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ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL HENRIQUE LAGE 
 
 
 
SMS 
 SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ORGANIZADOR: 
 
JOSÉ ALBERTO PORTO DE SOUZA 
 
 
 
 
RIO DE JANEIRO 
2019 
 
 
 
 
 
 
2
 
SUMÁRIO 
 
 
 Pg. 
 
1. INTRODUÇÃO 4 
 
1.1 . Histórico e objetivo da segurança do trabalho 4 
1.2 . Gestão integrada em segurança, meio ambiente e saúde (SMS) 6 
 
2. ACIDENTE DE TRABALHO 6 
 
2.1. Conceitos de desvio, incidente e acidente 6 
 
2.2. Legislação de acidente de trabalho 7 
2.2.1. Conceito legal 7 
2.2.2. Ocorrências equiparadas 7 
2.2.3. Acidente típico 9 
2.2.4. Acidente de trajeto 9 
2.2.5. Comunicação do acidente de trabalho 9 
 
2.3. Causas dos acidentes de trabalho 9 
2.3.1. Causas diretas 10 
 
2.4. Conseqüências dos acidentes de trabalho 10 
 
3. RISCOS NOS AMBIENTES DE TRABALHO 11 
 
3.1. Riscos ambientais 11 
3.1.1. Riscos físicos 11 
3.1.2. Riscos químicos 14 
3.1.3. Riscos biológicos 15 
3.1.4. Riscos ergonômicos 15 
3.1.5. Riscos de acidentes 17 
 
3.2. Mapa de riscos 17 
 
4. PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO 19 
 
4.1. Medidas de proteção 19 
4.1.1. Proteção coletiva (na fonte e na trajetória) 19 
4.1.2. Proteção individual (no trabalhador) 20 
4.1.3. Segurança nos processos de soldagem e corte 20 
4.1.4. Permissão para trabalho 22 
4.1.5. Inspeções de segurança e auditorias 22 
4.1.6. Campanhas de segurança 22 
4.1.7. Diálogo de SMS (DSMS) 23 
4.1.8. Dicas gerais de segurança 23 
 
5. NORMAS REGULAMENTADORAS 23 
 
5.1. Noções sobre a NR4 – SESMT 24 
 
5.2. Noções sobre a NR5 – CIPA 25 
 
5.3. Noções sobre a NR6 – EPI 27 
 
5.4. Noções sobre a NR7 – PCMSO 30 
 
 
3
 
 
5.5. Noções sobre a NR9 – PPRA 31 
 
5.6. Norma Regulamentadora NR 33 – Espaços confinados 33 
 
5.7. Norma Regulamentadora NR 35 – Trabalho em Altura 42 
 
6. PREVENÇÃO E CONTROLE DE INCÊNDIOS 51 
 
6.1. Teoria do fogo 51 
 
6.2. Métodos de extinção 52 
 
6.3. Classes de incêndio 53 
 
6.4. Agentes extintores 53 
 
6.5. Sistemas de prevenção e combate 54 
 
6.6. Procedimentos em caso de incêndio 58 
 
7. SALVATAGEM 58 
 
7.1. Noções de salvatagem 58 
 
7.2. Procedimentos de emergência 59 
 
7.3. Grupos de ação 59 
 
7.4. Equipamentos de salvatagem 59 
 
7.5. Meios de alerta e sinalização 61 
 
8. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE 62 
 
8.1. Efeitos da poluição no ambiente marinho 62 
 
8.2. Legislação sobre prevenção da poluição 62 
 
8.3. Planos de contingência 63 
 
8.4. Destinação de resíduos de bordo 63 
 
9. NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS 64 
 
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Um sonho é apenas um desejo, até o momento em que você começa 
atuar sobre ele, e propõe-se a transformá-lo em uma meta” 
Mary Kay Ash 
 
 
4
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1. Histórico e objetivo da segurança do trabalho 
 
Acidentes do trabalho sempre foram problemas para a humanidade. Os acidentes do 
trabalho surgiram como conseqüência da necessidade do homem lutar pela subsistência, 
o que aconteceu há milhares de anos. O homem pré-histórico ao controlar o fogo e 
produzir armas conseguiu maior proteção contra os animais ferozes, porém criou novos 
riscos à sua integridade física. 
 
Por muitos séculos os acidentes do trabalho foram vistos como ocorrências inerentes ao 
exercício do trabalho e não despertavam maior interesse social do que a recuperação dos 
acidentados, quando possível. Os acidentes eram aceitos como algo inerente ao meio de 
trabalho e os acidentados como subproduto desse meio. 
 
Foi entre 1760 e 1830, na Inglaterra, que ocorreu um movimento que mudou 
profundamentea história da humanidade: a Revolução Industrial, com o aparecimento da 
primeira máquina de fiar. Como as máquinas eram caras, os tecelões não podiam possuir 
as mesmas. Então, os capitalistas decidiram adquiri-las e empregar pessoas para 
trabalhar, surgindo as primeiras fábricas e em conseqüência a relação capital e trabalho. 
 
O crescimento desenfreado das fábricas, bem como o baixo nível de vida, garantiu um 
suprimento fácil de mão-de-obra. Trabalhavam não só homens, mas também mulheres e 
crianças, sem qualquer preocupação com o estado de saúde, físico, etc. Chegou-se ao 
cúmulo de se vender crianças para suprir a mão-de-obra. 
 
Como era de se esperar, os acidentes do trabalho eram numerosos, provocados por 
máquinas sem qualquer tipo de proteção contra acidentes de trabalho, sendo freqüentes 
as mortes, principalmente de crianças. O quadro era dantesco. Não havia limites de 
horário, ventilação precaríssima, o ruído atingia limites altíssimos, gerando por 
conseqüência as doenças profissionais. 
 
Tal situação alertou a opinião pública e o Parlamento Britânico, através de uma comissão 
de inquérito, aprovou a 1a lei de proteção dos trabalhadores: “A Lei de saúde e Moral dos 
Aprendizes (1802)” que estabeleceu: 
 
a) limite de 12 horas de trabalho por dia; 
b) proibia o trabalho noturno; 
c) obrigava os empregadores a lavarem as paredes das fábricas pelo menos 2 
vezes por ano; 
d) obrigava a ventilação. 
 
Em 1830, um empresário, preocupado com as péssimas condições de trabalho de seus 
pequenos trabalhadores, procurou o médico Robert Baker. Este que conhecia o trabalho 
de Ramazzini (o pai da Medicina do Trabalho), além de visitar muitas áreas de trabalho, 
recomendou a contratação de um médico para acompanhar as atividades dos locais de 
trabalho, afastando o trabalhador de suas atividades tão logo estivessem prejudicando a 
sua saúde. Surgia assim o 1o Serviço Médico Industrial em todo mundo. Em 1833, foi 
baixada a “FACTORY ACT” considerada a 1a legislação realmente eficiente da proteção 
do trabalhador, que: 
a) proibia o trabalho noturno para menores de 18 anos; 
b) restringia as horas de trabalho destes, a 12 horas por dia e 69 por semana; 
 
 
5
 
c) as fábricas precisavam ter escolas, que deveriam ser freqüentadas por todos 
os trabalhadores menores de 13 anos; 
d) a idade mínima era de nove anos; 
e) um médico devia atestar que a criança estava tendo um desenvolvimento que 
correspondia a sua idade. 
 
Realmente na Grã-Bretanha, encontramos os maiores registros de medidas em prol da 
saúde do trabalhador. Criaram o 1o órgão fiscalizador, no Ministério do Trabalho, para 
apurar as doenças profissionais, verificar os exames médicos pré-admissionais e os 
exames médicos periódicos. 
 
O exemplo inglês provocou a expansão da revolução industrial, no resto da Europa. 
Vários países introduziram normas para proteção do trabalhador. 
 
Em 1946, na França, foi instituído o serviço médico obrigatório em empresas industriais. 
Em 1956, o mesmo ocorreu na Espanha. Nos Estados Unidos, muito embora tenha 
desenvolvido bastante a indústria, demoraram a se preocupar com os problemas de 
saúde de seus trabalhadores. 
 
Com a criação da indenização em casos de acidentes de trabalho, os industriais 
resolveram implantar os serviços médicos, visando reduzir o custo das indenizações. Em 
1954, tais serviços foram regulamentados, com a criação dos princípios básicos para 
implantação dos mesmos. 
 
A revolução dos serviços médicos não poderia deixar de sensibilizar as duas maiores 
organizações de âmbito internacional, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a 
OMS (Organização Mundial de Saúde). Várias reuniões e conferências se realizaram, até 
que em junho de 1959, na 43a Conferência Internacional do Trabalho, foi emitida a 
recomendação de n° 112 com o nome de “Recomendação para serviços de Saúde 
Ocupacional”. 
 
No Brasil, oficialmente a prevenção de acidentes teve inicio com a publicação da 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1º de maio de 1943 através do Decreto Lei 
no 5.452, onde a função dos agentes de segurança foi criada e que posteriormente foi 
transformada em Engenheiros de Segurança do Trabalho. 
 
O governo não se preocupava com a adesão da recomendação n° 112 da OIT. 
Entretanto, o número cada vez maior de acidentes e doenças profissionais proporcionou 
em 1972 que o governo baixasse a portaria n° 3.237, que tornava obrigatória a existência 
dos serviços médicos, bem como dos serviços de Higiene e Segurança do Trabalho em 
todas as empresas com 100 ou mais trabalhadores. Iniciou-se, então, nova era na 
Segurança e Medicina do Trabalho no Brasil. Em 08 de junho de 1978, todas as normas 
relativas à Segurança e Medicina do Trabalho foram consolidadas pela portaria 3.214, 
atendendo à regulamentação prevista na CLT. 
 
Em décadas mais recentes ocorreram as seguintes iniciativas: 
 
- Na década de 80 grandes organizações implementaram as técnicas de análise de 
riscos, motivadas pelos acidentes catastróficos de Flixborough (explosão de ciclohexano 
em fábrica na Inglaterra, causando 28 mortes), Seveso (vazamento de dioxina, na Itália, 
com 3.000 animais mortos e 70.000 sacrificados), Bhopal (vazamento de 40 toneladas de 
gases letais, matando mais de 8.000 pessoas, na Índia), etc; 
 
 
6
 
- Na década de 90 foi criada a norma inglesa BS 8800, que é um guia para o 
gerenciamento de segurança e saúde ocupacional; 
- Em 2007 foi revisada a norma OHSAS 18001, criada a partir dos requisitos da BS 8800, 
para a gestão de saúde e segurança do trabalho. 
 
Atualmente, apesar de existir toda uma legislação na área de saúde e segurança do 
trabalhador, especialmente no Brasil, ainda há muito o que se fazer, pois milhares de 
pessoas continuam morrendo, adoecendo ou ficando incapacitadas em conseqüência de 
acidentes do trabalho. 
 
Para dar conta dos acidentes e problemas de saúde gerados pelas condições de trabalho 
surgiram duas ciências denominadas Segurança do Trabalho e Medicina do Trabalho. 
 
A Segurança do Trabalho é uma ciência que, através de metodologia e técnicas 
apropriadas, estuda as possíveis causas de acidentes do trabalho, objetivando a 
prevenção de suas ocorrências. Essa metodologia pode ser considerada como o conjunto 
de atividades de reconhecimento, avaliação e controle dos riscos de acidentes. 
 
A Medicina do Trabalho é a ciência que, através de metodologia e técnicas apropriadas, 
estuda as possíveis causas de doenças ocupacionais, objetivando a prevenção de suas 
ocorrências. Essa metodologia pode ser considerada como o conjunto de atividades de 
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos causadores de doenças ocupacionais. 
 
O trabalho não deve ser a causa de agravos à saúde dos trabalhadores. Assim, os 
trabalhadores necessitam estar treinados sobre os procedimentos adotados nas diversas 
atividades. Cada pessoa é o principal responsável por sua própria saúde. O trabalhador 
deve receber informações sobre como proteger sua saúde no trabalho e aplicar este 
conhecimento também na sua residência e na sua comunidade. 
 
1.2. Gestão Integrada em segurança, meio ambiente e saúde (SMS) 
 
Em virtude das novas tecnologias e da complexidade dos modernos processos de 
trabalho, e por outro lado a imposição da sociedade pelo uso racional dos recursos 
naturais e a minimização dos efeitos adversos ao meio ambiente decorrentes das 
atividades produtivas do homem, se faz necessária uma gestão integrada das ações de 
controle da segurança, do meio ambiente e da saúde dos trabalhadores. Foi cunhado o 
termo SMS, que significa Segurança, Meio Ambiente e Saúde. Agora não se fala nem 
se trata isoladamente de cada uma dessas três áreas. A gestão deve ser integrada. As 
empresas modernas estão buscando atender aos requisitos de normas internacionais, 
sobretudo por questões de mercado, para conseguirem certificações e terem vantagens 
comerciais na colocação de seus produtos e serviços e, por isso, estão investindo cadavez mais em SMS, como também em responsabilidade social. 
 
 
2. ACIDENTES DE TRABALHO 
 
2.1. Conceitos de desvio, incidente e acidente 
 
Desvio: Qualquer ação ou condição, que tem potencial para conduzir, direta ou 
indiretamente, a danos a pessoas, ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente, que se 
encontra desconforme com as normas de trabalho, procedimentos, requisitos legais ou 
normativos, requisitos do sistema de gestão ou boas práticas. 
 
 
 
7
 
Exemplo 1: O empregado não encontra a chave de fenda na caixa de ferramentas e, 
para não perder tempo, resolve utilizar uma faca. 
Exemplo 2: Cabos de eletricidade com o isolamento desgastado por falta de manutenção. 
 
Incidente: Evento imprevisto e indesejável que poderia ter resultado em dano à pessoa, 
ao patrimônio ou impacto ao meio ambiente. 
 
Exemplo 1: Ao caminhar na oficina, o empregado pisa em um parafuso, escorrega e 
quase leva um tombo. 
Exemplo 2: Um cabo de aço se rompe e a carga cai sem se danificar. Por sorte, não 
atingiu ninguém. 
 
Acidente: Evento imprevisto e indesejável, que resultou em dano à pessoa, ao patrimônio 
ou impacto ao meio ambiente. 
 
Exemplo 1: Um empregado está com pressa e tenta impedir o fechamento da porta do 
elevador com a mão. Ela se fecha e esmaga seus dedos. 
Exemplo 2: Para se exibir perante colegas de trabalho, o trabalhador dirige a empilhadeira 
em alta velocidade. Ao fazer uma curva, perde o controle e bate em um automóvel 
quebrando a perna. 
 
2.2. Legislação de acidente de trabalho 
 
2.2.1. Conceito Legal 
 
De acordo com o Plano de Benefícios da Previdência Social, Lei nº 8.213/91, Art. 19, “ 
Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou 
pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou 
perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou 
temporária, da capacidade para o trabalho. 
 
§ 1º - A empresa é responsável pela adoção e uso de medidas coletivas e 
individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. 
 
§ 2º - Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de 
cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. 
 
§ 3º - É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos 
da operação a executar e do produto a manipular. 
§ 4º - O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os 
sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do 
disposto nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento”. 
 
OBS: Conforme definido no Art. 11, segurados especiais são trabalhadores rurais, isto é 
que prestam serviço em âmbito rural, individualmente ou em regime de economia familiar, 
mas não tem vinculo empregatício. São exemplos o produtor, parceiro, meeiro, garimpeiro 
e pescador artesanal. 
 
2.2.2. Ocorrências equiparadas 
 
São outras situações legalmente consideradas como acidentes do trabalho. 
 
 
 
8
 
� De conformidade com o Art. 20 da Lei 8.213/91, consideram-se acidentes do trabalho 
as seguintes entidades mórbidas: 
a) Doença profissional 
b) Doença do trabalho 
 
OBS: As doenças profissionais e do trabalho, também chamadas de doenças 
ocupacionais resultam da exposição prolongada por meses, anos ou décadas, a materiais 
ou energias em moderadas ou baixas intensidades. 
Exemplos: 
• Surdez, causada pela exposição prolongada ao ruído; 
• Silicose, causada pela exposição prolongada à poeira de sílica liberada no 
jateamento de areia; 
• Doenças do sangue, causadas pela exposição prolongada ao benzeno. 
 
� De conformidade com o Art. 21 da Lei 8.213/91, equiparam-se também ao acidente do 
trabalho: 
a) O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja 
contribuído diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda de sua 
capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a 
sua recuperação; 
 
b) O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário de trabalho, em 
conseqüência de: 
b.1) Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou 
companheiro de trabalho; 
b.2) Ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa 
relacionada com o trabalho; 
b.3) Ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de 
companheiro de trabalho; 
b.4) Ato de pessoa privada do uso da razão; 
b.5) Desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de 
força maior; 
 
c) A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de 
sua atividade; 
 
d) O acidente sofrido pelo trabalhador, ainda que fora do local e horário de trabalho: 
d.1) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da 
empresa; 
d.2) Na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar 
prejuízo ou proporcionar proveito; 
d.3) Em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiada 
por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra, 
independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de 
propriedade do segurado; 
d.4) No percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, 
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do 
segurado (acidente de trajeto ou percurso); 
 
e) Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de 
outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o 
empregado é considerado no exercício do trabalho. 
 
 
 
9
 
2.2.3. Acidente típico 
 
Acidente típico é o que ocorre no local de trabalho durante o expediente, ou fora da 
empresa quando autorizado por ela, geralmente no decorrer da execução de uma tarefa. 
Nos mapas estatísticos aparece essa denominação para diferenciá-lo do acidente de 
trajeto. 
 
2.2.4. Acidente de trajeto 
 
Conforme definido no Art. 21 da Lei 8.213/91, letra d.4, acima, o acidente de trajeto é 
aquele que ocorre no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para 
aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do 
segurado. 
Deve ser observado que não há um tempo máximo definido para a caracterização do 
acidente de trajeto, sendo indispensáveis para a sua configuração o itinerário habitual e o 
tempo normalmente gasto pelo trabalhador para fazê-lo. 
 
2.2.5. Comunicação do Acidente de Trabalho 
 
A comunicação, isto é, o ato de comunicar pode ser inicialmente verbal, mas é importante 
que haja um documento interno informando ao órgão de Segurança do Trabalho da 
ocorrência do acidente. A força de trabalho também deve ser informada através de avisos 
em murais, para que fique atenta às causas e providências que foram tomadas a fim de 
evitar outras ocorrências de mesma natureza. A comunicação ao INSS é feita mediante o 
preenchimento de formulário apropriado. 
 
Estabelece o Art. 22 da Lei 8.213/91 que a empresa deverá comunicar o acidente do 
trabalho à Previdência Social (INSS) até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, 
em caso de morte, de imediato à autoridade competente, sob pena de multa. Essa 
comunicação deverá ser feita através do preenchimento de formulário específico, 
denominado CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho). 
 
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, 
seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer 
autoridade pública. 
 
OBS: É importante que a empresa crie um mecanismo para que seus empregados 
relatem também os desvios e incidentes, já que estes podem dar origem a acidentes se 
não forem tratados, ou seja, analisados em busca de suas causas e aplicadas as medidas 
corretivas adequadas. 
 
2.3. Causas dos Acidentes do Trabalho 
 
A fórmula mais simples para identificar as causas de acidentes do trabalho é seguir o 
raciocínio do conceito universal de causa – causa de qualquer coisa é aquilo que faz com 
que tal coisa venha a existirou acontecer. Portanto, causa de acidentes do trabalho são 
os antecedentes, próximos ou remotos, que fazem o acidente acontecer. Para melhor 
entendimento, é bom perceber que as causas só são caracterizadas no ato da ocorrência; 
antes são apenas riscos ou perigos de acidentes. 
 
 
 
 
 
 
10
 
2.3.1. Causa Diretas 
 
Para fins meramente didáticos, as causas diretas de acidentes do trabalho são resumidas 
em duas categorias: atos inseguros e condições inseguras. 
 
Atos Inseguros: atos inseguros são atitudes, atos, ações ou comportamentos do 
trabalhador contrários às normas de segurança e que colocam em risco a sua saúde e/ou 
integridade física, ou de outros colegas de trabalho. Os atos inseguros são geralmente 
definidos como causas de acidentes que residem, predominantemente, no fator humano. 
Os atos inseguros podem ser exemplificados através dos seguintes comportamentos 
inadequados do trabalhador (Desvios): 
 
� Ficar junto ou sob cargas suspensas; 
� Colocar parte do corpo em lugar perigoso; 
� Usar máquina sem habilitação ou autorização; 
� Imprimir excesso de velocidade ou sobrecarga; 
� Lubrificar, ajustar e limpar máquina em movimento; 
� Improvisação ou mau emprego de ferramentas manuais; 
� Não usar os equipamentos de proteção individual; 
� Fumar ou usar chamas em lugares indevidos; 
� Brincadeiras e exibicionismo; etc. 
 
