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Notas de Aula - Caio - Direito Proc Trabalho I p 120

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Direito Processual do Trabalho I
Prof. Rogério Alves Dias
Bibliografia
Básica:
· LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. LTr, 2014.
· MARTINS, Sérgio Pinto. Direito Processual do Trabalho. Atlas, 2014.
· NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao processo do trabalho. SARAIVA, 2011.
Complementar:
· CARRIÓN, Valentin. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. Saraiva, 2012.
· TEIXEIRA FILHO, Manuel Antonio. Curso de Direito Processual do Trabalho. LTr, 2009.
· SARAIVA, Renato. Direito Processual do Trabalho. Método, 2012.
· GIGLIO, Wagner. Direito Processual do Trabalho. Saraiva
· MALTA, Christovão Piragibe Tostes. Prática do Processo Trabalhista. LTr, 2012.
Sugerida:
· LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. LTr, 2014.
· SCHIAVI, Mauro. Manual de Direito Processual do Trabalho. Editora LTR. Ano 2018.
· SARAIVA, Renato. Processo do Trabalho. Editora JusPodivm, 2018.
Avaliação
· O processo de avaliação compreende: (i) serão aplicadas duas provas escritas, contendo até vinte questões objetivas (“V” ou “F” com justificativa) e/ou múltipla escolha e/ou subjetivas (em geral, a primeira é 40% objetiva e 60% subjetiva, enquanto a segunda costuma ser 100% objetiva), todas sem consulta à legislação; (ii) a AMC, que acrescerá 5% da nota da 2ª Avaliação, no caso de MM, 10% no caso de MS e 15% no caso de SS. As atividades realizadas em sala, via de regra, não serão pontuadas para menção final.
· Primeira Prova: 14/09/2018
· Segunda Prova: 09/11/2018
· AMC: 30/10/2018
Sumário
1. Introdução ao Direito Processual do Trabalho	6
1.1. Conceitos	6
1.2. Início do processo	6
1.3. Teorias que debatem a autonomia do Processo do Trabalho	7
1.4. Fontes do Direito Processual do Trabalho	7
1.5. Eficácia da lei processual no tempo	7
1.5.1. Eficácia da Reforma Trabalhista no tempo	8
1.6. Eficácia da lei processual no espaço	10
2. Princípios	11
2.1. Princípios constitucionais	11
2.1.1. Princípio do devido processo legal	12
2.1.2. Princípio do juiz natural	12
2.1.3. Princípio da igualdade	12
2.1.4. Princípio da inafastabilidade da jurisdição	12
2.1.5. Princípio do contraditório	13
2.1.6. Princípio da motivação das decisões judicias	13
2.1.7. Princípio da publicidade	14
2.1.8. Princípio da duração razoável do processo	14
2.2. Princípios do Código de Processo Civil	15
2.2.1. Princípio da primazia da decisão de mérito	15
2.2.2. Princípio da cooperação	15
2.2.3. Princípio da boa-fé	15
2.3. Outros princípios processuais importantes	16
2.3.1. Princípio do dispositivo	16
2.3.2. Princípio do inquisitivo	17
2.4. Princípios típicos do Direito Processual do Trabalho	17
2.4.1. Princípio da aplicação subsidiária	17
2.4.2. Princípio da oralidade	18
2.4.3. Princípio da conciliação	18
2.4.4. Princípio do jus postulandi	19
2.4.5. Princípio da normatização coletiva	20
2.4.6. Princípio da extrapetição	20
3. Estrutura da Justiça do Trabalho	24
3.1. Tribunal Superior do Trabalho	24
3.2. Tribunais Regionais do Trabalho	25
3.3. Juízes do Trabalho	26
3.4. Ministério Público do Trabalho	28
4. Jurisdição e competência na Justiça do Trabalho	32
4.1. Regras básicas de competência	32
4.1.1. Competência em função da matéria e da pessoa	32
4.1.2. Competência em razão do lugar	46
4.1.3. Competência em razão da função	47
4.2. Competência dos Tribunais Regionais do Trabalho (TRT)	49
4.3. Competência do Tribunal Superior do Trabalho (TST)	50
4.4. Serviços auxiliares da Justiça do Trabalho	52
5. Processos de jurisdição voluntária de homologação de acordo extrajudicial	54
5.1. Arbitragem na Justiça do Trabalho	56
6. Partes e procuradores (capacidade postulatória)	57
6.1. Particularidades da representação	57
6.2. Representação em audiência	59
6.3. Representação por advogado	61
6.3.1. Particularidades da representação por advogado	64
6.3.2. Substabelecimento	66
7. Honorários advocatícios	68
7.1. Honorários advocatícios sucumbenciais e Reforma Trabalhista	68
8. Benefício da justiça gratuita	71
8.1. O benefício da justiça gratuita e a Reforma Trabalhista	72
8.2. Particularidades do benefício da justiça gratuita	74
9. Assistência jurídica gratuita	76
10. Litisconsórcio (ação plúrima)	77
11. Substituição processual	79
12. Litigância de má-fé (responsabilidade por dano processual)	79
12.1. Multa por litigância de má-fé	80
12.2. Punição de testemunha por litigância de má-fé	81
13. Atos processuais	83
13.1. Regras básicas dos atos processuais	83
13.2. Comunicação de atos processuais	85
14. Prazos processuais	88
14.1. Início dos prazos e início da contagem	89
14.2. Contagem de prazo em processo eletrônico	92
14.3. Outras particularidades a respeito dos prazos processuais na Justiça do Trabalho	93
15. Custas e emolumentos	95
15.1. Custas	95
15.1.1. Responsabilidade pelo pagamento das custas	95
15.1.2. Base de cálculo das custas processuais	96
15.1.3. Isenções do pagamento de custas	97
15.1.4. Outras particularidades das custas processuais	98
15.2. Emolumentos	99
16. Honorários periciais	99
17. Nulidades processuais	101
18. Disposições gerais sobre as audiências trabalhistas	103
19. Procedimentos no Processo do Trabalho	109
19.1. Procedimento sumário	109
19.2. Procedimento sumaríssimo	110
19.2.1. Requisitos gerais do procedimento sumaríssimo	110
19.2.2. Audiência no procedimento sumaríssimo	112
19.3. Procedimento ordinário	115
19.3.1. Notificação no procedimento ordinário	115
19.3.2. Audiência no procedimento ordinário	115
20. Petição inicial	118
21. Respostas do réu	122
21.1. Contestação	122
21.1.1. Análise das preliminares	123
21.1.2. Análise das prejudiciais de mérito	127
21.1.3. Análise do mérito	130
21.2. Exceções	132
21.2.1. Impedimento e suspeição	132
21.2.2. Incompetência territorial	137
21.3. Reconvenção	143
22. Fase ordinatória	145
23. Provas no processo do trabalho	147
23.1. Disposições gerais a respeito da prova no processo do trabalho	148
23.1.1. Princípios da provas	148
23.1.2. Ônus da prova	148
23.1.3. Prova emprestada	152
23.2. Meios de prova	153
23.2.1. Depoimento pessoal e interrogatório	153
23.2.2. Confissão	154
23.2.3. Prova testemunhal	156
23.2.4. Prova documental	161
23.2.5. Prova pericial	163
23.2.6. Inspeção judicial	165
24. Sentença	167
24.1. Classificação das sentenças quanto à resolução do mérito	168
24.2. Classificação das sentenças quanto a seus efeitos	169
Aula 1 – 01/08/2018
Programa – Aula 1
1. Introdução ao Direito Processual do Trabalho
1.1. Conceitos
1.2. Início do processo
1.3. Teorias que debatem a autonomia do Processo do Trabalho
1.4. Fontes do Direito Processual do Trabalho
1.5. Eficácia da lei processual no tempo
1.5.1. Eficácia da Reforma Trabalhista no tempo
1.6. Eficácia da lei processual no espaço
Introdução ao Direito Processual do Trabalho
Conceitos
· Conceito de Direito Processual do Trabalho (para Mauro Schiavi): o Direito Processual do Trabalho é o conjunto de princípios, normas e instituições que regem a atividade da Justiça do Trabalho, com o objetivo de dar efetividade à legislação trabalhista e social, assegurar o acesso do trabalhador à Justiça e dirimir, com justiça, o conflito trabalhista.
