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RESUMO - Direito Penal e Processual Penal

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Didatismo e Conhecimento
DIREITO PENAL
DIREITO PROCESSUAL PENAL
RESUMO PARA CONCURSOS
Conteúdo Resumido dos Principais Concursos
Andréia Agostin
CONTATO
EDITORA NOVA APOSTILA 
FONE: (11) 3536-5302 / 28486366
EMAIL: NOVA@NOVAAPOSTILA.COM.BR
WWW.NOVACONCURSOS.COM.BR
WWW.NOVAAPOSTILA.COM.BR
Didatismo e Conhecimento
DIREITO PENAL
DIREITO PROCESSUAL PENAL
RESUMO PARA CONCURSOS
COORDENAÇÃO GERAL
Juliana Pivotto
Pedro Moura
DIAGRAMAÇÃO
Pollyana Lebrão
DESIGN GRÁFICO
Bárbara Gabriela
Agostin, Andréia
Direito Penal e Direito Processual Penal. Resumo para Concursos / Andréia Agostin. 
São Paulo: Editora Nova Apostila, 2011
1º edição
ISBN........
Didatismo e Conhecimento
Sumário
Direito Penal
1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL E INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL......................01
2. DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL............................................................................................04
3. DO CRIME.................................................................................................................................10
 
4. DA IMPUTABILIDADE PENAL..............................................................................................23
5. DO CONCURSO DE PESSOAS...............................................................................................25
6. DAS PENAS...............................................................................................................................27
6.1 DAS ESPÉCIES DA PENA...........................................................................................................................27
6.2 DA COMINAÇÃO DAS PENAS...................................................................................................................34
6.3 DA APLICAÇÃO DA PENA.........................................................................................................................35
6.4 DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA............................................................................................41
6.5 DO LIVRAMENTO CONDICIONAL.........................................................................................................42
6.6 DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO...........................................................................................................44
6.7 DA REABILIATAÇÃO..................................................................................................................................45
7. MEDIDAS DE SEGURANÇA...................................................................................................49
8. DA AÇÃO PENAL.....................................................................................................................52
9. DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE......................................................................................55
10. DOS CRIMES CONTRA A PESSOA......................................................................................58
10.1 DOS CRIMES CONTRA A VIDA..............................................................................................................58
10.2 DAS LESÕES CORPORAIS.......................................................................................................................63
10.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE.........................................................................................65
10.4 DA RIXA........................................................................................................................................................67
10.5 DOS CRIMES CONTRA A HONRA..........................................................................................................67
10.6 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL.......................................................................69
Didatismo e Conhecimento
11. DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO............................................................................75
11.1 DO FURTO....................................................................................................................................................75
11.2 DO ROUBO E DA EXTORSÃO.................................................................................................................76
11.3 DA USURPAÇÃO.........................................................................................................................................78
11.4 DO DANO......................................................................................................................................................78
11.5 DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA................................................................................................................79
11.6 DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES............................................................................................81
11.7 DA RECEPTAÇÃO......................................................................................................................................84
11.8 DAS DISPOSIÇÕES GERAIS....................................................................................................................85
12. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA..................................................88
12.1 DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO 
EM GERAL..................................................................................................................................................88
12.2 DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM 
GERAL..................................................................................................................................................93
12.3 DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA.............................................................98
Direito Processual Penal
1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL....................113
2. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL...........................................................114
3. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL..................................................................116
4. SISTEMAS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL..............................................................118
5. INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL................................122
6. DO INQUÉRITO POLICIAL..................................................................................................125
7. FATOS E ATOS PROCESSUAIS............................................................................................134
8. DA AÇÃO PENAL....................................................................................................................138
9. DA AÇÃO CIVIL......................................................................................................................145
Didatismo e Conhecimento
10. DA COMPETÊNCIA.............................................................................................................147
11. DAS QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES...............................................................153
12. DA PROVA.............................................................................................................................163
13. DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO ACUSADO E DEFENSOR, DOS ASSISTENTES 
E AUXILIARES DA JUSTIÇA.........................................................................................................177
14. DA PRISÃO E DA LIBERDADE PROVISÓRIA.................................................................182
15. DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES.......................................................................................192
16. DA SENTENÇA.....................................................................................................................197
17. TRIBUNAL DO JÚRI............................................................................................................201
18. NULIDADES..........................................................................................................................216Didatismo e Conhecimento
Andréia Agostin
RESUMO DE CONCURSOS
Conteúdo Resumido dos Principais Concursos
1ª edição
São Paulo
Nova Apostila
2011
1
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
DIREITO PENAL
1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL E INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
Princípio da Legalidade: O princípio da reserva legal delimita o poder punitivo do Estado e dá ao Direito Penal uma função 
garantista, pois define o delito e a pena, ficando os cidadãos cientes de que só pelos fatos anteriormente delineados como crimes 
poderão ser responsabilizados criminalmente e apenas naquelas sanções previamente fixadas podem ser processados e condenados. 
O referido princípio se desdobra em quatro princípios:
a) nullum crimen, nulla poena sine lege praevia (proibição da edição de leis retroativas que fundamentam ou agravem a 
punibilidade)
b) nullum crimen, nulla poena sine lege scripta (proibição da fundamentação ou do agravamento da punibilidade pelo direito 
consuetudinário);
c) nullum crimen, nulla poena sine lege stricta (proibição da fundamentação ou do agravamento da punibilidade pela analogia);
d) nullum crimen, nulla poena sine lege certa (a proibição de leis penais indeterminadas).
Princípio da Intervenção Mínima: A aplicação abusiva da previsão legislativa penal faz com que ela perca parte de seu mérito 
e, assim, sua força intimidadora. O princípio da intervenção mínima está diretamente ligado aos critérios do processo legislativo 
de elaboração de leis penais, servindo, num primeiro momento, como regra de determinação qualitativa abstrata para o processo 
de tipificação das condutas, e, num segundo momento, juntamente com o princípio da proporcionalidade dos delitos e das penas, 
cominar a sanção pertinente. Destarte, surge como tendência, a idéia de que só se deve criminalizar condutas de efetiva gravidade e 
que atinjam bens fundamentais, valores básicos de convívio social. 
Princípio da Humanidade: A Declaração dos Direitos do Homem disciplina em seu artigo 5º, que: “ninguém será submetido a 
tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano e degradante”. No mesmo sentido, a Convenção Internacional sobre Direitos 
Políticos e Civis, de 1966, dispõe em seu artigo 10, inciso I, que: “o preso deve ser tratado humanamente, e com o respeito que lhe 
corresponde por sua dignidade humana”. A Constituição Federal de 1988 trouxe diversos dispositivos onde se constata a consagração 
do princípio da humanidade. Exemplo: artigo 5, inciso XLIX, da Lei Maior, que: “é assegurado aos presos o respeito à integridade 
física e moral”. O próximo inciso do mesmo artigo assevera que: “às presidiárias são asseguradas as condições para que possam 
permanecer com seus filhos durante o período da amamentação”. Ainda mais enfatizante é o inciso XLVII, do citado artigo, que 
dispõe: “não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) 
de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis”. 
Princípio da Pessoalidade: Aduz que a pena não pode passar da pessoa que praticou o delito. A Carta Magna em vigor disciplina 
no artigo 5º, inciso XLV que: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado (...)”.
A pena não se pode estender a pessoas que não participaram do delito, ainda que haja laços de parentesco, afinidade ou amizade 
com o condenado. Não se pode olvidar, contudo, que a pena pode gerar danos e sofrimentos a terceiros, em especial a família. Assim, 
determinadas legislações vêm disciplinando a criação de institutos que auxiliam tanto a família do sentenciado, como a vítima do 
delito.
Princípio da Individualização da Pena: A legislação constitucional pátria consagrou o princípio no artigo 5, inciso XLVI, 
dispondo que: “a lei regulará a individualização da pena”. A individualização da pena passa por três fases distintas: A legislativa, a 
judicial e a executória ou administrativa.
No primeiro momento, a lei delimita as penas para cada tipo de delito, guardando proporcionalidade com a importância do 
bem jurídico defendido e com o grau de lesividade da conduta. Nesta fase, ainda, se estabelece as espécies de penas que podem ser 
aplicadas, de forma cumulativa, alternativa ou exclusiva.
Na segunda fase, ocorre a individualização realizada pelos magistrados. Diante das diretrizes fixadas pela legislação, o juiz 
vai decidir qual das penas deve ser aplicada e qual a sua quantidade, dentro dos limites trazidos no preceito penal secundário, 
determinando, inclusive, o meio de sua execução. As regras básicas da individualização da pena, em nosso Código Penal, estão 
previstas no artigo 59 e não podem deixar de ser observadas pelo juiz.
A terceira e última etapa da individualização da pena ocorre com sua execução e é denominada de individualização administrativa 
ou individualização executória. A Constituição Federal traz alguns preceitos que devem ser respeitados na etapa executória. No 
artigo 5ª, inciso XLIX, diz ser “assegurado aos presos o respeito a integridade física e moral”. Já no inciso XLVIII, do mesmo artigo, 
se impõe que o cumprimento da pena se dará em estabelecimentos que atendam “a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado”.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Princípio da Consunção : É o princípio segundo o qual um fato mais amplo e mais grave consome, isto é, absorve outros fatos 
menos amplos e graves, que funcionam como fase normal de preparação ou execução ou mero exaurimento. 
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
A legislação penal constitui obra humana, suscetível de imperfeições, de obscuridades. Interpreta-se a lei penal, uma vez que, 
ela possui sentido e alcance próprios. A interpretação consiste em extrair da norma o seu verdadeiro significado e conteúdo, face a 
realidade para aplicação ao caso concreto. Espécies de Interpretação:
a) Quanto ao sujeito a interpretação pode ser:
AUTÊNTICA: Quando procede do próprio órgão elaborador da norma. Podendo ser: Contextual - feita pelo próprio sujeito que 
elaborou a norma ou quando está no próprio texto da lei; ou Posterior - interpretação efetuada depois de editada a lei, 
DOUTRINÁRIA: Efetuada pelos escritores de Direito em seus comentários às leis, sendo denominado “Communis Opinio 
Doctorum”. Não tem força obrigatória pela diversidade de pensamentos.
JUDICIAL OU JURISPRUDENCIAL: Efetuada pelos órgãos do Poder Judiciário através de juízes e tribunais, tendo força 
obrigatória para o caso concreto desde que sobrevenha à coisa julgada e esteja coberta pela imutabilidade. Se ultrapassado o prazo 
de recurso faz coisa julgada material.
b) Quanto ao Meio Empregado:
GRAMATICAL: Análise do texto legal verificando o que dizem as palavras da lei. 
LÓGICA OU TELEOLÓGICA: Consiste em indagar a vontade da lei, levando em consideração os motivos que determinaram a 
sua produção. As necessidades, os aspectos históricos, o direito comparado e elementos extra-jurídicos: química, biologia, psiquiatria, 
etc.
c) Quanto ao Resultado:
DECLARATIVA: Quando a eventual dúvida se resolve pela letra e vontade da lei, sem necessidade de conferir um sentido mais 
amplo ou restrito. Não precisa restringir ou estender; porque está escrito.
RESTRITIVA: Quando o texto da lei disser mais que a sua vontade, surgindo a necessidade de restringir o alcance de suas 
palavras.
EXTENSIVA: Nesse caso o texto da lei disse menos do que deveria dizer.
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA OU INTRA: É permitida toda vez que houver uma fórmula casuística seguindo uma cláusula 
genérica, a qual deve ser interpretada de acordo com os casos anteriormente elencados na interpretação extensiva em que a própria lei 
determina que se estenda o seu conteúdo. Exemplos de fórmulas casuísticas: traição, emboscada e dissimulação. Exemplo de cláusula 
genérica: outro recurso.
EXERCÍCIOS
01. (Secretário de Diligências – MPE/RS – FCC – 2008) Tendo em conta o Princípio da Reserva Legal, é correto afirmar que
a) é lícita a aplicação de pena não prevista em lei se o fato praticado pelo agente for definidocomo crime no tipo penal. 
b) o juiz pode fixar a pena a ser aplicada ao autor do delito acima do máximo previsto em lei, aplicando os costumes vigentes na 
localidade em que ocorreu. 
c) é vedado o uso da analogia para punir o autor de um fato não previsto em lei como crime, mesmo sendo semelhante a outro 
por ela definido. 
d) fica ao arbítrio do juiz determinar a abrangência do preceito primário da norma incriminadora se a descrição do fato delituoso 
na norma penal for vaga e indeterminada. 
e) o juiz tem o poder de impor sanção penal ao autor de um fato não descrito como crime na lei penal, se esse fato for imoral, 
anti-social ou danoso à sociedade. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
02. (Advogado – UDESC – FEPESE – 2010) Assinale a alternativa correta.
a) O princípio da humanidade das penas está consagrado na Constituição Federal.
b) O princípio da aplicação da lei mais benéfica não é utilizado pelo direito penal.
c) O princípio da intervenção mínima não se confunde com o principio da ultima ratio.
d) Por força do princípio da insignificância não são punidos os crimes de menor potencial ofensivo
e) A existência de crimes funcionais ofende o princípio da igualdade
03. (Defensoria Pública – DPE/SP – FCC – 2010) A absorção do crime-meio pelo crime-fim configura aplicação do princípio 
da
a) sucessividade
b) alternatividade
c) consunção
d) especialidade
e) subsidiariedade
04. (Defensoria Pública – DPE/MA – FCC – 2009) Na consideração de que o crime de falso se exaure no estelionato, 
responsabilizando-se o agente apenas por este crime, o princípio aplicado para o aparente conflito de normas é o da
a) subsidiariedade
b) consunção
c) especialidade
d) alternatividade
e) instrumentalidade
05. (Técnico Administrativo – MPE/AP – FCC – 2009) O princípio constitucional que assegura ao acusado o direito de ampla 
defesa, em processo em que seja assegurada a igualdade das partes, denomina-se princípio
a) juiz natural
b) do estado de inocência
c) da verdade real
d) da obrigatoriedade
e) do contraditório
06. (Técnico do Ministério Público – MPE/SE – FCC – 2009) O art. 5º, LVII, da Constituição Federal dispõe que “ninguém 
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Nesse dispositivo constitucional está consagrado 
o princípio
a) da anterioridade da lei penal.
b) da presunção de inocência.
c) da legalidade.
d) do contraditório
e) do juiz natural
07. (Técnico Administrativo - MPU – FCC – 2007) Dispõe o artigo 1º do Código Penal: “Não há crime sem lei anterior que o 
defina. Não há pena sem prévia cominação legal”. Tal dispositivo legal consagra o princípio da 
a) ampla defesa.
b) legalidade.
c) presunção de inocência.
d) dignidade.
e) isonomia.
GABARITO
01 C
02 A
03 C
04 B
05 E
06 D
07 B
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
2. DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
ANTERIORIDADE DA LEI 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
LEI PENAL NO TEMPO
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em 
virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. 
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos 
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 
A lei que revoga um tipo incriminador extingue o direito de punir (abolitio criminis). A conseqüência do abolitio criminis é a 
extinção da punibilidade do agente. Por beneficiar o agente, o abolitio criminis alcança fatos anteriores e será aplicado pelo Juiz 
do processo, podendo ser aplicado antes do final do processo, levando ao afastamento de quaisquer efeitos da sentença, ou após a 
condenação transitada em julgado. No caso de já existir condenação transitada em julgado, o abolitio criminis causa os seguintes 
efeitos: a extinção imediata da pena principal e de sua execução, a libertação imediata do condenado preso e extinção dos efeitos 
penais da sentença condenatória (Exemplo: reincidência, inscrição no rol dos culpados, pagamento das custas etc.).
Vale lembrar que os efeitos extrapenais, contudo, subsistem, como a perda de cargo público, perda de pátrio poder, perda da 
habilitação, confisco dos instrumentos do crime etc. A competência para a aplicação do abolitio criminis após o trânsito em julgado 
é do juízo da execução:
Súmula nº 611 do STF: “Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções 
a aplicação da lei mais benigna.
O parágrafo único do artigo 2º trata do fenômeno da extratividade da lei penal, ou seja; a lei pode retroagir SOMENTE quando 
para beneficiar o agente.
Extratividade: É o fenômeno pelo qual a lei produz efeitos fora de seu período de vigência. Divide-se em duas modalidades: 
retroatividade e ultratividade.
Na retroatividade, a lei retroage aos fatos anteriores à sua entrada em vigor, se houver benefício para o agente; enquanto na 
ultratividade, a lei produz efeitos mesmo após o término de sua vigência.
Não há que se falar em conflito de leis entre o artigo primeiro (legalidade) e o parágrafo único do artigo 2º (extratividade). 
Vejamos:
a) No artigo 1º, decretando a irretroatividade da lei, o Código Penal (CP) procurou defender a dignidade humana e a estrutura 
democrática brasileiras, ambos fundamentos cruciais à existência da nossa República federativa (Art. 1º, III e Parágrafo Único da 
CF-88), porque trata-se de uma barreira à discricionariedade estatal no que se refere à punição. Ele reflete o objetivo claro de controle 
dos bens jurídicos da sociedade. O que seria de uma nação se qualquer pessoa com poder pudesse escolher as condutas que devem 
ser punidas e assim fazê-lo do modo que lhe der mais satisfação? 
b) O artigo 2º, por sua vez, em seu parágrafo único, faz exatamente o mesmo do artigo 1º. A retroatividade que valida é restringida 
aos efeitos benéficos do dispositivo penal em questão, o que é relacionado com os objetivos da punição estatal e igualmente ao princípio 
da dignidade humana, porque evitar que as mudanças sociais se estendam àqueles que, por exemplo, têm o direito constitucional de 
ir e vir cerceado por uma conduta que não é mais considerada lesiva, é negar a igualdade de tratamento do Estado a toda a sociedade, 
sobretudo quanto à defesa da dignidade e quanto à justiça, ambos também explicitamente acobertas constitucionalmente.
LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA 
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as 
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. 
As leis acima citadas são auto-revogáveis, ou seja, são exceções à regra de que uma lei se revoga por outra lei. Subdividem-se 
em duas espécies:
5
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
•	 leis temporárias: Aquelas que já trazem no seu próprio texto a data de cessação de sua vigência, ou seja, a data do término 
de vigência já se encontra explícito no texto da lei.
•	 leis excepcionais: Aquelas feitas para um período excepcional de anormalidade. São leis criadas para regular um período de 
instabilidade. Neste caso, a data do término de vigência depende do término do fato para o qual ela foi elaborada.
Estas duas espécies são ultrativas, ainda que prejudiquem o agente (Exemplo: Num surto de febre amarela é criado um crime de 
omissão de notificação de febre amarela; caso alguém cometa o crime e logo em seguida o surto seja controlado, cessando a vigência 
da lei, o agente responderá pelo crime). Se não fosse assim, a lei perderia sua força coercitiva, visto que o agente, sabendo qual seria 
o término da vigência da lei, poderia retardar o processo para que não fosse apenado pelo crime.
TEMPO DO CRIME
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o 
momento do resultado. 
Trata-se da fixação do tempo em que crime reputa-se praticado. Existem três teorias sobre o tempo do crime:
•	 Teoriada atividade: O tempo do crime é o tempo da ação, ou seja, é o tempo que se realiza a ação ou a omissão que vão 
configurar o crime;
•	 Teoria do resultado: O tempo do crime é o tempo que se produz o resultado, sendo irrelevante o tempo da ação;
•	 Teoria mista ou da ubiqüidade: O tempo do crime será tanto o tempo da ação quanto o tempo do resultado.
A teoria utilizada pelo Código Penal (CP) é a teoria da atividade. Na teoria da atividade o agente, em caso de lei nova, responderá 
sempre de acordo com a última lei vigente, seja ela mais benéfica ou não.
TERRITORIALIDADE
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, 
ao crime cometido no território nacional. 
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e 
aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, 
bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se 
achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações 
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no 
espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. 
LUGAR DO CRIME 
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em 
parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. 
Para os crimes de espaço máximo ou à distancia (crimes executados em um país e consumados em outro) foi adotada a teoria da 
ubiqüidade, ou seja, a competência para o julgamento do fato será de ambos os países.
Para os chamados “delitos plurilocais” (ação se dá em um lugar e o resultado em outro dentro de um mesmo país), foi adotada 
a teoria do resultado (art. 70 do CPP), ou seja, o foro competente é o foro do local do resultado. Nas infrações de competência dos 
Juizados Especiais Criminais, a Lei 9.099/95 seguiu a teoria da atividade, ou seja, o foro competente é o da ação.
EXTRATERRITORIALIDADE 
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: 
I - os crimes: 
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de 
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo 
Poder Público; 
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; 
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
II - os crimes: 
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; 
b) praticados por brasileiro; 
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando 
em território estrangeiro e aí não sejam julgados. 
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado 
no estrangeiro. 
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: 
a) entrar o agente no território nacional; 
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; 
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, 
segundo a lei mais favorável. 
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do 
Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: 
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
b) houve requisição do Ministro da Justiça. 
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA: O art. 7º do CP prevê a aplicação da lei brasileira a crimes cometidos no 
estrangeiro. São os casos de extraterritorialidade da lei penal.
	O inciso I refere-se aos casos de extraterritorialidade incondicionada, uma vez que é obrigatória a aplicação da lei brasileira 
ao crime cometido fora do território brasileiro.
	As hipóteses direito inciso I, com exceção da última (d), fundadas no princípio de proteção, são as consignadas nas alíneas 
a seguir enumeradas:
a) Contra a vida ou a liberdade do presidente da república.
b) Contra o patrimônio ou a fé pública da União, do distrito federal, de estado, de território, de município, de empresa pública, 
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público;
c) Contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) De genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil. Nesta última hipótese adotou-se o princípio da justiça 
ou competência universal. Em todas essas hipóteses o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado 
no estrangeiro.
EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA: O inciso II, do art. 7º, prevê três hipóteses de aplicação da lei brasileira a 
autores de crimes cometidos no estrangeiro. São os casos de extraterritorialidade condicionada, pois dependem dessas condições:
a) Crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir. Utilizou-se o princípio da justiça ou competência 
universal;
b) Crimes praticados por brasileiro. Tendo o país o dever de obrigar o seu nacional a cumprir as leis, permite-se a aplicação 
da lei brasileira ao crime por ele cometido no estrangeiro. Trata-se do dispositivo da aplicação do princípio da nacionalidade ou 
personalidade ativa;
c) Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território 
estrangeiro e aí não sejam julgados. Inclui-se no CP o princípio da representação.
A aplicação da lei brasileira, nessas três hipóteses, fica subordinada a todas as condições estabelecidas pelo § 2º do art. 7º. 
Depende, portanto, das condições a seguir relacionadas:
	A Entrada do agente no território nacional;
	Ser o fato punível também no país em que foi praticado. Na hipótese de o crime ter sido praticado em local onde nenhum 
país tem jurisdição (alto mar, certas regiões polares), é possível a aplicação da lei brasileira. 
	Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição
	Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais 
favorável.
O art. 7º, § 3º, prevê uma última hipótese da aplicação da lei brasileira: A do crime cometido por estrangeiro contra brasileiro 
fora do Brasil. É ainda um dispositivo calcado na teoria de proteção, além dos casos de extraterritorialidade incondicionada. Exige o 
dispositivo em estudo, porém, além das condições já mencionadas, outras duas:
	Que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a extradição (pode ter sido requerida, mas não concedida;
	Que haja requisição do ministro da justiça.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO
 
