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AULA 1 MOBILIDADE E FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Prof. Joselmo Zaniboni Rezende 2 CONVERSA INICIAL O mercado está cada vez mais competitivo, cada vez mais complexo e totalmente desprovido de barreiras geográficas. Nossos competidores podem estar em outro bairro, outra cidade ou outro país. O maior varejista do mundo está na China (Por exemplo: <www.aliexpress.com>) e entrega para o mundo todo qualquer produto que você estiver interessado, desde roupa e calçados a produtos tecnológicos. Como se este ambiente já não fosse complexo o suficiente, temos ainda a figura do consumidor, o seu cliente, que não vem à sua loja e, principalmente, se informa, efetua compra e se localiza tudo por um dispositivo móvel. Nosso objetivo é demonstrar como a tecnologia mobile ajuda no desenvolvimento de estratégias de vendas e conversão, ou mesmo em campanhas institucionais em que as empresas necessitam captar diretamente a audiência, afim de comunicar de forma direta. Para tanto, nesta aula daremos uma contextualização de marketing, o composto (preço, produto, praça e promoção), apresentaremos os conceitos aplicados à web e sua evolução, apresentaremos algumas definições sobre páginas digitais, mídias sociais e, por fim, uma contextualização sobre análise de tendências. CONTEXTUALIZANDO A internet está mudando a forma das empresas se relacionarem com seus clientes, de comercializarem seus produtos e de se apresentarem ao mercado. A maior empresa de táxi do mundo (Uber) não possui nenhum carro, a maior rede de hospedagem do mundo (Airbnb) não possui nenhum quarto. Imagine que você precisa transformar o negócio da sua empresa que hoje vende todos os produtos somente na loja física e que atende os moradores de um determinado bairro da cidade. Neste bairro acabou de se instalar uma loja de uma grande rede, esta loja não possui histórico de relacionamento com seus clientes atuais, porém, é preciso expandir os negócios para não ser esquecido nem mesmo perder espaço para o novo concorrente. O objetivo aqui é entender os 4 P’s do marketing e se apropriar da visão na web, entender as ferramentas e possibilidades de ações no contexto virtual e preparar-se para iniciar um plano de ações com vistas ao futuro da empresa. 3 TEMA 1 – COMPOSTO DE MARKETING Kotler (1995, p. 25) define o marketing como “um processo social na qual os indivíduos conseguem o que necessitam para satisfazer necessidades e desejos por meio da troca de produtos de valor com outros”. Ainda segundo Kotler, o conceito de troca leva ao conceito de mercado: O mercado consiste em todos os consumidores potenciais que compartilham de uma necessidade ou desejo especifico, dispostos e habilitados para fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou desejo. (Kotler, 1995, p. 29) Ferrel e Hartline (2006, p. 5) destacam a definição de marketing da American Marketing Association como sendo “o processo de planejar e executar a concepção, precificação, promoção e distribuição de ideias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam os objetivos individuais e organizacionais”. Essa definição mais ampliada define também as funções do marketing na perspectiva do planejamento e processo básicos que envolvem o marketing e que não alteraram ao longo dos anos. 1.1 4 P’s O composto de marketing, definido por Kotler (1995) como o conjunto de ferramentas que a empresa utiliza para atingir seus objetivos, foi apresentado por Jerome McCarthy, em 1978, na primeira edição do seu livro Basic Marketing: a Managerial Approach (Marketing Básico: uma Abordagem Gerencial), no qual ele apresentava o que conhecemos até hoje como: Preço – o preço envolve tanto os aspectos de custos envolvidos na fabricação do produto desde a matéria-prima, os custos de transformação, logística, impostos até que este chegue na mão dos consumidores. Mas além da perspectiva de custos e cadeia produtiva, o preço também envolve questões mercadológicas como o valor envolvido para a satisfação de uma determinada necessidade, ou o valor que o consumidor está disposto a pagar por um determinado produto ou serviço. Produto – o produto é tudo aquilo que é ofertado para a satisfação de uma necessidade do indivíduo. O produto pode ser físico, quando da entrega de mercadorias ou em forma de serviços, neste caso, a troca (entrega e pagamento) é feito no mesmo instante. A definição de um produto também parte da perspectiva da visão do indivíduo, ou seja, quando definimos um determinado produto precisamos entender se a entrega deste está adequada à necessidade apontada pelo indivíduo. (Kotler, 1995) Durante anos, você poderia comprar as Havaianas que quisesse desde que ela fosse com a sola azul e a base branca. Um produto barato, direcionado às classes D e E, possuía um mercado popular e restrito, seu ponto de vendas era 4 restrito a supermercados e pequenas lojas em bairros. Observando o comportamento do consumidor, e as mudanças fizeram uma alteração invertendo o solado e colorindo o calçado, experimentando uma nova dimensão para um calçado hoje com lojas em shopping e com referência às classes A e B. Promoção – a promoção parte do princípio que se a empresa não comunicar sobre seu produto/ serviço, o consumidor não terá acesso. Assim, a promoção envolve todos os aspectos de divulgação do seu produto. Quais os canais mais viáveis para a promoção de seu produto ou serviço, onde está sua audiência, que tipo de mídia seu público tem acesso, quais os locais que eles frequentam, quais os veículos de comunicação (rádio, tv, internet etc.) seu cliente assiste, que tipos de divulgação é permitido e acessível no local de venda/ troca, enfim, é necessário conhecer todos os aspectos envolvidos no processo. Ponto de Venda (Praça) – este talvez tenha sido o item no mix de marketing que sofreu a maior alteração ao longo destes anos, principalmente com o advento da web e com as ferramentas de mobilidade e comunicação. A praça envolve todos os aspectos relacionados à loja, seja física ou virtual. Os aspectos destes ambientes devem refletir o que a sua marca propaga, independente do ambiente proposto. O ponto de vendas deve permitir ao indivíduo que ele tenha acesso aos produtos/ serviços que seja conveniente a ele. Lauterborn citado por Amaral (2000), sugere uma revisão dos conceitos sugeridos por McCarthy, alterando a visão de: Produto – o que importa é a necessidade do cliente e não o que a empresa precisa produzir. Entender esta necessidade torna seu produto mais atraente ao mercado; Preço – importante é entender o custo para o qual o consumidor está disposto a satisfazer sua necessidade; Praça – neste caso, e destacando a evolução da web, as empresas devem pensar na conveniência para o indivíduo ter acesso a seu produto; Promoção – para o autor, as empresas devem pensar na comunicação que as empresas devem fazer com seu cliente, criar relacionamento, trabalhar com conteúdo. (Amaral, 2000) Esta visão propõe uma mudança drástica na visão dos 4P’s para 4C’s, a saber: Produto Cliente Preço Custo Praça Conveniência Promoção Comunicação 5 Esta visão é mais apropriada e atualizada para o marketing digital, principalmente pela facilidade e empoderamento que os consumidores conseguiram com o advento da internet. Diante da dinâmica dos mercados e do crescente uso dos meios digitais e das plataformas móveis, as empresas devem acompanhar as mudanças em seu mercado e atualizar-se constantemente para atender às necessidades dos indivíduos. Ainda, segundo Kotler (1995, p. 34), “o marketing determina a chave para atingir as metas organizacionais por meio da determinação das necessidades e desejos dos mercados-alvos oferecer as satisfações desejadas de forma mais eficaz e eficiente do que os outros concorrentes”. Em linhas gerais, Kotler sugere que o marketing orienta a empresaquanto à sua atuação no mercado, definindo seu mercado-alvo, o comportamento de seu cliente target, e o potencial de mercado de forma mais eficaz e eficiente que a concorrência em geral, buscando atingir as metas estabelecidas em seu planejamento estratégico. 1.2 8 P’s do Marketing Digital A mudança dos mercados é uma constante que enfrentamos, a tecnologia trouxe facilidades e possibilidades infinitas de ampliação de mercados e de comunicação mas trouxe também um aumento da complexidade das relações com o consumidor, da comercialização dos produtos, da comunicação com o mercado. Os 4 P’s são referência, mas também devem ter sua revisão, incluindo variáveis até então não imaginadas pelos seus precursores. Adolpho (2017) traz uma visão voltada ao marketing digital e denomina tal processo de 8 P’s do marketing digital. Segundo o autor, esse processo deve ser contínuo e permitir que a empresa conheça mais sobre seu mercado e consumidor, aplicando o processo de forma constante e ininterrupta. Assim, o processo dos 8 P’s do marketing digital, traz os seguintes aspectos: Pesquisa – numa visão digital, tudo o que o indivíduo faz na internet ele deixa marcas, assim, é possível acompanhar seus hábitos, entender suas motivações, necessidades; quanto mais ativo o indivíduo, mais ele deixa rastros e torna mais fácil decifrá-lo. Ferramentas como Google Analitics 6 permitem ter um panorama exato do público a ser atingido e assim segmentá-lo com maior facilidade, tornando a campanha mais efetiva; Planejamento – Conrado reforça a necessidade de um plano holístico quando estamos falando do marketing digital. Trabalhar com uma equipe multidisciplinar com programadores, publicitários, designers, jornalistas profissionais de pesquisa e marketing, afim de pensar de forma holística, e em todos os aspectos possíveis, que vão desde o post, passando pelo conteúdo gerado até mesmo o design de um site ou blog; Produção – trata de orquestrar todos os envolvidos e todas as variáveis disponíveis para se chegar ao resultado final desejado de seu planejamento; Publicação – trata das estratégias de divulgação que a empresa irá utilizar para divulgar seu conteúdo, seu site, seu produto ou serviço; Promoção – a perspectiva é utilizar o consumidor como um veículo é a forma mais eficaz para promover a sua marca. O tempo de maturação deste processo é maior, porém, o resultado final é maior. A internet é capaz de fazer isto de forma mais eficaz. A comunicação, neste caso, deve ser relevante ao consumidor, criando relevância para o indivíduo, tendo este como um promotor da sua marca. Este conceito está diretamente relacionado ao conceito de rede social, quando envolvemos os laços fortes e fracos promoção. Propagação – este conceito baseia-se no que a internet promove do seu capital social. Este conceito é relacionado ao capital financeiro, o quanto vale, porém, no capital social, a valorização se dá pelo quanto você é referenciado para qualificar um determinado produto ou serviço. O capital social de uma empresa ou de um indivíduo posiciona e fortalece sua imagem como referência para determinado assunto; Personalização – a internet permite que seja possível comunicar-se individualmente com os indivíduos, gerando relacionamento, aproximação e uma maior identificação do consumidor com sua marca. A internet deu esse poder às empresas, de poder segmentar e não somente utilizar a comunicação em massa, como a maioria dos veículos tradicionais utilizam. A busca pelo consumidor final, neste caso, é mais precisa e mais efetiva; Precisão – por fim, a internet permite que toda ação seja monitorada, medida e avaliada. Antes de fazer qualquer ação na internet, defina quais 7 são seus objetivos de mensuração e seus resultados esperados. Os resultados obtidos desta mensuração vão permitir que, ao reiniciar o processo, ele seja cada vez mais assertivo. Uma nova visão de processo que engloba diversos conceitos do marketing digital, objetivando a aplicabilidade dos profissionais para melhora da performance e dos resultados. TEMA 2 – WEB 1.0 A WEB 3.0 Em 1969, a internet surgiu com o nome de APANET, por meio de um projeto da agência norte-americana Advanced Research and Projects Agency – ARPA, que tinha por objetivo conectar computadores dos seus departamentos de pesquisa. Em 1983, o Protocolo de Controle de Transferência/ Protocolo Internet - TCP/ IP – foi criado, tornando-se padrão até hoje e, em 1989, Tim Bernes-Lee desenvolveu o hipertexto (Gabriel, 2010; Lévy, 2010). A internet, em vista de outras invenções que mudaram o mundo, é relativamente recente, e seu crescimento e relevância se deu ainda mais recente. A seguir, é possível ver o crescimento exponencial de usuários, bem como dos sites baseados na web. Figura 1 – Crescimento exponencial de usuários, bem como dos sites baseados na web Fonte: <www.thinglink.com>. 8 Podemos observar que a evolução do número de usuários da internet é exponencial, o uso, definido pelo usuário, também é alterado ao passar do tempo e as necessidades vão tornando a web mais complexa, incentivando o desenvolvimento de novas tecnologias que atendam esta demanda, como a “Inteligência Artificial”, muito utilizada em chatbots atualmente. 2.1 Web 1.0 A primeira versão da web tinha características muito peculiares, lembrando que a internet nasceu como um projeto acadêmico e não tinha grandes pretensões a não a conectividade dos computadores da ARPA. As primeiras características da web 1.0 são: As informações eram estáticas e centralizadas; Cada projeto era customizado, não podia ser reutilizado; Não era controlado ou o controle era baixo; Não possuía interatividade entre usuários; Os projetos não tinham escalabilidade. A seguir, um exemplo do primeiro navegador da internet: Figura 2 – Navegador da internet Fonte: Navegador Google A figura apresenta o Netscape, um dos primeiros navegadores. Observem a disposição das informações na tela, nota-se que o “ranqueamento” das 9 informações acontecia por meio de diretórios e não por relevância, como no Google atualmente. 2.2 Web 2.0 O conceito da Web 2.0 aproveita completamente o poder de contribuição do usuário, a inteligência coletiva, e os efeitos de rede (Brake, 2014), criando assim uma rede de informações indispensável por meio da contribuição de seus integrantes. O termo apresentado por Tim O’Reilly define a web como uma plataforma onde não apenas se consome conteúdo, mas também onde se produz conteúdo (Gabriel, 2010) e por apresentar uma certa facilidade de publicação, empoderou o indivíduo, de um simples consumidor de conteúdo da web 1.0 para um produtor de conteúdo. As pessoas querem acesso a informações e procuram a referência por meio da contribuição dos integrantes da rede para, assim, construir seu próprio conceito sobre um determinado assunto, produto, serviço, enfim, sobre uma determinada informação que seja relevante para ele. Esta relevância e importância da rede de um determinado indivíduo constrói o capital social, que está embutido nas relações e laços da rede social (Recuero, 2005); quanto maior a relevância, maior o capital social da rede. 2.3 Web 3.0 Esta é a última geração da internet, com mais recursos, mais rápida e mais inteligente. Segundo o site Internet Inovation, “sua principal característica é a capacidade de máquinas assumirem determinadas atividades que hoje são realizadas manualmente”, ou seja, o uso intensivo de inteligência artificial na rede permite que o comportamento do consumidor seja melhor compreendido, e assim atender às necessidades de forma mais individualizada, direta e mais inteligente. Diversas companhias utilizam-se da inteligência artificial para automatizar seus atendimentos, otimizar seus resultados e aprender mais rapidamenteo consumidor, reduzindo assim prazo de aprendizagem e permitindo ter uma maior relevância em sua rede. Recentemente, o Facebook desativou seu chatbots, de Inteligência Artificial, que foram criados para interagir na rede e melhorar a interação na rede, 10 bem como aprender melhor sobre seus integrantes, por criarem uma linguagem própria e começarem a conversar entre si. A Web 3.0 se apropria de semântica para entender melhor as redes e tornar-se assim mais inteligente a ponto de ser confundida com a própria inteligência artificial. As informações serão mais organizadas e mais individualizadas, baseando-se em pesquisas e comportamentos do usuário na web. TEMA 3 – PÁGINAS DIGITAIS Segundo Gabriel (2010), uma página digital é um documento HTML (Hyper Text Language Markup) que inclui textos, imagens, recursos de programação, sendo esta uma única página ou um conjunto destas, que transmitem uma determinada mensagem. Gabriel (2010) descreve um pouco sobre cada um destes elementos: Quadro 1 – Diferentes tipos de páginas Página Digital Definição Site Uma organização de dados e conteúdos, para serem encontrados facilmente, possui uma arquitetura de informação, focada na organização de conteúdos; Minisite Criados com uma informação verticalizada, abordando um tema específico; Hotsite Sites com prazo de validade determinado, utilizados para uma determinada ação; Portal Sites com conteúdos voltados para seus públicos e apresentam conteúdos verticalizados; Blogs Em formatos de diário, apresentam textos regulares, denominados posts; Perfis em redes sociais Páginas específicas inseridas em redes sociais. Normalmente, são constituídas dentro das limitações da plataforma, são utilizadas para relacionamento com seus públicos; Landing page Páginas específicas que aparecem para um indivíduo quando realiza uma pesquisa em buscadores e, ao localizar a informação, acessa o link apresentado; geralmente este link leva à uma página do conteúdo procurado, esta página é a landing page; Fonte: Gabriel, 2010. Podemos observas as diferentes características de cada página digital. Sua importância está no planejamento digital a ser implantado pelo profissional de marketing, pois, para cada ação de comunicação, para cada conteúdo ou formato a ser publicado, deve-se levar em consideração o modelo a ser desenvolvido. Um dos fatores que devemos considerar para a rápida evolução da Internet e o desenvolvimento de plataformas e sites de redes sociais em todo o mundo baseia-se no conceito de mídia. Esta, por sua vez, definida como o suporte ou 11 veículo da mensagem (Lévy, 2010, p. 64). A Internet promoveu uma revolução na comunicação distribuída e interativa multimídia (que emprega diversos suportes ou diversos veículos de comunicação (Lévy, 2010, p. 67) de muitos para muitos. Gabriel (2010, p. 124) ainda compara as páginas digitais com a mídia tradicional, buscando, assim, uma correlação entre estes e uma maior ressignificação. Assim, podemos dizer que: Quadro 2 – Comparação entre páginas e outras mídias Página digital Equivalência Site Um livro ou catálogo Portal Uma revista de informações, como a Veja Blog Equivale a um jornal diário Minisite Um folheto informativo Hotsite Um folheto promocional Perfil em redes sociais Uma página de catálogo específico como um catálogo de produtos ou uma lista de diretórios Landing page Flyer promocional que entrega somente o que foi solicitado Fonte: Gabriel, 2010. É possível, assim, observar as diferentes funções de cada página para desenharmos uma estratégia digital adequada, integrando os diferentes canais na web para um mesmo objetivo. TEMA 4 – REDES SOCIAIS Segundo Gabriel (2010, p. 196), uma rede social é “uma estrutura social formada por indivíduos ou empresas, chamados de nós, ligados por um ou mais tipos de interdependência”. Importante ressaltar que a rede social acontece no mundo físico, o que temos na web são plataformas de redes sociais, ou comunidades sociais que existem em função dos nós e interesses comuns. O termo “site de rede social” ou “plataforma de rede social” definem que a rede social, bem como suas relações, acontecem em uma plataforma online, na qual os indivíduos que pertencem a ela constroem sua representação, publicam conteúdos ou indicações, gostos ou afinidades e se conectam e constroem as suas relações sociais. Recuero (2014) reafirma que “estes sites mediam a transcrição dos grupos sociais, eles não são as redes, mas estas são reconstruídas neles e alteradas pela mediação dos integrantes”. 