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Uma breve história de Viena

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Universidade Luterana do Brasil 
Curso de Psicologia 
 
 
 
 
 
 
Resenha Crítica: Documentário 
 “A invenção da Psicanálise Sigmund Freud” 
Uma Breve História de Viena 
 
 
 
 
 
 
 
 
Acadêmica: ​Bianca Sampaio Vasconcelos 
 
Uma Breve História de Viena 
Esta é uma grande história que tem seu início no século XIX e se estende até 
os dias de hoje. O título desta análise (do documentário, não da psique como Freud) 
faz propositalmente referência ao livro de uma das mentes mais modernas e geniais 
do século XXI, sobre outra das mentes mais geniais do século XX. 
A vida humana, ah! 
A vida, sobretudo, é poesia. 
Inconscientes, nós a vivemos, dia a dia. 
Passo a passo – 
mas em sua intangível plenitude 
ela vive e nos traduz em poesia. 
ANDREAS-SALOMÉ, L. casadevidro.com., p. 8. 
Durante muito tempo, a história da psicanálise estava entrelaçada com a de 
Freud, porém esta ciência é maior que reduzí-la ao homem que a teorizou, por isso, 
essa resenha não só Freud explica. 
 
Número 19 da Berg Hasse 
Ele queria mudar o mundo através de uma doutrina: ​a psicanálise. 
Fora em Viena, a capital da Áustria, onde o ponta pé inicial do nascimento da 
psicanálise aconteceu: Amalie Nathansohn Freud dá à luz ao bebê batizado como 
Sigmund Schlomo Freud, em 1856. 
Freud, o médico, o neurologista, o cientista e o judeu. Escolhas que o tornaram 
o pai da psicanálise. Entre coleções de antiguidades e estatuetas, diversas cartas e 
tinteiros, a fumaça do charuto, bem como, pensamentos complexos e profundos, as 
primeiras teorias surgem. 
 
Ainda com dúvidas sobre sua verdadeira vocação, o jovem médico de 29 anos, 
Sigmund Freud, viaja a Paris em outubro do ano de 1885 para assistir às aulas clínicas 
de Jean-Martin Charcot, maior neurologista da época. Um traço marcante de Freud são 
suas cartas, intensas em emoções e conteúdo. Em Paris, escreve para Martha, sua 
noiva, por quem está apaixonado. 
O começo desta história se dá no Hospício de Salpêtriere, também em Paris, 
onde mulheres consideradas “loucas” eram isoladas em um setor especial - nada 
diferente do Brasil antes da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial -, eram as 
incuráveis. Sobreviviam em condições desumanas, seminuas, no meio das imundícies, 
recebiam alimentos frios e feitos de dejetos por meio das grades. 
A histeria, a grande doença das mulheres - do útero - e do feminino do fim do 
século, a qual “exibe a loucura do mundo e a miséria do povo” era tratada no 
Salpêtriere por Charcot, apelidado de “Napoleão das Histéricas”. Cerca de 6 mil 
mulheres estavam presas neste ​hospício​, servindo de material de experiência para seus 
estudos sobre a razão humana. 
 
“A Aula Clínica de Charcot” 
Ao investigar mais sobre os sintomas da histeria, como a convulsão, Charcot 
tinha um método em que as pacientes eram direcionadas a ficar em estado de 
sonambulismo ou sono acordado, também conhecida como ​hipnose. 
 
A pintura acima nomeada “A Aula Clínica de Charcot” (em uma das 
traduções), é um célebre quadro pintado por André Brouillet representando uma aula 
na qual Charcot examina e usa sua técnica na famosa paciente histérica, Blanche 
Witmann, junto de seu assistente Joseph Babinski. Hoje a clássica e icônica pintura, 
que popularizou a hipnose, está localizada no Museu de História da Medicina, em 
Paris. 
Com seu método de hipnose, Charcot fez desaparecer provisoriamente 
sintomas como paralisia e contrações, explicando enfim, que a histeria é uma neurose 
sem relação ao útero. 
Freud é atraído por essa relação médico-paciente de Charcot e por suas aulas 
clínicas. Em uma carta à Martha, escreve como esse grande médico está demolindo 
seus conceitos e o influenciando. 
Mas Freud não para neste ponto, ele entende que há uma ferida original para a 
histeria. Precisava repensar. 
 