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando 
diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
Considerando que, sendo possível a aplicação da lei brasileira a crimes cometidos em território de outro país, ocorrerá também 
a incidência da lei estrangeira, dispõe o código como se deve proceder para se evitar a dupla posição. Cumprida a pena pelo sujeito 
ativo do crime no estrangeiro, será ela descontada na execução pela lei brasileira, quando forem idênticas, respondendo efetivamente 
o sentenciado pelo saldo a cumprir se a pena imposta no Brasil for mais severa. Se a pena cumprida no estrangeiro for superior 
à imposta no país, é evidente que esta não será executada. No caso de penas diversas, aquela cumprida no estrangeiro atenuará a 
aplicada no Brasil, de acordo com a decisão do juiz no caso concreto,já que não há regras legais a respeito dos critérios de atenuação 
que devem ser obedecidos.
EFICÁCIA DE SENTENÇA ESTRANGEIRA 
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas 
conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: 
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; 
II - sujeitá-lo a medida de segurança. 
Parágrafo único - A homologação depende: 
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; 
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária 
emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.
Quanto à eficácia de sentença estrangeira, o Código Penal, em seu Art. 9°, em consonância com o Art. 105, I, da Constituição 
Federal (CF), prescreve que a sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências, 
pode ser homologada no Brasil para: I – obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; II – sujeitá-
lo a medida de segurança. É importante anotar também que a contagem de prazo inclui o dia de começo em seu cômputo. Contam-
se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum (Art. 10, CPB). O fundamento da homologação da sentença estrangeira está 
no entendimento de que nenhuma sentença de caráter criminal que emane de autoridade jurisdicional estrangeira terá eficácia em 
determinado Estado sem o seu consentimento, pois o direito penal é fundamentalmente territorial.
CONTAGEM DE PRAZO 
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo 
calendário comum. 
A contagem do prazo penal tem relevância especial nos casos de duração de pena, do livramento condicional, do sursis, Da 
decadência, da prescrição, etc., institutos de direito penal.
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. Há no caso imprecisão tecnológica. O calendário comum a que 
se refere o legislador tem o nome de gregoriano, em contraposição ao juliano, judeu, árabe, etc.
FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, 
e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.
Também se tem entendido que, por analogia com o art. 11, deve ser desprezada a fração de dia multa, como se faz para o dia de 
pena privativa de liberdade. Extintos o cruzeiro antigo e o cruzado, o novo cruzeiro e o cruzeiro real, o real é a unidade monetária 
nacional, devendo ser desprezados os centavos, fração da nova moeda brasileira. 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL 
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não 
dispuser de modo diverso. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
EXERCÍCIOS
01. (OAB/138º) Sobre norma e lei penal, assinale a alternativa CORRETA:
a) A lei penal pode retroagir em qualquer caso.
b) A lei penal brasileira aplica-se a todos os crimes ocorridos no Brasil.
c) A lei penal brasileira não se aplica a nenhum crime ocorrido fora do território nacional.
d) Admite-se a interpretação extensiva in bonam partem (em favor do acusado).
02. (MPE/RS – Secretário de Diligências – FCC – 2010) Em tema de aplicação da lei penal, é INCORRETO afirmar:
a) Na contagem do prazo pelo Código Penal, não se inclui no seu cômputo, o dia do começo, nem se desprezam na pena de multa, 
as frações de Real. 
b) Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu 
ou deveria produzir-se o resultado. 
c) O princípio da legalidade compreende os princípios da reserva legal e da anterioridade. 
d) A regra da irretroatividade da lei penal somente se aplica à lei penal mais gravosa. 
e) As leis temporárias ou excepcionais são autorrevogáveis e ultrativas. 
03. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) João cometeu um crime para o qual a lei vigente na época do fato 
previa pena de reclusão. Posteriormente, lei nova estabeleceu somente a sanção pecuniária para o delito cometido por João. Nesse 
caso,
a) a aplicação da lei nova depende da expressa concordância do Ministério Público. 
b) aplica-se a lei nova somente se a sentença condenatória ainda não tiver transitado em julgado. 
c) não se aplica a lei nova, em razão do princípio da irretroatividade das leis penais. 
d) aplica-se a lei nova, mesmo que a sentença condenatória já tiver transitado em julgado.
e) a aplicação da lei nova, se tiver havido condenação, depende do reconhecimento do bom comportamento carcerário do 
condenado. 
04. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) José, brasileiro, cometeu crime de peculato, apropriando- se de 
valores da embaixada brasileira no Japão, onde trabalhava como funcionário público. Em tal situação,
a) somente se aplica a lei brasileira se José não tiver sido absolvido no Japão, por sentença definitiva
b) somente se aplica a lei brasileira se José não tiver sido processado pelo mesmo fato no Japão. 
c) aplica-se a lei brasileira, independentemente da existência de processo no Japão e de entrada do agente no território nacional. 
d) a aplicação da lei brasileira, independe da existência de processo no Japão, mas está condicionada à entrada do agente no 
território nacional.
e) aplica-se a lei brasileira, somente se for mais favorável ao agente do que a lei japonesa.
05. (Procurador – TCE/RO – FCC – 2010) No tocante à aplicação da lei penal,
a) a lei brasileira adotou a teoria da ubiquidade quanto ao lugar do crime.
b) a lei penal mais grave não se aplica ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da 
continuidade ou da permanência, segundo entendimento sumulado do Supremo Tribunal Federal. 
c) a lei brasileira adotou a teoria do resultado quanto ao tempo do crime. 
d) o dia do fim inclui-se no cômputo do prazo, contando- se os meses e anos pelo calendário comum, desprezados os dias. 
e) compete ao juízo da causa a aplicação da lei mais benigna, ainda que transitada em julgado a sentença condenatória, segundo 
entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça. 
06. (Analista de Promotoria – MP/SP – VUNESP – 2010) Considere que um indivíduo, de nacionalidade chilena, em território 
argentino, contamine a água potável que será utilizada para distribuição no Brasil e Paraguai. Considere, ainda, que neste último 
país, em razão da contaminação, ocorre a morte de um cidadão paraguaio, sendo que no Brasil é vitimado, apenas, um equatoriano.
De acordo com a regra do art. 6.º, do nosso Código Penal (“lugar do crime”), considera-se o crime praticado
a) na Argentina, apenas.
b) no Brasil e no Paraguai, apenas.
c) no Chile e na Argentina, apenas.
d) na Argentina, no Brasil e no Paraguai, apenas.
e) no Chile, na Argentina, no Paraguai, no Brasil e no Equador.
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RESUMO DE CONCURSOS 
07. (Magistratura – TJ/SP – VUNESP – 2009) A norma inserida no art. 7.º, inciso II, alínea “b”, do Código Penal - Ficam 
sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro (...) os crimes (...) praticados por brasileiro - encerra o princípio
a) da universalidade ou da justiça mundial.
b) da territorialidade.
c) da nacionalidade ou da personalidade ativa.
d) real, de defesa ou da proteção de interesses.
08. (Magistratura – TJ /GO – FCC – 2009) Pela regra da consunção,
a) a norma especial afasta a geral. 
b) é admissível a combinação de normas favoráveis ao agente.
c) a norma incriminadora de fato que constitui meio necessário para a prática de outro crime fica excluída pela que tipifica a 
conduta final. 
d) a norma subsidiária é excluída pela principal. 
e) o concurso material prevalece ao formal, se favorável ao agente. 
09. (Analista Judiciário – TER /AP – FCC – 2006) Considerando os princípios que regulam a aplicação da lei penal no tempo, 
pode-se afirmar que 
a) não se aplica a lei nova, mesmo que favoreça o agente de outraforma, caso se esteja procedendo à execução da sentença, em 
razão da imutabilidade da coisa julgada.
b) pela abolitio criminis se fazem desaparecer o delito e todos os seus reflexos penais, permanecendo apenas os civis.
c) em regra, nas chamadas leis penais em branco com caráter excepcional ou temporário, revogada ou alterada a norma 
complementar, desaparecerá o crime.
d) a lei excepcional ou temporária embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, 
não se aplica ao fato praticado durante a sua vigência.
e) permanecendo na lei nova a definição do crime, mas aumentadas suas conseqüências penais, esta norma será aplicada ao autor 
do fato 
10. (Procurador do Estado – PGE/PE – CESPE – 2009) A respeito da aplicação da lei penal, assinale a opção correta. 
a) Quanto ao momento em que o crime é considerado praticado, a lei penal brasileira adotou expressamente a teoria da ubiquidade, 
desprezando a teoria da atividade. 
b) Com relação ao lugar em que o crime é considerado praticado, a lei penal brasileira adotou expressamente a teoria da atividade, 
desprezando a teoria da ubiquidade. 
c) Aplica-se a lei penal brasileira a crimes praticados contra a vida ou a liberdade do presidente da República, mesmo que o crime 
tenha ocorrido em outro país. 
d) Os agentes diplomáticos são imunes à lei civil do Brasil, mas não à lei penal. 
e) Os parlamentares não podem ser processados civilmente pelas opiniões que emitem no exercício de seus mandatos, mas estão 
sujeitos à sanção penal no caso de incorrerem em crime contra a honra.
GABARITO
01 D
02 A
03 D
04 C
05 A
06 D
07 C
08 C
09 B
10 C
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RESUMO DE CONCURSOS 
3. DO CRIME
Crime é a ação ou omissão, imputável a pessoa, lesiva ou perigosa a interesse penalmente protegido, constituída de determinados 
elementos e eventualmente integrada por certas condições ou acompanhada de determinadas circunstâncias previstas em lei. É a 
violação de um bem penalmente protegido. Crime também pode ser conceituado como um fato típico e antijurídico. A culpabilidade 
constitui pressuposto da pena.
Para que haja crime, é preciso uma conduta humana positiva ou negativa. Nem todo comportamento do homem, porém, constitui 
delito, em face do princípio da reserva legal. Logo, somente aqueles previstos na lei penal é que podem configurar o delito.
Pode-se dizer, portanto, que o primeiro requisito do crime é o fato típico (previsto em lei). Contudo, não basta que o fato seja 
típico, é preciso que seja contrário ao direito: antijurídico. Isto porque, embora o fato seja típico, algumas vezes é considerado lícito 
(Exemplo: Legítima defesa). Logo, excluída a antijuridicidade, não há crime.
O tipo é o modelo descritivo da conduta contido na lei. O tipo legal é composto de elementares e circunstâncias.
Elementar: Vem de elemento, que é todo componente essencial do tipo sem o qual este desaparece ou se transforma em outra 
figura típica.
Justamente por serem essenciais, os elementos estão sempre no caput (cabeça) do tipo incriminador (texto da lei penal), por isso 
o caput é chamado de tipo fundamental. (Exemplo: art. 121 matar alguém Matar é elementar do tipo) 
Circunstância: É aquilo que não integra a essência, ou seja, se for retirado, o tipo não deixa de existir. As circunstâncias estão 
dispostas em parágrafos (exemplo: qualificadoras, privilégios etc.), não servindo para compor a essência do crime, mas sim para 
influir na pena.
O crime será mais ou menos grave em decorrência da circunstância, entretanto será sempre o mesmo crime (Exemplo: furto 
durante o sono noturno; o sono é circunstância, tendo em vista que, se não houver, ainda assim existirá o furto).
Espécies de Elemento
1) Elementos objetivos ou descritivos: são aqueles cujo significado depende de mera observação. Para saber o que quer dizer 
um elemento objetivo, o sujeito não precisa fazer interpretação. Todos os verbos do tipo constituem elementos objetivos (exemplo: 
matar, falsificar etc.). São aqueles que independem de juízo de valor, existem concretamente no mundo (exemplo: mulher, coisa 
móvel, filho etc.). Se um tipo penal possui somente elementos objetivos, ele oferece segurança máxima ao cidadão, visto que, 
qualquer que seja o aplicador da lei, a interpretação será a mesma. São chamados de tipo normal, pois é normal o tipo penal que 
ofereça segurança máxima;
2) Elementos subjetivos: compõem-se da finalidade especial do agente exigida pelo tipo penal. Determinados tipos não se 
satisfazem com a mera vontade de realizar o verbo. Existirá elemento de ordem subjetiva sempre que houver no tipo as expressões 
“com a finalidade de”, “para o fim de” etc. (ex.: rapto com fim libidinoso etc.). O elemento subjetivo será sempre essa finalidade 
especial que a lei exige. Não confundir o elemento subjetivo do tipo com o elemento subjetivo do injusto, que é a consciência do 
caráter inadequado do fato, a consciência da ilicitude;
3) Elementos normativos: É exatamente o oposto do elemento objetivo. É aquele que depende de interpretação para se extrair 
o significado, ou seja, é necessário um juízo de valor sobre o elemento. São elementos que trazem possibilidade de interpretações 
equívocas, divergentes, oferecendo um certo grau de insegurança. São chamados de tipos anormais porque possuem grau de incerteza, 
insegurança.
Existem duas espécies de elementos normativos:
•	 Elemento normativo jurídico: É aquele que depende de interpretação jurídica (exemplo: funcionário público, documento 
etc. Todos esses vêm definidos na lei);
•	 Elemento normativo extrajurídico ou moral: É aquele que depende de interpretação não jurídica (ex.: mulher “honesta”).
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. 
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. 
No campo penal, a doutrina aponta três teorias a respeito da relação de causalidade:
a) Da equivalência das condições ou equivalência dos antecedente ou conditio sine que non: Segundo a qual quaisquer 
das condutas que compõem a totalidade dos antecedentes é causa do resultado, como, por exemplo, a venda lícita da arma pelo 
comerciante que não tinha idéia do propósito homicida do criminoso comprador. Contudo, recebe críticas por permitir o regresso ao 
infinito já que, em última análise, até mesmo o inventor da arma seria causador do evento, visto que, se arma não existisse, tiros não 
haveria;
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
b) Da causalidade adequada: Considera causa do evento apenas a ação ou omissão do agente apta e idônea a gerar o resultado. 
Segundo o que dispõe essa corrente, a venda lícita da arma pelo comerciante não é considerada causa do resultado morte que o 
comprador produzir, pois vender licitamente a arma, por si só, não é conduta suficiente a gerar a morte. 
c) Da imputação objetiva: Pela qual, para que uma conduta seja considerada causa do resultado é preciso que: 1) o agente tenha, 
com sua ação ou omissão, criado, realmente, um risco não tolerado nem permitido ao bem jurídico; ou 2) que o resultado não fosse 
ocorrer de qualquer forma, ou; 3) que a vítima não tenha contribuído com sua atitude irresponsável ou dado seu consentimento para 
o ocorrência do resultado.
A teoria adotada pelo Código Penal: “O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu 
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.”
Ao dispor que causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, nota-se que Código adotou a teoria da 
equivalência das condições ou conditio sine qua non.
Para se aferir se determinada conduta é causa ou não de um resultado, deve-se fazer o juízo hipotético de eliminação, que 
consiste na supressão mental de determinada ação ou omissão dentro de toda a cadeia de condutas presentes no contexto do crime. Se, 
eliminada, o resultado desaparecer, pode-seafirmar que aquela conduta é causa. Caso contrário, ou seja, se a despeito de suprimida, 
o resultado ainda assim existir, não será considerada conduta.
Atente-se para o fato de que ser causa do resultado não é bastante para ensejar a responsabilização penal. É preciso, ainda, 
verificar se a conduta do agente considerada causa do resultado foi praticada mediante dolo ou culpa, pois nosso Direito Penal não se 
coaduna com a responsabilidade objetiva, isto é, aquela que se contenta com a demonstração do nexo de causalidade, sem levar em 
conta o elemento subjetivo da conduta.
Portanto, dizer que alguém causou o resultado não basta para ensejar a responsabilidade penal. É mister ainda que esteja presente 
o elemento subjetivo (dolo ou culpa) nessa conduta que foi causa do evento.
O art. 13 caput aplica-se, exclusivamente, aos crimes materiais porque, ao dizer “o resultado, de que depende a existência do 
crime”, refere-se ao resultado naturalístico da infração penal (aquele que é perceptível aos sentidos do homem e não apenas ao mundo 
jurídico), e a única modalidade de crime que depende da ocorrência do resultado naturalístico para se consumar (existir) é o material, 
como por exemplo; o homicídio (121 CP), em que a morte da vítima é o resultado naturalístico.
Aos crimes formais (exemplo; concussão - 316 CP) e os de mera conduta (exemplo; violação de domicílio - 150 CP), o art. 13 
caput não tem incidência, pois prescindem da ocorrência do resultado naturalístico para existirem. 
SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA INDEPENDENTE
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, 
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. 
O primeiro parágrafo do art. 13 nos diz que: «a superveniência de causa independente exclui a imputação quando, por si só, 
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou”. Admite, o referido mandamento legal, a 
interrupção do nexo causal entre a conduta do agente e o resultado, sob determinadas hipótese, quais sejam:
a) a causa que produza o resultado seja superveniente à conduta do agente, isto é, ocorra depois de sua ação;
b) que a causa superveniente seja relativamente independente da conduta do agente, isto é, mantenha relação com a conduta 
inaugurada pelo autor;
c) que a causa superveniente independente produza o resultado por si só, isto é, seja causa bastante para a produção do resultado.
Exemplo: Telma ministra veneno mortal a Clarice, que, socorrida por uma equipe de médicos e enfermeiros, vem a morrer, 
poucos minutos após a ingestão da substância, em função de acidente sofrido pela ambulância a caminho do hospital.
Encontram-se aqui todas as características elencadas acima:
a) o acidente com a ambulância que transportava Clarice ocorreu após a ingestão do veneno ministrado por Telma (superveniência);
b) o acidente não teria acontecido se Clarice não tivesse sido envenenada por Telma (independência relativa);
c) as lesões causadas pelo acidente foram determinantes para a morte de Clarice (“por si só”).
Dessa forma: Telma responderá pelos fatos que praticou, qual seja, tentativa de homicídio.
Não obstante, caso somente aplicássemos o caput do art. 13 ao caso em tela, Telma seria responsável pela morte de Clarice uma 
vez que, eliminando-se o envenenamento, o acidente da ambulância, que provocou a morte de Clarice, não teria ocorrido; logo é 
causa.
Contudo, vejamos outros exemplos:
a) Telma, mesmo sabendo ser Clarice é cardiopata, tendo certeza de que sua conduta não virá a provocar sua morte, aplica, em 
Clarice, um terrível susto, vindo esta a falecer vítima de um infarto fulminante;
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RESUMO DE CONCURSOS 
b) Telma, não sabendo ser Clarice cardiopata, ministra-lhe remédio para descongestionar-lhe as vias respiratórias, porém acelera-
lhe o batimento cardíaco e Clarice vem a sofrer um infarto fulminante;
c) Telma, sabendo ser Clarice cardiopata e desejando o resultado morte, a expõe, deliberadamente, a situação de alta tensão 
emocional (criada por ela mesma, Telma), vindo Clarice a sofrer um infarto fulminante.
Para cada uma dessas situações, teríamos uma situação jurídico-penal distinta para Telma. No primeiro exemplo, a conduta de 
Telma poderia ser tipificada como homicídio culposo; no segundo caso, não haverá crime; na terceira hipótese, haveria homicídio 
doloso. 
Note-se que em todas as soluções apresentadas, o simples estabelecimento do nexo de causalidade entre a conduta de Telma e 
o resultado “morte de Clarice” não são suficientes para resolvermos o problema. Há de se analisar, como estabelece a doutrina, os 
demais elementos do fato típico (além do nexo de causalidade e do resultado morte).
Cabe ainda analisarmos se a conduta humana é dolosa ou culposa e, também, a subsunção do fato à norma penal incriminadora 
- tipicidade.
Voltemos aos nossos exemplos: no primeiro caso, Telma agiu com culpa consciente (o agente esperava levianamente que o 
resultado não ocorresse); no segundo não houve dolo nem culpa na conduta de Telam, sendo, portanto, o fato atípico; na terceira 
houve dolo, com consciência e voluntariedade no preparo da situação que causou o resultado morte.
Não restam dúvidas que soluções apoiadas exclusivamente no estabelecimento de um nexo de causalidade objetivo entre conduta 
e resultado e na simples existência do próprio resultado, que são características necessárias, mas não suficientes, para se construir 
o fato típico, cometem grave erro no que diz respeito a sua formação completa. Dada a superação da Teoria Causal da conduta 
humana e da Responsabilidade Penal Objetiva, não poderíamos aceitar, em nenhuma das três hipóteses acima colocadas, o mesmo 
desfecho jurídico-penal para Telma. Outrossim, além do fato típico, também a antijuridicidade e a culpabilidade são requisitos para 
a existência do crime, estendendo-se, então, a análise para conceitos como a ilicitude do fato e sua reprovabilidade social. 
RELEVÂNCIA DA OMISSÃO
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. 
O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
Da mesma forma que ação, em Direito Penal, não significa “fazer algo”, mas fazer o que o ordenamento jurídico proíbe, a 
omissão não é um “não fazer”, mas não fazer o que o ordenamento jurídico obriga.
Omissão relevante para o Direito Penal é o não cumprimento de um dever jurídico de agir em circunstâncias tais que o omitente 
tinha a possibilidade física ou material de realizar a atividade devida.
Conseqüentemente, a omissão passa a ter existência jurídica desde que preencha os seguintes pressupostos:
	Dever jurídico que impõe uma obrigação de agir ou uma obrigação de evitar um resultado proibido;
	Possibilidade física, ou material, de agir.
O primeiro pressuposto (dever jurídico de agir ou de evitar um resultado lesivo) exige o conhecimento dos meios pelos quais o 
ordenamento jurídico pode impor às pessoas a obrigação de não se omitir, em determinadas circunstâncias.
Em segundo lugar, o dever jurídico pode ser imposto ao garantidor, ou seja, a pessoas que, pela sua peculiar posição diante do 
bem jurídico, recebem ou assumem a obrigação de assegurar sua conservação. A posição de garantidor requer essencialmente que o 
sujeito esteja encarregado da proteção ou custódia do bem jurídico que aparece lesionado ou ameaçado de agressão. 
O essencial para compreender a posição de garantidor é o reconhecimento de que determinadas pessoas estabelecem um vínculo, 
uma relação especial com o bem jurídico, criando no ordenamento a expectativa de que o protegerá de eventuais danos. O Direito, 
então, espera a sua ação de garantia. Se não cumprir esse dever, será imputado por omissão imprópria.
No Código Penal,esta regra está no artigo 13,§ 2º: a posição de garantidor pode emanar de:
a) dever legal; Imposto pela lei.
b) aceitação voluntária, Ou seja, quando o sujeito livremente a assume, tal como acontece, por exemplo, nos casos de contrato;
c) ingerência, Quando o sujeito, por sua conduta precedente, cria a situação de perigo para o bem jurídico.
Art. 14 - Diz-se o crime: 
CRIME CONSUMADO 
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
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RESUMO DE CONCURSOS 
TENTATIVA 
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do 
agente. 
PENA DE TENTATIVA
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao 
crime consumado, diminuída de um a dois terços. 
Tentativa é a execução iniciada de um crime, que não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente; seus elementos 
são o início da execução e a não-consumação por circunstâncias alheias à vontade.
Quando o processo executório é interrompido por circunstâncias alheias à vontade do agente, fala-se em tentativa imperfeita ou 
tentativa propriamente dita; quando a fase de execução é integralmente realizada pelo agente, mas o resultado não se verifica por 
circunstâncias alheias à sua vontade, diz-se que há tentativa perfeita ou crime falho.
São infrações que não admitem tentativa:
a) os crimes culposos;
b) os preterdolosos;
c) as contravenções;
d) os omissivos próprios;
e) os unissubsistentes;
f) os crimes habituais;
g) os crime que a lei pune somente quando ocorre o resultado, como a participação em suicídio;
h) os permanentes de forma exclusivamente omissiva;
i) os crimes de atentado.
Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços; a diminuição de uma a dois 
terços não decorre da culpabilidade do agente, mas da própria gravidade do fato constitutivo da tentativa; quanto mais o sujeito se 
aproxima da consumação, menor deve ser a diminuição da pena (1/3); quando menos ele se aproxima da consumação, maior deve 
ser a atenuação (2/3).
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado 
se produza, só responde pelos atos já praticados. 
ARREPENDIMENTO POSTERIOR
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída 
a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida 
de um a dois terços. 
CRIME IMPOSSÍVEL 
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade 
do objeto, é impossível consumar-se o crime. 
A desistência voluntária consiste numa abstenção de atividade: o sujeito cessa o seu comportamento delituoso; assim, só ocorre 
antes de o agente esgotar o processo executivo.
Arrependimento eficaz tem lugar quando o agente, tendo já ultimado o processo de execução do crime, desenvolve nova atividade 
impedindo a produção do resultado.
Quanto ao arrependimento posterior, nos termos do artigo 16 do Código Penal, nos crimes cometidos sem violência ou grave 
ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a 
pena será reduzida de um a dois terços.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Crime impossível é também chamado de quase-crime; tem disciplina jurídica contida no artigo 17 do Código Penal, segundo 
o qual “não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível 
consumar-se o crime”; há dois casos de crime impossível:
a) por ineficácia absoluta do meio;
b) por impropriedade absoluta do objeto.
Dá-se o primeiro quando o meio empregado pelo agente, pela sua própria natureza, é absolutamente incapaz de produzir o evento; 
exemplo: o agente, pretendendo matar a vítima mediante propinação de veneno, ministra açúcar em sua alimentação, supondo-o 
arsênico; dá-se o segundo caso quando inexiste o objeto material sobre o qual deveria recair a conduta, ou quando, pela situação ou 
condição, torna impossível a produção do resultado visado pelo agente; nos dois casos não há tentativa por ausência de tipicidade; 
para que ocorra o crime impossível, é preciso que a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto sejam absolutas; se forem 
relativas, haverá tentativa.
Art. 18 - Diz-se o crime: 
CRIME DOLOSO
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; 
CRIME CULPOSO
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como 
crime, senão quando o pratica dolosamente. 
Dolo é a vontade livre e consciente de praticar a conduta descrita no tipo (lei penal incriminadora). Para o Código Penal, o crime 
é doloso quando o agente quis o resultado ou quando assumiu o risco de produzí-lo. Quando quis o resultado, estamos falando de 
dolo direto. Quando assumiu o risco, é o dolo indireto, que pode ser eventual ou alternativo.
O dolo direto é simples de entender: o agente quer o resultado, tem a vontade, a intenção de produzir o resultado.
Já o dolo indireto se divide em dolo eventual, que ocorre quando o agente assume o risco de produzir o resultado; e em dolo 
alternativo, quando o agente visa a um ou outro resultado (matar ou ferir por exemplo).
Então o crime doloso é aquele em que o agente quer produzir um resultado e age de forma a produzir tal resultado (ex. quer matar 
uma pessoa, então pega uma arma, aponta para referida pessoa e aperta o gatilho, efetuando disparos buscando a morte da vítima).
No caso do dolo eventual, seria o caso de alguém que coloque fogo em outro, por “brincadeira”, jogando combustível em todo 
o corpo da vítima. Caso a pessoa venha a morrer queimada, o agente responderá por crime doloso, pois ao colocar fogo em todo o 
corpo de uma pessoa, assumiu o risco de matá-la.
Na culpa, a finalidade da conduta quase sempre é lícita, mas há uma não observância do dever de cuidado por parte do agente, 
causando o resultado. Neste caso, o agente não quer produzir o resultado, mas por um descuidado, o produz.
São três as modalidades de culpa: a imprudência (prática de um ato perigoso, ex. correr com o carro em via pública cheia de 
pessoas), a negligência (falta de cuidados, falta de precaução, ex. deixar o agente sua arma municiada em cima da mesa em local com 
crianças) e a imperícia (ausência de aptidão técnica, teórica ou prática).
AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado 
ao menos culposamente. 
É um delito qualificado pelo resultado que se caracteriza por uma especial combinação de dolo e negligência. O delito fundamental 
doloso é por si só susceptível de punição, no entanto a pena é substancialmente elevada com base numa especial censurabilidade do 
agente, uma vez que o perigo específico que envolve esse comportamento se concretiza num resultado agravante negligente.
As condutas previstas por este tipo legal são as que correspondem ao preenchimento dos tipos legais de lesões à integridade física 
simples e de lesões à integridade física graves. O comportamento lesivo da integridade física tanto se pode traduzir numa ação, como 
numa omissão; ponto é, que nesta última hipótese, recaía sobre o agente um dever jurídico de garante.
A lesão da integridade física tem que ter sido praticada a título doloso (o dolo eventual é suficiente). Em relação ao resultado 
morte deve o agente ter atuado pelo menos com negligência. A questão que se coloca é a de saber se o evento agravante pode ter sido 
dolosamente produzido. Embora genericamente esta combinação crime fundamental doloso-evento agravante doloso possa ser uma 
possibilidade de acordo com a regra geral do art. 18CP, a solução mais acertada neste caso consiste em proceder à punição do agente 
de acordo com as normas do concurso legal ou aparente de crimes, vale dizer, por homicídio doloso consumado.
15
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição 
por crime culposo, se previsto em lei. 
DESCRIMINANTES PUTATIVAS
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de 
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e 
o fato é punível como crime culposo. 
ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO 
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 
ERRO SOBRE A PESSOA
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, 
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria 
praticar o crime. 
Erro de Tipo é o que incide sobre as elementares ou circunstâncias da figura típica, sobre os pressupostos de fato de uma causa de 
justificação ou dados secundários da norma penal incriminadora; é o que faz o sujeito supor a ausência de elemento ou circunstância 
da figura típica incriminadora ou a presença de requisitos da norma permissiva; ex: sujeito dispara um tiro de revólver no que supõe 
seja uma animal bravio, vindo a matar um homem; o erro de tipo pode ser essencial e acidental.
O erro de tipo exclui sempre o dolo, seja evitável ou inevitável; como o dolo é elemento do tipo, a sua presença exclui a tipicidade 
do fato doloso, podendo o sujeito responder por crime culposo, desde que seja típica a modalidade culposa.
O erro de tipo essencial ocorre quando a falsa percepção impede o sujeito de compreender a natureza criminosa do fato; recai 
sobre os elementos ou circunstâncias do tipo penal ou sobre os pressupostos de fato de uma excludente da ilicitude; apresenta-se sob 
2 formas:
a) erro invencível ou escusável (quando não pode ser evitado pela norma diligência);
b) erro vencível ou inescusável (quando pode ser evitado pela diligência ordinária, resultando de imprudência ou negligência.
As descriminantes putativas ocorrem quando o sujeito, levado a erro pelas circunstâncias do caso concreto, supõe agir em face de 
uma causa excludente de ilicitude; é possível que o sujeito, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, suponha encontrar-
se em face de estado de necessidade, de legítima defesa, de estrito cumprimento do dever legal ou do exercício regular de direito; 
quando isso ocorre, aplica-se o disposto no artigo 20, § 1º, 1ª parte, do Código Penal, segundo o qual é isento de pena quem, por erro 
plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima; surgem as denominadas 
eximentes putativas ou causas putativas de exclusão da antijuricidade.
No caso de erro provocado por terceiro, responde pelo crime o terceiro que determina o erro (artigo 20, § 2º); o erro pode ser 
espontâneo e provocado; há a forma espontânea quando o sujeito incide em erro sem a participação provocadora de terceiro; existe o 
erro provocado quando o sujeito a ele é induzido por conduta de terceiro; a provocação poder ser dolosa ou culposa; há provocação 
dolosa quando o erro é preordenado pelo terceiro, isto é, o terceiro conscientemente induz o sujeito a incidir em erro; o provocador 
responde pelo crime a título de dolo; existe determinação culposa quando o terceiro age com imprudência, negligência ou imperícia.
Erro acidental é o que não versa sobre os elementos ou circunstâncias do crime, incidindo sobre dados acidentais do delito ou 
sobre a conduta de sua execução; não impede o sujeito de compreender o caráter ilícito de seu comportamento; o erro acidental 
não exclui o dolo; são casos de erro acidental: o erro sobre o objeto; sobre pessoa; na execução; resultado diverso do pretendido 
(aberratio criminis).
Erro sobre objeto (error in objecto) ocorre quando o sujeito supõe que sua conduta recai sobre determinada coisa, sendo que na 
realidade incide sobre outra; é o caso do sujeito subtrair açúcar supondo tratar-se de farinha.
Erro sobre pessoa (error in persona) ocorre quando há erro de representação, em face do qual o sujeito atinge uma pessoa 
supondo tratar-se da que pretendia ofender; ele pretende atingir certa pessoa, vindo a ofender outra inocente pensando tratar-se da 
primeira.
Erro na execução (aberratio ictus) ocorre quando o sujeito, pretendendo atingir uma pessoa, vem a ofender outra; há disparidade 
entre a relação de causalidade pretendida pelo agente e o nexo causal realmente produzido; ele pretende que em conseqüência de seu 
comportamento se produza um resultado contra Antônio; realiza a conduta e causa evento contra Pedro.
Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) significa desvio do crime; há erro na execução do tipo; o agente quer atingir 
um bem jurídico e ofende outro (de espécie diversa).
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RESUMO DE CONCURSOS 
ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta 
de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da 
ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. 
Dispõe o artigo 21, em sua primeira parte: “O desconhecimento da lei é inescusável.” O legislador refere-se apenas ao 
“desconhecimento da lei” e não sobre a errada compreensão da lei, como no art. 16. Ignorância é o completo desconhecimento a 
respeito da realidade. O erro é o conhecimento falso, equivocado, a respeito dessa realidade. Embora a palavra desconhecer possa ser 
interpretada também como um falso conhecimento, é visível o intuito do legislador em distinguir a mera ausência de conhecimento 
da lei, inescusável, do erro de proibição, que pode ser escusável. O agente supõe ser lícito seu comportamento, porque desconhece 
a existência da lei penal que o proíba.
Trata-se do princípio ignorantia legis neminem excusat: promulgada e publicada uma lei, torna-se ela obrigatória em relação à 
todos, não sendo pensável que, dentro do mesmo estado, as leis possam ter validade em relação a uns e não em relação a outros que 
eventualmente a ignorem. Não pode escusar-se o agente com a simples alegação formal de que não sabia haver uma lei estabelecendo 
punição para o fato praticado. A segunda parte do artigo 21 refere-se ao erro de proibição, que exclui a culpabilidade do agente pela 
ausência e impossibilidade de conhecimento da antijuridicidade do fato. Não foram incluídos na disposição o desconhecimento 
da lei, tido como não relevante, e o erro sobre os pressupostos fáticos das descriminantes (descriminantes putativas), objeto de 
dispositivo diverso. 
A culpabilidade não é elemento do crime, não integra o conceito de crime. A culpabilidade, também chamada de juízo de 
reprovação, é a possibilidade de se declarar culpado o autor de um fato típico e ilícito, ou seja, é a responsabilização de alguém pela 
prática de uma infração penal.
O pressuposto para se analisar a culpabilidade é que já exista o crime, no entanto, o agente da infração penal não responderá pelo 
crime que cometeu. Atualmente, os requisitos para a culpabilidade são: a imputabilidade, a consciência da ilicitude e a exigibilidade 
de conduta diversa.
Excluem a culpabilidade; 
a) erro de proibição (21, caput);
b) coação moral irresistível (22, 1ª parte);
c) obediência hierárquica (22, 2ª parte);
d) inimputabilidade por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (26, caput);
e) inimputabilidade por menoridade penal (27);
COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA 
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamenteilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. 
1) Coação física irresistível: Coação física é o emprego de força física para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa.
Ex: O sujeito mediante força bruta, impede que o guarda ferroviário combine os binários e impeça uma colisão de trens.
Quando o sujeito pratica o fato sob coação física irresistível, significa que não está agindo com liberdade psíquica. Não há a 
vontade integrante da conduta, que é o primeiro elemento do fato típico. Então não há crime por ausência de conduta. A coação que 
exclui a culpabilidade é a moral. Tratando-se de coação física, o problema não é de culpabilidade, mas sim de fato típico, que não 
existe em relação ao coato por ausência de conduta voluntária.
2) Coação moral irresistível: Coação moral é o emprego de grave ameaça para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. 
Moral não é física. Atua na cabeça, na vontade do sujeito.
Ex: O sujeito constrange a vítima sob ameaça de morte, a assinar um documento falso.
Quando o sujeito comete o fato típico e antijurídico sob coação moral irresistível não há culpabilidade em face da inexigibilidade 
de conduta diversa. A culpabilidade desloca-se da figura do coato para a do coator.
A coação moral deve ser irresistível. Tratando-se de coação moral resistível não há exclusão da culpabilidade, incidindo uma 
circunstância atenuante. 
São necessários os seguintes elementos:
	Existência de um coator – responderá pelo crime
	 Irresistível : Não tem como resistir.
	Proporcionalidade : Proporção entre os bens jurídicos.
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RESUMO DE CONCURSOS 
3) Obediência hierárquica: Relação de direito público. Subordinação pública. Ordem de superior hierárquico é a manifestação 
de vontade de um titular de função pública a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de que realize uma conduta positiva 
ou negativa.
Se a ordem é legal, nenhum crime comete o subordinado (e nem o superior), uma vez que se encontram no estrito cumprimento 
de dever legal. Quando a ordem é ilegal, respondem pelo crime o superior e o subordinado.
EX: O soldado receber uma ordem do delegado para torturar o preso. Não é aceitável, pois é ilegal.
São necessários os seguintes elementos:
	Obediência às formalidades legais.
	Não manifestamente ilegal (Ex. Tortura, matar)
	Obediência estrita.
EXCLUSÃO DE ILICITUDE
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
 
Estrito Cumprimento do Dever Legal: É o dever emanado da lei ou de respectivo regulamento. O agente atua em cumprimento 
de um dever emanado de um poder genérico, abstrato e impessoal. Se houver abuso, não há a excludente, ou seja, o cumprimento 
deve ser estrito. Exemplo, soldado mata assaltante que faz jovem de refém, por ordem de seu superior hierárquico.
Exercício Regular do Direito
O exercício de um direito não configura fato ilícito. Exceto se a pretexto de exercer um direito, houver intuito de prejudicar 
terceiro. Exemplos:
a) Lesões esportivas: Pela doutrina tradicional, a violência desportiva é exercício regular do direito, desde que a violência seja 
praticada nos limites do esporte. 
b) Intervenções cirúrgicas: Amputações, extração de órgão etc. constituem exercício regular da profissão do médico.
c) Consentimento do ofendido: Exemplo; não há invasão de domicílio se a “vítima” autorizou a entrada em sua casa. Requisitos:
•	 ser o bem jurídico disponível;
•	 que a vítima tenha 18 anos completos ou mais;
•	 ser o consentimento dado antes ou durante o fato;
•	 a consciência do agente de que houve consentimento.
EXCESSO PUNÍVEL 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso 
ou culposo. 
ESTADO DE NECESSIDADE
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, 
que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo 
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. 
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de 
um a dois terços. 
O estado de necessidade é uma causa de exclusão de ilicitude, encontra-se tipificado no art. 24 do CP. Consiste em uma conduta 
lesiva praticada para afastar uma situação de perigo. Não é qualquer situação de perigo que admite a conduta lesiva e não é qualquer 
conduta lesiva que pode ser praticada na situação de perigo. Existindo uma situação de perigo que ameace dois bens jurídicos, um 
deles terá que ser lesado para salvar o outro de maior valor. Requisitos para a existência do estado de necessidade:
•	 Perigo deve ser atual ou iminente, ou seja, deve estar acontecendo naquele momento ou prestes a acontecer. Quando, 
portanto, o perigo for remoto ou futuro, não há o estado de necessidade.
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RESUMO DE CONCURSOS 
•	 Perigo deve ameaçar um direito próprio ou um direito alheio.
•	 Perigo não pode ter sido criado voluntariamente. Quem dá causa a uma situação de perigo não pode invocar o estado de 
necessidade para afastá-la. Aquele que provocou o perigo com dolo não age com estado de necessidade porque tem o dever jurídico 
de impedir o resultado.
•	 Quem possui o dever legal de enfrentar o perigo não pode invocar o estado de necessidade. A pessoa que possui o dever legal 
de enfrentar o perigo deve afastar a situação de perigo sem lesar qualquer outro bem jurídico.
•	 Inevitabilidade do comportamento lesivo, ou seja, somente deverá ser sacrificado outro bem se não houver outra maneira 
de afastar a situação de perigo.
•	 É necessário existir proporcionalidade entre a gravidade do perigo que ameaça o bem jurídico do agente ou alheio e a 
gravidade da lesão causada pelo fato necessitado
LEGÍTIMA DEFESA
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele 
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
Requisitos da Legítima Defesa
•	 Agressão: é todo ataque praticado por pessoa humana. Se o ataque é comandado por animais irracionais, não é legítima 
defesa e sim estado de necessidade. 
•	 Atual ou iminente: atual é a agressão que está acontecendo e iminente é a que está prestes a acontecer. Não cabe legítima 
defesa contra agressão passada ou futura e também quando há promessa de agressão.
•	 A direito próprio ou de terceiro: é legítima defesa própria quando o sujeito está se defendendo e legítima defesa alheia 
quando o sujeito defende terceiro. Pode-se alegar legítima defesa alheia mesmo agredindo o próprio terceiro (ex.: em caso de 
suicídio, pode-se agredir o terceiro para salvá-lo).
•	 Meio necessário: é o meio menos lesivo colocado à disposição do agente no momento da agressão.
•	 Moderação: é o emprego do meio necessário dentro dos limites para conter a agressão. 
Antijuricidade é a contradição do fato, eventualmente adequado ao modelo legal, com a ordem jurídica, constituindo lesão de 
um interesse protegido.
A antijuricidade pode ser afastada por determinadas causas, as determinadas causas de exclusão de antijuricidade; quando isso 
ocorre, o fato permanece típico, mas não há crime, excluindo-se a ilicitude, e sendo ela requisito do crime, fica excluído o próprio 
delito; em conseqüência, o sujeito deve ser absolvido; são causas de exclusão de antijuricidade, previstas no artigo 23 do Código 
Penal: estado de necessidade; legítima defesa; estrito cumprimento de dever legal; exercício regular de direito.
Estado de necessidade é uma situação de perigo atual de interesses protegidos pelo direito, em que o agente, para salvar um bem 
próprio ou de terceiro, não tem outro meio senão o de lesar o interesse de outrem; perigo atual é o presente, que está acontecendo; 
iminente é o prestesa desencadear-se.
Legítima defesa, nos termos do artigo 25 do Código Penal, entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente os 
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Quanto ao estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito, determina o artigo 23, III, do Código Penal, que não 
há crime quando o sujeito pratica o fato em estrito cumprimento do dever legal; é causa de exclusão da antijuricidade; a excludente 
só ocorre quando há um dever imposto pelo direito objetivo; o artigo 23, III, parte final, determina que não há crime quando o 
agente pratica o fato no exercício regular de direito; desde que a conduta se enquadre no exercício de um direito, embora típica, não 
apresenta o caráter de antijurídica.
EXERCÍCIOS
01. (Procurador – TCE /AP – FCC – 2010) São crimes que se consumam no momento em que o resultado é produzido:
a) omissivos impróprios e materiais.
b) materiais e omissivos próprios. 
c) culposos e formais
d) de mera conduta e omissivos impróprios. 
e) permanentes e formais.
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RESUMO DE CONCURSOS 
02. (Procurador – TCE /AP – FCC- 2010) Nos crimes preterdolosos,
a) o agente prevê o resultado, mas espera que este não aconteça
b) o dolo do agente é subsequente ao resultado culposo. 
c) há maior intensidade de dolo por parte do agente.
d) o agente é punido a título de dolo e também de culpa.
e) o agente aceita, conscientemente, o risco de produzir o resultado. 
03. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2009) O art. 14, § único, do Código Penal dispõe que “salvo disposição em 
contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços”. O percentual de 
diminuição de pena a ser considerado levará em conta
a) a intensidade do dolo
b) o iter criminis percorrido pelo agente
c) a periculosidade do agente
d) a reincidência
e) os antecedentes do agente
04. (Procuradoria do Estado – PGE/CE – CESPE – 2008) Há crime quando o sujeito ativo pratica fato típico em função de 
a) estado de necessidade.
b) coação moral irresistível.
c) legítima defesa.
d) estrito cumprimento do dever legal.
e) exercício regular do direito.
05. (Analista do Ministério Público – MP/SE – FCC – 2009) Adotada a teoria finalista da ação, 
a) o dolo e a culpa integram a culpabilidade
b) a culpa integra a tipicidade e dolo a culpabilidade
c) o dolo integra a punibilidade e a culpa a culpabilidade
d) a culpa e o dolo integram a tipicidade
e) o dolo integra a tipicidade e a culpa a culpabilidade.
06. (Técnico do Ministério Público – MP – SE – FCC – 2009) Denomina-se crime complexo o que
a) exige que os agentes atuem uns contra os outros.
b) se enquadra num único tipo legal.
c) é formado pela fusão de dois ou mais tipos legais de crime.
d) exige a atuação de dois ou mais agentes
e) atinge mais de um bem jurídico. 
07. (Auditor Fiscal de Tributos Estaduais – SEFAZ/ PB – FCC – 2006) A coação irresistível e a obediência hierárquica são 
causas de exclusão 
a) culpabilidade
b) ilicitude
c) tipicidade
d) punibilidade
e) antijuridicidade
08. (Delegado de Polícia – PC – DF – NCE – UFRJ – 2005) Não ocorre nexo de causalidade nos crimes: 
a) mera conduta.
b) materiais.
c) omissivos impróprios.
d) comissivos por omissão.
e) de dano.
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RESUMO DE CONCURSOS 
09. (Analista Judiciário – TJ – SE – FCC – 2009) Quanto ao elemento moral, os crimes podem ser: 
a) comissivos e omissivos.
b) simples e complexos.
c) individuais e coletivos.
d) dolosos e culposos.
e) políticos e mistos.
10. (Ministério Público – MP /CE – FCC - 2008) Ainda que não encontre tipificação em excludente prevista em lei, a doutrina 
tem aceito a inexigibilidade de conduta diversa como causa supralegal de exclusão da 
a) antijuridicidade
b) culpabilidade
c) tipicidade
d) ilicitude
e) punibilidade
11. Assinale a alternativa CORRETA a respeito de tentativa e consumação do crime:
a) Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao consumado, diminuída de um a dois terços, portanto a pena do crime tentado 
é sempre menor que a do crime consumado.
b) Os crimes culposos não admitem tentativa, inclusive na omissão imprópria, assim como nos crimes unissubsistentes, que são 
aqueles que se realizam em um único ato.
c) Pode haver tentativa no crime preterdoloso ou preterintencional, porque nesta espécie de crime há dolo no antecedente e culpa 
no conseqüente.
d) A adequação típica de um crime tentado é de subordinação mediata, ampliada ou por extensão, já que a conduta humana nessa 
espécie de crime não se enquadra prontamente na lei penal incriminadora.
12. No que diz respeito aos crimes tentados não é correto afirmar:
a) não se admite a tentativa nos crimes culposos;
b) não se admite a tentativa nos crimes omissivos impróprios;
c) não se admite a tentativa nos crimes unissubsistentes;
d) não se admite a tentativa nas contravenções penais;
13. Se “A”, Delegado de Polícia, acatou ordem de “B”, seu superior hierárquico, para não instaurar inquérito contra determinado 
funcionário, amigo de “A”, acusado de falsidade documental,
a) “A” praticou o crime de prevaricação e “B” é inocente, já que não tinha atribuição para apurar o crime de falsidade.
b) só “B” praticou o crime de prevaricação, porque “A” obedeceu à ordem de seu superior hierárquico.
c) nenhum dos dois praticou o delito, porque a instauração de inquérito não é ato de ofício.
d) “A” e “B” praticaram o crime de prevaricação.
14. São elementos do crime, EXCETO a:
a) ação;
b) tipicidade;
c) ilicitude;
d) punibilidade.
15. (FUNDEP – TJ/MG - TÉCNICO JUDICIÁRIO – TÉCNICO JUDICIÁRIO - 2009) Quando o resultado do crime surge 
ao mesmo tempo em que se desenrola a conduta como no crime de injúria verbal, é CORRETO defini-lo como
a) crime de mera conduta.
b) crime impróprio.
c) crime formal.
d) crime material.
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RESUMO DE CONCURSOS 
16. (Agente penitenciário/BA – FCC – 2010) Se o agente, para a prática de estelionato, utiliza-se de documento falsificado de 
forma grosseira, inidôneo para iludir a vítima, caracteriza-se
a) crime impossível.
b) crime provocado.
c) erro sobre elementos do tipo.
d) crime putativo.
e) tentativa de crime.
17. (Procurador – BACEN – FCC – 2006) O resultado é prescindível para a consumação nos crimes
a) materiais e de mera conduta.
b) formais e materiais.
c) formais e materiais.
d) omissivos próprios e materiais
e) de mera conduta e formais
18. (Analista Judiciário – TER/PI – FCC – 2009) João, dirigindo uma motocicleta sem capacete, foi interceptado por um 
policial em serviço de trânsito, o qual lhe deu ordem para parar o veículo. João, no entanto, desobedecendo a ordem recebida, fugiu 
em alta velocidade. Cerca de uma hora depois, arrependeu-se de sua conduta e voltou ao local, submetendo-se à fiscalização. Nesse 
caso, em relação ao crime de desobediência, ocorreu 
a) tentativa
b) consumação
c) arrependimento eficaz
d) desistência voluntária
e) crime impossível.
19. (Defensoria Pública – DPE/MS – VUNESP – 2008) Admite a figura culposa o crime de 
a) dano 
b) corrupção ou poluição de água potável
c) infração de medida sanitária preventiva
d) excesso de exação
20. (Técnico Administrativo – MPE/AP – FCC – 2009) No tocante à culpa, considere: 
I. Conduta arriscada, caracterizada pela intempestividade, precipitação, insensatez ou imoderação. 
II. Falta de capacidade, despreparo ou insuficiência de conhecimentos técnicos para o exercício de arte, profissão ou ofício. 
III. Displicência, falta de precaução, indiferença do agente, que, podendo adotar as cautelas necessárias, não o faz. 
As situações descritas caracterizam, respectivamente, a
a) negligência, imprudência e imperícia.
b) imperícia, negligência e imprudência
c) imprudência, imperícia e negligência
d) imperícia, imprudência e negligência
e) negligência, imperícia e imprudência. 
21. (Ministério Público – MPE/PE – FCC – 2002) Na culpa consciente, o agente 
a) prevê o resultado, assumindo o risco de que venha a ocorrer.b) não prevê o resultado, que era previsível
c) prevê o resultado, mas espera sinceramente que não venha a ocorrer. 
d) não prevê o resultado, que é imprevisível
e) prevê e deseja que o resultado ocorra. 
22. (Magistratura – PR – FAE – 2008) A culpa que decorre de erro culposo sobre a legitimidade da ação realizada denomina-se: 
a) Culpa própria
b) Culpa imprópria
c) Culpa inconsciente
d) Culpa consciente
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
GABARITO
01 A
02 D
03 B
04 B
05 D
06 C
07 A
08 A
09 D
10 B
11 D
12 B
13 D
14 D
15 C
16 A
17 E
18 B
19 B
20 C
21 C
22 B
 ANOTAÇÕES
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
4. DA IMPUTABILIDADE PENAL
Imputabilidade penal é o conjunto de condições pessoas que dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente imputada 
a prática de um fato punível. O conceito de sujeito imputável é encontrado no artigo 26, caput, do Código Penal, que trata dos 
inimputáveis. Imputável é o sujeito mentalmente são e desenvolvido, capaz de entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de 
acordo com esse entendimento.
A inimputabilidade pode ser absoluta ou relativa.
Se for absoluta, isso significa que não importam as circunstâncias, o indivíduo definido como “inimputável” não poderá ser 
penalmente responsabilizado por seus atos.
Se a inimputabilidade for relativa, isso indica que o indivíduo pertencente a certas categorias definidas em lei poderá ou não 
ser penalmente responsabilizado por seus atos, dependendo da análise individual de cada caso na Justiça, segundo a avaliação da 
capacidade do acusado, as circunstâncias atenuantes ou agravantes, as peculiaridades do caso e as provas existentes.
TÍTULO III
DA IMPUTABILIDADE PENAL
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do 
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação 
de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Menores de dezoito anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas 
estabelecidas na legislação especial. 
Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: 
I - a emoção ou a paixão; 
A emoção é um estado emotivo agudo, de breve duração, ao passo que a paixão é um estado emotivo de caráter crônico, de 
duração prolongada.
Emoção: A ira momentânea, o medo a vergonha 
Paixão: O amor, a ambição e o ódio.
A emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal.
A emoção é momentânea, instantânea.
Paixão: É algo duradouro. Ódio é a mesma coisa que paixão, pois é também duradouro. Ex: O marido chega em casa e encontra 
a esposa com outro, comete um homicídio. Foi movido por forte emoção.
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força 
maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato 
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso 
fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender 
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Embriaguez é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou substancia de efeitos análogos, cujas conseqüências 
variam desde uma ligeira excitação até o estado de paralisia e coma. 
Voluntária: Dolo, com vontade.
Culposa: Não está acostumado, começa a beber e fica bêbado: Será considerado imputável, pois no momento da decisão de beber, 
optou pela bebida. Poderia ter evitado. Exceção: O bêbado que bebe há muito tempo (alcoolismo) doença mental. 
 
