COMPORTAMENTO EMPREENDOR Aula 1
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COMPORTAMENTO EMPREENDOR Aula 1


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COMPORTAMENTO 
EMPREENDEDOR 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Elton Schneider 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
\u201cEmpreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, 
dedicando tempo e esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, 
psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes 
recompensas da satisfação econômica e pessoal\u201d (Hisrich, 2014). 
Tal definição não passa a sensação de que o empreendedor é uma 
espécie de Super-Homem ou, ao menos, alguém muito especial? Daí surge o 
mito de que o empreendedor é alguém raro, altamente qualificado e além do 
alcance de nós, simples mortais. O mito é algo criado pelo imaginário popular e 
que se torna verdade sem que ninguém o questione. Felizmente, ser um 
empreendedor não é missão para escolhidos ou pessoas \u201cfora da curva de 
normalidade\u201d. Todos nós podemos e devemos ser empreendedores. 
A partir desta aula, derrubaremos esse mito e mostraremos que é, sim, 
possível agirmos em nossa vida, no campo pessoal, social ou profissional, como 
verdadeiros e eficazes empreendedores. Conheceremos, portanto, mais sobre 
essa figura cada vez mais importante à sociedade e, com isso, aprenderemos a 
exercitar mais nosso espírito empreendedor. 
Vamos à nossa aula! 
CONTEXTUALIZANDO 
O ato de empreender é antigo, e com o tempo passou por transformações 
em termos do que fazer, como fazer, onde fazer e até mesmo por que fazer, 
porém sua essência não mudou. 
De forma simples, podemos dizer que empreender é transformar, seja a 
si mesmo, seu entorno, seu negócio, sua sociedade, seu mundo; enfim, 
empreender é agir pela mudança, mas não de forma impensada e desastrada. 
Empreender é a arte de transformar uma ideia em realidade, com o máximo de 
impacto positivo possível. 
A figura do empreendedor é a de uma pessoa que tem certo perfil e que 
segue algumas crenças e características. Ela tem um conjunto de competências 
e age com determinação, não temendo o fracasso ou o erro, aprendendo 
sempre. 
A presente rota apresenta inicialmente os conceitos e as características 
da ação empreendedora, mostrando que ela tem atributos próprios que podem 
 
 
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ser analogamente considerados uma caminhada, na qual se percebem um 
começo, um caminho e um destino, havendo em seu caminhar diferentes 
desafios, riscos e decisões. 
A seguir, serão apresentados os diferentes focos e tipos de ações 
empreendedoras, de modo que o ato de empreender assuma diferentes feições, 
dependendo como, onde e por que se empreende. 
Posteriormente, discutiremos a relação entre a sorte, a criatividade e a 
ação empreendedora, buscando entender melhor como se processa o desafio 
de obter resultados mediante o esforço empreendedor. Isso nos remeterá ao 
CHA empreendedor; não à bebida quente e saborosa, mas às Capacidades, às 
Habilidades e às Atitudes (CHA) do empreendedor. 
Para finalizar, descreveremos quais elementos podem ser considerados 
as bases do empreendedor; ou seja, se o empreendedor tem um perfil, é preciso 
que se entenda quais são as características desse perfil, pois serão essas 
características que descreverão quem é esse tipo de pessoa que comumente é 
chamada de empreendedor. Também há muito mais: são indicados exercícios 
que propiciam melhor fixação do conteúdo aqui descrito. Bom estudo! 
TEMA 1 \u2013 CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DA AÇÃO EMPREENDEDORA 
Ao analisarmos a evolução dos conceitos de empreendedorismo, 
notamos que se trata de um tema com diferentes facetas, conectando-se de 
modo amplo a pontos de vista bastante variados. No quadro a seguir, no qual se 
vê a definição de diferentes autores, essa realidade fica bastante perceptível: 
 
 
 
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Figura 1 \u2013 Conceitos de empreendedorismo 
 
