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U N O PA R CO N TA B ILID A D E D O SETO R PÚ B LICO CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO Contabilidade do Setor Público Carla Patricia Rodrigues Ramos Vânia de Almeida Silva Machado Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Machado, Vânia de Almeida Silva M149c Contabilidade do setor público / Vânia de Almeida ISBN 978-85-8482-113-6 1. Orçamento. 2. Patrimônio. I. Ramos, Carla Patricia Rodrigues. II. Título. CDD 657.61 © 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente: Rodrigo Galindo Vice-Presidente Acadêmico de Graduação: Rui Fava Diretor de Produção e Disponibilização de Material Didático: Mario Jungbeck Gerente de Produção: Emanuel Santana Gerente de Revisão: Cristiane Lisandra Danna Gerente de Disponibilização: Everson Matias de Morais Editoração e Diagramação: eGTB Editora Silva Machado, Carla Patricia Rodrigues Ramos – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2015. 192 p. Sumário Unidade 1 | Orçamento Público e Licitação Seção 1 - Orçamento 1.1 | Conceito e histórico do orçamento 1.2 | Planejamento-orçamento Seção 2 - Princípios Orçamentários 1 | Introdução 2 | Ciclo Orçamentário Seção 3 - Licitações 1 | Introdução 2 | Modalidades de licitações 3 | Princípios licitatórios 7 19 11 11 13 23 30 33 33 35 42 Unidade 2 | Receita e Despesa Pública Seção 1 - Receitas 1 | Conceito 2 | Classificação da receita 3 | Receita orçamentária 55 59 59 60 60 4 | Ingressos Extraorçamentários 5 | Receitas Intraorçamentárias 6 | Receitas originárias e derivadas 7 | Receitas efetivas e não efetivas Seção 2 - Despesas 1 | Conceito 2 | Classificação da despesa 75 70 71 73 73 75 75 111 111 113 117 Unidade 3 | Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis Seção 1 - Regimes e Sistema Contábil 1 | Regimes contábeis 2 | Princípios de contabilidade 3 | Sistema contábil 107 Seção 2 - Subsistemas de Informações Contábeis e Suas Demonstrações 1 | Subsistema orçamentário 2 | Subsistema financeiro 3 | Subsistema patrimonial 4 | Subsistema compensado 5 | Subsistema de custos 6 | Balanços 7 | Balanço orçamentário 8 | Anexo 13 – balanço financeiro 9 | Anexo 14 – balanço patrimonial 10 | Anexo 15 – demonstração de variações patrimoniais 11 | Demonstração dos fluxos de caixa 12 | Demonstração das mutações do patrimônio líquido 13 | Notas Explicativas Às Demonstrações Contábeis 14 | Formalidades do registro contábil 123 123 125 125 128 128 129 130 134 135 136 137 140 143 144 157 157 162 164 Unidade 4 | Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido Seção 1 - Patrimônio Público 1 | Ativo 2 | Passivo 3 | Patrimônio líquido 153 167 167 168 168 168 180 181 Seção 2 - Plano de Contas e Registros Patrimoniais 1 | Conceito de plano de contas 2 | Objetivo de um plano de contas 3 | Conta contábil 4 | Plano de contas padrão 5 | Registros patrimoniais 6 | Exemplo de lançamentos básicos na contabilidade aplicada ao setor público conforme Secretaria do Tesouro Nacional – STN Apresentação Seja bem-vindo à disciplina de Contabilidade do Setor Público, disciplina essa, que coloca o foco nas atividades governamentais voltadas à área orçamentária, financeira, patrimonial e contábil. Vamos iniciar, agora, o nosso estudo da contabilidade do setor público, ou seja, a contabilidade aplicada ou voltada a um setor específico, o campo governamental, aquele onde estão inseridos os entes federados (a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios) e também todas as pessoas que administram recursos, guardam bens ou serviços públicos e estamos incluindo aqui os fundos, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas dependentes, as sociedades de economia mista com os recursos oriundos desta atividade estatal. Nesse setor, mesmo o contador, deve aprender também um pouco do Direito Administrativo, porque no campo privado podemos realizar atos que não estão inseridos em uma norma como proibido, ou seja, se a lei não proíbe então o entendimento é de que o sistema jurídico brasileiro permite tal ato. Mas, no campo público, só podemos realizar o que estiver expressamente permitido, com isso, somente se realiza aquilo que consta em lei, se não está na lei, é proibido sua realização, baseado no Princípio Constitucional da Legalidade. Não que o contador deva ser especialista em Direito Administrativo, mas deve se ter uma boa noção da matéria para que assim possa saber o que ele pode ou não fazer e como deve proceder com determinado ato ou fato, bem como conferir se as receitas e as despesas realizadas estão de acordo com as normas, se o objeto da contabilidade, que é o controle patrimônio, está sendo registrado corretamente, ou ainda, se a execução dos instrumentos de planejamento, legalmente aprovados, está sendo executada conforme os princípios e normas pertinentes. Também na atividade pública o especialista contábil, além do cargo de contador pode estar atuando como auditor e, com isso, se faz necessário saber além da contabilidade, compreender a parte do ordenamento jurídico, direito financeiro, direito administrativo, bem como direito constitucional, não deixando a cargo ou tendo que confiar plenamente na procuradoria do ente. Então, nesse livro, vamos abordar a contabilidade do setor público, adentrando nas receitas e despesas públicas, que são os recursos públicos. Estudaremos a parte orçamentária, já que existem alguns instrumentos de planejamento específicos e obrigatórios a cargo do Poder Executivo, novas normais da contabilidade aplicada ao setor público, de acordo com as normas de padrões internacionais, regimes e sistemas contábeis que envolvem este campo, os novos subsistemas de informações e suas demonstrações contábeis. Por fim, sendo um livro específico para o estudante do Curso de Ciências Contábeis, também abordaremos especificidades a respeito da escrituração contábil e o novo plano de contas padrão. Todo o assunto abordado está baseado em atualizações das normas jurídicas voltadas para as finanças públicas brasileiras. ORÇAMENTO PÚBLICO E LICITAÇÃO Nesta seção, trataremos, primeiramente, do conceito de orçamento público, ou seja, como é o planejamento na administração pública e na sequencia você entenderá quais são os instrumentos para que o planejamento seja colocado em prática e as explicações de quando passou a serem obrigatórias determinadas leis, assim como as particularidades e vigência de cada lei orçamentária. Também abordaremos aspectos históricos das tentativas de reestruturação das finanças no Brasil. Seção 1 | Orçamento Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, vamos aprender o conceito de orçamento e como é dividido e discriminado o orçamento público. Veremos quais os instrumentos de planejamento à disposição e obrigatórios aos entes públicos, assim como todos os princípios que norteiam a lei orçamentária. Dentro ainda desta unidade, vamos também compreender o conceito do procedimento administrativo dentro dos entes públicos chamados de licitação, qual o objetivo de sua realização e os parâmetros obrigatórios por lei e princípios para que ocorra com transparência e ampla igualdade de competição aos interessados. Vânia de Almeida Silva Machado Unidade 1 Orçamento Público e Licitação U1 10 Nesta seção, o objetivoestá em conceituar e explicar como é o procedimento administrativo, chamado de licitação, que deve ser realizado antes das compras ou contratações de serviços no setor público. Além de conceituar e explicar todo esse procedimento, vamos adentrar nos princípios que norteiam como devem ser, bem como o que pode ou não, tanto pela administração pública, quanto pelos participantes, chamados de licitantes. 1. Princípios Licitatórios. 2. Modalidades de Licitações. 3. Tipos de Licitações. Seção 3 | Licitações Nesta seção, o objetivo é verificar as bases que possui nosso ordenamento jurídico e que delineiam ou norteiam a criação e a execução dos instrumentos de planejamento que os entes públicos são obrigados a dar à iniciativa pelo Poder Executivo, após encaminhado para estudo e aprovação no Poder Legislativo e o retorno para sanção, sendo esse percurso o ciclo orçamentário. Seção 2 | Princípios Orçamentários Orçamento Público e Licitação U1 11 Introdução à unidade Quando se fala em orçamento, o que vem em seu pensamento? Já posso até imaginar. Vem um cálculo do que você recebe como salário e todo o montante das suas despesas mensais. Pois bem, no orçamento público também é essa mesma noção. Nós veremos que na administração não foge a esse pensamento e a essa regra, claro com suas particularidades, mas no todo é a mesma noção, equilibrar ao montante das receitas previstas o planejamento dos gastos públicos. Veremos que existem alguns tipos de instrumentos que ajudam os entes públicos a planejar todo o mandato do seu governante e ainda também há os mais curtos que cuidam do planejamento do exercício financeiro, transcrevendo nessas peças ou nessas leis o plano de governo de cada um. Primeiramente, vamos abordar um histórico do orçamento em nosso país e contar resumidamente a trajetória de reestruturar as finanças públicas no Brasil e como foi acontecendo até que chegou aos dias atuais. Será abordada ainda nesta unidade, a Lei nº 8.666/93, que regulamenta e trata das licitações e suas modalidades. A licitação é o modo legal de o governo adquirir produtos e serviços que irão auxiliar na sua função. Qualquer entidade pública que precisa adquirir qualquer bem ou serviço precisa se basear nesta lei. Assim, quando o gestor estabelece no orçamento que irá executar determinada obra, e para isso, se faz necessária a contratação de uma empresa para satisfazer a tarefa, necessariamente, o orçamento está prevendo a licitação. A modalidade e as regras que irão embasar esta licitação serão estabelecidas pelo administrador público. Por isso, da importância de ser entender a licitação, pois ela será aplicada em vários momentos do orçamento, de diversas formas. Assim, na seção 2 será abordado este tema de grande relevância para a administração e também para a contabilidade pública. Orçamento Público e Licitação U1 12 Orçamento Público e Licitação U1 13 Seção 1 Orçamento O estudo de um tema inicia-se, preferencialmente, pelo estudo etimológico e histórico da palavra. Desta maneira, temos um referencial histórico, demonstrando o surgimento e o desenvolvimento do assunto. Aqui será utilizada a mesma abordagem. Iremos iniciar o estudo falando sobre o conceito e um breve histórico de orçamento, para em seguida, expor as bases legais e teóricas do orçamento público. Com isso, você, caro leitor, poderá, ao fim desta seção, compreender o orçamento dentro das entidades públicas, verificando sua relevância e necessidade para uma boa administração. 1.1 Conceito e histórico do orçamento A palavra orçamento tem origem latina, mais precisamente no idioma italiano "orzare", que denota "fazer cálculos". O orçamento, dentro da entidade pública, possui a finalidade de se mostrar como uma ferramenta democrática que possibilita às pessoas exercerem o direito, por intermédio de seus mandatários, de só vislumbrarem efetivadas as despesas e admitidas as arrecadações tributárias que estiverem autorizadas na lei orçamentária. Dito isso, verifica-se que o orçamento é uma peça jurídica, pois dever ser aprovado pelo poder legislativo para começar a vigorar como lei. O objetivo do orçamento é dispor sobre a atividade financeira do estado, tanto do ponto de vista das receitas, como das despesas. O orçamento público, em sentido amplo, configura, desta maneira, como um documento legal, uma vez que é aprovado por lei, conforme mencionado anteriormente, em que estão previstas as receitas, bem como são estimadas as despesas a serem desenvolvidas por um gestor governamental, dentro de um determinado período. A história principal do orçamento no Brasil começa por volta do ano de 1960, com a construção da capital, Brasília, em que foi necessário um endividamento para que se concretizasse a iniciativa do Presidente Jânio Quadros. Logo em 1964, temos a aprovação da Lei nº 4.320, lei que rege o direito financeiro em meio ao regime militar do então presidente, Castelo Branco. Como o intuito era o de organizar as finanças públicas brasileiras, também Orçamento Público e Licitação U1 14 foi criado o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central do Brasil, mas os recursos da União ainda eram mantidos no Banco do Brasil. Antônio Delfim Neto, convidado em 1967 para atuar como Ministro da Fazenda pelo presidente Costa e Silva, permaneceu no cargo no período do presidente Emílio Garrastazu Médici. Seu período como Ministro da Fazenda foi considerado como ciclo do "milagre econômico" e institui o sistema de programação financeira. Encerrando-se, assim, a década de 60 com crescimento do Produto Interno Bruto – PIB de quase 10% a.a. e a dívida externa em torno de cinco milhões de dólares. Em 1976, é instituída da Lei das sociedades anônimas, sendo um grande avanço e crescimento do mercado de capitais, mas também endividamento do setor público e redução do endividamento no setor privado. Ao final da década de 70 acontece a segunda crise mundial do petróleo, com crescimento do PIB de 6% a.a. e endividamento em torno de 44 bilhões de dólares. A década de 80 é a década de pagamento das contas, chega a hora do pagamento do endividamento. Esgotam-se os empréstimos para o país e o crescimento do PIB fica em -4%. O Fundo Monetário Internacional aceita, mesmo nestas condições, emprestar dinheiro para o Brasil, com a condição de organizar suas finanças públicas. Com isso, no ano de 1986, José Sarney assume a presidência e institui o plano cruzado, como tentativa de organizar as finanças, como acordado com o FMI, com o objetivo de colocar em prática os quatro pilares para reorganizar as finanças no país. Acontece também a criação da Secretaria do Tesouro Nacional, a STN, em 1986 e, no mesmo ano, a implantação de equipamentos de informática com o sistema integrado, o SIAFI, (considerado como referência mundial), mesmo durante o período considerado de reserva da informática. Com a Constituição Federal é implantada a conta única do Tesouro Nacional que, até então, eram segregadas em diversos bancos, e também a ideia do orçamento único, ou seja, uma única lei orçamentária, a LOA. Com tudo isso, no final da década de 80, a inflação chega em 2000% a.a., resumindo, o dinheiro não vale mais nada. Chega à década de 90 e assume o presidente Fernando Collor de Melo. Nesse momento é retido o dinheiro da população, com isso, a inflação começa a diminuir e em 1991 sai de 2000% a.a. para 492% a.a. Em 1992, temos o movimento dos caras pintadas, e também um marco na contabilidade, a Resolução nº 750 do Conselho Federal de Contabilidade – o CFC e, com isso, consolidam-se as práticas contábeis. Na década de 90, o Plano Real e a inflação chegam a 22% a.a. e o novo presidente, Orçamento Público e Licitação U1 15 Fernando Henrique Cardoso, realiza a segunda tentativa de reajustamentodas finanças públicas brasileiras. A dívida mobiliária deve ser renegociada, pois a dívida contratual estava controlada. Além de renegociar dívida, é editada a Lei Camata, para regulamentar a despesa com pessoal de Estados e Municípios. Assim, encerra- se a década de 90 com a inflação em 6% a.a. No ano de 2000, a tão necessitada Lei de Responsabilidade Fiscal, LRF, é criada para mais uma vez tentar reorganizar as finanças públicas. Tanto União, quanto Estados, Distrito Federal e Municípios começam a controlar seus limites de endividamento, gastos com pessoal, operações de créditos e garantias. Também mesma época, surge a IASB, sendo o órgão responsável pelas normas internacionais de contabilidade. Luiz Inácio Lula da Silva assume a Presidência do Brasil, em um ótimo momento de endividamento, caindo e inflação controlada. Seu objetivo é se preocupar com o desenvolvimento econômico do país. É criada, então, a Lei das Parcerias Público-Privadas – PPP, em que o governo convida os parceiros privados para ajudar o Poder Público que não pode se endividar. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito. No ano de 2006 o crescimento aumenta e o endividamento começa a diminuir, com isso, em 2007 as finanças se organizam pela primeira vez na história do país, e colocam o seu endividamento a zero. Neste momento, o Brasil é credor da dívida ainda, mas os países devem um montante ainda maior ao Brasil do que nós devemos a eles, assim, há o equilíbrio da balança negocial. É o momento esperado de reorganização da economia, sendo o país considerado um ótimo lugar para se investir. Então, finalmente, com todos os acontecimentos, os quatro pilares são: STN, SIAFE, conta única e orçamento único instituído pela Constituição Federal. Na participação do presidente em um congresso de contadores no Rio Grande do Sul nasce a Portaria nº 184, para que o Brasil adote os padrões internacionais de contabilidade. Sendo este um momento de revolução na contabilidade. É assinado o acordo com os órgãos internacionais e neste ano é editada a Lei 11.638, que altera a Lei nº 6.404, Lei das Sociedades Anônimas. 1.2 Planejamento-orçamento A Constituição Federal de 1988 institucionalizou um verdadeiro sistema orçamentário ao prever a edição da Lei do Plano Plurianual, Lei de Diretrizes e Lei do Orçamento Anual, que se interligam com o objetivo de dotar o setor público num processo de planejamento orçamentário de curto, médio e longo prazo. Esse planejamento abrange todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) na Orçamento Público e Licitação U1 16 União, nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios. 1.2.1 Plano Plurianual – PPA É um dos instrumentos de planejamento e compõe as Transparências Públicas. Está previsto no art. 165 da Constituição Federal de 1988, o qual apresenta no artigo 165 que “Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual” (BRASIL, 1988). O Plano Plurianual – PPA, é o que chamamos de planejamento a médio prazo da administração pública, devido a sua vigência de 4 anos. Ao assumir o mandato, já no primeiro ano, o chefe do poder executivo deve elaborar o seu planejamento de gastos, ou seja, o gestor deve estabelecer o que pretende executar, em termos de obras e serviços, durante seu período de governo quatro anos e transcrever no documento o seu programa de governo. Em seu primeiro ano de mandato, o gestor realiza ou cumpre o último ano do Plano Plurianual do gestor anterior. É em decorrência disso, que se fala que o Plano Plurianual, o PPA, tem um ano de defasagem. Se quiser ver um Plano Plurianual – PPA verdadeiro, acesse o link a seguir e veja esse instrumento de planejamento da União: Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/ministerio.asp?inde x=10&ler=s1086##ppaAtual>. 1- Analise as afirmativas abaixo: I- Orçamento: tem como foco os fatos que se relacionam diretamente com o fluxo financeiro da entidade. II- Orçamento: tem como foco as alterações do patrimônio Orçamento Público e Licitação U1 17 da entidade. III- Contabilidade: tem como foco os fatos que se relacionam diretamente com o fluxo financeiro da entidade. IV- Contabilidade: tem como foco as alterações do patrimônio da entidade. É correto o que se afirma em: a) Apenas as alternativas II e III. b) Apenas a alternativa I. c) Apenas a alternativa IV. d) Apenas as alternativas I e IV. e) Apenas a alternativa II. 2- Analise as sentenças a seguir. I- Estabelece as diretrizes, objetivos e metas da administração pública. II- Possui um ano de defasagem e tem vigência de quatro anos. III- Prazo de envio ao legislativo para sua aprovação é de até quatro meses antes do encerramento do primeiro ano de mandato. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a que estas sentenças se referem. a) Lei de Diretrizes Orçamentárias. b) Plano Plurianual. c) Lei Orçamentária Anual. d) Lei 4.320/64. e) Lei 101/00. 1.2.2 Lei de Diretrizes orçamentárias – LDO Instrumento de planejamento que surgiu com a Constituição Federal de 1988. A Lei de Diretrizes Orçamentárias – a LDO, deve orientar a elaboração e execução do orçamento anual e tratar de vários outros temas, dentre eles as alterações Orçamento Público e Licitação U1 18 Art.165, § 2º - A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento (BRASIL, 1988). Constata-se assim, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias – a chamada LDO, é o elo entre o Plano Plurianual – o PPA, e a Lei de Orçamento Anual – a LOA, e trata-se de uma lei de vigência anual e de iniciativa do poder executivo, ou seja, é o poder executivo que provoca o poder legislativo, enviando a este um projeto de lei para estudo e aprovação, após retornando ao executivo para que o seu chefe sancione e publique a lei. Como chefe do poder executivo, a nível Federal, temos a União com o Presidente da República, a nível estadual os Estados e o Distrito Federal, com seus Governadores e no nível municipal as prefeituras com seus prefeitos. Conforme o artigo 35, §2°, inciso II, dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias deverá ser encaminhado ao Legislativo até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro (meio do mês de abril) e devolvido para a sanção ao poder executivo até o encerramento da sessão legislativa (em meados de dezembro). Art. 35, §2°, inciso II ADCT - o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa (BRASIL, 1988). Sobre esse instrumento de planejamento, a LDO, a Lei de Responsabilidade tributárias, os gastos com pessoal, a política fiscal e as transferências da União. Assim, a Constituição Federal afirma: Orçamento Público e Licitação U1 19 Art. 4º A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e: I- disporá também sobre: a) equilíbrio entre receitas e despesas; b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9º e no inciso II do § 1º do art. 31; c) (VETADO) d) (VETADO) e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas eprivadas (BRASIL, 2000). Neste artigo citado, vemos que o legislador ampliou o conteúdo do texto da Lei de Diretrizes Orçamentária – LDO, acrescentando assuntos relativos ao equilíbrio financeiro, à limitação de despesa e às normas para controle de custos e avaliação de resultados. Portanto, o que se pretende com essa ampliação de assunto é eliminar a ocorrência de déficit na gestão fiscal. E com esse objetivo incluiu critérios para avaliar os resultados da entidade e os Anexos de Riscos Fiscais e passou a ser uma exigência com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Também neste artigo, há a determinação do controle dos custos no setor público. Dê uma olha na Lei de diretrizes Orçamentária da União, no site do Senado Federal: Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/atividade- legislativa/orcamentobrasil/ldo/ldo2015>. Fiscal também se manifesta em seu art. 4º: Orçamento Público e Licitação U1 20 Art. 165. § 5º - A lei orçamentária anual compreenderá: I- o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II- o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III- o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público (BRASIL, 1988). Neste artigo da Constituição Federal, temos o que conterá a lei orçamentária e podemos extrair claramente que, conforme artigo 165 citado e seus incisos, têm- se o princípio da unidade que iremos estudar adiante e que significa que tudo do ente federado - União, Estados, Distrito Federal ou Municípios – estará contido e, consequentemente, autorizado em uma única peça orçamentária, inclusive o orçamento de suas empresas. No Brasil, além da Constituição Federal, a Lei nº 4320 de 17 de março de 1964, a Lei complementar nº 101 de 4 de maio de 2000, Portaria Interministerial STN/SOF nº 163 de 4 de maio de 2001 e a Portaria Conjunta STN/SOF nº 3 de 14 de outubro de 2008, são as principais leis que deverão ser observadas para elaboração da Lei de Orçamento Anual. Assim como no meio empresarial, os governos devem elaborar seus planejamentos. Partindo de uma situação atual e da previsão de alguns cenários políticos e econômicos, pode-se planejar de forma mais ampla os próximos 10 1.2.3 Lei orçamentária Anual - LOA A Lei Orçamentária Anual, prevista no artigo 165, § 5º da Constituição Federal, constitui o mais importante instrumento de gerenciamento orçamentário e financeiro da administração pública brasileira, cuja principal finalidade é administrar o equilíbrio entre receitas e despesas públicas, que também é um dos princípios orçamentários. Orçamento Público e Licitação U1 21 anos, considerado de longo prazo. Este orçamento mais abrangente servirá de norteador para elaboração do Plano Plurianual, que já é a médio prazo e também para o orçamento anual, a curto prazo. No orçamento, as despesas são fixadas, não podendo ter excessos, já as receitas são previstas, isto que dizer que poderão ser menores ou maiores que o valor constante no orçamento. Na Lei Orçamentária Anual, as despesas são fixadas e as receitas estimadas. Isto, porque as receitas poderão se realizar menores ou maiores do que as previstas, já as despesas não poderão acontecer em valor superior ao fixado, podendo, no entanto, ser menores. Ainda com foco constitucional, agora referente a prazos, conforme o artigo 35, §2°, inciso III dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT, o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado ao Legislativo até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro (final de agosto) e devolvido para a sanção até o encerramento da sessão legislativa (até meados de dezembro), conforme transcrição do artigo “Art. 35, §2°, inciso III, ADCT - o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa” (BRASIL, 1988). Mas agora você me diz, professora, mas o artigo 35 da ADCT diz que a União encaminhará o projeto de lei orçamentária até quatro meses antes do encerramento do ano. Agora pergunto: e no caso dos outros entes federados, qual o prazo para o envio deste projeto de lei? Sim, o artigo diz à União, mas a doutrina aplica, por analogia, aos demais entes federados, ou seja, como se trata da mesma situação, no caso o envio do projeto de lei de orçamento pelo poder executivo ao poder legislativo para estudo e aprovação, a mesma determinação aos demais. Orçamento Público e Licitação U1 22 Se você tivesse influência na elaboração do Plano Plurianual do próximo governo, o que você elencaria como prioritário? E no orçamento anual do próximo ano, para qual despesa você destinaria mais recursos do que normalmente é destinado? 1- Sobre o Princípio Orçamentário da Unidade é correto afirmar: a) Determina que a LOA de cada ente federado deverá conter todas as receitas e despesas de todos os poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e mantidas pelo poder público. b) Determina a existência de orçamento único para cada um dos entes federados – União, Estados, Distrito Federal e Municípios – com a finalidade de se evitar múltiplos orçamentos paralelos dentro da mesma pessoa política. c) Delimita o exercício financeiro orçamentário: período de Para entender um pouco mais sobre todo o trajeto do orçamento, seu conceito e ciclo de estudo e aprovação, navegue um pouco no site a seguir e acompanhe o ciclo orçamentário federal: Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/orcamentobrasil/ loa/loa-2015>. Orçamento Público e Licitação U1 23 tempo ao qual a previsão das receitas e a fixação das despesas registradas na LOA irão se referir. d) A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. e) Determina a existência de vários orçamentos, sendo um para cada um dos entes federados – União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 2- Assinale a alternativa que completa corretamente a sentença a seguir: As despesas _____________ são as que necessitam de autorização legislativa para poderem ser realizadas, ou seja, devem figurar no ______________, para que se possa efetivamente realizar o gasto. a) extraorçamentárias; orçamento público. b) orçamentárias; orçamento público. c) correntes; balanço patrimonial. d) orçamentárias; balanço patrimonial. e) extraorçamentárias; balanço patrimonial. Orçamento Público e Licitação U1 24 Orçamento Público e Licitação U1 25 Seção 2 Princípios Orçamentários 1 Introdução Antes de adentrarmos no estudo específico de princípios orçamentários, vamos primeiro saber o que são os princípios. O termo princípio nos dá a noção de começo ou início de alguma coisa, porém, em termos jurídicos, é muito mais amplo do que isto. O princípio quer, na verdade, alicerçar uma estrutura, garantir a sua existência e a sua aplicabilidade, ou seja, ser a base para as leis. Segundo o Dicionário Aurélio, princípio seria o momento ou local, ou ainda, trecho em que algo tem origem, ou o seu começo. Acrescentando a esse conceito do dicionário, conceitua-se princípio, em Filosofia, dizendo ser a origem de algo, de uma ação ou de um conhecimento e, em Lógica, conceitua-se como aproposição que serve de base, ainda que de um modo provisório ou temporário, e cuja verdade não é questionada. Portanto, temos que princípios são pontos norteadores ou que dão rumo para formação das normas jurídicas, ou seja, baseando-se nos princípios existentes é que os legisladores fazem as leis. Os princípios orçamentários têm o objetivo de estabelecer regras básicas que nortearão os processos de elaboração, execução e controle do orçamento público, a fim de conferir racionalidade, eficiência e transparência. Os princípios orçamentários básicos para toda a elaboração, execução e controle do orçamento público, para todos os poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e em todos os níveis de governo – Federal, Estadual e Municipal – estão definidos na Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 4.320/1964, que estatui normas gerais de direito financeiro aplicadas à elaboração e ao controle dos orçamentos. Então agora vamos ver alguns princípios orçamentários. 1.1 Unidade ou totalidade O princípio da Unidade vem previsto na Lei nº 4.320/64, art. 2º, “A Lei do Orçamento Público e Licitação U1 26 Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos aos princípios de unidade, universalidade e anualidade” (BRASIL, 1964, grifo nosso). A Lei 4.320/64 (BRASIL, 1964) determina que sejam obedecidos e aplicados os princípios da unidade, da universalidade e ainda o princípio da anualidade, além de termos também na Lei maior do nosso país a exigência de tal princípio, conforme artigo 165, § 5º da Constituição Federal. § 5º - A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. (BRASIL, 1988). Neste artigo, como se pode ler, está no singular, “a lei orçamentária compreenderá”, dando a noção aqui da peça única e com isso, temos a determinação de existência de orçamento único para cada um dos entes federados – por entes federados entendemos a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios – com a finalidade de se evitarem múltiplos orçamentos paralelos dentro da mesma pessoa política. Dessa forma, todas as receitas previstas e todas as despesas fixadas no orçamento, em cada um dos exercícios financeiro, devem integrar um único documento dentro de cada esfera federativa: a Lei Orçamentária Anual – LOA. 1.2 Universalidade Assim como estudamos no início da unidade, o princípio da universalidade é um princípio orçamentário e não contábil, portanto, agora essa universalidade é somente Orçamento Público e Licitação U1 27 quando se fala em orçamento. Este princípio também vem previsto no mesmo art. 2º da Lei nº 4.320/64, sendo esse artigo recepcionado e normatizado pelo §5º do art. 165 da Constituição Federal, o qual determina que a Lei Orçamentária Anual – LOA, de cada um dos entes federados (União Estados, Distrito Federal e Municípios) deverá conter todas as receitas e todas as despesas de todos os poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e mantidas pelo poder público. Assim como também nos art. 3º e 4º da Lei nº 4.320/64 há a noção deste princípio: Art. 3º A Lei de Orçamentos compreenderá tôdas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. Parágrafo único. Não se consideram para os fins deste artigo as operações de credito por antecipação da receita, as emissões de papel- moeda e outras entradas compensatórias, no ativo e passivo financeiros. Art. 4º A Lei de Orçamento compreenderá todas as despesas próprias dos órgãos do Governo e da administração centralizada, ou que, por intermédio deles se devam realizar, observado o disposto no artigo 2°. (BRASIL, 1964). Então, o princípio da universalidade deriva da ideia do próprio nome, universo, tudo, e com isso então, o princípio significa que todas as receitas e todas as despesas integrarão o orçamento. 1.3 Anualidade ou periodicidade O próximo princípio, da anualidade, vem expresso, assim os princípios da unidade e da universalidade, também no caput do art. 2º da Lei nº 4.320, de 1964, que delimita o orçamento para o período anual, ou seja, o exercício orçamentário deverá ser realizado e previsto para período de um ano, ao qual a previsão das receitas e a fixação das despesas registradas na LOA irão se referir. Segundo o art. 34 da Lei nº 4.320, de 1964, o exercício financeiro coincidirá com o ano civil e, por isso, será de 1º de janeiro até 31 de dezembro de cada ano, conforme apresentado no artigo 34 “O exercício financeiro coincidirá com o ano civil” (BRASIL, 1964). Orçamento Público e Licitação U1 28 Então, aqui fica claro que além de ser definido que o orçamento deverá ser referente ao período de um ano, ele também deverá coincidir com o ano civil, ou seja, de janeiro a dezembro. 1.4 Exclusividade O §8º do art. 165 da Constituição Federal estabelece que a Lei Orçamentária Anual não inclua em seu texto nenhum dispositivo que não esteja relacionado à previsão da receita ou à fixação da despesa, que é o conceito de orçamento. Existe uma exceção, quanto às autorizações para aberturas dos créditos adicionais e ainda à contratação de operações de crédito. § 8º - A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. (BRASIL, 1988). Essa autorização de abertura de créditos adicionais na própria lei orçamentária é para que já se coloque o limite em que se pretende trabalhar, já tendo a noção devido às ocorrências de anos anteriores. 1.5 Orçamento bruto Previsto pelo art. 6º da Lei nº 4.320, de 1964, este princípio contábil e orçamentário determina que as receitas e despesas dos entes públicos não estejam no orçamento com seus valores líquidos. Como exemplo, podemos citar as receitas que sofrem retenção para o Fundeb, pois de acordo com o artigo 6º “Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções” (BRASIL, 1964). Exemplo: Fundeb, tem estimado para determinado município cinco milhões de recursos do Fundo de Participação dos Municípios – FPM, com isso 20% deverá ser retido para o Fundeb, mas no orçamento constará o valor bruto de cinco milhões. Orçamento Público e Licitação U1 29 1.6 Legalidade A questão da legalidade do orçamento possui paralelo semelhante ao previsto para administração pública, ou seja, somente pode realizar ou deixar de realizar aquilo que está expressamente previsto na lei. O orçamento, portanto, está submetido à lei. O Artigo 37 da Constituição Federal de 1988 estabelece os princípios da administração pública, dentre os quais o da legalidade. Já no Artigo 165, impõe a necessidade de formalização legal das leis orçamentárias: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [...]. Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I– o plano plurianual; II– as diretrizes orçamentárias;III– os orçamentos anuais. (BRASIL, 1988). 