentes
1 1 2 2 7 9 1
C-3 Efetivos
1 1 2 2 10 10 2
Suplentes
1 1 2 2 8 8 2
C-3a Efetivos
1 1 5 6 1
Suplentes
1 1 4 5 1
27
• Colaborar no desenvolvimento e implementação de programas relacionados à
segurança e saúde no trabalho;
• Analisar causas das doenças e acidentes do trabalho e propor medidas de solução
dos problemas identificados;
• Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna
de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT.
5.3. Noções sobre a Norma Regulamentadora NR6
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI (NR-6)
a) Introdução
Quando as medidas de segurança de ordem geral não são suficientemente eficazes
contra os riscos de acidentes ou de doenças ocupacionais, ou não são aplicáveis, lança-
se mão do recurso da proteção individual: luvas, óculos, calçados, máscaras, capacetes,
roupas especiais, etc. Como a própria lei o define, Equipamento de Proteção Individual
(EPI) é todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado
à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.
Do ponto de vista prevencionista o EPI não evita acidentes, como muitas pessoas
preconizam. Ele existe para evitar lesão ou para atenuar sua gravidade, além de proteger
o corpo e o organismo contra os efeitos de substâncias químicas tóxicas, radiações,
microorganismos, dentre outros agentes ambientais nocivos ao trabalhador. Deve-se,
portanto, sempre que possível, procurar a proteção coletiva, dada a sua melhor eficácia,
uma vez que esta elimina o risco na fonte geradora.
Não é permitido que o EPI seja de uso coletivo, como por exemplo, óculos de segurança
que fique ao lado do esmeril para que as pessoas usem quando da operação do
equipamento.
É necessário determinar o tipo de EPI adequado ao risco que se pretende neutralizar,
bem como garantir o perfeito ajuste do equipamento ao corpo do usuário para que se
obtenha o máximo de proteção com o mínimo de desconforto. Podem-se encontrar vários
modelos do mesmo tipo, com variações de certas características, tais como formato,
sistema de montagem e acabamento, material empregado, etc. O serviço de segurança é
o órgão competente para indicar o modelo apropriado para determinada situação de risco,
isto é, o que melhor satisfaz o aspecto de segurança, levando em consideração a
capacidade de neutralização da agressividade do trabalho, o tempo de vida útil do
equipamento e o conforto que deve proporcionar ao usuário. Como se pode concluir, a
aquisição dos EPI não deve ficar simplesmente a critério do setor de compras.
Os usuários dos equipamentos de proteção individual devem ter consciência da sua
finalidade, da maneira correta de usá-los e de como conservá-los em condições de uso.
Para tanto, cabe ao setor de segurança emitir instruções e dar treinamento sobre o uso
correto dos equipamentos.
b) Definição
Considera-se Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo dispositivo ou produto, de
uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.
28
c) Utilização
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco,
em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:
a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os
riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e
c) para atender a situações de emergência.
A recomendação ao empregador, quanto ao EPI adequado ao risco existente em
determinada atividade, é de competência:
a) do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho -
SESMT;
b) da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, nas empresas desobrigadas
de manter o SESMT.
Nas empresas desobrigadas de constituir CIPA, cabe ao designado, mediante orientação
de profissional tecnicamente habilitado, recomendar o EPI adequado à proteção do
trabalhador.
d) Comercialização
O equipamento de proteção individual, de fabricação nacional ou importado, só poderá
ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação – CA,
expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho
do Ministério do Trabalho e Emprego.
Todo EPI deverá apresentar em caracteres indeléveis e bem visíveis, o nome comercial
da empresa fabricante, o lote de fabricação e o número do CA, ou, no caso de EPI
importado, o nome do importador, o lote de fabricação e o número do CA.
O empregador tem as seguintes obrigações quanto ao EPI:
• adquirir o tipo adequado à atividade do empregado;
• fornecer ao empregado somente EPI aprovado pelo Min. do Trabalho;
• treinar o trabalhador sobre o seu uso adequado;
• tornar obrigatório o seu uso;
• substituí-lo, imediatamente, quando danificado ou extraviado;
• responsabilizar-se pela sua higienização e manutenção periódica;
• comunicar ao MT qualquer irregularidade observada no EPI.
O empregado tem as seguintes obrigações quanto ao EPI:
• usá-lo apenas para a finalidade a que se destina;
• responsabilizar-se por sua guarda e conservação;
• comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso.
29
e) Tipos de EPI
Atendidas as peculiaridades de cada atividade profissional, o empregador deve fornecer
aos trabalhadores os seguintes EPI:
• Proteção para a cabeça;
• Proteção para os membros superiores
• Proteção para os membros inferiores
• Proteção contra quedas com diferença de nível
• Proteção auditiva
• Proteção respiratória, para exposições a agentes ambientais em concentrações
prejudiciais à saúde do trabalhador, de acordo com os limites estabelecidos na NR 15
• Proteção do tronco
• Proteção do corpo inteiro
• Proteção da pele
FICHA DE CONTROLE DE EPI Nº
Empresa: Departamento: Seção:
Empregado: Matrícula: Função:
DADOS DOS EPI
Item Quant. Especificação do
Equipamento
CA no Fabricante Data
entrega
Assinatura
do
empregado
Orientações/Recomendações de uso:
Advertências:
Responsável pela entrega do EPI:
f) Manutenção e Higienização do EPI
Conforme estabelece a NR-6, é de responsabilidade do empregador a higienização e
manutenção periódica do EPI. Existem no mercado empresas especializadas em executar
a higienização e manutenção do EPI, mantendo-os com as características originais no
que se refere à proteção, porém a maioria das empresas procuram, erradamente, adotar
soluções caseiras, nem sempre eficientes, por simples comodismo, desconhecimento ou
contenção de despesas. Em qualquer caso, é importante que sejam seguidas as
instruções do fabricante ao se executar a manutenção ou higienização do equipamento.
Deve-se observar ainda, que nem todos os EPI são passíveis de serem restaurados,
lavados e higienizados.
30
Exemplos de EPI
5.4 Noções sobre a Norma Regulamentadora NR 7
PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL - PCMSO (NR-7)
A Norma Regulamentadora nº 7, estabelece que as empresas são obrigadas a elaborar e
implementar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, com o objetivo
de promover e preservar a saúde de todos os seus trabalhadores.
O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos
agravos à saúde relacionados ao trabalho, além da constatação da existência de casos
de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dostrabalhadores.
O PCMSO deverá ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos
trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações do Programa de Prevenção
de Riscos Ambientais (PPRA) previsto na NR-9.
Além de outras ações, estão previstos neste programa a realização dos seguintes exames
médicos, por conta do empregador:
Exames médicos
• Admissional, que deverá ser realizado antes que o trabalhador assuma suas
atividades.
• Periódico, que deve ser realizado a cada dois anos ou anualmente dependendo da
idade do trabalhador e do tipo de exposição, ou em outra periodicidade definida pelo
médico do trabalho.
• De retorno ao trabalho, que deverá ser realizado obrigatoriamente no primeiro dia de
volta ao trabalho do trabalhador ausente por mais de 30 dias por motivo de doença ou
acidente, ou parto.
• De mudança de função, que deverá ser realizado antes da data de mudança de
função. Entende-se por mudança de função toda e qualquer alteração de atividade,
posto de trabalho ou setor, que implique em exposição do trabalhador a risco diferente
daquele a que estava exposto antes da mudança.
• Demissional, que deverá ser realizado até a data da homologação da rescisão
contratual.
31
Para cada exame médico realizado, o médico emitirá o Atestado de Saúde Ocupacional
- ASO, em duas vias. A primeira via do ASO ficará arquivada no local de trabalho do
trabalhador, inclusive frente de trabalho ou canteiro de obras, à disposição da fiscalização
do trabalho. A segunda via do ASO será obrigatoriamente entregue ao trabalhador,
mediante recibo da primeira via.
O ASO deverá conter no mínimo:
a) nome completo do trabalhador, o número de registro de sua identidade e sua função;
b) os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência deles, na atividade do
empregado;
c) indicação dos procedimentos médicos a que foi submetido o trabalhador, incluindo os
exames complementares e a data em que foram realizados;
d) o nome do médico coordenador, quando houver, com respectivo CRM;
e) definição de apto ou inapto para a função especifica que o trabalhador vai exercer,
exerce ou exerceu;
f) nome do médico encarregado do exame e endereço ou forma de contato;
g) data e assinatura do médico encarregado do exame e carimbo contendo seu número
de inscrição no CRM.
Dos primeiros socorros
Todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação de
primeiros socorros, considerando-se as características da atividade desenvolvida; manter
esse material guardado em local adequado, aos cuidados de pessoa treinada para esse
fim.
5.5 Noções sobre a Norma Regulamentadora NR 9
PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS - PPRA (NR-9)
Esta Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade da elaboração e
implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam
trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais -
PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da
antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle de riscos ambientais
existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a
proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.
O PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo
da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, devendo estar articulado
com o disposto nas demais NR, em especial com o PCMSO previsto na NR-7.
Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e
biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza,
concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à
saúde do trabalhador.
Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar
expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais,
temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como
o infra-som e o ultra-som.
32
Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam
penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas,
neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam
ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.
Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas,
protozoários, vírus, entre outros.
O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deverá incluir as seguintes etapas:
a) antecipação e reconhecimentos dos riscos;
b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle;
c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores;
d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia;
e) monitoramento da exposição aos riscos;
f) registro e divulgação dos dados.
Das medidas de controle.
Deverão ser adotadas as medidas necessárias suficientes para a eliminação, a
minimização ou o controle dos riscos ambientais sempre que forem verificadas uma ou
mais das seguintes situações:
a) quando houver riscos potenciais e evidentes à saúde;
b) quando as avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os
valores dos limites de tolerância;
c) quando o controle médico da saúde, caracterizar o nexo causal entre danos
observados na saúde os trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam
expostos.
O estudo, desenvolvimento e implantação de medidas de proteção coletiva deverá
obedecer à seguinte hierarquia:
a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes prejudiciais à
saúde;
b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no ambiente de
trabalho;
c) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no ambiente de
trabalho.
Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade técnica da adoção de
medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontrarem-se
em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou ainda em caráter complementar ou
emergencial, deverão ser adotadas outras medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia:
a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho;
b) utilização de equipamento de proteção individual - EPI.
Das responsabilidades.
Do empregador:
I. estabelecer, implementar e assegurar o cumprimento do PPRA como atividade
permanente da empresa ou instituição.
Dos trabalhadores:
I. colaborar e participar na implantação e execução do PPRA;
II. seguir as orientações recebidas nos treinamentos oferecidos dentro do PPRA;
III. informar ao seu superior hierárquico direto ocorrências que, a seu julgamento, possam
implicar riscos à saúde dos trabalhadores.
33
5.6. Norma Regulamentadora NR 33
SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS
SUMÁRIO
33.1 Objetivo e Definição
33.2 Das Responsabilidades
33.3 Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados
33.4 Emergência e Salvamento
33.5 Disposições Gerais
ANEXO I - SINALIZAÇÃO
ANEXO II - PERMISSÃO DE ENTRADA E TRABALHO - PET
ANEXO III - GLOSSÁRIO
33.1 Objetivo e Definição
33.1.1 Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de
espaços confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos
existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que
interagem direta ou indiretamente nestes espaços.
33.1.2 Espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana
contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente
para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.
33.2 Das Responsabilidades
33.2.1 Cabe ao Empregador:
a) indicar formalmente o responsável técnico pelo cumprimento desta norma;
b) identificar os espaçosconfinados existentes no estabelecimento;
c) identificar os riscos específicos de cada espaço confinado;
d) implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho em espaços confinados, por medidas
técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e salvamento, de forma a
garantir permanentemente ambientes com condições adequadas de trabalho;
e) garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle,
de emergência e salvamento em espaços confinados;
f) garantir que o acesso ao espaço confinado somente ocorra após a emissão, por escrito, da
Permissão de Entrada e Trabalho, conforme modelo constante no anexo II desta NR;
g) fornecer às empresas contratadas informações sobre os riscos nas áreas onde desenvolverão
suas atividades e exigir a capacitação de seus trabalhadores;
h) acompanhar a implementação das medidas de segurança e saúde dos trabalhadores das
empresas contratadas provendo os meios e condições para que eles possam atuar em
conformidade com esta NR;
i) interromper todo e qualquer tipo de trabalho em caso de suspeição de condição de risco grave e
iminente, procedendo ao imediato abandono do local; e
j) garantir informações atualizadas sobre os riscos e medidas de controle antes de cada acesso
aos espaços confinados.
