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MATERIAL DIDÁTICO
FUNDAMENTOS E ADMINISTRAÇÃO
DE MARKETING
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010
0800 283 8380
www.ucamprominas.com.br
Impressão
e
Editoração
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3
UNIDADE 1 - TAREFAS DE MARKETING ................................................................ 8
UNIDADE 2 - UMA VISÃO ABRANGENTE DAS TAREFAS DE MARKETING ...... 14
UNIDADE 3 - CONCEITOS E FERRAMENTAS DE MARKTETING ........................ 19
UNIDADE 4 - LUCRATIVIDADE ............................................................................... 46
UNIDADE 5 - COMO AS EMPRESAS E O MARKETING ESTÃO MUDANDO ....... 53
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 59
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INTRODUÇÃO
Evolução do conceito e fundamentos do marketing
Mais importante que entender sua definição é compreender que marketing
deve ser encarado como uma filosofia, uma norma de conduta para a empresa, em
que as necessidades latentes dos consumidores devem definir as características dos
produtos ou serviços a serem elaborados e as respectivas quantidades a serem
oferecidas. Marketing é uma palavra em inglês derivada de market, que significa
mercado. É utilizada para expressar a ação voltada para o mercado. Assim,
entende-se que a empresa que pratica o marketing tem o mercado como a razão e
o foco de suas ações (DIAS, 2003).
Em 1960, a AMA (American Marketing Association) definia marketing como o
desempenho das atividades de negócio que dirigiam o fluxo de bens e serviços do
produtor ao consumidor ou utilizador.
O mundo dos negócios, cada vez mais desenvolvido, gerou a necessidade de
melhor conceituar o marketing, explicando sua natureza. Observa-se, então, uma
evolução constante nas definições que o caracterizam cada vez mais e de maneira
mais ampla.
Mas afinal: O que é marketing?
Em 1965, a Ohio State University definiu marketing como: "o processo na
sociedade pelo qual a estrutura da demanda para bens econômicos e serviços é
antecipada ou abrangida e satisfeita através da concepção, promoção, troca e
distribuição física de bens e serviços".
Interessante· registrar visão mais simplista do que seria marketing, que
durante muito tempo permaneceu na cabeça dos menos entendidos. Para esses
leigos de antigamente (e desavisados de hoje - inclusive universitários) marketing é
vender. Uma outra concepção distorcida é que fazer um filme publicitário para a
televisão é fazer marketing.
Philip Kotler e Sidney Levy, em 1969, sugeriram que o conceito de marketing
deveria abranger também instituições não lucrativas. Para Willian Lazer, também em
1969, o marketing deveria reconhecer as dimensões societárias, isto é, levar em
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conta as mudanças, verificadas nas relações sociais. David Luck insistiu, nesse
mesmo ano, em seu artigo "Broadening the concept of marketing too far", no Journal
of Marketing, de julho, que o marketing deveria limitar-se às atividades que resultam
em transações de mercado.
Kotler e Levy respondem acusando Luck de uma nova forma de miopia e
sugerem que a cruz do marketing liga-se a uma ideia de troca antes da tese da
transação de mercado.
O desenrolar dos fatos, através dos tempos, tratou de provar que Kotler e
Levy tinham razão naquilo que defendiam.
Através de outros comentaristas mercadológicos começa a esboçar-se a tese
dupla de que:
a) Os limites do marketing passam a incluir as empresas não lucrativas;
b) As dimensões sociais do marketing começam a configurar-se.
O movimento para expandir o conceito de marketing tornou-se,
provavelmente, irreversível quando o Journal of Marketing passou a dedicar atenção
especial às regras das mudanças sociais e ambientais. Ao mesmo tempo, Kotler e
Gerald Zaltmen (apud COBRA, 1997) estabelecem a expressão marketing social,
definindo-a como "a criação, implementação e controle de programas calculados
para influenciar a aceitabilidade das ideias sociais e envolvendo considerações de
planejamento de produto, preço, comunicação, distribuição e pesquisa de
marketing".
Kotler reavalia sua posição inicial concernente aos limites do conceito de
marketing e articula um conceito "genérico" de marketing. Propõe que a essência do
marketing é transação, definida como troca de valores entre duas partes através do
seguinte conceito: “Marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos
e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de
produtos de valor com outros".
Robert Bartels (1974) conclui: "Se o marketing é para ser olhado como
abrangente as atividades econômicas e não econômicas, talvez o marketing, como
foi originalmente concebido reaparecerá em breve com outros nomes".
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Agora, serão relacionadas algumas definições baseadas no ponto de vista de alguns
estudiosos do assunto:
"É a função empresarial que cria continuamente valor para o cliente e .gera
vantagem competitiva duradoura para a empresa, por meio da gestão estratégica
das variáveis controláveis de marketing: produto, preço, comunicação e distribuição"
(DIAS, 2003).
"É estar atento para as tendências do mercado e produzir rapidamente o
que o cliente quer" (MARINS, 2005).
"É o processo pelo qual a economia é integrada a sociedade para servir
as necessidades humanas" (DRUKER, 1992).
"É a atividade humana dirigida à satisfação de necessidades e desejos
por meio de processos de troca" (KOTLER, 1998).
Em ordem de importância pode-se definir Marketing como:
um estado de espírito ou uma filosofia que orienta o pensamento geral da
organização, tanto no processo de tomada de decisão quanto na execução dos
planos acordados;
uma maneira de organizar as várias funções ou atividades da empresa (ou de
qualquer outra organização); e
um conjunto de ferramentas. Técnicas e atividades, a que os clientes e o
público da organização em geral estão expostos.
Em um conto de duas cidades, escrito há cem anos, Charles Dickens fez o
seguinte comentário acerca da Revolução Francesa: "Foi o melhor dos tempos; foi o
pior dos Tempos". Hoje, temos de levantar as mãos para o céu por muitas coisas: os
grandes avanços da medicina moderna, a produtividade excepcionalmente alta
graças à automação e à mecanização, a promessa dos computadores e da Internet!
o acelerado crescimento do comércio global e o fim da Guerra Fria. Nos dias de
hoje, a espécie humana é capaz de eliminar a fome no planeta e de acabar com
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muitas epidemias. Mas, paralelamente a esses benefícios, persistem problemas
aparentemente insolúveis: miséria! conflitos religiosos, degradação do meio
ambiente, ditaduras políticas, corrupção, terrorismo e armas de destruição em
massa.
Líderes que precisam traçar o futuro de suas empresas enfrentam o desafio
de encontrar um caminho que seja lógico. As mudanças ocorrem em um ritmo cada
vez mais acelerado: hoje não é como ontem e não será como amanhã. Manter a
estratégia atual é arriscado, assim como adotar uma nova estratégia.
Há algumas certezas que devem ser observadas. Em primeiro lugar, forças
globais continuarão a afetar a vida profissional e pessoal de todos. A atividade fabril
se deslocará para locais economicamente mais favoráveis, a não ser que medidas
protecionistas impeçam tais deslocamentos, elevando os custos gerais. Em segundo
lugar, a tecnologia continuará a avançar e a nos maravilhar. A clonagem da ovelha
Dolly foi apenas o começo da revolução biogenética. O projeto Genoma Humano
promete conduzir a medicina a novas curas. A Revolução Digital está lançando chips
que tornarão possível a construção de casas inteligentes,a fabricação de carros
inteligentes e até a confecção de roupas inteligentes. Estamos no alvorecer de um
tempo em que robôs inteligentes farão grande parte de nosso trabalho. Alguns
poderão até viajar em espaçonaves ou morar nelas. Em terceiro lugar! Há uma
contínua pressão em direção à desregulamentação do setor econômico. Cada vez
mais pessoas, em mais países, estão se convencendo de que os mercados
funcionam melhor sob condições relativamente livres, em que os consumidores
possam decidir o que e onde comprar e as empresas sejam livres para decidir o que
fabricar e comercializar. Economias competitivas giram mais dinheiro do que aquelas
altamente regulamentadas ou planejadas. Muitos países estão privatizando
empresas estatais para colher os benefícios da concorrência.
Esses três fatores - globalização, avanços tecnológicos e desregulamentação
- representam infinitas oportunidades. Como bem observou John Gardner, há muitos
anos: "Por trás de todo problema existe uma oportunidade brilhantemente
disfarçada".
Mas o que é o marketing e o que ele tem a ver com esses assuntos? O
marketing lida com a identificação e o atendimento das necessidades humanas e
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sociais. Uma das definições mais sucintas de marketing é "atender a necessidades
de maneira lucrativa". Isso é válido para a Procter & Gamble (P&G), que percebeu
que as pessoas estão preocupadas com o excesso de peso e desejam alimentos
saborosos, mas com menor teor de gordura e inventou o Olestra; para a CarMax,
que percebeu que as pessoas desejam mais segurança ao comprar um carro usado
e inventou um novo sistema para a venda de carros, e para a IKEA, que percebeu
que as pessoas desejam bons móveis a um preço significativamente menor e
fabricou móveis em módulos para o consumidor montar.
Todos esses casos ilustram um esforço para transformar uma necessidade
particular ou social em uma oportunidade de negócio lucrativo.
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UNIDADE 1 - TAREFAS DE MARKETING
Um recente livro, Marketing radical, elogia empresas como a Harley-Davidson,
a Virgin Atlantic, Airways e a Boston Beer por terem obtido êxito ao quebrar todas as
regras do marketing. Em vez de financiar dispendiosas pesquisas de marketing,
desembolsar enormes verbas em comunicação de massa e operar grandes
departamentos de marketing, essas empresas otimizaram ao máximo o uso de seus
limitados recursos, aproximaram-se de seus clientes e criaram soluções que
satisfizeram melhor suas necessidades. Elas criaram clubes de compras, utilizaram
estratégias criativas de relações públicas e concentraram-se em fornecer produtos
de alta qualidade e em conquistar a fidelidade de longo prazo dos clientes. Ao que
parece, nem todo processo de marketing deve seguir os passos da P&G. Na
verdade podemos distinguir três estágios pelos quais a atividade de marketing pode
passar:
1. Marketing empreendedor: a maioria das empresas é fundada por
indivíduos perspicazes. Eles percebem uma oportunidade e saem batendo de porta
em porta a fim de chamar a atenção para seu produto. Jim Koch, fundador da
Boston Beer Company, fabricante da cerveja Samuel Adams – que se tornou uma
das marcas artesanais mais vendidas –,começou em 1984 carregando garrafas da
Samuel Adams de bar em bar para persuadir os proprietários de bares a oferecer
seu produto. Ele insistia e acabava persuadindo-os a incluir a Samuel Adams em
seus cardápios. Durante dez anos sua empresa não pôde contar com um orçamento
para propaganda; ele vendia cerveja por meio de venda direta e promovia o produto
pessoalmente. Hoje sua empresa fatura 210 milhões de dólares, sendo líder no
mercado de cerveja artesanal.
2. Marketing profissionalizado: quando as pequenas empresas
alcançam o sucesso, elas inevitavelmente passam a adotar procedimentos de
marketing mais profissionais. A Boston Beer recentemente optou por gastar mais de
15 milhões de dólares em anúncios de TV em mercados selecionados. A empresa
emprega hoje mais de 175 profissionais de vendas e tem um departamento de
marketing que realiza pesquisas de mercado. Embora a Boston Beer seja muitíssimo
menos sofisticada que sua arquiinimiga, a Anheuser-Busch, adotou algumas das
ferramentas utilizadas em empresas cujo marketing é conduzido profissionalmente.
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3. Marketing burocrático: muitas grandes empresas mergulham de cabeça
no marketing profissionalizado, examinando detalhadamente os últimos números da
Nielsen, investigando minuciosamente relatórios de pesquisa de mercado e tentando
aperfeiçoar suas relações com os distribuidores e suas mensagens publicitárias.
Essas empresas não têm a criatividade e a paixão das empresas
'guerrilheiras' do primeiro estágio, o estágio do marketing empreendedor. Seus
gerentes de marca e produtos precisam sair de seus escritórios e passar a ter um
contato maior com o cliente. Assim, eles podem visualizar novos meios de agregar
valor à vida dos clientes.
O resultado é que o marketing efetivo pode assumir várias formas. Sempre
existirá uma tensão entre o estágio profissionalizado do marketing e sua
manifestação mais criativa. É mais fácil aprender a abordagem profissionalizada,
que será tratada como a criatividade e a paixão verdadeira funcionam em muitas
empresas e podem ser utilizadas pelos administradores de hoje e de amanhã.
O escopo do marketing
Normalmente, o marketing é visto como a tarefa de criar, promover e fornecer
bens e serviços a clientes, sejam estes pessoas físicas ou jurídicas. Na verdade, os
profissionais de marketing envolvem-se no marketing de bens, serviços,
experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e
ideias.