A embriaguez divide-se em :
a) Embriaguez não acidental: A embriaguez não acidental pode ser voluntária ou culposa.
Voluntária: Ocorre quando o individuo ingere substância tóxica, com o intuito de embriagar-se.
Culposa: Ocorre quando o individuo, que não queria se embriagar, ingere, por imprudência, álcool ou outra substancia de efeitos 
análogos em excesso, ficando embriagado.
A embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade, ainda que no momento do crime o embriagado esteja privado 
inteiramente de sua capacidade de entender ou de querer.
 
b) Embriaguez acidental: A embriaguez acidental somente exclui a culpabilidade se for completa e decorrente de caso fortuito 
ou força maior.
Exemplo de Força maior. Alguém obrigar outra pessoa a beber fisicamente.
Exemplo de caso fortuito: Tomar remédio e não ter sido avisado pelo médico que misturado com álcool seria potencializado pela 
mistura. Embriaguez involuntária.
 
c) Embriaguez patológica: Embriaguez patológica é a decorrente de enfermidade congênita existente, por exemplo, nos filhos 
de alcoólatras que se ingerirem quantidade irrisória de álcool ficam em estado de fúria incontrolável.
 
d) Embriaguez preordenada: Embriaguez preordenada ocorre quando o individuo, voluntariamente, se embriaga para criar 
coragem para cometer um crime. Não há exclusão de imputabilidade. O agente responde pelo crime, incidindo sobre a pena uma 
circunstancia agravante prevista no artigo 61, inciso II, alínea “a” CP.
 ANOTAÇÕES
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
5. DO CONCURSO DE PESSOAS
O concurso de pessoas, também denominado de concurso de agentes, concurso de delinqüentes (concursus delinquentium) ou 
co-delinqüência, implica na concorrência de duas ou mais pessoas para o cometimento de um ilícito penal.
Não há que se confundir o concursus delinquentium (concurso de pessoas) com o concursus delictorum (concurso de crimes) 
nem tampouco com o concursus normarum (concurso de normas penais). São três institutos penais totalmente distintos, muito 
embora possam vir a se relacionar.
O Código Penal Brasileiro não traz exatamente uma definição de concurso de pessoas, afirmando apenas no caput do art. 29 que“quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade”. Dispõe, ainda, 
que “se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço” (art. 29, § 1º), bem como que “se 
algum dos concorrentes quis participar de crime menos graves, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, 
na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave” (art. 29, § 2º).
Em nível doutrinário, tem-se definido o concurso de agentes como a reunião de duas ou mais pessoas, de forma consciente e 
voluntária, concorrendo ou colaborando para o cometimento de certa infração penal. Vejamos os elementos básicos do conceito de 
concurso de pessoas, caso inexista qualquer desses requisitos não há que se falar em concurso de pessoas:
A) PLURALIDADE DE AGENTES E DE CONDUTAS: A própria idéia de concurso é de pluralidade, portanto impossível falar 
em concurso de pessoas sem que exista coletividade (dois ou mais) de agentes e, conseqüentemente, de condutas.
B) RELEVÂNCIA CAUSAL DE CADA CONDUTA: Não basta a multiplicidade de agentes e condutas para que se tenha 
configurado o concurso de pessoas; necessário se faz que em meio a todas essas condutas seja possível vislumbrar nexo de causalidade 
entre elas e o resultado ocorrido. Diz-se, nesse sentido, que a conduta de cada autor ou partícipe deve concorrer objetivamente (ou 
seja, sob o ponto de vista causal) para a produção do resultado. Ou, ainda, que cada ação ou omissão humana (conduta) deve gozar 
de importância (relevância), à luz do encadeamento causal de eventos, para a verificação daquele crime, contribuindo objetivamente 
para tanto. Desse modo, condutas irrelevantes ou insignificantes para a existência do crime são desprezadas, não constituindo sequer 
participação criminosa; deve-se concluir, nesses casos, pela não concorrência do sujeito para a prática delitiva. Isso, porque, a 
participação exige mínimo de eficácia causal à realização da conduta típica criminosa.
C) LIAME SUBJETIVO OU NORMATIVO ENTRE AS PESSOAS: Necessário, também, que exista vínculo psicológico ou 
normativo entre os diversos “atores criminosos”, de maneira a fornecer uma idéia de todo, isto é, de unidade na empreitada delitiva. 
Exige-se, por conseguinte, que o sujeito manifeste, com a sua conduta, consciência e vontade de atuar em obra delitiva comum.
D) IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PENAL: Trata-se de identidade de infração para todos os participantes, não propriamente 
de um requisito, mas sim de verdadeira conseqüência jurídica diante das outras condições.
TÍTULO IV
DO CONCURSO DE PESSOAS
Regras comuns às penas privativas de liberdade 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida 
de sua culpabilidade. 
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. 
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; 
essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando 
elementares do crime. 
Circunstancias incomunicáveis: Circunstancias são dados, fatos, elementos ou peculiaridades que apenas circundam o fato 
sem integrar a figura típica, contribuindo, entretanto, para aumentar ou diminuir a sua gravidade. Podem ser objetivas e subjetivas. 
Objetivas são as que dizem respeito ao fato, a qualidade e condições da vitima ao tempo, lugar, modo e meio de execução do crime. 
Subjetivas as que se referem aos agentes, as suas qualidades, estado, parentesco, motivo do crime etc.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Elementares são dados, fatos, elementos e condições que integram determinadas figuras típicas, cuja supressão faz desaparecer 
ou modificar o crime, transformando-o em outra figura típica.
Tais circunstâncias e condições, quando não constituem elementares do crime, pertencem exclusivamente ao agente que as tem 
como atribuo logo, não se comunicam. Cada um responde pelo crime de acordo com sua circunstancias e condições pessoais.
Nos casos de constituírem circunstâncias elementares do crime principal, as condições e circunstancias de caráter pessoal, 
comunicam-se dos autores aos partícipes mas não dos partícipes aos autores por ser a participação acessória da autoria. 
Exemplo: A qualificação doutrinária o entende como um homicídio privilegiado, pois a mãe tem o “privilégio”, por estar passando 
por condições especiais, que a levam a matar o próprio filho. Se assim fosse, isto é, se o fato de matar o nascituro, sob influência 
do estado puerperal, fosse considerado homicídio privilegiado pela legislação, responderia a mãe por infanticídio e terceiro que 
participasse da conduta por homicídio simples.
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não 
são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. 
 ANOTAÇÕES
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
6. DAS PENAS
Toda norma jurídica se compõe de preceito e sanção, um interligado ao outro. Particularmente no Direito Penal, o preceito visa 
a um comando geral e abstrato, enquanto a sanção penal, igualmente imposta a todos os indivíduos (erga omnes), traz como base a 
supremacia estatal sobre todos, a fim de garantir a harmonia e a convivência social. 
Enfim, busca-se harmonia, tranqüilidade e pacificação social por meio do sancionamento penal daquele que transgrediu a 
norma, praticando condutas tipificadas previamente em lei.
A pena é a característica principal do Direito Penal, tratando-se de sanção personalíssima, aplicada em conformidade com a lei e 
proporcional ao delito, imposta pelo Estado a quem praticou o ilícito penal, deixando antever um fim retributivo e preventivo. 
6.1 DAS ESPÉCIES DE PENA
Art. 32 - As penas são: 
I - privativas de liberdade;
II - restritivas de direitos;
III - de multa.
I DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE
O CP, com as Leis nº 7209/84 e 9714/98, seguindo uma política criminal liberal, contempla a pena privativa de liberdade e 
também alternativas a ela, como as restritivas de direito e a de multa, além do sursis – neste sentido, apenas quando não for possível 
a aplicação dos demais institutos é que deverá prevalecer a prisão, como última resposta
 
RECLUSÃO E DETENÇÃO: A Reforma Penal de 1984 manteve a distinção, cada vez mais tênue, entre reclusão e detenção. 
No caso, as penas privativas de liberdade foramtratadas como gênero, sendo espécies a reclusão e detenção como espécies. Apesar 
de ter havido significativa redução de distinções formais entre pena de reclusão e detenção, a doutrina aponta algumas diferenças 
entre elas:
	Regime inicial de cumprimento: Apenas os crimes punidos com reclusão (crimes mais graves, em tese), poderão ter o 
início de cumprimento de pena em regime fechado, o que não se dá com a detenção. No caso, o regime inicial de cumprimento, na 
reclusão, pode ser fechado, semi- aberto ou aberto. Na detenção, o regime inicial é o semi-aberto ou o aberto. A detenção só poderá 
ser cumprida em regime fechado se houver a regressão;
	Limitação na concessão de fiança. A autoridade policial poderá conceder fiança apenas nas infrações punidas com detenção 
ou prisão simples (art. 322, CPP), pois se punidas com reclusão, ficará a cargo do juiz apenas;
	Espécies de medidas de segurança: Se o delito for apenado com reclusão, a medida de segurança será a detentiva; se apenado 
com detenção, a medida poderá ser convertida em tratamento ambulatorial (art. 97, CP);
	 Incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela ! tratando-se de crime punido com reclusão, cometido por 
pai, tutor ou curado contra os respectivos filhos, tutelados ou curatelados, haverá mencionada incapacidade; tratando-se de crime 
apenado com detenção, não haverá tal conseqüência, o que não impede de ser buscada em ação própria no juízo cível;
	Prioridade na ordem de execução: A pena de reclusão executa-se primeiro; depois, a detenção ou prisão simples (arts. 69, 
caput, e 76, ambos do CP);
	 Influência nos pressupostos da prisão preventiva (art. 313, I, CPP).
 
REGIMES PRISIONAIS: Com a Lei n. 7029/84, são os regimes determinados pela espécie e quantidade de pena aplicada e 
pela reincidência, juntamente com o mérito do condenado, obedecendo a um sistema progressivo (retirou-se a periculosidade como 
um dos fatores para escolha do regime).
 
ESPÉCIES DE REGIMES: No regime fechado, o condenado cumpre a pena em estabelecimento de segurança máxima ou 
média (penitenciária) – art. 33, §1o, a, CP – ficando sujeito a isolamento no período noturno e trabalho no período diurno (art. 34, 
§1º), sendo que este trabalho será em comum dentro do estabelecimento, de acordo com as suas aptidões, desde que compatíveis com 
a execução de pena (art. 34, §2º); não pode freqüentar cursos de instrução ou profissionalizantes, admitindo-se o trabalho externo 
apenas em serviços ou obras públicas (art. 34, §3º), devendo-se, porém, tomar todas as precauções para se evitar a fuga.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Por sua vez, no regime semi-aberto, o condenado cumpre a pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar (art. 
33, 1º, b, CP), ficando sujeito ao trabalho em comum durante o período diurno (art. 35, §1º, CP), podendo ainda realizar trabalho 
externo, inclusive na iniciativa privada, admitindo- se também a freqüência a cursos de instrução ou profissionalizantes (art. 35, §2º, 
CP).
De acordo com o art. 36, caput, CP, o regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado – isto 
porque ele somente ficará recolhido (em casa de albergado ou estabelecimento adequado) durante o período noturno e os dias de 
folga, devendo trabalhar, freqüentar curso ou praticar outra atividade autorizada fora do estabelecimento e sem vigilância (art. 36, 
§1º, CP); se, porém, frustar os fins da execução penal ou praticar fato definido como crime doloso, haverá regressão do regime (art. 
36, §2º, CP).
A prisão domiciliar constitui uma das espécies do regime aberto, juntamente com a prisão-albergue e a prisão em estabelecimento 
adequado (arts. 33, §2º, c, do CP e 117 da Lei de Execuções Penais (LEP). Por ser uma exceção, somente é cabível nas hipóteses 
taxativas do referido art. 117 (condenado maior de setenta anos ou acometido de grave doença, condenada com filho menor ou 
deficiente físico ou mental ou condenada gestante), já tendo o STF se posicionado neste sentido, não bastando, por conseguinte, a 
simples inexistência de casa de albergado para a sua concessão, devendo-se, neste caso, assegurar ao preso o trabalho fora da prisão, 
com recolhimento noturno e nos dias de folga.
Preceitua o art. 37, CP, ao tratar do regime especial, que as mulheres deverão cumprir a pena em estabelecimento próprio, 
considerando-se os deveres e direitos inerentes à sua condição pessoal e as demais regras vistas, no que couber.
 
REGIME INICIAL: A fixação do regime inicial de cumprimento da pena é de competência do juiz da condenação; caberá, 
todavia, ao juiz da execução a progressão/regressão do regime, devendo decidir de forma motivada.
Para se determinar qual o regime inicial, deverá o juiz levar em consideração a natureza e quantidade da pena e a reincidência, 
bem como os elementos do art. 59, CP, da seguinte forma: quando os primeiros três fatores não impuserem um regime de forma 
obrigatória, deverá o juiz se valer do art. 59 para decidir qual o regime mais adequado entre os possíveis. O §2º do art. 33 do CP 
dispõe que:
a) O condenado a pena superior a oito anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado: Lógico que somente se refere à pena 
de reclusão, pois esta pode ser cumprida em regime fechado, semi-aberto e aberto, enquanto que a detenção somente pode ser nos 
dois últimos regimes, salvo necessidade de regressão; O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não 
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto: Aplica-se apenas à reclusão, uma vez que a pena de 
detenção superior a quatro anos, tratando-se de condenado reincidente ou não, somente poderá iniciar-se no regime semi-aberto (não 
há uma faculdade), enquanto que a pena de reclusão maior que quatro anos poderá iniciar-se no regime fechado ou semi-aberto, a 
depender de o condenado não ser reincidente e do que os elementos do art. 59 indicarem;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime 
aberto: Aplica-se às penas de reclusão e de detenção: se ele for reincidente e a pena for de reclusão, o regime será o fechado ou semi-
aberto; se reincidente mas a pena for de detenção, obrigatoriamente inicia-se no regime semi-aberto (inclusive qualquer que seja a 
quantidade da pena); se não for reincidente, tratando-se de pena de reclusão, qualquer dos três regimes cabíveis poderá ser o inicial 
e, se detenção, também qualquer dos dois regimes cabíveis poderá ser o inicial – dependerá dos elementos do art. 59.
Resumindo as regras do regime inicial de cumprimento de pena, têm-se:
	Detenção: somente pode iniciar em regime semi-aberto ou aberto, nunca no fechado; pena superior a 4 anos, reincidente ou 
não, regime inicial terá de ser o semi-aberto; reincidente, qualquer quantidade de pena, regime inicial semi-aberto; pena até 4 anos, 
não reincidente, regime semi-aberto ou aberto, a depender do art. 59.
	Reclusão: pena superior a 8 anos, sempre no regime fechado; pena superior a 4 anos, reincidente, sempre no regime fechado; 
pena superior a 4 anos até 8, não reincidente, regime fechado ou semi- aberto, a depender do art. 59; pena até 4 anos, reincidente, 
regime fechado ou semi-aberto, a depender do art. 59; pena até 4 anos, não reincidente, regime fechado, semi-aberto ou aberto, 
também a depender do art. 59.
PROGRESSÃO E REGRESSÃO: Pelo sistema progressivo, permite-se ao condenado a conquista gradual da liberdade, durante 
o cumprimento da pena, tendo em vista o seu comportamento, de forma que a pena aplicada pelo juiz não será necessariamente 
executada em sua integralidade. Na progressão, passa-se de um regime mais rigoroso para um menos rigoroso; na regressão, ocorre 
o inverso, sendo que, neste caso, pode-se passar diretamente do regime aberto para o fechado, o que não acontece com a progressão 
(do fechado tem que ir para o semi-aberto, nunca diretamentepara o aberto).
DETRAÇÃO, TRABALHO PRISIONAL E REMIÇÃO: Pela detração penal, desconta-se no tempo da pena ou medida de 
segurança aplicada o período de prisão ou de internação cumprida antes da condenação. O art. 8º do CP preceitua que a pena privativa 
de liberdade cumprida no estrangeiro é computada na pena privativa de liberdade a ser cumprida no país. Dispõe o art. 42, CP, que 
pode ser computado o tempo da prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro (prisão em flagrante, temporária, preventiva, decorrente 
de pronúncia e de sentença condenatória recorrível).
29
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
O trabalho do preso é um direito-dever que visa a diminuir os efeitos criminógenos da prisão, com finalidade educativa e 
produtiva; a ele não se sujeita o preso provisório ou por crime político, os quais, contudo, se quiserem trabalhar, terão os mesmos 
direitos dos demais. A jornada diária não pode ser inferior a seis horas ou superior a oito, com folga aos domingos e feriados; a 
remuneração deverá ser, no mínimo, de três quartos do salário mínimo, assegurando-se todos os benefícios da Previdência Social (art. 
39, CP), inclusive a aposentadoria. De acordo com a LEP, a remuneração servirá para: indenização civil determinada judicialmente; 
assistência à família; ressarcimento ao Estado pelas despesas com a manutenção do apenado, proporcionalmente; o saldo restante 
deverá ser depositado em caderneta de poupança.
A remição permite o abatimento de parte da pena a ser cumprida pelo trabalho realizado dentro da prisão. Ela ocorre na forma de 
três dias de trabalho por um dia de pena, e é considerada tanto para fins de livramento condicional quanto para indulto; entretanto, se 
o apenado for punido por falta grave, perderá o tempo remido.
Reclusão e detenção
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, 
em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. 
§ 1º - Considera-se: 
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito 
do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime 
mais rigoroso: 
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), 
poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o 
início, cumpri-la em regime aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios 
previstos no art. 59 deste Código. 
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento 
da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, 
com os acréscimos legais. 
Regras do regime fechado
Art. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de 
classificação para individualização da execução. 
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso noturno. 
§ 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou ocupações 
anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena. 
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas. 
Regras do regime semi-aberto
Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, ao condenado que inicie o cumprimento da 
pena em regime semi-aberto. 
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno, em colônia agrícola, 
industrial ou estabelecimento similar. 
§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a freqüência a cursos supletivos profissionalizantes, 
de instrução de segundo grau ou superior. 
Regras do regime aberto
Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. 
§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou 
exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de 
folga. 
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso, se 
frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Regime especial
Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e direitos 
inerentes à sua condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo. 
Direitos do preso
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas 
as autoridades o respeito à sua integridade física e moral. 
Trabalho do preso
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência 
Social. 
Legislação especial
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos arts. 38 e 39 deste Código, bem como 
especificará os deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e transferência dos regimes e 
estabelecerá as infrações disciplinares e correspondentes sanções.
Superveniência de doença mental
Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia e 
tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado. 
Detração
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão 
provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos 
estabelecimentos referidos no artigo anterior. 
II DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS:
Ao prolatar uma sentença condenatória, deve o juiz verificar se não é o caso de substituir a pena privativa de liberdade por uma 
outra espécie de pena (art. 59, IV) ou pelo sursis.
As penas restritivas de direitos são autônomas (e não acessórias) e substitutivas (não podem ser cumuladas com penas privativas 
de liberdade); também não podem ser suspensas nem substituídas por multa. As penas restritivas de direito foram paulatinamente 
introduzidas como uma alternativa à prisão.
As penas restritivas de direito não podem substituir a pena privativa de liberdade em toda e qualquer ocasião. Para ser aplicada, 
é preciso que sejam observados os requisitos previstos no art. 44 do Código Penal. Estes requisitos são de duas ordens:
a) objetivos:
	pena privativa de liberdade não superior a 4 anos, desde que o crime não seja cometido com violência ou grave ameaça à 
pessoa. art. 44, I, 1ª parte;
	qualquer crime culposo – art. 44, I, in fine; A exigêcia que o crime seja culposo, ou, sendo doloso, o crime, com pena até 
4 anos, cometido sem violência, revela o desvalor da ação, além do desvalor do resultado. Quanto aos crimes de menor potencial 
ofensivo (pena máxima até 01 ano – art. 61 da lei 9.099/95), ressalte-se que, mesmo cometidos com violência ou grave ameaça (ex: 
lesões leves – art. 129, caput, ameaça, art. 147, etc.), eles têm regras próprias na Lei nº 9099/95;
b) subjetivos:
	não reincidência em crime doloso – art. 44, II; a reincidência era uma vedação absoluta antes da lei 9.714/98. Todavia, com 
a nova redação do art. 44, § 3º, do Código Penal, apenas a reincidência em crime doloso impede a concessão do benefício, e este 
impedimentos sequer representa uma vedação absoluta, pois, na forma do art. 44, § 3º, pois o juiz, mesmo em caso de reincidência 
em crime doloso, pode utilizar a substituição, desde que a medida seja socialmente recomendávele a reincidência não seja específica.
	prognose favorável; no sentido de que a substituição será suficiente, tendo em vista a culpabilidade, os antecedentes, a 
conduta social e a personalidade do condenado, bem assim os motivos e as circunstâncias do crime – art. 44, III. 
Ressalte-se que trata-se de pena substitutiva, isto é, o juiz primeiro fará o cálculo da pena privativa de liberdade, e depois 
examinará se presentes os requisitos subjetivos e objetivos para a substituição por pena restritiva de direitos. Se a pena for igual ou 
inferior a um ano, a substituição pode ser feita por uma pena restritiva de direito ou por multa; se igual ou superior a um ano, a pena 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
privativa de liberdade poderá ser substituída por pena restritiva de direitos + multa ou 2 penas restritivas de direitos. Pode, contudo, 
haver aplicação cumulativa de restritiva de direito com multa mesmo quando a condenação seja inferior a um ano: ocorre quando 
a cominação legal for de pena privativa de liberdade + multa (o que não se permite é a substituição cumulativa para as duas penas 
referidas quando se tratar de crimes cuja condenação seja igual ou inferior a 1 ano).
A aplicação de pena restritiva de direitos não é um direito subjetivo do Réu, depende de avaliação do juiz no caso concreto. 
No entanto, entende-se que o juiz, se presentes os requisitos objetivos, não havendo reincidência em crime doloso, o juiz necessita 
fundamentar a decisão que não concede a liberdade.
 
ESPÉCIES:
1. Prestação pecuniária (art. 45, §1º): Tem caráter indenizatório, e consiste no pagamento de dinheiro à vítima, seus dependentes 
ou entidade pública ou privada com destinação social (só se não houver dano ou se não houver vítima imediata/parentes é que o 
pagamento irá para entidade pública ou privada com destinação social).
 
2. Prestação de outra natureza – inominada (art. 45, §2º): O art. 45, § 2º preceitua que, aceitando o beneficiário, a prestação 
pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza (cestas básicas, medicamentos, etc.). Não pode ter natureza pecuniária (não 
pode ser multa, perda de bens ou valores nem prestação pecuniária); acontece que pena inominada é igual a pena indeterminada, 
o que feriria o princípio da reserva legal. A substituição tem de ter caráter consensual, pois precisa da concordância prévia do 
beneficiário – se já estiver em grau recursal, o processo deve baixar para ser examinado o cabimento e eventual oitiva do beneficiário 
(o Tribunal não pode aplicar essa pena). 
 
3. Perda de bens e valores (art. 45, §3º): A perda de bens e valores visa impedir que o Réu obtenha qualquer benefício em 
razão da prática do crime. Deve-se distinguir o confisco-efeito da condenação do confisco-pena: o primeiro se refere a instrumentos 
e produtos do crime (art. 91, II, a e b), enquanto o segundo relaciona-se com o patrimônio do condenado, indo para o Fundo 
Penitenciário Nacional, motivo pelo que se questiona sua constitucionalidade. A perda de bens incidirá sobre o maior dos valores:
- o montante do prejuízo causado
- o provento obtido pelo agente ou por terceiro pela prática do crime.
 
4. Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas (art. 46): A prestação de serviços à comunidade consiste na 
atribuição de tarefas gratuitas ao condenado, de acordo com as suas aptidões, que deverá ser cumprida em entidades assistenciais, 
hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos afins, em programas comunitários ou estatais.
Pode ser aplicada para as condenações superiores a 6 meses de privação de liberdade. Penas inferiores a 6 meses estão sujeitas a 
outras penas alternativas, não de prestação de serviços à comunidade.
A prestação de serviços à comunidade deve ser cumprida à razão de 1 hora de trabalho para cada dia da condenação. Em outras 
palavras, para cada hora de trabalho, o condenado diminuirá um dia de condenação. Mas como a prestação de serviços deve, em 
regra, ter a mesma duração (CP., art. 55) da pena privativa de liberdade cominada (ex: pena de 9 meses de detenção = 9 meses de 
prestação de serviços à comunidade), a regra é que o condenado trabalhe uma hora por dia. Contudo, se a pena substituída for superior 
a 1 ano, poderá o condenado cumprir a pena de prestação em menos tempo, nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade 
fixada. Isto é, quando a pena substituída for superior a 1 ano, o agente pode trabalhar mais de 1 hora por dia, para cumprir a pena em 
menos tempo, nunca inferior à metade do tempo da pena fixada. (art. 46, § 4º)
 
5. Interdição temporária de direitos (art. 47): Consiste em:
	Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo. A suspensão é temporária, não 
precisa ser crime contra a Administração Pública, basta ter havido violação dos deveres inerentes ao cargo, função ou atividade. Não 
se confunde com a perda do cargo (efeito da condenação, CP, art. 92, I).
	Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização 
do poder público; decorre do crime cometido com prática de violação dos deveres de profissão, atividade ou ofício. Abrange, por 
conseguinte, apenas a profissão em que ocorreu o abuso, não envolvendo outras profissões que o agente possa exercer.
	Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo; somente para crimes culposos de trânsito quando, à época 
do crime, o condenado era habilitado ou autorizado a dirigir, não se aplicando à permissão para dirigir veículos (art. 148, §2o, CTB) 
porque não prevista em lei;
	Proibição de freqüentar determinados lugares; na verdade, é restritiva de liberdade, e não de direito; deve haver uma relação 
criminógena entre o lugar em que o crime foi praticado e a personalidade (conduta do apenado), não sendo para qualquer tipo de 
crime, lugar ou infrator.
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RESUMO DE CONCURSOS 
6. Limitação de fim de semana (art. 48): Consiste na obrigação de permanecer, aos fins-de-semana, por 05 (cinco) horas 
diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado, no qual serão ministrados cursos e tarefas educativas.
Penas restritivas de direitos
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: 
I - prestação pecuniária; 
II - perda de bens e valores; 
III - (VETADO) 
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; 
V - interdição temporária de direitos; 
VI - limitação de fim de semana. 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: 
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
II - o réu não for reincidente em crime doloso; 
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os 
motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. 
§ 1o (VETADO) 
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena 
restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma 
pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. 
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de 
condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado 
em virtude da prática do mesmo crime.
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento 
injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido 
o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção 
ou reclusão. 
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal 
decidirá sobrea conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena 
substitutiva anterior. 
Conversão das penas restritivas de direitos
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos 
arts. 46, 47 e 48. 
§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a 
entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) 
salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido 
do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. 
§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode 
consistir em prestação de outra natureza. 
§ 3o A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, 
em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto - o que for maior - o montante 
do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em conseqüência da prática do 
crime. 
§ 4o (VETADO) 
Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações 
superiores a seis meses de privação da liberdade. 
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste na atribuição de tarefas 
gratuitas ao condenado. 
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas, 
orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser 
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a 
jornada normal de trabalho. 
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva 
em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. 
Interdição temporária de direitos
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: 
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; 
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de 
licença ou autorização do poder público; 
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. 
IV - proibição de freqüentar determinados lugares. 
Limitação de fim de semana
Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, 
por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado. 
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou 
atribuídas atividades educativas.
III DA PENA DE MULTA:
A multa é uma das modalidades das penas adotadas pelo Código Penal e se revela no pagamento pelo condenado ao fundo 
penitenciário, com o cálculo inovador do direito brasileiro, aplicado em dias-multa. 
A técnica utilizada pelo nosso Código Penal para cominação foi a utilização do termo puro e simples de “e/ou multa”. Assim, 
inseriu-se um capítulo específico e retirou a expressão “multa de...”. Em decorrência, os tipos penais não trazem mais, em seu bojo, os 
limites mínimo e máximo da pena cominada, dentro dos quais o julgador deveria aplicar a sanção necessária e suficiente à reprovação 
e prevenção do crime.
A referência atual é o artigo 44, §2º do Código Penal, onde reza ser a condenação igual ou inferior a 1 (um) ano substituível por 
multa ou uma pena restritiva de direitos; se superior a 1 (um) ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena 
restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. 
A pena de multa poderá ser aplicada isoladamente, sendo a pena única; cumulativamente com a pena privativa de liberdade; 
alternativamente à pena privativa de liberdade; em substituição à pena privativa de liberdade, mas cumulada com restritiva de direitos.
Também em substituição à reclusão e detenção, para ser aplicada como pena única, em caso de condenação à pena privativa de 
liberdade não superior a um ano, desde que igualmente presentes as condições de favorabilidade das circunstâncias judiciais do artigo 
59 do CP, a teor dos artigos 44, §2º, e 46, todos combinados com o artigo 60, §2º, do CP, que, em razão do advento da Lei 9.714/98, 
deve agora ser reinterpretado, visando à harmonia de tais dispositivos legais. 
O Código Penal previu duas hipóteses em que, preenchidos os demais requisitos, a pena privativa de liberdade pode ser substituída 
pela multa quando a primeira não for superior a seis meses, independentemente de tratar-se de crime doloso ou culposo; e nos crimes 
culposos cuja pena seja igual ou superior a um ano de detenção, poderá ser substituída por multa e uma pena restritiva de direitos. 
Afirma ainda que embora a lei indicar a possibilidade, o juiz é obrigado a aplicá-la quando o condenado preencher os requisitos.
A pena de multa possui vantagens e desvantagens. Primeiro, porque o condenado à pena pequena não é levado à prisão, não o 
retirando do convívio com a família e do convício social. Ainda, o Estado não gasta com encarceramento e aufere renda extra. De 
outro lado, afeta mais duramente o pobre do que o rico, a maioria não tem como pagar a multa e não intimida como a pena privativa 
de liberdade.
A individualização da pena pecuniária deve obedecer a um particular critério bifásico: a) firma-se o número de dias-multa 
(mínimo de 10 e máximo de 360), valendo-se do sistema trifásico previsto para as penas privativas de liberdade; b) estabelece-se o 
valor do dia-multa (piso de 1/30 do salário mínimo e teto de 5 vezes esse salário), conforme a situação econômica do réu.
Nesse diapasão, a jurisprudência se divide em duas correntes. A primeira aplica a pena de multa considerando, apenas, a condição 
financeira do condenado, sem considerar as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal. A segunda corrente afirma que 
a pena de multa há de ser aplicada considerando, além da situação econômica, as circunstâncias judiciais, como se faz no sistema 
trifásico de aplicação da pena privativa de liberdade. 
Muito importante lembrar que as decisões devem ser motivadas, respeitando o artigo 93, IX, bem como individualizadas, artigo 
5º, XLVI, ambos da Constituição Federal.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
O pagamento da multa deve ser dentro de dez dias depois de transitada em julgado a sentença. A requerimento do condenado, e 
conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais – artigo 50 do Código Penal. 
Previu ainda o supracitado artigo, em seu parágrafo primeiro, que a cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no 
vencimento ou salário do condenado quando:
1) aplicada isoladamente;
2) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos e
3) concedida a suspensão condicional da pena.
O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família - §2º, artigo 50 do CP. 
Já o artigo 168 da Lei de Execução Penal, impõe o limite de descontos: máximo – quarta parte da remuneração; mínimo: um décimo 
da remuneração.
Multa
Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença 
e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) 
dias-multa. 
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior 
salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário. 
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária. 
Pagamento da multa
Art. 50 - A multa deve serpaga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a sentença. 
A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se 
realize em parcelas mensais. 
§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou salário do condenado 
quando: 
a) aplicada isoladamente;
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos;
c) concedida a suspensão condicional da pena.
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua 
família. 
Conversão da Multa e revogação 
Modo de conversão
Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, 
aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que 
concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. 
Suspensão da execução da multa
Art. 52 - É suspensa a execução da pena de multa, se sobrevém ao condenado doença mental. 
6.2 DA COMINAÇÃO DAS PENAS
Penas privativas de liberdade
Art. 53 - As penas privativas de liberdade têm seus limites estabelecidos na sanção correspondente a 
cada tipo legal de crime. 
Penas restritivas de direitos
Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis, independentemente de cominação na parte 
especial, em substituição à pena privativa de liberdade, fixada em quantidade inferior a 1 (um) ano, ou 
nos crimes culposos. 
Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a mesma 
duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4o do art. 46. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para 
todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que houver 
violação dos deveres que lhes são inerentes. 
Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art. 47 deste Código, aplica-se aos crimes 
culposos de trânsito. 
Pena de multa
Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime, tem os limites fixados no art. 49 e seus parágrafos 
deste Código. 
Parágrafo único - A multa prevista no parágrafo único do art. 44 e no § 2º do art. 60 deste Código 
aplica-se independentemente de cominação na parte especial. 
6.3 DA APLICAÇÃO DA PENA
A individualização da pena é um dos direitos fundamentais previstos no art. 5º, inc. XLVI da Carta Magna. Esta individualização 
passa desde a determinação da espécie de pena que vai ser cominada e aplicada ao caso concreto, bem como ao quantum de pena 
necessário e suficiente à prevenção e reprovação do crime (art. 59, CP).
A determinação da pena pode realizar-se de acordo com três sistemas básicos:
a) Sistema da absoluta determinação: Sistema mais antigo, utilizado nos Código Criminal de 1830, caracteriza-se pela absoluta 
determinação , na qual a própria lei determina, de forma taxativa, qual é a quantidade de pena aplicável a cada delito, de modo fixo. 
No Código de 1830, a pena era fixada nos graus mínimo, médio e máximo, sendo previamente fixadas as penas de cada um dos graus.
b) Sistema de absoluta indeterminação: É o sistema que consagra o livre-arbítrio judicial, pelo qual se confere ao magistrado 
amplos poderes para decidir, dentre as penas existentes, aquela que considerar mais adequada, na quantidade que entender mais 
conveniente.
c) Sistema de relativa determinação: Sistema adotado no Código de 1940, repetido na Parte geral de 1984. Por este sistema, a 
pena de cada crime já vem determinada, as espécies e seu quantitativo vêm fixados num limite mínimo e máximo, cabendo ao juiz, 
observando os limites, fixá-la de modo discricionário.
Em face da garantia constitucional de individualização da pena, o juiz, para aplicar ao condenado a pena mais adequada ao 
caso concreto, deve levar em conta todas as circunstâncias do crime, isto é, todas as condições que se encontram ao redor do crime, 
alterando a resposta penal, com base na maior ou menor gravidade da conduta, desvalor da ação ou desvalor do resultado, sem afetar 
o tipo fundamental.
Diferem das elementares porque estas são requisitos essenciais do tipo, enquanto que aquelas são requisitos acidentais.
De acordo com a sua natureza, podem ser classificadas em pessoais ou subjetivas (Exemplo: menoridade, reincidência, 
antecedentes, motivos, sexo, profissão, etc.) e objetivas (Exemplo: modo de execução), objeto material, características da vítima, etc. 
As circunstâncias de caráter pessoal não se comunicam no concurso de pessoas, salvo quando elementares do crime, enquanto as 
objetivas comunicam- se a todos os concorrentes, desde que entrem na esfera de seu conhecimento.
Quanto à função modificativa, as circunstâncias podem ser classificadas também em:
a) circunstâncias que aumentam o mínimo e o máximo da pena em abstrato; são as qualificadoras (tipos qualificados), consideradas 
na 1ª fase (Exemplo: art. 121, §2º);
b) circunstâncias que agravam ou atenuam a pena sem determinação de quantidade (o juiz, ao considerá-las, deve observar os 
limites da pena em abstrato). Subdividem-se em judiciais (art. 59) e legais (agravantes e atenuantes – artigos 61 a 66);
c) causas de aumento e de diminuição: Autorizam a alteração da pena com base em valores fixos ou variáveis; são as majorantes 
e minorantes. Vêm sob a forma de fração, distinguindo-se das qualificadoras porque não modificam os limites da pena em abstrato, 
mas permitem que o juiz fixe a pena concreta aquém ou além de tais limites, podendo vir na Parte Geral (Exemplo: artigos 14, II, 
e 16) e na Especial do CP (Exemplo: art. 121, §4º, 127), sendo que os tipos que contêm causas de aumento são chamados de tipos 
agravados, e os que contêm causas de diminuição, de tipos privilegiados.
 