1.7 Publicidade Princípio básico da atividade da administração pública, também previsto no art. 37 da Constituição Federal de 1988, deve divulgar seus atos em seus respectivos Diários Oficiais para dar conhecimento de todos seus atos à sociedade. Com isso, você pode me perguntar: Professora tudo é dado conhecimento à sociedade então? Não, existem exceções, quando o interesse público ou a segurança justificar o sigilo, os atos que envolvam o assunto não serão publicados. Esse princípio da publicidade está relacionado com a transparência no setor público que é o próximo tópico e princípio a ser comentado. 1.8 Transparência Assim como mencionado no princípio anterior, é dever da administração pública Orçamento Público e Licitação U1 30 a publicidade, assim como a transparência dos seus atos. Sendo a transparência o foco do momento e um tópico de cumprimento dos artigos. 48, 48–A e 49 da LRF, como transcrito: Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos. Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante: I– incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos; II– liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público; III– adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que atenda ao padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da União e ao disposto no art. 48-A. Art. 48-A. Para os fins a que se refere o inciso II do parágrafo único do art. 48, os entes da Federação disponibilizarão a qualquer pessoa física ou jurídica o acesso a informações referentes a: I– quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e, quando for o caso, ao procedimento licitatório realizado; II– quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a receita das unidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários. Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão disponíveis, durante todo o exercício, no respectivo Poder Legislativo e no órgão técnico responsável pela sua elaboração, para consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade. (BRASIL, 2000). Orçamento Público e Licitação U1 31 Com o artigo da LRF, fica clara a inovação na atividade pública, em que cada vez mais o legislador insere obrigações aos entes públicos para que estes tornem mais claros os gastos e suas atitudes a toda a sociedade e que esta tenha uma maior facilidade para este acompanhamento, podendo-se citar, como exemplo, os relatórios divulgados, inclusive por meio eletrônico, sendo a internet cada dia mais popularizada. 1.9 Não afetação da receita de impostos Esta previsão está expressa no inciso IV do art. 167 da Constituição Federal de 1988, e veda a vinculação da receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, salvo exceções estabelecidas pelo próprio texto constitucional, conforme segue: Art. 167. São vedados: [...] IV- a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, §2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, §8º, bem como o disposto no §4º deste artigo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003); [...] §4º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e dos recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestação de garantia ou contragarantia à União e para pagamento de débitos para com esta. (BRASIL, 1988). As ressalvas são impostas pela própria Constituição Federal e possuem relação à divisão do produto da arrecadação dos impostos entre os fundos municipais, Orçamento Público e Licitação U1 32 estaduais e de desenvolvimento das regiões norte, nordeste e centro-oeste, ao destino de recursos para as áreas de saúde e educação, bem como à oferta de garantias às operações de crédito por antecipação de receitas (BRASIL, 2012). 1.10 Especificação Neste princípio fica estabelecido que as receitas e despesas não podem ser enviadas para aprovação em valores globais, devem ser todas especificadas, discriminadas para atender também aos demais princípios obrigatórios e para que assim não seja aprovado algo não condizente com o tema proposto. 2 Ciclo Orçamentário O ciclo orçamentário pode ser entendido como um processo contínuo e simultâneo, pelo qual se elabora, estuda, aprova, executa, controla e avalia toda a programação orçamentária e financeira das despesas públicas. Conforme o artigo 165 da Constituição Federal de 1988, o planejamento orçamentário ou o ciclo orçamentário será sempre de iniciativa do executivo, ocorrendo em três instrumentos orçamentários, sendo: o Plano Plurianual – PPA, as Leis de Diretrizes Orçamentárias – LDO e a Lei de Orçamento Anual – LOA. O projeto de lei de orçamento é de iniciativa do poder executivo (nível federal a União, nível estadual o governo dos estados ou o governador do distrito federal e a nível municipal os prefeitos) enviando-se ao poder legislativo (a nível federal o poder legislativo corresponde ao Congresso Nacional, enquanto a nível estadual corresponde às Assembleias Legislativas e em se tratando do nível municipal temos a correspondência do poder legislativo, sendo as Câmaras de Vereadores) para que este poder, após o estudo, aprove os projetos de leis orçamentárias. O projeto deve atender à Lei de Responsabilidade Fiscal em seu art. 5º e à Constituição Federal art. 165, § 6º e conter: Art. 5o O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar: I- conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas Orçamento Público e Licitação U1 33 constantes do documento de que trata o § 1o do art. 4o; II- será acompanhado do documento a que se refere o § 6o do art. 165 da Constituição, bem como das medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado; III- conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante, definido com base na receita corrente líquida, serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, destinada ao: a) (VETADO) b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. (BRASIL, 2000). § 6º - O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefíciosde natureza financeira, tributária e creditícia. (BRASIL, 1988). Sendo aprovados os projetos de leis, cada um no seu respectivo tempo, estes projetos serão encaminhados ao chefe do executivo (presidente, governadores ou prefeitos) para sancionar e publicar os projetos que agora são leis e sendo assim, devido ao princípio da publicidade na administração pública, deverão ser publicados para conhecimentos de todos os cidadãos. Se acontecer do poder Executivo, que tem a obrigatoriedade de iniciar o ciclo orçamentário, não o fizer em tempo hábil, poderá o poder legislativo reaprovar o orçamento anterior, ou seja, aquele orçamento que está em vigência e foi aprovado no exercício anterior, será aprovado também para que vigore no exercício seguinte, isso devido ao não encaminhamento pelo poder executivo de um projeto de lei orçamentária. Agora, se o poder legislativo não encaminhar os projetos aprovados para sanção até que se encerre a sessão legislativa daquele ano, poderá o poder executivo executar despesas que constituem previsão constitucional ou legal da União, como, por exemplo, podemos citar a receita que os Estados possuem de transferência da União, o Fundo de Participação dos Estados o FPE, ou também despesas relevantes que não possam esperar essa aprovação tardia da lei de orçamento quando já iniciado o exercício financeiro. Orçamento Público e Licitação U1 34 Para compreender melhor a importância do orçamento, podendo até “brincar” de prefeito com o Jogo do Orçamento, acesse <http://www. plenarinho.gov.br/camara/orcamento>. Será que é possível alguma outra forma de controle do planejamento no setor público e também no ciclo orçamentário? Orçamento Público e Licitação U1 35 Seção 3 Licitações 1 Introdução Com esse tópico adentramos na Lei nº 8.666/93, que objetiva estabelecer normas gerais sobre licitações e contratos administrativos referentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, conforme consta em seu art. 1º: Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. (BRASIL, 1993). Antes de qualquer coisa, o que é licitação? É um procedimento administrativo que se realiza antes da contratação de um serviço ou aquisição de mercadoria para selecionar a proposta mais vantajosa para o ente público. Note que a proposta mais vantajosa não é somente aquela que possui o menor preço, mais sim aquela que melhor atende às necessidades dessa pessoa contratante, o ente público. Pois nessa análise de proposta mais vantajosa, deve-se analisar além do preço proposto, também a qualidade daquilo que irá se Orçamento Público e Licitação U1 36 adquirir através desse procedimento administrativo. A obrigatoriedade de se realizar esse procedimento administrativo é norma constitucional e está expressamente descrito no art. 37 da Constituição Federal de 1988, em seu inciso XXI, conforme transcrito a seguir: XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. (BRASIL, 1988). Mas quem está obrigado a seguir essa lei chamada de “Lei de Licitações”? Para essa resposta, temos também descrito no art. 2º, como transcrevemos a seguir: Art. 2º As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei. (BRASIL, 1993). As pessoas que devem seguir essa lei chamada de “Lei de Licitações” são todos os órgãos da administração direta e indireta, incluindo os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Estes citados possuem a obrigatoriedade de seguir o que determina esta lei em seus processos de despesas para contratação de obras, Orçamento Público e Licitação U1 37 serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações. NÃO ESQUEÇAM Dentre os serviços temos: as obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da administração pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei. Esse procedimento licitatório conforme a Lei nº 8.666/93 possui modalidades de licitações e tipos de licitações. Você deve estar pensando: Professora como saber quando é cada um? Não se assuste, pois eu explico, mas vamos com calma. 2 Modalidades de licitações Quando um órgão público vai realizar uma compra, ele faz uma pequena pesquisa de preços no mercado, tais como por telefone e fax, constituindo o seu banco de preços, e assim, já tem uma leve noção em sua pesquisa e fixa o valor máximo no procedimento licitatório. O mesmo acontece com a gente, em nosso dia a dia, pois pesquisamos em diversos lugares os valores do produto que temos o objetivo de adquirir, para que com isso possamos realizar um comparativo e ver qual o lugar que melhor atende às nossas necessidades. Essa pesquisa, apesar de rápida, é importante já que o preço que for apurado é o limite para a licitação, como já foi mencionado no parágrafo anterior, e o ente público não pode pagar mais que o valor pesquisado e considerado o valor de mercado. No momento em que é decidido esse valor, já é possível definir o que chamamos de modalidade de licitação, ou seja, a modalidade que deverá ou poderá ser usada, de acordo com a Lei nº 8.666/93, ou seja, qual o procedimento que deverá ser adotado. Para a escolha do pregão, o critério não é faixa de preço e sim a natureza do produto ou serviço. Depende, então, do órgão público a escolha da modalidade. Entretanto, a legislação brasileira recentemente obrigou o governo a dar preferência sempre ao pregão eletrônico. O que é esse tal de pregão eletrônico? Eu já explico, primeiro vamos verificar como são divididas as modalidades de Orçamento Público e Licitação U1 38 licitações. Os processos licitatórios são divididos em modalidades para uma melhor escolha do fornecedor e conforme o valor da compra a ser realizada. Assim como transcrito no art. 22 da Lei de Licitações: Art. 22. São modalidades de licitação: I- concorrência; II- tomada de preços; III- convite; IV- concurso; V– leilão (BRASIL, 1993). Mas o que é cada uma delas? Concorrência: é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto (BRASIL, 1993). Essa modalidade é para as aquisições de valores mais elevados, tanto nas aquisições de serviços e bens, quantonas obras de engenharia, mas existem contratos que devam ser realizados por essa modalidade, independente do valor do seu contrato. É o caso descrito no art. 19 da referida lei: Art. 19. Os bens imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, poderão ser alienados por ato da autoridade competente, observadas as seguintes regras: I- avaliação dos bens alienáveis; II- comprovação da necessidade ou utilidade da alienação; III- adoção do procedimento licitatório, sob a modalidade de concorrência ou leilão. (BRASIL, 1993). Assim, alienações de imóveis da administração pública ou serão por concorrência Orçamento Público e Licitação U1 39 ou leilão, nos casos descritos no art. 19. Além de alienações de imóveis temos as concessões de direito real de uso, de serviços ou de obras públicas, das contratações de Parcerias Público-privadas as chamadas PPP, para os registros de preços, para as contratações em que seja adotado o regime de empreitada integral e das licitações internacionais, admitindo-se, nesta última situação, dentro dos limites previstos, a tomada de preços, quando o órgão ou entidade licitante dispuser de cadastro internacional de fornecedores, ou o convite, quando não houver fornecedor do bem ou serviço no país. Quando realizar alienações pela modalidade concorrência, na fase de habilitação, deve limitar-se a comprovação do recolhimento da quantia corresponde a 5% da avaliação do bem. Essa modalidade, como dito antes, tem os valores máximos para as realizações de licitações e por isso pode ser utilizada para as contratações de bens e serviços de qualquer valor, mas existem aquelas situações em que não vale a pena realizá-la, devido o seu custo processual ser grande demais para o objeto do procedimento. Tomada de preços: é a modalidade de licitação entre os interessados cadastrados ou que atenderem a todas as condições solicitadas para cadastramento até três dias antes do recebimento das propostas (BRASIL, 1993). Esta modalidade está descrita no art. 22, § 2º da Lei de licitações. Convite: é a modalidade de licitação utilizada para contratações de menor vulto, entre interessados do ramo ligado à descrição do objeto, cadastrados ou não no ente público, devendo ser escolhidos e convidados em número mínimo de três pela unidade administrativa, e ainda devendo fixar, em local adequado, cópia do edital ou instrumento convocatório e o estendendo aos demais cadastrados na mesma especialidade que manifeste seu interesse com antecedência de até 24 horas da apresentação das propostas, conforme o § 3º (BRASIL, 1993). Pelo entendimento do Tribunal de Contas da União deve haver três propostas válidas e não somente três participantes e convidados, ou apresentar justificativa plausível a não participação do número mínimo exigido. § 7º Quando, por limitações do mercado ou manifesto desinteresse dos convidados, for impossível a obtenção do número mínimo de licitantes exigidos no § 3º deste artigo, essas circunstâncias deverão ser devidamente justificadas no processo, sob pena de repetição do convite. (BRASIL, 1993). Orçamento Público e Licitação U1 40 Concurso: é a modalidade de licitação entre qualquer pessoa que tenha interesse no procedimento de escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante o repasse de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme condições estabelecidas no edital publicado na imprensa com antecedência de no mínimo 45 dias (BRASIL 1993). Essa modalidade também é utilizada para escolha de projetos arquitetônicos e como pagamento do prêmio, encerra-se a licitação sem haver assinatura de contrato e assim, o vencedor, não poderá participar de uma licitação futura para a realização do projeto. Não confundir modalidade concurso com concurso público, pois a modalidade é para escolha de trabalhos técnicos, científicos ou artísticos, como, por exemplo, podemos citar a feitura de uma escultura do padroeiro da cidade na entrada principal do edifício administrativo do município que não é realizada para contração de servidores públicos. Leilão: esta é a modalidade de licitação também entre qualquer pessoa que tenha interesse no procedimento que vise à venda de bens móveis inservíveis da administração pública ou de produtos que foram legalmente apreendidos ou penhorados, ou ainda, para a alienação (venda) de bens imóveis, tal como está previsto no art. 19, a quem oferecer o maior valor, igual ou superior ao valor da avaliação do bem objeto do procedimento administrativo (BRASIL, 1993). Notem que os procedimentos são abertos a todos interessados, sendo dado a todos aqueles que possuem os requisitos mínimos exigidos para participação do certame, como também é chamado o procedimento licitatório, conforme a modalidade proposta, para que seja respeitado o princípio da isonomia entre os participantes, ou dentre aqueles que se encontram na mesma situação. Além dessas modalidades citadas na Lei nº 8.666 de 1993, a Lei de Licitações, temos mais uma modalidade inserida pela Lei nº 10.520 de 2002, a qual institui no âmbito de todos os entes federados, União, Estados, Distrito Federal e Municípios a nova modalidade intitulada de pregão. Temos então, conforme a nova legislação, que pregão é a modalidade inserida para aquisições de bens e serviços considerados comuns, conforme o art. 1º e § único da lei: Art. 1º Para aquisição de bens e serviços comuns, poderá ser adotada a licitação na modalidade de pregão, que será regida por esta Lei. Parágrafo único. Consideram-se bens e serviços comuns, para os fins e efeitos deste Orçamento Público e Licitação U1 41 artigo, aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado. (BRASIL, 1993). Este procedimento é realizado em sessão pública ou também por meio eletrônico, através de propostas e lances para menor preço, iniciando o certame através de convocação de interessados por meio de publicação em jornais de grande circulação ou jornais oficiais ou ainda na internet. Algumas opções são dadas ao ente público, conforme art. 4º da lei dos pregões. Art. 4º A fase externa do pregão será iniciada com a convocação dos interessados e observará as seguintes regras: I- a convocação dos interessados será efetuada por meio de publicação de aviso em diário oficial do respectivo ente federado ou, não existindo, em jornal de circulação local, e facultativamente, por meios eletrônicos e conforme o vulto da licitação, em jornal de grande circulação, nos termos do regulamento de que trata o art. 2º (BRASIL, 2002). Nessa modalidade, além dos princípios comuns a todos os procedimentos licitatórios, possui como objetivo a celeridade do procedimento, ou seja, é mais rápido e ágil realizar um pregão do que qualquer outra modalidade. Há uma particularidade nesta modalidade que a difere das demais, pois o pregão tem primeiro a habilitação das empresas participantes e depois são verificados os lances apenas dos participantes habilitados e nas demais modalidades verifica-se os documentos da empresa selecionada com a proposta mais vantajosa, conforme inciso VII do art. 4º da Lei do Pregão: VII - aberta a sessão, os interessados ou seus representantes, apresentarão declaração dando ciência de que cumprem plenamente Orçamento Público e Licitação U1 42 os requisitos de habilitação e entregarão os envelopes contendo a indicação do objeto e do preço oferecidos, procedendo-se à sua imediata abertura e à verificação da conformidade das propostas com os requisitos estabelecidos no instrumento convocatório. (BRASIL, 2002). Mostrando assim ainda mais a celeridade do procedimento, não perdendo tempo com participantes que possuemproblemas nas documentações. 2.1 Os limites de valores Para cada modalidade, dentre concorrência, tomada de preço e convite, se tem um parâmetro de valores, como apresentado no art. 23, incisos de I e II da Lei de licitações: Art. 23. As modalidades de licitação a que se referem os incisos I a III do artigo anterior serão determinadas em função dos seguintes limites, tendo em vista o valor estimado da contratação: I- para obras e serviços de engenharia: a) convite - até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais); b) tomada de preços - até R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais); c) concorrência: acima de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais); II- para compras e serviços não referidos no inciso anterior: a) convite - até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais); b) tomada de preços - até R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais); c) concorrência - acima de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). (BRASIL, 2000). Nesse artigo, fica claro quanto aos parâmetros e também não se pode desmembrar em vários convites (procedimento mais simples) uma aquisição ou Orçamento Público e Licitação U1 43 serviço que na verdade caberia a uma modalidade concorrência, isso seria burlar a lei e fraudar a licitação. 2.2 As formas de execução das obras e ou serviços Conforme temos apresentado na Lei de Licitações em seu art. 10: Art. 10. As obras e serviços poderão ser executados nas seguintes formas I - execução direta; II - execução indireta, nos seguintes regimes: a) empreitada por preço global; b) empreitada por preço unitário; c) (Vetado). d) tarefa; e) empreitada integral (BRASIL, 2000). I) Execução Direta: pela administração ou ente público, com seus próprios meios. II) Execução Indireta: através de terceiros, se dividindo nos seguintes regimes: a) empreitada por preço global: preço certo e total, na proposta o participantes já apresenta o valor total do serviço ou obra a ser realizada; b) empreitada por preço unitário: preço certo de unidades determinadas, como, por exemplo, realizar os pagamentos por medição de uma obra, podendo ser na construção de um prédio cada andar realizado; c) tarefa: mão de obra para pequenos trabalhos por preço certo, podendo ser incluído ou não os materiais empregados no serviço prestado; d) empreitada integral: quando se contrata o empreendimento em condições de entrar em operação, ou seja, não somente a construção de um prédio, mas todo o sistema de ar condicionado e as instalações incluídas no preço. 2.3 Os tipos de licitações? O primeiro ponto que devemos deixar bem claro é nunca confundir tipos de licitações com modalidades de licitações, pois tipos são as formas como serão Orçamento Público e Licitação U1 44 escolhidos os vencedores de cada procedimento licitatório. Temos também esse ponto na lei que trata do assunto, Lei de Licitações, no § 1º, do art. 45: § 1º Para os efeitos deste artigo, constituem tipos de licitação, exceto na modalidade concurso: I - a de menor preço - quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a Administração determinar que será vencedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço; II - a de melhor técnica; III - a de técnica e preço. IV - a de maior lance ou oferta - nos casos de alienação de bens ou concessão de direito real de uso. (BRASIL, 2000). Quando se fala em menor preço, inciso I citado, não interessa mais nada, apenas o valor em si do objeto descrito no edital da licitação, como seu próprio nome já menciona. No inciso seguinte do parágrafo, II, tem a melhor técnica, nesse tipo são analisados os parâmetros técnicos na execução do trabalho que normalmente são trabalhos complexos, tais como serviços de natureza intelectual, especialmente na execução de projetos, cálculos, projetos básicos ou executivos de obras de engenharia. Para se aprofundar um pouco mais e acompanhar tudo sobre o tema licitações, acesse <http://www.licitacao.com.br/>. 3 Princípios licitatórios Há vários princípios relacionados com este procedimento administrativo, princípios Orçamento Público e Licitação U1 45 que limitam o campo de atuação do agente público e também do participante do procedimento licitatório. Tal como vemos no art. 3º da Lei de licitações: Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. (BRASIL, 2000). Então, vamos verificar no tema licitação cada um dos princípios abordados no artigo transcrito, assim como fizemos com os princípios orçamentários. 3.1 Legalidade No campo público somente é feito aquilo que está expressamente permitido em lei, se não consta em lei, o ente público, consequentemente, está proibido de fazer até que conste em lei. Diferentemente na área privada, em que se tal fato não está sendo vedado em uma lei, pode a entidade realizar sem problemas algum. Temos no art. 37 da Constituição Federal expressamente alguns princípios que a administração pública está sujeita e dentre eles o princípio da legalidade. “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” (BRASIL, 1988, grifo nosso). Ainda temos no art. 5º da Constituição Federal, inciso II, dentre os direitos e garantias fundamentais, que todos apenas serão obrigados ou não a fazer algo se contido em lei estiver. “Art. 5º - II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (BRASIL, 1988). Portanto, isso se aplica na atividade pública, se estiver permitindo em lei, poderá ser feito, se não é mencionado em nenhum ato normativo, não quer dizer que está autorizado. Orçamento Público e Licitação U1 46 Quando se refere à licitação, o princípio da legalidade é interpretado de forma que todos os envolvidos, seja o ente público ou o participante no procedimento licitatório, assim como o procedimento administrativo e o consequente contrato surgido disso tudo, deverão obedecer ao texto legal, ou seja, à lei. 3.2 Impessoalidade Também é um dos princípios que está expresso no art. 37 da constituição Federal quando trata da Administração Pública, “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” (BRASIL, 1988, grifo nosso). Este princípio não permite que o gestor deixe a sua vontade individual ou particular prevalecer ou influenciar sobre as atitudes que tome na sua gestão, ou em razão do seu cargo, pois ali quem age não é pessoa individual e sim a pessoa pública que ganhou um cargo público e age em prol de toda a sociedade. Voltando o princípio ao tema de licitação, o procedimento licitatório objetiva a proposta mais vantajosa para a administração pública, sendo isso não somente em razão de valores, mas sim em razão da proposta que atenda da melhor forma a todas as necessidades do ente governamental. Assim, temos, portanto, que a impessoalidade fica totalmente fora, pois a análise é quanto ao atendimento dos quesitos relacionados com o objeto licitado e não com as vontades do gestor. 3.3 Moralidade Quando falamosem atos administrativos e principalmente licitatórios, não se deve atentar somente ao que é licito, ou seja, ao que está dentro de leis, mais sim focar também no que é moral, no que está inserido como os bons costumes e estar totalmente ligado ao comportamento ético e honesto. Este princípio está intimamente ligado ao princípio da probidade administrativa que falaremos em um dos próximos tópicos, mas já adiantando, temos pela probidade o comportamento “probo” do agente público, ou seja, um comportamento pautado na ética e na honestidade e para punir os atos que não sigam este comportamento, há a Lei de nº 8.429, de 2 de junho de 1992, a chamada Lei de Improbidade Administrativa, essa lei dispõe sobre sanções aplicadas aos agentes públicos em situações de enriquecimento ilícito no cargo, função, ou emprego na administração direta ou indireta. Todo aquele que administre ou guarde recursos ou patrimônio público deve agir com foco na moralidade, ou seja, ser ético e honesto em suas atitudes. Orçamento Público e Licitação U1 47 3.4 Igualdade ou isonomia O princípio da igualdade na sua essência é de que todos devem ser tratados de forma igual, ou ainda pensando mais a fundo sobre essa igualdade, os doutrinadores, principalmente na área tributária, trazem que todos devem ser tratados conforme a sua desigualdade, ou seja, todos aqueles que estão na mesma situação devem ser tratados iguais. Trazendo o princípio para o campo licitatório, é o que traz ao procedimento o direito de participação por todos os interessados que atendam às exigências constantes no edital, sem restringir demais, a ponto que haja o direcionamento do procedimento e favoreça algum licitante, passando assim por cima do princípio da impessoalidade. 3.5 Publicidade Os atos da administração devem ser publicados, dados ampla publicidade e divulgação, devido à transparência pública. Em casos específicos, tal como segurança pública, pode haver o sigilo. No caso da licitação, que é um ato administração para a escolha da proposta mais vantajosa ao poder público, também deve se seguir ao princípio da publicidade e dado ampla divulgação de todos os atos do processo. O único sigilo que existe nos procedimentos licitatórios são as propostas até sua abertura, após isso não existe mais nenhum ato se quer que seja revestido de sigilo. Também é um principio constitucional expresso no artigo 37, tal como já citado “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” (BRASIL, 1988, grifo nosso). 3.6 Probidade administrativa Assim como mencionado no princípio da moralidade, que as atitudes do administrador devem ser pautadas na ética e na honestidade, isso é, que esse gestor dever ser probo e moral, para o princípio da probidade há a Lei de nº 8.429/92, a Lei de Improbidade Administrativa, que atinge todo aquele que estiver envolvido de forma direta ou indireta com a administração pública, assim como transcreve no art. 2º e 3º da referida lei citada: Orçamento Público e Licitação U1 48 Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. (BRASIL, 1992). Nesta lei está incluída até mesmo aquela pessoa que não possui vínculos ou ligação com o ente público, mas de alguma forma obtenha vantagem no fato ilícito realizado. Além do art. 37 da constituição Federal citado em outros princípios, nessa lei de Improbidade Administrativa, em seu art. 4º também há a observância na realização dos atos administrativos aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade “Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos” (BRASIL, 1992, grifo nosso). Falando no princípio da probidade com o foco em licitações, o princípio norteia que a atuação dos agentes no procedimento licitatório deve ser realizada com ética em todas as suas etapas. Também na Constituição Federal há sanções aos infratores da probidade administrativa, no § 4º também no art. 37, que aborda a administração Pública “§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível” (BRASIL, 1988). Assim, todo aquele que não seguir o firmado em lei quanto à moralidade e à probidade estará sujeito a suspensão dos seus direitos políticos, votar e ser votado, não exercer nenhuma função pública, ter seus bens bloqueados e ainda a devolução da quantidade prejudicada aos cofres públicos. Orçamento Público e Licitação U1 49 3.7 Vinculação ao instrumento convocatório O procedimento licitatório emite e publica um edital ditando as regras do certame que todos os participantes estão vinculados. Esse edital possui força de lei para esses procedimentos realizados e tal amarração da licitação com o edital está expressa na Lei nº 8.666/93, a Lei de Licitações, em seu art. 41, art. 41. A administração não pode descumprir as normas e condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada (BRASIL, 1993). Nesta mesma, o § 1º dá o direito a todo e qualquer cidadão de denunciar se constatar alguma irregularidade nesse procedimento e verificar se as normas estão sendo cumpridas. 3.8 Julgamento objetivo Ser objetivo é ser direto naquilo que é proposto, portanto, na licitação temos o seu edital, o qual tem forma de lei perante todos os envolvidos e para julgar ou decidir, seja na habilitação ou nas propostas, deve se ter como critérios o que está estabelecido em edital, estando todos os envolvidos, participantes, comissão ou a própria administração, vinculados aos critérios ali propostos, sem haver discricionariedade no julgamento. No TCE PR temos o mural de licitações e todo mês temos que alimentar o sistema com as informações dos andamentos de todo e qualquer procedimento licitatório na fase em que se encontra. Acesse: <http://www1. tce.pr.gov.br/conteudo/licitacoes-municipais-mural-de-licitacoes/216>. Dentro do que você aprendeu sobre licitação, você acredita que a lei serve para burocratizar e complicar o processo de governança, ou efetivamente colabora para coibir a prática nociva à gestão pública? Orçamento Público e Licitação U1 50 1- Os processos licitatórios são divididos em modalidades para uma melhor escolha do fornecedor e conforme o valor da compra a ser realizada. Qual processo licitatório apresenta as seguintes características? [...] é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de três pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 horas da apresentação das propostas. a) Tomada de Preços. b) Concurso. c) Convite. d) Leilão. e) Concorrência. 2- Os processos licitatórios são divididos em modalidades para uma melhorescolha do fornecedor e conforme o valor da compra a ser realizada. Qual processo licitatório apresenta as seguintes características? [...] é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 dias. a) Convite. b) Tomada de Preços. c) Concurso. d) Leilão. e) Concorrência. Orçamento Público e Licitação U1 51 Nesta unidade tivemos a noção do planejamento, atualmente, na administração pública. Essa é uma das novidades da Constituição Federal de 1988 e possui o reforço nessa exigência com a Lei de Responsabilidade Fiscal que possui, como um dos pontos importantes do seu legado, o planejamento para que se consiga cumprir o programa de governo com melhor aplicação dos recursos públicos, além de não deixar dívidas para os sucessores. O que podemos concluir neste estudo é de que temos três instrumentos orçamentários que se completam. O primeiro, o PPA, possui o programa de trabalho do administrador em sua gestão, mas no início de seu mandato ele conclui o último ano de PPA do seu antecessor e paralelamente elabora o seu instrumento de médio prazo, por isso é dito que o PPA possui um ano de defasagem. Na sequência se tem a LDO que é elaborada com base no PPA e ainda direciona a elaboração da LOA. Todas essas peças orçamentárias advêm de projetos de leis de iniciativa do poder executivo que encaminha ao poder legislativo, para que este estude e aprove, retornando assim ao executivo para que este sancione e publique a lei. Verificamos ainda a Lei das licitações, que demonstrou que existem cinco modalidades para se executar uma licitação, em que deve ser verificada cada situação, de modo singular, para se chegar naquela que definitivamente será aplicada, obedecendo aos aspectos legais. Orçamento Público e Licitação U1 52 1- O Poder Executivo é responsável pela elaboração do orçamento. Para realizar esse planejamento a Constituição Federal prevê algumas leis que devem ser estabelecidas periodicamente, são elas: I- O Plano Plurianual (PPA). II- Lei Nº 4.320/64. III- A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). IV- Lei 101/00. V- A Lei Orçamentária Anual (LOA). a) Apenas as alternativas I e III. b) Apenas a alternativa IV. c) Apenas as alternativas I, III e V. d) Apenas as alternativas II e IV. e) Apenas a alternativa II. Orçamento Público e Licitação U1 53 2- Assinale a alternativa que apresenta o que é correto afirmar sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA): a) Terá duração de um ano. b) Prazo de envio ao legislativo para sua aprovação é de até 8 meses antes do encerramento de cada exercício financeiro. c) Terá duração de quatro anos. d) Possui um ano de defasagem e tem vigência de quatro anos. e) Prazo de envio ao legislativo para sua aprovação é até dois meses antes do encerramento de cada exercício financeiro. 