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C N CIÊNCIAS DA NATUREZA C CIÊNCIAS HUMANAS HL LINGUAGENS E CÓDIGOS C M MATEMÁTICA T R.P.A. - FUVEST Revisão Programada Anual CARO ALUNO Desde 2010, o Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Você está recebendo o livro Fuvest (questões objetivas) - R.P.A. (Revisão Programada Anual). Este mate- rial tem o objetivo de verificar se você apreendeu os conteúdos estudados, oferecendo-lhe uma seleção de questões ideais para exercitar sua memória. Aproveite para aprimorar seus conhecimentos. Bons estudos! Herlan Fellini SUMÁRIO LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS GRAMÁTICA 7 INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 17 LITERATURA 25 INGLÊS 35 REDAÇÃO 41 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS HISTÓRIA GERAL 51 HISTÓRIA DO BRASIL 61 FILOSOFIA 73 SOCIOLOGIA 81 GEOGRAFIA 1 89 GEOGRAFIA 2 103 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS BIOLOGIA 1 115 BIOLOGIA 2 123 BIOLOGIA 3 131 FÍSICA 1 141 FÍSICA 2 149 FÍSICA 3 159 QUÍMICA 1 171 QUÍMICA 2 181 QUÍMICA 3 191 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS MATEMÁTICA 1 203 MATEMÁTICA 2 209 MATEMÁTICA 3 217 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologiasL ENTRE LETRAS C Fuvest - Gramática, Literatura, e Interpretação de Texto Fuvest - Inglês 7 Prescrição: Para a resolução dos exercícios de Gramática da FUVEST são necessários conhecimentos variados sobre morfologia (verbos, pronomes e conjunções) e sintaxe do período simples e composto (sujeito, transitividade em período simples e regência). GRAMÁTICA AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest 2019) Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em “ilizar”. Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em “ar”. Todos os dias os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, 1reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas. A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto decair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir, digamos, 2”viabilizar”? É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que 3”desincompatibilizar” sempre foi um palavrão. FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003. Com base no texto, é correto afirmar: a) A “campanha nacional” a que se refere o autor tem por objetivo banir da língua portuguesa os verbos terminados em “ilizar”. b) O autor considera o emprego de verbos como “reinicializando” (ref. 1) e “viabilizar” (ref. 2) uma verdadeira “doença”. c) A maioria dos verbos terminados em “(i) lizar”, presentes no texto, foi incorporada à língua por influência estrangeira. d) O autor, no final do primeiro parágrafo, aca- ba usando involuntariamente os verbos que ele condena. e) Os prefixos “des” e “in”, que entram na formação do verbo “desincompatibilizar” (ref. 3), têm sentido oposto, por isso o autor o considera um “palavrão”. TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. Mito, na acepção aqui empregada, não significa mentira, falsidade ou mistificação. Tomo de empréstimo a formulação de Hans Blumenberg do mito político como um processo contínuo de trabalho de uma narrativa que responde a uma necessidade prática de uma sociedade em determinado período. Narrativa simbólica que é, o mito político coloca em suspenso o problema da verdade. Seu discurso não pretende ter validade factual, mas também não pode ser percebido como mentira (do contrário, não seria mito). O mito político confere um sentido às 1circunstâncias que envolvem os indivíduos: ao 2fazê-los ver sua condição presente como parte de uma história em curso, ajuda a compreender e suportar o mundo 3em 4que vivem. ENGELKE, Antonio. O anjo redentor. Piauí, ago. 2018, ed. 143, p. 24. 2. (Fuvest 2019) Sobre o sujeito da oração “em que vivem” (ref. 3), é correto afirmar: a) Expressa indeterminação, cabendo ao leitor deduzir a quem se refere a ação verbal. b) Está oculto e visa evitar a repetição da palavra “circunstâncias” (ref. 1). c) É uma função sintática preenchida pelo pronome “que” (ref. 4). d) É indeterminado, tendo em vista que não é possível identificar a quem se refere a ação verbal. e) Está oculto e seu referente é o mesmo do pronome “os” em “fazê-los” (ref. 2). TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não des- tacavam vozes dispersas, 1mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Come- çavam a fazer compras na venda; ensarilha- vam-se* discussões e rezingas**; 2ouviam- -se gargalhadas e pragas; já se não falava, 8 gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, 3o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas; fazendo compras. Duas janelas do Miranda abriram-se. Apareceu numa a Isaura, que se dispunha a começar a limpeza da casa. – Nhá Dunga! 4gritou ela para baixo, a sacudir um pano de mesa; se você tem cuscuz de milho hoje, 5bata na porta, ouviu? Aluísio Azevedo, O cortiço. * ensarilhar-se: emaranhar-se. ** rezinga: resmungo. 3. (Fuvest 2018) Constitui marca do registro informal da língua o trecho a) “mas um só ruído compacto” (ref. 1). b) “ouviam-se gargalhadas” (ref. 2). c) “o prazer animal de existir” (ref. 3). d) “gritou ela para baixo” (ref. 4). e) “bata na porta” (ref. 5). TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Tornando da malograda espera do tigre, 1alcançou o capanga um casal de velhinhos, 2que seguiam diante dele o mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios particulares. Das poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera 3que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça. - Mas chegará, homem? perguntou a velha. - Há de se espichar bem, mulher! Uma voz os interrompeu: - Por este preço dou eu conta da roça! - Ah! É nhô Jão! Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham por homem de palavra, e de fazer o que prometia. Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que estava destinado para o roçado. Acompanhou-os Jão Fera; porém, 4mal seus olhos descobriram entre os utensílios a en- xada, a qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, que sem mais deu costas ao par de velhinhos e foi-se dei- xando-os embasbacados. ALENCAR, José de. Til. * moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito). 4. (Fuvest 2015) Considerada no contexto, a palavra sublinhada no trecho “mal seus olhos descobriram entre os utensílios a en- xada” (ref. 4) expressa ideia de a) tempo. b) qualidade. c) intensidade. d) modo. e) negação. LEIA O TEXTO PARA RESPONDER A QUESTÃO A SEGUIR. O OPERÁRIO NO MAR Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na sua blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campoe apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará-lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe a marcha, pelo menos implorar-lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra 9 firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei? ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 5. (Fuvest 2015) Dentre estas propostas de substituição para diferentes trechos do texto, a única que NÃO está correta do ponto de vista da norma-padrão é: a) “Para onde vai ele, (...)?” = Aonde vai ele, (...)? b) “O operário não lhe sobra tempo de perce- ber” = Ao operário não lhe sobra tempo de perceber. c) “Teria vergonha de chamá-lo meu irmão” = Teria vergonha de chamá-lo de meu irmão. d) “Tenho vergonha e vontade de encará-lo” = Tenho vergonha e vontade de o encarar. e) “quem sabe se um dia o compreenderei” = quem sabe um dia compreenderei-o. RAio X - Análise eXpositivA 1. A afirmação de que “maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes” permite concluir que o autor considera que a incorporação de verbos terminados em “izar” à língua portuguesa decorre de influência estrangeira. Assim, é correta a opção [C]. 2. A oração “em que vivem” apresenta sujeito oculto, elíptico ou desinencial. Remete ao termo “indivíduos”, referido também no pronome oblíquo “os” da expressão verbal “fazê-los”. Assim, é correta a opção [E]. 3. A opção [E] apresenta frase que denota registro informal da língua, pois o verbo “bater” deve ser acompanhado da preposição “a” para expressar ação de golpear a porta. Assim, a frase deveria ser substituída por bata à porta para atender às exigências da gramática normativa. 4. O advérbio “mal” na oração expressa ideia de tempo, como é possível verificar com a substituição de tal vocábulo pela locução “assim que”, preservando-se o sentido: “assim que seus olhos descobriram entre os utensílios a enxada”. 5. A alternativa [A] está correta segundo a norma-padrão, pois o verbo “ir” exige preposição “a” ou “para”; a substituição, portanto, é válida. A alternativa [B] está correta segundo a norma-padrão, uma vez que a substituição emprega o objeto indireto pleonástico: o pronome pessoal do caso oblíquo “lhe” tem como referente “ao operário”. A alternativa [C] está correta segundo a norma-padrão, pois o verbo “chamar”, no sentido de “nomear” pode apresentar tanto a transitividade direta quanto a indireta. A alternativa [D] também segue a norma- padrão, pois o verbo no infinitivo aceita a próclise, caso seja precedido de preposição. A alternativa [E] não segue a norma-padrão, pois, apesar de o verbo estar conjugado no futuro (o que obrigaria o emprego da mesóclise), há ocorrência de partícula atrativa (“um dia”: locução adverbial). GAbARito 1. C 2. E 3. E 4. A 5. E 10 pRáticA dos conhecimentos - e.o. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER À QUESTÃO 1. Vivendo e... Eu sabia fazer pipa e hoje não sei mais. Duvido que se hoje pegasse uma bola de gude conseguisse equilibrá-la na dobra do dedo indicador sobre a unha do polegar, quanto mais jogá-la com a 1precisão que tinha quando era garoto. (...) Juntando-se as duas mãos de um determinado jeito, com os polegares para dentro, e assoprando pelo buraquinho, tirava-se um silvo bonito que inclusive variava de tom conforme o posicionamento das mãos. Hoje não sei mais que jeito é esse. Eu sabia a 2fórmula de fazer cola caseira. Algo envolvendo farinha e água e 3muita confusão na cozinha, de onde éramos expulsos sob ameaças. Hoje não sei mais. A gente começava a contar depois de ver um relâmpago e 11o número a que chegasse quando ouvia a trovoada, multiplicado por outro número, dava a 4distância exata do relâmpago. Não me lembro mais dos números. (...) 12Lembro o orgulho com que consegui, pela primeira vez, cuspir corretamente pelo espaço adequado entre os dentes de cima e a ponta da língua de modo que o cuspe ganhasse distância e pudesse ser mirado. Com prática, conseguia-se controlar a 5trajetória elíptica da cusparada com uma 6mínima margem de erro. Era 7puro instinto. Hoje o mesmo feito requereria 8complicados cálculos de balística, e eu provavelmente só acertaria a frente da minha camisa. Outra 9habilidade perdida. Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e .................... . Não falo daquelas 13coisas que deixamos de fazer porque não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente, como subir em bonde andando – mesmo porque 14não há mais bondes andando. Falo da sabedoria desperdiçada, das 10artes que nos abandonaram. Algumas até úteis. Quem nunca desejou ainda ter o cuspe certeiro de garoto para acertar em algum alvo contemporâneo, bem no olho, e depois sair correndo? Eu já. Luís F. Veríssimo, Comédias para se ler na escola. 1. (Fuvest 2013) Considere as seguintes subs- tituições propostas para diferentes trechos do texto: I. “o número a que chegasse” (ref. 11) = o número a que alcançasse. II. “Lembro o orgulho” (ref. 12) = Recordo- -me do orgulho. III. “coisas que deixamos de fazer” (ref. 13) = coisas que nos descartamos. IV. “não há mais bondes” (ref. 14) = não existe mais bondes. A correção gramatical está preservada apenas no que foi proposto em a) I. b) II. c) III. d) II e IV. e) I, III e IV. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER À QUESTÃO 2. V – O samba À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (...) É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudar-se. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (...) José de Alencar, Til. (*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se. 2. (Fuvest 2013) Na composição do texto, foram usados, reiteradamente, I. sujeitos pospostos; II. termos que intensificam a ideia de movi- mento; III. verbos no presente histórico.11 Está correto o que se indica em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. Texto para a próxima questão. Leia o seguinte trecho de uma entrevista concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa: Entrevistador: - O protagonismo do STF dos últimos tempos tem usurpado as funções do Congresso? Entrevistado: - Temos uma Constituição muito boa, mas excessivamente detalhista, com um número imenso de dispositivos e, por isso, suscetível a fomentar interpretações e toda sorte de litígios. Também temos um sistema de jurisdição constitucional, talvez único no mundo, com um rol enorme de agentes e instituições dotadas da prerrogativa ou de competência para trazer questões ao Supremo. É um leque considerável de interesses, de visões, que acaba causando a intervenção do STF nas mais diversas questões, nas mais diferentes áreas, inclusive dando margem a esse tipo de acusação. Nossas decisões não deveriam passar de duzentas, trezentas por ano. Hoje, são analisados cinquenta mil, sessenta mil processos. É uma insanidade. Veja, 15/06/2011. 3. (Fuvest 2012) No trecho “dotadas da prerrogativa ou de competência”, a presença de artigo antes do primeiro substantivo e a sua ausência antes do segundo fazem que o sentido de cada um desses substantivos seja, respectivamente, a) figurado e próprio. b) abstrato e concreto. c) específico e genérico. d) técnico e comum. e) lato e estrito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Não era e não podia o pequeno reino lusitano ser uma potência colonizadora à feição da antiga Grécia. O surto marítimo que enche sua história do século XV não resultara do extravasamento de nenhum excesso de população, mas fora apenas provocado por uma burguesia comercial sedenta de lucros, e que não encontrava no reduzido território pátrio satisfação à sua desmedida ambição. A ascensão do fundador da Casa de Avis ao trono português trouxe esta burguesia para um primeiro plano. Fora ela quem, para se livrar da ameaça castelhana e do poder da nobreza, representado pela Rainha Leonor Teles, cingira o Mestre de Avis com a coroa lusitana. Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei o melhor das suas atenções. Esgotadas as possibilidades do reino com as pródigas dádivas reais, restou apenas o recurso da expansão externa para contentar os insaciáveis companheiros de D. João I. Caio Prado Júnior, Evolução política do Brasil. Adaptado. 4. (Fuvest 2012) No contexto, o verbo “enche” indica a) habitualidade no passado. b) simultaneidade em relação ao termo “ascensão”. c) ideia de atemporalidade. d) presente histórico. e) anterioridade temporal em relação a “reino lusitano”. RECEITA DE MULHER As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de [haute couture* Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, [como na República Popular Chinesa). Não há meio-termo possível. É preciso Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas [pousada e que um rosto Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no [terceiro minuto da aurora. Vinicius de Moraes. *“haute couture”: alta costura. 5. (Fuvest 2012) Tendo em vista o contexto, o modo verbal predominante no excerto e a razão desse uso são: a) indicativo; expressar verdades universais. b) imperativo; traduzir ordens ou exortações. c) subjuntivo; indicar vontade ou desejo. d) indicativo; relacionar ações habituais. e) subjuntivo; sugerir condições hipotéticas. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Todo o barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna. 12 O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar. — Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador? — Sim, eu também sangro... — Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar 1a gente a bordo; morre-se ali que é uma praga. — 2Homem, eu da cirurgia não entendo 3muito... — Pois já não disse que sabe também sangrar? — Sim... — Então já sabe até demais. No dia seguinte 4saiu o nosso homem pela barra fora: a 6fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro; restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta. Por um feliz acaso logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros; chamou-se o médico; ele fez tudo o que sabia... sangrou os doentes, e em pouco tempo estavam bons, perfeitos. Com isto ganhou imensa reputação, e começou a ser estimado. Chegaram com feliz viagem ao seu destino; tomaram o seu carregamento de gente, e voltaram para o Rio. Graças à 5lanceta do nosso homem, nem um só negro morreu, o que muito contribuiu para aumentar-lhe a sólida reputação de entendedor do riscado. Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias. 6. (Fuvest 2011) Para expressar um fato que seria consequência certa de outro, pode-se usar o pretérito imperfeito do indicativo em lugar do futuro do pretérito, como ocorre na seguinte frase: a) “era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo”. b) “você estava bem bom, se quisesse ir conosco”. c) “Pois já não disse que sabe também sangrar?”. d) “de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro”. e) “logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros”. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. A questão racial parece um desafio do presente, mas trata-se de algo que existe desde há muito tempo. Modifica-se ao acaso das situações, das formas de sociabilidade e dos jogos das forças sociais, mas reitera-se continuamente, modificada, mas persistente. Esse é o enigma com o qual se defrontam uns e outros, intolerantes e tolerantes, discriminados e preconceituosos, segregados e arrogantes, subordinados e dominantes, em todo o mundo. Mais do que tudo isso, a questão racial revela, de forma particularmente evidente, nuançada e estridente, como funciona a fábrica da sociedade, compreendendo identidade e alteridade, diversidade e desigualdade, cooperação e hierarquização, dominação e alienação. Octavio Ianni. Dialética das relações sociais. Estudos avançados, n. 50, 2004. 7. As palavras do texto cujos prefixos traduzem, respectivamente, ideia de anterioridade e contiguidade são a) “persistente” e “alteridade”. b) “discriminados” e “hierarquização”. c) “preconceituosos” e “cooperação”. d) “subordinados” e “diversidade”. e) “identidade” e “segregados”. 8. (Fuvest 2010) Em qual destas frases a vírgula foi empregada para marcar a omissão do verbo? a) Ter um apartamento no térreo é ter as vantagens de uma casa, além de poder desfrutar de um jardim. b) Compre sem susto: a loja é virtual; os direitos, reais. c) Para quem não conhece o mercado financeiro, procuramos usar uma linguagem livre do economês. d) A sensação é de estar perdido: você não vai encontrar ninguém no Jalapão, mas vai ver a natureza intocada. e) Esta é a informação mais importante para a preservação da água: sabendo usar, não vai faltar. 9. (Fuvest 2010) A única frase que segue as normas da língua escrita padrão é: a) A janela propiciava uma vista para cuja beleza muito contribuía a mata no alto do morro. b) Em pouco tempo e gratuitamente, prepare- se para a universidade que você se inscreveu. c) Apesar do rigor da disciplina, militares se mobilizam no sentido de voltar a cujos postos estavam antes de se licenciarem. d) Sem pretender passar por herói, aproveitopara contar coisas as quais fui testemunha nos idos de 1968 e que hoje tanto se fala. e) Sem muito sacrifício, adotou um modo de vida a qual o permitia fazer o regime recomendado pelo médico. 13 TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. Os bens e o sangue VIII (...) Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras, para o fim de tudo que foi grande! Ó desejado, ó poeta de uma poesia que se furta e se expande à maneira de um lago de pez** e resíduos letais... És nosso fim natural e somos teu adubo, tua explicação e tua mais singela virtude... Pois carecia que um de nós nos recusasse para melhor servir-nos. Face a face te contemplamos, e é teu esse primeiro e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro. Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma. *“descorçoado”: assim como “desacorçoa- do”, é uma variante de uso popular da pa- lavra “desacoroçoado”, que significa “desa- nimado”. ** “pez”: piche. 10. (Fuvest 2018) Considere o tipo de relação estabelecida pela preposição “para” nos seguintes trechos do poema: I. “ó inapto para as cavalhadas e os traba- lhos brutais”. II. “Ó tal como quiséramos para tristeza nos- sa e consumação das eras”. III. “para o fim de tudo que foi grande”. IV. “para melhor servir-nos”. A preposição “para” introduz uma oração com ideia de finalidade apenas em a) I. b) I e II. c) III. d) III e IV. e) IV. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Nasceu o dia e expirou. Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente. Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores. Iracema recosta-se langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro. José de Alencar, Iracema. 11. (Fuvest 2017) É correto afirmar que, no texto, o narrador a) prioriza a ordem direta da frase, como se pode verificar nos dois primeiros parágrafos do texto. b) usa o verbo “correr” (2º parágrafo) com a mesma acepção que se verifica na frase “Travam das armas os rápidos guerreiros, e correm ao campo” (também extraída do romance Iracema). c) recorre à adjetivação de caráter objetivo para tornar a cena mais real. d) emprega, a partir do segundo parágrafo, o presente do indicativo, visando dar maior vivacidade aos fatos narrados, aproximando- os do leitor. e) atribui, nos trechos “aqui lhe sorri” e “lhe entram n’alma”, valor possessivo ao pronome “lhe”. LEIA O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER À QUESTÃO. Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança contra a cidade dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Que podia saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a bexiga de negra em alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera pobre. Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara. Fora o 1lazareto. Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos negros. O lazareto é que os matava. Mas as macumbas pediam que ele levasse a bexiga da cidade, levasse para os ricos latifundiários do sertão. Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. O Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os ogãs, as filhas e pais de santo cantam: Ele é mesmo nosso pai e é quem pode nos ajudar... 14 Omolu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o esqueçam avisa no seu cântico de despedida: Ora, adeus, ó meus filhinhos, Qu’eu vou e torno a vortá... E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas, numa noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na máquina da Leste Brasileira e foi para o sertão de Juazeiro. A bexiga foi com ele. Jorge Amado, Capitães da Areia. 1lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas atingidas por determi- nadas doenças. 12. (Fuvest 2016) Das propostas de substituição para os trechos sublinhados nas seguintes frases do texto, a única que faz, de maneira adequada, a correção de um erro gramatical presente no discurso do narrador é: a) “Assim mesmo morrera negro, morrera pobre.”: havia morrido negro, havia morrido pobre. b) “Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara.”: Omolu dizia, no entanto, que não fora. c) “Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina.”: mas tão pouco sabiam da vacina. d) “Mas para que seus filhos negros não o esqueçam [...].”: não lhe esqueçam. e) “E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas [...].”: numa noite em que os atabaques. LEIA O POEMA PARA RESPONDER À QUESTÃO. Confidência do Itabirano Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana. De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa... Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói! Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. 13. (Fuvest 2016) Na última estrofe, a expressão que justifica o uso da conjunção sublinhada no verso “Mas como dói!” é: a) “Hoje”. b) “funcionário público”. c) “apenas”. d) “fotografia”. e) “parede”. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos. CANDIDO, Antonio. “Dez livros para entender o Brasil”. Teoria e debate. Ed. 45, 01/07/2000. 14. (Fuvest 2015) Constitui recurso estilístico do texto I. a combinação da variedade culta da lín- gua escrita, que nele é predominante, com expressões mais comuns na língua oral; II. a repetição de estruturas sintáticas, asso- ciada ao emprego de vocabulário corren- te, com feição didática; III. o emprego dominante do jargão científi- co, associado à exploração intensiva da intertextualidade. Está correto apenas o que se indica em a) I. b) II. c) I e II. d) III. e) I e III. 15 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Leia esta notícia científica: Há 1,5 milhão de anos, ancestrais do homem moderno deixaram pegadas quando atraves- saram um campo lamacento nas proximida- des do Ileret, no norte do Quênia. Uma equi- pe internacional de pesquisadores descobriu essas marcas recentemente e mostrou que elas são muito parecidas com as do “Homo sapiens”: o arco do pé é alongado, os dedos são curtos, arqueados e alinhados.Também, o tamanho, a profundidade das pegadas e o espaçamento entre elas refletem a altura, o peso e o modo de caminhar atual. Anterior- mente, houve outras descobertas arqueoló- gicas, como, por exemplo, as feitas na Tan- zânia, em 1978, que revelaram pegadas de 3,7 milhões de anos, mas com uma anatomia semelhante à de macacos. Os pesquisadores acreditam que as marcas recém-descobertas pertenceram ao “Homo erectus”. Revista FAPESP, nº 157, março de 2009. Adaptado. 15. (Fuvest 2010) No trecho “semelhante à de macacos”, fica subentendida uma palavra já empregada na mesma frase. Um recurso lin- guístico desse tipo também está presente no trecho assinalado em: a) A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um emprés- timo às futuras gerações. b) Recorrer à exploração da miséria humana, infelizmente, está longe de ser um novo in- grediente no cardápio da tevê aberta à moda brasileira. c) Ainda há quem julgue que os recursos que a natureza oferece à humanidade são, de certo modo, inesgotáveis. d) A prática do patrimonialismo acaba nos le- vando à cultura da tolerância à corrupção. e) Já está provado que a concentração de po- luentes em área para não fumantes é muito superior à recomendada pela OMS. GAbARito 1. B 2. E 3. C 4. D 5. C 6. B 7. C 8. B 9. A 10. E 11. D 12. E 13. C 14. C 15. E 17 Prescrição: Para a resolução dos exercícios de Interpretação de Textos da FUVEST são necessários conhecimentos de gêneros textuais (que devem ser mesclados a um bom repertório de arte, de poesia, de linguagem e história). Além disso, surgem com frequência questões sobre Figuras de Linguagem. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. Esta imagem integra o manuscrito de uma das mais notáveis obras da cultura medieval. A alternativa que melhor caracteriza o documento é: a) Fábula que enuncia o ideal eclesiástico, mescla a aventura cavalheiresca, o amor romântico e as aspirações religiosas que simbolizaram o espírito das cruzadas. b) Poema inacabado que narra a viagem de formação de um cavaleiro e a busca do cálice sagrado; sua composição mistura elementos pagãos e cristãos. c) Cordel muito popular, elaborado com base nos épicos celtas e lendas bretãs, divulgado para a conversão de fiéis durante a expansão do Cristianismo pelo Oriente. d) Peça teatral que serviu para fortalecer o espírito nacionalista da Inglaterra, unindo a figura de um governante invencível a um símbolo cristão. e) Romance que condensa vários textos, empregado pela Igreja para encorajar a aristocracia a assumir uma função idealizada na luta contra os inimigos de Deus. 2. (Fuvest 2015) Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e provín- cias da Europa, o tabaco o tem feito muito afamado em todas as quatro partes do mun- do, em as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e por qualquer via se pro- cura. Há pouco mais de cem anos que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos mora- dores do Brasil e incríveis emolumentos aos Erários dos príncipes. ANTONIL André João. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. Adaptado. O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, revela que a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar. b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria com outros produtos, era dire- cionado à metrópole. c) não se pode exagerar quanto à lucratividade propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, era maior. d) os europeus, naquele ano, já conheciam ple- namente o potencial econômico de suas co- lônias americanas. e) a economia colonial foi marcada pela simul- taneidade de produtos, cuja lucratividade se relacionava com sua inserção em mercados internacionais. TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. Mito, na acepção aqui empregada, não significa mentira, falsidade ou mistificação. Tomo de empréstimo a formulação de Hans Blumenberg do mito político como um processo contínuo de trabalho de uma narrativa que responde a uma necessidade prática de uma sociedade em determinado período. Narrativa simbólica que é, o mito político coloca em suspenso o problema da verdade. Seu discurso não pretende ter validade factual, mas também não pode ser percebido como mentira (do contrário, não seria mito). O mito político confere um sentido às 1circunstâncias que envolvem os indivíduos: ao 2fazê-los ver sua condição presente como parte de uma história em curso, ajuda a compreender e suportar o mundo 3em 4que vivem. ENGELKE, Antonio. O anjo redentor. Piauí, ago. 2018, ed. 143, p. 24. 18 3. (Fuvest 2019) De acordo com o texto, o “mito político” a) prejudica o entendimento do mundo real. b) necessita da abstração do tempo. c) depende da verificação da verdade. d) é uma fantasia desvinculada da realidade. e) atende a situações concretas. TEXTO PARA AS QUESTÕES A SEGUIR. O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nês- pera? José de Alencar. Bênção Paterna. Prefácio a Sonhos d’ouro. A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome, outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda e as tintas de que matiza o algodão. José de Alencar. Iracema. “ará”: periquito; “uru”: cesto; “crautá”: es- pécie de bromélia; “juçara”: tipo de palmei- ra espinhosa. 4. (Fuvest 2019) Com base nos trechos acima, é adequado afirmar: a) Para Alencar, a literatura brasileira deveria ser capaz de representar os valores nacionais com o mesmo espírito do europeu que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera. b) Ao discutir, no primeiro trecho, a importação de ideias e costumes, Alencar propõe uma literatura baseada no abrasileiramento da língua portuguesa, como se verifica no segundo trecho. c) O contraste entre os verbos “chupar” e “sorver”, empregados no primeiro trecho, revela o rebaixamento de linguagem buscado pelo escritor em Iracema. d) Em Iracema, a construção de uma literatura exótica, tal como se verifica no segundo trecho, pautou-se pela recusa de nossos elementos naturais. e) Ambos os trechos são representativos da tendência escapista de nosso romantismo, na medida em que valorizam os elementos naturais em detrimento da realidade rotineira. 5. (Fuvest 2019) No trecho “outras remexe o uru de palha matizada”, a palavra sublinha- da expressa ideia de a) concessão. b) finalidade. c) adição. d) tempo. e) consequência. RAio X - Análise eXpositivA 1. A imagem dos cavaleiros e a legenda que a acompanha fazem referência às lendas arturianas e ao personagem Percival, cavaleiro da Távola Redonda que participa da busca do cálice sagrado. O santo Graal seria o cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia e o único objeto com capacidade para devolver a paz ao reino de Artur. Ou seja, sua composição mistura elementos pagãos e cristãos conforme transcrito em [B]. 2. O texto aborda produtos cultivados no Brasil do século XVIII, açúcar e tabaco, ambos comercializados em diversos locais do mundo, como se verifica em “todos os reinos e províncias da Europa” e “muito afamado em todas as quatro partes do mundo”. O autor também salienta os lucros gerados pelos produtos (“cabedal” e “emolumentos”). 3. O autor recorre ao conceito já formulado por Hans Blumenberg que definia o “mito político” como a construção de uma narra- tiva necessária a um determinadocontexto sociopolítico para confirmar a tese de que esse tipo de “personagem” atende a situa- ções “práticas”, ou seja, concretas, como se afirma em [E]. 4. Ao usar a metáfora das frutas, Alencar critica a importação de modelos literários, distantes do gosto popular e da realidade cultural brasileira. No segundo excerto, o uso de termos de origem indígena (“ará”, “uru”, “crautá”, “juçara”) exemplifica a proposta de composição de uma literatura baseada no abrasileiramento da língua portuguesa, como se afirma em [B]. 5. O trecho “outras remexe o uru de palha matizada” apresenta elipse do termo “vezes”, mencionado no segmento anterior, que descreve o movimento da ará nos ramos da árvore:”. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome”. Assim, é correta a opção [D], pois o termo sublinhado apresenta noção temporal, estabelecendo coesão textual com o trecho anterior. GAbARito 1. B 2. E 3. E 4. B 5. D 19 pRáticA dos conhecimentos - e.o. TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. Sonetilho do falso Fernando Pessoa Onde nasci, morri. Onde morri, existo. E das peles que visto muitas há que não vi. Sem mim como sem ti posso durar. Desisto de tudo quanto é misto e que odiei ou senti. Nem Fausto nem Mefisto, à deusa que se ri deste nosso oaristo*, eis-me a dizer: assisto além, nenhum, aqui, mas não sou eu, nem isto. Carlos Drummond de Andrade. Claro Enigma. *conversa íntima entre casais. Ulisses O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus É um mito brilhante e mudo O corpo morto de Deus, Vivo e desnudo. Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos criou. Assim a lenda se escorre A entrar na realidade, E a fecundá-la decorre. Em baixo, a vida, metade De nada, morre. Fernando Pessoa. Mensagem. 1. (Fuvest 2019) O oxímoro é uma “figura em que se combinam palavras de sentido opos- to que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão” (HOUAISS, 2001). No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego dessa figura de linguagem ocorre em: a) “Onde morri, existo” (v. 2). b) “E das peles que visto / muitas há que não vi” (v. 3-4). c) “Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti” (v. 6-8). d) “à deusa que se ri / deste nosso oaristo” (v. 10-11). e) “mas não sou eu, nem isto” (v. 14). 2. (Fuvest 2018) Examine o cartum. O efeito de humor presente no cartum decor- re, principalmente, da a) semelhança entre a língua de origem e a local. b) falha de comunicação causada pelo uso do aparelho eletrônico. c) falta de habilidade da personagem em ope- rar o localizador geográfico. d) discrepância entre situar-se geograficamen- te e dominar o idioma local. e) incerteza sobre o nome do ponto turístico onde as personagens se encontram. 3. (Fuvest 2018) Examine esta propaganda. Por ser empregado tanto na linguagem for- mal quanto na linguagem informal, o termo “legal” pode ser lido, no contexto da propa- ganda, respectivamente, nos seguintes sen- tidos: a) lícito e bom. b) aceito e regulado. c) requintado e excepcional. d) viável e interessante. e) jurídico e autorizado. jonat Lápis jonat Lápis jonat Realce jonat Realce jonat Lápis jonat Realce 20 TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. Uma obra de arte é um desafio; não a expli- camos, ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos uso dos nossos próprios objetivos e esforços, dotamo-la de um significado que tem sua origem nos nossos próprios modos de viver e de pensar. 1Numa palavra, qual- quer gênero de arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna. As obras de arte, porém, são como altitudes inacessíveis. Não nos dirigimos a elas direta- mente, mas contornamo-las. Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma nova visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais recente é mais eficiente do que um anterior. Cada aspecto surge na sua altu- ra própria, que não pode ser antecipada nem prolongada; e, todavia, o seu significado não está perdido porque o significado que uma obra assume para uma geração posterior é o resultado de uma série completa de inter- pretações anteriores. Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado. 4. (Fuvest 2018) De acordo com o texto, a com- preensão do significado de uma obra de arte pressupõe a) o reconhecimento de seu significado intrínseco. b) a exclusividade do ponto de vista mais recente. c) a consideração de seu caráter imutável. d) o acúmulo de interpretações anteriores. e) a explicação definitiva de seu sentido. TEXTO PARA A QUESTÃO A SEGUIR. Sarapalha – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada! – É um instantinho e passa... É só ter paci- ência.... – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p’r’os infernos!... – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de-ferro que levou... – Não foi no rio, eu sei... 1No rio ninguém não anda... 2Só a maleita é quem sobe e des- ce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?... – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paci- ência, que não é bom variar... – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez... – 3O senhor já sabe as palavras todas de ca- beça... “Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de-domingo 4e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p’ra ir se fugir com ele”... – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa... – Prima Luísa... – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver... – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso! – Não é mesmo não... – Pois então?! – Conta o resto da estória!... – ...“Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, 5ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio...” Guimarães Rosa, Sarapalha. 5. (Fuvest 2018) No texto de Sarapalha, cons- titui exemplo de personificação o seguinte trecho: a) “No rio ninguém não anda” (ref. 1). b) “só a maleita é quem sobe e desce” (ref. 2). c) “O senhor já sabe as palavras todas de cabeça” (ref. 3). d) “e com a viola enfeitada de fitas” (ref. 4). e) “ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa” (ref. 5). 6. (Fuvest 2017) Examine este cartaz, cuja fi- nalidade é divulgar uma exposição de obras de Pablo Picasso. Nas expressões “Mão erudita” e “Olho selvagem”, que compõem o texto do anúncio, os adjetivos “erudita” e “selvagem” sugerem que as obras do referido artista conjugam, respectivamente, a) civilização e barbárie. b) requinte e despojamento. c) modernidade e primitivismo. d) liberdade e autoritarismo. e) tradição e transgressão. 21 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. A adoção do cardápio indígena introduziu nas cozinhas e zonas de serviço das moradas brasileiras equipamentos desconhecidos no Reino. Instalou nos alpendres roceiros a prensa de espremer mandioca ralada para farinha. Nos inventários paulistas é comum a menção de tal fato. No inventário de Pedro Nunes, por exemplo, efetuado em 1623, fala-se num sítio nas bandas do Ipiranga “com seu alpendre e duas camarinhas no dito alpendre com a prensa no dito sítio” que deveria comprimir nos tipitis toda a massa proveniente do mandiocal também inventariado. Mas a farinha não exigia somente a prensa – pedia, também, raladores, cochos de lavagem e forno ou fogão. Era normal, então, a casa de fazer farinha, no quintal, ao lado dos telheiros e próxima à cozinha. Carlos A. C. Lemos, Cozinhas, etc. 7. (Fuvest 2017) Traduzcorretamente uma relação espacial expressa no texto o que se encontra em: a) A prensa é paralela aos tipitis. b) A casa de fazer farinha é adjacente aos telheiros. c) As duas camarinhas são transversais à cozinha. d) O alpendre é perpendicular às zonas de serviço. e) O mandiocal e o Ipiranga são equidistantes do sítio. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO. Evidentemente, não se pode esperar que Dostoiévski seja traduzido por outro Dostoiévski, mas desde que o tradutor procure penetrar nas peculiaridades da linguagem primeira, aplique-se com afinco e faça com que sua criatividade orientada pelo original permita, paradoxalmente, afastar- se do texto para ficar mais próximo deste, um passo importante será dado. Deixando de lado a fidelidade mecânica, frase por frase, tratando o original como um conjunto de blocos a serem transpostos, e transgredindo sem receio, quando necessário, as normas do “escrever bem”, o tradutor poderá trazê-lo com boa margem de fidelidade para a língua com a qual está trabalhando. Boris Schnaiderman, Dostoiévski Prosa Poesia. 8. (Fuvest 2017) De acordo com o texto, a boa tradução precisa a) evitar a transposição fiel dos conteúdos do texto original. b) desconsiderar as características da lingua- gem primeira para poder atingir a língua de chegada. c) desviar-se da norma-padrão tanto da língua original quanto da língua de chegada. d) privilegiar a inventividade, ainda que em detrimento das peculiaridades do texto ori- ginal. e) buscar, na língua de chegada, soluções que correspondam ao texto original. EXAMINE ESTE CARTUM PARA RESPONDER AS QUESTÕES A SEGUIR. 9. (Fuvest 2016) No contexto do cartum, a pre- sença de numerosos animais de estimação permite que o juízo emitido pela persona- gem seja considerado a) incoerente. b) parcial. c) anacrônico. d) hipotético. e) enigmático. 10. (Fuvest 2016) Para obter o efeito de humor presente no cartum, o autor se vale, entre outros, do seguinte recurso: a) utilização paródica de um provérbio de uso corrente. b) emprego de linguagem formal em circuns- tâncias informais. c) representação inverossímil de um convívio pacífico de cães e gatos. d) uso do grotesco na caracterização de seres humanos e de animais. e) inversão do sentido de um pensamento bas- tante repetido. TEXTO PARA A(S) QUESTÃO(ÕES) ABAIXO A ARMA DA PROPAGANDA O governo Médici não se limitou à repres- são. Distinguiu claramente entre um setor significativo, mas minoritário da socieda- de, adversário do regime, e a massa da po- pulação que vivia um dia a dia de alguma esperança nesses anos de prosperidade eco- nômica. A repressão 1acabou com o primeiro setor, enquanto a propaganda encarregou-se 22 de, pelo menos, neutralizar gradualmente o segundo. Para alcançar este último objeti- vo, o governo contou com o grande avanço das telecomunicações no país, após 1964. As facilidades de crédito pessoal permitiram a expansão do número de residências que pos- suíam televisão: em 1960, apenas das resi- dências urbanas tinham televisão; em 1970, a porcentagem chegava a Por essa época, beneficiada pelo apoio do governo, de quem se transformou em porta-voz, a TV Globo expandiu-se até se tornar rede nacional e 2alcançar praticamente o controle do setor. A propaganda governamental passou a ter um canal de expressão como nunca existira na história do país. A promoção do “Brasil gran- de potência” foi realizada a partir da Asses- soria Especial de Relações Públicas (AERP), criada no governo Costa e Silva, mas que não chegou a ter importância nesse governo. Foi a época do “Ninguém segura este país”, da marchinha Prá Frente, Brasil, que embalou a grande vitória brasileira na Copa do Mundo de 1970. Boris Fausto, História do Brasil. Adaptado. 11. (Fuvest 2016) A frase que expressa uma ideia contida no texto é: a) A marchinha “Prá Frente, Brasil” também contribuiu para o processo de neutralização da grande massa da população. b) A repressão no Governo Médici foi dirigida a um setor que, além de minoritário, era tam- bém irrelevante no conjunto da sociedade brasileira. c) O tricampeonato de futebol conquistado pelo Brasil em 1970 ajudou a mascarar inúmeras dificuldades econômicas daquele período. d) Uma característica do governo Médici foi ter conseguido levar a televisão à maioria dos la- res brasileiros. e) A TV Globo foi criada para ser um veículo de divulgação das realizações dos governos mili- tares. 12. (Fuvest 2016) Nos trechos “acabou com o primeiro setor” (ref. 1) e “alcançar pratica- mente o controle do setor” (ref. 2), a palavra sublinhada refere-se, respectivamente, a a) aliados; população. b) adversários; telecomunicações. c) população; residências urbanas. d) maiorias; classe média. e) repressão; facilidades de crédito. 13. (Fuvest 2016) A estratégia de dominação empregada pelo governo Médici, tal como descrita no texto, assemelha-se, sobretudo, à seguinte recomendação feita ao príncipe – ou ao governante – por um célebre pensador da política: a) “Deve o príncipe fazer-se temer, de maneira que, se não se fizer amado, pelo menos evite o ódio, pois é fácil ser ao mesmo tempo te- mido e não odiado”. b) “O mal que se tiver que fazer, deve o prínci- pe fazê-lo de uma só vez; o bem, deve fazê- -lo aos poucos (...)”. c) “Não se pode deixar ao tempo o encargo de resolver todas as coisas, pois o tempo tudo leva adiante e pode transformar o bem em mal e o mal em bem”. d) “Engana-se quem acredita que novos bene- fícios podem fazer as grandes personagens esquecerem as antigas injúrias (...)”