12 Os sites de redes sociais permitem (1) a construção de um perfil público ou privado, (2) articula uma lista de conexões públicas ou semi-públicas além de (3) permitir a navegação nas conexões existentes (Recuero, 2014). Estes sites levam em conta o conceito de laços fortes e laços fracos existentes nas redes. Os laços fortes são aqueles constituídos entre indivíduos de maior afinidade, com características semelhantes que formam núcleos próximos. Já os laços fracos conectam grupos diferentes, aproximam os grupos entre si (Recuero, 2005), por isso podem ser chamados também de pontes. A seguir, suas características: Quadro 3 – Tipos de Laços das Redes Sociais Tipo de conexão Caráter Investimento Benefício rede Benefício indivíduo Criação e Manutenção de Perfil Confiança Presença Legitimação Forte Criação e Manutenção de Conexões Sociais Proximidade Clusterização Suporte social Legitimação Compartilhamento de recursos Confiança Cooperação Suporte Social Emergente Criação e Manutenção de Perfil Confiança Legitimação Fraca Criação e Manutenção de Conexões Sociais Informação Visibilidade Compartilhamento de recursos Confiança Informação Autoridade Reputação Criação e Manutenção de Perfil Informação Presença Associativa Fraca Criação e Manutenção de Conexões Sociais Informação Filtragem Visibilidade Popularidade Compartilhamento de recursos Informação Filtragem Informação Visibilidade Popularidade Fonte: Recuero, 2005. Os sites de redes sociais também possuem características distintas e se diferenciam pelos tipos de conexões realizados pelos atores (Recuero, 2010), que podem ser: (1) a criação e manutenção das conexões sociais, o investimento mais básico que os sites de rede social proporciona. Fazer uma conexão é uma forma de investimento, pois essa conexão pode prover novas formas de valor para cada ator. Os sites possuem dois tipos de conexões: conexões associativas, podem trazer informações relevantes (benefícios), enquanto conexões emergentes podem trazer suporte social; (2) A construção de perfil é outra prática que constitui em uma forma de investimento, o perfil não apenas divulga informações, mas as relaciona 13 a uma identidade comum, podendo servir como um espaço pessoal, uma representação do eu (3) E por fim, compartilhamento de recursos que prevê o acesso a recursos compartilhados por outros e que são disponibilizados por alguém como investimento e geram benefícios a outros. (Recuero, 2010) TEMA 5 – COOLHUNTING – ANÁLISE DE TENDÊNCIAS Segundo Gabriel (2014, p. 97), “coolhunting” é um termo criado na década de 1990 que se “refere à atividade de observar e prever mudanças e/ ou tendências culturais”. Podemos citar o “The Cluetrain Manifesto”, (Gabriel, 2010, p. 103) publicado pela primeira vez em 1990 e reeditado em 2009, que apresentava 95 teses em forma de manifesto que examinava os aspectos da internet na vida dos indivíduos e que até hoje é bastante presente, principalmente pela relevância que a internet tem na atualidade, tanto nos negócios como na vida corriqueira. Vejamos algumas de suas teses que são relevantes até os dias de hoje: Mercados são conversações; A internet está permitindoconversações entre seres humanos que simplesmente não eram possíveis na era da mídia de massa; Essas conversações em rede estão permitindo formas novas e poderosas de organização social e troca de conhecimentos; As pessoas nos mercados em rede perceberam que elas têm melhor informação e suporte que a dos fornecedores; As empresas podem agora comunicar-se diretamente com seus mercados. Esta pode ser sua última chance. As empresas necessitam descer de suas torres de marfim e falar com as pessoas quem eles esperam criar relacionamentos. Comunidades humanas são baseadas no diálogo - em linguagem humana sobre preocupações humanas. A comunidade do diálogo é o mercado. Intranets naturalmente tendem a ser chatas. As melhores são feitas de baixo para cima por indivíduos participativos cooperando para construir alguma coisa muito mais valiosa: uma conversação corporativa intraconectada. (Levine; Locke; Searls; Weinberger, 1999) Assim, observar tendências e comportamento ao longo de períodos é imprescindível para o profissional de marketing. Além das pesquisas tradicionais, já praticadas, sejam pesquisas qualitativas ou pesquisas quantitativas, seja pesquisa de campo, ou uma pesquisa com fontes secundárias, pesquisando sites, páginas de concorrentes, redes sociais, relatórios, enfim, todas as fontes de informação possíveis para que possamos levantar relevantes sobre o que está acontecendo e movimentos futuros. Um método bem utilizado, a etnografia, trata de uma metodologia de pesquisa derivada das ciências sociais, onde se pretende, por meio de 14 observação, estudar a cultura e o comportamento de um determinado grupo social. Este tipo de observação tem tido cada vez mais espaço nos ambientes corporativos, o que traz resultados bem significativos sobre comportamento e tendências. No marketing digital utilizamos a mesma prática, adaptada ao meio, denominada “netnografia”, em que, por meio da observação e pesquisa das redes sociais, de determinados grupos sociais, interligados por suas redes sociais, é possível determinar gostos, afinidades, opiniões, relações, tamanho de suas redes de influência, nível de influência que exerce sobre os outros componentes da rede, o capital social que determinado grupo ou indivíduo possui, enfim, muitas informações relevantes para determinação de uma estratégia de marketing digital relevante e efetiva. A netnografia não parte de uma simples observação, ela deve ser estruturada, não se trata de voyeurismo, mas sim de uma observação crítica sobre os aspectos comportamentais do indivíduo ou grupo (Amaral; Natal; Viana, 2008), no qual o pesquisador deve escolher, antes do início do processo, se ele irá se comunicar com o grupo ou indivíduo observado, se irá somente observar comportamentos, enfim, o planejamento é necessário como em qualquer pesquisa de mercado. Muitos sites apresentam tendências, normalmente publicadas no início de cada ano. A seguir, alguns sites que devemos acompanhar para observar tendências para marketing e web: Quadro 4 – Sites para acompanhar <blogmidia8.com> Apresenta informações do mercado de marketing e web <idgnow.com.br> Traz informações atualizadas sobre tecnologia <www.trendspotting.com/blog> Focado em pesquisa de marketing e previsões de mercado <https://olhardigital.com.br/> Focado no mercado digital e suas novidades <https://www.academiadomark eting.com.br> Apresenta informações sobre marketing e web <www.trendwatching.com> Foca em tendências com opinião e considerações de observadores espalhados em mais de 500 lugares no mundo <www.webshoppers.com> Informações sobre mercado e e-commerce brasileiro O estudo do comportamento do consumido deve ir além dos números e estatísticas. É necessário entrar mais a fundo no comportamento, nos gostos e nas atitudes que são tomadas. A netnografia propõe este conhecimento, e não se trata somente de uma simples observação das redes sociais, mas, sim, da aplicação de http://www.trendspotting.com/blog https://www.academiadomarketing.com.b/ https://www.academiadomarketing.com.b/ http://www.trendwatching.com/ 15 técnicas corretas de pesquisa, bem como o acompanhamento dos movimentos do mercado e o desenho de cenários futuros. FINALIZANDO É fato que as transformações do mundo na última década foram drásticas e extremamente relevantes para a humanidade. O advento da internet apoderou os indivíduos, permitindo-os passarem a ter um papel ativo na rede, dando poder para que a produção de conteúdos partisse de muitos para muitos. A web também deu poder a empresas de conhecer melhor seu consumidor, como também de mensurar com precisão os resultados de seus esforços de comunicação e investimentos em marketing quando colocados na rede. Estas mudanças, tanto do consumidor como das empresas, sugerem uma nova postura. Devemos lembrar que tudo o que é feito na rede permanece, é rastreável e mensurável. Com o que vimos nesta aula, iniciamos nossa jornada para entender as ferramentas disponíveis na web, bem como as fontes e técnicas que podemos utilizar para pesquisas de tendências e para conhecer melhor nosso consumidor. Na proposta da contextualização, é possível entender se existe alguma movimentação sobre a nova loja, saber o que os indivíduos estão pensando, saber como a loja está se posicionando no novo mercado. Com base em uma análise do comportamento, é possível iniciar uma estratégia de relacionamento com os clientes atuais, aproveitar as oportunidades para atrair novos clientes, utilizar-se das diferentes páginas digitais com conteúdos e ações corretas e, por fim, relacionar-se nas redes sociais de forma correta com seus seguidores. SUGESTÕES PARA LEITURA: conhecendo um pouco mais sobre o assunto Texto de abordagem teórica Definições e conceitos do composto de marketing tradicional e a nova visão para a web FERREL, O. C.; HARTLINE, M. D. Estratégia de marketing. São Paulo: Thompson, 2006. 16 AMARAL, S. A. Os 4 P's no composto de marketing na literatura de ciência da informação. Transinformação, v. 12, n. 2, jul.-dez. 2000, p. 51-60. ADOLPHO, C. Os 8 P’s do marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011, p. 16- 18. Definições e conceitos sobre páginas digitais na web e suas características GABRIEL, M. Marketing na Era Digital – conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010, p. 121-126. Definições sobre redes sociais e abordagem das características RECUERO, R. Redes sociais na internet. 1.ed. Porto Alegre: Sulina, 2010. GABRIEL, M. Marketing na Era Digital – conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010, p. 193-207. Definições e conceitos sobre Coolhunting AMARAL, A.; NATAL, G.; VIANA, L. Netnografia como aporte metodológico. Comunicações Cibernéticas, dez. 2008, p. 34-40. Texto de abordagem prática Capital social e a relação com as redes sociais RECUERO, R. Um estudo do capital social gerado a partir de redes sociais no Orkut e nos Weblogs. Revista Famecos – mídia, cultura e tecnologia, v. 12, n. 28, dez. 2005, p. 88-106. Saiba mais EVOLUÇÃO da Web – Web 1.0, Web 2.0, Web 3.0. YouTube, 24 jul. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3rXW_2MTr30>. Acesso em: 8 jun. 2018. COOLHUNTING como profissão. YouTube, 19 ago. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rVqt4MhmajY>. Acesso em: 8 jun. 2018. https://www.youtube.com/watch?v=3rXW_2MTr30 https://www.youtube.com/watch?v=rVqt4MhmajY 17 COMO o coolhunting pode apoiar as empresas. YouTube, 9 nov. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eVAL0lGYJ_M>. Acesso em: 8 jun. 2018. NETNOGRAFIA. YouTube, 31 jan. 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=vkK-x0N3JmA>. Acesso em: 8 jun. 2018. https://www.youtube.com/watch?v=eVAL0lGYJ_M 18 REFERÊNCIAS ADOLPHO, C. Os 8 Ps do marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011. AMARAL,A., NATAL, G. e VIANA, L. Netnografia como aporte metodológico. Comunicações Cibernéticas, dez. 2008, p. 34-40. AMARAL, S. A. Os 4 P's no composto de marketing na literatura de ciência da informação. Transinformação, v. 12, n. 2, julho a dezembro de 2000, p. 51-60. BARBOSA, A. F. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil: TIC domicílios e TIC empresas 2011. Comitê Gest de Internet no Brasil. 2013. Disponível em: <www.cgi.br>. Acesso em: 8 jun. 2018. BRAKE, D. R. Are we all online content creators now? Web 2.0 and digital divides. Journal of Computer-Mediated Communication, 19, 2014, 591-609. FERREL, O. C., HARTLINE, M. D. Estratégia de marketing. São Paulo: Thompson, 2006. GABRIEL, M. 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Acesso em: 8 jun. 2018. 19 _____. Um estudo do capital social gerado a partir de redes sociais no Orkut e nos Weblogs. Revista Famecos – mídia, cultura e tecnologia, v. 12, n. 28, dez. 2005, p. 88-106. _____. Redes sociais na Internet. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2010. WEINBERGER, D. The cluetrain manifesto. 2000. Disponível em: <www.cluetrain.com/portuguese>. Acesso em: 8 jun. 2018. AULA 2 MOBILIDADE E FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Prof. Joselmo Zaniboni Rezende 2 CONVERSA INICIAL Segundo Martin (2013), o mundo mudou e se tornou móvel, mudou o estilo de vida das pessoas, a forma de se relacionarem, de se comunicarem, de interagirem. A vida tornou-se móvel, e a tecnologia adaptou-se e criou novas ferramentas para isso, uma nova realidade de um novo consumidor. De fato, a base de dispositivos móveis no Brasil e no mundo aumentou de forma exponencial e cada vez mais os indivíduos se baseiam nestes dispositivos para suprir necessidades diárias, como localização, busca por serviços ou endereços, transporte, conversa, entretenimento ou estudo. Neste mesmo momento, você pode assistir esta mesma aula em seu celular ou outro dispositivo móvel, dando a liberdade de escolha ao usuário sobre como, onde e quando consumir tais informações. Assim, o que veremos nesta etapa são muitos dados e números de pesquisas sobre perfil do consumidor no uso das tecnologias móveis, iniciando com uma contextualização do ambiente de internet no Brasil hoje, passaremos para o primeiro tema, no qual apresentaremos o cenário do Brasil no uso de tecnologias móveis. No segundo tema, iremos apresentar alguns números do consumo de tecnologias móveis e como isto está mudando os hábitos da população. No terceiro tema, apresentaremos conceitos sobre transmídia e convergência, suas bases, exemplos bem-sucedidos do mercado e como as empresas podem se preparar para este novo cenário. Na sequência, falaremos sobre o e-commerce, trabalharemos aqui conceitos e boas práticas para se montar um e-commerce eficiente. No 5º tema, falaremos sobre mobile marketing diretamente e abordaremos estratégias de mercado para alavancar os negócios. Esperamos assim que, ao fim desta segunda aula, o aluno tenha uma visão ampla sobre os caminhos das tecnologias mobile, o cenário que as empresas estão encontrando e os desafios para a atração da atenção do novo consumidor. CONTEXTUALIZANDO No Brasil, estamos passando por uma revolução em relação às redes móveis e à oferta das operadoras; a rede 4G, no Brasil, está presente em 3.039 cidades brasileiras, que representam mais de 87% da população brasileira. Assim como a tecnologia 4G, a cobertura 3G também teve crescimento significativo, totalizando 5.091 municípios. O Brasil, em agosto de 2017, considerando os 3 acessos fixos e móveis, chegamos a 232,6 milhões de acessos em agosto de 2017, sendo 28 milhões em banda larga fixa, considerando 1,5 milhão de novos acessos (Tic Domicílios, 2016). O site da Google publicou, em 2015, em seu blog para desenvolvedores/ webmasters (<https://www.google.com/webmasters/ tools/mobile-friendly/>), que sites que não possuem uma versão mobile, perderão relevância nas buscas, assim, os sites perderão visibilidade e relevância nas buscas orgânicas. Pensando em nossa loja de bairro que agora possui um grande concorrente pertencente à uma rede de lojas, e que iniciamos o mapeamento das redes sociais para entendermos o comportamento dos consumidores em relação ao novo concorrente, aos hábitos e identificar oportunidades para melhorar, iremos agora inovar, trazer tecnologia para apoiar o negócio e ampliar a rede de relacionamentos já criada desde a fundação da loja. TEMA 1 – CENÁRIO Segundo o site E-commerce (Redação E-Commerce, 2015), em 2015, 55% das empresas possuem site otimizado para mobile, a pesquisa mostra que 44% das empresas têm aplicativos para iPhone e 33% para Android e 26% para iPad. A pesquisa, em parceria com a IBM, descobriu que apenas 22% das empresas ainda não têm qualquer tipo de presença móvel (Redação E-Commerce, 2013). Segundo a pesquisa global realizada pela GoDaddy (Redação E- Commerce, 2015), empresa provedora de tecnologia para pequenas empresas, 59% dos participantes afirmaram não possuírem website próprio. A pesquisa foi feita com 4.000 micro negócios (5 ou menos funcionários), realizada em países incluindo o Brasil e outros como Austrália e EUA, revelou que 35% dos empresários “acreditam que suas empresas são muito pequenas e não necessitam de uma plataforma online”. No Brasil, o Comitê de Internet do Brasil estuda e acompanha a evolução da internet no Brasil, todos os anos é elaborada uma “Pesquisa Sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Municípios Brasileiros”. A última elaborada em 2016 traz dados atualizados sobre o comportamento do consumidor e evolução da internet e dos meios de acesso à web no Brasil. A importância desta pesquisa para o marketing está em acompanhar a movimentação do uso da tecnologia no Brasil, identificar as oportunidades de uso da web, na visão dos consumidores, quais as plataformas de acesso à internet utilizadas pelos 4 brasileiros, quais os serviços estão sendo utilizados pelos usuários, qual a intenção de uso da tecnologia pelos usuários, enfim, a pesquisa traz dados importantes sobre a internet no Brasil. Figura 1 – Usuários de internet por tipo de frequência Fonte: TIC Domicílios, 2016. Segundo a pesquisa, o uso de smartphones para acesso à internet é alto na América Latina com cerca de 59% de acesso, representando 5% do PIB da região em 2016. Ainda neste ano, foram identificados 451 milhões de usuários únicos, sendo que o 33% do total localizava-se no Brasil, 20% no México, e 9% na Argentina, a expectativa é que devemos chegar a 60 milhões de novos assinantes até 2020. Mesmo o mercado latino-americano sendo maior que o mercado dos EUA ainda temos cerca e 300 milhões de pessoas sem acesso à internet. A pesquisa identificou que, no Brasil, 73% dos usuários da internet já fizeram compras de mercadorias pelo smartphone com um fortecrescimento entre setembro de 2015 e setembro de 2016, crescendo de 41% para 71% de usuários utilizando o smartphone para compras. Figura 2 – Usuários de internet por tipo de dispositivo 5 Fonte: TIC Domicílios, 2016. Hoje, somos mais de 100 milhões de brasileiros conectados, muitos pelo celular, o que pressiona o governo na oferta de serviços online que, hoje, somente 1/3 dos serviços públicos estão totalmente digitalizados, 39% parcialmente e 29% não estão disponíveis online. O smartphone passou a ser o canal mais utilizado pelos brasileiros para transações bancárias. O mobile banking se consolidou como canal de relacionamento, respondendo por quase 22 bilhões de transações bancárias em 2016 – um aumento de 96% em relação a 2015, o que representa 34% do total das operações. No que diz respeito às movimentações financeiras, saltamos de 500 milhões, em 2015, para 1,2 bilhão, um aumento de 140%. A pesquisa também apresenta tendências de investimentos em tecnologias disruptivas: 47% dos bancos brasileiros direcionam recursos ao Analytics; 18% à computação cognitiva e; 65% estudam a implantação do blockchain em suas transações. Ainda segundo a Tic Domicílios (TIC, 2016), até novembro de 2017, brasileiros gastavam cerca de R$ 300 por mês com aplicativos de transporte como Uber, 99 Pop e Cabify. A espanhola Cabify, que atua em 12 países e 40 cidades, já anunciou que em um ano o Brasil tornou-se o principal mercado do grupo. A pesquisa identificou que mais da metade dos consultados fez uso do serviço mais 6 de uma vez por semana, 25% diariamente e 64% começaram a utilizar os aplicativos de transporte nos últimos 12 meses. Figura 3 – Usuários de internet por atividade realizada 2015-2016 Fonte: TIC Domicílios, 2016. Por fim, entre tantos outros índices e percentuais, a pesquisa TIC identificou que 48% dos usuários de Internet entre 11 a 17 anos buscaram informações sobre marcas ou produtos, um aumento de 19% em relação a 2013. A TV ainda é o principal meio veículo de comunicação publicitário e de propaganda, representando 80%, mas o percentual dos que tiveram contato com conteúdos publicitários em sites de vídeos foi de 69%, um aumento de 30% em relação a 2013, 62% acessaram propagandas ou publicidade em redes sociais, e 24,3 milhões de crianças e adolescentes, com idades entre 9 e 17 anos, eram usuários de Internet, o que representa um público de 82% do total do público. Todos estes dados mostram um uso contínuo da tecnologia e a mudança total da população em relação as tecnologias móveis. O uso da tecnologia está incorporado na rotina das pessoas bem como, o início deste uso cada vez mais cedo por crianças e adolescentes. A afirmação que o “mundo é móvel” se consolida e apresenta um universo de possibilidades de serviços a serem criados para os usuários. TEMA 2 – COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR E O DIGITAL 7 As redes sociais perderam espaço como fonte de notícia, enquanto aplicativos de mensagens instantâneas avançaram. Segundo o relatório de internet do Brasil, o Tic Domicílios 2016, no Brasil, a tendência faz com que o WhatsApp rivalize o Facebook, 66% dos leitores online em 2017 usaram o Facebook para achar notícias, seis pontos percentuais menor que 2016, 57% dos entrevistados afirmavam que usavam para esse fim. O Whatsapp anunciou 120 milhões de usuários no Brasil em maio de 2017, metade de todos os acessos móveis ativos no país, o que dá cerca de 10% do total de usuários do aplicativo no mundo. Este número é mais impressionante quando falamos do Brasil, do total de 207 milhões de pessoas que somam a população brasileira, 58% destes utilizam o aplicativo para se comunicar. Iniciamos este módulo com a afirmação da TIC 2016 de que os hábitos dos brasileiros realmente estão mudando, e mudam conforme a oferta de novas tecnologias, novas perspectivas e, principalmente, novas necessidades. Segundo Solomon (2011): o comportamento do consumidor estuda processos quando indivíduos ou grupos, selecionam, compram, usam ou descartam produtos, serviços, ideias ou experiências para satisfazer suas necessidades ou desejos. Estas variáveis impactam diretamente as estratégias das empresas pois, a partir delas é possível definir produtos, serviços, formas de contato e atendimento para públicos distintos. A avaliação do comportamento do consumidor vai muito além das variáveis conhecidas como idade, gênero, renda, região geográfica, etc. A avalição do comportamento do consumidor deve investigar comportamentos, gostos, hábitos de consumo e tendências, que não são mais locais, são globais, com acesso a informações no mundo todo, e é isso que a internet proporciona. Ainda segundo Solomon (2011), alguns fatores influenciam no comportamento do consumidor, a saber: Idade – obviamente que consumidores de faixas etárias diferentes têm necessidades e gostos diferentes; Gênero – a diferenciação vem desde o berço, com cores, tipos de roupas, brinquedos, ou seja, hábitos, gostos e comportamentos diferentes. Segundo o site Hypness (PAIVA, V. 2016), a Comissão de Nova York reconhece 31 tipos de gêneros diferentes. Estrutura familiar – família e estado civil é uma variável demográfica importante para definir prioridades e gastos do consumidor. Classe social e renda – esta variável abrange grupos aproximadamente iguais em termos de renda e posição social, o que aproxima os gostos, locais frequentados, marcas, etc. Raça e etnia – à medida que a sociedade for mais multicultural, mas variáveis aparecem. Geografia – é necessário adaptar a oferta para atender diferentes regiões onde estão localizados seus consumidores, em se falando de internet, esta variável torna-se mais importante ainda, num mercado sem barreiras. 8 Estilos de vida – esta variável vai muito além da demografia, ela determina comportamentos, hábitos de consumo, independente de etnia, geografia, raça, idade ou gênero. Solomon (2011) destaca que à medida que a web se expande, mais as pessoas ao redor do mundo se conectarão e estarão falando de sua marca, e não pedirão permissão para isto. As redes sociais são a ferramenta ideal para o marketing boca-a-boca, os indivíduos têm a liberdade de disseminar informações em suas redes (Chu; Kim, 2011). É necessário que o marketing promova técnicas para que este marketing boca-a-boca seja disseminado a fim de promover um produto ou serviço de forma positiva. Segundo Seraj (2012, p. 209), a web tornou-se uma fonte de criação do conhecimento e consumo e comunidades online são a nova forma de socialização, para suprir necessidades, como o fornecimento ou a aquisição de informação. Este conhecimento do conteúdo online pode ser pessoal, social, cultural, técnico, político e de lazer, dependendo das necessidades de seus participantes (SERAJ, 2012). Solomon (2011, p. 154) reforça o entendimento das necessidades do consumidor por meio da motivação que, segundo ele, refere-se aos processos que fazem com que as pessoas se comportam do jeito que se comportam e que ocorrem quando é despertada uma necessidade no consumidor. Anderson (2006) destaca: .. a cultura e a economia estão cada vez mais se afastando de consumo de massa ou das grandes tendências, cada vez mais estamos na direção de grandes quantidades de nichos na cauda das curvas de demanda, o que ele chama de “cauda longa” e determina seis temas específicos para entendermos esta demanda. Segundo ele, são os seguintes temas: 1) Existem muito mais nichos de demandas que mercados de grandes volumes, aumentando a taxas exponenciais a medida que a tecnologia se desenvolve; 2) Os custos estão caindo drasticamente. A internet propicia atingir certos nichos de consumo antes não permitidos em função dos altos custos; 3) Deve-se permitir que a tecnologia seja mais amigável e inteligente (web 3.0) afim de proporcionar que os indivíduos localizemcom mais facilidade os nichos a que eles pertencem, assim como as empresas; 4) Quanto maior o uso da tecnologia para identificação e expansão desta variedade de nichos, maior será o comprimento desta cauda; 5) Embora os nichos isoladamente representam volumes pequenos de vendas, um conjunto destes pode proporcionar um mercado muito maior que mercados de grande demanda, as empresas devem estar preparadas para isto; 6) Com a atuação de todos estes fatores, a curva de demanda aparece sem distorções de gargalos de distribuição, escassez de informações ou limitação de produções. 