Condições Inseguras: Condições inseguras são deficiências, defeitos ou irregularidades 
técnicas nas instalações físicas, máquinas ou equipamentos, que podem ocasionar 
acidentes do trabalho. Convém destacar que é da responsabilidade do empregador a 
eliminação das condições inseguras existentes nos locais de trabalho. As condições 
inseguras podem ser exemplificadas através das seguintes ocorrências nos locais de 
trabalho (Desvios): 
 
� Falta de proteção em partes móveis de máquinas e equipamentos; 
� Iluminação inadequada; 
� Piso escorregadio; 
� Instalações elétricas precárias ou improvisadas; 
� Local desorganizado ou sujo; 
� Ruído e trepidações excessivas; 
� Desconforto térmico; 
� Escassez de espaço; 
� Falta de equipamentos de proteção coletiva e individual. 
 
2.4. Conseqüências dos Acidentes do Trabalho 
 
Muitas vezes, pior que o acidente em si, são as suas conseqüências. Todos sofrem de 
alguma forma: 
 
� a vítima, que fica incapacitada de forma parcial ou total, temporária ou permanente, 
para o trabalho; 
� a família, que em muitos casos tem uma queda repentina em seu padrão de vida 
devido a redução dos vencimentos, ou pela dor causada pela perda do ente querido; 
� as empresas, em função da perda de mão-de-obra, de material, de equipamentos, 
tempo, queda da produção, despesas médicas, etc, e consequentemente, elevação 
dos custos operacionais; e 
 
 
11
 
� a sociedade, com o número crescente de inválidos e dependentes da Previdência 
Social, que arca com as aposentadorias por invalidez, auxílio doença, auxílio acidente, 
despesas de reabilitação profissional, e pensão por morte do trabalhador acidentado. 
 
Há que se destacar o lado humano da vítima. O sofrimento é inevitável. Os ferimentos 
pequenos, médios ou grandes são sempre indesejáveis e o tratamento é em geral 
doloroso. Além disso, quando a vítima é mutilada ou se incapacita parcial ou totalmente 
sente-se inferiorizada, necessitando de um acompanhamento psicológico. 
Para a empresa, os acidentes podem interferir negativamente na qualidade e quantidade 
do produto, nos prazos firmados com clientes, na sua imagem comercial e no moral dos 
empregados quando os acidentes ocasionam vítimas fatais. 
 
 
3. RISCOS NOS AMBIENTES DE TRABALHO 
 
3.1. Riscos ambientais 
 
Todos os ambientes de trabalho possuem substâncias, energias, máquinas, 
equipamentos, instalações e situações criadas pela própria atividade desenvolvida pelo 
trabalhador, que de alguma forma têm a capacidade de, em determinadas condições, 
causar algum tipo de dano à saúde ou à integridade física do trabalhador. Essas ameaças 
são chamadas de riscos ou agentes ambientais, cuja exposição do trabalhador pode 
gerar as seguintes conseqüências: 
 
• Enfermidades 
• Acidentes de trabalho 
• Fadiga (cansaço) 
• Desconforto 
• Envelhecimento e desgaste prematuro 
 
Agentes ambientais são os riscos físicos, químicos e biológicos existentes nos 
ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e 
tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. Além dos 
riscos físicos, químicos e biológicos existem os riscos ergonômicos e de acidentes. 
 
3.1.1. Riscos físicos 
 
São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais 
como ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações, etc. 
 
EX: Barulho de britadeira, calor de forno siderúrgico, raio X, pressão no fundo do mar. 
 
a) Ruído 
 
Os efeitos nocivos do ruído no organismo dependem da sua intensidade (medida em 
decibéis-dB), de sua freqüência (medida em hertz-Hz), do tempo de exposição e da 
sensibilidade de cada trabalhador. 
 
A exposição breve a ruído muito intenso pode provocar surdez temporária, chamada de 
fadiga auditiva, que desaparece em cerca de 24 horas. A exposição prolongada a ruídos 
com intensidade superior ao limite previsto na legislação (85 decibéis/8h de exposição) 
pode causar surdez permanente. Os danos à audição geralmente afetam os dois ouvidos. 
 
 
 
12
 
O ruído dificulta a concentração, provoca cansaço, alterações do sono, irritação, dor de 
cabeça, aumento da pressão arterial, problemas no aparelho digestivo e taquicardia. 
Além disso, o ruído pode interferir na comunicação e impedir a audição de alarmes 
sonoros, colocando em risco a segurança do trabalhador. 
 
Exemplos de alguns sons considerados como ruídos simples do nosso dia-a-dia e seu 
nível sonoro em decibéis (dB). 
 
• o ruído de uma sala de estar chega a 40dB; 
• um grupo de amigos conversando em tom normal chega a 55dB; 
• o ruído de um escritório chega a quase 64dB; 
• um caminhão pesado em circulação chega a 74dB; 
• em creches foram encontrados níveis de ruído superiores a 75dB; 
• o tráfego de uma avenida de grande movimento pode chegar aos 85dB; 
• trios elétricos no carnaval têm em média de 110dB; 
• uma avenida com grande movimento, em obras com britadeiras até 120dB; 
• em discotecas a intensidade sonora chega até 130dB; 
• bombas recreativas (São João) podem proporcionar até 140dB; 
• decolagem de avião a jato cerca de 150 dB; 
• decolagem de um foguete cerca de 180 dB. 
 
Os sons a partir do nível de pressão sonora de 85 dB são potencialmente danosos aos 
ouvidos, se o contacto com eles durar mais de 8 horas por dia. 
 
A faixa da audição responsável pela conversação é preservada nas fases iniciais da 
surdez causada por ruído. Quando a pessoa sente dificuldade em ouvir uma conversa, ela 
já perdeu grande parte de sua capacidade auditiva. 
 
Em áreas ruidosas é fundamental usar o equipamento de proteção auditiva. 
 
Outras medidas de prevenção compreendem o uso de equipamentos menos ruidosos, a 
manutenção adequada das instalações e equipamentos, o uso de material isolante de 
ruído e a sinalização dos locais excessivamente ruidosos com limitação de acesso. 
 
São necessárias, também, medidas complementares de proteção do trabalhador como a 
divulgação de informações, a redução do tempo de exposição e o isolamento acústico dos 
postos de trabalho. 
 
b) Radiações 
 
Podemos classificar as radiações como ionizantes e não ionizantes. 
 
As radiações ionizantes de maior interesse correspondem aos raios gama e X, usados 
em gamagrafia e em radiografia industrial, em virtude de seu poder penetrante nas 
estruturas metálicas. 
 
Altas doses de radiação ionizantes podem provocar sérios danos agudos no organismo. 
Em longo prazo, a exposição às radiações ionizantes pode produzir diversos tipos de 
câncer, alterações celulares, fadiga, problemas visuais, entre outros. Assim, o mais 
importante é evitar ou reduzir ao mínimo asexposições dos trabalhadores às radiações 
ionizantes, como base em 3 fatores: 
 
 
 
13
 
• Aumento da distância entre a fonte e a pessoa exposta – a intensidade da 
radiação diminui com o aumento da distância; 
• Diminuição do tempo de exposição – quanto menor o tempo gasto na operação, 
menor será a dose recebida; 
• Blindagem – consiste na utilização de material absorvente de radiação, como o 
chumbo, colocado entre a fonte e a pessoa a ser protegida. 
 
As radiações ionizantes são invisíveis e frias. Não alertam a pessoa 
mesmo durante exposições perigosas. 
 
As radiações não-ionizantes de maior interesse são: 
 
Radiação ultravioleta (uv) - presente na radiação solar e em fontes artificiais como solda 
elétrica, terminais e monitores de computador. Pode causar queimadura de pele e ocular 
cujos sintomas surgem de 2 a 24 horas após a exposição. A exposição crônica 
(prolongada) pode provocar envelhecimento precoce de pele, câncer da pele e catarata. 
Nas atividades que acarretam exposição prolongada ao sol, os trabalhadores devem usar 
vestimentas de algodão para proteger a pele da radiação ultravioleta existente na 
radiação solar. Esse cuidado é mais para pessoas de pele clara. 
 
Radiação Infravermelha (iv) - presente na radiação solar, corpos incandescentes, 
superfícies quentes e chamas. Em contato com os tecidos do organismo, transforma-se 
em calor. Seus efeitos agudos correspondem a desconforto térmico e até mesmo 
queimaduras da pele. A exposição prolongada pode causar catarata, pigmentação e 
dilatação dos capilares na pele. 
 
Entre as medidas preventivas relativas às radiações não-ionizantes estão: o revestimento 
de paredes para evitar a reflexão; o uso de anteparos; a redução do tempo de exposição; 
a limitação do acesso a pessoas autorizadas; o treinamento dos trabalhadores; o uso de 
vestimentas especiais, protetores oculares e cremes protetores. 
 
c) Temperaturas extremas 
 
A sensação de conforto térmico depende da temperatura ambiente, da umidade e da 
velocidade do ar, do calor radiante e da atividade desenvolvida pelo trabalhador. 
 
 Assim quanto mais alta a temperatura do ambiente, indicada por um termômetro, maior a 
sensação de calor e vice-versa. 
 
A umidade elevada significa um alto teor de vapor de água no ar, o que dificulta a 
evaporação do suor e aumenta a sensação de calor. O ar em movimento facilita a 
remoção de calor do corpo para o ambiente enquanto que o ar parado a dificulta. Assim, 
um ventilador melhora a sensação de conforto em um ambiente quente porque aumenta a 
velocidade do ar e facilita a remoção de calor do corpo para o ambiente. 
 
O tipo de atividade exercida pelo trabalhador interfere também na sensação de conforto 
térmico. Assim, os trabalhos pesados exigem muito esforço físico, que resulta na 
produção de grande quantidade de calor pelo organismo do trabalhador, aumentando sua 
carga térmica e, conseqüentemente, sua sensação de calor. 
 
Temperaturas altas – em locais quentes, a temperatura corporal tende a aumentar 
porque o calor recebido do ambiente e produzido pelo corpo é maior que o calor cedido 
ao ambiente. Para evitar o aumento de temperatura (hipertermia), o corpo começa a suar 
 
 
14
 
e dilatar os vasos sangüíneos da pele. A hipertermia pode provocar desidratação, 
cãibra, cansaço acentuado, taquicardia, hipertensão e delírio febril. 
As medidas preventivas contra altas temperaturas consistem em proteção contra o sol, 
ventilação, distanciamento do trabalhador da fonte de calor, aclimatação ao calor 
(exposição gradativa de temperatura altas para facilitar a adaptação do trabalhador) e 
higiene alimentar. Trabalhadores com deficiências circulatórias e respiratórias não devem 
ser submetidos a temperaturas muito elevadas. 
 
Temperaturas baixas – Em locais frios, o organismo tende a esfriar-se porque o calor 
cedido ao ambiente é maior do que o calor recebido e o produzido por seu corpo. Para 
evitar a diminuição da temperatura (hipotermia), a pessoa apresenta calafrios e encolhe o 
corpo. A hipotermia pode causar mal estar, tremores violentos, dormência dos membros, 
congelamento das extremidades (dedos, ponta do nariz) e até a morte. As medidas 
preventivas consistem em usar roupas de trabalho adequadas, ingestão de alimentos com 
alto teor calórico, aumento da atividade física e aclimatação ao frio (exposição gradativa a 
temperaturas baixas para facilitar a adaptação do trabalhador). 
 
3.1.2. Riscos químicos 
 
São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via 
respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou 
que pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo 
organismo através da pele ou por ingestão. 
EX: Poeira de amianto, fumos de solda, gasolina. 
 
OBS: Os fumos são produzidos pela condensação seguida de oxidação de vapores 
metálicos, que formam partículas sólidas de diâmetros menores que 1 mícron, sendo 
facilmente respiráveis. Os principais são os óxidos de ferro, manganês, cromo e níquel. 
Estes dois últimos têm efeitos cancerígenos. 
 
As principais vias de absorção de agentes químicos são a respiratória, a cutânea (pele) 
e a digestiva. 
 
Os agentes químicos tendem a se expandir no ar e atingir as vias respiratórias dos 
trabalhadores. Estes agentes químicos, após serem inalados, podem ser absorvidos, 
atingir a circulação sanguínea e provocar diversos tipos de danos à saúde (intoxicações, 
envenenamento, câncer, etc.). 
 
A absorção digestiva (oral) pode resultar de ingestão de resíduos de produtos químicos 
presentes nas mãos e unhas sujas, da alimentação no local de trabalho e de ingestão 
acidental (Ex.: beber produtos químicos guardados em garrafa de refrigerantes). 
 
Já na via cutânea, a pele é a porta de entrada de agentes químicos no estado líquido ou 
sólido pelo contato direto com as mãos ou outras partes do corpo, e também pelo uso de 
roupas impregnadas por resíduos químicos. 
 
Duas características dos agentes químicos favorecem sua penetração e distribuição no 
organismo: solubilidade em gordura (facilidade em dissolver gordura) e volatilidade 
(facilidade de evaporação). Os solventes, muito usados na indústria, possuem essas duas 
características. 
 
 
 
15
 
Não se deve fazer a limpeza das mãos e de partes do corpo sujas de graxa com 
solventes. Tal limpeza deve ser feita com água e sabão neutro, que não irritam a pele e 
nem provocam intoxicação. 
 
3.1.3. Riscos biológicos 
 
São as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, etc. 
EX: HIV, bacilo de Koch, fungo de pé-de-atleta. 
 
Os microorganismos e outros parasitas como os vermes, bem como as substâncias de 
origem animal e vegetal, presentes nos postos de trabalho podem prejudicar a saúde dos 
trabalhadores. Os microorganismos podem se multiplicar após penetrar no organismo 
humano. 
 
Os agentes biológicos podem atingir o organismo do trabalhador por intermédio da água 
causando diarreia, disenteria, cólera, hepatite A, amebíase e parasitoses intestinais; do ar 
causando doenças infecciosas e alérgicas provocadas por fungos e bactérias; e do solo 
causando tétano, micose e parasitoses intestinais e cutâneas. 
 
Os agentes biológicos também são responsáveis pelas DST (Doenças sexualmente 
transmissíveis), como AIDS, hepatite B e sífilis. 
 
A preparação de alimento na empresa pode representar risco para o pessoal da cozinha, 
que manipula produtos de origem animal e vegetal, bem como para os trabalhadores em 
geral pela possibilidade de contaminação dos alimentos durante seu preparo. 
 
A limpeza predial de banheiros e a coleta de lixo podem também gerar exposições a 
agentes biológicos. 
 
Para preservar ou melhorar a sua resistência, o trabalhador deve adotar a prática regular 
de atividade física, descansar adequadamente antes da jornada de trabalho, fazer 
refeições ricas em legumes, verduras e frutas, tomar vacinas, e não ingerir bebidas 
alcoólicas em excesso, e nunca antesou durante o trabalho. 
 
As medidas de prevenção de doenças causadas por agentes biológicos a serem adotadas 
pelas empresas consistem em: rigorosa limpeza dos locais de trabalho; controle da 
qualidade da água; controle dos sistemas de ar condicionado; higiene no preparo e 
distribuição dos alimentos para os trabalhadores; higiene pessoal rigorosa; fornecimento 
de EPIs para evitar contato direto com os microrganismos; controle dos resíduos; exame 
médico periódico e vacinação. 
 
As empresas devem estabelecer programas preventivos para os trabalhadores que 
compõem as brigadas de incêndio, equipes de resgate, socorristas e profissionais de 
saúde que, eventualmente, possam ter contato com secreções e sangue humanos. 
 
3.1.4. Riscos ergonômicos 
 
A Ergonomia é uma disciplina que trata da adaptação das condições de trabalho às 
características fisiológicas e psicológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar 
conforto, segurança e desempenho eficiente. Assim, a ergonomia tem como objetivo o 
controle dos riscos ergonômicos. 
 
 
 
16
 
Esforço físico intenso, exigência de postura inadequada, imposição de ritmos 
excessivos, monotonia e repetitividade, levantamento e transporte manual de peso, 
são riscos ergonômicos. 
 
Na prática, podemos citar os seguintes exemplos. 
 
EX: Uso contínuo de britadeira, trabalho de digitação em computador, carga e descarga 
de caminhão. 
 
Esses riscos podem causar cansaço, desconforto, ansiedade, doenças no aparelho 
digestivo (gastrite, úlcera), dores musculares, tendinite, problemas de coluna, entre 
outros. 
 
Para assegurar a postura correta no computador, o trabalhador deve manter: 
 
• topo da tela do monitor no máximo na altura dos olhos e distante de um comprimento 
de braço; 
• a cabeça e o pescoço em posição reta e os ombros relaxados; 
• a região lombar apoiada no encosto da cadeira ou em um suporte para as costas; 
• os antebraços, punhos e mãos em linha reta em relação ao teclado; 
• cotovelo junto ao corpo; 
• um espaço entre a dobra do joelho e a extremidade do assento; 
• um ângulo igual ou maior que 90º para as dobras do joelho e do quadril; 
• os pés apoiados no chão e, se recomendado, usar apoio para os pés; 
• documento que está sendo lido próximo ao monitor e no mesmo plano visual. 
 
Para levantar e carregar objetos corretamente, o trabalho deve proceder da seguinte 
maneira: 
 
• aproximar-se do objeto que vai ser levantado; 
• manter os pés separados na largura dos ombros para melhor sustentação; 
• dobrar os joelhos, mantendo a coluna reta e a musculatura do abdome contraída; 
• levantar o objeto e mantê-lo junto ao tronco, apoiando-se nos músculos das pernas 
com os joelhos levemente dobrados; 
• evitar torcer o corpo durante o deslocamento do objeto. 
 
Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial, 
apropriada à natureza de atividade. Além de ser uniformemente distribuída e difusa, a 
iluminação deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos 
incômodos, sombras e contrastes excessivos. Há níveis mínimos de iluminamento 
estabelecidos para os locais de trabalho. 
 
As lesões por esforço repetitivo (LER) são doenças provocadas por esforços e 
posturas inadequadas motivados pelo ritmo da atividade, falta de pausas e deficiências do 
local onde se realiza a atividade. São exemplos a tendinite, tenosinovite e bursite. Quando 
relacionadas ao trabalho são também chamadas Distúrbios Osteomusculares 
Relacionadas ao Trabalho (DORT) e atingem principalmente as mãos, punho, braços, 
antebraços, ombro e coluna cervical. 
 
Entre as medidas preventivas das LER podem ser citadas: pausas durante a jornada de 
trabalho; adequações do mobiliário e dos instrumentos de trabalho; adoção de postura 
adequada; prática de alongamentos; e diversificação das tarefas. 
 
 
17
 
3.1.5. Riscos de acidentes 
 
São riscos que se originam principalmente nas atividades que envolvem máquinas e 
equipamentos. Os riscos de acidentes mais comuns são os decorrentes de arranjo físico 
inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas defeituosas, 
iluminação incorreta, probabilidade de incêndio e explosão, etc. 
 
Exemplos: Máquinas muito próximas umas das outras, compressor sem proteção da 
correia, tanque de combustível com vazamento. 
 
As medidas preventivas para o controle dos riscos de acidentes estão descritas no 
Capítulo 4 desta apostila, página 18. 
 
3.2. Mapa de riscos 
 
A NR-5 prevê a elaboração do mapa de riscos em seu item 5.16: “A CIPA terá por 
atribuição: a) Identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos 
com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT”. 
 
1. OBJETIVOS 
 
� Reunir informações para o diagnóstico da situação de segurança e saúde do 
trabalho na empresa. 
� Possibilitar a troca de informações entre os trabalhadores, estimulando a 
participação nas atividades de prevenção. 
 