De volta à Viena - um célebre caso 
No Instituto de Fisiologia de Viena, Freud conhece o médico judeu Joseph 
Breuer, que um dia lhe conta sobre um importante caso que tem trabalhado, o qual 
seria denominado de histeria aguda, tal possuía sintomas como: esquecer a língua 
materna, recusava-se a beber água em seu copo e tinha uma paralisia. 
A jovem Anna O. - ou Bertha Papenheim - da burguesia vienense, sentiu os 
primeiros sintomas aos 20 anos. O desejo refreado de ser livre de uma postura 
esperada para a época, fez com que várias jovens adoecessem, incluindo ela. O célebre 
caso Anna O. fez com quem Breuer desenvolvesse a terapia pela fala, hipnotizando-a e 
dando comandos para que ela lembrasse de determinadas memórias, as quais ela 
lembrava e falava, assim contribuindo para a melhora dos sintomas, impressionando 
Breuer. 
 
Anna O. foi a primeira paciente analisada no mundo, com um tratamento 
durante 2 anos. A conclusão foi de que era possível acessar o inconsciente por meio da 
conversa com o paciente, podendo trazer memórias dolorosas ocultadas para o âmbito 
da consciência, no qual o paciente poderia entendê-las e, com isso, aliviar seus 
sintomas. 
E, novamente, Freud não para neste ponto, o que permitiu que ele 
desenvolvesse uma teoria própria. 
Em 1895, Joseph Breuer e Sigmund Freud publicam a obra “Estudos sobre a 
histeria”. Este é um livro que não mostra como curar a histeria - que não teria cura -, 
embora, mostra como tratá-la através do ​método ​catártico - a cura pela fala. Este já 
poderia ser considerado uma terapia, bem como, um progresso para o nascer da 
psicanálise. 
 
Um novo modo de pensar a subjetividade 
Em 1886, Freud instala-se como médico em Viena e casa-se com sua amada 
Martha. No seu consultório, trata principalmente mulheres da burguesia vienense 
sofrendo de neuroses. Em um dia de trabalho, no ano de 1889, uma paciente chamada 
Fanny Mozer, pediu à Freud não a tocasse e apenas a escutasse. Este pedido fez com 
que o psicanalista refletisse. 
A partir daí, ele abandona a hipnose e usa um estilo de cama para que os 
pacientes possam ficar deitados atrás de onde ele fica sentado, a modo que ele pudesse 
ver o paciente, mas o paciente não pudesse o ver. Freud inventa o divã, que foi um 
local de investigação, seu laboratório, onde criou seu saber clínico. A palavra vira o 
ato terapêutico em si, sem demais métodos, somente pacientes contando sobre suas 
infâncias, fantasias e outros. 
Ao paciente falar livremente - método de associação livre -, em análise desta 
fala caótica, Freud atribui à ​sexualiade um lugar fundamental: ​ela determina a vida 
psíquica. 
 
Um oceano de descobertas 
A neurose é a consequência de conflitos infantis não resolvidos, Freud chega a 
esta conclusão após conhecer Wilhen Fliess, um otorrinolaringologista berlinense, que 
acreditava na relevância do nariz e do catarro do nariz na sexualidade. 
Em trocas de cartas, Freud e Fliess compartilharam experiências, inspirando 
Freud a desenvolver a primeira ​Teoria do Aparelho Psíquico, a Teoria da Sedução 
e a da Bissexualidade​, nasce então a psicanálise. 
Os “congressos” que eram os encontros destes amigos médicos para longas 
conversas, uma troca de ideias e pacientes, que ajudaram Freud a formular teoriasextravagante. Os erros e os acertos o acompanharam no desenrolar de suas teorias, 
fazendo com que novas conclusões fossem consideradas, quando Freud entendesse 
que havia uma explicação mais adequada. Uma de suas colocações fora a de que ​há 
um trauma para toda neurose,​ e esta seria uma das forças da teoria. 
Pensando nisso, analisou ele mesmo, pois acreditava que toda neurose tinha 
origem de uma sedução real vivida na infância (estupro ou carícias), e queria entender 
se também sofreu disso. Mas rejeitou a hipótese dessa corrupção. Assim, entendeu que 
a Teoria da Sedução não dava conta do imaginário sexual de cada sujeito, portanto cria 
a Teoria da Fantasia. 
 