Bens
Bens tangíveis ou produtos constituem a maior parte do esforço de produção
e marketing da maioria dos países. A economia dos Estados Unidos sozinha produz
e comercializa a cada ano 80 bilhões de ovos, 3 bilhões de frangos, 5 milhões de
secadores de cabelo, 200 milhões de toneladas de aço e 4 bilhões de toneladas de
algodão. Nos países em desenvolvimento, os bens - principalmente alimentos,
commodities, itens de vestuário e habitação - são o sustentáculo da economia.
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Serviços
À medida que as economias evoluem, uma proporção cada vez maior de suas
atividades se concentra na produção de serviços. A atual economia dos Estados
Unidos consiste em um mix de 70 por cento de serviços e 30 por cento de produtos.
Entre os serviços estão aqueles prestados por empresas aéreas, hotéis, locadoras
de automóveis, barbeiros e esteticistas, pessoal ele manutenção e reparo, canis e
terapeutas para cães, assim como profissionais que trabalham em uma empresa ou
para ela, como contadores, advogados, engenheiros, médicos, programadores de
software e consultores gerenciais. Muitas ofertas ao mercado consistem em um mix
variável de bens e serviços. No extremo daquilo que se entende como serviço
estaria um psiquiatra ouvindo um paciente ou um quarteto de cordas tocando
Mozart; em um outro nível estaria o telefonema viabilizado por um pesado
investimento em instalações e equipamentos, e em um nível mais tangível estaria
um restaurante fastfood, onde o cliente adquire tanto um produto quanto um serviço.
Experiências
Orquestrando diversos serviços e mercadorias, podemos criar, apresentar e
comercializar experiências, O Magic Kingdom da Walt Disney World é uma
experiência. Nele, você visita um reino de fadas, um navio pirata e uma casa mal-
assombrada. À sua maneira, o Hard Rock Café e o Planei Hollywood também são
experiências. Existe um mercado para experiências peculiares, como passar uma
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semana em um centro de treinamento de beisebol, jogando com grandes craques
seniores, reger a Orquestra Sinfónica de Chicago por cinco minutos ou escalar o
monte Everest.
Eventos
Empresas de marketing promovem eventos emdeterminados períodos, como
nas Olimpíadas, em aniversários de empresas, nas principais feiras de
negócios, em eventos esportivos e em espetáculos artísticos. Há toda uma categoria
de profissionais que se encarregam de planejar reuniões e elaborar os detalhes de
um evento - e o realizam de maneira perfeita.
Pessoas
O marketing de celebridades tornou-se um importante negócio. Anos atrás,
alguém em busca da fama contrataria um assessor de imprensa para veicular
matérias em jornais e revistas, Hoje, toda importante estrela de cinema tem um
agente, um gerente pessoal e ligações com uma agência de relações públicas.
Artistas, músicos, presidentes de empresas, médicos, advogados, financistas bem
sucedidos e outros profissionais estão buscando ajuda de empresas de marketing de
celebridades. No mundo das artes, Andy Warhol aplicou claramente princípios de
marketing empreendedor para solidificar sua fama. O 'guru gerencial’ Tom Peters,
especialista no estabelecimento de sua própria marca, tem aconselhado que cada
pessoa se torne uma 'marca’.
Lugares
Lugares – cidades, estados, regiões e países inteiros - competem ativamente
para atrair turistas, fábricas, sedes de empresas e novos moradores. Stratford, no
estado de Ontário, Canadá, era uma cidade razoavelmente decadente com dois
únicos trunfos: seu nome e um rio chamado Avon. Isso se tornou a base para um
festival anual de Shakespeare, que nasceu em Stratford-Upon-Avon. Esse festival
colocou Stratford na rota de turismo, A Irlanda tem se destacado nesse tipo de
atividade, tendo convencido mais de 500 empresas a se instalarem no país com o
apoio do Conselho de Desenvolvimento da Irlanda, do Conselho de Turismo da
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Irlanda e do Conselho de Exportação da Irlanda, responsáveis, respectivamente, por
captação de investimentos, turismo e exportações. Entre as empresas de marketing
de lugares podem estar especialistas em desenvolvimento económico, imobiliárias,
bancos comerciais, associações locais de negócios e agências de propaganda e de
relações públicas.
Propriedades
Propriedades são direitos intangíveis de posse, tanto de bens imóveis quanto
de bens financeiros (ações e títulos). Direitos de propriedade são comprados e
vendidos, e isso leva a um esforço de marketing. Imobiliárias trabalham para
proprietários de imóveis ou para quem as procura para compra e venda de imóveis
residenciais ou comerciais. Instituições de investimentos e bancárias estão
envolvidas no marketing de títulos patrimoniais tanto para investidores pessoa física
como para jurídica.
Organizações
As organizações trabalham sistematicamente para construir uma imagem
sólida e positiva na mente de seu público. Vemos anúncios de identidade corporativa
veiculados por empresas que buscam maior reconhecimento público. A Philips,
empresa holandesa de produtos eletrônicos veicula anúncios com o slogan "Vamos
fazer as coisas [ficarem] melhores". As empresas Body Shop e Ben & Jerry's
chamam atenção para si patrocinando causas sociais. Outras empresas devem sua
visibilidade a um líder carismático, como Richard Branson, da Virgin, ou Phil Knight,
da Nike. Universidades, museus e grupos de teatro elaboram planos para melhorar
sua imagem pública a fim de competir com mais êxito por um público maior e por
mais recursos.
Informações
Informações podem ser produzidas e comercializadas como um produto. É
essencialmente isso que escolas e universidades produzem e distribuem, mediante
um preço, aos pais, aos alunos e às comunidades. Enciclopédias e grande parte dos
livros de não-ficção vendem informações. Revistas, como a Road andTracke a Byte,
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fornecem informações consideráveis sobre os universos dos carros e dos
computadores, respectivamente. Compramos CD-ROMs e visitamos a Internet em
busca de informações. A produção, a embalagem e a distribuição de informações
constituem um dos principais setores económicos da sociedade de hoje.
Ideias
Toda oferta de marketing traz em sua essência uma ideia básica. Charley
Revson, da Revlon, observou: "Na fábrica, fazemos cosméticos; na loja, vendemos
esperança". O comprador de uma furadeira está, na verdade, comprando um furo.
Produtos e serviços são plataformas para a entrega de algum conceito ou benefício.
As empresas empenham-se arduamente na busca da necessidade essencial que
tentarão satisfazer. Uma igreja, por exemplo, deve decidir se vai se apresentar como
local de culto ou como centro comunitário; o projeto arquitetônico da igreja variará
dependendo dessa escolha.
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UNIDADE 2 - UMA VISÃO ABRANGENTE DAS TAREFAS DE
MARKETING
Os profissionais de marketing possuem técnicas para estimular a demanda
pelos produtos de uma empresa. Mas essa é uma visão demasiadamente simplista
das atribuições dos profissionais de marketing. Da mesma maneira que profissionais
de produção e logística são responsáveis pela gestão do suprimento, os
profissionais de marketing são responsáveis pela gestão da demanda. Gerentes de
marketing procuram influenciar o nível, a velocidade e a composição da demanda
para alcançar os objetivos da organização. A Tabela 1.1 relaciona oito diferentes
estados de demanda e as tarefas correspondentes com que gerentes de marketing
se deparam.
As decisões dos profissionais de marketing
Gerentes de marketing precisam tomar inúmeras decisões, desde decisões
fundamentais, como que características projetar em um novo produto, quantos
profissionais de vendas contratar ou quanto gastar em propaganda, até decisões de
menor importância, como o texto e a cor de uma nova embalagem. O Lembrete de
Marketing "Perguntas mais frequentes dos profissionais de marketing" relaciona
muitas das questões levantadas por gerentes de marketing.
Lembrete de Marketing
Perguntas mais frequente dos profissionais de marketing
Como podemos identificar o(s) segmentos(s) de marketing correto(s)?
Como podemos diferenciar o que oferecemos daquilo que a concorrência
oferece?
Como devemos responder a clientes que nos pressionam por preços mais
baixos?
Como podemos competir com concorrentes que possuem custos e preços
menores, locais e no exterior?
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Até que ponto podemos customizar nossa oferta para cada cliente?
Quais são as principais maneiras pelas quais podemos fazer no negócio
crescer?
Como podemos construir marcas sólidas?
Como podemos reduzir o custo de aquisição de clientes?
Como podemos manter nossos clientes fiéis por mais tempo?
Como podemos saber quais são os clientes mais importantes?
Como podemos medir o retorno do investimento em propaganda, promoção
de vendas e relações públicas?
Como podemos melhorar a produtividade da força de vendas?
Como podemos estabelecer múltiplos canais de distribuição e ao mesmo
tempo gerenciar o conflito entre os canais?
Como podemos fazer com que todos os departamentos da empresa sejam
mais orientados para o cliente?
Tabela 1.1 - Estados de demanda e tarefas de marketing
1.Demanda
negativa
Um mercado encontra-se em um estado de demanda negativa quando uma
parcela significativa dele não gosta do produto e até mesmo o evita - vacinas,
serviços odontológicos, vasectomias e operações de vesícula, por exemplo.
Empregadores têm uma demanda negativa por ex-presidiários e alcoólatras
como funcionários. A tarefa do marketing é analisar por que o mercado não
gosta do produto e avaliar se um programa de marketing que envolva o
redesenho do produto, preços mais baixos e promoção positiva pode mudar
crenças e atitudes.
2. Demanda
inexistente
Consumidores-alvos podem desconhecer ou não estar interessados em um
produto. Agricultores podem não ter nenhum interesse em um novo método de
cultivo e estudantes universitários podem estar interessados em cursos de
línguas estrangeiras. A tarefa do marketing éencontrar meios de ligar os
benefícios do produto às necessidades e aos interesses naturais das pessoas.
3.Demanda
latente
Muitos consumidores podem compartilhar uma forte necessidade que nenhum
produto disponível no mercado é capaz de satisfazer. Existe uma forte demanda
latente por cigarros que não prejudiquem a saúde, bairros mais seguros e
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automóveis que consumam menos combustível. A tarefa do marketing consiste
em mensurar o tamanho do mercado potencial e desenvolver produtos e
serviços que satisfaçam a demanda.
4.Demanda em
declínio
Toda organização se depara, mais cedo ou mais tarde, com declínio na
demanda por um ou mais de seus produtos. Igrejas têm visto suas
congregações diminuírem; universidades particulares têm visto o número de
matrículas reduzir. O profissional de marketing deve analisar as causas do
declínio e determinar se a demanda poderá ser reestimulada com novos
mercados-alvo, com mudanças na característica do produto ou com
comunicações mais eficazes. A tarefa do marketing é reverter o declínio da
demanda por meio do marketing criativo.
5. Demanda
irregular
Muitas empresas precisam lidar com uma demanda que apresenta variações
sazonais, diárias ou até mesmo horárias, o que causa problemas de ócio e de
sobrecarga. Muitos veículos de transporte coletivo ficam ociosos durante as
horas de menor movimento e mostram-se insuficientes durante os horários de
pico. Museus são pouco visitados durante a semana e ficam demasiadamente
lotados durante os fins de semana. A tarefa de marketing denominada
sincromarketing consiste em encontrar meios de mudar o padrão de demanda
com a determinação de preços flexíveis, promoções e outros incentivos.
6. Demanda
plena
As empresas se deparam com demanda plena quando estão satisfeitas com
seu volume de negócios. A tarefa do marketing consiste em manter o nível de
demanda, apesar das preferências mutáveis dos consumidores e da crescente
concorrência. A empresa deve manter ou melhorar sua qualidade e medir a
satisfação do consumidor regularmente.
7.Demanda
excessiva
Algumas empresas possuem um nível de demanda maior do que podem ou
desejam suportar. O Parque Nacional de Yosemite fica superlotado no verão. A
tarefa de marketing denominada demarketing consiste em encontrar meios de
reduzir a demanda temporária ou permanentemente. O demarketing geral
procura desestimular a demanda total e, para isso, toma atitudes como
aumentar preços e reduzir promoções e serviços. O demarketing seletivo
consiste em tentar reduzir a demanda advinda de parcelas do mercado menos
lucrativas e que necessitam menos do produto.
8.Demanda
Indesejada
Produtos prejudiciais à saúde atrairão esforços organizados para desestimular
seu consumo. Já foram realizadas campanhas de desestímulo ao consumo de
cigarros, bebidas alcoólicas, drogas, armas de fogo, filmes prnográficos etc.
bem como campanhas de planejamento familiar. A tarefa do marketing é fazer
com que as pessoas que apreciam determinado produto deixem de consumi-lo,
por meio de ferramentas como mensagens amedrontadoras, preços elevados e
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disponibilidade reduzida.
A importância dessas questões varia de mercado para mercado. Considere os
quatro mercados a seguir: consumidor, empresarial, global e sem fins lucrativos.
