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MANIFESTO MADI 
 
A ARTE MADI pode ser reconhecida como a organização de elementos próprios de cada arte em continuo. Nela 
está contida a presença, a ordenação dinâmica móvel, o desenvolvimento do próprio tema, a ludicidade e a 
pluralidade como valores absolutos, ficando, portanto, abolida toda a ingerência dos fenômenos de expressão, 
representação e significação. 
O desenho Madi é uma disposição de pontos e linhas sobre uma superfície. 
A pintura Madi bidimensional e com cor. Marco recortado e irregular, superfície plana e superfície curva ou 
côncava. Planos articulados, com movimento linear, rotativo e de translação. 
A escultura Madi, tridimensionalidade, sem cor. Forma total e sólidos com contornos, com movimentos de 
articulação, rotação, translação, etc. 
A arquitetura Madi ambiental e de formas móveis, deslocáveis. 
A música Madi, inscrição de sons na seção áurea. 
A poesia Madi, proposição inventada, conceitos e imagens não traduzíveis por outro meio que não a linguagem. 
Ocorrência conceitual puro. 
Teatro Madi, cenografia móvel, diálogo inventado. 
O romance e o conto Madi, personagens e ação sem lugar determinado ou em lugar e tempo totalmente inventados. 
A dança Madi, corpo e movimentos circunscritos a um ambiente restrito, sem música. 
Nos países industrialmente desenvolvidos, o velho o realismo burguês desapareceu quase que por completo e o 
naturalismo vem sendo defendido sem muita convicção e bate em retirada e se defende muito debilmente. 
É nesse ponto que a abstração, essencialmente expressiva, romântica, ocupa seu lugar. As escolas de arte figurativa, 
desde o cubismo até o surrealismo, obedecem a essa ordem. Tais escolas responderam a necessidades ideológicas 
da época e suas realizações contribuíram de maneira inestimável para resolver os problemas colocados pela cultura 
de nossos dias. Não obstante, O seu momento histórico já deve ser considerado como concluído. Por outro lado, 
sua insistência em temas "exteriores" a suas qualidades próprias é um retorno ao naturalismo contra o verdadeiro, 
espírito construtivista que se espalhou por todos os países e culturas, como é o caso do expressionismo, surrealismo, 
construtivismo, etc... 
COM A ARTE CONCRETA - que, na realidade, é um ramo mais jovem do espírito abstracionista- tem inicio o 
grande período de Arte Não-Figurativa, onde o artista, servindo-se do elemento e se u respectivo continuo, cria a 
obra em toda a pureza, sem hibridações e objetos estranhos a sua essência. Mas à arte CONCRETA faltam 
universalidade e organização. Ela desenvolveu profundas contradições. Conservou-se os grandes vícios e tabus [ 
sic ] da arte antiga, na pintura, na escultura, na poesia, etc., respectivamente a superposição, moldura retangular, o 
atematismo plástico; o estático, a interferência entre o volume e o campo, proposições e imagens gnosiológicas e 
graficamente traduzíveis. A conseqüência disso foi a que arte concreta, não conseguiu opor-se seriamente, por 
intermédio de uma teoria orgânica e prática disciplinar, aos movimentos intuitivos, que, como o surrealismo, 
conquistaram para si todo o universo. Daí, a pesar de todas as condições em contrário, dos impulsos instintivos 
contra a reflexão; da intuição contra a consciência; da revelação do subconsciente sobre a análise fria, o estudo 
completo e rigoroso do artista em face das leis do objeto a ser construído; do simbólico, do hermético, do mágico, 
sobre a realidade; da metafísica sobre a experiência. 
Evidente na teoria e no conhecimento da arte é a descrição subjetiva, idealista reacionária. 
Resumiendo: a arte antes de Madí: 
Un historicismo escolástico, idealista. 
Una concepción irracional. 
Una técnica académica. 
Una composición unilateral, estática, falsa. 
Uma obra carente de verdadeira essencialidade. 
Uma consciência paralisada por suas contradições insolúveis; impermeável à renovação permanente da técnica e 
do estilo. 
Madi revolta-se contra tudo isso. Confirma o desejo constante e absorvente do homem no sentido de inventar e 
construir objetos dentro dos valores absolutos e eternos do homem, em sua luta para construir uma nova sociedade 
sem classes que libere a energia e controle o espaço e o tempo em todos os sentidos e domine a matéria até o limite 
extremo. Sem descrições fundamentais relativas à totalidade da organização, não é possível construir o objeto nem 
o fazer penetrar na ordem constante da criação. Desse modo o conceito de invenção é definido no campo da técnica 
e o da criação como uma essência totalmente definida. 
Para o madismo, a invenção é um "método" interno, superável, e a criação é uma totalidade imutável. Madí, por lo 
tanto, INVENTA Y CREA. 
Gyula Kosice 
 