33.2.2 Cabe aos Trabalhadores:
a) colaborar com a empresa no cumprimento desta NR;
b) utilizar adequadamente os meios e equipamentos fornecidos pela empresa;
c) comunicar ao Vigia e ao Supervisor de Entrada as situações de risco para sua segurança e
saúde ou de terceiros, que sejam do seu conhecimento; e
d) cumprir os procedimentos e orientações recebidos nos treinamentos com relação aos espaços
confinados.
34
33.3 Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados
33.3.1 A gestão de segurança e saúde deve ser planejada, programada, implementada e avaliada,
incluindo medidas técnicas de prevenção, medidas administrativas e medidas pessoais e
capacitação para trabalho em espaços confinados.
33.3.2 Medidas técnicas de prevenção:
a) identificar, isolar e sinalizar os espaços confinados para evitar a entrada de pessoas não
autorizadas;
b) antecipar e reconhecer os riscos nos espaços confinados;
c) proceder à avaliação e controle dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e
mecânicos;
d) prever a implantação de travas, bloqueios, alívio, lacre e etiquetagem;
e) implementar medidas necessárias para eliminação ou controle dos riscos atmosféricos em
espaços confinados;
f) avaliar a atmosfera nos espaços confinados, antes da entrada de trabalhadores, para verificar
se o seu interior é seguro;
g) manter condições atmosféricas aceitáveis na entrada e durante toda a realização dos trabalhos,
monitorando, ventilando, purgando, lavando ou inertizando o espaço confinado;
h) monitorar continuamente a atmosfera nos espaços confinados nas áreas onde os trabalhadores
autorizados estiverem desempenhando as suas tarefas, para verificar se as condições de acesso
e permanência são seguras;
i) proibir a ventilação com oxigênio puro;
j) testar os equipamentos de medição antes de cada utilização; e
k) utilizar equipamento de leitura direta, intrinsecamente seguro, provido de alarme, calibrado e
protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofrequência.
33.3.2.1 Os equipamentos fixos e portáteis, inclusive os de comunicação e de movimentação
vertical e horizontal, devem ser adequados aos riscos dos espaços confinados;
33.3.2.2 Em áreas classificadas os equipamentos devem estar certificados ou possuir documento
contemplado no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade - INMETRO.
33.3.2.3 As avaliações atmosféricas iniciais devem ser realizadas fora do espaço confinado.
33.3.2.4 Adotar medidas para eliminar ou controlar os riscos de incêndio ou explosão em
trabalhos a quente, tais como solda, aquecimento, esmerilha mento, corte ou outros que liberem
chama aberta, faíscas ou calor.
33.3.2.5 Adotar medidas para eliminar ou controlar os riscos de inundação, soterramento, engolfa
mento, incêndio, choques elétricos, eletricidade estática, queimaduras, quedas, escorregamentos,
impactos, esmagamentos, amputações e outros que possam afetar a segurança e saúde dos
trabalhadores.
33.3.3 Medidas administrativas:
a) manter cadastro atualizado de todos os espaços confinados, inclusive dos desativados, e
respectivos riscos;
b) definir medidas para isolar, sinalizar, controlar ou eliminar os riscos do espaço confinado;
c) manter sinalização permanente junto à entrada do espaço confinado, conforme o Anexo I da
presente norma;
d) implementar procedimento para trabalho em espaço confinado;
e) adaptar o modelo de Permissão de Entrada e Trabalho, previsto no Anexo II desta NR, às
peculiaridades da empresa e dos seus espaços confinados;
f) preencher, assinar e datar, em três vias, a Permissão de Entrada e Trabalho antes do ingresso
de trabalhadores em espaços confinados;
g) possuir um sistema de controle que permita a rastreabilidade da Permissão de Entrada e
Trabalho;
h) entregar para um dos trabalhadores autorizados e ao Vigia cópia da Permissão de Entrada e
Trabalho;
i) encerrar a Permissão de Entrada e Trabalho quando as operações forem completadas, quando
ocorrer uma condição não prevista ou quando houver pausa ou interrupção dos trabalhos;
j) manter arquivados os procedimentos e Permissões de Entrada e Trabalho por cinco anos;
35
k) disponibilizar os procedimentos e Permissão de Entrada e Trabalho para o conhecimento dos
trabalhadores autorizados, seus representantes e fiscalização do trabalho;
l) designar as pessoas que participarão das operações de entrada, identificando os deveres de
cada trabalhador e providenciando a capacitação requerida;
m) estabelecer procedimentos de supervisão dos trabalhos no exterior e no interior dos espaços
confinados;
n) assegurar que o acesso ao espaço confinado somente seja iniciado com acompanhamento e
autorização de supervisão capacitada;
o) garantir que todos os trabalhadores sejam informados dos riscos e medidas de controle
existentes no local de trabalho; e
p) implementar um Programa de Proteção Respiratória de acordo com a análise de risco,
considerando o local, a complexidade e o tipo de trabalho a ser desenvolvido.
33.3.3.1 A Permissão de Entrada e Trabalho é válida somente para cada entrada.
33.3.3.2 Nos estabelecimentos onde houver espaços confinados devem ser observadas, de forma
complementar a presente NR, os seguintes atos normativos: NBR 14606 – Postos de Serviço –
Entrada em Espaço Confinado; e NBR 14787 – Espaço Confinado – Prevenção de Acidentes,
Procedimentos e Medidas de Proteção, bem como suas alterações posteriores.
33.3.3.3 O procedimento para trabalho deve contemplar, no mínimo: objetivo, campo de aplicação,
base técnica, responsabilidades, competências, preparação, emissão, uso e cancelamento da
Permissão de Entrada e Trabalho, capacitação para os trabalhadores, análise de risco e medidas
de controle.
33.3.3.4 Os procedimentos para trabalho em espaços confinados e a Permissão de Entrada e
Trabalho devem ser avaliados no mínimo uma vez ao ano e revisados sempre que houver
alteração dos riscos, com a participação do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do
Trabalho - SESMT e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA.
33.3.3.5 Os procedimentos de entrada em espaços confinados devem ser revistos quando da
ocorrência de qualquer uma das circunstâncias abaixo:
a) entrada não autorizada num espaço confinado;
b) identificação de riscos não descritos na Permissão de Entrada e Trabalho;
c) acidente, incidente ou condição não prevista durante a entrada;
d) qualquer mudança na atividade desenvolvida ou na configuração do espaço confinado;
e) solicitação do SESMT ou da CIPA; e
f) identificação de condição de trabalho mais segura.
33.3.4 Medidas Pessoais:
33.3.4.1 Todo trabalhador designadopara trabalhos em espaços confinados deve ser submetido a
exames médicos específicos para a função que irá desempenhar, conforme estabelecem as NRs
07 e 31, incluindo os fatores de riscos psicossociais com a emissão do respectivo Atestado de
Saúde Ocupacional - ASO.
33.3.4.2 Capacitar todos os trabalhadores envolvidos, direta ou indiretamente com os espaços
confinados, sobre seus direitos, deveres, riscos e medidas de controle, conforme previsto no item
33.3.5.
33.3.4.3 O número de trabalhadores envolvidos na execução dos trabalhos em espaços
confinados deve ser determinado conforme a análise de risco.
33.3.4.4 É vedada a realização de qualquer trabalho em espaços confinados de forma individual
ou isolada.
33.3.4.5 O Supervisor de Entrada deve desempenhar as seguintes funções:
a) emitir a Permissão de Entrada e Trabalho antes do início das atividades;
b) executar os testes, conferir os equipamentos e os procedimentos contidos na Permissão de
Entrada e Trabalho;
c) assegurar que os serviços de emergência e salvamento estejam disponíveis e que os meios
para acioná-los estejam operantes;
d) cancelar os procedimentos de entrada e trabalho quando necessário; e
e) encerrar a Permissão de Entrada e Trabalho após o término dos serviços.
33.3.4.6 O Supervisor de Entrada pode desempenhar a função de Vigia.
33.3.4.7 O Vigia deve desempenhar as seguintes funções:
a) manter continuamente a contagem precisa do número de trabalhadores autorizados no espaço
confinado e assegurar que todos saiam ao término da atividade;
36
b) permanecer fora do espaço confinado, junto à entrada, em contato permanente com os
trabalhadores autorizados;
c) adotar os procedimentos de emergência, acionando a equipe de salvamento, pública ou
privada, quando necessário;
d) operar os movimentadores de pessoas; e
e) ordenar o abandono do espaço confinado sempre que reconhecer algum sinal de alarme,
perigo, sintoma, queixa, condição proibida, acidente, situação não prevista ou quando não puder
desempenhar efetivamente suas tarefas, nem ser substituído por outro Vigia.
33.3.4.8 O Vigia não poderá realizar outras tarefas que possam comprometer o dever principal
que é o de monitorar e proteger os trabalhadores autorizados;
33.3.4.9 Cabe ao empregador fornecer e garantir que todos os trabalhadores que adentrarem em
espaços confinados disponham de todos os equipamentos para controle de riscos, previstos na
Permissão de Entrada e Trabalho.
33.3.4.10 Em caso de existência de Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde -
Atmosfera IPVS –, o espaço confinado somente pode ser adentrado com a utilização de máscara
autônoma de demanda com pressão positiva ou com respirador de linha de ar comprimido com
cilindro auxiliar para escape.
33.3.5 Capacitação para trabalhos em espaços confinados
33.3.5.1 É vedada a designação para trabalhos em espaços confinados sem a prévia capacitação
do trabalhador.
33.3.5.2 O empregador deve desenvolver e implantar programas de capacitação sempre que
ocorrer qualquer das seguintes situações:
a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho;
b) algum evento que indique a necessidade de novo treinamento; e
c) quando houver uma razão para acreditar que existam desvios na utilização ou nos
procedimentos de entrada nos espaços confinados ou que os conhecimentos não sejam
adequados.
33.3.5.3 Todos os trabalhadores autorizados, Vigias e Supervisores de Entrada devem receber
capacitação periódica a cada doze meses, com carga horária mínima de oito horas.
33.3.5.3 Todos os trabalhadores autorizados e Vigias devem receber capacitação periodicamente,
a cada doze meses. (Alteração dada pela Portaria MTE 1.409/2012).
33.3.5.4 A capacitação inicial dos trabalhadores autorizados e Vigias deve ter carga horária
mínima de dezesseis horas, ser realizada dentro do horário de trabalho, com conteúdo
programático de:
33.3.5.4 A capacitação deve ter carga horária mínima de dezesseis horas, ser realizada dentro do
horário de trabalho, com conteúdo programático de:(Alteração dada pela Portaria MTE
1.409/2012).
a) definições;
b) reconhecimento, avaliação e controle de riscos;
c) funcionamento de equipamentos utilizados;
d) procedimentos e utilização da Permissão de Entrada e Trabalho; e
e) noções de resgate e primeiros socorros.
33.3.5.5 A capacitação dos Supervisores de Entrada deve ser realizada dentro do horário de
trabalho, com conteúdo programático estabelecido no subitem 33.3.5.4, acrescido de:
a) identificação dos espaços confinados;
b) critérios de indicação e uso de equipamentos para controle de riscos;
c) conhecimentos sobre práticas seguras em espaços confinados;
d) legislação de segurança e saúde no trabalho;
e) programa de proteção respiratória;
f) área classificada; e
g) operações de salvamento.
33.3.5.6 Todos os Supervisores de Entrada devem receber capacitação específica, com carga
horária mínima de quarenta horas para a capacitação inicial.
33.3.5.6 Todos os Supervisores de Entrada devem receber capacitação específica, com carga
horária mínima de quarenta horas. (Alteração dada pela Portaria MTE 1.409/2012).
33.3.5.7 Os instrutores designados pelo responsável técnico, devem possuir comprovada
proficiência no assunto.
37
33.3.5.8 Ao término do treinamento deve-se emitir um certificado contendo o nome do
trabalhador, conteúdo programático, carga horária, a especificação do tipo de trabalho e espaço
confinado, data e local de realização do treinamento, com as assinaturas dos instrutores e do
responsável técnico.
33.3.5.8.1 Uma cópia do certificado deve ser entregue ao trabalhador e a outra cópia deve ser
arquivada na empresa.