2. ETAPAS DA ELABORAÇÃO 
 
a) Conhecer o processo de trabalho; 
b) Identificar os riscos existentes no local, conforme tabela abaixo; 
c) Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia. 
d) Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o Lay out (mapa) da empresa, indicando 
através de círculo: 
 
� O grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada na tabela; 
� O número de trabalhadores expostos, que deve ser anotado dentro do círculo; 
� A especificação do agente (por exemplo: químico – vapores, gases; físico – ruído, 
calor; ergonômico – postura incorreta, levantamento manual de peso); 
� A intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve 
ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos, sendo: 
 
Risco pequeno – círculo pequeno 
Risco médio – círculo médio 
Risco grande – círculo grande 
 
 
 
18
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19
 
CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS, DE ACORDO COM 
A SUA NATUREZA E A PADRONIZAÇÃO DAS CORES CORRESPONDENTES 
 
 
 
4. PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO 
 
4.1. Medidas de proteção 
 
4.1.1. Proteção coletiva (na fonte e na trajetória) 
 
As medidas preventivas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho podem ser 
aplicadas em três níveis: 1- Na fonte de emissão do agente (Ex: ruído, gás ou poeira), 
quando a ação atinge diretamente as fontes de risco existentes; 2- Na trajetória do 
agente, quando a medida é aplicada entre a fonte e o trabalhador através de barreiras 
que eliminam o contato entre o agente e o indivíduo; 3- No trabalhador, quando a ação 
atua diretamente no indivíduo sujeito a um risco não totalmente controlado pelos outros 
dois níveis de proteção. 
 
GRUPO 1: 
VERDE 
GRUPO 2: 
VERMELHO 
GRUPO 3: 
MARROM 
GRUPO 4: 
AMARELO 
GRUPO 5: 
AZUL 
RISCOS 
FÍSICOS 
RISCOS 
QUÍMICOS 
RISCOS 
BIOLÓGICOS 
RISCOS 
ERGONÔMICOS 
RISCOS DE 
ACIDENTES 
 
Ruídos 
 
Vibrações 
 
Radiações 
ionizantes 
 
Radiações 
não 
ionizantes 
 
Frio 
 
Calor 
 
Pressões 
anormais 
 
Umidade 
 
Poeiras 
 
Fumos 
 
Névoas 
 
Neblinas 
 
Gases 
 
Vapores 
 
Substâncias, 
compostos ou 
produtos 
químicos em 
geral 
 
Vírus 
 
Bactérias 
 
Protozoários 
 
Fungos 
 
Parasitas 
 
Bacilos 
 
 
Esforço físico intenso 
 
Levantamento e 
transporte manual de 
peso 
 
Exigência de postura 
inadequada 
 
Controle rígido de 
produtividade 
 
Imposição de ritmos 
excessivos 
 
Trabalho em turno e 
noturno 
 
Jornadas de trabalho 
prolongadas 
 
Monotonia e 
repetitividade 
 
Outras situações 
causadoras de stress 
físico e/ou psíquico 
 
 
Arranjo físico 
inadequado 
 
Máquinas e 
equipamentos sem 
proteção 
 
Ferramentas 
inadequadas ou 
defeituosas 
 
Iluminação 
inadequada 
 
Eletricidade 
 
Probabilidade de 
incêndio ou 
explosão 
 
Armazenamentoinadequado 
 
Animais 
peçonhentos 
 
Outras situações 
de risco que 
poderão contribuir 
para a ocorrência 
de acidentes 
 
 
20
 
 
 
Exemplos de medidas de proteção na fonte, na trajetória e no trabalhador 
 
Níveis Medidas preventivas 
 Fonte - substituição de equipamento ruidoso (barulhento) por um 
silencioso 
 - contenção de um vazamento de gases e vapores 
 - ventilação local exaustora 
 Trajetória - rede de proteção em fachada de edifício em construção 
 - anteparos usados nas oficinas de soldagem 
 - aumento da distância entre o agente e o trabalhador 
 Trabalhador - uso de equipamentos de proteção individual (EPI) 
 - disciplina rigorosa no trabalho 
 - higiene pessoal 
 
Quando as medidas de proteção beneficiam a todos os trabalhadores do local, de uma 
forma geral, dizemos que se trata de uma medida de proteção coletiva. Os equipamentos 
que atuam com essa finalidade são chamados de Equipamentos de Proteção Coletiva 
(EPC). Eles podem ser simples como um corrimão de escadas até sistemas sofisticados 
de detecção de gases dentro de uma fábrica de produtos químicos. As medidas aplicadas 
na fonte e na trajetória dos agentes ambientais em geral são de proteção coletiva. 
 
4.1.2. Proteção individual (no trabalhador) 
 
No caso de a medida preventiva ser aplicada diretamente no trabalhador, como por 
exemplo o uso de um capacete, dizemos que se trata de uma medida de proteção 
individual e o equipamento utilizado é chamado de Equipamento de Proteção 
Individual (EPI). 
 
As medidas preventivas mais eficazes são aquelas aplicadas na fonte e na trajetória. 
Quando elas são inviáveis ou insuficientes, torna-se necessário o uso de EPI. 
 
4.1.3. Segurança em processos de solda e corte 
 
Soldagem e corte são processos muito empregados na área naval com a finalidade de 
unir e separar chapas, tubulações, peças e perfis metálicos. Nesses processos são 
empregados equipamentos que produzem elevadas temperaturas (que podem chegar a 
 
 
21
 
3.500 0C), capazes de provocar a fusão do material possibilitando a sua união com 
outras partes metálicas (solda) ou a sua separação (corte). O equipamento mais 
conhecido é o conjunto de solda oxiacetilênica, que utiliza uma mistura gasosa (oxigênio 
+ acetileno) proveniente de dois cilindros, que se inflama na ponta de um maçarico. A 
soldagem a arco elétrico (solda elétrica) é também bastante empregada. O equipamento é 
constituído de um eletrodo (condutor elétrico) ligado a uma fonte de energia. Além 
desses, existem diversos outros tipos de equipamentos para processos de soldagem mais 
sofisticados, tais como TIG, MIG e MAG. 
 
 
 Ventilação local exaustora Ventilação geral com exaustores eólicos 
 
Qualquer que seja o processo utilizado, alguns riscos estão sempre presentes nos 
trabalhos de soldagem e corte e merecem atenção especial, a saber: 
 
• Queimaduras devido às altas temperaturas atingidas pelos materiais e equipamentos; 
• Incêndios e explosões em função do calor, fagulhas e partículas incandescentes que 
possam entrar em contato com materiais combustíveis e inflamáveis; 
• Efeitos nocivos dos fumos e gases, que podem causar dores de cabeça, febre, 
fadiga, bronquite crônica, crise de asma, edema pulmonar, efisema, gastrite, anemia, 
possibilidade de câncer, etc; 
• Danos à visão causados por radiação ultravioleta como cataratas, devido a 
exposições contínuas prolongadas; 
• Choques elétricos pelo contato com partes energizadas no caso dos processos de 
soldagem elétrica. 
 
Recomendações gerais de segurança em processos de solda e corte 
 
• Sempre que possível, remover a peça a ser soldada ou cortada para local livre de 
materiais inflamáveis; 
• Utilizar anteparos para isolar a área de trabalho evitando a projeção de fagulhas e 
partículas incandescentes; 
• Utilizar materiais incombustíveis para cobrir pisos de madeira, caixas elétricas, caixas 
de passagem de águas oleosas e outros locais que possam ter presença de 
inflamáveis; 
• Empregar sistemas de ventilação (geral ou local exaustora) para remoção de fumos e 
gases; 
• Utilizar equipamentos de proteção individual: máscaras respiratórias, óculos de lentes 
escuras, protetores faciais, aventais, luvas, mangas, perneiras e botas de segurança; 
• Manter extintores de incêndio próximos ao local onde for executado o serviço; 
 
 
22
 
• Verificar se há atmosferas explosivas na área de trabalho; 
• Ter cuidado com o equipamento de solda/corte e fazer sua manutenção periódica. 
 
4.1.4. Permissão para trabalho 
 
Permissão de Trabalho (PT) é uma autorização dada por escrito, em documento próprio, 
para a execução de trabalhos de manutenção, montagem, desmontagem, construção, 
reparos ou inspeções que envolvam riscos à integridade do pessoal, das instalações, do 
meio ambiente, da comunidade ou da continuidade operacional. Para trabalhos em 
ambientes confinados a PT é denominada Permissão de Entrada e Trabalho (PET), 
conforme estabelece a Norma Regulamentadora nº 33 – Segurança e saúde nos 
trabalhos em espaços confinados. A PT deve ser assinada pelo emitente, requisitante e 
responsável da área. E quando a atividade envolver riscos elevados o técnico de 
segurança deve fazer recomendações adicionais e assinar a PT também. 
 
4.1.5. Inspeções de segurança e auditorias 
 
Inspeção de segurança: é uma verificação física no ambiente de trabalho, visando 
identificar e relacionar todas as possíveis causas de acidentes e/ou doenças do trabalho 
porventura existentes, a fim de se adotar as medidas técnicas corretivas. Existem várias 
modalidades de inspeções de segurança. As mais comuns são: 
 
• Inspeção de segurança de rotina: é a modalidade que se caracteriza pela 
constância de sua realização. Ex: Antes de iniciar o seu trabalho diário, o motorista de 
ônibus deve, rotineiramente, examinar os freios, o estado dos pneus, equipamentos 
de sinalização, etc. 
• Inspeção de segurança periódica: é a espécie de inspeção realizada de tempos em 
tempos previamente estabelecidos. Ex: Os extintores de incêndio devem ser 
inspecionados visualmente a cada mês, examinando-se seu aspecto externo, o lacre, 
o manômetro, etc. 
• Inspeção de segurança eventual: é a modalidade de inspeção realizada de forma 
aleatória, sem dia ou período preestabelecido. 
• Inspeção de segurança oficial: é a inspeção realizada pelos órgãos 
governamentais, em especial pelos agentes da inspeção do trabalho do Ministério do 
Trabalho e Emprego. 
 
Auditoria é um processo sistemático realizado nas empresas para verificar, através 
documentos, fatos e entrevistas, se as atividades desenvolvidas estão de acordo com a 
legislação, normas, regulamentos e procedimentos estabelecidos. 
 
4.1.6. Campanhas de segurança 
 
As campanhas de segurança são realizadas para atingir objetivos específicos, visando 
alertar a força de trabalho para aspectos que possam interferir nas condições de trabalho, 
comprometendo a segurança e saúde dos trabalhadores ou causando impacto ao meio 
ambiente. Nessas ocasiões os temas de interesse podem ser apresentados e discutidos 
através de palestras, filmes, cartazes e exposições. A campanha mais conhecida é a 
SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes), obrigatória por lei (NR5). Diversos 
temas podem ser abordados nessas campanhas como segurança no trânsito, incentivo 
ao uso de EPI, segurança em trabalhos em altura, prevenção de doenças 
sexualmente transmissíveis, perigos do uso de álcool e drogas, proteção do meio 
ambiente, entre outros. 
 
 
 
23
 
4.1.7. Diálogo de SMS (DSMS) 
 
O DSMS, também conhecido por DDS (Diálogo Diário de Segurança), é uma estratégia 
que visa desenvolver e manter atitudes voltadas à prevenção de acidentes e doenças do 
trabalho, através da conscientização de todos os empregados. Deve ser praticado em 
áreas operacionais e administrativas, antes da execução de atividades críticas e 
rotineiras.É boa prática aplicá-lo, também, no início de reuniões de trabalho. Durante 10 a 
20 minutos, um tema escolhido previamente é apresentado e discutido com o grupo. É um 
espaço aberto para mensagens ligadas a prevenção, alerta para acidentes e incidentes 
ocorridos e fatos relevantes de SMS. 
 
Quando houver recursos de informática disponíveis, o DSMS pode ser feito com uso de 
uma apresentação em Power Point. 
 
4.1.8. Dicas gerais de segurança 
 
• Verifique as condições locais – acessos, buracos, obstáculos e outras interferências 
que possam causar problemas na execução da atividade. 
• Escolha a técnica a ser utilizada para executar a atividade – cada atividade tem 
uma maneira de ser executada; é preciso que seja definida esta maneira de execução 
antes de começar. Avalie a seqüência operacional. 
• Levante os recursos materiais e humanos – tudo que será preciso para executar a 
tarefa (ferramentas, máquinas, EPI, sinalização, demarcação da área, ponto de 
alimentação de energia). 
• Analise e divulgue os Riscos – utilize uma técnica de avaliação de riscos como APR 
(Análise Preliminar de Risco); providencie a PT (Permissão de Trabalho); faça um 
DSMS (Diálogo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde) com a equipe antes de iniciar 
a atividade. 
• Avalie as interferências de outros trabalhos – podem estar ocorrendo outros 
serviços nas proximidades que podem ser incompatíveis com o trabalho a ser feito. 
Por exemplo, pintura perto de solda. 
• Execute o isolamento, a sinalização e a restrição do pessoal na área de trabalho 
– as áreas devem estar delimitadas, sinalizadas e somente as pessoas envolvidas na 
atividade devem permanecer no local. 
• Inspecione as partes mecânicas e elétricas – máquinas, equipamentos e 
ferramentas devem ser inspecionados antes da colocação em uso, pois estes, com 
problemas ou defeitos favorecem a ocorrência de acidentes. 
• Verifique o estado geral de organização e limpeza da área – para a realização dos 
serviços, é preciso que a área esteja organizada para evitar tropeços. Ao término das 
atividades, não se esquecer de guardar todos os materiais, limpar a área e depositar 
os resíduos em local apropriado. 
 
 
5. NORMAS REGULAMENTADORAS 
 
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) estabelece normas relativas à segurança e 
medicina do trabalho em seu Capítulo V, do Título II. A Lei 6.514, de 22 de dezembro de 
1977, alterou este capítulo trazendo melhorias para as condições de trabalho e em 8 de 
junho de 1978, foi aprovada a Portaria 3.214, que criou as Normas Regulamentadoras. 
Estas normas conhecidas como NR’s fizeram o detalhamento dos artigos constantes da 
Lei 6.514, para que os mesmos fossem mais bem compreendidos e pudessem ser 
 
 
24
 
efetivamente aplicados. Atualmente existem 35 NR’s em vigor. Veremos a seguir 
noções sobre algumas NR’s de maior interesse para o nosso curso. 
 
 
5.1. Noções sobre a Norma Regulamentadora NR4 
 
SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM MEDICINA NO 
TRABALHO – SESMT (NR-4) 
 
a) Objetivo 
 
A NR-4 estabelece a obrigatoriedade de manutenção dos Serviços Especializados em 
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a 
saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. 
Esse objetivo só será alcançado se houver uma interferência ideal nos processos e 
sistemas, inclusive com a definição de métodos de trabalho e procedimentos. 
 
b) Constituição 
 
Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – 
SESMT são de constituição obrigatória para todas as empresas que possuam 
empregados regidos pela CLT, de acordo com seu grau de risco e número de 
empregados (ver Quadro II). 
 
c) Organização 
 
Os profissionais que compõem o SESMT são os Engenheiros de Segurança do Trabalho, 
Técnicos de Segurança do Trabalho, Médicos do Trabalho, Enfermeiros do Trabalho e 
Auxiliares de Enfermagem do Trabalho devidamente registrados. 
 
d) Atribuições 
 
Compete aos profissionais que compõem o SESMT: 
 
• Aplicar os conhecimentos de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho ao 
ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e 
equipamentos, de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do 
trabalhador; 
• Determinar, quando esgotados todos os recursos para a eliminação dos riscos, a 
utilização de EPI (equipamento de proteção individual). 
• Colaborar nos projetos e na implantação de novas instalações físicas e tecnológicas 
da empresa; 
• Promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos 
trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais; 
• Analisar e registrar todos os acidentes ocorridos na empresa, com ou sem vítimas, e 
todos os casos de doença ocupacional; 
• Esclarecer e conscientizar os empregados sobre acidentes do trabalho e doenças 
ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção; 
• Manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de suas 
observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la em suas solicitações. 
 
 
 
 
 
25
 
 QUADRO II 
DIMENSIONAMENTO DOS SESMT 
 
 
 
5.2. Noções sobre a Norma Regulamentadora NR5 
 
 COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES – CIPA (NR-5) 
 
a) Objetivo 
 
 A CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, 
de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a 
promoção da saúde do trabalhador. 
 
b) Constituição 
 
Devem constituir CIPA por estabelecimento as empresas privadas, públicas, sociedades 
de economia mista, órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, 
associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições que admitam 
trabalhadores como empregados. 
 
c) Organização 
 
Será composta por representantes do empregador (empresa) e dos empregados. Os 
representantes da empresa serão designados pelos empregadores, e os representantes 
dos empregados serão eleitos em voto secreto (ver Quadro I). 
O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de 1 (um) ano, permitida uma 
reeleição. Caberá ao empregador designar, anualmente, dentre os seus representantes, o 
Presidente da CIPA e o Vice-presidente será eleito dentre os representantes titulares dos 
empregados. 
 
250 
 
 
26
 
Outro aspecto que deve ser considerado com relação à CIPA é que todos os seus 
membros, titulares e suplentes, inclusive o secretário e seu substituto, deverão participar 
de curso de prevenção de acidentes, que deverá ser promovido pela empresa, cuja carga 
horária é de 20 horas. 
 
QUADRO I 
DIMENSIONAMENTO DE CIPA 
Nota: O quadro acima é parte do quadro I da NR-5. 
 
O membro da CIPA representante dos empregados tem direito a estabilidade, desde o 
registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato, sendo vedada a sua 
dispensa arbitrária ou sem justa causa. Todos os inscritos para a eleição da CIPA têm 
garantia de emprego até a eleição. 
 
d) Atribuições 
 
A CIPA terá por atribuição, entre outras: 
 
• Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o Mapa de Riscos; 
• Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando 
a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e a saúde 
dos trabalhadores; 
• Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho; 
• Requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou 
setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos 
trabalhadores; 
 
*GRU- 
POS 
N° de 
Empregados 
 
0 
a 
19 
20 
a 
29 
30 
a 
50 
51 
a 
80 
81 
 a 
100 
... 2501 
 a 
5000 
5001 
 a 
10.000 
Acima de 
10.000 
para cadagrupo 
de 2.500 
acrescentar 
N° de 
Membros 
da CIPA 
C-1 Efetivos 
 
1 1 3 3 12 15 2 
Suplentes 
 
1 1 3 3 9 12 2 
C-1a Efetivos 
 
1 1 3 3 12 15 2 
Suplentes 
 
1 1 3 3 9 12 2 
C-2 Efetivos 
 
1 1 2 2 10 11 2 
Suplentes 
 
1 1 2 2 7 9 1 
C-3 Efetivos 
 
1 1 2 2 10 10 2 
Suplentes 
 
1 1 2 2 8 8 2 
C-3a Efetivos 
 
1 1 5 6 1 
Suplentes 
 
1 1 4 5 1 
 
 
27
 
• Colaborar no desenvolvimento e implementação de programas relacionados à 
segurança e saúde no trabalho; 
• Analisar causas das doenças e acidentes do trabalho e propor medidas de solução 
dos problemas identificados; 
• Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna 
de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT. 
 
 
5.3. Noções sobre a Norma Regulamentadora NR6 
 
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI (NR-6) 
 
a) Introdução 
 
Quando as medidas de segurança de ordem geral não são suficientemente eficazes 
contra os riscos de acidentes ou de doenças ocupacionais, ou não são aplicáveis, lança-
se mão do recurso da proteção individual: luvas, óculos, calçados, máscaras, capacetes, 
roupas especiais, etc. Como a própria lei o define, Equipamento de Proteção Individual 
(EPI) é todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado 
à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. 
 
Do ponto de vista prevencionista o EPI não evita acidentes, como muitas pessoas 
preconizam. Ele existe para evitar lesão ou para atenuar sua gravidade, além de proteger 
o corpo e o organismo contra os efeitos de substâncias químicas tóxicas, radiações, 
microorganismos, dentre outros agentes ambientais nocivos ao trabalhador. Deve-se, 
portanto, sempre que possível, procurar a proteção coletiva, dada a sua melhor eficácia, 
uma vez que esta elimina o risco na fonte geradora. 
Não é permitido que o EPI seja de uso coletivo, como por exemplo, óculos de segurança 
que fique ao lado do esmeril para que as pessoas usem quando da operação do 
equipamento. 
 
É necessário determinar o tipo de EPI adequado ao risco que se pretende neutralizar, 
bem como garantir o perfeito ajuste do equipamento ao corpo do usuário para que se 
obtenha o máximo de proteção com o mínimo de desconforto. Podem-se encontrar vários 
modelos do mesmo tipo, com variações de certas características, tais como formato, 
sistema de montagem e acabamento, material empregado, etc. O serviço de segurança é 
o órgão competente para indicar o modelo apropriado para determinada situação de risco, 
isto é, o que melhor satisfaz o aspecto de segurança, levando em consideração a 
capacidade de neutralização da agressividade do trabalho, o tempo de vida útil do 
equipamento e o conforto que deve proporcionar ao usuário. Como se pode concluir, a 
aquisição dos EPI não deve ficar simplesmente a critério do setor de compras. 
Os usuários dos equipamentos de proteção individual devem ter consciência da sua 
finalidade, da maneira correta de usá-los e de como conservá-los em condições de uso. 
Para tanto, cabe ao setor de segurança emitir instruções e dar treinamento sobre o uso 
correto dos equipamentos. 
 
b) Definição 
 
Considera-se Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo dispositivo ou produto, de 
uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de 
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. 
 
