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Ao escrever o posfácio do livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, Evaldo Cabral de
Mello inicia dizendo que a obra enriqueceu inegavelmente a cultura nacional e conduziu a uma
ruptura que desembocaria nos grandes ensaios da maturidade do autor, a exemplo de Caminhos e
fronteiras, Visão do paraíso e Do Império à República. E que tal ruptura, levou Sérgio Buarque a
abandonar o projeto de interpretação sociológica do passado brasileiro em favor de uma análise de
cunho eminentemente histórico.
Mello destaca que no cerne desta mutação do sociólogo em historiador encontrou-se a consciência
de uma antítese entre a explicação sociológica e a explicação histórica, e a opção por esta última.
Acrescentando que o interesse do historiador tem pouco a ver com o interesse do sociólogo; um
começa onde o outro acaba, dado o grau diferente de generalidade dos conceitos com que operam,
ou seja, poderia se dizer que há sociologia das revoluções e que há história da Revolução Francesa,
mas que uma sociologia da Revolução Francesa seria apenas uma inócua mistura de gêneros
(mélange des genres), com o que acaba não sendo nem uma coisa nem outra.
Ressalta ainda que não seria errado dizer que havia ou poderia haver, de um lado, sociologia dos
processos colonizadores (englobando, por exemplo, não só os processos de colonização modernos,
mas também os da Antiguidade, ou de outras civilizações), e de outro, história da colonização
portuguesa do Brasil, mas não sociologia da formação brasileira. Pois as várias tentativas deste
gênero feitas entre nós antes de 1930 estavam praticamente esquecidas, e não sem razão. Na
realidade, a “sociologia da formação brasileira” tinha mais de ensaística do que de sociologia,
constituindo antes um esforço de introspecção coletiva do que de análise científica.
E encerra em forma de resumo onde diz que a elaboração de Raízes do Brasil saldou-se por uma
inflexão de estratégia intelectual de Sérgio Buarque. E observa como o discurso de corte
sociológico cedeu lugar ao discurso historiográfico e como, em lugar da tentativa de identificar a
gênese das mazelas da nossa formação social, surge a análise rigorosa de tópicos claramente
definidos nos seus contornos conceituais.

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