DOSIMETRIA: É feita pelo sistema trifásico:
1ª FASE: Para o cálculo da pena-base, levam-se em conta as circunstâncias judiciais do art. 59, sendo que, se alguma delas 
for agravante, atenuante, causa de aumento ou de diminuição, deve ser considerada nas operações seguintes para que não haja o 
bis in idem; e se o juiz verifica a existência de mais de uma qualificadora, deve se utilizar de apenas uma delas e considerar a(s) 
outra(s) nas fases seguintes, se previstas. A pena-base não pode ser nem superior ao máximo nem inferior ao mínimo (art. 59, II); 
na jurisprudência, entende-se que, como na 2º fase, a elevação é de 1/6 para cada circunstância legal agravante, as circunstâncias 
judiciais só autorizariam um aumento de até 1/6 do mínimo da pena abstrata.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da 
vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. 
São circunstâncias judiciais:
	Culpabilidade: Verificada não como fundamento da pena, mas como seu limite, o grau de reprovação da conduta. É a viga 
mestra das circunstâncias judiciais;
	Antecedentes: Constituem os fatos abonadores e desabonadores da sua vida pregressa – inquéritos instaurados, processos em 
curso, etc. A reincidência não pode ser considerada como antecedente, porque é circunstância agravante. No entanto, a condenação 
por crime anterior após o prazo depurador de 5 anos da reincidência pode ser considerada como agravante;
	Conduta social: Como o sujeito age em seu meio familiar, profissional;
	Personalidade: Perfil psicológico e moral do sujeito;
	Motivos do crime: Fatores que levaram o sujeito a cometer o crime,isto é, o “porquê” do crime (religião, amor, ódio, etc.);
	Circunstâncias do crime: Relaciona-se com o modo de execução (instrumentos do crime, tempo, local, objeto material, etc.);
	Conseqüências do crime: Intensidade da lesão produzida no bem jurídico tutelado;
	Comportamento da vítima: Relaciona-se com a vitimologia, como a conduta da vítima pode influenciar ou não a prática do 
crime, se o comportamento da vítima provocou ou facilitou o crime.
 
2ª FASE: Para o cálculo da pena provisória, levam-se em conta as circunstâncias agravantes e atenuantes genéricas, sendo que o 
juiz não poderá ir além ou aquém dos limites estabelecidos pelo legislador ao cominar a pena (para alguns, não haveria impedimento 
legal a que a incidência de uma atenuante levasse a pena-base para aquém do mínimo cominado ao tipo.
Ainda, no concurso entre agravantes e atenuantes, dispõe o art. 67 que a pena deve se aproximar do limite indicado pelas 
circunstâncias preponderantes, como tais entendendo-se as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do 
agente e da reincidência.
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas 
circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do 
crime, da personalidade do agente e da reincidência. 
As agravantes estão no art. 61, e sempre incidem, salvo quando constituam ou qualifiquem o crime, quando coincidam com uma 
causa de aumento ou quando isentem de pena:
a) Reincidência: Diz o art. 63 que o agente é considerado reincidente se, após ser condenado por um crime por sentença transitada 
em julgado, no país ou no exterior, comete novo crime; seus efeitos não perdurarão após o prazo de 5 anos a partir da data de 
cumprimento ou extinção da pena, computando-se o período de prova do sursis e do livramento condicional, se não tiver ocorrido 
revogação (art. 64, I) e não sendo considerados os crimes políticos e os militares próprios (art. 64, II). De se salientar que o art. 7º 
da LCP complementa o conceito de reincidência ao estabelecer que ela também se dá se o agente comete nova contravenção após o 
trânsito em julgado da sentença condenatória no estrangeiro por qualquer crime ou no Brasil por crime ou contravenção; é provada 
pela certidão judicial do trânsito em julgado da sentença condenatória;
b) Ter o agente cometido o crime:
	Por motivo fútil ou torpe (fútil é o motivo insignificante, que guarde desproporção com o crime praticado; torpe é o motivo 
vil, abjeto, que demonstra grau extremo de insensibilidade moral do agente);
	Para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Tem-se aí uma conexão, que 
pode ser de dois tipos: teleológica (para facilitar ou assegurar a execução de outro crime) ou conseqüencial (o crime é praticado para 
garantir a ocultação, impunidade ou vantagem de outro);
	À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do 
ofendido: Relativo à forma de realização do crime. Na traição ocorre uma deslealdade; a emboscada se dá quando o agente se 
esconde para atacar a vítima de surpresa (tocaia); a dissimulação é a utilização de artifícios para se aproximar da vítima, encobrindo 
seus desígnios reais; por fim, o legislador usou uma fórmula genérica (outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do 
ofendido), permitindo a interpretação analógica ou extensiva;
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RESUMO DE CONCURSOS 
	Com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum: 
Relativo ao meio. O legislador escolheu alguns meios como paradigma, utilizando, em seguida, a expressão que possibilita a 
interpretação extensiva. Meio insidioso é aquele dissimulado em sua eficiência maléfica; meio cruel é o que aumenta inutilmente o 
sofrimento da vítima ou revele uma brutalidade anormal; perigo comum é o provocado por uma conduta que expõe a risco a vida ou 
o patrimônio de um número indefinido de pessoas;
	Contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge: Revela uma maior insensibilidade do agente; aplica-se a qualquer forma 
de parentesco (legítimo ou ilegítimo, consangüíneo ou civil); não incide quando a relação de parentesco for elementar do crime, como 
no caso do infanticídio e não se estende ao concubino pela proibição da analogia in malam partem. 
	Com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: Funda-se na 
quebra de confiança que a vítima tinha no agente; o abuso de autoridade se dá quando o agente excede ou faz uso ilegítimo do poder 
de fiscalização, assistência, instrução, educação ou custódia derivado de relações familiares, de tutela, de curatela ou mesmo de 
hierarquia eclesiástica, referindo-se somente às relações privadas, pois, quanto às públicas, existe lei especial; relações domésticas 
são as que se estabelecem entre pessoas de uma mesma família, freqüentadores habituais da casa, amigos, empregados, etc.; relação 
de coabitação é a que se dá quando duas ou mais pessoas vivem sob o mesmo teto; por fim, a relação de hospitalidade ocorre quando 
a vítima recebe o agente para permanência em sua casa por certo período (visita, pernoite, convite para uma refeição, etc.);
	Com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão: nos primeiros casos, ao praticar 
o crime, o funcionário que exerce o cargo ou ofício infringe os deveres inerentes a eles; ministério relaciona-se com atividades 
religiosas; profissão é a atividade especializada, remunerada, intelectual ou técnica;
	Contra criança, velho, enfermo ou mulher grávida: Funda-se na maior vulnerabilidade destas pessoas; criança, segundo o 
ECA, é a pessoa com até 12 anos incompletos; velho é a pessoa com mais de 70 anos ou que esteja com sua situação física prejudicada 
pela sua condição específica; enferma é a pessoa doente sem condições de se defender;
	Quando o ofendido estava sob a imediata proteção de autoridade: Baseia-se no desrespeito à autoridade, sendo exemplos 
desse tipo de vítima o preso ou o doente mental recolhido a estabelecimento oficial;
	Em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido: Aqui 
o agente deve se aproveitar de modo consciente e voluntário da situação calamitosa para dificultar a defesa da vítima ou par facilitar 
a sua impunidade;
	Em estado de embriaguez preordenada: Aqui o agente se embriaga propositadamente para cometer crimes, sendo este 
realmente o campo de atuação da teoria da actio libera in causa.
Há discussão sobre se as agravantes do inciso II do art. 61 do CP seriam aplicadas somente aos crimes dolosos ou a todos os 
crimes, já que a lei não faz distinção. O art. 62, CP relaciona as agravantes no concurso de pessoas, quando o agente:
a) Promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes: Atinge aquele que promove a união do 
grupo, ou é o seu líder, ou ainda atua como mentor intelectual do crime;
b) Coage ou induz outrem à execução material do crime: A 1ª parte trata da coação, que pode ser moral ou física, resistível ou 
irresistível, sendo que o coator responderá pelo crime praticado pelo executor direto (com a pena agravada) e mais o constrangimento 
ilegal, ou se for o caso, o crime do art. 1º,I, b, da Lei n. 9455/97; a 2º parte fala daquele que insinua, inspira outrem a praticar o crime;
c) Instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou qualidade 
pessoal: Instigar é reforçar uma idéia delituosa já existente; determinar é mandar, ordenar; o executor deve estar sujeito à autoridade 
do agente ou não ser punível por alguma qualidade pessoal (menoridade, doença mental, etc.);
d) Executa o crime, ou nele participa, mediante pagaou promessa de recompensa: A paga é anterior ao crime; a recompensa é 
posterior a ele.
Os artigos 65 e 66 do CP, tratam das circunstâncias atenuantes; o artigo 65 estabelece um rol, saber:
a) Ser o agente menor de vinte e um anos, na data do fato, ou setenta anos, na data da sentença: Refere-se à sentença de 1º grau; 
a menoridade para efeitos penais prevalece ainda que já tenha havido emancipação;
b) O desconhecimento da lei apesar de inescusável e não isentar de pena (art. 21), a ignorância serve para atenuá-la;
c) ter o agente cometido o crime: Por motivo de relevante valor moral ou social: Valor moral relaciona-se com um interesse 
individual que encontra certo respaldo na sociedade (Exemplo: matar o estuprador da filha); já o valor social refere-se a um interesse 
coletivo (Exemplo: invadir o domicílio de um traidor da Pátria); Procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo 
após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano: Na 1ª parte, trata-se de um 
arrependimento em que o agente, após a consumação, consegue evitar ou minorar as conseqüências, o que não se confunde com o 
arrependimento eficaz (art. 15), o qual exige que o agente impeça a produção do resultado, nem com o arrependimento posterior (art. 
16), que incide antes do recebimento da inicial acusatória em crimes cometidos sem violência ou grave ameaça a pessoa; na 2ª parte, 
o agente deverá ter reparado o dano até a sentença de 1º grau;
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
d) Cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de 
violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima: A coação, moral ou física, tem que ser resistível, pois, se irresistível, excluirá 
a própria conduta quando física, ou a culpabilidade quando moral (art. 22, 1ª parte); a ordem de autoridade superior a ser cumprida 
deve ser manifestamente ilegal, porque, não o sendo, excluirá a culpabilidade (art. 22, 2ª parte); apesar de a emoção e a paixão 
não excluírem a imputabilidade (art. 28, I), reduz-se a pena em caso de influência de violenta emoção provocada por ato injusto da 
vítima, sendo que, se for uma agressão injusta, poderá haver legítima defesa, e, ainda, deve-se diferenciar esta atenuante da hipótese 
de homicídio privilegiado que se configura quando o sujeito atua sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação 
da vítima;
e) Confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime: A confissão aqui deve ter sido espontânea, a demonstrar 
um arrependimento, por exemplo; não incidindo ainda se o agente confessa o crime durante o inquérito e, depois, se retrata em juízo;
f) Cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou: O agente deve ter cometido o crime sob a 
influência de multidão em tumulto e não pode ter provocado este último – exemplo: brigas com grande número de pessoas. Quanto 
ao art. 66, traz uma atenuante inominada, que deve ser levada em consideração sempre que o juiz entenda haver uma circunstância 
relevante, anterior ou posterior ao crime, ainda que não prevista em lei.
 
3ª FASE: Para o cálculo da pena definitiva, são consideradas as causas de aumento e de diminuição previstas na Parte Geral e 
na Parte Especial do CP, tais como tentativa (art. 14, II), arrependimento posterior (art. 16), homicídio privilegiado (art. 121, §1º), 
furto noturno (art. 155, §1º), etc. Conforme já visto, prevêem um quantum de exasperação ou de redução de pena, diferenciando-se 
das agravantes e atenuantes, podendo a pena definitiva ficar além ou aquém da pena cominada ao tipo. Alguns princípios devem ser 
observados:
	No concurso de majorantes ou de minorantes previstas na Parte Especial, poderá o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma 
só diminuição, prevalecendo, porém, a causa que mais aumente ou diminua (art. 68, parágrafo único);
	As majorantes devem incidir em primeiro lugar e separadamente, enquanto as minorantes incidem cumulativa e 
posteriormente;
	As regras do concurso material, formal e crime continuado são as últimas operações a serem feitas.
Estabelecida a pena definitiva, terá o juiz que determinar o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; por fim, 
deverá analisar se é caso de substituição da pena (art. 59, IV) ou de suspensão de sua execução (art. 157 da LEP), devendo motivar 
em qualquer hipótese.
Não confundir causa de aumento e de diminuição com qualificadora. Nesta, há uma nova cominação no mínimo e no máximo 
em relação ao crime simples, e os novos limites mínimo e máximo fixados pela qualificadora servirão como parâmetro desde as 
circunstâncias judiciais. As causas de aumento são previstas em fração (um terço, um sexto, metade), e são aplicadas na terceira fase 
de aplicação da pena.
Fixação da pena
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do 
agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da 
vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. 
Critérios especiais da pena de multa
Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender, principalmente, à situação econômica do réu. 
§ 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica 
do réu, é ineficaz, embora aplicada no máximo. 
Multa substitutiva
§ 2º - A pena privativa de liberdade aplicada, não superior a 6 (seis) meses, pode ser substituída pela de 
multa, observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste Código.
Circunstâncias agravantes
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: 
I - a reincidência; 
II - ter o agente cometido o crime: 
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RESUMO DE CONCURSOS 
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou 
impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia 
resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de 
hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; 
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; 
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça 
particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
 
Agravantes no caso de concurso de pessoas
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que: 
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes; 
II - coage ou induz outrem à execução material do crime; 
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude 
de condição ou qualidade pessoal; 
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa.
Reincidência
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado 
a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. 
Art. 64 - Para efeito de reincidência: 
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da penae a 
infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de 
prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; 
II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos.
Circunstâncias atenuantes
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: 
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da 
sentença; 
II - o desconhecimento da lei; 
III - ter o agente:
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe 
as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade 
superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.
 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior 
ao crime, embora não prevista expressamente em lei. 
Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas 
circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do 
crime, da personalidade do agente e da reincidência. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
Cálculo da pena
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão 
consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de 
aumento. 
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, 
pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que 
mais aumente ou diminua.
Concurso material
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, 
idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. 
No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não 
suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição de que trata o art. 44 deste 
Código. 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as 
que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. 
Concurso formal
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou 
não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, 
em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação 
ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto 
no artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código. 
Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da 
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os 
subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se 
idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. 
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave 
ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e 
a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único 
do art. 70 e do art. 75 deste Código.
Multas no concurso de crimes
Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. 
Erro na execução
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a 
pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra 
aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a 
pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Resultado diverso do pretendido
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém 
resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; 
se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. 
Limite das penas
Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) 
anos. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 
(trinta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. 
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova 
unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido.
Concurso de infrações
Art. 76 - No concurso de infrações, executar-se-á primeiramente a pena mais grave. 
6.4 DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
A suspensão condicional da pena (sursis) e a suspensão condicional do processo são institutos que apresentam diversas 
semelhanças. A primeira delas deriva dos próprios fundamentos, de política criminal, que motivaram a sua introdução dentro do 
ordenamento jurídico brasileiro. Afinal, trata-se de institutos de livramento, que surgiram a partir da constatação do fracasso das 
penas privativas de liberdade, mormente no que toca às penas de curta duração. Assim, como um meio de evitar que delinqüentes 
primários, que cometeram infrações de menor gravidade, fossem enviados para as prisões, verdadeiras “escolas do crime”, foram 
desenvolvidas alternativas às penas privativas de liberdade, dentre as quais se destacam tanto a suspensão condicional do processo 
quanto a suspensão condicional da pena.
Contudo, a extinção da punibilidade (suspensão condicional do processo), e a extinção da pena privativa de liberdade (suspensão 
condicional da pena), somente será declarada se as condições impostas pelo poder público forem devidamente cumpridas pelo 
infrator. 
O sursis está previsto no art. 77 do Código Penal Brasileiro, tendo sido introduzido no ordenamento jurídico nacional a partir da 
Reforma de 1984. A suspensão condicional do processo, por sua vez, se encontra no art. 89 da Lei n° 9.099/95, que trata dos Juizados 
Especiais Cíveis e Criminais. 
Na suspensão condicional do processo, o réu aceita o benefício logo após o oferecimento da denúncia. Logo, a instrução 
processual não chega a se desenrolar. Não é proferida uma sentença condenatória. A suspensão é o resultado entre um acordo de 
vontades entre as partes, homologado pelo juiz. Não há que se falar, portanto, em condenação.
O contrário ocorre com o sursis. Nesse último caso, o processo se desenvolve normalmente, e culmina com a prolação de 
uma sentença penal condenatória. Ou seja, o réu é condenado por sentença com trânsito em julgado. Apenas a execução da pena 
permanece suspensa. 
O beneficiário da suspensão condicional do processo, que cumpre as condições do acordo, por não ter sido condenado pelo 
juízo criminal, continua a ser considerado réu primário, bem como possuidor de bons antecedentes. Por outro lado, o réu que aceita 
a suspensão condicional da pena não tem seus dados criminais apagados após o período de prova. Apenas a execução da pena é 
quem fica suspensa.Os efeitos secundários da mesma permanecem. Dessa forma, a condenação em questão é hábil para determinar 
a reincidência ou os maus antecedentes. 
Requisitos da suspensão da pena
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, 
por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: 
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; 
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos 
e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código. 
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício.
§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por 
quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde 
justifiquem a suspensão. 
Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das 
condições estabelecidas pelo juiz. 
§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou 
submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48). 
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do 
art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo 
anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: 
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RESUMO DE CONCURSOS 
a) proibição de freqüentar determinados lugares; 
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; 
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. 
Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que 
adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado. 
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. 
Revogação obrigatória
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: 
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso; 
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a 
reparação do dano; 
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. 
Revogação facultativa
§ 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou 
é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de liberdade 
ou restritiva de direitos. 
Prorrogação do período de prova
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado 
o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. 
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova 
até o máximo, se este não foi o fixado.
Cumprimento das condições
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de 
liberdade. 
6.5 DO LIVRAMENTO CONDICIONAL
O livramento condicional consiste na antecipação da liberdade ao condenado que cumpre pena privativa de liberdade, desde que 
cumpridas determinadas condições durante certo tempo. Serve como estímulo à reintegração na sociedade daquele que aparenta ter 
experimentado uma suficiente regeneração.
Traduz-se na última etapa do cumprimento da pena privativa de liberdade no sistema progressivo, representando uma transição 
entre o cárcere e a vida livre.
Os requisitos necessários para o livramento condicional podem ser de duas ordens: objetivos e subjetivos. 
São requisitos objetivos necessários à concessão do livramento condicional:
a) pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos;
b) cumprimento parcial da pena;
	deve cumprir mais de um terço (1/3 ) da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes;
	deve cumprir mais da metade (1/2) da pena se ele for reincidente em crime doloso;
	deve cumprir mais de dois terços (2/3) da pena se, condenado por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, desde que não reincidente específico em crimes desta natureza;
O reincidente específico em crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes, drogas afins, e terrorismo não 
tem direito a livramento condicional. Ressalte-se que essa reincidência específica é em qualquer dos crimes desta natureza, não 
necessitando que a reincidência seja pelo mesmo delito.
c) reparação do dano, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo.
São requisitos subjetivos do livramento condicional:
a) bons antecedentes;
b) comportamento satisfatório durante a execução;
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RESUMO DE CONCURSOS 
c) bom desempenho no trabalho;
d) aptidão para prover a própria subsistência com trabalho honesto;
e) prognose favorável.
 
Segundo o art. 86, CP, são causas de revogação obrigatória do benefício:
a) se o liberado vem a ser condenado irrecorrivelmente a pena privativa de liberdade por crime cometido durante a vigência do 
livramento
b) se o liberado vem a ser condenado irrecorrivelmente a pena privativa de liberdade por crime por crime anterior, neste caso 
observando-se o disposto no art. 84.
Pelo art. 87, CP, as causas de revogação facultativa são:
a) o descumprimento de qualquer das condições obrigatórias ou facultativas impostas;
b) a condenação irrecorrível por crime ou contravenção a pena que não seja privativa de liberdade
Os efeitos da revogação vão variar a depender da sua causa:
a) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado antes do livramento, terá direito à obtenção de novo livramento, 
inclusive no que se refere à pena que estava sendo cumprida, as duas penas poderão ser somadas a fim de se obter novamente o 
benefício e o período de prova é computado como de pena efetivamente cumprida;
b) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado durante a vigência do livramento, não haverá possibilidade de novo 
benefício em relação à mesma pena, que terá de ser cumprida integralmente, não se computando o prazo em que esteve solto; quanto 
à nova pena, poderá obter o benefício se observados os requisitos;
c) havendo descumprimento das condições impostas, o apenado terá de cumprir a pena integralmente, não se computando o 
período de prova, e não será possível obter-se novamente o mesmo benefício;
d) em caso de condenação por contravenção, os efeitos serão os mesmos de descumprimento das condições impostas.
Requisitos do livramento condicional
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade 
igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: 
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons 
antecedentes; 
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; 
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho 
que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência mediante trabalho honesto; 
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática da 
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente 
específico em crimes dessa natureza. 
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à 
pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que 
façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir. 
Soma de penas
Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas devem somar-se para efeito do livramento. 
Especificações das condições
Art. 85 - A sentença especificará as condições a que fica subordinado o livramento. 
Revogaçãodo livramento
Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em 
sentença irrecorrível: 
I - por crime cometido durante a vigência do benefício; 
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
Revogação facultativa
Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das 
obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a 
pena que não seja privativa de liberdade.
Efeitos da revogação
Art. 88 - Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo quando a revogação 
resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na pena o tempo em 
que esteve solto o condenado. 
Extinção
Art. 89 - O juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sentença em 
processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento.
Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa de 
liberdade. 
6.6 DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO
A sentença penal condenatória produz, como efeito principal, a imposição da sanção penal ao condenado, ou, se inimputável, a 
aplicação da medida de segurança. Produz, todavia, efeitos secundários, de natureza penal e extrapenal.
Os efeitos penais secundários encontram-se espalhados por diversos dispositivos no Código Penal, no Código de Processo Penal 
e na Lei de Execuções Penais, tais como a revogação do sursis e do livramento condicional, a caracterização da reincidência no caso 
de cometimento de novo crime, a impossibilidade de benefícios em diversos crimes (art.155, § 2º, 171, § 1º), inscrição no rol dos 
culpados, etc.
Os efeitos extrapenais secundários estão dispostos nos artigos 91 (efeitos genéricos) e 92 (efeitos específicos), ambos do 
CP. Os efeitos genéricos decorrem da própria natureza da sentença condenatória, abrangem todos os crimes e não dependem de 
pronunciamento judicial (são automáticos); já os efeitos específicos limitam-se a alguns crimes, dependendo de pronunciamento 
judicial a respeito, e não se confundem com as penas de interdição temporária de direitos, visto que estas são sanções penais, 
substituindo a pena privativa de liberdade pelo tempo de sua duração, enquanto aqueles são conseqüências reflexas do crime, 
permanentes e de natureza extrapenal.
Efeitos genéricos e específicos
Art. 91 - São efeitos da condenação: 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: 
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou 
detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a 
prática do fato criminoso.
 
Art. 92 - São também efeitos da condenação: 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes 
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais 
casos. 
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à 
pena de reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado;
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. 
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente 
declarados na sentença.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
6.7 DA REABILITAÇÃO
A reabilitação criminal tem por objetivo conceder ao condenado a possibilidade de ver seu nome reabilitado, sem que constem 
em certidões expedidas pelo poder púbico quaisquer menções à condenação anteriormente sofrida. Tal instituto promove a suspensão 
condicional de alguns efeitos penais da condenação, podendo, em caso de eventual reincidência, haver revogação.
Não se pode olvidar, outrossim, que a reincidência só se configura se o delito posterior ocorre dentro do período de cinco anos a 
partir da data do cumprimento ou extinção da pena, computado o período de prova do “sursis” ou livramento condicional.
Reabilitação
Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao 
condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação. 
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 
deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. 
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de 
qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e o 
do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: 
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; 
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público 
e privado; 
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até 
o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida. 
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido 
seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários. 
Art. 95 - A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, se o reabilitado 
for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa. 
EXERCÍCIOS
01. (FCC- TRF DA 4ª Região - 2010) Considere as seguintes assertivas sobre a substituição da pena privativa de liberdade pelas 
penas restritivas de direitos:
I. Na condenação igual ou inferior a dois anos, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; 
se superior a dois anos, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas 
restritivas de direitos.
II. As penas privativas de liberdade não superiores a 4 anos podem ser substituídas por penas restritivas de direitos se o crime não 
for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo.
III. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição 
imposta e, no cálculo da pena privativa de liberdade a executar, será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, 
respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
IV. Se o condenado for reincidente específico em razão a prática do mesmo crime, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, 
em face da condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável.
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em
a) I e IV.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) II e III.
e) I, II e IV.
02. (Analista Judiciário – TRE – RS – FCC – 2010). Sobre a pena de MULTA prevista no Código Penal, é INCORRETO 
afirmar que
a) deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois do trânsito em julgado da sentença. 
b) se converte em pena de detenção, quando o condenado solvente deixa de pagá-la ou frustra a sua execução. 
c) sua cobrança pode ser efetuada mediante desconto no salário do condenado, quando aplicada isoladamente. 
d) sua execução será suspensa se sobrevém ao condenado doença mental. 
e) se cobrada mediante desconto no salário, não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua 
família.
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RESUMO DE CONCURSOS 
03. (Defensoria Pública – DPE – MT – FCC – 2009) Não se inclui dentreas penas restritivas de direito a
a) limitação de fim de semana
b) multa
c) perda de bens e valores
d) prestação de serviços à comunidade
e) interdição temporária de direitos
04. (Analista Judiciário – TRF 4ª Região – FCC – 2010) - Considere as seguintes assertivas sobre a substituição da pena 
privativa de liberdade pelas penas restritivas de direitos:
I. Na condenação igual ou inferior a dois anos, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; 
se superior a dois anos, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas 
restritivas de direitos.
II. As penas privativas de liberdade não superiores a 4 anos podem ser substituídas por penas restritivas de direitos se o crime não 
for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo.
III. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição 
imposta e, no cálculo da pena privativa de liberdade a executar, será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, 
respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
IV. Se o condenado for reincidente específico em razão a prática do mesmo crime, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, 
em face da condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável.
De acordo com o Código Penal, está correto o que consta APENAS em 
a) I, II e IV
b) I e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) II e III.
05. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002) Para a aplicação de sanções disciplinares é imprescindível 
a) procedimento administrativo com garantia de defesa ao condenado
b) a concordância do Promotor de Justiça. 
c) a decisão do Juiz da execução penal.
d) a decisão do Conselho Disciplinar. 
e) a prática, pelo preso, de crime doloso.
06. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002). A remição pelo trabalho prisional é concedida 
a) à razão de um dia trabalhado por três dias de pena.
b) ao preso que nunca praticou falta disciplinar de natureza grave.
c) ao preso que nunca praticou faltas disciplinares médias ou graves. 
d) à razão de três dias trabalhados por dia de pena
e) ao preso que nunca praticou qualquer espécie de falta disciplinar
07. (Agente Penitenciário – SEAD – AP – FCC – 2002) São espécies de regimes prisionais: 
a) fechado, semi-aberto e aberto
b) reclusão, detenção e liberdade assistida
c) liberdade assistida, liberdade vigiada e semiliberdade
d) privação de liberdade e restrição de direitos
e) reclusão, detenção e prisão simples.
08. (Ministério Público – MPE – MG – 2010). Sobre as penas restritivas de direitos, de conformidade com a disciplina do 
Código Penal, assinale a alternativa CORRETA. 
a) São cabíveis em se tratando de crimes culposos, desde que a pena aplicada não exceda a dois anos. 
b) A prestação de serviços à comunidade somente é aplicável às condenações inferiores a dois anos de privação de liberdade. 
c) Podem ser aplicadas nas contravenções penais e nos crimes punidos com detenção, vedada sua admissão se o crime for punido 
com reclusão.
d) Deverão ser cumpridas no prazo de quatro anos, a contar da data da extração da Carta de Guia deflagatória da execução penal.
e) Se a condenação for a reprimenda superior a um ano, a sanção privativa de liberdade poderá ser substituída por duas penas 
restritivas de direitos.
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RESUMO DE CONCURSOS 
09. (Magistratura – TJ – PA – FGV – 2009) Com relação à aplicação da pena, analise as afirmativas a seguir: 
I. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime, dentre outras, as seguintes: a 
gravidade do crime praticado, ter o agente cometido o crime por motivo fútil ou torpe e ter o agente cometido o crime contra criança, 
maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida. 
II. São circunstâncias que sempre atenuam a pena, dentre outras, as seguintes: ser o agente menor de 21 (vinte e um) anos na 
data do fato, ter o agente cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral e ter o agente cometido o crime em estado 
de embriaguez preordenada. 
III. A pena será ainda agravada em relação ao agente que promove ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos 
demais agentes, ao passo que a pena será ainda atenuada em relação ao agente que induz outrem à execução material do crime. 
Assinale: 
a) se nenhuma afirmativa estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. 
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 
10. (Analista Judiciário – TRF 2º Região – FCC – 2007). Sobre as penas restritivas de direitos, é absolutamente correto afirmar 
que são dessa espécie: 
a) perda de bens e valores; multa e prestação de serviços à comunidade.
b) internação em Casa de Custódia; recolhimento domiciliar e prestação pecuniária. 
c) prestação pecuniária; perda de bens e valores e limitação de fim de semana
d) limitação de fim de semana; permissão para saída temporária e internação em escola agrícola. 
e) cesta básica; prestação pecuniária e multa. 
11. (Analista Judiciário – TRF – 4ª Região – FCC – 2007) Na aplicação da pena-base, o juiz deve considerar 
a) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do agente, os motivos, as circunstâncias e as conseqüências 
do crime, bem como o comportamento da vítima. 
b) a culpabilidade, os antecedentes, a repercussão do crime para o agente, a idade do réu, os motivos, as circunstâncias, a 
gravidade e as conseqüências do crime. 
c) os antecedentes da vítima, a conduta social e a personalidade do agente, a natureza, a gravidade e as conseqüências do crime, 
bem como a idade da vítima. 
d) o comportamento do agente, a idade e os antecedentes da vítima, a conduta social do agente, a gravidade e as conseqüências 
do crime, bem como as circunstâncias atenuantes.
e) a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a personalidade do agente, a idade do agente, a gravidade e a natureza do 
crime, bem como as circunstâncias agravantes. 
12. (Analista Judiciário – TRF 4ª Região – FCC – 2007) São causas extintivas de punibilidade, previstas no Código Penal, 
além de outras: 
a) renúncia do direito de queixa, nos crimes de ação privada; e casamento do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes. 
b) anistia; perdão judicial, nos casos previstos em lei; morte da vítima; e decurso do prazo.
c) retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; prescrição, decadência ou perempção; e casamento do 
agente com a vítima, nos crimes contra os costumes. 
d) morte do agente; anistia, graça ou indulto; retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; e prescrição, 
decadência ou perempção. 
e) prescrição, decadência, menoridade do agente; morte da vítima; e agente maior de setenta anos na data do crime.
13. (OAB - PR-2006-1) Sobre a aplicação da pena e medida de segurança, assinale a alternativa CORRETA:
a) O sistema vicariante foi adotado pela reforma da Parte Geral do Código Penal brasileiro em 1984.
b) O sistema vigente no Brasil é o do duplo binário.
c) Acaso o magistrado, por ocasião da sentença condenatória, reconheça a imputabilidade do agente, em virtude de doença 
mental, poderá aplicar a pena privativa de liberdade, cumulada com medida de segurança.
d) Acaso o magistrado, vislumbrando a gravidade do crime cometido, entenda ser o acusado perigoso, poderá impor, desde logo, 
a medida de segurança, sem a necessidade de proferir a sentença de mérito.
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RESUMO DE CONCURSOS 
14. (OAB- RS-2006-2) No que diz respeito à aplicação da pena, assinale a assertiva incorreta:
a) A pena-base será fixada atendendo ao critério do art. 59 do Código Penal; em seguida serão consideradas as causas de aumento 
e de diminuição de pena;ao final serão valoradas as circunstâncias agravantes e atenuantes.
b) São circunstâncias preponderantes no concurso de agravantes e atenuantes as que resultam dos motivos determinantes do 
crime, da personalidade do agente e da reincidência.
c) Há bis in idem quando o Juiz afasta-se da pena mínima em vista dos antecedentes e, pelo mesmo fato, agrava a pena pela 
reincidência.
d) No caso de concurso formal, inexistindo desígnios autônomos, o Juiz não poderá aplicar pena superior ao que seria cabível 
pela regra do concurso material.
15. (PR-2006-3) Sobre as sanções penais, assinale a alternativa CORRETA:
a) O sistema atualmente em vigor no Brasil permite a cumulação de penas com medidas de segurança, para os criminosos de alta 
periculosidade.
b) As penas privativas de liberdade devem obrigatoriamente ter seu cumprimento iniciado em regime fechado, com posterior 
progressão.
c) As medidas de segurança podem ser aplicadas, também, aos adolescentes infratores que se mostrem inadaptados socialmente.
d) As penas de multa e restritivas de direito são penas alternativas às privativas (ou restritivas) de liberdade.
16. (OAB-PR-2006-2) Sobre as penas privativas de liberdade, assinale alternativa INCORRETA:
a) A pena de detenção deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto, fixado pelo juiz no momento da prolação 
da sentença.
b) A execução da pena em regime semi-aberto será feita em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.
c) O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento de pena condicionada à 
reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado.
d) O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas.
GABARITO
01 D
02 B
03 B
04 E
05 A
06 D
07 A
08 E
09 A
10 C
11 A
12 D
13 A
14 A
15 D
16 A
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RESUMO DE CONCURSOS 
7. MEDIDAS DE SEGURANÇA
As medidas de segurança aplicam-se aos inimputáveis e semi-imputáveis, o fundamento é a periculosidade do agente, e tem 
a finalidade essencial de prevenir a repetição do ato delituoso e assistir o agente do ato para que se trate e não venha a reincidir, 
tendo, por tanto, o caráter preventivo assistencial. Essa prevenção busca a cessação da periculosidade após o tratamento que se faça 
necessário, para que assim traga a tranqüilidade a sociedade.
O principal fundamento das medidas de segurança é a periculosidade do agente do ato delituoso. 
O critério usado pelo código penal de 1940, antes da reforma de 1984, para aferir a responsabilidade penal era a capacidade de 
entender o caráter ilícito do fato e de se posicionar perante esse fato ou entendimento.
De tal forma só está submetido às medidas de segurança os inimputáveis e os semi-imputáveis. Os primeiros são aqueles que 
são inteiramente incapazes de entender o caráter delituoso do fato e de orientar seu atuar de acordo com aquela compreensão. E os 
segundos, os semi-imputáveis, são os que não são inteiramente capazes de entender o caráter ilícito do fato.
Essa é a pequena diferença existente entre os inimputáveis e semi-imputáveis. Esta diferença existe para que se possam aplicar 
corretamente as sanções penais, de forma que, aos semi-imputáveis, as penas e medidas de segurança são aplicadas cumulativamente, 
enquanto que aos inimputáveis são aplicadas apenas as medidas de segurança. 
Nesta redação, anterior a reforma de 1984, o imputáveis também eram suscetíveis às medidas de segurança, porém, é importante 
ressaltar que isto ocorria porquê nesta redação, também eram incluídas como medidas de segurança a liberdade vigiada, proibição 
de freqüentar determinados lugares e exílio local, nas quais eram consideradas medidas de segurança não-detentivas, como também 
a internação em colônia agrícola, instituto de trabalho, de reeducação ou de ensino profissional, além da internação em manicômio 
Judiciário para os inimputáveis, que eram classificadas como medidas de segurança detentivas.
As medidas de segurança eram divididas em pessoais e patrimoniais nas quais aquelas eram as detentivas e não detentivas, e 
estas eram, a interdição de estabelecimento ou de sede de sociedade ou associação e o confisco.
A partir da reforma de 1984, esta divisão das medidas de segurança entre pessoais e patrimoniais foi abolida, e também foram 
diminuídas substancialmente os tipos de medidas de segurança, nas quais restaram somente a internação em hospital de custódia e o 
tratamento ambulatorial, ficando, portanto, a divisão entre detentivas e não-detentivas respectivamente.
De tal forma também foi abolida a imposição de medida de segurança aos imputáveis, uma vez que as medidas de segurança a 
que se submetiam os imputáveis, a partir da reforma de 1894, passaram a ser condições do livramento condicional impostas pelo juiz 
e assistência ao preso, como dever do Estado, constante no capítulo II da Lei 7.210 de 1984 (Lei das Execuções Penais).
A Medida de Segurança é um modo de defesa da sociedade. Deve ser imposta aos inimputáveis e se faculta a possibilidade de 
ser imposta ao semi-imputável, podendo ser também privativa de liberdade, porém diminuída, conforme o § único do artigo 26 do 
Código Penal.
Para que sejam aplicadas as Medidas e Seguranças faz-se necessário a observância da periculosidade criminal do agente, que se 
exterioriza a partir do delito praticado. A periculosidade é, neste sentido, o simples perigo para os outros ou para a própria pessoa, e 
não o conceito de periculosidade penal, limitado a probabilidade da prática de crimes. 
A natureza das “medidas de segurança”, ou simplesmente “medidas”, não é propriamente penal, por não possuírem um conteúdo 
punitivo, mas o são formalmente penais, e em razão disso, são elas impostas e controladas pelos juízes penais.
Existem uma série de diferenças entre a pena e a medida de segurança. Na pena, ela dividida entre privativa de liberdade e 
restritiva de direitos, elas tem o fito principal de punir o agente da infração penal, e por conseqüência, prevenir que o agente cometa 
novamente o ato ilícito. Porém deve-se observar que essa prevenção é um tanto quanto subjetiva, de maneira que, o que irá impedir 
o agente de repetir o ato ilícito, é a sua própria consciência, a sua moral e o medo de ser punido novamente (retributiva - preventiva). 
O que ocorre de maneira inversa com as medidas de segurança, uma vez que estas têm o fito principal de prevenir que o agente 
repita a infração penal, sem nenhum caráter punitivo. Neste caso, a prevenção é objetiva, de maneira que o agente será submetido à 
internação, tratamento psicológico ou tratamento ambulatorial, com medicamentos específicos para cada caso, fazendo, de tal forma, 
com que cesse a temibilidade e a periculosidade do agente (essencialmente preventiva).
Não se pode considerar “penal” um tratamento médico e nem mesmo a custódia psiquiátrica. Sua natureza nada tem a ver com 
a pena, que desta diferencia por seus objetos e meios. Mas as leis penais impõem um controle formalmente penal, e limitam as 
possibilidades de liberdade da pessoa, impondo o seu cumprimento, nas condições previamente fixadas que elas estabelecem, e cuja 
execução deve ser submetida aos juízes penais. 
Requisitos de aplicação das medidas de segurança: Primeiramente, faz-se necessário que ocorra a prática de fato punível. De 
tal forma, temos esse requisito como um limite, uma vez que impede a aplicação de medidas pré-delitivas por razões de segurança 
jurídica.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Outro requisito, um dos principais, é a periculosidade do agente. A periculosidade não pode ser presumida, e sim comprovada. 
Sua aferição implica cálculo de probabilidade, que se desdobra em dois momentos distintos: o primeiro consiste na comprovação da 
qualidade sintomática de perigo (diagnóstico da periculosidade); e o segundo na comprovação da relação entre a qualidade e o futuro 
criminal do agente (prognose criminal). 
Por fim, a ausência de imputabilidadeplena, em que é vedado a aplicação de medida de segurança aos imputáveis, como ocorria 
na redação pretérita, só sendo passível a medidas de segurança o inimputáveis e os semi- imputáveis, porém, somente quando for 
averiguado a necessidade de tratamento curativo.
 
