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Universidade Federal do Pampa - Campus Bagé
Apostila
Química Orgânica
Prof. Udo Sinks
2007
Química Orgânica
Prof. Udo Sinks 2
Literatura
• T.W.GRAHAM SOLOMONS, CRAIG FRYHLE,
“QUÍMICA ORGÂNICA - VOL. 1”, 8a EDIÇÃO, LTC, 2005, ISBN: 8521614497
“QUÍMICA ORGÂNICA - VOL. 2”, 8a EDIÇÃO, LTC, 2006, ISBN: 8521614519K.
• PETER C. VOLLHARDT, NEIL E. SCHORE,
“QUÍMICA ORGÂNICA: ESTRUTURA E FUNÇÃO”, 4a EDIÇÃO, BOOKMAN, PORTO
ALEGRE, 2004, ISBN: 8536304138;
• JOHN MCMURRY,
“QUÍMICA ORGÂNICA: COMBO”, 6a EDIÇÃO, THOMSON LEARNING, 2004, ISBN:
8522104298
ou
"QUÍMICA ORGÂNICA 1 - Tradução da 6a. Edição Norte-Americana", THOMSON LEARNING,
2004, ISBN: 8522104158
"QUÍMICA ORGÂNICA 2 - Tradução da 6a. Edição Norte-Americana", THOMSON LEARNING,
2004, ISBN: 8522104697
• PAULA YURKANIS BRUICE,
“QUÍMICA ORGÂNICA - VOL. 1”, 4a EDIÇÃO, PRENTICE HALL, 2006, ISBN: 8576050048
“QUÍMICA ORGÂNICA - VOL. 2”, 4a EDIÇÃO, PRENTICE HALL, 2006, ISBN: 8576050684
Química Orgânica
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1. Introdução
1.1. O que é Química Orgânica?
• Como seu corpo funciona?
• Por que seus músculos estavam doendo,
depois do ultimo jogo de futebol?
• O que acontece com a gasolina no motor do
carro?
• Qual é o princípio ativo na aspirina que
tomou por causa da dor de cabeça?
• Por que nós estamos com dor de cabeça?
• Qual é a origem do cheiro do alho?
• Como funciona um indicador sensitivo ao
pH?
• Como os sinais são transmitidos nos
nervos?
•
Química é o estudo da estrutura das moléculas
e das regras que governam suas interações.
Química se relaciona com biologia, física e
matemática.
O que é, porém, a Química Orgânica?
O que a distingue de outras disciplinas
químicas?
Físico-Química, Química Inorgânica, ou
Bioquímica;
A Química Orgânica é a química do carbono e
seus compostos. (=moléculas orgânicas)
Moléculas orgânicas são as unidades
químicas fundamentais da vida:
Proteínas, gorduras, ácidos nucléicos,
carboidratos.
N
H
NH2
OHO
OH
O
O
O
N
N
N
N
O O
OHHO
H
HO
HO
1.2. Vitalismo
1780 Distinguir entre compostos inorgânicos e compostos orgânicos
organismos vivos → compostos orgânicos
fontes não vivos → compostos inorgânicos
Para a síntese de um composto orgânico será necessária a intervenção de uma "força
vital".
Tal síntese poderia apenas ocorrer num organismo vivo e não num laboratório químico.
1816 Isolamento de ácidos graxos por Michel Chevreul
1828 – 1850
Síntese de vários compostos orgânicos a base de compostos inorgânicos
1828 Friedrich Wöhler descobriu
que uréia poderia ser
produzida por aquecimento de
cianeto de amônio.
→ Vitalismo desaparece dos círculos
científicos
NH4
+NCO-
calor
H2N
C
NH2
O
uréiacianato de amônio
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1.3. Fórmula Mínima e Molecular
1784 Antoine Lavoisier: compostos orgânicos constituídos basicamente de carbono, hidrogênio e
oxigênio (C, H, O);
1811 – 1831
Métodos quantitativos para determinar a composição de compostos orgânicos:
Justus Liebig, J.J. Berzelius, e J.B.A. Dumas.
1860 Stanislaw Cannizarro: distingui entre fórmula mínimas e formula molecular
Baseando na hipótese de Amadeo Avogadro (1811):
→ moléculas com a mesma fórmula mínima (→ por análise quantitativa) tem peso
molecular diferente.
