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Disciplina: Contabilidade Autor: Lúcio Flávio Bicalho Unidade de Ensino a Distância CONTABILIDADE Autor: Lúcio Flávio Bicalho Belo Horizonte / 2012 ESTRUTURA FORMAL DA UNIDADE DE EDUCAÇÃO A DISTÃNCIA REITOR LUÍS CARLOS DE SOUZA VIEIRA PRÓ-REITOR ACADÊMICO SUDÁRIO PAPA FILHO COORDENAÇÃO GERAL AÉCIO ANTÔNIO DE OLIVEIRA COORDENAÇÃO TECNOLÓGICA EDUARDO JOSÉ ALVES DIAS COORDENAÇÃO DE CURSOS GERENCIAIS E ADMINISTRAÇÃO HELBERT JOSÉ DE GOES COORDENAÇÃO DE CURSOS LICENCIATURA/ LETRAS LAILA MARIA HAMDAN ALVIM COORDENAÇÃO DE CURSOS LICENCIATURA/PEDAGOGIA LENISE MARIA RIBEIRO ORTEGA INSTRUCIONAL DESIGNER DÉBORA CRISTINA CORDEIRO CAMPOS LEAL KELLY DE SOUZA RESENDE PATRICIA MARIA COMBAT BARBOSA EQUIPE DE WEB DESIGNER CARLOS ROBERTO DOS SANTOS JÚNIOR GABRIELA SANTOS DA PENHA LUCIANA REGINA VIEIRA ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA FERNANDA MACEDO DE SOUZA ZOLIO RIANE RAPHAELLA GONÇALVES GERVASIO AUXILIAR PEDAGÓGICO ARETHA MARÇAL DE MACÊDO SILVA MARÍLIA RODRIGUES BARBOSA REVISORA DE TEXTO MARIA DE LOURDES SOARES MONTEIRO RAMALHO SECRETARIA LUANA DOS SANTOS ROSSI MARIA LUIZA AYRES MONITORIA ELZA MARIA GOMES AUXILIAR ADMINISTRATIVO THAYMON VASCONCELOS SOARES MARIANA TAVARES DIAS RIOGA AUXILIAR DE TUTORIA FLÁVIA CRISTINA DE MORAIS MIRIA NERES PEREIRA RENATA DA COSTA CARDOSO Sumário 5Unidade 1: Introdução à Contabilidade 19Unidade 2: Plano de Contas 34Unidade 3: Fatos Contábeis 50Unidade 4: Demonstrações Contábeis 68Unidade 5: Análise do Balanço I 84Unidade 6: Análise de Balanço II Ícones Comentários Reflexão Dica Lembrete Unidade 1: Introdução à Contabilidade 83 , 1 185 . 407 . 1 865 . 576 . 2 = 1. Nosso Tema A disciplina Contabilidade é de grande importância na formação das habilidades necessárias para a formação do aluno, pois se trata de uma ferramenta fundamental no gerenciamento das empresas. É através das informações contábeis que se tem o real controle de todas as operações ocorridas na empresa e do resultado obtido num determinado período. Infelizmente, ainda é bastante comum em nosso país nos depararmos com pequenas e médias empresas administradas sem o auxílio dos relatórios contábeis, ou seja, gerenciadas simplesmente através da experiência e sensibilidade dos administradores. Marion (1998, p.24) retrata bem o papel da Contabilidade quando escreveu a seguinte frase: Uma empresa sem boa contabilidade é como um barco, em alto-mar, sem bússola A disciplina Contabilidade visa, sobretudo, orientá-lo sobre o funcionamento da contabilidade e como utilizá-la como ferramenta de gestão para identificar problemas e obter melhores resultados para a empresa. Durante o estudo desta unidade, “Introdução à Contabilidade”, você encontrará algumas informações e reflexões sobre o que é a Contabilidade e qual o seu papel perante as empresas. Como ela pode deixar de ser um obstáculo e se tornar uma aliada no gerenciamento das organizações. Para Refletir54 , 1 861 . 070 . 1 317 . 653 . 1 = Este curso tem como objetivo prepará-lo para que você se sinta capaz de tomar decisões gerenciais após analisar as demonstrações contábeis de sua empresa. Para isso é preciso conhecer as técnicas contábeis e entender o significado de cada item das demonstrações contábeis. Para que você possa se preparar para essa nova etapa, sugerimos-lhe que reflita sobre as seguintes questões, para que, ao final do estudo desta unidade, você seja capaz de formar seus próprios conceitos diante dos temas aqui trabalhados. Como você vê hoje a Contabilidade e o próprio departamento contábil das empresas? De que maneira a Contabilidade pode auxiliar as empresas a obter maior produtividade, reduzir custos e obter maior lucratividade? Fique tranqüilo! Nos tópicos seguintes, serão apresentadas algumas informações que irão auxiliá-lo a responder a essas questões e a outras igualmente importantes para a sua preparação como gestor que se utiliza da Contabilidade. 54 , 0 865 . 576 . 2 077 . 406 . 1 = 2. Conteúdo Didático 2.1. Noções Gerais É difícil dizer exatamente quando surgiu a contabilidade, mas é certo que ela é tão antiga quanto o hábito humano de acumular bens. Nagatsuka e Teles (2002) afirmam que o surgimento e a evolução da contabilidade confundem-se com o próprio desenvolvimento da humanidade. Nesse contexto, os estudos sobre as civilizações da Antiguidade nos mostram que o homem primitivo já “cuidava da sua riqueza”, através, por exemplo, da contagem e do controle do seu rebanho. Achados arqueológicos da Mesopotâmia datados de 4.000 anos a.C. mostram controles contábeis feitos em placas de argila. Entretanto, a contabilidade moderna teve sua origem em 1.494 quando o Frei Luca Pacioli publicou sua obra sobre geometria e aritmética, na cidade de Veneza, na Itália, divulgando o Método das Partidas Dobradas. O método das partidas dobradas fundamenta-se na relação débito/crédito. Esse fantástico mecanismo contábil passou a ser utilizado universalmente, chegando até nossos dias como eficiente instrumento de controle que pode ser aplicado tanto aos patrimônios de pessoas físicas como aos patrimônios de pessoas jurídicas, tenham elas finalidade lucrativa ou não (RIBEIRO, 2005, p. 3). Pelo método das Partidas Dobradas, ficou convencionado o seguinte: · Haverá um Débito nas contas do Ativo, quando estas forem aumentadas; · Haverá um Crédito nas contas do Passivo, quando estas forem aumentadas; · Haverá um Débito nas contas de Despesas, quando estas forem aumentadas; · Haverá um Crédito nas contas das Receitas, quando estas forem aumentadas. A contabilidade aprimorou-se de acordo com as necessidades de cada período histórico. O aparecimento da escrita, o surgimento da moeda, a prensa de Gutemberg, o descobrimento da América, a invenção da máquina a vapor, que deu impulso à Revolução Industrial, são marcos da nossa história que fizeram desencadear o desenvolvimento da ciência contábil. 2.1.1. Conceito de Contabilidade Contabilidade é a ciência que estuda e controla o Patrimônio de uma empresa, do ponto de vista econômico e financeiro, observando seus aspectos qualitativos e quantitativos e as variações sofridas, principalmente aquelas decorrentes das transações da empresa. Marion (1998, p.24) destaca que A contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa. Ela é muito antiga e sempre existiu para auxiliar as pessoas a tomarem decisões. Com o passar do tempo o governo começa a utilizar-se dela para arrecadar impostos e a torna obrigatória para a maioria das empresas. Nagatsuka e Teles (2002) considera que a contabilidade é uma ciência que mensura, registra e controla as variações da riqueza no tempo, quer de uma pessoa natural (física) ou de uma pessoa jurídica (empresa). Dessa forma, o seu objeto fundamental é o patrimônio. Todas as formas utilizadas para conceituar e classificar a contabilidade como método, procedimentos e técnicas referem-se às simples facetas ou aspectos dessa disciplina, usualmente concernentes à sua aplicação prática, na solução de questões concretas. Não restam dúvidas de que a contabilidade, como conjunto de conhecimentos historicamente acumulados, dotados de universalidades e objetividade, estruturados com métodos, teorias e linguagens próprios, revela-se como a ciência do patrimônio. (RIBEIRO, 2005, p. 2). 2.1.2. Objeto e Campo de Ação da Contabilidade O objeto da contabilidade é o Patrimônio das entidades econômico-administrativas; porém seu objetivo é mais amplo, ou seja, fornecer informação estruturada de natureza de econômica, financeira e, subsidiariamente, física, de produtividade e social, aos usuários internos e externos à entidade. Segundo Ribeiro (2005), o objetivo da contabilidade é permitir o estudo, o controle e a apuração de Resultados diante dos fatos decorrentes da gestão do Patrimônio das entidades econômico-administrativas e fornecer essas informações aos interessados. De acordo com a visão predominante, seria gerar informaçõespara a tomada de decisões racionais tanto por usuários internos quanto por usuários externos da informação contábil (NAGATSUKA e TELES, 2002). Segundo Franco (1992), essas informações são indispensáveis à orientação administrativa, permitindo maior eficiência na gestão econômica da entidade e no controle dos bens patrimoniais. A contabilidade pode ser estudada de modo geral ou em particular. Ela possui um campo de ação bastante vasto e poderá ser aplicada em todos os tipos de empresas existentes, tais como: as comerciais, as industriais, as bancárias, as hospitalares, as agropecuárias, as de seguros, as entidades públicas, etc. 81 , 0 317 . 653 . 1 957 . 340 . 1 = Certamente, você já ouviu falar em empresas, firmas, lojas, casas comerciais, clubes de futebol, indústrias, escolas, cinemas, teatros, lanchonetes etc. Há uma infinidade de entidades econômico-administrativas que o ser humano constitui para atingir algum objetivo, seja de ordem econômica, seja social. Podemos imaginar vários tipos de organizações: instituições governamentais; empresas públicas; particulares e mistas; instituições com finalidades sociais ou socioeconômicas. Todas elas devem ser adequadamente organizadas e bem controladas para que possam atingir seus objetivos da melhor maneira possível. Esses controles são efetuados, como vimos, pela Contabilidade por meio de suas técnicas. Esse é o campo de aplicação da Contabilidade. (RIBEIRO, 2005, p. 5). Na verdade, o desenvolvimento inicial do método contábil esteve intimamente associado ao surgimento do Capitalismo, como forma quantitativa de mensurar os acréscimos ou decréscimos dos investimentos iniciais alocados a alguma exploração comercial ou industrial. Hoje, a contabilidade tem aplicação a qualquer tipo de pessoa, física ou jurídica, com finalidades lucrativas ou não, que tenha necessidade de exercer atividades econômicas para alcançar suas finalidades. (IUDÍCIBUS et. al., 1996) 2.1.3. Finalidade e Usuários das Informações Contábeis A finalidade da contabilidade é assegurar o controle do patrimônio administrado e fornecer informações sobre a composição e as variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas desenvolvidas pela entidade para alcançar seus fins, que podem ser lucrativos ou meramente ideais (sociais, culturais, esportivos, etc.) (FRANCO, 1992). Ludícibus et. al. (1996, p. 23) asseguram que tais finalidades podem ser agrupadas em duas formas básicas: 1. Finalidade de Controle: através do mesmo, sabemos de a empresa está agindo de conformidade com os planos e políticas traçadas pela administração. O controle funciona também como um meio de comunicação, porque através de relatórios, saberemos a real situação do patrimônio da empresa. Portanto, através do controle poderemos detectar onde é que a empresa por ventura está falhando. 2. Finalidade de Planejamento: Após a elaboração do controle, se for o caso, entra a ação do planejamento (que deve ser diferenciado de simples previsão), ou seja, a administração irá traçar a nova linha de ação para que a empresa possa alcançar seus objetivos. Quanto aos usuários das informações contábeis, são aquelas pessoas que interessam em conhecer a real situação da empresa e buscam na contabilidade as suas respostas. Diversos são os usuários das informações contábeis. Cada um, especificamente, com uma necessidade informacional diferenciada. Nagatsuka e Teles (2002, p. 5) destacam como principais usuários: 1. Usuários internos: os proprietários da empresa, gerentes, diretores, etc. 2. Usuários externos: os investidores (pessoas físicas ou jurídicas que adquirem participações em outras empresas), fornecedores de bens e serviços para a empresa, clientes, instituições financeiras, sindicatos, entidades governamentais, organizações não governamentais (ONGs) e outros. Vamos praticar? No ambiente de aprendizagem você encontrará exercícios relativo ao conteúdo que aprendemos até agora. 2.2. Patrimônio Normalmente, o termo patrimônio significa o conjunto de bens e os direitos a receber pertencente a uma pessoa ou a uma empresa. No entanto, relacionando-se apenas bens e direitos, não se pode identificar a verdadeira situação de uma pessoa ou empresa. É necessário evidenciar as obrigações (dívidas) referentes aos bens ou direitos. Por exemplo, se você disser que tem como patrimônio um apartamento e não fizer referência à dívida com o banco financiador (em caso de ter sido adquirido através desse sistema de crédito), sua informação é incompleta e pouco esclarecedora. (MARION, 1998). Sendo assim, em Contabilidade, patrimônio tem um sentido mais amplo, sendo considerado o conjunto de BENS, DIREITOS e OBRIGAÇÕES, pertencentes a uma pessoa ou empresa e que possam ser avaliados monetariamente. A contabilidade estuda o patrimônio em seus aspectos qualitativos e quantitativos. Os aspectos qualitativos tratam dos componentes do patrimônio segundo a espécie de cada um, enquanto os aspectos quantitativos referem-se ao valor com que cada elemento possa ser expresso em moeda. Ressaltando assim os referidos aspectos, fica mais fácil avaliar o tamanho do patrimônio de uma empresa, pois você fica conhecendo o quê e quanto a empresa possui em bens, direitos e obrigações. Os aspectos qualitativos e quantitativos levados em conta na apresentação das demonstrações elaboradas a partir dos registros contábeis permitem a mensuração do patrimônio bem como o conhecimento dos elementos que o compõem. 2.2.1. Elementos do Patrimônio Bens: São coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas e das empresas e que possam ser avaliadas monetariamente. No aspecto contábil, bens são todos os objetos que uma empresa possui, seja para uso, troca ou consumo. Exemplo: máquinas e equipamentos, veículos, terrenos, estoque de mercadorias, etc. Os bens podem ser: tangíveis (concretos) e intangíveis. Tangíveis, que são a maioria dos bens, são aqueles que possuem forma física e são palpáveis. Intangíveis são aqueles que não possuem forma física nem matéria (Ex.: marcas, patentes, etc). Direitos: É o segundo elemento do patrimônio. Direitos são os valores que a empresa tem para receber de terceiros, como os clientes. Os direitos originam-se não só das vendas de mercadorias a prazo, como também das vendas a prazo de outros bens ou serviços ou outras transações, como alugueis. Portanto, podemos afirmar que direito, em contabilidade, é tudo aquilo que será transformado em dinheiro numa determinada data. e um modo geral, os direitos serão representados da seguinte forma: ELEMENTO + EXPRESSÃO Duplicatas a receber Títulos a receber Alugueis a receber Obrigações: É o terceiro elemento do patrimônio. Representam os valores que a empresa tem para pagar a terceiros. Neste caso, terceiros são: fornecedores, bancos, empregados, governos etc. As obrigações podem se originar não só das compras de mercadorias a prazo, como também das compras a prazo de outros bens ou serviços, ou ainda em decorrência de outras transações, como é o caso de aluguel de bens móveis ou imóveis, de empréstimo de dinheiro, etc. (RIBEIRO, 2005). Normalmente, as obrigações são expressas da seguinte forma: ELEMENTO + EXPRESSÃO Duplicatas a pagar Impostos a pagar Alugueis a pagar Aos Bens e aos Direitos, daremos o nome de Ativo. Às Obrigações daremos o nome de Passivo. Graficamente, podemos separar os Bens e os Direitos de um lado e as Obrigações de outro. PATRIMÔNIO DE UMA PESSOA OU DE UMA EMPRESA Ativo Passivo Bens e Direitos (a Receber) Obrigações (a serem pagas) 2.2.2. Situação Líquida Patrimonial Quando nos deparamos com uma empresa imponente, cuja sede administrativa é um prédio de vinte andares de granito, podemos pensar: “como é grande o patrimônio dessa empresa”. Talvez isto não seja verdade, pode ser que essa empresa esteja muito endividada e à beira da falência. Assim podemos concluir que os Ativos de uma empresa, por si só não medem a riqueza de uma empresa, é preciso considerar também os Passivos. A partir de agora,passaremos a chamar as obrigações com terceiros de Passivo Exigível, pois são dívidas com vencimento definido e, caso não ocorra o pagamento, o credor tem o direito de exigir o pagamento. Sendo assim, Situação líquida patrimonial ou simplesmente Patrimônio Líquido é a diferença entre o Ativo (bens e direitos) e o Passivo Exigível (obrigações com terceiros). Esta parte diferencial é que vai medir ou avaliar a verdadeira riqueza da empresa. Na representação gráfica, o Patrimônio Líquido ficará do lado direito, juntamente com as obrigações, permitindo que o total do lado esquerdo seja igual ao total do lado direito, dando-lhe forma de equação. O Patrimônio Líquido ficará do lado direito, juntamente com as obrigações porque trata-se de uma obrigação não exigível (sem vencimento) da empresa para com os sócios. Ou seja, no dia em que a empresa encerrar suas atividades, a empresa tem a obrigação de devolver aos sócios a riqueza verdadeira. 2.2.3. Equações Patrimoniais Lembrando que o ATIVO é composto pelos Bens e os Direitos, que o PASSIVO é compreendido pelas Obrigações e que o Patrimônio Líquido é a diferença entre os dois, podemos afirmar que a equação básica do Patrimônio é: ATIVO = PASSIVO EXIGÍVEL + PATRIMÔNIO LÍQUIDO Considerando valores hipotéticos, teríamos: Ativo Passivo Bens............... 2.300,00 Direitos............2.800,00 EXIGÍVEL Obrigações........................... 1.100,00 PATRIMÔNIO LIQUIDO....... 4.000,00 TOTAL............ 5.100,00 TOTAL................................... 5.100,00 PL = A – PE PL = 5.100,00 – 1.100,00 = 4.000,00 PL = Patrimônio Líquido; A = Ativo; PE = Passivo Exigível. Observe que o total do Ativo é sempre igual ao total do Passivo. O PL representa a parte diferencial, exibida à direita (Passivo), porque também representa obrigação da entidade para com os proprietários, sócios ou acionistas. Partindo desta equação patrimonial básica da Contabilidade, podemos concluir que uma empresa pode apresentar algumas variações patrimoniais. Vejamos as possíveis situações: · Favorável ou Superavitária (PL+) · Desfavorável ou Deficitária (PL-) · Nula ou de Equilíbrio Aparente (A = PE, logo PL= 0): · Plena ou de Propriedade Total dos Ativos (A = PL, logo PE= 0): I - SITUAÇÃO FAVORÁVEL OU SUPERAVITÁRIA (PL +): Ocorre quando os bens e direitos (Ativo) excedem o valor das obrigações com terceiros (Passivo Exigível). Essa é a hipótese mais comum nas empresas, pois a grande maioria possui bens e direitos e consequentemente assumem compromissos a pagar. Porém, geram lucros e não assumem compromissos iguais ou maiores do que seu ativo. Exemplo: PATRIMÔNIO Ativo Passivo Bens............... 2.300,00 Direitos............2.800,00 EXIGÍVEL Obrigações........................... 1.100,00 PATRIMÔNIO LIQUIDO....... 4.000,00 TOTAL............ 5.100,00 TOTAL................................... 5.100,00 PL = A – PE PL = 5.100,00 – 1.100,00 = 4.0000 (+) Situação Liquida Positiva II - SITUAÇÃO DESFAVORÁVEL OU DEFICITÁRIA (PL -): Ocorre quando os bens e direitos (Ativo) forem menores que as obrigações com terceiros (Passivo Exigível). Esta situação é também chamada de Passivo a Descoberto ou que a empresa está Insolvente. Essa hipótese acontece quando a empresa tem prejuízos e assume dívidas para financiar o seu capital de giro ou o seu imobilizado. Exemplo: PATRIMÔNIO Ativo Passivo Bens............... 2.300,00 Direitos............2.800,00 EXIGÍVEL Obrigações........................... 6.100,00 PATRIMÔNIO LIQUIDO...... -1.000,00 TOTAL............ 5.100,00 TOTAL................................... 5.100,00 PL = A – PE PL = 5.100,00 – 6.100,00 = - 1.0000 Situação Liquida Negativa III - SITUAÇÃO NULA OU DE EQUILÍBRIO APARENTE (A = PE, logo PL= 0): Ocorre quando os bens e direitos (Ativo) forem iguais às obrigações com terceiros (Passivo Exigível); nessa hipótese o Patrimônio Líquido será nulo. Acontece, por exemplo, quando a empresa gera prejuízos até o valor de seu capital social ou quando assume dívidas acima do valor do seu ativo até o valor do patrimônio liquido. Exemplo: PATRIMÔNIO Ativo Passivo Bens............... 2.300,00 Direitos............2.800,00 EXIGÍVEL Obrigações........................... 5.100,00 PATRIMÔNIO LIQUIDO....... 0 TOTAL............ 5.100,00 TOTAL................................... 