Prévia do material em texto
P ro f. P im en te l Rua João Nutti, 2195 Pq. Bandeirantes Ribeirão Preto - SP (16) 3235-2900 Direito Processual Penal POLÍCIA CIVIL Material produzido para uso e divulgação exclusivos da Escola Prof. Pimentel Colaboradora: Prof.ª Daniella Ribeiro de Andrade Rosas ÍNDICE 3 Direito Processual Penal • PP Módulo 1 – Do Inquérito Policial: artigos 4.º a 23 .....................................................................................5 Módulo 2 – Das Incompatibilidades e Impedimentos: artigo 112 ............................................................ 19 Módulo 3 – Do Exame de Corpo de Delito e das Perícias em Geral: artigos 155 a 184. 2.4.4. Dos Indícios: artigo 239 ............................................................................................................................................... 21 Módulo 4 – Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória: artigos 282 a 350 .................. 32 Módulo 5 – Exercícios ............................................................................................................................. 41 Anotações Prof. Pimentel 5 Direito Processual Penal • PP M ó d ul o Do Inquérito Policial: artigos 4º a 2301 É um procedimento investigatório instaurado em razão da prática da uma infração penal, composto por uma série de diligências, que tem como objetivo obter elementos de prova para que o titular da ação possa propô-la contra o criminoso. Em suma, quando é cometido um delito, deve o Estado, por intermédio da polícia civil, buscar provas iniciais acerca da autoria e da materialidade, para apresentá- las ao titular da ação penal (Ministério Público ou ofendido), a fim de que este, aprec iando- as, decida se oferece a denúncia ou queixa- crime. Uma vez oferecidas, o inquérito policial as acompanhará, para que o juiz possa avaliar se há indícios suficientes de autoria e materialidade para recebê-las. Caso sejam recebidas, o inquérito policial acompanhará a ação penal, ficando anexado aos autos. Pode-se, por isso, dizer que o destinatário imediato do inquérito é o titular da ação (Ministério Público ou ofendido) e o destinatário mediato é o juiz. Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de 9.5.1995) Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. INQUÉRITO POLICIAL PROCESSO PENAL: CAMINHO ATRAVÉS DO QUAL O ESTADO REPRIME AS INFRAÇÕES PENAIS. PERSECUÇÃO PENAL: ATIVIDADE ATRÁS DA QUAL O PROCESSO PENAL O ESTADO APURA, EVIDENCIA E PUNE AS INFRAÇÕES PENAIS COMETIDAS. INFRAÇÃO PENAL – GÊNERO – CRIMES = DELITOS E AS CONTRAVENÇÕES PENAIS (LF 3688/41) CARACTERÍSTICAS São as seguintes as características próprias do inquérito policial. a) Ser realizado pela Polícia Judiciária (Polícia Civil ou Federal). A presidência do inquérito fica a cargo da autoridade policial (delegado de polícia ou da Polícia Federal) que, para a realização das diligências, é auxiliado por investigadores de polícia, escrivães, agentes policiais etc. A própria Constituição Federal trata do tema. O seu art. 144, § 1o, estabelece que a Polícia Federal destina-se a apurar as infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços ou interesses da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo o que a lei dispuser. Cabe, dessa forma, à Polícia Federal investigar todos os crimes de competência da Justiça Federal, bem como os crimes eleitorais. Já o art. 144, § 4o, da Constituição diz que às Polícias Civis (de cada Estado), dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. A exigência de que o cargo de delegado seja exercido por autoridade de carreira pressupõe que sejam concursados, não sendo mais possível a nomeação de delegados de polícia, sem concurso, por autoridades políticas. Os membros do Ministério Público podem acompanhar as investigações do inquérito (art. 26, IV, da Lei n. 8.625/93) e até instaurar procedimentos investigatórios criminais na promotoria. Contudo, se instaurado inquérito no âmbito da Polícia Civil, a presidência caberá sempre ao delegado de polícia e, em hipótese alguma, a órgão do Ministério Público. Anotações Prof. Pimentel 6 Direito Processual Penal • PP O fato de determinado promotor de justiça acompanhar as investigações do inquérito não o impede de propor a ação penal, não sendo considerado, por tal razão, suspeito ou impedido. Nesse sentido, a Súmula n. 234 do Superior Tribunal de Justiça: “a participação de membro do Ministério Público na fase investigativa criminal não acarreta seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia”. Quando ocorrer crime militar, será instaurado inquérito policial militar, de responsabilidade da própria Polícia Militar ou das Forças Armadas (dependendo do autor da infração). Igualmente não será instaurado inquérito policial, quando for cometido crime por membro do Ministério Público ou juiz de direito, hipóteses em que a investigação ficará a cargo da própria chefia da Instituição ou do Judiciário. b) Caráter inquisitivo. O inquérito é um procedimento investigatório em cujo tramitar não vigora o princípio do contraditório que, nos termos do art. 5º, LV, da Constituição Federal, só existe após o início efetivo da ação penal, quando já formalizada uma acusação admitida pelo Estado-juiz. A propósito: “Sendo a sindicância ou o inquérito simples procedimento de aferição da procedência ou não da notícia- crime incabível reclamar contraditório de provas por conta do direito à ampla defesa” (STJ — RHC 4.145-5 — Rel. Min. Edson Vidigal — RT 718/481). Apesar do caráter inquisitivo, que torna desnecessário à autoridade policial intimar o investigado das provas produzidas para que possa rebatê-las, é possível que ele proponha diligências à autoridade ou apresente documentos que entenda pertinentes, cabendo à autoridade decidir acerca da realização da diligência solicitada ou juntada do documento. A própria vítima da infração penal também possui esse direito de requerer diligências. Com efeito, estabelece o art. 14 do Código de Processo Penal que “o ofendido, ou seu representante, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade”. Em caso de indeferimento, a parte poderá posteriormente requerer a providência ao juiz ou ao promotor de justiça, uma vez que a autoridade policial é obrigada a cumprir as determinações dessas autoridades lançadas nos autos. Justamente por não abrigar o contraditório é que o inquérito não pode constituir fonte única para a condenação, sendo sempre necessária alguma prova produzida em juízo para, em conjunto com o inquérito, embasar a procedência da ação penal. Tal entendimento, que se encontrava pacificado na jurisprudência, consagrou-se legalmente com o advento da Lei n. 11.690/2008 que conferiu nova redação ao art. 155, caput, do Código Penal estabelecendo que “o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas”. É evidente que o caráter inquisitivo do inquérito não torna possível à autoridade policial realizar diligências ilegais, como escutas telefônicas clandestinas, torturas para a obtenção de provas ou confissões, ou outras similares, sob pena de responsabilização criminal e nulidade da prova obtidade forma ilícita. c) Caráter sigiloso. De acordo com o art. 20 do Código de Processo Penal, “a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade”. Resta claro, pela leitura do dispositivo, que sua finalidade é a de evitar que a publicidade em relação às provas colhidas ou àquelas que a autoridade pretende obter prejudique a apuração do ilícito. *Essa regra, porém, perdeu parte substancial de sua relevância, na medida em que o art. 7o, XIV, da Lei n. 8.906/94 (Estatuto da OAB) confere aos advogados o direito de “examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos”. Ademais, a Súmula Vinculante n. 14 do Supremo Tribunal Federal determina que “é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Esta súmula deixa claro que os defensores têm direito de acesso somente às provas já documentadas, ou seja, já incorporadas aos autos. Essa mesma prerrogativa não existe em relação às provas em produção, como, por exemplo, a interceptação telefônica, pois isso, evidentemente, tornaria inócua a diligência em andamento. Anotações Prof. Pimentel 7 Direito Processual Penal • PP Além de ter acesso aos autos, o defensor também poderá estar presente no interrogatório do indiciado e na produção de provas testemunhais. Não poderá, contudo, fazer reperguntas, dado ao caráter inquisitivo do inquérito. A presença do advogado em tais oitivas confere maior valor aos depoimentos, pois é comum que os réus, após confessarem o crime perante o delegado, aleguem em juízo que o documento foi forjado ou que foram forçados a confessar. A presença do defensor no interrogatório, entretanto, retira a credibilidade dessas afirmações do acusado. d) É escrito. Todos os atos do inquérito devem ser reduzidos a termo para que haja segurança em relação ao seu conteúdo. É o que diz a regra do art. 9o do Código de Processo Penal, de modo que não se admite, por ora, que o delegado se limite a filmar os depoimentos e encaminhar cópia das gravações ao Ministério Público. Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. e) É dispensável. Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. A existência do inquérito policial não é obrigatória e nem necessária para o desencadeamento da ação penal. Há diversos dispositivos no Código de Processo Penal permitindo que a denúncia ou queixa sejam apresentadas com base nas chamadas peças de informação, que, em verdade, podem ser quaisquer documentos que demonstrem a existência de indícios suficientes de autoria e de materialidade da infração penal. Ex.: sindicâncias instauradas no âmbito da Administração Pública para apurar infrações administrativas, onde acabam também sendo apurados ilícitos penais, de modo que os documentos são encaminhados diretamente ao Ministério Público. Ora, como a finalidade do inquérito é justamente colher indícios, torna-se desnecessária sua instauração quando o titular da ação já possui peças que permitam sua imediata propositura. O art. 28 do Código de Processo Penal expressamente menciona que o Ministério Público, se entender que não há elementos para oferecer a denúncia, deverá requerer ao juiz o arquivamento do inquérito policial ou das peças de informação. Quanto às últimas, entretanto, se o Ministério Público considerar que as provas contidas nas peças de informação são insuficientes, mas que novos elementos de convicção podem ser obtidos pela autoridade policial em diligências, poderá requisitar a instauração de inquérito policial, remetendo à autoridade as peças que estão em seu poder. Da mesma maneira, o art. 39, § 4º, do Código de Processo Penal prevê que o órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, nos crimes de ação pública condicionada, se com a representação forem apresentados documentos que habilitem o imediato desencadeamento da ação. Por fim, o art. 40 do Código de Processo prevê que os juízes e os tribunais encaminharão cópias e documentos ao Ministério Público quando, nos autos ou papéis que conhecerem no desempenho da jurisdição, verificarem a ocorrência de crime de ação pública. O Ministério Público, ao receber tais peças, poderá, de imediato, oferecer denúncia, ou, se entender que são necessárias diligências complementares, requisitá-las diretamente ou requisitar a instauração de inquérito policial, remetendo à autoridade as peças que se encontram em seu poder. f) É indisponível: Um vez instaurado pela Autoridade Policial, esta não poderá determinar seu arquivamento, devendo prosseguir até conclusão final e remessa ao Juiz do feito. g) É informativo: Significa que possui informações, indícios e às vezes até elementos probatórios de materialidade e autoria, mas que somente poderão ser considerados como provas após serem submetidos ao Pricípio do Contraditório, durante a ação penal. LOCAL POR ONDE DEVE TRAMITAR O INQUÉRITO O local onde deve ser instaurado e de tramitação do inquérito é o mesmo onde deve ser instaurada a ação penal, de acordo com as regras de competência dos arts. 69 e seguintes do Código de Processo Penal. Assim, se um roubo for cometido em Campos do Jordão, o inquérito deve tramitar nesta Comarca. Caso o inquérito seja instaurado por engano em local diverso daquele em que ocorreu a infração penal, deve ser encaminhado para prosseguimento na Comarca correta. Anotações Prof. Pimentel 8 Direito Processual Penal • PP As autoridades policiais não exercem jurisdição, uma vez que são destituídas do poder de julgar, inerente aos juízes de direito. Em relação a estas, o limite das atividades se dá nas respectivas circunscrições. De acordo com o art. 4o do Código de Processo Penal, “a polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria”. Circunscrição, portanto, é o território dentro do qual as autoridades policiais e seus agentes desempenham suas atividades. Assim, a autoridade de uma circunscrição não pode realizar diligência em circunscrição alheia, devendo expedir carta precatória para tal fim. Veja-se, porém, que nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos seus inquéritos, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições (art. 22 do CPP). Assim, em cidades como São Paulo, em que existem dezenas de distritos policiais, a autoridade que atue em um deles poderá realizar diligências na área de toda a cidade. Todavia, conforme já mencionado, se a diligência tiver que ser realizada em outro município, deverá ser expedida precatória. É ainda possível, no âmbito da legislação estadual, a criação de órgãos especializados dentro da Polícia Civil para a apuração de determinados tipos de infração penal, com área de atuação territorial mais abrangente, como Departamentos de Narcóticos, ou Delegacias Antissequestro etc. SUSPEIÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL De acordo com o art. 107 do Código de Processo Penal, não se poderá opor exceção de suspeição às autoridades policiais nos autos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas quando ocorrer motivo legal. Caso a autoridade não o faça, caberá à parte interessada pleitear o afastamento do delegado considerado suspeito ao seu superior hierárquico — e não perante o juiz em razão da regra do art. 107. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL Art. 5º Nos crimes de ação públicao inquérito policial será iniciado: I - de ofício; II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. § 1º O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível: a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. § 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. § 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá- la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. § 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. § 5º Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. O Código de Processo Penal estabelece cinco formas pelas quais um inquérito pode ser iniciado: a) de ofício; b) por requisição do juiz; c) por requisição do Ministério Público; d) em razão de requerimento do ofendido; e) pelo auto de prisão em flagrante. Anotações Prof. Pimentel 9 Direito Processual Penal • PP a) Instauração de ofício (art. 5º, I, do CPP) Significa que o inquérito é iniciado por ato voluntário da autoridade policial, sem que tenha havido pedido expresso de qualquer pessoa nesse sentido. A lei determina que a autoridade é obrigada a instaurar o inquérito sempre que tomar conhecimento da ocorrência de crime de ação pública em sua área de atuação. Assim, quando o delegado de polícia fica sabendo da prática de um delito deve baixar a chamada portaria, que é a peça que dá início ao procedimento inquisitorial. Na portaria a autoridade declara instaurado o inquérito e determina as providências iniciais a serem tomadas. A notitia criminis pode chegar ao conhecimento do delegado de formas diversas, como, por exemplo, por comunicação de outros policiais, por matéria jornalística, boletim de ocorrência lavrado em sua delegacia, por informação prestada por conhecidos etc. O art. 5º, § 3º, do Código de Processo Penal estabelece que qualquer pessoa pode levar ao conhecimento da autoridade policial a ocorrência de uma infração penal, hipótese conhecida como delatio criminis. Em razão das várias maneiras como o delegado pode receber a notitia criminis, a doutrina fez a seguinte classificação, dividindo- a em: a) de cognição imediata, quando a autoridade fica sabendo da infração penal em razão do desempenho de suas atividades regulares; b) de cognição mediata, quando toma conhecimento por intermédio de terceiros (requerimento do ofendido, requisição do juiz ou do Ministério Público, delatio criminis etc.); c) de cognição coercitiva, quando decorre de prisão em flagrante. O inquérito policial não pode ser instaurado de imediato quando a autoridade policial recebe notícia anônima da prática de um crime, desacompanhada de qualquer elemento de prova. Segundo o Plenário do Supremo Tribunal Federal, na análise do Inquérito 1.957/PR, a autoridade deverá realizar diligências preliminares ao receber a notícia apócrifa e, apenas se confirmar a possibilidade de o crime realmente ter ocorrido, é que poderá baixar a portaria dando início formal à investigação. A propósito: “Firmou-se a orientação de que a autoridade policial, ao receber uma denúncia anônima, deve antes realizar diligências preliminares para averiguar se os fatos narrados nessa ‘denúncia’ são materialmente verdadeiros, para, só então, iniciar as investigações. 2. No caso concreto, ainda sem instaurar inquérito policial, policiais civis diligenciaram no sentido de apurar a eventual existência de irregularidades cartorárias que pudessem conferir indícios de verossimilhança aos fatos. Portanto, o procedimento tomado pelos policiais está em perfeita consonância com o entendimento firmado no precedente supracitado, no que tange à realização de diligências preliminares para apurar a veracidade das informações obtidas anonimamente e, então, instaurar o procedimento investigatório propriamente dito. 3. Ordem denegada” (STF — HC 98.345/RJ — 1ª Turma — Rel. Min. Dias Toffoli — DJe- 173 — p. 308). b) Requisição judicial ou do Ministério Público (art. 5º, II, 1ª parte, do CPP) Requisição é sinônimo de ordem. Assim, quando o juiz ou o promotor de justiça requisitam a instauração do inquérito, o delegado está obrigado a dar início às investigações. É necessário que as autoridades requisitantes especifiquem, no ofício requisitório, o fato criminoso, que deve merecer apuração. O promotor de justiça da comarca, caso receba documentos dando conta da prática de crime pelo prefeito municipal, não pode requisitar inquérito, e sim encaminhar os documentos ao Procurador-Geral de Justiça, que é quem tem atribuição para processar prefeitos, uma vez que estes gozam de foro especial junto ao Tribunal de Justiça (art. 29, X, da CF). Assim, a polícia judiciária local deverá realizar somente os atos determinados pela Procuradoria-Geral de Justiça, destinatária do inquérito. c) Requerimento do ofendido (art. 5º, II, 2ª parte, do CPP) Conforme já mencionado, qualquer pessoa pode levar ao conhecimento da autoridade a ocorrência de um delito. Quando isso ocorre, normalmente, é lavrado um boletim de ocorrência e, com base neste, o próprio delegado dá início ao inquérito por meio de portaria. Acontece que a lei entendeu ser necessário dar à vítima do delito a possibilidade de endereçar uma petição à autoridade solicitando formalmente que esta inicie as investigações. Essa petição, em regra, é utilizada quando existe a necessidade de uma narrativa mais minuciosa acerca do fato delituoso, em razão de sua complexidade, o que seria difícil de ser feito no histórico do boletim de ocorrência. Anotações Prof. Pimentel 10 Direito Processual Penal • PP Segundo o art. 5º, § 1º, do CPP, o requerimento conterá, sempre que possível: a) a narração do fato, com todas as suas circunstâncias; b) a individualização do investigado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos da impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. O art. 5º, § 2º, do Código de Processo Penal dispõe que tal requerimento pode ser indeferido pela autoridade e que, do despacho de indeferimento, cabe recurso para o chefe de polícia (para alguns, o delegado-geral e, para outros, o secretário de segurança pública). Havendo deferimento, estará instaurado o inquérito, sem a necessidade de a autoridade baixar portaria. O requerimento para instauração de inquérito policial pode ser feito em crimes de ação pública ou privada. No último caso, o requerimento não interrompe o curso do prazo decadencial, de modo que a vítima deve ficar atenta a este aspecto. d) Auto de prisão em flagrante Quando uma pessoa é presa em flagrante, deve ser encaminhada à Delegacia de Polícia. Nesta é lavrado o auto de prisão, que é um documento no qual ficam constando as circunstâncias do delito e da prisão. Lavrado o auto, o inquérito está instaurado. e) Representação do ofendido nos crimes de ação pública condicionada à representação Estabelece expressamente o art. 5º, § 4º, do CPP, que, nos crimes em que a ação pública depender de representação, o inquérito não poderá sem ela ser iniciado, ou seja, é necessária a prévia existência da representação para a instauração do inquérito. REQUERIMENTO DO OFENDIDO NOS CRIMES DE AÇÃO PRIVADA De acordo com o art. 5º, § 5º, do CPP, nos crimes de ação penal privadao inquérito só poderá ser instaurado se existir requerimento de quem tenha a titularidade da ação (ofendido ou seu representante legal, ou, em caso de morte, o cônjuge, ascendente, descendente ou irmão). A hipótese abrange tanto os casos em que o ofendido apresenta petição à autoridade requerendo formalmente a instauração do inquérito como aqueles em que a vítima comparece ao distrito policial para noticiar o fato (elaborar boletim de ocorrência) e solicitar providências, hipótese em que a autoridade baixa portaria para apurar o crime de ação privada. O texto legal não exige que esse requerimento seja feito por meio de advogado — ao contrário do que ocorre com o oferecimento de queixa-crime que exige procuração com poderes especiais, nos termos do art. 44 do CPP. É evidente, contudo, que o requerimento também pode ser feito por meio de advogado contratado ou defensor público. Lembre-se, ademais, que se tiver sido nomeado defensor público (para o ofendido que se declarou pobre, nos termos do art. 32 do CPP), o requerimento de instauração de inquérito por parte do defensor pressupõe a juntada de procuração, nos termos do art. 16, parágrafo único, b, da Lei n. 1.060/50. FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO IP: 1- DE OFÍCIO 2- POR REQUISIÇÃO JUDICIAL 3- POR REQUISIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO 4- PELO DEFERIMENTO DO REQUERIMENTO DO OFENDIDO 5- PELA LAVRATURA DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE PRAZOS PARA A CONCLUSÃO DO INQUÉRITO Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. § 1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente. § 2º No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas. Anotações Prof. Pimentel 11 Direito Processual Penal • PP § 3º Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz. Uma vez iniciado o inquérito a autoridade tem prazos para concluí-lo, mas estes prazos dependem de estar o indiciado solto ou preso. A) Indiciado solto: De acordo com o art. 10, caput, do Código de Processo Penal, o prazo é de 30 dias, porém, o seu § 3º prevê que tal prazo poderá ser prorrogado quando o fato for de difícil elucidação. O pedido de dilação de prazo deve ser encaminhado pela autoridade policial ao juiz, que, antes de decidir, deve ouvir o Ministério Público, pois este órgão poderá discordar do pedido de prazo e, de imediato, oferecer denúncia ou requerer o arquivamento do inquérito. Contudo, se houver concordância por parte do Ministério Público, o juiz deferirá novo prazo, que será por ele próprio fixado. Como o Ministério Público é o titular da ação, caso o juiz indefira o pedido de prazo, apesar da concordância daquele, poderá ser interposta correição parcial (recurso visando corrigir a falha). O pedido de dilação de prazo pode ser repetido quantas vezes se mostre necessário. B) Indiciado preso em flagrante ou por prisão preventiva: Nos termos do art. 10, caput, do Código de Processo Penal, o prazo para a conclusão é de 10 dias. No caso de prisão em flagrante só deverá ser obedecido referido prazo se o juiz, ao receber a cópia do flagrante (em 24 horas a contar da prisão), convertê-la em prisão preventiva (conforme determina o art. 310, II, do CPP), hipótese em que se conta o prazo a partir do ato da prisão em flagrante. Assim, se entre esta e sua conversão em preventiva passarem-se 2 dias, o inquérito terá apenas mais 8 dias para ser finalizado. Se ao receber a cópia do flagrante o juiz conceder liberdade provisória, o prazo para a conclusão do inquérito será de 30 dias. Se o indiciado estava solto ao ser decretada sua prisão preventiva, o prazo de 10 dias conta- se da data do cumprimento do mandado, e não da decretação. Na contagem do prazo, inclui-se o primeiro dia, ainda que a prisão tenha se dado poucos minutos antes da meia- noite. O prazo é improrrogável. Assim, se o inquérito não for concluído e enviado à Justiça no prazo estipulado, poderá ser interposto habeas corpus. Prazos em leis especiais Os prazos para a conclusão do inquérito policial encontram algumas exceções importantes em legislações especiais: a) O art. 51, caput, da Lei n. 11.343/20 06 (Lei Antitóxicos) estipula que, para os crimes de tráfico, o prazo será de 30 dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 dias, se estiver solto. Tais prazos, ademais, poderão ser duplicados pelo juiz mediante pedido justificado da autoridade policial, ouvido o Ministério Público (art. 51, parágrafo único). b) Nos crimes de competência da Justiça Federal, o prazo é de 15 dias, prorrogáveis por mais 15 (art. 66 da Lei n. 5.010/66). Veja-se, todavia, que o tráfico internacional de entorpecentes, apesar de competir à Justiça Federal, segue o prazo mencionado no tópico anterior, uma vez que a Lei de Tóxicos é especial e posterior. PRAZOS PARA CONCLUSÃO IP: REGRA DO CPP APLICADA À JUST. ESTADUAL: SOLTO 30 DIAS – prorrogáveis PRESO 10 DIAS – improrrogável JUSTIÇA FEDERAL(ART. 66 DA LF 5010/66) : PRESO 15 – PRORROGÁVEIS + 15 DIAS SOLTO 30 – PRORROGÁVEIS LEI DE TRÁFICO DE ENTORPECENTES: 11343/06 PRESO: 30 DIAS SOLTO 90 DIAS *** DUPLICÁVEIS MEDIANTE JUSTIFICATIVA DA AUTORIDADE POLICIAL Anotações Prof. Pimentel 12 Direito Processual Penal • PP DILIGÊNCIAS Após a instauração do inquérito, a autoridade deverá determinar a realização das diligências pertinentes ao esclarecimento do fato delituoso. Assim, os arts. 6º e 7º do Código de Processo Penal elencam um rol de diligências que devem ser observadas, desde que cabíveis no caso concreto. O art. 6º dispõe que, logo que tomar conhecimento da prática da infração penal, a autoridade deverá: Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) O dispositivo trata da preservação do local do crime, cuja finalidade é evitar que alterações feitas pelos autores do delito ou por populares possam prejudicar a realização da perícia. Evidente que só existe tal necessidade se o local estiver preservado, pois, do contrário, a diligência se mostra supérflua. Também não se pode exigir que a autoridade compareça ao local do crime em todas as infrações penais, de modo que, na prática, tal diligência costuma ser realizada em crimes de maior gravidade, como homicídios, latrocínios, extorsões mediante sequestro etc. Justamente a fim de garantir a preservação do local do crime, o Código Penal considera crime de fraude processual a conduta de “inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito”. Da mesma maneira o art. 312 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei n. 9.503/97) considera crime a conduta de “inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência do respectivo procedimento policial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito ou juiz”. De acordo com o art. 6º, I, do CPP, a autoridade deve preservar o local do crime até a chegada dos peritos para que estes possam, com êxito, colher elementos de prova que ajudem no deslinde da causa ou na identificação do autor do crime. II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº8.862, de 28.3.1994) O art. 11 do Código de Processo Penal estabelece que tais objetos deverão acompanhar o inquérito, salvo se não mais interessarem à prova, hipótese em que serão restituídos ao proprietário. Veja-se que a própria lei determina a realização de perícia nos objetos apreendidos para ser constatada sua natureza e sua eficácia (art. 175 do CPP). Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito. Só podem ser apreendidos os objetos que tenham relação com o fato criminoso, como por exemplo, a arma usada no roubo ou no homicídio, a chave falsa utilizada no furto, o veículo com o qual foi praticado o crime culposo, o automóvel objeto da receptação, o documento falso nos crimes contra a fé pública, documentos em geral que possam servir de prova de determinada infração penal etc. Em suma, devem ser aprendidos os instrumentos do crime, o objeto material do delito, objetos que possam ser úteis à prova, bem como aqueles adquiridos com o produto do crime, já que estes últimos podem ser confiscados em caso de condenação (art. 91, II, b, do CP). A apreensão pode ter decorrido da prévia expedição de mandado judicial de busca e apreensão ou não. Nada impede que a autoridade policial determine a apreensão de determinado objeto encontrado em poder de um criminoso em abordagem de rotina, ou de objetos que lhe sejam apresentados pelo próprio criminoso ou por terceiro. Conforme se verá no estudo do incidente de restituição de coisas apreendidas, a própria autoridade ou o juiz poderão determinar a devolução da coisa apreendida quando não houver dúvida quanto à propriedade. Ex.: policiais prendem em flagrante os assaltantes de um veículo, ainda em poder do carro roubado. O veículo também é apreendido, mas em seguida é restituído ao dono mediante a apresentação da documentação. Muitas vezes é necessário que o bem permaneça apreendido até a realização de uma perícia e, em seguida, poderá Anotações Prof. Pimentel 13 Direito Processual Penal • PP ser restituído. Ex.: no crime de dano em um veículo, o bem é apreendido e submetido a perícia para a constatação das avarias e, posteriormente, devolvido ao dono. Não poderão, entretanto, ser restituídos os objetos cuja manutenção da apreensão interesse ao deslinde da causa (art. 118 do CPP), os instrumentos e produtos do crime sujeitos a confisco nos termos do art. 91, II, do Código Penal (art. 119 do CPP), e os objetos em relação aos quais haja dúvida quanto à propriedade (art. 120 do CPP). III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; Trata-se de permissão genérica dada pela lei à autoridade, no sentido de admitir que produza qualquer prova que entenda pertinente, mesmo que não elencada expressamente nos demais incisos. Exs.: ouvir testemunhas, realizar a avaliação de objetos, representar para a decretação de interceptação telefônica ou a quebra de sigilo bancário ou telefônico etc. É evidente, todavia, que a lei não permite a produção de provas ilícitas ou obtidas com abuso de poder. Das provas citadas, a mais comum, existente em praticamente todos os inquéritos policiais, é a oitiva das testemunhas. Ao contrário do que ocorre após o início da ação penal, na fase do inquérito não existe limite no número de testemunhas que a autoridade pode ouvir. O defensor do indiciado pode acompanhar os depoimentos, mas não pode fazer reperguntas às testemunhas. O Ministério Público também pode acompanhar as inquirições (art. 26, IV, da Lei n. 8.625/93). No caso de prisão em flagrante, devem ser ouvidas ao menos duas testemunhas por ocasião da lavratura do auto (art. 304 do CPP). Se a testemunha for notificada e não comparecer, poderá ser determinada sua condução coercitiva (art. 218 do CPP). A testemunha tem direito de ser ouvida na cidade onde reside, de modo que, se o inquérito tramita em outro município, deverá ser expedida carta precatória. IV - ouvir o ofendido; Cuida-se de providência extremamente importante, pois, na maioria dos casos, é a vítima quem pode prestar os esclarecimentos mais importantes em relação à autoria do ilícito penal e suas circunstâncias. Se o ofendido for regularmente notificado e não comparecer, poderá ser conduzido até o distrito policial pela autoridade, nos termos do art. 201, § 1o, do CPP. V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura; O dispositivo refere-se ao interrogatório do indiciado (pessoa a quem se atribui a autoria do delito na fase do inquérito policial). Esse interrogatório feito durante o inquérito deve ser realizado nos mesmos moldes do interrogatório judicial sendo, porém, descabidas algumas regras decorrentes da instalação do contraditório após o início efetivo da ação penal, tais como a presença obrigatória de defensor e a possibilidade de realização de reperguntas. A autoridade policial não pode proibir o defensor de acompanhar o ato, contudo, este não poderá interferir ou influir no andamento do interrogatório com perguntas ou manifestações. O art. 5º, LXIII, da Constituição garante ao indiciado o direito de permanecer calado durante o interrogatório. Se o indiciado quiser falar, o delegado lhe dirigirá as perguntas e fará constar do termo as respostas dadas. A autoridade policial deve se identificar ao indiciado, nos termos do art. 5º, LXIV, da Constituição Federal, que estabelece que as pessoas presas têm o direito à identificação do responsável por seu interrogatório. Igual direito tem sido reconhecido aos indiciados em geral, ainda que não estejam presos. É evidente, por sua vez, que a autoridade não pode se utilizar de métodos ilegais para forçar o indiciado a confessar, tais como ameaças, torturas, utilização de detector de mentiras, hipnose, ministração de drogas ou álcool, uso de soro da verdade etc. A autoridade policial deve zelar para que o termo de interrogatório também seja assinado por duas testemunhas que tenham presenciado a leitura da peça para o indiciado. Esta formalidade consta expressamente do art. 6º, V, do Código de Processo Penal e fortalece o valor de eventual confissão. Sendo o indiciado notificado a comparecer ao Distrito Policial para ser interrogado, terá o dever de comparecer, ainda que apenas para ser qualificado, já que tem o direito de permanecer calado em relação aos fatos criminosos. A fim de garantir a providência Anotações Prof. Pimentel 14 Direito Processual Penal • PP da qualificação do indiciado, o art. 260 do Código de Processo Penal admite a sua condução coercitiva, cujo mandado pode ser expedido pela própria autoridade policial, posto que não equivale a uma ordem de prisão, na medida em que o indiciado será liberado imediatamente após o interrogatório, durante o qual, obviamente, poderá fazer uso do direito ao silêncio no que diz respeito aos fatos. Indiciado menor de 21 anos e a desnecessidade de nomeação de curador para o interrogatório O art. 15 do Código de Processo Penal determina que, sendo o indiciado menor, deve ele ser interrogado na presença de um curador nomeado pela autoridade. O dispositivo refere-se evidentemente aos réus menores de 21 anos de idade, ou seja, aos menores que, pela lei civil, dependiam de assistência. Ocorre que o novo Código Civil (Lei n. 10.406/2002), em seu art. 5º, reduziu a maioridade civil para 18 anos, de modo que não mais é necessária a nomeação de curador ao réu menor de 21 anos. Além disso, a Lei n. 10.792/2003 revogou expressamente o art. 194 do Código de Processo Penal, tornando desnecessária, na fase judicial, a nomeação de curador ao interrogado menor de 21 anos. Assim, se para a efetivação do interrogatório judicial, ato de maior relevância para o deslinde da causa, não se mostra necessária a intervenção de curador, possível a conclusãode que tal medida é também dispensável quando de sua realização na fase inquisitorial. O ato de indiciamento O indiciamento é um ato formal eventualmente realizado durante o inquérito policial que decorre do fato de a autoridade policial se convencer de que determinada pessoa é a autora da infração penal. Antes do formal indiciamento, a pessoa é tratada apenas como suspeita ou investigada. O indiciamento é um juízo de valor da autoridade policial durante o decorrer das investigações e, por isso, não vincula o Ministério Público, que poderá, posteriormente, requerer o arquivamento do inquérito. De ver-se, todavia, que o indiciamento é uma declaração formal feita por representante do aparato repressivo estatal, no sentido de apontar aquela pessoa como autora do delito e, como consequência, seu nome e demais dados são lançados no sistema de informações da Secretaria de Segurança Pública relacionados àquele delito e passam, por isso, a constar da folha de antecedentes criminais do indivíduo. Em caso de futuro arquivamento ou absolvição, o desfecho deverá também ser comunicado à Secretaria de Segurança para que seja anotado na folha de antecedentes. Por causar constrangimentos ao indiciado, tem-se admitido a impetração de habeas corpus para evitar sua concretização ou para que seja cancelado, com argumentação, por parte do suposto autor da infração, de que, ao contrário do que pensa a autoridade policial, não há elementos suficientes para o formal indiciamento. VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; O reconhecimento de pessoa visa apontar o autor do crime. Deve ser feito pela vítima e por testemunhas que tenham presenciado a infração penal. Quando o resultado é positivo, tem grande valor probatório. É corriqueiro, entretanto, que a vítima ou as testemunhas aleguem dúvida diante do decurso de tempo considerável entre o fato e o ato do reconhecimento, ou em razão de o autor do crime ter feito uso de toca, capacete ou algo similar etc. Nesses casos, o reconhecimento é tido como negativo, mas não exclui a autoria, diferentemente do que ocorre quando o responsável pelo reconhecimento convictamente diz que nenhuma das pessoas que lhe foram apresentadas é a verdadeira autora da infração. O reconhecimento é ato passivo, de modo que o indiciado não pode se recusar a dele participar, havendo, inclusive, a possibilidade de condução coercitiva nos termos do art. 260 do CPP. Não se cogita aqui da prerrogativa de não ser obrigado a fazer prova contra si mesmo, princípio que só é aplicável a procedimentos ativos (prerrogativa de não fornecer material grafotécnico para perícia comparativa de escrita, por exemplo) ou invasivos (negar-se a fornecer amostra de sangue, por exemplo). O procedimento a ser adotado pela autoridade policial no ato do reconhecimento é aquele descrito nos arts. 226 a 228 do CPP, inserido no Título “Das Provas”, o qual será analisado de forma mais aprofundada no momento oportuno, uma vez que o reconhecimento deve ser realizado novamente em juízo, após o desencadeamento efetivo da ação penal. Existe, também, o reconhecimento de objetos, em geral dos instrumentos utilizados no crime (arma de fogo utilizada em um roubo, faca usada em uma tentativa Anotações Prof. Pimentel 15 Direito Processual Penal • PP de homicídio, pedaço de pau usado em crime de lesão corporal etc.) ou do próprio objeto material da infração (ex.: vítima de furto chamada a reconhecer objetos encontrados em poder do suposto furtador para que diga se os objetos são os que lhe foram subtraídos). Por sua vez, a acareação é o confronto entre duas pessoas que prestaram depoimentos divergentes em aspectos considerados relevantes pela autoridade. Assim, essas pessoas devem ser colocadas frente a frente e questionadas a respeito da divergência. A autoridade, então, deverá lavrar o respectivo termo constando os esclarecimentos prestados pelos acareados, bem como se eles mantiveram as suas versões anteriores ou as retificaram. O procedimento da acareação está descrito nos arts. 229 e 230 do CPP e, eventualmente, pode se dar mediante precatória (quando os depoimentos divergentes foram prestados por pessoas que moram em cidades distintas). Neste último caso, todavia, o valor da acareação é muito restrito. A lei prevê também a possibilidade de acareação entre o indiciado e testemunhas ou com a vítima, contudo, o acusado tem o direito de permanecer calado. VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; O exame de corpo de delito, nos termos do art. 158, é indispensável para a prova da materialidade dos delitos que deixam vestígios. A sua ausência é causa de nulidade da ação (art. 564, III, b). São perícias necessárias, exemplificativamente, a autópsia nos crimes de homicídio, o exame de eficácia da arma de fogo nos crimes do Estatuto do Desarmamento, o exame documentoscópico para aferir a falsidade documental, os exames nos instrumentos empregados na prática do crime (art. 175 do CPP), as perícias no local do furto para comprovar as qualificadoras do rompimento de obstáculo ou escalada (art. 171 do CPP), a perícia no chassi dos automóveis para a constatação de crimes de receptação ou adulteração de sinal identificador, o confronto balístico em crime e homicídio, o exame químico-toxicológico nos crimes de tráfico ou porte de droga para consumo próprio etc. O regramento em torno do exame de corpo de delito e das perícias em geral encontra-se nos arts. 158 a 184 do CPP e será analisado detalhadamente no tópico que trata “Das Provas”. VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; Esta regra do Código de Processo Penal é anterior à Constituição Federal de 1988, cujo art. 5º, LVIII, estabelece que a pessoa civilmente identificada não será submetida a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. Essa norma constitucional proíbe, portanto, a identificação datiloscópica e fotográfica na hipótese de o indiciado apresentar documentação válida que o identifique eficazmente. A própria Constituição, contudo, permite que, em hipóteses expressamente previstas em lei especial, sejam utilizadas aquelas formas de identificação. Atualmente é a Lei n. 12.037/2009 que regulamenta a matéria, estabelecendo quais documentos se prestam à identificação civil (art. 2º): a) carteira de identidade; b) carteira de trabalho; c) carteira profissional; d) passaporte; e) carteira de identificação funcional; f) outro documento público que permita a identificação do indiciado (carteira de habilitação, por exemplo). Referida lei, todavia, permite, em seu art. 3º, que a identificação criminal seja levada a efeito mesmo que haja apresentação de um daqueles documentos, quando: I — o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; II — o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; III — o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si; IV — a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa; Anotações Prof. Pimentel 16 Direito Processual Penal • PP V — constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações; VI — o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais. Ressalte-se que a identificação criminal inclui o processo datiloscópico e o fotográfico, cujos registros devem ser anexados aos autos da investigação. Conclui-se, portanto, que a pessoa presa em flagrante, indiciada em inquérito ou autora de infração de menor potencialidade ofensiva, será submetida a identificaçãodatiloscópica e fotografada somente quando não apresentar documento que a identifique ou, ainda, quando ocorrer uma das situações de que trata o art. 3º da Lei n. 12.037/2009. Registre-se também que cópia do documento de identidade apresentado pelo identificando deverá, em qualquer hipótese, ser anexada ao procedimento investigatório (art. 3º, parágrafo único). A lei faculta ao indiciado ou réu, no caso de não oferecimento de denúncia ou de sua rejeição e, ainda, no caso de absolvição definitiva, formular requerimento de desentranhamento do registro de identificação fotográfica, desde que apresente prova suficiente de sua identificação civil (art. 7º). Não é demais lembrar que o art. 5º da Lei n. 9.034/95 permite a identificação criminal de pessoas envolvidas em ação praticada por organizações criminosas, mesmo que já tenham sido identificadas civilmente. IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. Esse dispositivo é de suma importância para que o juiz tenha elementos para fixar adequadamente a pena-base do réu (em caso de condenação), uma vez que o art. 59 do Código Penal dispõe que esta deve ser aplicada de acordo com fatores como a conduta social, a personalidade, os antecedentes do agente, as circunstâncias do crime etc. Na prática, entretanto, em razão da exiguidade de tempo para apuração das inúmeras ocorrências que lhe são apresentadas, as autoridades policiais limitam-se a fazer um questionário ao próprio indiciado acerca dos tópicos mencionados no inciso, de tal sorte que o valor das respostas dadas é praticamente nenhum. X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) Entendeu por bem o legislador fazer constar, junto aos elementos de pregressamento, informações sobre os filhos que o indiciado possua, se possuem deficiências e quem é o responsável pelo cuidado. Tal dispositivo visa evitar abandonos de filhos incapazes no caso de prisão do indiciado ou até mesmo, no caso de eventual fuga deste. REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS O art. 7º do Código de Processo Penal permite que a autoridade policial proceda à reprodução simulada dos fatos com a finalidade de verificar a possibilidade de ter a infração sido praticada de determinada forma. É a chamada reconstituição do crime, da qual o indiciado não é obrigado a tomar parte. O ato deve ser documentado por fotografias. A reconstituição somente pode ser feita se não for ofensiva à moralidade e à ordem pública. Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública. OUTRAS FUNÇÕES DA AUTORIDADE POLICIAL DURANTE O INQUÉRITO Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial: I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos; II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público; III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias; IV - representar acerca da prisão preventiva. Anotações Prof. Pimentel 17 Direito Processual Penal • PP De acordo com o art. 13 do Código de Processo Penal, o delegado de polícia possui outras funções durante o tramitar do inquérito: I — fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos; II — realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público; III — cumprir os mandados de prisão expedidos pelo juiz; IV — representar acerca da prisão preventiva. Além disso, no próprio Código e em leis especiais, existem várias outras atividades que podem ser realizadas pela autoridade policial, por exemplo: a) arbitrar fiança nos delitos punidos com pena máxima não superior a 4 anos (art. 322); b) representar ao juiz para a instauração de incidente de insanidade mental (art. 149, § 1º); c) lavrar termo circunstanciado (art. 69 da Lei n. 9.099/95); d) representar acerca da decretação de prisão temporária (art. 2º da Lei n. 7.960/89), ou de interceptação telefônica (art. 3º, I, da Lei n. 9.296/96) etc. Novidades acerca da inclusão dos ar. 13-a e 13-b Trata a presente inovação legislativa da reafirmação do poder requisitório do Delegado de Polícia e do Promotor de Justiça, não trazendo grandes novidades a não ser o PRAZO DE 24 HORAS para resposta dos órgãos requisitados quando o crime investigado for uma das possibilidades previstas em lei: Código Penal: Art. 148 – Sequestro ou Cárcere Privado Art. 149- Redução à condição análoga à de escravo Art. 149- A – Tráfico de Pessoas Art. 158 §3º – Extorsão com restrição à liberdade da vítima Art. 159 – Extorsão mediante sequestro. E no art. 239 do ECA: Tráfico internacional de crianças Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art. 159 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, conterá: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) I - o nome da autoridade requisitante; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) II - o número do inquérito policial; e (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) Já no art. 13-B o legislador trouxe outra possibilidade de requisição de DADOS DE TELECOMUNICAÇÃO QUE PERMITAM A LOCALIZAÇÃO, restrita, sabe-se lá porque, SOMENTE AO CRIME DE TRÁFICO DE PESSOAS, ainda, mediante autorização judicial, que já existe, porém com resposta IMEDIATA, quando o crime ainda estiver em curso. Observa-se que são apenas dados de localização, não de conteúdo. Tal serviço não ficará à disposição por mais de trinta dias, renovável por mais 30, uma única vez. *OBS: No §4º há sim, uma inovação: O Delegado ou Promotor, diante da inércia de resposta de 12h do Juiz, podem requisitar as informações diretamente às empresas. Posteriormente, o juiz pode analisar abuso na determinação e sustá-la se for o caso. Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) Anotações Prof. Pimentel 18 Direito Processual Penal • PP § 1º Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura, setorização e intensidade de radiofrequência. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) § 2º Na hipótese de que trata o caput, o sinal: I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei; II -deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a 30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período; III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de ordem judicial. § 3º Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial. § 4º Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz. 2.12. CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL Ao considerar encerradas as diligências, a autoridade policial deve elaborar um relatório descrevendo as providências tomadas durante as investigações. Esse relatório é a peça final do inquérito, que será então remetido ao juízo. Ao elaborar o relatório, a autoridade declara estar encerrada a fase investigatória. Não deve, entretanto, manifestar-se acerca do mérito da prova colhida, uma vez que tal atitude significa invadir a área de atuação do Ministério Público, a quem incumbe formar a opinio delicti. O art. 17 do Código de Processo Penal diz que a autoridade policial não pode determinar o arquivamento do feito. Conforme se verá adiante, o arquivamento do inquérito é sempre determinado pelo juiz, em razão de pedido do Ministério Público. Em se tratando de crime de ação privada, o art. 19 do Código de Processo Penal estabelece que os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues a eles, mediante traslado (cópia), se assim tiverem solicitado. O art. 11 do Código de Processo Penal dispõe que os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito policial quando encaminhados ao juízo. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base para o oferecimento de qualquer delas (art. 12 do CPP). Por fim, de acordo com o art. 18 do Código de Proc esso Penal, mesmo após ter sido determinado o arquivamento do inquérito por falta de base para a denúncia, a autoridade policial pode realizar novas diligências a fim de obter provas novas, se da existência delas tiver notícia. Caso efetivamente sejam obtidas provas novas relevantes, a ação penal poderá ser proposta com fundamento nelas, desarquivando- se o inquérito policial. Nesse sentido, a Súmula n. 524 do Supremo Tribunal Federal: “arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas”. Requerimento de diligências: Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. Incomunicabilidade: Apesar de constar na lei, é totalmente inconstitucional pois fere o art. 136, §3º, IV da CF. Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. Anotações Prof. Pimentel 19 Direito Processual Penal • PP M ó d ul o Das Incompatibilidades e Impedimentos: artigo 11202 DAS INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS Art. 112. O juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando houver incompatibilidade ou impedimento legal, que declararão nos autos. Se não se der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser argüido pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção de suspeição. Observa-se que, no art. 112 nada se fala de Autoridade Policial e demais policiais civis. No art. 107 a redação ainda proíbe a oposição de suspeição às autoridades policiais, devendo estas mesmas se declararem suspeitas quando ocorrerem alguma das previsões para tal (art: 252 e 254 do CPP) Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal. Observa-se que tal proibição parece contrariar o Princípio Constitucional do devido processo legal, posto que pode trazer prejuízo ou vantagem ao investigado, decorrentes da imparcialidade da Autoridade Policial. O interessado poderá, em caso de desrespeito ao dever de abster-se de oficiar em investigação para a qual é suspeita, provocar a atuação do superior hierárquico da autoridade policial. IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO DO JUIZ Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha; III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão; IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito. Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consangüíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive. Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. Art. 255. O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que Ihe tiver dado causa, salvo sobrevindo descendentes; mas, ainda que dissolvido o casamento sem descendentes, não funcionará como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo. Art. 256. A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la. Anotações Prof. Pimentel 20 Direito Processual Penal • PP ATENÇÃO! A suspeição ou o impedimento em decorrência de parentesco por afinidade (parentesco que não é de sangue) cessa com a dissolução do casamento que fez surgir o parentesco a não ser que: Se do casamento resultar filhos, o impedimento ou suspeição não se extingue em hipótese nenhuma. Havendo ou não filhos da relação, o impedimento ou suspeição permanece em relação a sogros, genros, cunhados, padrasto e enteado. OBS.: Aplicam-se aos serventuários e funcionários da Justiçaas prescrições sobre suspeição dos Juízes. MINISTÉRIO PÚBLICO Suspeição e impedimento: Mesmas hipóteses de suspeição e impedimento previstas para os Juízes, no que for cabível. Além disso, não poderão atuar nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive. OBS.: O fato de o membro do MP ter atuado na fase investigatória não gera suspeição ou impedimento (verbete no 234 da súmula de jurisprudência do STJ). Anotações Prof. Pimentel 21 Direito Processual Penal • PP M ó d ul o 03 Do Exame de Corpo de Delito e das Perícias em Geral: artigos 155 a 184 O art. 155. determina que o juiz não pode analisar um caso com base exclusiva nos elementos colhidos na investigação, SALVO, provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Prova cautelar (é aquela que corre risco de perecimento em razão da demora, ou seja, é aquela que tende a desaparecer se não for produzida desde logo – nestes casos, o contraditório é exercido em juízo, posteriormente, com a possibilidade das partes argumentarem contra a prova, impugnarem e oferecerem contraprova, é o chamado “contraditório diferido”); Prova antecipada (é aquela produzida ainda na fase de inquérito e, portanto, em momento anterior àquele que seria adequado, perante a autoridade judiciária, em razão de sua urgência e relevância – é produzida sob o crivo do contraditório real ou efetivo, já que produzida em juízo e na presença das partes); “O art. 366 do CPP, ao determinar que ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional quando o réu, citado por éditos, não atender ao chamamento da Justiça, nem constituir advogado, facultou ao Magistrado ordenar a produção antecipada das provas consideradas urgentes. Regulamentada pelo art. 225 do referido diploma, a produção antecipada da prova testemunhal está sujeita ao princípio da urgência, que se entende pelo fundado receio de que, ao tempo da instrução processual, as testemunhas já não existam ou se tenham mudado do território da comarca. Nesta matéria, como no mais, o prudente arbítrio do Juiz é que haverá de ditar a forma de proceder” (TACRIM-SP. – 6ª C. - HC 312.098/3 - rel. Almeida Braga - j. 01.10.97). “Consideram-se urgentes, para os efeitos do art. 366 do CPP, as provas que, em razão do decurso do tempo - consumidor de todas as coisas (tempus edax rerum) -, poderiam perecer, tornando impossível sua realização quando acaso comparecesse o réu a Juízo, sendo forçoso preservá-las ‘ad perpetuam rei memoriam’” (TACRIM-SP. - 1a C. - HC 312.226/8 - rel. Eduardo Goulart - j. 9.10.97). Prova não repetível (foi produzida na fase de inquérito e que não pode ser reproduzida em juízo). Não obstante a previsão legal no sentido de que prova não repetível pode ser utilizada com exclusividade para fundamentar uma decisão judicial, há autores que afirmam não ser possível essa utilização, sob pena de ofensa ao princípio constitucional do contraditório, uma vez que referidas provas não permitem exercer contraditório, nem real, nem diferido. Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) - A provas cautelares são aquelas em que há um risco de desaparecimento do objeto da prova por decurso do tempo. Se não forem produzidas logo perdem sua razão de produção, depende de autorização judicial, mas tem seu contraditório postergado/diferido - ex: interceptações telefônicas. - A provas não repetíveis são aquelas que quando produzidas não tem como serem produzidas novamente, o exemplo mais citado é o exame de corpo de delito, não dependem de autorização judicial e seu contraditório também é diferido. - As provas antecipadas possuem contraditório real, exemplo clássico da testemunha que está hospital em fase terminal, nesse caso, depende de autorização judicial. Sua colheita é feita em momento processual distinto daquele legalmente previsto, por isso a classificação. Anotações Prof. Pimentel 22 Direito Processual Penal • PP Conceito de prova - Elemento produzido pelas partes ou mesmo pelo Juiz, visando à formação do convencimento deste (Juiz) acerca de determinado fato. Objeto de prova - O fato que precisa ser provado para que a causa seja decidida, pois sobre ele existe incerteza. Em regra, só os fatos são objeto de prova (Exceção: direito municipal, estadual ou estrangeiro, pois a parte que alega deve provar-lhes o teor e a vigência). Fatos que independem de prova: Fatos evidentes, Fatos notórios, Presunções legais, Fatos inúteis. a) Fatos EVIDENTES axiomáticos** ou intuitivos: São aqueles que são evidentes. A evidência nada mais é do que um grau de certeza que se tem do conhecimento sobre algo. Nesses casos, se o fato é evidente, a convicçãojá está formada, logo, não carece de prova. Por exemplo, no caso de morte violenta, quando as lesões externas forem de tal monta que tornarem evidente a causa da morte, será dispensado o exame de corpo de delito interno (CPP, art. 162, parágrafo único). Exemplo: um ciclista é atropelado por uma jamanta e seu corpo é dividido em pedaços. Dispensa-se o exame cadavérico interno, pois a causa da morte é evidente. b) Fatos notórios: É o caso da verdade sabida: por exemplo, não precisamos provar que no dia 7 de setembro comemora-se a Independência, ou que a água molha e o fogo queima. Fatos notórios são aqueles cujo conhecimento faz parte da cultura de uma sociedade. c) Presunções legais: Porque são conclusões decorrentes da própria lei, ou, ainda, o conhecimento que decorre da ordem normal das coisas, podendo ser absolutas (juris et de jure) ou relativas (juris tantum). Por exemplo: a acusação não poderá provar que um menor de 18 anos tinha plena capacidade de entender o caráter criminoso do fato, pois a legislação presume sua incapacidade (inimputabilidade) de modo absoluto (juris et de jure), sem sequer admitir prova em contrário. Alguém que pratica um crime em estado de embriaguez completa, provocada por ingestão voluntária ou culposa de álcool ou substância entorpecente, não poderá provar que no momento da infração não sabia o que estava fazendo, pois a lei presume sua responsabilidade sem admitir prova em contrário (actio libera in causa - a ação foi livre na causa). d) Fatos inúteis: Princípio frustra probatur quod probantum nom relevat. São os fatos, verdadeiros ou não, que não influenciam na solução da causa, na apuração da verdade real. Exemplo: a testemunha afirma que o crime se deu em momento próximo ao jantar, e o juiz quer saber quais os pratos que foram servidos durante tal refeição. O mesmo ocorre com os fatos imorais, aqueles que, em razão de seu caráter criminoso, inescrupuloso, ofensivo à ordem pública e aos bons costumes, não podem beneficiar aquele que os pratica. Classificação das provas: Provas diretas – Aquelas que provam o próprio fato, de maneira direta. Provas indiretas – Aquelas que não provam diretamente o fato, mas por uma dedução lógica, acabam por prová-lo. Provas plenas – Aquelas que trazem a possibilidade de um juízo de certeza quanto ao fato que buscam provar, possibilitando ao Juiz fundamentar sua decisão de mérito em apenas uma delas, se for o caso. Provas não-plenas – Apenas ajudam a reforçar a convicção do Juiz, contribuindo na formação de sua certeza, mas não possuem o poder de formar a convicção do Juiz, que não pode fundamentar sua decisão de mérito apenas numa prova não- plena. Provas reais – Aquelas que se baseiam em algum objeto, e não derivam de uma pessoa. Provaspessoais – São aquelas que derivam de uma pessoa. Prova típica – Seu procedimento está previsto na Lei. Anotações Prof. Pimentel 23 Direito Processual Penal • PP Prova atípica – Duas correntes: a.1) É somente aquela que não está prevista na Legislação (este conceito se confunde com o de prova inominada); a.2) É tanto aquela que está prevista na Lei, mas seu procedimento não, quanto aquela em que nem ela nem seu procedimento estão previstos na Legislação. Prova anômala – É a prova típica, só que utilizada para fim diverso daquele para o qual foi originalmente prevista. Prova irritual – É aquela em que há procedimento previsto na Lei, só que este procedimento não é respeitado quando da colheita da prova. Prova “fora da terra” – É aquela realizada perante juízo distinto daquele perante o qual tramita o processo. Prova crítica – É utilizada como sinônimo de “prova pericial”. OBS.: PROVA EMPRESTADA - É aquela que, tendo sido produzida em outro processo, vem a ser apresentada no processo corrente, de forma a também neste produzir os seus efeitos. A Doutrina e a Jurisprudência, entretanto, exigem que a prova emprestada tenha sido produzida em processo que envolveu as mesmas partes (identidade de partes) e tenha sido submetida ao contraditório. Sistema adotado quanto à apreciação da prova REGRA - Sistema do livre convencimento motivado da prova (ou livre convencimento regrado, ou livre convencimento baseado em provas ou persuasão racional). O Juiz deve valorar a prova produzida da maneira que entender mais conveniente, de acordo com sua análise dos fatos comprovados nos autos. EXCEÇÃO – Adota-se, excepcionalmente: Prova tarifada – Adotada em alguns casos (ex.: necessidade de que a prova da morte do acusado, para fins de extinção da punibilidade se dê por meio da certidão de óbito). Íntima convicção – Adotada no caso dos julgamentos pelo Tribunal do Júri. Princípios que regem a produção probatória 1- Princípio do contraditório – Todas as provas produzidas por uma das partes podem ser contraditadas (contraprova) pela outra parte; 2- Princípio da comunhão da prova (ou da aquisição da prova) – A prova é produzida por uma das partes ou determinada pelo Juiz, mas uma vez integrada aos autos, deixa de pertencer àquele que a produziu, passando a ser parte integrante do processo, podendo ser utilizada em benefício de qualquer das partes. 3- Princípio da oralidade – Sempre que for possível, as provas devem ser produzidas oralmente na presença do Juiz. 4- Subprincípio da concentração – Sempre que possível as provas devem ser concentradas na audiência. Subprincípio da publicidade – Os atos processuais não devem ser praticados de maneira secreta, sendo vedado ao Juiz apresentar obstáculos à publicidade dos atos processuais. 5- Subprincípio da imediação – o Juiz, sempre que possível, deve ter contato físico com a prova, no ato de sua produção, a fim de que melhor possa formar sua convicção. 6- Princípio da autorresponsabilidade das partes – As partes respondem pelo ônus da produção da prova acerca do fato que tenham de provar. 7- Princípio da não auto-incriminação (ou Nemo tenetur se detegere) – Por este princípio entende-se a não obrigatoriedade que a parte tem de produzir prova contra si mesma. Etapas da produção da prova Proposição – A produção da prova é requerida ao Juiz, podendo ocorrer em momento ordinário ou extraordinário. Admissão – É o ato mediante o qual o Juiz defere ou não a produção de uma prova. Produção – É o momento em que a prova é trazida para dentro do processo. Valoração – É o momento no qual o Juiz aprecia cada prova produzida e lhe atribui o valor que julgar pertinente. Anotações Prof. Pimentel 24 Direito Processual Penal • PP Ônus da prova: Encargo conferido a uma das partes referente à produção probatória relativa ao fato por ela alegado. Produção probatória pelo Juiz É possível: Na produção antecipada de provas – Provas consideradas urgentes e relevantes, observando-se a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida (é constitucional – STF e STJ). OBS.: É necessário que exista um procedimento investigatório em andamento (IP em curso, por exemplo), e algum requerimento posto à sua apreciação (ainda que não seja o requerimento de prova). Na produção de provas após iniciada a fase de instrução do processo – Para dirimir dúvida sobre ponto relevante (busca da verdade real). Não se exige a cautelaridade da medida. Provas ilegais: Provas ilícitas - São consideradas provas ilícitas aquelas produzidas mediante violação de normas de direito material (normas constitucionais ou legais). Ex.: Prova obtida mediante tortura. Provas ilícitas por derivação - São aquelas provas que, embora sejam lícitas em sua essência, derivam de uma prova ilícita, daí o nome “provas ilícitas por derivação”. Ex.: Prova obtida mediante depoimento válido. Contudo, só se descobriu a testemunha em razão de uma interceptação telefônica ilegal. Poderá ser utilizada no processo se ficar comprovado que: - Não havia nexo de causalidade entre a prova ilícita e a prova derivada - Embora havendo nexo de causalidade, a derivada poderia ter sido obtida por fonte independente ou seria, inevitavelmente, descoberta pela autoridade. Provas ilegítimas - São provas obtidas mediante violação a normas de caráter eminentemente processual (formalidade e não ilegalidade), sem que haja nenhum reflexo de violação a normas constitucionais. Consequências processuais do reconhecimento da ilegalidade da prova Provas ilícitas - Declarada sua ilicitude, elas deverão ser desentranhadas do processo e, após estar preclusa a decisão que determinou o desentranhamento, serão inutilizadas pelo Juiz. OBS.: Há forte entendimento no sentido de que a prova, ainda que seja ilícita, deverá ser utilizada no processo, desde que seja a única prova capaz de conduzir à absolvição do réu ou comprovar fato importante para sua defesa. Consequências processuais do reconhecimento da ilegitimidade da prova Prova decorrente de violação à norma processual de caráter absoluto (nulidade absoluta) - jamais poderá ser utilizada no processo, pois as nulidades absolutas, são questões de ordem pública e são insanáveis (STF e STJ estão relativizando isso, ao fundamento de que não pode ser declarada qualquer nulidade sem comprovação da ocorrência de prejuízo). Prova decorrente de violação à norma processual de caráter relativo (nulidade relativa) - poderá ser utilizada,desde que não haja impugnação à sua ilegalidade ou tenha sido sanada a irregularidade em tempo oportuno. Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas Anotações Prof. Pimentel 25 Direito Processual Penal • PP puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído pela Lei nº 11.690,de 2008) § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 4º (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) CAPÍTULO II DO EXAME DO CORPO DE DELITO, E DAS PERÍCIAS EM GERAL PROVAS EM ESPÉCIE EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS EM GERAL O exame de corpo de delito é a perícia cuja finalidade é comprovar a materialidade (existência) das infrações que deixam vestígios. 1 – Espécies: Direto - Quando realizado pelo perito diretamente sobre o vestígio deixado (local, pessoa, objeto, etc). Indireto - Quando o perito realizar o exame com base em informações verossímeis fornecidas a ele. (ficha clínica de atendimento, fotografias de danos, etc) 2- Momento - Pode ocorrer tanto na fase investigatória quanto na fase de instrução do processo criminal. 3- Obrigatoriedade - O exame de corpo de delito é, em regra, obrigatório nos crimes que deixam vestígios. Caso tenham desaparecido os vestígios, pode ser provado mediante outros tipos de prova. OBS.: O exame de corpo de delito está dispensado no caso de infrações de menor potencial ofensivo, desde que a inicial acusatória esteja acompanhada de boletim médico, ou prova equivalente, atestando o fato. 4- Formalidades: Deve ser realizado por 01 perito oficial - Não sendo possível, por 02 peritos não oficiais. Se a perícia for complexa, que abranja mais de uma área de conhecimento, poderá o Juiz designar MAIS de um perito oficial (nesse caso, a parte também poderá indicar mais de um assistente técnico). Obs: Indicação de assistente de técnico e formulação de quesitos - As partes, o ofendido e o assistente de acusação podem formular quesitos, indicar assistentes técnicos e requerer esclarecimentos aos peritos (restrito à fase judicial – jurisprudência). Divergência entre os peritos - Cada um elaborará seu laudo separadamente, e a autoridade deverá nomear um terceiro perito. Caso o terceiro perito discorde de ambos, a autoridade poderá mandar proceder à realização de um novo exame pericial. INTERROGATÓRIO DO RÉU O ato mediante o qual o Juiz procede à oitiva do acusado acerca do fato que lhe é imputado. Modernamente, é considerado como UM DIREITO SUBJETIVO DO ACUSADO, pois se entende que faz parte do seu direito à defesa pessoal. Natureza - Atualmente, se entende que o interrogatório é meio de prova e meio de defesa do réu. Momento - Existe variação quanto ao momento em que ocorrerá, a depender do procedimento que seja adotado: - Procedimento comum ordinário e sumário, rito da Lei 9.099/95 e procedimento relativo aos crimes de competência do Tribunal do Júri – Será realizado após a produção da prova oral na audiência. - Procedimento previsto para os crimes da Lei de Drogas e abuso de autoridade – Será realizado antes da instrução criminal (Trata-se de previsão que não é inconstitucional, segundo STJ). Anotações Prof. Pimentel 26 Direito Processual Penal • PP Características 1) Obrigatoriedade – Basta a intimação do réu. Se ele não quiser comparecer, não está obrigado. Parte da Doutrina sustenta que ele estaria obrigado a comparecer para, pelo menos, responder às perguntas sobre sua qualificação. 2) Ato personalíssimo do réu - Somente o réu pode prestar seu depoimento, não podendo ser tomado seu interrogatório mediante procuração. 3) Oralidade - Em regra, o interrogatório deve se dar mediante formulação de perguntas e apresentação de respostais orais. No entanto, isso sofre mitigação no caso de surdos, mudos, surdos-mudos e estrangeiros. 4) Publicidade - Em determinados casos, pode o Juiz determinar a limitação da publicidade do ato. 5) Individualidade - Se existirem dois ou mais réus, o CPP determina que cada um seja ouvido individualmente (art. 191 do CPP), não podendo, inclusive, que um presencie o interrogatório do outro. 6) Faculdade de formulação de perguntas pela acusação e pela defesa - O Juiz deve permitir que, após a realização de suas perguntas, cada parte (primeiro a acusação, depois a defesa), formulem perguntas ao interrogando, caso queiram. Permanece o sistema presidencialista: as perguntas são formuladas ao Juiz, que as direciona ao interrogando, podendo, inclusive, indeferir as perguntas que forem irrelevantes ou impertinentes, ou, ainda, aquelas que já tenham eventualmente sido respondidas. OBS.: No julgamento dos processos do Júri, as perguntas serão realizadas diretamente pela acusação e pela defesa ao interrogando (art. 474, § 1° do CPP). Já as perguntas feitas eventualmente pelos jurados seguem o sistema presidencialista (art. 474, § 2° do CPP). Procedimento: Presença do defensor - O interrogatório do réu será realizado obrigatoriamente na presença de seu advogado, sendo-lhe assegurado o direito de entrevista prévia e reservada com este. Direito ao silêncio - No interrogatório o réu terá direito, ainda, a ficar em silêncio (não se aplica à etapa de qualificação do acusado). O silêncio não importa confissão e não pode ser interpretado em prejuízo da defesa. Essa garantia deve ser informada ao acusado antes do seu interrogatório. A ausência dessa advertência gera nulidade RELATIVA (STJ). Etapas - Possui duas fases. Na primeira o réu responde às perguntas sobre sua pessoa (art. 187, § 1° do CPP). Na segunda parte, responde às perguntas acerca do fato (art. 187, § 2° do CPP). Antes disso, porém, existe a etapa de QUALIFICAÇÃO do acusado. *Interrogatório por meio de Videoconferência: Cabimento - Essa possibilidade só existe no caso de se tratar de réu preso e somente poderá ser realizada EXCEPCIONALMENTE. Procedimento - A realização de interrogatório por videoconferência deve assegurar, no que for compatível, todas as garantias do interrogatório presencial, só podendo ser realizada quando o Juiz não puder comparecer ao local onde o preso se encontra, e para atender às seguintes finalidades: a- Prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento. b- Viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja relevante dificuldade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal c- Impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência d- Responder à gravíssima questão de ordem pública OBRIGATÓRIA: Presença do defensor - No interrogatório por videoconferência, para que seja assegurado o direito do acusado de ter o advogado presente, deve haver um advogado junto ao preso e outro junto ao Juiz. CONFISSÃO Conceito - Meio de prova através do qual o acusado reconhece a prática do fato que lhe é imputado. Anotações Prof. Pimentel 27 Direito Processual Penal • PP Requisitos intrínsecos: Verossimilhança das alegações do réu aos fatos, A clareza do réu na exposição dos motivos, Coincidência com o que apontam os demais meios de prova. Requisitos extrínsecos (ou formais): Pessoalidade - Não se pode ser feita por procurador Caráter expresso - Não se admite confissão tácita no Processo Penal, devendo ser manifestada e reduzida a termo Oferecimento perante o Juiz COMPETENTE Espontaneidade - Não pode ser realizada sob coação Capacidade do acusado para confessar - Deve estar no pleno gozo das faculdades mentais OBS.: Não possui valor absoluto, devendo ser valorada pelo Juiz da maneira que reputar pertinente. Retratação e divisibilidade - A confissão é retratável e divisível: Retratável - Porque o réu pode, a qualquer momento, voltar atrás e retirar a confissão. Divisível - Porque o Juiz pode considerar válida a confissão em relação a apenas algumas de suas partes, e falsa em relação a outras. OBS.: O STF entende que se o réu se retrata em Juízo da confissãofeita em sede policial, não será aplicada a atenuante genérica da confissão, salvo se, mesmo diante da retratação, a confissão em sede policial foi levada em consideração para a sua condenação. OITIVA DO OFENDIDO Conceito - Permite ao magistrado ter contato efetivo com a pessoa que mais sofreu as consequências do delito, de forma a possibilitar o mais preciso alcance de sua extensão. Natureza – O ofendido NÃO É TESTEMUNHA, pois testemunha é um terceiro que não participa do fato. O ofendido participa do fato, na qualidade de sujeito passivo. OBS.: Pode ser conduzido coercitivamente para prestar suas declarações. OBS.: Caso preste depoimento falso, NÃO responde por falso testemunho, pois não é testemunha (STJ - AgRg no REsp 1125145/RJ) A vítima tem direito ao silêncio? Prevalece que sim, mas é controvertido. PROVA TESTEMUNHAL Espécies • Testemunha referida – É aquela que, embora não tenha sido arrolada por nenhuma das partes, foi citada por outra testemunha em seu depoimento. • Testemunha judicial – É aquela que é inquirida pelo Juiz sem ter sido arrolada por qualquer das partes. • Testemunha própria – É aquela que presta depoimento sobre o fato objeto da ação penal, podendo ser direta (quando presenciou o fato) ou indireta (quando apenas ouviu dizer sobre os fatos). • Testemunha imprópria (ou instrumental) – É aquela que não depõe sobre o fato objeto da ação penal, mas sobre outros fatos que nela possuem influência. • Testemunha compromissada – é aquela compromisso, nos termos do art. 203 do CPP. • Testemunha não compromissada (ou informante) – Prevista no art. 208 do CPP, é aquela que está dispensada do compromisso de dizer a verdade, em razão da presunção de que suas declarações são suspeitas. Número máximo de testemunhas: Regra geral (do procedimento comum ordinário): 08 testemunhas Rito sumário – 05 testemunhas. O número de testemunhas será definido para cada fato. Além disso, esse é o número para cada réu. Em regra, qualquer pessoa pode ser testemunha. Testemunhas não sujeitas ao compromisso de dizer a verdade Denomina-se informante (ou declarante) a testemunha que é dispensada do compromisso de dizer a verdade. Anotações Prof. Pimentel 28 Direito Processual Penal • PP As testemunhas não sujeitas a compromisso são (art. 208 do CP): a) o parente do réu que, apesar de não obrigado a depor, opte por fazê- lo (ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge e o irmão do acusado — art. 206 do CPP); b) os deficientes mentais e os menores de 14 anos. Não há consenso, todavia, se, nos casos em que a lei dispensa a testemunha do compromisso, também estará ela isenta do dever jurídico de dizer a verdade, o que tem reflexo na possibilidade ou não de o informante ser responsabilizado por eventual falso testemunho. Contradita - A contradita é uma impugnação à testemunha. A contradita, portanto, pode ocorrer em duas hipóteses: • Pessoas que não devam prestar compromisso – Arrolada por qualquer das partes, qualquer uma delas pode contraditar a testemunha, sendo a consequência a tomada do seu depoimento sem compromisso legal (são as pessoas do art. 208 do CPP). • Pessoas que NÃO PODEM DEPOR – São aquelas que não podem depor em razão de terem tomado ciência do fato em razão do ofício ou profissão (salvo se desobrigadas pela parte interessada). Contraditadas, devem ser EXCLUÍDAS, não podendo ser tomado seu depoimento. Arguição de defeito - A arguição de defeito é a indicação de suspeição (parcialidade) de uma testemunha. Juiz é obrigado a excluir a testemunha? NÃO! Apenas ficará atento para não dar valor “demais” ao depoimento desta testemunha suspeita. Características da prova testemunhal: 1) Oralidade – A prova testemunhal é, em regra, oral. Entretanto, é possível à testemunha a consulta a breves apontamentos escritos (art. 204 do CPP). Algumas pessoas, no entanto, podem optar por oferecer depoimento oral ou escrito (Presidente, Vice-Presidente, etc.). OBS.: Os mudos, surdos e surdos-mudos podem depor de forma escrita. 2) Objetividade – A testemunha deve depor objetivamente sobre o fato, não lhe sendo permitido tecer considerações pessoais sobre os fatos. 3) Individualidade (incomunicabilidade) – As testemunhas serão ouvidas individualmente, não podendo uma ouvir o depoimento da outra. 4) Obrigatoriedade de comparecimento – A testemunha, devidamente intimada, deve comparecer, sob pena de poder ser conduzida à força. EXCEÇÕES: • Pessoas que não estejam em condições físicas de se dirigir até o Juízo. • Pessoas que, por prerrogativa de FUNÇÃO, podem optar por serem ouvidas em outros locais – Estão previstas no art. 221 do CPP. 5) Obrigatoriedade da PRESTAÇÃO DO DEPOIMENTO – Além de comparecer, deve a testemunha efetivamente responder às perguntas, depondo sobre os fatos que tenha conhecimento. Não há, portanto, direito ao silêncio. Falso testemunho: E se o Juiz verificar que uma das testemunhas praticou falso testemunho? Deverá encaminhar cópia do depoimento ao MP ou à autoridade policial. Réu x testemunha O Juiz pode determinar que o réu seja retirado da sala onde a testemunha irá depor, se verificar que a sua presença pode constranger a testemunha, sempre fundamentando sua decisão. OBS.: O réu pode até ser retirado da sala onde testemunha presta depoimento, mas O ATO NUNCA PODERÁ SER REALIZADO SEM A PRESENÇA DO SEU DEFENSOR. Procedimento Primeiro as testemunhas de acusação, facultando às partes (primeiro a acusação e depois a defesa) formular perguntas. Após, ouvirá as testemunhas de defesa, adotando igual procedimento. E se não for respeitada esta ordem? NULIDADE RELATIVA. Embora esta ordem seja a regra, existem exceções: Testemunhas ouvidas mediante carta precatória ou rogatória; Testemunhas que estejam doentes, ou precisem se ausentar, e haja necessidade de serem ouvidas desde logo, sob pena de perecimento da prova. Anotações Prof. Pimentel 29 Direito Processual Penal • PP Formulação de perguntas Aqui o CPP determina que as partes formulem perguntas diretamente às testemunhas (sistema do cross examination), podendo Juiz não as admitir quando a pergunta for irrelevante, impertinente, repetida ou puder induzir resposta. Regras especiais • O militar deverá ser ouvido mediante requisição à sua autoridade superior • O funcionário público será intimado (notificado) pessoalmente, como as demais testemunhas, mas deve ser requisitado (na verdade informado), também, ao chefe da repartição visando o bom andamento do serviço público. • O preso será intimado (notificado) também pessoalmente, mas será expedida, também, requisição ao diretor do estabelecimento prisional. RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS Procedimento: 1-A pessoa que tiver de fazer o reconhecimento deverá descrever a pessoa que deva ser reconhecida; 2- A pessoa será colocada, se possível, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será chamada para reconhecer. Preservação da identidade do reconhecedor - Se houver motivos para crer que o reconhecedor (por efeito de intimidação ou outra influência) não vá dizer a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade deve providenciar para que esta (o reconhecido) não veja aquela (o reconhecedor). OBS.: O CPP determina que essa preservação da identidade do reconhecedor não se aplica durante a instrução criminal ou em plenário de julgamento. Jurisprudência entende que se aplica sempre. Reconhecimento de coisas - Aplicam-se as mesmas regras, no que for cabível. Pluralidade de reconhecedores - Se houver mais de uma pessoa para fazer o reconhecimento, cada uma delas realizará o ato em separado, de forma a que uma não influencie a outra. ACAREAÇÃO É o ato pelo qual duas pessoas, que prestaram informações divergentes, são colocadas “frente a frente”. Fundamenta-se no constrangimento. Pode ser realizada tanto na fase deinvestigação quanto na fase processual. Podem ser acareados testemunhas, acusados e ofendidos, entre si (ex.: acusado x acusado) ou uns com os outros (ex.: ofendido x testemunha). OBS.: A acareação também pode ser feita mediante carta precatória (acaba descaracterizando a natureza da acareação). PROVA DOCUMENTAL Conceito de documento - Quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares. A fotografia do documento, devidamente autenticada, tem o mesmo valor do original. Momento - Pode ser produzida a qualquer tempo pelas partes, salvo nos casos em que a lei expressamente veda sua produção fora de um determinado momento. Produção pelo Juiz - O Juiz também pode determinar a produção de prova documental, se tiver notícia de algum documento importante. Valor probante - Os documentos, como qualquer prova, possuem o valor que o Juiz lhes atribuir. Entretanto, alguns documentos, em razão da pessoa que os confeccionou, possuem, inegavelmente, maior valor. Os instrumentos públicos (produzidos pela autoridade pública competente) fazem prova: – Dos fatos ocorridos na presença da autoridade que o elaborou; – Das declarações de vontade emitidas na presença da autoridade que lavrou o documento; Anotações Prof. Pimentel 30 Direito Processual Penal • PP – Dos fatos e atos nele documentados; – Os instrumentos particulares, assinados pelas partes e por duas testemunhas, provam as obrigações firmadas entre elas. Essa eficácia não alcança terceiros; Vícios dos documentos Extrínseco – relacionado à inobservância de determinada formalidade para a elaboração do documento. Intrínseco – relacionado à essência, ao conteúdo do próprio ato. Falsidade dos documentos • Material – relativa à criação de um documento falso, fruto da adulteração de um documento existente ou da criação de um completamente falso. • Ideológica – refere-se à substância, ao conteúdo do fato documentado. INDÍCIOS Conceito - Elementos de convicção cujo valor é inferior, pois NÃO PROVAM o fato que se discute, mas provam outro fato, a ele relacionado, que faz INDUZIR que o fato discutido ocorreu ou não. Indícios x presunções legais Os indícios apenas induzem uma conclusão mais ou menos lógica. As presunções legais são situações nas quais a lei estabelece que são verdadeiros determinados fatos, se outros forem verdadeiros. BUSCA E APREENSÃO Conceito - Em regra, a busca e apreensão é um meio de prova. Entretanto, pode ser um meio de assegurar direitos (Ex.: arresto de um bem para garantir a reparação civil). Momento - A Busca e apreensão pode ocorrer na fase judicial ou na fase de investigação policial. Pode ser determinada de ofício ou a requerimento do MP, do defensor do réu, ou representação da autoridade policial. Busca e apreensão domiciliar Finalidade (art. 240, §1o do CPP) – Prender criminosos – Apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos – Apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos – Apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso – Descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu – Apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato – Apreender pessoas vítimas de crimes – Colher qualquer elemento de convicção OBS.: Trata-se de ROL TAXATIVO, ou seja, não admite ampliação (doutrina e jurisprudência majoritárias). OBS.: Parte da Doutrina entende, ainda, que a previsão de busca e apreensão de “cartas abertas ou não” não foi recepcionada pela Constituição, que tutelou, sem qualquer ressalva, o sigilo da correspondência. A Doutrina majoritária sustenta que a carta aberta pode ser objeto de busca e apreensão (a carta, uma vez aberta, torna-se um documento como outro qualquer). Jurisdicionalidade - A busca domiciliar só pode ser determinada pela autoridade judiciária (Juiz), em razão do princípio constitucional da inviolabilidade de domicílio. Anotações Prof. Pimentel 31 Direito Processual Penal • PP Execução - Mesmo com autorização judicial, a diligência só poderá ser realizada durante o dia. Conceito de dia – Há divergência doutrinária e jurisprudencial. Na jurisprudência prevalece o conceito físico-astronômico: dia é o lapso de tempo entre o nascer (aurora) e o pôr-do-sol (crepúsculo). Conceito de casa – Qualquer: – Compartimento habitado – Aposento ocupado de habitação coletiva – Compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou ativi- dade. OBS.: Assim, não é necessário que se trate de local destinado à moradia, podendo ser, por exemplo, um escritório ou consultório particular. A inexistência de obstáculos (ausência de cerca ou muro, por exemplo), não descaracteriza o conceito. OBS.: Os veículos, em regra, não são considerados domicílio, salvo se representarem a habitação de alguém (Boleia do caminhão, trailer, etc.). OBS.: Quartos de hotéis, pousadas, motéis, etc., são considerados CASA para estes efeitos, quando estiverem ocupados. Requisitos - A ordem judicial de busca e apreensão deve ser devidamente fundamentada, esclarecendo as FUNDADAS RAZÕES nas quais se baseia. São não houver ninguém em casa o CPP determina que seja intimado algum vizinho para que presencie o ato. Mandado - O mandado de busca e apreensão deve ser o mais preciso possível, de forma a limitar ao estritamente necessário a ação da autoridade que realizará a diligência, devendo especificar claramente o local, os motivos e fins da diligência. Deverá, ainda, ser assinado pelo escrivão e pela autoridade que a determinar. E no caso de a diligência ter de ser realizada no escritório de advogado? Nos termos do art. 7°, §6° do Estatuto da OAB, alguns requisitos devem ser observados: • Deve haver indícios de autoria e materialidade de crime praticado PELO PRÓPRIO ADVOGADO. • Decretação da quebra da inviolabilidade pela autoridade Judiciária competente • Decisão fundamentada • Acompanhamento da diligência por um representante da OAB BUSCA PESSOAL A busca pessoal é aquela realizada em pessoas, com a finalidade de encontrar arma proibida ou determinados objetos OBS.: Poderá ser determinada pela autoridade policial e seus agentes, ou pela autoridade judicial. Requisitos - Deve se basear em FUNDADAS SUSPEITAS de que o indivíduo se encontre em alguma das hipóteses previstas no CPP. Busca pessoal em mulher - O CPP determina que a busca pessoal em mulher será realizada por outra mulher, se não prejudicar a diligência. Pode a busca pessoal ser realizada em localidade diversa daquela na qual a autoridade exerce seu poder? Em caso de perseguição, tendo esta se iniciado no local onde a autoridade possui “Jurisdição”. Anotações Prof. Pimentel 32 Direito Processual Penal • PP M ó d ul o Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória: artigos 282 a 35004 Em matéria criminal existem duas modalidades de prisão. A primeira, chamada Prisão Condenatória, refere-se ao cumprimento de pena por parte de pessoa definitivamente condenada a quem foi imposta pena privativa de liberdade na sentença. Essa forma de prisão, denominada prisão pena, é regulamentada na Parte Geral do Código Penal (arts. 32 a 42) e também pela Lei de Execuções Penais (Lei n. 7.210/84). Seu cumprimento se dá em regime fechado, semiaberto ou aberto, podendo o réu progredir de regime mais severo para os mais brandos após o cumprimento de parte da pena e desde que tenha demonstrado méritos para a progressão. Em segundo lugar existe a prisão processual, decretada quando existe a necessidade de segregação cautelar do autor do delito durante as investigações ou o tramitar da ação penal por razões que a própria legislação processual elenca. Esta modalidade de prisão, também chamada de provisória ou cautelar, é regulamentada pelos arts.282 a 318 do Código de Processo Penal, bem como pela Lei n. 7.960/89. O princípio constitucional da presunção de inocência, segundo o qual ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (art. 5o, LVII, da CF), não impede a decretação da prisão processual, uma vez que a própria Constituição, em seu art. 5o, LXI, prevê a possibilidade de prisão em flagrante ou por ordem escrita e fundamentada do juiz competente. A prisão processual, entretanto, é medida excepcional, que só deve ser decretada ou mantida quando houver efetiva necessidade (grande periculosidade do réu, evidência de que irá fugir do país etc.). Além disso, o tempo que o indiciado ou réu permanecer cautelarmente na prisão será descontado de sua pena em caso de futura condenação (detração penal). No Código de Processo Penal são previstas duas formas de prisão processual: a prisão em flagrante e a preventiva. Após o advento da Lei n. 12.403/2011, a prisão decorrente do flagrante passou a ter brevíssima duração, pois o delegado enviará ao juiz cópia do auto em até 24 horas após a prisão, e este, imediatamente, deverá convertê-la em preventiva ou conceder liberdade provisória. A terceira modalidade de prisão cautelar é a prisão temporária, regulamentada em lei especial — Lei n. 7.960/89. Na redação originária do Código de Processo Penal existiam outras duas formas de prisão processual com regras próprias: prisão por sentença condenatória recorrível e prisão por pronúncia. Tais modalidades de prisão, todavia, deixaram de existir em decorrência das Leis n. 11.689/2008 e 11.719/2008. A própria redação do art. 283 do CPP, alterada pela Lei n. 12.403/2011, prevê que ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. Trata-se de uma das modalidade de prisão processual cautelar expressamente prevista no art. 5o, LXI, da Constituição Federal, e regulamentada nos arts. 301 a 310 do Código de Processo Penal. 