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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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(1999), “também atuam em intervenção pedagógico-educacional não 
propriamente relacionada com a experiência escolar, mas com as 
necessidades do desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança ou 
adolescente”. Quando se trata de também prática humanizadora a 
relação de afeto construída entre o professor e o educando 
hospitalizado colabora com o desenvolvimento tanto biológico quanto 
cognitivo para a melhoria do mesmo (VASCONCELOS, 2010, p.13). 
 
 Outro aspecto relevante na pesquisa de Vasconcelos (2010) é a abordagem ao 
Atendimento Domiciliar, pouco visto em outras pesquisas investigadas; trata-se de um 
atendimento pedagógico realizado na casa do educando ou em casas de apoio, uma vez 
que o tratamento de saúde os impossibilita de frequentar a escola em suas classes 
regulares de ensino. 
 De acordo com a pesquisadora, essa é uma evidência do Projeto Hoje, que visa o 
Atendimento em Classes Hospitalares e o Atendimento Pedagógico Domiciliar; este se 
caracteriza pelo atendimento realizado a crianças e adolescentes que temporária ou 
permanentemente estão impossibilitados de frequentar as aulas na escola regular. Mas 
como cada casa tem uma característica diferente – desde o mobiliário até as estruturas 
arquitetônicas, as acomodações, que às vezes devem ser improvisadas, podem se 
transformar em barreiras caso o educando necessite de cadeira de rodas, pranchas, 
suportes, enfim, materiais adequados para suprir a necessidade momentânea do aluno. 
 
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Não só nos aspectos físicos, mas também nos recursos didáticos 
devem ser feitas adaptações, como jogos e materiais de apoio com 
fácil manuseio, computadores adaptados, enfim muitos outros 
recursos que eles necessitam para aprender, tanto industrializados 
quanto elaborados pelos professores com recursos disponíveis 
(reutilizáveis e não-reutilizáveis) (VASCONCELOS, 2010, p. 14). 
 
 Vasconcelos (2010) trata também do compromisso dos profissionais da 
educação que trabalham com essas crianças e adolescentes, que apesar das barreiras, 
buscam possibilidades de desenvolver as atividades planejadas de acordo com os 
objetivos educacionais. A pesquisadora cita os serviços da equipe da saúde e da 
assistência social para viabilização de meios necessários para as adaptações. 
 Apesar de não deixar claro, em sua pesquisa, como o atendimento pedagógico 
domiciliar é iniciado, a ação é muito relevante, sendo que as crianças em tratamento de 
saúde têm assegurado o seu acompanhamento educacional, sem perder o vínculo com a 
escola, mas fica vago, não está explícito se essa situação se dá através de parcerias 
firmadas ou não. Outra lacuna é relativa à forma como essas crianças são identificadas, 
localizadas para que o atendimento domiciliar aconteça: é a família, a escola quem 
aciona o atendimento? 
 Acompanhando a linha de pensamento educacional no atendimento ao paciente 
hospitalizado, com o olhar humanizador, a pesquisadora Alessandra Barros
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 (2008) 
entende a Pedagogia Hospitalar como um campo do conhecimento que vem 
progressivamente se firmando para dar subsídio a reflexões e práticas da Classe 
Hospitalar (BARROS, 2008, p.33). 
 De acordo com Barros (2008), para produzir conhecimento, esse campo se 
beneficia de contribuições da Psicologia Hospitalar, da Psicopedagogia, da Educação 
em Saúde, da Antropologia Médica, da Saúde Pública, da Psicanálise, da Medicina 
Social, da Terapia Ocupacional, da Enfermagem e da Educação Especial. 
 Segunda a autora, embora os termos classe hospitalar ou pedagogia hospitalar 
pareçam ser novidade no aspecto de prestar esse atendimento educacional a crianças e 
adolescentes hospitalizados, já na década de 1950 essas ações são praticadas no Brasil, 
 