. e) “Deve o príncipe, sobretudo, não tocar na propriedade alheia, porque os homens es- quecem mais depressa a morte do pai que a perda do patrimônio”. PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES, LEIA O TEXTO ABAIXO. Seria ingenuidade procurar nos provérbios de qualquer povo uma filosofia coerente, uma arte de viver. É coisa sabida que a cada provérbio, por assim dizer, responde outro, de sentido oposto. A quem preconiza o sábio limite das despesas, porque “vintém poupado, vintém ganhado”, replicará o vizinho farrista, com razão igual: “Da vida nada se leva”. (...) Mais aconselhável procurarmos nos anexins não a sabedoria de um povo, mas sim o es- pelho de seus costumes peculiares, os sinais de seu ambiente físico e de sua história. As diferenças na expressão de uma sentença observáveis de uma terra para outra podem divertir o curioso e, às vezes, até instruir o etnógrafo. Povo marítimo, o português assinala seme- lhança grande entre pai e filho, lembran- do que “filho de peixe, peixinho é”. Já os húngaros, ao formularem a mesma verdade, não pensavam nem em peixe, nem em mar; ao olhar para o seu quintal, notaram que a “maçã não cai longe da árvore”. Paulo Rónai, Como aprendi o português e outras aventuras. 14. (Fuvest 2016) Considere as seguintes afir- mações sobre os dois provérbios citados no terceiro parágrafo do texto. I. A origem do primeiro, de acordo com o autor, está ligada à história do povo que o usa. II. Em seu sentido literal, o segundo expres- sa costumes peculiares dos húngaros. III. A observação das diferenças de expressão entre esses provérbios pode, segundo o pensamento do autor, ter interesse etno- gráfico. 23 Está correto apenas o que se afirma em a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III. 15. (Fuvest 2016) No texto, a função argumen- tativa do provérbio “Da vida nada se leva” é expressar uma filosofia de vida contrária à que está presente em “vintém poupado, vin- tém ganhado”. Também é contrário a esse úl- timo provérbio o ensinamento expresso em: a) Mais vale pão hoje do que galinha amanhã. b) A boa vida é mãe de todos os vícios. c) De grão em grão a galinha enche o papo. d) Devagar se vai ao longe. e) É melhor prevenir do que remediar.GAbARito 1. A 2. D 3. A 4. D 5. B 6. E 7. B 8. E 9. B 10. E 11. A 12. B 13. B 14. E 15. A 25 Prescrição: A resolução de questões de Literatura no vestibular da Fuvest exigirá do vestibulando, prioritariamente, um conhecimento mais específico, relacionado às obras de leitura obrigatória; no entanto, especialmente na primeira fase desse vestibular, é comum que sejam trabalhadas questões mais gerais de literatura, envolvendo obras que não estão na lista citada. LITERATURA AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. Já desprezei, sou hoje desprezado, Despojo sou, de quem triunfo hei sido, E agora nos desdéns de aborrecido, Desconto as ufanias de adorado. O amor me incita a um perpétuo agrado, O decoro me obriga a um justo olvido: E não sei, no que emprendo, e no que lido, Se triunfe o respeito, se o cuidado. Porém vença o mais forte sentimento, Perca o brio maior autoridade, Que é menos o ludíbrio, que o tormento. Quem quer, só do querer faça vaidade, Que quem logra em amor entendimento, Não tem outro capricho, que a vontade. MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Em termos formais e temáticos, as principais características barrocas do soneto são, res- pectivamente, a) a sintaxe rebuscada e o culto aos contrastes. b) o rigor métrico e a crítica ao sentimentalismo. c) o vocabulário erudito e a reflexão sobre o amor. d) as rimas alternadas e o embate entre emoção e razão. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER À QUESTÃO 2. Ele se aproximou e com voz cantante de nor- destino que a emocionou, perguntou-lhe: — E se me desculpe, senhorinha, posso con- vidar a passear? — Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de ideia. — E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? — Macabéa. Maca — o quê? — Bea, foi ela obrigada a completar. — Me desculpe mas até parece doença, do- ença de pele. — Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser cha- mada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo – parou um instante retomando o fôlego perdido e acres- centou desanimada e com pudor - pois como o senhor vê eu vinguei... pois é... — Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra. Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vi- trine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafu- sos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao lançado recém-lançado-namorado: — Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor? Da segunda vez em que se encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se darem as mãos cami- nhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas escorrendo. (Clarice Lispector, A hora da estrela.) 2. (Fuvest) Ao dizer: “(...) promessa é questão de grande dívida de honra”, Olímpico junta, em uma só afirmação, a obrigação religiosa e o dever de honra. A personagem de Sagarana que, em suas ações finais, opera uma junção semelhante é: a) major Saulo, de “O burrinho pedrês”. b) Lalino, de “Traços biográficos de Lalino Sa- Lãthiel ou A volta do marido pródigo”. c) Primo Ribeiro, de “Sarapalha”. d) João Mangolô, de “São Marcos”. e) Augusto Matraga, de “A hora e vez de Au- gusto Matraga”. 3. Em várias passagens de Quincas Borba, de Machado de Assis, as personagens interpre- tam erroneamente alguns fatos ou fazem ilações equivocadas a partir de algumas fa- las. Vemos isso, por exemplo, no episódio em que, a partir do relato que ouve de um cocheiro, Rubião se convence de que a) D. Tonica planeja casar-se com ele a qual- quer custo. b) Palha pretende desfazer os negócios que tem com ele. c) Sofia deseja casá-lo com Maria Benedita. d) Sofia e Carlos Maria são amantes. e) Maria Benedita e Carlos Maria namoram em segredo. 26 4. (Fuvest) Atente para as seguintes afirmações relativas ao desfecho do romance A Relíquia, de Eça de Queirós: I. O autor revela, por meio de Teodorico, sua descrença num Jesus divinizado, imagem que é subs- tituída pela ideia de Consciência. II. Ao ser sincero com Crispim, Teodorico conquista a vida de burguês que sempre almejou. III. Teodorico dá ouvidos à mensagem de Cristo, arrepende-se de sua hipocrisia beata e abraça a fé católica. Está correto o que se afirma apenas em a) I. b) II. c) I e II. d) II e III. e) I e III. CONSIDERE AS IMAGENS E O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 5 E 6. II/SÃO FRANCISCO DE ASSIS* Senhor, não mereço isto. Não creio em vós para vos amar. Trouxestes me a São Francisco e me fazeis vosso escravo. Não entrarei, senhor, no templo, seu frontispício me basta. Vossas flores e querubins são matéria de muito amar. Dai me, senhor, a só beleza destes ornatos. E não a alma. Pressente se dor de homem, paralela à das cinco chagas. Mas entro e, senhor, me perco na rósea nave triunfal. Por que tanto baixar o céu? por que esta nova cilada? Senhor, os púlpitos mudos entretanto me sorriem. Mais que vossa igreja, esta sabe a voz de me embalar. Perdão, senhor, por não amar vos. Carlos Drummond de Andrade *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012. 5. (Fuvest) Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura das igrejas, sob a estética do Barroco: I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vez os sentidos, de modo que o público não possa escapar. II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma reação forte de maravi- lhamento. III. A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre outras coisas, a preeminência da igreja. 27 A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa medida, as reações do eu lírico, ao que se encontra re- gistrado em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. e) I,II e III. 6. (Fuvest) Um aspecto do poema em que se manifesta a persistência de um valor afir- mado também no Modernismo da década de 1920 é o: a) destaque dado às características regionais. b) uso da variante oral popular da linguagem. c) elogio do sincretismo religioso. d) interesse pelo passado da arte no Brasil. e) delineamento do poema em feitio de oração. RAio X - Análise eXpositivA 1. O Barroco foi marcado, sobretudo, pelos con- trastes. Como podemos ver no soneto de Gre- gório de Matos, a imagem poética constrói-se a partir de uma série de oposições: desprezar e ser desprezado, triunfo e desdém, vencer e perder, mais e menos, etc.Além disso, a esté- tica barroca contava com construções sintáti- cas bastante rebuscadas, como podemos ver a partir das inversões e orações intercaladas. 2. No conto “A hora e vez de Augusto Matraga“, o destino do personagem o direciona para as obrigações religiosas (no intuito de alcançar os céus); no entanto, os deveres de honra, de não admitir certas desforras, é algo que tam- bém conduz a vida desse personagem. 3. [A] Incorreta. O cocheiro faz referências a um casal, que Rubião pensa ser Sofia e Carlos Maria. [B] Incorreta. O cocheiro menciona vagamen- te um casal de amantes. [C] Incorreta. O cocheiro não menciona casa- mento, mas sugere que um determinado casal seja amante. [D] Correta. O cocheiro faz referências a um casal, que Rubião pensa ser Sofia e Carlos Ma- ria. [E] Incorreta. Rubião associa os comentários a Sofia e Carlos Maria. 4. A afirmação em III é incorreta, pois Teodorico não se arrependeu da sua hipocrisia social, pelo contrário, continuou a fazer negócios com a venda de falsas relíquias que ele mes- mo fabricava, até casar, por interesse, com a irmã de Crispim, dono da empresaonde tinha começado a trabalhar. Como as demais são verdadeiras, é correta a opção [C]. 5. Como característica do Barroco, no caso o Barroco mineiro, a arquitetura do período preza pelo rebuscamento e ornamentação, no intuito de envolver e encantar o públi- co. Além disso, a estética sacra revela forte influência cultural e social da igreja sobre a comunidade da região de Minas Gerais, no contexto do século XVIII. 6. Assim como em Claro enigma, a “volta ao passado” também aparece no percurso de outros modernistas. Destacam-se as obras poéticas de Oswald de Andrade e de Mário de Andrade, respectivamente ligados ao An- tropofagismo e aos estudos culturais sobre o Barroco mineiro. No âmbito da pintura, temos as obras de Tarsila do Amaral, expon- do uma estética primitivista, reveladora da vontade de redescobrir o passado e funda- mentar uma verdadeira ideia de Brasil. GAbARito 1. A 2. E 3. D 4. C 5. E 6. D 28 pRáticA dos conhecimentos - e.o. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 1 E 2. Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha de se enqueixar para o alto, a salvar também de fora o focinho. Uma pei- tada. Outro tacar de patas. Chu-áa! Chu-áa... – Ruge o rio, como chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; e depois o pasto: sombra, capim e sossego... Nenhuma pressa. Aqui, por ora, este poço doido, que barulha como um fogo, e faz medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no caminho: como os homens e os seus modos, costumeira con- fusão. É só fechar os olhos. Como sempre. Outra passada, na massa fria. E ir sem afã, à voga surda, amigo da água, bem com o es- curo, filho do fundo, poupando forças para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um arranco, fora de hora. Assim. João Guimarães Rosa. O burrinho pedrês. In: Sagarana. 1. (Fuvest) Quando nos apresentam os homens vistos pelos olhos dos animais, as narrati- vas em que aparecem o burrinho pedrês, do conto homônimo (“Sagarana“), os bois de “Conversa de bois“ (Sagarana) e a cachorra Baleia (Vidas secas) produzem um efeito de: a) indignação, uma vez que cada um desses animais é morto por algozes humanos. b) infantilização, uma vez que esses animais pen- santes são exclusivos da literatura infantil. c) maravilhamento, na medida em que os res- pectivos narradores servem-se de sortilégios e de magia para penetrar na mente desses animais. d) estranhamento, pois nos fazem enxergar de um ponto de vista inusitado o que antes pa- recia natural e familiar. e) inverossimilhança, pois não conseguem dar credibilidade a esses animais dotados de in- terioridade. 2. (Fuvest) Em trecho anterior do mesmo con- to, o narrador chama Sete-de-Ouros de “sá- bio“. No excerto, a “sabedoria“ do burrinho consiste, principalmente, em: a) procurar adaptar-se o melhor possível às for- ças adversas, que busca utilizar em benefício próprio. b) firmar um pacto com as potências mágicas que se ocultam atrás das aparências do mun- do natural. c) combater frontalmente e sem concessões as atitudes dos homens, que considera confu- sas e desarrazoadas. d) ignorar os perigos que o mundo apresenta, agindo como se eles não existissem. e) escolher a inação e a inércia, confiando in- teiramente seu destino às forças do puro acaso e da sorte. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 3 A 5. Sim, que, à parte o sentido prisco, valia o ileso gume do vocábulo pouco visto e menos ainda ouvido, raramente usado, melhor fora se jamais usado. Porque, diante de um gra- vatá, selva moldada em jarro jônico, dizer-se apenas drimirim ou amormeuzinho é justo; e, ao descobrir, no meio da mata, um ange- lim que atira para cima cinquenta metros de tronco e fronde, quem não terá ímpeto de criar um vocativo absurdo e bradálo – Ó co- lossalidade! – na direção da altura? (João Guimarães Rosa. São Marcos. In: Sagarana.) prisco = antigo, relativo a tempos remotos gravatá = planta da família das bromeliáceas 3. (Fuvest) Neste excerto, o narrador do conto “São Marcos“ expõe alguns traços de estilo que correspondem a características mais ge- rais dos textos do próprio autor, Guimarães Rosa. Entre tais características só não se en- contra: a) o gosto pela palavra rara. b) o emprego de neologismos. c) a conjugação de referências eruditas e popu- lares. d) a liberdade na exploração das potencialida- des da língua portuguesa. e) a busca da concisão e da previsibilidade da linguagem. 4. (Fuvest) Comparando-se as concepções rela- tivas à natureza presentes no excerto de Gui- marães Rosa com as que se manifestam nos poemas de Alberto Caeiro, verifica-se que em Rosa, __________, ao passo que, em Caeiro, __________ . Mantida a sequência, as lacunas podem ser preenchidas corretamente pelo que está em: a) a observação da natureza provoca um desejo de nomeação e até de invenção linguística / o ideal seria o de que os elementos da na- tureza valessem por si mesmos, sem nome nenhum. b) a natureza é pura exterioridade, desprovida de alma / ela é um ente animado, dotado de interioridade e personalidade. c) a natureza vale por seus aspectos estéticos e simbólicos / ela tem valor prático e utilitá- rio, ou seja, é valorizada na medida em que, transformada pela técnica, serve para suprir as necessidades humanas. 29 d) a relação com a natureza é pessoal e até ín- tima / a natureza apresenta caráter hostil e, mesmo, ameaçador. e) a natureza é misteriosa e indecifrável / ela é portadora de uma mensagem mística que o homem deve decifrar servindo-se dos instru- mentos da Razão. 5. (Fuvest) Devo registrar aqui uma alegria. É que a moça num aflitivo domingo sem farofa teve uma inesperada felicidade que era inex- plicável: no cais do porto viu um arco-íris. Experimentando o leve êxtase, ambicionou logo outro: queria ver, como uma vez em Ma- ceió, espocarem mudos fogos de artifício. Ela quis mais porque É MESMO UMA VERDADE QUE QUANDO SE DÁ A MÃO, ESSA GENTINHA QUER TODO O RESTO, O ZÉ-POVINHO SONHA COM FOME DE TUDO. E QUER MAS SEM DIREI- TO ALGUM, POIS NÃO É? (Clarice Lispector, A hora da estrela.) Considerando-se no contexto da obra o tre- cho destacado, é correto afirmar que, nele, o narrador: a) assume momentaneamente as convicções elitistas que, no entanto, procura ocultar no restante da narrativa. b) reproduz, em estilo indireto livre, os pensa- mentos da própria Macabéa diante dos fogos de artifício. c) hesita quanto ao modo correto de interpretar a reação de Macabéa frente ao espetáculo. d) adota uma atitude panfletária, criticando diretamente as injustiças sociais e cobrando sua superação. e) retoma uma frase feita, que expressa pre- conceito antipopular, desenvolvendo-a na direção da ironia. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 6 E 7. — Primo Argemiro! E, com imenso trabalho, ele gira no assento, conseguindo pôr-se de-banda, meio assim. Primo Argemiro pode mais: transporta uma perna e se escancha no cocho. — Que é, Primo Ribeiro? — Lhe pedir uma coisa... Você faz? — Vai dizendo, Primo. — Pois então, olha: quando for a minha hora você não deixe me levarem p'ra o arraial... Quero ir mais é p'ra o cemitério do povoa- do... Está desdeixado, mas ainda é chão de Deus... Você chama o padre, bem em-antes... E aquelas coisinhas que estão numa capan- ga bordada, enroladas em papel-de-venda e tudo passado com cadarço, no fundo da ca- nastra... Se rato não roeu... Você enterra jun- to comigo... Agora eu não quero mexer lá... Depois tem tempo... Você promete?... — Deus me livre e guarde, Primo Ribeiro... O senhor ainda vai durar mais do que eu. — Eu só quero saber é se você promete... — Pois então, se tiver de ser desse jeito de que Deus não há-de querer, eu prometo. — Deus lhe ajude, Primo Argemiro. E Primo Ribeiro desvira o corpo e curva ain- da mais a cara. Quem sabe se ele não vai morrer mesmo? Primo Argemiro tem medo do silêncio. — Primo Ribeiro,o senhor gosta d'aqui?... — Que pergunta! Tanto faz... É bom p'ra se acabar mais ligeiro... O doutor deu prazo de um ano... Você lembra? — Lembro! Doutor apessoado, engraçado... Vivia atrás dos mosquitos, conhecia as raças lá deles, de olhos fechados, só pela toada da cantiga... Disse que não era das frutas e nem da água... Que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente... Ninguém não acreditou... Nem o arraial. Eu estive lá com ele... — Primo Argemiro o que adianta... — ...E então ele ficou bravo, pois não foi? Comeu goiaba, comeu melancia da beira do rio, bebeu água do Pará e não teve nada... — Primo Argemiro... — ...Depois dormiu sem cortinado, com ja- nela aberta... Apanhou a intermitente; mas o povo ficou acreditando... — Escuta! Primo Argemiro... Você está falan- do de-carreira, só para não me deixar falar! — Mas, então, não fala em morte Primo Ri- beiro!... Eu, por nada que não queria ver o senhor se ir primeiro do que eu... — P'ra ver!... Esta carcaça bem que está aguentando... Mas, agora, já estou vendo o meu descanso, que está chega-não-chega, na horinha de chegar... — Não fala isso Primo!... Olha aqui: não foi pena ele ter ido s'embora? Eu tinha fé em que acabava com a doença... — Melhor ter ido mesmo... Tudo tem de che- gar e de ir s'embora outra vez... Agora é a minha cova que está me chamando... Aí é que eu quero ver! Nenhumas ruindades des- te mundo não têm poder de segurar a gente p'ra sempre, Primo Argemiro... — Escuta Primo Ribeiro: se alembra de quando o doutor deu a despedida p'ra o povo do povoado? Foi de manhã cedo, assim como agora... O pessoal estava todo sentado nas portas das casas, batendo queixo. Ele ajun- tou a gente... Estava muito triste... Falou: – “Não adianta tomar remédio, porque o mos- quito torna a picar... Todos têm de se, mudar daqui... Mas andem depressa pelo amor de Deus!“ – ... – Foi no tempo da eleição de seu Major Vilhena... Tiroteio com três mortes... — Foi seis meses em-antes-de ela ir s'embora... 30 De branco a mais branco, olhando espantado para o outro, Primo Argemiro se perturbou. Agora está vermelho, muito. Desde que ela se foi, não falaram mais no seu nome. Nem uma vez. Era como se não tivesse existido. E, agora... João Guimarães Rosa. Sarapalha. In: Sagarana. 6. (Fuvest) Canta, canta, canarinho, ai, ai, ai... Não cantes fora de hora ai, ai, ai... A barra do dia aí vem, ai, ai, ai... Coitado de quem namora!... Esta quadrinha é a epígrafe do conto Sarapa- lha. Ela aponta para o clímax da estória que se dá por ocasião: a) da eleição de seu major Vilhena: tiroteio com três mortes. b) da confissão de Argemiro e sua expulsão da casa de Ribeiro. c) do casamento de Luísa com o boiadeiro e despedida dos primos. d) da morte do boiadeiro, que Argemiro mata em respeito ao primo. e) da declaração de Ribeiro e ruptura deste com o boiadeiro. 7. (Fuvest) João Guimarães Rosa, em Sagarana, permite ao leitor observar que: a) explora o folclórico do sertão. b) em episódios muitas vezes palpitantes sur- preende a realidade nos mais leves pormeno- res e trabalha a linguagem com esmero. c) limita-se ao quadro do regionalismo brasileiro. d) é muito sutil na apresentação do cotidiano banal do jagunço. e) é intimista hermético. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 8 A 14. Passaram-se semanas. Jerônimo tomava ago- ra, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e 1tragava dois dedos de parati 2“pra cortar a friagem”. Uma 3transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, 4reviscerando-lhe o corpo e 5alando-lhe os sentidos, num 6trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava len- tamente: fazia-se contemplativo e amoro- so. A vida americana e a natureza do Brasil 7patenteavam-lhe agora aspectos imprevis- tos e sedutores que o comoviam; esquecia- -se dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; 8tornava-se liberal, impreviden- te e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso, 9resignan- do-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquista- dores aventureiros. E assim, pouco a pouco, se foram reforman- do todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. (...) E o curioso é que, quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, 10posto que em detrimento das suas forças físicas. Ti- nha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções ,poé- ticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à ter- ra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam- -se amplamente defronte 11dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ri- cas pedrarias refulgentes e as nuvens toucam de alvos turbantes de cambraia, num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos. Aluísio Azevedo, O cortiço. 8. (Fuvest) Considere as seguintes afirmações, relacionadas ao excerto de O cortiço: I. O sol, que, no texto, se associa fortemen- te ao Brasil e à “pátria”, é um símbolo que percorre o livro como manifestação da natureza tropical e, em certas passa- gens, representa o princípio masculino da fertilidade. II. A visão do Brasil expressa no texto mani- festa a ambiguidade do intelectual brasi- leiro da época em que a obra foi escrita, o qual acatava e rejeitava a sua terra, dela se orgulhava e envergonhava, nela con- fiava e dela desesperava. III. O narrador aceita a visão exótico-român- tica de uma natureza (brasileira) pode- rosa e transformadora, reinterpretando-a em chave naturalista. Aplica-se ao texto o que se afirma em: a) I, somente. b) II, somente. c) II e III, somente. d) I e III, somente. e) I, II e III. 9. (Fuvest) Ao comparar Jerônimo com uma crisálida, o narrador alude, em linguagem literária, a fenômenos do desenvolvimento da borboleta, por meio das seguintes expres- sões do texto: I. “transformação, lenta e profunda” (ref.3); II. “reviscerando” (ref.4); III. “alando” (ref.5); IV. “trabalho misterioso e surdo” (ref.6). 31 Tais fenômenos estão corretamente indica- dos em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 10. (Fuvest) Um traço cultural que decorre da presença da escravidão no Brasil e que está implícito nas considerações do narrador do excerto é a: a) desvalorização da mestiçagem brasileira. b) promoção da música a emblema da nação. c) desconsideração do valor do trabalho. d) crença na existência de um caráter nacional brasileiro. e) tendência ao antilusitanismo. 11. (Fuvest) Destes comentários sobre os tre- chos sublinhados, o único que está correto é: a) “tragava dois dedos de parati” (ref.1): ex- pressão típica da variedade linguística pre- dominante no discurso do narrador. b) “pra cortar a friagem” (ref.2): essa expressão está entre aspas, no texto, para indicar que se trata do uso do discurso indireto livre. c) “patenteavam-lhe agora aspectos imprevis- tos” (ref.1): assume o sentido de “registra- vam oficialmente”. d) “posto que em detrimento das suas forças fí- sicas” (ref.10): equivale, quanto ao sentido, a “desde que em favor”. e) “tornava-se (...) imprevidente” (ref.8) e “resignando-se (...) às imposições do sol” (ref.9): trata-se do mesmo prefixo, apresen- tando, portanto, idêntico sentido. 12. (Fuvest) O papel desempenhado pela perso- nagem Ritinha (Rita Baiana), no processo sintetizado no excerto, assemelha-se ao da personagem: a)Iracema, do romance homônimo, na medida em que ambas simbolizam o poder de sedu- ção da terra brasileira sobre o português que aqui chegava. b) Vidinha, de Memórias de um sargento de milícias, tendo em vista que uma e outra constituem fatores decisivos para o desen- caminhamento de personagens masculinas anteriormente bem orientadas. c) Capitu, de Dom Casmurro, a qual, como a baiana, também lança mão de seus encantos femininos para obter ascensão social. d) Joaninha, de A cidade e as serras, pois am- bas representam a simplicidade natural das mulheres do campo, em oposição à beleza artificiosa das mulheres das cidades. e) Dora, de Capitães da areia, na medida em que ambas são responsáveis diretas pela re- generação física e moral de seus respectivos pares amorosos. 13. (Fuvest) Os costumes a que adere Jerônimo em sua transformação, relatada no excerto, têm como referência, na época em que se passa a história, o modo de vida: a) dos degredados portugueses enviados ao Brasil sem a companhia da família. b) dos escravos domésticos, na região urbana da corte, durante o Segundo Reinado. c) das elites produtoras de café, nas fazendas opulentas do vale do Paraíba fluminense. d) dos homens livres pobres, particularmente em região urbana. e) dos negros quilombolas, homiziados em re- fúgios isolados e anárquicos. 14. (Fuvest) No trecho “dos maravilhosos despe- nhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante” (ref.11), o narrador tem como referência: a) a chapada dos Guimarães, anteriormente co- berta por vegetação de cerrado. b) os desfiladeiros de Itaimbezinho, outrora re- vestidos por exuberante floresta tropical. c) a chapada Diamantina, então coberta por florestas de araucárias. d) a serra do Mar, que abrigava originalmente a densa mata Atlântica. e) a serra da Borborema, caracterizada, no pas- sado, pela vegetação da caatinga. 15. (Fuvest) Nesse livro, ousadamente, var- riam-se de um golpe o sentimentalismo superficial, a fictícia unidade da pessoa humana, as frases piegas, o receio de cho- car preconceitos, a concepção do predomí- nio do amor sobre todas as outras paixões; afirmava-se a possibilidade de construir um grande livro sem recorrer à natureza, desdenhava-se a cor local; surgiram afinal homens e mulheres, e não brasileiros (no sentido pitoresco) ou gaúchos, ou nortistas, e, finalmente, mas não menos importante, patenteava-se a influência inglesa em lugar da francesa. Lúcia Miguel-Pereira. História da Literatura Brasileira – Prosa de ficção – de 1870 a 1920 (Adaptado). O livro a que se refere a autora é: a) Memórias de um sargento de milícias. b) Til. c) Memórias póstumas de Brás Cubas. d) O cortiço. e) A cidade e as serras. 32 OBSERVE A IMAGEM E LEIA O TEXTO A SE- GUIR PARA RESPONDER À QUESTÃO 16. O Comissário apertou-lhe mais a mão, que- rendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem-Medo esvaía-se para o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em de- composição. […] Mas o Comissário não ouviu o que o Co- mandante disse. Os lábios já mal se moviam. A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas ver- des são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida. […] Os olhos de Sem-Medo ficaram abertos, con- templando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu ele- mento verde. Pepetela, Mayombe. 16. (Fuvest) Considerando-se o excerto no con- texto de Mayombe, os paralelos que nele são estabelecidos entre aspectos da natureza e da vida humana podem ser interpretados como uma: a) reflexão relacionada ao próprio Comandante Sem-Medo e a seu dilema característico entre a valorização do indivíduo e o engajamento em um projeto eminentemente coletivo. b) caracterização flagrante da dificuldade de aceder ao plano do raciocínio abstrato, típi- ca da atitude pragmática do militante revo- lucionário. c) figuração da harmonia que reina no mundo natural, em contraste com as dissensões que caracterizam as relações humanas, notada- mente nas zonas urbanizadas. d) representação do juízo do Comissário a res- peito da manifesta incapacidade que tem o Comandante Sem-Medo de ultrapassar o dogmatismo doutrinário. e) crítica esclarecida à mentalidade animista – que tende a personificar os elementos da natureza – e ao tribalismo, ainda muito di- fundidos entre os guerrilheiros do Movimen- to Popular de Libertação de Angola (MPLA). 17. (Fuvest) Consideradas no âmbito dos valo- res que são postos em jogo em Mayombe, as relações entre a árvore e a floresta, tal como concebidas e expressas no excerto, ensejam a valorização de uma conduta que correspon- de à da personagem: a) João Romão, de O cortiço, observadas as re- lações que estabelece com a comunidade dos encortiçados. b) Jacinto, de A cidade e as serras, tendo em vista suas práticas de beneficência junto aos pobres de Paris. c) Fabiano, de Vidas secas, na medida em que ele se integrava na comunidade dos sertane- jos, seus iguais e vizinhos. d) Pedro Bala, de Capitães da areia, em especial ao completar sua trajetória de politização. e) Augusto Matraga, do conto “A hora e vez de Augusto Matraga”, de Sagarana, na sua fase inicial, quando era o valentão do lugar. 18. (Fuvest) Mayombe refere-se a uma região montanhosa em Angola, dominada por flo- resta pluvial densa, rica em árvores de gran- de porte, e localizada em área de baixa la- titude (4° 40’S). Levando em conta essas características geográficas e vegetacionais, é correto afirmar que: a) esse tipo de vegetação predomina na maior parte do continente africano, circundando áreas de savana e deserto. b) se trata da única floresta pluvial sobre áreas montanhosas, pois esse tipo de floresta não ocorre em outras áreas do mundo. c) a vegetação da região é semelhante à da flo- resta encontrada, no Brasil, na mesma faixa latitudinal. d) nessa mesma faixa latitudinal, no Brasil, há regiões áridas, de altas altitudes, em que predominam ervas rasteiras. e) tais florestas pluviais só ocorrem no hemis- fério sul, devido ao regime de chuvas e às altas temperatura. 33 GAbARito 1. D 2. A 3. E 4. A 5. E 6. B 7. B 8. E 9. E 10. C 11. B 12. A 13. D 14. D 15. C 16. A 17. D 18. C 35 AplicAção dos conhecimentos - sAlA Prescrição: A prova de Língua Inglesa da Fuvest exige que o candidato saiba interpre- tar textos publicitários, científicos e, sobretudo, jornalísticos, acompanhados ou não de imagens. INGLÊS LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 1 E 2. About half of the world’s population is at risk of contracting dengue, according to the World Health Organization. The mosquito is found in tropical and subtropical climates around the world; however, dengue does not naturally occur in these creatures: the mosquitoes get dengue from us. The mechanism of dengue infection is simple. Female mosquitoes bite humans because they need the protein found in our blood to produce eggs. (Male mosquitoes do not bite.) If the mosquito bites someone with dengue – and then, after the virus’s roughly eight – to 12 – day replication period, bites someone else – it passes dengue into its next victim’s bloodstream. There is no vaccine against dengue, but infecting mosquitoes with a natural bacterium called Wolbachia blocks the insects’ ability to pass the disease to humans. The microbe spreads among both male and female mosquitoes: infected females lay eggsthat harbor the bacterium, and when Wolbachia- free females mate with infected males, their eggs simply do not hatch. Researchers are now releasing Wolbachia-infected females into the wild in Australia, Vietnam, Indonesia and Brazil. Scientific American, June 2015. Adaptado. 1. (Fuvest) De acordo com o texto, a infecção por dengue: a) propaga-se quando mosquitos fêmeas picam seres humanos infectados e retransmitem a doença a outras pessoas. b) é provocada por mosquitos infectados depois do acasalamento. c) desenvolve-se por meio das fêmeas, que transmitem o vírus para os machos, num cír- culo vicioso que se repete periodicamente. d) desenvolve-se no corpo humano após doze dias da picada, período de incubação do vírus. e) altera a proteína presente no sangue huma- no que é procurada pelos mosquitos fêmeas. 2. (Fuvest) Segundo o texto, a bactéria Wolba- chia, se inoculada nos mosquitos e bloqueia a transmissão da dengue porque: a) torna os machos estéreis. b) interfere no período de acasalamento dos mosquitos. c) impede a multiplicação do vírus nas fêmeas. d) impede a eclosão dos ovos que contêm o vírus. e) diminui a quantidade de ovos depositados pelas fêmeas. Leia o texto a seguir para responder às ques- tões 3 a 5. Working for on-demand startups like Uber and TaskRabbit is supposed to offer flexible hours and higher wages, but many workers have found the pay lower and the hours less flexible than they expected. Even more surprising: percent of those chauffeuring passengers and percent of those making deliveries said they lack personal auto insurance. Those are among the findings from a survey about the work life of independent contractors for on-demand startups, a booming sector of the tech industry, being released Wednesday. “We want to shed light on the industry as a whole,” said Isaac Madan, a Stanford master’s candidate in bioinformatics who worked with two other Stanford students and a recent alumnus on the survey of workers. “People need to understand how this space will change and evolve and help the economy.” On-demand, often called the sharing economy, refers to companies that let users summon workers via smartphone apps to handle all manner of services: rides, cleaning, chores, deliveries, car parking, waiting in lines. Almost uniformly, those workers are independent contractors rather than salaried employees. That status is the main point of contention in a recent rash of lawsuits in which workers are filing for employee status. While the survey did not directly ask contractors if they would prefer to be employees, it found that their top 36 workplace desires were to have paid health insurance, retirement benefits and paid time off for holidays, vacation and sick days – all perks of full-time workers. Respondents also expressed interest in having more chances for advancement, education sponsorship, disability insurance and human-relations support. Because respondents were recruited rather than randomly selected, the survey does not claim to be representational but a conclusion one may come to is that flexibility of new jobs comes with a cost. Not all workers are prepared for that! SFChronicle.com and SFGate.com, May 20, 2015. Adaptado. 3. (Fuvest) Segundo o texto, empresas do tipo “on-demand”: a) têm pouco contato com seus prestadores de serviços, o que dificulta o estabelecimento de planos de carreira. b) são intermediárias entre usuários e pres- tadores de serviços acionados por meio de aplicativos. c) remuneram abaixo do mercado seus presta- dores de serviços. d) exigem dos prestadores de serviços um nú- mero mínimo de horas trabalhadas por dia. e) estão crescendo em número, mas são critica- das pela qualidade de seus serviços. 4. (Fuvest) Outro resultado da mesma pesquisa indica que: a) grande parte dos trabalhadores em empresas “on-demand” não pensa em ter um registro formal de trabalho. b) nem todos os trabalhadores em empresas “on-demand” estão preparados para arcar com o custo de sua flexibilidade no trabalho. c) muitos dos entrevistados que prestam servi- ços nas empresas “on-demand” também têm um trabalho formal. d) vários dos entrevistados buscam o trabalho “on-demand” por conta do status que ele proporciona. e) as vantagens de um emprego formal são me- nores se comparadas com as vantagens en- volvidas no trabalho “on-demand”. 5. (Fuvest) Um dos resultados da pesquisa re- alizada com prestadores de serviços de em- presas do tipo “on-demand” mostra que es- ses trabalhadores: a) consideram a flexibilidade do horário de tra- balho o ponto alto de sua opção profissional. b) pagam seus próprios seguros-saúde e planos de aposentadoria. c) investem no seu aprimoramento profissional para obter melhores ganhos no futuro. d) têm a opção de tirar férias quando desejarem, com o apoio das empresas e dos familiares. e) desejam ter os mesmos benefícios sociais que trabalhadores assalariados. RAio X - Análise eXpositivA 1. O texto coloca “Female mosquitoes bite humans because they need the protein found in our blood to produce eggs. […]). If the mosquito bites someone with dengue – and then, after the virus’s roughly eight – to 12 – day replication period, bites someone else – it passes dengue into its next victim’s bloodstream” (os mosquitos fêmeas picam os seres humanos porque eles precisam da proteína encontrada em nosso sangue para produzir ovos […]. Se o mosquito pica alguém com dengue – e então, depois do período de replicação do vírus de aproximadamente 8 a 12 dias, pica mais alguém – o mosquito transmite a dengue para a corrente sanguínea da próxima vítima). 2. O texto coloca “There is no vaccine against dengue, but infecting mosquitoes with a natural bacterium called Wolbachia blocks the insects’ ability to pass the disease to humans. The microbe spreads among both male and female mosquitoes: infected females lay eggs that harbor the bacterium, and when Wolbachia-free females mate with infected males, their eggs simply do not hatch” (não há nenhuma vacina contra a dengue, mas infectar mosquitos com uma bactéria natural chamada Wolbachia bloqueia a habilidade dos insetos de passarem a doença aos humanos. O micróbio se espalha tanto entre mosquitos machos quanto fêmeas: as fêmeas infectadas botam ovos que possuem a bactéria e quando as fêmeas sem a Wolbachia cruzam com machos infectados, seus ovos simplesmente não eclodem). 3. O texto coloca “On-demand, often called the sharing economy, refers to companies that let users summon workers via smartphone apps to handle all manner of services...” (On- demand, em geral chamadas de economia do compartilhamento, refere-se a empresas que permitem que os usuários convoquem trabalhadores por meio de aplicativos de smartphones para lidar com vários tipos de serviços...). 4. O texto coloca “...flexibility of new jobs comes with a cost. Not all workers are prepared for that!” (...a flexibilidade de novos empregos vem com um custo. Nem todos os trabalhadores estão prontos pra isso). 5. O texto coloca “...it found that their top workplace desires were to have paid health insurance, retirement benefits and paid time off for holidays, vacation and sick days – all perks of full-time workers” (ele [o estudo] descobriu que seus maiores desejos [dos 37 trabalhadores de empresas on-demand] eram de ter seguro de saúde, benefícios de aposentadoria, férias, feriados e licenças médicas remunerados – todos privilégios de trabalhadores de tempo integral). GAbARito 1. A 2. D 3. B 4. B 5. E pRáticA dos conhecimentos - e.o. Leia o texto a seguir para responder às ques- tões 1 a 3. You know the exit is somewhere along this stretch of highway, but you have never taken it before and do not want to miss it. As you carefully scan the side of the road for the exit sign, numerous distractionsintrude on your visual field: billboards, a snazzy convertible, a cell phone buzzing on the dashboard. How does your brain focus on the task at hand? To answer this question, neuroscientists generally study the way the brain strengthens its response to what you are looking for – jolting itself with an especially large electrical pulse when you see it. Another mental trick may be just as important, according to a study published in April in the Journal of Neuroscience: the brain deliberately weakens its reaction to everything else so that the target seems more important in comparison. Such research may eventually help scientists understand what is happening in the brains of people with attention problems, such as attention-deficit/hyperactivity disorder. And in a world increasingly permeated by distractions – a major contributor to traffic accidents – any insights into how the brain pays attention should get ours. Scientific American, July 2014. Adaptado 1. (Fuvest) O foco principal do texto são as: a) várias distrações que se apresentam quando estamos dirigindo. b) estratégias que nosso cérebro utiliza para se concentrar em uma tarefa. c) informações que nosso campo visual precisa processar. d) decisões que tomamos quando queremos usar um caminho novo. e) várias tarefas que conseguimos realizar ao mesmo tempo. 38 2. (Fuvest) De acordo com o texto, a pesquisa mencionada pode a) colaborar para a compreensão de nossas ati- tudes frente a novas tarefas. b) ajudar pessoas que possuem diversos distúr- bios mentais, ainda pouco conhecidos. c) ajudar pessoas que, normalmente, são muito distraídas e desorganizadas. d) colaborar para a compreensão do modo como enxergamos o mundo. e) colaborar para a compreensão do que ocor- re no cérebro de pessoas com problemas de atenção. 3. (Fuvest) Segundo estudo publicado no Jour- nal of Neuroscience, mencionado no texto, a) nossa busca pela realização de tarefas diver- sas aumenta o número de pulsações elétricas produzidas pelo cérebro. b) os neurocientistas estão estudando como, sem grande esforço, conseguimos focalizar uma coisa de cada vez. c) as pulsações elétricas produzidas pelo cére- bro são intensas e constantes. d) nosso cérebro reduz sua reação a estímulos que são menos relevantes para a tarefa a ser realizada, mantendo o foco. e) o tipo de resposta que nosso cérebro fornece frente a novas tarefas ainda é uma questão a ser respondida pelos pesquisadores. Leia o texto a seguir para responder às ques- tões 4 e 5. Between now and 2050 the number of people living in cities will grow from 3.9 billion to 6.3 billion. The proportion of urban dwellers will swell from 54% to 67% of the world’s population, according to the UN. In other words, for the next 36 years the world’s cities will expand by the equivalent of six São Paulos every year. This growth will largely occur in developing countries. But most governments there are ignoring the problem, says William Cobbett of the Cities Alliance, an NGO that supports initiatives such as the one launched by New York University to help cities make long-term preparations for their growth. “Whether we want it or not, urbanisation is inevitable,” say specialists. “The real question is: how can we improve its quality?” The Economist, June 21st 2014. Adaptado. 4. (Fuvest) Segundo William Cobbett: a) várias ONGs estão trabalhando para minimi- zar os problemas enfrentados nas cidades. b) as maiores migrações para as cidades tive- ram início há 36 anos. c) a maioria dos governantes de países em de- senvolvimento não está dando atenção à ex- plosão demográfica nas cidades. d) uma cidade como São Paulo será pequena se comparada a outras no ano de 2050. e) os países em desenvolvimento estão lidando melhor com a questão do êxodo rural do que os países desenvolvidos. 5. (Fuvest) De acordo com o texto: a) a população rural crescerá na mesma propor- ção que a população urbana nos próximos 20 anos. b) a população, nas cidades, chegará a mais de 6 bilhões de pessoas até 2050. c) a expansão de cidades como São Paulo é um exemplo do crescimento global. d) a cidade de São Paulo cresceu seis vezes mais, na última década, do que o previsto por especialistas. e) o crescimento maior da população em cen- tros urbanos ocorrerá em países desenvolvidos. Leia o texto a seguir para responder às ques- tões 6 e 7. A wave of anger is sweeping the cities of the world. The protests have many different origins. In Brazil people rose up against bus fares, in Turkey against a building project. Indonesians have rejected higher fuel prices. In the euro zone they march against austerity, and the Arab spring has become a perma-protest against pretty much everything. Yet just as in 1848, 1968 and 1989, when people also found a collective voice, the demonstrators have much in common. In one country after another, protesters have risen up with bewildering speed. They tend to be ordinary, middle-class people, not lobbies with lists of demands. Their mix of revelry and rage condemns the corruption, inefficiency and arrogance of the folk in charge. Nobody can know how 2013 will change the world – if at all. In 1989 the Soviet empire teetered and fell. But Marx’s belief that 1848 39 was the first wave of a proletarian revolution was confounded by decades of flourishing capitalism and 1968 did more to change sex than politics. Even now, though, the inchoate significance of 2013 is discernible. And for politicians who want to peddle the same old stuff, news is not good. The Economist, June 29, 2013. Adaptado. 6. (Fuvest) Segundo o texto, os protestos de 2013, em diversos lugares do mundo: a) vêm perdendo força por falhas de organiza- ção. b) questionam a atuação dos lobbies nas rei- vindicações das diversas classes sociais. c) condenam a corrupção e outros comporta- mentos inadequados da classe política. d) resultam de motivações econômicas preci- sas. e) têm poucos aspectos em comum. 7. (Fuvest) Ao comparar os protestos de 2013 com movimentos políticos passados, afirma- -se, no texto, que: a) nem sempre esses movimentos expressam anseios coletivos. b) as crenças de Marx se confirmaram, mesmo após 1848. c) as revoltas de 1968 causaram grandes mu- danças políticas. d) não se sabe se os protestos de 2013 mudarão o mundo. e) mudanças de costumes foram as principais consequências de movimentos passados. Leia o texto a seguir para responder às ques- tões 8 a 10. To live the longest and healthiest life possible, get smarter. Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) data show that past a certain threshold, health and wealth are just weakly correlated. However, overall health is closely tied to how many years people spend in school. Mexico, for instance, has a fifth the per capita gross domestic product (GDP) of the United States, but, for women, more than 50 percent of the latter’s schooling. In line with the trend, Mexico’s female adult mortality rate is only narrowly higher. Vietnam and Yemen have roughly equivalent per capita GDP. Yet Vietnamese women average 6.3 more years in school and are half as likely to die between the ages of 15 and 60. “Economic growth is also significantly associated with child mortality reductions, but the magnitude of the association is much smaller than that of increased education,” comments Emmanuela Gakidou, IHME’s director of education and training. “One year of schooling gives you about 10 percent lower mortality rates, whereas with a 10 percent increase in GDP, your mortality rate would go down only by 1 to 2 percent.” Discover, May 31, 2013. Adaptado. 8. (Fuvest) No texto, ao se comparar o México aos Estados Unidos, afirma-se que, no México: a) o produto interno bruto é equivalente a 50%do produto interno bruto dos Estados Uni- dos. b) os índices de mortalidade adulta vêm cres- cendo, nos últimos anos. c) as mulheres representam 50% da população- escolarizada. d) as políticas educacionais são insuficientes e estão defasadas. e) as taxas de mortalidade feminina adulta são pouco superiores às norte-americanas. 9. (Fuvest) O argumento central do texto é o de que níveis mais altos de escolaridade estão diretamente relacionados a: a) índices mais baixos de mortalidade. b) crescimento econômico acentuado. c) mais empregos para as mulheres. d) menores taxas de natalidade. e) melhorias nos serviços de saúde. 10. (Fuvest) De acordo com o texto, “about 10 percent lower mortality rates” é resultado de : a) “10 percent increase in GDP”. b) “child mortality reductions”. c) “equivalent per capita GDP”. d) “economic growth”. e) “one year of schooling”. GAbARito 1. B 2. E 3. D 4. C 5. B 6. C 7. D 8. E 9. A 10. E 41 Fuvest REDAÇÃO Metodologia de avaliação da redação A redação deverá ser, obrigatoriamente, uma dissertação de caráter argumentativo, na qual se espera que o candidato, visando sustentar um ponto de vista sobre o tema, demonstre capacidade de mobilizar conhecimentos e opiniões; argumentar de forma coerente e pertinente; articular eficientemente as partes do texto e expressar-se de modo claro, correto e adequado. Os textos elaborados pelos candidatos serão avaliados quanto a três aspectos ou quesitos: Critérios de correção 1. Desenvolvimento do tema e organização do texto dissertativo-argumentativo Verifica-se inicialmente se o texto configura-se como uma dissertação argumentativa e se atende ao tema propos- to. Pressupõe-se, então, que o candidato demonstre habilidade de compreender a proposta de redação e, quando esta contiver uma coletânea, que se revele capaz de ler e de relacionar adequadamente as ideias e informações dos textos que a integram. No que diz respeito ao desenvolvimento do tema, verifica-se, além da pertinência das informações e da efetiva progressão temática, a capacidade crítico-argumentativa que a redação venha a revelar. A paráfrase de elementos que compõem a proposta de redação não é um recurso recomendável para o desenvolvi- mento adequado do tema. Não se recomenda, também, que o texto produzido se configure como uma dissertação meramente expositiva, isto é, que se limite a expor dados ou informações relativos ao tema, sem que se explicite um ponto de vista devidamente sustentado por uma argumentação consistente. 2. Coerência dos argumentos e articulação das partes do texto Avaliam-se, conjuntamente, a coerência dos argumentos e das opiniões e a coesão textual, ou seja, a correta articulação das palavras, frases e parágrafos. A coerência reflete a capacidade do candidato de relacionar os argumentos e organizá-los de forma a deles extrair conclusões apropriadas e, também, sua habilidade para o planejamento e a construção significativa do texto. Devem-se evitar contradições entre frases ou parágrafos, falta de encadeamento das ideias, circularidade ou quebra da progressão argumentativa, uso de argumentação baseada apenas no senso comum e falta de conclusão ou conclusões que não decorram do que foi previamen- te exposto. Quanto à coesão, serão verificados, entre outros, o estabelecimento de relações semânticas entre partes do texto e o uso adequado de conectivos. 3. Correção gramatical e adequação vocabular Avaliam-se o domínio da norma-padrão escrita da língua portuguesa e a clareza na expressão das ideias. Serão examinados aspectos gramaticais como ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação, e o emprego adequado e expressivo do vocabulário. Espera-se que o candidato revele competência para expor com precisão e concisão os argumentos selecionados para a defesa do ponto de vista adotado, evitando o uso de clichês ou frases fei- tas. Avalia-se, também, a seleção adequada do vocabulário, tendo em vista as peculiaridades do tipo de texto exigido. 42 Pontuação dos critérios § Para cada um dos três aspectos, cada avaliador atribuirá, independentemente, pontuação de 1 a 5. § Quando os pontos atribuídos pelos dois avaliadores a um determinado aspecto divergirem em 1 ponto, valerá a média das duas notas. Se a discrepância entre os dois avaliadores exceder 1 ponto em qualquer dos três aspectos, a redação será objeto de terceira avaliação por banca designada para esse fim. Caberá a essa banca decidir qual das duas notas é a mais adequada ou se cabe atribuir uma terceira nota, diversa das que foram atribuídas. Neste caso, prevalecerá a terceira nota. § Os pontos atribuídos a cada aspecto serão multiplicados por 4, 3 e 3, respectivamente, obtendo-se, assim, uma nota ponderada para a redação, que variará entre 10 e 50 pontos. § Além das redações em branco, receberão nota zero textos que desenvolverem tema diverso do que foi solicita- do, ou que não atenderem à modalidade discursiva indicada. Serão passíveis de receber nota zero também os textos com extensão claramente abaixo do limite estabelecido nas instruções da prova ou que apresentarem elementos verbais ou visuais não relacionados com o tema da redação. § Caso a redação receba nota zero de um dos avaliadores e nota diferente de zero de outro avaliador, ela será objeto de uma terceira avaliação, seguindo os mesmos critérios estabelecidos para os casos de discrepância submetidos a terceira avaliação. FIQUE LIGADO - Os últimos temas foram: § 2019 – De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente? § 2018 – Devem existir limites para a arte? § 2017 – O homem saiu de sua menoridade? § 2016 – As utopias: indispensáveis, inúteis ou nocivas? § 2015 – “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia ProPosta 1 Texto I Consideramo-nos seres tão solitários, uns tentando desesperadamente se comunicar e confrontar com os outros, quando devíamos estar todos conectados, compartilhando e se ajudando mutuamente. Triste é precisar esperar a adversidade para nos darmos conta do quão importante é esse engajamento. http://lounge.obviousmag.org/vanilla_sky/2014/12/em-busca-da-coletividade-perdida.html#ixzz64EBmk3fM Texto II O conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade forma um sis- tema determinado que tem sua vida própria; poderemos chamá-lo: a consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não tem por substrato um órgão único; é, por definição, difusa em toda extensão da sociedade; mas não deixa de ter caracteres específicos que fazem dela uma realidade distinta. Com efeito, é independente das condições particulares em que os indivíduos estão colocados; eles passam, ela permanece. É a mesma no norte e no sul, nas grandes e pequenas cidades, nas diferentes profissões. Da mesma forma, não muda a cada geração, mas, ao con- trário, liga umas às outras as gerações sucessivas. Portanto, é completamente diversa das consciências particulares, se bem que se realize somente entre indivíduos. Émile Durkheim. A consciência coletiva. 43 Texto III Parte do trabalho da política — seja nos partidos ou movimentos sociais — está em nos mostrar como nossos problemas individuais têm origem em questões sistêmicas e como eles podem ser confrontados de forma coletiva se nos organizamos em torno dessas identidades. Assim, a dívida deixa de ser uma fonte de vergonha e passa a ser uma injustiça contra a qual os devedores podem se organizar. As lutas que envolvem o cuidado das crianças não são exclusivas ou de culpa individual para os que são pais, mas um problema social compartilhado que temos a responsabilidade de enfrentar em conjunto. Os inventores do neoliberalismo perceberam bem esse processo de criação da identidade. Ao caracterizar as pes- soas como egoístas, maximizadoras racionais da utilidade, eles as encorajaram ativamente a setornarem aquilo. Esse não é um efeito colateral da política neoliberal, mas uma parte central de sua intenção. Como Michael Sandel apontou em 2012, em seu livro “O que o dinheiro não compra: Os limites morais dos mercados”, o neoliberalismo comprime os valores divergentes que anteriormente governavam as esferas da vida não mercantis, como a ética do serviço público no setor público, ou o atendimento mútuo nas comunidades locais. https://outraspalavras.net Texto IV O fenômeno dos coletivos é um traço regressivo no embate com a solidão do homem moderno. É uma tentativa, canhestra e primitiva, de “voltar ao útero materno” para ver se o ruído insuportável da realidade disforme do mun- do se dissolve porque grito palavras de ordem ou faço coisas pelas quais eu mesmo não sou responsabilizado, mas sim o “coletivo”, essa “pessoa” indiferenciada que não existe. (Luiz Felipe Pondé. “Sapiens x abelhas”. Folha de S.Paulo, 23.05.2016. Adaptado.) Texto V Estou sentada nos ombros de um homem Ele está afundando sob o fardo (peso) Eu faria qualquer coisa para ajudá-lo Exceto descer de suas costas Obra: “A sobrevivência dos mais gordos” De Jens Galschiot. http://www.aidoh.dk/new-struct/About-Jens-Galschiot/CV-GB-PT.pdf DE QUE FORMA O SENTIDO DE COLETIVIDADE ESTÁ PRESENTE NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA? 44 ProPosta 2 Texto I Segundo René Mucchielli, o conformismo é a atitude social que consiste em se submeter às opiniões, regras, normas, modelos que representam a mentalidade coletiva ou osistema de valores do grupo ao qual se adere a torná-los seus. Esse processo, amplamente estudado em psicologia social, corresponde mudanças de opinião, de comportamento ou mesmo de percepção de um indivíduo ou grupo minoritário, em situações influência ou pressão social exercida por parte de outros indivíduos ou por um grupo dominante. http://causacaopsi.blogspot.com/2014/05/conformismo-quandoa-conformidade-se-da.html Texto II A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangra- mentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma. Marina Colasanti, In: “Eu sei, mas não devia” Texto III Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. (…) Eduardo Alves da Costa. No Caminho, com Maiakóvski. 45 Texto IV O hábito torna suportáveis até as coisas assustadoras. Esopo Texto V Não importa contradição O que importa é televisão Dizem que não há nada que você não se acostume Cala a boca e aumenta o volume então. MELLO, B.; BRITTO, S. A melhor banda de todos os tempos da última semana. São Paulo: Abril Music, 2001 (fragmento). Texto VI Olhem desconfiados e perguntem Se é necessário, a começar do mais comum. E, por favor, não achem natural O que acontece e torna a acontecer: Não se deve dizer que nada é natural Numa época de confusão e sangue desordem ordenada, arbítrio de propósito humanidade desumanizada para que imutável não se considere nada! Berltold Brecht. A exceção e a regra. O COSTUME COMO REGRA: QUAIS OS EFEITOS DO CONFORMISMO NA SOCIEDADE ATUAL? 46 rascunho 1 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 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___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologiasC HISTÓRIA H Fuvest - História Geral Mundo contemporâneo, 27% Mundo moderno, 21% Antiguidade clássica, 12% Idade media, 7% Atualidades, 5% Antiguidade oriental, 2% Pre-história, 2% América Colonial, 5% América Independete,2% Problemas sociais, 5% História da arte, 5% Conhecimentos gerais, 5% História da ciência, 2% Fuvest - História do Brasil Sistema colonial, 34% Segundo Reinado, 18% República Oligárquia, 15% Primeiro Reinado, 9% Nova Repúplica, 9% Período Militar, 9% Período Regencial, 6% 51 Prescrição: Para resolver os exercícios apresentados, são necessários conhecimen- tos em: Grécia e Roma antigas; Baixa Idade Média; expansão marítima; absolutismo, revoluções europeias; escravismo colonial e formação dos Estados Unidos; as grandes guerras mundiais; os movimentos de descolonização e de contestação cultural pós-1945. HISTÓRIA GERAL Fuvest - História Geral Mundo contemporâneo, 27% Mundo moderno, 21% Antiguidade clássica, 12% Idade media, 7% Atualidades, 5% Antiguidadeoriental, 2% Pre-história, 2% América Colonial, 5% América Independete,2% Problemas sociais, 5% História da arte, 5% Conhecimentos gerais, 5% História da ciência, 2% Fuvest - História do Brasil Sistema colonial, 34% Segundo Reinado, 18% República Oligárquia, 15% Primeiro Reinado, 9% Nova Repúplica, 9% Período Militar, 9% Período Regencial, 6% AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Há cerca de 2000 anos, os sítios superficiais e sem cerâmica dos caçadores antigos foram substituídos por conjuntos que evidenciam uma forte mudança na tecnologia e nos hábitos. Ao mesmo tempo que aparecem a cerâmica chamada itararé (no Paraná) ou taquara (no Rio Grande do Sul) e o consumo de vegetais cultivados, encontram-se novas estruturas de habitações. PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros. A pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 49 (Adaptado). O texto associa o desenvolvimento da agricultura com o da cerâmica entre os habitantes do atual território do Brasil, há 2000 anos. Isso se deve ao fato de que a agricultura: a) favoreceu a ampliação das trocas comerciais com povos andinos, que dominavam as técnicas de pro- dução de cerâmica e as transmitiram aos povos guarani. b) possibilitou que os povos que a praticavam se tornassem sedentários e pudessem armazenar alimen- tos, criando a necessidade de fabricação de recipientes para guardá-los. c) proliferou, sobretudo, entre os povos dos sambaquis, que conciliaram a produção de objetos de cerâ- mica com a utilização de conchas e ossos na elaboração de armas e ferramentas. d) difundiu-se, originalmente, na ilha de Fernando de Noronha, região de caça e coleta restritas, o que forçava as populações locais a desenvolver o cultivo de alimentos. e) era praticada, prioritariamente, por grupos que viviam nas áreas litorâneas e que estavam, portanto, mais sujeitos a influências culturais de povos residentes fora da América. 2. (Fuvest) Examine estas imagens produzidas no antigo Egito: As imagens revelam: a) o caráter familiar do cultivo agrícola no Oriente Próximo, dada a escassez de mão de obra e a proibição, no antigo Egito, do trabalho compulsório. b) a inexistência de qualquer conhecimento tecnológico que permitisse o aprimoramento da produção de alimentos, o que provocava longas temporadas de fome. c) o prevalecimento da agricultura como única atividade econômica, dada a impossibilidade de caça ou pesca nas regiões ocupadas pelo antigo Egito. d) a dificuldade de acesso à água em todo o Egito, o que limitava as atividades de plantio e inviabilizava a criação de gado de maior porte. e) a importância das atividades agrícolas no antigo Egito, que ocupavam os trabalhadores durante apro- ximadamente metade do ano. 52 3. (Fuvest) Em certos aspectos, os gregos da An- tiguidade foram sempre um povo disperso. Penetraram em pequenos grupos no mundo mediterrânico e, mesmo quando se instala- ram e acabaram por dominá-lo, permanece- ram desunidos na sua organização política. No tempo de Heródoto, e muito antes dele, encontravam-se colônias gregas não somen- te em toda a extensão da Grécia atual, como também no litoral do mar Negro, nas costas da atual Turquia, na Itália do sul e na Sicília oriental, na costa setentrional da África e no litoral mediterrânico da França. No interior desta elipse de uns 2500 km de comprimen- to, encontravam-se centenas e centenas de comunidades que amiúde diferiam na sua estrutura política e que afirmaram sempre a sua soberania. Nem então nem em nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve uma nação, um território nacional único regido por uma lei soberana, que se tenha chamado Grécia (ou um sinônimo de Grécia). FINLEY, M.I. O mundo de Ulisses. Lisboa: Presença, 1972 (Adaptado). Com base no texto, pode-se apontar corre- tamente: a) a desorganização política da Grécia antiga, que sucumbiu rapidamente ante as investi- das militares de povos mais unidos e mais bem preparados para a guerra, como os egíp- cios e macedônios. b) a necessidade de profunda centralização po- lítica, como a ocorrida entre os romanos e cartagineses, para que um povo pudesse ex- pandir seu território e difundir sua produção cultural. c) a carência, entre quase todos os povos da antiguidade, de pensadores políticos, capa- zes de formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder político. d) a inadequação do uso de conceitos moder- nos, como nação ou Estado nacional, no es- tudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob ou- tras formas de organização social e política. e) a valorização, na Grécia antiga, dos princí- pios do patriotismo e do nacionalismo, como forma de consolidar política e economica- mente o Estado nacional. 4. (Fuvest) “A instituição das corveias variava de acordo com os domínios senhoriais, e, no interior de cada um, de acordo com o estatu- to jurídico dos camponeses, ou de seus man- sos [parcelas de terra].” BLOCH, Marc. Os caracteres originais da França rural. 1952. Esta frase sobre o feudalismo trata: a) da vassalagem. b) do colonato. c) do comitatus. d) da servidão. e) da guilda. 5. (Fuvest) O desenvolvimento de teorias cien- tíficas, geralmente, tem forte relação com contextos políticos, econômicos, sociais e culturais mais amplos. A evolução dos con- ceitos básicos da termodinâmica ocorre, principalmente, no contexto: a) da Idade Média. b) das grandes navegações. c) da Revolução Industrial. d) do período entre as duas grandes guerras mundiais. e) da Segunda Guerra Mundial. 6. (Fuvest) No século XIX, o surgimento do transporte ferroviário provocou profundas modificações em diversas partes do mundo, possibilitando maior e melhor circulação de pessoas e mercadorias entre grandes distân- cias. Dentre tais modificações, as ferrovias: a) facilitaram a integração entre os Estados nacionais latino-americanos, ampliaram a venda do café brasileiro para os países vizi- nhos e estimularam a constituição de amplo mercado regional. b) permitiram que a cidade de Manchester se conectasse diretamente com os portos do sul da Inglaterra e, dessa forma, provocaram o surgimento do sistema de fábrica. c) facilitaram a integração comercial do ocidente com o extremo oriente, substituíram o trans- porte de mercadorias pelo mar Mediterrâneo e despertaram o sonho de integração mundial. d) permitiram uma ligação mais rápida e ágil, nos Estados Unidos, entre a costa leste e a costa oeste, chegando até a Califórnia, palco da famosa corrida do ouro. e) permitiram a chegada dos europeus ao cen- tro da África, reforçaram a crença no poder transformador da tecnologia e demonstraram a capacidade humana de se impor à natureza. RAio X - Análise eXpositivA 1. A resposta cabe a todos os povos no perío- do Neolítico, entendido não por sua data- ção, mas pelas mudanças na forma de or- ganização humana. Nesse período, grupos humanos aprenderam a domesticar plantas e animais, o que foi determinante para a se- dentarização. Muitos denominam esse pro- cesso de revolução agrícola e de revolução urbana, respectivamente. A produção de ce- râmica permitiu o armazenamento de parte da produção agrícola, ainda voltada para o consumo das próprias comunidades. 2. A agricultura – marca básica da passagem do Paleolítico para o Neolítico – foi a base das primeiras civilizações antigas, como o Egito. Parte central da economia egípcia, a agricul- tura movimentava todos os segmentos so- ciais egípcios, como mostram as imagens. 53 3. A Grécia antiga nunca chegou a ser uma na- ção ou um império (termo muito usado na antiguidade). A Grécia era o que chamamos de organização em cidades-Estado. Sendo assim, cada povo grego, em cada cidade-Es- tado, vivia à sua maneira, de modo descen- tralizado ou disperso, como classifica o autor do texto que acompanha a questão. 4. Na época do feudalismo, a corveia era o tra- balho gratuito que os servos e camponeses deviam prestar ao seu senhor feudal ou ao Estado, três ou mais dias por semana, carac- terizando-secomo um dos tributos previstos no contrato de enfeudação. 5. Os conceitos básicos da termodinâmica foram alavancados a partir de 1698 com a invenção da primeira térmica, uma bomba-d’água que funcionava com vapor, criada por Thomas Severy, para retirar água das minas de car- vão, na Inglaterra. A partir daí, essa máqui- na foi sendo cada vez mais aprimorada com a contribuição de vários engenheiros, inven- tores e construtores de instrumentos, como James Watt. Por volta de 1760, a máquina térmica já era um sucesso, tendo importante contribuição na revolução industrial. A primeira revolução industrial revolucio- nou a maneira como se produziam as mer- cadorias, em especial com a criação de ma- quinários movidos a vapor. Na Inglaterra da década de 1770, o mercado de tecidos, os transportes (como trens e navios) e as comu- nicações funcionavam a partir da máquina a vapor. Logo, a termodinâmica está relaciona- da à revolução industrial. 6. No século XIX, o transporte ferroviário se desenvolveu na Europa e na América, inclu- sive no Brasil. Em nosso país, esteve ligado à exportação de café para a Europa, escoando o produto do interior para os portos de Santos e Rio de Janeiro. Na Inglaterra, as ferrovias são posteriores ao surgimento do “sistema de fábrica”, necessárias para escoar a produ- ção em expansão. As ferrovias foram funda- mentais nos EUA, pois foi no século XIX que as terras no sul, até a Califórnia no extremo oeste, pertencentes ao México, foram con- quistadas e tiveram sua exploração iniciada. GAbARito 1. B 2. E 3. D 4. D 5. C 6. D pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) Os impérios do mundo antigo ti- nham ampla abrangência territorial e estru- turas politicamente complexas, o que impli- cava custos crescentes de administração. No caso do Império Romano da antiguidade, são exemplos desses custos: a) as expropriações de terras dos patrícios e a geração de empregos para os plebeus. b) os investimentos na melhoria dos serviços de assistência e da previdência social. c) as reduções de impostos, que tinham a fina- lidade de evitar revoltas provinciais e rebeli- ões populares. d) os gastos cotidianos das famílias pobres com alimentação, moradia, educação e saúde. e) as despesas militares, a realização de obras públicas e a manutenção de estradas. 2. (Fuvest) O aparecimento da pólis constitui, na história do pensamento grego, um acon- tecimento decisivo. Certamente, no plano intelectual como no domínio das institui- ções, só no fim alcançará todas as suas con- sequências; a pólis conhecerá etapas múl- tiplas e formas variadas. Entretanto, desde seu advento, que se pode situar entre os sé- culos VIII e VII a.C., marca um começo, uma verdadeira invenção; por ela, a vida social e as relações entre os homens tomam uma for- ma nova, cuja originalidade será plenamente sentida pelos gregos. VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 1981 (Adaptado). De acordo com o texto, na antiguidade, uma das transformações provocadas pelo surgi- mento da pólis foi: a) o declínio da oralidade, pois, em seu terri- tório, toda estratégia de comunicação era baseada na escrita e no uso de imagens. b) o isolamento progressivo de seus membros, que preferiam o convívio familiar às relações travadas nos espaços públicos. c) a manutenção de instituições políticas arcai- cas, que reproduziam, nela, o poder absolu- to de origem divina do monarca. d) a diversidade linguística e religiosa, pois sua difusa organização social dificultava a cons- trução de identidades culturais. e) a constituição de espaços de expressão e discussão, que ampliavam a divulgação das ações e ideias de seus membros. 54 3. (Fuvest) César não saíra de sua província para fazer mal algum, mas para se defender dos agravos dos inimigos, para restabelecer em seus poderes os tribunos da plebe que ti- nham sido, naquela ocasião, expulsos da Ci- dade, para devolver a liberdade a si e ao povo romano oprimido pela facção minoritária. CÉSAR, Caio Júlio. A guerra civil. São Paulo: Estação Liberdade, 1999, p. 67. O texto, do século I a.C., retrata o cenário romano de: a) implantação da monarquia, quando a aristo- cracia perseguia seus opositores e os forçava ao ostracismo, para sufocar revoltas oligár- quicas e populares. b) transição da república ao império, período de reformulações provocadas pela expansão mediterrânica e pelo aumento da insatisfa- ção da plebe. c) consolidação da república, marcado pela participação política de pequenos proprietá- rios rurais e pela implementação de amplo programa de reforma agrária. d) passagem da monarquia à república, período de consolidação oligárquica, que provocou a ampliação do poder e da influência política dos militares. e) decadência do império, então sujeito a inva- sões estrangeiras e à fragmentação política gerada pelas rebeliões populares e pela ação dos bárbaros. 4. (Fuvest) A escravidão na Roma antiga: a) permaneceu praticamente inalterada ao lon- go dos séculos, mas foi abolida com a intro- dução do cristianismo. b) previa a possibilidade de alforria do escravo apenas no caso da morte de seu proprietário. c) era restrita ao meio rural e associada ao tra- balho braçal, não ocorrendo em áreas urba- nas, nem atingindo funções intelectuais ou administrativas. d) pressupunha que os escravos eram humanos e, por isso, era proibida toda forma de casti- go físico. e) variou ao longo do tempo, mas era determi- nada por três critérios: nascimento, guerra e direito civil. 5. (Fuvest) A palavra “feudalismo” carrega consigo vários sentidos. Dentre eles, podem- -se apontar aqueles ligados a: a) sociedades marcadas por dependências mútuas e assimétricas entre senhores e vassalos. b) relações de parentesco determinadas pelo local de nascimento, sobretudo quando ur- bano. c) regimes inteiramente dominados pela fé re- ligiosa, seja ela cristã ou muçulmana. d) altas concentrações fundiárias e capitalistas. e) formas de economias de subsistência pré- -agrícolas. 6. (Fuvest) A cidade é [desde o ano 1000] o principal lugar das trocas econômicas que recorrem sempre mais a um meio de troca essencial: a moeda. [...] Centro econômico, a cidade é também um centro de poder. Ao lado do e, às vezes, contra o poder tradicio- nal do bispo e do senhor, frequentemente confundidos numa única pessoa, um grupo de homens novos, os cidadãos ou burgueses, conquista “liberdades”, privilégios cada vez mais amplos. LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis. Rio de Janeiro: Record, 2010 (Adaptado). O texto trata de um período em que: a) os fundamentos do sistema feudal coexis- tiam com novas formas de organização polí- tica e econômica, que produziam alterações na hierarquia social e nas relações de poder. b) o excesso de metais nobres na Europa provo- cava abundância de moedas, que circulavam apenas pelas mãos dos grandes banqueiros e dos comerciantes internacionais. c) o anseio popular por liberdade e igualdade social mobilizava e unificava os trabalhado- res urbanos e rurais e envolvia ativa partici- pação de membros do baixo clero. d) a Igreja romana, que se opunha ao acúmulo de bens materiais, enfrentava forte oposição da burguesia ascendente e dos grandes pro- prietários de terras. e) as principais características do feudalismo, sobretudo a valorização da terra, haviam sido completamente superadas e substitu- ídas pela busca incessante do lucro e pela valorização do livre comércio. 7. (Fuvest) Assim como o camponês, o merca- dor está a princípio submetido, na sua ativi- dade profissional, ao tempo meteorológico, ao ciclo das estações, à imprevisibilidade das intempéries e dos cataclismos naturais. Como, durante muito tempo, não houve nes- se domínio senão necessidade de submissão à ordem da natureza e de Deus, o mercador só teve como meio de ação as preces e as prá- ticas supersticiosas. Mas, quando se organiza uma rede comercial, o tempo se torna ob- jetode medida. A duração de uma viagem por mar ou por terra, ou de um lugar para outro, o problema dos preços que, no curso de uma mesma operação comercial, mais ainda quando o circuito se complica, sobem ou descem tudo isso se impõe cada vez mais à sua atenção. Mudança também importan- te: o mercador descobre o preço do tempo no mesmo momento em que ele explora o espaço, pois para ele a duração essencial é aquela de um trajeto. LE GOFF, Jacques. Para uma outra Idade Média. Petrópolis: Vozes, 2013 (Adaptado). 55 O texto associa a mudança da percepção do tempo pelos mercadores medievais ao: a) respeito estrito aos princípios do livre comér- cio, que determinavam a obediência às regras internacionais de circulação de mercadorias. b) crescimento das relações mercantis, que pas- saram a envolver territórios mais amplos e distâncias mais longas. c) aumento da navegação oceânica, que permi- tiu o estabelecimento de relações comerciais regulares com a América. d) avanço das superstições na Europa ocidental, que se difundiram a partir de contatos com povos do leste desse continente e da Ásia. e) aparecimento dos relógios, que foram inven- tados para calcular a duração das viagens ul- tramarinas. 8. (Fuvest) Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os inte- resses comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o haviam estado das cru- zadas do Levante, em boa parte manejadas e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome do Salva- dor, “nunca antes nem de ouvir dizer conhe- cido”, ressoava agora nas plagas africanas... THOMAZ, Luiz Felipe. “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista de História (USP), 161, 2º semestre de 2009, p. 16-17 (Adaptado). Com base na afirmação do autor, pode-se di- zer que a expansão portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento: a) puramente religioso, bem diferente das cru- zadas dos séculos anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes empresas comer- ciais financiadas pela burguesia italiana. b) ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum, à época, a concepção de que a expansão da cristandade servia à expansão econômica e vice-versa. c) por meio do qual os desejos por expansão ter- ritorial portuguesa, dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados para a econo- mia europeia mostrar-se-iam incompatíveis. d) militar, assim como as cruzadas dos séculos anteriores, e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam como complemento ape- nas ocasional. e) que visava, exclusivamente, lucrar com o co- mércio intercontinental, a despeito de, ofi- cialmente, autoridades políticas e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a ex- pansão da fé cristã. 9. (Fuvest) Quando Bernal Díaz avistou pela pri- meira vez a capital asteca, ficou sem pala- vras. Anos mais tarde, as palavras viriam: ele escreveu um alentado relato de suas ex- periências como membro da expedição es- panhola liderada por Hernán Cortés rumo ao Império Asteca. Naquela tarde de no- vembro de 1519, porém, quando Díaz e seus companheiros de conquista emergiram do desfiladeiro e depararam-se pela primeira vez com o Vale do México lá embaixo, viram um cenário que, anos depois, assim descre- veram: “vislumbramos tamanhas maravi- lhas que não sabíamos o que dizer, nem se o que se nos apresentava diante dos olhos era real”. RESTALL, Matthew. Sete mitos da conquista espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 15-16 (Adaptado). O texto mostra um aspecto importante da con- quista da América pelos espanhóis, a saber: a) a superioridade cultural dos nativos ameri- canos em relação aos europeus. b) o caráter amistoso do primeiro encontro e da posterior convivência entre conquistadores e conquistados. c) a surpresa dos conquistadores diante de ma- nifestações culturais dos nativos americanos. d) o reconhecimento, pelos nativos, da impor- tância dos contatos culturais e comerciais com os europeus. e) a rápida desaparição das culturas nativas da América espanhola. 10. (Fuvest) “O senhor acredita, então”, insis- tiu o inquisidor, “que não se saiba qual a melhor lei?” Menocchio respondeu: “Senhor, eu penso que cada um acha que sua fé seja a melhor, mas não se sabe qual é a melhor; mas, porque meu avô, meu pai e os meus são cristãos, eu quero continuar cristão e acredi- tar que essa seja a melhor fé”. GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 113. O texto apresenta o diálogo de um inquisi- dor com um homem (Menocchio) processa- do, em 1599, pelo Santo Ofício. A posição de Menocchio indica: a) uma percepção da variedade de crenças, pas- síveis de serem consideradas, pela Igreja ca- tólica, como heréticas. b) uma crítica à incapacidade da Igreja católi- ca de combater e eliminar suas dissidências internas. c) um interesse de conhecer outras religiões e formas de culto, atitude estimulada, à épo- ca, pela Igreja católica. d) um apoio às iniciativas reformistas dos pro- testantes, que defendiam a completa liber- dade de opção religiosa. e) uma perspectiva ateísta, baseada na sua ex- periência familiar. 56 11. (Fuvest) A imagem pode ser corretamente lida como uma: a) defesa do mercantilismo e do protecionismo comercial ingleses, ameaçados pela cobiça de outros impérios, sobretudo o francês. b) crítica à monarquia inglesa, vista, no contex- to da expansão revolucionária francesa, como opressora da própria sociedade inglesa. c) alegoria das pretensões francesas sobre a In- glaterra, já que Napoleão Bonaparte era fre- quentemente considerado, pela burguesia, um líder revolucionário ateu. d) apologia da monarquia e da igreja inglesas, contrárias à laicização da política e dos cos- tumes típicos da Europa da época. e) propaganda de setores comerciais ingleses, defensores dos monopólios comerciais e con- trários ao livre-cambismo que, à época, ga- nhava força no país. 12. (Fuvest) As chamadas “revoluções inglesas”, transcorridas entre 1640 e 1688, tiveram como resultados imediatos: a) a proclamação dos Direitos do Homem e do Cidadão e o fim dos monopólios comerciais. b) o surgimento da monarquia absoluta e as guerras contra a França napoleônica. c) o reconhecimento do catolicismo como reli- gião oficial e o fortalecimento da ingerência papal nas questões locais. d) o fim do anglicanismo e o início das demar- cações das terras comuns. e) o fortalecimento do Parlamento e o aumen- to, no governo, da influência dos grupos li- gados às atividades comerciais. 13. (Fuvest) Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao mesmo tempo satisfeito e des- contente. E eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum esta- va tomando a justiça em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Cas- tigos de todos os tipos, arrastamentos e es- quartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores colherão o que semearam. BABEUF, Graco, citado por DARNTON, R. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 31 (Adaptado). O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Re- volução Francesa de 1789. O autor: a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do antigo regime, seus métodos e costumes políticos. b) apoia incondicionalmente as ações dos re- volucionários por acreditar que não havia outra maneira de transformar o país. c) defende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei.d) caracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes existentes na França. e) aceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade na história francesa. 14. (Fuvest) Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que não extingui, naquele instan- te, a centelha de vida que você tão desuma- namente me concedeu? Não sei! O desespero ainda não se apoderara de mim. Meus sen- timentos eram de raiva e vingança. Quando a noite caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...) Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar-me e contemplar satisfeito a destrui- ção. Declarei uma guerra sem quartel à espé- cie humana e, acima de tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a esta in- suportável desgraça! SHELLEY, Mary. Frankenstein. 2. ed. Porto Alegre: LPM, 1985. O trecho acima, extraído de uma obra lite- rária publicada pela primeira vez em 1818, pode ser lido corretamente como uma: a) apologia à guerra imperialista, incorporando o desenvolvimento tecnológico do período. b) crítica à condição humana em uma socie- dade industrializada e de grandes avanços científicos. c) defesa do clericalismo em meio à crescente laicização do mundo ocidental. d) recusa do evolucionismo, bastante em voga no período. e) adesão a ideias e formulações humanistas de igualdade social. 15. (Fuvest) A ideia de ocupação do continen- te pelo povo americano teve também raízes populares, no senso comum e também em fundamentos religiosos. O sonho de esten- der o princípio da “união” até o Pacífico foi chamado de “Destino Manifesto”. NARO, Nancy Priscilla S. A formação dos Estados Unidos. São Paulo: Atual, 1986, p. 19. A concepção de “Destino Manifesto”, cunha- da nos Estados Unidos da década de 1840: a) difundiu a ideia de que os norte-americanos eram um povo eleito e contribuiu para jus- tificar o desbravamento de fronteiras e a ex- pansão em direção ao Oeste. 57 b) tinha origem na doutrina judaica e enfati- zava que os homens deviam temer a Deus e respeitar a todos os semelhantes, indepen- dentemente de sua etnia ou posição social. c) baseava-se no princípio do multiculturalis- mo e impediu a propagação de projetos ou ideologias racistas no Sul e no Norte dos Es- tados Unidos. d) derivou de princípios calvinistas e rejei- tava a valorização do individualismo e do aventureirismo nas campanhas militares de conquista territorial, privilegiando as ações coordenadas pelo Estado. e) defendia a necessidade de se preservar a na- tureza e impediu o prosseguimento das guer- ras contra indígenas, na conquista do Centro e do Oeste do território norte-americano. 16. (Fuvest) A exploração da mão de obra es- crava, o tráfico negreiro e o imperialismo criaram conflitivas e duradouras relações de aproximação entre os continentes africano e europeu. Muitos países da África, mesmo depois de terem se tornado independentes, continuaram usando a língua dos coloniza- dores. O português, por exemplo, é língua oficial de: a) Camarões, Angola e África do Sul. b) Serra Leoa, Nigéria e África do Sul. c) Angola, Moçambique e Cabo Verde. d) Cabo Verde, Serra Leoa e Sudão. e) Camarões, Congo e Zimbábue. 17. (Fuvest) Quando a guerra mundial de 1914- -1918 se iniciou, a ciência médica tinha feito progressos tão grandes que se espera- va uma conflagração sem a interferência de grandes epidemias. Isso sucedeu na frente ocidental, mas à leste o tifo precisou de ape- nas três meses para aparecer e se estabele- cer como o principal estrategista na região (...). No momento em que a Segunda Guerra Mundial está acontecendo, em territórios em que o tifo é endêmico, o espectro de uma grande epidemia constitui ameaça constan- te. Enquanto estas linhas estão sendo escri- tas (primavera de 1942) já foram recebidas notificações de surtos locais, e pequenos, mas a doença parece continuar sob controle e muito provavelmente permanecerá assim por algum tempo. SIGERIST, Henry E. Civilização e doença. São Paulo: Hucitec, 2010, p. 130-132. O correto entendimento do texto acima per- mite afirmar que: a) o tifo, quando a humanidade enfrentou as duas grandes guerras mundiais do século XX, era uma ameaça porque ainda não tinha se desenvolvido a biologia microscópica, que anos depois permitiria identificar a existên- cia da doença. b) parte significativa da pesquisa biológica foi abandonada em prol do atendimento de demandas militares advindas dessas duas guerras, o que causou um generalizado abandono dos recursos necessários ao con- trole de doenças como o tifo. c) as epidemias, nas duas guerras mundiais, não afetaram os combatentes dos países ricos, já que estes, ao contrário dos combatentes dos países pobres, encontravam-se imunizados contra doenças causadas por vírus. d) a ameaça constante de epidemia de tifo re- sultava da precariedade das condições de hi- giene e saneamento decorrentes do enfren- tamento de populações humanas submetidas a uma escala de destruição incomum promo- vida pelas duas guerras mundiais. e) o tifo, principalmente na Primeira Guerra Mundial, foi utilizado como arma letal con- tra exércitos inimigos no leste europeu, que eram propositadamente contaminados com o vírus da doença. 18. (Fuvest) O que acontece quando a gente se vê duplicado na televisão? (...). Aprendemos não só durante os anos de formação mas também na prática a lidar com nós mesmos com esse “eu” duplo. E, mais tarde, (...) em 1974, ainda detido para averiguação na pe- nitenciária de Colônia-Ossendorf, quando me foi atendida, sem problemas, a solici- tação de um aparelho de televisão na cela, apenas durante o período da Copa do Mundo, os acontecimentos na tela me dividiram em vários sentidos. Não quando os poloneses jo- garam uma partida fantástica sob uma chu- va torrencial, não quando a partida contra a Austrália foi vitoriosa e houve um empate contra o Chile, aconteceu quando a Alema- nha jogou contra a Alemanha. Torcer para quem? Eu ou eu torci para quem? Para que lado vibrar? Qual Alemanha venceu? GRASS, Gunter. Meu século. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 237 (Adaptado). O trecho acima, extraído de uma obra literá- ria, alude a um acontecimento diretamente relacionado: a) à política nazista de fomento aos esportes considerados “arianos” na Alemanha. b) ao aumento da criminalidade na Alemanha, com o fim da Segunda Guerra Mundial. c) à Guerra Fria e à divisão política da Ale- manha em duas partes, a “ocidental” e a “oriental”. d) ao recente aumento da população de imi- grantes na Alemanha e reforço de sentimen- tos xenófobos. e) ao caráter despolitizado dos esportes em um contexto de capitalismo globalizado. 58 19. (Fuvest) Examine a seguinte imagem, que foi inspirada pela situação da Índia de 1946. A leitura correta da imagem permite con- cluir que ela constitui uma crítica: a) à passividade da ONU e dos países do cha- mado Terceiro Mundo diante do avanço do fundamentalismo hindu no sudeste asiático. b) à oficialização da religião muçulmana na Ín- dia, diante da qual seria preferível sua ma- nutenção como Estado cristão. c) ao colonialismo britânico, metaforicamente representado por animais ferozes prontos a destruir a liberdade do povo hindu. d) aos políticos que, distanciados da realidade da maioria da população, não seriam capa- zes de enfrentar os maiores desafios que se impunham à união do país. e) à desesperança do povo hindu, que deve- ria, não obstante as dificuldades pelas quais passara durante anos de dominação britâni- ca, ser mais otimista. 20. (Fuvest) Fosse com militares ou civis, a Áfri- ca esteve por vários anos entregue a dita- dores. Em alguns países, vigorava uma es- pécie de semidemocracia, com uma oposição consentida e controlada, um regime que era, em última análise, um governo autoritário. A única saída para os insatisfeitose também para aqueles que tinham ambições de poder passou a ser a luta armada. Alguns países foram castigados por ferozes guerras civis, que, em certos casos, foram alongadas por interesses extracontinentais. COSTA E SILVA, Alberto da. A África explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 139. Entre os exemplos do alongamento dos confli- tos internos nos países africanos em função de “interesses extracontinentais”, a que se refere o texto, pode-se citar a participação: a) da Holanda e da Itália na guerra civil do Zai- re, na década de 1960, motivada pelo con- trole sobre a mineração de cobre na região. b) dos Estados Unidos na implantação do apartheid na África do Sul, na década de 1970, devido às tensões decorrentes do mo- vimento pelos direitos civis. c) da França no apoio à luta de independên- cia na Argélia e no Marrocos, na década de 1950, motivada pelo interesse em controlar as reservas de gás natural desses países. d) da China na luta pela estabilização política no Sudão e na Etiópia, na década de 1960, motivada pelas necessidades do governo Mao Tsé-Tung em obter fornecedores de petróleo. e) da União Soviética e Cuba nas guerras civis de Angola e Moçambique, na década de 1970, motivada pelas rivalidades e interesses geo- políticos característicos da Guerra Fria. 21. (Fuvest) Somos produto de 500 anos de luta: primeiro, contra a escravidão, na guerra de independência contra a Espanha, encabe- çada pelos insurgentes; depois, para evi- tar sermos absorvidos pelo expansionismo norte-americano; em seguida, para promul- gar nossa constituição e expulsar o Império Francês de nosso solo; depois, a ditadura porfirista nos negou a aplicação justa das leis de reforma e o povo se rebelou criando seus próprios líderes; assim surgiram Villa e Zapata, homens pobres como nós, a quem se negou a preparação mais elementar, para assim utilizar-nos como bucha de canhão e saquear as riquezas de nossa pátria, sem importar que estejamos morrendo de fome e enfermidades curáveis, sem importar que não tenhamos nada, absolutamente nada, nem um teto digno, nem terra, nem tra- balho, nem saúde, nem alimentação, nem educação, sem ter direito a eleger livre e de- mocraticamente nossas autoridades, sem in- dependência dos estrangeiros, sem paz nem justiça para nós e nossos filhos. “Primeira declaração da Selva Lacandona” (janeiro de 1994). In: DI FELICE, Massimo; MUÑOZ, Cristoval (Orgs.). A revolução invencível. Subcomandante Marcos e Exército Zapatista de Libertação Nacional. Cartas e comunicados. São Paulo: Boitempo, 1998 (Adaptado). O documento, divulgado no início de 1994 pelo Exército Zapatista de Libertação Nacio- nal, refere-se, entre outros processos histó- ricos, à: a) luta de independência contra a Espanha, no início do século XIX, que erradicou o traba- lho livre indígena e fundou a primeira repú- blica na América. b) colonização francesa do território mexicano, entre os séculos XVI e XIX, que implantou o trabalho escravo indígena na mineração. 