· Conceito de Direito Processual do Trabalho (para Carlos Henrique Bezerra Leite): o Direito Processual do Trabalho é o ramo da ciência jurídica, constituído por um sistema de princípios, normas e instituições próprias, que tem por objeto promover a pacificação justa dos conflitos decorrentes das relações jurídicas tuteladas pelo Direito Material do Trabalho e regular o funcionamento dos órgãos que compõem a Justiça do Trabalho.
· Conceito de Direito Processual do Trabalho (para Renato Saraiva): o Direito Processual do Trabalho é o ramo da ciência jurídica, dotado de normas e princípios próprios para a atuação do Direito do Trabalho, e que disciplina a atividade das partes, juízes e seus auxiliares, no processo individual e coletivo do trabalho.
Início do processo
· Entendimento: via de regra, um processo se inicia em razão da presença de uma lide, ou seja, um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida (quando inadimplementoé total), ou insatisfeita (quando o inadimplemento é parcial).
· Não há necessidade, no entanto, da existência de uma lide para existir processo do trabalho, visto que duas partes podem procurar a Justiça para, por exemplo, homologar um acordo coletivo de trabalho.
Teorias que debatem a autonomia do Processo do Trabalho
· Entendimento: há duas teorias principais que debatem a autonomia do Processo do Trabalho. Elas são:
· (i) Teoria monista: para os defensores da teoria monista, o Direito Processual do Trabalho não é um ramo autônomo do Direito.
· (ii) Teoria dualista: para os defensores da teoria dualista, o Direito Processual do Trabalho tem autonomia legislativa (legislação própria), autonomia científica (estudos, pesquisas e doutrinas próprias), autonomia acadêmica (disciplina específica nos cursos de graduação em Direito) e autonomia judicial (conflitos solucionados por uma autoridade diferenciada, a Justiça do Trabalho). Esta é a teoria majoritária.
Fontes do Direito Processual do Trabalho
· Entendimento: de maneira geral, há dois tipos de fonte do Direito Processual do Trabalho. Eles são:
· (i) Fontes formais: é o meio pelo qual o Direito se exterioriza.
· (a) Fonte formal direta: é aquela que advém do Poder Público, do Estado (legislação).
· (b) Fonte formal indireta: é aquela que vem da doutrina e da jurisprudência.
· (c) Fonte formal de explicitação (ou fonte formal integrativa): o juiz não pode se eximir de sentenciar alegando lacunas na lei, assim, a analogia, os costumes e os princípios gerais do Direito que são fontes integrativas (art. 8º, CLT).
[CLT] Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.
· (ii) Fontes materiais: trata-se dos fatores pré-jurídicos, que antecedem a criação da norma, como fatores sociais, antropológicos e políticos. Estas fontes não são aplicáveis ao Direito Processual, atuando somente no Direito Material.
Eficácia da lei processual no tempo
· Entendimento: são três as teorias que tentam explicar a eficácia da lei processual no tempo. Elas são:
· (i) Teoria da unidade processual: prega que, sendo o processo uno, só é possível aplicar uma única legislação processual, que deve ser aquela que estava em vigor na data do ajuizamento da ação. Esta teoria não é utilizada no Brasil.
· (ii) Teoria das fases processuais: partindo do pressuposto de que os processos são divididos em fases, esta teoria entende que, dentro de cada fase, apenas uma única lei processual poderá ser utilizada. Se houver alteração na legislação, esta alteração só poderá ser aplicada na fase seguinte. Esta teoria também não é utilizada no Brasil.
· (iii) Teoria do isolamento dos atos processuais: para esta teoria, o processo é dividido em atos processuais e a lei nova terá aplicabilidade imediata, restando válidos os atos processuais praticados na vigência da lei anterior. Trata-se, portanto, do “tempus regit actum”, ou seja, leva-se em consideração a lei em vigor na data da prática do ato processual (art. 912, CLT, e art. 14, CPC).
[CLT] Art. 912 - Os dispositivos de caráter imperativo terão aplicação imediata às relações iniciadas, mas não consumadas, antes da vigência desta Consolidação.
[CPC] Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada.
Eficácia da Reforma Trabalhista no tempo
· (*) Entendimento: a Reforma Trabalhista passou a vigorar em 11 de novembro de 2017 (ou seja, 120 dias após sua publicação, que se deu no dia 13 de julho de 2017). Normalmente, a aplicabilidade da lei processual advinda da Reforma seria imediata (em face da Teoria do isolamento dos atos processuais), mas, neste caso específico, em razão da Instrução Normativa nº 41/2018, o TST determinou que apenas algumas matérias da Reforma seriam aplicadas de maneira imediata (art. 1º, Instrução Normativa nº 41/2018).
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 1º A aplicação das normas processuais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, alteradas pela Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017 , com eficácia a partir de 11 de novembro de 2017, é imediata, sem atingir, no entanto, situações pretéritas iniciadas ou consolidadas sob a égide da lei revogada.
· Questões mais importantes a respeito da eficácia da Reforma Trabalhista no tempo:
· (i) Prescrição intercorrente: de acordo com o art. 2º, Instrução Normativa nº 41/2018, a aplicação da prescrição intercorrente se dará apenas às decisões proferidas depois da entrada em vigor da Reforma Trabalhista.
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 2º O fluxo da prescrição intercorrente conta-se a partir do descumprimento da determinação judicial a que alude o § 1º do art. 11-A da CLT , desde que feita após 11 de novembro de 2017 ( Lei nº 13.467/2017 ).
· (ii) Litisconsórcio necessário: de acordo com o art. 3º, Instrução Normativa nº 41/2018, a obrigação de formar o litisconsórcio necessário se dará apenas nos processos iniciados depois da entrada em vigor da Reforma Trabalhista.
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 3º A obrigação de formar o litisconsórcio necessário a que se refere o art. 611-A, § 5º, da CLT dar-se-á nos processos iniciados a partir de 11 de novembro de 2017 ( Lei nº 13.467/2017 ).
· (*) (iii) Honorários periciais: de acordo com o art. 5º, Instrução Normativa nº 41/2018, as regras de honorários periciais serão aplicáveis apenas nos processos iniciados depois da entrada em vigor da Reforma Trabalhista. O critério, portanto, é a data de ajuizamento da ação.
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 5º O art. 790-B, caput e §§ 1º a 4º, da CLT , não se aplica aos processos iniciados antes de 11 de novembro de 2017 ( Lei nº 13.467/2017 ).
· (*) (iv) Honorários sucumbenciais: a partir da Reforma, todos os advogados passam a ter direito a honorários sucumbenciais (antes, somente os advogados de Sindicatos tinham esse direito). O art. 6º, Instrução Normativa nº 41/2018, no entanto, aponta que esta regra é utilizada somente para ações propostas após a data de entrada em vigor da Reforma.
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 6º Na Justiça do Trabalho, a condenação em honorários advocatícios sucumbenciais, prevista no art. 791-A, e parágrafos, da CLT, será aplicável apenas às ações propostas após 11 de novembro de 2017 ( Lei nº 13.467/2017 ). Nas ações propostas anteriormente, subsistem as diretrizes do art. 14 da Lei nº 5.584/1970 e das Súmulas nºs 219 e 329 do TST .
· (*) (v) Litigância de má-fé: as regras acerca de litigância são, a princípio, aplicadas imediatamente (art. 7º, Instrução Normativa nº 41/2018), exceto a aplicação de multas para testemunhas, do art. 793-D, CLT (art. 10º, Instrução Normativa nº 41/2018), que é aplicável somente para ações propostas após a data de entrada em vigor da Reforma.
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 7º Os arts. 793-A , 793-B e 793-C, § 1º, da CLT têm aplicação autônoma e imediata.
