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Movimentando: a sala de aula como 
espaço de desenvolvimento 
 
Unidade 2 - Movimento: a arte como proposta estética 
 
 
 
Professora: Mariana Barbosa Ament 
 
 
 
 
 
 
 
Realização: Secretaria Geral de Educação a Distância da Universidade Federal de São Carlos 
 
1. Introdução. 
Caro(a) aluno(a)! 
Na Unidade 1 vimos a importância do movimento de maneira indissociável do aprendizado 
integral do ser humano. 
Sob a ótica da filosofia e sociologia contemporânea, Maturana e Varela (1995) atribuem ao 
biológico o que somos. Entendemos que corpo e mente não se separam e, que juntos, oferecem condições 
para realizar múltiplos estímulos e obter diversas respostas de maneira orgânica. 
Bom! Sabemos que nossa sociedade contemporânea se adapta bem a este novo olhar, não é 
mesmo?! Tanto as crianças como os adultos vivem rodeados de estímulos o tempo todo e, de certo modo, 
é exigido respostas criativas, inovadoras e rápidas. 
Na entrevista concedida pelas professoras Natália Severino e Lia Crempe (material disponível no 
ambiente deste curso), vocês poderão observar que, mesmo com tantos estímulos, o corpo ainda fica de 
fora e isso gera grandes defasagens no desenvolvimento integral de crianças ou até mesmo de adultos, 
professores. 
As artes podem ser potencializadoras para que reorganizemos e trabalhemos essas lacunas com o 
movimento, seja a dança, a música, as artes visuais ou o teatro. 
Independentemente de sua área de formação e pesquisa, nesta unidade veremos princípios 
estéticos da arte e como você pode favorecer uma educação mais sensível, nesse viés. 
 
2. Estética na arte. 
De acordo com Perissé (2009), 
 
A arte educa, não porque coloque diante dos nossos olhos um manual de virtudes e boa conduta, ou 
um guia que nos ajude a ser bem-sucedidos na vida. Um poeta, um romancista, um dramaturgo, um 
cineasta, um músico, um escultor nos educam na medida em que nos fazem ver (PERISSÉ, 2009, p. 
38). 
 
Esse “educar” é, portanto, a ação de fazer e conhecer de maneira expressiva, a ponto de 
tomarmos consciência de nosso ser autônomo, criativo. Como diria Freire (1997), é o processo de se 
descobrir, ser mais, um desafio de libertação da opressão por meio da criticidade. 
A atividade artística, seja ela qual for, integra movimento: pintar, tocar/cantar, desenhar, 
dramatizar, dançar. Todos são verbos, ações! 
O aprendizado ocorre em um processo. 
Vejamos um exemplo na música: 
 
 
Figura 1. Exemplo de processo de estética musical. 
 
Fonte: Autoria própria. 
 
Na medida em que se faz, se expressa, se aprecia e critica em um processo autônomo, mesmo ele 
sendo guiado ou não por um professor. 
Teoricamente, acredito que consigamos conceber este processo, mas nem sempre foi assim: 
ativo. Em tempos tradicionais, o músico era considerado inatingível, portador de um dom (SCHROEDER, 
2004). 
Mas, se estamos falando de educação (direito de todos e todas), de autonomia, de vivência 
corporal, qual o espaço que o estudo da música tradicional, técnica e teórica, dava para tudo isso? 
Nenhum. 
Assim, a partir da metade do século XX, foram surgindo educadores musicais que procuraram novas 
maneiras de vivenciar e ensinar música de modo ativo, orgânico, incluindo o movimento como parte 
integrante do aprendizado teórico-musical. 
Émile Jacques Dalcroze foi um desses educadores. De acordo com Mariani (2011, p. 27), ele “[...] 
abriu portas para as inovadoras pedagogias musicais [...] a Rítmica - sistema de educação musical criado 
por Dalcroze, que visa musicalizar o corpo - é uma disciplina na qual os elementos da música são estudados 
através do movimento corporal”. 
Do mesmo modo que compreender a música ficou mais fácil, mais significativo, utilizando 
metodologias ativas - associando o corpo como fonte sonora nata ao ser humano – em vez de reproduções 
mecânicas e sem musicalidade, poderemos realizar essa significação em outras áreas do conhecimento. 
Veja alguns exemplos práticos de métodos ativos de educação musical: 
 Metodologia Dalcroze1 
 Metodologia Orff2 
 
1
 Curso realizado na Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), no ano de 2017, pelo Prof. Iramar Rodrigues – Representante 
brasileiro do Instituto Dalcroze, em Genebra (Suíssa). Não há muitos vídeos de práticas do método no Brasil, pois o Instituto não 
permite fotos e vídeos durante os cursos de formação de professores (Link: TV UNAERP, 2017). 
https://www.youtube.com/watch?v=LT96HybaYsk
https://www.youtube.com/watch?v=3yBF_g0eEo0
 
 Metodologia Kodály3 
o Proposta de atividade – aquecimento vocal Experimentando Kodály4 
 Método “O passo”5 
 
Podemos ensinar matemática, ciências, geografia, significando no corpo estudos teóricos, que 
antes eram somente decorados. 
Assim, estamos lidando de maneira orgânica com o desenvolvimento integral, no qual todas as 
áreas se interligam entre si e com o próprio ser humano, de forma fisiológica, emocional, cognitiva e 
psicossocial. 
Considerando então os princípios estéticos da arte, você em sua área de formação, ensino e 
pesquisa, precisa levar uma palavra-chave para utilizar em suas práticas pedagógicas: experiência. 
Tenho muito apreço por uma fala de Bondía (2002) sobre a experiência. 
 
