Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Mário da Silva, juiz de direito no estado de Tocantins, viveu sua infância em um lugar pobre, dominado pelo tráfico de entorpecentes. Aos dez anos, seu pai foi morto por traficantes da região, porque não quis se submeter às regras impostas por eles. Anos mais tarde, já como juiz em uma vara criminal, coube a ele julgar um caso em que Paulo, um rapaz de 18 anos, sem qualquer antecedente criminal, vendia, pela primeira vez, sob coação de traficantes, uma trouxinha de maconha a um aluno de sua escola. Mário acabou por aplicar uma pesada pena, muito superior àquelas aplicadas por juízes daquela região.
Numa entrevista para a Tribuna do Advogado, em junho/2007, o Desembargador do TJ/RS e membro da Associação Juízes para a Democracia, Amilton Bueno de Carvalho, em resposta à pergunta se acreditava na neutralidade do Direito e da Justiça afirmou:
O mito da neutralidade, tanto do Direito, quanto da Justiça, ou daquele que opera no saber, está superado. (...). Aliás, penso que ninguém mais defende esta possibilidade; está sepultada! Mas, apesar disso, no momento de agir, alguns ainda se consideram ungidos pela capa da neutralidade. Um discurso que, sempre e sempre, está aliado aos donos do poder — seja qual for o poder. (O Jurista) Edmundo (Arruda Jr.) os denomina de “ventrílocos do poder dominante”.
Ao longo de nossas vidas acumulamos experiências e, por meio delas, elegemos as coisas que achamos importantes, como a família, o respeito ao próximo e aos compromissos que assumimos, dentre outras: são os valores norteadores das nossas atitudes. Ao apreciarmos
qualquer questão, estamos de alguma maneira, expressando nosso juízo de valor. Mas há a ideia de que um juiz de direito deva ser neutro na apreciação dos casos que lhe são submetidos.
De acordo com as posições tomadas pelo entrevistado neste texto, responda, justificadamente, ao que se pede:
a) A noção de justiça corresponde, em si mesma, a um juízo de valor? E a de realidade? 
Sim, pois a noção, conceito, ideia do justo é subjetiva, assim como a de realidade. Em uma história quase sempre vai haver dois protagonistas, onde, cada um deles vai ter dentro de si, um conceito de justiça, um juízo de valor ou de realidade. No exemplo do texto, vemos que o juiz Mário, usa como juízo de valor a memória do seu falecido pai, para aplicar a justiça. Se o pai do juiz não tivesse morrido desta forma, provavelmente o juiz teria aplicado uma punição mais leve.
b) Todos têm a mesma compreensão do que venha a ser o “justo” ou cada um tem uma ideia diferente de seu conteúdo?
Cada pessoa tem a sua concepção de justiça, pois todos nós somos diferentes, vivemos em meios diferentes, fomos criados diferentes, tivemos a criação diferenciada, e traçamos caminhos diferentes na vida. Com isso, a concepção do que venha a ser “justo” também vai ser diferente.
c) Analise o caso relatado e os comentários feitos pelo Desembargador no trecho transcrito, mais precisamente no que se refere à influência da ideologia no Direito e na possibilidade de absoluta neutralidade do juiz, demonstrando que o Direito se produz no mundo da cultura e não no mundo natural.
O desembargador acredita que nos dias atuais, não tem pessoas que defendem a neutralidade nos julgamentos, pois entro de cada pessoa, á um modo de agir, pensar, sentir, priorizar, defender, diferente do outro, tornando difícil unificar um senso de justiça para todos. Um juiz ao sentenciar alguém, atribui mesmo sem quere o seu juízo de valor, o seu senso de justiça, pois ambos flui de forma natural, e não percebemos quando acontece.
1- A revista trimestral de Direito Civil, n. 20, p. 276, destacou o seguinte caso concreto:
Spam obsceno leva à condenação adolescente na Rússia
Um adolescente que mandou uma mensagem obscena para 15.000 telefones celulares foi o primeiro réu a ser condenado pela prática de spam na Rússia. O estudante de Chelyabinsk invadiu o sistema de uma das maiores operadoras de celular e usou um programa especial para mandar a mensagem. Ele foi condenado a um ano sob observação e uma multa de 3.000 rublos (cerca de 300 reais).
Fonte: Reuters, 26/04/2004.
Desconsiderando o fato de a situação ter se passado com um adolescente na Rússia, responda ao que se pede justificadamente.
a) As normas morais e jurídicas são instrumentos de controle social? Fundamente sua resposta. 
Sim, as normas são estabelecidas pela sociedade ao longo dos tempos, juntando e controlando o comportamento e as condutas humanas. O controle social é exercido pelo direito, primeiramente pela prevenção geral, a coação psicológica ou intimação exercida sobre todos, mediante a ameaça de uma pena para o transgressor da norma. Com isso, muitos, e mesmo aqueles que não querem, se ajustam os seus comportamentos, com as prescrições legais. Em segundo lugar, o controle também é exercido pela prevenção especial, que é a segregação do transgressor do meio social ou a aplicação de uma pena pecuniária, indenizatória, para ter maior estímulo no sentido de ajustar sua conduta.
b) É correto dizer que Direito e Moral são independentes? Justifique sua resposta, comentando, sucintamente, o caso concreto em exame, à luz das teorias que envolvem essa questão. 
Não. Direito e moral coexistem, não se separam, pois há um campo de competência comum onde existem regras com qualidade jurídica e que têm caráter moral. Toda norma jurídica tem conteúdo moral, mas nem todo conteúdo moral tem conteúdo jurídico.
2- Diferencie Direito e Religião a partir de suas características. 
A religião tem caráter de insegurança, pois as respostas dadas pela igreja são baseadas na fé, no abstrato. Logo o direito, tem caráter concreto, fornecendo proteção e segurança, na sua relação com os seus semelhantes e o Estado.

Mais conteúdos dessa disciplina