5.100,00 PL = A – PE PL = 5.100,00 – 5.100,00 = 0,00 Situação Nula IV - SITUAÇÃO PLENA OU PROPRIEDADE TOTAL DOS ATIVOS (A = PL, logo PE= 0): Ocorre quando os bens e direitos (Ativo) forem iguais ao Patrimônio Liquido; nessa hipótese, as obrigações com terceiros (Passivo Exigível) serão nulas. Nesta situação a empresa não assume obrigações para com terceiros. Exemplo: PATRIMÔNIO Ativo Passivo Bens............... 2.300,00 Direitos............2.800,00 EXIGÍVEL Obrigações........................... 0,00 PATRIMÔNIO LIQUIDO....... 5.100,00 TOTAL............ 5.100,00 TOTAL................................... 5.100,00 PL = A – PE PL = 5.100,00 – 0,00 = 5.100,00 Situação Plena Não deixe de ver no ambiente de aprendizagem outros exemplos de Equações Patrimoniais, além de mais informações sobre o tema que acabamos de estudar. Boa aula e até a próxima unidade! 3. Teoria na Prática Bem, chegou a hora de vermos na prática o que aprendemos sobre Contabilidade até agora e suas implicações em nosso cotidiano. Analisemos a seguinte situação: O Sr. Arriscatudo da Silva saiu indignado do Banco do Estado, por lhe ter sido negado um crédito de $150.000 após análise minuciosa da sua situação patrimonial. A revolta do Sr. Arriscatudo baseia-se no fato de possuir uma “grande riqueza”: possui um grande apartamento (4 dormitórios) recém-financiado; um carro, último tipo, adquirido no último mês, graças ao financiamento da Financeira Destemida; uma chácara adquirida, na região de Nova Lima, para pagar em 60 prestações, sem acréscimo, restando ainda 58 prestações. Pergunta-se: o Sr. Arriscatudo tem razão por lhe ter sido negado o crédito? Por que? Não, pois toda sua “grande riqueza” não existe. Seus bens estão financiados e o Patrimônio Líquido é quase zero. Vejamos agora o caso do Sr. Constanildo Furtado que ficou decepcionado com o relatório apresentado pelo contador, pois sua Fazenda Pau D’Agua apresentou prejuízo no período. O auditor Vivaldino Dinâmico constatou que havia uma série de defeitos na contabilidade. “O principal deles”, argumentou o auditor, “é que todos os gastos do Sr. Constanildo e de sua família estavam contabilizados como se fossem gastos da Fazenda Paul D’Agua”. Nesse caso, o contador deixou de obedecer a uma regra contábil importantíssima. Qual foi a falha cometida pelo contador nesse caso? A contabilidade é uma excelente ferramenta de controle e de gestão; porém para que assim seja, é fundamental que não se confunda a pessoa do sócio (pessoa física) com a empresa (pessoa jurídica). Isso é muito comum acontecer nas empresas familiares, mas é um fato grave, pois, agindo assim, o resultado (lucro ou prejuízo) e o valor do patrimônio da empresa vão ficar distorcidos. 4. Recapitulando Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio das empresas, e o principal objetivo dela é fornecer informações aos interessados para a tomada de decisões, podendo ser utilizada em todo tipo de empresas, públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos. As principais finalidades da contabilidade são: finalidade de Controle e finalidade de Planejamento. Patrimônio é o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações. Podemos considerar o Patrimônio Líquido como sendo: · A diferença entre o Ativo e o Passivo Exigível (obrigações com terceiros); · A riqueza verdadeira da empresa e, consequentemente, dos sócios; · É uma obrigação não exigível da empresa (pessoa jurídica) para com os sócios (pessoas físicas); · É a Situação Líquida da entidade. 5. Amplie seus Conhecimentos Você sabia que no site da USP (Universidade de São Paulo) há uma seção com artigos sobre contabilidadee finanças publicados na Revista Contabilidade & Finanças? São artigos de alto nível e de grande interesse para o gestor empresarial. Portal USP, Revista Contabilidade & Finanças. Disponível em: <http://www.eac.fea.usp.br/eac/revista/> Acesso em 01/05/2007. Outras sugestões de leitura sobre contabilidade e finanças: - Revista Mineira de Contabilidade – Publicada pelo Conselho Regional de Contabilidade de MG. A revista pode ser adquirida pelo site do Conselho Regional, disponível em: < http://www.crcmg.org.br> Acesso em 01/05/2007. - Revista Brasileira de Contabilidade – Publicada pelo Conselho Federal de Contabilidade. A revista pode ser adquirida pelo site do Conselho Federal, disponível em: < http://www.crc.org.br> Acesso em 01/05/2007. Unidade 2: Plano de Contas 1. Nosso Tema Do ponto de vista técnico contábil, conta é o nome dado aos componentes patrimoniais (bens, direitos, obrigações e Patrimônio Líquido) e aos elementos que formam o resultado (despesas e receitas). Dessa forma, quando nos referimos ao “Estoque de Mercadorias” ou às “Máquinas e Equipamentos”, estamos fazendo referência a duas contas contábeis que compõem o Ativo de uma empresa. Já o Plano de Contas é o agrupamento ordenado de todas as contas que são utilizadas pela contabilidade dentro de uma empresa. Portanto, o elenco de contas considerado é indispensável para os registros de todos os fatos contábeis. Cada empresa, de acordo com sua atividade e seu tamanho (micro, pequena, média ou grande), deve ter o seu próprio Plano de Contas. Não há razão, por exemplo, para uma empresa prestadora de serviços relacionar uma conta de “Estoque” no seu Ativo, pois, normalmente, não realiza operações com mercadorias. Esta unidade tem o objetivo de orientá-lo sobre os tipos de contas existentes, como elas são agrupadas no Plano de Contas e como elas podem ajudar os administradores a enxergarem melhor as suas empresas. Para Refletir Nesta unidade, iremos tratar das contas contábeis e do Plano de Contas. Para que você perceba qual a importância desses instrumentos no controle das empresas, reflita sobre as seguintes questões, para que, ao final do estudo, você seja capaz de entender melhor como são elaborados os relatórios contábeis e o que representa cada item ali existente. Qual a importância de se ter um Plano de Contas bem elaborado? Ao se constituir uma empresa, podemos copiar o Plano de Contas de outra empresa do mesmo porte da nossa? Quais as conseqüências de se montar um Plano de Contas sem muito critério? Esse fato pode trazer prejuízos financeiros para a empresa? Você acha importante que, antes de se elaborar um Plano de Contas, se faça um estudo preliminar minucioso sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, bem como de sua forma jurídica e porte? 2. Conteúdo Didático 2.1. Função e Funcionamento As contas têm por função possibilitar que a contabilidade registre e controle as operações que modifiquem ou que possam vir a modificar a situação patrimonial da empresa. O funcionamento das contas se dá por meio de débitos e créditos nelas lançados. “Um Plano de Contas, portanto, deve registrar as contas que serão movimentadas pela contabilidade em decorrência das operações da empresa ou, ainda, contas que, embora não movimentadas no presente, poderão ser utilizadas no futuro.” (MARION, 1998, p. 93). As contas contábeis são divididas em dois grandes grupos, que se subdividem em outros dois, conforme as suas funções: 1º grupo ( Contas Patrimoniais: este grupo se subdivide em contas do Ativo e contas do Passivo. 2º grupo ( Contas de Resultado: este grupo se subdivide em contas de Receita e contas de Despesa. 54 , 1 861 . 070 . 1 317 . 653 . 1 = 2.1.1. Contas Patrimoniais Como o próprio nome diz, as contas são representações gráficas dos elementos patrimoniais, que permitem registrar e controlar suas mutações. As contas patrimoniais estão registradas no Balanço Patrimonial; de um lado aparecem os Bens e os Direitos; e do outro lado, aparecem as Obrigações e o Patrimônio Líquido. Ou seja, são as contas do Ativo e do Passivo e são elas que representam o patrimônio da empresa num dado momento, por meio do Balanço Patrimonial. Exemplo: ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Estoque de mercadorias Duplicatas a pagar Veículos Salários a pagar Direitos Patrimônio Líquido Duplicatas a receber Capital Social Aluguéis a receber Lucros Acumulados 2.1.2. Contas de Resultado Segundo Ribeiro (2005), essas contas são representações gráficas das contas que formam o resultado (lucro ou prejuízo) da empresa. As contas de resultado dividem-se em contas de despesas e contas de receitas. Aparecem durante o exercício social (período de um ano), encerrando-se ao final dele. Não fazem parte do Balanço Patrimonial, mas é por meio delas que ficamos sabendo se a empresa apresentou lucro ou prejuízo no desenvolvimento de suas atividades. Despesas As despesas decorrem do consumo de bens e da utilização de serviços. Tais despesas são registradas pela contabilidade por meio das contas de resultado. Exemplo: - Despesa com salários - Despesa com energia elétrica - Despesa com material de limpeza - Despesa com aluguéis Receitas As receitas decorrem da venda de bens, da prestação de serviços e ainda o resultado positivo das aplicações financeiras. Existem em número menor que as despesas. Exemplo: - Receita de venda de mercadorias - Receita de venda de serviços - Receita de aluguéis - Receita financeira Resultado É a diferença entre as receitas e os custos e despesas em um determinado período. Quando as receitas são maiores que os custos/despesas, chamamos de lucro; quando os custos/despesas são maiores que as receitas, chamamos de prejuízo. Veja abaixo duas Demonstrações de Resultado do Exercício – DRE de duas empresas distintas: Empresa 01 Empresa 02 Receitas 1.000 Receitas 1.000 Custos/despesas (600) Custos/despesas (1.200) Lucro 400 Prejuízo (200) As contas de resultado são representadas na DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE, que é uma das principais demonstrações contábeis, elaborada mensalmente e que será estudada na Unidade 4. 2.1.3. Plano de Contas Para que a contabilidade possa atingir o seu objetivo, que é gerar informações úteis para a tomada de decisão pelos diversos usuários das informações contábeis, faz-se necessário que as demonstrações contábeis sejam muito bem elaboradas. Para que isso ocorra, é fundamental a existência de um plano de contas contábil em condições de suprir as necessidades específicas de uma determinada empresa. Um plano de contas adequado à empresa deve observar os seguintes aspectos: a) Conhecimento do tipo do negócio da empresa; b) Porte da empresa e volume e tipo de transações; c) Complexidade das operações; d) Ramo de atividade. A seguir, um exemplo de um plano de contas típico de uma empresa industrial: MODELO DE PLANO DE CONTAS 1 ATIVO 1.1 ATIVO CIRCULANTE 1.1.1 DISPONIVEL Caixa Bancos conta movimento Aplicações de liquidez imediata 1.1.2 CRÉDITOS A RECEBER Duplicatas a receber (-) Duplicatas descontadas (-) Provisão para devedores duvidosos 1.1.3 OUTROS CRÉDITOS Empréstimos a receber Adiantamentos a empregados Impostos a recuperar 1.1.4 ESTOQUES Produtos acabados Mercadorias para revenda Materiais de consumo Matérias primas Adiantamento a fornecedores 1.1.5 DESPESAS ANTECIPADAS Prêmios de seguros a apropriar Assinaturas e anuidades a apropriar 1.2 ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.2.1 CRÉDITOS E VALORES Clientes Títulos a receber Empréstimos a sócios Empréstimos a coligadas Empréstimos compulsórios 1.3 ATIVO PERMANENTE 1.3.1 INVESTIMENTOS Participações em outras empresas Obras de arte Imóveis não de uso (para renda) 1.3.2 ATIVO IMOBILIZADO Terrenos Imóveis Instalações Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Marcas e patentes (-) Depreciaçãoacumulada 1.3.3 ATIVO DIFERIDO Gatos com organização Pesquisa e desenvolvimento de produtos Despesas pré-operacionais Benfeitorias em imóveis de terceiros (-) Amortização acumulada 2. PASSIVO 2.1 PASSIVO CIRCULANTE 2.1.1 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS Financiamentos bancários Títulos a pagar 2.1.2 FORNECEDORES Fornecedores nacionais Fornecedores estrangeiros 2.1.3 OBRIGAÇÕES FISCAIS ICMS a recolher IPI a recolher FGTS a recolher INSS a recolher IRF a recolher Outros impostos e taxas 2.1.4 OUTRAS OBRIGAÇÕES Salários e ordenados a pagar Adiantamentos de clientes Encargos sociais a pagar 2.1.5 OUTRAS PROVISÕES Dividendos propostos Férias 13º salário 2.2 PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 2.2.1 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS Em moeda nacional Em moeda estrangeira Títulos a pagar 2.3 RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS 2.3.1 RECEITAS DE EXERCÍCIOS FUTUROS 2.3.2 (-) CUSTOS CORRESPONDENTES 2.4 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2.4.1 CAPITAL SOCIAL Capital subscrito (-) Capital a integralizar 2.4.2 RESERVAS De capital De reavaliação Legal Estatutária Para contingências 2.4.3 LUCROS/PREJUÍZOS ACUMULADOS Lucros acumulados Prejuízos acumulados 2.4.4 AÇÕES EM TESOURARIA 3. CONTAS DE RESULTADO 3.1 RECEITA BRUTA 3.1.1 RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS Venda de produtos Venda de mercadorias Prestação de serviços 3.2 DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA 3.2.1 DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA Vendas canceladas Abatimentos Impostos incidentes sobre vendas 3.3 CUSTOS 3.3.1 CUSTOS Custo das mercadorias vendidas Custo dos produtos vendidos Custo dos serviços prestados 3.4 DESPESAS OPERACIONAIS 3.4.1 DE VENDAS Despesas com pessoal Comissões sobre vendas Propaganda e publicidade 3.4.2 ADMINISTRATIVAS Despesas com pessoal Pró-labore Depreciação e amortização Energia elétrica Aluguel Água e luz Seguros Fretes Despesas gerais 3.4.3 RESULTADO FINANCEIRO Despesas financeiras Juros pagos Descontos concedidos Despesas bancárias Variações monetárias passivas Receitas financeiras Juros recebidos Descontos obtidos Variações monetárias ativas 3.5 RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS 3.6 PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES 2.2. Grupo de Contas Conforme o art. 178 da Lei 6404/76 (Lei das S.A), “ as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e análise da situação financeira da companhia”. Com o objetivo de permitir aos analistas de balanço uma adequada análise e interpretação da situação patrimonial e financeira de uma empresa, a referida Lei, através dos seus artigos 178 e 179, definiu que a ordem das contas do ativo deve obedecer a um critério decrescente de liquidez e que as contas do passivo seguirão ordem decrescente de exigibilidade. Portanto, no ativo serão apresentadas em primeiro lugar as contas mais rapidamente conversíveis em dinheiro: Caixa, Bancos, Duplicatas a Receber, Estoques etc. E no passivo, serão classificadas primeiro as contas com exigibilidade mais imediata: Fornecedores, Empréstimos Bancários, Impostos a Pagar, Salários a Pagar etc. Basicamente, o Balanço Patrimonial é subdividido em seis subgrupos, a saber: ATIVO PASSIVO Ativo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC) Ativo Realizável a Longo Prazo (ARLP) Passivo Exigível a Longo Prazo (PELP) Ativo Permanente (AP) Patrimônio Líquido (PL) 2.2.1. Grupo de Ativos Ativo Circulante: bens e direitos realizáveis até um ano da data do balanço. Devem estar registrados de acordo com o grau de liquidez, em ordem decrescente. Corresponde ao “Capital de Giro” da empresa, ou seja, recursos correntes, em movimentação. Ativo Realizável a Longo Prazo: os direitos realizáveis após um ano e adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas, ou participantes no lucro da companhia, desde que não constituam negócios usuais na exploração do objeto da companhia. Por exemplo: Se a empresa emprestar dinheiro a uma empresa do grupo independente do prazo para pagamento, será registrado nesse grupo, no entanto, se a empresa efetuar alguma venda, objeto de seu negócio, com prazo inferior a 360 dias, o valor a receber será registrado na conta Clientes no ativo circulante. Ativo Permanente: nesse agrupamento de contas, serão incluídas todas aquelas que representem ativos que a empresa pretenda tê-los até o fim da sua vida útil ou econômica. Esse grupo foi dividido em três subgrupos de contas: Investimento, Imobilizado e Diferido. Investimento: são investimentos de caráter duradouro, como as obras de arte e as participações permanentes em outras sociedades. Imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial e comercial. Mensalmente, o valor do Imobilizado é diminuído pela conta “depreciação acumulada”, que aparece no Balanço Patrimonial com valor negativo. Diferido: são classificados os gastos que trarão benefícios para formação do resultado de mais de um exercício social e que sejam passíveis de amortização. 2.2.2. Grupo do Passivo Passivo Circulante: as obrigações (dívidas) vencíveis até um ano da data do balanço. Passivo Exigível a Longo Prazo: as obrigações (dívidas) vencíveis após um ano e adiantamentos ou empréstimos provenientes de sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas, ou participantes no lucro da companhia, desde que não constituam negócios usuais na exploração do objeto da companhia. Patrimônio Líquido: são classificadas as contas que representam os recursos próprios da empresa, ou seja, recursos aplicados pelos sócios ou acionistas, bem como os recursos gerados pela própria atividade da empresa. Dentro deste grupo temos o Capital Social, as Reservas e os Lucros/Prejuízos Acumulados. 2.2.3. Capital Próprio e Capital de Terceiros Segundo Ribeiro (2005), a palavra Capital ou Capital Social representa um elemento do grupo do Patrimônio Líquido e que, quando da constituição de uma empresa, corresponde à soma dos valores com os quais o proprietário inicia suas atividades. Entretanto, não são somente os sócios que injetam recursos na empresa, terceiros também fazem isso, como por exemplo, os bancos, através de empréstimos e financiamentos, cujos valores são registrados no Balanço Patrimonial como obrigações (Passivo). Dessa forma, quando nos deparamos com o termo “capital total” à disposição da empresa, ele representa os recursos totais que a empresa possui, vindos dos sócios ou de terceiros. Sendo assim, podemos afirmar que o lado direito do Balanço Patrimonial nos mostra de onde vieram os recursos da empresa, por isso o Passivo é chamado de “Origem de Recursos”. Já o Ativo é chamado de “Aplicação de Recursos”, pois os recursos oriundos daquelas fontes do Passivo são aplicados nos bens e direitos existentes no Ativo. Então, no lado do Passivo, temos três fontes de recursos, a saber: Marion (1998) esclarece ainda que, de maneira geral, o termo capital significa recursos. Capital próprio, portanto, denota recursos (financeiros ou materiais) dos proprietários (sócios ou acionistas) aplicados na empresa. Capital de terceiros, por outro lado, significa recursos de outras pessoas (físicas ou jurídicas) aplicados na empresa. Resumindo, o capital próprio é representado pelo Patrimônio Líquido. Já o Capital de Terceiros é representado pelo Passivo Circulante mais o Passivo Exigível a Longo Prazo. Veja no Balanço Patrimonial: ATIVO PASSIVO Passivo Circulante (Capital de Terceiros) Passivo Exigível a Longo Prazo (Capital de Terceiros) Patrimônio Líquido (Capital Próprio) 2.3. Contabilização por Balanços Sucessivos Segundo Nagatsuka e Teles (2002 p. 43), o “Balanço Patrimonial é considerado um relatório estático, pois mostra apenas os saldos finais de suas contas válidos para uma determinada data”. Antes de prosseguirneste capítulo, seria interessante que você estudasse as principais contas do Balanço Patrimonial, que estão inseridas no Plano de Contas do item 3.1.3. O propósito desta subunidade é clarificar como o Balanço Patrimonial sofre modificações em suas contas, atingindo algumas vezes o Patrimônio Líquido. O método de contabilização por balanços sucessivos consiste na elaboração do Balanço Patrimonial após cada operação realizada pela empresa. É importante lembrar que ele é somente um método didático, por ser de fácil compreensão. Nas empresas de verdade, os contadores praticam o Método das Partidas Dobradas, debitando e creditando as diversas contas contábeis. Exemplo: Contabilizar os dados de constituição da empresa Comercial ABC e suas movimentações posteriores: a) Constituição da empresa com um capital social de $ 80.000 em dinheiro; ATIVO PASSIVO Caixa 80.000 Capital Social 80.000 Total do Ativo 80.000 Total do Passivo 80.000 Do lado direito (Passivo), é registrado o valor do capital integralizado pelos sócios; e do lado esquerdo (Ativo) o dinheiro efetivamente vai para o caixa. b) Compra à vista: Móveis e utensílios ( 3.000 Veículo ( 25.000 Mercadoria ( 20.000 ATIVO PASSIVO Caixa 32.000 Estoque de mercadoria 20.000 Móveis 3.000 Veículo 25.000 Capital Social 80.000 Total do Ativo 80.000 Total do Passivo80.000 O dinheiro sai do caixa para o pagamento dos bens adquiridos. c) Compra de mais mercadorias, a prazo, por $ 30.000: ATIVO PASSIVO Caixa 32.000 Estoque de mercadoria 50.000 Fornecedores a pagar 30.000 Móveis 3.000 Veículo 25.000 Capital Social 80.000 Total do Ativo 110.000 Total do Passivo 110.000 A empresa adquiriu mais mercadorias; no entanto passou a ter uma obrigação com fornecedores. d) Pagamento à vista de despesa com serviço efetuado na empresa nesta data $ 2.000 ATIVO PASSIVO Caixa 30.000 Estoque de mercadoria 50.000 Fornecedores a pagar 30.000 Móveis 3.000 Veículo 25.000 Capital Social 80.000 LPA (2.000) Total do Ativo 108.000 Total do Passivo 108.000 Em função do pagamento à vista, o caixa ficou menor $2.000 e essa despesa foi para a conta LPA (Lucros ou Prejuízos Acumulados) como um prejuízo até este momento. e) A empresa fez uma venda de serviço a um cliente, à vista, no valor de $3.000 ATIVO PASSIVO Caixa 33.000 Estoque de mercadoria 50.000 Fornecedores a pagar 30.000 Móveis 3.000 Veículo 25.000 Capital Social 80.000 LPA 1.000 Total do Ativo 111.000 Total do Passivo 111.000 O recebimento foi para o caixa e o valor da venda foi todo para o LPA como um lucro obtido. Nesse caso, o valor da venda é todo lucro, já que o serviço não teve custos para a empresa. f) Pagamento de parte da dívida com fornecedores $ 20.000 ATIVO PASSIVO Caixa 13.000 Estoque de mercadoria 50.000 Fornecedores a pagar 10.000 Móveis 3.000 Veículo 25.000 Capital Social 80.000 LPA 1.000 Total do Ativo 91.000 Total do Passivo 91.000 Após o pagamento, o caixa ficou menor e as obrigações também diminuíram. g) A empresa vendeu a metade de seus estoque, à vista, por $30.000 ATIVO PASSIVO Caixa 43.000 Estoque de mercadoria 25.000 Fornecedores a pagar 10.000 Móveis 3.000 Veículo 25.000 Capital Social 80.000 LPA 6.000 Total do Ativo 96.000 Total do Passivo 96.000 Após a venda, o estoque caiu pela metade, o caixa aumentou em função do recebimento à vista, e o valor do lucro dessa venda ($30.000 – $25.000) foi para o LPA. Não deixe de visitar o ambiente de aprendizagem. Lá, você encontrará muito outros exemplos de contabilização. Boa aula e até a próxima unidade. 