9 Enfim, a web nos permite viver um novo cenário que está em constante modificação. O comportamento dos indivíduos não é mais controlado pela mídia de massa que conseguiam condicionar um comportamento ou limitavam escolhas. Da mesma forma, o indivíduo não pede permissão para falar bem ou mal de sua marca ou de sua empresa, tornando o relacionamento ainda mais complexo. A busca pelo consumidor está cada vez mais complexa por diversos motivos: os consumidores não possuem mais limites geográficos, a concorrência da mesma forma, as reações sociais estão mais complexas, o “politicamente correto” deve ser levado em consideração a todo momento na comunicação para não ofender nichos de consumidores. Da mesma forma, Anderson (2006) reforça que os consumidores não estão em grandes “hits” e sim em diversos nichos, vê- se, por exemplo, a complexidade de identidade de gêneros. O fato é que o consumidor tem muito mais poder e as empresas precisam se adaptar a este novo mundo. TEMA 3 – TRANSMÍDIA E CONVERGÊNCIA O vídeo denominado “A 4º Tela”, elaborado pela Nokia em 2008 apresentava as quatro telas que mudaram a vida do ser humano nos últimos 100 anos, a saber: o cinema, a televisão, o computador e o celular (Gabriel, 2010). Segundo a autora, estas quatro telas convivem na vida dos indivíduos, transformando-os de simples expectadores para multiteleinterativos. Em 2015, Eric Schmidt, ex-CEO do Google, afirmou que a internet irá desaparecer, esta afirmação tem a ver com o futuro da rede e os meios de comunicação e dispositivos. Existirão tantos endereços IP e tantos dispositivos, sensores e coisas para vestir, que estaremos interagindo com elas sem mesmo senti-las, elas serão parte da nossa presença o tempo inteiro. (Kurtz, 2015) Para Schmidt, o que está acontecendo é um movimento de convergência em que a Internet está cada vez mais presente e ligada a nossas atividades diárias, seja por meio de dispositivos, antes somente celulares, mas hoje por diversos, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, entre outros que estão mudando o contexto da navegação tradicional via browser, substituindo por algo mais comum e presente, dificultando cada vez mais viver sem eles. Segundo Wind e Mahajan (2003), os consumidores atuam em múltiplos canais e combinam necessidades e comportamentos humanos com novas 10 atividades online, uma verdadeira combinação do tradicional e do ciber, do racional e do emocional, da comunicação presencial e virtual. Jenkins reforça que a convergência ocorre quando as pessoas assumem o controle das mídias. Como vemos, a convergência ocorre como um processo corporativo, quando parte das empresas, ou de cima para baixo ou por um processo de consumidor, quando vem de baixo para cima. Este movimento está acelerando o desenvolvimento do fluxo de conteúdo de mídias, aumentando oportunidades de lucros, ampliação de mercados e aumento do comprometimento com o público. Um grande sucesso e um excelente exemplo de uso de transmídia e convergência de audiência foi a campanha dos “Pôneis Malditos”, lançado pela montadora japonesa Nissan, que na época amargava nas vendas, com pouca participação de mercado. A campanha consistia de materiais, como filmes para TV, áudio para rádios, filme para Web, e um aplicativo que você poderia mandar para seus amigos com a maldição dos pôneis. Na internet era possível visualizar o filme completo e remetia para o aplicativo. Um dos filmes que você podia compartilhar com os amigos era o filme com a música da campanha, na qual o pônei jogava uma maldição que o seu amigo nunca esqueceria a música da campanha se ele recebesse o vídeo. Vejamos os números da campanha e seus resultados: ... mais de 178 mil menções no Twitter em uma semana, a criação de 8 perfis e mais de 34 mil usuários seguindo o perfil dos pôneis na rede. Mais de 640 posts em blogs além de dezenas de notícias nos portais de comunicação. No Facebook foram criados 14 grupos, 7 páginas e 25 perfis com o nome “pôneis malditos”. Criaram-se também 9 eventos e mais de 140 mil views no vídeo publicado na rede. No Youtube foram 1.010 vídeos, entre remixes e reproduções da campanha, o vídeo oficial obteve mais de 6.313.664 views e 17.206 comentários. Em resumo, a audiência potencial entre Twitter e Facebook chegou a 99.691.148 pessoas impactadas pela campanha. (Simon, 2011) Segundo reportagem da Revista Veja (2011), a propaganda “Pôneis Malditos”, fez com que a Nissan do Brasil batesse um recorde de vendas para a Frontier que já estava no mercado desde 2002, e que não havia deslanchado em vendas, apresentou um crescimento de 81% no mês de agosto de 2011, comparado com o mesmo período de 2010. A campanha deu visibilidade à marca, o que fez com que outros modelos também tivessem aumentos expressivos, como o Sentra com 127% de crescimento, o Tiida com 120%, e o Livina com 15% de aumento, colocando a Nissan com 1,8% de participação no mercado automotivo. TEMA 4 – E-COMMERCE 11 Já falamos anteriormente sobre a cauda longa (Anderson, 2006), o que significa uma expansão ilimitada de mercado e de chegar a diversos pequenos nichos de mercado, antes não alcançado pela mídia de massa, em mesmo identificado dentro das segmentações de mercado. Também explicitamos sobre transmídia e convergência e como esta pode apoiar as empresas a consolidar seus objetivos, tantos institucionais como comerciais. No e-commerce, mais que a compra do produto ou serviço, é necessário levar experiência ao consumidor, tornando-se cada vez mais importante na equação de valor. A facilidade de obtenção de informações sobre produtos e serviços remete a um exercício muito maior das empresas ao pensar em suas plataformas de e-commerce. Quando pensamos em equação de valor, remetemos a obter uma maior quantidade e um melhor produto pelo seu dinheiro. Wind e Mahajan (2003) apresentam as mudanças na fonte de valor, a seguir: Quadro 1 – Mudanças na fonte de valor Fonte de valor Off line Online Oferta de produtos e serviços Produtos físicos e atendimento pessoal Produtos digitais e serviços online podem ser concretizados mais facilmente Preço Preço fixo com descontos Preços dinâmicos Atendimento Antes, durante e após a venda com presença física de pessoas Automatizado que permite clientes acessarem 24h todos os dias Marca Agrega valor indicando o status ou qualidade do produto/serviço A marca ajuda a aumentar a confiança no mundo virtual, acelerando a capacidade de tomar decisões Rapidez Limitado pela cadeia de valor físico Proporciona produtos digitais em tempo real, para os produtos físicos ainda temos o mesmo desafio Conveniência Locais fixos, horários determinados comercialmente Em todas as ocasiões e sem limites geográficos Novidade Limitado Flexível Tranquilidade Relação física e presente pode facilitar Pode ternar a confiança mais difícil, por isto é necessário criar canais de propagadores da marca e da empresa para qualificar Experiência e entretenimento As empresas podem ofertar experiências reais, porém limitadas Virtualmente as oportunidades de oferta são infinitas e estão cada vez mais realistas Informação no contexto A informação off-site pode ser pesquisada e obtida, porém muitas vezes fora do contexto A informaçãopode ser obtida no momento de uma decisão de compra Educação e crescimento profissional Oneroso Aprendizado mais acessível e de escalabilidade Controle O cliente possui controle limitado e oneroso Passível de customização e personalização e o cliente possui o controle Retorno social/psicológico Interação pessoal Interações online e capacitação pela tecnologia Fonte: Wind; Mahajan, 2003, p. 144 e 145. 12 Compreender as alterações nas fontes de valor, bem como os limites de cada, ou no caso da internet, da falta de limites para alguns valores, é importante para preparar a empresa para as mudanças que ocorrerão. As empresas precisam entender estas mudanças antes de iniciar uma jornada online. Segundo a Redação PEGN (2017), “o segmento de e-commerce no Brasil continua em expansão com crescimento em 2017 na ordem de 9,23% com 600 mil lojas eletrônicas, segundo Thoran Rodrigues, CEO da BigData Corp”. A reportagem também destaca cinco tendências que já estão sendo introduzidas por gigantes do varejo mundial, como Amazon e Wallmart: 1. Acesso mobile - 24,2% das lojas eletrônicas brasileiras possuem sites responsivos para mobile. 2. Mídias sociais como canal de comunicação - O uso de mídias sociais pelo comércio eletrônico alcançou 72,43% contra 60,71% de 2016. A utilização desse mecanismo de comunicação possibilita que lojas de menor escala possam desenvolver estratégias de divulgação adequadas para o seu tamanho. 3. Aplicativo próprio - tendência mais voltada para o comércio eletrônico de alimentos. A ferramenta própria para facilitar a experiência do seu cliente na sua loja pelo celular. 4. Sistema de clica e retira - o cliente seleciona e paga um produto pelo site e depois retira o pedido em algum ponto físico. Facilita a vida do cliente ao mesmo tempo que oferece uma experiência presencial diferente. 5. Convergência - Oferece experiências diferentes, unindo diferentes cenários na hora de fechar uma venda, a exemplo da Amazon em que o cliente pode pedir roupas na sua casa para provar e depois decidir quais ele efetivamente vai comprar. (Redação PEGN, 2017) Para quem deseja trabalhar com vendas online, existem diversos modelos de negócios, tanto para quem deseja trabalhar com e-commerce como para quem deseja trabalhar com marketplace, que são vitrines virtuais em que empresas disponibilizam seus produtos juntamente com diversas outras companhias, ou seja, os produtos que estão ali não são necessariamente de uma única empresa: Quadro 2 – Marketplace B2B (Business to Business) Do inglês Business to Business, é usado por empresas que criam e-commerces para vender produtos para outras empresas, normalmente para venda de matérias primas . B2C (Business to Consumer) Modelo adotado por empresas que vendem para o consumidor final, e representa a maioria dos e-commerces. C2B (Consumer to Business) Consiste na inversão do modelo tradicional, onde o consumidor coloca seu serviço à disposição de empresas. Uma plataforma de freelancers como Workana é baseada nesse tipo de relação. C2C (Consumer to Consumer) C2C, que compreende as relações realizadas entre consumidores, como o Mercado Livre, Ebay ou OLX. Fonte: Nogueira, 2017. 13 Importante observar as diferentes configurações de negócios que a rede proporciona, pois elas interferem diretamente no modelo da plataforma que sua empresa irá trabalhar. Neste caso, é importante, ao criar uma plataforma, fazer um comparativo com concorrentes de negócios similares para entender o modelo. TEMA 5 – MOBILE E ESTRATÉGIAS DE MARKETING Tudo o que vimos até o momento pode ser alinhado e convertido em ações e estratégias para alcançar os objetivos institucionais e comerciais no universo web. Para tanto, é preciso observar o que já foi apresentado e alinhar o planejamento para as ações futuras. Assim como já colocado por Conrado (2011), os 8 P’s são um ciclo constate, da mesma forma o uso de estratégias na web também deve ser um ciclo em constante manutenção e aprendizagem. Para isso, apresentamos alguns passos, a seguir, para um bom resultado de suas estratégias: a) Determine seus objetivos para cada ação ou projeto web, que sejam plausíveis, mensuráveis e que promova o engajamento e reputação ou aumente as vendas online; b) Gerencie as oportunidades, identifique possíveis causas para não ter engajamento, defina as políticas de mídia social e comunique internamente; c) Defina todas as fases do projeto ou ação, defina as plataformas a serem utilizadas, os recursos necessários e estabeleça as reponsabilidades de cada envolvido, bem como os links com as atividades off-line; d) Identifique os influenciadores e desenvolva ferramentas de apoio, acompanhe os desenvolvimentos, estabeleça um programa piloto e desenvolva a cultura de responsabilidade e transparência, principalmente na web; e) Estabeleça medidas de sucesso e monitore os resultados, identifique os resultados de sucesso e divulgue para seus pares e equipe, crie relatórios periódicos e revise sua estratégia sempre; f) Entre nas comunicações, providencie conteúdos relevantes que adicione valor às comunidades sobre seu produto ou serviço, atraia os influenciadores, posicione-se positivamente e repense a Comunicação no uso de anúncios mobile; 14 g) Monitore suas ações, anúncios e as boas práticas na web, descubra o que falam sobre você e sua empresa, identifique comunidades relevantes e descubra influenciadores; h) Use as mídias sociais para promover sua empresa e produtos, estude casos relevantes, identifique e acompanhe as tendências. Segundo Fávaro (2015), muitos usuários não são muito fãs de anúncios, principalmente os mobile. Porém, temos a web como uma incrível plataforma de relacionamento em que falamos com nossos consumidores em todos os momentos, não só os com fins comerciais, por isso ele propõe quatro grupos de audiência diferentes: See, Think, Do e Care (Veja, Pensa, Faça, Cuide), os quais devemos estar presentes e cuidar de todos estes grupos: See – é o momento inicial no qual o usuário está buscando informações sobre determinado produto ou serviço. Neste momento, temos uma pesquisa geral e ainda não temos uma perspectiva de compra; Think – neste momento, o consumidor já fez uma pré-seleção de marcas para produtos/ serviços, o usuário já fez uma pré-seleção e iniciou um funil de compras; Do – considerada pelo autor como a etapa principal. O usuário já escolheu; está no momento de compra. Para garantir que estivéssemos entre os escolhidos e, por fim, estarmos na decisão final de compra do usuário, precisamos ter cuidado de todo o caminho e experiência do usuário. Care – tratamos aqui de fidelizar o cliente para que ele retorne e que compre mais de duas vezes com a empresa. Este cliente precisa de uma atenção especial. O mobile deve estar inserido nas estratégias como uma ferramenta para a conversão de prospects em clientes. Assim, tudo o que já vimos até o momento deve ser considerado no desenho de um plano de marketing, principalmente na inclusão de ferramentas e plataformas móveis. Para isto, é necessário pensar na conveniência do usuário. Vimos que o mobile está cada vez mais inserido no dia-a-dia do indivíduo. O novo mercado é móvel, assim, é fundamental desenhar uma estratégia que inclua plataformas móveis e que seja de fácil utilização pelos indivíduos. O novo mercado é cada vez mais crítico, assim, contempla um monitoramento constante e cada vez mais 15 apurado. Talvez a inteligência de marketing seja a área de maior importância para as futuras estruturas de marketing e negócios das organizações. Por fim, segundo Nogueira (2017), é importante observar alguns passos importantes para criar uma plataforma de e-commerce, aplicado a dispositivos móveis: 1) Compre o domínio – escolha um domínio relacionadoao seu negócio ou produto, que seja fácil de assimilar, de simples pronúncia e com uma URL curta. A compra deste tipo de serviço pode ser feita pelo site <www.registro.br>; 2) Escolha uma ferramenta de e-commerce – existem diversas ferramentas online como www.wix.com que são intuitivas e de fácil utilização para criação de sites e lojas online. Informe-se em grupos de discussão sobre ferramentas para saber a opinião de usuários; 3) Selecione o modo de pagamento – na ferramenta de e-commerce, você consegue configurar as opções de pagamento para seus produtos, incluindo depósito em conta, cartão de crédito, paypal, boleto, etc. 4) Escolha o tipo de produto: físico ou digital – a escolha do produto deve estar atrelada a sua comunicação e URL utilizada e é um dos pontos mais importantes na construção do seu e-commerce. 5) Cuide da logística – caso sua escolha seja por produtos físicos, cuide muito bem de sua logística, pois a maioria das reclamações sobre lojas online está na demora pelo recebimento ou por receber produtos danificados. Garante um parceiro de logística confiável e ágil, ele é parte integrante de seu negócio. No Brasil, os correios oferecem este tipo de serviços para pequenos empreendedores; 6) Tenha certeza que a plataforma mobile tem interatividade e responde com segurança a diferentes tamanhos de telas, seja ela uma plataforma desenhada para um projeto mobile ou uma plataforma responsiva. (Nogueira, 2017) FINALIZANDO Vimos nesta aula como as tecnologias móveis estão mudando o comportamento dos consumidores ou como estão influenciando na mudança dos cenários; estas mudanças impactam diretamente os resultados dos negócios e no futuro de muitas empresas, independentemente de seu tamanho ou modelo. O que podemos acessar agora é como iniciar o modelo de e-commerce do negócio, por isto, é necessário que esteja bem claro que tipo de negócio iremos levar para o mundo digital, B2B, B2C, ou algum outro citado anteriormente em nossa aula. Estar presente na internet com ações que chamem a atenção dos consumidores, mas que, principalmente, convertam em resultados de vendas, que tragam clientes, atuais e novos, para dentro de sua loja, seja ela física ou online. Precisamos, então, iniciar o planejamento com os passos apresentados, aplique os 8P’s, e observe os passos apresentados por Nogueira (2017), domínio 16 do site, ferramenta de e-commerce, tipo de produto, logística e adaptabilidade da ferramenta para diferentes dispositivos. SUGESTÕES PARA LEITURA: conhecendo um pouco mais sobre o assunto Texto de abordagem teórica Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos municípios brasileiros. Disponível em: <http://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/2/TIC_DOM_2016_LivroEletronico.pd f>. Acesso em: 8 jun. 2018. Conceito da cauda longa ANDERSON, C. A cauda longa – a nova dinâmica de marketing e vendas: como lucram com a fragmentação dos mercados. 9. reimp. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p. 39-42 e 50-55. Convergência WIND, Y.; MAHAJAN, V. Marketing de convergência – estratégias para conquistar o novo consumidor. São Paulo: Pearson Education, 2003. p. 138-147. Texto de abordagem prática Capital social e a relação com as redes sociais RECUERO, R. Um estudo do capital social gerado a partir de redes sociais no Orkut e nos Weblogs. Revista Famecos – mídia, cultura e tecnologia, v. 12 n. 28, dez. 2005, 88-106. Saiba mais EVOLUÇÃO da Web – Web 1.0, Web 2.0, Web 3.0. YouTube, 24 jul. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3rXW_2MTr30>. Acesso em: 8 jun. 2018. COOLHUNTING como profissão. YouTube, 19 ago. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rVqt4MhmajY>. Acesso em: 8 jun. 2018. https://www.youtube.com/watch?v=3rXW_2MTr30 https://www.youtube.com/watch?v=rVqt4MhmajY 17 COMO o coolhunting pode apoiar as empresas. YouTube, 9 nov. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eVAL0lGYJ_M>. Acesso em: 8 jun. 2018. https://www.youtube.com/watch?v=eVAL0lGYJ_M 18 REFERÊNCIAS ANDERSON, C. A cauda longa – a nova dinâmica de marketing e vendas: como lucram com a fragmentação dos mercados. 9. reimp. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. APÓS pôneis malditos, vendas da Nissan crescem 81%. Revista Veja, set. 2011. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/economia/apos-poneis-malditos-vendas- da-nissan-crescem-81/>. Acesso em: 8 jun. 2018. CHU, S.; KIM, Y. Determinants of consumer engagement in electronic word of mouth (eWOM) in social networking sites. International Journal of Advertising, 2011, p. 47-75. FAVARO, R. 2015 – o ano em que o celular ultrapassou o desktop. Tableless, jul. 2015. Disponível em: <https://tableless.com.br/2015-o-ano-em-que-o-celular- ultrapassou-o-desktop/>. Acesso em: 8 jun. 2018 GABRIEL, M. Marketing na Era Digital – conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010. JENKINS, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009. KURTZ, J. 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AULA 3 MOBILIDADE E FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Prof. Joselmo Zaniboni Rezende 2 CONVERSA INICIAL Como vimosem aulas anteriores, o indivíduo é mobile, e a evolução das tecnologias tem propiciado essa evolução ainda mais rápida. As sociedades, ao longo de sua história, têm apresentado sempre essa característica de mobilidade: os indivíduos sempre mostraram sua inconstância e sua necessidade de mobilidade, cruzaram oceanos em busca de novas terras. Os nômades sempre viajavam em busca de novos lugares. A comunicação também é inerente à sociedade e ao indivíduo. O ser humano, em toda sua história, busca formas adequadas de se comunicar, de se sociabilizar e organizar suas comunidades em sociedades e relações. Essa característica também eleva a necessidade de informação. O indivíduo, ao longo de sua história, tem mostrado a necessidade de se comunicar e se informar. A escola, por sua definição da língua grega, era o local em que os nobres trocavam informações. Assim, as sociedades evoluíram e sempre buscaram caminhos para movimentar-se, comunicar-se e informar-se. O que trataremos nesta aula são algumas tecnologias mais comumente usadas pelas empresas e aplicadas ao marketing como forma de relacionamento, conhecimento e mobilidade entre os indivíduos. Apresentamos de início a tecnologia RFID (Identificação por rádio frequência), método de identificação automática por meio de sinais de rádio. Em seguida, falaremos de sistemas bluetooth e redes Wi-Fi, que permitem a comunicação sem fio entre dispositivos móveis. Falaremos também da tecnologia SMS, que apesar de ser relativamente antiga, ainda possui muita aplicação em ações de marketing e consiste no envio de mensagens para dispositivos móveis com um limite máximo de 160 caracteres. A seguir, apresentaremos conceitos e aplicações da tecnologia GPS (Sistema Global de Posicionamento), que parte do princípio da localização do dispositivo via satélite e também da tecnologia Mobile Tagging, ou mais conhecido como QR-Code, que permite a leitura e o escaneamento por meio de um dispositivo móvel que possua um leitor apropriado para esse tipo de código. Por fim, falaremos de busca, mobilidade e orientações sobre o tema e como podemos otimizar essas buscas para melhora de performance dos resultados das atividades. 