[Instrução Normativa nº 41/2018] Art. 10. O disposto no caput do art. 793-D será aplicável às ações ajuizadas a partir de 11 de novembro de 2017 ( Lei nº 13.467/2017 ).
Parágrafo único. Após a colheita da prova oral, a aplicação de multa à testemunha dar-se-á na sentença e será precedida de instauração de incidente mediante o qual o juiz indicará o ponto ou os pontos controvertidos no depoimento, assegurados o contraditório, a defesa, com os meios a ela inerentes, além de possibilitar a retratação.
Eficácia da lei processual no espaço
· Entendimento: a aplicação da lei processual trabalhista no espaço segue o “princípio da territorialidade”, ou seja, as ações ajuizadas noBrasil deverão seguir as regras do Direito Processual Brasileiro, independentemente da nacionalidade das partes (art. 13, CPC).
[CPC] Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte.
Aula 2 – 03/08/2018
Programa – Aula 2
2. Princípios
2.1. Princípios constitucionais
2.1.1. Princípio do devido processo legal
2.1.2. Princípio do juiz natural
2.1.3. Princípio da igualdade
2.1.4. Princípio da inafastabilidade da jurisdição
2.1.5. Princípio do contraditório
2.1.6. Princípio da motivação das decisões judicias
2.1.7. Princípio da publicidade
2.1.8. Princípio da duração razoável do processo
2.2. Princípios do Código de Processo Civil
2.2.1. Princípio da primazia da decisão de mérito
2.2.2. Princípio da cooperação
2.2.3. Princípio da boa-fé
2.3. Outros princípios processuais importantes
2.3.1. Princípio do dispositivo
2.3.2. Princípio do inquisitivo
2.4. Princípios típicos do Direito Processual do Trabalho
2.4.1. Princípio da aplicação subsidiária
2.4.2. Princípio da oralidade
2.4.3. Princípio da conciliação
2.4.4. Princípio do jus postulandi
2.4.5. Princípio da normatização coletiva
2.4.6. Princípio da extrapetição
Princípios
· Funções dos princípios: os princípios têm três funções. Elas são:
· (i) Interpretativa: os princípios auxiliam na interpretação da norma;
· (ii) Informadora (ou “inspiradora”): os princípios inspiram o legislador na elaboração da norma. De acordo com Miguel Reale, os princípios são, inclusive, a base do ordenamento jurídico;
· (iii) Integrativa: os princípios são algumas das ferramentas para suprir lacunas normativas (assim como a analogia e os costumes).
Princípios constitucionais
· Entendimento: são diversos os princípios constitucionais. Aqueles de maior interesse para a disciplina de Direito Processual Trabalhista são:
· (i) Princípio do devido processo legal;
· (ii) Princípio do juiz natural;
· (iii) Princípio da igualdade;
· (iv) Princípio da inafastabilidade da jurisdição;
· (v) Princípio do contraditório;
· (vi) Princípio da motivação das decisões judicias;
· (vii) Princípio da publicidade;
· (viii) Princípio da duração razoável do processo.
Princípio do devido processo legal
· Entendimento: o princípio do devido processo legal pode ser entendido por meio de duas perspectivas. Elas são:
· (i) Perspectiva formal: a forma do processo (ou seja, o procedimento), está prevista em lei e deve ser respeitada;
· (ii) Perspectiva substancial (ou “material”): tratam-se de garantias que devem ser respeitadas no processo, como a observação do contraditório, ampla defesa, publicidade, competência pré-definida, entre outros.
Princípio do juiz natural
· Entendimento: trata-se da proibição aos tribunais de exceção (art. 5º, XXXVII, CF) e da necessidade de imparcialidade do juízo. De acordo com o princípio do juiz natural, deve-se observar a competência pré-definida de cada juízo (art. 5º, LII, CF).
[CF/88] Art. 5º. (...)
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
(...)
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
Princípio da igualdade
· Entendimento: o mesmo tratamento dado ao uma das partes deve ser dado à outra. (art. 7º, CPC, e art. 139, I, CPC).
[CPC] Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
[CPC] Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:
I - assegurar às partes igualdade de tratamento;
Princípio da inafastabilidade da jurisdição
· Entendimento: com íntima relação com o “princípio do amplo acesso à Justiça”, este princípio enuncia que o juiz não pode escolher a causa que vai julgar, independentemente do valor da causa, de quem são as partes, ou de qualquer outra questão. Não apenas lesão, mas também ameaça de lesão, serão apreciadas pelo Judiciário.
[CF/88] Art. 5º. (...)
(...)
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
Princípio do contraditório
· Entendimento: quando se fala de contraditório, trata-se do binômio (i) informação e (ii) possibilidade de convencimento efetivo (ou seja, de contraditório substancial, em oposição ao entendimento antigo de “possibilidade de manifestação”, que trazia somente um contraditório formal), ou seja, para cada ação de uma parte, a outra parte deverá ser informada e deverá ter a possibilidade de contra-argumentar, influenciando de maneira efetiva o convencimento do juiz (art. 5º, LV, CF, e arts. 7º, 9º e 10, CPC).
[CF/88] Art. 5º. (...)
(...)
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
[CPC] Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
[CPC] Art. 9º Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.
Observação: Proibição à decisão surpresa. Para o TST, entende-se por “decisão surpresa” aquela que, no julgamento final do mérito da causa, em qualquer grau de jurisdição, aplicar fundamento jurídico ou embasar-se em fato não submetido à audiência prévia de uma ou de ambas as partes (Instrução Normativa nº 39/2016, TST). O art. 10, CPC, traz, justamente, a proibição à decisão surpresa, com base no desrespeito ao princípio do contraditório.
[CPC] Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
Princípio da motivação das decisões judicias
· Entendimento: todas as decisões, sejam judiciais ou administrativas, devem ser fundamentadas, sob pena de nulidade (art. 93, IX, CF, e art. 11, CPC).
[CF/88] Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
(...)
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
[CPC] Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.
Princípio da publicidade
· Entendimento: via de regra, os atos judicias são públicos, a não ser em situações de interesse social e respeito à intimidade das partes (art. 93, IX, CF, e art. 770, CLT).
[CF/88] Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
(...)
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
[CLT] Art. 770 ­ Os atos processuais serão públicos salvo quando o contrário determinar o interesse social, e realizar­se­ão nos dias úteis das 6 (seis) às 20 (vinte) horas.
Princípio da duração razoável do processo
· Entendimento: apesar de haver diversas interpretações a respeito do tempo efetivoque seria “razoável”. Na prática, o juiz deve levar o tempo que for preciso para se garantir uma decisão justa. Este princípio aponta que, no entanto, ele deve tentar fazê-lo o mais rápido que puder, prezando pela celeridade processual, sem que, no entanto, se deixe de prezar pela Justiça (art. 5º, LXXVIII, CF, art. 4º, CPC e art. 765, CLT).
[CF/88] Art. 5º. (...)
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
[CPC] Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.
[CLT] Art. 765 ­ Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.
Princípios do Código de Processo Civil
· Entendimento: são diversos os princípios previstos no CPC. Aqueles de maior interesse para a disciplina de Direito Processual Trabalhista são:
· (i) Princípio da primazia do julgamento de mérito;
· (ii) Princípio da cooperação;
· (iii) Princípio da boa-fé.
Princípio da primazia da decisão de mérito
· Entendimento: trata-se da ideia de que deixar de lado o formalismo para proporcionar decisão satisfativa à pretensão dos jurisdicionados (art. 4º, CPC).
[CPC] Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.
Princípio da cooperação
· Entendimento: este princípio postula que todos os sujeitos envolvidos no processo (desde as partes, passando pelo juiz, até os servidores da Justiça e as testemunhas) devem cooperar entre si para que, ao final, chegue-se a uma decisão justa (art. 6º, CPC). Diz-se, portanto, que o CPC, atualmente, adota o “modelo cooperativo” (ao invés do “modelo adversarial”, ou do “modelo inquisitivo”).
[CPC] Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
Princípio da boa-fé
· Entendimento: este princípio postula que todos os sujeitos envolvidos no processo atuem com lealdade e honestidade (art. 5º, CPC).
