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IBET
MÓDULO: CONTROLE DA INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA
SEMINÁRIO III -SISTEMA, PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS E COMPETÊNCIA
Campinas do Sul, 15 de Maio 2020.
Questões
1. Que é sistema? Há diferença entre sistema e ordenamento jurídico? Pode-se dizer que o direito positivo se caracteriza como um sistema?
Sistema, deriva de um conjunto de normas que têm o mesmo objetivo.
Segundo Paulo de Barros Carvalho ambas teriam o mesmo sentido, “as normas jurídicas formam um sistema, na medida em que se relacionam de várias maneiras, segundo um princípio inovador”.
Segundo Gregorio Robles à repartição entre os entes distintos, onde o direito positivo se assemelha ao ordenamento jurídico pela somatória de textos com viés positivista.
2. Que se entende por “sistema constitucional tributário”? Qual sua função no direito tributário?
O sistema constitucional tributário é uma subdivisão do sistema constitucional, tem sua base nas normas estabelecidas constitucionalmente, cuja função tem como delimitar e regrar a competência de quem deve cobrar os tributos.
3. Que é princípio, como é e para que serve? Há diferença entre regras e princípios? No caso de conflito, qual deve prevalecer? E no caso de conflito entre princípios, qual critério deve informar a solução? (Vide anexos I e II).
Princípio é uma norma para estabelecer uma diretriz para as relações do ordenamento jurídico. 
Regras são atribuídas para uma imposição ou proibição com função de determinar um ordenamento, os princípios servem como normas de conduta, balizadores do ordenamento, sua função é estabelecer métodos, enquanto as regras estabelecem proibições.
No caso dos conflitos entre regras e princípios, os princípios não podem divergirem das regras, vice e versa, são complementares, um estabelece método outro proibições e limites. Conflito entre os princípios deve se levar em conta sua adequação ao caso concreto.
4.	Identificar, nas situações a seguir, se algum princípio foi desrespeitado e, em caso afirmativo, indicar qual:
	a) instituição e regulamentação de dever instrumental por meio de instrução normativa (vide anexo III);
 	Violação ao princípio negativa. Com base no artigo 96 CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. II - até o último dia útil de cada exercício financeiro, para cada Município. (Incluído pela Lei Complementar nº 143, de 2013) (Produção de efeito)
	b) estipulação de graus de risco da atividade laborativa (para o SAT) por meio de decreto (vide anexo IV);
		Correta, estabelecer um grau de risco particular para cada empresa não afronta o poder regulamentar do executivo. 
c) multas sancionatórias na percentagem de 75% (vide anexos V e VI);
Clara violação ao princípio do não confisco, que estabelece no artigo 150 IV CF.
d) imposto de importação com alíquota de 150%;
	O princípio não foi violado, tendo como principal função do imposto equilibrar as diferenças econômicas dos produtos com os nacionais.	
e) lei municipal ou distrital que institui responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa;
	Violação do princípio da competência.
	f) elaboração, pelo CONFAZ, de lista de produtos semielaborados sujeitos à incidência do ICMS (vide anexo VII);
	O princípio não foi violado, pois o órgão tem legitimidade para confeccionar a lista.
	g) penhora, em execução fiscal, de automóvel de pequeno valor utilizado para transportar portador de necessidades especiais (vide anexo VIII).
	Violação, penhora viola o princípio da dignidade da pessoa humana, pois sua fonte deriva da utilização do veículo.
	h) quebra do sigilo bancário em favor da fiscalização.
	Não observada violação do princípio, amparada em decisão judicial. 
 i) a imposição da desistência das discussões judiciais e administrativas para adesão a parcelamento de débitos.
	Não observada violação de princípio.
	j) desconsideração de negócio jurídico realizado pelo contribuinte mediante planejamento tributário em razão de ausência de propósito negocial nos atos praticados pelo contribuinte.
	Violação do princípio da legalidade tributária.