Mercado consumidor
Empresas que comercializam produtos e serviços de consumo em massa,
como refrigerantes, cremes dentais, aparelhos de televisão e passagens aéreas,
investem grande parte de seu tempo tentando estabelecer uma imagem de marca
superior. Isso exige uma ideia clara de seus clientes-alvo (target customers ou,
simplesmente, target), o conhecimento da(s) necessidade(s) que seu produto
atenderá e uma comunicação enfática e criativa do posicionamento de marca.
Grande parte da solidez de uma marca depende do desenvolvimento de um produto
superior, com uma embalagem adequada, sustentado por propaganda contínua e
atendimento confiável. A força de vendas desempenha um papel na abertura e na
manutenção de mercado para a marca, mas isso tem menos relação o
estabelecimento da imagem de marca. Profissionais de marketing de consumo
decidem sobre as características, o nível de qualidade, a abrangência da distribuição
e os gastos em promoção que ajudarão sua marca a alcançar a primeira ou a
segunda posição em seu mercado-alvo.
Mercado empresarial
Empresas que vendem bens e serviços para outras empresas deparam-se
com profissionais de bem treinados e bem informados, que possuem técnicas para
avaliar ofertas competitivas. Compradores empresariais compram bens que
permitam fabricar um produto ou que possam ser revendidos para terceiros.
Compradores empresariais compram produtos para gerar lucros. As empresas que
vendem esses produtos devem demonstrar como eles ajudarão seus clientes a
atingir suas metas de lucro. A propaganda desempenha um papel, mas um papel
mais forte é desempenhado pela força de vendas, pelo preço e pela reputação com
que a empresa conta no que se refere à confiabilidade e à qualidade.
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Mercado global
Empresas que vendem seus produtos e serviços no mercado global
enfrentam decisões e desafios adicionais. Elas têm que decidir em que países
entrar; como entrar em cada país (como exportador, licenciador de franquia, parceiro
em joint-venture, fabricante sob contrato ou fabricante autônomo); como adaptar as
características de seus produtos e serviços a cada país; como determinar preços
para seus produtos em países diferentes dentro de uma faixa estreita o suficiente
para evitar a criação de um mercado paralelo para seus produtos, e como adaptar
suas comunicações para que se encaixem nas práticas culturais de cada país.
Essas decisões devem ser tomadas diante de um sistema jurídico diferente;
diferentes estilos de negociação; diferentes exigências de compra, propriedade e
emprego de bens; uma moeda que poderá sofrer variações de valor; situações que
envolvam corrupção ou favoritismo político e assim por diante.
Mercados sem fins lucrativos (terceiro setor) e governamental
Empresas que vendem seus produtos a organizações sem fins lucrativos,
como igrejas, fundações, instituições de caridade ou órgãos públicos, precisam
determinar seus preços com cautela, pois essas organizações têm poder de compra
limitado. Preços mais baixos afetam as características e a qualidade que o
fornecedor pode incluir em sua oferta. Muitos formulários têm de ser preenchidos
quando se vende a órgãos públicos. Muitas das compras do governo exigem
licitações, sendo favorecida à proposta que apresenta o menor preço na ausência de
fatores que justifiquem um preço mais elevado.
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UNIDADE 3 - CONCEITOS E FERRAMENTAS DE
MARKTETING
O marketing ostenta uma rica variedade de conceitos e ferramentas. Vamos
começar com a definição de marketing e depois passaremos a descrever seus
principais conceitos e ferramentas.
Definição de marketing
Dentre todas as inúmeras definições existentes para marketing,
podemos estabelecer uma distinção entre definições sociais e gerenciais. Uma
definição social mostra o papel desempenhado pelo marketing na sociedade. Um
profissional de marketing disse certa vez que o papel do marketing é "proporcionar
um padrão de vida superior". Uma definição social que serve a nosso propósito é:
Marketing é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de
pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação,
oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros.
Quando se usa uma definição gerencial, o marketing é frequentemente
descrito como 'a arte de vender produtos'. Mas as pessoas se surpreendem quando
ouvem que o mais importante em marketing não é vender! Vender é apenas a ponta
do iceberg de marketing. Peter Drucker, umdos maiores teóricos da administração,
expõe essa questão da seguinte maneira:
Pode-se presumir que sempre haverá necessidade de algum esforço de
vendas, mas o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua. A meta é
conhecer e compreender tão bem o cliente que o produto ou o serviço se adapte
a ele e se venda por si só. O ideal é que o marketing deixe o cliente pronto para
comprar. A partir daí basta tornar o produto ou o serviço disponível.
Quando a Sony projetou seu Walkman, a Nintendo projetou um videogame de
qualidade superior e a Toyota lançou o automóvel Lexus, elas se viram inundadas
de pedidos, pois haviam projetado o produto 'certo’ com base em um cuidadoso
estudo de marketing.
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A American Marketing Association oferece a seguinte definição:
• Marketing (administração de) é o processo de planejar e executar a
concepção, a determinação do preço (pricing), a promoção e a distribuição de ideias,
bens e serviços para criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais.
Lidar com esses processos requer uma quantidade considerável de trabalho e
técnicas. A administração de marketing ocorre quando pelo menos uma das partes
envolvidas em um processo de troca potencial pensa sobre os meios de obter as
respostas desejadas das demais partes. Vemos a administração de marketing como
a arte e a ciência da escolha de mercados-alvo e da captação, manutenção e
fidelização de clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de um
valor superior para o cliente.
Conceitos centrais de marketing
O marketing pode ser mais bem compreendido definindo-se vários de seus
conceitos centrais.
Mercados-alvo e segmentação
Uma empresa raramente consegue satisfazer a todos em um mercado.
Nem todos gostam do mesmo refrigerante, quarto de hotel, restaurante,
automóvel, faculdade ou filme. Sendo assim, os profissionais de marketing
começam pela segmentação do mercado. Eles identificam e traçam os perfis de
grupos distintos de compradores que poderão preferir ou exigir produtos e mix de
marketing (ou compostos de marketing) variáveis. Segmentos de mercado
podem ser identificados analisando-se diferenças demográficas, psicográficas e
comportamentais existentes entre compradores. A empresa decide então que
segmentos apresentam as maiores oportunidades - aqueles a cujas
necessidades a empresa pode atender de maneira superior.
Para cada mercado-alvo escolhido, a empresa desenvolve uma oferta ao
mercado. A oferta é posicionada na mente dos compradores-alvo como
possuidora de algum (ns) benefício(s) fundamental (ais). A Volvo, por exemplo,
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desenvolve seus carros para o mercado-alvo de compradores que têm como uma
de suas principais preocupações a segurança. Portanto, ela posiciona seu carro
como o mais seguro que um cliente pode comprar.
Antigamente, um 'mercado' era um espaço físico onde compradores e
vendedores se reuniam para trocar mercadorias. Atualmente, os economistas
descrevem um mercado como um conjunto de co mpradores e vendedores que
negociam determinado produto ou classe de produto (o mercado habitacional ou o
mercado de grãos). Mas, para os profissionais de marketing, as empresas
vendedoras representam os diferentes setores, e as compradoras, o mercado. A
Figura 1.1 mostra a relação entre o setor e o mercado. Empresas vendedoras e
compradoras estão interligadas por quatro fluxos. As vendedoras fornecem bens,
serviços e comunicação (anúncios, mala direta) ao mercado; em troca, recebem
dinheiro e informação (atitudes, dados de vendas). O fluxo interno mostra uma troca
de dinheiro por bens e serviços; o fluxo externo, uma troca de informações.
Os empresários frequentemente utilizam o termo mercados para indicar vários
grupos de clientes. Falam de mercados de necessidades (o mercado preocupado
com dietas); mercados de produtos (o mercado de calçados); mercados
demográficos (o mercado de jovens), e mercados geográficos (o mercado francês).
Ou então estendem o conceito para incluir outros mercados, como o de eleitores, o
de mão-de-obra e o de doadores.
Os mercados ocupam um grande espaço nas economias modernas. Cinco
mercados básicos e seus fluxos de ligação são mostrados na Figura 1.2. Fabricantes
se dirigem a mercados de recursos (mercados de matérias-primas, de mão-de-obra,
de recursos financeiros), compram recursos e os transformam em mercadorias e
22
serviços. Então eles vendem os produtos acabados a intermediários, que os vendem
aos consumidores finais. Os consumidores vendem Sua capacidade de trabalho e
recebem dinheiro, com o qual pagam por bens e serviços. O governo arrecada
impostos para adquirir bens dos mercados de recursos, produtores e intermediários
e utiliza esses bens e serviços para oferecer serviços públicos. A economia de cada
país, assim como a economia global, consiste em complexos conjuntos de mercados
que interagem ligados por processos de troca.
Hoje, podemos distinguir entre local de mercado (marketplace) e espaço de
mercado (marketspace).O local de mercado é o espaço físico, uma loja na qual se
vão fazer compras; o espaço de mercado é digital, como um site na Internet pelo
qual se podem fazer compras. Muitos observadores acreditam que um crescente
volume de compras passará do local de mercado para o espaço de mercado. Veja a
seção Marketing para o Novo Milénio "E-commerce: os primórdios".
FIGURA 1.2 - Estrutura de fluxos em uma moderna economia de troca
Mohan Sawhney propôs o conceito de metamercado para descrever um
agrupamento de produtos e serviços complementares estreitamente relacionados
uns com os outros na mente do consumidor, mas que se estendem por meio de um
conjunto diversificado de setores. O metamercado automotivo consiste em
23
fabricantes de automóveis, concessionárias de carros novos e usados,
financiadoras, seguradoras, oficinas, revendedores de autopeças, postos de
atendimento, revistas de automobilismo, anúncios classificados de carros em jornais
e sites sobre carros na Internet. Ao pensar em comprar um carro - ou ao adquiri-lo-,
o comprador se envolverá em muitas partes desse metamercado. Isso tem criado
uma oportunidade para intermediários desse metamercado ajudarem compradores a
se movimentar por esses grupos sem tropeços, embora sejam desconectados no
espaço físico. Um exemplo é o Edmund's (www.edmunds.com), um site Web em que
um comprador de automóvel pode encontrar os preços oficiais de diferentes marcas
e modelos e navegar sem maiores dificuldades para outros sites em busca do
revendedor que ofereça o menor preço de financiamento, de acessórios e carros
usados a preços de ocasião. Intermediários do metamercados também podem servir
a outros metamercados, como o de imóveis residenciais e o de serviços
matrimoniais.
Profissionais de marketing e clientes potenciais
Um profissional de marketingé alguém que busca uma resposta (atenção,
compra, voto, doação) de outra parte, denominada cliente potencial (prospect). Se
duas partes estão buscando vender algo uma para a outra, denominamos ambas de
profissionais de marketing.
Necessidades, desejos e demandas
O profissional de marketing precisa tentar compreender as necessidades do
mercado-alvo, seus desejos e suas demandas. Necessidades descrevem exigências
humanas básicas. As pessoas precisam de comida, ar, água, roupa e abrigo para
poder sobreviver. Elas também têm uma necessidade muito grande de recreação,
educação e entretenimento. Essas necessidades se tornam desejos quando são
dirigidas a objetos específicos capazes de satisfazê-las. Um norte-americano
necessita de comida, mas deseja um hambúrguer, batatas fritas e um refrigerante.
Um habitante das Ilhas Maurício necessita de comida, mas deseja uma manga,
arroz, lentilhas e feijão. Desejos são moldados pelasociedade em que se vive.
24
Demandas são desejos por produtos específicos apoiados por uma
possibilidade de pagar. Muitas pessoas desejam um Mercedes, mas apenas
algumas podem e estão dispostas a comprar um. As empresas devem medir não
apenas quantas pessoas desejam seu produto, mas também quantas efetivamente
estão dispostas e apfas a adquirí-lo.
Essas distinções esclarecem a frequente acusação de que "os profissionais
de marketing criam necessidades" ou "os profissionais de marketing fazem com que
as pessoas comprem coisas que não querem". Profissionais de marketing não criam
necessidades: as necessidades existem antes dos profissionais de marketing. Os
profissionais de marketing, paralelamente a outras influências da sociedade,
influenciam desejos. Eles podem promover a ideia de que um Mercedes satisfaz a
necessidade de status social de uma pessoa. Eles não criaram, entretanto, a
necessidade de status social.
Produto ou oferta
As pessoas satisfazem a suas necessidades e a seus desejos com produtos.
Um produto é qualquer oferta que possa satisfazer a uma necessidade ou a um
desejo. Já mencionamos as principais categorias de ofertas básicas: bens, serviços,
experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e
ideias.
Uma marca é uma oferta de fonte conhecida. Uma marca como McDonald's
encerra muitas associações na mente das pessoas: hambúrgueres, diversão,
crianças, fast-food, arcos amarelos. Essas associações formam a imagem de marca.