Psicanálise Plena 
Todas as antigas teorias são deixadas, e o sujeito vai questionar a sua pessoa. 
Esta é a ​Revolução Freudiana. Reformula a forma de pensar no eu, faz com que o 
sujeito se questione. Mas os demais entendiam a sua revolução como contraditória, 
uma vez que, o revolucionário Freud era, de fato, um burguês - e que ideias esse 
homem teve! 
❏ A sexualidade infantil; 
❏ Homossexualidade não é crime, nem doença, nem pecado; 
 
Ideias que causaram revolta - e revolução -, pois não eram macias aos ouvidos 
da sociedade da época. Mas ainda assim, seguia sendo o perfeito burguês que atendia a 
sua burguesia e refletia sobre ela. 
 
Nada termina, nada passa, nada é esquecido 
O inconsciente. 
“Se fosse preciso concentrar numa palavra a descoberta freudiana, essa palavra 
seria incontestavelmente ​inconsciente​”. J. Laplanche e J.-B. Pontalis. Vocabulário da 
Psicanálise. p. 307. 
O grande achado da psicanálise de Freud, trazer o obscuro da mente, em uma 
metáfora quase literal, onde o consciente é a luz e o inconsciente é o sombrio, que 
busca por meios de uma investigação trazer o fruto desse ​lugar ​sem luz, à consciência. 
A psicanálise é portanto a ciência do inconsciente. 
Psicanálise, seria, tal e qual o nome indica, a análise do psiquismo. 
O psiquismo na concepção freudiana era dividido em três partes, como 
esquema acima: ​o inconsciente ​(a parte maior), ​o subconsciente (a parte um pouco 
menor) ​e o consciente (a parte muito menor). Inspirado e reproduzido do livro “A 
psicanálise em 12 lições” do médico e psicanalista brasileiro Gastão Pereira da Silva, 
pág 58.. 
 
Mais uma vez, Freud não para neste ponto, novos termos são criados para 
explicarem melhor o funcionamento psíquico: ​Líbido e Recalque​. A líbido 
corresponde a energia sexual e o recalque ao que rejeitamos no inconsciente, pois se 
quer esquecer. 
Freud tinha uma visão importante de ética, emergindo em sua teoria, 
principalmente relacionada com suas pacientes, e escreveu muito bem sobre isso, 
pacientes que se apaixonam por seus psicanalistas. Algo que não é para ser orgulho, 
mas levado em conta como pela “transferência positiva” pelo sentimento recalcado. 
Pois a paixão não é pelo psicanalista, e sim, por quem ele está substituindo. 
 
Tripé psicanalítico 
A psicanálise pode ser entendida através de um tripé: ​auto análises (sobre sua 
vida pessoal e profissional, sua religião, contexto histórico de transformações de 
pensamento e guerras) ​casos clínicos ​(cujo seu escritório fora também seu laboratório) 
e ​leituras​ (cartas e estudos). Momento específicos descritos em toda sua história. 
E um desses momentos é a perda do seu pai, Jacob Freud, ​em 1896. Freud 
passa por uma auto análise, focando no trabalho em um busca no seu próprio passado. 
 
Novo século: Livro dos Sonhos e os Mistérios da Alma 
Uma das obras mais relevantes de todo trabalho freudiano, bem como um 
divisor de águas para a psicanálise, fora a publicação do livro “A Interpretação dos 
Sonhos”, em 1900, na virada do século. O desentendimento com Wilhen Fliess se dá 
nesse período, acusando Freud de roubar suas ideias, na construção de sua teoria, e a 
forte relação de ambos termina por ali. 
Uma nova etapa na vida de Freud surge, e o princípio das reuniões de 
quarta-feira em seu escritório, ao redor da mesa oval, imersa em conversas, charuto e 
paletó, promoveu parte de sua inspiração. 
 
Em suas auto análises, Freud já havia passado por análises clínicas, pessoais 
(como seu passado) e profissionais. Em um contexto histórico, o declínio do império 
Austro–Húngaro começa, fazendo Freud refletir sobre sua origem judaica e o que 
aconteceria em um futuro não muito distante. 
 
Não só Freud 
Durante alguns anos, mesmo trabalhando com outros cientistas e pensadores, 
Freud teorizou sozinho, o grande pai da psicanálise. Mas a partir da disseminação de 
sua obra, não mais só Freud. 
Surgem outras figuras importantes para a história da psicanálise: Karl Kraus, 
um jornalista questionador, que, de fato, era um adversário da psicanálise, costumava 
dizer que “a psicanálise inventa as doenças que ela diz curar”. Como em 1880 ​curou a 
histeria para que outra patologia pudesse surgir. 
Admiradores de sua obra também surgiram, Gustav Klimt um artista austríaco 
de outra era, que falava em suas obras modernas sobre angústia e sonhos, baseado em 
sua viagem pela psicanálise. 
 