1 Art. 5º (...) LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; Anotações Prof. Pimentel 33 Direito Processual Penal • PP Em princípio, a palavra “flagrante” indica que o autor do delito foi visto praticando ato executório da infração penal e, por isso, acabou preso por quem o flagrou e levado até a autoridade policial. Ocorre que o legislador, querendo dar maior alcance ao conceito de flagrância, estabeleceu, no art. 302 do Código de Processo Penal, quatro hipóteses em que referido tipo de prisão é possível, sendo que, em algumas delas, o criminoso até já deixou o local do crime. Hipóteses de prisão em flagrante: 1- Flagrante próprio ou real: Sob tal denominação estão abrangidas as hipóteses dos incisos I e II do art. 302 do CPP. Inciso I — Considera-se em flagrante delito quem está cometendo a infração penal. Conforme mencionado, trata-se de situação em que o sujeito é visto durante a realização dos atos executórios da infração penal ou colaborando para sua concretização. Assim, pode ser preso em flagrante, por exemplo, aquele que for visto efetuando os disparos contra a vítima do homicídio ou apontando a arma para a vítima do roubo. O fato de ser preso em flagrante o autor do crime não possibilita a prisão de partícipes que não estejam em situação flagrancial. Ex.: em um dia João incentiva Paulo a matar Antonio. Dias depois, Paulo é preso matando a vítima. O envolvimento de João é punível, mas sua participação ocorreu dias antes e ele não pode ser preso em flagrante. Ao contrário, se o partícipe estivesse no próprio local do crime incentivando o assassino a desferir as facadas mortais na vítima e ambos fossem flagrados nesse momento, a prisão em flagrante envolveria o autor do crime e o partícipe. No crime de participação em suicídio, a consumação se dá no momento em que a vítima realiza o ato suicida e morre ou sofre lesão grave (art. 122 do CP). A conduta de incentivar o suicídio é atípica se a vítima não chega a cometer o ato suicida ou se o realiza e sofre apenas lesões leves. Assim, não é válida a prisão em flagrante daquele que incentiva a vítima a pular do prédio, caso esta não o faça. Se o fato é atípico a prisão obviamente é incabível. Interessante é que, se a vítima pular, a prisão em flagrante será perfeitamente possível. Também é comum que policiais prendam alguém em flagrante por crime de receptação por estar com um carro roubado em sua garagem. Ocorre que tal pessoa comprou o carro de procedência ilícita muito tempo atrás e, no dia em que os policiais o localizaram em sua casa, ele não estava realizando qualquer dos atos executórios do art. 180 do Código Penal — adquirir, receber, ocultar, conduzir ou transportar. Lembre-se que guardar o carro na própria garagem não constitui ocultação. A prisão em flagrante neste caso é equivocada e deve ser relaxada porque a conduta “adquirir” não constitui crime permanente e o mero ato de estar na posse do carro, em si, não constitui ato executório da receptação. Ao contrário, a prisão seria considerada correta se o agente tivesse sido flagrado dirigindo o carro roubado, pois uma das condutas típicas previstas é exatamente a de “conduzir” veículo de origem ilícita. Em certos crimes a realização de ato executório dispensa a presença do agente no local. Ex.: policiais entram na casa de João da Silva e lá encontram três quilos de cocaína. João está no clube, e não na própria casa, porém pode ser preso em flagrante naquele local, já que a conduta típica “guardar” constitui crime permanente. Inciso II — Considera-se em flagrante delito quem acaba de cometer a infração. Considerando que nas modalidades flagranciais dos incisos III e IV do art. 302 do CPP o agente é preso após deixar o local do crime, resta para esta modalidade do inciso II a hipótese em que o sujeito é encontrado ainda no local dos fatos, imediatamente após encerrar os atos de execução do delito. É o que ocorre quando vizinhos acionam a polícia por ouvir disparos dentro de uma residência e os policiais, lá chegando, encontram a vítima morta e o homicida aolado. É evidente, todavia, a necessidade de indícios veementes de que a pessoa encontrada no local é a autora do delito, já que pode se tratar de pessoa que chegou à casa após o assassinato e a fuga do criminoso. A prisão será possível, por exemplo, se a pessoa que estava ao lado da vítima morta estiver na posse da arma usada no crime, ou se os vizinhos disserem aos policiais que ninguém saiu ou entrou da residência após o crime ou até mesmo se a pessoa confessar ter sido a autora dos disparos. Na prática, é muito comum esta modalidade de prisão em flagrante quando ladrões são presos no exato instante em que saem do estabelecimento comercial onde praticavam o roubo. Anotações Prof. Pimentel 34 Direito Processual Penal • PP Flagrante impróprio ou quase flagrante De acordo com o art. 302, III, do CPP, considera-se em flagrante delito quem é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser o autor da infração. Premissa dessa modalidade de prisãoem flagrante é que o agente já tenha deixado o local do crime, após a realização de atos executórios, e que seja perseguido. A lei esclarece que tal perseguição pode se dar por parte da autoridade (policiais civis ou militares), do ofendido (vítima) ou de qualquer outra pessoa — o que, aliás, tornaria desnecessária a menção aos demais. Não é necessário que a perseguição tenha se iniciado de imediato, muito embora seja evidente a possibilidade de flagrante em tal caso. A perseguição é imediata quando alguém se põe no encalço do agente logo que ele inicia sua fuga do local do delito. Ex.: mulher coloca sua bolsa sobre um balcão para efetuar o pagamento das compras e o ladrão rapidamente pega a bolsa e sai correndo, porém, um segurança da loja corre atrás e, após persegui-lo por algumas quadras, consegue alcançá-lo e prendê-lo. O próprio texto legal, contudo, esclarece ser também possível o flagrante impróprio quando a perseguição se inicia logo após o agente deixar o local dos fatos. A expressão “logo após” abrange o tempo necessário para que a polícia seja acionada, compareça ao local, tome informações acerca das características físicas dos autores do crime e da direção por eles tomada, e saia no encalço destes. Uma vez iniciada a perseguição logo após a prática do crime, não existe prazo para sua efetivação, desde que referida perseguição seja ininterrupta. Por isso, a perseguição pode durar vários dias, desde que os policiais estejam o tempo todo em diligências, no encalço dos criminosos (fato que, em geral, só ocorre em crimes de maior gravidade). Ao contrário do que se possa imaginar, iniciada a perseguição, não existe prazo de 24 horas para a efetivação da prisão em flagrante. O que existe na lei é um prazo de 24 horas para a lavratura do auto de prisão após esta ter se efetivado (art. 306, § 1o). Tampouco a palavra “perseguição” supõe que os fugitivos estejam na esfera visual dos perseguidores, mas tão somente que os últimos estejam no encalço dos autores do crime, à sua procura. Nesse sentido: “é cediço que iniciada a perseguição logo após o crime, sendo ela incessante nos termos legais, não importa o tempo decorrido entre o momento do crime e a prisão dos seus autores. Tem-se admitido pacificamente que esse tempo pode ser de várias horas ou mesmo dias (...). Observa-se que logo após a prática infracional a vítima acionou a polícia através do Copom, que obviamente logrou passar as informações a toda sua equipe com vistas à colheita de informações que levassem à identificação dos supostos autores, desencadeando uma rápida investigação policial que resultou na prisão do paciente e do coautor. Nota-se que mesmo tendo o encarceramento se efetivado algumas horas após a infração, o ato se deu em razoável espaço temporal, aliás, em tempo suficiente para o desdobramento das informações obtidas em conjunto pelo aparato policial. Desta maneira a situação se amolda à categoria do denominado flagrante em sentido impróprio, ou quase flagrante, previsto no art. 302, inciso III da Lei Adjetiva” (STJ — HC 126.980/GO — 5ª Turma — Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho — DJe 08.09.2009). O próprio Código de Processo Penal, em seu art. 290, § 1o, cuida de esclarecer que o executor está em perseguição ao autor do delito quando: I — tendo-o avistado, for perseguindo-o sem interrupção, embora depois o tenha perdido de vista; II — sabendo, por indícios ou informações fidedignas, que o réu tenha passado, há pouco tempo, em tal ou qual direção, pelo lugar em que o procure, for no seu encalço. Nota-se, pois, que a interpretação doutrinária e jurisprudencial em torno do conceito de perseguição encontra fundamento no próprio texto legal. O início de perseguição a que se refere o art. 302, III, do CPP diz respeito ao término da ação delituosa e começo da fuga do bandido. Não se pode, portanto, considerar presente tal situação quando alguém que está viajando é vítima de furto e, ao retornar para casa, dias ou horas depois, aciona a polícia ao perceber que os bens da residência foram subtraídos. Para a configuração do flagrante impróprio é irrelevante que o agente tenha conseguido ou não consumar o crime que pretendia cometer. É plenamente possível tal modalidade de flagrante em crimes tentados. Ex.: ladrão foge do local do crime sem nada levar por ter soado o alarme sonoro existente no estabelecimento, sendo, por conta disso, desencadeada uma perseguição que culmina em sua prisão. Anotações Prof. Pimentel 35 Direito Processual Penal • PP Flagrante presumido ou ficto Nos termos do art. 302, IV, do CPP, considera-se ainda em flagrante delito quem é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor da infração. Nessa modalidade, o sujeito não é perseguido, mas localizado, ainda que casualmente, na posse das coisas mencionadas na lei, de modo que a situação fática leve à conclusão de que ele é autor do delito. É o que ocorre, por exemplo, quando alguém rouba um carro e, algumas horas depois, é parado em uma blitz de rotina da polícia que constata a ocorrência do roubo e, por isso, leva o condutor do veículo até a vítima que o reconhece, ou, ainda, quando o furtador de uma bolsa feminina é flagrado por policiais em uma praça, vasculhando o interior da bolsa minutos após o furto. Note-se que, no último exemplo, o furto considera-se consumado porque a bolsa já havia sido tirada da esfera de vigilância da vítima sem a ocorrência de perseguição imediata. Daí a conclusão de que a prisão em flagrante não significa necessariamente que o furto esteja apenas tentado. O alcance da expressão “logo depois” deve ser analisado no caso concreto, em geral de acordo com a gravidade do crime, para se dar maior ou menor elastério a ela, sempre de acordo com o prudente arbítrio do juiz. Prisão preventiva A prisão preventiva é o que se pode chamar de prisão cautelar por excelência, pois é aquela que é determinada pelo Juiz no bojo do Processo Criminal ou da Investigação Policial, de forma a garantir que seja evitado algum prejuízo. – Decretação, revogação e substituição - O Juiz pode, a qualquer momento, revogar a decisão, decretar novamente a preventiva ou substituí-la por outra medida, desde que entenda que tais medidas são as mais adequadas na situação (sempre de maneira fundamentada). – Legitimados – A preventiva pode ser decretada pelo Juiz De ofício (somente durante o processo) A requerimento do MP Por representação da autoridade policial A requerimento do querelante ou do assistente de acusação – Cabimento Pressupostos (fumus comissi delicti) • Prova da materialidade do delito (existência do crime) • Indícios suficientes de autoria Requisitos (periculum libertatis) 1-Garantia da ordem pública – A perturbação da ordem pública pode ser conceituada como o abalo provocado na sociedade em razão da prática de um delito de consequências graves. Assim, a prisão preventiva se justificaria para restabelecer a tranquilidade social, a sensação de paz em um determinado local (um bairro, uma cidade, um estado, ou até mesmo no país inteiro). A jurisprudência, contudo, vem entendendo que é possível o reconhecimento da “ameaça à ordem pública” quando haja alta probabilidade de que o agente volte a delinquir. 2- Garantia da Ordem Econômica – Esta hipótese é direcionada aos crimes do colarinho branco, àquelas hipóteses em que o agente pratica delitos contra instituições financeiras e entidades públicas, causando sérios prejuízos financeiros. 3- Conveniência da Instrução Criminal – Tem a finalidade de evitar que o indivíduo ameace testemunhas, tente destruir provas, etc. Em resumo, busca evitar que a instrução do processo seja prejudicada em razão da liberdade do réu. 4- Segurança na aplicação da Lei penal – Busca evitar que o indivíduo fuja, de forma a se furtar à aplicação da pena que possivelmente lhe será imposta. OBS.: Pode ser decretada a preventiva, ainda, quandohouver o descumprimento de alguma das obrigações impostas pelo Juiz como medida cautelar diversa da prisão: Anotações Prof. Pimentel 36 Direito Processual Penal • PP – Presentes os pressupostos e requisitos, pode ser decretada a preventiva em relação a qualquer crime? Não, somente nas hipóteses do art. 313 do CPP: Crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos. Se o infrator tiver o sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado (desde que tenha ultrapassado menos de cinco anos desde a extinção da punibilidade) Se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. Quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecer a dúvida, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da prisão. – Vedação à decretação da preventiva: A prisão preventiva em nenhum caso poderá decretada se o juiz verificar, pelas provas constantes dos autos, ter o agente praticado o crime amparado por excludente de ilicitude (Ex.: legítima defesa). Prisão temporária Conceito - A prisão temporária é uma modalidade de prisão cautelar que não se encontra no CPP, estando regulamentada na Lei 7.960/89. Esta Lei não sofreu alteração pela Lei 12.403/11. Possui prazo certo e só pode ser determinada DURANTE A INVESTIGAÇÃO POLICIAL. Cabimento – A prisão temporária só pode ser determinada quando da investigação de determinados delitos: 1. Homicídio doloso 2. Sequestro ou cárcere privado 3. Roubo 4. Extorsão 5. Extorsão mediante sequestro 6. Estupro e estupro de vulnerável 7. Rapto violento (crime revogado) 8. Epidemia com resultado de morte 9. Envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte 10. Quadrilha ou bando (atualmente chamado de associação criminosa) 11. Genocídio 12. Tráfico de drogas 13. Crimes contra o sistema financeiro 14. Crimes previstos na Lei de Terrorismo 15. Quaisquer crimes hediondos ou equiparados (não constam expressamente na Lei 7.960/89) Mas basta que se trata de um destes delitos? Não, é necessário que esteja presente um dos requisitos previstos nos incisos I e II do art. 1º: – Quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; ou Quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade – Legitimados: A prisão temporária pode ser decretada: – A requerimento do MP – Por representação da autoridade policial OBS.: Não pode ser decretada de ofício pelo Juiz. Também não pode ser prorrogada de ofício. Anotações Prof. Pimentel 37 Direito Processual Penal • PP Prazo O prazo é, em regra, de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco dias. Em se tratando de crime hediondo ou equiparado, o prazo é de trinta dias, prorrogáveis por mais 30 dias. OBS: Findo o prazo da temporária, o preso deverá ser colocado em liberdade (independentemente de ordem judicial), salvo se o Juiz decretar sua prisão preventiva. O prolongamento ilegal da prisão temporária constitui crime de abuso de autoridade. Os presos temporários devam ficar separados dos demais detentos. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO – Requisitos • Necessidade • Adequação (e suficiência) – Pressupostos : Fumus comissi delicti – Prova da materialidade e indícios de au- toria – Periculum libertatis – Risco que a liberdade plena do infrator gera (Caso a medida se mostre insuficiente, deverá ser decretada a preventiva). – Cabimento: Só podem ser aplicadas caso a infração penal cometida seja ape- nada com pena privativa de liberdade (e desde que estejam presentes os pres- supostos e requisitos). Aplicação: Podem ser aplicadas ISOLADA OU CUMULATIVAMENTE, podendo ser aplicadas na fase processual ou pré-processual. Na fase processual - Podem ser decretadas ex officio ou a requerimento das partes. Na fase pré-processual – Podem ser decretadas por representação da autoridade policial ou requerimento do MP, mas não podem ser aplicadas de ofício. • Parte contrária deve ser ouvida antes da decretação da medida? Em regra, sim, mas não será quando a oitiva prévia possa frustrar a execução da medida. Neste caso, só será ouvida após a execução da medida. Descumprimento Caso não seja cumprida a medida cautelar diversa da prisão, poderá o Juiz: – Cumulá-la com outra, mais severa; – Substituí-la por outra; ou – Decretar a prisão preventiva – Alteração das circunstâncias O Juiz poderá, a qualquer tempo, desde que sobrevenham novos fatos que alterem as circunstâncias até então existentes: Ø Substituir a medida – Caso se mostre insuficiente ou inadequada Ø Revogar a medida – Caso se mostre desnecessária Ø Voltar a decretá-la – Caso volte a se mostrar necessária PRISÃO ESPECIAL Cabível para determinadas pessoas (Ministros de Estado, Magistrados, Oficiais das Forças armadas, etc.). Os presos especiais possuem os mesmos direitos e deveres dos presos comuns. OBS.: Não podem, entretanto, ser transportados juntamente com os demais presos. OBS.: O militar, caso preso em flagrante delito, deverá ser recolhido ao quartel da Instituição à qual pertencer (PM, Exército, Marinha...). PRISÃO DOMICILIAR Conceito - Alternativa à prisão preventiva, consiste no recolhimento do indivíduo em sua residência, só podendo sair dela com autorização judicial. Anotações Prof. Pimentel 38 Direito Processual Penal • PP Cabimento - É cabível quando o infrator for: Maior de 80 (oitenta) anos Extremamente debilitado por motivo de doença grave Imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência Gestante – Não mais se exige que seja gestação de alto risco nem que esteja a partir do 7º mês de gestação. Mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos Homem – Quando seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. LIBERDADE PROVISÓRIA E FIANÇA A lei brasileira tenta evitar ao máximo que alguém tenha que aguardar julgamento preso. Isso porque ela sempre parte da presunção de inocência do suspeito. A regra geral é que, mesmo quando preso em flagrante (ou seja, cometendo ou logo após cometer o crime), a pessoa pode responder ao processo em liberdade. Apenas em casos excepcionais (especialmente em casos de crimes hediondos e assemelhados, quando o suspeito é reincidente ou quando a possibilidade de ele fugir é grande) ele terá de aguardar seu julgamento preso. Ele pode sair pagando ou não uma fiança. Para os crimes cuja a punição máxima possível não envolve uma pena de privação de liberdade ou cuja a privação de liberdade não passa de 3 meses, a pessoa não precisa pagar uma fiança para responder em liberdade. Isso porque seria ilógico manter alguém preso aguardando julgamento se, depois de condenado, ele não poderá ser preso ou se ele ficará mais preso aguardando julgamento do que cumprindo sua sentença depois do julgamento. Nos outros casos, ele terá de pagar uma fiança para poder permanecer provisoriamente em liberdade até que haja uma sentença. A liberdade provisória, como o nome indica, dura apenas até a sentença. Se a sentença condená-lo, ele será preso e perderá sua liberdade. E se a sentença absolvê- lo, sua liberdade se tornará permanente. A concessão da liberdade provisória não impede a fixação de alguma medida cautelar DIVERSA DA PRISÃO. A liberdade provisória pode ser concedida SEM FIANÇA (a regra), ou COM FIANÇA. Fiança Trata-se de uma medida cautelar que visa a garantir que o réu irá colaborar, comparecendo a todos os atos do processo, etc. Arbitramento A autoridade policial só poderá arbitrar a fiança nos crimes cuja pena máxima não seja superior a quatro anos. Caso o crime possuapena máxima superior a 04 anos, a fiança deverá ser requerida ao Juiz, que a arbitrará em até 48 horas. OBS.: O MP não será ouvido previamente ao arbitramento da fiança, mas terá vista dos autos após esse momento. Anotações Prof. Pimentel 39 Direito Processual Penal • PP Valor Para o arbitramento do valor da fiança deverá a autoridade (autoridade policial ou Juiz) verificar algumas circunstâncias, como as condições financeiras do acusado, sua vida pregressa, sua periculosidade, etc. OBS.: Poderá consistir em dinheiro, metais preciosos, títulos, etc., ou seja, quaisquer bens que possuam valor econômico. Inadmissibilidade Nos crimes de racismo Nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos Nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático Aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido, sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se referem os arts. 327 e 328 do CPP Em caso de prisão civil ou militar Quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva • E se a fiança for concedida nestes casos? Deverá ser cassada. CUIDADO! Ainda que não se possa arbitrar fiança, é possível a concessão de liberdade provisória. Destinação do valor da fiança Será devolvido a quem pagou - Se absolvido o réu, se extinta a ação ou se for declarada sem efeito a fiança. Será perdido em favor do Estado – Caso o réu seja condenado e não se apresente para o início do cumprimento da pena definitivamente imposta. Servirá, neste caso, para pagar as custas do processo, indenizar o ofendido, etc. O restante será destinado ao FUNDO PENITENCIÁRIO. Será utilizado para pagar as despesas a que o réu está obrigado e o restante será devolvido a quem pagou a fiança Caso condenado o réu, mas se apresente para cumprimento da pena. Neste caso, será utilizado o valor para pagar as custas do processo, indenizar o ofendido, etc. Após a utilização do valor da fiança para estes fins, o saldo será devolvido a quem pagou a fiança. Quebramento da fiança A fiança será considerada quebrada, em síntese, quando houver: • Descumprimento da confiança depositada no réu. • Prática de nova infração penal (crime ou contravenção) dolosa. Consequências: Perda de METADE do valor da fiança Possibilidade de o Juiz fixar alguma outra medida cautelar ou decretar a prisão preventiva Impossibilidade de prestação de nova fiança no mesmo processo OBS.: Tanto no caso de perda total quanto no de perda parcial do valor da fiança, o saldo (após recolhidas as custas processuais e demais encargos aos quais esteja obrigado o acusado) será recolhido ao FUNDO PENITENCIÁRIO. Cassação da fiança Verificar-se que ela foi arbitrada de maneira ilegal -(Ex.: fiança arbitrada para crime inafiançável ou arbitrada por autoridade incompetente, etc.). Houver inovação na classificação do delito – Desde que faça com que, de acordo com a nova classificação, a fiança seja incabível (Ex.: O agente é denunciado por homicídio simples, mas depois há o aditamento da denúncia, para passar a considerar a conduta como homicídio qualificado, que é hediondo e não admite fiança). Anotações Prof. Pimentel 40 Direito Processual Penal • PP Ø Cassada a fiança, o que ocorre com o valor caucionado (valor prestado a título de fiança)? Será devolvido, em sua integralidade (e atualizado), a quem prestou a fiança. Reforço da fiança Deverá ser exigido o reforço da fiança em alguns casos: Quando a autoridade tomar, por engano, fiança insuficiente Quando houver depreciação material ou perecimento dos bens hipotecados ou caucionados, ou depreciação dos metais ou pedras preciosas Quando for inovada a classificação do delito (e houver necessidade de complementar o valor) Se o réu não realizar o reforço da fiança, esta será considerada sem efeito e o réu será recolhido à prisão. Esta decretação da prisão, contudo, não é automática. O Juiz deverá fundamentar a decretação da preventiva, apontando a presença dos pressupostos que autorizam sua decretação Anotações Prof. Pimentel 41 Direito Processual Penal • PP M ó d ul o Exercícios05 INQUÉRITO POLICIAL 1. (Delegado de Polícia/SP) Na chamada “reprodução simulada dos fatos”, o indiciado: a) está obrigado a comparecer e participar, sob pena de lhe ser decretada a revelia. b) não será mais intimado para nenhum ato do processo ou do inquérito policial, se não participar. c) só está obrigado a comparecer pessoalmente quando se trate de reprodução simulada de crime contra os costumes. d) não está obrigado a comparecer e a sua ausência não lhe trará qualquer consequência desfavorável no inquérito ou no processo penal. e) terá sua ausência considerada em seu desfavor e interpretada em desprestigio à justiça. 2. (Ministério Público/SP) Assinale a afirmativa incorreta, em relação ao inquérito po- licial: a) nos crimes de ação penal privada, a autoridade policial somente pode instaurar o inquérito policial a requerimento do ofendido. b) o inquérito policial é imprescindível para instruir o oferecimento da denúncia. c) a autoridade policial não pode determinar o arquivamento do inquérito policial. d) a autoridade policial pode indeferir o pedido de instauração de inquérito policial feito pelo ofendido. e) segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, consolidado em Súmula Vinculante, o defensor do investigado pode ter acesso aos elementos de convencimento já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão da polícia judiciária, desde que digam respeito ao exercício da defesa e no interesse do seu representado. 3. (Magistratura/MS — FGV) Relativamente ao inquérito policial, é correto afirmar que: a) a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato, aplicando, porém, em todas as suas manifestações, os princípios do contraditório e da ampla defesa. b) a autoridade policial poderá mandar arquivar autos de inquérito por falta de base para a denúncia. c) o inquérito deverá terminar no prazo de 30 dias, se o indiciado estiver preso, ou no prazo de 60 dias, quando estiver solto. d) o inquérito policial não acompanhará a denúncia ou queixa quando servir de base a uma ou outra. e) o indiciado poderá requerer à autoridade policial a realização de qualquer diligência. 4. (Defensoria Pública/MT — FCC) O inquérito policial a) referente a crime cuja ação penal é exclusivamente privada pode ser instaurado sem representação da vítima, porque a representação é condição de procedibilidade da ação penal e não do inquérito. b) instaurado pela autoridade policial não pode ser por ela arquivado, ainda que não fique apurado quem foi o autor do delito. c) só pode ser instaurado por requisição do Ministério Público quando a vítima de crime de ação pública for doente mental, menor de 18 anos, ou incapaz para os atos da vida civil. Anotações Prof. Pimentel 42 Direito Processual Penal • PP d) pode ser presidido por membro do Ministério Público especialmente designado pelo Procurador - Geral de Justiça, quando a apuração do delito for de interesse público. e) é mero procedimento preliminar preparatório e, por isso, o indiciado só poderá defender-se em juízo, não podendo requerer diligências à autoridade policial. 5. (Magistratura/SP) Assinale a alternativa incorreta. a) o prazo para conclusão de inquérito pelo Código de Processo Penal, em regra, é de 10 dias, estando o indiciado preso. b) Na nova Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006), o prazo para conclusão de inquérito policial para a apuração de crime de tráfico, estando o indiciado preso, é de 30 dias. c) Quando se tratar de crime de competência federal, o prazo para conclusão do inquérito policial é de 15 dias, estando o indiciado preso. d) O prazo para a conclusão do inquérito policial, estando o indiciado preso, é de 5 dias.6. (Delegado de Polícia/SC) Analise as alternativas e assinale a correta. a) Nos crimes de ação penal privada, encerrado o inquérito policial, a autoridade policial determinará que sejam mantidos os autos no cartório da Delegacia de Polícia, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. b) O inquérito policial pode ser arquivado diretamente pelo juiz, mediante decisão fundamentada, sem provocação do Ministério Público, desde que seja evidente a inocência do investigado. c) O inquérito policial é indispensável à propositura da ação penal pública. d) Após a sua instauração, o inquérito policial não pode ser arquivado pela autoridade policial. 7. (OAB — FGV) No tocante ao inquérito policial, é correto afirmar que: a) por ser um procedimento investigatório que visa reunir provas da existência (materialidade) e autoria de uma infração penal, sua instauração é indispensável; b) pode ser arquivado por determinação da Autoridade Policial se, depois de instaurado, inexistirem provas suficientes da autoria e materialidade do crime em apuração; c) para qualquer modalidade criminosa, deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias se o indiciado estiver preso em flagrante ou estiver preso preventivamente, ou no prazo de 30 (trinta) dias, quando estiver solto; d) tem valor probatório relativo, mesmo porque os elementos de informação, no inquérito policial, não são colhidos sob a égide do contraditório e ampla defesa, nem na presença do magistrado. 8. Um policial encontrou, no interior de um prédio abandonado, um cadáver que apresentava sinais aparentes de violência, com afundamento do crânio, o que indicava provável ação de instrumento contundente. Nesse caso, cabe à autoridade policial, a) providenciar a imediata remoção do cadáver e o seu encaminhamento ao necrotério e aguardar o eventual reconhecimento por parentes. b) comunicar o fato à autoridade judiciária se o local estiver fora da circunscrição da delegacia onde esteja lotado, devendo-se manter afastado e não podendo impedir o fluxo de pessoas. c) promover a realização de perícia somente depois de autorizado pelo Ministério Público ou pelo juiz de direito. d) comunicar o fato imediatamente ao Ministério Público, que determinará as providências a serem adotadas. e) providenciar para que não se alterem o estado e o local até a chegada dos peritos criminais e ordenar a realização das perícias necessárias à identificação do cadáver e à determinação da causa da morte. Anotações Prof. Pimentel 43 Direito Processual Penal • PP 9. Assinale a alternativa correta a respeito do inquérito policial a) Nenhum tipo de inquérito será encaminhado à Justiça sem o respectivo laudo pericial. b) A competência exclusiva para iniciar o inquérito é do Ministério Público. c) Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito. d) Após a conclusão do inquérito, este deve ser encaminhado ao Ministério Público para que o promotor profira a sentença. e) O Delegado de Polícia é a autoridade competente para mandar arquivar autos de inquérito. 10. Nos termos do parágrafo terceiro do art. 5.º do CPP: Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito policial. Assim, é correto afirmar que a) sempre que tomar conhecimento da ocorrência de um crime, a autoridade policial deverá, por portaria, instaurar inquérito policial. b) por delatio criminis entende-se a autorização formal da vítima para que seja instaurado inquérito policial. c) o inquérito policial será instaurado pela autoridade policial apenas nas hipóteses de ação penal pública. d) a notícia de um crime, ainda que anônima, pode, por si só, suscitar a instauração de inquérito policial. e) é inadmissível o anonimato como causa suficiente para a instauração de inquérito policial na modalidade da delatio criminis, entretanto, a autoridade policial poderá investigar os fatos de ofício. 11. Uma mulher foi vítima de crime de ação penal pública condicionada à representação, contudo, somente seis meses após a ocorrência do crime, conseguiu identificar o autor do fato, ao vê-lo andando na rua, ocasião em que se dirigiu imediatamente à delegacia para comunicar o fato e solicitar à autoridade policial a tomada de providências. Com base na situação hipotética acima, julgue o item a seguir. O delegado poderá instaurar o inquérito policial somente caso a vítima se manifeste nesse sentido, dada a representação ser uma condição de procedibilidade para o exercício da ação penal. ( ) Certo ( ) Errado 12. Em relação ao inquérito policial, é correto afirmar que a) nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. b) o requerimento do ofendido para início do inquérito policial sempre deverá conter a narração do fato, com todas as circunstâncias. c) qualquer pessoa que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública deverá, verbalmente ou por escrito, comunicá-lo à autoridade policial. d) logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial poderá apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais. e) o ofendido, mas não o indiciado, poderá requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Anotações Prof. Pimentel 44 Direito Processual Penal • PP DA PRISÃO EM FLAGRANTE 1. Ocorre o “flagrante presumido” quando o agente a) está cometendo a infração penal. b) acaba de cometer a infração penal. c) é perseguido, logo após a infração penal, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração d) é encontrado, logo depois da infração penal, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. 2. Considera-se em flagrante delito: a) o agente que é surpreendido com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração, em qualquer momento da investigação. b) o agente das infrações permanentes, enquanto não cessar a permanência. c) o agente que é investigado pela prática da infração penal no momento em que a autoridade policial consegue reunir as provas de ter sido ele o autor do crime. d) o agente que foge após a prática da infração penal enquanto não for capturado. e) o agente que é surpreendido na fase dos atos preparatórios da infração penal. 3. Analise as proposições seguintes, a respeito da prisão em flagrante. I. Quem, logo após o cometimento de furto, é encontrado na posse do bem subtraído, pode ser preso em flagrante delito, ainda que inexistam testemunhas da infração. II. Nos crimes permanentes, entende-se que o agente está em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. III. Qualquer do povo deverá prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. IV. Na falta ou impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pela autoridade policial lavrará o auto de prisão em flagrante, depois de prestado o compromisso legal. V. Apresentado o preso, a autoridade competente deverá interrogá-lo e entregar-lhe a nota de culpa, e em seguida proceder à ouvidas do condutor e das testemunhas que o acompanham, colhendo, no final, as assinaturas de todos. Estão corretas somente as proposições a) I, III e IV b) I, II e IV. c) I, II e V d) III, IV e V. e) II, III e V. 4. A prisão em flagrante, cautelar, realiza-se: a) sem necessidade de avaliação posterior por autoridade judiciária, porque pode ser relaxada, a qualquer tempo, pela autoridade policial. b) diante de aparente tipicidade (fumus boni juris), mas confirmados ilicitude e culpabilidade. c) no momento em que está ocorrendo ou termina deocorrer o crime. d) mediante expedição de mandado de prisão pela autoridade judiciária. e) única e tão somente pela polícia judiciária. 5. Quanto à prisão em flagrante, assinale a alternativa correta. a) A falta de testemunha da infração impede a lavratura do auto de prisão em flagrante. b) A omissão de interrogatório do conduzido no auto de prisão em flagrante não acarreta, necessariamente, a nulidade do ato, dependendo do motivo da abstenção. Anotações Prof. Pimentel 45 Direito Processual Penal • PP c) A nomeação de curador não advogado ao preso maior de 18 (dezoito) e menor de 21 (vinte e um) anos no auto de flagrante constitui causa de nulidade absoluta do ato. d) A apresentação do conduzido obriga à lavratura da prisão em flagrante, não podendo a autoridade policial, em nenhum caso, determinar a soltura do preso. 6. No tocante à prisão em flagrante delito, é correto afirmar que a) na falta ou no impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pela autoridade lavrará o auto, depois de prestado o compromisso legal. b) não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão, qualquer pessoa designada pela autoridade lavrará o auto, depois de prestado o compromisso legal. c) a falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante, mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos uma pessoa que haja testemunhado a apresentação do preso à autoridade. d) a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre deverão ser comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público, à família do preso ou à pessoa por ele indicada e à Defensoria Pública. e) apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e as testemunhas que o acompanharam e interrogará o acusado sobre a imputação que lhe é feita, lavrando-se auto que será por todos assinado 7. Quando o acusado não informa quem é seu advogado, o encaminhamento de cópia integral dos autos de prisão em flagrante para a Defensoria Pública é: a) obrigação legal da autoridade policial. b) recomendável pela praxe forense, mas não tem previsão legal. c) obrigatório, apenas, quando não arbitrada fiança pela autoridade policial. d) decisão discricionária a ser analisada, caso a caso, pela autoridade policial. 8. Um estabelecimento comercial foi roubado, sendo subtraídos vários objetos de valor. A viatura de um Investigador de Polícia, que passava pelo local, foi acionada por populares que presenciaram o roubo e relataram o ocorrido. Após algumas horas, durante o trabalho de investigação policial, em diligência nas proximidades do local do fato, o investigador surpreende um cidadão com a arma do crime e com vários objetos roubados, sendo este ainda reconhecido pelas vítimas. a) Não é possível a prisão em flagrante, pois o criminoso não foi surpreendido no momento e no local da prática do crime. b) É possível a prisão em flagrante, porém apenas por determinação do juiz competente. c) O cidadão somente poderá ser preso preventivamente pela autoridade policial ou judiciária, não se admitindo a prisão em flagrante. d) Há possibilidade de prisão em flagrante em razão de o cidadão ter sido encontrado, logo depois, com a arma e objetos que faziam presumir ser ele autor da infração. e) O investigador deverá acionar a Polícia Militar, pois somente esta poderá efetuar a prisão em flagrante. 9. O indivíduo “A”, que coloca dolosamente sua carteira na mochila de “B”, para logo em seguida acionar a polícia, sob a alegação de haver sido furtado por “B”; tendo os policiais encontrado a carteira de “A” no interior da mochila de “B”, “B” é preso em flagrante pela prática de crime. A hipótese ora narrada é, pela doutrina, denominada flagrante a) esperado. b) provocado ou preparado. c) retardado ou diferido. d) presumido ou ficto. e) forjado. Anotações Prof. Pimentel 46 Direito Processual Penal • PP 10. Assinale a alternativa correta. a) A autoridade policial pode determinar a soltura de indivíduo preso em flagrante e conduzido à sua presença, se das respostas das pessoas ouvidas no auto não resultar fundada a suspeita contra o conduzido. b) A total ausência de testemunhas do crime impede a lavratura do auto de prisão em flagrante. c) No crime de extorsão mediante sequestro, o agente pode ser preso em flagrante delito mesmo após libertar a vítima por iniciativa própria. d) O autor de um homicídio que se apresenta espontaneamente à autoridade policial, mais de 24 (vinte e quatro) horas após o cometimento do crime, pode ser autuado em flagrante. AÇÃO PENAL 1. Na chamada “reprodução simulada dos fatos”, o indiciado: a) está obrigado a comparecer e participar, sob pena de lhe ser decretada a revelia. b) não será mais intimado para nenhum ato do processo ou do inquérito policial, se não participar. c) só está obrigado a comparecer pessoalmente quando se trate de reprodução simulada de crime contra os costumes. d) não está obrigado a comparecer e a sua ausência não lhe trará qualquer consequência desfavorável no inquérito ou no processo penal. e) terá sua ausência considerada em seu desfavor e interpretada em desprestigio à justiça. 2. Assinale a afirmativa incorreta, em relação ao inquérito policial: a) nos crimes de ação penal privada, a autoridade policial somente pode instaurar o inquérito policial a requerimento do ofendido. b) o inquérito policial é imprescindível para instruir o oferecimento da denúncia. c) a autoridade policial não pode determinar o arquivamento do inquérito policial. d) a autoridade policial pode indeferir o pedido de instauração de inquérito policial feito pelo ofendido. e) segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, consolidado em Súmula Vinculante, o defensor do investigado pode ter acesso aos elementos de convencimento já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão da polícia judiciária, desde que digam respeito ao exercício da defesa e no interesse do seu representado. 3. Relativamente ao inquérito policial, é correto afirmar que: a) a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato, aplicando, porém, em todas as suas manifestações, os princípios do contraditório e da ampla defesa. b) a autoridade policial poderá mandar arquivar autos de inquérito por falta de base para a denúncia. c) o inquérito deverá terminar no prazo de 30 dias, se o indiciado estiver preso, ou no prazo de 60 dias, quando estiver solto. d) o inquérito policial não acompanhará a denúncia ou queixa quando servir de base a uma ou outra. e) o indiciado poderá requerer à autoridade policial a realização de qualquer diligência. 4. O inquérito policial a) referente a crime cuja ação penal é exclusivamente privada pode ser instaurado sem representação da vítima, porque a representação é condição de procedibilidade da ação penal e não do inquérito. Anotações Prof. Pimentel 47 Direito Processual Penal • PP b) instaurado pela autoridade policial não pode ser por ela arquivado, ainda que não fique apurado quem foi o autor do delito. c) só pode ser instaurado por requisição do Ministério Público quando a vítima de crime de ação pública for doente mental, menor de 18 anos, ou incapaz para os atos da vida civil. d) pode ser presidido por membro do Ministério Público especialmente designado pelo Procurador - Geral de Justiça, quando a apuração do delito for de interesse público. e) é mero procedimento preliminar preparatório e, por isso, o indiciado só poderá defender-se em juízo, não podendo requerer diligências à autoridade policial. 5. Assinale a alternativa incorreta. a) o prazo para conclusão de inquérito pelo Código de Processo Penal, em regra, é de 10 dias, estando o indiciado preso. b) Na nova Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006), o prazo para conclusão de inquérito policial para a apuração de crime de tráfico, estando o indiciado preso, é de 30 dias. c) Quando se tratar de crime de competência federal, o prazo para conclusãodo inquérito policial é de 15 dias, estando o indiciado preso. d) O prazo para a conclusão do inquérito policial, estando o indiciado preso, é de 5 dias. 6. Analise as alternativas e assinale a correta. a) Nos crimes de ação penal privada, encerrado o inquérito policial, a autoridade policial determinará que sejam mantidos os autos no cartório da Delegacia de Polícia, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. b) O inquérito policial pode ser arquivado diretamente pelo juiz, mediante decisão fundamentada, sem provocação do Ministério Público, desde que seja evidente a inocência do investigado. c) O inquérito policial é indispensável à propositura da ação penal pública. d) Após a sua instauração, o inquérito policial não pode ser arquivado pela autoridade policial. 7. No tocante ao inquérito policial, é correto afirmar que: a) por ser um procedimento investigatório que visa reunir provas da existência (materialidade) e autoria de uma infração penal, sua instauração é indispensável; b) pode ser arquivado por determinação da Autoridade Policial se, depois de instaurado, inexistirem provas suficientes da autoria e materialidade do crime em apuração; c) para qualquer modalidade criminosa, deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias se o indiciado estiver preso em flagrante ou estiver preso preventivamente, ou no prazo de 30 (trinta) dias, quando estiver solto; d) tem valor probatório relativo, mesmo porque os elementos de informação, no inquérito policial, não são colhidos sob a égide do contraditório e ampla defesa, nem na presença do magistrado. 8. Um policial encontrou, no interior de um prédio abandonado, um cadáver que apresentava sinais aparentes de violência, com afundamento do crânio, o que indicava provável ação de instrumento contundente. Nesse caso, cabe à autoridade policial, a) providenciar a imediata remoção do cadáver e o seu encaminhamento ao necrotério e aguardar o eventual reconhecimento por parentes. b) comunicar o fato à autoridade judiciária se o local estiver fora da circunscrição da delegacia onde esteja lotado, devendo-se manter afastado e não podendo impedir o fluxo de pessoas. Anotações Prof. Pimentel 48 Direito Processual Penal • PP c) promover a realização de perícia somente depois de autorizado pelo Ministério Público ou pelo juiz de direito. d) comunicar o fato imediatamente ao Ministério Público, que determinará as providências a serem adotadas. e) providenciar para que não se alterem o estado e o local até a chegada dos peritos criminais e ordenar a realização das perícias necessárias à identificação do cadáver e à determinação da causa da morte. 9. Assinale a alternativa correta a respeito do inquérito policial a) Nenhum tipo de inquérito será encaminhado à Justiça sem o respectivo laudo pericial. b) A competência exclusiva para iniciar o inquérito é do Ministério Público. c) Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito. d) Após a conclusão do inquérito, este deve ser encaminhado ao Ministério Público para que o promotor profira a sentença. e) O Delegado de Polícia é a autoridade competente para mandar arquivar autos de inquérito. 10. Nos termos do parágrafo terceiro do art. 5.º do CPP: Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito policial. Assim, é correto afirmar que a) sempre que tomar conhecimento da ocorrência de um crime, a autoridade policial deverá, por portaria, instaurar inquérito policial. b) por delatio criminis entende-se a autorização formal da vítima para que seja instaurado inquérito policial. c) o inquérito policial será instaurado pela autoridade policial apenas nas hipóteses de ação penal pública. d) a notícia de um crime, ainda que anônima, pode, por si só, suscitar a instauração de inquérito policial. e) é inadmissível o anonimato como causa suficiente para a instauração de inquérito policial na modalidade da delatio criminis, entretanto, a autoridade policial poderá investigar os fatos de ofício. 11. Uma mulher foi vítima de crime de ação penal pública condicionada à representação, contudo, somente seis meses após a ocorrência do crime, conseguiu identificar o autor do fato, ao vê-lo andando na rua, ocasião em que se dirigiu imediatamente à delegacia para comunicar o fato e solicitar à autoridade policial a tomada de providências. Com base na situação hipotética acima, julgue os itens a seguir. O delegado poderá instaurar o inquérito policial somente caso a vítima se manifeste nesse sentido, dada a representação ser uma condição de procedibilidade para o exercício da ação penal. ( ) Certo ( ) Errada 12. Em relação ao inquérito policial, é correto afirmar que a) nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. b) o requerimento do ofendido para início do inquérito policial sempre deverá conter a narração do fato, com todas as circunstâncias. c) qualquer pessoa que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública deverá, verbalmente ou por escrito, comunicá-lo à autoridade policial. d) logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial poderá apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais. e) o ofendido, mas não o indiciado, poderá requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Anotações Prof. Pimentel 49 Direito Processual Penal • PP PROVAS 1. A prova produzida no processo pode ser utilizada: a) somente pelo juiz. b) somente pela parte que produziu a prova. c) somente pelas partes, tanto pela que produziu a prova, quanto pela parte adversária. d) tanto pelo juiz quanto pelas partes. 2. Independem de prova: a) os fatos notórios, os fatos que contêm uma presunção legal absoluta, os fatos impossíveis e os fatos irrelevantes. b) somente os fatos notórios. c) somente os fatos irrelevantes. d) as circunstâncias objetivas e subjetivas. 3. O sistema de apreciação de provas adotado pelo Código de Processo Penal foi: a) o da certeza moral do juiz. b) o da livre convicção. c) o da certeza moral do legislador. d) o sistema religioso. 