3. 83 , 1 185 . 407 . 1 865 . 576 . 2 = Teoria na Prática Pegue o Balanço Patrimonial da empresa onde você trabalha ou de outra empresa qualquer que o tenha publicado no jornal (dê preferência a empresas da área do seu curso). Em primeiro lugar, destacar numa folha de papel os seguintes dados: 1. Ativo Circulante $ ....................... Passivo Circulante $ ......................... 2. Capital de Terceiros $ ....................... Capital Próprio $ .......................... 1ª conclusão: se o Ativo Circulante for maior que o Passivo Circulante, isso significa que a empresa conseguirá pagar suas dívidas a curto prazo. Escrever: situação financeira favorável. Se a empresa apresentar Passivo Circulante maior que Ativo Circulante, poderá ter problemas de ordem financeira. Comentar, nesse caso, com o professor. 2ª conclusão: comparar o capital de terceiros com o capital próprio. Se o capital de terceiros for até 1,20 maior que o capital próprio, não há por que se assustar: Essa é a média das empresas brasileiras. Se o capital de terceiros for maior que 1,20 em relação ao capital próprio, a empresa estará muito endividada. 4. 81 , 0 317 . 653 . 1 957 . 340 . 1 = Recapitulando As contas contábeis são divididas em dois grandes grupos, que se subdividem em outros dois, conforme as suas funções: 1º grupo ( Contas Patrimoniais: este grupo se subdivide em contas do Ativo e contas do Passivo e aparecem no Balanço Patrimonial. 2º grupo ( Contas de Resultado: este grupo se subdivide em contas de Receita e contas de Despesa e aparecem na Demonstração de Resultado do Exercício, formando o resultado da empresa. Grupos de contas do Balanço Patrimonial Ativo: Ativo Circulante ( Bens e direitos que irão se realizar dentro de até um ano. Ativo Realizável a Longo Prazo ( Bens e direitos que irão se realizar após um ano. Ativo Permanente ( Bens que irão permanecer indefinidamente na empresa. Subdivide-se em: Investimentos, Imobilizado e Diferido. Passivo: Passivo Circulante ( Dívidas que vencerão dentro de um ano. Passivo Exigível a Longo Prazo ( Dívidas que vencerão após um ano. Patrimônio Líquido ( É a diferença entre o Ativo e o Passivo Exigível. Representa a riqueza verdadeira da empresa Capital de Terceiros: São os recursos que terceiros investiram na empresa. É a soma do Passivo Circulante mais o Passivo Exigível a Longo Prazo. Capital Próprio: São os recursos aplicados pelos sócios ou acionistas, mais os lucros obtidos. É o total do Patrimônio Líquido. 5. 54 , 0 865 . 576 . 2 077 . 406 . 1 = Amplie seus Conhecimentos Para que você possa ampliar seus conhecimentos sobre a Contabilidade e também sobre Economia e Finanças, há vários artigos e comentários interessantes nos sites abaixo sugeridos. Além de artigos de vários segmentos, você encontrará também índices financeiros atualizados e dicas sobre as melhores aplicações financeiras do momento. Faça uma leitura sobre os artigos que você achar mais interessantes e bom aprendizado! Portal Exame da Editora Abril S/A http://portalexame.abril.com.br. Acesso em 06/05/2007. Portal Geração Futuro. Disponível em: http://www.gerafuturo.com.br. Acesso em 06/05/2007. Unidade 3: Fatos Contábeis 1. Nosso Tema A contabilidade se utiliza de algumas técnicas para registrar todos os fatos ocorridos na empresa e que irão alterar o valor de seu patrimônio. Por isso, dizemos que tudo que ocorre na empresa está contemplado nos relatórios contábeis. Nesta unidade, iremos estudar as variações patrimoniais e como elas são classificadas perante as regras contábeis. Veremos também que algumas movimentações que ocorrem dentro da empresa não influenciam no patrimônio e, por isso, não são contabilizadas. Qualquer movimentação nos elementos constitutivos do Patrimônio pode ser entendida como um Fato Administrativo. Já um Ato Administrativo só poderá ser contemplado pela contabilidade se puder ser traduzido em moeda, passando a ser tratado como um Fato Contábil. Durante o estudo desta unidade, você saberá mais sobre as variações patrimoniais.Veremos também quais são os principais livros da contabilidade e quais são os regimes de apuração do resultado de uma empresa. Então, mãos à obra! Para Refletir Alguns autores dizem que a contabilidade é o espelho da empresa, pois os relatórios contábeis refletem tudo o que se passa dentro daquela organização. Para melhor aproveitamento do conteúdo e para que você possa ver a aplicação dos benefícios da contabilidade, principalmente na gestão das empresas, é importante que você reflita sobre as seguintes questões: Como a contabilidade consegue captar e retratar todos os acontecimentos referentes à sua empresa? Podemos afirmar que tudo que se passa na empresa está nos livros contábeis? Será que nada foi esquecido? Quais os acontecimentos dentro da empresa são considerados contábeis e, conseqüentemente, serão escriturados nos livros? De quais critérios a contabilidade se utiliza para classificar esses acontecimentos? Quais as conseqüências de se utilizar um “regime de contabilidade” em desacordo com a legislação fiscal? Ao longo desta unidade, você receberá informações que o ajudarão na formação do seu conhecimento e que possibilitarão responder a essas e a outras questões sobre os benefícios de se ter uma boa contabilidade. 2. Conteúdo Didático 2.1. Tipos e Efeitos no Patrimônio O patrimônio das empresas está em constante movimento em decorrência dos acontecimentos diários, que podem ser classificados em dois grupos: 1. atos administrativos; 2. fatos administrativos. Atos Administrativos Segundo Ribeiro (2005), atos administrativos são os acontecimentos que ocorrem na empresa e que não provocam alterações no patrimônio. Por exemplo: admissão de empregados; assinatura de contratos de compras, de vendas e de seguros; aval de títulos; fianças em favor de terceiros etc. Alguns atos administrativos poderão, no futuro, provocar alterações no patrimônio da empresa. Eles são considerados relevantes, motivo pelo qual devem ser registrados pela contabilidade por meio das contas de compensação. Alguns exemplos de atos administrativos considerados relevantes são: Aval de títulos a empresa avaliza títulos para terceiros. Esse ato coloca em risco seu Patrimônio, porque a empresa se compromete em pagar a dívida caso o devedor (o avalizado) não o faça; Fianças em favor de terceiros a empresa torna-se fiadora de um terceiro. Isso é comum nos contratos de locação de imóveis. Esse ato põe em risco o Patrimônio da empresa que se obriga a efetuar o pagamento do aluguel caso o devedor (o afiançado) não o faça; Contratação de seguros a empresa contrata, com uma companhia seguradora, cobertura de riscos contra incêndio, roubo etc. Trata-se de ato relevante, uma vez que, ocorrendo o sinistro, a empresa será ressarcida do valor do prejuízo; Remessa de duplicatas para cobrança simples a empresa encaminha para o banco lotes de duplicatas de emissão própria para cobrança. Trata-se de ato relevante que deve ser contabilizado por meio de Contas de compensação para comprovar que os respectivos títulos que representam direitos não se encontram em poder da empresa porque foram encaminhados ao banco para cobrança. Fatos Administrativos Ainda segundo Ribeiro (2005), fatos administrativos são os acontecimentos que provocam variações nos valores patrimoniais, podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido. Por modificarem o patrimônio, devem ser contabilizados por meio das contas patrimoniais ou de resultado. Os fatos administrativos podem ser classificados em três grupos: 1. fatos permutativos; 2. fatos modificativos; 3. fatos mistos. Resumindo: Atos Administrativos são aqueles que não alteram o patrimônio da empresa. Fatos Administrativos são aqueles que alteram o patrimônio da empresa e, por isso mesmo, são chamados de fatos contábeis. 2.1.1. Fatos Administrativos Os fatos administrativos (ou contábeis) são classificados em função do Patrimônio Líquido, que é sem dúvida nenhuma o mais importante dos três grupos Patrimoniais. Para explicar cada tipo de fato administrativo, partiremos da situação patrimonial a seguir representada por meio do Balanço Patrimonial da empresa Minas Brasil S/A, baseado no exemplo de Ribeiro (2005), cujos valores serão modificados com a ocorrência de cada um dos fatos administrativos apresentados nos exemplos desta unidade. Para facilitar as explicações, classificaremos as contas do Balanço Patrimonial de acordo com o conceito de “patrimônio”, ou seja, em bens, direitos, obrigações e Patrimônio Líquido, e não de acordo com a classificação contida no tópico “3.2 grupo de contas”. Eis a situação patrimonial da qual partiremos: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.000 Salários a pagar 300 Imóveis 2.800 Patrimônio Líquido Direitos Capital Social 3.200 Duplicatas a receber 500 Lucros Acumulados LPA 800 Total do Ativo 4.300 Total do Passivo 4.300 Fatos Permutativos Fatos permutativos são aqueles que provocam permutações entre os elementos componentes do Ativo e/ou do Passivo (alteram o patrimônio), sem modificar o valor do Patrimônio Líquido. São também denominados de fatos qualitativos. Pode ocorrer troca entre os elementos do Ativo, entre os elementos do Passivo e entre ambos ao mesmo tempo. Exemplo: + ATIVO - ATIVO ( Ex.: Compra de veículo à vista + ATIVO + PASSIVO ( Ex.: Aquisição de terreno a prazo - PASSIVO - ATIVO ( Ex.: Pagamento de uma dívida - PASSIVO + PASSIVO ( Ex.: Reforma (renovação) de uma dívida - PL + PL ( Ex.: Aumento de capital com Lucros Acumulados Partindo do Balanço Patrimonial apresentado acima, suponhamos que na empresa Minas Brasil S/A tenha ocorrido o seguinte: Esse fato “a” aumentará o valor da conta Caixa em $500 e diminuirá a conta Duplicatas a receber, também em $500, já que o cliente quitou sua dívida com nossa empresa. Nosso direito, portanto, deixa de existir. Desse modo, o fato provoca, ao mesmo tempo, aumento e diminuição entre os elementos do Ativo. O Balanço Patrimonial, após esse acontecimento, fica assim: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.500 Salários a pagar 300 Imóveis 2.800 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 800 Total do Ativo 4.300 Total do Passivo 4.300 Os $500 que estavam em Duplicatas a receber passaram para a conta Caixa. Houve uma permutação entre os elementos do Ativo, mas o Patrimônio Líquido não se alterou. Agora, partindo do Balanço anterior, já modificado pelo fato “a”, consideremos o seguinte: Esse valor deveria ter sido retido dos salários dos empregados, mas ainda não o foi. Para regularizá-lo, vamos retirar esse valor da conta Salários a pagar e transferi-lo para a conta denominada Impostos a recolher. Veja como fica o Balanço Patrimonial após esse evento: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.500 Salários a pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 800 Total do Ativo 4.300 Total do Passivo 4.300 Como ambas as contas envolvidas neste fato são do Passivo, logo, ocorreu permutação entre elementos do Passivo, não alterando o valor do Patrimônio Líquido. Em permutação entre elementos do Ativo e Passivo, o fato ocorrido poderá acarretar aumento ou diminuição no valor total do patrimônio, embora não interfira no Patrimônio Líquido. Vejamos alguns exemplos: Esse fato provocará, ao mesmo tempo, aumento no Ativo e no Passivo. Veja como ficará o Balanço Patrimonial, após esse evento: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.500 Saláriosa pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Duplicatas a pagar 700 Móveis e utensílios 700 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 800 Total do Ativo 5.000 Total do Passivo 5.000 Esse evento diminuirá o Ativo, pela saída do dinheiro da conta Caixa, e reduzirá também o Passivo, pela liquidação da obrigação, no mesmo valor. Veja, então, como ficará a situação patrimonial: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.000 Salários a pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Duplicatas a pagar 200 Móveis e utensílios 700 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 800 Total do Ativo 4.500 Total do Passivo 4.500 Tanto no caso de aumento como no caso de diminuição, houve permutação entre elementos do Ativo e do Passivo ao mesmo tempo, sem interferência no Patrimônio Líquido, que permaneceu o mesmo. Fatos Modificativos Fatos modificativos são aqueles que acarretam alterações, para mais ou para menos, no Patrimônio Líquido da empresa. São também denominados de fatos quantitativos. Como podemos observar, os fatos permutativos envolvem apenas as contas patrimoniais, sem provocar alteração alguma no Patrimônio Líquido. Porém, os fatos modificativos envolvem contas de resultado (receitas ou despesas) e, conseqüentemente, alteram o Patrimônio Líquido. Nesse caso, também, o fato poderá provocar aumento ou diminuição. Exemplo: + ATIVO +PL ( Modif. Aumentativo. Ex.:Receita obtida com serviços prestados - PASSIVO + PL ( Modif. Aumentativo. Ex.: Perdão de uma dívida - PL - ATIVO ( Modif. Diminutivo. Ex.: Despesa qualquer paga à vista - PL + PASSIVO ( Modif. Diminutivo. Ex.: Despesa qualquer a prazo Partindo do Balanço anterior da Minas Brasil S/A, suponhamos a seguinte ocorrência: Esse fato diminuirá o Caixa em $100, pela saída do dinheiro, e, por envolver uma despesa, diminuirá também o Patrimônio Líquido no mesmo valor. Após esse fato, a situação patrimonial fica assim: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 900 Salários a pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Duplicatas a pagar 200 Móveis e utensílios 700 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 700 Total do Ativo 4.400 Total do Passivo 4.400 A despesa com o uso de telefones provocou diminuição no lucro: a conta Lucros Acumulados, que tinha $800, ficou com apenas $700. Assim, toda despesa provoca redução nos lucros, enquanto toda receita provoca aumento nos lucros. Dessa forma, as despesas e as receitas provocam variações no Patrimônio Líquido. Suponhamos, agora, a seguinte ocorrência: Esse fato aumenta o Ativo pela entrada do dinheiro na conta Caixa e aumentará o Patrimônio Líquido pela receita auferida. Veja a situação patrimonial modificada por esse evento: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.100 Salários a pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Duplicatas a pagar 200 Móveis e utensílios 700 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 900 Total do Ativo 4.600 Total do Passivo 4.600 Fatos Mistos O fato misto envolve, ao mesmo tempo, um fato permutativo e um modificativo. Pode, portanto, acarretar alterações no Ativo e no Patrimônio Líquido, ou no Passivo e no Patrimônio Líquido, ou no Ativo, no Passivo e no Patrimônio Líquido ao mesmo tempo. Os fatos mistos também podem acarretar aumento ou diminuição no patrimônio. Vejamos: Misto aumentativo: ocorre quando aumenta o Patrimônio Líquido. Exemplos: - Pagamento de uma dívida com desconto - Recebimento de uma dívida com juros - Venda de um ativo imobilizado com lucro Misto diminutivo: ocorre quando diminui o Patrimônio Líquido. Exemplos: - Pagamento de uma dívida com juros - Recebimento de uma dívida com desconto - Venda de um ativo imobilizado com prejuízo Partindo da situação patrimonial anterior da Minas Brasil S/A, suponhamos o seguinte: Esse evento diminuirá o Ativo em $700, pela saída dos móveis; aumentará novamente o Ativo, pela entrada de $750, em dinheiro, no Caixa; e aumentará o Patrimônio Líquido, pelo lucro auferido de $50. O Balanço Patrimonial ficará assim: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.850 Salários a pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Duplicatas a pagar 200 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 950 Total do Ativo 4.650 Total do Passivo 4.650 A transação provocou aumento no Ativo, igual a $50, uma vez que os móveis foram vendidos por $50 acima do seu custo. O aumento no Ativo foi compensado pelo aumento de $50 no Patrimônio Líquido, uma vez que esse lucro foi adicionado à conta Lucros Acumulados LPA.. Suponhamos, agora, a seguinte ocorrência: Esse fato acarretará diminuição no Ativo, pela saída de $220 do Caixa; diminuição no Passivo, pela extinção da obrigação em Duplicatas a Pagar, no valor de $200; e diminuição no Patrimônio Líquido, pela redução dos lucros em $20, devido à despesa ocorrida. A situação do patrimônio passou a ser a seguinte: Minas Brasil S/A ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 1.630 Salários a pagar 270 Imóveis 2.800 Impostos a recolher 30 Patrimônio Líquido Capital Social 3.200 Lucros Acumulados LPA 930 Total do Ativo 4.430 Total do Passivo 4.430 Também, nesse caso, tivemos, ao mesmo tempo, um fato permutativo (permuta entre as contas Duplicatas a Pagar e Caixa) e um fato modificativo (o pagamento da despesa pelos juros ocorridos na operação). 