A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer [...] parar para pensar, 
parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais 
devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, 
suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a 
delicadeza, abrir os olhos e ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos 
outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço (Bondía, 
2002, p. 24). 
 
Nesse sentido, a experiência se torna imprescindível para uma aprendizagem significativa. 
Imagine só se experimentarmos, por meio do movimento, os conteúdos teóricos que precisamos 
aprender? 
Indico-lhes o filme musical “Taare Zameen Par” (2007) traduzido “Como estrelas na terra”, de 
Aamir Khan (ator e produtor), que conta a história de Ishaan Awasthi, um menino disléxico que tem muita 
dificuldade de aprendizado por meio de um sistema tradicional de ensino. Eis que o professor de artes, 
Nikumbh (interpretado pelo próprio produtor do filme), o ajuda a compreender o mundo e as teorias de 
maneira sensível, interdisciplinar, prática e ativa. 
 
2
 Professora Enny Parejo é referência no Brasil sobre o Método Orff. É professora na Universidade de Cantareira (São Paulo – 
SP). Link: STELZER, (2014). 
3
 No Brasil, Villa-Lobos foi o representante do método Kodály na qual foi formador de professores nos anos 1960 com grandes 
coros de crianças que cantavam por meio de gestos com as mãos, chamado manossolfa (representação das notas musicais por 
meio do movimento manual). Link: KAF (2014). 
4
 Professor Adriano Moreira traz uma proposta de aquecimento vocal com manossolfa. Adriano é professor do Centro 
Universitário Claretiano. Link: MOREIRA (2018). 
5
 Professor Lucas Ciavatta é autor do método “O passo”. O mesmo possui um capítulo no livro “Pedagogias Brasileiras de 
Educação Musical”, organizado pela professora Teresa Mateiro (2016), que discorre detalhadamente sobre o método. Link: 
CIAVATTA (2014). 
https://www.youtube.com/watch?v=35dnR6xNRyU
https://www.youtube.com/watch?v=Xu74ipf7WuY
https://www.youtube.com/watch?v=914sOIxq3vI
 
3. Considerações Finais. 
Consideramos nesta unidade que o conhecimento, para ser significativo, deve ter a experiência 
como estética em suas ações de fazer (o conhecimento como ação de aprender),expressar (o que e como 
fazemos com o que aprendemos?), produzir (o que fica desse aprendizado?) e criticar (quais nossas 
reflexões e encaminhamentos do que aprendemos?). 
Nesse sentido, experiência é estética e está presente em todas as ações. Ora, se o aprendizado é 
ação, então na sala de aula não há de faltar estética! 
Parece complexo, não é mesmo? Isso porque estudamos como o movimento auxilia nesse 
aprendizado significativo de maneira filosófica. Agora, é hora de você, em sua área, colocar em prática! 
Seja na educação básica ou na universidade, reflita sobre seu planejamento: tem movimento 
corporal em minhas propostas? Qual meu objetivo de formação integral dos alunos por meio das minhas 
propostas? Meu planejamento se resume na sala de aula ou também amplio para fora dela? 
 
4. Referências. 
BONDÍA, J. L. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, Rio de 
Janeiro, n. 19, p. 20-28, 2002. 
CAF. Música para crescer: Método Kodály. Banco de Desarrollo de América Latina. Publicado em 14 maio 
2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=35dnR6xNRyU>. Acesso em: jul. 2018. 
Finalidade Acadêmica. 
CIAVATTA, L. Oficina "O Passo": Prof. Lucas Ciavatta (MaracatuBrasil). Publicado em 18 jul. 2014. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=914sOIxq3vI>. Acesso em: jul. 2018. Finalidade 
Acadêmica. 
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997. 
PERISSÉ, G. Estética e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. 
MATURANA, H.; VARELA, F. A árvore do conhecimento: as bases biológicas do entendimento humano. 
Campinas: Editorial Psy II, 1995. 
MARIANI, S. A música e o movimento. In: MATEIRO, T.; ILARI, B. Pedagogias em educação musical. Ibpex, 
Curitiba, 2011. p. 25-54. 
MOREIRA, A. Aquecimento Vocal: "Dumbaiá" - Experimentando Kodály. Publicado em 21 mar. 2018. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Xu74ipf7WuY>. Acesso em: jul. 2018. Finalidade 
Acadêmica. 
SCHROEDER, S. C. N. O músico: desconstruindo mitos. Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 10, 109-118, mar. 
2004. Disponível em 
<http://www.abemeducacaomusical.com.br/revista_abem/ed10/revista10_artigo13.pdf> Acesso em: abr. 
2018. 
https://www.youtube.com/watch?v=35dnR6xNRyU
https://www.youtube.com/watch?v=914sOIxq3vI
https://www.youtube.com/watch?v=Xu74ipf7WuY
http://www.abemeducacaomusical.com.br/revista_abem/ed10/revista10_artigo13.pdf
 
STELZER. F. Curso: Introdução a prática instrumental Orff - com Enny Parejo. Publicado em 28 maio 2014. 
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3yBF_g0eEo0>. Acesso em: jul. 2018. Finalidade 
Acadêmica. 
TV UNAERP. O ano começou na UNAERP com muita música e ritmo. TV UNAERP. Publicado em 30 jan. 
2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=LT96HybaYsk>. Acesso em: jul. 2018. 
Finalidade Acadêmica. 
 
 
 
 
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