4. Assinale a alternativa CORRETA. a) O silêncio do acusado importará confissão. b) A confissão será indivisível e retratável. c) A confissão será divisível e irretratável. d) O silêncio do acusado não importará confissão. 5. Em Processo Penal é INCORRETO afirmar que: a) os fatos incontroversos não podem ser objeto de prova, pois são aqueles admitidos pelas partes. b) os fatos notórios independem de prova. c) em regra, o ônus da prova caberá a quem alegar o fato. d) o juiz poderá ordenar diligências para sanear eventuais dúvidas. 6. A busca é meio de prova: a) ilícita, pois é um constrangimento. b) que não pode ocorrer durante o inquérito policial. c) de natureza acautelatória, pois procura evitar o perecimento das coisas. d) que não pode ser determinado de ofício pelo juiz. 7. Os documentos públicos são meio de prova que: a) possuem presunção “juris tantum”. b) são expedidos na forma prescrita em lei. c) precisam ser emanados de funcionário público no exercício da função. d) Todas as respostas estão corretas. 8. Determina o art. 155 do CPP que o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, a) ressalvadas as provas cautelares e não repetíveis, apenas. b) sem qualquer exceção. c) ressalvadas as provas cautelares e antecipadas, apenas. d) ressalvadas as provas não repetíveis e antecipadas, apenas. e) ressalvadas as provas cautelares,não repetíveis e antecipadas. Anotações Prof. Pimentel 50 Direito Processual Penal • PP PROVA EM ESPÉCIE 1. A prova produzida no processo pode ser utilizada: a) somente pelo juiz. b) somente pela parte que produziu a prova. c) somente pelas partes, tanto pela que produziu a prova, quanto pela parte adversária. d) tanto pelo juiz quanto pelas partes. 2. Independem de prova: a) os fatos notórios, os fatos que contêm uma presunção legal absoluta, os fatos impossíveis e os fatos irrelevantes. b) somente os fatos notórios. c) somente os fatos irrelevantes. d) as circunstâncias objetivas e subjetivas. 3. O sistema de apreciação de provas adotado pelo Código de Processo Penal foi: a) o da certeza moral do juiz. b) o da livre convicção. c) o da certeza moral do legislador. d) o sistema religioso. 4. Assinale a alternativa CORRETA. a) O silêncio do acusado importará confissão. b) A confissão será indivisível e retratável. c) A confissão será divisível e irretratável. d) O silêncio do acusado não importará confissão. 5. Estão dispensados do dever de depor, exceto: a) pai do acusado. b) irmão do acusado. c) filho adotivo do acusado. d) padrinho do acusado. 6. Em Processo Penal é INCORRETO afirmar que: a) os fatos incontroversos não podem ser objeto de prova, pois são aqueles admitidos pelas partes. b) os fatos notórios independem de prova. c) em regra, o ônus da prova caberá a quem alegar o fato. d) o juiz poderá ordenar diligências para sanear eventuais dúvidas 7. A busca é meio de prova: a) ilícita, pois é um constrangimento. b) que não pode ocorrer durante o inquérito policial. c) de natureza acautelatória, pois procura evitar o perecimento das coisas. d) que não pode ser determinado de ofício pelo juiz. 8. Os documentos públicos são meio de prova que: a) possuem presunção “juris tantum”. b) são expedidos na forma prescrita em lei. c) precisam ser emanados de funcionário público no exercício da função. d) Todas as respostas estão corretas. Anotações Prof. Pimentel 51 Direito Processual Penal • PP 9. Sobre acareação não é possível afirmar que: a) pode ocorrer na instrução criminal e no inquérito policial. (sua resposta) b) é necessário que as pessoas acareadas não tenham prestado suas declarações. c) pode ocorrer entre acusados. d) pode ocorrer entre testemunha e acusado. 10. O exame de corpo de delito é obrigatório nos seguintes crimes: a) homicídio, lesões corporais e desacato. b) homicídio, falsificação e calúnia. c) homicídio, estupro e lesões corporais. d) homicídio, calúnia e estupro. SUSPEIÇÃO IMPEDIMENTOS 1. Com relação a questões e processos incidentes, assinale a opção correta. a) Não poderá ser arguida a suspeição dos intérpretes. b) Não poderá ser arguida a suspeição dos funcionários da justiça. c) Não poderá ser arguida a suspeição do órgão do Ministério Público. d) Não poderá ser arguida a suspeição das autoridades policiais nos atos do inquérito. e) Não poderá ser arguida a suspeição dos peritos. 2. A sentença penal condenatória foi proferida por juiz de direito que, posteriormente, foi promovido ao Tribunal de Justiça e, como desembargador, não pode participar do julgamento da apelação interposta pelo condenado. A razão processual de tal vedação é: a) Suspeição, em razão de foro íntimo. b) Suspeição, por haver julgado a causa em outra instância. c) Impedimento, por haver julgado a causa em outra instância. d) Incompetência, por haver julgado a causa em outra instância. e) Perda de imparcialidade por haver julgado a causa em outra instância, mas não havia vedação processual para participar do julgamento. 3. João, aproveitando-se de distração de Marcos, juiz de direito, subtraiu para si uma sacola de roupas usadas a ele pertencentes. Marcos pretendia doá-las a instituição de caridade. João foi perseguido e preso em flagrante delito por policiais que presenciaram o ato. Instaurado e concluído o inquérito policial, o Ministério Público não ofereceu denúncia nem praticou qualquer ato no prazo legal. Considerando a situação hipotética descrita, julgue o item a seguir. O juiz, vítima do fato, poderá oficiar como juiz da causa no processo criminal eventualmente instaurado para a sua apuração. ( ) Certo ( ) Errado 4- O juiz dar-se-á por suspeito a) ainda que a parte, propositadamente, no curso processual, der motivo para criar a suspeição. b) independentemente da arguição da parte, por declaração escrita, nos autos, apontando os motivos legais de sua suspeição. c) se for amigo íntimo ou inimigo capital de advogado da parte e perito judicial. d) e praticará atos urgentes até nomeação de substituto legal, em homenagem ao princípio da celeridade processual. e) por motivo de foro íntimo, por declaração escrita, nos autos, apontando os motivos legais de sua suspeição Anotações Prof. Pimentel 52 Direito Processual Penal • PP QUESTÕES GERAIS 1. (Ministério Público/SP — 2008) Assinale a alternativa correta: a) O inquérito policial não é indispensável à propositura da ação penal nos crimes em que se procede mediante queixa do ofendido. b) No caso de infração de menor potencial ofensivo, a peça inaugural do inquérito policial é o termo circunstanciado. c) Como regra geral, não deve a autoridade policial determinar o indiciamento do autor da infração se este já se identificou civilmente. d) Na hipótese de decretação da prisão temporária por crime hediondo ou a este equiparado, a incomunicabilidade do preso não poderá exceder a 30 (trinta) dias, salvo se prorrogada a prisão, por igual prazo, por nova decisão judicial. e) Da decisão judicial que determina o arquivamento de autos de inquérito policial, a pedido do Ministério Público, cabe recurso em sentido estrito. 2. (Ministério Público/SP — 2006) Assinale a afirmação correta: a) A autoridade policial pode indeferir a instauração de inquérito policial por entender de difícil apuração o fato criminoso noticiado. b) O juiz deve arquivar o inquérito policial, de ofício, quando se convença da falta de justa causa para a persecução penal. c) O Delegado de Polícia deve arquivar o inquérito policial quando as investigações tornem patente a inexistência de crime. d) A requisição de inquérito pelo Ministério Público é modalidade de delação postulatória. e) Nos crimes de ação penal pública incondicionada o inquérito policial é dispensável quando o Ministério Público dispõe de elementos informativos idôneos para embasar a denúncia. 3. (Delegado de Polícia/SP — 2008) A comunicação que qualquer pessoa do povo faz à Autoridade Policial acerca da ocorrência de infração penal em que caiba ação penal pública incondicionada recebe o nome de: a) requerimento. b) requisição. c) representação. d) delatio criminis. e) notitia criminis coercitiva. 4. (Delegado de Polícia/SP — 2008) Na chamada “reprodução simulada dos fatos”, o indiciado: a) está obrigado a comparecer e participar, sob pena de lhe ser decretada a revelia. b) não será mais intimado para nenhum ato do processo ou do inquérito policial, se não participar. c) só está obrigado a comparecer pessoalmente quando se trate de reprodução simulada de crime contra os costumes. d) não está obrigado a comparecer e a sua ausência não lhe trará qualquer consequência desfavorável no inquérito ou no processo penal. e) terá sua ausência considerada em seu desfavor e interpretada em desprestigio à justiça. 5. (Ministério Público/SP — 2010) Assinale a afirmativa incorreta, em relação ao in- quérito policial: a) nos crimes de ação penal privada, a autoridade policial somente pode instaurar o inquérito policial a requerimento do ofendido. b) o inquérito policial é imprescindível para instruir o oferecimento da denúncia. c) a autoridade policial não pode determinar o arquivamento do inquérito policial. d) a autoridade policial pode indeferir o pedido de instauração de inquérito policial feito pelo ofendido. Anotações Prof. Pimentel 53 Direito Processual Penal • PP e) segundoentendimento do Supremo Tribunal Federal, consolidado em Súmula Vinculante, o defensor do investigado pode ter acesso aos elementos de convencimento já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão da polícia judiciária, desde que digam respeito ao exercício da defesa e no interesse do seu representado. 6. (Magistratura/MS — 2008 — FGV) Relativamente ao inquérito policial, é correto afirmar que: a) a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato, aplicando, porém, em todas as suas manifestações, os princípios do contraditório e da ampla defesa. b) a autoridade policial poderá mandar arquivar autos de inquérito por falta de base para a denúncia. c) o inquérito deverá terminar no prazo de 30 dias, se o indiciado estiver preso, ou no prazo de 60 dias, quando estiver solto. d) o inquérito policial não acompanhará a denúncia ou queixa quando servir de base a uma ou outra. e) o indiciado poderá requerer à autoridade policial a realização de qualquer diligência. 7. (Defensoria Pública/MT — 2009 — Fundação Carlos Chagas) O inquérito policial a) referente a crime cuja ação penal é exclusivamente privada pode ser instaurado sem representação da vítima, porque a representação é condição de procedibilidade da ação penal e não do inquérito. b) instaurado pela autoridade policial não pode ser por ela arquivado, ainda que não fique apurado quem foi o autor do delito. c) só pode ser instaurado por requisição do Ministério Público quando a vítima de crime de ação pública for doente mental, menor de 18 anos, ou incapaz para os atos da vida civil. d) pode ser presidido por membro do Ministério Público especialmente designado pelo Procurador- Geral de Justiça, quando a apuração do delito for de interesse público. e) é mero procedimento preliminar preparatório e, por isso, o indiciado só poderá defender-se em juízo, não podendo requerer diligências à autoridade policial. 8. (Magistratura/SP — 2006) Assinale a alternativa incorreta. a) o prazo para conclusão de inquérito pelo Código de Processo Penal, em regra, é de 10 dias, estando o indiciado preso. b) Na nova Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006), o prazo para conclusão de inquérito policial para a apuração de crime de tráfico, estando o indiciado preso, é de 30 dias. c) Quando se tratar de crime de competência federal, o prazo para conclusão do inquérito policial é de 15 dias, estando o indiciado preso. d) O prazo para a conclusão do inquérito policial, estando o indiciado preso, é de 5 dias. 9. (Ministério Público/BA — 2005) Considere as assertivas abaixo, que podem ser fal- sas ou verdadeiras. Sobre o inquérito policial, é correto afirmar que: I. Nos crimes de ação pública condicionada à representação, o inquérito policial poderá ser iniciado, mesmo sem ela, em casos de grande repercussão social. II. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. III. Do despacho da autoridade policial, que indeferir pedido de abertura de inquérito policial, não caberá qualquer recurso. a) I, II e III são verdadeiras. b) I e II são verdadeiras e a III é falsa. Anotações Prof. Pimentel 54 Direito Processual Penal • PP c) I e III são falsas. d) II e III são verdadeiras. e) Todas são falsas. 10. (Delegado de Polícia/SC — 2008) Analise as alternativas e assinale a correta. a) Nos crimes de ação penal privada, encerrado o inquérito policial, a autoridade policial determinará que sejam mantidos os autos no cartório da Delegacia de Polícia, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. b) O inquérito policial pode ser arquivado diretamente pelo juiz, mediante decisão fundamentada, sem provocação do Ministério Público, desde que seja evidente a inocência do investigado. c) O inquérito policial é indispensável à propositura da ação penal pública. d) Após a sua instauração, o inquérito policial não pode ser arquivado pela autoridade policial. 11. (OAB — FGV — 2011.3) No tocante ao inquérito policial, é correto afirmar que: a) por ser um procedimento investigatório que visa reunir provas da existência (materialidade) e autoria de uma infração penal, sua instauração é indispensável; b) pode ser arquivado por determinação da Autoridade Policial se, depois de instaurado, inexistirem provas suficientes da autoria e materialidade do crime em apuração; c) para qualquer modalidade criminosa, deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias se o indiciado estiver preso em flagrante ou estiver preso preventivamente, ou no prazo de 30 (trinta) dias, quando estiver solto; d) tem valor probatório relativo, mesmo porque os elementos de informação, no inquérito policial, não são colhidos sob a égide do contraditório e ampla defesa, nem na presença do magistrado. GABARITO Inquérito Policial 1) D 2) B 3) E 4) B 5) D 6) D 7) D 8) E 9) C 10) E 11) C 12) A Da Prisão em Flagrante 1) D 2) B 3) B 4) C 5) B 6) A 7) A 8) D 9) E 10) A Ação Penal 1) D 2) B 3) E 4) B 5) D 6) D 7) D 8) E 9) C 10) E 11) B 12) A Prova 1) D 2) A 3) B 4) D 5) A 6) C 7) D 8) E Prova em espécie 1) D 2) A 3) B 4) D 5) D 6) A 7) C 8) D 9) B 10) C Suspeição Impedimen- tos 1) 2) 3) 4) Questões Gerais 1) a 2) e 3) d 4) d 5) b 6) e 7) b 8) d 9) c 10) d 11) d P ro f. P im en te l Rua João Nutti, 2195 Pq. Bandeirantes Ribeirão Preto - SP (16) 3235-2900 Criminologia POLÍCIA CIVIL Material produzido para uso e divulgação exclusivos da Escola Prof. Pimentel Colaboradora: Profª. Michelle Borges ÍNDICE 3 Criminologia • PP Módulo 1 – Fundamentos Teóricos da Criminologia ��������������������������������������������������������������������������������������� 5 Módulo 2 – Escolas Intermediárias e Teorias Ambientais ������������������������������������������������������������������������������ 14 Módulo 3 – Teorias Explicativas da Criminalidade ����������������������������������������������������������������������������������������� 21 Módulo 4 – Vitimologia ��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 27 Módulo 5 – Questões Complementares Módulo 01 ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 33 Módulo 02 ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 38 Módulo 03 ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 42 Módulo 04 ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 48 Questões Complementares ������������������������������������������������������������������������������������������������������� 55 Módulo 6 – Provas Anteriores ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 64 Referências ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 91 Gabarito ��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 92 Anotações Prof. Pimentel 5 Criminologia • PP M ó d ul o Fundamentos Teóricos da Criminologia 01 Definição: Ciência com método empírico e interdisciplinar, e com enfoque multidisciplinar, que se ocupa do estudo do crime, da pessoado infrator, da vítima e do controle social do comportamento delitivo� Como ciência do ser e não uma ciência exata� Trata o delito como um problema real, social e comunitário, em razão das seguintes circunstâncias: sua incidência massiva na população, a aflição proporcionada às partes, persistência espaço- temporal, falta de consenso sobre sua etiologia e eficazes métodos de intervenção e, por fim, a consciência de sua negatividade por parte da população� Portanto, o delito não deve ser visto como uma doença ou um tumor dentro da sociedade, mas como um problema humano que carece de empatia de seus pesquisadores na busca por melhores explicações sobre o fenômeno criminal� Sua autonomia e status de ciência são resultados da adoção do método empírico pela escola positiva (1876)� Objetos: Crime, pessoa do infrator, vítima e controle social do comportamento delitivo� Método: Sendo uma ciência empírica e interdisciplinar, faz uso de métodos experimentais (prática carregada de pontos débeis), naturalísticos e indutivos� Além deles, busca auxílio em métodos estatísticos, históricos, sociológicos e biológicos� Função: Trazer esclarecimentos e métodos de prevenção sobre o crime, além de atuar sobre a pessoa do infrator (ressocialização) e avaliar os vários modelos de resposta ao delito� Agregando, atualmente, como objetivo privilegiado, o propósito de reparação do dano à vítima� O Diagnóstico e o Prognóstico criminológico Cabe à Criminologia, através de múltiplos conhecimentos, verificar o comportamento do criminoso, sua personalidade e responsabilidade ou imputabilidade penal (Diagnóstico), bem como as perspectivas sobre sua periculosidade, possíveis reincidências e intervenções adequadas (Prognóstico) - dividido em clínico e estatístico� O prognóstico clínico é o detalhamento do perfil psicológico do delinquente, o qual se faz sob a responsabilidade de uma equipe interdisciplinar� Já o prognóstico estatístico ocorre a partir de dados estatísticos coletados advindos da personalidade, vida pregressa e comportamento no cárcere, tendo como intenção orientar tipos específicos de crime e de seus autores� A adoção dessa dinâmica, realizada por um conjunto interdisciplinar de profissionais capazes de inferir de maneira criteriosa às respectivas qualificações conjunturais dos delinquentes, revela-se importantíssima aos interesses de compreensão científica ao problema criminal e, em especial, as modalidades de intervenção e prevenção a serem adotadas satisfatoriamente sobre o delinquente e o fenômeno criminológico� Contudo, a Lei 10�792/03 alterou o artigo 112 da Lei 7� 210/84 (Lei de Execução Penal), extinguindo a utilização do exame criminológico para progressão do regime e/ou benefícios� Dessa forma, embora extinto, esse exame pode ser realizado caso o magistrado o julgue necessário para a formação de seu convencimento, desde que fundamente seu pedido� Da evolução do delito Como problema social e comunitário, o delito atravessa três instâncias objeto de preocupação criminológica, isto é, o momento pré-delitivo, a fase delitiva, que ocorre quando da prática da infração e, por fim, o período pós-delitivo, caracterizado pelo cumprimento da pena e medidas de ressocialização a fim de evitar a reincidência� Técnicas de investigação Tendo como finalidade a realização de pesquisas mais eficazes sobre o fenômeno criminológico, de caráter gradativamente mais abrangente, é que surgem diversas técnicas de investigação que deem conta de resultados quantitativos e qualitativos sobre as questões que se impõem ao universo delitivo� Para tanto, entre as estratégias de investigação sociológica, vale destacar os métodos: extensivo, compreendido pelo uso de meios quantitativos que possibilitem a compreensão dos acontecimentos Anotações Prof. Pimentel 6 Criminologia • PP criminais; o intensivo, para o qual são utilizadas abordagens mais pormenorizadas e em profundidade sobre o contexto para o qual está voltado, valendo-se, portanto, de meios quantitativos e, privilegiadamente, qualitativos; a estratégia de investigação-ação, isto é, práticas de intervenção direta sobre a criminalidade a partir dos conhecimentos produzidos pela pesquisa criminológica� Relações da Criminologia com as ciências criminais – A tríade A Criminologia, como ciência do “ser”, se ocupa com a explicação e formas de intervenção do fenômeno criminal� A partir disso, cabe à Política Criminal, desenvolvida por Franz Von Lizst, transformar essa informação em opções de intervenção sobre o problema, servindo como ponte entre o conhecimento levantado pela Criminologia e as normas formalizadas pelo Direito Penal, partidário, como ciência do “dever ser”, do método lógico, abstrato e dedutivo� Portanto, o crime para o Direito Penal só lhe preocupa enquanto fato descrito na norma legal ou abstração, servindo-se de um conceito formal e normativo do delito, enquanto que a Criminologia faz uso de um conceito empírico, real e dinâmico� Classificação da Criminologia Como ciência aplicada, a Criminologia se divide em dois ramos: A criminologia geral, que consiste na sistematização, comparação e classificação dos resultados obtidos no âmbito das ciências criminais sobre o crime, o criminoso, a vítima e o controle social da criminalidade, e a criminologia clínica ou microcriminologia, que consiste na aplicação dos conhecimentos obtidos pela criminologia geral para tratamento dos criminosos, tendo como finalidade a preparação para a reintegração social e familiar, bem como a ressocialização do condenado� Logo, ao traçar estratégias de intervenção, se volta também para os agentes e familiares do encarcerado, a fim de envolvê-los na dinâmica proposta� Contudo, ampliando as percepções de estudo, a criminologia também pode ser dividida em: criminologia científica, cuja atenção está voltada para os conceitos e métodos da criminalidade, bem como para os objetos da Criminologia; a criminologia aplicada, que abrange a criminologia científica e a prática dos operadores do direito; a criminologia acadêmica, voltada para a sistematização do estudo criminológico para fins pedagógicos e de difusão cultural; a criminologia analítica, que consiste na verificação do cumprimento das propostas realizadas pelas ciências criminais e pela política criminal; a criminologia crítica ou radical, que sustenta ser o delinquente uma vítima da sociedade a partir de concepções marxistas, e a criminologia cultural, que se preocupa com a articulação do homem na sociedade atual, em especial no que tange ao papel da mídia como suporte para a ocorrência da criminalidade� Sistema da Criminologia Embora a existência de diversos questionamentos acerca da pertinência do termo “sistema”, considerado inexistente em seu sentido estrito, tradicionalmente, há uma polêmica sobre duas concepções que caracterizam a Criminologia: a concepção proposta pela escola austríaca (concepção enciclopédica) e a concepção estrita� Para a concepção enciclopédica da escola austríaca, fazem parte da Criminologia todas as disciplinas que se ocupam do estudo da realidade criminal, como, por exemplo, a prognose, a fenomenologia, a Geografia criminal, a ecologia, a etiologia, e antropologia, a psicologia criminal, entre outras, em suas diversas fases ou momentos, incluindo a fase estritamente processual (criminalística) e a fase preventiva ou repressiva (penologia e profilaxia)� Entretanto, para a concepção estrita, algumas disciplinas aceitas pela concepção enciclopédica devem ser segregadas, por exemplo: a vitimologia, a criminalística, a profilaxia e a penologia� Em razão disso, é que os estudos criminológicos têm por base a primeira concepção, isto é, a enciclopédica� HISTÓRIA DA CRIMINOLOGIA – “A LUTA DAS ESCOLAS” A Criminologia passou por duas fases durante seu processo histórico, sendo a primeira fase conhecida como etapa “pré-científica” e a segunda etapa “Científica”, cuja linha divisória ocorreu com o surgimento da escolaEstatística Moral ou Escola Cartográfica, fundada pelos pesquisadores Gerry e Quetelet no século XIX, que, como precursores do positivismo sociológico e do método estatístico, representaram a ponte responsável pela ligação entre a Criminologia Tradicional (Clássica) e a Criminologia Moderna (Positiva)� Anotações Prof. Pimentel 7 Criminologia • PP Não menos importante, a Escola Cartográfica também foi entendida, para alguns, como um começo genuíno da moderna Sociologia Criminal científica, ofuscada pelas afirmações lombrosianas que se arrastaram com a devida presunção naquela época� Assim, a escola Cartográfica, interliga o momento em que o estudo do fenômeno criminológico abandona a especulação e o uso do método dedutivo e abstrato utilizado pelos clássicos (1764) e passa a utilizar o método empírico- indutivo adotado pela escola positiva (1876)� Entretanto, foi, ainda em sua fase “pré-científica”, notadamente entre os séculos XIV ao XV, que surgiram as primeiras linhas de pesquisa do fenômeno criminal, conhecidas como “ciências ocultas” ou “pseudociências”, isto é, a Astrologia, a Oftalmoscopia, a Metoposcopia, a Quiromancia, a Fisiognomia e a Demologia, as quais, mais tarde, ganhariam estudos mais amplos, tornando-se, assim, a Criminologia� Esse período, dentro da evolução do pensamento criminológico, foi conhecido como “mágico”, tendo em vista sua tentativa de explicar o crime a partir de conhecimentos ligados à religião, filosofia ou mitologia� Posteriormente, mas, ainda na fase pré-científica da Criminologia, isto é, antes de 1876, surgiram/coexistiram dois enfoques distintos em razão do método seguido por seus patrocinadores: de um lado há o enfoque “clássico” (Detalhado mais adiante), resultado dos ideais iluministas e dos reformadores do Direito Penal “Clássico” cuja linha de pesquisa era partidária dos métodos dedutivo, lógico e formal� E, do outro, os precursores do positivismo, uma vez que possuíam as primeiras orientações de base empírica, sendo eles partidários de técnicas fracionadas e heterógenas, abraçadas por diversos tipos de especialistas� Entre eles, destacam-se: • A Ciência Penitenciária (Howard e Bentham) Howard, escritor do livro “The state of prision”, dedicou-se a melhoria das prisões� Foi responsável pela abolição de se manter encarcerado os que haviam cumprido a pena� Já Bentham preocupou-se com a prevenção da criminalidade� Formulou a tese da reforma do delinquente como fim prioritário da administração, pois “O maior bem- estar para o maior número de pessoas”� • Psiquiatria (Pinel , Esquirol e Prichard) A entrada da psiquiatria na abordagem criminológica ocorreu em um momento no qual as noções tradicionais da criminalidade, bem como a própria concepção de indivíduo criminoso e culpado, exigia novos sentidos e explicações� A impotência jurídica, especialmente sobre os crimes “sem razão”, abriu as portas da especialidade médica como “remédio” às inúmeras ausências e fracassos do sistema de penas� Naquele momento, portanto, a sociedade, além e especialmente, o próprio sujeito do crime, passaram a ser analisados, também, como uma unidade biológica que requeria intervenções e esclarecimentos que não mais se encerrariam no velho e incompatível propósito de curar o crime da sociedade, mas de conhecê-lo em seu sujeito, determinar suas condições predisponentes e sobre ele se dedicar� Nesse processo, Pinel (1745 – 1826), considerado o precursor da psiquiatria, foi o responsável por promover a separação dos loucos e dos delinquentes, recomendando que os primeiros deveriam receber tratamento adequado ao invés de sofrer violência� Soma- se a ele, o psiquiatra Esquirol (1772 – 1840), que deu continuidade e aprofundamento aos trabalhos sobre a mania ou delírio generalizado de Pinel� Esquirol também reteve grande atenção à produção de estudos das monomanias� Por último, coube a Prichard a consolidação da tese da “loucura moral”, compreendida como categoria especial de anormalidade psíquica distinta da insanidade mental propriamente dita, na qual há a insensibilidade afetiva e moral do indivíduo, sem rupturas na sua capacidade de entender e de querer� Trata-se, portanto, de um sujeito provido de personalidade psicopática e não um psicótico ou um doente mental propriamente dito� • Frenologia (Gall e Cubi Y Soler) – Análise do crânio. Johan Frans Gall foi um anatomista precursor das chamadas “teorias das localizações cerebrais” a partir da divisão do cérebro em 38 regiões� Segundo ele, o crime é causado pela má formação cerebral, que traz como consequência uma hiperfunção de determinado sentimento� Já Cubi Y Soler, criador do Manual de Frenologia, acreditava ser o delinquente um doente que necessitava de tratamento� Em seus estudos, localizou as potências cerebrais, inclusive as criminais, fato que antecipou a teoria do criminoso nato, uma vez que considerava o delinquente como um enfermo que requeria tratamento� Anotações Prof. Pimentel 8 Criminologia • PP • Fisionomia (Della Porta e Lavater) Linha de pesquisa defensora da relação existente entre a aparência externa do sujeito e seu psíquico� Seus principais defensores são: Juan Batista Della Porta e Lavater, sendo, esse último, o precursor das defesas lombrosianas acerca do delinquente nato, ao propor que o delinquente de “maldade natural” possui um tipo físico específico, que o define (retrato robô)� Ainda sob essa linha de estudos, há a vinculação do famoso “Édito de Valério”, isto é, na dúvida entre dois sujeitos presumidamente culpados, condena-se o mais feio� • Antropologia (Darwin, Thompson, Virgílio). Linha de pensamento compreendida como a fase que dá origem à Criminologia (científica)� A partir de seus pesquisadores, construiu-se a afirmação de que o criminoso seria um subtipo humano, escravo de sua própria patologia� Considerado como um selvagem ainda preso ao estágio de selvageria humana, portanto, altamente perigoso� Darwin (1809 – 1882) foi considerado como importante referência para sustentação dessas defesas a partir da existência da teoria da evolução� Além dele, destaca-se Virgílio, que adotou o uso da expressão “criminoso nato” dois anos antes de Lombroso, e Thompson, em razão da defesa do caráter hereditário da degeneração� • Escola Cartográfica ou estatística moral: (Quetelet, Kropotkin, Mayhew) Aqui, há a defesa de ser o delito um fenômeno normal, assim como as taxas de natalidade e mortalidade, e de ocorrência regular dentro da sociedade, portanto, inevitável e regido por leis naturais� Há, ainda, a afirmação quanto à necessidade de uma análise quantitativa do delito a partir da adoção do método estatístico para sua investigação, enfoque que subsidiou a afirmação de ser essa escola a ponte entre a Criminologia Clássica e a Positiva, ou, até mesmo, a fase embrionária da moderna Sociologia Criminal Científica, embora tão obscurecida pelas afirmações lombrosianas, que se destacaram como mito nesta fase da História� Adolphe Quetelet, autor do livro “Física Social” (1835) e idealizador do homem médio (Ser ideal, ou abstração jurídica que serve como parâmetro para o comportamento humano), defendia, sob o título de “Leis Térmicas da Criminalidade”, que durante o verão a prática de crimes de sangue ou contra a pessoa era maior, enquanto que, no inverno, a ocorrência de delitos contra o patrimônio aumentava� Já na primavera, a prática maior de infrações acontecia contra os costumes� Também foi Quetelet o responsável pelos primeiros estudos sobre as “cifras negras de criminalidade” e pela pesquisa sobre a “curva agregada da idade”, que consiste em uma análise mais dinâmica sobre a trajetória ou desenvolvimento da criminalidade, defendendo ser a idade um dado importante para os tipos e práticas infracionais, seguindo uma projeção ascendente, que, por volta dos 20 e 25 anos, começa a declinar� Kropotkin defendia ser possível calcular o número de homicídios por ano com a fórmula H = (tx7) + (hx2)� Já Mayhewteve como propósito a análise do crime como resultado de condutas antissociais em um contexto social marcado pela pobreza, álcool, e más condições de habitação� ESCOLA CLÁSSICA Durante os séculos XVII e XVIII a Europa viveu intensos movimentos advindos da elite intelectual, cuja finalidade era promover uma reforma no modo como se dava a explicação do homem e do universo, além de contestarem os abusos do Estado e da Igreja� Até aquele momento, o poder do rei era legitimado por uma questão divina, e a prática das punições sobre os sujeitos, possivelmente delinquentes, se dava de forma totalmente arbitrária e aflitiva através das constantes práticas de suplícios, as quais ocorriam, muitas vezes, de forma pública, além de ter sua duração prolongada por semanas� Foi nesse contexto que pensadores como o inglês John Locke, o francês Montesquieu, o qual pregava a separação dos poderes estatais, Jean Jacques Rousseau, que defendia a existência de um contrato social e Voltaire, responsável por fortes críticas ao clero e à censura, começaram a formular novas defesas sobre a concepção humana pautada na razão e no trato humanitário – Nasce o Iluminismo� Influenciado por esses pensadores, surge Cesare Bonesana, o marquês de Beccaria, o qual, através da publicação de seu livro “Dos delitos e das Penas” (1764 – Milão), qualificado como uma filosofia francesa voltada à legislação penal e grande propulsor Anotações Prof. Pimentel 9 Criminologia • PP do humanismo no trato criminal, inicia uma série de interferências com relação à penalogia da época, inaugurando assim a chamada Escola Clássica da Criminologia� Entre os postulados do livro de Beccaria, há como pontos principais: a atrocidade das penas opõe-se ao bem público; as acusações não podem ser secretas; as penas devem ser proporcionais ao delito; o réu jamais poderá ser considerado culpado antes da sentença condenatória; não tem a sociedade o direito de aplicar a pena de morte nem de banimento; o objetivo da pena não é atormentar o acusado, e sim impedir que ele reincida e servir de exemplo para que outros não venham a delinquir; as penas devem ser previstas em lei� Além de Beccaria, revelaram-se grandes pensadores dessa corrente clássica os intelectuais: Francisco Carrara, defensor do crime como ente jurídico e máximo representante dessa Escola, por conseguinte, patrono da afirmação de que só é crime se o fato infringir a lei penal; Gian Domenico Romagnosi, que, por sua vez, tratava o direito penal como natural e defendia a pena como forma de defesa da sociedade e, por último, Giovanni Carmignani� Os partidários dessa Escola, também chamada de retribucionista ou sociológica, acreditavam que o criminoso era um homem normal dotado de direitos naturais, imutáveis e invioláveis (jusnaturalismo), além disso, defendiam ser a sociedade partícipe de um “contrato social”, defendido por Rousseau, no qual há a concessão de parcela dos direitos de liberdade individual em prol de interesses coletivos (contratualismo ou utilitarismo)� Nessas circunstâncias, sobre o indivíduo recaem obrigações morais para com a coletividade� Para eles, a prática do delito era vista como uma ruptura dessa relação maior, colaboradora do desequilíbrio social, sendo que sua realização se dava de forma totalmente opcional, tendo em vista ser o homem, segundo os clássicos, provido de livre-arbítrio� Defesa que, obviamente, faz jus ao contexto que a produziu, isto é, da imagem racional e livre assumida pelos iluministas� Consequentemente, na análise da infração, pesa-se a responsabilidade moral do sujeito para com a coletividade� Assim, a aplicação da pena era vista como uma forma de intervenção positiva sobre o indivíduo, devolvendo à sociedade seu equilíbrio e moralidade através da expiação do mal atrelado ao delinquente, o qual servia como exemplo do que não deveria ser feito aos integrantes daquela coletividade� Contudo, diferentemente do que vinha acontecendo, a Escola Clássica, embora as defesas sobre a aplicação da pena como retribuição ao mal praticado, se mostrou contrária às formas como essa era imposta aos indivíduos, especialmente por conta de seu caráter arbitrário, contestando, assim, as práticas de suplício, de modo que fosse garantido aos homens algumas formalidades legais e punições mais equilibradas ou “retribucionista” sobre seus crimes, invocando, para tanto, a razão e o sentimento� Dessa forma, considera-se que a contribuição maior da escola clássica não reside nas tentativas de explicar ou prevenir o crime, mas, unicamente, na questão da penalogia� Por fim, para a Escola Clássica, o crime era um fato individual, considerado uma abstração jurídica ou ente jurídico, pois correspondia a violação de um direito� Logo, através da utilização do método apriorístico (conceito/raciocínio anterior à experiência – “a priori”, logo, formal, abstrato e dedutivo), defendiam a punição do delinquente sem que houvesse qualquer preocupação com sua etiologia e com as formas de prevenção, pois, para eles, o livre-arbítrio era razão única do delito, sem que houvesse outros fatores causais do comportamento delitivo� Porém, a partir da introdução da medicina, especialmente da psiquiatria, no século XIX, como técnica voltada para uma higiene pública, a noção de crime e de criminoso começou a ganhar novos padrões de entendimento e definições, dando condições à procura de estigmas patológicos carregados pelos indivíduos perigosos e, enfim, servindo como base às proposituras oferecidas pela antropologia criminal, que alterou as percepções da responsabilidade penal até então defendida pelos clássicos� ESCOLA POSITIVA Datada de 1876 com a publicação do Livro “Tratado Antropológico Experimental do Homem Delinquente” pelo médico italiano Cesare Lombroso, a escola positiva, também conhecida como antropológica ou orgânica, concedeu autonomia à Criminologia e status de Ciência a partir da generalização do método empírico-indutivo utilizado por essa escola, sendo ela considerada a responsável por uma mudança radical no método Anotações Prof. Pimentel 10 Criminologia • PP e no objeto dessa atividade científica a partir, justamente dessa adoção do método indutivo e não mais dedutivo utilizado pelos clássicos� Foi nessa fase que o olhar de seus pesquisadores se voltou para o criminoso como objeto de análise em busca das explicações para a prática delitiva (etiologia) em detrimento do enfoque dado ao crime, como era feito anteriormente� A Escola Positiva é caracterizada, essencialmente, por suas teorias deterministas, assinaladas por duas direções opostas: a biológica/antropológica de Lombroso e a sociológica de Ferri� A isso, soma-se a diretriz psicológica firmada por Garófalo, que fundamentou a conduta criminosa como resultado de uma anomalia psíquica ou moral do sujeito� Além disso, foi Garófalo, uma vez jurista, o responsável pela receptividade legal dos estudos criminológicos, bem como o protagonista da difusão desses estudos a partir da publicação de seu livro “Criminologia” em 1885� Como consequência dessas três vertentes de raciocínio e desses três pesquisadores, é possível, então, dividir a Escola Positiva em três fases: a antropológica, a sociológica e a jurídica, representadas respectivamente pelo médico italiano Cesare Lombroso, o sociólogo Henri Ferri ou Enrico Ferri e o jurista Rafael Garófalo, os quais, influenciados pelas mudanças e avanços teóricos de seu tempo, além de uma incipiente ampliação de caráter heterógeno da doutrina, consagraram-se como importantes reformuladores, em razão das novas orientações adotadas, do estudo criminológico� De modo geral, durante essa etapa científica da Criminologia, havia a consideração de ser o delito uma prática individual e uma conduta antissocial, devendo, portanto, o criminoso ser tratado e não punido, tendo em vista ser esse considerado como um sujeito psicologicamente anormal, ainda que temporariamente� Tratava-se, portanto, doabandono da noção de liberdade do indivíduo defendida pelos clássicos, para a apropriação de fatores predisponentes da infração, bem como da adoção de um ponto de vista e de práticas que privilegiasse a proteção e a defesa da ordem social� Cesar Lombroso, considerado o pai da Criminologia e da Antropologia Criminal, foi influenciado pelas teorias de Evolução de Darwin em sua defesa sobre a existência do criminoso nato como portador de atavismo� Segundo Lombroso, o criminoso seria um sujeito escravo de sua condição biológica, ou seja, o atavismo, definido pelo aparecimento de características de um ancestral remoto em uma pessoa dos dias de hoje� Portanto, em virtude da não “evolução”, o indivíduo estaria preso a uma condição sub-humana, degenerada, inferior, inserido em uma condição de selvageria, logo, predestinado à prática delitiva em razão de suas potencialidades agressivas, violenta, antissocial e baixa inteligência� Sob tais considerações, foi defensor da pena de morte como meio eficaz para eliminar os criminosos natos� Através da realização de diversas autópsias de delinquentes e análises em criminosos vivos, Lombroso chegou à conclusão de que o criminoso nato poderia ser facilmente reconhecido a partir de estigmas físicos, como mãos e pés grandes, face ampla e larga, orelhas grandes, molares proeminentes, muito cabelo, sensibilidade a dor diminuída, instabilidade, precocidade sexual, entre outras características� Sem esquecer das mulheres, afirmou ser a prostituição, e não o crime, seu fenômeno atávico específico, assim, uma particular forma de regressão natural� Do ponto de vista tipológico, o médico italiano defendeu a existência de quatro grupos de delinquentes: O “nato”, o louco, o ocasional e o passional� Foi de Lombroso, também, a defesa sobre a existência de um “tríptico lombrosiano”, isto é, a somatória do atavismo, da epilepsia e da loucura moral como reposta patológica às causas do crime� Tais conclusões levaram Cesar Lombroso a uma defesa generalizada sobre a existência do delinquente nato, ou seja, todo e qualquer indivíduo portador de atavismo estaria fadado ao crime, podendo ser facilmente conhecido entre as pessoas em razão de seus estigmas� Generalização que, embora fosse perdendo força no decorrer do tempo, fez de Lombroso um pesquisador alvo de inúmeras reprovações� Após a publicação de suas defesas, Lombroso tornou-se objeto de inúmeras contestações, sendo seus principais opositores os pesquisadores Agostinho Germelli, autor do livro “Cesar Lombroso: O funeral de um homem e sua doutrina” e Charles Goring, autor de “The English Convict: a statistical study”� Além deles, Enrico Ferri, aluno de Lombroso, revelou diversos questionamentos aos estudos de seu mestre, em especial no que tange ao afastamento da influência de fatores exógenos na prática delitiva, sendo esses considerados por Lombroso apenas como aspectos motivadores dos fatores endógenos� Anotações Prof. Pimentel 11 Criminologia • PP O ponto central para que as teorias lombrosianas se tornassem objetos de questionamentos foi a constatação da inexistência de elevados índices criminais em sociedades primitivas� Além disso, no que tange a existência de um tipo físico de criminoso defendida por Lombroso, Goring, partidário do método estatístico e de um estudo biométrico, negou a correlação entre estigmas e a delinquência ao fazer observações em grupos de criminosos e não criminosos� Por fim, Goring afirmou que o déficit de inteligência não pode ser considerado como representação de anormalidade do criminoso� Inaugurador da fase sociológica da Escola Positiva, Henri Ferri ou Enrico Ferri, contribuiu com as pesquisas de Lombroso ao trazer à luz o aspecto social como fator determinante da prática delitiva, afirmando que o criminoso pode nascer “predestinado” ao crime, entretanto, será o meio social no qual o sujeito estiver inserido o responsável pela realização do crime (Predisposição)� Para Ferri, autor do livro “Sociologia Criminal” (1884) e da teoria da “lei da Saturação Criminal”, o livre-arbítrio seria uma ilusão subjetiva, pois a ação de um sujeito, para o bem ou para o mal, seria resultado do meio em que vive de modo determinante (Responsabilidade social em detrimento da responsabilidade individual/ moral defendida pelos clássicos)� Em seu livro, afirmou que da mesma forma que em certo líquido a tal temperatura ocorrerá à diluição de certa quantidade, em determinadas condições sociais, serão produzidos determinados delitos� Ainda segundo Enrico Ferri, há cinco tipos de criminosos: Nato, louco, ocasional, habitual, passional� Apesar de partidário da pena de morte em alguns casos, é dele também a teoria dos “substitutivos penais”, definido como um programa político criminal de luta e prevenção da prática delitiva� Dessa forma, por considerar o crime um fenômeno social, afirmava que as ações sobre a criminalidade por parte do poder público deveriam ocorrer antecipadamente ao fato, utilizando, para tanto, esferas como família, religião, legislativa, entre outras, tendo como finalidade a neutralização do sujeito no cometimento de uma infração� Portanto, essa seria a forma mais eficaz de prevenção do delito, resultando na ineficácia da pena, caso essa não fosse acompanhada de oportunas reformas dentro da sociedade� Não menos importante, tem-se também Rafael Garófalo, jurista italiano, como um dos principais integrantes da Escola Positiva� Segundo ele, o crime seria algo natural, o qual ocorreria em razão da violação de pelo menos um dos sentimentos de piedade ou probidade existentes na humanidade, situação compreendida como uma degeneração do indivíduo� Sobre isso, afirmava que o sujeito poderia nascer predestinado à prática delitiva ou viver em condições favoráveis ao crime, mas apenas o cometeria quando houvesse um déficit em sua esfera moral, em razão disso, intervenções a partir da adoção de medidas de segurança seriam imprescindíveis� Todavia, para Garófalo, adepto da noção de um determinismo moderado, havia a necessidade da defesa de ordem social, cujo êxito passaria, também, pela eliminação dos indivíduos que não se adaptassem às exigências da sociedade e demarcações de convivência� Para ele, cabia ao Estado o exercício artificial de “limpeza social” com a retirada dos inadaptáveis por meio da aplicação da pena de morte em certos casos específicos, como, por exemplo, aos criminosos violentos, habituais e aos ladrões profissionais� Sem prejuízo, julgava aceitável o uso de penas com maior severidade� Considerado o difusor do termo “Criminologia” (1885), apesar de ser de Paul Topinard o título de “Pai do termo Criminologia” em 1883, Garófalo defendeu a existência de quatro tipos de delinquentes: Os assassinos, violentos, ladrões e os lascivos ou cínicos (Que atentam contra os costumes), todos inseridos no rol de criminosos em razão de defeitos morais especiais� Além deles, classificou os criminosos em nato (instintivos) e fortuitos� Anotações Prof. Pimentel 12 Criminologia • PP Médico italiano Cesare Lombroso Sociólogo Henri Ferri ou Enrico Ferri Jurista Rafael Garófalo (1876) Tratado Antropológico Experimental do Homem Delinquente (1884) Sociologia Criminal (1885) Criminologia Pai da Criminologia e da Antropologia Criminal Idealizador da sociologia Moderna Difusor do termo “Criminologia” Defensor da existência do criminoso nato como portador de atavismo Defensor da lei da Saturação Criminal” e do livre-arbítrio como uma ilusão subjetiva Crime é natural, o qual ocorre em razão do déficit em sua esfera moral (piedade ou probidade) “Nato”, louco, ocasional e passional� Nato, louco, ocasional, habitual e passional� Assassinos, violentos, ladrões e os lascivos ou cínicos; Nato (instintivos) e