2.1.2. Livro de Escrituração Escrituração é uma técnica contábil que consiste em registrar nos livros próprios (Diário, Razão, Caixa, etc.) todos os acontecimentos que ocorrem na empresa e que provocam modificações no patrimônio. O controle contábil das empresas começa com a escrituração dos fatos no livro Diário, completando-se, depois, nos demais livros de escrituração. É por meio dos fatos administrativos que ocorre a gestão do patrimônio das empresas, e esses fatos são registrados por meio da escrituração. Mas, como escriturar esses acontecimentos? Vamos, inicialmente, estudar onde escriturar esses acontecimentos, para depois aprender como efetuar tais registros. (RIBEIRO, 2005). É importante ressaltar que a escrituração em livros contábeis não se traduz como atividade precípua no aprendizado da Contabilidade. Essa tarefa (escrituração) gradativamente está sendo incorporada pelo computador. É fundamental, no entanto, para o estudante, a compreensão de todo o processo contábil, além do conhecimento dos principais livros emitidos pela Contabilidade. Livro Razão Segundo Marion (1998), o Razão é um livro atualmente obrigatório, que foi durante muito tempo facultativo. Em virtude de sua eficiência, é indispensável em qualquer tipo de empresa, porque é o instrumento mais valioso para o desempenho da Contabilidade. Por isso, pela legislação contábil, é um livro obrigatório. Consiste no agrupamento de valores em contas de mesma natureza e de forma racional. Em outras palavras, o registro no Razão é realizado em contas individualizadas; tem-se assim um controle por conta.Por exemplo: abre-se uma conta Veículos e registram-se todas as operações que, evidentemente, a afetam; debitando-se ou creditando-se nessa conta, a qualquer momento apura-se o saldo. Exemplo: Nº da conta: 13.1.002 - VEÍCULOS 01/01 Saldo inicial 140.000 D 04/01 Compra de Fiat Pálio ano 25.000 D 10/01 Compra de VW Saveiro ano 23.500 D 25/01 Venda VW Kombi ano 12.000 C 31/01 Saldo final 176.500 D Livro Diário Do ponto de vista legal e fiscal, o Diário Geral é o livro mais importante da contabilidade. É obrigatório (exigido por lei) em todas as empresas. Registra os fatos contábeis em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia, mês e ano. Portanto, o Diário registra oficialmente todas as transações de uma empresa. O livro Diário deve conter termos de abertura e de encerramento e ser submetido à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio. O atraso na escrituração deste livro não poderá ultrapassar 180 dias, sob pena de multa prevista pelo Imposto de Renda. Os requisitos básicos de um livro Diário Geral são: · Data da operação (transação). · Título da conta de débito e da conta de crédito. · Valor do débito e do crédito. · Histórico: alguns dados fundamentais sobre a operação em registro: número da nota fiscal, cheque, terceiros envolvidos, etc. 2.1.3. Regimes de Contabilidade Segundo Marion (1998), a cada exercício social (normalmente, um ano), a empresa deve apurar o resultado dos seus negócios. Para saber se obteve lucro ou prejuízo, a contabilidade confronta a receita (vendas) com as despesas. Se a receita foi maior que a despesa, a empresa teve lucro, caso contrário, teve prejuízo. A apuração de resultado é realizada de forma destacada na Demonstração do Resultado do Exercício. Apresenta-se aí um resumo ordenado das despesas e receitas do período, facilitando-se, dessa forma, a tomada de decisão. De maneira geral, através da apuração do resultado, pode-se verificar se o maior objetivo da empresa foi atingido, ou seja, se os benefícios obtidos foram maiores que os sacrifícios realizados. Mas, quando contabilizar uma receita de venda? No dia do faturamento ou no dia do recebimento? Em qual mês devem-se pagar os impostos sobre essa venda? No mês do faturamento ou no mês do recebimento? Por isso, é importante conhecer os Regimes de Competência e de Caixa. Regime de Competência: Este regime é universalmente adotado, aceito e recomendado pelo Imposto de Renda. Evidencia o resultado da empresa (lucro ou prejuízo) de forma mais adequada e completa. As regras básicas para a contabilidade pelo regime de competência são: · A receita será contabilizada no período em que for gerada, independentemente do seu recebimento. · A despesa será contabilizada como tal no período em que for consumida, incorrida, utilizada, independentemente do pagamento. Assim, se em 05 de janeiro de T2 a empresa pagar seus funcionários que trabalharam em dezembro de T1, a despesa compete a T1, pois nesse período ela incorreu efetivamente. Assim, o resultado será apurado confrontando-se todas as receitas e despesas geradas no período, mesmo que as receitas não tenham sido recebidas e nem as despesas tenham sido pagas. Regime de Caixa: O regime de Caixa é uma forma simplificada de contabilidade, aplicado basicamente às microempresas ou às entidades sem fins lucrativos, tais como igrejas, clubes, sociedades filantrópicas etc. Não é aceito pelo Fisco para apuração de resultado nas empresas sujeitas ao Imposto de Renda. As regras básicas para a contabilidade por esse regime são: · A receita será contabilizada no momento do seu recebimento, ou seja, quando entrar dinheiro no caixa (encaixe). · A despesa será contabilizada no momento do pagamento, ou seja, quando sair dinheiro do caixa (desembolso). Assim, o lucro será apurado subtraindo-se toda a despesa paga da receita recebida. Para finalizar este tema, vejamos um exemplo: A Cia. Exemplo vendeu em X1 $ 20.000 e só recebeu $ 12.000 (o restante receberá no futuro); teve como despesa incorrida $ 16.000 e pagou até o último dia do ano $ 10.000. Apuração do Resultado do Exercício (DRE) DRE Regime de Competência Regime de Caixa Receita 20.000 12.000 (-) Despesas (16.000) (10.000) Lucro 4.000 2.000 Para ver mais exemplos de Apuração do DRE vá até seu material web! 3. Teoria na Prática A Cia. Desconfiada Ltda, empresa que opera no segmento de comércio atacadista, adquiriu em 30/09/X1 materiais de escritório para seu consumo próprio, no valor de $10.000. Pagou a compra à vista, em dinheiro. Em 31/12/X1, constata-se que havia em estoque apenas 2.000 de material de escritório, pois o restante já havia sido consumido pelos seus empregados. Como fica o Balanço Patrimonial (somente com referência às contas envolvidas nessa movimentação) em 31/12/X1? Observe-se que apenas três meses (out., nov., e dez.) foram percorridos no consumo do material de escritório. Os $2.000 restantes beneficiarão o ano seguinte; portanto, serão classificados no Ativo Circulante. RESPOSTA ATIVO PASSIVO Estoque de material de escritório 2.000 Lucros/Prejuízos Acumulados LPA (8.000) Obs.: - O Balanço Patrimonial não está equilibrado porque não foram consideradas as demais contas. - O valor do material de escritório em estoque (2.000) irá para o LPA como despesa somente quando for utilizado, apesar de já ter sido totalmente pago. 4. Recapitulando Atos Administrativos são aqueles que não alteram o patrimônio da empresa, por isso, não são contabilizados. Fatos Administrativos são aqueles que alteram o patrimônio da empresa; são registrados na contabilidade e, por isso, são chamados de fatos contábeis. Podem ser permutativos (não alteram o PL), modificativos (alteram o PL) e mistos (alteram o patrimônio da empresa e o PL). Os dois principais livros de escrituração da contabilidade são: Livro Razão: é um livro atualmente obrigatório, que foi durante muito tempo facultativo. Em virtude de sua eficiência, é indispensável em qualquer tipo de empresa: é o instrumento mais valioso para o desempenho da Contabilidade. Nele serão registrados, em ordem de conta contábil, todos os acontecimentos que alteram o patrimônio da empresa. Livro Diário: do ponto de vista legal e fiscal, o Diário Geral é o livro mais importante da contabilidade. É um livro obrigatório (exigido por lei) em todas as empresas. Registra todos os fatos contábeis da empresa em partidas dobradas na ordem rigorosamente cronológica do dia, mês e ano. Regimes de Contabilidade são os métodos utilizados para se apurar o resultado da empresa (lucro ou prejuízo), ou seja, o momento de se contabilizar as receitas e as despesas. Regime de Competência: Este regime é universalmente adotado, aceito e recomendado pelo Imposto de Renda. Evidencia o resultado da empresa (lucro ou prejuízo) de forma mais adequada e completa. Neste regime, a receita será contabilizada no período em que for gerada, independentemente do seu recebimento; já a despesa será contabilizada no período em que for consumida, incorrida, independentemente do pagamento. Regime de Caixa: É uma forma simplificada de contabilidade, aplicado basicamente às entidades sem fins lucrativos. Não é aceito pelo Fisco para apuração de resultado nas empresas sujeitas ao Imposto de Renda. A receita será contabilizada no momento do seu recebimento e a despesa no momento do pagamento. 5. Amplie seus Conhecimentos Uma boa maneira de ampliar seus conhecimentos nas áreas contábil, fiscal, financeira e gestão de empresas é ler artigos de qualidade sobre os referidos assuntos. Para conhecer alguns artigos sobre os assuntos em questão, acesse o Portal Rede Contábil. Lá você vai encontrar publicações especializadas, artigos científicos e cursos na área. Portal Rede Contábil. Disponível em: <http://www.redecontabil.com.br/artigo/artigos.asp>. Acesso em 13 de maio de 2007. Outra importante publicação nessas áreas é a revista da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administraçãoe Contabilidade - ANEFAC. Disponível em: http://www.anefac.com.br/. Acesso em 13 de maio de 2007. Você sabia que no Portal Baixaki você encontra vários programas de contabilidade e de controles financeiros disponíveis para baixar, alguns totalmente grátis? Pois é, faça o teste e conheça alguns deles. Portal Baixaki disponível em: http://baixaki.ig.com.br/pesquisa.asp?nome=contabilidade&tipo=1. Acesso em 16 de maio de 2007. Unidade 4: Demonstrações Contábeis 1. Nosso Tema O artigo 176 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A) estabelece que, ao fim de cada exercício social, a diretoria da empresa deve elaborar, com base na escrituração mercantil, as seguintes demonstrações contábeis (financeiras): 1. Balanço Patrimonial - BP 2. Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA 3. Demonstração do Resultado do Exercício – DRE 4. Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos – DOAR Elas devem exprimir com clareza a situação do patrimônio da empresa e as mutações ocorridas no exercício. O Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício e a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados devem ser transcritos no livro Diário. As sociedades anônimas de capital aberto (que negociam suas ações em bolsas de valores) são obrigadas a publicar seus resultados anualmente, nos jornais de maior circulação do país. As demonstrações financeiras devem, ainda, ser complementadas por notas explicativas e por outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessárias ao bom esclarecimento da situação patrimonial e do resultado do exercício. Além das demonstrações obrigatórias acima descritas, ao final de cada mês, é elaborado também o Balancete de Verificação, que é a base de informações para a elaboração das outras demonstrações financeiras. Nesta unidade, iremos estudar esses importantes relatórios contábeis, tão necessários para a boa gestão das organizações. Para Refletir As organizações empresariais existem para realizar um ou mais objetivos. Nesse caminho, uma organização usa recursos materiais, mão-de-obra e serviços de terceiros. Para gerir a empresa, ajudando-a na consecução de seus objetivos (lucro, retorno sobre o investimento, continuidade operacional e outros), os administradores necessitam de informações sobre aspectos financeiros e econômicos da organização. Se o diretor de finanças fizer a você os seguintes questionamentos: Qual a capacidade de endividamento da empresa? Existe necessidade de mais investimentos pelos proprietários? A lucratividade da empresa é satisfatória? O custo de produção é adequado? A empresa conseguirá honrar seus compromissos de curto prazo? Onde você encontraria subsídios para responder a eles? Nos tópicos seguintes, iremos apresentar as principais demonstrações financeiras e como elas podem ajudar os administradores a tomar decisões acertadas para o futuro das empresas. 2. Conteúdo Didático 2.1. Balancete de Verificação A escrituração contábil deve ser realizada com a utilização do método das partidas dobradas. Assim, sabemos que o valor total dos saldos devedores deve ser exatamente igual ao valor total dos saldos credores. Para esse fim, é apurado periodicamente o Balancete de Verificação, que serve também para controlar o saldo das contas patrimoniais e, principalmente, as contas de resultado (receitas e despesas). O Balancete de Verificação é uma relação ordenada de todas as contas com os respectivos saldos devedores e credores. Ele é um resumo ordenado de todas as contas utilizadas pela contabilidade e também um valioso instrumento para verificar a exata aplicação do método das partidas dobradas. Além disso, é utilizado pelos administradores para gerenciar as empresas, pois mostra detalhadamente todas as receitas e todas as despesas de um determinado período. O Balancete deve ser levantado mensalmente e os elementos mínimos que nele devem constar são: a) Identificação da entidade. b) Data a que se refere. c) Abrangência d) Identificação das contas e respectivos grupos. e) Saldo das contas, indicando se são devedoras ou credoras. f) Soma dos saldos devedores e credores. Características do Balancete de Verificação Uma característica do Balancete é preceder a elaboração do Balanço Patrimonial. Desse modo, o normal é que, no Balancete, apareçam Contas de Resultado (Receitas, Deduções, Custos, Despesas) que não aparecem no Balanço Patrimonial, tendo em vista que elas são encerradas ao fim de cada exercício social e o saldo apurado é transferido para a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (LPA). Os Balancetes são ferramentas gerenciais de grande utilidade nas empresas, até mais que o Balanço Patrimonial, já que são relatórios mais detalhados devido ao fato de trazerem, além das contas patrimoniais, as contas de resultado (receitas e despesas). Existem diversos modelos de balancetes e todos são válidos, uma vez que não se trata de um demonstrativo legal mais informal e de grande auxílio no preparo das demais demonstrações contábeis. É importante lembrar que, por convenção, as contas contábeis têm as seguintes características: Contas do Ativo ( Saldo Devedor Contas do Passivo ( Saldo Credor Contas de Despesa ( Saldo Devedor Contas de Receita ( Saldo Credor Exceções: · Duplicatas Descontadas (Ativo Circulante - AC) · Provisão para Devedores Duvidosos (Ativo Circulante - AC) · Depreciação Acumulada (Ativo Permanente - AP) · Amortização do Diferido (Ativo Permanente - AP) · LPA quando se tratar de prejuízo (Patrimônio Líquido – PL) Essas exceções, que no Balanço Patrimonial são contas redutoras (aparecem entre parênteses), no Balancete de Verificação, mudam de “lado” e perdem o parênteses. Marion ressalta a importância do Balancete de Verificação como ferramenta de gestão nas empresas, quando afirma que: Dada a inconveniência de levantar balanço em períodos mais curtos (normalmente se levanta balanço uma vez por ano), o balancete tem-se tornado poderoso instrumento de base para decisões. Assim, através de balancetes mensais, por exemplo, a administração da empresa terá um resumo de todas as operações, bem como de todos os saldos existentes no final do período. Dessa forma, o “poder decisório” conhecerá o resultado financeiro e econômico da empresa no final de determinado período sem a necessidade de estruturar um balanço. Estes dados, sem dúvida, são fundamentais para a tomada de decisão. (1998, p. 132) 2.1.1. Balancete de Duas Colunas O Balancete de duas colunas é o modelo mais simples que existe. Ele apresenta duas colunas de valores: uma com os saldos das contas devedoras e outra com o saldo das contas credoras. Nesse modelo de balancete, são apresentados apenas os saldos finais, ou seja, o valor de cada conta no ultimo dia do período em questão. Dessa forma, considerando as características de cada conta, na coluna da esquerda, deverão figurar as contas do Ativo e as Despesas. Na coluna da direita, deverão figurar as contas do Passivo e as Receitas. Veja a seguir: Balancete de Verificação Data ___/___/___ Saldo Devedor Saldo Credor Ativos e Despesas Passivos e Receitas Total das contas devedoras Total das contas credoras A seguir, um exemplo do Balancete de Verificação de duas colunas da empresa BHZ Veículos Ltda, levantado em 31/05/X7: BHZ Veículos Ltda Balancete de Verificação em 31/05/X7 Saldos Devedores Saldos Credores Caixa 200 Aluguéis a pagar 150 Bancos conta movimento 2.200 Empréstimos a pagar 10.000 Duplicatas a receber 300 Capital Social 12.000 Máquinas e equipamentos 10.500 Lucros Acumulados LPA 750 Veículos 30.900 Receita com vendas 45.000 Despesas com salários 15.700 Receita de aluguéis 3.500 Despesas com publicidade 8.100 Receita financeira 2.000 Despesas gerais 2.000 Despesas financeiras 3.500 Totais 73.400 Totais73.400 Note que o balancete de duas colunas é muito simples e prático. Ao final, o somatório da coluna de saldos devedores tem que ser igual ao somatório da coluna de saldos credores, devido ao método das partidas dobradas, que diz que “para todo débito haverá um crédito de valor equivalente”. As contas do Ativo (bens e direitos), que no Balanço Patrimonial apareciam do lado esquerdo, continuam do lado esquerdo no balancete. As contas do Passivo e do Patrimônio Líquido (obrigações), que apareciam do lado direito no Balanço Patrimonial, continuam do lado direito no balancete. A diferença é que, nesse relatório, aparecem também as Despesas e as Receitas. De posse dele, o Administrador tem a noção exata de como a empresa operou nesse período. Sabe-se, por exemplo, qual foi o faturamento da empresa, qual a despesa com salários, com publicidade, etc. Sendo assim, é possível tomar decisões gerenciais em cima de dados concretos. 2.1.2. Balancete de Várias Colunas É interessante apresentar os balancetes, destacando as Contas Patrimoniais (Ativo e Passivo) das Contas de Resultado (Receitas e Despesas). Normalmente, as contas patrimoniais vêm primeiro, seguidas das contas de resultado. O Balancete, dependendo da necessidade da empresa, pode ter 2 colunas, como o exemplo acima, ou as formas mais complexas de 4, 6 ou 8 colunas. Marion (1998) lembra que quanto maior for o grau de detalhamento (sofisticação) do balancete, mais subsídios haverá para a tomada de decisão. Assim, um balancete com duas colunas não terá o mesmo grau de utilidade para a tomada de decisão que um balancete de seis colunas. Por exemplo, o balancete de seis colunas, muito usado nas empresas, apresenta os saldos finais do balancete anterior (mês anterior), os movimentos de débitos e créditos do período em análise e os saldos atuais. Exemplo: Empresa ABC Ltda Balancete de Verificação Data 30/04/X7 Conta Saldo anterior Movimentação Saldo Final D C D C D C Caixa 900 300 200 1.000 Mercadorias 500 200 400 300 Veículos 9.000 9.000 Empréstimos a pagar 1.000 300 700 Capital Social 6.000 6.000 Lucros Acumulados 3.400 200 3.600 Despesa c/ salários 30.000 12.000 42.000 Despesas gerais 15.000 3.000 18.000 Receita de venda 40.000 14.000 54.000 Receita financeira 5.000 1.000 6.000 Totais 55.400 55.400 15.800 15.800 70.300 70.300 Ribeiro (2005) lembra que, em qualquer tipo de Balancete, a soma da coluna do saldo devedor tem de ser igual à soma da coluna do saldo credor. Isso porque os fatos administrativos são registrados na contabilidade pelo método das partidas dobradas, cujo princípio fundamental estabelece que, na escrituração, a cada débito deve corresponder um crédito de igual valor. Assim, ao relacionar no Balancete todas as contas utilizadas pela contabilidade de uma empresa, com seus respectivos saldos devedores e credores, a soma da coluna do débito deverá ser igual à soma da coluna do crédito. 2.2. Balanço Patrimonial Na Unidade 02, já vimos quais os grupos de contas compõem o Balanço Patrimonial; porém, nesta unidade, iremos estudá-lo com mais detalhes e conhecer qual a importância dele como uma das demonstrações contábeis. A obrigatoriedade de levantar balanço anual origina-se do Código Comercial, cujo art. 10 (alínea 4) dispõe que todos os comerciante são obrigados “...a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo...”