[CPC] Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar­se de acordo com a boa­fé.
Outros princípios processuais importantes
· Entendimento: outros princípios de significativo interesse para a disciplina de Direito Processual Trabalhista são:
· (i) Princípio do dispositivo;
· (ii) Princípio do inquisitivo.
Princípio do dispositivo
· Entendimento: este princípio postula que a iniciativa para começar um processo deve ser das partes (art. 2º, primeira parte, CPC). A legislação trabalhista, no entanto, traz duas exceções a este princípio, nas quais o processo poderá começar por iniciativa do juízo. Elas são:
[CPC] Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
· (i) Procedimento após reclamação trabalhista por falta de anotação na Carteira de Trabalho: de acordo com o art. 39, §2º, CLT, o empregado que não tem sua carteira de trabalho assinada, ou que não recebe sua carteira de trabalho de volta do empregador, pode fazer uma reclamação trabalhista na esfera administrativa, para o Ministério do Trabalho. Caso o Ministério não consiga verificar a condição de empregado do reclamante, o processo será encaminhado à Justiça do Trabalho e o juiz deverá proceder, desde logo, à abertura de processo trabalhista.
[CLT] Art. 39 ­ Verificando­se que as alegações feitas pelo reclamado versam sôbre a não existência de relação de emprêgo ou sendo impossível verificar essa condição pelos meios administrativos, será o processo encaminhado a Justiça do Trabalho ficando, nesse caso, sobrestado o julgamento do auto de infração que houver sido lavrado. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)
(...)
§2º ­ Igual procedimento observar­se­á no caso de processo trabalhista de qualquer natureza, quando fôr verificada a falta de anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social, devendo o Juiz, nesta hipótese, mandar proceder, desde logo, àquelas sôbre as quais não houver controvérsia. (Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)
· (ii) Processo de execução: no processo de execução, existe a possibilidade de o juiz, de ofício, promover a execução, mas ele só poderá fazê-lo se as partes não estiverem representadas por advogado (art. 878, CLT).
[CLT] Art. 878. A execução será promovida pelas partes, permitida a execução de ofício pelo juiz ou pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que as partes não estiverem representadas por advogado (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
Princípio do inquisitivo
· Entendimento: também chamado de “princípio do impulso oficial”, este princípio postula que, após a inciativa inicial promovida pela parte, o processo seguirá por impulso oficial (art. 2º, segunda parte, CPC).
[CPC] Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
Princípios típicos do Direito Processual do Trabalho
· Entendimento: os princípios típicos do Direito Processual Trabalhista são:
· (i) Princípio da aplicação subsidiária;
· (ii) Princípio da oralidade;
· (iii) Princípio da conciliação;
· (iv) Princípio do jus postulandi;
· (v) Princípio da normatização coletiva;
· (vi) Princípio da extrapetição.
Princípio da aplicação subsidiária
· Entendimento: havendo omissão na CLT, deve ser utilizada a legislação processual comum. Se a omissão for total, a aplicação será chamada de “subsidiária”. Se a omissão for parcial, a aplicação será chamada de “supletiva”. Na fase de conhecimento, a legislação subsidiária a ser utilizada é o CPC (art. 769, CLT). Na fase de execução, no entanto, a legislação a ser utilizada é a Lei de Execução Fiscal e, somente se essa lei for omissa, o CPC será utilizado (art. 889, CLT).
[CLT] Art. 769 ­ Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título.
[CLT] Art. 889 ­ Aos trâmites e incidentes do processo da execução são aplicáveis, naquilo em que não contravierem ao presente Título, os preceitos que regem o processo dos executivos fiscais para a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.
· Atenção! É importante observar, no entanto, que somente será utilizada norma subsidiária, se houver (i) omissão da CLT e (ii) compatibilidade do dispositivo com as leis trabalhistas (por exemplo, quanto ao prazo em dobro para litisconsórcio passivo com partes representadas por escritórios diferentes, o TST decidiu que este não seria aplicável, pois ofenderia o princípio da celeridade do processo trabalhista).
Princípio da oralidade
· Entendimento: no processo do trabalho, diversos atos poderão ser praticados verbalmente. Todas essas peças, por certo, no entanto, serão reduzidas a termo.
· A petição inicial, na Justiça do Trabalho, é chamada de “reclamação trabalhista”, a qual pode ser verbal ou escrita (art. 840, caput, CLT).
· A defesa à reclamação (art. 847, caput, CLT) também pode ser verbal ou escrita, bem como as razões finais, em alguns casos (art. 850, caput, CLT).
[CLT] Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal.
[CLT] Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. (Redação dada pela Lei nº 9.022, de 5.4.1995)
[CLT] Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.
Princípio da conciliação
· Entendimento: na Justiça do Trabalho, independentemente do tipo de processo (conhecimento, execuçãoou outro), será sempre admitida a conciliação, a qualquer tempo ou em qualquer grau de jurisdição (art. 764, CLT). A conciliação será admitida mesmo que já tenha se passado o momento (ou momentos) em que a tentativa de conciliação, pelo juiz, é obrigatória. Esses momentos são:
[CLT] Art. 764 - Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação.
§1º - Para os efeitos deste artigo, os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória dos conflitos.
§2º - Não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á obrigatoriamente em arbitral, proferindo decisão na forma prescrita neste Título.
§3º - É lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo depois de encerrado o juízo conciliatório.
· (i) Procedimento ordinário: neste procedimento, o juiz é obrigado a propor acordo (i) logo após a abertura da audiência (art. 846, CLT) e (ii) após as alegações finais (art. 850, CLT), mas isto não impede, por certo, que ele tente conciliar a qualquer outro tempo. Se houver conciliação, o acordo será homologado pelo juiz (caso no qual o processo transita em julgado, podendo ser revertido apenas pela ação rescisória). Se não houver acordo, a conciliação será dita “frustrada”.
[CLT] Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. (Redação dada pela Lei nº 9.022, de 5.4.1995)
[CLT] Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.
· (ii) Procedimento sumaríssimo: neste procedimento, o juiz é obrigado a propor acordo apenas após a abertura da audiência (mas isto não impede que ele tente conciliar a qualquer outro tempo), nos termos do art. 852-E, CLT.
[CLT] Art. 852-E. Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da audiência. (Incluído pela Lei nº 9.957, de 2000)
Observação: A homologação de acordo como faculdade do juiz. A Súmula 418, TST, entende que a homologação de acordo entre as partes é uma faculdade do juiz. Ela também aponta que inexiste direito líquido e certo, nesses casos, de modo que será inaplicável o uso do mandado de segurança.
Súmula nº 418, TST
MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO (nova redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em 20, 24 e 25.04.2017
A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança.
Princípio do jus postulandi
· Entendimento: na Justiça do Trabalho, admite-se que as partes podem postular em nome próprio, independentemente do valor da causa, sem estarem representados por advogado (art. 791, CLT).
[CLT] Art. 791 ­ Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.
· De acordo com a Súmula 425, TST, no entanto, o alcance deste jus postulandi limita-se às instâncias ordinárias (Varas do Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho), ou seja, no TST e no STF, é necessária a representação por advogado.
· Ainda há quatro exceções nesta mesma Súmula 425, TST, ao princípio do jus postulandi no âmbito das instâncias ordinárias (Varas do Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho), que são:
· (i) Ação rescisória;
· (ii) Ação cautelar;
· (iii) Mandado de segurança;
· (iv) Recurso de competência do TST.
· Adicionalmente, a Reforma Trabalhista trouxe mais uma exceção, que é (v) o pedido de homologação de acordo extrajudicial (art. 855-B. CLT), no qual a representação por advogado também será obrigatória.
Súmula nº 425, TST
JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE. Res. 165/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 03 e 04.05.2010
O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.
