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Tutoria 1- Módulo 2 1) Descrever o processo de gametogênese, diferenciando as etapas da gametogênese masculina e feminina. “A OVOGÊNESE É A SEQUÊNCIA DE EVENTOS PELOS QUAIS AS OVOGÔNIAS SÃO TRANSFORMADAS EM OVÓCITOS MADUROS. ESTE PROCESSO DE MATURAÇÃO INICIA-SE ANTES DO NASCIMENTO E É COMPLETADO DEPOIS DA PUBERDADE, CONTINUANDO-SE ATÉ A MENOPAUSA.” EMBRIOLOGIA CLÍNICA, MOORE, PERSAUD 7ª EDIÇÃO. NO PERÍODO FETAL, EXISTEM CÉLULAS GERMINATIVAS QUE DÃO ORIGEM A CÉLULAS CHAMADAS DE OVOGÔNIAS (2N). AS OVOGÔNIAS SOFREM MITOSE, SE PROLIFERANDO (PERÍODO GERMINATIVO). DEPOIS, HÁ UM CRESCIMENTO DESSAS OVOGÔNIAS (PERÍODO DE CRESCIMENTO), DANDO ORIGEM AO OVÓCITO I (2N). LEMBRANDO QUE ATÉ AÍ, O PROCESSO AINDA OCORRE NO PERÍODO FETAL. OBS: NENHUM OVÓCITO I SE FORMA DEPOIS DO NASCIMENTO. POR ISSO, ERROS DE NÃO-DISJUNÇÃO CROMOSSÔMICA SÃO MAIS COMUNS EM MULHERES MAIS VELHAS, SÃO OVÓCITOS ESTACIONADOS DESDE SEU NASCIMENTO. O OVÓCITO I (2N) INICIA O PROCESSO DE MEIOSE I, MAS PARA NA FASE PRÓFASE I, NA SUBFASE DIPLÓTENO. NESSE MOMENTO, CÉLULAS DO ESTROMA OVARIANO COMEÇAM A CIRCUNDAR O OVÓCITO PRIMÁRIO, DANDO ORIGEM AO FOLÍCULO PRIMORDIAL (CAMADA DE CÉLULAS EPITELIAIS FOLICULARES). ELE PERMANECE NESSE ESTÁGIO ATÉ A PUBERDADE. NA PUBERDADE, AS CÉLULAS DO FOLÍCULO PRIMORDIAL AUMENTAM, FORMANDO O FOLÍCULO PRIMÁRIO. LOGO, ESSAS CÉLULAS SE PROLIFERAM, TORNANDO-SE FOLÍCULO SECUNDÁRIO. O OVÓCITO I TAMBÉM COMEÇA A SER CIRCUNDADO POR UMA CAMADA GLICOPROTEICA, CHAMADA ZONA PELÚCIDA. A PARTIR DA PUBERDADE, A CADA MÊS UM OVÓCITO I CONCLUI A MEIOSE I, DANDO ORIGEM AO OVÓCITO II (N) E UM CORPÚSCULO POLAR (N). O OVÓCITO II (N) COMEÇA A MEIOSE II, PORÉM O PROCESSO É INTERROMPIDO NOVAMENTE E SÓ SE COMPLETA SE HOUVER FECUNDAÇÃO. SE HOUVER A FECUNDAÇÃO, O OVÓCITO II TERMINA O PROCESSO DE MEIOSE II (PERÍODO DE MATURAÇÃO), DANDO ORIGEM AO ÓVULO (N) E A OUTRO CORPÚSCULO POLAR (QUE SERÁ DEGENERADO). Ovogênese A ovogênese é o processo de formação dos ovócitos II. Ela acontece nos ovários, onde se encontram os folículos ovarianos, constituídos pelas células germinativas (originam os ovócitos II) e pelas células foliculares (São responsáveis pela manutenção das células germinativas e pela produção dos hormônios sexuais femininos). Nas mulheres, apenas um folículo ovariano entra em maturação a cada ciclo menstrual e, neste processo, os ovários se alternam, ou seja, a cada ciclo menstrual, a ovulação (Liberação de um ovócito II) acontece em um dos dois ovários. A ovogênese é dividida em três períodos: Período de Multiplicação Do mesmo modo que na espermatogênese, nesse período as células germinativas sofrem várias mitoses consecutivas, aumentando em quantidade e originando as ovogônias. Nos fetos femininos humanos, esse período termina por volta do final do primeiro trimestre da gestação. Portanto, ao nascer, uma menina já possui em seus ovários cerca de 400 mil folículos ovarianos. É uma quantidade limitada, ao contrário dos homens, que produzem espermatogônias durante quase toda a vida. Período de Crescimento As ovogônias dão início à primeira divisão meiótica, que é interrompida na prófase I. Elas sofrem um notável crescimento, com aumento do citoplasma e grande acumulação de substâncias nutritivas. Essa acumulação citoplasmática de nutrientes recebe o nome de vitelo e é responsável pela nutrição do embrião durante seu desenvolvimento. Ao final do período de crescimento, as ovogônias se transformam em ovócitos primários (Também são chamados de ovócitos de primeira ordem ou ovócitos I). Nas mulheres, essa fase dura até a puberdade, quando a menina inicia a sua maturidade sexual. Período de Maturação O período de maturação tem início quando a menina alcança a maturidade sexual, por volta de onze a quinze anos de idade. Quando o ovócito primário completa a primeira divisão meiótica, ele origina duas células. Uma das células é o ovócito secundário, também conhecido como ovócito de segunda ordem ou ovócito II, célula grande e rica em vitelo. A outra célula é o primeiro corpúsculo polar (polócito I), que recebe pouco citoplasma e, na maioria das vezes, desintegra-se sem iniciar a segunda divisão meiótica. O ovócito II sofre a segunda divisão meiótica que é interrompida na metáfase. Caso haja fecundação, a segunda divisão meiótica se completa dando origem ao óvulo e ao segundo corpúsculo polar (polócito II), que também se desintegra. Na ovogênese a divisão meiótica é desigual, não se reparte igualmente o citoplasma entre as células-filhas (ovócito II e polócito I), permitindo que o ovócito II formado seja rico em substâncias nutritivas. Na maioria dos mamíferos, a segunda divisão meiótica só ocorre com a fecundação. Por esse motivo, o verdadeiro gameta feminino é o ovócito II, pois é ele que se funde com o espermatozoide. https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/ovogenese/66481 OVOGÊNESE (DETALHADO) A gametogênese feminina é denominada ovogênese e inicia-se no interior dos folículos ovarianos, que são as unidades funcionais e fundamentais dos ovários. Tem início ainda na vida intrauterina, quando as células germinativas, derivadas do embrião feminino, passam pela fase de multiplicação até aproximadamente a 15ª semana da vida fetal, sofrendo divisões mitóticas dando origem as ovogônias. As ovogônias a seguir passam por uma fase de crescimento dando origem aos ovócitos primários. Os ovócitos primários passarão pelas fases de maturação que correspondem às divisões meióticas. Nas recém-nascidas, parte deste processo de maturação já ocorreu, isto é, a primeira divisão da meiose já se iniciou e o ovócito primário encontra-se estacionado em prófase I na subfase de diplóteno. A quebra da vesícula germinativa marcará a continuidade da meiose e do processo de maturação ovocitária. Os ovócitos ficam neste estágio de prófase I (diplóteno) até a mulher atingir a puberdade e o processo se completará apenas na adolescência por influência das gonadotrofinas hipofisárias. Os ovários apresentam nas mulheres recém-nascidas uma média de um a dois milhões de folículos primordiais. Os folículos primordiais são unidades formadas por uma camada de células achatadas que envolvem o ovócito primário. Próxima à ovulação, o pico do Hormônio Luteinizante (LH) induz a quebra da vesícula germinativa e o processo de meiose é reiniciado. O ovócito primário que estava estacionado em diplóteno, que é a fase mais longa da prófase I, entra em diacinese, finalizando a prófase I. Aseguir o ovócito I atinge a metáfase I em que os pares de cromossomos homólogos duplicados, pareados e num grau de condensação maior distribuem-se na placa equatorial da célula. A continuidade da maturação ovocitária é caracterizada pela chegada do ovócito I a anáfase I. Nesta fase os pares de cromossomos homólogos que estão pareados migram para os pólos opostos da célula. A orientação da disjunção dos cromossomos homólogos para os pólos da célula é realizada pelo encurtamento das fibras do fuso meiótico. Esta separação dos cromossomos homólogos na anáfase I caracteriza a meiose como um processo reducional em que a ploidia da célula é reduzida à metade, isto é, o número de cromossomos 2N = 46 cromossomos passa para N = 23 cromossomos. A redução do número de cromossomos à metade da ploidia nos gametas é fundamental para a estabilidade do número de cromossomos da espécie. A ploidia é reconstituída no momento da fecundação. Quando o ovócito I atinge a telófase I, estará terminada a primeira divisão da meiose sendo formado o ovócito secundário (N) e um corpúsculo polar (N). O ovócito secundário é o verdadeiro gameta feminino que é liberado com o rompimento do folículo ovulatório. A ação do LH é importante para a formação do corpo lúteo a partir do folículo ovulatório, que sofre degeneração se não ocorrer à fecundação. A figura mostra os vários estágios do processo de maturação folicular desde o estágio de folículo primordial até a liberação do ovócito secundário no fenômeno da ovulação. O ovócito secundário, agora com um conjunto haplóide (N) de cromossomos iniciaa segunda divisão da meiose passando pela prófase II, atingindo a metáfase II. A segunda divisão da meiose é novamente bloqueada em metáfase II e será concluída se ocorrer a fecundação. FONTE: Gametogênese: Estágio fundamental do desenvolvimento para reprodução humana Medicina (Ribeirão Preto) 2007; 40 (4): 551-8, out./dez. Araújo CHM, Araújo MCP, Martins WP, Ferriani RA, Reis RMDISPONÍVEL EM: <http://revista.fmrp.usp.br/2007/vol40n4/revisao_gametogenese.pdf> · ESPERMATOGÊNSE="A espermatogênese é a sequência de eventos pelos quais as espermatogônias são transformadas em espermatozoides maduros. Este processo de maturação inicia-se na puberdade (13 a 16 anos) e continua até a velhice." Embriologia Clínica, Moore, Persaud 7ª Edição É a sequência de eventos, através dos quais a célula primitiva masculina, a espermatogônia torna-se um espermatozóide maduro, pronto para a fertilização. No período fetal, o homem já possui células germinativas (gametas, células reprodutivas), porém ainda imaturas. Estas células são as espermatogônias, e são células diplóides, com 46 cromossomos. Estas permanecem inativas até a puberdade, quando passam por sucessivas divisões mitóticas e aumentam de tamanho, tornando-se espermatócitos primários. Cada espermatócito primário passa pela primeira divisão meiótica, dando origem a dois espermatócitos secundários. Em seguida, estes sofrem a segunda divisão meiótica, originando quatro espermátides, células haplóides, com 23 cromossomos cada. Gradualmente, as espermátides vão se tornando espermatozóides, e ficam armazenados no epidídimo, nos testículos até o momento da fecundação. A espermatogênese é sequência de eventos pelos quais as espermatogôniassão transformadas em espermatozoides maduros. Esse processo de maturação inicia-se na puberdade. As espermatogônias, que permanecem quiescentes nos túbulos seminíferos dos testículos desde o período fetal, começam a aumentar em número na puberdade. Depois de várias divisões mitóticas, as espermatogônias crescem e sofrem modificações. As espermatogônias são transformadas em espermatócitos primários, as maiores células germinativas nos túbulos seminíferos. Cada espermatócito primário sofre em seguida uma divisão reducional — a primeira divisão meiótica — para formar dois espermatócitos secundárioshaplóides, que têm cerca de metade do tamanho dos espermatócitos primários. Em seguida, os espermatócitos secundários sofrem a segunda divisão meiótica para formar quatro espermátideshaplóides, com cerca de metade do tamanho dos espermatócitos secundários. As espermátides gradualmente são transformadas em espermatozoides maduros por um processo conhecido como espermiogênese(Fig. 2-4). Todo o processo de espermatogênese que inclui a espermiogênese demora cerca de 2 meses. Quando a espermiogênese é completada, os espermatozoides entram na luz dos túbulos seminíferos. As células de Sertoli que revestem os túbulos