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BENS E NEG JURÍDICO Patrimônio Dúvidas 1-3 / Conceitos Gerais de Patrimônio → Podemos considerar o Art. 91 (CC, 2002) como uma definição de patrimônio? Sim, podemos definir o patrimônio como “um complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico.” Única espécie de universalidade de direito é o patrimônio. Não existe uma universalidade de direito que não seja o patrimônio, e não existe um patrimônio que não seja uma universalidade de direito. A técnica jurídica por trás do patrimônio é a universalidade de direito. → O que significa que a dívida não integra o patrimônio? O termo patrimônio não é usado apenas com sentido jurídico. Teoria Moderna - Patrimônio composto apenas pelos elementos ativos, ou seja, bens e direitos dotados de valor econômico que integram o patrimônio. As dívidas (elementos passivos) não integram o patrimônio, elas gravam o patrimônio. É possível que o patrimônio seja agredido para satisfazer as dívidas. O credor, não satisfeito, pode agredir o patrimônio de seu devedor para ter receber o que lhe é devido. Entra como execução judicial. (credor que os ativos, e não as dívidas do devedor) → É possível alguém não ter patrimônio? De acordo, com a Teoria Clássica, não seria possível, porque a mesma confunde o conceito de patrimônio com o conceito de personalidade, capacidade. Mesmo que não tenha nada, sempre vai conservar a aptidão a ter. Teoria Moderna oferece uma visão quantitativa, ou seja, só faz sentido falar de universalidade de direito, como um bem coletivo, como uma coletividade, se houver pelo menos um elemento nessa coletividade. Não faria sentido falar de uma coletividade vazia, porque aí se confundiria com a ideia de aptidão. Exemplo: Um mendigo, continua tendo as roupas dele, que são de sua propriedade, ou seja, ele tem alguma coisa no patrimônio dele. Uma pessoa sem um patrimônio, seria uma pessoa pelada. Dúvidas 2-3 / Teoria da Afetação, Segregação Patrimonial → O que significa afetação? (patrimônio de afetação) Afetação no sentido de vinculação, patrimônio totalmente vinculado à um escopo, à realização de um fim. É um patrimônio com uma finalidade específica, que orienta os atos que podem ser praticados com os elementos que o integram. → O processo de segregação patrimonial (questão do processo de afetação), modifica a característica da unidade do patrimônio? Uma coisa é falar sobre unidade do patrimônio, outra coisa é falar sobre a característica da unicidade do patrimônio. De acordo com a Teoria Clássica do Patrimônio, uma de suas características é a unicidade, no sentido de que cada pessoa só tem um único patrimônio, teoria moderna rompe com essa ideia, porque você ao permitir patrimônios de afetação, a constituição de vários patrimônios com um fim específico, você pode encontrar uma mesma pessoa com mais de um patrimônio. Exemplo: Incorporadoras Uma mesma incorporadora está tocando 20 incorporações, projetos diferentes ao mesmo tempo, e ela tem um patrimônio para cada incorporação, uma única pessoa jurídica com vários patrimônios. Rompe com a ideia de unicidade, mas não rompe com a ideia de que o patrimônio é um bem unitário, cada patrimônio é um bem jurídico, um bem coletivo. → É proibido, então, qualquer tipo de uso do patrimônio afetado que não tenha como destino o projeto para o qual esse patrimônio foi criado? Sim, é proibido. É essencial que o patrimônio de afetação seja destinado a um fim específico. O titular desse patrimônio não pode praticar nenhum ato contrário à esse fim. Não pode pegar o patrimônio de uma incorporação e usar para outro tipo de despesa ou projeto, etc. → Patrimônio de afetação geralmente é feito para o interesse de terceiros. → O que é alienação total ou parcial do patrimônio de afetação? Quando você troca o administrador dos fundos do patrimônio você está alienando ao fazer esta troca. → Uma pessoa física pode criar um patrimônio de afetação? Não há empecilhos teoricamente. Não tem problema, mas não é comum. É relacionado ao direito empresarial, e é “dominado” por pessoas jurídicas. Lei do agronegócio permite patrimônio de afetação em favor do agricultor que pode ser uma pessoa física. → Segregação Patrimonial - vários patrimônios de baixo do mesmo titular. Blindagem patrimonial - Só o credor vinculado a tal projeto pode ter acesso àqueles bens. Outra coisa é uma limitação interna. A lei considera alguns bens impenhoráveis, isso significa que alguns bens dentro do patrimônio não podem ser alcançados pelos credores, são bens considerados vitais, essenciais, importantes a realização da atividade empresarial ou a subsistência da pessoa. Não confundir impenhorabilidade do bem, que é um bem que está imune à alguma ação executiva, ou seja, não pode ser atingido por um credor com patrimônio de afetação. No caso da impenhorabilidade, o bem continua dentro do patrimônio mas está imune, foi protegido pela lei para que os credores não pudessem alcançá-lo. Dúvidas 3-3 / Segregação Perfeita e Imperfeita → Na segregação perfeita, significa que o credor do patrimônio de afetação - o adquirente da corporação, que está pagando as prestações para comprar o apartamento que está sendo construído, tem acesso aos bens do patrimônio de