Todas as empresas lutam para estabelecer uma marca sólida - ou seja, uma
imagem de marca forte e favorável.
Valor e satisfação
O produto ou oferta alcançará êxito se proporcionar valor e satisfação ao
comprador-alvo. O comprador escolhe entre diferentes ofertas com base naquilo que
parece proporcionar o maior valor. Definimos valor como a razão entre o que o
cliente recebe e o que ele dá. O cliente recebe benefícios e assume custos. Os
25
benefícios incluem benefícios funcionais e emocionais. Os custos incluem custos
monetários, de tempo, de energia e psicológicos.
Benefícios Benefícios funcionais + benefícios emocionais
Valor:
____________
=
__________________________________________________________________________________________________
Custos Custos monetários + custos de tempo + custos de energia + custos psicológicos
O profissional de marketing pode aumentar o valor da oferta para o cliente
com diversas estratégias:
Aumento de benefícios;
Redução de custos;
Aumento de benefícios e redução de custos ;
Aumento de benefícios em proporção maior que o aumento de custos
Redução dos benefícios em proporção menor que a redução de custos
O cliente que está optando entre duas ofertas de valor, V1 e V2, vai avaliar a
razão V1 I V2. Ele favorecerá V1 se a razão for maior que 1; favorecerá V2 se a razão
for menor que 1, e ficará indiferente se a razão for igual a 1.
Troca e transações
A troca é apenas uma das quatro maneiras de uma pessoa obter um produto.
Ela pode produzir o produto ou serviço, caçando, pescando ou colhendo frutos para
se alimentar.·A pessoa pode utilizar a força para obter o produtor assaltando ou
roubando. Pode mendigar como fazem os moradores de rua para conseguir comida.
Ou então pode oferecer um produtor serviço ou dinheiro em troca de alguma coisa
que deseja.
Trocar que é o conceito central de marketing, envolve a obtenção de um
produto desejado de alguém oferecendo algo em troca. Para que o potencial de
troca possa existir, cinco condições são essenciais:
1. Que existam pelo menos duas partes.
26
2. Que todas as partes possuam algo que possa ter valor para as outras partes.
3. Que todas as partes tenham capacidade de comunicação e de entrega.
4. Que todas as partes estejam livres para aceitar ou recusar a oferta de troca.
5. Que todas as partes acreditem ser adequado participar da negociação.
A efetivação ou não da troca depende de as duas partes concordarem com
termos que deixarão ambas em uma situação melhor (ou, pelo menos, não em uma
situação pior) do que antes. A troca é um processo de criação de valor, porque
normalmente deixa ambas as partes em melhor situação.
A troca é mais um processo que um acontecimento. Duas partes estão
engajadas em uma troca se estiverem negociando - tentando chegar a condições
aceitáveis para ambas as partes. Quando se chega a um acordo, dizemos que
ocorre uma transação. Uma transação é uma comercialização de valores entre duas
ou mais partes. A dá X a S e recebe Y em troca. Smith vende um aparelho de TV a
Jones e Jones paga 400 dólares a Smith. Essa é uma transação monetária clássica.
Mas as transações não exigem que o dinheiro seja um dos valores trocados. Uma
transação de permuta envolve a troca de bens e serviços por outros bens e serviços,
como quando o advogado Jones prepara o testamento do médico Smith em troca de
uma consulta médica.
Uma transação envolve várias dimensões: pelo menos duas coisas de valor,
acordo no que diz respeito às condições, momento de acordo e local de acordo.
Geralmente existe um sistema legal para dar suporte e exigir o cumprimento do
acordo por todas as partes. Sem uma legislação contratual, as pessoas poderiam
ver as transações com certo grau de desconfiança, e todos sairiam perdendo.
Uma transação é diferente de uma transferência. Em uma transferência, A dá
X a S, mas não recebe nada em troca. Presentes, subvenções e doações a obras de
caridades são transferências. O comportamento de transferência também pode ser
compreendido por meio do conceito de troca. Normalmente, quem transfere espera
receber algo pelo presente concedido - por exemplo, gratidão ou uma mudança no
comportamento do agraciado. Profissionais especializados na captação de recursos
(fund raisers), por exemplo, oferecem benefícios aos doadores, como cartas de
27
agradecimento, assinaturas de revistas e convites para eventos. Os profissionais de
marketing têm ampliado o conceito de marketing para incluir o estudo do
comportamento de transferência, além do estudo do comportamento de transação.
Em um sentido mais amplo, os profissionais de marketing têm como objetivo
provocar uma resposta comportamental da outra parte. Uma empresa deseja realizar
uma vendar um candidato deseja um voto, uma igreja deseja um membro ativo, um
grupo de ação social deseja a adoção acalorada de uma causa. O marketing
consiste na tomada de ações que provoquem a reação desejada de um público-alvo.
Para realizar trocas bem-sucedidas, os profissionais de marketing analisam
aquilo que cada uma das partes espera da transação. Simples situações de troca
podem ser mapeadas por meio da identificação dos dois participantes e do fluxo de
desejos e ofertas existente entre ambos. Suponha que a Caterpillar, a maior
fabricante de equipamento de terraplanagem do mundo, pesquise os benefícios que
uma construtora comum deseja ao comprar equipamentos de terraplanagem. Esses
benefícios, relacionados na parte superior do mapa de troca, na Figura 1.3, incluem
equipamentos de alta qualidade, preço justo, entrega pontual, boas condições de
financiamento e peças de reposição e serviços de qualidade. Os itens na lista de
desejos não têm a mesma importância e podem variar de um comprador para outro.
Uma das tarefas da Caterpillar é descobrir a importância relativa desses diferentes
desejos para o comprador. A Caterpillar também tem uma lista de desejos. Deseja
um bom preço pelo equipamento, pagamento pontual e propaganda boca a boca
positiva. Se houver compatibilidade suficiente entre essas duas listas, existirá uma
base para transação. A tarefa da Caterpillar é formular uma oferta que motive a
construtora a comprar equipamentos Caterpillar. A construtora, por sua vez, poderá
apresentar uma contra oferta.Esse processo de negociação leva a condições
aceitáveis por ambas as partes ou decisão de não levar adiante as negociações.
28
FIGURA 1.3 - Mapa de troca entre duas partes, mostrando a lista de desejos de cada uma
Relacionamentos e redes
O marketing de transações é parte de uma ideia maior denominada marketing
de relacionamento. O marketing de relacionamento tem como objetivo estabelecer
relacionamentos mutuamente satisfatórios de longo prazo com partes-chave -
clientes, fornecedores, distribuidores -, a fim de ganhar e reter sua preferência e
seus negócios no longo prazo. Empresas de marketing isso prometendo e
fornecendo produtos e serviços de alta qualidade a preços justos às outras partes ao
longo do tempo. O marketing de relacionamento estabelece sólidas ligações
econômicas, técnicas e sociais entre as partes. Ele reduz o dinheiro e o tempo
investidos nas transações. Nos casos mais bem sucedidos, as transações deixam de
ser negociadas de tempos em tempos e se tornam rotineiras.
O resultado final do marketing de relacionamento é a construção de um
patrimônio corporativo denominado rede de marketing. Uma rede de marketing
consiste na empresa e naqueles que a apóiam (clientes, funcionários, fornecedores,
distribuidores, revendedores, agências de propaganda e acadêmicos, entre outros),
com quem ela construiu relacionamentos profissionais mutuamente compensadores.
Cada vez mais, a concorrência não é entre empresas, mas entre redes de
marketing, sendo o prêmio conferido à empresa que tiver construído a melhor rede.
29
O princípio operacional é simples: construa uma rede efetiva de relacionamentos
com os principais públicos interessados e os lucros serão uma consequência.
Canais de marketing
Para alcançar um mercado-alvo, a empresa faz uso de três tipos de canais de
marketing. Ela utiliza canais de comunicação para transmitir mensagens a
compradores-alvo e deles receber mensagens. Entre esses canais estão jornais,
revistas, rádio, televisão, correio, telefone, outdoors, pôsteres, folhetos, CD-ROMs,
fitas de áudio e Internet. Além de tudo isso, também são enviadas mensagens por
meio de expressões faciais e do modo de se vestir, pelo visual das lojas e por muitos
outros meios. Cada vez mais as empresas estão acrescentando canais de diálogo
(e-mail e números para ligações gratuitas) para contrabalançar os canais de via
única mais tradicionais (como anúncios publicitários). A empresa utiliza canais de
distribuição para demonstrar ou entregar produtos ou serviços tangíveis ao
comprador ou usuário. Há canais de distribuição física e canais de distribuição de
serviços. Dentre eles estão os armazéns, veículos de transporte e diversos canais
comerciais, como distribuidores, atacadistas e revendedores.
A empresa também utiliza canais de venda para realizar transações com
compradores potenciais. São canais de venda não apenas os distribuidores e
revendedores, mas também as instituições bancárias e as companhias de seguro
que facilitam as transações. Os profissionais de marketing ficam realmente diante de
um problema de projeto quando se deparam com a escolha do melhor mix de canais
de comunicação, distribuição e venda para suas ofertas.
Cadeia de suprimento
Enquanto os canais de marketing ligam a empresa aos compradores-alvo, a
cadeia de suprimento (supply chain) é um canal mais longo, que se estende das
matérias-primas aos componentes dos produtos finais - que são levados aos
compradores finais. A cadeia de suprimento para bolsas femininas começa com o
couro, assando para as operações de curtume, as operações de corte, a produção e
os canais de marketing que levam o produto final às clientes. A cadeia de
30
suprimento representa um sistema de entrega de valor. Cada empresa captura
apenas uma determinada porcentagem do valor total gerado pela cadeia. Quando
uma empresa adquire concorrentes ou muda para um estágio superior ou inferior na
cadeia produtiva, seu objetivo é capturar um percentual maior do valor da cadeia de
suprimento.
Concorrência
A concorrência inclui todas as ofertas e substitutos rivais reais e potenciais
que um comprador possa considerar. Suponha que uma empresa automobilística
planeje comprar aço para a produção de seus carros. A Figura 1.4 mostra vários
níveis de concorrentes. A fabricante de automóveis pode comprar aço da U.S. Steel
ou de outras siderúrgicas integradas nos Estados Unidos ou em outros países;
procurar uma pequena siderúrgica como a Nucor para comprar aço com economia
de custos; comprar alumínio para determinadas partes do carro para reduzir seu
peso, ou comprar plásticos especiais para os pára-choques, em vez de aço.
Obviamente, a U.S. Steel estaria pensando em concorrência em termos
demasiadamente restritos se considerasse apenas as outras siderúrgicas
integradas. Na verdade, no longo prazo é mais provável que a U.S. Steel seja
atingida por produtos substitutos do que pelas suas rivais imediatas. A U.S. Steel
deve considerar ainda se fabricará produtos substitutos ou se ficará apenas
naquelas áreas em que o uso do aço proporciona um desempenho superior.
Podemos estender o quadro ainda mais ao estabelecer uma distinção entre
quatro níveis de concorrência, com base no grau em que produtos são passíveis de
substituição:
1. Concorrência de marcas: uma empresa vê suas concorrentes como
outras empresas que oferecem produtos e serviços semelhantes aos mesmos
clientes por preços similares. A Volkswagen pode considerar a Toyota, a Honda, a
Renault e outras fabricantes de carros de preço médio suas concorrentes. Mas não
pode se ver competindo com a Mercedes ou a Hyundai.
2. Concorrência setorial: uma empresa vê todas as empresas que fabricam
o mesmo tipo de produto ou classe de produtos como suas concorrentes. A
31
Volkswagen pode considerar concorrentes todas as demais fabricantes de
automóveis.
3. Concorrência de forma: uma empresa vê todas as empresas fabricantes
de produtos que oferecem o mesmo serviço como suas concorrentes. A Volkswagen
pode considerar como concorrente não apenas as outras empresas automobilísticas,
mas também os fabricantes de motocicletas, bicicletas e caminhões.
4. Concorrência genérica: uma empresa vê como suas concorrentes todas
as empresas que competem pelo dinheiro dos mesmos consumidores. A
Volkswagen pode considerar como concorrente empresas que vendem bens de
consumo duráveis, férias no exterior e novas residências.
FIGURA 1.4 – Tela do radar da U.S. Steel
32
Ambiente de marketing
A concorrência representa apenas uma das forças no ambiente em que a
empresa opera. O ambiente de marketing é constituído pelo ambiente de tarefa e o
ambiente geral. O ambiente de tarefa inclui os participantes imediatos envolvidos na
produção, distribuição e promoção da oferta. Os participantes principais são a
empresa, os fornecedores, os distribuidores, os revendedores e os clientes-alvo.