seminíferos dão suporte e nutrição para as células germinativas e podem estar envolvidas no processo da regulação da espermatogênese. Os espermatozóides são transportados passivamente dos túbulos seminíferos para o epidídimo onde são armazenados e se tornam funcionalmente maduros. O epidídimo é um dueto longo e espiralado localizado na borda posterior do testículo (Fig. 2-13). Ele está em continuidade com o dueto deferente (vasdeferens) que transporta os espermatozóides para a uretra. O espermatozóide maduro é uma célula ativamente móvel, que nada livremente, formada por cabeça e uma cauda (Fig. 2-5A). O colo do espermatozóideé a junção entre a cabeça e a cauda. A cabeça forma a maior parte do espermatozóide e contém o núcleo haplóide. Os dois terços anteriores do núcleo são cobertos pelo acrossoma, uma organela sacular em forma de capuz contendo várias enzimas. Quando liberadas, essas enzimas facilitam a penetração do espermatozóide na corona radiatae na zona pelúcida durante a fecundação. A cauda do espermatozoide é formada por três segmentos: a peça intermediária, a peça principal e a peça terminal (Fig. 2-5A). A cauda fornece ao espermatozóide a motilidade que auxilia o seu transporte ao local da fecundação. A peça intermediária da cauda contém mitocôndrias, que fornecem adenosina trifosfato (ATP) necessária à atividade. Muitos genes e fatores moleculares estão implicados na espermatogênese. Por exemplo, estudos recentes indicamque proteínas da família Bcl-2 estão envolvidas na maturação das células germinativas, assim como na sua sobrevivência em vários estágios. Para a espermatogênese normal, o cromossomo Y é essencial porque microdeleções resultam em uma espermatogênese alterada e infertilidade. A gametogênese é o processo no qual são formados os gametas masculinos e femininos. A gametogênese que leva à formação dos espermatozoides é denominada espermatogênese. Já a formação de ovócitos maduros ocorre pelo processo denominado oogênese ou ovogênese. → Onde ocorre a gametogênese? A gametogênese é um processo que ocorre nos sistemas reprodutores masculino e feminino. A espermatogênese ocorre nos túbulos seminíferos, que estão localizados nos testículos. Na mulher, a oogênese ocorre no interior dos ovários. → Tipos de gametogênese Existem dois tipos de gametogênese: aquele que ocorre nos homens (espermatogênese) e aquela que ocorre em mulheres (ovogênese ou oogênese). A espermatogênese dá origem aos espermatozoides e ocorre nos testículos, enquanto a ovogênese é responsável pela origem dos óvulos e ocorre no ovário. Tanto a espermatogênese quanto a ovogênese envolvem processos de mitose e meiose (processos de divisão celular). A meiose, processo que reduz a quantidade de material genético, é fundamental para a manutenção da quantidade adequada de cromossomos da espécie. Como os gametas masculino e feminino fundem-se durante a fecundação, devem possuir a metade dos cromossomos da espécie para garantir que a diploidia da espécie seja novamente reestabelecida. → Ovogênese ou oogênese Ovogênese é o processo de formação dos gametas femininos, ou seja, leva à formação do óvulo. Esse processo ocorre no interior dos ovários e demora anos para se completar. Os ovócitos imaturos iniciam seu desenvolvimento ainda na fase embrionária, porém seu completo desenvolvimento ocorre apenas na puberdade, quando o ovócito secundário é liberado (ovulação). A ovogênese inicia-se a partir das células germinativas, as quais irão dividir-se por mitose, formando a ovogonia. As ovogonias iniciam sucessivas divisões mitóticas, originando células que continuam a dividir-se por mitose e outras que iniciam a meiose e interrompem sua divisão. Essas células, chamadas ovócitos primários, mantêm-se em prófase I, completando sua maturação apenas na puberdade. Estima-se que uma menina ao nascer possua em seus dois ovários de 1 a 2 milhões de ovócitos primários. Na puberdade, iniciam-se os ciclos ovarianos, e um folículo começa a desenvolver-se a cada ciclo. O ovócito primário, estimulado por fatores hormonais, completa a meiose I, formando duas células-filhas de tamanho desigual (ovócito secundário e o primeiro corpúsculo polar). O ovócito secundário inicia a segunda divisão meiótica, a qual é interrompida na metáfase. O ovócito secundário será liberado no momento da ovulação, e a meiose II somente será retomada caso haja fecundação. → Espermatogênese A espermatogênese é o processo de formação dos gametas masculinos, ou seja, dos espermatozoides. Diferentemente da oogênese, a espermatogênese é contínua durante a vida dos homens adultos. Esse processo ocorre nos túbulos seminíferos, os quais estão enovelados no interior dos testículos. Em média, o processo de espermatogênese dura sete semanas e inicia-se com a mitose de células germinativas presentes nos testículos na puberdade do homem. A mitose nessas células formará as espermatogônias, que vão se dividir por mitose e formar espermatogônias do tipo A e do tipo B. As espermatogônias do tipo A são aquelas que continuam dividindo-se, originando novas espermatogônias. Já as espermatogônias do tipo B sofremmitose e originam espermatócitos primários. Os espermatócitos primários iniciarão o processo de meiose, que levará à redução do número de cromossomos no final do processo. Ao final do processo de meiose I, teremos dois espermatócitos secundários, cada um com metade do número de cromossomos do espermatócito primário que o originou. Os dois espermatócitos secundários originados no final da meiose I realizam, então, a meiose II, dando origem a quatro espermátides. As espermátides iniciam, então, o processo de espermiogênese, que levará à formação do espermatozoide maduro. Na espermiogênese, ocorrem diversos processos importantes, como: · Formação do acrossoma: o acrossoma, vesícula especial localizada na região da cabeça do espermatozoide, apresenta enzimas importantes para garantir a penetração do espermatozoide no ovócito. · Redução do citoplasma. · Desenvolvimento do flagelo: processo que garantirá a movimentação eficiente do espermatozoide. Após a fase de espermiogênese, o espermatozoide é liberado no interior do túbulo seminífero. → Diferenças entre espermatogênese e ovogênese A espermatogênese e a ovogênese são processos que resultam na formação de gametas, entretanto, ocorrem de maneiras distintas. · A espermatogênese ocorre no homem durante a adolescência e a vida adulta. Já a ovogênese é interrompida na mulher por volta dos 50 anos de idade. · A meiose que ocorre na espermatogênese gera quatro espermatozoides, enquanto a que ocorre na ovogênese origina apenas um gameta. · A espermatogênese ocorre de maneira contínua, enquanto a ovogênese apresenta grandes períodos de interrupção. Fonte: SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Gametogênese"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/gametogenese.htm. Acesso em 29 de março de 2020. → Espermatogênese Durante a fase embrionária do indivíduo, formam-se células germinativas que, nos testículos maduros (puberdade), dão origem a espermatogônias após passarem pelo processo de mitose (divisão celular em que a célula-mãe dá origem a células-filhas com mesmo número de cromossomos). As espermatogônias podem dividir-se e dar origem a outras espermatogônias (espermatogônias do tipo A) ou se dividirem e tornarem-se espermatogônias do tipo B. As espermatogônias do tipo B dividem-se também por mitose e dão origem ao espermatócito primário. O espermatócito, então, entra no processo de meiose, processo de divisão celular que dará origem a células com metade do número de cromossomos da célula-mãe. Ao final da meiose I, os espermatócitos primários passam a ser chamados de espermatócitos secundários e possuem metade do número de cromossomos. Essas células entram em mitose II e dão origem às chamadas espermátides. Um espermatócito primário será responsável, ao final da meiose, pela origem de quatro espermátides, cada uma com 23 cromossomos. Todo esse processo pode ser dividido, portanto, em três etapas: multiplicação, crescimento e maturação. Na multiplicação, temos o aumento do número das espermatogônias. No crescimento, temos a formação dos espermatócitos primários. Na etapa de maturação, temos a ocorrência da meiose e a consequente formação das espermátides. Após formadas, as espermátides entram no processo de espermiogênese, que se caracteriza pelo surgimento de várias mudanças responsáveis pela diferenciação da célula e pela formação do espermatozoide. Espermiogênese Na espermiogênese, fase final do processo, as espermátides sofrem mudanças e formam os espermatozoides. Dentre as principais modificações ocorridas, podemos destacar: · Formação do acrossoma: Essa estrutura forma-se a partir do complexo golgiense e destaca-se pela presença de várias enzimas que ajudarão o espermatozoide a penetrar no ovócito (gameta feminino). · O núcleo condensa-se e alonga-se. · Perde-se parte do citoplasma. · Forma-se o flagelo, responsável pela mobilidade do espermatozoide. Ao final desse processo, temos um espermatozoide com características típicas (cabeça, colo e cauda) que será liberado no interior dos túbulos seminíferos. Os gametas masculinos agora estão prontos para realizar o importante processo de fecundação. 2) Identificar o papel dos hormônios LH e FSH no processo de gametogênese. Espermatogênese FSH à estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos. LH à estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos testículos à características sexuais secundárias, elevação do desejo sexual. Ovogênese Hormônio Folículo-Estimulante: causa a proliferação das células foliculares ovarianas e estimula a secreção de estrógeno, levando as cavidades foliculares a desenvolverem-se e a crescer. Hormônio Luteinizante: aumenta ainda mais a secreção das células foliculares, estimulando a ovulação. https://afh.bio.br/sistemas/reprodutor/3.php O hormônio folículo estimulante, comumente chamado de FSH, e o hormônio luteinizante, ou simplesmente LH. Nos homens, o FSH e o LH estimulam a produção de testosterona pelas células de Leydig e promovem a maturação dos espermatozóides. Na primeira fase do ciclo menstrual, a hipófise secreta o hormônio folículo estimulante (FSH), que, como o nome já diz, irá estimular o desenvolvimento de folículos ovarianos. Por sua vez, os folículos produzem o estrógeno, que estimula o crescimento das células da parede interna do útero, o endométrio, que se torna mais espesso e vascularizado. Essas mudanças preparam o útero para o caso da implantação de um embrião, ou seja, de uma gravidez. A alta concentração de estrógeno na circulação sanguínea inibe a produção de FSH pela hipófise, num processo conhecido como feedback negativo. A queda nos níveis de FSH desestimula os folículos, provocando uma redução na produção de estrógeno. Nesta fase, a hipófise passa a secretar o hormônio luteinizante (LH), que induz o rompimento do folículo ovariano e leva ao desenvolvimento do corpo lúteo. O corpo lúteo produz a progesterona, que irá auxiliar na manutenção do endométrio até o final do ciclo menstrual. A alta concentração de progesterona na circulação sanguínea inibe, por feedback negativo, a produção de LH pela hipófise. A queda nos níveis de estrogênio e progesterona faz com que as células endometriais se desprendam da parede uterina. Estas células são expulsas do corpo, através do canal vaginal, causando o sangramento característico da menstruação. Fonte: Hormônios e reprodução - Hormônios sexuais, menstruação e pílula.