→ Diferentes números de átomos
→ Diferentes fórmulas moleculares
ciclopentano eteno cicloexano
H
H
H
H
H
H
H
H
H
H
H
H H
H
HH
H
H
H
H
H H
H
H
H
H
fórmula mínima C1H2 C1H2 C1H2
peso molecular 70,08 g/mol 28,05 g/mol 84,16 g/mol
fórmula molecular C5H10 C2H4 C6H12
1.4. Teoria Estrutural da Química Orgânica
1858 – 1861
August Kekulé, Archibal Scott, Alexander M. Butlerov:
desenvolvimento da teoria estrutural:
1. Átomos de compostos orgânicos podem formar um número fixo de ligações:
carbono tetravalente C
divalente
S ou
S
oxigênio divalente
O ou
O
enxofre
tetravalente
S
hidrogênio monovalente H nitrogênio trivalente
N
ou
N
ou
N
cloro monovalente Cl trivalente
P
bromo monovalente Br
fosfóro
pentavalente P
iodo monovalente I
flúor monovalente F
selênio divalente
Se ou
Se
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2. Átomos de carbono podem usar uma ou mais de suas valências para formar
ligações com outros átomos de carbono e os demais átomos em compostos
orgânicos:
ligação simples C C
Ligação dupla C C
Ligação tripla C C
1.5. Isômeros
• Existem moléculas com a mesma fórmula molecular e mesmo peso molecular, mas
propriedades físicas diferentes (ponto de fusão, ponto de ebulição).
• A teoria estrutural ajuda a resolver o problema, pois esclarece que compostos com a mesmo
fórmula molecular podem ter estruturas diferentes.
Definição de Isômeros:
Compostos com estruturas diferentes que tem a mesma fórmula molecular são chamados
de isômeros.
Exemplo:
Nome Álcool etílico
(etanol) Éter dimetílico
fórmula molecular C2H6O C2H6O
estrutura C
H
H
H
C
H
H
O
H
C
H
H
H
O C
H
H
H
ponto de ebulição 78,5 °C -24,9 °C
ponto de fusão - 117,3 °C - 138 °C
1.6. Geometria do carbono
1874 Fórmulas estruturais 2D → 3D
J.H. van't Hoff, J.A. LeBel
Proposta: as quatro ligações do átomo de carbono de metano são arranjadas que elas
apontaram no sentido dos vértices de um tetraedro regular com o carbono no seu centro
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1.7. Ligações Químicas: A Regra do Octeto
1916 G.N. Lewis, W. Kössel
Regra de Octeto:
• Átomos formam ligações para obter configuração de um gás nobre (tal configuração de
um gás nobre é mais estável)
• Para a maioria dos átomos na química orgânica: 8 elétrons na camada de valência
• Átomos perto do Hêlio: 2 elétrons na camada de valência
• Para satisfazer a regra do octeto dois tipos de ligações químicas principais na Química
Orgânica:
ligação iônica e ligação covalente
1.7.1. Ligação iônica
Ligações iônicas se formam em reações de átomos com eletronegatividade bem diferentes.
Eletronegatividade:
É a medida da habilidade de um átomo em atrair elétrons
H
2,1
Li
1,0
Be
1,6
F
4,0O
3,5N
3,0C
2,5B
2,0
Na
0,9
Mg
1,2
Cl
3,0S
2,5P
2,1
Si
1,8
Al
1,5
K
0,8
Ca
1,0
Br
2,8
I
2,5
Valores de EN para os
elementos dos grupos
principais da tabela
periódica
Transferência de um ou mais elétrons de um átomo para o outro para criar íons:
Li + F →→→→ Li+ + F-
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1.7.2. Ligação covalente
• Átomos de mesma eletronegatividade ("vizinhos" na tabela periódica) formam ligações
covalentes;
• Átomos atingem configuração de um gás nobre através do emparelhamento de elétrons;
• Ligações covalentes entre átomos se formam → produtos: moléculas;
• Representação de moléculas por fórmulas de ponto (estruturas de Lewis) ou fórmulas de
traços (mais conveniente);
H2
Cl2
CH4
H H H H HH ou
Cl Cl Cl Cl ClCl ou
C H
+
+
+ C
H
HH
H
ou H C H
H
H
• Ligações múltiplas podem se formar:
N2 N NN N ou
C C
H
H
H
H
• Íons podem conter ligações covalentes:
N
H
H
H
HN
H
H
H
H ouNH4
1.8. Escrevendo Fórmulas Lewis ou Kekulé
1.8.1. Estruturas de Lewis:
Átomo grupo
número de
elétrons de
valência
Carbono 4A 4
Hidrogênio 1A 1
Oxigênio 6A 6
Nitrogênio 5A 5
Enxofre 6A 6
Selênio 6A 6
Fósforo 5A 5
Cloro 7A 7
• Monta se a molécula ou o íon a partir dos
átomos constituintes mostrando elétrons de
valência;
• Número de elétrons de um átomo →→→→ tabela
periódica →→→→ numero de elétrons = número
do grupo do átomo
• Íons: adicionam-se elétrons para fornecer a
carga apropriada.