[CLT] Art. 855-B. O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§1º As partes não poderão ser representadas por advogado comum. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§2º Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
Princípio da normatização coletiva
· Entendimento: de acordo com o art. 114, §§ 2º e 3º, CF, a Justiça do Trabalho é a única Justiça que pode criar regras gerais e abstratas aplicáveis no âmbito de uma categoria. Isso se dá por meio de uma ação chamada de “dissídio coletivo”, cuja sentença respectiva será uma “sentença normativa”, que é aquela que cria lei entre as partes.
[CF/88] Art. 114. (...)
(...)
§2º Recusando­se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Princípio da extrapetição
· Entendimento: este princípio postula que o juiz, na Justiça do Trabalho, poderá conceder um direito que não foi requerido pelas partes, mas ele só poderá fazê-lo quando a lei permitir.
· Exemplo: de acordo com a Súmula 211, TST, ainda que não haja pedido de aplicação de juros ou correção monetária, o juiz poderá concedê-lo.
Súmula 211, TST
JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. INDEPENDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL E DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
Os juros de mora e a correção monetária incluem-se na liquidação, ainda que omisso o pedido inicial ou a condenação.
· Outro exemplo: de acordo com a Súmula 396, TST, se o juiz verificar que, frente ao desrespeito à estabilidade provisória, a reintegração ao trabalho é, de alguma maneira, danosa ao trabalhador, ele poderá convertê-la em indenização mesmo que as partes não o tenham pedido.
Súmula nº 396, TST
ESTABILIDADE PROVISÓRIA. PEDIDO DE REINTEGRAÇÃO. CONCESSÃO DO SALÁRIO RELATIVO AO PERÍODO DE ESTABILIDADE JÁ EXAURIDO. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO "EXTRA PETITA" (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 106 e 116 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005
I - Exaurido o período de estabilidade, são devidos ao empregado apenas os salários do período compreendido entre a data da despedida e o final do período de estabilidade, não lhe sendo assegurada a reintegração no emprego. (ex-OJ nº 116 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997)
II - Não há nulidade por julgamento “extra petita” da decisão que deferir salário quando o pedido for de reintegração, dados os termos do art. 496 da CLT. (ex-OJ nº 106 da SBDI-1 - inserida em 20.11.1997)
· Outro exemplo: de acordo com o art. 790, §3º, CLT, o juiz poderá conceder assistência jurídica gratuita às partes, mesmo que elas não o tenham pedido.
[CLT] Art. 790. (...)
(...)
§3º É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geralde Previdência Social. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
Aula 3 – 08/08/2018
Programa – Aula 3
- A Aula 3 foi dedicada à produção de um texto comparando os entendimentos da Justiça Comum e da Justiça do trabalho a respeito do marco temporal para aplicação de lei nova, no que tange a honorários advocatícios sucumbenciais.
Análise do entendimento do TRT/SP e do STJ a respeito da eficácia da Reforma Trabalhista no tempo, no que tange ao tema de “honorários sucumbenciais”, sob a luz da Instrução Normativa nº 41/2018.
A Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) passou a vigorar em 11 de novembro de 2017, ou seja, 120 dias após sua publicação, que se deu no dia 13 de julho de 2017. Normalmente, a aplicabilidade da lei processual advinda da Reforma seria imediata, em face da Teoria do isolamento dos atos processuais, mas, neste caso específico, em razão da Instrução Normativa nº 41/2018, o TST determinou que apenas algumas matérias da Reforma seriam aplicadas de maneira imediata (art. 1º, Instrução Normativa nº 41/2018).
Anteriormente à Reforma, somente os advogados de Sindicatos tinham direito a receber honorários advocatícios sucumbenciais. A partir da Reforma, no entanto, todos os advogados passaram a ter tal direito, na forma do art. 791-A, CLT. O art. 6º, Instrução Normativa nº 41/2018, no entanto, aponta que esta nova regra deverá ser utilizada somente para ações propostas após a data de entrada em vigor da Reforma. Assim sendo, o marco temporal para eficácia deste dispositivo é a propositura da ação.
Neste ínterim, a 13ª Turma do TRT/SP, em acórdão proferido no âmbito do Recurso Ordinário no Processo nº 0002317-11.2013.5.02.0203, na data de 24 de julho de 2018, entendeu que, de fato, ao contrário da decisão de primeira instância, que definiu o marco temporal como a data da sentença, seria a propositura da ação a definição mais adequada. Tal sentença, portanto, foi prontamente reformada.
O relator ainda adiciona que a justificativa material para se ter a propositura da ação como marco temporal mais adequado é de que, “sendo líquidos os pedidos formulados na inicial, a expectativa de custos e riscos deve ser aferida pelo trabalhador no momento da propositura da ação”, evitando que o trabalhador fosse, posteriormente à propositura, surpreendido, em caso de sucumbência, com condenação mais gravosa daquela que entendia estar compreendida em sua análise de risco pregressa, em clara ofensa ao princípio da não surpresa, da segurança jurídica e do devido processo legal.
O mesmo entendimento foi verificado no acórdão da 9ª Turma do TRT/SP, no Recurso Ordinário no Processo nº 0001313-81.2015.5.02.0036, proferido em 12 de abril de 2018, e pela 12ª Turma, no Recurso Ordinário no Processo nº 0001919-06.2013.5.02.0481, proferido em 17 de maio de 2018. Daí se extrai, portanto, que a Justiça do Trabalho é uníssona em determinar que o marco temporal para aplicação da Lei 13.467/2017, no que tange aos honorários sucumbenciais, é a data de propositura da ação.
Para efeitos de estudo do direito intertemporal, no entanto, é importante diferenciar o marco temporal adotado, nestes casos, pela Justiça do Trabalho, do marco já consagrado pela Justiça Comum, exemplificado no acórdão do REsp nº 1.465.535/SP, de relatoria do Min. Luís Felipe Salomão, que aborda o tema durante a transição entre a aplicação do CPC/73 e do CPC/15. Para o STJ, a sucumbência é regida pela lei vigente na data de publicação da sentença, o que se dá, nas palavras do relator, porque “o direito aos honorários exsurge no momento em que a sentença é proferida”. A justificativa material para tanto, de acordo com o magistrado, também seria a de privilegiar o princípio da não surpresa.
Em conclusão, a existência de posicionamentos diversos a respeito do marco temporal para aplicação da lei nova a respeito de honorários sucumbenciais nada mais é do que uma manifestação da própria autonomia da Justiça do Trabalho. Nesta ocasião, tal autonomia se manifesta em sua forma judicial, atestando que a Justiça Comum e a Justiça Trabalhista podem, mesmo ao tentar privilegiar o mesmo princípio – in casu, o princípio da não surpresa – adotar soluções jurídicas diversas sem prejuízo à higidez do ordenamento jurídico pátrio.
Aula 4 – 10/08/2018
Programa – Aula 4
3. Estrutura da Justiça do Trabalho
3.1. Tribunal Superior do Trabalho
3.2. Tribunais Regionais do Trabalho
3.3. Juízes do Trabalho
3.4. Ministério Público do Trabalho
Estrutura da Justiça do Trabalho
· Estruturação geral da Justiça brasileira: com ênfase na posição da Justiça do Trabalho, a estruturação da Justiça brasileira se dá da seguinte maneira:
· (i) Justiça Comum;
· (ii) Justiça Especial:
· (a) Justiça Eleitoral;
· (b) Justiça Militar;
· (c) Justiça do Trabalho (art. 111, CF):
· (I) Juízes do Trabalho;
· (II) Tribunais Regionais do Trabalho;
· (III) Tribunal Superior do Trabalho.
[CF/88] Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:
I ­ o Tribunal Superior do Trabalho;
II ­ os Tribunais Regionais do Trabalho;
III ­ Juizes do Trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)
Tribunal Superior do Trabalho
· Entendimento: de acordo com o art. 92, CF, após a EC nº 92/2016, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) é componente do Judiciário. Ele é órgão de cúpula do Poder Judiciário trabalhista, com jurisdição em todo o território nacional, sediado em Brasília, cujo papel de uniformizar a interpretação da legislação trabalhista no âmbito de sua competência.