- Alice Dantas- professora de biologia -https://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/hormonios-e-reproducao-hormonios-sexuais-menstruacao-e-pilula.htm Espermatogênese Hormônio Luteinizante: estimula a célula de Leydig (As células de Leydig ou células intersticiais de Leydig são células que se encontram entre os túbulos seminíferos, no interstício dos testículos. Produzem a hormona testosterona, quando estimuladas pela hormona luteinizante (LH). Hormônio Folículo Estimulante: estimula as células de Sertori ( As células de Sertoli têm diversas funções como: controle da maturação e da migração das células germinativas; síntese de proteínas e esteróides estão envolvidas no controle da passagem das secreções entre compartimentos tubulares e intersticiais e, formam a barreira hemato-testicular) https://www.pubvet.com.br/artigo/2311/o-papel-das-ceacutelulas-de-sertoli-na-espermatogecircnese - 2010 No homem, o FSH estimula a produção de espermatozoides. O LH age no testículo favorecendo a produção de testosterona, o hormônio sexual masculino https://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/hormonio6.php Sistema Endócrino: Hormônios Gonadotróficos O hipotálamo produz GnRH, que estimula a adeno-hipófise a liberar LH e FSH que, por sua vez, agirão sobre as gônadas, estimulando a produção de testosterona, estrógeno e progesterona. No homem, essa secreção é praticamente estável, com poucas flutuações. Na mulher, a secreção de LH e FSH é pulsátil. Mulher O aumento de LH e FSH é o estímulo para a maturação folicular. O folículo, em processo de amadurecimento, passa a secretar estrógeno,o qual prepara o útero para receber o embrião, provocando espessamento da parede do endométrio, aumento da irrigação sanguínea e da produção de muco. Quando o folículo rompe, o nível de estrógeno cai e, como ele tem efeito inibitório sobre a secreção de LH e FSH, esses hormônios têm um pico, provocando a liberação do óvulo de 16 a 24 horas depois. Forma-se, então, o corpo lúteo, que começa a secretar progesterona. Se houver fecundação, os níveis de estrógeno e de progesterona seguem aumentando, inibindo o eixo hipotálamo-hipófise ao longo da gestação. Assim, nesse período, o LH e o FSH se mantêm baixos, e a mulher se torna anovulatória. Caso não haja fecundação, o óvulo entra em involução em até 72 horas. A progesterona e o estrógeno começam a cair e o estímulo para manutenção da parede do endométrio cessa, provocando sua descamação, caracterizando a menstruação. Então, o LH e o FSH, que estavam baixos, começam a subir novamente, iniciando um novo ciclo, conforme o gráfico abaixo. A pílula anticoncepcional mantém os níveis de estrógeno e de progesterona altos, inibindo o eixo hipotálamo-hipófise, o que impede aumento de LH e de FSH. Fonte: http://fisioterapiafisioex.blogspot.com/2013/05/sistema-endocrino-hormonios.html -Fisiologia do exercício 3) Diferenciar fecundação, fertilização e concepção, descrevendo como ocorrem esses eventos até a nidação. -O que é nidação e qual a sua importância? Uma das características mais fundamentais da gravidez é a necessidade de que os eventos iniciais ocorram de forma plena e segura. Isso porque o pequeno embrião exige condições favoráveis ao seu desenvolvimento e proteção, além de nutrientes essenciais ao crescimento. A nidação é um desses eventos e consiste no momento da fixação do óvulo fecundado (o zigoto) na mucosa do endométrio, parede que reveste o útero internamente. Essa região é intensamente vascularizada (repleta de vasos sanguíneos), já que a rede formada pelos pequenos capilares é responsável pelo aporte de oxigênio e nutrientes necessários durante a implantação do óvulo nesse local. Assim, o processo de nidação é um evento que sucede a fecundação, ou seja, é quando o óvulo já fecundado pelo espermatozoide finaliza a locomoção pelas tubas uterinas e atinge o útero, até se alojar em seu interior — que será o seu novo lar durante toda a gestação. A nidação é de extrema importância porque o futuro da gravidez depende da adequada implantação nesse momento. A partir desse período, os hormônios e nutrientes necessários à estrutura do embrião e seus anexos embrionários (vesícula vitelínica, por exemplo) serão liberados mais efetivamente. Logo, o organismo da mulher deve ter condições favoráveis para assegurar o adequado implante do novo ser. Esse processo é crucial para o desenvolvimento de estruturas elementares. Fonte: Centro de fertilidade de Ribeirão Preto ---------------------- A fecundação é simplesmente o momento em que há o encontro espermatozóide (gameta masculino) com o ovócito (gameta feminino). Já a fertilização é quando o óvulo se torna capaz de gerar uma vida, ou seja, após o encontro com o espermatozóide houve a fecundação, se tudo ocorrer normalmente e as divisões celulares se iniciarem para formar um novo organismo, então ocorreu a fertilização. https://www.euquerobiologia.com.br/2013/02/o-que-e-fertilizacao-e-fecundacao.html A concepção se aplica ao processo de nidação (fusão entre o blastocisto com o tecido endometrial). Essa pergunta é fundamental, pois os dois conceitos, fecundação e concepção, embora muito diferentes, são usados equivocadamente como sinônimos. A fecundação, também chamada de fertilização, refere-se, exclusivamente, ao processo de união dos gametas masculino e feminino, óvulo e espermatozóide. A fecundação tem tempo definido e limitado para ocorrer. Se a relação sexual se der no dia da ovulação, a fusão dos núcleos do óvulo e do espermatozóide demorará entre 12 e 24 horas. Se a relação sexual ocorrer antes da ovulação, os espermatozóides permanecem no trato genital feminino por até cinco dias aguardando a ovulação, migrando gradativamente em direção às trompas. É importante que se esclareça que a fecundação não ocorre imediatamente após a relação sexual. Os poucos espermatozóides que em alguns minutos chegam até a trompa não possuem capacidade de fecundar. A fecundação ocorre na trompa e o transporte do óvulo fecundado ou fertilizado, agora chamado zigoto, requer entre cinco e sete dias para chegar até a cavidade uterina. O zigoto, constituído por oito ou dez células, passa por intensa multiplicação celular durante o transporte na trompa. Ao chegar na cavidade uterina, o zigoto tem cerca de 200 células e passa a ser chamado de blastocisto. O blastocisto, então, organiza suas células em dois pólos. O primeiro, com cerca de 20 células, dá origem ao embrião (pólo embrionário). O segundo, chamado trofoblasto, tem por finalidade a fusão do blastocisto com o tecido endometrial. Este processo de fusão entre o blastocisto e o endométrio é chamado implantação ou nidação. A implantação completa-se entre o 11° e o 12° dia após a fecundação, resultando na concepção. O conceito de concepção se aplica ao processo de nidação. A fecundação ocorre muito antes da implantação ou nidação. Ambos não são sinônimos e não devem ser confundidos. Somente a partir do momento da concepção é que ocorrerá o desenvolvimento do pólo embrionário do blastocisto, que resultará no embrião. Até atingir esse ponto do processo reprodutivo, as taxas de sucesso são baixas. Apenas 50% das relações sexuais em período fértil terminam em fecundação e metade dos zigotos perde-se naturalmente, sem que ocorra a implantação. Essa é uma característica da reprodução da espécie humana, que restringe a possibilidade de gravidez a cerca de 25% em cada mês de tentativa. O conceito de fecundação também não é sinônimo de gravidez. O trofoblasto, na medida em que produz a nidação, secreta o hormônio gonadotrofina coriônica humana (HCG), que mantém o organismo materno produzindo progesterona para a continuidade do processo reprodutivo. A possibilidade de detecção do HCG, no sangue ou urina da mulher, constitui a primeira evidência de gravidez. Assim, sob a perspectiva médica e legal, entende-se que a gravidez se inicia após a implantação, como sinônimo de concepção. Embora não se discuta que a fecundação represente o possível início de nova vida, a gravidez é um momento específico do processo reprodutivo, que não se inicia na fertilização. Assim, o Comitê de Ética da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) definem como gravidez o processo 16 reprodutivo a partir da implantação, mediante “sinais e sintomas presuntivos de gravidez”, como atraso menstrual e provas diagnósticas aceitáveis 24, 31, 47. Estes conhecimentos sobre o processo reprodutivo são fundamentais para diferenciar, tecnicamente, conceitos científicos sobre fecundação, concepção, embrião e gravidez, corroborando para afastar a hipótese de efeito abortivo da AE. REFERÊNCIAS:Saúde, M. d. (2011). Anticoncepção de Emergência. Série Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, 27-29. O processo de fertilização é um complexo sequencial de eventos moleculares coordenados que tem início no exato instante do contato do espermatozóide com um ovócito e tem o fim com o produto (zigoto) da união dos cromossomos maternos e paternos, formando um embrião unicelular, durando cerca de 24 horas o processo todo. As alterações que podem ocorrer em qualquer estágio da sequencia destes eventos podem causar a morte dos zigotos. Fases da Fertilização 1) Passagem do espermatozóide através da corona radiata: Acredita-se que a enzima hialuronidase, liberada do acrossoma do espermatozóide, é responsável pela dispersão das células foliculares da corona radiata. Mas não é só isso que facilita a passagem, os movimentos da cauda do espermatozóide junto às enzimas da mucosa tubária também contribuem bastante. 2) Penetração da zona pelúcida: Esta é uma fase importantepara o início da fertilização. É provável que as enzimas esterases, acrosina e neuraminidase, também liberadas pelo acrossoma, causem o rompimento da zona pelúcida, agindo como facilitador da chegada do espermatozóide ao ovócito. Assim que este penetra a zona pelúcida, ocorre a reação zonal, uma mudança que torna esta zona impermeável a outros espermatozóides. A composição desta cobertura é feita por glicoproteínas extracelularmente e muda após a fertilização. Alguns estudiosos acreditam que a reação zonal seja o resultado da ação das enzimas lisossomais liberadas por grânulos corticais. 