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Problema Resolvido
Escreve a estrutura Lewis de CH3Cl.
Resposta
Número total de elétrons de valência:
1 C Grupo 4A → 4 elétrons de valência 4
1 Cl 7A → 7 7
3 H 1A → 1 3
total 14
H
CH Cl
H
H
CH Cl
H
1. Pares deelétrons para formar ligações.
(8 elétrons, restam 6)
2. Adicionar os elétrons restantes em pares
(contagem: 14 elétrons de valência)
Problema Resolvido
Escreve a estrutura Lewis do íon carbonato: CO3
2-:
Resposta
Número total de elétrons de valência:
1 C Grupo 4A → 4 elétrons de valência 4
3 O 6A → 6 18
2 e– 2
total 24
C
O
O
O
C
O
O
O
1. Pares de elétrons para formar ligações.
(6 elétrons; restam 18)
2. Adicionar os elétrons restantes em pares
3. se necessário: ligações duplas para
satisfazer a regra do octeto.
4. determinar cargas formais.
(contagem: 24 elétrons de valência)
1.9. Exceções à regra do octeto
• Elementos do segundo período da tabela periódica:
1 orbital 2s e 3 orbitais 2p
→ Max. 8 elétrons
→ 4 ligações
→ regra do octeto
Exceções: boro e berílio → menos do que oito elétrons são possíveis
• Elementos do terceiro período:
1 orbital 3s, 3 orbitais 3p, 5 orbitais 3d
→ 18 elétrons
→ regra do octeto não é mais válida (exceções)
exemplos: PCl5 e SF6
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Cl
PCl
Cl
ClCl
S
F
F
F
F
F
F
• Moléculas ou íons altamente reativos têm átomos com menos de oito elétrons em suas
camadas de valência:
exemplo: BF3
B F
F
F
• Deve-se saber como os átomos estão ligados entre si!
Exemplo: ácido nítrico
→ HNO3
→ Hidrogênio está ligado a o oxigênio e não ao nitrogênio como sugerido pela fórmula
molecular
→ Estrutura: HONO2 (não HNO3)
N
+
O
-
O
OH não
N
+
H
O
OO
-
1.10. Carga Formal
• Carga formal: carga (positiva ou negativa) localizada num átomo;
• Soma total de todas as cargas formais é igual à carga total na molécula / no íon;
• calculo da carga formal:
neutro atomo elétronsmolécula valência eletrons nnformal aargC −=
Elétrons nas ligações são divididos entre os átomos que os compartilham
Pares não compartilhados são atribuídos aos átomos às quais pertencem
Exemplos
íon amônio (NH4
+)
elétrons de valência no átomo livre = 1
subtrair os elétrons atribuídos = -1
Hidrogênio
carga formal = 0
elétrons de valência no átomo livre = 5
subtrair os elétrons atribuídos = -4
N
H
HH
H
Nitrogênio
carga formal = +1
carga do íon 4(0) + 1 = +1
íon nitrato (NO3
-) íon carbonato (CO3
2-)
N
O
O O
carga formal = 6 - 7 = -1
carga formal = 5 - 4 = +1
carga formal = 6 - 7 = -1
carga formal = 6 - 6 = 0
C
O
O O
carga formal = 6 - 7 = -1
carga formal = 4 - 4 = 0
carga formal = 6 - 7 = -1
carga formal = 6 - 6 = 0
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1.10.1. Resumo Carga Formal
Grupo Carga Formal
+1
Carga Formal
0
Carga Formal
-1
3A B
B
4A C C C
C C C
C C C
5A N N N
N N N
N N
6A O O
O O
O
7A X
X
X
1.11. Ressonância
• Problema: Estruturas Lewis → Localização artificial de elétrons
O
C
O
O O
C
O O O
C
O
O
1 2 3
• Exemplo Carbonato: 3 estruturas diferentes mas equivalentes
• Características:
1o: cada átomo - configuração de gás nobre
2o: converter uma estrutura para a outra apenas trocando as posições dos elétrons
O
C
O
O O
C
O O O
C
O
O
1 2 3
Estudos de raios X:
− Todas as ligações C-O do íon carbonato têm o mesmo comprimento: 1,28 Å
− Ligações C-O: mais curtas do que ligações C-O simples (1,43 Å)
− Ligações C-O: mais compridas do que ligações C=O duplas (1,20 Å)
⇒ Nenhuma da estruturas acima está correta.