33.4 Emergência e Salvamento
33.4.1 O empregador deve elaborar e implementar procedimentos de emergência e resgate
adequados aos espaços confinados incluindo, no mínimo:
a) descrição dos possíveis cenários de acidentes, obtidos a partir da Análise de Riscos;
b) descrição das medidas de salvamento e primeiros socorros a serem executadas em caso de
emergência;
c) seleção e técnicas de utilização dos equipamentos de comunicação, iluminação de emergência,
busca, resgate, primeiros socorros e transporte de vítimas;
d) acionamento de equipe responsável, pública ou privada, pela execução das medidas de
resgate e primeiros socorros para cada serviço a ser realizado; e
e) exercício simulado anual de salvamento nos possíveis cenários de acidentes em espaços
confinados.
33.4.2 O pessoal responsável pela execução das medidas de salvamento deve possuir aptidão
física e mental compatível com a atividade a desempenhar.
33.4.3 A capacitação da equipe de salvamento deve contemplar todos os possíveis cenários de
acidentes identificados na análise de risco.
33.5 Disposições Gerais
33.5.1 O empregador deve garantir que os trabalhadores possam interromper suas atividades e
abandonar o local de trabalho, sempre que suspeitarem da existência de risco grave e iminente
para sua segurança e saúde ou a de terceiros.
33.5.2 São solidariamente responsáveis pelo cumprimento desta NR os contratantes e
contratados.
33.5.3 É vedada a entrada e a realização de qualquer trabalho em espaços confinados sem a
emissão da Permissão de Entrada e Trabalho
ANEXO I - SINALIZAÇÃO
38
ANEXO II - Permissão de Entrada e Trabalho - PET
Caráter informativo para elaboração da Permissão de Entrada e Trabalho em Espaço
Confinado
Nome da empresa:
Local do espaço confinado: Espaço confinado n.º:
Data e horário da
emissão:
Data e horário do término:
Trabalho a ser realizado:
Trabalhadores autorizados:
Vigia: Equipe de resgate:
Supervisor de Entrada:
Procedimentos que devem ser completados antes da entrada
1. Isolamento S ( ) N ( )
2. Teste inicial da atmosfera: horário___________
Oxigênio % O2
Inflamáveis % LIE
Gases/vapores tóxicos ppm
Poeiras/fumos/névoas tóxicas mg/m 3
Nome legível /assinatura do Supervisor dos testes:
3. Bloqueios, travamento e etiquetagem N /A ( ) S ( ) N ( )
4. Purga e/ou lavagem N /A ( ) S ( ) N ( )
5. Ventilação/exaustão - tipo, equipamento e tempo N /A ( ) S ( ) N ( )
6. Teste após ventilação e isolamento: horário ___________
39
Oxigênio
% O2 >
19,5% ou <
23,0 %
Inflamáveis %LIE < 10%
Gases/vapores tóxicos ppm
Poeiras/fumos/névoas tóxicas mg/m 3
Nome legível / assinatura do Supervisor dos testes:
7. Iluminação geral N /A ( ) S ( ) N ( )
8. Procedimentos de comunicação: N /A ( ) S ( ) N ( )
9. Procedimentos de resgate: N /A ( ) S ( ) N ( )
10. Procedimentos e proteção de movimentação vertical: N/A ( ) S ( ) N ( )
11. Treinamento de todos os trabalhadores? É atual? N /A ( ) S ( ) N ( )
12. Equipamentos:
13. Equipamento de monitoramento contínuo de gases aprovados e certificados por
um Organismo de Certificação Credenciado (OCC) pelo INMETRO para trabalho
em áreas potencialmente explosivas de leitura direta com alarmes em condições:
S ( ) N ( )
Lanternas N /A ( ) S ( ) N ( )
Roupa de proteção N /A ( ) S ( ) N ( )
Extintores de incêndio N/A ( ) S ( ) N ( )
Capacetes, botas, luvas N /A ( ) S ( ) N ( )
Equipamentos de proteção respiratória/autônomo ou sistema
de ar mandado com cilindro de escape
N /A ( ) S ( ) N ( )
40
Cinturão de segurança e linhas de vida para os trabalhadores autorizado S ( ) N ( )
Cinturão de segurança e linhas de vida para a equipe de
resgate
N /A ( ) S ( ) N ( )
Escada N /A ( ) S ( ) N ( )
Equipamentos de movimentação vertical/suportes externos N /A ( ) S( ) N ( )
Equipamentos de comunicação eletrônica aprovados e
certificados por um Organismo de Certificação Credenciado
(OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas
potencialmente
explosivas_______________________________________
N /A ( ) S ( ) N ( )
Equipamento de proteção respiratória autônomo ou sistema de ar mandado com
cilindro de escape para a equipe de resgate
_________________________________
S ( ) N ( )
Equipamentos elétricos e eletrônicos aprovados e
certificados por um Organismo de Certificação Credenciado
(OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas
potencialmente explosivas
_______________________________________
N /A ( ) S ( ) N ( )
Legenda : N/A - "não se aplica"; N - "não"; S - "sim".
Procedimentos que devem ser completados durante o desenvolvimento dos trabalhos
Permissão de trabalhos a quente N /A ( ) S ( ) N ( )
Procedimentos de Emergência e Resgate
Telefones e contatos:
Ambulância:___________ Bombeiros:__________
Segurança:_________
Legenda: N/A - "não se aplica"; N - "não"; S - "sim".
A entrada não pode ser permitida se algum campo não for preenchido ou contiver a marca na coluna
"não".
A falta de monitoramento contínuo da atmosfera no interior do espaço confinado, alarme, ordem do
Vigia ou qualquer situação de risco à segurança dos trabalhadores, implica no abandono imediato
41
da área.
Qualquer saída de toda equipe por qualquer motivo implica a emissão de nova permissão de
entrada. Esta permissão de entrada deverá ficar exposta no local de trabalho até o seu término. Após
o trabalho, esta permissão deverá ser arquivada.
ANEXO III – Glossário NR-33
Abertura de linha: abertura intencional de um duto, tubo, linha, tubulação que está sendo
utilizada ou foi utilizada para transportar materiais tóxicos, inflamáveis, corrosivos, gás, ou
qualquer fluido em pressões ou temperaturas capazes de causar danos materiais ou pessoais
visando a eliminar energias perigosas para o trabalho seguro em espaços confinados.
Alívio: o mesmo que abertura de linha.
Análise Preliminar de Risco (APR): avaliação inicial dos riscos potenciais, suas causas,
consequências e medidas de controle.
Área Classificada: área potencialmente explosiva ou com risco de explosão.
Atmosfera IPVS - Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde: qualquer atmosfera
que apresente risco imediato à vida ou produza imediato efeito debilitante à saúde.
Avaliações iniciais da atmosfera: conjunto de medições preliminares realizadas na atmosfera do
espaço confinado.
Base técnica: conjunto de normas, artigos, livros, procedimentos de segurança de trabalho, e
demais documentos técnicos utilizados para implementar o Sistema de Permissão de Entrada e
Trabalho em espaços confinados.
Bloqueio: dispositivo que impede a liberação de energias perigosas tais como: pressão, vapor,
fluidos, combustíveis, água e outros visando à contenção de energias perigosas para trabalho
seguro em espaços confinados.
Chama aberta: mistura de gases incandescentes emitindo energia, que é também denominada
chama ou fogo.
Condição IPVS: Qualquer condição que coloque um risco imediato de morte ou que possa
resultar em efeitos à saúde irreversíveis ou imediatamente severos ou que possa resultar em dano
ocular, irritação ou outras condições que possam impedir a saída de um espaço confinado.
Contaminantes: gases, vapores, névoas, fumos e poeiras presentes na atmosfera do espaço
confinado.
Deficiência de Oxigênio: atmosfera contendo menos de 20,9 % de oxigênio em volume na
pressão atmosférica normal, a não ser que a redução do percentual seja devidamente monitorada
e controlada.
Engolfa mento: é o envolvimento e a captura de uma pessoa por líquidos ou sólidos finamente
divididos.
Enriquecimento de Oxigênio: atmosfera contendo mais de 23% de oxigênio em volume.
Etiquetagem: colocação de rótulo num dispositivo isolador de energia para indicar que o
dispositivo e o equipamento a ser controlado não podem ser utilizados até a sua remoção.
Faísca: partícula candente gerada no processo de esmerilha mento, polimento, corte ou solda.
Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: conjunto de medidas
técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e coletivas necessárias para garantir o trabalho
seguro em espaços confinados.
Inertização: deslocamento da atmosfera existente em um espaço confinado por um gás inerte,
resultando numa atmosfera não combustível e com deficiência de oxigênio.
Intrinsecamente Seguro: situação em que o equipamento não pode liberar energia elétrica ou
térmica suficientes para, em condições normais ou anormais, causar a ignição de uma dada
atmosfera explosiva, conforme expresso no certificado de conformidade do equipamento.
Lacre: braçadeira ou outro dispositivo que precise ser rompido para abrir um equipamento.
Leitura direta: dispositivo ou equipamento que permite realizar leituras de contaminantes em
tempo real.
Medidas especiais de controle: medidas adicionais de controle necessárias para permitir a
entrada e o trabalho em espaços confinados em situações peculiares, tais como trabalhos a
quente, atmosferas IPVS ou outras.
42
Ordem de Bloqueio: ordem de suspensão de operação normal do espaço confinado.
Ordem de Liberação: ordem de reativação de operação normal do espaço confinado.
Oxigênio puro: atmosfera contendo somente oxigênio (100 %).
Permissão de Entrada e Trabalho (PET): documento escrito contendo o conjunto de medidas de
controle visando à entrada e desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de
emergência e resgate em espaços confinados.
Proficiência: competência, aptidão, capacitação e habilidade aliadas à experiência.
Programa de Proteção Respiratória: conjunto de medidas práticas e administrativas necessárias
para proteger a saúde do trabalhador pela seleção adequada e uso correto dos respiradores.
Purga: método de limpeza que torna a atmosfera interior do espaço confinado isenta de gases,
vapores e outras impurezas indesejáveis através de ventilação ou lavagem com água ou vapor.
Quase acidente:qualquer evento não programado que possa indicar a possibilidade de
ocorrência de acidente.
Responsável Técnico: profissional habilitado para identificar os espaços confinados existentes
na empresa e elaborar as medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de
emergência e resgate.
Risco Grave e Iminente: Qualquer condição que possa causar acidente de trabalho ou doença
profissional com lesão grave à integridade física do trabalhador.
Riscos psicossociais: influência na saúde mental dos trabalhadores, provocada pelas tensões
da vida diária, pressão do trabalho e outros fatores adversos.
Salvamento: procedimento operacional padronizado, realizado por equipe com conhecimento
técnico especializado, para resgatar e prestar os primeiros socorros a trabalhadores em caso de
emergência.
Sistema de Permissão de Entrada em Espaços Confinados: procedimento escrito para
preparar uma Permissão de Entrada e Trabalho (PET).
Supervisor de Entrada: pessoa capacitada para operar a permissão de entrada com
responsabilidade para preencher e assinar a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) para o
desenvolvimento de entrada e trabalho seguro no interior de espaços confinados.
Trabalhador autorizado: trabalhador capacitado para entrar no espaço confinado, ciente dos
seus direitos e deveres e com conhecimento dos riscos e das medidas de controle existentes.
Trava: dispositivo (como chave ou cadeado) utilizado para garantir isolamento de dispositivos que
possam liberar energia elétrica ou mecânica de forma acidental.
Vigia: trabalhador designado para permanecer fora do espaço confinado e que é responsável pelo
acompanhamento, comunicação e ordem de abandono para os trabalhadores.
5.7. Norma Regulamentadora NR 35
TRABALHO EM ALTURA
Sumário
35.1. Objetivo e Campo de Aplicação
35.2. Responsabilidades
35.3. Capacitação e Treinamento
35.4. Planejamento, Organização e Execução
35.5 Sistemas de Proteção contra quedas
35.6. Emergência e Salvamento
Glossário
Anexo I - Acesso por Cordas
Anexo II - Sistemas de Ancoragem
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35.1. Objetivo e Campo de Aplicação
35.1.1 Esta Norma estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho
em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, de forma a garantir a
segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade.
35.1.2 Considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 m (dois metros)
do nível inferior, onde haja risco de queda.
35.1.3 Esta norma se complementa com as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos Órgãos
competentes e, na ausência ou omissão dessas, com as normas internacionais aplicáveis.