Espécies: Existem duas espécies de medidas de segurança, a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico; e 
o tratamento ambulatorial. As primeiras, internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico constituem a modalidade 
detentiva. Estes se destinam obrigatoriamente aos inimputáveis que tenham cometido crime punível com reclusão e facultativamente 
aos que tenham praticado delito cuja natureza da pena abstratamente cominada é de detenção. 
A segunda, tratamento ambulatorial, é medida de segurança restritiva, introduzindo como inovação na reforma de 1984. Nessa 
modalidade, são dispensados cuidados médicos à pessoa submetida a tratamento que não implica internação. Quando sujeito a esse 
tratamento o delinqüente deve comparecer ao hospital nos dias em que o médico determinar, para que, de tal forma, seja aplicada 
a terapia prescrita. Estão sujeitos a esse tratamento os inimputáveis cuja pena privativa de liberdade seja de detenção e aos semi-
imputáveis, na mesma situação. 
 
Duração das medidas de segurança: A medida de segurança só pode ser executada após o transito em julgado da sentença. 
Deve-se atentar que o prazo mínimo de duração da medida de segurança é de um a três anos, invariável qualquer que seja o delito 
praticado. Para que seja aplicado o mínimo, é usado como critério a maior periculosidade do agente.
Exame de verificação da cessação de periculosidade: A perícia médica para cerificação da cessação da periculosidade será 
realizada ao fim do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se assim determinar o juiz da 
execução. 
Depois de feito o exame, deve ser remetido ao juiz pela autoridade administrativa competente, em forma de minucioso relatório 
instruído com laudo psiquiátrico, em virtude de ser o diagnóstico da periculosidade tarefa difícil e imprecisa. Depois de comprovada 
pela perícia a cessação da periculosidade, o juiz da execução determinará a revogação da medida de segurança.
TÍTULO VI
DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
 
Espécies de medidas de segurança
Art. 96. As medidas de segurança são: 
I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento 
adequado; 
II - sujeição a tratamento ambulatorial. 
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha 
sido imposta. 
Imposição da medida de segurança para inimputável
Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato 
previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial. 
Prazo
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto 
não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser 
de 1 (um) a 3 (três) anos.
Perícia médica
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em 
ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
Desinternação ou liberação condicional
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação 
anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato indicativo de persistência de sua 
periculosidade. 
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, 
se essa providência for necessária para fins curativos. 
Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o condenado de especial 
tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela internação, ou tratamento 
ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e respectivos 
§§ 1º a 4º. 
Direitos do internado
Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento dotado de características hospitalares e será 
submetido a tratamento. 
 ANOTAÇÕES
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
8. DA AÇÃO PENAL
O juiz não pode acusar, dando início ao processo, pois deve-se manter inerte para preservar sua imparcialidade. O poder de 
iniciar o processo penal foi dado a um órgão estatal criado com essa finalidade (o Ministério Público) e, eventualmente, ao ofendido 
ou seu representante legal. Essa prerrogativa de requerer ao Estado-juiz que exerça a jurisdição, ou seja, aplique o Direito Penal ao 
caso concreto é denominada ação penal.
A ação deve ser considerada como um poder, no sentido de prerrogativa. Além disso, ação se refere à movimentação do processo, 
que pode ser feita tanto pelo autor quanto pelo réu. O que o autor tem de forma exclusiva é apenas a demanda.
Atualmente, a ação é considerada um poder:
a) autônomo: Distinto do direito material (direito de punir);
b) abstrato: Independe da existência do direito material e, portanto, da sentença favorável;
c) público: Exercido perante o Estado para a invocação da tutela jurisdicional;
d) subjetivo: Dado potencialmente a qualquer pessoa;
e) instrumentalmente conexa a uma situação concreta: A ação, quando exercida, contém necessariamente uma pretensão (pedido 
para que o réu seja punido por determinado crime).
Dada a importância do instituto, a ação se encontra fundamentada no art. 5°, XXXV da Constituição: “a lei não excluirá da 
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Assim, o Judiciário tem a atribuição de examinar todas as demandas que 
lhe forem propostas, mesmo que, posteriormente, as considere improcedentes. Além disso, só o Judiciário pode realizar a jurisdição, 
sendo vedado ao particular exercer justiça com as próprias mãos e ao próprio Estado executar diretamente o Direito Penal.
Em virtude de ser um direito subjetivo perante o Estado-Juiz, a princípio toda ação penal é pública, sendo contudo feita a 
distinção entre ação penal pública e ação penal privada, em razão da legitimidade para interpô-la, se do Ministério Público ou da 
vítima, respectivamente.
O art.100 do Código penal consagra esta divisão ao predizer que “a ação penal é pública, salvo quando a lei, expressamente, 
a declara privativa do ofendido”. O parágrafo 1º do mesmo artigo diz que “a ação pública é promovida pelo Ministério Público, 
dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça”.
Ação penal pública incondicionada: O art.129, I da Constituição Federaldispõe que é função institucional do Ministério 
Público, privativamente, promover ação penal pública, na forma da lei. Já o art.24 do Código Processual Penal, preceitua que, nos 
crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, dependendo, quando exigido por lei, de requisição 
do ministro da Justiça ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. Daí a distinção a ser feita 
entre ação penal pública Incondicionada e Condicionada: quando promovida pelo Ministério Público sem que haja necessidade de 
manifestação de vontade da vítima ou de outra pessoa, a ação penal; é Incondicionada; quando, entretanto, por lei o Órgão Ministerial 
depende da representação da vítima ou da requisição o Ministro da Justiça para a interposição da ação, esta é classificada como Ação 
Penal Pública Condicionada.
Caracteriza-se assim a ação penal pública incondicionada por ser a promovida pelo Ministério Público sem que esta iniciativa 
dependa ou se subordine a nenhuma condição, tais como as que a lei prevê para os casos de ação penal pública condicionada, tais 
como representação do ofendido e requisição do ministro da Justiça.
Na ação penal incondicionada, desde que provado um crime, tornando verossímil a acusação, o órgão do Ministério Público 
deverá promover a ação penal, sendo irrelevante a oposição por parte da vítima ou de qualquer outra pessoa. É a regra geral na 
moderna sistemática processual penal.
É o Ministério Público dono da ação penal pública, sendo quem exerce a pretensão punitiva, promovendo a ação penal pública 
desde a peça inicial, que é a denúncia, até o final. Como é um órgão do Estado, uno e indivisível, representado por Promotores 
e Procuradores de Justiça, os membros do Ministério Público podem ser substituídos a qualquer tempo no decorrer do processo, 
permanecendo inalterada a titularidade da ação, pois que ela é do Órgão Ministerial, do qual os citados Promotores e Procuradores 
de Justiça são os representantes.
Ação penal pública condicionada: Embora continue sendo do Ministério Público a iniciativa para interposição da ação penal 
pública, neste caso, esta fica condicionada à representação do ofendido ou requisição do ministro da Justiça. No caso da ação penal 
pública condicionada, o ofendido autoriza o Estado a promover processualmente a apuração infracionária. A esta autorização dá-se o 
nome de representação, com a qual o órgão competente, ou seja, o Ministério Público, assume o comando, sendo irrelevante, a partir 
daí, que venha o ofendido a mudar de idéia. Quando a ação penal for condicionada, a lei o dirá expressamente, trazendo, em geral ao 
fim do artigo, o preceito de que somente proceder-se-á mediante representação.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Representação do Ofendido é uma espécie de pedido-autorização por meio do qual o ofendido ou seu representante legal 
expressam o desejo de instauração da ação, autorizando a persecução penal. É necessária até mesmo para abertura de inquérito 
policial.
Com o advento da Lei nº 9.099/95, Lei dos Juizados Especiais, os crimes de lesões corporais leves e lesões culposas também 
passaram ser de ação pública condicionada. A representação é irretratável. É um direito da vítima e pode ser exercido por ela ou 
por seu representante legal, ou, ainda, por procurador (da vítima ou do seu representante legal) com poderes especiais, mediante 
declaração escrita ou oral. Esta representação não há de necessariamente ser feita por intermédio de profissional dotado de capacidade 
postulatória, por tratar-se de figura processual. 
Outra condição de procedibilidade, a requisição do Ministro da Justiça é um ato administrativo, discricionário e irrevogável, que 
deve conter a manifestação de vontade para instauração da ação penal, com menção do fato criminoso, nome e qualidade da vítima, 
nome e qualificação do autor do crime etc., embora não exija forma especial.
Atende a razões de ordem política, que levam à dependência de uma ordem ministerial determinados casos elencados no Código 
Penal, a seguir enumerados: nos crimes contra a honra praticados contra o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro, 
nos delitos praticados por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, e, ainda, em determinados crimes praticados através da imprensa.
Assim como a representação, a requisição não implica a obrigatoriedade da propositura da ação pelo Ministério Público. A 
requisição pode ser feita a qualquer tempo, até que seja extinta a punibilidade do agente infrator.
O prazo para se exercer o direito de representação é de seis meses, contados a partir do dia em que a vítima ou o seu representante 
legal tomar conhecimento da autoria do crime. Prazo decadencial, matéria de direito penal, em virtude de constituir-se causa extintiva 
da punibilidade. 
Em se tratando de vítima menor de idade, o prazo contará para seu representante legal a partir do dia em que tomar conhecimento 
do fato, desde que tal não se venha a dar após o representado atingir a maioridade. Neste caso, em que o representante legal, ignora 
o fato acontecido, o prazo passará a ser contado a partir do momento em que a vítima atingir a maioridade. 
Em se tratando de doente mental, isto, obviamente, não se aplica, pois a representação legal não cessa até que cesse a incapacidade; 
logo, o prazo não poderá fluir para a vítima, pois se ela não pode exercer o direito, como iria este prescrever.
TÍTULO VII
DA AÇÃO PENAL
Ação pública e de iniciativa privada
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. 
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de 
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. 
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade 
para representá-lo. 
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público 
não oferece denúncia no prazo legal. 
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido declarado ausente por decisão judicial, o direito de 
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
A ação penal no crime complexo
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si 
mesmos, constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele, desde que, em relação a qualquer 
destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério Público. 
Irretratabilidade da representação
Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia. 
Decadência do direito de queixa ou de representação
Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de 
representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber 
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo 
para oferecimento da denúncia. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com 
a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano 
causado pelo crime. 
Perdão do ofendido
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que somente se procede mediante queixa, obsta ao 
prosseguimento da ação. 
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: 
I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos aproveita; 
II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros; 
III - se o querelado o recusa, não produz efeito. 
§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação. 
§ 2º - Não éadmissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória. 
EXERCÍCIOS
1. (Auditor Fiscal da Receita Estadual – SEFAZ/SC – FEPESE – 2010). De acordo com o Código Penal, pode-se afirmar:
a) A representação será irretratável depois de recebida a denúncia. 
b) O direito de queixa pode ser exercido mesmo depois de renunciado tacitamente. 
c) O ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do data 
em que se praticou a conduta delituosa, ainda que outro seja o momento do resultado. 
d) Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe ação 
pública em relação àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério Público. 
e) Para produzir efeitos, o perdão independe de aceitação pelo querelado.
2. (Magistratura – TJ/MS – FGV – 2008) O prazo para o ajuizamento da queixa-crime é: 
a) de seis meses, iniciando a fluência desse prazo no dia seguinte ao dia em que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime. 
b) de dois meses, iniciando a fluência desse prazo no dia seguinte ao dia em que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime. 
c) de seis meses, iniciando a fluência desse prazo no dia em que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime. 
d) de dois meses, iniciando a fluência desse prazo no dia em que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime. 
e) enquanto não estiver prescrito o crime praticado. 
3. (OAB - PR-2006-2) Sobre a ação penal, assinale a alternativa INCORRETA:
a) A ação de iniciativa privada é promovida mediante representação do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo.
b) A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.
c) No caso de morte do ofendido, o direito de oferecer queixa passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
d) A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo 
legal.
GABARITO
01 D
02 C
03 A
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RESUMO DE CONCURSOS 
9. DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Causas extintivas da punibilidade são causas que fazem desaparecer o direito punitivo do Estado, impedindo-o de iniciar ou 
prosseguir com a persecução penal. O rol a seguir exposto não é taxativo, pois existem outras causas extintivas de punibilidade 
previstas na parte especial do Código Penal e em leis especiais. Extingue-se a punibilidade: 
	Pela morte do agente;
	Pela anistia, graça ou indulto;
	Pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
	Pela prescrição, decadência ou perempção;
	Pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada;
	Pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
	Pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
 
1) Morte do Agente: O juiz de posse da certidão de óbito do agente, após ouvir o Ministério Público, decretará a extinção 
punibilidade. Esta certidão deve ser expedida pelo Cartório de Registro Civil.
2) Anistia, graça ou indulto: Nesses institutos o Estado, por razões de política criminal, abdica de seu direito de punir, em 
nome da pacificação social. Os crimes hediondos e assemelhados não estão sujeitos à anistia, graça ou indulto. Assim se define os 
três institutos:
a) anistia – exclui o crime e apaga seus efeitos. Trata-se de uma clemência soberana concedida por lei para atingir todos que 
tenham praticado determinado delito. A anistia divide-se em própria ou imprópria, irrestrita ou parcial, incondicionada e condicionada;
b) indulto – é concedido a determinado grupo de condenado de forma coletiva. Sua concessão compete ao Presidente da 
República, que pode delegá-la;
c) graça – é concedida em caráter individual para benefício de determinado agente.
3) Abolitio criminis: Quando a lei pela sua retroatividade não mais considera determinado fato criminoso como delito. A lei 
penal discriminaliza determinada conduta. Pode ocorrer antes ou depois da condenação e apaga todos os efeitos penais.
4) Decadência: Quando o ofendido ou seu representante legal perde o direito de oferecer a queixa, nos crimes de ação penal 
privada. Em regra, o prazo é de 6 meses. 
5) Prescrição: Quando o Estado não exerce a pretensão punitiva ou a pretensão executória após o decurso de determinado 
período de tempo. A tabela com os prazos prescricionais consta no artigo 109 do CP. 
6) Perempção: É uma sanção aplicada ao querelante, em virtude da perda do direito de prosseguir na ação penal privada, por 
inércia ou negligência processual. Esse instituto é aplicado exclusivamente nas ações penais privadas. A perempção só pode ocorrer 
depois de recebida a queixa e até o trânsito em julgado do processo penal.
7) Renúncia: Ato unilateral em que o ofendido abdica do seu direito de oferecer a queixa. Instituto exclusivo da ação penal 
privada. A renúncia só pode ocorrer antes do recebimento da queixa. Não necessita da concordância do ofendido.
8) Perdão do ofendido: O ofendido (querelante) desiste do prosseguimento da ação penal privada, desculpando o autor da ofensa 
(querelado) pela infração penal praticada. É concedido no decorrer da ação penal privada. Ele pode ser processual ou extraprocessual. 
O perdão oferecido a um dos querelados aproveitará os demais. Quando houver mais de um querelante, o perdão por parte de um 
deles, não prejudicará o direito do outro continuar a ação.
9) Retratação do agente: Ocorre quando o agente admite que praticou o fato criminoso erroneamente. É admitida nos crimes de 
calúnia, difamação, falso testemunho e falsa perícia. A retratação deve ocorrer antes da sentença condenatória de primeira instância.
10) Perdão judicial: Causa extintiva de punibilidade por meio da qual o juiz, diante de certos requisitos previstos em lei, 
renuncia o direito de punir, geralmente fundado na desnecessidade da pena. O Juiz reconhece a prática do fato delituoso, mas deixa 
de aplicar a pena.
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RESUMO DE CONCURSOS 
A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância agravante de outro não se estende 
a este. Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante 
da conexão.
Prescrição antes de transitar em julgado a sentença
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 
deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: 
(Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, 
de 2010).
 
Prescrição das penas restritivas de direito
Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as 
privativas de liberdade. 
Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena 
aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o 
condenado é reincidente. 
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois 
de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por 
termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
§ 2o (Revogado pela Lei nº 12.234, de2010).
 
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: 
I - do dia em que o crime se consumou; 
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; 
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; 
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que 
o fato se tornou conhecido
Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: 
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a 
suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; 
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva computar-se 
na pena. 
Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, a prescrição é 
regulada pelo tempo que resta da pena. 
Prescrição da multa
Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: 
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada; 
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for 
alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
Redução dos prazos de prescrição
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, 
menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos.
Causas impeditivas da prescrição
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: 
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência 
do crime; 
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.
Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre 
durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. 
Causas interruptivas da prescrição
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: 
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; 
II - pela pronúncia; 
III - pela decisão confirmatória da pronúncia; 
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; 
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena; 
VI - pela reincidência. 
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição produz efeitos 
relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam objeto do mesmo processo, 
estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles.
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo começa a correr, 
novamente, do dia da interrupção. 
Art. 118 - As penas mais leves prescrevem com as mais graves. 
Reabilitação
Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, 
isoladamente. 
Perdão judicial
Art. 120 - A sentença que conceder perdão judicial não será considerada para efeitos de reincidência. 
 ANOTAÇÕES
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RESUMO DE CONCURSOS 
10. DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
10.1 DOS CRIMES CONTRA A VIDA
Primeiramente vamos observar alguns conceitos importantes para o estudo da parte especial do Código Penal:
Objetividade jurídica: Trata-se da finalidade da norma, ou seja, qual objeto jurídico a norma pretende tutelar? O objeto jurídico 
tutelado nos crimes contra a vida é a vida humana. É um crime simples, pois tem apenas um bem jurídico tutelado. Crimes complexos 
são aqueles em que a lei protege mais de um bem jurídico.
Sujeito Ativo: Quem pode praticar o crime? Afinal, há crimes que são próprios, tais como o infanticídio, onde somente a mãe, 
em estado puerperal mata o próprio filho e é punida pelo crime de infanticídio.
Sujeito passivo: Trata-se da vítima, quem sofre com o cometimento do crime em tela.
Elementos objetivos do tipo: Tipo é o texto da lei. Seus elementos objetivos nada mais são do que os verbos nele inseridos. 
Quem pratica o verbo do tipo, está praticando o crime nele descrito.
Consumação: A consumação é o ato pelo qual o crime se torna perfeito e acabado, passível de ser processado.
Tentativa: Há crimes que são punidos pela mera tentativa, ou seja, não há consumação. Nem todos os crimes são punidos em 
caso de tentativa, somente os expressamente previstos.
Elemento subjetivo do tipo: Verifica-se se o crime é punido a título de dolo ou culpa. Os crimes são, via de regra, punidos a 
título de dolo. Somente serão punidos a título de culpa se assim expressamente estiver descrito. No dolo o sujeito possui a intenção 
de praticar o crime, ou seja, o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Na culpa, o sujeito não tem a intenção de 
praticar o crime, mas acaba por praticá-lo na modalidade de imperícia, negligência, ou imprudência. 
Podemos classificar o homicídio em três espécies:
	HOMICÍDIO SIMPLES: Será simples todo homicídio que não for qualificado ou privilegiado, ou seja, que é cometido 
buscando o resultado morte, sem qualquer agravante no crime. Um homicídio cometido pelas costas da vitima ou com ela dormindo, 
por exemplo, deixa de ser simples, por não ter sido dado a ela chance de defesa.
	HOMICÍDIO PRIVILEGIADO: Por outro lado, se a prática da infração é motivada por relevante valor social ou moral, 
ou se esta é cometida logo após injusta provocação da vítima, a pena pode ser minorada de 1/6 até 1/3 da pena. Embora a Lei diga 
que é apenas uma possibilidade, tem prevalecido a tese da obrigatoriedade da redução da pena, em virtude da aplicação dos princípios 
gerais de Direito Penal, que compelem ao intérprete da Lei a fazê-lo da forma mais favorável ao réu. É importante destacar que 
quando as circunstâncias de privilégio são de caráter subjetivo, estas não se comunicam ao co-autor do crime.
Também ocorre homicídio privilegiado quando as circunstâncias fáticas diminuíram a capacidade de autocontrole e reflexão do 
agente. Nos termos da Lei, deve o homicídio ocorrer logo em seguida a uma injusta provocação da vítima que deixe o agente sob o 
domínio de violenta emoção.
Não será privilegiado, portanto, o homicídio decorrente de ódio antigo, ou que venha a ser cometido tempos depois da agressão 
da vítima, pois isto retira a suposição de que o agente estava com suas faculdades mentais diminuídas em decorrência de violenta 
emoção.
Nada impede que um homicídio privilegiado seja também qualificado. Por exemplo, é o caso do agente que utiliza meio cruel 
para realizar o homicídio sob violenta emoção logo em seguida de injusta provocação da vítima.
	HOMICÍDIO QUALIFICADO: Dependendo da motivação do agente, ou mesmo do meio empregado por ele, pode o 
delito se tornar qualificado, fazendo com que sua pena seja consideravelmente mais alta, face à maior reprovabilidade da conduta. 
Quando é praticado em sua forma qualificada, ou quando típico da ação de grupos de extermínio, é considerado como hediondo, 
inserindo-se no mesmo rol em que se encontram o estupro, o latrocínio, a extorsão mediante sequestro, etc. São estes os elementos 
que qualificam o homicídio:
a) cometer o crime mediante paga ou promessa de recompensa. A recompensa não precisa ser real ou financeira (corrente 
minoritária). Para a corrente majoritária,essa promessa de recompensa deve ter caráter econômico e, mesmo que não seja efetivada, 
o homicídio permanece qualificado, pois o que importa é a motivação do crime;
b) cometer o crime por motivo torpe; Cometer o crime por motivo fútil, que caracteriza-se pelo homicídio como resposta a uma 
situação desproporcionalmente pequena, como por exemplo, matar alguém porque a vitima estava falando alto;
c) empregar veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum. 
Ressalte-se que existe a tortura com morte preterdolosa, que não é um tipo de homicídio qualificado;
d) cometer homicídio à traição, de emboscada ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a 
defesa do ofendido;
e) cometer o crime para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime, o chamado homicídio por 
conexão.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
SUJEITO ATIVO: Nos crimes desse tópico “crimes contra a vida”, podemos considerar como sujeito ativo qualquer pessoa, é 
o que chamamos de crime comum. Diferente do que ocorre nos crimes próprios, em que só podem ser praticados por determinadas 
pessoas, por exemplo; “crimes praticados por funcionários públicos”, nesses tipos, somente o funcionário público, em regra, poderá 
ser considerado sujeito ativo dos crimes ali considerados.
O homicídio admite co-autoria e participação.
	Co-autoria: Ocorre quando duas ou mais pessoas praticam a conduta descrita no tipo.
	Participação: Ocorre quando o sujeito não comete qualquer conduta descrita no tipo, mas de alguma forma contribui para o 
crime. Exemplo: Aquele que empresta a arma ou incentiva a prática do crime. Para que exista co-autoria e participação, é necessário 
o chamado liame subjetivo, ou seja, a ciência por parte dos envolvidos de que estão colaborando para um fim comum.
Autoria colateral ocorre quando duas ou mais pessoas querem cometer o mesmo crime e agem ao mesmo tempo, sem que uma 
saiba da intenção da outra, e o resultado morte decorre da conduta de um só agente, que é identificado no caso concreto. O que for 
identificado responderá por homicídio consumado e o outro por tentativa.
SUJEITO PASSIVO: Qualquer ser humano após seu nascimento e desde que esteja vivo, pode ser considerado sujeito passivo 
do crime de homicídio.
Crime impossível: Tem a finalidade de afastar a tentativa por absoluta impropriedade do meio ou do objeto. Há crime impossível 
por absoluta impropriedade do objeto na conduta de quem tenta tirar a vida de pessoa já morta e, neste caso, não há tentativa de 
homicídio, ainda que o agente não soubesse que a vítima estava morta. Haverá também crime impossível, mas por absoluta ineficácia 
do meio, quando o agente usa, por exemplo, arma de brinquedo ou bala de festim.
Consumação: Dá-se no momento da morte (crime material). A morte ocorre quando cessa a atividade encefálica (Lei da Doação 
de Órgãos). A prova da materialidade se faz por meio do laudo de exame necroscópico assinado por dois legistas, que devem atestar 
a ocorrência da morte e se possível as suas causas.
Elemento subjetivo
•	 Dolo direto: Ocorre quando a pessoa quer o resultado.
•	 Dolo eventual: Ocorre quando a pessoa não quer, mas assume o risco de produzir o resultado.
PARTE ESPECIAL
TÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES CONTRA A VIDA
Homicídio simples 
Art 121. Matar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena 
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a 
pena de um sexto a um terço. 
Causa de diminuição de pena (redução de 1/6 a 1/3, em todas as hipóteses).
Apesar de o parágrafo trazer a expressão “pode”, trata-se de uma obrigatoriedade, para não ferir a soberania dos veredictos. O 
privilégio é votado pelos jurados e, se reconhecido o privilégio, a redução da pena é obrigatória, pois do contrário estaria sendo ferido 
o princípio da soberania dos veredictos. Trata-se, portanto, de um direito subjetivo do réu.
Homicídio qualificado 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
II - por motivo futil; 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de 
que possa resultar perigo comum; 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne 
impossível a defesa do ofendido; 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
Na paga ou promessa de recompensa, há a figura do mandante e do executor. Ambos respondem pela forma qualificada. Também 
chamado de homicídio mercenário.
A paga é prévia em relação à execução. Na promessa de recompensa, o pagamento é posterior à execução. Mesmo se o mandante 
não a cumprir, existirá a qualificadora para os dois.
Motivo torpe: Demonstra a maldade do sujeito em relação ao motivo do delito. É o motivo vil, repugnante. Ex: matar o pai para 
ficar com herança; matar a esposa porque ela não quer manter relação sexual. O ciúme não é considerado motivo torpe. A vingança 
será considerada, ou não, motivo torpe ou fútil dependendo do que a tenha originado.
Motivo fútil: Matar por motivo de pequena importância, insignificante. Exemplo: matar por causa de uma fechada no trânsito. 
A ausência de prova, referente aos motivos do crime, não permite o reconhecimento dessa qualificadora. Ciúme não caracteriza 
motivo fútil. A existência de uma discussão “forte”, precedente ao crime, afasta o motivo fútil, ainda que a discussão tenha se iniciado 
por motivo de pequena importância, pois entende-se que a causa do homicídio foi a discussão e não o motivo anterior que a havia 
originado.
Traição: Aproveitar-se da prévia confiança que a vítima deposita no agente para alvejá-la (Ex: amizade, relação amorosa etc).
Emboscada ou tocaia: Aguardar escondido a passagem da vítima por um determinado local para matá-la.
Dissimulação: Uso de artifício para se aproximar da vítima. 
Homicídio culposo 
§ 3º Se o homicídio é culposo: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
Entre as modalidades de crimes culposos, nos quais estariam situados os atos denominados erros médicos, há aqueles em que 
o agente deu causa ao resultado por imprudência (prática de ato perigoso), negligência (falta de precaução), ou imperícia (falta de 
aptidão técnica teórica ou prática).
A imprudência se caracteriza por uma conduta comissiva, é a ausência do devido cuidado consubstanciada numa ação é, pois, a 
realização de um ato (no caso dos médicos, um ato médico) sem a devida previdência.
A negligência é, por seu turno, a ausência de cuidado razoável exigido. Trata-se, em verdade, da omissão da conduta esperada e 
recomendável. O médico que não realiza o necessário e preventivo cuidado para proceder a uma cirurgia, vindo, por conseguinte, em 
razão desta omissão do dever de cautela, a causar um mal ao paciente, age negligentemente.
A imperícia é, a falta da competente análise e da observação das normas existentes para o desempenho da atividade. É o despreparo 
profissional, o desconhecimento técnico da profissão.
•	 Imprudência: Consiste numa ação, conduta perigosa.
•	 Negligência: É uma omissão quando se deveria ter tomado um certo cuidado.
•	 Imperícia: Ocorre quando uma pessoa não possui aptidão técnica para a realização de uma certa conduta e mesmo assim a 
realiza, dando causa a morte.
Culpa concorrente: Ocorre quando duas pessoas agem de forma culposa, provocando a morte de um terceiro. Ambos respondem 
pelo crime. O fato da vítima também ter agido com culpa não exclui a responsabilidade do agente. Não há compensação de culpas 
em Direito Penal.
Aumento de pena 
§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (umterço), se o crime resulta de inobservância de 
regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não 
procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso 
o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 
(quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. 
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências 
da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
No caso do §4º, o aumento de pena só se aplica a quem agiu com culpa e não socorreu. Não se aplica o aumento:
•	 Se a vítima está evidentemente morta;
•	 Se a vítima foi socorrida de imediato por terceiro;
•	 Quando o socorro não era possível por questões materiais, ameaça de agressão, etc.
Na imperícia o agente não possui aptidão técnica para a conduta, enquanto na causa de aumento o agente conhece a técnica, mas 
por descaso, desleixo, não a observa, provocando assim a morte.
O Juiz poderá conceder o perdão judicial, deixando de aplicar a pena, quando as conseqüências do crime atingirem o próprio 
agente de forma tão grave que a imposição da mesma se torne desnecessária. Só na sentença é que poderá ser concedido o perdão 
judicial.
Tem natureza declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo seus efeitos.
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio 
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da 
tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. 
Parágrafo único - A pena é duplicada:
Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.
Suicídio é a supressão voluntária e consciente da própria vida. Havendo violência ou grave ameaça, o crime será de homicídio. 
A violência ou grave ameaça exclui a voluntariedade e, por conseqüência, o suicídio. O autor da coação responderá por homicídio. A 
fraude exclui a consciência quanto ao suicídio, portanto ocorrerá homicídio, respondendo o autor da fraude por esse delito.
•	 Induzir: Dar a idéia a alguém que ainda não tinha pensado em suicídio, ou seja, criar a idéia de suicídio na cabeça da vítima.
•	 Instigar: Reforçar a idéia suicida preexistente.
•	 Auxiliar: Participação material, já que o agente colabora com a própria prática do suicídio. Ex: emprestar corda, arma, 
veneno etc. O auxílio deve ser acessório, ou seja, não poderá ser a causa direta da morte, pois, se for, o crime será de homicídio.
•	 O induzimento e a instigação são formas de participação moral, enquanto o auxílio é forma de participação material.
•	 Induzir, instigar e prestar auxílio à mesma vítima: O crime será único quando o agente realizar mais de uma conduta, pois 
trata-se de crime de ação múltipla ou de conteúdo variado, ou ainda, tipo misto alternativo.
Motivo Egoístico: Se o auxílio ao suicídio foi feito por motivo egoístico (proveito para o agente) – a pena é aumentada (duplica). 
Ex: Zezinho dá arma à Maria para que ela se suicide, pois com sua morte, Zezinho receberá a herança. 
Vítima Menor (vítima maior de 14 e menor de 18 anos): pena aumentada. Se a vítima tinha alguma capacidade de resistir à 
idéia de suicídio, é crime de auxílio ao suicídio, caso contrário pode ser considerado homicídio.
Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos. 
Objeto jurídico: A vida do neonato.
Sujeito ativo: A mãe.
Sujeito passivo: O neonato
Elementares do Crime: Matar: aplicam-se as regras do homicídio quanto a esse verbo (consumação, tentativa etc.).
	Estado puerperal: Alteração psíquica que acontece em grande número de mulheres em razão de alterações orgânicas decor-
rentes do fenômeno do parto. Tem de ser provado por perícia médica, mas, se os médicos ficarem em dúvida sobre sua existência e o 
laudo for inconclusivo, será presumido o estado puerperal, aplicando-se o in dubio pro reo.
	Próprio filho: É o sujeito passivo, nascente ou recém nascido.
Durante ou logo após o parto: Este é o elemento temporal, ou seja, o crime só poderá ser praticado em um determinado momento. 
Considera-se início do parto a dilatação do colo do útero, e fim do parto, o nascimento. A expressão “logo após” variará conforme 
o caso concreto, pois a duração do estado puerperal difere de uma mulher para outra. Alguns doutrinadores acreditam que o estado 
puerperal são de 7 dias, outros; 8 dias, alguns acreditam em até 40 dias, porém a corrente mais aceita é a que defende a duração do 
estado puerperal se dá até que os efeitos deste estado estejam se produzindo. (devendo ser realizada perícia médica na mãe).
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Algumas hipóteses especiais: 
1) Se, em decorrência do estado puerperal a mulher vem a ser portadora de doença mental, causando a morte do próprio filho, 
aplica-se o art. 26 “caput” CP: exclusão de culpabilidade pela imputabilidade causada pela doença mental. 
2) Se, em conseqüência da influência do estado puerperal, a mulher vem a sofrer simplesmente perturbação da saúde mental, que 
não lhe retire a inteira capacidade de entendimento e de autodeterminação, aplica-se o disposto no art. 26, parágrafo único do Código 
Penal. Neste caso, desde que se prove tenha sido portadora de uma perturbação psicológica patológica, como delírio ou psicose, 
responde por infanticídio com pena atenuada.
3) É possível que, em conseqüência do puerpério, a mulher venha a sofrer uma simples influência psíquica, que não se amolde à 
regra do art. 26, parágrafo único do Código Penal. Neste caso, responde pelo delito de infanticídio, sem atenuação da pena. 
Assim, se o puerpério não causa nenhuma perturbação psicológica na mulher, matando o próprio filho, pratica crime de homicídio. 
Entretanto, é possível que o estado puerperal cause na mulher uma perturbação psicológica de natureza patológica. Nesta hipótese, 
é preciso distinguir. Se essa perturbação psíquica constitui doença mental, está isenta de pena nos termos do art. 26 “caput”. Se a 
perturbação psíquica não lhe retira a inteira capacidade de entender e de querer, responde pelo delito de infanticídio, porém com a 
pena atenuada, em face do art. 26, parágrafo único, do estatuto penal. 
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos. 
 