Teoria de ressonância:
Sempre que uma molécula / um íon puder ser representado por duas ou mais estruturas de Lewis
que diferem apenas nas posições dos elétrons:
1. Nenhuma das estruturas (estruturas de ressonância ou contribuintes de ressonância) será uma
representação correta para a molécula / o íon.
2. Representação da molécula por um híbrido (média) dessas estruturas.
3. As estruturas de ressonância não são estruturas para a molécula / o íon real; existem apenas
no papel / no computador.
O
C
O
O O
C
O O O
C
O
O
1 2 3
≡≡≡≡
O
C
O
O
2
3 –
2
3 –
2
3 –
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1.11.1. Resumo das Regras de Ressonância
1. As estruturas de ressonância existem apenas no papel;
2. Ao escrever as estruturas de ressonância só nos é permitido mover elétrons;
3. Todas as estruturas devem ser estruturas de Lewis apropriadas;
C O
H
H
H
H
C O
H
H
H
H
4. A energia da molécula real é mais baixa do que a energia que pode ser prevista para qualquer
estrutura contribuinte;
5. Estruturas de Ressonância equivalentes contribuem igualmente para o híbrido e um sistema
descrito por elas tem uma energia de estabilização grande;
½ +½ +
6. Quanto mais estável uma estrutura (quando analisada isoladamente), maior é a contribuição
para o híbrido;
a) Quanto mais ligações covalentes uma estrutura tem, mais estável ela é;
H
H
H
H
H
H
H
H
H
H
H
H
b) As estruturas nas quais todos os átomos têm um nível de valência de elétrons completo
(gás nobre) são especialmente estáveis e contribuem muito para o híbrido;
H
C
H
O
H H
C
H
O
H
c) A separação de cargas diminui a estabilidade
H
H H
Br H
H H
Br
d) Os contribuintes de ressonância com carga negativa em átomos altamente eletronegativos
são mais estáveis do que aqueles com carga negativa em átomos menos eletronegativos.
1.12. Mecânica Quântica
Schroedinger descreve a movimentação de elétrons em termos que levam em consideração a
natureza ondulatória do elétron.
Ψ=Ψ EH V
xm
H +−=
2
2
d
d
2
h
EnergiaE =
→ equação de onda (só para o átomo de hidrogênio)
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• soluções destas equações → funções de onda Ψ
• cada função de onda Ψ corresponde a um estado diferente para o elétron
Uma equação de onde é uma ferramenta para calcular duas propriedades importantes:
a) Energia associada com o estado do elétron
b) Probabilidade relativa de um elétron ocupar lugares específicos
ΨΨΨΨ
2 expressa um espaco tridimensional
ΨΨΨΨ
2 (x,y,z) = probalidade = 0 – 1
orbital descreve o volume do espaco em volta do núcleo onde o elétron tem maior
probalidade de ser encontrado (90-95 %).
Se ΨΨΨΨ2 (x,y,z) > 0,9 → lugar (x,y,z) no espaço pertence a um orbital
1.13. Orbitais Atômicos
Gráficos de ΨΨΨΨ2 em três dimensões geram as formas dos familiares orbitais atômicos (OAs): s, p,
(d, f), os quais usamos como modelos para estrutura atômica.