. Já a Lei 6.404/1976, em suas especificações quanto às demonstrações financeiras, faz determinações às sociedades anônimas. No entanto, essa obrigatoriedade acabou transformando-se em padrão de mercado, principalmente para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada, em virtude de algumas disposições da Legislação do Imposto de Renda. Essa Legislação determina que todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem efetuar o levantamento das demonstrações financeiras básicas previstas na Lei das S/A. O Balanço Patrimonial é: · o mais importante relatório gerado pela contabilidade. Através dele, pode-se identificar a saúde financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada. · é a demonstração contábil que evidencia, resumidamente, o patrimônio da empresa, quantitativa e qualitativamente. Sua estrutura básica, com as principais contas, é a seguinte: BALANÇO PATRIMONIAL Data __/__/__ 1. ATIVO 1.1 ATIVO CIRCULANTE 1.1.1 Disponibilidades 1.1.2 Clientes (-) Duplicatas descontadas (-) Prov. Créd. Liq. Duvidosa 1.1.3 Outros créditos 1.1.4 Tributos a recuperar 1.1.5 Estoques 1.1.6 Despesas do Exercício seguinte 1.2 ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.2.1 Clientes 1.2.2 Outros créditos 1.2.3 Créditos com coligadas 1.3 ATIVO PERMANENTE 1.3.1 Investimentos 1.3.2 Ativo Imobilizado (-) Depreciações acumuladas 1.3.3 Ativo Diferido (-) Amortizações acumuladas 2. PASSIVO 2.1 PASSIVO CIRCULANTE 2.1.1 Fornecedores a pagar 2.1.2 Empréstimos bancários a pagar 2.1.3 Impostos a recolher 2.1.4 Salários a pagar 2.2 PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 2.2.1 Fornecedores a pagar 2.2.2 Obrigações com coligadas 2.2.3 Financiamentos a pagar 2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2.3.1 Capital Social 2.3.2 Reservas 2.3.3 Lucros ou Prejuízos Acumulados LPA TOTAL TOTAL Lembrando, mais uma vez, que as contas contábeis aparecem no Balanço Patrimonial seguindo o seguinte critério: · Ativo ( Em ordem de liquidez, ou seja, vêm as contas que se realizarão (vão virar dinheiro) primeiro; · Passivo ( Em ordem de exigibilidade, ou seja, vêm primeiro as contas que têm vencimento mais curto. 2.2.1. Origem e Aplicação dos Recursos Segundo Ribeiro (2005), a palavra Capital representa um elemento do grupo do Patrimônio Líquido e que, quando da constituição de uma empresa, corresponde à soma dos valores com os quais o proprietário inicia suas atividades. Entretanto, na contabilidade, quando dizemos “capital total”, estamos nos referindo aos recursos totais que a empresa possui. Observe o patrimônio a seguir representado: Balanço Patrimonial da empresa Comercial Nova Lima Ltda ATIVO PASSIVO Caixa 500 Duplicatas a receber 50 Fornecedores 350 Estoque de mercadorias 200 Móveis e utensílios 100 Veículos 300 Capital Social 800 Total do Ativo 1.150 Total do Passivo 1.150 Note que o Capital Social da empresa é de $800 e o capital à disposição da empresa ou capital total é de $1.150. Dessa forma, podemos concluir que o Passivo mostra a origem de capitais, isto é, como a empresa conseguiu os recursos que possui; e o Ativo mostra a aplicação de capitais, isto é, onde a empresa aplicou os recursos originados conforme mostra o lado do Passivo. ORIGENS DE RECURSOS Para que um determinado patrimônio surja, existe a necessidade de uma origem e ela será a fonte de recurso.As Origens de Recursos ficam representadas no lado direito do Balanço Patrimonial. São aqueles recursos injetados na empresa pelos sócios, acrescidos dos rendimentos oriundos da boa aplicação efetuada pela empresa. É o capital social mais as reservas e os lucros. Sem dúvida nenhuma, a principal origem de recurso para as empresas é o lucro obtido no negócio. Em síntese, recursos próprios é o somatório do Patrimônio Líquido. São todos aqueles ingressados na empresa oriundos de transações que gerem para ela uma obrigação para com terceiros. Portanto, todas as vezes que a empresa comprar a prazo ou, por exemplo, obter um empréstimo, poderemos afirmar que houve ingresso no patrimônio da empresa de um recurso de terceiros. APLICAÇÕESDE RECURSOS: Todos os recursos ingressados no patrimônio da empresa, independentes das fontes, estão aplicados no Ativo na forma de bens e direitos. Portanto, se não houvesse fontes (Passivos) não haveria bens e direitos (Ativos). As Aplicações de Recursos estão representadas no lado esquerdo do Balanço Patrimonial. Veja os conceitos acima na representação gráfica do Balanço Patrimonial: ATIVO (APLICAÇÕES DE RECURSOS) PASSIVO (ORIGEM DE RECURSOS) Bens e Direitos Obrigações: Passivo Exigível ou Capital de Terceiros Patrimônio Líquido: Passivo não Exigível ou Capital Próprio 2.3. Demonstração do Resultado do Exercício - DRE Segundo Iudícibus et al. (1996), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), elaborada simultaneamente com o Balanço Patrimonial, constitui-se no relatório sucinto das operações realizadas pela empresa, durante determinado período de tempo, em que se sobressai um dos valores mais importantes às pessoas nela interessadas: o resultado líquido do período (Lucro ou Prejuízo). A DRE, na verdade, é o resumo de todas as receitas e despesas do período analisado. Com o Balanço Patrimonial mais a DRE, qualquer pessoa tem condições de fazer análises e tirar conclusões de ordem patrimonial, econômico e financeira da empresa. A DRE completa, exigida por lei, fornece maiores minúcias para a tomada de decisão: grupos de despesas, vários tipos de lucro, destaque dos impostos etc. É importante ressaltar que o resultado encontrado na DRE (lucro ou prejuízo) deverá ser somado ao valor da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados LPA, pois ela é a soma dos resultados de vários períodos acumulados. Sua estrutura básica é a seguinte: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE 2006 2007 Receita bruta de vendas e serviços (-) Deduções das vendas, abatimentos e impostos sobre vendas = Receita líquida das vendas e serviços (-) Custo das mercadorias vendidas (CMV) e serviços vendidos = Lucro Bruto (-) Despesas com vendas (-) Despesas gerais e administrativas (-) Despesas financeiras deduzidas das receitas (-) Outras despesas operacionais = Lucro/Prejuízo operacional + Receitas não operacionais (-) Despesas não operacionais = Lucro antes do Imposto de Renda - LAIR (-) Provisão para Imposto Renda (-) Participações = Lucro/Prejuízo líquido do exercício Vamos conhecer os Grupos da Demonstração de Resultado? Receita bruta de vendas e serviços É formada pela receita principal da empresa, ou seja, das atividades-fim da entidade. Podemos citar: as vendas de produtos (na indústria), de mercadorias (no comércio) e serviços (empresas prestadoras de serviço), incluindo todos os impostos e contribuições incidentes. Deduções das vendas Aqui serão deduzidas as devoluções de vendas, os abatimentos sobre vendas e os impostos incidentes (ICMS, PIS, COFINS e ISS), que estarão incluídos na receita bruta correspondente. Receita líquida de vendas e serviços É a diferença entre a receita bruta e as deduções das vendas, sendo considerada como a receita real da empresa, já que os impostos e contribuições incidentes serão repassados aos órgãos públicos e as devoluções de vendas, porventura ocorridas, deverão ser abatidas da receita bruta. Custo das mercadorias vendidas e serviços Representa o quanto a empresa gastou para produzir um produto (na indústria), adquirir uma mercadoria (no comércio) ou prestar um serviço (empresa prestadora de serviço). Ou seja, CMV é o valor de compra daquelas mercadorias que foram vendidas. Para saber o valor do CMV, usa-se a seguinte fórmula: CMV = Estoque inicial + Compras – Estoque Final Lucro Bruto Representa a diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo das mercadorias vendidas e serviços. Despesas e receitas operacionais Elas ocorrem no desenvolvimento da atividade operacional da empresa e são agrupadas, para fins de análise, em: a. Vendas: São despesas inerentes à atividade de venda. Mais especificamente, essas despesas referem-se aos gastos com promoção, comercialização e distribuição dos produtos da empresa. Ex.: comissões sobre vendas, despesas com viagens de vendedores, propaganda e publicidade, despesas com entrega de mercadorias, salário do pessoal de vendas, etc. b. Administrativas: As despesas administrativas estão atreladas à atividade da área administrativa da empresa, ou seja, em sua gestão. Ex.: aluguel do escritório da administração, consumo de energia elétrica da administração, honorários da diretoria, despesas judiciais e salário do pessoal administrativo, entre outros. c. Resultado financeiro líquido: Representa a diferença entre as despesas financeiras e as receitas financeiras. As despesas financeiras são oriundas, principalmente, da utilização de capitais de terceiros, como juros de empréstimos bancários, CPMF, despesas bancárias, descontos financeiros concedidos, etc. Por outro lado, as receitas financeiras são provenientes de investimentos em aplicações financeiras, juros de mora recebidos, etc. Lucro (ou prejuízo) operacional Representa o resultado da atividade operacional da empresa. Assim, podemos entender o lucro (ou prejuízo) operacional como o resultado das atividades principais ou acessórias que constituam o objeto social da entidade. Resultados não operacionais São constituídos por receitas e despesas consideradas não-operacionais, ou seja, são provenientes de transações (ou acontecimentos) que não estão ligadas ao escopo social da empresa. Lucro antes do imposto de renda e contribuição social LAIR Esse lucro ou prejuízo, considerado como contábil, para o caso do cálculo do imposto de renda, será transferido para o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), para apuração do valor do imposto de renda. Provisão para imposto de renda e contribuição social É o valor a ser recolhido aos cofres públicos referentes a esses dois tributos. Participações Representa a parte dos lucros a ser distribuída aos empregados, administradores, pagamento de juros de debêntures emitidas pela empresa, partes beneficiárias ou contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados. Lucro líquido (ou prejuízo) É a última linha da DRE, portanto, representa a confrontação entre todas as receitas realizadas pela empresa e todas as despesas incorridas em um determinado período. Esse resultado será transferido para o Balanço Patrimonial, na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados LPA.. (NAGATSUKA e TELES, 2002). Veja um exemplo de elaboração de uma DRE: A Cia ABC S/A apresenta, em 31/12/X1, os seguintes saldos das contas de receitas e despesas: Receita bruta de vendas $680.000 Devolução de vendas $9.000 ICMS sobre vendas 18% Abatimentos sobre vendas $5.000 Custo das mercadorias vendidas CMV $236.000 Salários do pessoal da área administrativa $20.000 Salários do pessoal da área de vendas $12.000 Aluguel do prédio da área de vendas $6.000 Comissões sobre vendas $3.020 Receita de aplicações financeiras $2.500 Despesas bancárias $10.000 Receita de venda do imobilizado $3.300 Imposto de renda 15% Contribuição social 9% CIA ABC S/A - DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE Receita bruta de vendas e serviços 680.000 (-) Devoluções de vendas (9.000) (-) Abatimentos sobre vendas (5.000) (-) ICMS sobre vendas (119.880) = Receita líquida das vendas e serviços (546.120) (-) Custo das mercadorias vendidas (CMV) e serviços vendidos (236.000) = Lucro Bruto310.120 (-) Despesas com vendas (21.020) (-) Despesas gerais e administrativas (20.000) (-) Despesas financeiras deduzidas das receitas (7.500) = Lucro operacional 261.600 + Receitas não operacionais 3.300 (-) Despesas não operacionais 0 = Lucro antes do Imposto de Renda – LAIR 264.900 (-) Provisão para IR e CS (63.576) (-) Participações 0 = Lucro/Prejuízo líquido do exercício 201.324 Obs.: 1. Note que o ICMS sobre as vendas incide sobre o valor líquido de vendas, ou seja, sobre a receita bruta subtraída das devoluções e abatimentos sobre as vendas. 2. Já vimos, anteriormente, um pouco sobre a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) nos itens 3.1.2 (Unidade 02) e 3.1.3 (Unidade 03). 3. Teoria na Prática O Sr. Cabral Teixeira, proprietário da Cia. Desânimo, após contratar um novo contador, dá a seguinte ordem para o seu mais recente funcionário. “Como o Senhor está observando, todos os nossos livros contábeis foram queimados no incêndio ocorrido em nossa empresa. Portanto, não temos nenhum Balanço Patrimonial para fornecer ao Banco Camarada S/A, que está disposto a nos conceder um empréstimo. Gostaria que, em caráter de urgência, o Sr. montasse o Balanço Patrimonial, destacando apenas os valores Ativos e Passivos. Passei a noite em claro para fazer um levantamento de todos os nossos bens (inventário). As avaliações são a preço de custo, e eu as tenho na memória. Todos os nossos Direitos a Receber totalizam $25.960 e nossas Obrigações Exigíveis atingem $19.981. Não há necessidade de destacar conta por conta dos Direitos e Obrigações: o gerente do banco quer apenas os bens destacados. Aqui está a listagem; espero que, dentro de alguns minutos, o senhor me apresente o Balanço Patrimonial. Ah! Procure ser fiel às regras que caracterizam o Ativo e o Passivo, pois o gerente do banco conhece contabilidade”. A listagem é a seguinte: 1. Duas máquinas operatrizes em perfeito estado $1.200. 2. Uma máquina prensadeira totalmente destruída $900. 3. Um lote de estoque (matéria-prima) destruído pelo fogo $2.300. 4. Um lote de estoque não atingido pelo fogo $700. 5. A marca de nosso produto principal segundo o perito na área, vale $5.000. 6. A nossa “boa imagem” no mercado, nossa clientela, nossa localização, que os contadores chamam de “Fundo de comércio” ou goodwill, vale sem medo $20.000. 7. Dez veículos arrendados do Banco Comercial pelo sistema leasing. Valor dos veículos $5.000. RESPOSTA: Cia Desânimo Ltda ATIVO PASSIVO Caixa Estoque 700 Obrigações exigíveis 19.981 Direitos a receber 25.960 Máquinas 1.200 Marcas 5.000 Patrimônio Líquido 32.879 Goodwill 20.000 Total do Ativo 52.860 Total do Passivo 52.860 Obs.: 1. A máquina prensadeira destruída não entra no Balanço; 2. O estoque destruído pelo fogo também não entra no Balanço; 3. Os veículos pelo sistema de leasing pertencem ao banco e estão apenas alugados à Cia. Desânimo; por isso não entram no Balanço. 4. Recapitulando O Balancete de Verificação é uma relação ordenada de todas as contas com os respectivos saldos devedores e credores. Ele é um resumo ordenado de todas as contas utilizadas pela contabilidade e também um valioso instrumento para verificar a exata aplicação do método das partidas dobradas. Além disso, é utilizado pelos administradores para gerenciar as empresas, pois mostra detalhadamente todas as receitas e despesas de um determinado período. Origem e Aplicação de Recursos: O lado direito do Balanço Patrimonial (Passivo) mostra a origem dos recursos (capitais), isto é, como a empresa conseguiu os recursos que possui; e o lado esquerdo (Ativo) mostra as aplicações de recursos (capitais), isto é, onde a empresa aplicou os recursos obtidos no lado do Passivo. Balanço Patrimonial: O Balanço Patrimonial é o mais importante relatório gerado pela contabilidade. Através dele, pode-se identificar a saúde financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada. O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil que evidencia, resumidamente, o patrimônio da empresa, quantitativa e qualitativamente. Nesse relatório, são relacionados os saldos finais de todas as contas patrimoniais (Ativo e Passivo) da empresa numa determinada data. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE): A DRE constitui-se no relatório sucinto das operações realizadas pela empresa durante determinado período de tempo, em que se sobressai um dos valores mais importantes às pessoas nela interessadas: o resultado líquido do período (Lucro ou Prejuízo). A DRE, na verdade, é o resumo de todas as receitas e todas as despesas do período analisado. Com o Balanço Patrimonial mais a DRE, qualquer pessoa tem condições de fazer análises e tirar conclusões de ordem patrimonial, econômico e financeira da empresa. A DRE completa, exigida por lei, fornece maiores minúcias para a tomada de decisão: grupos de despesas, vários tipos de lucro, destaque dos impostos etc. 5. Amplie seus Conhecimentos Você pode ampliar seus conhecimentos através de consultas a artigos publicados pelos órgãos especializados nas áreas de contabilidade, finanças, economia, custos, entre outros. Um bom exemplo é o Portal de Contabilidade, cujas publicações estão sempre atualizadas com a legislação fiscal em vigor. O acesso aos artigos é gratuito e muito fácil. Portal de Contabilidade. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br>. Acesso em 19 de maio de 2007. Outro bom exemplo de artigos gratuitos de alto nível na área de contabilidade e assuntos tributários é o site do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul. Portal do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul. Disponível em: <http://www.crcrs.org.br>. Acesso em 19 de maio de 2007. Unidade 5: Análise do Balanço I 1. Nosso Tema As finanças são, num sentido real, o elemento principal do sistema de livre comércio. A boa administração financeira é, portanto, de importância vital à saúde econômica das empresas, assim como para a nação e para o mundo (BRIGHAM et al, p.20, 2001.) Segundo Marion (2002), a análise das Demonstrações Financeiras tem como objetivo o estudo do desempenho de um empreendimento. E é isso que veremos nesta unidade: como extrair informações das demonstrações contábeis para serem utilizadas no processo de tomada de decisões, dentro e fora da empresa. Essas informações são utilizadas para tomada de decisão interna pela empresa, que considera também o conhecimento da situação econômico-financeira de outras empresas – notadamente concorrentes – clientes e fornecedores, além dos seus próprios resultados. Você sabia que as demonstrações financeiras são publicadas em veículos de comunicação (geralmente jornais) onde essas empresas estão instaladas? Dessa forma, podem ser analisadas por investidores, acionistas, clientes, etc. Além disso, aprenderemos também como conhecer a situação econômico-financeira de uma empresa por meio dos três pontos fundamentais de análise. Vejamos: Liquidez (Fornece a situação financeira): Os índices de liquidez são utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, isto é, constituem uma apreciação sobre se a empresa tem capacidade para saldar seus compromissos. Endividamento (Fornece a estruturade capital): Os indicadores de endividamento nos informam se a empresa utiliza mais recursos de terceiros ou recursos dos proprietários. Saberemos se os recursos de terceiros têm seu vencimento em maior parte a Curto Prazo (Circulante) ou a Longo Prazo. Rentabilidade (Fornece a situação econômica): Situação econômica é observada através da rentabilidade ou lucratividade da empresa, do seu potencial de vendas, da sua habilidade de gerar resultados e da evolução das despesas. Vamos começar? Para Refletir Para que você possa compreender a importância da análise das demonstrações financeiras como instrumento de gestão para os administradores das empresas na tomada de decisões, vamos refletir sobre as seguintes situações: Você está pensando em aumentar a produção de sua empresa investindo em novos equipamentos. Mas para isso, terá que pedir um financiamento ao banco. Como avaliar a capacidade da empresa para fins de habilitação a financiamentos? Bem, você possui investimentos financeiros, mas como levantar qual a lucratividade dos capitais investidos e a estrutura financeira da entidade econômica administrativa para saber se você pode assumir um novo financiamento? E, por fim, qual o seu conhecimento sobre a empresa e visão sobre a viabilidade de expansão dos negócios? Não se preocupe! Nos tópicos seguintes, iremos apresentar os principais “quocientes de análise” e como eles podem auxiliá-lo a tomar decisões acertadas para o presente e o futuro das empresas. 