59 c) reforma liberal, na metade do século XX, quando a Igreja católica passou a controlar quase todo o território mexicano. d) guerra entre Estados Unidos e México, em meados do século XIX, em que o México per- deu quase metade de seu território. e) ditadura militar, no final do século XIX, que devolveu às comunidades indígenas do Mé- xico as terras expropriadas e rompeu com o capitalismo internacional. 22. (Fuvest) A fotografia acima, tirada em Beijing, China, em 1989, pode ser identificada, corretamen- te, como: a) reveladora do sucateamento do exército chi- nês, sinal mais visível da crise econômica que então se abateu sobre aquela potência comunista. b) emblema do conflito cultural entre Ocidente e Oriente, que resultou na recuperação de valores religiosos ancestrais na China. c) demonstração da incapacidade do Partido Comunista Chinês de impor sua política pela força, já que o levante daquele ano derrubou o regime. d) montagem jornalística, logo desmascarada pela revelação de que o homem que nela aparece é chinês, enquanto os tanques são soviéticos. e) símbolo do confronto entre liberdade de ex- pressão e autoritarismo político, ainda hoje marcante naquele país. 23. (Fuvest) Cartaz de 1994 da campanha de Nel- son Mandela à presidência da África do Sul. Essa campanha representou a: a) luta dos sul-africanos contra o regime do apartheid então vigente. b) conciliação entre os segregacionistas e os partidários da democracia racial. c) proposta de ampliação da luta antiapartheid no continente africano. d) contemporização diante dos atos de violên- cia contra os direitos humanos. e) superação dos preconceitos raciais por parte dos africânderes. 24. (Fuvest) O processo de expansão das carac- terísticas multilaterais do sistema ociden- tal nas diversas áreas do mundo conheceu crescente impasse a partir do início do novo século. A sustentabilidade de um sistema substancialmente unipolar mostrou-se cada vez mais crítica, precisamente em face das transformações estruturais, ligadas, antes de mais nada, ao crescimento econômico da Ásia, que pareciam complementar e susten- tar a ordem mundial do pós-Guerra Fria. A ameaça do fundamentalismo islâmico e do terrorismo internacional dividiu o Ocidente. O papel de pilar dos Estados Unidos oscilou entre um unilateralismo imperial, tendendo a renegar as próprias características da he- gemonia, e um novo multilateralismo, ainda a ser pensado e definido. PONS, Silvio. A revolução global: história do comunismo internacional (1917-1991). Rio de Janeiro: Contraponto, 2014. O texto propõe uma interpretação do cenário internacional no princípio do século XXI e afirma a necessidade de se: a) valorizar a liderança norte-americana sobre o Ocidente, pois apenas os Estados Unidos dispõem de recursos financeiros e militares para assegurar a nova ordem mundial. b) reconhecer a falência do modelo comunista, hegemônico durante a Guerra Fria, e aceitar a vitória do capitalismo e da lógica multila- teral que se constituiu a partir do final do século XX. c) combater o terrorismo islâmico, pois ele re- presenta a principal ameaça à estabilidade e à harmonia econômica e política entre os Estados nacionais. d) reavaliar o sentido da chamada globaliza- ção, pois a hegemonia política e financeira norte-americana tem enfrentado impasses e resistências. e) identificar o crescimento vertiginoso da Chi- na e reconhecer o atual predomínio econô- mico e financeiro dos países do Oriente na nova ordem mundial. 60 GAbARito 1. E 2. E 3. D 4. E 5. A 6. A 7. B 8. B 9. C 10. A 11. B 12. E 13. D 14. B 15. A 16. C 17. D 18. C 19. D 20. E 21. D 22. E 23. A 24. D 61 Prescrição: Para resolver as questões a seguir, é necessário conhecimentos em: economia, so- ciedade e política nos períodos colonial e imperial; principais características da Primeira República (1889-1930), da ditadura civil-militar (1964-1985) e da construção da Nova República até os dias atuais. HISTÓRIA DO BRASIL AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Após o Tratado de Tordesilhas (1494), por meio do qual Portugal e Espanha dividiram as terras emersas com uma linha imaginária, verifica-se um “descobrimento gradual” do atual território brasileiro. Tendo em vista o processo da formação terri- torial do País, considere as ocorrências e as representações abaixo: OCORRÊNCIAS: I. Tratado de Madrid (1750); II. Tratado de Petrópolis (1903); III. Constituição da República Federativa do Brasil (1988)/consolidação da atual divi- são dos Estados. REPRESENTAÇÕES: Associe a ocorrência com sua correta repre- sentação: I II III a) A C E b) B C E c) C B E d) A B D e) C A D 2. (Fuvest) Examine o gráfico. O gráfico fornece elementos para afirmar: a) A despeito de uma ligeira elevação, o tráfico negreiro em direção ao Brasil era pouco sig- nificativo nas primeiras décadas do século XIX, pois a mão deobra livre já estava em franca expansão no país. b) As grandes turbulências mundiais de finais do século XVIII e de começos do XIX pre- judicaram a economia do Brasil, fortemente dependente do trabalho escravo, mas inca- paz de obter fornecimento regular e estável dessa mão de obra. c) Não obstante pressões britânicas contra o tráfico negreiro em direção ao Brasil, ele se manteve alto, contribuindo para que a or- dem nacional surgida com a Independência fosse escravista. d) Desde o final do século XVIII, criaram-se as condições para que a economia e a socie- dade do Império do Brasil deixassem de ser escravistas, pois o tráfico negreiro estava estagnado. e) Rapidamente, o Brasil aderiu à agenda an- tiescravista britânica formulada no final do século XVIII, firmando tratados de diminui- ção e extinção do tráfico negreiro e acatando as imposições favoráveis ao trabalho livre. 62 3. (Fuvest) Observe a tabela: IMIGRAÇÃO: BRASIL, 1881-1930 (EM MILHARES) Ano Chegadas 1881-1885 133,4 1886-1890 391,6 1891-1895 659,7 1896-1900 470,3 1901-1905 279,7 1906-1910 391,6 1911-1915 611,4 1916-1920 186,4 1921-1925 368,6 1926-1930 453,6 Total 3.964,3 BETHELL, Leslie (Ed.). The Cambridge History of Latin America. vol. IV (Adaptado). Os dados apresentados na tabela se expli- cam, dentre outros fatores: a) pela industrialização significativa em esta- dos do Nordeste do Brasil, sobretudo aquela ligada a bens de consumo. b) pela forte demanda por força de trabalho criada pela expansão cafeeira nos Estados do Sudeste do Brasil. c) pela democracia racial brasileira, a favorecer a convivência pacífica entre culturas que, nos seus continentes de origem, poderiam até mesmo ser rivais. d) pelos expurgos em massa promovidos em pa- íses que viviam sob regimes fascistas, como Itália, Alemanha e Japão. e) pela supervalorização do trabalho assalaria- do nas cidades, já que no campo prevalecia a mão de obra de origem escrava, mais barata. 4. (Fuvest) A charge satiriza uma prática eleitoral pre- sente no Brasil da chamada “Primeira Repú- blica”. Tal prática revelava a: a) ignorância, por parte dos eleitores, dos ru- mos políticos do país, tornando esses eleito- res adeptos de ideologias políticas nazifas- cistas. b) ausência de autonomia dos eleitores e sua fi- delidade forçada a alguns políticos, as quais li- mitavam o direito de escolha e demonstravam a fragilidade das instituições republicanas. c) restrição provocada pelo voto censitário, que limitava o direito de participação polí- tica àqueles que possuíam um certo número de animais. d) facilidade de acesso à informação e propa- ganda política, permitindo, aos eleitores, a rápida identificação dos candidatos que de- fendiam a soberania nacional frente às ame- aças estrangeiras. e) ampliação do direito de voto trazida pela República, que passou a incluir os analfabe- tos e facilitou sua manipulação por políticos inescrupulosos. 5. (Fuvest) No início de 1969, a situação po- lítica se modifica. A repressão endurece e leva à retração do movimento de massas. As primeiras greves, de Osasco e Contagem, têm seus dirigentes perseguidos e são suspensas. O movimento estudantil reflui. A oposição liberal está amordaçada pela censura à im- prensa e pela cassação de mandatos. CARVALHO, Apolônio de. Vale a pena sonhar. Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 202. O testemunho, dado por um participante da resistência à ditadura militar brasileira, sin- tetiza o panorama político dos últimos anos da década de 1960, marcados: a) pela adesão total dos grupos oposicionistas à luta armada e pela subordinação dos sin- dicatos e centrais operárias aos partidos de extrema esquerda. b) pelo bipartidarismo implantado por meio do Ato Institucional n° 2, que eliminou toda forma de oposição institucional ao regime militar. c) pela desmobilização do movimento estu- dantil, que foi bastante combativo nos anos imediatamente posteriores ao golpe de 64, mas depois passou a defender o regime. d) pelo apoio da maioria das organizações da sociedade civil ao governo militar, empenha- das em combater a subversão e afastar, do Brasil, o perigo comunista. e) pela decretação do Ato Institucional n° 5, que limitou drasticamente a liberdade de ex- pressão e instituiu medidas que ampliaram a repressão aos opositores do regime. 6. (Fuvest) O presidente do Senado, José Sar- ney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira [30/5] que o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello foi apenas um “aci- dente” na história do Brasil. Sarney mini- mizou o episódio em que Collor, que atual- mente é senador, teve seus direitos políticos 63 cassados pelo Congresso Nacional. “Eu não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Mas acho que talvez esse episódio seja apenas um aci- dente que não devia ter acontecido na histó- ria do Brasil”, disse o presidente do Senado. Correio Braziliense, 30/05/2011. Sobre o “episódio” mencionado na notícia acima, pode-se dizer acertadamente que foi um acontecimento: a) de grande impacto na história recente do Brasil e teve efeitos negativos na trajetória política de Fernando Collor, o que faz com que seus atuais aliados se empenhem em desmerecer este episódio, tentando diminuir a importância que realmente teve. b) nebuloso e pouco estudado pelos historiado- res, que, em sua maioria, trataram de cen- surá-lo, impedindo uma justa e equilibrada compreensão dos fatos que o envolvem. c) acidental, na medida em que o impeachment de Fernando Collor foi considerado ilegal pelo Supremo Tribunal Federal, o que, aliás, possibilitou seu posterior retorno à cena po- lítica nacional, agora como senador. d) menor na história política recente do Bra- sil, o que permite tomar a censura em torno dele, promovida oficialmente pelo Senado Federal, como um episódio ainda menos sig- nificativo. e) indesejado pela imensa maioria dos brasilei- ros, o que provocou uma onda de comoção popular e permitiu o retorno triunfal de Fer- nando Collor à cena política, sendo candida- to conduzido por mais duas vezes ao segun- do turno das eleições presidenciais. RAio X - Análise eXpositivA 1. Trata-se da formação do território brasileiro e da divisão política do país ao longo do tem- po. O Tratado de Madri ([I]/mapa A) corres- ponde à ampliação do território para áreas a oeste do antigo Tratado de Tordesilhas. O Tratado de Petrópolis ([II]/mapa C) refere- -se à incorporação do Acre ao território bra- sileiro. A Constituição de 1988 ([III]/mapa E) determinou a atual divisão política do país com a criação do Estado de Tocantins a partir do norte de Goiás, transformou os territórios de Roraima e Amapá em Estados e incorporou Fernando de Noronha a Pernambuco. 2. A despeito da pressão inglesa para que ocor- resse o fim do tráfico negreiro para o Brasil, o mesmo se manteve em alta entre 1810 e 1830, o que contribuiu para a formação es- cravista da nossa sociedade. 3. O crescimento da imigração no Brasil se deve a dois fatores básicos, a saber: 1) o crescimento do ciclo cafeeiro no Brasil; e 2) a abolição da escravatura, em 1888, que exigiu a substitui- ção da mão de obra escrava pela livre. 4. A imagem retrata a prática do voto de ca- bresto: os poderosos coronéis utilizavam de táticas de coação para manipular as eleições, obrigando seu “rebanho” a votar em candi- datos por eles (coronéis) escolhidos. 5. Poucos grupos políticos, mesmo de esquerda, fizeram a opção pela luta armada, que teve pequena expressão no país, principalmente se comparada com outras nações da América latina. O bipartidarismo permitiu a existên- cia de um partido de oposição. O movimento estudantil foi desmobilizado, mas nunca apoiou o regime militar. O endurecimento do regime iniciou-se em dezembro de 1968 com a decretação do Ato Institucional n° 5 (AI-5), que centralizou ainda mais o poder a abriu caminho para uma política de maior repressão à socieda- de civil. 6. O impeachmentde Collor é considerado mui- to significativo na história recente do país. Em 1992, em meio a denúncias de corrupção, eclodiu um grande movimento social que envolveu segmentos diferentes, nos quais se destacaram os estudantes, que pintaram os rostos de preto nas grandes manifestações de rua em apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e à condenação do presiden- te. Apeado do poder, Collor teve seus direitos políticos cassados por oito anos e, dessa for- ma, foi forçado a deixar a vida política. Seu retorno deu-se com a eleição para o senado, em 2006, e, filiado ao PTB, levou-o a apro- ximar do governo Lula e dos demais aliados deste, como o ex-presidente José Sarney. GAbARito 1. A 2. C 3. B 4. B 5. E 6. A 64 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) Observe o mapa abaixo. Com base no mapa e em seus conhecimentos, assinale a alternativa correta. a) O rio São Francisco foi caminho natural para a expansão da cana-de-açúcar e do algodão da Zona da Mata, na Bahia, até a capitania de São Paulo e Minas de Ouro. b) A ocupação territorial de parte significativa dessa região foi marcada por duas caracterís- ticas geomorfológicas: a serra do Espinhaço e o vale do rio São Francisco. c) Essa região caracterizava-se, nesse período, por paisagens onde predominavam as minas e os currais, mas no século XIX a mineração sobrepujou as outras atividades econômicas dessas capitanias. d) O caminho pelo rio São Francisco foi esta- belecido pelas bandeiras paulistas para pe- netração na região aurífera da chapada dos Parecis e posterior pagamento do “quinto” na sede da capitania, em Salvador. e) As bandeiras que partiam da capitania da Bahia de Todos os Santos para a capitania de São Paulo e Minas de Ouro propiciaram o surgimento de localidades com economia baseada na agricultura monocultora de ex- portação. 2. (Fuvest) Admite-se que as cenouras sejam ori- ginárias da região do atual Afeganistão, tendo sido levadas para outras partes do mundo por viajantes ou invasores. Com base em relatos escritos, pode-se dizer que as cenouras devem ter sido levadas à Europa no século XII e, às Américas, no início do século XVII. Em escritos anteriores ao século XVI, há re- ferência apenas a cenouras de cor roxa, ama- rela ou vermelha. É possível que as cenouras de cor laranja sejam originárias dos Países Baixos, e que tenham sido desenvolvidas, inicialmente, à época do príncipe de Orange (1533-1584). No Brasil, são comuns apenas as cenouras laranja, cuja cor se deve à presença do pig- mento betacaroteno, representado a seguir. Com base no descrito acima, e considerando corretas as hipóteses ali aventadas, é possível afirmar que as cenouras de coloração laranja: a) podem ter sido levadas à Europa pela Com- panhia das Índias Ocidentais e contêm um pigmento que é um polifenol insaturado. b) podem ter sido levadas à Europa por rotas comerciais norte-africanas e contêm um pig- mento cuja molécula possui apenas duplas ligações cis. c) podem ter sido levadas à Europa pelos chine- ses e contêm um pigmento natural que é um poliéster saturado. d) podem ter sido trazidas ao Brasil pelos pri- meiros degredados e contêm um pigmento que é um polímero natural cujo monômero é o etileno. e) podem ter sido trazidas a Pernambuco du- rante a invasão holandesa e contêm um pigmento natural, que é um hidrocarboneto insaturado. 3. (Fuvest) Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e à paixão de Cristo, que o vosso em um destes engenhos [...]. A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência, também terá merecimento e mar- tírio[...]. De todos os mistérios da vida, mor- te e ressurreição de Cristo, os que pertencem por condição aos pretos, e como por herança, são os mais dolorosos. VIEIRA, padre Antônio. “Sermão décimo quarto”. In: INÁCIO, I.; LUCCA, T. (Orgs.). Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993, p. 73-75. 65 A partir da leitura do texto escrito pelo pa- dre jesuíta Antônio Vieira em 1633, pode-se afirmar, corretamente, que, nas terras portu- guesas da América: a) a Igreja católica defendia os escravos dos excessos cometidos pelos seus senhores e os incitava a se revoltar. b) as formas de escravidão nos engenhos eram mais brandas do que em outros setores eco- nômicos, pois ali vigorava uma ética religio- sa inspirada na Bíblia. c) a Igreja católica apoiava, com a maioria de seus membros, a escravidão dos africanos, tratando, portanto, de justificá-la com base na Bíblia. d) clérigos, como padre Vieira, se mostravam in- decisos quanto às atitudes que deveriam tomar em relação à escravidão negra, pois a própria Igreja se mantinha neutra na questão. e) havia formas de discriminação religiosa que se sobrepunham às formas de discriminação ra- cial, sendo estas, assim, pouco significativas. 4. (Fuvest) Eu por vezes tenho dito a V. A. aquilo que me parecia acerca dos negócios da França, e isto por ver por conjecturas e aparências grandes aquilo que podia suce- der dos pontos mais aparentes, que consigo traziam muito prejuízo ao estado e aumento dos senhorios de V. A. E tudo se encerrava em vós, Senhor, trabalhardes com modos ho- nestos de fazer que esta gente não houvesse de entrar nem possuir coisa de vossas na- vegações, pelo grandíssimo dano que daí se podia seguir. LEITE, Serafim. Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil. 1954. O trecho acima foi extraído de uma carta di- rigida pelo padre jesuíta Diogo de Gouveia ao rei de Portugal D. João III, escrita em Pa- ris, em 17/02/1538. Seu conteúdo mostra: a) a persistência dos ataques franceses contra a América, que Portugal vinha tentando co- lonizar de modo efetivo desde a adoção do sistema de capitanias hereditárias. b) os primórdios da aliança que logo se esta- beleceria entre as coroas de Portugal e da França e que visava a combater as preten- sões expansionistas da Espanha na América. c) a preocupação dos jesuítas portugueses com a expansão de jesuítas franceses, que, no Brasil, vinham exercendo grande influência sobre as populações nativas. d) o projeto de expansão territorial português na Europa, o qual, na época da carta, visava à dominação de territórios franceses tanto na Europa quanto na América. e) a manifestação de um conflito entre a recém- -criada ordem jesuíta e a coroa portuguesa em torno do combate à pirataria francesa. 5. (Fuvest) Os indígenas foram também utiliza- dos em determinados momentos, e sobretudo na fase inicial [da colonização do Brasil]; nem se podia colocar problema nenhum de maior ou melhor “aptidão” ao trabalho escravo (...). O que talvez tenha importado é a rarefação demográfica dos aborígines, e as dificuldades de seu apresamento, transporte etc. Mas na “preferência” pelo africano revela-se, mais uma vez, a engrenagem do sistema mercan- tilista de colonização; esta se processa num sistema de relações tendentes a promover a acumulação primitiva de capitais na metró- pole; ora, o tráfico negreiro, isto é, o abaste- cimento das colônias com escravos, abria um novo e importante setor do comércio colonial, enquanto o apresamento dos indígenas era um negócio interno da colônia. Assim, os ga- nhos comerciais resultantes da preação dos aborígines mantinham-se na colônia, com os colonos empenhados nesse “gênero de vida”; a acumulação gerada no comércio de africanos, entretanto, fluía para a metrópole; realizavam-na os mercadores metropolitanos, engajados no abastecimento dessa “merca- doria”. Esse talvez seja o segredo da melhor “adaptação” do negro à lavoura... escravista. Paradoxalmente, é a partir do tráfico negreiro que sepode entender a escravidão africana colonial, e não o contrário. NºVAIS, Fernando A. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105 (Adaptado). Nesse trecho, o autor afirma que, na América portuguesa: a) os escravos indígenas eram de mais fácil obtenção do que os de origem africana, e por isso a metrópole optou pelo uso dos pri- meiros, já que eram mais produtivos e mais rentáveis. b) os escravos africanos aceitavam melhor o trabalho duro dos canaviais do que os indí- genas, o que justificava o empenho de co- merciantes metropolitanos em gastar mais para a obtenção, na África, daqueles traba- lhadores. c) o comércio negreiro só pôde prosperar por- que alguns mercadores metropolitanos pre- ocupavam-se com as condições de vida dos trabalhadores africanos, enquanto que ou- tros os consideravam uma “mercadoria”. d) a rentabilidade propiciada pelo emprego da mão de obra indígena contribuiu decisiva- mente para que, a partir de certo momento, também escravos africanos fossem emprega- dos na lavoura, o que resultou em um lucra- tivo comércio de pessoas. e) o principal motivo da adoção da mão de obra de origem africana era o fato de que esta precisava ser transportada de outro conti- nente, o que implicava a abertura de um rentável comércio para a metrópole, que se articulava perfeitamente às estruturas do sistema de colonização. 66 6. (Fuvest) O tráfico de escravos africanos para o Brasil: a) teve início no final do século XVII, quando as primeiras jazidas de ouro foram descober- tas nas Minas Gerais. b) foi pouco expressivo no século XVII, ao contrário do que ocorreu nos séculos XVI e XVIII, e foi extinto, de vez, no início do sé- culo XIX. c) teve início na metade do século XVI, e foi praticado, de forma regular, até a metade do século XIX. d) foi extinto, quando da independência do Brasil, a despeito da pressão contrária das regiões auríferas. e) dependeu, desde o seu início, diretamente do bom sucesso das capitanias hereditárias, e, por isso, esteve concentrado nas capita- nias de Pernambuco e de São Vicente, até o século XVIII. 7. (Fuvest) A economia das possessões colo- niais portuguesas na América foi marcada por mercadorias que, uma vez exportadas para outras regiões do mundo, podiam al- cançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu comércio, grandes lucros. Além do açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do ouro, extraído regularmente des- de fins do XVII, merecem destaque, como elementos de exportação presentes nessa economia: a) tabaco, algodão e derivados da pecuária. b) ferro, sal e tecidos. c) escravos indígenas, arroz e diamantes. d) animais exóticos, cacau e embarcações. e) drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria. 8. (Fuvest) A colonização, apesar de toda vio- lência e disrupção, não excluiu processos de reconstrução e recriação cultural conduzidos pelos povos indígenas. É um erro comum crer que a história da conquista representa, para os índios, uma sucessão linear de perdas em vidas, terras e distintividade cultural. A cul- tura xinguana – que aparecerá para a nação brasileira nos anos 1940 como símbolo de uma tradição estática, original e intocada – é, ao inverso, o resultado de uma história de contatos e mudanças, que tem início no século X d.C. e continua até hoje. FAUSTO, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. Com base no trecho acima, é correto afirmar que: a) o processo colonizador europeu não foi vio- lento como se costuma afirmar, já que ele preservou e até mesmo valorizou várias cul- turas indígenas. b) várias culturas indígenas resistiram e sobre- viveram, mesmo com alterações, ao processo colonizador europeu, como a xinguana. c) a cultura indígena, extinta graças ao pro- cesso colonizador europeu, foi recriada de modo mitológico no Brasil dos anos 1940. d) a cultura xinguana, ao contrário de outras culturas indígenas, não foi afetada pelo pro- cesso colonizador europeu. e) não há relação direta entre, de um lado, o processo colonizador europeu e, de outro, a mortalidade indígena e a perda de sua iden- tidade cultural. 9. (Fuvest) É assim extremamente simples a es- trutura social da colônia no primeiro século e meio de colonização. Reduz-se em suma a duas classes: de um lado os proprietários rurais, a classe abastada dos senhores de engenho e fa- zenda; doutro, a massa da população espúria dos trabalhadores do campo, escravos e semili- vres. Da simplicidade da infraestrutura econô- mica – a terra, única força produtiva, absorvida pela grande exploração agrícola – deriva a da estrutura social: a reduzida classe de proprietá- rios e a grande massa, explorada e oprimida. Há naturalmente no seio desta massa gradações, que assinalamos. Mas, elas não são contudo bastante profundas para se caracterizarem em situações radicalmente distintas. PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil. 20. ed. São Paulo: Brasiliense, p. 28-29, 1993 [1942]. Neste trecho, o autor observa que, na socie- dade colonial: a) só havia duas classes conhecidas, e que nada é sabido sobre indivíduos que porventura fi- zessem parte de outras. b) havia muitas classes diferentes, mas só duas estavam diretamente ligadas a critérios eco- nômicos. c) todos os membros das classes existentes queriam se transformar em proprietários rurais, exceto os pequenos trabalhadores li- vres, semilivres ou escravos. d) diversas classes radicalmente distintas umas das outras compunham um cenário comple- xo, marcado por conflitos sociais. e) a população se organizava em duas classes, cujas gradações internas não alteravam a simplicidade da estrutura social. 10. (Fuvest) Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e províncias da Eu- ropa, o tabaco o tem feito muito afamado em todas as quatro partes do mundo, em as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e por qualquer via se procura. Há pouco mais de cem anos que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos moradores do Brasil e incríveis emolu- mentos aos Erários dos príncipes. ANTONIL André João. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: Edusp, 2007 (Adaptado). 67 O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, revela que: a) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar. b) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria com outros produtos, era dire- cionado à metrópole. c) não se pode exagerar quanto à lucratividade propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, era maior. d) os europeus, naquele ano, já conheciam ple- namente o potencial econômico de suas co- lônias americanas. e) a economia colonial foi marcada pela simul- taneidade de produtos, cuja lucratividade se relacionava com sua inserção em mercados internacionais. 11. (Fuvest) “E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moeda para os reinos estranhos e a menor quantidade é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...” ANTONIL, João. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. 1711. Esta frase indica que as riquezas minerais da colônia: a) produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal. b) foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra. c) prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercantilistas da França, da Inglaterra e da Alemanha. d) foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por meio do contrabando na região do rio da Prata. e) possibilitaram os acordos com a Holanda que asseguraram a importação de escravos africanos. 12. (Fuvest) Examine a seguinte tabela. Ano N° de escravos que entraram no Brasil 1845 19.453 1845 50.325 1847 56.172 1848 60.000 Dados extraídos de: COSTA, Emília Viotti da.Da senzala à colônia. São Paulo: Unesp, 1998. A tabela apresenta dados que podem ser ex- plicados: a) pela lei de 1831, que reduziu os impostos sobre os escravos importados da África para o Brasil. b) pelo descontentamento dos grandes proprie- tários de terras em meio ao auge da campa- nha abolicionista no Brasil. c) pela renovação, em 1844, do Tratado de 1826 com a Inglaterra, que abriu nova rota de tráfico de escravos entre Brasil e Moçam- bique. d) pelo aumento da demanda por escravos no Brasil, em função da expansão cafeeira, a despeito da promulgação da Lei Aberdeen, em 1845. e) pela aplicação da Lei Eusébio de Queirós, que ampliou a entrada de escravos no Brasil e tributou o tráfico interno. LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER À QUESTÃO 13. Tornando da malograda espera do tigre, 1al- cançou o capanga um casal de velhinhos, 2que seguiam diante dele o mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios par- ticulares. Das poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera 3que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça. — Mas chegará, homem? Perguntou a velha. — Há de se espichar bem, mulher! Uma voz os interrompeu: — Por este preço dou eu conta da roça! — Ah! É nhô Jão! Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham por homem de palavra, e de fazer o que prometia. Aceitaram sem mais hesita- ção; e foram mostrar o lugar que estava des- tinado para o roçado. Acompanhou-os Jão Fera; porém, 4mal seus olhos descobriram entre os utensílios a en- xada, a qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, que sem mais deu costas ao par de velhinhos e foi-se dei- xando-os embasbacados. ALENCAR, José de. Til. *moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito) 13. (Fuvest) Considerada no contexto histórico- -social figurado no romance Til, a brusca rea- ção de Jão Fera, narrada no final do excerto, explica-se: a) pela ambição ou ganância que, no período, ca- racterizava os homens livres não proprietários. b) por sua condição de membro da Guarda Nacio- nal, que lhe interditava o trabalho na lavoura. c) pela indolência atribuída ao indígena, da qual era herdeiro o “bugre”. d) pelo estigma que a escravidão fazia recair sobre o trabalho braçal. e) pela ojeriza ao labor agrícola, inerente a sua condição de homem letrado. 68 LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER À QUESTÃO 14. V – O samba À direita do terreiro, adumbra-se* na escu- ridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vis- lumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (...) É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dan- çam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagi- na esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bambo- leia, como se quisesse desgrudar-se. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram camba- lhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (...) ALENCAR, José de, Til. *adumbra-se = delineia-se, esboça-se 14. (Fuvest) Considerada no contexto histórico a que se refere Til, a desenvoltura com que os escravos, no excerto, se entregam à dança é representativa do fato de que: a) a escravidão, no Brasil, tal como ocorreu na América do Norte e no Caribe, foi branda. b) se permitia a eles, em ocasiões especiais e sob vigilância, que festejassem a seu modo. c) teve início nas fazendas de café o sincretismo das culturas negra e branca, que viria a carac- terizar a cultura brasileira. d) o narrador entendia que o samba de terreiro era, em realidade, um ritual umbandista dis- farçado. e) foi a generalização, entre eles, do alcoolismo, que tornou antieconômica a exploração da mão de obra escrava nos cafezais paulistas. 15. (Fuvest) Em seu contexto de origem, o quadro acima corresponde a uma: a) denúncia política das guerras entre as popu- lações indígenas brasileiras. b) idealização romântica num contexto de construção da nacionalidade brasileira. c) crítica republicana à versão da história do Brasil difundida pela monarquia. d) defesa da evangelização dos índios realizada pelas ordens religiosas no Brasil. e) concepção de inferioridade civilizacional dos nativos brasileiros em relação aos indígenas da América Espanhola. 16. (Fuvest) — Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta! — Não entra! Não entra! Repercutiu a mul- tidão em coro. E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo. — Aguenta! Aguenta! AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 1890, parte X. O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de poli- ciais no local. O romance de Aluísio Azevedo: a) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da escravidão e o difícil convívio entre ex- -escravos, imigrantes e poder público. b) defende a monarquia recém-derrubada e de- monstra a dificuldade da República brasileira de manter a tranquilidade e a harmonia so- cial após as lutas pela consolidação do novo regime. c) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas so- ciais existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em relação ao Rio de Janeiro. d) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores explorados da população bra- sileira. e) apresenta a imigração como a principal ori- gem dos males sociais por que o país passa- va, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho dos escravos e os margi- nalizaram. 17. (Fuvest) Considerando-se o intervalo entre o contexto em que transcorre o enredo da obra Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e a época de sua publicação, é correto afirmar que a esse período corresponde o processo de: a) reforma e crise do Império Português na América. b) triunfo de uma consciência nativista e na- cionalista na colônia. c) Independência do Brasil e formação de seu Estado nacional. d) consolidação do Estado nacional e de crise do regime monárquico brasileiro. e) Proclamação da República e instauração da Primeira República. 69 18. (Fuvest) Na Belle Époque brasileira, que di- fusamente coincidiu com a transição para o regime republicano, surgiram aquelas per- guntas cruciais, envoltas no oxigênio mental da época, muitas das quais, contudo, nos in- comodam até hoje: como construir uma nação se não tínhamos uma população definida ou um tipo definido? Frente àquele amálgama de passado e futuro, alimentado e realimen- tado pela República, quem era o brasileiro? (...) Inúmeras tentativas de respostas a todas estas questões mobilizaram os intelectuais brasileiros durante várias décadas. SALIBA, Elias Thomé. Raízes do riso. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Entre as tentativas de responder, durante a Belle Époque brasileira, às dúvidas mencio- nadas no texto, é correto incluir: a) as explicações positivistas e evolucionistas sobre o impacto da mistura de raças na for- mação do caráter nacional brasileiro. b) os projetos de valorização dos vínculos entre o caráter nacional brasileiro e os produtos da indústria cultural norte-americana. c) o reconhecimento e a celebração da origem africana da maioria dos brasileiros e a rejei- ção das tradições europeias. d) a percepção de que o país estava plenamente inserido na modernidadee havia assumido a condição de potência mundial. e) o desejo de retornar ao período anterior à chegada dos europeus e de recuperar pa- drões culturais e cotidianos indígenas. 19. (Fuvest) No “Manifesto Antropófago”, lan- çado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Quere- mos a Revolução Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria se- quer a sua pobre declaração dos direitos do homem.” Essas passagens expressam a: a) defesa de concepções artísticas do impres- sionismo. b) crítica aos princípios da Revolução Francesa. c) valorização da cultura nacional. d) adesão à ideologia socialista. e) afinidade com a cultura norte-americana. 20. (Fuvest) Durante os primeiros tempos de sua existência, o PCB prosseguiu em seu processo de diferenciação ideológica com o anarquis- mo, de onde provinha parte significativa de sua liderança e de sua militância. Nesse cur- so, foi necessário, no que se refere à questão parlamentar, também proceder a uma homo- geneização de sua própria militância. Houve algumas tentativas de participação em elei- ções e de formulação de propostas a serem apresentadas à sociedade que se revelaram infrutíferas por questões conjunturais. A pri- meira vez em que isso ocorreu foi, em 1925, no município portuário paulista de Santos, onde os comunistas locais, apresentando-se pela legenda da Coligação Operária, tiveram um resultado pífio. No entanto, como todos os atos pioneiros, essa participação deixou uma importante herança: a presença na cena política brasileira dos trabalhadores e suas reivindicações. Estas, em particular, expres- savam um acúmulo de anos de lutas do mo- vimento operário brasileiro. KAREPOVS, Dainis. A classe operária vai ao Parlamento. São Paulo: Alameda, 2006, p. 169. A partir do texto acima, pode-se afirmar cor- retamente que: a) as eleições de representantes parlamentares advindos de grupos comunistas e anarquis- tas foram frequentes, desde a Proclamação da República, e provocaram, inclusive, a chamada Revolução de 1930. b) comunistas, anarquistas e outros grupos de representantes de trabalhadores eram for- malmente proibidos de participar de eleições no Brasil desde a proclamação da República, cenário que só se modificaria com a Consti- tuição de 1988. c) as primeiras décadas do século XX represen- tam um período de grande diversidade polí- tico-partidária no Brasil, o que favoreceu a emergência de variados grupos de esquerda, cuja excessiva divisão impediu-os de obter resultados eleitorais expressivos. d) as experiências parlamentares envolvendo operários e camponeses, no Brasil da década de 1920, resultaram em sua presença domi- nante no cenário político nacional, após o colapso do primeiro regime encabeçado por Getúlio Vargas. e) as primeiras participações eleitorais de can- didatos trabalhadores ganharam importância histórica, uma vez que a política partidária brasileira da chamada Primeira República era dominada por grupos oriundos de grandes elites econômicas. 21. (Fuvest) Paralelamente à abertura da Transa- mazônica processa-se o trabalho da coloniza- ção, realizado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). As peque- nas agrovilas se sucedem de vinte em vinte quilômetros à margem da estrada, e nos cem hectares que cada colono recebeu são plan- tados milho, feijão e arroz. Já no próximo mês começará a plantação de cana-de-açúcar, cujas primeiras mudas, vindas dos canaviais de Sertãozinho, em São Paulo, acabaram de ser distribuídas. Jovens agrônomos, recém- -saídos da universidade, orientam os colo- nos... No meio da selva começam a surgir as 70 agrovilas. Vindos de diferentes regiões do país, os colonos povoam as margens da Tran- samazônica e espalham pelo chão virgem o verde disciplinado das culturas pioneiras. Os pastos da região são excelentes. Revista Manchete, 15 de abril de 1972. Segundo o texto, é correto afirmar que a Transamazônica, cuja construção se iniciou no regime militar (1964-1985), represen- tou, inclusive: a) um projeto para eliminar o controle nacional e estatal dos recursos naturais da Amazônia, facilitando o avanço de interesses britânicos na região. b) um esforço de ampliar as áreas de ocupação na Amazônia e de construir a ideia de que se vivia um período de avanço, integração e crescimento nacional. c) uma superação das dificuldades de comuni- cação e deslocamento entre o Sul e o Norte do país, facilitando a migração e permitindo plena integração entre os oceanos Atlântico e Pacífico. d) uma tentativa de reaquecer a economia da borracha, com a criação de rotas de escoa- mento rápido da produção em direção aos portos do Sudeste. e) um projeto de utilização dessa estrada para delimitar as fronteiras entre os estados da região. 22. (Fuvest) O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) foi criado em 1984, inserido em um contexto de: a) abertura política democrática no Brasil e de crescente insatisfação com as políticas agrá- rias nacionais então vigentes. b) fortalecimento da ditadura militar brasileira e de aumento da imigração estrangeira para o país. c) declínio da oposição armada à ditadura mili- tar brasileira e de aumento da migração das cidades para o campo. d) aumento da dívida externa brasileira e de disseminação da pequena propriedade fun- diária em todo o país. e) crescimento de demanda externa por commodities brasileiras e de grandes pro- gressos na distribuição de terra, no Brasil, a pequenos agricultores. 23. (Fuvest) A partir da redemocratização do Brasil (1985), é possível observar mudan- ças econômicas significativas no país. Entre elas, a: a) exclusão de produtos agrícolas do rol das principais exportações brasileiras. b) privatização de empresas estatais em diver- sos setores como os de comunicação e de mi- neração. c) ampliação das tarifas alfandegárias de im- portação, protegendo a indústria nacional. d) implementação da reforma agrária sem pa- gamento de indenização aos proprietários. e) continuidade do comércio internacional vol- tado prioritariamente aos mercados africa- nos e asiáticos. 24. (Fuvest) A população indígena brasileira au- mentou 150% na década de 1990, passando de 294 mil pessoas para 734 mil, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento médio anual foi de 10,8%, quase seis vezes maior do que o da popula- ção brasileira em geral. Fonte: <http://webradiobrasilindigena. wordpress.com>. Acesso em: 21 nov. 2007. A notícia acima apresenta: a) dado pouco relevante, já que a maioria das po- pulações indígenas do Brasil encontra-se em fase de extinção, não subsistindo, inclusive, mais nenhuma população originária dos tem- pos da colonização portuguesa da América. b) discrepância em relação a uma forte tendên- cia histórica observada no Brasil, desde o século XVI, mas que não é uniforme e abso- luta, já que nas últimas décadas não apenas tais populações indígenas têm crescido, mas também o próprio número de indivíduos que se autodenominam indígenas. c) um consenso em torno do reconhecimento da importância dos indígenas para o conjun- to da população brasileira, que se revela na valorização histórica e cultural que tais ele- mentos sempre mereceram das instituições nacionais. d) resultado de políticas públicas que provoca- ram o fim dos conflitos entre os habitantes de reservas indígenas e demais agentes so- ciais ao seu redor, como proprietários rurais e pequenos trabalhadores. e) natural continuidade da tendência obser- vada desde a criação das primeiras políticas governamentais de proteção às populações indígenas, no começo do século XIX, que permitiram a reversão do anterior quadro de extermínio observado até aquele momento. GAbARito 1. B 2. E 3. C 4. A 5. E 6. C 7. A 8. B 9. E 10. E 11. B 12. D 13. D 14. B 15. B 16. A 17. C 18. A 19. C 20. E 21. B 22. A 23. B 24. B CIÊNCIASHUMANAS e suas tecnologiasC H FILOSOFIA 73 Prescrição: As questões de Filosofia na prova da Fuvest tendem a ser interdisciplinares às disciplinas de História, Geografia e Literatura. Nesse sentido, as questões selecionadas exigirão que o aluno identifique as correntes filosóficas, relacionando-as ao contexto político, social, cultural e econômico de cada período e região tratada. O aluno que conseguir relacionar os autores e os seus pensamentos terá mais facilidade para anular distratores. FILOSOFIA AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Nicolau Maquiavel, em 1513, na Itália renascentista, escreveu: Um príncipe não pode observar todas as coi- sas a que são obrigados os homens conside- rados bons, sendo frequentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a ca- ridade, a fé, a humanidade, a religião. (...) O príncipe não precisa possuir todas as qua- lidades (ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso), bastando que aparente possuí- -las. Um príncipe, se possível, não deve se afastar do bem, mas deve saber entrar para o mal, se a isso estiver obrigado. (Adaptado de Nicolau Maquiavel. O Príncipe. ) Indique qual das afirmações está claramente expressa no texto: a) os homens considerados bons são os únicos aptos a governar. b) o príncipe deve observar os preceitos da mo- ral cristã medieval. c) fidelidade, humanidade, integridade e reli- giosidade são qualidades indispensáveis ao governante. d) o príncipe deve sempre fazer o mal, para manter o governo. e) a aparência de ter qualidade é mais útil ao governante do que possuí-las. 2. (Fuvest)”A autoridade do príncipe é limitada pelas leis da natureza e do Estado... O prínci- pe não pode, portanto, dispor de seu poder e de seus súditos sem o consentimento da na- ção e independentemente da escolha estabe- lecida no contrato de submissão...”Diderot, artigo “ Autoridade política”, Enciclopédia. 1751 Tendo por base esse texto da Enciclopédia, é correto afirmar que o autor: a) pressupunha, como os demais iluministas, que os direitos de cidadania política eram iguais para todos os grupos sociais e étnicos. b) propunha o princípio político que estabele- cia leis para legitimar o poder republicano e democrático. c) apoiava uma política para o Estado, subme- tida aos princípios da escolha dos dirigentes da nação, por meio do voto universal. d) acreditava, como os demais filósofos do Ilu- minismo, na revolução armada como único meio para a deposição de monarcas absolu- tistas. e) defendia, como a maioria dos filósofos ilu- ministas, os princípios do liberalismo políti- co que se contrapunham aos regimes abso- lutistas. 