3 CONTEXTUALIZANDO Segundo Gabriel (2010, p. 160), “estudos apontam que o indivíduo que possui um celular não consegue ficar mais que um metro de distância deles”. Essa afirmação representa como os dispositivos móveis estão inseridos no dia a dia do indivíduo e a dependência dele em relação aos dispositivos para a realização das atividades diárias. Continuando com a contextualização do nosso exemplo, nossa loja de bairro precisa ser localizada e aprimorar suas ferramentas on-line, bem como precisa atrair a atenção dos clientes e, principalmente, atrair novos clientes. A partir desse momento, podemos cadastrar nossos clientes para encaminhar promoções diárias, criar uma rede Wi-Fi de que os clientes poderão usufruir se efetuarem um cadastro para ter acesso à rede, para obter informações dos clientes que a acessaram, ou ainda, por meio de ferramentas, de modo que o cliente, ao acessar sua rede, necessite “marcar” sua loja. Assim, toda a rede de relacionamentos desse cliente saberá que ele está em sua loja. O que veremos a seguir são ferramentas relativamente simples, muito comuns entre usuários de redes móveis e muito utilizadas entre os indivíduos. TEMA 1 – SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO POR RÁDIO FREQUÊNCIA – RFID Segundo Gabriel (2010, p. 161), o RFID, ou “‘sistema de identificação por rádio frequência’, tem por finalidade rastrear e identificar o movimento de um determinado objeto, e o mesmo acontece por ondas de rádio”. Esse sistema possui diversas aplicações: uso em lojas de departamentos, para controle de produtos; controle de consumo; segurança contra perdas e roubos; integração de ações e campanhas de marketing; modalidades esportivas de alta velocidade; pagamentos automatizados; sistemas hospitalares. A tecnologia RFID tem sua origem nos sistemas de radares utilizados por várias nações durante a Segunda Grande Guerra, criados pelo físico escocês Sir 4 Robert Alexander Watson-Watt, que identificavam a aproximação de aviões, mesmo distantes, facilitando a preparação das defesas (Ciriaco, 2009). Figura 1 – Modelo de funcionamento RFID Fonte: Revista Espacios n. 37. Diversas são as aplicações do RFID, as mais comuns, e inseridas em nossa rotina diária, estão nas etiquetas de produtos e em sistemas de acesso. O sistema RFID possui um funcionamento relativamente simples e consiste em um emissor (geralmente uma etiqueta colada no objeto de controle), um leitor (que recebe o sinal do emissor) e encaminha os dados para um banco de dados que processa as informações necessárias. Figura 2 – Modelo de etiqueta RFID usada no comércio Fonte: Internet. Segundo Ciriaco (2009), existem dois tipos de etiquetas RFID, a saber: Passiva – Utilizam a rádio frequência do leitor para transmitir o seu sinal e normalmente têm suas informações gravadas definitivamente quando de sua fabricação. Algumas dessas etiquetas são “regraváveis”. Ativa – Mais sofisticadas, possuem uma bateria própria e transmitem o sinal a uma distância razoável. Ainda, permitem o armazenamento em memória RAM capaz de guardar até 32 KB. 5 Figura 3 – Carrinho de compras com sistema RFID Fonte: Revista Exame. A figura 3 mostra um sistema em que os produtos possuem etiquetas com sistema RFID. O carrinho possui um receptor que capta as informações de todos os produtos colocados em seu interior e apresenta na tela toda a compra realizada. Ao final da compra, o cliente encosta o carrinho no caixa e automaticamente descarrega todas as informações da compra para pagamento. Ciriaco (2009) cita algumas limitações para o uso da tecnologia RFID que precisam ser consideradas quando da aplicação desse sistema: Baterias de baixo rendimento – A vida útil de uma bateria para etiquetas ativas de RFID ainda é curta, precisando de reposição em curto espaço de tempo, impedindo o desenvolvimento de processos mais elaborados. Preço – Apesar de a tecnologia estar consolidada, a implantação em larga escala ainda é um impeditivo em função do custo, principalmente para produtos de baixo custo e alta rotatividade. Segurança – Ainda não foi desenvolvido nenhum sistema à prova de interceptações e, mesmo tendo um baixo alcance, ainda se encontram vulneráveis a leituras indevidas de dados ou interceptações. Segundo Gabriel (2010, p. 161), “a tecnologia RFID é uma das principais alavancas da web 3.0 e seu uso é limitado somente em função do alto custo de sua implantação.” 6 TEMA 2 – BLUETOOTH E WI-FI Segundo Gabriel (2010, p. 163), bluetooth é uma tecnologia sem fio que permite a troca de dados por meio de ondas de rádios de curta frequência entre dispositivos móveis. As maiores vantagens da tecnologia bluetooth estão no baixo consumo de energia, como também no baixo custo de implantação e manutenção de uma rede wireless. A conexão também pode chegar a aproximadamente 100 metros, em alguns casos. Outros pontos importantes são a instalação de uma rede wireless estar na velocidade de acesso, a mobilidade e a escalabilidade (Marques, 2006), já que o custo relativamente baixo de equipamentos permite aumentar e melhorar a rede constantemente. Dentre as grandes aplicações, as redes bluetooth permitem a transferência de arquivos entre dispositivos remotos, substituindo os tradicionais cabeamentos e a tecnologia de infravermelho. Além dessas utilizações, Gabriel (2010, p. 163) também destaca outras aplicações como: comunicação entre computadores e periféricos; substituição da conexão infravermelho em controles remotos; conexão de telefones celulares em dispositivos de som de automóveis. Importante, da mesma forma,é destacar algumas barreiras em relação a uma rede wireless, como a questão do custo. Apesar de ser acessível, os equipamentos utilizados ainda são mais caros que a instalação de periféricos com cabos. O que devemos deixar claro aqui são algumas definições sobre as nomenclaturas aplicadas, como wireless, Wi-Fi e bluetooth. A primeira é a denominação utilizada para qualquer tecnologia de transmissão que se utiliza de uma rede sem fio, a citar, Wi-Fi, bluetooth, satélite, radio frequência etc. O Wi-Fi permite a criação de uma rede de dados, substituindo os tradicionais cabeamentos de redes. Seu principal componente é denominado wireless router, conhecido como “roteador”, responsável por transformar o tráfico da rede em ondas de rádio. Por fim, o bluetooth veio com a perspectiva de alterar o sistema de infravermelho (já considerado obsoleto), e permite conectar diversos dispositivos como impressoras, mouses, monitores, controles etc. 7 Com relação às redes Wi-Fi, podemos destacar sua grande aplicação em atividades comerciais em ambientes controlados como lojas, restaurantes, shoppings e escritórios. Como já citado anteriormente, o indivíduo que possui um aparelho celular tem em sua essência a mobilidade e a necessidade de informar- se. É comum entrarmos em ambientes e buscar por uma rede Wi-Fi a qual possamos nos conectar. Nessa perspectiva, são diversas as aplicações do marketing na coleta de dados dos seus consumidores. Uma vez que estes solicitam acesso a determinada rede, podemos conhecer suas informações de contato, bem como cruzar informações de seus perfis em redes sociais e conhecer seus gostos, hábitos e sua rede de relacionamento. A partir de dados tão ricos como esses, é possível realizar diversas ações: encaminhar informações institucionais da empresa; solicitar a indicação do indivíduo para a rede de contatos dele; “marcar” uma visita com data e hora; determinar a frequência, além da perspectiva do perfil; obter informações demográficas, como local de origem; cruzá-los com informações de gastos realizados e tipos de produtos. Importante destacar que o acesso com base em senhas de segurança ou por meio de identificação do usuário que está se conectando também prevê uma segurança jurídica, uma vez que o responsável pela rede Wi-Fi também responde como corresponsável pela tramitação de dados e pela permissão de acesso do usuário. Assim, além da questão mercadológica e de segurança, é necessário também se atentar para os aspectos jurídicos. Muito se fala das redes de Wi-Fi públicas. Uma pesquisa do IBGE realizada em 2013 apontava para uma baixa adesão das prefeituras na oferta de redes Wi- Fi gratuitas, com 14,3% das cidades brasileiras, mais comum em cidades com até 100 mil habitantes ofertando esse serviço. Este é um assunto ainda em discussão no Brasil, quando falamos de instituições públicas, mas que está bastante comum nas empresas privadas como forma de relacionamento, oferta de serviços ou mesmo para conhecimento mais aprofundado de seus clientes. 8 TEMA 3 – SMS E MMS 3.1 SMS e MMS Segundo Gabriel (2010, p. 167), o SMS, ou “Serviço de Mensagem Curta”, completou mais de 30 anos e permite o envio de mensagens de texto pelos celulares. Apesar de ser uma tecnologia relativamente antiga, ainda é muito utilizado pelas empresas para se comunicar com seus clientes. É fácil entender como essa tecnologia perpetua por mais de 30 anos quando analisamos os dados a seguir e percebemos que em algumas regiões do Brasil, como a região Sudeste, temos cerca de 36% de pessoas acessando a internet somente pelo celular. Ainda, analisando por classe social, identificamos que 76% das pessoas das classes “DE” acessam a internet pelo celular. Gráfico 1 – Usuários de internet, por dispositivo e forma de acesso Fonte: TIC Domicílios, 2016. Podemos observar no gráfico que a grande maioria dos usuários acessam a internet ou pelo celular e computador (lê-se desktop) ou somente pelo celular. Números como esses deixam claro a manutenção dessa tecnologia, mesmo com o acesso maciço de usuários a serviços de mensagens e voz como o WhatsApp. Uma mensagem SMS caracteriza-se por: 9 uma limitação de 156 caracteres; não necessitar de uma rede 3G ou 4G para envio das mensagens; normalmente ter o envio de dados tarifado individualmente pelas operadoras, diferentemente do WhatsApp, por exemplo, em que o acesso e a tramitação de dados se dão pela rede; não permitir o envio de mensagens com imagens ou voz; necessitar de uma central e operadora para o disparo das mensagens. Assim, o uso dessa tecnologia ainda perpetua pela necessidade de comunicação com clientes e usuários, mas deve ser analisada por possuir cercas limitações e alguns custos razoáveis, uma vez que é tarifado por mensagem enviada ou por pacote de mensagens. Outra tecnologia similar e mais ampla é o MMS, ou “Serviço de Mensagem Multimídia”, que permite o envio de mensagens com imagens e som. No entanto, o custo é relativamente maior que o envio de SMS, por isso é pouco difundida. 3.2 WhatsApp O uso do WhatsApp está se tornando muito popular e hoje é uma das ferramentas mais utilizadas para conversação entre pessoas, uma vez que é possível conectar-se à rede e transmitir imagens, sons, ou mesmo uma conversação por videoconferência. É um aplicativo para uso em smartphones que permite a conversação, com voz ou também por vídeo, e a transmissão de mensagens de texto, voz, imagens ou vídeos. Com o objetivo de substituir o SMS, a empresa, fundada em 2009 por Jan Koum e Brian Acton, dois antigos engenheiros do Yahoo, e comprada pelo Facebook em 2014, chegou à marca de 1,5 bilhões de usuários ativos por mês e cerca de 60 milhões de mensagens trocadas por dia (Guilherme, 2018). No Brasil, já passamos de 120 milhões de usuários (WhatsApp..., 2016). Diversas são as aplicações do WhatsApp, e por ser uma tecnologia muito amigável, muitas empresas estão utilizando o aplicativo como uma ferramenta de contato e relacionamento entre empresas e clientes, de automação das equipes de vendas e, principalmente, para agilizar as comunicações. 10 Figura 4 – Tela operador SAC Atendimento Digital Fonte: SAC Digital. O SAC Digital é, atualmente, uma ferramenta de empoderamento das equipes de call center, permitindo o acesso a diversas informações do cliente. Além de permitir que os operadores atendam a mais de um cliente ao mesmo tempo, possibilita o envio de mensagens em massa, e por fim, a automação do atendimento de primeiro nível, em que um robô faz o atendimento com informações básicas e direciona o cliente para o atendimento de segundo nível, otimizando mais ainda o serviço e melhorando a performance da equipe de call center. TEMA 4 – GPS E MOBILE TAGGING 4.1 Sistema de Posicionamento Global O GPS, ou “Sistema de Posicionamento Global”, trabalha por meio de satélites e fornece o posicionamento de dispositivos receptores do sistema, composto por três partes: espacial, controle e do usuário. O GPS opera calculando a localização tridimensional (latitude, longitude e altitude), associada ao tempo, por meio do sinal que recebe dos satélites (Gabriel, 2010, p. 169). Diversas são as aplicações dessa tecnologia. As mais conhecidas são por meio do site Google Maps ou aplicativo de smartphone Waze. Este, segundo o próprio Google (Waze, 2018): “ [...] é usado e atualizado por motoristas do mundo inteiro, que se conectam uns aos outros e trabalham juntos para aperfeiçoar suas experiências ao dirigir. O Waze é uma ferramenta social baseada em uma 11 comunidade que utiliza um aplicativo de navegação GPS e trânsito para carros particulares.” Figura 5 – Mapa do Snapshat Fonte: Internet. Assim como o Waze, diversos outros aplicativos de redes sociais e de comunicação utilizam recursos deGPS. Entre tantos, podemos citar: Foursquare – Uma rede geossocial que permite ao usuário indicar onde encontrar e procurar por contatos seus que estejam próximos do local. I-Food – Um aplicativo de rede social para refeições que permite localizar os restaurantes próximos à sua localização e efetuar compra e entrega. Uber – Um aplicativo de compartilhamento de carros que permite visualizar em tempo real a rota do veículo chamado e o tempo de chegada. Snapchat – Uma rede social que permite ao usuário criar um avatar (na internet, é a autoimagem criada pelo usuário) e comunicar-se com seus contatos ao redor do mundo. É um aplicativo similar ao WhatsApp, no entanto, envia imagens pelo bate-papo que só duram alguns segundos, sendo “destruídas” em seguida. 4.2 Mobile Tags Sempre se utilizou códigos para nomenclatura e identificação de produtos. Os mais conhecidos são os códigos de barras, presentes em 100% dos produtos comprados e muito utilizados no comércio, os quais identificam, além do sequencial do produto e a empresa fabricante, o país e o continente de origem. 12 Em 1994, a empresa Denso criou um símbolo bidimensional, destinado ao uso e à produção de peças automotivas, mais tarde reconhecido e aprovado como um padrão internacional ISO/IEC 18004 (Mortara, 2011). O QR-Code é uma simbologia matricial que consiste em uma série de módulos quadrados, dispostos em um padrão geral, incluindo um padrão de busca único e destinado a facilitar a localização de sua posição, tamanho e inclinação (ISO/IEC, 2015). Uma simbologia matricial pode possuir diversas combinações, em duas ou três dimensões, proporcionando infinita capacidade de armazenagem de dados. Figura 6 – Evolução dos códigos de dados Fonte: <www.masterfile.com.br>. No material, temos a evolução dos códigos de barras para identificação de produtos, iniciando na década de 1970 com códigos unidimensionais, e chegando aos QR-Codes que são tridimensionais e que possuem maior capacidade de armazenagem de informações. Existem diversos tipos de mobile tags, sendo o QR-Code o mais conhecido entre todos. Por sua fácil utilização em dispositivos como telefones celulares, possui uma vasta aplicação comercial e em campanhas de marketing. 13 Figura 7 – Tipos de mobile tags Fonte: Gabriel, 2010. Em 2013, a revista Exame (Ruic, 2013) publicou uma reportagem com uma aplicação do QR-Code, em que “a empresa Homeplus, pertencente ao grupo Tesco, um dos maiores varejistas do mundo, abriu a primeira loja híbrida do mundo, acessível do corredor de uma estação de metrô de Seul, parte virtual, onde os produtos estão em armazéns da rede”. Figura 8 – Prateleiras virtuais e uso do QR-Code para venda de produtos Fonte: Internet. O projeto consiste em displays nas paredes da estação de Seonreung que expõem imagens das embalagens de 500 produtos, como em prateleiras. Para realizar a compra, basta que o consumidor tenha em seu smartphone o aplicativo da loja e escolher o que quer comprar, ler o QR-Code e aguardar a entrega. Segundo a Tesco PLC, em um mês, mais de 600.000 pessoas já haviam baixado o aplicativo da loja e as vendas on-line cresceram 200% em julho em comparação a abril de 2011 (Ruic, 2013). 14 TEMA 5 – BUSCA E MOBILIDADE Buscas no ambiente on-line são realizadas por “search engines” ou buscadores, que nada mais são que “sistemas de recuperação de informações que tem a finalidade específica de auxiliar na busca de informações armazenadas em sistemas computacionais” (Gabriel, 2010, p. 210). Atualmente, o principal buscador é o Google, mas não o único. Entretanto, seu algoritmo é um dos mais sofisticados e tem uma relevância muito grande na entrega dos resultados de busca. Gráfico 2 – Market share dos buscadores (2018) Fonte: <www.netmarketshare.com>. O Google é indiscutivelmente o buscador mais acessado e utilizado no mundo, fazendo com que empresas tradicionais no desenvolvimento de navegadores desenvolvessem seus próprios buscadores, como o Bing, desenvolvido pela Microsoft, ou o buscador próprio do Yahoo!. Os primeiros buscadores sugiram antes do aparecimento da internet (Macedo, 2015): Em 1990, o primeiro buscador, considerado por muitos, chamava-se Archie, indexava sites públicos de FTP ou Protocolo de Transferência de Arquivos que trazia as listas de diretório de todos os arquivos localizados nesses sites públicos anônimos, criando uma base de dados que permitia a busca por nome de arquivos. Em 1993, o Wandex, idealizado no MIT, foi o primeiro sistema a capturar os endereços das páginas (URLs), criando uma base de dados de sites. Em seguida, a Excite, um projeto criado por seis alunos de graduação da Universidade 15 de Stanford, nos Estados Unidos, usava a análise estatística das relações na linguagem comum e assim buscava a melhor relevância da indexação. Em vez de compilar os endereços, o site era um real buscador, pois a busca era por termos digitados (Macedo, 2015). Nesse mesmo ano, alunos da mesma universidade, em busca de informações para um concurso sobre a Liga de Basquete Universitária, não imaginavam que isso resultaria na criação de uma grande empresa de tecnologia, o Yahoo!. A dificuldade na pesquisa fez com que criassem um site de buscas capaz de filtrá-la e oferecer resultados mais precisos. Nesse ponto da história é que a publicidade se associa aos sistemas de busca, em 1995 (Macedo, 2015). Entretanto, todos os diretórios de busca utilizavam combinação de palavras que não funcionavam, pois a relevância estava mais relacionada à publicidade. Entretanto, Lary Page e Sergey Brin, dois estudantes de Stanford, criaram uma teoria na qual a relevância tivesse um papel mais importante do que a quantidade de vezes que um termo aparecia na primeira página. Eles entendiam o link de um site para outro como uma recomendação e criaram o PageRank. Assim, nasce o Google, em 1997 (Macedo, 2015). Figura 9 – Evolução dos buscadores na internet Fonte: <www.tes.com>. O gráfico deixa claro que, após o aparecimento da internet, na década de 1980, aconteceu uma explosão de buscadores no mercado, muitos dos quais já não existem atualmente. 16 Segundo Vicente (2014), mecanismos de busca são: “ferramentas importantes principalmente quando falamos de mobilidade. Em 2015, Google anunciou que o número de pesquisas feitas em sua ferramenta de busca, por meio de dispositivos móveis, superou aquelas feitas através de PCs.”. Desde 2014, a empresa vem investido nesse segmento e, em janeiro de 2018, anunciou que dará preferência a empresas que possuam versão mobile de seus sites, seja de páginas responsivas ou adaptadas para leitura em tablets ou celulares. O Google destaca alguns pontos importantes, como a velocidade de carregamento, visto que pretende usar ferramentas de busca rápida e relacionadas ao conteúdo das páginas, com o resultado visto pelo usuário, ou seja, páginas não adaptadas, mas que tenham material relevante, não serão afetadas (Sites..., 2018). FINALIZANDO O mundo é móvel e o ser humano possui cada vez mais atividades e responsabilidades. Muitas vezes, o dia parece ter menos tempo, as horas parecem passar mais rápido e precisamos de mais velocidade para resolver nossos problemas diários. Precisamos chegar onde nossos clientes estão, contudo, a mídia tradicional e de massa nem sempre dá o resultado que esperamos. Todos os conceitos que vimos anteriormente, como calda longa, comportamento do consumidor on-line, 4Ps, 4Cs, cada vez mais se consolidam e se repetem a cada passo que damos dentro do mundo web. O que vimos aqui é uma parte do que se está fazendo para atender à necessidade do consumidor mobile, tecnologias desenvolvidas para a comodidade e para atender à necessidade de uma sociedade cada vez mais integrada entre o mundo on-line e off-line. Agora,podemos desenvolver estratégias e táticas para nos comunicar com nossos clientes, estruturar nossa loja com ferramentas e criar uma rede Wi-Fi para conectar o negócio com os clientes, como também ferramentas para encaminharmos promoções diárias, automatizar as vendas e aproximar o negócio dos clientes. 17 SUGESTÕES PARA LEITURA: conhecendo um pouco mais sobre o assunto Texto de abordagem teórica NÚCLEO DE INFORMAÇÃO E COORDENAÇÃO DO PONTO BR – NIC.BR (Ed.). Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos municípios brasileiros: TIC Domicílios 2016. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2017. Disponível em: <http://www.cgi.br/media/docs/ publicacoes/2/TIC_DOM_2016_LivroEletronico.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2018. Ler dados da pesquisa. ANDERSON, C. A cauda longa: a nova dinâmica de marketing e vendas – como lucram com a fragmentação dos mercados. 9. reimpressão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. Ler as páginas de 39 a 42 e de 50 a 55. Texto de abordagem prática WIND, Y., MAHAJAN, V. Marketing de convergência: estratégias para conquistar o novo consumidor. São Paulo: Pearson Education, 2003. Ler as páginas de 138 a 147. Saiba mais Assista ao vídeo “Evolução da web – Web 1.0, Web 2.0, Web 3.0”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3rXW_2MTr30>. Acesso em: 18 jun. 2018. Assista ao vídeo “Você sabe a diferença entre Convergência e Transmedia? Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=DNurzOMoK0Q>. Acesso em: 18 jun. 2018. Assista ao vídeo “Como o coolhunting pode apoiar as empresas”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0HoFzFX_bKI>. Acesso em: 18 jun. 2018. 18 REFERÊNCIAS CAMPOS, M. L. A.; GOMES, H. E. Taxonomia e classificação: a categorização como princípio. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 8., 2007. Anais... 2007. p. 1-14. CIRIACO, D. Como funciona a RFID? 17 ago. 2009. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/tendencias/2601-como-funciona-a-rfid-.htm>. Acesso em: 18 jun. 2018. GABRIEL, M. Marketing na era digital. São Paulo: Novatec, 2010. GUILHERME, P. 1,5 bilhão: esse é o número de usuários ativos mensais do WhatsApp. 1.º fev. 2018. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/software/ 126769-1-5-bilhoes-numero-usuarios-ativos-mensais-WhatsApp.htm>. Acesso em: 18 jun. 2018. ISO/IEC. International Standart ISO. In: ISO.ORG. International Standart 18.004. 3. ed. Geneva: ISO Copyright Office, 2015. LEVY, P. Cibercultura. 3. ed. 