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos. 
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é 
alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência
 
Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em 
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de 
natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
 
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
 
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
 
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando 
incapaz, de seu representante legal.
Aborto é a interrupção da gravidez com a conseqüente morte do feto. O aborto pode ser natural, acidental ou provocado.
O aborto criminoso traz duasfiguras que punem a mulher grávida. São dois casos de crime próprio, sendo o sujeito passivo 
sempre o feto.
•	 Auto-aborto: Praticar aborto em si mesma.
•	 Aborto consentido: Consentir que terceiro provoque aborto. O terceiro responderá pelo art. 126, que contém pena maior. 
Esta é uma exceção à regra de que todos que colaboram para um crime respondem nos mesmos termos de seu autor principal 
(exceção à teoria monista ou unitária. É uma exceção expressa).
A pena para quem provoca aborto com o consentimento da gestante é de um a quatro anos. Se ocorrer a morte da gestante, de dois 
a oito anos. O aumento é aplicável na hipótese de morte culposa, porque, se o agente tinha dolo em relação ao aborto e em relação 
à morte, haverá dois crimes autônomos (aborto e homicídio). O crime do art. 126 do Código Penal pressupõe que a autorização da 
mulher dure até a consumação do aborto.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Forma qualificada: Se a gestante sofre lesão grave, a pena é aumentada em um terço. Se a gestante morre, a pena é aumentada 
em dobro. Só vale para o aborto praticado por terceiro, consentido ou não pela gestante (artigos 125 e 126).
Aborto Legal – Art. 128 do Código Penal: Prevê duas hipóteses em que a provocação do aborto é permitida. Natureza jurídica: 
Causa de exclusão de ilicitude.
1) Aborto necessário. Não se exige risco atual, como no estado de necessidade. Ante a simples constatação de que no futuro 
haverá perigo, poderá o aborto ser realizado desde logo. Havendo perigo atual, o aborto pode ser praticado por qualquer pessoa, 
aplicando-se nesse caso o estado de necessidade. Requisitos:
•	 Que seja feito por médico;
•	 Que não haja outro meio para salvar a vida da gestante.
2) Aborto sentimental. Requisitos:
•	 Que seja feito por médico;
•	 Que a gravidez tenha resultado de estupro;
•	 Que haja o consentimento da gestante ou, se incapaz, de seu representante legal.
10.2 DAS LESÕES CORPORAIS
Ofensa à integridade corporal consiste no dano anatômico prejudicial ao corpo humano. Exemplo: Corte, queimadura, mutilações 
etc.
Ofensa à saúde é a provocação de perturbações de caráter psicológico e/ou fisiológico. Exemplo: transmitir intencionalmente 
uma doença, paralisia momentânea etc.
A provocação de mais de uma lesão em um mesmo contexto caracteriza crime único.
LESÕES CORPORAIS LEVES: São as lesões corporais que não determinam as conseqüências previstas nos §§ 1°, 2° e 3°, do 
art. 129 do CP; São representadas freqüentemente por danos superficiais comprometendo a pele, a hipoderme, os vasos arteriais e 
venosos capilares ou pouco calibrosos. Ex: O desnudamento da pele ou escoriação, o hematoma, ferida contusa, luxação, edema, 
torcicolo traumático
LESÕES CORPORAIS GRAVES: São os danos corporais resultantes das conseqüências previstas pelo § 1°: 
	 Incapacidade para as ocupações habituais por + de 30 dias – ocorre quando o ofendido não pode retornar a todas as suas 
comuns atividades corporais antes de transcorridos 30 dias, contados da data da lesão; a incapacidade não precisa ser absoluta, basta 
que a lesão caracterize perigo ou imprudência no exercício das ocupações habituais por mais de 30 dias. Exame complementar – é 
um segundo exame pericial que se faz logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do crime e não da respectiva lavratura 
do corpo de delito, para avaliar o tempo de duração da incapacidade; quando procedido antes do trintídio é suposto imprestável, pois 
aberra do texto legal; se realizado muito tempo depois de expirado o prazo de 30 dias ele será imprestável, impondo-se, por isso, 
a desclassificação para o dano corporal mais leve (exceção: quando os peritos puderem verificar permanência da incapacidade da 
vítima para as suas ocupações habituais - ex: detecção radiológica de calo de fratura assestado em osso longo, posto que essa moda-
lidade de lesão traumática sempre demanda mais de 30 dias para consolidar); existe outras formas de exame complementar que não 
a que se faz para verificar a permanência da inabilitação por mais de 30 dias, como a investigação levada a efeito a qualquer tempo, 
para corrigir ou complementar laudo anterior, ou logo após um ano da data da lesão, objetivando pesquisar permanência da mesma.
	Perigo de vida – é a probabilidade concreta e objetiva de morte (não pode nunca ser suposto, nem presumido, mas real, clíni-
ca e obrigatoriamente diagnosticado); é a situação clínica em que resultará a morte do ofendido se não for socorrido adequadamente, 
em tempo hábil; ele se apresenta como um relâmpago, num átimo, ou no curso evolutivo do dano, desde que seja antes do trintídio 
- ex.: hemorragia por seção de vaso calibroso, prontamente coibida; feridas penetrantes do abdome.
	Debilidade permanente de membro, sentido (são as funções perceptivas que permitem ao indivíduo contatar os objetos do 
mundo exterior) ou função (é o modo de ação de um órgão, aparelho ou sistema do corpo) – é a lesão conseqüente à fraqueza, à de-
bilitação, ao enfraquecimento duradouro, mas não perpétuo ou impossível de tratamento ortopédico, do uso da energia de membro, 
sentido ou função, sem comprometimento do bem-estar do organismo, de origem traumática; por permanente entende-se a fixação 
definitiva da incapacidade parcial, após tratamento rotineiro que não logra o resultado almejado, resultando, portanto, verdadeira 
enfermidade; a ablação ou inutilização de um órgão duplo, mantido o outro íntegro e não abolida a função, constitui lesão grave 
(debilidade permanente); 
	Aceleração de parto – consiste na antecipação quanto à data ou ocasião do parto, mas necessariamente depois do tempo 
mínimo para a possibilidade de vida extra-uterina e desencadeada por traumatismos físicos ou psíquicos; na aceleração do parto, 
o concepto deve nascer vivo e continuar com vida, dado o seu grau de maturação; no aborto, o concepto é expulso morto, ou sem 
viabilidade, se sobreviver.
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RESUMO DE CONCURSOS 
LESÕES CORPORAIS GRAVÍSSIMAS: São os danos corporais resultantes das conseqüências previstas pelo § 2°:
	 Incapacidade permanente para o trabalho – é caracterizada pela inabilitação ou invalidez de duração incalculável, mas não 
perpétua, para todo e qualquer trabalho.
	Enfermidade incurável – é a ausência ou o exercício imperfeito ou irregular de determinadas funções em indivíduo que goza 
de aparente saúde.
	Deformidade permanente – é o dano estético irreparável pelos meios comuns, ou por si mesmo, capaz de provocar sensação 
de repulsa no observador, sem contudo atingir o aspecto de coisa horripilante, mas que causa complexo ou interfira negativamente na 
vida social ou econômica do ofendido. 
	Perda ou inutilização do membro, sentido ou função. 
	Aborto.
CAPÍTULO II
DAS LESÕES CORPORAIS
Lesão corporal 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano.
 
Lesão corporal de natureza grave 
§ 1º Se resulta: 
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; 
II - perigo de vida; 
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; 
IV - aceleração de parto: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
§ 2° Se resulta: 
I - Incapacidade permanente para o trabalho; 
II - enfermidade incurável; 
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; 
IV - deformidade permanente; 
V - aborto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
Lesão corporal seguida de morte 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o 
risco de produzí-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
 
Diminuição de pena 
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o 
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena 
de um sexto a um terço. 
 
Substituição da pena 
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, deduzentos mil réis a dois contos de réis: 
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; 
II - se as lesões são recíprocas. 
 
Lesão corporal culposa 
§ 6° Se a lesão é culposa: 
Pena - detenção, de dois meses a um ano. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
Aumento de pena 
§ 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º. 
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121. 
Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com 
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste 
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). 
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido 
contra pessoa portadora de deficiência. 
10.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
Expor alguém a perigo significa criar ou colocar a vítima em uma situação de perigo de dano. Trata-se de crime de ação livre, 
que admite qualquer forma de execução: “fechar” veículo, abalroar o veículo da vítima, desferir golpe com instrumento contundente 
próximo à vítima etc.
O crime em análise pode também ser cometido por omissões como, por exemplo, o caso de patrão que não fornece aparelhos de 
proteção a seus funcionários, desde que disso resulte situação concreta de perigo, já que o não cumprimento das normas de segurança, 
visto por si só, caracteriza contravenção penal.
É necessário, ainda, que o perigo seja:
•	 Direto: Aquele que atinge pessoa(s) certa(s) e determinada(s). Trata-se, pois, de crime de perigo concreto, uma vez que exige 
prova de que o agente objetivava efetuar a conduta contra uma ou mais pessoas determinadas. Se o agente visa número indeterminado 
de pessoas, haverá crime de perigo comum previsto nos arts. 250 e seguintes do Código Penal.
•	 Iminente: Aquele que pode provocar imediatamente o dano; É o perigo imediato.
Ao tratar da pena desse delito, o legislador estabeleceu uma hipótese de subsidiariedade expressa, porque a lei diz que o agente 
somente responderá pelo art. 132 do Código Penal “se o fato não constitui crime mais grave”.
A Lei n. 9.777/98 acrescentou um parágrafo único ao art. 132, estabelecendo uma causa de aumento de pena, de um 1/6 a um 
1/3, se a exposição da vida ou da saúde de outrem decorrer do transporte da pessoa para a prestação de serviços em estabelecimento 
de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.
É inegável que a finalidade do dispositivo é apenar mais gravemente os responsáveis pelo transporte de trabalhadores rurais 
(bóias-frias) que o fazem sem os cuidados necessários para evitar acidentes com vítimas. Pelo texto da lei, somente haverá aumento 
de pena se houver desrespeito às normas legais destinadas a garantir a segurança. Essas normas estão descritas no Código de Trânsito 
Brasileiro. O aumento da pena pressupõe também a ocorrência de perigo concreto.
CAPÍTULO III
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
Perigo de contágio venéreo
Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia 
venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 2º - Somente se procede mediante representação.
 
Perigo de contágio de moléstia grave
Art. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz 
de produzir o contágio:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de 
outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de 
qualquer natureza, em desacordo com as normas legais. 
Abandono de incapaz 
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer 
motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
 
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos 
Exposição ou abandono de recém-nascido
Art. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
 
Omissão de socorro
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada 
ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não 
pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza 
grave, e triplicada, se resulta a morte.
 
Maus-tratos
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, 
para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados 
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de 
correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
10.4 DA RIXA
A rixa é um crime de concurso necessário (crime plurissubjetivo), mas com a característica especial de ser concurso necessário 
de condutas contrapostas, diferente da maioria dos crimes de concurso necessário, nos quais as condutas são convergentes (ex: art. 
288, CP, bando ou quadrilha). Desnecessário dizer que, para a sua existência, é imperioso que haja mais de 2 (dois) participantes, 
do contrário teríamos apenas vias de fato ou lesões corporais recíprocas, dependendo do dolo, pois, nessas condutas, com apenas 2 
(dois) participantes, é possível individualizar-se perfeitamente as suas condutas e apurar as responsabilidades de cada autor. Também 
é possível, para se configurar o número mínimo de participantes para o delito de rixa, a inclusão de inimputáveis, entretanto o 
inimputável não será, é claro, considerado rixoso, mas ao menos um dos rixosos deve ser imputável. Devendo-se excluir, no entanto, 
as pessoas que, porventura, venham a separar ou tentar separar os rixosos.
CAPÍTULO IV
DA RIXA
Rixa
Art. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da 
participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
10.5 DOS CRIMES CONTRA A HONRA
O conceito de honra abrange tanto aspectos objetivos como subjetivos, de maneira que, aqueles representariam o que terceirospensam a respeito do sujeito – sua reputação, enquanto estes representariam o juízo que o sujeito faz de si mesmo – seu amor próprio.
A calúnia consiste em atribuir falsamente à alguém a responsabilidade pela prática de um fato determinado definido como crime . 
A difamação, por sua vez, consiste em atribuir à alguém fato determinado ofensivo à sua reputação . Assim, se “A” diz que “B” 
foi trabalhar embriagado semana passada, constitui crime de difamação.
A injúria, de outro lado, consiste em atribuir à alguém qualidade negativa, que ofenda sua dignidade ou decoro . Assim, se “A” 
chama “B” de ladrão, constitui crime de injúria.
A calúnia se aproxima da difamação por atingirem a honra objetiva de alguém, por meio da imputação de um fato, por se 
consumarem quando terceiros tomarem conhecimento de tal imputação e por permitirem a retratação total, até a sentença de 1a 
Instância, do querelado (como a lei se refere apenas a querelado, a retratação somente gera efeitos nos crimes de calúnia e difamação 
que se apurem mediante queixa, assim , quando a ação for pública, como no caso de ofensa contra funcionário público, a retração não 
gera efeito algum). Porém se diferenciam pelo fato da calúnia exigir que a imputação do fato seja falsa, e ,além disso, que este seja 
definido como crime, o que não ocorre na difamação.
Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado semana passada, pouco importa, se tal fato é verdadeiro ou não, afinal, o 
legislador quis deixar claro que as pessoas não devem fazer comentários com outros acerca de fatos desabonadores de que tenham 
conhecimento sobre essa ou aquela pessoa. 
A difamação se distingue da injúria , pois a primeira é a imputação à alguém de fato determinado, ofensivo à sua reputação, 
honra objetiva, e se consuma, quando um terceiro toma conhecimento do fato, diferentemente da segunda em que não se imputa 
fato, mas qualidade negativa, que ofende a dignidade ou o decoro de alguém, honra subjetiva, além de se consumar com o simples 
conhecimento da vítima . Assim, se “A” diz que “B” é ladrão, estando ambos sozinhos dentro de uma sala, não há necessidade de que 
alguém tenha escutado e consequentemente tomado conhecimento do fato para se constituir crime de injúria.
CAPÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
Calúnia
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença 
irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
 
Difamação
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
 
Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a 
ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
 
Injúria
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, 
se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a 
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: 
Pena - reclusão de um a três anos e multa. 
Disposições comuns
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é 
cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou 
da injúria.
IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. 
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena 
em dobro.
 
Exclusão do crime
Art. 142 - Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção 
de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste 
no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá 
publicidade.
 
Retratação
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica 
isento de pena.
69
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Art. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga 
ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá 
satisfatórias, responde pela ofensa.
Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no 
caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput 
do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, 
bem como no caso do § 3o do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.033. de 2009)
10.6 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
Os crimes, objeto do Capítulo VI do Código Penal (CP), subdividem-se em: crimes contra a liberdade pessoal; contra a 
inviolabilidade de domicílio, da correspondência e de segredos.
A liberdade é direito assegurado expressamente pela Constituição Federal e previsto como a possibilidade de cada ser humano 
se auto determinar. 
O crime de constrangimento ilegal é previsto no art. 146 do CP, trata-se de crime sui generis pois independentemente do meio 
obtido ou utilizado para perpetrar a privação de liberdade, este será punido de forma unitária.
Se, no entanto, ocorre a vis corporalis com resultado lesivo à vítima, dá-se evidentemente o concurso material de crimes. 
Constranger significa forçar alguém a fazer alguma coisa ou tolher seus movimentos para que deixe de fazer.
A pena é agravada se na execução houver a reunião de mais de três pessoas ou tiver havido emprego de armas. Não configura tal 
crime, o tratamento médico arbitrário se justificado por iminente perigo de vida, e a coação exercida para impedir o suicídio.
Trata-se de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. Se o agente criminoso é funcionário público, no exercício 
de suas funções, é responsabilizado por outros delitos.
Como vítima, é necessário que o agente possua capacidade de querer constranger, ficando excluídos os doentes mentais, os 
menores, o ébrio total e contumaz, as pessoas por qualquer motivo inconscientes.
Podem tais pessoas serem objeto do crime praticado contra seus representantes legais. A conduta típica no art. 146 do CP é a de 
coagir, impelir, compelir, não é a de tolerar que se faça alguma coisa.
A coação pode constituir-se de violência direta ou imediata (vias de fato, lesões corporais) como também a indireta ou mediata, 
utilizando o agente de ameaça ou qualquer outro meio como bebida alcoólica, narcótico para o constrangimento.
Não há ilicitude no caso de coaçãojuridicamente justificada como é o caso de estrito cumprimento do dever legal. É ilícito o 
constrangimento destinado a obstar um ato imoral que não seja ilícito. È indispensável o nexo causal entre o emprego da violência 
ou da grave ameaça ou qualquer outro meio e o resultado, ou seja, a submissão do ofendido.
O tipo subjetivo corresponde ao dolo, ou seja, a vontade de coagir. Não existe a forma culposa. 
Diferentemente da ameaça na qual o medo é o próprio objetivo do agente criminoso, no constrangimento ilegal o medo é meio 
através do qual se alcança o fim almejado, subjugando-se a vontade da vítima e a obrigando-a a fazer aquilo a que foi constrangida.
Considera-se o crime de constrangimento ilegal consumado quando o ofendido faz ou deixa de fazer o que não deseja em virtude 
de conduta do agente. Estará caracterizada a tentativa quando apesar da violência , ameaça ou quaisquer outro meios empregados, a 
vítima não se submete a vontade do agente criminoso.
O tipo previsto no art. 146 CP é tipicamente subsidiário, só ocorrendo quando o ato não constitui ilícito mais grave (como roubo, 
extorsão, estupro, desobediência). No caso de atuar o agente com o fim de obter o que poderia ser conseguido por meios legais, 
haverá o crime de exercício arbitrário das próprias razões que absorve a prática do crime de constrangimento ilegal.
CAPÍTULO VI
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
SEÇÃO I
DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL
Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, 
por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que 
ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Aumento de pena
§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, se reúnem 
mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.
§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, 
se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.
 
Na conceituação do crime de ameaça (art. 147 do CP) não é preciso que o mal prometido constitua crime, bastando que seja 
injusto e grave. Não é somente incriminada a ameaça verbal ou por escrito, mas também a ameaça real ou a simbólica.
A ameaça é crime comum e conforme as circunstâncias pode caracterizar o abuso de autoridade. A vítima pode ser qualquer 
pessoa apta a entender a ameaça, restando sujeita à intimidação. 
Ameaçar significa intimidar, anunciar ou prometer castigo ou malefício, a denominada violência moral. Nada impede também 
a ameaça a distância (por telefone, e-mail, e, etc) ou transmitida à vítima por terceiro. Relevante é que a ameaça deva ser idônea e 
capaz de abalar a tranqüilidade psíquica da vítima.
O mal prometido há de ser grave, sério e apto a intimidar, a atemorizar a vítima. Leva-se em consideração também as condições 
pessoais do ofendido (sua idade, sexo, cultura, compleição física e estado psíquico) que pode ou não determinar que seja intimidade 
efetivamente pelo agente criminoso.
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-
lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
O seqüestro e o cárcere privado previstos no art. 148 CP apresenta como núcleo do tipo o significado de tolher, impedir, tirar o 
gozo da liberdade, desapossar. É uma restrição ao direito de ir e vir no aspecto físico e, não no intelectual.
Exige-se a situação de permanência, tanto assim que é doutrinariamente classificado como delito permanente (ou seja, aquele que 
se consome e se prolonga no tempo).
Se ocorre a conduta instantânea de impedir que alguém faça alguma coisa que a lei lhe autoriza concretizar, segurando-a por 
alguns minutos, configura o delito de constrangimento ilegal. O elemento subjetivo do tipo é o dolo, não existindo a forma culposa.
O seqüestro é a conduta gênero da qual é espécie o cárcere privado. Manter alguém em cárcere privado é o mesmo que encerrá-la 
em uma prisão ou cela, ou recinto fechado, isolando-a, sem a possibilidade de livre locomoção.
A redução a condição análoga à de escravo é definido no art. 149 do CP também chamado de delito de plágio. Plágio é a sujeição 
de uma pessoa ao domínio de outra. Não se trata de o sujeito submeter a vítima a escravidão. É situação similar a de escravo apenas. 
O tipo penal visa a um estado de fato e, não a uma situação jurídica.
A norma incriminadora não faz nenhuma restrição ou exigência à qualidade pessoal do autor ou do ofendido. Só é punível a 
título de dolo que consiste na vontade de exercer domínio, sobe outra pessoa, suprimindo-lhe a liberdade fática embora ainda possua 
a liberdade jurídica.
Tal delito atinge o momento consumativo quando o agente criminoso efetivamente reduz a vítima à condição similar a de 
escravo. Admite-se no entanto a tentativa.
Seqüestro e cárcere privado
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) 
anos; 
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; 
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. 
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico 
ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Redução a condição análoga à de escravo
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados 
ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por 
qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: 
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local 
de trabalho; 
I – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais 
do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. 
§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido: 
I – contra criança ou adolescente; 
II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. 
Sob a rubrica de “crimes contra a inviolabilidade do domicílio”, na verdade temos apenas a descrição de um só delito previsto 
no art. 150 CP. Apesar de possuir formas simples e qualificadas descritas nos parágrafos primeiro e segundo do respectivo artigo 
do Código Penal Brasileiro, não constituem crimes autônomos, mas simplesmente tipos de uma figura central, que é a violação de 
domicílio.
Aliás, a norma penal vem sancionar o Direito Constitucional que através da Carta Magna vigente prevê expressamente que “a 
casa é asilo inviolável do indivíduo (...) “em seu art. 5º, XI, (...) salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, 
ou, durante o dia, por determinação judicial.
Tal tipo penal não protege a posse nem a propriedade e, sim a tranqüilidade doméstica. Tanto assim que não constitui crime a 
entrada ou permanência em casa alheia desabitada.
É possível portanto a pluralidade de domicílios. O legislador penal procurou proteger o lar, a casa, quer seja um barraco, quer 
seja uma luxuosa mansão. 
Diferentemente porém, a esposa que na ausência do marido, permite o ingresso doamante na residência, esta não comete o delito 
pois conforme os termos do art. 226, § 5º, da CF/88 encontra-se em igualdade jurídica em relação ao marido, podendo a esposa anuir 
com a entrada do amante. De sorte que o consentimento do ofendido exclui o crime (RTJ 47/734).
Entretanto, sendo condomínio fechado existe a violação de domicílio no caso de ocorrer a entrada não autorizada em partes que 
são individualizadas. Se um condômino permite e, outro proíbe, aplica-se o princípio de que melhor é a condição de quem proíbe.
Restará ao violador que agiu de boa fé, demonstrar que não praticou a violação domiciliar com dolo. 
Casa significa qualquer compartimento habitado, ainda no caso de habitação coletiva, compartimento não aberto ao público, 
onde alguém pode exercer profissão ou atividade laboral.
É preciso observar que o tipo penal não descreve qualquer conseqüência da entrada ou permanência. É delito instantâneo na 
modalidade “entrar”, já na de “permanecer” é crime permanente. Não se trata de crime subsidiário.
O art. 150 do CP prevê forma qualificada se cometida a violação domiciliar durante a noite, ou em lugar ermo ou com emprego 
de violência ou de arma, ou por duas ou mais pessoas, a pena é de detenção de 6 (seis) meses a 2(dois) anos, além da correspondente 
à violência.
O emprego de violência também qualifica o crime, é tanto a exercida contra a pessoa quanto a coisa. Diferentemente o art. 157 
CP que prevê expressamente a violência contra a pessoa.
É lícita a entrada ou permanência em casa alheia, a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado 
ou na iminência de o ser. 
Não há violação de domicílio quando o fato é cometido em estado de necessidade, legítima defesa e o exercício regular de direito. 
Presente o consentimento do morador, o fato é atípico. A ação penal pública é incondicionada.
O consentimento de menor é inválido se contraria a vontade do chefe da família (RT 544/398). 
O conceito de domicílio para fins penais não corresponde ao domicílio civil, mas a casa de moradia, o local reservado à vida 
íntima do indivíduo ou à sua atividade privada, seja ou não coincidente com o domicílio (RT 469/411).
SEÇÃO II
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO
Violação de domicílio
Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita 
de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
§ 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de 
arma, ou por duas ou mais pessoas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
§ 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos 
legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder.
§ 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:
I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência 
de o ser.
§ 4º - A expressão “casa” compreende:
I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
§ 5º - Não se compreendem na expressão “casa”:
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do 
n.º II do parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
SEÇÃO III
DOS CRIMES CONTRA A
INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA
 
Violação de correspondência
Art. 151 - Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
 
Sonegação ou destruição de correspondência
§ 1º - Na mesma pena incorre:
I - quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada e, no todo ou em 
parte, a sonega ou destrói;
 
Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica
II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica 
ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica entre outras pessoas;
III - quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior;
IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem observância de disposição legal.
§ 2º - As penas aumentam-se de metade, se há dano para outrem.
§ 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou 
telefônico:
Pena - detenção, de um a três anos.
§ 4º - Somente se procede mediante representação, salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
 
Correspondência comercial
Art. 152 - Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, 
no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu 
conteúdo:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
SEÇÃO IV
DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS
Divulgação de segredo
Art. 153 - Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência 
confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
§ 1º Somente se procede mediante representação. 
§ 1o-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas 
ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
§ 2o Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será incondicionada. 
Violação do segredo profissional
Art. 154 - Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, 
ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.
EXERCÍCIOS
01. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) Tendo em conta o tipo penal do crime de homicídio (art. 121 do Código Penal: “Matar 
alguém”), a mãe que intencionalmente deixa de amamentar a criança, causando-lhe a morte por inanição, pratica um
a) crime culposo.
b) crime omissivo.
c) crime sem resultado.
d) crime comissivo por omissão.
e) fato penalmente atípico.
02. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) No crime de homicídio,
a) não há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias objetivas que qualificam o crime e as que o tornam privilegiado.
b) há incompatibilidade na coexistência de quaisquer circunstâncias que qualificam o crime e as que o tornam privilegiado.
c) não há incompatibilidade na coexistência de circunstâncias subjetivas que qualificam o crime e as que o tornam privilegiado.
d) há incompatibilidade na coexistência de duas ou mais qualificadoras, ainda que objetivas.
e) não há incompatibilidade na coexistência de duas qualificadoras de natureza subjetiva.
03. (FCC – TRF 5ª Região − 2008) José na janela da empresa em que seu desafeto Pedro trabalhava, gritou em altos bravos que 
o mesmo era “traficante de entorpecentes”. Nesse caso, José cometeu crime de
a) calúnia.
b) injúria.
c) difamação.
d) denunciação caluniosa.
e) falsa comunicação de crime.
04. (Delegado de Polícia – PC/DF – FUNIVERSA – 2009) Acerca dos crimes contra a honra, assinale a alternativa correta.
a) Nos crimes de calúnia e difamação, não se admite a retratação. 
b) A exceção da verdade, no crime de calúnia, é admitida se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não 
foi condenado por sentença irrecorrível. 
c) É impunível a calúnia contra os mortos. 
d) No delito deinjúria, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria. 
e) Caso um advogado, na discussão da causa durante uma audiência, acuse o juiz de prevaricação, o crime de calúnia estará 
amparado pela imunidade judiciária. 
05. (Magistratura – TRT – 9ª Região – MS CONCURSOS – 2009) Assinale a proposição incorreta:
a) É punível a calúnia contra os mortos.
b) No delito de difamação, a exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao 
exercício de suas funções. 
c) A ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador, não constitui injúria ou difamação punível. 
d) A legislação penal admite a retratação nos crimes de calúnia e difamação. 
e) A injúria preconceituosa confunde-se com o crime de racismo
74
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RESUMO DE CONCURSOS 
06. (Analista Judiciário – TRF – 1ª Região – FCC 2006) A respeito dos crimes contra a honra, é correto afirmar que
a) é punível a calúnia contra os mortos.
b) constitui difamação punível a ofensa irrogada pela parte em juízo, na defesa da causa.
c) é isento de pena o querelado que, antes da sentença, se retratar cabalmente da injúria.
d) a injúria só pode ser cometida por gesto e palavras, nunca pela prática de vias de fato.
e) admite se a exceção da verdade no crime de injúria, se a vítima for funcionário público.
07. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2010) João matou seu desafeto com vinte golpes de faca. Nesse caso,
a) responderá por crime de homicídio tentado e consumado em concurso material. 
b) ocorreu concurso formal de infrações.
c) responderá por vinte crimes de homicídio em concurso material. 
d) deve ser reconhecido o crime continuado.
e) responderá por um crime de homicídio. 
08. (Técnico do Ministério Público – MPE/SE – FCC – 2009) O agente arremessou uma granada contra cinco pessoas, 
ocasionado-lhes a morte. Nesse caso, ocorreu
a) concurso formal de crimes.
b) crime de perigo concreto.
c) concurso material de crimes.
d) crimes continuados.
e) crime plurissubjetivo.
09. (Magistratura – TJ/PA – FGV – 2009) João Carvalho, respeitado neurocirurgião, opera a cabeça de José Pinheiro. Terminada 
a operação, com o paciente já estabilizado e colocado na Unidade de Tratamento Intensivo para observação, João Carvalho deixa o 
hospital e vai para casa assistir ao último capítulo da novela. 
Ocorre que, pelas regras do hospital, João Carvalho deveria permanecer acompanhando José Pinheiro pelas doze horas seguintes 
à operação. Como é um fanático noveleiro, João desrespeita essa regra e pede à Margarida, médica da sua equipe, que acompanhe o 
pós-operatório. Margarida é uma médica muito preparada e tão respeitada e competente quanto João.
Margarida, ao ver José Pinheiro, o reconhece como sendo o assassino de seu pai. Tomada por uma intensa revolta e um sentimento 
incontrolável de vingança, Margarida decide matar aquele assassino cruel que nunca fora punido pela Justiça, porque é afilhado de 
um influente político. Margarida determina à enfermeira Hortência que troque o frasco de soro que alimenta José, tomando o cuidado 
de misturar, sem o conhecimento de Hortência, uma dose excessiva de anti-coagulante no soro. José morre de hemorragia devido ao 
efeito do anti-coagulante. 
Assinale a alternativa que indique o crime praticado por cada envolvido. 
a) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio doloso - Hortênsia: homicídio culposo. 
b) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio doloso - Hortênsia: não praticou crime algum. 
c) João Carvalho: homicídio preterdoloso - Margarida: homicídio culposo - Hortênsia: homicídio culposo. 
d) João Carvalho: não praticou crime algum - Margarida: homicídio doloso - Hortênsia: não praticou crime algum. 
e) João Carvalho: homicídio culposo - Margarida: homicídio preterdoloso - Hortênsia: não praticou crime algum
GABARITO
01 D
02 A
03 B
04 D
05 E
06 A
07 E
08 A
09 D
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RESUMO DE CONCURSOS 
11. DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
11.1 DO FURTO
O furto simples é o previsto no caput do artigo 155 do CP: O objeto jurídico é a propriedade, a posse e a detenção legítima. 
O elemento subjetivo é o dolo constante da vontade livre e consciente de apoderar-se de forma definitiva da coisa alheia móvel.
Sujeitos: ativo, qualquer pessoa, salvo o proprietário; passivo: o proprietário, o possuidor ou o detentor legítimo.
Objeto material, coisa móvel não abrangendo as presunções da lei civil. Os direitos não podem ser objeto mas, sim, os títulos que 
os representam, exige-se o valor econômico porque é crime material requerendo efetiva lesão ao patrimônio. Elemento normativo: a 
coisa deve ser alheia. Coisa que nunca teve dono (res nullius), abandonada (res derelicta) e a perdida (res deperdita), não podem ser 
objeto de furto, podendo a última ser objeto de apropriação indébita conforme artigo 169, parágrafo único, inciso II do CP.
Consuma-se com a posse tranqüila da coisa, ou saída da esfera de cuidado do respectivo dono. Ação penal pública incondicionada. 
Admite-se a tentativa.
Admite-se o concurso de pessoas, todavia se foi posterior e não prometida anteriormente ao furto, não existe a co-delinqüência, 
mas, eventualmente receptação ou favorecimento real. Se o agente for cônjuge, ascendente ou descendente do ofendido aí pode ser 
caso de isenção da pena conforme o artigo 181 do Código Penal. 
 