 
 
 
28
 
c) Utilização 
 
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, 
em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: 
 
a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os 
riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; 
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e 
c) para atender a situações de emergência. 
 
A recomendação ao empregador, quanto ao EPI adequado ao risco existente em 
determinada atividade, é de competência: 
 
a) do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho - 
SESMT; 
b) da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, nas empresas desobrigadas 
de manter o SESMT. 
 
Nas empresas desobrigadas de constituir CIPA, cabe ao designado, mediante orientação 
de profissional tecnicamente habilitado, recomendar o EPI adequado à proteção do 
trabalhador. 
 
d) Comercialização 
 
O equipamento de proteção individual, de fabricação nacional ou importado, só poderá 
ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação – CA, 
expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho 
do Ministério do Trabalho e Emprego. 
 
Todo EPI deverá apresentar em caracteres indeléveis e bem visíveis, o nome comercial 
da empresa fabricante, o lote de fabricação e o número do CA, ou, no caso de EPI 
importado, o nome do importador, o lote de fabricação e o número do CA. 
O empregador tem as seguintes obrigações quanto ao EPI: 
 
• adquirir o tipo adequado à atividade do empregado; 
• fornecer ao empregado somente EPI aprovado pelo Min. do Trabalho; 
• treinar o trabalhador sobre o seu uso adequado; 
• tornar obrigatório o seu uso; 
• substituí-lo, imediatamente, quando danificado ou extraviado; 
• responsabilizar-se pela sua higienização e manutenção periódica; 
• comunicar ao MT qualquer irregularidade observada no EPI. 
 
O empregado tem as seguintes obrigações quanto ao EPI: 
 
• usá-lo apenas para a finalidade a que se destina; 
• responsabilizar-se por sua guarda e conservação; 
• comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso. 
 
 
 
 
 
 
 
29
 
e) Tipos de EPI 
 
Atendidas as peculiaridades de cada atividade profissional, o empregador deve fornecer 
aos trabalhadores os seguintes EPI: 
• Proteção para a cabeça; 
• Proteção para os membros superiores 
• Proteção para os membros inferiores 
• Proteção contra quedas com diferença de nível 
• Proteção auditiva 
• Proteção respiratória, para exposições a agentes ambientais em concentrações 
prejudiciais à saúde do trabalhador, de acordo com os limites estabelecidos na NR 15 
• Proteção do tronco 
• Proteção do corpo inteiro 
• Proteção da pele 
 
 
 FICHA DE CONTROLE DE EPI Nº 
Empresa: Departamento: Seção: 
Empregado: Matrícula: Função: 
DADOS DOS EPI 
Item Quant. Especificação do 
Equipamento 
CA no Fabricante Data 
entrega 
 
Assinatura 
do 
empregado 
 
 
 
Orientações/Recomendações de uso: 
 
Advertências: 
 
Responsável pela entrega do EPI: 
 
 
f) Manutenção e Higienização do EPI 
 
Conforme estabelece a NR-6, é de responsabilidade do empregador a higienização e 
manutenção periódica do EPI. Existem no mercado empresas especializadas em executar 
a higienização e manutenção do EPI, mantendo-os com as características originais no 
que se refere à proteção, porém a maioria das empresas procuram, erradamente, adotar 
soluções caseiras, nem sempre eficientes, por simples comodismo, desconhecimento ou 
contenção de despesas. Em qualquer caso, é importante que sejam seguidas as 
instruções do fabricante ao se executar a manutenção ou higienização do equipamento. 
 
Deve-se observar ainda, que nem todos os EPI são passíveis de serem restaurados, 
lavados e higienizados. 
 
 
30
 
 
Exemplos de EPI 
 
 
5.4 Noções sobre a Norma Regulamentadora NR 7 
 
PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL - PCMSO (NR-7) 
 
 
A Norma Regulamentadora nº 7, estabelece que as empresas são obrigadas a elaborar e 
implementar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, com o objetivo 
de promover e preservar a saúde de todos os seus trabalhadores. 
 
O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos 
agravos à saúde relacionados ao trabalho, além da constatação da existência de casos 
de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dostrabalhadores. 
 
O PCMSO deverá ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos 
trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações do Programa de Prevenção 
de Riscos Ambientais (PPRA) previsto na NR-9. 
 
Além de outras ações, estão previstos neste programa a realização dos seguintes exames 
médicos, por conta do empregador: 
 
Exames médicos 
 
• Admissional, que deverá ser realizado antes que o trabalhador assuma suas 
atividades. 
• Periódico, que deve ser realizado a cada dois anos ou anualmente dependendo da 
idade do trabalhador e do tipo de exposição, ou em outra periodicidade definida pelo 
médico do trabalho. 
• De retorno ao trabalho, que deverá ser realizado obrigatoriamente no primeiro dia de 
volta ao trabalho do trabalhador ausente por mais de 30 dias por motivo de doença ou 
acidente, ou parto. 
• De mudança de função, que deverá ser realizado antes da data de mudança de 
função. Entende-se por mudança de função toda e qualquer alteração de atividade, 
posto de trabalho ou setor, que implique em exposição do trabalhador a risco diferente 
daquele a que estava exposto antes da mudança. 
• Demissional, que deverá ser realizado até a data da homologação da rescisão 
contratual. 
 
 
 
31
 
Para cada exame médico realizado, o médico emitirá o Atestado de Saúde Ocupacional 
- ASO, em duas vias. A primeira via do ASO ficará arquivada no local de trabalho do 
trabalhador, inclusive frente de trabalho ou canteiro de obras, à disposição da fiscalização 
do trabalho. A segunda via do ASO será obrigatoriamente entregue ao trabalhador, 
mediante recibo da primeira via. 
 
O ASO deverá conter no mínimo: 
a) nome completo do trabalhador, o número de registro de sua identidade e sua função; 
b) os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência deles, na atividade do 
empregado; 
c) indicação dos procedimentos médicos a que foi submetido o trabalhador, incluindo os 
exames complementares e a data em que foram realizados; 
d) o nome do médico coordenador, quando houver, com respectivo CRM; 
e) definição de apto ou inapto para a função especifica que o trabalhador vai exercer, 
exerce ou exerceu; 
f) nome do médico encarregado do exame e endereço ou forma de contato; 
g) data e assinatura do médico encarregado do exame e carimbo contendo seu número 
de inscrição no CRM. 
 
Dos primeiros socorros 
Todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação de 
primeiros socorros, considerando-se as características da atividade desenvolvida; manter 
esse material guardado em local adequado, aos cuidados de pessoa treinada para esse 
fim. 
 
 
5.5 Noções sobre a Norma Regulamentadora NR 9 
 
PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS - PPRA (NR-9) 
 
Esta Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade da elaboração e 
implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam 
trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - 
PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da 
antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle de riscos ambientais 
existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a 
proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. 
 
O PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo 
da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, devendo estar articulado 
com o disposto nas demais NR, em especial com o PCMSO previsto na NR-7. 
 
Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e 
biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, 
concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à 
saúde do trabalhador. 
 
Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar 
expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, 
temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como 
o infra-som e o ultra-som. 
 
 
 
32
 
Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam 
penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, 
neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam 
ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. 
 
Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, 
protozoários, vírus, entre outros. 
 
O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deverá incluir as seguintes etapas: 
a) antecipação e reconhecimentos dos riscos; 
b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; 
c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; 
d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; 
e) monitoramento da exposição aos riscos; 
f) registro e divulgação dos dados. 
 
Das medidas de controle. 
 
Deverão ser adotadas as medidas necessárias suficientes para a eliminação, a 
minimização ou o controle dos riscos ambientais sempre que forem verificadas uma ou 
mais das seguintes situações: 
a) quando houver riscos potenciais e evidentes à saúde; 
b) quando as avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os 
valores dos limites de tolerância; 
c) quando o controle médico da saúde, caracterizar o nexo causal entre danos 
observados na saúde os trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam 
expostos. 
 
O estudo, desenvolvimento e implantação de medidas de proteção coletiva deverá 
obedecer à seguinte hierarquia: 
a) medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes prejudiciais à 
saúde; 
b) medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no ambiente de 
trabalho; 
c) medidas que reduzam os níveis ou a concentração desses agentes no ambiente de 
trabalho. 
 
Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade técnica da adoção de 
medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontrarem-se 
em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou ainda em caráter complementar ou 
emergencial, deverão ser adotadas outras medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia: 
a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; 
b) utilização de equipamento de proteção individual - EPI. 
 
Das responsabilidades. 
Do empregador: 
I. estabelecer, implementar e assegurar o cumprimento do PPRA como atividade 
permanente da empresa ou instituição. 
Dos trabalhadores: 
I. colaborar e participar na implantação e execução do PPRA; 
II. seguir as orientações recebidas nos treinamentos oferecidos dentro do PPRA; 
III. informar ao seu superior hierárquico direto ocorrências que, a seu julgamento, possam 
implicar riscos à saúde dos trabalhadores. 
 
 
33
 
5.6. Norma Regulamentadora NR 33 
 
SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS 
 
SUMÁRIO 
33.1 Objetivo e Definição 
33.2 Das Responsabilidades 
33.3 Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados 
33.4 Emergência e Salvamento 
33.5 Disposições Gerais 
 
ANEXO I - SINALIZAÇÃO 
ANEXO II - PERMISSÃO DE ENTRADA E TRABALHO - PET 
ANEXO III - GLOSSÁRIO 
 
33.1 Objetivo e Definição 
 
33.1.1 Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de 
espaços confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos 
existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que 
interagem direta ou indiretamente nestes espaços. 
33.1.2 Espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana 
contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente 
para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. 
 
33.2 Das Responsabilidades 
 
33.2.1 Cabe ao Empregador: 
a) indicar formalmente o responsável técnico pelo cumprimento desta norma; 
b) identificar os espaçosconfinados existentes no estabelecimento; 
c) identificar os riscos específicos de cada espaço confinado; 
d) implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho em espaços confinados, por medidas 
técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e salvamento, de forma a 
garantir permanentemente ambientes com condições adequadas de trabalho; 
e) garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, 
de emergência e salvamento em espaços confinados; 
f) garantir que o acesso ao espaço confinado somente ocorra após a emissão, por escrito, da 
Permissão de Entrada e Trabalho, conforme modelo constante no anexo II desta NR; 
g) fornecer às empresas contratadas informações sobre os riscos nas áreas onde desenvolverão 
suas atividades e exigir a capacitação de seus trabalhadores; 
h) acompanhar a implementação das medidas de segurança e saúde dos trabalhadores das 
empresas contratadas provendo os meios e condições para que eles possam atuar em 
conformidade com esta NR; 
i) interromper todo e qualquer tipo de trabalho em caso de suspeição de condição de risco grave e 
iminente, procedendo ao imediato abandono do local; e 
j) garantir informações atualizadas sobre os riscos e medidas de controle antes de cada acesso 
aos espaços confinados. 
33.2.2 Cabe aos Trabalhadores: 
a) colaborar com a empresa no cumprimento desta NR; 
b) utilizar adequadamente os meios e equipamentos fornecidos pela empresa; 
c) comunicar ao Vigia e ao Supervisor de Entrada as situações de risco para sua segurança e 
saúde ou de terceiros, que sejam do seu conhecimento; e 
d) cumprir os procedimentos e orientações recebidos nos treinamentos com relação aos espaços 
confinados. 
 
 
 
 
 
 
34
 
33.3 Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados 
 
33.3.1 A gestão de segurança e saúde deve ser planejada, programada, implementada e avaliada, 
incluindo medidas técnicas de prevenção, medidas administrativas e medidas pessoais e 
capacitação para trabalho em espaços confinados. 
 
33.3.2 Medidas técnicas de prevenção: 
a) identificar, isolar e sinalizar os espaços confinados para evitar a entrada de pessoas não 
autorizadas; 
b) antecipar e reconhecer os riscos nos espaços confinados; 
c) proceder à avaliação e controle dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e 
mecânicos; 
d) prever a implantação de travas, bloqueios, alívio, lacre e etiquetagem; 
e) implementar medidas necessárias para eliminação ou controle dos riscos atmosféricos em 
espaços confinados; 
f) avaliar a atmosfera nos espaços confinados, antes da entrada de trabalhadores, para verificar 
se o seu interior é seguro; 
g) manter condições atmosféricas aceitáveis na entrada e durante toda a realização dos trabalhos, 
monitorando, ventilando, purgando, lavando ou inertizando o espaço confinado; 
h) monitorar continuamente a atmosfera nos espaços confinados nas áreas onde os trabalhadores 
autorizados estiverem desempenhando as suas tarefas, para verificar se as condições de acesso 
e permanência são seguras; 
i) proibir a ventilação com oxigênio puro; 
j) testar os equipamentos de medição antes de cada utilização; e 
k) utilizar equipamento de leitura direta, intrinsecamente seguro, provido de alarme, calibrado e 
protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofrequência. 
33.3.2.1 Os equipamentos fixos e portáteis, inclusive os de comunicação e de movimentação 
vertical e horizontal, devem ser adequados aos riscos dos espaços confinados; 
33.3.2.2 Em áreas classificadas os equipamentos devem estar certificados ou possuir documento 
contemplado no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade - INMETRO. 
33.3.2.3 As avaliações atmosféricas iniciais devem ser realizadas fora do espaço confinado. 
33.3.2.4 Adotar medidas para eliminar ou controlar os riscos de incêndio ou explosão em 
trabalhos a quente, tais como solda, aquecimento, esmerilha mento, corte ou outros que liberem 
chama aberta, faíscas ou calor. 
33.3.2.5 Adotar medidas para eliminar ou controlar os riscos de inundação, soterramento, engolfa 
mento, incêndio, choques elétricos, eletricidade estática, queimaduras, quedas, escorregamentos, 
impactos, esmagamentos, amputações e outros que possam afetar a segurança e saúde dos 
trabalhadores. 
 
33.3.3 Medidas administrativas: 
a) manter cadastro atualizado de todos os espaços confinados, inclusive dos desativados, e 
respectivos riscos; 
b) definir medidas para isolar, sinalizar, controlar ou eliminar os riscos do espaço confinado; 
c) manter sinalização permanente junto à entrada do espaço confinado, conforme o Anexo I da 
presente norma; 
d) implementar procedimento para trabalho em espaço confinado; 
e) adaptar o modelo de Permissão de Entrada e Trabalho, previsto no Anexo II desta NR, às 
peculiaridades da empresa e dos seus espaços confinados; 
f) preencher, assinar e datar, em três vias, a Permissão de Entrada e Trabalho antes do ingresso 
de trabalhadores em espaços confinados; 
g) possuir um sistema de controle que permita a rastreabilidade da Permissão de Entrada e 
Trabalho; 
h) entregar para um dos trabalhadores autorizados e ao Vigia cópia da Permissão de Entrada e 
Trabalho; 
i) encerrar a Permissão de Entrada e Trabalho quando as operações forem completadas, quando 
ocorrer uma condição não prevista ou quando houver pausa ou interrupção dos trabalhos; 
j) manter arquivados os procedimentos e Permissões de Entrada e Trabalho por cinco anos; 
 
 
35
 
k) disponibilizar os procedimentos e Permissão de Entrada e Trabalho para o conhecimento dos 
trabalhadores autorizados, seus representantes e fiscalização do trabalho; 
l) designar as pessoas que participarão das operações de entrada, identificando os deveres de 
cada trabalhador e providenciando a capacitação requerida; 
m) estabelecer procedimentos de supervisão dos trabalhos no exterior e no interior dos espaços 
confinados; 
n) assegurar que o acesso ao espaço confinado somente seja iniciado com acompanhamento e 
autorização de supervisão capacitada; 
o) garantir que todos os trabalhadores sejam informados dos riscos e medidas de controle 
existentes no local de trabalho; e 
p) implementar um Programa de Proteção Respiratória de acordo com a análise de risco, 
considerando o local, a complexidade e o tipo de trabalho a ser desenvolvido. 
33.3.3.1 A Permissão de Entrada e Trabalho é válida somente para cada entrada. 
33.3.3.2 Nos estabelecimentos onde houver espaços confinados devem ser observadas, de forma 
complementar a presente NR, os seguintes atos normativos: NBR 14606 – Postos de Serviço – 
Entrada em Espaço Confinado; e NBR 14787 – Espaço Confinado – Prevenção de Acidentes, 
Procedimentos e Medidas de Proteção, bem como suas alterações posteriores. 
33.3.3.3 O procedimento para trabalho deve contemplar, no mínimo: objetivo, campo de aplicação, 
base técnica, responsabilidades, competências, preparação, emissão, uso e cancelamento da 
Permissão de Entrada e Trabalho, capacitação para os trabalhadores, análise de risco e medidas 
de controle. 
33.3.3.4 Os procedimentos para trabalho em espaços confinados e a Permissão de Entrada e 
Trabalho devem ser avaliados no mínimo uma vez ao ano e revisados sempre que houver 
alteração dos riscos, com a participação do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do 
Trabalho - SESMT e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA. 
33.3.3.5 Os procedimentos de entrada em espaços confinados devem ser revistos quando da 
ocorrência de qualquer uma das circunstâncias abaixo: 
a) entrada não autorizada num espaço confinado; 
b) identificação de riscos não descritos na Permissão de Entrada e Trabalho; 
c) acidente, incidente ou condição não prevista durante a entrada; 
d) qualquer mudança na atividade desenvolvida ou na configuração do espaço confinado; 
e) solicitação do SESMT ou da CIPA; e 
f) identificação de condição de trabalho mais segura. 
 
33.3.4 Medidas Pessoais: 
33.3.4.1 Todo trabalhador designadopara trabalhos em espaços confinados deve ser submetido a 
exames médicos específicos para a função que irá desempenhar, conforme estabelecem as NRs 
07 e 31, incluindo os fatores de riscos psicossociais com a emissão do respectivo Atestado de 
Saúde Ocupacional - ASO. 
33.3.4.2 Capacitar todos os trabalhadores envolvidos, direta ou indiretamente com os espaços 
confinados, sobre seus direitos, deveres, riscos e medidas de controle, conforme previsto no item 
33.3.5. 
33.3.4.3 O número de trabalhadores envolvidos na execução dos trabalhos em espaços 
confinados deve ser determinado conforme a análise de risco. 
33.3.4.4 É vedada a realização de qualquer trabalho em espaços confinados de forma individual 
ou isolada. 
33.3.4.5 O Supervisor de Entrada deve desempenhar as seguintes funções: 
a) emitir a Permissão de Entrada e Trabalho antes do início das atividades; 
b) executar os testes, conferir os equipamentos e os procedimentos contidos na Permissão de 
Entrada e Trabalho; 
c) assegurar que os serviços de emergência e salvamento estejam disponíveis e que os meios 
para acioná-los estejam operantes; 
d) cancelar os procedimentos de entrada e trabalho quando necessário; e 
e) encerrar a Permissão de Entrada e Trabalho após o término dos serviços. 
33.3.4.6 O Supervisor de Entrada pode desempenhar a função de Vigia. 
33.3.4.7 O Vigia deve desempenhar as seguintes funções: 
a) manter continuamente a contagem precisa do número de trabalhadores autorizados no espaço 
confinado e assegurar que todos saiam ao término da atividade; 
 
 
36
 
b) permanecer fora do espaço confinado, junto à entrada, em contato permanente com os 
trabalhadores autorizados; 
c) adotar os procedimentos de emergência, acionando a equipe de salvamento, pública ou 
privada, quando necessário; 
d) operar os movimentadores de pessoas; e 
e) ordenar o abandono do espaço confinado sempre que reconhecer algum sinal de alarme, 
perigo, sintoma, queixa, condição proibida, acidente, situação não prevista ou quando não puder 
desempenhar efetivamente suas tarefas, nem ser substituído por outro Vigia. 
33.3.4.8 O Vigia não poderá realizar outras tarefas que possam comprometer o dever principal 
que é o de monitorar e proteger os trabalhadores autorizados; 
33.3.4.9 Cabe ao empregador fornecer e garantir que todos os trabalhadores que adentrarem em 
espaços confinados disponham de todos os equipamentos para controle de riscos, previstos na 
Permissão de Entrada e Trabalho. 
33.3.4.10 Em caso de existência de Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde - 
Atmosfera IPVS –, o espaço confinado somente pode ser adentrado com a utilização de máscara 
autônoma de demanda com pressão positiva ou com respirador de linha de ar comprimido com 
cilindro auxiliar para escape. 
 