Incluídos no grupo de fornecedores estão os de materiais e de serviços, como
institutos de pesquisa de marketing, agências de propaganda, bancos, seguradoras,
transportadoras e empresas de telecomunicações. Dentre os distribuidores e
revendedores estão agentes, corretores, representantes de fabricantes e todos
aqueles que facilitam a busca de clientes e as vendas a eles.
O ambiente geral é formado por seis componentes: ambiente demográfico,
ambiente econômico, ambiente natural (meio ambiente), ambiente tecnológico,
ambiente político-legal e ambiente sociocultural. Esses ambientes contêm forças que
podem produzir um impacto importante sobre os participantes do ambiente de tarefa.
Participantes do mercado devem prestar mais atenção nas tendências e nos
acontecimentos desses ambientes e realizar ajustesoportunos em suas estratégias
de marketing.
Mix de marketing
Profissionais de marketing utilizam diversas ferramentas para obter as
respostas desejadas de seus mercados-alvo. Essas ferramentas constituem o mix
de marketing:
• Mix de marketing (ou composto de marketing) é o conjunto de ferramentas de
marketing que a empresa utiliza para perseguir seus objetivos de marketing no
mercado-alvo.
McCarthy classificou essas ferramentas em quatro grupos amplos que
denominou os 4Ps do marketing: produto, preço, praça (ou ponto-de-venda) e
promoção (do inglês product, price, place e promotion).14 As variáveis específicas
de marketing sob cada P são mostradas na Figura 1.5. Decisões de mix de
marketing devem ser tomadas para que se exerça influência sobre os canais
33
comerciais, bem como sobre os consumidores finais. A Figura 1.6 mostra a empresa
preparando um mix de ofertas de produtos, serviços e preços, utilizando um mix de
promoção, formado por promoção de vendas, publicidade, força de vendas, relações
públicas, mala direta, telemarketing e Internet, para alcançar os canais de
distribuição e os clientes-alvo.
FIGURA 1.6 – Estratégias de mix de marketing
34
Normalmente, a empresa pode alterar seu preço, o tamanho de sua força de
vendas e suas despesas com propaganda no curto prazo. Mas ela só pode
desenvolver novos produtos e modificar seus canais de distribuição no longo prazo.
Dessa maneira, no curto prazo, a empresa geralmente realiza menos mudanças de
mix de marketing de um período para outro do que a variedade de decisões de mix
de marketing pode sugerir.
Observe que os 4Ps representam a visão que a empresa vendedora tem das
ferramentas de marketing disponíveis para influenciar compradores. Do ponto de
vista da empresa compradora, cada ferramenta de marketing é projetada para
oferecer um benefício ao cliente. Robert Lauterborn sugeriu que os 4Ps do vendedor
correspondem aos 4Cs dos clientes.
4Ps 4Cs
Produto Cliente (solução para o)
Preço Custo (para o cliente)
Praça Conveniência
Promoção Comunicação
Empresas vencedoras serão as que conseguirem atender às necessidades
dos clientes de maneira econômica e conveniente, com comunicação efetiva.
ORIENTAÇÕES DA EMPRESA PARA O MERCADO
Definimos a administração de marketing como o esforço consciente para
alcançar resultados de troca desejados com mercados-alvo. Mas qual filosofia deve
guiar os esforços de marketing de uma empresa? Que pesos devem ser atribuídos
aos interesses da organização, dos clientes e da sociedade?
Frequentemente, esses interesses entram em conflito:
Dexter Um dos produtos mais populares da Dexter Corporation era um
lucrativo papel cuja gramatura evitava que saquinhos de chá se desmanchassem na
água quente. Infelizmente, os produtos utilizados para produzir o papel
35
representavam 98 por cento dos resíduos tóxicos produzidos anualmente peia
empresa. Portanto, embora o produto da Dexter fosse extremamente popular entre
seus clientes, ele era claramente prejudicial ao meio ambiente. A Dexter constituiu
uma força-tarefa com representantes dos departamentos ambiental, jurídico, de P&D
e de marketing e a incumbiu de solucionar o problema. A força-tarefa obteve
sucesso, e a empresa aumentou sua participação de mercado e praticamente
eliminou os resíduos tóxicos do processo.
Obviamente, atividades de marketing devem ser conduzidas sob a égide de
uma filosofia bem pensada de marketing eficiente, efetivo e socialmente
responsável. Entretanto, há cinco orientações concorrentes com bases nas quais as
organizações conduzem atividades de marketing: a orientação de produção, a
orientação de produto, a orientação de vendas, a orientação de marketing e a
orientação de marketing societal.
A orientação de produção
A orientação de produção é um dos conceitos mais antigos nas relações
comerciais.
A orientação de produção sustenta que os consumidores dão preferência a
produtos fáceis de encontrar e de baixo custo.
Gerentes de empresas orientadas para a produção concentram-se em
alcançar alta eficiência de produção, baixos custos e distribuição em massa. Eles
supõem que os consumidores estejam interessados principalmente em
disponibilidade de produtos e preços baixos. Essa orientação tem sentido em países
em desenvolvimento, onde os consumidores estão mais interessados em obter o
produto do que em suas características. Esse conceito também é utilizado quando
uma empresa deseja expandir o mercado:
Texas Instruments A Texas Instruments é um dos principais expoentes da
filosofia "ponha a produção na rua; corte os preços" nos Estados Unidos, a filosofia
pioneira de Henry Ford para expandir o mercado automobilístico. A Texas
Instruments concentra todos os seus esforços em aumentar o volume de produção e
modernizar sua tecnologia para conseguir reduzir custos. A partir dos baixos custos,
36
ela corta os preços e expande o mercado. Ela também luta para alcançar a liderança
nos mercados-alvo. Essa orientação também tem sido a estratégia-chave de muitas
empresas japonesas.
Algumas prestadoras de serviços também operam sob a orientação de
produção. Muitas consultas médicas e odontológicas são organizadas segundo
princípios de linha de montagem, bem como o atendimento em alguns órgãos
públicos (como centros de recrutamento e repartições que emitem licenças). Embora
essa orientação administrativa possa resultar no atendimento de muitos casos por
hora, tende a gerar acusações de atendimento impessoal e de qualidade precária.
A orientação de produto
Algumas empresas são guiadas pela orientação de produto.
A orientação de produto sustenta que os consumidores dão preferência a
produtos que ofereçam qualidade e desempenho superiores ou que tenham
características inovadoras.
Os gerentes em organizações que seguem essa linha se concentram em
fabricar produtos de qualidade e em aperfeiçoá-los com o tempo. Eles presumem
que os compradores admiram produtos bem-feitos e que podem avaliar qualidade e
desempenho. Entretanto, esses gerentes às vezes se vêem presos em um 'caso de
amor' com seu produto e não percebem aquilo de que o mercado necessita. A
gerência pode escorregar no mito da 'ratoeira melhor', acreditando que uma ratoeira
e melhor fará com que as pessoas se acotovelem à sua porta. Foi o que ocorreu
quando a WebTV foi a lançada no final de 1996, com resultados decepcionantes:
WebTV Parecia o sonho do telemaníaco: uma TV com um dispositivo que
permitia navegar na Web e assistir à televisão ao mesmo tempo. Entretanto, apesar
de uma campanha promocional de 50 milhões de dólares desencadeada pela
WebTV e seus parceiros Sony e Philips Electronics, apenas 50 mil assinantes
aderiram à novidade. Não havia nada de errado com o produto em si, que mostrava
informações da Internet em um aparelho de televisão comum; simplesmente o
proprietário original da WebTV (hoje pertencente à Microsoft) não conhecia o
mercado. O problema foi a mensagem de marketing errada. Os telemaníacos
37
queriam entretenimento de melhor qualidade, enquanto os usuários de computador
queriam surfar na Web com pequenos monitores de microcomputadores. A World
Wide Web enfrentou problemas ao concorrer com a TV. Para as pessoas
acostumadas à televisão, a Web é lenta e estática, pelo menos quando comparada a
Jornada nas Estrelas e S.O.S. Malibu. Atualmente, uma campanha reformulada
enfatiza o entretenimento.
Empresas orientadas para produtos frequentemente projetam produtos com
pouca ou nenhuma participação dos clientes. Acreditam que seu departamento de
engenharia possa desenvolver produtos excepcionais. Muito frequentemente elas
nem ao menos avaliam os produtos da concorrência. Um executivo da GeneralMotors disse, há anos: "Como o público pode saber que tipo de carro quer até que
veja o que está disponível no mercado?" Os projetistas e engenheiros da GM
projetavam um novo carro. A fábrica o produzia. O departamento financeiro
estabelecia um preço para ele. Por fim, os departamentos de marketing e de vendas
tentavam vendê-lo. Não é de admirar o fato de que era necessário um enorme
esforço de vendas! Hoje em dia, a GM pergunta aos clientes o que eles valorizam
em um carro e conta com a ajuda do pessoal de marketing desde os estágios iniciais
do projeto.
A orientação de produto pode levar à miopia de marketing. Os
administradores de empresas ferroviárias acreditavam que as pessoas que viajavam
preferiam trens em vez de outros tipos de transporte e menosprezaram a crescente
concorrência das linhas aéreas, dos ônibus e dos automóveis. Fabricantes de
réguas de cálculo acreditavam que engenheiros queriam réguas de cálculo e
menosprezaram o desafio das calculadoras de bolso. Faculdades, lojas de
departamentos e os correios julgam estar oferecendo o produto certo ao público e
não conseguem entender por que as vendas estão caindo. Essas organizações
estão, com demasiada frequência, olhando para um espelho, quando deveriam estar
olhando pela janela.
38
A orientação de vendas
A orientação de vendas é outra orientação comum em negócios.
A orientação de vendas parte do princípio de que os consumidores e as
empresas, por vontade própria, normalmente não compram os produtos da
organização em quantidade suficiente. A organização deve, portanto, empreender
um esforço agressivo de vendas e promoção.
Esse conceito pressupõe que os consumidores normalmente demonstram
uma inércia ou resistência em relação à compra e devem ser persuadidos a
comprar. Também pressupõe que a empresa possui uma bateria efetiva de
ferramentas de venda e promoção para estimular mais compras. A orientação de
vendas é praticada mais agressivamente com relação a produtos não procurados,
produtos que os compradores geralmente não pensam em comprar, como seguros,
enciclopédias e jazigos funerários. Esses setores têm aperfeiçoado várias técnicas
de vendas para localizar compradores potenciais e convencê-los agressivamente
dos benefícios que seus produtos oferecem.
A orientação de vendas também é praticada por organizações sem fins
lucrativos para captar recursos - buscar novas matrículas para universidades e obter
inscrições em partidos políticos, por exemplo. Um partido político 'vende' seu
candidato aos eleitores de maneira vigorosa. O candidato passeia pela cidade o dia
todo, apertando mãos, beijando bebês, reunindo-se com doadores e fazendo
discursos. Uma infinidade de dinheiro é gasta em propaganda no rádio e na
televisão, pôsteres e mala direta. As falhas do candidato são ocultadas do público, já
que o objetivo é realizar a venda, não sendo levada em conta a satisfação pós-
compra. Após a eleição, a nova autoridade continua a adotar uma visão orientada
para vendas. Existe pouca pesquisa sobre o que o público deseja e muita venda
para fazer com que o público aceite as políticas que o político ou seu partido deseja.
A maioria das empresas pratica a orientação de vendas quando tem excesso
de capacidade. Seu objetivo é vender aquilo que fabrica, em vez de fabricar aquilo
que o mercado quer. Em economias industriais modernas, a capacidade produtiva
aumentou até o ponto em que a maioria dos mercados é de compradores (os
39
compradores são predominantes), e os vendedores têm de correr atrás de clientes.
Clientes potenciais são bombardeados por comerciais de TV, anúncios em jornais,
malas diretas e telefonemas de vendedores. Em toda esquina há alguém tentando
vender alguma coisa. Como resultado, o público frequentemente identifica marketing
com venda e propaganda agressivas.
Mas o marketing fundamentado em venda agressiva leva a altos riscos.
Pressupõe-se que clientes persuadidos a comprar um produto gostarão dele; e caso
isso não ocorra, imagina-se que esses clientes não falarão mal dele e tampouco
reclamarão junto a um órgão de defesa do consumidor, esquecendo-se de sua
decepção e voltando a comprar o produto. Essas suposições são frágeis. Uma
pesquisa mostrou que clientes insatisfeitos podem falar mal do produto a dez ou
mais conhecidos; as más notícias voam.
A orientação de marketing
A orientação de marketing é uma filosofia empresarial que desafia as três
orientações de negócios que acabamos de discutir. Suas premissas centrais
cristalizaram-se em meados da década de 50.
A orientação de marketing sustenta que a chave para alcançar as metas
organizacionais está no fato de a empresa ser mais efetiva que a concorrência na
criação, entrega e comunicação de valor para o cliente de seus mercados-alvo
selecionados.