fortuitos Tríptico lombrosiano: atavismo, epilepsia e loucura moral Defesa dos substitutivos penais Defesa de medidas de segurança como forma de intervenção e da pena demorte Oposição de Agostinho Germelli e Charles Goring� Responsabilidade social em detrimento da responsabilidade individual/moral defendida pelos clássicos Perdeu para Paul Topinard o título de “Pai do termo Criminologia” em 1883� DA AMÉRICA PARA O BRASIL Os conhecimentos criminológicos surgidos na Europa foram tão significativos que, gradativamente, ganharam novos pesquisadores e atravessaram territórios e mares� Nesse contexto, a América espanhola teve grande influência da Escola Correcionalista, cuja característica principal é a necessidade da intervenção do Estado sobre os delinquentes de forma pedagógica e piedosa, em razão de ser ele um ser inferior e incapaz de se autogovernar� Dessa forma, em oposição à escola clássica, os correcionalistas almejavam a aplicação de tratamento e a ressocialização dos criminosos em detrimento de uma pena exclusivamente vingativa ou retributiva� Ainda em se tratando de América, cabe citar o argentino José Ingenieros, fundador do Instituto de Criminologia da Penitenciária Nacional de Buenos Aires, como representante da Escola Positiva da Criminologia no século XX� Segundo ele, seriam os fatores psiquiátricos a principal causa da conduta delitiva, podendo ou não ser adquiridos por uma influência social� Precisamente, apontava ser a degeneração, social ou congênita, sempre, em última instância, biológica� Foi, também, o pioneiro da Criminologia Clínica na América Latina, com a obra “Criminologia” publicada em 1907� Autor da obra “A vaidade criminal e a piedade homicida”, na qual expõe a questão da imitação (mimetismo) em ocorrências criminais, em especial nos delitos de repercussão� Por fim, cabe atenção à criminóloga venezuelana Rosa Del Olmo, responsável por trabalhos de reconstrução histórica da criminologia latino-americana e por pesquisas sobre o consumo e tráfico de entorpecentes� Autora do livro “a face oculta da droga”� No Brasil, há os apontamentos feitos por Raimundo Nina Rodrigues no que tange aos estudos e pesquisas lombrosianas, sendo, portanto, conhecido como “Lombroso dos trópicos”, autor da obra “As raças humanas e a responsabilidade Penal no Brasil”, de 1894� Além dele, temos o político pernambucano João Vieira de Araújo, autor da obra “Ensaios sobre o Direito Penal”, de 1884, como difusor da Criminologia no território brasileiro� Outras Classificações dos Delinquentes 1. Classificação segundo Hilário Veiga de Carvalho Biocriminoso puro (pseudocriminoso ou falso criminoso), grupo de esquizofrênicos e psicóticos, portanto, apresentam apenas fatores biológicos como condicionantes desviantes; São inimputáveis� Anotações Prof. Pimentel 13 Criminologia • PP Biocriminoso preponderante (difícil correção) constitui o grupo de criminosos reincidentes, os quais cedem facilmente à estímulos externos (“a ocasião faz o ladrão”), sendo portadores de alguma anomalia biológica; Biomesocriminoso (correção possível), nesse grupo encontram-se os sujeitos normais que sofrem influencias endógenas e exógenas, as chances de reincidência são raras; Mesocriminoso preponderante (correção esperada), são os famosos “Maria vai com as outras”, cujo principal estímulo vem de fatores externos; Mesocriminoso puro (sobre eles só atuam os fatores exógenos, portanto, são pseudocriminosos, sujeitos a penalidades em razão das disposições do meio em que vive, exemplo, Índio que pratica conduta prevista como crime, mas que em sua comunidade é algo normal; São inimputáveis� 2. Classificação segundo Odon Ramos Maranhão (citou a fórmula de Abrahamsen para explicar o comportamento criminoso, isto é, C=T+S/R, em que C é o ato criminoso, T é a tendência criminal, S é a situação global e R é a resistência)� Segundo ele são três os tipos de criminosos: – Criminoso ocasional, possuidor de personalidade normal, cuja ação deriva do rompimento transitório dos meios contensores; – Criminoso sintomático, dotado de personalidade psicologicamente perturbada, cuja ação é desencadeada pela sintomatologia da doença; – Criminoso caracterológico, o qual revela má formação do caráter, sendo sua ati- tude ligada à natureza do caráter criminoso� 3. Classificação segundo Cândido Mota (FILHO) Fronteiriço, indivíduo pertencente á zona limítrofe entre a rigidez (sanidade) e a insanidade mental, cuja ação decorre de surtos psicóticos� Agem com frieza e, geralmente, reincidem em suas práticas� São considerados semi-imputáveis; Impetuoso, grupo de indivíduos que agem sob forte emoção, sem, no entanto, premeditar sua conduta, portanto, não raro, se arrependem do que fizeram; Louco; Habitual; Ocasional� QUESTÕES 1. Atualmente, são objetos de estudo da Criminologia: a) o delito, o delinquente, a vítima e o controle social� b) o delito, a antropologia e a psicologia criminais� c) o delito e os fatores biopsicológicos da criminalidade� d) o delito e o delinquente� e) o delinquente e os fatores biopsicológicos da criminalidade� 2. O período antropológico de estudo da criminalidade foi iniciado pelo médico: a) Enrico Ferri� b) Cesare Lombroso� c) Cesare Bonesana� d) Emile Durkheim� e) Hans von Hentig� 3. Complete com a alternativa correta: Considerado o principal idealizador da Sociologia Criminal ������� tem como obra principal ����� � a) Lombroso – “O Homem Delinquente” b) Garofalo – “O Ambiente Criminal” c) Ferri – “Sociologia Criminal” d) Carrara – “Sociedade e Crime” e) Lacassagne – “Sociedade e Miséria” 4. A associação entre hereditariedade / delito e anomalias cromossômicas / comportamento criminal inserem-se no modelo da: a) Biologia Criminal� b) Sociologia Criminal� c) Psicologia Criminal� d) Psiquiatria Criminal� e) Frenologia Criminal� Anotações Prof. Pimentel 14 Criminologia • PP M ó d ul o Escolas Intermediárias e Teorias Ambientais02 A partir dos pensamentos de Ferri, uma nova fase de concepções e defesas criminológicas foi inaugurada, a qual daria corpo à moderna Sociologia Criminal após várias transformações� Entre tais abordagens, vale destacar a Escola de Lyon, construída com base na oposição às teses lombrosianas e, portanto, crítica ao positivismo e as escolas ecléticas, isto é, a Terza Scuola italiana, a Jovem Escola Sociológica Alemã ou Escola Alemã de Política Criminal e, por fim, a denominada Escola de Defesa Social, as quais tentaram harmonizar as defesas promovidas pelo positivismo com os dogmas clássicos, sendo conhecidas, portanto, como Escolas Ecléticas� • Escola de Lyon e as teorias ambientais Também conhecida como Escola Antropossocial ou Criminal-sociológica e legado das considerações feitas pelo cientista francês Pasteur, a escola de Lyon se destaca em razão da adversidade construída em relação às teses lombrosianas, tendo em seus colaboradores, Lacassagne, Locardi e Manouvrier, os quais defendiam a importância do meio social como razão maior para a delinquência� É de Lacassagne (1843-1924) a autoria da frase “As sociedades têm os criminosos que merecem” e “O micróbio é o criminoso, um ser sem importância até o dia em que encontra o caldo de cultivo que lhe permite brotar”� Para Lacassagne havia duas classes de fatores criminógenos: Os predisponentes (corporal) e os determinantes (sociais)� Dessa forma, o criminoso seria um sujeito movido por uma excitação particular, a qual, mediante sua relação com o meio social marcado pela existência de pobreza, miséria, entre outras, estaria fadado à prática delitiva� Segundo ele, há uma relação entre o sistema nervoso central do indivíduo e seu meio social, a qual divide os sujeitos em três classes a partir da “topografia” de seus cérebros ou funções, dividias em: zona frontal (intelectuais), occipital (afetivas) e a parietal (volitivas)� Quando há perturbações na zona frontal surge o louco, na parietal há o surgimento do delinquente ocasional e na occipital aparece o verdadeiro delinquente, ou seja, o sujeito predisposto ao crime� Sobre isso, afirma-se que quanto maior for a desorganização social,maior será a criminalidade� • Terza Scuola italiana Escola que tem por principais expoentes Manuel Carnevale, Bernardino Alimena e João Impallomeni� Segundo essa corrente, o crime é entendido como um produto de variáveis complexas de fatores endógenos e exógenos� Além disso, apregoa pela substituição da tipologia adotada pelos positivistas por uma mais simplificada, de modo que os delinquentes sejam qualificados em ocasionais, habituais e anormais� Consequentemente, sob a defesa da responsabilidade moral como fundamento da pena e da temibilidade como base para a medida, faz distinções entre imputáveis e inimputáveis� Por fim, ao visualizar o crime como um fenômeno social e individual, no que tange aos fins da pena, defende a conjugação das exigências de correção do criminoso com a necessidade de retribuição� A pena, assim, teria um caráter aflitivo, com fins de defesa social� • Escola de Marburgo ou Jovem Escola Alemã de Política Criminal Escola que tem Franz Von Liszt, idealizador do programa de Marburgo, como um de seus defensores, sendo seu objetivo promover uma análise científica do fenômeno criminológico a fim de encontrar as causas da criminalidade e combate-las eficazmente em sua própria raiz, sendo a defesa social um objetivo prioritário da função penal� Considerado o pai da Política Criminal, F� Von Liszt considerava importante a predisposição individual e o meio como um poderoso conjunto para a ocorrência do crime, segundo ele “O delito é resultado da idiossincrasia do infrator no momento do fato e das circunstâncias externas que lhe rodeiam nesse preciso instante”� Além dele, há os estudiosos Adolphe Prins e Von Hammel� Todos criadores da União Internacional de Direito Penal, em 1888� Anotações Prof. Pimentel 15 Criminologia • PP • Escola ou Movimento da Defesa Social Compreendida mais como uma filosofia criminal, na qual Gramática e Mark Ancel se destacam como idealizadores� Defende a existência de uma nova imagem para o homem delinquente, que, por sua vez, não se relaciona ao “pecador” dos clássicos, à “fera perigosa” dos positivistas, ao pobre coitado dos correcionalistas, ou ao da vítima proposta pela filosofia marxista� Segundo eles, esse “novo modelo” de delinquente deve ser tratado de modo mais humanitário e individualizado a fim de que seja possível a neutralização de sua periculosidade� Por óbvio, assume a possibilidade de estratégias de neutralização não necessariamente penais, até mesmo porque, como bem se sabe, ao Direito Penal, corresponde o papel de “ultima ratio”, ou seja, em apertada síntese, determina a aplicação da lei penal somente quando os demais ramos do direito forem insuficientes para coibirem ações socialmente inadequadas, entendido, assim, como agente secundário no controle e prevenção do delito� Por último, para esse movimento, a finalidade da pena deve ser a ressocialização, em que o delinquente seja visto como membro da sociedade, tratado de modo que volte a se reincorporar ao meio, portanto, restabelecendo seus valores e identidade com a coletividade� • Pensamento psicossocial de Tarde Precursor da teoria de Sutherland (Associação Diferencial)� Tarde, jurista francês e autor do livro “As leis da imitação”, defende que o delinquente é um tipo de profissional que aprende o delito assim como qualquer outro comportamento, ou seja, o homem é produto do meio� Condição que, esclarecendo, não se relaciona ao determinismo social positivista, uma vez que há o reconhecimento acerca da decisão livre do sujeito em optar pelo crime� Para ele, o delito começa como moda, depois se torna hábito� Portanto, a convivência leva à aprendizagem de condutas, sendo o homem, consciente ou não, apenas um imitador� É de sua autoria a frase “Todo mundo é culpado, exceto o criminoso”� (mimetismo)� TEORIAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE Teorias de cunho biológico ou biocriminogênese Inseridas no rol de modelos teóricos que mais se aproximam dos conceitos do positivismo, essas teorias pós-lombrosianas tentam identificar no corpo humano ou no funcionamento dos sistemas algum fator diferencial que explique a conduta delitiva, compreendida como resultado de alguma patologia, disfunção ou transtorno orgânico� Para José Maria Marlet, o sexo, a idade, a raça, o ritmo cerebral e a genética são considerados fatores somáticos que influenciam a criminalidade� • Antropometria Método de identificação anterior às digitais, construído sobre as medidas corporais, ou seja, comprimento dos dedos, distância do cotovelo à ponta do dedo médio, largura da cabeça, entre outras� De acordo com esse sistema, batizado de “Bertilonagem”, existe relação entre determinadas características ou medidas corporais e a delinquência, sendo seu idealizador o francês Alphonse Bertillon� O sistema de Bertillon foi adotado oficialmente pela Polícia de Paris em 1882 e em seguida por toda a França� Entretanto, seu uso foi gradativamente refutado em razão da inexistência de medidas corporais exclusivas, como ocorre com as digitais� O fato mais polêmico na história da Bertilonagem foi o caso de Will West e Willian West em 1903, em que Will West foi levado à prisão por apresentar medidas corporais, nome e fotografia semelhantes às encontradas em Willian West� Porém, a comparação das digitais demonstrou a incoerência desse sistema, o qual, embora isso, ainda é amplamente utilizado na Polícia para qualificação dos detentos através da foto sinalética retirada de frente e de perfil esquerdo do criminoso� • Antropologia Criminal De modo geral, as investigações realizadas nessa linha de pesquisa mantêm relações íntimas com as defesas lombrosianas, defendendo, portanto, que o delinquente seria um ser humano escravo de sua hereditariedade, de sua carga biológica e genética� Seu grande defensor, obviamente, foi o médico italiano Cesar Lombroso, cujas teorias foram reintroduzidas consideravelmente nas propostas de Anotações Prof. Pimentel 16 Criminologia • PP Haward Hooton, antropólogo, o qual, assim como Lombroso, admitiu ser o criminoso um ser organicamente inferior, portador de estigmas e características degenerativas diferenciais� Entretanto, na contramão de tais defesas, há o pesquisador Göring (1870 – 1919), que, por sua vez, negou a existência de um tipo físico de delinquente� Antagonista de Lombroso e partidário de um estudo biométrico de base estatística, Göring afirmou não ter encontrado discrepâncias significativas, no que concerne aos estigmas degenerativos, entre a população criminosa e não criminosa� Por fim, considerou que o déficit de inteligência não poderia ser compreendido como uma qualidade de anormalidade do criminoso� Por fim, vale citar Di Tullio, o qual, além das defesas de base endocrinológicas, fez afirmações acerca da hereditariedade como predisposição criminal, resultando em sujeitos “hipoevolutivos”, que, associados a outros fatores, estariam fadados à criminalidade� • Biotipologia Defende a existência de um tipo humano regido por um órgão ou função� Investiga a relação entre as características físicas do indivíduo e suas características psicológicas� Kretschmer (Escola Alemã) e Sheldon (Escola norte-americana) são considerados os representantes dessa linha, sendo responsáveis pela elaboração de algumas tipologias corporais, que, para Kretschmer são dividias em: pícnicos (gordo, atarracado), considerados criminosos que cometem poucos delitos, raramente habituais; Leptossomáticos (magro, pequeno, fraco), definidos como sujeitos de difícil tratamento, inclinados à reincidência, como ladrões e estelionatários; Atléticos (musculoso, ossos grandes), os quais apresentam altos índices de delitos e comportamento violento e, por último, os Displásicos, isto é, pessoas providas de corpo desproporcional, entre os quais se encaixam como subtipos: os gigantes e os obesos, que, segundo tal defesa, estão voltados para os crimes sexuais� Sheldon, por sua vez, fez a mesma classificação, oferecendo novasnomeações, isto é, endomorfo (viscerotônico), ectomorfo (cerebrotônico) e mesomorfo (somatotônico)� Sheldon Kretschmer endomorfo (viscerotônico) Pínico ectomorfo (cerebrotônico) Leptossomático mesomorfo (somatotônico) Atlético - Displásicos • Endocrinologia Nicole Pende e Di Tullio estão entre seus defensores, os quais afirmam ser o homem um indivíduo químico� Portanto, qualquer desajuste ou desequilíbrio significativo em sua balança química ou hormonal poderia ser fator explicativo dos transtornos em sua conduta ou personalidade� Numerosos são os estudos que tentam provar a relação entre comportamentos delitivos de mulheres e os desajustes hormonais típicos da menstruação, ou, ainda, a relação entre os níveis de testosterona e a criminalidade masculina� Entretanto, não há comprovações científicas que demonstrem ser a alteração hormonal o fator determinante e exclusivo para adoção de comportamentos criminais� • Bioquímica e Sociobiologia Ao considerar o sujeito como organismo complexo biossocial, logo, objeto de influências físicas e ambientais, essa linha de concepções criminológicas está comprometida com investigações que têm por propósito verificar a influência de certas substâncias, como a testosterona e vitaminas, no comportamento humano� Sob a mesma lógica, está voltada para os resultados de excessos ou ausências de certos minerais, os quais, sob a rotina de uma dieta alimentar e/ou má metabolização, pode determinar desajustes comportamentais� Por fim, promove investigações acerca da relação existente entre as alergias e os comportamentos delitivos ou irregulares� Nessa linha de estudos, merecem atenção os estudos de criminologia biossocial de Jeffrey, o qual afirmou que o comportamento humano é resultado da interação de fatores ambientais e genéticos� Anotações Prof. Pimentel 17 Criminologia • PP • Genética Criminal ou Teoria bioantropológica moderna Essa linha de abordagem reintroduz à análise criminológica a corrente do atavismo ao tentar estabelecer relações e a existência de uma hereditariedade criminal, ou de anomalias genéticas como condicionantes para o crime� Possui como objetos de abordagem as famílias criminais, os gêmeos e adotados e as malformações cromossômicas� • Agressividade Para explicar a ocorrência da agressividade, vários são os fundamentos de interesse biopsicossociais, nos quais se destacam as teorias de cunho instintivo e a de fatores ambientalistas� Acerca da primeira defesa, de modo simplificado, há a alegação de ser a agressividade uma propriedade inata do sujeito, cujo ato ocorre de modo natural e espontâneo� Entretanto, a partir de Freud, credita-se ao dado biológico o impulso para a agressividade, mas, também, ao superego ou a consciência os agentes de sua inibição� De modo contrário, coube aos ambientalistas sustentar que a agressividade não é senão um produto de agentes exógenos, ou seja, psicológicos, sociais e culturais� Para tais defensores, a agressividade não é inata, mas aprendida, logo, fruto de um contexto e/ou dinâmica concreta� Teorias de cunho psicológico Buscam explicar o comportamento delitivo com base nos processos psíquicos anormais ou patológicos, analisando a relevância etiológica que alguns transtornos possam ter no comportamento criminal� Das diversas classificações de doenças e transtornos psíquicos registrados, duas merecem maior atenção em razão dos frequentes conflitos com o ordenamento penal: os oligofrênicos e os psicopatas, sem esquecer, obviamente, dos transtornos relacionados ao uso de drogas e álcool, bem como da esquizofrenia, entre outros igualmente importantes� • Esquizofrenia e Psicopatia Doença mental por excelência, a esquizofrenia é responsável por interferir na capacidade do sujeito em valorar a realidade, além de promover uma ruptura de sua biografia, razão pela qual o delito cometido por um esquizofrênico se apresenta como um delito sem história, carente de sentido ou justificativa, cometido solitariamente, sem cúmplices, como um “lobo solitário”� Já a psicopatia, de constituição caracterológica, é definida em razão da adoção de um estilo de vida audacioso (podendo ou não mascarar condições mal adaptativas), insensibilidade afetiva, ausência de culpa ou remorso, impulsividade, busca por atenção, entre outros� • Transtornos da Personalidade Esse rol de transtornos é caracterizado por padrões de condutas que se desviam acentuadamente do que é esperado em sociedade� Entre eles, destacam-se: o transtorno da personalidade paranoide, que se manifesta em pessoas aparentemente normais, as quais, embora com traços de desconfiança, receio com os demais e de estar sendo sempre prejudicado pelos outros, não parecem nem se julgam doentes� Seus atos estão relacionados ao convencimento de seu próprio delírio; Transtorno da personalidade esquizoide, definido por um padrão de comportamento no qual o sujeito revela timidez, introspecção, desapego, retraimento afetivo, limitada capacidade de adaptação, pouco ou nenhum interesse por experiências sexuais, entre outros; Transtorno de personalidade esquizotípica, compreendido pela existência de desconfiança, podendo apresentar paranoides, excentricidade na aparência e no comportamento, com notória falta de atenção aos imperativos sociais, reduzida necessidade de contatos íntimos, superstições e ansiedade� Transtorno de personalidade antissocial, caracterizado pela indiferença e violação às normas e obrigações, falsidade/dissimulação, irresponsabilidade reiterada, irritáveis/agressivos; Transtorno de personalidade Borderline, definido pela alteração dentro das relações interpessoais, da autoimagem e dos padrões de afeto, com impulsividade acentuada e insegurança� Tornam-se extremamente sensíveis às circunstâncias ambientais, adotando posturas autodestrutivas; Transtorno de personalidade histriônica, compreendida pelo egocentrismo, teatralidade/drama como recurso para chamar a atenção, superficialidade e baixa tolerância às frustrações ou comentários críticos; Transtorno de personalidade narcisista, na qual prevalece a necessidade de admiração e sensação de grandiosidade, carecendo de empatia; Transtorno de personalidade evitativa, caracterizada pela inibição social, e hipersensibilidade a avaliações negativas, Anotações Prof. Pimentel 18 Criminologia • PP julgando-se incapaz ou inferior aos outros; Transtorno de personalidade dependente, no qual há a predominância da ausência de iniciativa e decisões, acentuada carência e submissão, podendo se colocar em situações extremas para obter cuidados e, por fim, possui preocupações com a possibilidade de se ver abandonado; Transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, caracterizado pela acentuada preocupação com a ordem, o perfeccionismo e o controle, em detrimento da flexibilidade, em cujos efeitos encontram-se a exclusão do lazer e de amizades� • Parafilias Embora mais comum entre os homens, esse padrão de excitação pode estar presente em qualquer pessoa, inclusive em pessoas com vida sexual normal, apenas sendo uma opção diferente na forma de se obter prazer, sem que isso seja definido como transtorno� Para ser considerada patológica essa preferência deve atender algumas condições, como, por exemplo: ser de grande intensidade e/ou exclusiva, ou seja, a pessoa não alcança satisfação ou não consegue obter prazer com outras maneiras de praticar a atividade sexual, manifestando-se como um problema; Requer/ envolve parceiros não apropriados, isto é, crianças ou adultos que não consentem; Provoca prejuízos na vida da pessoa, como, por exemplo, nas suas ocupações e/ou vida social� Embora a lista inesgotável de possíveis transtornos parafílicos, alguns são tradicionalmente selecionados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), haja vista sua recorrência� Embora os tradicionalmente citados e outros, cabe saber que às parafilias pertencem: Voyeurismo ou mixoscopia Prazer sexual em espiar outras pessoasem situações particulares� Exibicionismo Prazer sexual em expor as genitais Frotteurismo Prazer sexual em tocar ou esfrega-se em outro Masoquismo Prazer sexual em ser humilhado ou alvo de sofrimento� Sadismo Prazer sexual pela imposição de sofrimento físico ou psicológico Pedofilia Prazer sexual que envolva crianças ou pré-adolescentes� Fetichismo Prazer sexual que envolva excitação anormal por partes do corpo ou artigos do vestuário� Necrofilia Prazer sexual por cadáveres Escatologia telefônica Prazer sexual através de conversas telefônicas eróticas Bestialismo ou zoofilia Prazer sexual envolvendo animais Coprofilia Prazer sexual envolvendo fezes Urofilia ou urolagnia Prazer sexual envolvendo urina Apotemnofilia, Prazer sexual por amputados Erotomania Amor platônico Erotografia Prazer pela escrita erótica Narcisismo Culto exagerado ao próprio corpo Gerontofilia ou cronoinversão Predileção sexual por pessoas com idade avançada Topoinversão Coito ectópico, ou seja, diferente da conjunção carnal: sexo anal, oral, entre os dedos, pés, etc� Onanismo Masturbação Edipismo Incesto Pigmalionismo Prazer sexual por estátuas Vampirismo Prazer sexual advindo da ingestão do sangue do outro� Riparofilia Prazer sexual envolvendo pessoas sem higiene – sujas Coprolalia Prazer sexual com o uso de palavras chulas, obscenas Frigidez Redução do desejo sexual feminino Anafrodisia Redução do desejo sexual masculino Agorafilia Prazer advindo da prática sexual em lugares abertos Anotações Prof. Pimentel 19 Criminologia • PP • Oligofrenias (retardados mentais) Um estudo promovido sobre o quociente de inteligência – QI, proposto em 1912 por Willian Stern, e sobre o qual é possível inferir os estágios do desenvolvimento mental e, portanto, na consciência ou não do indivíduo para com suas ações, tornou- se elemento importante para a análise e determinação da culpabilidade ou não do sujeito� A partir disso, definiu-se a existência de três categorias de estados mentais dos Homens, isto é, os hipofrênicos (oligofrenia), constituído pelo grupo de pessoas com pouca capacidade intelectual, divididos em: Idiotas (com QI menor que 20), imbecis (com QI entre 20 e 50) e os débeis mentais (com QI que variam entre 50 a 90)� Com eles, considerou-se a existência, portanto, de uma tríade oligofrênica: debilidade, imbecilidade e idiota� Dando continuidade, há, ainda, os normais, constituído pelo grupo de pessoas com QI que oscila entre 90 e 120 e, por fim, os hiperfrênicos (superior ou genial), cujo grupo é dividido entre superiores (com QI entre 120 e 140) e os geniais (com QI acima de 140)� Estado Mental QI Evolução Mental Hipofrenia Abaixo de 90 Abaixo de 12 anos Idiota Abaixo de 20 Abaixo de 3 anos Imbecil Entre 20 e 50 Entre 3 e 7 anos Débil Mental Entre 50 e 90 Entre 7 e 12 anos Normal Entre 90 e 120 Entre 12 e 18 anos Hiperfrenia Acima de 120 Acima de 18 anos QI superior Entre 120 e 140 Entre 17 e 22 anos QI genial Acima de 140 Acima de 22 anos • Outros transtornos - Controle de Impulsos Cabe apontar, ainda, a existência de outros transtornos considerados colaborativos para a prática de ações lesivas, em razão da existência de problemas de autocontrole das emoções e do comportamento� Entre eles, vale citar: o transtorno explosivo intermitente, caracterizada por explosões comportamentais, cuja magnitude da agressividade é desproporcional à provocação, ocasionando prejuízos ao seu próprio autor e às suas relações; A cleptomania, caracterizada pelo impulso em subtrair bens que não lhe são necessários, ou por seu valor monetário; A piromania, compreendida como transtorno/prazer em colocar fogo em objetos; A ludopatia, que consiste na submersão à vida de jogos; A oneomania, caracterizada pela compulsão em comprar� • Fatores psicológicos influentes – Psicocriminogênese É importante considerar que algumas condutas, embora conexas a fatores psicológicos, não são reconhecidas como doenças mentais, sendo sua ocorrência relacionada à influência de fatores externos/situacionais que colaboram para as práticas infracionais� Entre elas, são importantes citar: o ego fraco ou abulomania (famoso “maria vai com as outras), transtorno que ocorre em razão da ausência da capacidade de tomar decisões; O mimetismo, cuja descrição é encontrada na teoria de Gabriel Tarde, ao propor que a convivência leva à aprendizagem de condutas, sendo o homem, consciente ou não, apenas um imitador; O desejo de lucro imediato, ou seja, são pessoas ambiciosas que não se dispõem ao esforço e ao tempo para prosperar, como, por exemplo, os estelionatários, os ladrões, entre outros; A necessidade de status ou notoriedade, ou seja, é a pessoa que necessita estar em constante evidência e que, para tanto, não medem esforços, ainda que sejam eles prejudiciais; Insensibilidade Moral, isto é, pessoas desprovidas de sentimentos altruístas, como a compaixão e a piedade� São conhecidos, também, como loucos morais; Espírito de rebeldia, caracterizada pelos famosos: “tiozão” ou “tiazona”, ou seja, pessoas que embora a idade avançada, persistem na adoção de posturas incompatíveis com a fase em que se encontram� São reconhecidos, também, como anômicos� Anotações Prof. Pimentel 20 Criminologia • PP • Álcool e outras drogas Não menos significativo, são os estudos psicológicos atrelados aos dependentes químicos, os quais, por conta do vício, se submetem a diversas condições de risco em razão de estarem eles inseridos em um estado definido como “mal-vivência”, isto é, em uma situação de marginalização social, ou parasitismo� De maneira equivocada, a ocorrência do delito pelos dependentes químicos é atrelada à crise de abstinência, contudo, sabe-se que a prática dos crimes ocorre em um momento anterior a essa fase, denominado síndrome amotivacional, ocasião em que sua atenção está voltada para a obtenção da droga� Salienta-se, por conseguinte, que todas as drogas consumidas em excesso atuam diretamente na ativação do sistema de recompensa, em cuja tentativa de êxito, pode, o indivíduo, passar a negligenciar atividades normais a fim de obtê-las� Segundo o “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V”, 10 classes distintas de drogas compõem os transtornos relacionados a substâncias, sendo elas: álcool, cafeína, Cannabis, alucinógeno, inalantes, opioides, sedativos, hipnóticos e ansiolíticos, estimulantes, tabaco, outras� QUESTÕES 1. Também conhecida como escola Antropossocial ou Criminal-Sociológica, defende a importância do meio social como razão para a delinquência, encontrando em Lacassagne a afirmação de que “As sociedades têm os criminosos que merecem”. a) Escola do Movimento Social� b) Pensamento Psicossocial de Tarde c) Escola de Lyon d) Teoria Estrutural-funcionalista e) Teoria da Associação-Diferencial 2.”Um complexo sistema de medidas corporais – onze – que, unido à fotografia do delinquente, pretendia servir como instrumento de identificação destes”, faz parte: a) Antropologia Criminal b) Biotipologia c) Endocrinologia d) Parafilias e) Antropometria 3. O indivíduo incapaz de cuidar-se e bastar-se a si mesmo, com “QI” abaixo de 20 e idade mental abaixo de 3 anos, tem seu estado mental caracterizado como a) hipofrênico� b) débil mental� c) imbecil� d) idiota� e) hiperfrênico� 4. A criminologia é conceituada como uma ciência a) humana (baseada na observação do criminoso e da vítima) e unidisciplinar� b) exata (baseada nas estatísticas da criminalidade) e multidisciplinar� c) jurídica (baseada nos estudos dos crimes e nas leis) e monodisciplinar� d) social (baseada somente nos estudos do comportamento social do criminoso) e unidisciplinar� e) empírica (baseada na observação e na experiência) e interdisciplinar� Anotações Prof. Pimentel 21 Criminologia • PP M ó d ul o Teorias Explicativas da Criminalidade03 Teorias de cunho sociológico Por último e não menos importante, são as teorias de cunho sociológico, que, assim como as teorias biológicase psicológicas, constituem os modelos da era pós- lombrosiana, divididas em um duplo entroncamento: o europeu, vinculado às defesas de Durkheim e sua teoria da anomia, e a norte-americana, a partir da escola de Chicago, que defende ser o delito um fenômeno social� De caráter macrossociológico, ou seja, que analisa os fatores que levam a sociedade como um todo à prática delitiva e não mais uma abordagem com enfoque no indivíduo, bem como era feito durante a era dos positivistas, as explicações sociológicas são desmembradas em teorias do consenso, também chamadas de funcionalistas ou da integração e as teorias do conflito social� A teoria do consenso defende que a ordem da sociedade é atingida quando há perfeito funcionamento de suas instituições, além de seus membros compartilharem de objetivos comuns, sujeitando-se às regras vigentes� Portanto, a definição de crimes ocorre a partir de comportamentos consensuadamente tidos como ruins� São teorias pertencentes a essa linha de raciocínio: A escola de Chicago ou Teoria Ecológica, a teoria da associação diferencial, também conhecida como “White-Collar Crimes”, a teoria da anomia ou estrutural-funcionalista, e, por fim, a teoria da subcultura� Já a teoria do conflito defende que a coesão e a ordem só são atingidas mediante o uso da força e da coerção, na qual se emprega a dominação de uns em detrimento de outros� São teorias de conflito: A teoria do Labelling Aproach, Interacionismo Simbólico, Rotulação Social ou Etiquetamento e a Teoria Crítica Radical ou “Nova Criminologia”� Ainda assim, considerando os avanços dos estudos criminológicos, grande importância também é dada a outras instâncias, de caráter mesológico, entendidas como contribuintes/condicionantes à prática criminosa, entre elas: a desorganização familiar, que, como o próprio nome diz, consiste na ausência de uma dinâmica estrutural organizada e/ou positiva para o indivíduo; A reenculturação, isto é, o conflito que ocorre como resultado da adaptação de um sujeito a uma cultura diferente da sua; A promiscuidade, ou seja, a adoção de uma vida desordenada, orientada de forma imoral e/ou diversa dos bons costumes; Educação e escolaridade, cuja ausência leva a má formação do sujeito aos ditames sociais; Religião, em cuja afirmação ponderam-se as posturas do sujeito; O fator econômico, como instância colaborativa à existência de uma conjuntura conflituosa, seja no muito ou no pouco� • Escola de Chicago (Ernest Burguess e Robert Park) Berço da moderna sociologia criminal americana, tem por finalidade estabelecer uma relação entre a desorganização do espaço urbano e a criminalidade� De base empírica, ou seja, fundamentada na observação, tendo como objeto de estudo a cidade de Chicago no início do século XX, atentou sobre o impacto do processo de industrialização, migração e conflitos culturais dentro da sociedade como geradores da criminalidade� Sob essa ótica, seus representantes defendem ser o crime um produto da desorganização das grandes cidades, que dá condições para a existência de zonas ou áreas definidas onde há a concentração da criminalidade a partir dessa problemática social� Esse olhar analítico subsidiou os estudos e as afirmações oferecidas pela “Teoria das Janelas Quebradas” nos anos subsequentes� A Escola de Chicago é composta por duas teorias: a teoria ecológica e a teoria espacial� Segundo a teoria ecológica, a cidade é responsável por produzir a delinquência em razão da desorganização em seu desenvolvimento e na ausência de controle social, cujos protagonistas encontram motivos a partir da deterioração dos laços familiares (movimento migracional), o advento de laços sociais superficiais, crise dos valores primários (família, escola, etc�) e superpopulação, ou seja, vão se tornando anônimas em um universo estranho� Já a teoria espacial, ou área social, de caráter mais precisa e situacional, possui uma abordagem de cunho mais urbanístico, explicando o delito a partir da existência de um modelo urbano e arquitetônico capaz de dar condições para o crime, por exemplo, casas com muitas janelas de vidro� Logo, propõe que a Anotações Prof. Pimentel 22 Criminologia • PP prevenção passa por uma nova política arquitetônica e urbanística que crie obstáculos ao delito (fábrica social), como afirmou o arquiteto e planejador urbano Oscar Newman ao trazer à tona o conceito de “Espaço Defensável”� • Teoria estrutural-funcionalista ou da “anomia” (Durkheim, Merton, Ohlin) Para a anomia, isto é, circunstância social desprovida de coesão e ordem, com o surgimento de uma crise, há o colapso da consciência coletiva e, por fim, a possibilidade da delinquência, pois o indivíduo perde as referências normativas que orientam sua vida, sentindo-se livre para adoção de comportamentos antissociais ou autodestrutivos em razão de seus interesses terem se tornado mais relevantes que os da comunidade� Assim, desprovida de explicações etiológicas pautadas em patologias individuais ou sociais, essa teoria defende ser o delito algo normal dentro da sociedade, originário do desmoronamento das normas e valores vigentes em uma sociedade� Portanto, afirmam que a conduta humana é condicionada pelos valores e normas de sua coletividade, como as leis, e que qualquer pessoa, confinada a tais desestruturas, pode praticar um delito� Entretanto, apesar do entendimento acerca de sua normalidade, cabe a observação sobre a relevância da pena, a qual deve ser aplicada como recurso para o restabelecimento do sentimento de coletividade, uma vez que reforça e recorda a existência de normas e valores sociais� Essa teoria também é aplicada ao sintoma de discordância produzida pelas expectativas socioestruturais, ideais ou igualitárias e os caminhos oferecidos ao indivíduo para satisfação daquelas� Dessa forma, como propôs Merton, com a finalidade de alcançar o bem-estar difundido como propriedade de todas e todos (Constituição Federal, por exemplo), o indivíduo se sentiria pressionado para o cometimento de condutas irregulares� Ainda segundo Merton, julga-se a existência de modos de adaptação dos indivíduos em relação às normas, metas culturais e recursos à disposição, estando os sujeitos vinculados, segundo a postura por eles assumida, aos modos de comportamentos: conformista, na qual há a adesão total, conformidade do sujeito ao ambiente e possibilidades que lhes são oferecidas; inovador, ou seja, o sujeito que que não aceita as condições oferecidas para o atendimento das metas culturais, inovando em suas ações, ainda que de forma delitiva; ritualismo, isto é, o sujeito que possui sonhos de ascensão, mas os renunciam por se julgar incapaz; Evasão/retraimento, são os indivíduos que abandonam suas metas, haja vista uma condição escapista, entre eles, os viciados e mendigos; Rebelião, na qual há os sujeitos inconformados com o ordenamento social, suas metas e meios, voltados à revolução social� • Teoria subcultural (Albert K. Cohen – Delinquent Boys e Whyter) Defende ser a sociedade fragmentada em grupos e subgrupos possuidores de seus próprios códigos e valores, os quais nem sempre coincidem com os valores majoritários� Dessa forma, o conflito surge em razão da diferença entre os códigos adotados, sendo o delito uma opção coletiva atravessada por significados e que se concentra em áreas onde predominam normas distintas das oficiais, e não onde se visualiza a “desorganização social”, como propõe a teoria ecológica da Escola de Chicago� Segundo essa teoria, os indivíduos que integram um determinado grupo internalizam seus valores, os quais se tornam base de sua conduta e experiência� Enquanto operam seus valores dentro de seu grupo não há conflito, o problema surge quando há a expressão desses valores dentro de um sistema distinto� São exemplos de subgrupos: Os mulçumanos em Paris, os bairros chineses em Nova York ou os grupos de pichadores� Deve também ser destacado que o conceito de “subcultura” se estende às explicaçõesde divergências e conflitos entre as camadas sociais que, sob esse ponto de vista, se cruzam pelo delito, o qual ocorre como uma forma de protesto face à impossibilidade de integrações econômica, social e cultural� Segregação que acaba por condenar sujeitos não abastados a um estado de conflitos e frustrações� Logo, opera para a construção de uma coletividade/subsociedade “maliciosa, negativa e não utilitária”, cujas ações são entendidas como uma reação ao infortúnio da marginalização social a qual se encontram, alimentada pela ausência de meios legítimos que deem conta de inseri-los no contexto das camadas privilegiadas da sociedade� Anotações Prof. Pimentel 23 Criminologia • PP Além dessas teóricas explicações gerais acerca da subcultura e suas particulares compreensões, cabe observar um tipo específico de subgrupo inscrito em um cenário de fuga e evasão, isto é, a subcultura escapista, composta por sujeitos que fazem uso frequente de drogas, vivendo constantemente em estado de alucinação e, não raro, condicionados à “mal vivência”� • Teoria da Associação Diferencial ou “White-Collar Crimes” (Edwin Sutherland) Para essa teoria, a base da existência humana está vinculada à aprendizagem, portanto, o delito surge como um hábito ou comportamento adquirido� Diferentemente da teoria psicossocial de Tarde, que defende ser o delito resultado da imitação e a sociedade culpada por dar à sociedade um criminoso, a teoria da associação diferencial, embora inspirada nas concepções de Gabriel Tarde, defende que a adoção do comportamento delitivo exige uma aprendizagem ativa por parte do indivíduo, ou seja, ele quer aprender� Dessa forma, não basta viver em um meio criminógeno, é necessário querer aprendê-lo� Além disso, há a afirmação de que um indivíduo só passaria a adotar tal comportamento quando as razões que as justificassem fossem mais favoráveis que as que determinassem o contrário� Seus praticantes, em sua maioria, são sujeitos distintos dentro da coletividade (Políticos, policiais, etc�), ocupantes de cargos notáveis, privilegiados (com senhas, acessos, contatos, etc�), ou com conhecimento especializado (Gangues urbanas, empresas fraudulentas), sendo que se aproveitam dessas circunstâncias para conseguir vantagens indevidas� No geral, muitos deles estão dentro de ocupações desprovidas de mácula pela sociedade, munidos de probidade e confiança por parte da população� • Teoria do Labelling Aproach, interacionismo simbólico, etiquetamento, rotulação ou reação social (Ervijing Goffman e Howard Becker). Essa teoria não se posiciona sobre o comportamento desviante primário, ou seja, a prática delitiva em si e seus condicionantes� Na realidade, possui atenção voltada para o processo de criminalização sofrida por indivíduos em virtude da reação da sociedade que os estigmatizam ou rotulam como criminosos em razão de seu estilo de vida destoante dos padrões consensuais� Portanto, não necessariamente a pessoa tenha que ter praticado um delito, basta apenas que ela possua um perfil marginalizado socialmente, do qual resultará sua possível rotulação� E, quanto maior for seu distanciamento do perfil social aceitável e padronizado pela coletividade, maior será a chance de o indivíduo ser estigmatizado como criminoso� Dessa forma, o sujeito não é outra coisa senão vítima dos processos de definição e seleção, assumindo, gradativamente, o referido status de delinquente que lhe é atribuído de forma discriminatória “Cada um de nós torna-se aquilo que os outros veem em nós”� • Teoria Crítica, radical ou nova Criminologia (T. Platt, Takagi e Herman) De orientação marxista, sustenta que o delito é resultado das desigualdades sociais do universo capitalista gerador de necessidades, às vezes supérfluas, criadas pela dinâmica do consumo – levando ao delito� Dessa forma, a solução da criminalidade passa pela extinção da opressão e exploração econômica das classes políticas mediante reformas estruturais na sociedade� Dentro dessa mesma linha de raciocínio, essa linha de orientação também está voltada para a crítica das leis enquanto instrumento das camadas dominantes, argumentando ser o sistema legal um administrador da criminalidade, haja vista estar voltado para os menos favorecidos como principal clientela em detrimento de uma ação abrangente que inclua, igualmente, o crime dos poderosos� Portanto, segundo essa linha, há, na verdade, uma “justiça de classe”, que colabora para os processos de estigmatização/rotulamento dos desprivilegiados, cuja ocorrência é entendida como recurso à tentativa de impor o medo sobre a população marginalizada, pautado no propósito de delas obter a ordem e, por fim, a estabilidade das relações e a produtividade� • Teoria da neutralização (Sykes e Matza) São técnicas de justificativas utilizadas pelas pessoas quando no cometimento de uma infração a fim de “bloquear” sua censura moral interior, minimizando, assim, sua culpabilidade, de modo que sua conduta seja legitimada� Segundo essa teoria, as pessoas estão sempre cientes de suas obrigações morais de cumprir as leis e de evitar certos atos ilegítimos, portanto, o comportamento delitivo requer legitimação, sendo essa encontrada em diferentes formas: exclusão da própria responsabilidade: O delinquente sugere que foi uma “vítima das circunstâncias”; Anotações Prof. Pimentel 24 Criminologia • PP Negativa de ilicitude: defende que suas ações não causaram nenhum dano; Desprezo pelas vítimas: o delinquente acredita que a vítima “merecia” sofrer qualquer ação que tenha sido perpetrada contra ela; Condenação dos “condenadores”: o delinquente defende que se o sistema formal de controle tem seus erros e pessoas erradas, por que culpá-lo?!; Apelo a ‘valores mais altos’: sua ação foi em nome de “um bem maior”, por exemplo, salvar um amigo� • Teoria da identificação diferencial de Glaser Construída como variante da teoria da aprendizagem social, seu propósito é ressaltar a importância dos meios de comunicação de massa sobre o comportamento do indivíduo� Segundo essa teoria, o comportamento criminal não se aprende apenas por uma questão de interação pessoal, senão pela identificação� Dessa forma, o indivíduo passaria a adotar condutas infracionais a partir de sua identificação com sujeitos reais ou fictícios, considerando aceitável o comportamento delitivo de seu referencial� Entre esses ícones, estão os “justiceiros” do cinema, como o Robin Hood, e diversos delinquentes da vida real� • Teoria do Controle Para os teóricos do controle, os quais se valem de uma análise sociológica em suas defesas, há a afirmação de que as razões para que muitos indivíduos não cometam infrações são os vínculos construídos entre eles e a sociedade� Dessa forma, o indivíduo evita o delito, pois possui interesses na manutenção de um comportamento que atenda as expectativas de sua comunidade� Cabe, portanto, essencialmente à família, o papel de interferência e controle sobre novos sujeitos dessa instituição, pois através da educação e vigilância torna-se possível o enraizamento do indivíduo em sua coletividade� Assim, seguindo essa análise, o crime surgiria como resultado da ausência ou enfraquecimento dos laços ou vínculos que unem o sujeito à sociedade, pois nele não há o medo dos resultados que um delito possa trazer às suas relações interpessoais, como família, amigos, trabalho, escola, entre outras� Além disso, a carência desses vínculos como forma de interferência e controle levaria ao desmoronamento ou não construção dos valores éticos e morais que os deteriam� OS FRUTOS DA ESCOLA DE CHICAGO: A TEORIA NEORRETRIBUCIONISTA OU REALISMO DE DIREITA (LEI E ORDEM; TOLERÂNCIA ZERO; BROKEN WINDOWS) Teoria que, resumidamente, defende a existência de uma relação