33.3.5 Capacitação para trabalhos em espaços confinados 
33.3.5.1 É vedada a designação para trabalhos em espaços confinados sem a prévia capacitação 
do trabalhador. 
33.3.5.2 O empregador deve desenvolver e implantar programas de capacitação sempre que 
ocorrer qualquer das seguintes situações: 
a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho; 
b) algum evento que indique a necessidade de novo treinamento; e 
c) quando houver uma razão para acreditar que existam desvios na utilização ou nos 
procedimentos de entrada nos espaços confinados ou que os conhecimentos não sejam 
adequados. 
33.3.5.3 Todos os trabalhadores autorizados, Vigias e Supervisores de Entrada devem receber 
capacitação periódica a cada doze meses, com carga horária mínima de oito horas. 
33.3.5.3 Todos os trabalhadores autorizados e Vigias devem receber capacitação periodicamente, 
a cada doze meses. (Alteração dada pela Portaria MTE 1.409/2012). 
33.3.5.4 A capacitação inicial dos trabalhadores autorizados e Vigias deve ter carga horária 
mínima de dezesseis horas, ser realizada dentro do horário de trabalho, com conteúdo 
programático de: 
33.3.5.4 A capacitação deve ter carga horária mínima de dezesseis horas, ser realizada dentro do 
horário de trabalho, com conteúdo programático de:(Alteração dada pela Portaria MTE 
1.409/2012). 
a) definições; 
b) reconhecimento, avaliação e controle de riscos; 
c) funcionamento de equipamentos utilizados; 
d) procedimentos e utilização da Permissão de Entrada e Trabalho; e 
e) noções de resgate e primeiros socorros. 
33.3.5.5 A capacitação dos Supervisores de Entrada deve ser realizada dentro do horário de 
trabalho, com conteúdo programático estabelecido no subitem 33.3.5.4, acrescido de: 
a) identificação dos espaços confinados; 
b) critérios de indicação e uso de equipamentos para controle de riscos; 
c) conhecimentos sobre práticas seguras em espaços confinados; 
d) legislação de segurança e saúde no trabalho; 
e) programa de proteção respiratória; 
f) área classificada; e 
g) operações de salvamento. 
33.3.5.6 Todos os Supervisores de Entrada devem receber capacitação específica, com carga 
horária mínima de quarenta horas para a capacitação inicial. 
33.3.5.6 Todos os Supervisores de Entrada devem receber capacitação específica, com carga 
horária mínima de quarenta horas. (Alteração dada pela Portaria MTE 1.409/2012). 
33.3.5.7 Os instrutores designados pelo responsável técnico, devem possuir comprovada 
proficiência no assunto. 
 
 
37
 
33.3.5.8 Ao término do treinamento deve-se emitir um certificado contendo o nome do 
trabalhador, conteúdo programático, carga horária, a especificação do tipo de trabalho e espaço 
confinado, data e local de realização do treinamento, com as assinaturas dos instrutores e do 
responsável técnico. 
33.3.5.8.1 Uma cópia do certificado deve ser entregue ao trabalhador e a outra cópia deve ser 
arquivada na empresa. 
 
33.4 Emergência e Salvamento 
 
33.4.1 O empregador deve elaborar e implementar procedimentos de emergência e resgate 
adequados aos espaços confinados incluindo, no mínimo: 
a) descrição dos possíveis cenários de acidentes, obtidos a partir da Análise de Riscos; 
b) descrição das medidas de salvamento e primeiros socorros a serem executadas em caso de 
emergência; 
c) seleção e técnicas de utilização dos equipamentos de comunicação, iluminação de emergência, 
busca, resgate, primeiros socorros e transporte de vítimas; 
d) acionamento de equipe responsável, pública ou privada, pela execução das medidas de 
resgate e primeiros socorros para cada serviço a ser realizado; e 
e) exercício simulado anual de salvamento nos possíveis cenários de acidentes em espaços 
confinados. 
33.4.2 O pessoal responsável pela execução das medidas de salvamento deve possuir aptidão 
física e mental compatível com a atividade a desempenhar. 
33.4.3 A capacitação da equipe de salvamento deve contemplar todos os possíveis cenários de 
acidentes identificados na análise de risco. 
 
33.5 Disposições Gerais 
 
33.5.1 O empregador deve garantir que os trabalhadores possam interromper suas atividades e 
abandonar o local de trabalho, sempre que suspeitarem da existência de risco grave e iminente 
para sua segurança e saúde ou a de terceiros. 
33.5.2 São solidariamente responsáveis pelo cumprimento desta NR os contratantes e 
contratados. 
33.5.3 É vedada a entrada e a realização de qualquer trabalho em espaços confinados sem a 
emissão da Permissão de Entrada e Trabalho 
 
ANEXO I - SINALIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
38
 
ANEXO II - Permissão de Entrada e Trabalho - PET 
Caráter informativo para elaboração da Permissão de Entrada e Trabalho em Espaço 
Confinado 
Nome da empresa: 
Local do espaço confinado: Espaço confinado n.º: 
Data e horário da 
emissão: 
Data e horário do término: 
Trabalho a ser realizado: 
Trabalhadores autorizados: 
Vigia: Equipe de resgate: 
Supervisor de Entrada: 
Procedimentos que devem ser completados antes da entrada 
1. Isolamento S ( ) N ( ) 
 
 
2. Teste inicial da atmosfera: horário___________ 
Oxigênio % O2 
Inflamáveis % LIE 
Gases/vapores tóxicos ppm 
Poeiras/fumos/névoas tóxicas mg/m 3 
Nome legível /assinatura do Supervisor dos testes: 
3. Bloqueios, travamento e etiquetagem N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
4. Purga e/ou lavagem N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
5. Ventilação/exaustão - tipo, equipamento e tempo N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
6. Teste após ventilação e isolamento: horário ___________ 
 
 
39
 
Oxigênio 
% O2 > 
19,5% ou < 
23,0 % 
Inflamáveis %LIE < 10% 
Gases/vapores tóxicos ppm 
Poeiras/fumos/névoas tóxicas mg/m 3 
Nome legível / assinatura do Supervisor dos testes: 
7. Iluminação geral N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
8. Procedimentos de comunicação: N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
9. Procedimentos de resgate: N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
10. Procedimentos e proteção de movimentação vertical: N/A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
11. Treinamento de todos os trabalhadores? É atual? N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
12. Equipamentos: 
13. Equipamento de monitoramento contínuo de gases aprovados e certificados por 
um Organismo de Certificação Credenciado (OCC) pelo INMETRO para trabalho 
em áreas potencialmente explosivas de leitura direta com alarmes em condições: 
S ( ) N ( ) 
 
 
Lanternas N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Roupa de proteção N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Extintores de incêndio N/A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Capacetes, botas, luvas N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Equipamentos de proteção respiratória/autônomo ou sistema 
de ar mandado com cilindro de escape 
N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
 
 
40
 
Cinturão de segurança e linhas de vida para os trabalhadores autorizado S ( ) N ( ) 
 
 
Cinturão de segurança e linhas de vida para a equipe de 
resgate 
N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Escada N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Equipamentos de movimentação vertical/suportes externos N /A ( ) S( ) N ( ) 
 
 
Equipamentos de comunicação eletrônica aprovados e 
certificados por um Organismo de Certificação Credenciado 
(OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas 
potencialmente 
explosivas_______________________________________ 
N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Equipamento de proteção respiratória autônomo ou sistema de ar mandado com 
cilindro de escape para a equipe de resgate 
_________________________________ 
S ( ) N ( ) 
 
 
Equipamentos elétricos e eletrônicos aprovados e 
certificados por um Organismo de Certificação Credenciado 
(OCC) pelo INMETRO para trabalho em áreas 
potencialmente explosivas 
_______________________________________ 
N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Legenda : N/A - "não se aplica"; N - "não"; S - "sim". 
Procedimentos que devem ser completados durante o desenvolvimento dos trabalhos 
Permissão de trabalhos a quente N /A ( ) S ( ) N ( ) 
 
 
Procedimentos de Emergência e Resgate 
Telefones e contatos: 
Ambulância:___________ Bombeiros:__________ 
Segurança:_________ 
Legenda: N/A - "não se aplica"; N - "não"; S - "sim". 
A entrada não pode ser permitida se algum campo não for preenchido ou contiver a marca na coluna 
"não". 
A falta de monitoramento contínuo da atmosfera no interior do espaço confinado, alarme, ordem do 
Vigia ou qualquer situação de risco à segurança dos trabalhadores, implica no abandono imediato 
 
 
41
 
da área. 
Qualquer saída de toda equipe por qualquer motivo implica a emissão de nova permissão de 
entrada. Esta permissão de entrada deverá ficar exposta no local de trabalho até o seu término. Após 
o trabalho, esta permissão deverá ser arquivada. 
 
 
ANEXO III – Glossário NR-33 
 
Abertura de linha: abertura intencional de um duto, tubo, linha, tubulação que está sendo 
utilizada ou foi utilizada para transportar materiais tóxicos, inflamáveis, corrosivos, gás, ou 
qualquer fluido em pressões ou temperaturas capazes de causar danos materiais ou pessoais 
visando a eliminar energias perigosas para o trabalho seguro em espaços confinados. 
Alívio: o mesmo que abertura de linha. 
Análise Preliminar de Risco (APR): avaliação inicial dos riscos potenciais, suas causas, 
consequências e medidas de controle. 
Área Classificada: área potencialmente explosiva ou com risco de explosão. 
Atmosfera IPVS - Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde: qualquer atmosfera 
que apresente risco imediato à vida ou produza imediato efeito debilitante à saúde. 
Avaliações iniciais da atmosfera: conjunto de medições preliminares realizadas na atmosfera do 
espaço confinado. 
Base técnica: conjunto de normas, artigos, livros, procedimentos de segurança de trabalho, e 
demais documentos técnicos utilizados para implementar o Sistema de Permissão de Entrada e 
Trabalho em espaços confinados. 
Bloqueio: dispositivo que impede a liberação de energias perigosas tais como: pressão, vapor, 
fluidos, combustíveis, água e outros visando à contenção de energias perigosas para trabalho 
seguro em espaços confinados. 
Chama aberta: mistura de gases incandescentes emitindo energia, que é também denominada 
chama ou fogo. 
Condição IPVS: Qualquer condição que coloque um risco imediato de morte ou que possa 
resultar em efeitos à saúde irreversíveis ou imediatamente severos ou que possa resultar em dano 
ocular, irritação ou outras condições que possam impedir a saída de um espaço confinado. 
Contaminantes: gases, vapores, névoas, fumos e poeiras presentes na atmosfera do espaço 
confinado. 
Deficiência de Oxigênio: atmosfera contendo menos de 20,9 % de oxigênio em volume na 
pressão atmosférica normal, a não ser que a redução do percentual seja devidamente monitorada 
e controlada. 
Engolfa mento: é o envolvimento e a captura de uma pessoa por líquidos ou sólidos finamente 
divididos. 
Enriquecimento de Oxigênio: atmosfera contendo mais de 23% de oxigênio em volume. 
Etiquetagem: colocação de rótulo num dispositivo isolador de energia para indicar que o 
dispositivo e o equipamento a ser controlado não podem ser utilizados até a sua remoção. 
Faísca: partícula candente gerada no processo de esmerilha mento, polimento, corte ou solda. 
Gestão de segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: conjunto de medidas 
técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e coletivas necessárias para garantir o trabalho 
seguro em espaços confinados. 
Inertização: deslocamento da atmosfera existente em um espaço confinado por um gás inerte, 
resultando numa atmosfera não combustível e com deficiência de oxigênio. 
Intrinsecamente Seguro: situação em que o equipamento não pode liberar energia elétrica ou 
térmica suficientes para, em condições normais ou anormais, causar a ignição de uma dada 
atmosfera explosiva, conforme expresso no certificado de conformidade do equipamento. 
Lacre: braçadeira ou outro dispositivo que precise ser rompido para abrir um equipamento. 
Leitura direta: dispositivo ou equipamento que permite realizar leituras de contaminantes em 
tempo real. 
Medidas especiais de controle: medidas adicionais de controle necessárias para permitir a 
entrada e o trabalho em espaços confinados em situações peculiares, tais como trabalhos a 
quente, atmosferas IPVS ou outras. 
 
 
42
 
Ordem de Bloqueio: ordem de suspensão de operação normal do espaço confinado. 
Ordem de Liberação: ordem de reativação de operação normal do espaço confinado. 
Oxigênio puro: atmosfera contendo somente oxigênio (100 %). 
Permissão de Entrada e Trabalho (PET): documento escrito contendo o conjunto de medidas de 
controle visando à entrada e desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de 
emergência e resgate em espaços confinados. 
Proficiência: competência, aptidão, capacitação e habilidade aliadas à experiência. 
Programa de Proteção Respiratória: conjunto de medidas práticas e administrativas necessárias 
para proteger a saúde do trabalhador pela seleção adequada e uso correto dos respiradores. 
Purga: método de limpeza que torna a atmosfera interior do espaço confinado isenta de gases, 
vapores e outras impurezas indesejáveis através de ventilação ou lavagem com água ou vapor. 
Quase acidente:qualquer evento não programado que possa indicar a possibilidade de 
ocorrência de acidente. 
Responsável Técnico: profissional habilitado para identificar os espaços confinados existentes 
na empresa e elaborar as medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de 
emergência e resgate. 
Risco Grave e Iminente: Qualquer condição que possa causar acidente de trabalho ou doença 
profissional com lesão grave à integridade física do trabalhador. 
Riscos psicossociais: influência na saúde mental dos trabalhadores, provocada pelas tensões 
da vida diária, pressão do trabalho e outros fatores adversos. 
Salvamento: procedimento operacional padronizado, realizado por equipe com conhecimento 
técnico especializado, para resgatar e prestar os primeiros socorros a trabalhadores em caso de 
emergência. 
Sistema de Permissão de Entrada em Espaços Confinados: procedimento escrito para 
preparar uma Permissão de Entrada e Trabalho (PET). 
Supervisor de Entrada: pessoa capacitada para operar a permissão de entrada com 
responsabilidade para preencher e assinar a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) para o 
desenvolvimento de entrada e trabalho seguro no interior de espaços confinados. 
Trabalhador autorizado: trabalhador capacitado para entrar no espaço confinado, ciente dos 
seus direitos e deveres e com conhecimento dos riscos e das medidas de controle existentes. 
Trava: dispositivo (como chave ou cadeado) utilizado para garantir isolamento de dispositivos que 
possam liberar energia elétrica ou mecânica de forma acidental. 
Vigia: trabalhador designado para permanecer fora do espaço confinado e que é responsável pelo 
acompanhamento, comunicação e ordem de abandono para os trabalhadores. 
 
 
5.7. Norma Regulamentadora NR 35 
 
TRABALHO EM ALTURA 
 
Sumário 
 
35.1. Objetivo e Campo de Aplicação 
35.2. Responsabilidades 
35.3. Capacitação e Treinamento 
35.4. Planejamento, Organização e Execução 
35.5 Sistemas de Proteção contra quedas 
35.6. Emergência e Salvamento 
 
Glossário 
 
Anexo I - Acesso por Cordas 
Anexo II - Sistemas de Ancoragem 
 
 
 
 
 
 
 
43
 
35.1. Objetivo e Campo de Aplicação 
 
35.1.1 Esta Norma estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho 
em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, de forma a garantir a 
segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade. 
35.1.2 Considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 m (dois metros) 
do nível inferior, onde haja risco de queda. 
35.1.3 Esta norma se complementa com as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos Órgãos 
competentes e, na ausência ou omissão dessas, com as normas internacionais aplicáveis. 
 
35.2. Responsabilidades 
 
35.2.1 Cabe ao empregador: 
a) garantir a implementação das medidas de proteção estabelecidas nesta Norma; 
b) assegurar a realização da Análise de Risco - AR e, quando aplicável, a emissão da Permissão 
de Trabalho - PT; 
c) desenvolver procedimento operacional para as atividades rotineiras de trabalho em altura; 
d) assegurar a realização de avaliação prévia das condições no local do trabalho em altura, pelo 
estudo, planejamento e implementação das ações e das medidas complementares de segurança 
aplicáveis; 
e) adotar as providências necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de proteção 
estabelecidas nesta Norma pelas empresas contratadas; 
f) garantir aos trabalhadores informações atualizadas sobre os riscos e as medidas de controle; 
g) garantir que qualquer trabalho em altura só se inicie depois de adotadas as medidas de 
proteção definidas nesta Norma; 
h) assegurar a suspensão dos trabalhos em altura quando verificar situação ou condição de risco 
não prevista, cuja eliminação ou neutralização imediata não seja possível; 
i) estabelecer uma sistemática de autorização dos trabalhadores para trabalho em altura; 
j) assegurar que todo trabalho em altura seja realizado sob supervisão, cuja forma será definida 
pela análise de riscos de acordo com as peculiaridades da atividade; 
k) assegurar a organização e o arquivamento da documentação prevista nesta Norma. 
35.2.2 Cabe aos trabalhadores: 
a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre trabalho em altura, inclusive os 
procedimentos expedidos pelo empregador; 
b) colaborar com o empregador na implementação das disposições contidas nesta Norma; 
c) interromper suas atividades exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem evidências 
de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando 
imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis; 
d) zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas 
ações ou omissões no trabalho. 
 
35.3. Capacitação e Treinamento 
 
35.3.1 O empregador deve promover programa para capacitação dos trabalhadores à realização 
de trabalho em altura. 
35.3.2 Considera-se trabalhador capacitado para trabalho em altura aquele que foi submetido e 
aprovado em treinamento, teórico e prático, com carga horária mínima de oito horas, cujo 
conteúdo programático deve, no mínimo, incluir: 
a) normas e regulamentos aplicáveis ao trabalho em altura; 
b) análise de risco e condições impeditivas; 
c) riscos potenciais inerentes ao trabalho em altura e medidas de prevenção e controle; 
d) sistemas, equipamentos e procedimentos de proteção coletiva; 
e) equipamentos de Proteção Individual para trabalho em altura: seleção, inspeção, conservação 
e limitação de uso; 
f) acidentes típicos em trabalhos em altura; 
g) condutas em situações de emergência, incluindo noções de técnicas de resgate e de primeiros 
socorros. 
 
 
44
 
35.3.3 O empregador deve realizar treinamento periódico bienal e sempre que ocorrer quaisquer 
das seguintes situações: 
a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho; 
b) evento que indique a necessidade de novo treinamento; 
c) retorno de afastamento ao trabalho por período superior a noventa dias; 
d) mudança de empresa. 
35.3.3.1 O treinamento periódico bienal deve ter carga horária mínima de oito horas, conforme 
conteúdo programático definido pelo empregador. 
35.3.3.2 Nos casos previstos nas alíneas "a", "b", "c" e "d", a carga horária e o conteúdo 
programático devem atender a situação que o motivou. 
35.3.4 Os treinamentos inicial, periódico e eventual para trabalho em altura podem ser ministrados 
em conjunto com outros treinamentos da empresa. 
35.3.5 A capacitação deve ser realizada preferencialmente durante o horário normal de trabalho. 
35.3.5.1 O tempo despendido na capacitação deve ser computado como tempo de trabalho 
efetivo. 
35.3.6 O treinamento deve ser ministrado por instrutores com comprovada proficiência no assunto, 
sob a responsabilidade de profissional qualificado em segurança no trabalho. 
35.3.7 Ao término do treinamento deve ser emitido certificado contendo o nome do trabalhador, 
conteúdo programático, carga horária, data, local de realização do treinamento, nome e 
qualificação dos instrutores e assinatura do responsável. 
35.3.7.1 O certificado deve ser entregue ao trabalhador e uma cópia arquivada na empresa. 
35.3.8 A capacitação deve ser consignada no registro do empregado. 
 