[CF/88] Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:
I ­ o Tribunal Superior do Trabalho;
· Características:
· (i) Tem 27 ministros, sendo que todos devem ser brasileiros (naturais ou naturalizados), com mais de 35 anos e menos de 65 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art. 111, caput, CF);
· (ii) Os ministros são nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal (art. 111, caput, CF);
· (iii) Há quinto constitucional (art. 111-A, I, CF), ou seja, a cada 5 magistrados, um é indicado entre a advocacia e os membros do Ministério Público. O resto advém da magistratura de carreira (art. 111-A, II, CF).
· (iv) Funcionam, junto ao TST, (a) a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (na qual os magistrados fazem curso introdutório logo que entram na magistratura) e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (que faz a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus), nos termos do art. 111-A, §2º, CF.
[CF/88] Art. 111­A. O Tribunal Superior do Trabalho compor­se­á de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
II - os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do Trabalho. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho, cabendo­lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
II - o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo­lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão centraldo sistema, cujas decisões terão efeito vinculante. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Tribunais Regionais do Trabalho
· Entendimento: os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) são os órgãos de segunda instância do Poder Judiciário trabalhista (art. 111, II, CF), com jurisdição em território regional.
[CF/88] Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:
(...)
II ­ os Tribunais Regionais do Trabalho;
· Características:
· (i) Os TRT’s compõem-se de, no mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de 65 anos (art. 115, caput, CF);
· (ii) Há quinto constitucional, mas os juízes advindos da advocacia e do Ministério Público não podem ascender ao TST, visto que não são juízes de carreira (art. 115, I, CF).
· (iii) Os magistrados do TRT são chamados, pela CF, de “juízes”, e não de “desembargadores”. Apenas o Regimento Interno destes tribunais se refere aos magistrados como “desembargadores”.
· (iv) Os TRT’s poderão funcionar de maneira descentralizada, constituindo Câmaras Regionais (art. 115, §2º, CF).
[CF/88] Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem­se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
II - os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e merecimento, alternadamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo­se de equipamentos públicos e comunitários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Juízes do Trabalho
· Entendimento: os juízes do trabalho são os órgãos de primeira instância do Poder Judiciário trabalhista (art. 111, III, CF).
[CF/88] Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:
(...)
III ­ Juizes do Trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999)
· Critérios de seleção: os juízes do trabalho (assim como os outros juízes) serão selecionados mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, sendo exigido do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo, nas nomeações, à ordem de classificação (art. 93, I, CF).
[CF/88] Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
I ­ ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo­se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo­se, nas nomeações, à ordem de classificação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
· Critérios de promoção dos juízes: de acordo com o art. 93, II, CF, a promoção de juízes do primeiro grau para o segundo se dá, alternadamente, por antiguidade e merecimento, atendidas os requisitos do dispositivo.
[CF/88] Art. 93. (...)
I ­ (...)
II ­ promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antigüidade e merecimento, atendidas as seguintes normas:
a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento;
b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antigüidade desta, salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago;
c) aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
d) na apuração de antigüidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais antigo pelo voto fundamentado de dois terços de seus membros, conforme procedimento próprio, e assegurada ampla defesa, repetindo­se a votação até fixar­se a indicação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
e) não será promovido o juiz que, injustificadamente, retiver autos em seu poder além do prazo legal, não podendo devolvê­los ao cartório sem o devido despacho ou decisão; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Observação: Ausência de Varas do Trabalho. Se as comarcas não possuírem Varas do Trabalho, a competência para julgar causas trabalhistas será atribuída ao Juiz de Direito, contudo, eventuais recursos nestes processos trabalhistas devem ser feitos para o TRT (e não para a Justiça Comum), nos termos do art. 112, CF. De acordo com a Súmula 10, STJ, no entanto, quando a Vara do Trabalho (referida, no texto da súmula, como “Junta de Conciliação e Julgamento”) for instalada, cessará a competência do Juiz de Direito em matéria trabalhista.
[CF/88] Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí­la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Súmula nº 10, STJ
Instalada a Junta de Conciliação e Julgamento, cessa a competência do Juiz de Direito em matéria trabalhista, inclusive para a execução das sentenças por ele proferidas. (DJ 01.10.1990)
Ministério Público do Trabalho
· Entendimento: Ministério Público do Trabalho (MPT) é o ramo do Ministério Público da União, incumbido de tutelar os direitos difusos, coletivos, individuais homogêneos e individuais disponíveis, quando pautados na relação de trabalho (art. 128, I, b, CF). A previsão geral para o Ministério Público, como gênero, está no art. 127, CF.
[CF/88] Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo­lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
[CF/88] Art. 128. O Ministério Público abrange:
I ­ o Ministério Público da União, que compreende:
(...)
b) o Ministério Público do Trabalho;
· Esfera de atuação do Ministério Público do Trabalho: o MPT pode atuar na tutela individual quando se tratar de (a) menor; (b) incapaz (absolutamente ou relativamente) e (c) índio, contudo, seu principal objetivo é tutelar a defesa dos direitos (i) difusos, (ii) coletivos e (iii) individuais homogêneos. A definição destes direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos pode ser encontrada no art. 81, parágrafo único, CDC.
· (i) Direitos difusos: tratam-se de direitos transindividuais (pois transcendem a esfera individual), de natureza indivisível (pois qualquer decisão que os tutele não poderá ser diferente para os integrantes do grupo), de que sejam titulares pessoas indeterminadas (ou seja, não há necessidade de identificar pessoalmente cada um dos integrantes do grupo) e ligadas por circunstâncias de fato (ou seja, inexiste vínculo jurídico), nos termos do art. 81, parágrafo único, I, CDC.
· Exemplos: o meio-ambiente e a qualidade do ar (aos quais, em termos de circunstância fática, estão expostos, direta ou indiretamente, todas as pessoas, por viverem e respirarem) e a proteção contra apropaganda enganosa (à qual, em termos de circunstância fática estão expostos todos aqueles que podem entrar em contato com os anúncios, entre outros).
[CDC] Art. 81. (...)
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato;
· (ii) Direitos coletivos: tratam-se de direitos os transindividuais (pois transcendem a esfera individual), de natureza indivisível (pois qualquer decisão que os tutele não poderá ser diferente para os integrantes do grupo), de que sejam titulares pessoas componentes de um grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas (a) entre si ou (b) com a parte contrária por uma relação jurídica base. Há exigência, portanto, de uma relação jurídica comum prévia. Por isso é que se pode dizer que os direitos coletivos são indeterminados em relação a seus sujeitos, mas são determináveis pelo vínculo jurídico comum, nos termos do art. 81, parágrafo único, II, CDC.
· Exemplos: correntistas de um determinado banco, trabalhadores de uma montadora de veículos, professores estaduais, a boa qualidade do fornecimento de serviços públicos essenciais (como água, energia elétrica e gás), a segurança do serviço de transporte público de passageiros prestado pelas empresas de ônibus, a qualidade oferecida pela escola dos serviços educacionais por ela prestados, dentre outros, sempre ligados por um vínculo jurídico comum.
[CDC] Art. 81.(...)
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
(...)
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;
· (iii) Direitos individuais homogêneos: tratam-se dos direitos individuais (ou seja, se limitam à esfera do indivíduo), decorrentes de uma origem comum (ou seja, que nascem de um mesmo evento), com natureza divisível (ou seja, comportam decisões diferentes para os diversos integrantes do grupo, pois, mesmo tendo origem comum, o resultado real da violação é diverso para cada envolvido). Neles, não há necessidade de qualquer vínculo fático ou jurídico comum, nos termos do art. 81, parágrafo único, III, CDC.
· Exemplos: os familiares das vítimas de um acidente aéreo, ou de um acidente de navio.
[CDC] Art. 81. (...)
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:
(...)
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.
· Características:
· (i) O chefe do MPT é o Procurador Geral do Trabalho (art. 81, LC nº 75/93), o qual é nomeado pelo Procurador Geral da República (art. 88, LC nº 75/93).
[LC nº 75/93] Art. 81. Os ofícios na Procuradoria-Geral da República, nas Procuradorias Regionais da República e nas Procuradorias da República nos Estados e no Distrito Federal são unidades de lotação e de administração do Ministério Público Federal.