35.2. Responsabilidades
35.2.1 Cabe ao empregador:
a) garantir a implementação das medidas de proteção estabelecidas nesta Norma;
b) assegurar a realização da Análise de Risco - AR e, quando aplicável, a emissão da Permissão
de Trabalho - PT;
c) desenvolver procedimento operacional para as atividades rotineiras de trabalho em altura;
d) assegurar a realização de avaliação prévia das condições no local do trabalho em altura, pelo
estudo, planejamento e implementação das ações e das medidas complementares de segurança
aplicáveis;
e) adotar as providências necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de proteção
estabelecidas nesta Norma pelas empresas contratadas;
f) garantir aos trabalhadores informações atualizadas sobre os riscos e as medidas de controle;
g) garantir que qualquer trabalho em altura só se inicie depois de adotadas as medidas de
proteção definidas nesta Norma;
h) assegurar a suspensão dos trabalhos em altura quando verificar situação ou condição de risco
não prevista, cuja eliminação ou neutralização imediata não seja possível;
i) estabelecer uma sistemática de autorização dos trabalhadores para trabalho em altura;
j) assegurar que todo trabalho em altura seja realizado sob supervisão, cuja forma será definida
pela análise de riscos de acordo com as peculiaridades da atividade;
k) assegurar a organização e o arquivamento da documentação prevista nesta Norma.
35.2.2 Cabe aos trabalhadores:
a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre trabalho em altura, inclusive os
procedimentos expedidos pelo empregador;
b) colaborar com o empregador na implementação das disposições contidas nesta Norma;
c) interromper suas atividades exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem evidências
de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando
imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis;
d) zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas
ações ou omissões no trabalho.
35.3. Capacitação e Treinamento
35.3.1 O empregador deve promover programa para capacitação dos trabalhadores à realização
de trabalho em altura.
35.3.2 Considera-se trabalhador capacitado para trabalho em altura aquele que foi submetido e
aprovado em treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de oito horas, cujo
conteúdo programático deve, no mínimo, incluir:
a) normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura;
b) análise de risco e condições impeditivas;
c) riscos potenciais inerentes ao trabalho em altura e medidas de prevenção e controle;
d) sistemas, equipamentos e procedimentos de proteção coletiva;
e) equipamentos de Proteção Individual para trabalho em altura: seleção, inspeção, conservação
e limitação de uso;
f) acidentes típicos em trabalhos em altura;
g) condutas em situações de emergência, incluindo noções de técnicas de resgate e de primeiros
socorros.
44
35.3.3 O empregador deve realizar treinamento periódico bienal e sempre que ocorrer quaisquer
das seguintes situações:
a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho;
b) evento que indique a necessidade de novo treinamento;
c) retorno de afastamento ao trabalho por período superior a noventa dias;
d) mudança de empresa.
35.3.3.1 O treinamento periódico bienal deve ter carga horária mínima de oito horas, conforme
conteúdo programático definido pelo empregador.
35.3.3.2 Nos casos previstos nas alíneas "a", "b", "c" e "d", a carga horária e o conteúdo
programático devem atender a situação que o motivou.
35.3.4 Os treinamentos inicial, periódico e eventual para trabalho em altura podem ser ministrados
em conjunto com outros treinamentos da empresa.
35.3.5 A capacitação deve ser realizada preferencialmente durante o horário normal de trabalho.
35.3.5.1 O tempo despendido na capacitação deve ser computado como tempo de trabalho
efetivo.
35.3.6 O treinamento deve ser ministrado por instrutores com comprovada proficiência no assunto,
sob a responsabilidade de profissional qualificado em segurança no trabalho.
35.3.7 Ao término do treinamento deve ser emitido certificado contendo o nome do trabalhador,
conteúdo programático, carga horária, data, local de realização do treinamento, nome e
qualificação dos instrutores e assinatura do responsável.
35.3.7.1 O certificado deve ser entregue ao trabalhador e uma cópia arquivada na empresa.
35.3.8 A capacitação deve ser consignada no registro do empregado.
35.4. Planejamento, Organização e Execução
35.4.1 Todo trabalho em altura deve ser planejado, organizado e executado por trabalhador
capacitado e autorizado.
35.4.1.1 Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado, cujo
estado de saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar essa atividade e que
possua anuência formal da empresa.
35.4.1.2 Cabe ao empregador avaliar o estado de saúde dos trabalhadores que exercem
atividades em altura, garantindo que:
a) os exames e a sistemática de avaliação sejam partes integrantes do Programa de Controle
Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, devendo estar nele consignados;
b) a avaliação seja efetuada periodicamente,considerando os riscos envolvidos em cada situação;
c) seja realizado exame médico voltado às patologias que poderão originar mal súbito e queda de
altura, considerando também os fatores psicossociais.
35.4.1.2.1 A aptidão para trabalho em altura deve ser consignada no atestado de saúde
ocupacional do trabalhador.
35.4.1.3 A empresa deve manter cadastro atualizado que permita conhecer a abrangência da
autorização de cada trabalhador para trabalho em altura.
35.4.2 No planejamento do trabalho devem ser adotadas, de acordo com a seguinte hierarquia:
a) medidas para evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de execução;
b) medidas que eliminem o risco de queda dos trabalhadores, na impossibilidade de execução do
trabalho de outra forma;
c) medidas que minimizem as consequências da queda, quando o risco de queda não puder ser
eliminado.
35.4.3 Todo trabalho em altura deve ser realizado sob supervisão, cuja forma será definida pela
análise de risco de acordo com as peculiaridades da atividade.
35.4.4 A execução do serviço deve considerar as influências externas que possam alterar as
condições do local de trabalho já previstas na análise de risco.
35.4.5 Todo trabalho em altura deve ser precedido de Análise de Risco.
35.4.5.1 A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho em altura, considerar:
a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno;
b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho;
c) o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem;
d) as condições meteorológicas adversas;
45
e) a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de proteção coletiva
e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às orientações dos fabricantes e aos
princípios da redução do impacto e dos fatores de queda;
f) o risco de queda de materiais e ferramentas;
g) os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos;
h) o atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas demais normas
regulamentadoras;
i) os riscos adicionais;
j) as condições impeditivas;
k) as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma a
reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador;
l) a necessidade de sistema de comunicação;
m) a forma de supervisão.
35.4.6 Para atividades rotineiras de trabalho em altura a análise de risco pode estar contemplada
no respectivo procedimento operacional.
35.4.6.1 Os procedimentos operacionais para as atividades rotineiras de trabalho em altura devem
conter, no mínimo:
a) as diretrizes e requisitos da tarefa;
b) as orientações administrativas;
c) o detalhamento da tarefa;
d) as medidas de controle dos riscos características à rotina;
e) as condições impeditivas;
f) os sistemas de proteção coletiva e individual necessários;
g) as competências e responsabilidades.
35.4.7 As atividades de trabalho em altura não rotineiras devem ser previamente autorizadas
mediante Permissão de Trabalho.
35.4.7.1 Para as atividades não rotineiras as medidas de controle devem ser evidenciadas na
Análise de Risco e na Permissão de Trabalho.
35.4.8 A Permissão de Trabalho deve ser emitida, aprovada pelo responsável pela autorização da
permissão, disponibilizada no local de execução da atividade e, ao final, encerrada e arquivada de
forma a permitir sua rastreabilidade.
35.4.8.1 A Permissão de Trabalho deve conter:
a) os requisitos mínimos a serem atendidos para a execução dos trabalhos;
b) as disposições e medidas estabelecidas na Análise de Risco;
c) a relação de todos os envolvidos e suas autorizações.
35.4.8.2 A Permissão de Trabalho deve ter validade limitada à duração da atividade, restrita ao
turno de trabalho, podendo ser revalidada pelo responsável pela aprovação nas situações em que
não ocorram mudanças nas condições estabelecidas ou na equipe de trabalho.
35.5 Sistemas de Proteção contra quedas (Nova Redação dada pela Portaria MTE 1.113/2016)
35.5.1 É obrigatória a utilização de sistema de proteção contra quedas sempre que não for
possível evitar o trabalho em altura.
35.5.2 O sistema de proteção contra quedas deve:
a) ser adequado à tarefa a ser executada;
b) ser selecionado de acordo com Análise de Risco, considerando, além dos riscos a que o
trabalhador está exposto, os riscos adicionais;
c) ser selecionado por profissional qualificado em segurança do trabalho;
d) ter resistência para suportar a força máxima aplicável prevista quando de uma queda;
e) atender às normas técnicas nacionais ou na sua inexistência às normas internacionais
aplicáveis;
f) ter todos os seus elementos compatíveis e submetidos a uma sistemática de inspeção.
35.5.3 A seleção do sistema de proteção contra quedas deve considerar a utilização:
a) de sistema de proteção coletiva contra quedas - SPCQ;
b) de sistema de proteção individual contra quedas - SPIQ, nas seguintes situações:
b.1) na impossibilidade de adoção do SPCQ;
b.2) sempre que o SPCQ não ofereça completa proteção contra os riscos de queda;
b.3) para atender situações de emergência.
46
35.5.3.1 O SPCQ deve ser projetado por profissional legalmente habilitado.
35.5.4 O SPIQ pode ser de restrição de movimentação, de retenção de queda, de posicionamento
no trabalho ou de acesso por cordas.
35.5.5 O SPIQ é constituído dos seguintes elementos:
a) sistema de ancoragem;
b) elemento de ligação;
c) equipamento de proteção individual.
35.5.5.1 Os equipamentos de proteção individual devem ser:
a) certificados;
b) adequados para a utilização pretendida;
c) utilizados considerando os limites de uso;
d) ajustados ao peso e à altura do trabalhador.
35.5.5.1.1 O fabricante e/ou o fornecedor de EPI deve disponibilizar informações quanto ao
desempenho dos equipamentos e os limites de uso, considerando a massa total aplicada ao
sistema (trabalhador e equipamentos) e os demais aspectos previstos no item 35.5.11.
35.5.6 Na aquisição e periodicamente devem ser efetuadas inspeções do SPIQ, recusando-se os
elementos que apresentem defeitos ou deformações.
35.5.6.1 Antes do início dos trabalhos deve ser efetuada inspeção rotineira de todos os elementos
do SPIQ.
35.5.6.2 Devem-se registrar os resultados das inspeções:
a) na aquisição;
b) periódicas e rotineiras quando os elementos do SPIQ forem recusados.
35.5.6.3 Os elementos do SPIQ que apresentarem defeitos, degradação, deformações ou
sofrerem impactos de queda devem ser inutilizados e descartados, exceto quando sua
restauração for prevista em normas técnicas nacionais ou, na sua ausência, em normas
internacionais e de acordo com as recomendações do fabricante.
35.5.7 O SPIQ deve ser selecionado de forma que a força de impacto transmitida ao trabalhador
seja de no máximo 6kN quando de uma eventual queda;
35.5.8 Os sistemas de ancoragem destinados à restrição de movimentação devem ser
dimensionados para resistir às forças que possam vir a ser aplicadas.
35.5.8.1 Havendo possibilidade de ocorrência de queda com diferença de nível, em conformidade
com a análise de risco, o sistema deve ser dimensionado como de retenção de queda.
35.5.9 No SPIQ de retenção de queda e no sistema de acesso por cordas, o equipamento de
proteção individual deve ser o cinturão de segurança tipo paraquedista.
35.5.9.1 O cinturão de segurança tipo paraquedista, quando utilizado em retenção de queda, deve
estar conectado pelo seu elemento de engate para retenção de queda indicado pelo fabricante.
35.5.10 A utilização do sistema de retenção de queda por trava-queda deslizante guiado deve
atender às recomendações do fabricante, em particular no que se refere:
a) à compatibilidade do trava-quedas deslizante guiado com a linha de vida vertical;
b) ao comprimento máximo dos extensores.
35.5.11 A Análise de Risco prevista nesta norma deve considerar para o SPIQ minimamente os
seguintes aspectos:
a) que o trabalhador deve permanecer conectado ao sistema durante todoo período de exposição
ao risco de queda;
b) distância de queda livre;
c) o fator de queda;
d) a utilização de um elemento de ligação que garanta um impacto de no máximo 6 kN seja
transmitido ao trabalhador quando da retenção de uma queda;
e) a zona livre de queda;
f) compatibilidade entre os elementos do SPIQ.
35.5.11.1 O talabarte e o dispositivo trava-quedas devem ser posicionados:
a) quando aplicável, acima da altura do elemento de engate para retenção de quedas do
equipamento de proteção individual;
b) de modo a restringir a distância de queda livre;
c) de forma a assegurar que, em caso de ocorrência de queda, o trabalhador não colida com
estrutura inferior.
35.5.11.1.1 O talabarte, exceto quando especificado pelo fabricante e considerando suas
limitações de uso, não pode ser utilizado:
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a) conectado a outro talabarte, elemento de ligação ou extensor;
b) com nós ou laços.