3) Fusão das membranas plasmáticas do ovócito e espermatozóides: Nesta fase estas membranas se unem e se rompem no exato lugar onde se uniram. A cabeça e a cauda do espermatozóide entram no ovócito, mas a membrana plasmática do espermatozóide fica de fora. 4) Término da segunda divisão meiótica e formação do pronúcleo feminino: Quando o espermatozóide penetra o ovócito, ele o estimula a completar a segunda divisão meiótica, resultando num ovócito maduro e num segundo corpo polar. A partir disso, há a condensação dos cromossomos maternos e o núcleo já maduro do ovócito evolui para um pronúcleo feminino. 5) Formação do pronúcleo masculino: O núcleo do espermatozoide aumenta no interior do citoplasma do ovócito com objetivo de compor o pronúcleo masculino e a cauda, então, sofre degeneração. Enquanto acontece o crescimento dos pronúcleos, que são indistinguíveis morfologicamente, eles replicam seu DNA. O ovócito que contém dois pronúcleos haplóides é chamado de oótide. 6) Formação do zigoto: Logo que os pronúcleos se juntam em um conjunto único e diplóide, a oótide se transforma em um zigoto. Os cromossomos neste zigoto arranjam-se em um fuso de clivagem, preparando-se para a divisão que irá sofrer. Esta estrutura é geneticamente única, já que metade dos seus cromossomos vem da mãe e a outra metade do pai, formando assim uma nova combinação cromossômica, diferente da contida nas células dos pais. Este fato forma a base da herança biparental e, consequentemente, da variação da espécie humana. Fontes: MOORE, K.L.; PERSAUD, T.V.N. The developing human: clinically oriented embryology. 7ª ed. Elsevier. USA, 2003. 4) Caracterizar o β-HCG como marcador da gestação, indicando a sensibilidade/ confiabilidade desse marcador. O que é o Beta hCG? A sigla Beta hCG, ou BhCG, refere-se ao hormônio gonadotrofina coriônica humana. Sua dosagem sanguínea é amplamente utilizada como teste de gravidez, pois esse é um hormônio produzido pelas células do embrião. Conforme veremos mais à frente, o Beta hCG até pode ser produzido por outras células do organismo, mas isso só ocorre em situações excepcionais. Em 99% dos casos, se a mulher apresenta níveis elevados de gonadotrofina coriônica humana no sangue, isso significa que ela está grávida. O exame do Beta hCG sanguíneo é o método diagnóstico de gravidez com acurácia mais elevada. Quando colhido na época certa e interpretado corretamente, ele apresenta uma taxa de acerto próxima de 100%. O beta hCG também pode ser dosado na urina, motivo pelo qual nos últimos anos tem sido cada vez maior a oferta de testes de gravidez de farmácia que podem ser feitos em casa. A dosagem na urina, porém, não é tão confiável quanto a do sangue, sendo possível haver casos de falso negativo, caso o teste seja feito muito no início da gestação. Como é produzido? A gonadotrofina coriônica humana é um hormônio importante e necessário para a manutenção e desenvolvimento da gestação. Ela é produzida pelo trofoblasto, grupo de células do embrião que dá origem à placenta. Cerca de seis dias após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, o embrião em formação chega à parede do útero e se aloja nela. A partir desse momento, o hormônio hCG produzido pelo trofoblasto consegue alcançar a corrente sanguínea da mãe, o que possibilita sua detecção por exames laboratoriais ultrassensíveis. Conforme o embrião e a placenta se desenvolvem, mais hCG é produzido e lançado na circulação materna. Nas primeiras semanas de gestação, os níveis de hCG dobram a cada 2 ou 3 dias. Se nos primeiros 30 dias de gravidez o ritmo de elevação da gonadotrofina coriônica humana estiver inesperadamente pouco elevado, é possível que haja algo de errado na gestação, como inviabilidade fetal ou gravidez ectópica. Quando torna-se detectável? As atuais técnicas só conseguem detectar o hCG a partir da 3ª ou 4ª semanas de gravidez contadas a partir da data da última menstruação. Como a 4ª semana de gravidez costuma equivaler à época na qual a próxima menstruação deveria vir, sugerimos sempre que a paciente espere a menstruação atrasar para fazer o teste. Desta forma, a gente minimiza o risco de resultado falso negativo . Valores ao longo da gravidez Em geral, os valores do hCG comportam-se da seguinte maneira ao longo das semanas de gravidez: · Mulheres não grávidas ou com menos de 3 semanas de gravidez: menor que 5 mIU/ml. · 3 semanas de gravidez: entre 5 e 50 mIU/ml. · 4 semanas de gravidez: entre 5 e 426 mIU/ml. · 5 semanas de gravidez: entre 18 e 7.340 mIU/ml. · 6 semanas de gravidez: entre 1.080 e 56.500 mIU/ml. · 7 a 8 semanas de gravidez: entre 7.650 e 229.000 mIU/ml. · 9 a 12 semanas de gravidez: entre 25.700 e 288.000 mIU/ml. · 13 a 16 semanas de gravidez: entre 13.300 e 254.000 mIU/ml. · 17 a 24 semanas de gravidez: entre 4.060 e 165.400 mIU/ml. · 25 a 40 semanas de gravidez: entre 3.640 e 117.000 mIU/ml. Atenção, os valores acima são apenas para orientação. Eles não são uma regra e outras referências podem apresentar valores distintos. Se o seu hCG está diferente, não se apavore, pois isso não significa necessariamente que haja algo de errado com a sua gestação. O mais importante é a velocidade de crescimento do hormônio nas primeiras semanas. Os valores do hCG para gravidez gemelar, sejam gêmeos ou trigêmeos, costumam ser maiores, pois, se há mais embriões, há também mais fontes de produção de gonadotrofina coriônica. Habitualmente, o pico do BhCG ocorre ao redor da 10ª semana de gravidez. Os níveis, então, começam a cair até a 20ª semana, período em que se estabilizam, mantendo-se mais ou menos constantes até o dia do parto. É possível calcular o tempo de gravidez pelo valor do Beta hCG? Não. A dosagem do hCG só serve para fazer o diagnóstico de gravidez. É impossível estimar com adequada acurácia o tempo de gestação apenas pelos valores do Beta. Se você reparar nos valores de referência fornecidos acima, notará que podem haver variações enorme entre valores de gonadotrofina coriônica humana ao longo das semanas de gravidez. Uma gestante na 8ª semana, por exemplo, pode ter BhCG de 9.000, enquanto outra com a mesma idade gestacional, BhCG de 150.000. Como é feita a dosagem no teste de gravidez? Se você for uma leitora atenta, a esta altura já deve estar se perguntando por que algumas vezes escrevo hCG e outras, beta hCG (BhCG). Afinal, qual é a diferença entre hCG e beta hCG? O hCG é um hormônio composto de duas grandes moléculas, chamadas de subunidade alfa (ou fração alfa) e subunidade beta (ou fração beta). A primeira é estruturalmente semelhante a vários outros hormônios, como o hormônio folículo-estimulante (FSH) ou o hormônio luteinizante (LH). Já a segunda é única, não existindo em mais nenhum outro hormônio. Portanto, para diminuir o risco de reação cruzada com outros hormônios e, consequentemente, a ocorrência de falsos positivos, os laboratórios pesquisam apenas a fração beta. O hCG produzido pelo feto passa para a circulação sanguínea da mãe e é filtrado pelos rins, sendo parte dele eliminado pela urina. Logo, o beta hCG pode ser dosado tanto no sangue como na urina da mulher. Excetuando-se casos raros, que serão explicados mais à frente, se for detectado BhCG no sangue ou na urina da mulher, ela está grávida. Existem basicamente duas formas de se avaliar a presença da gonadotrofina coriônica humana: BhCG qualitativo e o BhCG quantitativo. O BhCG qualitativo não fornece valores, apenas revela se há ou não gonadotrofina coriônicahumana em valores relevantes circulando no sangue na mãe. Essa forma é muito usada nos testes de gravidez de farmácia que usam a urina como fonte de pesquisa. Esses testes possuem um fita que reage à presença da gonadotrofina coriônica humana. A fita não quantifica o hormônio, apenas aponta se o hormônio está presente ou não (teste é positivo ou negativo). Teste de gravidez de farmácia positivo com Beta hCG qualitativo Já o BhCG quantitativo é a forma usada na maioria dos exames de sangue. Nessa forma de teste, o resultado é fornecido em valores, geralmente em mili unidades internacionais por mililitro (mUI/ml). A maioria dos laboratórios considera haver gravidez em curso quando os valores estão acima de 25 mUI/ml. Como interpretar os valores É importante destacar que os testes de gravidez de urina não servem para estabelecer o diagnóstico definitivo de gravidez. Mesmo quando eles são positivos, é preciso confirmar o resultado através do exame de sangue, que é o teste de gravidez mais confiável. A maioria dos exames de sangue consegue detectar níveis mínimos de BhCG de 5 mUI/ml, porém já existem testes supersensíveis que detectam a presença de até 1 mUI/ml. A maior parte dos laboratórios utiliza os seguintes valores de referência: · BhCG abaixo de 5 mIU/ml: resultado negativo, não há gravidez em curso. · BhCG entre 5 e 25 mIU/ml: resultado indefinido, geralmente indica inexistência de gravidez em curso, mas pode ser o caso de gestação muito recente, quando ainda não houve tempo do hCG ser produzido em quantidades suficientes para ser detectado no sangue. Nesses casos, deve-se repetir o teste após três dias. · BhCG acima de 25 mIU/ml: resultado positivo, indica gravidez em curso. É sempre importante prestar atenção aos valores de referência do laboratório. Na maioria dos casos, os laboratórios usam o valor de 25 mIU/ml como limiar. Porém, dependendo do método químico usado, o valor considerado positivo pode ser mais baixo ou mais alto. Exemplo fictício de um teste de gravidez positivo Normalmente, para o embrião se implantar no útero e o seu hCG alcançar níveis relevantes na corrente sanguínea da gestante, são necessários de 7 a 14 dias após relação sexual. Em geral, somente indicamos a realização do teste após a menstruação atrasar, pois, antes disso é pouco provável que já tenha havido tempo hábil para que os valores de BhCG estejam suficientemente elevados para serem detectados nos exames. Casos de beta hCG falso negativo A principal causa de BhCG falso negativo é exame feito muito precocemente. Algumas mulheres ficam ansiosas por terem tido relações sexuais desprotegidas e acabam fazendo o teste de gravidez poucos dias depois, antes mesmo de qualquer atraso menstrual. Não adianta fazer o exame tão cedo, pois, se você estiver grávida, é possível que o embrião ainda nem tenha chegado ao útero. Se o embrião ainda não se implantou no útero, não há como haver hCG no sangue da mãe. Os exames de última geração conseguem detectar elevação do BhCG com apenas 1 dia de atraso menstrual. Porém, para diminuir o risco de falso negativo, indicamos a realização do exame somente após uma semana de atraso menstrual. Tenha em mente que não se pode excluir totalmente uma gravidez se o resultado negativo tiver sido obtido com menos de 1 semana de atraso da menstruação. No entanto, um resultado negativo com mais de duas semanas de atraso menstrual torna a hipótese de gravidez muito pouco provável. Nas mulheres com ciclo menstrual muito irregular, saber se a menstruação atrasou ou não pode não ser tão simples. Nesses casos, sugerimos a realização do teste somente 14 dias depois de relação sexual desprotegida. A quantidade de hCG na urina é menor que no sangue, portanto, o risco de falso negativo é maior nessa