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Muitas vezes é o primeiro contato de seu cliente com sua marca e seus produtos. Assim, ter uma plataforma que apresente sua empresa de forma profissional, com uma navegação lógica e que entregue o resultado esperado pelo usuário é o básico para iniciarmos um projeto de site que seja atraente e funcional. Notícias do Google dão conta da necessidade das empresas em atentar para as mudanças e novas funcionalidades que surgem a cada momento, bem como para a necessidade de se ter um site atualizado, fluído e de fácil compreensão do usuário. Diversas técnicas são consideradas na construção de uma plataforma, e também devemos considerar as nuances para os diferentes formatos, seja para uma navegação em um desktop ou em aplicativos móveis como celulares e tablets. O profissional deverá estar atualizado com as mudanças e funcionalidades que o Google lança, assim como com as técnicas para a construção de um site que seja funcional e amigável, mas também rápido na navegação e no carregamento das páginas, e que utilize boas práticas em sua construção para que os buscadores possam ranqueá-lo entre os primeiros na entrega do resultado. Neste aspecto, veremos informações sobre o cenário mercadológico e as oportunidades no mercado, apresentaremos definições, características e usos de sites mobile, sites responsivos e aplicativos, como e quando usá-los, características, por que se utilizar destes recursos. A construção de um site parte do princípio de uma boa usabilidade: assim como qualquer produto que será manuseado, o designer deve pensar em suas formas, como o mesmo será utilizado pelo usuário, se existe a possibilidade de manutenção do produto e como deve ser feita. Da mesma forma, um web designer deve pensar nas especificações de um site, na navegabilidade e como serão entregues os resultados. Vamos apresentar um pouco do conceito de design thinking, que não se trata de uma metodologia, mas sim de uma forma diferente de encarar os problemas, pensar em design ou melhor, pensar no projeto centrado em pessoas (Pinheiro; Alt, 2017), o que faz que tenhamos uma nova forma de pensar. Por fim, apresentaremos alguns conceitos de Search Engine Marketing (SEM), que não se trata apenas de links patrocinados, mas do conjunto de 3 estratégias para busca. Segundo especialistas, inclui-se aqui o Search Engine Optimization (SEO), que trata das ações para otimizar os sites nos resultados dentro dos mecanismosde buscas. CONTEXTUALIZANDO Nossa loja agora dá passos maiores e necessita de uma boa apresentação para que os clientes possam conhecer sua história e tradição, os produtos que comercializa, horários de atendimento, canais de contato. Devemos agora criar uma plataforma que seja apropriada para o novo momento por que ela está passando. Anteriormente definimos a entrada da nossa loja no e-commerce, estabelecemos as características, como ela irá atuar e seus produtos, e tomamos cuidado com os aspectos que envolvem todas as circunstâncias de se estar comercializando os produtos no mercado virtual. Agora que refletimos sobre esses aspectos e criamos ferramentas de relacionamento com os clientes, como o uso de tecnologias (como taggings) e uma plataforma de relacionamento nas redes sociais, neste momento precisamos ter uma plataforma (leia-se site) que seja atraente para que esses clientes, ao se depararem com sua loja virtual, sejam impactados positivamente. Nesta aula veremos aspectos importantes da criação de um site e daremos um enfoque maior à usabilidade e navegabilidade, pensando em plataformas móveis. TEMA 1 – CENÁRIO MERCADOLÓGICO O cenário mercadológico para os dispositivos móveis não reconhece crises ou mesmo intempéries do mercado, até porque, como já falamos anteriormente, eles estão inseridos em nossa rotina diária, o que faz com que cada vez mais surjam novos aplicativos para atender à demanda de necessidades que são apresentadas a cada dia para os desenvolvedores. Gabriel (2010, p. 84) destaca que “a participação da busca em nossas vidas diárias tem se tornado tão intensa que a palavra ‘google’ se tornou oficialmente um verbo da língua inglesa em 2006”. A Internet das Coisas, Internet of Things ou IoT (Evans, 2011) também reforça a maneira como a tecnologia mobile está inserida em nosso cotidiano e 4 como nem percebemos os milhares de dispositivos conectados a fim de suprir a necessidade diária de cada indivíduo. Figura 1 – Market share buscadores 2011 2018 Fonte: <www.netmarketshare.com>. Nos gráficos acima mostramos como, em apenas 7 anos, o cenário do mercado de buscadores mudou radicalmente, com o Chrome tornando-se o maior do mercado e tirando espaço de gigantes como Explorer e Firefox. Os movimentos não param: a Google divulgou, em 13 de fevereiro de 2018, uma nova funcionalidade para seu motor de buscas, que vai passar a exibir os chamados AMP Stories, ou seja, o buscador vai passar a exibir conteúdo no formato de histórias, como fazem o Instagram e o Snapchat. O anúncio foi feito em parceria com outros gigantes do setor de comunicação, como CNN, Mashable, Vox Media, Cosmopolitan, Wired e Washington Post, os primeiros a criar conteúdos no "novo formato". Esses veículos produzirão e publicarão conteúdos de curta duração ou transitórios. O stories do Google fará uso de uma tecnologia de carregamento rápido de sites, tornando a experiência dos usuários a mais fluida e rápida possível, sem a sensação de carregamento lento e demorado da história ou do vídeo. É impossível falarmos de on-line e off-line como atividades separadas. Os hábitos dos indivíduos mudaram, a tecnologia acompanhou esta mudança, e em diversas atividades o on-line está integrado a ferramentas e aplicativos mobile que visam resolver nossos problemas cotidianos – e não nos damos conta dessa influência e dependência. 5 A Internet das Coisas, Internet of Things ou IoT é um termo que agrupa uma série de dispositivos das cidades interconectados e conectados à internet que estão no nosso dia a dia e já funcionam assim há mais de uma década. Trata- se de uma rede de objetos físicos, veículos e tantos outros dispositivos que possuem tecnologia embarcada, capazes de coletar e transmitir dados. Figura 2 – Dispositivos conectados por habitantes Fonte: Evans, 2011, p. 3. O relatório apresentado pela empresa Cisco IBSG (Evans, 2011) apresenta uma grande evolução de dispositivos existentes versus habitantes, pulando de quase 2 para mais de 6 dispositivos por habitante, todos conectados e/ou captando ou transmitindo informações. Segundo Evans (2011, p. 3), a Cisco IBSG acredita que a Internet das Coisas nasceu entre os anos de 2008 e 2009, o que fez com que houvesse um boom de indivíduos conectados a dispositivos, conforme gráfico anterior. Como já vimos, em 2015, o Google anunciou que o número de pesquisas feitas por meio de dispositivos móveis superou as realizadas em PCs, e a cada ano a empresa vem investindo mais e mais no desenvolvimento e aprimoramento deste segmento, culminando em janeiro de 2018, com o anúncio de que empresas que possuem versão mobile de seus sites, seja de páginas responsivas ou adaptadas para leitura em tablets ou celulares, serão privilegiadas na busca. Todas essas mudanças resultam em uma atenção diferenciada para os dispositivos móveis e um olhar especial do marketing para o mobile e para as tecnologias que estão inseridas em nossa rotina diária. 6 No Brasil, estão conectados à web mais de “74 milhões de brasileiros com mais de dez anos, sendo que nas áreas urbanas a proporção de domicílios atinge 43%, quase metade do total” (Barbosa, 2013, p. 27). A internet transformou os modelos de comunicação tradicionais, a forma como nos comunicamos e as nossas relações sociais. É um ambiente que propicia novos locais de encontros, transações comerciais e o compartilhamento de conhecimentos (Barbosa, 2013, p. 29). Em 2014, o Ibope lançou uma pesquisa no Brasil para identificar o perfil do jovem usuário de internet no Brasil. A pesquisa teve um total de 1.513 respondentes, com 23% dos respondentes entre 15 e 19 anos, e 87% entre 20 e 32 anos. No Brasil, em 2016, as vendas realizadas em lojas virtuais por dispositivos móveis corresponderam a 21,5% do total (Piva, 2017). Mesmo assim, segundo a consultoria Ebit, o crescimento do e-commerce em plataformas móveis fica evidente se considerarmos os números de 2015, quando os celulares corresponderam a 12% das compras virtuais (Piva, 2017). TEMA 2 – SITE MOBILE X SITE RESPONSIVO X APLICATIVOS Existem diferentes tipos de configurações para se trabalhar em dispositivos móveis – a saber, site responsivo, site nativo mobile ou aplicativo. Importante também deixarmos algumas definições a respeito das diferenças entre site responsivo, site nativo mobile e aplicativo. O primeiro é um site que nasceu em uma plataforma de desktop e por meio de ferramentas adapta-se a dispositivos móveis, como smartphones, porém não existe uma redução da quantidade de informações, o que pode prejudicar a apresentação em uma tela pequena. Um site responsivo muda a experiência do usuário e a disposição das páginas com base no tamanho da tela a ser exibido. Enquanto temos o site mobile como um projeto único e específico para o dispositivo móvel, no responsivo utilizamos o mesmo site desenvolvido para o desktop adaptado para ser exibido em uma tela com dimensões menores. É possível identificar um site responsivo reduzindo o navegador na horizontal ou abrindo o site em um smartphone – o layout deve se adaptar automaticamente ao novo formato. Você também pode ver a versão mobile de um site clicando F12 em seu teclado e escolhendo a opção para dispositivo móvel. 7 Figura 3 – Visão do site para desenvolvedor – opção mobile no destaque Fonte: Uninter, [S.d]. Existem diversos sites e ferramentas que disponibilizam ferramentas para desenvolvimento de sites para web designers. Entre eles podemos citar o Wix. Figura 4 – Página de entrada do Wix Fonte: Wix, [S.d.]. O Wix é uma plataforma que nasceu com o objetivo de facilitar a vida de desenvolvedores e web designers que necessitem de um desenvolvimento rápido e ferramentas otimizadas. Além de diversas opções de modelos de sites e aplicativos, a plataforma ainda possibilitadesenvolver um site responsivo e ferramentas para otimização e boas práticas do Google Analytics. 8 O site mobile é a versão reduzida de seu site, projetado inicialmente para o desktop. Na opção do site mobile, é imprescindível entender o comportamento de busca de seu cliente para dispor as informações necessárias para que o indivíduo se localize e encontre o que procura. É um site que nasceu para os dispositivos móveis, ou seja, o projeto inicial já contempla o tamanho da tela, as informações pertinentes, a navegabilidade em dispositivos móveis, enfim, somente o necessário para que o site seja rápido e ofereça respostas precisas para os usuários. Para Krug (2014, p. 145), “deve-se criar uma versão que seja um subconjunto do site completo”. Neste sentido, o autor inverte a visão do projeto no que ele chama de Mobile First, ou seja, desenvolva primeiro o conteúdo e os recursos importantes para seus usuários e depois incremente mais recursos e conteúdos numa versão mais completa. Krug (2014, p. 143) destaca que “uma das formas de perceber o design, diz respeito essencialmente às restrições (coisas que podemos fazer ou outras que não) e concessões (opção por uma coisa em detrimento de outra)”. Basicamente o que o autor quer dizer é que, na construção de um site mobile, existem diversas restrições em espaço, navegadores, características de usuários, quantidade de informações, entre outros, para os quais temos de efetuar escolhas para deixar a experiência do usuário a melhor possível. Por fim, temos o aplicativo, que tem por objetivo fidelizar o usuário, uma vez que o aplicativo para celular é um software que obrigatoriamente necessita ser instalado no smartphone e roda diretamente no sistema operacional. Já o site mobile roda em um browser. Antes de desenvolver um aplicativo, é importante ter certeza de que ele terá uma boa aceitação, que seu público utilizará seu aplicativo e que ele oferece um serviço diferenciado em relação a um site mobile. Assim, seu investimento (em termos financeiros e de horas de projeto) estará garantido ao lançar um aplicativo com sua marca. Um aplicativo mobile (app) pode atingir um desempenho superior ao site mobile, uma vez que ele foi desenvolvido com um fim específico, tornando a experiência do usuário muito superior. Importante destacar que nenhuma das técnicas de usabilidade utilizadas na construção de um site são diferentes quando alteramos o tipo, seja mobile, responsivo ou ainda aplicativo. Segundo Krug (2014, p. 27), existem seis pontos importantes que devemos observar para assegurar que os usuários vejam e compreendam seu site o máximo possível, a saber: 1. Tire proveito das convenções; 9 2. Crie uma hierarquia visual clara em cada página; 3. Divida as páginas em áreas definidas; 4. Deixe óbvio o que pode ser clicado; 5. Minimize confusões; 6. Formate o conteúdo para as pessoas que estão com pressa. Essas orientações dizem respeito a usabilidade e navegação em um site, independentemente da opção que se tenha tomado, pois o resultado final é a satisfação do usuário e a manutenção dele em seu site, de forma a finalizar a busca que ele tanto espera. TEMA 3 – USABILIDADE Usabilidade é pensar no usuário desde o início de seu projeto até o fim. A usabilidade torna um produto mais amigável para o usuário, facilitando sua aceitação no mercado e sua identificação com o usuário final. Na web isso não é diferente: pensar em usabilidade na web é pensar em desenvolver um site ou aplicativo que seja lúdico o suficiente para o usuário. Fávaro (2015) destaca as palavras de Avinash Kaushik (considerado uma das pessoas mais influente da indústria pela Web Analytics Association), que diz que o “Google gastou muito tempo e dinheiro no último ano levantando uma lista com 25 técnicas para ter o melhor site mobile”. O material serve como referência para programadores e destaca-se uma lista que contempla as seguintes técnicas: Destaque seus calls-to-action (botões de ação); Mantenha os menus curtos; Facilite a volta para a página principal; Não permita que as promoções roubem a cena; Torne o campo de busca visível; Certifique- se de que a busca é relevante; Implemente os filtros de busca; Ofereça melhores resultados de busca; Navegação sem cadastro inicial; Permita que façam compras como visitantes; Use informações já existentes (login Facebook/Google+); Crie botões de “clique para ligar”; Facilite a conclusão da conversão em outro dispositivo; Simplifique a entrada de informações; Facilite a forma de inserir informações; Forneça um calendário visual ao selecionar datas; Reduza erros e faça validação em tempo real; Projete formulários eficientes; Otimize o site inteiro para mobile; Não force o zoom na tela; Ofereça imagens de produtos expansíveis; Informe os usuários sobre a melhor orientação da tela; Mantenha o usuário em uma única janela; Evite falar em “Site Completo”; Facilite a localização do usuário. (Fávaro, 2015) Essas considerações demonstram como devemos pensar quando focamos o resultado no usuário otimizando os resultados de busca e facilitando a navegação no site. São técnicas simples de serem implantadas e que demonstram uma preocupação focada no usuário. 10 Segundo Krug (2014, p. 9), “uma página web, deve ser evidente por si só, autoexplicativa, tanto quanto humanamente possível”. Isto significa que o usuário não deve se esforçar para entendê-la: a navegação em uma página web deve ser simples e lúdica, a ponto de o usuário sentir-se confortável em sua navegação. Isso é importante principalmente quando falamos de uma taxa denominada bounce rate ou taxa de abandono, importante para os programadores e web designers quando da avaliação da performance de um site em relação a atração, retenção e navegabilidade dos usuários. Esse índice traduz quando um usuário entra em seu site, não navega por nenhuma página e simplesmente sai. Podemos analisar que o resultado pesquisado foi positivo ou que o usuário não se encontrou em seu site e simplesmente saiu. Desmistificamos também uma máxima que diz que “mais de três páginas e o usuário abandona e não navega”: essa não é uma verdade absoluta, pois se o usuário se sentir confortável e sua navegação tiver uma lógica, ele permanecerá em seu site o tempo necessário para se informar. Uma boa técnica para fazer um projeto de site é sempre iniciar pelo mapa de seu site. Um bom mapa de site traduz a lógica de navegação de seu usuário, e a técnica utilizada para este desenho é o card sorting, em que a arquitetura de informação é desenhada pelos usuários. Figura 5 – Exemplo de card sorting Fonte: <https://uxknowledgebase.com>. 11 O uso do card sorting permite visualizar a hierarquia das informações e ajuda o usuário a localizá-las em seu site. Com esta técnica é possível criar um mapa de site com vistas ao usuário. Para que isto seja possível, é importante identificar as “personas”, ou seja, quem são os usuários que utilizarão seu site, e desenhar um projeto com a visão dessas “personas”. Krug (2014, p. 115) ressalta que um número reduzido de pessoas, que represente o total de “personas” identificadas em seu negócio, é suficiente para identificar erros e melhorias em seu site na hora de desenvolvê-lo. TEMA 4 – DESIGN THINKING Segundo Pinheiro e Alt (2017, p. 26) o design é “o ato de transformar uma situação existente em uma preferida”, garantindo que o resultado seja percebido como algo inovador. O design insere as pessoas em seu negócio e revela como elas constroem valor para seu negócio por meio de si mesmas. O design thinking as traduz no resgate destes valores essenciais do design e na aplicação desses valores na estratégia do negócio, de maneira a fomentar a produção sistemática de ofertas de alta relevância e impacto positivo para as pessoas. (Pinheiro; Alt, 2017, p. 27) Pensar em pessoas eem seu negócio significa pensar em como otimizar sua plataforma na web para que dê resultados significativos, não somente no quesito financeiro, mas na experiência do usuário em seu negócio. Figura 6 – Pontos do design thinking Fonte: Pinueiro; Alt, 2017, p. 41. O design thinking busca o equilíbrio entre o que é desejável pelas pessoas, o que é tecnicamente possível atender e, mesmo sendo possível tecnicamente, se é rentável para o negócio. DESEJÁVEL PARA AS PESSOAS RENTÁVEL PARA O NEGÓCIO TECNICAMENTE POSSÍVEL 12 Não temos como separar o pensamento do design no usuário e a usabilidade de um site, uma vez que os dois temas se complementam e se relacionam diretamente. O design thinking se utiliza de técnicas de usabilidade e, no caso de sites, de navegabilidade, para proporcionar a melhor experiência ao usuário. Uma pesquisa realizada pelo Design Council, um órgão do Reino Unido para popularizar o design, levantou alguns modelos de modo a tangibilizar o pensamento do design que “propõe que devemos nos mexer primeiro para gerar opções que nos levarão a encontrar um caminho, e não escolher primeiro o caminho e então gerar opções” (Pinheiro; Alt, 2017, p. 43). Um dos modelos identificados é o que o Design Council denominou Diamante Duplo, que se refere ao processo de expandir e refinar. Figura 7 – Modelo diamante duplo Descobrir Definir Desenvolver Deliberar Fonte: Pinheiro; Alt, 2017, p. 44. No modelo, as linhas abertas representam o momento de expandir o conhecimento e as opções; nas linhas convergentes é o momento de escolher dentre as opções apresentadas. Esse modelo está alinhado ao pensamento lógico tradicional da maioria das pessoas, que buscam soluções por exclusão. Esse mesmo modelo aparece também em outros diversos modelos aplicados nas organizações de forma adaptada, porém com o mesmo fundamento. Segundo Lemos (2015), no que diz respeito aos sites mobile, existem basicamente quatro abordagens para se seguir (e que já foram citadas anteriormente). São elas: 1. Criar um site para dispositivos móveis: Uma experiência totalmente diferente do usuário do desktop é criar um site mobile, não o responsivo. A vantagem, como já colocado anteriormente, é exibir somente conteúdo e serviços que fazem sentido para usuários móveis. (Lemos, 2015) 2. Serviço dinâmico 13 A existência de diferentes URLs para sites móveis e desktop deve ser evitado e considerar apenas a largura da tela como determinante do tipo de dispositivo do usuário não é uma abordagem confiável, assim, devemos considerar o serviço alternativo dinâmico, que consiste em apresentar as páginas do site desktop ou de dispositivos móveis a partir das mesmas URLs, porém, apresentando o HTML diferente de acordo com o dispositivo. (Lemos, 2015) 3. Páginas web responsivas Em função da complexidade e do custo do desenvolvimento de um site mobile, a opção é o site responsivo, que, na prática, não só as páginas aparecem de forma diferente em telas de dimensões diferentes, mas elas também podem ser adaptadas às mudanças de orientação da página. Esta abordagem é chamada de responsiva porque responde à mudança de tela dinâmica usando o mesmo HTML. Por isso, é muito flexível. (Lemos, 2015) 4. Aplicativo móvel Esta última abordagem consiste no desenvolvimento de um aplicativo móvel que deverá ser feito o download no dispositivo do usuário e que aproveita os recursos do sistema operacional do aparelho. A instalação de um aplicativo possibilita que o desenvolvedor do aplicativo envie notificações push para seus dispositivos, utilizadas para comunicar aos usuários informações importantes ou levá-los a executar alguma ação. (Lemos, 2015) Essas abordagens já foram vistas anteriormente, bem como suas características, aqui citadas para reforçar a importância e a relação entre os temas. Uma quinta consideração no desenvolvimento de aplicativos e não citado anteriormente – e que vale também para o desenvolvimento de uma plataforma de desktop – é o tipo de navegador que será desenvolvido. Diferentes navegadores possuem características diferentes, e estas requerem atenção. Identificar quais navegadores os clientes mais utilizam ajuda na priorização de desenvolvimento e minimização de problemas posteriores. TEMA 5 – SEM E SEO Segundo Gabriel (2010, p. 349), o SEM (Search Engine Marketing) ou marketing de busca é o processo que torna o site visível nos buscadores, promovendo o site, gerando maior tráfego ou fidelidade e otimizando o retorno sobre o investimento, utilizando-se de ações internas (on-page) ou externas (off- page). As ações internas no site são denominadas SEO (Search Engine Optimization), que se refere às “técnicas envolvidas na manipulação do conteúdo, 14 código e estrutura das páginas do website, de forma a melhorar o posicionamento destas nas buscas orgânicas” (Gabriel, 2010, p. 353). Com relação às técnicas de SEM, Gabriel (2010) cita a otimização off-page, que é responsável por todas as ações fora do site, tais como: Links patrocinados – que se refere ao patrocínio ou compra de palavras-chave que, quando buscadas por um determinado conteúdo, o resultado entrega seu site como resposta a busca; WOMM ou marketing boca-a-boca na web que diz respeito a técnicas de relacionamento e conteúdos utilizado em mídias sociais e conteúdo; Link building ou construção de links refere-se a estratégia de construção de links e conteúdos que apontem para seu site; Press release que tem por objetivo anunciar sua presença por meio de sites de agências de relações públicas e de informações; Afiliação a programas como a Amazon, por exemplo. Todas as técnicas apresentadas visam otimizar o site e o investimento aplicado em mídia digital. Esses esforços tendem a melhorar o resultado orgânico também e com o tempo reduzirão o investimento direto em patrocínio e compra de palavras. Com relação às técnicas de SEO, todas são desenvolvidas com base no funcionamento dos buscadores e “são baseadas em robots e crawlers (robôs) que visitam as páginas em busca de códigos, conteúdos e estruturas das páginas para poderem ranquear e indexar em seu diretório” (Gabriel, 2010, p. 353). Algumas técnicas para melhorar o ranqueamento: utilize palavras-chave em seu texto; coloque palavras-chave