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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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controle das condições 
de saúde; dada a precariedade do saneamento, os médicos sanitaristas estavam 
preocupados com a proliferação de doenças. O poder público, porém, não 
disponibilizava de verbas suficientes, assim os primeiros hospitais surgiram a partir de 
duas grandes instituições operantes: a Igreja, por meio das Santas Casas de 
Misericórdia, e o Exército. 
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Em Sergipe, segundo o Dr. Henrique Batista Silva (2006), médico e pesquisador, 
para dar suporte à nova medida adotada pelo governo através dos serviços sanitários, 
seria necessário equipar o Estado de infraestrutura que desse resposta às ações 
implementadas. 
 Uma das ações realizadas foi a criação das instituições sanitárias que serviriam 
de apoio técnico cientifico bem como instrumental no combate às profilaxias que 
surgiam no Estado. 
De acordo com o Dr. Henrique Batista Silva (2006), o primeiro nosocômio, 
como eram também chamados os hospitais, iniciou suas atividades na capital sergipana 
em 16 de fevereiro de 1862, com o nome de Hospital de Caridade Senhora da 
Conceição.
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A lei provincial nº 600 de 1860 autoriza a criação do Hospital Amparo de Maria, 
mas não disponibiliza verbas, e o hospital continua a funcionar de maneira improvisada 
em uma casa alugada no município de Estância. 
Segundo Ferreira Filho (2002), o Dr. João Vieira Leite, médico clínico da época 
que também doava seus préstimos profissionais, observando as deficiências nas 
instalações, começou a disseminar a ideia da necessidade de se dispor de uma nova sede 
para aquela casa de saúde, agora hospital, proposta á qual aderiu a sociedade estanciana. 
Assim, os fundadores e sócios da Sociedade de Beneficência Amparo de Maria 
tornam-se mantenedores do hospital, tendo os associados que mobilizar a cidade 
através de campanhas de arrecadação de fundos para a construção da sede do hospital. 
De acordo com Carlos Oliva Sobral (2002), o Pe. Domingos Quirino de Souza e 
o Exmº. Juiz Dr. Ângelo Francisco Ramos lideraram a campanha para arrecadar fundos; 
embora a comunidade tenha se sensibilizado e embora todos os esforços tenham sido 
mobilizados, somente em 1862 foi possível adquirir uma casa, em função de verba no 
valor de $4.000(Quatro Contos de Réis) aprovada por outra resolução provincial (nº 650 
de 02 de maio do mesmo ano); ainda assim, a casa situada a Rua Francisco Camerino 
necessitava de reformas e ampliações. 
Segundo Ferreira Filho (2002), apesar de a casa já ter sido adquirida, continuou 
a campanha de arrecadação de fundos na comunidade. Liderada pelo Padre e pelo Juiz 
 
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Ao se considerar esta data, o Hospital Regional Amparo de Maria é o hospital mais antigo de Sergipe e 
em funcionamento até o presente, pois ele inicia suas atividades em 10 de maio de 1860. 
 
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de Direito, contou com a colaboração de um grupo de 30 homens que faziam parte da 
Sociedade de Beneficência Amparo de Maria, liderados pelos senhores Dr. Vicente 
Portela, o Comendador João Augusto Nóbrega e o Sr. Manoel da Silva Heitor 
propuseram a contribuição mensal de $1.000. 
Ferreira Filho (2002) relata que dentre esses ilustres colaboradores, destacam-se 
as figuras de Olimpio Freire D‟Avila, Alcebiades Martins Fontes, Domingos Alves 
Ribeiro, Sizenando de Souza Vieira (filho do Coronel Paulo de Souza Vieira, 
proprietário do famoso Engenho São Félix, e pai do Dr. João Vieira Leite, médico do 
citado hospital), o poeta Constantino José Gomes de Souza, o Dr. José Lourenço 
Magalhães (fundador do lazareto que deu origem ao Hospital), o Sr. Guilherme de 
Souza Campos (que mais tarde se tornou Governador de Sergipe), o Sr. Felisberto 
Fontes Melo, pai do médico Dr. Jessé Fontes, que posteriormente prestaria relevantes 
serviços ao hospital, dentre outros. Ressalta-se também a participação dos membros da 
Igreja Católica, o Padre José Florêncio e o Monsenhor Antônio Fernandes da Silveira, 
fundador da imprensa em Sergipe, na cidade de Estância. 
 