3. (Fuvest) Em relação à ética e à justiça na vida política da Grécia Clássica, é correto afirmar: a) tratava-se de virtudes que se traduziam na observância da lei, dos costumes e das con- venções instituídas pela pólis. b) foram prerrogativas democráticas que não estavam limitadas aos cidadãos e que tam- bém foram estendidas aos comerciantes e estrangeiros. c) eram princípios fundamentais da política externa, mas suspensos temporariamente após a declaração formal de guerra. d) foram introduzidas pelos legisladores para reduzir o poder assentado em bases religio- sas e para estabelecer critérios racionais de distribuição. e) Adquiriram importância somente no período helenístico, quando houve uma significativa incorporação de elementos da cultura roma- na. 4. (Fuvest) No início do século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe – uma célebre análise do poder político, apresentada sob a forma de lições, dirigidas ao príncipe Lorenzo de Médicis. Assim justificou Maquiavel o cará- ter professoral do texto: Não quero que se repute presunção o fato de um homem de baixo e ínfimo estado dis- correr e regular sobre o governo dos prín- cipes; pois assim como os [cartógrafos] que 74 desenham os contornos dos países se colo- cam na planície para considerar a natureza dos montes, e para considerar a das planí- cies ascendem aos montes, assim também, para conhecer bem a natureza dos povos, é necessário ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é necessário ser do povo. Tradução de Lívio Xavier, adaptada. Está redigido com clareza, coerência e corre- ção o seguinte comentário sobre o texto: a) Temendo ser qualificado de presunçoso, Maquiavel achou por bem defrontar sua autoridade intelectual, tipo um cartógrafo habilitado a desenhar os contrastes de uma região. b) Maquiavel, embora identificando-se como um homem de baixo estado, não deixou de justificar sua autoridade diante do príncipe, em cujos ensinamentos lhe poderiam ser de grande valia. c) Manifestando uma compreensão dialética das relações de poder, Maquiavel não hesita em ministrar ao príncipe, já ao justificar o livro, uma objetiva lição de política. d) Maquiavel parece advertir aos poderosos de que não se menospreze as lições de quem sabe tanto analisar quanto ensinar o com- portamento de quem mantenha relações de poder. e) Maquiavel, apesar de jamais ter sido um go- vernante em seu livro tão perspicaz, soube se investir nesta função, e assim justificar- -se diante de um príncipe autêntico. RAio X - Análise eXpositivA 1. Para Maquiavel, o governante precisa ter vir- tú, ou seja, qualidades que asseguram o seu poder. Dessa forma, aparentar ter qualidade, em determinados casos, é demonstrar ter um tipo de qualidade. 2. O pensamento Iluminista se opunha comple- tamente as ações do regime absolutista, com uma liberdade maior de expressão e econô- mica. 3. A valorização de princípios como ética e jus- tiça está relacionada à organização jurídica e social da pólis. Sendo considerados virtudes, esses conceitos estavam assentados tanto nas diferentes organizações governamentais quanto em convenções relacionadas à socia- bilidade das pólis gregas. 4. Buscando analisar as formas de governo, Ma- quiavel, sem demonstrar uma autovaloriza- ção, faz uma comparação de seu trabalho o dos geógrafos. GAbARito 1. E 2. E 3. A 4. A 75 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) A Declaração dos Direitos do Ho- mem e do Cidadão, votada pela Assembleia Nacional Constituinte francesa, em 26 de agosto de 1789, visava a) romper com a Declaração de Independência dos Estados Unidos, por esta não ter negado a escravidão. b) recuperar os ideais cristãos de liberdade e igualdade, surgidos na época medieval e es- quecidos na moderna. c) estimular todos os povos a se revoltarem contra seus governos, para acabar com a de- sigualdade social. d) assinalar os princípios que, inspirados no Iluminismo, iriam fundar a nova constitui- ção francesa. e) pôr em prática o princípio: a todos, segundo suas necessidades, a cada um, de acordo com sua capacidade. 2. (Fuvest)”Mesmo se o alvo perseguido não tivesse sido alcançado, mesmo se a consti- tuição por fim fracassasse, ou se voltasse progressivamente ao Antigo Regime... tal acontecimento é por demais imenso, por de- mais identificado aos interesses da humani- dade, tem demasiada influência sobre todas as partes do mundo para que os povos, em outras circunstâncias, dele não se lembrem e não sejam levados a recomeçar a experiên- cia.” (Kant, O CONFLITO DAS FACULDADES, 1798). O texto trata: a) do iluminismo e do avanço irreversível do conhecimento filosófico; revelando-se falso nos seus prognósticos sobre o futuro políti- co- constitucional. b) do retorno do Antigo Regime, na Europa, depois do fracasso da Revolução francesa, revelando-se incapaz de vislumbrar o futuro da história. c) da Revolução Francesa, dos seus desdobra- mentos políticos e constitucionais, revelan- do a clarividência do autor sobre sua impor- tância e seu futuro. d) da Revolução inglesa, do impacto que cau- sou no mundo, com seus princípios liberais e constitucionais, revelando-se profético so- bre seu futuro. e) do despotismo ilustrado, dos seus princípios filosóficos e constitucionais e de seuimpac- to na política europeia, revelando caráter premonitório. 3. (Fuvest)“Depois que a Bíblia foi traduzida para o inglês, todo homem, ou melhor, todo rapaz e toda rapariga, capaz de ler o inglês, convence- ram-se de que falavam com Deus onipotente e que entendiam o que Ele dizia”. Esse comentá- rio de Thomas Hobbes (1588-1679): a) ironiza uma das consequências da Reforma, que levou ao livre exame da Bíblia e à alfa- betização dos fiéis. b) alude à atitude do papado, o qual, por causa da Reforma, instou os leigos a que não dei- xassem de ler a Bíblia. c) elogia a decisão dos reis Carlos I e Jaime I, ao permitir que seus súditos escolhessem entre as várias igrejas. d) ressalta o papel positivo da liberdade reli- giosa para o fortalecimento do absolutismo monárquico. e) critica a diminuição da religiosidade, resul- tante do incentivo à leitura da Bíblia pelas igrejas protestantes. 4. (Fuvest)) “É praticamente impossível trei- nar todos os súditos de um [Estado] nas ar- tes da guerra e ao mesmo tempo mantê-los obedientes às leis e aos magistrados.” (Jean Bodin, teórico do absolutismo, em 1578). Essa afirmação revela que a razão principal de as monarquias europeias recorrerem ao recrutamento de mercenários estrangeiros, em grande escala, devia-se à necessidade de: a) conseguir mais soldados provenientes da burguesia, a classe que apoiava o rei. b) completar as fileiras dos exércitos com sol- dados profissionais mais eficientes. c) desarmar a nobreza e impedir que esta lide- rasse as demais classes contra o rei. d) manter desarmados camponeses e trabalha- dores urbanos e evitar revoltas. e) desarmar a burguesia e controlar a luta de classes entre esta e a nobreza. 5. (Fuvest). Para Santo Tomás, filosofia e teolo- gia são ciências distintas porque: a) A filosofia se funda no exercício da razão hu- mana e a teologia na revelação divina. b) A filosofia é uma ciência complementar à te- ologia. c) A filosofia nos traz a compreensão da verdade que será comprovada pela teolo- gia. d) A revelação é critério de verdade, por isso não se pode filosofar. e) A teologia é a mãe de todas as ciências e a filosofia serve apenas para explicar pontos de menor importância. 76 6. (Fuvest). “Em verdade é maravilhoso refle- tir sobre a grandeza que Atenas alcançou no espaço de cem anos depois de se livrar da tirania... Mas acima de tudo é ainda mais maravilhoso observar a grandeza a que Roma chegou depois de se livrar de seus reis.” (Maquiavel, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio). Nessa afirmação, o autor a) critica a liberdade política e a participação dos cidadãos no governo. b) celebra a democracia ateniense e a República romana. c) condena as aristocracias ateniense e roma- na. d) expressa uma concepção populista sobre a antiguidade clássica. e) defende a pólis grega e o Império romano. 7. Em uma significativa passagem da tragédia Macbeth, de Shakespeare, seu personagem principal declara: “Ouso tudo o que é pró- prio de um homem; quem ousa fazer mais do que isso não o é”. De acordo com muitos intérpretes, essa postura revela, com extra- ordinária clareza, toda a audácia da experi- ência renascentista. Com relação à cultura humanista, é correto afirmar que a) o mecenato de príncipes, de instituições e de famílias ricas e poderosas evitou os cons- trangimentos, prisão e tortura de artistas e de cientistas. b) a presença majoritária de temáticas religio- sas nas artes plásticas demonstrava as difi- culdades de assimilar as conquistas científi- cas produzidas naquele momento. c) a observação da natureza, os experimentos e a pesquisa empírica contribuíram para o rompimento de alguns dos dogmas funda- mentais da Igreja. d) a reflexão dedutiva e o cálculo matemático limitaram-se à pesquisa teórica e somen- te seriam aplicados na chamada revolução científica do século XVII. e) a avidez de conhecimento e de poder favore- ceu a renovação das universidades e a valori- zação dos saberes transmitidos pela cultura letrada. 8. (Fuvest)Em certos aspectos, os gregos da An- tiguidade foram sempre um povo disperso. Penetraram em pequenos grupos no mundo mediterrânico e, mesmo quando se instala- ram e acabaram por dominá-lo, permanece- ram desunidos na sua organização política. No tempo de Heródoto, e muito antes dele, encontravam se colônias gregas não somen- te em toda a extensão da Grécia atual, como também no litoral do Mar Negro, nas costas da atual Turquia, na Itália do sul e na Sicília oriental, na costa setentrional da África e no litoral mediterrânico da França. No interior desta elipse de uns 2500 km de comprimen- to, encontravam se centenas e centenas de comunidades que amiúde diferiam na sua estrutura política e que afirmaram sempre a sua soberania. Nem então nem em nenhuma outra altura, no mundo antigo, houve uma nação, um território nacional único regido por uma lei soberana, que se tenha chamado Grécia (ou um sinônimo de Grécia). M. I. Finley. O Mundo de Ulisses. Lisboa: Editoral Presença, 1972. (adaptado) Com base no texto, pode-se apontar corre- tamente a) A desorganização política da Grécia antiga, que sucumbiu rapidamente ante as investi- das militares de povos mais unidos e mais bem preparados para a guerra, como os egíp- cios e macedônios. b) A necessidade de profunda centralização política, como a ocorrida entre os romanos e cartaginenses, para que um povo pudesse expandir seu território e difundir sua produ- ção cultural. c) A carência, entre quase todos os povos da Antiguidade, de pensadores políticos, ca- pazes de formular estratégias adequadas de estruturação e unificação do poder político. d) A inadequação do uso de conceitos moder- nos, como nação ou Estado nacional, no es- tudo sobre a Grécia antiga, que vivia sob ou- tras formas de organização social e política. e) A valorização, na Grécia antiga, dos princí- pios do patriotismo e do nacionalismo, como forma de consolidar política e economica- mente o Estado nacional 9. (Fuvest)Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasíma- co negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas. RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradva, 2009. O sofista Trasímaco, personagem imortaliza- do no diálogo A República, de Platão, susten- tava que a correlação entre justiça e ética é resultado de a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana. b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. c) mandamentos divinos inquestionáveis lega- dos das tradições antigas. d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes. e) sentimentos experimentados diante de de- terminadas atitudes humanas. 77 GAbARito 1. D 2. C 3. A 4. D 5. A 6. B 7. C 8. D 9. A 78 CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologiasC H SOCIOLOGIA 81 Prescrição: A Fuvest trata a Sociologia de maneira transversal às disciplinas de História, Geografia e, até mesmo, Literatura. Por conta disso, as questões a seguir apresentam um caráter interdisciplinar, sendo importante reconhecer as correntes do pensamento sociológico dentro dos contextos políticos e econômicos estabelecidos. O estudante que estiver a par de questões atuais terá uma grande vantagem, pois pensamentos contem- porâneos podem ser exigidos. SOCIOLOGIA AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. Foi precisamente a divisão da economia mundial em múltiplas jurisdições políticas, competindo entre si pelo capital circulante, que deu aos agentes capitalistas as maio- res oportunidades de continuar a expandir o valor de seu capital, nos períodos de es- tagnação material generalizada da economia mundial. Giovanni Arrighi, O longo século XX. Dinheiro, poder e as origensdo nosso tempo. Rio de Janeiro/São Paulo: Contraponto/ Edunesp, p. 237, 1996. Conforme o texto, uma das características mais marcantes da história da formação e desenvolvimento do sistema capitalista é a a) incapacidade de o capitalismo se desenvol- ver em períodos em que os Estados intervêm fortemente na economia de seus países. b) responsabilidade exclusiva dos agentes capi- talistas privados na recuperação do capita- lismo, após períodos de crise mundial. c) dependência que o capitalismo tem da ação dos Estados para a superação de crises eco- nômicas mundiais. d) dissolução frequente das divisões políticas tradicionais em decorrência da necessidade de desenvolvimento do capitalismo. e) ocorrência de oportunidades de desenvolvi- mento financeiro do capital a partir de crises políticas generalizadas. 2. A burca não é um símbolo religioso, é um sím- bolo da subjugação, da subjugação das mu- lheres. Quero dizer solenemente que não será bem-recebida em nosso território. Nicolas Sarkozy, presidente da França, 22/6/2009, Estadão.com.br, 22/6/2009. http://www.estadao.com.br/ noticias/internacional,burcas-nao-temlugar-na-franca- diz-sarkozy,391152,0.htm – Acessado em 10/6/2010. Deputados que integram a Comissão Par- lamentar encarregada de analisar o uso da burca na França propuseram a proibição de todos os tipos de véus islâmicos integrais nos serviços públicos. (…) A resolução prevê a proibição do uso de tais vestimentas nos serviços públicos — hospitais, transportes, escolas públicas e outras instalações do go- verno. Folha Online, 26/1/2010. http://www1.folha.uol.com.br/ folha/mundo/ult94u684757.shtml. Acessado em 10/6/2010. Com base nos textos acima e em seus conheci- mentos, assinale a afirmação correta sobre o assunto. a) O governo francês proibiu as práticas rituais islâmicas em todo o território nacional. b) Apesar da obrigatoriedade de o uso da burca se originar de preocupações morais, o presi- dente francês a considera um traje religioso. c) A maioria dos Estados nacionais do Ociden- te, inclusive a França, optou pela adoção de políticas de repressão à diversidade religio- sa. d) As tensões políticas e culturais na França cresceram nas últimas décadas com o au- mento do fluxo imigratório de populações islâmicas. e) A intolerância religiosa dos franceses, fruto da Revolução de 1789, impede a aceitação do islamismo e do judaísmo na França. 3. No Ocidente, o período entre 1848 e 1875 “é primariamente o do maciço avanço da eco- nomia do capitalismo industrial, em escala mundial, da ordem social que o representa, das ideias e credos que pareciam legitimá-lo e ratificá-lo”. E. J. Hobsbawm. A era do capital 1848-1875. A “ordem social” e as “ideias e credos” a que se refere o autor caracterizam-se, respecti- vamente, como a) aristocrática e conservadoras. b) socialista e anarquistas. c) popular e democráticas. d) tradicional e positivistas. e) burguesa e liberais. 82 4. No “Manifesto Antropófago”, lançado em São Paulo, em 1928, lê-se: “Queremos a Revolu- ção Caraíba (...). A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem (...). Sem nós, a Europa não teria sequer a sua po- bre declaração dos direitos do homem.” Essas passagens expressam a a) defesa de concepções artísticas do impres- sionismo. b) crítica aos princípios da Revolução Francesa. c) valorização da cultura nacional. d) adesão à ideologia socialista. e) afinidade com a cultura norte-americana. RAio X - Análise eXpositivA 1. O texto afirma que o sistema capitalista sem- pre se beneficiou da existência de ”múlti- plas jurisdições políticas” (de muitos esta- dos nacionais), uma vez que estas competem na busca do capital circulante que está nas mãos de “agentes capitalistas” (proprie- tários deste capital). Em seguida, o texto observa que, em momentos de estagnação (crise), a circulação do capital entre es- sas múltiplas jurisdições torna possível aos agentes capitalistas a obtenção de lucros. 2. O aumento do fluxo imigratório de popula- ções islâmicas para a França tem provocado maiores tensões políticas e culturais envol- vendo essa comunidade. De acordo com os textos apresentados, os problemas decorrem não de um fator religioso em si. Mas das di- ferentes maneiras de interpretar o papel da mulher na sociedade. 3. O texto remonta à segunda metade do século XIX, quando ocorreu a II Revolução Indus- trial, refletindo a ascensão da burguesia ao poder em diversas nações, com um projeto político e econômico apoiado nas ideais libe- rais, de origem iluminista; portanto um libe- ralismo que reduzia a intervenção do Estado na economia e que se baseava no critério censitário para definição de cidadania. 4. Expressão da cultura modernista que se di- fundia no país, em especial nos centros ur- banos, o nacionalismo brasileiro se apegava aos elementos sociais típicos do país, em es- pecial o indígena e condenava a importação da cultura europeia, sendo que muitas vezes adquiria um tom xenófobo. Em 1928 levam ao extremo essas ideais com o Manifesto An- tropófago, que propõe “devorar” influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura. GAbARito 1. C 2. D 3. E 4. C 83 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. Nunca, na história contemporânea mundial, como nesta virada de século e de milênio, a propriedade privada dos meios de produ- ção em geral e da terra em particular foi tão forte e os ideais coletivos tão enfraquecidos. Essa situação pode ser atribuída: a) à vigência cada vez mais ampla dos Direitos Humanos e do multiculturalismo étnico. b) às exigências da divisão internacional do trabalho e ao avanço da democracia social. c) à imposição da política econômica keynesia- na e à adoção da terceira via ou política do possível. d) à vitória do capitalismo na guerra fria sobre o chamado socialismo real e à crise das uto- pias. e) à força cada vez maior das religiões e das Igrejas, favoráveis, por princípio, ao indivi- dualismo. 2. “Com efeito, a política científica evidencia que a separação entre o poder espiritual e o poder temporal é a condição indispensável de toda Ordem e de todo Progresso na socie- dade moderna.” Miguel Lemos, Rio de Janeiro, 1890 As afirmações apresentadas no texto corres- pondem às ideias a) evolucionistas b) positivistas c) católicas d) românticas e) republicanas 3. Sobre a política indigenista do governo bra- sileiro no século XX, é possível afirmar que ela: a) concedeu emancipação jurídica aos indíge- nas, equiparando-os durante todo o período aos cidadãos brancos. b) criou vários serviços de proteção ao silvíco- la, permitindo que fossem dirigidos pelos próprios grupos indígenas. c) enviou expedições oficiais para contato com grupos indígenas, comandadas por membros da Igreja Católica. d) preocupou-se com a demarcação de terras indígenas, sem conseguir protegê-las de in- vasores brancos. e) copiou a política dos Estados Unidos, já que a situação dos indígenas, nos dois países, tem sido muito semelhante. 4. As visões sociais de Durkheim enfocam as- pectos diferentes da realidade social. É in- teiramente correto dizer que a sociedade é um fato objetivo, que nos coage e até nos cria. No entanto, também é correto dizer: a) A sociedade é apenas definida pelas tradi- ções, visto que o indivíduo é subordinado inteiramente ao social. b) A sociedade não apresenta grande função na existência humana, visto que o homem é muito mais um projeto biológico, do que social. c) A sociedade vive por conta própria e não de- pende do reconhecimento do indivíduo. d) O homem por ser social, não depende de uma individualidade para viver, visto que o ser coletivo anula totalmente o ser indiví- duo. e) A sociedade nos define, mas é por sua vez definida por nós. 5. É assim extremamente simples a estrutura social da colônia no primeiro século e meio de colonização. Reduz-se em suma a duas classes: de um lado os proprietáriosrurais, a classe abastada dos senhores de engenho e fazenda; doutro, a massa da população espú- ria dos trabalhadores do campo, escravos e semilivres. Da simplicidade da infraestrutu- ra econômica – a terra, única força produti- va, absorvida pela grande exploração agríco- la – deriva a da estrutura social: a reduzida classe de proprietários e a grande massa, explorada e oprimida. Há naturalmente no seio desta massa gradações, que assinala- mos. Mas, elas não são contudo bastante pro- fundas para se caracterizarem em situações radicalmente distintas. Caio Prado Jr., Evolução política do Brasil. 20ª ed. São Paulo: Brasiliense, p.28-29, 1993 [1942]. Neste trecho, o autor observa que, na socie- dade colonial, a) só havia duas classes conhecidas, e que nada é sabido sobre indivíduos que porventura fi- zessem parte de outras. b) havia muitas classes diferentes, mas só duas estavam diretamente ligadas a critérios eco- nômicos. c) todos os membros das classes existentes queriam se transformar em proprietários rurais, exceto os pequenos trabalhadores li- vres, semilivres ou escravos. d) diversas classes radicalmente distintas umas das outras compunham um cenário comple- xo, marcado por conflitos sociais. e) a população se organizava em duas clas- ses, cujas gradações internas não alte- ravam a simplicidade da estrutura social. 84 6. Foi precisamente a divisão da economia mundial em múltiplas jurisdições políticas, competindo entre si pelo capital circulante, que deu aos agentes capitalistas as maiores oportunidades de continuar a expandir o va- lor de seu capital, nos períodos de estagna- ção material generalizada da economia mun- dial. Giovanni Arrighi, O longo século XX. Dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. Rio de Janeiro/ São Paulo: Contraponto/Edunesp, p.237, 1996. Conforme o texto, uma das características mais marcantes da história da formação e desenvolvimento do sistema capitalista é a a) incapacidade de o capitalismo se desenvol- ver em períodos em que os Estados intervêm fortemente na economia de seus países. b) responsabilidade exclusiva dos agentes capi- talistas privados na recuperação do capita- lismo, após períodos de crise mundial. c) dependência que o capitalismo tem da ação dos Estados para a superação de crises eco- nômicas mundiais. d) dissolução frequente das divisões políticas tradicionais em decorrência da necessidade de desenvolvimento do capitalismo. e) ocorrência de oportunidades de desenvolvi- mento financeiro do capital a partir de crises políticas generalizadas. 7. Mas o pecado maior contra a Civilização e o Progresso, contra o Bom Senso e o Bom Gosto e até os Bons Costumes, que estaria sendo cometido pelo grupo de regionalistas a quem se deve a ideia ou a organização deste Con- gresso, estaria em procurar reanimar não só a arte arcaica dos quitutes finos e caros em que se esmeraram, nas velhas casas pa- triarcais, algumas senhoras das mais ilustres famílias da região, e que está sendo esque- cida pelos doces dos confeiteiros franceses e italianos, como a arte – popular como a do barro, a do cesto, a da palha de Ouricuri, a de piaçava, a dos cachimbos e dos santos de pau, a das esteiras, a dos ex-votos, a das redes, a das rendas e bicos, a dos brinquedos de meninos feitos de sabugo de milho, de canudo de mamão, de lata de doce de goia- ba, de quenga de coco, de cabaça – que é, no Nordeste, o preparado do doce, do bolo, do quitute de tabuleiro, feito por mãos negras e pardas com uma perícia que iguala, e às vezes excede, a das sinhás brancas. Freyre. Manifesto regionalista (7a ed.). Recife: FUNDAJ, Ed. Massangana, 1996. De acordo com o texto de Gilberto Freyre, o Manifesto regionalista, publicado em 1926, a) opunha-se ao cosmopolitismo dos modernis- tas, especialmente por refutar a alteração nos hábitos alimentares nordestinos. b) traduzia um projeto político centralizador e antidemocrático associado ao retorno de instituições monárquicas. c) exaltava os valores utilitaristas do moderno capitalismo industrial, pois reconhecia a im- portância da tradição agrária brasileira. d) preconizava a defesa do mandonismo políti- co e da integração de brancos e negros sob a forma da democracia racial. e) promovia o desenvolvimento de uma cultura brasileira autêntica pelo retorno a seu pas- sado e a suas tradições e riquezas locais. 8. A vida na cidade, diz Simmel, bombardeia a mente com imagens e impressões, sensações e atividades. Esse é um “profundo contraste com o ritmo mais habitual e mais fluente” da cidade ou aldeia. Nesse contexto, os indi- víduos não podem responder a cada estímulo ou atividade com que se deparam; como li- dam, então, com tal bombardeio? (GIDENS, A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012, p. 258). Georg Simmel, em seu texto clássico A me- trópole e a vida mental, menciona profundas alterações emocionais e sensitivas dos seres humanos causadas pela cidade grande. Sobre esse tema é CORRETO afirmar: a) Simmel destaca que desde o início do pro- cesso de urbanização, os habitantes de gran- des cidades desenvolvem ampla afetividade pelos moradores vizinhos bem como pelos seus contextos locais de habitação. b) De influência marxista, Simmel desenvolve a base da sociologia urbana ao tratar a cidade como a forma predominante e efetiva de re- conversão da relação exploratória plenamen- te capitalista. c) As novas formas de associação e visão de mundo a partir da construção de novos la- ços urbanos é algo diagnosticado por Simmel logo em seu texto clássico, anunciando os desdobramentos de reivindicações de direi- tos civis e movimentos sociais que prolifera- riam ao longo do século XX. d) De orientação weberiana, Simmel identifica um processo de suavização da exploração do trabalho no contexto urbano, por conta das novas possibilidades metropolitanas da mo- dernidade. e) O ponto central é a intensificação dos estí- mulos urbanos e o anonimato, que geram, por um lado uma ampliação da racionalidade e calculabilidade da vida e, por outro a ati- tude blasé, como forma de proteção emocio- nal. 85 9. O local e o global determinam-se recipro- camente, umas vezes de modo congruente e consequente, outras de modo desigual e desencontrado. Mesclam-se e tensionam-se singularidades, particularidades e univer- salidades. Conforme Anthony Giddens, “A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo dialético porque tais acontecimen- tos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam. A transformação local é, assim, uma parte da globalização”. Octávio Ianni, Estudos Avançados. USP. São Paulo, 1994. Adaptado. Neste texto, escrito no final do século XX, o autor refere-se a um processo que persiste no século atual. A partir desse texto, pode se inferir que esse processo leva à a) padronização da vida cotidiana a) melhor distribuição de renda do planeta. c) intensificação do convívio e das relações afe- tivas presenciais. d) maior troca de saberes entre gerações. e) retratação do ambientalismo como reação à sociedade de consumo. GAbARito 1. D 2. B 3. D 4. E 5. E 6. C 7. D 8. A 9. A CIÊNCIAS HUMANAS e suas tecnologiasC GEOGRAFIA H Fuvest - Geogra�a Relevo, 8% Vegetação, 5% Astronomia, 2% Espaço geográ�co, 4% Hidrogra�a, 5% Clima,5% Cartogra�a, 3% População, 11% Urbanização, 4% Globalização, 5% Comércio exterior e blocos econômicos, 3% Agropecuária e extrativismo, 7% Transportes e comunicações, 2% Fontes de energia, indústria e comércio exterior,5% Política econômica, 2% Turismo, lazer ou entretenimento, 1% Sudeste, nordeste e centro-oeste brasileiro, 6% Questões ambientais, 5% Geopolítica, 14% 89 Prescrição: É necessária a compreensãode conceitos básicos sobre cartografia do território brasileiro, além de conhecimentos sobre fatores climáticos e geomorfológicos do Brasil. É também de fundamental importância interpretar modelos esquemáticos e gráficos para a compreensão de fatores socioeconômicos na produção do espaço geográfico, nas diferentes regiões do Brasil. GEOGRAFIA 1 AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Considere os mapas sobre a produção de leite no Brasil. Com base nos mapas e em seus conhecimentos, é correto afirmar que a produção de leite no Brasil, no período retratado: a) cresceu na região Nordeste, devido à substituição das plantações de algodão, na Zona da Mata, pelos rebanhos leiteiros. b) avançou em direção aos estados do Norte e do Centro-Oeste, em função da predominância, nessas regiões, de climas mais secos. c) consolidou a hegemonia de Minas Gerais, graças à alta produtividade alcançada com o melhoramento genético dos rebanhos no vale do Jequitinhonha. d) aumentou, tanto em quantidade produzida quanto em número de estados produtores, graças, em grande parte, ao crescimento do consumo interno. e) abarcou todo o território nacional, excetuando-se os Estados recobertos pela floresta Amazônica, de- vido à presença de unidades de conservação. 2. (Fuvest) À medida que a parcela de ar se eleva na atmosfera, nos limites da troposfera, a tempe- ratura do ar decai a uma razão de 1Cº a cada 100 metros (Razão Adiabática Seca - RAS) ou 0,6Cº a cada 100 metros (Razão Adiabática Úmida - RAU). Considerando os conceitos e a ilustração, é correto afirmar que as temperaturas do ar, em graus Celsius, T1 e T2 são, respectivamente, Note e adote: - Utilize RAS ou RAU de acordo com a presença ou não de ar saturado. - Tar temperatura do ar. a) 8,0 e 26,0 b) 12,8 e 28,0 c) 12,0 e 26,0 d) 12 e 20,4 e) 11,6 e 20,4 Fuvest - Geogra�a Relevo, 8% Vegetação, 5% Astronomia, 2% Espaço geográ�co, 4% Hidrogra�a, 5% Clima,5% Cartogra�a, 3% População, 11% Urbanização, 4% Globalização, 5% Comércio exterior e blocos econômicos, 3% Agropecuária e extrativismo, 7% Transportes e comunicações, 2% Fontes de energia, indústria e comércio exterior,5% Política econômica, 2% Turismo, lazer ou entretenimento, 1% Sudeste, nordeste e centro-oeste brasileiro, 6% Questões ambientais, 5% Geopolítica, 14% 90 3. (Fuvest) São objetivos do Plano Diretor – SP: promover melhor aproveitamento do solo nas proximi- dades do sistema estrutural de transporte coletivo com aumento na densidade construtiva, demo- gráfica, habitacional e de atividades urbanas; incrementar a oferta de comércios, serviços e emprego em áreas pobres da periferia; ampliar a oferta de habitações de interesse social nas proximidades do sistema estrutural de transporte coletivo. Diário Oficial. Cidade de São Paulo, 01/08/2014 (Adaptado). É correto afirmar que tais medidas visam a: a) estimular a aproximação espacial entre moradia, emprego e serviços na cidade. b) inibir a verticalização em áreas próximas a vias de circulação e nas periferias. c) reduzir a densidade demográfica em áreas próximas ao sistema estrutural de transporte coletivo. d) coibir a distribuição espacial do setor terciário em áreas pobres da periferia. e) restringir a concentração espacial de habitações de interesse social a áreas periféricas da cidade. 4. (Fuvest) Considere os mapas do Estado de São Paulo, seus conhecimentos e as afirmativas a seguir. I. A expansão desse cultivo tem ocorrido, principalmente, com vistas ao aumento da produção de etanol para o abastecimento dos mercados interno e externo. II. O cultivo desse produto agrícola tem ocupado porções do Oeste Paulista que, tradicionalmente, eram ocupadas com pasto. III. A expansão desse cultivo tem acarretado a diminuição da produção de gêneros alimentícios em algumas regiões do estado. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) II, apenas. c) II e III, apenas. d) III, apenas. e) I, II e III. 5. (Fuvest) Desde o final da década de 1970, no Brasil, os movimentos sociais urbanos têm reivindicado o cha- mado Direito à Cidade, em que a moradia é elemento fundamental. Acerca desse tema, considere os gráficos, seus conhecimentos e as seguintes afirmações: I. A Região Sudeste responde por mais da metade do PIB nacional, sendo, porém, a região com maior deficit habitacional. Consequentemente, forte concentração de capital não significa aces- so à moradia. II. A Região Nordeste tem o segundo maior deficit habitacional e a terceira maior participação no PIB nacional. Isso significa que a histórica desigualdade social nessa região foi superada. III. A Região Norte tem o segundo menor deficit habitacional e a menor participação no PIB nacio- nal. Isso significa que o deficit habitacional é um problema desvinculado da produção/distri- buição de riqueza. 91 Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 6. (Fuvest) Observe os mapas do Brasil. Considere as afirmativas relacionadas aos mapas. I. Alta concentração fundiária e pouca diversificação da atividade econômica são características de um bolsão de pobreza existente no extremo sul do Brasil. II. A despeito de seus excelentes indicadores econômicos bem como de seu elevado grau de indus- trialização, a região Sudeste abriga bolsões de pobreza. III. A biodiversidade da floresta assegura alta renda per capita aos habitantes da Amazônia, en- quanto moradores da caatinga nordestina padecem em bolsões de pobreza. IV. Embora Brasília detenha alguns dos melhores indicadores socioeconômicos do país, o próprio Distrito Federal e arredores abrigam um bolsão de pobreza. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, II e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. RAio X - Análise eXpositivA 1. Os mapas indicam o aumento da produção de leite, em nível territorial e em valores absolutos. Estão incorretas as alternativas: [A], porque a produção de leite não substituiu a produção algo- doeira no Nordeste; [B], porque os climas das regiões não são mais secos; [C], porque a produção em Minas Gerais não é feita no vale do Jequitinhonha; e [E], porque a produção atingiu Estados recobertos pela floresta, como o Pará e Rondônia. 2. Considerando que a temperatura atmosférica é Tar = 20ºC na altitude de 200m ao elevar 200m em altitude, atingindo 400m o ar não é saturado, ou seja, a razão de redução de temperatura é RAS e vale 2ºC. Desse modo, a temperatura do ar em 400m é 18ºC. Ao elevar de 400m até 1400m de alti- tude, ocorre uma variação de 1000m com ar saturado, e ocorre uma redução em RAU de 6ºC com a temperatura diminuindo até T1 = 12 ºC. O ar, ao decair até o nível do mar (encosta de sotavento), sofre uma diminuição de 1400m de altitude em RAS e a temperatura do ar aumenta de 14ºC a partir de T1 = 12 ºC isto é, 26 ºC 3. O objetivo do Plano Diretor de São Paulo é amenizar o problema da mobilidade na cidade, con- centrando os equipamentos urbanos próximos aos serviços necessários à população, ampliando seu acesso a eles. Estão incorretas as alternativas: [B], porque tais medidas demandaram maior verticalização; [C], porque tais medidas irão ampliar a densidade demográfica nas áreas próximas ao transporte coletivo; [D], porque tais medidas irão ampliar a distribuição do setor terciário na periferia, revitalizando as regiões; e [E], porque tais medidas irão ampliar a oferta de serviços nas áreas periféricas. 92 4. A retomada da produção de cana de açúcar em larga escala é um reflexo da política governamen- tal de inserir o Brasil na cena internacional como ator na produção bioenergética sustentável. O Estado de São Paulo é o maior produtor brasileiro de cana e de álcool combustível e fornece tanto para o mercado interno como para o exterior e a produção se expande para o oeste do estado em detrimento, em geral, à produção de alimentos.5. O modelo econômico brasileiro favorece a concentração de terra e de renda dificultado a maioria da população, o acesso a terra e à moradia. Não há, portanto, nenhum contracenso no fato da região Sudeste ter o maior PIB e o maior deficit habitacional significando que a concentração de capital, se não possibilitar mecanismos distributivos, dificulta o acesso à moradia e outros bens sociais. Na frase II, persistem as más condições de vida devido ao modelo concentrador de renda e de terra. Na frase III a distribuição de riqueza é diretamente proporcional ao melhor acesso à moradia. 6. I. Correta: nos bolsões de pobreza da região Sul, predomina grandes propriedades com criação extensiva de gado (pampas) e cultivo de grãos (oeste do Paraná e de Santa Catarina). II. Correta: a região Sudeste apresenta elevada renda per capita, graças à diversidade de suas atividades econômicas e elevada produção industrial; todavia, microrregiões de pobreza são evidentes, como o vale do Ribeira, no Estado de São Paulo, e o vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. III. Incorreta: os mapas evidenciam a existência de bolsões de pobreza tanto no litoral quanto na caatinga nordestina. Além disso, a Amazônia, em seu conjunto, não apresenta renda per capita superior à do Nordeste em geral. IV. Correta: a renda per capita do Distrito Federal é elevada devido às atividades administrativas ali concentradas; todavia, as cidades-satélites abrigam população extremamente carente de renda e com baixa disponibilidade de serviços públicos. GAbARito 1. D 2. C 3. A 4. E 5. A 6. B 93 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) Considere as anamorfoses: As condições da produção agrícola, no Brasil, são bastante heterogêneas, porém alguns aspectos estão presentes em todas as regiões do País. Nas anamorfoses acima, estão representadas formas de produção agrícola das diferentes regiões administrativas. Assinale a alternativa que contém, respectivamente, a produção agrícola repre- sentada em I e em II. a) De subsistência e patronal. b) Familiar e itinerante. c) Patronal e familiar. d) Familiar e de subsistência. e) Itinerante e patronal. 2. (Fuvest) A propósito da agricultura brasilei- ra, pode-se afirmar que: a) a escravidão por dívida consiste numa situa- ção de servidão do trabalhador, característi- ca da parceria. b) o Estatuto do Trabalhador Rural dos anos sessenta substituiu a antiga Legislação dos Trabalhadores Rurais. c) a empresa agropecuária capitalista ca- racteriza-se pela presença do trabalhador agregado. d) a denominação “boia-fria” é dada ao tra- balhador temporário que vive nos lati- fúndios. e) a unidade familiar de subsistência tanto pode contratar força de trabalho quanto vender trabalho familiar. 3. (Fuvest) No Brasil, a atuação de empresas transnacionais no setor agroindustrial apre- senta: I. investimentos no plantio e na aquisição de terras. II. participação na produção vinícola que in- tegra a base alimentar da população bra- sileira. III. investimentos no beneficiamento de pro- dutos agrícolas. IV. associação e fusão com empresas de capi- tal nacional do setor. Está correto o que se afirma em: a) apenas I. b) I e II. c) I, III e IV. d) II, III e IV. e) apenas IV. 4. (Fuvest) Nas últimas décadas, têm aumenta- do os estudos relativos à função das florestas tropicais nos balanços físicos e químicos, em diversas escalas. Focalizando especialmente o papel da floresta Amazônica, examine as associações a seguir. Estudo Papel da floresta Amazônica Balanço I Sumidouro Global do carbono II Fonte significativa de umidade para precipitação regional Hidrológico regional III Atenuadora de processos erosivos e sedimentares Geomor- fológico Está correto o que se associa em: a) I apenas. b) II apenas. c) I e III apenas. d) II e III apenas. e) I, II e III. 94 5. (Fuvest) Analise a sequência histórica da ocupação de uma área no Brasil. Início do século XX Meados do século XX Final do século XX § agricultura para autossus- tento § pecuária extensiva § agricultura para autossustento § pecuária extensiva § emigração § agricultura para autossus- tento § produção agrícola moderna Trata-se: a) de Rondônia que, na atualidade, observa entrada de capital para fruticultura e pecuária extensiva. b) de Rondônia, que apresentou emigração em meados do século XX, devido à decadência do extrativismo da borracha. c) do médio vale do rio São Francisco que, na atualidade, recebe capital e tecnologia para a fruticultura visando a mercados externos e internos. d) do médio vale do rio São Francisco onde, hoje, a agricultura para autossustento depende dos projetos de irrigação. e) do pampa gaúcho que, até o final do século XX, mantinha suas atividades agrícolas ligadas à viticultura. 6. (Fuvest) A partir da década de 80 do sécu- lo XX, programas agrícolas promoveram o desenvolvimento da região Centro-Oeste do Brasil. Isso foi realizado com grande aplica- ção de capital e utilização de técnicas agríco- las avançadas. Podemos afirmar que a substituição das for- mações do cerrado pela agricultura mecani- zada, entre outras características: a) foi favorecida pela grande fertilidade de suas terras planas, próprias dos chapadões. b) aumentou a tendência natural de processos erosivos por interferências antrópicas, como a compactação do solo. c) desnudou extensas áreas de mares de mor- ros, provocando assoreamento de rios, como o Araguaia. d) gerou poucos impactos ambientais, tendo em vista a substituição de uma cobertura vegetal por outra. e) eliminou as queimadas naturais e antrópicas na região com o uso de irrigação por goteja- mento. 7. (Fuvest) O conhecimento tradicional próprio de comunidades locais desperta a atenção de empresas transnacionais no Brasil, devido: a) ao reconhecimento do papel dessas comuni- dades na conservação de recursos naturais pelos organismos internacionais que pagam quantias elevadas por isso. b) ao relacionamento dessas comunidades com grupos paramilitares de Estados vizinhos, fa- cilitando assim a expansão dos investimentos. c) à possibilidade de essas comunidades serem inseridas no mercado de consumo, a partir da descrição do seu gênero de vida. d) à posição estratégica das comunidades, junto aos grandes corpos-d’água e ao litoral, contri- buindo para o combate ao contrabando. e) à aceleração da pesquisa que tal conhecimen- to propicia, facilitando a bioprospecção de espécies que ocorrem em território brasileiro. 8. (Fuvest) Quanto à formação do território brasileiro, podemos afirmar que: a) a mineração, no século XVIII, foi importante na integração do território, devido às rela- ções com o Sul, provedor de charque e mu- las, e com o Rio de Janeiro, por onde escoa- va o ouro. b) a pecuária no rio São Francisco, desenvolvi- da a partir das numerosas vilas da Zona da Mata, foi um elemento importante na inte- gração do território nacional. c) a economia baseada, no século XVI, na ex- ploração das drogas do sertão integrou a porção Centro-Oeste à região Sul. d) a economia açucareira do Nordeste brasi- leiro, baseada no binômio plantation e es- cravidão, foi a responsável pela incorpora- ção, ao Brasil, de territórios pertencentes à Espanha. e) a extração do pau-brasil, promovida pelos paulistas, por meio das entradas e bandei- ras, foi importante na expansão das frontei- ras do território brasileiro. 9. (Fuvest) Pode-se caracterizar parte da com- plexidade socioeconômica do Brasil pela: a) elevada dívida externa, usada para finan- ciar o alto índice de desenvolvimento hu- mano do país. b) elevada concentração de terras que são uti- lizadas como reserva de valor e para agro- negócios. c) exportação de produtos tecnológicos, prin- cipal componente da balança comercial brasileira. d) concentração da renda no eixo Sul-Sudes- te, em virtude da presença de imigrantes europeus. e) queda da produção agrícola para expor- tação, devido ao protecionismo de países centrais. 95 10.(Fuvest) Considere os exemplos das figuras e analise as frases a seguir, relativas às imagens de satélite e às fotografias aéreas. I. Um dos usos das imagens de satélites refere-se à confecção de mapas temáticos de escala pe- quena, enquanto as fotografias aéreas servem de base à confecção de cartas topográficas de escala grande. II. Embora os produtos de sensoriamento remoto estejam, hoje, disseminados pelo mundo, nem todos eles são disponibilizados para uso civil. III. Pelo fato de poderem ser obtidas com intervalos regulares de tempo, dentre outras caracte- rísticas, as imagens de satélite constituem-se em ferramentas de monitoramento ambiental e instrumental geopolítico valioso. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. 11. (Fuvest) O campus da USP Butantã dista, aproximadamente, 23 km do campus da USP Zona Leste e 290 km do campus da USP Ri- beirão Preto, em linha reta. Para representar essas distâncias em mapas, com dimensões de uma página de aproximadamente 25 × 18 cm, as escalas que mostrarão mais detalhes serão, respectivamente: Campus Butantã – Campus Zona Leste Campus Butantã – Campus Ribeirão Preto a) 1 : 200.000 1 : 2.000.000 b) 1 : 500.000 1 : 5.000.000 c) 1 : 10.000 1 : 200.000 d) 1 : 500.000 1 : 2.000.000 e) 1 : 200.000 1 : 5.000.000 12. (Fuvest) Observando a representação cartográfica, pode-se afirmar que se trata de uma: a) carta topográfica, indicando que o Japão consome mais energia do que produz. b) anamorfose, indicando que a França produz mais energia do que consome. c) anamorfose, indicando que os Estados Unidos consomem mais energia do que produzem. d) carta topográfica, indicando que a Alema- nha produz mais energia do que consome. e) anamorfose, indicando que os países africanos consomem mais energia do que produzem. 