forma. Por fim, o uso de medicamentos não provoca falsos negativos, inclusive de anticoncepcionais, pílula do dia seguinte, antidepressivos, antibióticos etc. Infecções também não alteram o resultado. Casos de beta hCG falso positivo Com as atuais técnicas de detecção de BhCG, casos de falso positivo são raros. Cito a seguir algumas situações em que um resultado falso positivo é possível. Entre esses casos, encontra-se a morte fetal ocorrida logo após implantação do embrião no útero. Nessa situação, o BhCG pode ser positivo, mas, como houve abortamento, não haverá desenvolvimento de gravidez. Abortos que ocorrem tão cedo podem passar despercebidos, pois o embrião ainda é microscópico. Algumas mulheres que fazem tratamento para engravidar, por sua vez, podem usar medicamentos à base de hCG. Nesses casos, o BhCG detectado nos exames pode ser apenas resquício do medicamento administrado dias antes. Em geral, após duas semanas de interrupção, esse BhCG já terá sido eliminado, não mais interferindo nos testes de gravidez. Outros medicamentos não causam Beta hCG falso positivo, incluindo anticoncepcionais, pilula do dia seguinte, antidepressivos, antibióticos, clomifeno ou qualquer outro hormônio. Muito raramente, pacientes que tiveram recentemente mononucleose podem apresentar BhCG falso positivo (com valores baixos). Em mulheres mais velhas, próximas da menopausa, a hipófise, glândula presente no cérebro, pode começar a secretar pequenas quantidades de hCG, o suficiente para manter os valores pouco acima de 25 mIU/ml. Alguns tumores são produtores de gonadotrofina coriônica humana, como na doença trofoblástica gestacional, que engloba as seguintes patologias: · Mola hidatiforme (parcial ou completa). · Mola invasiva. · Coriocarcinoma. · Tumor trofoblástico de sítio placentário. Essas doenças produzem tumores provenientes de anormal proliferação das células do trofoblasto. A produção de hCG desses tumores trofoblásticos pode ser bem grande, frequentemente acima de 100.000 e, em alguns casos, ultrapassando os 500.000 mIU/ml. Pode confiar? O ginecologista explica que o teste de gravidez de farmácia é bom por ser específico, mas pode não detectar uma gravidez muito inicial. Em geral, o segundo risquinho só aparece quando o HCG está em uma concentração mais alta que 25 unidades por litro, enquanto os exames de sangue chegam a detectar até 2 unidades por litro. Por isso, é possível obter um falso negativo com o exame de urina. Já o falso positivo é mais raro, e pode acontecer, por exemplo, quando a mulher deixa a urina em contato com a fita mais tempo que o recomendado. O HCG começa a ser produzido no momento em que o zigoto, que é o resultado da fecundação, gruda na parede do útero. Sua concentração vai dobrando a cada dois dias até o quarto mês. O exame de sangue não é apenas qualitativo, mas também quantifica o HCG e pode responder em qual estágio a gestação está. Porém, saber sua dosagem não é o suficiente para dizer com exatidão o número de semanas da gravidez. Isso porque a concentração do hormônio tem uma variação muito grande entre as mulheres e mesmo dentro de um intervalo de sete dias. De acordo com Gustavo, em uma gestação de seis semanas, por exemplo, o exame pode detectar de mil a 55 mil unidades por litro do hormônio. Entre sete e oito semanas, a quantidade pode variar entre 76 mil a 220 mil. Por isso, quem descobriu que está grávida já deve agendar a consulta com o obstetra que fará exames mais adequados para calcular as semanas de gestação e estimar a data de nascimento do bebê. Casos raros "Originalmente o beta-HCG é um marcador tumoral", conta o ginecologista. O exame era utilizado para detectar alguns tipos de tumores e câncer, como o de ovário ou de testículo, que estimulam a produção desse hormônio. Assim, apesar de raros, há casos em que ele aparece no sangue sem haver uma gestação. No caso de quem desenvolve gravidez psicológica, o HCG não é detectado no exame, mesmo se tratando de um distúrbio hormonal. "Ela é causada por uma alteração central. A pessoa com uma vontade muito grande de ficar grávida pode desencadear em seu corpo alguns sintomas parecidos com os de uma gravidez, como a interrupção da menstruação, o crescimento da barriga e a produção de leite nas mamas", detalha Dr. Gustavo.O ginecologista reforça que, em ambos os testes, um resultado positivo não significa que você será mãe. O HCG é o hormônio responsável por manter o embrião preso ao útero, mas nos primeiros meses é comum que essa união seja frágil. Portanto, é importante manter a calma, fazer o acompanhamento com o obstetra e esperar a gestação avançar para garantir com maior certeza a chegada do bebê. 5) Relacionar o uso do ácido fólico à gestação, identificando a importância dessa suplementação na gravidez (prevenção dos defeitos congênitos/ doenças genéticas). O ácido fólico é uma vitamina do complexo B, essencial a uma gravidez saudável1 . A estrutura química do ácido fólico consiste em três partes: um anel de pteridina, ácido p-aminobenzóico e uma molécula de ácido L-glutâmico2,3. Em torno de 90% do folato ingerido pela dieta é em forma de poliglutamatos reduzidos, ligados a proteínas3 . O ácido fólico é necessário para a síntese de purinas e do timidilato, tornando-se essencial para a síntese dos ácidos desoxirribonucleico (DNA) e ribonucleico (RNA), sendo elemento fundamental na eritropoiese. O ácido fólico também é indispensável na regulação do desenvolvimento normal de células nervosas, na prevenção de defeitos congênitos no tubo neural e na promoção do crescimento e desenvolvimento normais do ser humano3,4-6. Tem importante papel na produção e manutenção de novas células, maturação e formação de glóbulos vermelhos e brancos na medula óssea7,8. A deficiência de ácido fólico está associada ao aumento de defeitos do tubo neural (DTN) no feto e à anemia megaloblástica na mãe7-11. Há evidências suficientes de que a suplementação de ácido fólico no início da gestação reduz em até 75% o risco de o bebê nascer com DTN8,10,12. A partir destas evidências, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil (MS) recomendam a dose de 400µg (0,4mg), diariamente, por pelo menos 30 dias antes da concepção até o primeiro trimestre de gestação para prevenir os defeitos do tubo neural6,13 e durante toda a gestação para prevenção da anemia6,13. E para as mulheres com antecedentes de malformações congênitas o MS recomenda a dose de 5 mg/dia a fim de reduzir o risco de recorrência de malformação5 . A prevalência de uso do ácido fólico no período gestacional se altera de acordo com as características das populações avaliadas e com o período de utilização. Quando foi avaliado o uso de ácido fólico em algum momento da gravidez as prevalências encontradas foram de 72% na Holanda14 e 89,2%, nos EUA15. Alguns estudos avaliaram o uso do suplemento no período antes da concepção até o primeiro mês de gravidez e as prevalências encontradas foram de 26,5% em estudo realizado na França16, 36,0% em Victoria e 46,0% em New South Wales, ambas as pesquisas de base populacional realizadas na Austrália17, 67,7% em estudo realizado na China18, e 30,0% em estudo realizado na Espanha19. No Brasil, um estudo de base populacional conduzido com puérperas de Pelotas, RS, encontrou 32% de uso do suplemento em algum momento da gestação20. Em Diamantina, MG, a prevalência do uso do suplemento durante a gestação foi de 31%21 e no Rio de Janeiro, RJ, estudo com parturientes do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz) mostrou que 22,4% das gestantes fizeram uso de suplemento de ácido fólico22. Em relação aos fatores associados ao uso do ácido fólico na gestação, alguns estudos sugerem que mulheres mais jovens, com baixa escolaridade e menor nível socioeconômico, multíparas, que relataram número de consultas de pré-natal inferior a sete e que não planejam a gravidez são as que utilizam em menor proporção o suplemento de ácido fólico1,14-21. De acordo com a literatura, as avaliações sobre prevalência e fatores associados ao uso deste suplemento são ainda insuficientes, sobretudo com amostras nacionais representativas. Apesar de a recomendação de uso de ácido fólico ser mundial e para todas as mulheres, a cobertura encontra-se muito abaixo do esperado e, além disso, esta recomendação parece atingir em maior proporção as pertencentes a classes socioeconômicas mais favorecidas. Fonte: Suplementação com ácido fólico entre gestantes no extremo Sul do Brasil: prevalência e fatores associados- Scielo -2016 Qual a importância do ácido fólico para a gestação? O ácido fólico é importante em vários aspectos relevantes tanto para a saúde da futura mamãe, bem como para formação e desenvolvimento do bebê. De uma maneira geral, ele é responsável pelo correto desenvolvimento da coluna e do tubo neural da criança – processo de formação embriológica que ocorre principalmente nas primeiras quatro semanas de gestação. Tomar o ácido fólico antes e ao longo do início da gravidez pode garantir que alguns problemas sejam evitados, como por exemplo: · Espinha bífida; · Anencefalia; · Lábio leporino; · Doenças cardíacas. Além disso, é uma substância muito importante para prevenir a anemia nas gestantes e reduz o risco de pré-eclâmpsia na gravidez – problema geralmente relacionado ao surgimento de hipertensão. Devido a todos esses benefícios, os obstetras orientam que a mulher inicie a suplementação do ácido fólico antes mesmo de engravidar. Uma publicação recente no Journal of American Medical Association (JAMA) demonstrou que a suplementação do ácido fólico durante a gestação, além de promover todos os benefícios acima citados, reduziu significativamente - em cerca de 40% - as taxas de nascimento de bebês com autismo. É importante salientar que o ácido fólico é essencial para a síntese do DNA e processos de reparação do organismo. Habitualmente, o ácido fólico é prescrito pelos médicos na forma de comprimidos de ingestão diária, porém, ele também pode ser encontrado em alguns alimentos, tais como: · Verduras escuras – couve, brócolis, escarola, espinafre; · Alguns tipos de grãos – feijão (todos os tipos), ervilha, lentilha; · Gérmen de trigo; · Aspargos; · Frutas cítricas – limão, laranja, tangerina. Fonte: Clínica biomed- 2016- A importância do ácido fólico para a gestação 6) Caracterizar o planejamento familiar, listando as ações mais importantes do planejamento. Conjunto de ações que auxiliam as pessoas que pretendem ter filhos e também quem prefere adiar o crescimento da família. Assegurado pela Constituição Federal e também pela Lei n° 9.263, de 1996, o planejamento familiar é um conjunto de ações que auxiliam as pessoas que pretendem ter filhos e também quem prefere adiar o crescimento da família. “Além de prevenir a gravidez não planejada, as gestações de alto risco e a promoção de maior intervalo entre os partos, o planejamento familiar proporciona maior qualidade de vida ao casal, que tem somente o número de filhos que planejou”, ressalta Patrícia Albuquerque, enfermeira obstetra do setor de planejamento familiar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os programas de planejamento familiar foram responsáveis pela diminuição de um terço da fecundidade mundial, entre os anos de 1972 e 1994. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 120 milhões de mulheres no mundo desejam evitar a gravidez. Apesar disso, nem elas nem seus parceiros usam métodos contraceptivos. No Brasil, a Política Nacional de Planejamento Familiar foi criada em 2007. Ela inclui oferta de oito métodos contraceptivos gratuitos e também a venda de anticoncepcionais a preços reduzidos na rede Farmácia Popular. Toda mulher em idade fértil (de 10 a 49 anos de idade) tem acesso aos anticoncepcionais nas Unidades Básicas de Saúde, mas em muitos casos precisa comparecer a uma consulta prévia com profissionais de saúde. A escolha da metodologia mais adequada deverá ser feita pela paciente, após entender os prós e contras de cada um dos métodos. Em 2008, o Ministério da Saúde alcançou a marca histórica de distribuir esses dispositivos em todos os municípios do território nacional. No ano seguinte, a política foi ampliada e houve maior acesso a vasectomias e laqueaduras, métodos definitivos de contracepção, bem como a preservativose outros tipos de anticoncepcionais. Controlar a fertilidade é o primeiro passo para planejar o momento mais adequado para ter filhos. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), feita em 2006, financiada pelo Ministério da Saúde, revelou que 46% das gravidezes não são planejadas. A PNDS mostrou também que 80% das mulheres usam de algum método para evitar a gravidez. A pílula anticoncepcional e o Dispositivo Intrauterino (DIU) são os mais usados pelas brasileiras. Graças à política de distribuição de meios anticonceptivos, houve diminuição no número de gravidezes indesejadas. Esse fator pode ter contribuído com a queda nos índices de abortos inseguros e, consequentemente, na mortalidade materna, indica estudo do Ministério da Saúde. A ampliação do acesso aos métodos contraceptivos na rede pública e nas drogarias conveniadas do programa “Aqui Tem Farmácia Popular” trouxe outro resultado positivo: a incidência de gravidez na adolescência (de 10 a 19 anos de idade) diminuiu 20% entre 2003 e 2009. As ações educativas do Programa Saúde na Escola (PSE), criado em 2008, também apoiou a redução no número de adolescentes grávidas. Entre outras atividades, o programa distribuiu preservativos para cerca de dez mil instituições de ensino, beneficiando 8,4 milhões de alunos de 608 municípios. Infertilidade Estima-se que, no Brasil, mais de 278 mil casais em idade fértil tenham dificuldade para conceber um filho. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e sociedades científicas, entre 8% e 15% dos casais têm algum problema de infertilidade. Esta deficiência é definida como a incapacidade de um casal alcançar a concepção após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contracepção. A Política Nacional de Atenção Integral em Reprodução Humana Assistida prevê o apoio do Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da infertilidade. Esse serviço normalmente é oferecido em hospitais universitários e também em hospitais conveniados ao SUS. O Ministério da Saúde coordena as políticas de assistência à população e define suas diretrizes, mas são as secretarias estaduais e municipais os órgãos responsáveis por sua execução. Entre as instituições que oferecem o tratamento da infertilidade, estão: 1- Centro de Reprodução Assistida do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), antigo HMIB, em Brasília, vinculado à Secretaria de Saúde do Distrito Federal; 2- Centro de Referência em Saúde da Mulher, antigo Hospital Pérola Byington, em São Paulo, vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo; 3- Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIPE), em Recife, uma instituição filantrópica de caráter público; 4- Hospital Universitário de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP); 5- Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). FONTE: http://www.brasil.gov.br/saude/2011/09/planejamento-familiar (Portal Brasil) A atuação dos profissionais de saúde na assistência à anticoncepção envolve, necessariamente, três tipos de atividades: · Atividades educativas · Aconselhamento · Atividades clínicas Essas atividades devem ser desenvolvidas de forma integrada, tendo-se sempre em vista que toda visita ao serviço de saúde constitui-se numa oportunidade para a prática de ações educativas que não devem se restringir apenas às atividades referentes à anticoncepção, no enfoque da dupla proteção, mas sim abranger todos os aspectos da saúde integral da mulher. Deve-se, ainda, promover a interação dos membros da equipe de saúde, de forma a permitir a participação dos diversos elementos, nessas atividades, de acordo com o nível de responsabilidade requerido em cada situação. ATIVIDADES EDUCATIVAS As atividades educativas devem ser desenvolvidas com o objetivo de oferecer à clientela os conhecimentos necessários para a escolha e posterior utilização do método anticoncepcional mais adequado, assim como propiciar o questionamento e reflexão sobre os temas relacionados com a prática da anticoncepção, inclusive a sexualidade. As ações educativas devem ser preferencialmente realizadas em grupo, precedendo a primeira consulta, e devem ser sempre reforçadas pela ação educativa individual. Existem diferentes metodologias de trabalho de grupo. Cada serviço deve utilizar a que melhor se adapte às suas disponibilidades de pessoal, de tempo e de espaço, bem como às características e necessidades do grupo em questão. Seja qual for a metodologia utilizada, é de fundamental importância que as práticas educativas tenham um caráter participativo, permitindo a troca de informações e experiências baseadas na vivência de cada indivíduo do grupo. A linguagem utilizada pelo profissional de saúde deve ser sempre acessível, simples e precisa. ACONSELHAMENTO O aconselhamento é entendido como um "processo de escuta ativa individualizado e centrado no indivíduo. Pressupõe a capacidade de estabelecer uma relação de confiança entre os interlocutores visando o resgate dos recursos internos do indivíduo para que ele tenha possibilidade de reconhecer-se como sujeito de sua própria saúde e transformação" (CN DST/AIDS – MS, 1997). Esta prática pressupõe: (1) a identificação e acolhimento da demanda do indivíduo ou casal, entendida como suas necessidades, dúvidas, preocupações, medos e angústias entre outras, relacionadas às questões de planejamento familiar e prevenção das DST/AIDS; (2) avaliação de risco individual ou do casal, para a infecção pelo HIV e outras DSTs; e (3) o reconhecimento pelo profissional de que o sucesso a ser alcançado depende da ação conjunta dos interlocutores (profissional e indivíduo ou casal). Implica, portanto, na promoção de um diálogo no qual a mensagem é contextualizada às características e vivência da(s) pessoa(s) e na necessidade de participação ativa nesse processo. A idéia demarcada no aconselhamento é a troca. Dessa forma torna-se possível o desenvolvimento de uma relação de confiança, condição básica para a realização dos procedimentos presentes no processo de aconselhamento. ATIVIDADES CLÍNICAS As atividades clínicas devem ser realizadas levando-se em conta que todo e qualquer contato que a mulher venha a ter com os serviços de saúde deve ser utilizado em benefício da promoção, proteção e recuperação da sua saúde. De tal forma que a primeira consulta deve ser feita após as atividades educativas incluindo: a anamnese; exame físico geral e ginecológico, com especial atenção para a orientação do auto-exame de mamas e levantamento de data da última colpocitologia oncótica para avaliar a necessidade de realização da coleta ou encaminhamento para tal; análise da escolha e prescrição do método anticoncepcional. As consultas subseqüentes ou consultas de retorno visam um atendimento periódico e contínuo para reavaliar a adequação do método em uso, bem como prevenir, identificar e tratar possíveis intercorrências. ESCOLHA DO MÉTODO ANTICONCEPCIONAL A assistência em anticoncepção pressupõe a oferta de todas as alternativas de métodos anticoncepcionais aprovadas pelo Ministério da Saúde, bem como o conhecimento de suas indicações, contra-indicações e implicações de uso, garantindo à mulher, ao homem ou ao casal os elementos necessários para a opção livre e consciente do método que a eles melhor se adapte. Pressupõe, ainda, o devido acompanhamento clínico-ginecológico à usuária, independentemente do método escolhido. Na decisão sobre o método anticoncepcional a ser usado devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: · A escolha da mulher, do homem ou do casal · Características dos métodos · Fatores individuais e situacionais relacionados aos usuários do método · Características dos métodos: Eficácia. Efeitos secundários. Aceitabilidade. Disponibilidade. Facilidade de uso. Reversibilidade. Proteção à Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e infecção pelo HIV. Eficácia Todos os métodos anticoncepcionais apresentam uma taxa de falha que é calculada com o número de gestações não desejadas entre os usuários de um determinado método anticoncepcional nos primeiros12 meses de uso. Dessa forma, duas taxas podem ser encontradas para cada método: uma mostra a taxa de falha entre os usuários de uma forma geral de uso, isto é, sem considerar todas as dificuldades que possam ter sido encontradas durante o uso (uso habitual). Outra taxa é aquela que leva em conta apenas os usuários que fizeram o uso correto e consistente do método escolhido (uso correto). Ver tabela de falha de anticoncepcionais na página 18. Efeitos secundários A inocuidade, ou seja, a ausência de quaisquer efeitos secundários adversos, seria condição ideal, ainda não conseguida nos anticoncepcionais até os dias atuais. Por outro lado, é também verdade que determinados métodos ocasionam mais efeitos secundários adversos que outros, sendo direito da/o usuária/o ser corretamente informada/o a respeito dessas diferenças. Além disso, o profissional de saúde deve estar capacitado para prevenir e tratar tais efeitos, assim como avaliar os riscos que o uso de determinados métodos possam acarretar à saúde. Aceitabilidade A aceitação do método, o grau de confiança que nele se tem, a motivação para seu uso e uma correta orientação do profissional de saúde são importantes fatores para o sucesso do método escolhido. Por outro lado, a inadaptação psicológica e cultural a determinado método pode ser a maior causa de seu fracasso ou de mudança para outro método. Disponibilidade O acesso gratuito aos métodos anticoncepcionais é condição fundamental para que a escolha do método se realize livremente, sem restrições. Isso é particularmente importante considerando-se que grande parte da população não tem condição de pagar