NOTA 01 PROTEÇÃO PENAL AO PATRIMÔNIO
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NOTA 01 PROTEÇÃO PENAL AO PATRIMÔNIO


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DIREITO PENAL - NOTA DE AULA Nº 01 \u2013 18/02/2020
Professor Mestre \u2013 Francisco de Paula Neto
PROTEÇÃO PENAL AO PATRIMÔNIO
Crimes Contra o Patrimônio
O que vem a ser um Crime? 
Em termos jurídicos, é toda conduta típica, antijurídica, ou ilícita, e culpável, praticada por um ser humano.
Em um sentido vulgar, crime é um ato que viola uma norma moral. Num sentido formal, crime é uma violação da lei penal incriminadora.
No conceito material, crime é uma ação ou omissão que se proíbe e se procura evitar, ameaçando-a com pena, porque constitui ofensa (dano ou perigo) a um bem jurídico individual ou coletivo.
Como conceito analítico, crime é a ação ou omissão típica, ilícita e culpável.
Um pouco de história
Desde as primeiras civilizações, ao cunhar a lei, esteve presente um dos seus objetivos primordiais que é limitar e regular o procedimento das pessoas diante de condutas amplamente consideradas como nocivas e reprováveis (cite algumas condutas reprováveis!).
Um dos escritos mais antigos é o código sumeriano de "Ur-Nammu" que data de aproximadamente 2100 a.C. no qual se vêm arrolados 32 artigos alguns dos quais preconizando penas para atos delitivos. O Código de Hamurabi que é compilação maior e posterior, dentre outros regramentos penais contra o crime, adota a chamada Lei de Talião ou a conhecida lei do olho por olho, dente por dente, que concedia aos parentes da vítima o direito de praticar com o criminoso a mesma ofensa e no mesmo grau por ele cometido (caberia ser adotado pela sociedade dita moderna? E as tentativas atuais de linchamento!).
Até a idade média a noção de crime não era muito clara, freqüentemente confundida com outras práticas reprováveis que se verificavam nas diversas esferas legais, administrativas, contratuais e até religiosas.
Até a consagração do princípio da reserva legal (C.F. art. 5º, inciso XXXIX onde diz: \u201cNão haverá crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal\u201d) em matéria penal ou nullum crimen nulla poena sine lege (não há crime, não há pena, sem lei), crime e pecado se confundiam pela persistência de um vigoroso direito canônico que às vezes confundia (e até substituía) a legislação dos Estados.
Deve-se, portanto àquele princípio a formulação atual de várias legislações penais que, em verdade, não proíbem nenhuma prática, mas simplesmente tipificam condutas e preconizam as respectivas penas àqueles que as praticam.
OBS: É correto dizer que não há lei alguma que proíba alguém de matar uma pessoa. O que há é uma lei que tipifica esta ação definindo-a como crime, e prescreve-lhe as diversas penas aplicáveis àquele que a praticou, levando em conta as diversas circunstâncias atenuantes ou agravantes presentes em cada caso.
Furto (Art.155)
O Art. 155 do CP prevê o tipo penal do furto: "Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel".
· Subtrair: abrange tanto a hipótese em que o bem é tirado da vítima quanto aquela em que ele é entregue espontaneamente, e o agente, sem permissão, retira-o da esfera de vigilância daquele.
· Coisa móvel, para o direito penal, é qualquer substância material, aquele que pode ser mobilizada, ainda que não tangível (são mensuráveis, pode ser percebido pelos sentidos, pode ser tocado, materializado). Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico (art. 155, § 3º). Ex: Sujeito que entra em uma loja, se apodera de um perfume (produto à venda), e em seguida, empreende fuga.
· Por alheia entende-se aquilo que não é do agente do crime. A elementar alheia, por exemplo, impede que o proprietário cometa furto contra sua propriedade em posse de terceiro.
Obs. observem os \u201cpéssimos exemplos da mídia\u201d e de pessoas do meio.
IMPORTANTÍSSIMO - o furto difere do roubo por ser praticado sem emprego de violência contra a pessoa ou grave ameaça.
Sujeito ativo - qualquer pessoa (quem furta), uma vez que é crime comum - o crime que pode ser praticado por qualquer pessoa.