96 13. (Fuvest) Observe a carta topográfica abaixo, que representa a área adquirida por um produtor rural. Em parte da área acima representada, onde predominam menores declividades, o produtor rural pretende desenvolver uma atividade agrícola mecanizada. Em outra parte, com maiores declivida- des, esse produtor deseja plantar eucalipto. Considerando os objetivos desse produtor rural, as áreas que apresentam, respectivamente, ca- racterísticas mais apropriadas a uma atividade mecanizada e ao plantio de eucaliptos estão nos quadrantes: a) sudeste e nordeste. b) nordeste e noroeste. c) noroeste e sudeste. d) sudeste e sudoeste. e) sudoeste e noroeste. 14. (Fuvest) Um viajante saiu de Araripe, no Ce- ará, percorreu, inicialmente, 1.000 km para o sul, depois 1.000 km para o oeste e, por fim, mais 750 km para o sul. Com base nesse trajeto e no mapa acima, pode-se afirmar que, durante seu percurso, o viajante passou pelos Estados do Ceará: a) Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, tendo visitado os ecossistemas da caatinga, mata Atlântica e pantanal. Encerrou sua viagem a cerca de 250 km da cidade de São Paulo. b) Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro, tendo visitado os ecossistemas da caatinga, mata Atlântica e cerrado. Encerrou sua viagem a cerca de 750 km da cidade de São Paulo. c) Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, tendo visitado os ecossistemas da caatinga, mata Atlântica e pantanal. Encer- rou sua viagem a cerca de 250 km da cidade de São Paulo. d) Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, tendo visitado os ecossistemas da caatinga, mata Atlântica e cerrado. Encerrou sua viagem a cerca de 750 km da cidade de São Paulo. e) Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, tendo visitado os ecossistemas da caatinga, mata Atlântica e cerrado. Encerrou sua viagem a cerca de 250 km da cidade de São Paulo. 97 15. (Fuvest) Assinale a alternativa que indica o climograma que corresponde a uma cidade localizada aproximadamente a 3° Sul e 60° Oeste. a) b) c) d) e) 16. (Fuvest) São Paulo gigante, torrão adorado Estou abraçado com meu violão Feito de pinheiro da mata selvagem Que enfeita a paisagem lá do meu sertão Tonico e Tinoco, “São Paulo Gigante“. Nos versos da canção dos paulistas Tonico e Tinoco, o termo “sertão” deve ser compreen- dido como: a) descritivo da paisagem e da vegetação típi- cas do sertão existente na região Nordeste do país. b) contraposição ao litoral, na concepção dada pelos caiçaras, que identificam o sertão com a presença dos pinheiros. c) analogia à paisagem predominante no Cen- tro-Oeste brasileiro, tal como foi encontrada pelos bandeirantes no século XVII. d) metáfora da cidade-metrópole, referindo-se à aridez do concreto e das construções. e) generalização do ambiente rural, indepen- dentemente das características de sua vege- tação. 17. (Fuvest) Grandes lagos artificiais de barra- gens, como o Nasser, no rio Nilo, o Three Gorges, na China, e o de Itaipu, no Brasil, resultantes do represamento de rios, estão entre as obras de engenharia espalhadas pelo mundo, com importantes efeitos socio- ambientais. Acerca dos efeitos socioambientais de gran- des lagos de barragens, considere as afirma- ções abaixo. I. Enquanto no passado, grandes lagos de barragem restringiam-se a áreas de pla- nície, atualmente, graças a progressos tecnológicos, situam-se, invariavelmente, em regiões planálticas, com significativos desníveis topográficos. II. A abertura das comportas que represam as águas dos lagos de barragens impede a ocorrência de processos de sedimentação, assim como provoca grandes enchentes a montante. III. Frequentes desalojamentos de pessoas para a implantação de lagos de barragens leva- ram ao surgimento, no Brasil, do Movimen- to dos Atingidos por Barragens – MAB. IV. Por se constituírem como extensos e, muitas vezes, profundos reservatórios de água, grandes lagos de barragens provo- cam alterações microclimáticas nas suas proximidades. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) I, II e III, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 18. (Fuvest) O gráfico abaixo exibe a distribui- ção percentual do consumo de energia mun- dial por tipo de fonte. Com base no gráfico e em seus conhecimen- tos, identifique, na escala mundial, a afirma- ção correta. 98 a) A queda no consumo de petróleo, após a década de 1970, é devida à acentuada dimi- nuição de sua utilização no setor aeroviário e, também, à sua substituição pela energia das marés. b) O aumento relativo do consumo de carvão mineral, a partir da década de 2000, está re- lacionado ao fato de China e Índia estarem entre os grandes produtores e consumidores de carvão mineral, produto que esses países utilizam em sua crescente industrialização. c) A participação da hidreletricidade se man- teve constante, em todo o período, em fun- ção da regulamentação ambiental proposta pela ONU, que proíbe a implantação de no- vas usinas. d) O aumento da participação das fontes reno- váveis de energia, após a década de 1980, explica-se pelo crescente aproveitamento de energia solar, proposto nos planos go- vernamentais, em países desenvolvidos de alta latitude. e) O aumento do consumo do gás natural, ao longo de todo o período coberto pelo gráfi- co, é explicado por sua utilização crescente nos meios de transporte, conforme estabele- cido no Protocolo de Cartagena. 19. (Fuvest) Considerando os mapas, assinale a alternativa correta. O potencial hidrelétrico brasileiro: a) está esgotado na bacia do Paraná, localizada numa área de média densidade demográfica. b) está esgotado na bacia do São Francisco, lo- calizada numa área de baixa densidade de- mográfica. c) é pouco explorado na bacia Leste, localizada numa área de baixa densidade demográfica. d) está esgotado na bacia do Uruguai, localizada numa área de alta densidade demográfica. e) é pouco explorado na bacia do Tocantins, localizada numa área de baixa densidadede- mográfica. 20. (Fuvest) Leia o texto e observe o mapa. Em 1884, durante um congresso internacional, em Washington, EUA, estabeleceu-se um padrão mundial de tempo. A partir de então, ficou convencionado que o tempo padrão teórico, nos diver- sos países do mundo, seria definido por meridianos espaçados a cada 15°, tendo como origem o meridiano de Greenwich, Inglaterra (Reino Unido). Com base no mapa e nas informações acima, considere a seguinte situação: João, que vive na ci- dade de Pequim, China, recebe uma ligação telefônica, às 9h da manhã de uma segunda-feira, de Maria, que vive na cidade de Manaus, Brasil. A que horas e em que dia da semana Maria telefonou? a) 21h do domingo. b) 17h do domingo. c) 21h da segunda-feira. d) 17h da terça-feira. e) 21h da terça-feira. 99 21. (Fuvest) Quando vim de minha terra, se é que vim de minha terra (não estou morto por lá?), a correnteza do rio me sussurrou vagamente que eu havia de quedar lá donde me despedia. (...) Quando vim de minha terra não vim, perdi-me no espaço na ilusão de ter saído. Ai de mim, nunca saí. Nesse poema, Carlos Drummond de Andrade: a) discute a permanente frustração do desejo de migrar do campo para a cidade. b) reflete sobre o sentimento paradoxal do mi- grante em face de sua identidade regional. c) expõe a tragédia familiar do migrante quan- do se desloca do interior para a cidade. d) aborda o problema das migrações originárias das regiões ribeirinhas para as grandes cidades. e) comenta as expectativas e esperanças do mi- grante em relação ao lugar de destino. 22. (Fuvest) O Brasil é uma República Federati- va que apresenta muitas desigualdades re- gionais. Confrontando-se dois aspectos – a igualdade jurídica entre os Estados-mem- bros e as disparidades econômicas entre as regiões – pode-se afirmar que: a) o desequilíbrio econômico regional vem sen- do, ao menos parcialmente, atenuado pelo menor número de representantes do Sudeste no Congresso Nacional, em comparação aos do Norte e Nordeste. b) a região Norte é a menos representada no Congresso Nacional, fato notável principal- mente no Senado, derivando daí uma si- tuação de desigualdade perante as demais regiões. c) a região Sul goza de ampla maioria de repre- sentação no Congresso Nacional, o que lhe tem permitido obter vantagens na redistri- buição dos repasses federais. d) o princípio da igualdade, garantido pelo nú- mero fixo de senadores por Estado, permite uma distribuição equilibrada dos repasses federais, entre as diferentes regiões do país. e) os Estados nordestinos, apesar de sua pouca representatividade no Congresso, vêm assu- mindo liderança na definição das políticas monetária e cambial no país. 23. (Fuvest) Considere as afirmações a seguir sobre os polos tecnológicos no Brasil. I. Os polos tecnológicos concentram as ati- vidades de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de ponta. II. Os polos tecnológicos concentram ativi- dades industriais que independem de ou- tros setores da economia. III. O principal polo tecnológico do país é a Zona Franca de Manaus, devido à presen- ça de várias incubadoras tecnológicas. IV. Os principais polos tecnológicos do Esta- do de São Paulo se localizam na capital, em São José dos Campos, Campinas e São Carlos. Está correto o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) I e IV. d) II e III. e) II e IV. 24. (Fuvest) O rico patrimônio histórico-arqui- tetônico da cidade de São Luiz do Paraitin- ga, parcialmente destruído pelas chuvas no início de 2010, associa-se a um fausto vivido pelo Vale do Paraíba, no passado, entre final do século XIX e início do século XX, propor- cionado pela cultura do café. Considere as seguintes afirmações sobre o Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo. I. A pecuária leiteira, que se desenvolveu no Vale, a partir da crise do café, é, ainda hoje, uma atividade econômica praticada na região. II. Essa região abriga as maiores hidrelétri- cas do Estado, responsáveis pelo forneci- mento de energia para a Região Metropo- litana de São Paulo. III. O relevo de mares de morros marca a pai- sagem dessa região, estendendo-se, tam- bém, para outros estados brasileiros. IV. A industrialização dessa região foi favo- recida por sua localização, entre as duas maiores cidades brasileiras, bem como por sua acessibilidade rodoviária. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I e IV, apenas. c) I, III e IV, apenas. d) II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 25. (Fuvest 2018) Estuários são ambientes aquáticos em que há a transição entre rio (água doce, com salinidade menor que 0,5 g de NaCℓ por Kg de água) e mar (água salga- da, com salinidade maior que 30 g de NaCℓ por Kg de água). Existem diferentes tipos de estuários, dos quais três deles são: 1. Estuário bem misturado: ocorre quando há grandes variações de maré e fortes corren- tes, causando rápida mistura entre as águas. 2. Estuário parcialmente misturado: ocorre quando o mar tem variações moderadas de maré e há mistura entre as águas, po- rém com diferenças entre a região super- ficial e a profunda. 100 3. Estuário do tipo cunha salina: ocorre quando o rio desemboca no mar, em que este tem pouca variação de maré, gerando grande estratificação. Medidas de salinidade da água em função da profundidade foram realizadas em um ponto equivalente para esses três tipos de estuários, conforme mostrado no esquema a seguir, gerando os gráficos I, II e III. A alternativa que relaciona corretamente o gráfico com a respectiva descrição do tipo de estuário é: 1 2 3 a) I II III b) II I III c) II III I d) III I II e) III II I 26. (Fuvest) Após o Tratado de Tordesilhas (1494), por meio do qual Portugal e Espanha dividiram as terras emersas com uma linha imaginária, verifica-se um “descobrimento gradual” do atual território brasileiro. Tendo em vista o processo da formação terri- torial do País, considere as ocorrências e as representações abaixo: Ocorrências: I. Tratado de Madrid (1750); II. Tratado de Petrópolis (1903); III. Constituição da República Federativa do Brasil (1988)/consolidação da atual divi- são dos Estados. Representações: Associe a ocorrência com sua correta repre- sentação: I II III a) A C E b) B C E c) C B E d) A B D e) C A D 27. (Fuvest) A metrópole se transforma num ritmo intenso. A mudança mais evidente re- fere-se ao deslocamento de indústrias da ci- dade de São Paulo [para outras cidades pau- listas ou outros estados], uma tendência que presenciamos no processo produtivo – como condição de competitividade – que obriga as empresas a se modernizarem. CARLOS, A.F.A. São Paulo: do capital industrial ao capital financeiro. 2004 (Adaptado). Com base no texto acima e em seus conheci- mentos, considere as afirmações. I. Um dos fatores que explica o desloca- mento de indústrias da capital paulista é o seu trânsito congestionado, que au- menta o tempo e os custos da circulação de mercadorias. II. O deslocamento de indústrias da capital paulista tem acarretado transformações no mercado de trabalho, como a diminuição relativa do emprego industrial na cidade. III. O deslocamento de indústrias da cidade de São Paulo decorre, entre outros fato- res, do alto grau de organização e da for- te atuação dos sindicatos de trabalhado- res nessa cidade. 101 Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 28. (Fuvest) Ainda no começo do século XX, Eu- clides da Cunha, em pequeno estudo, dis- corria sobre os meios de sujeição dos tra- balhadores nos seringais da Amazônia, no chamado regime de peonagem, a escravidão por dívida. Algo próximo do que foi cons- tatado em São Paulo nestes dias [agosto de 2011] envolvendo duas oficinas terceiriza- das de produção de vestuário. José de Souza Martins, 2011 (Adaptado). No texto acima, o autor faz menção à presen- ça de regime de trabalho análogo à escravi- dão, na indústria de bens: a) de consumo não duráveis,com a contratação de imigrantes asiáticos, destacando-se core- anos e chineses. b) de consumo duráveis, com a superexplora- ção, por meio de empresas de pequeno por- te, de imigrantes chilenos e bolivianos. c) intermediários, com a contratação prioritá- ria de imigrantes asiáticos, destacando-se coreanos e chineses. d) de consumo não duráveis, com a superex- ploração, principalmente, de imigrantes bo- livianos e peruanos. e) de produção, com a contratação majoritária, por meio de empresas de médio porte, de imigrantes peruanos e colombianos. 29. (Fuvest) Observe o mapa. Adaptado de: SIMIELLI, 2001. Quanto às atuais dificuldades de efetivação dos direitos indígenas, é correto afirmar que: a) as áreas I e II apresentam o mesmo proble- ma: ausência de legislação para demarcação de terras. b) a área II tem como maior problema a inexis- tência de terras demarcadas devido à supre- macia das atividades agropecuárias. c) a área I apresenta, como maior problema, o desinteresse das populações indígenas em preservar sua integridade cultural. d) a área II tem como problemas a existência de pequenas áreas demarcadas, além da intensa exposição ao processo de aculturação. e) a área I está com seu processo de demarca- ção de terras interrompido devido às solici- tações de fazendeiros e garimpeiros. 30. (Fuvest) Os gráficos revelam: a) pequena quantidade de propriedades, com até 100 ha, ocupando a maior parcela da área, o que significa uma distribuição desi- gual da terra. b) grande quantidade de propriedades, com mais de 1000 ha, correspondendo à maior parcela da área ocupada, o que significa uma distribuição equitativa da terra. c) grande quantidade de propriedades, com até 100 ha, correspondendo às menores parcelas da área ocupada, o que significa uma distri- buição desigual da terra. d) pequena quantidade de propriedades, de 100 a 1000 ha, ocupando a maior parcela da área, o que significa uma distribuição equi- tativa da terra. e) pequena quantidade de propriedades, com mais de 1000 ha, correspondendo à menor parcela da área ocupada, o que significa uma distribuição desigual da terra. 102 31. (Fuvest) Em algumas cidades, pode-se observar no horizonte, em certos dias, a olho nu, uma camada de cor marrom. Essa condição afe- ta a saúde, principalmente, de crianças e de idosos, provocando, entre outras, doenças respiratórias e cardiovasculares. Adaptado de: <http://tempoagora.uol.com. br/noticias>. Acesso em: 20 jun. 2009. As figuras e o texto acima referem-se a um processo de formação de um fenômeno cli- mático que ocorre, por exemplo, na cidade de São Paulo. Trata-se de: a) ilha de calor, caracterizada pelo aumento de temperaturas na periferia da cidade. b) zona de convergência intertropical, que pro- voca o aumento da pressão atmosférica na área urbana. c) chuva convectiva, caracterizada pela forma- ção de nuvens de poluentes que provocam danos ambientais. d) inversão térmica, que provoca concentração de poluentes na baixa camada da atmosfera. e) ventos alíseos de sudeste, que provocam o súbito aumento da umidade relativa do ar. GAbARito 1. C 2. E 3. C 4. E 5. C 6. B 7. E 8. A 9. B 10. E 11. A 12. C 13. C 14. E 15. B 16. E 17. D 18. B 19. E 20. A 21. B 22. A 23. C 24. C 25. E 26. A 27. E 28. D 29. D 30. C 31. D 103 Prescrição: São necessários conhecimentos sobre fatores históricos e geográficos que transfor- maram o espaço mundial. Também serão abordados temas tais como fluxos migratórios, questões ambientais, conceitos de população e urbanização, comércio internacional e fontes de energia. É de vital importância a interpretação de textos, mapas, tabelas e gráficos, que facilitarão a com- preensão dos exercícios. Além disso, deve-se entender as transformações tecnológicas e seus impactos nos processos de produção do espaço geográfico. GEOGRAFIA 2 AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest)O conceito de erosão apresenta definições mais amplas ou mais restritas. A mais abran- gente envolve os processos de denudação da superfície terrestre de forma geral, incluindo desde os processos de intemperismo de todos os tipos até os de transporte e deposição de material. Outro conceito, mais restrito, envolve apenas o deslocamento do material intemperizado, seja solo ou rocha, por agentes de transporte como a água corrente, o vento, o gelo ou a gravidade, produzindo formas erosivas características. R. Fairbridge. The Encyclopedia of Geomorphology, 1968. Adaptado. Exemplo de processo ao qual se aplica o conceito mais restrito de erosão é a) a formação de rochas. b) a oxidação de rochas. c) a formação de sulcos no solo. d) a formação de concreções no solo. e) o vulcanismo da crosta. 2. (Fuvest) Há dois lados na divisão internacional do trabalho [DIT]: um em que alguns países espe- cializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tem- pos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América latina ganha produzindo-os. GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981 (Adaptado). Sobre a atual Divisão Internacional do Trabalho (DIT), no que diz respeito à mineração na América latina, é correto afirmar: a) O México é o país com maior produção de carvão, cuja exportação é controlada por capital canaden- se. Para tal situação, o padrão de dominação Norte/Sul na DIT, mencionado pelo autor, é praticado no mesmo continente. b) A Colômbia ocupa o primeiro lugar na produção mundial de manganês, por meio de empresas privati- zadas nos dois últimos governos bolivarianos, o que realça sua posição no cenário econômico interna- cional, rompendo a dominação Norte/Sul. c) O Chile destaca-se pela extração de cobre, principalmente na sua porção centro-norte, que é, em parte, explorado por empresas transnacionais, o que reitera o padrão da DIT mencionado pelo autor. d) A Bolívia destaca-se como um dos maiores produtores de ferro da América latina, e, recentemente, o controle de sua produção passou a ser feito por conselhos indígenas. Essa autonomia do país permitiu o rompimento da dominação estadunidense. e) O Uruguai é o principal produtor mundial de prata, e o controle de sua extração é feito por empresas transnacionais. Nesse caso, mantém-se o padrão da inserção do país na DIT mencionada pelo autor. 104 3. (Fuvest) No planeta Terra, há processos es- cultores, tais como a ação do gelo, o intem- perismo e a ação do vento. A atuação de tais processos pode ser representada em gráficos elaborados segundo variações médias de temperatura e precipitação anual. Conside- re as características do deserto do Saara, da Antártida e de uma floresta tropical e iden- tifique o gráfico em que estão corretamente localizados. a) b) c) d) e) 4. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de ali- mentos (30% da produção total no planeta) é perdido em dois processos: o desperdício que se relaciona ao descarte de alimentos em bom estado e a perda ao longo da cadeia produtiva. O desperdício representa 46% e é muito maior nas regiões mais ricas. As perdas relativas ao circuito de produção re- presentam 54% do totale são maiores nos países em desenvolvimento. https://nacoesunidas.org/fao_30de_toda_a_ comida_produzida_no_mundo_vaiparar_no_lixo. Adaptado.Percentual de pessoas em estado de insegurança alimentar grave* Local 2017 África 29,8% América Latina 9,8% Ásia 6,9% América Setentrional e Europa 1,4% Mundo 10,2% FAO. El estado de la seguridad alimentaria y la nutrición en el mundo. 2018. Adaptado. *pessoa que está sem alimento e/ou que fi- cou um dia todo sem comer várias vezes ao ano. Com base nas informações da FAO e em seus conhecimentos, indique a afirmação correta. a) A produção de alimentos vem decaindo mun- dialmente devido aos problemas na logística de produção, o que tem provocado aumento da insegurança alimentar. b) Nos continentes mais desenvolvidos, a perda de alimentos devido ao sistema de transpor- te e armazenamento é a principal causa da inexistência da insegurança alimentar. c) O fato de parte significativa da população africana estar em estado de insegurança alimentar ocorre devido ao desperdício das monoculturas de cereais. d) O controle rigoroso do desperdício explica o baixo percentual de pessoas em situação de insegurança alimentar na América Seten- trional e na Europa. e) Os dois diferentes processos que causam a enorme perda de alimentos no mundo refle- tem as desigualdades econômicas e sociais existentes entre os continentes 105 5. (Fuvest) A tabela mostra o número total de refugiados no mundo em 2017, segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas Para Refugiados (UNHCR ou ACNUR em português). Refugiados do Mundo* Principais países de origem dos refugiados Quantidade de pessoas (em milhões) Principais países que abrigam refugiados Quantidade de pessoas (em milhões) Síria 6,3 Turquia 3,5 Afeganistão 2,6 Paquistão 1,4 Sudão do Sul 2,4 Uganda 1,4 Myanmar 1,2 Líbano 0,9 Somália 0,9 República Islâmica do Irã 0,9 Sudão 0,7 Alemanha 0,9 *Nestes dados não estão computados os palestinos.UNHCR - GLOBAL TRENDS, 2017. Adaptado. Sobre os refugiados e sua distribuição no mundo, é correto afirmar: a) Os provenientes do Sudão do Sul e da Somália são acolhidos na Turquia, onde encontram oferta de empregos nas atividades comerciais, tradição econômica do país, desde o século XVII. b) A maioria provém da África, devido aos processos de desertificação, e tem como destino o Oriente Médio e a Europa. c) O Irã recebe majoritariamente refugiados de países da África Subsaariana, dentre os quais se destacam o Sudão e o Sudão do Sul. d) Os de origem síria são a maior população nesta condição, e estão sendo acolhidos em vários países do Extremo Oriente e da África, os quais apoiam o governo sírio na guerra civil que ocorre nesse país desde 2011. e) São majoritariamente provenientes do Oriente Médio, África e Ásia, deslocam-se, forçadamente, devido a longas guerras, em grande parte para países e/ou regiões fronteiriços. 6. (Fuvest) O local e o global determinam-se reciprocamente, umas vezes de modo congruente e consequente, outras de modo desigual e desencontrado. Mesclam-se e tensionam-se singularida- des, particularidades e universalidades. Conforme Anthony Giddens, “A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa. Este é um processo dialético porque tais acontecimentos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam. A trans- formação local é, assim, uma parte da globalização”. Octávio Ianni, Estudos Avançados. USP. São Paulo, 1994. Adaptado. Neste texto, escrito no final do século XX, o autor refere-se a um processo que persiste no século atual. A partir desse texto, pode-se inferir que esse processo leva à a) padronização da vida cotidiana. b) melhor distribuição de renda no planeta. c) intensificação do convívio e das relações afetivas presenciais. d) maior troca de saberes entre gerações. e) retração do ambientalismo como reação à sociedade de consumo. 106 RAio X - Análise eXpositivA 1. A erosão é o desgaste da superfície com remo- ção de partículas minerais (areia, silte e argi- la) e matéria orgânica. Atinge principalmente o solo e rochas que estão expostas. Os agentes exógenos são responsáveis por vários tipos de erosão conforme as condições climáticas e hidrológicas: pluvial (água da chuva), fluvial (água de rios), abrasão (marinha), glacial (ge- leiras) e eólica (vento). Ao longo do tempo, podem aparecer feições erosivas como o sulco (pequena dimensão), a ravina (média dimen- são) e a voçoroca (grande dimensão). 2. A grande produção e exportação de cobre no Chile comprova a citação de Galeano, de que a América latina posterga sua função de fornecedor de matéria-prima para a econo- mia mundial. Estão incorretas as alternati- vas: [A] e [B], porque o México e a Colômbia se destacam na produção de petróleo; [D], porque a Bolívia se destaca na produção de carvão mineral, petróleo e manganês; e [E], porque a economia do Uruguai está assenta- da na produção agropecuária. 3. O gráfico mostra a relação entre paisagens naturais ou biomas com os tipos climáticos nos seus elementos básicos, a temperatura e a pluviosidade. O gráfico destaca três impor- tantes paisagens naturais, a Antártida (clima polar com baixa temperatura e baixa plu- viosidade), o Deserto do Saara (clima árido com alta temperatura e baixa pluviosidade) e o bioma de Floresta Tropical (clima tropical com alta temperatura e alta pluviosidade). 4. A insegurança alimentar grave é definida quando falta alimento em quantidade, qualidade e regularidade para as famílias, inclusive as crianças. Os maiores porcentuais de pessoas que sofrem com o drama da fome crônica ocorrem na África, na América Latina e na Ásia, isto é, as regiões do mundo que concentram a maioria dos países subdesenvolvidos e emergentes. No mundo se produz o suficiente de alimentos para toda a população global, todavia a fome persiste. Entre as causas da fome no mundo: disparidade socioeconômica entre os países, a desigualdade social no interior dos países, a insuficiência de renda das famílias em situação de pobreza extrema, o desperdício de alimentos e a prioridade para a exportação de alimentos na economia globalizada. 5. Os refugiados são aqueles que deixam seus países devido a perseguição política em regi- mes autoritários, guerras civis, divergências religiosas e conflitos étnicos. Em sua maio- ria costumam se deslocar para nações vizi- nhas. Em alguns casos, os deslocamentos são a longa distância. No caso dos sírios, grande parte localiza-se em campos de refugiados na Turquia e muitos migraram para a União Europeia, principalmente a Alemanha. No caso da etnia muçulmana rohingya de Mian- mar, o deslocamento dá-se em direção a paí- ses como Bangladesh, Tailândia e Indonésia. No caso dos afegãos, muitos foram para o Paquistão e Irã. 6. O processo de globalização constitui a fase recente de expansão do capitalismo no es- paço mundial, sendo caracterizado pela ace- leração dos fluxos de mercadorias, capital, pessoas e informações. O processo é possí- vel graças à modernização integrada dos transportes, telecomunicações e informáti- ca. Entretanto, a globalização está a serviço dos interesses das empresas, inclusive das transnacionais que induzem a padronização do consumo e do comportamento em escala global, fator que pode enfraquecer as parti- cularidades culturais regionais e locais. GAbARito 1. C 2. C 3. A 4. E 5. E 6. A 107 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) O aumento da dívida externa na América latina, evidenciado no gráfico, ocor- reu, principalmente, devido: a) à ampliação das trocas comerciais entre paí- ses. b) ao desequilíbrio comercial em relação aos países ricos.c) ao importante incremento do capital espe- culativo. d) à queda do PIB e à valorização das commodities. e) ao aumento das taxas de juros externos. 2. (Fuvest) Devido ao processo de mundializa- ção da economia, podemos afirmar que as empresas transnacionais: a) investem apenas em países que praticam baixas taxas de juros, aproveitando facilida- des na obtenção de crédito. b) investem apenas em países que oferecem um mercado consumidor expressivo, já que a produção destina-se ao mercado interno. c) dispõem de grande mobilidade territorial, sendo que seus investimentos restringem-se a países que integram blocos econômicos comerciais. d) investem em países aliados aos Estados Uni- dos, por determinação do Conselho de Segu- rança da ONU. e) dispõem de grande mobilidade territorial, sendo que seus investimentos migram para países que oferecem vantagens fiscais. 3. (Fuvest) Uma das inquietações fundamen- tais da atualidade, dentro do processo de globalização, consiste em se indagar sobre o que irá prevalecer no comércio internacio- nal: multilateralismo ou regionalismo? Para gerenciar o comércio internacional e fortale- cer o multilateralismo, foi criado, em 1995, __________, com sede em Genebra (Suíça), substituindo __________, de 1947. Adaptado de: Sene e Moreira, 1998. As lacunas devem ser preenchidas, respecti- vamente, por: a) o G7 – o GATT b) o G7 – a OMC c) a OMC – o GATT d) o GATT – o Bird e) a OMC – o Bird 4. (Fuvest) Observe os gráficos. Com base nos gráficos e em seus conheci- mentos, assinale a alternativa correta. a) O comércio bilateral entre China e África cresceu timidamente no período e envolveu, principalmente, bens de capital africanos e bens de consumo chineses. b) As exportações chinesas para a África res- tringem-se a bens de consumo e produtos primários destinados a atender ao pequeno e estagnado mercado consumidor africano. c) A implantação de grandes obras de engenha- ria, com destaque para rodovias transconti- nentais, ferrovias e hidrovias, associa-se ao investimento chinês no setor da construção civil na África. d) O agronegócio foi o principal investimento da China na África em função do exponen- cial crescimento da população chinesa e de sua grande demanda por alimentos. e) O investimento chinês no setor minerador, na África, associa-se ao crescimento indus- trial da China e sua consequente demanda por petróleo e outros minérios. 108 5. (Fuvest) No mapa a seguir, destacam-se três regiões europeias onde: a) ocorrem movimentos separatistas. b) estão localizados os mais importantes portos europeus. c) são registrados os menores IDH da União Eu- ropeia. d) foram suspensos pela OMC os subsídios agrí- colas. e) ocorre o maior fluxo de imigrantes da África setentrional e da Ásia de Sudeste. 6. (Fuvest) Observe o mapa abaixo e leia o tex- to a seguir. O terremoto ocorrido em abril de 2015, no Nepal, matou por volta de 9000 pessoas e expôs um governo sem recursos para lidar com eventos geológicos catastróficos de tal magnitude (7,8 na escala Richter). Índia e China dispuseram-se a ajudar de diferentes maneiras, fornecendo desde militares e mé- dicos até equipes de engenharia, e também por meio de aportes financeiros. Considere os seguintes motivos, além da- queles de razão humanitária, para esse apoio ao Nepal: I. interesse no grande potencial hidrológico para a geração de energia, pois a cadeia do Himalaia, no Nepal, representa divisor de águas das bacias hidrográficas dos rios Ganges e Brahmaputra, caracterizando densa rede de drenagem; II. interesse desses países em controlar o fluxo de mercadorias agrícolas produzi- das no Nepal, através do sistema hidro- viário Ganges-Brahmaputra, já que esse país limita-se, ao sul, com a Índia e, ao norte, com a China; III. necessidades da Índia e, principalmen- te, da China, as quais, com o aumento da população e da urbanização, demandam suprimento de água para abastecimento público, tendo em vista que o Nepal pos- sui inúmeros mananciais. Está correto o que se indica em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 7. (Fuvest) Analise o mapa e assinale a alterna- tiva que completa corretamente a frase. O estratégico reservatório de água subter- rânea, denominado aquífero Guarani, ocor- re em áreas de __________, e se estende __________. a) terrenos cristalinos – pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai b) dobramentos antigos – pelos países do Cone Sul c) planícies – pelos países do Cone Sul d) sedimentação – pelo Brasil, Argentina, Uru- guai e Paraguai e) terrenos arqueados – pelo Brasil, Argentina e Uruguai 8. (Fuvest) As legendas corretas para as fotos abaixo são: a) I – Cadeia orogênica do Terciário, com for- mação ligada à tectônica de placas II – Área de sedimentação do Cenozoico, com depósitos fluviais 109 b) I – Cadeia orogênica do Quaternário, com formação ligada à ação vulcânica II – Área de sedimentação do Paleozoico, com depósitos eólicos c) I – Cadeia orogênica do Terciário, com for- mação ligada à ação vulcânica II – Área de sedimentação do Pré-cambriano, com depósitos fluviais d) I – Cadeia orogênica do Quaternário, com formação ligada à ação vulcânica II – Área de sedimentação do Cenozoico, com depósitos fluviais e) I – Cadeia orogênica do Arqueozoico, com formação ligada à tectônica de placas II – Área de sedimentação do Paleozoico, com depósitos eólicos 9. (Fuvest) Do ponto de vista tectônico, núcle- os rochosos mais antigos, em áreas conti- nentais mais interiorizadas, tendem a ser os mais estáveis, ou seja, menos sujeitos a aba- los sísmicos e deformações. Em termos geo- morfológicos, a maior estabilidade tectônica dessas áreas faz com que elas apresentem uma forte tendência à ocorrência, ao longo do tempo geológico, de um processo de: a) aplainamento das formas de relevo, decor- rente do intemperismo e da erosão. b) formação de depressões absolutas, gerada por acomodação de blocos rochosos. c) formação de cânions, decorrente de intensa erosão eólica. d) produção de desníveis topográficos acentu- ados, resultante da contínua sedimentação dos rios. e) geração de relevo serrano, associada a fato- res climáticos ligados à glaciação. 10. (Fuvest) Observe o mapa da distribuição dos drones (veículos aéreos não tripulados) nor- te-americanos na África e no Oriente Médio. Em suas declarações, o governo norte-ame- ricano justifica o uso dos drones, principal- mente, como: a) proteção militar a países com importantes laços econômicos com os EUA, principalmen- te na área de minerais raros. b) necessidade de proteção às embaixadas e outras legações diplomáticas norte-america- nas em países com trajetória comunista. c) meio de transporte para o envio de equipa- mentos militares ao Irã, com a finalidade de desmonte das atividades nucleares. d) um dos pilares da sua estratégia de comba- te ao terrorismo, principalmente em regiões com importante atuação tribal/terrorista. e) reforço para a megaoperação de espionagem, executada em 2013, que culminou com o asilo de Snowden na Rússia. 11. (Fuvest) “Mais da metade do gênero huma- no jamais discou um número de telefone. Há mais linhas telefônicas em Manhattan do que em toda a África, ao sul do Saara.” (Mbeki, vice-presidente da África do Sul, 1995.) “Nos EUA, os brancos representam 88,6% dos utilizadores da Internet e os negros, 1,3 %, embora correspondam a 12% da população.” (Adaptado de: Douzet, 1997.) Considerando-se o texto anterior, assinale a alternativa correta. a) O nível de vida das populações e o grau de de- senvolvimento tecnológico dos países expli- cam a desigual distribuição da rede internet. b) A cibercultura é universal e constitui um instrumento de massificação e construção de uma identidade cultural global. c) Os fluxos de informação telefônica não devem ser confundidos com as infovias que têm uma distribuição mais igualitária no mundo. d) Os custosda conexão virtual são mais eleva- dos nos países ricos do que nos países pobres, o que explica a sua desigual distribuição. e) O centro mundial de fornecimento de servi- ços da rede Internet são os Estados Unidos devido à grande quantidade de telefones disponíveis. 12. (Fuvest) O mundo tem vivido inúmeros con- flitos regionais de repercussão global que, por um lado, envolvem intervenções de tro- pas de diferentes países e, por outro lado, resultam em discussões na Organização das Nações Unidas. Considere as seguintes afirmações: I. Povos primitivos precisam ser tutelados pela diplomacia internacional ou repri- midos por forças de nações desenvolvi- das, para que conflitos locais ou regionais não perturbem o equilíbrio mundial. II. Razões estratégicas, de localização ge- ográfica, de orientação política ou de concentração de recursos naturais, fazem com que certas regiões ou países sejam alvo de interesses, preocupações e inter- venções internacionais. 110 III. Diferenças étnicas, culturais, políticas ou religiosas, com raízes históricas, têm resultado em preconceito, desrespeito e segregação, gerando tensões que reper- cutem em conflitos existentes entre dife- rentes nações. O envolvimento global em conflitos regio- nais é, corretamente, explicado em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 13. (Fuvest) O cartograma apresenta a localização de alguns dos maiores deltas mundiais. Estu- dos recentes consideram os deltas como áreas de interesse global para monitoramento. Fonte: Simielli, 2001. Tal interesse relaciona-se à sua: I. característica deposicional que permite o estudo de modificações das respectivas bacias hidrográficas. II. fragilidade natural, devido à localização em zonas com pluviosidade insuficiente para a fixação de vegetação. III. degradação, promovida pelo seu uso agrí- cola e por represamentos à montante. Está correto o que se afirma em: a) I apenas. b) II apenas. c) III apenas. d) I e III apenas. e) I, II e III. 14. (Fuvest) Analise as pirâmides etárias do Brasil, con- siderando os itens a seguir sobre a estrutura populacional brasileira. I. O aumento significativo, na faixa de 15- 19 anos, nesse período, foi decorrente do milagre econômico brasileiro. II. A base mais estreita da pirâmide de 2000, quando comparada com a de 1960, indica uma redução na taxa de natalidade. III. O alargamento do topo da pirâmide de 2000 indica um decréscimo da expectati- va de vida da população brasileira. IV. Nos últimos 40 anos, há evidências de que o país passa por processo de transi- ção demográfica. Estão corretas todas as afirmações da alter- nativa: a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) II e IV. e) III e IV. 15. (Fuvest) As previsões catastrofistas dos “neomalthusianos” sobre o crescimento de- mográfico e sua pressão sobre os recursos naturais não se confirmaram, notadamente, porque: a) o processo de globalização permitiu o acesso voluntário e universal a meios contracepti- vos eficazes, impactando, sobretudo, os paí- ses em desenvolvimento. b) a nova onda de “revolução verde”, propicia- da pela introdução dos transgênicos, afastou a ameaça de fome epidêmica nos países mais pobres. c) as ações governamentais e a urbanização implicaram forte queda nas taxas de nata- lidade, exceto em países muçulmanos e da África subsaariana, entre outros. d) o estilo de vida consumista, maior respon- sável pela degradação dos recursos naturais, vem sendo superado desde a Conferência Rio-92. e) os fluxos migratórios de países pobres para aqueles ricos que têm crescimento vegetati- vo negativo compensaram a pressão sobre os recursos naturais. 111 16. (Fuvest) Sobre o modelo de industrialização implementado em países do sudeste asiático, como Coreia do Sul e Taiwan, e o adotado em países da América latina, como a Argentina, o Brasil e o México, pode-se afirmar que: a) nos países do sudeste asiático, a participação de capital estrangeiro impediu o desenvolvimento de tecnologia local, ao passo que, nos países latino-americanos, ela promoveu esse desenvolvimento. b) nos dois casos, não houve participação do Estado na criação de infraestrutura necessária à industria- lização. c) nos países do sudeste asiático, a organização dos trabalhadores, em sindicatos livres, encareceu o produto final, ao passo que, nos países latino-americanos, a ausência dessa organização tornou os produtos mais competitivos. d) nos dois casos, houve importante participação de capital japonês, responsável pelo desenvolvimento tecnológico nessas regiões. e) nos países do sudeste asiático, a produção industrial visou à exportação, ao passo que, nos países latino-americanos, a produção objetivou o mercado interno. 17. (Fuvest) Com base nesses gráficos sobre 15 cidades, pode-se concluir que, no ano de 1995: a) as três cidades com o menor número de habitantes, por hectare, são aquelas que mais consomem ga- solina no transporte particular de passageiros. b) nas três cidades da América do Sul, vale a regra: maior população, por hectare, acarreta maior consu- mo de gasolina no transporte particular de passageiros. c) as cidades mais populosas, por hectare, são aquelas que mais consomem gasolina no transporte parti- cular de passageiros. d) nas três cidades da América do Norte, vale a regra: maior população, por hectare, acarreta maior con- sumo de gasolina no transporte particular de passageiros. e) as três cidades da Ásia mais populosas, por hectare, estão entre as quatro com menor consumo de gasolina no transporte particular de passageiros. GAbARito 1. E 2. E 3. C 4. E 5. C 6. C 7. D 8. A 9. A 10. D 11. A 12. D 13. D 14. D 15. C 16. E 17. A C BIOLOGIA N CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias Fuvest - Biologia Citologia, 22% Ecologia, 18% Fisiologia animal e humana, 18% Reino vegetal, fungos e monera, 18% Genética, 17% Reino animal e protoctistas, 7% 115 Prescrição: São necessários conhecimentos sobre os seres vivos e o ambiente que os rodeia, assim como a interação entre os indivíduos e indivíduos e o meio. Em adicional, compreender as caracterís- ticas e classificação dos vegetais. BIOLOGIA 1 AplicAção dos conhecimentos - sAlA Fuvest - Biologia Citologia, 22% Ecologia, 18% Fisiologia animal e humana, 18% Reino vegetal, fungos e monera, 18% Genética, 17% Reino animal e protoctistas, 7% 1. (Fuvest) O modo de nutrição das bactérias é muito diversificado: existem bactérias fo- tossintetizantes, que obtêm energia da luz; bactérias quimiossintetizantes, que obtêm energia de reações químicas inorgânicas; bactérias saprofágicas, que se alimentam de matéria orgânica morta; bactérias parasitas, que se alimentam de hospedeiros vivos. Indique a alternativa que relaciona correta- mente cada um dos tipos de bactéria men- cionados com sua posição na teia alimentar. Fotossin- tetizante Quimiossinte tizante Sapofrágica Parasita a) Decompositor Produtor Consumidor Decompositor b) Consumidor Consumidor Decompositor Consumidor c) Produtor Consumidor Decompositor Decompositor d) Produtor Decompositor Consumidor Consumidor e) Produtor Produtor Decompositor Consumidor 2. (Fuvest) Um pesquisador que deseje estu- dar a divisão meiótica em samambaia deve utilizar em suas preparações microscópicas células de: a) embrião recém-formado. b) rizoma da samambaia. c) soros da samambaia. d) rizoides do prótalo. e) estruturas reprodutivas do prótalo. 3. (Fuvest) Enquanto a clonagem de animais é um evento relativamente recente no mundo cientí- fico, a clonagem de plantas vem ocorrendo já há algumas décadas com relativo sucesso. Células são retiradas de uma planta-mãe e, posterior- mente, são cultivadas em meio de cultura, dando origem a uma planta inteira, com genoma idên- tico ao da planta-mãe. Para que o processo tenha maior chance de êxito, deve-se retirar as células: a) do ápice do caule. b) da zona de pelos absorventes da raiz. c) do parênquima dos cotilédones. d) do tecidocondutor em estrutura primária. e) da parede interna do ovário. 4. (Fuvest) A contribuição da seiva bruta para a realização da fotossíntese nas plantas vas- culares é a de fornecer: a) glicídios como fonte de carbono. b) água como fonte de hidrogênio. c) ATP como fonte de energia. d) vitaminas como coenzimas. e) sais minerais para captação de oxigênio. 5. (Fuvest) “O tico-tico tá comendo meu fubá/ Se o tico-tico pensa/ em se alimentar/ que vá comer/ umas minhocas no pomar (...)/ Botei alpiste para ver se ele comia/ Botei um gato, um espantalho e um alçapão (...)” Zequinha de Abreu, “Tico-tico no Fubá”. No contexto da música, na teia alimentar da qual fazem parte tico-tico, fubá, minhoca, alpiste e gato: a) a minhoca aparece como produtor e o tico- -tico como consumidor primário. b) o fubá aparece como produtor e o tico-tico como consumidor primário e secundário. c) o fubá aparece como produtor e o gato como consumidor primário. d) o tico-tico e o gato aparecem como consumi- dores primários. e) o alpiste aparece como produtor, o gato como consumidor primário e a minhoca como decompositor. 6. (Fuvest) A recente descoberta de uma vasta região de mar descongelado no Polo Norte é um exemplo dos efeitos do aquecimento glo- bal pelo qual passa o planeta. Alarmados com a situação, alguns países industrializados elaboraram uma carta de intenções em que se comprometem a promover amplos reflo- restamentos, como uma estratégia para re- duzir o efeito estufa e conter o aquecimento global. Tal estratégia baseia-se na hipótese de que o aumento das áreas de floresta pro- moverá maior: a) liberação de gás oxigênio, com aumento da camada de ozônio e redução da radiação ul- travioleta. b) retenção do carbono na matéria orgânica das árvores, com diminuição do gás carbônico atmosférico responsável pelo efeito estufa. 