[LC nº 75/93] Art. 88. O Procurador-Geral do Trabalho será nomeado pelo Procurador-Geral da República, dentre integrantes da instituição, com mais de trinta e cinco anos de idade e de cinco anos na carreira, integrante de lista tríplice escolhida mediante voto plurinominal, facultativo e secreto, pelo Colégio de Procuradores para um mandato de dois anos, permitida uma recondução, observado o mesmo processo. Caso não haja número suficiente de candidatos com mais de cinco anos na carreira, poderá concorrer à lista tríplice quem contar mais de dois anos na carreira.
· (ii) O MPT pode atuar na tutela individual quando se tratar de:
· (a) Menor;
· (b) Incapaz (absolutamente ou relativamente);
· (c) Índio;
· (iii) O MPT pode atuar:
· (a) Judicialmente: como autor ou fiscal da lei;
· (b) Extrajudicialmente: em especial em dois casos. Eles são:
· (I) Inquérito civil: é a investigação de determinado fato, conduzida pelo MPT (ao invés de um delegado, por exemplo);
· (II) Termo de Ajuste de Conduta (TAC): trata-se de um acordo que o MPT pode propor, com a empresa, antes de entrar na via judicial (podendo ou não preceder a via judicial, por opção do Ministério). Ele constitui título executivo extrajudicial, assim, em caso de descumprimento, pode ser executado na Justiça.
· Princípios institucionais do Ministério Público do Trabalho (art. 127, §1º, CF):
· (i) Unidade: o Ministério Público é um só, sendo particionado apenas para fins organizativos;
· (ii) Indivisibilidade: o MPT não funciona pela pessoa dos procuradores, assim, mesmo que um ajuíze a ação, outro poderá continuar com os procedimentos seguintes.
· (iii) Independência funcional: não há subordinação hierárquica entre eles ou frente às outras figuras da Justiça
[CF/88] Art. 127. (...)
§1º São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional.
Aula 5 – 15/08/2018
Programa – Aula 5
4. Jurisdição e competência na Justiça do Trabalho
4.1. Regras básicas de competência
4.1.1. Competência em função da matéria e da pessoa
4.1.1.1. Competências básicas da Justiça do Trabalho
4.1.1.2. Outras competências da Justiça do Trabalho em função da matéria e da pessoa
4.1.2. Competência em razão do lugar
4.1.3. Competência em razão da função
Jurisdição e competência na Justiça do Trabalho
· Entendimento: de forma geral, há três formas de solução de conflitos. Elas são:
· (i) Autotutela: trata-se da imposição de uma solução, pela força.
· (ii) Autocomposição: trata-se da aplicação de métodos de conciliação e mediação, em que as próprias partes formulam a solução;
· (iii) Heterocomposição: trata-se da solução imposta por um terceiro, que pode aparecer na forma da Justiça ou por meio da Arbitragem.
Regras básicas de competência
· Entendimento: essencialmente, é possível estudar as regras básicas de competência da Justiça do Trabalho perante três grupos de critérios. Eles são:
· (i) Competência em função da matéria e da pessoa;
· (ii) Competência em razão do lugar;
· (iii) Competência em razão da função.
Competência em função da matéria e da pessoa
· Entendimento geral: a competência da Justiça do Trabalho em função da matéria e da pessoa, foi aumentada, desde 2004, pela EC nº 45/2004. Atualmente, ela abrange diversas hipóteses previstas nos incisos do art. 114, CF, as quais serão detalhadas nas subseções seguintes.
Competências básicas da Justiça do Trabalho em função da matéria e da pessoa
· Entendimento: as competências do art. 114, I, CF, são as mais básicas da Justiça do Trabalho. Elas são:
· (i) Ações oriundas da relação de trabalho: a Justiça do Trabalho julga não somente ações relativas a empregos, mas também trabalhadores autônomos, eventuais, voluntários, avulsos, estagiários, ou seja, todas as relações de trabalho. O STF, no entanto, já excluiu da competência da Justiça do Trabalho:
· (I) a relação de consumo;
· (II) a matéria penal.
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Observação: Competência para julgar causas oriundas de relação de trabalho do profissional liberal. O STJ, por entender que não é de competência da Justiça do Trabalho o julgamento de causas alusivas a relações contratuais de caráter eminentemente civil, publicou a Súmula 363, STJ, que aponta que a competência para julgar causas oriundas de relação de trabalho do profissional liberal será da Justiça Comum Estadual.
Súmula 363, STJ
Competência. Ação de cobrança. Profissional liberal. Propositura contra cliente. Julgamento pela Justiça Estadual Comum. CF/88, art. 114.
Compete à Justiçaestadual processar e julgar a ação de cobrança ajuizada por profissional liberal contra cliente.
· (ii) Entes de direito público externo: estes entes são os estados estrangeiros (abrangendo as embaixadas e as repartições voluntárias) e os organismos internacionais (como a ONU ou a OIT).
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
· (a) Estados estrangeiros: para o STF, os estados estrangeiros podem realizar atos de império (que decorrem da soberania do Estado) ou atos de gestão (atos equiparados a particulares). Os estados estrangeiros, quando estiver praticando atos de império, têm imunidade de jurisdição e de execução. Quando se tratar de atos de gestão, ele terá somente a imunidade de execução. Assim sendo, se a Embaixada dos EUA contratar um funcionário, as discussões trabalhistas deste empregado poderão ser feitas na Justiça do Trabalho. Para executar a Embaixada, no entanto, apenas via carta rogatória para os EUA. Há, no entanto, duas exceções à imunidade de execução:
· (I) É possível executar a Embaixada se ela própria renunciar à imunidade;
· (II) Em se tratando de bens que, embora pertencentes ao ente externo, não tenham nenhuma vinculação com as finalidades inerentes às relações diplomáticas ou representações consulares no Brasil, a execução também é possível (RE nº 222368-4, STF).
· (b) Organismos internacionais: de acordo com a OJ nº 416, SDI-1, TST, se, no Brasil, existir tratado ou convenção internacional que tiver sido incorporado ao ordenamento jurídico pátrio, no qual estiver prevista imunidade absoluta de jurisdição para o organismo internacional, ele a terá. Assim, a regra, para organismos internacionais, é a previsão em tratados. É possível, no entanto, que sejam julgados na Justiça do Trabalho caso renunciem expressamente à imunidade jurisdicional.
OJ nº 416, SDI-1, TST
IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO. ORGANIZAÇÃO OU ORGANISMO INTERNACIONAL. (DEJT divulgado em 14, 15 e 16.02.2012) (mantida conforme julgamento do processo TST-E-RR-61600-41.2003.5.23.0005 pelo Tribunal Pleno em 23.05.2016)
As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à cláusula de imunidade jurisdicional.
· (iii) Entes da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: apesar do disposto, de maneira genérica, no art. 114, I, terceira parte, CF, em 2004, o STF apontou que a Justiça do Trabalho não terá competência para julgar causas oriundas (a) de relações de trabalho de servidor público estatuário, ou (b) de relações jurídico-administrativas (que é o caso dos temporários). As relações de trabalho do empregado público (servidor público celetista), no entanto, estão dentro da competência da Justiça do Trabalho.
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Outras competências da Justiça do Trabalho em função da matéria e da pessoa
· Entendimento: o art. 114, II, CF, trata da competência da Justiça do Trabalho para tratar de ações que envolvam exercício do direito de greve.
· (i) Competência da Justiça do Trabalho para tratar de ações que envolvam exercício do direito de greve (art. 114, II, CF): ações de indenização, inclusive de danos morais, advindas do direito de greve, serão de competência da Justiça do Trabalho.
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
(...)
II - as ações que envolvam exercício do direito de greve; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
· Ações possessórias: mesmo ações relativas à posse, caso tenham origem no direito de greve (como no caso de ação de reintegração de posse em face de trabalhadores que, durante greve, tomam conta da empresa e não deixam outras pessoas entrarem) serão de competência da Justiça do Trabalho. No entanto, é importante ressaltar que a competência da Justiça do Trabalho se restringe a trabalhadores da iniciativa privada, nos termos da Súmula Vinculante nº 23, STF.
