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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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das pesquisas realizadas 
no Brasil sobre a humanização hospitalar e suas relações com a educação. Optamos por 
organizar este capítulo agrupando as pesquisas e seus autores de acordo com três 
conceitos principais: Pedagogia Hospitalar, Classe Hospitalar e Escola Hospitalar. Esses 
conceitos norteiam as práticas lúdico-educativas desenvolvidas no ambiente hospitalar e 
diferem em vários aspectos que serão apresentados no decorrer do texto. Além desses 
conceitos, trazemos à luz o que a legislação brasileira diz sobre este assunto que tem 
despertado o interesse de pesquisadores, profissionais de diversas áreas, como Saúde, 
Educação, Serviço Social e Direito. 
A produção científica nacional teve início em 1989 com a dissertação de 
mestrado de autoria da Assistente Social Maria Margarida Teixeira Mugiatti
5
, intitulada 
“Hospitalização escolarizada: uma nova alternativa para o escolar doente. 
É necessário conhecer os conceitos, a base legal e as práticas educacionais 
desenvolvidas em alguns hospitais para que possamos refletir, analisar e contribuir com 
as pesquisas que têm sido realizadas em torno dessa temática. Outros aspectos 
relevantes para este estudo são as divergências entre pesquisadores, que buscam 
legitimar o seu posicionamento, visto que alguns já possuem adeptos aos seus conceitos 
e seguem suas linhas de pesquisa e pensamento. Os autores buscam legitimar os seus 
conceitos mostrando a pertinência que há em suas pesquisas, trabalhos e ações 
educacionais desenvolvidas nos ambientes hospitalares. 
Os autores que iremos apresentar trazem conceitos sobre a Pedagogia Hospitalar, 
Classe Hospitalar e Escola Hospitalar, pois cada conceito se diferencia em vários 
aspectos como, por exemplo, metodologias, didáticas e em relação aos espaços 
hospitalares onde são desenvolvidas as atividades. Outros fatores que diferenciam uma 
abordagem de outra são os que se relacionam ao porte do hospital, do público que 
atende, da rotatividade do paciente, da diversificação da faixa etária e do seu tempo de 
permanência no hospital. Esse conjunto de fatores influencia as ações que podem ser 
desenvolvidas em ambientes hospitalares, as possibilidades de intervenções 
educacionais maiores ou menores e influencia também o tempo de permanência dentro 
do hospital (curto, médio e longo prazo). 
 
5
Assistente Social que atuava há 15 anos em dois hospitais de Curitiba, percebe a importância da oferta 
educacional a escolares em situação de hospitalização e se mobiliza a fim de torná-la uma realidade. 
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Diante do levantamento bibliográfico realizado, percebemos que o atendimento 
educacional disponibilizado ao paciente vai se dar, principalmente, de acordo com o 
porte do hospital e do tipo de atendimento que este oferece. Por exemplo, os hospitais 
destinados ao tratamento do câncer, de queimados ou para pacientes renais – 
tratamentos de média e longa duração – devem estar preparados para uma intervenção 
educacional maior, pois o tempo de permanência deste paciente no hospital será longo e 
poderá comprometer o ano/semestre letivo escolar. Em hospitais gerais, ou hospital-dia, 
as necessidades são outras, pois o período de permanência no hospital varia muito, de 
um dia até o máximo de 20 dias. Neste caso, a intervenção educacional deve suprir as 
necessidades momentâneas e de curto prazo. 
Essas características são as que irão justificar principalmente as práticas 
educativas desenvolvidas nos hospitais, conceituadas como Classe Hospitalar, Escola 
Hospitalar ou Pedagogia Hospitalar. 
Este capítulo visa apresentar esses conceitos e práticas educativas, objetivando 
atrelar essas construções teóricas à experiência dos projetos de humanização 
desenvolvidos no HRAM que apresentaremos na sequência do trabalho. 
 