afetação daquela incorporação - só pode alcançar bens específicos, se acabar os bens e ele mesmo assim quiser executar para receber o que ele tem direito, ele não pode ir no patrimônio geral da incorporadora, mas a lei pode prever uma segregação imperfeita, de modo que haveria uma responsabilidade do patrimônio geral subsidiária ao do patrimônio de afetação, então nesse caso, o credor uma vez esgotado o patrimônio de afetação, poderia buscar a satisfação de seu crédito no patrimônio geral do devedor, por isso temos uma segregação perfeita ou imperfeita. → Como sabemos diferenciar as duas? Lendo a lei, como já falamos, patrimônio só existe com a autorização de lei, e a lei que vai regular a matéria, então temos que ver se a lei tratou aquele patrimônio como uma segregação perfeita ou como uma imperfeita → As incorporadoras podem criar patrimônio de afetação mas não são obrigadas a fazer isso, certo? Seria uma faculdade da incorporadora fazer uma incorporação se valendo de um patrimônio de afetação, de fato, mas como sei isso? Está na Lei 4591 de 1965 que disciplina as incorporações imobiliárias, e essa lei foi alterada por outra lei, a Lei 10931 de 2004 que acrescentou os artigos 31A até 31F, para tratar do patrimônio de afetação. Se lermos esses dispositivos , confirmaremos que de fato é uma faculdade, a incorporação pode não constituir patrimônio de afetação, ou pode se valer do patrimônio de afetação para segregar cada um de seus projetos imobiliários. Na prática, costuma-se usar a técnica de afetação por questões tributárias, porque tem vantagens tributárias, então as incorporadoras se valem dessa técnica, embora seja uma faculdade. → Caso o patrimônio da incorporação seja insuficiente para se desfazer das dívidas dos credores, eles têm direito de executaro patrimônio geral da incorporadora? )olhar a lei0 Lei 4591 de 1965 fala que o adquirente das unidades tem a possibilidade de se voltar contra o patrimônio geral da incorporadora (segregação imperfeita porém específica - porque não é qualquer credor do patrimônio de afetação que pode se voltar contra o patrimônio geral da incorporadora para se satisfazer, a lei fala especificamente do adquirente. Partes Integrantes e Acessórios Distinção de Bens Principais e Bens Acessórios Bens simples e compostos → Bens Simples Cuja constituição é dada pela própria natureza, sua formação vem pela própria natureza. Ex: árvore → Bens Compostos Resultam da agregação de vários bens, de vários materiais, e que são aglomerados e unidos pela trabalho humano. Ex: carro > Diferenciamos Partes Integrantes e Partes Componentes Partes Componentes: aquelas que perderam completamente a sua identidade ao serem associadas ao bem composto. Ex: cimento que está na parede Partes componentes se juntam de tal forma que perdem completamente sua identidade Partes Integrantes: conseguem conservar sua identidade, podem se separar sem destruição, mas perdem o sentido Partes Integrantes podem ser consideradas acessórios? Não faria sentido, a parte integrante já faz parte do bem como um todo. Muitos autores acham que Partes Integrantes podem ser consideradas acessórios porque elas podem ser destacadas. Quando alguém vende uma coisa, está vendendo com todos seus acessórios inclusive suas partes integrantes, que não podem ser destacadas antes da entrega ao credor Art. 233 A doutrina nos explica que quando você promete a venda de alguma coisa você tem que entrega-la com todos seus acessórios o que inclui suas partes integrantes. Ex: Vender um quadro, precisa entregar o mesmo com sua moldura. Prof (concorda com essa opinião): Há uma utilidade de se referir às partes integrantes como bens acessórios, não tem existência própria, se confundem com o bem principal mas em atenção a sua existência futura, podem ser separados, podem ter uma existência própria. Bem Móvel Por Antecipação → Art. 95 (CC, 2002) Vender a madeira extraída da árvore (supor que não há uma lei ambiental protegendo a árvore). Encontrar alguém interessado a comprar e eles fazem um contrato de compra e venda dessa madeira. Compra e venda de Bem Movel ou Imovel? Contrato celebrado: árvore imobilizada, compra e venda de Bem Imóvel Compra e venda de Bem Móvel (árvore ainda mobilizada) Bem móvel por antecipação considerando que já foi objeto de negócio jurídico Em um futuro próximo será cortada e se tornará bem movel. O contrato não transmite propriedade. O que transmite a propriedade, falando de bens móveis, é a tradição, a entrega da coisa móvel, em relação a bens imóveis, é o registro, ninguém é dono de um imóvel só por assinar a escritura, o contrato (é necessário levar o registro para que a propriedade se transmita). Bens Móveis, fazer a tradição, entregar a coisa para que a propriedade da coisa seja transmitida ao adquirente. A compra e venda de uma árvore que ainda está mobilizada, é a compra e venda de um bem futuro, que ainda não existe. Ainda é parte de um imóvel. A árvore não é um bem jurídico, ela é um integrante de um imóvel. No momento que for cortada e virar madeira, terá uma existência própria e distinta do imóvel. Compra e venda de um bem futuro de natureza móvel, que ainda não existe. Na hora da transmissão da propriedade já estará cortada e será um bem móvel.