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1 Toxicologia Ocupacional Maria Elisa Pereira Bastos de Siqueira – UNIFAL-MG Danielle Palma de Oliveira – USP/RP Eduardo Costa de Figueiredo – Unifal-MG Introdução Saúde Ocupacional Higiene Medicina do Toxicologia Industrial Trabalho Ocupacional Segurança do Trabalho Introdução RiscosRiscos ocupacionaisocupacionais:: MaterialMaterial particuladoparticulado LíquidosLíquidos GasesGases VaporesVapores.. PrincipaisPrincipais ViasVias PelePele RespiratóriaRespiratória OralOral ••Sistêmicos Sistêmicos Monitoramento da exposição ocupacional Exposição ao Xenobiótico Dose interna Efeitos Monitoramento ambiental Monitorização biológica Monitorização biológica e de efeito Monitorização: atividade sistemática de medidas e interpretações realizada com o objetivo de prevenir o aparecimento de efeitos adversos decorrentes da exposição. Monitoramento da exposição ocupacional: parte indispensável dos programas destinados à prevenção de riscos à saúde do trablhador. Monitoramento biológico: o efeito demora para desaparecer. Monitoramento ambiental: a exposição de originou os efeitos pode não existir. Monitoramento da exposição ocupacional Por isso deve ser realizado sistematicamente. Amostragem. Deve ser em tempo real. Muitos dados. Monitoramento ambiental Amostragem no tempo e no espaço. Não dá para afirmar que todos os trabalhadores estão na mesma condição de exposição. Precisa-se do monitoramento biológico e da vigilância a saúde em todos os trabalhadores Monitoramento da exposição ocupacional FASES DA AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO À SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS a) Medição instrumental ou laboratorial da concentração do agente. b) Comparação do resultado com o limite da exposição 2 Exposição ocupacional Situação decorrente de atividade profissional em o trabalhador tem contato com a SQ com probabilidade de desencadear efeito tóxico local ou sistêmico. Monitoramento da exposição ocupacional Toxicidade + exposição Risco Forma de manuseio de substâncias + condições de trabalho e ambiental Exposição ocupacional Fatores levados em consideração na monitorização ambiental: a) Atividades, tarefas ou funções exercidas pelos trabalhadores. b) Área ou local de trabalho. c) Número de trabalhadores presentes e possivelmente expostos. d) Movimentação dos trabalhadores pelo local de trabalho. e) Movimentação dos materiais (fonte de gases, vapores e poeiras). f) Condições de ventilação ou movimentação do ar, temperatura e pressão atmosférica. g) Ritmo de produção. h) Outros agentes químicos ou físicos que possam interferir nas avaliações ou na exposição. Monitorização Ambiental Para a amostragem deve-se defirnir: a) Equipamentos a serem usados na coleta e análise. b) Pessoas para a coleta e acompanhamentos. c) Critérios estatísticos para dividir em grupos homogêneos em relação ao risco. d) Número de amostras a serem coletadas. Monitorização Ambiental Limites de exposição ocupacional (LEO) Legislação brasileira Portaria 3.214 do Ministério do trabalho e Previdência ( dezembro de 1978), em sua norma regulamentadora 15 (NR-15), anexo 11. Tabela com substâncias cuja insalubridade é caracterizada por Limites de tolerância (LT) – 78% dos internacionais. Adicional de salário (10, 20 ou 40%). Visa proteger a saúde do trabalhador. Monitorização Ambiental Usou limites da American Conference of Governmental Industrial Hygienits (ACGIH) Limite de tolerância – LT: é a concentração média máxima a qual todos os trabalhadores podem ficar continuamente expostos, dia após dia, 8 h/dia, 48 h/semana, sem apresentar efeitos nocivos. 