 
2.1 Escola hospitalar 
 
De maneira mais abrangente, para obtermos um panorama das pesquisas 
realizadas nacionalmente e daí podermos agrupar os autores por suas respectivas áreas 
pesquisadas, iniciamos analisando a dissertação de mestrado de Oliveira
6
 (2010), 
intitulado “Projeto Hospitalar Escola Móvel – Aluno Específico: cultura escolar e 
debate acadêmico”, em que a pesquisadora faz um marco teórico entre 1989 a 2008, e 
traz uma catalogação de toda produção científica realizada no Brasil, formada por 48 
dissertações de mestrado, 10 teses de doutorado, 55 artigos científicos, 4 Anais de 
Encontros Nacionais de Atendimento Escolar Hospitalar, além de 9 livros, concluindo 
sua pesquisa com um estudo de caso, relacionado a sua experiência enquanto 
profissional da educação desenvolvendo atividades educativas em um hospital. 
 
6
Fabiana Aparecida de Melo Oliveira foi estagiária bolsista do curso de Letras pela Universidade de São 
Paulo no projeto Escola Móvel Aluno Específico (Emae), durante o período de 2002 a 2006. 
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A dissertação de Oliveira (2010) tem uma conotação ampla; ao realizar um 
levantamento da produção cientifica sobre a temática abordada, a autora nos apresenta 
os conceitos sobre as atividades educacionais desenvolvidas nos hospitais sob a ótica de 
vários autores, cujas produções são um esforço para apresentar respostas sobre a 
problematização das possibilidades e necessidades de atender educacionalmente ao 
aluno/paciente hospitalizado. 
Assim, Oliveira (2010) cataloga o conjunto de dissertações brasileiras que 
pesquisou dividindo-as em eixos temáticos: formação de professores, experiências 
pedagógicas desenvolvidas em hospitais, relação entre escola hospitalar e escola de 
origem, o aluno da escola hospitalar em cena, o professor da escola hospitalar em 
debate, pedagogia hospitalar e uso de novas tecnologias, escolarização de crianças com 
doenças crônicas, o impacto do câncer na vida de crianças e adolescentes, atividades 
lúdicas em ambiente hospitalar e, por fim, formação docente para o trabalho em 
ambiente hospitalar. 
Dessa forma, podemos observar que entre os temas descritos pela autora, 
constam também a formação docente e a atuação do professor no ambiente hospitalar, 
não apenas em pedagogia, mas a formação de professores de um modo em geral, sendo 
observada a transdisciplinaridade em pesquisas de profissionais da área de ciências, 
matemática, artes, assim como no que se refere a tecnologias e relações humanas. 
O trabalho de Oliveira (2010) suscita também reflexões sobre as políticas 
públicas,pois os trabalhos pesquisados mostram que entre a teoria e a prática existe uma 
grande disparidade no que se refere a garantias, na forma da lei, do direito à criança e ao 
adolescente de terem o atendimento educacional no hospital, pois nem todos os 
hospitais cumprem a lei e lhes asseguram esse direito. Isso é extensivo também à 
formação docente, que atualmente perpassa a formação inicial de professor, seja 
pedagogo ou de outra disciplina, uma vez que já existe especialização para prepará-lo 
para a atuação em hospitais. A especialização distingue, por exemplo, o currículo e as 
possibilidades de ensino, observando cada especificidade do aluno hospitalizado, quer 
seja a patologia enfrentada, quer seja idade e série, como também as nomenclaturas de 
acordo com os conceitos elaborados pelos pesquisadores. 
Oliveira (2010), ao analisar o conjunto dos trabalhos, contribui também para 
mostrar que alguns evidenciam mais o caráter humanizador – cujo foco está ligado à 
48 
 
afetividade e à terapia junto ao hospitalizado – do que o caráter educacional que visa o 
acompanhamento do processo de escolarização do aluno/paciente. 
Por fim a pesquisadora problematiza a prática docente oriunda da Escola Móvel-
Aluno Específico, ressaltando elementos da sua concepção, objetivos educacionais, 
currículo, avaliação, formação docente, dentre outros aspectos inerentes do projeto. 
 Vemos no trabalho de Oliveira um esforço em evidenciar a existência das

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