de causalidade entre a desordem e a criminalidade, cujos defensores são James Q� Wilson e George Kelling, os quais, em 1982, publicaram um estudo intitulado “Broken Windows Theory” na revista Atlantic Monthly�As bases de sustentação dessa teoria derivaram de pesquisas desenvolvidas ao final da década de 1960 na Universidade de Stanford (EUA), sob a direção de professor Philip Zimbardo� A realização dessa pesquisa/experimento ocorreu da seguinte maneira: dois carros idênticos foram abandonados na rua, sendo um deles colocado no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York, e o outro em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia� O resultado desse abandono, observado por estudantes de psicologia, foi a depredação, em pouquíssimo tempo, do carro que estava no Bronx, o qual também teve diversas peças subtraídas� Enquanto isso, o carro que havia sido abandonado em Palo Alto permaneceu intacto, conservando-se assim por uma semana� Contudo, a intenção dos pesquisadores não era exatamente essa constatação, mas outra, a qual foi conduzida com a quebra das janelas do carro que estava em Palo Alto� Com isso feito, esse carro, em pouco tempo, teve o mesmo fim daquele abandonado no Bronx, ou seja, também foi vandalizado e saqueado� E foi a partir disso que se questionou, então, os motivos de um vidro quebrado ter sido capaz de desencadear uma sequência de ações de vandalismo, haja vista estar ele em um local supostamente seguro e distante da pobreza� A resposta para isso veio com a percepção de que um vidro quebrado transmite a ideia de desleixo, abandono e afastamento da vigilância, condição que subsidia o afrouxamento do controle social, cujas consequências são as rupturas com os códigos de convivência em sociedade e o fomento para quebra das normas e práticas ilegais� Assim, quanto mais ampla e de maior incidência for esse “abandono” e “depredação”, maior também será a ideia de que “vale-tudo”, ocasionando a decadência de um ambiente urbano, o qual passa a ser cenário de repúdio por parte das pessoas decentes e polo atrativo à criminalidade� Anotações Prof. Pimentel 25 Criminologia • PP Logo, em consenso com o que já havia sido assumido pelos representantes da Escola de Chicago, ao afirmarem que o crime é produto da desorganização das grandes cidades, surge a defesa de que a desordem gera desordem, portanto, o crime é resultado da desordem e não uma prerrogativa da pobreza, considerada, então, como fator de menor importância� E para que a criminalidade e o aumento dessa sejam evitados, são necessárias intervenções que ocorram, privilegiadamente, na raiz do problema, pois a ausência de ações sobre as pequenas infrações e/ou primeiros sinais de falta de coesão social, conduz àquela sensação de afrouxamento geradora de delitos cada vez mais graves� À vista disso e sob o peso dos autos índices de violência nos E�U�A, especialmente em Nova York, essa teoria veio para subsidiar ações interventivas de política criminal intituladas de “Operação Tolerância Zero”� Assim, gestada politicamente pelo prefeito Rudolph Giuliani, Nova York, conhecida como “capital do crime”, tornou-se alvo de uma série de ações orientadas pelo propósito de organizar e coibir a criminalidade� Essas ações visavam, especialmente, o combate aos delitos de menor importância a fim de que fosse possível minimizar o estado alarmante da delinquência ao combatê-lo desde e nas pequenas transgressões� Meta que atingiu resultados satisfatórios ao fazer de Nova York uma das metrópoles mundiais mais seguras� Entretanto, embora a redução satisfatória da criminalidade e a constante defesa de que o foco principal dessas ações eram a prevenção e a segurança, essa política criminal não passou despercebida pelas críticas, uma vez que levou inúmeras pessoas desprivilegiadas/marginais sociais às prisões dos Estados Unidos, entre eles, os mendigos, prostitutas e alcoólatras� Ainda assim, durante a década de 1990, novos estudos envolvendo essa teoria foram realizados por Wesley Skogan, que ratificou a posição de causalidade entre desordem e criminalidade, apontada anos antes, em detrimento de fatores como pobreza e outras situações sociais� Em virtude dos resultados positivos, novas políticas foram adotadas sob a coordenação do chefe da polícia de Nova York, Willian Bratton, cuja preocupação estava voltada essencialmente para as práticas de vandalismo que ocorriam no metrô� Naquele momento, então, a política criminal de tolerância zero ganhou amplitude e nova roupagem, conhecida também como “teoria da lei e ordem”� Mas sobre ela também recaem os títulos de “realismo de direita” ou “neorretribucionismo”� MODELO DA OPÇÃO RACIONAL OU DO LIVRE-ARBÍTRIO DA CRIMINALIDADE Opostas ao determinismo defendido pelos positivistas, essa linha de concepções partilha com os clássicos as justificativas que dão causa ao delito, ou seja, adotam para si a racionalidade e o livre-arbítrio, associados aos fatores utilidade e oportunidade, como critérios que dão conta da criminalidade� Logo, assim como a Escola Clássica, voltam à atenção para a promoção de uma teoria situacional e não etiológica, nas quais se destacam o neoclassicismo ou moderno classicismo, as teorias das atividades rotineiras e, por último, as teorias espaciais� • Neoclassicismo ou neomodernismo Legado das concepções adotadas pelos Clássicos, essa linha de defesa faz considerações acerca do retorno ao castigo, do controle social e da retribuição como percursos adequados para a prevenção do delito� Tais afirmações se justificam e ganham força a partir, justamente, da ineficiência no que tange aos programas de ressocialização do delinquente, do aumento das taxas de criminalidade e, por fim, em razão da urgência social em perceber respostas mais imediatas e eficazes ao problema criminal� Não menos importante, há o questionamento acerca do intento positivista em esclarecer os fatores e condicionantes do delito� Dessa forma, sob o ponto de vista da racionalidade, orientada a partir de um viés econômico (custos versus benefícios), permanece atada às defesas de base clássicas� • Teoria das atividades rotineiras Defendida por Cohen e Felson, essa teoria propõe ser a ocorrência do delito um conjunto articulado de três fatores: um delinquente motivado, um objeto apropriado e a ausência de guardiões� Dessa forma, o crime ocorre a partir de um contexto facilitador ou de oportunidade, contrariando inferências baseadas em proposições econômicas ou sociais� Nesse contexto, defende-se ser a dinâmica social pós-industrial um excelente componente situacional para o cometimento de infrações, tendo em Anotações Prof. Pimentel 26 Criminologia • PP vista a rotina de trabalho e afazeres diários que exigem das pessoas longas horas de ausência de seus domicílios, os quais ficam desprotegidos regularmente� Se encaixa às concepções da racionalidade, uma vez que há por parte do autor o fator “opção” em relação à oportunidade, logo, não traz às suas observações ponderações etiológicas para diagnosticar as causas do delito� • Teorias espaciais: meio ou entorno físico Aqui, a racionalidade reside nas facilidades e vantagens despertadas por alguns espaços aos delinquentes, condição que dá conta de explicar as razões da seletividade e concentração do delito sobre certos lugares (Hot Spots)� Para tanto, Newman (citado na descrição da Escola de Chicago) afirma que a prevenção passa por uma nova política arquitetônica e urbanística que crie obstáculos ao delito (fábrica social), cujos efeitos a serem destacados são: o sentimento de territorialidade e autodefesa por parte dos sujeitos que contemplam determinado espaço (vizinhança ou comunidade)� Por fim, dá notoriedade há exigência de iluminação e visualização externa como importantes elementos para a neutralização do crime� QUESTÕES 1. São teorias do consenso as teorias a) da desorganização social; da identificação diferencial; da criminologia crítica� b) do etiquetamento; da associação diferencial; do conflito cultural� c) da criminologia crítica; da subcultura; do estrutural--funcionalismo� d) da criminologia radical; da associação diferencial; da identificação diferencial� e) da desorganizaçãosocial; da neutralização; da associação diferencial� 2. A corrente de pensamento criminológico que aponta, como técnica utilizada pelo criminoso para auto justificação, um procedimento racional em que atribui a culpa pelos seus atos antissociais aos agentes públicos encarregados de sua punição (policiais, membros do ministério público, magistrados), os quais seriam corruptos, parciais e inescrupulosos, é denominada teoria a) do estrutural-funcionalismo� b) da criminologia crítica� c) da neutralização� d) do conflito cultural� e) da criminologia radical� 4. Quanto à teoria neorretribucionista, é correto afirmar: a) surgiu na Europa, no século passado, baseada na teoria do consenso, tem como objetivo coibir o crime organizado e os crimes transnacionais, o que inibiria os crimes menos graves� b) surgiu na Itália, na década de sessenta, é uma das mais importantes teorias do conflito, por meio dessa teoria, a criminalidade não é resultante somente da conduta humana, mas a consequência de um processo em que se atribui uma qualidade à pessoa� c) surgiu nos Estados Unidos, inspirada na escola de Chicago, com a denominação “lei e ordem” ou “tolerância zero”, decorrente da teoria das janelas quebradas, tem como objetivo coibir os pequenos delitos, o que inibiria os mais graves� d) surgiu na Alemanha, no século XIX, defende que o comportamento do criminoso é aprendido, nunca herdado, criado ou desenvolvido pelo sujeito ativo, tem como objetivo identificar e punir rigorosamente o criminoso para servir de exemplo, a chamada prevenção geral� e) surgiu na Inglaterra, está baseada na teoria da subcultura delinquente, ou seja, o comportamento criminoso é um sintoma de dissociação entre as aspirações socioculturais e os meios desenvolvidos para alcançar essas aspirações� 3. Veículos de comunicação em massa de todo o país noticiaram, em 12 de junho de 2012, que a região dorsal da estátua do Cristo Redentor de Belo Horizonte foi pichado naquela madrugada por dois homens, com a inscrição “������ RONADINHO 49” (sic), em homenagem ao novo craque do Clube Atlético Mineiro. O comportamento desses indivíduos é relacionado à teoria sociológica a) da cifra dourada� b) do conflito cultural� c) das áreas criminais� d) da subcultura delinquente� e) do “labelling approach”� Anotações Prof. Pimentel 27 Criminologia • PP M ó d ul o Vitimologia04 Apesar das diversas discussões sobre o status dessa linha de pesquisa, sabe-se que seu surgimento, embora a existência de pequenos trabalhos realizados por Hans Gross em 1901, ocorreu após o genocídio promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, encontrando no advogado israelita Benjamin Meldeson e em Hans Von Heiting suas principais defesas� Contudo, há de se considerar a importância do criminólogo chileno Israel Drapkin na impulsão, durante o 1º Simpósio Internacional de Vitimologia, ocorrido em 1973, sobre os estudos comportamentais e perfis de vítimas potenciais, cujas defesas vieram da articulação com o Direito Penal, a Psicologia e a Psiquiatria� A vitimologia tem por finalidade particularizar um dos objetos de estudo da Criminologia, ou seja, a vítima� Sua intenção é compreender os tipos de vítimas existentes, sua relação com o infrator, formas de prevenção, reparação do dano e, fundamentalmente, colaborar com a queda nos índices de cifras negras, tendo em vista que possui atuação não apenas sobre as vítimas atuantes, mas também, sobre as omissas� Em sua trajetória na história, as vítimas passaram por diversas fases, sendo a primeira delas conhecida como Idade do Ouro ou Protagonismo, fase em que ainda pertencia à vítima a competência pela retaliação ou punição de seu infrator, sendo tal relação entre a vítima e o infrator legitimada pela existência do Código de Hamurabi, cuja máxima é definida pela lei de Talião “Olho por olho, dente por dente”� Durante esse período, a vítima desfrutou de total domínio sobre a pena aplicada ao infrator, vivendo, nesse momento, a vingança privada� Posteriormente, com o surgimento das instituições religiosas e, principalmente, a partir da existência da figura do Estado, a aplicação da pena deixa de ser responsabilidade da vítima para se tornar competência das instituições� Nesse momento, a vítima entra em uma segunda fase, conhecida como Neutralização� A partir de então, coube unicamente à vítima o dever de noticiar o fato danoso, sendo, posteriormente, tratada como mera testemunha de sua própria condição lesiva� No que tange à questão da vingança, a fase da atuação religiosa é conhecida como “vingança divina”� Momento no qual as sanções penais ficavam a cargo dos sacerdotes, responsáveis pela prática das ordálias ou juízo de Deus, isto é, sofrimentos físicos aplicados contra o criminoso a fim de aferir sua culpabilidade� Além disso, haja vista que a infração era entendida como pecado ou afronta às determinações divinas, as ordálias também atendiam uma segunda necessidade: a de expiar o mal� Um pouco mais à frente na História, em razão do fortalecimento do poder estatal de modo mais exclusivo, as vítimas, embora ainda inseridas na fase da neutralização, avançaram para um novo período de vingança, conhecida como “vingança pública”� Momento em que a pena era aplicada pelo Estado em razão de interesses coletivos� Foi nessa fase que inúmeras pessoas foram sentenciadas à pena de morte/suplícios marcados para acontecer em praças públicas, inaugurando o “clico do terror”� É importante compreender que a tomada de poder “institucional” lançada na fase da neutralização, justifica-se pela finalidade da imparcialidade para a aplicação da pena, a qual, gerida pelo Estado, romperia com personalização da rivalidade entre as partes envolvidas� Entretanto, as consequências desse fenômeno foi o oferecimento de uma resposta desapaixonada ou imparcial ao infrator, em detrimento da preocupação em reparar o dano à vítima, a qual figuraria como mero pretexto de acionamento das engrenagens do processo e da pena, colaborando, assim, para a vitimização secundária� Porém, após tanto tempo de desamparo, cujo ápice é atingido quando da incidência de inúmeros crimes cometidos de forma arbitrária e em massa no decorrer da Segunda Guerra Mundial, a vítima, então, deixou sua posição de abandono ou neutralização, para dar entrada em sua terceira fase: O redescobrimento� Nessa fase, a vítima, possuidora do desejo de reparação de seus danos ou de justiça, ganhou o olhar de diversos pesquisadores, entre eles, o precursor das teorias vitimológicas o israelita Benjamin Meldson, considerado o pai do termo vitimologia em 1945, seguido de Frederick Wertham em 1947� Anotações Prof. Pimentel 28 Criminologia • PP Entretanto, a notoriedade de tais pesquisas só foi alcançada com os trabalhos de Hans Von Heiting em 1948, autor de “The Criminal na his Victim”, no qual defendeu a necessidade de uma abordagem mais ampla sobre a relação da vítima e seu infrator, além das possíveis “facilitações ou precipitações” ocasionadas pelas próprias vítimas� Sua chegada ao Brasil ocorreu em 1971, com o estudioso Edgard de Moura Bitencourt, autor da obra “Vitimologia”, publicada em 1964, na cidade de Ribeirão Preto� Por outro lado, há quem afirme ter sido a professora Armida Bergamini Miotto a responsável, por volta de 1970, pela divulgação desses estudos aqui no Brasil� A máxima da defesa sobre as vítimas desse século XX está vinculada ao surgimento da Declaração dos Direitos Humanos em 10 de dezembro de 1948� E, em consonância as proposições mundiais, no Brasil surgiram diversas leis de proteção às vítimas, entre elas: A lei 9�807/99, que protege as vítimas e testemunhas do crime; a lei 8�078/90, relativa as relações de consumo; a lei 9�099/95, que institui os juizados especiais; a lei 9�605/95, que protege as vítimas de crime ambiental; a lei 9�503/97 relativa ao Código de Transito brasileiro� Através das diversas pesquisas realizadas sobre as vítimas, foi possível definirtrês estágios de vitimização: A vitimização primária, a vitimização secundária e a vitimização terciária� A vitimização primária ocorre quando do ato lesivo� Já a vitimização secundária ou sobrevitimização é oriunda das intervenções do sistema legal, ocorrendo quando a notícia do crime é levada até o conhecimento das autoridades competentes, sendo às vítimas oferecido tratamento inadequado ou relapso por parte dos agentes da lei� É nesse momento que, muitas vezes, a vítima revive suas aflições ao ter que apresentar o fato e, principalmente, ao ter que passar por exames de Corpo de Delito, sendo, em algumas circunstancias, apontada como colaboradora ou facilitadora do delito� Não menos importante, há a vitimização terciária, cuja ocorrência se dá no retorno da vítima à sua comunidade, sendo, nesse momento, alvo de severas críticas sobre sua conduta, objeto de julgamentos, represálias, exposições, ou tem que conviver com o agressor� Atribui-se a esse contexto em particular o aumento dos índices de cifras negras ou subnotificação em razão da ausência de incentivos ou pelo medo imposto às vítimas de um crime� Salienta-se que os processos de vitimização secundária e terciária estão intimamente conexos, no que diz respeito aos crimes sexuais, à “cultura do estupro”, compreendida por uma série de atitudes colaborativas à aceitação da violência sexual contra as mulheres, bem como sua relativização� Expostos à vitimização secundária e terciária, inúmeras vítimas passam a alimentar o sentimento de culpa e de responsabilidade pelo ato lesivo do qual se tornaram parte� Sensações como essa são denominadas de heterovitimização, isto é, a autoculpanilização da vítima pela ocorrência lesiva, em cujo contexto, algumas delas acabam se suicidando� Por outro lado, há vítimas que, com o intuito de se protegerem de seus agressores, desenvolvem um instinto de sobrevivência denominado Síndrome de Estocolmo, definido como estado psicológico transitório em que a vítima se cerca de uma relativa afeição pelo seu algoz, tentando conquistá-lo� Finalmente, cabe ainda uma análise sobre os tipos de vítimas, bem como a relação/contribuição delas para a ocorrência do delito – Previsão existente no artigo 59 do Código Penal� Âmbito de abordagem cuja competência é dada à vitimodogmática, a partir da qual é possível inferir na dosimetria da pena, que pode oscilar desde o seu aumento máximo até a isenção do castigo, valendo-se, para tanto, de uma análise que tem na dupla penal (criminoso e vítima) seu objeto particular de inferências� Fases das vítimas Vingança Vitimização Protagonismo Privada Primária Neutralização Divina Secundária Redescobrimento Pública Terciária 1. Classificação das vítimas segundo Benjamim Mendelsohn Vítima completamente inocente ou ideal – (Ex� Raio) Vítima de culpabilidade menor ou por ignorância (Ex� Aborto) Vítima voluntária ou tão culpada quanto o infrator (Ex� Roleta Russa, suicídio) Vítima mais culpada que o infrator (Provocadoras, agressoras ou imprudentes) Anotações Prof. Pimentel 29 Criminologia • PP Vítimas unicamente culpadas: • Infratora (Infrator que morre em razão de uma legítima defesa) • Vítima Simuladora (Acusa alguém para induzir o judiciário ao erro) • Vítima Imaginária (Pessoa que sofre de doença mental e acredita ter sido vítima de algo que nunca ocorreu) 2. Classificação das vítimas segundo Hans Von Henting 1º grupo: criminoso-vítima-criminoso (sucessivamente – Reincidentes) 2º grupo: criminoso-vítima-criminoso (simultaneamente – Usuários/Traficantes) 3º grupo: criminoso-vítima ----------- �(imprevisível – Ex� linchamentos) 3. Classificação das vítimas segundo o Delegado Guaracy Moreira Filho Vítimas inocentes Vítimas natas (Que contribuem para a ocorrência de uma infração� Também conhecidas como provocadoras ou menos culpada que o agressor)� Vítimas omissas Vítimas de política social (Vítimas da má qualidade do serviço público e das infrações cometidas pelos poderosos) Vítimas inconformadas ou atuantes (São aquelas que buscam reparação judicial) 4. Outras classificações: Vitimização indireta: sofrimento de pessoas próximas à vitima; Vítima potencial ou latente: pessoa que se expõe a atos lesivos� Ex� prostitutas, policiais, drogados; Periculosidade vitimal: comportamento inadequado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou provoca ações lesivas; Vítima ilhada: pessoa que se afasta das relações sociais; Vítima perversa: pessoa com problemas mentais, com particular ausência de afeto; Vítima simbólica: vítimas historicamente conhecidas� Ex� Tiradentes, Joana D´Arc; Vítimas intrafamiliar: vítimas de pessoas/parentes próximos, em especial nos casos de violência física ou sexual; Vítimas coletivas ou anônimas: quando há um número indeterminado de vítimas; Vitrolagem: Lesão corporal por Ácido Sulfúrico� Iter Victimae Percurso seguido por um sujeito até que se converta em vítima, ou seja, é o conjunto de etapas atravessadas até o momento da vitimização� São eles: Intuição (quando a pessoa sente que pode ser vítima); Atos preparatórios (quando a pessoa passa a se preocupar em se proteger); Início da execução (quando a vítima começa a operacionalizar a sua defesa); Execução (quando a vítima, de fato, executa sua defesa); Consumação (quando da ocorrência da infração, na qual há o êxito da vítima com a consumação do crime tentado)� Anotações Prof. Pimentel 30 Criminologia • PP PREVENÇÃO DO DELITO Considerando ser o delito um doloroso problema social e comunitário, a moderna Criminologia defende ser a ressocialização do delinquente, a reparação do dano e a prevenção do crime como objetivos de primeira magnitude, tendo em vista que a mera aplicação do castigo ao infrator já demonstra ser insuficiente às necessárias respostas para o fenômeno criminológico� Há tempos que estudiosos da criminologia atestam que a prevenção ou a antecipação sobre o delito são mais eficientes que sua repressão� Todavia, tais afirmações são, muitas vezes, carentes de conteúdo� Sabe-se, entretanto, que no intuito de alcançar o verdadeiro objetivo do Estado de Direito, é imprescindível a utilização de medidas que atinjam diretamente e indiretamente o delito, sendo a primeira medida voltada para as causas do crime, isto é, para as práticas profiláticas que atuam sobre o indivíduo e sobre o meio em que ele vive� Já a segunda está voltada para a infração penal, ou seja, para as práticas de repressão e controle� Nessas circunstâncias, surgiram como resposta às tentativas de intervenção sobre o delito, os modelos de prevenção primária, secundária e terciária� A prevenção primária, considerada a mais eficaz e de responsabilidade tanto do poder público como da sociedade em geral, possui como campo de atuação os meios informais de controle, entre eles, a família, educação, trabalho, bem-estar social, qualidade de vida e religião� Com atuação de longo a médio prazo, tal prevenção tem por finalidade agir na raiz do conflito, de modo que seja possível sua neutralização antes mesmo de sua ocorrência� Dessa forma, considera-se que o êxito da prevenção primária ocorre quando o indivíduo possui condições dignas de existência e sofre as interferências informais de seus sistemas para que adote comportamentos aceitáveis às exigências de sua coletividade, possibilitando, assim, uma resolução produtiva de seus conflitos� Em segundo plano, surge à prevenção secundária, que ocorre onde e quando o delito se exterioriza� Para tanto, se faz oportuna a atuação policial e dos meios formais de controle, os quais operam sobre os grupos e subgrupos que ostentam maior risco à sociedade� Seus resultados são de médio a curto prazo, seguindo uma orientação altamente seletiva� Por último, há a prevenção terciária, que possui destinatário identificável, ou seja, o recluso ou condenado� Considerada uma intervenção tardia e de caráter punitivo, tem por finalidade específica evitar a reincidência, completando assim as modalidades de prevenção ao delito�Sabe-se, ainda, da existência de técnicas de prevenção situacional, cujo propósito é a diminuição de oportunidades que colaboram com a ocorrência delitiva� São elas: esforço (obtida, por exemplo, através de barreiras físicas ou pessoais como muros altos, vigilantes, cadeados, alarmes, portas, etc�); Risco (ocorre através do controle de entradas e saídas a fim de inibir e/ou deter aqueles que cumprem os requisitos para entrar e/ou sair de determinado local, como, por exemplo, com a utilização de dispositivos de segurança em mercadorias, câmeras de segurança, etc�); Recompensa (técnica cuja finalidade é reduzir o estímulo do infrator sobre suas condutas, em especial, as subtrações, que não compensam em razão do baixo ganho advindo da opção por cartões de crédito, número de séries, etc); Sentimento de culpa (técnica obtida através de campanhas de sensibilização)� CONTROLE SOCIAL Dividido em instâncias formais e informais, o controle social são os mecanismos utilizados pela sociedade com a finalidade de moldar ou “pressionar” o indivíduo para que esse adote um comportamento compatível com as normas e valores estabelecidos pela coletividade, possibilitando, dessa forma, uma convivência mais pacífica ou coerente entre seus membros� As instâncias informais de controle social atuam de modo disciplinador sobre o indivíduo desde seu nascimento, condicionando-o às regras de sua comunidade� Para tanto, são úteis sistemas como família, religião, trabalho, escola, entre outras� Não tão sutis e com atuação a partir da ineficiência das instâncias informais, estão as instâncias formais de controle, as quais atuam de modo coercitivo sobre o indivíduo a fim de neutralizá-lo ou coibir suas práticas lesivas sobre a coletividade� Anotações Prof. Pimentel 31 Criminologia • PP Compõem as instâncias informais de controle as instituições como Polícia (1º seleção), Ministério Público (2º seleção), Justiça/Poder Judiciário (3º seleção) e/ ou Administração Penitenciária, cujo critério de seleção ocorre em razão de sua competência e poder de atuação� Da integração entre instancias formais e informais surge a Polícia Comunitária� Por fim, com o avanço das abordagens criminológicas, surgem novas compreensões acerca das formas de controle social, as quais, além de suas tradicionais divisões em “formais” e “informais”, passam a ser administradas também como “controle positivo” e “controle negativo”, isto é, métodos aplicados sobre determinada conduta através de premiações para incentivar o que é considerado bom ou sanções/punições para o que é reprovável� Além deles, há o “controle interno”, ou seja, a autodisciplina dos sujeitos em sociedade, e o “controle externo”, que ocorre quando a autodisciplina falha, como, por exemplo, no caso das multas de trânsito� TEORIA DA REAÇÃO SOCIAL O resultado da ocorrência de um crime é a reação social (estatal), cuja finalidade é oferecer uma adequada resposta ao delito� Nesse contexto, surgem diversos modelos de resposta ao delito ou sistemas de justiça criminal, entre os quais, destacam-se: o modelo dissuasório (retributivo, penal ou clássico), fundamentado nas concepções do direito penal clássico, cuja finalidade é a repressão por meio da punição ao infrator, portanto, possui forte tendência intimidatória sobre os imputáveis e semi-imputáveis, pois aos inimputáveis devem ser utilizados os meios de tratamento e intervenção psiquiátrica� Nessa linha de defesa não cabe atenção às vítimas e/ou à comunidade, as quais passam por uma situação de abandono, desprovidas de objetivos estatais como a reparação do dano e/ou a ressocialização do infrator; O modelo ressocializador, que tem por base a aplicação de ações positivas sobre a pessoa do infrator/preso, objetivando sua reintegração à comunidade� Nesse modelo, é fundamental a participação da sociedade no que tange a ocorrência de estigmas – visando evitá-los� Por último, a o modelo restaurador, integrador ou consensual, cuja proposta é contemplar diversos interesses e expectativas das partes envolvidas no problema criminal� Conhecido como “justiça restaurativa”, esse modelo tenta restabelecer as circunstâncias anteriores ao fato delitivo� Para tanto, atua na reeducação do infrator (evitando sua estigmatização), na assistência e reparação dos danos ocasionados à vítima e no controle social, da melhor maneira possível e preferencialmente, através de uma intervenção mínima com a adoção de métodos alternativos para a resolução do problema, de modo que o encarceramento seja a última opção (minimalismo penal)� Modelo presente na criação e no trato das infrações de menor potencial ofensivo, cujo procedimento adotado é o termo circunstancial, e na Lei 12�403/11, que prevê a concessão de fiança arbitrada pela autoridade policial nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja maior que 4 anos� TEORIAS DA PENA Teoria absoluta (Ligada às doutrinas de contribuição ou expiação) Teoria balizada pela imposição do castigo/punição como forma de expiação do delito� Possui caráter social-negativo, haja vista seu afastamento da finalidade de ressocialização do delinquente ou de prevenção da criminalidade� Teoria Relativa (Prevenção geral e Prevenção especial ou individual) Prevenção Geral Positiva: Destinada a todos os cidadãos, intenciona que seu êxito seja atingido mediante a existência da ameaça da pena, sua imposição e cumprimento, de modo que isso estabeleça confiança no Direito� Prevenção Geral Negativa: Destinada a todos os cidadãos, visa a utilização da ameaça de uma pena como forma de intimidação aos delinquentes em potencial, como, por exemplo, o crime de embriaguez ao volante� Prevenção Especial Positiva: Direcionada ao delinquente, possui caráter pedagógico em razão do propósito de evitar a reincidência através de sua ressocialização� Prevenção Especial Negativa: Direcionada ao delinquente, é atravessada pelo princípio da neutralização mediante a segregação do delinquente com a privação de sua liberdade, evitando a reincidência� Teoria mista, eclética ou unificadora (Síntese das teorias absolutas e relativas)� Tem por objetivo fazer com que a pena seja capaz de retribuir ao condenado o mal por ele praticado (retribuição), sem prejuízo de desestimular a prática de novos ilícitos penais (prevenção)� (Teoria adotada no Brasil)� Anotações Prof. Pimentel 32 Criminologia • PP CIFRAS CRIMINAIS DA CRIMINOLOGIA Cifras Negras, criminalidade oculta ou subnotificação: Conjunto de crimes que não chegam ao conhecimento do Estado, portanto, não são apurados e/ou punidos� Cifras Cinzas: Crimes que chegam ao conhecimento da Autoridade Policial, mas as partes se compõem ainda na Delegacia, ou que não seguem em razão da renúncia do direito de representação� Cifras Amarelas: Crimes praticados com violência e arbitrariedade policial, sendo que os órgãos fiscalizadores não tomam conhecimento� Cifras Verdes: Crimes ambientais, cuja autoria permanece desconhecida� Cifras Douradas: Crimes praticados por criminosos do colarinho branco� Cifras Brancas: Crimes apurados e solucionados QUESTÕES 01. O comportamento inadequado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou provoca a ação de seu verdugo é denominado a) vitimização secundária� b) vitimização primária� c) vitimologia� d) vitimização terciária� e) periculosidade vitimal� 02. Os “crimes de colarinho branco” são delitos conhecidos na Criminologia por a) crimes de menor potencial ofensivo� b) cifras cinza� c) cifras amarelas� d) cifras douradas� e) crimes contra a dignidade social� 03. Entende(m)-se por prevenção primária a) aquela dirigida exclusivamente ao preso, em busca de sua reinserção familiar e/ ou social� b) o trabalho de conscientização social, o qual atua no fenômeno criminal, em sua etiologia� c) as políticas públicas dirigidas aos grupos de risco� d) aquela que age em momento posterior ao crime ou na iminência de seu acontecimento� e) as ações policiais dirigidas aos indivíduosvulneráveis� 04. No que concerne à prevenção do delito, de acordo com o Código Penal Brasileiro, assinale a alternativa correta. a) O legislador penal brasileiro adotou a teoria mista, também denominada eclética ou unitária da pena� b) A função da pena é unicamente repressiva, sendo irrelevante sua adequação em face do delinquente individualmente considerado� c) A função da prevenção especial da pena consiste principalmente a intimidação dos propensos a delinquir� d) A função da prevenção geral da pena consiste principalmente em reeducação do condenado bem como em sua ressocialização� e) A função da pena é unicamente preventiva, sendo irrelevante sua adequação em face do delinquente individualmente considerado� Anotações Prof. Pimentel 33 Criminologia • PP M ó d ul o Questões Complementares05 MÓDULO 01 1. A Escola Clássica a) Tem em Garófalo um dos seus precursores� b) baseia-se no método empírico-indutivo� c) crê no livre arbítrio� d) surge na etapa científica da Criminologia� e) criou a figura do criminoso nato� 2. A Escola Positiva: a) crê no determinismo e defende o tratamento do criminoso� b) tem em Bentham um de seus precursores� c) foi consolidada por Carrara� d) baseia-se no método dogmático e dedutivo� e) surgiu na etapa pré-científica da Criminologia� 3. Trata-se do autor da teoria do “Delinquente nato” formulada após a realização de centenas de autópsias em delinquentes mortos e milhares de exames em delinquentes presos: a) Ferri b) Pinel c) Lombroso d) Garófalo e) Bentham 4. A denominada Teoria Clássica, pautada nas ideias e nos ideais iluministas, extraiu seus postulados: a) Do jusnaturalismo b) Do positivismo jurídico c) Da estatística d) Da psicologia analítica e) Da sociologia criminal 5. A primeira doutrina que, precedendo a neuropsiquiatria, tratou de localizar no cérebro humano as diversas funções psíquicas do homem e explicar o comportamento do criminoso como consequência de malformações cerebrais foi: a) Fisionomia b) Frenologia c) Antropologia d) Antropometria e) Endocrinologia 6. A obra clássica de Cesare Bonesana tem o seguinte título: a) Utopia� b) A origem das espécies� c) O homem delinqüente� d) O Estado das prisões� e) Dos delitos e das penas Anotações Prof. Pimentel 34 Criminologia • PP 7. Rafael Garófolo, um dos precursores da ciência da Criminologia, tem como sua principal obra o livro intitulado: a) Criminologia� b) A Criminologia como ciência� c) Política Criminal� d) A ciência da Criminologia� e) O homem delinquente� 8. A criminologia é uma ciência que dispõe de leis: a) imutáveis e evolutivas� b) inflexíveis e evolutivas� c) permanentes e flexíveis� d) flexíveis e restritivas� e) evolutivas e flexíveis� 9. Dentre as ideias defendidas pelo Marquês de Beccaria, relativamente aos delitos e às penas, a pena deveria: a) ser prontamente imposta para que o castigo pudesse relacionar-se com o crime� b) ser imposta somente após um período de prisão do deliquente para que este pudesse refletir sobre seus atos� c) sempre ser imposta de forma a configurar um confisco de bens do delinqüente� d) ser imposta de forma a corresponder a uma ação ofensiva igual àquela praticada pelo ofensor� e) imposta somente pelo Santo Ofício da Inquisição� 10. “L’uomo delinquente” ou “O homem delinquente” é uma obra clássica da criminologia, de autoria de : a)Marquês de Beccaria� b) Césare Lombroso� c) Francesco Carrara� d) Pellegrino Rossi� e) Enrico Pessina� 11. A criminologia geral consiste___________; e a criminologia clínica consiste na_________ � Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas� a) no estudo do crime e do criminoso, mas não serve para subsidiar a elaboração das leis penais ��� análise da vítima e da conduta social para subsidiar no planejamento das políticas criminais b) no estudo da vítima e da conduta social, subsidiando a elaboração dos tipos penais ��� análise do crime e do criminoso para servir no planejamento das políticas criminais c) no estudo do comportamento da vítima e do delinquente, traçando uma relação de causalidade sem que, contudo, influencie na elaboração de legislação correlata ��� análise dos crimes, tanto em quantidade como em qualidade para servir no planejamento das políticas criminais d) na relação sistemática do poder público quanto à elaboração de leis que procuram evitar o crime e sua reincidência ���análise e estudos da vítima e sua participação no delito e) na sistematização, comparação e classificação dos resultados obtidos no âmbito das ciências criminais acerca de seus objetos ��� aplicação dos conhecimentos teóricos daquela para o tratamento dos criminosos Anotações Prof. Pimentel 35 Criminologia • PP 12. Assinale a alternativa correta, a respeito da Criminologia. a) Constitui seu objeto a análise apenas o delito e o delinquente, ficando o estudo da vítima sob a alçada da psicologia social� b) São características fundamentais de seu método o dogmatismo e a intervencionalidade� c) É uma técnica de investigação policial, que faz parte das Ciências Jurídicas� d) São suas finalidades a explicação e a prevenção do crime bem como a intervenção na pessoa do infrator e avaliação dos diferentes modelos de resposta ao crime� e) É uma ciência dogmática e normativista, que se ocupa do estudo do crime e da pena oriunda do comportamento delitivo� 13. O Crime é um fato tão antigo como o homem e sempre fascinou e preocupou a humanidade. Modernamente, a Criminologia em sentido estrito, é uma disciplina que apresenta muitos estudiosos, entre eles, Lombroso, Garófalo e Ferri, os quais: a) Estudaram a prevenção Penal b) Analisaram a delinquência Juvenil de Chicago c) Utilizaram o método de investigação empírico-indutivo� d) Contribuíram com estudos profundos para a Criminologia Clássica ou tradicional e) Criaram as ideias fundamentais das teorias subculturais da década de 50 (menores marginalizados)� 14. Autor de orientação criminológica prepositiva, tendo em conta a Fisionomia, particularmente conhecido como teoria “retrato robô” também denominado de “homem de maldade natural”, ou seja, o estudo da aparência externa do indivíduo, ressaltando a interação entre o somático e o psíquico. a) Howard (1726-1790) b) Bentham (1726-1832) c) Gall (1758-1828) d) Lavater (1741-1801) e) CubiY Soler (1801-1875) 15. A teoria da Fisionomia, na práxis é conhecida como_________¬_(“Quando se tem dúvida entre dois presumidos culpados, condena-se o mais feio”)� a) Édito de Valério b) Darwinismo c) Frenologia d) Atavismo e) Fisiognomia 16. A Frenologia é precursora da moderna Neurofisiologia e da Neuropsiquiatria. O autor abaixo procurou explicar o comportamento criminoso como consequência da malformação cerebral, elaborou um mapa cerebral dividindo-o em 38 regiões: a) Howard (1726-1790) b) Bentham (1748-1832) c) Gall (1758-1828) d) Lavater (1741-1801) e) Cubi Y Soler (1801-1875) 17. É natural de Maiorca, autor do Manual de frenologia, em 1843, referindo-se ao “Criminoso nato” antes de Lombroso, e caracterizou este “subtipo humano” não só pelos estigmas físicos, senão também pelos traços psicológicos de sua personalidade. a) Gall b) Cesar Lombroso c) Cubi Y Soler d) Lavater e) Virgílio Anotações Prof. Pimentel 36 Criminologia • PP 18. É pioneiro da incipiente ciência Penitenciária, analisou, descreveu e denunciou a realidade penitenciária europeia do século XVIII, conseguindo importantes reformas penais: a) Bentham b) Howard c) Gall d) Lavater e) Quetelet 19. É pioneiro da incipiente ciência Penitenciária, analisou, descreveu e denunciou a realidade penitenciária europeia do século XVIII, formulou a tese da reforma do delinquente como fim prioritário da Administração, assim como da necessidade de valer-se do emprego estatístico: a) Haward b) Bentham c) Pinel d) Della Porta e) Thompson 20. É fundador no campo da Psiquiatria. Realizou os primeiros diagnósticos clínicos separando os delinquentesdos enformos mentais: a) Esquirol b) Pinel c) Prichard d) Gall e) Lavater 21. Psiquiatra que estudou as manias, sendo criador do conceito de monomania� a) Pinel b) Esquirol c) Quetelet d) Prichard e) Gall 22. Autor que dois anos antes de Lombroso utilizou a expressão “criminoso nato”: a) Esquirol b) Thompson c) Darwim d) Virgílio e) Cubi Y Soler 23. Autor pertencente à Escola Cartográfica ou Estatística Moral, genuíno precursor do positivismo sociológico e do método estatístico, cria a concepção do delito como fenômeno coletivo e fato social, regular e normal, regido por leis naturais, como qualquer outro acontecimento, e que deve ser submetido a uma análise quantitativa: a) Virgílio b) Lavater c) Quetelet d) Pinel e) Kropotkin Anotações Prof. Pimentel 37 Criminologia • PP 24. Sustentou o caráter hereditário da degeneração: a) Quetelet b) Cubi Y Soler c) Thompson d) Mayhew e) Gall 25. Considerado o “pai da moderna sociologia Criminal”, autor do livro_________ e da teoria___________, defendeu suas teorias sob a ótica da escola__________. a) Lei de Saturação Criminal (1884), Sociologia Criminal, clássica� b) Física Social, Leis Térmicas, escola positiva� c) Sociologia Criminal (1884), Lei de Saturação Criminal, escola positiva� d) Sociologia Criminal, leis térmicas, escola positiva� e) Lei de Saturação Criminal, Física social, escola clássica� 26. A Criminologia contemporânea: a) É uma disciplina empírica e multidisciplinar apenas� b) É uma ciência dedutiva e interdisciplinar c) É fundamentada na experimentação e na multidisciplinaridade� d) É uma ciência empírica e interdisciplinar e) É uma ciência normativa que faz uso do método dedutivo em sua análise do fenômeno criminológico� 27. Para a criminologia, o crime é um fenômeno: a) Filosófico e comunitário b) Normativo c) Social e comunitário d) Considerado uma epidemia dentro da sociedade e) Social e Filosófico 28. Escola_____________pertencente à fase_________da criminologia, defensora do_________como explicação para o cometimento da infração. Utiliza o método_______ em sua análise sobre o crime, tendo______como um de seus pesquisadores, autor do livro______� a) Positiva, científica, Determinismo biopsicossocial, dedutivo, Cesar Lombroso, o homem delinquente� b) Clássica, científica, Livre-arbítrio, lógico-dedutivo, Cesar de Bonesana, o homem delinquente� c) Positiva, científica, Determinismo biopsicossocial, indutivo, Cesar de Bonesana, o homem delinquente� d) Clássica, pré-científica, Livre-arbítrio, lógico-dedutivo, Francesco Carrara, Dos delitos e das Penas� e) Clássica, pré-científica, Livre- arbítrio, lógico-dedutivo, Cesar de Bonesana, Dos delitos e das Penas� 29. Principais contestadores de Cesar Lombroso: a) Enrico Ferri e Cesar de Bonesana b) Charles Goring e Quetelet c) Rafael Garófalo e Lavater d) Agostinho Germelli e Charles Goring e) Agostinho Germelli e Cubi Y Soler� Anotações Prof. Pimentel 38 Criminologia • PP 30. Sobre a Criminologia é correto afirmar que: a) Ela não é considerada uma ciência para a maior parte dos autores b) Tal conhecimento encontra-se inteiramente subordinado ao Direito Penal c) Ela ocupa-se do estudo do delito e do delinquente, mas não se ocupa do estudo da vítima e do controle social, uma vez que tal assunto constitui objeto de interesse da Sociologia d) Ela ocupa-se do estudo do delito e do controle social, mas não se ocupa do estudo do delinquente e da vítima, uma vez que tal assunto constitui objeto de estudo da Psicologia� e) Ela constitui um campo fértil de pesquisas para psiquiatras, psicólogos, sociólogos, antropólogos e juristas� 31. Com a alteração da Lei 7�210/84, o exame criminológico passou a ser: a) Proibido para fins de progressão do regime; b) Dispensável para fins de regressão do regime; c) Obrigatório para concessão de benefícios; d) Proibido para fins de regressão da pena e) Dispensável para fins de progressão do regime 32. Pioneiro da Criminologia Clínica na América Latina, fundou, em 1907, o Instituto de Criminologia Penitenciária Nacional de Buenos Aires, dividido em três departamentos: Etiologia Criminal, Clínica Criminológica e Terapêutica Criminal: a) José Ingenieros b) Rosa Del Omo c) Raimundo Nina Rodrigues d) João Vieira de Araújo e) Lombroso 33. Sobre a escola positivista da criminologia, é correto afirmar: a) A escola positivista ainda não chega a considerar a concepção da pena como meio de defesa social, que é própria de escolas mais modernas da criminologia� b) Sua recepção no Brasil recebeu contornos racistas, notadamente no trabalho antropológico de Nina Rodrigues� c) É uma escola criminológica ultrapassada e que já influenciou a legislação penal brasileira, mas que após a Constituição Federal de 1988 não conta mais com institutos penais influenciados por esta corrente� d) Por ter enveredado pela sociologia criminal, Enrico Ferri não é considerado um autor da escola positivista, que possui viés médico e antropológico� e) O método positivista negava a importância da pesquisa empírica, que possivelmente a levaria a resultados diversos daqueles encontrados pelos seus autores� MÓDULO 02 1. Idealizador____________, analisou as infrações criminais a partir de um princípio denominado___________� Seus estudos colaboraram na compreensão sobre a trajetória ou desenvolvimento da criminalidade, definida como_________. Faz parte da fase pré-científica da criminologia. As lacunas podem ser preenchidas corretamente com: a) da sociologia criminal; lei de saturação criminal; substitutivos penais� b) do homem médio; lei de saturação criminal; curva agregada da idade c) do homem médio; leis térmicas; curva agregada da idade d) da sociologia criminal; leis térmicas; substitutivos penais e) homem médio; leis térmicas; substitutivos penais Anotações Prof. Pimentel 39 Criminologia • PP 2. Defina Edipismo a) prazer sexual pela ingestão do sangue do parceiro b) prazer sexual ligado às fezes c) atração sexual por pessoas sujas d) desejo de se esfregar em outrem e) tendência sexual ao incesto 3. Definida como ______________, é nessa fase que ocorre grande parte dos comportamentos criminais pelos dependentes químicos� a) teoria de Maslow b) síndrome de Estocolmo c) síndrome amotivacional d) Abulomania e) síndrome motivacional 4. Segundo a escola clássica: a) Havia a preocupação com a gênese do delito e com as formas adequadas de preveni-lo b) Preocupou-se com os aspectos sociológicos e psicológicos do criminoso c) A pena é um mal injusto que se contrapõe a um mal justo representado pelo crime d) A responsabilidade penal está relacionada ao determinismo, sendo o infrator prisioneiro de uma patologia e de processos alheios e) Dividiu-se em dois períodos: Filosófico/teórico representado por Cesar de Bonesana e Jurídico ou prático representado por Francesco Carrara 5. Nas palavras de enrico Ferri: “Em torno dessa entidade jurídica abstrata, o pensamento clássico propôs um simétrico de normas repressivas, com o fundamento único da lógica abstrata e apriorística”. A partir do exposto, defina o método apriorístico: a) Método indutivo-experimental, muito utilizado pelos positivistas b) Método dedutivo-dogmático, utilizado pelos clássicos c) Método indutivo-dogmático, utilizado pelos positivistas d) Método dedutivo-experimental, utilizado pelos clássicos 6. A Escola ______________representa uma inevitável ponte de ligação entre a Criminologia Tradicional (Clássica) e a Criminologia Moderna (Positiva). a) Escola Antropológica de Darwim b) Escola de Lyon de Lacassagne c) Escola Cartográfica ou Estatística Moral, fundada, entre outros, por Garry d) Escola de Marburgo ou Jovem escola alemã de Política Criminal de Franz Von