 
 
MANIFESTO INVENCIONISTA 
A era artística da ficção representativa aproxima-se do fim. O homem está se tornando cada vez mais insensível às 
imagens ilusórias. Isto é, está se tornando cada vez mais integrado no mundo. As velhas fantasmagorias já não 
satisfazem as necessidades estéticas do homem novo, formado numa realidade que exige dele sua presença total e 
irrestrita... 
Desse modo a pré-história do espírito humano está encerrada. 
A estética científica substituirá a milenar estética especulativa e idealista. As considerações em torno da natureza 
do Belo já não têm razão de ser. A metafísica de Belo morreu por exaustão. O que se impõe agora é a física da 
beleza. 
No nada esotérico na arte; os que se pretendem "iniciados" não passam de falsários. 
El arte representativo mostra "realidades" estáticas, abstratamente freadas. E toda a arte representativa tem de fato 
sido abstrata. Somente por um mal-entendido idealista se começou a chamar de abstratas as experiências estéticas 
não representativas. Na verdade, por meio dessas experiências, de maneira consciente ou não, tomamos uma direção 
contrária à abstração: seus resultados, que foram uma exaltação dos valores concretos da pintura, provam-no de 
modo inconteste. A luta travada pela arte denominada abstrata é, no fundo, a luta pela invenção concreta. 
A arte representativa tende a amortecer a energia cognoscitiva do homem, distraí-lo de seu próprio poder. 
A matéria prima da arte representativa sempre foi a ilusão. 
Ilusão de espaço. 
Ilusão de expressão. 
Ilusão de realidade. 
Ilusão de movimento. 
Formidável miragem do qual o homem sempre retornou desapontado e enfraquecido. 
El arte concreto, em contrapartida, exalta o Ser, porque o pratica. 
Arte de ação, ela gera a vontade de agir 
Um poema ou uma pintura não servem para justificar a inação, mas, ao contrario, contribui para ajudar o homem a 
agir no mundo. Nós, os artistas concretos não evitamos o conflito. Estamos em todas os conflitos. E na linha de 
frente. 
Não mais uma arte como suporte da diferença. Por uma arte que sirva, desde sua própria esfera, a nova comunhão 
do mundo. 
Praticamos a técnica da alegria. Apenas as técnicas ultrapassadas se nutrem da tristeza, do ressentimento e do 
segredo. 
Pelo júbilo inventivo. Contra a nefasta mariposa existencialista ou romântica. Contra os poetas de segunda classe e 
suas pequenas feridas ou insignificantes dramas íntimos. Contra toda a arte de elite. Por una arte coletiva. 
"Matem a óptica", dizem os surrealistas, os últimos moicanos da representação. 
EXALTAR A ÓPTICA, dizemos nós. 
O fundamental: cercar o homem de coisas reais e não de fantasmas. 
A arte concreta habitua o homem na relação direta com as coisas e não com as ficções das coisas. 
A uma estética precisa, uma técnica precisa. A função estética contra o "bom gosto". A Função branca 
NEM BUSCAR NEM ENCONTRAR: INVENTAR. 
Edgar Bayley, Antonio Caraduje, Simón Contreras, Manuel O. Espinosa, Alfredo Hlito, Enio lommi, Obdulio 
Landi, Raúl Lozza, RVD Lozza, Tomás Maldonado, Alberto Molenberg, Primaldo Mónaco, Oscar Núñez, Lidy 
Prati, Jorge Souza, Matilde Werbin. 
Manifiesto publicado como marco de nossa primeira exposição, realizada no SalãoPeuser, em março de 1946.

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