A orientação de marketing tem sido apresentada de muitas maneiras
interessantes:
"Atender às necessidades de maneira lucrativa".
"Identificar desejos e atendê-los."
"Amar o cliente, não o produto."
"Como você quiser." (Have it your way, slogan da Burger King)
"Você é quem manda." (You/re the 60ss, slogan da United Airlines)
"Pessoas em primeiro lugar." (Putting people first, slogan da British Airways)
"Parceiros no lucro." (Partners for profit, slogan da Milliken & Company)
40
Theodore Levitt, de Harvard, elaborou uma comparação perspicaz entre as
orientações de vendas de marketing:
A venda está voltada para as necessidades do vendedor, o marketing, para as
necessidades do comprador. A venda preocupa-se com a necessidade do vendedor
de converter seu produto em dinheiro; o marketing, com a ideia de satisfazer as
necessidades do cliente por meio do produto e de todo um conjunto de coisas
associado a sua criação, entrega e consumo final.
A orientação de marketing baseia-se em quatro pilares: mercado-alvo,
necessidades dos clientes, marketing integrado e lucratividade. Esses pilares estão
ilustrados na Figura 1.7, em que são contrastados com a orientação de vendas. A
orientação de vendas adota uma perspectiva de dentro para fora. Começa com a
produção, concentra-se nos produtos existentes e exige ênfase em vendas e
promoção para gerar vendas lucrativas. A orientação de marketing adota uma
perspectiva de fora dentro. Começa com um mercado bem definido, focaliza as
necessidades dos clientes, coordena todas as atividades que os afetarão e produz
lucros satisfazendo-os.
FIGURA 1.7 - Comparação entre a orientação de vendas e a de marketing
41
Mercado-alvo
As empresas têm maiores chances de se saírem bem quando escolhem seus
mercados-alvo com cuidado e preparam programas de marketing customizados:
Estée Lauder Depois que o censo de 1990 chamou a atenção das empresas
para o crescente poder de compra das minorias, a gigante dos cosméticos Estée
Lauder voltou sua atenção para a comunidade negra, com linhas especiais de
cosméticos desenvolvidas para tons de pele mais escuros. Em 1992, a subsidiária
da Estée Lauder, a Prescriptives, lançou a linha Ali Skins, que oferece "115
tonalidades diferentes de base. O executivo sênior de marketing criativo da
Prescriptives atribui à Ali Skins um aumento de 45 por cento nas vendas desde o
lançamento da linha.
Necessidades dos clientes
Uma empresa pode identificar seu mercado-alvo, mas falhar em compreender
com exatidão as dos clientes. Considere o seguinte exemplo:
Uma importante empresa do setor químico inventou uma nova substância
que, ao endurecer, transformava-se em um material semelhante ao mármore. Em
busca de uma aplicação! o departamento de marketing decidiu oferecê-la ao
mercado de banheiras. A empresa criou algumas banheiras-modelo e as exibiu em
uma feira setorial. Ela esperava convencer fabricantes a produzir banheiras com o
novo material; embora osfabricantes tenham achado as banheiras bonitas, nenhum
se dispôs a fabricá-las. O motivo logo ficou claro: a banheira teria de custar dois mil
dólares, ao passo que a maioria das banheiras era vendida na faixa de 500 dólares.
Com dois mil dólares, os consumidores poderiam comprar banheiras de mármore
verdadeiro ou de ônix. Além disso, as banheiras desse material eram tão pesadas
que quem quisesse instalar delas teria de reforçar a estrutura do piso.
Compreender as necessidades e os desejos dos clientes nem sempre é uma
tarefa fácil. Alguns consumidores têm necessidades das quais não têm plena
consciência. Ou não conseguem articular essas necessidades. Ou então empregam
palavras que exigem alguma interpretação. O que o cliente quer dizer quando diz
42
que precisa de um carro 'barato', um cortador de grama 'potente', um torno 'veloz',
um maiô 'atraente' ou um hotel 'repousante'?
Considere o cliente que diz querer um carro barato. O profissional de
marketing deve sondar mais profundamente. Podemos distinguir cinco tipos de
necessidades:
1. Necessidades declaradas (o cliente quer um carro econômico).
2. Necessidades reais (o cliente quer um carro cujo custo de manutenção seja baixo,
não seu preço inicial).
3. Necessidades não-declaradas (o cliente espera um bom atendimento por parte do
revendedor).
4. Necessidades de 'algo mais' (o cliente gostaria que o revendedor incluísse um
mapa rodoviário como brinde).
5. Necessidades secretas (o cliente quer ser visto pelos amigos como um
consumidor inteligente).
Responder apenas à necessidade declarada pode não ser o bastante para o
cliente. Considere' uma mulher que entra em uma loja de ferragens e pede um
produto para vedação de vidraças de janelas. Essa cliente está declarando uma
solução, não uma necessidade. O balconista pode sugerir que uma fita seria uma
solução mais adequada. A cliente pode entender que o balconista atendeu a sua
necessidade, não sua solução declarada.
Deve-se fazer uma distinção entre o marketing reativo o marketing pró-ativo e
o marketing criativo. Um profissional de marketing reativo encontra uma necessidade
declarada e a preenche. Um profissional de marketing pró-ativo vê adiante,
pensando nas necessidades que os clientes possam vir a ter no futuro próximo. Um
profissional de marketing criativo descobre e produz soluções que os clientes não
pediram, mas às quais respondem com entusiasmo. Hamel e Prahalad acreditam
que as empresas devem ir além de simplesmente perguntar aos clientes o que eles
desejam:
Os clientes são notoriamente falhos em termos de previsão. Há 10 ou 15 anos
quantos de nós pensávamos em possuir telefones celulares e aparelhos de fax e
43
copiadoras em casa, assim como aplicações financeiras 24 horas por dia, motores
multiválvulas para automóveis, aparelhos de GD, carros com sistemas de navegação
a bordo, receptores manuais de posicionamento global por satélite, caixas
eletrônicos automáticos ou sistemas de compras via Internet?
A Sony é um bom exemplo de empresa de marketing criativo. Ela lançou
muitos novos produtos bem-sucedidos que os clientes jamais pediram ou pensaram
ser possíveis: o Walkman, o videocassete, a filmadora, os CDs e assim por diante. A
Sony vai além do marketing orientado para o cliente; ela orienta os próprios
mercados em que atua. Akio Morita, seu fundador, declarava que ele não atendia
mercados, mas os criava.
Por que é tão imensamente importante satisfazer clientes-alvo? Porque as
vendas das empresas a cada período advêm de dois grupos: novos clientes e
clientes que já compraram anteriormente. Estima-se que atrair um cliente novo pode
custar até cinco vezes mais do que agradar um já existente. E pode custar até 16
vezes mais levar um novo cliente ao mesmo nível de lucratividade do cliente perdido.
A retenção de clientes é, portanto, mais importante do que a atração de clientes.
Marketing integrado
Quando todos os departamentos da empresa trabalham em conjunto para
atender aos interesses dos clientes, o resultado é o marketing integrado.
Infelizmente, nem todos os funcionários são treinados e motivados para trabalhar
pelo cliente. Um engenheiro certa vez reclamou que o pessoal de vendas está
"sempre protegendo o cliente e não pensa nos interesses da empresa"! E continuou
criticando os clientes por "exigirem demais". O exemplo a seguir destaca o problema
de coordenação:
O diretor de marketing de uma grande empresa aérea europeia deseja
aumentar a participação de mercado da empresa. Sua estratégia é aumentar a
satisfação dos clientes oferecendo refeições melhores, cabines mais limpas,
tripulações mais bem treinadas e tarifas mais baixas. Entretanto, ele não tem
qualquer autoridade sobre esses assuntos. O departamento de serviço de bordo
escolhe a comida que mantém os custos das refeições mais baixos; o departamento
44
de manutenção utiliza serviços de limpeza que mantêm baixos os custos de limpeza;
o departamento de recursos humanos contrata pessoas sem considerar se são
naturalmente amáveis, e o departamento de finanças determina as tarifas. Como os
departamentos geralmente adotam um ponto de vista de custo de produção, o
diretor de marketing está impedido de criar um mix de marketing integrado.
O marketing integrado ocorre em dois níveis. Em primeiro lugar, as diversas
funções de marketing - força de vendas, propaganda, atendimento ao cliente,
gerência de produto, pesquisa de marketing - devem trabalhar em conjunto. Com
muita frequência, a força de vendas acha que os gerentes de produto determinam
preços e cotas muito altos e o diretor de propaganda e os gerentes de marca não
conseguem chegar a um acordo sobre uma campanha publicitária. Todas essas
funções de marketing devem ser coordenadas do ponto de vista do cliente. Em
segundo lugar, o marketing deve ser incorporado pelos outros departamentos; eles
também devem 'pensar o cliente'. Segundo David Packard, da Hewlett-Packard: "O
marketing é importante demais para ser deixado a cargo apenas do departamento
de marketing!" O marketing é mais uma orientação que abrange toda a empresa do
que um departamento. A Xerox chega ao ponto de incluir em cada descrição de
cargo uma explicação de como esse cargo afeta o cliente. Os gerentes de fábrica da
Xerox sabem que visitas à fábrica podem ajudar a convencer um cliente potencial a
realizar a compra, se a fábrica for limpa e eficiente. Contadores da Xerox sabem que
as atitudes dos clientes são afetadas pelo cuidado com que é feito o faturamento da
empresa e pela rapidez no retorno das ligações recebidas.
Para estimular o trabalho em equipe entre todos os departamentos, a
empresa adota, além do marketing externo, o marketing interno. O marketing externo
é direcionado às pessoas de fora da empresa. O marketing interno é a tarefa de
contratar, treinar e motivar funcionários que desejam atender bem aos clientes. Na
verdade, o marketing interno deve preceder o marketing externo. Não faz o menor
sentido prometer um excelente serviço antes que o quadro da empresa esteja
preparado para fornecê-lo.
Administradores que acreditam que o cliente é o único verdadeiro 'centro de
lucro' da empresa consideram o organograma tradicional da Figura 1.8(a) obsoleto -
uma pirâmide com a alta administração no alto, a gerência de nível médio no meio e
o pessoal de linha de frente e os clientes na base. Empresas que dominam bem o
45
marketing invertem o organograma, como mostrado na Figura 1.8(b). No topo estão
os clientes; em seguida, em grau de importância, vem o pessoal de linha de frente,
que se encontra com os clientes, atende-os e os satisfaz; abaixo deles estão os
gerentes de nível médio, cuja tarefa é dar apoio ao pessoal de linha de frente para
que possam atender bem aos clientes, e na base está a alta administração, cuja
tarefa écontratar e apoiar os gerentes de nível médio. Acrescentamos a palavra
clientes nas laterais da Figura 1.8(b) para indicar que todos os gerentes da empresa
devem estar pessoalmente envolvidos em encontrar, conhecer e atender clientes.
FIGURA 1.8 – Organograma tradicional versus organograma de empresa moderna
orientada para o cliente.
46
UNIDADE 4 - LUCRATIVIDADE
A principal meta da orientação de marketing é auxiliar organizações a atingir
seus objetivos. No caso de empresas privadas, o objetivo maior é o lucro; no caso
de organizações sem fins lucrativos e órgãos públicos, é sobreviver e atrair recursos
suficientes para desempenhar um trabalho útil. Empresas privadas não devem
puramente objetivar lucros, mas alcançar lucros como consequência da criação de
valor superior para o cliente. Uma empresa ganha dinheiro ao satisfazer as
necessidades dos clientes melhor do que a concorrência o faz. Considere a filosofia
de Frank Perdue:
Perdue Chicken Farms A Perdue Farms é uma empresa que comercializa
frangos. Sua receita é de 1,5 bilhão de dólares, suas margens de lucro são
substancialmente maiores que a média do setor e sua participação nos principais
mercados em que atua chega a 50 por cento. E o produto é frango uma commodity
por excelência! Entretanto, o folclórico Frank Perdue não acredita que "um frango é
um frango é um frango", e seus clientes também não. A empresa sempre procurou
produzir frangos macios e saborosos pelos quais os clientes pagam um valor a mais
sobre o preço. A Perdue controla sua operação de criação de maneira a produzir
uma ave de qualidade com características distintas. Seus frangos têm uma
alimentação sem produtos químicos ou esteróides. Desde 1971, anúncios em que
aparecem Frank Perdue e o slogan "It takes a tough man to make a tender chicken"
(É preciso um homem durão para produzir um frango macio) tornaram-se a
assinatura da empresa. Em 1995, quando Frank Perdue se aposentou, seu filho Jim
assumiu as rédeas da empresa. Uma campanha publicitária o apresentou aos
Estados Unidos e enfatizou os valores que a empresa vem promovendo ao longo
dos anos, como oferecer produtos frescos e de qualidade. "Após três gerações, os
Perdue sabem mais sobre criar frangos do que os próprios frangos", diz um anúncio.