Liszt 7. Estuda as causas do crime e os efeitos da pena, oferecendo aos Poderes Públicos opções científicas adequadas para o controle da criminalidade, transformando a experiência criminológica em opções e estratégias concretas� a) O Direito Penal c) A Criminologia d) A escola ou movimentode Defesa Social e) A Política Criminal 8. Preocupou-se em compreender a realidade para interpretá-la criando, assim, soluções e formas preventivas do delito e ainda em diagnosticar o fenômeno criminal bem como definir a tipologia do criminoso. Assinale a opção adequada aos propósitos de análises� a) Criminologia Tradicional b) Criminologia Moderna c) Criminologia Crítica d) Criminologia Clínica Anotações Prof. Pimentel 40 Criminologia • PP 9. Ciência empírica e interdisciplinar que estuda o delito, os fatores criminógenos que incidem na conduta do criminoso, a vítima e o controle social, cuja finalidade é: a) Punição do delito, reparação do dano à vítima e ressocialização do delinquente� b) Prevenção delitiva e ressocialização do delinquente, apenas� c) Punição do delito, reparação do dano em todos os casos e internação do delinquente� d) Prevenção do delito, reparação do dano à vitima e ressocialização do delinquente� 10� Quase em sua totalidade cometem pequenos furtos e estelionatos, vindo a se arrepender do crime praticado. Logo, assim que retornam à liberdade tendem a não mais delinquir. A definição exposta faz referência ao criminoso, segundo o professor Candido Morta: a) Habitual b) Ocasional d) Fronteiriço e) Loucos 11. Linha de concepções criminológicas que está comprometida com investigações que têm por propósito verificar a influência de certas substâncias, como a testosterona e vitaminas, no comportamento humano: a) Biotipologia b) Endocrinologia c) Sociobiologia d) Genética Criminal e) Teoria ambientalista da agressividade 12. Considerado pseudo ou falso criminoso, sofrem interferências exclusivamente sociais em sua conduta delitiva, tornando-se inimputável: a) Mesocriminoso Puro, segundo Candido Mota b) Biobriminoso Puro, segundo Hilário Veiga de Carvalho c) Sintomático, segundo Odon Maranhão d) Mesocriminoso Puro, segundo Hilário Veiga de Caravalho e) Ocasional, segundo Candido Mota 13� São Considerados criminosos inimputáveis: a) Os Caracterológicos, os Impetuosos e os habituais b) Os Fronteiriços e Loucos, mesocriminosos puro c) Os Loucos, os mesocrimonosos puro e os biocriminosos puro d) Os habituais, os ocasionais e os fronteiriços 14. Negou a existência de um tipo físico de delinquente. Antagonista de Lombroso e partidário de um estudo biométrico de base estatística, afirmou não ter encontrado discrepâncias significativas, no que concerne aos estigmas degenerativos, entre a população criminosa e não criminosa: a) Sheldon b) Di Tullio c) Haward Hooton d) Göring e) Newman 15. Determine os fatores condicionantes biológicos para a ocorrência lesiva a) Ego Fraco ou abúlico, mimetismo, espírito de rebeldia b) Insensibilidade moral, antropometria e genética criminal c) Promiscuidade, desorganização social e neurofisiologia d) Antropologia, endrocrinologia e bioquímoco Anotações Prof. Pimentel 41 Criminologia • PP 16. Ligado à biotipologia, Kretschmer afirma a correlação entre o tipo físico do indivíduo e o caráter, isto é, a correlação morfo-psicológica a partir das subdivisões: a) Endomorfo, Mesomorfo e Leptossomático b) Pícnico, Mesomorfo e Ectomorfo c) Pícnico, Atlético e Leptossomático d) Endomorfo, Mesomorfo e Ectomorfo 17. Sistema criado no século XIX acabou sendo adotado pela polícia e presídios quando na realização de foto sinalética de frente e perfil esquerdo do criminoso. Cite a alternativa correta a) Biotipologia b) Antropologia c) Endrocrinologia d) Antropometria 18. De grande influência na América espanhola, a escola_________________ defende que o criminoso é um ser inferior e incapaz de se governar por si próprio, merecendo do Estado uma atitude pedagógica e de piedade: a) Escola Correcionalista b) Escola Clássica c) Escola Positiva d) Escola ou movimento de Defesa Social 19. Com raízes no século XIX, a escola positiva é dividida em três fases: a) Biotipológica, sociológica e jurídica b) Antropológica, sociológica e jurídica c) Antropológica, utilitarista e dedutiva d) Pré-científica e científica 20. Segundo Lombroso, os criminosos são divididos em: a) Habitual, ocasional, impetuoso, fronteiriço e louco b) Biocriminoso puro, biocriminoso preponderante, mesobiocriminoso, mesocriminoso puro e mesocriminoso preponderante� c) Caractereológico, ocasional e sintomático� d) Nato, louco, ocasional e passional e) Nato, louco, ocasional, habitual e passional 21. Criminoso portador de personalidade patológica, caracterizada por pobreza nas reações afetivas, conduta antissocial inadequadamente motivada, carência de valor, ausência de delírios, falta de remorso e senso moral, incapacidade de controlar os impulsos e aprender pela experiência e punição, denomina-se: a) Delinquente essencial b) Psicopata c) Esquizofrênico d) Abúlico 22. Segundo a Psicologia Criminal, sobre crimes passionais, é correto afirmar: a) São muito raros e, por isso, não merecem uma atenção muito específica das autoridades policiais� b) Envolvem apenas homens, ilustrando o fator cultural machista nesses crimes� c) Na maioria dos casos, os agressores possuem motivações legitimadas pela polícia� d) São crimes que atravessam questões culturais, que, por sua vez categorizam gêneros� Anotações Prof. Pimentel 42 Criminologia • PP 23. A partir da obra “Física Social”, o crime foi considerado: a) Algo anormal, cometidos ano a ano, sem condicionantes da prática delitiva� b) Um fenômeno social, sem condicionantes e natural� c) De intensidade regular e com vários condicionantes naturais� d) Normal, sem intensidade e com poucos condicionantes naturais� 24. Segundo José Maria Marlet, são fatores somáticos que influenciam a criminalidade: a) Sexo, idade, raça, ritmo cerebral e genética b) Sexo e genética, apenas c) Ego fraco, mimetismo e necessidade de notoriedade d) A biotipologia MÓDULO 03 1. São teorias do conflito as teorias a) das áreas criminais, da identificação diferencial e da criminologia crítica� b) da anomia, da neutralização e das áreas criminais� c) do conflito cultural, do etiquetamento e da associação diferencial d) da associação diferencial, da subcultura e do estrutural-funcionalismo e) da criminologia crítica, da rotulação e da criminologia radical� 2. A corrente de pensamento criminológico que critica a exibição de cenas em televisão e cinema, de abuso de drogas ilícitas, prática de roubos, sequestros, bem como outras condutas delituosas, alcançando seus protagonistas o status de “heróis” ou “justiceiros”, fomentando sua imitação pelas pessoas, principalmente jovens, é a teoria a) da Reação social b) da Identificação diferencial c) da criminologia radical d) da Associação diferencial e) da Criminologia crítica 3. De acordo com a sociologia Criminal, pode-se citar como exemplo da Teoria de Consenso: a) Teoria crítica b) Teoria radical c) Teoria das janelas quebradas d) Teoria da Associação diferencial e) Teoria do conflito 4. Uma das mais importantes teorias do conflito; surgiu nos Estados Unidos nos anos de 1960, e seus principais expoentes foram Erving Goffman e Howard Becker. Trata-se da a)Teoria do labbeling approach b) Teoria da subcultura delinquente c) Teoria da desorganização social d) Teoria da anomia e) Teoria das zonas concêntricas 5. Assinale a alternativa que retrata a Escola de Chicago (Teoria Ecológica) a) Faz enfoque ambientalista com claras conotações ecológicas que surgiram na década de 60, como reação aos métodos psicológico-clínicos� b) Admite que o delito é um comportamento normal cometido por qualquer pessoa de qualquer camada da pirâmide social� Anotações Prof. Pimentel 43 Criminologia • PP c) É uma Escola Clássica baseada em velhos métodos científicos, originários do pensamento filosófico� d) Pertencente à escola clássica, defende ser o crime resultado da desorganização das grandes cidades� e) Faz estuo social das grandes cidades, no tocante ao desenvolvimento urbano de civilização industrial, relacionado à morfologia da criminalidade� 6. Política Criminal que defendera aplicação de penas mais severas aos crimes menores a fim de que seja possível evitar os maiores. a) Escola ou movimento de Defesa Social� b) Teoria Subcultural c) Teoria da identificação Diferencial d) Tolerância Zero e) Teoria da Neutralização 7. Teoria defendida por George L� Kellling, a qual faz uma relação de causalidade entre a impunidade dos menores delitos e o cometimento de crimes maiores. a) Teoria da Neutralização b) Teoria Ecológica� c) Teoria das Janelas Quebradas d) Teoria das “atividades rotineiras” (Teoria da oportunidade) e) Teoria do etiquetamento 8. É considerado o pai da Política Criminal. Sua principal obra é intitulada “Princípios de Política Criminal”, a qual foi publicada em 1889. Destaca-se seu “Programa de Marburgo” a) Gabriel Tarde b) Franz Von Liszt c) Quetelet d) Cubi Y soler e) Albert K� Cohen 9. São autores da Escola de Defesa Social: a) Gramática e Mark Ancel b) Robert Park c) Edwin Sutherland d) Erving Goffiman e) Lacassagni 10. Autor do “Pensamento Psicossociológico”, antecipou alguns postulados da sociologia norte-americana, a partir de um aberto enfrentamento do positivismo. a) Ernest Burgues b) Benjamin Mendelsohn c) Cesar de Bonesana d) Gabriel Tarde e) Della Porta 11. A escola de Chicago, berço da moderna sociologia criminal, não obstante não trate especificamente de violência, mas sim, da criminalidade urbana, tem como temática preferida o estudo daquilo que poderíamos denominar a “sociologia da grande cidade”, a análise do desenvolvimento urbano, da civilização industrial e, correlativamente, a morfologia da criminalidade nesse novo meio”, é também conhecida como: a) Teoria do etiquetamento b) Teoria Labelling Approach c) Teoria do conflito d) Teoria Ecológica e) Teoria subcultural Anotações Prof. Pimentel 44 Criminologia • PP 12. Os defensores dessa teoria afirmam que o comportamento criminoso e a delinquência são frutos de um processo de aprendizagem através dos meios de comunicação e da convivência. Sendo que tal prática é aprendida como qualquer outra atividade lícita. a) Teoria Ecológica b) Teoria da Associação Diferencial ou teoria da aprendizagem� c) Teoria da identificação diferencial d) Teoria Psicossocial de Tarde e) Escola Cartográfica 13. Criminoso que não domina sua tempestade psíquica, sua superexcitação, tem debilidade do senso moral, agravada pelos aspectos emocionais e psíquico-neurótico. É imputável, profundamente recuperável, não é reincidente, sendo o arrependimento sua maior característica. Geralmente se suicidam após o crime. a) Nato b) Habitual c) Ocasional d) Passional e) Inimputável 14. A sociedade, como um todo, é formada por diversos sistemas de normas e valores dentro de si mesma, sendo que tais grupos se organizam com seus próprios valores e normas de condutas aceitas como corretas em sei meio. Assim, a conduta delitiva não seria produto de desorganização ou ausência de valores sociais, mas antes o reflexo e a expressão de outros sistemas de normas e de valores: a) Teoria do Etiquetamento b) Teoria do consenso� c) Teoria Subcultural� d) Teoria Ecológica� e) Teoria Crítica, de conflito, radical ou nova criminologia� 15. A teoria Labelling Approach, a qual explica que a criminalidade não é uma qualidade da conduta humana, mas a consequência de um processo em que se atribui tal estigmatização, também é denominada teoria: a) da desorganização social b) da rotulação ou do etiquetamento c) da neutralização d) da identificação diferencial e) da anomia 16. Assinale a alternativa correta: a) Tríptico lombrosiano, defendida por Lacassagne, é, a somatória do atavismo, da epilepsia e da loucura moral como reposta patológica às causas do crime b) Defensor da responsabilidade social em detrimento da responsabilidade individual, Lombroso é, até hoje, considerado o pai da antropometria criminal� c) Também chama de escola retribucionista ou sociológica, possui como característica principal a defesa pela necessidade da intervenção do Estado sobre os delinquentes de forma pedagógica e piedosa, em razão de ser ele um ser inferior e incapaz de se autogovernar� d) De grande influência na América espanhola, a escola correcionalista tem por base os princípios da escola clássica, em especial, sobre o caráter retributivo da pena� e) É do político pernambucano João Vieira de Araújo a obra “Ensaios sobre o Direito Penal”, de 1884� Anotações Prof. Pimentel 45 Criminologia • PP 17. Segundo Hilário Veiga de Carvalho, os delinquentes são classificados em: a) Fronteiriço; impetuoso; louco; habitual; ocasional b) Ocasional; sintomático; caracterológico� c) Biocriminoso puro; biocriminoso preponderante; biomesocriminoso, mesocriminoso preponderante; mesocriminoso puro� d) Ladrão; assassino; cínico; violento; e) Fronteiriço; impetuoso; louco; habitual; passional 18. Além da subcultura criminal, é possível a distinção de duas outras subculturas, são elas: a) do conflito e crítica b) do consenso e do conflito c) do etiquetamento e da rotulação d) da frustração e da contra violência e) do conflito e escapista 19. Defina Hot Spots, segundo a concepção criminológica a) é o nome dado ao local onde a tecnologia Wi-Fi está disponível b) são áreas de concentração da delinquência c) é um dos nomes dados a teoria do etiquetamento d) concepção surgida no início da teoria do consenso, ela compõe as proposições defendidas por Durkheim e) Nenhuma das anteriores 20. São seus expoentes os pesquisadores ________ e _________, os quais defendem ser o homem um indivíduo químico� Portanto, qualquer desajuste ou desequilíbrio significativo em sua balança química ou hormonal poderia ser fator explicativo dos transtornos em sua conduta ou personalidade� a) Nicole Pende e Di Tullio b) Pinel e Esquirol c) Gall e Cubi Y Soler d) Krestschmer e Bertillon e) Adolphe Prins e Von Hammel 21. São técnicas de justificação utilizadas pelas pessoas quando no cometimento de uma infração a fim de “bloquear” sua censura moral interior, minimizando, assim, sua culpabilidade e legitimando sua conduta. Os defensores dessa teoria são: a) Sykes e Matza b) Nicole Pende e Di Tullio c) Franz Von Litz e Albert K� Cohen d) Ernest Burguess e Robert Park e) Edwin Sutherland e Ervijing Goffman 22. Defendida por Cohen e Felson, essa teoria propõe ser a ocorrência do delito um conjunto articulado de três fatores: um delinquente motivado, um objeto apropriado e a ausência de guardiões� a) teoria neorretribucionista b) teoria subcultural c) teoria das atividades rotineiras d) teoria crítica e) teoria da anomia Anotações Prof. Pimentel 46 Criminologia • PP 23. Que se entende por escatologia telefônica: a) Utilização ou gosto por expressões ou assuntos relacionados a fezes ou obscenidades� b) prazer sexual mediante excrementos sob o telefone c) prazer sexual através do uso do telefone durante a prática do sexo d) prazer sexual mediante conversa telefônica erótica e) prazer sexual mediante fraude telefônica 24. Como ciência empírica e interdisciplinar, a criminologia faz uso dos seguintes métodos a) biológicos e orgânicos b) biológicos e sociológicos c) estatísticos e dedutivos d) indutivos e dedutivos e) orgânicos e dedutivos 25. A criminologia se subdivide em a) crítica e clínica b) consenso e conflito c) geral e clínica d) geral e especial e) consenso e clínica 26. Foi o responsável pelos primeiros estudos das cifras negras a) Adolphe Quetelet b) Enrico Ferri c) Rafael Garófalo d) Edgar Allan Poe e) Willian Stern 27. Propuseram estudos sociológicos, que se denominou “teoria da ecologia criminal” ou “desorganização social” a) Clifford Shaw e Henry Mckay b) Franz Von Litz e Willian Stern c) Merton e Durkheim d) Erving Goffman e Howard Becker e) Philip Zimbarbo e George Kelling 28. Essa teoria baseia-se num experimento realizado por Phlip Zimbarbo: a) teoria das atividades rotineiras b) teoria psicossocial de Tarde c) teoria subcultural d) teoria das janelas quebradas e) teoria ecológica 29. São fatores que contribuempara uma situação de patologia social: a) os biológicos e os mesológicos b) os sociológicos apenas c) a boa educação e os biológicos d) os endógenos e os biológicos, diferentemente� e) os exógenos e os mesológicos, apenas� Anotações Prof. Pimentel 47 Criminologia • PP 30. Defensor de um modelo para ambientes residenciais projetados para infundir em seus residentes o sentimento de territorialidade e, portanto, de defesa de seu espaço frente ao delito: a) Oscar Niemeyer b) José Ingenieros c) Hilário Veiga de Carvalho d) Newman e) Lacassagne 31. “A natureza humana basta para ser sujeitos de direitos, sendo reconhecidos os direitos naturais inatos”� Frese pertencente a corrente_________, teve na _______________ seus principais defensores� a) Juspositivismo; escola clássica b) Jusnaturalismo; escola positiva c) Juspositivismo; escola Cartógráficia ou estatística moral d) Jusnaturalismo; escola clássica 32. Aponte os condicionantes sociais da criminalidade: a) Esquizofrenia, Abulomania e transtorno de impulso b) Desestruturação familiar, necessidade de notoriedade, insensibilidade moral c) Bipolaridade, endocrinologia e antropometria d) Reeculturação, fator econômico e promiscuidade 33. Aponte a alternativa que melhor define a concepção “Luta das Escolas” a) Foi o momento em que o conhecimento Criminológico passou da fase mágica para a fase científica� b) Foi a rivalidade existente na esfera teórica proposta pela Escola Clássica e Positiva c) Foram jogos promovidos entre escolas as escolas científicas durante a Idade Média, na qual ganham destaque os pesquisadores da Fisionomia� d) Foi a contribuição dada pela Escola Clássica às concepções penológicas oferecidas pelas escolas que a antecederam� 34. “Quando alguém encara a possibilidade de cometer um delito, efetua um cálculo racional dos benefícios esperados (prazer) e os confronta com os prejuízos (dor). Se os benefícios são superiores aos prejuízos, tendem a cometer a conduta delitiva.” A afirmação anterior faz referência a qual teoria ou escola criminológica: a) Escola Positiva b) Escola de Lyon c) Escola Clássica d) Escola Cartográfica 35. Afirmou que o crime não é uma entidade jurídica, mas sim um fenômeno biológico, razão pela qual o método indutivo-experimental deveria ser empregado. a) Cesar de Bonesana� b) Adolphe Quetelet c) Cesar Lombroso d) Gramática 36. Negou com veemência o livre-arbítrio como base na imputabilidade, defendendo que a responsabilidade moral deveria ser substituída pela responsabilidade social e que a razão de punir é a defesa social, pois a prevenção geral é mais eficaz que a repressão: a) Quetelet b) Gabriel Tarde c) Gramática d) EnricoFerri Anotações Prof. Pimentel 48 Criminologia • PP 37. Técnica profissional importante de investigação policial, o __________________ torna possível limitar a lista de suspeitos na investigação e, por fim, direcionar o interrogatório policial a partir da dedução e/ou indução de uma imagem biopsicossocial rigorosa do indivíduo� a) Perfilamento criminal� b) Estatística Criminal c) Cifras da criminalidade d) Labbeling Approach 38. A combinação: Delinquente motivado + Objeto apropriado + Ausência de Guardiões = Delito, é proposta pela teoria: a) Pensamento psicossocial de Tarde b) Das atividades rotineiras ou teoria da oportunidade c) Escola ou movimento de defesa social d) Escola de Lyon 39. Sobre a teoria da “anomia”, é correto afirmar: a) é classificada como uma das “teorias de conflito” e teve, como autores, Erving Goffman e Howard Becker� b) foi desenvolvida pelo sociólogo americano Edwin Sutherland e deu origem à expressão white collar crimes� c) surgiu em 1890 com a escola de Chicago e teve o apoio de John Rockefeller� d) iniciou-se com as obras de Émile Durkheim e Robert King Merton, e significa ausência de lei� e) foi desenvolvida por Rudolph Giuliani, também conhecida como “Teoria da Tolerância Zero”� MÓDULO 04 1. Assinale a alternativa correta, a respeito da Vitimologia. a) O comportamento da vítima em nada contribui para a ocorrência do crime contra si praticado� b) A Vitimologia estuda o papel da vítima no episódio danoso, o modo pelo qual participa, bem como sua contribuição na ocorrência do delito� c) A Vitimologia nasceu como ramo das ciências jurídicas, por conta das observações feitas pelos estudiosos a respeito do comportamento da vítima perante o ordenamento jurídico em vigor� d) A Vitimologia surgiu, como ramo da Criminologia, em 1876, por meio da obra “O Homem Delinquente”, de Cesare Lombroso� e) O comportamento da vítima sempre contribui para a ocorrência do crime contra si praticado� 2. Entende-se por sobrevitimização a) a vitimização secundária, a qual consiste em sofrimento causado à vítima pelas instâncias formais da justiça criminal� b) a vitimização secundária, a qual consiste em efeitos decorrentes do crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos pela vítima, como consequência do crime� c) a vitimização primária, a qual consiste em discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito� d) a vitimização primária, a qual consiste em efeitos decorrentes do crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos pela vítima, como consequência do crime� e) a vitimização terciária, a qual consiste em discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito� Anotações Prof. Pimentel 49 Criminologia • PP 3. São conhecidas por crimes que não são registrados em órgãos oficiais encarregados de sua repressão, em decorrência de omissão das vítimas, por temor de represália. Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna. a) estatísticas azuis b) estatísticas brancas c) cifras douradas d) cifras negras e) cifras cinza 4. As políticas públicas de prevenção criminal terciária têm por público-alvo a) a vítima de violência doméstica� b) o adolescente� c) o preso� d) o idoso� e) o usuário de drogas ilícitas� 5. Assinale a alternativa correta. a) No modelo clássico (tradicional) de Justiça Criminal, a vítima é encarada como mero objeto, pois dela se espera que cumpra seu papel de testemunha, com todos os inconvenientes e riscos que isso acarreta� b) A Vitimologia não possui relação com a Sociologia� c) A Vitimologia não estuda a vítima e suas relações com o infrator e com o sistema de persecução criminal� d) A Vitimologia não possui relação com a Criminologia� e) No modelo clássico (tradicional) de Justiça Criminal, a vítima é encarada como sujeito passivo da relação jurídica, pois dela se espera que cumpra seu papel de ofendido, com todos os direitos e deveres que isso acarreta� 6. As melhorias da educação, do processo de socialização, da habitação, do trabalho, do bem-estar social e da qualidade de vida das pessoas de uma determinada comunidade são os elementos essenciais de um programa de prevenção a) Categórico b) Básico c) Comissionado d) Primária� e) Dirigido 7. Os órgãos institucionais de controle da criminalidade são aqueles responsáveis pelo controle social formal� Corresponde(m) a um deles: a) a igreja b) a família c) o sistema penitenciário d) os sindicatos e) a escola 8. O sofrimento provocando pela conduta violadora dos direitos da vítima, resultado da ocorrência de um delito, é chamada a) vitimização secundária b) subvitimização c) sobrevitimização d) vitimização primária e) vitimização perciária Anotações Prof. Pimentel 50 Criminologia • PP 9. São vítimas_________as prostitutas, os travestis e os usuários de drogas, por possuírem predisposição permanente e inconsciente de atraíres os criminosos para si� a) vitimas simbólicas b) vítimas latentes c) inter victimae d) vítimas omissas e) pseudovítimas 10. A autuação do sistema carcerário é considerada fator de___________de cometimento de crimes na sociedade. a) repressão primária b) prevenção terciária c) repressão secundária d) repressão terciáriae) prevenção secundária 11. Na______________________, os membros de determinada comunidade são intimados pela aplicação de penas às práticas criminosas, o que pode fazê-los reconsiderar eventuais planos delitivos. a) prevenção geral positiva b) prevenção especial positiva c) prevenção especial negativa d) prevenção geral negativa e) repressão especial 12. Assinale a alternativa que aponta o ente que exerce ou fomenta, concomitante, os controles formal e informal sobre a vida em sociedade a) Poder Judiciário b) Família c) Policiamento Comunitário d) Clubes de Serviço e) Forças armadas 13. No tocante aos fatores desencadeantes da criminalidade, é correto afirmar que a) o crescimento populacional desordenado de determinada localidade provoca o aumento de índices criminais b) a educação e o ensino não são fatores que inibem o cometimento de delitos c) as autoridades públicas podem exercer controle sobre os meios de comunicação de massa, por meio de censura, a fim de assegurar o exercício pleno da liberdade de imprensa d) o desemprego disfarçado ou o subemprego podem apresentar-se sob forma de atividades como “homens-placa”, mas que não é o caso dos vendedores ambulantes nos semáforos e) não existe tratamento discriminatório das mulheres em relação aos homens por parte dos órgãos públicos, tais como polícia e sistema penitenciário� 14. Entende-se por vitimização terciária a) o sofrimento causado pela posterior perseguição da vítima pelo autor do crime b) os prejuízos causados pelo crime praticado contra a vítima c) aquela oriunda dos familiares e do círculo de relações sociais da vítima, que segregam, excluem e até humilham, em virtude do crime por ela sofrido� d) o sofrimento causado pelos órgãos públicos encarregados da persecução criminal e) aquela denominada “terceirização da vitimização”, isto é, advinda de terceiros, estranhos ao círculo de familiares e amigos da vítima� Anotações Prof. Pimentel 51 Criminologia • PP 15. Para a Vitimologia, a vítima agressora, simuladora ou imaginária também é conhecida por a) vítima inocente b) vítima menos culpada que o criminoso c) vítima tão culpada quanto o criminoso d) pseudovítima ou vítima totalmente culpada e) vítima ideal 16. Entende-se por prevenção criminal terciária a) é o trabalho de conscientização social, que trata a inclinação à prática criminosa em sua origem b) é a modalidade exclusivamente voltada à figura do encarcerado, pois visa sua reiteração familiar e social c) constitui uma das formas de participação popular na gestão pública d) representa os métodos e mecanismos profiláticos de combate às causas da criminalidade e) é o aparato de repressão criminal, de modo a desestimular futuras práticas delitivas� 17. Para a Criminologia, a prevenção geral positiva, como finalidade da pena, é a) uma espécie de neutralização do autor do delito, por meio de sua segregação carcerária� b) também chamada de integradora, pois tem por objetivo a formação e o fortalecimento da consciência social, mediante o estímulo ao culto dos valores mais caros à comunidade c) uma espécie de neutralização do autor, por meio de medidas que o desestimulem a novas práticas delitivas d) também chamada de prevenção por intimidação, pois tem por objetivo desestimular o cidadão da prática de delitos, por meio de aplicação da pena ao infrator da lei� e) uma espécie de consequência jurídica pelo comportamento inclinado às infrações penais� 18. É considerado o pai da Vitimologia: a) Cesar Lombroso b) Hans Von Heiting c) Frederick Wertham d) Cesar de Bonesana e) Benjamin Meldelsohn 19. Um indivíduo que, ao abrir a porta de seu veículo automotor, a fim de sair do estacionamento de um shopping center, é surpreendido por bandido armado que estava homiziado em local próximo, aguardando a primeira pessoa a quem pudesse roubar, é a) tão culpada quanto o criminoso b) vítima ideal c) mais culpado que o criminoso d) exclusivamente culpado e) vítima de culpabilidade menor 20. A atuação das polícias, do ministério público e da justiça criminal, quando focada em determinados grupos ou setores da sociedade, por possuírem maior risco de praticar o crime ou de ser vitimizados por este, constitui programa de prevenção a) secundária b) quartenária c) primária d) quinaria e) terciária Anotações Prof. Pimentel 52 Criminologia • PP 21. De acordo com Benjamin Mendelsohn, as vítimas são classificadas em: a) Vítimas primárias, vítimas secundárias, vítimas terciárias b) Vitimas ideiais, vítimas menos culpada que os criminosos, vítimas tão culpadas quanto os criminosos, vítimas mais culpadas que os criminosos e vítimas como únicas culpadas� c) Vítimas desatentas, vítimas desinformadas, vítimas descuidadas, vítimas inocentes, vítimas provocativas e vítimas participativas d) vítimas perfeitas, vítimas participantes, vítimas concorrentes, vítimas imperfeitas e vítimas contumazes� e) Vítimas inocentes, vítimas conscientes e vítimas culpadas� 22. O estudo da vitimologia atual, baseada numa tendência política eficiente, privilegia a) A assistência social ao delinquente, bem como um atendimento eficiente do poder público b) a assistência psicológica à vítima e tratamento ao delinquente, para sua recuperação c) Uma pena que recupere o delinquente, sociabilizando-o, com trabalho e educação� d) Uma punição exemplar para o delinquente, de forma que se cumpra a função retributiva da pena� e) A reparação dos danos e indenização dos prejuízos da vítima� 23. Uma das formas que o Estado Democrático de direito possui para prevenir o crime é a pena. De acordo com a teoria mista que estuda as penas, estas têm a finalidade de a) Punir o delinquente de forma proporcional ao mal praticado b) Trazer mais tranquilidade para a sociedade, uma vez que o criminoso não estará mais nas ruas c) Retomar a tranquilidade e a paz pública d) Prevenção geral e prevenção especial e) Afastar o delinquente da sociedade, para evitar novos crimes 24. Quais foram as fases atravessas pelas vítimas durante sua trajetória no processo histórico, respectivamente. a) Vingança privada, Vingança divina, vingança pública� b) Protagonismo, idade do ouro, redescobrimento� c) Vingança privada, idade do ouro, protagonismo� d) Protagonismo, neutralização e redescobrimento� e) Protagonismo, redescobrimento, neutralização� 25.No que consiste a cifra negra? a) É a criminalidade cometida com violência sobre as vítimas� b) São os crimes registrados, mas de difícil elucidação por parte dos agentes policiais� c) São os crimes que chegam ao conhecimento do Estado, mas não são apurados� d) São os crimes não registrados pelo Estado, mas inseridos nas estatísticas criminais� e) É o conjunto de crimes que não chegam ao conhecimento do Estado em razão da omissão por parte das vítimas, cujo comportamento contribui para a formação de estatísticas que não correspondem com a realidade criminal� 26. Sobre o estudo da Vitimologia, assinale a alternativa correta. a) Por razões históricas, a vítima é estudada em primeiro plano, antes mesmo do criminoso� b) Até 1949, existia uma grande quantidade de trabalhos por parte da criminologia que tratavam da vítima� Anotações Prof. Pimentel 53 Criminologia • PP c) A influência da Escola Clássica leva a sociedade a se preocupar mais com a vítima do que com o criminoso� d) A criminologia clássica estuda as principais causas do aumento da criminalidade pela vitimologia� e) Os estudos vitimológicos permitem o exame do desempenho pelas vítimas no desencadeamento do crime� 27. No tocante à temática da prevenção da infração à lei penal, é correto afirmar que a prevenção a) secundária consiste em, dentre outras, políticas criminais voltadas exclusivamente à reintegração do preso em sociedade b) terciária consiste em políticas públicas de conscientização de todos os cidadãos quanto a importância de se cumprirem as leis, mediante o fornecimento de serviços públicos de qualidade, tais como saúde, educação e segurança c) geral busca,por meio da pena, intimidar os indivíduos propensos a delinquir, inibindo-os de transgredir a lei penal d) geral negativa busca, por meio da pena, a reeducação e a ressocialização do criminoso e) primária consiste em, dentre outras, ações públicas de repressão às práticas delituosas 28. Entende-se por vitimização secundária ou sobrevitimização aquela a) Provocada pelo cometimento do crime e pela conduta violadora dos direitos da vítima, proporcionando danos materiais e morais, por ocasião do delito� b) que não concorreu, de forma alguma, para a ocorrência do crime c) que, de modo voluntário ou imprudente, colabora com o ânimo criminoso do agente d) que ocorre no meio social em que vive a vítima e é causada pela família, por grupos de amigos, etc� e) causada pelos órgãos formais de controle social , ao longo do processo de registro e apuração do delito, mediante o sofrimento adicional gerado pelo funcionamento do sistema de persecução penal� 29. A criminologia moderna estuda o fenômeno da criminalidade por meio da estatística criminal� Nessa seara, a expressão “cifra dourada” designa a) o total de delitos registrados e de conhecimento do poder público que são elucidados� b) as infrações penais praticadas pela elite, não reveladas ou apuradas; trata-se de um subtipo da “cifra negra”, a exemplo do crime de sonegação fiscal� c) as infrações penais de maior gravidade, como, por exemplo, o homicídio, que, ao ser elucidado, permite ao poder público planejar melhor suas ações e alterar a legislação� d) as infrações penais de menor potencial ofensivo, por enquadrar-se na Lei n�º 9�099/95, a exemplo do delito de perturbação do sossego alheio� e) o percentual de delitos praticados pela sociedade de baixa renda que não chega ao conhecimento do poder público por falta de registro, e, portanto, não são elucidados� 30. Uma vítima que, ao querer registrar uma ocorrência, encontra resistência ou desamparo da família, dos colegas de trabalho e dos amigos, resultando num desestímulo para a formalização do registro, ocasiona o que é chamado de “cifra negra”. Neste caso, estamos diante da vitimização. a) primária� b) secundária� c) quaternária� d) quintenária� e) terciária� Anotações Prof. Pimentel 54 Criminologia • PP 31. “Vítima inocente, vítima provocadora e vítima agressora, simuladora ou imaginária”. Essa foi uma das primeiras classificações, de forma sintetizada, que levou em conta a participação ou provocação das vítimas nos crimes� O autor dessa classificação foi a) Francesco Carrara� b) Giovanni Carmignani� c) Cesare Lombroso� d) Benjamim Mendelsohn� e) CesareBeccaria� 32. Uma das formas que o Estado Brasileiro adota como controle e inibição criminal é a pena prevista para cada crime, cuja teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro é a mista, de acordo com o artigo 59 do Código Penal, que tem como finalidade a a) prevenção e a retribuição� b) indenização e a repreensão� c) punição e a reparação� d) inibição e a reeducação� e) conciliação e o exemplo� 33. O conceito de prevenção delitiva, no Estado Democrático de Direito, e as medidas adotadas para alcançá-la são: a) o conjunto de ações que visam evitar a ocorrência do delito, atingindo direta e indiretamente o delito b) o conjunto de ações que visam estudar o delito, atingindo direta e indiretamente o criminoso� c) o conjunto de ações adotadas pela vítima que visam evitar o delito, atingindo o delinquente direta e indiretamente� d) o conjunto de ações que visam estudar o criminoso, atingindo o ato delitivo direta e indiretamente� e) o conjunto de ações que visam estudar o crime, atingindo o criminoso direta e indiretamente� 34. Não são raros discursos que atribuem às vítimas de estupro a responsabilidade/ culpa pela violência sofrida, seja pelas roupas que utilizavam, seja pelo estado questionável de lucidez em razão do consumo de álcool. Embora tais considerações, são elas qualificadas como: a) inocentes b) natas c) menos culpada que o delinquente d) tão culpada quanto o delinquente e) unicamente culpadas 35. Técnica cujo propósito é dificultar a ocorrência do delito a partir da consideração acerca da recompensa sobre tal conduta, que, juntamente a outras, compõe as formas de prevenção: a) Primária b) Situacional c) Secundária d) Seletiva e) Terciária 36. Assinale a alternativa correta: I - O Código de Hamurabi, concebido na Babilônia entre 2�067 a 2�025 AC e na atualidade pertencente ao acervo do Museu do Louvre em Paris, não continha disposições penais em sua composição� II - Segundo a “Lei Térmica da Criminalidade” de Quetelet, fatores físicos, climáticos e geográficos podem influenciar no comportamento criminoso� III - Entende-se por “Cifra Negra” da criminalidade, o conjunto de crimes cuja violência produz elevada repercussão social� Anotações Prof. Pimentel 55 Criminologia • PP IV - Seguidor da Antropologia Criminal, Lombroso entendia que havia um tipo humano irresistivelmente levado ao crime por sua própria constituição, de um verdadeiro criminoso nato� V - Em sua obra “Dos Delitos e das Penas”, escrita por volta de 1765, Cesare Bonesana, o Marquês de Beccaria defendeu uma legislação penal rigorosa, aprovando a prática da tortura e da pena de morte� a) ( ) apenas I, III e V estão corretos� b) ( ) apenas II e IV estão corretos� c) ( ) apenas IV e V estão corretos� d) ( ) apenas II e III estão corretos� e) ( ) apenas III, IV e V estão corretos� 37. Quando a vítima, em decorrência do crime sofrido, não encontra amparo adequado por parte dos órgãos oficiais do Estado, durante o processo de registro e apuração do crime, como, por exemplo, o mau atendimento por um policial, levando a vítima a se sentir como um “objeto” do direito e não como sujeito de direitos, caracteriza a) vitimização estatal ou oficial� b) vitimização secundária� c) vitimização terciária� d) vitimização quaternária� e) vitimização primária� QUESTÕES COMPLEMENTARES 1. Esta escola possui as seguintes características: Lutaram contra o castigo; lutaram contra a irracionalidade do sistema penal, o delito é uma fictícia abstração jurídica; sua nocividade deriva da mera contradição da lei; não há preocupação com a etiologia do crime; livre-arbítrio do homem: a) Escola Positiva b) Escola Clássica c) Escola de Lyon d) Escola Cartográfica e) Escola de Chicago 2. Leva em conta o delito, o conhecimento de suas causas, a etiologia do crime. Crime é uma ação antissocial que revela o criminoso temível; a pena é intimidação, correção, coação da temibilidade do criminoso de fato e dos criminosos possíveis, prevendo a defesa social: a) Escola Clássica b) Escola Positiva c) Frenologia d) Escola de Marburgo ou Jovem Escola e) Alemã de Política Criminal Escola ou Movimento da Defesa Social 3. A corrente de pensamento criminológico que critica a exibição de cenas em televisão e cinema, de abuso de drogas ilícitas, prática de roubos, sequestros, bem como outras condutas delituosas, alcançando seus protagonistas o status de “heróis” ou “justiceiros”, fomentando sua imitação pelas pessoas, principalmente jovens, é a teoria: a) da Reação social b) da Identificação diferencial c) da criminologia radical d) da Associação diferencial e) da Criminologia crítica Anotações Prof. Pimentel 56 Criminologia • PP 5. Autor que teve o mérito de alternar toda a penalogia, cuja obra foi precursora da Escola Clássica do Direito Penal� Rebelou-se contra as inúmeras arbitrariedades da justiça criminal, como ele mesmo escreveu, quis defender a humanidade e não ser um mártir dela: a) Lombroso b) Garófalo c) Marques de Beccaria d) Howard e) Francesco Carrara 6. É considerado o pai da Política Criminal. Sua principal obra é intitulada “Princípios de Política Criminal”, a qual foi publicada em 1889. Destaca-se seu “Programa de Marburgo” a) Gabriel Tarde b) Franz Von Liszt c) Quetelet d) Cubi Y soler e) Albert K� Cohen 7. Estudo de fatores biológicos do crime, com predisposição endógena.Constituição delinquencial. Estudo das glândulas de secreção interna (Tireóide, testículos, ovários, pancrêas���) chama-se: a) Psicogriminogênese b) Biocriminogênese c) Sociocriminogênese d) Frenologia e) Antropometria 8. Foi o terrível ciúme dilatado por uma paixão que Otelo matou Desdêmora (Após matá-la, se suicida)� Os três famosos homicidas shakesperiano são dissecados por Ferri: Macbeth seria o criminoso���; Hamlet seria o criminoso���e Otelo o criminoso����(o mais citado pela literatura)� a) Nato, louco, passional b) Louco, nato, passional c) Passional, passional, louco d) Louco, louco, nato e) Nato, nato, louco� 9. O que é periculosidade vitimal? a) É a discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito� b) É o sofrimento causado à vítima pelas instâncias formais da justiça criminal� c) São os efeitos decorrentes do crime� d) O comportamento inadequado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou provoca a ação de seu verdugo, conduzindo, muitas vezes, inconscientemente, ao crime� e) É risco vivido pelas pessoas aventureiras, as quais se submetem, conscientemente, à possibilidade de se tornarem vítimas� 4. Autor da Escola Cartográfica ou Estatística Moral alegou que: “Em tempo de crise aumenta o delito de roubo e em tempo de prosperidade aumenta o delito de agressão e violência: a) Virgílio b) Gall c) Quetelet d) Lacassagne e) Cristophe Moreau Anotações Prof. Pimentel 57 Criminologia • PP 10. No tocante à aplicação da pena, no artigo 59 do CP, o comportamento da vítima foi inserido como um dos critérios de análise para fixação da pena. Esse estudo é conhecido como: a) Vitimologia b) Vitimodogmática c) Vitimização d) Inter Victimae e) Periculosidade Vitimal 11. Ambiente em que se dá a vitimização secundária: a) Ambiente familiar b) Instâncias informais de controle c) Instâncias formais de controle d) Apenas na relação com a vizinhança e) No círculo de amizade 12. Teoria defendia por Durkheim, em que há a defesa de ser o delito algo normal dentro da sociedade, originário do desmoronamento das normas e valores vigentes em uma sociedade ou pela discordância produzida pelas expectativas socioestruturais: a) Teoria Ecológica b) Teoria das zonas concêntricas c) Teoria estrutural funcionalista d) Teoria subcultural e) Teoria do Labelling Aproah 13. Para a/o _______________, o delito é apenas um rótulo social derivado do processo de etiquetamento. a) Associação Diferencial ou white-collar crimes b) Interacionismo c) Neutralização d) Identificação diferencial e) Controle 14. Para a teoria de Ernest Burguess, as cidades não crescem em seu limites, mas tendem a se expandir a partir do seu centro e de formas concêntricas, que ele chamou de zonas: a) De transição b) De limites c) Concêntricas d) Territoriais e) Adjacentes 15. Com o surgimento das teorias sociológicas da criminalidade, houve uma bifurcação muito poderosa dessas pesquisas em dois grupos principais, conhecidas como____ _________e_______________� Essa divisão leva em consideração, principalmente, a forma como os sociólogos encaram a composição da cidade� a) Teorias macrossociológicas e teorias do conflito social� b) Teorias do consenso e teorias macrossociológicas� c) Teorias do conflito e teoria crítica d) Teoria funcionalista e teoria macrossociológica e) Teorias do consenso, funcionalista ou da integração e Teorias do conflito social� Anotações Prof. Pimentel 58 Criminologia • PP 16. Para Jakobs, inimigo é todo aquele que reincide persistentemente na prática de delitos ou que comete crimes que ponham em risco a própria existência do Estado, apontando como exemplo maior a figura do terrorista. Estando neste estado, qualquer medida que venha a ser tomada contra ele, a fim de neutralizá-lo é aceitável. As leis que aplicam-se aos cidadãos e ao Estado, estão dispensadas em relação ao inimigo� Essa teoria é conhecida como: a) Direito Penal do cidadão b) Direito Penal do Inimigo c) Direito Penal do terrorista d) Direito Penal da neutralização e) Direito Penal do amigo 17. Para alguns a/o___________ é dissuadir o delinquente de cometer o ato, para outros é mais, importa inclusive na modificação de espaços físicos, novos desenhos arquitetônicos, aumento da iluminação pública com o intuito de dificultar a prática do crime e, para um terceiro grupo, é apenas o impedimento da reincidência� a) Prevenção do Crime b) Repressão do crime c) Teoria do Controle d) Controle Social e) Vitimodogmática 18. Mecanismos utilizados pela sociedade com a finalidade de moldar ou “pressionar” o indivíduo para que esse adote um comportamento compatível com os valores e normas estabelecidos: a) Prevenção b) Modelos de reação ao delito c) Controle Social Formal e informal d) Fatos sociais 19. O denominado modelo___propugna por uma implacável resposta ao delito, rápida, eficaz e sem fissuras, positivamente percebida e respaldada pela sociedade, que operaria, assim, como poderoso instrumento preventivo. Qualquer outro objetivo ou finalidade (Correção do infrator, reparação do dando, etc.) passa para segundo plano. a) Prevenção secundária b) Dissuasório c) Ressocializador d) Integrador e) Controle Social 20. Modelo ou paradigma___________, pelo contrário, destaca a necessidade de intervir de forma positiva e benéfica na pessoa do infrator, reintegrando-o à comunidade jurídica, uma vez cumprida a pena� a) Prevenção secundária b) Dissuasório c) Ressocializador d) Integrador e) Controle Social 21. Modelo de reação ao crime que procura inserir no sistema de resposta ao delito a satisfação de outras expectativas sociais: a solução conciliadora do conflito que o crime exterioriza, a reparação do dano causado à vítima e à comunidade por aquele e a própria pacificação das relações sociais. Pode-se falar, por isso, de um modelo___________. a) Prevenção secundária b) Dissuasório c) Ressocializador d) Integrador e) Controle Social Anotações Prof. Pimentel 59 Criminologia • PP 22. Assinale a alternativa correta: a) O Código de Hamurabi, concebido na Babilônia entre 2067 a 2025 aC , atualmente pertencente ao acervo do Museu do Louvre em Paris, não continha disposições penais em sua composição� b) Segundo a “Lei Térmica da Criminalidade” de Quetelet, fatores físicos, climáticos e geográficos não podem influenciar no comportamento do criminoso� c) Entende-se por “cifras negras” da criminalidade, o conjuntos de crimes cuja violência produz elevada repercussão social� d) Seguidor da Antropologia Criminal, Lombroso entendia que havia um tipo humano irresistivelmente levado ao crime por sua própria constituição, de um verdadeiro criminoso nato� e) Em sua obra “Dos delitos e das Penas”, escrita por volta de 1765, Cesar de Bonesana, o Marquês de Beccaria, defendeu uma legislação penal rigorosa, aprovando a prática da tortura e da pena de morte� 23. Uma das características mais destacadas da Criminologia moderna é o estudo de sua evolução histórica nos últimos anos. Sobre esta evolução, assinale a alternativa incorreta� a) O saber criminológico moderno agrupa os conhecimentos interdisciplinares sobre o problema criminal� b) Diversos ramos do saber humano contribuem com a Criminologia moderna, tais como a sociologia, a Filosofia, Direito Penal, Medicina, entre outras� c) A Criminologia moderna tem como um dos maiores autores Cesar Lombroso, considerado seu fundador� d) A Criminologia moderna se ocupa somente do delito em si� e) A Criminologia clássica fez do conceito do delito uma questão metodológica prioritária� 24. É inquestionável o valor que o estudo da vítima possui hoje para a ciência total do Direito Penal, sendo sua abordagem realizada de forma particular através da... a) Vitimologia b) Criminologia