35.4. Planejamento, Organização e Execução 
 
35.4.1 Todo trabalho em altura deve ser planejado, organizado e executado por trabalhador 
capacitado e autorizado. 
35.4.1.1 Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado, cujo 
estado de saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar essa atividade e que 
possua anuência formal da empresa. 
35.4.1.2 Cabe ao empregador avaliar o estado de saúde dos trabalhadores que exercem 
atividades em altura, garantindo que: 
a) os exames e a sistemática de avaliação sejam partes integrantes do Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, devendo estar nele consignados; 
b) a avaliação seja efetuada periodicamente,considerando os riscos envolvidos em cada situação; 
c) seja realizado exame médico voltado às patologias que poderão originar mal súbito e queda de 
altura, considerando também os fatores psicossociais. 
35.4.1.2.1 A aptidão para trabalho em altura deve ser consignada no atestado de saúde 
ocupacional do trabalhador. 
35.4.1.3 A empresa deve manter cadastro atualizado que permita conhecer a abrangência da 
autorização de cada trabalhador para trabalho em altura. 
35.4.2 No planejamento do trabalho devem ser adotadas, de acordo com a seguinte hierarquia: 
a) medidas para evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de execução; 
b) medidas que eliminem o risco de queda dos trabalhadores, na impossibilidade de execução do 
trabalho de outra forma; 
c) medidas que minimizem as consequências da queda, quando o risco de queda não puder ser 
eliminado. 
35.4.3 Todo trabalho em altura deve ser realizado sob supervisão, cuja forma será definida pela 
análise de risco de acordo com as peculiaridades da atividade. 
35.4.4 A execução do serviço deve considerar as influências externas que possam alterar as 
condições do local de trabalho já previstas na análise de risco. 
35.4.5 Todo trabalho em altura deve ser precedido de Análise de Risco. 
35.4.5.1 A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho em altura, considerar: 
a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno; 
b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho; 
c) o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem; 
d) as condições meteorológicas adversas; 
 
 
45
 
e) a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de proteção coletiva 
e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às orientações dos fabricantes e aos 
princípios da redução do impacto e dos fatores de queda; 
f) o risco de queda de materiais e ferramentas; 
g) os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos; 
h) o atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas demais normas 
regulamentadoras; 
i) os riscos adicionais; 
j) as condições impeditivas; 
k) as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma a 
reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador; 
l) a necessidade de sistema de comunicação; 
m) a forma de supervisão. 
35.4.6 Para atividades rotineiras de trabalho em altura a análise de risco pode estar contemplada 
no respectivo procedimento operacional. 
35.4.6.1 Os procedimentos operacionais para as atividades rotineiras de trabalho em altura devem 
conter, no mínimo: 
a) as diretrizes e requisitos da tarefa; 
b) as orientações administrativas; 
c) o detalhamento da tarefa; 
d) as medidas de controle dos riscos características à rotina; 
e) as condições impeditivas; 
f) os sistemas de proteção coletiva e individual necessários; 
g) as competências e responsabilidades. 
35.4.7 As atividades de trabalho em altura não rotineiras devem ser previamente autorizadas 
mediante Permissão de Trabalho. 
35.4.7.1 Para as atividades não rotineiras as medidas de controle devem ser evidenciadas na 
Análise de Risco e na Permissão de Trabalho. 
35.4.8 A Permissão de Trabalho deve ser emitida, aprovada pelo responsável pela autorização da 
permissão, disponibilizada no local de execução da atividade e, ao final, encerrada e arquivada de 
forma a permitir sua rastreabilidade. 
35.4.8.1 A Permissão de Trabalho deve conter: 
a) os requisitos mínimos a serem atendidos para a execução dos trabalhos; 
b) as disposições e medidas estabelecidas na Análise de Risco; 
c) a relação de todos os envolvidos e suas autorizações. 
35.4.8.2 A Permissão de Trabalho deve ter validade limitada à duração da atividade, restrita ao 
turno de trabalho, podendo ser revalidada pelo responsável pela aprovação nas situações em que 
não ocorram mudanças nas condições estabelecidas ou na equipe de trabalho. 
 
35.5 Sistemas de Proteção contra quedas (Nova Redação dada pela Portaria MTE 1.113/2016) 
 
35.5.1 É obrigatória a utilização de sistema de proteção contra quedas sempre que não for 
possível evitar o trabalho em altura. 
35.5.2 O sistema de proteção contra quedas deve: 
a) ser adequado à tarefa a ser executada; 
b) ser selecionado de acordo com Análise de Risco, considerando, além dos riscos a que o 
trabalhador está exposto, os riscos adicionais; 
c) ser selecionado por profissional qualificado em segurança do trabalho; 
d) ter resistência para suportar a força máxima aplicável prevista quando de uma queda; 
e) atender às normas técnicas nacionais ou na sua inexistência às normas internacionais 
aplicáveis; 
f) ter todos os seus elementos compatíveis e submetidos a uma sistemática de inspeção. 
35.5.3 A seleção do sistema de proteção contra quedas deve considerar a utilização: 
a) de sistema de proteção coletiva contra quedas - SPCQ; 
b) de sistema de proteção individual contra quedas - SPIQ, nas seguintes situações: 
b.1) na impossibilidade de adoção do SPCQ; 
b.2) sempre que o SPCQ não ofereça completa proteção contra os riscos de queda; 
b.3) para atender situações de emergência. 
 
 
46
 
35.5.3.1 O SPCQ deve ser projetado por profissional legalmente habilitado. 
35.5.4 O SPIQ pode ser de restrição de movimentação, de retenção de queda, de posicionamento 
no trabalho ou de acesso por cordas. 
35.5.5 O SPIQ é constituído dos seguintes elementos: 
a) sistema de ancoragem; 
b) elemento de ligação; 
c) equipamento de proteção individual. 
35.5.5.1 Os equipamentos de proteção individual devem ser: 
a) certificados; 
b) adequados para a utilização pretendida; 
c) utilizados considerando os limites de uso; 
d) ajustados ao peso e à altura do trabalhador. 
35.5.5.1.1 O fabricante e/ou o fornecedor de EPI deve disponibilizar informações quanto ao 
desempenho dos equipamentos e os limites de uso, considerando a massa total aplicada ao 
sistema (trabalhador e equipamentos) e os demais aspectos previstos no item 35.5.11. 
35.5.6 Na aquisição e periodicamente devem ser efetuadas inspeções do SPIQ, recusando-se os 
elementos que apresentem defeitos ou deformações. 
35.5.6.1 Antes do início dos trabalhos deve ser efetuada inspeção rotineira de todos os elementos 
do SPIQ. 
35.5.6.2 Devem-se registrar os resultados das inspeções: 
a) na aquisição; 
b) periódicas e rotineiras quando os elementos do SPIQ forem recusados. 
35.5.6.3 Os elementos do SPIQ que apresentarem defeitos, degradação, deformações ou 
sofrerem impactos de queda devem ser inutilizados e descartados, exceto quando sua 
restauração for prevista em normas técnicas nacionais ou, na sua ausência, em normas 
internacionais e de acordo com as recomendações do fabricante. 
35.5.7 O SPIQ deve ser selecionado de forma que a força de impacto transmitida ao trabalhador 
seja de no máximo 6kN quando de uma eventual queda; 
35.5.8 Os sistemas de ancoragem destinados à restrição de movimentação devem ser 
dimensionados para resistir às forças que possam vir a ser aplicadas. 
35.5.8.1 Havendo possibilidade de ocorrência de queda com diferença de nível, em conformidade 
com a análise de risco, o sistema deve ser dimensionado como de retenção de queda. 
35.5.9 No SPIQ de retenção de queda e no sistema de acesso por cordas, o equipamento de 
proteção individual deve ser o cinturão de segurança tipo paraquedista. 
35.5.9.1 O cinturão de segurança tipo paraquedista, quando utilizado em retenção de queda, deve 
estar conectado pelo seu elemento de engate para retenção de queda indicado pelo fabricante. 
35.5.10 A utilização do sistema de retenção de queda por trava-queda deslizante guiado deve 
atender às recomendações do fabricante, em particular no que se refere: 
a) à compatibilidade do trava-quedas deslizante guiado com a linha de vida vertical; 
b) ao comprimento máximo dos extensores. 
35.5.11 A Análise de Risco prevista nesta norma deve considerar para o SPIQ minimamente os 
seguintes aspectos: 
a) que o trabalhador deve permanecer conectado ao sistema durante todoo período de exposição 
ao risco de queda; 
b) distância de queda livre; 
c) o fator de queda; 
d) a utilização de um elemento de ligação que garanta um impacto de no máximo 6 kN seja 
transmitido ao trabalhador quando da retenção de uma queda; 
e) a zona livre de queda; 
f) compatibilidade entre os elementos do SPIQ. 
35.5.11.1 O talabarte e o dispositivo trava-quedas devem ser posicionados: 
a) quando aplicável, acima da altura do elemento de engate para retenção de quedas do 
equipamento de proteção individual; 
b) de modo a restringir a distância de queda livre; 
c) de forma a assegurar que, em caso de ocorrência de queda, o trabalhador não colida com 
estrutura inferior. 
35.5.11.1.1 O talabarte, exceto quando especificado pelo fabricante e considerando suas 
limitações de uso, não pode ser utilizado: 
 
 
47
 
a) conectado a outro talabarte, elemento de ligação ou extensor; 
b) com nós ou laços. 
 
35.6. Emergência e Salvamento 
 
35.6.1 O empregador deve disponibilizar equipe para respostas em caso de emergências para 
trabalho em altura. 
35.6.1.1 A equipe pode ser própria, externa ou composta pelos próprios trabalhadores que 
executam o trabalho em altura, em função das características das atividades. 
35.6.2 O empregador deve assegurar que a equipe possua os recursos necessários para as 
respostas a emergências. 
35.6.3 As ações de respostas às emergências que envolvam o trabalho em altura devem constar 
do plano de emergência da empresa. 
35.6.4 As pessoas responsáveis pela execução das medidas de salvamento devem estar 
capacitadas a executar o resgate, prestar primeiros socorros e possuir aptidão física e mental 
compatível com a atividade a desempenhar. 
 
GLOSSÁRIO NR-35 
(Nova Redação dada pela Portaria MTE 1.113/2016) 
 
Absorvedor de energia: Elemento com função de limitar a força de impacto transmitida ao 
trabalhador pela dissipação da energia cinética. 
Análise de Risco - AR: avaliação dos riscos potenciais, suas causas, consequências e medidas 
de controle. 
Ancoragem estrutural: elemento fixado de forma permanente na estrutura, no qual um 
dispositivo de ancoragem ou um EPI pode ser conectado. 
Atividades rotineiras: atividades habituais, independente da freqüência, que fazem parte do 
processo de trabalho da empresa. 
Avaliação de conformidade: demonstração de que os requisitos especificados em norma técnica 
relativos a um produto, processo, sistema, pessoa são atendidos. 
Certificação: atestação por organismo de avaliação de conformidade relativa a produtos, 
processos, sistemas ou pessoas de que o atendimento aos requisitos especificados em norma 
técnica foi demonstrado. 
Certificado: que foi submetido à certificação. 
Cinturão de segurança tipo paraquedista: Equipamento de Proteção Individual utilizado para 
trabalhos em altura onde haja risco de queda, constituído de sustentação na parte inferior do 
peitoral, acima dos ombros e envolta nas coxas. 
Condições impeditivas: situações que impedem a realização ou continuidade do serviço que 
possam colocar em risco a saúde ou a integridade física do trabalhador. 
Dispositivo de ancoragem: dispositivo removível da estrutura, projetado para utilização como 
parte de um sistema pessoal de proteção contra queda, cujos elementos incorporam um ou mais 
pontos de ancoragem fixos ou móveis. 
Distância de frenagem: distância percorrida durante a atuação do sistema de absorção de 
energia, normalmente compreendida entre o início da frenagem e o término da queda. 
Distância de queda livre: distância compreendida entre o início da queda e o início da retenção. 
Elemento de engate: elemento de um cinturão de segurança para conexão de um elemento de 
ligação. 
Elemento de engate para retenção de quedas: elemento de engate projetado para suportar 
força de impacto de retenção de quedas, localizado na região dorsal ou peitoral. 
Elemento de fixação: elemento destinado a fixar componentes do sistema de ancoragem entre 
Elemento de ligação: elemento com a função de conectar o cinturão de segurança ao sistema de 
ancoragem, podendo incorporar um absorvedor de energia. Também chamado de componente de 
união. 
Equipamentos auxiliares: equipamentos utilizados nos trabalhos de acesso por corda que 
completam o cinturão tipo paraquedista, talabarte, trava-quedas e corda, tais como: conectores, 
bloqueadores, anéis de cintas têxteis, polias, descensores, ascensores, dentre outros 
Estrutura: Estrutura artificial ou natural utilizada para integrar o sistema de ancoragem, com 
capacidade de resistir aos esforços desse sistema. 
 
 
48
 
Extensor: componente ou elemento de conexão de um trava quedas deslizante guiado. 
Fator de queda: razão entre a distância que o trabalhador percorreria na queda e o comprimento 
do equipamento que irá detê-lo. 
Força de impacto: força dinâmica gerada pela frenagem de um trabalhador durante a retenção 
de uma queda. 
Força máxima aplicável: Maior força que pode ser aplicada em um elemento de um sistema de 
ancoragem. 
Influências Externas: variáveis que devem ser consideradas na definição e seleção das medidas 
de proteção, para segurança das pessoas, cujo controle não é possível implementar de forma 
antecipada. 
Operação Assistida: atividade realizada sob supervisão permanente de profissional com 
conhecimentos para avaliar os riscos nas atividades e implantar medidas para controlar, minimizar 
ou neutralizar tais riscos. 
Permissão de Trabalho - PT: documento escrito contendo conjunto de medidas de controle, 
visando ao desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e resgate. 
Ponto de ancoragem: parte integrante de um sistema de ancoragem onde o equipamento de 
proteção individual é conectado. 
Profissional legalmente habilitado: trabalhador previamente qualificado e com registro no 
competente conselho de classe. 
Riscos adicionais: todos os demais grupos ou fatores de risco, além dos existentes no trabalho 
em altura, específicos de cada ambiente ou atividade que, direta ou indiretamente, possam afetar 
a segurança e a saúde no trabalho. 
Sistema de acesso por cordas: Sistema de trabalho em que são utilizadas cordas como meio de 
acesso e como proteção contra quedas. 
Sistema de posicionamento no trabalho: sistema de trabalho configurado para permitir que o 
trabalhador permaneça posicionado no local de trabalho, total ou parcialmente suspenso, sem o 
uso das mãos. 
Sistema de Proteção contra quedas - SPQ: Sistema destinado a eliminar o risco de queda dos 
trabalhadores ou a minimizar as consequências da queda. 
Sistema de restrição de movimentação: SPQ que limita a movimentação de modo que o 
trabalhador não fique exposto a risco de queda. 
Sistema de retenção de queda: SPQ que não evita a queda, mas a interrompe depois de 
iniciada, reduzindo as suas consequências. 
Suspensão inerte: situação em que um trabalhador permanece suspenso pelo sistema de 
segurança, até o momento do socorro. 
Talabarte: dispositivo de conexão de um sistema de segurança, regulável ou não, para sustentar, 
posicionar e/ou limitar a movimentação do trabalhador. 
Trabalhador qualificado: trabalhador que comprove conclusão de curso específico para sua 
atividade em instituição reconhecida pelo sistema oficial de ensino. 
Trava-queda: dispositivo de segurança para proteção do usuário contra quedas em operações 
com movimentação vertical ou horizontal, quando conectado com cinturão de segurança para 
proteção contra quedas. 
Zona livre de queda - ZLQ: região compreendida entre o ponto de ancoragem e o obstáculo 
inferior mais próximo contra o qual o trabalhador possa colidir em caso de queda, tal como o nível 
do chão ou o piso inferior. 
 
ANEXO I - ACESSO POR CORDAS 
(Inclusão dada pela Portaria MTE 593/2014) 
 
1. Campo de Aplicação 
1.1 Para fins desta Norma Regulamentadora considera-se acesso por corda a técnica de 
progressão utilizando cordas, com outros equipamentos para ascender, descender ou se deslocar 
horizontalmente, assim como para posicionamentono local de trabalho, normalmente 
incorporando dois sistemas de segurança fixados de forma independente, um como forma de 
acesso e o outro como corda de segurança utilizado com cinturão de segurança tipo paraquedista. 
1.2 Em situações de trabalho em planos inclinados, a aplicação deste anexo deve ser 
estabelecida por Análise de Risco. 
1.3 As disposições deste anexo não se aplicam nas seguintes situações: 
 
 
49
 
a) atividades recreacionais, esportivas e de turismo de aventura; 
b) arboricultura; 
c) serviços de atendimento de emergência destinados a salvamento e resgate de pessoas que 
não pertençam à própria equipe de acesso por corda. 
2. Execução das atividades 
2.1 As atividades com acesso por cordas devem ser executadas: 
a) de acordo com procedimentos em conformidade com as normas técnicas nacionais vigentes; 
b) por trabalhadores certificados em conformidade com normas técnicas nacionais vigentes de 
certificação de pessoas; 
c) por equipe constituída de pelo menos dois trabalhadores, sendo um deles o supervisor. 
2.1.1 O processo de certificação desses trabalhadores contempla os treinamentos inicial e 
periódico previstos nos subitens 35.3.1 e 35.3.3 da NR-35. 
2.2 Durante a execução da atividade o trabalhador deve estar conectado a pelo menos duas 
cordas em pontos de ancoragem independentes. 
2.2.1 A execução da atividade com o trabalhador conectado a apenas uma corda pode ser 
permitida se atendidos cumulativamente aos seguintes requisitos: 
a) for evidenciado na análise de risco que o uso de uma segunda corda gera um risco superior; 
b) sejam implementadas medidas suplementares, previstas na análise de risco, que garantam um 
desempenho de segurança no mínimo equivalente ao uso de duas cordas. 
3. Equipamentos e cordas 
3.1 As cordas utilizadas devem atender aos requisitos das normas técnicas nacionais. 
3.2. Os equipamentos auxiliares utilizados devem ser certificados de acordo com normas técnicas 
nacionais ou, na ausência dessas, de acordo com normas técnicas internacionais. 
3.2.1 Na inexistência de normas técnicas internacionais, a certificação por normas estrangeiras 
pode ser aceita desde que atendidos aos requisitos previstos na norma europeia (EN). 
3.3 Os equipamentos e cordas devem ser inspecionados nas seguintes situações: 
a) antes da sua utilização; 
b) periodicamente, com periodicidade mínima de seis meses. 
3.3.1 Em função do tipo de utilização ou exposição a agentes agressivos, o intervalo entre as 
inspeções deve ser reduzido. 
3.4 As inspeções devem atender às recomendações do fabricante e aos critérios estabelecidos na 
Análise de Risco ou no Procedimento Operacional. 
3.4.1 Todo equipamento ou corda que apresente defeito, desgaste, degradação ou deformação 
deve ser recusado, inutilizado e descartado. 
3.4.2 A Análise de Risco deve considerar as interferências externas que possam comprometer a 
integridade dos equipamentos e cordas. 
3.4.2.1 Quando houver exposições a agentes químicos que possam comprometer a integridade 
das cordas ou equipamentos, devem ser adotadas medidas adicionais em conformidade com as 
recomendações do fabricante considerando as tabelas de incompatibilidade dos produtos 
identificados com as cordas e equipamentos. 
3.4.2.2 Nas atividades nas proximidades de sistemas energizados ou com possibilidade de 
energização, devem ser adotadas medidas adicionais. 
3.5 As inspeções devem ser registradas: 
a) na aquisição; 
b) periodicamente; 
c) quando os equipamentos ou cordas forem recusados. 
3.6 Os equipamentos utilizados para acesso por corda devem ser armazenados e mantidos 
conforme recomendação do fabricante ou fornecedor. 
4. Resgate 
4.1 A equipe de trabalho deve ser capacitada para autorresgate e resgate da própria equipe. 
4.2 Para cada frente de trabalho deve haver um plano de resgate dos trabalhadores. 
5. Condições impeditivas 
5.1 Além das condições impeditivas identificadas na Análise de Risco, como estabelece o item 
35.4.5.1, alínea ¨j¨ da NR-35, o trabalho de acesso por corda deve ser interrompido imediatamente 
em caso de ventos superiores a quarenta quilômetros por hora. 
5.2 Pode ser autorizada a execução de trabalho em altura utilizando acesso por cordas em 
condições com ventos superiores a quarenta quilômetros por hora e inferiores a quarenta e seis 
quilômetros por hora, desde que atendidos os seguintes requisitos: a) justificar a impossibilidade 
 
 
50
 
do adiamento dos serviços mediante documento assinado pelo responsável pela execução dos 
serviços; 
b) elaborar Análise de Risco complementar com avaliação dos riscos, suas causas, 
consequências e medidas de controle, efetuada por equipe multidisciplinar coordenada por 
profissional qualificado em segurança do trabalho ou, na inexistência deste, pelo responsável pelo 
cumprimento desta norma, anexada à justificativa, com as medidas de proteção adicionais 
aplicáveis, assinada por todos os participantes; 
c) implantar medidas adicionais de segurança que possibilitem a realização das atividades; 
d) ser realizada mediante operação assistida pelo supervisor das atividades. 
 