35.6. Emergência e Salvamento
35.6.1 O empregador deve disponibilizar equipe para respostas em caso de emergências para
trabalho em altura.
35.6.1.1 A equipe pode ser própria, externa ou composta pelos próprios trabalhadores que
executam o trabalho em altura, em função das características das atividades.
35.6.2 O empregador deve assegurar que a equipe possua os recursos necessários para as
respostas a emergências.
35.6.3 As ações de respostas às emergências que envolvam o trabalho em altura devem constar
do plano de emergência da empresa.
35.6.4 As pessoas responsáveis pela execução das medidas de salvamento devem estar
capacitadas a executar o resgate, prestar primeiros socorros e possuir aptidão física e mental
compatível com a atividade a desempenhar.
GLOSSÁRIO NR-35
(Nova Redação dada pela Portaria MTE 1.113/2016)
Absorvedor de energia: Elemento com função de limitar a força de impacto transmitida ao
trabalhador pela dissipação da energia cinética.
Análise de Risco - AR: avaliação dos riscos potenciais, suas causas, consequências e medidas
de controle.
Ancoragem estrutural: elemento fixado de forma permanente na estrutura, no qual um
dispositivo de ancoragem ou um EPI pode ser conectado.
Atividades rotineiras: atividades habituais, independente da freqüência, que fazem parte do
processo de trabalho da empresa.
Avaliação de conformidade: demonstração de que os requisitos especificados em norma técnica
relativos a um produto, processo, sistema, pessoa são atendidos.
Certificação: atestação por organismo de avaliação de conformidade relativa a produtos,
processos, sistemas ou pessoas de que o atendimento aos requisitos especificados em norma
técnica foi demonstrado.
Certificado: que foi submetido à certificação.
Cinturão de segurança tipo paraquedista: Equipamento de Proteção Individual utilizado para
trabalhos em altura onde haja risco de queda, constituído de sustentação na parte inferior do
peitoral, acima dos ombros e envolta nas coxas.
Condições impeditivas: situações que impedem a realização ou continuidade do serviço que
possam colocar em risco a saúde ou a integridade física do trabalhador.
Dispositivo de ancoragem: dispositivo removível da estrutura, projetado para utilização como
parte de um sistema pessoal de proteção contra queda, cujos elementos incorporam um ou mais
pontos de ancoragem fixos ou móveis.
Distância de frenagem: distância percorrida durante a atuação do sistema de absorção de
energia, normalmente compreendida entre o início da frenagem e o término da queda.
Distância de queda livre: distância compreendida entre o início da queda e o início da retenção.
Elemento de engate: elemento de um cinturão de segurança para conexão de um elemento de
ligação.
Elemento de engate para retenção de quedas: elemento de engate projetado para suportar
força de impacto de retenção de quedas, localizado na região dorsal ou peitoral.
Elemento de fixação: elemento destinado a fixar componentes do sistema de ancoragem entre
Elemento de ligação: elemento com a função de conectar o cinturão de segurança ao sistema de
ancoragem, podendo incorporar um absorvedor de energia. Também chamado de componente de
união.
Equipamentos auxiliares: equipamentos utilizados nos trabalhos de acesso por corda que
completam o cinturão tipo paraquedista, talabarte, trava-quedas e corda, tais como: conectores,
bloqueadores, anéis de cintas têxteis, polias, descensores, ascensores, dentre outros
Estrutura: Estrutura artificial ou natural utilizada para integrar o sistema de ancoragem, com
capacidade de resistir aos esforços desse sistema.
48
Extensor: componente ou elemento de conexão de um trava quedas deslizante guiado.
Fator de queda: razão entre a distância que o trabalhador percorreria na queda e o comprimento
do equipamento que irá detê-lo.
Força de impacto: força dinâmica gerada pela frenagem de um trabalhador durante a retenção
de uma queda.
Força máxima aplicável: Maior força que pode ser aplicada em um elemento de um sistema de
ancoragem.
Influências Externas: variáveis que devem ser consideradas na definição e seleção das medidas
de proteção, para segurança das pessoas, cujo controle não é possível implementar de forma
antecipada.
Operação Assistida: atividade realizada sob supervisão permanente de profissional com
conhecimentos para avaliar os riscos nas atividades e implantar medidas para controlar, minimizar
ou neutralizar tais riscos.
Permissão de Trabalho - PT: documento escrito contendo conjunto de medidas de controle,
visando ao desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e resgate.
Ponto de ancoragem: parte integrante de um sistema de ancoragem onde o equipamento de
proteção individual é conectado.
Profissional legalmente habilitado: trabalhador previamente qualificado e com registro no
competente conselho de classe.
Riscos adicionais: todos os demais grupos ou fatores de risco, além dos existentes no trabalho
em altura, específicos de cada ambiente ou atividade que, direta ou indiretamente, possam afetar
a segurança e a saúde no trabalho.
Sistema de acesso por cordas: Sistema de trabalho em que são utilizadas cordas como meio de
acesso e como proteção contra quedas.
Sistema de posicionamento no trabalho: sistema de trabalho configurado para permitir que o
trabalhador permaneça posicionado no local de trabalho, total ou parcialmente suspenso, sem o
uso das mãos.
Sistema de Proteção contra quedas - SPQ: Sistema destinado a eliminar o risco de queda dos
trabalhadores ou a minimizar as consequências da queda.
Sistema de restrição de movimentação: SPQ que limita a movimentação de modo que o
trabalhador não fique exposto a risco de queda.
Sistema de retenção de queda: SPQ que não evita a queda, mas a interrompe depois de
iniciada, reduzindo as suas consequências.
Suspensão inerte: situação em que um trabalhador permanece suspenso pelo sistema de
segurança, até o momento do socorro.
Talabarte: dispositivo de conexão de um sistema de segurança, regulável ou não, para sustentar,
posicionar e/ou limitar a movimentação do trabalhador.
Trabalhador qualificado: trabalhador que comprove conclusão de curso específico para sua
atividade em instituição reconhecida pelo sistema oficial de ensino.
Trava-queda: dispositivo de segurança para proteção do usuário contra quedas em operações
com movimentação vertical ou horizontal, quando conectado com cinturão de segurança para
proteção contra quedas.
Zona livre de queda - ZLQ: região compreendida entre o ponto de ancoragem e o obstáculo
inferior mais próximo contra o qual o trabalhador possa colidir em caso de queda, tal como o nível
do chão ou o piso inferior.
ANEXO I - ACESSO POR CORDAS
(Inclusão dada pela Portaria MTE 593/2014)
1. Campo de Aplicação
1.1 Para fins desta Norma Regulamentadora considera-se acesso por corda a técnica de
progressão utilizando cordas, com outros equipamentos para ascender, descender ou se deslocar
horizontalmente, assim como para posicionamentono local de trabalho, normalmente
incorporando dois sistemas de segurança fixados de forma independente, um como forma de
acesso e o outro como corda de segurança utilizado com cinturão de segurança tipo paraquedista.
1.2 Em situações de trabalho em planos inclinados, a aplicação deste anexo deve ser
estabelecida por Análise de Risco.
1.3 As disposições deste anexo não se aplicam nas seguintes situações:
49
a) atividades recreacionais, esportivas e de turismo de aventura;
b) arboricultura;
c) serviços de atendimento de emergência destinados a salvamento e resgate de pessoas que
não pertençam à própria equipe de acesso por corda.
2. Execução das atividades
2.1 As atividades com acesso por cordas devem ser executadas:
a) de acordo com procedimentos em conformidade com as normas técnicas nacionais vigentes;
b) por trabalhadores certificados em conformidade com normas técnicas nacionais vigentes de
certificação de pessoas;
c) por equipe constituída de pelo menos dois trabalhadores, sendo um deles o supervisor.
2.1.1 O processo de certificação desses trabalhadores contempla os treinamentos inicial e
periódico previstos nos subitens 35.3.1 e 35.3.3 da NR-35.
2.2 Durante a execução da atividade o trabalhador deve estar conectado a pelo menos duas
cordas em pontos de ancoragem independentes.
2.2.1 A execução da atividade com o trabalhador conectado a apenas uma corda pode ser
permitida se atendidos cumulativamente aos seguintes requisitos:
a) for evidenciado na análise de risco que o uso de uma segunda corda gera um risco superior;
b) sejam implementadas medidas suplementares, previstas na análise de risco, que garantam um
desempenho de segurança no mínimo equivalente ao uso de duas cordas.
3. Equipamentos e cordas
3.1 As cordas utilizadas devem atender aos requisitos das normas técnicas nacionais.
3.2. Os equipamentos auxiliares utilizados devem ser certificados de acordo com normas técnicas
nacionais ou, na ausência dessas, de acordo com normas técnicas internacionais.
3.2.1 Na inexistência de normas técnicas internacionais, a certificação por normas estrangeiras
pode ser aceita desde que atendidos aos requisitos previstos na norma europeia (EN).
3.3 Os equipamentos e cordas devem ser inspecionados nas seguintes situações:
a) antes da sua utilização;
b) periodicamente, com periodicidade mínima de seis meses.
3.3.1 Em função do tipo de utilização ou exposição a agentes agressivos, o intervalo entre as
inspeções deve ser reduzido.
3.4 As inspeções devem atender às recomendações do fabricante e aos critérios estabelecidos na
Análise de Risco ou no Procedimento Operacional.
3.4.1 Todo equipamento ou corda que apresente defeito, desgaste, degradação ou deformação
deve ser recusado, inutilizado e descartado.
3.4.2 A Análise de Risco deve considerar as interferências externas que possam comprometer a
integridade dos equipamentos e cordas.
3.4.2.1 Quando houver exposições a agentes químicos que possam comprometer a integridade
das cordas ou equipamentos, devem ser adotadas medidas adicionais em conformidade com as
recomendações do fabricante considerando as tabelas de incompatibilidade dos produtos
identificados com as cordas e equipamentos.
3.4.2.2 Nas atividades nas proximidades de sistemas energizados ou com possibilidade de
energização, devem ser adotadas medidas adicionais.
3.5 As inspeções devem ser registradas:
a) na aquisição;
b) periodicamente;
c) quando os equipamentos ou cordas forem recusados.
3.6 Os equipamentos utilizados para acesso por corda devem ser armazenados e mantidos
conforme recomendação do fabricante ou fornecedor.
4. Resgate
4.1 A equipe de trabalho deve ser capacitada para autorresgate e resgate da própria equipe.
4.2 Para cada frente de trabalho deve haver um plano de resgate dos trabalhadores.
5. Condições impeditivas
5.1 Além das condições impeditivas identificadas na Análise de Risco, como estabelece o item
35.4.5.1, alínea ¨j¨ da NR-35, o trabalho de acesso por corda deve ser interrompido imediatamente
em caso de ventos superiores a quarenta quilômetros por hora.
5.2 Pode ser autorizada a execução de trabalho em altura utilizando acesso por cordas em
condições com ventos superiores a quarenta quilômetros por hora e inferiores a quarenta e seis
quilômetros por hora, desde que atendidos os seguintes requisitos: a) justificar a impossibilidade
50
do adiamento dos serviços mediante documento assinado pelo responsável pela execução dos
serviços;
b) elaborar Análise de Risco complementar com avaliação dos riscos, suas causas,
consequências e medidas de controle, efetuada por equipe multidisciplinar coordenada por
profissional qualificado em segurança do trabalho ou, na inexistência deste, pelo responsável pelo
cumprimento desta norma, anexada à justificativa, com as medidas de proteção adicionais
aplicáveis, assinada por todos os participantes;
c) implantar medidas adicionais de segurança que possibilitem a realização das atividades;
d) ser realizada mediante operação assistida pelo supervisor das atividades.
ANEXO II - SISTEMAS DE ANCORAGEM
(Nova Redação dada pela Portaria MTE 1.113/2016)
1. Campo de aplicação
1.1 Este Anexo se aplica ao sistema de ancoragem, definido como um conjunto de componentes,
integrante de um sistema de proteção individual contra quedas - SPIQ, que incorpora um ou mais
pontos de ancoragem, aos quais podem ser conectados Equipamentos de Proteção Individual
(EPI) contra quedas, diretamente ou por meio de outro componente, e projetado para suportar as
forças aplicáveis.
1.2 Os sistemas de ancoragem tratados neste anexo podem atender às seguintes finalidades:
a) retenção de queda;
b) restrição de movimentação;
c) posicionamento no trabalho;
d) acesso por corda.