Somente os orbitais s e p são importantes na química orgânica.
s esferas 2s: superfície nodal (Ψ = 0)
p duas esferas quase se
tocando
− Um lóbulo (ou esfera): sinal de Ψ positivo
− Outro lóbulo : sinal de Ψ negativo
− Plano nodal (Ψ = 0) separe os dois lóbulos (esferas)
− Três orbitais p estão arranjados no espaço de tal forma
que seus eixos são mutuamente perpendiculares
IMPORTANTE:
• Sinal da função de onda ≠ carga elétrica
• (-) ou (+) não implicam probabilidade de encontrar elétrons
• Ψ2 (probabilidade) é sempre positivo.
• (-) ou (+) se torna importante: combinação de orbitais atômicos para orbitais moleculares
(formação de ligações covalentes)
• Todos os orbitais podem acomodar dois elétrons
• Quanto maior o número de nós, maior a energia do orbital.
• Energia de elétrons nos orbitais: 1s < 2s < 2p
• Os elétrons nos três orbitais 2p têm energia igual: orbitais de energia igual são chamados
orbitais degenerados.
• Configuração eletrônica de qualquer átomo nos primeiros períodos da tabela periódica:
E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
Boro 1s22s22p1
E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
Carbono 1s22s22p2
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E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
Nitrogênio 1s22s22p3
E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
Oxigênio 1s22s22p4
E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
Flúor 1s22s22p5
E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
Neônio 1s22s22p6
Regras aplicadas (Química Geral):
Princípio da edificação: Os orbitais são preenchidos de forma que aqueles de mais baixa energia
são preenchidos primeiramente.
Princípio da exclusão de Pauli: Um máximo dedois elétrons pode ser colocado em cada orbital,
mas apenas quando os spins dos elétrons são emparelhados.
Regra de Hund: Orbitais degenerados (mesma energia): adiciona-se um elétron em cada com
spins desemparelhado até que cada orbital contenha um elétron. Depois se adiciona um segundo
elétron a cada orbital degenerado de forma que os spins estejam emparelhados.
1.14. Orbitais Moleculares
• Orbitais atômicos (OAs) se combinam para tornaram-se orbitais moleculares (OMs);
• Números de OMs é sempre igual ao número de OAs: OAs podem ser combinados pela adição
ou pela subtração;
1.14.1. Adição
OM ligante: orbital
molecular ligante
Ψ
• Superposição de orbitais atômicos de mesmo sinal de fase
• Reforço da função de onda na região entre os dois núcleos
• Ψ é maior → Ψ2 é maior
• Aumento da densidade de probabilidade eletrônica na região entre os núcleos
• Força atrativa do núcleo pelos elétrons compensa a força repulsiva dos dois núcleos
• "Cola" que mantém os átomos unidos
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1.14.2. Subtração
OM antiligante: orbital
molecular antiligante
Ψ*
• Superposição de orbitais atômicos de sinal de fase opostos
• Funções de onda interferem um a com a outra
• Nó entre os dois núcleos é produzido
• Ψ=0 e nos regiões próximos Ψ é pequeno → Ψ2 é muito pequeno
• Os elétrons "evitam" a região entre os dois núcleos
• Força atrativa entre os núcleos e os elétrons é pequena
• Forças repulsivas (entre os elétrons e entre os núcleos) são maiores
1.14.3. Diagrama de energia:
Os elétrons são colocados nos orbitais moleculares da mesma forma que eles foram colocados nos
orbitais atômicos.
• Combinação de dois orbitais atômicos Ψ1s fornece dois orbitais Ψmolec e Ψ
*
molec.