Ouvir e curar 
Em 1905, Freud publica seus 3 ensaios sobre a teoria sexual. E o livro gera 
escândalos, associar crianças e adultos “normais” a fantasias sexuais e 
comportamentos considerados como patológicos, como o desejo do incesto, fetiche, 
masturbação e sodomia, toca em diversos ​tabus​ sociais - não é a toa que escreve sobre. 
Neste momento, Freud elabora um dos complexos/conflitos mais importantes 
ligados a neurose: o Complexo de Édipo. 
Inspirado na tragédia de Sófocles, em que Édipo, rei de Tebas, marcado por 
uma maldição dos deuses, mata seu pai e casa-se com a própria mãe sem saber. Dentro 
 
da teoria do desenvolvimento psicosexual, é na fase fálica que a conflitiva edípica 
surge. 
Após as descobertas freudianas, médicos psiquiatras adotam outra forma de ver 
doenças psiquiátricas - onde maus tratos aconteciam ainda -, pois os pacientes eram 
tratados para curar o sintoma, não a causa. É o ouvir para curar. Como em 1906, 
Bleuler estuda sobre esquizofrenia e se interessa pelos métodos de Freud. 
 
As mandalas 
1907 é um ano importante, completa um ciclo de translação das trocas de 
cartas entre Freud com o psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung. Neste ano, 
Jung viaja para Viena para encontrar Freud, esta ocasião é marcada por 13 horas de 
conversas ininterruptamente, sem percebessem o cansaço, envolvidos em uma fração 
do tempo de forma intensa. 
Mas Jung não queria ser o herdeiro, nem mesmo filho da psicanálise. Foi para 
o caminho do misticismo, oriental e religioso. Tudo que Freud desprezava. Jung foi 
mais duro ao se corresponder e ambos romperam um com o outro. 
 
A mais bela história da psicanálise 
A mais bela história da psicanálise não diz respeito a questões estéticas de 
beleza, e sim a riqueza das palavras. Foram mais de 3 mil cartas em 25 anos entre 
Ferenczi - maior psicanalista do movimento - e Freud. 
Sándor Ferenczi foi para Viena para ser analisado por Freud, formando-se 
psicanalista. Fez parte da primeira geração da psicanálise (a geração de Freud e 
aqueles que conheceramFreud, e colaboraram com sua teoria, a psicanálise clássica). 
Outra figura relevante da primeira geração da psicanálise, fora Alfred Ernest 
Jones, um psicanalista galês, além de o biógrafo original de Freud, era guardião um da 
 
psicanálise, difundindo ela através de traduções para língua inglesa e fundando 
associações. 
Ferenczi, Jones e Karl fundam o Movimento Psicanalítico Internacional, que 
conquista o mundo, através da disseminação da obra freudiana. E em 1910, Freud 
funda a Associação Psicanalítica Internacional (IPA), da qual Jung torna-se o primeiro 
presidente, hoje sendo o principal órgão regulatório da profissão. 
 
Para toda cura, há uma nova doença 
 Alguns estudioso das da psicanálise, entendem o pensamento freudiano e a 
construção de sua teoria como uma espiral, que retoma suas ideias anteriores para 
conceber novas, mas em níveis mais elevados de complexidade e sofisticação 
conceitual. 
O tratamento e cura da histeria que se deu em 1880, fez com que atualmente 
não tenhamos mais essa patologia em nossos DSMs, mas por sua vez, outras doenças 
surgiram no lugar de uma que já há uma saída A depressão surgiu. E Freud, nesse 
movimento, de que para toda cura há uma nova doença, precisava repensar suas 
teorias. 
 
Toda a vida é poesia 
Louise Salomé, ou somente Lou, foi uma escritora e poeta russa, que trabalha 
com Nietzsche e Rée em um triângulo amoroso, que mais tarde não acabaria bem. Lou 
era descrita por uma amiga íntima, Hélène Klingenberg, por seus olhos azuis tão 
brilhantes que ao entrar numa sala, era como se o sol tivesse aparecido. 
O período entre 1911 e 1937 é de Lou e Freud, Lou e a psicanálise. Trocou 
belas cartas com Freud, ambos desenvolvem grande admiração um pelo outro, como 
um amor platônico recíproco. Lou se interessa pela história psicanálise, em um de suas 
 
cartas confessa à Freud que possui um objetivo ao estudá-la, que encontrar-se diante 
de uma nova ciência e que isso a satisfaz particularmente. 
As visões de Lou e Freud convergiam, suas visões sobre o homem e a cultura 
não se assemelhavam, apesar de Lou ser considerada uma versão feminina de Freud. 
Considerada por ele a “poeta da psicanálise”, foi ao longo do tempo uma grande 
entendedora da teoria freudiana, virando psicanalista e até participando dos encontros 
de quarta-feira no escritório de Freud. 
“Curar é um ato de amor, é voltar-se para si mesmo com o sentimento de ser 
acolhido, a psicanálise não cria nada, ela exuma, descobre, desvela até que a 
totalidade viva se manifesta a nossos olhos. No interior dessa situação analítica 
toca-se de muito perto a intimidade e a vida, descobrindo a profundidade da natureza 
humana que se abre ao conhecimento de si mesma.” (Andreas-Salomé, [1931] 1971, 
p. 14). 
 
Terra de ninguém 
É uma metáfora: a terra de ninguém é como são chamados os espaços entre as 
trincheiras, preenchido com tudo aquilo que evitasse que as tropas inimigas se 
aproximassem. 
A I Guerra Mundial foi uma luta travada por territórios, por domínio imperial e 
o estopim acontece quando o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono 
austríaco é morto na Bósnio. 
E mais uma vez os tripés da psicanálise agem sobre sua teoria. A guerra, o 
trauma e a preocupação com seus filhos e amigos no front fazem Freud denominar a 
sexualidade na gênese da neurose. 
O fim da guerra chega em 1918 com péssimas condições de vida em Viena, 
sua terra havia sido devastada pela guerra, e ao invés de viver, tentavam sobreviver. 
Neste momento, Berlim vira a propulsora da psicanálise. 
 
Rocha de Bronze 
Era como Freud chamava Karl Abraham, o primeiro psicanalista na Alemanha, 
fundando a Sociedade Psicanalítica de Berlim em 1908. Karl analisa Melanie Klein 
nos anos de 1924-1925 (não clássica, futuro da psicanálise, inovadora e rival da Anna 
Freud, já classificada como uma psicoterapeuta pós-freudiana, em suma). 
Ainda no país germânico, uma policlínica analisava um público mais pobre 
pela “estrutura neurótica” e continuaram a atender durante a guerra. 
Quanto mais a psicanálise de difundia, mais atrai intelectuais. 
 
Anos Loucos 
Não só Paris viveu a década de 1920 como anos loucos. Freud e a psicanálise 
ainda eram os mesmos trilhos, passando pelas mesmas transformações nesta época, 
enfrentando os mesmos desafios. 
Freud não leu Freud, e concluímos isso, pois em 1918 analisa a própria, Anna 
Freud, que era sua confidente - e mais tarde sua prestativa cuidadora -. Anna é como 
um alter ego de Freud. Após esse fato, em 1920 descreve mais regras sobre a relação 
analista-paciente, onde indica que analistas não devem atender pessoas próximas. 
Ainda neste ano, Sophie, uma de suas filhas, morre de uma epidemia de gripe, 
pouco tempo depois do fim da guerra. Freud fica devastado e a psicanálise se nutre das 
novas percepções: ​toda a vida tende a morte. 
Freud desenvolve um dualismo: Pulsão de vida e Pulsão de morte. Uma 
sempre pressiona contra a outra. As pulsões são conteúdos do livro “Além do 
princípio do prazer” publicado no mesmo ano louco, inserindo um conceito de morte 
no aparelho psíquico. 
As pulsões são impulsos motivacionais constantes. A pulsão de vida tem a 
finalidade do prazer, ligada ao ​eros​/sexo e a pulsão de morte tem a finalidade de 
autodestruição, ligada ao tanatos/agressividade. 
 