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Doutora em Antropologia, professora e pesquisadora (FACED/UFBA), Coordenadora do Centro de 
Estudos sobre Recreação, Escolarização e Lazer em Enfermarias Pediátricas, Membro do Conselho 
Diretivo da Rede Latino-americana e do Caribe pelos Direitos de escolarização das crianças e 
adolescentes hospitalizados e/ou enfermos, com sede no Chile. Professora Adjunta do Departamento I e 
do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da 
Bahia. 
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Aquilo que de fato é recente é o interesse pelo estudo sistemático 
dessa modalidade especial de atenção educativa, principalmente em 
nosso país. Interesse que tem interrogado e preocupado responder, 
acima de tudo, como se ensinam a essas crianças e adolescentes e 
quem são os professores que ousaram transgredir os espaços e 
currículos tradicionais para chegar até os hospitais (BARROS, 2008, 
p. 35). 
 
 Em relação a essas pesquisas, a autora mensura que um grande número de 
investidas vem se acumulando na última década, na busca de consolidação de um 
campo do conhecimento que vem se denominando de Pedagogia Hospitalar. Contudo, 
deve ser observado o número reduzido de investidas reflexivas, as quais poderão 
subsidiar as práticas educativas nos hospitais. (BARROS, 2008, p.35). 
 A autora chama a atenção para o caráter reflexivo que as pesquisas deveriam 
contemplar, de questionamentos, provocações e não apenas relatos de experiências com 
poucas contribuições. 
 Barros (2008) apresenta um mapeamento panorâmico das classes hospitalares no 
Brasil e em outros países. 
 
[O Brasil] conta hoje com classes em 101 hospitais; no restante da 
América Latina e Caribe há cerca de 120 Escolas Hospitalares, com 
destaque para o México com 50, o Chile com 25, a Venezuela com 30, 
a Argentina com 62, e Cuba com 30; na Europa há 240 Escolas 
Hospitalares distribuídas em 20 países, com destaque para a França 
com 41, a Alemanha com 37, a Itália com 33, a Finlândia com 18 e a 
Espanha com 90 (MINISTÉRIO DA EDUCACIÓN, 2007, p.43 In 
BARROS, 2008, p.34). 
 
Esse mapeamento das classes hospitalares apresentado por Barros (2008) vem 
afirmar o reconhecimento da necessidade de as práticas educativas serem desenvolvidas 
nos ambientes hospitalares não só no Brasil, mas no mundo, em respeito aos direitos 
humanos e educacionais das crianças e adolescentes em tratamento de saúde. 
Barros (2008) assegura que 
 
[...] enquanto executores eventuais de ações pragmáticas, nós, 
pesquisadores, estamos cientes de que contextos sociopolíticos de 
desatenção a direitos básicos de cidadania reclamam a constante 
reafirmação do mero direito de toda criança, inclusive as 
hospitalizadas, à educação básica. Assim, também estamos cientes de 
que a excessiva medicalização na abordagem ao sofrimento humano 
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tem – na mística de um hospital – desacreditado a subjetividade de 
uma criança doente (BARROS, 2008, p.35). 
 
 É salutar reafirmar a necessidade de políticas públicas mais eficazes, que sejam 
fiscalizadas para serem cumpridas, pois nesse caso em que a legislação é tão clara, ainda 
nos deparamos com a inobservância da lei. 
 Outra aspecto observado pela pesquisadora é a função social da escolarização 
em hospitais, que haverá de amadurecer à medida que outras pesquisas problematizem 
experiências diversificadas de lugares, realidades, currículos, para que possam 
contribuir para a atuação de profissionais da educação no atendimento à criança e ao 
adolescente hospitalizado. 
 No centro de estudos que coordena, é possível encontrar documentos e materiais 
diversos sobre o atendimento pedagógico em hospitais, sendo um centro de pesquisa e 
documentação voltado para o estudo da escolarização em ambiente hospitalar, cujo foco 
de atuação é promover a pesquisa e a formação para o atendimento em Classe 
Hospitalar; e além de subsidiar a formação dos alunos da Faculdade de Educação da 
UFBA, periodicamente são ofertados cursos de capacitação voltados à comunidade 
externa. 
 Diante do exposto e com respaldado nos pesquisadores acima elencados, 
podemos registrar algumas considerações acerca das práticas educativas desenvolvidas

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