Fonte: Farah, 2008. 
Essa diversidade de definições é útil, pois nos faz analisar esse fenômeno 
da ação humana de modo mais amplo. No entanto, mesmo com todas essas 
vertentes, há elementos presentes nas diferentes definições que se repetem. 
Podemos dizer que empreender é todo esforço que se refere a uma 
pessoa que busca uma mudança, ao desejo de se querer sair de uma situação 
para outra. Empreender, portanto, tem forte relação com as palavras decidir e 
agir. 
Decidir, porque empreender depende do momento e do contexto em que 
o empreendedor percebe um caminho o qual deseja percorrer, vê que se trata 
de uma ação que vale a pena, e acredita que ela não só é possível como 
desejada. Daí a decisão de ir em busca de sua realização. Por tal razão, os 
dicionários colocam decidir fazer algo ou cismar como sinônimos de 
empreender, além de relacionar essa palavra com tentar, experimentar, 
resolver executar. Conclui-se que o começo da caminhada empreendedora 
está na decisão de percorrer certo caminho em busca do alvo percebido, e isso 
só acontece quando a pessoa se mostra efetivamente disposta a participar desse 
processo de mudança. 
É importante considerar que a decisão de empreender está altamente 
relacionada à situação política, econômica, cultural e social do meio em que o 
empreendedor pretende interferir. Mesmo considerando que o 
empreendedorismo tem suas raízes na própria origem do homem \u2013 já que foi 
mediante sua ação que todas as transformações da humanidade aconteceram \u2013
, o empreendedor ganhou relevância no final do feudalismo, ampliando seu papel 
 
 
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e sua importância a contar da Revolução Industrial, e depois com todas as 
transformações dos séculos XX e XXI. 
Cabe aqui analisar o empreendedorismo na realidade brasileira, e, para 
isso, analisaremos o quadro que se segue: 
Figura 2 - Análise histórica da relação entre o empreendedor e seu contexto de 
atuação 
ÉPOCA LOCAL CONTEXTO CONSTATAÇÕES 
Século 
XIV 
Europa 
Ocidental 
Fim feudalismo e início 
transformações como renascimento, 
reforma protestante, burguesia e 
cidades/nações. 
Surgimento do capitalismo comercial 
como um novo modo de produção, 
impulsionando, por sua vez, 
a expansão marítima europeia. 
1500 a 
2000 
Brasil 
A colonização atendeu a objetivos bem 
claros: o fornecimento de matéria 
prima para a Europa 
Sociedade alicerçada sobre o 
latifúndio, o trabalho escravo e a 
monocultura voltada à exportação. 
Sociedade em que as classes e grupos 
sociais fossem extremamente 
desiguais. 
Contexto adverso ao 
desenvolvimento do \u201cespírito 
empreendedor\u201d. 
A economia foi, quase sempre, 
negócios de poucos (os grandes 
proprietários), pois os escravos e, 
depois, os trabalhadores livres e 
assalariados pouco participaram como 
empreendedores. 
O burguês, nosso efetivo 
empreendedor, só aparecerá 
tardiamente no Brasil e, ainda por 
cima, ligado aos proprietários rurais 
(os cafeicultores). 
Nossa história, em seus cerca de 500 
anos, não privilegiou a liberdade seja 
econômica, 
social ou política. 
Tal situação dificultou muito a ação 
do empreendedor já que para ele a 
liberdade é de suma importância. 
A família patriarcal junto ao 
catolicismo, por sua vez, foram fatores 
de inibição do ethos empreendedor. 
 
A sociedade tinha duas castas: 
escravos negros e homens livres. 
Nestas, o trabalho sempre foi 
entendido como algo negativo, 
pejorativo, desvalorizado. O trabalho 
\u2013 no universo simbólico do 
catolicismo \u2013 é um fardo que se 
deve carregar por conta do pecado 
original. 
Foi em meados da década de 1930, 
que o Brasil e sua sociedade assumem 
um caráter urbano e, portanto, de face 
capitalista. 
A sucessão de presidentes que saiam 
dos estados mais poderosos (Política 
do café com leite), fez com que o 
desenvolvimento econômico 
padecesse de agentes individuais 
empreendedores. 
Por fim,