na programação de sua página, tanto no cabeçalho como no rodapé de cada página de seu site; a redação de um site na web não deve seguir as mesmas regras do português – deve existir uma repetição maior da palavra que se quer destacar na página; ao construir um texto para uma página web, lembre-se das técnicas de taxonomia e relacione o conteúdo com o nome da página; desenvolva um mapa do seu site utilizado as técnicas que já foram citadas anteriormente, com regras claras de hierarquia de informação: é por esse mapa que o robô do Google irá navegar; utilize URLs amigáveis, ou seja, o nome da página em seu site não deve ser diferente do endereço dela em seu mapa de site; 15 a maior parte de um site possui informações estáticas, institucionais, que não se alteram a todo momento; assim, crie páginas que sejam “vivas”, que tenham informações atualizadas para que o robô entenda que seu site tem atividade; as páginas institucionais devem vir no final do site: páginas como “quem somos nós”, “informações institucionais” ou similares devem vir ao final. Lembre-se de que quem navega na web está em busca de produtos e/ou serviços, e essas informações devem ser priorizadas; Gabriel (2010, p. 354) cita a relevância de uma página ou Page Rank, que é “um índice que varia de 0 a 10 e demonstra a importância de uma página. Esta importância não está relacionada a palavras-chave e sim a relevância que esta página tem na web”. A autora ainda destaca alguns fatoresde relevância de uma página, a saber: Profundidade de uma página – mede quantos links apontam para esta página Popularidade – buscadores consideram que quanto mais links apontando para uma página mais ela é importante e possui relevância; Links de reputação – referem-se ao tema, ou ao conjunto de palavras associadas a um determinado assunto; Tráfego – refere-se ao tráfego ou a quantidade de acessos que uma determinada página possui, quanto maior o tráfego maior a relevância de uma página na web. O www.alexa.com mede este tráfego em qualquer página ou mesmo o Google trends. (Gabriel, 2010, p. 355-357) As técnicas apresentadas melhoram a posição orgânica dos sites, o que é importante para sua relevância. Porém, em nenhum momento essas técnicas substituem uma estratégia de links patrocinados, pois apoiam e melhoram o resultado, mas em períodos de campanha, uma estratégia de links patrocinados é necessária. Gabriel (2010, p. 358) destaca as principais características entre buscas orgânicas e links patrocinados: Quadro 1 – Buscas orgânicas e links patrocinados Otimização orgânica Links Patrocinados Posição do site controlada pelo buscador Posição do site posicionada pelo administrador da campanha Apresentação do site na área de resultados orgânicos Apresentação do site nas áreas de links patrocinados e sites parceiros afiliados ao buscador Não existe custo por clique no link do site Existe custo por clique (CPC) no link do site Recebe de 60% a 70% dos cliques, em média Recebe de 30% a 40% dos cliques em média 16 Comunicação é apresentada nos resultados depende dos conteúdos dos sites/páginas Pode-se criar a comunicação, independentemente do conteúdo do site/página Produz resultados em médio e longo prazo Produz resultados imediatos Os resultados dependem do conteúdo/código dos sites e dos buscadores e suas regras Os resultados são proporcionais aos investimentos realizados na compra de palavras-chave Fonte: Gabriel, 2010, p. 358. Nesse resumo, é possível ver que as técnicas e estratégias são complementares e devem ser aplicadas dependendo da ação e dos resultados esperados. Uma estratégia não elimina a outra, mas ambas contribuem para a melhoria dos resultados a curto, médio e longo prazo. Uma estratégia de otimização orgânica a longo prazo melhora os resultados do investimento em links patrocinados. Por fim, ao utilizar técnicas de SEO e SEM é importante atentar para algumas técnicas não permitidas na internet e que podem acarretar em problemas futuros para sua empresa. Cosas (2011) descreve algumas dessas técnicas: Quadro 2 – Técnicas não permitidas na internet TÉCNICA DESCRIÇÃO Keyword Stuffing Repetição da palavra-chave por dezenas, centenas ou até milhares de vezes no texto, provocando o que chamados de canibalização de palavra- chave. O Keyword Stuffing também é conhecido como Keyword Spamming. Palavras Ocultas Nesta técnica a palavra-chave é escrita de forma oculta por diversas vezes na página. Isso faz com que o Google leia aquela palavra-chave diversas vezes no texto e posicione melhor a página. A técnica coloca as palavras da mesma cor do fundo da página, assim, a olho nu, nada é exibido para o visitante. Doorway Pages Esta técnica cria diversas páginas com pouco ou quase nenhum conteúdo, apenas visando obter um melhor posicionamento no Google para determinadas palavras-chave. Isso aumenta o tráfego do site e as possibilidades de negócio, porém, é passível de punição. Cloaking Esta técnica cria duas páginas diferentes com a mesma URL: uma para o visitante e uma para o robô do Google. A página para o Google possui muito texto relevante, repetindo diversas vezes uma palavra-chave, uma estrutura de títulos adequada etc., porém a página que é exibida ao visitante tem pouquíssimo conteúdo de texto e muitas imagens. Como a página que o Google está lendo é a página muito relevante, ele acaba a posicionando bem nos resultados, porém a página que o visitante vê não tem toda a forma e conteúdo adequado. Link Farm Um dos principais fatores que o Google considera para melhorar o posicionamento de um site é a quantidade de links externos que ele recebe. Nesta técnica são criados diversos sites na internet e, em cada um 17 desses sites, cria-se um link para o site que desejam posicionar. Com isso, o site principal acaba ficando relevante para o Google, pois recebe diversos links. Compra e Venda de Links O ato de comprar ou vender links é considerado uma técnica de Black Hat. Existem diversos sites que oferecem links, se determinado valor for pago. O Google pode punir um site se descobrir que ele usa da compra ou venda de links para melhorar o seu posicionamento. Obs.: Quando há a compra de anúncios, em portais onde o anúncio é um link para o site, esse link deve ter um atributo “nofollow”, para que o Google desconsidere-o para o posicionamento. Isso evita que o Google considere sua prática ilegal. Links Ocultos Similar às palavras ocultas, os links ocultos funcionam da mesma maneira. Os links são colocados da mesma cor do fundo da página, impedindo o visitante de ver o link a olho nu. Fonte: Elaborado com base em Cosas, 2011. Importante atentar para as técnicas descritas no quadro acima, pois elas podem impactar diretamente os resultados futuros de curto e médio prazo para as suas campanhas, impedindo até que seu site apareça nos resultados dos buscadores. Garantir que essas técnicas não estão sendo utilizadas é manter o seu site imune a retaliações do Google ou outros buscadores. FINALIZANDO Agora podemos definir como nossa loja estará presente na web, se por meio de um site mobile, por um site responsivo ou mesmo por um aplicativo. Vimos que as três opções possuem suas características e níveis de investimentos diferentes. Também proporcionam resultados diferentes. Além da definição de nossa presença on-line, agora conhecemos algumas técnicas de marketing necessárias para promover nosso site. Não basta estar presente na web, precisamos nos promover, e nossa promoção pode ser por meio de estratégias de SEM e SEO – aliás, estas últimas deverão ser consideradas quando da montagem de nosso site novo. Outro ponto importante para a construção do novo site é “pensar como usuário”; assim, técnicas de design, usabilidade e navegabilidade serão aplicadas de forma ativa em nosso novo site, possibilitando um resultado otimizado e inovador. Pensar no usuário é o primeiro passo para iniciarmos nossa nova plataforma na web e termos uma presença constante e atraente, do ponto de vista da usabilidade e navegação em nosso site, que proporcione melhores resultados de nossas campanhas. 18 SUGESTÕES PARA LEITURA: conhecendo um pouco mais sobre o assunto Texto de abordagem teórica Definições de Design Thinking Disponível em: <https://meusucesso.com/artigos/inovacao-e-tecnologia/o-que-e- design-thinking-conceitos-e-definicoes-132/>. Acesso em: 5 jul. 2018. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entenda-o- design-thinking,369d9cb730905410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 5 jul. 2018. Definições de SEM e SEO GABRIEL, M. Marketing na Era Digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010. Ler as páginas 347 a 350. Texto de abordagem prática Recrutando para teste de usabilidade Disponível em: <http://blog.locaweb.com.br/geral/recrutamento-para-pesquisas- e-testes-de-usabilidade-por-onde-comecar/>. Acesso em: 5 jul. 2018. Saiba mais Usabilidade e prototipagem mobile Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=6W7QuhpG3DY>. Acesso em: 5 jul. 2018. SEO 2018 – Principais fatores de posicionamento do Google Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ICtAHVV_jh8>. Acesso em: 5 jul. 2018. Site responsivo ou site mobile Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=seXTLl83Tu0>. Acesso em: 5 jul.2018. 19 REFERÊNCIAS COSAS, L. O que é Black Hat. Web Córtex, 13 dez. 2011. Disponível em: <http://www.webcortex.com.br/blog/otimizacao-de-sites-seo/o-que-e-black-hat/>. Acesso em: 5 jul. 2018. EVANS, D. A internet das coisas: como a próxima evolução da Internet está mudando tudo. [S.l.]: White Paper; Cisco IBSG, 2011. Disponível em: <https://www.cisco.com/c/dam/global/pt_br/assets/executives/pdf/internet_of_thin gs_iot_ibsg_0411final.pdf>. Acesso em: 5 jul. 2018. FÁVARO, R. 2015 – O ano em que o celular ultrapassou o desktop. Tableless, 20 jul. 2015. Disponível em: <https://tableless.com.br/2015-o-ano-em-que-o- celular-ultrapassou-o-desktop/>. Acesso em: 5 jul. 2018. GABRIEL, M. Marketing na Era Digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010. KRUG, S. Não me faça pensar. Rio de Janeiro: Alta Books, 2014. LEMOS, M. 10 dicas para adaptar sites web para dispositivos móveis – Parte 01. iMasters, 26 maio 2015. Disponível em: <https://imasters.com.br/design-ux/10- dicas-para-adaptar-sites-web-para-dispositivos-moveis-parte-01/>. Acesso em: 5 jul. 2018. PINHEIRO, T.; ALT, L. Design Thinking Brasil. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017. PIVA, N. Atenção, empreendedor: Brasil deve ser a próxima China em vendas por celular. Gazeta do Povo, 31 maio 2017. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/economia/livre-iniciativa/atencao- empreendedor-brasil-deve-ser-a-proxima-china-em-vendas-por-celular- ci34btqocha93tbach7kkkjcs>. Acesso em: 5 jul. 2018. SITES com versão mobile terão prioridade nas pesquisas do Google. CanalTech, 18 jan. 2018. Disponível em: <https://canaltech.com.br/internet/sites-com-versao- mobile-terao-prioridade-nas-pesquisas-do-google-106788/>. Acesso em: 5 jul. 2018. SZEROVAY, K. Card Sorting. UX Knowledge Base, 4 out. 2017. Disponível em: <https://uxknowledgebase.com/card-sorting-b6674ac950ef>. Acesso em: 5 jul. 2018. AULA 5 MOBILIDADE E FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Prof. Joselmo Zaniboni Rezende 2 CONVERSA INICIAL O marketing está cada vez mais complexo e por isso precisamos ser precisos nas informações que captamos para utilizar nas ações com mais efetividade. Quando falamos em tecnologias mobile, é importante falarmos de ferramentas de localização, tecnologias de geolocalização e de mobilidade para identificar como podemos chegar mais próximos dos nossos clientes potenciais e capitanearmos melhores resultados em nossas campanhas. Os consumidores mudaram seus hábitos e as tecnologias têm evoluído no sentido de melhorar a entrega de resultados para os consumidores móveis. Mais e mais plataformas e aplicativos trazem soluções que utilizam tecnologias móveis e aproximam o novo consumidor das empresas. Nesta aula, veremos mais profundamente a definição do GPS e geolocalização, falaremos das plataformas de busca e como utilizar melhor os recursos dessa ferramenta, apresentaremos o conceito de taxonomia e como utilizar a técnica para melhorar a navegação dos sites, apresentaremos algumas aplicações de geomarketing e sua importância, fechando o assunto abordando as redes sociais geolocalizadas e como utilizar da melhor maneira essas plataformas. CONTEXTUALIZANDO O mundo em que vivemos, e já definido anteriormente, é mobile. As pessoas estão em constante movimento, seja trabalhando, em casa ou em locomoção de um local a outro. Nossa loja precisa se comunicar com esses clientes, que estão de passagem, que moram ou trabalham nas proximidades de nossa loja. O objetivo então é entender melhor as técnicas e ferramentas para aproximarmos nosso negócio dos clientes. Aqui teremos conceitos mais aprofundados de geolocalização e diversas aplicações, exemplos e técnicas de como melhorar nosso resultado de entrega quando alguém procura por nossos produtos. Nossa loja poderá resolver seus problemas de localização, entregar promoções mais precisas e chegar mais próximo dos clientes, sejam locais ou em trânsito. 3 TEMA 1 – DEFINIÇÕES GPS E GEOLOCALIZAÇÃO O GPS, ou Sistema de Posicionamento Global, é “um sistema via satélite que fornece a localização confiável de dispositivos e receptores do sistema” (Gabriel, 2010, p. 169). Figura 1 – GPS Fonte: Blog do GPS. Esse sistema é composto por três partes – a espacial, o usuário e o controle – e a localização de determinado local ou dispositivo é obtida por sua latitude, longitude e altitude. A geolocalização ou o georreferenciamento é a localização de um objeto determinado por coordenadas, composto por um conjunto de hardware, software e dados geográficos. A combinação desses elementos é capaz de capturar, armazenar, manipular e analisar as informações geográficas referenciadas. Geolocalização se refere à identificação do local geográfico de um usuário ou dispositivo de computação por meio de uma variedade de mecanismos de coleta de dados. Normalmente, a maior parte dos serviços de geolocalização usam endereços de roteamento de rede ou dispositivos internos de GPS para determinar esse local. A geolocalização é uma API específica do dispositivo. Isso significa que navegadores ou dispositivos devem ter suporte para geolocalização para poder usá-la em aplicativos da web (Google, 2017). As aplicações do GPS e geolocalização são de extrema importância para o marketing. Com base na geolocalização, é possível ativar campanhas localizadas por região; da mesma forma, podemos identificar um determinado 4 público que vive em uma localidade da cidade e assim atender às necessidades de perfil desse público com determinada oferta de serviço ou produto. O marketing já utiliza a geolocalização há muito tempo, promovendo campanhas regionais ou mesmo utilizando como um dos dados para planejamento de uma campanha. Segundo Gabriel (2010, p. 88), “a segmentação geográfica tradicional é feita pelo local onde o público mora ou trabalha, já a geolocalização mobile traz um novo ingrediente, o tempo real”. Segundo a autora, essa geolocalização em tempo real traz uma nova perspectiva na oferta de produtos e serviços a pessoas, como também permite que as pessoas interajam entre si por meio da disposição geográfica que elas se encontram. Enfim, Gabriel (2010, p. 89) destaca que a geolocalização “gera uma nova camada digital de dados sociais que permite enriquecer as ações de marketing”. Em resumo, o que a autora propõe é a nova perspectiva de informações, muito além dos formatos tradicionais de faixa etária, gênero, geografia e gostos. Com a geolocalização, o marketing amplia seus dados para mobilidade dos indivíduos, locais frequentados, locais de trabalho, contatos, entre tantos outros. TEMA 2 – PLATAFORMAS DE BUSCA Segundo Smaal (2011), em um estudo realizado pela Universidade do Sul da Califórnia entre 1986 e 2007 foram produzidos o total de 296 exabytes. Considerando essa estimativa, entre 2007 e 2017 já produzimos mais 296 exabytes. Cada exabyte corresponde a 1.152.921.504.606.846.976 bytes ou uma pilha de CDs de 400 metros de diâmetro. Ainda, segundo Grego (2014), a quantidade de informações na web dobra a cada dois anos. O autor afirma, com base em um estudo realizado pelo IDC, que em 2020 essa informação seria armazenada em uma pilha de iPads que chegaria a 6,6 vezes a distância entre a Lua e a Terra. O estudo ainda afirma que, no Brasil, o volume de dados deve crescer 7,5 vezes até 2020, chegando a 1.600 bilhões de gigabytes. Esse crescimento mostra que, essencialmente, o indivíduo é voltado à busca. Diariamente, somos bombardeados com milhões de informações e precisamos fazer nossos filtros para ter como referência somente o que nos interessa. 5 Gabriel (2010, p. 210) destaca que, no ambiente digital on-line, as buscas são feitas por meio de search engines ou mais conhecidos como buscadores. Segundo a autora, search engines “é um sistema de recuperação de informaçõesque tem finalidade específica de auxiliar na busca de informações armazenadas em sistemas computacionais”. Já vimos anteriormente que os principais buscadores são o Google, hoje com a maior participação no mercado, o Bing, da Microsoft, o Yahoo!, um dos primeiros buscadores do mercado, entre tantos outros. Esses buscadores tradicionais também se apropriam cada vez mais da tecnologia e de ferramentas de geolocalização para entregar resultados mais adequados aos usuários. Além desses buscadores tradicionais, novas ferramentas e aplicativos foram lançados com finalidades específicas para localizar produtos e serviços, e todos se apropriam de tecnologias de geolocalização para entregar o resultado de busca próximo ao usuário. O que precisamos, então, é melhorar constantemente nossa posição nos buscadores e assim otimizarmos nosso investimento em web. Segundo Schultze, editor do site SEO Marketing (Schultze, 2018), existem seis etapas para implementar um site com bons resultados: 1ª etapa: Pesquisa de palavras-chave – É preciso pesquisar exatamente quais as palavras que correspondem às buscas de seu site. Identifique também quais palavras seus concorrentes estão utilizando e verifique os logs do servidor de seu site para identificar quais palavras já estão sendo buscadas. O autor lembra que os resultados das palavras-chave auxiliam na construção de um mapa de site. Segundo o site Mestre do Adwords, o conjunto de palavras-chave é de extrema importância para ranquear seu site. 2ª etapa: Defina qual a mensagem a ser exibida nos resultados do Google – O texto exibido na tela de resultados, denominado snippet, é composto basicamente de um título, uma descrição e uma URL. É necessário também fazer URLs curtas e focadas no conteúdo abordado (Diligeiro, 2016). Defina claramente quais textos que comporão essa apresentação para que faça sentido aos usuários. 6 Figura 2 – Texto exibido nos resultados do Google Fonte: Google. 3ª etapa: Cuidados com programação e conteúdo de cada página – Cada página deve ser tratada como única e, para isso, é necessário tomar alguns cuidados, a saber: Diminua ao máximo o tempo de carregamento da página. Procure, por exemplo, compactar as imagens; utilize corretamente os heading tags (são tags de referência colocadas no cabeçalho da página e que referencia o robô do Google); repita algumas vezes a palavra-chave trabalhada no SEO da página, colocando-a em negrito ao menos uma vez; gere conteúdo exclusivo, evitando conteúdo duplicado; revise as meta tags da página; gere conteúdo relevante, que atraia a atenção de seu público-alvo; crie links para sites relevantes; confirme que o robots.txt não bloqueie páginas importantes de seu site, ou seja, que as páginas não estejam em status de escondidas para o robô do Google. Submeta um arquivo sitemap.xml ao Google contendo as URLs de seu site, imagens e vídeos (Schultze, 2018). 4ª etapa: Links entre páginas – Ao fim das páginas individuais, crie links com texto âncora (anchor text) que sejam relevantes e que liguem páginas de seu site, evitando somente links de menus. 5ª etapa: Link Building – Como já citado anteriormente, a quantidade de links que apontam para seu site aumenta a relevância e o PageRank. Schultze (2018) destaca que “a posição do link na página, o texto ao redor, a quantidade de links saindo da página são também fatores importantes considerados pelo Google. Isto é Link Building”! 6ª etapa: Sinais sociais e experiência no site – O Google tem por base oferecer uma experiência positiva para cada busca realizada. Likes, shares, compartilhamentos, entre outros, são formas eficientes para interpretar a experiência de usuários. Schultze (2018) afirma que é necessário “‘socializar’ seu site e atentar-se aos sinais emitidos por essa socialização, procurando sempre melhorar a experiência do usuário de seu site”. TÍTULO DESCRITIVO URL 7 Para engajar e tonar o conteúdo muito mais atraente, você precisa prestar muita atenção no seu público-alvo, pois são eles que vão ditar o caminho que você deve seguir. Sendo assim, sempre que possível, procure entender quem são eles, do que gostam e sobre quais nichos mais tem interesse para que, assim, você consiga gerar conteúdos de muita procura (Mestre do Adwords, 2016). As regras e melhores práticas para se otimizar os sites são aplicadas tanto para sites projetados para desktops como para sites projetados para dispositivos móveis. Essas práticas podem variar em traduções ou em números, porém, sempre apresentarão os mesmos pontos cruciais para otimizar e melhorar a performance de um site. Tais práticas já vimos anteriormente nas técnicas de SEO e SEM e se repetem aqui. TEMA 3 – TAXONOMIA Ao falamos de buscadores, devemos ressaltar a relevância da taxonomia, que, por definição, é a classificação sistemática (Campos; Gomes, 2007). Ainda, segundo os autores, “taxonomia são estruturas classificatórias que têm por finalidade servir de instrumento para a organização e recuperação de informação nas empresas. O desenvolvimento de taxonomias para o negócio da empresa tem sido um dos pilares da gestão da informação e do conhecimento (Campos; Gomes, 2007). Assim, a classificação correta das informações facilita buscá-las, bem como a entrega de resultados. O usuário não ficará em seu site se ele não encontrar o que procura, mesmo que você tenha o que oferecer a ele; então, devemos classificar de forma lógica, pensando em como o usuário buscará determinada informação de produto ou serviço. São três os princípios básicos de classificação nas taxonomias (Campos; Gomes, 2007): Categorização, que fornece as bases para a apresentação sistemática, foca no domínio de forma dedutiva, determinando as classes de maior abrangência dentro da temática escolhida; Cânones, para o trabalho no plano das ideias. Em cada categoria, os conceitos devem ser organizados em classes, que, por sua vez, são de dois tipos: cadeias e renques. As cadeias são séries verticais de conceitos que 8 podem ser genéricas e partitivas e os renques são séries horizontais e podem ser genéricas ou partitivas; Princípios, para a ordenação das classes e de seus elementos. Requer alguma ordem em sua sequência e podem ser adotados vários conceitos para essa ordenação. A importância da taxonomia para a web está justamente na classificação lógica das coisas. O PageRank criado pelo Google leva em consideração esses conceitos de classificação sistemática, segundo eles, pela relevância na busca, uma vez que existem diversos sites indicando uma determinada página, mas para que ela tenha alcançado determinada relevância, devemos lembrar que sua classificação foi correta. Figura 3 – Exemplo de um resultado de análise de site Fonte: Alexa. O Alexa (<www.alexa.com>) apresenta um relatório rico em informações sobre relevância do site globalmente e localmente (no exemplo, posição global: 9 821 e posição USA: 546), apresenta a taxa de abandono (bounce rate) do site (do exemplo: 25,8%), o número de páginas e o tempo que o usuário permanece no site. Esses dados são importantes para avaliar a navegabilidade, a usabilidade, identificar se o usuário está satisfeito com o site etc. O Google Analytics também fornece informações relevantes nesse sentido, é possível incluir os códigos do Analytics na programação do site e entender o caminho percorrido pelo usuário, as páginas mais visitadas, as buscas mais relevantes dentro do site, e assim, melhorar continuamente a classificação das informações, a hierarquia das páginas e os resultados para o usuário. Para obter relevância na busca, é necessário ter uma organização correta e lógica nos sites. A primeira consideração que proponho nesse processo é a lógica do usuário, a forma com que se busca determinado elemento ou informaçãona web. A forma com que o usuário navega na internet fará com que a relevância e os conteúdos informacionais de seu site sejam relevantes e devidamente ranqueados pelo buscador do Google. A construção de conteúdos relevantes e atualizados, o uso de técnicas de SEO e SEM e um mapa de site correto fará com que seu resultado em relevância do Google seja positivo, bem como diminuirá muito sua rejeição perante os usuários. TEMA 4 – APLICAÇÕES DO GEOMARKETING O geomarketing utiliza todas as informações de GPS e geolocalização para alinhar e planejar qualquer ação de relacionamento ou comunicação com o público determinado pela sua localidade. Diversas são as aplicações para o GPS, visto que inúmeros aplicativos utilizam a localização do usuário para entregar o resultado otimizado. É comum instalar um aplicativo em seu celular ou acessar um site de notícias, por exemplo, e a primeira pergunta é: “Permite que o aplicativo localize sua localização?”