Em outro, Jim Perdue diz: "Nós nos esforçamos ao máximo para garantir que o
frango Perdue que você compra seja tão macio, carnudo e delicioso quanto o frango
que você comprava de meu pai, ou até mais".
47
Quantas empresas efetivamente praticam essa orientação de marketing?
Infelizmente, muito poucas. Poucas empresas se destacam como
especialistas em marketing, entre elas: as norte-americanas P&G, Disney,
Nordstrom, Wal-Mart, Milliken & Company, McDonald's, Marriot Hotels, American
Airlines; as japonesas Sony, Toyota, Canon, e as europeias IKEA, Club Med, Bang &
Olufsen, Electrolux, Nokia, ABB, Lego, Marks & Spencer. Essas empresas centram-
se no cliente e estão organizadas para responder a mudanças nas necessidades
dos clientes com eficácia. Todas elas têm departamentos de marketing bem
constituídos e todos seus demais departamentos fabricação, finanças, pesquisa e
desenvolvimento, pessoal, compras - aceitam a orientação de que o cliente é rei.
A maioria das empresas não adota a orientação de marketing até ser levada a
fazê-lo pelas circunstâncias. Vários acontecimentos as obrigam a levar a orientação
de marketing a sério:
Declínio nas vendas: quando as vendas caem, as empresas entram em
pânico e buscam respostas. Atualmente, os jornais estão lidando com um declínio na
circulação, à medida que mais pessoas se voltam para o rádio, a TV e a Internet em
busca de notícias. Alguns editores já se conscientizaram de que poucos sabem
sobre o que leva as pessoas a ler jornais. Esses editores estão encomendando
pesquisas junto· a consumidores e procurando reprojetar seus jornais, para que se
tornem atuais, relevantes e interessantes para os leitores. Também estão criando
páginas Web.
Crescimento lento: o lento crescimento nas vendas leva algumas empresas a
buscar novos mercados. Elas se conscientizam de que precisam de técnicas de
marketing para identificar e selecionar novas oportunidades. Buscando novas fontes
de receita, a Dow Chemical entrou em mercados consumidores e investiu
maciçamente na aquisição de conhecimento especializado em marketing de
produtos de consumo para ter bom desempenho nesses mercados.
Mudanças nos padrões de compra: muitas empresas operam em mercados
caracterizados por desejos de clientes em acelerada transformação. Essas
empresas necessitam de mais know-how de marketing se quiserem acompanhar os
mutáveis valores dos compradores.
48
Concorrência crescente: empresas complacentes podem ser repentinamente
atacadas por poderosos concorrentes. A AT&T era uma empresa de telefonia
regulamentada e ingênua em termos de marketing até os anos 70, quando o
governo norte-americano passou a autorizar que outras empresas comercializassem
equipamentos de telecomunicações. A A T& T mergulhou fundo no marketing e
contratou os melhores profissionais que encontrou para ajudá-la a concorrer. Todas
as empresas em setores não-regulamentados têm necessidade de desenvolver
conhecimentos especializados de marketing.
Crescentes custos de marketing: as empresas poderão perder o controle
sobre seus gastos com propaganda, promoção de vendas, pesquisa de marketing e
atendimento ao cliente. A administração então decidirá que é chegada a hora de
empreender uma auditoria séria de marketing para melhorá-la.
Durante a conversão para uma orientação de marketing, uma empresa se
depara com três obstáculos: resistência organizada, aprendizagem lenta e
esquecimento rápido.
Alguns departamentos da empresa (frequentemente produção, finanças e
P&D) acreditam que um 'departamento de marketing fortalecido ameaça seu poder
na organização. A natureza da ameaça é ilustrada na Figura 1.9. Inicialmente o
marketing é visto como uma das várias funções igualmente importantes em um
relacionamento com limites impostos. A falta de demanda leva profissionais d e
marketing a argumentar que sua função é mais importante. Alguns entusiastas vão
mais longe e alegam que sua função é a mais importante na empresa, já que sem
clientes não haveria empresa. Profissionais de marketing esclarecidos resolvem a
questão colocando o cliente, e não o marketing, no centro da empresa. Eles
argumentam em prol de uma orientação para o cliente na qual todas as funções
trabalhem em conjunto para responder, atender e satisfazer ao cliente. Alguns
profissionais dizem que o marketing ainda precisa exigir uma posição central para
que as necessidades dos clientes possam ser corretamente interpretadas e
satisfeitas com eficiência.
A resistência é especialmente forte em setores nos quais o marketing está
sendo introduzido pela primeira vez - por exemplo, em escritórios de advocacia,
49
faculdades, setores não-regulamentados e órgãos governamentais. Mas, apesar da
resistência, muitas empresas conseguem introduzir algum pensamento de marketing
em suas organizações. O presidente da empresa cria um departamento de
marketing; especialistas em marketing são contratados; gerentes-chave
comparecem a seminários de marketing; a verba destinada ao marketing é
significativamente elevada; são implementados sistemas de planejamento e controle
de marketing. Mesmo com essas providências, entretanto, a aprendizagem ocorre
de maneira vagarosa.
Mesmo depois de o marketing ser implementado, a administração deve lutar
contra a tendência de esquecer os princípios básicos, principalmente na esteira do
sucesso. Por exemplo, muitas empresas dos Estados Unidos entraram em mercados
europeus nos anos 50 e 60 esperando atingir um sucesso espetacular comseus
produtos sofisticados e seus recursos de marketing. Algumas fracassaram por ter
esquecido o princípio básico do marketing: conheça seu mercado-alvo e como
satisfazê-lo. Empresas norte-americanas lançaram seus produtos e peças
publicitárias como eram em vez de adaptá-los. A General Mills lançou suas misturas
para bolos Betty Crocker na Grã-Bretanha e foi obrigada a retirá-las desse mercado
logo em seguida: 'os nomes das misturas, Angel Food Cake e Devil's FoodCake,
eram exóticos demais para os consumidores britânicos.* Além disso, muitos
consumidores britânicos achavam que seria muito difícil fazer os bolos perfeitos
mostrados nas embalagens.
As empresas enfrentam uma tarefa particularmente complexa em adaptar
slogans publicitários a mercados internacionais. Traduzido para o espanhol, o slogan
da Perdue - "Ê preciso um homem durão para produzir um frango macio" - ganhou
um sentido totalmente indesejado. Mesmo quando o idioma é o mesmo, as palavras
têm conotações diferentes: o anúncio britânico dos aspiradores de pó Electrolux -
"Nothing sucks Iike an Electrolux"** - certamente não atrairia clientes nos Estados
Unidos!
A orientação de marketing societal
Algumas pessoas questionam se a orientação de marketing é adequada a
uma época de deterioração ambiental, escassez de recursos, explosão demográfica,
50
fome e miséria em todo o mundo e serviços sociais negligenciados. As empresas
que fazem um excelente trabalho em relação à satisfação de desejos de
consumidores estão necessariamente agindo segundo os melhores interesses de
prazo dos consumidores e da sociedade? O conceito de marketing não aborda os
conflitos potenciais entre desejos e interesses dos consumidores e o bem-estar
social a longo prazo.
Considere a seguinte crítica:
O setor de fast-food oferece um alimento saboroso, mas pouco saudável. Os
hambúrgueres têm um alto teor de gordura, e os restaurantes fazem promoções de
batatas fritas e tortas - dois produtos com alto teor de amido e gordura. Os produtos
são acondicionados em embalagens práticas, o que faz com que se produza muito
lixo. Ao satisfazer os desejos dos consumidores, esses restaurantes prejudicam a
sua saúde e causam danos ambientais.
Situações como essa requerem um novo termo que amplie a orientação de
marketing. Entre os sugeridos estão 'marketing humanista' e 'marketing ecológico',
Nossa proposta é 'orientação de marketing societal'.
A orientação de marketing societal sustenta que a tarefa da organização é
determinar as necessidades, os desejos e os interesses dos mercados-alvo e
fornecer as satisfações desejadas mais eficaz e eficientemente do que a
concorrência, de uma maneira que preserve ou melhore o bem estar do consumidor
e da sociedade.
A orientação de marketing societal exige que as empresas incluam
considerações sociais e éticas em suas práticas de marketing. Elas devem equilibrar
e fazer malabarismos com três considerações frequentemente conflitantes: lucros
para a empresa, satisfação dos desejos dos consumidores e interesse público.
Entretanto, algumas empresas têm aumentado suas vendas e alcançado lucros
notáveis com a adoção e a prática da orientação de marketing societal. Duas
pioneiras na aplicação da orientação de marketing societal são a Ben & Jerry's e a
Body Shop. Mas, como mostram acontecimentos recentes, até mesmo elas
enfrentam dificuldades:
Ben & Jerry's Vinte anos após a inauguração da primeira sorveteria Ben & Jerry's em
Burlington, Vermont, as vendas superaram o patamar de 190 milhões de dólares. A
51
empresa tem mais de 600 funcionários e dez franquias. Qual a razão de tanto
sucesso? Por um lado, Ben e Jerry são especialistas em criar sabores inovadores
como Cherry Garcia e Chocolate Chip Cookie Dough. Por outro, os clientes sabem
que 7,5 por cento do lucro bruto da empresa é doado a uma série de causas sociais
e ambientais. Durante algum tempo, parecia que a empresa não cometeria nenhum
erro. Então, em meados da década de 90, enfrentando uma concorrência acirrada
no setor de sorvetes especiais, a empresa sofreu uma série de prejuízos e deu início
a uma busca por um novo diretor presidente para liderar a empresa. O profissional
selecionado, um consultor da McKinsey, foi recebido com grandes esperanças, mas
permaneceu na empresa por apenas dois anos. O atual diretor-presidente, Perry
Odak, que entrou na empresa em 1997, colocou a Ben & Jerry's nos eixos,
alcançando um impressionante crescimento de 12 por cento em 1998. Odak
aperfeiçoou as linhas de produtos, mudou o design das embalagens (que eram
modernas, porém confusas) e aumentou o controle das práticas de negócios da
empresa - outrora frouxas e às vezes caóticas. E, para quem teme que Odak venha
a trair o espírito social da empresa - uma vez que seu currículo inclui uma passagem
pelo fabricante de armas U.S. Repeating Arms -, observe que o controle mais rígido
das práticas de negócios não está resultando apenas na melhoria dos resultados,
mas também está promovendo desempenho em termos de causas válidas. Elizabeth
A. Bankowski, diretora de compromisso social da empresa, disse: "Identificar e
realizar objetivos sociais é agora uma função, e eles são levados tão a sério quanto
qualquer outro objetivo da empresa". Desde que Odak entrou na empresa, as
avaliações de desempenho evidenciam a eficiência dos funcionários em identificar e
realizar seus objetivos de missão social.
Body Shop Em 1976, Anita Roddick fundou a Body Shop em Brighton,
Inglaterra, como uma pequena loja que vendia loções para o corpo. Atualmente, a
Body Shop administra 1 500 filiais em 47 países. A empresa fabrica.e vende
cosméticos à base de ingredientes naturais em embalagens recicláveis, simples e
bonitas. Os ingredientes são em grande parte vegetais e são originários de países
em desenvolvimento. Todos os produtos são formulados sem testes em animais. A
empresa também auxilia países em desenvolvimento por meio de sua missão Trade
Not Aid, contribui para a preservação das florestas tropicais, é participante ativa em
questões relacionadas à mulher e à Aids e é exemplar em termos de reciclagem.
52
Entretanto, como muitas empresas que lutam para ser socialmente responsáveis e
lucrativas, a Body Shop tem tido de lidar com investigações minuciosas e suspeitas
em relação à sua ética. Ela também tem sido vítima de seu sucesso e ultrapassada
por empresas mais recentes, as quais inspirou. Concorrentes como a Bath & Body
Works, Aveda e Origins estão livres do fardo de dispendiosos compromissos sociais.
O declínio das vendas nas lojas, principalmente nos Estados Unidos, mexeu com a
Body Shop, levando-a a adotar novas estratégias administrativas e de marketing. A
sincera Anita Roddick abdicou do cargo de principal executiva, embora continue
envolvida ativamente na elaboração do plano de metas sociais e no
desenvolvimento de novos produtos. Uma de suas iniciativas, a Hemp, uma linha de
produtos para o corpo com óleo de sementes de cânhamo, promete fazer a Body
Shop voltar a brilhar e revigorar suas vendas. Defensores do cânhamo industrial, um
parente atóxico da maconha, dizem que essa planta, de crescimento rápido, oferece
uma alternativa ecologicamente correta às árvores utilizadas para a fabricação de
papel, tecidos e outros produtos. A linha de produtos é ao mesmo tempo atraente e
coerente com a filosofia de consciência ambiental da Body Shop.