16 248 h x h f −= Fator de redução de Brief e Scala (1975) Limites de exposição ocupacional (LEO) Legislação internacional TLV’s – Threshold limit values. São editados anualmente pela ACGIH. Monitorização Ambiental Tradução anual pela Associação brasileira de Higienistas Ocupacionais Concentrações de SQ no ar sob às quais se supõe que todos os trabalhadores podem estar expostos, dia após dia, sem efeitos adversos à saúde. Limites de exposição ocupacional (LEO) TLV’s: a) Calculados para substâncias dispersas no ar e não sólidos ou líquidos. b) Trata-se de quase todos os trabalhadores (mais ou menos sensíveis). c) Refere-se a trabalhadores – indivíduos adultos e saudáveis. d) Não diferenciam o gênero. e) Para grávida, é aplicado à mulher e não à criança. Monitorização Ambiental 3 Limites de exposição ocupacional (LEO) Quanto ao tipo do efeito, os TLV’s podem ser: a) TLV-TWA (Time Weighted Average - média ponderada pelo tempo) Aplicado a substâncias que produzem efeito a médio e longo prazo. Pode ter um pequeno período acima, mas na média deve estar abaixo. Monitorização Ambiental 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 6,5 8,5 10,5 12,5 14,5 16,5 Hora do dia TL V -T W A / m g/ m3 d dd d TLV-TWA = 0,05 mg/m3 Média = 0,04 mg/m3 Limites de exposição ocupacional (LEO) Quanto ao tipo do efeito, os TLV’s podem ser: b) TLV-STEL (Short Term Exposure Limit – limite de exposição a curto período) Concentrações que os trabalhadores podem estar expostos em curtos períodos de tempo sem sofrer irritação, lesão tecidual crônica ou irreversível. Não substitui o TLV-TWA. Pode ser atingido por 15 min, 4 vezes ao dia, com intervalos de 60 min. Algumas substâncias tem TLV-STEL específico. Para as outras usar uma variação de 3 em relação ao TLV-TWA. Ex: TLV-TWAPb = 0,05 mg/m3 , então TLV-STEL = 3 x 0,05 = 0,15 mg/m3 Monitorização Ambiental Limites de exposição ocupacional (LEO) Quanto ao tipo do efeito, os TLV’s podem ser: c) TLV-C (Ceiling – teto) Substâncias com elevada toxicidade a curto prazo possuem limite teto., ou concentração que não pode ser ultrapassada e momento algum. Ex: TLV-Cacetaldeído = 25 ppm. Monitorização Ambiental Insalubridade Salubridade Risco Grave TLV-TWA TLV – C TLV – STEL Concentração Tempo (horas) 1 2 4 6 8 Nível de ação (NA) Concentração ambiental a partir do qual o indivíduo é considerado exposto ao AT. Nível de ação = 50% do LEO Se atingiu o nível de ação, então iniciar: a) Monitoramento do ambiente de trabalho b) Monitoramento biológico c) Vigilância da saúde. NA pode ser tb calculado usando o dp das concentrações. ↑↑↑↑ dp →→→→ ↓↓↓↓ NA Monitorização Ambiental TLV NA Não exposição Exposição Índice de exposição (IE) Razão entre o valor determinado no ambiente e o LEO Ex:Foi encontrado em um ambiente de trabalho 180 ppm de éter etílico e 5 ppm de éter fenílico. O LEO do éter etílico = 400 ppm e do éter fenílico é 1 ppm. Assim, IEetílico = 180/400 = 0,45 (abaixo do limite) IEfenílico = 5/1 = 5 (5 x o limite) Monitorização Ambiental Efeito aditivo Ex: Irritantes – ácidos + aldeídos depressores do SNC – HPA, álcoois, éteres, solventes orgânicos. Não é levado em consideração pela legislação brasileira. O ideal é usar um IE global: IE = C1/L1 + C2/L2 + C3/L3 + ..... IE > 0,5 → exposição acima do nível de ação IE > 1 → exposição excessiva. Monitorização Ambiental 4 Monitorização Biológica Exposição ambiental Dose interna Efeitos biológicos Monitorização ambiental Monitorização biológica Biomonitorização IBMP LT Monitorização Biológica Monitorização Biológica: “medida e avaliação de substâncias químicas ou de seus produtos de biotransformação ou de algum parâmetro bioquímico para estimar a exposição e o risco à saúde por comparação com referências apropriadas” Indicador Biológico/biomarcador: toda substância ou seu produto de biotransformação, assim como qualquer alteração bioquímica precoce, cuja determinação nos fluidos biológicos, tecidos ou ar exalado, avalie a intensidade da exposição e/ ou da intoxicação. Monitorização Biológica Substância inalterada ex: pentaclorofenol na urina; Pb no sangue; benzeno no ar exalado; Cd nos rins (RNM). Produto de biotransformação ex: Ácido trans, trans mucônico na urina (benzeno); ácido hipúrico na urina (tolueno). MonitorizaçãoBiológica Indicador Biológico de efeito: são alterações precoces que podem ser avaliadas e relacionadas com a dose interna. Ex: carboxemoglobina, metemoglobina. Pode ser definido como uma alteração bioquímica, fisiológica ou outra no organismo que, dependendo da magnitude, pode ser relacionada a uma potencial alteração da saúde ou presença de doença. Deve