. 10 4.1 Algumas aplicações do geomarketing Figura 4 – Assinatura em mapas Fonte: Google. A assinatura de mapas permite que as pessoas localizem fornecedores de produtos e serviços na localidade solicitada pelo usuário. Uma vez que a empresa faz a assinatura do mapa, ela aparecerá no resultado de busca relacionado ao produto ou serviço. No exemplo, a busca por lojas de roupas resultou na lista de fornecedores, as informações básicas da loja e a localização no mapa. Na página de desenvolvedores do Google, é possível localizar as APIs necessárias para serem integradas ao código do site para a instalação da aplicação. Existe um recurso no Google Maps denominado “my maps”, que permite ao usuário padronizar suas escolhas e localização, formando assim um planejamento de rotas ou de concorrentes, ou mesmo de pontos de OOH, como outdoors, por exemplo. Figura 5 – My maps de plano de outdoors Fonte: Google. 11 No exemplo anterior, é possível ver o my maps com o menu de todos os exemplos de localização de outdoors X instituições de ensino, permitindo assim um planejamento de localização de pontos de comunicação para o público de interesse. Outra aplicação importante é o endereço IP (Internet Protocol ou protocolo da internet), que identifica a localização de um computador ou periférico na rede. Se resumirmos de forma bem objetiva, podemos dizer que o endereço de IP é o que identifica um computador ou periférico dentro de uma rede de conexões. Ele pode ser interno (no caso de uma rede fechada de uma casa ou escritório, por exemplo) ou, então, externo, como o endereço de IP da sua máquina na internet (Karasinski, 2012). Figura 5 – Home do portal UOL Fonte: Portal UOL. O portal UOL trabalha com a geolocalização pelo endereço de IP. No destaque em vermelho, o portal traz a localização do visitante e uma informação sobre o clima. Para empresas varejistas, por exemplo, que trabalham com diversas filiais, a importância do endereço de IP está na programação de ofertas direcionadas a determinada região, no relacionamento com a comunidade local, ou mesmo para direcionar um possível cliente de uma região próxima à loja física, para que ele encontre a loja mais próxima. Outra aplicação muito útil para o geomarketing é o SMS segmentado por região. Por meio da localização dinâmica do usuário, é possível encaminhar mensagens sobre produtos ou serviços próximos a ele, direcionar promoções, até mesmo controlar o estímulo desse usuário. Diversas são as aplicações possíveis, até mesmo aplicações em transporte, como transporte coletivo, com a possibilidade de melhoria de rotas e 12 picos de transporte de passageiros, ou mesmo em aplicações logísticas com identificação de melhores rotas, picos de tráfegos em determinadas regiões e relacionadas a horários distintos. TEMA 5 – REDES SOCIAIS GEOLOCALIZADAS Antes de avançarmos para o tema de redes sociais geolocalizadas, precisamos reforçar o conceito de rede social como “uma estrutura social composta por indivíduos, ligados por interesses em comum, por um ou mais tipos de interdependência como amizades, parentescos, afinidades” (Gabriel, 2010, p. 198). É importante também definir os tipos de redes sociais e sua finalidade, visto que existem alguns tipos distintos de redes sociais as quais devem ser consideradas no momento da definição de estratégias. Importante destacarmos que uma rede social não é o que está na internet. Uma rede social se dá no mundo físico e não no virtual. O que temos no mundo virtual são plataformas de redes sociais, que espelham o que ocorre no mundo real. As pessoas também tendem a projetar nas plataformas de redes sociais o que elas desejam ser. Assim, podemos citar alguns tipos de plataformas de redes sociais pela finalidade da plataforma: Redes sociais por perfil – Nessas redes, as relações ocorrem com base na representação de seus integrantes. É possível identificar o perfil do integrante, seus gostos e atividades, a saber, Facebook e LinkedIn; Redes sociais de qualificação – Plataformas como Pinterest, iFood ou Foursquare se comportam como uma rede social para seus integrantes. Nelas, você se relaciona por meio de gostos e dicas dos usuários, bem como a qualificação dos conteúdos; Redes sociais de criação – Em redes como YouTube, Flick, blogs, fóruns, entre outros, o relacionamento ocorre por meio do compartilhamento de conteúdo. Muitas vezes, os integrantes não se conhecem, assim como nas redes de qualificação, porém, compartilham interesses e conteúdos postados. Agora, temos um novo elemento que é a geolocalização, permitindo que seus componentes se relacionem também por proximidade. Segundo Bronsztein e Pimenta (2011), as redes geolocalizadas funcionam como “instrumentos comerciais, e se tornaram um local perfeito para divulgação 13 de produtos e serviços, incentivando seus usuários a discutir os locais que frequentam e a fazer avaliações capazes de encorajar outros consumidores”. Esse princípio baseia-se no fato de os indivíduos serem mobiles, conforme já explanado em momentos anteriores, e por serem, as redes sociais, o local de relacionamento e fortalecimento dos laços entre os indivíduos, seja entre pessoas ou entre pessoas e empresas. Assim, nascem diversos aplicativos e redes voltadas a essa experiência do usuário, com o objetivo não somente de melhorar a experiência, mas de prover uma experiência que seja mais palpável ao indivíduo, tornando seus contatos e possibilidades de relacionamentos próximos e atingíveis, e não na esfera das possibilidades intangíveis ou desejáveis tendendo ao impossível, em função da mobilidade. Podemos identificar diversos exemplos, porém, vamos citar alguns mais atuais e com representatividade no tema. 5.1 Snapchat É uma rede social e aplicativo mensageiro semelhante ao WhatsApp Messenger, mas que envia imagens pelo bate-papo que duram alguns segundos, sendo “destruídas” em seguida (Freire, 2014). O aplicativo ainda permite você visualizar a posição de seus amigos e da sua rede ao redor do mundo e conhecer a movimentação deles. Figura 6 – Exemplo de mapa do Snapshat Fonte: Google. Ainda, no aplicativo, é possível ver os “avatares” criados pelos usuários com o objetivo de ter uma ciber-representação do seu eu. 14 5.2 iFood O iFood é uma das opções mais acessíveis para pedir comida em casa ou no trabalho. O aplicativo, muito popular entre os usuários de smartphones, permite pedir refeições de restaurantes ou de lanchonetes próximos, diretamente do celular, sem precisar gastar créditos com ligações (Jesus, 2016). Figura 7 – Mapa do iFood Fonte: Google. A lógica do aplicativo é localizar restaurantes e deliverys na proximidade do usuário, reduzindo o deslocamento e melhorando sua experiência. No mapa, é possível localizar bares, lanchonetes e restaurantes cadastrados e próximosao usuário que está buscando algum produto ou serviço, aumentando a interatividade e melhorando a experiência, bem como interpolar as reações dos usuários. 5.3 Tinder É um aplicativo de encontros, em que o usuário pode conhecer novas pessoas que possuem interesses em comum. Para isso, o programa cruza as informações de perfil com dados de geolocalização e, desse modo, sugere possíveis pretendentes que estejam relativamente próximos (Ribeiro, 2015). O Tinder parte do princípio da geolocalização, e permite que pessoas com características semelhantes, mas que estejam próximas, possam se relacionar. 15 5.4 Foursquare Figura 8 – Telas do Foursquare Fonte: Google. No mapa, é possível localizar os locais referenciados, identificar quem passou pelo local e consultar a avaliação dada pelos usuários sobre o local. Uma das mais antigas e importantes redes geossociais, nela, o usuário pode indicar sua localização e assim procurar seus contatos próximos, bem como encontrar locais frequentados e as notas e comentários deixados pelos seus contatos que frequentaram esses locais. A rede utiliza mapas do Open Street Map. (Diligeiro, 2016). O Fousquare foi uma das primeiras redes sociais com característica de qualificação e que também buscava locais qualificados pelos usuários. 5.5 Serviços Advocatícios Diligeiro Apesar de não ser caracterizada como uma rede social, Diligeiro funciona como uma plataforma para a comunidade de advogados. Essa plataforma permite que advogados contratantes se comuniquem, por meio do GPS dos telefones, e direcionem as demandas colocadas na plataforma aos correspondentes mais próximos ao local da diligência. Da mesma forma, permite que os correspondentes também localizem demandas mais próximas deles e se apresentem, agilizando o andamento de processos (Diligeiro, 2016). 16 Figura 9 – Telas do aplicativo Diligeiro Fonte: Google. Na tela, é possível identificar os processos, os responsáveis, os valores, a localização da audiência, enfim, informações necessárias para que os processos possam ser levados adiante de forma rápida, interligando a comunidade de advogados e profissionais ligados a áreas jurídicas. Além dessas redes geolocalizadas citadas, redes já consagradas, como o Facebook, há muito também se utiliza da geolocalização para agendar eventos, convidar pessoas para eventos próximos, identificar quem são os indivíduos da sua rede que estão interessados em um evento próximo, enfim, objetiva aproximar a rede e melhorar a experiência do usuário. FINALIZANDO Enfim, chegamos ao final de uma experiência complexa e desafiante. A utilização da geolocalização nos permite melhorar nossa visibilidade e oferta de produtos e serviços para os clientes. As redes sociais geolocalizadas permitem que o indivíduo possa referenciar as empresas, bem como agendar eventos e convidar indivíduos que estejam próximos. Por fim, é importante estar em evidência na web e, para isso, foram apresentadas técnicas de taxonomia e de SEM para melhorar nossa visibilidade nas plataformas de busca. 17 Tais informações nos permitem, agora, melhorar o ranqueamento de nossa loja. Podemos também criar eventos e convidar nossos clientes para comparecerem e apreciarem uma experiência de marca diferenciada. Ainda, podemos utilizar as plataformas de geolocalização e aumentar a visibilidade da nossa loja na comunidade, incentivando que os clientes nos qualifiquem, que compartilhem a informação e melhorem a visibilidade no chamado “marketing boca a boca”. SUGESTÕES PARA LEITURA: conhecendo um pouco mais sobre o assunto Texto de abordagem teórica Leia o artigo “Contribuição do geomarketing para a escolha dos meios de comunicação com o público-alvo”, de autoria de Juliano Domingues da Silva e Me. Isabella Tamine Parra Miranda, publicado nos anais do VII Encontro de Produção Científica e Tecnológica. Texto de abordagem prática Leia o artigo “Redes sociais baseadas em localização: um novo princípio para mídia publicitária”, de autoria de Karla Regina Macena Patriota Bronsztein e Rodrigo Duguay da Hora Pimenta, publicado nos anais do XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom, em Recife, PE, de 2 a 6 de setembro de 2011. Saiba mais Assista aos vídeos: “Geomarketing: o que é geomarketing? Como funciona? Geomarketing 2.0!”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v= VxsKSlWMlQA>. Acesso em: 17 jun. 2018. “Passo a passo geomarketing”, sobre a aplicação do marketing no My maps. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v= HcReOeNO6PE>. Acesso em: 17 jun. 2018. 18 REFERÊNCIAS 10 DICAS para aparecer na primeira página do Google. Mestre do Adwords, 26 jan. 2016. Disponível em: <http://mestredoadwords.com.br/aparecer-na-primeira- pagina-do-google/>. Acesso em: 17 jun. 2018. BRONSZTEIN, K. R. M. P.; PIMENTA, R. D. H. Redes sociais baseadas em localização: um novo princípio para mídia publicitária. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 24., 2011, Recife. Anais... Recife: Intercom, 2011. p. 1-15. CAMPOS, M. L. A.; GOMES, H. E. Taxonomia e classificação: a categorização como princípio. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 8., 2007. Anais... 2007. p. 1-14. 10 aplicativos de geolocalização. Diligeiro, 25 out. 2016. Disponível em: <https://www.diligeiro.com.br/blog/2016/10/25/10-aplicativos-geolocalizacao/>. Acesso em: 17 jun. 2018. FREIRE, R. Como usar o Snapchat? Techtudo, 3 jul. 2014. Disponível em: <www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2014/07/como-usar-o- snapchat.html>. Acesso em: 17 jun. 2018. GABRIEL, M. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec, 2010. GEOLOCALIZAÇÃO: como exibir a posição do usuário ou do dispositivo no Maps. Google – Developers, 18 ago 2017. Disponível em: <https://developers.google.com/maps/documentation/ javascript/geolocation?hl=pt-br>. Acesso em: 17 jun. 2018. GREGO, M. Conteúdo digital dobra a cada dois anos no mundo. Exame, 9 abr. 2014. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/tecnologia/conteudo-digital- dobra-a-cada-dois-anos-no-mundo/>. Acesso em: 17 jun. 2018. JESUS, A. O que é iFood? Saiba como funciona o app de delivery. Techtudo, 10 jul. 2016. Disponível em: <http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2016/07/o- que-e-ifood-saiba-como-funciona-o-app-de-delivery.html>. Acesso em: 17 jun. 2018. 19 KARASINSKI, L. Como descobrir o endereço de IP do seu roteador. Techtudo, 15 maio 2012. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/tutorial/23589-como- descobrir-o-endereco-de-ip-do-seu-roteador.htm>. Acesso em: 17 jun. 2018. KRUG, S. Não me faça pensar. Rio de Janeiro: Alta Books, 2014. LEVY, P. Cibercultura. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2010. RIBEIRO, G. O que é e como funciona o Tinder? Techtudo, 27 dez. 2015. Disponível em: <http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2015/12/o- que-e-e-como-funciona-o-tinder.html>. Acesso em: 17 jun. 2018. SCHULTZE, B. Como melhorar o posicionamento no Google? SEO Marketing. Disponível em: <https://www.seomarketing.com.br/como-melhorar- posicionamento-google.php>. Acesso em: 17 jun. 2018. SMAAL, B. Pesquisadores estimam a quantidade de informação existente no mundo. Tecmundo, 16 fev. 2011. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/ curiosidade/8567-pesquisadores-estimam-a-quantidade-de-informacao-existente-no- mundo.htm>. Acesso em: 17 jun. 2018. AULA 6 MOBILIDADE E FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Prof. Joselmo Zaniboni Rezende 2 CONVERSA INICIAL Chegamos ao final de nossa disciplina e temos muitos desafios para superar. O marketing digital já é um cenário novo, e ter um olhar específico para o marketing, considerando a perspectiva da mobilidade, é um desafio maior ainda.Vimos que o consumidor possui novas características: ele busca, é móvel, possui dispositivos e está conectado o tempo todo. Esta é uma realidade presente nos desafios que o marketing tem de superar. Nesta última etapa vamos focar as ferramentas e ações que orientam o marketing mobile. Assim, iniciamos falando de boas práticas para se trabalhar na web e com mídias sociais, falaremos de data marketing, sua importância e o que a diferencia de banco de dados. Apresentaremos as estratégias de push e pull marketing ou outbound e inbound marketing e uma visão para gerar tráfego e melhorar os resultados de conversão. Destacaremos estratégias de marketing de busca ou SEM e algumas ações inovadoras e, por fim, apresentaremos algumas métricas importantes para acompanhamento das ações e avaliação de resultados. CONTEXTUALIZANDO Nossa loja já possui um site e uma loja para e-commerce, e se apropriou de técnicas para otimizar seu site, técnicas para melhorar sua visibilidade na web e técnicas de tecnologias mobile. O que veremos agora é o final desta jornada, em que nos apropriaremos de boas práticas para se atuar na web. Veremos estratégias de push e pull marketing e como equilibrar estas duas estratégias para atrair mais clientes para conversão em vendas, e por fim veremos algumas métricas importantes para acompanhamento dos resultados e melhoria da performance. Boa aula! TEMA 1 – BOAS PRÁTICAS Ao falarmos de boas práticas, não temos como não citar um balizador para evidenciá-las: a ética, que, por definição, está relacionada aos princípios que orientam e fundamentam as ações morais (Candiotto, 2010, p. 14). Segundo Vázques (2012, p. 22) a ética não cria a moral, mas sim pressupõe princípios, 3 normas ou regras de comportamento. Portanto, “ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade” (Vázques, 2012, p. 23). Assim, se considerarmos que as tecnologias e plataformas digitais oferecem um cenário fértil para as mais diversificadas ações de marketing (Gabriel, 2010, p. 105), e a interatividade e a experiência são os aspectos importantes para o sucesso de estratégias de marketing das organizações (Gabriel, 2010, p. 109), devemos considerar então que estas relações sejam mediadas pela ética. Vimos ao longo da nossa disciplina diversas técnicas e ferramentas para melhorarmos a performance de nosso site, assim como identificamos também práticas de black hat, que estão fora das boas práticas da web e muitas vezes recebem penalizações que chegam ao banimento do site dos buscadores. É importante destacar que para trabalhar com redes sociais, moderação de redes e na web em geral o indivíduo, acima de tudo, tem de ter interesse por pessoas, e para isto alguns requisitos são importantes. Já apresentamos em tópicos específicos técnicas e regras para criação de sites, publicidade na web, melhoria de performances de sites, geolocalização, enfim, diversas ferramentas importantes para alavancarmos nossos resultados. Todas são boas práticas de construção e gestão de ferramentas na web. Assim, o que apresentaremos aqui são tópicos de como atuar na web e promover a marca, a saber: Ter habilidades sociais, ou seja, saber se relacionar, interagir com as pessoas, saber negociar e interpor objeções sem restringir ou ofender o interlocutor. Ter senso de humor, entender que muitas das ações na web, mesmo as críticas, são feitas com piadas ou satirizando uma situação. Isto não significa que devemos interpretar tudo de forma engraçada nem sermos palhaços – ter senso de humor não é ser engraçado. Medir a fala antes de postar ou interagir: lembre-se de que na internet tudo fica registrado. Pense em se relacionar antes de efetivar a venda. O relacionamento é a base da web e das redes sociais. Se você é moderador, levar para o lado pessoal somente colocará você em um patamar de estresse desnecessário. Coloque-se no lugar do indivíduo e procure entender todo o processo antes de julgar e apresentar uma solução. 