3- A Lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, e orientará a elaboração da lei: a) Lei Orçamentária Anual. b) Lei nº 4.320/64. c) Lei para elaboração do Plano Plurianual. d) Lei nº 101/64. e) Lei de Responsabilidade Fiscal do Município. 4- Em termos de TIPOS de licitação, analise as afirmativas a seguir: I- Menor preço- nesse caso, o que vale é o menor preço. Teoricamente, esse menor preço pode chegar a zero (ou até mesmo a um preço negativo). No caso de algumas licitações, o menor preço está limitado ao que pode ser exequível. É o caso de obras públicas de grande porte. II- Melhor técnica- em alguns casos, principalmente quando o trabalho é complexo, o órgão público pode basear-se nos parâmetros técnicos para determinar o vencedor. III- Menor preço e melhor técnica- nesse caso, os dois parâmetros são importantes. Assim, no próprio edital de Orçamento Público e Licitação U1 54 licitação deve estar claro o peso que cada um dos parâmetros (preço e qualidade técnica) deve ter para que se possa fazer uma média ponderada. Estão corretas somente as afirmativas: a) I e II. b) I, II e III. c) I e III d) Somente III. e) Somente I. 5- Comente sobre os Princípios Orçamentários. U1 55Orçamento Público e Licitação Referências BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 1964. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4320.htm>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 1988. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm#adct>. Acesso em: 26 out. 2014. ______. Lei n. 8.429 de 2 de junho de 1992. Dispões sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l8429.htm>. Acesso em: 12 dez. 2014. ______. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da constituição federal, instituição normas para licitações e contratos da administração pública e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l8666cons.htm>. Acesso em: 12 dez. 2014. ______. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 26 out. 2014. ______. Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002. Institui, no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10520.htm>. Acesso em: 7 de jan. 2015. ______. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte I: Procedimentos Contábeis Orçamentários. 4. ed. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, 2012. Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/Parte_I_ PCO2012.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. Em uma parte do orçamento temos as receitas, após conceituá- las vamos classificá-las e ainda veremos em um plano de contas suas divisões e explicações. Seção 1 | Receitas Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade, vamos aprender a conceituar a receita dos entes públicos, assim como vamos classificá- la, porque ela se divide em algumas categorias econômicas, em origens e mais algumas subdivisões, por isso, é importante entender todo esse desdobramento. Também vamos percorrer o caminho que a receita realiza para ser concluída, ou chegar até os cofres do poder público. Iremos aprender a conceituar a despesa pública, entendendo ainda como ela se classifica e se desdobra, além de acompanhar como são suas fases de execução, ou seja, o caminho que ela percorre do início de realização até o final. Vânia de Almeida Silva Machado Unidade 2 RECEITA E DESPESA PÚBLICA É natural que após o mês trabalhado, o trabalhador receba seus proventos, seu salário.Todo trabalho deve ser recompensado, e o salário é o “reconhecimento” do serviço exercido. As empresas não possuem salário. Elas não são remuneradas de forma periódica, como ocorre com Seção 2 | Despesas Receita e Despesa Pública U2 58 o trabalhador comum. Aquilo que ela recebe em função do exercício de sua atividade é chamado de receita. No ramo empresarial, as receitas são oriundas de suas vendas e da prestação de seus serviços. Para a atividade pública, a receita provém dos tributos que os contribuintes pagam, com intuito de prover os serviços públicos prestados pelo governo. Longe da discussão da eficiência da gestão dos recursos públicos, ou ainda da pesada carga tributária praticada em solo brasileiro, esta seção apresentará conceitos e aspectos teóricos acerca das receitas públicas. Receita e Despesa Pública U2 59 Introdução à unidade Falamos na unidade anterior sobre orçamento público e as suas ferramentas para colocar em prática o planejamento na atividade pública. Pois bem, agora vamos nos aprofundar um pouquinho mais nesse campo e como o orçamento se trata do equilíbrio entre as receitas estimadas e as despesas fixadas, agora trataremos do ponto sobre as receitas, seu conceito e classificação. Assim como conceituamos e classificamos as receitas, vamos classificar e conceituar toda a despesa, seus estágios percorridos durante o exercício financeiro e, no encerramento do ano, como é o procedimento realizado com as despesas que não passarem por todos esses estágios. Sabia que tem uma forma de alterar, durante o exercício financeiro, as despesas que foram orçadas na Lei de Orçamento Anual – LOA? Pois bem, vamos ver como é esta alteração e sua classificação. Espero que seja esclarecido cada ponto deste mencionado e você, caro aluno, fique cada vez mais motivado pelo assunto. Vamos ao trabalho. Receita e Despesa Pública U2 60 Receita e Despesa Pública U2 61 Seção 1 Receitas É natural que após o mês trabalhado, o trabalhador receba seus proventos, seu salário. Todo trabalho deve ser recompensado, e o salário é o “reconhecimento” do serviço exercido. As empresas não possuem salário. Elas não são remuneradas de forma periódica, como ocorre com o trabalhador comum. Aquilo que ela recebe em função do exercício de sua atividade é chamado de receita. No ramo empresarial, as receitas são oriundas de suas vendas e da prestação de seus serviços. Para a atividade pública, a receita provém dos tributos que os contribuintes pagam, com intuito de prover os serviços públicos prestados pelo governo. Longe da discussão da eficiência da gestão dos recursos públicos, ou ainda da pesada carga tributária praticada em solo brasileiro, esta seção apresentará conceitos e aspectos teóricos acerca das receitas públicas. 1 Conceito Entende-se por receitas públicas, em sentido amplo, todo e qualquer recolhimento realizado aos cofres públicos, seja na forma de numerário, dinheiro, ou na forma de bens. Sendo essas entradas nos cofres públicos, os direitos que o Estado tem de receber em virtude de lei. Mesmo que estes valores não lhes pertençam, configurando uma receita temporária, pois deverá ser repassada para alguém, como iremos ver quando estivermos falando de receitas extraorçamentárias ou ingressos extraorçamentários. Após as atualizações recentes na contabilidade pública, temos no Manual da Receita que quando este fala em Receitas Públicas está se fazendo entender por Receitas Orçamentárias. Nossa como complicou hein?! Agora você me pergunta: o que é receita pública e o que é receita orçamentária? Então vamos por parte. Receitas públicas, pelo enfoque orçamentário, são as disponibilidades de recursos financeiros do exercício orçamentário, o ano em atividade, “[...] e cuja finalidade precípua é viabilizar a execução das políticas públicas”, ou o programa de governo do Gestor, “[...] a fim de atender às necessidades coletivas e demandas da Receita e Despesa Pública U2 62 sociedade” (BRASIL, 2012a, p. 11), conforme transcrito no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público – procedimentos contábeis orçamentários. Em outras palavras, são recursos financeiros que o governo possui para conseguir realizar os serviços públicos colocados a toda a sociedade e manter essa máquina, chamada de administração pública, em pleno funcionamento. Antes dessas atualizações do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, falava-se em receitas orçamentárias e receitas extraorçamentárias, a partir dessas atualizações, quando o manual se refere às receitas públicas ele está se referindo às Receitas Orçamentárias. Pois, quando ele for tratar da parte extraorçamentária não falará em receitas extraorçamentárias e sim em ingressos extraorçamentários. 2 Classificação da receita Classificar é igualmente dizer que vamos dividir em partes, dando nomes e especificando cada detalhe conforme cada divisão que surgir. Faremos a classificação para melhor agrupar as receitas do mesmo tipo e para que o leitor ou o cidadão, quando se deparar com um relatório que tenha as receitas, possa, da melhor forma possível e mais fácil, entender esses relatórios e o que aconteceu nesse ente público. Também nada acrescenta para decisões, informações nas publicações a toda sociedade se estiver toda a entrada dos recursos em uma única nomenclatura. Seria bem complicado não acha? Então vamos ver como fica a classificação das receitas no campo público. 3 Receita orçamentária Receitas orçamentárias são aquelas que estão contidas no Orçamento Público, na Lei de Orçamento Anual – LOA e com isso sabemos que se estão na lei, passaram pelo ciclo orçamentário e foram autorizadas pelo poder legislativo. 3.1 Receitas correntes Temos que as receitas correntes são aquelas destinadas a cobrir as despesas correntes, que são gastos realizados para a manutenção da máquina pública, com isso, são gastos contínuos, habituais. Na Lei nº 4.320/64, temos o conceito de Receitas Correntes como segue: Receita e Despesa Pública U2 63 Art. 11 - A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. § 1º - São Receitas Correntes as receitas tributárias, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (BRASIL, 1964). Portanto, as receitas correntes são divididas em ORIGENS da seguinte forma e com os seguintes dígitos identificadores: RECEITAS CORRENTES 1 - RECEITA TRIBUTÁRIA. 2 - RECEITA DE CONTRIBUIÇÕES. 3 - RECEITA PATRIMONIAL. 4 - RECEITA AGROPECUÁRIA. 5 - RECEITA INDUSTRIAL. 6 - RECEITA DE SERVIÇOS. 7 - TRANSFERÊNCIAS CORRENTES. 9 - OUTRAS RECEITAS CORRENTES. (BRASIL, 1964). Através deste artigo, vemos a divisão das Receitas Correntes da União, Estados, distrito Federal e Municípios. Assim, vamos ver cada uma delas. Receita tributária é composta pelas espécies de impostos, taxas e contribuições de melhoria que são os denominados tributos, conforme art. 5º do Código Tributário Nacional que afirma “Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria”. (BRASIL, 1966). Esse tipo de receita é resultante da cobrança de tributos do ente público e conforme o ente e as suas competências para arrecadação será os impostos arrecadados, pois temos impostos que são competência da União, outros que são exclusivos dos estados e distrito federal e ainda os que somente pertencem aos municípios. Nessa divisão, temos no art. 16 do Código Tributário Nacional o conceito da Receita e Despesa Pública U2 64 primeira espécie de tributos “Art. 16. Imposto é o tributocuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte” (BRASIL, 1966). Então, o imposto não é instituído com relação a um serviço que o Estado coloque à disposição do contribuinte, tal como a taxa, é conforme a próxima explicação. A taxa, a próxima subdivisão das receitas tributárias está disposta no art. 77 do Código Tributário Nacional: Art. 77. Taxas são cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. (BRASIL, 1966). Então, já podemos perceber uma diferença entre impostos e taxas, enquanto nos impostos não há qualquer vínculo em função de um serviço público, nas taxas pode haver ou não uma contraprestação de serviço público, pois estes, os serviços, são colocados à disposição dos contribuintes e estes possuem a faculdade de utilizar ou não estes serviços que estão a sua disposição. Por fim, temos a próxima espécie de tributo, descrita no art. 81 do Código Tributário Nacional: Art. 81. Contribuição de Melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. (BRASIL 1966). Nessa espécie de tributo, temos como fato gerador, ou seja, a situação que Receita e Despesa Pública U2 65 gerou a sua cobrança ou instituição uma obra que ocasionou uma valorização no imóvel do particular e com isso o poder público tem o direito de cobrar esse acréscimo do beneficiado com o seu gasto, a obra. Para se aprofundar um pouquinho mais em tributário e ver as competências tributárias de cada ente federado, acesse o link a seguir e veja o Código Tributário Nacional: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/L5172.htm>. Receita de Contribuições, próxima origem da categoria econômica de receitas correntes, diz respeito às intervenções sociais ou econômicas, dependendo da área em que é criada, ou ainda da contribuição cobrada de servidores em benefícios deles próprios para suas caixas de previdências. Em texto constitucional, no art. 195, temos expressamente que a seguridade social (saúde, previdência e assistência social) será financiada ou custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, através de recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e de contribuições sociais impostas. Para complementar ainda a composição das receitas que ajudam a financiar a Seguridade Social, está discriminado nos arts. 11 e 27 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que “instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social” que: Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I - receitas da União; II - receitas das contribuições sociais; III - receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; Receita e Despesa Pública U2 66 e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. Art. 27. Constituem outras receitas da Seguridade Social: I - as multas, a atualização monetária e os juros moratórios; II - a remuneração recebida por serviços de arrecadação, fiscalização e cobrança prestados a terceiros; III - as receitas provenientes de prestação de outros serviços e de fornecimento ou arrendamento de bens; IV - as demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras; V - as doações, legados, subvenções e outras receitas eventuais; VI - 50% (cinquenta por cento) dos valores obtidos e aplicados na forma do parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal; VII - 40% (quarenta por cento) do resultado dos leilões dos bens apreendidos pelo Departamento da Receita Federal; VIII - outras receitas previstas em legislação específica. (BRASIL, 1991). Portanto, fazendo parte das Receitas de contribuições temos: CONTRIBUIÇÕES DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE é tributo classificado no orçamento público como uma espécie de contribuição que atinge um determinado setor da economia, com finalidade de interviro no domínio econômico, instituída por um motivo específico. (BRASIL, 2012a, p. 20). Está qualificada em status constitucional. Essa intervenção chamada de CIDE se dá, por exemplo, para desenvolvimento de pesquisas para crescimento do setor e oferecimento de linhas de crédito para expansão da produção pela fiscalização, as chamadas atividades de fo- mento. Como exemplo prático de contribuição Receita e Despesa Pública U2 67 de intervenção no domínio econômico é o Adicional sobre Tarifas de Passagens Aéreas Domésticas, que são voltadas à suplementação tarifária de linhas aéreas regionais de passage- iros, de baixo e médio potencial de tráfego. (BRASIL, 2012a, p. 20). Já a Contribuição de Interesse das Categorias Profissionais ou Econômicas esta contribuição, diferentemente da intervenção no domínio econômico, é uma espécie de contribuição que possui a característica de atender a determinadas categorias profissionais ou categorias econômicas, vinculando a sua arrecadação às entidades que as criaram (BRASIL, 2012a). Essas contribuições não transitam pelo Orçamento da União, Estas contribuições são destinadas ao custeio das organizações de interesse de alguns grupos profissionais, tais como, por exemplo, podemos citar a OAB, o CREA, o CRM e diversos outros. Visam também ao custeio dos serviços sociais autônomos que são prestados no interesse dessas categorias, como SESI, SESC e SENAI. (BRASIL, 2012a, p. 21). É necessário deixar frisado “que existe uma diferença entre as contribuições sindicais aludidas acima e as contribuições confederativas. Conforme esclarece o art. 8º da Constituição Federal” (BRASIL, 2012a, p. 21). Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: (...) IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei (BRASIL, 1988). Assim, há a previsão constitucional de uma contribuição Receita e Despesa Pública U2 68 confederativa, fixada pela assembleia geral da sua categoria, e outra contribuição, prevista em lei, que é a contribuição sindical. A primeira, a contribuição confederativa não se trata de um tributo, pois será instituída pela assembleia geral e não através de uma lei. A segunda, a contribuição sindical, já é instituída por uma lei, portanto compulsória (obrigatória), e encontra sua regra matriz no art. 149 da Constituição Federal, possuindo assim natureza de tributo (BRASIL, 2012a, p. 21). Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previstono art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (BRASIL, 1988). CONTRIBUIÇÃO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA Esta contribuição foi instituída pela Emenda Constitucional nº 39, de 19 de dezembro de 2002, que acrescentou ao art. 149 o art. 149-A à Constituição Federal de 1988, possuindo essa contribuição a finalidade de custear o serviço de iluminação pública. A competência para instituição desta contribuição é dos Municípios e do Distrito Federal (BRASIL, 2012a, p. 21). Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere ao caput, na fatura de consumo de energia elétrica. (BRASIL, 2002). Com isso, Receita e Despesa Pública U2 69 [...] após esta Emenda constitucional os Municípios e o Distrito Federal, iniciaram o processo de regulamentação através de Lei Complementar, visando dar eficácia plena ao citado artigo 149-A da Constituição da República Federativa do Brasil. Sob a ótica da classificação da receita orçamentária, a “Contribuição de Iluminação Pública” é uma Espécie da Origem “Contribuições”, que integra a Categoria Econômica “Receitas Correntes”. (BRASIL, 2012a, p. 21-22). Receita Patrimonial são receitas correntes provenientes dos bens patrimoniais, sejam eles móveis ou imóveis, ou ainda na forma de valores (moeda corrente). Como exemplo, podemos mencionar os aluguéis recebidos de imóveis do ente público ou os rendimentos obtidos de uma aplicação financeira. Receita Agropecuária e Industrial, também são origens da categoria econômica corrente, são provenientes da atividade econômica exercida pelos entes públicos na atividade agropecuária ou industrial, tais como a venda de produtos agrícolas, pecuários, indústria de transformação ou construção. Receita de Serviços também provenientes da atividade econômica exercida pelos entes públicos em paridade com o particular, agora na forma de prestação de serviços, tais como serviços de transportes, serviços de reprodução ou fotocópias. Vamos aproveitar a oportunidade e o assunto para deixar demonstrada a distinção entre a Taxa e Preço Público. “A distinção entre taxa e preço público, também chamado de tarifa, está descrita na Súmula nº 545 do Supremo Tribunal Federal” (BRASIL, 2012a, p. 23). “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária, em relação à lei que a instituiu” (BRASIL, 1969). Assim, conforme afirmado anteriormente, preço público ou também podendo ser chamado de tarifa, decorre da utilização de serviços públicos facultativos, a escolha do indivíduo, que: Receita e Despesa Pública U2 70 [...] a Administração Pública, de forma direta ou por delegação para concessionária ou permissionária, coloca à disposição da população, que poderá escolher se contrata os serviços ou não. São serviços prestados em decorrência de uma relação contratual, entre particular e o poder público, regido pelo direito privado. A taxa decorre sempre de lei e serve para custear, naquilo que não forem cobertos pelos fatos geradores dos impostos, os serviços públicos, essenciais à soberania do Estado (a lei não autoriza que outros prestem alternativamente esses serviços), específicos e divisíveis, prestados ou colocados à disposição do contribuinte diretamente pelo Estado. Agora diferindo do preço público ou tarifa, as taxas são regidas pelas normas de direito público. Há casos em que não é tão simples estabelecer se um serviço é remunerado por taxa ou por preço público. Como exemplo, podemos citar a situação de fornecimento de energia elétrica. Em algumas localidades onde estes serviços forem colocados à disposição do usuário, pelo poder público, mas que a sua utilização seja de uso obrigatório, compulsório (por exemplo, a lei não permite que se coloque um gerador de energia elétrica), a remuneração destes serviços serão feitas através de taxas e sofrerá com isso todas as limitações impostas pelos princípios gerais de tributação (princípio da legalidade, princípio da anterioridade,...). Por outro lado, se a lei permite o uso de gerador próprio para obtenção de energia elétrica, o serviço estatal oferecido pelo poder público, ou por seus delegados (concessionários ou permissionários), não teria de natureza obrigatória, seria facultativo e, portanto, seria remunerado mediante preço público ou tarifa. (BRASIL, 2012a, p. 23-24). Transferências Correntes são receitas correntes provenientes de recebimentos de recursos de outras pessoas jurídicas de direito público ou privado com o intuito de aplicação em gastos com a manutenção da máquina pública, ou seja, despesas consideradas habituais ou que acontecem para dar continuidade ou andamento aos serviços colocados à disposição de toda a sociedade. Esses recursos recebidos pelo ente público ficam vinculados à finalidade que originou a transferência do recurso. Como exemplo, temos os convênios firmados, devendo os recursos recebidos serem aplicados somente na descrição de determinado que deu início à verba recebida. Outras Receitas Correntes, última origem das receitas correntes, são provenientes das receitas que não se incluem nas classificações anteriores. Então, Receita e Despesa Pública U2 71 temos aqui os juros e multas das receitas tributárias, das receitas não tributárias e das dívidas ativas, assim como indenizações e restituições e receitas diversas. 3.2 Receitas de capital Art. 11. § 2º - São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do Orçamento Corrente. (BRASIL, 1964). Agora, temos a divisão em ORIGENS das receitas de capital e com os dígitos identificadores destas receitas: 2 - RECEITAS DE CAPITAL: 1 - OPERAÇÕES DE CRÉDITO. 2 - ALIENAÇÃO DE BENS. 3 - AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS. 4 - TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL. 5 - OUTRAS RECEITAS DE CAPITAL (BRASIL, 1964). Quando se fala em operações de crédito, podemos entender por empréstimos em instituições financeiras, financiamentos junto a entidades estatais ou privadas, assim como ingressos de recursos advindos de colocação de títulos públicos. Ou seja, é a entrada de recursos através de uma constituição de dívida, podendo ser interna no país ou externa. A alienação de bens é o mesmo que venda de bens patrimoniais, sejam eles móveis ou imóveis, ou seja, é a transformação de bens do permanente do ente público em valores em espécie, sempre atento às particularidades e autorizações para venda desses bens. Amortizações de empréstimos são os recebimentos de partes ou a totalidade Receita e Despesa Pública U2 72 de empréstimos ou financiamentos realizados a terceiros, na forma de títulos ou contratos firmados. Transferências de capital são os recebimentos de recursos de pessoas de direito público ou privado, com a finalidade de atendimento de uma despesa de capital, que são aquelas que contribuem diretamente para a formação ou constituição de um bem de capital, como exemplo, pode-se citar uma obra ou aquisição de equipamentos permanente. Nas outras despesas de capital classificam-se como outras entradas de recursos de capital que não se enquadram nos conceitos anteriores. 3.2.1 Etapas da receita orçamentária No trajeto que a receita orçamentária percorre para sua execução, há uma ótima divisão para aumentarainda mais o entendimento desse caminho, são três etapas: • Planejamento. • Execução, dividindo-se em três estágios: a) Lançamento. b) Arrecadação. c) Recolhimento. • Controle e avaliação. Agora, você deve estar se perguntando o que é cada item desses, mas vamos às explicações e deixar bem claro para você como é todo esse trajeto. No planejamento temos o início de tudo, em conformidade com o que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal, é a fase em que se projetam as receitas com base numa arrecadação histórica, para a Lei de Orçamento Anual – LOA. E previsão é o planejamento da estimativa da receita, etapa fundamental, pois é com base nessa estimativa que irão se fixar as despesas do período correspondente. 4 Ingressos Extraorçamentários São tratadas como extraorçamentárias aquelas receitas temporárias aos cofres governamentais, ou seja, entra nos cofres públicos, mas não pertence a ele, devendo ser repassada ou devolvida a quem pertence. Receita e Despesa Pública U2 73 Como exemplo, podemos citar a retenção de INSS de funcionários ou de fornecedores, pois o ente governamental retém deste valor e após, em um determinado momento, deve recolher à previdência os valores retidos. No momento dessa retenção, entrada do recurso nos cofres públicos, houve um ingresso extraorçamentário, antes chamado de receita extraorçamentária. Além de outros exemplos, tais como as cauções, que são garantias entregues aos entes governamentais, e após cumprimento do acordado, é devolvido a quem de direito. Agora que estudamos a classificação da receita orçamentária, vamos pensar no seguinte: Conforme competência de arrecadação tributária em um determinado município como classificamos o IPTU? E no caso do mesmo município, mas agora com a receita de IPVA? 5 Receitas Intraorçamentárias Antes de conceituar as receitas intraorçamentárias, devemos compreender o que são as operações intraorçamentárias. Pois bem, então vamos a elas antes de qualquer coisa. As operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre os órgãos integrantes do orçamento fiscal e o orçamento da seguridade social, como vimos na Lei de Orçamento Anual, é formada pelos orçamentos fiscal, orçamento de investimento e orçamento de seguridade social. Então estamos falando de repasse orçamentário fiscal para a entidade de orçamento de seguridade social, que é o órgão previdenciário. Sendo o nosso tópico sobre as receitas intraorçamentárias, então temos que estas são receitas orçamentárias recebidas da própria administração pública, no mesmo nível federativo, que corresponde à mesma Lei de Orçamento Anual – LOA, já que esta possui todas as receitas e todas as despesas em um único documento, como determina os princípios da unidade e universalidade já estudados. Vamos citar um exemplo para que fique mais claro para você. Temos o repasse de um determinado município para o seu órgão de previdência própria, correspondendo à parte do empregador, despesa da prefeitura. Na administração direta será uma despesa, portanto, empenhado o encargo referente ao cálculo da sua participação, na modalidade correspondente 91 que significa a Aplicação Direta Intraorçamentária (veremos com mais detalhes na Unidade 4 – Despesas Receita e Despesa Pública U2 74 Públicas) e no órgão previdenciário deste mesmo município será lançada como receita de contribuição intraorçamentária. Já que em ambas as entidades estão como intraorçamentária, na consolidação deste ente federado, o município, essa despesa com a receita se anulam, não geram duplicidades ou novas receitas, já que são consideradas apenas movimentações entre os órgãos do mesmo nível. Sendo assim explicado pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN: Receitas de Operações Intraorçamentárias: Operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo, por isso, não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de receitas entre seus órgãos. As receitas intraorçamentárias são a contrapartida das despesas classificadas na Modalidade de Aplicação “91 – Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que, devidamente identificadas, possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais. (BRASIL, 2012a, p. 15). A Portaria Interministerial STN/SOF nº 338, de 26 de abril de 2006, incluiu as “Receitas Correntes Intraorçamentárias” e “Receitas de Capital Intraorçamentárias”, representadas, respectivamente, pelos códigos 7 e 8 em suas categorias econômicas. Essas classificações, segundo disposto pela portaria que as criou, não constituem novas categorias econômicas de receita, mas apenas especificações das categorias econômicas “Receita Corrente” e “Receita de Capital”. As receitas intraorçamentárias possuem a mesma classificação das receitas orçamentárias, dividindo-se em categorias econômicas (corrente e de capital), origens, espécies, rubricas, alíneas e subalíneas. Receita e Despesa Pública U2 75 6 Receitas originárias e derivadas A primeira distinção que obtemos das receitas é quanto a sua proveniência, quando dizemos que são receitas originárias, quer dizer que a receita foi gerada do próprio patrimônio, se originou do próprio patrimônio do ente público. Já quando falamos receitas derivadas, é sinal que foi gerada ou obtida de um patrimônio ou serviço de terceiros, ou seja, ela derivou do patrimônio de alguém. Essa classificação é advinda da doutrina que classifica as receitas públicas, quanto à sua procedência, em Originárias e Derivadas, explicaremos no parágrafo seguinte o que significa cada uma delas. Essa classificação possui uso acadêmico e não é normatizada, portanto, não é utilizada como classificador oficial da receita pelo poder público ou exigido pelos tribunais de contas. Diria que são didáticas e para estudo apenas. Receitas públicas Originárias, segundo a doutrina, seriam aquelas arrecadadas por meio da exploração de atividades econômicas pela Administração Pública. Resultariam, principalmente, de rendas do patrimônio mobiliário e imobiliário do Estado (receita de aluguel), de preços públicos, de prestação de serviços comerciais e de venda de produtos industriais ou agropecuários. Receitas públicas Derivadas, segundo a doutrina, seria a receita obtida pelo poder público por meio da soberania estatal. Decorreriam de imposição constitucional ou legal e, por isso, auferidas de forma impositiva. (BRASIL, 2012a, p. 12). Como, por exemplo, as receitas tributárias e as de contribuições especiais, em que o poder público usa da sua supremacia e do seu poder de coerção para impor e obrigar que seja pago. 7 Receitas efetivas e não efetivas Quando falamos em efetividade ou não da receita, é no sentido de alteração do patrimônio do ente público no momento em que ela se realiza, e o momento desta realização é o estágio da execução chamado de arrecadação. Então, quando existe a arrecadação da receita o patrimônio da entidade sofreu Receita e Despesa Pública U2 76 alteração? Se sim, estamos falando de uma receita efetiva. Mas se a alteração do patrimônio deste ente sofreu alteração quando do registro do seu lançamento, devido ao regime da competência e natureza patrimonial, então na sua arrecadação não sofrerá novamente a alteração, portanto, trata-se uma receita não efetiva. 1- Quanto à categoria econômica, os §§ 1o e 2o do art. 11 da Lei nº 4.320, de 1964, classificam as receitas orçamentárias em: a) Receitas Orçamentárias Correntes e Receitas Patrimoniais de Capital. b) Receitas PatrimoniaisCorrentes e Receitas Orçamentárias de Capital. c) Receitas Orçamentárias Correntes e Receitas Orçamentárias de Capital. d) Receitas Patrimoniais Correntes e Receitas Patrimoniais de Capital. e) Receita Extra Orçamentária Patrimonial Corrente e Receita Extra Orçamentária de Capital. 2- São exemplos de Receitas Correntes, exceto: a) Receita Tributária. b) Receita de Contribuições. c) Receita Patrimonial. d) Transferências de Capital. e) Transferências Correntes. 3- As receitas orçamentárias são classificadas segundo quais critérios? a) Natureza e Fontes de Recursos. b) Grupos. c) Indicador de Resultado Primário. d) Receitas do Orçamento da Seguridade Social. e) Todas as alternativas são corretas. Receita e Despesa Pública U2 77 Seção 2 Despesas Quando, em nosso orçamento particular, realizamos compras a prazo, ou contabilizamos as dívidas periódicas, como conta de água, luz, telefone etc., denominamos todas elas de despesas. O gasto em supermercado é despesa. As prestações e contas periódicas também o são. Algumas pessoas têm o hábito de separar as despesas domésticas em fixas e variáveis. Na entidade pública, as despesas possuem denotação análoga. Entende-se por despesa pública os gastos realizados pelos entes públicos. Neste cenário, contudo, as despesas podem ser orçamentárias ou extraorçamentárias. Vamos entender um pouco mais sobre despesas e como elas são classificadas e cumpridas pelas entidades públicas. 1 Conceito Por despesa pública entendemos todos os gastos obtidos pelos entes públicos para manutenção da máquina pública e dos serviços colocados à disposição de toda a sociedade. Sejam estas despesas autorizadas ou não legislativamente. 2 Classificação da despesa A despesa pública classifica-se em dois grupos: Despesa Orçamentária e Despesa Extraorçamentária, que iremos estudar detalhadamente a seguir. 2.1 Despesa orçamentária As despesas orçamentárias são aquelas que constam no orçamento público, e para estar nessa lei de orçamento foram autorizadas pelo poder legislativo. Quando do ciclo orçamentário, o poder executivo tem a iniciativa e envia o projeto de lei para o legislativo estudar e aprovar tal lei. Essas despesas são divididas em categorias econômicas, sendo elas as despesas correntes e despesas de capital. Receita e Despesa Pública U2 78 Figura 2.1 | Grupo da Natureza da Despesa Fonte: Brasil (2012b). 2.1.1 Despesas Correntes Todas as despesas que não contribuem ou não se relacionam com a formação de um bem de capital, ou seja, são despesas operacionais que estão ligadas com a continuidade ou manutenção do ente público, tais como pagamento de funcionários, os encargos trabalhistas, pagamento de serviços realizados referentes à limpeza, vigilância, telefonia, saneamento, energia elétrica etc., enfim, todas aquelas despesas que se destinam a dar suporte para que o ente público possa manter essa entidade em funcionamento e prestando os serviços à sociedade. Dentro de cada categoria econômica se tem outra divisão, agora chamada de grupo da despesa, sendo esses grupos, conforme figura anterior: a despesa corrente se dividindo em pessoal e encargos sociais, juros e encargos da dívida, outras despesas correntes e a despesa de capital se dividindo em investimento, inversão financeira e amortização da dívida. Vamos explicar cada uma, conforme a Portaria Interministerial nº 163 de 4 de maio de 2001 e suas atualizações. Pessoal e Encargos Sociais Despesas orçamentárias com pessoal ativo, inativo e pensionistas, relativas a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies Receita e Despesa Pública U2 79 remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência, conforme estabelece o caput do art. 18 da Lei Complementar 101, de 2000. Juros e Encargos da Dívida Despesas orçamentárias com o pagamento de juros, comissões e outros encargos de operações de crédito internas e externas contratadas, bem como da dívida pública mobiliária. Outras Despesas Correntes Despesas orçamentárias com aquisição de material de consumo, pagamento de diárias, contribuições, subvenções, auxílio-alimentação, auxílio- transporte, além de outras despesas da categoria econômica "Despesas Correntes" não classificáveis nos demais grupos de natureza de despesa. (BRASIL, 2012a, p. 60). Acesse a Portaria Interministerial nº 163 de 4 de maio de 2001 no site <http://www.tce.rn.gov.br/2009/download/resolucoes_stn/PORT- INTERMINISTERIAL_1632001.pdf>. Após os grupos de natureza de despesa, esses gastos se classificam ainda em modalidades, isso quer dizer onde será aplicado tal gasto no ente público, se é direto o gasto ou se será direcionado a outro órgão ou entidade e ainda se dentro do mesmo ente federado, tal como o § 1º, art. 3º da Portaria Interministerial nº 163/01: Receita e Despesa Pública U2 80 § 1º A natureza da despesa será complementada pela informação gerencial denominada “modalidade de aplicação”, a qual tem por finalidade indicar se os recursos são aplicados diretamente por órgãos ou entidades no âmbito da mesma esfera de Governo ou por outro ente da Federação e suas respectivas entidades, e objetiva, precipuamente, possibilitar a eliminação da dupla contagem dos recursos transferidos ou descentralizados. (BRASIL, 2001, p. 2). Assim, veja a seguir as modalidades de aplicação que temos: Quadro 2.1 | Modalidade de Aplicação CÓDIGO CÓDIGO MODALIDADES DE APLICAÇÃO 20 Transferências à União. 