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Escoamentos Livres 6- Estruturas Hidráulicas de Condução 3 - Bueiros - Bueiros • Bueiros são estruturas hidráulicas, normalmente construídas em fundo de vales, que objetivam a passagem de águas dos talvegues por sob obras de terraplanagem. • Os bueiros, normalmente, não possuem características de reservação de água, desta forma o seu dimensionamento é feito pela vazão máxima do hidrograma de projeto. Bueiros • Os bueiros podem ser classificados quanto ao número de linhas como simples (S), Duplo (D) ou Triplo (T); quanto à forma da seção como Tubular (T) ou Celular (C) e quanto ao material de construção como de Concreto (C) ou Metálicos (M). • Por exemplo, tem-se: BDTM1,00 é bueiro Duplo Tubular Metálico, com diâmetro 1,00 m, ou BTCC 3,00x2,00 é bueiro Triplo Celular de Concreto, com dimensões 3,00 m de base por 2,00 m de altura. Bueiros - Imagens Bueiros funcionando como canal • O funcionamento do bueiro será como canal quando as extremidades de montante e de jusante não se encontram submersas. Logo, existe uma superfície livre ao longo de todo o conduto e a vazão afluente é inferior a vazão admissível à estrutura hidráulica. • Essa condição é verificada para profundidade de montante até 20% superior à dimensão vertical do bueiro. Bueiros funcionando como canal Bueiros funcionando como canal • Nessa condição, o dimensionamento é dependente do regime do escoamento. Desta forma, para se determinara o regime de escoamento dentro do bueiro deve-se calcular a declividade crítica utilizando-se as equações seguintes: onde: Ic é a declividade crítica (m/m); n é o coeficiente de Manning; D é o diâmetro do bueiro (m); H é altura do bueiro (m); e, B e a largura do bueiro (m). Bueiros funcionando como canal • Desta forma, compara-se a declividade do fundo do bueiro (I) com a declividade crítica calculada e toma-se uma das três decisões: – I < Ic escoamento subcrítico; – I > Ic escoamento supercrítico; – I = Ic escoamento crítico. Bueiros funcionando como canal • Para a condição de escoamento subcrítico, a vazão admissível (Qadm) e a velocidade média do escoamento (U) podem ser determinadas através das seguintes equações: Bueiros funcionando como canal Em todos esses casos, o dimensionamento é para uma profundidade da lâmina (Y/D) d’água igual a 80% da dimensão vertical do bueiro. Bueiros funcionando como orifício • Quando a vazão afluente supera a vazão admissível no bueiro funcionamento como canal. O NA a montante aumenta até ser atingido um nível de carga hidráulica tal que o bueiro possa transportar aquela vazão. Nessas vazões dizemos que o bueiro trabalha “em carga”, funcionando como um orifício. Bueiros funcionando como orifício • Para a condição de funcionamento do bueiro como orifício, a vazão admissível (Qadm) e a velocidade média do escoamento (U) podem ser determinadas através da expressão da “Teoria dos Orifícios” : • 𝑄 = 𝐶𝑑 𝐴 2𝑔ℎ; onde Cd : Coeficiente de descarga, variando entre 0,77 e 0,55, geralmente adotado 0,63; A : Área da seção transversal do bueiro (m); h : altura de carga hidráulica a partir do eixo do bueiro (m) ao NA; Bueiros funcionando como orifício • Considerando uma margem de segurança de 20%, podem ser obtidas as seguintes expressões para bueiros tubulares e celulares: • Senso D é o diâmetro dos bueiros tubulares (m), B é a base (m), H a altura dos bueiros celulares (m), h altura de carga (m), Q é a vazão (m³/s), U a velocidade (m/s). Bueiros funcionando como condutos forçados • Quando os níveis de água de montante e de jusante superam a altura do bueiro (H ou D), diz-se que o bueiro trabalha afogado, funcionamento como conduto forçado. Nessa condição a seguinte equação é satisfeita: onde: Hm é a carga a montante do bueiro (m); Hj é a carga a jusante do bueiro (m); I é a declividade do fundo do bueiro (m/m); L é o comprimento do bueiro (m); e, h é a perda de carga quando do escoamento ao longo do bueiro (m). Bueiros funcionando como condutos forçados • A perda de carga do escoamento ao longo do bueiro pode ser calculada através da seguinte equação: onde Ce e Cs são os coeficientes de perda de carga na entrada e na saída do bueiro, respectivamente, normalmente tabelados conforme apresentado a seguir: Bueiros funcionando como condutos forçados Coeficientes de perda de carga na entrada para bueiros tubulares Tipo de estrutura de entrada Concreto Metálico “bolsa” saliente, com ou sem muro e alas 0,2 - “ponta” saliente, com ou sem muro e ala 0,5 - Saliente, sem muro e alas - 0,9 Saliente, com muro e alas - 0,5 Muro de testa, final do tubo arredondado 0,2 - Muro de testa, sem alas - 0,2 a 0,5 Tubo bisetado 0,7 0,7 Seção terminal conformada com o aterro 0,5 0,5 Bueiros funcionando como condutos forçados Coeficientes de perda de carga na entrada para bueiros celulares Tipo de estrutura de entrada Faixa Usual Entrada angular 0,2 a 0,7 0,5 Entrada hidraulicamente adequada 0,2 a 0,7 0,2 Bueiros funcionando como condutos forçados • Para o coeficiente de perda de carga na saída de bueiros, os valores variam entre 0,3 a 1,0, porém, é usualmente utilizado o valor igual a 1,0. • Para todos os casos apresentados existe a possibilidade de se utilizar linhas de bueiro duplas ou triplas. Desta forma, deve- se reduzir a capacidade de vazão no bueiro em 5% para cada linha adicional em função das condições de entrada. Exercícios: Bibliografia • Baptista, Márcio; Lara, Márcia. Fundamentos de Engenharia Hidráulica. 3ª edição. Belo Horizonte: editora UFMG, 2010. 480 p. prof. Paulo Mário 22