Essas empresas praticam uma forma de orientação de marketing societal
denominada marketing de causas sociais. Pringle e Thompson definem essa filosofia
como a "atividade por meio da qual uma empresa com uma imagem, produto ou
serviço a ser comercializado estabelece uma parceria ou um relacionamento com
uma 'causa', ou com uma variedade de 'causas', em benefício mútuo". Eles vêem
isso como uma oportunidade de as empresas intensificaremsua reputação
corporativa, aumentarem a conscientização de marca e a fidelidade dos clientes,
incrementarem as vendas e chamarem a atenção da imprensa. Eles acreditam
também que os clientes procurarão cada vez mais demonstrações de cidadania por
parte das empresas. Empresas inteligentes responderão acrescentando atributos de
imagem de 'ordem mais elevada' do que simples benefícios racionais e emocionais.
Algumas pessoas, entretanto, reclamam que o marketing relacionado a causas
poderá fazer com que os consumidores sintam que cumpriram seus deveres
filantrópicos por meio da compra de produtos e deixem de fazer doações diretas às
causas escolhidas.
53
UNIDADE 5 - COMO AS EMPRESAS E O MARKETING
ESTÃO MUDANDO
Podemos afirmar, com certo grau de confiança, que o mercado não é mais o
mesmo. Ele está mudando radicalmente como resultado de grandes forças, como
avanço tecnológicos, globalização e desregulamentação. Essas grandes forças têm
criado novos comportamentos e desafios.
Os clientes estão exigindo cada vez mais qualidade e serviço superiores,
além de alguma customização. Eles percebem menos diferenças reais entre
produtos e mostram menos fidelidade a marcas. Eles também podem obter muitas
informações sobre produtos por meio da Internet e de outras fontes, o que permite
que comprem de maneira mais racional. Os clientes estão mostrando maior
sensibilidade em relação ao preço em sua busca por valor.
Os fabricantes de marca estão enfrentando concorrência acirrada de marcas
locais e estrangeiras, o que está causando a elevação dos custos de promoção e a
redução das margens de lucro. Eles estão sendo assolados ainda por poderosos
varejistas que disponibilizam espaço limitado nas prateleiras e estão lançando suas
próprias marcas para concorrer com marcas conhecidas.
Os varejistas estão sofrendo devido a uma supersaturação do varejo.
Pequenos comerciantes estão sucumbindo ao poder cada vez maior das superlojas
e 'dominadores de categorias' (category killers). Os varejistas enfrentam
concorrência cada vez maior de empresas de vendas por catálogo, empresas de
mala direta, anúncios diretos ao cliente em jornais, revistas e TV e emissoras de TV
a compras em domicílio, além da Internet. Como resultado, os comerciantes estão
lidando com margens de lucro cada vez menores. Em resposta, os comerciantes
empreendedores estão colocando entretenimento à disposição em suas lojas, como
cafés, palestras, demonstrações e apresentações. Eles estão comercializando uma
'experiência', em vez de uma variedade de produtos.
54
Respostas e ajustes das empresas
As empresas estão fazendo muita auto-análise e empresas muitíssimo
respeitadas estão mudando em vários aspectos. Eis algumas tendências atuais:
Reengenharia: não mais concentrar-se em departamentos funcionais e
passar a reorganizá-los seguindo processos-chave administrados por equipes
multidisciplinares.
Terceirização: não mais realizar todas as tarefas no âmbito da empresa e
passar a comprar mais bens e serviços de terceiros, caso sejam melhores e mais
baratos. Algumas empresas tendem a terceirizar tudo, tornando-se empresas virtuais
com pouquíssimos ativos e, portanto, obtendo extraordinárias taxas de retorno.
E-commerce: não mais atrair clientes para lojas ou enviar vendedores ao
cliente e passar a disponibilizar praticamente todos os produtos na Internet. Os
consumidores podem acessar fotos de produtos, ler as especificações, vasculhar os
fornecedores on-line em busca de melhores preços e condições e simplesmente
clicar para encomendar e pagar. Compras de empresa para empresa estão
crescendo rapidamente na Internet: compradores podem utilizar sites Web para
comprar itens rotineiros. Além disso, a venda pessoal pode ser cada vez mais
realizada por meio eletrônico, com o comprador e o vendedor se vendo por meio de
suas telas de computador em tempo real.
Benchmarking: não mais depender do auto-aperfeiçoamento e passar a
estudar 'o desempenho de empresas de classe mundial' e a adotar as 'melhores
práticas'.
Alianças: não mais tentar ganhar sozinho e passar a formar parcerias.
Parceiros-fornecedores: não mais utilizar muitos fornecedores; passar a
utilizar um menor número de fornecedores mais confiáveis e que trabalhem
estreitamente com a empresa em um relacionamento de 'parceria'.
Centradas no mercado: não mais organizar de acordo com o produto, mas
por segmento de mercado.
Globais e locais: não mais ser apenas locais; tornar-se globais e locais
('glocal').
55
Descentralizadas: não ser mais uma administração de cima para baixo e
passar a estimular mais iniciativa e 'espírito empreendedor' em nível local.
Respostas e ajustes aos novos temas de marketing
As empresas também estão repensando suas filosofias, seus conceitos e
suas ferramentas. Eis alguns dos principais temas de marketing na chegada do
milênio:
Marketing de relacionamento: deixar de se concentrar em transações para
se preocupar com a construção de relacionamentos lucrativos de longo prazo com
os clientes. As empresas concentram-se em seus clientes, produtos e canais mais
lucrativos.
Valor do cliente ao longo do tempo: deixar de realizar um lucro sobre cada
venda para realizar lucros por meio da gestão do valor do cliente ao longo do tempo.
Algumas empresas se comprometem a fornecer um produto de necessidade
constante regularmente a um preço unitário menor por acreditarem que se
beneficiarão dos negócios do cliente por um período mais longo.
Participação nos clientes: deixar de se concentrar no ganho de participação
de mercado e passar a se concentrar no aumento da participação em cada cliente.
As empresas oferecem uma variedade maior de produtos aos clientes existentes.
Elas treinam seus funcionários em vendas cruzadas (venda de produtos
relacionados) e vendas de produtos mais sofisticados.
Marketing para mercados-alvo: deixar de tentar vender para todos e
procurar se tornar a empresa que melhor atende mercados-alvo bem definidos. O
marketing para mercados-alvo está sendo facilitado pela proliferação de revistas,
canais de TV e grupos de discussão na Internet, todos voltados para interesses
específicos.
Individualização: deixar de vender o mesmo produto da mesma maneira a
todos no mercado-alvo e passar a individualizar e customizar mensagens e ofertas.
Os clientes poderão escolher as características de seu produto nas páginas Web
das empresas.
56
Banco de dados de clientes: deixar de coletar dados de vendas e passar a
elaborar um data warehouse rico em informações sobre compras, preferências,
demografia e lucratividade de clientes individuais. As empresas podem 'garimpar
dados' em seus bancos de dados para detectar diferentes agrupamentos de
necessidades de clientes e fazer ofertas diferenciadas a cada agrupamento.
Comunicação integrada de marketing: deixar de depender quase
exclusivamente de uma só ferramenta de comunicação, como a publicidade ou a
força de vendas, e passar a combinar várias ferramentas para proporcionar uma
imagem de marca consistente aos clientes a cada contato que eles tiverem com a
marca.
Canais de distribuição como parceiros: deixar de tratar os intermediários
como clientes e passar a tratá-los como parceiros na entrega de benefícios a
clientes finais.
Todo funcionário é um profissional de marketing: deixar de pensar que o
marketing é realizado apenas pelas equipes de marketing, vendas e atendimento ao
cliente e passar a reconhecer que todos os funcionários devem se concentrar no
cliente.
Tomada de decisões baseada em modelos: deixar de decidir com base em
intuição ou a partir de dados inconsistentes e passar a embasar decisões em
modelos e fatos relacionados ao modo como o mercado funciona.
Esses temas principais serão examinadosao longo desta apostila, para
auxiliar empresas e seus profissionais de marketing a navegar com segurança pelas
águas turbulentas mas promissoras que temos pela frente. Empresas bem-
sucedidas serão as que puderem impor a suas estratégias de marketing o mesmo
ritmo de mudança de seus mercados - e de seus espaços de mercado.
RESUMO
1. As empresas de hoje enfrentam três grandes desafios e oportunidades: a
globalização, os avanços tecnológicos e a desregulamentação.
57
2. O marketing é normalmente visto como a tarefa de criar, promover e fornecer
bens e serviços a clientes individuais e empresariais. O marketing efetivo pode
assumir muitas formas: pode ser empreendedor, profissionalizado ou burocrático. As
empresas podem estar envolvidas na comercialização de bens, serviços,
experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e
ideias.
3. Profissionais de marketing são hábeis em gerir a demanda: buscam influenciar o
nível, a velocidade e a composição da demanda. Para isso, eles lidam com inúmeras
decisões, desde as mais importantes, como as características que um produto deve
ter, até as menos importantes, como a cor da embalagem. Eles também operam em
quatro mercados diferentes: o consumidor, o empresarial, o global e o sem fins
lucrativos.
4. Para cada mercado-alvo escolhido, a empresa desenvolve uma oferta ao mercado
que se fixa na mente dos compradores como fornecedora de algum benefício
central. Os profissionais de marketing devem tentar compreender as necessidades,
os desejos e as demandas do mercado-alvo. Um produto ou uma oferta obterá êxito
se entregar valor e satisfação ao comprador-alvo. O termo mercados abrange vários
grupos de clientes. Atualmente há espaços de mercado tanto físicos quanto virtuais,
bem como megamercados.
5. A troca envolve a obtenção de um produto desejado de alguém oferecendo-se
algo em troca. Uma transação é uma comercialização de valores entre duas ou mais
partes: envolve pelo menos duas coisas de valor, condições, um momento de acordo
e um local de acordo. No sentido mais genéricos profissionais de marketing têm
procurado provocar uma resposta comportamental de uma outra parte: uma compra,
um voto, um membro ativo ou a adoção de uma causa.
6. O marketing de relacionamento tem como objetivo estabelecer relacionamentos
mutuamente satisfatórios no longo prazo com partes-chave - clientes, fornecedores,
distribuidores -, a fim de ganhar e reter sua preferência e seus negócios no longo
prazo. O resultado final do marketing de relacionamento é a criação de um ativo
singular da empresa denominado rede de marketing.
7. As empresas alcançam seus mercados por meio de vários canais - de
comunicação, distribuição e venda. Profissionais de marketing operam em um
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ambiente de tarefas e em um ambiente geral. Enfrentam concorrência de rivais
atuais e potenciais que oferecem os mesmos produtos da empresa ou produtos que
possam substituí-los. O conjunto de ferramentas utilizado pelos profissionais de
marketing para provocar as respostas desejadas de seus mercados-alvo denomina-
se mix de marketing.
8. As empresas podem escolher entre cinco orientações concorrentes com base nas
quais podem conduzir seus negócios: a orientação de produção, a orientação de
produto, a orientação de vendas, a orientação de marketing e a orientação de
marketing societal. As três primeiras orientações são bastante limitadas nos dias de
hoje. A orientação de marketing sustenta que a chave para se alcançar metas
organizacionais consiste em determinar as necessidades e os desejos dos
mercados-alvo e fornecer as satisfações desejadas mais eficiente e efetivamente do
que a concorrência. Começa com um mercado bem definido, concentra-se nas
necessidades dos clientes, coordena todas as atividades que possam afetar os
clientes e produz lucros satisfazendo-os.
9. Nos últimos anos, algumas pessoas têm questionado se a orientação de
marketing é uma filosofia adequada em um mundo que tem importantes desafios
demográficos e ambientais. A orientação de marketing societal sustenta que a tarefa
da organização é determinar as necessidades, os desejos e os interesses dos
mercados-alvo e entregar as satisfações desejadas mais eficiente e efetivamente
que a concorrência, de uma maneira que preserve ou aumente o bem-estar do
consumidor e da sociedade. O conceito requer que os profissionais de marketing
equilibrem três considerações: lucros para a empresa, satisfação dos desejos dos
consumidores e interesse público.
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REFERÊNCIAS
ALEXADRE LUZZI LAS CASAS, Marketing - Exercícios e Casos 5° edição.
COBRA, M. Administração de Marketing. 2a edição. Editora Atlas, São Paulo, 1992
KOTLER, P. Administração de Marketing 10° edição editora Prentice Hall São Paulo
2000, Marketing para o Século XXI 4° edição editora Futura São Paulo 1999.
KOTLER, P. Administração de Marketing Análise, Planejamento, Implementação e
Controle. 5a edição. Editora Atlas, São Paulo, 1998.