1.3 As disposições deste anexo não se aplicam às seguintes situações:
a) atividades recreacionais, esportivas e de turismo de aventura;
b) arboricultura;
c) sistemas de ancoragem para equipamentos de proteção coletiva;
d) sistemas de ancoragem para fixação de equipamentos de acesso;
e) sistemas de ancoragem para equipamentos de transporte vertical ou horizontal de pessoas ou
materiais;
2 Componentes do sistema de ancoragem
2.1 O sistema de ancoragem pode apresentar seu ponto de ancoragem:
a) diretamente na estrutura;
b) na ancoragem estrutural;
c) no dispositivo de ancoragem.
2.1.1 A estrutura integrante de um sistema de ancoragem deve ser capaz de resistir à força
máxima aplicável.
2.2 A ancoragem estrutural e os elementos de fixação devem:
a) ser projetados e construídos sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado;
b) atender às normas técnicas nacionais ou, na sua inexistência, às normas internacionais
aplicáveis.
2.2.1 Os pontos de ancoragem da ancoragem estrutural devem possuir marcação realizada pelo
fabricante ou responsável técnico contendo, no mínimo:
a) identificação do fabricante;
b) número de lote, de série ou outro meio de rastreabilidade;
c) número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou força máxima aplicável.
2.2.1.1 Os pontos de ancoragem da ancoragem estrutural já instalados e que não possuem a
marcação prevista nesse item devem ter sua marcação reconstituída pelo fabricante ou
responsável técnico.
2.2.1.1.1 Na impossibilidade de recuperação das informações, os pontos de ancoragem devem
ser submetidos a ensaios, sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado, e marcados
com a identificação do número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou da força
máxima aplicável e identificação que permita a rastreabilidade do ensaio.
2.3 O dispositivo de ancoragem deve atender a um dos seguintes requisitos:
a) ser certificado;
b) ser fabricado em conformidade com as normas técnicas nacionais vigentes sob
responsabilidade do profissional legalmente habilitado;
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c) ser projetado por profissional legalmente habilitado, tendo como referência as normas
técnicasnacionais vigentes, como parte integrante de um sistema completo de proteção individual
contra quedas.
3 Requisitos do sistema de ancoragem
3.1 Os sistemas de ancoragem devem:
a) ser instalados por trabalhadores capacitados;
b) ser submetidos à inspeção inicial e periódica.
3.1.1 A inspeção inicial deve ser realizada após a instalação, alteração ou mudança de local.
3.1.2 A inspeção periódica do sistema de ancoragem deve ser efetuada de acordo com o
procedimento operacional, considerando o projeto do sistema de ancoragem e o de montagem,
respeitando as instruções do fabricante e as normas regulamentadoras e técnicas aplicáveis, com
periodicidade não superior a 12 meses.
3.2 O sistema de ancoragem temporário deve:
a) atender os requisitos de compatibilidade a cada local de instalação conforme procedimento
operacional;
b) ter os pontos de fixação definidos sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado.
3.3 O sistema de ancoragem permanente deve possuir projeto e a instalação deve estar sob
responsabilidade de profissional legalmente habilitado.
4 Projetos e especificações
4.1 O projeto, quando aplicável, e as especificações técnicas do sistema de ancoragem devem:
a) estar sob responsabilidade de um profissional legalmente habilitado;
b) ser elaborados levando em conta os procedimentos operacionais do sistema de ancoragem;
c) conter indicação das estruturas que serão utilizadas no sistema de ancoragem;
d) conter detalhamento e/ou especificação dos dispositivos de ancoragem, ancoragens estruturais
e elementos de fixação a serem utilizados.
4.1.1 O projeto, quando aplicável, e as especificações técnicas devem conter dimensionamento
que determine os seguintes parâmetros:
a) a força de impacto de retenção da queda do(s) trabalhador(es), levando em conta o efeito de
impactos simultâneos ou sequenciais;
b) os esforços em cada parte do sistema de ancoragem decorrentes da força de impacto;
c) a zona livre de queda necessária.
5. Procedimentos operacionais
5.1 O sistema de ancoragem deve ter procedimento operacional de montagem e utilização.
5.1.1 O procedimento operacional de montagem deve:
a) contemplar a montagem, manutenção, alteração, mudança de local e desmontagem;
b) ser elaborado por profissional qualificado em segurança do trabalho, considerando os requisitos
do projeto, quando aplicável, e as instruções dos fabricantes.
6. PREVENÇÃO E CONTROLE DE INCÊNDIOS
A Norma Regulamentadora nº 23 – Proteção Contra Incêndio estabelece as medidas de
proteção contra incêndio que os locais de trabalho devem dispor, visando à prevenção da
saúde e da integridade física dos trabalhadores. Outras exigências legais quanto às
características construtivas e sistemas de proteção e combate a incêndios acham-se
contidas no COSCIP (Código de Segurança contra Incêndio e Pânico do Estado do Rio de
Janeiro).
6.1. Teoria do fogo
Definições
FOGO: É o resultado de uma reação química chamada combustão. Corresponde à
oxidação rápida de uma substância, com consequente produção de calor, luz, gases e
vapor d’água.
52
INCÊNDIO: É o fogo cuja ocorrência se dá de forma descontrolada causando prejuízo
ao homem.
Elementos Essenciais para a Ocorrência do Fogo ou Incêndio
COMBUSTÍVEL: É o material que vai sofrer a reação química propriamente dita, podendo
ser do tipo sólido (papel, madeira, tecidos, fibras); líquido (gasolina, álcool, tintas); ou
gasoso (metano, butano).
COMBURENTE: É o oxigênio, um gás não inflamável, componente do ar atmosférico na
proporção de 21% em volume. É o elemento que reage com o combustível
proporcionando a reação de combustão.
CALOR: É o elemento necessário para dar a partida (ignição) na reação de combustão e
mantê-la ocorrendo.
REAÇÃO EM CADEIA: A reação em cadeia torna a queima auto-sustentável. O calor
radiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores
(moléculas que foram quebradas formando radicais livres), que se combina com o
oxigênio (comburente) e queimam, radiando outra vez calor para o combustível,
quebrando mais moléculas, formando um ciclo constante.
Devemos ressaltar que tanto o fogo quanto o incêndio têm o mesmo princípio, que é a
necessidade de haver num mesmo ambiente a presença (em proporções determinadas)
do combustível, do comburente, e de uma fonte de ignição, como exemplo: papel
(combustível); ar (comburente); Ponta de cigarro acesa (fonte de ignição).
Dessa maneira, para prevenirmos a ocorrência de incêndios, devemos sempre manter
separados, ou adequadamente protegidos, esses três elementos. A presença de somente
um ou dois elementos não é suficiente para iniciar um incêndio. Por exemplo, ao abrirmos
o gás do fogão da cozinha (combustível), ele se mistura com o oxigênio do ar
(comburente), porém, se não riscarmos um fósforo (fonte de ignição), não haverá fogo.
Alguns exemplos comuns de fontes de ignição são: fósforos, isqueiros, curto-circuitos,
maçaricos, centelhas, fagulhas, etc.
6.2. Métodos de extinção
Quatro são os métodos básicos de extinção do fogo ou incêndio:
Isolamento ou retirada do material
Consiste na retirada ou interrupção dos materiais combustíveis que alimentam as
chamas. Exemplos: aceiro (corte de vegetação), praticado nos casos de incêndios em
matas, florestas e campos, que interrompe a continuidade do fogo; fechamento de
Para a ocorrência do fogo ou incêndio, é necessário que
haja a presença simultânea e adequada dos seguintes
componentes: combustível, comburente, calor, e reação
em cadeia. Na ausência de qualquer um desses quatro
elementos o fogo se apaga ou simplesmente não se inicia.
Esse conjunto de elementos essenciais para a existência
do fogo é chamado de quadrado do fogo.
53
válvulas para que seja interrompido o fluxo de combustível líquido ou gasoso;
fechamento de válvula de fogão de cozinha, interrompendo o flux de gás.
Resfriamento
É o método no qual o fogo é extinto através da eliminação ou diminuição do elemento
calor. A reação química de combustão cessa pela falta do calor.
Abafamento
A técnica do abafamento tem como princípio a diminuição do teor de oxigênio
(comburente) a níveis inferiores a 13% de volume no ar, a partir do qual a reação química
de combustão não mais se mantém.
Quebra da reação em cadeia
É o método conhecido como extinção química, onde o agente extintor interfere na reação
das substâncias geradas durante a combustão.
6.3. Classes de incêndio
Classe A
É aquele no qual o combustível corresponde a materiais de fácil combustão com a
propriedade de queimarem em sua superfície e profundidade, e que deixam resíduos
(cinzas e brasas), como por exemplo os tecidos, madeira, papel, fibra, etc.
Classe B
É aquele no qual o combustível queima apenas em superfície, como por exemplo, os
líquidos inflamáveis (gasolina, álcool, querosene, óleo diesel, tintas, etc), os gases
inflamáveis (acetileno, gás liquefeito de petróleo - GLP, etc) e os colóides (combustíveis
pastosos, como graxas, etc).
Classe C
É aquele cuja característica principal é a presença de corrente elétrica, ou seja, é o
incêndio que ocorre em equipamentos elétricos energizados, como motores,
transformadores, quadros de distribuição e instalações elétricas em geral.
Classe D
É aquele no qual o combustível corresponde a metais pirofóricos, como magnésio,
selênio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio, urânio e zircônio. São
substâncias que têm o poder de alimentar a própria chama, e, para a sua extinção,
exigem o emprego de substâncias especiais.
Para cada classe de incêndio, existe um tipo específico de extintor, como veremos mais
adiante.
6.4. Agentes extintores
Os principais agentes de extinção são os conhecidos Extintores de Incêndio, que
apresentam as seguintes propriedadesou características:
• Extintor de Água: extingue as chamas por resfriamento;
• Espuma: extingue as chamas por abafamento e resfriamento;
54
• Dióxido de carbono (CO²): extingue as chamas por abafamento, reduzindo o
oxigênio necessário a combustão;
• Pó químico: extingue as chamas pela quebra da reação em cadeia. Sua ação
extintora ocorre através da interferência na reação em cadeia, ou seja, o pó químico
reage com os produtos intermediários formados durante a combustão;
• Especiais: sua ação extintora é realizada com extintor tipo “químico seco”, porém, o
pó químico será específico para cada material.
Uso correto dos extintores de incêndio
Vejamos a seguir que tipo de extintor deve ser utilizado para cada classe de incêndio:
Classe de incêndio / Combustível Tipo de extintor a ser utilizado
A papel, fibras, tecidos e madeira água / espuma / CO²
B líquidos e gases inflamáveis Espuma / pó químico / CO²
C equipamentos elétricos energizados CO² / pó químico
D magnésio, lítio, zinco, etc pó químico específico
6.5. Sistemas de prevenção e combate
Extintores
O extintor portátil é um aparelho manual, constituído de recipiente e acessório, contendo o
agente extintor, destinado a combater princípios de incêndio.
O extintor sobre rodas (carreta) também é constituído em um único recipiente com agente
extintor para extinção do fogo, porém com capacidade de agente extintor em maior
quantidade.
Esses equipamentos devem estar dispostos nas edificações em locais de fácil acesso
para efetuar o combate imediato ao incêndio, logo após a sua detecção, em sua origem,
enquanto são pequenos focos.
CO2 Água Pressurizada
55
Hidrantes
É um sistema de proteção ativa, destinado a conduzir e distribuir tomadas de água, com
determinada pressão e vazão em uma edificação, assegurando seu funcionamento por
determinado tempo.
Sua finalidade é proporcionar aos ocupantes de uma edificação, um meio de combate
para os princípios de incêndio no qual os extintores manuais se tornam insuficientes.
Os componentes de um sistema de hidrantes são:
1) reservatório de água, que pode ser subterrâneo, ao nível do piso elevado;
2) sistema de pressurização.
O sistema de pressurização consiste normalmente em uma bomba de incêndio,
dimensionada a propiciar um reforço de pressão e vazão, conforme o dimensionamento
hidráulico de que o sistema necessitar.
O Corpo de Bombeiros, em sua intervenção a um incêndio, pode utilizar a rede hidrantes
(principalmente nos casos de edifícios altos). Para que isto ocorra, os hidrantes devem
ser instalados em todos os andares, em local protegido dos efeitos do incêndio, nas
proximidades das escadas de segurança.
Hidrante de parede Hidrante de coluna
A canalização do sistema de hidrante deve ser dotada de um prolongamento até o
exterior da edificação de forma que possa permitir, quando necessário, recalcar água para
o sistema pelas viaturas do Corpo de Bombeiros.