Súmula Vinculante 23, STF
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
· Abusividade de greve: a competência para definir que determinada greve é ou não abusiva, de acordo com o STF é diferente dependendo do tipo de trabalhador:
· (a) Competência da Justiça Comum (federal ou estadual): no caso de empregados públicos (também chamados de servidores públicos celetistas) da Administração Pública Direta, de autarquias e de fundações públicas, a competência para definir abusividade é da Justiça Comum (federal ou estadual), nos termos do RE 846854.
· (I) Competência do STJ: no caso de movimento grevista de âmbito nacional, movimento grevista que atinja mais de uma região da Justiça Federal, ou movimento que compreenda mais de uma unidade da Federação, a competência para definir abusividade é do STJ.
· (II) Competência do TRF: no caso de movimento grevista em uma única região da Justiça Federal, na esfera federal, ou em âmbito local, a competência para definir abusividade é do TRF.
· Exemplo: greve envolvendo empregado público de autarquia federal.
· (III) Competência do Tribunal de Justiça: no caso de movimento grevista em uma única unidade da Federação, na esfera estadual, e de âmbito local, a competência para definir abusividade é do TJ.
· Exemplo: greve envolvendo empregado público de autarquia do DF.
· (b) Competência da Justiça do Trabalho: no caso de pessoas jurídicas de direito privado, inclusive empregados públicos (também chamados de servidores públicos celetistas) de empresas públicas ou sociedades de economia mista, a competência para definir abusividade é da Justiça do Trabalho.
· (ii) Competência da Justiça do Trabalho para tratar de ações que envolvam representação sindical (art. 114, III, CF): ações que envolvam representação sindical, sejam elas (a) entre sindicatos, (b) entre sindicatos e trabalhadores, e (c) entre sindicatos e empregadores, serão de competência da Justiça do Trabalho.
· Exemplo: dois sindicatos disputando a mesma base territorial;
· Outro exemplo: cobrança de empregado que não paga a contribuição sindical.
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
(...)
III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
· (iii) Competência da Justiça do Trabalho para tratar de ações que envolvam remédios constitucionais (art. 114, IV, CF): ações que envolvam mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição, serão de competência da Justiça do Trabalho.
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
(...)
IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)Observação: Uso do habeas corpus frente a prisão do depositário infiel. É ilícita a prisão de depositário infiel (Súmula Vinculante nº 25, STF). Caso ela seja decretada por Juiz do Trabalho, é necessário impetrar habeas corpus na Justiça do Trabalho.
Súmula Vinculante nº 25, STF
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.
· (iv) Competência da Justiça do Trabalho para tratar de ações que envolvam conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista (art. 114, V, CF): ações que envolvam conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, serão de competência da Justiça do Trabalho. Para definir quais são as possibilidades de conflitos de competência na Justiça do Trabalho, utiliza-se o art. 804, CLT, e, supletivamente, o art. 66, CPC.
 
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
(...)
V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
[CLT] Art. 804 - Dar-se-á conflito de jurisdição:
a) quando ambas as autoridades se considerarem competentes;
b) quando ambas as autoridades se considerarem incompetentes.
[CPC] Art. 66. Há conflito de competência quando:
I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes;
II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência;
III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos.
Parágrafo único. O juiz que não acolher a competência declinada deverá suscitar o conflito, salvo se a atribuir a outro juízo.
· Sujeitos legitimados para suscitar conflitos de competência: os conflitos de competência, na Justiça do Trabalho, podem ser suscitados, nos termos do art. 805, CLT:
· (a) pelos Juízes e Tribunais do Trabalho;
· (b) pelo procurador-geral e pelos procuradores regionais da Justiça do Trabalho;
· (c) pela parte interessada, ou o seu representante.
[CLT] Art. 805 - Os conflitos de jurisdição podem ser suscitados:
a) pelos Juízes e Tribunais do Trabalho;
b) pelo procurador-geral e pelos procuradores regionais da Justiça do Trabalho;
c) pela parte interessada, ou o seu representante.
· Responsabilidade pela solução de conflitos de competência: quanto a quem vai solucionar os conflitos de competência, as regras são:
· (a) Competência do TRT: a competência para solucionar conflitos de competência é do TRT em três hipóteses. Elas são:
· (I) conflito entre juízes do trabalho da mesma região;
· (II) conflito entre juízes de direito investidos na Jurisdição Trabalhista, na mesma região;
· (III) conflito entre juiz do trabalho e juiz de direito investido na jurisdição trabalhista, na mesma região.
· (b) Competência do TST: a competência para solucionar conflitos de competência é do TST em duas hipóteses. Elas são:
· (I) conflito entre Tribunais Regionais do Trabalho;
· (II) conflito entre juízes do trabalho de regiões diferentes.
· (c) Competência do STJ: a competência para solucionar conflitos de competência é do STJ em duas hipóteses:
· (I) conflito entre juiz do trabalho ou juiz de direito não investido na jurisdição trabalhista e entre o TST;
· (II) conflito entre o TST e outros órgãos do Poder Judiciário (exceto o próprio STJ).
· (d) Competência do STF: a competência para solucionar conflitos de competência é do STF em casos de conflito entre o TST e o STJ.
Observação: Inexistência de conflito de competência entre TRT e Vara a ele vinculada. De acordo com a Súmula nº 420, TST, não há conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada.
Súmula nº 420, TST
COMPETÊNCIA FUNCIONAL. CONFLITO NEGATIVO. TRT E VARA DO TRABALHO DE IDÊNTICA REGIÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 115 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005
Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada. (ex-OJ nº 115 da SBDI-2 - DJ 11.08.2003)
· (v) Competência da Justiça do Trabalho para tratar de ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho (art. 114, VI, CF): ações que envolvam indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho, serão de competência da Justiça do Trabalho.
[CF/88] Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
(...)
VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Observação: Modulação dos efeitos do art. 114, VI, CF, introduzido pela ED nº 45/2004. Tendo em vista que a competência da Justiça do Trabalho para julgar ações de indenização decorrentes da relação de trabalho, se originou com a Emenda Constitucional nº 45/2004, o STF foi obrigado a modular a aplicação desta disposição, o que se deu por meio da Súmula Vinculante nº 22, STF. Ela dispõe que a Justiça do Trabalho será competente para julgar, inclusive, as causas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da EC nº 45/2004.
Súmula Vinculante nº 22, STF
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional 45/2004.
Observação: Competência para julgar ações acidentárias. Se o empregado sofre acidente de trabalho, terá direito à indenização acidentária (Súmula 378, TST, cumulada com art. 118, Lei nº 8.213/91). Nesses casos, de acordo com a Súmula nº 392, TST, a ação acidentária será de competência (i) da Justiça do Trabalho, nos casos de empregado contra empregador (ainda que pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido); (ii) da Justiça Comum Estadual, nos casos de empregados contra o INSS; e (iii) da Justiça Federal, nos casos de empresas contra o INSS.
Súmula nº 378, TST
ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº 8.213/1991. (inserido item III) - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 
I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que assegura o direito à estabilidade provisória por período de 12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 - inserida em 01.10.1997)
II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a conseqüente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego. (primeira parte - ex-OJ nº 230 da SBDI-1 - inserida em 20.06.2001) 
III – O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei nº 8.213/91.
[Lei nº 8.213/91] Art. 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente.
Súmula nº 392, TST
DANO MORAL E MATERIAL. RELAÇÃO DE TRABALHO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO (redação alterada em sessão do Tribunal Pleno realizada em 27.10.2015) - Res. 200/2015, DEJT divulgado em 29.10.2015 e 03 e 04.11.2015
Nos termos do art. 114, inc. VI, da Constituição da República, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ações de indenização por dano moral e material, decorrentes da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido.
· (vi) Competência da Justiça do Trabalho para tratar

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