4 Não confunda ferramenta, plataforma, rede social ou tipo de site com estratégia: aquelas são as ferramentas de seu plano, são o meio, não o fim. Ao entrar no mundo web, é preciso ter uma consciência coletiva da empresa, bem como dos níveis de aprovação, e acesso aos porta-vozes para resolução de problemas. Seja relevante nas suas interações: caso você não apresente diferenciais, os indivíduos automaticamente perderão interesse por você, sua empresa e seus produtos ou serviços. Monitore e responda seus consumidores, acompanhe o que estão dizendo sobre sua empresa, mantenha relacionamento o tempo todo, lembre-se de que eles não pedirão permissão para falar de sua marca ou seu produto, assim, esteja pronto a responder quando necessário e tenha regras claras de tempo de resposta. A internet possui registro de tudo, assim, trabalhe com estatísticas e números, não com suposições. Acompanhe tendências, preveja seu futuro para não ficar à deriva e sem respostas. Lembre-se de que você, como profissional de marketing, trabalha para uma organização, seja sua ou não, assim, as interpolações e relacionamentos na rede devem possuir a imagem da organização e não a do profissional que estiver a frente do processo. As mídias sociais na web são plataformas de relacionamento que possibilitam aos indivíduos se relacionarem, por isso não seja omisso, seja ativo e não espere que as coisas se resolverão sozinhas. Procure se engajar com sua audiência e tenha uma imagem própria, diferencie-se, acompanhe as tendências, entenda o mercado, mas não seja igual a todos. Os relacionamentos, assim como na vida real, levam tempo para serem construídos e fortalecidos, assim, não espere que na web isto seja diferente: coloque metas, mas não seja imediatista. Em toda empresa existem riscos, sejam riscos de trabalho, jurídicos, passivos trabalhistas, riscos de imagem, enfim, se uma empresa está ativa no mercado ela possui riscos inerentes ao negócio. Crie protocolos de crise para fazer a gestão de problemas, considerando quem deve ser acionado, em quanto tempo, quais pessoas na empresa devem ser envolvidas, como 5 serão as tratativas desses problemas etc. A resposta na web não deve ser demorada, por isto a necessidade de criação desses protocolos. Trabalhe com brand content ou estratégia de conteúdo. Para criar uma imagem é necessário, além da promoção, criar estratégias de conteúdo para solidificar a marca e posicionar-se perante a concorrência. Enfim, acima de tudo, tenha bom senso nas atitudes. A progressão de um erro na web é exponencial e os efeitos sobre a marca ou a empresa podem ser desastrosos, refletindo-se automaticamente nos resultados de vendas. TEMA 2 – DATA MARKETING Segundo Ferrell e Hartline (2006, p. 53), dados são conjuntos de números ou fatos potenciais que somente se tornam informativos quando trabalhados e, combinados com outros dados, fornecem informações úteis para tomadas de decisões. Em termos gerais, todas as empresas possuem dados em seus ambientes, sejam dados financeiros, dados de vendas dados de recursos humanos, enfim, uma infinidade de dados que não são utilizados ou trabalhados para que forneçam informações gerenciais suficientes para tomadas de decisões. Ainda segundo Klein, Guidi Neto e Tezza (2017, p. 211), “o big data não são apenas grandes conjuntos de dados, mas uma mudança no pensamento, um sistema de conhecimento que está mudando os objetos desse conhecimento, bem como as interações humanas”. Royal (1996, p. 66) aponta que, assim como o comércio eletrônico, o database marketing é uma tendência em negócios. Amaral (2011, p. 87) ainda reforça que: Um significativo componente da atividade do comércio eletrônico e das e-empresas relaciona o marketing com a entrega de produtos de informação. Exemplos destesprodutos de informação são jornais e revistas eletrônicos, newsletters, e-books, música digital, áudio e vídeo, software, imagens. A internet, nesse sentido, fornece o maior conjunto de informações possíveis ao marketing. Tudo o que se publica e se produz para a internet pode ser rastreado, e, uma vez coletados os dados de usuários, é possível ter um rico banco de informações disponível para ser utilizado no desenho da estratégia. Embora pode parecer similar, existe uma grande diferença entre banco de dados e data marketing. O primeiro tem por objetivo ser um repositório de dados que necessitam ser trabalhados, e o segundo é um banco de informações, 6 partindo da combinação de dados, que fornece subsídios suficientes para que a empresa possa desenhar sua estratégia, analisar cenários, observar tendências, entre outros. Cooke (1993, p. 7) reforça que "o uso de informações sobre consumidores, tem a finalidade de aumentar a eficiência da segmentação e da customização e ainda promover a criação de laços com o cliente, a partir da perspectiva dos administradores de marketing". O tratamento de dados é relativamente recente, e os modelos de banco de dados foram desenvolvidos na década de 1960 e se desenvolveram até o que temos hoje. Figura 1 – Desenvolvimento de banco de dados Fonte: <www.quickbase.com> A importância de conhecermos este desenvolvimento ao longo do tempo é para entendermos um pouco mais sobre as ferramentas que utilizamos. É claro na timeline que, com o surgimento da internet aconteceu uma intensificação no desenvolvimento destas ferramentas em função da quantidade de informações disponíveis na web. Amaral (2011, p. 87) destaca que “a importância da informação nos processos de marketing possui enfoque na economia da informação, no sentido do entendimento do valor da informação”. Moody e Walsh (1999, citados por Amaral, 2011) definiram sete leis que definem o valor intangível e a melhor compreensão do valor da informação, a saber: 1. a informação é infinitamente compartilhável; 2. o valor da informação aumenta com o uso; 7 3. a informação é perecível; 4. o valor da informação aumenta com a acurácia; 5. o valor da informação aumenta quando combinada com outra informação; 6. mais informação não é necessariamente melhor; 7. a informação não se esgota com o consumo. Em resumo, sistemas de banco de dados devem estar preparados para não somente armazenar as informações como também permitir que as mesmas sejam trabalhadas em tempo de observar dados que permitam orientar as empresas. O modelo de banco de dados pode sim influenciar nos resultados finais, e o analista responsável pelo cruzamento desses dados deve ter uma visão holística para compreender o negócio e todas as variáveis necessárias para acompanhar e realizar o melhor planejamento. TEMA 3 – ESTRATÉGIAS DE PUSH E PULL Por definição, uma estratégia de push é levar até o consumidor, distribuidor ou revenda o produto final, ou seja, por definição, é empurrar o produto até o consumidor utilizando os canais de distribuição, seja por meio da força de vendas ou de ações de promoção ou publicidade. Uma estratégia de pull já exige um esforço de comunicação muito maior, fazendo com que surja a demanda por parte do consumidor a partir do momento que ele toma conhecimento do produto e inicia a busca no canal de distribuição. 3.1 Push Marketing O push marketing, também conhecido como outbound marketing, é direcionado para vendas de curto prazo, necessita de ações de mídia paga e um grande esforço financeiro. Normalmente, é utilizado para marcas novas e, como estamos falando da internet e em sua maioria temos marcas competindo em um mesmo espaço e relativamente novas, o esforço publicitário é grande neste processo. Os métodos de push marketing incluem: Google Ads: Já falamos sobre Google Ads ou a compra de palavras e anúncios displays no Google e em sites parceiros. É uma das estratégias off-page de SEM (Gabriel, 2010, p. 351) e trata-se de uma compra de mídia web. Devemos utilizar quando temos novos produtos, estamos evoluindo 8 em campanhas promocionais, procuramos aumentar resultado em vendas ou promover algum produto ou serviço. São quatro as formas de anunciar: anúncios de texto, anúncios de gráfico, anúncios em vídeos ou anúncios em aplicativos (Escolha..., 2018). Figura 2 – Tipos de anúncio Fonte: Escolha..., 2018. Call center: o importante do call center é ter uma estratégia bem definida, assim como uma régua de contatos bem desenhada. A operação de um call center exige a implantação de um software de CRM. Automatizar a operação do call center é importante para garantirmos não somente os resultados, mas também o controle da operação, como: quantidade de operação por consultores, ligações com resultado, contatos efetivos, abandono, contatos recebidos, tempo de espera, enfim, todas as informações necessárias para se ter uma operação efetiva. Além dos dados de controle, é importante ter uma “régua de contatos” bem definida. Essa régua define o que falar e como falar em cada etapa do processo de compra em que o cliente se encontra. SMS: assim como o call center, o SMS é utilizado como uma ferramenta de apoio às ações de contato. Já falamos anteriormente sobre SMS e as técnicas para envio de mensagens. Lembre-se de que o SMS é uma mensagem curta, no máximo 156 caracteres, assim, ela deve ser direta e a mais precisa possível. E-mail marketing: o e-mail marketing é uma ferramenta que deve seguir as regras de ética e boa conduta do call center e de envio de SMS. É importante que o usuário permita receber mensagens e comunicados da 9 empresa e, uma vez solicitado o cancelamento, deve-se respeitar e eliminar o cliente da base. O site E-mail Manager listou 50 técnicas de boas práticas para disparo de e-mail marketing, das quais listamos as 10 principais aqui: 1) Pense na linha do assunto: Embora pareça simples e até óbvio, muitos profissionais de marketing não dão a devida importância ao assunto do e-mail. Ela pode influenciar as suas taxas de abertura 2) Evite remetentes genéricos: E-mails enviados com remetentes personalizados e reais são mais confiáveis. 3) Inclua links no seu texto e imagens: Links externos podem aumentar suas chances de engajamento. 4) Inclua imagens no corpo do e-mail: Trazem vida aos seus e-mails e influenciam o resultado da sua entrega. Não utilize imagens tipo GIF, JPEG ou similares, utilize HTML para não ter problemas com spam. 5) Pense nos aparelhos móveis: Criar designs responsivos para garantir que os seus e-mails serão lidos em qualquer aparelho, a qualquer hora. 6) Combine com estratégias móveis: Integrar e-mails com SMS é uma boa tática, por exemplo: você pode dobrar as suas chances. 7) Evite anexar arquivos: Os anexos diminuem a entrega dos seus e- mails, e você não pode acompanhar quem abriu ou não o seu arquivo. 8) Usar áudio em seus e-mails: Assim como vídeos e gifs, áudios devem ser usados de uma forma criativa. Entretenha e divirta seu leitor, clipes de áudio são uma boa forma de encorajá-los a compartilhar o e-mail. 9) Reenvie e-mails que não foram abertos: O seu cliente pode não ter lido o seu e-mail, então talvez seja válido tentar de novo. 10) Use um serviço de e-mail marketing: Usar um serviço de e-mail marketing tem inúmeros benefícios: você pode acompanhar os seus resultados, segmentar suas listas, personalizar seus e-mails, enviar auto respostas, e muito mais (50 boas..., 2016). Acima de tudo, ao se trabalhar com e-mail marketing, devemos utilizar o bom senso. Não envie o que não gostaria de receber, não seja inconveniente e deixe sempre um botão que faça o cancelamento da assinatura do e-mail e, uma vez que o indivíduo selecionar esta opção, respeite-a. 3.2 Pull Marketing Já o pull marketing ou inbound marketing parte do princípio de quedevemos ter as métricas de SEO bem trabalhadas, pois o esforço refere-se ao resultado orgânico do Google. Normalmente é utilizado para marcas com força e presença na web, as quais são escolhidas e procuradas pelos consumidores. São eles que escolhem e buscam por uma determinada marca. São quatro os pilares que devemos considerar numa estratégia de inbound: geração de tráfego, geração de leads, conversão e por fim análise e mensuração dos resultados. Algumas das tácticas mais comuns de pull marketing incluem: Otimização em buscadores: são as técnicas já vistas e utilizadas em SEO, que têm por objetivo melhorar o posicionamento do site nos resultados de busca orgânica. Assim, devemos tomar todos os cuidados 10 necessários e estar atentos à taxa de abandono de nosso site, e se as campanhas estão gerando tráfego em nosso site. Redes sociais e blogs: uma estratégia de rede social deve ser bem planejada. Segundo Rezende (2015), os três valores indicados por Seraj são consistentes para que as pessoas determinem valor da rede social e assim sigam a empresa e, ao final, realizem negócio com sua empresa. São eles: o Valores sociais – são as ações que a empresa realiza para promover a interação dos componentes da rede social – entre eles e deles com a empresa. o Valores intelectuais – são as ações relativas a conteúdos postados por técnicos e conheceres que promovam o conhecimento e experiência da sua empresa e que gere buzz entre os integrantes. o Valores culturais – referem-se a como sua empresa pensa e age. Referem-se a crenças, missão e valores em que sua empresa acredita e deve deixar claros às pessoas. Re-marketing ou re-targeting: segundo Gabriel (2010), “trata-se de apresentar o anúncio de um produto a um consumidor individual após ele ter manifestado algum tipo de interesse nesse produto em ocasiões anteriores”, ou seja, quando o usuário visita seu site, a ferramenta de re- marketing grava seu cookie, que é um identificador do indivíduo, assim, quando esse consumudir acessa um site parceiro de publicidade, é possível apresentar um anúncio do produto por meio do histórico de navegação do usuário. Técnicas de push como pull devem ser utilizadas de forma conjunta, pois uma técnica complementa a outra. Devem também ser utilizadas em maior ou menor relevância entre as duas técnicas, dependendo do período e objetivo a que se propõem. TEMA 4 – ESTRATÉGIAS DE SEM E NOVOS USUÁRIOS Como já vimos anteriormente, estratégias de SEM ou marketing de busca, segundo Gabriel (2010, p. 349), é o processo que torna o site visível nos buscadores, promovendo-o, gerando maior tráfego, ou ainda garantindo a fidelidade e otimizando o retorno sobre o investimento, utilizando-se de ações 11 internas (on-page) ou externas (off-page). Trataremos aqui das ações internas e de como podemos aplicar algumas ações no processo para darmos visibilidade ao nosso site e, principalmente, aos aplicativos mobile. Vamos lembrar que temos três tipos de sites para dispositivos móveis – o primeiro, um site responsivo, o segundo, o site que nasceu no ambiente mobile, e por fim os aplicativos. Além das características já citadas e dos objetivos de cada site, falaremos aqui de ações que podemos fazer para gerar tráfico nesses sites e destacar a empresa perante a concorrência. Segundo Alves (2013, p. 28) “o conceito de marketing passou a ser baseado na diferenciação, e suas diretrizes focadas no posicionamento do produto e da empresa, com proposição de valor ainda funcional, mas agora também emocional”. Para o autor, “a mídia mais eficaz é aquela que atinge os usuários no local onde estão” (Alves, 2013, p. 39). Segundo André Lemos (2007), “mídia locativa é um conjunto de tecnologias e processos info-comunicacionais cujo conteúdo informacional vincula-se a um lugar específico”. Assim, tudo o que falamos de mídia locativa refere-se a uma comunicação dirigida determinada por uma região demográfica. Lemos (2007, p. 3) classifica as mídias locativas a partir de suas funções, “a saber: realidade aumentada; mapeamento e monitoramento; geotags; e anotação urbana”. Essa visão permite uma orientação sobre estratégia e ações a serem tomadas e como podemos gerar mais resultados em campanhas, partindo do princípio de que já realizamos as otimizações do site necessárias e assim poderemos captar novos clientes. Listemos algumas estratégias para trabalharmos: Programa de afiliados – segundo Gabriel (2010, p. 352), ser afiliado de algum programam como a Amazon é um modo de conseguir links e tráfego em seu site. Press release – uma estratégia de comunicação e assessoria de imprensa ajuda a anunciar a sua presença na web. Esta estratégia está alinhada a uma estratégia de conteúdo. Estratégia de conteúdo – uma estratégia bem montada ajuda a fazer uma construção de links por meio de notícias publicadas em portais de comunicação e que apontem para seu site. Realidade aumentada – Lemos (2007) destaca a realidade aumentada como uma ferramenta que permite complementar informações para pessoas que estão em trânsito e ajuda a divulgar o negócio. 12 Figura 3 – Realidade aumentada Fonte: TechTudo Mapeamento e Monitoramento de Movimento – Lemos (2007) destaca que as funções aplicadas em forma de mapeamento e de monitoramento de movimento ajudam a localização no espaço urbano. A exemplo temos o Google Maps e aplicativos com Uber e 99Taxi. Geotags – “Nesses tipos de mídia locativa, o objetivo é agregar informação digital em mapas, podendo ser acessadas por dispositivos móveis” (Lemos, 2007). Figura 4 – Geotags dentro de shopping Fonte: Google Maps Nota-se a importância de estar localizado corretamente dentro do universo web. No detalhe da planta do shopping, aparecem as lojas localizadas dentro da construção. 13 Wireless Mobile Games – jogos como PokemonGo, segundo Lemos (2007), “são jogos realizados nos espaços urbanos que agregam várias funções das mídias locativas”. Figura 5 – Telas PokemonGo Fonte: Google No auge do jogo, era possível comprar Pokémons e diversos estabelecimentos comerciais compravam as torres de atração de Pokémons, a fim de atrair as pessoas a frequentarem os locais para caçarem os personagens. “Espaço, mobilidade e tecnologia formam o tripé para a compreensão das mídias locativas” (Lemos, 2007), e o espaço urbano com suas modificações diárias, a necessidade de mobilidade do indivíduo cada vez maior e a tecnologia cada vez mais desenvolvida para atender às necessidades tornam esse ambiente propício para o desenvolvimento de negócios infinitos. A mobilidade informacional permite vivências e formas de apropriação do urbano, similar à prática do “andar como arte” da segunda metade do século XX. Andar com dispositivos móveis permite leituras e escritas do espaço com informação digital muito próximas da arte do andar dos situacionistas, dadaístas e surrealistas. As mídias locativas e os territórios informacionais atualizam formas de deriva pelo espaço urbano (Lemos, 2007). Assim, segundo Lemos (2007), as “mídias locativas estão reconfigurando as práticas comunicacionais nas cidades. Para além da publicidade fácil e do marketing das empresas, deve-se encorajar a produção de conteúdo, a apropriação criativa do espaço urbano”. Criar estratégias de comunicação mobile é um desafio para o profissional de marketing ao mesmo tempo que possui um campo aberto e infinito de possibilidades e projetos a serem desenvolvidos. 14 TEMA 5 – TIPOS DE MÉTRICAS: DOWNLOADS, ACESSOS, MONETIZAÇÃO Segundo Edney Souza (2011), existem três tipos de métricas para medição de resultados na internet, a saber: Métricas de Visibilidade – são do tipo quantitativas e servem como base de comparação com outras mídias tradicionais. Métricas de Influência – são do tipo qualitativase demonstram o potencial de propagação da informação no meio social e a reputação do autor da mensagem. Métricas de Engajamento – são do tipo qualitativas e quantificam a participação nos meios sociais, em atividades que geralmente não tëm paralelo em mídias tradicionais. Listaremos algumas métricas importantes que devem ser acompanhadas e constantemente avaliadas para melhoria da performance de suas campanhas. Tais métricas estão disponíveis na internet em aplicativos, ferramentas disponibilizadas pelo Google, entre tantas outras disponibilizadas de forma gratuita na web. Assim, não são necessários altos investimentos para monitoramento e acompanhamento de resultados. Tempo de visitação – diz respeito ao tempo que o visitante permaneceu no site ou na página. É importante mensurar também vídeos que foram assistidos e até que parte foram assistidos. Novos visitantes – importante medir visitantes novos que surgiram no período da ação e comparar com números de períodos anteriores sem ação e com o mesmo período em anos anteriores para entender se não existe uma sazonalidade. Visitantes que retornam – medir no período seguinte à ação para avaliar a retenção da base impactada e saber se a comunicação foi efetiva. Esta informação também pode indicar o comportamento do seu consumidor e o tempo de maturação deste para a compra. Origem do tráfego – este pode ser pago, direto, referência (de outros sites) ou de busca (seeding). Esta informação permite saber se a comunicação está sendo efetiva, se a marca possui recall para busca direta, quais os canais que mais estão contribuindo na campanha etc. 15 Taxa de rejeição – mede o percentual de visitantes que acessam apenas uma página e saem do site. Este dado deve ser medido com atenção, pois o cliente pode chegar a uma página com a informação de que ele necessita e sair. Figura 6 – Painel Analytics Fonte: Google Conversões – Quantidade de visitas que geraram compra ou se cadastraram. Campanhas de CPA/PPA (Cost Per Action/Pay Per Action) identificam este ponto (Souza, 2011). Geográfica – identifica país, estado e cidade que interessam ao cliente. Idioma – apresenta se o browser do usuário está configurado de acordo com o idioma da campanha. 16 Figura 7 – Browser de origem Fonte: Google Comentários – mede as respostas da comunidade ao assunto. Efetuadas no próprio canal (comentários e scraps) ou no canal do membro da comunidade (trackback). Uploads/Contribuições – visa identificar a produção colaborativa com a quantidade de fotos, vídeos, textos e frases produzidos por usuários. Menções por período – refere-se à velocidade com que a mensagem foi propagada na rede. Frequência de publicação – mede a contribuição dos participantes em suas redes e a periodicidade. Isso ajuda a definir a estratégia a ser utilizada. 17 Figura 8 – Painel SocialMention Fonte: Google O Social Mention é um sistema gratuito que auxilia o monitoramento das redes sociais e contribui para a estratégia. O monitoramento constante das redes sociais, das campanhas on-line e dos indicadores de consumo, compra, entre outros, deve ser constante e possuir uma métrica alinhada com as áreas. Da mesma forma, ao buscar uma ferramenta na web, construa toda a sua métrica com base em um único sistema. Comparar dados entre sistemas pode apresentar distorções. FINALIZANDO Chegamos ao final de uma jornada que permite colocar nossa loja em evidência dentro do mercado em que ela atua. As estratégias apresentadas compreendem o que existe de atualidade para o desenvolvimento dos negócios na web. Destacamos a importância do monitoramento das informações e da criação de uma base de informações de marketing. Estamos na Era da Informação, e este é o ativo mais importante das empresas na atualidade. Manter-se atualizado e informado é primordial para o desenho das estratégias, ações, lançamento de produtos e desenho de campanhas. 18 SUGESTÕES PARA LEITURA: conhecendo um pouco mais sobre o assunto Texto de abordagem teórica Mídias locativas LEMOS, A. Mídia Locativa e Territórios Informacionais. Research Gate, jan. 2007. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/253452150_Midia _Locativa_e_Territorios_Informacionais_1>. Acesso em: 5 jul. 2018. Texto de abordagem teórica Data Marketing KLEIN, G. H., GUIDI NETO, P., TEZZA, R. Big Data e mídias sociais: monitoramento das redes como ferramenta de gestão. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 26, n. 1, p. 208-217, 2017. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-12902017000100208&script=sci _abstract&tlng=pt>. Acesso em: 6 jul. 2018. Saiba mais Métricas Como cadastrar um site no Google Analytics | AULA 1. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=qqZfpyHZ0vE>. Acesso em: 6 jul. 2018. Cadastrar o ID de acompanhamento do Google Analytics no wordpress | AULA 2. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lXNooNrjIGc>. Acesso em: 6 jul. 2018. Como visualizar as métricas no Google Analytics | AULA 3. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Y83CBnkZfmc>. Acesso em: 6 jul. 2018. Inbound e outbound marketing Série: o que é inbound marketing? Parte 01 - Inbound vs. outbound. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=gYwIkTTo-Jk>. Acesso em: 6 jul. 2018. 19 Série: o que é inbound marketing? Parte 02 - Geração de tráfego. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eDrzUnDySZA>. Acesso em: 6 jul. 2018. Série: o que é inbound marketing? Parte 03 - Geração de leads. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=kgH1ZqalEAA>. Acesso em: 6 jul. 2018. 20 REFERÊNCIAS 50 BOAS práticas de email marketing para melhores resultados. Email manager, 11 jul. 2016. Disponível em: <https://www.emailmanager.com/br/blog/1/2226/50- boas-praticas-de-email-marketing-para-melhores-resultados.html>. Acesso em: 6 jul. 2018. A TIMELINE of Database History. Quickbase, [s.d.]. Disponível em: <https://www.quickbase.com/articles/timeline-of-database-history>. Acesso em: 6 jul. 2018. ALVES, F. C. Publicidade em Mídias Locativas na Era da Convergência Midiática. 81 f. Monografia (Bacharelado em Comunicação Social) – Universidade de Brasília, Brasília, 2013. AMARAL, S. A. Marketing da informação: abordagem inovadora para entender o mercado e o negócio da informação. 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