• Energia (Ψmolec) < Energia (Ψ
*
molec)
E
n
er
g
ia
Ψ1s Ψ1s
Ψmolec (ligante)
Ψ∗molec (antiligante)
• No estado fundamental o Ψmolec contem os dois elétrons (estado eletrônico mais baixo ou
estado fundamental)
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1.15. Estrutura de Metano e Etano
1.15.1. Hibridização sp3
• O modelo dos orbitais s e p não
fornece um modelo satisfatório
para o carbono tetravalente
• Solução: Hibridização dos
orbitais – combinação de funções
de ondas
• Se um orbital 2s e três orbitais 2p
são misturados (= hibridizados)
quatro novos orbitais hibridos são
obtidos:
− sp3 = uma parte s e três
partes p
− Os quatros orbitais sp3 devem
ser orientados com ângulos
de 109,5° entre si
Hibridização sp3 fornece uma
estrutura tetraédrica para o metano e
com quatro ligações C-H equivalentes
E
n
er
g
ia
1s
2s
2p
1s
2sp3
hibridização
Orbital sp3 resulta de uma
combinação de um orbital s
com três orbitais p
⇒ Caráter de um orbital p
1.15.2. Formação de ligações sigma σσσσ
O lóbulo positivo do orbital sp3 se superpõe com um orbital 1s do hidrogênio para formar o orbital
ligante de uma ligação C–H. Uma vez que a sobreposição é muito grande a ligação é muito forte.
A ligação formada é chamada ligação sigma (σσσσ). Ligação σ é um termo usado em geral para
ligações esfericamente simétricas na seção transversal quando vista ao longo do eixo de ligação.
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Todas as ligações simples puras são ligações σ.
1.15.3. Metano
1.15.4. Etano
A ligação C–C do etano é formada por dois orbitais sp3
(dos carbonos) sobrepostos.
As ligações C–H são formadas da mesma maneira que
no metano.
A molécula é tetraédrica (cf. metano)
• Ligações σσσσ: simetria cilíndrica ao longo do eixo da
ligação
• rotação de grupos ligados por uma ligação σ (=
ligação simples) não requer muita energia
⇒ Rotação relativamente livre
1.16. Estrutura de Eteno: Hibridização sp2
Quando dois átomos de carbono compartilham dois
pares de elétrons o resultado é uma ligação dupla:
alcenos
• No eteno a única ligação carbono-carbono é uma
ligação dupla.
• Arranjo espacial é diferente daquele dos alcanos
(metano, etano, p.ex.).
• Átomos:
− Coplanares;
− Cada átomo de carbono é triangular
− Ângulo de ligação ≈120°
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• Modelo:
− Três ligações sigma formados por orbitais sp2 do carbono
− Mistura (hibridização) de um orbital 2s e dois orbitais 2p
− Um orbital 2p é deixado sem hibridizar:
− Orbitais sp2 resultando estão dirigidos na direção dos vértices de um triangulo regular
(ângulo de 120°)
− Orbital 2p não hibridizado é perpendicular ao plano formado pelos orbitais sp2.
− Superposição de dois orbitais sp2 de cada carbono forma a ligação σ C–C;
− Orbitais sp2 restantes do carbono formam ligações σ com os 4 átomos de hidrogênio;
− Orbitais p de cada carbono formam uma ligação π por superposição lateral;
• diferença entre ligações σ (sigma) e ligações π (pi):
σσσσ (sigma) ππππ (pi)
simetria cilíndrica
ao redor de uma linha conectando os dois
núcleos
plano nodal
passando através dos núcleos ligados
• se dois orbitais interagem: combinação ligante e antiligante:
distribuição de elétrons numa
ligação dupla
− superposição de orbitais de sinal semelhante: orbital ligante ππππ
− superposição de orbitais de sinal diferente: orbital antiligante ππππ*
• orbital π ligante (no estado fundamental da molécula):
− é mais baixo em energia do que o π*
− contém ambos os elétrons π
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− no estado excitado (absorção de luz etc.): um dos elétrons e promovido para o orbital ππππ*
1.16.1. Rotação restrita
Existe uma grande barreira de energia para a
rotação associada com os grupos unidos por
uma ligação dupla.:
Erot (C=C) = 264 kJmol
-1.
Erot (C–C) = 13-26 kJmol
-1
• Superposição máxima: eixos dos orbitais p
paralelos.
• Rodando uma ligação por 90°: quebra da
ligação
1.16.2. Isomerismo cis-trans
A rotação restrita da ligação π provoca um tipo de isomerismo: isomerismo cis-trans.
• Igual: conectividade dos átomos de cada um composto
• Diferente: arranjo dos átomos no espaço
� Estereoisômeros
1.17. Estrutura de Etino: Hibridização sp
• Hidrocarbonetos com dois átomos de carbono que compartilham três pares de elétrons: alcinos
• Carbono em alcinos: hibridização sp
• Orbital p + orbital s = 2 orbitais sp
2 orbitais sp: orientados em um ângulo de 180°;
• 2 orbitais 2p (não hibridizados): perpendicular ao eixo que passa através do centro de dois
orbitais sp;
Isômeros: Compostos diferentes com a mesma fórmula molécular.