Mais uma vez, percebe-se a inspiração de uma era clássica nos termos gregos 
(eros, tanatos) e o próprio complexo de édipo, em homenagem ao rei de tebas. A 
fascinação de Freud por objetos de antigas civilizações e suas culturas ímpares, está 
presente na psicanálise. 
E os anos loucos não terminam aqui, a França começa com um grande 
movimento psicanalítico, como o gramático francês Édouard Pichon tentar teorizar a 
psicanálise francesa, mas para Freud ele nem existe. 
Enquanto isso, o psiquiatra especializado em psicose René Laforgue, abre a 
primeira consulta psicanalítica hospitalar francesa no Hospital Sainte-Anne situado em 
Paris. Laforgue funda com mais estudiosos, em 1925, a Sociedade Psicanalítica de 
Paris e o Movimento Psicanalítico Francês. 
Laforgue corresponde-se diretamente com Freud, trocando experiências, 
artigos clínicos e analisando outros psicanalistas da época. 
 
A psicanálise e a realeza 
A princesa Marie Bonaparte é descendente da família de Napoleão Bonaparte, 
tornando-se princesa da Dinamarca e da Grécia com seu casamento. Marie é uma 
mulher de letras, tem contato com Freud após ler por indicação a obra “Introdução à 
psicanálise”, pois sofria de frigidez (disfunção da libído sexua), bem como, falava 
abertamente sobre sexualidade. Logo conhece Laforgue, trocam correspondências até 
que ele convence Freud a analisá-la, em uma das cartas confessa ​“Freud pensa como 
eu”. 
A princesa viaja a Viena para conhecer o psicanalista, e acaba tornam-se amiga 
da família e, por sua influência mundana, vira a representante de Freud na França para 
desenvolver lá a psicanálise, ela traduz as obras e dissemina o conhecimento 
freudiano. Faz parte também do Sociedade Psicanalítica de Paris, sendo uma das 
demais fundadoras. 
 
 
Mente dividida geograficamente 
Neste momento, a psicanálisepassa de um modelo topográfico (consciente, 
pré-consciente e inconsciente) para um modelo estrutural, as instâncias da mente são 
entendidas com um diagrama: 
❏ ID (inconsciente, inacessível, amoral, princípio do prazer, chegamos 
indiretamente através de lapsos, sonhos, sintomas e outros) 
❏ Ego (consciente e inconsciente, domínio do mundo, forças externas, organiza a 
mente, para se defender usa mecanismos de defesa) 
❏ Superego ​(consciente e inconsciente, ataca, negativo, punitivo, culpa) 
 
O homem iluminista 
Freud era um homem a frente do seu tempo, porém com raízes muito clássicas. 
Vive em uma europa de guerras e sofre grandes perdas, que o modificam e o fazem 
moldar sua teoria. 
Quando em entre 1910 até 1930, diversos americanos se entusiasmam com a 
psicanálise e viajam até Viena para serem analisados por Freud, o repudia. Eles tinham 
ideia de terapia da felicidade e construções mentais que o psicanalista não concordava. 
A psicanálise em si tem dimensões biológicas, deterministas, de causalidade, de 
singularidade - mais uma semelhança com Hawking - e pessimistas. E não se 
aparentava com estudos dos americanos Skinner ou Rogers. 
O surrealismo de Salvador Dalí e sua arte incomoda Freud por ser inspiração, 
entende como zombaria de sua obra. Freud é um iluminista, do século das luzes, de 
grandes ideias. 
 
Convivendo com a dor 
Um capítulo que Freud não teria escrito em seus livros. Em 1923 perde seu 
neto Heinz, filho de Sophie, e fala de uma dor insuportável. 
 
Ainda, neste período, descobre um tumor canceroso na mandíbula, o qual 
convive com ele durante 16 anos de sua vida, entre dores intensas e charutos, passando 
por muitas cirurgias. 
Em dezembro de 1925, Karl morre precocemente aos 48 anos devido a uma 
doença pulmonar. Fazendo Melaine Klein mudar-se para Londres. Lá, ela estuda sobre 
a psicose infantil e o ambiente, em como acessar o inconsciente através de jogos, 
assistindo crianças de 2 a 3 brincarem. 
 