ANEXO II - SISTEMAS DE ANCORAGEM 
 (Nova Redação dada pela Portaria MTE 1.113/2016) 
 
1. Campo de aplicação 
1.1 Este Anexo se aplica ao sistema de ancoragem, definido como um conjunto de componentes, 
integrante de um sistema de proteção individual contra quedas - SPIQ, que incorpora um ou mais 
pontos de ancoragem, aos quais podem ser conectados Equipamentos de Proteção Individual 
(EPI) contra quedas, diretamente ou por meio de outro componente, e projetado para suportar as 
forças aplicáveis. 
1.2 Os sistemas de ancoragem tratados neste anexo podem atender às seguintes finalidades: 
a) retenção de queda; 
b) restrição de movimentação; 
c) posicionamento no trabalho; 
d) acesso por corda. 
1.3 As disposições deste anexo não se aplicam às seguintes situações: 
a) atividades recreacionais, esportivas e de turismo de aventura; 
b) arboricultura; 
c) sistemas de ancoragem para equipamentos de proteção coletiva; 
d) sistemas de ancoragem para fixação de equipamentos de acesso; 
e) sistemas de ancoragem para equipamentos de transporte vertical ou horizontal de pessoas ou 
materiais; 
2 Componentes do sistema de ancoragem 
2.1 O sistema de ancoragem pode apresentar seu ponto de ancoragem: 
a) diretamente na estrutura; 
b) na ancoragem estrutural; 
c) no dispositivo de ancoragem. 
2.1.1 A estrutura integrante de um sistema de ancoragem deve ser capaz de resistir à força 
máxima aplicável. 
2.2 A ancoragem estrutural e os elementos de fixação devem: 
a) ser projetados e construídos sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado; 
b) atender às normas técnicas nacionais ou, na sua inexistência, às normas internacionais 
aplicáveis. 
2.2.1 Os pontos de ancoragem da ancoragem estrutural devem possuir marcação realizada pelo 
fabricante ou responsável técnico contendo, no mínimo: 
a) identificação do fabricante; 
b) número de lote, de série ou outro meio de rastreabilidade; 
c) número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou força máxima aplicável. 
2.2.1.1 Os pontos de ancoragem da ancoragem estrutural já instalados e que não possuem a 
marcação prevista nesse item devem ter sua marcação reconstituída pelo fabricante ou 
responsável técnico. 
2.2.1.1.1 Na impossibilidade de recuperação das informações, os pontos de ancoragem devem 
ser submetidos a ensaios, sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado, e marcados 
com a identificação do número máximo de trabalhadores conectados simultaneamente ou da força 
máxima aplicável e identificação que permita a rastreabilidade do ensaio. 
2.3 O dispositivo de ancoragem deve atender a um dos seguintes requisitos: 
a) ser certificado; 
b) ser fabricado em conformidade com as normas técnicas nacionais vigentes sob 
responsabilidade do profissional legalmente habilitado; 
 
 
51
 
c) ser projetado por profissional legalmente habilitado, tendo como referência as normas 
técnicasnacionais vigentes, como parte integrante de um sistema completo de proteção individual 
contra quedas. 
3 Requisitos do sistema de ancoragem 
3.1 Os sistemas de ancoragem devem: 
a) ser instalados por trabalhadores capacitados; 
b) ser submetidos à inspeção inicial e periódica. 
3.1.1 A inspeção inicial deve ser realizada após a instalação, alteração ou mudança de local. 
3.1.2 A inspeção periódica do sistema de ancoragem deve ser efetuada de acordo com o 
procedimento operacional, considerando o projeto do sistema de ancoragem e o de montagem, 
respeitando as instruções do fabricante e as normas regulamentadoras e técnicas aplicáveis, com 
periodicidade não superior a 12 meses. 
3.2 O sistema de ancoragem temporário deve: 
a) atender os requisitos de compatibilidade a cada local de instalação conforme procedimento 
operacional; 
b) ter os pontos de fixação definidos sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado. 
3.3 O sistema de ancoragem permanente deve possuir projeto e a instalação deve estar sob 
responsabilidade de profissional legalmente habilitado. 
4 Projetos e especificações 
4.1 O projeto, quando aplicável, e as especificações técnicas do sistema de ancoragem devem: 
a) estar sob responsabilidade de um profissional legalmente habilitado; 
b) ser elaborados levando em conta os procedimentos operacionais do sistema de ancoragem; 
c) conter indicação das estruturas que serão utilizadas no sistema de ancoragem; 
d) conter detalhamento e/ou especificação dos dispositivos de ancoragem, ancoragens estruturais 
e elementos de fixação a serem utilizados. 
4.1.1 O projeto, quando aplicável, e as especificações técnicas devem conter dimensionamento 
que determine os seguintes parâmetros: 
a) a força de impacto de retenção da queda do(s) trabalhador(es), levando em conta o efeito de 
impactos simultâneos ou sequenciais; 
b) os esforços em cada parte do sistema de ancoragem decorrentes da força de impacto; 
c) a zona livre de queda necessária. 
5. Procedimentos operacionais 
5.1 O sistema de ancoragem deve ter procedimento operacional de montagem e utilização. 
5.1.1 O procedimento operacional de montagem deve: 
a) contemplar a montagem, manutenção, alteração, mudança de local e desmontagem; 
b) ser elaborado por profissional qualificado em segurança do trabalho, considerando os requisitos 
do projeto, quando aplicável, e as instruções dos fabricantes. 
 
 
6. PREVENÇÃO E CONTROLE DE INCÊNDIOS 
 
A Norma Regulamentadora nº 23 – Proteção Contra Incêndio estabelece as medidas de 
proteção contra incêndio que os locais de trabalho devem dispor, visando à prevenção da 
saúde e da integridade física dos trabalhadores. Outras exigências legais quanto às 
características construtivas e sistemas de proteção e combate a incêndios acham-se 
contidas no COSCIP (Código de Segurança contra Incêndio e Pânico do Estado do Rio de 
Janeiro). 
 
6.1. Teoria do fogo 
 
Definições 
 
FOGO: É o resultado de uma reação química chamada combustão. Corresponde à 
oxidação rápida de uma substância, com consequente produção de calor, luz, gases e 
vapor d’água. 
 
 
 
52
 
INCÊNDIO: É o fogo cuja ocorrência se dá de forma descontrolada causando prejuízo 
ao homem. 
 
Elementos Essenciais para a Ocorrência do Fogo ou Incêndio 
 
 
 
COMBUSTÍVEL: É o material que vai sofrer a reação química propriamente dita, podendo 
ser do tipo sólido (papel, madeira, tecidos, fibras); líquido (gasolina, álcool, tintas); ou 
gasoso (metano, butano). 
 
COMBURENTE: É o oxigênio, um gás não inflamável, componente do ar atmosférico na 
proporção de 21% em volume. É o elemento que reage com o combustível 
proporcionando a reação de combustão. 
 
CALOR: É o elemento necessário para dar a partida (ignição) na reação de combustão e 
mantê-la ocorrendo. 
 
REAÇÃO EM CADEIA: A reação em cadeia torna a queima auto-sustentável. O calor 
radiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores 
(moléculas que foram quebradas formando radicais livres), que se combina com o 
oxigênio (comburente) e queimam, radiando outra vez calor para o combustível, 
quebrando mais moléculas, formando um ciclo constante. 
 
Devemos ressaltar que tanto o fogo quanto o incêndio têm o mesmo princípio, que é a 
necessidade de haver num mesmo ambiente a presença (em proporções determinadas) 
do combustível, do comburente, e de uma fonte de ignição, como exemplo: papel 
(combustível); ar (comburente); Ponta de cigarro acesa (fonte de ignição). 
Dessa maneira, para prevenirmos a ocorrência de incêndios, devemos sempre manter 
separados, ou adequadamente protegidos, esses três elementos. A presença de somente 
um ou dois elementos não é suficiente para iniciar um incêndio. Por exemplo, ao abrirmos 
o gás do fogão da cozinha (combustível), ele se mistura com o oxigênio do ar 
(comburente), porém, se não riscarmos um fósforo (fonte de ignição), não haverá fogo. 
Alguns exemplos comuns de fontes de ignição são: fósforos, isqueiros, curto-circuitos, 
maçaricos, centelhas, fagulhas, etc. 
 
6.2. Métodos de extinção 
 
Quatro são os métodos básicos de extinção do fogo ou incêndio: 
 
Isolamento ou retirada do material 
 
Consiste na retirada ou interrupção dos materiais combustíveis que alimentam as 
chamas. Exemplos: aceiro (corte de vegetação), praticado nos casos de incêndios em 
matas, florestas e campos, que interrompe a continuidade do fogo; fechamento de 
Para a ocorrência do fogo ou incêndio, é necessário que 
haja a presença simultânea e adequada dos seguintes 
componentes: combustível, comburente, calor, e reação 
em cadeia. Na ausência de qualquer um desses quatro 
elementos o fogo se apaga ou simplesmente não se inicia. 
Esse conjunto de elementos essenciais para a existência 
do fogo é chamado de quadrado do fogo. 
 
 
53
 
válvulas para que seja interrompido o fluxo de combustível líquido ou gasoso; 
fechamento de válvula de fogão de cozinha, interrompendo o flux de gás. 
 
Resfriamento 
 
É o método no qual o fogo é extinto através da eliminação ou diminuição do elemento 
calor. A reação química de combustão cessa pela falta do calor. 
 
Abafamento 
 
A técnica do abafamento tem como princípio a diminuição do teor de oxigênio 
(comburente) a níveis inferiores a 13% de volume no ar, a partir do qual a reação química 
de combustão não mais se mantém. 
Quebra da reação em cadeia 
 
É o método conhecido como extinção química, onde o agente extintor interfere na reação 
das substâncias geradas durante a combustão. 
 
6.3. Classes de incêndio 
 
Classe A 
É aquele no qual o combustível corresponde a materiais de fácil combustão com a 
propriedade de queimarem em sua superfície e profundidade, e que deixam resíduos 
(cinzas e brasas), como por exemplo os tecidos, madeira, papel, fibra, etc. 
 
Classe B 
É aquele no qual o combustível queima apenas em superfície, como por exemplo, os 
líquidos inflamáveis (gasolina, álcool, querosene, óleo diesel, tintas, etc), os gases 
inflamáveis (acetileno, gás liquefeito de petróleo - GLP, etc) e os colóides (combustíveis 
pastosos, como graxas, etc). 
 
Classe C 
É aquele cuja característica principal é a presença de corrente elétrica, ou seja, é o 
incêndio que ocorre em equipamentos elétricos energizados, como motores, 
transformadores, quadros de distribuição e instalações elétricas em geral. 
 
Classe D 
É aquele no qual o combustível corresponde a metais pirofóricos, como magnésio, 
selênio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio, urânio e zircônio. São 
substâncias que têm o poder de alimentar a própria chama, e, para a sua extinção, 
exigem o emprego de substâncias especiais. 
 
Para cada classe de incêndio, existe um tipo específico de extintor, como veremos mais 
adiante. 
 
6.4. Agentes extintores 
 
Os principais agentes de extinção são os conhecidos Extintores de Incêndio, que 
apresentam as seguintes propriedadesou características: 
 
• Extintor de Água: extingue as chamas por resfriamento; 
• Espuma: extingue as chamas por abafamento e resfriamento; 
 
 
54
 
• Dióxido de carbono (CO²): extingue as chamas por abafamento, reduzindo o 
oxigênio necessário a combustão; 
• Pó químico: extingue as chamas pela quebra da reação em cadeia. Sua ação 
extintora ocorre através da interferência na reação em cadeia, ou seja, o pó químico 
reage com os produtos intermediários formados durante a combustão; 
• Especiais: sua ação extintora é realizada com extintor tipo “químico seco”, porém, o 
pó químico será específico para cada material. 
 
Uso correto dos extintores de incêndio 
 
Vejamos a seguir que tipo de extintor deve ser utilizado para cada classe de incêndio: 
 
Classe de incêndio / Combustível Tipo de extintor a ser utilizado 
A papel, fibras, tecidos e madeira água / espuma / CO² 
B líquidos e gases inflamáveis Espuma / pó químico / CO² 
C equipamentos elétricos energizados CO² / pó químico 
D magnésio, lítio, zinco, etc pó químico específico 
 
 
6.5. Sistemas de prevenção e combate 
 
Extintores 
O extintor portátil é um aparelho manual, constituído de recipiente e acessório, contendo o 
agente extintor, destinado a combater princípios de incêndio. 
O extintor sobre rodas (carreta) também é constituído em um único recipiente com agente 
extintor para extinção do fogo, porém com capacidade de agente extintor em maior 
quantidade. 
Esses equipamentos devem estar dispostos nas edificações em locais de fácil acesso 
para efetuar o combate imediato ao incêndio, logo após a sua detecção, em sua origem, 
enquanto são pequenos focos. 
 
 CO2 Água Pressurizada 
 
 
 
55
 
Hidrantes 
É um sistema de proteção ativa, destinado a conduzir e distribuir tomadas de água, com 
determinada pressão e vazão em uma edificação, assegurando seu funcionamento por 
determinado tempo. 
Sua finalidade é proporcionar aos ocupantes de uma edificação, um meio de combate 
para os princípios de incêndio no qual os extintores manuais se tornam insuficientes. 
Os componentes de um sistema de hidrantes são: 
1) reservatório de água, que pode ser subterrâneo, ao nível do piso elevado; 
2) sistema de pressurização. 
O sistema de pressurização consiste normalmente em uma bomba de incêndio, 
dimensionada a propiciar um reforço de pressão e vazão, conforme o dimensionamento 
hidráulico de que o sistema necessitar. 
O Corpo de Bombeiros, em sua intervenção a um incêndio, pode utilizar a rede hidrantes 
(principalmente nos casos de edifícios altos). Para que isto ocorra, os hidrantes devem 
ser instalados em todos os andares, em local protegido dos efeitos do incêndio, nas 
proximidades das escadas de segurança. 
 
 Hidrante de parede Hidrante de coluna 
A canalização do sistema de hidrante deve ser dotada de um prolongamento até o 
exterior da edificação de forma que possa permitir, quando necessário, recalcar água para 
o sistema pelas viaturas do Corpo de Bombeiros. 
Chuveiros automáticos ("SPRINKLERS") 
O sistema de chuveiros automáticos é composto por um suprimento d'água em uma rede 
hidráulica sob pressão, onde são instalados em diversos pontos estratégicos, dispositivos 
de aspersão d'água (chuveiros automáticos), que contém um elemento termo-sensível, 
que se rompe por ação do calor proveniente do foco de incêndio, permitindo a descarga 
d'água sobre os materiais em chamas. 
 
 
 
56
 
O sistema de chuveiros automáticos para extinção a incêndios possui grande 
confiabilidade, e se destina a proteger diversos tipos de edifícios. 
Deve ser utilizado em situações: 
1) quando a evacuação rápida e total do edifício é impraticável e o combate ao incêndio é 
difícil; 
2) quando se deseja projetar edifícios com pavimentos com grandes áreas sem 
compartimentação. 
Pode-se dizer que, via de regra, o sistema de chuveiros automáticos é a medida de 
proteção contra incêndio mais eficaz quanto à água for o agente extintor mais adequado. 
Sistema de espuma 
A espuma mecânica é amplamente aplicada para combate em incêndio em líquidos 
combustíveis e inflamáveis. 
A espuma destinada à extinção dos incêndios é um agregado estável de bolhas, que tem 
a propriedade de cobrir e aderir aos líquidos combustíveis e inflamáveis, formando uma 
camada que impede o contato com o ar, e impede a saída para a atmosfera dos vapores 
voláteis desses líquidos. 
A espuma também pode ser aplicada na superfície de combustíveis sólidos, mas nunca 
sobre equipamentos elétricos energizados, já que ela é um agente extintor condutor de 
eletricidade. 
Sistema fixo de CO2. 
O sistema fixo de baterias de cilindros de CO2, consiste de tubulações, válvulas, 
difusores, rede de detecção, sinalização, alarme, painel de comando e acessórios, 
destinado a extinguir incêndio por abafamento, por meio da descarga do agente extintor. 
Seu emprego visa à proteção de locais onde o emprego de água é desaconselhável, ou 
locais cujo valor agregado dos objetos e equipamentos é elevado nos quais a extinção por 
outro agente causará a depreciação do bem pela deposição de resíduos. 
 
 
OUTROS EQUIPAMENTOS 
 
 Detectores de fumaça 
 
 
 
 
 
57
 
 
 Acionadores manuais de alarme 
 
 
 
 
 Alarme sonoro e visual Rádios intercomunicadores 
 
 
 
Plano de Emergência 
A população do edifício deve estar preparada para enfrentar uma situação de incêndio, 
quer seja adotando as primeiras providências no sentido de controlar o incêndio, quer seja 
abandonando o edifício de maneira rápida e ordenada. 
Para isto ser possível é necessário como primeiro passo, a elaboração de planos para 
enfrentar a situação de emergência que estabeleçam em função dos fatores 
determinantes de risco de incêndio, as ações a serem adotadas e os recursos materiais e 
humanos necessários. A formação de umaequipe com este fim específico é um aspecto 
importante deste plano, pois permitirá a execução adequada do plano de emergência. 
Brigada de Incêndio 
Essas equipes podem ser divididas em duas categorias, conforme a função que irá 
exercer: 
1) Equipe destinada a propiciar o abandono seguro do edifício em caso de incêndio, 
orientando os ocupantes durante a desocupação. 
2) Equipe preparada para dar o combate aos princípios de incêndio na edificação. 
Dependendo da empresa, pode ocorrer que a mesma equipe exerça as duas funções 
simultaneamente – orientação do abandono e combate. 
 
 
58
 
6.6. Procedimentos em caso de incêndio 
 
• Comunique o ocorrido à brigada de incêndio ou acione o alarme; 
• Acione o Corpo de Bombeiros no telefone 193, se for o caso; 
• Fale pausadamente o seu nome, o local da emergência e o que está acontecendo; 
• Use extintores ou os meios disponíveis para apagar o fogo se estiver treinado; 
• Ao ouvir a mensagem de abandono, dirija-se imediatamente para o ponto de reunião; 
• Seja rápido ao abandonar a área, mas mantenha a calma; 
• Existindo muita fumaça no ambiente ou local atingido, usar um lenço como máscara 
(se possível molhado), cobrindo o nariz e a boca; 
• Siga as orientações dos brigadistas; 
• Não use elevadores; 
• Desça as escadas até o térreo usando o corrimão; 
• Não leve objetos que possam dificultar sua movimentação nas escadas; 
• Não volte ao local de trabalho sob nenhum pretexto. 
Deveres e Obrigações 
 
• Procure conhecer todas assaídas que existem no seu local de trabalho, inclusive as 
rotas de fuga e os pontos de encontro; 
• Participe ativamente dos treinamentos teóricos, práticos e reciclagens; 
• Respeite as normas de proteção e controle de incêndio, adotadas na empresa; 
• Comunique imediatamente aos membros da Equipe de Emergência, qualquer tipo de 
irregularidade. 
 
 
7. SALVATAGEM 
 
7.1. Noções de Salvatagem 
 
Salvatagem é o conjunto de meios e procedimentos que asseguram a sustentação da 
vida humana no mar. Os fatores básicos da salvatagem são: equipamentos adequados, 
procedimentos padronizados e treinamentos continuados. 
 
As embarcações nacionais, em função de seu porte e, área de navegação, e serviço, 
deverão ser dotadas de equipamentos de salvatagem e de segurança para seus 
tripulantes e passageiros. 
 
Tais equipamentos devem ser aprovados pela Autoridade Marítima, mediante expedição 
de certificado de homologação, devendo estar em bom estado de conservação e dentro 
dos prazos de validade ou de revisão. 
 