 
Figura 3: Fachada do Hospital à Rua Camerino 
 
 
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Após cinco anos, em 25 de março de 1867, finalmente foi inaugurada com 
grandes comemorações, de acordo com os relatos de Carlos Oliva Sobral e do Dr. 
Clodoaldo Ferreira Filho, a nova sede do Hospital Amparo de Maria, à Rua Camerino, 
cujo prédio recebeu influência do modelo arquitetônico inglês e trazia em sua fachada o 
lema “Quem dá aos pobres empresta a Deus”; o mesmo lema foi também registrado 
posteriormente por um dos maiores pintores sergipanos, Horácio Hora, em sua tela 
“Miséria e Caridade” de 1884, em homenagem à origem do Hospital Amparo de Maria, 
doada ao hospital pelo próprio artista. 
 
 
Figura 4: Tela “Miséria e Caridade” 
 
 
A tela permaneceu nas dependências do hospital durante décadas, sendo 
encaminhada em 2004 ao governo do Estado de Sergipe, por medidas de segurança, 
devido ao seu valor histórico e financeiro. 
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Sobral afirma que, na mesma data da inauguração da nova sede do Hospital, a 
Sociedade de Beneficência Amparo de Maria oficializa-se como sua mantenedora, 
sendo uma instituição de cunho filantrópico. 
 
 
1.4 Hospital Amparo de Maria: a regionalização 
 
 Na virada do século XX, o Hospital já estava há 40 anos prestando serviços à 
comunidade estanciana e tinha também conquistado a credibilidade da população, 
segundo Carlos Oliva Sobral, dados os esforços e empenho dos sucessivos presidentes 
da entidade mantenedora. O reconhecimento e a confiança eram demonstrados através 
de doações de bens de herança ao hospital. 
 
Aliás, uma das características marcantes desta entidade foi sua 
eficiente maneira de administrar os recursos recebidos. A confiança da 
população era tamanha na administração do Hospital que muitos 
deixavam seus bens de herança em favor da Sociedade (SOBRAL In 
FERREIRA FILHO, 2002, p. 13). 
 
 No início do século, o hospital começa a ser reconhecido como instituição 
moderna, como estabelecimento modelo, resultado da atuação dos médicos Dr. Josaphat 
da Silveira Brandão e Dr. Jessé de Andrade Fontes. 
 
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Figura 5: Hospital, em 1959 
 
 
Como relata Ferreira Filho (2002), os médicos aplicaram modernas técnicas da 
medicina da época nos serviços do hospital, tais como novos métodos cirúrgicos 
trazidos da Faculdade de Medicina da Bahia, pautados nos seus recentes estudos dos 
conceitos de bacteriologia importados da Europa, especialmente da França. 
 Pode-se observar que para um hospital do interior da província era um grande 
marco desenvolver atividades modernas, destacando-se na sociedade e repercutindo no 
Estado. 
 Ferreira Filho (2002) diz que como exemplo dessa modernidade registra-se o 
fato de o médico cirurgião do hospital, Dr. Edilberto Campos, ter mandado comprar na 
época uma moderna banca para operações, que veio diretamente de Paris, ao custo de 
$6.000. 
 Em 17 de fevereiro de 1907, o jornal “A Razão”, da própria cidade, noticia uma 
cirurgia de amputação de uma perna, realizada pelos médicos Josaphat Brandão, 
Edilberto Campos e João Dantas de Magalhães, que obteve uma grande repercussão 
pública: 
 
Os distinctos operadores fizeram com admirável rapidez e escrupuloso 
asseio a amputação de uma perna que tendo sido esmagada pela roda 
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de um carro, não pode ser conservada, apesar do empenho empregado 
para esse fim. Adeptos fervorosos e entusiastas do novo methodo 
asséptico, consoante os ensinamentos de bacteriologia e pathologia 
modernas, os ilustres médicos viram seus esforços cercados do melhor 
sucesso, pois vinte e poucos dias após a operação, a cicatriz já está 
completa, sem que a mínima parcella de puz perturbasse a marcha da 
operação cicatricial. Louvores aos abeis profissionais e a esta 
instituição, que tanto bem tem feito aos desvalidos (Jornal A RAZÃO, 
1907 In FERREIRA FILHO, 2002, p. 14). 
 
 De acordo com Sobral, vários médicos de notável reconhecimento deram sua

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