22 Execução Orçamentária Delegada à União. 30 Transferências a Estados e ao Distrito Federal. 31 Transferências a Estados e ao Distrito Federal - Fundo a Fundo. 32 Execução Orçamentária Delegada a Estados e ao Distrito Federal. 35 Transferências Fundo a Fundo aos Estados e ao Distrito Federal à conta de recursos de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei Complementar no 141, de 2012 36 Transferências Fundo a Fundo aos Estados e ao Distrito Federal à conta de recursos de que trata o art. 25 da Lei Complementar nº141, de 2012 40 Transferências a Municípios. 41 Transferências a Municípios - Fundo a Fundo. 42 Execução Orçamentária Delegada a Municípios. 45 Transferências Fundo a Fundo aos Municípios à conta de recursos de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 46 Transferências Fundo a Fundo aos Municípios à conta de recursos de que trata o art. 25 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 50 Transferências a Instituições Privadas sem Fins Lucrativos. 60 Transferências a Instituições Privadas com Fins Lucrativos. 70 Transferências a Instituições Multigovernamentais. 71 Transferências a Consórcios Públicos mediante contrato de rateio. 72 Execução Orçamentária Delegada a Consórcios Públicos. 73 Transferências a Consórcios Públicos mediante contrato de rateio à conta de recursos de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 74 Transferências a Consórcios Públicos mediante contrato de rateio à conta de recursos de que trata o art. 25 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 75 Transferências a Instituições Multigovernamentais à conta de recursos de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei Complementar nº 141, de 2012. Receita e Despesa Pública U2 81 Fonte: Brasil (2014). 76 Transferências a Instituições Multigovernamentais à conta de recursos de que trata o art. 25 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 80 Transferências ao Exterior. 90Aplicações Diretas. 91 Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. 93 Aplicação Direta Decorrente de Operação de Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social com Consórcio Público do qual o Ente Participe. 94 Aplicação Direta Decorrente de Operação de Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social com Consórcio Público do qual o Ente Não Participe. 95 Aplicação Direta à conta de recursos de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 24 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 96 Aplicação Direta à conta de recursos de que trata o art. 25 da Lei Complementar nº 141, de 2012. 99 A Definir. Como exemplo, podemos citar: A União para efetuar um pagamento a Fundo Monetário Internacional – FMI, utilizará a modalidade 80, Transferências ao Exterior; pagamento aos seus próprios servidores do salário mensal, será utilizado a modalidade 90, pois é uma aplicação dentro do próprio órgão e no caso de transferência de recursos, dentro do próprio orçamento, mas órgãos diferentes, será utilizado a modalidade 91. 1.1.2 Despesas de Capital Essa categoria econômica recebe todos os gastos que estão ligados direta ou indiretamente para aquisições ou formação de bens de capital. Mas o que é bem de capital? Bens de capital são tudo aquilo que forma o patrimônio do ente, ou seja, podemos incluir como bens de capital os equipamentos, máquinas, veículos, móveis, ações, obras (construções). As despesas de capital se dividem em: investimentos, inversões financeiras e amortização da dívida. Como vimos, o desdobramento das despesas correntes conforme a Portaria Interministerial nº 163/2001, também vamos ver o desdobramento quanto às despesas de capital. Receita e Despesa Pública U2 82 Investimentos Despesas orçamentárias com softwares e com o planejamento e a execução de obras, inclusive com a aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas, e com a aquisição de instalações, equipamentos e material permanente. Inversões Financeiras Despesas orçamentárias com a aquisição de imóveis ou bens de capital já em utilização; aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento do capital; e com a constituição ou aumento do capital de empresas, além de outras despesas classificáveis neste grupo. Amortização da Dívida Despesas orçamentárias com o pagamento e/ou refinanciamento do principal e da atualização monetária ou cambial da dívida pública interna e externa, contratual ou mobiliária (BRASIL, 2012a, p. 60-61). DESPESA CORRENTE X DESPESA DE CAPITAL CATEGORIA ECONÔMICA DESPESA CORRENTE Não contribui para formação ou aquisição bem de capital. Pode provocar registro em ATIVOS ou PASSIVOS CIRCULANTES. DESPESA DE CAPITAL Contribui para formação ou aquisição de bem de capital ou amortização de dívida. Provoca, em geral, registro no ATIVO ou no PASSIVO NÃO CIRCULANTE (BRASIL, 2014). Para ajudar ainda no esclarecimento da classificação orçamentária de despesas, o Manual de Contabilidade Aplicado no Setor Público, parte I – Procedimentos Contábeis Orçamentários traz algumas explicações. Receita e Despesa Pública U2 83 Material de consumo, é aquele que, normalmente, perde a sua identificação devido ao uso corrente e possui a sua utilização limitada a dois anos, já o material permanente, ao contrário do material de consumo, não ocorre a perda da sua identidade física, e também a sua durabilidade é superior a dois anos. Além deste conceito, temos alguns pontos para analisar o gasto e verificar se enquadra em uma das opções elencadas: Um material é considerado de consumo caso atenda um, e pelo menos um, dos critérios a seguir: Critério da Durabilidade – Se em uso normal perde ou tem reduzidas as suas condições de funcionamento, no prazo máximo de dois anos. Critério da Fragilidade – Se sua estrutura for quebradiça, deformável ou danificável, caracterizando sua irrecuperabilidade e perda de sua identidade ou funcionalidade. Critério da Perecibilidade – Se está sujeito a modificações (químicas ou físicas) ou se deteriora ou perde sua característica pelo uso normal. Critério da Incorporabilidade – Se está destinado à incorporação a outro bem, e não pode ser retirado sem prejuízo das características físicas e funcionais do principal. Pode ser utilizado para a constituição de novos bens, melhoria ou adições complementares de bens em utilização (sendo classificado como 4.4.90.30), ou para a reposição de peças para manutenção do seu uso normal que contenham a mesma configuração (sendo classificado como 3.3.90.30). Critério da Transformabilidade – Se foi adquirido para fim de transformação. (BRASIL, 2012a, p. 104-105). Com base nestas informações vamos a alguns exemplos práticos: Exemplo 1: SERVIÇOS DE TERCEIROS X MATERIAL DE CONSUMO • Fornecimento de alimentação: Receita e Despesa Pública U2 84 Se o ente público fornecer os alimentos e a contratada somente efetuar a confecção da refeição, temos a classificação de serviços. Se o ente público não fornecer os alimentos para a contratada, ou seja, ela fornecer a confecção da refeição mais os alimentos, agora classificamos em material de consumo, gêneros alimentícios. Exemplo 2: OBRAS E INSTALAÇÕES X SERVIÇOS DE TERCEIROS • Obras: Se o gasto realizado não incrementou ou não trouxe aumento de benefícios ao bem, a classificação é de serviços de terceiros, manutenção do bem imóvel. Se o gasto realizado trouxe aumento de benefícios ao bem, a classificação é de obras e instalações. Então temos que se o gasto realizado não tem ampliação do imóvel e acréscimo, estamos falando em serviços, mas se neste gasto houve aumento relevante de potencial de geração de benefícios econômicos do bem, temos uma obras e instalações. Exemplo 3: EQUIPAMENTOS E MATERIAL PERMANENTE X MATERIAL DE CONSUMO • Aquisição de livro: Se o livro é para finalidade de biblioteca pública, é classificado em material de consumo. Se o livro é para ser utilizado pelos auditores fiscais, ou seja, um grupo selecionado, a classificação agora é em material permanente. 2.1.2.1 Estágios na execução da despesa orçamentária Na despesa classificada como despesa orçamentária, aquela em que deve estar fixada no orçamento e por consequência disto é autorizada pelo poder legislativo, a sua utilização, possui fases a serem percorridas na sua execução Receita e Despesa Pública U2 85 que são chamados de estágios, sendo obrigatórios esses estágios na seguinte ordem: empenho, liquidação e pagamento. Nossa! Agora complicou, você deve estar pensando. Mas não, vamos passo a passo ver como a despesa orçamentária acontece na sua totalidade. Empenho: essa fase está conceituada no art. 58 da Lei nº 4.320/64, como a seguir transcrito: “Art. 58. O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição” (BRASIL, 1964). Então, vemos que esse estágio é quando a autoridade do ente público autoriza que determinada despesa seja realizada por determinado fornecedor, especificando também a quantidade do serviço ou mercadoria, especificações e valores. Além de que, quando se realiza um empenho automaticamente se reserva aquele valor no orçamento para essa finalidade. Ainda na Lei nº 4.320/64 se tem a proibição de realizar uma despesa sem que haja a sua autorização primeiramente, isso está expresso no art. 60 da referida lei. “Art. 60. É vedada a realização de despesa sem prévio empenho” (BRASIL, 1964). No § 1º deste mesmoartigo, temos uma dispensa quanto à emissão da nota de empenho em casos específicos (BRASIL, 1964) e muitos servidores ou estudantes tendem a entender que em determinados casos não há a obrigatoriedade do empenho em si, entendimento errado, pois aqui podemos citar como exemplo a folha de pagamento de um município. Já imaginaram imprimir nota por nota de empenhos em nome de cada servidor? Pois bem, é nesse sentido que o § está sendo direcionado, a emissão da nota está dispensada, mas não o empenho em si. Existem três tipos de empenhos, os chamados ordinários, os por estimativa e os globais. Empenhos ordinários são aqueles normalmente utilizados, em que sabemos o valor correto da despesa, com isso, procede-se ao empenho no valor exato do gasto. Quando falamos em empenho por estimativa são aqueles em que não se pode determinar o montante (BRASIL, 1964), por exemplo, devido ao princípio da competência, o correto é se empenhar dentro do próprio mês o gasto realizado, tal como citamos aqui, gasto com energia elétrica, mas que só receberemos a fatura deste gasto no início do mês, dias antes do vencimento, então como proceder para obedecermos ao princípio da competência? Empenhamos o valor que em média gastamos, quando da ocasião do recebimento da fatura e constatarmos o real valor, se o valor empenhado estiver acima do valor da fatura podemos realizar um estorno do excedente; mas se o empenho estiver a menor, aí podemos realizar um empenho complementar àquele, devido ao valor não comportar o total da despesa. E por último, temos o empenho global que pode ser realizado quando trata-se de despesas contratuais ou sujeitas a parcelamento, com isso empenha-se o seu total, através do empenho tipo global e vai liquidando suas parcelas, conforme haja a Receita e Despesa Pública U2 86 concretização do serviço ou das entregas de mercadorias (BRASIL, 1964), conforme veremos no próximo estágio denominado de liquidação. Liquidação: esse estágio da execução da despesa orçamentária é quando a administração pública constata que o serviço foi prestado ou a mercadoria foi entregue, ou seja, verifica que a despesa foi corretamente realizada, princípio da competência. Temos o conceito de liquidação expressa no art. 63, da Lei nº 4.320/64, conforme segue: “Art. 63. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito” (BRASIL, 1964). Com o artigo da Lei nº 4.320/64 também aprendemos que esta fase tem o objetivo de verificar a real prestação da obrigação pelo credor, ou seja, se o fornecedor cumpriu com sua obrigação corretamente, quem é o fornecedor, qual o valor correto do ato realizado e confirmação do objeto a ser pago. Restando, portanto, somente a administração cumprir com sua parte na relação, que é o pagamento pela despesa realizada, sendo o nosso próximo estágio da execução da despesa orçamentária. Pagamento: agora estamos no final do percurso da execução orçamentária, a fase que após termos a autorização para realização de determinado gasto, que é o chamado empenho, também já tivemos a confirmação da mercadoria entregue ou o serviço prestado corretamente, agora resta a administração pública cumprir com a sua parte, já que o fornecedor cumpriu com a sua obrigação, adquirindo o direito pelo recebimento. Assim, é emitido pelo órgão responsável pelo desembolso, o documento chamado de “ordem de pagamento” e assinado pela autoridade incumbida de assinar tal ato perante o ente público, conforme transcrito no art. 64 da Lei nº 4.320/64, “Art. 64. A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga” (BRASIL, 1964). Portanto, completa-se todo o caminho da execução da despesa orçamentária, conforme determinação em lei. 2.2 Dispêndios extraorçamentários Essas despesas diferem das orçamentárias, enquanto as orçamentárias necessitam e devem possuir autorização legislativa e constar no orçamento, os dispêndios ou saídas extraorçamentárias acontecem naturalmente durante o exercício financeiro como contrapartida de uma receita ou ingresso extraorçamentário, que são as receitas temporárias e não possuem ao ente público, ou são os pagamentos dos Restos a Pagar. Como exemplo, podemos citar o recolhimento realizado ao INSS, parte descontada dos empregados, as cauções, garantias, etc. Receita e Despesa Pública U2 87 2.3 Restos a pagar A despesa orçamentária deverá ser executada pelo regime de competência, atendo aos princípios de contabilidade e lembrando dois pontos importantes: O art. 35 da Lei nº 4.320/64 que estabelece em seu inciso II: “Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: II - as despesas nele legalmente empenhadas” (BRASIL, 1964). As despesas orçamentárias devem, obrigatoriamente, percorrer os estágios da execução, sendo eles: empenho, liquidação e pagamento. Então surge a pergunta: o que fazer com as despesas orçamentárias que não cumprem todos os estágios da execução da despesa dentro do exercício financeiro em que pertencem? Pois bem, inscrevemos essas despesas orçamentárias que não atingiram todos os estágios da execução dentro do exercício financeiro que pertencem em Restos a Pagar, pois conforme a Lei nº 4.320/64 em seu art. 36 define: “Art. 36. Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas, mas não pagas até o dia 31 de dezembro, distinguindo-se as processadas das não processadas” (BRASIL, 1964). Primeiro, frisando o que é Restos a Pagar, pelo nome já podemos ter uma noção de que é algo que ficou a pagar em um determinado exercício financeiro, se faltou ou ficou a pagar não cumpriu todos os estágios obrigatórios da execução da despesa orçamentária, então o inscrevemos em Restos a Pagar e no exercício financeiro seguinte ele é um extraorçamentário já que no exercício anterior ele pertenceu ao orçamento e já teve o seu empenho realizado. Também os Restos a Pagar é chamada de Dívida Flutuante, como o nome sugere é algo leve que flutua, ou seja, é uma dívida de curto prazo, sendo realizada até o final do exercício financeiro seguinte e por ser extraorçamentária essa dívida não necessita de autorização orçamentária. Ainda sobre a inscrição em Restos a Pagar, a Lei de Responsabilidade em seu art. 42 também se manifesta: Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. (BRASIL, 2000). Receita e Despesa Pública U2 88 Neste artigo, temos uma restrição em último ano de mandato do gestor, para que este não assuma despesas que não possa cumprir, deixando um amontoado de dívida para o seu sucessor, inscrevendo em Restos a Pagar. Uma das inovações da chamada LRF. Quando se diz “distinguindo-se as processadas das não processadas”, diz respeito ao estágio chamado de liquidação da execução da despesa, quando a despesa orçamentária atingiu o estágio da liquidação, ou seja, foi constatado o recebimento da mercadoria adquirida ou o serviço prestado conforme nota de empenho, criando assim uma obrigação com o credor do bem fornecido ou do serviço prestado, quer dizer que será um resto a pagar processado, pois somente não atingiu ao estágio do pagamento. Quando a despesa orçamentária nem atingiu a liquidação, portanto, nem foi entregue ou também não prestado o serviço, é um resto a pagar não processado. Assim, temos que se a despesa é liquidada dizemos que ela é processada e a despesa não liquidada é não processada. Quanto ao assunto de cancelamento de Restos a Pagar, temos que os restos a pagar processados não podem ser cancelados,pois por ser processado quer dizer que este resto cumpriu com o estágio da liquidação, ou seja, que o credor ou o fornecedor cumpriu com a sua obrigação que é a entrega do produto ou a prestação do serviço e algum funcionário assinou, constatando a obrigação cumprida, então com isso o ente público não pode se negar a cumprir com a sua parte no contrato ou na obrigação devido ao princípio da moralidade que norteia todo o campo da administração pública conforme art. 37 da Constituição Federal (art. citado a seguir) além de que, se isso acontecer, configura o enriquecimento ilícito. “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte [...]” (BRASIL, 1988). 2.4 Créditos Adicionais Na Lei nº 4.320/64 temos o Capítulo V dedicado aos Créditos Adicionais e no art. 40, conceituando o assunto: “Art. 40. São créditos adicionais, as autorizações de despesa não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento” (BRASIL, 1964). Temos na contabilidade pública dois tipos de créditos orçamentários, os iniciais, que advém do próprio orçamento e sua aprovação, e os créditos adicionais, que são aqueles que aparecem e são autorizados durante a realização do orçamento e o transcorrer do exercício financeiro. Esses créditos adicionais aumentam dotações existentes ou não e são divididos em suplementares, especiais ou extraordinários, como exposto no art. 41 da Lei nº 4.320/64: Receita e Despesa Pública U2 89 Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em: I - suplementares, os destinados a refôrço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. (BRASIL, 1964). Quando se fala em créditos adicionais suplementares, inciso I do artigo citado, são os créditos adicionais aprovados para aumentar o valor de dotação já existente e autorizada. Seja por qual razão for, que a ter que empenhar previamente a realização da despesa, o valor correspondente a ela, não tendo saldo, abre um crédito para suplementar a dotação já existente. Já para os créditos adicionais especiais, inciso II, é para quando deverá acontecer uma despesa orçamentária que não havia o planejamento para sua realização e com isso se deve criar uma dotação, diferente da suplementar que já existia e apenas não tinha saldo suficiente. E, por último, o inciso III tem o crédito adicional extraordinário, o qual é utilizado quando se relaciona o gasto com a emergência, então em casos de despesas urgentes ou imprevistas, abre-se um crédito extraordinário que possui algumas particularidades, como exemplo, podem-se citar os estragos ocasionados por uma forte chuva, em que o poder público, para atender aos desabrigados e aos estragos ocorridos, pode utilizar esse tipo de crédito adicional. Os créditos adicionais serão abertos por decreto do poder executivo, e quando os créditos adicionais forem os suplementares ou os especiais dependem de existência de recursos para proceder a sua abertura, além de expor a justificativa para essa abertura, conforme art. 42 e 43 da Lei nº 4.320/64: Art. 42. Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos por decreto executivo. Art. 43. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa. (BRASIL, 1964). Receita e Despesa Pública U2 90 Quanto a esses recursos disponíveis, no § 1º, do art. 43, da Lei nº 4.320/64, traz em seus incisos quatro possibilidades para que esses adicionais ocorram, sendo eles: I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior; II - os provenientes de excesso de arrecadação; III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em Lei; IV - o produto de operações de crédito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao poder executivo realizá-las. (BRASIL, 1964). Mas agora, quando se trata do crédito adicional extraordinário assim que aberto deverá ser comunicado ao poder legislativo. “Art. 44. Os créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder Executivo, que deles dará imediato conhecimento ao Poder Legislativo” (BRASIL, 1964). 2.5 Despesas dos exercícios anteriores Quando falamos em despesas dos exercícios anteriores, estamos tratando de despesas que foram fixadas no orçamento vigente, mas são decorrentes de compromissos assumidos em exercícios anteriores àquele em que estamos percorrendo. Não confundir as despesas de exercícios anteriores com os chamados restos a pagar, pois aquelas estão autorizadas no orçamento vigente e os restos a pagar já foram empenhados, então já esteve um dia em orçamento, mas não neste. Segundo o art. 37 da Lei nº 4.320/1964: Art. 37. As despesas de exercícios encerrados, para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio, com saldo suficiente para atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como os Restos a Pagar com prescrição interrompida e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de dotação específica consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedecida, sempre que possível, a ordem cronológica. (BRASIL, 1964). Receita e Despesa Pública U2 91 O reconhecimento da obrigação de pagamento das despesas com exercícios anteriores cabe à autoridade competente para empenhar a despesa. 2.6 Destinação ou fonte de recursos Existe uma classificação dentro do orçamento que permite a identificação dos gastos públicos. A destinação ou fontes de recursos são associadas às despesas específicas, de forma que evidencie os meios para atingir os objetivos públicos, fazendo o papel de integração entre a receita de determinada fonte e as suas aplicações. Na receita orçamentária, a fonte tem a finalidade de indicar a destinação de recursos para a realização de despesas orçamentárias específicas, enquanto que na despesa orçamentária, identifica a origem dos recursos que estão sendo utilizados. 2.7 Despesas públicas com enfoque na LRF Você já deve ter ouvido alguém dizer que após a LRF muita coisa mudou na atividade pública. Pois bem, vamos ver o que essa lei trouxe de inovação na parte da despesa pública. Como mencionado anteriormente, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a LC nº 101, de 4 de maio de 2000 (BRASIL, 2000) que surgiu devido à grande quantidade de escândalos no país, para fiscalizar as atitudes dos gestores e também delimitar seus atos de gestão, veio com três pontos fundamentais na sua normativa ou pilares da LRF: planejamento, transparência e controle. No assunto planejamento, a LRF exige dos entes públicos a sua programação financeira e um cronograma de como se realizará mensalmente os seus desembolsos, conforme é descrito no art. 8º desta lei: Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4º, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso. (BRASIL, 2000). Receita e Despesa Pública U2 92 Portanto, podemos concluir com esse artigo, que o legislador veio reforçar que o setor público se planeje, forçando a todos, abrangidos pela LRF, que além de se planejar, publiquem para a sociedade, que é a fiscalização social, e informem ainda ao Tribunal de Contasrespectivo de seu Estado essa programação para ser devidamente acompanhada com o montante dos seus gastos. Portanto, uma das formas de controle que veio a inovar na atividade pública. Como ponto a cercear as ações dos gestores públicos, a LRF trouxe também a inovação de que até 30 dias após o encerramento de um bimestre, deverá o ente público divulgar as informação da execução orçamentária, suas receitas e suas despesas, através da publicação dos Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária – RREO que traz os seguintes anexos: • Balanço Orçamentário – Receita. • Balanço Orçamentário – Despesa. • Demonstrativo da Execução das Despesas por Função/Subfunção. • Demonstrativo das Receitas e Despesas Previdenciárias do Regime Próprio dos Servidores Públicos. • Demonstrativo das Receitas Líquidas de Impostos e das Despesas Próprias com Saúde. • Demonstrativo das Receitas e Despesas com Manutenção e Desenvolvimento do Ensino. • Demonstrativo do Resultado Nominal. • Demonstrativo de Restos a Pagar por Poder e Órgão. • Demonstrativo do Resultado Primário. • Demonstrativo da Receita Corrente Líquida. • Demonstrativo das Receitas de Operações de Crédito e Despesas de Capital. • Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos. • Demonstrativo das Despesas de Caráter Continuado Derivadas das Parcerias Público-Privadas Contratadas. • Demonstrativo Simplificado do Relatório Resumido Execução Orçamentária. Portanto, esses relatórios são publicados até 30 dias após o encerramento de Receita e Despesa Pública U2 93 cada bimestre, então temos a divulgação destes relatórios nos prazos de março, maio, julho, setembro, novembro e janeiro, como expresso no art. 52 e 53 da LRF: Art. 52. O relatório a que se refere o § 3º do art. 165 da Constituição abrangerá todos os Poderes e o Ministério Público, será publicado até trinta dias após o encerramento de cada bimestre e composto de: I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria econômica, as: a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a previsão atualizada; b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para o exercício, a despesa liquidada e o saldo; II - demonstrativos da execução das: a) receitas, por categoria econômica e fonte, especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para o exercício, a receita realizada no bimestre, a realizada no exercício e a previsão a realizar; b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza da despesa, discriminando dotação inicial, dotação para o exercício, despesas empenhada e liquidada, no bimestre e no exercício; c) despesas, por função e subfunção. § 1º Os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária constarão destacadamente nas receitas de operações de crédito e nas despesas com amortização da dívida. § 2º O descumprimento do prazo previsto neste artigo sujeita o ente às sanções previstas no § 2º do art. 51. Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido demonstrativos relativos a: I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida no inciso IV do art. 2º, sua evolução, assim como a previsão de seu desempenho até o final do exercício; II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o inciso IV do art. 50; III - resultados nominal e primário; IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4º; V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão referido no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos realizados e o montante a pagar. § 1º O relatório referente ao último bimestre do exercício será acompanhado também de demonstrativos: I - do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição, conforme o § 3º do art. 32; II - das projeções atuariais dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos; III - da variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação dos recursos dela decorrentes. (BRASIL, 2000). Receita e Despesa Pública U2 94 Nesses relatórios podemos acompanhar a realização do orçamento no bimestre e a realização acumulada até o período, assim como verificar algumas metas fixadas na Lei de Diretrizes Orçamentária – LDO, tais como Resultado Primário e Resultado Nominal. O balanço orçamentário apresentado, tanto receita quanto despesa por categoria econômica, é semelhante ao apresentado como Anexo 12, conforme novas normas de contabilidade aplicada ao setor público. Na Receita Corrente Líquida – RCL são realizadas das receitas orçamentárias no mês e mais os onze meses anteriores, fechando o cálculo com um período de um ano das receitas tributárias, receitas de contribuições, receitas patrimoniais, agropecuárias, industriais, de serviços, transferências correntes e outras receitas correntes, deduzindo as transferências constitucionais repassadas a outros entes federados e contribuições ao sistema previdenciário, assim como transcrito no art. 2º, inciso IV e alíneas da Lei de Responsabilidade Fiscal: IV - receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição. (BRASIL, 2000). Esses não são os únicos relatórios obrigados pela LRF para a publicação, temos também os Relatórios de Gestão Fiscal – RGF, sendo esses relatórios os limites que delineiam os atos de gestão do ente público, ou seja, através da receita ele dá os limites em valores e porcentagens que o ente público pode gastar com os seguintes assuntos: Receita e Despesa Pública U2 95 • Despesa com Pessoal. • Garantias e Contragarantias. • Resumo dos limites. • Dívida Consolidada Líquida. • Operações de Crédito. Já os prazos para publicação destes relatórios diferem dos relatórios de execução orçamentária que são bimestrais, estes referentes à gestão fiscal devem ser tornados públicos até 30 dias após o fechamento do quadrimestre, conforme temos no art. 54 e 55 da LC: Art. 54. Ao final de cada quadrimestre será emitido pelos titulares dos Poderes e órgãos referidos no art. 20 Relatório de Gestão Fiscal. Art. 55. O relatório conterá: I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Complementar, dos seguintes montantes: a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e pensionistas; b) dívidas consolidada e mobiliária; c) concessão de garantias; d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receita; e) despesas de que trata o inciso II do art. 4º; II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado qualquer dos limites; III - demonstrativos, no último quadrimestre: a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro; b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas: 1) liquidadas; 2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a uma das condições do inciso II do art. 41; 3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa; 4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados; c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do inciso IV do art. 38. (BRASIL, 2000). Receita e Despesa Pública U2 96 Quanto aoprazo para publicação do Relatório de Gestão Fiscal – RGF, tem-se uma exceção quanto aos municípios com menos de 50 mil habitantes, aos quais é facultado, conforme art. 63, inciso II, alínea “b” da LRF, publicar estes relatórios semestralmente. Art. 63. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por: II - divulgar semestralmente: b) o Relatório de Gestão Fiscal. (BRASIL, 2000). 2.7.1 Limites Então, comentando o art. 55 citado da LRF, quando na alínea “a” menciona a despesa com pessoal, é um dos limites mais comentados, pois quando o servidor pede aumento salarial, por exemplo, o gestor deve, antes de qualquer coisa, verificar como o seu limite está no momento, os limites estão descritos no art. 19 da LRF: Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados: I - União: 50% (cinquenta por cento); II - Estados: 60% (sessenta por cento); III - Municípios: 60% (sessenta por cento). (BRASIL, 2000). Essa limitação com gastos de pessoal, inserida na LRF, uma lei complementar, veio atender e normatizar o art. 169 da Constituição Federal, o qual exige que sejam regulamentados os limites com esse tipo de despesa “Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar” (BRASIL, 1988). Esses limites para cada ente federado é incluindo todos os poderes, por exemplo, no município esse limite de 60% está sendo incluído o poder legislativo, como não possui poder judiciário nesta esfera governamental, a divisão é somente entre os dois poderes. Mas a LRF também traz no seu texto essa divisão dentro da esfera governamental, tal como o art. 20: Receita e Despesa Pública U2 97 Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: I - na esfera federal: a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União; b) 6% (seis por cento) para o Judiciário; c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por cento) para o Executivo, destacando-se 3% (três por cento) para as despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e o art. 31 da Emenda Constitucional no 19, repartidos de forma proporcional à média das despesas relativas a cada um destes dispositivos, em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar; d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério Público da União; II - na esfera estadual: a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Estado; b) 6% (seis por cento) para o Judiciário; c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo; d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Estados; III - na esfera municipal: a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Município, quando houver; b) 54% (cinquenta e quatro por cento) para o Executivo. (BRASIL, 2000). Ainda há na LRF uma tentativa para o ente público, de que se ele atingir o limite chamado de limite prudencial, que é 95% do limite a ele fixado, fica este ente público proibido de algumas realizações, tais como conceder vantagens ou reajustes ou ainda adequações nas remunerações, criar mais cargos, empregos ou funções, deixar que realizem horas extras, aumento de despesas que derivem da alteração de estrutura de carreiras e além de algumas contratações, salvo exceções, assim como citamos o artigo 22, § único da LRF na integra: Art. 22. Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso: Receita e Despesa Pública U2 98 I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do art. 37 da Constituição; II - criação de cargo, emprego ou função; III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa; IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança; V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição e as situações previstas na lei de diretrizes orçamentárias. (BRASIL, 2000). Além dessas punições, quando atingido o limite prudencial das despesas com pessoal, a LRF dá uma chance ao ente público, ou seja, um prazo para que ele reconduza os gastos e que assim não obtenha ainda mais sanções pelo descumprimento legal, essa chance está prevista da continuidade da Lei, no art. 23: Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição. (BRASIL, 2000). Este artigo e seus parágrafos trazem formas de como o ente público poderá reduzir os gastos na despesa com pessoal, sendo elas: Receita e Despesa Pública U2 99 § 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências: I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança; II - exoneração dos servidores não estáveis. § 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o cumprimento da determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o cargo, desde que o ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal (BRASIL, 1988). Se além dessas providências o ente público que extrapolou os limites fixados na LRF para os gastos com pessoal não conseguir retornar dentro do limite estabelecido, essa mesma lei complementar possui ainda mais punições e restrições regulamentadas, que estão previstas na continuidade da LRF, ainda dentro do art. 23, agora nos §§ 3º e 4º: § 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido, e enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá: I - receber transferências voluntárias; II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente; III - contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária e as que visem à redução das despesas com pessoal. § 4º As restrições do § 3º aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20. (BRASIL, 2000). Receita e Despesa Pública U2 100 Acordando com o que está previsto na LRF art. 23 e §§ 3º e 4º, a Constituição Federal é clara e objetiva neste aspecto e na prática, realmente é aplicado aos entes públicos que não cumprem com essa determinação, conforme § 2º do art. 169: § 2º Decorrido o prazo estabelecido na lei complementar referida neste artigo para a adaptação aos parâmetros ali previstos, serão imediatamentesuspensos todos os repasses de verbas federais ou estaduais aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios que não observarem os referidos limites. (BRASIL, 1988). Então, em resumo, nesse ponto do gasto com pessoal e os seus limites, o legislador foi claro, tanto na LRF quanto na constituição Federal de que não cumprindo ou mesmo que não retornando aos limites, o ente público, será punido, principalmente, através da obtenção de recursos. Retornando ao art. 55 da LRF, onde constam os demonstrativos que fazem parte dos Relatórios de Gestão Fiscal – RGF, agora na alínea “b” que traz a publicação dos limites da Dívida Consolidada e Mobiliária, mas antes de adentrar na explicação do limite fixado, você precisa saber o que é essa Dívida consolidada e Mobiliária e encontramos esse conceito no art. 29 da própria LRF que veio para regulamentar vários tópicos. Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes definições: I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses; II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios; III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros. (BRASIL, 2000). Receita e Despesa Pública U2 101 Então, ao lermos o inciso I do art. 29 da LRF, identificamos que a maioria das dívidas existentes nos entes públicos trata-se de Dívida Pública consolidada ou fundada, em que podemos citar como exemplo os empréstimos realizados em instituições financeiras, os bancos e também decisões judiciais que são inseridas como precatórios (precatórios com data após a data da LRF) e que serão pagos conforme a ordem cronológica de inserção nas contas governamentais. Ao analisarmos o demonstrativo da Dívida Pública, temos o cálculo para apurar o limite de endividamento do ente público, e aqui são excluídas as dívidas existentes entre os órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e a administração direta do ente federado. Também para a demonstração das dívidas existentes do ente público, são inseridos os valores correspondentes aos precatórios anteriores a 05/05/2000, data que a LRF passou a ter vigência. Despesa garantias e contragarantias: quanto às operações de créditos, trata-se de mais um limite que o ente público deve prestar atenção quando do planejamento e da própria execução do orçamento. Está previsto na LRF no art. 12, § 2º, estando incompleto na sua exigência, porque na Constituição Federal no art. 167, inciso III contém uma exceção a esse limite estabelecido. Então veja a diferença em ambos os textos legais: Lei de Responsabilidade Fiscal: “Art. 12. § 2º O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária. (Vide ADIN 2.238-5)” (BRASIL, 2000). Constituição Federal Art. 167. São vedados: III - a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. (BRASIL, 1988). Receita e Despesa Pública U2 102 Seria possível que uma entidade pública realizasse mais despesas extraorçamentárias que orçamentárias? Para aprofundar nosso estudo sobre receitas e despesas públicas é muito importante a leitura do Manual Técnico de Orçamento – MTO, que está disponível no site <http://www.orcamentofederal.gov.br/ informacoes-orcamentarias>. Aproveite a visita no site do Ministério do Planejamento, para conhecer um pouco mais sobre as particularidades que envolvem o orçamento federal. Na contabilidade pública é importante a pesquisa em fontes confiáveis. 1- A classificação da despesa pelo grupo de natureza irá identificar de forma sintética o objeto de gasto. De acordo com essa classificação, é correto afirmar: a) Inversões financeiras são despesas de capital. b) Pessoal e Encargos Sociais são despesas de capital. c) Investimentos são despesas correntes. d) Juros e Encargos da dívida são despesas de capital. e) Amortização da dívida são despesas correntes. 2- De acordo com a Lei nº 4.320/64, a despesa orçamentária possui estágios, dentre estes estágio teremos o empenho. Qual alternativa descreve o conceito de empenho? Receita e Despesa Pública U2 103 a) É o momento que o credor é pago pelo ente público. b) É o a ato emanado de autoridade competente que cria para o poder público a obrigação de pagamento. c) É o ato de escolher o fornecedor que apresenta proposta mais vantajosa para contratação de obras. d) É quando é estabelecido um cronograma de dispêndio para os créditos orçamentários. e) É a verificação do direito líquido e certo do credor do ente público em função dos serviços prestados. Receita e Despesa Pública U2 104 Verificamos que as despesas são os gastos assumidos pela entidade pública, e que elas devem estar planejadas dentro do orçamento público. Entretanto, nem sempre elas estão previstas, e, como em qualquer ramo de atividade privado, podem ocorrer imprevistos que nos levam a despesas extraorçamentárias. Nesta unidade foram citadas algumas situações legais em que ocorrem as despesas extraordinárias. Porém, se ocorre alguma catástrofe ambiental, que impõe um gasto necessário para recuperação dos danos provocados, como deve o gestor proceder? Sugiro a você, caro aluno, que aprofunde seu conhecimento buscando na legislação o amparo legal para realizar esta atividade. Receita e Despesa Pública U2 105 1- Qual a ordem correta do estágio de Execução da Receita Orçamentária? a) 1º Recolhimento; 2º Arrecadação; 3º Lançamento. b) 1º Lançamento; 2º Recolhimento; 3º Arrecadação. c) 1º Arrecadação; 2º Lançamento; 3º Recolhimento; d) 1º Lançamento; 2º Arrecadação; 3º Recolhimento. e) 1º Recolhimento; 2º Lançamento; 3º Arrecadação. 2- Pode ser considerado um exemplo de Receita Extra - orçamentária: a) Impostos. b) Taxas. c) Caução. d) Receita Industrial. e) Receita Patrimonial. 3- Quais são as fases de um Empenho? I- Entrega de meios de pagamento aos agentes pagadores. II- Autorização. III- Emissão. IV- Assinatura. V- Recebimento da mercadoria ou serviço. a) Apenas as alternativas III e V. b) Apenas as alternativas I, II e III. c) Apenas as alternativas II, III, IV. d) Apenas as alternativas I, II e IV. e) Apenas as alternativas III, IV e V. 4- É correto afirmar sobre o estágio de Liquidação da despesa pública: a) Ocorre um ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado a obrigação de pagamento. b) O credor é pago pelo ente público. c) É escolhido o fornecedor que apresenta proposta mais Receita e Despesa Pública U2 106 vantajosa para contratação de obras. d) É estabelecido um cronograma de dispêndio para os créditos orçamentários. e) Há verificação do direito adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios de respectivo crédito. 5- Podemos definir Despesas de Exercícios Anteriores como: a) Despesas fixadas, no orçamento extra, decorrentes de compromissos assumidos em exercícios anteriores àquele em que deva ocorrer o pagamento. b) Despesas fixadas, no orçamentovigente, decorrentes de compromissos assumidos em exercícios anteriores àquele em que deva ocorrer o pagamento, que foram empenhadas. c) Despesa ordinária. d) Despesas fixadas, no orçamento vigente, decorrentes de compromissos assumidos em exercícios anteriores àquele em que deva ocorrer o pagamento, que não foram empenhadas ou se foram, tiveram seus empenhos anulados ou cancelados. e) Despesa por estimativa. Receita e Despesa Pública U2 107 Referências BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 1964. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4320.htm>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l5172compilado.htm>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 545. Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária, em relação à lei que a instituiu. 1969. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/ listarJurisprudencia.asp?s1=545.NUME.%20NAO%20S.FLSV.&base=baseSumulas>. Acesso em 27 out. 2014. ______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm >. Acesso em: 26 out. 2014. ______. Lei n. 8.212 de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8212cons.htm>. Acesso em: 11 dez. 2014. ______. Lei n. 5.172 de 25 de outubro de 1996. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172.htm>. Acesso em: 11 dez. 2014. ______. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 26 out. 2014. U2 108 Receita e Despesa Pública ______. Portaria Interministerial nº 163 de 4 de maio de 2001 (atualizada). Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/Portaria_ Interm_163_2001_Atualizada_2011_23DEZ2011.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2014. ______. Emenda constitucional n. 39 de 19 de dezembro 2002. Acrescenta o art. 149-A à Constituição Federal (Instituindo contribuição para custeio do serviço de iluminação pública nos Municípios e no Distrito Federal). Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc39.htm>. Acesso em: 11 dez. 2014. ______. Ministério da Fazenda. Portaria Interministerial nº 338, de 26 de abril de 2006. Altera o Anexo I da Portaria Interministerial STN/SOF n. 163 de 4 de maio de 2001, e dá outras providências. Disponível em: <http://www3.tesouro.gov.br/legislacao/ download/contabilidade/Portaria_338_260406.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2014. ______. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte I: Procedimentos Contábeis Orçamentários. 5. ed. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, 2012a. Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/ Parte_I_PCO2012.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte III: Procedimentos Contábeis Específicos. 5. ed. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, 2012b. Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/Parte_III_ PCE2012.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Orçamento Federal. Manual técnico de orçamento: MTO 2014. Brasília, 2014. Disponível em: <http://www.orcamentofederal.gov.br/informacoes-orcamentarias/manual- tecnico/MTO_2014.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2014. Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade de estudos, vamos estudar o que são regimes contábeis, apresentando quais os tipos de regimes existentes conforme o Conselho Federal de Contabilidade, e assim explicar como os regimes contábeis são utilizados, em especial, na contabilidade aplicada ao setor público. Também os subsistemas de informações na contabilidade aplicada ao setor público, compreendendo assim o patrimônio público e as alterações, inclusões obrigatórias e facultativas das demonstrações contábeis aos entes públicos, conforme as normas de padrões internacionais. de compreendermos de que forma esses fatores o influenciam. Carla Patricia Rodrigues Ramos Unidade 3 REGIMES, SISTEMAS E DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Vamos tratar do conceito de regimes contábeis e dos sistemas contábeis, assim como a sua classificação, principalmente frisando qual a mudança nesse tópico com relação às novas normas de contabilidade aplicadas ao setor público. Seção 1 | Regimes e Sistema Contábil Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 110 Outra mudança importante são os chamados subsistemas de informações, veremos que o correto a dizer, a partir de agora, é assim e não mais sistemas, as demonstrações contábeis de cada subsistema de informações do setor público com as suas particularidades. Seção 2 | Subsistemas De Informações Contábeis E Suas Demonstrações Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 111 Introdução à unidade Você já ouviu falar que vamos estudar a contabilidade pública? Pois bem, o termo correto atualmente, segundo os profissionais da Secretaria do Tesouro Nacional – STN é Contabilidade Aplicada ao Setor Público, pois a primeira terminologia dá a entender que é uma ciência diferente e isso não procede. A contabilidade aplicada ao setor público trata-se da mesma ciência, apenas tendo algumas particularidades inerentes ao campo governamental. Assim como a contabilidade empresarial sofreu modificações com normas internacionais, a contabilidade aplicada ao setor público também teve inovações e várias delas irão ser tratadas nesta unidade estudo e na unidade seguinte. Você, aluno, já deve ter ouvido falar que a Contabilidade aplicada ao Setor Público utiliza registro contábil misto para seus registros contábeis. Outro aspecto que vamos tratar, quanto a esse ponto, é a Lei de 1964 que estava tratando do orçamento público e não do patrimônio, que é o objeto de estudo da contabilidade, conforme a Teoria da Contabilidade e deve obediência em seus registros ao regime de competência. Estudaremos a respeito dos subsistemas de informações que estão descritos nas Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao setor público, bem como vamos entender quais as informações que são tratadas e apresentadas em cada um dos subsistemas existentes. Ainda veremos quanto à escrituração contábil, como deve ser realizada e qual demonstração que será elaborada a partir de cada subsistema de informação. Você percebeu como essa unidade está interessante, com pontos fundamentais e chave das atualizações devido aos padrões internacionais de contabilidade. Vamos ao nosso estudo. Boa leitura a todos! Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 112 Regimes, Sistemase Demonstrações Contábeis U3 113 Seção 1 Regimes e Sistema Contábil A contabilidade aplicada ao setor público brasileiro estrutura-se basicamente nas seguintes leis e normas: a) Nas normas internacionais de contabilidade aplicadas ao setor público, emitidas pelo Internacional Public Sector Accounting Standards Boards (IPSASB), da Federação Internacional dos Contadores (IFAC). b) Nas normas brasileiras de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). c) Na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. d) Na Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. (SLOMSKI, 2013). No trajeto de seus estudos contábeis, você já sabe da existência dos chamados regimes contábeis e sua classificação. Bem como, que existem também os sistemas contábeis, pois só assim tem como controlar e transformar os atos e fatos em informações e tudo isso através da escrituração. Aqui, então, o nosso objetivo é verificar como esses regimes e sistema contábil funcionam na contabilidade aplicada ao setor público. 1 Regimes contábeis Regime contábil define-se como um sistema de escrituração contábil. Pressupõe-se, portanto, que os regimes contábeis de escrituração foram considerados úteis pelos profissionais contábeis, de tal sorte que o seu uso seja Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 114 constante e até obrigatório. Tudo isso tem por objetivo orientar o entendimento de alguns artigos da Lei n º 4.320/64. Então, primeiramente, atenção ao art. 34. “O exercício financeiro coincidirá com o ano civil” (BRASIL, 1964). Exercício financeiro é o período em que se executa o orçamento, é o período de tempo o qual se exercem todas as atividades administrativas e financeiras relativas à execução do orçamento. Cumpre ainda mencionar, que o artigo citado atende ao texto constitucional que estabelece que a lei complementar disporá sobre o exercício financeiro. Os regimes contábeis são normas que norteiam a realização dos lançamentos e os registros dos acontecimentos patrimoniais. São eles que nos dizem quando e como realizar os registros que são os lançamentos contábeis, quando reconhecemos uma receita ou uma despesa. Existem dois tipos de regimes contábeis, são eles: o regime de caixa e o regime de competência. Vamos então verificar e entender um pouco mais de cada um deles? 1.1 Regime de caixa Para o regime de caixa devemos nos focar na ocorrência do pagamento, se despesa, ou do recebimento, se uma receita, ou seja, o momento da movimentação dos recursos na empresa, não importando a que período se refere à ocorrência do fato. Então, quando acontece a movimentação na conta caixa, seja uma entrada ou uma saída de recursos, realizamos o registro do acontecimento. 1.2 Regime de competência Já para o regime de competência, diferentemente do que determina o regime de caixa, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre no período que se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. Então, para esse regime não importa se houve movimentação dos recursos e sim se houve a ocorrência do fato gerador. Pelo regime de competência, toda receita e toda despesa do exercício pertencem ao próprio exercício, embora já empenhadas, uma vez terminada a vigência do orçamento, passam para o exercício seguinte, afim de serem arrecadadas ou pagas, entretanto, continuam a pertencer ao orçamento que lhes deu origem, ou seja, pertencem ao exercício anterior. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 115 1.3 Regime contábil aplicado à administração pública Na contabilidade aplicada ao setor público, até o momento, se utiliza do artigo 35 da Lei nº 4.320/64 (BRASIL, 1964), em que afirma que pertence ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas nele legalmente empenhadas, mas ninguém se atentava de que o capítulo se referia ao orçamento e não era o capítulo voltado à contabilidade. Assim, a “contabilidade aplicada ao setor público mantém um processo que deve obedecer ao dispositivo legal do regime de caixa para a receita orçamentária”, em obediência ao dispositivo constante na Lei nº 4.320/1964 art. 35 (BRASIL, 1964). Pertencem ao exercício financeiro: I- as receitas nele arrecadadas; II- as despesas nele legalmente empenhadas. No entanto, há de se destacar que o art. 35 se refere ao enfoque orçamentário e não ao enfoque patrimonial da citada lei. Assim, para contabilidade patrimonial, quando falamos em regimes contábeis, obrigatoriamente tratamos de regime de competência, assim como trabalhamos na contabilidade empresarial, pois o reconhecimento da receita, sob o enfoque patrimonial, deverá obediência aos princípios de contabilidade para reconhecimento da variação ativa que ocorre no patrimônio e sua contrapartida de ingresso em disponibilidades. Uma coisa é você trabalhar com o orçamento e outra é se relacionar com o patrimônio da entidade. São partes totalmente distintas. 2 Princípios de contabilidade Os princípios de contabilidade são normas gerais delimitadoras da aplicação da Ciência Contábil. Se não existissem os princípios, cada empresa ou cada entidade poderia simplesmente adotar a forma de registrar os fatos contábeis como ela bem entendesse, tornando impossível a correta mensuração da riqueza patrimonial e entendimento das demonstrações contábeis, necessário à defesa dos interesses da coletividade, dos particulares e dos próprios sócios e acionistas. Os princípios devem possuir três características: ser útil, resultando em informações significativas e valiosas aos usuários das demonstrações contábeis, ser objetivos, não deixando que as informações resultantes sofram influência por interpretações diferentes, ser praticáveis. Conforme a nova contabilidade aplicada ao setor público, não falamos mais em mutações patrimoniais, mas sim quando falamos em receitas sob o enfoque patrimonial, estamos tratando de variação patrimonial aumentativa, Grupo 4 do novo Plano de Contas Padrão. Assim como quando falamos em despesa sob o Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 116 enfoque patrimonial, estamos tratando de variação patrimonial diminutiva, Grupo 3 do Plano de Contas Padrão. Sendo os lançamentos das receitas e despesas regulamentadas pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC, por meio da Resolução CFC nº 750/1993 e 1.282/2010 que trata de sua atualização. As resoluções do CFC, citadas anteriormente, tratam da observância obrigatória pelo profissional contábil, quando de sua atividade, aos princípios de contabilidade existentes, conforme art. 1º, § 1º da Resolução nº 750/1993: Art. 1º - Constituem PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE os enunciados por esta Resolução. § 1º A observância dos Princípios de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 1993). Na contabilidade do setor governamental até então não ocorria a obediência a determinados princípios, seguindo fielmente somente a Lei nº 4.320/64 que estatui regras gerais a respeito do orçamento, assim regula o orçamento público. A contabilidade aplicada ao setor público é um ramo da ciência contábil e, portanto, faz parte desta ciência e assim também deve obediência aos princípios de contabilidade, que evidenciam a base da doutrina e das normas. Na Resolução do CFC nº 750/1993 e atualizada pela Resolução CFC nº 1282/2010, no art. 3º, cita os Princípios de Contabilidade que devem ser obedecidos por todos os profissionais ou instituições contábeis, como segue: Art. 3º São Princípios de Contabilidade: I) o da ENTIDADE; II) o da CONTINUIDADE; III) o da OPORTUNIDADE; IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL; V) o da COMPETÊNCIA; e o da PRUDÊNCIA. (CONSELHO FEDERALDE CONTABILIDADE, 1993). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 117 Então, agora vamos ver rapidamente cada um deles: Princípio da entidade: neste princípio há o entendimento de que o Patrimônio, sendo objeto de estudo e controle, deve ser diferenciado do patrimônio particular dos sócios, portanto, os patrimônios não misturam a pessoa jurídica com a pessoa física. Princípio da continuidade: este princípio parte do pressuposto de que a entidade continuará em atividade no futuro e que ela não apresenta data de encerramento das suas atividades e comercialização. Princípio da oportunidade: o foco é a mensuração das informações e os componentes patrimoniais, devendo essas informações ser íntegras e tempestivas, ou seja, devem ser completas e em tempo hábil para a sua utilização, para que assim tenham relevância. Princípio do registro pelo valor original: este princípio determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional, ou seja, pelo valor de aquisição. Existem bases para mensuração desses patrimônios, sendo elas: I) Custo histórico: aqui os ativos devem ser registrados pelos valores pagos ou a serem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquiri-los na data da aquisição. Já os passivos são “registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações”; (BRASIL, 1964). II) Variação do custo histórico: os ativos e passivos após terem sidos inseridos no patrimônio da entidade pode sofrer variações decorrentes de algumas situações, são elas: a. Custo corrente: há o reconhecimento dos ativos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Enquanto os passivos devem Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 118 ser “reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis” (BRASIL, 1964). b. Valor realizável: aqui temos os ativos registrados pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, valores estes que poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Quanto aos passivos são registrados pelos “valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, valores estes que se espera que seriam pagos para liquidar as obrigações no curso normal das atividades da entidade” (BRASIL, 1964). c. Valor presente: “Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da entidade” (BRASIL, 1964). d. Valor justo: “é o valor que tem um ativo em sua troca, ou que um passivo pode ser liquidado” ou pago (BRASIL, 1964). e. Atualização monetária: conforme surgem “alterações no poder aquisitivo da moeda nacional, essas alterações devem ser reconhecidas através de registros contábeis nos componentes patrimoniais” (BRASIL, 1964). Princípio da competência: este princípio determina que os registros e os efeitos das transações e qualquer outro evento ligado ao fato, sejam reconhecidos nos períodos em que aconteceram, independentemente se houve o recebimento ou pagamento, para que assim se tenha a possibilidade de confrontação de receitas e de despesas correlatas. Princípio da prudência: “determina que seja adotado menor valor para os componentes do ATIVO e maior para os do PASSIVO, sempre que surgirem hipóteses igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido” (BRASIL, 1964). Esse princípio pressupõe a “precaução no exercício dos julgamentos quanto às Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 119 3 Sistema contábil Sistema é toda uma estrutura para transmitir claramente, e da melhor forma possível, para se analisar todos os pontos importantes do ente relacionado com os registros. Atualmente, existem a Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público - NBC T 16 e especificamente a NBC T 16.2 trata do patrimônio e sistemas contábeis e em seu tópico 10 tem a seguinte definição de sistemas: estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de que ativos e receitas não sejam superestimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais” (BRASIL, 1964). 10. O sistema contábil representa a estrutura de informações sobre identificação, mensuração, avaliação, registro, controle e evidenciação dos atos e dos fatos da gestão do patrimônio público, com o objetivo de orientar e suprir o processo de decisão, a prestação de contas e a instrumentalização do controle social (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008a). A contabilidade aplicada ao setor público é organizada na forma de sistema de informações, existindo subsistemas, cada um com as suas especificidades e convergem para o produto final, que é a informação sobre o patrimônio público. Até as alterações da contabilidade aplicada ao setor público falávamos que esta contabilidade era composta de sistema orçamentário, sistema financeiro, sistema patrimonial e o sistema compensado. No sistema orçamentário, como o seu nome já demonstra, visualizávamos desde a inscrição e o registo da Lei Orçamentária Anual, a LOA e todas as suas alterações, realizações de receitas, de despesas, as aberturas de créditos adicionais, Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 120 sejam os suplementares, especiais ou extraordinários. É uma transcrição de tudo que acontece e que envolva o orçamento do ente público. No sistema financeiro era evidenciada toda a movimentação financeira do ente público, tal como caixa, bancos, assim como tudo que dizia respeito ao extraorçamentário, sejam receitas ou despesas temporárias, ou melhor, aquelas que não pertencem realmente ao ente público e em um momento oportuno serão repassados a quem pertencem de direito. Mas também são evidenciadas as receitas e as despesas orçamentárias, mas aqui é somente na fase de execução do próprio orçamento, não registrando a parte referente à autorização legislativa. Quando falamos em sistema patrimonial, é o registro do patrimônio do ente público, demonstrando os bens, direitos e obrigações, assim como estamos acostumados a ver na contabilidade empresarial. Além de também evidenciar a execução orçamentária do ente público. Um ponto em comum que podemos perceber nos três sistemas, que até então, existia na contabilidade pública, é que em todos os sistemas apresentados temos a execução orçamentária registrada. Já o sistema compensado, não existe grandes diferenças do entendimento que temos na contabilidade empresarial, de que é uma forma de controle. Mas aqui registramos também atos da administração pública, tais como: registro de contratos, convênios, adiantamentos a terceiros, fianças, garantias etc. Agora, a grande mudança que temos na contabilidade pública, pois a partir da NBC T 16.2 não falamos mais em sistemas contábeis e sim em subsistemas, porque o entendimento é de que o sistema contábil é subdividido de forma que venha a explicar de forma clara, e a atender a todas as indagações dos usuários. Desta forma surgiram os subsistemas contábeis que na contabilidade sãoo subsistema orçamentário, subsistema patrimonial, subsistema compensado e subsistema de custos. Notem que não existe mais o sistema financeiro. O sistema contábil, composto pelos subsistemas orçamentário e financeiro- patrimonial (porque as informações financeiras, atualmente, estão inseridas no subsistema de informações patrimoniais) estrutura a base para o registro contábil integrado de uma contabilidade orçamentária, tal como obriga a Lei nº 4.320/64 em seu art. 85: Art. 85. Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitirem o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 121 Você poderá evidenciar que na contabilidade aplicada ao setor público existem quatro tipos de resultados, sendo: resultado patrimonial do exercício, que tem por objetivo evidenciar o resultado patrimonial de um determinado exercício financeiro, confrontando as variações patrimoniais aumentativas com as variações patrimoniais diminutivas, resultado orçamentário, resultado financeiro e resultado das ações do governo. industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros. (BRASIL, 1964). Acesse o link a seguir para estudar um pouco mais a fundo as Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/01/ Setor_P%C3%BAblico.pdf>. Quadro 3.1 | Nbc T 16 – Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público Fonte: Conselho Federal de Contabilidade (2014). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 122 Então, vamos aos esclarecimentos sobre cada subsistema. 1- O registro de arrecadação de receitas tributárias (impostos) deverá ser: a) Pelo regime de caixa quando o enfoque é patrimonial. b) Pelo regime de caixa quando o enfoque é financeiro. c) Pelo regime de competência quando o enfoque é orçamentário. d) Pelo regime de competência quando o enfoque é financeiro. e) Pelo regime de competência quando o enfoque é patrimonial. Então, leu toda a Resolução do CFC a respeito dos princípios de contabilidade? Vamos a uma reflexão sobre o tema. Todos esses princípios que você estudou aqui, que está acostumado na atividade privada, consegue aplicá-los no setor governamental? Pense num exemplo de cada princípio na contabilidade aplicada ao setor público. Para um melhor entendimento e aprofundamento dos assuntos tratados nesta disciplina, acesse o link a seguir e aprofunde seus conhecimentos sobre as Normas Brasileiras de Contabilidade – Setor Público. <http:// www.cosif.com.br/mostra.asp?arquivo=nbct16ind>. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 123 2- Sobre os objetivos da Contabilidade Aplicada ao Setor Público, é correto afirmar: I- Escriturar a execução orçamentária da receita e da despesa. II- Fazer a comparação entre a previsão e a realização das receitas e despesas. III- Controlar as operações de créditos e obrigações. IV- Realizar licitações. V- Fiscalizar os contratos entre empreiteiras e entidades públicas. a) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II, III, IV estão corretas. c) Apenas as alternativas IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas III, IV e V estão corretas. e) Apenas as alternativas III e V estão corretas. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 124 Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 125 Seção 2 Subsistemas de Informações Contábeis e Suas Demonstrações Estudamos que existe o sistema contábil e este é dividido em subsistemas, veremos todos os subsistemas de informações existentes atualmente conforme as novas Normas Brasileiras de Contabilidade e o que cada um deles tem por objetivo registrar, controlar e demonstrar, através de seus relatórios contábeis elaborados. 1 Subsistema orçamentário Mencionamos no sistema orçamentário que nele se visualiza a inscrição da Lei Orçamentária Anual, a chamada LOA, e todas as suas alterações, as realizações de receitas, as realizações de despesas, as aberturas de créditos adicionais, sejam os suplementares, especiais ou extraordinários e com essa descrição, concluímos que é a demonstração do orçamento aprovado e todas as suas alterações e realizações durante o exercício financeiro, assim também mencionamos tudo isso no subsistema de informações, apenas sendo a alteração de nomenclatura. Também o subsistema de informações orçamentárias apresenta todos esses aspectos citados no parágrafo anterior, em obediência ao art. 90 da Lei nº 4.320/64. “Art. 90 A contabilidade deverá evidenciar, em seus registros, o montante dos créditos orçamentários vigentes, a despesa empenhada e a despesa realizada, a conta dos mesmos créditos e as dotações disponíveis” (BRASIL, 1964). Figura 3.1 | Subsistema Contábil Fonte: Slomski (2013, p. 5). SISTEMA CONTÁBIL SUBSISTEMA DE INFORMAÇÕES ORÇAMENTÁRIAS RECEITA ORÇAMENTÁRIA (PREVISÃO/EXECUÇÃO) DESPESA ORÇAMENTÁRIA (FIXAÇÃO/EXECUÇÃO) Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 126 Assim, podemos observar que o subsistema de informações orçamentárias é formado por dois grupos: as receitas orçamentárias e as o grupo das despesas orçamentárias. A execução orçamentária de ambos os grupos impacta no resultado orçamentário do período. Cada subsistema de informações é responsável por alguma demonstração contábil, em alguns casos, até mais de uma demonstração. “Deste subsistema é gerado um Balanço Orçamentário e conforme art. 102 da Lei nº 4.320/64, esta demonstração contábil é definida. Art. 102. O Balanço Orçamentário demonstrará as receitas e despesas previstas em confronto com as realizadas” (BRASIL, 1964). Também temos na NBCT 16.6, aprovada pela Resolução 1.133 de 21 de novembro de 2008, no tópico 20 a seguinte descrição do Balanço Orçamentário: 20. O Balanço Orçamentário evidencia as receitas e as despesas orçamentárias, detalhadas em níveis relevantes de análise, confrontando o orçamento inicial e as suas alterações com a execução, demonstrando o resultado orçamentário. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008b). Através da própria lei, verificamos que o objetivo desta demonstração é a evidenciação do planejamento, que é o orçamento fixado, em um comparativo com o efetivamente executado. Confirmando tal informação, temos ainda a descrição do Balanço Orçamentário no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, Procedimentos Patrimoniais: O Balanço Orçamentário apresentará as receitas detalhadas por categoria econômica, origem e espécie, especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para o exercício, a receita realizada e o saldo a realizar. Demonstrará também as despesas por categoria econômica e grupo de natureza da despesa, discriminando a dotação inicial, a dotação atualizada para o exercício, as despesas empenhadas, as despesas liquidadas, as despesas pagas e o saldo da dotação. (BRASIL, 2012, p. 7). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 127 2 Subsistema financeiro Assim como temos no sistema financeiro a evidenciação de toda a movimentação financeira do ente público, caixa, bancos, e tudo o que diz respeito ao extraorçamentário, ou seja, as receitas ou as despesas temporárias, sendo aquelas que não pertencem efetivamente ao ente público e em um momento oportuno serão repassadas a quem tem o direito sobre esta receita ou despesa, continuamos tendo no Balanço Financeiro a mesma evidenciação, conforme se tem no art. 103 da Lei nº 4.320/64, como segue: Também temos a conceituação na NBC T 16.6, mas agora no tópico 23: Art. 103. O Balanço Financeiro demonstrará a receita e a despesa orçamentáriasbem como os recebimentos e os pagamentos de natureza extraorçamentária, conjugados com os saldos em espécie, provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o exercício seguinte. 23. O Balanço Financeiro evidencia as receitas e despesas orçamentárias, bem como os ingressos e dispêndios extraorçamentários, conjugados com os saldos de caixa do exercício anterior e os que se transferem para o início do exercício seguinte (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008b). Nestas citações, tanto da Lei nº 4.320/64, quanto da NBC T 16.6, fica claro que é o balanço financeiro que traz tanto o resultado da execução orçamentária, quanto a movimentações extraorçamentárias. 3 Subsistema patrimonial Agora vamos falar do subsistema Patrimonial e neste subsistema se registra, processa e evidencia tanto os fatos financeiros, como os fatos não financeiros relacionados com as variações qualitativas e quantitativas do patrimônio público. Com isso, se vê que o então chamado sistema financeiro foi absorvido pelo Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 128 subsistema patrimonial e assim como nos demais subsistemas que geram um balanço, aqui também temos o levantamento de uma demonstração contábil, o Balanço Patrimonial que também é conceituado na Lei nº 4.320/64 em seu art. 105, sendo a estrutura atual ainda utilizada pelos entes públicos, como segue: Art. 105. O Balanço Patrimonial demonstrará: I - O Ativo Financeiro. II - O Ativo Permanente. III - O Passivo Financeiro. IV - O Passivo Permanente. V - O Saldo Patrimonial. VI - As Contas de Compensação (BRASIL, 1964). E para uma dessas divisões exigidas pela Lei nº 4.320/64 (BRASIL, 1964, p. 7) temos esclarecimentos no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público: ATIVO FINANCEIRO - Compreende os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os valores numerários. ATIVO PERMANENTE - Compreende os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização legislativa. PASSIVO FINANCEIRO – Compreende as dívidas fundadas e outros compromissos exigíveis cujo pagamento independa de autorização orçamentária, como os restos a pagar, os serviços da dívida a pagar, os depósitos e os débitos de tesouraria (operações de crédito por antecipação de receita). PASSIVO PERMANENTE - Compreende as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização ou resgate. CONTAS DE COMPENSAÇÃO - São contas representativas dos atos que possam vir a afetar o patrimônio, compreendendo as compensações do ativo e do passivo, ou seja, são contas relacionadas às situações não compreendidas no patrimônio, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, exclusive as que dizem respeito a atos e fatos ligados à execução orçamentária e financeira e as contas com função precípua de controle. Essa divisão do Balanço Patrimonial será apresentada num quadro a seguir da nova estrutura do Balanço Patrimonial, devido à atualização da contabilidade Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 129 aplicada ao setor público que passa a ser muito parecida com o balanço da atividade empresarial, tal como descrito no tópico 12 da NBC T 16.6, conforme segue: 12. O Balanço Patrimonial, estruturado em Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, evidencia qualitativa e quantitativamente a situação patrimonial da entidade pública: (a) Ativo – compreende as disponibilidades, os direitos e os bens, tangíveis ou intangíveis adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelo setor público, que seja portador ou represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro, inerentes à prestação de serviços públicos; (b) Passivo compreende as obrigações assumidas pelas entidades do setor público para consecução dos serviços públicos ou mantidas na condição de fiel depositário, bem como as provisões; (c) Patrimônio Líquido é o valor residual dos ativos da entidade depois de deduzidos todos seus passivos; (d) Contas de Compensação – compreende os atos que possam vir a afetar o patrimônio. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008b). As informações do ativo e passivo financeiro e ativo e passivo permanente são discriminadas na sequência da apresentação da nova estrutura do Balanço Patrimonial, então vamos verificar o artigo na Lei nº 4.320/64 o que compreende o financeiro e o permanente: § 1º O Ativo Financeiro compreenderá os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os valores numerários. § 2º O Ativo Permanente compreenderá os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização legislativa. § 3º O Passivo Financeiro compreenderá as dívidas fundadas e outros pagamentos independa de autorização orçamentária. § 4º O Passivo Permanente compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização ou resgate. (BRASIL, 1964). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 130 Assim, após a descrição do Balanço Patrimonial pela NBC T 16.6, agora vemos a estrutura atual deste balanço no próximo tópico e constataremos a semelhança com a atividade privada. 4 Subsistema compensado Este sistema é considerado a natureza de controle, além do patrimonial e orçamentário, pois nele podemos controlar todos os contratos, convênios e ter na análise destas contas qual o valor que ainda poderá impactar o patrimônio público. Também na NBC T 16.2 do Patrimônio e Sistemas Contábeis, item 12 “compensação – registra, processa e evidencia os atos de gestão cujos efeitos possam produzir modificações no patrimônio da entidade do setor público, bem como aqueles com funções específicas de controle” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008a) 5 Subsistema de custos O desenvolvimento e a implementação de um sistema de informação de custos, informações a serem evidenciadas na Demonstração do Resultado Econômico, permite a avaliação do custo dos serviços prestados pelos entes públicos, proporcionando assim benefícios para a Administração Pública, contribuindo cada fez mais, para a eficiente tomada de decisões e melhor aplicação dos recursos governamentais. Também se encontra descrito na NBC T 16.2 do Patrimônio e Sistemas Contábeis, item 12, “d”: “custos – registra, processa e evidencia os custos dos bens e serviços, produzidos e ofertados à sociedade pela entidade pública” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008a). O subsistema de informações de custo tem por finalidade mensurar e reportar os custos dos serviços públicos de forma integrada com os sistemas de contabilidade, de gestão de pessoas gestão de estoques, gestão de patrimônio e do sistema de gestão de cadastro geral de cidadãos. Esse subsistema dá suporte à evidenciação do resultado econômico produzido através da elaboração da Demonstração do Resultado Econômico. A Lei de Responsabilidade Fiscal nº 101/2000, art. 50, VI, § 3º determina que “§ 3º A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial” (BRASIL, 2000). Podemos verificar que desde 2000, através da LRF, há a obrigatoriedade de que os gestores públicos conheçam os custos de seus órgãos ou entidades, para tomarem a melhor decisão entre alternativas de produzir ou comprar produtos e serviços, de produzir ou privatizar serviços públicos. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 131 Devido a essa novidade no setor público, o Conselho Federal de Contabilidade – CFC elaborou a NBC T 16.11 – Subsistema de Informação de Custos no Setor Público que estabelece a conceituação, objeto, objetivos e regras básicas para mensuração e evidenciação dos custos no setor público. A mensuração dos custos dos objetos de custeio é de grande importânciae deve ser comparado com o preço de mercado (custo de oportunidade) para que essa informação seja relevante. Um breve resumo elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN e a disseminar em todo país sobre as atualizações recente na Contabilidade Aplicada ao Setor Público: Figura 3.2 – Natureza da Informação Fonte: Brasil (2013). 6 Balanços Balanço em contabilidade é a apuração da situação de determinado patrimônio, em determinado instante, representada em um quadro: Ativo e Passivo ou Receitas e Despesas, dependendo se informação patrimonial ou orçamentária, no caso de contabilidade aplicada ao setor público. Vulgarmente, a palavra balanço é empregada erroneamente, ao invés de se utilizar a palavra inventário. Isso se dá quando verificamos um aviso na frente de um estabelecimento comercial dizendo “fechado para balanço”, quando na realidade estão verificando a existência de mercadorias para determinação de estoque. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 132 Balanço é uma palavra derivada do latim “bis lanx”, ou seja, dos dois lados. Do ponto de vista legal, conforme Lei nº 4.320/64 que estatui normas de direito financeiro e orientações ao orçamento e elaboração de balanços, determina em seu art. 101: Art. 101. Os resultados gerais do exercício serão demonstrados no Balanço Orçamentário, no Balanço Financeiro, no Balanço Patrimonial, na Demonstração das Variações Patrimoniais, segundo os Anexos números 12, 13, 14 e 15 e os quadros demonstrativos constantes dos Anexos números 1, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 16 e 17. (BRASIL, 1964). 7 Balanço orçamentário Esta demonstração contábil, conhecida como Anexo 12 da Lei nº 4.320/64 apresentada a todos os interessados no assunto os Procedimentos Patrimoniais. Figura 3.3 | Anexo 12 – Balanço Orçamentário – Receitas Fonte: Brasil (2012). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 133 Figura 3.4 | Balanço Orçamentário – Despesas Fonte: Brasil (2012). Na NBC T 16.6, item 20 determina que: 20. O Balanço Orçamentário evidencia as receitas e as despesas orçamentárias, detalhadas em níveis relevantes de análise, confrontando o orçamento inicial e as suas alterações com a execução, demonstrando o resultado orçamentário (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008b). Ainda na NBC TSP 24 - Apresentação da Informação Orçamentária nas Demonstrações Contábeis em seu item 15: 15. A apresentação nas demonstrações contábeis dos valores orçamentários originais e finais e os valores realizados em uma Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 134 Adicionalmente ao Balanço Orçamentário, devem ser incluídos dois quadros demonstrativos de execução de restos a pagar, um relativo aos restos a pagar não processados, outro relativo aos restos a pagar processados, com o mesmo detalhamento das despesas orçamentárias do balanço, de modo a propiciar uma análise da execução orçamentária do exercício em conjunto com a execução dos restos a pagar. Recapitulando, restos a pagar é a inscrição das despesas orçamentárias que não atingiram todos os estágios da execução dentro do exercício financeiro em que pertencem, que conforme a Lei nº 4.320/64 em seu art. 36 define: “Art. 36. Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas, mas não pagas até o dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não processadas” (BRASIL, 1964). Esses quadros, acompanhando o Balanço Patrimonial ajudam a verificar se o órgão está em cumprimento a Lei de Responsabilidade em seu art. 42 que também diz respeito às inscrições dos Restos a Pagar como transcrito a seguir: Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. (BRASIL, 2000). Além do acompanhamento da restrição no último ano de mandato do gestor, base comparável com o orçamento que está disponibilizado ao público irão completar o ciclo contábil através da capacitação dos usuários das demonstrações contábeis para identificar se os recursos foram obtidos e usados de acordo com o orçamento aprovado. Diferenças entre os valores realizados e os valores orçados, e o orçamento original ou final (sempre referido à “variação” em contabilidade), podem ainda serem apresentados nas demonstrações contábeis mais completas. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2012, p. 4-5). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 135 para que este não assuma despesas que não possa cumprir, deixando um amontoado de dívidas para o seu sucessor, inscrevendo em Restos a Pagar. Uma das inovações da chamada LRF. Seguem os modelos: Figura 3.5 | Anexo 1 – Demonstrativo de Execução dos Restos a Pagar não Processados Fonte: Brasil (2012). Figura 3.6 | Anexo 2 – Demonstrativo de Execução dos Restos a Pagar Processados e não Processados Liquidados Fonte: Brasil (2012). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 136 Note que o balanço orçamentário é um quadro com as duas partes: receitas e despesas e cada uma das partes demonstra a fixação e aprovação do próprio orçamento, bem como toda a sua execução durante o exercício financeiro. 8 Anexo 13 – balanço financeiro A NBC T 16.6 trata das Demonstrações Contábeis, em seu item 23, em consonância com a Lei nº 4.320/64 e coloca o Balanço Financeiro como demonstração obrigatória, mas o entendimento desta demonstração, conforme padrão internacional de contabilidade, apresenta que esta demonstração deveria ser abolida, uma vez que, atualmente, é obrigatória a Demonstração de Fluxo de Caixa. “23. O Balanço Financeiro evidencia as receitas e despesas orçamentárias, bem como os ingressos e dispêndios extraorçamentários, conjugados com os saldos de caixa do exercício anterior e os que se transferem para o início do exercício seguinte” (BRASIL, 1964). Figura 3.7 | Balanço Financeiro Fonte: Brasil (2012). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 137 Notem também que o balanço financeiro é um quadro com as duas partes: receitas e despesas; sendo demonstrada nesses quadros a distribuição de receitas e despesas, com suas entradas e saídas de numerários, demonstrando assim as operações de tesouraria e de dívida pública, igualando-se as duas somas com os saldos de caixa, inicial e existente. 9 Anexo 14 – balanço patrimonial Esta demonstração contábil, conhecida como Anexo 14 da Lei nº 4.320/64 (BRASIL, 1964), está apresentada a todos os interessados no assunto, no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, Parte V – Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público. Figura 3.8 | Balanço patrimonial Fonte: Brasil (2012). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 138 Figura 3.9 | Balanço Patrimonial – Continuação Fonte: Brasil (2012). Também no balanço patrimonial há um quadro com as duas partes: agora ativo e passivo, representando os bens, direitos e obrigações. Demonstrando os valores realizáveis, os valores de bens imobilizados, valores que podem afetar ou não o patrimônio e o resultado patrimonial. 10 Anexo 15 – demonstração de variações patrimoniais Esta demonstração contábil, conhecida como Anexo 15 da Lei nº 4.320/64, está apresentada a todos os interessados no assunto, no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. Figura 3.10 | Balanço Patrimonial – Continuação Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 139 Fonte: Brasil (2012). 11 Demonstração dos fluxos de caixa Com a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal, surgiu a necessidade dos entes públicos terem instrumentos gerenciais que facilitem tanto o planejamento quantoo controle e a avaliação. A gestão fiscal no setor público depende de alguns esforços que ajudem no cumprimento da legislação e resultados satisfatórios. Até então, as demonstrações contábeis existentes no setor público garantiam apenas instrumentos de planejamento focados no controle orçamentário e poucos mecanismos ou quase nenhum que facilitasse o controle financeiro. O fluxo de caixa é uma das peças importantes entre as demonstrações que permitem um ótimo acompanhamento e planejamento para que a gestão do ente público aconteça com maior segurança, permitindo ao gestor público que possa cumprir com seu plano de trabalho, metas, limites e aplicar os recursos públicos com maior eficiência. Esta demonstração contábil aplicada ao setor público possui características próprias da atividade e sua elaboração exige conhecimento técnico e operacional das atividades dos órgãos. Assim como temos nas entidades privadas a demonstração dos fluxos de caixa, agora na contabilidade aplicada ao setor público também temos esta demonstração como Anexo 18 da Lei nº 4.320/64 (BRASIL, 1964), que tem por objetivo cooperar ainda mais para a transparência da gestão pública, porque através desta demonstração temos a percepção de um melhor gerenciamento e controle financeiro dos entes públicos, além de cumprir com os preceitos da Lei de Responsabilidade fiscal: § 1º A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. (BRASIL, 2000). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 140 No Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, Parte V - das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público, há instruções de como deve ser realizada esta demonstração, conforme citado a seguir: A Demonstração dos Fluxos de Caixa deve ser elaborada pelo método direto ou indireto e evidenciar as movimentações havidas no caixa e seus equivalentes, nos seguintes fluxos: (a) das operações; (b) dos investimentos; e (c) dos financiamentos. O fluxo de caixa das operações compreende os ingressos, inclusive decorrentes de receitas originárias e derivadas, e os desembolsos relacionados com a ação pública e os demais fluxos que não se qualificam como de investimento ou financiamento. O fluxo de caixa dos investimentos inclui os recursos relacionados à aquisição e à alienação de ativo não circulante, bem como recebimentos em dinheiro por liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos e outras operações da mesma natureza. O fluxo de caixa dos financiamentos inclui os recursos relacionados à captação e à amortização de empréstimos e financiamentos. (BRASIL, 2012, p. 39). A elaboração e a publicação da Demonstração do Fluxo de Caixa permitem um melhor gerenciamento e controle financeiro, proporcionam aos usuários da informação contábil instrumentos para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como suas necessidades de liquidez e também permitem aos usuários projetar cenários de fluxos futuros de caixa e elaborar análises sobre eventuais mudanças e a capacidade de manutenção dos serviços públicos. A DFC pode ser elaborada tanto pelo método direto, quanto pelo método indireto. As receitas decorrentes das atividades do ente governamental são classificadas como fluxo de operações, apresentadas na discriminação de derivadas e decorrentes. Já as receitas que não se encaixam como operacionais do ente público serão inseridas nos investimentos ou financiamentos. Segue modelo para ter a noção de como é esta nova demonstração do setor público. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 141 Figura 3.11 | Demonstração de Fluxo de Caixa Fonte: Brasil (2012). No próprio Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, Parte V – Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público, trazem uma análise desta demonstração como descrito: ANÁLISE DOS QUOCIENTES – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA 1 – O Quociente do fluxo de caixa líquido das atividades operacionais em relação ao resultado patrimonial é resultante da relação entre o Caixa Líquido Gerado nas Operações e o Resultado Patrimonial. A interpretação desse quociente indica a dispersão entre o fluxo de caixa operacional gerado e o resultado patrimonial do exercício. 2 – O Quociente da Capacidade de Amortização de Dívida é resultante da relação entre o Caixa Líquido Gerado nas Operações e o Total do Passivo. A interpretação desse quociente indica a parcela dos recursos gerados pela entidade para pagamento da dívida. 3 – O Quociente da Atividade Operacional é resultante da Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 142 12 Demonstração das mutações do patrimônio líquido Agora vamos estudar um pouquinho da demonstração das mutações do patrimônio líquido, sendo esta demonstração facultativa de publicação, somente obrigatória às empresas estatais dependentes dos entes governamentais e também a estes últimos quando incorporarem as empresas na consolidação das contas. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL - registra as alterações ocorridas durante o exercício financeiro no Patrimônio Líquido do ente público Conforme o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, deverá ser apresentado nesta demonstração contábil: a) o déficit ou superávit patrimonial do período; b) cada mutação no patrimônio líquido reconhecida diretamente no mesmo; c) o efeito decorrente da mudança nos critérios contábeis e os efeitos decorrentes da retificação de erros cometidos em exercícios anteriores. d) as contribuições dos proprietários e distribuições recebidas por eles como proprietários. (BRASIL, 2012, p. 44). Realizando uma análise entre duas demonstrações das mutações do patrimônio líquido, o profissional poderá visualizar ainda mais o que aconteceu nas oscilações dentro do patrimônio líquido do ente público e contemplará uma exposição no mínimo com as principais contas do Patrimônio Líquido, sendo elas: • Patrimônio Social/Capital Social. relação entre o Caixa Líquido Gerado das Operações e o Total da Geração Líquida de Caixa. A interpretação desse quociente indica a parcela da geração líquida de caixa pela entidade atribuída às atividades operacionais. (BRASIL, 2012, p. 21). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 143 Figura 3.12 | Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Fonte: Brasil (2012). Pertinente às demonstrações contábeis, não confundir com a DRE do setor privado que é a Demonstração do Resultado do Exercício, esse resultado no campo • Reservas de Capital. • Ajustes de Avaliação Patrimonial. • Reservas de Lucros. • Ações/Cotas em Tesouraria. • Resultados Acumulados. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 144 Sendo toda essa análise e demonstração já previstas em texto constitucional em seus artigos 70 e 74, como transcrito a seguir: (a) desempenho da unidade contábil no cumprimento da sua missão; (b) avaliação dos resultados obtidos na execução dos programas de trabalho com relação à economicidade, eficiência, eficácia e efetividade; (c) avaliação das metas estabelecidas pelo planejamento; (d) avaliação dos riscos e das contingências. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008a). público é demonstrado pela DVP, Demonstração das Variações Patrimoniais. Neste contexto, o Conselho Federal de Contabilidade,através da Resolução nº 1.129/08, pelo qual aprovou a NBCT 16. 2 – Patrimônio e Sistemas Contábeis, estabelece o subsistema de custos, que iremos estudar adiante e que tem por objetivo registrar, processar e evidenciar os custos dos bens e serviços, produzidos e ofertados à sociedade pela entidade pública (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008a). Segundo a norma, o subsistema de custos, integrado com os demais – orçamentário, patrimonial e de compensação – deve subsidiar a administração pública sobre: Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 145 Portanto, não é nova a determinação de que se tenha a análise e demonstração dos resultados obtidos nos entes públicos, além da aplicação dos recursos públicos com maior eficiência. Também a Lei de Responsabilidade Fiscal já mencionava o controle de custos, “Art. 50. § 3º A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial” (BRASIL, 2000). Então, podemos perceber que as novas normas de contabilidade aplicadas ao setor público não estão inventando ou criando nada e sim somente colocando em ação, fazendo acontecer o que já era determinado, porém não havia o seguimento de tais determinações. 13 Notas Explicativas Às Demonstrações Contábeis 13.1 Conceitos Quando das publicações das demonstrações contábeis, as notas explicativas devem acompanhá-las, esclarecendo pontos e critérios os quais a entidade adotou como padrão para registro de seus atos. A apresentação das notas explicativas nas Demonstrações Contábeis do setor público é orientação das normas de padrão internacional de contabilidade aplicadas ao setor público, com ênfase na NBC TSP1, a qual evidencia essa necessidade. Assim, elas conterão informações explicativas sobre diversos pontos das demonstrações contábeis, tais como critérios de depreciação adotados, ocorrência de fatos que ocasionaram alterações contábeis, patrimoniais, financeiras ou orçamentárias, conforme Manual de Contabilidade Aplicado ao setor público – Parte V – Demonstrações Contábeis Aplicada ao Setor Público (BRASIL, 2012). de controle interno com a finalidade de: II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. (BRASIL, 1988). Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 146 Esclarecimentos das notas explicativas estão definidos nas Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TG 26 (R1): 112. As notas explicativas devem: (a) apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os itens 117 a 124; (b) divulgar a informação requerida pelos Pronunciamentos Técnicos, Orientações e Interpretações do CPC que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis; e (c) prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demonstrações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão. (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2014). Portanto, as informações inseridas nas notas explicativas publicadas, juntamente com as demonstrações contábeis, devem ser relevantes e esclarecedoras de todos os procedimentos e critérios adotados pelo órgão. 14 Formalidades do registro contábil Conforme NBC T 16.5 do registro contábil, a entidade do setor público deve manter procedimentos uniformes de registros contábeis por meio de processo manual, mecanizado ou eletrônico, em rigorosa ordem cronológica, como suporte às informações. Também possui características do registro e da informação contábil no setor público, devendo observância aos princípios e às Normas Brasileiras Aplicadas ao Setor Público. Tais como (BRASIL, 2012): a) Comparabilidade – os registros e as informações contábeis das entidades do setor público devem ser possíveis de ocorrer consolidações, seja a nível estadual ou federal. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 147 b) Compreensibilidade – as informações divulgadas e publicadas através das demonstrações contábeis devem ser de fácil entendimento de seus usuários, no caso os cidadãos ou órgãos de controle externo que possuem a incumbência de fiscalização da administração pública. c) Confiabilidade – os registros e as informações contábeis devem ser realizados através de documentos fidedignos que deixem o contador seguro para realizá- los, reunindo requisitos verídicos e válidos que transmitam credibilidade para os usuários das informações em suas tomadas de decisões. d) Fidedignidade – quando dos registros dos fatos contábeis, bem como das informações apresentadas através das demonstrações contábeis, devem apresentar fielmente o fenômeno contábil que deu origem ao registro. e) Imparcialidade – quando dos registros contábeis pelo profissional, deve-se ter o cuidado, na sua realização, para que não privilegie interesses específicos e particulares de agentes e/ou entidades. f) Integridade – os registros contábeis realizados, bem como as informações apresentadas devem apresentar os acontecimentos patrimoniais em sua totalidade, ou seja, não podendo ser omitidas partes do fato que lhe deu causa. g) Objetividade – o registro contábil deve apresentar a realidade dos acontecimentos patrimoniais em função de obediência às normas técnicas contábeis preestabelecidas, sem que incidam preferências pessoais que podem vir a provocar distorções na informação. h) Representatividade – tudo o que for relevante nos fatos que ensejaram os registros contábeis e as informações apresentadas deve estar inserido através da escrituração. i) Tempestividade – os acontecimentos patrimoniais devem ser registrados através da escrituração no momento em que ocorrerem e devem ser divulgados Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 148 em tempo hábil para os usuários, para que essas informações mantenham sua relevância, pois nada adianta uma boa informação em atraso. j) Uniformidade – para se realizar a escrituração dos dados contábeis, deve o profissional obedecer aos critérios definidos, estes critérios devem ser padronizados e contínuos, para que sejam possíveis consolidações de demonstrações contábeis dos diversos órgãos, bem como a possibilidade de comparação da situação econômico-financeira de entidades do setor público. k) Utilidade – a escrituração das informações contábeis levadas às demonstrações contábeis, devem atender aos interesses dos usuários que irão interpretá-las, assim, essas demonstrações serão úteis a eles, pois conseguiram compreender as informações corretamente. l) Verificabilidade – já que a escrituração contábil deve ser realizada através de documentos confiáveis, também deve possibilitar a verificação da autenticidade desses documentos. m) Visibilidade – os registros realizados e as informações decorrentes destes devem ser apresentadas para toda a sociedade em cumprimento aos princípios da publicidade e transparência pública, e demonstrar os resultados da gestão e da situação patrimonial da entidade do setor público. No registro contábil existem elementos, são eles: a data da ocorrência do fato, a conta debitada, a conta creditada, o histórico do fato,de forma que descreva completamente o fato e ainda fornecendo informações essenciais tais como notas fiscais, número de empenhos, contratos e o que houver. A escrituração na contabilidade aplicada ao setor público, veremos na prática na próxima unidade de estudo. Você concorda com essas alterações na contabilidade aplicada ao setor público, incluindo novas demonstrações obrigatórias e mudanças nos subsistemas de informações? Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 149 Para se aprofundar e verificar na prática algumas das mudanças, acesse o portal da transparência ou contas públicas do seu município ou do seu estado e leia as notas explicativas. Esclarece quanto aos critérios adotados contabilmente? 1- A respeito das demonstrações contábeis da contabilidade aplicada ao setor público, aponte a alternativa verdadeira: a) Se necessito de informações extraorçamentárias vou conseguir consultando o Balanço Patrimonial. b) Se quero informações apenas da execução orçamentária, obtenho através de consulta a Demonstração de Fluxo de Caixa. c) Se preciso das informações de execução orçamentária e extraorçamentária, bem como saldos do disponível, então verifico o Balanço Financeiro da entidade. d) Se quero saber a composição do patrimônio público, obtenho essa informação no Balanço Orçamentário. e) Na DMPL verifico as mutações apenas do resultado acumulado da entidade. 2- Sobre o subsistema de informações, está correto afirmar que: a) Subsistema de informações orçamentárias: execução de receitas e despesas patrimoniais. b) Subsistema de informações financeiras: informações financeiras da entidade. c) Subsistema de informações patrimoniais: informações financeiras e não financeiras da entidade. d) Subsistema de informações de custos: informações Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 150 de execução e planejamento das receitas e despesas orçamentárias. e) Subsistema de informações compensado: informações financeiras e extraorçamentárias da entidade. A contabilidade aplicada ao setor público se transformou em alguns aspectos e se aproxima da contabilidade do setor privado no subsistema de informações patrimonial, pois todas têm a obrigatoriedade de obediência aos mesmos princípios que delineiam as suas elaborações, princípios esses elaborados e publicados pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC. Parte da contabilidade aplicada ao setor público ainda tem obediência à Lei nº 4.320/64, que á a lei que estatui as regras para a elaboração dos orçamentos públicos que são instrumentos importantíssimos para o setor que também possui a obrigatoriedade do planejamento em suas finanças. Mas quando o assunto é patrimônio, não pode haver diferenças dos tratamentos dado nas entidades empresariais, já que todas estão submetidas às mesmas regras. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 151 1- Conforme NBC T 16 do CFC, a contabilidade o setor público possui alguns subsistemas de informações, assinale a alternativa que apresenta todos esses subsistemas. a) Orçamentário, Financeiro, Patrimonial e Custos. b) Orçamentário, Financeiro, Patrimonial e Controle. c) Financeiro, Orçamentário e Patrimonial. d) Orçamentário, Patrimonial, Custos e Compensação. e) Orçamentário, Patrimonial, Custos e Controle. 2- Na contabilidade do setor público é obrigatória a publicação de: a) Balanço Orçamentário, Balanço Financeiro, Demonstração do Resultado do Exercício e Balanço Patrimonial. b) Balanço Orçamentário, Balanço Financeiro, Balanço Patrimonial e Notas Explicativas. c) Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Fluxo de Caixa e Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos. d) Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos e Demonstração do Fluxo de Caixa. e) Demonstração do Valor Adicionado. 3- Quem deve utilizar o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP), sabendo que este estabelece regras e procedimentos contábeis a serem observados pela administração pública? a) Apenas as autarquias. b) Todos os poderes e entes da federação. c) Apenas as fundações. d) Apenas as empresas de capital misto. e) Apenas as prefeituras. 4- Conforme as NBCASP, o sistema contábil público estrutura- se nos seguintes subsistemas: I- Subsistema Orçamentário. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 152 II- Subsistema Patrimonial. III- Subsistema Custos. IV- Subsistema Compensação. Assinale a alternativa correta: a) Apenas as afirmativas I e II. b) Todas as afirmativas I, II, III e IV. c) Apenas as afirmativas I, II e III. d) Apenas as afirmativas II, III e IV. e) Apenas as afirmativas III e IV. 5- Podemos afirmar sobre as demonstrações contábeis do setor público que: a) Englobam apenas os atos da administração pública. b) Não podem ser divulgadas para a população. c) Englobam todos os fatos contábeis e atos que interessam à administração pública. d) Interessam apenas à administração privada. e) Deve ser realizada apenas por auditores independentes. Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis U3 153 Referências BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Brasília, 1964. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/L4320.htm>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Constituição de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 26 out. 2014. ______. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Brasília, 2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 26 out. 2014. ______. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte V: demonstrações contábeis aplicadas ao setor público. 5. ed. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, 2012. Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/ contabilidade/Parte_V_DCASP2012.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Ministério da Fazenda. Tesouro Nacional. Plano de Contas Aplicado ao Setor Público – PCASP. Apresentação CCASP – PCASP. Módulo 3, slide 27. In: TREINAMENTOS e eventos da Federação. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional. 2013. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/web/stn/treinamentos-e- eventos>. Acesso em: 5 dez. 2014. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução nº. 750/93. Dispõe sobre princípios de contabilidade. Brasília, 1993. Disponível em: <http://www.oas.org/ juridico/portuguese/res_750.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Resolução nº. 1.129/08. Aprova a NBC T 16.2 – patrimônio e sistemas contábeis. Brasília, 2008a. Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/ RES_1129.doc>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Resolução nº. 1.133/08. Aprova a NBC T 16.6 – demonstrações contábeis. Brasília, 2008b. Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1133. doc>. Acesso em: 27 out. 2014. U3 154 Regimes, Sistemas e Demonstrações Contábeis ______. NBC TSP 24: apresentação da informação orçamentária nas demonstrações contábeis. Brasília, 2012. Disponível em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp- content/uploads/2012/12/NBC_TSP_24_audiencia.pdf>. Acesso em: 8 jan. 2014. ______. NBC TG 26 (R2): apresentação das demonstrações contábeis. Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG26(R2).doc>. Acesso em: 8 jan. 2015. ______. Resoluções, ementas e normas do CFC. Disponível em:<http://www.cfc. org.br/sisweb/sre/Confirmacao.aspx>. Acesso em: 5 nov. 2014. SLOMSKI, Valmor. Manual de contabilidade pública. De acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (IPSASB / IFAC / CFC). 3. ed. São Paulo: Atlas, 2013. Nesta seção, o objetivo é mostrar ao aluno e ao leitor que não há distinção da entidade privada com a entidade pública, veremos que tanto no grupo do ativo, passivo e patrimônio líquido do ente público teremos igualmente os bens, direitos, obrigações e contas especiais do grupo do patrimônio líquido, mensurados e reconhecidos da mesma forma. Seção 1 | Patrimônio Público Objetivos de aprendizagem: Esta unidade dos nossos estudos será focada no patrimônio público e a sua divisão em grupos e subgrupos, verificaremos ainda alguns conceitos importantes para o entendimento do tópico contábil, bem como os reconhecimentos de contas ativas e passivas e a sua extinção. Apresentaremos ainda, nesta unidade de estudos, o atual plano de contas padrão na contabilidade aplicada ao setor público após as atualizações recentes, conforme normas padronizadas internacionais, que são de aplicação a todos os entes federativos e todos os poderes. Para encerrar a unidade contábil dos nossos estudos, demonstraremos diversos lançamentos de fatos típicos ou rotineiros aplicados ao setor público, para assim compreendermos ainda mais os subsistemas de informações já estudados e entender a lógica de registro do atual plano de contas brasileiro utilizado pela contabilidade aplicada ao setor governamental. Carla Patricia Rodrigues Ramos Unidade 4 PATRIMÔNIO PÚBLICO: ATIVO, PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 156 Na seção 2 desta unidade, vamos apresentar um esquema básico do plano de contas padrão do setor público, os seus principais grupos e subgrupos e também as principais contas do novo plano de contas padrão da administração pública brasileira que segue os exemplos internacionais de registro, os quais serão utilizados para a consolidação nacional a partir de 2014 e finalizando veremos alguns lançamentos de fatos típicos da contabilidade aplicada ao setor público. Seção 2 | Plano de Contas e Registros Patrimoniais Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 157 Introdução à unidade Vamos iniciar a nossa última unidade de estudo e aqui trataremos do patrimônio público e veremos que quando o assunto é patrimônio, tanto empresarial, quanto governamental, falamos de ativo, passivo e patrimônio líquido. Estudaremos os seus grupos e subgrupos e quais as contas que constam nesses grupos, trazendo conceitos importantíssimos para a compreensão da existência dessas contas em todos os grupos apresentados. Veremos o novo plano de contas padrão que foi instituído com as atualizações ocorridas devido às normas internacionais que impactaram mudanças tanto na área empresarial, como no campo governamental e assim, a contabilidade aplicada ao setor público não pode ficar de fora. Ao final da unidade de estudo, teremos exemplos de lançamentos de fatos típicos que ocorrem repetidamente em uma entidade governamental e com isso estaremos estudando a escrituração da contabilidade aplicada ao setor público e o seu funcionamento com todos os subsistemas de informações existentes nas Normas de Contabilidade aplicadas ao setor público – NBC T 16, orçamentário, patrimonial, compensação e custos. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 158 Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 159 Seção 1 Patrimônio Público Você já deve ter visto o patrimônio das entidades comerciais e ou industriais e aprendeu que o patrimônio envolve todos os bens, direitos e obrigações da entidade. No setor público não poderia ser diferente, então, com isso temos que o patrimônio público são todos os direitos deste ente, os seus bens, sejam eles tangíveis ou intangíveis e mais as obrigações constituídas. Portanto, vemos que não difere das entidades empresariais, sendo o patrimônio composto de ativo, passivo, patrimônio líquido, saldo patrimonial ou situação líquida patrimonial. 1 Ativo Quando falamos em ativos, há alguns pontos principais que devem ser considerados na escrituração contábil do ativo imobilizado, sendo eles: o reconhecimento dos ativos, a mensuração desses ativos e os valores de depreciação e perdas por desvalorização a serem reconhecidas em relação a estes. Neste estudo, você irá se deparar com alguns termos novos, vamos a eles: a) Valor contábil: é o valor de algum ativo quando já reconhecido e após a dedução da depreciação, devido ao seu tempo de uso e desgaste contabilizado, e da CPC-27 3, referente à perda por redução ao valor recuperável acumulado. b) Custo: é o valor de caixa ou seu equivalente desembolsado ou o valor justo de outro recurso utilizado na aquisição ou construção do ativo, ou ainda, podendo ser o valor atribuído ao ativo quando reconhecido conforme os Pronunciamentos, como, por exemplo, o Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações. c) Valor depreciável: é o custo do ativo menos o seu valor residual. d) Valor residual: é o valor líquido que a empresa espera, com razoável margem de segurança, obter no fim da vida útil do bem registrado e reconhecido no ativo, menos os custos que devam acontecer para a concretização de sua venda. e) Depreciação: é a redução do valor dos bens registrado no ativo pelo seu desgaste natural ou perda de utilidade por uso. f) Valor justo: é o montante que deveria ser recebido na alienação de um ativo ou que deveria ser pago quando da transferência de um item do passivo em uma Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 160 transação entre participantes do mercado na data de sua ocorrência. g) Perda por redução ao valor recuperável: é o montante que um bem do ativo ou “de uma unidade geradora de caixa ultrapassa em seu valor de recuperação”. h) Valor recuperável: é o valor maior na comparação entre o valor justo, reduzindo os custos de venda de um ativo e seu valor em atividade. i) Vida útil: é o tempo em que se espera utilizar o ativo registrado ou a quantidade de produção que a empresa espera realizar com a utilização deste ativo. j) Custo do ativo imobilizado: compreende o preço de aquisição deste ativo, acrescentando-se os impostos de importação e os impostos não recuperáveis sobre a realização da compra, depois se reduz os descontos inseridos na negociação, bem como quaisquer custos que aconteçam para colocar o ativo adquirido ou construído em atividade, conforme a administração da entidade queira. O Ativo possui os recursos que o ente público controla, sendo resultado de eventos passados, eventos esses que podem gerar benefícios futuros, sendo conceito de ativo na entidade empresarial ou na entidade pública. Segundo o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (PCB-R1), “Ativo representa recursos controlados por uma entidade em consequência de eventos passados e dos quais se espera que resultem fluxos de benefícios econômicos futuros ou potencial de serviços para a entidade” (BRASIL, 2012c). Para ser considerado ativo circulante, devem ser satisfeitos alguns dos seguintes critérios: a) estar disponíveis para realização imediata e b) ter a expectativa de realização até o término do exercício seguinte (BRASIL, 2012a). Os demais ativos que não se enquadram nessas situações são classificados como ativo não circulante. Para o levantamento do Balanço Patrimonial, é necessário definir alguns conceitos: ATIVO CIRCULANTE Compreender o conceito de ativo é fundamental para o entendimento do patrimônio, nele estão compreendidos osativos que satisfazem alguns requisitos, tais como: caixa ou equivalente de caixa; os que sejam realizáveis ou mantidos, seja para venda ou para o consumo, realizáveis dentro do ciclo operacional da entidade, ou dentro do exercício seguinte (até 12 meses após o levantamento do balanço da entidade); ou ativos que existam para negociações (DCASP 2012) (BRASIL, 2012c). Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 161 Existe uma subdivisão do ativo em dois grandes grupos: ativo circulante e ativo não circulante. O ativo circulante é dividido da seguinte maneira: a) Caixa e equivalentes de caixa – aqui compreende o disponível da entidade, é a soma do caixa, bancos, bem como os seus equivalentes, ou seja, aqueles que representem recursos com livre e rápida movimentação para aplicação em atividades da entidade. b) Créditos a curto prazo – nesta categoria temos valores a receber devido ao exercício da atividade da entidade ou órgão, tais como fornecimento de bens, prestação de serviços, créditos tributários existentes, inscrição de dívida ativa tributária ou não tributária, empréstimos e financiamentos concedidos que deverão ser realizáveis durante o exercício financeiro seguinte. c) Demais créditos e valores a curto prazo – aqui são classificados os demais valores a receber por outras transações realizadas pela entidade ou órgão, não incluídas em créditos a curto prazo, que também sejam cumpridas até o término do exercício seguinte. d) Investimentos e aplicações temporárias a curto prazo – são classificadas nesta categoria as aplicações de recursos que não estejam destinadas a negociações e também que não façam parte das atividades operacionais da entidade ou órgão, mas que sejam resgatáveis até o término do exercício seguinte, as chamadas de curto prazo. e) Estoques – em estoques estão compreendidos os valores dos bens adquiridos, produzidos ou em processo de elaboração pela entidade ou órgão com o objetivo de venda, revenda ou utilização própria. f) Variações patrimoniais diminutivas pagas antecipadamente – por variações patrimoniais diminutivas entendemos que são as chamadas despesas no setor empresarial, aqui, quando o enfoque é patrimonial, é de VPD. Portanto, compreende os gastos de variações patrimoniais diminutivas (VPD) antecipadas, cujos benefícios ou prestação de serviço decorrentes delas ocorrerão até o término do exercício seguinte. ATIVO NÃO CIRCULANTE No segundo grupo do ativo estão compreendidos os ativos que somente serão realizáveis após os 12 meses seguintes à data de elaboração das demonstrações contábeis, ou seja, são os chamados a longo prazo. Este grupo é composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível, como segue (BRASIL, 2012a): Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 162 a) Ativo realizável a longo prazo – aqui são classificados os bens, direitos e as despesas antecipadas que são realizáveis após os dozes meses de elaboração das demonstrações contábeis. Entende-se que nos municípios, a principal conta a ser registrada nesse grupo são os créditos tributários e não tributários e da inscrição da dívida ativa referentes às parcelas de longo prazo, definidas no parcelamento. Sempre que o contribuinte parcelar seus débitos com vencimentos superiores a 12 meses, o contador deverá efetuar o registro desse parcelamento nessa conta contábil. Quando o contribuinte deixa a condição adimplente, no curto prazo, a fazenda pública o inscreverá em dívida ativa e, desse modo, o contador deve alterar a sua condição no ativo de créditos tributários adimplentes para a condição de créditos tributários inscritos em dívida ativa. b) Investimentos – nessa categoria estão inseridas as participações permanentes que a administração pública tem em empresas por meio de ações ou quotas, assim como os bens e os direitos que não são classificáveis no ativo circulante e tão pouco no ativo realizável a longo prazo, além de não se destinarem à manutenção da atividade da entidade ou órgão. c) Imobilizado – no grupo do imobilizado devem ser classificados os ativos que sejam bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou do órgão, incluindo os decorrentes de operações que repassem a entidade ou órgão os benefícios, riscos e o controle desses bens. Ainda no conjunto de imobilizado estão as depreciações acumuladas que é a conta redutora dos bens registrados no imobilizado, e no balanço patrimonial serão apresentados os valores líquidos. d) Intangível – enquanto no imobilizado estão os bens corpóreos, no intangível estão os bens incorpóreos destinados à manutenção da entidade ou órgão. Assim como o ativo imobilizado serão apresentados os valores líquidos, no intangível também, já que nesta categoria estão as amortizações acumuladas. Fonte: Brasil (2012b). 1.1 Reconhecimento de ativos O reconhecimento contábil pode ser definido como o processo de incorporação às demonstrações contábeis de itens que se enquadrem na definição de elemento (ativo, passivo, receita e despesa) e que satisfaça o critério de reconhecimento contábil contido em PCB-R1 que afirma que “Um ativo é reconhecido no balanço patrimonial quando for provável que benefícios econômicos futuros dele provenientes fluirão para a entidade e seu custo ou valor puder ser determinado em bases confiáveis” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008). Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 163 Ainda temos no § 4.8 do PCB-R1 a definição de benefícios econômicos futuros de um ativo, como segue: “[...] é o seu potencial em contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa ou equivalente de caixa para a entidade” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008). Ainda a respeito do reconhecimento do ativo no balanço, a PCB-R1 em seu § 4.45 determina que “Um ativo não deve ser reconhecido no balanço patrimonial quando os gastos incorridos não proporcionarem a expectativa provável de geração de benefícios econômicos para a entidade além do período contábil” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008). Assim, quando é improvável que benefícios econômicos venham a ocorrer, tal transação é reconhecida como despesa na demonstração do resultado. Será considerado ativo quando existe o potencial de geração de benefícios futuros para a entidade além do período contábil e será despesa quando tal benefício já foi consumido ou quando verificar que não existirá benefício futuro. 1.2 Mensuração de ativos A NBC T 16.10 – Avaliação e mensuração de ativos e passivos em entidades do setor público – conceitua mensuração em seu § 2, como sendo “[...] a constatação de valor monetário para itens do ativo e do passivo decorrente da aplicação de procedimentos técnicos suportados em análises qualitativas e quantitativas” (CONSELHOR FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008). Antes que a mensuração contábil possa ser processada, é preciso ser solucionado um ou mais atributos específicos dos elementos contábeis a serem medidos. A seguir, veja qual é a base que iremos utilizar para mensurar os elementos, tais como: a) Custo histórico: os ativos são registrados pelos montantes pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos entregues para adquiri-los na data de aquisição. b) Custo corrente: aqui os ativos são registrados e mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa que teriam sidos pagos se esses mesmos ativos fossem adquiridos na data que apuração do balanço patrimonial da entidade. c) Valor realizável: os ativos são mantidos pelo montante de caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos caso sua alienação fosse realizada de forma ordenada. d) Valor presente: os ativos são mantidos pelo valor presente descontado dos fluxos futuros de entradas líquidas de caixa que, se espera,seja gerado pelo item no curso normal das operações. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 164 2 Passivo Nesse tópico estão contidas as obrigações do ente, ou seja, as dívidas, resultados de ações passadas que são obrigações no presente que resultarão em saída de recursos do ente público. Portanto, no passivo estarão evidenciadas todas e quaisquer obrigações cujo fator gerador já tenha ocorrido. Um passivo surge quando existe uma obrigação a cumprir, uma dívida com terceiros e o não cumprimento dessa obrigação pode causar uma sanção para a entidade. O passivo pode ser resultante de algumas situações, tais como: • uma transação em que obtém recursos econômicos; • imposição do governo através dos tributos ou de decisão judicial; • surgir de necessidades da entidade para continuar as suas atividades, seja decorrente de um contrato ou não. Neste estudo, você irá se deparar com alguns termos novos, então vamos a eles: a) Provisão: é um passivo, uma dívida, uma obrigação em que o seu prazo de cumprimento ou o seu valor para liquidação são incertos. b) Passivo: são todas as obrigações financeiras que o órgão contraiu com terceiros. São dívidas, obrigações a serem cumpridas por eventos já ocorridos. c) Evento que cria obrigação: é um fato, uma situação que cria uma obrigação legal para o órgão. d) Obrigação legal: é uma obrigação, uma responsabilidade adquirida que ocasionou de um contrato, uma legislação ou outra ação da lei. 2.1 Reconhecimento de passivos Para apresentar um passivo em uma demonstração contábil, é necessário que este passivo seja reconhecido e mensurado. Conforme regras vigentes no sistema normativo, uma obrigação deve ser reconhecida como passivo quando satisfaz os seguintes critérios: • Corresponde à definição de passivo. • É mensurável. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 165 • É relevante. • É precisa, certa. 2.2 Liquidação de passivos As liquidações ou as extinções das dívidas constituídas pela entidade, podem acontecer de várias formas: • Pagamento em dinheiro. • Transferências de outros ativos. • Prestação de serviços. • Substituição por outra obrigação. • Conversão da dívida em capital. PASSIVO CIRCULANTE Assim como estudamos que o ativo possui dois grandes grupos, circulante e não circulante, o passivo, que são as obrigações, também possui esses grupos, passivo circulante e o passivo não circulante, e no passivo circulante estão classificadas as obrigações que atendam a qualquer um dos seguintes critérios: sejam obrigações que possuam prazos estabelecidos de realização dentro do ciclo operacional da entidade (caso de empresas), ou sejam obrigações mantidas para negociação; ou que possuam prazos de realizações ou esperados até 12 meses após a data das demonstrações contábeis levantadas, sendo classificadas da seguinte forma (BRASIL, 2012a): a) Obrigações trabalhistas, previdenciárias e assistenciais a pagar a curto prazo – nesta categoria são classificadas as obrigações pertinente a salários ou remunerações, bem como os benefícios aos quais os servidores tenham direitos, aposentadorias, reformas, pensões e encargos a pagar, os benefícios assistenciais, mas que essas obrigações tenham vencimento até 12 meses a contar da data de elaboração das demonstrações contábeis, inclusive os precatórios que sejam decorrentes dessas obrigações. b) Empréstimos e financiamentos a curto prazo – nesta categoria estão as obrigações de empréstimos ou financiamentos contraídos pela entidade ou órgão, com prazo de realização em até 12 meses. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 166 c) Fornecedores e contas a pagar a curto prazo – são classificadas como fornecedores e contas a pagar, as obrigações com fornecedores de materiais utilizados nas atividades operacionais da entidade ou órgão, bem como as obrigações que sejam decorrentes do fornecimento de energia elétrica, água ou saneamento, serviços telefônicos, propaganda ou publicidade, aluguéis e todas as demais contas a pagar que seus vencimentos estejam dentro do período de até 12 meses, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações. d) Obrigações fiscais a curto prazo – são classificadas nesta categoria as obrigações como fisco relativas a impostos, taxas e contribuições com vencimento em até 12 meses. e) Demais obrigações a curto prazo –compreende as obrigações da entidade ou órgão perante terceiros não incluídos nas categorias anteriores, mas que os vencimentos estejam dentro do período de até 12 meses. f) Provisões a curto prazo – são inseridos como provisões os passivos com prazo ou de valor incertos, em até 12 meses. PASSIVO NÃO CIRCULANTE Neste segundo grupo do passivo estão classificadas as obrigações que não atendam a nenhum dos critérios apresentados para serem classificadas no grupo do passivo circulante, assim são compostos com subgrupos idênticos aos do passivo circulante, mas que seu período de realizações ou vencimentos seja após os 12 meses seguintes às elaborações das demonstrações contábeis. 3 Patrimônio líquido Patrimônio líquido é o valor residual dos ativos após serem deduzidas todas as obrigações classificadas como passivos, sendo chamado de Passivo a descoberto, em vez de Patrimônio Líquido quando temos o valor do passivo maior que o valor do ativo. Esse grupo do PL está divido em alguns grupos, conforme o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (BRASIL, 2012c): a) Patrimônio Social e Capital Social – assim são apresentados o patrimônio social das autarquias, fundações e fundos e o capital social das demais entidades da administração indireta, bem como da administração direta. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 167 b) Adiantamento Para Aumento de Capital – aqui ficam os recursos recebidos pelas empresas, através de seus acionistas ou quotistas, destinados a futuro aumento de capital. c) Reservas de Capital – os valores que serão acrescentados ao patrimônio social e que não transitaram pelo resultado, classificados como variações patrimoniais aumentativas (VPA). d) Ajustes de Avaliação Patrimonial – aqui são apresentadas as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor apresentados aos elementos do ativo ou do passivo decorridos de avaliações, enquanto não forem registradas no resultado do período, devido à obediência ao regime de competência. e) Reservas de Lucros – são apresentadas as reservas constituídas com partes do lucro líquido. f) Demais Reservas – são classificadas como demais reservas aquelas não classificadas como reservas de capital ou de lucro. g) Resultados Acumulados – são apresentados os saldos dos lucros ou prejuízos líquidos das empresas e os superávits ou déficits acumulados dos órgãos da administração direta e indireta. h) Ações / Cotas em Tesouraria – são classificados aqui os valores das ações ou cotas das empresas que foram adquiridas pelo órgão. Pense sobre os lançamentos contábeis a serem realizados no subsistema patrimonial, será que irão existir lançamentos novos ainda não foram apresentados a você até este momento do curso? Consulte os manuais disponíveis no site da Secretaria do Tesouro Nacional e aprofunde seus estudos sobre o patrimônio público. <http:// www.tesouro.fazenda.gov.br/>. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 168 1- Como você classificaria as aplicações financeiras de liquidez imediatas, os bancos vinculados a convênios assinados e as obrigações previdenciárias decorrentes de folha de pagamento? 2- Foram apresentadas informações a respeito de receitas e despesas de um determinado exercício financeiro no balanço orçamentário de uma entidade pública: I- Orçamento aprovado para o exercício: R$5 000 000,00. II- Receitas orçamentárias arrecadadas no exercício: R$ 4 600 000,00. III- Despesas empenhadas no exercício: R$ 4 400 000,00. IV- Despesas liquidadas e pagas no exercício: R$ 4 200 000,00. Podemos afirmar que o superávit do orçamento dessa entidade pública nesse exercício é de: a) R$ 50 000,00. b) R$ 200 000,00. c) R$ 100 000,00. d) R$ 600 000,00. e) R$ 800 000,00. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 169 Seção 2 Plano de Contas e Registros Patrimoniais Nesta serão estudaremos o atual plano de contas padrão na contabilidade do setor público, pois através dele poderemos compreender a lógica de registros contábeis neste setor. Na sequência, apresentamos registros básicos de fatos típicos do setor para que você possa entender a lógica da escrituração. 1 Conceito de plano de contas A contabilidade como instrumento de registro, controle e divulgação os fatos que afetam o patrimônio de qualquer ente necessita de procedimentos sistematizados. Entre eles, destaca-se a utilização de um plano de contas bem estruturado, contendo as funções e o funcionamento das contas. A adoção de um plano de contas bem elaborado orienta a correta utilização das contas para o registro dos fatos contábeis e evita a falta de consistência na escrituração contábil. O plano de contas é o instrumento contábil que permite a correta classificação dos fatos patrimoniais de maneira uniforme e sistematizada, em face da padronização das contas que devem ser utilizadas para fins de registro, proporcionando um melhor gerenciamento, controle, consolidação e transparência das informações, bem como a emissão de relatórios gerenciais e demonstrativos contábeis, auxiliando na tomada de decisões e no cumprimento de normais legais. Um plano de contas bem estruturado proporciona a transparência dos gastos públicos e a composição do patrimônio do Estado e suas variações em termos de bens, direitos e obrigações. Assim como você já aprendeu, o plano de contas é a estrutura ou o conjunto de contas existentes, contas estas previamente estabelecidas e padronizadas que permitirão realizar a escrituração contábil e transformar dados em informações que comporão as demonstrações e futuros relatórios (BRASIL, 2012a). Para cumprir sua finalidade técnica, a elaboração do plano de contas deve observar os seguintes princípios básicos: Caracterização institucional: ramo, setor de atividade, tamanho da empresa e natureza. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 170 Normatização: ter caráter normativo de observância obrigatória internamente. Titulação codificada: cada título de conta deve corresponder a um código de identificação. Atendimento aos princípios e normas legais contábeis: guardar coerência com as técnicas contábeis. Utilidade funcional: deve ser útil e funcional, respaldando-se no universo de transações do ramo de atividade da entidade. Explicabilidade: deve explicar a função e o funcionamento de cada conta, sua utilização prática de forma específica. Flexibilidade: permitir alterações e ajustes quando cabível. Classificabilidade: expressar um entendimento lógico-ordenado. Clareza: permitir a compreensão direta sem criar dúvidas ou interpretações difusas nos usuários. 2 Objetivo de um plano de contas O plano de contas de uma entidade possui o objetivo de ajudar na escrituração contábil, em registrar os atos e fatos praticados pela empresa, pela entidade ou pelo órgão. 3 Conta contábil As contas apresentadas no plano de contas são expressões qualitativas e quantitativas dos fatos, evidenciando a composição, a variação e o estado do patrimônio público, bem como evidencia os bens, direitos, obrigações que afetam ou não a sua composição. As contas são agrupadas segundo suas funções, possibilitando identificações de atos e fatos, determinações dos custos de bens e serviços prestados pelo governo, além de acompanhar e controlar as aprovações, execuções orçamentárias, elaboração dos balanços e demais demonstrações contábeis e assim apresentar a composição do patrimônio e conhecer a real situação econômico-financeira da entidade. 4 Plano de contas padrão Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 171 4.1 Objetivos Os objetivos gerais do PCASP visam à consolidação nacional das demonstrações contábeis e à padronização de normas, critérios e procedimentos para o registro contábil das entidades do setor público (BRASIL, 2012b). A seguir, vamos verificar o novo plano de contas que a partir de 2013 será obrigatório a todos os entes públicos e a partir de 2014 poderá ser realizada a primeira consolidação nacional. Em resumo, os grupos de contas para o novo plano de contas padrão é o seguinte: Quadro 4.1 | Resumo Plano de Contas Padrão 1 - Ativo 1.1 - Ativo Circulante 1.2 - Ativo Não Circulante 1 - Passivo 1.1 - Passivo Circulante 1.2 - Passivo Não Circulante 1.3 - Patrimônio Líquido 2 - Variação Patrimonial Diminutiva 2.1 - Pessoal e encargos 2.2 - Benefícios Previdenciários e Assist. ... 3.9 - Outras Variações Patrimoniais Dim. 4 - Variação Patrimonial Aumentativa 4.1 - Impostos, Taxas e Contribuições de Melhorias 4.2 - Contribuições ... 1.9 - Outras Variações Patrimoniais Aum. 5 - Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento 5.1 - Planejamento Aprovado 5.2 - Orçamento Aprovado 5.3 - Inscrição de Restos a Pagar 6 - Controles da Execução do Planejamento e orçamento 6.1 - Execução do Planejamento 6.2 - Execução do Orçamento 6.3 - Execução de Restos a Pagar 7 - Controles Devedores 7.1 - Atos Potenciais 7.2 - Administração financeira 7.3 - Dívida Ativa 7.4 - Riscos Fiscais 7.8 - Custos 7.9 - Outros controles 8 – Controles Credores 8.1 - Execução dos Atos Potenciais 8.2 - Execução da Administração Financeira 8.3 - Execução da Dívida Ativa 8.4 - Execução dos Riscos Fiscais 8.8 - Apuração dos Custos 8.9 - Outros Controles Fonte: Brasil (2013). Como você pode visualizar na imagem, nos grupos existentes no plano de contas padrão temos uma lógica de registro e os grupos 1, 3, 5 e 7 são grupos de contas com natureza devedora. Enquanto, os grupos 2, 4, 6 e 8 possuem contas de natureza credora. Esse conhecimento é de suma importância para o contador, pois sabendo a natureza da conta ele terá o entendimento de quais contas serão utilizadas como debitadas e creditadas. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 172 Se quiser ver o plano de contas na íntegra, acesse o site da Secretaria do Tesouro Nacional no link a seguir: <http://www3.tesouro.fazenda.gov. br/contabilidade_governamental/downloads/PCASPIV.pdf>. 4.1 Figura | Identificação Dos Subsistemas De Informações No Plano De Contas Padrão Fonte: Brasil (2013). Analisando a figura acima, você pode verificar que os grupos existentes no plano de contas padrão estão divididos conforme os subsistemas de informações e os grupos 1, 2, 3 e 4 são grupos de contas do subsistema patrimonial. Já os grupos 5 e 6 possuem as contas do subsistema orçamentário, tanto a sua aprovação quanto a sua execução. Quanto os grupos 7 e 8 temos os subsistemas de compensação e de custos inseridos. Segue um resumo do plano de contas, ou as contas mais trabalhadas, elencadas para que você tenha uma noção do Plano de Contas Padrão, conforme as novas normas da contabilidade aplicada ao setor público, divulgadas tanto no site da Secretaria do Tesouro Nacional quanto nos sites dos tribunais de contas dos estados. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 173 Quadro 4.2 | Contas 1.0.0.0.0.00.00 ATIVO Compreende os recursos controlados por uma entidade como consequência de eventos passados e dos quais seespera que fluam benefícios econômicos ou potencial de serviços futuros à unidade. 1.1.0.0.0.00.00 ATIVO CIRCULANTE Compreende os ativos que atendam a qualquer um dos seguintes critérios: caixa ou equivalente de caixa; realizáveis ou mantidos para venda ou consumo dentro do ciclo operacional da entidade; mantidos primariamente para negociação; realizáveis até o término do exercício seguinte. 1.1.1.0.0.00.00 CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA Compreende o somatório dos valores em caixa e em bancos, bem como equivalentes que representam recursos com livre movimentação para aplicação nas operações da entidade e para os quais não haja restrições para uso imediato. 1.1.2.0.0.00.00 CRÉDITOS A CURTO PRAZO Compreende os valores a receber por fornecimento de bens, serviços, créditos tributários, dívida ativa, transferências e empréstimos e financiamentos concedidos realizáveis no curso do exercício social subsequente. 1.1.2.1.0.00.00 CLIENTES Compreende os valores das faturas/duplicatas a receber decorrentes das vendas a prazo de mercadorias ou serviços que ocorram no curso normal das operações da entidade, representando um direito a cobrar de seus clientes. 1.1.2.2.0.00.00 CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A RECEBER Compreende os valores relativos a créditos a receber oriundos da variação patrimonial aumentativa tributária realizáveis no curso do exercício social subsequente. Os tributos são: impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições e empréstimos compulsórios. 1.1.2.3.0.00.00 DÍVIDA ATIVA TRIBUTÁRIA Compreende os valores dos créditos de dívida ativa tributária inscritos, realizáveis no curso do exercício social subsequente. 1.1.2.4.0.00.00 DÍVIDA ATIVA NÃO TRIBUTÁRIA - CLIENTES Compreende os valores dos créditos de dívida ativa não tributária inscritos, derivados de clientes, realizáveis até o término do exercício seguinte. 1.1.3.0.0.00.00 DEMAIS CRÉDITOS E VALORES A CURTO PRAZO Compreende os valores a receber por demais transações realizáveis até o término do exercício seguinte. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 174 1.1.4.0.0.00.00 INVESTIMENTOS E APLICAÇÕES TEMPORÁRIAS A CURTO PRAZO Compreende as aplicações de recursos em títulos e valores mobiliários, não destinadas à negociação e que não façam parte das atividades operacionais da entidade, resgatáveis até o término do exercício seguinte, além das aplicações temporárias em metais preciosos. 