2. Conteúdo Didático Nas bibliografias contábeis, existem diversas formas de análise de balanços. Contudo, é possível destacar as seguintes modalidades: O trabalho do analista não se limita a apenas levantar os motivos dos fracassos do empreendimento, mesmo porque esses fatos já terão acontecido e suas conseqüências provavelmente já pesam nos resultados. O principal fundamento da análise é o direcionamento das ações futuras da administração, ou seja, o analista, além de levantar as razões, deve apontar as soluções. Ao fazer análise da situação da empresa, é dada mais ênfase ao Balanço Patrimonial e à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), já que é por meio delas que é possível levantar, de forma objetiva, a situação financeira e econômica empresa. Contudo, todas Demonstrações Financeiras devem ser analisadas. Vamos lembrar quais são? · Balanço Patrimonial · Demonstração do Resultado do Exercício · Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos · Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. · Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados · Demonstração do Fluxo de Caixa · Demonstração do Valor Adicionado 2.1. Preparação do Balanço para Análise Devido à escrituração contábil seguir uma técnica predeterminada, pode acontecer, às vezes, das Demonstrações Financeiras não estarem com as contas classificadas nos grupos de maneira correta, que nos garanta uma boa análise da situação da empresa. Para tanto, antes de iniciarmos a análise das Demonstrações, faz-se necessário reclassificarmos as contas que entendemos, sob a ótica financeira, estarem indevidamente classificadas. Isso significa uma nova classificação, um novo reagrupamento das contas nas Demonstrações Financeiras, sobretudo no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício. Esses alguns ajustes necessários para melhorar a eficiência da análise. Muitas vezes, o contador visa, através do seu agrupamento de contas nas Demonstrações Financeiras, melhorar a situação econômico-financeira da empresa usando certos artifícios. Se uma empresa, por exemplo, dispõe vender um imóvel que até o momento estava classificado no Permanente, a atitude do contador poderá ser de reclassificar esse imóvel para uma conta do Ativo Circulante. Classificando-o no Ativo Circulante, evidentemente, a situação financeira em curto prazo irá melhorar. Todavia, não é fácil vender o imóvel e receber o valor no mesmo ano. O ideal é classificá-lo no Realizável em Longo Prazo. Nesse exemplo, o analista reagrupará o imóvel do Circulante para o Longo Prazo. Outras vezes, mesmo sendo o contador imparcial no agrupamento das contas, há necessidade de interferência do analista. É o caso de Despesas Financeiras que legalmente é despesa operacional, mas, na realidade, não o é. Se quisermos apurar a verdadeira taxa de rentabilidade obtida pela atividade operacional, deveremos reclassificar tanto as Despesas Financeiras como as Receitas Financeiras no grupo Não Operacional. Vejamos algumas dicas para o início do processo de análise: 1) Verificar se estamos de posse de todas as peças das demonstrações BP, DRE, DOAR, DLPA, Fluxo de Caixa (2 períodos pelo menos) 2) Verificar autenticidade das demonstrações contábeis (parecer de auditoria) 3) Reclassificação das contas Se for necessário reclassificar (ajustar) as contas, veja o que é preciso fazer: · Eliminar os valores inexistentes ou superavaliados no ativo; · Apresentar os valores com mesmo poder aquisitivo; · Eliminar as contas retificadoras, reduzindo as rubricas ao seu valor líquido (duplicatas descontada, depreciaçao acumulada, etc.); · Eliminar as contas correspondentes de ativos e passivos. Ex.: adiantamento de clientes e adiantamento a fornecedores, contrato de mútuo ativo e passivo; · Reconhecer contas de compensação se estas representarem riscos reais; · Acrescentar valores que sendo reais e conhecidos ainda não estejam computados no balanço. Ex.: clientes em situação falimentar não habilitados. · Despesas do exercício seguinte deverão ser ajustadas no PL. Mas, quais rubricas (contas) podem constar nas demonstrações e como reclassificá-las? · Duplicatas Descontadas - transfere-se para passivo circulante; · Despesa do Exercício Seguinte - transfere-se para o PL (patrimônio líquido), transitando pela DRE como despesas operacional; · Resultados de Exercícios Futuros - transfere-se para PL (patrimônio líquido), transitando pela DRE receita ou despesas operacionais; · Provisão para Devedores Duvidosos - confirma a forma como foi feita na empresa através das notas explicativas dos auditores independentes; · Diferido - transfere-se para PL, transitando pela DRE em despesas operacionais; · Empréstimos a Sócios - reclassifica-se como curto ou longo prazo · Créditos em coligadas - reclassifica-se como curto ou longo prazo Após efetuada as reclassificações necessárias, vejamos qual o raciocínio deve-se adotar para a tal análise: · 1º Extraem-se os indices das demonstrações contábeis. · 2º Comparam-se os padrões. · 3º Ponderam-se as diferentes informações e chega-se a um diagnóstico ou conclusões. · 4º Tomam-se as decisões. 2.2. Análise de Participação Segundo Matarazzo (2003), a análise de participação ou análise vertical é um processo comparativo, expresso em porcentagem, que se aplica ao se relacionar uma conta, ou grupo de contas, com um valor afim ou relacionável, identificado no mesmo demonstrativo contábil. Este tipo de análise possibilita a determinação da representação de cada item, conta ou grupo contábil, no total do Ativo, Passivo e Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), mostrando a importância de cada conta em relação à demonstração financeira a que pertence (dentro de um mesmo ano). No caso do Balanço Patrimonial, a base 100% é o total do Ativo e do Passivo. No caso da DRE, a base 100% são as vendas líquidas ou receitas operacionais líquidas. 2.2.1. Análise Vertical do Ativo e do Passivo Basicamente, a análise vertical do Ativo e do Passivo é realizada extraindo-se relacionamentos percentuais entre itens pertencentes à mesma demonstração financeira. A finalidade da análise vertical é dar uma idéia da representatividade de um determinado item ou subgrupo de uma demonstração financeira relativamente a um determinado total ou subtotal tomado como base. Por exemplo, num Balanço Patrimonial, podemos querer verificar quanto o Ativo Circulante representa em relação ao Ativo Total. Basta dividir a cifra representativa do Ativo Circulante pela cifra representativa do Ativo Total, multiplicaro resultado por 100 e colocar o sinal de percentagem. 100 % ´ = AT AC Exemplo (a): Rubricas do Balanço. Ativo Circulante (AC): R$ 101.000,00 Ativo Total (AT): R$ 659.000,00 % participação do Ativo Circulante ( 100 % ´ = AT AC = % 33 , 15 100 000 . 659 000 . 101 = ´ Isso significa que o Ativo Circulante representa 15,33% do Ativo Total. A análise vertical é importante para todas as Demonstrações Financeiras, mas ganha realce especial na Demonstração de Resultado do Exercício, quando poderemos expressar os vários itens componentes da DRE com relação às vendas, brutas ou líquidas, e, dentro das despesas, representar cada uma delas com relação ao total de despesas, e outros relacionamentos interessantes. Exemplo (b): Rubricas do Balanço. ANÁLISE VERTICAL – BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO $ Aplicando a Fórmula AV Disponível 10.000 10.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 2,7% Duplicatas a receber 56.000 56.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 15,1% Estoques 84.000 84.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 22,7% Total do Circulante 150.000 150.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 40,5% Investimentos 120.000 120.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 32,4% Imobilizado 80.000 80.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 21,6% Diferido 20.000 20.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 5,4% Total do Permanente 220.000 220.000 ¸ 370.000 ´ 100 = 59,5% Total do Ativo 370.000 100% Pode-se observar, neste exemplo (b) as participações das rubricas que compõem o Ativo do Balanço Patrimonial. Essa análise tem por objetivo mensurar o quanto em percentual cada rubrica contribui para formação do valor total do Ativo. A análise (se a participação de cada conta esta “ok” ou “não”) depende do que o gestor quer saber em relação ao Balanço. Por exemplo: a conta de estoque está participando com 22,7% na formação do Ativo, mas a participação da conta estoque em outros anos nunca foi superior a 11%. Isso leva o gestor a fazer várias indagações. Uma delas seria: Dobramos o nosso estoque em quantidade ou é o valor de aquisição que aumentou? 2.2.2. Análise Vertical da DRE A análise vertical é importante para todas as Demonstrações Financeiras, mas ganha realce especial na Demonstração de Resultado do Exercício, quando pudermos expressar os vários itens componentes da DRE com relação às vendas, brutas ou liquidas, e, dentro das despesas, representar cada uma delas com relação ao total de despesas, e outros relacionamentos que o gestor achar pertinente. 100 % ´ = VL LO Exemplo (a): Rubricas da DRE. Lucro Operacional (LO): R$ 20.000,00 Receita Operacional Líquida ou Vendas Líquidas (VL): R$100.000,00 % representa a margem de lucratividade operacional = 100 % ´ = VL LO = % 20 100 000 . 100 000 . 20 = ´ Isso significa que esta empresa está trabalhando com uma margem de lucro operacional de 20%. Exemplo (b): Rubricas da D.R.E ANÁLISE VERTICAL – D.R.E. $ AV RECEITA BRUTA VENDAS 605.303 - (-) Impostos e Devoluções (100.884) - RECEITA LÍQUIDA 504.419 100% (-) CMV (386.285) -77% = LUCRO BRUTO 118.134 23% (-) Despesas Operacionais (32.061) -6% + Outras Receitas Oper. 805 0% + Receitas Financeiras 6.219 1% (-) Despesas Financeiras (15.386) -3% = LUCRO OPERACIONAL 77.711 15% + Resultado não Operaci. 1.322 0% = LUCRO ANTES DO I.R. 79.033 16% (-) Imposto de Renda (27.661) -5% = LUCRO LÍQUIDO 51.372 10% Verifica-se, neste exemplo (b), que esta empresa está trabalhando com uma lucratividade Bruta de 23%, representado pela rubrica “lucro bruto” em comparação com a rubrica “receitas líquidas”. Percebemos que a análise vertical na DRE permite verificar as várias “margens”. No exemplo (a) verificamos a margem operacional de 20% de uma determinada empresa. No exemplo (b), verificamos a margem bruta de 23% de outra empresa ou da mesma, porém, em épocas diferentes. Assim sendo, podemos analisar qualquer conta/ rubrica na DRE. Percebemos, como curiosidade, que a rubrica que mais contribuiu para queda do lucro líquido foi a conta “CMV” (Custos das Mercadorias Vendidas) desse modo, a análise serve de alerta para o gestor ter uma atenção especial para as contas que diminuem a lucratividade da empresa. A análise vertical é para um único ano, pois representa a participação de cada conta, elemento ou rubrica do mesmo período em relação ao acumulado daquele ano. 2.2.3. Análise Vertical das Despesas A análise vertical das despesas é somente um desdobramento da DRE, em que o gestor pode visualizar e fazer o acompanhamento com mais facilidade das despesas de cada setor ou conjunto de todas dentro da organização econômica – financeira (empresa). Como exemplo, destacamos as despesas operacionais da DRE acima. Exemplo : Rubricas das DESPESAS ANÁLISE VERTICAL DAS DESPESAS DESPESAS OPERACIONAIS $ AV 386.285 100% Salários 32.061 8,30% Encargos sociais 14.427 3,73% Comissões sobre vendas 28.231 7,31% Pró-labore 96.000 24,85% Vale transporte 2.285 0,6% Alimentação 4.245 1,10% Aluguéis 12.000 3,11% Água, Luz e Telefone 77.257 2,00% Depreciação e amortização 118.239 30,61% Despesas financeiras 1.540 0,4% Verifica-se que, na composição da rubrica “DESPESAS OPERACIONAIS”, o item que mais contribui na formação do valor “$386.285” é a despesa com depreciação e amortização no valor de “$118.239”, representando 30,61%. Por outro lado, a análise vertical e horizontal se complementam. Por exemplo: anteriormente fiz referência à rubrica ESTOQUE: Que está participando com 22,7% na formação do Ativo, mas a participação da conta estoque em outros anos nunca foi superior a 11%. Quando menciono “outros anos” estou fazendo uma nova comparação denominada “evolução”. Assunto que veremos a seguir. 2.3. Análise de Evolução A Análise de evolução ou Horizontal é também a comparação que se faz entre períodos com valores de uma mesma conta ou grupo de contas. É basicamente um processo de transformar valores monetários em índices, permitindo avaliar a evolução da conta ou rubrica no(s) período(s), mostrando a evolução de cada conta nos diversos anos analisados (compara um ano com o outro). A base 100% é sempre o primeiro exercício ou ano. 2.3.1. Análise Horizontal do Ativo e do Passivo Para realizar a análise horizontal, é preciso estar de posse das demonstrações de dois ou mais anos. Dessa forma, será facilmente realizada, estabelecendo o ano inicial da série a ser analisada como índice básico e expressando as cifras relativas aos anos posteriores, com relação ao índice básico 100. Basta fazer a regra de três para encontrar os outros índices. Exemplo (a): Balanço Patrimonial Ano 20XA 20XB 20XC Valores 358.300,00 425.000,00 501.000,00 Calculando do primeiro para o segundo ano: x XB XA Þ Þ 20 100 20 ( EMBED Equation.3 100 000 . 425 300 . 358 ´ = ´ x ( 300 . 358 000 . 500 . 42 = x ( 119 @ Calculando do primeiro para o terceiro ano: x XC XA Þ Þ 20 100 20 ( 100 000 . 501 300 . 358 ´ = ´ x ( 300 . 358 000 . 100 . 50 = x ( 140 @ Assim, comparando os índices na base 100 ano 20XA, o item analisado teve um crescimento de 19% de 20XA para 20XA, e de 40% de 20XB para 20XC. Alguns analistas completam a análise horizontal calculando o crescimento de 20XC em relação a 20XB. Nesse caso, 20XB passa a ser o índice base 100 e 20XC seria expresso pelo índice 118, significando que o item apresentou um crescimento de 18% com relação ao exercício anterior. Vejamos agora outro exemplo: Exemplo (b): ANÁLISE HORIZONTAL DO BALANÇO PATRIMONIAL - PASSIVO PASSIVO 200A 200B 200C AH AH AH Circulante 440.000 100% 516.000 117% 652.000 148% Fornecedores 350.000 100% 400.000 114% 450.000129% Empréstimo Banc. 75.000 100% 98.000 131% 180.000 240% Salários a pagar 15.000 100% 18.000 120% 22.000 147% Exigível a L.P. Financiamentos 210.000 100% 350.000 167% 180.000 86% Patrimônio Líquido 1.158.300 100% 1.165.700 101% 1.178.400 102% Capital Social 1.100.000 100% 1.100.000 100% 1.100.000 100% Lucros Acumul. 58.300 100% 65.700 113% 78.400 134% TOTAL DO PASSIVO 3.406.600 100% 3.713.000 109% 3.840.800 113% Nesta análise horizontal, é possível observar a variação ou evolução das contas inseridas no Balanço Patrimonial. Por exemplo: a conta dos “Fornecedores” aumentou 14% de 200B em relação a 200A e 48% de 200C em relação a 200A. Verifica-se também a involução da rubrica “Financiamentos” que diminuiu de 210.000 em 200A para 180.000 em 200C, representando uma queda de 14%. 2.3.2. Análise Horizontal da DRE A análise horizontal da DRE nos permite verificar entre outras coisas a “evolução” ou “involução” das vendas, lucros, despesas, das margens etc, ou seja, permite ao gestor uma raio x da dinâmica patrimonial. ANÁLISE HORIZONTAL - DRE X1 % X2 % X3 % Venda Líquida 2.000.000 100% 2.240.000 112% 2.400.000 120% (-) CMV (1.400.000) 100% (1.570.000) 112% (1.675.000) 120% = Lucro Bruto 600.000 100% 670.000 112% 725.000 121% (-) Desp. Venda (100.000) 100% (110.000) 110% (118.000) 118% (-) Desp. Adm. (150.000) 100% (160.000) 107% (178.000) 119% (-) Desp. Financ. (80.000) 100% (113.000) 141% (133.000) 166% = Resultado Oper. 270.000 100% 287.000 106% 296.000 110% (-) Imp. Renda (91.800) 100% (97.580) 106% (100.640) 110% = Lucro Líquido 178.200 100% 189.420 106% 195.360 110% Podemos verificar que a venda líquida cresceu 12% ou variou positivamente 12% do ano X1 para o ano X2. Podemos ainda afirmar que a variação do ano X3 em relação ao ano X1 teve um crescimento de 20%. Nessa linha de raciocínio podemos comparar a evolução ou involução de cada rubrica no decorrer dos anos, ou meses caso o analista tenha as informações mensais. 2.3.3. Análise Horizontal de Despesas Podemos observar, na análise horizontal, a variação ou evolução das contas inseridas na Demonstração do Resultado do Exercício. Através da linha do tempo, transformando os valores em percentuais, conseguimos avaliar a variação positiva ou negativa dos elementos que compõem a DRE. Permitindo, assim, ao analista um melhor acompanhamento ao longo do tempo das rubricas, auxiliando-o, quando for o caso, a tomar decisão. Um exemplo: a troca de fornecedores por acompanhar a longo do tempo que a rubrica, “alimentação”, aumentou muito sem nenhum motivo aparente. Contas Valor = $ X1 Valor = $ X2 Valor X3 DESPESAS OPERACIONAIS 386.285 100% 463.542 120% 444.228 115% Salários 32.061 100% 37.832 118% 32.702 102% Encargos sociais 14.427 100% 16.158 112% 14.716 102% Comissões sobre vendas 28.231 100% 32.448 115% 33.313 118% Pró-labore 96.000 100% 96.000 100% 96.000 100% Vale transporte 2.285 100% 2.285 100% 2.354 102% Alimentação 4.245 100% 4.329 102% 4.457 105% Aluguéis 12.000 100% 12.360 103% 12.360 103% Água, Luz e Telefone 77.257 100% 125.155 162% 91.163 118% Depreciação e amortização 118.239 100% 135.975 115% 154.809 131% Despesas financeiras 1.540 100% 1.000 65% 2.354 153% Assim, análise horizontal é quando comparamos valores ou índices de dois ou mais anos. Nossos olhos fixam um sentido horizontal. Verificamos que as contas ou rubricas que compõem o total das despesas operacionais aumentaram em valores absolutos, exceto as “despesas financeiras” que diminuíram do ano X2 em comparação com o ano X1; em valores absolutos de 1.540 para 1.000; conseqüentemente, a variação em percentual caiu em 35%. ( 100% ano1 (-) 65% ano2). A análise horizontal da D.R.E é uma ferramenta de grande importância para o gestor, com um simples olhar na linha do tempo da rubrica, o gestor identificará o aumento ou diminuição das despesas naquele período. Por outro lado, a análise horizontal e a vertical se complementam. Por exemplo: as disponibilidades de certa empresa analisada podem ter aumentado de um ano para outro, em valores absolutos. Entretanto, sua participação percentual sobre o ativo total da empresa, ou mesmo sobre o ativo circulante, pode ter diminuído, no mesmo período. Se o objetivo da empresa é manter disponibilidades num mínimo possível, é preciso tomar cuidado com a análise de seu crescimento. Nesse caso e em outros, as análises horizontal e vertical devem ser utilizadas em conjunto para uma melhor definição antes da tomada de decisão. 3. Teoria na Prática Para praticarmos, faremos um exercício de análise vertical. A demonstração financeira escolhida é a de resultado do exercício; contudo, exigirá os conhecimentos adquiridos nos capítulos de 01 a 04. ESTUDO DE CASO TABELA 01 A empresa VERTICAL LTDA apresentou os seguintes dados no final do ano YY Imposto sobre vendas Brutas 10% Despesas Operacionais Fixas R$30.000,00 Ativo Total R$70.000,00 Vendas Líquidas 6 x ativo total Lucro Bruto( Margem de contribuição) 30% Capital de terceiros (Passivo Exigível) R$30.000,00 Custo Financ. s/ Capital de Terceiros 13% aa Imposto de Renda sobre o Lucro operacional 15% O consultor contratado fez duas projeções das quais uma será escolhida e aplicada no próximo ano. Para orientação do consultor, informaram-lhe: Projeção 01: O Ativo total seria aumentado em 20.000,00 com capital próprio e a margem de lucratividade seria diminuída para 24% e o restante permaneceria o mesmo. Projeção 02: Fariam um empréstimo bancário no valor líquido em conta corrente de R$15.000,00 com a taxa de 13%aa. As vendas passariam de 6 x para 8 x ativo total, a margem de contribuição diminuiria para 22%. As despesas operacionais manter-se-iam as mesmas. Pede-se: complementar a tabela 02 com dados propostos pela tabela 01 na coluna do ano atual. Para complementar a tabela 02 com as projeções e 01 e 02, utilizar também os dados complementares. Em seguida, escolher a melhor opção e justificar. Obs.: todas as projeções serão calculadas com base no ano atual YY. RESPOSTA Se consideramos somente a margem de lucratividade líquida que foram: 18,64% no ano atual YY, 15,06% da projeção 2 e 14,22% projeção 3. Não optaríamos por nenhuma das projeções, ficaríamos com a situação atual que nos dá a maior margem dentre as três. Porém, se observarmos o maior valor em “$”, ficaríamos com a projeção 02, que nos deu uma margem de 14,22%, mas um retorno em $ de 96.687,50, em vez da situação atual que nos dá uma margem de 18,64%, a maior entre as opções, mas um retorno em $ 78.285, o menor dos resultados. 4. Recapitulando Neste capítulo iniciamos nossos estudos sobre Análise de Balanço e aprendemos que, para se efetuar uma análise, da melhor maneira possível, primeiro é necessário efetuar ajustes em algumas contas do balanço. Em seguida, vimos que a análise de participação consiste em verificarmos qual a participação de cada rubrica no total do ativo, passivo e as despesas. Mas essa análise tem como ponto forte a DRE, em que podemos visualizar, com facilidade, as margens de lucratividade que a empresa está trabalhando. Lembre que a análise de participação deve ser sempre feita dentro do próprio ano ou mês. Não podemos esquecer que o nosso parâmetro de comparação do balanço patrimonial é sempre o total do Ativo ou Passivo e na Demonstração do Resultado do Exercício é sempre as Vendas Líquidas ou Receitas Operacionais Líquidas. Nosso olhar fixa-se sempre em linha vertical! Complementandoesta unidade, aprendemos que a análise de evolução permite verificar, na linha do tempo, a(s) variação(ões) ocorridas em cada conta do balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício. Nesse caso, nosso olhar fixa-se sempre em uma linha horizontal. E o nosso parâmetro de comparação será o ano ou o mês pelo qual servirá para nossa referência ou base. 5. Amplie seus Conhecimentos Faça uma boa leitura do livro “Análise de Balanço das Demonstrações Contábeis – Contabilidade Empresarial” – Autor: José Carlos Marion – 2 edição. 