pelo método. Assim, nas situações em que a oferta de determinado método não seja possível, é da maior importância considerar o seu custo, avaliando a possibilidade da/o usuária/o arcar com ele. Obviamente, isso só é válido para os métodos não existentes nos serviços de saúde da rede pública, pois nenhum profissional ou serviço pode cobrar da/o usuária/o qualquer tipo de honorário ou taxa por métodos ou procedimentos visando a sua colocação ou realização. Facilidade de uso De nada adiantará a indicação de um método que tenha todas as qualidades anteriormente descritas se sua utilização for difícil, complexa ou não assimilada por grande parte da população. No entanto, é igualmente verdade que a maior parte das dificuldades relacionadas ao uso do método podem ser resolvidas com o adequado suporte do profissional de saúde. Reversibilidade O ideal é que os métodos anticoncepcionais sejam completa e imediatamente reversíveis, e que uma vez interrompido seu uso, haja recuperação total da fertilidade correspondente à faixa etária do/a usuário/a. Proteção a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Infecção pelo HIV A ocorrência de casos de infecção pelo HIV traz conseqüências para o exercício da sexualidade e da reprodução e produz uma série de desafios e desdobramentos para a área da saúde reprodutiva e sexual. Torna-se urgente estimular a prática da dupla proteção, ou seja, a prevenção simultânea das doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a infecção pelo HIV/AIDS, e da gravidez indesejada. Isso pode se traduzir no uso dos preservativos masculino e feminino ou na opção de utilizá-los em associação a outro método anticoncepcional da preferência do indivíduo ou casal. Nesse sentido, é de fundamental importância que os profissionais de saúde conversem com o indivíduo ou casal sobre DST e AIDS, propiciando assim percepção a respeito de situações de risco para essas infecções e uma reflexão sobre a necessidade de sua prevenção, favorecendo a adesão ao uso do preservativo. Considerando o fato de existirem os recursos disponíveis para tratamento ou controle de DST e AIDS, o diagnóstico para essas infecções deve ser oportunizado e garantido também nos serviços de planejamento familiar. FONTE: Assistência em Planejamento Familiar, Manual Técnico (Ministério da Saúde) A importância do planeamento familiar O planeamento familiar é uma das estratégias mais eficazes e garantidas para salvar as vidas das mulheres e crianças e também melhorar a sua saúde. Quando as mulheres e os casais têm acesso ao planeamento familiar – em particular, a uma grande variedade de métodos contracetivos modernos – têm maior probabilidade de evitar gravidezes não desejadas e de espaçar as gravidezes. Estas medidas diminuem significativamente o risco da mulher morrer no parto e o surgimento de problemas de saúde a longo prazo. Também aumentam as probabilidades de sobrevivência do bebé e de este ser saudável. Na última década, o apoio ao planeamento familiar diminuiu em proporção ao apoio total de ajuda pública ao desenvolvimento em matéria de saúde em todos os países recetores. Após grandes progressos, existe agora um risco significativo de recuo, salvo haja um aumento no investimento e compromisso para com o planeamento familiar. O planeamento familiar melhora, em geral, a saúde materna A utilização de contraceptivos modernos e o acesso aos serviços de planeamento familiar permitem que mulheres e casais previnam gravidezes não desejadas; o que é crucial, pois mais de 40% de todas as gravidezes no mundo são indesejadas. A prevenção de gravidezes não planeadas salva as vidas das mulheres, reduzindo o número de situações de aborto não seguro e partos em más condições – duas das principais causas da mortalidade materna. Além disso, por cada mulher que morre por complicações associadas à gravidez e parto, pelo menos, mais 20 sofrem de doenças a longo prazo. O acesso a contraceptivos modernos ajuda a prevenir estas doenças e sofrimento associado. As estatísticas sugerem que se as necessidades de contracepção fossem satisfeitas nos países em desenvolvimento, o número de gravidezes não desejadas diminuiria significativamente em cerca 70%. Além disso, haveria menos 22 milhões de gravidezes não planeadas e menos 25 milhões de abortos induzidos. O planeamento familiar melhora a saúde de raparigas e jovens As raparigas e jovens, entre os 10 e 19 anos de idade, têm maior probabilidade de sofrer complicações durante a gravidez e parto do que as mulheres mais velhas. Os seus filhos têm duas vezes mais probabilidades de morrer no primeiro ano de vida do que os filhos de mulheres com 20 anos ou mais. Por estes motivos, o planeamento familiar é essencial para raparigas e jovens. Isto é particularmente válido para raparigas que casam muito novas ou que são obrigadas a casar, visto que têm maior probabilidade de engravidar do que as adolescentes solteiras. Os riscos que raparigas e mulheres jovens apresentam podem ser diminuídos, assegurando que tanto raparigas como rapazes têm acesso a uma educação sexual abrangente e que adolescentes têm acesso a métodos contraceptivos modernos. O planeamento familiar melhora a saúde infantil O nível atual de utilização de contracepção moderna resulta em menos 1.1 milhões de mortes de recém-nascidos por ano. Ao responder às necessidades de contracepção moderna, podem evitar-se, pelo menos, mais meio milhão (590.000) de mortes de recém-nascidos a cada ano. Além disso, se as mulheres tiverem os meios adequados para espaçar as gravidezes por um período de três anos, a mortalidade infantil diminuirá cerca de 24% e a mortalidade em crianças com menos de cinco anos diminuirá cerca de 35%. O planeamento familiar ajuda a prevenir o HIV O planeamento familiar, com preservativos masculino e feminino, previne a propagação de infecções sexualmente transmissíveis (IST), incluindo o HIV. O planeamento familiar possibilita que mulheres com HIV possam planear um nascimento, espaçar e ou evitar uma gravidez. Isto diminui o risco de transmissão vertical do HIV. Os programas de planeamento familiar podem ser o ponto de partida / a oportunidade para a prestação de um leque maior de cuidados de saúde, incluindo serviços e prestação de cuidados em HIV/SIDA. Quando o planeamento familiar e os serviços de VIH estão integrados ou interligados, podem reduzir-se os custos gerais, bem como melhorar o acesso, a adesão e a qualidadedos serviços. FONTE: O planeamento familiar salva vidas e melhora a saúde (Countdowm 2015 Europe) Conforme a lei federal 9.263/96, o planejamento familiar é direito de todo o cidadão e se caracteriza pelo conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal. Em outras palavras, planejamento familiar é dar à família o direito de ter quantos filhos quiser, no momento que lhe for mais conveniente, com toda a assistência necessária para garantir isso integralmente. Para o exercício do direito ao planejamento familiar, devem ser oferecidos todos os métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitos e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas, garantindo a liberdade de opção. As áreas englobadas por ações preventivas e educativas, com garantia de acesso às informações, meios, métodos e técnicas disponíveis incluem o auxílio à concepção e contracepção, o atendimento pré-natal, a assistência ao parto, puerpério e ao neonato, o controle das doenças sexualmente transmissíveis e controle e prevenção do câncer de colo do útero, de mama e de pênis. A lei de planejamento familiar também estabelece as regras de esterilização cirúrgica. Somente podem submeter-se a ela homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce; Ela também pode ser realizada quando uma nova gravidez pode trazer risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto. Não pode ser realizada durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por sucessivas cesarianas anteriores. As únicas formas aprovadas para esterilização são a laqueadura tubária e a vasectomia, não sendo permitida sua realização pela retirada do útero ou dos ovários. É importante lembrar que a esterilização cirúrgica é um método irreversível, mas que também pode apresentar falhas. A pessoa que realiza esse procedimento deve estar ciente desses termos e manifestar sua vontade por escrito após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes. Fonte: Biblioteca Virtual em Saúde- O que é planejamento familiar? - 2009 7) Caracterizar a dinâmica psicossocial da gravidez, descrevendo o que muda com a chegada de um bebê na vida do casal/ família. A gravidez é uma experiência exclusivamente vivenciada por mulheres, é um evento fisiológico normal que traz várias modificações ao organismo feminino que começam na primeira semana de gestação e continuam durante todo o período gestacional, ocasionando diversas mudanças decorrentes de intensas transformações, como por exemplo, uma constante e intensa mudança no corpo, sensibilidade e desconfortos, expressos por muitos sinais e sintomas que variam de cada mulher. (Hoga & Reberte, 2007). Essas mudanças não somente físicas, mas também psíquicas e sociais, pois como indica a literatura, o período gravídico-puerperal é a fase de maior incidência de transtornos psíquicos na mulher, necessitando de atenção especial para manter ou recuperar o seu bem-estar e prevenir dificuldades futuras para o filho, sendo que a intensidade das alterações psicológicas variam conforme os fatores familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante. (Falcone, Mader, Nascimento, Santos & Nóbrega, 2005). Fonte: Scielo- Intervenção psicossocial em grupo de mulheres gestantes do Centro de Saúde da Mulher de Cacoal-RO A gravidez é, para a maioria das mulheres, um momento de grande alegria e realização pessoal. Um momento que, grande parte das pessoas, sempre esperou. Um momento que proporciona união entre o casal e entre o casal e a família mais próxima. Um momento de bem-estar e felicidade. Porém, esta felicidade faz-se acompanhar por algumas mudanças físicas e psicológicas que, se a futura mãe souber quais são, poderá sentir-se mais tranquila e menos ansiosa ao longo do processo de gravidez. De realçar que nem todas as mulheres desenvolvem estas mudanças e que, para uma grande parte das futuras mamãs, o processo de gravidez é conduzido com tranquilidade e serenidade, sem muitos sobressaltos nem alterações psíquicas. No entanto, neste artigo, iremos apenas focar-nos nas eventuais problemáticas que podem surgir, para assim dar nome às inquietações que, por vezes, surgem silenciadas no processo de gravidez. Logo nos primeiros três meses, podem surgir algumas problemáticas psicológicas que se prendem, na sua maioria, com a questão da ansiedade. Trata-se de um momento delicado, pautado pelo receio de se perder a criança, de se diagnosticarem doenças, de não ser o bebé “ideal”. Estes receios e inseguranças, se não forem contidos, podem dar lugar a problemas de ansiedade permanente, prejudicando