1.1.5.0.0.00.00 ESTOQUES Compreende o valor dos bens adquiridos, produzidos ou em processo de elaboração pela entidade, com o objetivo de venda ou utilização própria no curso normal das atividades. 1.1.9.0.0.00.00 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS PAGAS ANTECIPADAMENTE Compreende pagamentos de variações patrimoniais diminutivas (VPD) antecipadas, cujos benefícios ou prestação de serviço à entidade ocorrerão até o término do exercício seguinte. 1.2.0.0.0.00.00 ATIVO NÃO CIRCULANTE Compreende o ativo não circulante: o ativo realizável a longo prazo, os investimentos, o imobilizado e o intangível. 1.2.1.0.0.00.00 ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Compreende os bens, direitos e despesas antecipadas realizáveis após o término do exercício seguinte. 1.2.2.0.0.00.00 INVESTIMENTOS Compreende as participações permanentes em outras sociedades, bem como os bens e direitos não classificáveis no ativo circulante nem no ativo realizável a longo prazo e que não se destinem à manutenção da atividade da entidade. 1.2.3.0.0.00.00 IMOBILIZADO Compreende os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens. 1.2.4.0.0.00.00 INTANGÍVEL Compreende os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da entidade ou exercidos com essa finalidade. 2.0.0.0.0.00.00 PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO Passivo compreende as obrigações existentes da entidade, oriundas de eventos passados, cuja liquidação se espera que resulte em fluxo de saída de recursos que incorporem benefícios econômicos ou serviços em potencial. Patrimônio líquido compreende a diferença entre o ativo e o passivo. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 175 2.1.0.0.0.00.00 PASSIVO CIRCULANTE Compreende as obrigações conhecidas e estimadas que atendam a qualquer um dos seguintes critérios: tenham prazos estabelecidos ou esperados dentro do ciclo operacional da entidade, sejam mantidos primariamente para negociação, tenham prazos estabelecidos ou esperados até o término do exercício seguinte, sejam valores de terceiros ou retenções em nome deles, quando a entidade do setor público for fiel depositária, independentemente do prazo de exigibilidade. 2.1.1.0.0.00.00 OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS, PREVIDENCIÁRIAS E ASSISTENCIAIS A PAGAR A CURTO PRAZO Compreende as obrigações referentes a salários ou remunerações, bem como benefícios os quais o empregado ou servidor tenha direito, aposentadorias, reformas, pensões e encargos a pagar, bem como benefícios assistenciais, com vencimento até o término do exercício seguinte, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações. 2.1.2.0.0.00.00 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS A CURTO PRAZO Compreende as obrigações financeiras da entidade a título de empréstimos, bem como as aquisições efetuadas diretamente com o fornecedor, com vencimentos até o término do exercício seguinte. 2.1.3.0.0.00.00 FORNECEDORES E CONTAS A PAGAR A CURTO PRAZO Compreende as obrigações junto a fornecedores de matérias-primas, mercadorias e outros materiais utilizados nas atividades operacionais da entidade, bem como as obrigações decorrentes do fornecimento de utilidades e da prestação de serviços, tais como de energia elétrica, água, telefone, propaganda, aluguéis e todas as outras contas a pagar com vencimento até o término do exercício seguinte, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações. 2.1.4.0.0.00.00 OBRIGAÇÕES FISCAIS A CURTO PRAZO Compreende as obrigações das entidades com o governo relativas a impostos, taxas e contribuições com vencimento até o término do exercício seguinte. 2.1.5.0.0.00.00 OBRIGAÇÕES DE REPARTIÇÃO A OUTROS ENTES Compreende os valores arrecadados de impostos e outras receitas a serem repartidos aos estados, distrito federal e municípios. 2.1.7.0.0.00.00 PROVISÕES A CURTO PRAZO Compreende os passivos de prazo ou de valor incertos, com prazo provável até o término do exercício seguinte. 2.1.8.0.0.00.00 DEMAIS OBRIGAÇÕES A CURTO PRAZO Compreende as obrigações da entidade junto a terceiros, não inclusas nos subgrupos anteriores, com vencimento até o término do exercício seguinte, inclusive os precatórios decorrentes dessas obrigações. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 176 2.2.0.0.0.00.00 PASSIVO NÃO CIRCULANTE Compreende as obrigações conhecidas e estimadas que não atendam a nenhum dos critérios para serem classificadas no passivo circulante. 2.3.0.0.0.00.00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Compreende o valor residual dos ativos depois de deduzidos todos os passivos. 2.3.1.0.0.00.00 PATRIMÔNIO SOCIAL E CAPITAL SOCIAL Compreende o patrimônio social das autarquias, fundações e fundos e o capital social das demais entidades da administração indireta. 2.3.2.0.0.00.00 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL Compreende os recursos recebidos pela entidade de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados para aumento de capital, quando não haja a possibilidadede devolução destes recursos. 2.3.3.0.0.00.00 RESERVAS DE CAPITAL Compreende os valores acrescidos ao patrimônio que não transitaram pelo resultado como variações patrimoniais aumentativas (VPA). 2.3.4.0.0.00.00 AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL Compreende as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídas a elementos do ativo e do passivo em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos pela Lei nº 6.404/76 ou em normas expedidas pela comissão de valores mobiliários, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência. 2.3.5.0.0.00.00 RESERVAS DE LUCROS Compreende as reservas constituídas com parcelas do lucro líquido das entidades para finalidades específicas. 2.3.6.0.0.00.00 DEMAIS RESERVAS Compreende as demais reservas, não classificadas como reservas de capital ou de lucro, inclusive aquelas que terão seus saldos realizados por terem sido extintas pela legislação. 2.3.7.0.0.00.00 RESULTADOS ACUMULADOS Compreende o saldo remanescente dos lucros ou prejuízos líquidos das empresas e os superávits ou déficits acumulados da administração direta, autarquias, fundações e fundos. 2.3.7.1.0.00.00 SUPERÁVITS OU DÉFICITS ACUMULADOS Compreende os superávits ou déficits acumulados da administração direta, autarquias, fundações e fundos. 2.3.7.2.0.00.00 LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS Compreende o saldo remanescente dos lucros ou prejuízos líquidos das empresas. 2.3.9.0.0.00.00 (-) AÇÕES / COTAS EM TESOURARIA Compreende o valor das ações ou cotas da entidade que foram adquiridas pela própria entidade. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 177 3.0.0.0.0.00.00 VARIAÇÃO PATRIMONIAL DIMINUTIVA Compreende o decréscimo no benefício econômico durante o período contábil sob a forma de saída de recurso ou redução de ativo ou incremento em passivo, que resulte em decréscimo do patrimônio líquido e que não seja proveniente de distribuição aos proprietários da entidade. 3.1.0.0.0.00.00 PESSOAL E ENCARGOS Compreende a remuneração do pessoal ativo civil ou militar, correspondente ao somatório das variações patrimoniais diminutivas com subsídios, vencimentos, soldos e vantagens pecuniárias fixas ou variáveis, estabelecidas em lei, decorrentes do pagamento pelo efetivo exercício do cargo, emprego ou função de confiança no setor público. Compreende ainda, obrigações trabalhistas de responsabilidade do empregador, incidentes sobre a folha de pagamento dos órgãos e demais entidades do setor público, contribuições a entidades fechadas de previdência e benefícios eventuais a pessoal civil e militar, destacados os custos de pessoal e encargos inerentes às mercadorias e aos produtos vendidos e aos serviços prestados. 3.2.0.0.0.00.00 BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E ASSISTENCIAIS Compreende as variações patrimoniais diminutivas relativas às aposentadorias, pensões, reformas, reserva remunerada e outros benefícios previdenciários de caráter contributivo do regime próprio da previdência social - RPPS e do regime geral da previdência social – RGPS, bem como as ações de assistência social que são políticas de seguridade social não contributiva, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingencias sociais e à universalização dos direitos sociais. 3.3.0.0.0.00.00 USO DE BENS, SERVIÇOS E CONSUMO DE CAPITAL FIXO Compreende o somatório das variações patrimoniais diminutivas com manutenção e operação da máquina pública, exceto despesas com pessoal e encargos que serão registrados em grupo específico (despesas de pessoal e encargos). Compreende: diárias, material de consumo, material de distribuição gratuita, passagens e despesas com locomoção, serviços de terceiros, arrendamento mercantil operacional, aluguel, depreciação amortização, exaustão, entre outras. 3.4.0.0.0.00.00 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS FINANCEIRAS Compreende as variações patrimoniais diminutivas com operações financeiras, tais como: juros incorridos, descontos concedidos, comissões, despesas bancárias e correções monetárias. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 178 3.5.0.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS CONCEDIDAS Compreende o somatório das variações patrimoniais diminutivas com transferências intergovernamentais, transferências intragovernamentais, transferências a instituições multigovernamentais, transferências a instituições privadas com ou sem fins lucrativos, transferências a convênios e transferências ao exterior. 3.5.1.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS INTRAGOVERNAMENTAIS Compreende as variações patrimoniais diminutivas decorrentes das transferências financeiras relativas à execução orçamentária, e de bens e valores, referentes às transações intragovernamentais 3.5.2.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS INTERGOVERNAMENTAIS Compreende as variações patrimoniais diminutivas decorrentes de transferências à União, estados, distrito federal, municípios, inclusive as entidades vinculadas de bens e/ou valores. 3.5.3.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS A INSTITUIÇÕES PRIVADAS Compreende as variações patrimoniais diminutivas decorrentes das transferências financeiras a instituições privadas, inclusive de bens e valores. 3.5.4.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS A INSTITUIÇÕES MULTIGOVERNAMENTAIS Compreende as variações patrimoniais diminutivas decorrentes das transferências a instituições multigovernamentais, das quais o ente transferidor não participe. 3.5.5.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS A CONSÓRCIOS PÚBLICOS Compreende as variações patrimoniais diminutivas decorrentes das transferências a consórcios públicos, das quais o ente transferidor participe. 3.5.6.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS AO EXTERIOR Compreende as variações patrimoniais diminutivas decorrentes de transferências a organismos e fundos internacionais, de governos estrangeiros e instituições privadas com ou sem fins lucrativos no exterior. 3.6.0.0.0.00.00 DESVALORIZAÇÃO E PERDA DE ATIVOS Compreende a variação patrimonial diminutiva com desvalorização e perdas de ativos, com redução a valor recuperável, com provisões para perdas, perdas com alienação e perdas involuntárias. 3.7.0.0.0.00.00 TRIBUTÁRIAS Compreende as variações patrimoniais diminutivas relativas aos impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições sociais, contribuições econômicas e contribuições especiais. 3.9.0.0.0.00.00 OUTRAS VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS Compreende o somatório das variações patrimoniais diminutivas não incluídas nos grupos anteriores. Compreende: premiações, incentivos, equalizações de preços e taxas, participações e contribuições, resultado negativo com participações, dentre outros. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 179 3.9.1.0.0.00.00 PREMIAÇÕES Compreende as aquisições de prêmios, condecorações, medalhas, troféus etc., bem como o pagamento de prêmios em pecúnia, inclusive decorrentes de sorteios lotéricos. 3.9.3.0.0.00.00 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS DIMINUTIVAS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Compreende as variações patrimoniais diminutivas apuradas pelas instituições financeiras, vinculadas ou não ao seu objeto principal. 3.9.4.0.0.00.00 INCENTIVOS Compreende os incentivos financeiros concedidos relativos à educação, à ciência e à cultura. 3.9.5.0.0.00.00 SUBVENÇÕES ECONÔMICAS Compreende a variação patrimonial diminutiva com o pagamento de subvenções econômicas, a qualquer título, autorizadas em leis específicas, tais como: ajuda financeira a entidades privadas com fins lucrativos; concessão de bonificações a produtores,distribuidores e vendedores; cobertura, direta ou indireta, de parcela de encargos de empréstimos e financiamentos e dos custos de aquisição, de produção, de escoamento, de distribuição, de venda e de manutenção de bens, produtos e serviços em geral; e, ainda, outras operações com características semelhantes. 3.9.6.0.0.00.00 PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES Compreende as participações de terceiros nos lucros, não relativas ao investimento dos acionistas, tais como: participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros. Além da contribuição a instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados. 3.9.8.0.0.00.00 CUSTO DE OUTRAS VPD Compreende outras variações patrimoniais diminutivas apropriadas na produção de bens ou serviços, sendo registradas apenas no momento da venda destes. 4.0.0.0.0.00.00 VARIAÇÃO PATRIMONIAL AUMENTATIVA Compreende o aumento no benefício econômico durante o período contábil sob a forma de entrada de recurso ou aumento de ativo ou diminuição de passivo que resulte em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários. 4.1.0.0.0.00.00 IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA Compreende toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada, como: impostos, taxas e contribuições de melhoria. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 180 4.2.1.0.0.00.00 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Compreende contribuições sociais, como: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, b) as dos empregadores domésticos, c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição, d) as sobre a receita e faturamento, e) as sobre o lucro, f) do importador de bens ou serviços do exterior, g) e outros. 4.2.2.0.0.00.00 CONTRIBUIÇÕES DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO Compreende as contribuições de intervenção no domínio econômico, como, por exemplo, a CIDE-combustível. 4.2.3.0.0.00.00 CONTRIBUIÇÃO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA Compreende as contribuições de iluminação pública, nos termos do artigo 149-a da constituição federal, acrescentado pela emenda constitucional nº 39/02, sendo facultada a cobrança da contribuição na fatura de consumo de energia elétrica. 4.2.4.0.0.00.00 CONTRIBUIÇÕES DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS Compreende as variações patrimoniais aumentativas provenientes de contribuições de interesse das categorias profissionais. 4.3.0.0.0.00.00 EXPLORAÇÃO E VENDA DE BENS, SERVIÇOS E DIREITOS Compreende as variações patrimoniais aumentativas auferidas, com a exploração e venda de bens, serviços e direitos, que resultem em aumento do patrimônio líquido, independentemente de ingresso, segregando-se a venda bruta das deduções como devoluções, abatimentos e descontos comerciais concedidos. 4.4.0.0.0.00.00 VARIAÇÕES PATRIMONIAIS AUMENTATIVAS FINANCEIRAS Compreende o somatório das variações patrimoniais aumentativas com operações financeiras. Compreende: descontos obtidos, juros auferidos, prêmio de resgate de títulos e debêntures, entre outros. 4.5.0.0.0.00.00 TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS Compreende o somatório das variações patrimoniais aumentativas com transferências intergovernamentais, transferências intragovernamentais, transferências de instituições multigovernamentais, transferências de instituições privadas com ou sem fins lucrativos, transferências de convênios e transferências do exterior. 4.6.0.0.0.00.00 VALORIZAÇÃO E GANHOS COM ATIVOS Compreende a variação patrimonial aumentativa com reavaliação e ganhos de ativos. 5.0.0.0.0.00.00 CONTROLES DA APROVAÇÃO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO Compreende as contas com função de registrar os atos e fatos ligados à execução orçamentária. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 181 5.1.0.0.0.00.00 PLANEJAMENTO APROVADO Compreende o somatório dos valores monetários previstos para execução dos programas e ações (projetos, atividades e operações especiais) estabelecidos no plano plurianual e projeto de lei orçamentária anual. 5.2.0.0.0.00.00 ORÇAMENTO APROVADO Compreende o somatório dos valores relativos à previsão da receita, fixação da despesa e suas alterações no orçamento geral da União durante o exercício financeiro. 5.3.0.0.0.00.00 INSCRIÇÃO DE RESTOS A PAGAR Compreende o somatório relativo ao valor da inscrição das despesas empenhadas e não pagas. 6.0.0.0.0.00.00 CONTROLES DA EXECUÇÃO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO Compreende as contas com função de registrar os atos e fatos ligados à execução orçamentária. 6.1.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DO PLANEJAMENTO Compreende o somatório dos valores monetários relativos à execução dos programas e ações (projetos, atividades e operações especiais) estabelecidos no plano plurianual e projeto de lei orçamentária anual. 6.2.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO Compreende o somatório dos valores relativos à realização da receita, execução da despesa e suas alterações no orçamento geral da União durante o exercício financeiro. 6.3.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DE RESTOS A PAGAR Compreende o somatório dos valores relativos à transferência, liquidação e pagamento das despesas empenhadas e não pagas. 7.0.0.0.0.00.00 CONTROLES DEVEDORES Compreende as contas em que são registrados os atos potenciais e controles específicos. 7.1.0.0.0.00.00 ATOS POTENCIAIS Compreende contas relacionadas às situações não compreendidas no patrimônio, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, exclusive as que dizem respeito a atos e fatos ligados à execução orçamentária e financeira e às contas com função precípua de controle. 7.2.0.0.0.00.00 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Compreende as contas de registro da programação financeira e de controle das disponibilidades. 7.3.0.0.0.00.00 DÍVIDA ATIVA Registra o controle dos créditos a serem inscritos em dívida ativa, dos que se encontram em processamento. Compreende as contas que controlam os créditos passíveis de serem encaminhados e inscritos em dívida ativa, os de inscrição e a tramitação dos créditos inscritos. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 182 7.4.0.0.0.00.00 RISCOS FISCAIS Compreende as contas que controlam os riscos fiscais que não preencham os requisitos para reconhecimento como passivo, conforme identificados no anexo de riscos fiscais da lei de diretrizes orçamentárias. 7.8.0.0.0.00.00 CUSTOS Compreende as contas que controlam os custos de bens e serviços produzidos. 8.0.0.0.0.00.00 CONTROLES CREDORES Compreende as contas em que são registradas a execução de atos potenciais e controles específicos. 8.1.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DOS ATOS POTENCIAIS Compreende as contas relacionadas à execução de situações não compreendidas no patrimônio, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, exclusive as que dizem respeito a atos e fatos ligados à execução orçamentária e financeira e às contas com função precípua de controle. 8.2.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Compreende as contas de registro da execução da programação financeira e de controle das disponibilidades. 8.3.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DA DÍVIDA ATIVA Compreende as contas que controlam a execução dos créditos passiveis de serem encaminhados e inscritos em dívida ativa. 8.4.0.0.0.00.00 EXECUÇÃO DOS RISCOS FISCAIS Compreende as contas que controlam a execução dos riscos fiscais que nãopreencham os requisitos para reconhecimento como passivo, conforme identificados no anexo de riscos fiscais da lei de diretrizes orçamentárias. 8.8.0.0.0.00.00 APURAÇÃO DE CUSTOS Compreende as contas que controlam a execução dos custos dos bens e serviços produzidos. Fonte: Brasil (2010). 5 Registros patrimoniais Na atual contabilidade aplicada ao setor público, ora você vai pensar no sentido orçamentário, ora você pensará no sentido patrimonial. Nossa!!! É o que você deve estar pensando. Vamos com calma, eu explico a grande inovação. Se o fato gerador de uma obrigação aconteceu, deve ser reconhecido esse passivo, independentemente se houve empenho dessa despesa, pois uma coisa é você pensar no que compete aos registros contábeis e registrar a obrigação que teve o seu fato gerador ocorrido e outra coisa é você pensar orçamentariamente e empenhar a despesa a ser realizada. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 183 Patrimonialmente, estamos seguindo o que determinam as normas de contabilidade, mas isso não justifica, no campo público, ter despesa sem prévio empenho, sendo que esta determinação está da Lei nº 4.320/64 (BRASIL, 1964), ainda em vigência. Então, como exemplo, podemos citar uma fatura de energia elétrica que chegue e não há empenho prévio desta despesa e o fato gerador já aconteceu. Patrimonialmente, se o fato gerador ocorreu, iremos registrar uma obrigação em nosso passivo como permanente e isso quer dizer que esta obrigação está pendente de empenho e consegue autorização legislativa. Quando ocorrer o empenho faltante, transferimos de P permanente para F financeiro. No balanço, teremos no Passivo Circulante obrigações a pagar a curto prazo, mas internamente no sistema teremos os registros de obrigações P ou F, sendo referentes ao P as obrigações que precisam de empenho e F as que já percorreram o estágio do empenho e podem estar em liquidação ou já liquidadas. Outra inovação da contabilidade aplicada ao setor público é o ponto em liquidação que precede a liquidação, sendo a chegada do produto no almoxarifado, mas ainda não conferido todos os tópicos que competem para dar o direito ao credor, então, em liquidação significa que a mercadoria chegou. Depois, quando conferida sai do em liquidação e é liquidada, esperando somente a emissão da ordem de pagamento para ter a quitação da despesa. 6 Exemplo de lançamentos básicos na contabilidade aplicada ao setor público conforme Secretaria do Tesouro Nacional – STN Figura 4.2 | Lançamentos de fatos típicos no setor público PREVISÃO DA RECEITA 1. Previsão da Receita Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Previsão inicial da receita 5.2.1.1.0.00.00 Orçamentária 70.000,00 C Receita a realizar 6.2.1.1.0.00.00 FIXAÇÃO DA DESPESA 2. Fixação da Despesa Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 184 D Dotação orçamentária / Crédito inicial 5.2.2.1.1.00.00 Orçamentária 70.000,00 C Crédito disponível 6.2.2.1.1.00.00 RECEITA DE IMPOSTOS 3. Reconhecimento do Crédito Tributário relativo ao IPVA (Variação Patrimonial Aumentativa / Receita Tributária por Competência - enfoque patrimonial) Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Créditos tributários a receber (P) 1.1.2.2.0.00.00 Patrimonial 10.000,00 C Impostos sobre patrimônio e a renda / IPVA 4.1.1.2.x.xx.xx 4. Arrecadação de Tributos - Receita Orçamentária posterior ao fato gerador - IPVA Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional (F) 1.1.1.1.0.00.00 Patrimonial 8.000,00 C Créditos tributários a receber (P) 1.1.2.2.0.00.00 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Receita a realizar 6.2.1.1.0.00.00 Orçamentária 8.000,00 C Receita realizada 6.2.1.2.0.00.00 Informe a natureza da receita: 11120500 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Controle da disponibilidade de recursos 7.2.1.1.0.00.00 Controle 8.000,00 C Execução da disponibilidade de recursos - Disponibilidade por Destinação de Recursos 8.2.1.1.1.00.00 5. Arrecadação de Tributos (ICMS) - concomitante com o fato gerador Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional (F) 1.1.1.1.0.00.00 Patrimonial 20.000,00 C Impostos sobre a produção e a circulação / ICMS 4.1.1.3.x.xx.xx Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Receita a realizar 6.2.1.1.0.00.00 Orçamentária 20.000,00 C Receita realizada 6.2.1.2.0.00.00 Informe a natureza da receita: 11130201 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Controle da disponibilidade de recursos 7.2.1.1.0.00.00 Controle 20.000,00 C Execução da disponibilidade de recursos - Disponibilidade por Destinação de Recursos 8.2.1.1.1.00.00 Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 185 CONTRATAÇÃO DE OPERAÇÃO DE C RÉDITO DE CURTO PRAZO 6. Arrecadação de Receita Orçamentária - Operação de Crédito Externa Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional (F) 1.1.1.1.0.00.00 Patrimonial 16.000,00 C Empréstimos a Curto Prazo (P) 2.1.2.2.0.00.00 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Receita a realizar 6.2.1.1.0.00.00 Orçamentária 16.000,00 C Receita realizada 6.2.1.2.0.00.00 Informe a natureza da receita: 21230000 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Controle da disponibilidade de recursos 7.2.1.1.0.00.00 Controle 16.000,00 C Execução da disponibilidade de recursos - Disponibilidade por destinação de recursos 8.2.1.1.1.00.00 CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS 7. Empenho da despesa de serviços de terceiros - pessoa jurídica Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Crédito disponível 6.2.2.1.1.00.00 Orçamentária 100,00 C Crédito empenhado a liquidar 6.2.2.1.3.01.00 Informe a natureza da despesa: 339039 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Execução da disponibilidade de recursos - Disponibilidade por Destinação de Recursos 8.2.1.1.1.00.00 Controle 100,00 C Execução da disponibilidade de recursos - DDR comprometida por empenho 8.2.1.1.2.00.00 8. Registro do contrato de serviços Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Obrigações contratuais 7.1.2.3.0.00.00 Controle 1.100,00 C Execução de obrigações contratuais - contratos de serviços a executar 8.1.2.3.x.xx.xx 9. Reconhecimento da VPD (concomitante com a liquidação orçamentária) - entrega da NF e Liquidação da Despesa Orçamentária, vinculada a contrato. Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 186 D Serviços Terceiros – PJ 3.3.2.3.0.00.00 Patrimonial 200,00 C Fornecedores e contas a pagar nacionais a curto prazo (F) 2.1.3.1.0.00.00 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Crédito empenhado a liquidar 6.2.2.1.3.01.00 Orçamentária 200,00 C Crédito empenhado liquidado 6.2.2.1.3.03.00 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Execução de obrigações contratuais - contratos de serviços a executar 8.1.2.3.x.xx.xx Controle 200,00 C Execução de obrigações contratuais - contratos de serviços executados 8.1.2.3.x.xx.xx Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Execução da disponibilidade de recursos - DDR comprometida por empenho 8.2.1.1.2.00.00 Controle 200,00 C Execução da disponibilidade de recursos - DDR comprometida porliquidação e entradas compensatórias 8.2.1.1.3.00.00 10. Pagamento da Despesa Orçamentária (Saída do Recurso Financeiro) Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Fornecedores e contas a pagar nacionais a curto prazo (F) 2.1.3.1.0.00.00 Patrimonial 200,00 C Caixa e equivalentes de caixa em moeda nacional (F) 1.1.1.1.0.00.00 AQUISIÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO (Veículos) 11. Empenho da Dotação Orçamentária referente à aquisição de 2 veículos no valor de R$12.000,00 (cada) Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Crédito disponível 6.2.2.1.1.00.00 Orçamentária 23.000,00 C Crédito empenhado a liquidar 6.2.2.1.3.01.00 Informe a natureza da despesa: 449052 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Execução da disponibilidade de recursos - Disponibilidade por destinação de recursos 8.2.1.1.1.00.00 Controle 23.000,00 C Execução da disponibilidade de recursos - DDR comprometida por empenho 8.2.1.1.2.00.00 12. Liquidação da Despesa Orçamentária e Incorporação do Bem Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 187 D Bens móveis - veículos (P) 1.2.3.1.x.xx.xx Patrimonial 23.000,00 C Fornecedores e contas a pagar nacionais a curto prazo (F) 2.1.3.1.0.00.00 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Crédito empenhado a liquidar 6.2.2.1.3.01.00 Orçamentária 23.000,00 C Crédito empenhado liquidado 6.2.2.1.3.03.00 Título da Conta Código Natureza da Inf. Valor (R$) D Execução da disponibilidade de recursos - DDR comprometida por empenho 8.2.1.1.2.00.00 Controle 23.000,00 C Execução da disponibilidade de recursos - DDR comprometida por liquidação e entradas compensatórias 8.2.1.1.3.00.00 Fonte: Brasil (2012b). Conseguiu compreender tudo que conversamos nas unidades 3 e 4 a respeito dos subsistemas de informações existentes e o novo plano de contas padrão, após ver como funciona a lógica dos registros contábeis dos fatos típicos das entidades do setor público? Será que é necessário o subsistema de informações de custos na contabilidade aplicada ao setor público? Acesse o site do seu município nas páginas das Contas Públicas ou Portal da Transparência e acompanhe um pouquinho mais das informações, orçamentárias, financeiras e patrimoniais. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 188 1- Através dos nossos estudos do novo plano de contas, assinale a alternativa correta. a) O grupo 5 é pertinente ao registro da execução orçamentária. b) O grupo 6 é pertinente ao registro da aprovação orçamentária. c) Nos grupos 3 e 4 registraremos as receitas e despesas orçamentárias. d) Nos grupos 7 e 8 estarão os registros pertinente aos controles ativos e passivos dos atos potenciais. e) Nos grupos 1 e 2 temos o ativo e passivo, com contas devedoras e credoras respectivamente. 2- Qual ou quais os grupos que serão envolvidos no lançamento de empenho da despesa orçamentária? a) Apenas o grupo 6, pois registra a execução orçamentária. b) O grupo 5 e 6, pois envolvem os registros orçamentários. c) O grupo 6 pelo registro orçamentário e o grupo 8 que demonstra o controle de administração financeira, conforme a sua execução. d) Os grupos 1 e 3 já que estão registrando uma despesa. e) Os grupos 3 e 6 porque é uma execução de despesa. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 189 SANÇÕES Referente ao tema de sanções, além da Lei de Improbidades Administrativas que traz sanções aplicadas aos agentes públicos que tenham enriquecimento ilícito, causem danos ao erário ou pratiquem atos que afrontem os princípios da administração pública no exercício de seu mandato, cargo, emprego ou função, na Lei de Responsabilidade Fiscal também há diversas sanções aos agentes que não cumpram com os limites e determinações ali contidas. Sanções são punições que o agente ou pessoa recebe por infringir uma lei. Especificamente na LRF, temos sanções institucionais, pessoais, administrativas, fiscais, políticas e sociais. Sanções Institucionais: são aquelas que se referem à interrupção ou suspensão de transferências voluntárias, impedimento de operações de crédito e à impossibilidade para obtenção de garantias da União para contratação de operação de crédito externo. Sanções pessoais: são as sanções que recaem diretamente na pessoa do agente público. Importando na cassação de mandato, multa de 30% dos vencimentos anuais e inabilitação para o exercício da função pública. Sanções administrativas: são as sanções processadas e julgadas pelos tribunais de contas. Tais como não emissão de Certidão Liberatória devido a não publicação dos Relatórios Resumido de Execução Orçamentária (RREO) ou Gestão Fiscal (RGF), dentro dos prazos fixados na LRF. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 190 1- Qual das sentenças a seguir apresenta apenas itens que compõem o patrimônio líquido? a) Patrimônio e consignação. b) Ajustes de avaliação patrimonial e depreciação acumulada. c) Bens móveis e imóveis. d) Ações de tesouraria e capital social. e) Precatórios e capital social. 2- A seguir são apresentados alguns grupos: I- Ativo. II- Passivo. III- Patrimônio Líquido. IV- Despesas orçamentárias. Aponte a alternativa que apresenta somente os grupos do patrimônio público: a) I, III e IV. b) II e III. c) I, II e III. d) II, III e IV. e) I e II. 3- O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público - PCASP está dividido em quantas classes? a) 2. b) 3. c) 8. d) 4. e) 5. 4- São Demonstrações Contábeis do Setor Público obrigatórias: a) Balanço Orçamentário. b) Balanço Financeiro. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 191 c) Balanço Patrimonial. d) Demonstração do Fluxo de Caixa. e) Todas as alternativas estão corretas. 5- É correto afirmar sobre o Balanço Orçamentário: a) Apresenta os bens, direitos e obrigações do ente público. b) Apresenta o superávit ou déficit financeiro. c) Evidencia as variações patrimoniais. d) Apresenta o resultado patrimonial. e) Apresenta as receitas e as despesas previstas em confronto com as realizadas. Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido U4 192 U4 193Patrimônio Público: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido Referências BRASIL. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 1964. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4320.htm>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte II: procedimentos contábeis patrimoniais. 5. ed. Brasília: Ministério da Fazenda/Secretaria do Tesouro Nacional, 2012a. Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/ download/contabilidade/Parte_II_PCP2012.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte IV: plano de contas aplicado ao setor público. 5. ed. Brasília: Ministério da Fazenda/Secretaria do Tesouro Nacional, 2012b. Disponível em: <http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/ download/contabilidade/Parte_IV_PCASP2012.pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Manual de contabilidade aplicada ao setor público: parte V: demonstrações contábeis aplicadas ao setor público. 5. ed. Brasília: Ministério da Fazenda/Secretaria do Tesouro Nacional, 2012c. Disponível em: <http://www3. tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/Parte_V_DCASP2012. pdf>. Acesso em: 27 out. 2014. ______. Planode Contas Aplicado ao Setor Público – PCASP. 2010. In: TREINAMENTOS e eventos da Federação. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional. Disponível em: <http://www3.tesouro.gov.br/contabilidade_governamental/ download/Pcontas.pdf>. Acesso em: 5 dez. 2014. ______. Plano de Contas Aplicado ao Setor Público – PCASP. Apresentação CCASP – PCASP. Módulo 3. In: TREINAMENTOS e eventos da Federação. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, 2013. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda. gov.br/web/stn/treinamentos-e-eventos>. Acesso em: 5 dez. 2014. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC Nº. 1.121/08. Aprova a NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis. Brasília, 2008. Disponível em: <http:// www.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1121.doc>. Acesso em: 8 jan. 2015. U N O PA R CO N TA B ILID A D E D O SETO R PÚ B LICO CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO