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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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práticas educativas em hospitais, diante da vasta pesquisa realizada, o registro de suas 
experiências compartilhadas no trabalho e o convite e incentivo a novas pesquisas, e 
uma necessidade de este debate evoluir. 
Assim, iniciaremos nossa discussão apresentando o próprio trabalho de Oliveira 
(2010) que apresenta características de Escola Hospitalar, no qual, após realizar uma 
vasta pesquisa em torno dos segmentos educacionais no ambiente hospitalar, apresenta 
o seu lócus de pesquisa e seu objeto que é o Projeto Escola Móvel Aluno Específico – 
Emae, dedicado à oferta educacional para crianças e adolescentes em tratamento de 
neoplasias no Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP), na cidade de São Paulo, 
vinculado ao Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo/Escola 
Paulista de Medicina e administrado por uma ONG, o Grupo de Apoio ao Adolescente e 
a Criança com Câncer (Graacc). 
Como afirma Oliveira (2010), as atividades da Emae tiveram início em 2000; é 
um projeto que busca parcerias entre a escola hospitalar e a escola de origem, fruto da 
iniciativa de educadores que buscaram parcerias com outros profissionais da saúde e 
órgãos de origem governamental e não-governamental. A estrutura da Emae 
apresentada por Oliveira (2010) mostra um projeto grandioso, com reconhecimento em 
todo Estado onde está localizado o hospital e em outros estados de origem dos pacientes 
lá atendidos, proposta pedagógica articulada com a LDB e Parâmetros Curriculares 
Nacionais, banco de dados dos atendimentos realizados aos pacientes e vínculo com a 
escola de origem dos mesmos. 
A organização, os relatórios e registros dos atendimentos realizados pelos 
profissionais que atuam no projeto lhes dão respaldo legal para a legitimação das 
atividades educacionais desenvolvidas na Escola Hospitalar; como afirma Oliveira 
(2010), 
 
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o conjunto de registros que se compõe ao longo do ano sobre as 
atividades pedagógicas desenvolvidas pelos alunos e sobre o 
andamento de seu tratamento é o que serve como argumento para 
os educadores e o que faz com que as instâncias superiores 
intervenham e garantam a aprovação desses alunos (OLIVEIRA, 
2010, p. 205). 
 
 Outro aspecto relevante na pesquisa apresentada por Oliveira (2010) são os 
estudos de casos específicos de alunos/pacientes; a partir deles são observados e 
analisados os desafios no desenvolvimento da proposta de trabalho da escola hospitalar, 
diante das intervenções hospitalares e das patologias enfrentadas por alunos/pacientes. 
 Nessa linha de pesquisa sobre Escola Hospitalar destacamos a pesquisadora 
Mugiatti (2009), pioneira ao desenvolver pesquisas sobre a escolarização no hospital; 
para tanto elaborou um projeto denominado Hospitalização Escolarizada, buscando 
apoio de recursos humanos e financeiros para consolidá-lo. 
Mugiatti (2009) centra sua discussão na relação saúde e educação; sua proposta 
é conciliar esses dois interesses, cujo maior objetivo é evitar a ruptura do tratamento e a 
evasão escolar. Há duas décadas, a autora já levantava preocupações sobre o 
afastamento das crianças da escola por motivo de doença, principalmente quando 
necessitam ser internadas, pois quebra o vínculo com a escola e aumenta as dificuldades 
para retornar, sofrendo perdas no processo educacional. Essa preocupação instigou-a a 
elaborar e desenvolver um projeto nessa perspectiva. 
Numa parceria de trabalho que objetivou adquirir subsídios para o 
desenvolvimento de atividades educacionais em hospital, as pesquisadoras Elizete Lucia 
Moreira Matos
7
 e Margarida Maria T. de Freitas Mugiatti
8
, em 1993 iniciam uma 
jornada de buscas acadêmicas voltadas às questões que envolviam o escolar 
hospitalizado e as possibilidades de favorecê-los nos aspectos pedagógicos, lúdicos e 
recreativos. De acordo com as pesquisadoras, nesse período elas saem da dimensão 
teórica e a abraçam a causa como necessidade de ação e intervenção social no que se 
 
7
Elizete Lúcia Moreira Matos é Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC, professora titular da 
PUCPR; atua no Mestrado em Educação na linha de pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias; 
coordena o Projeto Eurek@Kids-CNPq; desenvolve projetos e especialização em Pedagogia Hospitalar; 
atua no curso de Pedagogia da PUCPR. 
8
 Margarida Maria T. de Freitas Mugiatti é Assistente Social no Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba –
PR. Iniciou em 1988 os projetos de acompanhamento educacionais no referido hospital, através de 
parcerias com a Secretaria de Educação do Município. Atua até a presente data no referido hospital onde 
desenvolve a mais de 20 anos os projetos educacionais. 
 
50 
 
refere à escolarização continuada, à inclusão e à humanização no ambiente hospitalar, 
iniciando um trabalho em parceria no Hospital do Paraná. (MATOS, 2009). 
 Nas abordagens referentes à Escolarização Hospitalar, pode-se perceber a ênfase 
na ligação com a escola regular e as parcerias com as secretarias de educação dos 
municípios onde são desenvolvidas essas atividades; são hospitais de grande e médio 
porte de internamentos, com atendimento cirúrgico e tratamento pediátrico. 
Matos (2009) aborda em sua obra “Escolarização Hospitalar”, diversas 
experiências e projetos pedagógicos desenvolvidos dentro do hospital, destacando os 
seguintes projetos: Hospitalização Escolarizada, Classes Hospitalares, E-mail Terapia, 
Inclusão Digital, Enquanto o Sono não Vem, Sala de Espera e Mural Interativo. 
 
Tais experiências integram professores, equipes médicas, enfermos, 
familiares, realidades escolares e outros profissionais envolvidos, 
promovendo assim novos olhares, novos fazeres, novo sentido ao 
ambiente hospitalar. Minimiza-se no escolar hospitalizado o 
sentimento de enfermo esperando a cura, tornando-o agente ativo no 
seu processo de recuperação (MATOS, 2009, p. 203). 
 
 Nas escolas hospitalares tenta-se manter uma rotina de horário para as aulas, 
bem como disponibilizar um local adequado dentro do hospital para que elas 
aconteçam, sempre respeitando a saúde do aluno/paciente e sua pré-disposição para a 
realização das atividades. 
 No Estado do Paraná foi criado em 2005 o Serviço de Atendimento à Rede de 
Escolarização Hospitalar – Sareh, por meio da Secretaria de Educação – Seed, com o 
objetivo de atender educacionalmente aos educandos que se encontravam 
impossibilitados de frequentar a escola em virtude de situação de internamento 
hospitalar ou sob outras formas de tratamento de saúde. A proposta de trabalho permitia 
a continuidade do processo de escolarização, inserção ou reinserção dos alunos em 
ambiente escolar. 
 De acordo com Matos (2009), muitas pesquisas foram realizadas para obtenção 
de dados que dessem relevância e respaldo para a implantação desse serviço em muitos 
hospitais do Paraná, onde foi realizada também uma ação coletiva e integradora com 
diversos órgãos municipais e estaduais vinculados tanto à saúde quanto à educação, 
imbuídos na construção dessa proposta. A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e 
Ensino Superior do Paraná também foi procurada para discutir a possibilidade da 
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abertura de Campo de Estágio aos alunos das licenciaturas das universidades estaduais 
em hospitais universitários estaduais que tivessem demanda para tal. 
 
Após as discussões, estabeleceram-se critérios de participação para 
celebrar convênios e outros instrumentos de cooperação técnica com 
instituições de saúde pública, universidades e organizações não-
governamentais, em promover a humanização, escolarização e atenção 
integral a crianças, adolescentes, jovens e adultos internados ou sob 
outras formas de tratamento de saúde (MATOS, 2009, p. 27). 
 
 Matos (2009) aponta que o critério inicial era que fossem unidades próprias do 
Estado, hospitais-escola das universidades estaduais e instituições com demanda 
significativa

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