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1.17.1. Formação da ligação tripla
Dois átomos de carbono superpõem dois orbitais sp:
• ligação σσσσ (sigma) carbono-carbono
Dois orbitais sp restantes se superpõem com orbitais s do hidrogênio:
• ligação σσσσ (sigma) carbono-hidrogênio
Dois orbitais p em cada carbono se superpõem:
• duas ligações ππππ (pi) carbono-carbono
ligação σ + 2 ligações π = ligação tripla carbono-carbono
1.18. Comparação do comprimento de ligação de Etino, Eteno e Etano
Ligações carbono-carbono estão mais fortes quando existem mais ligações:
C≡C < C=C < C–C
Ligações carbono-hidrogênios
H–C≡ < H–C= < H–C–
1.19. Geometria Molecular: O Modelo de Repulsão do Par de Elétrons
no Nível de Valência
Teoria da repulsão do par de elétrons no nível de valência
1. Consideramos moléculas (ou íons) nas quais o átomo central está ligado covalentemente a
dois ou mais átomos ou grupos
2. Consideramos todos os pares de elétrons de valência do átomo central – tanto aqueles que
são compartilhados nas ligações covalentes (pares ligantespares ligantespares ligantespares ligantes), quanto aqueles que não
estão compartilhados (elétrons nãoelétrons nãoelétrons nãoelétrons não----ligaligaligaligantesntesntesntes ou pares nãonãonãonão----compartilhadoscompartilhadoscompartilhadoscompartilhados)
3. Uma vez que os pares de elétrons se repelem, os pares de elétrons do nível de
valência tendem a ficar o mais afastado possível. A repulsãoentre pares não-
ligantes geralmente é maior do entre pares ligantes.
4. Chegamos na geometria da molécula considerando todos os pares de elétrons,
ligantes e não -ligantes, mas descrevemos a forma da molécula ou íon, levando
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em consideração as posições dos núcleos (ou átomos) e não através das
posições dos pares de elétrons.
1.19.1. Metano
Quatro pares de elétrons
⇒ Orientação tetraédrica permita que
quatro pares de elétrons tenham a
separação máxima possível
1.19.2. Amônia
Três pares de elétrons ligantes
um par não-ligante
⇒ Arranjo tetraédrico dos pares de
elétrons
⇒ Arranjo piramidal trigonal dos quatro
átomos
1.19.3. Água
Dois pares de elétrons ligantes
Dois pares não-ligantes
⇒ Arranjo tetraédrico dos pares de
elétrons
⇒ Arranjo angular dos três átomos
1.19.4. Trifluoreto de Boro
Três pares de elétrons ligantes
Separação máxima: elétrons ocupando
os vértices de um triângulo eqüilátero
⇒ Geometria trigonal plana
1.19.5. Hidreto de Berílio
Dois pares de elétrons ligantes
⇒ Geometria linear
ângulo H–B–H = 180°
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1.19.6. Dióxido de Carbono
Ligações múltiplasções múltiplasções múltiplasções múltiplas: todos elétrons de
uma ligação múltipla atuam como se
eles fossem uma unidade única
Os quatro elétrons de cada ligação dupla
agem como uma unidade única e estão
separados ao máximo um do outro.
⇒ Geometria linear
ângulo de ligação O=C=O = 180°
1.19.7. Geometrias das Moléculas e Íons pela Teoria RPENV
Número de pares de Elétrons no
Átomo central
Ligantes Não–ligantes Total
Estado de Hibridização
do Átomo central
Geometria da
Molécula ou Íon Exemplo
2 0 2 sp Linear BeH2
3 0 3 sp2 Trigonal plana BF3, CH3
+
4 0 4 sp3 Tetraédrica CH4, NH4
+
3 1 4 ~ sp3 Pirâmide trigonal NH3
2 2 4 ~ sp3 Angular H2O
1.20. Representação das Fórmulas estruturais
Fórmulas estruturais para o álcool propílico
H C C C O H
H
H
H
H
H
H
modelo de bola e palita Fórmula de traços
CH3CH2CH2OH
OH
Fórmula condensada Fórmula de linha de ligação
Fórmulas estruturais para o éter dimetílico
Estrutura de pontos Fórmula de traços Fórmula condensada
1.20.1. Fórmulas Estruturais de Traços
• Cada traço = um par de elétrons
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• Átomos ligados por ligações simples podem rodar relativamente livremente uns em relação aos
outros.