Furto noturno. A pena é aumentada de um terço se o furto ocorre durante o repouso noturno que é bem depois do anoitecer. 
Deve ocorrer em casa habitada e cujos moradores estejam repousando. Só aplica-se ao furto simples.
Furto privilegiado. Ocorre quando o autor é primário e a coisa furtada é de pequeno valor. Preenchidas as condições é direito 
subjetivo do agente e o Juiz deve aplicar os benefícios. No furto privilegiado o valor é pequeno e no de bagatela é inexpressivo, 
juridicamente irrelevante, tratando-se de causa supralegal de exclusão da tipicidade. O juiz pode substituir a pena de reclusão pela de 
detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a multa. Aplica-se a todas as figuras inclusive tentadas e às qualificadas 
e no furto continuado.
TÍTULO II
DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
CAPÍTULO I
DO FURTO
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de 
reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
FURTO QUALIFICADO: O artigo 155 §4º define um tipo qualificado. 
	Violência contra obstáculo: A violência deve ser empregada antes ou durante a tirada, mas nunca depois de consumado o 
furto. É necessário que a violência seja contra obstáculo, que foi predisposta ou aproveitada pelo homem para a finalidade especial 
de evitar a subtração. 
	Abuso de confiança: É uma circunstância subjetiva do tipo, além de ser necessário que o sujeito tenha consciência de que 
está praticando o fato com abuso de confiança. Revela maior periculosidade do agente, pois ele não apenas furta, mas viola a con-, mas viola a con-
fiança nele depositada. 
	Fraude: Qualifica o furto, pois trata-se de um meio enganoso capaz de iludir a vigilância do ofendido e permitir maior liber-
dade na subtração do objeto material. 
	Escalada: É o acesso a um lugar por meio anormal de uso anormal, como por exemplo, subir pelo telhado, usar uma escada, 
etc. É uma circunstância objetiva do crime, pois se refere à ação física do crime. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
	Destreza: É a habilidade capaz de fazer com que a vitima não perceba a subtração. Ex: batedor de carteira. O que caracteriza 
a qualificadora é o meioempregado. 
	Chave falsa: É todo instrumento, com ou sem forma de chave, destinado a abrir fechaduras, tais como gazuas, grampos, 
pregos, etc. Se a chave é encontrada na fechadura, não há furto qualificado, mas furto simples. 
	Concurso de pessoas: Exige-se no mínimo a concorrência de 2 ou mais pessoas na realização do furto, sendo irrelevante 
que uma delas seja inimputável, de maneira que o partícipe também comete o crime. Para ocorrer a agravante basta a existência de 
2 pessoas. 
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser 
transportado para outro Estado ou para o exterior.
Furto de coisa comum
Art. 156 - Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a 
detém, a coisa comum:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
§ 1º - Somente se procede mediante representação.
§ 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem 
direito o agente.
11.2 DO ROUBO E DA EXTORSÃO
ROUBO:
O crime de roubo se encontra inserido no rol dos crimes contra o patrimônio. Esse crime possui as mesmas características do 
furto, porém, possui fatores que, agregados ao elemento do tipo subtrair, geram um novo tipo penal. Há no roubo a subtração de coisa 
alheia móvel, para si ou para outrem, porém com a existência de grave ameaça ou com o emprego de violência contra a pessoa, os 
fatores que empregados fazem com que haja a entrega da coisa, são as circunstâncias especiais que relevam sua diferença para o furto. 
A tutela jurídica oferecida pelo tipo penal do roubo é a de acobertar o patrimônio contra terceiros. A essência do crime de roubo 
é a de ser um crime contra o patrimônio. Porém, convém lembrarmos que este é um crime complexo, ou seja, tutelam-se, também, 
a integridade corporal, a liberdade e, no latrocínio, a vida do sujeito passivo. A proteção normativa se desdobra em dois planos 
distintos, porém, de existência vital, pois são feridos dois bens jurídicos distintos. No primeiro ele visa a proteção do patrimônio 
contra eventual subtração por via da iminência da aplicação da sanção penal que, no tipo em estudo, se revela de alto teor. Em um 
segundo momento, podemos verificar que há a tutela à manutenção do estado do corpo-humano, zelando ora pela sua integridade 
física ora pela totalidade da existência da vida humana, evitando que este seja afrontado para obtenção de um bem material de 
gradação inferior a vida humana, que se encontra no ápice dos bens nos quais o direito tutela, conforme corolário constitucional. 
O crime de roubo é um crime comum, portanto, qualquer um pode ser o sujeito ativo. Porém, quanto ao sujeito passivo não há 
um liame necessário entre o ato ofensivo e a pessoa que seja seu possuidor, detentor ou proprietário. A violência pode ser utilizada 
contra um terceiro, com vistas a obter o bem de um outro. Mas ambos serão vítimas do crime de roubo. 
EXTORSÃO:
Define-se o delito de extorsão comum no art. 158, que é constranger alguém mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito 
de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar, que se faça ou deixa de fazer alguma coisa. Ocorre o 
crime, portanto quando o agente obriga o sujeito passivo a entregar-lhe dinheiro, a não efetuar uma cobrança, a não impedir que se 
lhe rasgue um titulo de credito. 
Como a extorsão é um crime contra o patrimônio, é este o tutelado pelo dispositivo, embora, indiretamente, estejam protegidas 
também a inviolabilidade e a liberdade individual. 
Qualquer pessoa pode praticar extorsão, mas sendo o agente funcionário publico a simples exigência de uma vantagem indevida 
em razão da função caracteriza o delito da concussão (art.316 do CP). Mas o agente da autoridade que constrange alguém, com 
emprego de violência ou grave ameaça, para obter proveito indevido, não incorre unicamente nas pena do delito de concussão; vai 
mais adiante, praticando uma extorsão.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Uma ou várias pessoas podem ser sujeitos passivos do crime em estudo. É vítima aquele que é sujeito a violência ou ameaça, o 
que deixa de fazer ou tolerar que se faça alguma coisa e, ainda, o que sofre prejuízo econômico.
A conduta prevista no dispositivo é constranger (obrigar, forçar, coagir) a vitima mediante violência ou grave ameaça, desde que 
seja ele meio idôneo a intimidar. 
CAPÍTULO II
DO ROUBO E DA EXTORSÃO
Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a 
pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa 
ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para 
terceiro.
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para 
o exterior; 
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. 
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da 
multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. 
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou 
para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de 
um terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. 
§ 3o - Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária 
para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da 
multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, 
respectivamente. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009)
 
Extorsão mediante seqüestro
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como 
condição ou preço do resgate: 
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
§ 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou 
maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. 
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. 
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: 
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. 
§ 3º - Se resulta a morte: 
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. 
§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a 
libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. 
Extorsão indireta
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que 
pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
11.3 DA USURPAÇÃO
Usurpação é uma lesão de interesse jurídico da inviolabilidade da propriedade imóvel. 
A violência contra a pessoa, sob a forma de invasão possessória, é condição de punibilidade,mas, se dele resulta outro crime, 
haverá concurso material dos crimes, aplicando-se, somadas as respectivas penas (art.161,§2o.).
Também é caracterizada a usurpação na alteração ou supressão de marca ou qualquer sinal indicativo de propriedade em gado ou 
rebanho alheio, para dele se apropriar, no todo ou em parte.
Distingue-se a usurpação do abigeato, isto é o furto de animais, No entanto, se esse meio fraudulento é usado para dissimular ao 
anterior furto dos animais, já não mais se trata de usurpação, sendo que o crime continuará sob o nomen iuris de furto.
CAPÍTULO III
DA USURPAÇÃO
Alteração de limites
Art. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, 
para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem:
 
Usurpação de águas
I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;
 
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, 
terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.
§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.
 
Supressão ou alteração de marca em animais
Art. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de 
propriedade:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
11.4 DO DANO
O conceito de crime de dano esta estampado em nosso Código Penal Brasileiro mais especificamente em seu artigo 163. Existe 
ainda uma peculiaridade no crime de dano, ou seja, quando o agente comete o crime com a intenção de lucro, citando como exemplo 
um concorrente que, intencionalmente, venha a danificar bem alheio, incorrendo assim as penas do artigo 163.
O que deve ser observado principalmente a vontade do agente em lesar coisa alheia, trazendo prejuízo a outrem. 
É muito importante ressaltar que a objetividade ou o bem jurídico atingido é a propriedade, ou seja, bem móvel ou imóvel, é o 
patrimônio que esta sofrendo o dano.
Vale lembrar que o crime de dano para ser caracterizar é necessário que a coisa ou o objeto tenha valor pecuniário para a sua 
tipificação.
Cumpre-nos ainda ressaltar que o referido delito só admite a modalidade dolosa, ou seja, quando o agente exerce livremente a 
vontade de praticar o referido delito, ou seja, desejou causar prejuízo.
A consumação do crime de dano ocorre com a destruição, inutilização, desmanchar, demolir, sacrificar determinado animal, 
derrubar muro, inutilizar objeto, atitudes em geral que venham a causar danos, comprovados através de provas diversas inclusive de 
perícia técnica, se for o caso.
Ressalta-se ainda que o crime de dano aceita a hipótese de dano qualificado, ou seja, pratica de dano em que o agente se utiliza 
de violência com objetivo de garantir êxito em sua ação.
Ainda neste sentido, o crime de dano recebe a figura qualificadora quando o agente age em razão de egoísmo ou com prejuízo 
considerável a vítima. 
A ação penal é de iniciativa privada, isto nas hipóteses de dano simples e do qualificado pelo motivo egoístico ou de prejuízo 
considerável. Se houver concurso de uma forma de dano de ação pública com outra de ação privada do ofendido, deverá forma-se o 
litisconsórcio ativo, entre o Ministério público e a vítima, esta oferecendo queixa-crime e aquele formulando denúncia. 
Nada impede, além das ações penais que a vítima ingresse com ação na esfera civil requerendo perdas e danos, com objetivo de 
ter seu bem restituído. 
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RESUMO DE CONCURSOS 
CAPÍTULO IV
DO DANO
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
 
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave
III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou 
sociedade de economia mista; 
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
 
Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia
Art. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, 
desde que o fato resulte prejuízo:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.
 
Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico
Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de 
valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
 
Alteração de local especialmente protegido
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido 
por lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
 
Ação penal
Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se procede 
mediante queixa.
11.5 DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Ocorrerá apropriação indébita no momento em que o agente apoderar-se de coisa alheia móvel, cuja posse ou a detenção lhe 
tenha sido confiada licitamente por outrem, sem vícios. O agente passa a atuar como se da coisa fosse dono, negando-se a restituí-la 
ao verdadeiro proprietário ou negociando-a com terceira pessoa. 
Posse é diferente de detenção. Na posse o sujeito exerce, em nome próprio, direito real sobre a coisa, já a detenção caracteriza-
se em uma posse precária, de modo que o sujeito apenas preserva a coisa em nome de outra pessoa, sob ordens dessa, portanto, 
vinculado.
Como é de se observar, pretende o tipo penal proteger o patrimônio.
Qualquer pessoa poderá ser sujeito ativo no crime de apropriação indébita, desde que tenha a posse ou a detenção lícita da coisa, 
mas não a devolve ao seu dono quando solicitada ou a negocie como se dono fosse.
Apesar do tipo penal afirmar que a coisa móvel deve ser alheia, é de bom alvitre salientar que a doutrina admite como sujeitos 
ativos desse crime o co herdeiro, co proprietário e o sócio. 
Observa-se que no caso de funcionário público, o delito será denominado peculato, o qual se encontra previsto no artigo 312 do 
Código Penal. Para sua caracterização o agente deverá ter a posse ou a detenção da coisa em razão de seu cargo, comportando-se 
como se dono da coisa fosse, notando-se, porém, que o bem não precisa ser necessariamente público.
O sujeito passivo será o real dono ou possuidor da coisa, desde que sofra o prejuízo. 
Apropriar-se corresponde a apossar-se, tornar seu. Assim, é requisito que o agente tenha recebido a coisa de boa fé, sem fraude, 
sem vício e só posteriormente haja como se fosse seu dono, de modo que se a posse anterior for adquirida ilicitamente, por óbvio, o 
crime de apropriação indébita não será cogitado, sendo que tal delito será tipificado por artigo diverso.
A tentativa somente é possível na modalidade comissiva no momento em que o agente for surpreendido negociando a coisa com 
terceiro. Irá consumar-se tanto na ocasião da efetivação da negociação, como no instante em que se negar a devolver a coisa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
CAPÍTULO V
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
 
Aumento de pena
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I - em depósito necessário;
II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário 
judicial;
III - em razão de ofício, emprego ou profissão.
 
Apropriação indébita previdenciária 
Art. 168-A. Deixar de repassar àprevidência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no 
prazo e forma legal ou convencional: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: 
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha 
sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; 
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou 
custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; 
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido 
reembolsados à empresa pela previdência social. 
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das 
contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma 
definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. 
 § 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário 
e de bons antecedentes, desde que: 
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da 
contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou 
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido 
pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas 
execuções fiscais. 
Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza
Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da 
natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre:
 
Apropriação de tesouro
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito 
o proprietário do prédio;
 
Apropriação de coisa achada
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao 
dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.
Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º.
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RESUMO DE CONCURSOS 
11.6 DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES
Há estelionato quando o agente emprega meio fraudulento, induzindo ou mantendo alguém em erro e, assim, conseguindo, para 
si ou para outrem, vantagem ilícita, com dano patrimonial alheio. O crime de estelionato acha-se tipificado no art. 171 do CP, cujo 
caput conceitua o delito. O bem protegido é o patrimônio.
SUJEITO ATIVO: Caracteriza-se como sujeito ativo qualquer pessoa que induz ou mantém a vítima em erro, empregando meio 
fraudulento, a fim de obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita em prejuízo alheio. O terceiro beneficiado pela ação delituosa, se 
destinatário doloso do proveito do ilícito, será considerado co-autor. 
SUJEITO PASSIVO: Sujeito passivo é a pessoa enganada e que sofre a lesão patrimonial. Nada impede, portanto, que haja dois 
sujeitos passivos: um que é enganado e outro que sofre o prejuízo.
ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO: Para que o estelionato se configure são necessários:
	Fraude: O código fala em artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Artifício é o engodo empregado por inter-
médio de aparato material, encenação, como. Ex: conto do bilhete premiado. Ardil é o engodo praticado por intermédio de insídia, 
como a mentirosa qualificação profissional. Por fim, o tipo recorre à interpretação analógica, compreendendo qualquer outro meio 
fraudulento, no qual se enquadram a mentira e a omissão do dever de falar. É imprescindível que o meio fraudulento empregado pelo 
agente seja idôneo, apto a enganar a vítima. Do contrário, estaríamos diante de um crime impossível. 
	Erro: É a falsa percepção da realidade. O agente pode: (1) induzir a vítima em erro; ou (2) mantê-la em erro se nele já havia 
incorrido espontaneamente. 
	Duplo resultado: Exige o tipo em análise a (1) obtenção de vantagem ilícita, para o próprio agente ou para terceiro, e (2) o 
prejuízo alheio. Esclareça-se que a vantagem há de ser patrimonial, porque o estelionato protege o patrimônio. Se o fim não for pa-
trimonial, mas, por exemplo, libidinoso, estaremos diante de outra figura criminal. A vantagem tem que ser também ilícita. Se lícita, 
teremos o exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 CP). Note-se que, como o próprio tipo penal faz referência à ocorrência de 
resultado, estamos diante de um crime material, em que se exige a ocorrência do resultado naturalisticamente falando.
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO: O estelionato só é punível a título de dolo específico, que é o intento de obter vantagem 
ilícita. Não se admite a figura culposa.
CONSUMAÇÃO: É crime material, consumando-se no momento e local em que o agente obtém a vantagem ilícita em prejuízo 
alheio.
TENTATIVA: Há tentativa se foram idôneos os meios empregados e, iniciada a execução do estelionato, o crime não se consumou 
por circunstâncias alheias à vontade do agente. Então, se o agente não consegue a vantagem ilícita ou não decorre prejuízo à vítima, 
estaremos diante do estelionato em sua figura tentada. O início da execução se dá com o engano da vítima e não com o uso da fraude, 
que é tido como ato preparatório. Enquanto o título fraudulentamente obtido não é descontado ou convertido, há só tentativa (STF).
ESTELIONATO PRIVILEGIADO: O art. 170 torna aplicável ao estelionato, caput e subtipos, o previsto no art.155, §2.º, de 
modo que, se for primário o agente e de pequeno valor a coisa apreendida, o juiz terá as seguintes opções: substituir a pena de 
reclusão pela de detenção, diminuir a pena de um a dois terços, ou aplicar somente pena de multa. 
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA: Aplica-se ao tipo fundamental do estelionato e dos subtipos previstos no §2.º o aumento 
de 1/3 da pena quando o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, 
assistência social ou beneficência. 
SUBTIPOS
1. Disposição de coisa alheia como própria: O sujeito passivo, nesse caso, é o adquirente enganado e não o proprietário da 
coisa. O tipo fala em vender, permutar, dar em pagamento, locar ou dar em garantia coisa alheia. O rol é taxativo, de modo que não 
inclui a promessa de compra e venda, nem a cessão de direitos (STF), que podem restar enquadrados no caput. 
2. Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria: O sujeito ativo é só o dono da coisa e o sujeito passivo é o que recebe 
a coisa desconhecendo ser ela inalienável, gravada, litigiosa ou prometida a terceiro em prestações. O objeto material pode ser móvel 
ou imóvel, mas o tipo, quando prevê a promessa a terceiro, reduz somente aos imóveis. O dispositivo incrimina o sujeito que vende, 
permuta, dá em pagamento ou dá em garantia coisa própria inalienável, gravada, litigiosa ou, sendo imóvel, prometida a terceiro em 
prestações. O rol é também taxativo, de modo que não inclui a locação (prevista no inc. I), nem a promessa de compra e venda, nem 
a cessão de direitos (STF), que podem restar enquadrados no caput. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
3. Defraudação de penhor: Consiste em defraudar, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a 
garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado. O sujeito ativo é, portanto, o devedor do contrato de penhor que tem 
a posse do objeto empenhado. O sujeito passivo, por sua vez, é o credor pignoratício. O tipo trata do penhor, de modo que somente 
estão compreendidos os bens móveis e os mobilizáveis. O núcleo do tipo está no verbo defraudar, que significa privar com dolo, seja 
por intermédio da alienação (venda, permuta, doação etc), seja por qualquer outro modo (destruição, ocultação, desvio, abandono 
etc). A defraudação pode ser total ou parcial. O que é importante é a falta deconsentimento do credor pignoratício, que constitui 
elemento normativo do tipo. O elemento subjetivo é o dolo específico, que envolve o conhecimento de que o objeto material constitui 
garantia pignoratícia e a vontade de defraudar. Há discussão se é ou não crime material, ou seja, se precisa da vantagem ilícita ou se 
basta a defraudação sem o consentimento do credor.
4. Fraude na entrega de coisa: Consiste em defraudar quantidade, qualidade ou substância de coisa que deve entregar a 
alguém. O sujeito ativo é quem tem o dever de entregar a coisa e o passivo o que deve recebê-la. Deve haver, portanto, uma relação 
obrigacional entre eles (elemento normativo). Pode ser a coisa móvel ou imóvel. Precisa estar presente o dolo específico. Consuma-
se com a entrega da coisa defraudada. Há tentativa, por exemplo, quando o destinatário, descobrindo o engano, recusa-se a receber 
o objeto defraudado.
5. Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro: É figura típica de formulação alternativa, sendo previstas 
as seguintes ações:
a) destruir ou ocultar coisa própria
b) lesar o próprio corpo ou a saúde
c) agravar as conseqüências de lesão ou doença
Praticando uma, algumas ou todas essas ações, o agente pratica um único delito. O sujeito ativo é o segurado e o passivo, o 
segurador. Tem-se, portanto, crime próprio. No entanto, são possíveis a co-autoria e a participação quando terceiro, conhecendo 
o intuito lesivo, colabora ou auxilia a mando do segurado. A consumação se dá com a prática da conduta típica (destruir, ocultar, 
lesar). Ao contrário dos demais subtipos de estelionato, trata-se de crime formal, não se exigindo para a consumação a obtenção da 
vantagem ilícita. Basta a prática do ato, seguida do pedido de indenização ou do valor do seguro. A tentativa é admissível. 
6. Fraude no pagamento por meio de cheque: Consiste em emitir cheque sem suficiente provisão de fundos ou frustrar-lhe o 
pagamento. O sujeito ativo é qualquer pessoa que emite o cheque ou lhe frustra o pagamento. Haverá co-autoria no caso de conta 
conjunta e haverá participação, por exemplo, na instigação. 
CAPÍTULO VI
DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo 
alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o 
disposto no art. 155, § 2º.
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem:
 
Disposição de coisa alheia como própria
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;
 
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou 
litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando 
sobre qualquer dessas circunstâncias;
 
Defraudação de penhor
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, 
quando tem a posse do objeto empenhado;
 
Fraude na entrega de coisa
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;
83
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou 
agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro;
 
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento.
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito 
público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.
 
Duplicata simulada
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em 
quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado. 
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que falsificar ou adulterar a escrituração do 
Livro de Registro de Duplicatas. 
Abuso de incapazes
Art. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou 
da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de 
produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
 
Induzimento à especulação
Art. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade 
mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à especulação com títulos ou mercadorias, 
sabendo ou devendo saber que a operação é ruinosa:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
 
Fraude no comércio
Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor:
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;
II - entregando uma mercadoria por outra:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo 
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira; 
vender, como precioso, metal de ou outra qualidade:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.
 
Outras fraudes
Art. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem 
dispor de recursos para efetuar o pagamento:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias, 
deixar de aplicar a pena.
 
Fraudes e abusos na fundação ou administração de sociedade por ações
Art. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação 
ao público ou à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da sociedade, ou ocultando 
fraudulentamente fato a ela relativo: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular.
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular: 
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balanço 
ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre as condições econômicas da 
sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo;
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de 
outros títulos da sociedade;
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio ou de terceiro, 
dos bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assembléia geral;
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas, salvo 
quando a lei o permite;
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução ações 
da própria sociedade;
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço falso, 
distribui lucros ou dividendos fictícios;
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue a 
aprovação de conta ou parecer;
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII;
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, que pratica os 
atos mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo.
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter 
vantagem parasi ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de assembléia geral.
 
Emissão irregular de conhecimento de depósito ou «warrant»
Art. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
 
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando 
dívidas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa.
11.7 DA RECEPTAÇÃO
Receptação não faz surgir um novo sujeito passivo, sendo este a mesma vítima do crime antecedente.
O objeto material da receptação é o “produto de crime”. Este pode se originar de qualquer delito (ex: tráfico), e não necessariamente 
de crimes contra o patrimônio. O legislador expressamente se referiu a “produto de crime”. Portanto, não existe crime de receptação 
no caso de “produto de contravenção penal.
A receptação será DOLOSA na hipótese em que o agente tem ciência da origem criminosa do bem; e CULPOSA, quando o 
agente não tinha consciência da origem ilícita, mas deveria presumir ser esta obtida por meio criminoso.
No crime de receptação, cabe observar que o dolo é específico de obter alguma vantagem para si ou para outrem. Se o agente não 
possui essa intenção, somente poderá haver crime de favorecimento real.
CAPÍTULO VII
DA RECEPTAÇÃO
Receptação
Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que 
sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
Receptação qualificada 
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, 
vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de 
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio 
irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou 
pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas. 
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio 
a coisa. 
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, 
deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155.
§ 6º - Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União, Estado, Município, empresa 
concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista, a pena prevista no caput deste 
artigo aplica-se em dobro. 
11.8 DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo:
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.
 
Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em 
prejuízo:
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
 
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou 
violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. 
EXERCÍCIOS
01. (FCC - TRT da 3ª REGIÃO - 2009) Quem utiliza uma tesoura para fazer girar e abrir, sem danificar, a fechadura da porta 
de um veículo que ato contínuo subtrai para si, comete crime de furto
a) qualificado pela fraude.
b) simples.
c) qualificado pela destreza.
d) qualificado pelo rompimento de obstáculo.
e) qualificado pelo emprego de chave falsa.
02. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - 2010) Jeremias aproximou-se de um veículo parado no semáforo e, embora não portasse 
qualquer arma, mas fazendo gestos de que estaria armado, subtraiu a carteira do motorista, contendo dinheiro e documentos. Jeremias 
responderá por crime de
a) roubo qualificado pelo emprego de arma.
b) furto simples.
c) furto qualificado.
d) roubo simples.
e) apropriação indébita.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
03. (Analista Judiciário – TRT 8ª Região – FCC – 2010) O crime de receptação descrito no art. 180, caput, do Código Penal 
(adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir 
para que terceiro de boa-fé, a adquira, receba ou oculte), no que concerne aos elementos do fato típico, é um
a) tipo penal normal. 
b) tipo penal anormal, face à existência de elemento subjetivo.
c) crime omissivo.
d) crime sem resultado
e) exemplo de tipicidade indireta. 
04. (Analista Judiciário – TER – AC – FCC – 2010) Sobre o crime de extorsão mediante sequestro, é INCORRETO afirmar 
que 
a) seu objeto jurídico é o patrimônio e, indiretamente, a liberdade individual e a incolumidade pessoal
b) se trata de crime permanente
c) aquele que participou do delito, caso preste informações que facilitem a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida. 
d) se trata de crime material, que se consuma quando o agente obtém a vantagem econômica exigida. 
e) se trata de crime formal que admite tentativa. 
05. (Analista de Processos Organizacionais – BAHIAGÁS – FCC – 2010) O ato de receber, como garantia de dívida, abusando 
da situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima, constitui crime de
a) fraude na entrega de coisa. 
b) estelionato. 
c) fraude no comércio
d) extorsão indireta. 
e) furto qualificado pela fraude.
06. (Delegado de Polícia – FGV – 2010) Relativamente aos crimes contra o patrimônio, analise as afirmativas a seguir: 
I. No crime de furto, se o criminoso é primário, e a coisa furtada é de pequeno valor, o juiz pode substituir a pena de reclusão 
pela de detenção. 
II. Considera-se qualificado o dano praticado com violência à pessoa ou grave ameaça, com emprego de substância inflamável 
ou explosiva (se o fato não constitui crime mais grave), contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de 
serviços públicos ou sociedade de economia mista ou ainda por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima. 
III. É isento de pena quem comete qualquer dos crimes contra o patrimônio em prejuízo do cônjuge, na constância da sociedade 
conjugal, desde que não haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa ou que a vítima não seja idosa nos termos da Lei 
10.741/2003. 
Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta. 
b) se somente a afirmativa II estiver correta. 
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 
07. (Magistratura – TRT 21ª Região) - Durante o movimento grevista, três empregados filiados ao sindicato da categoria 
profissional praticaram as seguintes condutas: o primeiro, fez uma ligação clandestina, por meio de um fio, entre o poste de energia 
da rua e o carro de som do sindicato, parado na calçada do portão de entrada da empresa, propiciando o funcionamento contínuo 
do equipamento e dos alto-falantes; o segundo, escalou o muro lateral do estabelecimento, passou por cima da cerca elétrica e, em 
seguida, retirou e se apropriou da câmera de filmagem instalada na parede interna, levando-a consigo na mochila; o terceiro, que 
estava trabalhando normalmente, dirigiu-se,de forma sorrateira, ao setor administrativo da empresa, abriu o arquivo das pastas de 
contratos e cheques de clientes e os rasgou. Os crimes cometidos pelos três empregados foram, respectivamente
a) furto; furto qualificado e dano;
b) apropriação indébita; roubo e estelionato;
c) furto qualificado; roubo e estelionato;
d) apropriação indébita; furto qualificado e dano qualificado; 
e) nenhuma das respostas é correta.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
08. (Advogado – Metrô/SP – FCC – 2008) Paulo havia trabalhado como cobrador no asilo Alpha e, por isso, conhecia a lista das 
pessoas que contribuíam através de donativos para aquela entidade beneficente. Após ter deixado o referido emprego, Paulo procurou 
uma dessas pessoas e, dizendo-se funcionário do asilo Alpha, recebeu donativo de R$ 1.000,00 (um mil reais), que consumiu em 
proveito próprio. Nesse caso, Paulo responderá por crime de
a) furto simples. 
b) furto qualificado pela fraude.
c) apropriação indébita. 
d) estelionato. 
e) extorsão.
09. (Defensoria Pública – DPE/MT – FCC – 2009) Quanto aos crimes contra o patrimônio, é correto afirmar que 
a) o estelionato não admite a figura privilegiada do delito. 
b) a pena, na extorsão, pode ser aumentada até dois terços se praticada por duas ou mais pessoas. 
c) o chamado “furto de uso”, se aceito, não constituiria crime por falta de tipicidade. 
d) há latrocínio tentado no caso de homicídio consumado e subtração tentada, segundo entendimento sumulado do Supremo 
Tribunal Federal. 
e) o emprego de arma de brinquedo qualifica o roubo, de acordo com Súmula do Superior Tribunal de Justiça.
10. (Auditoria da Receita do Estado – SEAD – FGV/2010) Com base no artigo 168-A do Código Penal - crime de apropriação 
indébita previdenciária, assinale a afirmativa incorreta. 
a) O elemento objetivo do tipo é deixar de repassar, ou seja, não transferir aos cofres públicos a contribuição previdenciária 
descontada dos contribuintes. 
b) A pena do crime de apropriação indébita previdenciária comporta o benefício da suspensão condicional do processo.
c) O elemento subjetivo do crime é o dolo, não sendo possível apropriação indébita previdenciária culposa.
d) Não é cabível tentativa do crime, pois este se traduz como crime unisubsistente. 
e) É crime de ação penal pública incondicionada cuja competência para processamento é da Justiça Federal. 
11. (Magistratura – TJ – MS – FGV – 2008) São crimes contra o patrimônio: 
a) roubo, furto, estelionato e lesão corporal. 
b) roubo, furto, estelionato e usurpação de águas. 
c) roubo, furto, estelionato e peculato. 
d) roubo, furto, estelionato e moeda falsa. 
e) roubo, furto, estelionato e injúria
12. (Analista Judiciário – TRT 3ª Região – FCC – 2009) José ingressou no escritório da empresa Alpha, sendo que o segurança 
não lhe obstou o acesso porque estava vestido de faxineiro e portando materiais de limpeza. No interior do escritório, arrombou a 
gaveta e subtraiu R$ 3.000,00 do seu interior. Quando estava saindo do local, o segurança, alertado pelo barulho, tentou detê-lo. José, 
no entanto, o agrediu e o deixou desacordado e ferido no solo, fugindo, em seguida, do local de posse do dinheiro subtraído. Nesse 
caso, José responderá por 
a) furto qualificado pela fraude e pelo arrombamento.
b) furto qualificado pela fraude. 
c) roubo impróprio. 
d) furto simples.
e) estelionato. 
GABARITO
01 E
02 D
03 B
04 D
05 D
06 E
07 A
08 D
09 C
10 B
11 B
12 C
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
12. DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
12.1 DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Espécies:
a) crimes praticados por funcionário público;
b) crimes praticados por particular;
c) crimes praticados contra a administração da justiça.
Crimes Praticados por Funcionário Público: Os crimes praticados por funcionário público são chamados pela doutrina de 
crimes funcionais. São crimes que estão relacionados com a função pública. Na classificação geral dos delitos, tais crimes estão 
inseridos na categoria dos crimes próprios, pois a lei exige uma característica específica no sujeito ativo: ser funcionário público.
Os crimes funcionais podem ser próprios e impróprios. 
•	 Crimes funcionais próprios são aqueles cuja exclusão da qualidade de funcionário público torna o fato atípico. Ex: 
prevaricação.
•	 Crimes funcionais impróprios são aqueles em que, excluindo-se a qualidade de funcionário público, haverá desclassificação 
para crime de outra natureza. Ex: peculato, que passa a ser furto. 
O peculato visa proteger a probidade administrativa (patrimônio público). Esses crimes são chamados crimes de improbidade 
administrativa. O sujeito ativo é o funcionário público e o sujeito passivo é o Estado, visto como Administração Pública. Pode existir 
um sujeito passivo secundário (particular). Podemos dividir o peculato em dois grandes grupos; doloso e culposo:
a) Peculato Doloso:
	Peculato-apropriação: art. 312, caput, primeira parte.
	Peculato-desvio: art. 312, caput, segunda parte.
	Peculato-furto: art. 312, § 1.º.
	Peculato mediante erro de outrem: art. 313.
b) Peculato Culposo:
	O peculato culposo está descrito no art. 312, § 2.º, do Código Penal.
TÍTULO XI
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO I
DOS CRIMES PRATICADOS
POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público 
ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor 
ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de 
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue 
a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Peculato mediante erro de outrem
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro 
de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
PECULATO APROPRIAÇÃO:
a) apropriar-se;
b) funcionário público;
c) dinheiro, valor, bem móvel, público ou privado;
d) posse em razão do cargo;
e) proveito próprio ou alheio.
Elementos objetivos do tipo: O núcleo é apropriar-se, ou seja, fazer sua a coisa alheia. A pessoa tem a posse e passa a agir com 
se fosse dona. O agente muda a sua intenção em relação à coisa. O fundamento é a posse lícita anterior.
No caso da posse em razão do cargo, temos que a posse está com a Administração. O bem tem de estar sob custódia da 
Administração. Exemplo: Um automóvel apreendido na rua vai para o pátio da Delegacia; o policial militar subtrai o toca-fitas 
- Ele praticou peculato-furto, pois não tinha a posse do bem. Se o funcionário fosse o responsável pelo bem, seria caso de peculato-
apropriação. Se o carro estivesse na rua, seria furto.
No peculato-apropriação e no peculato mediante erro de outrem há apropriação, ou seja, a posse é anterior; a diferença está no 
erro de outrem.
Objeto material: Dinheiro, valor ou bem móvel. Tudo que for imóvel não é admitido no peculato. O crime que admite imóvel é 
o estelionato.
Consumação: A consumação do peculato-apropriação se dá no momento em que ocorreu a apropriação: quando o agente inverteu 
o animus, quando passou a agir como se fosse dono.
PECULATO-DESVIO: Artigo 312, Segunda Parte, do Código Penal. No peculato-desvio o que muda é apenas a conduta, que 
passa a ser desviar. Desviar é alterar a finalidade, o destino. Exemplo: existe um contrato que prevê o pagamento de certo valorpor 
uma obra. O funcionário paga esse valor, sem a obra ser realizada. Nesse caso, há peculato-desvio. Liberação de dinheiro para obra 
superfaturada também é caso de peculato-desvio.
Elemento subjetivo do tipo: O elemento subjetivo do tipo é a intenção do desvio para proveito próprio ou alheio. O funcionário 
tem de ter a posse lícita da coisa. Se alguém desviar em proveito da própria Administração, haverá outro crime, qual seja, uso ou 
emprego irregular de verbas públicas (art. 315 do CP).
PECULATO-FURTO: Artigo 312, § 1.º, do Código Penal. Funcionário público que, embora não tendo a posse do dinheiro, valor 
ou bem, o subtrai ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a 
qualidade de funcionário. Nesse caso é aplicada a mesma pena.
A conduta é subtrair, ou seja, tirar da esfera de proteção da vítima, de sua disponibilidade. Outra conduta possível é a de concorrer 
dolosamente.
Não basta ser funcionário público; ele precisa se valer da facilidade que essa qualidade lhe proporciona (a execução do crime é 
mais fácil para ele). Por facilidade, entende-se crachá, segredo de cofre etc. Um funcionário público pode praticar furto ou peculato-
furto, dependendo se houve, ou não, a facilidade.
Consumação e tentativa: O crime consuma-se com a efetiva retirada da coisa da esfera de vigilância da vítima. A tentativa é 
possível.
PECULATO CULPOSO: Artigo 312, § 2.º, do Código Penal. São requisitos do crime de peculato culposo: a conduta culposa 
do funcionário público e que terceiro pratique um crime doloso, aproveitando-se da facilidade provocada por aquela conduta.
Consumação e tentativa: Peculato culposo é crime independente do crime de outrem, mas estará consumado quando se consumar 
o crime de outrem. Não há tentativa de peculato culposo, pois não existe tentativa de crime culposo. Se o crime de outrem é tentado, 
este responderá por tentativa, porém o fato é atípico para o funcionário público.
90
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Reparação de danos no peculato culposo – Artigo 312, § 3.º, do Código Penal: É a devolução do objeto ou o ressarcimento do 
dano. É preciso ficar atento para as seguintes regras:
•	 Se a reparação do dano for anterior à sentença irrecorrível (antes do trânsito em julgado – primeira ou segunda instância), 
extingue a punibilidade.
•	 Se a reparação do dano for posterior à sentença irrecorrível (depois do trânsito em julgado), ocorre a diminuição da pena, 
pela metade.
Atenção: No peculato doloso não se aplicam essas regras.
PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM: Não é um estelionato, pois o erro da vítima não é provocado pelo agente. 
O núcleo do tipo é apropriar-se (para tanto, é preciso posse lícita anterior). Na verdade, é um peculato-apropriação. O núcleo do 
estelionato é obter.
O erro de outrem tem de ser espontâneo, e o recebimento, por parte do funcionário de boa-fé. Não há fraude.
Exemplo: Pessoa deve dinheiro para a Prefeitura, erra a conta e paga a mais. O funcionário recebe o dinheiro sem perceber o erro. 
Depois, ao perceber o erro, apropria-se do excedente – trata-se de peculato mediante erro.
O elemento subjetivo é o dolo de se apropriar. O crime consuma-se no momento da apropriação, ou seja, no momento em que o 
agente passa a agir como se fosse dono.
 
Inserção de dados falsos em sistema de informações 
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir 
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração 
Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações 
Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem 
autorização ou solicitação de autoridade competente: 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. 
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração 
resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado.
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; 
sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.
 