5.	Que é, como é e para que serve a competência tributária? Quais as características da competência tributária? Qual a diferença entre competência tributária e capacidade tributária? Analisar a facultatividade do seu exercício relativamente à Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n. 101/00), que veda a transferência voluntária de receitas a entes que tenham deixado de instituir algum tributo de sua competência. (vide anexo IX)
	Competência tributária serve para estabelecer um parâmetro disciplinas entre os entes. Competência tributária visa estabelecer o direito de criação ou cotação sobre os tributos, uma vez que capacidade tributária serve para exemplificar qual ente tem função para atribuir valor sobre o tributo.
	A lei de responsabilidade fiscal normatizou a renúncia da receita derivada da arrecadação do imposto, sem ferir a responsabilidade tributária na gestão fiscal.
6. Proposta de Reforma Tributária Nacional que substitua os impostos estaduais e municipais sobre bens e serviços, por um imposto único de competência da União por emenda constitucional viola os Princípios do Pacto Federativo e do Federalismo Fiscal? E se esta emenda prever expressamente o repasse obrigatório da integralidade ou parte do produto da arrecadação desse imposto único para os estados e municípios?
	Sim, competência tributária emanada de cláusula pétrea constitucional, que assegura as competências dos entes. Havendo repasse continuaria a ferir o artigo 60 da Constituição Federal, na qual expressa competência dos entes.
 
7.	A Emenda Constitucional n. 39/02 acrescentou à Constituição o art. 149-A e parágrafo único, dispondo:
“Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III.
Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica”.
Com fundamento nesse dispositivo, a Prefeitura de Itumambé instituiu o seguinte tributo:
Prefeitura Municipal de Itumambé, Decreto Municipal 3.708 de 10/10/03 (DOM 13/10/03)
Art. 1º Fica instituída contribuição para o custeio do serviço municipal de energia elétrica que tem como fato gerador a prestação do serviço de energia elétrica pelo Município.
Art. 2º A base de cálculo é o valor da fatura de consumo de energia elétrica.
§ 1º A alíquota é de 0,5%.
§ 2º Os contribuintes que morarem na região central pagarão 50% a mais do valor devido.
Art. 3º Contribuinte é o consumidor de energia elétrica.
Art. 4º Compete à Secretaria de Finanças fiscalizar o abatimento realizado pela concessionária.
Art. 5º A importância devida a título dessa contribuição deve ser paga até o último dia do mês subsequente e recolhida pela concessionária de energia elétrica juntamente com a fatura mensal de consumo, ficando a concessionária responsável pelo abatimento do montante recolhido da fatura municipal.
Parágrafo único. O não-pagamento da contribuição, ou o não repasse, implica multa de 150 UFIRs.
Art. 6º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, devendo produzir todos os seus efeitos a partir do dia 01/11/03.
{...].
Pergunta-se:
	a) O sistema constitucional tributário brasileiro admite alterações na faixa de competência tributária das pessoas políticas? Há alguma vedação à ampliação da competência tributária municipal por meio de emenda constitucional? Em caso afirmativo, qual(is)?
	b) Os Municípios podem, na criação de tal contribuição, com fundamento no art. 149-A da CF, utilizar uma das materialidades que lhes foram atribuídas constitucionalmente para a instituição de impostos? E das materialidades atribuídas aos Estados, Distrito Federal e União por ocasião da repartição constitucional das competências para instituição de impostos?Há vedação constitucional quanto à materialidade eleita: “consumir energia”? Justifique (vide anexo X).
	c) Quais princípios tributários não foram observados pela Prefeitura de Itumambé ao instituir esse tributo? A Prefeitura pode escolher quais princípios tributários quer aplicar e afastar os outros?
	d) A alteração do prazo de pagamento deve respeitar o princípio da anterioridade? Em qual o critério da Regra-Matriz de Incidência figura o prazo para pagamento do tributo?
	(Vide anexo XI).
8. Como a conjugação das noções de sistema, competência e princípios com a ideia de hierarquia normativa pode significar limitações ao poder de tributar? Qual o papel do intérprete nessa construção?

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