2002. Ao visitar o site Concursos com você pode testar seu nível de aprendizagem, resolvendo questões simuladas. E, o melhor, a correção é on line. <http://www.concursos.com.br/provas/analisebalancos.htm> acesso em 21 06 2007. Visite-o agora mesmo, aproveite o momento em que você está com tudo fresquinho e não deixe para depois. http://www.conab.gov.br/conabweb/download/relgestao/relgestao2002/09-Balanco-Patrimonial-4-trimestre.pdf acesso em 21 06 2007. Unidade 6: Análise de Balanço II 1. Nosso Tema Em análise de Balanço II, vamos continuar a trabalhar com índices, que são relações que se estabelecem entre duas grandezas, facilitando sensivelmente o trabalho do analista, pois, neste caso, a visualização de certas relações, ou percentuais, é mais relevante e mais fácil que a observação de montantes ou valores absolutos por si só (MARION, p.36, 2002). A análise de demonstrações financeiras encontra seu ponto mais importante no cálculo e na avaliação do significado de quocientes, relacionando, principalmente, itens e grupos do Balanço e da Demonstração do Resultado. A técnica de análise financeira por quocientes ou índices é um dos mais importantes desenvolvimentos da Contabilidade, pois é muito mais indicado comparar, digamos, o Ativo com o Passivo, por que é mais prático, do que simplesmente analisar cada um dos elementos individualmente, como acontece com a análise horizontal e vertical. O uso dos quocientes ou índices tem como finalidade principal permitir ao analista extrair tendências e compará-los com padrões pré-estabelecidos. Assim, a análise é mais do que retratar o que aconteceu no passado, é fornecer algumas bases para inferir o que poderá acontecer no futuro. Complementando esse raciocínio, a análise por meio de índices oferece uma medida rápida e fácil de medir a liquidez, o endividamento e a rentabilidade da entidade econômica-administrativa. Neste capítulo, apresentaremos a você os índices de liquidez, endividamento e rentabilidade. Pronto para começar? Para Refletir Para que você possa compreender a importância da análise das demonstrações financeiras através dos índices, sugerimos-lhe que reflita sobre as seguintes questões: a) Como avaliar a capacidade da empresa para de saldar as suas dívidas a curto e a longo prazo? b) Qual a relação dos capitais de terceiros em relação aos recursos totais à disposição da entidade econômica - administrativa? c) Qual a estrutura (composição) das dívidas a curto e a longo prazo da empresa? d) Qual a minha visão sobre a empresa após a análise de balanço? E como divulgar essas informações para os usuários da contabilidade? No decorrer desta unidade, em que apresentaremos os principais “índices de análise”, você aprenderá como eles podem ajudar os gestores a perceberem a atual situação da empresa, sob a ótica estrutural e dinâmica de seu patrimônio. 2. Conteúdo Didático 2.1. Índice de Liquidez Os índices desse grupo mostram a base da situação financeira da empresa. São eles que, a partir do confronto dos Ativos Circulantes com as Dívidas, procuram medir quão sólida é a base financeira da empresa. Uma empresa com bons índices de liquidez tem condições de ter boa capacidade de pagar suas dívidas (curto prazo, longo prazo e prazo imediato), mas não estará, obrigatoriamente, pagando suas dívidas em dia devido a outras variáveis, como prazo, renovação de dívidas etc. Ex.: Os índices de liquidez existentes são: Índice de Liquidez Imediata, Índice de Liquidez Geral, Índice de Liquidez Corrente e, finalmente, Índice de Liquidez Seco. Todos eles nos possibilita verificar a capacidade da empresa em saldar suas dívidas. Nos próximos tópicos, estudaremos cada um mais detalhadamente. Os índices de liquidez são: Liquidez Geral : LG Liquidez Corrente: LC Liquidez Seca: LS Liquidez Imediata: LI 2.1.1. Liquidez Geral (LG) e Liquidez Corrente (LC) O resultado da Liquidez Geral mostra a relação dos recursos alocados no Ativo Circulante e Longo Prazo diante dos compromissos assumidos com terceiros. Vejamos como se encontra o índice de liquidez geral. LG = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo Indica: O resultado encontrado nesta divisão demonstra o quanto a empresa teria em moeda corrente, se transformasse todo o seu ativo circulante mais o realizável a longo prazo em dinheiro, para quitar cada $1,00 de dívida total que a empresa possui. Interpretação: quanto maior o LG, melhor para a empresa. Exemplo: Situação da Cia BIG: 20X1 20X2 Ativo Circulante 1.960.480 2.269.171 Passivo Circulante 1.340.957 1.406.077 Exigível a Longo Prazo 314.360 1.170.788 Calculando a Liquidez Geral Liquidez Geral ano 20X1: 360 . 314 957 . 340 . 1 480 . 960 . 1 + = 317 . 655 . 1 480 . 960 . 1 = 1,18 Liquidez Geral ano 20X2: = + 788 . 170 . 1 077 . 406 . 1 171 . 269 . 2 865 . 576 . 2 171 . 269 . 2 = 0,88 E o que podemos concluir com os resultados que acabamos de encontrar? O índice de Liquidez Geral de 20X1, igual a 1,18, indica que para cada $1,00 da dívida total, a empresa tem $1,18 de investimentos realizáveis a curto prazo, ou seja, consegue pagar todas as suas dívidas e, ainda, dispõe de uma folga, excedente ou margem, de 18% (ou de $0,18 para cada $1,00 de dívida). Concluindo: O índice de 1,18 de 20X1 significa que a empresa poderia pagar suas dívidas totais, mesmo aquelas de longo prazo, com os recursos que possui hoje no Ativo Circulante, e ainda haveria uma sobra de 18%. Essa sobra representa uma espécie de reserva ou margem de segurança. Conclui-se, nesse caso, que a empresa está satisfatoriamente estruturada do ponto de vista financeiro. O índice de 0,88 obtido em 20X2 revela que a empresa não conseguiria pagar, naquela data, a totalidade de suas dívidas. A primeira conclusão é que a empresa não apresenta a mesma situação do ano anterior, pois agora em vez de margem de segurança, existe ineficiência de $0,12 para cada $1,00 de dívida. Portanto, ela deverá gerar recursos para pagar suas dívidas, uma vez que os atuais recursos circulantes são insuficientes. Outra leitura desses índices é multiplicarmos os resultados encontrados – 1,18 e 0,88 – por 100. Nesse caso, a leitura do resultado seria: no ano de 20X1, pagaríamos 100% das dívidas totais e sobraria 18% dos recebíveis a curto. No ano 20X2, só conseguiríamos quitar 88% da nossa dívida totais com os nossos recebíveis a curto prazo. Já o Índice de Liquidez Corrente, relaciona de quantos reais dispomos imediatamente disponíveis, e conversíveis em dinheiro, no curto prazo, com relação às dividas, também de curto prazo. O índice de liquidez corrente é muito divulgado e, freqüentemente, considerado como o melhor indicador da situação de liquidez da empresa. Mas por que ele é o melhor? Porque esse índice demonstra a capacidade da empresa em liquidar as suas dívidas em menor tempo que o índice de liquidez geral. Vale lembrar que, no numerador, estão incluídos itens diversos como: disponibilidades, valores a receber a curto prazo, estoques. No denominador estão incluídas as dívidas e obrigações vencíveis a curto prazo. Portanto, esse índice demonstra a capacidade da empresa em transformar os direitos em dinheiro e quitar suas obrigações no espaço de tempo menor que o índice de liquidez geral. Vamos aprender como encontrar o LC? Observe a fórmula abaixo:LC = Ativo Circulante Passivo Circulante Nesse caso, o LC indica quanto a empresa possui no Ativo Circulante para cada $1,00 de Passivo Circulante. Interpretação: Quanto maior, melhor. Exemplo: Situação da Cia BIG: 20X1 20X2 Ativo Circulante 1.960.480 2.269.171 Passivo Circulante 1.340.957 1.406.077 Liquidez Corrente: 46 , 1 957 . 340 . 1 480 . 960 . 1 = 61 , 1 077 . 406 . 1 171 . 269 . 2 = Nos cálculos de 20X1 e 20X2, o Ativo Circulante é maior que o Passivo Circulante. Isso significa que os investimentos no Ativo Circulante são suficientes para cobrir as dívidas de curto prazo, e ainda permitir uma folga de 46% e 61%, respectivamente, em 20X1 e 20X2. Mas o que podemos concluir com esses valores? Que quando a Liquidez Corrente é superior a 1 o excesso em relação ao 1, deve-se à existência do Capital Circulante Líquido – CCL = AC (-) PC. Matematicamente, o que ultrapassa de 1, no índice de liquidez, deve-se ao Capital Circulante Líquido. O índice de Liquidez Corrente significa que há recursos no Ativo Circulante superior às dívidas junto a terceiros com uma proporção de $1,46 para $1,00. Os recursos do Ativo Circulante entrarão em caixa, num momento diferente da saída para pagamento do Passivo Circulante. O ideal é que as entradas em caixa sejam equivalentes às saídas; por isso, cabe à administração financeira da empresa atingir cotidianamente esse ideal, manobrando os prazos de recebimento e pagamento, e renovando os empréstimos bancários. Vejamos um exemplo: Se para cada $1,00 de dívida há recursos de $1,46, a margem de folga para manobras é razoável. Se para cada $1,00 de dívida há somente recursos de $1,05, a margem torna-se muito estreita e a administração pode ter sérias dificuldades em atingir o seu intento de equilibrar as entradas e saídas de caixa. Concluímos, então, que o índice de Liquidez Corrente significa: Margem de folga para manobras de prazos, visando equilibrar as entradas e saídas de caixa. Quanto maior forem os recursos, maior será essa margem, a segurança da empresa e melhor a situação financeira. Contudo, se consideramos o índice de liquidez corrente pela perspectiva de um acionista, um alto índice de liquidez corrente poderia significar que a empresa tem grande quantidade de dinheiro preso em ativos NÃO produtivos, tais como caixa em excesso, aplicações financeiras ou em estoques (BRIGHAM et al, 2001). 2.1.2. Liquidez Seca (LS) e Liquidez Imediata (LI) A Líquidez Seca é um teste de força aplicado à empresa. Sua finalidade é medir o grau de excelência da sua situação financeira. É calculado deduzindo os estoques dos ativos circulantes, e depois dividindo o restante pelos passivos circulantes. Os estoques são, tipicamente, o menos líquido dos ativos circulantes de uma empresa e, portanto, aqueles nos quais os prejuízos têm mais probabilidade de ocorrer na hipótese de uma liquidação. (Brigman et al 2001). Portanto, é importante saber qual é a capacidade da empresa em pagar suas obrigações de curto prazo sem recorrer à venda de seus estoques. Vejamos como encontrar o LS: LS = Ativo Circulante - Estoques Passivo Circulante Indica: quanto a empresa possui de Ativo Líquido para cada $1,00 de Passivo Circulante. Interpretação: quanto maior, melhor. Exemplo: Situação da Cia BIG: 20X1 20X2 Ativo Circulante 1.960.480 2.269.171 Estoques 751.206 1.039.435 Passivo Circulante 1.340.957 1.406.077 Liquidez Seca: 90 , 0 957 . 340 . 1 274 . 209 . 1 = 87 , 0 077 . 406 . 1 736 . 229 . 1 = Em 20X1, a Cia BIG conseguia pagar 90% de suas dívidas somente com o Disponível e as Duplicatas a Receber, ou seja, a empresa consegue quitar 90% de suas dívidas sem precisar liquidar (vender) seus estoques. Independentemente de padrões, pode-se afirmar que a empresa BIG tem boa performance. Uma empresa que consegue quitar 90% do total das suas dívidas a curto prazo e que a necessidade de vender o seu estoque está em situação muito favorável perante o mercado financeiro. Já em 20X2, registra-se quase o mesmo desempenho. O índice de Liquidez Seca está dentro da normalidade, não melhorando nem piorando o conceito de situação econômico financeiro dado pelo índice de Liquidez Corrente do ano anterior. Para que você possa compreender melhor esse índice, vale lembrar que o Ativo Circulante da empresa compreende investimentos de riscos diferentes. Basicamente, são três: Assim sendo, nem sempre um índice de liquidez seca baixo é sintoma de situação financeira apertada. Veja, por exemplo, um supermercado, afirma Marion 2002, cujo investimento em estoques é elevado, em que não há duplicatas a receber (pois só vende à vista). Nesse caso, o índice de liquidez seca só pode ser baixo. No entanto, para afirmar que o índice seja baixo, com riscos para a empresa, é necessário comparar com outras empresas do mesmo segmento. O Índice de Liquidez Imediata visa indicar o quanto a empresa mantém disponível em caixa, confrontando com as exigibilidades. LI = Disponibilidades Passivo Circulante 20X1 20X2 Ativo Circulante 163.634 107.224 Passivo Circulante 1.340.957 1.406.077 Liquidez Imediata: 12 , 0 957 . 340 . 1 634 . 163 = 08 , 0 077 . 406 . 1 224 . 107 = Em 20X1, a Cia Big conseguiria pagar 12% de suas dívidas somente com o disponível. Em 20X2, conseguiria pagar 8%. Vale lembrar que a composição da rubrica “disponibilidades” é caixa, bancos e aplicações financeiras em curto prazo. Nem sempre reduções sucessivas, nesse índice, representam situações constrangedoras. Podem significar uma política mais rígida de disponível e, até mesmo, uma redução do limite de segurança, ou ainda, uma política em reinvestimentos, que beneficia investidores e acionistas. Contudo, constantes atrasos nos pagamentos das obrigações com terceiros são um indicador relevante de dificuldades financeiras. 2.2. Índices de Endividamento Os índices desse grupo mostram as grandes linhas de decisões financeiras, em termos de obtenção e aplicação de recursos. Esses quocientes relacionam as várias fontes de fundos entre si, procurando retratar a posição do capital próprio e comparando-a ao capital de terceiros. Esses índices são quocientes de muita importância, pois indicam a relação de dependência da empresa com capital de terceiros. A seguir, veremos os principais índices que nos remetem a uma idéia de endividamento, tais como: participação de capitais de terceiros, composição do endividamento e endividamento total. 2.2.1. Participação de Capitais de Terceiros Mostra qual o nível de participação dos capitais de terceiros em relação ao capital dos sócios que foram captados pela empresa. Ele permite avaliar as decisões sobre a captação de recursos que a empresa tomou, pois quanto menor for essa relação, menor será o grau de vulnerabilidade da empresa. PCT = Capitais de Terceiros Patrimônio Líquido Indica: quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $1,00 de capital próprio investido. Interpretação: quanto menor, melhor. Exemplo: Situação da Cia BIG: 20X1 20X2 Capitais de Terceiros 1.653.317 2.576.865 Patrimônio Líquido 1.070.861 1.407.185 Índice de Participação de Capitais de Terceiros Esses índices mostram qu,e em 20X1, para cada $ 1,00 de capital próprio (Patrimônio Líquido), a empresa tomou $ 1,54 de Capitais de Terceiros e que, em 20X2, para cada $ 1,00 próprios, tomou $ 1,83 emprestados. O índice de participação de capitais de terceiros é um indicador de risco ou dependência a terceiros por parte da empresa. Também pode ser chamado de índice de Grau de Endividamento. O índice de participação de capitais de terceiros, também chamadode índice de Grau de Endividamento, é um indicador de risco ou dependência a terceiros por parte da empresa. Do ponto de vista financeiro, quanto maior a relação de Capitais de Terceiros/Patrimônio Líquido, menor a liberdade de decisões financeiras da empresa ou maior a dependência a Terceiros. Em se tratando da obtenção de lucro, pode ser vantajoso para a empresa trabalhar com Capitais de Terceiros, se a remuneração paga a eles for menor que o lucro conseguido com a sua aplicação nos negócios. Portanto, sempre que se aborda o Índice de Participação de Capitais de Terceiros, é realizada a análise do ponto de vista financeiro, ou seja, do risco de insolvência, e não em relação ao lucro ou prejuízo. Grande parte das empresas que vão à falência apresenta, durante um período relativamente longo, altos quocientes de Capitais de terceiros/capitais próprios. Isso não significa que uma empresa com um alto quociente, necessariamente, irá à falência mas todas, ou quase todas as empresas que vão à falência apresentam esse sintoma. Daí o cuidado que deve ser tomado com relação à projeção de captação de recursos quando vislumbramos uma necessidade ou uma oportunidade de expansão. 2.2.2. Composição do Endividamento Neste subitem vamos entender melhor qual é a composição da dívida, o que isso quer dizer? Vejamos: se você deve $1.000, quanto desse valor você terá que desembolsar no curto prazo e quanto restará para você quitar a longo prazo. Essa proporção do possível desembolso a curto e longo prazo que a fórmula seguinte demonstra. CE = Passivo Circulante Capitais de Terceiros Indica: qual o percentual de obrigações de curto prazo em relação às obrigações totais. Interpretação: quanto menor, melhor. Exemplo: Situação da Cia BIG: 20X1 20X2 Capitais de Terceiros 1.340.957 1.406.077 Patrimônio Líquido 1.653.317 2.576.865 Índice de composição do Endividamento Tais índices indicam que em 20X1, a empresa tinha para cada 1,00 do total da dívida, 0,81 vence a curto prazo. Em 20X2, essa relação cai. Para cada 1,00 do exigível total, 0,54 vence a curto prazo. Podemos fazer uma nova leitura dos índices se multiplicarmos por 100. Assim, 81% das dívidas vencíveis a curto prazo, em 20X1, caiu para 54% em 20X2, melhorando o perfil da dívida, porque quando se fala em dívidas quanto maior o prazo para liquidar, mais fôlego financeiro a empresa tem. No ano 20X2, verifica-se que, do total das dívidas, somente 54% vence a curto prazo, diferentemente de 20X1 quando esse percentual aproximou dos 100%, representando quase a totalidade da dívida vencendo a curto prazo. Quanto maior for esse percentual, pressupõe-se que maior será a dificuldade financeira em administrar essa empresa. 2.2.3. Endividamento Total Participação de Capitais de Terceiros em relação aos Recursos Totais. ET = Capitais de Terceiros Passivo total Obs.: Capitais de Terceiros é igual ao Exigível Total, ambos compostos por: Passivo Circulante + Passivo Exigível a Longo Prazo. O Endividamento Total expressa a porcentagem que os capitais de terceiros representam sobre os fundos totais, ou os recursos totais à disposição da empresa. Também significa qual a porcentagem (parte) do ativo total está financiado com os recursos de terceiros. Exemplo: Situação da Cia BIG: 20X1 20X2 Capitais de Terceiros 1.653.317 2.576.865 Patrimônio Líquido 1.070.861 1.407.185 Total do Passivo 2.724.178 3.984.050 Índice de Endividamento Total 61 , 0 178 . 724 . 2 317 . 653 . 1 = 65 , 0 865 . 576 . 2 077 . 406 . 1 = Interpretação: quanto menor, melhor. Tais índices indicam que, em 20X1, para cada 1,00 dos recursos totais que a empresa tem à sua disposição, 0,61 pertence a terceiros. Em 20X2, essa relação aumenta. Para cada 1,00 dos recursos totais a sua disposição, 0,65 está representado por capitais de terceiros. Podemos fazer uma nova leitura dos índices se multiplicarmos por 100. Assim, 61% dos recursos totais à disposição da empresa em 20X1 são compostos por capitais de terceiros e o restante, ou seja, 39% são compostos por capitais próprios. A mesma análise pode ser feita em 20X2, dos 100% dos recursos totais à disposição da empresa, 65% são compostos por capitais de terceiros e 35% capitais próprios. Isso quer dizer que, na composição do capital total disponível na empresa, 65% pertence a terceiros, e 35% são próprios da empresa. Ou seja, se a empresa entrar em processo de falência nessa condição, ao transformar todo o seu patrimônio em dinheiro, terá que desembolsar 65% dessa quantia em pagamento para fornecedores, impostos, salários a pagar e outras obrigações com terceiros. Os 35% restante será devolvido aos proprietários da empresa. Daí a condição de 65% do total dos recursos disponível da empresa pertencer a terceiros e 35% ser capital próprio. 2.3. Índice de Rentabilidade Os índices desse grupo mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos, bem como a lucratividade, quantos renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da empresa. Os principais índices de rentabilidade a serem estudados são: Giro do Estoque, também conhecido como rotatividade do Ativo; Lucratividade do Ativo; Rentabilidade do Patrimônio Líquido; Margem Líquida. 