Chuveiros automáticos ("SPRINKLERS")
O sistema de chuveiros automáticos é composto por um suprimento d'água em uma rede
hidráulica sob pressão, onde são instalados em diversos pontos estratégicos, dispositivos
de aspersão d'água (chuveiros automáticos), que contém um elemento termo-sensível,
que se rompe por ação do calor proveniente do foco de incêndio, permitindo a descarga
d'água sobre os materiais em chamas.
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O sistema de chuveiros automáticos para extinção a incêndios possui grande
confiabilidade, e se destina a proteger diversos tipos de edifícios.
Deve ser utilizado em situações:
1) quando a evacuação rápida e total do edifício é impraticável e o combate ao incêndio é
difícil;
2) quando se deseja projetar edifícios com pavimentos com grandes áreas sem
compartimentação.
Pode-se dizer que, via de regra, o sistema de chuveiros automáticos é a medida de
proteção contra incêndio mais eficaz quanto à água for o agente extintor mais adequado.
Sistema de espuma
A espuma mecânica é amplamente aplicada para combate em incêndio em líquidos
combustíveis e inflamáveis.
A espuma destinada à extinção dos incêndios é um agregado estável de bolhas, que tem
a propriedade de cobrir e aderir aos líquidos combustíveis e inflamáveis, formando uma
camada que impede o contato com o ar, e impede a saída para a atmosfera dos vapores
voláteis desses líquidos.
A espuma também pode ser aplicada na superfície de combustíveis sólidos, mas nunca
sobre equipamentos elétricos energizados, já que ela é um agente extintor condutor de
eletricidade.
Sistema fixo de CO2.
O sistema fixo de baterias de cilindros de CO2, consiste de tubulações, válvulas,
difusores, rede de detecção, sinalização, alarme, painel de comando e acessórios,
destinado a extinguir incêndio por abafamento, por meio da descarga do agente extintor.
Seu emprego visa à proteção de locais onde o emprego de água é desaconselhável, ou
locais cujo valor agregado dos objetos e equipamentos é elevado nos quais a extinção por
outro agente causará a depreciação do bem pela deposição de resíduos.
OUTROS EQUIPAMENTOS
Detectores de fumaça
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Acionadores manuais de alarme
Alarme sonoro e visual Rádios intercomunicadores
Plano de Emergência
A população do edifício deve estar preparada para enfrentar uma situação de incêndio,
quer seja adotando as primeiras providências no sentido de controlar o incêndio, quer seja
abandonando o edifício de maneira rápida e ordenada.
Para isto ser possível é necessário como primeiro passo, a elaboração de planos para
enfrentar a situação de emergência que estabeleçam em função dos fatores
determinantes de risco de incêndio, as ações a serem adotadas e os recursos materiais e
humanos necessários. A formação de umaequipe com este fim específico é um aspecto
importante deste plano, pois permitirá a execução adequada do plano de emergência.
Brigada de Incêndio
Essas equipes podem ser divididas em duas categorias, conforme a função que irá
exercer:
1) Equipe destinada a propiciar o abandono seguro do edifício em caso de incêndio,
orientando os ocupantes durante a desocupação.
2) Equipe preparada para dar o combate aos princípios de incêndio na edificação.
Dependendo da empresa, pode ocorrer que a mesma equipe exerça as duas funções
simultaneamente – orientação do abandono e combate.
58
6.6. Procedimentos em caso de incêndio
• Comunique o ocorrido à brigada de incêndio ou acione o alarme;
• Acione o Corpo de Bombeiros no telefone 193, se for o caso;
• Fale pausadamente o seu nome, o local da emergência e o que está acontecendo;
• Use extintores ou os meios disponíveis para apagar o fogo se estiver treinado;
• Ao ouvir a mensagem de abandono, dirija-se imediatamente para o ponto de reunião;
• Seja rápido ao abandonar a área, mas mantenha a calma;
• Existindo muita fumaça no ambiente ou local atingido, usar um lenço como máscara
(se possível molhado), cobrindo o nariz e a boca;
• Siga as orientações dos brigadistas;
• Não use elevadores;
• Desça as escadas até o térreo usando o corrimão;
• Não leve objetos que possam dificultar sua movimentação nas escadas;
• Não volte ao local de trabalho sob nenhum pretexto.
Deveres e Obrigações
• Procure conhecer todas assaídas que existem no seu local de trabalho, inclusive as
rotas de fuga e os pontos de encontro;
• Participe ativamente dos treinamentos teóricos, práticos e reciclagens;
• Respeite as normas de proteção e controle de incêndio, adotadas na empresa;
• Comunique imediatamente aos membros da Equipe de Emergência, qualquer tipo de
irregularidade.
7. SALVATAGEM
7.1. Noções de Salvatagem
Salvatagem é o conjunto de meios e procedimentos que asseguram a sustentação da
vida humana no mar. Os fatores básicos da salvatagem são: equipamentos adequados,
procedimentos padronizados e treinamentos continuados.
As embarcações nacionais, em função de seu porte e, área de navegação, e serviço,
deverão ser dotadas de equipamentos de salvatagem e de segurança para seus
tripulantes e passageiros.
Tais equipamentos devem ser aprovados pela Autoridade Marítima, mediante expedição
de certificado de homologação, devendo estar em bom estado de conservação e dentro
dos prazos de validade ou de revisão.
Existe uma legislação extensa sobre segurança marítima e salvatagem. As mais
importantes são as seguintes:
1.SOLAS: Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar
2. LESTA: Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário
3. MODU CODE: Código para Construção e Equipamentos para Plataformas Móveis
4. CÓDIGO LSA: Código Internacional e Equipamentos Salva-Vidas
5. IAMSAR: Manual Internacional de Busca e Salvamento Aeronáutico e Marítimo
6. NORMAMs: Coletânea de Normas da Autoridade Marítima
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7.2 Procedimentos de Emergência
Há inúmeras e imprevisíveis ocorrências que colocam em risco a vida humana em uma
unidade marítima (embarcação, plataforma, etc), dentre elas as mais comuns são:
colisão, incêndio, explosão, água aberta (alagamento da unidade marítima), adernagem
(inclinação excessiva da unidade), naufrágio (afundamento), tempestade, acidentes com
aeronaves, vazamento de gás e queda de homem ao mar. Para cada uma delas existem
procedimentos adequados de reposta, que visam o controle das perdas. Estes
procedimentos estão descritos nos planos de emergência e envolvem os grupos de ação
e a utilização de diversos equipamentos.
7.3 Grupos de Ação
São as equipes treinadas para combater as diversas situações de emergência em uma
unidade marítima, a saber:
• Brigada de incêndio: combate e controla os incêndios a bordo.
• Equipe de parada de emergência: controla a produção e a estabilidade de poços.
• Equipe de abandono: orienta o pessoal na preparação e abandono da unidade
marítima.
• Equipe de resgate: realiza o resgate de náufragos, coordena o abandono por balsas
infláveis e reboca embarcações de sobrevivência.
• Equipe de controle de avarias: mantém as condições de flutuabilidade da unidade
marítima.
7.4 Equipamentos de Salvatagem
• Coletes salva-vidas: Existem dois tipos básicos – o naturalmente flutuante e o inflável
automaticamente. Deverão ser dispostos de modo a serem prontamente acessíveis e
de localização claramente indicada. O número de coletes deverá ser igual ao úmero
de pessoas a bordo. Eles devem possuir fitas refletivas, apito e dispositivo iluminativo.
• Bóias salva-vidas: Destinam-se a servir como auxílio primário à pessoa que caiu no
mar e aguarda salvamento. Não devem ficar presas permanentemente à embarcação;
devem ficar suspensas em suportes fixos, cujo chicote não deve estar amarrado à
embarcação. Elas devem ser fabricadas em fibra de vidro e poliuretano, na cor laranja,
e possuir fitas refletivas à luz.
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• Balsa inflável: Tipo de embarcação que fica acondicionada em um casulo e se arma
por um sistema de ar comprimido, onde o pessoal fica abrigado da chuva, vento e do
sol. Deve resistir a uma exposição de 30 dias ao tempo, flutuando em todas as
condições de mar, e ser resistente às intempéries. De acordo com o Solas (Safety of
Life at Sea), toda balsa deve ter um conjunto de equipamentos para uso em
emergências (palamenta), a saber: kit de pesca, kit de primeiros socorros, 2 remos, 2
baldes e 2 âncoras flutuantes, um apito, uma lanterna à prova d’água, 1,5 l de água
potável por pessoa, 6 fachos luminosos manuais, 4 foguetes luminosos com pára-
quedas, dois fumígenos de fumaça cor laranja, pílulas anti-enjôo, entre outros.
• Baleeira: São embarcações rígidas, motorizadas, construídas em fibra de vidro
retardante ao fogo, onde o pessoal permanece aguardando o resgate. Deve ter
suficiente flutuabilidade mesmo alagada e com toda a lotação. Todos os passageiros
devem permanecer atados aos seus assentos. Como na balsa inflável, a baleeira deve
possuir palamenta contendo os equipamentos e utensílios necessários à sobrevivência
no mar.
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• Bote de resgate: É uma embarcação ágil, motorizada, utilizada para resgate de
pessoas que caem no mar.
7.5 Meios de Alerta e Sinalização
É necessário que os náufragos tenham algum meio de sinalizar as equipes de busca e
salvamento. Os equipamentos tradicionalmente utilizados para sinalização são os
dispositivos visuais, como os pirotécnicos, os fumígenos, o espelho heliográfico e a
lanterna.
• Artefatos pirotécnicos: São dispositivos de iluminação, de uso noturno, que indicam
que uma embarcação ou pessoa se encontra em perigo. Existem dois tipos – foguete
pára-queda e facho manual, ambos emitem luz de cor vermelha.
• Fumígenos: São dispositivos flutuantes, de uso diurno, que emitem uma fumaça de cor
bem visível. Não devem ser segurados com as mãos.
• Espelho heliográfico: Equipamento de sinalização de uso diurno, que em dias
ensolarados reflete o brilho da luz solar chamando a atenção de embarcações e
aeronaves que passam nas proximidades.
• Lanternas: Equipamento de uso noturno. Deve ser à prova d’água e permitir a
transmissão de código Morse.
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Também existem meios de sinalização sonora:
• Alarme geral de emergência: É usado para chamar os passageiros e a tripulação para
os postos de reunião em casos de acidentes e emergências. Deve ser complementado
por um sistema de alto-falantes ou por outros meios adequados de comunicação.
Deve ser audível em todos os locais da embarcação.
• Apito: Sua utilização é bastante restrita e está ligada ao momento em que se segue ao
acidente, na reunião de embarcações de sobrevivência e na indicação da direção que
deve ser tomada pelos náufragos, principalmente à noite e quando há pouca
visibilidade (nevoeiro).
8. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE
8.1 Efeitos da poluição no ambiente marinho
Os efeitos nocivos provocados pela poluição no ambiente marinho já são plenamente
conhecidos. Entre eles podemos citar os seguintes:
• Contaminação da fauna e da flora, com eventual mortandade devido à ação tóxica das
substâncias poluidoras;
• Abafamento (falta de oxigênio) e eventual morte por asfixia da fauna e da flora;
• Contaminação das águas prejudicando o seu uso pelas termoelétricas, fábricas,
estaleiros, entre outros;
• Comprometimento dos alimentos provenientes do mar, rios e lagos (peixes,
crustáceos, etc);
• Danos e eventual morte de espécies aquáticas raras.
As substâncias poluidoras (especialmente óleo) são provenientes de inúmeras fontes,
como as refinarias, plataformas de petróleo, embarcações e indústrias.
8.2 Legislação sobe a prevenção da poluição
Ao longo dos últimos anos, foi criada e aprovada uma coletânea de leis e convenções
internacionais com o objetivo de prevenir e fiscalizar a poluição no mar. A essas leis foram
acrescidas novas instruções, por meio de anexos, refletindo a preocupação cada vez
maior com os acidentes que podem prejudicar o meio ambiente. No Brasil, os principais
regulamentos são os seguintes:
Lei nº 9.605,de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais)
Esta lei estabelece que as empresas que provocarem degradação ambiental poderão
responder civil, criminal e administrativamente, incluindo a responsabilidade das pessoas
físicas que dirigem a empresa.
A empresa que cometer crime ambiental poderá ser criminalmente punida com multa,
restrição de direitos e prestação de serviços à comunidade. As penas restritivas de
direitos são a suspensão parcial ou total da atividade, proibição de fazer contratos com
órgãos públicos, entre outras. As multas variam de R$ 50,00 a R$ 50 milhões.