⇒ Fórmulas equivalentes de álcool propílico
C
C
C
O
H H
HH
H
H
H
H
C
C
C
O
H
H
HH
H
H
H
H
C
C
C
O
H
H
H
H
H
H
H
H
Isômeros constitucionais
• Modelos de traço mostram a
conectividade dos átomos
H C C C O H
H
H
H
H
H
H
H C C C H
H
H
O
H
H
H
H
Álcool propílico Álcool isopropílico
1.20.2. Fórmulas Estruturais Condensadas
Fórmulas condensadas:
• Átomos de hidrogênio ligados a carbonos são escritos imediatamente depois do carbono
H C C C C H
H
H
Br
H
H
H H
H
CH3CHCH2CH3
Br
CH3CHBrCH2CH3
Fórmula de traço Fórmulas condensadas
Fórmulas parcialmente condensadas:
• Átomos de hidrogênio ligados a carbonos são escritos imediatamente depois do carbono
• Algumas outras ligações podem ser escritas
H C C C H
H
H
O
H
H
H
H
CH3CHCH3
OH
CH3CHOHCH3
CH3CH(OH)CH3 (CH3)2CHOH
ou
Fórmula de traço Fórmulas condensadas
1.20.3. Moléculas Cíclicas
H2C
H2C
CH2
C
C
C
H
H
H
H
H
H
Fórmulas para um alcano cíclico: ciclopropano
Lembramos que Isômeros constitucionais têm
diferentes conectividades e conseqüentemente,
devem ter diferentes fórmulas estruturais.
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H2C
H2C
C
H2
CH2
CH2
H2
C
C
C
C
C
C
C
HH
H
H
H
H
H H
H
H
H
H
Fórmulas para um alcano cíclico: cicloexano
1.20.4. Fórmulas de Linhas de Ligação
Químicos orgânicos preferem utilizar fórmulas de linhas de ligação – uma fórmula muito
simplificada:
• Mostra-se apenas o esqueleto de carbono
• Supomos que o número de hidrogênios necessários para preencher as valências do carbono
está presente, mas não os escrevemos;
• Outros átomos (p.ex. O, Cl, N etc) são escritos na fórmula;
• Cada interseção de duas ou mais linhas e a ponta de um alinha representa um átomo de
carbono, a menos que um outro átomo esteja escrito nela.
H C C C C H
H
H
Cl
H
H
H H
H
CH3CHCH2CH3
Cl
= =
Cl
H C C C C H
H
H
C
H
H
H H
H
CH3CHCH2CH3
CH3
= =
H HH
H C N C C H
H
H
C H
H H
H
= = N
H HH
CH3NCH2CH3
CH3
Fórmula de traços Fórmulas
condensadas
Fórmula de linhas de ligação
• Ligações múltiplas são indicadas nas fórmulas de linha:
H3C
C
CH3
H
C
C
H2
CH3
=
OH
=C
H
C
C
H2
OH
CH3
H2
C
C
H2
H
C
C
CH3
H3C
1.20.5. Fórmulas Tridimensionais
• Quase todos os compostos orgânicos possuem uma estrutura tridimensional.
• Para escrever fórmulas tridimensionais:
− ligações no plano do papel:
− ligações para fora do plano do papel:
− ligações para dentro do papel:
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• Representação de um átomo tetraédrico:
− Duas ligações no plano com ângulo de aproximadamente 109°
− Ligações de cunha
H
C
H H
H
H
C
HH
H ou
C
C
H
H
H
H
H
H
CC
H
HH H
H H
ou
metano etano
H
C
H Br
H
H
C
BrH
H ou
H
C
H H
Brou
H
C
Br H
Hou
bromometano
• Representação de um átomo trigonal plano:
− Todas ligações no plano do papel
− Ângulo 120°
• Representação de um átomo linear:
− Todas as ligações no papel
H
B
H H
H3C CH3