2.3.1. Giro do Ativo (Rotatividade) e Lucratividade do Ativo GIRO DO ATIVO (Rotatividade) – Revela a eficiência de vendas em relação ao investimento total, ou o giro que a empresa tem em sua atividade. As aplicações de todo o dinheiro colocado na empresa está localizado no Ativo, ali representados por: dinheiro no Caixa e nos Bancos, nos Estoques, nos Direitos a receber de terceiros, nas Máquinas, Veículos etc. O retorno de todo o dinheiro aplicado no Ativo será através das vendas e, conseqüentemente, dos lucros obtidos por elas. Assim sendo, quanto mais a empresa vender com lucro mais rápido será o retorno. Daí o índice, Giro do Ativo, que demonstra para cada $1,00 de todo o dinheiro aplicado no Ativo, o quanto as vendas estão contribuindo para o retorno desse investimento total da empresa. Rotatividade = Vendas Líquidas Ativo Total Indica: Quanto a empresa vendeu para cada $1,00 de investimento total. Interpretação: Quanto maior, melhor. O sucesso de uma empresa depende, em primeiro lugar, de um volume de vendas adequado. Esse volume tem relação direta com o montante de investimentos. Exemplo: Cia BIG 20X1 20X2 Vendas 4.793.123 4.425.866 Ativo 2.726.178 3.984.050 Total do Passivo 2.724.178 3.984.050 Giro do Ativo: 76 , 1 178 . 726 . 2 123 . 793 . 4 = 11 , 1 050 . 984 . 3 866 . 425 . 4 = A empresa vendeu, em 20X1, $1,76 para cada $1,00 investido: O volume de vendas atingiu 1,76 vezes o volume de investimentos. Em 20X2, houve queda acentuada do volume relativo de vendas: Para cada $1,00 investido, a empresa vendeu $1,11. O desempenho comercial da empresa pode ter sido afetado por diferentes causas em 20X2. Vejamos algumas possíveis: Retração do mercado como um todo O mercado passou a comprar menos produtos, diminuindo as vendas de todas as empresas do ramo. Perda da participação de mercado A empresa perdeu mercado para outros concorrentes que sabem vender melhor ou têm produtos mais competitivos. Estratégia da empresa A empresa aumenta seus preços; dispõe-se a vender menos, mas com margem de lucro maior, compensando a queda das vendas. A vantagem dessa medida, quando bem-sucedida, é manter ou aumentar o lucro, com muito menor volume e, portanto, menor risco. LUCRATIVIDADE DO ATIVO – Esse índice mostra o quanto a empresa obteve de Lucro Líquido em relação ao Ativo. É uma medida da capacidade da empresa em gerar lucro líquido, e assim poder capitalizar-se. Vejamos como encontrar a lucratividade do ativo: Lucratividade do Ativo = Lucro Líquido X 100Ativo Total Indica: Quanto a empresa obtém de lucro para cada $1,00 de investimento total. Interpretação: Quanto maior, melhor. Exemplo: Cia BIG 20X1 20X2 Lucro Líquido 223.741 167.116 Ativo 2.726.178 3.984.050 Total do Passivo 2.724.178 3.984.050 Lucratividade do Ativo % 20 , 8 178 . 726 . 2 741 . 223 = % 19 , 4 050 . 984 . 3 116 . 167 = Para cada $1,00 investido, a empresa ganhou $8,20 em 20X1 e $4,19 em 20X2. Vimos então, que houve queda na lucratividade do Ativo de um ano para o outro. Em resumo, a empresa teve acentuada queda simultânea do volume de vendas e da lucratividade do Ativo, reduzindo seu poder de capitalização. 2.3.2. Rentabilidade do Patrimônio Líquido O papel do índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido é mostrar qual a taxa de rendimento do Capital Próprio. Essa taxa pode ser comparada com a de outros rendimentos alternativos no mercado, (caderneta de poupança, CDBs, Ações, Aluguéis, Fundos de Investimentos, etc). Com isso, é possível avaliar se a empresa oferece rentabilidade superior ou inferior a essas opções. Rentabilidade do PL = Lucro Líquido X 100 Patr. Líquido Médio Obs.: Para se encontrar o Patrimônio Líquido Médio = PL inicial + PL final e divide-se por 2. Indica: Quanto a empresa obteve de lucro para cada $1,00 de Capital Próprio investido. Interpretação: Quanto maior, melhor. Exemplo: Cia BIG 20X1 20X2 Lucro Líquido 223.741 167.116 Pat. Líquido Inicial 821.827 1.070.861 Pat. Líquido Final 1.070.861 1.407.185 Pat. Líquido Médio 946.344 1.239.023 Rentabilidade do Pat. Líquido % 64 , 23 344 . 946 741 . 223 = % 48 , 13 023 . 234 . 1 116 . 167 = Para cada $1,00 de Capital Próprio investido, a empresa conseguiu $23,64. Outra leitura seria que a empresa BIG está trabalhando com uma rentabilidade de 23,64% ao ano. Uma vez que todos os valores utilizados nos exemplos foram retirados do balanço patrimonial anual. Normalmente, espera-se das empresas uma rentabilidade superior à dos títulos de renda fixa, porque possuir o investimento na empresa representa capital de risco, ou seja, nada garante sua rentabilidade, que poderá ser inclusive negativa. 2.3.3. Margem Líquida Mostra a eficiência da empresa na administração dos seus custos para obter uma maior margem líquida sobre as vendas. Quanto maior o índice, maior será a capacidade de gerar recursos para atender as expectativas de investidores e credores, além de gerar recursos adicionais para ampliação de sua capacidade produtiva. Lucratividade = Lucro Líquido x 100 Vendas Líquidas Obs.: O valor das vendas líquidas é encontrado na DRE como Receitas Operacionais Líquidas. Indica: Quanto a empresa obtém de lucro para cada $1,00 vendido. Interpretação: Quanto maior, melhor. Exemplo: Cia BIG 20X1 20X2 Vendas Líquidas 4.793.123 4.425.866 Lucro Líquido 223.741 167.116 Margem Líquida % 66 , 4 123 . 793 . 4 741 . 223 = % 77 , 3 866 . 425 . 4 116 . 167 = Para cada $1,00 vendido, a empresa obteve $4,66 de lucro em 20X1 e $3,77 em 20X2. Houve queda no volume de vendas e, neste exemplo, por coincidência, houve também queda na margem de lucro. Por isso, nem sempre a queda nas vendas implica queda nos lucros. Margem (bruta, operacional, líquida, etc) representa a eficiência de despesas em relação às vendas, pois quanto menores as despesas maior será a margem de lucro. Conceitos Importantes: Ativo Circulante = Capital de Giro Ativo Operacional = Ativo Circulante – Disponível Passivo Operacional = Passivo Circulante – Empréstimos Bancários de Curto Prazo CCL (Capital de Giro Líquido ou Capital Circulante Líquido) = Ativo Circulante – Passivo Circulante O capital circulante líquido poderá ser encontrado também utilizando outros elementos do balanço. Considerando a fórmula: CL = (PL + ELP) – (AP +RLP) Onde: CCL = Capital Circulante Líquido PL = Patrimônio Líquido ELP = Exigível a Longo Prazo AP = Ativo Permanente RLP = Realizável a Longo Prazo NCG (Necessidade de Capital de Giro) = Ativo Operacional > Passivo Operacional CCP (Capital Circulante Próprio) = Valor do Patrimônio Líquido que excede o valor do Ativo Permanente que, conseqüentemente, irá para o Capital de Giro da empresa. Outra leitura: O capital circulante próprio nos remete a idéia de quanto em valores absolutos a empresa está trabalhando com capital próprio, para encontrarmos o capital circulante próprio basta utilizarmos a fórmula: CCP = PL – (AP + RLP). Onde: PL = Patrimônio Líquido; AP = Ativo Permanente; RLP = Realizável a Longo Prazo. 2.4. Relatório de análise Analisar as Demonstrações Financeiras é fundamental para qualquer pessoa que deseja administrar ou investir de forma sólida e lucrativa. Sendo assim, é preciso saber como examinar e comparar balanços de empresas dos diversos segmentos para selecionar o investimento que satisfaz suas expectativas. Depois de calcular os indicadores de liquidez, endividamento, rotação, rentabilidade, solvência etc., eles devem ser comparados com empresas do mesmo segmento utilizando uma ferramenta denominada benchmarking. Sabia mais sobre benchmarking acessando: http://pt.wikipedia.org/wiki/Benchmarking - acessado em 11/09/2007. Segundo Iudícibus (1998, p. 127), “a interpretação dos indicadores é um dos aspectos básicos da análise de balanços. Para o autor, através da apreciação conjunta dos índices, pode-se formar uma opinião de conjunto, mais do que um “veredicto”. O equilíbrio e a ponderação devem ser as características dominantes do analista. Para a análise conjunta dos indicadores e a elaboração de um Relatório de Análise adequado, são aconselhados alguns procedimentos: · Antes mesmo de iniciar a análise dos demonstrativos contábeis, conheça melhor a empresa que pretende analisar; segmento de mercado, tipo de cliente, fornecedores, concorrentes, se existem operações típicas de financiamento, etc.; · Colecione todos os quocientes calculados e faça análise: a) Individual: anote sua avaliação de cada quociente individualmente. Compare com o quociente análogo médio do setor; b) Por grupos: faça uma análise isolada: 1. Da liquidez; 2. Do endividamento (estrutura de capital); 3. Da rentabilidade; 4. De outros quocientes de interesse. c) Coloque todos os principais quocientes numa folha de trabalho. Compare atentamente a situação de liquidez, de endividamento, os quocientes de atividades e a posição de rentabilidade; d) Teste tais observações e conclusões com as informações sobre as práticas operacionais e financeiras; e) Faça uma revisão final em suas conclusões. Elabore uma recomendação ao gestor. · Faça um Relatório de Análise final com os resultados e observações encontradas. Para melhor ilustrar suas conclusões, faça gráficos com os resultados, comparando sua evolução através dos anos ou em tabelas para observação mais global. 3. Teoria na Prática 1) Faça as análises, Vertical e Horizontal do Balanço Patrimonial e DRE da Cia Alterosa abaixo. CIA ALTEROSA LTDA - BALANÇO PATRIMONIAL (já reclassificado) ATIVO 31/12/X1 AV % AH % 31/12/X2 AV % AH % Circulante Disponível 57.475 7,42 100,00 55.198 5,13 96,04 Duplicatas a rec. 229.089 29,56 100,00 204.881 19,05 89,43 Estoques 262.500 33,87 100,00 439.275 40,85 167,34 Total do Circulante 549.064 70,85 100,00 699.354 65,02 127,37 Realizável a L.P. 25.005 3,23 100,00 26.271 2,44 105,06 Permanente Investimentos 50.585 6,53 100,00 30.378 2,82 60,05 Imobilizado 141.852 18,30 100,00 290.302 26,99 204,65 Diferido 8.515 1,10 100,00 29.161 2,71 342,47 Total do Perman. 200.95225,93 100,00 349.841 32,53 174,09 TOTAL DO ATIVO 775.021 100,00 100,00 1.075.466 100,00 138,77 PASSIVO 31/12/X1 AV % AH % 31/12/X2 AV % AH % Circulante Fornecedores 44.010 5,68 100,00 58.709 5,46 133,40 Inst. Financ. a pagar 188.379 24,31 100,00 272.152 25,31 144,47 Provisão para IR 6.248 0,81 100,00 33.126 3,08 530,19 Dividendos a pagar 55.264 7,13 100,00 79.832 7,42 144,45 Outras contas a pagar 28.160 3,63 100,00 73.811 6,86 262,11 Total do Circulante 322.061 41,56 100,00 517.630 48,13 160,72 Exigível a L.P. Financiamentos 33.461 4,32 100,00 2.906 0,3 8,68 Contas a pagar 2.120 0,00 100,00 1.818 0,2 85,75 Total do Exigível a L.P. 35.581 4,59 100,00 4.724 0,4 13,28 Patrimônio Líquido Capital Social 228.360 29,47 100,00 304.480 28,31 133,33 Reserva de capital 14.549 1,88 100,00 18.763 1,74 128,96 Reservas diversas 174.470 22,51 100,00 229.869 21,37 131,75 Total do P.L. 417.379 53,85 100,00 553.112 51,43 132,52 TOTAL DO PASSIVO 775.021 100,00 100,00 1.075.466 100,00 138,77 DEMONSTRAÇÃODO RESULTADO DO EXERCÍCIO – CIA ALTEROSA LTDA 31/12/X1 AV % AH % 31/12/X2 AV % AH % Receita Bruta Oper. 2.154.307 //////////////// 100,00 3.587.129 ////////////// 166,51 (-) Deduções (330.200) /////////////// 100,00 (420.600) ////////////// 127,38 = Vendas Líquidas 1.824.107 100,00 100,00 3.166.529 100,00 173,59 (-) CMV (1.336.125) (73,25) 100,00 (2.345.843) 74,08 175,57 = Lucro Bruto 487.982 26,75 100,00 820.686 25,92 168,18 Despesas Operacionais /////////////// /////////////// De Vendas (305.407) (16,74) 100,00 (483.705) (14,96) 158,38 Administrativas (77.445) (4,25) 100,00 (113.245) (3.58) 146,23 Depreciação (1.081) 0,00 100,00 (2.368) 0,00 219,06 Lucro Operacional 104.049 5,70 100,00 221.368 6,99 212,75 Receitas não operac. 41.507 2,28 100,00 8.832 0,28 21,28 Resultado da Corr. Monet. (8.393) (0,50) 100,00 (11.176) (0,35) 133,16 Provisão para IR (21.369) (1,17) 100,00 (33.862) (1,07) 158,46 Lucro Líquido 115.794 6,35 100,00 185.162 5,85 159,91 2) Com base no Bal. Patrimonial e DRE da Cia Alterosa calcule os seguintes índices ( X2): a) Liquidez Geral = 1,39 b) Liquidez Corrente = 1,35 c) Liquidez Seca = 0,50 d) Liquidez Imediata = 0,11 3) Com base no Bal. Patrimonial e DRE da Cia Alterosa calcule os seguintes índices (X2): a) Participação de Capital de Terceiros = 0,49 b) Composição do Endividamento = (0,99 curto prazo) e (0,01 longo prazo) 4) Com base no Bal. Patrimonial e DRE da Cia Alterosa calcule os seguintes índices (X2): a) Giro do Ativo = 2,94 b) Margem Líquida = 5,85% c) Lucratividade do Ativo = 17,22% d) Rentabilidade do PL = 38,16% 4. Recapitulando Nesta unidade, estudamos a análise de balanço II, em que aprendemos analisar o Balanço e a DRE sob o ponto de vista de lucratividade e rentabilidade do negócio gerado pela empresa. Aprendemos verificar a capacidade da empresa em saldar as suas dívidas a curto e a longo prazo, bem como a composição da dívida, ou seja, quanto por cento das dívidas totais vencem a curto e a longo prazo. A rentabilidade e a lucratividade dão uma visão para o gestor de como anda a dinâmica da sua empresa, podendo inferir a capacidade de venda, administração das despesas, lucratividade bruta, operacional e líquida. Complementando as informações, aprendemos que a análise de rentabilidade permite comparar a lucratividade que a empresa está gerando em relação à concorrência e ao mercado financeiro. Aprendemos que cada índice tem a sua função para ajudar a explicar o resultado encontrado. Cada setor poderá utilizar isoladamente cada índice para encontrar respostas e auxiliar o gestor na tomada de decisão dentro do seu setor. Vimos que o mais importante em análise de balanço é o bom senso, visão holística, globalizada e, ao mesmo tempo, analítica e objetiva. Ao analisar dados da empresa (analíticos), nunca esqueça que a empresa está inserida num contexto global. 5. Amplie seus Conhecimentos Faça uma boa leitura nos livros: IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de Balanço. São Paulo: Editora Atlas, 1989. MATARAZZO, Dante. Administração Financeira. São Paulo: Editora Atlas, 1989. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Editora Atlas, 1989. Visite os sites abaixo. http://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1lise_cont%C3%A1bil acesso em 11/08/2007 http://www.snea.com.br/relatorios/analise_balanco.html acesso em 11/08/2007 http://www.concursos.com.br/provas/analisebalancos.htm> acesso em 21/06/2007. http://www.conab.gov.br/conabweb/download/relgestao/relgestao2002/09-Balanco-Patrimonial-4-trimestre.pdf acesso em 21 06 2007. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Curso Básico de Contabilidade. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. BRIGMAN, Eugene F.; GAPENSKI, Louis C.; EHRHARDT, Michael C. Administração Financeira – Teoria e Prática. Tradução: Alexandre Loureiro Guimarães Alcântara, José Nicolas Albuja Salazar. 1ª. ed. São Paulo: Atlas, 2001. EQUIPE DE PROFESSORES DA USP. Contabilidade Introdutória. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1996. FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 22. ed. São Paulo: Atlas, 1992. IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu, ERNESTO, Rubens Gelbcke. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000. MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis – Contabilidade Empresarial. 2ª. ed. São Paulo: Atlas, 2002. _________________. Contabilidade Básica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1998. MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços – Abordagem Básica e Gerencial. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. NAGATSUKA, Divane A. da Silva, TELES, Egberto Lucena. Manual de Contabilidade Introdutória. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. PADOVESE, Clóvis Luís. Análise das Demonstrações Financeiras. São Paulo: Thomson, 2004. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica. São Paulo: Saraiva, 2005. SALAZAR, José Nicolas Albuja. Contabilidade Financeira. São Paulo: Thomson, 2004. (-) Imposto de Renda (13.815) 95.700 17,72% 113.750 16,73% (76%) (530.400) 78% (3,29%) (14.355) (2,65%) (17.062,50) (2,51%) =Lucro Líquido do Exercício = Lucro Operacional 92.100 21,93% 78.285 18,64% 81.345 15,06% 96.687,50 14,22% (-) Impostos sobre vendas (46.666,67) (11,11) (60.000,00) (11,11) (75.555,56) (11,11) = Lucro Buto 126.000 30% 129.600 24% 149.600 22% (-) Desp. Operacionais (30.000) (7,14%) (30.000) (5,56%) (30.000) (4,11) (-) Desp Financeiras (3.900) (0,93%) (3.900) (5.850) (0,72%) (0,86%) Avalia o movimento do patrimônio, ou seja, as relações e as conseqüências das atividades da empresa (financeira – capacidade de pagamento / capital de giro), (econômica – capacidade de produzir riquezas). Análise de Balanço Estrutural Comportamental Avalia o patrimônio em seu aspecto estático, ou seja, a relação entre origens e aplicações de recursos, seja em um determinado período (vertical) ou em mais de um período (horizontal). Recursos de origem externa ou Recursos Terceiros Recursos de origem interna ou Recursos Próprios Fato “h”: a empresa Minas Brasil S/A efetuou o pagamento deuma duplicata no valor de $200, em dinheiro, tendo pago, também, $20 de juros pelo atraso. Pagou, portanto, $220. Misto Diminutivo Fato “g”: os Móveis e Utensílios, que custaram $700, foram vendidos, à vista, por $750. Misto Aumentativo Fato “f”: a empresa Minas Brasil S/A recebe a importância de $200, em dinheiro, proveniente de receitas de aluguéis de imóveis. Aumentativo Fato “e”: a empresa Minas Brasil S/A efetuou o pagamento, em dinheiro, de uma duplicata no valor de $500. Diminutivo Fato “d” (diminutivo): a empresa Minas Brasil S/A efetuou o pagamento, em dinheiro, de uma duplicata no valor de $500. Permutação entre elementos do Ativo e do Passivo Fato “c” (aumentativo): compra de Móveis e Utensílios a prazo, por $700. Permutação entre elementos do Ativo e do Passivo Fato “b”: na conta Salários a pagar, no valor de $300, registrada no Passivo, representando o valor líquido dos salários que a empresa tem a pagar a seus empregados, está contida a importância de $30, correspondente ao Imposto de Renda. Permutação entre elementos do Passivo Permutação entre elementos do Ativo Fato “a”: recebimento da importância de $500, em dinheiro, referente a uma duplicata. Patrimônio Líquido: obrigações da empresa para com os sócios. Capital Próprio Passivo Circulante: obrigações de curto prazo com terceiros. Passível Exigível a Longo Prazo: obrigações de longo prazo com terceiros. Capital de Terceiros Despesa Receita Passivo Ativo Resultado Patrimoniais Contas (410.400) (70%) (294.000) (-) CMV 100,00 680.000 100,00 540.000 100,00 420.000 = Vendas Líquidas 111,11 755.555,56 111,11 600.000,00 111,11 466.666,67 Vendas Brutas % VALOR % VALOR % VALOR PROJEÇÃO 02 PROJEÇÃO 01 ANO ATUAL YY ITENS Disponível Há risco de desfalque de dinheiro em caixa ou de desvio de conta corrente bancária. É risco que depende só da empresa. Duplicatas a receber O risco está na possibilidade de o cliente não pagar. É, portanto, um risco maior, por depender da capacidade de pagamento de terceiros. É risco que depende só da empresa. Estoques Correm risco de roubo, obsoletismo, deterioração e tornam-se difíceis de serem vendidos, de não se converterem em dinheiro, e com isso, não servirem para pagamento de dívidas. É um risco que depende da empresa, do mercado e da conjuntura econômica. É risco que depende só da empresa. � EMBED Equation.3 ��� � EMBED Equation.3 ��� � EMBED Equation.3 ��� � EMBED Equation.3 ��� Unidade de Educação a Distância | Newton Paiva 3 | P á g i n a _1245844526.unknown _1248609836.unknown _1248611322.unknown _1248611609.unknown _1248611983.unknown _1248612552.unknown _1248612565.unknown _1248612026.unknown _1248611645.unknown _1248611355.unknown _1248610825.unknown _1248611023.unknown _1248610310.unknown _1248610630.unknown _1248610632.unknown _1248610513.unknown _1248609936.unknown _1248608534.unknown _1248608971.unknown _1248608995.unknown _1248608941.unknown _1245844721.unknown _1245844870.unknown _1245844619.unknown _1244450611.unknown _1244461128.unknown _1244461508.unknown _1244461554.unknown _1244461306.unknown _1244460989.unknown _1244461117.unknown _1244460981.unknown _1244449858.unknown _1244449884.unknown _1244450292.unknown _1244449882.unknown _1244449287.unknown _1244449828.unknown _1244449214.unknown