116 c) disponibilidade de combustíveis renováveis e, consequentemente, menor queima de combustíveis fósseis, que liberam CFC (clo- rofluorcarbono). d) absorção de CFC, gás responsável pela des- truição da camada de ozônio. e) sombreamento do solo, com resfriamento da superfície terrestre. RAio X - Análise eXpositivA 1. As bactérias fotossintetizantes e as quimios- sintetizantes são autótrofas e, logo, produ- toras. As bactérias saprofágicas são decom- positoras e as parasitas, consumidoras. 2. Para estudar a divisão meiótica em samam- baia, o pesquisador necessitará observar os soros, que são os lugares onde as células di- videm-se por meiose e produzem os esporos haploides. 3. O ápice do caule possui meristema primário, o qual é indiferenciado sem função específica. 4. A seiva bruta transporta sais minerais e água. A água é um reagem da fotossíntese. 5. O tico-tico se alimenta do fubá (produtor), tornando-se consumidor primário, e da mi- nhoca, tornando-se consumidor secundário. 6. Para realizar a fotossíntese, os vegetais rea- lizam o sequestro do carbono atmosférico. GAbARito 1. E 2. C 3. A 4. B 5. B 6. B pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) A cobra-coral (Erythrolamprus aesculapii) tem hábito diurno, alimenta-se de outras cobras e é terrícola, ou seja, caça e se abriga no chão. A jararaca (Bothrops jararaca) tem hábito noturno, alimenta-se de mamíferos e é terrícola. Ambas ocorrem no Brasil, na floresta pluvial costeira. Essas serpentes: a) disputam o mesmo nicho ecológico. b) constituem uma população. c) compartilham o mesmo habitat. d) realizam competição intraespecífica. e) são comensais. 2. (Fuvest) Num determinado lago, a quan- tidade dos organismos do fitoplâncton é controlada por um crustáceo do gênero Artemia, presente no zooplâncton. Graças a esse equilíbrio, a água permanece transpa- rente. Depois de um ano muito chuvoso, a sa- linidade do lago diminuiu, o que permitiu o crescimento do número de insetos do gênero Trichocorixa, predadores de Artemia. A transparência da água do lago diminuiu. Considere as afirmações: I. A predação provocou o aumento da popu- lação dos produtores. II. A predação provocou a diminuição da po- pulação dos consumidores secundários. III. A predação provocou a diminuição da po- pulação dos consumidores primários. Está correto o que se afirma apenas em: a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) II e III. 3. (Fuvest) O gráfico mostra uma estimativa do número de espécies marinhas e dos níveis de oxigênio atmosférico, desde 550 milhões de anos atrás até os dias de hoje. 117 Analise as seguintes afirmativas: I. Houve eventos de extinção que reduziram em mais de 50% o número de espécies existentes. II. A diminuição na atividade fotossintética foi a causa das grandes extinções. III. A extinção dos grandes répteis aquáti- cos no final do Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos, foi, percentualmente, o maior evento de extinção ocorrido. De acordo com o gráfico, está correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 4. (Fuvest) Em 1910, cerca de 50 indivíduos de uma espécie de mamíferos foram intro- duzidos numa determinada região. O gráfico abaixo mostra quantos indivíduos dessa po- pulação foram registrados a cada ano, desde 1910 até 1950. Esse gráfico mostra que: a) desde 1910 até 1940, a taxa de natali- dade superou a de mortalidade em todos os anos. b) a partir de 1938, a queda do número de in- divíduos foi devida à emigração. c) no período de 1920 a 1930, o número de nascimentos mais o de imigrantes foi equi- valente ao número de mortes mais o de emi- grantes. d) no período de 1935 a 1940, o número de nascimentos mais o de imigrantes superou o número de mortes mais o de emigrantes. e) no período de 1910 a 1950, o número de nascimentos mais o de imigrantes superou o número de mortes mais o de emigrantes. 5. (Fuvest) Na evolução dos vegetais, o grão de pólen surgiu em plantas que correspondem, atualmente, ao grupo dos pinheiros. Isso significa que o grão de pólen surgiu antes: a) dos frutos e depois das flores. b) das flores e depois dos frutos. c) das sementes e depois das flores. d) das sementes e antes dos frutos. e) das flores e antes dos frutos. 6. (Fuvest) No morango, os frutos verdadeiros são as estruturas escuras e rígidas que se encon- tram sobre a parte vermelha e suculenta. Cada uma dessas estruturas resulta, diretamente: a) da fecundação do óvulo pelo núcleo esper- mático do grão de pólen. b) do desenvolvimento do ovário, que contém a semente com o embrião. c) da fecundação de várias flores de uma mes- ma inflorescência. d) da dupla fecundação, que é exclusiva das angiospermas. e) do desenvolvimento do endosperma que nu- trirá o embrião. 7. (Fuvest) Uma das consequências do “efeito estufa” é o aquecimento dos oceanos. Esse aumento de temperatura provoca: a) menor dissolução de CO2 nas águas oceâni- cas, o que leva ao consumo de menor quan- tidade desse gás pelo fitoplâncton, contri- buindo, assim, para o aumento do efeito estufa global. b) menor dissolução de O2 nas águas oceânicas, o que leva ao consumo de maior quantidade de CO2 pelo fitoplâncton, contribuindo, as- sim, para a redução do efeito estufa global. c) menor dissolução de CO2 e O2 nas águas oceânicas, o que leva ao consumo de maior quantidade de O2 pelo fitoplâncton, con- tribuindo, assim, para a redução do efeito estufa global. d) maior dissolução de CO2 nas águas oceâni- cas, o que leva ao consumo de maior quan- tidade desse gás pelo fitoplâncton, con- tribuindo, assim, para a redução do efeito estufa global. e) maior dissolução de O2 nas águas oceânicas, o que leva à liberação de maior quantidade de CO2 pelo fitoplâncton, contribuindo, as- sim, para o aumento do efeito estufa global. 8. (Fuvest) Há anos, a Amazônia brasileira tem sofrido danos ambientais, provocados por atividades como queimadas e implantação de áreas de pecuária para o gado bovino. Considere os possíveis danos ambientais re- sultantes dessas atividades: I. Aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) atmosférico,como conse- quência da queima da vegetação. II. Aumento do processo de laterização, de- vido à perda de ferro (Fe) e alumínio (Aℓ) no horizonte A do solo. 118 e países que venham a ser responsabilizados por novos danos ambientais. d) A presença de petróleo na superfície da água, por dificultar a passagem da luz, di- minui a taxa de fotossíntese realizada pelo zooplâncton, o que, no entanto, não afeta a cadeia alimentar. e) Os dispersantes aumentam a quantidade de petróleo que se mistura com a água, porém não o removem do mar. 11. (Fuvest) A passagem do modo de vida caça- dor-coletor para um modo de vida mais se- dentário aconteceu há cerca de 12 mil anos e foi causada pela domesticação de animais e de plantas. Com base nessa informação, é correto afirmar que: a) no início da domesticação, a espécie humana descobriu como induzir mutações nas plan- tas para obter sementes com características desejáveis. b) a produção de excedentes agrícolas permitiu a paulatina regressão do trabalho, ou seja, a diminuição das intervenções humanas no meio natural com fins produtivos. c) a grande concentração de plantas cultivadas em um único lugar aumentou a quantidade de alimentos, o que prejudicou o processo de sedentarização das populações. d) no processo de domesticação, sementes com características desejáveis pelos seres huma- nos foram escolhidas para serem plantadas, num processo de seleção artificial. e) a chamada Revolução Neolítica permitiu o desenvolvimento da agricultura e do pasto- reio, garantindo a eliminação progressiva de relações sociais escravistas. 12. (Fuvest) Os resultados de uma pesquisa re- alizada na USP revelam que a araucária, o pinheiro brasileiro, produz substâncias an- tioxidantes e fotoprotetoras. Uma das auto- ras do estudo considera que, possivelmen- te, essa característica esteja relacionada ao ambiente com intensa radiação UV em que a espécie surgiu há cerca de 200 milhões de anos. Com base na teoria sintética da evolu- ção, é correto afirmar que: a) essas substâncias surgiram para evitar que as plantas sofressem a ação danosa da radia- ção UV. b) a radiação UV provocou mutações nas folhas da araucária, que passaram a produzir tais substâncias. c) a radiação UV atuou como fator de seleção, de maneira que plantas sem tais substâncias eram mais suscetíveis à morte. d) a exposição constante à radiação UV indu- ziu os indivíduos de araucária a produzirem substâncias de defesa contra tal radiação. III. Aumento da concentração de metano (CH4) atmosférico, liberado pela digestão animal. IV. Diminuição da fertilidade dos solos pela liberação de cátions Na+, K+, Ca2+ e Mg2+, anteriormente absorvidos pelas raízes das plantas. Está correto o que se afirma em: a) I e III, apenas. b) I, II e III, apenas. c) II e IV, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 9. (Fuvest) As afirmações abaixo se referem a características do ciclo de vida de grupos de plantas terrestres: musgos, samambaias, pi- nheiros e plantas com flores. I. O grupo evolutivamente mais antigo pos- sui fase haploide mais duradoura do que fase diploide. II. Todos os grupos com fase diploide mais duradoura do que fase haploide apresen- tam raiz, caule e folha verdadeiros. III. Os grupos que possuem fase haploide e diploide de igual duração apresentam, também, rizoides, filoides e cauloides (ou seja, raiz, folha e caule não verdadeiros). Está correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 10. (Fuvest) O acidente ocorrido em abril de 2010, em uma plataforma de petróleo no golfo do México, colocou em risco o delicado equilíbrio do ecossistema da região. Além da tentativa de contenção, com bar- reiras físicas, de parte do óleo derramado, foram utilizados dispersantes químicos. Dis- persantes são compostos que contêm, em uma mesma molécula, grupos compatíveis com óleo (lipofílicos) e com água (hidrofí- licos). Levando em conta as informações acima e com base em seus conhecimentos, indique a afirmação correta. a) O uso de dispersantes é uma forma de elimi- nar a poluição a que os organismos maríti- mos estão expostos. b) Acidentes como o mencionado podem gerar novos depósitos de petróleo, visto que a for- mação desse recurso depende da concentra- ção de compostos de carbono em ambientes continentais. c) Entidades internacionais conseguiram, após o acidente, a aprovação de sanções econômi- cas a serem aplicadas pela ONU às empresas 119 e) a araucária é um exemplo típico da finali- dade da evolução, que é a produção de in- divíduos mais fortes e adaptados a qualquer ambiente. 13. (Fuvest) O conhecimento sobre a origem da variabilidade entre os indivíduos, sobre os mecanismos de herança dessa variabilidade e sobre o comportamento dos genes nas po- pulações foi incorporado à teoria da evolu- ção biológica por seleção natural de Charles Darwin. Diante disso, considere as seguintes afirma- tivas: I. A seleção natural leva ao aumento da fre- quência populacional das mutações vanta- josas num dado ambiente; caso o ambien- te mude, essas mesmas mutações podem tornar seus portadores menos adaptados e, assim, diminuir de frequência. II. A seleção natural é um processo que di- reciona a adaptação dos indivíduos ao ambiente, atuando sobre a variabilidade populacional gerada de modo casual. III. A mutação é a causa primária da variabi- lidade entre os indivíduos, dando origem a material genético novo e ocorrendo sem objetivo adaptativo. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) I e III, apenas. c) I e II, apenas. d) I, apenas. e) III, apenas. 14. (Fuvest) Uma pessoa, ao encontrar uma se- mente, pode afirmar, com certeza, que den- tro dela há o embrião de uma planta, a qual, na fase adulta: a) forma flores, frutos e sementes. b) forma sementes, mas não produz flores e frutos. c) vive exclusivamente em ambiente terrestre. d) necessita de água para o deslocamento dos gametas na fecundação. e) tem tecidos especializados para condução de água e de seiva elaborada. 15. (Fuvest) A partir da contagem de indivíduos de uma população experimental de protozo- ários, durante determinado tempo, obtive- ram-se os pontos e a curva média registra- dos no gráfico a seguir. Tal gráfico permite avaliar a capacidade limite do ambiente, ou seja, sua carga biótica máxima. De acordo com o gráfico: a) a capacidade limite do ambiente cresceu até o dia 6. b) a capacidade limite do ambiente foi alcança- da somente após o dia 20. c) a taxa de mortalidade superou a de natali- dade até o ponto em que a capacidade limite do ambiente foi alcançada. d) a capacidade limite do ambiente aumentou com o aumento da população. e) o tamanho da população ficou próximo da capacidade limite do ambiente entre os dias 8 e 20. 16. (Fuvest) A relação entre produção, consumo e armazenagem de substâncias, na folha e na raiz subterrânea de uma angiosperma, encontra-se corretamente descrita em: a) Folha: glicose é produzida, mas não é consu- mida; raiz subterrânea: glicose é armazena- da, mas não é consumida. b) Folha: glicose é produzida e consumida; raiz subterrânea: glicose é consumida e ar- mazenada. c) Folha: água é consumida, mas não é armaze- nada; raiz subterrânea: água é armazenada, mas não é consumida. d) Folha: água é consumida e glicose é produzi- da; raiz subterrânea: glicose é armazenada, mas não é consumida. e) Folha: glicose é produzida, mas não é consu- mida; raiz subterrânea: água é consumida e armazenada. 17. (Fuvest) Ao longo da evolução das plantas, os gametas: a) tornaram-se cada vez mais isolados do meio externo e, assim, protegidos. b) tornaram-se cada vez mais expostos ao meio externo, o que favorece o sucesso da fecundação. c) mantiveram-se morfologicamente iguais em todos os grupos. d) permaneceram dependentes de água, para transporte e fecundação, em todos os grupos. e) apareceram no mesmo grupo no qual tam- bém surgiram os tecidos vasculares como novidade evolutiva.120 18. (Fuvest) As estruturas presentes em uma cé- lula vegetal, porém ausentes em uma bacté- ria, são: a) cloroplastos, lisossomos, núcleo e membrana plasmática. b) vacúolos, cromossomos, lisossomos e ribos- somos. c) complexo golgiense, membrana plasmática, mitocôndrias e núcleo. d) cloroplastos, mitocôndrias, núcleo e retículo endoplasmático. e) cloroplastos, complexo golgiense, mitocôn- drias e ribossomos. 19. (Fuvest) As bactérias diferem quanto à fonte primária de energia para seus processos me- tabólicos. Por exemplo: I. Chlorobium sp. utiliza energia luminosa. II. Beggiatoa sp. utiliza energia gerada pela oxidação de compostos inorgânicos. III. Mycobacterium sp. utiliza energia gerada pela degradação de compostos orgânicos componentes do organismo hospedeiro. Com base nessas informações, indique a al- ternativa que relaciona corretamente essas bactérias com seu papel nas cadeias alimen- tares de que participam. Chlorobium sp. Beggiatoa sp. Mycobacterium sp. a) Consumidor Produtor Consumidor b) Consumidor Decompositor Consumidor c) Produtor Consumidor Decompositor d) Produtor Decompositor Consumidor e) Produtor Produtor Consumidor 20. (Fuvest) As crescentes emissões de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido ni- troso (N2O), entre outros, têm causado sérios problemas ambientais, como, por exemplo, a intensificação do efeito estufa. Estima-se que, dos 6,7 bilhões de toneladas de carbo- no emitidas anualmente pelas atividades humanas, cerca de 3,3 bilhões acumulam-se na atmosfera, sendo os oceanos responsáveis pela absorção de 1,5 bilhão de toneladas, en- quanto quase 2 bilhões de toneladas são se- questradas pelas formações vegetais. Assim, entre as ações que contribuem para a redução do CO2 da atmosfera, estão a preser- vação de matas nativas, a implantação de re- florestamentos e de sistemas agroflorestais e a recuperação de áreas de matas degradadas. O papel da vegetação, no sequestro de carbo- no da atmosfera, é: a) diminuir a respiração celular dos vegetais devido à grande disponibilidade de O2 nas florestas tropicais. b) fixar o CO2 da atmosfera por meio de bacté- rias decompositoras do solo e absorver o car- bono livre por meio das raízes das plantas. c) converter o CO2 da atmosfera em matéria or- gânica, utilizando a energia da luz solar. d) reter o CO2 da atmosfera na forma de com- postos inorgânicos, a partir de reações de oxidação em condições anaeróbicas. e) transferir o CO2 atmosférico para as molécu- las de ATP, fonte de energia para o metabo- lismo vegetal. 21. (Fuvest) “Para compor um tratado sobre pas- sarinhos é preciso por primeiro que haja um rio com árvores e palmeiras nas margens. E dentro dos quintais das casas que haja pelo menos goiabeiras. E que haja por perto bre- jos e iguarias de brejos. É preciso que haja insetos para os passari- nhos. Insetos de pau sobretudo que são os mais palatáveis. A presença de libélulas seria uma boa. O azul é importante na vida dos passarinhos porque os passarinhos precisam antes de ser belos ser eternos. Eternos que nem uma fuga de Bach.” “De passarinhos”. Manoel de Barros No texto, o conjunto de elementos, descri- to de forma poética em relação aos passa- rinhos, pode ser associado, sob o ponto de vista biológico, ao conceito de: a) bioma. b) nicho ecológico. c) competição. d) protocooperação. e) sucessão ecológica. 22. (Fuvest) A observação de faunas dos conti- nentes do hemisfério Sul revela profundas diferenças. Na América do Sul, existem pre- guiças, antas, capivaras, tamanduás e onças; na África, há leões, girafas, camelos, zebras e hipopótamos; na Austrália, cangurus, or- nitorrincos e equidnas e, na Antártida, os pinguins. Entretanto, descobriram-se es- pécies fósseis idênticas nessas regiões. As- sim, fósseis da gimnosperma ‘Glossopteris’ foram encontrados ao longo das costas li- torâneas da África, América do Sul, Austrá- lia e Antártida, e ainda fósseis dos répteis ‘Cynognathus’ e ‘Lystrosaurus’ foram desco- bertos na América do Sul, África e Antártida. Para explicar esses fatos, formularam-se as seguintes hipóteses: I. A presença de fósseis idênticos, nos vá- rios continentes, prova que todas as for- mas de vida foram criadas simultanea- mente nas diversas regiões da Terra e se diferenciaram mais tarde. II. As faunas e floras atuais são resultado da seleção natural em ambientes diversos, isolados geograficamente. 121 III. Os continentes, há milhões de anos, eram unidos, separando-se posteriormente. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 23. (Fuvest) Existe um produto que, aplicado nas folhas das plantas, promove o fecha- mento dos estômatos, diminuindo a perda de água. Como consequência imediata do fechamento dos estômatos: I. o transporte de seiva bruta é prejudicado. II. a planta deixa de absorver a luz. III. a entrada de ar atmosférico e a saída de CO2 são prejudicadas. IV. a planta deixa de respirar e de fazer fo- tossíntese. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e II. b) I e III. c) I e IV. d) II e III. e) III e IV. 24. (Fuvest) O pinhão mostrado na foto, coletado de um pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), é: a) um fruto – estrutura multicelular resultante do desenvolvimento do ovário. b) um fruto – estrutura unicelular resultante do desenvolvimento do óvulo. c) uma semente – estrutura unicelular resul- tante do desenvolvimento do ovário. d) uma semente – estrutura multicelular resul- tante do desenvolvimento do óvulo. e) uma semente – estrutura unicelular resul- tante do desenvolvimento do óvulo. GAbARito 1. C 2. D 3. A 4. D 5. E 6. B 7. A 8. A 9. D 10. E 11. D 12. C 13. A 14. E 15. E 16. B 17. A 18. D 19. E 20. C 21. B 22. D 23. B 24. D 123 Prescrição: São necessários conhecimentos sobre a classificação dos seres vivos e suas características fisiológicas e anatômicas, além de compreender as fisiologias animal e humana. BIOLOGIA 2 AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) No início do desenvolvimento, todo embrião humano tem estruturas que podem se diferen- ciar tanto no sistema reprodutor masculino quanto no feminino. Um gene do cromossomo Y, denomi- nado SRY (sigla de sexdetermining region Y), induz à formação dos testículos. Hormônios produzidos pelos testículos atuam no embrião, induzindo a diferenciação das outras estruturas do sistema re- produtor masculino e, portanto, o fenótipo masculino. Suponha que um óvulo tenha sido fecundado por um espermatozoide portador de um cromossomo Y com uma mutação que inativa completamente o gene SRY. Com base nas informações contidas no parágrafo anterior, pode-se prever que o zigoto: a) será inviável e não se desenvolverá em um novo indivíduo. b) será desenvolvido em um indivíduo cromossômica (XY) e fenotipicamente do sexo masculino, normal e fértil. c) será desenvolvido em um indivíduo cromossômica (XY) e fenotipicamente do sexo masculino, mas sem testículos. d) será desenvolvido em um indivíduo cromossomicamente do sexo masculino (XY), mas com fenótipo feminino. e) será desenvolvido em um indivíduo cromossômica (XX) e fenotipicamente do sexo feminino. 2. (Fuvest) Durante a gestação, os filhotes de mamíferos placentários retiram alimento do corpo materno. Qual das alternativas indica o caminho percorrido por um aminoácido resultante da di- gestão de proteínas do alimento, desde o organismo materno até as células do feto? a) Estômago materno → circulação sanguínea materna → placenta → líquido amniótico → circulação sanguínea fetal → células fetais b) Estômago materno → circulação sanguínea materna → placenta → cordão umbilical → estômago fetalcirculação sanguínea fetal → células fetais c) Intestino materno → circulação sanguínea materna → placenta → líquido amniótico → circulação sanguínea fetalcélulas fetais. d) Intestino materno → circulação sanguínea materna → placenta → circulação sanguínea fetal → cé- lulasfetais. e) Intestino materno → estômago fetal → circulação sanguínea fetal → células fetais. 3. (Fuvest) Num exercício prático, um estudante analisou um animal vertebrado para descobrir a que grupo pertencia, usando a seguinte chave de classificação: 124 O estudante concluiu que o animal pertencia ao grupo VI. Esse animal pode ser: a) um gambá. b) uma cobra. c) um tubarão. d) uma sardinha. e) um sapo. 4. (Fuvest) Foram feitas medidas diárias das taxas dos hormônios: luteinizante (LH), fo- lículo estimulante (FSH), estrógeno e pro- gesterona, no sangue de uma mulher adulta, jovem, durante vinte e oito dias consecutivos. Os resultados estão mostrados no gráfico. Os períodos mais prováveis de ocorrência da menstruação e da ovulação, respectivamen- te, são: a) A e C. b) A e E. c) C e A. d) E e C. e) E e A. 5. (Fuvest) De acordo com a Organização Mun- dial da Saúde (OMS), a dengue voltará com ímpeto. “A Ásia e a América latina serão du- ramente castigadas este ano [...]”, diz José Esparza, coordenador de vacinas da OMS. New Scientist, n. 2354, 3 ago. 2002. O motivo dessa previsão está no fato de: a) o vírus causador da doença ter se tornado resistente aos antibióticos. b) o uso intenso de vacinas ter selecionado for- mas virais resistentes aos anticorpos. c) o contágio se dar de pessoa a pessoa por meio de bactérias resistentes a antibióticos. d) a população de mosquitos transmissores de- verá aumentar. e) a promiscuidade sexual favorecer a disper- são dos vírus. 6. (Fuvest) O ornitorrinco e a equidna são ma- míferos primitivos que botam ovos, no in- terior dos quais ocorre o desenvolvimento embrionário. Sobre esses animais, é correto afirmar que: a) diferentemente dos mamíferos placentários, eles apresentam autofecundação. b) diferentemente dos mamíferos placentários, eles não produzem leite para a alimentação dos filhotes. c) diferentemente dos mamíferos placentários, seus embriões realizam trocas gasosas dire- tamente com o ar. d) à semelhança dos mamíferos placentários, seus embriões alimentam-se exclusivamente de vitelo acumulado no ovo. e) à semelhança dos mamíferos placentários, seus embriões livram-se dos excretas nitro- genados através da placenta. RAio X - Análise eXpositivA 1. O indivíduo pode se desenvolver mesmo sem o cromossomo Y, como na síndrome de Tur- ner (X0). O indivíduo só pode ser XY, já que é a fusão de um óvulo (X) com um esperma- tozoide (Y). A ausência da expressão do gene SRY leva a não formação do testículo e, con- sequentemente, a não produção de testoste- rona, que é responsável pelas características secundárias masculinas e, assim, o fenótipo desse indivíduo será feminino. 2. [A] está incorreta, pois o alimento não passa pelo líquido amniótico. [B] está incorreta, pois não passa pelo es- tômago fetal e precisa ser digerido antes de ser absorvido. [C] está incorreta, pois o alimento não passa pelo líquido amniótico. [E] está incorreta, pois não passa pelo estô- mago fetal. 3. A cobra tem ausência de pelos, de penas, de nadadeiras pares e presença de mandíbula e de escamas córneas. 4. Período da ovulação: altos níveis de LH, FSH e estrógeno. Período menstrual: baixa de to- dos os hormônios. 5. A dengue é uma doença causada por um ví- rus. Sendo assim, não pode ser tratado com antibiótico. A transmissão ocorre por meio de um vetor, que é o mosquito Aedes aegypti. 6. Os monotremados são mamíferos que põem ovos, possuem pelos e glândulas mamárias, além de serem endotérmicos. GAbARito 1. D 2. D 3. B 4. E 5. D 6. C 125 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) Uma dieta de emagrecimento atribui a cada alimento um certo número de pon- tos, que equivale ao valor calórico do ali- mento ao ser ingerido. Assim, por exemplo, as combinações abaixo somam, cada uma, 85 pontos: § 4 colheres de arroz + 2 colheres de azeite + 1 fatia de queijo branco. § 1 colher de arroz + 1 bife + 2 fatias de queijo branco. § 4 colheres de arroz + 1 colher de azeite + 2 fatias de queijo branco. § 4 colheres de arroz + 1 bife. Note e adote: 1 colher de arroz 1 colher de azeite 1 bife Massa de alimento (g) 20 5 100 % de umidade + macronutriente minoritário + micronutrientes 75 0 60 % de macro- nutriente majoritário 25 100 40 São macronutrientes as proteínas, os carboidratos e os lipídeos. Com base nas informações fornecidas, e na composição nutricional dos alimentos, con- sidere as seguintes afirmações: I. A pontuação de um bife de 100 g é 45. II. O macronutriente presente em maior quantidade no arroz é o carboidrato. III. Para uma mesma massa de lipídeo de ori- gem vegetal e de carboidrato, a razão número de pontos do lipídeo ______________________________ número de pontos do carboidrato é de 1,5. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 2. (Fuvest) Francisco deve elaborar uma pes- quisa sobre dois artrópodes distintos. Eles serão selecionados, ao acaso, da seguinte relação: aranha, besouro, barata, lagosta, ca- marão, formiga, ácaro, caranguejo, abelha, carrapato, escorpião e gafanhoto. Qual é a probabilidade de que ambos os ar- trópodes escolhidos para a pesquisa de Fran- cisco não sejam insetos? a) 19 _____ 144 b) 14 ___ 33 c) 7 ___ 22 d) 5 ___ 22 e) 15 ____ 144 3. (Fuvest) Num ambiente iluminado, ao foca- lizar um objeto distante, o olho humano se ajusta a essa situação. Se a pessoa passa, em seguida, para um ambiente de penumbra, ao focalizar um objeto próximo, a íris: a) aumenta, diminuindo a abertura da pupila, e os músculos ciliares se contraem, aumen- tando o poder refrativo do cristalino. b) diminui, aumentando a abertura da pupila, e os músculos ciliares se contraem, aumen- tando o poder refrativo do cristalino. c) diminui, aumentando a abertura da pupila, e os músculos ciliares se relaxam, aumen- tando o poder refrativo do cristalino. d) aumenta, diminuindo a abertura da pupila, e os músculos ciliares se relaxam, diminuin- do o poder refrativo do cristalino. e) diminui, aumentando a abertura da pupila, e os músculos ciliares se relaxam, diminuin- do o poder refrativo do cristalino. 4. (Fuvest) Tatuzinhos-de-jardim, escorpiões, siris, centopeias e borboletas são todos ar- trópodes. Compartilham, portanto, as se- guintes características: a) simetria bilateral, respiração traqueal e ex- creção por túbulos de Malpighi. b) simetria bilateral, esqueleto corporal exter- no e apêndices articulados. c) presença de cefalotórax, sistema digestório incompleto e circulação aberta. d) corpo não segmentado, apêndices articula- dos e respiração traqueal. e) corpo não segmentado, esqueleto corporal externo e excreção por túbulos de Malpighi. 5. (Fuvest) Existem vírus que: a) se reproduzem independentemente de células. b) têm genoma constituído de DNA e RNA. c) sintetizam DNA a partir de RNA. d) realizam respiração aeróbica no interior da cápsula proteica. e) possuem citoplasma, que não contém orga- nelas. 126 6. (Fuvest) Considere a árvore filogenética a seguir. Essa árvore representa a simplificação de uma das hipóteses para as relações evoluti- vas entre os grupos a que pertencem os ani- mais exemplificados. Os retângulos corres- pondem a uma ou mais características que são compartilhadas pelos grupos representa- dos acima de cada um deles na árvore e que não estão presentes nos grupos abaixo deles. A presença de notocorda, de tubo nervoso dorsal, de vértebras e de ovo amniótico cor- responde, respectivamente, aos retângulos: a) 1, 2, 3 e 4. b) 1, 1, 2 e 5. c) 1, 1, 3 e 6. d) 1, 2, 2 e 7. e) 2, 2, 2 e 5. 7. (Fuvest) Na história evolutiva dos metazoá- rios, o processo digestivo: a) é intracelular, com hidrólise enzimática de moléculas de grande tamanho, a partir dos equinodermas. b) é extracelular, já nos poríferos, passando a completamente intracelular, a partir dos ar- trópodes. c) é completamenteextracelular nos vertebra- dos, o que os distingue dos demais grupos de animais. d) passa de completamente intracelular a com- pletamente extracelular, a partir dos nema- telmintos. e) passa de completamente extracelular a com- pletamente intracelular, a partir dos anelídeos. 8. (Fuvest) A figura representa uma hipótese das relações evolutivas entre alguns grupos animais. De acordo com essa hipótese, a classifica- ção dos animais em vertebrados e inverte- brados: a) está justificada, pois há um ancestral comum para todos os vertebrados e outro diferente para todos os invertebrados. b) não está justificada, pois separa um grupo que reúne vários filos de outro que é apenas parte de um filo. c) está justificada, pois a denominação de ver- tebrado pode ser considerada como sinônima de Cordado. d) não está justificada, pois, evolutivamente, os vertebrados estão igualmente distantes de todos os invertebrados. e) está justificada, pois separa um grupo que possui muitos filos com poucos represen- tantes de outro com poucos filos e muitos representantes. 9. (Fuvest) Nos mamíferos, o tamanho do co- ração é proporcional ao tamanho do corpo e corresponde a aproximadamente 0,6% da massa corporal. O gráfico abaixo mostra a relação entre a fre- quência cardíaca e a massa corporal de vá- rios mamíferos. 127 O quadro a seguir traz uma relação de mamí- feros e o resultado da pesagem de indivíduos adultos. Animal Massa corporal (g) Cuíca 30 Sagui 276 Gambá 1.420 Bugio 5.180 Capivara 37.300 Fauna silvestre – Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, SP, 2007. Considerando esse conjunto de informações, analise as afirmações seguintes: I. No intervalo de um minuto, a cuíca tem mais batimentos cardíacos do que a capi- vara. II. A frequência cardíaca do gambá é maior do que a do bugio e menor do que a do sagui. III. Animais com coração maior têm frequên- cia cardíaca maior. Está correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 10. (Fuvest) Ao longo da evolução dos vertebra- dos, a: a) digestão tornou-se cada vez mais complexa. A tomada do alimento pela boca e sua pas- sagem pelo estômago e intestino são carac- terísticas apenas do grupo mais recente. b) circulação apresentou poucas mudanças. O número de câmaras cardíacas aumentou, o que não influenciou a circulação pulmonar e a sistêmica, que são completamente separa- das em todos os grupos. c) respiração, no nível celular, manteve-se se- melhante em todos os grupos. Houve mu- dança, porém, nos órgãos responsáveis pelas trocas gasosas, que diferem entre grupos. d) excreção sofreu muitas alterações, devido a mudanças no sistema excretor. Porém, in- dependentemente do ambiente em que vi- vem, os animais excretam ureia, amônia e ácido úrico. e) reprodução sofreu algumas mudanças rela- cionadas com a conquista do ambiente ter- restre. Assim, todos os vertebrados, com ex- ceção dos peixes, independem da água para se reproduzir. 11. (Fuvest) Ao noticiar o desenvolvimento de mecanismos de prevenção contra a esquis- tossomose, um texto jornalístico trouxe a se- guinte informação: Proteína do parasita da doença “ensina” or- ganismo a se defender dele. Folha de S.Paulo, 06/08/2010. Traduzindo a notícia em termos biológicos, é correto afirmar que uma proteína, presente: a) no platelminto causador da doença, ao ser introduzida no ser humano, estimula res- posta imunológica que, depois, permite o reconhecimento do parasita no caso de uma infecção. b) no platelminto causador da doença, serve de modelo para a produção de cópias de si mesma no corpo do hospedeiro que, então, passa a produzir defesa imunológica contra esse parasita. c) no molusco causador da doença, estimula a produção de anticorpos no ser humano, imunizando-o contra uma possível infecção pelo parasita. d) no molusco causador da doença, atua como anticorpo, no ser humano, favorecendo a resposta imunológica contra o parasita. e) no nematelminto causador da doença, pode ser utilizada na produção de uma vacina ca- paz de imunizar o ser humano contra infec- ções por esses organismos. 12. (Fuvest) Considere os filos de animais viven- tes e as seguintes características relaciona- das à conquista do ambiente terrestre. I. Transporte de gases feito exclusivamente pelo sistema respiratório, independente do sistema circulatório. II. Respiração cutânea e pulmonar no mes- mo indivíduo. III. Ovos com casca calcárea resistente e po- rosa. A sequência que reproduz corretamente a ordem evolutiva de surgimento de tais ca- racterísticas é: a) I, II e III. b) II, I e III. c) II, III e I. d) III, I e II. e) III, II e I. 13. (Fuvest) A figura abaixo representa, em cor- te longitudinal, o coração de um sapo. 128 Comparando o coração de um sapo com o coração humano, pode-se afirmar que: a) não há diferenças significativas entre os dois quanto à estrutura das câmaras. b) enquanto no sapo o sangue chega pelos átrios cardíacos, no coração humano o sangue chega pelos ventrículos. c) ao contrário do que ocorre no sapo, no coração humano o sangue chega sempre pelo átrio direito. d) ao contrário do que ocorre no sapo, nas câmaras do coração humano por onde passa sangue arterial não passa sangue venoso. e) nos dois casos, o sangue venoso chega ao coração por dois vasos, um que se abre no átrio direito e o outro, no átrio esquerdo. 14. (Fuvest) A Gripe A, causada pelo vírus Influenza A (H1N1), tem sido relacionada com a gripe espa- nhola, pandemia ocorrida entre 1918 e 1919. No genoma do vírus Influenza A, há dois genes que codificam proteínas de superfície, chamadas de hemaglutinina (H) e neuraminidase (N), das quais existem, respectivamente, 16 e 9 tipos. Com base nessas informações, analise as afirmações: I. O número de combinações de proteínas de superfície do vírus Influenza A é 25, o que dificulta a produção de medicamentos antivirais específicos. II. Tanto na época atual quanto na da gripe espanhola, as viagens transoceânicas contribuíram para a disseminação do vírus pelo mundo. III. O sistema imunológico do indivíduo reconhece segmentos das proteínas de superfície do vírus para combatê-lo. Está correto o que se afirma em: a) I e II apenas. b) I e II, somente. c) I e III, somente. d) II e III, somente. e) I, II e III. 15. (Fuvest) Um determinado animal adulto é desprovido de crânio e apêndices articulares. Apresenta corpo alongado e cilíndrico. Esse animal pode pertencer ao grupo dos: a) répteis ou nematelmintos. b) platelmintos ou anelídeos. c) moluscos ou platelmintos. d) anelídeos ou nematelmintos. e) anelídeos ou artrópodes. 16. (Fuvest) Observe a gravura e considere as afirmações. I. Pentágonos regulares congruentes podem substituir os hexágonos da gravura de modo a reco- brir todo o plano sem sobreposição. II. Pelo menos um dos animais representados passa pelo processo de metamorfose na natureza. III. A sequência de espécies animais representadas da esquerda para a direita do leitor corresponde à do processo evolutivo na biosfera. Está correto o que se afirma somente em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 129 17. (Fuvest) O fígado humano é uma glândula que participa de processos de digestão e ab- sorção de nutrientes, ao: a) produzir diversas enzimas hidrolíticas que atuam na digestão de carboidratos. b) produzir secreção rica em enzimas que dige- rem as gorduras. c) produzir a insulina e o glucagon, regulado- res dos níveis de glicose no sangue. d) produzir secreção rica em sais que facilita a digestão e a absorção de gorduras. e) absorver excretas nitrogenadas do sangue e transformá-las em nutrientes proteicos. 18. (Fuvest) O esquema a seguir representa uma das hipóteses para explicar as relações evo- lutivas entre grupos de animais. A partir do ancestral comum, cada número indica o aparecimento de determinada característi- ca. Assim, os ramos anteriores a um número correspondem a animais que não possuem tal característica e os ramosposteriores, a animais que a possuem. As características “cavidade corporal” e “exoesqueleto de quitina” correspondem, respectivamente, aos números: a) 1 e 6. b) 2 e 4. c) 2 e 5. d) 3 e 4. e) 3 e 5. 19. (Fuvest) Enzimas digestivas produzidas no estômago e no pâncreas foram isoladas dos respectivos sucos e usadas no preparo de um experimento, conforme mostra o quadro a seguir. Tubo 1 Tubo 2 Tubo 3 Tubo 4 Arroz, clara de ovo, óleo de milho e água Arroz, clara de ovo, óleo de milho e água Arroz, clara de ovo, óleo de milho e água Arroz, clara de ovo, óleo de milho e água Tubo 1 Tubo 2 Tubo 3 Tubo 4 Extrato enzimá- tico do estômago Extrato enzimá- tico do estômago Extrato enzimá- tico do pâncreas Extrato enzimá- tico do pâncreas pH = 2 pH = 8 pH = 2 pH = 8 Decorrido certo tempo, o conteúdo dos tubos foi testado para a presença de dissacaríde- os, peptídeos, ácidos graxos e glicerol. Esses quatro tipos de nutrientes devem estar: a) presentes no tubo 1. b) presentes no tubo 2. c) presentes no tubo 3. d) presentes no tubo 4. e) ausentes dos quatro tubos. 20. (Fuvest) Em algumas doenças humanas, o funcionamento dos rins fica comprometido. São consequências diretas do mau funciona- mento dos rins: a) acúmulo de produtos nitrogenados tóxicos no sangue e elevação da pressão arterial. b) redução do nível de insulina e acúmulo de produtos nitrogenados tóxicos no sangue. c) não produção de bile e enzimas hidrolíticas importantes na digestão das gorduras. d) redução do nível de hormônio antidiurético e elevação do nível de glicose no sangue. e) redução do nível de aldosterona, que regula a pressão osmótica do sangue. 21. (Fuvest) O gráfico a seguir mostra a varia- ção na pressão sanguínea e na velocidade do sangue em diferentes vasos do sistema cir- culatório humano. Qual das alternativas correlaciona correta- mente as regiões I, II e III do gráfico com o tipo de vaso sanguíneo? I II III a) artéria capilar veia b) artéria veia capilar c) artéria veia artéria d) veia capilar artéria e) veia artéria capilar 130 22. (Fuvest) Qual das alternativas relaciona cor- retamente cada um dos animais designados pelas letras de A a D com as características indicadas pelos números de I a IV? A. água-viva (celenterado) B. lombriga (nematelminto) C. mosquito (inseto) D. sapo (anfíbio) I. presença de pseudoceloma II. sistema circulatório fechado III. sistema respiratório traqueal IV. sistema digestório incompleto a) A-I; B-IV; C-II; D-III. b) A-I; B-II; C-III; D-IV. c) A-II; B-I; C-III; D-IV. d) A-IV; B-III; C-I; D-II. e) A-IV; B-I; C-III; D-II. 23. (Fuvest) A ingestão de alimentos gorduro- sos estimula a contração da vesícula biliar. A bile, liberada no: a) estômago, contém enzimas que digerem lipí- dios. b) estômago, contém ácidos que facilitam a di- gestão dos lipídios. c) fígado, contém enzimas que facilitam a di- gestão dos lipídios. d) duodeno, contém enzimas que digerem lipí- dios. e) duodeno, contém ácidos que facilitam a di- gestão dos lipídios. 24. (Fuvest) O gráfico mostra os níveis de glicose no san- gue de duas pessoas (A e B), nas cinco ho- ras seguintes, após elas terem ingerido tipos e quantidades semelhantes de alimento. A pessoa A é portadora de um distúrbio hor- monal que se manifesta, em geral, após os 40 anos de idade. A pessoa B é saudável. Qual das alternativas indica o hormônio alte- rado e a glândula produtora desse hormônio? a) Insulina e pâncreas. b) Insulina e fígado. c) Insulina e hipófise. d) Glucagon e fígado. e) Glucagon e suprarrenal. GAbARito 1. E 2. C 3. B 4. B 5. C 6. B 7. D 8. B 9. D 10. C 11. A 12. A 13. D 14. D 15. D 16. B 17. D 18. E 19. D 20. A 21. A 22. E 23. E 24. A 131 Prescrição: São necessários conhecimentos sobre as organelas e suas funções, citogenética e bioquí- mica básicas, como carboidratos, proteínas, lipídeos e ácidos nucleicos. Compreender como ocorre a passagem das características de geração para geração e como são calculadas as probabilidades dentro da genética. BIOLOGIA 3 AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Em cães labradores, dois genes, cada um com dois alelos (B/b e E/e), condicionam as três pelagens típicas da raça: preta, marrom e dourada. A pelagem dourada é condicionada pela presença do alelo recessivo e em homozigose no genótipo. Os cães portadores de pelo menos um alelo dominante E serão pretos, se tiverem pelo menos um alelo dominante B; ou marrons, se forem homozigóticos bb. O cruzamento de um macho dourado com uma fêmea marrom produziu descendentes pretos, marrons e dourados. O genótipo do macho é: a) EeBB. b) EeBb. c) eebb. d) eeBB. e) eeBb. 2. (Fuvest) O código genético é o conjunto de todas as trincas possíveis de bases nitrogenadas (có- dons). A sequência de códons do RNA mensageiro determina a sequência de aminoácidos da pro- teína. É correto afirmar que o código genético: a) varia entre os tecidos do corpo de um indivíduo. b) é o mesmo em todas as células de um indivíduo, mas varia de indivíduo para indivíduo. c) é o mesmo nos indivíduos de uma mesma espécie, mas varia de espécie para espécie. d) permite distinguir procariotos de eucariotos. e) é praticamente o mesmo em todas as formas de vida. 3. (Fuvest) Assinale a alternativa que, no quadro a seguir, indica os compartimentos celulares em que ocorrem a síntese de RNA e a síntese de proteínas, em animais e em bactérias. Animais Bactérias Síntese de RNA Síntese de proteínas Síntese de RNA Síntese de proteínas a) núcleo citoplasma núcleo citoplasma b) núcleo núcleo citoplasma citoplasma c) núcleo citoplasma citoplasma citoplasma d) citoplasma núcleo citoplasma núcleo e) citoplasma citoplasma citoplasma citoplasma 4. (Fuvest) As mitocôndrias são consideradas as “casas de força” das células vivas. Tal analogia refere-se ao fato de as mitocôndrias: a) estocarem moléculas de ATP produzidas na digestão dos alimentos. b) produzirem ATP com utilização de energia liberada na oxidação de moléculas orgânicas. c) consumirem moléculas de ATP na síntese de glicogênio ou de amido a partir de glicose. d) serem capazes de absorver energia luminosa utilizada na síntese de ATP. e) produzirem ATP a partir da energia liberada na síntese de amido ou de glicogênio. 132 RAio X - Análise eXpositivA 1. Macho dourado tem que ser: _ _ e e. Fêmea marrom tem que ser: b b E _. Prole Preto: B _ E _ Marrom: b b E _ Dourado: _ _ e e Como tiveram um filhote preto, o “B” tem que estar presentes no macho, já que a fê- mea é marrom e, portanto, “bb“. Como tiveram um filhote marrom “bb”, um “b” veio da fêmea e o outro “b” veio do ma- cho. Sendo assim, o genótipo do macho é “Bbee“. 2. O código genético é universal; sendo assim, a mesma trinca de bases que codifica um determinado aminoácido em um indivíduo (ex.: formiga) também codifica o mesmo aminoácido em outro (ex.: ser humano). A trinca “UUU” codifica fenilalanina no ver- me, na bactéria, nos seres humanos e outros. 3. A síntese de RNA corresponde ao processo de transcrição. Nos animais, esse processo ocorre no núcleo, já que esses indivíduos são eucariotos e possuem membrana nuclear. Na bactéria, a transcrição ocorre no citoplasma, pois se trata de um ser procarioto, sem nú- cleo definido. A síntese proteica corresponde ao proces- so de tradução. Nos animais, esse processo ocorre no citoplasma, em uma organela de- nominada ribossomo. Do mesmo modo, ocor- re nas bactérias. 4. É nas mitocôndrias que ocorre a produção de energia ATP, a partir da oxidação da matéria orgânica. 5. Nitrogênio é constituinte de ácidos nuclei- cos e proteínas; fósforo é constituinte de ácidos nucleicos; potássio atua no equilíbrio osmótico e na permeabilidade celular. 6. Mitocôndria e cloroplasto podem ter sido originados do processo de simbiose entre procariotos primitivos (teoria da endossim- biose). GAbARito 1. E 2. E 3. C 4. B 5. C 6. E 5. (Fuvest) Os adubos inorgânicos industriali- zados, conhecidospela sigla NPK, contêm sais de três elementos químicos: nitrogê- nio, fósforo e potássio. Qual das alternati- vas indica as principais razões pelas quais esses elementos são indispensáveis à vida de uma planta? a) Nitrogênio: é constituinte de ácidos nuclei- cos e proteínas; fósforo: é constituinte de ácidos nucleicos e proteínas; potássio: é constituinte de ácidos nucleicos, glicídios e proteínas. b) Nitrogênio: atua no equilíbrio osmótico e na permeabilidade celular; fósforo: é constituinte de ácidos nucleicos; potássio: atua no equilíbrio osmótico e na permea- bilidade celular. c) Nitrogênio: é constituinte de ácidos nuclei- cos e proteínas; fósforo: é constituinte de ácidos nucleicos; potássio: atua no equilí- brio osmótico e na permeabilidade celular. d) Nitrogênio: é constituinte de ácidos nuclei- cos, glicídios e proteínas; fósforo: atua no equilíbrio osmótico e na permeabilidade ce- lular; potássio: é constituinte de proteínas. e) Nitrogênio: é constituinte de glicídios; fós- foro: é constituinte de ácidos nucleicos e proteínas; potássio: atua no equilíbrio os- mótico e na permeabilidade celular. 6. (Fuvest) Em artigo publicado no suplemen- to Mais! do jornal Folha de São Paulo, de 6 de agosto de 2000, José Reis relata que pesquisadores canadenses demonstraram que a alga unicelular ‘Cryptomonas’ resul- ta da fusão de dois organismos, um dos quais englobou o outro ao longo da evolu- ção. Isso não é novidade no mundo vivo. Como relata José Reis: “[...] É hoje cor- rente em Biologia, após haver sido muito contestada inicialmente, a noção de que certas organelas [...] são remanescentes de células que em tempos idos foram in- geridas por célula mais desenvolvida. Dá- -se a esta o nome de hospedeira e o de endossimbiontes às organelas que outrora teriam sido livres”. São exemplos de endossimbiontes em células animais e em células de plantas, respectiva- mente: a) aparelho de Golgi e centríolos. b) centríolos e vacúolos. c) lisossomos e cloroplastos. d) mitocôndrias e vacúolos. e) mitocôndrias e cloroplastos. 133 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) Louis Pasteur realizou experimentos pioneiros em microbiologia. Para tornar estéril um meio de cultura, o qual poderia estar contaminado com agentes causadores de doenças, Pasteur mergulhava o recipiente que o continha em um banho de água aquecida à ebulição e à qual adicio- nava cloreto de sódio. Com a adição de cloreto de sódio, a temperatura de ebulição da água do banho, com relação à da água pura, era __________. O aquecimento do meio de cultura provocava __________. As lacunas podem ser corretamente preenchidas, respectivamente, por: a) maior – desnaturação das proteínas das bactérias presentes b) menor – rompimento da membrana celular das bactérias presentes c) a mesma – desnaturação das proteínas das bactérias d) maior – rompimento da membrana celular dos vírus e) menor – alterações no DNA dos vírus e das bactérias 2. (Fuvest) No heredograma acima, a menina II-1 tem uma doença determinada pela homozigose quanto a um alelo mutante de gene localizado num autossomo. A probabilidade de que seu irmão II-2, clinicamente normal, possua esse alelo mutante é: a) 0. b) 1/4. c) 1/3. d) 1/2. e) 2/3. 3. (Fuvest) No esquema abaixo, está representada uma via metabólica; o produto de cada reação quí- mica, catalisada por uma enzima específica, é o substrato para a reação seguinte. Num indivíduo que possua alelos mutantes que levem à perda de função do gene: a) A ocorrem falta do substrato 1 e acúmulo do substrato 2. b) C não há síntese dos substratos 2 e 3. c) A não há síntese do produto final. d) A o fornecimento do substrato 2 não pode restabelecer a síntese do produto final. e) B o fornecimento do substrato 2 pode restabelecer a síntese do produto final. 134 4. (Fuvest) Nas figuras a seguir, estão esque- matizadas células animais imersas em so- luções salinas de concentrações diferentes. O sentido das setas indica o movimento de água para dentro ou para fora das células, e a espessura das setas indica o volume re- lativo de água que atravessa a membrana celular. A ordem correta das figuras, de acordo com a concentração crescente das soluções em que as células estão imersas, é: a) I, II e III. b) II, III e I. c) III, I e II. d) II, I e III. e) III, II e I. 5. (Fuvest) Na gametogênese humana: a) espermatócitos e ovócitos secundários, for- mados no final da primeira divisão meiótica, têm quantidade de DNA igual à de esperma- togônias e ovogônias, respectivamente. b) espermátides haploides, formadas ao final da segunda divisão meiótica, sofrem divisão mitótica no processo de amadurecimento para originar espermatozoides. c) espermatogônias e ovogônias dividem-se por mitose e originam, respectivamente, esper- matócitos e ovócitos primários, que entram em divisão meiótica, a partir da puberdade. d) ovogônias dividem-se por mitose e originam ovócitos primários, que entram em meiose, logo após o nascimento. e) espermatócitos e ovócitos primários origi- nam o mesmo número de gametas, no final da segunda divisão meiótica. 6. (Fuvest) No processo de síntese de certa pro- teína, os RNA transportadores responsáveis pela adição dos aminoácidos serina, aspara- gina e glutamina a um segmento da cadeia polipeptídica tinham os anticódons UCA, UUA e GUC, respectivamente. No gene que codifica essa proteína, a se- quência de bases correspondente a esses aminoácidos é: a) UCAUUAGUC. b) AGTAATCCAG. c) AGUAAUCAG. d) TCATTAGTC. e) TGTTTTCTG. 7. (Fuvest) Certa planta apresenta variabili- dade no formato e na espessura das folhas: há indivíduos que possuem folhas largas e carnosas, e outros, folhas largas e finas; existem também indivíduos que têm folhas estreitas e carnosas, e outros com folhas es- treitas e finas. Essas características são de- terminadas geneticamente. As variantes dos genes responsáveis pela variabilidade dessas características da folha originaram-se por: a) seleção natural. b) mutação. c) recombinação genética. d) adaptação. e) isolamento geográfico. 8. (Fuvest) As briófitas, no reino vegetal, e os anfíbios, entre os vertebrados, são conside- rados os primeiros grupos a conquistar o am- biente terrestre. Comparando-os, é correto afirmar que: a) nos anfíbios e nas briófitas, o sistema vascu- lar é pouco desenvolvido; isso faz com que, nos anfíbios, a temperatura não seja contro- lada internamente. b) nos anfíbios, o produto imediato da meiose são os gametas; nas briófitas, a meiose origi- na um indivíduo haploide que posteriormen- te produz os gametas. c) nos anfíbios e nas briófitas, a fecundação ocorre em meio seco; o desenvolvimento dos embriões se dá na água. d) nos anfíbios, a fecundação origina um in- divíduo diploide e, nas briófitas, um indi- víduo haploide; nos dois casos, o indivíduo formado passa por metamorfoses até tor- nar-se adulto. e) nos anfíbios e nas briófitas, a absorção de água se dá pela epiderme; o transporte de água é feito por difusão, célula a célula, às demais partes do corpo. 9. (Fuvest) Para que a célula possa transportar para seu interior o colesterol da circulação sanguínea, é necessária a presença de uma determinada proteína em sua membrana. Existem mutações no gene responsável pela síntese dessa proteína que impedem a sua produção. Quando um homem ou uma mu- lher possui uma dessas mutações, mesmo tendo também um alelo normal, apresenta hipercolesterolemia, ou seja, aumento do ní- vel de colesterol no sangue. A hipercolesterolemia devida a essa muta- ção tem, portanto, herança: a) autossômica dominante. b) autossômica recessiva. c) ligada ao X dominante. d) ligada ao X recessiva. e) autossômica codominante. 135 10. (Fuvest) A figura a seguir representa uma célula de uma planta jovem. Considere duas situações: 1) A célula mergulhada numa solução hiper- tônica. 2) A célula mergulhada numa solução hipo- tônica. Dentre as figuras numeradas de I a III, quais representam o aspecto da célula,respectiva- mente, nas situações 1 e 2? a) I e II b) I e III c) II e I d) III e I e) III e II 11. (Fuvest) Na figura abaixo, está representado o ciclo celular. Na fase S, ocorre síntese de DNA; na fase M, ocorre a mitose e, dela, re- sultam novas células, indicadas no esquema pelas letras C. Considerando que, em G1, existe um par de alelos Bb, quantos representantes de cada alelo existirão ao final de S e de G2 e em cada C? a) 4, 4 e 4. b) 4, 4 e 2. c) 4, 2 e 1. d) 2, 2 e 2. e) 2, 2 e 1. 12. (Fuvest) A forma do lobo da orelha, solto ou preso, é determinada geneticamente por um par de alelos. O heredograma mostra que a característica lobo da orelha solto não pode ter herança: a) autossômica recessiva, porque o casal I-1 e I-2 tem um filho e uma filha com lobos das orelhas soltos. b) autossômica recessiva, porque o casal II-4 e II-5 tem uma filha e dois filhos com lobos das orelhas presos. c) autossômica dominante, porque o casal II-4 e II-5 tem uma filha e dois filhos com lobos das orelhas presos. d) ligada ao X recessiva, porque o casal II-1 e II-2 tem uma filha com lobo da orelha preso. e) ligada ao X dominante, porque o casal II-4 e II-5 tem dois filhos homens com lobos das orelhas presos. 13. (Fuvest) O retículo endoplasmático e o com- plexo de Golgi são organelas celulares cujas funções estão relacionadas. O complexo de Golgi: a) recebe proteínas sintetizadas no retículo en- doplasmático. b) envia proteínas nele sintetizadas para o re- tículo endoplasmático. c) recebe polissacarídeos sintetizados no retí- culo endoplasmático. d) envia polissacarídeos nele sintetizados para o retículo endoplasmático. e) recebe monossacarídeos sintetizados no retí- culo endoplasmático e para ele envia polis- sacarídeos. 14. (Fuvest) Considere os eventos abaixo, que podem ocorrer na mitose ou na meiose: I. Emparelhamento dos cromossomos ho- mólogos duplicados. II. Alinhamento dos cromossomos no plano equatorial da célula. III. Permutação de segmentos entre cromos- somos homólogos. IV. Divisão dos centrômeros resultando na separação das cromátides irmãs. 136 No processo de multiplicação celular para repa- ração de tecidos, os eventos relacionados à dis- tribuição equitativa do material genético entre as células resultantes estão indicados em: a) I e III, apenas. b) II e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) I e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 15. (Fuvest) Em tomates, a característica planta alta é dominante em relação à característica planta anã e a cor vermelha do fruto é do- minante em relação à cor amarela. Um agri- cultor cruzou duas linhagens puras: planta alta/fruto vermelho × planta anã/fruto ama- relo. Interessado em obter uma linhagem de plantas anãs com frutos vermelhos, deixou que os descendentes dessas plantas cruzas- sem entre si, obtendo 320 novas plantas. O número esperado de plantas com o fenóti- po desejado pelo agricultor e as plantas que ele deve utilizar nos próximos cruzamentos, para que os descendentes apresentem sem- pre as características desejadas (plantas anãs com frutos vermelhos), estão correta- mente indicados em: a) 16; plantas homozigóticas em relação às duas características. b) 48; plantas homozigóticas em relação às duas características. c) 48; plantas heterozigóticas em relação às duas características. d) 60; plantas heterozigóticas em relação às duas características. e) 60; plantas homozigóticas em relação às duas características. 16. (Fuvest) Uma mutação, responsável por uma doença sanguínea, foi identificada numa família. Abaixo estão representadas sequên- cias de bases nitrogenadas, normal e mutan- te; nelas estão destacados o sítio de início da tradução e a base alterada. O ácido nucleico representado acima e o nú- mero de aminoácidos codificados pela se- quência de bases, entre o sítio de início da tradução e a mutação, estão corretamente indicados em: a) DNA; 8. b) DNA; 24. c) DNA; 12. d) RNA; 8. e) RNA; 24. 17. (Fuvest) Um camundongo recebeu uma inje- ção de proteína A e, quatro semanas depois, outra injeção de igual dose da proteína A, juntamente com uma dose da proteína B. No gráfico abaixo, as curvas X, Y e Z mostram as concentrações de anticorpos contra essas proteínas, medidas no plasma sanguíneo, durante oito semanas. As curvas: a) X e Z representam as concentrações de anti- corpos contra a proteína A, produzidos pelos linfócitos, respectivamente, nas respostas imunológicas primária e secundária. b) X e Y representam as concentrações de anti- corpos contra a proteína A, produzidos pelos linfócitos, respectivamente, nas respostas imunológicas primária e secundária. c) X e Z representam as concentrações de anti- corpos contra a proteína A, produzidos pelos macrófagos, respectivamente, nas respostas imunológicas primária e secundária. d) Y e Z representam as concentrações de anti- corpos contra a proteína B, produzidos pelos linfócitos, respectivamente, nas respostas imunológicas primária e secundária. e) Y e Z representam as concentrações de anti- corpos contra a proteína B, produzidos pelos macrófagos, respectivamente, nas respostas imunológicas primária e secundária. 18. (Fuvest) A figura abaixo representa uma cé- lula diploide e as células resultantes de sua divisão. 137 Nesse processo: a) houve um único período de síntese de DNA, seguido de uma única divisão celular. b) houve um único período de síntese de DNA, seguido de duas divisões celulares. c) houve dois períodos de síntese de DNA, se- guidos de duas divisões celulares. d) não pode ter ocorrido permutação cromossô- mica. e) a quantidade de DNA das células filhas per- maneceu igual à da célula mãe. 19. (Fuvest) No heredograma abaixo, o símbo- lo representa um homem afetado por uma doença genética rara, causada por mutação num gene localizado no cromossomo X. Os demais indivíduos são clinicamente nor- mais. As probabilidades de os indivíduos 7, 12 e 13 serem portadores do alelo mutante são, respectivamente: a) 0,5; 0,25 e 0,25. b) 0,5; 0,25 e 0. c) 1; 0,5 e 0,5. d) 1; 0,5 e 0. e) 0; 0 e 0. 20. (Fuvest) Numa espécie de planta, a cor das flores é determinada por um par de alelos. Plantas de flores vermelhas cruzadas com plantas de flores brancas produzem plantas de flores cor-de-rosa. Do cruzamento entre plantas de flores cor- -de-rosa, resultam plantas com flores: a) das três cores, em igual proporção. b) das três cores, prevalecendo as cor-de-rosa. c) das três cores, prevalecendo as vermelhas. d) somente cor-de-rosa. e) somente vermelhas e brancas, em igual pro- porção. 21. (Fuvest) Há uma impressionante conti- nuidade entre os seres vivos (...). Talvez o exemplo mais marcante seja o da conserva- ção do código genético (...) em praticamente todos os seres vivos. Um código genético de tal maneira “universal” é evidência de que todos os seres vivos são aparentados e her- daram os mecanismos de leitura do RNA de um ancestral comum. Morgante & Meyer. Darwin e a Biologia, o Biólogo 10:12–20, 2009. O termo “código genético” refere-se: a) ao conjunto de trincas de bases nitrogena- das, cada trinca correspondendo a um deter- minado aminoácido. b) ao conjunto de todos os genes dos cromos- somos de uma célula, capazes de sintetizar diferentes proteínas. c) ao conjunto de proteínas sintetizadas a par- tir de uma sequência específica de RNA. d) a todo o genoma de um organismo, formado pelo DNA de suas células somáticas e repro- dutivas. e) à síntese de RNA a partir de uma das cadeias do DNA, que serve de modelo. 22. (Fuvest) Um argumento correto que pode ser usado para apoiar a ideia de que os vírus são seres vivos é o de que eles: a) não dependem do hospedeiro para a repro- dução. b) possuem número de genes semelhante ao dos organismos multicelulares. c) utilizam o mesmo código genético das ou- tras formas de vida. d) sintetizam carboidratos e lipídios, indepen- dentemente do hospedeiro. e) sintetizam suas proteínas independente- mente do hospedeiro. 23.(Fuvest) Com relação à gametogênese huma- na, a quantidade de DNA: I. do óvulo é a metade da presente na ovo- gônia. II. da ovogônia equivale à presente na es- permatogônia. III. da espermatogônia é a metade da presen- te no zigoto. IV. do segundo corpúsculo polar é a mesma presente no zigoto. V. da espermatogônia é o dobro da presente na espermátide. São afirmativas corretas apenas: a) I e II. b) IV e V. c) I, II e V. d) II, III e IV. e) III, IV e V. 24. (Fuvest) Os carboidratos, os lipídios e as proteínas constituem material estrutural e de reserva dos seres vivos. Qual desses com- ponentes orgânicos é mais abundante no corpo de uma planta e de um animal? a) Proteínas em plantas e animais. b) Carboidratos em plantas e animais. c) Lipídios em plantas e animais. d) Carboidratos nas plantas e proteínas nos animais. e) Proteínas nas plantas e lipídios nos animais. 138 GAbARito 1. A 2. E 3. C 4. C 5. A 6. D 7. B 8. B 9. A 10. D 11. E 12. B 13. A 14. B 15. E 16. D 17. A 18. B 19. D 20. B 21. A 22. C 23. C 24. D C FÍSICA N CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias Fuvest - Física Trabalho e energia, 13% Impulso e quantidade de movimento, 11% Dinâmica, 13% Hidrostática, 5% Gravitação, 4% Eletrodinâmica, 11% Eletrostática, 5% Magnetismo, 4% Óptica, 11% Calorimetria e dilatação, 5% Gases e termodinâmica, 5% Ondulatória, 13% 141 Prescrição: É necessário compreender e equacionar as leis que descrevem os fenô- menos físicos de cinemática, dinâmica, energia mecânica, impulso e quantidade de movimento, gravitação e hidrostática. FÍSICA 1 AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Um motociclista de motocross mo- ve-se com velocidade v = 10 m/s, sobre uma superfície plana, até atingir uma rampa (em A), inclinada de 45° com a horizontal, como indicado na figura. A trajetória do motociclista deverá atingir novamente a rampa a uma distância hori- zontal D (D = H), do ponto A, aproximada- mente igual a: a) 20 m. b) 15 m. c) 10 m. d) 7,5 m. e) 5 m. 2. (Fuvest) Uma pessoa puxa um caixote, com uma força F, ao longo de uma rampa inclina- da de 30° com a horizontal, conforme a figu- ra, sendo desprezível o atrito entre o caixote e a rampa. O caixote, de massa m, desloca-se com ve- locidade v constante, durante um certo in- tervalo de tempo ∆t. Considere as seguintes afirmações: I. O trabalho realizado pela força F é igual a F · v · ∆t. II. O trabalho realizado pela força F é igual a m · g · v · ∆t/2. III. A energia potencial gravitacional varia de m · g · v · ∆t/2. Está correto apenas o que se afirma em: a) III. b) I e II. c) I e III. d) II e III. e) I, II e III. 3. (Fuvest) No desenvolvimento do sistema amortecedor de queda de um elevador de massa m o engenheiro projetista impõe que a mola deve se contrair de um valor máximo d, quando o elevador cai, a partir do repou- so, de uma altura h como ilustrado na figura abaixo. Para que a exigência do projetista seja satisfeita, a mola a ser empregada deve ter constante elástica dada por: Note e adote: forças dissipativas devem ser ignoradas. A aceleração local da gravidade é: a) 2 m g (h + d)/d2. b) 2 m g (h – d)/d2. c) 2 m g h/d2. d) m g h/d. e) m g/d. 4. (Fuvest) Uma caminhonete A, parada em uma rua plana, foi atingida por um carro B, com mas- sa mB = mA/2, que vinha com velocidade vB. Como os veículos ficaram amassados, pode- -se concluir que o choque não foi totalmen- te elástico. Consta no boletim de ocorrência que, no momento da batida, o carro B parou enquanto a caminhonete A adquiriu uma 142 velocidade vA = vB/2, na mesma direção de vB. Considere estas afirmações de algumas pessoas que comentaram a situação: I. A descrição do choque não está correta, pois é incompatível com a lei da conser- vação da quantidade de movimento. lI. A energia mecânica dissipada na defor- mação dos veículos foi igual a 1/2 mAvA 2. III. A quantidade de movimento dissipada no choque foi igual a 1/2 mBvB. Está correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) II e III. 5. (Fuvest) Para vencer o atrito e deslocar um grande contêiner C, na direção indicada, é necessária uma força F = 500 N. Na tentativa de movê-lo, blocos de massa m = 15 kg são pendurados em um fio, que é esti- cado entre o contêiner e o ponto P na parede, como na figura. Para movimentar o contêiner, é preciso pendurar no fio, no mínimo: Obs.: sen45° = cos45° ≈ 0,7; tan45° = 1 a) 1 bloco. b) 2 blocos. c) 3 blocos. d) 4 blocos. e) 5 blocos. 6. (Fuvest) Um recipiente, contendo determi- nado volume de um líquido, é pesado em uma balança (situação 1). Para testes de qualidade, duas esferas de mesmo diâme- tro e densidades diferentes, sustentadas por fios, são sucessivamente colocadas no líqui- do da situação 1. Uma delas é mais densa que o líquido (situação 2) e a outra menos densa que o líquido (situação 3). Os valo- res indicados pela balança, nessas três pesa- gens, são tais que: a) P1 = P2 = P3. b) P2 > P3 > P1. c) P2 = P3 > P1. d) P3 > P2 > P1. e) P3 > P2 = P1. RAio X - Análise eXpositivA 1. Calculando o tempo de queda e considerando o movimento na vertical, temos: S = So + vot + at2 ___ 2 H = 0 + 0 ·t + 10t 2 ____ 2 Como H = D, temos D = 5t2. Considerando o movimento na horizontal: v = D __ t → 10 = 5t2 ___ t ⇒ t = 2s Logo: D = 5 · 22 → D = 20 m 2. Calculando o trabalho da força F: Pot = F · v → τ ___ ∆t = F · v τ = F · v · ∆t I (V) A velocidade do caixote é constante; logo, a força resultante é nula. Sendo assim, a força F tem mesmo módulo que a componente Px da força peso: F = Px → F = m · g · sen(30°) F = mg ___ 2 Utilizando o item anterior, temos: τ = mgv∆t ______ 2 II (V) A velocidade é constante; logo, a energia ci- nética do bloco permanece constante. A va- riação da energia potencial corresponde ao trabalho da força F. III(V) 3. No ponto de compressão máxima, a veloci- dade é nula. Adotando esse ponto como re- ferencial de altura, nele, a energia potencial gravitacional também é nula. Assim, apli- cando a conservação da energia mecânica. EM o = EM f m · g · (h + d) = (k · d2) ________ 2 ⇒ ⇒ k = 2mg (h + d) ___________ d2 4. Considerando a conservação da quantidade de movimento para o choque: Q0 = Q → mA · 0 + mB · vB = mA · vA + mB · 0 Como mB = mA ___ 2 ; temos: mA ___ 2 vB = mAvA vA = vB __ 2 Logo a descrição do choque está correta. I(F) 143 Calculando a energia cinética inicial: EC = mv2 ____ 2 → ECo = mB · VB 2 ________ 2 ECo = mA ___ 2 · 2 · (2vA) 2 ECo = mAvA 2 Calculando a energia cinética final: ∆EM = mAvA 2 _____ 2 – mAvA 2 → ∆EM = –mAvA 2 _______ 2 Logo a energia dissipada é: ED = mAvA 2 _____ 2 II(V) A quantidade de movimento do sistema é conservada; logo, a quantidade de movimen- to dissipada é nula. III(F) 5. Considerando as forças que atuam no ponto de união dos fios, temos: tg45° = T1 __ T2 Onde T1 tem que ser no mínimo 500 N e T2 tem mesmo módulo que o peso do corpo pen- durado, logo: 1 = 500 ____ T2 → n · m · g = 500 n · 15 · 10 = 500 n = 3,33... Logo, são necessários no mínimo 4 blocos. 6. Na situação, a balança indica a soma do peso do líquido mais o peso do recipiente. Nas situações 2 e 3, a balança indica a soma do peso líquido mais o peso do recipiente mais a reação do empuxo. O empuxo é maior na situação 2; logo: P2 > P3 > P1 GAbARito 1. A 2. E 3. A 4. B 5. D 6. B 144 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) A escolha do local para instalação de parques eólicos depende, dentre outros fatores, da velocidade média dos ventos que sopram na região. Examine este mapa das diferentes velocidades médias de ventos no Brasil e, em seguida, o gráfico da potência fornecida por um aerogerador em função da velocidade do vento. De acordo com as informações fornecidas, esse aerogerador poderiaproduzir, em um ano, 8,8 GWh de energia, se fosse instalado no: Note e adote: § 1 GW = 109 W § 1 ano = 8800 horas a) noroeste do Pará. b) nordeste do Amapá. c) sudoeste do Rio Grande do Norte. d) sudeste do Tocantins. e) leste da Bahia. 2. (Fuvest) Uma bola de massa m é solta do alto de um edifício. Quando está passando pela posição y = h o módulo de sua velocidade é v. Sabendo-se que o solo, origem para a escala de energia potencial, tem coordenada y = h0 tal que h > h0 > 0, a energia mecânica da bola em y = (h – h0)/2 é igual a: Note e adote: § Desconsidere a resistência do ar. § g é a aceleração da gravidade. a) 1 __ 2 mg(h – h0) + 1 __ 4 mv 2. b) 1 __ 2 mg(h – h0) + 1 __ 2 mv 2. c) 1 __ 2 mg(h – h0) + 2mv 2. d) mgh + 1 __ 2 mv 2. e) mg(h – h0) + 1 __ 2 mv 2. 3. (Fuvest) Um objeto homogêneo colocado em um recipiente com água tem 32% de seu volume submerso; já em um recipiente com óleo, tem 40% de seu volume submerso. A densidade desse óleo, em g/cm3, é: Note e adote: densidade da água = 1 g/cm3. a) 0,32. b) 0,40. c) 0,64. d) 0,80. e) 1,25. 4. (Fuvest) A Estação Espacial Internacional orbita a Terra em uma altitude h. A acelera- ção da gravidade terrestre dentro dessa es- paçonave é: Note e adote: § gT é a aceleração da gravidade na super- fície da Terra. § RT é o raio da Terra. a) nula. b) gT ( h __ RT ) . c) gT ( RT – h ______ RT ) 2. d) gT ( RT ______ RT + h ) 2 . e) gT ( RT – h ______ RT + h ) 2 . 5. (Fuvest) Um trabalhador de massa m está em pé, em repouso, sobre uma plataforma de massa M. O conjunto se move, sem atrito, so- bre trilhos horizontais e retilíneos, com ve- locidade de módulo constante v. Num certo instante, o trabalhador começa a caminhar sobre a plataforma e permanece com velo- cidade de módulo v em relação a ela, e com sentido oposto ao do movimento dela em re- lação aos trilhos. Nessa situação, o módulo da velocidade da plataforma em relação aos trilhos é: a) (2m + M) v/(m + M). b) (2m + M) v/M. c) (2m +M) v/M. d) (M – m) v/M. e) (m + M) v/(M – m). 145 6. (Fuvest) A notícia “Satélite brasileiro cai na Terra após lançamento falhar”, veicu- lada pelo jornal O Estado de S.Paulo de 10/12/2013, relata que o satélite CBERS-3, desenvolvido em parceria entre Brasil e China, foi lançado no espaço a uma altitu- de de 720 km (menor do que a planejada) e com uma velocidade abaixo da necessária para colocá-lo em órbita em torno da Ter- ra. Para que o satélite pudesse ser colocado em órbita circular na altitude de 720 km o módulo de sua velocidade (com direção tangente à órbita) deveria ser de, aproxi- madamente: Note e adote: § raio da Terra = 6 · 103 km § massa da Terra = 6 · 1024 kg § constante da gravitação universal G = 6,7 · 10–11 m3/(s2kg) a) 61 km/s. b) 25 km/s. c) 11 km/s. d) 7,7 km/s. e) 3,3 km/s. 7. (Fuvest) No sistema cardiovascular de um ser humano, o coração funciona como uma bomba, com potência média de 10 W, res- ponsável pela circulação sanguínea. Se uma pessoa fizer uma dieta alimentar de 2500 kcal diárias, a porcentagem dessa energia utilizada para manter sua circulação sanguí- nea será, aproximadamente, igual a: Note e adote: 1 cal = 4 J a) 1%. b) 4%. c) 9%. d) 20%. e) 25%. 8. (Fuvest) Em uma competição de salto em distância, um atleta de 70 kg tem, ime- diatamente antes do salto, uma velocidade na direção horizontal de módulo 10 m/s. Ao saltar, o atleta usa seus músculos para empurrar o chão na direção vertical, pro- duzindo uma energia de 500 J, sendo 70% desse valor na forma de energia cinética. Imediatamente após se separar do chão, o módulo da velocidade do atleta é mais pró- ximo de: a) 10,0 m/s. b) 10,5 m/s. c) 12,2 m/s. d) 13,2 m/s. e) 13,8 m/s. 9. (Fuvest) Maria e Luísa, ambas de massa M, patinam no gelo. Luísa vai ao encontro de Maria com velocidade de módulo V. Maria, parada na pista, segura uma bola de massa m e, num certo instante, joga a bola para Luísa. A bola tem velocidade de módulo v, na mesma dire- ção de V. Depois que Luísa agarra a bola, as velocidades de Maria e Luísa, em relação ao solo, são, respectivamente: a) 0; v – V. b) –v; v + V/2. c) –mv/M; MV/m. d) –mv/M; (mv – MV)/(M + m). e) (MV/2 – mυ)/M; (mv – MV/2)/(M + m). 10. (Fuvest) Uma pequena bola de borracha ma- ciça é solta do repouso de uma altura de 1 m em relação a um piso liso e sólido. A colisão da bola com o piso tem coeficiente de res- tituição ε = 0,8. A altura máxima atingida pela bola, depois da sua terceira colisão com o piso, é: Note e adote: ε = V2f/V 2 i, em que Vf e Vi são, respectivamente, os módulos das velocida- des da bola logo após e imediatamente antes da colisão com o piso. Aceleração da gravidade g = 10 m/s2. a) 0,80 m. b) 0,76 m. c) 0,64 m. d) 0,51 m. e) 0,20 m. 11. (Fuvest) Um móbile pendurado no teto tem três elefantezinhos presos um ao outro por fios, como mostra a figura. As massas dos elefantes de cima, do meio e de baixo são, respectivamente, 20 g, 30 g e 70 g. Os va- lores de tensão, em newtons, nos fios supe- rior, médio e inferior são, respectivamente, iguais a: Note e adote: desconsidere as massas dos fios. Aceleração da gravidade g = 10 m/s2. 146 a) 1,2; 1,0; 0,7. b) 1,2; 0,5; 0,2. c) 0,7; 0,3; 0,2. d) 0,2; 0,5; 1,2. e) 0,2; 0,3; 0,7. 12. (Fuvest) Uma menina, segurando uma bola de tênis, corre com velocidade constante, de módulo igual a 10,8 km/h, em trajetória re- tilínea, numa quadra plana e horizontal. Num certo instante, a menina, com o braço esticado horizontalmente ao lado do corpo, sem alterar o seu estado de movimento, sol- ta a bola, que leva 0,5 s para atingir o solo. As distâncias Sm e Sb percorridas, respectiva- mente, pela menina e pela bola, na direção horizontal, entre o instante em que a meni- na soltou a bola (t = 0 s) e o instante t = 0,5 s, valem: Note e adote: desconsiderar efeitos dissipa- tivos. a) Sm = 1,25 m e Sb = 0 m. b) Sm = 1,25 m e Sb = 1,50 m. c) Sm = 1,50 m e Sb = 0 m. d) Sm = 1,50 m e Sb = 1,25 m. e) Sm = 1,50 m e Sb = 1,50 m. 13. (Fuvest) Usando um sistema formado por uma corda e uma roldana, um homem levan- ta uma caixa de massa m, aplicando na cor- da uma força F que forma um ângulo £ com a direção vertical, como mostra a figura. O trabalho realizado pela resultante das forças que atuam na caixa – peso e força da corda –, quando o centro de massa da caixa é elevado, com velocidade constante v, desde a altura ya até a altura yb, é: a) nulo. b) F(yb – ya). c) mg(yb – ya). d) Fcos(£)(yb – ya). e) mg(yb – ya) + mv 2/2. 14. (Fuvest) Um avião, com velocidade cons- tante e horizontal, voando em meio a uma tempestade, repentinamente perde altitude, sendo tragado para baixo e permanecendo com aceleração constante vertical de módulo a > g, em relação ao solo, durante um in- tervalo de tempo ∆t. Pode-se afirmar que, durante esse período, uma bola de futebol que se encontrava solta sobre uma poltrona desocupada: a) permanecerá sobre a poltrona, sem alteração de sua posição inicial. b) flutuará no espaço interior do avião, sem aceleração em relação ao mesmo, durante o intervalo de tempo ∆t. c) será acelerada para cima, em relação ao avião, sem poder se chocar com o teto, inde- pendentemente do intervalo de tempo ∆t. d) será acelerada para cima, em relação ao avião, podendo se chocar com o teto, de- pendendo do intervalo de tempo ∆t. e) será pressionada contra a poltrona durante o intervalo de tempo ∆t. 15. (Fuvest) Um caminhão, parado em um se- máforo, teve sua traseira atingida por um carro. Logo após o choque, ambos foram lan- çados juntos para frente (colisão inelásti- ca), com uma velocidade estimada em 5 m/s (18 km/h), na mesma direção em que o carro vinha. Sabendo-se que a massa do caminhão era cerca de três vezes a massa do carro, foi possível concluir que o carro, no momento da colisão, trafegava a uma velocidade apro- ximada de: a) 72 km/h. b) 60 km/h. c) 54 km/h. d) 36 km/h. e) 18 km/h.16. (Fuvest) Em um terminal de cargas, uma esteira rolante é utilizada para transportar caixas iguais, de massa M = 80 kg, com cen- tros igualmente espaçados de 1 m. Quando a velocidade da esteira é 1,5 m/s, a potência dos motores para mantê-la em movimento é P0. Em um trecho de seu percurso, é ne- cessário planejar uma inclinação para que a esteira eleve a carga a uma altura de 5 m, como indicado. Para acrescentar essa rampa e manter a velocidade da esteira, os motores devem passar a fornecer uma potência adi- cional aproximada de: a) 1200 W. b) 2600 W. c) 3000 W. d) 4000 W. e) 6000 W. 147 17. (Fuvest) Um automóvel e um ônibus trafe- gam em uma estrada plana, mantendo velo- cidades constantes em torno de 100 km/h e 75 km/h respectivamente. Os dois veículos passam lado a lado em um posto de pedágio. Quarenta minutos (2/3 de hora) depois, nes- sa mesma estrada, o motorista do ônibus vê o automóvel ultrapassá-lo. Ele supõe, então, que o automóvel deve ter realizado, nesse período, uma parada com duração aproxima- da de: a) 4 minutos. b) 7 minutos. c) 10 minutos. d) 15 minutos. e) 25 minutos. 18. (Fuvest) Uma esfera de massa m0 está pen- durada por um fio, ligado em sua outra ex- tremidade a um caixote, de massa M = 3 m0, sobre uma mesa horizontal. Quando o fio en- tre eles permanece não esticado e a esfera é largada, após percorrer uma distância H0, ela atingirá uma velocidade V0, sem que o cai- xote se mova. Na situação em que o fio en- tre eles estiver esticado, a esfera, puxando o caixote, após percorrer a mesma distância H0, atingirá uma velocidade V igual a: a) 1 __ 4 V0. b) 1 __ 3 V0. c) 1 __ 2 V0. d) 2V0. e) 3V0. 19. (Fuvest) A velocidade máxima permitida em uma autoestrada é de 110 km/h (aproxima- damente 30 m/s) e um carro, nessa veloci- dade, leva 6 s para parar completamente. Diante de um posto rodoviário, os veícu- los devem trafegar no máximo a 36 km/h (10 m/s). Assim, para que carros em velo- cidade máxima consigam obedecer o limite permitido, ao passar em frente do posto, a placa referente à redução de velocidade de- verá ser colocada antes do posto, a uma dis- tância, pelo menos, de: a) 40 m. b) 60 m. c) 80 m. d) 90 m. e) 100 m. 20. (Fuvest) O mostrador de uma balança, quando um ob- jeto é colocado sobre ela, indica 100 N, como esquematizado em A. Se tal balança estiver desnivelada, como se observa em B, seu mos- trador deverá indicar, para esse mesmo obje- to, o valor de: a) 125 N. b) 120 N. c) 100 N. d) 80 N. e) 75 N. 21. (Fuvest) Nos manuais de automóveis, a caracterização dos motores é feita em CV (cavalo-vapor). Essa unidade, proposta no tempo das primeiras máquinas a vapor, cor- respondia à capacidade de um cavalo típico, que conseguia erguer, na vertical, com au- xílio de uma roldana, um bloco de 75 kg, à velocidade de 1 m/s. Para subir uma ladei- ra, inclinada como na figura, um carro de 1000 kg, mantendo uma velocidade constan- te de 15 m/s (54 km/h), desenvolve uma po- tência útil que, em CV, é, aproximadamente, de: a) 20 CV. b) 40 CV. c) 50 CV. d) 100 CV. e) 150 CV. 22. (Fuvest) Dois discos, A e B, de mesma mas- sa M, deslocam-se com velocidades VA = V0 e VB = 2V0, como na figura, vindo a chocar-se um contra o outro. Após o choque, que não é elástico, o disco B permanece parado. Sendo E1 a energia cinética total inicial (E1 = 5 · (1/2 MV0 2)), a energia cinética total E2, após o choque, é: 148 a) E2 = E1. b) E2 = 0,8 E1. c) E2 = 0,4 E1. d) E2 = 0,2 E1. e) E2 = 0. 23. (Fuvest) É conhecido o processo utilizado por po- vos primitivos para fazer fogo. Um jovem, tentando imitar parcialmente tal processo, mantém entre suas mãos um lápis de for- ma cilíndrica e com raio igual a 0,40 cm de tal forma que, quando movimenta a mão es- querda para a frente e a direita para trás, em direção horizontal, imprime ao lápis um rápido movimento de rotação. O lápis gira, mantendo seu eixo fixo na direção vertical, como mostra a figura acima. Realizando di- versos deslocamentos sucessivos e medindo o tempo necessário para executá-los, o jo- vem conclui que pode deslocar a ponta dos dedos de sua mão direita de uma distância L = 15 cm, com velocidade constante, em aproximadamente 0,30 s. Podemos afirmar que, enquanto gira num sentido, o número de rotações por segundo executadas pelo lá- pis é aproximadamente igual a: a) 5. b) 8. c) 10. d) 12. e) 20. 24. (Fuvest) Uma criança estava no chão. Foi então levantada por sua mãe que a colocou em um escorregador a uma altura de 2,0 m em relação ao solo. Partindo do repouso, a criança deslizou e chegou novamente ao chão com velocidade igual a 4 m/s. Sendo T o trabalho realizado pela mãe ao suspender o filho, e sendo a aceleração da gravidade g = 10 m/s2, a energia dissipada por atrito, ao escorregar, é aproximadamente igual a: a) 0,1 T. b) 0,2 T. c) 0,6 T. d) 0,9 T. e) 1,0 T. GAbARito 1. B 2. E 3. D 4. D 5. A 6. D 7. C 8. B 9. D 10. D 11. A 12. E 13. A 14. D 15. A 16. E 17. C 18. C 19. C 20. D 21. A 22. D 23. E 24. C 149 Prescrição: É necessário ter conhecimento sobre as leis e equações que descrevem fenômenos térmicos, ópticos e ondulatórios. FÍSICA 2 AplicAção dos conhecimentos - sAlA 1. (Fuvest) Em algumas situações de resgate, bombeiros utilizam cilindros de ar compri- mido para garantir condições normais de respiração em ambientes com gases tóxicos. Esses cilindros, cujas características estão indicadas e seguir, alimentam máscaras que se acoplam ao nariz. Quando acionados, os cilindros fornecem para a respiração, a cada minuto, cerca de 40 litros de ar, a pressão atmosférica e temperatura ambiente. Nesse caso, a duração do ar de um desses cilindros seria de aproximadamente: Cilindro para respiração: § Gás – ar comprimido § Volume – 9 litros § Pressão interna – 200 atm § Pressão atmosférica local = 1 atm A temperatura durante todo o processo per- manece constante. a) 20 minutos. b) 30 minutos. c) 45 minutos. d) 60 minutos. e) 90 minutos. 2. (Fuvest) Um aquecedor elétrico é mergulha- do em um recipiente com água a 10 °C e, cinco minutos depois, a água começa a fer- ver a 100 °C. Se o aquecedor não for desli- gado, toda a água irá evaporar e o aquecedor será danificado. Considerando o momento em que a água começa a ferver, a evaporação de toda a água ocorrerá em um intervalo de aproximadamente: § Calor específico da água = 1,0 cal/(g °C) § Calor de vaporização da água = 540 cal/g Desconsidere perdas de calor para o reci- piente, para o ambiente e para o próprio aquecedor. a) 5 minutos. b) 10 minutos. c) 12 minutos. d) 15 minutos. e) 30 minutos. 3. (Fuvest) Em uma exposição, organizada em dois andares, foi feita uma montagem com dois espelhos planos E1 e E2, dispostos a 45° entre os andares, como na figura 1. Uma vi- sitante, quando no andar superior, no ponto A, fotografa um quadro (Q), obtendo a foto 1, tal como vista no visor (fig. 1). Essa visitante, ao descer as escadas, foto- grafa, no ponto B, o mesmo quadro através dos espelhos. A nova foto, tal como vista no visor, é: a) b) c) d) e) 150 4. (Fuvest) Uma pessoa idosa que tem hiper- metropia e presbiopia foi a um oculista que lhe receitou dois pares de óculos, um para que enxergasse bem os objetos distantes e outro para que pudesse ler um livro a uma distância confortável de sua vista. § Hipermetropia: a imagem de um objeto distante se forma atrás da retina. § Presbiopia: o cristalino perde, por enve- lhecimento, a capacidade de acomodação e objetos próximos não são vistos com nitidez. § Dioptria: a convergência de uma lente, medida em dioptrias, é o inverso da dis- tância focal (em metros) da lente. Considerando que receitas fornecidas por oculistas utilizam o sinal mais (+) para len- tes convergentes e menos (–) para divergen- tes, a receita do oculista para um dos olhos dessa pessoa idosa poderia ser: a) para longe: –1,5 dioptrias; para perto: +4,5 dioptrias. b) para longe:–1,5 dioptrias; para perto: –4,5 dioptrias. c) para longe: +4,5 dioptrias; para perto: +1,5 dioptrias. d) para longe: +1,5 dioptrias; para perto: –4,5 dioptrias. e) para longe: +1,5 dioptrias; para perto: +4,5 dioptrias. 5. (Fuvest) O som de um apito é analisado com o uso de um medidor que, em sua tela, vi- sualiza o padrão apresentado na figura a seguir. O gráfico representa a variação da pressão que a onda sonora exerce sobre o medidor, em função do tempo, em µs (1 µs = 10–6 s). Analisando a tabela de intervalos de frequências audíveis, por diferentes se- res vivos, conclui-se que esse apito pode ser ouvido apenas por: Seres vivos Intervalos de frequência cachorro 15 Hz – 45.000 Hz ser humano 20 Hz – 20.000 Hz sapo 50 Hz – 10.000 Hz gato 60 Hz – 65.000 Hz morcego 1.000 Hz – 120.000 Hz a) seres humanos e cachorros. b) seres humanos e sapos. c) sapos, gatos e morcegos. d) gatos e morcegos. e) morcegos. 6. (Fuvest) Considerando o fenômeno de res- sonância, o ouvido humano deveria ser mais sensível a ondas sonoras com comprimentos de onda cerca de quatro vezes o comprimen- to do canal auditivo externo, que mede, em média, 2,5 cm. Segundo esse modelo, no ar, onde a velocidade de propagação do som é 340 m/s, o ouvido humano seria mais sensí- vel a sons com frequências em torno de: a) 34 Hz. b) 1.320 Hz. c) 1.700 Hz. d) 3.400Hz. e) 6.800 Hz. RAio X - Análise eXpositivA 1. Considerando que é uma transformação iso- térmica e que o cilindro é utilizável até a pressão interna atingir o mesmo valor que a pressão externa, temos: P0V0 = P1V1 → 200 · 9 = 1 · V1 V1 = 1800 litros Para descobrir o tempo, basta utilizar a va- zão dada: Z = ∆V ___ ∆t → 40 = 1800 _____ ∆t → ∆t = 45 min 2. Primeiramente, devemos calcular a potência do aquecedor: Pot = Q ___ ∆t → Pot = mc∆T _____ ∆t Pot = m · 1 · 90/5 Pot = 18 m cal/min Agora, podemos calcular o tempo necessário para tornar a massa de água líquida em vapor: Q = m · L → Pot · ∆t = m · L ∆t = m · L ______ Pot ∆t = (m · 540) __________ 18 · m ∆t = 30 min 3. Pela propriedade de simetria aplicada aos dois espelhos, é possível realizar a construção da imagem. Considere o esquema a seguir: 151 4. Para um olho hipermetrope, não presbíope, para visão de um objeto distante, os múscu- los ciliares aumentam a vergência do crista- lino, de modo a acomodar a imagem sobre a retina. Se o olho hipermetrope passa a ser também presbíope, o cristalino perde sua elasticidade; e a lente corretiva, para aco- modar a imagem de um objeto distante na retina, deve ser convergente, com uma certa vergência V1, substituindo a ação dos múscu- los ciliares. Para visão de objetos próximos, a distância focal do sistema formado pelo olho e pela len- te corretiva deverá ser ainda menor que para objetos distantes, o que significa que a lente corretiva a ser usada continua sendo conver- gente e com vergência V2, tal que V2 > V1. 5. De acordo com o gráfico, podemos concluir que o período é igual ao dobro do intervalo de tempo dado; logo: T = 2 · 10 · 10–6 S → T = 2 · 10–5 S A partir do período, é possível calcular a fre- quência: f = 1 __ T → f = 1 __ 2 · 10 –5 f = 5 · 104 Hz → f = 50000 Hz O valor de frequência se encontra nos inter- valos de frequências audíveis para gatos e morcegos. 6. De acordo com enunciado, é possível calcular o comprimento de onda: λ = 4L → λ = 4 · 2,5 λ = 10 cm → λ = 0,1 m Pela equação fundamental, podemos calcular a frequência: v = λf → 340 = 0,1 · f f = 3.400 Hz GAbARito 1. C 2. E 3. A 4. E 5. D 6. D 152 pRáticA dos conhecimentos - e.o. 1. (Fuvest) Uma garrafa tem um cilindro afixa- do em sua boca, no qual um êmbolo pode se movimentar sem atrito, mantendo constante a massa de ar dentro da garrafa, como ilus- tra a figura. Inicialmente, o sistema está em equilíbrio à temperatura de 27 °C. O volume de ar na garrafa é igual a 600 cm3 e o êmbolo tem uma área transversal igual a 3 cm2. Na condição de equilíbrio, com a pressão atmos- férica constante, para cada 1 °C de aumento da temperatura do sistema, o êmbolo subirá aproximadamente: Note e adote: § 0 °C = 273 K § Considere o ar da garrafa como um gás ideal. a) 0,7 cm. b) 1,4 cm. c) 2,1 cm. d) 3,0 cm. e) 6,0 cm. 2. (Fuvest) Uma moeda está no centro do fun- do de uma caixa-d’água cilíndrica de 0,87 m de altura e base circular com 1,0 m de di- âmetro, totalmente preenchida com água, como esquematizado na figura. Se um feixe de luz laser incidir em uma di- reção que passa pela borda da caixa, fazendo um ângulo £ com a vertical, ele só poderá iluminar a moeda se: Note e adote: índice de refração da água = 1,4 § n1sen(£1) = n2sen(£2) § sen(20°) = cos(70°) = 0,35 § sen(30°) = cos(45°) = 0,50 § sen(45°) = cos(45°) = 0,70 § sen(60°) = cos(30°) = 0,87 § sen(70°) = cos(20°) = 0,94 a) £ = 20°. b) £ = 30°. c) £ = 45°. d) £ = 60°. e) £ = 70°. 3. (Fuvest) Certa quantidade de gás sofre três transformações sucessivas, A → B, B → C e C → A, conforme o diagrama p – V apresen- tado na figura abaixo. A respeito dessas transformações, afirmou- -se o seguinte: I. O trabalho total realizado no ciclo ABCA é nulo. II. A energia interna do gás no estado C é maior que no estado A. III. Durante a transformação A → B, o gás re- cebe calor e realiza trabalho. Está correto o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. 4. (Fuvest) Luz solar incide verticalmente so- bre o espelho esférico convexo visto na figu- ra abaixo. Os raios refletidos nos pontos A, B e C do espelho têm, respectivamente, ângulos de reflexão £A, £B e £C tais que: a) £A > £B > £C. b) £A > £C > £B. c) £A < £C < £B. d) £A < £B < £C. e) £A = £B = £C. 153 5. (Fuvest) A figura acima mostra parte do teclado de um piano. Os valores das frequências das notas sucessivas, incluindo os sustenidos, repre- sentados pelo símbolo #, obedecem a uma progressão geométrica crescente da esquerda para a direita; a razão entre as frequências de duas notas Dó consecutivas vale 2; a frequên- cia da nota Lá do teclado da figura é 440 Hz. O comprimento de onda, no ar, da nota Sol indicada na figura é próximo de: Note e adote: § 21/12 = 1,059 § (1,059)2 = 1,12 § velocidade do som no ar = 340 m/s a) 0,56 m. b) 0,86 m. c) 1,06 m. d) 1,12 m. e) 1,45 m. 6. (Fuvest) Um prisma triangular desvia um feixe de luz verde de um ângulo £A, em re- lação à direção de incidência, como ilustra a figura A, abaixo. Se uma placa plana, do mesmo material do prisma, for colocada entre a fonte de luz e o prisma, nas posições mostradas nas figuras B e C, a luz, ao sair do prisma, será desvia- da, respectivamente, de ângulos £B e £C, em relação à direção de incidência indicada pela seta. Os desvios angulares serão tais que: a) £A = £B = £C. b) £A > £B > £C. c) £A < £B < £C. d) £A = £B > £C. e) £A = £B < £C. 7. (Fuvest) O resultado do exame de audiome- tria de uma pessoa é mostrado nas figuras abaixo. Os gráficos representam o nível de in- tensidade sonora mínima I, em decibéis (dB), audível por suas orelhas direita e esquerda, em função da frequência f do som, em kHz. A comparação desse resultado com o de exa- mes anteriores mostrou que, com o passar dos anos, ela teve perda auditiva. Com base nessas informações, foram feitas as seguintes afirmações sobre a audição dessa pessoa: I. Ela ouve sons de frequência de 6 kHz e intensidade de 20 dB com a orelha direi- ta, mas não com a esquerda. II. Um sussurro de 15 dB e frequência de 0,25 kHz é ouvido por ambas as orelhas. III. A diminuição de sua sensibilidade au- ditiva, com o passar do tempo, pode ser atribuída a degenerações dos ossos mar- telo, bigorna e estribo, da orelha externa, onde ocorre a conversão do som em im- pulsos elétricos. É correto apenas o que se afirma em: a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) II e III. 8. (Fuvest) O sr. Rubinato, um músico aposenta- do, gosta de ouvir seus velhos discos sentado em uma poltrona. Está ouvindo