sempre refletir modificações precoces e reversíveis que podem predizer a resposta nociva tardia (doença). Monitorização Biológica Indicador biológico de susceptibilidade: “alteração bioquímica fisiológica ou outra no organismo que pode identificar indivíduos mais susceptíveis aos efeitos nocivos de substâncias químicas”. Quase todos relacionados ao polimorfismo genético. Exemplos: - Diferenças de correlação entre benzeno no ar e ácido t,t mucônico urinário (polimorfismo da epóxido hidrolase) Monitorização Biológica Avalia a exposição global do trabalhador; Considera todas as vias de introdução dos agentes químicos; O indivíduo é o monitor da sua exposição; Avalia melhor o risco da exposição; Avalia se há risco aumentado no trabalho devido à exposição em trabalho anterior Mais adequada em casos de exposição a agentes químicos de meia vida biológica longa. VANTAGENS DA BIOMONITORIZAÇÃO SOBRE A MONITORIZAÇÃO AMBIENTAL 5 Monitorização Biológica Inexistência de bioindicador adequado (substâncias de efeito principal local ou por desconhecimento da toxicodinâmica/cinética); Impossibilidade de acesso ao material biológico sem risco par ao trabalhador; Falta de estudos de toxicocinética que permitam estabelecer critérios de amostragem; Inexistência de métodos analíticos com condições adequadas para análise rotineiras; Inespecificidade do bioindicador que comprometa sua aplicação ou ausência de ralação linear entre a intensidade da exposição e/ou efeito e a magnitude do bioindicador. LIMITAÇÕES DA BIOMONITORIZAÇÃO Monitorização Biológica INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA BIOMONITORIZAÇÃO Com base em dois valores (para grande parte dos bioindicadores) 1. Valor de referência (VR) 2. Valor limite biológico - ACGIH = Biological Exposure Index (BEI) - NR-7 (Brasil) = Índice Biológico Máximo Permitido (IBMP) Monitorização Biológica Valores de referência – ALA D 0 10 20 30 40 50 ALA-D (U/L) fr e q u e n cy 31.0 36.3 41.6 46.9 52.2 57.5 62.8 68.1 73.4 78.7 Monitorização Biológica São baseados em um modelo específico de distribuição derivado de resultados analíticos (valores de referência), obtidos de amostras (amostras de referência) de uma população não- exposta ocupacionamente ao xenobiótico (população de referência). VALOR DE REFERÊNCIA Características da população de referência: excetuando a exposição ocupacional, deve ser o mais similar possível da população exposta a ser constituída de pessoas consideradas sadias. LIMITE SUPERIOR DE REFERÊNCIA :Usado na interpretação individual dos resultados de biomonitorização dos trabalhadores expostos. Normalmente se usa o valor de referência médio + 2 desvios padrão ou o percentil 95%, quando a distribuição dos resultados é não é gaussiana. Monitorização Biológica ÍNDICE BIOLÓGICO MÁXIMO PERMITIDO IBMP (portaria 24 do MT de 24/12/1994) É o valor máximo do bioindicador para o qual se supõe que a maioria das pessoas ocupacionalmente expostas não corre o risco de dano à saúde. (A ultrapassagem deste valor significa exposição excessiva) Monitorização Biológica IBMP - BRASILExemplos: SQ bioindicador VR IBMP mét. de análise amos- tragem interpreta- ção CO Carboxiemo- globina ≤ 1% - NF 3,5% NF E FJ 0 – 1 SC+ Pb Pb no sangue ≤ 40 µg/dL 60 µg/dL EAA NC T-1 SC+ As As na urina ≤ 10 µg/g cre- atinina 50 µg/g creatinina E ou EAA FS + T-6 EE FJ – final da jornada NC – não crítico FS – Final do ultimo dia da jornada das semana SC – significado clínico EE – não possui significado clínico 6 Monitorização Biológica Correlação exposição/ absorção/ efeito nocivo I II III IV V adequada aceitável excessiva perigosa letal lesões lesões bioquímicas bioquímicas LT Intensidade da exposição sintomas clínicos irrevers. sintomas clínicos reversíveis ausência de sintomas clínicos morte IBMP Monitorização Biológica Vigilância à saúde Atividade sanitária desenvolvida pelo médico do trabalho com o objetivo de evidenciar, o mais precoce possível, as alterações do estado de saúde que podem ser consequência da exposição a uma SQ. O MB é um instrumento do médico do trabalho para desempenhar corretamente um programa de vigilância da saúde.