63
Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000
Instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC.
Estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de
conservação. O SNUC tem os seguintes objetivos, entre outros:
• Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no
território nacional e nas águas jurisdicionais;
• Proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;
• Contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas
naturais;
• Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
• Promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no
processo de desenvolvimento;
• Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica.
Lei nº 9.996, de 28 de abril de 2000
Esta Lei estabelece os princípios básicos a serem obedecidos na movimentação de óleo e
outras substâncias nocivas ou perigosas em portos organizados, instalações portuárias,
plataformas e navios em águas sob jurisdição nacional.
Todo porto organizado, instalação portuária e plataforma, bem como suas instalações de
apoio, disporá obrigatoriamente de instalações ou meios adequados para o recebimento e
tratamento dos diversos tipos de resíduos e para o combate da poluição, observadas as
normas e critérios estabelecidos pelo órgão ambiental competente.
As plataformas e os navios que transportarem óleo ou substância nociva ou perigosa deverão ter a bordo,
um livro de registro de carga, que poderá ser requisitado pela autoridade marítima, pelo órgão ambiental
competente e pelo órgão regulador da indústria do petróleo, no qual serão feitas anotações relativas a todas
as movimentações de óleo, lastro, misturas oleosas e substâncias, inclusive as entregas efetuadas às
instalações de recebimento e tratamento de resíduos.
8.3 Planos de Contingência
É um conjunto de medidas que estabelece as responsabilidades e as ações a serem
desencadeadas imediatamente após um incidente, bem como define os recursos
humanos, materiais e equipamentos adequados à prevenção e ao controle do incidente.
O plano de contingência deverá conter procedimentos que orientem as tripulações de
bordo e pessoas em terra, sobre como agir de maneira rápida e eficiente no caso de
ocorrer uma poluição por óleo. As notificações de poluição deverão ser feitas pelo meio
mais rápido disponível, contendo o máximo de informações sobre o acidente, como a
localização do navio, a quantidade de óleo derramado, o tipo de óleo, as condições
meteorológicas locais e as condições de corrente e maré. Dentro do plano, deverão estar
previstos cenários de derrames por óleo não só em fases operacionais como também os
acidentais, que poderão resultar em falhas estruturais e na possível perda da
embarcação.
8.4 Destinação de resíduos de bordo
Os resíduos de bordo devem ter um destino definido assegurando que eles não poluirão o
meio ambiente. Para tanto, deve-se estabelece procedimentos corretos para a
segregação e destinação dos resíduos ou rejeitos produzidos a bordo. O mais correto é
que esses materiais sejam reciclados e/ou reaproveitados. Nada pode ser descartado no
mar.
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9. NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS
O que são primeiros socorros?
Primeiros Socorros são as primeiras providências tomadas no local do acidente. É o
atendimento inicial e temporário, até a chegada de um socorro profissional.
Quais são essas providências?
• Uma rápida avaliação da vítima;
• Aliviar as condições que ameacem a vida ou que possam agravar o quadro da vítima,
com a utilização de técnicas simples;
• Acionar corretamente um serviço de emergência local.
O que eu devo fazer primeiro? E depois?
É claro que cada acidente é diferente do outro. E, por isso, só se pode falar na melhor
forma de socorro, quando se sabe quais as suas características, como, por exemplo,
vítimas presas em ferragens, presença de substâncias tóxicas, riscos de incêndio,
explosão, queda, desabamento, etc. Tudo isso interfere na forma do socorro. Suas ações
também vão ser diferentes caso haja outras pessoas iniciando os socorros, ou mesmo se
você estiver ferido. Mas a seqüência das ações a serem realizadas vai sempre ser a
mesma:
• manter a calma;
• garantir a segurança;
• pedir socorro;
• controlar a situação;
• verificar a situação das vítimas;
• realizar algumas ações com as vítimas.
Você pode melhorar o socorro, pelo telefone
Mesmo com toda a urgência de atender ao acidente, os atendentes do chamado de
socorro vão fazer algumas perguntas para você. São perguntas para orientar a equipe,
informações que vão ajudar a prestar um socorro mais adequado e eficiente. Dentro do
possível, ao chamar o socorro, tenha as respostas para as perguntas:
• Tipo do acidente (colisão de veículos, incêndio, explosão, queda de altura, choque
elétrico, etc);
• Gravidade aparente do acidente;
• Local do acidente;
• Número aproximado de vítimas envolvidas;
• Condições das vítimas;
• Vazamento de substâncias perigosas.
Como Sinalizar? Como garantir a segurança de todos?
As diversas ações num acidente podem ser feitas por mais de uma pessoa, ao mesmo
tempo. Enquanto uma pessoa telefona, outra sinaliza o local e assim por diante. Assim,
ganha-se tempo para o atendimento, fazer a sinalização e garantir a segurança no local.
Os acidentes acontecem dentro ou fora das empresas e acabam dificultando a passagem
normal de veículos e pessoas que trabalham ou passam pelo local. Por isso, esteja certo
de que situações de perigo vão ocorrer (novos acidentes), se você demorar muito ou não
sinalizar o local de forma adequada.
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O que é possível fazer? As limitações no atendimento às vítimas.
Você não é um profissional de resgate e por isso deve se limitar a fazer o mínimo
necessário com a vítima até a chegada do socorro. Infelizmente, vão existir algumas
situações que o socorro, mesmo chegando rapidamente e com equipamentos e
profissionais treinados, pouco poderá fazer pela vítima. Você, mesmo com toda a boa
vontade, também poderá encarar uma situação em que seja necessário mais que a
solidariedade que você pode oferecer. Mesmo nestas situações difíceis, não se espera
que você faça algo para o qual não esteja preparado ou treinado.
Fazendo contato com a vítima
Depois de garantido, pelo menos o básico em segurança e a solicitação do socorro, é o
momento em que você poderá iniciar contato com a vítima.
Ao iniciar seu contato com a vítima, faça tudo sempre com base em 4 atitudes: informe,
ouça, aceite e seja solidário:
• Informe à vítima o que você está fazendo para ajudá-la e, com certeza ela vai ser mais
receptiva aos seus cuidados.
• Ouça e aceite suas queixas e a sua expressão de ansiedade respondendo as perguntas
com calma e de forma apaziguadora.
• Não minta e não dê informações que causem impacto ou estimulem a discussão sobre a
culpa no acidente.
• Seja solidário e permaneça junto à vítima em um local onde ela possa ver você, sem que
isso coloque em risco sua segurança.
Impedindo movimentos da cabeça
É procedimento importante e fácil de ser aplicado, mesmo em vítimas de atropelamento.
Segure a cabeça da vítima, pressionando a região das orelhas, impedindo a
movimentação da cabeça. Se a vítima estiver de bruços ou de lado, procurealguém
treinado para avaliar se ela necessita ser virada e de como fazê-lo, antes do socorro
chegar. Em geral ela só deverá ser virada se não estiver respirando. Se estiver de bruços
e respirando, sustente a cabeça nesta posição e aguarde o socorro chegar. Se a vítima
estiver sentada, mantenha a cabeça na posição encontrada. Como na situação anterior,
ela poderá ser movimentada se não estiver respirando, mas a ajuda de alguém com
treinamento prático será necessária.
Vítima inconsciente
Ao tentar manter contato com a vítima, faça perguntas simples e diretas como:
– Como você está? Qual é seu nome? O que aconteceu? Você sabe onde está?
O objetivo dessas perguntas é apenas identificar a consciência da vítima. Ela poderá
responder bem e naturalmente suas perguntas, e isto é um bom sinal, mas poderá estar
confusa ou mesmo nada responder. Se ela não apresentar nenhuma resposta
demonstrando estar inconsciente ou desmaiada, mesmo depois de você chamá-la em voz
alta, ligue novamente para o serviço de socorro, complemente as informações e siga as
orientações que receber. Além disso, indague entre as pessoas que estão no local, se
existe alguém treinado e preparado para atuar nesta situação. Em um acidente, a
movimentação de vítima inconsciente e mesmo a identificação de uma parada respiratória
ou cardíaca, exige treinamento prático específico.
Controlando uma hemorragia externa
São diversas as técnicas para conter uma hemorragia externa. Algumas são simples e
outras complexas que só devem ser aplicadas por profissionais. A mais simples, que
qualquer pessoa pode realizar, é a compressão do ferimento, diretamente sobre ele, com
uma gaze ou pano limpo. Você poderá necessitar de luvas para sua proteção, para não
se contaminar. Naturalmente você deverá cuidar só das lesões facilmente visíveis que
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continuam sangrando e daquelas que podem ser cuidadas sem a movimentação da
vítima. Só aja em lesões e hemorragias se você se sentir seguro para isso.
Escolha um local seguro para as vítimas
Muitas das pessoas envolvidas no acidente já podem estar desorientadas e traumatizadas
com o acontecido. É importante que você localize um local sem riscos e junte estas
pessoas nele. Isto irá facilitar muito o atendimento e o controle da situação, quando
chegarem as equipes de socorro.
O que não se deve fazer com uma vítima de acidente
Não movimente.
Não faça torniquetes.
Não dê nada para beber.
Você só quer ajudar, mas muitos são os procedimentos que podem agravar a situação
das vítimas. Os mais comuns e que você deve evitar são:
• movimentar uma vítima
• aplicar torniquetes para estancar hemorragias
• dar alguma coisa para a vítima tomar
Não movimente a vítima
A movimentação da vítima poderá causar piora de uma lesão na coluna ou em uma
fratura de um braço ou perna. A movimentação da cabeça ou do tronco de uma vítima
que sofreu um acidente com impacto, ou num atropelamento, pode agravar muito uma
lesão de coluna. Num acidente pode haver uma fratura ou deslocamento de uma vértebra
da coluna, por onde passa a medula espinhal. Movimentando a vítima nessa situação,
você pode deslocar ainda mais a vértebra lesada e danificar a medula, causando paralisia
dos membros ou ainda da respiração, o que com certeza vai provocar danos muito
maiores, talvez irreversíveis. No caso dos membros fraturados, a movimentação pode
causar agravamento das lesões internas no ponto de fratura, provocando o rompimento
de vasos sanguíneos ou lesões nos nervos, levando a graves complicações. Assim, a
movimentação de uma vítima só deve ser realizada antes da chegada de uma equipe de
socorro, se houver perigos imediatos como incêndio, perigo do veículo cair, ou seja,
desde que esteja presente algum risco incontrolável. Não havendo risco imediato, não
movimente as vítimas. Até mesmo no caso das vítimas que saem andando do acidente,
é melhor que não se movimentem e aguardem o socorro chegar para uma melhor
avaliação. Aconselhe-as a aguardar sentadas em lugar seguro.
Não aplique torniquetes
O torniquete não deve ser realizado para estancar hemorragias externas. Atualmente este
procedimento é feito só por profissionais treinados e mesmo assim, em caráter de
exceção, quase nunca é aconselhado.
Não dê nada para a vítima ingerir
Nada deve ser dado para ingerir a uma vítima de acidente que possa ter lesões internas
ou fraturas e certamente será transportada para um hospital. Nem mesmo água. Se o
socorro já foi chamado, aguarde os profissionais que vão decidir sobre a conveniência ou
não. O motivo é que a ingestão de qualquer substância poderá interferir de forma negativa
nos procedimentos hospitalares. Por exemplo, se a vítima for submetida a cirurgia, o
estômago com água ou alimentos, é fator que aumenta o risco no atendimento hospitalar.
Não os impeça de fazer uso dos medicamentos se for rotina para eles.
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10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Normas Regulamentadoras do MTE.
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nrs.htm , 31.07.19
2. Manual de Legislação Atlas de Segurança e Medicina do Trabalho. 82ª edição, Ed.
Atlas, 2019.
3. Araújo, Giovanni Moraes de (organizador). Normas Regulamentadoras
Comentadas e Ilustradas, 8ª edição, 2015.
4. Moraes, Carlos Roberto Naves. Perguntas e Respostas Comentadas em
Segurança e Medicina do Trabalho. 6ª edição, Ed. Yendis, 2012.
5. Básico de Segurança de Plataforma. Instituto de Ciências Náuticas (ICN), 2011.
6. Sampling. Curso Básico de Segurança em Plataforma, 2ª edição, 2008.
7. Manual Técnico de Qualificação em SMS para Empregados de Empresas
Prestadoras de Serviço. Petrobras, 2004.
01/08/19