Sujeito passivo - qualquer pessoa (quem é furtado). Este pode ser tanto a pessoa física, como a pessoa jurídica, pois esta tem patrimônio.
Tipo objetivo: A ação física é a de subtrair, que significa retirar.
O ser humano não pode ser objeto de furto, muito menos o cadáver, salvo o que pertence a alguém, como os cadáveres usados nas faculdades para pesquisa científica.
As coisas sem dono (res nullius), abandonadas e declaradas sem valor econômico (res derelicta) e as coisas comuns (ar, por exemplo). Não podem ser objeto de furto.
Tipo subjetivo: Deve ser ressaltado que a descrição típica do crime de furto exige duplos elementos subjetivos: 
1. O dolo que consiste na vontade livre e consciente de subtrair a coisa móvel; 
2. A finalidade especial contida na expressão "para si ou para outrem".
Consumação - O crime consuma-se no momento da inversão da posse, ou seja, no momento após a arrebatação, no qual o objeto material sai da esfera de guarda e vigilância do proprietário ou possuidor e passa para a do sujeito ativo do crime. Pode ocorrer, por exemplo, quando o criminoso engole uma pedra preciosa que acabou de furtar, ou quando ele consegue fugir do local.
Tentativa - Como crime material (tem ação e resultado), admite-se a forma tentada.
No direito brasileiro, a forma tentada só é admitida no flagrante próprio (aquele em que o agente é encontrado no ato). 
Já no flagrante impróprio (ocorre quando o agente é perseguido, logo após cometer o ilícito em situação que faça presumir ser ele o autor da infração) e no presumido (o agente é preso, logo depois de cometer a infração com instrumentos, armas, objetos ou papeis que façam presumir ser ele o autor da infração) há crime consumado.
Os teóricos e suas teorias psicológicas
O furto normalmente é motivado pelo valor monetário ou pela utilidade que está agregada ao objeto. Na cleptomania isso não acontece, os objetos eleitos de subtração não são necessariamente valiosos ou possuem utilidade. Isso não exclui, todavia, a tipicidade do furto pelo cleptômano, que será punível quando o autor possa ter consciência da lesão ao bem jurídico causada pelo seu ato - o fato de sua ação ser fruto de um impulso irresistível não exclui esta consciência. Considera-se também que os furtos do cleptomaníaco não costumam ser planejados e são realizados sem a ajuda de outras pessoas.
Causas de aumento de pena (§ 1º do Art.155) - Crime praticado durante o repouso noturno.
É circunstância agravante, pois aumenta a pena base de uma fração. Aqui, adota-se o critério psicossocial (o período em que a cidade dorme). Justifica-se pelo relaxamento natural de vigilância, onde a tutela privada diminui, o legislador procurou reforçar a tutela pública.
Causas de diminuição de pena - furto privilegiado (§ 2º do Art.155) 
Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor (não excede um salário mínimo) a coisa furtada. 
Ex. O agente entra no supermercado e leva consigo de forma sorrateira uma lata de leite.
Obs: o \u201cfurto de uso\u201d não é crime, mas o agente deve devolver a coisa no mesmo local e estado em que se encontrava por livre e espontânea vontade, sem ser forçado por terceiro.
Obs: o \u201cfurto famélico\u201d afasta a ilicitude por estado de necessidade (Art. 23 CP), mas a conduta deve ser inevitável. Ocorre quando alguém furta para saciar uma necessidade urgente e relevante. Não constitui crime desde que seja a única opção do agente para saciar a fome e o bem subtraído sirva como alimento (comida ou bebida) e o agente não disponha de recursos econômicos para adquiri-lo. Porém, se o agente subtrai um celular alegando que o venderia para comprar alimentos, não há furto famélico. 
Obs: o \u201cfurto de bagatela\u201d (princípio da insignificância): nenhuma periculosidade da ação, mínima ofensividade da conduta do agente, reduzido grau de periculosidade da conduta do agente, inexpressividade da lesão provocada. (ex.: furtar uma agulha); ocasiona a exclusão da tipicidade.
Equipara-se à coisa móvel (§ 3º do Art.155)
A energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
Formas qualificadas