Fogueira de Livros 
Em 1933, Hitler é eleito chanceler alemão e, mais uma vez, a praga cai sobre o 
mundo que viveu poucos anos de paz. Com o anti-semitismo, há um distanciamento 
pessoal de Freud, que considerava-se um intelectual alemão, com uma obra em alemão 
e seu idioma ser o alemão. Denomina-se e reforça a partir de então o ser judeu. 
Em Berlim, uma grande fogueira com mais de 20 mil livros foram queimados, 
incluindo as obras de Freud que era um judeu. As terminologias freudianas foram 
proibidas na Alemanha e nas clínicas, não se podia pronunciar complexo de édipo ou 
líbido, ou qualquer grafia de sua obra.​ Ainda era psicanálise? 
Em 1938 o fim da Áustria chega. Freud escreve para Jones falando sobre a 
situação política, logo após a correspondência, no mês de maio, a Áustria é invadida e 
o reino de terror instaurado. 
Freud deixa Viena em 04 de junho, com sua filha e sua mulher, com a 
intervenção do embaixador dos Estados Unidos na frança e o agrado que a princesa 
Marie paga aos nazistas. Em 05 de junho eles chegam a Paris, em um hotel particular 
em que Marie reúne amigos, momento em que há uma canção especial a Freud que 
estava abalado. 
Em seguida, Freud parte para Londres, onde em seu último ano de vida, 
dedica-se a sua última obra, sobre o judaísmo, que assemelhou a psicanálise como 
uma parábola sobre o que aconteceu com a religião judaica.. 
 
O fim… 
Debilitado pelo câncer, em 23 de setembro de 1939, Freud dá seu último 
suspiro após uma dose de morfina dada pelo seu médico, solicitado por ele. 
Este é um “fim”, o fim da vida de Freud. A psicanálise segue. Os psicanalistas 
seguem. Esta foi uma breve história de Viena, que como desejou Sigmund Freud, 
mudou o mundo. 
 
Post mortem: como interpretar Freud? 
Entre 1940 e 1944 houveram grandes controvérsias sobre o método de 
interpretar as obras de Freud, além da rivalidade de Anna Freud e Melanie Klein. 
Após o término da guerra, já se veem 3 grupos: 
❏ Kleinianos 
❏ Annafreudianos 
❏ Freudianos contemporâneo 
Donald Woods Winnicott lidera o grupo dos independentes, ele é pediatra e se 
interesse pela infância e pelo modo como ocorre a transição entre o mundo da fantasia 
e o da realidade. 
Após a guerra, a maioria da europa estava arruinada, a França teve seu auge 
frente a escola inglesa e americana com as figuras de Françoise Dolto e Jacques 
Lacan, contemporâneos a Winnicott, a 3° geração psicanalítica (aquela que não 
conheceu Freud). Lacan será o último grande intérprete do pensamento de Freud. 
Na Alemanha, a psicanálise definha após a destruição da policlínica e entre os 
destroços da cidade. A psicanálise havia ali se modificado, para que os analistas 
pudessem ser acolhidos pela América, puritana e pragmática. 
 
 
Praticada por médicos, a psicanálise americana exaltava o ideal higienista e 
religioso do homem saudável em um corpo saudável. Valorizada o eu, mas alertava 
um narcisismo destruidor. Queria erradicar a loucura. 
 
Pílulas Mágicas 
A década de 1970 fez com que a psicanálise tivesse um declínio, por ser frágil 
e empírica demais. Não resistiu a farmacologia, que pensava curar a alma com pílulas 
mágicas. 
Em seu último livro, não terminado, Freud fala da possibilidade do fim da 
psicanálise, esta sendo substituída por medicamentos e outras técnicas imediativas, 
que façam tão bem quanto uma garrafa de vinho, e não sejam tão caras e demoradas 
quanto a análise. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
Brando, Olavo Smanio; Brum, Jéssica; Carquejeiro, Rodrigo; Maciel, João. ​O 
movimento do pensamento de Sigmund Freud segundo Luiz Roberto Monzani. 
Psicol. pesq. vol.9 no.1 Juiz de Fora jun. 2015 
Dacorso, Stetina Trani de Meneses e. ​Lou Andreas-Salomé: o que você tem a nos 
dizer? ​Estudos de Psicanálise | Belo Horizonte-MG | n. 48 | p. 181–194 | 
dezembro/2017 
Germiniani, Francisco MB. Moro, Adriana. Munhoz, Renato P. Teive, Hélio A. G. 
Onde está Gilles? Ou, o pequeno engano em uma cópia da pintura de Brouillet: 
"Uma lição clínica na Salpêtrière"​Arq. Neuro-Psiquiatr. vol.71 no.5 São Paulo May 
2013 
Herrmann, Leda. ​A questão da Psicanálise em Fabio Herrmann. Crise em crise? 
Rev. bras. psicanál v.43 n.3 São Paulo set. 2009

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