o desenvolvimento saudável do bebé. Ao entrar no segundo trimestre, a futura mãe poderá enfrentar algumas mudanças significativas ao nível da auto-estima e auto-imagem. Naturalmente, começa-se a ganhar algum peso e a mudar-se, ligeiramente, o aspecto físico. Algumas mulheres podem sentir-se menos atraentes e menos bonitas, desenvolvendo perturbações do foro da auto-estima. É necessário que a rede de suporte social em redor da grávida compreenda estes sentimentos e a apoie, para que a futura mãe consiga superar estas questões. Poderá, ainda, desenvolver-se problemáticas ligadas ao stresse, principalmente pelo movimento da mulher tentar preencher o tempo ao máximo, para dar pouco espaço aos pensamentos sobre si; ou então, poderá desencadear-se crises depressivas, ligadas à incapacidade de lidar com um novo ciclo de mudança de vida. No terceiro e último trimestre, a futura mãe poderá começar a sentir medo e ansiedade novamente, mas com uma problemática ligeiramente diferente da que surge no início da gravidez. Nesta altura, a mãe já não receia tanto a perda do bebé, mas sim a sua chegada. Como será o trabalho de parto? Será parto natural ou cesariana? Será necessário recorrer aos fórceps? Como será o momento do nascimento? Como serão os minutos antes e após a criança nascer? Será que o bebé sobrevive ao parto? E eu, vou sobreviver ao parto? Como serei enquanto mãe? Serei capaz de ser uma boa mãe? Como será a personalidade da criança? Serei capaz de cuidar do meu filho? Todas estas preocupações revelam pensamentos de autopunição, numa ambivalência entre querer dar à luz, para ver a criança e tê-la nos braços e querer prolongar o parto, para se sentir verdadeiramente preparada. É bastante importante que estas questões de auto-imagem, auto-estima, fobias, medos e ansiedades sejam acompanhadas por um especialista do âmbito da psicologia. A excessiva ansiedade, aliada à incapacidade de lidar com a mesma, poderá desencadear uma crise, revelada em sintomas físicos como diarreia, aumento excessivo de peso, vulnerabilidade imunitária (desencadeando constipações, por exemplo), intensificação das câimbras, crises de hipertensão, entre outros. A consequência mais grave desta crise de ansiedade é o parto prematuro, que poderá funcionar como defesa contra a possibilidade da ansiedade levar a uma destruturação psicológica. Todos estes sintomas podem estar relacionados com a angústia de não saber o que fazer, como vai ser, o que vai acontecer. Por isso, o acompanhamento psicológico permite à futura mãe verbalizar a sua ansiedade, diminuindo a angústia e tranquilizando-se. Fonte: Espaço potencial de psicologia e psicoterapia- Gravidez: mudanças físicas e psicológicas na mulher A chegada de um bebê muda completamente a organização de uma família. Desde o momento em que a mulher descobre que está grávida, o planejamento familiar passapor mudanças. A vida social dos pais vai aos poucos diminuindo, os gastos são voltados para o enxoval do bebê e até mesmo a casa pode passar por reformas necessárias. Quem já tem filhos também enfrenta questões. É preciso preparar a criança para a chegada de um irmão ou de uma irmã. Muitas vezes ela não aceita deixar de ser o foco das atenções dos pais, o que pode ser um problema imenso para a harmonia do lar. Mudanças de vida após a chegada de um bebê Mesmo quem não é pai ou mãe de primeira viagem sabe que tudo se transforma quando se tem um recém-nascido em casa. Tudo vai girar em torno da palavra “planejamento”. Até mesmo uma ida a um supermercado precisa ser pensada com antecedência. Aliás, quem vai orientar a rotina da casa será o bebê. A hora de dormir, de comer, tudo. A vida íntima do casal também não será a mesma. A chegada do bebê reduz os momentos mais romântico e apaixonados dos pais nos primeiros meses. A parceria e a cumplicidade, contudo, crescem. Os dois precisam pegar juntos para lidarem com as necessidades do novo filho, com as tarefas da casa e mesmo com a vida pessoal de cada um. Essa é outra coisa que acaba se perdendo em meio à nova rotina. A vida social passa a ser relacionada ao bebê, às visitas dos amigos, dos familiares. Infelizmente há um distanciamento dos amigos solteiros ou dos casais sem filhos. É natural. Afinal, seu universo agora, tanto quanto casal quanto indivíduo, é o recém-nascido. Para as mães, há ainda as mudanças físicas e no organismo. Ao longo da gestação, o corpo passa por alterações hormonais, de aparência, que podem assustar. Mas fique tranquila que naturalmente seu corpo volta ao normal. O importante é não deixar de se cuidar. Amar a si mesma e estar bem consigo é uma forma, também, de cuidar do seu bebê! Para aqueles pais que já têm um filho, vale um alerta. Independente da idade da criança, converse com ela e faça-a sentir alegria por ganhar um irmãozinho ou irmãzinha. Você não vai querer ter o filho mais velho com inveja, raiva ou desprezo em relação ao irmão. É importante para todos em casa que a relação entre eles seja saudável e pacífica. Crianças com animais Há outra questão a ser tratada a partir da chegada de um bebê. Se você tem animal de estimação em casa, é preciso preparar o cão ou o gato para receber o recém-nascido. Uma boa tática é colocar paninhos com o cheiro do bebê em locais que os animais gostem de frequentar em casa: a caminha, os potes de ração ou móveis em que costumem estar perto. Antes da chegada do bebê, dê muita atenção ao cão ou ao gato. Faça-os participar desse momento desde o início. Estimule-os a tocar, acaricar ou mesmo adormecer próximo à barriga, para que sintam o bebê junto com você. Após a chegada do recém-nascido, aja com naturalidade. Não afaste o pet da situação, nem deixe-o de lado. Tanto cães quanto gatos podem se sentir traídos, com ciúmes. No caso dos cães, dê objetos que eles possam destruir, pois isso pode acalmá-los quando houver muita gente para visitar o bebê. Meu marido mudou depois do bebê Essa é uma situação muito chata e, infelizmente, muito comum. Uma pesquisa realizada por universidades dos Estados Unidos durante 8 anos mostrou, inclusive, algo alarmante: 90% dos 218 casados investigados se mostraram insatisfeitos com seus casamentos após a chegada do primeiro filho. Apesar de parecer que o casal começa a relação do zero, isso é só uma sensação. A chegada de um bebê não é motivo para que o casal assuma apenas o papel de pai e mãe. Mesmo que agora sejam pais, continuam a ser mulher e homem, esposo e esposa, e precisam agir como tal. Na maioria dos casos, a mulher se sente exausta todos os dias durante os primeiros meses. Afinal, mesmo que as tarefas sejam bem divididas, quem amamenta é a mãe. E muitas vezes a carência afetiva, emocional da mulher é preenchida pelo contato com o filho. Muitos homens não compreendem isso e se sentem deixados de lado. É comum durante esse período dos primeiros meses de maternidade e paternidade que tanto homem quanto mulher sintam que o parceiro mudou. Tanto um lado quanto o outro reclama que o parceiro não quer mais sexo, por exemplo. As mulheres costumam pensar que o homem já não sente o mesmo amor ou o mesmo desejo. Muitas vezes esses conflitos não passam de um mal entendido. A melhor forma de lidar com o problema é dialogar. E sempre com respeito. Sejam parceiros e conversem sobre o que cada um está sentindo. Sem julgamentos, sem culpa, sem medos. A melhor forma de proteger o casamento nessa fase é continuar agindo como casal. Fonte: Gravidez online- 2018 Ao se estudar a adaptação familiar ao nascimento do segundo filho é preciso considerar também a influência de fatores que extrapolam o sistema familiar nuclear, como a rede de apoio, que pode funcionar como recurso importante, uma vez que ajuda a família em sua adaptação e na manutenção de seu equilíbrio (Dessen, 1997; Feiring & Lewis, 1978; Kreppner, Paulsen & Schuetze, 1982). A pesquisa de Dessen e Braz (2000), por exemplo, investigou a rede de apoio no momento do nascimento dos filhos em famílias brasileiras que possuíam entre um e quatro filhos e revelou que a grande maioria das mães relatou mudanças antes e após o evento, sendo estas consideradas, especialmente, como positivas. Dentre estas alterações, referiram: apoio psicológico; cuidados físicos; orientações sobre alimentação, gravidez e filhos; ajuda financeira; ajuda nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos. As principais fontes de apoio mencionadas foram os familiares, seguidos pelos não-familiares (amigos, vizinhos, babá/empregada), profissionais da saúde (médicos) e instituições (centros de saúde). Destacou-se o papel da avó materna, o qual foi apontado pelas mães como o mais significativos após o companheiro. Na literatura, parece haver um consenso de que a relação conjugal constitui a principal fonte de apoio à mulher no período do nascimento de um filho (Belsky, 1981). Na pesquisa realizada por Dessen e Braz (2000), todas as mães destacaram o companheiro como a figura mais importante na provisão de apoio durante a gestação e nos primeiros meses de vida do bebê. Relataram, também, dentre as mudanças positivas percebidas neste período, uma melhoria na relação conjugal. Contudo, ao se examinar o apoio fornecido pelo companheiro da gestante no contexto do nascimento do segundo filho é importante que se explicitem os diferentes papéis assumidos pelo homem junto ao grupo familiar, o que inclui, além do papel conjugal, o papel parental (relação pai-filho). Considerando estes dois papéis, Levitt, Weber e Clark (1986), em um estudo realizado com mães norte-americanas grávidas do primeiro ou do segundo filho, demonstraram que, de modo geral, o bem-estar materno no período pós-parto estava vinculado tanto à qualidade da relação conjugal, quanto ao montante de apoio recebido do companheiro no que se referia às tarefas domésticas e ao cuidado dos filhos. Com isso, a complementaridade de papéis parentais parece se fazer fundamental na busca de uma nova adaptação familiar neste momento. Mesmo que o apoio do companheiro seja apontado como essencial no momento do nascimento dos filhos, observa-se que as mudanças associadas a este evento podem não ser facilmente conduzidas pelo casal. A sobrecarga de trabalho devida aos cuidados do bebê, a atenção demandada pelos filhos, bem como a divisão de tarefas domésticas, precisam ser redefinidas, especialmente se ambos os pais trabalham fora (Carter & McGoldrick, 1989/2001; Dessen, 1997; Dessen & Braz, 2000). Para Carter e McGoldrick (1989/2001), esta necessidade de negociação de tarefas e trabalhos aparece como o principal gerador de conflito entre os casais com crianças pequenas. Além disso, o pouco tempo a sós, as constantes demandas dos filhos e o excesso de preocupação dos pais, podem ameaçar os momentos de intimidade do casal. Com o nascimento do segundo filho, essa situação pode se agravar, reforçando os papéis parentais e levando a um maior distanciamento do casal (Bourguignon & cols., 1980). Fonte: Scielo-O nascimento do segundo filho e as relações familiares- 2007