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
 
Concussão
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de 
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
 
O crime de concussão é diferente do crime de corrupção passiva. A diferença está no núcleo do tipo. A concussão tem por conduta 
exigir; é um “querer imperativo”, que traz consigo uma ameaça, ainda que implícita. A corrupção passiva tem por conduta solicitar, 
receber, aceitar promessa.
Na concussão, há vítima na outra ponta. A concussão é uma extorsão praticada por funcionário público em razão da função.
Exigir significa coagir, obrigar. A ameaça pode ser implícita ou explícita e, ainda assim, será concussão. O agente pode exigir 
direta ou indiretamente – por meio de terceiro, ou por outro meio qualquer.
Objetividade Jurídica: Proteger a probidade administrativa.
Sujeito Ativo: O sujeito ativo é o funcionário público. O particular pode praticar o crime, em concurso com o funcionário.
Sujeito Passivo: O sujeito passivo é o Estado (a Administração Pública). O particular pode ser sujeito passivo secundário.
Elementos Objetivos do Tipo: Exigir em razão da função: Deve existir nexo causal entre a exigência e a função.
91
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Consumação: A consumação ocorre no momento em que a exigência chega ao conhecimento da vítima, pois o crime de 
concussão é formal. A concussão não depende da obtenção da vantagem para a sua consumação; basta a exigência. Se o funcionário 
obtiver a vantagem, será mero exaurimento.
 
Excesso de exação
§ 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, 
quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para 
recolher aos cofres públicos:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
 
Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função 
ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário 
retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever 
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Na corrupção passiva não há ameaça, nem constrangimento. Se o funcionário pede e a pessoa coloca a mão dentro do bolso e 
entrega, não é caso de corrupção ativa, pois não existe tipificação para entregar, só para prometer, oferecer. Só há corrupção passiva 
nesse caso.
Na modalidade solicitar, onde a iniciativa é do funcionário público, não há crime de corrupção ativa, e sim de corrupção passiva.
Já, nas modalidades de receber e aceitar promessa, ocorre corrupção ativa na outra ponta, pois a iniciativa foi de terceiro.
Vantagem indevida na corrupção passiva é para que o funcionário faça alguma coisa, deixe de fazer, ou entãoretarde.
A consumação ocorre quando houver a solicitação, o recebimento ou a aceitação da vantagem. A consumação não depende da 
prática ou da omissão de ato por parte do funcionário. O recebimento da vantagem só é importante para a modalidade receber.
Elementos Objetivos do Tipo:
•	 Solicitar, pedir. Quem pede não constrange, não ameaça, simplesmente pede. A atitude de solicitar é iniciativa do funcionário 
público.
•	 Receber, entrar na posse. É preciso ao menos o indício de que a pessoa entrou na posse.
•	 Aceitar promessa, concordar com a proposta. Pode ser por silêncio, gesto, palavra. A iniciativa é de terceiro que faz a 
proposta. Alguém propõe e o funcionário aceita.
Corrupção Passiva Privilegiada – § 2.º: A corrupção passiva privilegiada ocorre com pedido ou influência de outrem. Corrupção 
privilegiada é um crime material – praticar, deixar de praticar. 
Facilitação de contrabando ou descaminho
Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 
334):
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição 
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao 
preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos 
ou com o ambiente externo: 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
92
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
A satisfação do interesse ou sentimento pessoal é o que diferencia a prevaricação da concussão e da corrupção. Trata-se de 
elemento subjetivo do tipo. Se for caso de vantagem indevida, o crime é o de concussão ou corrupção passiva. Se for caso de 
sentimento pessoal, o crime é o de prevaricação.
Aqui deve se entender sentimento pessoal como sentimentos de amor, ódio, raiva, vingança, amizade, inimizade. A mera preguiça 
não configura prevaricação.
Elementos Objetivos do Tipo:
	 retardar;
	deixar de praticar;
	praticar.
As condutas retardar e deixar de praticar são condutas omissivas (omissão própria). Praticar é conduta comissiva. A diferença 
entre retardar e deixar de praticar é que esse último tem um tom de definitividade. Retardar é protelar, demorar. Ato de ofício é aquele 
ato que está inserido na esfera de atribuições ou de compromissos do agente.
 
Condescendência criminosa
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração 
no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade 
competente:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
 
Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, 
valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.
 
Violência arbitrária
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência.
Abandono de função
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
 
Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado
Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar 
a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou 
suspenso:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
 
Violação de sigilo funcional
Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou 
facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: 
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer 
outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da 
Administração Pública; 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. 
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
Violação do sigilo de proposta de concorrência
Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo 
de devassá-lo:
Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.
 
Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou 
sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, 
e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de 
atividade típica da Administração Pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo 
forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da 
administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder 
público. 
O parágrafo primeiro dispõe quem são os funcionários públicos, por equiparação. São eles: quem exerce cargo, emprego ou 
função em entidade paraestatal e quem trabalha para empresa, prestadora de serviço, contratada ou conveniada para a execução de 
atividade típica da Administração Pública.
Entidade paraestatal é entendida, majoritariamente, como a administração indireta – autarquia, empresa pública, sociedade de 
economia mista e fundação pública.
•	 Síndico da massa falida, inventariante, curador e tutor, não são funcionários públicos.
•	 Funcionário de cartório é funcionário público.
•	 Funcionário do Banco do Brasil é funcionário público, pois o Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista.
•	 Funcionário dos Correios é funcionário público, pois o Correio é uma empresa pública.
Causas de Aumento de Pena – Artigo 327, § 2.º, do Código Penal: Segundo o artigo 327, § 2.º, do Código Penal as causas de 
aumento da pena decorrem quando o autor do crime exerce:
•	 Cargo em comissão (cargo de confiança);
•	 Cargo de direção ou assessoramento de órgãos da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública e 
fundação instituída pelo Poder Público.
Concurso de Agentes: Um particular pode responder por peculato em concurso de agentes com um funcionário público. O 
particular deve ter consciência e vontade (dolo) em relação ao agente do tipo, ou seja, deve saber que esse possui a condição de 
funcionário público. Caso contrário, transforma-se em responsabilidade objetiva, o que é proibido. Se o particular não souber que o 
outro é funcionário público, responderá por outro crime. Exemplo: furto.
12.2 DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
CAPÍTULO II
DOS CRIMES PRATICADOS POR
PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
Usurpação de função pública
Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
O nome deste crime deriva de USURPARE, que significa apossar-se sem ter direito, fazer-se passar por funcionário. A punição 
dá-se quando alguém toma para si, indevidamente, uma função públicaalheia, praticando algum ato correspondente. A função 
usurpada tem que ser absolutamente estranha ao funcionário público.
OBJETO JURÍDICO: O bom andamento da Administração Pública, em especial os princípios da probidade e da moralidade 
administrativa.
FUNÇÃO PÚBLICA: É necessário que a função exista. Não se pode usurpar uma função que não existe. Função é a atribuição 
ou conjunto de atribuições atinentes à execução de serviços públicos. Todo cargo tem função, mas nem toda função corresponde a 
um cargo, como ocorre, por exemplo, na função de jurado.
 
Resistência
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente 
para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:
Pena - detenção, de dois meses a dois anos.
§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
 
Resistir tem o condão de opor-se, de não ceder, de recusar-se, tem sentido de oposição, seja pela força ou pela violência, seja, 
ainda, pela omissão ou pela inércia. 
O tipo penal em comento tem como principal objetivo proteger o poder estatal e, sendo assim, busca resguardar a autoridade da 
administração pública, bem como sua liberdade na execução de suas atividades por meio de seus funcionários. 
Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa poderá cometê-lo, desde que se oponha ao cumprimento de ato legal por autoridade 
competente para tanto. Serão sujeitos passivos, o Estado, o funcionário que foi impedido de cumprir tal ato e, inclusive, a pessoa que 
esteja, eventualmente, auxiliando o funcionário na execução de atos legais. 
É fundamental reforçar a informação de que para que o delito se caracterize, essencial que o funcionário seja competente para 
executar, de ofício, o ato legal, bem como que tal ato seja praticado no exercício das funções e que, nesse momento, o agente se 
insurja à execução do ato. 
O cerne do artigo é a oposição do sujeito à execução do ato legal por funcionário competente. Observa-se, aqui, que é necessário 
que a oposição do sujeito se manifeste por meio de ameaça ou violência física, em face do funcionário ou da pessoa que o auxilia, 
no exato momento em que o ato esteja sendo praticado, de modo, portanto, que se a oposição for exercida em momento anterior ou 
posterior à prática do ato pelo funcionário público, não constitui crime de resistência. 
Para que o sujeito seja enquadrado no crime em tela, necessário que haja com dolo, ou seja, com vontade livre e consciente de 
executar a ação, sendo que se houver erro quanto a legalidade do ato, haverá, também, a exclusão do dolo. 
Desobediência
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.
O crime em tela consubstancia-se pelo fato do agente desobedecer a ordem legal de funcionário público. Todavia, há de se 
observar que o ato de desobedecer consiste em não acatar, não cumprir, não se submeter à ordem de funcionário público, investido 
de autoridade para imposição de ordem. 
O tipo penal objetiva manter a obediência das ordens emanadas do funcionário público no cumprimento de suas funções. 
O sujeito ativo do crime de desobediência poderá ser qualquer pessoa inclusive o próprio funcionário público que venha a agir 
como particular, ou seja, que não esteja no exercício de sua função e venha a desobedecer ordem de funcionário público. Vale-nos 
consignar que, de acordo com entendimentos jurisprudenciais, não incorrerá no referido crime o agente, funcionário público, que vier 
a desobedecer ordem de outro funcionário público, quando ambos se encontrarem no regular exercício de suas funções. O sujeito 
passivo é o Estado. 
O ato de desobedecer, tem o sentido de não cumprir, faltar à obediência, não atender a ordem legal de funcionário público, ordem 
esta para que o agente realize ou deixe de praticar determinada ação.
É indispensável para a caracterização do delito que o agente receba, do funcionário público, um mandamento, uma ordem, 
não bastando portanto que seja um pedido ou uma solicitação, sendo esta dirigida direta e expressamente ao agente. Outrossim, 
indispensável que a ordem esteja investida de legalidade pois caso não esteja, não há que se falar em desobediência.
A desobediência, via de regra, ocorre de forma dolosa, intencional, ou seja, o agente imputa sua vontade livre e consciente em 
desobedecer a ordem recebida do funcionário público, porém o erro ou o motivo de força maior exclui o caráter doloso. Não há forma 
culposa do delito. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Desacato
Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Desacato é a conduta pela qual determinada pessoa desrespeita, não adota, deixa de reverenciar funcionário público no exercício 
de sua função. Assim, comete o crime de desacato não somente o ato de irreverência ou desrespeito, como também a ofensa, moral 
ou física, lançada contra pessoa investida de autoridade. 
Conforme a redação do artigo 331, observa-se indispensável que o desacato seja contra funcionário público, no exercício de sua 
função ou em razão dela, tendo o delito como objetividade jurídica, manter o prestigio, o respeito da administração pública exercido 
por seu agente público. 
O sujeito ativo do crime de desacato poderá ser qualquer pessoa que vier a desacatar funcionário público, inclusive o próprio 
funcionário público, pois como dito, a objetividade jurídica do crime é manter o respeito, o decoro, da administração pública. Assim 
o sujeito passivo do delito é o Estado, bem como seu funcionário. 
O crime em tela traz em seu cerne o sentido de vexar, afrontar, ofender, desrespeitar o funcionário público, desferindo-lhe 
palavras injuriosas, desrespeitosas, caluniosas, difamatórias bem como ameaças, gestos e agressão física.
 
Tráfico de Influência 
Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, 
a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é 
também destinada ao funcionário. 
O crime em tela tem como objetividade jurídica zelar pelo prestígio da administração pública contra aquele que se utiliza da 
influência junto a funcionário público. 
O sujeito ativo do crime de Tráfico de Influência poderá ser qualquer pessoa que vier a solicitar, exigir, cobrar ou obter vantagem 
ou promessa dela, para si ou para outrem, se gabando de ter influenciado, persuadido o funcionário público. A figura do sujeito 
passivo do delito será o Estado, desprestigiado pelo particular em razão da pratica de umas das condutas típicas do crime. 
Para a configuração do delito torna-se indispensável a prova de que o agente, efetivamente, alardeou o prestígio junto a funcionário 
público caso contrário não haverá a consumação do delito. 
Importante se faz consignar que se o agente vier a tirar proveito da influência, utilizando-se no todo ou em parte de seu resultado, 
incorrerá no crime de corrupção ativa, logo não responderá pelo crime aqui tratado. 
O crime exerce a modalidade dolosa uma vez que o agente emprega vontade livre na pratica uma das condutas descritas no 
dispositivo, mesmo que não tenha consciência de desprestigiar a administração pública.
Sua consumação se dará de imediato com o ato de solicitar, exigir, cobrar ou obter a vantagem pretendida. Nota-se que, como 
dito anteriormente, se o agente vier a obter a vantagem responderá pelo delito de corrupção ativa. 
Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, 
omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 
Parágrafoúnico - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário 
retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.
 
O objeto jurídico protegido nesse tipo penal é a probidade da administração, e tenta-se evitar que uma ação externa corrompa a 
administração pública através de seus funcionários.
Diferentemente da corrupção passiva, que só pode ser praticada por funcionário público, na corrupção ativa o crime pode ser 
praticado por qualquer sujeito, até mesmo um funcionário público que não esteja no exercício de suas funções.
Portanto o sujeito ativo da corrupção ativa pode ser qualquer pessoa. Neste crime quem é atingido pela sua prática é o Estado, 
sendo portanto este o sujeito passivo do delito.
O tipo objetivo prevê que deve “oferecer ou prometer vantagem indevida” esse oferecimento configura-se tanto para aquele que 
verbalmente e pessoalmente o pratica ou para aquele que envia por carta ou deixa um dinheiro sobre a mesa. Para configurar o crime 
de corrupção ativa deve a oferta ou promessa levar o funcionário a deixar de praticar, retardar ou executar ato de ofício.
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Contrabando ou descaminho
Art. 334 Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo ou em parte, o pagamento de 
direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
§ 1º - Incorre na mesma pena quem: 
a) pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; 
b) pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando ou descaminho; 
c) vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou 
alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira 
que introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou que sabe ser produto de 
introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem; 
d) adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou 
industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal, ou 
acompanhada de documentos que sabe serem falsos. 
§ 2º - Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, qualquer forma de comércio 
irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive o exercido em residências. 
§ 3º - A pena aplica-se em dobro, se o crime de contrabando ou descaminho é praticado em transporte 
aéreo. 
Entende-se como contrabando o comércio feito contrariamente a lei, incluindo-se tanto o comércio de introdução de mercadoria 
no país (importação), como a remessa dessas para o exterior (exportação). Tais operações são atos fraudulentos que visam o transporte 
de mercadorias tidas como proibidas, assim definidas por lei.
Já o descaminho é o desvio de mercadorias com a intenção de fraudar o fisco. Aqui se trata de sonegação de impostos na entrada 
ou na saída de mercadoria do país. 
Observa-se, claramente, a distinção entre contrabando e descaminho, sendo que este se dá com intenção de burlar o fisco, 
negando-lhe o pagamento dos impostos devidos, importando ou exportando mercadorias legais, ou seja, permitidas por lei, enquanto 
naquele, como já mencionado, as mercadorias transportadas são ilegais. 
Tem-se que a objetividade jurídica é a tutela do erário público, de maneira que o tipo penal visa proteger os interesses da 
administração e da Fazenda Pública, no sentido de que tais órgãos não sejam financeiramente lesados. 
O contrabando ou descaminho é crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. Se houver participação de funcionário 
público, com transgressão de dever funcional, incorrerá este no crime de facilitação de contrabando ou descaminho, nos termos no 
artigo 318 do código penal. 
O sujeito passivo do delito é o Estado, quando prejudicado em seus direitos e em sua arrecadação de impostos. 
Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência
Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência pública ou venda em hasta pública, promovida 
pela administração federal, estadual ou municipal, ou por entidade paraestatal; afastar ou procurar 
afastar concorrente ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou oferecimento de 
vantagem:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se abstém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem 
oferecida.
 
Inutilização de edital ou de sinal
Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de 
funcionário público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem 
de funcionário público, para identificar ou cerrar qualquer objeto:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Edital, derivado de edictus, de edictare (publicar,anunciar, intimar), vem justamente indicar o ato pelo qual se faz publicar pela 
imprensa, ou nos lugares públicos, certa notícia, fato ou ordenança, que deva ser divulgada ou difundida, para conhecimento das 
próprias pessoas nele mencionadas, como de quantas outras possam ter interesse no assunto, que nele se contém, de que são exemplos 
o edital de casamento, de citação, de praça, de concurso e de concorrência. 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
Sinal (ou selo) pode ser qualquer material, mas deve trazer a assinatura ou símbolo (carimbo) de autoridade. Encontram-se 
elencados no rol de sinais o lacre, arame, chumbo, papel, pano e demais objetos rubricados ou assinados por autoridade, cujo objetivo 
é preservar, cerrar ou manter a inviolabilidade da coisa. 
Assim sendo, Edital e Sinal tratam-se de uma espécie de ordem ou determinação oficial para conhecimento de todos e afixados 
em locais públicos ou não, e sua inutilizarão ou conspurcação constitui crime, conforme dispõe o artigo 336 do código penal. 
 
Subtração ou inutilização de livro ou documento
Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à 
custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de particular em serviço público:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave.
 
Sonegação de contribuição previdenciária 
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as 
seguintes condutas: 
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação 
previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a 
este equiparado que lhe prestem serviços; 
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias 
descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; 
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e 
demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
§ 1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, 
importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei 
ou regulamento, antes do início da ação fiscal. 
§ 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário 
e de bons antecedentes, desde que: 
I – (VETADO)
II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido 
pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas 
execuções fiscais. 
§ 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 
(um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar 
apenas a de multa. 
§ 4o O valora que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos 
índices do reajuste dos benefícios da previdência social. 
A conduta de sonegação consiste em empregadores omitirem de sua folha de pagamento informações previstas na legislação 
previdenciária, deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios de sua contabilidade e omitir, total ou parcialmente, receitas ou 
lucros auferidos.
Cumpre-nos destacar que a conduta descrita no inciso I do artigo em tela, consiste em omitir em folha de pagamento, segurados 
e demais que prestam serviços ao empregador, ou seja, deixar de informar o empregado, empresário etc.
Já o Inciso II a prática delituosa refere-se em deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa 
as quantias descontadas destes segurados, ou as devidas pelo empregador ou tomador de serviços. Nesta conduta deixam de serem 
lançados quantias descontas, diferente da conduta do inciso I onde percebe-se a ação em não lançar o empregado.
No que se refere ao disposto no inciso III, percebe-se claramente a distinção entre as duas praticas citadas no inciso I e II, 
onde o agente omite, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações ou creditadas e demais fatos geradores de 
contribuições sociais previdenciárias. 
O sujeito ativo do crime aqui tratado é o responsável legal pela empresa, seus sócios, diretores, gerentes e demais responsáveis 
pelo lançamento nas folhas de pagamento e documentos de informação à previdência social.
O sujeito passivo do crime sempre será a previdência social, prejudicada por uma ou mais ações praticadas pelo sujeito ativo.
A pratica do crime se dá na modalidade dolosa uma vez o agente exerce vontade livre e consciente em suprimir ou reduzir 
contribuição destinada a previdência.
Vale-nos consignar que por contribuição destinada á previdência podemos entender aquelas consideradas incidentes da referida 
verba, ou seja, salários, 13º Salário, férias, horas extras, adicionais de insalubridade ou periculosidade, adicional noturno dentre 
outras.
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RESUMO DE CONCURSOS 
CAPÍTULO II-A 
DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRANGEIRA
Corrupção ativa em transação comercial internacional
Art. 337-B. Prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a funcionário 
público estrangeiro, ou a terceira pessoa, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício 
relacionado à transação comercial internacional: 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço), se, em razão da vantagem ou promessa, o 
funcionário público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.
Tráfico de influência em transação comercial internacional 
Art. 337-C. Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, vantagem 
ou promessa de vantagem a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público estrangeiro no 
exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional: 
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é 
também destinada a funcionário estrangeiro. 
Funcionário público estrangeiro 
Art. 337-D. Considera-se funcionário público estrangeiro, para os efeitos penais, quem, ainda que 
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública em entidades estatais 
ou em representações diplomáticas de país estrangeiro. 
Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público estrangeiro quem exerce cargo, emprego ou função 
em empresas controladas, diretamente ou indiretamente, pelo Poder Público de país estrangeiro ou em 
organizações públicas internacionais. 
12.3 DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA
A administração da justiça, a distribuição da justiça, a atuação do Poder Judiciário, bem a si dos órgãos indispensáveis a sua 
atividade, como a das autoridades policiais do Ministério Público, da Advocacia e de todos os operadores do Direito, é bem jurídico 
importantíssimo e deve estar, também, ao amparo do Direito Penal contra ações que se voltem contra a sua regularidade e o respeito 
que todos a ela dedicam. Por isso, o Código Penal, dedicou o capítulo 3 do Título XI, aos crimes contra a administração da justiça.
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA
Reingresso de estrangeiro expulso
Art. 338 - Reingressar no território nacional o estrangeiro que dele foi expulso:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, sem prejuízo de nova expulsão após o cumprimento da pena.
Denunciação caluniosa
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de 
investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, 
imputando-lhe crime de que o sabe inocente: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. 
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.
O delito de denunciação caluniosa objetiva a proteção da administração da justiça.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa, inclusive delegado, promotor, juiz etc. Se o crime for de ação penal privada ou de ação penal 
condicionada à representação, quem pode dar causa à instauração é a vítima ou seu representante legal.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Sujeito Passivo: O Estado. O sujeito passivo secundário é aquele a quem se atribuiu falsamente a prática do delito.
Elementos Objetivos do Tipo: Dar causa: originar, causar, provocar. Pode ser praticado por qualquer meio, pois é crime de 
forma livre. A denunciação caluniosa pode ser direta ou indireta.
	Direta: quando o próprio agente dá causa (de forma verbal ou escrita).
	 Indireta: quando o agente faz com que a notícia chegue à autoridade por qualquer meio (telefonema anônimo, carta anônima, 
encenação. Por exemplo, colocar um objeto na bolsa de alguém).
A pena aumenta em um sexto se o autor servir-se de anonimato ou nome falso (art. 339, § 1.º, do CP).
•	 Contra alguém: o crime de denunciação caluniosa exige que a imputação seja feita contra alguém, ou seja, contra pessoa 
determinada.
•	 Comunicação falsa de crime: a pessoa inventa um crime, mas não faz imputação a ninguém. Ex.: homem que bateu o 
próprio carro para receber o seguro e disse que foi vítima.
Consumação: Consuma-se o delito quando iniciada a investigação ou o processo. Não basta a notícia.
Diferença Entre Denunciação Caluniosa e Calúnia: Calúnia (art. 138 do CP) é a imputação falsa de um crime. Denunciação 
caluniosa é a imputação de um crime ou de uma contravenção, que deve dar causa à instauração de investigação ou processo. Na 
calúnia a intenção do agente é ofender a honra. Na denunciação caluniosa a intenção do agente é instaurar o procedimento. Os dois 
crimes não irão existir conjuntamente: ou ocorrerá calúnia ou denunciação caluniosa, dependendo da intenção do agente.
Comunicação falsa de crime ou de contravenção
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção 
que sabe não se ter verificado:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
A diferença entre denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime é que na denunciação caluniosa há imputação de crime a 
alguém, e na comunicação falsa não há imputação a alguém, apenas se comunica um fato.
Exemplo de comunicação falsa: “fui furtado”.
Exemplo de denunciação caluniosa: “João me furtou”.
Objetividade Jurídica: Resguardar a Administração Pública, a administração da justiça.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.
Sujeito Passivo: O Estado, visto como Administração Pública.
Elementos Objetivos do Tipo:
•	 Provocar: dar causa, originar, ocasionar.
•	 Ação da autoridade: investigação. Não basta a lavratura do Boletim de Ocorrência,devendo ser iniciada uma investigação.
•	 Autoridade: delegado, juiz, promotor, policial etc. O conceito é bem amplo. O crime é livre, podendo ser cometido por 
escrito, verbalmente, por interposta pessoa etc.
Elemento Subjetivo do Tipo: Dolo direto, pois a lei exclui o dolo eventual ao usar o termo “que Sabe”.
Consumação: Com o início da investigação. Se apenas for lavrado o Boletim de Ocorrência, o crime foi tentado.
Auto-acusação falsa
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
Objetividade Jurídica: A administração da justiça.
Sujeito Ativo: Qualquer pessoa.
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RESUMO DE CONCURSOS 
Sujeito Passivo: O Estado, a coletividade.
Elementos Objetivos do Tipo: O núcleo é acusar-se, ou seja, apontar a sim mesmo como autor do crime. A auto-acusação 
falsa não é um crime de mão-própria; tem forma livre. Não precisa de espontaneidade, basta que exista o dolo. O tipo refere-se à 
autoridade no sentido amplo, ou seja, juiz, promotor, delegado, policial etc. É necessário que a auto-acusação seja de crime, pois se 
for de contravenção o fato é atípico.
Elemento Subjetivo do Tipo: Basta o dolo.
Consumação: O crime consuma-se no momento em que a auto-acusação chegar ao conhecimento da autoridade. Observação: 
Na denunciação caluniosa não basta a comunicação; deve ser iniciada a investigação.
 
Falso testemunho ou falsa perícia
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, 
tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se 
cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil 
em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.
§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se 
retrata ou declara a verdade.
Objetividade Jurídica: A administração da justiça.
Sujeito Ativo: A testemunha, o perito, o tradutor e o intérprete. Trata-se de crime próprio. Se a vítima mentir, não pratica o crime, 
assim como as partes também não praticam o falso testemunho. A mera contradição entre depoimentos não configura crime de falso 
testemunho.
Perito: Pessoa que possui conhecimentos técnicos para, após exame, emitir parecer a respeito de questões relativas aos seus 
conhecimentos. O tradutor e o intérprete também são peritos. Tradutor é aquele que verte, ou seja, traduz para o idioma nacional 
texto em língua estrangeira. Intérprete é aquele encarregado de fazer com que se entendam, quando necessário, a autoridade e alguma 
pessoa que não conhece o idioma nacional ou que está impossibilitada de falar. O tradutor e o intérprete diferenciam-se do perito 
comum, porque não são fontes de prova, limitando-se a fazer compreender o conteúdo de elementos produzidos para instrução e 
decisão do processo em causa.
Sujeito Passivo: O Estado e, secundariamente, aquele a quem o falso possa prejudicar.
Elementos Objetivos do Tipo: Fazer afirmação falsa: dizer, afirmar o que não corresponde com a verdade. Negar a verdade: 
dizer que não sabe o que sabe, dizer que não viu o que viu etc. Calar a verdade: silenciar a respeito do que sabe. O silêncio por si só, 
nesse caso, é crime.
Elemento Subjetivo do Tipo: Basta o dolo. Não há necessidade de intenção especial.
Consumação: Com o encerramento do depoimento, ou seja, com a assinatura da testemunha. No crime de falsa perícia, a 
consumação se dá com a entrega da perícia para ser anexada aos autos (não com a juntada).
Falso Testemunho Qualificado – Artigo 342, § 1.º: O falso testemunho qualificado ocorre quando a finalidade do delito for 
obter prova destinada a produzir efeitos no processo penal. A prova não precisa ser feita no processo penal, basta a finalidade. Aqui 
há dolo específico (elemento subjetivo do tipo).
Causa de aumento de pena – Artigo 342, § 2.º: A pena é aumentada em 1/3 se o crime é praticado mediante suborno. Tanto faz 
se houve pagamento ou promessa de pagamento. Aquele que suborna responde pelo crime do artigo 343.
Retratação – Artigo 342, § 3.º: O fato deixa de ser punível se, antes de a sentença ser proferida (no processo em que o crime de 
falso testemunho foi praticado), o agente se retratar. Retratação: desdizer, retirar o que disse. Mas isso não basta, pois o agente tem 
que restaurar a verdade. É causa de extinção da punibilidade (art. 107, inc. VI, do CP).
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RESUMO DE CONCURSOS 
Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, 
tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, 
cálculos, tradução ou interpretação: 
Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa.
Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é cometido com o fim 
de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal ou em processo civil em que for parte 
entidade da administração pública direta ou indireta. 
Coação no curso do processo
Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra 
autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, 
policial ou administrativo, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Objetividade Jurídica: A administração da justiça.
Sujeito Ativo: O indivíduo contra quem foi instaurado o procedimento ou terceiro que vise o benefício daquele.
Sujeito Passivo: O Estado e, em segundo plano, aquele que sofre a coação. Cabe ressaltar que, apesar do nome “coação no 
curso do processo”, o crime também estará configurado se a violência ou grave ameaça for utilizada no curso do inquérito policial, 
de procedimento administrativo ou de procedimento em juízo arbitral.
Elemento Subjetivo do Tipo: O dolo de favorecer interesse próprio ou alheio.
Consumação: O delito se consuma no momento do emprego da violência ou grave ameaça, independentemente do êxito, do fim 
visado pelo agente. Trata-se de crime formal.
Tentativa: É possível.
Exercício arbitrário das próprias razões
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando 
a lei o permite:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.
Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.
 
Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por 
determinação judicial ou convenção:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
O que se pune é a conduta tendente à satisfação de pretensão, no sentido técnico, ou seja, direito que o agente supõe ter e que 
pode ser levado a Juízo. A pretensão pode ser legítima ou não, é irrelevante.
Fazer justiça com as próprias mãos é conduta de forma livre. Se o delito for praticado com violência, haverá concurso material 
de crimes.
Se não houver emprego de violência, a ação será privada (mediante queixa).
Fraude processual
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, 
de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, 
as penas aplicam-se em dobro.
O código penal brasileiro prevê em seu artigo 347 o crime de fraude processual. O referido dispositivo pressupõe que, na 
pendência da lide, o agente inove artificiosamente o estado do lugar, da coisa ou da pessoa, com o fito de induzir em erro o juiz ou 
o perito.102
Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
O pressuposto para a tipificação do delito é a pendência de processo cível ou administrativo, ou seja, processo em trâmite, pois, 
se a inovação se fizer no âmbito do processo penal, não será exigível a pendência, incorrendo em crime o agente que inove, de forma 
artificiosa, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, mesmo que o processo ainda não tenha sido instaurado. 
Em se tratando de processo civil ou administrativo somente incorrerá em crime o agente que venha a inovar, mudar, alterar o 
lugar, coisa ou pessoa no curso de um processo, sendo que na esfera criminal o agente já estará incurso em crime de fraude processual 
quando praticar quaisquer daquelas condutas que possam induzir o juiz ou o perito mesmo antes de iniciada a ação penal. 
Não incorrerá no crime aqui tratado o agente que, mesmo intencionalmente, corta ou deixa crescer seus cabelos, extrai seu 
bigode, passa a usar óculos ou pratica qualquer ato similar com o intuito de não ser reconhecido onde, portanto, tais condutas não 
configuram o tipo penal, ou seja, a inovação artificiosa. 
 
Favorecimento pessoal
Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena 
de reclusão:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
§ 1º - Se ao crime não é cominada pena de reclusão:
Pena - detenção, de quinze dias a três meses, e multa.
§ 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento 
de pena.
 
Favorecimento real
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar 
seguro o proveito do crime:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
 
Art. 349-A. Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de 
comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional. 
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. (Incluído pela Lei nº 12.012, de 2009).
 
No artigo 349 do código penal encontra-se previsto o crime de favorecimento real, que consiste na ação do agente em auxiliar o 
criminoso, colocando fora de perigo o proveito daquele crime. 
Importante se faz mencionar a distinção entre o crime de receptação (art. 180 do CP) do delito aqui tratado. No crime de 
receptação o agente se utiliza do produto do crime alheio em interesse próprio, ou seja, exerce interesse econômico em seu favor ou 
de terceiro, já no favorecimento real a conduta é tornar seguro, por a salvo a vantagem obtida pelo criminoso. Por co-autoria, entende-
se a execução conjunta do crime. 
Visa, o tipo penal, conservar a regularidade da administração, no sentido de obstaculizar qualquer auxilio ao criminoso em 
relação a “res furtivae” e, da mesma maneira, objetiva proteger o patrimônio da vítima do crime anterior a esse. 
Por tratar-se de crime comum, qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do delito, sendo sujeitos passivos o Estado, bem como a 
pessoa prejudicada com a subtração. 
Vale-nos consignar que por “proveito do crime” devemos entender qualquer vantagem, material ou imaterial. A título de exemplo 
podemos citar como vantagem material a posse do objeto furtado anteriormente, e imaterial o valor pago pela pratica, ou seja, a coisa 
(dinheiro) que veio a substituir o objeto do material do crime.
É importante também distinguir o crime em estudo do crime denominado favorecimento pessoal. É que no primeiro caso, o que 
se quer assegurar é o proveito de um crime anterior (objeto material ou imaterial) e, no segundo crime, o que se pretende garantir é 
a fuga do autor. 
Exercício arbitrário ou abuso de poder
Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual, sem as formalidades legais ou 
com abuso de poder:
Pena - detenção, de um mês a um ano.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcionário que:
I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a estabelecimento destinado a execução de pena 
privativa de liberdade ou de medida de segurança; 
II - prolonga a execução de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno 
ou de executar imediatamente a ordem de liberdade; 
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Didatismo e Conhecimento
RESUMO DE CONCURSOS 
III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado 
em lei;
IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.
 
Fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança
Art. 351 - Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de segurança 
detentiva:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ 1º - Se o crime é praticado a mão armada, ou por mais de uma pessoa, ou mediante arrombamento, a 
pena é de reclusão, de dois a seis anos.
§ 2º - Se há emprego de violência contra pessoa, aplica-se também a pena correspondente à violência.
§ 3º - A pena é de reclusão, de um a quatro anos, se o crime é praticado por pessoa sob cuja custódia 
ou guarda está o preso ou o internado.
§ 4º - No caso de culpa do funcionário incumbido da custódia ou guarda, aplica-se a pena de detenção, 
de três meses a um ano, ou multa.
 
Evasão mediante violência contra a pessoa
Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança 
detentiva, usando de violência contra a pessoa:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.
Evadir é o ato pelo qual determinada pessoa, presa ou submetida a medida de segurança detentiva, foge, escapa da prisão ou 
do lugar em que fora recolhido. O Código Penal brasileiro, em seu artigo 352, imputa o crime de evasão somente ao sujeito que, 
evadindo-se ou tentando evadir-se, vier a praticar violência física contra outrem.
Observar-se que o tipo penal apenas imputa a conduta criminosa ao agente caso este, evadindo-se ou tentando evadir-se, empregue 
violência física contra pessoa, caso contrário estará o Estado impedido de puni-lo pela simples fuga ou sua tentativa. Não estará o 
preso isento de medidas disciplinares caso tente ou incorra em evasão, sendo que tal conduta lhe será prejudicial quando da pretensão 
de alguns benefícios da lei. 
Vale-nos explicitar que a evasão, ou sua tentativa, pode se dar de qualquer lugar onde o sujeito tiver sua liberdade cerceada, ou 
seja, presídio, internato, edifício, delegacia, viatura de polícia e demais locais. 
No crime de evasão mediante violência contra a pessoa objetiva-se a regular administração da justiça onde o Estado, em seus 
apropriados estabelecimentos, tem o dever em manter o preso ou o internado privado de sua liberdade. O delito tem como sujeito 
ativo a pessoa presa ou internada, figurando no pólo passivo o Estado, bem como a pessoa que for vítima de agressão física pelo 
agente. 
Fundamental que o agente aja com dolo, consciente de que pretende evadir-se de prisão legalmente decretada, utilizando-se de 
violência física contra outrem. A ação penal é pública incondicionada. 
Arrebatamento de preso
Art. 353 - Arrebatar preso, a fim de maltratá-lo, do poder de quem o tenha sob custódia ou guarda:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, além da pena correspondente à violência.
O verbo arrebatar significa a ação pela qual se retira, arranca determinada coisa de seu lugar ou da posse de quem a detém, 
impelindo-a ou usando da força com o propósito de apoderação. O ato de arrebatar também se dá em relação à pessoa quando esta é 
retirada, arrancada a força da custódia de quem a detém. 
Em matéria de direito penal, o artigo 353 do CP contempla o crime de arrebatamento de preso, cujo ato consiste em retirar o 
apenado da custódia do Estado, submetendo-o a violência e maus tratos. 
O tipo penal trás, para a configuração do delito, que o arrebatamento do preso se dê com o objetivo de maltratá-lo onde se torna 
indispensável o emprego da violência, ou até mesmo ameaça, pois ocorrendo a simples subtração, mesmo que haja a intenção de 
maltratá-lo, não se consumará

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