Existe uma legislação extensa sobre segurança marítima e salvatagem. As mais 
importantes são as seguintes: 
 
1.SOLAS: Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar 
2. LESTA: Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário 
3. MODU CODE: Código para Construção e Equipamentos para Plataformas Móveis 
4. CÓDIGO LSA: Código Internacional e Equipamentos Salva-Vidas 
5. IAMSAR: Manual Internacional de Busca e Salvamento Aeronáutico e Marítimo 
6. NORMAMs: Coletânea de Normas da Autoridade Marítima 
 
 
 
 
59
 
7.2 Procedimentos de Emergência 
 
Há inúmeras e imprevisíveis ocorrências que colocam em risco a vida humana em uma 
unidade marítima (embarcação, plataforma, etc), dentre elas as mais comuns são: 
colisão, incêndio, explosão, água aberta (alagamento da unidade marítima), adernagem 
(inclinação excessiva da unidade), naufrágio (afundamento), tempestade, acidentes com 
aeronaves, vazamento de gás e queda de homem ao mar. Para cada uma delas existem 
procedimentos adequados de reposta, que visam o controle das perdas. Estes 
procedimentos estão descritos nos planos de emergência e envolvem os grupos de ação 
e a utilização de diversos equipamentos. 
 
7.3 Grupos de Ação 
 
São as equipes treinadas para combater as diversas situações de emergência em uma 
unidade marítima, a saber: 
 
• Brigada de incêndio: combate e controla os incêndios a bordo. 
• Equipe de parada de emergência: controla a produção e a estabilidade de poços. 
• Equipe de abandono: orienta o pessoal na preparação e abandono da unidade 
marítima. 
• Equipe de resgate: realiza o resgate de náufragos, coordena o abandono por balsas 
infláveis e reboca embarcações de sobrevivência. 
• Equipe de controle de avarias: mantém as condições de flutuabilidade da unidade 
marítima. 
 
7.4 Equipamentos de Salvatagem 
 
• Coletes salva-vidas: Existem dois tipos básicos – o naturalmente flutuante e o inflável 
automaticamente. Deverão ser dispostos de modo a serem prontamente acessíveis e 
de localização claramente indicada. O número de coletes deverá ser igual ao úmero 
de pessoas a bordo. Eles devem possuir fitas refletivas, apito e dispositivo iluminativo. 
 
 
 
• Bóias salva-vidas: Destinam-se a servir como auxílio primário à pessoa que caiu no 
mar e aguarda salvamento. Não devem ficar presas permanentemente à embarcação; 
devem ficar suspensas em suportes fixos, cujo chicote não deve estar amarrado à 
embarcação. Elas devem ser fabricadas em fibra de vidro e poliuretano, na cor laranja, 
e possuir fitas refletivas à luz. 
 
 
 
60
 
 
 
• Balsa inflável: Tipo de embarcação que fica acondicionada em um casulo e se arma 
por um sistema de ar comprimido, onde o pessoal fica abrigado da chuva, vento e do 
sol. Deve resistir a uma exposição de 30 dias ao tempo, flutuando em todas as 
condições de mar, e ser resistente às intempéries. De acordo com o Solas (Safety of 
Life at Sea), toda balsa deve ter um conjunto de equipamentos para uso em 
emergências (palamenta), a saber: kit de pesca, kit de primeiros socorros, 2 remos, 2 
baldes e 2 âncoras flutuantes, um apito, uma lanterna à prova d’água, 1,5 l de água 
potável por pessoa, 6 fachos luminosos manuais, 4 foguetes luminosos com pára-
quedas, dois fumígenos de fumaça cor laranja, pílulas anti-enjôo, entre outros. 
 
 
 
• Baleeira: São embarcações rígidas, motorizadas, construídas em fibra de vidro 
retardante ao fogo, onde o pessoal permanece aguardando o resgate. Deve ter 
suficiente flutuabilidade mesmo alagada e com toda a lotação. Todos os passageiros 
devem permanecer atados aos seus assentos. Como na balsa inflável, a baleeira deve 
possuir palamenta contendo os equipamentos e utensílios necessários à sobrevivência 
no mar. 
 
 
 
 
 
61
 
• Bote de resgate: É uma embarcação ágil, motorizada, utilizada para resgate de 
pessoas que caem no mar. 
 
 
 
 
7.5 Meios de Alerta e Sinalização 
 
É necessário que os náufragos tenham algum meio de sinalizar as equipes de busca e 
salvamento. Os equipamentos tradicionalmente utilizados para sinalização são os 
dispositivos visuais, como os pirotécnicos, os fumígenos, o espelho heliográfico e a 
lanterna. 
 
 
• Artefatos pirotécnicos: São dispositivos de iluminação, de uso noturno, que indicam 
que uma embarcação ou pessoa se encontra em perigo. Existem dois tipos – foguete 
pára-queda e facho manual, ambos emitem luz de cor vermelha. 
 
• Fumígenos: São dispositivos flutuantes, de uso diurno, que emitem uma fumaça de cor 
bem visível. Não devem ser segurados com as mãos. 
 
• Espelho heliográfico: Equipamento de sinalização de uso diurno, que em dias 
ensolarados reflete o brilho da luz solar chamando a atenção de embarcações e 
aeronaves que passam nas proximidades. 
 
• Lanternas: Equipamento de uso noturno. Deve ser à prova d’água e permitir a 
transmissão de código Morse. 
 
 
 
62
 
Também existem meios de sinalização sonora: 
 
• Alarme geral de emergência: É usado para chamar os passageiros e a tripulação para 
os postos de reunião em casos de acidentes e emergências. Deve ser complementado 
por um sistema de alto-falantes ou por outros meios adequados de comunicação. 
Deve ser audível em todos os locais da embarcação. 
 
• Apito: Sua utilização é bastante restrita e está ligada ao momento em que se segue ao 
acidente, na reunião de embarcações de sobrevivência e na indicação da direção que 
deve ser tomada pelos náufragos, principalmente à noite e quando há pouca 
visibilidade (nevoeiro). 
 
 
8. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE 
 
8.1 Efeitos da poluição no ambiente marinho 
 
Os efeitos nocivos provocados pela poluição no ambiente marinho já são plenamente 
conhecidos. Entre eles podemos citar os seguintes: 
 
• Contaminação da fauna e da flora, com eventual mortandade devido à ação tóxica das 
substâncias poluidoras; 
• Abafamento (falta de oxigênio) e eventual morte por asfixia da fauna e da flora; 
• Contaminação das águas prejudicando o seu uso pelas termoelétricas, fábricas, 
estaleiros, entre outros; 
• Comprometimento dos alimentos provenientes do mar, rios e lagos (peixes, 
crustáceos, etc); 
• Danos e eventual morte de espécies aquáticas raras. 
 
As substâncias poluidoras (especialmente óleo) são provenientes de inúmeras fontes, 
como as refinarias, plataformas de petróleo, embarcações e indústrias. 
 
8.2 Legislação sobe a prevenção da poluição 
 
Ao longo dos últimos anos, foi criada e aprovada uma coletânea de leis e convenções 
internacionais com o objetivo de prevenir e fiscalizar a poluição no mar. A essas leis foram 
acrescidas novas instruções, por meio de anexos, refletindo a preocupação cada vez 
maior com os acidentes que podem prejudicar o meio ambiente. No Brasil, os principais 
regulamentos são os seguintes: 
Lei nº 9.605,de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) 
 
Esta lei estabelece que as empresas que provocarem degradação ambiental poderão 
responder civil, criminal e administrativamente, incluindo a responsabilidade das pessoas 
físicas que dirigem a empresa. 
A empresa que cometer crime ambiental poderá ser criminalmente punida com multa, 
restrição de direitos e prestação de serviços à comunidade. As penas restritivas de 
direitos são a suspensão parcial ou total da atividade, proibição de fazer contratos com 
órgãos públicos, entre outras. As multas variam de R$ 50,00 a R$ 50 milhões. 
 
 
 
 
 
63
 
Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000 
 
Instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. 
Estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de 
conservação. O SNUC tem os seguintes objetivos, entre outros: 
 
• Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no 
território nacional e nas águas jurisdicionais; 
• Proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional; 
• Contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas 
naturais; 
• Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais; 
• Promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no 
processo de desenvolvimento; 
• Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica. 
Lei nº 9.996, de 28 de abril de 2000 
 
Esta Lei estabelece os princípios básicos a serem obedecidos na movimentação de óleo e 
outras substâncias nocivas ou perigosas em portos organizados, instalações portuárias, 
plataformas e navios em águas sob jurisdição nacional. 
Todo porto organizado, instalação portuária e plataforma, bem como suas instalações de 
apoio, disporá obrigatoriamente de instalações ou meios adequados para o recebimento e 
tratamento dos diversos tipos de resíduos e para o combate da poluição, observadas as 
normas e critérios estabelecidos pelo órgão ambiental competente. 
As plataformas e os navios que transportarem óleo ou substância nociva ou perigosa deverão ter a bordo, 
um livro de registro de carga, que poderá ser requisitado pela autoridade marítima, pelo órgão ambiental 
competente e pelo órgão regulador da indústria do petróleo, no qual serão feitas anotações relativas a todas 
as movimentações de óleo, lastro, misturas oleosas e substâncias, inclusive as entregas efetuadas às 
instalações de recebimento e tratamento de resíduos. 
 
8.3 Planos de Contingência 
 
É um conjunto de medidas que estabelece as responsabilidades e as ações a serem 
desencadeadas imediatamente após um incidente, bem como define os recursos 
humanos, materiais e equipamentos adequados à prevenção e ao controle do incidente. 
 
O plano de contingência deverá conter procedimentos que orientem as tripulações de 
bordo e pessoas em terra, sobre como agir de maneira rápida e eficiente no caso de 
ocorrer uma poluição por óleo. As notificações de poluição deverão ser feitas pelo meio 
mais rápido disponível, contendo o máximo de informações sobre o acidente, como a 
localização do navio, a quantidade de óleo derramado, o tipo de óleo, as condições 
meteorológicas locais e as condições de corrente e maré. Dentro do plano, deverão estar 
previstos cenários de derrames por óleo não só em fases operacionais como também os 
acidentais, que poderão resultar em falhas estruturais e na possível perda da 
embarcação. 
 
8.4 Destinação de resíduos de bordo 
 
Os resíduos de bordo devem ter um destino definido assegurando que eles não poluirão o 
meio ambiente. Para tanto, deve-se estabelece procedimentos corretos para a 
segregação e destinação dos resíduos ou rejeitos produzidos a bordo. O mais correto é 
que esses materiais sejam reciclados e/ou reaproveitados. Nada pode ser descartado no 
mar. 
 
 
64
 
9. NOÇÕES DE PRIMEIROS SOCORROS 
 
O que são primeiros socorros? 
Primeiros Socorros são as primeiras providências tomadas no local do acidente. É o 
atendimento inicial e temporário, até a chegada de um socorro profissional. 
 
Quais são essas providências? 
• Uma rápida avaliação da vítima; 
• Aliviar as condições que ameacem a vida ou que possam agravar o quadro da vítima, 
com a utilização de técnicas simples; 
• Acionar corretamente um serviço de emergência local. 
 
O que eu devo fazer primeiro? E depois? 
É claro que cada acidente é diferente do outro. E, por isso, só se pode falar na melhor 
forma de socorro, quando se sabe quais as suas características, como, por exemplo, 
vítimas presas em ferragens, presença de substâncias tóxicas, riscos de incêndio, 
explosão, queda, desabamento, etc. Tudo isso interfere na forma do socorro. Suas ações 
também vão ser diferentes caso haja outras pessoas iniciando os socorros, ou mesmo se 
você estiver ferido. Mas a seqüência das ações a serem realizadas vai sempre ser a 
mesma: 
 
• manter a calma; 
• garantir a segurança; 
• pedir socorro; 
• controlar a situação; 
• verificar a situação das vítimas; 
• realizar algumas ações com as vítimas. 
 
Você pode melhorar o socorro, pelo telefone 
Mesmo com toda a urgência de atender ao acidente, os atendentes do chamado de 
socorro vão fazer algumas perguntas para você. São perguntas para orientar a equipe, 
informações que vão ajudar a prestar um socorro mais adequado e eficiente. Dentro do 
possível, ao chamar o socorro, tenha as respostas para as perguntas: 
 
• Tipo do acidente (colisão de veículos, incêndio, explosão, queda de altura, choque 
elétrico, etc); 
• Gravidade aparente do acidente; 
• Local do acidente; 
• Número aproximado de vítimas envolvidas; 
• Condições das vítimas; 
• Vazamento de substâncias perigosas. 
 
Como Sinalizar? Como garantir a segurança de todos? 
As diversas ações num acidente podem ser feitas por mais de uma pessoa, ao mesmo 
tempo. Enquanto uma pessoa telefona, outra sinaliza o local e assim por diante. Assim, 
ganha-se tempo para o atendimento, fazer a sinalização e garantir a segurança no local. 
Os acidentes acontecem dentro ou fora das empresas e acabam dificultando a passagem 
normal de veículos e pessoas que trabalham ou passam pelo local. Por isso, esteja certo 
de que situações de perigo vão ocorrer (novos acidentes), se você demorar muito ou não 
sinalizar o local de forma adequada. 
 
 
 
 
 
65
 
O que é possível fazer? As limitações no atendimento às vítimas. 
Você não é um profissional de resgate e por isso deve se limitar a fazer o mínimo 
necessário com a vítima até a chegada do socorro. Infelizmente, vão existir algumas 
situações que o socorro, mesmo chegando rapidamente e com equipamentos e 
profissionais treinados, pouco poderá fazer pela vítima. Você, mesmo com toda a boa 
vontade, também poderá encarar uma situação em que seja necessário mais que a 
solidariedade que você pode oferecer. Mesmo nestas situações difíceis, não se espera 
que você faça algo para o qual não esteja preparado ou treinado. 
 
Fazendo contato com a vítima 
Depois de garantido, pelo menos o básico em segurança e a solicitação do socorro, é o 
momento em que você poderá iniciar contato com a vítima. 
Ao iniciar seu contato com a vítima, faça tudo sempre com base em 4 atitudes: informe, 
ouça, aceite e seja solidário: 
• Informe à vítima o que você está fazendo para ajudá-la e, com certeza ela vai ser mais 
receptiva aos seus cuidados. 
• Ouça e aceite suas queixas e a sua expressão de ansiedade respondendo as perguntas 
com calma e de forma apaziguadora. 
• Não minta e não dê informações que causem impacto ou estimulem a discussão sobre a 
culpa no acidente. 
• Seja solidário e permaneça junto à vítima em um local onde ela possa ver você, sem que 
isso coloque em risco sua segurança. 
 
Impedindo movimentos da cabeça 
É procedimento importante e fácil de ser aplicado, mesmo em vítimas de atropelamento. 
Segure a cabeça da vítima, pressionando a região das orelhas, impedindo a 
movimentação da cabeça. Se a vítima estiver de bruços ou de lado, procurealguém 
treinado para avaliar se ela necessita ser virada e de como fazê-lo, antes do socorro 
chegar. Em geral ela só deverá ser virada se não estiver respirando. Se estiver de bruços 
e respirando, sustente a cabeça nesta posição e aguarde o socorro chegar. Se a vítima 
estiver sentada, mantenha a cabeça na posição encontrada. Como na situação anterior, 
ela poderá ser movimentada se não estiver respirando, mas a ajuda de alguém com 
treinamento prático será necessária. 
 
Vítima inconsciente 
Ao tentar manter contato com a vítima, faça perguntas simples e diretas como: 
– Como você está? Qual é seu nome? O que aconteceu? Você sabe onde está? 
O objetivo dessas perguntas é apenas identificar a consciência da vítima. Ela poderá 
responder bem e naturalmente suas perguntas, e isto é um bom sinal, mas poderá estar 
confusa ou mesmo nada responder. Se ela não apresentar nenhuma resposta 
demonstrando estar inconsciente ou desmaiada, mesmo depois de você chamá-la em voz 
alta, ligue novamente para o serviço de socorro, complemente as informações e siga as 
orientações que receber. Além disso, indague entre as pessoas que estão no local, se 
existe alguém treinado e preparado para atuar nesta situação. Em um acidente, a 
movimentação de vítima inconsciente e mesmo a identificação de uma parada respiratória 
ou cardíaca, exige treinamento prático específico. 
 
Controlando uma hemorragia externa 
São diversas as técnicas para conter uma hemorragia externa. Algumas são simples e 
outras complexas que só devem ser aplicadas por profissionais. A mais simples, que 
qualquer pessoa pode realizar, é a compressão do ferimento, diretamente sobre ele, com 
uma gaze ou pano limpo. Você poderá necessitar de luvas para sua proteção, para não 
se contaminar. Naturalmente você deverá cuidar só das lesões facilmente visíveis que 
 
 
66
 
continuam sangrando e daquelas que podem ser cuidadas sem a movimentação da 
vítima. Só aja em lesões e hemorragias se você se sentir seguro para isso. 
 
Escolha um local seguro para as vítimas 
Muitas das pessoas envolvidas no acidente já podem estar desorientadas e traumatizadas 
com o acontecido. É importante que você localize um local sem riscos e junte estas 
pessoas nele. Isto irá facilitar muito o atendimento e o controle da situação, quando 
chegarem as equipes de socorro. 
 
O que não se deve fazer com uma vítima de acidente 
Não movimente. 
Não faça torniquetes. 
Não dê nada para beber. 
 
Você só quer ajudar, mas muitos são os procedimentos que podem agravar a situação 
das vítimas. Os mais comuns e que você deve evitar são: 
• movimentar uma vítima 
• aplicar torniquetes para estancar hemorragias 
• dar alguma coisa para a vítima tomar 
 
Não movimente a vítima 
A movimentação da vítima poderá causar piora de uma lesão na coluna ou em uma 
fratura de um braço ou perna. A movimentação da cabeça ou do tronco de uma vítima 
que sofreu um acidente com impacto, ou num atropelamento, pode agravar muito uma 
lesão de coluna. Num acidente pode haver uma fratura ou deslocamento de uma vértebra 
da coluna, por onde passa a medula espinhal. Movimentando a vítima nessa situação, 
você pode deslocar ainda mais a vértebra lesada e danificar a medula, causando paralisia 
dos membros ou ainda da respiração, o que com certeza vai provocar danos muito 
maiores, talvez irreversíveis. No caso dos membros fraturados, a movimentação pode 
causar agravamento das lesões internas no ponto de fratura, provocando o rompimento 
de vasos sanguíneos ou lesões nos nervos, levando a graves complicações. Assim, a 
movimentação de uma vítima só deve ser realizada antes da chegada de uma equipe de 
socorro, se houver perigos imediatos como incêndio, perigo do veículo cair, ou seja, 
desde que esteja presente algum risco incontrolável. Não havendo risco imediato, não 
movimente as vítimas. Até mesmo no caso das vítimas que saem andando do acidente, 
é melhor que não se movimentem e aguardem o socorro chegar para uma melhor 
avaliação. Aconselhe-as a aguardar sentadas em lugar seguro. 
 
Não aplique torniquetes 
O torniquete não deve ser realizado para estancar hemorragias externas. Atualmente este 
procedimento é feito só por profissionais treinados e mesmo assim, em caráter de 
exceção, quase nunca é aconselhado. 
 
Não dê nada para a vítima ingerir 
Nada deve ser dado para ingerir a uma vítima de acidente que possa ter lesões internas 
ou fraturas e certamente será transportada para um hospital. Nem mesmo água. Se o 
socorro já foi chamado, aguarde os profissionais que vão decidir sobre a conveniência ou 
não. O motivo é que a ingestão de qualquer substância poderá interferir de forma negativa 
nos procedimentos hospitalares. Por exemplo, se a vítima for submetida a cirurgia, o 
estômago com água ou alimentos, é fator que aumenta o risco no atendimento hospitalar. 
 
Não os impeça de fazer uso dos medicamentos se for rotina para eles. 
 
 
 
67
 
 
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
1. Normas Regulamentadoras do MTE. 
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nrs.htm , 31.07.19 
 
2. Manual de Legislação Atlas de Segurança e Medicina do Trabalho. 82ª edição, Ed. 
Atlas, 2019. 
 
3. Araújo, Giovanni Moraes de (organizador). Normas Regulamentadoras 
Comentadas e Ilustradas, 8ª edição, 2015. 
 
4. Moraes, Carlos Roberto Naves. Perguntas e Respostas Comentadas em 
Segurança e Medicina do Trabalho. 6ª edição, Ed. Yendis, 2012. 
 
5. Básico de Segurança de Plataforma. Instituto de Ciências Náuticas (ICN), 2011. 
 
6. Sampling. Curso Básico de Segurança em Plataforma, 2ª edição, 2008. 
 
7. Manual Técnico de Qualificação em SMS para Empregados de Empresas 
Prestadoras de Serviço. Petrobras, 2004. 
 
 
01/08/19

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