c) Endocrinologia d) Antromometria e) Controle Social 25. A imagem do homem como ser racional, igual e livre e a concepção utilitária do castigo, não desprovida de apoio ético, constituem pensamentoda Escola: a) Positiva b) Lyon c) Antropossocial d) Clássica e) Ecológica 26. A Criminologia moderna estuda os fatores etiológicos da conduta delitiva. Em relação aos fatores condicionantes, em especial os psicológicos, é utilizado o termo “indivíduo anômico”, que significa: a) Pessoa que, na infância, se recusa obedecer a seus pais� b) Indivíduo que, na adolescência, desconhece a razão pela qual não segue normas de conduta� c) Adulto com amadurecimento cerebral que segue somente as normas de condutas sociais mais rígidas d) Pessoa que, independentemente da idade, se recusa a seguir normas de conduta social e) Pessoa que, independentemente da idade, se recusa a adotar o nome da família e passa a aceitar um apelido Anotações Prof. Pimentel 60 Criminologia • PP 27. Nos dizeres da criminóloga Viviane Mayrink, é o conjunto de mecanismos de natureza biológica, psicológica e social através dos quais se engendram e se desencadeiam os comportamentos delituosos� É o processo que forma o comportamento delituoso� _______________ É o estudo das causas dos delitos, isto é, dos fatores desencadeantes ou favorecedores da empreitada criminosa� a) Vitimodogmática b) Criminologia c) Criminogênese d) Modelo integrador e) Vitimologia 28. Criminologia e a/o (s) ____________ são alicerces das ciências criminais juntamente com o Direito Penal, cuja finalidade é promover uma análise científica do fenômeno criminológico a fim de encontrar as causas da criminalidade e combatê-las eficazmente em sua própria raiz� a) Modelos de Reação ao delito b) Política Criminal c) Controle Social d) Prevenção Criminal e) Escola de Defesa Social 29. A expressão “prognóstico criminológico” significa a estimativa da probabilidade de o: a) Criminosos manifestar uma psicopatia e com isso reincidir b) Criminoso reincidir c) Criminoso não mais reincidir no período de um ano d) Criminoso sofrer a ação de um meio desfavorável que o leve a cometer um delito e) Indivíduo apresentar uma doença infanto-juvenil de grave repercussão no desenvolvimento da conduta criminosa� 30. É correto afirmar que a Criminologia moderna: a) Ocupa-se precipuamente do estudo do homem delinquente b) Ocupa-se do estudo do delito sob a mesma perspectiva utilizada pelo Direito Penal c) Diverge em uma série de pontos da Criminologia tradicional, menos, entretanto, quanto à definição de delito d) Vem gradativamente perdendo interesse nos estudos referentes à vítima, preferindo cada vez mais dedicar-se ao exame do controle social do comportamento delitivo e) Focaliza o delito como um problema social e comunitário, não somente como comportamento individual 31. O movimento “Lei e Ordem” e a teoria das “Janelas Quebradas” (Broken Windows) defendem que pequenas infrações, quando toleradas, podem levar à prática de delitos mais graves� O texto se refere à: a) Direito Penal do Inimigo b) Defesa Social c) Tolerância Zero d) Escola Reribucionista e) Lei de saturação Criminal 32. No âmbito da Vitimologia, quais foram as fases pelas quais as vítimas passaram no decorrer do processo histórico: a) Neutralização, Vingança Divina, Protagonismo b) Protagonismo, neutralização, vingança c) Vingança, idade do ouro, redescobrimento d) Protagonismo, neutralização e redescobrimento e) Vingança Privada, Vingança divina, Vingança pública� Anotações Prof. Pimentel 61 Criminologia • PP 33. Atualmente, são objetos de estudo da Criminologia: a) o delito, o delinquente, a vítima e o controle social� b) o delito, a antropologia e a psicologia criminais� c) o delito e os fatores biopsicológicos da criminalidade� d) o delito e o delinquente� e) o delinquente e os fatores biopsicológicos da criminalidade� 34. As melhoras da educação, do processo de socialização, da habitação, do trabalho, do bem-estar social e da qualidade de vida das pessoas de uma determinada comunidade são os elementos essenciais de um programa de prevenção a) terciária� b) quinária� c) secundária� d) primária� e) quaternária� 35. Entende-se por prevenção criminal terciária a) é o trabalho de conscientização social, que trata a inclinação à prática criminosa em sua origem b) é a modalidade exclusivamente voltada à figura do encarcerado, pois visa sua reiteração familiar e social c) constitui uma das formas de participação popular na gestão pública d) representa os métodos e mecanismos profiláticos de combate às causas da criminalidade e) é o aparato de repressão criminal, de modo a desestimular futuras práticas delitivas� 36. De acordo com Benjamin Mendelsohn, as vítimas são classificadas em: a) Vítimas primárias, vítimas secundárias, vítimas terciárias b) Vitimas ideiais, vítimas menos culpada que os criminosos, vítimas tão culpadas quanto os criminosos, vítimas mais culpadas que os criminosos e vítimas como únicas culpadas� c) Vítimas desatentas, vítimas desinformadas, vítimas descuidadas, vítimas inocentes, vítimas provocativas e vítimas participativas d) vítimas perfeitas, vítimas participantes, vítimas concorrentes, vítimas imperfeitas e vítimas contumazes� e) Vítimas inocentes, vítimas conscientes e vítimas culpadas� 37. A teoria do Labbelling Aproach ou da Reação Social é também conhecida como: a) Teoria da anomia b) Teoria subcultural c) Teoria Ecológica d) Teoria do etiquetamento ou rotulação e) Teoria das zonas concêntricas 38. Consolidada na década de 1970 e inspirada nas ideias marxistas, alçou a sociedade capitalista a categoria de principal desencadeador da criminalidade� a) Teoria Ecológica b) Teoria da Associação diferencial c) Teoria da Anomia d) Teoria subcultural e) Teoria Crítica Anotações Prof. Pimentel 62 Criminologia • PP 39. Atua como agente informal de controle social: a) A Polícia Civil b) A opinião pública c) O Ministério Público d) O Juiz de Direito e) O Sistema Prisional 40. Dentre as alternativas, assinale a que é apontada como a menos compatível com a dignidade da pessoa humana e o Estado Democrático de Direito. a) O Direito Penal do Inimigo b) O Direito Penal mínimo c) A lei de saturação criminal d) A política criminal tolerância zero e) A teoria das janelas quebradas 41. A primeira doutrina que, precedendo a neuropsiquiatria, tratou de localizar no cérebro humano as diversas funções psíquicas do homem e explicar o comportamento do criminoso como consequência de malformações cerebrais foi a) Fisionomia b) Frenologia c) Antropologia d) Antropometria e) Endocrinologia 42. Os defensores dessa teoria afirmam que o comportamento criminoso e a delinquência são frutos de um processo de aprendizagem através dos meios de comunicação e da convivência. Sendo que tal prática é aprendida como qualquer outra atividade lícita. a) Teoria Ecológica b) Teoria da Associação Diferencial ou teoria da aprendizagem� c) Teoria da identificação diferencial d) Teoria Psicossocial de Tarde e) Escola Cartográfica 43. Conceitua-se a criminologia, por ser baseada na experiência e por ter mais de um objeto de estudo, como uma ciência a) abstrata e imensurável� b) biológica e indefinida� c) empírica e interdisciplinar� d) exata e mensurável� e) humana e indefinida� 44. Dentre os modelos sociológicos, as teorias da criminologia crítica, da rotulação e da criminologia radical são exemplos da teoria a) do consenso� b) da aparência� c) do descaso� d) da falsidade� e) do conflito� 45. A teoria do neorretribucionismo, com origem nos Estados Unidos, também conhecida por “lei e ordem” ou “tolerância zero”, é decorrente da teoria a) “positiva”� b) “janelas quebradas”� c) “clássica”� d) “cidade limpa”� e) “diferencial”� Anotações Prof. Pimentel 63 Criminologia • PP 46. Segundo Hilário Veiga de Carvalho, os delinquentes são classificados em: a) Fronteiriço; impetuoso; louco; habitual; ocasional b) Ocasional; sintomático; caracterológico� c) Biocriminoso puro; biocriminoso preponderante; biomesocriminoso, mesocriminoso preponderante; mesocriminoso puro� d) Ladrão; assassino; cínico; violento; e) Fronteiriço; impetuoso; louco;habitual; passional 47. Assinale a opção que corresponde aos conceitos definidos abaixo I - Pode-se dizer que a “Teoria das Janelas Quebradas”, formulada por Kelling e Wilson (estudo publicado em 1982), sublinha a necessidade de atenção e cuidados especiais com a segurança, no sentido de se evitar a ação dos criminosos� II - Ainda sobre os fundamentos de tal teoria (Janelas Quebradas), não é errado afirmar que a vítima tem importante papel no fenômeno crime� III - O programa “tolerância zero”, executado com sucesso na cidade de Nova Iorque sob a gestão do prefeito Rudolf Giuliani, estabelecia como estratégia de combate a delinquência a repressão prioritária aos crimes mais graves� IV - Na verdade, tal programa (tolerância zero) se fundamentou na repressão integral ao crime, sem retirar a importância de se punir também os delitos considerados mais leves, a exemplo do salto às catracas do metrô de Nova Iorque� V - Não é errado afirmar-se que o mencionado programa “Tolerância Zero”, executado em Nova Iorque sob a chefia do policial Willian Bratton, teve como base teórica o estudo formulado por Kelling e Wilson (a referida Teoria das Janelas Quebradas)� a) ( ) Apenas IV e V estão corretos� b) ( ) Apenas I e III estão corretos� c) ( ) Apenas II e V estão corretos� d) ( ) Apenas III e IV estão corretos� e) ( ) Apenas I, II e III estão corretos� 48. Assinale a opção que corresponde aos conceitos definidos abaixo I – Entre os princípios fundamentais da Escola de Chicago, liderada por Marc Ancel, encontra-se a afirmação de que o crime é um ente jurídico, o fundamento da punibilidade é o livre-arbítrio, a pena é uma retribuição ao mal injusto causado pelo crime e nenhuma conduta pode ser punida sem prévia cominação legal� II – Romagnosi foi o primeiro a classificar os criminosos em categorias, trazendo a diretriz sociológica para os estudos criminológicos� III – A Criminologia Crítica, além da consideração de um determinismo econômico, introduz o contexto sociológico, político e cultural para explicar a delinquência e também o próprio direito penal� IV – A Teoria da Retribuição, também chamada absoluta, concebe a pena como o mal injusto com que a ordem jurídica responde à injustiça do mal praticado pelo criminoso, seja como retribuição de caráter divino (Stahl, Bekker), ou de caráter moral (Kant), ou de caráter jurídico (Hegel, Pessina)� V – O denominado sistema da Criminologia é caracterizado por duas concepções, sendo a primeira patrocinada pela escola austríaca (concepção enciclopédica) e a segunda, designada concepção estrita� a) ( ) Apenas as assertivas I, II e III estão corretas� b) ( ) Apenas as assertivas III e V estão corretas� c) ( ) Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas� d) ( ) Apenas as assertivas III, IV e V estão corretas� e) ( ) Todas as assertivas estão corretas� Anotações Prof. Pimentel 64 Criminologia • PP M ó d ul o Provas Anteriores06 (Agente Policial 2012) 1. É correto afirmar que a Criminologia a) é uma ciência do dever ser� b) não é uma ciência interdisciplinar� c) não é uma ciência multidisciplinar� d) é uma ciência normativa� e) é uma ciência empírica� 2. É correto afirmar que a Criminologia contemporânea tem por objetos a) o delito, o delinquente, a vítima e o controle social� b) a tipificação do delito e a cominação da pena� c) apenas o delito, o delinquente e o controle social� d) apenas o delito e o delinquente� e) apenas a vítima e o controle social� 3. A história da Criminologia conta com grandes autores que, com suas obras, contribuíram significativamente na construção desse ramo do conhecimento. É correto afirmar que Cesare Bonesana (1738~1794), o marquês de Beccaria, foi autor da obra a) O Homem Delinquente� b) Dos Delitos e das Penas� c) Antropologia Criminal� d) O Ambiente Criminal� e) Sociologia Criminal� 4. Cesare Lombroso (1835~1909), médico e cientista italiano, foi considerado um dos expoentes da corrente de pensamento denominada a) Escola Positiva� b) Escola Clássica� c) Escola Jusnaturalista� d) Terza Scuola� e) Escola de Política Criminal ou Moderna Alemã� 5. A respeito dos fatores impulsionadores da criminalidade, assinale a alternativa correta� a) O bom funcionamento do sistema de educação e ensino não é fator inibitório de criminalidade na sociedade� b) O crescimento populacional de uma determinada localidade sempre eleva os índices criminais� c) Não há qualquer relação entre o aumento do poder aquisitivo de determinado grupo social e o crescimento da delinquência� d) A má distribuição de renda influencia o aumento de todos os índices criminais de uma determinada localidade� e) A pobreza influi no aumento de índices criminais de cunho patrimonial� Anotações Prof. Pimentel 65 Criminologia • PP 6. Fenômeno comum em países em desenvolvimento ou emergentes, ________ propicia(m) a promiscuidade, o afrouxamento dos freios morais, o desrespeito ao próximo e outros desvios comportamentais, empurrando aqueles que vivem ou sobrevivem nessas situações a uma existência marcada pela inclinação ao crime� Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna do texto� a) a migração b) a religião c) o subemprego d) as condições precárias de habitação e) a política 7. O comportamento inadequado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou provoca a ação de seu verdugo é denominado a) vitimização terciária� b) vitimização secundária� c) periculosidade vitimal� d) vitimização primária� e) vitimologia� 8. Os “crimes de colarinho branco” são delitos conhecidos na Criminologia por a) crimes contra a dignidade social� b) crimes de menor potencial ofensivo� c) cifras cinza� d) cifras amarelas� e) cifras douradas� 9. Entende(m)-se por prevenção primária a) as ações policiais dirigidas aos indivíduos vulneráveis� b) as políticas públicas dirigidas aos grupos de risco� c) aquela dirigida exclusivamente ao preso, em busca de sua reinserção familiar e/ ou social� d) o trabalho de conscientização social, o qual atua no fenômeno criminal, em sua etiologia� e) aquela que age em momento posterior ao crime ou na iminência de seu acontecimento� 10. No que concerne à prevenção do delito, de acordo com o Código Penal Brasileiro, assinale a alternativa correta. a) A função da pena é unicamente repressiva, sendo irrelevante sua adequação em face do delinquente individualmente considerado� b) A função da prevenção especial da pena consiste principalmente na intimidação dos propensos a delinquir� c) O legislador penal brasileiro adotou a teoria mista, também denominada eclética ou unitária da pena� d) A função da prevenção geral da pena consiste principalmente em reeducação do condenado bem como em sua ressocialização� e) A função da pena é unicamente preventiva, sendo irrelevante sua adequação em face do delinquente individualmente considerado Anotações Prof. Pimentel 66 Criminologia • PP (Escrivão 2012) 1. A microcriminologia, também conhecida por criminologia a) do desenvolvimento, dedica-se ao estudo, centrado no comportamento criminoso do indivíduo, ao longo de sua vida� b) geral, dedica-se ao estudo sociológico do crime� c) aplicada, dedica-se às pesquisas de cunho acadêmico� d) clínica, estuda a pessoa do criminoso, em busca de sua ressocialização� e) analítica, estuda as relações entre as ciências sociais e as políticas de segurança pública� 2. A Criminologia dos dias atuais a) é uma ciência empírica, interdisciplinar, multidisciplinar e integrada� b) é uma ciência jurídica, autônoma, não controlável e sistematizada� c) não é considerada uma ciência, mas parte do Direito Penal� d) não é considerada uma ciência, mas parte da Sociologia� e) não é considerada uma ciência, mas parte da Antropologia� 3. São teorias do consenso as teorias a) da desorganização social; da identificação diferencial; da criminologia crítica� b) do etiquetamento; da associação diferencial; do conflito cultural� c) da criminologia crítica; da subcultura; do estrutural--funcionalismo�d) da criminologia radical; da associação diferencial; da identificação diferencial� e) da desorganização social; da neutralização; da associação diferencial� 4. A corrente de pensamento criminológico que aponta, como técnica utilizada pelo criminoso para sua autojustificação, um procedimento racional em que atribui a culpa pelos seus atos antissociais aos agentes públicos encarregados de sua punição (policiais, membros do ministério público, magistrados), os quais seriam corruptos, parciais e inescrupulosos, é denominada teoria a) do estrutural-funcionalismo� b) da criminologia crítica� c) da neutralização� d) do conflito cultural� e) da criminologia radical� 5. Veículos de comunicação em massa de todo o país noticiaram, em 12 de junho de 2012, que a região dorsal da estátua do Cristo Redentor de Belo Horizonte foi pichado naquela madrugada por dois homens, com a inscrição “������ RONADINHO 49” (sic), em homenagem ao novo craque do Clube Atlético Mineiro. O comportamento desses indivíduos é relacionado à teoria sociológica a) da cifra dourada� b) do conflito cultural� c) das áreas criminais� d) da subcultura delinquente� e) do “labelling approach”� 6. Assinale a alternativa correta, a respeito da Vitimologia. a) O comportamento da vítima em nada contribui para a ocorrência do crime contra si praticado� b) A Vitimologia estuda o papel da vítima no episódio danoso, o modo pelo qual participa, bem como sua contribuição na ocorrência do delito� c) A Vitimologia nasceu como ramo das ciências jurídicas, por conta das observações feitas pelos estudiosos a respeito do comportamento da vítima perante o ordenamento jurídico em vigor� d) A Vitimologia surgiu, como ramo da Criminologia, em 1876, por meio da obra “O Homem Delinquente”, de Cesare Lombroso� e) O comportamento da vítima sempre contribui para a ocorrência do crime contra si praticado� Anotações Prof. Pimentel 67 Criminologia • PP 7. Entende-se por sobrevitimização a) a vitimização secundária, a qual consiste em sofrimento causado à vítima pelas instâncias formais da justiça criminal� b) a vitimização secundária, a qual consiste em efeitos decorrentes do crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos pela vítima, como consequência do crime� c) a vitimização primária, a qual consiste em discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito� d) a vitimização primária, a qual consiste em efeitos decorrentes do crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos pela vítima, como consequência do crime� e) a vitimização terciária, a qual consiste em discriminação oriunda do círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão do delito� 8. São conhecidas por_______os crimes que não são registrados em órgãos oficiais encarregados de sua repressão, em decorrência de omissão das vítimas, por temor de represália� Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna� a) estatísticas azuis b) estatísticas brancas c) cifras douradas d) cifras negras e) cifras cinza 9. As políticas públicas de prevenção criminal terciária têm por público-alvo a) a vítima de violência doméstica� b) o adolescente� c) o preso� d) o idoso� e) o usuário de drogas ilícitas� 10. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma das características da função retributiva da pena, segundo a Teoria Absoluta. a) Analogia: pena independente da gravidade do delito� b) Duração indeterminada: a duração da pena dependerá, dentre outros fatores, do comportamento do apenado� c) Infligibilidade: a pena consistirá em aflição corporal� d) Derrogabilidade: o delito terá, por consequência, uma punição, ainda que injusta� e) Responsabilidade penal individual: a pena não passará da pessoa do condenado� (Investigador 2012) 1. Entende-se por Etiologia Criminal a ciência que estuda e investiga a) a criminalística, isto é, o processo de desenvolvimento do crime� b) a transmissão congênita de fatores psicológicos, propensos ao desenvolvimento da criminalidade� c) a criminogênese, que objetiva explicar quais são as causas do crime� d) o fenômeno do delito e as formas de prevenção secundária� e) a transmissão genética de fatores biológicos, propensos ao desenvolvimento da criminalidade� 2. Os objetos de estudo da moderna Criminologia são: a) a vítima e o delinquente� b) o crime, o criminoso, a vítima e o controle social� c) o delito e o delinquente� d) o problema social, suas causas biológicas e o mimetismo� e) o crime e os fatores biopsicológicos decorrentes de sua prática� Anotações Prof. Pimentel 68 Criminologia • PP 3. A Teoria do Etiquetamento ou do labelling approach inspirou no Direito Penal Brasileiro a instituição a) da Lei de Segurança Nacional� b) do Código Penal Militar� c) da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais� d) da Teoria do Direito Penal do Inimigo� e) da Lei dos Crimes Hediondos� 4. São teorias do conflito as teorias a) das áreas criminais, da identificação diferencial e da criminologia crítica� b) da desorganização social, da neutralização e das áreas criminais� c) do conflito cultural, do etiquetamento e da associação diferencial� d) da associação diferencial, da subcultura e do estrutural--funcionalismo� e) da criminologia crítica, da rotulação e da criminologia radical� 5. A corrente de pensamento criminológico que critica a exibição de cenas em televisão e cinema, de abuso de drogas ilícitas, prática de roubos, sequestros, bem como outras condutas delituosas, alçando seus protagonistas a status de “heróis” ou “justiceiros”, fomentando sua imitação pelas pessoas, principalmente jovens, é a Teoria a) da Identificação Diferencial� b) da Reação Social� c) da Criminologia Radical� d) da Associação Diferencial� e) da Criminologia Crítica� 6. É considerado o pai da Vitimologia: a) Cesare Lombroso� b) Raffaele Garofalo� c) Émile Durkheim� d) Benjamin Mendelsohn� e) Cesare Bonesana� 7. Entende(m)-se por vitimização terciária a) os danos materiais e morais diretamente causados pelo delito, em face da vítima� b) a conduta de terceiros ou de eventos oriundos da natureza� c) o aborrecimento e o temor causados pela necessidade de comparecer aos órgãos encarregados de persecução criminal para o formal registro da ocorrência bem como para a indicação de seu algoz� d) a discriminação que a vítima recebe de seus familiares, amigos e colegas de trabalho, em forma de segregação e humilhação, por conta do delito por ela sofrido� e) a sobrevitimização, como o suicídio ou a autolesão� 8. Um indivíduo que, ao abrir a porta de seu veículo automotor, a fim de sair do estacionamento de um shopping center, é surpreendido por bandido armado que estava homiziado em local próximo, aguardando a primeira pessoa a quem pudesse roubar, é a) tão culpado quanto o criminoso� b) vítima ideal� c) mais culpado que o criminoso� d) exclusivamente culpado� e) vítima de culpabilidade menor� Anotações Prof. Pimentel 69 Criminologia • PP 9. A atuação das polícias, do ministério público e da justiça criminal, quando focada em determinados grupos ou setores da sociedade, por possuírem maior risco de praticar o crime ou de ser vitimados por este, constitui programa de prevenção a) secundária� b) quaternária� c) primária� d) quinária� e) terciária� 10. O legislador brasileiro, ao dispor sobre as funções da reprimenda pela prática de infração penal no artigo 59 do Código Penal – O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime��� –, adotou a teoria da a) função reeducativa da pena� b) função de prevenção especial da pena� c) função de prevenção geral da pena� d) função retributiva da pena� e) função mista ou unificadora da pena� Investigador (2013) 01. A ciência que estuda a criminogênese é chamadade a) ciência política� b) ciência pública� c) sociologia individual� d) etiologia criminal� e) ciência jurídica� Nas questões de números 02 e 03, complete, correta e respectivamente, as lacunas das frases dadas. 02. Segundo a doutrina dominante, a criminologia é uma ciência aplicada que se subdivide em dois ramos: a criminologia________que consiste na sistematização, comparação e classificação dos resultados obtidos no âmbito das ciências criminais acerca do seu objeto; e a criminologia_______ que consiste na aplicação dos conhecimentos teóricos daquela para o tratamento dos criminosos� a) prática … social b) comparativa … observativa c) geral … clínica d) individual … científica e) metódica … particular 03. A criminologia pode ser conceituada como uma ciência_________, baseada na observação e na experiência, e________ que tem por objeto de análise o crime, o criminoso, a vítima e o controle social. a) exata … multidisciplinar b) objetiva … monodisciplinar c) humana … unidisciplinar d) biológica … transdisciplinar e) empírica … interdisciplinar Anotações Prof. Pimentel 70 Criminologia • PP 04. Assinale a alternativa correta em relação a Enrico Ferri. a) Foi filósofo, sustentou que a criminologia é fruto da disparidade social; portanto, riqueza e pobreza estão ligadas ao crime� b) Foi escritor, criou a teoria da escola clássica da criminologia; utilizou o método lógico dedutível� c) Publicou o livro O Homem Delinquente em 1876, descrevendo o determinismo biológico como fonte da personalidade criminosa� d) Foi jurista, afirmou que o crime estava no homem e que se revelava como degeneração deste� e) Foi autor da obra Sociologia Criminal; para ele a criminalidade deriva de fenômenos antropológicos, físicos e sociais� 05. A escola criminológica que surgiu no século XIX, tendo, entre seus principais autores, Rafaelle Garofalo, e que pode ser dividida em três fases (antropológica, sociológica e jurídica) é a a) Escola Positiva� b) Terza Scuola Italiana� c) Escola de Política Criminal ou Moderna Alemã� d) Escola Clássica� e) Escola de Lyon� 06. A obra Dos Delitos e Das Penas de 1764 foi escrita por a) Adolphe Quetelet� b) Francesco Carrara� c) Giovanni Carmignani� d) Cesare Bonesana� e) Cesare Lombroso� 07. A distinção entre imputáveis e inimputáveis, a responsabilidade moral baseada no determinismo, o crime como fenômeno social e individual e a pena com caráter aflitivo, cuja finalidade é a defesa social, são características da a) Terza Scuola Italiana� b) Escola Moderna Alemã� c) Escola Positiva� d) Escola Clássica� e) Escola Tradicional� 08. Pode-se afirmar que o pensamento criminológico moderno é influenciado por uma visão de cunho funcionalista e uma de cunho argumentativo, que possuem, como exemplos, a Escola de Chicago e a Teoria Crítica, respectivamente. Essas visões também são conhecidas como teorias a) da ecologia criminal e do transtorno� b) do consenso e do conflito� c) do conhecimento e da pesquisa� d) da formação e da dedução� e) do estudo e da conclusão� 09. A teoria do labelling approach é uma das mais importantes teorias do conflito. Surgiu na década de 60 nos Estados Unidos da América e tem, como um de seus principais autores, Howard Becker� Essa teoria também é conhecida como teoria a) cultural ou de modismo� b) da associação diferencial ou white colar crimes� c) do estudo ou da pesquisa� d) do etiquetamento ou da rotulação� e) da anomia ou da subcultura delinquente� Anotações Prof. Pimentel 71 Criminologia • PP 10. Uma das primeiras classificações, de forma sintética, da vítima em grupos, quanto à sua participação ou provocação no crime foi: vítima inocente, vítima provocadora e vítima agressora, simuladora ou imaginária� Essa classificação é atribuída a a) Cesare Lombroso� b) Hans von Hentig� c) Benjamim Mendelsohn� d) Kurt Schneider� e) Hans Gross� 11. Nos crimes de extorsão mediante sequestro, por exemplo, pode ocorrer a chamada Síndrome de Estocolmo, que consiste a) na doença que os sequestradores sofrem� b) na identificação afetiva da vítima com o criminoso, pelo próprio instinto de sobrevivência� c) em uma teoria que os órgão públicos utilizam para reduzir a criminalidade� d) no arrependimento do criminoso em razão do descontrole emocional� e) no trauma que a vítima adquire em razão do sofrimento� 12. Quando ocorre a falta de amparo da família, dos colegas de trabalho e dos amigos, e a própria sociedade não acolhe a vítima, incentivando-a a não denunciar o delito às autoridades, ocorrendo o que se chama de cifra negra, está-se diante da vitimização a) caracterizada� b) secundária� c) descaracterizada� d) primária� e) terciária� 13. A reparação dos danos e a indenização dos prejuízos à vítima são vistas pela doutrina como a) uma importante tendência político-criminal observada na Lei n�º 9�099/95� b) um problema que cabe apenas ao Direito Civil tratar� c) uma teoria que vê a vítima como uma parte autossuficiente no crime� d) algo obsoleto, que não cabe mais sua discussão� e) um fato que serve exclusivamente como base para cálculo da pena do criminoso� 14. Entende-se como controle social o conjunto de mecanismos e sanções sociais que visam submeter o homem aos modelos e normas do convívio comunitário� Desta forma, são exemplos de influências no controle social informal: a) Administração Penitenciária, PROCON e Judiciário� b) Polícia Militar, Ministério Público e Guarda Municipal� c) Tribunal de Contas, Forças Armadas e Ordem dos Advogados do Brasil� d) Família, Escola e Igrejas� e) Partidos Políticos, Conselho Tutelar e Polícia Civil� 15. É órgão da segunda seleção da instância formal de controle social: a) Ministério Público� b) Polícia Judiciária� c) Poder Judiciário� d) Administração Penitenciária� e) Polícia Administrativa� Anotações Prof. Pimentel 72 Criminologia • PP 16. Criminologicamente falando, entende-se por mimetismo a) a exposição dos órgãos sexuais em público, para o fim de obtenção de prazer� b) o desvio reiterado de comportamento do indivíduo adulto diante das leis, como se ainda fosse adolescente� c) a reprodução de um comportamento delituoso, por meio de imitação� d) a ausência ou diminuição da vontade própria, em favor de terceiros� e) o impulso que acomete um indivíduo a participar de jogos de azar� 17. A atração sexual por estátuas, manequins ou bonecos, que poderá redundar em prática de simulação de carícias ou de atos libidinosos com tais objetos em locais públicos, é denominada a) necrofilia ou necromania� b) agalmatofilia ou pigmalionismo� c) zoofilia ou zooerastia� d) cleptomania ou exibicionismo� e) complexo de Édipo ou bestialismo� 18. Do ponto de vista criminológico, o criminoso fronteiriço é aquele que é considerado a) inimputável pela lei penal, pois seu estado psicológico situa-se na zona limítrofe entre a higidez e a insanidade mental� b) semi-imputável pela lei penal, também conhecido doutrinariamente por idiota� c) imputável pela lei penal, tendo sua conduta caracterizada pelo transporte de produtos controlados, tais como armas de fogo e drogas ilícitas, do exterior para o Brasil ou vice-versa� d) inimputável pela lei penal, também conhecido doutrinariamente por oligofrênico� e) semi-imputável pela lei penal, pois seu estado psicológico situa-se na zona limítrofe entre a higidez e a insanidade mental� 19. Médico legista, psiquiatra e antropólogo brasileiro, considerado o Lombroso dos Trópicos� A personalidade mencionada refere-se a a) Luís da Câmara Cascudo� b) Raimundo Nina Rodrigues� c) Mário de Andrade� d) Oswaldo Cruz� e) Fernando Ortiz� 20. Cesare Bonesana, Francesco Carrara e Giovanni Carmignani foram autores da corrente doutrinária da história da Criminologia denominada a) Escola Clássica� b) Terza Scuola Italiana� c) Escola Moderna Alemã� d) Escola Positiva� e) Escola de Chicago� 21. A corrente do pensamento criminológico, que teve por precursor Filippo Gramatica e fundador Marc Ancel, a qual apregoa que o delinquente deve ser educadopara assumir sua responsabilidade para com a sociedade, a fim de possibilitar saudável convívio de todos (pedagogia da responsabilidade), é denominada a) Janelas Quebradas (Broken Windows)� b) Escola Antropológica Criminal� c) Nova Defesa Social� d) Criminologia Crítica� e) Lei e Ordem� Anotações Prof. Pimentel 73 Criminologia • PP 22. A explicação acerca das causas da conduta delitiva possui fundamentos biológicos, dentre outros. Assinale a alternativa que corresponde a uma das teorias biológicas da criminalidade� a) Teoria das Funções� b) Teoria Analítica� c) Estrutural-Funcionalismo� d) Teoria dos Instintos� e) Teoria do Consenso� 23. A alternativa que completa, corretamente, a lacuna da frase é: A_______é uma técnica de identificação de criminosos, desenvolvida em 1882 por Alphonse Bertillon, a qual consiste em registro de medidas corporais, bem como demais marcas pessoais do criminoso, tais como tatuagens, cicatrizes ou marcas de nascença, para o fim de auxiliar na identificação criminal. a) papiloscopia forense b) antropologia criminal c) datiloscopia forense d) criminalística forense e) antropometria criminal 24. Do ponto de vista criminológico, a conduta dos membros de facções criminosas, das gangues urbanas e das tribos de pichadores são exemplos da teoria sociológica da(o) a) abolicionismo penal� b) subcultura delinquente� c) identidade pessoal� d) minimalismo penal� e) predisposição nata à criminalidade� 25. A autorrecriminação da vítima pela ocorrência de um crime, por meio da busca por causas que, eventualmente, tornaram-na responsável pelo delito, é denominada a) homovitimização� b) heterovitimização� c) vitimização primária� d) vitimização secundária� e) vitimização terciária� 26. O indivíduo que é lesado por um estelionatário, o qual aplica-lhe o clássico golpe do “bilhete premiado”, é considerado, de acordo com a classificação proposta por Mendelsohn, vítima a) exclusivamente culpada� b) inocente� c) tão culpada quanto o criminoso� d) menos culpada do que o criminoso� e) mais culpada do que o criminoso� 27. O estudo da contribuição da vítima na ocorrência de um crime, e a influência dessa participação na dosimetria da pena, é denominado a) vitimodogmática� b) perigosidade criminal� c) infortunística� d) círculo restaurativo� e) iter victimae� Anotações Prof. Pimentel 74 Criminologia • PP 28. O modelo de resposta ao delito que foca na punição do criminoso, proporcional ao dano causado, mediante um Estado atuante e intimidatório, denomina-se a) padrão consensual� b) modelo ressocializador� c) modelo segregador� d) padrão associativo� e) modelo dissuasório� 29. Fruto da tendência atual da política penal brasileira, verifica-se que as tradicionais penas privativas de liberdade vêm sendo substituídas por medidas alternativas, tais como multa e obrigação de prestação de serviços à comunidade� O fenômeno mencionado é denominado a) desconstitucionalização� b) descarcerização� c) descriminalização� d) juridicização� e) desjudicialização� 30. Sobre o prognóstico criminológico estatístico, é correto afirmar que consiste em uma a) certeza de um indivíduo delinquir, em razão de dados estatísticos coletados� b) probabilidade de um indivíduo delinquir, em razão de dados estatísticos coletados� c) certeza de um criminoso reincidir, em razão de dados estatísticos coletados� d) probabilidade de um criminoso reincidir, em razão de dados estatísticos coletados� e) avaliação médica imediata e preliminar acerca de uma enfermidade ou estado psicológico, com base na observação momentânea do criminoso� (Delegado 2013) 1. A obra O homem delinquente, publicada em 1876, foi escrita por: a) Cesare Lombroso� b) Enrico Ferri� c) Rafael Garófalo� d) Cesare Bonesana� e) Adolphe Quetelet� 2. Um dos primeiros autores a classificar as vítimas de um crime foi Benjamin Mendelsohn, que levou em conta a participação das vítimas no delito. Segundo esse autor, as vítimas classificam-se em__________ ; vítimas menos culpadas que os criminosos;_________ ; vítimas mais culpadas que os criminosos e__________ . Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto� a) vítimas inocentes … vítimas inimputáveis … vítimas culpadas� b) vítimas primárias … vítimas secundárias … vítimas terciárias� c) vítimas ideais … vítimas tão culpadas quanto os criminosos… vítimas como únicas culpadas� d) vítimas tão participativas quanto os criminosos … vítimas passivas … vítimas colaborativas quanto aos criminosos e) vítimas passivas em relação ao criminoso … vítimas prestativas … vítimas ativas em relação aos criminosos Anotações Prof. Pimentel 75 Criminologia • PP 3. A moderna Sociologia Criminal possui visão bipartida do pensamento criminológico atual, sendo uma de cunho funcionalista e outra de cunho argumentativo. Trata-se das teorias a) indutiva e dedutiva� b) do consenso e do conflito� c) absoluta e relativa� d) moderna e contemporânea� e) abstrata e concreta� 4. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, a frase: A Criminologia__________; o Direito Penal_________ � a) não é considerada uma ciência, por tratar do “dever ser” … é uma ciência empírica e interdisciplinar, fática do “ser” b) é uma ciência normativa e multidisciplinar, do “dever ser” … é uma ciência empírica e fática, do “ser” c) não é considerada uma ciência, por tratar do “ser” …é uma ciência jurídica, pois encara o delito como um fenômeno real, do “dever ser” d) é uma ciência empírica e interdisciplinar, fática do “ser” … é uma ciência jurídica, cultural e normativa, do “dever ser” e) é considerada uma ciência jurídica, por tratar o delito como um conceito formal, normativo, do “dever ser” …não é considerado uma ciência, pois encara o delito como um fenômeno social, do “ser” 5. Tendo o Direito Penal a missão subsidiária de proteger os bens jurídicos e, com isso, o livre desenvolvimento do indivíduo, e, ainda, sendo a pena vinculada ao Direito Penal e à Execução Penal, após a reforma do Código Penal Brasileiro, em 1984, é correto afirmar que a finalidade da pena é a) repreensiva e abusiva� b) punitiva e reparativa� c) retributiva e preventiva (geral e especial)� d) ressocializadora e reparativa� e) punitiva e distributiva� 6. A prevenção criminal que está voltada à segurança e qualidade de vida, atuando na área da educação, emprego, saúde e moradia, conhecida universalmente como direitos sociais e que se manifesta a médio e longo prazos, é chamada pela Criminologia de prevenção a) primária� b) individual� c) secundária� d) estrutural� e) terciária� (Escrivão 2013) 1. O método científico utilizado pela Criminologia é o método biológico e______ , como ciência empírica e________ que é� Completam as lacunas do texto, correta e respectivamente: a) experimental ��� jurídica b) sociológico ��� experimental c) físico ��� social d) filosófico ��� humana e) psicológico ��� normativa Anotações Prof. Pimentel 76 Criminologia • PP 2. São objetos de estudo da Criminologia moderna _________, o criminoso,_________ e o controle social� Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto� a) a desigualdade social ��� o Estado b) a conduta ��� o castigo c) o direito ��� a ressocialização d) a sociedade ��� o bem jurídico e) o crime ��� a vítima 3. Conceitua-se a criminologia, por ser baseada na experiência e por ter mais de um objeto de estudo, como uma ciência a) abstrata e imensurável� b) biológica e indefinida� c) empírica e interdisciplinar� d) exata e mensurável� e) humana e indefinida� 4. Dentre os modelos sociológicos, as teorias da criminologia crítica, da rotulação e da criminologia radical são exemplos da teoria a) do consenso� b) da aparência� c) do descaso� d) da falsidade� e) do conflito� 5. A teoria do neorretribucionismo, com origem nos Estados Unidos, também conhecida por “lei e ordem” ou “tolerância zero”, é decorrente da teoria: a) “positiva”� b) “janelas quebradas”� c) “clássica”�d) “cidade limpa”� e) “diferencial”� 6. A criminologia moderna estuda o fenômeno da criminalidade por meio da estatística criminal� Nessa seara, a expressão “cifra dourada” designa a) o total de delitos registrados e de conhecimento do poder público que são elucidados� b) as infrações penais praticadas pela elite, não reveladas ou apuradas; trata-se de um subtipo da “cifra negra”, a exemplo do crime de sonegação fiscal� c) as infrações penais de maior gravidade, como, por exemplo, o homicídio, que, ao ser elucidado, permite ao poder público planejar melhor suas ações e alterar a legislação� d) as infrações penais de menor potencial ofensivo, por enquadrar-se na Lei n�º 9�099/95, a exemplo do delito de perturbação do sossego alheio� e) o percentual de delitos praticados pela sociedade de baixa renda que não chega ao conhecimento do poder público por falta de registro, e, portanto, não são elucidados� 7. Uma vítima que, ao querer registrar uma ocorrência, encontra resistência ou desamparo da família, dos colegas de trabalho e dos amigos, resultando num desestímulo para a formalização do registro, ocasiona o que é chamado de “cifra negra”. Neste caso, estamos diante da vitimização a) primária� b) secundária� c) quaternária� d) quintenária� e) terciária� Anotações Prof. Pimentel 77 Criminologia • PP 8. “Vítima inocente, vítima provocadora e vítima agressora, simuladora ou imaginária”. Essa foi uma das primeiras classificações, de forma sintetizada, que levou em conta a participação ou provocação das vítimas nos crimes. O autor dessa classificação foi a) Francesco Carrara� b) Giovanni Carmignani� c) Cesare Lombroso� d) Benjamim Mendelsohn� e) Cesare Beccaria� 9. Uma das formas que o Estado Brasileiro adota como controle e inibição criminal é a pena prevista para cada crime, cuja teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro é a mista, de acordo com o artigo 59 do Código Penal, que tem como finalidade a a) prevenção e a retribuição� b) indenização e a repreensão� c) punição e a reparação� d) inibição e a reeducação� e) conciliação e o exemplo� 10. O conceito de prevenção delitiva, no Estado Democrático de Direito, e as medidas adotadas para alcançá-la são: a) o conjunto de ações que visam evitar a ocorrência do delito, atingindo direta e indiretamente o delito� b) o conjunto de ações que visam estudar o delito, atingindo direta e indiretamente o criminoso� c) o conjunto de ações adotadas pela vítima que visam evitar o delito, atingindo o delinquente direta e indiretamente� d) o conjunto de ações que visam estudar o criminoso, atingindo o ato delitivo direta e indiretamente� e) o conjunto de ações que visam estudar o crime, atingindo o criminoso direta e indiretamente� (Perito 2013) 1. Sobre a Criminologia, é correto afirmar que a) ela não é considerada uma ciência para a maior parte dos autores� b) tal conhecimento encontra-se inteiramente subordinado ao Direito Penal� c) ela ocupa-se do estudo do delito e do delinquente, mas não se ocupa do estudo da vítima e do controle social, uma vez que tal assunto constitui objeto de interesse da Sociologia� d) ela ocupa-se do estudo do delito e do controle social, mas não se ocupa do estudo do delinquente e da vítima, uma vez que tal assunto constitui objeto de estudo da Psicologia� e) ela constitui um campo fértil de pesquisas para psiquiatras, psicólogos, sociólogos, antropólogos e juristas� 2. A Teoria do labelling approach, a qual explica que a criminalidade não é uma qualidade da conduta humana, mas a consequência de um processo em que se atribui tal estigmatização, também é denominada teoria a) da desorganização social� b) da rotulação ou do etiquetamento� c) da neutralização� d) da identificação diferencial� e) da anomia� Anotações Prof. Pimentel 78 Criminologia • PP 3. Entende-se por vitimização secundária ou sobrevitimização aquela a) provocada pelo cometimento do crime e pela conduta violadora dos direitos da vítima, proporcionando danos materiais e morais, por ocasião do delito� b) que não concorreu, de forma alguma, para a ocorrência do crime� c) que, de modo voluntário ou imprudente, colabora com o ânimo criminoso do agente� d) que ocorre no meio social em que vive a vítima e é causada pela família, por grupo de amigos etc� e) causada pelos órgãos formais de controle social, ao longo do processo de registro e apuração do delito, mediante o sofrimento adicional gerado pelo funcionamento do sistema de persecução criminal� 4. No tocante à temática da prevenção da infração à lei penal, é correto afirmar que a prevenção a) secundária consiste em, dentre outras, políticas criminais voltadas exclusivamente à reintegração do preso na sociedade� b) terciária consiste em políticas públicas de conscientização de todos os cidadãos quanto à importância de se cumprirem as leis, mediante o fornecimento de serviços públicos de qualidade, tais como saúde, educação e segurança� c) geral busca, por meio da pena, intimidar os indivíduos propensos a delinquir, inibindo-os de transgredir a lei penal� d) geral negativa busca, por meio da pena, a reeducação e a ressocialização do criminoso� e) primária consiste em, dentre outras, ações policiais de repressão às práticas delituosas� (Atendente de Necrotério 2013) 1. Para a Criminologia, o crime pode ser considerado como: a) uma relação jurídica de conteúdo individual e coletivo� b) um pecado praticado por quem escolheu o mal� c) um fato típico e antijurídico� d) um desvio de conduta que atenta contra a moral e os bons costumes� e) um problema social e comunitário� 2. Assinale a alternativa que aponta o ente que exerce ou fomenta, concomitantemente, os controles formal e informal sobre a vida em sociedade� a) Poder Judiciário� b) Família� c) Policiamento Comunitário� d) Clubes de Serviço� e) Forças Armadas� 3. No tocante aos fatores desencadeantes da criminalidade, é correto afirmar que a) o crescimento populacional desordenado de determinada localidade provoca o aumento de índices criminais� b) a educação e o ensino não são fatores que inibem o cometimento de delitos� c) as autoridades públicas podem exercer controle sobre os meios de comunicação de massa, por meio de censura, a fim de assegurar o exercício pleno da liberdade de imprensa� d) o desemprego disfarçado ou o subemprego podem apresentar-se sob forma de atividades como “homens-placa”, mas que não é o caso dos vendedores ambulantes nos semáforos� e) não existe tratamento discriminatório das mulheres em relação aos homens por parte dos órgãos públicos, tais como polícia e sistema penitenciário� Anotações Prof. Pimentel 79 Criminologia • PP 4. Quanto aos fatores impulsionadores do delito, assinale a alternativa correta. a) Pesquisas demonstram que a penúria econômica é a causa principal da criminalidade denominada de “colarinho branco”� b) Não há relação direta ou indireta entre o cometimento de pequenos furtos, também denominado microcriminalidade, e o fato de seus autores pertencerem às classes sociais mais baixas� c) A desagregação familiar, por si só, deve ser considerada como fator determinante do comportamento criminoso de um indivíduo� d) De acordo com as estatísticas oficiais, as mulheres cometem mais crimes que os homens� e) Não há constatação de conexão entre o fenômeno delitivo e a religião; os crimes cometidos em nome da religião são atribuíveis ao fanatismo religioso, porém não ao culto ou à crença em si� 5. Entende-se por vitimização terciária a) o sofrimento causado pela posterior perseguição da vítima pelo autor do crime� b) os prejuízos causados pelo crime praticado contra a vítima� c) aquela oriunda dos familiares e do círculo de relações sociais da vítima, que a segregam, excluem e até humilham, em virtude do crime por ela sofrido� d) o sofrimento causado pelos órgãos públicos encarregados da persecução criminal� e) aquela denominada “terceirização da vitimização”, isto é, advinda de terceiros, estranhos ao círculo de familiares