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Estilo, composição e tema Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: # Identificar os gêneros do discurso. # Comparar as variadas formas de estilo, composição e tema de diferentes gêneros textuais. # Analisar textos de acordo com as características do gênero textual adotado. Gêneros textuais Os gêneros textuais são tipos de enunciados relativamente estáveis, caracterizados por um conteúdo temático, uma construção composicional e um estilo. A seguir, você pode reconhecer as características de um texto específico em termos da composição, do conteúdo temático e do estilo nele presentes. Generos textuais são compostos: · Composição, diz respeito a estruturação e aspecto formal do gênero. Tipo: email. · conteúdo temático diz respeito ao domínio de sentido que se ocupa o texto. · Exempl. Texto dissertativo · · Estilo, refere-se ao modo de apresentação do conteúdo por meio de recursos gramaticais e lexiológicos da língua. · Isto é, os gêneros textuais são uma realidade empírica, conectados à sua função comunicativa e social. Gêneros textuais têm essa relação sociocomunicativa, não são imutáveis. Eles podem sofrer mudanças, como ocorreu com notícias, ou outros textos na internet, que, além da escrita, apresentam links para outras reportagens e vídeos (antes tinham apenas textos e imagem), bem como possibilidade de interação com leitor e entre leitores. Um mesmo texto, de determinado gênero, pode apresentar sequências linguísticas, denominadas tipos textuais, que apresentam entre si similaridades e distinções. A narração tem como objetivo principal contar uma história, um acontecimento, situada em um tempo e espaço. Tem como características linguísticas um verbo que indica mudança de estado. A descrição tem como objetivo representar, por meio de palavras, algo, podendo ser feita de modo subjetivo ou objetivo (verbos de ligação e verbos de estado). A exposição tem como objetivo apresentar informações de modo claro e conciso (e objetivo, sempre) sobre algo específico (por exemplo, um fato ou objeto), identificar e ligar fenômenos. A injunção tem como objetivo instruir, incitar, mandar. Entre suas características linguísticas, há o uso de verbos no modo imperativo, no infinitivo ou no presente do indicativo. A argumentação (dissertação) objetiva conquista a adesão da audiência por meio de argumentos. É comum o uso de conjunções para o estabelecimento de relações lógicas. Alguns tipos acabam se tornando característicos de determinados gêneros, como a narração é comum em gêneros literários, assim como a descrição. Estilo, composição e tema Na perspectiva de Bakhtin (2004), os gêneros possuem uma forma de composição, um conteúdo temático e um estilo. De acordo com esses autores, na composição de um gênero textual é considerada a forma de organização, a distribuição de elementos e as informações e os elementos não verbais: a cor, o padrão gráfico ou a diagramação típica, as ilustrações. O texto 1 é uma tirinha, estrutura por poucos quadros, com enunciados curtos em balões de fala, com relação simbiôntica entre verbal e não verbal. O texto 2 reportagens de um site de uma revista de divulgação científica e cultural, com identificação das seções, título, lead, data de atualização e autor, links para compartilhar em redes sociais digitais, imagem relacionada com o tema, seguida pelo corpo do texto, iniciado sempre por uma breve introdução ou contextualização, com indicação de leituras extras. O texto 3 artigos científico publicado em uma revista digital. No espaço dedicado ao artigo científico, é apresentado o título, seguido dos nomes dos autores, dos dados bibliográficos e de outras funcionalidades também próprias ao meio digital, resumo (abstract), e, mesmo não aparecendo na imagem ilustrativa, sabe-se que se seguirá a introdução, a metodologia, os resultados, a discussão destes e as referências. O tema de um gênero textual diz respeito ao assunto mais geral possível. Assim, em uma poesia, predominará a subjetividade, em uma reportagem, haverá informações sobre o cotidiano, acontecimentos contemporâneos expressos de modo o menos parcial possível, um artigo científico apresentará resultados de estudos e pesquisas e uma crítica trará uma apreciação sobre uma obra com exposição de suas características. O estilo, descrito aqui, diz respeito não ao do autor, mas ao do gênero. Uma tirinha terá uma linguagem coloquial, humorística, às vezes com crítica social. Uma reportagem, por outro lado, tenderá para uma linguagem mais formal, porém acessível. Já um artigo científico não só terá uma linguagem formal (norma culta) como também uma linguagem técnica própria à área de conhecimento. Gênero textual e compreensão O leitor, ou interlocutor (no caso de gêneros orais), consegue entender os textos devido também a uma competência metagenérica, que, segundo Koch e Elias (2006, p. 102), “[...] possibilita [ao leitor] interagir de forma conveniente na medida em que se envolvem em diversas práticas sociais [...]”. Essa mesma competência é que orienta a produção de um determinado gênero textual, como um resumo, um artigo. Alguém que nunca tenha lido um mangá (história em quadrinhos japonesa), ou não saiba o que é, provavelmente começaria a “ler” a história da esquerda para a direita, seguindo a orientação de leitura e escrita ocidental, e dificilmente conseguiria entender algo até perceber a orientação correta, da direita para a esquerda. Os mangás não têm apenas a orientação diferente da ocidental, há também códigos próprios do gênero e da cultura, assim como um estilo de desenho que os distinguem das histórias em quadrinhos ocidentais. Outra coisa que influencia a compreensão desses dois gêneros, da mesma forma que tirinhas e cartuns, é a relação imprescindível entre imagem e texto. Alguém que não preste atenção à imagem pode não compreender a história ou perder muita desta. Uma pessoa que nunca tenha lido uma receita, ou visto, terá mais dificuldades em segui-la do que aquela que já teve algum contato. Essa dificuldade será mais ou menos igual para qualquer gênero com o qual alguém nunca tenha tido contato. Quanto mais gêneros diferenciados você ler, maior será sua competência metagenérica e, consequentemente, sua produção. Essa competência também será importante para a compreensão de textos que apresentem hibridização ou intertextualidade intergêneros, que, segundo Koch e Elias (2006, p. 114) “[...] é o fenômeno segundo o qual um gênero pode assumir a forma de um outro gênero, tendo em vista o propósito de comunicação [...]”. No exemplo a seguir, há uma música, que, assim como a poesia, se organiza em versos. Nessa música, o autor se apropriou de características do gênero receita, tais como instruções e ingredientes, mas adaptando para ser uma “receita para a vida”, fazendo uso de metáforas entre outros recursos linguísticos. Apesar dessa apropriação, a música preserva “sua função sócio-historicamente constituída”.