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Tema: A questão da cultura do cancelamento no Brasil
Aluna Victoria Zambon Brondani
A mais recente edição do famoso reality show “Big Brother Brasil” gerou uma onda de comentários nas principais redes sociais, entre eles, o fenômeno da “cultura do cancelamento” teve espaço principal, observado em uma conduta de julgamento coletivo em escala nacional, no qual a maioria dos participantes tinham seus atos e falas como alvo de linchamento nas redes sociais. Esse cenário de cancelamento é apenas mais um exemplo entre inúmeros no cotidiano dos comentários online, que teve origem em um grande protesto contra abuso sexual, o movimento “#MeToo”, mas seguiu um caminho, por vezes, divergente de seu objetivo principal. Nessa perspectiva, convém analisar os fatores e os impactos que norteiam a questão da cultura do cancelamento no Brasil.
	De fato, a cultura do cancelamento é um reflexo da falta de empatia e do falso moralismo da sociedade, intensificados com o advento das redes sociais. O filósofo Michel Focault, em sua obra “Vigiar e Punir”, discorre sobre os diferentes poderes presentes na sociedade que buscam o controle de gestos, saberes e todo formato de comportamento. Nesse sentido, é notável que o cancelamento praticado por determinados sujeitos, que representam morais de um grupo que detém poder em certo contexto social, é uma justificativa para impor normas, aparentemente corretas, na sociedade, mas que contradizem seu discurso no momento em que apenas julgam atos e falas tidos como incorretos e não procuram dialogar, ou seja, não conduzem a uma mudança, apenas instigam certo controle disciplinar. É necessário, portanto, desmantelar as relações de poder estabelecidas no meio social e validar as críticas abertas ao debate positivo e ao diálogo.
	Como consequência, a cultura do cancelamento dificulta o diálogo e impossibilita uma mudança de opinião e atitude. A antropóloga e cientista social Rosana Pinheiro afirma que “cancelar é sempre negativo. O problema não é a crítica, mas sim é quando isso escorrega para uma negação do sujeito, do que a pessoa tem a dizer e do que faz”. Nessa lógica, a cultura do cancelamento, certamente, não abre espaço para uma troca de opiniões, pois, ao julgar as ações do próximo não há consideração pela sua defesa, apenas uma busca desenfreada por “fazer justiça”, que gera indivíduos intolerantes, com incapacidade de dialogar, e com uma represália desmedida, que cancela não só a fala do julgado, como também seu trabalho e sua vida em geral. Desse modo, é necessário que haja uma maior compreensão pela sociedade dos impactos negativos dessa cultura. 
	 A questão da cultura do cancelamento no Brasil é um fenômeno negativo e, por conseguinte, necessita ser combatido e atenuado no Brasil. Para isso, cabe à mídia, com seu potencial influenciador, criar campanhas de abordem as consequências da cultura do cancelamento, a fim de que os “canceladores” e a sociedade em geral compreendam que ela é desnecessária, e que a mudança deve partir do diálogo. Ademais, essa campanha deve ser estendida as escolas, com o auxílio do Ministério da Educação que deve, por meio de palestras e rodas de conversa, com psicólogos e pedagogos, discutir os pontos negativos da cultura do cancelamento e debater com os alunos as formas de alcançar uma sociedade mais tolerante, com o objetivo de que os jovens, principais utilizadores das redes sociais, consigam ter mais respeitos pelas opiniões divergentes e saibam apontar os erros de forma a alcançar mudanças positivas. Com essas medidas, a sociedade poderá, gradativamente, desfazer-se dos micropoderes definidos pelo filósofo Michael Focault.

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